Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10830.903074/2008-46
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/05/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/05/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/05/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admite-se a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/05/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comprová-lo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10830.903074/2008-46
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854458
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.022
nome_arquivo_s : Decisao_10830903074200846.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 10830903074200846_5854458.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
dt_sessao_tdt : Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7234121
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009471025152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1838; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 457 1 456 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.903074/200846 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.022 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 13 de março de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente PETROVIARIO TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO PROBATÓRIO. MOMENTO PARA A APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O sujeito passivo deve trazer aos autos todos os documentos aptos a provar suas alegações, em regra, no momento da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Admitese a apresentação de provas em outro momento processual, além das hipóteses legalmente previstas, quando estas reforcem o valor probatório das provas já oportunamente apresentadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do Despacho Decisório não é condição para a homologação das compensações. Contudo, a referida declaração não tem o condão de, por si só, comproválo. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado através de documentos contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 30 74 /2 00 8- 46 Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10830.903074/200846 Acórdão n.º 3002000.022 S3C0T2 Fl. 458 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 14/19), transmitido em 30/07/2004, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 119), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão em 20/08/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 2/4), na qual informou que, primeiramente, no anocalendário de 2003, havia recolhido a contribuição para o PIS/Pasep pelo regime cumulativo, contudo, posteriormente, no início de 2004, fez uma revisão interna e optou por adotar o regime da não cumulatividade, inclusive, em relação ao ano anterior. Essa mudança de critério, segundo ela, teria gerado pagamentos a maior, os quais foram objeto de pedidos de compensação com outros tributos. Informou, ainda, que deixou de retificar suas declarações em época própria: Dacon, DIPJ e DCTF, apresentadoas juntamente com sua manifestação. A DRJ/CPS converteu o julgamento em diligência (fl. 125/126) para que a autoridade fiscal cumprisse os seguintes quesitos: "a) verifique, com exame da documentação contábilfiscal da contribuinte, a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade apurados pela interessada. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10830.903074/200846 Acórdão n.º 3002000.022 S3C0T2 Fl. 459 3 b) examine a apuração da contribuição na sistemática não cumulativa, incluindo o eventual aproveitamento futuro dos créditos apurados em 2003; c) elabore relatório circunstanciado destacando a contribuição efetivamente devida." Assim, em 24/11/2011, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/Campinas intimou o sujeito passivo (fl 128/129) a apresentar, no prazo de 20 dias, a seguinte documentação: "Apresentar documentação contábilfiscal que comprove a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade listados na tabela acima e utilizados no DACON; Apresentar fotocópia do livro Razão relativamente à conta “PIS a pagar”, Código de Arrecadação 6912, Período de Apuração Abril de 2003." Após essa data, ocorreram pedidos de dilação de prazo e reintimações. A seqüência fática encontrase bem evidenciada na Informação Fiscal (fl. 301/302) e, por isso, transcrevese excerto: "Em 24/11/2011, através da INTIMAÇÃO SEORT/DRF CPS/1667/2011 a interessada foi chamada a apresentar documentação contábilfiscal que comprovasse a efetividade e a regularidade dos créditos da não cumulatividade listados na tabela e utilizados no DACON, bem como fotocópia do livro Razão relativamente à conta “PIS a pagar”, Código de Arrecadação 6912, Período de Apuração Fevereiro de 2003 Em 14/12/2011 a interessada protocolou pedido solicitando mais 20 dias para atendimento à intimação SEORT/DRF CPS/1667/2011. A interessada teve ciência do deferimento de seu pedido em 29/12/2011. Entretanto, em 25/01/2012, através do protocolo do dossiê eletrônico nº 10010.008343/011254 (documentos juntados às folhas 154/286), a interessada apresentou documento alegando já ter prestado os esclarecimentos solicitados, anexou cópia das manifestações de inconformidade já apresentadas e pediu ainda o cancelamento da intimação. Através da intimação SEORT/DRFCPS/232/2012 este SEORT esclareceu à interessada que os documentos estavam sendo requeridos a pedido da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas e que estes eram necessários para Fl. 459DF CARF MF Processo nº 10830.903074/200846 Acórdão n.º 3002000.022 S3C0T2 Fl. 460 4 análise do crédito em discussão. Assim, em 09/04/2012, a interessada novamente solicitou mais 20 dias para a apresentação dos documentos. Concedido prazo de 20 dias contados da ciência da intimação SEORT/DRFCPS/ 502/2012 (ciência em 26/06/2012) a interessada não se manifestou até 15/08/2012. Por todo o exposto, considerando as diversas tentativas improfícuas deste SEORT em receber os documentos necessários ao cálculo do crédito de PIS do período de apuração Abr/2003, informamos que não foi possível preceder à análise/cálculo do crédito em questão." (grifo nosso) Após ser cientificada da Informação Fiscal, a contribuinte apresentou Complementação à Manifestação de Inconformidade e outros documentos. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a DRJ/CPS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 412/417), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e juntando os seguintes documentos: a) cópia do livro de registro de entrada nº 2; b) cópia do livro de registro de entradas nº 5; c) nova planilha de apuração de demonstrativo de base de cálculo do PIS não cumulativo e d) planilha das diferenças dos valores a compensar e a recolher. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10830.903074/200846 Acórdão n.º 3002000.022 S3C0T2 Fl. 461 5 É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10830.903074/200846 Acórdão n.º 3002000.022 S3C0T2 Fl. 462 6 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Desta forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Outro ponto nodal sobre a mesma matéria referese ao momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10830.903074/200846 Acórdão n.º 3002000.022 S3C0T2 Fl. 463 7 Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Como consignei acima, não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não Fl. 463DF CARF MF Processo nº 10830.903074/200846 Acórdão n.º 3002000.022 S3C0T2 Fl. 464 8 afastaria a discricionariedade do julgador perquirir sobre outros elementos, visando firmar sua convicção. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Assim, registros contábeis, que não estejam revestidos das formalidades legais ou que não se possa confirmar tais requisitos, não se constituem prova. Essas considerações são de crucial importância para avaliação da caracterização de determinada prova como reforço da anteriormente apresentada e, conseqüentemente, da possibilidade de sua aceitação. Mormente, a análise das especificidades de cada caso concreto é o que deve pautar o julgador nesse desiderato, não obstante, sem se afastar do norte lógicojurídico que deve alicerçar sua decisão. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito, juntar planilha e cópia de declarações retificadoras, DCTF, DIPJ e Dacon, em sua Manifestação de Inconformidade. Ressaltese, por fundamental, que todas as declarações apresentadas foram transmitidas após a ciência do Despacho Decisório. Em seu texto, a própria recorrente reconhece sua falha: "A mudança de critério foi feita corretamente, todavia, incorreu o contribuinte no erro de deixar de retificar os documentos informativos de tais alterações referentes ao exercício de 2003, como por exemplo: DCTF, Dacom e DIPJ." Assim, seguindo o raciocínio lógicojurídico exposto anteriormente, o sujeito passivo não se desincumbiu do seu ônus de comprovar a liquidez e a certeza do suposto crédito pleiteado, pois o material apresentado não se constitui em um conjunto probatório, mas, são, apenas, meros documentos. A despeito disso, a DRJCampinas resolveu, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência e, na prática, oportunizar à contribuinte nova chance para apresentar as provas da liquidez e certeza do crédito pleiteado. Data venia, creio que essa medida não era necessária, obrigatória, nem mesmo conveniente, tendo em vista que nenhuma prova havia sido juntada aos autos no momento oportuno. De qualquer forma, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal em Campinas, em atendimento à diligência requisitada, intimou, por diversas vezes, a contribuinte a apresentar sua escrituração contábil e os documentos fiscais que a embasavam. Todavia, a maior interessada não cumpriu as intimações e, conseqüentemente, inviabilizou a auditoria que poderia comprovar a existência do suposto crédito. Em realidade, somente após tomar ciência da Informação Fiscal, que noticiava o término da diligência, a contribuinte apresentou peça denominada "complementação à Manifestação de Inconformidade", repisando alegações já formuladas e sem adentrar no teor das informações prestadas pelo SEORT, e juntando documentos já Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10830.903074/200846 Acórdão n.º 3002000.022 S3C0T2 Fl. 465 9 apresentados e outros novos. Contudo, mais uma vez, esses documentos não se configuravam como prova. Do voto condutor do Acórdão guerreado, transcrevese: "A falha da contribuinte em atender às seguidas intimações para submeter aqueles elementos à verificação fiscal fragiliza, ao ponto de inviabilizar, os argumentos que apresentou para contestar o ato de não homologação. Mesmo a apresentação do que seria seu Razão Analítico Contábil, no contexto em que o foi, ou seja, após ter sido reiteradamente intimado a fazêlo no âmbito da diligência, não tem o poder de socorrêlo. Concorre para comprometer seu valor probatório o fato de que o documento não apresenta os requisitos intrínsecos e extrínsecos que permitam aferir sua regularidade e, mais importante, está desacompanhado dos documentos contábeis e fiscais que permitiriam a aferição da correção dos valores e operações que dele constam. Diante de tudo isso, concluise pela inexistência de prova, nos autos, que permita acatar a nova apuração da contribuição realizada pela contribuinte e, por conseguinte, os créditos utilizados na compensação e que nela teriam origem." (grifo nosso) Após ciência da decisão da instância a quo, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário e juntou novos documentos aos autos. Por oportuno, frisese que documentos fiscais continuaram a não ser anexados. Embasado em todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório, desenvolvido ao longo do presente voto, e nas circunstâncias do caso concreto, entendo não ser possível a aceitação de provas apresentadas somente em sede de Voluntário, tendo em vista que estas só poderiam ser validamente consideradas, caso reforçassem um conjunto probatório já presente nos autos. Fato que, como largamente demonstrado, não ocorre neste processo. Dessa forma, tal direito encontrase fulminado pela preclusão, conforme o disposto no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235. Assim sendo, não tomo conhecimento dos novos documentos apresentados. Quanto ao suposto crédito, a recorrente não se desincumbiu do ônus de proválo, seja por seus erros anteriores ao Despacho Decisório, seja pela sua inércia em atender às diversas intimações, seja pela ausência da apresentação de provas válidas da sua liquidez e certeza. Desse modo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 10830.903074/200846 Acórdão n.º 3002000.022 S3C0T2 Fl. 466 10 (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 466DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.721015/2016-30
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10140.721015/2016-30
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5856120
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.059
nome_arquivo_s : Decisao_10140721015201630.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDA MELO LEAL
nome_arquivo_pdf_s : 10140721015201630_5856120.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
id : 7244969
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009479413760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1466; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.721015/201630 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.059 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 31 de outubro de 2017 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente ADIR DE SOUZA GUIMARÃES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 10 15 /2 01 6- 30 Fl. 105DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2013, anocalendário de 2012, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 6.280,00 e exigido um crédito tributário de R$ 3.589,22, calculado ate maio de 2016 (fl.55). s Na impugnação apresentada, fls.04, o Impugnante alega, em síntese, que os pagamentos efetuados para a profissional Vanessa Silva Queiroz, foram realizados em espécie, tendo sido apresentado todos os recibos, com firma reconhecida, bem como declaração assinada pela referida profissional ratificando os atendimentos de fisioterapia para tratamento de lombalgia. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação, mantendose as glosas apontadas pelo Fisco. Cientificado da decisão de primeira instância em 18/10/2016 (fl. 50), o interessado interpôs, em 02/11/2016, o recurso de fls. 51/52. Nas razões recursais aduz basicamente os mesmos fundamentos expostos na impugnação, e , ademais, apresenta toda a sua movimentação bancária de 2013 e extratos de sua conta corrente no Banco do Brasil, devidamente detalhada. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10140.721015/201630 Acórdão n.º 2001000.059 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos originais dos pagamentos relativos ao tratamento de fisioterapia, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF de quem os recebeu, além de declaração do próprio prestador de serviço, ratificando a existência dos fatos. A decisão de primeira instancia simplesmente argumentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Depreendese dos dispositivos transcritos que o direito à dedução das despesas médicas na declaração de ajuste, está sempre limitado a pagamentos especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e número de CPF ou CNPJ de quem os recebe e com a informação do tratamento e do paciente, ou seja, incumbe ao contribuinte o ônus de provar o preenchimento do suporte fático que autoriza a dedução, mediante a apresentação de documentos idôneos, a fim de comprovar a efetiva prestação do serviço, bem como o efetivo pagamento das despesas incorridas por tratamento próprio ou de seus dependentes, cabendo esclarecer que a dedutibilidade das despesas da base de cálculo do imposto de renda está vinculada aos dispositivos legais e normativos que tratam da matéria, aplicados de forma objetiva. A inversão legal do ônus da prova, do Fisco para o contribuinte, transfere para este a obrigação de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, sofre as consequências legais, ou seja, o não cabimento das deduções por falta de comprovação e justificação. Importa dizer, que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato Fl. 107DF CARF MF 4 questionado. Vale lembrar, outrossim, que o princípio do ônus da prova é inerente a todo ordenamento jurídico, sendo que deve ser obedecido também na esfera administrativa. Assim, incumbe ao Impugnante apresentar tempestivamente, ou seja, junto com a impugnação, as provas em direito admitidas, conforme determina o art. 16, inciso III, do Decreto 70.235, de 1972. De forma que, apenas podem ser admitidas as deduções questionadas pela Fiscalização que o contribuinte logre comprovar por meio de documentos hábeis, cabendo ao Fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4º, do DecretoLei nº 5.844, de 1943. Nesse contexto, passase à análise concreta da glosa impugnada pelo Contribuinte. Às folhas 06/09, o contribuinte anexou aos autos uma declaração emitida por Vanessa Queiroz, na qual a mesma declara que realizou 7 (sete) sessões de fisioterapia no contribuinte, cobrando a quantia de R$ 6.800,00 por esses serviços. Ainda, foram anexados aos autos 7 (sete) recibos no valor de R$ 950,00. Pois bem, em que pese o contribuinte ter anexado declaração da prestadora do serviço e respectivos recibos de pagamento, o motivo da glosa foi a não comprovação do pagamento. Considerando o valor de cada consulta, mesmo o contribuinte tendo pago em espécie, não é difícil comprovar as retiradas de recursos de suas contas bancárias “[...] A exigência, pela autoridade fiscal, de comprovação de pagamento dos serviços contratados pelo Recorrente, através de a apresentação de cópias dos cheques, ordens de pagamento, transferências bancárias, saques e extratos bancários que registrem tais operações, coincidentes em datas e valores com as prestações de serviços, NÃO me parece ser coerente diante do fato concreto, tendo em vista, principalmente, a falta de intimação prévia do Contribuinte para tal, e a falta de demonstração e fundamentação, pela autoridade lançadora, de que necessitava de tal comprovação de pagamento seu convencimento. Ou seja, a autoridade lançadora não justificou que houve alguma dedução exagerada, e precisava de mais respaldo para formar o seu convencimento. Nesta senda, vejamos o que dispõe o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999 : Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). No caso concreto, não houve fundamentação suficiente pela autoridade lançadora que justifique a exigência da comprovação do pagamento, muito menos demonstração de dedução exagerada. Vale mencionar, ademais, que o Recorrente, na momento da apresentação do seu Recurso Voluntário, contribuiu para a busca da verdade material, no caso concreto, pois apresentou, de boa fé, todos os seus extratos bancários e movimentação bancária relativa ao ano de 2013. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10140.721015/201630 Acórdão n.º 2001000.059 S2C0T1 Fl. 4 5 Por fim, ratifico a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Por isso mesmo, mais uma vez, entendo pela desconsideração do crédito lançado, o qual não restou claramente respaldado e fundamentado pela autoridade lançadora. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.913313/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 29/02/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.007
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 29/02/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13839.913313/2011-80
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5853791
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.007
nome_arquivo_s : Decisao_13839913313201180.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 13839913313201180_5853791.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7220108
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009483608064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1523; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.913313/201180 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.007 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria PIS/PASEP Recorrente TAKATA BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 29/02/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 33 13 /2 01 1- 80 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.913313/201180 Acórdão n.º 3402005.007 S3C4T2 Fl. 0 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos da Contribuição para 61 PIS. De acordo com o Despacho Decisório denegatório do direito inicialmente pleiteado, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que em um trabalho de revisão de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e Cofins, constatouse que no período de dezembro de 2002 a março de 2004, foram aplicadas alíquotas vigentes à época, em desacordo com a Lei 10.485/02, art. 3º, § 2º, inciso I; que foi feito levantamento dos produtos constantes dos anexos I e II que foram indevidamente tributados e chegouse ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação; que diante deste fato transmitiu em 14/11/2005, Pedido de Restituição, informando que em 30/09/2003, arrecadou indevidamente, a título de PIS/PASEP, por meio de darf no valor de R$19.398,03, a importância de 1.626,87; que transmitiu a Declaração de Compensação remetendo ao pedido de restituição e que o utilizaria para compensar débito de mesmo valor com vencimento. que por um lapso a DCTF do período não foi retificada, no entanto na DIPJ do período está declarada corretamente. Passa a discorrer sobre o direito creditório embasandoo em fundamentos jurídicos citando inclusive posicionamentos jurisprudenciais, para ao final requerer a homologação da compensação e que seja declarado sem efeito o despacho decisório. Sobreveio então o Acórdão 02058.295, da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Ademais, alega que o Acórdão da DRJ padeceria de nulidade, devido à falta de apreciação de questões e provas relevantes para o deslinde da controvérsia. É o relatório. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.913313/201180 Acórdão n.º 3402005.007 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402004.996, de 21 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 13839.913300/201119, paradigma ao qual o presente processo vinculase. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402004.996: "Como se depreende do relato acima, ao se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, a Recorrente brada pela existência de indébitos decorrentes de pagamento indevido da Contribuição ao PIS. Aduz ter realizado um trabalho de revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, constando que recolheu indevidamente as contribuições pois, com fundamento na Lei n. 10.485/02, artigo 3º, §2º, inciso I, a alíquota sobre os produtos constantes nos Anexos I e II deveria seria, mas tributouos à alíquota vigente à época, sendo assim levantou os produtos constantes dos referidos Anexos e que foram indevidamente tributados chegando ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação referidos. Para corroborar suas alegações, a Recorrente apresenta, cópia da PER/DCOMP , Recibo de Entrega do Pedido de Restituição, da DCTF do período de apuração (fls 44), DACON (fls 46), DARF (fls 50), folhas do Razão Geral (fls 51), de antes e depois da revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, bem como Demonstrativo elaborado com a pretensão de demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior (fls 53). Outrossim, a própria Recorrente assume que, por uma lapso, deixou de efetuar a retificação da DCTF, muito embora tenha devidamente retificado a DIPJ, o DACON, tudo com registro em seu livro razão. Quando constatou seu erro, justamente pela não homologação das compensações, o prazo para a retificação já estava expirado. Pois bem, muito embora o DACON e a DIPJ sejam de fato simples declarações, incapazes de, sozinhas, salvaguardar o crédito pleiteado pela Recorrente sempre no intuito de demonstrar o erro em sua DCTF, que, como se sabe, tem efeito de confissão de dívida o livro razão é justamente um dos documentos fiscais/contábeis aptos para tanto, sendo presumidas verdadeiras as informações ali constantes, conforme os artigos Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.913313/201180 Acórdão n.º 3402005.007 S3C4T2 Fl. 0 4 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC) e o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). Ocorre que, nos presente caso, a Recorrente apresentou unicamente duas folhas soltas do seu livro razão (fls 51 e 52). Ou seja, não é possível aferir a validade do documento, uma vez que o Decretolei 468/69, em seu artigo 5, §2º determina que "os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio." (...)1 Lembremos que Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de 1 Transcreveuse apenas o entendimento que prevaleceu no paradigma. Os fragmentos sobre a conversão em diligência, em que a relatora restou vencida, foram aqui omitidos, por irrelevantes, mas podem ser consultados em sua íntegra no acórdão paradigma. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.913313/201180 Acórdão n.º 3402005.007 S3C4T2 Fl. 0 5 débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 2 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos. Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir totalmente do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DIPJ, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com 2 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.913313/201180 Acórdão n.º 3402005.007 S3C4T2 Fl. 0 6 observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente que comprovasse o crédito alegado, já que as folhas soltas do livro razão carecem de legitimidade para tanto. Outrossim, a mera apresentação do demonstrativo interno da sociedade não é suficiente para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontra desacompanhado de documentos que lhe dê suporte jurídico. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Foi justamente nesse sentido de decidiu o Acórdão recorrido, bem apreciando todas as provas trazidas aos autos, cotejandoas com o direito Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13839.913313/201180 Acórdão n.º 3402005.007 S3C4T2 Fl. 0 7 pleiteado pela Recorrente, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da decisão a quo, como aventado na peça recursal. Afinal, ressaltese, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.913313/201180 Acórdão n.º 3402005.007 S3C4T2 Fl. 0 8 para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.913313/201180 Acórdão n.º 3402005.007 S3C4T2 Fl. 0 9 confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo plenamente comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Tendo em vista que essa turma de julgamento decidiu questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a diligência proposta por esta Relatora, não resta o que fazer nesse processo se não manter a não homologação das compensações pretendidas, pois não foram comprovados os créditos para fazer frente aos débitos nelas apontados. Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.900248/2009-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO
