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Numero do processo: 10380.732712/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2008
PLANO DE SAÚDE. ABRANGÊNCIA A TODOS OS EMPREGADOS
E DIRIGENTES DA EMPRESA. DESNECESSIDADE DE PREVISÃO
DE COBERTURA IGUAL PARA TODOS OS EMPREGADOS E
DIRIGENTES.
O valor pago por assistência médica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o salário-de-contribuição, ainda que os riscos acobertados e as comodidades do plano sejam diferenciados por grupos de trabalhadores.
ABONO PECUNIÁRIO.
Integra o salário de contribuição o abono pecuniário pago a funcionários em caráter habitual.
SEGURO DE VIDA EM GRUPO PARA DIRIGENTES.
Comprovada e reconhecida sua existência, os valores pagos por seguros de vida em grupo diferenciados para dirigentes devem compor o salário de contribuição.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DE DIRIGENTES
Não tendo sido observados os termos de lei específica, é devida a incidência da tributação previdenciária sobre o valores pagos a dirigentes a título de participação nos lucros ou resultados da empresa.
COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarado inconstitucional o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, deve-se afastar a contribuição previdenciária que incidiu sobre as os pagamentos efetuados às Cooperativas de trabalho.
Numero da decisão: 2201-003.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir os valores incidentes sobre as notas fiscais/faturas de serviços prestados por cooperativas de trabalhos. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir os valores pagos a título de assistência médica aos dirigentes. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Redator designado.
EDITADO EM: 09/11/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ABRANGÊNCIA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES DA EMPRESA. DESNECESSIDADE DE PREVISÃO DE COBERTURA IGUAL PARA TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. O valor pago por assistência médica prestada por plano de saúde, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, não integra o saláriodecontribuição, ainda que os riscos acobertados e as comodidades do plano sejam diferenciados por grupos de trabalhadores. ABONO PECUNIÁRIO. Integra o salário de contribuição o abono pecuniário pago a funcionários em caráter habitual. SEGURO DE VIDA EM GRUPO PARA DIRIGENTES. Comprovada e reconhecida sua existência, os valores pagos por seguros de vida em grupo diferenciados para dirigentes devem compor o salário de contribuição. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS DE DIRIGENTES Não tendo sido observados os termos de lei específica, é devida a incidência da tributação previdenciária sobre o valores pagos a dirigentes a título de participação nos lucros ou resultados da empresa. COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarado inconstitucional o inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, devese afastar a contribuição previdenciária que incidiu sobre as os pagamentos efetuados às Cooperativas de trabalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 27 12 /2 01 1- 89 Fl. 967DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e no mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir os valores incidentes sobre as notas fiscais/faturas de serviços prestados por cooperativas de trabalhos. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir os valores pagos a título de assistência médica aos dirigentes. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator), Denny Medeiros da Silveira (Suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. Daniel Melo Mendes Bezerra Redator designado. EDITADO EM: 09/11/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Relatório O presente processo trata de trata do Autos de Infração de contribuições previdenciárias, cuja ciência ao contribuinte se deu em 12 de dezembro de 2011 e dos quais originaramse os seguintes débitos: DEBCAD PRINCIPAL JUROS MULTA DE OFÍCIO MULTA DE MORA TOTAL FLS. 37.353.0420 847.934,82 294.646,09 31.841,51 193.315,10 1.367.137,52 03 51 37.353.0404 118.219,75 41.088,01 350,38 28.260,31 187.918,75 52 80 37.353.0412 65.167,89 20.931,93 15.640,29 101.740,11 81 96 37.053.0374 106.710,10 106.710,10 97 37.353.0382 152,44 152,44 98 Em relação ao DEBCAD 37.353.0382, o contribuinte recolheu o valor devido, restando extinto por pagamento (fl. 758 e 781). Inconformado com os demais débitos, o sujeito passivo interpôs impugnação tempestiva ao lançamento (fls. 419/471 DC 0412; fls. 515/568 DC 0420; fls. 612/664 DC 0404; fls. 711/725 DC 0374), a qual foi analisada pela 14ª Turma de Julgamento da DRJ São Paulo, que assim relatou a demanda (fls 319/337): O presente processo administrativo, lavrado pela Fiscalização contra a empresa em epígrafe, é constituído pelos Autos de Infração (AI´s) a seguir descritos, formalizados com base nos mesmos elementos de prova: AIOP DEBCAD nº 37.353.0420: Auto de Infração de Obrigação Principal, referente às contribuições devidas à Fl. 968DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 934 3 Seguridade Social, da parte da empresa, e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, no montante de R$ 1.367.737,52 (um milhão, trezentos e sessenta e sete mil e setecentos e trinta e sete reais e cinqüenta e dois centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências 01/2008 a 12/2008, consolidado em 06/12/2011; AIOP DEBCAD nº 37.353.0404: Auto de Infração de Obrigação Principal, relativo às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos – Terceiros (Salário Educação e SEBRAE), incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, no montante de R$ 187.918,75 (cento e oitenta e sete mil e novecentos e dezoito reais e setenta e cinco centavos), incluindo juros e multa, abrangendo as competências 01/2008 a 12/2008, consolidado em 06/12/2011; AIOP DEBCAD nº 37.353.0414: Auto de Infração de Obrigação Principal, relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social, da parte dos segurados empregados, incidentes sobre suas remunerações, cujo desconto da remuneração e correspondente recolhimento é de responsabilidade do Contribuinte, no montante de R$ 101.740,11 (cento e um mil e setecentos e quarenta reais e onze centavos), incluindo juros e multa, relativo à competência 10/2008, consolidado em 06/12/2011; AIOA DEBCAD nº 37.353.0374: Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado por infração ao artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, e ao artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, código de fundamento legal 68, no montante de R$ 106.710,10 (cento e seis mil e setecentos e dez reais e dez centavos), consolidado em 06/12/2011; AIOA DEBCAD nº 37.353.0382: Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado por infração ao artigo 32, inciso IV e parágrafo 6º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, e ao artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, código de fundamento legal 69, no montante de R$ 152,44 (cento e cinqüenta e dois reais e quarenta e quatro centavos), consolidado em 06/12/2011. 1.1 O Relatório Fiscal de fls. 99 a 126, comum aos quatro Autos de Infração, informa que: Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: Remunerações pagas aos segurados empregados, a título de abono decorrente de acordo coletivo, por liberalidade da empresa, em desacordo com o artigo 28, parágrafo 9º, alínea Fl. 969DF CARF MF 4 “e”, item 7, da Lei nº 8212/91. As verbas foram apuradas na folha de pagamento, rubrica 3199 (indenização acordo); Pagamento de despesas com assistência médica e odontológica, a diretores empregados e não empregados e gerentes, em desacordo com o artigo 28, parágrafo 9º, alínea “q”, da Lei nº 8212/91; Pagamento de seguro de vida a dirigentes da empresa (diretores empregados e não empregados e gerentes), em desacordo com o artigo 214, parágrafo 9º, item XXV, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99; Pagamento a título de participação nos lucros e resultados a empregados dirigentes da empresa, em desacordo com o artigo 28, parágrafo 9º, alínea “j”, da Lei nº 8212/91; Pagamentos efetuados como retribuição dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho; O Tópico 6.1.2 do Relatório Fiscal descreve com detalhes cada um dos fatos geradores e o método de apuração, e o Tópico 6.1.5 relaciona os elementos examinados, e que serviram de base para a apuração; Tendo em vista a edição da Medida Provisória nº 449 de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11941/2009, bem como o princípio da norma mais benéfica, expresso no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional – CTN, foi feita a comparação das multas calculadas na forma da legislação vigente e na da legislação atual, para aplicar a multa mais benéfica para o Contribuinte. Nas competências 01/2008, 02/2008, 04/2008 a 09/2008 e 11/2008 a multa atual é mais benéfica, e nas competências 03/2008 e 10/2008 a multa apurada na legislação anterior é a mais benéfica; No Tópico 7 do Relatório Fiscal são apresentados os Relatórios Fiscais da Infração e da Aplicação da Multa, dos Autos de Infração lavrados por descumprimento de obrigação acessória: AI DEBCAD 37.353.0374 Tendo sido constatado que a empresa não declarou os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias nas competências 03/2008 e 10/2008, para as quais as penalidades anteriores à MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11941/2009 foram mais benéficas, foi lavrado este AI, por infração ao artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.528/97, e ao artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do RPS; AI DEBCAD 37.353.0382 Tendo sido constatado que a empresa entregou suas GFIP´s com erros nos campos relacionados a Outras Entidades – Terceiros, estabelecimento 07.047.251/000928, nas competências 03/2008 e 10/2008, para as quais as penalidades anteriores à MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11941/2009 Fl. 970DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 935 5 foram mais benéficas, foi lavrado este AI, por infração ao artigo 32, inciso IV e parágrafo 6º da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.528/97, e ao artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do RPS; A fiscalização foi atendida pelo Sr. Antonio Rommel Souza Ferreira, analista tributário, a quem foram prestados todos os esclarecimentos necessários. 1.2 Integram o presente processo administrativo: Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 02); IPC – Instruções para o Contribuinte (fls. 135/136); Relatório de Vínculos (fls. 137/138); RDA – Relatório de Documentos Apresentados (fls. 139/151); Recibos de Entrega de Arquivos Digitais (fl. 397/400); Recibo de Arquivos Entregues ao Contribuinte (fls. 401/403); Termos de Início de Procedimento Fiscal, Intimação Fiscal, de Ciência e de Continuidade (fls. 404/414); TEPF – Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 415/416). 1.3 Além do Relatório Fiscal, integram os Autos de Infração (fls. 03, 52, 81, 97, 98) os seguintes documentos: DD – Discriminativos do Débito (fls. 04/19, 53/62 e 82/85); RL – Relatórios de Lançamentos (fls. 20/36, 63/68, 86/88); RADA – Relatórios de Apropriação de Documentos Apresentados (fls. 37/48, 69/78, 89/94); FLD – Fundamentos Legais do Débito (fls. 49/51, 79/80 e 95/96); planilha “SAFIS – Comparação de Multas” (fls. 127/128); planilhas “Cálculo da Multa” (fls. 129/130 e 133/134); planilha “Cálculo Valor Auto de Infração CFL 78” (fls. 131/132). 1.4 A Fiscalização também fez juntada dos seguintes documentos digitalizados: Procurações e documento de procurador (fls. 152/157); Estatuto Social e Atas de Reunião e Assembléia (fls. 158/207); Acordo Coletivo de Trabalho – 2008/2010 (fls. 208/265); Planilhas Demonstrativas (fls. 266/364; 302/304; 372/374); Contratos de prestação de serviços Odontológicos, Médicos e Contratos de Seguro de Vida em Grupo (305/364); Folhas de Pagamento (fls. 365/371); Relação de Notas Fiscais, e Notas Fiscais/Faturas (fls. 375/396). DAS IMPUGNAÇÕES 2. Tendo sido cientificada dos Autos de Infração em 12/12/2011, conforme fls. 03, 52, 81, 97, 98, a Autuada apresentou impugnação para os seguintes Autos de Infração: AI DEBCAD nº 37.353.0412 – Impugnação às fls. 419/471, com juntada, às fls. 472/514, de Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral – CNPJ, Estatuto, atas de reunião, Procuração, Substabelecimento, documentos dos procuradores, Parecer PGFN/CRJ/nº 2114/2011, e Tabela de incidência de contribuições previdenciárias; AI DEBCAD nº 37.353.0420 – Impugnação às fls. 515/568, com juntada, às fls. 569/611, de Comprovante de Inscrição e de Fl. 971DF CARF MF 6 Situação Cadastral – CNPJ, Estatuto, atas de reunião, Procuração, Substabelecimento, documentos dos procuradores, Parecer PGFN/CRJ/nº 2114/2011, e Tabela de incidência de contribuições previdenciárias; AI DEBCAD nº 37.353.0404 – Impugnação às fls. 612/664, com juntada, às fls. 665/710, de Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral – CNPJ, Estatuto, atas de reunião, Procuração, Substabelecimento, documentos dos procuradores, Parecer PGFN/CRJ/nº 2114/2011, e Tabela de incidência de contribuições previdenciárias; AI DEBCAD nº 37.353.0374 – Impugnação às fls. 711/725, com juntada, às fls. 726/750, de Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral – CNPJ, Estatuto, atas de reunião, Procuração, Substabelecimento, documentos dos procuradores. 3. Para os AI´s por Descumprimento de Obrigações Principais, DEBCAD´s nº´s 37.353.0404, 37.353.0412, e 37.353.0420, o Contribuinte faz um breve relato sobre as autuações, e apresenta, basicamente, as mesmas alegações, a seguir sintetizadas: Da Sinopse Fática Abonos Decorrentes de Acordo Coletivo 3.1 Como será explanado adiante, é ilegal a disposição contida no artigo 214, parágrafo 9º, alínea “j”, do Decreto nº 3048/99, por se tratar de verdadeira exigência restritiva aos direitos do Contribuinte. Há inovação jurídica por meio de Decreto, em afronta ao artigo 5º, II, da Constituição Federal de 1988. Valores de Assistência Médica e Odontológica Pagos aos Dirigentes da Empresa (Diretores Empregados e Não Empregados e Gerentes) 3.2 O AFRB concluiu haver dois planos distintos e restritos quanto à abrangência: um destinado à cobertura dos empregados e outro destinado à cobertura dos dirigentes. 3.3 Entretanto, é indevida a autuação neste item pois nos moldes do artigo 28, parágrafo 9º, alínea “q”, da Lei nº 8212/91, o valor de assistência médica ou odontológica, própria ou conveniada, não integra o salário de contribuição. Valores Relativos a Seguro de Vida Pagos aos Dirigentes da Empresa (Diretores Empregados e Não Empregados e Gerentes) em Pretenso Desacordo com a Legislação 3.4 Afirma que o AFRB verificou que existem duas modalidades de planos, um destinado à cobertura dos empregados e outro destinado à cobertura dos dirigentes, concluindo que a parte que “deveria” ser descontada dos dirigentes era objeto de incidência de contribuição previdenciária. 3.5 No entanto, não há na legislação previdenciária qualquer impedimento para a existência de planos distintos, exigindose somente que todos os empregados tenham o plano de seguro de vida, inclusive sendo esta a jurisprudência do CARF. Fl. 972DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 936 7 Valores Relativos a Participação nos Lucros e Resultados Pagos aos Dirigentes da Empresa (Diretores Empregados e Não Empregados e Gerentes) em Pretenso Desacordo com a Legislação 3.6 O Relatório Fiscal afirma que os pagamentos aos dirigentes da empresa a título de participação nos lucros não eram auferidos através de avaliação de desempenho, nem de critérios previstos em acordo coletivo. 3.7 Desta forma, a Fiscalização assemelhou tais pagamentos àqueles previstos na Lei nº 6404/76. No entanto, demonstra incerteza quando justifica a incidência “por haver maior semelhança com a participação nos lucros prevista na Lei nº 6.404/76”. 3.8 Argumenta que os entendimentos jurídicos foram aplicados equivocadamente, tornando a autuação nula. Pagamentos Efetuados como Retribuição dos Serviços Prestados por Cooperados por Intermédio de Cooperativas de Trabalho 3.9 Transcreve trecho do item 6.1.2.5 do Relatório Fiscal e alega que a Fiscalização considerou, erroneamente, como fato gerador das contribuições de 15%, supostamente devidas pela empresa, a diferença dos valores das faturas em favor da cooperativa de saúde, nas quais não foi considerado como base de cálculo o percentual mínimo de 30%. 3.10 Afirma que a contribuição previdenciária prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8212/91 é inconstitucional, sendo que a matéria está aguardando o julgamento da ADIN nº 2.594 pelo STF. 3.11 A seguir, passa a demonstrar a insubsistência do auto de infração por inúmeras razões de direito: Da Sinopse Jurídica Da Impossibilidade de Incidência das Contribuições Previdenciárias Sobre Abono Salarial Indenizatório Decorrente de Acordo Coletivo Da não Incidência da Contribuição Previdenciária Sobre as Chamadas Verbas de Natureza Indenizatórias. Artigo 195 da Constituição Federal de 1988. Abono Salarial Indenizatório por Ocasião dos Acordos Coletivos Celebrados 3.12 Discorre sobre o salário de contribuição e alega que a Lei nº 8212/91 afrontou o inciso I do artigo 195 da CF/88, na medida em que ampliou o conceito de salário. Cita renomado jurista e julgado do STF. Fl. 973DF CARF MF 8 3.13 Conclui que qualquer quantia paga ao empregado que não tenha as características da habitualidade e da retributividade não podem ser base de incidência das contribuições previdenciárias. 3.14 Portanto, as verbas indenizatórias, que objetivam reparar uma perda, possuem natureza diversa do salário. Transcreve doutrina. 3.15 Apoiado no artigo 110 do CTN, artigos 457 e 458 da CLT, doutrina e jurisprudência, aduz que o abono em virtude de acordo coletivo tem natureza de indenização, não incidindo contribuições previdenciárias. 3.16 Afirma que a alteração efetuada pela Lei nº 9528/97 é inconstitucional. Da Impossibilidade de Tributação Previdenciária Sobre Abonos Indenizatórios Expressamente não Vinculados aos Salários – Lei n° 8.212/91, Art. 28, § 9o, "7" c/c Art. 111, I d o CTN 3.17 Transcreve o artigo 195, I, “a”, da CF/88, artigo 111 do CTN, artigo 28, I, e parágrafo 9º, item 7, da Lei nº 8212/91, além do parágrafo 9º do artigo 214 do RPS (Decreto nº 3048/99), e alega que somente no RPS consta a expressão “por força de lei”. 3.18 Entretanto, nos termos do artigo 84, inciso IV, da CF, os decretos e regulamentos são exclusivamente para fiel execução das leis. Deste modo, inválido o parágrafo 9º do artigo 214 do RPS. Transcreve julgado. 3.19 Argumenta que o abono de 2008, decorrente de acordo coletivo, não possui vinculação ou natureza salarial. A própria CLT, no artigo 144, prescreve abonos de natureza indenizatória. Transcreve jurisprudência 3.20 Mencionando o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011 (anexo), e página da Receita Federal na internet, conclui que a própria Receita instrui os contribuintes a não recolher contribuições previdenciárias sobre abonos expressamente desvinculados de salários, nos termos da Lei nº 8212/91, artigo 28, parágrafo 9º, item 7. E não há citação do parágrafo 9º do artigo 214 do RPS, o que torna a exigência ilegal. Da Impossibilidade de Tributação Previdenciária Sobre o Pagamento de Assistência Médica e Odontológica aos Dirigentes da Empresa Art. 28, § 9o, "q" da Lei n° 8.212/91 c/c Art. 111 do CTN 3.21 Transcreve trecho do Relatório Fiscal e reafirma que nos termos do artigo 28, parágrafo 9º, “q”, da Lei nº 8212/91, o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, Fl. 974DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 937 9 óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, não integra o salário de contribuição, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. 3.22 Como pode ser observado no Relatório Fiscal, o motivo da autuação não residiu no fato da assistência médica não ser extensiva a todos, requisito legal cumprido pela Impugnante, na forma do artigo 111 do CTN, mas sim pelo fato de existirem contratos distintos. 3.23 Entretanto, a Lei nº 8212/91 não fez referência à necessidade de igualdade entre os planos. Transcreve jurisprudências do CARF e do STJ. Da Impossibilidade de Tributação Previdenciária Sobre o Pagamento de Seguro de Vida em Grupo aos Dirigentes da Empresa Art . 214 § 9°, XXV do Decreto n° 3.048/99 (RPS) 3.24 A Fiscalização considerou devida a contribuição previdenciária sobre as quantias pagas a título de seguro de vida aos dirigentes da empresa, por estar em desacordo com a legislação, já que existem 2 tipos distintos. Transcreve trecho do Relatório Fiscal e o artigo 214, parágrafo 9º, inciso XXV, do RPS. 3.25 Mas não há impedimento legal para a existência de contratos de seguro de vida distintos, devendo ser aplicado o princípio da legalidade, artigo 5º, inciso II, da CF. 3.26 Além do que, os valores pagos às seguradoras não constitui importância efetivamente recebida ou creditada aos empregados, nem configura “ganhos habituais sob a forma de utilidades”. Somente constituem ganho efetivo se concretizar a situação de invalidez ou morte, não são contrapartida pela atividade laboral. 3.27 Aduz que o artigo 457 da CLT não inclui a parcela paga a título de seguro de vida em grupo. 3.28 Reproduz jurisprudências e conclui pela improcedência da “NFLD” (sic). Da Impossibilidade de Tributação Previdenciária Sobre Bônus de Meta/Participação de Lucros de Dirigentes Expressamente não Vinculados aos Salários Lei n° 8.212/91, Art. 28, § 9o, "e", "7" c/c Art. 111, I do CTN 3.29 Transcreve trecho do Relatório Fiscal e argumenta que o Auditor não pode justificar a incidência simplesmente “por Fl. 975DF CARF MF 10 haver maior semelhança com a participação nos lucros prevista na Lei nº 6404/76”. 3.30 Cita o artigo 7º, inciso XI, da CF/88, e artigo 28, parágrafo 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8212/91, discorre sobre as gratificações, e afirma que o pagamento de “bônus” por meta atingida pelos dirigentes não pode ter incidência de contribuições previdenciárias. 3.31 Estes valores, como demonstram os documentos anexos ao Auto de Infração, são relativos a bônus oriundos da lucratividade da empresa, e esporádicos. Transcreve jurisprudência, 3.32 Apoiado no artigo 111 do CTN, artigo 28, I, e parágrafo 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8212/91 e parágrafo 9º do artigo 214 do RPS (Decreto nº 3048/99), e alega que somente no RPS consta a expressão “por força de lei”. 3.33 Os ganhos dos dirigentes a título de “Bônus por Cumprimento de Metas” têm caráter de participação nos lucros, e são totalmente desvinculados do salário, em conformidade com o citado artigo 28, I, e parágrafo 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8212/91. 3.34 Em que pese o artigo 457 da CLT, os bônus pagos a título de indenização ou lucros não possuem natureza salarial. 3.35 Apresenta julgados administrativos e conclui que os bônus distribuídos aos dirigentes não integram o salário de contribuição. Pagamentos Efetuados a Cooperativas de Trabalho Médico e Odontológico. Retribuição dos Serviços Prestados por Cooperados. Das Ilicitudes da Exigência Do Tratamento Especial das Cooperativas na Órbita Constitucional Da Afronta ao Art. 154, I da CF/88. Imprescindibilidade de Lei Complementar para Instituir Novas Bases de Cálculo 3.36 Transcreve o inciso IV do artigo 22 da Lei nº 8212/91 e afirma que este dispositivo legal é inconstitucional, na medida em que a incidência recai sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de prestação de serviços, e não sobre as hipóteses previstas no inciso I do artigo 195 da CF/88. 3.37 A relação se dá entre a cooperativa e a tomadora de serviços, e assim, qualquer responsabilidade advinda do contrato de prestação de serviços deve ser assumida pela cooperativa. A empresa não contrata com o cooperado, nem tem vínculo com ele. 3.38 Reproduz trecho da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.5941/600 e conclui que na instituição da contribuição previdenciária prevista no artigo 22, IV da Lei nº 8212/91, pela Fl. 976DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 938 11 Lei Ordinária nº 9876/99, foi criada nova fonte de custeio por Lei ordinária, o que afronta o artigo 154, I, da CF/88. 3.39 Também ocorre violação ao princípio da isonomia, pois as pessoas jurídicas que optam por contratar cooperativas têm tratamento desigual em relação às que contratam outras empresas. 3.40 Discorre sobre o tratamento dado pela Constituição às cooperativas, e aduz que a autuação deve ser anulada. Princípio Processual da Eventualidade. Do Ilícito bis in idem de Incidir, Sobre os Mesmos Fatos Geradores, Multas Denominadas “Moratórias” e “Penalidades” 3.41 Pelo princípio da eventualidade, no caso da manutenção do lançamento, insurgese contra a incidência de multas moratórias e de ofício sobre os mesmos fatos geradores. Não se pode aplicar, sobre uma mesma conduta, uma duplicidade de penas. 3.42 Discorre sobre infrações, citando renomado jurista, afirma que no presente caso, por força do artigo 112 do CTN, aplicase a penalidade mais favorável ao Contribuinte. 3.43 No Auto de Infração é indiscutível a existência de bis in idem, pois consta no lançamento uma multa denominada moratória, cumulada com outra multa, denominada de ofício, para os mesmos fatos geradores. 3.44 Pelo exposto, se mantida a autuação, deve ser aplicada somente a multa de ofício, em conformidade com os artigos 112 e 142 do CTN. Dos Pedidos 3.45 Pelo exposto, requer: I) Que a defesa seja recebida com suspensão de exigibilidade, pela aplicação dos artigos 151, III e 206 do CTN, especialmente para fins de emissão da CPDEN; II) Que o Auto de Infração seja julgado improcedente; III) Pelo princípio da eventualidade, caso mantida a autuação, que seja aplicada somente a multa de ofício, pois o lançamento é de ofício, na forma do artigo 142 do CTN, e o artigo 112 do mesmo código determina que na dúvida, deve ser imposta a penalidade mais benéfica ao Contribuinte. 3.46 Requer provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente apresentação de novos documentos, diligências e perícias. 4. Para o AI por Descumprimento de Obrigação Acessória, DEBCAD nº 37.353.0374, o Contribuinte faz um breve relato sobre a autuação e alega, em síntese, que: Fl. 977DF CARF MF 12 Do Direito Preliminares Da Tempestividade do Presente Petitório 4.1 Destaca a tempestividade da Impugnação, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70235/72. Da Necessária Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário em Discussão. Aplicação Imediata do Art. 151, III, c/c 205 e 206, Todos do CTN 4.2 Transcreve os artigos 111 e 151 do CTN, e o artigo 5º, inciso LV, da CF/88 e aduz que a suspensão de exigibilidade do crédito viabiliza a apresentação da defesa administrativa, tendo em vista que o Contribuinte não será impedido de obter Certidão de Regularidade Fiscal. 4.3 Apresenta doutrina e jurisprudência e requer que seja declarada a suspensão da exigibilidade até o trânsito em julgado, não sendo óbice à regularidade fiscal do Contribuinte, nos termos dos artigos 205 e 206 do CTN. Mérito Do Ilícito Bis in Idem de Incidir, Sobre os Mesmos Fatos Geradores, Multas denominadas “Moratórias” e “De Ofício” e Ainda Multa por Descumprimento de Obrigação Acessória. CondutaMeio (NãoAutônoma) para Consecução da Conduta Fim (Autônoma, Pretensa Ausência de Recolhimento do Tributo) 4.4 Transcreve trechos do Relatório Fiscal e alega que os mesmos fatos geradores considerados pela Fiscalização para a lavratura do presente Auto de Infração também serviram de base para a lavratura de outros Autos de Infração, nos quais estão sendo exigidos o crédito principal acrescido de juros moratórios, bem como multas de mora e de ofício sobre o principal. 4.5 Ou seja, para o mesmo fato gerador, imputouse multa moratória através de Auto de Infração de obrigação principal, e multa acessória através de outro Auto de Infração, numa punição em duplicidade (bis in idem). 4.6 Argumenta que a condutameio que está sendo imputada no Auto de Infração em epígrafe é, exclusivamente, oriunda das condutasfins dos Autos de Infração nº´s 37.353.0420, 37.353.0412 e 37.353.0404. Assim, se os outros 3 Autos de Infração forem julgados indevidos, as pretensas obrigações acessórias punidas também cairão. 4.7 Não se pode aplicar, sobre uma mesma conduta, uma duplicidade (ou triplicidade, como no presente caso) de penas – multa moratória, de ofício e por descumprimento de obrigação acessória. 4.8 Discorre sobre infrações, citando renomado jurista, afirma que no presente caso, por força do artigo 112 do CTN, aplicase a penalidade mais favorável ao Contribuinte. Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 939 13 4.9 No Auto de Infração é indiscutível a existência de bis in idem, pois consta no lançamento uma multa denominada moratória, cumulada com outra multa, denominada de ofício, para os mesmos fatos geradores. 4.10 Pelo exposto, se mantida a autuação, deve ser aplicada somente a multa de ofício, em conformidade com os artigos 112 e 142 do CTN. Princípio Processual da Eventualidade. Da Expressa Aplicação do Art. 32A da Lei 8.212/91. Alterações da Lei 11.941/09. Parecer 433/2009 da PGFN. Multa Mais Benéfica ao Contribuinte. Art. 106 do CTN 4.11 Pelo princípio da eventualidade, no caso da manutenção do lançamento, insurgese contra a incidência de penalidade mais severa sob o prisma de ser a mais benéfica ao Contribuinte. 4.12 Destaca as diversas alterações promovidas pela MP nº 449/08 (convertida na Lei nº 11941/2009) na Lei nº 8212/91, no tocante às penalidades por descumprimento de obrigações principais e acessórias. 