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Numero do processo: 10120.006854/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP (sob a sistemática do art. 543-B do CPC) e RE 410.054 AgR/MG.
Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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C. ALVES Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG. Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Alexandre Antônio Alkmim Teixeira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .0 06 85 4/ 20 07 -7 1 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Resolução nº 1401000.198 S1C4T1 Fl. 405 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Brasília. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Em 18/09/2007 foram lavrados, contra a pessoa jurídica acima identificada, os Autos de Infração para exigência do IRPJ e Contribuições para o PIS, COFINS e CSLL, referentes ao anocalendário 2003, sendo o montante referente a cada tributo, acrescido de multa e juros de mora calculados até 31/08/2007 (fls. 235/260): • IRPJ R$ 48.943,22 • PIS R$ 26.683,65 • COFINS R$ 123.156,00 • CSLL R$42.451,60 Foi também lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 262/263), nos termos do art. 124 do CTN, cientificandose o Sujeito Passivo Solidário Wender Carreiro Alves dos Autos de Infração do IRPJ e reflexos, constantes do presente processo, bem como do Auto de Infração relativo ao IPI (objeto de outro processo fiscal). Houve recusa à ciência pessoa do referido Termo de Sujeição Passiva Solidária, tendo o mesmo sido recebido pela via postal, mediante Aviso de Recebimento de fl. 271, em 08/10/2007. De acordo com a descrição dos fatos constante dos^Autos de Infração,o lançamento decorreu da apuração de Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada Depósitos Bancários Não Contabilizados, tendo a Fiscalização apurado a existência de depósitos realizados junto a instituições financeiras em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Consta do auto de infração que o contribuinte foi intimado, mediante Termo de Início de Fiscalização, a apresentar os extratos de contas bancárias e de aplicações financeiras referentes ao anocalendário 2003, e apresentou resposta declarando que "não mantinha conta bancária em nenhuma instituição financeira", tendo a Fiscalização constatado que de fato não houve escrituração de contas bancárias nos livros Diário e Razão. Em resposta a requisição de informações da Fiscalização, o Banco do Brasil e o Bradesco apresentaram extratos bancários referentes à movimentação bancária do contribuinte. Foram então solicitados esclarecimentos ao contribuinte sobre a origem dos depósitos efetuados nas referidas contas correntes, tendo o mesmo apresentado como justificativas a existência de valores duplicados; o lançamento de limite de crédito em 01/07/2003; lançamento de depósitos antes da compensação de cheques, Fl. 405DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Resolução nº 1401000.198 S1C4T1 Fl. 406 3 sendo que todos esses argumentos foram considerados pela Fiscalização antes da aplicação do percentual de 8% para o cálculo do lucro presumido. O gerente responsável pela pessoa jurídica tomou ciência dos autos de infração pessoalmente em 27/09/2007 (fls. 235, 241, 248 e 255). Foi apresentada impugnação aos autos de infração lavrados contra a pessoa jurídica em 25/10/2007 (fls. 274/277), na qual o procurador da autuada alega, em síntese, o seguinte: Em sede de preliminar, levanta a tese de cerceamento do direito de defesa devido ao fato de que "o autuante não se desincumbiu do ônus de provar sua acusação, pois não trouxe aos autos nenhuma prova de que a sua convicção é a que espelha a verdade dos fatos ou a determinação da lei. • No mérito, repete que "a fiscalização não traz consistência nem prova" e que o trabalho fiscal não merece vida no mundo jurídico, por ser um trabalho fiscal precário e passível de nulidade, conforme ementas de julgados que cita, ambas tratando de trabalhos fiscais inconsistentes. • Diz que a autoridade fiscal não goza de fé pública e que suas alegações necessitam ser comprovadas e que, no caso, a Fiscalização não produziu nenhuma prova que validasse seus atos. Alega que a forma de tributação está na contramão do que está determinado pela lei específica; que a legislação determina que o dever de prova é do fisco, não bastando tão somente fazer o lançamento sem o esteio da comprovação e da legalidade, havendo a necessidade de busca da verdade real dos fatos, inexistindo no Direito Tributário qualquer peculiaridade que exonere o fisco de demonstrar cabalmente a veracidade do que alega, e finaliza requerendo a nulidade do feito fiscal. • Junta à impugnação os seguintes documentos; Procuração (fls. 278); Declaração de Firma Individual (fls. 279); cópias do Livro de Apuração do IPI (fls. 280/307); Demonstrativos de Receita Não comprovada elaborados pela Fiscalização (fls. 308/318). Às fls. 319/327 foi juntada a impugnação apresentada pelo procuradores de Wender Carreiro Alves contra a imputação de solidariedade passiva ao Auto de Infração, alegandose o seguinte: • O impugnante não é sócio, nem proprietário, nem quotista, nem participa de qualquer forma da empresa autuada, sendo simplesmente gerente administrativo da mesma, conforme documentos que anexa; • que detém procuração pública apenas para auxiliar na solução de problemas burocráticos; • que se existe alguma relação com a W C Alves, esta é de natureza trabalhista, vez que a lei não faz nenhuma distinção entre empregado parente ou não; • que segundo o Departamento Nacional de Registro de Comércio, 98,93% das sociedades empresariais abertas nos últimos 20 anos foram sob a forma de sociedades limitadas, já que as firmas individuais não integram essa estatística por possuírem apenas um sócio, não sendo reconhecidas como sociedades por esse caráter de singularidade de sócio; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Resolução nº 1401000.198 S1C4T1 Fl. 407 4 • que o Código civil de 2002 não disciplinou o instituto de firmas individuais; Cita o art. 3o do Decreto n° 916/1890; o artigo 2o da CLT de 1943; o artigo 15 da Lei n° 8.212/91; o art. 2o da Lei de Registros Empresariais n° 8.934/94; o art. 68 da Lei complementar n° 123/2007; resposta publicada pela RFB a respeito de sucessão empresarial em firma individual e conclui que as empresas individuais constituem realidade inegável, posto que são largamente utilizadas, carecedoras, portanto, de uma lei que melhor discipline a matéria, principalmente que possibilite a separação pessoal e patrimonial dos bens da empresa individual dos bens do empresário. Que não se pode admitir a atribuição de responsabilidade tributária pessoal a terceiro, na qualidade de mero empregado de firma individual; Que não se observou o princípio da legalidade estrita, pois o funcionário que possui procuração para representar a empresa não se enquadra nas hipóteses previstas no art. 124 do CTN, não tendo a fiscalização apontado o dispositivo legal que atribui responsabilidade objetiva a funcionário gerente administrativo de firma individual; • Diz que a ordem jurídica global não aceita a responsabilização de quem quer que seja sem culpa subjetiva, e que a lei tributária não pode instituir responsabilidade solidária dos sócios da empresa, muito menos de gerente administrativo de empresa individual, confundindose a pessoa jurídica com a pessoa física, cada qual com personalidade jurídica própria nos termos do direito comum. • Finaliza requerendo a exclusão de sua responsabilidade do referido Auto de Infração e junta procuração (fls. 328); cópia de Carteira de Identidade, CPF e folha de Carteira de Trabalho (fls. 329/330). Este é o Relatório. A DRJ Manteve os lançamentos, julgando também procedente a imputação de responsabilidade solidária ao único gerente/administrador da pessoa jurídica, Sr. Wender Carreiro Alves. nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ARGUÍÇÃO DE NULIDADE E CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Comprovado que a autuada foi regularmente cientificada dos procedimentos fiscais, tendo inclusive prestado seus esclarecimentos em várias oportunidades durante a fase fiscalizatória, não prospera o argumento de cerceamento de direito de defesa. Rejeitamse as preliminares de nulidade do auto de infração, quando esse estiver revestido de todas as formalidades exigidas em lei para sua lavratura. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os Fl. 407DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Resolução nº 1401000.198 S1C4T1 Fl. 408 5 valores decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica só se excluem da base de cálculo se devidamente comprovado que referida transferência entre contas efetivamente se concretizou. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Há responsabilidade solidária quando se demonstra o interesse comum nas situações que ensejaram os fatos geradores, especialmente quando os atos ilícitos objeto de autuação fiscal foram praticados pelo único gerente/administrados da formalmente constituído. pessoa jurídica, ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 REFLEXO O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social dele decorrente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 REFLEXO O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido dele decorrente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 REFLEXO O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à exigência da Contribuição Social para o PIS dele decorrente. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF contra a parte mantida, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o Relatório Fl. 408DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10120.006854/200771 Resolução nº 1401000.198 S1C4T1 Fl. 409 6 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os requisitos de admissibilidade foram atendidos. Em resposta à requisição de informações da Fiscalização, o Banco do Brasil e o Bradesco apresentaram extratos bancários referentes à movimentação bancária do contribuinte. Com base nesses extratos lançouse IRPJ/Reflexos com base nos depósitos bancários cujas origens não foram comprovadas. A constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza o fornecimento de informações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, encontrase sob a análise do Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG. Considerando o disposto no § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF (incluído pela Portaria MF nº 69/09) c/c art. 2º da Portaria CARF nº 001/2012, proponho o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida pelo STF no aludido RE 601.314RG/SP. Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, para que sejam observados os procedimentos previstos no § 3º do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 409DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 19515.002857/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2005
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA.
Não se reputa nula a autuação por suposto erro na identificação da fundamentação legal ao se verificar que a contribuinte identificou com precisão as imputações fiscais, desenvolvendo a contento seu direito de defesa. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a parcela dos lucros que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os tributos a que estiver sujeita a pessoa jurídica, sofrerá tributação, se a empresa não possuir escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que demonstre que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido.
IRRF. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
A falta de retenção/recolhimento do IRRF incidente em pagamentos diversos enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
JUROS ISOLADOS – FALTA DE PREVISÃO LEGAL
Não há previsão legal em nosso ordenamento jurídico, para a exigência de juros isolados. O artigo 61, da Lei n° 9.430, de 1996, não autoriza a cobrança desse valor
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.519
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO A MULTA ISOLADA: por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso nesta parte. QUANTO AOS JUROS ISOLADOS: por maioria de votos, dar provimento ao recurso para excluir da exigência os juros isolados. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez (Relator) que negou provimento ao recurso nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Anan Junior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2002, 2003, 2005 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Não se reputa nula a autuação por suposto erro na identificação da fundamentação legal ao se verificar que a contribuinte identificou com precisão as imputações fiscais, desenvolvendo a contento seu direito de defesa. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a parcela dos lucros que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os tributos a que estiver sujeita a pessoa jurídica, sofrerá tributação, se a empresa não possuir escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que demonstre que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido. IRRF. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF incidente em pagamentos diversos enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. JUROS ISOLADOS – FALTA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal em nosso ordenamento jurídico, para a exigência de juros isolados. O artigo 61, da Lei n° 9.430, de 1996, não autoriza a cobrança desse valor Recurso negado.