À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
Numero da decisão: 1401-002.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: Abel Nunes de Oliveira Neto
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão serviços hospitalares para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10835.900248/2009-50
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5849517
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-002.216
nome_arquivo_s : Decisao_10835900248200950.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Abel Nunes de Oliveira Neto
nome_arquivo_pdf_s : 10835900248200950_5849517.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7193148
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:14:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009487802368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1831; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10835.900248/200950 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401002.216 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2018 Matéria PER/DCOMP PAGAMENTO A MAIOR Recorrente INSTITUTO DE RADIOLOGIA DE PRESIDENTE PRUDENTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Ausente momentaneamente a Conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 02 48 /2 00 9- 50 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10835.900248/200950 Acórdão n.º 1401002.216 S1C4T1 Fl. 0 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ/CSLL. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiamse no entendimento que, sendo empresa prestadora de serviços de radiologia, estes seriam equivalentes aos serviços hospitalares prestados e, assim, ao invés de estar sujeito às alíquotas de lucro presumido no percentual de 32%, estaria submetida às alíquotas de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL. A compensação não foi homologada pela Delegacia de Origem com base na alegação constante no Despacho Decisório. Ou seja, os serviços prestados pela recorrente não seriam caracterizados como serviços hospitalares em função de a empresa não possuir estrutura permanente e de funcionamento ininterrupto para atendimento de casos de internação de pacientes para tratamento de saúde. Assim, os serviços por ela prestados não poderiam se submeter aos percentuais estabelecidos para os serviços hospitalares. Inconformada com a nãohomologação das compensações a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual argumenta que realizou consulta à SRRF, formulada sob o nº 10835.001313/200610, com vistas a esclarecer o seu enquadramento como prestadora de serviços hospitalares e argumentou que realizou a retificação de suas DIPJ, DCTF para que pudesse usufruir dos créditos. A delegacia de julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade emitindo a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Ou seja, a Delegacia de Julgamento entendeu que os créditos da empresa não estariam devidamente comprovados com a documentação apresentada pela recorrente. Inconformada com a decisão a empresa apresentou recurso voluntário no qual apresenta as seguintes alegações: Da apresentação de novos documentos. Alega que a decisão recorrida considerou que não foi comprovado que os serviços prestados referiamse apenas a serviços de Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10835.900248/200950 Acórdão n.º 1401002.216 S1C4T1 Fl. 0 3 radiologia e radiodiagnóstico inseridos em seu objeto social. Mas que a documentação apresentada comprovaria o exercício destas atividades e, ainda, apresenta cópia do razão e declaração do contador da empresa, pelo que suscita que seja aceita a referida documentação como suficiente para caracterização dos serviços da empresa; Da realização de diligência. Entende que tendo em vista a apresentação dos novos documentos e que essa apresentação é possível em sede de recurso voluntário, haja vista que essa alegação somente foi trazida pela decisão da DRJ e, mais ainda, conforme farta jurisprudência que admite esta apresentação posterior. Do ônus da apresentação de prova impossível. Entende a empresa que a Delegacia de Julgamento pretende a formação de prova impossível visto que, mesmo que apresentasse todas as notas fiscais da empresa ainda assim não seria possível comprovar que somente realizou serviços indicados no seu objeto social. Nulidade por vícios formais. Entende que a decisão que considerou não homologadas as compensações padece de vícios, vez que indicou apenas o dispositivos que tratam da não homologação das compensações sem que exista dispositivo legal que constitua o crédito tributário. Do fato de a empresa não ser sociedade empresária e dos serviços realizados. Neste ponto apresenta farta jurisprudência deste CARF e do STJ, nos quais encontrase o entendimento de que a redução de alíquota decorre da efetiva prestação de serviços de natureza hospitalar e não do local em que se realizam, com exceção da realização de consultas. Com relação à natureza da sociedade entende que a decisão do STJ, relativa a sociedade simples e que este fato não foi impeditivo do direito, visto que a base para a sua concessão foi a natureza objetiva dos serviços realizados. Traz colações da doutrina no sentido de que a empresa se define mais pela verificação das atividades que desenvolve do que pelo seu simples registro formal. Assim eventual irregularidade seria apenas formal e não impeditiva do exercício do direito. Da natureza dos serviços prestados. Repisa os argumentos já trazidos para indicar que os serviços prestados pela sociedade são, efetivamente de radiologia e radiodiagnóstico. É o Relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.211, de 22.02.2018, proferido no julgamento do processo nº 10835.901959/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.211): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação acerca de, em face de solução de consulta que reconheceu a possibilidade de a empresa tributar seus lucros pelas alíquotas equivalentes a 8%, poder a Receita Federal desconsiderar este direito em razão de alegar a não Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10835.900248/200950 Acórdão n.º 1401002.216 S1C4T1 Fl. 0 4 comprovação da inscrição da empresa como sociedade empresária e do exercício de atividades que possam ser consideradas como hospitalares. Vejamos o que determina a norma relativa à aplicação das alíquotas de serviços hospitalares: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, sem prejuízo do disposto nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: ..... III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ..... Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003) (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) (Vide Lei nº 11.119, de 205) Base de cálculo da CSLL Estimativa e Presumido Art. 20. A base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal ou trimestral a que se referem os arts. 2º, 25 e 27 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, corresponderá a 12% (doze por cento) sobre a receita bruta definida pelo art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida no período, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1o do art. 15, cujo percentual Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10835.900248/200950 Acórdão n.º 1401002.216 S1C4T1 Fl. 0 5 corresponderá a 32% (trinta e dois por cento). (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Pelo que se depreende da norma acima, a redação da norma ao tempo dos fatos geradores dos pagamentos a maior realizados apenas estabelecia a aplicação da alíquota reduzida àqueles que realizassem o exercício de serviços hospitalares. A solução de consulta em que se baseou a empresa para a apuração dos seus créditos assim dispôs sobre os requisitos a serem atendidos para fins de fruição dos benefícios da alíquota reduzida. Em contraparida, verificase a existência de Recurso Repetitivo nº 217, do STJ que, tratando do assunto, assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10835.900248/200950 Acórdão n.º 1401002.216 S1C4T1 Fl. 0 6 Vejase que o critério apresentado pelo STJ, seguindo o critério da Lei nº 9.249/95, é simples e objetivo. São enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta que não se identificam com as atividades prestadas em âmbito hospitalar. Inobstante, a Delegacia de Julgamento, ao analisar o caso do contribuinte baseou sua decisão nas diversas instruções normativas e atosdeclaratórios existentes a respeito da definição de serviços hospitalares para fins de aplicação da alíquota de presunção. Desta forma, fundamentou a improcedência na necessidade de o contribuinte atender a três requisitos, conforme abaixo apresentados: Ocorre, no entanto que não comungo do entendimento exposado pelo referido órgão julgador. A decisão proferida pelo STJ, aplicável ao caso dos autos, trata a norma redutora da alíquota de forma objetiva. Assim, o serviço que tenha natureza hospitalar, qual seja, diagnóstico, tratamento, internação, quer seja desenvolvido nos hospitais ou fora deles, com exceção apenas das simples consultas, devem ser considerados serviços hospitalares e, assim, estão sujeitos à alíquota reduzida estabelecida pela Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Comungam deste entendimento os seguintes julgados, inclusive desta mesma câmara em época anterior à entrada deste relator no colegiado. Acórdão nº 1401001.434 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrente Instituto Guaçuano de Orrino laringologia S/S Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10835.900248/200950 Acórdão n.º 1401002.216 S1C4T1 Fl. 0 7 À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas por outras pessoas, como clínicas. Acórdão nº 1401001.433 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Imposto de Renda Pessoa Jurídica Recorrentes Hemoclínica Serviços de Hemoterapia Ltda Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007, 2008, 2009 SERVIÇOS HOSPITALARES CARACTERIZAÇÃO À luz do entendimento fixado pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, a expressão “serviços hospitalares” para fins de quantificação do lucro presumido por meio do percentual mitigado de 8%, inferior àquele de 32% dispensado aos serviços em geral, deve ser objetivamente interpretado e alcança todas as atividades tipicamente promovidas em hospitais, mesmo eventualmente prestadas em ambientes externos ou por outras pessoas, como hemoclínicas. Acórdão nº 9101001.559 – 1ª Turma Sessão de 23 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Exercícios 1999 a 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CAMP IMAGEM NUCLEAR S/C LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS DE DIAGNÓSTICOS POR IMAGEM MEDICINA NUCLEAR. LUCRO PRESUMIDO. DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE DE 8%. No julgamento do Recurso Especial nº 1.116.399/BA (2009/00064810), na sistemática dos recursos especiais repetitivos, o STJ decidiu que a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Do exposto, comungando do entendimento exposado pelo STJ no sentido de que a redução de alíquota tem caráter objetivo em razão do tipo de serviços prestados pela empresa. No caso dos autos, inobstante a argumentação da Decisão atacada de que não restou comprovado a prestação de serviços relacionados a hospitalares pelo contribuinte, havemos de esclarecer que a Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10835.900248/200950 Acórdão n.º 1401002.216 S1C4T1 Fl. 0 8 Decisão da DRJ não pode inovar nos fundamentos utilizados pela Delegacia de Origem para o não reconhecimento dos créditos. Vejase que na decisão original o não reconhecimento dos créditos deveuse ao fato de a autoridade administrativa entender que a recorrente não possuía estrutura hospitalar para internação e tratamento e não pelo fato de não ter comprovado as atividades, até mesmo porque sequer foi intimada para tanto. Mais ainda, a decisão emitida na solução de consulta, corroborada pela Decisão da Delegacia de Julgamento corroborou o entendimento de que o requisito de estrutura estaria suprido pela apresentação de laudo da vigilância sanitária da jurisdição da recorrente. Assim, verificandose que o contribuinte, exercer atividades exclusivamente de radiologia e diagnóstico por imagem, atividades essas que estão incluídas no conceito de serviços de atendimento à saúde, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito da recorrente de tributar suas receitas em relação ao IRPJ e à CSLL, pelas alíquotas reduzidas de 8% e 12% respectivamente, na forma Lei nº 9.249/95, art. 15, III, "a" e art. 20. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.905345/2012-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.053
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10283.905345/2012-28
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5853765
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-005.053
nome_arquivo_s : Decisao_10283905345201228.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10283905345201228_5853765.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7220059
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009490948096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.905345/201228 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.053 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2018 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente MASA DA AMAZONIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2010 a 31/03/2010 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação assaz apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHODECISÓRIO.EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde, nos moldes do artigo 147, §1º do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 53 45 /2 01 2- 28 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10283.905345/201228 Acórdão n.º 3402005.053 S3C4T2 Fl. 0 2 Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Fortaleza, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos de Contribuição para COFINS. O Despacho Decisório denegatório do direito pleiteado inicialmente, fundamentou a não homologação da compensação sob a justificativa de que o pagamento referente ao DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ciente do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, na qual alega em síntese que: • A legislação federal referente à restituição/compensação assegura em caso de não homologação da compensação o direito a interposição de manifestação de inconformidade; • O Despacho Decisório de não homologação foi demasiadamente sucinto e não esclareceu o porquê da decisão. • Os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa não foram respeitados pela administração tributária. O Despacho Decisório deve ser considerado nulo uma vez que não expôs os motivos da não homologação prejudicando seu direito de defesa; • É “empresa industrial com projeto aprovado na SUFRAMA e detentora de incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967, bem como sujeita ao regime de apuração pela sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, podendo descontar créditos que poderão ser deduzidos do montante devido de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil.” • Faz jus aos créditos de PIS e COFINS, com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, especificamente com relação ao inciso III: “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” • Levantou os créditos no mês de competência e utilizou parte do crédito oriundo do previsto no inciso III dos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, para compensar com as Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10283.905345/201228 Acórdão n.º 3402005.053 S3C4T2 Fl. 0 3 contribuições vencidas no período, conforme DACONs retificadoras; “A manifestante, inclusive, providenciou a retificação da DCTF correspondente, regularizando qualquer pendência que ainda pudesse haver.” A defesa relaciona os Acórdãos nºs 1246124 de 10 de maio de 2012 da 17ª Turma e 1638673 de 11 de maio de 2012 da 3ª Turma. (...) • Ao final requer que se julgue procedente a Manifestação de Inconformidade, para o efeito de reformar o Despacho Decisório exarado no processo. Sobreveio então o Acórdão 08033.066, da DRJ/FOR, negando provimento à manifestação de inconformidade, por entender que "a eficácia da retificação da DCTF, quando apresentada após a ciência do Despacho Decisório, depende de comprovação, a cargo do contribuinte, do erro em que se funda, mediante escrituração e documentos", comprovação esta que não restou satisfeita. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário com relação ao mérito da questão, bem como alegando que a decisão recorrida não analisou a documentação apresentada no seu entender, suficiente para garantir o crédito pleiteado , deixando prevalecer erro material nas declarações inicialmente prestadas pela Contribuinte, mas depois devidamente sanadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402005.034, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10283.904567/201223, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402005.034: "Como se depreende do relato acima, a lide resumese à comprovação da existência e suficiência do crédito objeto da compensação. Pois bem. A Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10283.905345/201228 Acórdão n.º 3402005.053 S3C4T2 Fl. 0 4 pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos e créditos que teria direito pela sistemática da não cumulatividade da contribuição social (incentivos fiscais próprios da Zona Franca de Manaus, instituídos pelo DecretoLei nº 288/1967 e 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10283.905345/201228 Acórdão n.º 3402005.053 S3C4T2 Fl. 0 5 com base nos artigos 3º da Lei 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, respectivamente). Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DCTF, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, vigente à época dos fatos, estabelece que Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10283.905345/201228 Acórdão n.º 3402005.053 S3C4T2 Fl. 0 6 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Quanto à DCTF, cuja retificação foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório, tampouco salvaguarda o pleito da Recorrente. Explico. Este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento fundase na letra do artigo 147, § 1º do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na for ma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Portanto, a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não é suficiente para a demonstração do crédito pleiteado em PER/DCOMP, sendo imprescindível que a Contribuinte faça prova do erro em que se fundou a retificação. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10283.905345/201228 Acórdão n.º 3402005.053 S3C4T2 Fl. 0 7 Nesse sentido, destaco a ementa do Acórdão nº 9303005.708, cujo julgamento na CSRF, por unanimidade, ocorreu em 19 de setembro de 2017: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado.) Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. No caso em análise, a Contribuinte esclarece que teria apurado créditos de PIS, contudo, para comprovar a liquidez e Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10283.905345/201228 Acórdão n.º 3402005.053 S3C4T2 Fl. 0 8 certeza do crédito informado nas declarações (DCTF e DACON) é imprescindível que seja demonstrada através da escrituração contábil e fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A Contribuinte não juntou aos autos nenhum documento contábil ou fiscal capaz de comprovar a liquidez e certeza do credito apontado. Somente insistiu que as declarações retificadoras seriam suficientes para tanto, mesmo após a decisão da DRJ ter expressamente colocado quais documentos seriam necessários para a efetividade da prova do crédito. Sobre esse ponto, saliento que este Colegiado vem admitindo provas apresentadas em sede de recurso voluntário, haja vista o princípio da verdade material e da informalidade moderada que reinam na esfera do processo administrativo. Todavia, nem em sede recursal a Recorrente se desincumbiu do ônus da prova. Dessarte, não tendo sido comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Por essas razões, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 219DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900689/2006-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/08/2003
DILIGÊNCIA. FALTA DE CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A falta de ciência do contribuinte sobre o resultado de diligência realizada implica em cerceamento do direito de defesa e, conseqüentemente, os atos processuais posteriores encontram-se eivados de vício insanável, devendo ser anulados.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Decisão da DRJ anulada.