4.13 Transcreve o artigo 32A, incluído pela Lei nº 11941/2009 e alega que a nova penalidade é mais benéfica. 4.14 Argumenta que na planilha apresentada pela Fiscalização, verificase que o parâmetro utilizado para a comparação das multas está equivocado. Deveria ter sido usado o estabelecido no artigo 32A da Lei nº 8212/91, a fim de respeitar o princípio da retroatividade benigna disposto no artigo 106 do CTN (transcreve). 4.15 Menciona a Portaria Conjunta nº 14/2009, artigo 3º, parágrafo 1º, e requer que sejam refeitos os cálculos para aplicação da multa mais benéfica ao Contribuinte, utilizandose o disposto no artigo 32A da Lei nº 8212/91 (aplicação de multa de R$ 20,00 para cada grupo de 10 erros ou omissões), bem como demonstrando a apuração dos erros encontrados na declaração apresentada. Dos Pedidos 4.16 Pelo exposto, requer: I) Que a defesa seja recebida com suspensão de exigibilidade, pela aplicação dos artigos 151, III e 206 do CTN, especialmente para fins de emissão da CPDEN; II) Que o Auto de Infração seja julgado improcedente; III) Que seja afastado o bis in idem que é o presente Auto de Infração, e seja aplicada somente a multa de ofício aos autos principais, pois o lançamento é de ofício, na forma do artigo 142 do CTN, e o artigo 112 do mesmo código determina que na dúvida, deve ser imposta a penalidade mais benéfica ao Contribuinte; Fl. 979DF CARF MF 14 III) Pelo princípio da eventualidade, caso mantida a autuação, que sejam refeitos os cálculos para aplicação da multa mais benéfica ao Contribuinte, utilizandose o disposto no artigo 32A da Lei nº 8212/91 (acrescentado pela Lei 11.941/2009 aplicação de multa de R$ 20,00 para cada grupo de 10 erros ou omissões), em atenção ao princípio da retroatividade benigna, bem como demonstrando a apuração dos erros encontrados na declaração apresentada. 4.17 Requer provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente apresentação de novos documentos, diligências e perícias. DO PAGAMENTO DO AI DEBCAD nº 37.353.0382 5. No que se refere ao AI DEBCAD nº 37.353.0382, foi baixado por pagamento, a teor da tela juntada à fl. 755, e petição de fls. 758/759. O Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTOS DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. Os Autos de Infração (AI´s) encontramse revestido das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. ACORDO COLETIVO DE TRABALHO. INCAPACIDADE DE ALTERAR OBRIGAÇÕES DEFINIDAS EM LEI. Os Acordos Coletivos de Trabalho comprometem empregadores e empregados, não possuindo capacidade de alterar as normas legais que obrigam terceiros, ou de isentar o Contribuinte de suas obrigações definidas por Lei. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. A apresentação de provas e/ou requerimento perícias e diligências, no contencioso administrativo, deve ser feita juntamente com a impugnação, com observância das determinações previstas no art. 57, III e IV, §§1º e 4º, alíneas “a”, “b” e “c”, todos do Decreto nº 7.574/2011. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do Impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 940 15 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições da parte dos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como recolher as contribuições a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados a seu serviço. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. EXCLUSÕES LEGAIS. Entendese por salário de contribuição, para o segurado empregado e contribuinte individual, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente na legislação não integram o salário de contribuição. ASSISTÊNCIA MÉDICA. Os valores pagos pela empresa a título de assistência médica e seguro de vida enquadramse no conceito de saláriode contribuição quando seu fornecimento não atende todos os requisitos legais de isenção das contribuições previdenciárias devidas. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. O valor (prêmio) relativo a seguro de vida em grupo, pago pela empresa, integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias se não previsto em convenção ou acordo coletivo, e não esteja também disponível a todos os empregados e dirigentes. ABONO ÚNICO. Os abonos pagos com habitualidade têm natureza jurídica salarial e integram a base de cálculo das contribuições devidas à Fl. 981DF CARF MF 16 Seguridade Social, não se enquadrando nas hipóteses taxativas de exclusão do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei 8.212./91. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. COOPERATIVA DE TRABALHO DA ÁREA DA SAÚDE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. A empresa que contrata prestação de serviços de cooperativa de trabalho da área da saúde deve recolher a contribuição prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/1991, incidente sobre os serviços por meio dele prestados, contidos em nota fiscal ou fatura de prestação de serviços emitida em seu nome. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Outras Entidades Terceiros, incidentes sobre o salário de contribuição definido pelo art. 28 da Lei 8.212/91. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008, 01/10/2008 a 31/10/2008 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AIOA CFL 68. Apresentar a empresa Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Efetuada a ciência da decisão de 1ª instância em 12 de fevereiro de 2014, conforme AR de fl. 855, em 10 de março de 2014 o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fl. 857, no qual, em síntese, reafirma as razões expostas em sede de impugnação fl. 863: É o relatório necessário. Voto Vencido Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 941 17 Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Por ser tempestivo e por apresentar as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Em sede preliminar, além de considerações sobre a tempestividade, a qual já resta reconhecida, o contribuinte requer que seu recurso voluntário seja recebido e processado com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário nele discutido. Contudo, em casos dessa natureza, por entender que a tramitação da demanda nos termos do Decreto 70.235/72 leva necessariamente à suspensão da exigibilidade do crédito tributário questionado, não vislumbro quaisquer motivos para nos debruçarmos sobre o tema, já que, em momento algum, esse direito do contribuinte esteve ameaçado, sendo certo que, até que findo o trâmite administrativo, os valores lançados estão suspensos. Do Mérito Do abono salarial decorrente de Acordo Coletivo Nos termos do Relatório fiscal, fl. 103, a ação fiscal considerou que o "abono indenizatório" previsto no Acordo Coletivo 2008/2010, fl. 208, tem natureza salarial, já que se presta a repor perdas salariais. A Autoridade Administrativa valeuse do art. 28 da Lei 8.212/91 e dos termos da alínea "j", do inciso V do § 9º, do art. 214 do Decreto 3048/99, para afirmar que deve incidir contribuição previdenciária social sobre tais valores, por inexistência de permissivo legal para sua exclusão da base de cálculo previdenciária. Salutar, portanto, rever os exatos termos de tais preceitos: Lei 8.212/91 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). Grifouse Fl. 983DF CARF MF 18 Decreto 3.048/99 Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente:(...) V as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Grifouse Acerca da tributação do abono pago na competência 02/2007, alega o sujeito passivo se tratar de parcela paga em razão de acordo coletivo, que foi repassada de forma eventual e extraordinária. Aduz que se tratava de valor fixo, não se alterando em razão do cargo exercido ou do salário auferido, o que lhe retira a natureza de contraprestação pelo trabalho. Objetivando clarear ainda mais a controvérsia sobre a questão, relevante destacar os termos do Parágrafo Primeiro da Cláusula Segunda do Acordo Coletivo de Trabalho 2008/2010 celebrado entre a Companhia Energética do Ceará e o Sindicato dos Eletricitários do Ceará, no qual se verifica existência da previsão de pagamento de abono salarial nos seguintes termos: Parágrafo Primeiro: A COELCE, a título de indenização pela diferença de ganho real postulada e a concedida, pagará aos empregados, em Novembro de 2.008 e Outubro de 2.009, abono indenizatório e sem qualquer integração salarial, nos seguintes valores: 60% (sessenta por cento) do salário base do empregado percebido em 31 de outubro de 2008, com um valor mínimo de R$1.400,00 (hum mil e quatrocentos reais), a ser pago no 5º dia útil após a assinatura do presente acordo e 60% (sessenta por cento) do salário base do empregado percebido em 31 de outubro de 2009, com um valor mínimo de R$1.400,00 (hum mil e quatrocentos reais), cujo pagamento se dará até 31 de outubro de 2009. Grifouse. Inconformada com o entendimento da fiscalização, inicialmente, a contribuinte questiona a constitucionalidade da lei 8.212/91, alegando que esta teria ampliado o conceito de salário, em afronta ao inciso I do art. 195 da CF/88. Sobre a inconstitucionalidade suscitada pela recorrente, tratase de questão sobre a qual este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou, uniforme e Fl. 984DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 942 19 reiteradamente, tendo sido editada Súmula, de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do RICARF, cujo teor destaco abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, de modo a não alongar a presente análise enveredando por aspectos não contidos na esfera de competência dessa Corte Administrativa, as alegações de inconstitucionalidade de leis serão desconsideradas. Não obstante, eventuais argumentos sobre a inaplicabilidade ao caso concreto dos diplomas destacados serão, decerto, avaliados. Continuando sua argumentação com o fim de demonstrar que o "abono indenizatório" em discussão não tem natureza salarial, a requerente alega que "verba indenizatória não é forma de retribuição de trabalho, na medida que objetiva reparar uma perda, repondo o patrimônio do ofendido ao estado que se encontrava antes da lesão", afirmando expressamente que "indenização, portanto, é coisa diametralmente oposta, pois destinase, com dito, a reparar um direito malferido", fl. 872. Aduz, ainda, que "não se pode querer validamente equiparar o recebimento de uma indenização à obtenção de salário", motivo pelo qual entende que não pode incidir a contribuição previdenciária. Apresenta precedentes judiciais, administrativos, manifestação da PGFN e informações disponíveis no sítio da RFB na Internet que, em sua avaliação, dariam sustentação ao seu entendimento de que os abonos não integram o conceito de salário. Aparentemente, a preocupação da requerente se manteve fixa à tese de que estamos diante de uma indenização, sem cunho salarial, sobre a qual seria descabida a incidência da tributação previdenciária. Contudo, não me parece ser este o cerne da questão. Inicialmente, não vejo configurada no caso em tela a tal "indenização" apregoada pelo contribuinte. O fato de ter sido assim nomeada não altera sua natureza. Notase que o valor do "abono indenizatório" previsto no acordo coletivo não teve e não tem o objetivo de reparar qualquer perda, já que não repõe nada ao patrimônio de ninguém. Nos exatos termos do Acordo Coletivo em comento, conforme citado alhures, o valor seria pago a título de "indenização" pela diferença de ganho real postulado e o concedido aos empregados. Querer dizer que o objetivo seria recomposição de patrimônio, conduziria nos ao entendimento de que aquilo que foi postulado pelos empregados, ressaltese a título de ganho real, pelo simples fato de ter sido postulado, já integraria o patrimônio do postulante. Naturalmente, resta absolutamente descabida tal associação. Portanto, não há que se falar em recomposição de "um direito malferido" . Ainda que diante de tal avaliação equivocada, entendo razoável o argumento de que o preceito contido no Decreto 3.048/99, que exclui da base de cálculo os ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei, restringe os Fl. 985DF CARF MF 20 termos da lei 8.212/91, para a qual não integram o salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Assim, ainda que desconsideremos a exigência que extrapola a competência regulamentar, fixandonos estritamente aos termos legais, impõe reconhecer que estamos diante de verba prevista em norma coletiva do trabalho, expressamente não vinculada ao salário do trabalhador, carente, ainda, de verificação quanto ao caráter de eventualidade. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN , em razão da existência de decisões reiteradas de ambas as Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça ─ STJ no sentido de que o abono único, disposto em Convenção Coletiva de Trabalho, quando desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não é passível de incidência de contribuição previdenciária, emitiu o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114/2011, cuja conclusão merece ser destacada: "Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase sejam autorizadas pela Senhora ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária". De tal Parecer, após aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda, decorreu o Ato Declaratório n. 16/2011, nos seguintes termos: "A PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL (...) DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. Assim, temos que, para que os efeitos do Ato Declaratório nº 16/2011 fossem aplicados ao presente caso, é mister verificarmos se a situação fática tratada no presente processo se enquadra perfeitamente aos termos prescritos pela PGFN, a saber: 1º Estamos diante de um abono único? 2º A verba está prevista em Convenção Coletiva de Trabalho? 3º O valor está expressamente desvinculado do salário? 4º O pagamento é feito com habitualidade? Quanto ao segundo e terceiro questionamentos, não há qualquer dúvida. Pois, de fato, o valor está previsto em Convenção Coletiva, com expressa desvinculação de salários. Fl. 986DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 943 21 Em relação ao primeiro questionamento, vemos que a recorrente se comprometeu a pagar aos empregados, em Novembro de 2.008 e Outubro de 2.009 um valor que varia de acordo com o salário base de cada um, limitado a um mínimo fixado. Ou seja, não há unicidade de pagamento. Já em relação ao quarto e, no meu sentir, mais importante questionamento, este sim diretamente vinculado ao caráter não eventual previsto no art. 28 da Lei 8.212/91 e ao preceito Constitucional contido no § 11º do art. 201, segundo o qual os ganhos habituais, a qualquer título, integram o salário para efeito de contribuição previdenciária, as cópias dos acordos coletivos presentes nos autos, dos anos de 2008/2010, fl. 208, e 2006/2008, fl. 228, evidenciam, de maneira inequívoca, que a prática de concessão da "indenização" decorrente da diferença de ganho real postulado não se afigura eventual, mas habitual, já que todos os anos tais valores são pagos aos beneficiários. Assim, o valor pago pelo contribuinte a este título não se enquadra na exceção objeto do Ato Declaratório PGFN nº 16/2011, tampouco na exceção contida no art. 28, § 9º, alínea "e", item 7 da Lei 8.212/91. Assim, pelo exposto, não merece acolhida as alegações do contribuinte, devendose manter a inclusão do abono pecuniário na base de cálculo previdenciária, conforme preceitua o inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91. Da assistência médica e odontológica aos dirigentes da empresa. Inconformada com as conclusões da fiscalização, a recorrente questiona a tributação previdenciária sobre os valores pagos pelos planos de assistência médica e odontológica disponibilizados para os seus dirigentes, cuja cobertura diferenciada não era extensiva aos demais empregados da empresa. Argumenta que a autuação é indevida, já que tais valores não integram o salário de contribuição. Ademais, sustenta que, embora existam contratos com coberturas diferenciadas, todos os seus empregados possuem assistência médica e odontológica, o que importaria a exclusão dos valores pagos a este título por expressa previsão do art. 28, § 9ª, alínea "q" da Lei 8.212/91. Para fundamentar seus argumentos, além do próprio texto legal, cita decisões judiciais e administrativas que, em sem entendimento, amparam o seu pleito. Para melhor entendimento da questão, oportuno destacar o preceito legal relacionado ao tema : Lei 8.212/91 (...) Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo Fl. 987DF CARF MF 22 tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; Grifouse. Uma análise simples do texto legal acima, é suficiente para evidenciar que, em regra, qualquer vantagem habitual concedida ao empregado em retribuição ao seu trabalho integra o salário de contribuição. Contudo, existem exceções. E a discutida no presente caso é a contida na alínea "q" do § 9 do mesmo art. 28, segundo a qual o valor relativo à assistência prestado por serviço médico ou odontológico não integra o salário de contribuição. Ocorre que o texto não termina aí. Se o legislador pretendesse excluir todos os dispêndios dessa natureza do campo de incidência da tributação previdenciária, não precisaria ter restringido a benesse fiscal como o fez com a expressão "desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa". Ou seja, está claro que não é qualquer despesa com assistência médica e odontológica que não integraria o saláriodecontribuição, mas tão só aquelas em que A COBERTURA abranja a totalidade dos empregados e dirigentes. Ou seja, o que se tem é que não há espaços para coberturas diferenciadas, optando o legislador por privilegiar o tratamento isonômico entre os trabalhadores, evitando incentivar a criação de castas superiores mediante dispositivo legal de renúncia tributária. Naturalmente, nada impede a empresa de conceder quaisquer tratamentos diferenciados aos seus dirigentes. Contudo, deve considerar tais regalias no momento de calcular o montante devido a título de contribuição previdenciária, sob pena se desvirtuar uma das faces do tributo, transformandoo, inaceitavelmente, em instrumento de promoção de desigualdade social. Quanto aos precedentes judiciais e administrativos citados pelo contribuinte, estes não vinculam a presente análise, sendo certo que de outro modo a matéria foi decidida, como se vê no recente julgado da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão 9202003.846, de 09 de março de 2016, cuja ementa assim tratou o tema: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ASSISTÊNCIA À SAÚDE. DIVERSIDADE DE PLANOS E COBERTURAS. Os valores relativos a assistência médica integram o saláriode contribuição, quando os planos e as coberturas não são igualitários para todos os segurados Fl. 988DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 944 23 Portanto, comprovada e reconhecida a existência de planos diferenciados para dirigentes, em homenagem à literalidade prevista no inciso II do art. 111 da Lei .5.172/66 (CTN), não merece acolhida as alegações do contribuinte, devendose manter, neste item, integralmente o lançamento guerreado. Do seguro de vida em grupo dos dirigentes da empresa. A recorrente questiona a tributação previdenciária sobre quantias pagas a título de seguro de vida aos dirigentes da empresa, as quais foram consideradas pela fiscalização como em desacordo com a legislação, em razão da existência de dois tipos distintos de seguros contratados com condições diferenciadas para dirigentes e empregados, sem que fosse possível a opção por uma ou outra categoria. Mais uma vez, o argumento da empresa vem no sentido de que a benesse fiscal que prevê a exclusão de valores desta natureza do saláriodecontribuição apenas exige que haja previsão em acordo coletivo e que o seguro esteja disponível à totalidade de seus empregados. Cita os termos do Inciso XXV do § 9 do art. 214 do Decreto 3.048/99 (RPS) e respeitáveis manifestações jurisprudenciais, objetivando lastrear seus argumentos. Por fim, afirma que é irrelevante se existe distinções na cobertura assistencial, pois onde a norma não fixa regras, não é o aplicador da lei que pode fazêlo. Assim, vale destacar a regra que dá suporte a alegada procedência da exclusão dos valores pagos relativos a prêmio de seguros de vida em grupo do saláriode contribuição: Decreto 3.048/99 (...) Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Ora, vêse que, da mesma forma como já explanado no tema anterior (assistência médica e odontológica), a legislação restringiu o favor fiscal, neste caso, às Fl. 989DF CARF MF 24 situações em que os valores efetivamente pagos relativos a seguro de vida em grupo estivessem previstos em acordo ou convenção coletiva de trabalho e fossem disponibilizados à totalidade de seus empregados e dirigentes. No caso em questão, cumpre destacar que os acordos coletivos que integram a presente lide administrativa, fl 208 e fl. 228, não contemplam os diretores e gerentes da requerente, em razão de expressa exclusão prevista nas respectivas Cláusulas Sétimas. Assim, de plano, já vemos que não há amparo normativo para o intento da contribuinte. Ainda que eventualmente o Acordo Coletivo em comento, para o fim em questão, a despeito da expressa exclusão citada no parágrafo precedente, alcançasse diretores e gerentes, é lógico que eventuais gastos com prêmios deveriam estar restritos às coberturas acordadas e franqueadas a todos os beneficiários, sendo inimaginável aceitar que o favor fiscal pudesse beneficiar os nobres dirigentes da empresa com cobertura diversa e mais vantajosa que aquela prevista para os demais empregados e reais beneficiários do instrumento coletivo. Mais uma vez, admitindo tal situação, reconheceríamos benefícios àqueles que, em regra, menos precisariam de favores decorrente da renúncia fiscal em tela, o que, como dito acima, resultaria em desvirtuação de uma das faces do tributo, transformandoo, inaceitavelmente, em instrumento de promoção de desigualdade social. Quanto aos precedentes judiciais e administrativos citados pelo contribuinte, estes não vinculam a presente análise. Assim, não estando o seguro de vida em grupo dos dirigentes amparados pelo Acordo Coletivo juntado aos autos, é forçoso considerar tais dispêndios como integrante da regra geral do salário de contribuição prevista no inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91, não merecendo prosperar a pretensão da requerente, devendose manter, neste ponto, integralmente o valor lançado. Do bônus de meta/participação de lucros de dirigentes. A recorrente se insurge contra a ação fiscal que considerou devida contribuição previdenciárias sobre valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados da empresa. A Autoridade Fiscal, após pontuar que a empresa paga corretamente a Participação nos Lucros e Resultados aos seus empregados, de acordo com a Lei 10.101/2000, destacou que os valores fixados para pagamento de Participação nos Lucros aos dirigentes não guardavam a mesma proporção relativamente à remuneração fixada para os empregados não dirigentes (fl. 111). Ademais, afirma que a empresa não apresentou qualquer previsão formal de avaliação de desempenho para os empregados dirigentes. Aduz a recorrente, citando o inciso XI do art. 7º da CF/88, que a participação nos lucros constitui verba desvinculada da remuneração, não devendo integrar o saláriode contribuição, lastreando ainda seus argumentos no item 7, alínea "e", § 9 do art. 28 da Lei 8.212/91 (fl 896). Após conceituar algumas espécies do gênero "gratificações", o contribuinte afirma que os valores pagos a dirigentes são relativos a "bônus" oriundos da lucratividade da empresa, sendo, portanto, esporádicos. Em sua conceituação, afirma que bônus é a premiação pelo esforço do empregado ou grupo deles, diretamente associado ao crescimento da empresa, sendo destinado a recompensar a eficiência na prestação de serviços, correspondendo a um ganho Fl. 990DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 945 25 eventual desvinculado do seu salário, mas visando um melhor rendimento do empregado em favor da empresa. Cita decisões judiciais e administrativas que, em seu entendimento, poderiam colaborar para a defesa de sua tese sobre a não incidência de tributação previdenciária sobre os valores em discussão. Questiona a legalidade da alínea "j", § 9º do art. 214 do Decreto 3.048/99, o qual teria exorbitado sua competência regulamentar, impondo restrição não prevista em lei, citando doutrina e jurisprudência sobre o tema. Por fim, afirmando que os bônus distribuídos aos dirigentes são desprovidos de periodicidade, uniformidade e habitualidade, requer que seja reconhecida a não incidência da contribuição previdenciária. Embora a requerente afirme se tratar de participação nos lucros, esforçase para lastrear a exclusão da base de cálculo previdenciária utilizado o permissivo contido no item 7, alínea "e", § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91. Não obstante, é cristalino que a questão está melhor capitulada na alínea "j" do mesmo parágrafo, segundo a qual a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Assim, oportuno nos socorrer ao texto legal em questão, para melhor entendimento do tema. Já que a incidência das contribuições previdenciárias sobre pagamentos realizados pela empresa a seus empregados, relativa à participação nos lucros e resultados, deve observar todas as regras estabelecidas em lei específica: Lei nº 10.101/2000 (texto em vigor na época dos fatos) Art. 1º Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: (...) A análise dos autos indica que a participação dos lucros ou resultados dos empregados não dirigentes tem amparo nos excertos legais acima citado, conforme cláusulas Fl. 991DF CARF MF 26 específicas e anexos III contidos nos Acordos Coletivos 2006/2008, 2008/20010 (fls. 208, 225, 229 e 244). Já em relação aos valores pagos aos empregados dirigentes a título de PLR, estes carecem de definições e formalidades que os ajustem aos preceitos legais em tela. Ressaltando a informação contida no Relatório Fiscal e já citada acima de que a empresa não apresentou qualquer previsão formal de avaliação de desempenho para os empregados dirigentes. Juntamente a isso, limitouse a requerente a argüir questões de direito relacionadas ao tema, sem nada juntar que demonstrassem a regularidade ao ajuste que levou ao pagamento dos valores contidos em fl. 356 a 371. Assim, considerando que o pagamento não se deu nos termos de lei específica, não há que se falar em exclusão de incidência da tributação previdenciária, até porque, nos termos da própria afirmação da requerente, tratase de bônus destinado a recompensar a eficiência na prestação de serviços, o que nos remete à regra geral prevista no inciso I do art. 28 da Lei 8.212/91, segundo a qual entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos pagos destinado a retribuir o trabalho. Portanto, entendo que não merece prosperar a pretensão da requerente, devendose manter, neste ponto, integralmente o valor lançado. Dos pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho Inconformado com o lançamento efetuado a partir das diferenças apuradas pela auditoria fiscal, no qual foi observado o percentual mínimo previsto para contratos por valor determinado, nos termos da alínea "a" do inciso I, do art. 291, da IN MPS/SRP nº 3/2005 (base de cálculo não inferior a 30% do valor bruto da Nota Fiscal), o contribuinte limita seus argumentos à suposta inconstitucionalidade da Lei 8.212/91, em particular nas alterações promovidas pela Lei 9.876/99, que incluiu o inciso IV ao art. 22, o qual teria inserido nova base de cálculo para a contribuição social (valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida por cooperativas), em seu julgamento estranha àquelas previstas no art. 195 da CF/88. Lei 8.212/91 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. CF/88 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: : a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; Fl. 992DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 946 27 b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; O comando legal acima estaria prevendo contribuição previdenciária não sobre as remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas sobre a relação contratual estabelecida entre a Cooperativa e a pessoa jurídica domadora do serviço, no que estaria extrapolando a base constitucional do tributo. O Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário – RE 595.838/SP, tema com repercussão geral reconhecida, declarou inconstitucional a contribuição social em análise, conforme se vê: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.ARTIGO 22, INCISO IV, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 9.876/99. SUJEIÇÃO PASSIVA. EMPRESAS TOMADORAS DE SERVIÇOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE COOPERADOS POR MEIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. BASE DE CÁLCULO. VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA. TRIBUTAÇÃO DO FATURAMENTO. BIS IN IDEM. NOVA FONTE DE CUSTEIO. ARTIGO 195, § 4º, CF. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, nã o se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99 ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimento do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperati va, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Grifouse. Fl. 993DF CARF MF 28 Portanto, considerando que as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática de repercussão geral, deverão ser reproduzidas pelos Conselheiros do CARF, na forma do art. 62, § 1º, II, “b” do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF343/2015, impõese afastar os valores relativos às autuações referentes às contribuições das cooperativas de trabalho. Da incidência concomitante de multas de mora e de ofício e da aplicação de multa mais benéfica A requerente questiona a aplicação de multas de mora e de ofício sobre as mesmas infrações, sejam principais ou acessórias e requer a aplicação de retroatividade benigna em razão das alterações promovidas pela lei 77.941/09. De início cumpre destacar que os artigos da Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações da Lei n° 9.528, de 1997, que previam as penalidades por descumprimento de obrigações principais e acessórias, tinham a seguinte redação: “Art. 32. A empresa é também obrigada a:(...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. (...) §4º. A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo. (...) § 7º. A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (...) Art. 35. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º e abril de 1997, sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II. para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c)vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRP; Fl. 994DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 947 29 d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa.” Assim, no caso em apreço, considerandose que houve aplicação de multas pelo descumprimento de obrigações principais e acessórias, no contexto de lançamento de ofício, o entendimento desta CSRF é no sentido de que, embora a antiga redação dos artigos 32 e 35 da Lei nº 8.212, de 1991, não contivesse a expressão “lançamento de ofício”, o fato de as penalidades serem exigidas por meio de Auto de Infração e NFLD não deixava dúvidas acerca da natureza material de multas de ofício. Resta perquirir se as alterações posteriores à autuação, implementadas pela Lei nº 11.941, de 2009, representariam a exigência de penalidade mais benéfica ao Contribuinte, hipótese que autorizaria a sua aplicação retroativa, a teor do art. 106, II, do CTN. Para tanto, porém, é necessário que se estabeleça a exata correlação entre as multas anteriormente previstas e aquelas estabelecidas pela Lei nº 11.941, de 2009, e ver se efetivamente seria o caso, e em que condições aplicarseia a retroatividade benigna. As alterações promovidas pela Lei nº 11.941, de 2009, nos artigos 32 e 35, da Lei nº 8.212, de 1991, no sentido de uniformizar os procedimentos de constituição e exigência dos créditos tributários, previdenciários e não previdenciários, são as seguintes: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (...) § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (...) Fl. 995DF CARF MF 30 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. E o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, assim estabelece: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifouse) Destarte, com o advento da Lei nº 11.941, de 2009, o lançamento de ofício envolvendo a exigência de contribuições previdenciárias, bem como a verificação de falta de declaração do respectivo fato gerador em GFIP, sujeita o Contribuinte a uma única multa, no percentual de 75%, sobre a totalidade ou diferença da contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Com efeito, a interpretação sistemática da legislação tributária não admite a instituição, em um mesmo ordenamento jurídico, de duas penalidades para a mesma conduta, o que autoriza a interpretação no sentido de que as penalidades previstas no art. 32A não são aplicáveis às situações em que se verifica a falta de declaração/declaração inexata, combinada com a falta de recolhimento da contribuição previdenciária, eis que tal conduta está claramente tipificada no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante dessas considerações, prestigiando o comando contido no art. 16, inciso II, alínea "c" da Lei 5.172/66 (CTN), há que se verificar qual critério seria mais benéfico ao contribuinte, a saber: a soma das multas vigentes à época do fato gerador ou a multa de 75% prevista no inciso I do art. 44, da Lei 9.430/96. Contudo, a análise das informações contidas em fls. 127 a 134 demonstra que foram levadas a termo pela Autoridade Administrativa tais comparações, restando lançados valores de penalidades tanto pela sistemática atual quanto pela anterior, o que explica a apenas aparente concomitância de multas de mora e de ofício questionada pelo contribuinte. Na verdade, tal situação decorre exatamente da utilização da legislação mais benéfica ao contribuinte, pelo quê deve ser mantida a forma de cálculo utilizada no lançamento, não merecendo prosperar, neste ponto, as alegações da recorrente. Do pedido de perícia Por fim, pugna o sujeito passivo pela produção de provas periciais, contudo, por tudo que está acima exposto, fica bastante claro que o cerne da celeuma fiscal está basicamente restrito a matérias de direito, evidenciando a desnecessidade de prova pericial, razão pela qual indefiro o pedido, nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/72. Fl. 996DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 948 31 Assim, tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de suspensão do crédito tributário, por inexistência de objeto, indeferir a produção de provas periciais e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para: Conclusão Assim, tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de suspensão do crédito tributário, por inexistência de objeto, indeferir a produção de provas periciais e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para: I afastar a pretensão fiscal no que se relaciona às obrigações lançadas incidentes sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços emitidas por cooperativas de trabalho; II manter, quanto ao "abono pecuniário', ao "plano de saúde e seguro de vida em grupo para dirigentes", à suposta "concomitância de multas de mora e de oficio", à aplicação da "retroatividade benigna", os termos integrais dos lançamentos contestados. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Voto Vencedor Daniel Melo Mendes Bezerra Redator designado. Em que pese o brilhantismo do voto do insigne Relator, peço vênia para divergir quanto a um dos seus fundamentos, que é a incidência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados pelo sujeito passivo, em relação ao plano de saúde não disponibilizado de forma igualitária para todos os empregados e dirigentes da empresa. Prevê o art. 28, § 9º, "d", da Lei 8.212/91: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A autoridade lançadora entendeu que a diferenciação de planos ou seguros de saúde para determinados grupos de empregados não atende ao comando da norma de isenção. No entendimento do Fisco e da decisão recorrida, a cobertura não abrangeu a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Fl. 997DF CARF MF 32 A cobertura deve ser entendida como a garantia de proteção contra o risco de determinado evento. Já o risco é um evento futuro, incerto e que independe da vontade das partes. Para o custeio de um plano, cada risco deve ser considerado isoladamente, devendo o prêmio ou contribuição a ser pago pelo segurado (ou pela empresa, ou por ambos) ser calculado conforme os riscos contratados. Os planos de saúde costumam se diferenciar por algumas comodidades. Além dos riscos envolvidos, deve ser considerado para a formação do preço a ser custeado pela empresa e/ou pelo empregado tais benefícios. Todavia, dizer que a cobertura deve abranger todos os segurados e dirigentes da empresa, não significa dizer que a empresa deve disponibilizar planos de saúde rigorosamente iguais para todos os seus empregados e dirigentes. É certo que um plano de saúde deve atender às necessidades mínimas de consultas, emergência e internação hospitalar. Do contrário, estaria desconfigurado como uma assistência médica. Entretanto, a legislação isentiva supra transcrita não obriga que a empresa disponibilize o mesmo tipo de plano de saúde. Nada impede, portanto, que um determinado número de empregados tenha atendimento diferenciado em um determinado hospital, de acordo com a sua capacidade de custeio, o que não pode acontecer é a empresa não conceder o atendimento mínimo esperado de uma assistência médica, vez que estaria caracterizada uma burla à legislação. Destarte, não existe óbice legal à oferta de planos diferenciados para determinados trabalhadores, desde que sejam oferecidos a todos. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, já se manifestou acerca dessa matéria conforme julgado transcrito a seguir (Acórdão 9202003.256 – Conselheiro Relator Gustavo Lian Haddad): CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA / PLANO /SEGURO SAÚDE. COBERTURA. ABRANGÊNCIA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES DA EMPRESA.EXIGÊNCIA ÚNICA. DESNECESSIDADE DE PREVISÃO DE COBERTURA IGUAL PARA TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A condição estabelecida no art. 28, § 9º, alínea “q” da Lei 8.212/91 para que não se incluam no salário de contribuição e não sejam objeto de incidência de contribuição previdenciária os valores relativos à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico hospitalares e outras similares, é que exista cobertura abrangente a todos os empregados e dirigentes da empresa. Exigir que haja cobertura a todos os empregados e dirigentes da empresa é diferente de exigir que haja a mesma cobertura a todos estes funcionários. A condição imposta pelo legislador para a não incidência da contribuição previdenciária é, simplesmente, a existência de cobertura que abranja a todos os empregados e dirigentes, não cabendo ao intérprete estabelecer qualquer outro critério discriminativo. Fl. 998DF CARF MF Processo nº 10380.732712/201189 Acórdão n.º 2201003.333 S2C2T1 Fl. 949 33 No mesmo sentido o Acórdão 2301004.241 – 3a Câmara / 1a Turma Ordinária, julgado em 2/12/14, da lavra do Conselheiro Relator Adriano Gonzáles Silvério: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE SAÚDE. COBERTURA. ABRANGÊNCIA A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES DA EMPRESA. EXIGÊNCIA ÚNICA. DESNECESSIDADE DE PREVISÃO DE COBERTURA IGUAL PARA TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A condição estabelecida no art. 28, § 9º, alínea “q” da Lei 8.212/91 para que não se incluam no salário de contribuição e não sejam objeto de incidência de contribuição previdenciária os valores relativos à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado é que exista cobertura abrangente a todos os empregados e dirigentes da empresa. Exigir que haja cobertura a todos os empregados e dirigentes da empresa é diferente de exigir que haja a mesma cobertura a todos estes funcionários. A condição imposta pelo legislador para a não incidência da contribuição previdenciária é, simplesmente, a existência de cobertura que abranja a todos os empregados e dirigentes, não cabendo ao intérprete estabelecer qualquer outro critério discriminativo. Em conclusão, a condição estipulada pelo legislador na Lei 8.212/91, art. 28, § 9º, alínea "q" foi atendida, não cabendo ao intérprete exigir condições adicionais não empregadas no texto legal. Diante do exposto, Voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir do campo de incidência da contribuição previdenciária os valores pagos pela empresa a título de plano de saúde/assistência médica. Assinado digitalmente Daniel Melo Mendes Bezerra Redator do Voto Vencedor Fl. 999DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.721283/2011-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DO JULGADO. CABIMENTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.
Hipótese em que a decisão do acórdão embargado não se manifestou sobre o vício que fundamentou a anulação da decisão proferida pela Câmara a quo.
Embargos de declaração acolhidos
Numero da decisão: 9202-004.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os Embargos da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, rerratificando os termos do acórdão nº 9202-003.791, de 17/02/2016.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DO JULGADO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que a decisão do acórdão embargado não se manifestou sobre o vício que fundamentou a anulação da decisão proferida pela Câmara a quo. Embargos de declaração acolhidos
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1733; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10935.721283/201109 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202004.314 – 2ª Turma Sessão de 21 de julho de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA NULIDADE Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado R. E. FERRARI & CIA LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. DO JULGADO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que a decisão do acórdão embargado não se manifestou sobre o vício que fundamentou a anulação da decisão proferida pela Câmara a quo. Embargos de declaração acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os Embargos da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, rerratificando os termos do acórdão nº 9202003.791, de 17/02/2016. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 12 83 /2 01 1- 09 Fl. 457DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional contra acórdão que anulou o acórdão de nº 2402003.428, da lavra da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária e ainda determinou o sobrestamento do presente processo até a decisão definitiva proferida nos autos em que se discute a exclusão do Contribuinte do regime unificado de pagamento de tributos, o SIMPLES. O sobrestamento foi determinado pelo fato de o resultado do julgamento daquela lide impactar diretamente no direito discutido no presente caso, qual seja, exigência de Contribuição Previdenciária. A acórdão embargado recebeu a seguinte decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para anular o acórdão recorrido e sobrestar o julgamento do recurso na Câmara a quo, até a decisão definitiva nos processos nº 10935.721701/201150 e 10935.721700/201113, que tratam da exclusão da empresa do Simples. Argui a Fazenda Nacional haver no julgado uma obscuridade, pois "foi anulado um julgamento da Câmara baixa, sem que houvesse qualquer nulidade do julgamento, nos termos do artigo 59 do DecretoLei n. 70.235, retroagindo a lei processual a atos já praticados, e, ainda, dando provimento ao recurso especial fazendário que, data vênia, não cuidou desta matéria". São argumentos da Fazenda para justificar a alegada obscuridade (efls 442): · a matéria decidida encontrase dissociada da questão devolvida no recurso especial; · e não encontra amparo no devido processo legal insculpido no art. 6º, § 5º supracitado. · Retroagiu a lei processual a atos já praticados neste processo administrativo. · Implicou em reforma in pejus. Embargos recebidos nos termos do despacho de efls. 449/450. É o relatório. Voto Fl. 458DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10935.721283/201109 Acórdão n.º 9202004.314 CSRFT2 Fl. 3 3 Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, relatora. Analisando as argumentações do Recurso, entendo haver na verdade uma omissão na decisão embargada, omissão que consiste na ausência de descrição do motivo que levou a anulação do acórdão nº 2402003.428. O motivo para tanto, segundo o Colegiado, foi o fato de ter sido proferida decisão incerta, mais precisamente decisão condicionada. Das palavras do Relator do acórdão do Recurso Voluntário nos deparamos com o problema: Dessas regras do Regimento Interno do CARF, retromencionadas, percebese, então, que os processos de exclusão do SIMPLES FEDERAL/NACIONAL e os processos de lançamentos de contribuições previdenciárias são apreciados por órgãos julgadores distintos, em atendimento ao princípio da especialidade. De fato, constatase que há correlação e dependência entre a controvérsia que se discute especificamente no lançamento da contribuição social previdenciária (relação obrigacional principal) e a matéria referente ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL/NACIONAL, uma vez que essa última matéria, sendo favorável ao Recorrente, arrastará para a mesma conclusão todos os processos de constituição de créditos tributários. ... Portanto, com relação ao enquadramento no SIMPLES FEDERAL/NACIONAL, não farei apreciação nem exame dessa matéria, pois não se trata de matéria pertinente à análise dessa Turma julgadora do CARF (2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção). No entanto, sinalizo no sentido que fique sobrestada esta decisão até a decisão definitiva sobre o enquadramento da empresa no SIMPLES FEDERAL/NACIONAL e, caso tenha havido interposição de recursos nos processos 10935.721701/201150 e 10935.721700/201113, deverão ser analisados pela Primeira Seção do CARF. E concluiu: Caso o Fisco ainda não tenha proferida a decisão definitiva das questões concernentes à exclusão do regime diferenciado de tributação SIMPLES FEDERAL/NACIONAL (processos 10935.721701/201150 e 10935.721700/201113), deverá haver a suspensão dos efeitos deste Acórdão, eis que a cobrança do crédito objeto do presente auto de infração somente poderá ser levado a efeito quando transitado em julgado os processos de exclusão desses regimes diferenciados. Percebese portanto, que não se trata de anular decisão com aplicação de dispositivo novo art. 6º, §5º do RICARF, esse foi utilizado apenas para fundamentar o sobrestamento do processo até a decisão definitiva dos autos que tratam da exclusão da empresa do Simples Federal e Simples Nacional. Tratase de anular decisão condicionada a um Fl. 459DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 evento incerto, ainda não concretizado, exatamente em cumprimento ao devido processo legal e princípio da eficiência. Assim, ao contrário do argumentado, o Colegiado entendendo que a matéria devolvida pelo Recurso Especial retroatividade de lei que prevê penalidade mais benéfica ao contribuinte está intrinsecamente relacionada com o resultado do julgamento daqueles processos, decidiu que somente após o desfecho dessa questão poderão ser analisados possíveis efeitos reflexos da exclusão. Diante do exposto, acolho e dou provimento os Embargos da Fazenda Nacional, sem efeitos infringentes, para rerratificando os termos do acórdão nº 9202003.791, de 17/02/2016, manter a anulação do acórdão de nº 2402003.428 e determinar o sobrestamento do presente processo até o decisão definitiva nos processos nº 10935.721701/201150 e 10935.721700/201113, que tratam da exclusão do contribuinte do Simples Federal e Nacional. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 460DF CARF MF Impresso em 02/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 01/09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.006011/2004-22
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2003
DECADÊNCIA PARA CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE COFINS.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins é de 05 anos, contados do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido; ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento.
Recurso Extraordinário Provido
Numero da decisão: 9900-000.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso extraordinário, determinando o retorno dos autos à Câmara a quo para examinar as demais matérias trazidas no recurso voluntário.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Redator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Maria Teresa Martinez López, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Pedro Anan Junior, Susy Gomes Hoffman e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento).
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2003 DECADÊNCIA PARA CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE COFINS. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins é de 05 anos, contados do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido; ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso Extraordinário Provido
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/02/1999 a 31/12/2003 DECADÊNCIA PARA CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE COFINS. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins é de 05 anos, contados do fato gerador, na hipótese de existência de antecipação de pagamento do tributo devido; ou do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, na ausência de antecipação de pagamento. Recurso Extraordinário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso extraordinário, determinando o retorno dos autos à Câmara a quo para examinar as demais matérias trazidas no recurso voluntário. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Redator ad hoc AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 60 11 /2 00 4- 22 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.006011/200422 Acórdão n.º 9900000.272 CSRFPL Fl. 358 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Maria Teresa Martinez López, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Francisco Assis de Oliveira Júnior, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Pedro Anan Junior, Susy Gomes Hoffman e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Relatório Nos termos do art. 17, III1, do RICARF, o Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, tendo em vista que o relator originário, José Ricardo da Silva, deixou de ser conselheiro antes da formalização do acórdão. Cuidase de recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão CSRF/0106.033, proferido pela Colenda Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que reconhecera o termo inicial da decadência como sendo a data de ocorrência do fato gerador do tributo, independentemente de ter havido antecipação de pagamento. O extraordinário da Fazenda Nacional foi admitido, nos termos do despacho de fls. 323/324. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao recurso extraordinário às fls. 343/352, nas quais requer o não conhecimento do recurso, por não haver previsão legal no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e, caso não acolhida essa preliminar, que o recurso extraordinário seja negado para manter os termos do acórdão recorrido. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; Fl. 358DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.006011/200422 Acórdão n.º 9900000.272 CSRFPL Fl. 359 3 É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator ad hoc O recurso é tempestivo e demonstrou o dissídio jurisprudencial com decisão de outra turma da CSRF, que decidiu a matéria de forma contrária à do acórdão recorrido. A preliminar de não conhecimento do recurso trazida pela contribuinte nas suas contrarrazões ao argumento de que não há previsão legal para interposição de recurso extraordinário no Regimento Interno do CARF não foi acolhida pelo Colegiado, em face do art. 4º da Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, que aprovou esse Regimento. Dispõe o referido artigo: Art. 4° Os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento. Ultrapassada a questão preliminar, passemos ao mérito. Com a alteração regimental, que acrescentou o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos devem ser observados no julgamento deste Tribunal Administrativo. Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá dever ser adotada aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Essa é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para restituição de indébito é de 5 anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento. Dos autos, verificase que não houve antecipação de pagamento, pois, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 153/156), a contribuinte não recolheu nenhum DARF de pagamento de tributos federais, inclusive a Cofins, no período de fevereiro de 1999 a dezembro de 2003; não entregou nos anos de 1999 a 2003 nenhuma declaração à Receita Federal (DCTF e DIPJ); e também não possui escrituração contábil regular (Diário, Razão e Lalur), mas apenas a escrituração fiscal. Assim, o lançamento de ofício foi feito levandose em consideração os valores de faturamento escriturados nos livros de apuração do ICMS. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10120.006011/200422 Acórdão n.º 9900000.272 CSRFPL Fl. 360 4 Desta feita, o termo inicial da decadência é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia haver sido efetuado, in casu, para o fato gerador de ocorrência mais remota, fevereiro de 1999, o termo inicial da decadência foi 1º de janeiro de 2000, e o final, 1º de janeiro de 2005. Por conseguinte, o lançamento referente a esses fatos geradores poderia ter sido efetuado até 31 de dezembro de 2004. Como a ciência do auto de infração deuse em 28 de setembro de 2004, nenhum crédito fora alcançado pela decadência. Com base nesses fundamentos, o Colegiado deu provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional para afastar a decadência e determinou o retorno dos autos ao Colegiado de 2ª instância para apreciar as demais matérias trazidas no recurso voluntário. Este o voto que me coube redigir. Henrique Pinheiro Torres Fl. 360DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.900413/2005-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração para integração de decisão obscuro, omisso ou contraditório em seus. Não configuradas tais hipóteses, é de se rejeitar os embargos.
Numero da decisão: 3201-002.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Winderley Morais Pereira - Presidente. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração para integração de decisão obscuro, omisso ou contraditório em seus. Não configuradas tais hipóteses, é de se rejeitar os embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Winderley Morais Pereira Presidente. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mercia Helena Trajano Damorim, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela contribuinte acima identificada, em face do Acórdão nº. 3802001.951, proferido por este Colegiado, em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 04 13 /2 00 5- 82 Fl. 222DF CARF MF 2 que, por unanimidade de votos, decidiu negar provimento ao recurso voluntário interposto perante este Conselho, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao contribuinte o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de direito de crédito por ele alegado. Recurso Voluntário Negado. Alega a Embargante que teria havido omissão a turma teria que ter apreciado a prova juntada aos autos, e que a omissão do Acórdão quanto a esses documentos tornaria necessários os aclaratórios. É o relatório. Voto Conselheiro Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo , Relatora. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O processo administrativo que deu origem ao presente recurso referese a pedido de compensação, no qual foi denegado o direito creditório sob o fundamento de que que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF não restando crédito disponível para a compensação declarada.. Afirma a Embargante, contudo, a existência de seu crédito, procedendo à retificação da DCTF, contudo sem comprovar o erro da declaração inicial, por essa razão, entendendose procedente a nãohomologação de sua compensação. Em sede de recurso voluntário, a Embargante juntou a DCTF retificada, o DARF respectivo, bem como a DACON, que, na sua opinião, dariam estribo ao direito creditório. A causa de pedir do presente recurso é, precisamente, a omissão quanto à apreciação dessa documentação, o que violaria o princípio da verdade material. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11080.900413/200582 Acórdão n.º 3201002.426 S3C2T1 Fl. 221 3 Entretanto, não assiste razão à Embargante, pois a questão foi devidamente enfrentada no acórdão embargado. Transcrevese, assim, excerto da referida decisão: Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foram atendidos o art. 170 do CTN, que autoriza a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo líquidos e certos, e o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Restaria à contribuinte provar erro na DCTF que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Para tanto, o DACON não é suficiente. Seriam necessários livros e documentos fiscais e contábeis, os quais deveriam ser apresentados junto com a manifestação de inconformidade, tendo em vista que o art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, lei que trata do processo administrativo tributário federal, estabelece que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, a menos que fique demonstrada sua impossibilidade por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriores. Portanto, não se verifica na subsunção do caso ao quanto disposto no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que assim prescreve: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não existindo a alegada omissão, voto por rejeitar os embargos de declaração. Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 224DF CARF MF 4 Fl. 225DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.002509/2003-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
PIS. DECLARAÇÃO EM DCTF. CRÉDITO SUSPENSO POR MEDIDA JUDICIAL. CNPJ. ERRO DE FATO. AUTORIZAÇÃO DE NÃO RECOLHIMENTO. DATA DA TRANSMISSÃO DA DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO INEXATA.
Sendo o motivo do lançamento tributário suposta declaração inexata do contribuinte em DCTF a respeito de suspensão de exigibilidade do crédito tributário por medida judicial (e não qualquer questão afeita ao mérito do processo judicial em si), não é cabível a discussão sobre o direito do Fisco lançar o crédito tributário controvertido judicialmente (artigo 63 da Lei n. 9.430/96).