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NULIDADE. ERRO NA CAPITULAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. Não se reputa nula a autuação por suposto erro na identificação da fundamentação legal ao se verificar que a contribuinte identificou com precisão as imputações fiscais, desenvolvendo a contento seu direito de defesa. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a parcela dos lucros que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os tributos a que estiver sujeita a pessoa jurídica, sofrerá tributação, se a empresa não possuir escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que demonstre que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido. IRRF. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A falta de retenção/recolhimento do IRRF incidente em pagamentos diversos enseja a aplicação da multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. JUROS ISOLADOS – FALTA DE PREVISÃO LEGAL Não há previsão legal em nosso ordenamento jurídico, para a exigência de juros isolados. O artigo 61, da Lei n° 9.430, de 1996, não autoriza a cobrança desse valorRecurso negado. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO A MULTA ISOLADA: por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fabio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior, que proviam o recurso nesta parte. QUANTO AOS JUROS ISOLADOS: por maioria de votos, dar provimento ao recurso para excluir da exigência os juros isolados. Vencido o Conselheiro Antonio Lopo Martinez (Relator) que negou provimento ao recurso nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Pedro Anan Junior. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício e Relator (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Redator designado Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Fabio Brun Goldschmidt, Pedro Anan Júnior e Heitor de Souza Lima Junior (Suplente Convocado). Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002857/200777 Acórdão n.º 2202002.519 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do Contribuinte, NEVES VIANNA COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO, EXPORTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA, foi lavrado Auto de Infração de fls.531/534: Total do credito tributário, R$ 6.802.297,86, incluídos a multa e juros de mora isolados. Durante a realização dos trabalhos de auditoria, a autoridade fiscal verificou a seguinte irregularidade, nos anoscalendário de 2002, 2003 e 2005, conforme descrição contida no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 520/526 a empresa optou pela tributação com base no lucro presumido e escriturou apenas o Livro Caixa distribuindo lucros aos sócios, alem do limite legal. Tendo em vista que, a fiscalização apurou esta irregularidade após a entrega das DIPF dos sócios, foi exigida da PJ a multa e juros isolados calculados entre a data em que deveria ser recolhido o tributo e a data da entrega das DIPF dos sócios. Em decorrência da falta apurada, foi lavrado em 24/09/07 o seguinte auto de infração, cientificado ao contribuinte em 26/09/07: O contribuinte apresentou defesa de fls. 537/558, em 26/10/07, alegando em síntese que: Inexiste previsão legal para a tributação da distribuição de lucros aos sócios, para as empresas optantes pelo lucro presumido, ao contrário, nos termos do artigo 10 da Lei n° 9.249/95; Os fundamentos legais que pautam a exigência fiscal se referem a empresas individuais, Lei n° 8.541/92, artigo 20 e artigo 39, XXVII do RIR/99; O impugnante não e empresa individual, ademais a Lei n° 9.249/95 prevalece sobre as demais; O artigo 46 da lei n° 8.981/95 foi revogado pela Lei n° 9.249/95; .O Parecer Cosit n° 01/02 não serve para fundamentar a exigência; Sendo a obrigação decorrente de uma relação não tributária, o seu descumprimento jamais poderia ser apenado, tendo como parâmetro o crédito tributário, fato que ofende por via reflexa o caráter não sancionatório do tributo; Infrações que não prevêem penalidades especificas devem ser apenadas com o disposto no artigo 948 do RIR199; Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 A exigência de multa e juros em duplicidade (dos sócios e da empresa) sobre a mesma base de cálculo configura confisco e bis in idem; Inaplicável ao caso o previsto no artigo 9° da Lei n° 10.426/02; .As DIPJ da empresa e as DIPF dos sócios refletem as operações da empresa. CI Livro Caixa contém diversos erros, entre eles, a contabilização como distribuição de lucros de todas as despesas não identificadas; .Acosta aos autos documentos que atestariam equívocos cometidos (Anexo III); .A fiscalização considerou como lucro distribuído à sócia Maria da Graça, no ano de 2003, o montante de R$ 142.479,27, sendo que neste valor estava incluído outro rendimento; .Requer o recebimento da impugnação com efeito suspensivo; .Protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito. A DRJ – São Paulo ao apreciar as razões do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2005 DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, a parcela dos lucros que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os tributos a que estiver sujeita a pessoa jurídica, sofrerá tributação, se a empresa não possuir escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que demonstre que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido. MULTA ISOLADA. No caso de falta de retenção, a fonte pagadora obrigada a reter o imposto, arcará com a penalidade de 75% calculada sobre o tributo que deixou de ser retido. Lançamento Procedente Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o interessado interpõe recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Enfatiza em especial os seguintes pontos: Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002857/200777 Acórdão n.º 2202002.519 S2C2T2 Fl. 3 5 Da nulidade material do auto de infração lavrado, pela alteração do fundamento legal. Segundo ao recorrente, o julgador de primeira instância atribuiu ao lançamento efetuado, na condição de fundamento de origem, a norma prevista no Ato Declaratório NormativoCosit no 4/96 (fl. 613), que sequer foi incluída no enquadramento legal do AIIM lavrado, consoante se verifica pelas fls. 6 e 7 do Termo de Verificação Fiscal; A suposta condição restritiva da isenção conferida pelo art. 10 da Lei n° 9.249/95, detalhada no Ato Declaratório NormativoCosit n° 4/96, não foi o fator que motivou a constituição do crédito tributário impugnado ou, se o foi (o que em absoluto não é o caso!), ficou adstrito ao campo subjetivo dos pensamentos da autoridade autuante, já que não foi externado no respectivo ato de lançamento; Da isenção (incondicional) de todas as receitas decorrentes da distribuição de lucros e dividendos artigo 10 da Lei n° 9.249/95; Da revogação do art. 20 da Lei n ° 8.541/92 pela Lei n° 9.249/95 por absoluta incompatibilidade Da expressa revogação do art. 46 da Lei no 8.981/95; Da Impossibilidade de se exigir da Recorrente a Multa e os Juros sobre IRRF; Da regularidade dos valores de lucros distribuídos pela Recorrente conforme declarado nas DIPJs e DIRPFs de seus sócios, comprovada pelo conjunto probatório acostados aos autos. É o relatório. Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Vencido Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A questão cingese à Multa isolada e Juros isolados cobrados pela não retenção imposto de renda na fonte que deveria ter sido recolhido. Antes de apreciar o mérito da questão cabe registra a questão prejudicial sobre a validade jurídica da aplicação da referida multa isolada e do juros de mora isolado. No que toca a multa isolada, ainda que, exista uma corrente neste Tribunal que defenda que, com o advento da Lei no 11.488, de 2007, a aplicação da multa isolada em razão da falta de retenção e/ou recolhimento do imposto pela fonte pagadora deva ser afastada, por força do princípio da retroativa benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “a”, do CTN, visto que a mesma teria excluída das hipóteses de incidência, entendo que a referida multa continua existindo no nosso ordenamento jurídico. O art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, tinha a seguinte redação original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1o As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002857/200777 Acórdão n.º 2202002.519 S2C2T2 Fl. 4 7 IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. [...] Até aquele momento, a aplicação de penalidade à fonte pagadora que não efetuava a retenção de tributos ou contribuição não encontrava amparo na legislação. Entretanto, com o advento da Medida Provisória no 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, a falta de retenção de tributo ou contribuição pela fonte pagadora passou a ensejar a aplicação de multa de ofício isolada. Art.9o Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Deste modo, houve a criação de novas hipóteses de incidência de multas de ofício, a serem exigidas da fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, quando verificada a falta de retenção ou recolhimento ou de recolhimento após o prazo legal fixado, sem o acréscimo de multa moratória. Concluise, assim, que somente com a edição da lei específica, criando a penalidade para punir a conduta omissiva da fonte pagadora pela falta de retenção do imposto por antecipação, é que passou a ser exigível a multa isolada nessa situação, o que é corroborado por diversos precedentes administrativos: FALTA DE RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE PAGADORA IMPOSTO POR ANTECIPAÇÃO VERIFICAÇÃO DA FALTA APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO DE APURAÇÃO – MULTA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Somente com a edição da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, publicada no D.O.U de 28/12/2001, convertida na Lei nº. 10.426, de 2002 é que passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora pela falta de retenção de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deveria oferecer os rendimentos à tributação. Tal multa será calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 ser retida, sem o reajustamento da base de cálculo. (Acórdão no 10616798, de 06/03/2008). FALTA DE RETENÇÃO OU RECOLHIMENTO DE IMPOSTO DE RENDA PELA FONTE PAGADORA IMPOSTO POR ANTECIPAÇÃO MOMENTO DE VERIFICAÇÃO DA FALTA MULTA EXIGIDA DE FORMA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Somente com a edição da Medida Provisória nº. 16, de 27/12/2001, publicada no D.O.U de 28/12/2001, convertida na Lei nº. 10.426, de 2002, é que passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora, pela falta de retenção ou recolhimento de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deveria oferecer os rendimentos à tributação. (Acórdão no 104 21857, de 20/09/2006) Convém lembrar que houve uma tentativa de alteração da redação do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, por meio da Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, que perdeu sua eficácia conforme Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº 57, de 2006, publicado no DOU de 01/11/2006. Apenas com a edição da Medida Provisória no 351, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007, houve a alteração do art. 44 da Lei no 9430, assim como do art. 9o da Lei no 10.426, de 2002, os quais passaram a ter a seguinte redação: Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002: Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002857/200777 Acórdão n.º 2202002.519 S2C2T2 Fl. 5 9 Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. O art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, foi reformatado, mantendo a aplicação das multas de ofício vinculadas de 75% e 150%, a primeira prevista no inciso I e a segunda, no inciso I c/c §1o. O inciso II, que anteriormente previa a multa aplicação de multa de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta de pagamento do carnêleão devido pela pessoa física e de falta de pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido devido por estimativa, ainda que fosse apurado pela pessoa jurídica (alíneas “a” e “b”). O pagamento de tributo ou a contribuição após o prazo legal previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora, deixou de configurar hipótese de incidência de multa isolada. De forma semelhante, o recolhimento do imposto ou contribuição a título de antecipação pela fonte pagadora, após o vencimento, deixou de ensejar a exigência de multa de ofício isolada. Entretanto, apesar de o art. 9o, da Lei no 10.426, de 2002, ter sido alterado, foi mantida a exigência da multa de ofício de 75% ou 150% quando a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição não efetuar a retenção ou o recolhimento. O argumento de que a nova alteração teria afastado a aplicação da multa isolada, no caso de falta de retenção ou recolhimento, por não fazer referência a multa isolada prevista no art. 44, inciso II, da Lei no 9.430, de 1996, s.m.j., não se sustenta. A redação original do art. 9o da Lei no 10.426, de 2002, mencionava apenas os incisos I e II do caput do art. 44 que, à época, referiamse às multas de ofício de 75% de 150%, enquanto que as hipóteses de multas isoladas previstas no artigo 44 encontravamse descritas no §1o, incisos II a IV (o inciso V já havia sido revogado), ou seja, conforme já dito anteriormente, o mencionado artigo 9o criou novas hipóteses de incidência para a multa isolada, fazendo menção ao art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, tão somente para fixar os percentuais a serem aplicados: 75%, no caso geral, e 150%, nos casos de evidente intuito de fraude. A alteração introduzida pela Lei no 11.488, de 2007, no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, deslocando as multas de ofício de 75% e 150% dos incisos I e II do caput para o inciso I e o §1o, foi acompanhada pela alteração promovida no art. 9o da Lei no 10.426, de 2002, cuja redação passou de “Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, [...].” para “Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu §1o, quando for o caso,[...] (grifos nossos). Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Importa ressaltar que a parte final do artigo em comento foi alterada, apenas, para excluir a multa isolada devida pelo recolhimento em atraso de tributo ou contribuição a título de antecipação, sem o acréscimo da multa moratória, de forma semelhante à alteração feita no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a exclusão da multa isolada prevista originalmente no inciso II do §1o do referido artigo. Todas essas considerações podem ser melhor evidenciadas no quadro abaixo em que se coloca os dispositivos legais acima analisados lado a lado com suas alterações: Redação original Redação dada pela MP no 351, de 2007, convertida na Lei no 11.488, de 2007 Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1o As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. [...] Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002857/200777 Acórdão n.