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Numero do processo: 13888.720616/2015-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. GLOSA DE IRRF.
Deve ser mantido o lançamento que glosou o IRRF declarado relativo a rendimento recebidos por outra pessoa e, conseqüentemente, efetuou ajustes para excluir da tributação tais rendimentos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-004.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 67 1 66 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.720616/201507 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.812 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de agosto de 2016 Matéria GLOSA DE RESTITUIÇÃO Recorrente JOSÉ MARCO RUBIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. GLOSA DE IRRF. Deve ser mantido o lançamento que glosou o IRRF declarado relativo a rendimento recebidos por outra pessoa e, conseqüentemente, efetuou ajustes para excluir da tributação tais rendimentos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 06 16 /2 01 5- 07 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Relatório Trata o presente processo de impugnação apresentada pelo interessado supra contra o lançamento de ofício do IRPF do Exercício 2013, AnoCalendário 2012, formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 04 a 07, decorrente da revisão de sua declaração anual, onde foi alterado o saldo de imposto a restituir declarado de R$ 3.546,87 para R$ 0,00. Segue transcrição de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. GLOSA DE IRRF. Deve ser mantido o lançamento que glosou o IRRF declarado relativo a rendimento recebidos por outra pessoa e, conseqüentemente, efetuou ajustes para excluir da tributação tais rendimentos, o que está em consonância com alegações do impugnante. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio ... Na impugnação, o contribuinte alegou ter cometido erro no preenchimento da declaração de ajuste anual ao declarar como IRRF recolhimento antecipado efetuado sob a forma de carnê leão ou imposto complementar, o que não foi comprovado nos autos. Alegou também ter informado erroneamente em sua declaração anual rendimentos auferidos por Maria Aparecida Lenita Marco Rubio, o que está em consonância com os dados considerados no lançamento fiscal. Contra a decisão, o recorrente, através de seu representante legal, interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação, fls. 629 do Volume 05: · Foi cometido erro no preenchimento da declaração de ajuste anual; o valor contestado não se refere a imposto de renda retido na fonte, mas sim a recolhimento antecipado efetuado sob a forma de carnêleão ou imposto complementar. · Compensação pretendida: fonte pagadora CNPJ 33.700.394/000140 UNIBANCOUNIAO DE BANCOS BRASILEIROS SArendimento no valor de R$ 43.262.81 com imposto retido na fonte de R$ 6.489,42, consta na declaração da viúva Maria Aparecida Lenita Marco Rubio CPF 171.504.458 45, o qual foi reconhecido pela Receita Federal do Brasil, pois teve uma restituição de R$ 4.657,33; Declaração entregue em 29/04/2014. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.720616/201507 Acórdão n.º 2301004.812 S2C3T1 Fl. 68 3 · Por falta da análise do documento do Unibanco, também foi declarado para José Marco Rubio erroneamente, não tendo nenhum interesse em sonegação, somente esqueceuse de fazer a retificação no prazo correto. Acrescenta que houve equívoco do contador e que se está adotando todas as medidas para a correção do erro. Também que dentro da finalidade não litigiosa do processo administrativo devem ser consideradas suas alegações e dispensada a multa. Após, discorre sobre o processo de sucessão aberto com o óbito do recorrente. É o Relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13888.720616/201507 Acórdão n.º 2301004.812 S2C3T1 Fl. 69 5 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, rejeito as preliminares argüidas. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Como se constata, o recorrente, representado pela Senhora Maria Aparecida Lenita Marco Rubio, não se insurge contra a indevida declaração dos valores a serem restituídos. Suas alegações se voltam sobre a responsabilidade de terceiros e considerações de Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 eqüidade. Contudo, nosso Código Tributário Nacional é explícito quanto a exigência de cumprimento da obrigação tributária independentemente da intenção do contribuinte e o limite temporal da denúncia espontânea até o início do procedimento fiscal: Lei nº 5.172, de 25/10/66 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. ... Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Por tudo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10680.724496/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento.
Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2007
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE.
Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar provimento para considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado.
(assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente substituta e Relatora.
EDITADO EM: 23/01/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2007 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2007 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar provimento para considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente substituta e Relatora. EDITADO EM: 23/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente).
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar provimento para considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado. (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Presidente substituta e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 44 96 /2 01 1- 13 Fl. 194DF CARF MF 2 EDITADO EM: 23/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente). Relatório Tratase de notificação de lançamento nº 06101/00038/2011 resultante de lançamento suplementar do ITR/2007, incidente sobre o imóvel rural denominado “FAZENDA DO ENGENHO SUL” (NIRF 2.918.4630), com área total declarada de 133,1ha, localizado no município de Belo Horizonte/MG, tendo a autoridade fiscal arbitrado o VTN em R$ 2.760.374,21, com base no SIPT Sistema de Preços de Terra, conforme demonstrativo de efl. 06. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande DRJ/CGE, em sessão de 14/10/2013, nos termos do Acórdão nº 0433.808 (efls. 160/167): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 NIRF 2.918.4630 Fazenda do Engenho Sul. NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 e cumpridos os requisitos do art. 11 desse Decreto, não prospera a alegação de nulidade do lançamento. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique sua alteração. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 175/186), alegando em síntese: a) preliminarmente, a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa com relação ao arbitramento do VTN com base no SIPT; e b) no mérito, que deve prevalecer o VTN apurado através do Laudo de avaliação apresentado elaborado de acordo com normas da ABNT e considerando todas as características do imóvel, não padecendo de nenhum vício que justifique sua rejeição sumária. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10680.724496/201113 Acórdão n.º 2301004.865 S2C3T1 Fl. 195 3 Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Verificada a tempestividade do Recurso Voluntário, dele conheço e passo a sua análise. Nulidade do Lançamento O recorrente pleiteia a nulidade da autuação fiscal por cerceamento de defesa sob o argumento de desconhecimento dos critérios utilizados pelo Fisco para arbitrar o valor da terra nua. Entendo que não assiste razão ao recorrente, uma vez que a autuação preenche todos os requisitos do Decreto nº 70.235/72 e, embora o recorrente não tivesse conhecimento dos valores considerados para a definição do arbitramento pelo SIPT Sistema de Preços de Terra, lhe foi dado o direito de apresentar laudo técnico que confirmasse os valores declarados em sua DITR. Por sua vez, o cerceamento do direito de defesa decorre da impossibilidade de se defender, o que não se verificou no presente caso. Nestes termos, afastase a alegação de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Mérito Valor da Terra Nua. Laudo de Avaliação. Sobre a desconsideração do VTN declarado pelo recorrente, a DRJ/CGE, apesar de reconhecer a existência do laudo acompanhado de ART/CREA, sustenta que "o laudo técnico apresentado não é suficiente para afastar a tributação com base no VTN apurado pela fiscalização a partir de valor constante no SIPT, com amparo no art. 14 da Lei n.º 9.393/1996" (efl. 166). Por sua vez, o recorrente alega que o Laudo de Avaliação apresentado não padece de nenhum vício que justifique sua rejeição sumária. O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, Fl. 196DF CARF MF 4 considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993 Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; (capacidade potencial da terra) [...] § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. Assim, entendo que assiste razão ao recorrente neste quesito, isto porque o VTN por hectare de R$ 20.739,10 utilizado para o cálculo do imposto, extraído do SIPT, referese à média do VTN das DITRs processadas no Exercício em questão para o município de Nova Lima/MG, conforme informado à efl. 10, não leva em consideração a aptidão agrícola do imóvel, razão pela qual o arbitramento deve ser desconsiderado por desatender o disposto no art. 14, § 1º da Lei nº 9.396, de 1996, c/c art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. Nesse mesmo sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, nos termos do Acórdão nº 9202003.749, em sessão de 29/01/2016, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Assim, deve prevalecer o VTN constante de Laudo de Avaliação apresentado pelo recorrente, no valor de R$ 425.544,66. Conclusão Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10680.724496/201113 Acórdão n.º 2301004.865 S2C3T1 Fl. 196 5 Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, dar provimento para considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.720267/2013-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2010
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento.
Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2010
ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL.
A declaração de área de interesse ecológico em laudo pericial oficial produzido nos autos de ação judicial é válida para fins de reconhecimento do direito à isenção de tributação da referida área, especialmente quando acompanhada de ADA tempestivo e laudo técnico.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE.
Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
Numero da decisão: 2301-004.872
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento restabelecendo a Área de Interesse Ecológico de 903,4ha e considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado.
(assinado digitalmente)
ANDREA BROSE ADOLFO - Presidente substituta e Relatora.
EDITADO EM: 23/01/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A observância dos preceitos legais nos procedimentos de fiscalização e dos princípios do processo administrativo fiscal garante o contraditório e a ampla defesa e afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 ÁREA DE INTERESSE ECOLÓGICO. ISENÇÃO. LAUDO PERICIAL. A declaração de área de interesse ecológico em laudo pericial oficial produzido nos autos de ação judicial é válida para fins de reconhecimento do direito à isenção de tributação da referida área, especialmente quando acompanhada de ADA tempestivo e laudo técnico. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento restabelecendo a Área de Interesse Ecológico de 903,4ha e considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 02 67 /2 01 3- 01 Fl. 311DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) ANDREA BROSE ADOLFO Presidente substituta e Relatora. EDITADO EM: 23/01/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Andrea Brose Adolfo (Presidente Substituta), Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes e Maria Anselma Coscrato dos Santos (suplente). Relatório Tratase de notificação de lançamento nº 06110/00003/2013 resultante de lançamento suplementar do ITR/2010, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda da Cachoeira” (NIRF 5.454.6427), com área total declarada de 1.293,0ha, localizado no município de Brumadinho/MG, tendo a autoridade fiscal glosado integralmente a área de interesse ecológico de 903,4ha, além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 2.494.714,20, arbitrandoo em R$ 7.038.096,39, conforme demonstrativo de efl. 07. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação alegando, em síntese que: a) O relatório fiscal atesta a entrega do ADA correspondente à área de interesse ecológico informada na DITR; a existência dessa área é resultado da incidência do Decreto do Estado de Minas Gerais n.º 35.624/94 que criou a área conhecida como APA/SUL, que abarca o imóvel em questão, e é suficiente para suprir a exigência de declaração formal quanto à área de interesse ecológico, prevista no art. 10, 1º, II, “b”, da Lei n.º 9.393/1996; com esse Decreto, o Estado exerceu sua competência constitucional de proteger o meio ambiente (art. 23, VI, CR/88); a partir da norma se irradiam os efeitos concernentes à restrição da propriedade, que, por sua vez, ensejam a exclusão da área da incidência do ITR; apresenta laudo técnico que comprova a vinculação do imóvel à área de interesse ecológico declarada no Decreto n.º 35.624/94; diante da comprovação da materialidade da área protegida e sua informação em ADA, é ilegítima a glosa pretendida pela RFB; b) A apuração do Valor da Terra Nua pela fiscalização baseouse em critérios subjetivos, tendo sido utilizadas informações extraídas do SIPT, sistema ao qual o contribuinte não tem acesso, impossibilitando que ele discorde das informações levantadas e cálculos efetuados pelo Fisco, ainda que tal procedimento tenha base legal; se ao Fisco cabe o dever de lançar, obviamente ele deve comprovar e evidenciar, no ato do lançamento, quais os elementos constituintes da hipótese de incidência, o que, no caso, implicaria na demonstração objetiva dos critérios utilizados para aferição do Valor da Terra Nua; a utilização indiscriminada do SIPT, ao qual o contribuinte não tem acesso, caracteriza flagrante cerceamento do seu direito de defesa, com total afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa, entendimento que já foi observado em julgados do Conselho de Contribuintes; c) Ainda que os argumentos anteriores sejam ultrapassados, a avaliação fiscal não deve prevalecer, visto que apresentou laudo técnico elaborado de acordo com normas da ABNT, que atribuiu para o imóvel no Exercício 2010 o VTN de R$ 3.909.217,41, considerando todas as características do imóvel. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13603.720267/201301 Acórdão n.º 2301004.872 S2C3T1 Fl. 312 3 Em 07/10/2013, a 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande DRJ/CGE, por unanimidade de votos, decidiu por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário, nos termos do Acórdão nº 0433.753 (efls. 168/179): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 NIRF 5.454.6427 Fazenda da Cachoeira. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe aos órgãos administrativos apreciar arguições de inconstitucionalidade de dispositivos da legislação em vigor, matéria reservada ao Poder Judiciário. NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 e cumpridos os requisitos do art. 11 desse Decreto, não prospera a alegação de nulidade do lançamento. ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para efeito de isenção do ITR, somente será aceita como de interesse ecológico a área declarada em caráter específico, por órgão competente. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique sua alteração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (efls. 185/203) repisando as alegações da impugnação. Em 28/03/2016 o recorrente junta Laudo Pericial e sentença (efls. 250/305), referente à ação judicial [(processo nº 3808.11.2011.4.01.3800) que questiona a cobrança de ITR Exercício 2002, em face do imóvel cadastrado sob o NIRF 5.454.6427, em situação objeto e fundamentos semelhantes ao presente] no qual fica confirmado que a totalidade do imóvel localizase dentro dos limites da Área de Proteção Ambiental da Região Sul de Belo Horizonte APA SUL. Continua, que a "peculiaridade que diferencia a discussão já instaurada na esfera judicial e a presente, qual seja a fato de aquela ser referente ao ITR do exercício de 2002, não invalida para esta as conclusões tomadas, à medida que as características atestadas envolvem condição perene do imóvel, sobretudo ante a prevalência da Decreto Estadual/MG Fl. 313DF CARF MF 4 nº 35.624/94 e Lei Estadual/MG nº 1396012001, que estabeleceram unidade de conservação de uso sustentável, denominada APA SUL, ainda vigente". É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Verificada a tempestividade do Recurso Voluntário, dele conheço e passo a sua análise. Preliminar de Nulidade O recorrente pleiteia a nulidade da autuação fiscal por cerceamento de defesa sob o argumento de desconhecimento dos critérios utilizados pelo Fisco para arbitrar o valor da terra nua. Entendo que não assiste razão ao recorrente, uma vez que a autuação preenche todos os requisitos do Decreto nº 70.235/72 e, embora o recorrente não tivesse conhecimento dos valores considerados para a definição do arbitramento pelo SIPT Sistema de Preços de Terra, lhe foi dado o direito de apresentar laudo técnico que confirmasse os valores declarados em sua DITR. Por sua vez, o cerceamento do direito de defesa decorre da impossibilidade de se defender, o que não se verificou no presente caso. Nestes termos, afastase a alegação de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Glosa da Área de Interesse Ecológico Com relação à glosa da área declarada de Interesse Ecológico (903,4 ha), a notificação traz a seguinte justificativa (efl.6): O contribuinte apresentou os documentos discriminados acima, além de : ADA Ato Declaratório Ambiental para o ano de 2010 emitidos no prazo exigido pela legislação vigente e com as áreas de interesse ecológico e preservação permanente informada na DITR/2010. Em relação à área declarada como de interesse ecológico (903,4ha), para ser ela excluída do cálculo do ITR/2010, seria necessária a apresentação do ato de órgão competente federal ou estadual, que a reconhecesse como de interesse ecológico, exigência essa aplicada a partir do exercício de 1997 e prevista na Lei nº 9.393/1996 Por sua vez a turma da DRJ/CGE sustenta a manutenção do lançamento sob a seguinte argumentação (efls.174/175): Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13603.720267/201301 Acórdão n.