Numero da decisão: 3002-000.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e em anular a decisão da DRJ por não ter sido dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência realizada, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analisar os documentos acostados e outros que entenda necessários, dando ciência e prazo ao contribuinte para eventual manifestação.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/08/2003 DILIGÊNCIA. FALTA DE CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A falta de ciência do contribuinte sobre o resultado de diligência realizada implica em cerceamento do direito de defesa e, conseqüentemente, os atos processuais posteriores encontram-se eivados de vício insanável, devendo ser anulados. Recurso Voluntário Não Conhecido. Decisão da DRJ anulada.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10940.900689/2006-10
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5854447
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.082
nome_arquivo_s : Decisao_10940900689200610.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 10940900689200610_5854447.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e em anular a decisão da DRJ por não ter sido dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência realizada, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analisar os documentos acostados e outros que entenda necessários, dando ciência e prazo ao contribuinte para eventual manifestação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
id : 7234110
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:16:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009516113920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1536; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 164 1 163 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.900689/200610 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.082 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 14 de março de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente SUPERMERCADO GRICZINSKI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/08/2003 DILIGÊNCIA. FALTA DE CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A falta de ciência do contribuinte sobre o resultado de diligência realizada implica em cerceamento do direito de defesa e, conseqüentemente, os atos processuais posteriores encontramse eivados de vício insanável, devendo ser anulados. Recurso Voluntário Não Conhecido. Decisão da DRJ anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e em anular a decisão da DRJ por não ter sido dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência realizada, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analisar os documentos acostados e outros que entenda necessários, dando ciência e prazo ao contribuinte para eventual manifestação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 06 89 /2 00 6- 10 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10940.900689/200610 Acórdão n.º 3002000.082 S3C0T2 Fl. 165 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 40/44), transmitido em 26/09/2003, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 15), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão em 25/06/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 2/8), na qual informou que ocorreu erro de fato no preenchimento da DCTF, referente ao 3º trimestre de 2003 e da DIPJ 2004, ano calendário 2003. Apresentou, ainda, tabelas sobre a apuração do PIS com as informações, erradas e corretas, apresentadas, respectivamente, nas declarações originais e nas retificadoras. Ademais, alegou que a ocorrência do erro de fato seria demonstrada por meio das retificadoras, DCTF e DIPJ, já apresentadas à Receita Federal. Por fim, alegou que o erro cometido pela recorrente, ao não retificar a DCTF na época devida, não teria o condão de invalidar a compensação declarada. O sujeito passivo apresenta junto com sua Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: "01cópia do DARF no valor de R$ 4.058,53; 02cópia da fl. 14 do livro registro de apuração do ICMS CNPJ 77.784.189/000185 período de 01 a 30 de junho de 2003; 03cópia da fl. 14 do livro registro de apuração do ICMS CNPJ 77.784.189/000347 período de 01 a 30 de junho de 2003; 04cópia da fl. 14 do livro registro de apuração do ICMS CNPJ 77.784.189/000428 período de 01 a 30 de junho de 2003; 05cópia da fl. 14 do livro registro de apuração do ICMS CNPJ 77.784.189/000509 período de 01 a 30 de junho de 2003; 06cópia do despacho decisório n.° de rastreamento 770245137 n.° do processo 10940 900.689/200610; 07cópia do recibo de entrega n.° 22.62.80.15.83, da DCTF referente ao 3.° trimestre 2003 entregue em 14/11/2003; e folha Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10940.900689/200610 Acórdão n.º 3002000.082 S3C0T2 Fl. 166 3 n.° 11 débito apurado e créditos vinculados ao período de apuração julho /2003 PIS / PASEP ( INCORRETA ) 08cópia do recibo de entrega n.° 11.02.24.98.20, da DCTF (RETIFICADORA ) referente ao 3.° trimestre 2003 entregue em 21/07/2008; e folha n.° 11 débito apurado e créditos vinculados ao período de apuração junho /2003 PIS / PASEP (CORRETA) 09cópia da página 31 e 43 da DIPJ exercício de 2004 ano calendário de 2003 protocolizada em 29/06/2004 sob n.° 22.63.12.12.3031 ( INCORRETA ). 10cópia da página 31 e 43 da DIPJ exercício de 2004 ano calendário de 2003 protocolizada em 21/07/2008 sob n.° 19.05.23.08.4570 ( CORRETA ). llcópia das páginas 16, 17, e 18 período de apuração setembro de 2003 do tributo COFINS, da DCTF referente o 3.° trimestre / 2003 e recibo protocolizado em 14/11/2003, sob n.° 22.62.80.15.83. (INCORRETA) 12cópia das páginas 16, 17, e 18 período de apuração setembro de 2003 do tributo COFINS, da DCTF (RETIFICADORA) referente o 3.° trimestre / 2003 e recibo protocolizado em 21/07/2008, sob n.° 11.02.24.98.20. ( CORRETA) 13cópia da décima primeira alteração contratual datada de 08/05/2008, registrada na Junta Comercial do Paraná, Agência Regional de Irati, em 16/05/2008 sob n.° 41901038249 onde consta o nome do sócio que assina como responsável pela empresa." Em 09/04/2010, o Presidente da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba encaminhou o processo à unidade local da Receita Federal, através do despacho de fl. 46, com a seguinte motivação e propósito: "Em 21/07/2008 a interessada apresentou DCTF retificadora do 3° trimestre/2003 (fls. 1819) e DIPJ 2004 retificadora (fls. 23 25) para reduzir o débito de PIS Não Cumulativo do mês de julho/2003 de R$ 4.058,53 (originalmente declarado) para R$ 3.037,66, cuja diferença alega, na manifestação de inconformidade de fls. 0105, ser decorrente de aproveitamento do crédito de PIS (1,65%) sobre entrada de mercadorias submetidas ao regime de substituição tributária, de produtor e de cigarros. Portanto, solicito à Seort da DRF/Ponta Grossa que confirme a veracidade das informações relativas às operações que deram causa ao alegado crédito de R$ 1.020,86 de PIS Não Cumulativo no mês de julho/2003, fato desconhecido à época em que 0 Despacho Decisório de fl. 14 foi proferido, observandose que as declarações retificadoras da DCTF do 3° trimestre/2003 e da Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10940.900689/200610 Acórdão n.º 3002000.082 S3C0T2 Fl. 167 4 DIPJ 2004, transmitidas após a ciência desse Despacho Decisório, foram aceitas nos sistemas na RFB." (grifo nosso) Assim, em 21/05/2010, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/Ponta Grossa elaborou despacho (fl 47/48) sobre os supostos créditos do contribuinte. Extraise excerto: "Além disso, verificase pelas planilhas apresentadas pelo contribuinte que o mesmo pretende incluir entre as receitas que dão crédito de PIS, aquelas relativas à aquisições com substituição tributária. Contudo, conforme disposto no art. 8°, VII, da Lei 10.637/2002, que instituiu o regime da não cumulatividade do PIS, permanece no regime da cumulatividade as receitas sujeitas à substituição tributária. ......................................................................................................... Dessa forma, entendemos não ser possível a utilização de créditos sobre as receitas alegadas pelo contribuinte." (grifo nosso) Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a DRJ/CTA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. lnexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10940.900689/200610 Acórdão n.º 3002000.082 S3C0T2 Fl. 168 5 Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 56/63), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que o Acórdão recorrido errou, pois, no caso, não se tratam de créditos sobre a entrada de mercadorias submetidas ao regime de substituição tributária, mas de crédito oriundo de pagamento a maior e, além disso, como já restaria consignado na planilha inserida na Manifestação de Inconformidade apresentada, os créditos de PIS referentes a cigarros foram excluídos da base de cálculo. A ora recorrente alega, ainda, que não procede a afirmação do relator do Acórdão recorrido de falta de provas do crédito pleiteado, pois todos os documentos contábeis e fiscais, que demonstravam a origem e a veracidade dos fatos alegados, já foram apresentados juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Ademais, a recorrente alega que a base de cálculo inicialmente utilizada foi de R$ 770.531,07, quando o correto era de R$ 832.403,19, gerando uma base não utilizada de R$ 61.872,12 e, conseqüentemente, gerando um crédito de R$ 1.020,86, referente ao PIS pago a maior. A recorrente protesta pela reforma da decisão, argumentando que deve ser observado o Princípio da Verdade Material, segundo o qual a instrução tem como finalidade a descoberta da verdade material no que toca ao seu objeto com os seus corolários da livre apreciação das provas e da admissibilidade de todos os meios de prova. Por fim, informa que anexou, ao seu Recurso Voluntário, cópia dos seguintes documentos: "DOCUMENTO 01 Notas Fiscais: comprovase por intermédio da NF's que as mercadorias submetidas ao regime de substituição tributária, tais como cigarros, foram excluídas totalmente da base de cálculo do PIS; DOCUMENTO 02 Planilha auxiliar de CFOP de entrada de mercadorias: relaciona as notas fiscais de entrada ICMSST dentro e fora do Estado do Paraná." É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10940.900689/200610 Acórdão n.º 3002000.082 S3C0T2 Fl. 169 6 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade. Entretanto, preliminarmente, devemos nos debruçar sobre uma questão de ordem pública que emerge da leitura do processo ora em análise. Constatase que a DRFPonta Grossa não deu ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência requisitada pela DRJ Curitiba, muito menos, oportunizou prazo para a sua manifestação. Desta forma, a falta da ciência devida acarretou a preterição do direito de defesa da contribuinte. Por conseguinte, todos atos processuais posteriores encontramse eivados de vício insanável, pois implicaram em prejuízo evidente para a parte, conforme o teor do art. 59, II e § 1°, do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: ........................................................................................................ II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. ......................................................................................................... Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário e anular a decisão da instância a quo por não ter sido dada ciência ao contribuinte do resultado da diligência realizada, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para analisar todos os documentos acostados aos autos e outros que entenda necessários, dando ciência e prazo ao contribuinte para eventual manifestação. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905182/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.176
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201802
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10675.905182/2012-70
anomes_publicacao_s : 201804
conteudo_id_s : 5851372
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3201-001.176
nome_arquivo_s : Decisao_10675905182201270.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10675905182201270_5851372.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7198522
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:15:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009539182592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 131 1 130 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.905182/201270 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.176 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 27 de fevereiro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual se confirmou o seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DComp era suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu, ainda, a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 18 2/ 20 12 -7 0 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10675.905182/201270 Resolução nº 3201001.176 S3C2T1 Fl. 132 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. Apontou a autoridade julgadora de primeira instância que a simples retificação da DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não era hábil à modificação do Despacho Decisório. Cientificado da decisão de piso, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e, sucintamente, reiterou a existência do crédito postulado, anexando documentação complementar com vista à comprovação do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.164, de 27/02/2018, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.164): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Visando recuperar o crédito tributário acima apontado, a Manifestante providenciou a retificação da DCTF em 04/02/2011, conforme atesta o recibo de entrega nº 35.35.13.86.29.00, e a retificação do DACON em 27/01/2011, consoante atesta o recibo de entrega nº 1078177135. Diante da regular constituição do crédito tributário, através da retificação das obrigações acessórias acima mencionadas, a Manifestante transmitiu o PER/DCOMP nº 33828.46086.280111.1.3.042016 para a Receita Federal do Brasil em 28/01/2011 para compensar o seu lídimo crédito tributário com outros débitos tributários de sua titularidade. Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10675.905182/201270 Resolução nº 3201001.176 S3C2T1 Fl. 133 3 A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10675.905182/201270 Resolução nº 3201001.176 S3C2T1 Fl. 134 4 despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Da mesma forma que ocorreu no paradigma, neste processo, o contribuinte retificou a DCTF depois da transmissão do PER/DComp mas antes da ciência do despacho decisório. Apesar de o processo paradigma se referir apenas à Cofins, o mesmo raciocínio desenvolvido se aplica também à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise da Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entender necessários. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.900758/2013-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.338
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Declarou-se impedido o Cons. Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13502.900758/2013-63
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830011
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3401-001.338
nome_arquivo_s : Decisao_13502900758201363.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 13502900758201363_5830011.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Declarou-se impedido o Cons. Tiago Guerra Machado.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
id : 7120181
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009598951424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1419; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 3 1 2 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.900758/201363 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401001.338 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 30 de janeiro de 2018 Assunto Declaração de Compensação Recorrente BRASIL KIRIN INDUSTRIA DE BEBIDAS S/A (INCORPORADORA DE PRIMO SCHINCARIOL IN. DE CERV. E REFRIG. DO NORDESTE) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Declarouse impedido o Cons. Tiago Guerra Machado. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 27840.62384.250310.1.3.042707, cujo fundamento foi a não comprovação documental da origem do crédito, consoante processo 10855.722095/201261. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .9 00 75 8/ 20 13 -6 3Fl. 1996DF CARF MF Processo nº 13502.900758/201363 Resolução nº 3401001.338 S3C4T1 Fl. 4 2 Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu que, antes da emissão do despacho decisório eletrônico, no bojo do PA 10855.722095/201261, foi intimado a apresentar documentos que comprovassem a origem do crédito e que a autoridade fiscal, após exame da documentação entregue, concluiu que esse conjunto probatório não demonstrava a origem do pagamento indevido. Na seqüência, descreveu o equívoco verificado na apuração, sustentando que as retificações da DCTF e DACON foram efetuadas espontaneamente, antes da ciência do despacho decisório em comento, ostentando a mesma natureza da declaração original, de modo que a razão para a não homologação inexistiria. A DRJ Curitiba/PR julgou a manifestação improcedente, em decisão assim ementada: “DCTF. DACON. RETIFICAÇÃO. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO DESPACHO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL. Se a contribuinte, intimada, não apresenta documentos contábeis capazes de comprovar a ocorrência de erro de fato em sua DCTF e em seu Dacon (retificadores), apresentados, ainda que previamente à emissão do despacho decisório, não há como reconhecer direito creditório, devendose manter a não homologação da compensação pleiteada.” O recurso voluntário aduziu que foi promovida a revisão do cálculo do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, por errônea apropriação de créditos, o que resultou em valores recolhidos a menor e a maior, sendo essa a origem do indébito utilizado na compensação e que o julgador administrativo de primeiro grau, mesmo possuindo discricionariedade para solicitar a realização de diligência, preferiu julgar improcedente o recurso inaugural, sem qualquer averiguação. Foram detalhadas as modificações introduzidas na apuração das contribuições e anexado um vasto acervo documental, consistente, segundo descrito, nos resumos dos Livros Registro de Apuração de IPI e ICMS, CFOPs de cada operação, “rótulos de linha” e notas fiscais de entrada, extratos do Livro Razão, balancetes, demonstrativos, dentre outros documentos contábeis e fiscais. Por fim, discorreuse sobre o direito de crédito sobre serviços adquiridos para manutenção de máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Consoante relatam recorrente e o julgador a quo, antes da expedição do despacho decisório eletrônico, que não homologou a compensação declarada, houve um procedimento de revisão do crédito indicado no PERDCOMP respectivo, ocorrido no PA 10855.722095/201261, tendo a autoridade fiscal, segundo consta, concluído pela sua improcedência, por ausência de comprovação. Fl. 1997DF CARF MF Processo nº 13502.900758/201363 Resolução nº 3401001.338 S3C4T1 Fl. 5 3 Pois bem, em consulta ao sistema eprocesso, constatei que o PERDCOMP tratado neste processo foi trabalhado naqueloutro, conforme se extrai da Representação Fiscal DRF/SOR/SEORT nº 218/2012. Naqueles autos consta a Intimação DRF/SOR/SEORT nº 1.912/2011, onde se determinou ao contribuinte que i) esclarecesse “o motivo que os recolhimentos da tabela anexa se tornaram indevidos” e ii) apresentasse “provas materiais para a justificativa” do item anterior. Em atendimento à requisição fiscal o contribuinte informou que, em 2008, alterou o método administrativo de apuração dos PIS/Pasep e Cofins e revisou os cálculos dos anos anteriores, promovendo a retificação das declarações correspondentes (DACON/DCTF), e, na mesma correspondência entregou “CD contendo a composição das DACON’s retificadoras referentes aos meses de fevereiro/2005, março/2006, maio/2006, dezembro/2006 e junho/2007” e cópia da Solução de Consulta nº 132/2009. Posteriormente, através da Intimação DRF/SOR/SEORT nº 748/2012, a autoridade fiscal apresentou o seguinte questionamento: “Em face das informações prestadas por V Sa em 13/janeiro/2012, é necessário que sejam indicadas quais as classificações contábeis foram alteradas e comprovar que os reflexos destas alterações foram devidamente corrigidas, por exemplo, se foi reconhecido crédito de COFINS para partes e peças utilizadas na manutenção e funcionamento de máquinas de produção, em contrapartida, este mesmo valor deixou de figurar como 'despesa', assim ocasionou além da retificação da Dacon e da DCTF, a da DIPJ com o aumento da base de cálculo tributável.” Em 23/05/2012 o contribuinte respondeu que o valor do crédito a que se referia o ativo imobilizado fora contabilizado a débito das contas 130024 (PIS a compensar) e 13025 (COFINS a compensar), em contrapartida de crédito na rubrica 181021 (Ativo imobilizado); que não houve contabilização em contas de resultado a influenciar a DIPJ; que os créditos relativos a material de manutenção foram registrados a débito nas contas 130024 (PIS a compensar) e 13025 (COFINS a compensar) e crédito na rubrica 330002 (Despesas recuperadas); e, que em “relação aos anexos que demonstram valores contábeis, os mesmos foram contabilizados e oferecidos a tributação em 12/2009 no montante total do levantamento realizado, conforme demonstrativo no anexo 2”. Não existe qualquer outro despacho, intimação, correspondência, termo de verificação fiscal ou relatório nos autos, restringindose às manifestações acima listadas. Na seqüência, retornando ao presente processo, repitase, sem qualquer relatório ou termo de verificação fiscal, em 03/07/2013, foi emitido o despacho eletrônico ora combatido (efl. 07), que arrola o seguinte fundamento para não homologação da compensação: “A partir das características do(s) DARF discriminado(s) no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 1998DF CARF MF Processo nº 13502.900758/201363 Resolução nº 3401001.338 S3C4T1 Fl. 6 4 Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho.” As informações complementares, por seu turno, trazem a seguinte observação: “Crédito reconhecido em valor originário: 0,00 Justificativa: AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA Observação: DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA NÃO COMPROVA ORIGEM DO PAGAMENTO INDEVIDO PROCESSO 10855.722095/201261.” Como se observa, não é possível saber quais verificações foram realizadas pela fiscalização, tampouco quais documentos não foram apresentados e eram necessários à comprovação/demonstração do direito creditório. Apensados à manifestação de inconformidade foram juntadas apenas cópias da PERDCOMP, DCTF e DACON. A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o Fl. 1999DF CARF MF Processo nº 13502.900758/201363 Resolução nº 3401001.338 S3C4T1 Fl. 7 5 crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolvem o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se esse crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 2000DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.006477/2008-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 29/12/2004, 06/07/2005, 05/08/2005, 28/10/2005, 31/01/2006
DRAWBACK. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO. APÓS AVERBAÇÃO DE EMBARQUE. POSSIBILIDADE. CIRCULAR SECEX nº 39/2007. PORTARIA SECEX Nº 33/2007.