º 2202002.519 S2C2T2 Fl. 6 11 Redação original Redação dada pela MP no 351, de 2007, convertida na Lei no 11.488, de 2007 cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002: Art.9o Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002: Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1o, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado. A multa exigida isoladamente no presente lançamento em razão da falta de retenção do IRRF tem como fundamento legal portanto no art. 9o da Lei no 10.426, de 24 de abril de 2002, c/c o art. 44, inciso I, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Acrescentese que, encontrase pacificado neste Conselho, o entendimento, ao qual me filio, de que quando existe previsão de tributação na fonte, a título de antecipação do imposto devido pelo beneficiário dos rendimentos, e a ação fiscal for instaurada após o encerramento do anocalendário ou do período de apuração do fato gerador, incabível a constituição de crédito tributário através do lançamento de imposto de renda na fonte na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos. Em suma, nesse caso, o rendimento deveria ser tributado pelo beneficiário do rendimento, exigindose da fonte pagadora a multa de ofício de forma isolada, prevista no art. 9o da Lei no 10.426, de 2002. Na situação em cotejo, estamos verificando multa contra a fonte pagadora por não ter realizado a obrigação de reter na fonte os valores prescritos na lei. Deste modo não há que se mencionar que essa multa perde fundamento com o oferecimento a tributação do beneficiário. As obrigações são distintas, um de pagamento do tributo e outra a da necessidade de retenção. No caso concreto está se imputando a recorrente a multa por não ter retido, e não pela ausência de pagamento. No que toca ao juros de mora lançado de forma isolada. Nesse ponto, com base na legislação, a partir de 1º de janeiro de 1997, os juros de mora previstos no artigo 61, § Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 1 a 3º, da Lei nº. 9.430, de 1996, são exigidos isoladamente, sob o argumento do não recolhimento de débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação. No caso em que o lançamento é praticado após a entrega da declaração de ajuste anual dos beneficiários dos rendimentos, a responsabilidade pelo pagamento do tributo é atribuída ao beneficiário, conforme Parecer Cosit No. 1, de 2002. Entretanto no caso concreto, o que está sendo lançado não é o tributo em si, mas o atraso no pagamento dos mesmos, decorrente de atos do recorrente. Este é o meu entendimento. Do Erro na Capitulação Legal. De início convém afastar se a preliminar de nulidade invocada pela recorrente, porquanto o suposto equívoco na fundamentação da capitulação legal, utilizando se o dispositivo equivocado, não importou qualquer prejuízo à defesa da recorrente, que identificou com exatidão as imputações fiscais e pode desenvolver a contento suas teses defensiva Em suma, não se reputa nula a autuação por suposto erro na identificação da fundamentação legal ao se verificar que a contribuinte identificou com precisão as imputações fiscais, desenvolvendo a contento seu direito de defesa. Da Análise do Mérito. A isenção dos lucros distribuídos está prevista no art. 10 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Tratandose de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, para que a distribuição aos sócios do valor excedente aos lucros tributados seja considerada rendimento isento é necessário observar o disposto no art. 51 da Instrução Normativa no 11, de 21 de fevereiro de 1996: Art. 51. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. §1o O disposto neste artigo abrange inclusive os lucros e dividendos atribuídos a sócios ou acionistas residentes ou domiciliados no exterior. Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002857/200777 Acórdão n.º 2202002.519 S2C2T2 Fl. 7 13 §2o No caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido ou arbitrado, a parcela dos lucros ou dividendos que exceder o valor da base de cálculo do imposto, diminuída de todos os impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, também poderá ser distribuída sem a incidência do imposto, desde que a empresa demonstre, através de escrituração contábil feita com observância da lei comercial, que o lucro efetivo é maior que o determinado segundo as normas para apuração da base de cálculo do imposto pela qual houver optado, ou seja, o lucro presumido ou arbitrado. §3o A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de período base não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputado aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. §4o Inexistindo lucros acumulados ou reservas de lucros em montante suficiente, a parcela excedente será submetida à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, com base na tabela progressiva a que se refere o art. 3º da Lei nº 9.250, de 1995. §5o A isenção de que trata o caput não abrange os valores pagos a outro título, tais como pro labore, aluguéis e serviços prestados. §6o A isenção de que trata este artigo somente se aplica em relação aos lucros e dividendos distribuídos por conta de lucros apurados no encerramento de período base ocorrido a partir do mês de janeiro de 1996. §7o A distribuição de rendimentos a título de lucros ou dividendos, que não tenham sido apurados em balanço, sujeita se à incidência do imposto de renda na forma prevista no § 4º. Como se percebe, a isenção do valor que exceder a base de cálculo do imposto deduzidos, todos os impostos, distribuído pela pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, está condicionada à apuração de lucro efetivo, mediante escrituração contábil feita com observância à lei comercial ( art. 51, §2o, do art. 51 da Instrução Normativa no 11, de 1996). Os valores que excederem ao lucro apurado na escrituração, serão imputados aos lucros acumulados ou lucros de exercícios anteriores e tributados de acordo com a legislação específica ou, inexistindo lucros acumulados, a parcela será tributada com base na tabela progressiva da pessoa física ( art. 51, §§ 3o e 4o, do art. 51 da Instrução Normativa no 11, de 1996). No que toca ao mérito, cabe reproduzir os argumentos da DRJ: 23. Para apurar o valor do lucro distribuído a autoridade fiscal apurou montantes dispares entre os informados nas DIPJ e os constantes do Livro Caixa. Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 24. A fiscalização elaborou as planilhas de fls. 510/518 nas quais relacionou todos os lançamentos constantes do Livro Caixa com histórico referente A distribuição antecipada de lucros. 25. Não se perca de vista que os livros contábeis fazem prova sobre as informações neles constantes. 26. Ocorre que a autoridade fiscal aprofundou mais a sua investigação e relacionou todas as distribuições de lucros com os extratos bancários da empresa, conforme se verifica nas planilhas citadas. 27. Como se vê há provas robustas de que o montante dos lucros distribuídos são aqueles constantes do Livro Caixa e não aqueles informados nas DIPJ. 28. Caberia A defesa desconstituir tais provas, porém o impugnante apenas argumenta que há erros no Livro Caixa. No anexo III (fls. 585/597) o • interessado acosta documentos que comprovariam que diversos pagamentos a sócios seriam na verdade decorrentes de pagamento a fornecedor. 29. Passo a examinar os documentos. 30. Em sua impugnação, o contribuinte relata que: "valores indicados nas fls. 30, 32 e 40 do Livro Caixa de 01/08/2005 a 31/08/2005 sob a rubrica "valor referente distribuição de lucro" que, na verdade, referemse ao pagamento para o fornecedor INDÚSTRIA DE BEBIDAS PARIS LTDA (CNPJ 44.826.246/000192), conforme atesta o RECIBO emitido pela própria empresa (Anexo Ill) ". A seguir a autoridade recorrida complementa: 33. Os documentos de fls. 588/590 são corrrespondências da empresa destinadas ao Banco HSBC para que esta emita TED nos valores acima citados em favor de INDÚSTRIA DE BEBIDAS PARIS LTDA. 34. Em principio, cabe destacar que estes documentos são apócrifos e não há prova que tenham sido recebidos pela instituição financeira. 35. Caberia A defesa acostar aos autos outra prova de que os TED foram emitidos em favor de seu fornecedor. Notese que em relação aos lançamentos • "h" e "c" a fiscalização não observou emissão de TED, após o exame dos extratos bancários da empresa (Planilha 12, fl. 518). 36. 0 documento de fl. 591 6 um recibo emitido pelo fornecedor que atesta apenas que o impugnante pagou a importância de R$ 5.486.400,00, porém não comprova que os valores considerados pela fiscalização como sendo distribuição de lucros tenham sido na verdade usados para pagamento de fornecedores. No recurso o recorrente, incorpora ao autos o comprovante da TED entre as empresas tais como solicitado pelo recorrente. Ocorre que pessoalmente para mim ainda resta dúvidas da natureza dessa transferência. Uma vez que contabilmente estava registrado como Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002857/200777 Acórdão n.º 2202002.519 S2C2T2 Fl. 8 15 distribuição de lucros. Entendo que uma vez que não está bem demonstrado, não há como acolher os argumento do recorrente. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. A recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente que as transferências estavam relacionadas com vendas ao fornecedor. Ademais, cabe a recorrente provar a natureza dessas transferências, registradas no livro caixa como distribuição de lucros, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer a comprovação. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Nestes termos, posicionome no sentido rejeitar a preliminar, e no mérito voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Voto Vencedor Conselheiro Pedro Anan Junior, Redator Designado. A divergência que tenho em relação ao respeitável conselheiro Antonio Lopo Martinez diz respeito a a aplicação ou não dos juros sobre a multa, que passarei a analisar em meu voto. No que diz respeito a incidência dos juros de mora isolados, partilho entendimento que não há base legal para tanto. Nesse particular, o CTN tratou da incidência de juros de mora no art. 161, transcrito abaixo: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo das imposições das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas previstas nesta lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...)" A partir da leitura do dispositivo acima, percebese que o CTN autorizou o legislador ordinário (seja ele federal, estadual ou municipal) a exigir juros de mora sobre o montante do crédito tributário apurado, o que pode abranger tanto o tributo quanto a multa, estabelecendo como taxa de juros máxima o percentual de 1% ao mês sobre o valor do crédito pendente de pagamento. Nessa esteira, o legislador ordinário editou a Lei nº 9.430/96 a fim de tratar da exigência dos juros de mora: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1º de janeiro de 2007, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso.(...)” (grifos nossos) Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.002857/200777 Acórdão n.º 2202002.519 S2C2T2 Fl. 9 17 Muito embora o CTN tenha autorizado a cobrança de juros de mora sobre o crédito tributário (que, como salientado acima, inclui tributos e multas), o legislador ordinário federal decidiu exigir juros de mora apenas e tão somente sobre os tributos e contribuições apurados, ou seja, sobre o montante principal. Tal decisão, faz todo sentido, uma vez que uma multa, por si só, já é penalidade suficientemente pesada ao contribuinte, que não precisa ser onerado ainda mais com a cobrança de juros isolados, o que geraria inclusive o enriquecimento injustificado do Estado. Desse modo, não há base legal para se exigir juros de mora isolado, ademais, se o legislador ordinário efetivamente pretendesse determinar a incidência dos juros de mora isolados, ele teria feito essa determinação de forma clara e por escrito no próprio art. 61, da Lei nº 9.430/96, da mesma maneira como fez com relação às multas impostas isoladamente, nos termos do parágrafo único do art. 43 da mesma lei, abaixo transcrito: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento” Desta forma, voto no sentido de que os juros de mora isolados, não podem ser exigidos no presente caso. (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 24/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 18/04/201 4 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10283.900911/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF - RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO - POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito.
Numero da decisão: 3102-001.214
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1 1 0 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.900911/200918 Recurso nº 911.348 Voluntário Acórdão nº 310201.214 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de setembro de 2011 Matéria Declaração de Compensação Recorrente El Paso Amazanos Energia Ltda Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) ÁLVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO Relator. Fl. 1072DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 EDITADO EM: 27/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro (presidente da turma), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Maya Gomes e Álvaro Almeida Filho. Relatório O recurso voluntário visa a reforma do acórdão nº 0119.199 da 3ª Turma da DRJ/BEL, que entendeu pela improcedência da manifestação de inconformidade . Observando o relato da decisão recorrida é possível constatar que: Tratase de declaração de compensação transmitida em 19/08/2005 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 31.813,50, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 6912, do período de apuração de 31/08/2004, no valor originário de R$ 31.813,50. A Delegacia de origem, em análise datada de 18.02.2009 (fl. 185), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/03/2009, a interessada apresentou, em 24.03.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 01/04): "(...) a sociedade efetuou o pagamento através de DARF no montante de R$ 31.813,50 a título de PIS, valor este informado na (...) DCTF equivocadamente como débito apurado na competência de agosto de 2004. Em que pese ter informado valor divergente na DCTF, a sociedade demonstrou corretamente o valor devido de PIS quando do preenchimento da (...) DIPJ e do(...) DACON. Sendo assim, com o fito de evidenciar o cruzamento destes informes fiscais, a sociedade procedeu à retificação da DCTF, excluindo o respectivo débito apurado relativo à competência de agosto de 2004 (...). (...) Portanto, após realizados os devidos ajustes, configurouse improcedente a alegação da r. autoridade fiscal, tendo em vista a comprovação da existência do crédito oriundo de pagamento indevido. " É o relatório. Fl. 1073DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10283.900911/200918 Acórdão n.º 310201.214 S3C1T2 Fl. 2 3 Analisada a impugnação ao auto de infração, decidiu a 3ª Turma da DRJ/BEL, pela improcedência da manifestação de inconformidade, conforme demonstra ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão acima a contribuinte apresentou recurso voluntário alegando que: 1) Busca através do presente a compensação do pagamento a maior de PIS realizado em 15/09/2004, com débito de CSLL no valor de R$ 36.610,98 (trinta e seis mil, seiscentos e dez reais e noventa e oito centavos), o qual não foi homologado sob o argumento de inexistência de crédito, ao ser identificado pagamentos que já teriam utilizado o crédito; 2) Apresentada a DCTF não efetuou nenhum pagamento por DARF a débito, restando seu direito à compensação pelo pagamento a maior de PIS com débitos de CSLL, pois não foram analisados “aprofundadamente” os documentos referidos pelo agente fiscal; 3) Com relação ao 3ª trimestre de 2004 apresentou a DCTF original e reiterou nas duas retificadoras, apresentadas em 11/03/2005, 19/08/2008, que o débito de PIS no valor de R$ 31.813,50 foi pago através da DARF com o código nº 6912 em 15/09/2004. Entretanto,em 24/03/2009, ressalta ter apresentado DCTF retificadora corrigindo os débitos da empresa a título de PIS, para retirar o débito declarado de R$ 36.610,98 e demonstrar a existência do pagamento a maior efetuado pelo DARF pago em 15/09/2004; 4) Restou demonstrado que o crédito fiscal preenche todos os requisitos para sua fruição, e assim, devese permitir a compensação; É o relatório. Voto Fl. 1074DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Conselheiro Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira seção. Busca a recorrente em suas razões recursais demonstrar a existência do crédito de PIS a ser compensado com débitos de CSLL, decorrente do pagamento de DARF código 6912 do período de apuração de nº 08/2004. Ora, de acordo o art. 741 da lei nº 9.430/96 com redação dada pela lei nº 10.637/2002, caberá a Secretaria da Receita Federal autorizar a utilização de créditos a serem restituídos ou ressarcidos para tributos e contribuições sob sua administração, já o decreto nº 2.138 de janeiro de 1997, disciplina que o pedido de compensação atenderá procedimento interno, podendo ser a requerimento do contribuinte ou de ofício, nos termos do parágrafo único do art. 1º, in verbis: Decreto n°2.138, de 29 de janeiro de 1997 Art. 1° É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de oficio, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. Apresentada a DCOMP, a receita federal, possui um prazo de 05(cinco) anos para homologar ou não as compensações nos termos do § 5º art. 74 da lei nº 9.430/96, assim decorrido o período “contado da data da entrega da declaração de compensação” 2 , se não ocorrer nenhuma apreciação da autoridade administrativa, restará tacitamente homologado o pedido, o que de fato não ocorreu no caso dos autos ao ser proferido o despacho decisório. No caso dos autos de acordo com o despacho decisório de fls. 05 quando da transmissão do PER/DCOMP no valor de R$ 31.813,50, observando o DARF discriminado foi identificado um ou mais pagamentos “mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/COMP”. O posicionamento acima resta evidenciado na decisão ora recorrida onde a DRJ enfatizou que através da DCTF a recorrente teria confessado(declarado) a realização do pagamento de débitos com o crédito apresentada na PER/DCOMP. Esclarece ainda a decisão, a necessária retificação da DCTF para demonstrar o crédito pretendido e permitir a homologação, ao afirmar: 1 Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituidos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração 2 Lei nº 9.430/96 art. 74 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação Fl. 1075DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10283.900911/200918 Acórdão n.