º 2301004.872 S2C3T1 Fl. 313 5 O fato de o imóvel estar inserido em uma área maior onde há restrições de exploração, nos termos da legislação ambiental, não é suficiente para que suas áreas sejam consideradas isentas de tributação, cabendo a comprovação efetiva das áreas enquadradas nas isenções previstas na legislação tributária. ... O Decreto n.º 35.624/94 do Estado de Minas Gerais, que criou a APA/SUL, não impediu a exploração econômica dos imóveis nela localizados e nem mesmo definiu limites para essa exploração. (...) Não foi juntado aos autos Decreto posterior que tenha definido o zoneamento ecológicoeconômico da APA em questão e as restrições impostas aos imóveis ali localizados. Por fim, impõese destacar que não há comprovação efetiva de que o imóvel ora tratado está integralmente localizado nessa APA, sendo que apenas no laudo técnico de fls. 120 a 130, elaborado por engenheiro agrimensor, constou referência à APA SUL Decreto n.º 35.624/1994 do Estado de Minas Gerais como origem específica das áreas de interesse ecológico indicadas para o imóvel. O laudo técnico citado informa sobre a existência no imóvel de áreas de preservação permanente, devidamente afastadas da tributação pelo ITR, e áreas de interesse ecológico que não foram assim declaradas mediante ato específico do órgão competente, federal ou estadual para a área da propriedade particular. A jurisprudência a seguir transcrita, acórdão AG 2005.01.00.0187053, do TRF1, ilustra bem a necessidade de apresentação de laudo técnico com perfeita descrição das áreas do imóvel que se enquadram nas isenções da Lei n.º 9.393/1996: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO ITR IMÓVEL RURAL ÁREA ESTADUAL DE PROTEÇÃO AMBIENTAL ISENÇÃO (ART. 10, § 1º, II, B, DA LEI Nº 9.393/96): AUSENTE PROVA INEQUÍVOCA (ART. 273 DO CPC) AGRAVO PROVIDO. (...) 4 O simples fato de o imóvel estar, em princípio, localizado dentro de área estadual de "Proteção Ambiental" não induz, só por si, isenção tributária. A Lei nº 9.393/96 (em leitura apropriada) parece reclamar mais. Nãotributáveis seriam, sim, as "partes" de qualquer imóvel rural (encravado ou não em área de proteção ambiental) que, porventura (comprovadamente, na forma da lei), fossem "de preservação permanente"; "de reserva legal"; "de interesse ecológico"; ou "comprovadamente imprestáveis para exploração econômica". 5 Imóvel rural, pois, ainda que localizado em área de proteção ambiental, pode estar sujeito ao ITR, desde que nele estejam contidas glebas de terras economicamente aproveitáveis (com limitações ambientais, que sejam) não enquadráveis na exceção Fl. 315DF CARF MF 6 legal: isenção favor legal reclama interpretação restrita (art. 111, II, do CTN). 6 Decidir em oposto sentido, afastando crédito tributário da ordem de quase R$ 60.000,00, reclama prova inequívoca, aqui ausente, que só ampla instrução poderá, se o caso, evidenciar. (...) (Relator(a): DESEMBARGADOR FEDERAL LUCIANO TOLENTINO AMARAL, Julgamento: 18/07/2006, Órgão Julgador: SÉTIMA TURMA, Publicação: 04/08/2006, DJ p.76) Do exposto, impõese reconhecer que não há nos autos comprovação efetiva que permita reconhecer a existência no imóvel rural aqui tratado de área não tributável pelo ITR em tamanho maior do que a já considerada no lançamento de ofício. (grifamos) Já o recorrente alega que o Decreto Estadual nº 35.624/96 ato legislativo emanado do Governo do Estado de Minas Gerais , bem como o Laudo Técnico apresentado, com ART registrada no CREA supririam esse requisito. Entendo que as razões de decidir do julgador de primeira instância ficam prejudicadas após a juntada do Laudo Pericial e da decisão proferida no bojo do processo judicial nº 3808.11.2011.4.01.3800. Isto porque: a) o Laudo Pericial (efls. 251/287) informa que toda a extensão da Fazenda da Cachoeira "localizase no interior da Área de Proteção Ambiental Sul da RMBH APASUL (...)" e que "descontados os 775,44 hectares referentes às áreas de preservação permanente, toda a área restante do imóvel (594,98 hectares) é de utilização limitada, não se adequando à atividade agropecuária economicamente viável devido ao seu fracionamento dentre áreas de preservação permanente, às condições físicoquímicas do solo e ao relevo acidentado, servindo para compor a reserva legal do imóvel; e b) a decisão judicial (efls. 288/305) conclui "que o imóvel em questão não possuía área tributável pelo ITR, razão pela qual se revela insubsistente a autuação fiscal...". Conforme consulta ao sítio do TRF1 verificase que a Fazenda Nacional apresentou Apelação em 25/04/2006, encontrandose os autos conclusos para relatório e voto desde 05/08/2016. Entretanto, apesar de a sentença não ter transitado em julgado podendo haver alteração jurisprudencial, não há como se desprezar a validade do laudo técnico pericial ali produzido e juntado ao presente processo. Assim, considerando que referido laudo apurou que toda a extensão da propriedade encontrase em área abrangida pela APA Sul (Decreto Estadual nº 35.624/96), entendo que deve ser restabelecida a área de interesse ecológico de 903,4ha. Valor da Terra Nua. Laudo de Avaliação. Sobre a desconsideração do VTN declarado pelo recorrente, a autoridade lançadora alega que o Laudo de Avaliação do VTN para o exercício de 2010, não estava acompanhado de ART/CREA, razão pela qual será considerado o valor do VTN/hectare estabelecido pelo SIPT da RFB (efl.6) : Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13603.720267/201301 Acórdão n.º 2301004.872 S2C3T1 Fl. 314 7 Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel para o ano de 2010.Entretanto, não consta ART/CREA no Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua razão pela qual será considerado o valor do VTN/hectare estabelecido pelo SIPT da RFB. A DRJ/CGE, apesar de reconhecer a existência do laudo acompanhado de ART/CREA, sustenta que "o laudo técnico apresentado não é suficiente para afastar a tributação com base no VTN apurado pela fiscalização a partir de valor constante no SIPT, com amparo no art. 14 da Lei n.º 9.393/1996" (efl. 178). Por sua vez, o recorrente alega que o Laudo de Avaliação apresentado não padece de nenhum vício que justifique sua rejeição sumária e que laudo similar apresentado para fins de avaliação da mesma Fazenda Cachoeira, com "as mesmíssimas características do apresentado nestes autos" foi aceito pela DRJ/Brasília para comprovar o VTN aplicável para o exercício 2006 (processo nº13603.723019/201061). O arbitramento do VTN com base no SIPT, nos casos de falta de apresentação de DITR ou de subavaliação do valor declarado, requer que o sistema esteja alimentado com informações sobre aptidão agrícola, como expressamente previsto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 c/c o art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993: Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993 Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; (capacidade potencial da terra) [...] Fl. 317DF CARF MF 8 § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. Assim, entendo que assiste razão ao recorrente neste quesito, isto porque o VTN por hectare de R$ 5.443,23 utilizado para o cálculo do imposto, extraído do SIPT, refere se à média do VTN das DITRs processadas no Exercício em questão para o município de Brumadinho/MG, conforme informado no Termo de Intimação Fiscal de efls. 09 a 11, não leva em consideração a aptidão agrícola do imóvel, razão pela qual o arbitramento deve ser desconsiderado por desatender o disposto no art. 14, § 1º da Lei nº 9.396, de 1996, c/c art. 12 da Lei nº 8.629, de 1993. Nesse mesmo sentido decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, nos termos do Acórdão nº 9202003.749, em sessão de 29/01/2016, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Assim, deve prevalecer o VTN R$ 3.909.217,41 constante de Laudo de Avaliação apresentado pelo recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto em conhecer do recurso voluntário, para rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento restabelecendo a Área de Interesse Ecológico de 903,4ha e considerar o VTN constante do Laudo Técnico de avaliação apresentado. É como voto. Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.723713/2014-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
IRRF RETIDO E RECOLHIDO. DIREITO A COMPENSAÇÃO.
Quando comprovada a retenção e realizado o recolhimento, o imposto pode ser compensado na declaração de ajuste anual.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-004.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Rapahel Okano Pinto de Oliveira, OAB/SP 344.096.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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DIREITO A COMPENSAÇÃO. Quando comprovada a retenção e realizado o recolhimento, o imposto pode ser compensado na declaração de ajuste anual. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Rapahel Okano Pinto de Oliveira, OAB/SP 344.096. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 37 13 /2 01 4- 68 Fl. 260DF CARF MF 2 Relatório Tratase de notificação fiscal de lançamento em 25/08/2014, fls. 17 e s., para constituição de crédito tributário de IRPF anocalendário 2012 por glosa de compensação indevida. No caso, o recorrente é diretorempregado responsável pelo setor de exportações da fonte pagadora, fls. 21 e s., que reteve mas não recolheu o imposto. A fiscalização intimou o recorrente para a apresentação de documentos, dentre os quais os comprovantes de recolhimento do imposto retido, caso ele seja proprietário ou administrador da fonte pagadora, fls. 44. A decisão de primeira instância julgou o lançamento procedente sob o fundamento de responsabilidade solidária com a fonte pagadora. Segue transcrição da ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 RETENÇÃO DE IRRF. DIRETOR DE EMPRESA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos quando restarem devidamente comprovados os respectivos recolhimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os autos do processo nº 10730.723713/201468, ACORDAM os membros da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), por UNANIMIDADE de votos, julgar IMPROCEDENTE a impugnação, devendo ser cancelado o imposto de renda da pessoa física (cód.0211), no valor de R$64.398,44, bem como a multa de mora de 20% e os juros de mora. ... A glosa foi efetuada pelo fato de o contribuinte constar como sóciodiretor da referida empresa de abril/1998 a janeiro/2014, tendolhe sido solicitado, quando do recebimento do termo de intimação fiscal de fls. 44, que apresentasse comprovantes do recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte, pedidos de compensação e DCTF (contribuinte proprietário ou administrador da fonte pagadora). ... De análise aos autos, verificase que o contribuinte foi administrador (diretor) da empresa E D E F MAN BRASIL S/A., CNPJ nº 35.829.068/000162, na época dos fatos, conforme Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10730.723713/201468 Acórdão n.º 2301004.859 S2C3T1 Fl. 253 3 extratos de fls. 61/62. A informação relativa ao imposto de renda retido na fonte glosado, no valor de R$64.398,44, consta de DIRF e de recibos de pagamento assinados pelo próprio. No entanto, uma vez verificados os respectivos recolhimentos no Sistema Informatizado da SRFB, constatase que não houve o efetivo recolhimento das parcelas relativas ao IRRF informado, não restando comprovado, assim, o pagamento correspondente (fls. 63). A respeito do assunto, há de ser salientado o disposto no art. 8º, do Decretolei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, que dispõe que são solidariamente responsáveis com a fonte pagadora os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos débitos decorrentes do não recolhimento do imposto de renda descontado na fonte: ... Nos autos em análise, conforme consignado no cadastro da pessoa jurídica junto à Receita Federal, conforme telas de fls. 61/62, como o contribuinte foi diretor da fonte pagadora obrigada ao recolhimento do IRRF, é cabível a sua responsabilização solidária pelo não recolhimento aos cofres da União do imposto retido de seus rendimentos tributáveis recebidos a título de prólabore (fls. 63), motivo pelo qual deve ser mantida a glosa do imposto de renda retido. ... Na impugnação o recorrente demonstrou para o período de 26/10/2000 a 06/01/2014 seu vínculo de emprego com a fonte pagadora na condição de diretor de exportações, trouxe os recibos de salários com as retenções do IRPF, fls. 24. Assim, alegou que eventuais impostos não recolhidos deveriam ser cobrados da fonte pagadora. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reitera as alegações trazidas na impugnação, e acrescenta que a autuação deve ser cancelada e também que a decisão é nula, pois inovou no critério jurídico quando adotou como fundamento a responsabilidade solidária prevista no artigo 8º do Decretolei nº 1.736/1979 e no art. 135 do CTN. O recurso foi incluído em pauta com encaminhamento pela intempestividade do recurso; contudo, em análise mais detida pela turma julgadora constatouse que não havia decorrido o trintídio, sendo então proposta sua reinclusão. É o Relatório. Fl. 262DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Cumpridos os pressupostos processuais, conheço do recurso. A norma vigente à época do exercício já determinava a responsabilidade solidária dos representantes legais da pessoa jurídica fonte pagadora dos rendimentos pelo IRRF não recolhido: RIR99 Decreto nº 3.000 de 26 de Março de 1999 Regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º ). Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação (DecretoLei no 1.736, de 1979, art. 8o, parágrafo único). No presente caso, o fundamento do lançamento e da decisão recorrida é que sendo um dos diretores, o recorrente seria responsável pelo imposto dele retido na condição de contribuinte beneficiário dos rendimentos, e nessa condição somente seria aceita a compensação na DAA com a efetiva comprovação do recolhimento. Acontece que o lançamento em exame, embora procure fundamento legal na responsabilidade solidária, foi pela glosa da compensação na DAA da pessoa física, na condição de contribuinte beneficiário de rendimentos, devidamente comprovados. A fiscalização não realizou diligência ou a busca de qualquer informação sobre a fonte pagadora que não fosse a consulta sobre a condição do recorrente como diretor, apresentandose como responsável pelo setor de exportações da fonte pagadora. Conseqüentemente, a fiscalização não trouxe a pessoa jurídica fonte pagadora para o pólo passivo da exigência. De acordo com o Parecer Normativo COSIT nº 01, de 25/09/2002, independentemente do efetivo recolhimento pela fonte pagadora, o contribuinte tem o direito de compensação com o imposto retido: IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10730.723713/201468 Acórdão n.º 2301004.859 S2C3T1 Fl. 254 5 juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. ... Imposto retido e não recolhido 17. Ocorrendo a retenção do imposto sem o recolhimento aos cofres públicos, a fonte pagadora, responsável pelo imposto, enquadrase no crime de apropriação indébita previsto no art. 11 da Lei nº 4.357, de 16 de julho de 1964, e caracterizase como depositária infiel de valor pertencente à Fazenda Pública, conforme a Lei nº 8.866, de 11 de abril de 1994. Ressaltese que a obrigação do contribuinte de oferecer o rendimento à tributação permanece, podendo, nesse caso, compensar o imposto retido. Nesse sentido, pela responsabilidade exclusive da fonte pagadora: Processo nº 13746.720735/201312 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.149– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de fevereiro de 2016 Matéria IRPF COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF Recorrente SYLVERIO DO ESPIRITO SANTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 IRPF. GLOSA COMPENSAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. APRESENTAÇÃO DE PROVAS DA RETENÇÃO COMPENSADA PELO CONTRIBUINTE. VALIDADE. De conformidade com a jurisprudência administrativa, tendo a recorrente comprovado o imposto de renda retido na fonte objeto de compensação em sua Declaração de Imposto de Renda, impõese rechaçar a glosa procedida pela fiscalização, devendo ser restabelecido seu Ajuste Anual na forma apresentada pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido. ... Também a precedentes nas turmas dessa segunda seção que inverte o ônus da prova em desfavor do contribuinte nos casos em que há indícios de fraude. No caso apresentado por aquela turma, além do grau de parentesco do contribuinte com os sócios da fonte pagadora havia indícios de que não houve a prestação do serviço que justificasse os rendimentos e correspondente retenção do imposto: Processo nº 13855.722971/201417 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.192– 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de fevereiro de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A Fl. 264DF CARF MF 6 RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente EDITH BERTHA SABLEWSKY DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 GLOSA DE IRRF. INDÍCIOS DE FRAUDE. RELAÇÃO DE PARENTESCO DO CONTRIBUINTE COM A FONTE PAGADORA. Nos casos de suspeitas de fraude e de inidoneidade do comprovante de rendimentos, o imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos quando a retenção restar devidamente comprovada por meio de outros documentos, hábeis e idôneos, ou, ainda, por meio da comprovação dos respectivos recolhimentos. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Negado ... Entendo que o dever de comprovar a retenção na fonte cabe a fonte pagadora, e não à contribuinte. Porém tratase de caso atípico, pois há relação de parentesco entre a contribuinte e sua fonte pagadora, sendo o sócioadministrador da fonte pagadora filho da contribuinte, cabe nestes casos ao contribuinte o ônus de apresentar elementos probatórios inequívocos de que houve a retenção. Ademais, há de ser salientado que a contribuinte foi intimada a apresentar outros documentos que viessem a comprovar a alegada retenção de imposto de renda na fonte, tais como contracheques, contrato de prestação de serviços e/ou respectivo termo de rescisão e carteira de trabalho (fls. 30 e 02). No entanto, limitouse a juntar aos autos o comprovante de rendimentos já apresentado e não aceito pelo Fisco para comprovar a referida retenção (fls. 34), bem como o recibo de fls. 37/38, sem assinatura do signatário. E, em recurso voluntário, apresenta recibo com assinatura (fls. 64/65). Como se pode constatar dos autos, o recorrente não é sócio, mas empregado da fonte pagadora e mesmo assim sua área de atuação não tem relação com a responsabilidade administrativa sobre o cumprimento de obrigações tributárias da fonte pagadora. Por tudo, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10730.723713/201468 Acórdão n.º 2301004.859 S2C3T1 Fl. 255 7 Fl. 266DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.002464/2008-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2007
CORRELAÇÃO ENTRE PROCESSOS DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA.