Não havendo, à época das exportações sob análise, restrição legal ou infralegal à retificação do Registro de Exportação (RE) para fins de enquadramento no regime de drawback suspensão, não pode a fiscalização desconsiderar, para fins de adimplemento do regime, os Registros de Exportação com suas correspondentes alterações.
No âmbito das Portarias da Secex não havia vedação expressa de retificação do RE averbado relativamente ao enquadramento do regime de drawback até a publicação Portaria Secex nº 33/2007 (D.O.U. de 31/10/2007), que alterou a Portaria Secex nº 35/2006. Inclusive, a Circular Secex nº 39/2007, depois revogada pela Portaria Secex nº 33/2007, dispunha sobre a aceitação, até 5 de outubro de 2007, das solicitações de alteração de RE efetivados com vistas à comprovação do regime de drawback suspensão.
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3402-004.845
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201801
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 29/12/2004, 06/07/2005, 05/08/2005, 28/10/2005, 31/01/2006 DRAWBACK. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO. APÓS AVERBAÇÃO DE EMBARQUE. POSSIBILIDADE. CIRCULAR SECEX nº 39/2007. PORTARIA SECEX Nº 33/2007. Não havendo, à época das exportações sob análise, restrição legal ou infralegal à retificação do Registro de Exportação (RE) para fins de enquadramento no regime de drawback suspensão, não pode a fiscalização desconsiderar, para fins de adimplemento do regime, os Registros de Exportação com suas correspondentes alterações. No âmbito das Portarias da Secex não havia vedação expressa de retificação do RE averbado relativamente ao enquadramento do regime de drawback até a publicação Portaria Secex nº 33/2007 (D.O.U. de 31/10/2007), que alterou a Portaria Secex nº 35/2006. Inclusive, a Circular Secex nº 39/2007, depois revogada pela Portaria Secex nº 33/2007, dispunha sobre a aceitação, até 5 de outubro de 2007, das solicitações de alteração de RE efetivados com vistas à comprovação do regime de drawback suspensão. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10314.006477/2008-84
anomes_publicacao_s : 201802
conteudo_id_s : 5830224
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3402-004.845
nome_arquivo_s : Decisao_10314006477200884.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
nome_arquivo_pdf_s : 10314006477200884_5830224.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
id : 7121233
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:12:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009603145728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1761; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 890 1 889 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.006477/200884 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.845 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria Drawback Recorrente ALSTOM HYDRO ENERGIA BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 29/12/2004, 06/07/2005, 05/08/2005, 28/10/2005, 31/01/2006 DRAWBACK. REGISTRO DE EXPORTAÇÃO. RETIFICAÇÃO. APÓS AVERBAÇÃO DE EMBARQUE. POSSIBILIDADE. CIRCULAR SECEX nº 39/2007. PORTARIA SECEX Nº 33/2007. Não havendo, à época das exportações sob análise, restrição legal ou infralegal à retificação do Registro de Exportação (RE) para fins de enquadramento no regime de drawback suspensão, não pode a fiscalização desconsiderar, para fins de adimplemento do regime, os Registros de Exportação com suas correspondentes alterações. No âmbito das Portarias da Secex não havia vedação expressa de retificação do RE averbado relativamente ao enquadramento do regime de drawback até a publicação Portaria Secex nº 33/2007 (D.O.U. de 31/10/2007), que alterou a Portaria Secex nº 35/2006. Inclusive, a Circular Secex nº 39/2007, depois revogada pela Portaria Secex nº 33/2007, dispunha sobre a aceitação, até 5 de outubro de 2007, das solicitações de alteração de RE efetivados com vistas à comprovação do regime de drawback suspensão. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 64 77 /2 00 8- 84 Fl. 890DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Florianópolis que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 29/12/2004, 06/07/2005, 05/08/2005, 28/10/2005, 31/01/2006 DRAWBACK. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO. Constatada a inadimplência no compromisso de exportar, cabível é a exigência dos tributos suspensos quando da importação das mercadorias ao amparo do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, modalidade suspensão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Versa o processo sobre a exigência de Imposto sobre a Importação (II), IPI, Cofinsimportação, PIS/Pasepimportação, juros de mora e multas de ofício, bem como multa ao controle administrativo das importações, prevista no art. 169, III, "d" e §2º, incisos I e II do DecretoLei n° 37/66, em face do descumprimento das obrigações assumidas por ocasião da aplicação do regime aduaneiro especial de drawback na modalidade suspensão. Com relação ao Ato Concessório n° 20050132458, apurou a fiscalização que o único Registro de Exportação (RE) apresentado para comprovar o compromisso de exportar, além de ser em valor inferior do que o previsto (diferença de US$906.170,00 a menor), possuía enquadramento como uma exportação normal (código 80000), portanto não amparado pelo regime de Drawback, para o qual também não foi informada nenhuma vinculação a algum Ato Concessório no campo 24 (Dados do fabricante). Ademais, o referido RE não poderia ser aceito para fins de comprovação do Regime, eis que a Receita Federal não é competente para aceitar exportações não apresentadas tempestivamente à Secex (item 10 do Parecer Cosit n° 53/99). Relativamente ao Ato Concessório nº 200403223943, foi apresentado um único RE para comprovar o compromisso de exportar na mesma situação acima e com um valor inferior ao previsto, mas com a diferença de US$145.970,00 a menor. Quanto ao Ato Concessório nº 20050132458, as transferências de mercadorias para a Construtora Norberto Odebrecht (CNO) foram consideradas vendas no mercado interno com o fim especifico de exportação, sendo as exportações efetuadas pela CNO. Foram glosadas as notas fiscais de vendas da contribuinte para a CNO que foram Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10314.006477/200884 Acórdão n.º 3402004.845 S3C4T2 Fl. 891 3 posteriores à última exportação efetuada pela CNO (RE 06/1614284001, registrado em 17/10/2006). A contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) efetuou os recolhimentos com os devidos acréscimos legais dos valores glosados relativos aos Atos Concessórios n° 20040323803 e 20040323943; e b) relativamente ao Ato Concessório n° 20050132458, as mercadorias relacionadas às notas fiscais n° 020178 e 020367 foram transmitidas à CNO com o fim específico de serem exportadas para o Equador, sendo que depois foram exportadas pelos RE’s n°s 06/1672891 001 e 07/0096138 001, que mencionam as notas fiscais citadas, o CNPJ e ato concessório em análise. O julgador de primeira instância não acatou as alegações da impugnante vez, que, as mercadorias descritas nas notas fiscais n°s 20178 e 20367 não possuem qualquer compatibilidade com as mercadorias objeto de autuação, bem como os registros de exportação apresentados foram modificados após o embarque das mercadorias, o que não há de se aceitar, eis que as informações equivocadas em relação à natureza da operação de exportação e aos dados do fabricante têm relação direta com o benefício pretendido. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/10/2015, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 27/10/2015, aduzindo, em síntese: Houve nulidade do Acórdão recorrido por inovação nas razões que sustentaram o lançamento ou, então, a nulidade do Auto de Infração por falha na motivação. Valendose das normas da SECEX que estendem os benefícios do Drawback às vendas, no mercado interno, com destino específico de exportação, os referidos itens foram remetidos à CNO, por meio das Notas Fiscais n°s 20178 (doc. 09 da impugnação) e 20367 (doc. 10 da impugnação), que, ao recebêlos, emitiu dois Memorandos de Exportação (doc. 12 da impugnação). Ato contínuo, a CNO realizou a exportação dos itens ao Equador para compor os sistemas completos de supervisão e controle das unidades geradoras do Projeto San Francisco, conforme se depreende, respectivamente, dos Registros de Exportação n°s 06/1672891001/001 (doc. 12A da impugnação) e 07/0096138001/001 (doc. 12B da impugnação). Verificase, portanto, que, além desses procedimentos ratificarem a pertinência cronológica dos eventos ocorridos no caso concreto, sob o aspecto técnico, inclusive reforçado pelos Laudos Técnicos emitidos tanto pela pessoa jurídica sucedida da Recorrente quanto pela CNO (doc. 11 da impugnação), não há como se questionar a efetiva vinculação física dos itens importados às exportações refletidas nos Registros de Exportação n°s 06/1672891001/001 (doc. 12A da impugnação) e 07/0096138001/001 (doc. 12B da impugnação). Não há o menor sentido que a d. Autoridade Julgadora relativize a eficácia das alterações feitas Registros de Exportação n°s 06/1672891001/001 e 07/0096138001/001 (docs. 12A e 12B da impugnação), efetivamente acatadas pelo Siscomex, para afastar o reconhecimento da vinculação física dos itens exportados. Ademais, as alterações promovidas nos Registros de Exportação n°s 06/1672891001/001 e 07/0096138001/001 foram providenciadas antes de qualquer expediente de fiscalização, não havendo, assim, motivos para que não fossem acatadas, conforme precedente jurisprudencial deste CARF (Acórdão 3403003.054, Julgado em 23/07/2014). Fl. 892DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. A controvérsia cingese à verificação do adimplemento compromisso de exportar objeto do Ato Concessório nº 20050132458 no regime de Drawback Suspensão, no qual foram glosadas as notas fiscais de vendas da contribuinte para a Construtora Norberto Odebrecht de números 20178 (doc. 09 da impugnação) e 20367 (doc. 10 da impugnação), em face de não atendimento à ordem cronológica (ausência de exportação posterior à data da Nota Fiscal de venda para a CNO) e não vinculação física às exportações informadas à fiscalização, conforme quadros abaixo: Ocorreu que, em sede de impugnação, a contribuinte apresentou outras exportações (RE's n°s 06/1672891001/001 e 07/0096138001/001), as quais, a seu ver, preencheriam os requisitos para adimplemento do regime, conforme resumo abaixo: Como dito, o julgador da DRJ rejeitou liminarmente os novos RE's apresentados sob o argumento de que as Notas Fiscais não seriam compatíveis com as mercadorias objeto de autuação, bem como ao fato de que os registros de exportação apresentados foram retificados após o embarque das mercadorias para o enquadramento no regime. No que concerne ao primeiro fundamento, assiste razão à recorrente, eis que a fiscalização já tinha verificado a vinculação física das mercadorias objeto das Notas Fiscais nºs 20178 e 20367 às importações, conforme denota o trecho abaixo do Relatório Fiscal: (...) Fl. 893DF CARF MF Processo nº 10314.006477/200884 Acórdão n.º 3402004.845 S3C4T2 Fl. 892 5 Ato contínuo, com o auxílio do laudo técnico de produção apresentado pelo contribuinte (em resposta ao Termo de Intimação n° 26/2008), foram identificados todos os materiais importados que participaram da elaboração dos produtos transferidos, e respectivas DI's, donde se obteve a tabela abaixo: (...) Conforme ensinamentos dados pela fiscalização no Relatório Fiscal, abaixo transcrito, com relação às novas exportações apresentadas na impugnação, ficaram pendentes de análise apenas os passos 3 e 4: (...) Pois bem, considerando a existência de um par de agentes envolvidos no processo (fiscalizada e CNO), é de suma importância analisar, passo a passo, as operações realizadas por cada um deles para, então, consolidálas num fluxo ordenado, a fim de verificar a destinação que foi dada às matériasprimas importadas com suspensão de tributos. Assim, a análise do compromisso foi efetuada mediante os passos abaixo descritos: Passo 1) Importações realizadas pelo contribuinte; Passo 2) Transferências, para a CNO, de produto fabricado a partir de insumos importados; Passo 3) Exportações realizadas pela CNO; Passo 4) Apuração de eventual saldo remanescente de mercadorias importadas e sua destinação. (...) Também não pode prosperar o segundo fundamento utilizado pelo julgador a quo, relativamente à possibilidade de retificação do RE averbado para fins de inclusão de enquadramento no regime de Drawback suspensão. Sobre a possibilidade de alteração dos dados do Registro de Exportação (RE) após a averbação do embarque, assim dispunha o art. 40 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, DOU de 28.04.94, no âmbito da Receita Federal, à época dos fatos: Art. 40. Concluída a averbação, na forma dos arts. 46 a 49, as alterações nos dados de registro de embarque relativos à quantidade de volumes, peso e identificação da mercadoria embarcada, somente poderão ser efetuadas com autorização da fiscalização aduaneira. Parágrafo único. Enquanto não implantada, no Sistema, função que contemple o disposto neste artigo, os pedidos de alteração deverão ser apresentados, por escrito, pelo responsável pelo registro, no SISCOMEX, do dado a ser alterado acompanhados da respectiva documentação comprobatória, à unidade da SRF de embarque que, após análise e emissão de parecer, os Fl. 894DF CARF MF 6 encaminhará à CoordenaçãoGeral do Sistema de Controle AduaneiroCOANA, para as providências cabíveis. Dessa forma, como se vê, estava regulamentada a retificação do RE somente no que concerne à alteração relativa à quantidade, ao peso e à identificação da mercadoria após a averbação do embarque, nada havendo, entretanto, no âmbito da Receita Federal, acerca da possibilidade/impossibilidade de retificação de RE averbado para fins de inclusão, exclusão ou alteração de informações nos campos 2a, envolvendo código de enquadramento referente a drawback, e 24, com vistas à comprovação desse regime. No âmbito das Portarias da Secex não havia vedação expressa de retificação do RE averbado relativamente ao enquadramento do regime de drawback até a publicação Portaria Secex nº 33/2007 (D.O.U. de 31/10/2007), que alterou o art. 131 da Portaria SECEX nº 35, de 24 de novembro de 2006, como se vê abaixo: PORTARIA SECEX Nº 12, DE 03 DE SETEMBRO DE 2003 DOU 04/09/2003 (Revogada pelo art 73 da PortariaSecex nº 15, DOU 23/11/2004) Art. 10. Poderão ser efetuadas alterações no RE, exceto durante o curso dos procedimentos para despacho aduaneiro. PORTARIA Nº 15, DE 17 DE NOVEMBRO DE 2004 (Publicada no DOU de 23/11/2004) Art. 10. Poderão ser efetuadas alterações no RE, exceto durante o curso dos procedimentos para despacho aduaneiro. PORTARIA Nº 35, DE 24 NOVEMBRO DE 2006 (Publicada no DOU de 28/11/2006) Redação Original Art. 131. Na modalidade suspensão, as empresas deverão comprovar as importações e exportações vinculadas ao Regime, por intermédio do módulo específico Drawback do Siscomex, no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. (...) Art. 167. Poderão ser efetuadas alterações no RE, exceto durante o curso dos procedimentos para despacho aduaneiro. (...) ANEXO “F” EXPORTAÇÃO VINCULADA AO REGIME DE DRAWBACK 1. As exportações vinculadas ao Regime de Drawback estão sujeitas às normas gerais em vigor para o produto, inclusive no tocante ao tratamento administrativo aplicável. 2. Um mesmo RE não poderá ser utilizado para comprovação de Atos Concessórios de Drawback distintos de uma mesma beneficiária. 3. É obrigatória a vinculação do RE ao Ato Concessório de Drawback, modalidade suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, RE contendo, no campo 2a, o código de enquadramento constante da Tabela de Enquadramento da Fl. 895DF CARF MF Processo nº 10314.006477/200884 Acórdão n.º 3402004.845 S3C4T2 Fl. 893 7 Operação do SISCOMEXExportação, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante). (...) PORTARIA SECEX N° 33, DE 30 DE OUTUBRO DE 2007 (publicada no D.O.U. de 31/10/2007) Art. 4º O art. 131 da Portaria SECEX nº 35, de 24 de novembro de 2006, passa a vigorar com a seguinte redação, com os parágrafos que se seguem, revogandose o atual § 4º: “Art. 131. Na modalidade suspensão, as empresas deverão comprovar as importações e exportações vinculadas ao regime, por intermédio do módulo específico de Drawback do Siscomex, no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. § 1º As DI e os RE indicados no módulo específico Drawback do SISCOMEX deverão estar necessariamente vinculados ao Ato Concessório. § 2º. Não será permitida a inclusão de AC no campo 24, bem como no campo 2a de código de enquadramento de drawback, após a averbação do registro de exportação, exceto nas operações cursadas em consignação. § 3º Poderão ser admitidas alterações, solicitadas no Siscomex e por meio de processo administrativo, para modificar dados constantes do campo 24, desde que mantido o código de enquadramento do drawback.”(NR) (...) Art. 7º Fica alterada a redação do art. 167 da Portaria SECEX nº 35, de 24 de novembro de 2006, para a que se segue: “Art. 167. Poderão ser efetuadas alterações no RE, exceto quando: I envolverem inclusão de ato concessório no campo 24, bem como de código de enquadramento de drawback, após a averbação do registro de exportação; ou II – realizadas durante o curso dos procedimentos para despacho aduaneiro.”(NR) Art. 8º Fica revogada a Circular n° 39, de 3 de agosto de 2007, da Secretaria de Comércio Exterior, publicada no Diário Oficial da União de 8 de agosto de 2007. Art. 9º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. [negritei] Inclusive, o teor da Circular SECEX nº 39 de 03/08/2007, abaixo transcrita, posteriormente revogada pela Portaria Secex nº 33/2007, revela que a Secex vinha, até então, aceitando retificações de RE para fins de enquadramento no regime de drawback suspensão: Circular SECEX nº 39 de 03/08/2007 (Revogada pela Portaria SECEX nº 33, de 30.10.2007, DOU 31.10.2007) (...) Fl. 896DF CARF MF 8 2. Para tanto, considerandose o previsto nos itens 3 e 4 do Anexo "F" da Portaria Secex nº 35, de 24 de novembro de 2006, fica limitado em 5 de outubro de 2007 o prazo para solicitação de alteração de RE efetivados e averbados para fins de inclusão, exclusão ou alteração de informações nos campo 2a, quando envolver código de enquadramento referente a drawback, e 24, com vistas à comprovação do regime. 3. Os RE efetivados e/ou averbados, a partir da mesma data, deverão conter nos campos 2a e 24 as informações necessárias para comprovação do regime, conforme estabelecido na legislação citada no parágrafo anterior, uma vez que não será aceito pedido de alteração de RE após a averbação para esse fim. [grifos e negritos meus] No caso específico dos autos, os Registros de Exportação apresentados em sede de impugnação são anteriores a 31.10.2007 (Portaria Secex nº 33/2007), e também anteriores a 05.10.2007 (Circular SECEX nº 39/2007), eis que foram registrados em 26/10/2006 e 22/01/2007. Dessa forma à época dos Registros de Exportação não estava vigente a restrição de retificação para fins de enquadramento no regime de drawback. Assim, não obstante as relevantes preocupações do julgador de primeira instância acerca da alteração de dados da exportação após o embarque das mercadorias, quando essas não poderiam ser mais fiscalizadas pela Aduana, o fato é que tais questões não estavam previstas em nenhuma norma legal ou infralegal à época das exportações, devendo, então, no presente caso, serem aceitas as retificações de RE's para fins de enquadramento no regime após a averbação do embarque. No mais, observase o produto objeto da Nota Fiscal nº 020178 foi efetivamente exportado por intermédio do RE nº 06/1672891001, de 26/10/2006, conforme trechos abaixo da Nota Fiscal, Memorando Exportação e extrato do RE: Nota Fiscal nº 20178: Memorando Exportação (fl. 652): Fl. 897DF CARF MF Processo nº 10314.006477/200884 Acórdão n.º 3402004.845 S3C4T2 Fl. 894 9 Extrato do RE nº 06/1672891001: Da mesma forma, confirmase que o produto objeto da Nota Fiscal nº 20367, de 17/10/2007, foi exportado por intermédio do RE nº 07/0096138001, registrado em 22/01/2007, como se vê abaixo: Nota Fiscal nº 20367: Fl. 898DF CARF MF 10 Memorando Exportação (fl. 656): Extrato do RE nº 07/0096138001: Fl. 899DF CARF MF Processo nº 10314.006477/200884 Acórdão n.º 3402004.845 S3C4T2 Fl. 895 11 Com efeito, relativamente ao Ato Concessório nº 20050132458, é de se considerar o adimplemento pela recorrente do compromisso de exportar. Tendo em vista o acatamento das razões de mérito, deixo de apreciar a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente, nos termos do art. 59, §3° do Decreto nº 70.235/72. Assim, por todo o exposto acima, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 900DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.720236/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 25/11/2008 a 28/07/2011
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. USO DE RECURSOS DE TERCEIROS. CARACTERIZAÇÃO.