º 310201.214 S3C1T2 Fl. 3 5 ... é condição necessária — embora não suficiente a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. Esclareça se, ainda em relação ao tema, que a desconstituição do crédito tributário formalizado pelo pagamento e anteriormente confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTF Retificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. Ou seja, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário vinculado ao pagamento antecipado (lançamento por homologação1), não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito confessado em DCTF, fazendose necessário, notadamente, que demonstre, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Por sua vez o contribuinte, no recurso ora em análise, confirma que apresentou a DCTF originaria em 12/11/2004, na qual informou que o débito de PIS no valor de R$ 31.813,50 foi pago através da DARF com o código nº 6912 em 15/09/2004, informação reiterada em retificadoras apresentadas em 11/03/2005, 19/08/2008. É anexado aos autos DCTF retificadora sob nº 1000.000.2009.1740500288 apresentada em 24/03/2009, na qual excluir o valor de R$ 31.813,50 com débito declarado, visando comprovar a existência do crédito. A contribuinte fundamenta sua argumentação na afirmação de que realizou o pagamento a maior, restringindose a informar o valor do DARF recolhida e seu código, anexando a DCFT retificadora após a ciência da decisão recorrida, entretanto não apresenta documentos fiscais que possam comprovar a declaração errada. Ressaltese que a DCOMP não foi homologada, não pela inexistência do valor recolhido, e sim pela identificação da utilização do pagamento a maior. Assim resta analisar a possibilidade de compensar crédito acrescidos em DCTF retificadora mesmo após ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação. O decretolei nº 2.124 de 1984 autorizou, em seu art. 5º3, o Ministro da Fazenda instituir obrigações acessórias relativas a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, sob esse contexto o Ministro delegou sua competência ao Secretário da Receita Federal através da portaria nº 118 de 1984, esse, por sua vez instituiu a Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, através da instrução normativa nº 129/1986, a qual vem sendo modificada ao longo do tempo. No caso dos autos quando da apresentação da DCTF retificadora, estava em vigor a IN/RFB nº 903/2008, estabelecendo as diretrizes a serem seguidas pelas pessoas jurídicas para apresentarem a DCTF e suas retificadoras. Essa instrução definiu em seu art. 11 caput que a retificadora obedecerá as mesmas normas da declaração retificada e a substituirá 3 Decretolei nº 2.124/1984 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Fl. 1076DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 integralmente, nos termos do § 1º, “e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados”. Ressaltese ainda que o art. 18 da medida provisória nº 218949, também estabelece que a retificação terá a mesma natureza da declaração original, in verbis: Art.18.A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Percebese a princípio a inexistência de óbices para alterar débitos e créditos, entretanto a mesma instrução, logo em seguida, estabelece as hipóteses em que a retificação, não produzirá efeitos, nos termos do § 2º do art. 11 in verbis: §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. De acordo a norma acima, no caso em liça, não existe impedimento para a retificação produzir seus efeitos, pois não há débitos enviados à PGFN e inscritos em dívida ativa, com também não houve procedimento de auditoria ou início de procedimento fiscal e sim indeferimento ao pedido de compensação, assim a DCTF retificadora passa a substituir integralmente a DCTF original, produzindo seus efeitos. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o impedimento do reconhecimento do direito ao crédito após a DCTFreticadora apresentada posteriormente a intimação do despacho decisório, determinando o retorno do processo a unidade da jurisdição para apuração do crédito pretendido. Sala de sessões 02 de setembro de 2011. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Relator Fl. 1077DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10283.900911/200918 Acórdão n.º 310201.214 S3C1T2 Fl. 4 7 Fl. 1078DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10882.001031/2007-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.301
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr.,Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Hélio Araújo e Guilherme Pollastri.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr.,Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Hélio Araújo e Guilherme Pollastri. Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0528.269 da 2ª Turma da DRJ/CPS, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .0 01 03 1/ 20 07 -3 8 Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.037 2 Não há que se falar em nulidade se o auto de infração foi lavrado por pessoa competente e contêm todos os requisitos indispensáveis à sua validade, conforme disposto no art. 142 do CTN e no art. 10 do Decreto n° 70.235/72; nem aventar cerceamento do direito de defesa quando não se vislumbra que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe, confere para se defender. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA DIPJ NATUREZA INFORMATIVA. DCTF DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DIPJ, instituída a partir do ano de 1999, tem natureza meramente informativa, determinando a legislação pertinente, para declaração de tributos e contribuições federais, a entrega pelos contribuintes da DCTF, a qual é adotada pela RFB como o instrumento de excelência para o controle e cobrança do crédito tributário, por ser veículo hábil de confissão de dívida. DECLARAÇÃO PAES. DÉBITOS NÃO CONSTITUÍDOS. Declaração PAES tem natureza de confissão de débitos apenas para contribuintes desobrigados da entrega de declaração específica, devendo os demais declarar os débitos ainda não constituídos na DCTF. FALTA DE DECLARAÇÃO/PAGAMENTO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTITUIÇÃO DE OFÍCIO. A falta de declaração em DCTF de tributos e contribuições federais na modalidade de lançamento por homologação, bem como a insuficiência de recolhimento de valores devidos, justifica sua exigência pela autoridade fiscal por meio do competente Auto de Infração, com os consectários legais para a constituição do crédito tributário. Contudo, há que se recompor a diferença exigida na apuração de ajuste quando não computada estimativa recolhida. I MULTA ISOLADA. FALTA DE ANTECIPAÇÃO. TRIBUTO DEVIDO NO AJUSTE E MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. No caso de pessoa jurídica optante pela tributação com base no lucro real anual, cabível a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais devidas, independentemente da imposição de multa de oficio sobre o tributo exigido ao final do período. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL APLICÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Prevendo a legislação vigente na formalização do crédito tributário percentual de penalidade inferior ao aplicável na ocorrência da irregularidade, correta a aplicação da multa isolada no percentual de 50%, por força do princípio da retroatividade benigna. CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão acima referida, a DRJ/CPS manteve os créditos de IRPJ e de multa isolada (por falta de recolhimento do IRPJ e CSLL sobre bases estimadas) e cancelou parte do crédito lançado de CSLL, pelo seguinte motivo: “Por outro lado, estando comprovado no Sistema SIEFPagamentos o recolhimento da estimativa de CSLL relativa ao mês de fevereiro/2002, no Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.038 3 valor de RS 18.131,31, fl. 687, não computado como dedução na apuração realizada nos autos. Cabe recompor o demonstrativo elaborado pelo auditor fiscal à fl. 103 do Termo de Verificação Fiscal CSLL, passando o valor devido de contribuição social em 31/12/2002 a expressar a seguinte importância:...” Por essa razão, ao deduzir a estimativa paga no valor de R$ 18.131,31 do valor lançado (R$ 31.595,78), restou mantido o valor de R$ 13.464,47, logo, não houve interposição de recurso de ofício, em razão do valor exonerado ser menor que o limite de alçada. A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/03/2010 (cf. AR a fls. 1054) e interpôs recurso voluntário em 09/04/2010 (doc. a fls. 1055 e segs.), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que conforme se verifica da r. decisão recorrida, a D. Autoridade Julgadora deixou de tratar das alegações tecidas pela ora Recorrente relativas à inclusão dos débitos no PAES sob o fundamento de que nos autos do Pedido de Revisão de Débitos Consolidados no PAES (Proc. Nº 10882.003105/200771) já teria sido proferida decisão indeferindo a solicitação; b) que apresentou o competente Recurso contra a r. decisão proferida pela D. Autoridade Administrativa nos autos do Proc. n° 10882.003105/200771, o qual aguarda julgamento; c) que a D. Autoridade Julgadora deixar de analisar as alegações trazidas pela Recorrente sob o fundamento de que há decisão proferida nos autos de outro processo que, sequer, pode ser considerada definitiva; d) que ao adotar referido procedimento, a D. Autoridade Julgadora acaba por conferir caráter imutável à decisão proferida por Autoridade Administrativa sem, sequer, garantir à ora Recorrente o seu direito ao duplo grau de jurisdição, em evidente cerceamento do direito de defesa; e) que deve ser reconhecida a manifesta nulidade da r. decisão proferida pela D. Autoridade Julgadora de Primeira Instância, determinandose o retorno dos autos para que seja proferido novo julgamento, com a análise integral das alegações tecidas pela ora Recorrente; f) que a decisão proferida pela D. Autoridade Julgadora também é nula em virtude da necessidade de baixa dos autos em diligência para apresentação de documentos que esta entenda necessários à complementação da comprovação das alegações da Recorrente; g) se verifica da r. decisão proferida, as "cópias parciais da Parte 'B' do livro LALUR, não são suficientes para confirmar incorreção na apuração da base de cálculo da CSLL em 31/12/2003, não havendo como desconsiderar a DIPJ/2003 retificadora entregue e, 06/12/2005, adotada como válida pelo sistema de processamento e pela fiscalização"; h) que o entendimento manifestado pela D. Autoridade Julgadora está equivocado, na medida em que, cabendo à Administração Tributária a competência de fiscalizar, deve esta valerse dos meios cabíveis para verificar a validade das informações prestadas pelos contribuintes; Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.039 4 i) que não pode a D. Autoridade Julgadoia conferir validade a informação pelo simples fato de esta ter sido mencionada' em DIPJ Retificadora; j) na medida em que a própria Recorrente aponta que o valor constante da DIPJ Retificadora transmitida em 06.12.05 está equivocado, deve a D. Autoridade Julgadora determinar que a Autoridade competente fiscalize a Recorrente de forma a apurar a validade do valor constante da DIPJ; k) que, se assim tivesse procedido, a D. Autoridade Julgadora teria constatado que o valor passível de dedução da base da CSLL corresponde Aquele informado pela Recorrente em sua DIPJ Retificadora apresentada em 30.06.03, de forma que restaria demonstrado o equivoco cometido quando da transmissão da DIPJ Retificadora em 06.12.05 e, consequ entemente, da regularidade da compensação da base de cálculo negativa da CSLL; l) que é patente a nulidade da r. Decisão proferida, devendo esta ser anulada, com o consequ ente retorno dos autos para a primeira instância, para averiguação das informações constantes das DIPJ's Retificadoras apresentadas em 30.06.03 e 06.12.05 e, posteriormente, para que seja proferido novo julgamento; m) que o Decretolei n° 2.124/1984 ao estabelecer a forma de constituição por obrigação acessória não faz qualquer restrição quanto à espécie de referida obrigação, mas, apenas, que esta comunique a existência de débito; n) que a Recorrente apresentou sua DIPJ Retificadora comunicando à Administração Tributária a existência de débitos de IRPJ e CSLL em aberto, na medida em que demonstrou, em suas fichas 12A e 17, além das fichas 11 e 16 a existência de saldo devedor de referidos tributos; o) que, neste sentido, de acordo com a legislação de regência, o crédito tributário já se encontrava devidamente constituído quando da lavratura do presente Auto de Infração; p) que o valor apontado no Auto de Infração referente ao IRPJ, por exemplo, no montante de R$ 356.797,02 (trezentos e cinqu enta e seis mil, setecentos e noventa e sete reais e dois centavos), composto por R$ 19.532,43 (dezenove mil, quinhentos e trinta e dois reais e quarenta e três centavos) referente a março de 2002 e R$ 337.264,59 (trezentos e trinta e sete mil, duzentos e sessenta e quatro reais e cinqu enta e nove centavos) referente a dezembro de 2002, correspondem exatamente ao valor previamente declarado pela Recorrente em sua DIPJ; q) que mesmo entendimento deve ser aplicado ao suposto débito de CSLL, ainda que observadas as considerações a serem apresentadas em tópico especifico, relacionadas ao equivoco cometido pela Recorrente quando da apresentação de sua DIPJ Retificadora; r) que a D. Autoridade Julgadora afirma, ainda, que a DCTF seria a declaração responsável pela constituição dos créditos tributários a partir do ano de 1999, de forma que não havendo informação do débito por meio de referida declaração, seria necessário a lançamento de oficio; s) que a D. Autoridade Julgadora pautase em atos normativos hierarquicamente inferiores (Instruções Normativas SRF n° 77/98, n° 126/98, n° 127/98 e n° 14/00) que inovam Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.040 5 no ordenamento jurídico ao limitar, a seu bel prazer, quais as obrigações acessórias a serem cumpridas pelos contribuintes que irão constituir o crédito tributário quando o Decretolei n° 2.124/1984 que, frisese, possui força de lei ordinária, não faz qualquer espécie de restrição; t) que o débito exigido através da presente demanda referese a valor previamente declarado pelo contribuinte, não recolhido, bem como que a D. Autoridade Julgadora se pautou em normas ilegítimas e em jurisprudência que não reflete o atual posicionamento do E. Conselho ultrapassada, é imperativa a reforma da r. decisão proferida, para que seja decretada a nulidade do Auto de Infração em questão; u) que, que o débito exigido através da presente demanda referese a valor previamente declarado pelo contribuinte, não recolhido, bem como que a D. Autoridade Julgadora se pautou em normas ilegítimas e em jurisprudência que não reflete o atual posicionamento do E. Conselho ultrapassada, é imperativa a reforma da r. decisão proferida, para que seja decretada a nulidade do Auto de Infração em questão; v) que apesar de o saldo final apontar a importância de R$ 337.264,59, a Recorrente deixou de recolher o valor relativo a estimativa de março de 2002, no montante de R$ 19.532,43, compondo, portanto, o valor final devido a titulo de IRPJ; w) que a Recorrente, com vistas a regularizar sua situação perante o Fisco Federal, aderiu ao Parcelamento Especial PAES, instituído pela Lei no 10.684/03, conforme se verifica da consulta a sua situação perante o PAES emitida pela página da Receita Federal na internet; x) em decorrência da adesão da Recorrente a referido parcelamento, todos os débitos que se encontravam em aberto em seu nome, inclusive aqueles constituídos por meio da apresentação da DIPJ/2003, ao contrário do equivocado entendimento manifestado pela D. Autoridade Julgadora, foram devidamente incluídos no PAES, nos termos do disposto no artigo 10, § 1° da Lei n° 10.684/03; y) que referido artigo dispõe que o Parcelamento Especial PAES abrangerá todos os débitos, constituídos ou não, em aberto, em nome do contribuinte, com vencimento até 28 de fevereiro de 2003. No mesmo sentido, dispõe o artigo 1° da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 03/03, que instituiu a DeclaraçãoPAES; z) que, se o vencimento do valor relativo ao mês de dezembro de 2002 se deu antes de 28 de fevereiro de 2003, nos termos da legislação de regência, referido valor deveria ter sido automaticamente incluído no PAES; aa) que assim decidiu o C. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, in verbis: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2003 Ementa: PAES. INCLUSÃO DE DÉBITOS PELA SRF E CONFISSÃO NO CURSO DA AÇÃO FISCAL. Os débitos declarados em DIPJ antes do inicio da ação fiscal devem ser incluídos no Paes pela SRF e os declarados em DIPJ Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.041 6 no curso da ação Fiscal não podem ser incluídos no Paes e serão objeto de lançamento de oficio.". (lª Camara do 2° Conselho de Contribuintes, Acórdão no 201 80.359, DOU 08.01.08)” ab) que, nos termos do artigo 2° da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 3/03 c/c com o artigo 1° da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 05/03, a Recorrente poderia confessar seus débitos por meio da entrega das declarações a que estava obrigada até novembro de 2003; ac) que que a entrega da DIPJ/2003 pela Recorrente se deu em 30 de junho de 2003, data esta anterior ao prazo especificado em mencionadas portarias; ad) que a DIPJ/2003 Retificadora entregue em 30.06.03, mesma data da transmissão da DIPJ Original, apontava como valor devido, a titulo de IRPJ, o montante de R$ 356.797,02 (trezentos e cinquenta e seis mil, setecentos e noventa e sete reais e dois centavos) (R$ 19.532,43 + R$ 337.264,59), enquanto que a DIPJ Original, equivocadamente preenchida, apontava R$ 388.203,64 (trezentos e oitenta e oito mil, duzentos e três reais e sessenta e quatro centavos); ae) que é certo, portanto, que o valor efetivamente devido e a ser incluído no PAES corresponde ao montante de R$ 356.797,02, apontado na DIPJ Retificadora apresentada; af) que é inconteste que o valor de R$ 356.797,02 deveria ter sido incluído automaticamente pela D. Administração Tributária por ocasião da consolidação do Parcelamento Especial PAES da ora Recorrente, de forma que referido crédito está com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do disposto no artigo 151, VI, do Código Tributário Nacional; ag) que o fato de a Recorrente haver declarado o valor de R$ 19.532,43, a titulo de estimativa do mês de março de 2002 como pago, não afasta a obrigação da D. Autoridade Administrativa em incluir, de oficio, referido valor no PAES ao constatar a falta de pagamento; ah) que que, em razão da não inclusão deste débito no PAES, pleiteou perante a Receita Federal do Brasil a inclusão de referido valor no referido parcelamento, de acordo com o disposto no artigo 9° da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 03/04, sendo certo que o Pedido de Revisão de Débitos Consolidados no PAES encontrase pendente de julgamento; ai) que, caso não seja prontamente reconhecida a nulidade do presente Auto de Infração, deve, ao menos, ser suspenso seu julgamento até a análise definitiva do Pedido de Revisão de Débitos Consolidados no PAES apresentado pela Recorrente; aj) que deve ser reconhecida a nulidade do presente auto em razão da impossibilidade de se exigir débito que se encontra com a sua exigibilidade suspensa, nos termos do disposto no artigo 151, VI, do Código Tributário Nacional ou, ao menos, seja determinada a suspensão do presente processo até a análise definitiva do Pedido de Revisão de Débitos Consolidados no PAES apresentado pela Recorrente; ak) que, assim como já exposto em relação ao débito de IRPJ, a exigência do débito relativo a CSLL também é manifestamente indevida, em razão da suspensão de sua exigibilidade pelo parcelamento; Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.042 7 al) que, em 30.06.03, a Recorrente apresentou DIPJ Retificadora por meio da qual constituiu o valor de R$ 94.130,67 (noventa e quatro mil, cento e trinta reais e sessenta e sete centavos) a titulo de CSLL devida no anocalendário de 2002; am) que uma vez reconhecido o recolhimento do valor de R$ 18.131,31 pela D. Autoridade Julgadora, não restam dúvidas quanto ao valor devido e parcelado a titulo de CSLL, que, conforme será demonstrado pela Recorrente, em virtude do equívoco cometido quando da apresentação de sua DIPJ Retificadora levada em consideração pela Administração Tributária, é de R$ 75.999,36; an) que, em 06.12.05, a Recorrente apresentou nova DIPJ Retificadora, em substituição à apresentada em 30.06.03, alterando, indevidamente, o valor relativo à linha 19 da ficha 17 de sua declaração; ao) que, conforme se verifica da versão entregue em 30.06.03, a Recorrente excluiu da base de cálculo da CSLL o valor de R$ 353.001,00 (trezentos e cinqu enta e três mil e um real), enquanto que, na versão entregue em 06.12.05, referido valor passou a ser de R$ 1.345.618,36 (um milhão, trezentos e quarenta e cinco mil, seiscentos e dezoito reais e trinta e seis centavos); ap) que, em razão de referida alteração, houve a indevida redução da base de calculo da CSLL, de forma que o valor final constante da declaração da Recorrente como devido a titulo de CSLL foi reduzido para R$ 4.795,11 (quatro mil, setecentos e noventa e cinco reais e onze centavos); aq) que a despeito da apresentação de nova declaração retificadora, os valores corretos a serem declarados pela Recorrente e consolidados no PAES correspondem aqueles informados na DIPJ Retificadora entregue em 30.06.03; ar) que é inconteste que o valor devido a titulo de CSLL pela Recorrente corresponde ao montante de R$ 75.999,36, e não a R$ 4.795,11, como apontado na presente autuação; as) que deveria o valor apontado pela Recorrente por meio de sua DIPJ Retificadora entregue em 30.06.03 ter sido incluído no PAES, sendo irrelevante a sua posterior e, frisese, equivocada, alteração em decorrência da apresentação de outra DIPJ Retificadora em 06.12.05; at) que não restem dúvidas quanto à procedência do valor apontado na DIPJ Retificadora apresentada em 30.06.03, a Recorrente acostou, quando da apresentação da Impugnação, a cópia do LALUR/02 onde constam os valores discriminados das reversões de provisões que somam o montante de R$ 353.001,00; au) que o valor de R$ 1.345.618,36 é manifestamente equivocado, sendo, indevida, portanto a redução da base de calculo da CSLL e, por consequ ência, de seu valor a pagar; av) que a Recorrente entende que a cópia da parte B de seu LALUR é suficiente à comprovação do alegado; Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.043 8 aw) que não poderia a D. Fiscalização considerar como válida a reversão de R$ 1.345.618,36 se a Recorrente não fez qualquer espécie de comprovação da validade de referido valor; ax) que se a apresentação da parte B do LALUR não seria suficiente, segundo entendimento manifestado pela D. Autoridade Julgadora, deveria esta, em homenagem ao principio da verdade material, ter determinada a baixa dos autos em. diligência para que a Recorrente fosse notificada a apresentar os demais documentos que a D. Autoridade Julgadora entendesse necessários à comprovação de suas alegações; ay) que, diante da indevida redução do valor a pagar a titulo de CSLL, é inconteste que o montante de R$ 75.999,36 deve ser entendido como o valor efetivamente devido pela Recorrente, sendo certa, ainda, a sua inclusão no PAES, nos mesmos termos em que se deu a inclusão do valor devido a titulo de IRPJ; az) que deve ser prontamente cancelada a presente autuação em razão da suspensão da exigibilidade do suposto débito de CSLL, nos termos do disposto no artigo 151, VI, do Código Tributário Nacional; aaa) que não merece prosperar, na medida em que, ao contrário do entendimento manifestado pela D. Autoridade Julgadora, é manifestamente ilegítima a aplicação da multa isolada pelo suposto não recolhimento de antecipações mensais a titulo de IRPJ e CSLL; aab) que sua aplicação se mostra impossível, também em razão de sua cumulatividade com a multa de oficio, aplicada em razão do não recolhimento de tributo; aac) que, de acordo com entendimento do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, após o término do anocalendário, a aplicação da multa isolada, pela ausência de recolhimento das antecipações mensais, quando admitida, tem sua base de calculo limitada pela diferença verificada entre o lucro real anual apurado e a estimativa obrigatória recolhida; aad) que a D. Fiscalização considera que a Recorrente teria procedido a compensação da base de cálculo negativa da CSLL em montante superior a 30%, fato este indevidamente mantido pela D. Autoridade Julgadora; aae) que tal entendimento, conforme exaustivamente demonstrado, decorre, exclusivamente, do equivoco da Recorrente no preenchimento da DIPJ; aaf) que, conforme já demonstrado em tópico anterior, a DIPJ Retificadora utilizada pela D. Autoridade Fiscal está, na verdade, equivocada, sendo certo que a correta seria a DIP! Retificadora, transmitida em 30.06.03, mesma data da transmissão da DIPJ Original; aag) que, ao proceder à retificação de sua DIPJ Retificadora, a Recorrente apresentou um valor relativo à reversão de provisões dedutíveis (linha 19 da ficha 17) em valor superior ao correto, o que acarretou na indevida redução da base de cálculo da CSLL; aah) que, a partir de referida redução indevida da base, a compensação que anteriormente estava correta passou a ser considerada excessiva; Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.044 9 aai) que que o valor correto da reversão corresponde Aquele apontado na DIPJ Retificadora entregue em 30.06.03, e não ao apontado na Retificadora entregue em 06.12.05, equivocadamente preenchida, é inconteste que não há redução válida da base de cálculo e, por consequ ência, não há compensação a maior; aaj) que o valor informado em ambas as DIPJ's, seja a transmitida em 30.06.03, seja a transmitida em 06.12.05 é o mesmo, sendo certo que referido valor corresponde a exatamente 30% da base informada na DIPJ Retificadora entregue em 30.06.03, cuja exclusão das provisões não dedutiveis se deu pelo valor correto; aak) que o valor devido a titulo de CSLL que se reputa como correto é aquele informado na DIPJ Retificadora transmitida em 30.06.03, sendo certo que este deveria ter sido automaticamente incluído no PAES, na medida em que a época da adesão da Recorrente a referido parcelamento este seria o valor em aberto; aal) que se pudesse falar em compensação em valor superior ao permitido, o que se admite apenas por argumentação, é inconteste que o valor exigido por meio da presente autuação seria indevido em razão da suspensão de sua exigibilidade pelo parcelamento, nos termos do disposto no artigo 151, VI, do Código Tributário Nacional; aam) que ao considerar a redução do valor devido a titulo de CSLL pela compensação entendida por indevida, é inconteste que a D. Autoridade Administrativa exige da Recorrente valor que já teria sido declarado como devido por ocasião da apresentação da DIPJ Retificadora que, conforme exaustivamente exposto, possuía uma base de calculo de CSLL maior; aan) é evidente que o valor exigido em razão da glosa da compensação já deveria ter sido incluído no PAES, o que impossibilitaria a sua exigência por meio do presente auto de infração, mesmo após a suposta compensação indevida; aao) que houve equivoco quando da lavratura do Auto de Infração ora impugnado, pois no presente caso não se verifica a inexistência de recolhimento do tributo em razão da compensação superior à permitida, como quer fazer crer a Autoridade Fiscal; aap) que a limitação para compensação dos prejuízos fiscais é meramente quantitativa, e não temporal. Mesmo que a compensação tenha sido efetuada acima do limite de 30%, não é correto afirmar que houve recolhimento a de tributo e montante inferior ao devido, vez que a apuração de lucro pela empresa, em períodos subsequ entes, e que sejam suficientes para absorver todo o prejuízo, descaracterizaria a ausência de recolhimento de imposto; aaq) que a parcela do tributo que deixou de ser recolhida em razão da compensação das bases de cálculo negativa em limite superior não deve ser exigida da Recorrente, haja vista que, caso fosse observado o limite de 30%, ela seria futuramente abatida da apuração das bases positivas futuras, não implicando, pois, em recolhimento insuficiente de tributo; aar) que a Recorrente em momento algum deixou de recolher tributo apurado em decorrência da glosa da compensação efetuada, como se verifica do presente Auto de Infração, mas sim, apenas postergou o seu recolhimento; Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.045 10 aas) que a multa possui caráter acessório do principal, sendo assim, se descabe o lançamento de oficio efetuado contra a Recorrente, inexiste fundamento para a imposição de qualquer multa de oficio; aat) que a aplicação de multa de oficio, equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto, bem como a multa isolada no montante de 50% (cinqu enta por cento) sobre o valor da estimativa mensal, acarreta na manifesta afronta ao principio do não confisco; aau) que entende indevida, in casu, a aplicação da taxa SELIC em razão de sua inconstitucionalidade e ilegalidade; aav) que se considerasse que a Taxa SELIC possui natureza jurídica de juros de mora, o que so se admite para argumentar, verificase que a sua utilização desobedece ao comando normativo contido no artigo 161, § 1° do Código Tributário Nacional', por ultrapassar os limites impostos pelo texto normativo citado; aaw) que requer: i) reconheçase a nulidade da r. decisão, dado que tomou por base decisão proferida no processo administrativo 10882.003105/200771, ainda não definitiva em razão de Recurso apresentado naqueles autos, determinandose o retorno destes autos para que seja proferido novo julgamento, com a análise integral das alegações tecidas pela ora Recorrente; ii) reconheçase a nulidade da decisão em razão da necessidade de baixa dos autos em diligência para que a Recorrente pudesse anexar documentos suplementares, dado que a D. Autoridade Fiscal entendeu que a documentação (parte B do Lalur e demais documentos) não seria suficiente para confirmar a incorreção na apuração da base de cálculo da CSLL e que, por conseguinte, possam ser averiguadas as informações constantes das DIPJ's Retificadoras apresentadas em 30.06.03 e 06.12.05, o que se requer, desde já, a fim de que a D. Autoridade aponte os documentos que, em seu entender, sejam necessários para comprovação do alegado, em homenagem, inclusive, ao principio da ampla defesa e verdade material, para que seja proferido novo julgamento; iii) caso não seja reconhecida a nulidade, que seja reformada a r. decisão para que seja decretada a nulidade do Auto de Infração, pois o débito exigido através da presente demanda referese a valor previamente declarado pela Recorrente, cuja cobrança, portanto, prescinde da lavratura de Auto de Infração; ou que, caso assim não se entenda; iv) ao menos, seja suspenso o julgamento do presente Recurso até a análise definitiva do Pedido de Revisão de Débitos Consolidados no PAES, dado que a Recorrente requereu a inclusão de parte do valor ora intentado no referido parcelamento e, portanto, não se pode Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.046 11 admitir a cobrança de débito que se encontra, no mínimo, com a exigibilidade suspensa; v) caso não se reconheça a nulidade da r. decisão, com consequente baixa dos autos em diligência, e se entenda pela legitimidade do procedimento adotado pela Fiscalização lavratura de Auto de Infração o que se admite para argumentar, que seja reformada a r. decisão para: (i) afastar a multa isolada; (ii) reduzir os percentuais aplicados a titulo de multa, diante do caráter confiscatório; afastar a Taxa Selic na atualização dos valores. É o relatório. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 1146, razão pela qual dele conheço. A primeira questão posta a este Colegiado reside em saber se o Recurso apresentado pela recorrente nos autos do PAF nº 10882.003105/200771 é questão prejudicial ao julgamento em tela. O autuante, no TVF, a fls. 101/102, assim informa e se posiciona sobre a questão do parcelamento: A BRASLO foi intimada em 02/03/2007 (fls. 04/15) e tomou ciência em 09/03/2007, conforme Aviso de Recebimento — AR, à fl. 16. Em 14/03/2007, a BRASLO solicitou prorrogação de prazo por mais dez dias (fl. 17) e atendeu em 27/03/2007, juntando documentos e/ou esclarecimentos, conforme se vê, às fls. 31/38. 2. DA ANÁLISE A presente Revisão de Declaração se originou da divergência constatada entre os valores de IRPJ a Pagar (quota de ajuste) e IRPJ a Pagar por Estimativa, informados em DIPJ versus valores informados em DCTF e recolhimentos efetuados, conforme abaixo descrito: ... Em sua resposta, a BRASLO informou que houve o parcelamento dos débitos em aberto, por meio do processo administrativo n° 10882.001165/200325. Posteriormente, optou pelo parcelamento especial — PAES e entendeu que os valores questionados foram incluídos no PAES, conforme Deferimento da Receita Federal. Informou ainda que, conforme legislação de regência, todos os débitos em aberto seriam incluídos de ofício pela própria Receita Federal neste parcelamento especial. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.047 12 A alegação da BRASLO é procedente em parte. O que a Secretaria da Receita Federal do Brasil incluiu de ofício no Parcelamento Especial — PAES foram os créditos tributários devidamente declarados. Isto quer dizer que o que não foi declarado pelo contribuinte, não foi passível de inclusão no PAES. O Processo n° 10882.001165/200325 se refere ao parcelamento de R$ 2.010.253,53, relativo à parte do IRPJ Estimativa , código 2362, do período de apuração de 12/2002 e de R$867.065,36, relativo à parte da CSLL Estimativa, código 2484, do período de apuração de 12/2002, conforme extrato, às fls. 43/45. Nada mais.” Assim entendendo, o autuante concluiu que: a) cabia o lançamento de multa isolada sobre R$ 337.264,59, diferença entre o IREstimativa de dezembro de 2002, no montante de R$ 2.347.518,12, e o valor que fora parcelado (IRPJEstimativa no valor de R$ 2.010.253,53); b) cabia multa isolada sobre R$ 19.523,43, valor do IR Estimativa do mês de março não recolhido pela recorrente; c) cabia o lançamento de IRPJ no valor de R$ 356.797,02, resultante do recálculo da Ficha 12 A, levando em conta a glosa de IR estimativa de março (R$ 19.523,43) e a dedução do montante de IR estimativa parcelado (R$ 2.010.253,53); d) cabia multa isolada sobre R$ 94.130,67, diferença entre a CSLLEstimativa de dezembro de 2002, no montante de R$ 961.196,03, e o valor que foi parcelado a título de CSLLEstimativa, no total de R$867.065,36; e) cabia lançamento de CSLL no valor R$ 31.595,78, decorrente de compensação de bases negativas superior em R$ 297.785,21 ao limite de 30% da base ajustada antes da compensação. A recorrente tomou ciência da autuação em 21/05/2007 (AR a fls. 127) e apresentou impugnação à DRJ em 20/06/2007. Todavia, também apresentou, em 13/11/2007, pedido de revisão dos débitos consolidados no PAES à DRF/Osasco (doc. a fls. 02 e segs. do PAF nº 10882.003105/200771, apenso aos autos), no qual alega que: “Conforme se verifica da DIPJ/2003 apresentada pela Requerente (doc. 04), foi apurado um saldo devedor de IRPJ no montante de R$ 356.797,02, devidamente constituído pela entrega da declaração. 10. Isto porque, apesar de o saldo final apontar a importância de R$ 337.264,59, a Requerente deixou de recolher o valor relativo à estimativa de março de 2002, no montante de R$ 19.532,43, compondo, portanto, o valor final devido a título de IRPJ. 11. Em decorrência da adesão da Requerente ao PAES, o débito relativo ao IRPJ do anocalendário de 2002 deveria ter sido incluído em referido parcelamento, pois se encontrava em aberto e estava Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.048 13 devidamente constituído pela apresentação da DIPJ/ 2003 (artigo 1º, § 1º da Lei n° 10.684/03). ... 23. Diante do exposto, deve ser determinada a imediata inclusão do valor de R$ 356.797,00, a título de IRPJ referente ao anocalendário de 2002, no Parcelamento Especial PAES da Requerente, determinando se, por consequência, o recálculo das prestações mensais a serem recolhidas. .... 28. Desta forma, deve ser reduzido do valor de R$ 94.130,67, o montante de R$ 18.131,31, o que resulta em um valor devido a titulo de CSLL no montante de R$ 75.999,36 (setenta e cinco mil, novecentos e noventa e nove reais e trinta e seis centavos). ... 43.Diante do exposto, é a presente para requerer a inclusão dos débitos acima discriminados do Parcelamento Especial PAES, bem como o recálculo do valor consolidado e, por consequência, da parcela a ser recolhida, tendo em vista que tanto o débito de IRPJ quanto o de CSLL eram devidos à época da adesão da Requerente ao PAES. 44. Requer, outrossim que, após a inclusão de mencionados débitos ao PAES, seja trasladada a decisão proferida aos autos do Processo Administrativo n° 10882 001031/200738, em que se exige da Requerente os débitos de IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2002, com o consequente cancelamento dos Autos de Infra ão lavrados e arquivamento de referido processo.”. Os autos de infração em tela são decorrentes de procedimentos de malha, cuja ciência do Termo de Intimação de Malha/PJ foi dada a recorrente em 09/03/2007 (AR a fls. 18), ou seja, posteriormente, à concessão do parcelamento, datado de 2003 (vide despacho a fls. 45), logo, a questão posta pela recorrente no pedido acima é questão prejudicial ao julgamento em tela. Cabe, então, perquirir qual o desdobramento processual do referido pedido de inclusão de débitos em parcelamento, A Fls. 193/194 do PAF em apenso (PAF nº 10882.003105/200771), consta despacho decisório do Chefe da Secat/DRF/Osasco, datado de 07/04/2008, o qual assim dispõe: “Trata o presente processo de Pedido de Revisão de Consolidação PAES, em que o contribuinte em epígrafe solicita a inclusão dos débitos à folha 1. Conforme afirma o próprio contribuinte às folhas 03 a 11, os referidos débitos não foram declarados em DCTF, o que se confirma através dos extratos emitidos pelo sistema SIEF às folhas 189 e 190. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.049 14 Considerando que o prazo para entregar ou retificar declarações com o objetivo de incluir os débitos no Paes era 31/10/2005 conforme a Portaria Conjunta 03/03, art.2° e prorrogado para 28/11/2003 pela Portaria Conjunta 05/2003, art.1° I., Considerando que, conforme o art.2 da a Portaria Conjunta PGFN/SRF 03/03: Art. 2° A inclusão de débitos passíveis de declaração, a que o sujeito passivo a ela obrigado se encontre omisso, darseá, exclusivamente, com a apresentação da , respectiva declaração, no prazo fixado no art.1°, exceto na situação referida no inciso IV, do mesmo artigo. Parágrafo único. Na hipótese de débito já declarado por valor inferior ao efetivamente devido, a inclusão do valor complementar farseá mediante entrega de declaração retificadora, no prazo fixado no art. 2°. (grifouse) Considerando ainda que os débitos constantes do presente pedido, estão sendo exigidos através do processo n° 10882.001031/200738 (fls. 191 e 192), que trata de Auto de Infração, Proponho o indeferimento do pedido de Revisão de Débitos — PAES, por ausência da confissão da dívida nos termos da Portaria Conjunta PGFN/SRF 03/03 e a juntada por apensação do presente processo ao processo n°10882.001031/200738. ... De Acordo. Indefiro o pedido de revisão de débitos PAES conforme proposto. Procedase com a juntada por apensação do presente processo ao processo n°10882.001031/200738 e cientifiquese o contribuinte desta decisão.” Ocorre, porém, que a recorrente interpôs recurso em face do referido despacho decisório (constante dos autos do PAF nº 10882.003105/200771), o qual foi juntado a fls. 1098 e segs. destes autos (PAF nº 10882.001031/200738), embora estivesse endereçado ao Chefe do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da equipe de Parcelamento – Eqpar da DRF/Osasco e expressamente indicado o PAF nº 10882.003105/200771. A Portaria Conjunta PGFN/SRF nº 03, de 2004, era omissa quanto a possibilidade de se interpor recurso quando indeferido o pedido de que trata o inciso IV do seu art. 9º, mas a recorrente fundamentou o seu pedido no art. 56 da Lei 9.784/99, o qual assim dispõe: “Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. § 1º O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior.”. Dessa forma, não há como dar prosseguimento ao julgamento do recurso voluntário, enquanto pendente de apreciação o recurso contra a decisão proferida pelo Chefe da Secar/DRF/Osasco, já que a matéria deste é prejudicial ao julgamento daquele. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: a) estes autos, com o PAF apenso (nº 10882.003105/200771), sejam encaminhados à DRF/Osasco, para que ela se pronuncie sobre o Recurso a fls. 1098/1109 destes autos e adote demais providências da sua alçada; e Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10882.001031/200738 Resolução nº 1302000.301 S1C3T2 Fl. 2.050 15 b) após a decisão administrativa definitiva sobre a matéria objeto do recurso acima referido, estes autos (com o PAF apenso) retornem ao CARF, para prosseguimento do julgamento do Recurso Voluntário a fls. 1055/1097. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 15504.723781/2012-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008
DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE
A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a parcela referente à multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento, assim como os juros de mora desde a data da efetivação do depósito.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Arlindo da Costa e Silva, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2008 a 31/08/2008 DEPÓSITO JUDICIAL. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. JUROS E MULTA DE MORA. INEXIGIBILIDADE A ocorrência do depósito do montante integral do débito em dinheiro importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente, sendo incabível a exigência de multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento do tributo lançado, assim como os juros moratórios desde a data da efetivação do depósito. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário, para excluir do lançamento a parcela referente à multa de mora, exclusivamente, no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento, assim como os juros de mora desde a data da efetivação do depósito. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 37 81 /2 01 2- 52 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Maria Anselma Coscrato dos Santos, Arlindo da Costa e Silva, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.723781/201252 Acórdão n.º 2302003.108 S2C3T2 Fl. 538 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trecho relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 504 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o Banco BMG S/A AI DEBCAD 37.372.8506, no valor de R$ 3.296.669,50, consolidado em 29/06/2012, que de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 17/23, referese a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte patronal, incidentes sobre os pagamentos efetuados a título de distribuição de lucros e resultados aos diretores e administradores, lançados na folha de pagamento e não incluídos nas GFIP da matriz, na competência 08/2008. Referidas contribuições foram depositadas em juízo, processo 2008.38000.129928. O Auto de Infração foi recebido pela autuada em 02/07/2012 (fls. 01). Em 27/07/2012, a empresa autuada apresentou a impugnação de fls. 412/426, acompanhada dos documentos de fls. 427/500, onde contesta o procedimento fiscal sob os seguintes argumentos, relatados em síntese. (...) (destaques nossos) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 525 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * Os depósitos judiciais foram efetuados à época do vencimento das obrigações, ou, quando depositados após o vencimento, acrescidos dos respectivos encargos moratórios. Assim, tendo em vista que o suposto crédito tributário está com a exigibilidade suspensa em virtude dos depósitos judiciais efetuados (art. 151, II, do CTN e Parecer Cosit n° 2/1999), a DRJ deveria ter excluídos os valores lançados a título de juros e multas. É o relatório. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Juros e multa. Prévio depósito judicial do montante integral. Estabelece o § 2º do art. 63 da Lei n° 9.430/96 que, em caso de medida judicial favorecida com medida liminar, a multa de mora não deve incidir até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. O aludido preceito, entretanto, não autoriza o afastamento dos juros de mora em situações similares. Ocorre que, se houve o depósito do montante integral do crédito tributário em discussão não temos mora por parte do contribuinte, o que retira o fundamento fático da fluência dos juros. Tal entendimento é ratificado por abalizada doutrina: Feito o depósito judicial e integral da quantia litiganda, ficam excluídas as multas e os juros, (...) a mora, por outro lado,não prospera porque o depósito integral do crédito elide a aplicação dos juros pela demora de pagar , bem como das penalidades dirigidas a sancionar o inadimplemento da obrigação tributária na data fixada em lei. (COELHO. Sacha Calmon Navarro. Manual de Direito Tributário. 2ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 2002, pág.446) Outra não foi a compreensão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e do Superior Tribunal de Justiça(STJ): NORMAS PROCESSUAIS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO.DEPÓSITOS JUDICIAIS INTEGRAIS. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. É obrigatória a constituição do crédito tributário nos casos de medida judicial, com depósito do montante integral do tributo, para prevenir a decadência, não havendo que se falar em aplicação da multa de ofício e juros de mora em relação a esses créditos, convertidos ou não em renda, desde que integralmente depositados em Juízo. Recurso especial provido. (CARF. Processo n° 13527.000056/200247. Acórdão CSRF/02 02.172. Relator Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Data da Sessão: 23/01/2006) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO JUÍZO. VALOR DEPOSITADO. LEVANTAMENTO. ACRÉSCIMO DE JUROS E CORREÇÃO MONETÁRIA. PARTE DEVEDORA. JUROS MORATÓRIOS INDEVIDOS. Fl. 540DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 15504.723781/201252 Acórdão n.º 2302003.108 S2C3T2 Fl. 539 5 1. O depósito integral para garantia do juízo, com vista à interposição de embargos à execução, afasta a incidência de juros moratórios a partir da efetivação do depósito. 2. Não seria razoável exigirse da recorrente os juros moratórios depois de efetivado o depósito judicial, sob pena de incorrerse em bis in idem, eis que os valores levantados pelo autor, vencedor da lide, estarão acrescidos de juros e correção monetária pagos pela instituição bancária em que se efetivar o depósito. Precedentes. 3. Recurso especial provido. (REsp 1107447/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/04/2009, DJe 04/05/2009) A questão também pode ser enfrentada sob a ótica da Súmula CARF n° 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Nesse contexto, encontrandose a exigibilidade do crédito tributário suspensa em razão da efetivação do depósito do montante integral, incabível a aplicação de penalidade moratória se o depósito em apreço houvese por realizado antes do vencimento do prazo para o recolhimento, tampouco a incidência de juros de mora a partir da data da efetivação do depósito judicial. Assim, se realizado o depósito antes do decurso para o recolhimento, indevidos os juros e a multa de mora correspondentes. Caso contrário, se efetuado o depósito do montante integral após o integral escoamento do prazo assinalado para o recolhimento, devida será a multa moratória, nos termos da legislação vigente à data da ocorrência dos fatos geradores, assim como os juros de mora desde a data do vencimento até a do efetivo depósito. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para excluir do lançamento a parcela referente à multa de mora, exclusivamente no caso de o depósito ter sido efetuado antes do decurso do prazo regular para o pagamento, assim como os juros de mora desde a data da efetivação do depósito. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 541DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Fl. 542DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 06/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10209.000883/2004-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/12/1999
Taxa Selic
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-002.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Luis Marcelo Guerra de Castro e Tatiana Midori Migiyama, que participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, que declarou-se impedida.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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MERCOSUL. TRIANGULAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS DOCUMENTAIS. O descumprimento das exigências documentais fixadas nos acordos celebrados no âmbito do Mercosul impede o aproveitamento da preferência tarifária. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/12/1999 Fatura Comercial. Exigências Regulamentares A fatura comercial apresentada por ocasião da formulação do despacho de importação deve atender as exigências regulamentares, sob pena da imposição de multa pelo descumprimento de obrigação acessória. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/12/1999 TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 08 83 /2 00 4- 15 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000883/200415 Acórdão n.º 3102002.014 S3C1T2 Fl. 136 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Luis Marcelo Guerra de Castro e Tatiana Midori Migiyama, que participou do julgamento em substituição à Conselheira Nanci Gama, que declarouse impedida. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e da multa de ofício, no percentual de 75%, bem como da multa prevista no art. 106, inciso V, do Decretolei nº 37/1966, vigente à época dos fatos, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 121.296,29, objeto do Auto de Infração fls. 02/17. Segundo descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe através da Declaração de Importação de no 99/10718634, em 10/12/1999, submeteu a despacho aduaneiro 1.516,159 metro cúbico de Gasóleo, classificável na Tarifa Externa Comum no código 2710.00.41, no valor FOB de US$ 270.370,36 utilizandose da redução de 100% da alíquota do Imposto de Importação fixada em 9%, conforme Acordo de Complementação Econômica nº 18 (ACE18) celebrado entre o Governo da República Federativa do Brasil e os Governos da república federativa da Argentina, da República do Paraguai e da República do Uruguai. Esclarece a fiscalização de forma minudente no relatório de fls. 11/17, a seguir resumidamente demonstrado: a) o Certificado de Origem apresentado não obedece a terceira nota que consta no dorso do formulário de Certificação de Origem MERCOSUL, anexo ao Decreto nº 1.914 de 22/05/1996, que dispõe sobre a execução do Décimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18, no que se refere à sua emissão, importando na desconsideração do Certificado de Origem; b) não há correspondência entre o Certificado de Origem ALD nº 355005 e a Fatura Comercial PIFSB1048/99, emitida pela Petrobras International Finance Company (Pifco), situada nas Ilhas Cayman, país não membro da ALADI, que acompanham os documentos apresentados para o despacho aduaneiro; Fl. 177DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000883/200415 Acórdão n.º 3102002.014 S3C1T2 Fl. 137 3 c) o Certificado de Origem não faz menção à Fatura Comercial que instruiu o despacho de importação, mas faz referência à Fatura Comercial de Y P F S.A nº 008900001750 e também que o país exportador é a Argentina. No entanto na Declaração de Importação consta como exportador a empresa PIFCO o que acarreta Ilhas Cayman ser o país de aquisição; d) nesta operação de comercialização efetuada pelo contribuinte está evidente a intervenção de um terceiro país não membro do acordo. Embora o Decreto nº 1.568 de 21/07/1995 no seu artigo 10, letra “c” admita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro país, não se aplica ao caso, uma vez que não há interveniência de um operador nos termos do Decreto nº 1.914 de 22005/1996. e) inexistência na Fatura Comercial nº PIFSB1048, emitida em 26/11/99, pela empresa Petrobras International Finance Company (Pifco), situada nas Ilhas Cayman, dos elementos essenciais de validação de Fatura Comercial, conforme estabelece o artigo 425, alíneas “a”, “h”, “i” e “m” do Regulamento Aduaneiro – RA, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1995. Conclui a fiscalização, fls.16: “Em virtude do exposto, conclui se, portanto, que tanto a Fatura Comercial nº PIFSB1048/99 como o Certificado de Origem nº 355005 atendem às normas de origem estatuídas na legislação pertinente, não se constituindo em documentos hábeis para assegurar a pretendida redução tarifária em relação às mercadorias importadas pela fiscalizada. Além disso, a operação comercial entre Argentina – Ilhas Cayman – Brasil, realizadas pelas empresas Y P F S/A – PFICO – PETROBRÁS, respectivamente, caracterizando a interveniência de terceiro país não membro do acordo, no entanto descaracteriza a participação de um operador, na forma prevista na legislação pertinente, impedindo o gozo de preferências tarifárias em razão da origem acordadas no âmbito do MERCOSUL. ”(sic). Sendo assim, a operação realizada pelo contribuinte deve receber tratamento de importação comum, com a aplicação da alíquota integral do imposto de importação, equivalente a 9%. Cientificado do lançamento em 08/11/2004, conforme fls.03, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando em 07/12/2004 a impugnação de fls. 38/48, nos termos a seguir resumidos: A Petrobrás, através de empresa integrante de seu grupo adquiriu através da (PIFCO), sediada nas Ilhas Cayman, óleo diesel, produzido na Argentina, junto à empresa YPF SOCIEDAD ANONIMA; o envolvimento de três empresas gerou a emissão de duas faturas comerciais, conforme descrito no Auto de Infração, uma expedida pela YPF, de nº 008900001750, e outra pela PIFCO, de nº PIFSB1048/99, sendo que esta última faz referência expressa à fatura originária emitida na Argentina; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000883/200415 Acórdão n.º 3102002.014 S3C1T2 Fl. 138 4 na importação referenciada houve a atuação de uma empresa na qualidade de operadora comercial, em conformidade com o teor do artigo 10, letra c, do “Regulamento de Origem do MERCOSUL”, instruído pelo Oitavo Protocolo Adicional ao ACE nº 18 e inserido no ordenamento jurídico pátrio através do Decreto nº 1.568 de 21/07/1995; nada ocorreu na operação comercial em tela que afastasse a aplicação da redução tarifária almejada. A mercadoria foi expedida diretamente do país exportador Argentina, para o país importador, Brasil, ambos signatários do ACE 18, o próprio AuditorFiscal reconheceu esse fato; o só fato da PFICO ter figurado como “exportadora” na Fatura Comercial PFISB1048/99 e na Declaração de Importação não afasta a aplicação do benefício. A PFICO integra o grupo econômico da Impugnante e sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com sua revenda. Enfim a PFICO agiu como mera operadora comercial e não como exportadora; a fatura emitida pela PFICO foi apresentada no despacho aduaneiro porque a própria Receita Federal não previu procedimento específico a ser seguido nos casos de triangulação comercial. Nesse sentido foi editada a NOTA COANA/COLAD/DITEG nº 60, em 19/08/1997; a omissão parcial de preenchimento do Certificado não desqualifica este documento, conforme decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes; o Certificado de Origem 355005 foi emitido em 22/11/99, ou seja, dois dias após a emissão da fatura expedida pela YPF S/A, nº 008900001750, a qual ele faz referência, assim não houve afronta à regra constante na terceira nota do dorso do modelo de certificado de origem, instituído pelo Décimo Protocolo Adicional ao ACE 18 e aprovado pelo Decreto 1.914/1996; quanto à suposta falta de correspondência entre o Certificado e a fatura expedida pela PFICO, razão alguma assiste ao órgão autuante, vez que esta fatura traz informações condizentes com aquelas contidas no Certificado; o alegado descumprimento dos requisitos previstos no art. 425 do Regulamento Aduaneiro está vinculado à questão da falta de previsão de procedimento específico para os casos de triangulação comercial, pois na ausência de norma específica, o importador apresentou somente uma fatura, mas diligenciou para que no corpo desse documento fossem anotados os números do certificado de origem e da fatura originária; o art. 425 impõe regras voltadas para o exportador e, no caso, a PIFCO atuou na qualidade de simples operadora; o Imposto de Importação é instrumento regulador do comércio exterior, possuindo função extrafiscal e não arrecadatória, Fl. 179DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000883/200415 Acórdão n.º 3102002.014 S3C1T2 Fl. 139 5 sendo por isso permitido ao Poder Executivo alterar sua alíquota ou base de cálculo; – invoca o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13 de 10/09/2002, a fim de seja afastada a multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com esteio nos artigos 10 e 106 do CTN; – requer que seja excluída a aplicação da taxa SELIC em face da impossibilidade de se utilizar a taxa SELIC como taxa de juros moratórios, dada que a mesma é taxa de remuneração de capital investido, assim quando o Fisco aplica a taxa SELIC sobre créditos em atraso, ele está, em verdade agindo como agente financeiro, ademais a aplicação da SELIC decorre da Lei Ordinária nº 9.065/95, quando é imperioso a utilização de lei complementar para que a União aumente os juros de mora além dos limites fixados no CTN. – protesta o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a documental ora apresentada.. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pela manutenção parcial da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/12/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Estando a mercadoria corretamente descrita na declaração de importação, com todos os elementos necessários à sua identificação e enquadramento tarifário, tornase incabível a exigência da multa de ofício capitulada no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, em consonância com o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 13/2002. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/12/1999 FATURA COMERCIAL Comprovado nos autos que a Fatura Comercial não contém os requisitos exigidos na legislação de regência, tornase cabível a exigência da penalidade. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000883/200415 Acórdão n.º 3102002.014 S3C1T2 Fl. 140 6 Lançamento Procedente em Parte Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Dado que o montante exonerado é inferior ao limite fixado na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008, não foi apresentado recurso de ofício. Considerando que a análise da fatura comercial relativa à operação entre a pessoa jurídica YPF e a Petrobras International Finance Company (Pifco) seria essencial para decidir acerca do cumprimento dos requisitos inerentes à preferência tarifária pleiteada e que o Sujeito Passivo não foi intimado para apresentar tal fatura, decidiu esta Segunda Turma Ordinária, por meio da Resolução 3102000.143. converter o julgamento do recurso em diligência, a fim de que fosse providenciada a juntada desse documento. Cumprida tal providência, retornaram os autos para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta a esta Terceira Seção. 1 Demarcação do Litígio Em síntese, a alegação de descumprimento do regime de origem está calcada no suposto descompasso entre a operação alvo de litígio e as determinações da resolução Segundo aduz a autoridade fiscal: a) o Certificado de Origem apresentado não observaria as formalidades fixada no Decreto nº 1.914 de 22/05/1996, que dispõe sobre a execução do Décimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18: não constaria do certificado apresentado a informação de que a operação se daria com a interveniência de operador situado em país estranho ao bloco, no caso a Petrobras International Finance Company (Pifco), situada nas Ilhas Cayman; b) ainda que não se identificasse tal falha, restaria caracterizado que a Pifco não atuara como mero interveniente, mas como exportador da mercadoria; c) a fatura comercial apresentada não corresponde à identificada no Certificado de Origem; d) a Fatura Comercial apresentada no despacho (PIFSB1048) não traz em seu corpo as informações previstas nas alíneas “a”, “h”, “i” e “m” do art. 425 do Regulamento Aduaneiro – RA, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1995. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000883/200415 Acórdão n.º 3102002.014 S3C1T2 Fl. 141 7 2 Mérito 2.1.1 Preferência Tarifária Diferentemente dos demais processos em que foi providenciada a juntada da fatura relativa à operação entre a exportadora situada na Venezuela e a intermediária situada nas Ilhas Cayman, entendo que, no presente processo, não há como reconhecer a redução pleiteada. Em primeiro lugar, há que se destacar que as preferências tarifárias negociadas no âmbito do Mercosul seguem regime próprio, fixado pela legislação que disciplina o regime de origem próprio do Bloco, fixado pelo Tratado de Assunção e por seus protocolos adicionais. Demonstrase inaplicável a tais operações, portanto, a previsão do caput do art. 434 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 19851, vigente à época dos fatos controvertidos. O que restará demonstrado, portanto, é que não foram apresentados os documentos exigidos pela legislação que disciplina a preferência objeto do litígio, nem suprida essa ausência pelos meios definidos no mesmo acordo. Por uma questão de sistematização, analiso separadamente os fatores que me levaram a adotar essa conclusão. 