A nulidade por vício formal de processo de obrigação principal não será reproduzida no processo de obrigação acessória cujo auto de infração foi regularmente lavrado.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2301-004.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e os rejeitar, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF 24.259.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, ALICE GRECCHI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, FABIO PIOVESAN BOZZA, ANDREA BROSE ADOLFO, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES, JULIO CESAR VIEIRA GOMES e MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2007 CORRELAÇÃO ENTRE PROCESSOS DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA. A nulidade por vício formal de processo de obrigação principal não será reproduzida no processo de obrigação acessória cujo auto de infração foi regularmente lavrado. Embargos Rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e os rejeitar, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF 24.259. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, ALICE GRECCHI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, FABIO PIOVESAN BOZZA, ANDREA BROSE ADOLFO, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES, JULIO CESAR VIEIRA GOMES e MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1211; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 785 1 784 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.002464/200850 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2301004.767 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2016 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS Embargante ARCELORMITTAL BRASIL S.A SUCESSORA DE ARCELORMITTAL TUBARÃO COMERCIAL S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 31/10/2007 CORRELAÇÃO ENTRE PROCESSOS DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA. A nulidade por vício formal de processo de obrigação principal não será reproduzida no processo de obrigação acessória cujo auto de infração foi regularmente lavrado. Embargos Rejeitados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 24 64 /2 00 8- 50 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e os rejeitar, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral o Dr. Tiago Conde Teixeira, OAB/DF 24.259. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, ALICE GRECCHI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, FABIO PIOVESAN BOZZA, ANDREA BROSE ADOLFO, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES, JULIO CESAR VIEIRA GOMES e MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.002464/200850 Acórdão n.º 2301004.767 S2C3T1 Fl. 786 3 Relatório Tratamse de embargos opostos com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Segue parte da ementa no acórdão embargado: EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OBRIGAÇÃO AFETA A TODOS OS CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos. Entende o embargante que teria havido omissão. O acórdão embargado não teria enfrentado a alegação de conexão entre o presente processo de obrigação acessória e o processo de obrigação principal. A autuação por falta de apresentação de documentos teria motivado o arbitramento de contribuições previdenciárias, cujo lançamento fora declarado nulo pela decisão de primeira instância e, assim, também seria nula a autuação sob exame: Assim, a suposta não entrega dos documentos acima listados teria impedido que a fiscalização verificasse o recolhimento das contribuições sociais sobre os valores gastos com os serviços prestados mediante cessão de mãodeobra e, por essa razão, lavrou um outro auto de infração, o AI 37.178.0322. Pela suposta não entrega, também lavrou a presente multa! Para além disso, lavrou o auto de infração da obrigação principal, arbitrando o valor supostamente não recolhido. ... A decisão embargada não menciona a autuação de origem, AI Nº 37.178.0322, que acarretou a lavratura da presente obrigação assessória. E a menção à autuação principal é extremamente relevante, pois FOI INTEGRALMENTE CANCELADA PELA DRJ, em 2011. Eis o conteúdo da decisão proferida pela DRJ, cujo inteiro teor segue em anexo (doc. 02): “Acordam os membros da Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar, nos termos do inteiro teor desta decisão, em dar provimento à impugnação, cancelando o crédito tributário, no valor original de R$ 51.056.011,29. A Presidente substituta da Turma de Julgamento, considerando o disposto no artigo 10 da Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008, DOU de 07/01/2008, resolve interpor Recurso de Ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF". Acórdão 1243.112 – 12” ... Fl. 790DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Ora, é certo que a obrigação acessória tem existência independente da obrigação principal, mas se – em processo administrativo anterior – restou demonstrado que todo procedimento de fiscalização estava maculado, não há sentido em manter a existência por ausência de cumprimento de obrigação acessória. A empresa deixou os documentos à inteira disposição da Fiscalização, tanto que os apresentou posteriormente e a autuação foi cancelada. Em despacho, o Senhor Presidente da turma entendeu presentes os pressupostos para conhecimento dos embargos. É o Relatório. Fl. 791DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 15586.002464/200850 Acórdão n.º 2301004.767 S2C3T1 Fl. 787 5 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovada a tempestividade, conheço dos embargos e passo ao exame. De fato, o acórdão embargado não enfrentou a aplicação no presente processo de obrigação acessória da mesma decisão proferida no processo de obrigação principal. Verifico que no caso a obrigação acessória descumprida foi a recusa em apresentar livros ou documentos de interesse da fiscalização: EXIBIÇÃO DE LIVROS OU DOCUMENTOS. OBRIGAÇÃO AFETA A TODOS OS CONTRIBUINTES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Apresentar documentos e livros relacionados com a previdência social é obrigação que afeta a todos os contribuintes da previdência social. Por isto, configura infração ao artigo 33, §§ 2 e 3, da Lei 8.212/91, deixar a empresa de exibir à Auditoria Fiscal da Receita Federal do Brasil tais livros e documentos. O processo de obrigação principal indicado foi o nº 15586.002463/200813. No caso, a fiscalização realizou lançamento tributário por arbitramento sobre serviços sujeitos à retenção na cessão de mão de obra. O fundamento para o arbitramento foi a falta de apresentação de documentos para a verificação das características dos serviços prestados por terceiros. O que ensejou o auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, examinado pelo acórdão embargado. Observada a decisão proferida no processo de obrigação principal nº 15586.002463/200813, constato que se declarou nulidade por vício formal, não teria sido indicado o dispositivo legal para o arbitramento, fls. 759. Como se depreende da análise, o vício formal não contamina o presente processo de obrigação acessória. A correlação entre os processos de obrigação principal e obrigação acessória não implica uma interdependência absoluta, mas apenas relativa às características que lhes sejam comuns, sobretudo questões fáticas e fundamentos jurídicos. No presente caso nenhuma característica coincide. O vício não esta presente neste auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Nele não há arbitramento que possa ensejar uma análise da presença ou não dos fundamentos que o justifique. Assim, voto por conhecer dos embargos para rejeitálos. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 792DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Fl. 793DF CARF MF Impresso em 31/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 24/08/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 30/08/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10820.000225/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1995
REMISSÃO DÉBITOS.INAPLICABILIDADE.
A remissão de que trata o art. 14, da Lei nº 11.941/2009, somente poderá ser concedida quando o total dos débitos do contribuinte não ultrapassarem o valor de R$10.000,00.
Não há que se falar em remissão de débitos com a Fazenda Nacional, quando a situação de fato não se subsume ao disposto no referido artigo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
Conforme artigo 173, II do Código Tributário Nacional CTN, no caso de declaração de nulidade do lançamento por vício formal, o lançamento substitutivo deve ser realizado dentro do prazo de cinco anos da ciência da decisão que reconheceu a nulidade por vício formal.
Conforme Súmula CARF nº 11, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2301-004.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1995 REMISSÃO DÉBITOS.INAPLICABILIDADE. A remissão de que trata o art. 14, da Lei nº 11.941/2009, somente poderá ser concedida quando o total dos débitos do contribuinte não ultrapassarem o valor de R$10.000,00. Não há que se falar em remissão de débitos com a Fazenda Nacional, quando a situação de fato não se subsume ao disposto no referido artigo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Conforme artigo 173, II do Código Tributário Nacional CTN, no caso de declaração de nulidade do lançamento por vício formal, o lançamento substitutivo deve ser realizado dentro do prazo de cinco anos da ciência da decisão que reconheceu a nulidade por vício formal. Conforme Súmula CARF nº 11, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso Negado
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A remissão de que trata o art. 14, da Lei nº 11.941/2009, somente poderá ser concedida quando o total dos débitos do contribuinte não ultrapassarem o valor de R$10.000,00. Não há que se falar em remissão de débitos com a Fazenda Nacional, quando a situação de fato não se subsume ao disposto no referido artigo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. Conforme artigo 173, II do Código Tributário Nacional CTN, no caso de declaração de nulidade do lançamento por vício formal, o lançamento substitutivo deve ser realizado dentro do prazo de cinco anos da ciência da decisão que reconheceu a nulidade por vício formal. Conforme Súmula CARF nº 11, não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 02 25 /2 00 9- 11 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza Relatório Trata o presente processo de lançamento do Imposto Territorial Rural ITR e Contribuições Sindicais do Exercício 1995, no total de R$ 4.734,16, formalizado na Notificação de Lançamento de fls. 21, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda São João, com área total de 853,5 ha, NIRF 35965649, localizado no município de Santópolis do Aguapeí/SP. O lançamento foi cientificado ao contribuinte, por via postal, em 26/02/2009 (fls. 23). O lançamento em questão foi formalizado em fevereiro/2009, em decorrência do reconhecimento da nulidade do lançamento anterior, por vício formal, pelo Acórdão CSRF/0305.397, sessão de 13 de agosto de 2007, que negou provimento ao recurso especial contra o Acórdão n.° 30332.660, sessão de 07 de dezembro de 2005. Em fl. 32, antes do julgamento, a DRJ devolveu o presente feito para à DRF/Araçatuba/SP, nos seguintes termos: O débito questionado apresenta vencimento posterior ao indicado na citada Medida Provisória, razão pela qual não deve ter sido objeto de verificação automática pelos sistemas da Receita Federal para avaliar seu possível enquadramento nos critérios de remissão ali previstos. Porém, como o mesmo é decorrente do lançamento formalizado no ano de 1996, com vencimento em 30/09/1996, declarado nulo pela segunda instância de julgamento administrativo, é mister que o órgão lançador avalie se o lançamento anterior apresentava os requisitos para a remissão prevista no art. 14 da MP 449/2008, o que pode implicar na falta de justificativa para o novo lançamento. Visto que, para o Exercício ora tratado, cabe observar as disposições da Norma de Execução SRF/COSAR/COSIT n° 07/1996, que atribuía às DRF/IRF de jurisdição do domicílio do contribuinte a análise inicial do pedido de retificação do lançamento, e que é cabível a revisão de ofício do lançamento pela autoridade administrativa nos casos previstos no art. 149 do CTN, devolvo o presente processo à DRF/Araçatuba/SP, para análise da situação e, se for o caso, cancelamento da exigência e posterior arquivamento do processo. Caso seja constatada a impossibilidade de reconhecimento da remissão, deve ser elaborado relatório dos fatos que justificarem esse entendimento, antes do retorno dos autos a esta DRJ, para julgamento do mérito da impugnação. Em fl. 33 consta a consolidação do débito em 31/12/2007, informando que o débito consolidado representava um total de R$ 15.421,05. A DRF/Araçatuba/SP acosta, em fls. 34 Parecer SACAT N.º 10820/473/2009, concluindo que: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10820.000225/200911 Acórdão n.º 2301004.790 S2C3T1 Fl. 67 3 Por meio da presente Revisão, contatei que não houve remissão do crédito tributário anulado por vício formal, tendo em vista que ele estava suspenso para julgamento e sua consolidação, na data de 31/12/2007, importava em R$15.421,05 (v. fls. 30). Importância que ultrapassa o limite estabelecido no Art. 14 da Lei 11.941. Dessa forma, o lançamento ora questionado está correto. Na impugnação de fls. 02 a 10, apresentada em 26/03/2009, a representante legal do contribuinte argumentou, em suma, o que segue: A primeira Notificação de Lançamento do ITR do Exercício 1995, com vencimento em 30/09/1996, foi impugnada em 20/09/1996, e o lançamento foi julgado procedente; foi apresentado recurso ao Terceiro Conselho de Contribuintes, que anulou o lançamento, reconhecendo a nulidade da notificação efetuada por meio eletrônico, sendo essa decisão confirmada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais; posteriormente, foi emitida nova Notificação de Lançamento do ITR/1995, com vencimento em 31/03/2009; A exigência não pode prosseguir, em razão do prazo decorrido desde o primeiro lançamento, tendo ocorrido prescrição intercorrente; para ilustrar seu entendimento, transcreveu doutrina e jurisprudência judicial; A Medida Provisória 449/2008 convertida na Lei n.° 11.941/2009, instituiu a remissão de dívida tributária em seu art. 14, o que se aplica ao débito em questão por ser inferior a R$ 10.000,00 e 31/12/2007, resultando na extinção da obrigação tributária. O lançamento, ora recorrido, foi formalizado em decorrência do reconhecimento da nulidade da Notificação de Lançamento anterior pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do antigo Conselho de Contribuintes, conforme Acórdão n.° CSRF/0305.397, sessão de 13 de agosto de 2007, formalizado em 23 de junho de 2008, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, conforme ementa a seguir transcrita: NULIDADE VÍCIO FORMAL É nula por vício formal a Notificação de Lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu, requisito essencial prescrito em lei. O Recurso da Fazenda Nacional questionou o Acórdão n.° 30332.660, da Terceira Câmara do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, sessão de 07 de dezembro de 2005, que, por maioria de votos, declarou a nulidade da notificação, por vício formal. A impugnação contra o lançamento anulado foi tratada no processo n.° 13805.010826/9624, anexo ao presente, pela então DRJ/São PauloSP, que julgou procedente o lançamento, Decisão DRJ/SPO n.° 4044, de 26 de novembro de 1999, sob o argumento, em suma, de que o lançamento foi efetuado de acordo com a legislação tributária em vigor e que os documentos apresentados não justificavam sua alteração. Conforme consta acima, atendendo solicitação da DRJ (fls. 32), a Sacat/DRF/Araçatuba/SP analisou a situação do lançamento do ITR/1995 do imóvel e concluiu que o débito respectivo não se enquadrou nos requisitos de remissão previstos na Lei n.° 11.941/2009 (fls. 34). Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 A Turma Julgadora de Primeira Instância julgou a impugnação improcedente, restando a decisão assim ementada: Assunto: Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1995 . PRESCRIÇAO. PRESCRIÇAO INTERCORRENTE. No processo administrativo fiscal não se inicia a contagem do prazo prescricional enquanto estiver suspensa a exigibilidade do crédito tributário em razão de apresentação de impugnação ou recurso, pendentes de julgamento. A prescrição intercorrente não se aplica ao crédito tributário em litígio na esfera administrativa, pendente de decisão. REMISSAO DE DEBITOS TRIBUTARIOS. A remissão prevista na Lei n.° 11.941/2009 somente se aplica a débitos que, em 31/12/2007, estavam vencidos a mais de cinco anos, cujo valor consolidado era igual ou inferior a dez mil reais. VALOR DA TERRA NUA VTN A base de cálculo do imposto é o valor da terra nua apurado com base no VTN mínimo por hectare, fixado pela Administração Tributária, se não for apresentada comprovação efetiva que justifique reconhecer valor menor. O EMPREGADOR RURAL Para efeito de enquadramento sindical, é considerado empresário ou empregador rural, o proprietário cujo imóvel rural se enquadre na situação prevista no inciso II, alínea b do Decreto Lei 1.166/1971, sendo, nesse caso, devida a contribuição à CNA. Impugnação Improcedente YCrédito Tributário Mantido A notificação do Acórdão 0419.662 1ª Turma da DRJ/CGE ao sujeito passivo ocorreu em 23/03/2010, mediante Aviso de Recebimento AR (fl. 44). Sobreveio recurso voluntário em 22/04/2010 (fls. 46/55). Em suas razões cingiuse a argüir a prescrição intercorrente, bem como remissão da dívida, com base no art. 14, da Lei nº 11.941/2009. É o relatório. Voto Conselheira Alice Grecchi O presente recurso possui os requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, merecendo ser conhecido. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10820.000225/200911 Acórdão n.º 2301004.790 S2C3T1 Fl. 68 5 Segundo se verifica nos autos, o Recorrente, representado pelo seu Espólio, na pessoa da Inventariante Sra. Maria Terezinha de Barros Cisneiros, não veio a combater o mérito da autuação, limitandose a alegar que a cobrança em questão não pode prevalecer, posto a ocorrência de prescrição intercorrente, bem como a remissão da dívida pelo art. 14, da Lei nº 11.941/09. Quanto à prescrição intercorrente, não há como acolher a sua pretensão, uma vez que se trata de matéria objeto da Súmula CARF nº 11, que dispõe: Súmula CARF n° 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Nos termos do caput do artigo 72, do Anexo II, do Regimento Interno deste Colegiado, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015, “As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF." No que tange a remissão da dívida, aqui não se pode aplicar o art. 14 da Lei nº 11.941/2009, resultante da Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, considera remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). O caput do art. 14 da Lei n.°11.941/2009, preceitua: Art. 14. Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). Conforme comprova o documento de fl. 33 e Pelo Parecer da Sacat/DRF/Araçatuba/SP o débito ora tratado não se enquadra nos requisitos de remissão ali contidos, visto que seu valor consolidado importava em R$15.421,05. Importância que ultrapassava o limite estabelecido no Art. 14 da Lei 11.941/2009. Portanto, com relação à remissão prevista na MP 449, convertida na Lei nº 11.941/2009, artigo 14, também não assiste razão ao recorrente. Assim, tendo em vista a impossibilidade de aplicação do art. 14, da Lei nº 11.941/2009 para o caso em concreto e verificado que não houve a prescrição intercorrente alegada pelo recorrente, sendo que esses foram os únicos fundamentos do recurso voluntário, não sendo combatido o mérito da decisão "a quo", é dever manter o lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 13609.720811/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. COMPROVAÇÃO. LAUDO. Acolhe-se, para fins de cálculo do ITR devido, área ocupada com benfeitorias, cuja existência seja devidamente confirmada mediante apresentação de laudo técnico.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT).
Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2301-004.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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COMPROVAÇÃO. LAUDO. Acolhese, para fins de cálculo do ITR devido, área ocupada com benfeitorias, cuja existência seja devidamente confirmada mediante apresentação de laudo técnico. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 08 11 /2 00 9- 70 Fl. 387DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Gisa Barbosa Gambogi Neses, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi, Fabio Piovesan Bozza Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Notificação de Lançamento n° 06113/00004/2009 de fls. 150, intimando a recolher o crédito tributário referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, exercício de 2006, acrescido de juros de mora e multa proporcional (75%), totalizando o crédito tributário de R$ 1.497.297,10 relativos a propriedade rural denominada “Fazenda Cordeiro I”, NIRF 3.480.2096, com área declarada de 20.805,6 ha, localizada no Município de Três Marias – MG. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 151/154), consta as seguintes informações: que o sujeito passivo após intimado não comprovou a área declarada de benfeitorias úteis e necessárias destinadas à atividade rural, bem como não comprovou os valores de terra nua através de laudo de avaliação do imóvel. Após analisar os documentos apresentados pelo contribuinte em resposta ao Termo de Intimação n° 06113/00004/2009 e da DITR/2006, a autoridade fiscal glosou integralmente a área ocupada com benfeitorias (520,4 ha) e recusou o VTN declarado de R$ 8.322.240,00 (R$ 400,00/ha), integrando o montante de R$ 41.611.200,00 (R$ 2.000,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras – SIPT, da RFB, com o consequente aumento da área aproveitável, do VTN tributável e respectiva alíquota de cálculo, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 709.821,32 (fls. 153). Resumo da autuação: Distribuição da Área do Imóvel (ha) Declarado Apurado 01. Área Total do Imóvel 20.805,6 20.805,6 02. Área de Preservação Permanente 1.607,4 1.607,4 03. Área de Reserva Legal 7.000,0 7.000,0 04. Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural 0,0 0,0 05. Área de Interesse Ecológico 0,0 0,0 06. Área de Servidão Florestal ou Ambiental 0,0 0,0 07. Área Tributável 12.198,2 12.198,2 08. Área Ocupada com Benfeitorias Úteis e Necessárias Destinadas à Atividade Rural 520,4 0,0 09. Área Aproveitável 11.677,8 12.198,2 Cálculo do Valor da Terra Nua Declarado (R$) Apurado (R$) 19. Valor Total do Imóvel 79.304.685,00 111.593.645,00 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.720811/200970 Acórdão n.º 2301004.855 S2C3T1 Fl. 388 3 20. Valor das Benfeitorias 0,0 0,0 21. Valor das Culturas/Pastagens/Florestas 69.982.445,00 69.982.445,00 22. Valor da Terra Nua 8.322.240,00 41.611.200,00 Cálculo do Imposto Declarado (R$) Apurado (R$) 23. Valor da Terra Nua Tributável (07 / 01) * 22 4.787.497,08 24.392.485,44 24. Alíquota 0,45 3,00 25. Imposto Devido (23 * 24) / 100 21.953,23 731.774,56 DIFERENÇA DE IMPOSTO APURADA 709.821,33 Após o contribuinte ser cientificado do lançamento em 21/12/2009, conforme Aviso de Recebimento AR à fl. 158, apresentou a impugnação de fls. 159 a 174, em 18/01/2010, que em suas razões, alega: discorda do procedimento fiscal, por glosar área declarada com benfeitorias, além de arbitrar o VTN com base na tabela SIPT, “cujos valores não refletem as particularidades do imóvel e a realidade regional”; que o valor de R$ 2.000,00 por hectare é considerado incorreto e equivocado pelo contribuinte, por não ser razoável para o imóvel em questão, ratificando através de laudo de avaliação com o valor de terra nua declarada; ressalta o valor de R$ 400,00 por hectare apurado através de levantamento cartorial das transações efetuadas no ano de 2006 na região de Três Marias – MG; cita legislação de regência, acórdãos do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, e doutrinas para reforçar seus argumentos; o contribuinte pede que seja realizada perícia técnica por peritos indicados, para comprovar o VTN e a área com benfeitorias declarados no exercício de 2006. A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação procedente, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2006 DA ÁREA OCUPADA COM BENFEITORIAS. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Deverá ser restabelecida a área ocupada com benfeitorias, informada na DITR/2006 e glosada pela autoridade autuante, com base em documentos hábeis para comprovála, à época do respectivo fato gerador. DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser revisto o VTN arbitrado para o ITR/2006, restabelecendose o VTN declarado, com base em laudo técnico de avaliação, emitido por profissional habilitado e com ART/CREA, demonstrando de maneira convincente o valor fundiário do imóvel rural avaliado, a preços da época do fato gerador do imposto, bem como suas peculiaridades desfavoráveis. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado O contribuinte foi notificado do Acórdão 0351.437 1ª Turma da DRJ/BSB em 02/07/2013 (fl. 380), mediante Aviso de Recebimento – AR. Tendo em vista que a decisão foi de procedência, não apresentou recurso voluntário. Considerando que foi exonerado crédito tributário em limite superior ao estabelecido pela Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, houve RECURSO DE OFÍCIO, o qual passo a analisar. É o relatório. Voto Conselheira Alice Grecchi Tratase de Recurso de Ofício, interposto face a decisão de Primeira Instância ter exonerado crédito tributário em valor superior a R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais). Passo a apreciar as razões de decidir da decisão recorrida, colacionando, abaixo, excertos do voto: [...] Para comprovar a área ocupada com benfeitorias (520,4 ha), informada na declaração do ITR/2006 e glosada pela autoridade fiscal, a requerente apresentou laudo técnico agronômico (fls. 163/179), que comprova a existência dessa área na propriedade, composta por estradas internas e externas, aceiros, plantas de carbonização (carvoarias), torre de vigilância e sede (fls. 168). Assim, entendo que deva ser restabelecida a área ocupada com benfeitorias úteis e necessárias à atividade rural (520,4 ha), informada na DITR/2006 e compatível com a área total do imóvel, por ter sido apresentada documentação hábil para tanto. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.720811/200970 Acórdão n.º 2301004.855 S2C3T1 Fl. 389 5 Registrese que esse acatamento restabelece o grau de utilização do imóvel (GU) de 80,2% e a alíquota de 0,45%, utilizados pela contribuinte na DITR/2006, conforme demonstrativo de fls. 108. Do Valor da Terra Nua – VTN A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o ITR/2006, R$ 8.322.240,00 (R$ 400,00/ha), arbitrandoo em R$ 41.611.200,00 (R$ 2.000,00/ha), com base no SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observado o art. 3º da Portaria SRF nº 447/2002 e o item 6.8. da Norma de Execução Cofis nº 02/2010, aplicável à execução da malha fiscal desse exercício. Esse valor corresponde ao menor VTN/ha, por aptidão agrícola (campos), para o exercício de 2006 (fls. 110), para os imóveis rurais localizados no município de Três Marias MG, com base nos valores fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura, nos termos do § 1º do art. 14 da Lei 9.393/1996 A requerente reapresentou nesta fase o laudo de avaliação e anexos de fls. 183/214, elaborado por profissional habilitado, com ART/CREA MG (fls. 215), com o valor da terra nua do imóvel de R$ 400,00/ha, equivalente a R$ 8.322.240,00, solicitando seu acolhimento para revisão do VTN arbitrado. Não obstante a autoridade fiscal ter rejeitado esse laudo de avaliação como documento hábil para comprovação do VTN declarado, formei convicção de que o mesmo, quando analisado no contexto, cabe ser acatado para revisão do VTN arbitrado e, consequentemente, restabelecimento do VTN declarado. Na análise do laudo apresentado, verificase que o autor do trabalho descreve as características particulares do imóvel rural, arenoso e com baixa fertilidade, cuja destinação econômica é unicamente o reflorestamento, utilizando o método comparativo de dados de mercado, com homogeneização dos valores encontrados em 05 amostras. Efetuado o devido tratamento matemático estatístico, esse laudo apresenta o VTN de R$ 400,00/ha (R$ 8.322.240,00), igual ao valor da terra nua declarado (fls. 237), e conclui ter alcançado o grau de precisão II, conforme pontuação definida na NBR 14.6533. Salientese que esse valor encontrase muito próximo do VTN/ha médio do SIPT (R$ 401,47 fls. 110), apurado com base nos valores informados pelos contribuintes em suas respectivas declarações do ITR/2006, para os imóveis localizados no município de Três Marias – MG. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Assim, entendo que o referido laudo de avaliação, além de ter sido emitido por profissional habilitado, com ART/CREA, atende aos requisitos essenciais estabelecidos na NBR 14.6533 da ABNT e demonstra de maneira convincente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador, sendo considerado documento hábil para alterar o VTN arbitrado, nos termos da NE/Cofis nº 002/2010. Portanto, cabe ser acatado o laudo de avaliação trazido aos autos, com um de VTN de R$ 400,00/ha (R$ 8.322.240,00), para revisar o VTN arbitrado para o ITR/2006 da Fazenda Cordeiro I. Dessa forma, devem ser restabelecidos o VTN de R$ 8.322.240,00 e a área com benfeitorias (520,4 ha) informados na DITR/2006, ratificando o imposto apurado pela Contribuinte nessa declaração (autolançamento), com o consequente cancelamento do imposto suplementar apurado pela autoridade fiscal (fls.108). Diante do exposto, voto no sentido de se julgar procedente a impugnação interposta pela contribuinte, para cancelar o lançamento constituído pela notificação/anexos de fls. 105/109 e tornar insubsistente o crédito tributário exigido. [...] Primeiramente, cumpre apreciar a glosa da área declarada com benfeitorias úteis e necessárias para a atividade rural. Compulsando os documentos acostados ao feito, verifico que consta Laudo Técnico Agronômico às fls. 233, em que são elencadas as benfeitorias existentes na propriedade em questão. Em anexo ao referido laudo, constam os mapas com as áreas ocupadas por essas benfeitorias. Ainda, há outro Laudo Técnico acostado às fls.110/112, em que consta informação de que as áreas ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias à atividade rural (aceiros e estradas), totalizam 520,40 ha. O documento foi elaborado pelo engenheiro florestal Carlúcio Guimarães Oliveira CREAMG nº 23.913/D, com Anotação de Responsabilidade Técnica às fls. 113. Portando, resta confirmado o que foi declarado na DITR/06 pela contribuinte, uma vez que os Laudos juntados atestam a existência da área informada de 520,40 ha de benfeitorias. No que se refere ao arbitramento do VTN, a decisão da Turma Julgadora de Primeira Instância se coaduna com o entendimento que esta relatora vem adotando nos processos de sua relatoria, de que o arbitramento do Valor da Terra Nua, não está com consonância com a legislação de regência, sendo arbitrado pelo preço médio constante das DITR ou mesmo de acordo com os dados fornecidos pela Secretaria Estadual de Agricultura. Vejamos: Processo nº 10183.720539/200716 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.596 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.720811/200970 Acórdão n.º 2301004.855 S2C3T1 Fl. 390 7 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de abril de 2016 Matéria IRPF Recorrente TAQUARI EMPREENDIMENTOS AGROPECUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 [...] VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Não é outro entendimento da E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao proferir o Acórdão nº 9202003.749 abaixo ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. Ainda que conste às fls. 155 (Tela SIPT CONSULTA) não há como saber se foram atendidos todos os parâmetros legais para o cálculo do VTN, de modo que não pode ser utilizado para proceder o arbitramento do valor da terra nua. Ademais, como bem observado na decisão recorrida, o Valor da Terra Nua atribuído ao imóvel, constante do Laudo e Avaliação (R$ 400,00/ha), está muito próximo ao valor informado pelos contribuintes em suas respectivas declarações do ITR/2006, para os imóveis localizados no município de Três Marias – MG, que foi de R$ 401,47/ha (fl. 155). Assim, bem exarada a decisão "a quo", a qual acatou o Laudo Técnico para atribuir o VTN de R$ 400,00/ha, não merecendo reparos. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 394DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18239.001010/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.623
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES.
Relatório
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. Relatório
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA e GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 82 39 .0 01 01 0/ 20 09 -8 1 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18239.001010/200981 Resolução nº 2301000.623 S2C3T1 Fl. 59 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal para constituição de crédito de Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF decorrente de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, por falta da comprovação de ser portadora de uma das moléstias graves justificadoras da isenção do imposto. Assim considerado pela fiscalização, os valores declarados como isentos foram lançados como omissão de rendimentos. Seguem transcrições de trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Somente a moléstia grave reconhecida por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, confere direito à isenção do imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Não deve prosperar a impugnação não instruída com elementos de prova hábeis a promover o convencimento do julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido... O lançamento alterou o resultado da declaração correspondente de imposto a restituir declarado, no valor de R$ 395,35, para imposto suplementar de R$ 2.581,36, em virtude da apuração de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, no valor de R$ 14.105,30, em virtude de discrepância entre as informações declaradas e aquelas prestadas pela fonte pagadora INSTITUTO NACIONAL DE SEGURIDADE SOCIAL – INSS. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: Cientificado do lançamento em 28/01/2009, segundo Aviso de Recebimento (AR) às fls. 23 e 24, o interessado apresentou peça impugnatória, datada de 19/02/2009, na qual alega fazer jus à isenção por portar moléstia grave reconhecida em laudo de especialista (fls. 11 e 12). Traz jurisprudência administrativa para reforçar sua argumentação. Adita ainda que o reconhecimento do direito pleiteado não pode exacerbar os ditames legais escolhendo como forma de prova da moléstia laudo emitido por entidade governamental. Ressalta que o atendimento do INSS é demorado estando prevista sua consulta somente em 04/04/2009. E junta aos autos os documentos às fls. 46 e s., comprovando a cardiopatia grave com relatório médico e outros documentos que atestam submissão a cirurgia cardíaca, uso de Fl. 59DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18239.001010/200981 Resolução nº 2301000.623 S2C3T1 Fl. 60 3 medicamentos e consultas médicas. A exceção do receituário, os demais documentos não foram emitidos pelo serviço médico oficial, embora o profissional seja especialista pelo hospital público HUCFF Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, conhecido como "Hospital do Fundão". É o Relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18239.001010/200981 Resolução nº 2301000.623 S2C3T1 Fl. 61 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De fato, não consta nos autos laudo oficial atestando que o recorrente é portador de moléstia grave a justificar a isenção do IRPF, cardiopatia grave; embora tenha apresentado conjunto probatório convincente da doença, artigo 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 22/12/1988: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; ... Assim, embora os demais documentos juntados aos autos formem um conjunto probatório convincente de ser o recorrente portador de doença grave no período do lançamento, de fato, até então não se pode afirmar que fora cumprida a exigência legal no artigo 30 da Lei nº 9.250 de 26/12/1995, reconhecida em jurisprudência deste CARF: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. ... Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. ... Fl. 61DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 18239.001010/200981 Resolução nº 2301000.623 S2C3T1 Fl. 62 5 Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Contudo, no caso concreto mostrase razoável se oferecer mais uma oportunidade para que o recorrente obtenha, com as provas já juntadas, um laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios que comprove ser portador de cardiopatia grave no ano 2005. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que seja oportunizado ao recorrente o direito de apresentar no prazo de 30 dias um laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 62DF CARF MF Impresso em 28/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 23/09/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10384.006505/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/05/2007
Ementa:
RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS.