A comprovação da transferência, do real adquirente para o importador ostensivo, dos recursos financeiros utilizados na quitação da operação de importação, cumulada com a ocultação do primeiro no despacho aduaneiro de importação realizado pelo segundo, configura interposição fraudulenta de terceiro (comprovada), definida no artigo 23, V, do Decreto-lei 1.455/1976.
OCULTA REAL COMPRADOR. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. POSSIBILIDADE.
Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EXIGÊNCIA DE TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. FORMALIDADE NÃO ESSENCIAL. AFASTAMENTO DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
1. No âmbito do processo administrativo fiscal, quando a lei não prescrever forma determinada, os atos e termos processuais conterão somente o indispensável à sua finalidade. Esse é o mandamento que define como a regra a liberdade de forma e exceção o estabelecimento de forma ou formalidade, que necessita de prescrição legal.
2. O Termo de Sujeição Passiva Solidária não se encontra definido ou previsto em lei ou em qualquer outro ato normativo, sequer em normas internas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o que o qualifica como um dos instrumentos passíveis, mas não indispensável ou obrigatório, para efeito de atribuição de sujeição passiva ou responsabilidade solidária tributária.
3. Se todos os sujeitos passivos solidários foram cientificados do auto de infração por meio legítimo, a ausência do referido Termo não configura o descumprimento de formalidade essencial de modo afastar a condição de sujeição passiva solidária, por cerceamento do direito de defesa, de qualquer responsável solidário regularmente incluído no polo passivo da autuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Marcos Roberto da Silva, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Renato Vieira de Avila e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 25/11/2008 a 28/07/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. USO DE RECURSOS DE TERCEIROS. CARACTERIZAÇÃO. A comprovação da transferência, do real adquirente para o importador ostensivo, dos recursos financeiros utilizados na quitação da operação de importação, cumulada com a ocultação do primeiro no despacho aduaneiro de importação realizado pelo segundo, configura interposição fraudulenta de terceiro (comprovada), definida no artigo 23, V, do Decreto-lei 1.455/1976. OCULTA REAL COMPRADOR. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. POSSIBILIDADE. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EXIGÊNCIA DE TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. FORMALIDADE NÃO ESSENCIAL. AFASTAMENTO DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, quando a lei não prescrever forma determinada, os atos e termos processuais conterão somente o indispensável à sua finalidade. Esse é o mandamento que define como a regra a liberdade de forma e exceção o estabelecimento de forma ou formalidade, que necessita de prescrição legal. 2. O Termo de Sujeição Passiva Solidária não se encontra definido ou previsto em lei ou em qualquer outro ato normativo, sequer em normas internas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o que o qualifica como um dos instrumentos passíveis, mas não indispensável ou obrigatório, para efeito de atribuição de sujeição passiva ou responsabilidade solidária tributária. 3. Se todos os sujeitos passivos solidários foram cientificados do auto de infração por meio legítimo, a ausência do referido Termo não configura o descumprimento de formalidade essencial de modo afastar a condição de sujeição passiva solidária, por cerceamento do direito de defesa, de qualquer responsável solidário regularmente incluído no polo passivo da autuação. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10111.720236/2012-12
anomes_publicacao_s : 201803
conteudo_id_s : 5841399
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-005.279
nome_arquivo_s : Decisao_10111720236201212.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10111720236201212_5841399.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Marcos Roberto da Silva, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Renato Vieira de Avila e José Renato Pereira de Deus.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
id : 7170621
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:13:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050009607340032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2116; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 482 1 481 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10111.720236/201212 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.279 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2018 Matéria CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Recorrente THINETWORKS PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 25/11/2008 a 28/07/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. USO DE RECURSOS DE TERCEIROS. CARACTERIZAÇÃO. A comprovação da transferência, do real adquirente para o importador ostensivo, dos recursos financeiros utilizados na quitação da operação de importação, cumulada com a ocultação do primeiro no despacho aduaneiro de importação realizado pelo segundo, configura interposição fraudulenta de terceiro (comprovada), definida no artigo 23, V, do Decretolei 1.455/1976. OCULTA REAL COMPRADOR. DANO AO ERÁRIO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. POSSIBILIDADE. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EXIGÊNCIA DE TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. FORMALIDADE NÃO ESSENCIAL. AFASTAMENTO DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do processo administrativo fiscal, quando a lei não prescrever forma determinada, os atos e termos processuais conterão somente o indispensável à sua finalidade. Esse é o mandamento que define como a regra a liberdade de forma e exceção o estabelecimento de forma ou formalidade, que necessita de prescrição legal. 2. O Termo de Sujeição Passiva Solidária não se encontra definido ou previsto em lei ou em qualquer outro ato normativo, sequer em normas internas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), o que o qualifica AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 02 36 /2 01 2- 12 Fl. 482DF CARF MF 2 como um dos instrumentos passíveis, mas não indispensável ou obrigatório, para efeito de atribuição de sujeição passiva ou responsabilidade solidária tributária. 3. Se todos os sujeitos passivos solidários foram cientificados do auto de infração por meio legítimo, a ausência do referido Termo não configura o descumprimento de formalidade essencial de modo afastar a condição de sujeição passiva solidária, por cerceamento do direito de defesa, de qualquer responsável solidário regularmente incluído no polo passivo da autuação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Marcos Roberto da Silva, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Renato Vieira de Avila e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos adotase o relatório contido no acórdão recorrido, que seque transcrito: Contra a empresa THINNETWORKS PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA, ora d. Impugnante, já devidamente qualificada nos autos deste processo, foi lavrado Auto de Infração (AI), por AFRFB em exercício na Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília Pres. Juscelino Kubitschek DF, em sede de procedimento especial de fiscalização para averiguar a regularidade das importações por conta e risco próprios realizadas pela empresa LCE TECNOLOGIA DA INFORMÁTICA E INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS LTDA (CNPJ 09.286.571/000180), doravante denominada LCE, ao final da qual restou apurada a infração tipificada como “Dano ao Erário”, decorrente da ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, em face da impossibilidade de apreensão das mercadorias, vez que não foram localizadas ou já tinham sido consumidas, com um montante do crédito apurado no valor total de R$ 1.488.698,80. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 483 3 O procedimento teve início em 19 de agosto de 2011, com ciência à D. Impugnante e à empresa LCE do Termo de Início de Procedimento Especial, expedido em sede de cumprimento dos Mandados de Procedimento Fiscal n° 01176002011000811 e 0117600 2011000889, respectivamente, destinados a verificar a capacidade operacional, bem como a origem lícita, efetividade e transferência dos valores requeridos para o financiamento das operações do comércio exterior praticadas no período fiscalizado, consoante a disciplina prevista na IN SRF nº 228/2002. Na ocasião as pessoas jurídicas objeto de fiscalização foram intimadas a apresentar um rol de documentos fiscais e contábeis referentes ao registro de suas operações entre os anos de 2008 a 2011. Em síntese, a ação fiscal teve início após divergências verificadas por ocasião da conferência física de uma das importações da LCE (DI nº 11/14020062), assim registrada pela autoridade fiscal: “... em procedimento de verificação da mercadoria submetida a despacho de importação por meio da DI nº 11/14020062, ..., constatei que parte dos produtos importados traz a indicação da empresa “Thinnetworks” na embalagem ou em etiquetas afixadas ao produto ou gravadas no próprio produto...”. Na sequência, a fiscalização procedeu a diligência nas instalações da LCE e da d. Impugnante, reteve documentos fiscais e correspondências comerciais no interesse da ação fiscal (fls. 25 a 38) e tomou declaração a termo do Sr. Luiz Cláudio Maia Ferreira – fls. 24 a 25), sócio diretor das DUAS empresas. Alguns pontos da declaração do Sr. Luiz Cláudio destacavam: “1) A motivação para a criação da empresa LCE teve como finalidade a redução de custo e a utilização de benefícios fiscais (Pró DF);...3) Administrativamente os sócios e diretores são os mesmos, mas as folhas de pagamento são separadas; 4) Em termos contábeis e fiscais as duas empresas são separadas e que as duas empresas funcionam de maneira independentes entre si; 5) A LCE industrializa e vende seus próprios produtos e que a Thinnetworks vende produtos no atacado;... 7) O principal cliente da empresa LCE é a empresa Thinnetworks; 8) A justificativa para preços abaixo do mercado se deve pela utilização de tecnologia disruptiva, ou seja, peças sem continuidade de fornecimento, sem garantia e que estão, pelo menos, duas gerações atrás da tecnologia atual; ...11) Os recursos para as importações da LCE vêm de recursos próprios dos sócios advindos dos lucros distribuídos pela empresa Thinnetworks. São empréstimos dos sócios; ... 13) Os funcionários da LCE não trabalham fisicamente na área da Thinnetworks, pois a LCE possui espaço próprio. 14) Existe mais de um endereço no mesmo espaço físico.” A identificação da d. Impugnante em embalagens de mercadorias importadas pela LCE; a declaração do Sr. Luiz Cláudio; a localização das duas empresas “no mesmo espaço com pouca separação”, inclusive com estoque de mercadorias Fl. 484DF CARF MF 4 comum, localizado em área da empresa LCE; a localização de “documentos fiscais e operacionais da empresa LCE na área administrativa da empresa Thinnetworks”; o “gerente Administrativo da Thinnetworks, Sr. Alexandre Arci, é responsável pelos procedimentos administrativos referentes às importações da LCE, inclusive, pela relação com os despachantes aduaneiros”; a localização de “Contrato de exclusividade no Brasil da fabricante Peplink com a empresa Thinnetworks, sendo que os produtos da Peplink são importados pela LCE e integralmente repassados para a Thinnetworks” e a constatação de que a empresa LCE não recolhe o IPI devido na revenda das mercadorias importadas, fruto dos levantamentos iniciais e diligências realizadas, foram tomados pela fiscalização como indícios de interposição fraudulenta nas importações da LCE, com fim de ocultar seu real adquirente, no caso, a d. Impugnante, com “quebra da cadeia do IPI”, afastando da base de cálculo deste imposto a margem agregada na revenda dos produtos. Na mesma data de início da ação fiscal, o Diretor da LCE e da Thinnetworks, Sr. LUIZ CLAUDIO MAIA FERREIRA, constituiu através de procurações públicas o Sr. Alexandre Fragoso Arci (CPF nº 012.897.17621), procurador da D. Impugnante e da LCE. Após um extenso rol de providências relatadas pela fiscalização para a tomada e apresentação dos documentos objeto das intimações fiscais, ao final, após prorrogação de prazos e reintimações para partes faltantes, todo o objeto das intimações restou devidamente atendido (fls. 44 e 45). Por haver dúvidas quanto ao preço praticado pela empresa LCE em suas importações, a fiscalização intimou o importador LCE a apresentar correspondências comerciais que confirme a veracidade dos preços praticados. Em atendimento, a foram apresentadas faturas comerciais proforma e alguns emails que demonstraram ter existido negociação de preços para os produtos por ela importados. As correspondências eletrônicas de negociação com o fornecedor são assinados com o logotipo da Thinnetworks, conforme observou a fiscalização como mais um elemento indiciário da ocultação do real importador. A fiscalização ressaltou que, apesar dos fortes indícios encontrados, “não conseguiu alcançar provas suficientes que determinassem a ocorrência de subfaturamento nas importações analisadas qa\ uma vez que a legislação afasta o arbitramento dos preços sob suspeita quando a empresa apresenta documentos de instrução das declarações aduaneiras tais como correspondência comercial, incluídos os documentos de negociação e cotação de preços, conforme o disposto no Artigo 86, inciso II, combinado com o Artigo 18 caput e §1º, todos do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro).” (fl. 46). No desdobramento da ação fiscal, mediante a tomada de informações, análise dos documentos apresentados e dos registros contábeis e fiscais efetuados pelas empresas, foi possível apurar diversos fatos e elementos indiciários, utilizados pela fiscalização para fundamentar e caracterizar a ocorrência da conduta autuada, dos quais destacaremos os principais, como Fl. 485DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 484 5 segue, divididos nos seguintes tópicos, igualmente adotados pela fiscalização: 1. Integralização do Capital Social da empresa LCE; 2. Financiamentos das operações de comércio exterior empréstimos dos sócios; 3. Pagamentos das vendas das mercadorias para a Thinnetworks; 4. Ambiente físico da empresa; 5. Vendas sem estoque próprio. 1. Integralização do Capital Social da empresa LCE: A) Que, conforme Contrato Social apresentado por ocasião da intimação fiscal, a integralização do Capital Social se deu em 03/12/2007, em moeda corrente, no valor de R$ 60.000,00, com 60% das cotas para o Sr. Luiz Cláudio Maia Ferreira e 40% restante para a Sra. Eliane Lignelli; B) Que a subscrição tomou assento nos registros contábeis da empresa em 03/01/2008, com lançamentos a crédito de conta do Patrimônio Líquido e a débito da conta Caixa, descritos como "RECEB. SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO DE 36.000 COTAS DO CAPITAL SOCIAL LUIZ CLAUDIO MAIA FERREIRA" e "RECEB. SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO DE 24.000 COTAS DO CAPITAL SOCIAL ELIANE LIGNELLI"; C) Que em seguida, nos dias 03/01/2008, 31/01/2008, 13/02/2008 e 02/06/2008, são registrados lançamentos que creditam a conta Caixa para pagamentos diversos, no valor total de R$ 1.169,13; D) Que em 04/06/2008 é registrado o lançamento 13, identificado como "VLR. DEPOSITO EM 04/06/2008 SALDO INICIAL DA C/C BCO. BRASIL", a crédito em Caixa e débito em Bancos C/ Movimento, no valor de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), quantia exata valor do capital integralizado; E) Que este lançamento, entretanto, é acobertado por documento apresentado pela LCE para comprovar a integralização do Capital Social e que corresponde, na verdade, a uma transferência bancária da THINNETWORKS para a LCE no valor de R$ 60.000,00 (fl. 51); F) Que tendo sido o lançamento anterior aquele atribuído à efetiva integralização do Capita Social, podese concluir que os dois lançamentos anteriores referentes à integralização, em 03/01/2008, são fictícios e que a disponibilidade inicial de caixa no valor de R$ 60.000,00 não existiu até cinco meses após o registro contábil de integralização e que, em decorrência, aqueles lançamentos a crédito da conta Caixa foram financiados com recursos de origem não comprovada; G) Que igualmente podese concluir da forma como o Capital Social foi efetivamente integralizado que os recursos que passam a financiar a operação da empresa a partir de 04/06/2010 são Fl. 486DF CARF MF 6 originados de terceiros, mais precisamente da empresa THINNETWORKS, e não dos sócios; H) Por sua vez, a d. Impugnante registra em seu Livro Caixa a transferência bancária para a LCE como "VLR. SUPRIMENTO DE CAIXA", a crédito na conta Bancos e débito em Caixa, não sendo localizado qualquer lançamento posterior no mesmo valor que refletisse a transferência para a LCE, ficando tal valor registrado de forma fictícia no Caixa da THINNETWORKS. 