Demonstrado que a Contribuinte consta dentre os autores da ação judicial destacada na DCTF, não há que se falar em inexatidão da declaração. Ademais, o que importa para fins de avaliação de ocorrência ou não declaração inexata pela Recorrente não é a realidade jurídica vigente na data da lavratura do auto de infração, mas sim aquela em vigor quando da transmissão da DCTF, sob pena afronta ao artigo 144 do Código Tributário Nacional, quando determina que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente. É consabido que a decisão judicial tem força de lei entre as partes que compõem o processo, de modo que a lei vigente na data da apresentação da DCTF era a medida liminar que favorecia o contribuinte, exatamente que fora por ele declarado, não havendo, portanto, declaração inexata a ser penalizada.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.516
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Maria Aparecida Martins de Paula e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim acompanhou o voto da relatora, acrescentando que o cancelamento do auto de infração eletrônico não significa que o contribuinte nada deve. A cobrança do crédito tributário em questão deverá ocorrer via DCTF, uma vez que os valores estavam confessados e a autoridade administrativa constatou a inexistência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Esteve presente ao julgamento o Dr. Saul Tourinho Leal, OAB/DF 22.941.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Maria Aparecida Martins de Paula e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim acompanhou o voto da relatora, acrescentando que o cancelamento do auto de infração eletrônico não significa que o contribuinte nada deve. A cobrança do crédito tributário em questão deverá ocorrer via DCTF, uma vez que os valores estavam confessados e a autoridade administrativa constatou a inexistência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Esteve presente ao julgamento o Dr. Saul Tourinho Leal, OAB/DF 22.941. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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DECLARAÇÃO EM DCTF. CRÉDITO SUSPENSO POR MEDIDA JUDICIAL. CNPJ. ERRO DE FATO. AUTORIZAÇÃO DE NÃO RECOLHIMENTO. DATA DA TRANSMISSÃO DA DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO INEXATA. Sendo o motivo do lançamento tributário suposta declaração inexata do contribuinte em DCTF a respeito de suspensão de exigibilidade do crédito tributário por medida judicial (e não qualquer questão afeita ao mérito do processo judicial em si), não é cabível a discussão sobre o direito do Fisco lançar o crédito tributário controvertido judicialmente (artigo 63 da Lei n. 9.430/96). Demonstrado que a Contribuinte consta dentre os autores da ação judicial destacada na DCTF, não há que se falar em inexatidão da declaração. Ademais, o que importa para fins de avaliação de ocorrência ou não declaração inexata pela Recorrente não é a realidade jurídica vigente na data da lavratura do auto de infração, mas sim aquela em vigor quando da transmissão da DCTF, sob pena afronta ao artigo 144 do Código Tributário Nacional, quando determina que “o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente”. É consabido que a decisão judicial tem força de lei entre as partes que compõem o processo, de modo que a “lei vigente” na data da apresentação da DCTF era a medida liminar que favorecia o contribuinte, exatamente que fora por ele declarado, não havendo, portanto, declaração inexata a ser penalizada. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 25 09 /2 00 3- 13 Fl. 441DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Maria Aparecida Martins de Paula e Carlos Augusto Daniel Neto. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim acompanhou o voto da relatora, acrescentando que o cancelamento do auto de infração eletrônico não significa que o contribuinte nada deve. A cobrança do crédito tributário em questão deverá ocorrer via DCTF, uma vez que os valores estavam confessados e a autoridade administrativa constatou a inexistência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Esteve presente ao julgamento o Dr. Saul Tourinho Leal, OAB/DF 22.941. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.705 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de o Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de Auto de Infração referente à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, lavrado em 13/06/2003, tendo a Contribuinte cientificada em 01/07/2003, com o crédito tributário no valor total de R$ 91.808,58 (noventa e um mil oitocentos e oito reais e cinquenta e oito centavos), correspondente a 1 – valor principal, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, e 2 – multa de ofício isolada, em razão de: a) Débitos de PIS de código 8109 dos períodos de janeiro a dezembro/98 terem sido declarados com exigibilidade suspensa por processo judicial de outro CNPJ (declaração inexata); b) Débitos de PIS de códigos 8002 e 8205 dos períodos de janeiro a março/98 terem sido recolhidos em atraso, sem acréscimos moratórios. DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA A Contribuinte apresentou em 31/07/2003, Manifestação de Inconformidade, à fl. 2 (numeração eletrônica) alegando, em Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10882.002509/200313 Acórdão n.º 3402003.516 S3C4T2 Fl. 112 3 síntese, que no tocante às competências de Janeiro a Maio de 1998 estaria decaído o direito para o lançamento, bem como que a Secretaria da Receita Federal, antes de autuála, deveria ter determinado uma diligência fiscal ou uma intimação para prestar esclarecimentos a fim de verificar qual a razão da falta de pagamento, e que, caso o procedimento adotado houvesse sido esse, poderia ter verificado que o não recolhimento justificase em virtude de liminar em Mandado de Segurança, nos autos nº 9600104450, por meio do qual possuía autorização judicial para recolher o PIS na forma estabelecida pela Lei Complementar nº 7/70. A então Impugnante mencionou que a liminar foi concedida conforme o pedido inicial, estando a exigibilidade dos créditos suspensa. A sentença julgou parcialmente procedente o pedido, porém equivocouse quanto à parte não acolhida, pois foi determinado a aplicação das EC nºs 10/96 e 17/97, que são aplicáveis somente às instituições financeiras e equiparadas, o que não era o caso da Contribuinte, o qual foi discutido em sede de recurso, aguardando julgamento no TRF da 3ª Região. Requereu ao fim a impossibilidade da correção dos valores autuados pela Taxa SELIC, aduzindo que esta não foi criada por lei, ofendendo assim, o princípio constitucional da legalidade, bem como o disposto no art. 161, §1º do CTN, sendo esse o entendimento no RE nº 215.881 do STJ. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), em 02/02/2011, proferiu acórdão de nº 0532.288, às fls. 131 (numeração eletrônica), nos seguintes termos: “LANÇAMENTO. DÉBITOS DE PIS FATURAMENTO. 01/98 A 05/98. DECADÊNCIA. NULIDADE. Descabe discutir o prazo para formalização da exigência, bem como aspectos que poderiam ensejar a nulidade do lançamento, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. AUSÊNCIA DE PRÉVIA INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE. Apurada causa suficiente, hábil a dispensar a intimação do contribuinte, desnecessária é a exteriorização do procedimento fiscal por meio de prévia solicitação de esclarecimentos. AÇÃO JUDICIAL. A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, não impede a formalização do lançamento. Apenas que, se confirmada a suspensão da exigibilidade antes do início do procedimento fiscal, incabível seria a explicação de multa de ofício. Fl. 443DF CARF MF 4 MULTA DE OFÍCIO. DÉBITOS DECLARADOS. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de suspensão de exigibilidade não comprovada, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis nº 11.051/2004 e nº 11.196/2005. JUROS. TAXA SELIC. Nos termos da Lei nº 9.430, de 1996. Os juros serão equivalentes à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de alegações relacionadas a inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. DÉBITOS DECLARADOS SOB CÓDIGOS 8002 E 8205. RECOLHIMENTO EM ATRASO SEM MULTA DE MORA. Ausente motivação específica para atribuição de vencimento previsto para PISFaturamento (código 8109) a débitos declarados sob códigos 8205 (PIS Repique) e 8002 (PISDedução), não prospera a imputação de atraso no recolhimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” A DRJ considerou procedente em parte a impugnação, afastando a preliminar de decadência, sustentando que relativamente ao crédito tributário relativo aos períodos supostamente decaídos, por estarem os mesmos declarados em DCTF, seria inócua eventual declaração (de decadência), pois que o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte mediante a formalização de declaração. Em seguida, reconhecendo a existência de medida liminar em MS, manteve aqueles lançados a título de principal PISFaturamento (código 8109) relativos aos períodos de janeiro a maio/98 (considerando que o contribuinte apresentou desistência dos períodos subsequentes, inserindoos na Lei 11.941/2009) e afastou a multa de ofício proporcional sobre eles aplicada e a multa de ofício isolada, conforme quadro resumo em anexo ao Acórdão da DRJ, às fls. 142 (numeração eletrônica). DO RECURSO Cientificado do Acórdão de Primeira Instância em 21/03/2011 (conforme AR de fls. 146), a contribuinte apresentou em 20/04/2011 a defesa que denominou Manifestação de Inconformidade, recorrendo, porém, contra o Acórdão da DRJ, fls. 149153, nos seguintes termos: Arguiu a Contribuinte, em resumo, que quanto ao “princípio da constituição e extinção do crédito tributário”, considerandose a Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10882.002509/200313 Acórdão n.º 3402003.516 S3C4T2 Fl. 113 5 modalidade de lançamento por homologação, no qual o prazo é de 5 anos, a contar da data do fato gerador (estabelecido pelo §4º do art. 150 do CTN), estaria o crédito tributário homologado tacitamente, uma vez que entre a declaração pelo contribuinte e a constituição do crédito tributário pelo Fisco havia decorrido mais de 5 anos (fatos geradores 01 a 12/1998, lançamento em 13/06/2003). Desta forma, como não homologado expressamente, restaram os períodos controvertidos homologados tacitamente, pelo que deveria ser reformado o Acórdão recorrido. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 245 (duzentos e quarenta e cinco), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. Em julgamento datado de 14 de outubro de 2014, mediante a citada Resolução n. 3402000.705, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara dessa 3ª Seção, entendendo que faltavam elementos documentais essenciais à verificação dos fatos discutidos no processo, especialmente para a aferição da decadência, determinou: Da análise dos autos não foi possível identificar a DCTF do contribuinte relativa ao período autuado (1998), nem tampouco, há menção, documentos ou informações, sobre eventuais pagamentos parciais de PIS para os períodos daquele ano calendário, pelo que, o processo assim não se encontra em condições de receber um justo julgamento, merecendo o mesmo ser convertido em diligência para: a) Seja juntada a DCTF cruzada pela Fiscalização para o lançamento; b) Seja intimado a recorrente para que manifestese sobre a existência de pagamentos parciais para os débitos autuados, bem como, apresente comprovantes, se existentes; c) Após elaboração termo de Diligência, com as conclusões decorrentes dos quesitos aqui formulados, seja a Recorrente intimada das informações fiscais para manifestação no prazo de 30 dias, retornando os autos a julgamento Em fls 399 a Autoridade Fiscal de origem apresenta termo de conclusão da diligência solicitada, no qual informa: Trata o processo de cobrança de PIS Faturamento/1998 lançado em decorrência de não comprovação da suspensão da exigibilidade pela medida judicial informada em DCTF pelo contribuinte, remanescendo nos autos em sede de recurso voluntário os períodos de janeiro a maio/1998, alegando o interessado estarem atingidos pela decadência. Fl. 445DF CARF MF 6 Em atendimento à diligência solicitada na Resolução 3402 000.705 de 14 de outubro de 2014 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de fls. 246 a 251, foram efetuadas as juntadas das DCTF de nºs 0000100199800350488 referente ao primeiro trimestre de 1998, e a de nº 0000100199800048466 do segundo trimestre de 1998. Verificamse às páginas 270 a 272 e 292 a 294 aqueles valores declarados com exigibilidade suspensa, e que foram objeto de cobrança no auto de infração de fls. 32 a 35. Em resposta à intimação para se manifestar sobre a existência de eventuais pagamentos parciais desses créditos tributários, o contribuinte junta o documento de fls. 305 a 397 onde reitera os argumentos apresentados em sua defesa: a suspensão da exigibilidade e a decadência desses períodos. Não há menção sobre pagamentos de PIS Faturamento efetuados para o período, o que se confirma na pesquisa juntada à fl.300. Foram apresentados pagamentos de Pis Dedução e Pis Repique do período, conforme fls.380 a 397. Cumprido o solicitado em diligência, proponho a ciência ao interessado e posterior retorno dos autos ao CARF para prosseguimento no julgamento. Por fim, a Recorrente, devidamente intimada, peticionou nos autos sua manifestação (fls 408 a 409) a respeito do Termo supracitado, especialmente no que diz “não há menção sobre pagamentos”. Reitera que justamente por estar a Recorrente amparada por decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito, além do que foi reconhecido por despacho de diligência o pagamento do tributo na modalidade PIS dedução e PIS repique do período – fls 390 a 397. É o relatório. Voto Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntários já foram anteriormente analisados e acatados por este Conselho, de modo que passo à apreciação do caso. Como relatado anteriormente, o presente processo possui dois pontos controvertidos: i) preliminarmente, a decadência do período compreendido entre janeiro e maio de 1998; ii) o mérito, pela infração por declaração em DCTF relativa à Contribuição ao PIS com exigibilidade suspensa por processo judicial, sendo que essa vinculação não teria sido comprovada pois o processo diz respeito a outro CNPJ. Trato primeiramente do mérito, que socorrendo a recorrente dispensa a análise da questão preliminar. A capitulação e descrição da infração foi imputada à Recorrente nos seguintes termos do auto de infração (fls 33): Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10882.002509/200313 Acórdão n.º 3402003.516 S3C4T2 Fl. 114 7 Pelo texto tanto do item 9 como do 10 do lançamento tributário não é possível compreender qual teria sido a infração praticada pela Contribuinte, ora Recorrente. Falase em "falta de recolhimento ou pagamento do principal" e “declaração inexata”, porém sem explicar qual seria tal inexatidão. No anexo I do auto de infração vemos que, com relação ao período controvertido, há menção de que o “crédito vinculado total/parcialmente não confirmado”, “exigibilidade suspensa”, remetendo em outra coluna da Tabela ao “Número do Processo” 9600104450 (fls 34), o que induz a pensarmos sobre qual teria sido o problema constatado pela fiscalização: a inexatidão da declaração seria quanto à suspensão da exigibilidade do recolhimento do Contribuição ao PIS com base no Processo n. 9600104450. É no campo “ocorrência” da mesma tabela que percebemos que o motivo do entendimento pela inexatidão é que o processo judicial em questão se referia a outro CNPJ. Pois bem. A petição inicial do writ consta dos presentes autos, da qual destaco seu preâmbulo: Fl. 447DF CARF MF 8 De pronto constatase que a Recorrente se encontra dentre as empresas que, em litisconsórcio ativo, impetraram o Mandado de Segurança n. 96.00104450. Disto já se conclui o erro da Fiscalização ao efetuar o lançamento sob a alegação que a declaração feita em DCTF sobre a suspensão da exigibilidade de crédito da Contribuição ao PIS não abarcava o CNPJ da Recorrente. Mas não é só, mesmo que o fundamento da “inexatidão da declaração” fosse aquele sobre o qual discorreu o acórdão a quo, o que não é o caso pela literalidade da fundamentação do auto de infração, como foi destacado acima – não poderia ser convalidado o lançamento tributário. Com efeito, o raciocínio da DRJ foi: quando da lavratura do auto de infração (13/06/2003) a medida liminar que fora concedida no bojo do Mandado de Segurança n. 9600104450 (de 16/04/1996, fls 64) já não era mais vigente, pois havia sido substituída pela sentença judicial (de 06/11/2000, fls 76), a qual, por sua vez, não mais garantia o direito da Recorrente a recolher a Contribuição ao PIS na forma pretendida (LC 7/70). Ao final, a União saiu vencedora no processo judicial, transitado em julgado. Com arrimo nessa cronologia, aliada ao fato de que à Administração Tributária cumpre constituir o crédito tributário para prevenir decadência mesmo na vigência de causa de suspensão de exigibilidade do crédito tributário (artigo 63 da Lei n. 9.460/96), a DRJ decidiu negar provimento à impugnação da Contribuinte . Com a devida vênia ao acórdão recorrido, não é possível corroborar tal posição. De acordo com o exposto alhures, se com esforço suplantarmos que a motivação do lançamento tributário nesse caso é tão somente o problema do CNPJ, a única conclusão que podemos chegar sobre o motivo do auto de infração é a inexatidão quanto à informação constante da DCTF do período em questão, no que tange à suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10882.002509/200313 Acórdão n.º 3402003.516 S3C4T2 Fl. 115 9 Ora, caso fosse o motivo do lançamento tributário – o que se coloca aqui ad argumentando tantum, uma vez que, como se sabe, não pode o julgador administrado alterar os fundamentos do lançamento tributário , é de todo evidente que ele não se sustenta. Isto porque, em primeiro lugar, não é cabível a discussão sobre o direito do Fisco lançar o crédito tributário controvertido judicialmente e cuja exigibilidade esteja suspensa por medida liminar, justamente em razão do motivo desse específico lançamento tributário: a declaração de informação inexata em DCTF, e não qualquer discussão afeita ao mérito do processo judicial em si. Em segundo lugar, diferentemente do que alegado pela Fiscalização e acatado pela DRJ, o que importa para fins de avaliação da ocorrência ou não declaração inexata pela Recorrente não é a realidade jurídica vigente na data da lavratura do auto de infração (13/06/2003), mas sim aquela em vigor quando da transmissão da DCTF (primeiro e segundo trimestre de 1998). Por óbvio, não poderia a Recorrente, em 1998, declarar nada diferente daquilo que então existia (liminar assegurando seu direito, proferida em 1996). Manter o presente auto de infração, pelo específico motivo pelo qual foi lavrado (declaração inexata), significa querer que a Recorrente tivesse previsto o futuro, no qual adveio sentença (em 2000) alterando a situação jurídica a ser declarada. Ademais, representaria inegável afronta ao artigo 144 do Código Tributário Nacional, quando determina que “o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente”. É consabido que a decisão judicial tem força de lei entre as partes que compõem o processo, de modo que a “lei vigente” na data da apresentação da DCTF era a medida liminar que favorecia o contribuinte, exatamente que fora por ele declarado. Não há que se falar, portanto, em declaração inexata in casu. Nesse sentido o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, em caso análogo ao presente, da mesma empresa ora Recorrente, no qual o problema da motivação do auto de infração foi exatamente o mesmo: Dessa forma, perguntase: onde está a declaração inexata? Segundo o que está contido nos autos, a conclusão é só pode ser no sentido de que a declaração foi exata ao tempo em que a DCTF foi apresentada. O problema é que o contribuinte perdeu a ação e tempos depois a condição suspensiva que havia sido declarada desapareceu. Como foi dito no início, a descrição dos fatos neste processo é obscura e não retrata com fidelidade a situação fática em que se encontrava o contribuinte no momento do lançamento. (Acórdão nº 3403002.282, Processo nº 10882.002495/200338, Sessão de 26 de junho de 2013). Dessarte, não há fundamento jurídico para manter hígido o lançamento tributário fundador do presente processo administrativo, razão pela qual voto no sentido de seu integral cancelamento. Conclusão Ex positis, voto pelo provimento integral do recurso voluntário. Observese que o cancelamento do auto de infração eletrônico não significa que o contribuinte nada deve. A cobrança do crédito tributário em questão deverá ocorrer via Fl. 449DF CARF MF 10 DCTF, uma vez que os valores estavam confessados e a autoridade administrativa constatou a inexistência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Fl. 450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000062/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL COM EMPRESA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO PAÍS E CONSEQUENTE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.
Não incidem as contribuições previdenciárias sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos rurais, independente de qual seja a etapa da operação, desde que comprovada a destinação das mercadorias ao exterior.
A Constituição Federal em seu art 149, § 2º, I, estabelece que as contribuições sociais "não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação" e ainda que as vendas de produtos rurais analisadas não sejam aquelas que destinam, diretamente, a produção ao exterior, se comprovado que aqueles produtos foram posteriormente exportados e a venda objeto do lançamento fiscal trata-se de simples etapa anterior à exportação, as suas receitas devem ser interpretadas como decorrentes de exportação e, portanto, não sofrerão a incidência da contribuição social incidente sobre a comercialização da produção rural.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2401-004.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, por maioria de votos, dar-lhe provimento. Vencido o Relator e as Conselheiras Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini que negavam provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato fará o voto vencedor.
André Luís Mársico Lombardi Presidente
Arlindo da Costa e Silva - Relator
Carlos Alexandre Tortato Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL COM EMPRESA CONSTITUÍDA E EM FUNCIONAMENTO NO PAÍS E CONSEQUENTE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. ART. 149, § 2º, I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Não incidem as contribuições previdenciárias sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos rurais, independente de qual seja a etapa da operação, desde que comprovada a destinação das mercadorias ao exterior. A Constituição Federal em seu art 149, § 2º, I, estabelece que as contribuições sociais "não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação" e ainda que as vendas de produtos rurais analisadas não sejam aquelas que destinam, diretamente, a produção ao exterior, se comprovado que aqueles produtos foram posteriormente exportados e a venda objeto do lançamento fiscal tratase de simples etapa anterior à exportação, as suas receitas devem ser interpretadas como decorrentes de exportação e, portanto, não sofrerão a incidência da contribuição social incidente sobre a comercialização da produção rural. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 00 62 /2 00 9- 46 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, por maioria de votos, darlhe provimento. Vencido o Relator e as Conselheiras Maria Cleci Coti Martins e Miriam Denise Xavier Lazarini que negavam provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato fará o voto vencedor. André Luís Mársico Lombardi – Presidente Arlindo da Costa e Silva Relator Carlos Alexandre Tortato – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15956.000062/200946 Acórdão n.º 2401004.304 S2C4T1 Fl. 377 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2005 Data da lavratura do AIOP: 29/01/2009. Data da Ciência do AIOP: 29/01/2009. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP que julgou procedente o lançamento tributário aviado no Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.186.2892, consistente em Contribuições Sociais Previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a comercialização de produção rural – agroindústria, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 35/38. Informa o auditor fiscal que a Autuada é uma agroindústria do setor sucro alcooleiro, sendo devidas as contribuições incidentes sobre o valor decorrente da comercialização da produção rural destinada ao mercado externo, uma vez que tal operação de comercialização não se dá diretamente com a empresa adquirente domiciliada no exterior, mas, sim, efetuada por intermédio da Cooperativa de Produtores de CanadeAçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo COPERSUCAR. De acordo com o Relatório Fiscal, em cada usina existe um estabelecimento (filial) da cooperativa e o procedimento é o seguinte: diariamente, a usina emite notas de entrega para venda em favor da COPERSUCAR que, a partir daí, fica investida da posse dos produtos. A Copersucar exporta os produtos diretamente, ou ainda via "trading", e ao final de cada mês elabora planilha demonstrativa em que atribui a cada usina associada uma receita proporcional à quantidade de produtos entregues para exportação. Os documentos examinados durante a ação fiscal foram Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, Livros Razão e Diário e Planilhas PN 66/86 (Parecer Normativo PN/CST n° 66/86) e planilhas apresentadas pela Autuada. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 81/92. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1433.375 6ª Turma da DRJ/RPO, a fls. 232/242, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 06/07/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 245. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 4 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 247/262 respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Imunidade tributária sobre as receitas de exportação; · Que a IN n° 03/2005 não pode prevalecer, na medida em que transbordou a sua competência ao criar limitação à fruição de imunidade, que não consta do próprio texto constitucional; · Que as operações realizadas entre a Recorrente e a Copersucar se configuram atos cooperativos, e não se equiparam a comercialização no mercado interno; · Que deveria ser observada a liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 2005.61.00.0251305, impetrado pela União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo, vigente à época da lavratura do Auto de Infração, à qual a Recorrente é filiada, que assegurou a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária relativamente às operações de exportação realizadas por intermédio de trading companies ou empresas comerciais exportadoras. Ao fim, requer o cancelamento do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15956.000062/200946 Acórdão n.º 2401004.304 S2C4T1 Fl. 378 5 Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva Relator 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 06/07/2011, Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 01/08/2011, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes às matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL O Recorrente alega imunidade tributária sobre as receitas de exportação. Aduz que a IN n° 03/2005 não pode prevalecer, na medida em que transbordou a sua competência ao criar limitação à fruição de imunidade, que não consta do próprio texto constitucional. Argumenta, ainda, o Recorrente que as operações por ela realizadas com a Copersucar se configuram atos cooperativos e não se equiparam a comercialização no mercado interno. Entendo não lhe assistir razão. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 6 De fato, a Emenda Constitucional nº 33/2001 introduziu no ordenamento jurídico um novo regramento de imunidade visando a diminuir a carga tributária incidente sobre receitas decorrentes de exportações, mediante a inclusão do §2º ao art. 149 da Constituição Federal. Constituição Federal Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. §1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41/2003) §2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42/2003) O dispositivo constitucional acima transcrito é de clareza solar ao estatuir que somente as receitas decorrentes da operação de exportação encontrarseão a salvo da tributação. Noutros dizeres, a fruição do benefício fiscal em tela não contempla as operações no mercado interno, ainda que essas se realizem com o objetivo específico de ulterior comercialização da produção rural com o mercado externo. Ser “decorrente de” significa ser “consequência de”, “ter ocorrido em razão de”, “que teve origem em”, consoante deflui da etimologia e da semântica do vocábulo expostas no Priberam Dicionário da Língua Portuguesa, e não “visando a” ou ”destinada a“, como assim quer fazer crer a semântica aprendida pelo Recorrente. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa http://www.priberam.pt/dlpo/decorrente de∙cor∙ren∙te (latim decurrens, entis, particípio presente de decurro, eredescer a correr, ir, percorrer) adjectivo de dois géneros 1. Que decorre. 2. Que passa (ex.: tempo decorrente). 3. Que é consequência de; que teve origem em (ex.: isto é decorrente do que aconteceu ontem). Fl. 382DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15956.000062/200946 Acórdão n.º 2401004.304 S2C4T1 Fl. 379 7 4. [Botânica] Dizse da folha cujo pedúnculo está pegado ao longo da haste em quase todo o seu comprimento. Assim, uma coisa é a “receita decorrente de exportação”; Outra coisa bem diversa é a comercialização, pelo Produtor Rural, de produtos rurais com cooperativa constituída e em funcionamento no País, mesmo que eventualmente visando à exportação. No primeiro caso, encontrase garantido que a exportação já ocorreu. A venda para o exterior já se encontra consolidada. A exportação é fato consumado. Dessa operação de exportação de produto rural resultou uma receita, a qual é imune à tributação previdenciária. Operouse definitivamente o objetivo da lei: diminuir a carga tributária sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos rurais. No segundo caso, há a realização de uma mera comercialização de produção rural com pessoa jurídica sediada e em funcionamento no país. Inexiste qualquer operação de exportação e nada garante que tal produção rural será efetivamente comercializada com adquirente domiciliado no exterior, ou que, eventualmente, venha a ser vendida no mercado interno. Dessarte, ao estatuir hipótese de imunidade às receitas “decorrentes de exportação” o Legislador Constituinte Derivado estabeleceu, efetivamente, um discrimen entre as operações realizadas diretamente com empresas adquirentes domiciliadas no exterior e as operações realizadas com empresas adquirentes domiciliadas e em funcionamento no País. Tal discernimento encontrase positivado expressamente no art. 241 da IN nº 03/2005, o qual prevê, dentre outras modalidades, que o fato gerador contribuições sociais ocorre na comercialização da produção rural do produtor rural pessoa física e do segurado especial realizada diretamente com adquirente domiciliado no exterior, hipótese em que se configura a exportação da produção rural, assim como a cooperativa, operação esta que se qualifica como operação interna, a teor do art. 245 da mesma Instrução Normativa em foco. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 241. O fato gerador das contribuições sociais ocorre na comercialização: (Redação dada pela IN SRP nº 20/2007) I da produção rural do produtor rural pessoa física e do segurado especial realizada diretamente com: (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) a) adquirente domiciliado no exterior (exportação), observado o disposto no art. 245; b) consumidor pessoa física, no varejo; c) adquirente pessoa física, nãoprodutor rural, para venda no varejo a consumidor pessoa física; d) outro produtor rural pessoa física; e) outro segurado especial; f) empresa adquirente, consumidora, consignatária ou com cooperativa; (Incluído pela IN SRP nº 20/2007) Fl. 383DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 8 Cumpre relembrar que o art. 111 do CTN impõe exegese restritiva a toda e qualquer norma tributária que implique renuncia fiscal. Nessa perspectiva, para que o ingresso de numerário mantenhase imune à tributação é imperioso e indispensável que a operação de origem seja a própria operação de exportação, isto é, que o adquirente seja domiciliado no exterior, assim como prevê a alínea ‘a’ do inciso I do art. 241 da IN nº 03/2005. A tal conclusão também convergiu o entendimento do Ministério da Previdência Social ao editar a Instrução Normativa MPS/SRP n° 03, de 14 de julho de 2005, cujo art. 245 excluiu da hipótese de imunidade ora em comento as receitas decorrentes de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País, por reconhecêla como receita proveniente do comércio interno e não de exportação. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 245. Não incidem as contribuições sociais de que trata este Capítulo sobre as receitas decorrentes de exportação de produtos, cuja comercialização ocorra a partir de 12 de dezembro de 2001, por força do disposto no inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal, alterado pela Emenda Constitucional nº 33, de 11 de dezembro de 2001. §1º Aplicase o disposto neste artigo exclusivamente quando a produção é comercializada diretamente com adquirente domiciliado no exterior. §2º A receita decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País é considerada receita proveniente do comércio interno e não de exportação, independentemente da destinação que esta dará ao produto. Não procede, portanto, a alegação de que a IN n° 03/2005 teria transbordado a sua competência ao criar limitação à fruição de imunidade que não constaria do próprio texto constitucional. Ora, a restrição em voga dimana diretamente da CF/88, a qual concede a imunidade tributária tão somente às “receitas decorrentes de exportação” e não às operações de comercialização destinadas a exportação. Dessarte, pelo prisma oclusivo interposto pelo art. 111 do CTN, há que se concluir que apenas as receitas geradas pela operação propriamente dita de exportação, mas não pelas operações anteriores, é que estariam acobertadas pelo favor fiscal em pauta. Conforme elucidado, o ato normativo ministerial increpado não introduziu qualquer inovação à ordem jurídica vigente, mas explicitou, tão somente, o conteúdo, o alcance e as condições de contorno da norma constitucional em rodeio; Nada mais. Repisese que a hipótese constitucional de não incidência tributária, configurandose como norma de exceção, não pode ter seu alcance ampliado para além dos limites que o Legislador Constituinte honrou em consignar, em sua literalidade, na Carta Constitucional. No caso em estudo, consta do Relatório Fiscal, a fls. 87/96, que o Autuado exportou levedura e soja através de "Trading Companies", bem como exportou açúcar e álcool por intermédio de cooperativa (COPERSUCAR Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo), não tendo o contribuinte comprovado a existência de qualquer exportação direta de seus produtos agroindustriais, razão pela qual se Fl. 384DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15956.000062/200946 Acórdão n.º 2401004.304 S2C4T1 Fl. 380 9 procedeu ao lançamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas decorrentes da comercialização da produção rural. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao Autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à Parte Adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Autor. No caso dos autos, a Fiscalização comprovou, mediante documentação idônea, elaborada sob a responsabilidade e domínio do próprio Recorrente, a efetiva ocorrência, no mercado interno, de operações de comercialização de produção rural com cooperativas e com trading companies, cujas Contribuições Previdenciárias delas decorrentes não se houveram por recolhidas na forma e nos prazos estabelecidos na Legislação Tributária. Em contrapartida, o Autuado alega tratarse de ato cooperativo, e que a produção rural que foi entregue à cooperativa destinavase à exportação. Ora, tratandose a situação concreta aqui em debate de expressivo caso de exceção à regra geral de tributação, o adimplemento das condições e dos requisitos necessários ao devido e indubitável enquadramento na hipótese de renúncia fiscal em apreço deve ser comprovado pelo Interessado, sob pena de agrilhoamento à regra geral de tributação. Todavia, no curso da instrução processual, não logrou o Recorrente comprovar o Direito por si alegado. De acordo com o regime jurídico encartado na Lei nº 5.764/71, são classificados como atos cooperativos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971 Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Conforme estatuído no Parágrafo Único do art. 79 da Lei nº 5.764/71, o ato cooperativo não implica operação de mercado, tampouco contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Tem alguma coisa muito estranha no caso ora em debate que este Subscritor ainda não conseguiu digerir. De acordo com o art. 4º da Lei nº 5.764/71, a cooperativa é uma sociedade de pessoas, com variabilidade do capital social representado por quotaspartes. Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971 Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a Fl. 385DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 10 falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: (...) II variabilidade do capital social representado por quotas partes; Art. 24. O capital social será subdividido quotaspartes, cujo valor unitário não poderá ser superior ao maior salário mínimo vigente no País. Todavia, a denominação social “Copersucar S.A.” dá a entender se tratar de uma sociedade por ações, e não sociedade de pessoas, como assim exige o art. 4º da Lei nº 5.764/71, circunstância que de per se já exclui a adquirente em apreço do regime jurídico instituído pela Lei nº 5.764/71, não havendo, portanto, que se falar em ato cooperativo. De outro canto, para que se configure “Ato cooperativo”, este tem que ser praticado entre um cooperado e a sua respectiva cooperativa, ambos atuando especificamente nessa condição. Ocorre, entretanto, que tais condições não restaram comprovadas nos autos do processo. De acordo com os artigos 14 e seguintes da Lei nº 5.764/71, a sociedade cooperativa constituise por deliberação da Assembleia Geral dos fundadores, constantes da respectiva ata ou por instrumento público, devendo o ato constitutivo, sob pena de nulidade, declarar o nome, nacionalidade, idade, estado civil, profissão e residência dos associados, fundadores que o assinaram, bem como o valor e número da quotaparte de cada um. Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971 Art. 14. A sociedade cooperativa constituise por deliberação da Assembleia Geral dos fundadores, constantes da respectiva ata ou por instrumento público. Art. 15. O ato constitutivo, sob pena de nulidade, deverá declarar: I a denominação da entidade, sede e objeto de funcionamento; II o nome, nacionalidade, idade, estado civil, profissão e residência dos associados, fundadores que o assinaram, bem como o valor e número da quotaparte de cada um; III aprovação do estatuto da sociedade; IV o nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos associados eleitos para os órgãos de administração fiscalização e outros. Art. 16. O ato constitutivo da sociedade e os estatutos, quando não transcritos naquele, serão assinados pelos fundadores. Diz mais. Dentre as obrigações acessórias da cooperativa incluise a de escriturar Livro de Matrícula dos associados, no qual tais associados devem ser inscritos por ordem cronológica Fl. 386DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15956.000062/200946 Acórdão n.º 2401004.304 S2C4T1 Fl. 381 11 de admissão, dele constando o nome, idade, estado civil, nacionalidade, profissão e residência do associado; a data de sua admissão e, quando for o caso, de sua demissão a pedido, eliminação ou exclusão, bem como a conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social. Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971 Art. 22. A sociedade cooperativa deverá possuir os seguintes livros: I de Matrícula; II de Atas das Assembleias Gerais; III de Atas dos Órgãos de Administração; IV de Atas do Conselho Fiscal; V de Presença dos Associados nas Assembleias Gerais; VI outros, fiscais e contábeis, obrigatórios. Parágrafo único. É facultada a adoção de livros de folhas soltas ou fichas. Art. 23. No Livro de Matrícula, os associados serão inscritos por ordem cronológica de admissão, dele constando; I o nome, idade, estado civil, nacionalidade, profissão e residência do associado; II a data de sua admissão e, quando for o caso, de sua demissão a pedido, eliminação ou exclusão; III a conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social. Todavia, a condição da Recorrente de cooperada da Copersucar S/A, nos moldes exigidos pela legislação de regência, também não se houve por comprovada nos presentes autos. Lei nº 5.764 de 16 de dezembro de 1971 Art. 3º Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 14. A sociedade cooperativa constituise por deliberação da Assembleia Geral dos fundadores, constantes da respectiva ata ou por instrumento público. Art. 15. O ato constitutivo, sob pena de nulidade, deverá declarar: I a denominação da entidade, sede e objeto de funcionamento; Fl. 387DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 12 II o nome, nacionalidade, idade, estado civil, profissão e residência dos associados, fundadores que o assinaram, bem como o valor e número da quotaparte de cada um; III aprovação do estatuto da sociedade; IV o nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos associados eleitos para os órgãos de administração fiscalização e outros. Art. 16. O ato constitutivo da sociedade e os estatutos, quando não transcritos naquele, serão assinados pelos fundadores. Art. 22. A sociedade cooperativa deverá possuir os seguintes livros: I de Matrícula; II de Atas das Assembleias Gerais; III de Atas dos Órgãos de Administração; IV de Atas do Conselho Fiscal; V de Presença dos Associados nas Assembleias Gerais; VI outros, fiscais e contábeis, obrigatórios. Parágrafo único. É facultada a adoção de livros de folhas soltas ou fichas. Art. 23. No Livro de Matrícula, os associados serão inscritos por ordem cronológica de admissão, dele constando; I o nome, idade, estado civil, nacionalidade, profissão e residência do associado; II a data de sua admissão e, quando for o caso, de sua demissão a pedido, eliminação ou exclusão; III a conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social. Nessas circunstâncias, não há como se atribuir às operações realizadas entre o Recorrente e a Copersucar S/A a condição de “ato cooperativo”. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio 2.2. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO O Recorrente alega que deveria ser observada a liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 2005.61.00.0251305, impetrado pela União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo, vigente à época da lavratura do Auto de Infração, à qual a Recorrente é filiada, que assegurou a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária relativamente às operações de exportação realizadas por intermédio de trading companies ou empresas comerciais exportadoras. Mas a citada liminar houvese por respeitada. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15956.000062/200946 Acórdão n.º 2401004.304 S2C4T1 Fl. 382 13 Encontrase explicitado no inciso IV do art. 151 do CTN que a concessão de medida liminar em Mandado de Segurança tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. Código Tributário Nacional Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104/2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequentes. Não se deve confundir, todavia, suspensão da exigibilidade do crédito tributário com constituição do crédito tributário. Exigibilidade é a qualidade daquilo que é exigível. Exigível é a obrigação que não se encontra mais submetida a qualquer condição, termo, encargo ou outro empecilho e que pode ter seu adimplemento solicitado pelo credor ao devedor, mediante colaboração da vontade deste. Dessarte, a exigibilidade do crédito tributário configurase na aptidão que permeia o crédito constituído de se integrar ao patrimônio ativo do credor e, consequentemente, no patrimônio passivo do devedor. Já a constituição do crédito tributário tratase de um direito potestativo do Fisco, decorrente da mera ocorrência objetiva do fato gerador da obrigação tributária principal correspondente, ou do descumprimento de obrigação tributária acessória, o qual direito se mantém hígido até que lhe sobrevenha a decadência. Concluise, portanto, que, enquanto exigibilidade é conceito de direito subjetivo, a constituição do crédito tributário se nos apresenta como conceito de direito potestativo. Para ser exequível é condição sine qua non que o crédito querido seja líquido, certo e exigível. A Obrigação líquida é aquela certa quanto à sua existência, e determinada quanto ao seu objeto e valor. Ou seja, a obrigação líquida existe e tem valor preciso. A característica da certeza diz respeito à existência material de uma obrigação tributária (rectius, crédito tributário), em razão da qual o agente passivo esteja obrigado a uma prestação de dar quantia certa em benefício do agente ativo. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 14 A obrigação tributária é abstrata e concretizase no fato gerador, mas individualizase qualitativa e quantitativamente através do lançamento. Tal espécie de obrigação, por si só, não contém os aspectos da exigibilidade, da certeza e da liquidez, próprios de um crédito. Para que a obrigação tributária se revista com tais atributos, fazse necessária a realização de um procedimento de parte da administração pública fazendária, consistente no lançamento. Assim, ao ornar a obrigação tributária com as vestes da certeza e liquidez, o lançamento a transforma em crédito tributário. Portanto, é o ato do lançamento que confere certeza e liquidez à obrigação tributária. A inexistência de impedimentos jurídicos a torna exigível. A suspensão da exigibilidade, assentada no art. 151 do CTN, ataca a exigibilidade do crédito tributário constituído, desobrigando o sujeito passivo do recolhimento imediato do crédito atacado, enquanto perdurar os efeitos da suspensão ou a existência do crédito tributário. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário impede, tão somente, o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança forçada de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução judicial e penhora. Conforme explicitado no texto legal, a norma tributária se refere à suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não à suspensão da obrigação tributária. Para que haja a existência do crédito tributário é indispensável que este já esteja constituído, mediante a devida convolação da obrigação tributária correspondente, condição que se alcança com a efetiva formalização do lançamento, assim compreendido o procedimento administrativo levado a cabo como o objetivo de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo. Nessa prumada, somente após a conclusão do lançamento poderseá falar em crédito tributário. Antes não. Haverá, tão somente, obrigação tributária. Registrese que crédito tributário é direito subjetivo do Fisco, em face do qual se pode opor o Devedor. O poder/dever de convolar a obrigação tributária em crédito tributário é direito potestativo da Fazenda. Nesse contexto, ao contrário do que entende o Recorrente, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não apõe qualquer blindagem na prerrogativa que possui a autoridade fazendária competente de efetivar o lançamento. Nesse sentido, propugna a Súmula nº 48 do CARF, de observância obrigatória por este Conselho. Súmula CARF nº 48 A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. A suspensão apenas desobriga o sujeito passivo correspondente do recolhimento do crédito constituído, seja espontaneamente, seja mediante execução forçada. Tão só. Não se deslembre que o próprio art. 140, in fine, do CTN dispõe que as circunstâncias que excluem a exigibilidade do crédito tributário não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15956.000062/200946 Acórdão n.º 2401004.304 S2C4T1 Fl. 383 15 Código Tributário Nacional CTN Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obrigação tributária que lhe deu origem. No caso dos autos, a União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo, à qual a Recorrente alega ser filiada, impetrou o Mandado de Segurança Coletivo n° 2005.61.00.0251305, perante a 8ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, a fls. 207/210, cujo pedido de concessão de medida liminar houvese por indeferido. Em seguida, em 15/12/2005, em sede de Agravo de Instrumento a fls. 211/216, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região deferiu o efeito ativo requerido, suspendendo da exigibilidade do Crédito Tributário ora em debate. Tal suspensão perdurou até dezembro/2006, quando Sentença proferida pela 8ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.61.00.0251305, resolveu o mérito nos termos do artigo 269, Inciso I, do Código de Processo Civil, julgando improcedente o pedido e denegando a segurança pretendida. Insatisfeita, a Impetrante interpôs Apelação Cível nº 0025130 30.2005.4.03.6100/SP ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, cuja 5ª Turma proferiu Acórdão de relatoria do Des. Federal Antonio Cedenho, negando provimento ao Recurso, nos termos que se vos segue: “Estabelecidas tais premissas, resta evidente que, no caso concreto, o apontado ato da autoridade pública não constitui ato ilegal a ferir o direito líquido e certo das impetrantes, assim entendido como aquele praticado em contradição com os elementos norteadores da vinculação à norma. Não se vislumbra violação aos princípios constitucionais acima elencados, às leis que regem a matéria, além daquelas que disciplinam a Administração Pública (ilegalidade). Diante do exposto, impossível concederse a segurança pretendida. À vista do referido, nos termos do artigo 557, caput, do Código de Processo Civil e inciso XII do artigo 33 do Regimento Interno deste Tribunal Intermediário, nego provimento ao recurso, na forma da fundamentação acima.” Agravo Legal em Apelação Cível nº 002513030.2005.4.03.6100/SP interposto pela União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo ÚNICA, teve provimento negado, por unanimidade, pela Egrégia Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, nos termos do Acórdão nº 7612/2012. Embargos de Declaração em Apelação Cível nº 0025130 30.2005.4.03.6100/SP opostos pela União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo ÚNICA, teve provimento negado, por unanimidade, pela mesma Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, nos termos do Acórdão nº 8687/2013. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 16 Alertese que no período em que vigeu a suspensão da exigibilidade do Crédito Tributário em pauta não se houve por realizado qualquer procedimento administrativo tendente a constranger o Contribuinte ao recolhimento compulsório do crédito objeto do vertente Auto de Infração, circunstância que demonstra a devida observância à liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo n° 2005.61.00.0251305. Na sequência, ainda inconformada com a negativa da segurança pleiteada, a União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo interpôs Recurso extraordinário e Recurso Especial às Cortes Superiores, cujos julgamentos encontramse suspensos/sobrestados por decisão da vicepresidência, em razão do Recurso Extraordinário nº 759.244/SP. Registrese que tanto o Recurso Especial quanto o recurso Extraordinário não produzem o efeito suspensivo, mas, tão somente, o efeito devolutivo por força cogente do §2º do art. 542 do Código de Processo Civil. Por via de consequência, tais recursos não suspendem a execução da sentença, a teor do art. 497 do C.P.C. Código de Processo Civil Art. 497. O recurso extraordinário e o recurso especial não impedem a execução da sentença; a interposição do agravo de instrumento não obsta o andamento do processo, ressalvado o disposto no art. 558 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.038/90) (grifos nossos) Do Recurso Extraordinário e do Recurso Especial (...) Art. 542. Recebida a petição pela secretaria do tribunal, será intimado o recorrido, abrindoselhe vista, para apresentar contrarrazões. (Redação dada pela Lei nº 10.352/2001) §1o Findo esse prazo, serão os autos conclusos para admissão ou não do recurso, no prazo de 15 (quinze) dias, em decisão fundamentada. (Incluído pela Lei nº 8.950/94) §2o Os recursos extraordinário e especial serão recebidos no efeito devolutivo. (Incluído pela Lei nº 8.950/94) (grifos nossos) §3o O recurso extraordinário, ou o recurso especial, quando interpostos contra decisão interlocutória em processo de conhecimento, cautelar, ou embargos à execução ficará retido nos autos e somente será processado se o reiterar a parte, no prazo para a interposição do recurso contra a decisão final, ou para as contrarrazões. (Incluído pela Lei nº 9.756/98) Dessarte, tendo em vista que o Acórdão nº 8687/2013 proferido em sede de Embargos de Declaração em Apelação Cível nº 002513030.2005.4.03.6100/SP houvese por publicado no DIÁRIO ELETRÔNICO DA JUSTIÇA FEDERAL DA 3ª REGIÃO, Edição nº 50/2013 São Paulo, no dia 18 de março de 2013, é devida a multa de mora a contar do dia 18/04/2013, conforme assim estabelecido no §2º do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de Fl. 392DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15956.000062/200946 Acórdão n.º 2401004.304 S2C4T1 Fl. 384 17 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835/2001) §1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. §2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Não procede, portanto, o inconformismo do Recorrente. 3 CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 18 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alexandre Tortato – Redator Designado Iniciados os debates do presente julgamento, ousei divergir do Ilustre Relator quanto a não incidência da contribuição previdenciária sobre a comercialização rural da empresa recorrente, posicionamento este que restou vencedor e fui designado para redigir o presente voto. Trata o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização rural agroindústria. Importante destacar a operação comercial que é, de fato, realizada pela recorrente, conforme descrito acima pelo relator, que fez menção ao relatório fiscal: Informa o auditor fiscal que a Autuada é uma agroindústria do setor sucroalcooleiro, sendo devidas as contribuições incidentes sobre o valor decorrente da comercialização da produção rural destinada ao mercado externo, uma vez que tal operação de comercialização não se dá diretamente com a empresa adquirente domiciliada no exterior, mas, sim, efetuada por intermédio da Cooperativa de Produtores de CanadeAçúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo COPERSUCAR. Assim, a recorrente defende que a operação de comercialização realizada entre ela e a Cooperativa Coopersucar está abrangida pela imunidade tributária, por força do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. A controvérsia reside, como se vê do próprio relatório fiscal, no fato das vendas realizadas pela recorrente serem, primeiramente, realizadas à cooperativas e "trading companies", e assim não seriam vendas destinadas diretamente à exportação, razão pela qual não poderiam fazer jus à imunidade. Na situação em análise, entendo que assiste razão à recorrente. A exportação, conforme mencionado pela própria fiscalização, de fato ocorreu, sendo o fundamento do lançamento o fato da venda pela recorrente não ser diretamente ao exterior, mas sim para a cooperativa que, posteriormente, realiza a exportação. Eis o que dispõe o mencionado art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. §1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores Fl. 394DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15956.000062/200946 Acórdão n.º 2401004.304 S2C4T1 Fl. 385 19 titulares de cargos efetivos da União. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 41/2003) §2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) O texto constitucional estabelece que sobre as receitas "decorrentes de exportação" não incidirão as contribuições sociais. Ora, se comprovado pelo próprio AFRFB que os produtos vendidos pela recorrente foram exportados, ainda que posteriormente, pela cooperativa adquirente da produção, entendo que as suas receitas são decorrentes de exportação. Importante destacar que o Supremo Tribunal Federal, em inúmeras manifestações, vem analisando o conceito de operação de exportação, que também se beneficia da imunidade para fins de incidência do ICMS, onde foram proferidos alguns julgados: Segundo o RE 363011 AgR/PR: Ementa: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ICMS. INCIDÊNCIA SOBRE OPERAÇÕES QUE DESTINAM MERCADORIAS PARA O EXTERIOR. IMUNIDADE. CONSTITUIÇÃO, ART. 155, § 2º, X, A. IRRELEVÂNCIA DA OPERAÇÃO SER REALIZADA EM MOEDA ESTRANGEIRA. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. (RE 363011 AgR, Relator(a): Min. TEORI ZAVASCKI, Segunda Turma, julgado em 07/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe 096 DIVULG 21052013 PUBLIC 22052013) (grifamos) No referido voto, o Eminente Ministro Relator define "operação de exportação" como sendo "operações que destinam mercadorias ao exterior". Somada a essa definição, temos o contido no RE 248.499/PR: EMENTA: TRIBUTO. ICMS. Exportação de produtos industrializados. Imunidade. Limitação apenas às operações realizadas com moeda estrangeira. Restrição imposta pelo Decreto Estadual nº 7.004/90 e Convênio ICMS nº 4/90. Inadmissibilidade. Recurso Extraordinário não provido. A imunidade do ICMS relativa à exportação de produtos industrializados abrange todas as operações que contribuíram para a exportação, independentemente da natureza da moeda empregada. (RE 248499, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, Segunda Turma, julgado em 27/10/2009, DJe218 DIVULG 19112009 PUBLIC 20112009 EMENT VOL0238303 PP00552 RTJ VOL00213 PP00598 RT v. 99, n. 892, 2010, p. 111114) Fl. 395DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA 20 Por último, a fim de selar o presente entendimento, destaco o exarado no RE 627.815/PR, de relatoria da Exma. Min. Rosa Weber, julgado sobre a sistemática da repercussão geral (art. 543B do CPC vigente à época) que abrange a extensão da interpretação das imunidades constitucionais e, especificamente, o alcance do inciso I, § 2º, do art. 149 da Constituição Federal,em debate no presente caso: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 627815, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe192 DIVULG 3009 2013 PUBLIC 01102013) (grifos nossos) Esclareçase que não se trata aqui de aplicar o referido julgado, nos termos do art. 62, § 2º, do RICARF. Mas sim de se filiar ao entendimento exarado pelo Supremo Tribunal Federal, na análise e interpretação dos preceitos inseridos na nossa Constituição Federal. Assim, se no presente caso resta indubitável que os produtos comercializados pela recorrente foram destinados à exportação, questões atinentes às regras normais de mercado não podem desnaturar a operação e o seu caráter de venda destinada à exportação. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Processo nº 15956.000062/200946 Acórdão n.º 2401004.304 S2C4T1 Fl. 386 21 Por questões comerciais e logísticas, é absolutamente natural que as vendas "finais" destinadas à exportação sejam realizadas por cooperativas, trading companies ou mesmo empresas de grandíssimo porte que possuem melhores condições de negociação com agentes estrangeiros e, principalmente, a capacidade de agregar a produção rural de diversos fornecedores e, assim, formar lotes para venda ao exterior que movimentem volumes muito maiores de vendas. Ora, evidente que concentrar a venda num único player, que possui a condição de agregar a produção de dezenas, centenas ou milhares de produtores rurais para a consequente exportação, é absolutamente lógico e razoável, ou se exigiria, para que se fizesse jus a referida imunidade, que cada produtor rural (seja pessoa jurídica ou mesmo pessoas físicas) tivessem condições de realizar as suas vendas diretamente para exportação? Pensemos, por exemplo, no caso de um pequeno a médio produtor rural pessoa física. Seria razoável exigir deste que, além de realizar a produção de sua comercialização, encontrasse diretamente um adquirente no exterior e, ademais, negociasse o transporte marítimo para o envio da sua pequena produção? Absolutamente não! O que nos parece muito claro e razoável é a total coerência da análise do texto constitucional com a realidade do mercado. E, no caso em análise, a realidade do agronegócio é a justamente aqui encontrada na operação como realizada pela recorrente. Assim, entendo que a recorrente faz jus, sim, a imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal, posto que comprovadamente realizada a exportação pela cooperativa (ou trading companies) adquirente dos seus produtos rurais comercializados e, assim, verificada a obtenção de "receitas decorrentes de exportação". Portanto, entendo que o recurso voluntário ora em análise merece provimento. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 17/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI, Assinado digitalmente em 17/08/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA
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Numero do processo: 15374.971831/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/03/2003
PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL.