A Súmula CARF nº 88 dispõe que A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
RGPS. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. SERVIDORES. PÚBLICOS. VINCULAÇÃO.
Na ausência de regime próprio de previdência social os servidores públicos vinculam-se automaticamente ao regime geral. Os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos em comissão são segurados obrigatórios do regime geral de previdência social.
INCONSTITUCIONALIDADE.
A Súmula CARF nº 2 prevê que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
SELIC.
A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS.
A Súmula CARF nº 28 dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Numero da decisão: 2301-004.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator.
EDITADO EM: 14/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2006 a 31/05/2007 Ementa: RELAÇÃO DE CO-RESPONSÁVEIS. A Súmula CARF nº 88 dispõe que A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. RGPS. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. SERVIDORES. PÚBLICOS. VINCULAÇÃO. Na ausência de regime próprio de previdência social os servidores públicos vinculam-se automaticamente ao regime geral. Os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos em comissão são segurados obrigatórios do regime geral de previdência social. INCONSTITUCIONALIDADE. A Súmula CARF nº 2 prevê que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. SELIC. A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. A Súmula CARF nº 28 dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA - Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR - Relator. EDITADO EM: 14/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO.
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A Súmula CARF nº 88 dispõe que “A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. RGPS. REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA. SERVIDORES. PÚBLICOS. VINCULAÇÃO. Na ausência de regime próprio de previdência social os servidores públicos vinculamse automaticamente ao regime geral. Os servidores públicos ocupantes exclusivamente de cargos em comissão são segurados obrigatórios do regime geral de previdência social. INCONSTITUCIONALIDADE. A Súmula CARF nº 2 prevê que “o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” SELIC. A Súmula CARF nº 4 preceitua que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 65 05 /2 00 7- 59 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 A Súmula CARF nº 28 dispõe que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 14/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVERIO. Relatório Trata a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) 37.052. 5558, cadastrada no sistema de protocolo do Ministério da Fazenda (COMPROT ) sob o número 10384. 006505 /200759, de crédito constituído contra o Município de Cabeceiras do Piauí — Câmara Municipal , CNPJ 04.390. 663/0001 10, relativo a contribuições para o financiamento da Seguridade Social previstas no inciso III do art. 22 da Lei 8.212, de 24/07/1991, inserido pela Lei 9.876, de 26/11/1999, e a contribuições devidas por contribuintes individuais que as pessoas jurídicas contratantes são obrigadas a descontar e recolher, conforme art. 21 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.876/99, combinado com o caput do art. 4.° da Lei 10.666, de 08/05/2003. Também foram lançadas diferenças de acréscimos legais, (conforme Relatório DAL, fl. 13) devido ao fato de o Contribuinte ter feito recolhimentos em atraso sem ter pago os valores corretos correspondentes a multa e juros. Da apuração dos valores devidos pelo Contribuinte resultou o lançamento de R$ 8,859,54 (oito mil, oitocentos e cinqüenta e nove reais e cinqüenta e quatro centavos), consolidado em 1911112007, conforme Díscriminativo Analítico de Débito (DAD), Discriminativo Sintético de Débito (DSD), fls. 07/08, e Relatório de Lançamentos,fls. 09/11. Feita a ciência por via postal em 23/11/2007 (uma sextafeira), o Recorrente apresentou impugnação tempestiva em 26 /12/2007, fls. 50/66, protocolo 10384 . 007445/2007 91, trazendo, em síntese, os seguintes argumentos: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006505/200759 Acórdão n.º 2301004.001 S2C3T1 Fl. 123 3 a) Seria inconstitucional a cobrança sobre remunerações de detentores de mandatos eletivos feita com base no § 1.° do art. 13 da Lei 9 . 506/97, como já reconhecido pelo STF. Isso porque se trata de nova fonte , que não foi estabelecida mediante lei complementar, contrariando o disposto no art . 195 da Constituição. b) Não poderia a contribuição previdenciária incidir sobre remunerações de trabalhadores autônomos, operários da construção civil e prestadores de serviços, que não constituem `salário', dado que esse pressupõe a existência de vínculo empregatício. Salário seria a contraprestação devida pelo empregador ao empregado em virtude de contrato de trabalho, motivo pelo qual tais remunerações não poderiam ser reputadas, tecnicamente, como salários. Dito de outra forma, prestadores de serviços não poderiam ser equiparados a empregados (conforme conceito do art. 3.° da CLT) e, como tal, considerados segurados obrigatórios; c) Assim sendo, por não incidir sobre a folha de salários, seria inconstitucional a ampliação da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pelo município feita a partir da promulgação da Lei 7.787/89, em especial do art. 3.° de tal norma, por ofensa ao art. 195 da Constituição. d) Além disso, a contribuição criada pela Lei 7.787/89 seria similar à Contribuição Social sobre o Lucro das Pessoas Jurídicas (CSLL), dado que os valores retirados periodicamente pelos sócios constituem o lucro da pessoa jurídica. e) A cobrança de contribuições incidentes sobre pagamentos a autônomos, avulsos e administradores já teria, inclusive, sido suspensa pela Resolução do Senado Federal de n.° 14, publicada no DOU de 28/04/1995, que suspendeu a execução da expressão "avulsos, autônomos e administradores" do citado art. V' da Lei 7.787/89 Por outro lado, sendo da competência do município a elaboração do estatuto de seus servidores e a legislação sobre a sua previdência social, não restaria dúvida de que também lhe compete tratar sobre a previdência social de seus prestadores de serviço. Logo, a vinculação obrigatória dos servidores do município ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) seria uma invasão à competência municipal, vedada pelo § 1.° do art. 149 da Constituição Alega também o Recorrente que município não pode ser equiparado a empregador ou empresa, por ser ente da federação, pessoa jurídica de direito público Fl. 124DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 interno que não aufere lucro nem faturamento, que não se confunde com empregador, cuja definição se encontra no art. 2.° da CLT. f) Por fim, o Impugnante alega não poder ser aplicado ao caso o § 13 do art. 40 da Constituição Federal — que trata da vinculação obrigatória de servidores ocupantes de cargos temporários e empregados públicos ao RGPS — por carecer o mesmo de edição de lei que fixe o valor a ser recolhido: enquanto a lei regulamentadora não for publicada não haverá meios de os municípios quantificarem o valor a ser recolhido ao INSS, não podendo ser utilizado o percentual aplicado às empresas privadas e aos empregados desta; g) Não poderia incidir a contribuição previdenciária sobre funções gratificadas, por não se incorporarem ao salário, tendo inclusive órgãos como o TCU, Senado, Câmara, STJ e STF devolvido a seus servidores os descontos que haviam feito a título de contribuição sobre o valor recebido por desempenho de função; h) O Impugnante também informa ter ocorrido infração ao princípio da proibição do excesso', ou da proporcionalidade, por estarem sendo cobrados valores indevidos; i) Não teria ocorrido o crime de sonegação previdenciária. j) Seria ilegal a aplicação da taxa SELIC, por contrariar o disposto no art.406 do Código Civil e no art., 161 do CTN. A interpretação do § 1º do art. 161 do CTN, combinado com o art. 146, III, `b', da Constituição Federal faria com que apenas através de lei complementar pudesse ser instituída cobrança de juros superiores à taxa de 1 % (um por cento) ao mês, dado que crédito tributário é matéria reservada a tal tipo de norma , como, aliás, já reconhecido pelos tribunais superiores . A falta de criação da taxa SELIC por lei complementar afrontaria a Constituição e o CTN, caracterizando a ilegalidade da aplicação de tal taxa. Ademais, a aplicação da taxa SELIC teria efeito confiscatório, afrontando a Constituição (150, IV). O ora Recorrente alega que o próprio INSS já teria pleiteado junto ao STJ — Resp 823216SC e outros julgados — a inaplicabilidade da taxa SELIC como índice para atualização dos débitos previdenciários, por entender que tal incidência seria contrária ao CC e ao CTN, devendo as decisões administrativas seguir o entendimento que o INSS defende na esfera judicial. Tal entendimento estaria correto, na medida em que na taxa SELIC estariam embutidos simultaneamente juros moratórios , remuneratórios e correção monetária , tornando inadequada tal taxa para aplicar os efeitos da mora, pois de tal forma estarseia penalizando em duplicidade (bis in idem). Fl. 125DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006505/200759 Acórdão n.º 2301004.001 S2C3T1 Fl. 124 5 Em 29/05/2008, foi prolatado Acórdão n. 1122.562 – 6ª Turma da DRJ/REC que julgou procedente o lançamento: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS • PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/05/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIMENTO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO_ IMPOSSIBILIDADE, O reconhecimento da inconstitucionalidade de Lei nas decisões administrativas só pode ser feito após manifestação, nesse sentido, do STF, do Senado Federal ou da Justiça Federal. TAXA SELIC. É pacífico o entendimento de que é legal a aplicação da taxa SELIC no recolhimento de contribuições para a Previdência em atraso. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. É incompetente a Delegacia de Julgamento para decidir pela ocorrência ou não de crime. Lançamento Procedente Irresignado com o decisum, o Município interpôs recurso voluntário [fls. 90 108] que repisa os mesmos argumentos dispostos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade [ciência: 15/07/2008 e interposição: 14/08/2008], conheço do recurso e passo ao seu exame. I CORESPONSÁVEIS Argüi a recorrente a exclusão do nome do Prefeito da relação de coresponsáveis e da relação de vínculos, haja vista que o quadro de coobrigados será repetido na eventual e futura Certidão da Dívida Ativa. Cumpre esclarecer que os anexos CORESP e relação de vínculos foram claros em afirmar que o relatório trazido é apenas uma lista dos representantes legais do sujeito passivo, indicando a qualificação e o período de atuação, não estabelecendo nenhuma responsabilidade às pessoas nele relacionadas. Ademais, os relatórios de CoResponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, em conformidade com disposto pelo art. 660 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005, que determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativo fiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativo fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Nesse sentido, o CARF já emitiu enunciado de Súmula que consolidou o entendimento acima manifestado: Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Portanto, não acolho a preliminar suscitada. II REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL Das contribuições incidentes sobre os valores pagos a detentores de mandatos eletivos assiste razão ao Recorrente quando afirma ser inconstitucional a cobrança sobre remunerações de detentores de mandatos eletivos feita com base na alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei 8.212/91, introduzida pela Lei 9.506, de 3011011997, dado que devido a tal vício essa norma já teve sua. execução suspensa pelo Senado Federal. Ocorre que nessa NFLD o lançamento dessas contribuições abrangeu apenas as competências de 01/2007 e seguintes, sendo que a cobrança está sendo feita com base na alínea "j" do mesmo inciso 1 do art. 12 da Lei n° 8.212191, acrescentada pela Lei n° 10.887, de 18/06/2004, que incluiu os detentores de mandatos eletivos no rol de segurados obrigatórios do RGPS, e não com base no dispositivo declarado inconstitucional. Tal alínea foi introduzida quando o art. 195, I, "a", da Constituição, com a redação dada pela Emenda 20/1998, já permitia a cobrança de contribuições sobre quaisquer "rendimentos do trabalho", expressão que abrange também os valores recebidos por vereadores, não padecendo, portanto, do vício que motivou o reconhecimento da inconstitucionalidade da alínea “h”. São devidas, portanto, as contribuições para o financiamento da Seguridade Social incidentes sobreos subsídios de vereadores lançadas. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006505/200759 Acórdão n.º 2301004.001 S2C3T1 Fl. 125 7 As alegações sobre a inconstitucionalidade da Lei 7.787189 são totalmente inócuas. De há muito tal Lei deixou de ser usada, por ter sido substituída pela Lei 8.212/91 e, posteriormente, no tocante a empresários, trabalhadores autônomos e avulsos, pela Lei Complementar n. 84, de 18/01/1996 e, por fim, pela Lei 9.876, de 26/11/1999, que alterou a 8.212/91. Cabe dizer também que nesta NFLD foram incluídas apenas contribuições descontadas de empregados, aí incluídos os vereadores, previstas no art. 20 da Lei 8.212/91. São sem sentido, portanto, as alegações trazidas na impugnação sobre inconstitucionalidade de cobrança de contribuições sobre remunerações de trabalhadores autônomos, empresários, prestadores de serviços, avulsos etc., por estranhas ao lançamento. O Recorrente também menciona os operários da construção civil, mas não foram lançadas contribuições incidentes sobre segurados de tal categoria: os únicos cinco segurados cujos descontos deram origem ao lançamento e que não são vereadores foram listados no Relatório de Fatos Geradores, não consta que nenhum deles seja operário da construção civil. Foi juntada aos autos a folha de pagamentos do mês de 01/2007, fl. 34. Na folha o município chama os segurados cujas contribuições foram lançadas em outras competências (em 01/2007, especificamente, os recolhimentos foram suficientes para quitar o valor descontado desses segurados) de `funcionários comissionados'. Com essa expressão certamente o município se refere a servidores efetivos que exercem funções gratificadas ou a ocupantes de cargos em comissão. Quanto aos efetivos, cabe notar que a competência do município para legislar sobre a previdência social de seus servidores nunca foi negada. Ocorre que ela também não foi exercida pelo Recorrente: o relatório fiscal informa claramente que o município não dispõe de regime próprio de previdência social (RPPS), fato não contestado na impugnação. Na ausência de regime próprio, aplicase o RGPS aos ocupantes de cargos efetivos, conforme art. 13 da Lei 8.212/91: Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social. consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio. de previdência social (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26/11/99) Vêse que a Lei 8.212191 prevê que na ausência de norma municipal que assegure pensão e aposentadoria aos servidores e respectivos dependentes os mesmos não podem ficar desamparados, ocorrendo então a vinculação automática e obrigatória ao RGPS. Já em relação aos ocupantes de cargos em comissão, os mesmos estariam vinculados ao RGPS ainda que o município dispusesse de RPPS, por conta do disposto no § 13 do art. 40 da Constituição, que veda a vinculação de tais servidores a regimes próprios: 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica Fl. 128DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 20, de 15112/98) Ressaltese que alegação de que o citado § 13 necessitaria de regulamentação não tem embasamento nenhum: a Constituição determina a aplicação do RGPS sem ressalvas, deixando claro que todas as normas relacionadas a tal regime valem para os referidos servidores, não havendo motivo para se falar em nova regulamentação, até porque se fosse necessário emitir novas normas a Constituição estaria prevendo a vinculação de servidores a um regime especial, com regras próprias, e não ao geral. O simples fato de o Recorrente ter a opinião de que não poderiam ser aplicados ao mesmo os percentuais devidos pelos empregadores da iniciativa privada não faz com que isso se torne verdade. O Município até chega a dizer que não pode ser equiparado a empregador ou empresa, citando os artigos 2.° e 3.° da Consolidação das Leis do Trabalho, aparentemente esquecendo que o direito previdenciário é autônomo, estando tal assunto disciplinado no art. 15 da Lei 8.212/91, de forma a espancar qualquer dúvida: Art. 15. Considerase: I empresa – a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Tanto o direito previdenciário é autônomo que, por exemplo, os exercentes de mandato eletivo são enquadrados como empregados pela Lei 8.212/91, deixando claro que os conceitos da CLT — no caso, o art. 3.°, que define `empregado' — só se aplicam subsidiariamente ao direito previdenciário: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regi .me próprio de previdência social; (Incluído pela Lei n° 10.887, de 2004) Especificamente em relação aos valores recebidos por funcionários efetivos por conta do exercício de funções comissionadas, cabe dizer que as decisões judiciais que • reconhecem não incidir contribuições para a aposentadoria sobre as respectivas gratificações foram todas embasadas no regime jurídico único dos servidores da União, regrado pela Lei 8.112, de 11/12/1990, ou em regimes jurídicos que o copiaram. Tais normas e os entendimentos delas decorrentes não se aplicam ao caso, dado que não se está discutindo o custeio de aposentadorias concedidas por regime próprio de previdência, mas sim o financiamento da Seguridade Social. No âmbito do RGPS a incidência das contribuições é ditada, basicamente, pelo art. 28 da Lei 8.212191,.que.traz o seguinte conceito de saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuiçdo: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10384.006505/200759 Acórdão n.º 2301004.001 S2C3T1 Fl. 126 9 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a. qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo .de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10112/97) Vêse que o conceito de saláriodecontribuição abrange as quantias recebidas a título de função gratificada, dado que elas são sem dúvida rendimentos pagos em retribuição ao trabalho. As exceções ao enquadramento no conceito de saláriodecontribuição são apenas as trazidas no § 9.° do mesmo artigo, e dentre elas não se encontram valores recebidos a título de gratificação por exercício de função. Tal gratificação, portanto, integra o saláriodecontribuição, sendo, em conseqüência, levada em conta no cálculo do valor dos benefícios do RGPS. O mesmo não acontece no regime dos servidores públicos federais, pois a Lei 9.527, de 10/1211997, modificou o art. 62 da Lei 8.112/90, que previa que as gratificações integrariam os proventos da aposentadoria, sendo essa a razão de ser de as gratificações recebidas por exercício de • função comissionada por servidores federais terem deixado de compor a base de cálculo das contribuições para o financiamento da aposentadoria prevista na Lei 8.112/90. Como, no entanto, no âmbito do RGPS a gratificação é levada em conta no cálculo dos benefícios, é justo e necessário que sobre a mesma incidam as contribuições. III INCONSTITUCIONALIDADE, SELIC E REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS Em relação as demais matérias tratadas no Recurso Voluntário, devem ser aplicados os enunciados das Súmulas deste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. [...] Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. [...] Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 IV DISPOSITIVO Portanto, conheço do recurso, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 13971.002381/2007-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2006
NFLD DEBCAD sob nº 37.060.439-3
Consolidado em 17/01/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA DE PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS.