2. Financiamento das operações de comércio exterior – empréstimos dos sócios: I) Quando questionado sobre a origem dos recursos para financiamento das operações de importação da LCE, o Sr. Luiz Cláudio, sócio administrador da LCE e da THINNETWORKS, respondeu que como a LCE ainda não é lucrativa, os recursos da LCE vêm de recursos próprios e de empréstimos dos sócios; J) Que os lançamentos contábeis que a LCE registra como empréstimos de sócios na verdade correspondem a transferências bancárias provenientes da THINNETWORKS, conforme comprova os extratos bancários, sendo os registros contábeis realizados na THINNETWORKS sempre a crédito da conta Banco para debito na conta Caixa; K) Que a “distribuição de lucros da THINNETWORKS só acontece ao final do exercício na apuração do resultado do exercício. Neste momento, há um lançamento de "resultado do exercício" tendo como contrapartida a conta "caixa". Somente então a conta caixa tem seu saldo corrigido. Este lançamento, entretanto, também não encontra respaldo na realidade, pois os valores correspondentes aos suprimentos de caixa já haviam sido transferidos diretamente para a LCE.”; L) Que buscando uma aparência de legitimidade aos empréstimos dos sócios, a LCE apresentou três contratos de empréstimo com o sócio Sr. Luiz Cláudio, para os quais não “há qualquer contabilização referente à celebração dos contratos de empréstimos, assim como não há efetiva transferência dos valores contratados”; M) Na sequência de seu intuito probatório, a fiscalização destaca um extenso rol de casos analisados nos quais apresenta os valores lançados como empréstimos de sócios na LCE como “transferências de recursos advindos da Thinnetworks que financia assim todos as importações ditas como própria da LCE”, registradas na THINNETWORKS como suprimento da conta Caixa contra crédito na conta Bancos e registro de idêntico valor para Empréstimos de Sócios na LCE (fls. 56 a 118); N) Acrescenta ainda que “o total de valores ditos como empréstimos dos sócios, mas que conforme demonstrado acima são transferências diretas de recursos provenientes da Thinnetworks, assumiram o montante total em 2008, 2009, 2010 e 2011 de R$ 1.488.698,80 e o valor CIF das mercadorias importadas para o mesmo período atingiram o montante de R$ 1.552.101,43”, classificando tais empréstimos como uma ficção Fl. 487DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 485 7 contábil, para assim concluir que “as operações de importação realizadas pela LCE, na realidade foram custeadas pela THINNETWORKS, que é quem adquire os produtos importados ou produzidos pela LCE a partir de mercadorias importadas”. 3. Pagamento das vendas das mercadorias para a Thinnetworks. O) Que nas vendas da LCE para a THINNETWORKS, apenas parte do valor das notas fiscais é efetivamente liquidado pela adquirente, uma vez que tais operações na LCE já haviam sido financiadas pela Thinnetworks em suas transferências; P) Para comprovar a conclusão, a fiscalização cita vários registros contábeis levantados, destacados entre as fls. 119 a 132; 4. Ambiente físico da empresa: Q) Que a LCE e a THINNETWORKS mantêm, junto ao cadastro de pessoa jurídica da Receita Federal, o mesmo endereço de funcionamento; R) Que em diligências realizadas nas duas empresas foi apurado que ambas possuem apenas uma separação física parcial. Apesar de ocuparem espaços físicos separados, há passagens internas de uma para outra empresa, com compartilhamento de espaços comuns. Somente a THINNETWORKS mantém área de recepção e não há controle de acesso físico entre as empresas; S) Que na sala da gerência administrativa e financeira da THINNETWORKS, foi encontrada toda documentação original das importações da LCE; T) Que muito embora a THINNETWORKS declare que mantém estoque físico de mercadorias em sua sede, constatouse sua localização em área da LCE, no qual foram encontradas caixas de mercadorias identificadas para como de propriedade da LCE e da THINNETWORKS; U) Que no processo de habilitação ordinária da LCE (Processo n° 10111.000072/201114) junto à Receita Federal, a LCE apresenta contratos de aluguel do imóvel em que está instalado seu estabelecimento, sendo o primeiro contrato da Thinnetworks como locatária junto ao proprietário do imóvel e o segundo da LCE como locatário junto à Thinnetworks, este no valor mensal de R$ 5.500,00, parcela que em análise da contabilidade da LCE não consta lançada, inexistindo assim despesas com aluguel. 5. Vendas sem estoque próprio: V) Que a THINNETWORKS realiza vendas para o mercado interno de produtos importados pela LCE e ainda não revendidos para a mesma, demonstrando, mais uma vez, que as duas empresas funcionam como uma só; Fl. 488DF CARF MF 8 W) Que em tais operações, a THINNETWORKS sequer se preocupa que a LCE realize a venda interna para a THINNETWORKS, antes de revender o produto para terceiros; X) Que em levantamento realizado, verificase que a THINNETWORKS opera na totalidade do tempo com estoque negativo do referido produto, isto porque está, de fato, operando com o estoque da LCE e, de tempos em tempos, realiza aquisição de produtos da LCE para "repor" o estoque, conforme tabela anexada ao auto para determinado produto, aqui reproduzida apenas em sua parte inicial: [...] 6. Demais considerações da fiscalização: Y) Que em consulta aos sistemas informatizados da RFB em relação à LCE, constatase nenhum recolhimento de IRPJ (imposto de renda pessoa jurídica) para o ano de 2008, e apenas R$ 574,20 e R$ 4.248,29 para os anos de 2009 e 2010, respectivamente, sem recolhimento algum para os demais tributos e contribuições; Z) Que ao deixar a empresa LCE de cumprir requisitos e condições para a importação por conta e ordem de terceiro, um consequente prejuízo foi provocado ao controle aduaneiro e aos montantes devidos de IPI, PIS/PASEP e CONFINS, uma vez que o real adquirente deixou de figurar como contribuinte do IPI por ocasião da revenda das mercadorias e na base de cálculo das contribuições não foram incluídos o valor dos serviços prestados ao adquirente (para o importador) e a receita auferida com a comercialização da mercadorias importadas (para o adquirente); AA) Que por tudo que foi descrito neste relatório e apurado no curso do PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL N° 10111.720062/201280 resta comprovado que a empresa LCE ocultou dolosamente o real adquirente das mercadorias, empresa Thinnetworks; BB) Que na forma da presunção legal prevista no art. 27 da Lei 10.637/2002, uma vez comprovado que os recursos eram oriundos da empresa Thinnetworks, resta provado que a importação foi realizada por conta e ordem da Thinnetworks, sem a sua devida caracterização na declaração de importação, o que constitui infração punida com pena de perdimento dos bens, convertida em penalidade pecuniária pela impossibilidade de apreensão dos bens, na forma da legislação destacada; CC) Que as empresas THINNETWORKS, LCE e seus sócios devem aparecer como figura solidária e responsável no pólo passivo para as penalidades aplicadas, na forma prevista nos artigos 124, 134 e 135 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei n° 5.172/66. De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pela d. Impugnante podem ser sinteticamente descritas como seguem (fls. 189 a 347). Fl. 489DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 486 9 (A) Arguiu a d. Impugnante, em sede preliminar, a reunião de 13 (treze) processos elencados, dizendo se tratar do mesmo contribuinte e mesma motivação, uma vez que foram desnecessariamente multiplicados, em desrespeito a princípios constitucionais da eficiência, tumultuando o trabalho fiscal e defesa do autuado; (B) Que a Thinnetworks surgiu da inviabilidade de operação de uma empresa individual, a LC Maia Ferreira, frente a uma ampliação dos negócios; (C) Que de uma incipiente iniciativa no aprimoramento de projetos junto a fornecedores, nasceu a oportunidade de criação de sua própria indústria, constituída através da LCE Tecnologia de Informação Ltda, aproveitandose de toda uma expertise profissional do sócio Sr. Luiz Cláudio e de necessidade do mercado; (D) Que para se tornar competitiva como indústria, tornavase necessário à LCE a obtenção de incentivos fiscais, conseguidos a altos custos administrativos junto ao governo do Distrito Federal. Até então, em quase seus dois anos de existência, importou pequenas quantidades de insumos, fabricando seus produtos, utilizando e difundindo a marca Thinnetworks; (E) Que diante da necessidade de ampliar seu montante de importação, requereu junto a RFB sua habilitação na modalidade ordinária no início de 2011, tendo sido o pleito indeferido após 168 dias de análise da documentação, em desacordo aos prazos legais previstos para conclusão do trâmite na IN SRF 605/2006; (F) Que o indeferimento da habilitação ordinária se deu pela desconsideração indevida dos empréstimos dos sócios à empresa LCE, por resultarem de transferências bancárias da Thinnetworks para a LCE, não os aceitando como distribuição de lucros aos sócios; (G) Que inexiste a obrigatoriedade de se guardar dinheiro em bancos ou até mesmo destas parcelas referentes aos lucros distribuídos circularem por mais de conta para assim estarem corretamente configuradas; (H) Que tais transferências foram realizadas de forma direta apenas para agilizar o processo de compensação bancária e reduzir tarifas; (I) Que para esclarecer a questão, anexaram a este recurso as declarações de rendimento que o sócio Luiz Cláudio auferiu da Thinnetworks nos anos de 2008, 2009 e 2010, além da Declaração de Informações EconômicasFiscais de Pessoa jurídica da citada empresa; (J) Que atribui o indeferimento de sua habilitação ordinária e todos os demais procedimentos fiscais realizados contra a empresa a arbitrariedade de servidor, conforme relatos que Fl. 490DF CARF MF 10 apresenta em exaustiva citação, inclusive com pedido de instauração de procedimento administrativo para apuração dos fatos e consequente punição do servidor, civil e criminalmente; (K) Que após obterem o deferimento da habilitação ordinária, mais uma vez voltaram a ser alvo da ação fiscal, com diligência à empresa e abertura de procedimento especial de fiscalização; (L) Que na valoração da carga que se encontrava no curso do despacho, para efeito de apresentação de garantia, não considerou a RFB os motivos que a levam a obtenção de baixos custos no mercado fornecedor, como a utilização de tecnologia disruptiva, o desenvolvimento de produtos customizados para o tipo especifico de aplicação e a compra em volume diretamente na origem, não lhe restando outra opção que não a via judicial, a qual determinou a liberação da carga; (M) Caracterizando toda a defesa até então apresentada como contextualização dos fatos, inicia sua impugnação, ressaltando que a fiscalização se utiliza dos mesmos fatos para aplicarlhe diversos enquadramentos legais possíveis, com o único propósito de punila a qualquer preço, como ato de vingança à denúncia que apresentou contra outro auditor; (N) Que os indícios que motivaram o início da ação fiscal estão fundados em equívoco da fiscalização com relação à indicação do nome Thinnetworks nos produtos exportados, estando corretamente destacado na declaração de importação a identificação do exportador, CHAM TOUGH TECNOLOGY (CHINA) LIMITED, ressaltando se tratar a Thinnetworks uma marca comercial, registrada no INPI, com circulação internacional, cabendo à LCE apenas a industrialização de bens sob encomenda; (O) Que o indício de subfaturamento igualmente apontado pela fiscalização para início da ação fiscal foi pela mesma afastado; (P) Que a alegação de ser a d. Impugnante a real adquirente das mercadorias advém da simples desconsideração da condição de fabricante da LCE, que utiliza seus produtos importados apenas como insumo para fabricação dos produtos finais encomendados pela D. Impugnante, daí ser a mesma o primeiro grande cliente da LCE. Ressalta, recorrentemente, que existe uma grande diferença em aquisição de mercadoria importada e posterior venda na mesma forma como foi adquirida e a aquisição de insumos para industrialização, para posterior venda de um produto final, totalmente diverso daquilo que se importou; (Q) Que a constituição de mais de uma empresa pela mesma base societária não representa qualquer pecado capital, não podendo ser este motivo para presunções; (R) Com relação ao funcionamento das empresas no mesmo espaço, ressalta que as mesmas funcionam apenas no mesmo lote, mas com endereços diferentes, conforme alvarás que anexa à defesa; (S) Com relação aos estoques de ambas as empresas encontraremse em depósito na área da empresa LCE, no qual Fl. 491DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 487 11 foram encontradas caixas identificadas como de propriedade da d. Impugnante, acusa o equívoco ao desconhecimento da fiscalização do que ocorre quando uma indústria elabora os produtos finais de uma encomendante, pois se a LCE é a responsável por construir o produto final encomendado pela D. Impugnante, a LCE deverá entregar o produto final, e não meio produto. E isso significa que no momento de produção, diversos insumos e caixas com a marca Thinnetworks serão encontrados na área de estoque e na esteira da LCE e isso está absolutamente dentro dos ditames legais, não significando nada mais do que isso; (T) Com relação aos documentos operacionais e fiscais da empresa LCE encontrados na área administrativa da empresa Thinnetworks, afirma que esses documentos só provam que a relação entre as empresas existe, é legal e tratase de encomendas da D. Impugnante contra a LCE; (U) Com relação ao Gerente Administrativo da Thinnetworks ser o responsável pelos procedimentos administrativos referentes às importações da LCE, inclusive pela relação como os despachantes aduaneiros, ressalta que o Sr. Alexandre Arei é procurador das duas empresas e tem procuração por instrumento público que lhe confere uma série de poderes e tudo isso conforme determina a lei, não havendo óbice legal, moral e ético para que esse tipo de relação não possa ocorrer; (V) Com relação ao contrato de exclusividade no Brasil da fabricante Peplink com a empresa Thinnetworks, sendo que os produtos da Peplink são importados pela LCE e integralmente repassados a Thinnetworks, ressalta que a Peplink fabrica os seus equipamentos para utilização no mercado asiático e para que tais equipamentos sejam utilizados no Brasil é necessária uma séria de adequações técnicas, tendo sido a LCE, como uma fornecedora de Serviços de Manufatura de Componentes Eletrônicos (EMS Electronic Manufacturing Services), contratada pela Thinnetworks para realizar tais adequações, típicas de uma atividade de industrialização; (W) Com relação ao não recolhimento de IPI, atribuilhe à compensação de créditos do imposto recolhidos na importação, na forma da legislação que trata da matéria; (X) Com relação aos emails utilizados nas negociações da LCE com o fornecedor, no que a fiscalização aponta como indício da ocultação do real importador a utilização de correspondências em nome da Thinnetworks, ressalta a inexistência de impedimento legal de pessoas que respondem pelas suas empresas e os seus parceiros comerciais em utilizar os emails que lhes forem convenientes, sejam das empresas que representam, sejam pessoais, sejam de terceiros, afinal quem se comunica são as pessoas e não as empresas; (Y) Na sequência, a d. Impugnante faz várias considerações alheias à autuação em questão, referentes à exigência de garantia para liberação de despacho de importação em curso; Fl. 492DF CARF MF 12 (Z) Que é inverídica a alegação que a LCE não faz qualquer consideração sobre a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas e repassadas integralmente à empresa Thinnetworks, pois apenas a d. Impugnante não tinha que fazer consideração alguma sobre aquilo que não estava sendo arguido e que em momento algum a D. Impugnante foi informada que estava sendo fiscalizada por um procedimento que procurava apurar ocultação do sujeito passivo; (AA) Que não há como se falar em quebra de cadeia do IPI, uma vez que a LCE é uma indústria, sendo assim o IPI monofásico, incidindo apenas na etapa de industrialização; (BB) Com relação à integralização inicial do capital social da LCE, em que a fiscalização aponta inveracidade nos registros em relação à situação fática, em relação a datas de registros e origem dos recursos, a d. Impugnante afirma que seu capital social foi registrado contabilmente como entrado pelo caixa, pois não havia como abrir conta no nome da empresa antes de sua constituição legal. De acordo com as normas dos bancos, para abrir uma conta em nome de pessoa jurídica é necessário o prévio registro de seus atos constitutivos e o número da sua inscrição no CNPJ; (CC) Que apesar do valor integralizado ter saído da conta corrente da Thinnetworks, as parcelas de integralização foram consideradas como empréstimos de sócios, pois a Thinnetworks tem lucros suficientes para serem distribuídos aos sócios, sendo que estes realizaram empréstimos à LCE. O que não houve foi a triangulação (Thinnetworks sócios LCE) para evitar cobranças de tarifas bancárias (TED, DOC, etc) em duplicidade; (DD) Que o funcionamento da LCE é financiado pelos sócios, os quais recebem da Thinnetworks como distribuição de lucros, recursos estes de origem comprovada, uma vez que a Thinnetworks é uma empresa idônea e devidamente constituída; (EE) Que as transferências de recursos da Thinnetworks foram nela registrados como suprimento de caixa, mas posteriormente repassada aos sócios como distribuição de lucros, tendo em vista que a empresa possui um montante na conta de Lucros Acumulados de exercícios anteriores, passível de ser usado a qualquer tempo. O fato dos lançamentos serem lançados a débito da conta caixa não interfere em nenhum momento no resultado da empresa, tendo cm vista que ao final do exercício é feita a distribuição de lucros; (FF) Que as entradas de recursos na LCE foram registradas como empréstimos dos sócios, por assim se tratar de transferência entre empresas distintas, porém com os mesmos sócios; (GG) Que todas as compras do exterior foram feitas de forma legal pela LCE, quitando todos os impostos sobre a importação e, após os insumos importados passarem pela fabricação de suprimentos de informática, os produtos são vendidos tanto para a Thinnetworks como para outros clientes no mercado interno; Fl. 493DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 488 13 (HH) Que os contratos de empréstimos foram realizados para registrar que tais valores foram repassados para a LCE a título de empréstimo, enquanto a empresa está numa fase inicial de operação; (II) Que as importações são realizadas pela LCE por ser ela a fábrica que irá utilizar os componentes eletrônicos, que de fato não possuiria recursos para financiar as importações, mas não se pode afirmar que a financiadora seria a Thinnetworks, uma vez que todos os recursos repassados correspondem a distribuição de lucros aos sócios, que por sua vez custearam a LCE; (JJ) Com relação ao tópico destacado pela fiscalização sobre os pagamentos das vendas das mercadorias para a Thinnetworks, rebate cada um daqueles casos apresentados, que pela especificidade a cada caso, estarão dentre os argumentos apresentados destacados por ocasião de sua análise no voto; (KK) Que nenhum documento indica que as importações foram realizadas pela Thinnetworks, uma vez que todas as declarações foram realizadas em nome da LCE; (LL) Que a fiscalização não considerou que a LCE é uma empresa enquadrada na apuração fiscal pelo lucro real e que se o aluguel estivesse sendo contabilizado seria pior para o fisco; (MM) Que nas conclusões levantadas pela fiscalização em relação à venda sem estoque próprio pela Thinnetworks, não foram considerados artigos pretéritos e a realidade fática daquilo que se encontrava. Em resumo, teria a fiscalização deixado de considerar: a separação de estoques do produto Roteador PePLink Balance 210 com um dos insumos que o compõe, qual seja, o tradutor de protocolos para interconexão de redes, ignorando seu processo de industrialização; não se considerou o estoque préexistente na empresa Thinnetworks; não se relaciona o número das NF’s citadas na tabela apresentada. Entre as fls. 333 e 334, destaca uma série de incorreções verificadas no levantamento da fiscalização. Ao final, requer que seja reconhecida a improcedência do lançamento, com o arquivamento do processo em questão e de todos os demais citados em sua preliminar, como ainda a apuração de possível ato de improbidade administrativa praticada pelo corpo fiscal na condução da fiscalização. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 385/427), em que, por unanimidade, a impugnação foi julgada improcedente, mantido integralmente o crédito tributário constituído contra a empresa Thinnetworks e, por maioria de votos, mantida a responsabilidade solidária atribuída aos sócios da empresa Thinnetworks, Luiz Cláudio Maia Ferreira e Eliane Lignelli, e à empresa LCE, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 25/11/2008 a 28/07/2011 Fl. 494DF CARF MF 14 IRREGULAR IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO OCULTAÇÃO DO IMPORTADOR DE FATO. Não atendidos os requisitos legais para caracterizar importação regular em uma de suas modalidades possíveis. Aqui não se trata de regular importação por conta e ordem, nem tampouco se trata de regular importação por encomenda, mas sim de simulação de importação direta, com ocultação do real provedor dos recursos que custearam a operação de importação. IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. FORMALIDADES. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O ordenamento jurídico pátrio não determinou a forma por meio da qual o ato processual de cientificação do sujeito passivo solidário deve ser executado. O Processo Administrativo Fiscal limitase a definir as vias pelas quais o sujeito passivo deverá ser cientificado (pessoal, postal, edital ou eletrônica) e respectivos prazos a serem observados, não estabelecendo um instrumento formal específico a ser adotado para cada modalidade de sujeição passiva (principal ou solidária). O Termo de Sujeição Passiva Solidária não se encontra previsto em qualquer ato normativo, nem mesmo em normas internas da RFB, configurando meramente um dos instrumentos passíveis de eleição pela Administração para atribuição de responsabilidade ao sujeito passivo. Não há como entender que sua ausência possa configurar o descumprimento de instrumentalidade formal que cercearia o direito de defesa do contribuinte, quando se encontra comprovado nos autos que todos os devedores solidários foram devidamente cientificados da autuação e de sua responsabilização. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No dia 25/7/2014, a autuada THINETWORKS e o responsável solidário Luiz Cláudio Maia Ferreira foram cientificados da decisão (fls. 438/439 e 467). Inconformada, em 27/8/2014, apenas a autuada THINETWORKS apresentou o recurso voluntário de fls. 442/462, em que reafirmou as razões de defesa apresentadas na peça impugnatória, especialmente, em relação à alegação de que os recursos utilizados nas referidas operações de importação foram provenientes da integralização do capital e empréstimos dos sócios. No dia 29/8/2014, os outros dois responsáveis solidários, a empresa LCE e a Srª Eliane Lignelli, foram cientificados da citada decisão, porém, não apresentaram recurso. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 489 15 É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. De acordo com Termo Verificação Fiscal (TVF) de fls. 21/161, que integra o presente auto de infração, a fiscalização apurou que as operações de importação, objeto da presente autuação, realizadas e declaradas por conta própria pela responsável solidária TCE, de fato, foram realizadas por conta e ordem da autuada THINNETWORKS, indevida e ilicitamente ocultada dos correspondentes documentos que amparam as citadas operações de importação, conduta tipificada e sancionada nos termos do art. 23, V e §§ 1º e 3º, do Decreto lei 1.455/1976, que na data dos fatos, tinha a redação que segue transcrita: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3oA pena prevista no § 1oconvertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) [...] Conforme a seguir demonstrado, a infração apurada pela fiscalização subsumese perfeitamente à conduta descrita no inciso V do citado art. 23, pois, na condição de real compradora e responsável pelas citadas operações de importação, de forma intencional e Fl. 496DF CARF MF 16 deliberada, a autuada THINNETWORKS foi ocultada nos documentos que serviram de suporte para o processamento dos respectivos despachos aduaneiros de importação. Para alcançar tal propósito, a importadora LCE simulou operações de importação por conta própria, com a evidente finalidade de dissimular a real operação de importação por conta e ordem da autuada. As robustas e consistentes provas coligidas aos autos pela fiscalização, a seguir analisadas, não deixam qualquer dúvida de que nas referidas operações de importação, a importadora LCE utilizou recursos financeiros da autuada, fato presuntivo suficiente para configurar a importação por conta e ordem, nos termos do art. 27 da Lei 10.637/2002, a seguir transcrito: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001. (grifos não originais) Com efeito, após análise dos documentos relativos às operações de importação, apreendidos nos estabelecimentos da autuada e da importadora (relação de fls. 25/38) em cotejo com os dados dos registros contábeis e dos extratos bancários de ambas as empresas, de forma exaustiva, DI por DI, no subitem 4.2 do TVF, as autoridades fiscais demonstraram que os recursos financeiros utilizados nas respectivas operações de importação foram fornecidos, diretamente, pela autuada THINNETWORKS à importadora LCE. A fiscalização apurou que, embora na contabilidade da LCE os ingressos de recursos financeiros fossem registrados como originários de empréstimos de sócios, de fato, tais recursos era provenientes de transferências bancárias realizadas diretamente da contacorrente da autuada para a contacorrente da importadora. A título de exemplo, transcrevese a seguir os relatos da fiscalização sobre a movimentação bancária, respectivos registros contábeis e saldo de disponibilidades de recursos financeiros, realizados nos dias 28/10/2008 e 14/6/2011: 1) Em 28/10/2008 a LCE registra, em sua contabilidade apresentada a esta fiscalização, o valor de R$ 31.000,00 a débito da conta “BANCO HSBC” como ingressos de recursos advindo de empréstimo dos sócios, porém quando cotejamos este lançamento na contabilidade da Thinnetworks verificamos um lançamento na mesma data e no mesmo valor debitando Caixa e creditando a conta “BANCO HSBC” da empresa Thinnetworks, como uma transferência de recursos para o Caixa. Analisando os extratos bancários apresentados pela empresa Thinnetworks, verificamos que nesta data e neste valor realmente o recurso sai da empresa Thinnetworks (“TRANSF CONNECT BANK” como descrição em seu extrato) e não pode ser para o Caixa. Assim, concluímos que efetivamente este recurso proveniente deste suposto empréstimo dos sócios na verdade é um recurso proveniente da Thinnetworks para a empresa LCE e que deveria ser expurgado da conta Caixa da empresa Thinnetworks, uma vez que este valor não existe e está mantendo inflado artificialmente seu ativo [...] Em 14/06/2011, a empresa LCE registra a Declaração de Importação nº 11/10898306 que possui um valor de R$ 12.346,21. Se analisarmos na contabilidade, Livro Razão 2011, Fl. 497DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 490 17 a conta 1.1.1 – DISPONIBILIDADES Conta sintética do Ativo da empresa LCE que agrupa os recursos da empresa responsáveis pelos pagamentos a efetuados pela empresa tais como Caixa e as contas de Bancos, verificamos que nesta data, 15/04/2011, a empresa LCE possuía um saldo de R$ 200.831,09 e assim se eliminássemos todos os recursos anteriores advindos da empresa Thinnetworks, o saldo de Disponibilidade da LCE seria negativo de R$ 1.325.168,91, ou seja, a empresa não teria recursos, o que determina que de fato quem financiou esta importação da empresa LCE foi a empresa Thinnetworks que ficou oculta durante todo processo de importação da empresa. (grifos do original) No final, a fiscalização apurou que o total dos valores alegados como provenientes de empréstimos dos sócios, nos quatros anos fiscalizados, chegaram ao montante total de R$ 1.488.698,80, enquanto que o valor CIF das mercadorias importadas, no mesmo período, atingiram o montante de R$ 1.552.101,43, o que demonstrava “de maneira inequívoca que a empresa Thinnetworks foi a verdadeira responsável pelo importações registradas como próprias pela empresa LCE.” Esses relatos demonstram que os registros contábeis de ambas as empresas não correspondem aos fatos contábeis efetivamente ocorridos, que foram os seguintes: a) transferência de valores monetários da contacorrente da autuada para a contacorrente da importadora; e b) recebimento de valores monetários na contacorrente da importadora proveniente da transferência da contacorrente da autuada. Com efeito, embora os registros contábeis da LCE refiramse a empréstimos dos seus sócios, tendo como contrapartida às contascorrentes bancárias e poucas vezes a conta caixa, a análise dos extratos bancários da citada empresa e da ThinNetworks revela que os valores registrados, de fato, representavam transferências bancárias diretamente da conta corrente da ThinNetworks para a conta corrente da LCE. Portanto, tais registro não representam recursos financeiros provenientes de empréstimos ou integralização de capital dos sócios, como alegou a recorrente, mas adiantamentos de recursos da ThinNetworks para custeio das operações de importação. A recorrente alegou que tais recursos eram provenientes de distribuição de lucros da Thinnetworks, que foram transferidos diretamente entre as duas empresas para agilidade no processo de transferência dos recursos. Porém, a análise dos registros contábeis da ThinNetworks não confirma a alegação da recorrente, conforme bem relatou a fiscalização nos excertos que seguem transcritos: Ao longo de cada ano, a cada operação de transferência de recursos da Thinnetworks para a LCE, a Thinnetworks registra esta operação como uma retirada de bancos para suprimento de caixa da própria empresa Thinnetworks. Contabilmente cada uma das operações está registrada a débito na conta “caixa” e a crédito na conta “bancos c/ movimento” com identificação “VLR. SUPRIMENTO DE CAIXA”. Os extratos bancários comprovam que a cada operação o que ocorre na realidade é uma transferência bancária da Thinnetworks para conta corrente LCE, porém na contabilidade da Thinnetworks estes valores não saem da Fl. 498DF CARF MF 18 empresa ficando inflados artificialmente os valores da conta Caixa. Também não há qualquer registro de distribuição de lucros antecipada e os valores em caixa permanecem de forma artificial no ativo circulante da Thinnetworks, uma vez que estes recursos já foram transferidos. A distribuição de lucros da THINNETWORKS só acontece ao final do exercício na apuração do resultado do exercício. Neste momento, há um lançamento de “resultado do exercício” tendo como contrapartida a conta “caixa”. Somente então a conta caixa tem seu saldo corrigido. Este lançamento, entretanto, também não encontra respaldo na realidade, pois os valores correspondentes aos suprimentos de caixa já haviam sido transferidos diretamente para a LCE. Ora, não há que se falar em lucro sem que o resultado seja apurado e não há que se falar em distribuição de algo que não existe. Ainda, reforçando esta conclusão, não existem registros desta distribuição de lucros para os sócios ao longo do ano na contabilidade. Como os registros contábeis realizados em ambas as empresas não representam o fato contábil efetivamente ocorrido, em correspondência com a documentação respectiva obtida fiscalização (extratos bancários etc.), por força do disposto no art. 1.179 do Código Civil, tais registros são inidôneos, para fins de comprovação de ingressos de recursos na conta bancária da importadora, proveniente de supostos empréstimo bancários realizados pelos seus sócios, porque tais registros representam fatos contábeis distintos do alegado empréstimo. Em conformidade e complementação ao disposto no citado preceito legal, as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC), em especial, a NBC “ITG 2000 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL”, aprovada pela Resolução CFC 1.330/2011, confirma a obrigatoriedade de a escrituração contábil da entidade registrar todos os fatos contábeis, com estrita observância dos Princípios de Contabilidade que devem, necessariamente, ser corroborados por documento de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem os fatos contábeis. Para mais detalhes, veja o teor os seguintes itens relevantes extraídos da referida Resolução, que seguem transcritos: 3. A escrituração contábil deve ser realizada com observância aos Princípios de Contabilidade. [...] 7. O registro contábil deve conter o número de identificação do lançamento em ordem sequencial relacionado ao respectivo documento de origem externa ou interna ou, na sua falta, em elementos que comprovem ou evidenciem fatos contábeis. [...] 14. No Livro Diário devem ser lançadas, em ordem cronológica, com individualização, clareza e referência ao documento probante, todas as operações ocorridas, e quaisquer outros fatos que provoquem variações patrimoniais. [...] Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 491 19 26. Documentação contábil é aquela que comprova os fatos que originam lançamentos na escrituração da entidade e compreende todos os documentos, livros, papéis, registros e outras peças, de origem interna ou externa, que apóiam ou componham a escrituração. 27. A documentação contábil é hábil quando revestida das características intrínsecas ou extrínsecas essenciais, definidas na legislação, na técnicacontábil ou aceitas pelos “usos e costumes”. [...] (grifos não originais) Na tentativa atribuir aparência de legitimidade aos mencionados empréstimos, informou a fiscalizada que, no âmbito do processo nº 10111.000072/201114, em que formalizada o pedido de habilitação da LCE no Siscomex, foram apresentados três contratos de empréstimo do sócio Sr. Luiz Cláudio para a referida empresa. O primeiro, no valor de R$ 1.600.000,00 foi celebrado no dia 30 de dezembro de 2010, e os demais, nos valores de R$ 400.000,00 e R$ 600.000,00 foram celebrados no dia 3 de janeiro de 2011. O primeiro a fiscalização demonstrou que era inidôneo, porque não refletia a realidade contábil da importadora LCE e fora celebrado posteriormente à efetiva transferência dos recursos, com claro propósito de conferir legitimidade aos recursos utilizados nas operações de importação, mediante a simulação de que recursos eram originários do empréstimo do referido sócio. E concluiu a fiscalização: Ainda em relação aos contratos, não há qualquer contabilização referente à celebração dos contratos de empréstimos, assim como não há efetiva transferência dos valores contratados. A LCE, entre janeiro e fevereiro de 2011, registra 6 (seis) transferências bancárias entre a THINNETWORKS e a LCE e um lançamento a débito na conta “caixa”, todos a crédito na conta “empréstimos dos sócios”, no valor total de R$ 364.160,00 (trezentos e sessenta e quatro mil reais). A conta de passivo “empréstimos dos sócios”, em junho de 2011, apresenta saldo credor de R$ 1.964.160,00 (hum milhão, novecentos e sessenta e quatro mil, cento e sessenta reais). Para contrapor a esses fatos, baseados na escrituração contábil e documentação bancárias das referidas empresas, a recorrente limitouse em colacionar ao recurso voluntário em apreço esclarecimentos e justificativas prestados pela empresa terceirizada LTC CONTABILIDADE LTDA., que lhe prestara os serviços de escrituração contábil. Acontece que o referido documento não tem nenhum valor probatório, porque, além de não ter a assinatura do autor, não foi apresentado qualquer documento que corroborasse os supostos esclarecimentos e justificativas apresentados. Em razão dessa características e tendo em conta a suficiência do acervo probatório coligido aos autos, revelase de todo prescindível a conversão do julgamento em diligência, para juntada de novos documentos, conforme suscitado pela recorrente. No presente recurso, a recorrente alegou que só era possível chegar a conclusão de que houve simulação das operações de importação se fossem desconsideradas a Fl. 500DF CARF MF 20 existência de direito da LCE, a integralização de capital e a contabilização dos citados empréstimos. A desconsideração da existência de direito ou de fato da LCE, tratase de alegação estranhas ao motivo da presente autuação, portanto, não merece qualquer consideração a respeito. Já quanto a desconsideração das operações de empréstimos e de integralização do capital social, a fiscalização agiu com acerto ao desconsiderálas, para fins de comprovação das origens dos recursos utilizados nas operações importação em questão, pois, com respaldo em elementos probatórios consistentes, restou comprovado nos autos que os registros contábeis das citadas operações são inverídicos, pois a documentação que dava suporte documental aos supostos empréstimos correspondiam a transferências bancárias da autuada para a importadora, conforme anteriormente demonstrado. A recorrente ainda alegou que existia um erro material que contaminava todo o trabalho fiscal, porque a interposição fraudulenta somente poderia ser considerada presumida, nos casos em que não comprovada a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados, nos termos do § 2º do 23 do Decretolei 1.455/1976, a seguir transcrito: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] Não procede a alegação da recorrente, porque a presente autuação não foi motivada por presunção da infração por interposição fraudulenta, ou seja, aqui não se trata de interposição presumida, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei 1.455/1976, mas em razão da efetiva comprovação da infração, mediante a ocultação do real comprador das mercadorias importadas, no caso, a autuada THINNETWORKS. Diferentemente do alegado pela recorrente, na presente autuação, houve presunção da operação de importação por conta e ordem, prevista no art. 27 da Lei 10.637/2002, em razão da comprovada utilização de recursos da autuada nas correspondentes operações de importação objeto da presente autuação. Cabe ressaltar ainda que a fiscalização apurou e comprovou com elementos probatórios adequados e consistentes outros fatos que, em conjunto, corroboram que as operações de importação foram custeada com recursos financeiros da autuada THINNETWORKS, o que, por presunção, qualificam as correspondentes operações de importação por conta e ordem da autuada, conforme já asseverado. E nessa condição, para conferir, transferir e evitar a ocultação do real comprador, era obrigatória a celebração e a entrega à unidade RFB, de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre estabelecimento da importadora de contrato de prestação de serviços de importação por conta da real compradora, inserção dos dados da autuada nos documentos da operação (faturas e conhecimentos de carga), a inserção do nº do CNPJ da autuada nas respectivas DI, conforme exigem os arts. 1º a 3º da Instrução Normativa SRF 225/2002. Dentre os fatos relevantes que, em conjunto, contribuem para confirmar a conduta infracional em apreço, merecem destaque os seguintes: Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 492 21 1) a integralização do capital social da importadora LCE foi feita com recursos financeiros transferidos da autuada THINNETWORKS. Entretanto, na sua escrituração contábil, a LCE fez um registro contábil inverídico, ou seja, ela registrou a transferência do capital integralizado em dinheiro, no valor de R$ 60.000,00, da conta caixa para a contacorrente bancária, em vez do verdadeiro fato contábil provado, que foi a transferência bancária da autuada THINNETWORKS para a contacorrente da LCE no valor de R$ 60.000,00. 