A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.371
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinando-se o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Restituição. Prescrição. Recorrente FÁBRICA CARIOCA DE CATALISADORES S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/03/2003 PRESCRIÇÃO. SUSPENSÃO ATRAVÉS DE PROTESTO JUDICIAL. A propositura de ação cautelar de protesto tem o condão de suspender a prescrição do direito do contribuinte de pleitear a compensação de crédito que possui, face ao princípio da isonomia processual. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida para compensação de débitos tributários federais com créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 18 31 /2 00 9- 33 Fl. 663DF CARF MF Processo nº 15374.971831/200933 Acórdão n.º 3402003.371 S3C4T2 Fl. 3 2 A compensação não foi homologada pela unidade de origem sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP, apesar de localizado, havia sido integralmente utilizado na compensação de débitos declarados pelo contribuinte, que esgotaram o crédito disponível. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que recolheu indevidamente o IPI no período de outubro de 2002 a maio de 2003 (aplicou a alíquota de 10%), sobre saídas de produtos cuja alíquota fora reduzida a zero. Em face disso, considera fazer jus à restituição dos valores pagos, e que tais valores podem ser objeto de compensação, com base no art.74 da Lei nº 9.430/96. A manifestação foi julgada improcedente (Acórdão 14054.307), a despeito do reconhecimento da existência do crédito, em razão da verificação de ofício da prescrição do direito do contribuinte de pleitear a restituição. O contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual repisa a sua impugnação, acrescentando que o prazo prescricional do direito de pleitear a restituição foi interrompido por iniciativa da Recorrente, que ajuizou ação cautelar de protesto, com o fito de interromper o prazo de prescrição nos termos do art.174, parágrafo único, II do Código Tributário, em 05/09/2007, vindo a ser definitivamente efetivada em 21/01/2015. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.367, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 15374.971828/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.367): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido pelo Colegiado. A questão inicial do processo dizia respeito à existência ou não do crédito de IPI decorrente do pagamento indevido, questão esta prima facie superada pelo próprio reconhecimento da decisão a quo da sua existência, com base nos documentos de fls. 111303, analiticamente examinados no "Relatório extrajudicial sobre utilização crédito IPI" de fls. 526661, verbis: Em princípio, observo que a manifestante, aparentemente, trouxe aos autos provas do indevido recolhimento, bem como, a autorização para pedir a restituição do adquirente. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 15374.971831/200933 Acórdão n.º 3402003.371 S3C4T2 Fl. 4 3 O seu exaurimento cognitivo restou prejudicado pela verificação ex officio da prescrição do direito do Recorrente de pleitear a restituição dos créditos, com fundamento no art.168, I c/c art.165, I, ambos do Código Tributário Nacional, concluindo nos seguintes termos: Pois bem, consta dos autos que este processo é o de crédito e que a PERDCOMP foi transmitida em 01/04/2008, sendo que o pagamento indevido foi efetuado em 10/03/2003, ou seja, já em 11/03/2008 o contribuinte tinha perdido o direito de pleitear a repetição do indébito, considerando o disposto no CTN: Pois bem, em seu Recurso Voluntário, o Recorrente apresentou certidão judicial da 17ª Vara Federal do Rio de Janeiro (fls.502503) certificando a propositura, por ela, de uma Ação de Protesto Judicial contra a Fazenda Nacional com o objetivo de interromper o prazo para restituição do IPI recolhido a partir de Outubro de 2002 até o último decêndio de Maio de 2003. Certificou também que a propositura da ação se deu em 05/09/2007, tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015. Em primeiro lugar, há que se enfrentar a questão da preclusão acerca da apresentação de provas sobre o ajuizamento da ação cautelar de protesto pela Recorrente, haja vista tais provas terem sido juntadas apenas com seu Recurso Voluntário. Entendemos ser perfeitamente cabível tal juntada e manifestação específica acerca da questão da prescrição, por se tratar de questão fática e jurídica trazia posteriormente aos autos, ao ser conhecida de ofício na decisão recorrida e que portanto somente pôde ser atacada em seus fundamentos no âmbito do Recurso Voluntário. É a dicção expressa do art.16, §4, "c" do Decreto 70.235/72, verbis: Art.16. (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Desse modo, é legítima a juntada de documentos após a decisão de 1ª instância com vistas a contrapor matéria conhecida de ofício pelo Colegiado a quo. Superado este ponto, podese enfrentar seguramente o mérito das alegações. De fato, a decisão recorrida está correta ao estabelecer que o dies a quo do prazo prescricional relativo ao direito do contribuinte de pleitear a restituição tem início com o pagamento feito nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, é essa a dicção clara do CTN: “Art. 168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: Fl. 665DF CARF MF Processo nº 15374.971831/200933 Acórdão n.º 3402003.371 S3C4T2 Fl. 5 4 I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário ; “Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de pagamento, ressalvado o disposto no § 4° do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo do tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Desse modo, o art.150, §1º do mesmo Código é claro quanto a eficácia extintiva do pagamento antecipado, sendo a homologação posterior apenas condição resolutória, isto é, exercer seus efeitos desde o momento da sua realização, ficando sujeito a evento futuro e incerto que pode lhe tirar a eficácia: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos desta lei extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.” Para afastar quaisquer dúvidas a respeito da identificação da data de início de contagem do prazo, a Lei Complementar nº 118/2005 trouxe em seu artigo 3º regra interpretativa a esse respeito, aplicandose retroativamente por força do art.106, I do CTN: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Até o presente ponto o raciocínio da decisão recorrida é irretocável. Todavia, olvidou o julgado da existência de causa de interrupção da prescrição do direito à repetição tributária, por não ter sido tal matéria informada desde o início na manifestação de inconformidade. De fato, as causas de interrupção da prescrição são as seguintes: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II pelo protesto judicial; III por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 15374.971831/200933 Acórdão n.º 3402003.371 S3C4T2 Fl. 6 5 Portanto, o ajuizamento da ação cautelar de protesto, se feito dentro do prazo prescricional, tem o condão de interrompêlo. Nesse sentido, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, consolidado nos votos da lavra do Min. Demócrito Reinaldo, a exemplo do REsp 52.281/DF, julgado em 03/03/1997, no qual consignou o seguinte: Com efeito, o CTN, em seu artigo 174, parágrafo único, inciso II, expressamente elege o protesto judicial como causa interruptiva do prazo prescricional para propor a ação de cobrança do crédito tributário. Face ao princípio da "isonomia processual", idêntico tratamento deve ser dispensado ao contribuinte, nas ações em que postula repetição do indébito. Tal entendimento encontra eco também no REsp nº 82.553/DF, REsp nº 40.365/DF e no REsp 108.866/DF, com a ressalva que neste último se enfrenta especificamente a data em que se inicia a recontagem do prazo prescricional: PROCESSO CIVIL. INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. SE A AÇÃO E PRECEDIDA DE PROTESTO JUDICIAL, A PRESCRIÇÃO SE INTERROMPE NA DATA DA CITAÇÃO DESTE (CC, ART. 172). RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO EM PARTE. (REsp 108.866/DF, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/02/1997, DJ 07/04/1997, p. 11098) Nesses termos, a citação da Fazenda Nacional marca o reinício do prazo prescricional, retroagindo a interrupção à data da propositura da ação cautelar de protesto, por força da regra da actio nata, consagrada de longa data pelo Superior Tribunal de Justiça e consentânea com a sistemática do exercício do direito de ação. Por fim, recentemente, cumpre apontar também a decisão do REsp 335942/RS, julgado em 01/10/2009, cuja ementa traz o seguinte: PROCESSUAL CIVIL, ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. PRESCRIÇÃO. PROTESTO JUDICIAL. INTERRUPÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 1º, 8º E 9º DO DECRETO 20.910/1932. 1. O STJ possui entendimento no sentido de que o prazo prescricional referente ao aproveitamento do créditoprêmio de IPI é de cinco anos contados da aquisição do direito, nos termos do Decreto 20.910/1932. 2. Hipótese que se diferencia da restituição de tributo indevidamente recolhido (art. 168, I, do CTN), pois se trata de pedido relativo a benefício fiscal não reconhecido pelo Fisco a ser creditado pelo interessado. 3. O regime jurídico da prescrição deve ser analisado à luz do Decreto 20.910/1932, que prevê a possibilidade de interrupção por uma única vez, recomeçando o lapso temporal a correr pela metade. 4. Ajuizouse medida cautelar de protesto judicial interruptivo da prescrição (art. 867 do CPC; c/c o art. 202, II, do Código Civil), tendo sido citada a recorrente em 6.12.1984. A ação declaratória que originou o presente recurso foi ajuizada em 9.11.1987, isto é, Fl. 667DF CARF MF Processo nº 15374.971831/200933 Acórdão n.º 3402003.371 S3C4T2 Fl. 7 6 após o transcurso de mais de dois anos e meio do ato interruptivo. Prescrição reconhecida. 5. Recurso Especial provido. (REsp 335.942/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe 09/10/2009) A posição atual do STJ é pela aplicação dos arts. 8º e 9º do Decreto nº 20.910/32, que se encontra válido e vigente no ordenamento pátrio e assim prescreve: Art. 8º A prescrição somente poderá ser interrompida uma vez. Art. 9º A prescrição interrompida recomeça a correr, pela metade do prazo, da data do ato que a interrompeu ou do último ato ou termo do respectivo processo. Considerando que a propositura da ação se deu em 05/09/2007 e portanto dentro do prazo prescricional e tendo o protesto interruptivo da prescrição sendo efetivado em 21/01/2015, possui ainda o Contribuinte dois anos e meio para pleitear sua restituição, contados desta data, isto é, até 21/07/2017. Portanto, não há que se considerar a prescrição apontada pela decisão a quo. Superado a preliminar referente à prescrição, verificase que a decisão recorrida pautouse exclusivamente por ela, deixando de analisar o mérito relativo ao crédito pleiteado, razão pela qual esse Colegiado não pode avaliála. Ante o exposto, voto por dar provimento à preliminar de inocorrência de prescrição do direito ao pedido de ressarcimento/compensação, remetendo os autos à DRJ responsável pela decisão a quo para, superada a questão prescricional, se manifeste sobre o mérito do crédito pleiteado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso voluntário, para reformar o acórdão recorrido na parte em que decidiu pela prescrição do crédito, determinandose o retorno do processo à unidade julgadora de origem para análise das demais questões de mérito ventiladas na manifestação de inconformidade (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 668DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.721761/2015-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO.
Para caracterização das subvenções para investimento necessária a intenção do ente subvencionador em destiná-las para investimento, assim como , a efetiva e específica aplicação, pelo beneficiário, dos valores subvencionados em investimentos para implantação ou expansão do empreendimento econômico.
PROGRAMA DO ESTADO DE SANTA CATARINA. BENEFÍCIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÕES ESPECÍFICAS PARA APLICAÇÃO EM INVESTIMENTOS. SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO.
Inexistentes no ato legal concessório dos benefícios fiscais do Estado de Santa Catarina quaisquer obrigações específicas para o beneficiário, de forma a garantir a aplicação dos valores subvencionados em investimentos, estes benefícios fiscais devem ser classificados como subvenções para custeio.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Aplica-se a mesma solução em razão de ambos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção
COFINS. PIS. SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO. RECEITAS TRIBUTÁVEIS.
Incluem-se dentre as receitas tributáveis pela COFINS e PIS as subvenções para custeio face à inexistência de previsão legal para exclusão destas receitas da base de cálculo das contribuições.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. APLICABILIDADE.
Cabível a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96 concomitantemente com a multa de ofício por se tratarem de penalidades distintas e com previsões legais específicas. A Súmula CARF nº 105 não é aplicável aos fatos geradores a partir de 2007 em virtude das alterações legislativas ao art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, sobre o qual se fundamenta referida súmula.
MULTA ISOLADA. EXONERAÇÃO. INEXATIDÃO NA APURAÇÃO.
Correto o acórdão recorrido que exonerou a multa isolada sobre a estimativa de CSLL do mês de outubro/2012 quando identificado erro na base de cálculo da estimativa apurada pela fiscalização.
Numero da decisão: 1301-002.132
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos de oficio e voluntário.
Assinado Digitalmente
Waldir Veiga Rocha - Presidente.
Assinado Digitalmente
Milene de Araújo Macedo - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado), Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. Para caracterização das subvenções para investimento necessária a intenção do ente subvencionador em destiná-las para investimento, assim como , a efetiva e específica aplicação, pelo beneficiário, dos valores subvencionados em investimentos para implantação ou expansão do empreendimento econômico. PROGRAMA DO ESTADO DE SANTA CATARINA. BENEFÍCIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÕES ESPECÍFICAS PARA APLICAÇÃO EM INVESTIMENTOS. SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO. Inexistentes no ato legal concessório dos benefícios fiscais do Estado de Santa Catarina quaisquer obrigações específicas para o beneficiário, de forma a garantir a aplicação dos valores subvencionados em investimentos, estes benefícios fiscais devem ser classificados como subvenções para custeio. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplica-se a mesma solução em razão de ambos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção COFINS. PIS. SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Incluem-se dentre as receitas tributáveis pela COFINS e PIS as subvenções para custeio face à inexistência de previsão legal para exclusão destas receitas da base de cálculo das contribuições. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. APLICABILIDADE. Cabível a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96 concomitantemente com a multa de ofício por se tratarem de penalidades distintas e com previsões legais específicas. A Súmula CARF nº 105 não é aplicável aos fatos geradores a partir de 2007 em virtude das alterações legislativas ao art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, sobre o qual se fundamenta referida súmula. MULTA ISOLADA. EXONERAÇÃO. INEXATIDÃO NA APURAÇÃO. Correto o acórdão recorrido que exonerou a multa isolada sobre a estimativa de CSLL do mês de outubro/2012 quando identificado erro na base de cálculo da estimativa apurada pela fiscalização.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. CARACTERIZAÇÃO. Para caracterização das subvenções para investimento necessária a intenção do ente subvencionador em destinálas para investimento, assim como , a efetiva e específica aplicação, pelo beneficiário, dos valores subvencionados em investimentos para implantação ou expansão do empreendimento econômico. PROGRAMA DO ESTADO DE SANTA CATARINA. BENEFÍCIOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA DE OBRIGAÇÕES ESPECÍFICAS PARA APLICAÇÃO EM INVESTIMENTOS. SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO. Inexistentes no ato legal concessório dos benefícios fiscais do Estado de Santa Catarina quaisquer obrigações específicas para o beneficiário, de forma a garantir a aplicação dos valores subvencionados em investimentos, estes benefícios fiscais devem ser classificados como subvenções para custeio. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase a mesma solução em razão de ambos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção COFINS. PIS. SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. Incluemse dentre as receitas tributáveis pela COFINS e PIS as subvenções para custeio face à inexistência de previsão legal para exclusão destas receitas da base de cálculo das contribuições. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. APLICABILIDADE. Cabível a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96 concomitantemente com a multa de ofício por se tratarem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 17 61 /2 01 5- 65 Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.170 2 de penalidades distintas e com previsões legais específicas. A Súmula CARF nº 105 não é aplicável aos fatos geradores a partir de 2007 em virtude das alterações legislativas ao art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, sobre o qual se fundamenta referida súmula. MULTA ISOLADA. EXONERAÇÃO. INEXATIDÃO NA APURAÇÃO. Correto o acórdão recorrido que exonerou a multa isolada sobre a estimativa de CSLL do mês de outubro/2012 quando identificado erro na base de cálculo da estimativa apurada pela fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento aos recursos de oficio e voluntário. Assinado Digitalmente Waldir Veiga Rocha Presidente. Assinado Digitalmente Milene de Araújo Macedo Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, José Roberto Adelino da Silva (Suplente Convocado), Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Roberto Silva Junior e Waldir Veiga Rocha. Relatório Tratase o presente processo de autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, relativos aos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, lavrados face à exclusão das receitas de subvenções correntes para custeio ou operações, recebidas do Estado de Santa Catarina, da base de cálculo desses tributos. Foram também lavradas multas isoladas incidentes sobre a falta de recolhimento das antecipações de IRPJ e CSLL devidos sobre as bases de cálculo estimadas. A fiscalização pautou sua exigência nas seguintes premissas: "PRIMEIRA PREMISA: Os benefícios fiscais de subvenção para custeio ou de subvenção para investimento podem ser identificados pela simples leitura da lei que os instituiu. SEGUNDA PREMISSA: As obrigações que a fiscalizada tem para com o Estado de Santa Catarina, em contraposição aos valores dele recebidos, não se coadunam com o benefício fiscal de "Subvenção para Investimento", em conformidade com as orientações prescritas no PN CST 112/78 Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.171 3 TERCEIRA PREMISSA: A análise dos Atos Administrativos apresentado . pela fiscalizada, às fls. 818 a 822 e 98 a 204, (leitura obrigatória) levam o leitor, por exclusão, a concluir que a fiscalizada é beneficiária de Subvenções para Custeio e ou Operação, pois em seus contextos não há a menção de quaisquer obrigações por parte da subvencionada que impliquem em "investimento", conforme as orientações do item 2.11 do PN CST 112/1978." Após detalhar cada uma das premissas, conclui ao final: "Haveríamos de discorrer e interpretar a legislação estadual e os Atos de Concessão de de Tratamento Tributário Diferenciado, além de todos os outros atos administrativos intermediários, quanto ao aspecto formal e contábil da subvenção concedida, da sincronia de intenções dos montantes efetivamente aplicados no ativo fixo e de outros requisitos exigidos por lei e atos normativos. No entanto, nada disto vem ao caso porque é patente que os valores de ICMS subvencionados pelo Estado de Santa Catarina à fiscalizada, objeto de exclusão da Base de Cálculo do IRPJ e da CSSL, nos anoscalendários de 2010, 2011 e 2012, deveriam ter sido levados à tributação, pois são "subvenções correntes para custeio ou operação", conforme o prescrito no art. 392 do RIR/99, combinado com o PN CST 112/1978. Estamos afirmando, portanto, que não existe, por autoevidencia, documento algum, decorrente da lei concessiva de subvenções para custeio que tenha o condão de comprovar que as doações recebidas pela fiscalizada do Estado de Santa Catarina sejam subvenções para investimento. Qualquer exigência retórica de que a autoridade fiscal tem a obrigação de analisar documentos irrelevantes beira o absurdo e está em ostensivo confronto com o bom senso. Não obstante, conforme já esclarecemos anteriormente, e, a título de rememoração, para as subvenções concedidas pelos supra referidos textos legais poderem ser consideradas como subvenções para investimento "impõemse, também, a efetiva e específica aplicação de subvenção, por parte do beneficiário, nos Investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado (vide item 2.12 do PN CST 112/1978). A subvenção concedida à fiscalizada pelo Estado de Santa Catarina deveria ser destinada ao menos "à aplicação em bens ou direitos" integrantes do ativo fixo, essa a finalidade última das subvenções para investimento, objeto do Decretolei n° 1.598/1977" (vide item 2.11 do PN CST 112/1978). Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. "Nesse sentido, o PN CST 112/1978 exige "efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico ", bem como "sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado " (vide item 2.12 do PN CST 112/1978). A sincronia é da intenção. O subvencionador deseja expressamente que o valor da subvenção seja destinado a determinado investimento. E o subvencionador que fixa a natureza da subvenção. O subvencionado utiliza aqueles valores para a realização do determinado investimento. A expressão "sincronia de intenção" foi utilizada com o sentido de coincidência de vontades"." Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.172 4 Cientificado dos autos de infração em 19/06/2015 (fls. 984), o contribuinte apresentou impugnação aos lançamentos (fls. 996 a 1027), onde efetuou diversas alegações que foram assim sintetizadas pelo relator do acórdão ora recorrido: Em vista do exposto acima, conclu que: i) os autos de infração ora rechaçados não estão de acordo com o art. 142 do CTN, haja vista que não foi apurada devidamente a ocorrência dos fatos geradores, em flagrante vício material; ii) O único motivo pelo qual a fiscalização teria considerado as subvenções em tela como "para custeio e operação" é o fato de que os recursos não foram aplicados em bens do ativo fixo, como fixa o item 2.11 do PN CST 112/78; iii) As subvenções em comento são classificadas como "para investimento", tendo o CARF, inclusive, já reconhecido tal classificação no Processo nQ 10920.724243/201251, em que a Impugnante é parte; iv) A Impugnante cumpriu com os ditames legais na qualidade de subvencionada; v) Não incide PIS e COFINS sobre crédito presumido de ICMS, posto que tais valores não representam ingresso de recursos, tampouco receita auferida; vi) É indevida a exigência cumulada da multa isolada de 50% de que trata o art. 44, II, 'b', da Lei n§ 9.430/96 e da multa de ofício de 75% prevista no art. 44, I, da Lei n2 9.430/96, nos termos da Súmula CARF n 105; vii) O valor R$ 1.388.654,08 lançado a título de multa isolada sobre a falta de recolhimento de estimativa de CSLL no período de 10/2012 está equivocada; No julgamento realizado em 25/11/2015, a 2ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, afastou a preliminar de nulidade, e, no mérito, julgou parcialmente procedente os lançamentos, afastando apenas a multa isolada de CSLL do período outubro de 2012, no valor de R$ 1.388.654,08. As exigências de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, bem assim, as demais multas isoladas de IRPJ e de CSLL, foram mantidas conforme Acórdão nº 0653.604, assim ementado: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2010, 2011, 2012 MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. ERRO DE CÁLCULO. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50%, devendo ser cancelada a multa de período em que equivocadamente foi considerada contribuição a pagar. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 INCENTIVOS FISCAIS. REDUÇÃO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXIGÊNCIA DE PERFEITA SINCRONIA ENTRE Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.173 5 SUBVENCIONADOR E SUBVENCIONADO. EXIGÊNCIA DE MECANISMOS QUE ASSEGUREM A DESTINAÇÃO LEGAL. Para que um incentivo fiscal seja qualificado como subvenção para investimento, não basta o animus da autoridade estatal concedente, sendo necessária a perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado, exigindo se que o instrumento legislativo que concede a subvenção disponha expressamente sobre a obrigação do beneficiário de alocar os recursos em bens do ativo imobilizado. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2010, 2011, 2012 INCENTIVOS FISCAIS. REDUÇÃO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO NÃO CARACTERIZADA. RECEITA TRIBUTÁVEL. O PIS incide sobre a receita bruta da venda de bens e serviços e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação, alcançando os incentivos fiscais, os quais somente não são tributáveis as subvenções para investimento. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2010, 2011, 2012 INCENTIVOS FISCAIS. REDUÇÃO DE ICMS. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO NÃO CARACTERIZADA. RECEITA TRIBUTÁVEL. A Cofins incide sobre a receita bruta da venda de bens e serviços e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação, alcançando os incentivos fiscais, os quais somente não são tributáveis as subvenções para investimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Nos termos do art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, houve recurso de ofício relativo à multa isolada de CSLL exonerada. Regularmente cientificado, em 15/12/2015, do Acórdão 0653.604 2ª Turma da DRJ/CTA, a recorrente apresentou, em 12/01/2016 recurso voluntário alegando, em síntese, no item "IV.1 DO ÚNICO REQUISITO TIDO PELA FISCALIZAÇÃO E PELO ACÓRDÃO RECORRIDO COMO OFENDIDO DA DESNECESSIDADE DE DESTINAÇÃO DAS SUBVENÇÕES AO ATIVO FIXO DA EMPRESA": O acórdão recorrido corroborou o equivocado entendimento da autoridade lançadora de que só se considera como subvenção para investimento quando, ao menos, tal benefício fiscal é destinado/aplicado em bens do ativo imobilizado; Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.174 6 O único motivo pelo qual a fiscalização classificou as subvenções concedidas pelo Estado de Santa Catarina como subvenções para custeio seria o fato de que elas não foram aplicadas em bens ou direitos integrantes do ativo fixo; A fiscalização pautou sua conclusão no art. 392 do RIR/99 c/c o Parecer Normativo CST nº 112/78, porém, referido parecer é ilegal porque o art. 38, § 2º do Decreto Lei nº 1.598/71, ao definir as subvenções para investimento, em momento algum menciona que a aplicação das subvenções deve ser realizada no ativo fixo; O fator determinante para a caracterização de uma subvenção para investimento reside na intenção do poder público em fomentar a expansão de empreendimentos econômicos, não havendo que se falar na destinação específica e casada do recursos; Traz jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais com o entendimento de que não é necessária a efetiva e específica aplicação dos recursos recebidos do Poder Público para que tais valores sejam reconhecidos como subvenções para investimento; Ao rechaçar as conclusões do acórdão recorrido sobre a inaplicabilidade ao caso concreto da jurisprudência citada na peça impugnatória afirma: (i) O Parecer Normativo nº 112/78 não pode ser o alicerce para exigências tributárias e só faria sentido para a autoridade fiscal em vista de sua vinculação funcional; (ii) Ao permitir o descasamento entre o recebimento do benefício e sua aplicação, a Câmara Superior de Recursos Fiscais prestigia a intenção do legislador em fomentar e expandir as atividades econômicas (iii) Em assim permitindo, convalida o entendimento de que não é necessária a específica aplicação de recursos para fins de configuração da subvenção para investimento; Ao analisar as subvenções concedidas pelo estado de Santa Catarina à recorrente, o CARF reconheceu que, afastada a aplicação ilegal do Parecer Normativo nº 112/78, não pode a fiscalização deixar de demonstrar os motivos pelos quais entende que as subvenções seriam para custeio; Destaca que tanto a fiscalização quanto a DRJ não adentraram a análise da documentação fornecida pela recorrente de que o benefício concedido pelo estado de Santa Catarina possui todas as características de subvenções para investimento, por ser esta análise desnecessária em vista do entendimento de que só haveria subvenção para investimento caso os recursos tivessem sido ao menos destinados ao ativo fixo; Entende ser impossível de ser realizada nesse momento a análise da natureza da presente subvenção visto que a fiscalização não adentrou neste mérito, todavia, anexou ao processo motivos pelos quais entende que as subvenções concedidas pelo estado de Santa Catarina são classificadas como para investimento; Em seguida , no item IV.2 DA NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS SOBRE SUBVENÇÕES (CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS), defendese: As subvenções não são receitas da empresa portanto, pouco importa se há ou não previsão para exclusão de tais valores da base de cálculo do PIS e da COFINS, visto que não se está diante da hipótese de incidência do PIS e da COFINS; Independentemente das classificações relacionadas às subvenções, tais benesses fiscais não correspondem ao fato imponível tributável do PIS e da COFINS Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.175 7 estabelecido nas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, haja vista que não representam capacidade contributiva ou manifestação de riqueza da pessoa jurídica; O legislador ordinário, ao definir no art. 