A simples acusação fiscal, estribada na desconsideração de personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a conseqüente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de maneira a deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. O artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para amparar o lançamento, o que fora observado no caso dos autos, dissertando a respeito da simulação, da fraude e do dolo.
No caso em tela a Fiscalização demonstrou com percuciência a Fiscalização e não conseguiu a Recorrente desfigurar as Recorrentes que existi uma coexistência entre as empresas, dependência financeira e, sobretudo, os quesitos de vinculo laboral dos empregados das interpostas com a empresa-mãe, como a pessoalidade, subordinação, onerosidade e habitualidade ou continuidade.
DO REGULAR PROCEDIMENTO ADOTADO PELA FISCALIZAÇÃO
Havendo configuração de dolo, simulação e ou fraude há de a Fiscalização promover o lançamento dos segurados empregados, cujos dos quais se tenha recolhido de forma diferenciada pelo SIMPLES em empresas interpostas.
No caso, as empresas interpostas foram desconsideradas suas personalidades jurídicas e seus supostos empregados tiveram o vínculo laboral reconhecido e atrelado a empresa sede do grupo econômico.
DECADÊNCIA.
Havendo configuração de fraude, simulação ou dolo, para efeitos da contagem do prazo decadencial, impões a aplicação do artigo 173, I do CTN, ainda que se tenha ocorrido recolhimento em parte.
ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES
Esta Corte administrativa, como todas as demais, inclusive judicial, exceto o Supremo Tribunal Federal, não têm competência para distribuir, analisar e julgar processos e ou matérias que tratam de inconstitucionalidade ou de ilegalidade.
Matéria sumulada pela Casa, onde reza que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DOS PAGAMENTOS EFETUADOS PELAS EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES
A pretensão da Recorrente em abater do débito autuado os valores efetivamente recolhidos pelas empresas interpostas, a título de SIMPLES, e destinados ao INSS, não procede, porque a via eleita pela legalidade é a Instrução Normativa nº 900, DOU de 21/12/2008, ao disciplinar a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, no seu art. 34, § 3º, inciso XV, estabelece que não poderão ser objeto de compensação os tributos apurados na forma do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006.
Os artigo 2° e 3º da mesma Instrução Normativa, que trata do instituto da restituição, fica sujeita à instrumentalização, rito próprio e à apreciação cabível pela área tributária.
DA INCLUSÃO DE EMPRESA ADMINISTRADORA DE BENS (OBJETO DIFERENCIADO) NO GRUPO ECONÔMICO
Pessoa jurídica que tem objeto social diferenciado das demais empresas interpostas poderá compor o grupo econômico, deste que existam elementos suficientes para demonstrar seu envolvimento.
No caso em tela a contabilização dos pagamentos pertinentes às atividades normais da empresa que pede a sua retirada por ter objeto social diferente das demais é realizada da mesma forma que nas demais empresas do grupo, inclusive com de demonstração de dependência financeira, havendo confusão patrimonial.
Numero da decisão: 2301-004.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado DECISÃO: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da caracterização de segurados como empregados da contribuinte, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamentos as contribuições apuradas até 11/2001, anteriores a 12/2001, devido a aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Marcelo Oliveira, que aplicavam a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, devido a recolhimentos efetuados e ausência de comprovação de simulação; b) em negar provimento ao recurso, a fim de não deduzir do crédito os valores recolhidos pela Betex e Texfor da sistemática do Sistema SIMPLES de Tributação. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Marcelo Oliveira, que votaram em aproveitar os recolhimentos efetuados; Ausente: Manoel Coelho Arruda Júnior.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Correa
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/07/2006 NFLD DEBCAD sob nº 37.060.439-3 Consolidado em 17/01/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA DE PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples acusação fiscal, estribada na desconsideração de personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a conseqüente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de maneira a deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. O artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social-RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para amparar o lançamento, o que fora observado no caso dos autos, dissertando a respeito da simulação, da fraude e do dolo. No caso em tela a Fiscalização demonstrou com percuciência a Fiscalização e não conseguiu a Recorrente desfigurar as Recorrentes que existi uma coexistência entre as empresas, dependência financeira e, sobretudo, os quesitos de vinculo laboral dos empregados das interpostas com a empresa-mãe, como a pessoalidade, subordinação, onerosidade e habitualidade ou continuidade. DO REGULAR PROCEDIMENTO ADOTADO PELA FISCALIZAÇÃO Havendo configuração de dolo, simulação e ou fraude há de a Fiscalização promover o lançamento dos segurados empregados, cujos dos quais se tenha recolhido de forma diferenciada pelo SIMPLES em empresas interpostas. No caso, as empresas interpostas foram desconsideradas suas personalidades jurídicas e seus supostos empregados tiveram o vínculo laboral reconhecido e atrelado a empresa sede do grupo econômico. DECADÊNCIA. Havendo configuração de fraude, simulação ou dolo, para efeitos da contagem do prazo decadencial, impões a aplicação do artigo 173, I do CTN, ainda que se tenha ocorrido recolhimento em parte. ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES Esta Corte administrativa, como todas as demais, inclusive judicial, exceto o Supremo Tribunal Federal, não têm competência para distribuir, analisar e julgar processos e ou matérias que tratam de inconstitucionalidade ou de ilegalidade. Matéria sumulada pela Casa, onde reza que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DOS PAGAMENTOS EFETUADOS PELAS EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES A pretensão da Recorrente em abater do débito autuado os valores efetivamente recolhidos pelas empresas interpostas, a título de SIMPLES, e destinados ao INSS, não procede, porque a via eleita pela legalidade é a Instrução Normativa nº 900, DOU de 21/12/2008, ao disciplinar a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, no seu art. 34, § 3º, inciso XV, estabelece que não poderão ser objeto de compensação os tributos apurados na forma do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006. Os artigo 2° e 3º da mesma Instrução Normativa, que trata do instituto da restituição, fica sujeita à instrumentalização, rito próprio e à apreciação cabível pela área tributária. DA INCLUSÃO DE EMPRESA ADMINISTRADORA DE BENS (OBJETO DIFERENCIADO) NO GRUPO ECONÔMICO Pessoa jurídica que tem objeto social diferenciado das demais empresas interpostas poderá compor o grupo econômico, deste que existam elementos suficientes para demonstrar seu envolvimento. No caso em tela a contabilização dos pagamentos pertinentes às atividades normais da empresa que pede a sua retirada por ter objeto social diferente das demais é realizada da mesma forma que nas demais empresas do grupo, inclusive com de demonstração de dependência financeira, havendo confusão patrimonial.
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DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. OCORRÊNCIA. DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA DE PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples acusação fiscal, estribada na desconsideração de personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a conseqüente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de maneira a deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. O artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para amparar o lançamento, o que fora observado no caso dos autos, dissertando a respeito da simulação, da fraude e do dolo. No caso em tela a Fiscalização demonstrou com percuciência a Fiscalização e não conseguiu a Recorrente desfigurar as Recorrentes que existi uma coexistência entre as empresas, dependência financeira e, sobretudo, os quesitos de vinculo laboral dos empregados das interpostas com a ‘empresa mãe’, como a pessoalidade, subordinação, onerosidade e habitualidade ou continuidade. DO REGULAR PROCEDIMENTO ADOTADO PELA FISCALIZAÇÃO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 23 81 /2 00 7- 19 Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Havendo configuração de dolo, simulação e ou fraude há de a Fiscalização promover o lançamento dos segurados empregados, cujos dos quais se tenha recolhido de forma diferenciada pelo SIMPLES em empresas interpostas. No caso, as empresas interpostas foram desconsideradas suas personalidades jurídicas e seus supostos empregados tiveram o vínculo laboral reconhecido e atrelado a empresa sede do grupo econômico. DECADÊNCIA. Havendo configuração de fraude, simulação ou dolo, para efeitos da contagem do prazo decadencial, impões a aplicação do artigo 173, I do CTN, ainda que se tenha ocorrido recolhimento em parte. ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES Esta Corte administrativa, como todas as demais, inclusive judicial, exceto o Supremo Tribunal Federal, não têm competência para distribuir, analisar e julgar processos e ou matérias que tratam de inconstitucionalidade ou de ilegalidade. Matéria sumulada pela Casa, onde reza que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DOS PAGAMENTOS EFETUADOS PELAS EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES A pretensão da Recorrente em abater do débito autuado os valores efetivamente recolhidos pelas empresas interpostas, a título de SIMPLES, e destinados ao INSS, não procede, porque a via eleita pela legalidade é a Instrução Normativa nº 900, DOU de 21/12/2008, ao disciplinar a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, no seu art. 34, § 3º, inciso XV, estabelece que não poderão ser objeto de compensação os tributos apurados na forma do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006. Os artigo 2° e 3º da mesma Instrução Normativa, que trata do instituto da restituição, fica sujeita à instrumentalização, rito próprio e à apreciação cabível pela área tributária. DA INCLUSÃO DE EMPRESA ADMINISTRADORA DE BENS (OBJETO DIFERENCIADO) NO GRUPO ECONÔMICO Pessoa jurídica que tem objeto social diferenciado das demais empresas interpostas poderá compor o grupo econômico, deste que existam elementos suficientes para demonstrar seu envolvimento. No caso em tela a contabilização dos pagamentos pertinentes às atividades normais da empresa que pede a sua retirada por ter objeto social diferente das demais é realizada da mesma forma que nas demais empresas do grupo, inclusive com de demonstração de dependência financeira, havendo confusão patrimonial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado DECISÃO: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, na questão da caracterização de segurados como Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.002381/200719 Acórdão n.º 2301004.321 S2C3T1 Fl. 3 3 empregados da contribuinte, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, a fim de excluir do lançamentos as contribuições apuradas até 11/2001, anteriores a 12/2001, devido a aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173, do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Marcelo Oliveira, que aplicavam a regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, devido a recolhimentos efetuados e ausência de comprovação de simulação; b) em negar provimento ao recurso, a fim de não deduzir do crédito os valores recolhidos pela Betex e Texfor da sistemática do Sistema SIMPLES de Tributação. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Marcelo Oliveira, que votaram em aproveitar os recolhimentos efetuados; Ausente: Manoel Coelho Arruda Júnior. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Adriano Gonzáles Silvério e Wilson Antonio de Souza Correa Fl. 1179DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado pela Fiscalização contra a Recorrente, referente às contribuições a cargo da empresa, inclusive as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a terceiras entidades Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE. São fatos geradores do lançamento as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e sócios das empresas BETEX BENEFICIAMENTOS TÊXTEIS LTDA EPP e TEXFOR TÊXTIL FORNACE LTDA EPP, caracterizados pela fiscalização como empregados da empresa DICOTONE TÊXTIL LTDA. As remunerações foram apuradas por aferição indireta com base nas folhas de pagamento GFIP das empresas BETEX e TEXFOR, cujos valores constituem os levantamentos "BT1 – FP BETEX MATRIZ", "BT2 FP BETEX FILIAL 000283", "BT3 FP BETES FILIAL 000364" e "TXF FP TEXFOR. Nas Auditorias Fiscais realizadas nas empresas relacionadas ao Grupo DICOTONE, que atuam no ramo da indústria têxtil, ficou evidenciada para a Fiscalização a simulação na contratação de empregados por interpostas pessoas jurídicas, optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições SIMPLES, com o objetivo de subtrairse do recolhimento de contribuições previdenciárias patronais. Para demonstrar a existência do Grupo Dicotone, onde ela abarca todas as empresas acima mencionada e desconsidera as suas respectivas personalidade jurídica a Fiscalização estabelece uma relação das ‘pessoas jurídicas interpostas’ com a empresa DICOTONE, onde relata: · Evolução das empresas do grupo – trás a formação de cada empresa, tentando demonstrar a relação de coincidência existente, justificando a possível criação de cada para fins de formação de grupo econômico; · Gerenciamento de Recursos Humanos – Diz que o Departamento de Pessoal do Grupo Dicotone tem como responsável o empregado EVALDINO EGER, registrado nas empresas PEMAR, admitido no cargo de Supervisor de Recursos Humanos em 16/07/1990, e DICOTONE, admitido no cargo de Supervisor de Recursos Humanos em 02/08/1999; assistido por ANDRÉA MARCIANA LAMTN LITTING, registrada na TEXFOR no cargo de Assistente Departamento Pessoal em 12/03/2001. Que o Departamento de Recursos Humanos da DICOTONE administra os empregados da BETEX e TEXFOR, bem como das demais empresas do grupo DICOTONE. E, referente a BETEX, de 2001 a 2005 (em 2005 os empregados foram transferidos para a DICOTONE): Contratos de Trabalho, Guias de Recolhimento Rescisório do FGTS e da Contribuição Social GRFC —, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP —, Avisos de Férias, Recibos de Férias, Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho, Fl. 1180DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.002381/200719 Acórdão n.º 2301004.321 S2C3T1 Fl. 4 5 Perfil Profissiográfico Previdenciário — PPP —, Comunicação de Acidente do Trabalho CAT , encerramento de contrato de experiência, advertência por medida disciplinar e Ofícios ao Poder Judiciário, todos, ressaltamos, assinados em nome da BETEX por EVALDINO EGER (empregado da PEMAR e DICOTONE). Quanto a TEXFOR Contratos de Trabalho, GRFC, GFIP, Avisos de Férias, Recibos de Férias, Termos de Rescisão do Contrato de Trabalho, PPP, CAT, Avisos Prévios do Empregador para Dispensa do Empregado, encerramento de contrato de experiência, advertência por medida disciplinar e Ofícios ao Poder Judiciário e Previdência Social, todos, também ressaltamos, assinados em nome da TEXFOR por EVALDINO EGER. Diz que ANDRÉA MARCIANA LAMIN LITTING, registrada na TEXFOR, representa a DICOTONE junto ao Sindicato de Fiação e Tecelagem de Blumenau, obtendo informações necessárias para rescisões de contratos de trabalho dos empregados das empresas do grupo. ADRIANA PATRÍCIA DOROW, admitida na BETEX em 11/07/1997, em comunicação interna timbrada da DICOTONE, repassa para Evaldino Eger débitos de rescisões de empregados da BETEX, para que este efetue as devidas rescisões de contrato de trabalho. Também em comunicações internas timbradas da DICOTONE, Pedro Rebelo, empregado da DICOTONE de 24/06/2001 a 25/11/2005, repassa para Recursos Humanos (Evaldino Eger) e Diretoria da DICOTONE a solicitação de que seja efetuado aumento salarial para o Sr. Maicon Pereira (da BETEX) com índice de 13% além do índice de 8% da categoria em 20/10/2002. Mais, solicitação do pagamento do saldo de férias do Sr. Márcio F. W. Zeczkovski (da BETEX) em 07/03/2002, demonstrando a subordinação dos empregados da BETEX para com a DICOTONE. EVALDINO EGER (Empregado da DICOTONE) em nome da BETEX e TEXFOR requer ao Banco Bradesco S.A. que credite salários nas contascorrentes dos empregados daquelas empresas (BETEX e TEXSFOR). Bem como há solicitações de EVALDINO EGER ao departamento financeiro da DICOTONE para emissão de cheques para depósitos recursais na Justiça do Trabalho envolvendo a TEXFOR e acordos trabalhistas também pela TEXFOR. Datados de 2001 e 2003. · Controle Financeiro do Grupo – Diz que o controle financeiro do Grupo DICOTONE é exercício pelo Supervisor Financeiro RAFAEL ROLOW, registrado na BETEX de 09/10/2000 a 25/10/2004, passando a ser sóciogerente da TEXFOR a partir de 16/11/2004. Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Segundo a Fiscalização RAFAEL ROLOW é o responsável pelo controle do fluxo de caixa, contas correntes e aplicações, pela elaboração de relatórios de contas a receber e a pagar, pelo registro de documentos de movimentação diária, conforme consta na descrição das atividades exercidas no Perfil Profissiográfico Previdenciário PPP. Há documentação no relatório pertinente à vida funcional de RAFAEL ROLOW, tais como: contrato de trabalho, avisos e recibos de férias, aviso prévio, termo de rescisão do contrato de trabalho e PPP, todos assinados em nome da BETEX por EVALDINO EGER (lembrando, registrado na PEMAR e DICOTONE). Há também fotocópias de documentos da movimentação financeira do Grupo DICOTONE, onde comprovam a participação central de RAFAEL ROLOW na organização da vida financeira das empresas envolvidas. · DIRETORIA – Segundo a Fiscalização quem direcionava o Grupo DICOTONE, autorizando os gastos financeiros do setor de pessoal é a Diretora Industrial da DICOTONE, MARLISE GIRARDI WALDRICH, conforme podemos constatar nas comunicações e/ou emails do setor de RH para o financeiro do grupo, nos quais constam observações do tipo "Autorizado pela Dna. Marlise". Fotocópias de documentos de 2001, 2005 e 2006 (em sua maioria se referem a empregados da TEXFOR). · CONTABILIDADE – Diz a Fiscalização haver interdependência entre as empresas do grupo DICOTONE, que se dá pela ocorrência de dependência financeira das demais empresas em relação à DICOTONE. A partir desta é que são realizados todos os pagamentos, bem como geridos os recursos humanos das demais empresas do grupo, conforme exemplificado em relação às empresas BETEX e TEXFOR, logo a seguir: DICOTONE e BETEX os pagamentos efetuados cotidianamente, necessários para sobrevivência da BETEX eram/são realizados pela DICOTONE. Históricos na contabilidade da BETEX, demonstra que ela é dependente da DICOTONE tais como pagamento de FGTS rescisão contratual Evandro Franco através da DICOTONE Têxtil; e, pagamento de adiantamento salarial através da DICOTONE Têxtil", dentre vários outros. Segundo a Fiscalização compõem o GRUPO ECONÔMICO DICOTONE as empresas: 1) DICOTONE TÊXTIL LTDA.; 2) PEMAR MALHAS LTDA.; 3) BELA VISTA INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.; 4) BETEX BENEFICIAMENTOS TÊXTEIS LTDA EPP e, 5) TEXFOR TÊXTIL FORNACE LTDA EPP. Após o lançamento as empresas foram intimadas e apresentaram suas impugnações, cujas quais não foram assaz para modificarem o lançamento. Indignadas, após receberem a notificação da Decisão Notificação n° 45.20.30.25.00/0191/2007 aviaram os presentes Recursos Voluntários, com as razões a seguir analisadas e julgadas. Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.002381/200719 Acórdão n.º 2301004.321 S2C3T1 Fl. 5 7 Eis em apertada síntese o relato dos fatos. Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 8 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator Os presentes Recursos Voluntários foram aviados dentro do trintídio e acode os demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo analise dos argumentos expendidos para, ao final, julgamento deles. Antes, para averiguar a tempestividade, urge demonstrála: · DICOTONE e BETEX foram intimadas da decisão de piso em 17 de maio de 2007, sendo o prazo fatal para interposição do RV o dia 16 de junho do mesmo ano, que caiu num sábado, transferindo a data para o dia 18 de junho de 2007, sendo nesta data protocolizados os remédios recursivos; · BELA VISTA foi intimada da decisão de piso no dia 15 de maio de 2007 e no dia 14 de junho do mesmo ano protocolizou o presente remédio recursivo; · PEMAR e TEXFOR foram intimadas da decisão de piso no dia 16 de maio de 2007 e no dia 14 de junho do mesmo ano protocolizaram os respectivos remédios recursivos. DA FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO – CARACTERIZAÇÃO Diz a BETEX que é empresa que se dedica a tingir produtos têxteis e por este motivo realizou contrato de prestação de serviços com a empresa DICOTONE que atua com atividade de confecção. Mas, destaca, que são empresas completamente distinta uma da outra, não procedendo a alegação fiscal de dependência financeira e outros quejandos. A TEXFOR alega que é uma empresa independente e nega a existência de existência de Grupo Econômico, já que apenas mantém relação comercial com a empresa DICOTONE TÊXTIL LTDA, prestando a ela serviços de industrialização, conforme se pode verificar no contrato particular de prestação de serviço apresentado na defesa. A PEMAR MALHAS LTDA., também alega ter apenas relação comercial com a DICOTONE e não ter relação nenhuma com as demais envolvidas. A BELA VISTA INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA., diz não atuar no ramo de indústria têxtil, e que seu gerenciamento, controle financeiro e contábil são independentes, não havendo relação nenhuma nestas áreas com a DICOTONE. Diz ainda que suas obrigações tributárias estão dentro da legalidade e que decorrem tão somente na contraprestação dos seus serviços prestados à DICOTONE. E, finaliza, dizendo que sua diretoria é exercida por pessoas não ligadas a nenhuma das empresas envolvidas e que desconhece algumas pessoas citadas no Relatório Fiscal como dirigentes do Grupo Dicotone. A DICOTONE TÊXTIL LTDA., alega ser pessoa jurídica de direito privado, onde seu objeto social a estamparia e texturização em fios, tecidos e artigos têxteis, em especial tinturaria e beneficiamento de malhas para a produção de artigos do vestuário em geral. Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.002381/200719 Acórdão n.º 2301004.321 S2C3T1 Fl. 6 9 Alega que não foi encontrado pelo Auditor Fiscal qualquer falha de contribuição previdenciária, tanto dela como das pessoas jurídicas BETEX BENEFIAMENTOS TÊXTIL LTDA. EPP e TEXFOR TÊXTIL FORNACE LTDA. EPP. Segundo alega a DICOTONE, em não encontrando falha ou inadimplência na contribuição previdenciária o Fiscal resolveu desconsiderar as personalidades jurídicas das demais empresas e considerar os empregados delas com se seus fossem, baseado em falsas premissas. Ou seja, em outras palavras, todos os recursos aduzem de forma explicita e mesmo implícita a inexistência e a comprovação de ocorrência de fraude, dolo ou simulação nos atos praticados por elas, o que impediria a configuração de grupo econômico. Por outro lado a decisão de piso, acompanhando a Fiscalização, entende ter ocorrido fraude na contratação de segurados empregados por meio de pessoas jurídicas, com a finalidade de sonegar verbas ao FGTS, à Previdência Social e à Receita Federal. No âmbito das contribuições previdenciárias, anteriormente administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, na maioria dos casos inexistia o devido cuidado em caracterizar a conduta dolosa do contribuinte para efeito de comprovação dos crimes fiscais do dolo, fraude ou simulação. A fiscalização tão somente informava à notificada da existência de Representação Fiscal para Fins Penais, sem o devido aprofundamento na matéria. Isto porque, além de inexistir multa de ofício qualificada, àquela época, vigia o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual contemplava o prazo decadencial de 10 (dez) anos, independentemente de antecipação de pagamento e/ou ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Diante desses fatos, com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, associada com os novos procedimentos adotados pela RFB e a transferência de competência para julgamento das contribuições previdenciárias do CRPS para o CARF, passou a ser de extrema importância a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, para efeito de aplicação do prazo decadencial, do artigo 150, § 4, ou artigo 173, inciso I, do CTN. Na esteira desse raciocínio, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que atualmente regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 10 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o que segue: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada (in casu, exclusivamente do crime), que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou simulação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou simulatória, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.002381/200719 Acórdão n.º 2301004.321 S2C3T1 Fl. 7 11 Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) “ MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada.” (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Em decorrência da jurisprudência uníssona nesse sentido, o então 1º Conselho de Contribuintes consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: “ Súmula 1ºCC nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Assim, impende analisar os autos detidamente de maneira a elucidar se o fiscal autuante logrou comprovar que a contribuinte agiu com dolo com o intuito de fraudar ou simular a hipótese de incidência da obrigação tributária. Neste ponto, aliás, mister esclarecer que o simples fato de, anteriormente às alterações na legislação acima mencionadas, não se exigir tal comprovação não é capaz de sustentar a pretensão fiscal em defesa da existência de dolo, fraude ou simulação. Com efeito, cabe/caberia à autoridade lançadora demonstrar de forma pormenorizada suas razões no sentido de que a contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pela autuada. Pretender atribuir um crime ao contribuinte em sede de primeira ou segunda instância, sem que a própria autoridade lançadora tivesse imputado tal conduta à autuada, comprovando e fundamentando suas conclusões, objetivando oportunizar a ampla defesa e contraditório da empresa em relação a este tema, além de representar supressão de instância, fere de morte o princípio do devido processo legal. Estarseia imputando um crime ao contribuinte sem que o fiscal autuante o fizesse. In casu, o fato de constar do Relatório Fiscal da Autuação as razões que levaram à fiscalização a desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, caracterizando os respectivos sócios e/ou funcionários como segurados empregados da autuada não suprime o dever legal do fisco de justificar e comprovar o crime a ser imputado ao contribuinte. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 12 A Egrégia Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, adotando o mesmo entendimento encimado, já se manifestou a propósito da matéria em caso da mesma natureza, nos seguintes termos: “[...] NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SIMPLES DESCONSIDERAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO PESSOAS JURÍDICAS E CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. A simples procedência de notificação fiscal, estribada na desconsideração de personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, com a conseqüente caracterização de segurados empregados, sem que haja uma perfeita demonstração da conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos, não é capaz de comprovar a ocorrência de dolo, fraude ou simulação de maneira a deslocar o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, para o artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Ademais, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, o qual oferece guarida a aludido procedimento, exige tão somente a demonstração da existência dos requisitos do vínculo laboral para que seja procedente o lançamento, nada dissertando a respeito da simulação, que poderá ou não vir a ser demonstrada, não implicando, necessariamente, que um fato conduz a outro, sem que ocorra um aprofundamento em relação à imputação do crime fiscal.” (Acórdão n° 920201.127 – Processo n° 16095.000604/200769, Sessão de 19/10/2010) Não bastasse isso, no presente caso, o que torna ainda mais digno de realce é que a autoridade lançadora somente trouxe à colação os argumentos a propósito da suposta fraude, dolo ou simulação praticados pela contribuinte para tratar do próprio mérito da demanda. Partindo dessa premissa, o simples fato da pretensa procedência do lançamento em relação ao mérito, SE FOSSE O CASO, legitimando a desconsideração procedida pela autoridade lançadora, a partir da comprovação dos requisitos do vínculo laboral, não implica dizer necessariamente que a contribuinte cometeu o CRIME de simulação. Mesmo porque o dispositivo legal que contempla tal procedimento, qual seja, o artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência SocialRPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, exige exclusivamente a comprovação dos pressupostos da relação empregatícia, inscritos no artigo 12, inciso I, alínea “a” da Lei nº 8.212/91. Nada menciona sobre dolo, fraude ou simulação. Nesse sentido, a análise fática de casos dessa natureza impõe primeiramente e necessariamente a verificação da demonstração da existência de tais requisitos (do vínculo empregatício), o que não ocorre quanto à simulação, que poderá vir elucidada/comprovada ou não. Dessa forma, repitase, o fato de se considerar procedente o lançamento, se for o caso, estribado na desconsideração da personalidade jurídica e conseqüente caracterização de segurados empregados, não quer dizer necessariamente que há o crime de simulação, dolo ou fraude comprovados. Impõese, assim, um aprofundamento maior no tema por parte do fiscal autuante ao pretender imputar tais crimes ao contribuinte, de forma a comprovar, além dos pressupostos do vínculo laboral, a conduta criminosa da autuada. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.002381/200719 Acórdão n.º 2301004.321 S2C3T1 Fl. 8 13 No caso sob análise, vislumbramos a demonstração da ocorrência do CRIME de simulação, com a segurança que o caso exige, isto porque, parto da premissa maior de que, para configurar a existência de pessoa jurídica interposta, mister que pelo menos um dos elementos jurídicos trabalhistas estejam configurados, quais sejam: pessoalidade; onerosidade; nãoeventualidade e subordinação. Neste sentido diz a Fiscalização ter configurado todas elas, conforme transcrito no Relatório Fiscal: 1. PESSOALIDADE: a auditoria diz ter verificado que os empregados são admitidos por meio de um contrato de trabalho e, ainda que sejam formalmente vinculados à BETEX e TEXFOR, são de fato vinculados à DICOTONE. São contratos intuito personae, qual seja, os empregados não podem se fazer substituir nas funções desempenhadas (de costureira, tecelão, recepcionista, inspetor de qualidade, estilista, serviços gerais, tintureiro, etc),tendo de prestálas pessoalmente. 2. NÃOEVENTUALIDADE: A jornada de trabalho é diária, definida pelo Contratante, sendo controlada. O trabalho é prestado nas dependências da empresa contratante ou em local por ela determinado. É definido por turnos, com horários certos de entrada e saída. 3. SUBORDINAÇÃO: Os tópicos Gerenciamento de Recursos Humanos, Controle Financeiro do Grupo, Diretoria, Norberto Cremer e Contabilidade deste relatório demonstram claramente que as empresas BETEX e TEXFOR são dependentes administrativa e financeiramente da DICOTONE e, como conseqüência, todos os seus empregados estão subordinados a DICOTONE, ou seja, todos os envolvidos trabalham sob subordinação da DICOTONE, com o intuito de atingir as metas por ela determinadas. 