2) várias inconsistências nos pagamentos das mercadoria vendidas para a autuada THINNETWORKS, tais como pagamento de apenas parte do valor da nota fiscal, registro dos valores das vendas em datas diversas daquela de emissão da nota fiscal, falta de lançamento dos valores das vendas, lançamentos contábeis fictícios etc. A análise dos registros contábeis dos registros e pagamentos das vendas feita, pormenorizadamente, pela fiscalização e relatada no subitem 4.3 do TVF, confirmam a artificialidade da situação financeira da importadora LCE, cujos recursos financeiros utilizados no custeio das operações de importação, inequivocamente, foram fornecidos/adiantados pela autuada THINNETWORKS. 3) as referidas empresas operam como se fossem uma só, compartilham espaço físico, armazém, recursos administrativos e mão de obra. A THINNETWORKS realizou vendas para o mercado interno de produtos importados pela LCE e ainda não revendidos para a THINNETWORKS é mais uma das evidência que as duas empresas funcionam como se fossem uma só. A separação formal foi feita apenas para ocultar o real interessado nas operações de importação. Em decorrência, apenas a LCE é penalizada por infrações e pelo não pagamento dos tributos devidos na operação de importação, por ser a única que aparece perante a fiscalização aduaneira. Por todas essas razões, chegase a conclusão que a recorrente era real compradora das mercadorias importadas e foi premeditada e intencionalmente omitida dos documentos que instruem e embasam as operações de importação objeto da presente autuação. Enfim, a recorrente alegou que a decisão recorrida havia inovado a autuação, ao abordar a questão da sujeição passiva solidária. No entanto, “em que pese o Relator ter afastado tal condição por entender que a RFB não obrou no sentido de ter notificado o contribuinte para que pudesse exercer o seu direito de defesa.” Para a recorrente, o direito pátrio exigia que o acusado fosse “cientificado de tal acusação e dos motivos que o levaram a ser acusado para que possa exercer o amplo direito de defesa, expressamente garantido pela Constituição Federal.” Previamente, cabe esclarecer que, diferentemente do alegado pela recorrente, no julgamento de primeiro grau não houve inovação dos fundamentos do auto de infração, mas apreciação de questão não suscitada na peça impugnatória e tampouco contestada pelos sujeitos passivos solidários, que sequer apresentaram peça defensiva. Até porque, todos os autuados foram devidamente cientificados do referido auto de infração, segundo os documentos de fls. 177/180. E na apreciação da questão não impugnada, o motivo apresentado pelo nobre Relator do voto vencido para a exclusão dos sujeitos passivos solidários não foi a falta de ciência ou notificação deles todos ou de algum deles, mas a suposta inobservância de requisito formal, atinente a ausência de lavratura de Termo de Sujeição Passiva Solidária em nome de cada um dos sujeitos passivos solidários. Fl. 502DF CARF MF 22 E por se tratar de questão de ordem pública, a apreciação de ofício da referida questão, certamente, contraria o disposto no art. 17 do Decreto 70.235/1972, que determina que considerase não impugnada “a matéria que tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Entretanto, ainda que inoportuna a abordagem da referida questão não impugnada pela recorrente e pelos sujeitos passivos, no mérito, a nobre Redatora do voto vencedor, fundamentadamente, demonstrou a improcedência do motivo apresentado pelo nobre Relator do voto vencido para afastar os sujeitos passivos solidários do polo passivo da presente autuação. E por se encontrar em consonância com entendimento deste Relator, com respaldo no art. 50, § 3º, da Lei 9.784/1999, aqui adotase, como razão de decidir, os fundamentos esposados no brilhante voto vencedor, cujos excertos relevantes e pertinentes sequem transcritos: Peço licença, outrossim, para discordar tão somente de suas conclusões acerca da sujeição passiva solidária, que, no seu entendimento, restara prejudicada por suposta inobservância de requisito formal, qual seja, a lavratura em separado de Termo de Sujeição Passiva Solidária. Entendeu o i. relator que a indicação, no corpo do auto de infração, da atribuição de responsabilidade solidária pelo crédito tributário aos sócios da autuada e à empresa LCE, desacompanhada dos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária, não deixaria claramente evidenciada a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias. Defendeu, nesse trilhar, que teria havido inobservância de instrumentalidade formal na pretensão da fiscalização em atribuir às pessoas citadas responsabilidade tributária, o que resultaria em prejuízo ao direito de defesa e, por conseguinte, nulidade do feito quanto a tais pessoas. Com a devida vênia, tenho entendimento diferente nessa matéria. Voltando às lições dos doutrinadores, citados com pertinência no voto vencido, há que se reconhecer que, quando se trata de discutir nulidade procedimental, devese ter cuidado para que o exagerado processualismo não desvirtue a técnica e resulte em insegurança jurídica, ou para que a técnica não se sobreponha aos fins. Registro, nesse trilhar, a lição de Tércio Sampaio Ferraz Jr1, que esclarece os contornos da técnica de avaliação finalística do ato administrativo, em comparação com o que denomina validade condicional2: 16. Distinto é o caso da validação finalista. Aqui não é possível desvincular meios e fins, pois a prefixação dos fins exige que eles sejam atingidos. Para isto a autoridade tem de encontrar os meios adequados, sendo pois, responsável pela própria adequação, ou seja, não só pelos fins, mas pelos meios também. Neste caso, o efeito imunizador da fixação exige da autoridade um 1 A relação meio/fim na Teoria Geral do Direito Administrativo. texto extraído de http://www.terciosampaioferrazjr.com.br/?q=/publicacoescientificas/111. Consulta realizada em 21/11/2008 2 Considera unicamente o meio de execução, ou seja, a norma que o instituiu. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 493 23 comportamento nãoautomático, mas participante, pois de mera utilização de um meio qualquer não segue necessariamente o fim. Neste sentido, para controlar se uma norma é válida não basta regredir no processo hierárquico, mas é preciso verificar, de caso para caso, se a adequação foi obtida. Se o controle da validade condicional é generalizante, o da finalista é casuístico. No caso em tela, é importante esclarecer que o mencionado Termo de Sujeição Passiva Solidária tratase de um instrumento de cunho administrativo que, por adotar um modelo pré formatado, confere clareza e organização ao Processo Administrativo Fiscal em que figuram um ou mais devedores solidários. É fato que tal modelo passou a ser adotado de forma quase generalizada pelos auditoresficais [sic], facilitando, certamente, o trabalho de controle do crédito tributário exercido no âmbito do Ministério da Fazenda, até o término do julgamento, o pagamento ou execução da dívida. É bem possível, inclusive, que o objetivo maior da uniformização do modelo para registro da existência de um ou mais sujeitos passivos solidários fosse justamente favorecer o controle fazendário, ante a um grande volume de processos aguardando pagamento, em julgamento ou em execução. Parece pouco provável que, do ponto de vista do contribuinte, tal padronização resultasse em grandes benefícios, na medida em que, é razoável supor, ele não tenha que lidar com um elevado número de processos fiscais simultâneos. Insta observar, por outro lado, que dito Termo de Sujeição Passiva Solidária não se encontra previsto em qualquer ato normativo, nem mesmo em normas internas da RFB, configurando meramente um dos instrumentos passíveis de eleição pela Administração para atribuição de responsabilidade ao sujeito passivo. Por sua vez, o Processo Administrativo Fiscal ao tratar da cientificação do sujeito passivo, limitase a definir as vias pelas quais o sujeito passivo deverá ser cientificado (pessoal, postal, edital ou eletrônica) e respectivos prazos a serem observados, não prescrevendo um instrumento formal específico a ser adotado para cada modalidade de sujeição passiva (principal ou solidária). Uma vez que a legislação não previu a obrigatoriedade de adoção do Termo de Sujeição Passiva Solidária para atribuição de responsabilidade solidária ao contribuinte, nem sequer a sua a existência, não há como entender que sua ausência possa configurar o descumprimento de instrumentalidade formal. Com efeito, se o ordenamento jurídico não determinou a forma por meio da qual o ato processual de cientificação do sujeito passivo solidário deve ser executado, não se pode concluir que, pelo fato de freqüentemente, ou mesmo majoritariamente, utilizarse um determinado instrumento, a ausência deste instrumento em determinado processo venha a configurar Fl. 504DF CARF MF 24 cerceamento do direito de defesa e justifique a nulidade do lançamento. Como visto, as hipóteses de nulidade estão previstas no artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 1972, que, por razão de clareza, transcrevemos novamente: Art. 59. São nulos: (destaquei) [...] II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O cerne da questão, portanto, reside em se verificar se os devedores solidários teriam sido ou não efetivamente cientificados do lançamento e da responsabilidade a eles atribuída, sendo irrelevante, a meu ver, o instrumento adotado para tal ciência. Compulsando os autos, resta comprovado, às fls. 177 e seguintes, que todas as pessoas apontadas como devedoras solidárias foram cientificadas da autuação. Registrese que o senhor Luiz Cláudio Maia Ferreira assinou dois documentos de cientificação, um na condição de sócio da empresa LCE, também devedora solidária, e outro como pessoa física. A sócia Eliane Lignelli foi cientificada, também como pessoa física, pela via postal. Ressaltese, ainda, que consta do auto de infração, mais precisamente às fls. 160 e 161, a atribuição de responsabilidade solidária a tais contribuintes. Portanto, resta a meu ver caracterizado que todas as pessoas arroladas no pólo passivo tinham pleno conhecimento dos fatos e de suas conseqüências. Assim sendo, não vejo configurado cerceamento do direito de defesa, em razão da ausência de instrumento que não pode ser considerado requisito formal para a constituição do lançamento ou para a atribuição, a terceiros, de responsabilidade pelo crédito tributário constituído. Por fim, peço licença para registrar entendimento diverso quanto à suposta orientação jurisprudencial extraída pelo i. relator dos autos do RE 608426 PR. Naquele processo, como se depreende da leitura da ementa transcrita, pleiteava o contribuinte anular a sujeição passiva tributária a ele atribuída, em razão de divergência ocorrida entre o Termo de Sujeição Passiva Solidária, que o teria qualificado como contribuinte solidário, e o Termo de Verificação Fiscal, que o intitulara responsável solidário, alegando cerceamento de defesa. Alternativamente, pleiteava o direito de apresentar impugnação extemporânea para contestar o mérito do lançamento. Dentro desse contexto, destacou o Min. Joaquim Barbosa que “preexistindo Termo de Sujeição Passiva Solidária, assinado pela apelante, a simples menção nos autos de infração à necessidade de apresentação de defesa ao contribuinte e ao responsável Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10111.720236/201212 Acórdão n.º 3302005.279 S3C3T2 Fl. 494 25 pressupõe sua cientificação e preserva seu direito à ampla defesa”. Não me parece que a decisão corrobore a exigência do Termo de Sujeição Passiva. Pelo contrário, a meu ver, restou claro que o Ministro admitiu que, restando caracterizado, qualquer que seja o meio, que o contribuinte foi cientificado da exigência, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Em aditamento ao brilhante voto da nobre Redatora, cabe ressaltar que, assim como ocorre na esfera cível (arts. 104, III, e 107 do Código Civil), também no âmbito do processo administrativo fiscal, a formalidade dos atos e termos processuais é a exceção e não regra, conforme dispõe o art. 2º do Decreto 70.235/1972, a seguir transcrito: Art. 2º Os atos e termos processuais, quando a lei não prescrever forma determinada, conterão somente o indispensável à sua finalidade, sem espaço em branco, e sem entrelinhas, rasuras ou emendas não ressalvadas. Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) grifos não originais. Assim, se por força do disposto no referido preceito legal, a regra é a ausência de formalidade, a contrário senso, a exigência de formalidade é a exceção que, inequivocamente, necessita de expressa prescrição legal. Apesar dessa expressa orientação geral, que rege todo ordenamento jurídico do País, o nobre Relator do voto vencido aplicou o disposto na referida regra de forma invertida, ou seja, segundo o entendimento manifestado pelo nobre Relator, com a devida vênia, a regra é a exigência de formalidade e não o contrário, segundo determinação no citado preceito legal, que irradia efeito jurídico para todos os atos e termos processuais praticados no âmbito do processo administrativo fiscal. E nessa seara, no caso de pluralidade de sujeitos passivos, a única formalidade exigida, para efeito de validade dos correspondentes atos processuais, é que todos os solidários sejam cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, nos termos do art. 56, § 3º, do Decreto 7.574/2011, que segue transcrito: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). [...] § 3º No caso de pluralidade de sujeitos passivos, caracterizados na formalização da exigência, todos deverão ser cientificados do auto de infração ou da notificação de lançamento, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Fl. 506DF CARF MF 26 [...] (grifos não originais) E segundo o disposto no citado art. 2º do Decreto 70.235/1972, o regramento que norteia os atos e termos processuais não determina o tipo de ato processual por meio do qual a cientificação do sujeito passivo solidário deve ser realizada. Nesse sentido, o art. 23 do citado Decreto define apenas os meio ou as vias de cientificação/intimação do sujeito passivo, que pode ser por meio pessoal ou eletrônico e por via postal, telegráfica ou editalícia, mas não estabeleceu ou definiu um tipo de termo processual específico a ser utilizado para tal finalidade. E tampouco fez qualquer diferenciação quanto ao meio ou via cientificação/intimação, para diferentes tipos de sujeito passivo (contribuinte ou responsável) ou de sujeição passiva (principal ou solidária). Dessa forma, se não há prescrição legal que determine o tipo de ato ou termo processual, em consonância com o disposto no art. 2º do Decreto 70.235/1972, prevalece a liberdade para definir o tipo de ato ou termo processual, que deverá conter “somente o indispensável à sua finalidade”. Se atendida essa exigência, afronta determinação legal expressa o afastamento de validade de ato processual por ausência de forma não prescrita na legislação. Sabese que o “Termo de Sujeição Passiva Solidária” não se encontra previsto em lei e em qualquer outro ato normativo, sequer em normas internas da RFB existe tal previsão, o que o qualifica como um dos instrumentos passíveis, mas não indispensável ou obrigatório, para efeito de atribuição de sujeição passiva ou responsabilidade solidária na seara do processo administrativo fiscal federal. No caso, se não há na legislação exigência da lavratura do “Termo de Sujeição Passiva Solidária”, para efeito de atribuição da condição de sujeição passiva ou responsabilidade solidária tributária, por conseguinte, se atendidas as demais condições exigidas em lei, a ausência do referido Termo não tem o condão de afastar a condição de sujeição passiva solidária de qualquer pessoa física ou jurídica adequadamente qualificada nos autos, por não representar formalidade essencial prescrita em lei. Por todas essas razões, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 507DF CARF MF
score : 1.0