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 a receita bruta da pessoa jurídica como a totalidade das receitas auferidas, confirma o entendimento de que são receitas tributáveis somente aqueles ingressos que se incorporam definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica e que representam novas receitas; O critério material de incidência do PIS e da COFINS deve ser considerado como sendo todo o ingresso de valores no patrimônio da pessoa jurídica que venha a integrar o seu patrimônio, não se confundindo com mera movimentação de valores; O crédito presumido em questão não representa ingresso de recursos ao patrimônio da empresa, portanto, não há dúvida que ele não constitui riqueza reveladora de capacidade contributiva, motivo pelo qual tais valores não são tributáveis pelo PIS e pela COFINS; Não há lógica em se permitir que o estado federado perca receita com a renúncia fiscal e, pelo mesmo motivo, a União aumente sua arrecadação com a inclusão destes valores na base de cálculo do PIS e da COFINS. Tal pretensão, a toda evidência, fere o princípio federativo e a autonomia das pessoas políticas; As subvenções em tela são classificadas na modalidade "para investimento", o que reforça ainda mais o direito de a Impugnante não ser tributada pelo PIS e a COFINS; Diferentemente das receitas as subvenções devem ser mantidas no patrimônio líquido em conta de reserva com destinação limitada (não podem ser distribuídas aos sócios, tampouco computar a base de cálculo dos dividendos obrigatórios); Cita acórdãos do CARF onde as autuações foram canceladas ante a confirmação de que os valores recebidos pelo contribuinte seriam subvenção para investimento; Ao dispor sobre o tratamento das subvenções para investimento, o art. 18, inc. I, da Lei nº 11.941/09 menciona apenas que a empresa deve reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência. Em nenhum momento a legislação menciona que as subvenções para investimento são consideradas receitas da empresa. O único regramento é de que tais valores transitem em contas de resultado e sejam excluídos da apuração do lucro real; A previsão legal de que as subvenções devem transitar em contas de resultado não pode ser levada a cabo a ponto de permitir a incidência do PIS e da COFINS como se receitas fossem; A Lei nº 12.973/14 promoveu alterações nas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, as quais passaram a consignar, expressamente, que os valores de subvenções para investimentos não integram as bases de cálculo do PIS e da COFINS, respectivamente, corroborando o seu entendimento. Prossegue em seu recurso questionando a aplicação da multa isolada no item IV.3 DA IMPOSSIBIILDADE DE EXIGÊNCIA DA MULTA ISOLADA (ART. 44, II, 'B', Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.176 8 DA LEI Nº 9.430/96) APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO DO IRPJ E DA CSLL do recurso: Caso a autuação não seja cancelada deve ser reconhecida a inexigibilidade das multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas pois as mesmas estão sendo exigidas em conjunto com a multa de ofício de 75%, o que resulta na duplicação de penalidade sobre a mesma suposta infração; Aduz que o acórdão recorrido, ao invés de prestigiar o entendimento sumulado do CARF , afastou a aplicação da Súmula nº 105 sob a alegação de que ele não é unânime e a transcrição de precedentes antigos e anteriores à edição da referida súmula; Rebate o argumento do acórdão recorrido de que não há coincidência de base de cálculo na aplicação das multas, afirmando que o valor do tributo utilizado para lançamento, tanto fez parte do crédito tributário lançado de ofício, bem como para o cálculo da multa isolada. Por fim, requer o reconhecimento da total improcedência dos autos de infração de IRPJ e CSLL e multas correlatas, posto que a imposição de requisito previsto no item 2.11 do PN CST nº 112/78 não possui amparo legal. Pugna também pela improcedência dos valores exigidos a título de PIS e COFINS e multas correlatas, vez que as subvenções não representam ingresso de recursos, tampouco receita auferida, bem assim, a existência de previsão legal expressa para exclusão das subvenções para investimento das bases de cálculo dessas contribuições. Pede também o reconhecimento da improcedência da exigência cumulada da multa isolada de 50% e da multa de ofício de 75%. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo. Relatora. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso é tempestivo e dele conheço. DA NATUREZA DAS SUBVENÇÕES CONCEDIDAS PELO ESTADO DE SANTA CATARINA À RECORRENTE A matéria subvenções, na legislação tributária federal, foi tratada, inicialmente, pela Lei nº 4.506/64, que assim dispôs: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.177 9 III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. O termo “subvenções correntes, para custeio ou operação” tem origem na Lei nº 4.320/64, que determinou normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços dos entes federados. No referido diploma legal e sob a ótica desses entes, as subvenções são espécies de transferências correntes, haja vista a inexigibilidade de qualquer contraprestação direta em bens ou serviços, e seriam destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas. Vêse, portanto, que o conceito de subvenções do art. 44, inciso IV, foi ampliado em relação ao original constante da Lei nº 4.320/64, para incluir como subvencionadores tanto as pessoas jurídicas de direito público como as de direito privado. Observese, entretanto, que em ambos os casos não foram feitas considerações acerca da destinação que as pessoas jurídicas subvencionadas dariam às receitas recebidas. Com o advento do § 2º, do art. 38, do DecretoLei nº 1.598/77, foi incluída na legislação tributária tratamento diferenciado às subvenções para investimento: Art 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.178 10 b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (Vigência) Da leitura do dispositivo legal acima transcrito, extraise que, as subvenções para investimento com recursos oriundos das pessoas jurídicas de direito público, desde que destinadas à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não são consideradas receitas tributáveis para fins da legislação do imposto de renda. Diante do novo contexto, a Secretaria da Receita Federal do Brasil se manifestou através do Parecer Normativo nº 112/78: 2.11 Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST n° 2/78 (D.O.U. de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST número 143/73 (D.O.U. de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2° do art. 38. do D. L. 1.598/77. 2.12 Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. 2.13 Outra característica bem nítida da SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO,para os fins do gozo dos favores previstos no § 2° do art. 38. do D.L. 1.598/77, é a que seu beneficiário terá que ser a pessoa Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.179 11 jurídica titular do empreendimento econômico. Em outras palavras quem está suportando o ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico é que deverá ser tido como beneficiário da subvenção, e, por decorrência, dos favores legais. Essa característica está muito bem observada nos desdobramentos do item 5 do PN CST n° 2/78. [...] 7.1 Ante o exposto, o tratamento a ser dado às SUBVENÇÕES recebidas por pessoas jurídicas, para fins de tributação do imposto de renda, a partir do exercício financeiro de 1978, face ao que dispõe o art. 67, item I, letra "b" do Decretolei n° 1.598/77, pode ser assim consolidado: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO , o resultado nãooperacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário,nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; Dessa forma, o parecer conclui que, para fins de tributários, as subvenções de investimento são as que apresentam as seguintes características: A intenção do subvencionador de destinálas para investimento; A efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; O beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. No caso das subvenções concedidas pelo Estado de Santa Catarina, o Tratamento Tributário Diferenciado nº 115000001135169 foi concedido com fundamento no Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.180 12 art. 148A do Anexo II, ao Decreto nº 2.870/2001 (RICMS/SC), para o período de vigência entre 09/2007 a 12/2011 (fls. 818,819). Já o Tratamento Tributário Diferenciado nº 115000004486400, relativo aos benefícios concedidos para o período de 01/2012 a 12/2012, o fundamento legal utilizado foi o art. 43 da Lei nº 10.297/96, c/c art.2º da Lei Complementar nº 541/2011. Os benefícios fiscais concedidos consistiam, em síntese: (i) no diferimento do ICMS na importação de mercadorias para importadoras de grande porte (Art. 148 A e seu § 3º, c/c art. 144, do Anexo II); (ii) no diferimento parcial nas operações internas com empresa interdependente; (iii) no aproveitamento de crédito presumido nas operações subsequentes à importação de mercadorias ao qual tenha sido concedido o regime especial do art. 148 A c/c art. 144, do Anexo II. A seguir, transcrevo a base legal do benefício usufruído pelo contribuinte nos anoscalendário de 2010 e 2011, especificamente, o art. 144 e os §1º e 2º do art.148A: Art. 144. Na saída de produtos de informática resultantes da industrialização, e que atendam as disposições contidas na Lei federal n° 8.248, de 1991, o crédito presumido de que trata o art. 142, calculado sobre o valor do imposto devido pela operação própria, será equivalente a 96,5% (noventa e seis inteiros e cinco décimos por cento). [...] Art. 148A. Na saída subseqüente à importação de mercadorias diversas das referidas nesta Seção, poderá ser concedido o benefício fiscal previsto no “caput” do art. 144, atendido o estabelecido neste artigo. § 1º O disposto neste artigo: I dependerá de concessão de regime especial pelo Secretário de Estado da Fazenda; II somente será aplicado à empresa que, cumulativamente: a) seja signatária de protocolo de intenções firmado com o Estado; b) gere no mínimo 30 (trinta) empregos diretos, no estabelecimento beneficiário ou em estabelecimento do grupo, situado neste Estado, a partir de, no máximo, 180 (cento e oitenta) dias contados da concessão do benefício, mantendoos durante todo o período de fruição; “b” – Redação da Alt. 1798 – vigente de 27.10.08 a 30.09.10: b) gere, ou passe a gerar, no mínimo 25 (vinte e cinco) empregos diretos relacionados à atividade finalística da empresa; c) cujas atividades resultem em elevado impacto e alavancagem da economia catarinense; Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.181 13 d) contribua com o Fundo instituído pela Lei nº 13.334, de 2005, em montante ajustado no protocolo de que trata o inciso I; e) – REVOGADA. f) – REVOGADA. g) realize operações de saída com mercadorias importadas por conta própria ou por encomenda: “g” Redação da Alt. 2001 vigente de 28.05.09 a 30.09.10: g) realize operações de saída com mercadorias importadas: 1. nos 12 (doze) meses subsequentes à concessão do benefício, em montante igual ou superior a R$ 350.000.000,00 (trezentos e cinqüenta milhões de reais); e 2. a cada período de 12 (doze) meses posterior àquele previsto no item 1, em montante igual ou superior a R$ 500.000.000,00 (quinhentos milhões de reais); h) – REVOGADA. i) utilize serviços de despachante aduaneiro residente e domiciliado neste Estado ou de Comissárias de Despacho Aduaneiro estabelecidas no Estado de Santa Catarina, para execução das liberações de importação junto aos órgãos intervenientes; “i” – Redação ACRESCIDA Alt. 1799 – vigente de 27.10.08 a 30.09.10: i) utilize serviços das Comissárias de Despacho Aduaneiro estabelecidas no Estado de Santa Catarina, para execução das liberações de importação junto aos órgãos intervenientes. “j” Redação ACRESCIDA Alt. 2399 – vigente de 01.10.10 (Dec. 3484/10, art. 2º) a 02.01.11: j) realize operações de importação, quando se tratar de operações por conta e ordem de terceiros: 1. nos 12 (doze) meses subsequentes à concessão do benefício, em montante igual ou superior a R$ 330.000.000,00 (trezentos e trinta milhões de reais) considerando para esta finalidade o valor aduaneiro acrescido dos tributos federais e despesas aduaneiras; 2. a cada período de 12 (doze) meses posterior àquele previsto no item 1, em montante igual ou superior a R$ 470.000.000,00 (quatrocentos e setenta milhões de reais) considerando para esta finalidade o valor aduaneiro acrescido dos tributos federais e despesas aduaneiras; III REVOGADO. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.182 14 IV – implicará vedação ao aproveitamento de qualquer crédito fiscal relacionado à mercadoria importada, inclusive o incidente sobre a prestação de serviço a ela relativa; V – não se aplica: a) cumulativamente com qualquer outro benefício constante na legislação tributária, exceto com aqueles relacionados à redução da base de cálculo, hipótese em que a carga tributária final incidente sobre a operação própria não poderá resultar em valor menor que aquele apurado com base exclusivamente no benefício previsto neste artigo; e b) à importação de bens e mercadorias usados, exceto se atendidas cumulativamente as seguintes condições (Lei nº 14.605/08): 1. destinarse ao ativo permanente do importador; e 2. não possuir similar produzido em território catarinense; c) no caso de importação por conta e ordem de terceiros ou por encomenda, salvo se solicitado em requerimento fundamentado pelo interessado e autorizado pelo Secretário de Estado da Fazenda, quando o adquirente ou encomendante se enquadre em quaisquer das seguintes hipóteses: 1. contribuinte que tenha sido detentor nos últimos 360 (trezentos e sessenta) dias de tratamento diferenciado relativo à mercadoria importada, por qualquer de seus estabelecimentos; 2. pessoa estabelecida ou domiciliada neste Estado que tenha promovido nos últimos 360 (trezentos e sessenta) dias importação de mercadoria com idêntica classificação fiscal, estendendose a vedação, em iguais condições, ao destinatário de mercadoria importada por intermédio de terceiro estabelecido neste Estado, a sua conta e ordem ou em razão de encomenda; 3. estabelecimento de empresa de cujo capital participe ou tenha participado sócio ou acionista e respectivo cônjuge de empresa detentora, nos últimos 360 (trezentos e sessenta) dias, de tratamento diferenciado relativo à mercadoria importada; 4. estabelecimento de empresa que mantenha relação de interdependência com empresa detentora, nos últimos 360 (trezentos e sessenta) dias, de tratamento diferenciado relativo à mercadoria importada; 5. a estabelecimento importador, por conta própria ou por encomenda, que revenda mercadoria importada para outro estabelecimento catarinense que tenha praticado operação com beneficiário de tratamento diferenciado relativo à importação de mercadoria para comercialização, nos últimos 360 (trezentos e sessenta) dias. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.183 15 6. nas demais modalidades de importação, previstas na legislação federal, quando, na operação de saída, subseqüente à importação, o destinatário se enquadre em quaisquer das hipóteses previstas nos itens 1 a 5; “c” – Redação da Alt. 2083 vigente de 26.08.09 a 30.09.10: c) no que se refere ao tratamento tributário de que trata o § 2º, salvo se autorizado pelo Secretário de Estado da Fazenda, às operações com destino: 1. a estabelecimento de contribuinte que tenha sido detentor, nos últimos 360 (trezentos e sessenta) dias, de tratamento diferenciado relativo à mercadoria importada; 2. a pessoa estabelecida ou domiciliada neste Estado que tenha promovido, nos últimos 360 (trezentos e sessenta) dias, importação de mercadoria com a mesma classificação fiscal, estendendose a vedação, em iguais condições, ao destinatário de mercadoria importada por intermédio de terceiro estabelecido neste Estado, a sua conta e ordem ou em razão de encomenda; 3. aos demais estabelecimentos do mesmo titular daqueles referidos nos itens 1 e 2; 4. a estabelecimentos de empresa de cujo capital participe ou tenha participado sócio ou acionista e respectivo cônjuge de empresa detentora, nos últimos 360 (trezentos e sessenta) dias, de tratamento diferenciado relativo à mercadoria importada; 5. a estabelecimentos de empresa de cujo quadro funcional faça parte, na qualidade de diretor ou sócio com funções de gerência, ainda que exercida sobre outra denominação, pessoa que exerça função semelhante em empresa detentora, nos últimos 360 (trezentos e sessenta) dias, de tratamento diferenciado relativo à mercadoria importada. § 2º O percentual de crédito presumido será definido no protocolo a que se refere o § 1º, II, “a”: I tendo como limite máximo o fixado no art. 144; e II levando em consideração os efeitos decorrentes de benefícios concedidos por outras unidades da Federação em desacordo com o que determina a lei complementar prevista no art. 155, § 2º, XII, “g”, da Constituição Federal. Reproduzo, em seguida, a base legal do benefício usufruído no ano calendário de 2012, ou seja, o art. 2º da Lei Complementar nº 541/2011 e o art. 43 da Lei nº 10.297/96, Art. 2° Com vistas a garantir a competitividade de empreendimento instalado ou que vier a se instalar em território catarinense, fica o Chefe do Poder Executivo autorizado a conceder tratamento tributário diferenciado Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.184 16 relativo ao ICMS, de forma a compensar os efeitos de benefício tributário ou financeiro concedido ou prometido por outra unidade da Federação, com inobservância de lei complementar federal que disponha sobre a matéria. Art. 43. Fica o Poder Executivo autorizado, sempre que outro Estado ou o Distrito Federal conceda benefícios fiscais ou financeiros de que resulte redução ou eliminação, direta ou indiretamente, de ônus tributário, com inobservância do disposto na lei complementar de que trata o art. 155, § 2°, XII, "g", da Constituição Federal, a tomar as medidas necessárias para a proteção dos interesses da economia catarinense Da leitura dos instrumentos legais que fundamentaram a concessão dos benefícios nos anos de 2010, 2011 e 2012, verificase que neles não constam quaisquer disposições expressas de que a intenção do Estado de Santa Catarina, ao conceder as subvenções, era estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Inferências sobre as intenções do ente subvencionador também não são suficientes para que as transferências de recursos sejam caracterizadas como subvenções para investimento. Considerandose que o ato legal concessório do benefício é determinante na determinação de sua natureza, deve nele constar, explicitamente, a intenção da pessoa jurídica subvencionadora. Neste sentido, correto o entendimento da autoridade lançadora e do acórdão recorrido, ao afirmarem que os atos legais não trazem disposições apontando que a intenção do governo seria criar a subvenção com a finalidade específica de investimentos. No Protocolo de Intenção firmado com o Estado de Santa Catarina em 26/07/2007 (fls. 98 a 105) consta que seu objetivo seria a expansão da atividade empresarial da empresa, culminando com o aumento da utilização de mão de obra, de serviços e geração de renda para o ente subvencionador. Já o Protocolo de Intenções de 14/09/2011 (fls. 114 a 122) tem como objeto estabelecer condições que possibilitarão às partes viabilizar a manutenção e expansão da atividade da empresa no Estado. Em ambos os Protocolos de Intenções, entretanto, não houve assunção por parte da recorrente de quaisquer obrigações específicas de investimento, não sendo possível nem mesmo identificar o tipo de investimento que seria realizado e a forma que o mesmo seria implementado para que seus objetivos fossem atingidos. Consta do Relatório de Atividade Fiscal, que nos termos do item 2.12. do Parecer Normativo CST nº 112/78, além da intenção do subvencionador, para a caracterização das subvenções para investimento, é necessária a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário. Os compromissos assumidos pela recorrente, são genéricos, sem metas que permitam ao Estado de Santa controlar a efetiva aplicação em investimentos dos recursos subvencionados, senão vejamos: A PROTOCOLO FIRMADO EM 26/07/2007 Seção II Dos Compromissos da Empresa Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.185 17 Cláusula Segunda Para a consecução dos objetivos deste PROTOCOLO, a EMPRESA, no estrito cumprimento da legislação tributária e desde que plenamente assegurada a assinatura de Regime Especial próprio, as condições de manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do empreendimento, compromete se a: I. incrementar a atividade por ela desenvolvida de industrialização ou serviços de logística ou comercialização de produtos acabados ou semiacabados, importados do exterior do país, e que imprimam considerável movimentação portuária, rodoviária e aeroportuária no Estado de Santa Catarina; II. continuar a investir em tecnologia apropriada à sua atividadefim. de modo a contribuir à criação de um pólo de excelência no Estado de Santa Catarina; III. gerar ou passar a gerar no mínimo 25 (vinte e cinco) empregos diretos, devendo manter tais postos gerados enquanto perdurar provável Regime Especial que lhe seja conferido em razão deste Protocolo; IV. ampliar e aprimorar o treinamento à mãodeobra já contratada localmente, e em especial aos novos postos de trabalho que serão gerados em razão deste Protocolo; V. utilizar para os fins empresariais, no que couber, serviços e insumos prestados ou produzidos no Estado de Santa Catarina; VI. contribuir para o Fundo instituído pela Lei n° 13.334, de 2005, o equivalente a 0,5% (meio por cento) do valor da operação, nos exatos termos na alínea "d", do inciso II, do §1°, do art. 148A, da Seção XXX, do Anexo 2, do RIC MS/SC; VIII. estimular e manter o desenvolvimento de uma economia de serviços e a geração de emprego e renda no Estado de Santa Catarina; Cláusula Terceira Observados os termos e condições previstas neste PROTOCOLO, a EMPRESA deverá manter os seus estabelecimentos no Estado de Santa Catarina, pelo prazo mínimo de 5 (cinco) anos, iniciando se a sua contagem a partir da assinatura de regime especial próprio B PROTOCOLO DE INTENÇÕES FIRMADO EM 14/09/2011 Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.186 18 CLÁUSULA SEGUNDA DOS COMPROMISSOS DA EMPRESA. A EMPRESA se compromete, para a consecução dos objetivos deste PROTOCOLO, no estrito cumprimento do disposto no Tratamento Tributário Diferenciado a ser concedido, a: I alcançar em suas operações de saída com mercadoria importada, faturamento bruto anual não inferior a R$ 250.000.000,00 (duzentos e cinquenta milhões de reais); II manter no seu quadro de funcionários, e enquanto este estiver em vigência, no mínimo 30 (trinta) postos de trabalho devidamente registrados, considerando a empresa beneficiária e outras empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico situadas em território catarinense; III utilizar serviços de operadores logísticos (armazenagem, manuseio, movimentação e distribuição) estabelecidos em Santa Catarina, devidamente habilitados pelos órgãos anuentes; IV contratar, preferencialmente, a prestação de serviço de transporte rodoviário de cargas com empresa transportadora estabelecida no Estado de Santa Catarina; V requerer à Secretaria de Estado da Fazenda o enquadramento em tratamento tributário diferenciado, consignando os documentos requeridos, bem como fazer prova de atendimento das exigências previstas na legislação tributária relativas à sua concessão (Anexo 6 do RICMS/SC); VI contribuir para o : a) Fundo Estadual de Defesa Civil, instituído pela Lei n9 8.099, de 1990, em montante equivalente a 0,2 % (dois décimo por cento) do valor da operação própria com mercadorias alcançadas pelo tratamento tributário diferenciado; e b) Fundo Social, instituído pela Lei n9 13.334, de 2005, em montante equivalente a 0,6 % (seis décimos por cento) do valor da operação própria com mercadorias alcançadas pelo tratamento tributário diferenciado. § 1º Para fins de cumprimento da meta prevista no inciso I será considerada a totalidade das operações realizadas pelos estabelecimentos da EMPRESA situados em território catarinense alcançados pelo tratamento tributário diferenciado concedido com base neste PROTOCOLO, inclusive, se for o caso, das operações com produtos produzidos a partir de mercadorias importadas. Com relação à quantidade mínima de empregos relacionada no inciso III do protocolo firmado em 26/07/2007 e no inciso II do protocolo de 14/09/2011, merecem ser feitas as seguintes considerações: Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.187 19 (i) Estabelecer uma quantidade mínima de empregados para que se possa ter direito ao benefício, em nada comprova a real necessidade de investimentos. Se no início da obtenção do benefício a empresa já possuir os 25 (exigidos até 30/09/2010) ou 30 empregados (exigidos a partir de 01/10/2010), nenhum tipo de investimento deverá ser feito para que se atinja a quantidade mínima exigida; (ii) Ademais, caso a empresa beneficiária não possua a quantidade mínima de empregos estabelecida, poderiam ser considerados os empregos de outras empresas do mesmo grupo econômico situadas no Estado de Santa Catarina; (iii) No caso da recorrente, referida condição em nada implicaria novos investimentos pois, de acordo com a Fichas 70 Informações Previdenciárias da Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ/2011 (fls. 523), relativa ao anocalendário de 2010, desde o início de 2010 o contribuinte já possuía a quantidade mínima exigida. Relativamente ao requisito estabelecido pelo art. 148 – A, § 1º, inciso II, alínea “g”, do Decreto nº 2.8709/2001, que condiciona a aplicação do benefício às empresas que realizarem operações de saída com mercadorias importadas por conta própria ou por encomenda, em valores superiores a R$ 350.000.000,00, nos doze primeiros meses subsequentes à concessão do benefício, e superiores a R$ 500.000.000,00 a cada período de doze meses seguintes, cabem os seguintes esclarecimentos: (i) Tais valores não significam metas objetivas a serem atingidas pela recorrente, mas sim requisitos estabelecidos indistintamente a todas empresas interessadas na concessão do benefício. Se o faturamento da empresa, anteriormente à concessão do benefício, for superior à meta estabelecida, não será necessário realizar qualquer investimento para fruição do benefício fiscal; (ii) Observese ainda, no caso específico da recorrente, que na cláusula segunda, inciso I, do Protocolo de Intenções firmado em 14/09/2011, o valor mínimo estabelecido para as operações realizadas em 2012 foi reduzido para R$ 250.000.000,00 (fls. 114 a 122). Ou seja, para usufruir do benefício concedido no ano de 2012, a recorrente poderia até mesmo reduzir suas operações de saída com mercadorias importadas. Impossível, portanto, concluir que o mero estabelecimento de valores mínimos de saídas com mercadorias importadas, teriam como consequência a expansão da atividade empresarial e, menos ainda, que essa expansão decorreria da efetiva e específica aplicação dos recursos subvencionados em investimentos. (iii) Ademais, nem todo acréscimo no faturamento das pessoas jurídicas beneficiárias de subvenções para investimento, decorrem dos investimentos por ela realizados podendo ter como origens, por exemplo, a alta de preços do mercado ou o aumento de produtividade, sem que isso implique necessariamente em novos investimentos. Desta forma, acertada a premissa da fiscalização de que da análise dos atos administrativos apresentados pela fiscalizada não se identifica menção a quaisquer obrigações por parte da subvencionada que impliquem em investimento, conforme as orientações do item 2.11 do Parecer Normativo nº 112/78. O contribuinte alega em sua peça recursal que o acórdão recorrido corroborou o equivocado entendimento da fiscalização de que o único requisito ofendido à caracterização das subvenções para investimentos teria sido a falta de destinação dos recursos Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.188 20 subvencionados ao ativo fixo da empresa . Alega ainda que tal exigência não possui amparo legal, pois em momento algum, o art. 38, § 2º do DecretoLei nº 1.598/71 menciona que a aplicação das subvenções deve ser realizada no ativo fixo. Não assiste razão à recorrente. Primeiro porque este não foi o único motivo que motivou a exigência fiscal. No extenso Relatório da Atividade Fiscal (fls. 928 a 978) o contribuinte detalha as premissas adotadas: (i) Os benefícios ficais de subvenção para custeio ou de subvenção para investimento podem ser identificados pela simples leitura da lei que os intituiu; (ii) As obrigações que a fiscalizada tem para com o Estado de Santa Catarina, em contraposição aos valores dele recebidos, não se coadunam com o benefício fiscal de "Subvenção para Investimento", em conformidade com as orientações prescritas no PN CST 112/78; (iii) A análise dos Atos Administrativos apresentados pela fiscalizada, às fls. 818 a 822 e 98 a 204, (leitura obrigatória) levam o leitor, por exclusão, a concluir que a fiscalizada é beneficiária de Subvenções para Custeio e ou Operação, pois em seus contextos não há a menção de quaisquer obrigações por parte da subvencionada que impliquem em "investimento", conforme as orientações do item 2.11 do PN CST 112/1978."; para ao fim concluir que os valores de ICMS subvencionados pelo Estado de Santa Catarina são subvenções para custeio, conforme o art. 392 do RIR/99. Segundo, porque uma vez que não se prestam à auxiliála a fazer face às suas despesas usuais, os recursos transferidos para a pessoa jurídica subvencionada com a intenção de estimular a implantação ou expansão de empreendimentos econômicos deverão, necessariamente, ser aplicados em bens e direitos de titularidade da subvencionada. Considerando que todas as operações realizadas pelas pessoas jurídicas na consecução de seus objetivos sociais devem estar registradas em sua contabilidade, as aquisições de bens e direitos utilizados na expansão das atividades estarão refletidas no ativo nãocirculante da subvencionada. Tais registros se prestariam a comprovar que os recursos recebidos para investimento foram efetivamente aplicados em bens do ativo, em um período determinado e em valores compatíveis com a subvenção recebida. No caso específico da contribuinte, em que os protocolos firmados não demonstraram quais seriam os investimentos a serem realizados com os valores subvencionados, muito menos, que tais investimentos seriam aplicados em bens e direitos não pertencentes ao ativo nãocirculante da recorrente, correta a aplicação do Parecer Normativo nº 112/78. A recorrente questiona a legalidade do Parecer Normativo nº 112/78, e afirma que a exigência fiscal pautada no referido parecer somente fez sentido à autoridade fiscal lançadora em vista de sua vinculação funcional. De igual sorte, não assiste razão ao contribuinte. Referido parecer tem força normativa, e foi utilizado na fundamentação do recente acórdão nº 9191002.345, julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão de 14/06/2016, nos seguintes termos: Observase que, segundo interpretação do parecer, a subvenção para investimento estaria caracterizada quando, cumulativamente, (1) os recursos a serem transferidos seriam com o objetivo de auxiliar a pessoa jurídica não em sua despesas, mas na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos; (2) seria exigida uma perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado; (3) não basta o "animus", mas Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.189 21 também e efetiva e específica aplicação da subvenção nos investimentos previstos, e (4) mero registro contábil em conta própria de reserva de capital não é suficiente, por si só, para caracterizar a transferência como subvenção para investimento. Entendo que cabem observações sobre os itens (1) e (2). Aqui registro uma observação complementar em relação a voto apresentado na sessão anterior sobre o mesmo assunto (Acórdão n° 9101002.335), apenas para acrescentar uma observação em relação ao item (1). Sobre o item (1), de fato não há que se considerar que tais recursos sejam empregados para auxiliar nas despesas do ente subvencionado. Devem ser aplicados em bens ou direitos visando a consecução da finalidade da subvenção para investimentos, qual seja, implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Tal aplicação poderá estar refletida em diferentes ativos da empresa, como, por exemplo, estoques, ativo permanente, em proporções que dependerão do ramo de atividade do subvencionado, mas que deverão estar devidamente refletidos na contabilidade. Já em relação ao item (2), a necessidade de "perfeita sincronia" entre a intenção do subvencionador e a ação do subvencionado, merece uma ressalva, e se trata de conclusão que deve ser relativizada, interpretada numa acepção mais ampla. Isso porque, ao se falar na implantação de um novo investimento, naturalmente o subvencionado terá que aplicar recursos próprios para a construção do empreendimento. Apenas no futuro, a partir do momento em que o investimento gerar frutos, serão originadas as receitas, cuja parte será objeto de transferência para a empresa a título de subvenção Por sua vez, quanto aos demais itens (1, 3 e 4), entendo que consagram o disposto no § 2° do art. 38 do Decretolei n° 1.598, de 26/12/1977. Dispõese com clareza que as subvenções para investimento que podem ser excluídas na determinação do lucro real são aquelas concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, além de terem de estar contabilizadas em conta reserva de capital e feitas emcumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do Contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas Neste mesmo sentido, aplicando as conclusões do Parecer Normativo nº 112/78, as seguintes decisões do CARF, assim ementadas: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO. Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.190 22 Para restar caracterizada a subvenção para investimento as transferências devem ser concedidas como estímulo á implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. E não basta a mera intenção, deve estar claro no diploma legal que o ente subvencionador irá, de fato, estabelecer mecanismos claros de controle para verificar se as condições serão atendidas. Esperase que os investimentos sejam devidamente escriturados, de modo que possam refletir na contabilidade a aplicação dos recursos em ativo, dentro de um período de tempo determinado, em montante proporcional às transferências recebidas. (Acórdão nº 9101002.345, Sessão de 14/06/2016) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis, como receitas, as subvenções obtidas pelo contribuinte para o custeio de suas atividades, ainda mais quando não demonstrada qualquer exigência concreta e específica a título de investimentos. (Acórdão nº 1201001.404, Sessão de 06/04/2016) A recorrente prossegue em sua defesa sustentando que o "fator determinante para a caracterização de uma subvenção na modalidade "investimento" não reside na necessidade de aplicação específica dos recursos (p.ex. no ativo fixo do subvencionado), mas sim na intenção do poder público em fomentar a expansão de empreendimentos econômicos. Admitir como pretende a recorrente, que mera disposição acerca da intenção da pessoa jurídica de direito público subvencionadora seja suficiente para caracterização das subvenções em investimento, implica em dispensar a análise dos atos que concederam o benefício, bem assim, a verificação da efetiva aplicação dos recursos subvencionados. Entretanto, conforme já demonstrado, este é um dos requisitos necessários à caracterização das subvenções para investimentos. Cita ainda entendimento do CARF de que "o dinheiro não precisa ser carimbado" para que se configure a subvenção para investimento. Neste ponto, correto o entendimento da recorrente. A sincronia exigida no tem 2.12 do Parecer Normativo nº 112/78 é a sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não se exige simultaneidade mas sim que os atos concessórios disponham expressamente sobre as obrigações do beneficiário em alocar os recursos em recursos do ativo em um período de tempo determinado. Por fim, a recorrente argumenta no recurso voluntário que o CARF , em análise das subvenções a ela concedidas pelo Estado de Santa Catarina nos autos do processo administrativo nº 10920.724243/201251, reconheceu que, "afastada a aplicação ilegal do Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.191 23 Parecer Normativo nº 112/78, não pode a fiscalização deixar de demonstrar os motivos pelos quais entende que as subvenções seriam para custeio (inteiro teor compondo o Doc. 04 da Impugnação)". De início, vale lembrar que os acórdãos proferidos por outras turmas de julgamento deste Colegiado não vinculam o julgador, o qual deve pautar suas decisões pelo princípio do livre convencimento motivado, respeitando, obviamente as limitações impostas pelas súmulas e resoluções emitidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF. De acordo com acórdão acima mencionado, anexado às fls. 1054 a 1069, o objeto da autuação do referido processo é a subvenção recebida do Estado de Santa Catarina com fundamento no art. 148 A, Anexo II, do Decreto nº 2.870/2001 (RICMS/SC), relativa ao anocalendário de 2007. No presente processo, apenas nos anos de 2010 e 2011, o benefício foi concedido com o mesmo fundamento, entretanto, existem diferenças fáticas relativamente às autuações, devendo cada processo ser analisado separadamente. Ademais, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao apreciar o recurso especial da Fazenda Nacional, utilizou o Parecer Normativo nº 112/78 para fundamentar suas decisões e negou provimento ao recurso especial da PFN por terem sido comprovados nos autos do processo que ocorreu a efetiva aplicação dos recursos visando a implantação e expansão do empreendimento econômico. Assim, considerando a ausência dos requisitos necessários à caracterização da subvenção para investimentos nos benefícios fiscais concedidos pelo Estado de Santa Catarina, bem assim, a falta de critérios estabelecidos pelo ente subvencionador para controlar a efetiva e específica aplicação dos valores transferidos, firmei convicção de que os valores subvencionados não visavam à implantação ou expansão das atividades econômicas, devendo ser classificados como subvenções para custeio, na forma do art. 392, inciso I, do RIR/99. Desta forma, correto o acórdão recorrido, que manteve as exigências de IRPJ. CSLL Quanto à exigência de CSLL, adoto a solução dada ao litígio principal, IRPJ, em razão de ambos lançamentos estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. PIS E COFINS A recorrente afirma que, independentemente da classificação das subvenções, tais benefícios fiscais estão fora do campo de incidência do PIS e da COFINS estabelecido nas Leis nº 10.637/02 e Lei nº 10.833/03, por não se tratarem de receitas da pessoa jurídica, não havendo capacidade contributiva ou manifestação de riqueza da pessoa jurídica. Aduz que as receitas tributáveis pela legislação do PIS e da COFINS são somente aqueles ingressos que se incorporam definitivamente ao patrimônio da pessoa jurídica e que representam novas receitas. Dessa forma, o critério material de incidência do Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.192 24 PIS e da COFINS é todo ingresso de valores no patrimônio da pessoa jurídica, não devendo ser confundido com mera movimentação de valores. Ao final conclui que as subvenções recebidas através de créditos presumidos de ICMS não são tributáveis pelo PIS e COFINS, por não se enquadrarem no conceito de receita previsto nas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e a Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, ao definirem os fatos geradores das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS, assim dispõem: Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Lei n° 10.833, de 20 de dezembro de 2003: Art. 1° A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1° Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2 ° A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Verificase, portanto, que a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, sujeitamse à incidência das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS, exceto as expressamente excluídas pelos art. 5, da Lei nº 10.637/2002 e pelo art. 6º da Lei nº 10.833/2003, a seguir elencadas: Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 5° A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.193 25 II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Lei n° 10.833, de 20 de dezembro de 2003 Art. 6°A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Assim, em virtude da falta de dispositivo legal que permita excluir da base de cálculo das contribuições as subvenções para custeio, correta a tributação dos valores recebidos a título de subvenções para custeio. Neste sentido, a jurisprudência do Colegiado ao analisar as subvenções concedidas pelo Estado de Santa Catarina: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. Os valores do crédito presumido do ICMS, por se caracterizar como receita de subvenção para custeio, integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativa. (Acórdão nº 3302003.199, Sessão de 17/05/2016) DA MULTA ISOLADA O recorrente alega inicialmente que as multas isoladas por falta de recolhimento das estimativas estão sendo exigidas em conjunto com a multa de ofício de 75%, fato este que resultaria na duplicação de penalidade sobre a mesma suposta infração. Não assiste razão à contribuinte. Em virtude da alteração legislativa ocorrida no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pela Lei nº 11.488/2007, temse um novo cenário na aplicação dessas multas. Após a alteração, a base de cálculo da multa deixou de ser a totalidade ou diferença de tributo, e passou a ser o valor do pagamento mensal a título de Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.194 26 estimativa, além de ter havido redução de seu percentual de 75% para 50%. Vejam as alterações: Art. 44 da Lei n° 9.430/1996, na redação anterior à Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (... ) § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (... ) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente. Art. 44 da Lei n° 9.430/1996, na redação posterior à Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Assim, da leitura dos dispositivos legais acima transcritos, verificase que a multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea "b", incide sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado, independentemente do período em que seja constatada a falta desse pagamento mensal, seja no período de apuração do IRPJ ou CSLL, ou seja posteriormente ao encerramento do período de apuração. Inexiste previsão legal excluindo a aplicação da multa isolada caso a mesma seja apurada após o encerramento do período de apuração, ao contrário, consta que sua exigibilidade independe da apuração de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL. Tratamse, portanto, de penalidades distintas e com previsões legais específicas. A multa de 75% incide sobre o montante do IRPJ e CSLL devidos no final do período de apuração, trimestral ou anual, e tem por base legal o art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96. Por outro lado, a multa isolada de 50% incide sobre a falta de recolhimento mensal Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.195 27 das estimativas, nos casos em que o contribuinte opta pela apuração anual do IRPJ e CSLL, e tem como base legal o art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/96. Assim, possível a aplicação concomitante das duas penalidades por incidirem sobre bases de cálculo distintas. Relativamente à aplicação da Súmula nº 105 do CARF, como se vê no enquadramento legal da infração de falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSLL, a multa isolada foi aplicada com fulcro na nova redação do art. 44 da Lei n° 9.430/96, dada pela Lei nº 11.488/07, mais precisamente em seu inciso II, alínea "b", no percentual de 50%. Não se aplica ao presente caso, portanto, a antes referida Súmula CARF n° 105 por estar fundamentada na redação do antigo art. 44, § 1º , inciso IV, da Lei nº 9.430/96. Assim tem sido o entendimento jurisprudencial deste Colegiado: MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, concomitantemente com a multa de ofício, pois distintas são as hipóteses de incidência legalmente previstas. (Acórdão 1402002.259, Sessão de 09/08/2016) MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. LEI. NOVA REDAÇÃO. FATOS GERADORES A PARTIR DE 2007. Tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o resultado apurado anualmente, cujo fato gerador aperfeiçoase ao final do ano calendário, e a multa isolada sobre insuficiência de recolhimento de estimativa apurada conforme balancetes elaborados mês a mês ou ainda sobre base presumida de receita bruta mensal. O disposto na Súmula nº 105 do CARF aplicase aos fatos geradores pretéritos ao ano de 2007, vez que sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007. (Acórdão 9101002.345, Sessão de 14/06/2016) RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício atende aos pressupostos legais e regimentais, na medida em que o crédito tributário exonerado extrapola o limite mínimo fixado pela Portaria MF nº 3, de 03/01/08 e dele também conheço. No que tange à multa isolada de CSLL do período de 10/2012, concordo integralmente com a decisão de primeira instância que exonerou referida multa. De fato, a multa isolada do período de 10/2012, apurada conforme saldo de CSLL a pagar informado na coluna 14 da planilha de fls. 812, se encontra positivo, quando, Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.196 28 na verdade deveria estar negativo, como nos períodos de julho, agosto, setembro, novembro e dezembro de 2012. O raciocínio seguido pela fiscalização foi calcular, para cada mês, a CSLL a pagar, a partir da CSLL apurada considerando a adição das receitas de subvenção (coluna 9 planilha fls. 811), subtraída da CSLL acumulada nos meses anteriores. Refazendo esses cálculos o acórdão recorrido elaborou a planilha abaixo, onde foram obtidos os mesmos valores da planilha elaborada pela fiscalização, exceto para o mês de 10/2012, cujo valor de R$ 2.777.308,16, coincidiu, porém com sinal trocado, ou seja, não foi apurada contribuição a pagar: CSLL APURADA () CSLL meses anteriores (=) CSLL a pagar jan/12 857.379,75 857.379,75 fev/12 1.914.916,40 1.914.916,40 mar/12 1.670.165,91 1.670.165,91 abr/12 1.485.303,03 1.485.303,03 mai/12 1.924.713,90 1.924.713,90 jun/12 1.526.732,05 1.526.732,05 jul/12 3.159.865,23 9.379.211,04 6.219.345,81 ago/12 4.135.990,66 9.379.211,04 5.243.220,38 set/12 5.201.836,43 9.379.211,04 4.177.374,61 out/12 6.601.902,88 9.379.211,04 2.777.308,16 nov/12 7.284.226,22 9.379.211,04 2.094.984,82 dez/12 7.729.543,40 9.379.211,04 1.649.667,64 Assim, correto o acórdão recorrido que cancelou a multa isolada de CSLL do período outubro de 2012, no valor de R$ 1.388.654,08. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. (Assinado Digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 10920.721761/201565 Acórdão n.º 1301002.132 S1C3T1 Fl. 1.197 29 Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2 016 por MILENE DE ARAUJO MACEDO, Assinado digitalmente em 14/10/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10935.720837/2011-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma (art. 65 do RICARF).
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2402-005.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração opostos em 05 de junho de 2015 e acolhê-los, para determinar o sobrestamento do presente processo e a suspensão da exigibilidade do crédito nele contido, até a decisão definitiva sobre o direito da embargante ao regime do SIMPLES FEDERAL; e não conhecer dos embargos de declaração opostos em 07 de dezembro de 2015.
(Assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(Assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Turma (art. 65 do RICARF). Embargos Acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração opostos em 05 de junho de 2015 e acolhê-los, para determinar o sobrestamento do presente processo e a suspensão da exigibilidade do crédito nele contido, até a decisão definitiva sobre o direito da embargante ao regime do SIMPLES FEDERAL; e não conhecer dos embargos de declaração opostos em 07 de dezembro de 2015. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
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EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. Embargante ROCAMP INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2003 a 31/12/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma (art. 65 do RICARF). Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 08 37 /2 01 1- 42 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos de declaração opostos em 05 de junho de 2015 e acolhêlos, para determinar o sobrestamento do presente processo e a suspensão da exigibilidade do crédito nele contido, até a decisão definitiva sobre o direito da embargante ao regime do SIMPLES FEDERAL; e não conhecer dos embargos de declaração opostos em 07 de dezembro de 2015. (Assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10935.720837/201142 Acórdão n.º 2402005.482 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Em 05 de junho de 2015, o sujeito passivo opôs embargos de declaração, os quais foram bem relatados no despacho de fls. 223/225. Vejase: Em sessão realizada em 21 de janeiro de 2015, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2º Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgou Recurso Voluntário, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2402 004.508 (fls. 183/197), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. EFEITO TEMPORAL. REINGRESSO NO SIMPLES FEDERAL. NECESSIDADE DE NOVA OPÇÃO. A exclusão do SIMPLES FEDERAL embasada no excesso do limite da receita bruta anual previsto no art. 2º da Lei 9.317/96 tem efeitos a partir do anocalendário subsequente àquele em que ultrapassado o limite, período a partir do qual a pessoa jurídica excluída passa a ser tributada na mesma forma das demais pessoas jurídicas. O reingresso no SIMPLES FEDERAL depende de expressa opção, feita por alteração cadastral, conforme previsão do art 8° da Lei 9.317/96. PESSOA JURÍDICA EXCLUÍDA DO SIMPLES FEDERAL. OPÇÃO TÁCITA AO SIMPLES NACIONAL. VALIDADE. A exclusão do SIMPLES FEDERAL processada a partir de 1º de julho de 2007 não implica a anulação da opção tácita pelo Simples Nacional. Inteligência da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007. Recurso Voluntário Provido em Parte.” O dispositivo do acórdão recebeu a redação abaixo transcrita: “ACORDAM os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão do lançamento de parte do período, vencidos o relator e os conselheiros Lourenço Ferreira do Prado e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que davam provimento ao recurso. Apresentará voto vencedor a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis.” Fl. 253DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 A embargante, cientificada da decisão em 2/6/2015 (fl. 204), interpôs embargos tempestivamente em 5/6/2015 (fls. 207/211), manifestando inconformidade relativamente ao aresto, cujo dispositivo teria sido omisso por nele não contar “o que foi decidido expressamente no voto, que neste caso é o sobrestamento dos autos, bem como a suspensão da exigibilidade dos créditos em análise”. Com razão a contribuinte. O processo, em apertada síntese, e no que interessa à questão suscitada, trata de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias em desfavor de empresa excluída do Simples Federal, exclusão essa contestada no processo administrativo nº 10935.001431/2006 611, o qual, segundo o acórdão embargado, está atualmente no CARF. O Colegiado então decidiu que a decisão de Recurso Voluntário deste processo ficaria sobrestada, nos seguintes termos: “As relações jurídicas discutidas nos dois processos são distintas, mas, sem dúvida, vinculadas por prejudicialidade, pois a solução quanto ao direito da empresa ao regime diferenciado refletirá no crédito tributário lançado de acordo com o regime de tributação das empresas em geral. Nesses casos, é salutar que se evite decisões contraditórias, motivo pelo qual a melhor solução seria a reunião dos processos (art. 105 do CPC). Ocorre que essa solução é inaplicável ao caso porque não há identidade de competência entre os órgãos julgadores dessas matérias. (...) Diante disso, convém ressaltar que a decisão deste processo ficará sobrestada até a decisão definitiva sobre o direito da recorrente ao regime do SIMPLES FEDERAL, uma vez que o recurso interposto naquele processo tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15 § 3º da Lei 9.317/96.(grifei)” Ora, nenhuma menção ao referido sobrestamento encontrase no dispositivo do Acórdão nº 2402004.508. Dessa feita, cumpre sanar tal omissão, para que o dispositivo espelhe o decidido no mencionado julgado, sendo recomendável também constar na respectiva ementa tal aspecto da fundamentação. Assim, havendo os embargos apontado objetivamente a ocorrência de omissão, conforme explicado, entendo que sejam eles admitidos para apreciação da Turma. Já em 07 de dezembro de 2015, o sujeito passivo opôs novos embargos (vide fls. 232/236). É o relatório. 1 A numeração correta é 10935.001431/200861, conforme https://comprot.fazenda.gov.br/comprotegov/site/index.html#ajax/processoconsultadados.html, acesso em 26 de agosto de 2016. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10935.720837/201142 Acórdão n.º 2402005.482 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci – Relator 1 Admissibilidade Os embargos opostos em 05 de junho de 2015 já foram objeto de juízo positivo de admissibilidade, conforme despacho de fls. 223/225, devendo, portanto, serem conhecidos. Já os embargos protocolados em 07 de dezembro daquele mesmo ano são manifestamente intempestivos, visto que opostos depois de transcorrido o prazo de cinco dias previsto no § 1º do art. 65 do RICARF, in verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: Sendo assim, não se conhece dos segundos embargos opostos pela contribuinte. 2 Da omissão Segundo a embargante, o dispositivo do acórdão embargado foi omisso, por nele não contar “o que foi decidido expressamente no voto, que neste caso é o sobrestamento dos autos, bem como a suspensão da exigibilidade dos créditos em análise". A esse respeito, e em juízo prévio de admissibilidade, o então Presidente desta Turma, Dr. Ronaldo de Lima Macedo, manifestouse favoravelmente à embargante. Por concordar com as corretas razões lançadas pelo citado Conselheiro, e para evitar tautologia, transcrevese: Com razão a contribuinte. O processo, em apertada síntese, e no que interessa à questão suscitada, trata de lançamento de ofício de contribuições Fl. 255DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 previdenciárias em desfavor de empresa excluída do Simples Federal [...]. O Colegiado então decidiu que a decisão de Recurso Voluntário deste processo ficaria sobrestada, nos seguintes termos: “As relações jurídicas discutidas nos dois processos são distintas, mas, sem dúvida, vinculadas por prejudicialidade, pois a solução quanto ao direito da empresa ao regime diferenciado refletirá no crédito tributário lançado de acordo com o regime de tributação das empresas em geral. Nesses casos, é salutar que se evite decisões contraditórias, motivo pelo qual a melhor solução seria a reunião dos processos (art. 105 do CPC2). Ocorre que essa solução é inaplicável ao caso porque não há identidade de competência entre os órgãos julgadores dessas matérias. (...) Diante disso, convém ressaltar que a decisão deste processo ficará sobrestada até a decisão definitiva sobre o direito da recorrente ao regime do SIMPLES FEDERAL, uma vez que o recurso interposto naquele processo tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15 § 3º da Lei 9.317/96.(grifei)” Ora, nenhuma menção ao referido sobrestamento encontrase no dispositivo do Acórdão nº 2402004.508. Dessa feita, cumpre sanar tal omissão, para que o dispositivo espelhe o decidido no mencionado julgado, sendo recomendável também constar na respectiva ementa tal aspecto da fundamentação. O processo no qual se discute a exclusão da contribuinte do Simples Federal, PAF nº 10935.001431/200861, ainda se encontra pendente de julgamento, conforme consulta Comprot3, de forma que não houve qualquer alteração no quadro fático e jurídico delineado no acórdão embargado e no despacho retro mencionado. Portanto, e de conformidade com o art. 65 do RICARF, entendese que os embargos devem ser acolhidos, a fim de clarear a decisão, conforme conclusão abaixo. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de: (i) CONHECER os embargos de declaração opostos em 05 de junho de 2015 e ACOLHÊLOS, a fim de fazer integrar no dispositivo e na ementa do acórdão embargado o sobrestamento do presente processo, até a decisão definitiva sobre o direito da embargante ao regime do SIMPLES FEDERAL, uma vez que o recurso interposto naquele processo tem o efeito de suspender a exigibilidade dos créditos tributários dele decorrentes, nos termos do art. 15, § 3º, da Lei 9.317/96; 2 Arts. 54 e seguintes do CPC vigente. 3 https://comprot.fazenda.gov.br/comprotegov/site/index.html#ajax/processoconsultadados.html, acesso em 26 de agosto de 2016. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10935.720837/201142 Acórdão n.º 2402005.482 S2C4T2 Fl. 5 7 (ii) NÃO CONHECER os embargos de declaração opostos em 07 de dezembro de 2015. (Assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 0 4/10/2016 por JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI, Assinado digitalmente em 08/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721923/2015-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AÇÃO JUDICIAL. OBRIGATORIEDADE DE COMPROVAÇÃO.
Somente podem ser acatadas as deduções de despesas médicas decorrentes de sentença ou acordo homologado judicialmente se efetivamente comprovadas através da juntada da cópia da decisão judicial respectiva.
Numero da decisão: 2201-003.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado digitalmente.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente.
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Medeiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. AÇÃO JUDICIAL. OBRIGATORIEDADE DE COMPROVAÇÃO. Somente podem ser acatadas as deduções de despesas médicas decorrentes de sentença ou acordo homologado judicialmente se efetivamente comprovadas através da juntada da cópia da decisão judicial respectiva.
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AÇÃO JUDICIAL. OBRIGATORIEDADE DE COMPROVAÇÃO. Somente podem ser acatadas as deduções de despesas médicas decorrentes de sentença ou acordo homologado judicialmente se efetivamente comprovadas através da juntada da cópia da decisão judicial respectiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado digitalmente. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Assinado digitalmente. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Denny Me deiros da Silveira (Suplente Convocado), Daniel Melo Mendes Bezerra, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 19 23 /2 01 5- 74 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721923/201574 Acórdão n.º 2201003.315 S2C2T1 Fl. 175 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, ofertada em face da lavratura de Notificação de Lançamento de IRPF. Os aspectos principais do lançamento estão delineados no relatório da decisão de primeira instância, nos seguintes termos: Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 05/11, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa de ofício e juros de mora no valor total de R$ 7.553,01, calculados até 31/03/2015, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2011, anocalendário de 2010. De acordo com as informações prestadas pela fiscalização às fls. 07/09, o crédito tributário teve origem na glosa de despesa com instrução, no valor de R$ 1.247,99, e despesas médicas, no valor de R$ 11.717,83. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 03/04 alegando: a) Discorda da glosa das despesas médicas pagas ao Banco Central do Brasil, no valor de R$ 7.774,95, e Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, no valor de R$ 1.281,00. Afirmou que tais despesas foram pagas por decorrência das ”normas do Direito de Família, em virtude de sentença judicial, de acordo homologado judicialmente ou escritura pública em divórcio consensual”. b) Concorda com a glosa da despesa médica paga ao Banco Central do Brasil, no valor de R$ 2.661,88, e com a glosa da despesa com instrução, no valor de R$ 1.247,99. Às fls. 47/48, consta que a parte do imposto lançado, relativa a matéria não impugnada, no valor de R$ 1.075,21, foi transferida para o processo 10830.722552/201548. A DRJ julgou a impugnação improcedente sob o argumento principal que para a dedução de despesas médicas com alimentados deve haver a comprovação mediante a apresentação de cópia da respectiva decisão judicial. A dedução da despesa com instrução foi considerada como matéria incontroversa. Cientificado do acórdão da DRJ em 13/08/2015, o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário em 28/08/2015, alegando que não concorda com a glosa das deduções, eis que as alimentadas têm direito ao pagamento de despesas médicas por determinação judicial. É o Relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721923/201574 Acórdão n.º 2201003.315 S2C2T1 Fl. 176 3 Admissibilidade Como relatado, o Recurso Voluntário é tempestivo. Ademais, preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da dedução de despesas com saúde através de decisão judicial A matéria de fundo se relaciona à dedutibilidade das despesas médicas efetuadas pelas alimentadas (exesposa e filha do contibuinte). Argumenta o recorrente que essa obrigação encontra previsão em determinação judicial. Por outro lado, a autoridade lançadora e o acórdão recorrido entendem que a glosa deve ser efetuada em face da ausência de documentos comprobatórios de sua regularidade. As despesas médicas ou de hospitalização dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para o seu próprio tratamento ou de seus dependentes relacionados na Declaração de Ajuste Anual, incluindose os alimentados, em razão de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou por escritura pública. Os documentos colacionados pelo sujeito passivo comprovam a obrigatoriedade do pagamento de pensão alimentícia. Entretanto, não se infere do acordo homologado judicialmente por sentença, a obrigação do contribuinte em custear despesas com saúde das alimentadas. Desse modo, ausente a comprovação da determinação judicial, há de ser mantida a decisão recorrida, não prosperando as razões recursais. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA Processo nº 10830.721923/201574 Acórdão n.º 2201003.315 S2C2T1 Fl. 177 4 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES BEZERRA, Assinado digitalmente em 05/1 0/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2016 por DANIEL MELO MENDES B EZERRA
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