4. ONEROSIDADE: Os empregados são remunerados mensalmente e constam em folha de pagamento, ainda que a formalização dos vínculos empregatícios aconteça por intermédio de outras pessoas jurídicas. Tenho, sobretudo que os requisitos mais importantes são a subordinação e a pessoalidade, mas, com base no Relatório Fiscal e nos documentos que integram o presente processo, passo analise de um a um. PESSOALIDADE. Como alhures dito, na legislação brasileira, existem quatro requisitos essenciais que identificam a existência do vínculo empregatício. O primeiro deles, e como dito, um dos mais importantes, embora não exista ordem de gradativa ou de existência é a pessoalidade, onde evidencia que somente a mesma pessoa, e de forma direta, pode prestar o serviço a uma pessoa física ou jurídica. Não caracteriza este requisito quando o serviço é prestado por pessoas diversas ou por via indireta. Por exemplo, quando um sócio substitui outro numa determinada tarefa ou serviço, ou ainda na situação em que alguém presta um serviço em nome de outro. No caso em tela, como exemplo de existência de pessoalidade podemos citar o funcionário Rafael Rolow que realizava o controle financeiro do Grupo Dicotone, eis que era Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 14 empregado investido no cargo de Supervisor Financeiro do Grupo DICOTONE, onde foi registrado na BETEX de 09/10/2000 a 25/10/2004, passando a ser sóciogerente da TEXFOR a partir de 16/11/2004, mas, ainda com a mudança no registro funcional de empregado da BETEX para sóciogerente da TEXFOR – continuou à frente do grupo, nesta função de responsável pelo controle financeiro, já que: 1) é o responsável pelo controle do fluxo de caixa, contas correntes e aplicações; 2) é o responsável pela elaboração de relatórios de contas a receber e a pagar, bem como pelo registro de documentos de movimentação diária. No anexo III do Relatório Fiscal foi anexado fotocópias de documentos da movimentação financeira do Grupo DICOTONE. Estes documentos comprovam a participação central de RAFAEL ROLOW na organização da vida financeira das empresas envolvidas, mormente as empresas BETEX e TEXFOR. Verificando o anexo, observamos que são emails e comunicações internas enviados pelo Setor de Recursos Humanos, ora assinados por EVALDINO EGER ora por ANDRÉA LITTLNG , com solicitações para as várias empresas do grupo, incluindo: pedidos de cheques para pagamento de rescisões da DICOTONE, BETEX e TEXFOR (inclusive mais de uma empresa na mesma comunicação interna), pedidos de compra de ValesTransporte, Adiantamentos de salários, entre outros pedidos inerentes ao cotidiano do setor. Consta ainda destes documentos acostados no anexo III do Relatório emails enviados por PAULO EDUARDO VIEIRA e KÁTIA ZIMERMMAN para RAFAEL ROLOW, sendo o primeiro registrado na TEXFOR como Programador de Produção desde 05/04/2000, assinando pela "DICOTONE TÊXTIL LTDA., com solicitações corriqueiras de dinheiro para fluxo de caixa da filial, também para pagamentos de diversos fornecedores, e a segunda registrada na TEXFOR, também com solicitações de depósitos para fornecedores. E, pondo uma pádecal há faxes e emails de fornecedores a RAFAEL ROLOW, creditando a ele o cargo de financeiro da DICOTONE TÊXTIL LTDA. Então, este cargo de financeiro era de RAFAEL TOLOW, que embora estivesse registrado ou compusesse o quatro societário de uma empresa, comandava o setor financeiro do grupo econômico, demonstrando a sua pessoalidade, eis que não era substituído por ninguém. Ainda, já que se está a mencionar a pessoalidade do empregado ou sócio RAFAEL ROLOW, mister se diga que analisando os seus documentos funcionais (contrato de trabalho, avisos e recibos de férias, aviso prévio, termo de rescisão do contrato de trabalho), todos assinados em nome da BETEX por EVALDINO EGER, que era registrado na PEMAR e DICOTONE, demonstrando uma confusão entre as pessoas jurídicas envolvidas. NÃOEVENTUALIDADE ou CONTINUIDADE ou HABITUALIDADE. Outro requisito é que haja continuidade. E neste, é importante enfatizar o posicionamento do Tribunal Superior do Trabalho, órgão máximo do Judiciário na seara trabalhista que compreende, em regra geral, que o trabalho por mais de 2(dois) dias por semana caracterizaria a continuidade empregatícia. No caso em tela, todos os documentos nos anexos II e III são assazes para configurar o serviço não eventual, mormente quando comprovado o contrato de trabalho, pagamento de férias, carta de advertência e outros mais. A SUBORDINAÇÃO ou CONTROLE, que é configurada quando os serviços são direcionados por aquele que recebe a prestação, sem a autonomia do prestador de serviços. Isto é, porque não considerado exatamente um trabalho autônomo, descamba para uma atividade vinculada à determinação, ordens e comando do patrão ou empregador, Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.002381/200719 Acórdão n.º 2301004.321 S2C3T1 Fl. 9 15 INCLUSIVE com controle de horário de trabalho. E isto foi demonstrado no anexo II, onde há vários contratos de trabalho com subordinação de horário a cumprir, avisos e recibos de férias, rescisões contratuais de trabalho, perfis profissiográfico previdenciário – PPP, GFIP’s; advertências disciplinares e outros quejandos. Quanto a ONEROSIDADE, que implica na contrapartida daquele que recebe os serviços prestados, retribuindo de forma financeira está copiosamente comprovada nos autos pelso documentos financeiros, mormente os estampados no anexo III, ou seja, quando comprovouse que os pagamentos dos funcionários das empresas eram realizados pela DICOTONE. Desta forma, tenho que houve o dolo por simulação ou fraude na contratação de pessoas jurídicas interpostas, onde todos os funcionários eram de fatos empregados da DICOTONE, pelos argumentos acima expendidos. DO IRREGULAR PROCEDIMENTO ADOTADO PELA FISCALIZAÇÃO Diz a Recorrente DICOTONE que não possui nenhum débito previdenciário correspondente a contribuições incidentes sobre a folha de salários, mas que teve contra si o lançamento de contribuições previdenciárias supostamente devidas sobre remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais constantes da folha de pagamento das empresas, TEXFOR e BETEX, sob o fundamento de que estes segurados estão vinculados à Recorrente. Diz ocorrer o erro porque, além da desconsideração da personalidade jurídica destas a Fiscalização desconsiderou o fato de que ambas as empresas mencionadas acima são pessoas jurídicas distintas, optantes pelo SIMPLES e, portanto, que já recolheram suas contribuições devidas ao INSS de forma unificada, nos termos da Lei 9.317/96 e, lançou estas mesmas contribuições a cargo da Recorrente. Desta forma entende a Recorrente que o procedimento foi irregular, vez que, cerceou o direito de defesa da Recorrente, bem como, feriu o princípio contábil da entidade. Pelas mesmas razões supramencionadas, comprovado a existência de simulação, fraude ou dolo, com intuito de lesar a Previdência Social, possível é a desconsideração da personalidade jurídica das interposta, responsabilizando a empresa gestora do grupo econômico formado. DECADÊNCIA A Recorrente insurgese contra a decisão de piso, alegando a decadência parcial, com aplicação do artigo 173, I do CTN, da presente NFLD. É necessário uma análise sob a égide do Regimento Interno do CARF que estabelece procedimento para a edição de súmulas e sua aplicação, visando a uniformização, clareza e segurança jurídica dos contribuintes, devem submeterse às suas inteligências, conforme reza o capítulo das súmulas do RICARF, ‘in verbis’: CAPÍTULO V DAS SÚMULAS Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 16 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Quanto a decadência, urge trazer à baila que havendo pagamento antecipado por conta de recolhimento, ainda que parcial, como é o caso em tela, há o julgador de submeterse a Súmula 99, transcrita a seguir: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Desta forma decadente estaria o período anterior a janeiro de 2002, eis que houve pagamento antecipado, ainda que parcial, do valor considerado como devido pela Recorrente, com aplicação do artigo 150, § 4° do CTN, determinado pelo Súmula CARF 99. Os pagamentos encontramse no anexo II do Relatório Fiscal e se referem a GFIP das empresas BETEX e TEXFOR que compõem o GRUPO ECONÔMICO DA DICOTONE. Entretanto, considerando a existência de fraude, simulação e dolo, conforme demonstrado alhures, não há de se aplicar a referida Súmula. Assim, encontrase abarcado pela decadência o período apurado até novembro de 2001, anterior a dezembro de 2001, com aplicação do Artigo 173, I do CTN. Com razão a Recorrente. ILEGALIDADES E INCONSTITUCIONALIDADES Esta Corte administrativa, como todas as demais, inclusive judicial, exceto o Supremo Tribunal Federal, não têm competência para distribuir, analisar e julgar processos e ou matérias que tratam de inconstitucionalidade de lei. Devese ater o Recorrente ao entendimento anotado no Parecer CJ 771/97 que: “O guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. De forma que, ainda que seja uma vírgula mal distribuída num parágrafo da lei anatematizada pelo Recorrente, o caminho a postular inconstitucionalidade e perquirir direitos é o Pretório Excelsior, e não esta via. Mais ainda, há de destacar que a atividade administrativa encontrase com vinculo ao que determina a lei, como dito por muitos, ‘as ações do gestor público é escravizada pela lei’. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.002381/200719 Acórdão n.º 2301004.321 S2C3T1 Fl. 10 17 Neste sentido, peço vênia para juntar escólio do perleúdo jurista Alexandre de Moraes (curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: O tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” E, de mais a mais, observase que o o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, veda aos Conselheiros de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. E pondo uma pádecal, necessário trazer à baila a Súmula 02 do CARF, que na clareza, cessa sua interpretação, como dizem os latinos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, não há como entrar na discussão pretendida pela Recorrente, porque esta Casa não tem competência para discutir ilegalidade e muito menos inconstitucionalidade. Sem razão a Recorrente. DOS PAGAMENTOS EFETUADOS PELAS EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES Diz a Recorrente que há de se abater dos créditos tributários ora exigidos, os valores efetivamente recolhidos pelas empresas TEXFOR e BETEX, a título de SIMPLES, e destinados ao INSS, para que não se configure a dupla incidência e o enriquecimento sem causa da Autarquia Federal. De fato diz a Fiscalização que recolhimentos do SIMPLES foram efetuados pelas empresas TEXFOR e BETEX, mas o presente requerimento é indevido, uma vez que o procedimento de compensação e ou restituição é normatizado pela IN 900/2008. A via escolhida pela Recorrente é equivocada, eis que a Instrução Normativa nº 900, DOU de 21/12/2008, ao disciplinar a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributo administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, no seu art. 34, § 3º, inciso XV, estabelece que não poderão ser objeto de compensação os tributos apurados na forma do Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 18 Os artigo 2° e 3º da mesma Instrução Normativa, que trata do instituto da restituição, fica sujeita à instrumentalização, rito próprio e à apreciação cabível pela área tributária. ‘In verbis’: “... Art. 2º Poderão ser restituídas pela RFB as quantias recolhidas a título de tributo sob sua administração, bem como outras receitas da União arrecadadas mediante Darf ou GPS, nas seguintes hipóteses: I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. § 1º Também poderão ser restituídas pela RFB, nas hipóteses mencionadas nos incisos I a III, as quantias recolhidas a título de multa e de juros moratórios previstos nas leis instituidoras de obrigações tributárias principais ou acessórias relativas aos tributos administrados pela RFB. § 2º A RFB promoverá a restituição de receitas arrecadadas mediante Darf e GPS que não estejam sob sua administração, desde que o direito creditório tenha sido previamente reconhecido pelo órgão ou entidade responsável pela administração da receita. § 3º Compete à RFB efetuar a restituição dos valores recolhidos para outras entidades ou fundos, exceto nos casos de arrecadação direta, realizada mediante convênio. Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF). § 1º A restituição de que trata o inciso I do caput será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). § 2º Na impossibilidade de utilização do programa PER/DCOMP, o requerimento será formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição ou Ressarcimento, constante do Anexo I, ou mediante o formulário Pedido de Restituição de Valores Indevidos Relativos a Contribuição Previdenciária, constante do Anexo II, conforme o caso, aos quais deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.224, de 23 de dezembro de 2011 ) Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.002381/200719 Acórdão n.º 2301004.321 S2C3T1 Fl. 11 19 § 3º Na hipótese de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo, o requerente deverá apresentar à RFB procuração conferida por instrumento público ou por instrumento particular com firma reconhecida, termo de tutela ou curatela ou, quando for o caso, alvará ou decisão judicial que o autorize a requerer a quantia. § 4º Tratandose de pedido de restituição formulado por representante do sujeito passivo mediante utilização do programa PER/DCOMP, os documentos a que se refere o § 3º serão apresentados à RFB após intimação da autoridade competente para decidir sobre o pedido. § 5º A restituição do imposto de renda apurada na DIRPF reger seá pelos atos normativos da RFB que tratam especificamente da matéria, ressalvado o disposto nos arts. 10, 13 e 14. § 6º O contribuinte que, embora desobrigado da entrega da DIRPF, desejar obter a restituição do imposto de renda retido na fonte no anocalendário, relativo a rendimento sujeito ao ajuste anual, deverá pleitear a restituição mediante a apresentação da DIRPF. § 7º Ocorrendo óbito da pessoa física, inclusive da pessoa física equiparada a empresa, a restituição será efetuada: I aos dependentes habilitados perante a Previdência Social ou na forma da legislação específica dos servidores civis e militares, nos termos da Lei nº 6.858, de 24 de novembro de 1980; ou II mediante alvará ou escritura pública expedidos no processo de inventário, se o de cujus deixou bens ou direitos sujeitos a inventário ou arrolamento. § 8º No caso de sucessão empresarial, terá legitimidade para pleitear a restituição a empresa sucessora. § 9º Havendo encerramento das atividades, terão legitimidade para pleitear a restituição os sócios que detêm o direito ao crédito, conforme determinado no ato de dissolução. § 10. Os pedidos de restituição das pessoas jurídicas deverão ser formalizados pelo estabelecimento matriz. § 11. A restituição das contribuições previdenciárias declaradas incorretamente fica condicionada à retificação da declaração, exceto quando o requerente for segurado ou terceiro não responsável por essa declaração. § 12. O pedido de restituição de tributos administrados pela RFB, abrangidos pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, deverá ser formalizado por meio do formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 20 ...” Portanto, ainda que venha ter direito e capacidade para requerer a compensação e ou devolução dos recolhimentos do SIMPLES, deverá eleger outra seara. DA INDEVIDA INCLUSÃO DA ADMINISTRADORA DE BENS BELA VISTA INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES NO GRUPO ECONÔMICO Alega que, embora não tenham sido imputados eventuais débitos previdenciários relativos à empresa BELA VISTA INVESTIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, ela foi caracterizada como empresa integrante do "grupo econômico DICOTONE. Mas, não procede porque a empresa BELA VISTA é uma administradora de bens, que mantém contratos de locação com a Recorrente. E, por conta das locações contratadas entre as empresas DICOTONE e BELA VISTA, a DICOTONE paga mensalmente um crédito em favor da empresa Bela Vista. Por sua vez a BELA VISTA alega em sua peça recursiva que tem objeto social diferente das demais empresas e que inexiste identidade entre os sócios. Por outro lado, prossegue a BELA VISTA em seu recurso, justifica que a coincidência nos endereços se deve ao fato de que por um período utilizou como sede uma sala no imóvel locado a empresa DICOTONE e que não é dependente financeira da empresa DICOTONE e que os pagamentos mencionados no Relatório Fiscal consistem de acertos de contas decorrentes de créditos que possui por conta de contratos de aluguel. Da mesma forma que o recurso da DICOTONE alega que o pagamento de aluguel e feito através da quitação de suas contas por conveniência de ambas as empresas. E, finaliza dizendo que os fundamentos legais apontados pela fiscalização não lhe são aplicáveis e não possui interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, conforme determina o art. 124 do CTN, e o artigo 30 da Lei n° 8.212/91 tratam da solidariedade no caso de haver grupo econômico, mas não servem de fundamento para sua caracterização. Os mencionados dispositivos rezam: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5 de Janeiro de 1993). ..... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 13971.002381/200719 Acórdão n.º 2301004.321 S2C3T1 Fl. 12 21 Cotejando as peças dos autos vislumbro razão para a Recorrente BELA VISTA encontrarse relacionada as empresas que formam o GRUPO ECONÔMICO DICOTONE, mesmo que de fato ela tenha objeto social diferenciado, não tem seus funcionários envolvidos no vinculo empregatício de nenhuma outra empresa e não consta prova de que tenha sido gerida por diretor ou empregado das outras empresa, mas, a contabilização dos pagamentos pertinentes às atividades normais da empresa é realizada da mesma forma que nas demais empresas do grupo, inclusive com dependência financeira. Tenho que outra forma de se desconsiderar a personalidade jurídica é determinado pelo direito privado, onde a legislação civil autoriza com a confusão patrimonial e dependência financeira. E, nesta seara, o fato de haver contabilidade interligada demonstra a dependência financeira. Em outra palavras, a DICOTONE, apesar de alegar que pagava locação, lançava, estranhamente, na contabilidade como pagamento a fornecedores e a BELA VISTA lançava em sua contabilidade como ‘outros créditos’, configurando envolvimento no grupo econômico DICOTONE. Não olvidemos que houve emissão de cheque da DICOTONE, em 03/05/2004, para pagamento das Guias da Previdência Social GPS da empresa BELA VISTA que implica em dependência financeira. CONCLUSÃO Os Recursos Voluntários aviados acodem os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço, para DARLHES PARCIAL PROVIMENTO, excluindo do lançamento os valores do crédito previdenciário anteriores a novembro de 2001, anterior a dezembro de 2001, com aplicação do artigo 173, I do CTN. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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