2.1.2 Tipicidade e Relação Tributária Interessa à solução do litígio, a meu ver, avaliar se os fatos carreados aos autos se subsumem à hipótese abstratamente prevista na norma negocial que estabeleceu a preferência tarifária objeto do presente litígio. Caso isso não se verifique, afastado estaria o fundamento para sua concessão. Ou seja, independentemente de ser conceituada como uma isenção parcial ou alíquota diferenciada, a aplicação da preferência tarifária negociada é necessariamente orientada pelo princípio da tipicidade cerrada, dogmatizado pelos arts. 97, VI e 111, II do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966) Vejamos o que diz Alberto Xavier2 Como já mais de uma vez se sublinhou, o lançamento é o ato administrativo pelo qual a Administração aplica a norma tributária material a um caso concreto. Nuns casos, essa aplicação tem por conteúdo reconhecer a tributabilidade do fato e, portanto, declarar a existência de uma relação jurídica 1 Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo Parágrafo único. Tratandose de mercadoria importada de paísmembro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. 2 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1998, 2.ed. p. 100. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000883/200415 Acórdão n.º 3102002.014 S3C1T2 Fl. 142 8 tributária e definir o montante da prestação devida. Noutras hipóteses, porém, da aplicação da norma ao caso concreto resulta o reconhecimento da não tributabilidade do fato e, portanto, da não existência no caso concreto de uma obrigação de imposto. Nos primeiros, a Administração pratica um ato de conteúdo positivo; nas segundas, um ato de conteúdo negativo. (destaquei) José Souto Maior Borges , a seu turno, citando Sainz de Bujanda, não destoa3: É o fato gerador, consoante se demonstrou, uma entidade jurídica (supra, III). Por força do princípio da legalidade da tributação, o fato gerador existe si et ia quantum estabelecido previamente em texto de lei: os contornos essenciais da hipótese de incidência (núcleo e elementos adjetivos) integram todos a lei tributária material. Sem a previsão legal hipotética dos fatos ou conjunto de fatos que legitimam a tributação inexiste portanto fato gerador de obrigação tributária. Por isso, afirmase corretamente que o fato gerador é fato jurídico. Sob outro ângulo, a análise jurídica revela ser a extensão do preceito que tributa delimitada pelo preceito que isenta. A norma que isenta é assim uma norma limitadora ou modificadora: restringe o alcance das normas jurídicas de tributação; delimita o âmbito material ou pessoal a que deverá estenderse o tributo ou altera a estrutura do próprio pressuposto da sua incidência. A norma de isenção, obstando o nascimento da obrigação tributária para o seu beneficiário, produz o que já se denominou fato gerador isento, essencialmente distinto do fato gerador do tributo. (destaquei) Possivelmente, a principal consequência da préfalada tipicidade cerrada, pelo menos para a solução do vertente processo, é a impossibilidade se recorrer à analogia, a pretexto de suprir supostas lacunas da norma. Nesse caso, há que se aplicar a doutrina do Silêncio Eloquente do Legislador, com as restrições brilhantemente defendidas pelo Min. Moreira Alves, nos autos do RE Nº 130.5525 DF (DJ de 28/06/1991): “... só se aplica a analogia quando, na lei, haja lacuna, e não o que os alemães denominam ‘silêncio eloqüente’ (Beredtes Schweigen) que é o silêncio que traduz que a hipótese contemplada é a única a que se aplica o preceito legal, não se admitindo, portanto, aí o emprego da analogia.” É defeso ao intérprete, portanto, considerar suprida eventual falha documental por meios diversos dos previstos no Acordo, invocando, por exemplo, analogicamente, o comando do caput do art. 434. Vendo por outro ângulo, para efeito de reconhecimento de preferência tarifária, se o Acordo que a concede possuir regime próprio, mercadoria originária de país 3 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ªed. p.p. 190/191, Fl. 183DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000883/200415 Acórdão n.º 3102002.014 S3C1T2 Fl. 143 9 signatário é aquela que preenche as condições daquele ato, ainda que tais condições não guardem relação com conceitos consagrados no plano da linguagem corriqueira ou no regime nacional de origem. Ou seja, assim como, para efeito de lei, determinados bens evidentemente móveis podem ser tratados como imóveis, para efeito da aplicação de preferência, mercadorias evidentemente extraídas de determinado país podem deixar de ser reconhecidas como originárias ou, em sentido inverso, ainda que não tenham sofrido qualquer transformação substancial, fazem jus ao regime diferenciado. O acordo que concede a preferência é soberano. Tanto em um quanto em outro exemplo, configurarseia uma ficção jurídica, onde o mundo fático, por disposição legal, é distorcido pelo jurídico. Preciso, a meu ver o conceito de ficção jurídica apresentado por Maria Rita Ferragut , citando a obra de Perez de Ayala: De acordo com José Perez de Ayala a ficção jurídica constituise na valoração contida num preceito legal, em virtude do qual se atribuem, a determinados supostos de fatos, certos efeitos jurídicos, violentando ou ignorando a natureza real das coisas. E uma técnica que permite ao legislador atribuir efeitos jurídicos que, na ausência da ficção, não seriam possíveis a certos fatos ou realidades sociais. 2.1.3 Comprovação do Cumprimento das Exigências Inerentes ao Regulamento de Origem do Mercosul Diz o art. Regulamento de Origem, segundo o texto do pelo Oitavo Protocolo Adicional, que foi promulgado pelo Decreto nº 1.568, de 1995, em seu art. 10: Artigo 10 Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, elas deverão ter sido expedidas diretamente do Estado Parte exportador para o Estado Parte importador. A esses efeitos se considera expedição direta: a) as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do MERCOSUL; b) as mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância de autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito estiver justificado por razões geográficas ou por considerações referentes a requerimentos de transporte; ii) não estiverem destinados ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante o transporte ou depósito, nenhuma operação diferente das de carga ou descarga ou manipulação para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000883/200415 Acórdão n.º 3102002.014 S3C1T2 Fl. 144 10 c) poderá aceitarse a intervenção de operadores de outro país desde que, atendidas as disposições de a) e b), exista fatura comercial emitida pelo interveniente e o Certificado de Origem emitido pelas autoridades do Estado Parte exportador. Como é possível perceber, havia previsão expressa de que a mercadoria comercializada a partir de terceiro país usufrua das preferências tarifárias. Nesse aspecto, peço licença à autoridades autuante e julgadoras de primeira instância, pois julgo que a comercialização a partir de terceiro país não desvirtua a origem da mercadoria. A meu ver, se a intenção não fosse permitir que a mercadoria fosse comercializada por aquele interveniente, não havia motivo para se exigir a apresentação da fatura comercial expedida pelo interveniente. Ocorre, entretanto, que o regime de origem sofreu as alterações levadas a efeito por meio do meio do Décimo Quarto Protocolo Adicional, promulgado pelo Decreto nº 1.914, de 1996, que, ao instituir novo modelo de certificado de origem, determinou: “ poderá ser aceita a interveniência de um operador de outro país, sempre que sejam atendidas as disposições previstas neste certificado. Em tais situações o Certificado será emitido pelas Entidades Certificantes habilitadas para tal fim, que fará constar no campo 14 – Observações – que se trata de uma operação por conta e ordem do interveniente”. Ou seja, a transação certificada, com efeito, a diversa da efetivamente realizada. Assim, apesar da possibilidade de se rastrear os demais elos da operação, mediante a juntada da fatura comercial nº 008900001750, expedida pela YPF4, há falhas de instrução que inviabilizam o aproveitamento da preferência tarifária. De fato, o Certificado de Origem nº 355005, juntado à fl. 25, retrata uma operação com a PIFCO e não faz qualquer menção ao fato de que a mercadoria será refaturada para o Brasil. Assim, não seria suficiente, para aplicação do tratamento diferenciado, a demonstração, por outros meios documentais, que a mercadoria teria sido produzida na Argentina. Isso seria suficiente se o reconhecimento estivesse sujeito à regra geral, gizada no caput do art. 434 do RA/85. Por outro lado, como antecipado, tratandose de matéria que só pode ser disciplinada em lei ou ato de status equivalente, não se pode partir do pressuposto de que a sistemática definida na legislação conteria lacunas que pudessem ser sanadas por meio da analogia. 2.2 Multa por Falha na Fatura Comercial 4 Cópia à fl. 143 (156, se considerada a numeração digital). Fl. 185DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000883/200415 Acórdão n.º 3102002.014 S3C1T2 Fl. 145 11 Aponta ainda a autoridade que a fatura comercial apresentada para despacho descumpria as exigências regulamentares fixadas nas alíneas “a”, “h”, “i” e “m” do art. 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 19855. O sujeito passivo, a seu turno, argumenta que o dispositivo legal que respaldaria a multa regulamentar teria sido revogado pela Lei nº 10.833, de 2003. Analisando a fatura comercial PIFSB181/ 2000, apresentada no despacho6, concluise que, de fato, as informações elencadas no regulamento aduaneiro vigente não foram cumpridas. Por outro lado, não vejo como considerar que a Lei nº 10.833, de 2003, tenha feito algo diferente de renumerar o dispositivo e impor uma multa superior à fixada no Decretolei nº 37, de 1966. Com efeito, a infração, à época dos fatos era assim descrita no inciso V do art. 106 do Decretolei nº 37: V de 1% a 2% (um a dois por cento), não podendo ser, no total, superior a Cr$ 100.000, pela apresentação da fatura comercial em desacordo com uma ou mais de uma das exigências que forem estabelecidas no regulamento, salvo o caso da letra "b" do inciso anterior. Com a entrada em vigor da Lei nº 10.833, de 2003, a infração passou a ser assim descrita, no art. 107, X, “c”, do mesmo Decretolei nº 37/66: X de R$ 200,00 (duzentos reais): (...) c) pela apresentação de fatura comercial em desacordo com uma ou mais de uma das indicações estabelecidas no regulamento; e Ora, afora deixar de fazer menção à multa por falta de fatura, o dispositivo novel mantém a previsão de multa para a apresentação de fatura em razão do descumprimento com o previsto no regulamento e onera a multa e impõe a tal conduta a multa de R$ 200,00, outrora fixara em R$ 12,67. 2.3 Taxa Selic Apesar da longa dissertação da recorrente acerca da inaplicabilidade da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC aos débitos tributários, 5 Art. 425. O despacho de importação será instruído também com fatura comercial, assinada pelo exportador, que conterá as seguintes indicações (Decretolei No 37/66, art. 45). a) nome e endereço, completos, do exportador; (...) h) país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria, ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; i) país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; (...) m) frete e demais despesas relativas às mercadorias especificadas na fatura; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10209.000883/200415 Acórdão n.º 3102002.014 S3C1T2 Fl. 146 12 não vejo como afastar a sua incidência sobre exigência discutida nos autos do presente recurso Voluntário. A discussão já encontrase pacificada nesta corte administrativa, sendo inclusive alvo da Súmula CARF nº 4, que diz: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3 Conclusão Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 187DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 4/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.906267/2012-26
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 62 67 /2 01 2- 26 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906267/201226 Acórdão n.º 3801003.308 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906267/201226 Acórdão n.º 3801003.308 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906267/201226 Acórdão n.º 3801003.308 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906267/201226 Acórdão n.º 3801003.308 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906267/201226 Acórdão n.º 3801003.308 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906267/201226 Acórdão n.º 3801003.308 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906267/201226 Acórdão n.º 3801003.308 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.906267/201226 Acórdão n.º 3801003.308 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 11080.918320/2012-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.467
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 20 /2 01 2- 33 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918320/201233 Acórdão n.º 3801003.467 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918320/201233 Acórdão n.º 3801003.467 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918320/201233 Acórdão n.º 3801003.467 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918320/201233 Acórdão n.º 3801003.467 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da COFINS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da COFINS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918320/201233 Acórdão n.º 3801003.467 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.004307/2003-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Não verificados os pressupostos específicos de cabimento, consoante o art. 65, do Regimento Interno deste Conselho, não devem ser providos os embargos de declaração.
Numero da decisão: 1302-001.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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E OUTROS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Não verificados os pressupostos específicos de cabimento, consoante o art. 65, do Regimento Interno deste Conselho, não devem ser providos os embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 43 07 /2 00 3- 10 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela FAZENDA NACIONAL. Na origem houve o lançamento de ofício de IRPJ e CSLL em desfavor da contribuinte JD Comissária de Café LTDA, o que foi verificado após a entrega à fiscalização da documentação solicitada. Naquela oportunidade foi declarada a corresponsabilidade das embargadas. Em razão disso, exigese o crédito tributário inadimplido da contribuinte e das corresponsáveis. Apresentada impugnação pelo o sujeito passivo (JD Comissária de Café LTDA) e pelos responsáveis tributários (Giucafé Exportação e Importação LTDA., Giucafé Armazéns Gerais LTDA e seus sócios), ora embargados, estas foram julgadas totalmente improcedentes; após, os responsáveis tributários apresentaram o recurso voluntário, este foi julgado totalmente procedente para afastar a responsabilidade tributária que lhes foi imputada. Notificada da decisão, foram apresentados os presentes embargos de declaração, nos quais são ventilados os seguintes argumentos, em síntese: (i) Há obscuridade quanto a alegação de que não há formação de grupo econômico de fato entre a fiscalizada e os embargados, pois não havia unicidade de gestão das empresas, mesmo com as procurações outorgadas para gestão bancária da fiscalizada; (ii) Há omissão quanto à análise de uma das razões apontadas pela autoridade fiscal para demonstrar a existência de grupo econômico de fato entre as empresas. É o relatório, passo a decidir. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11543.004307/200310 Acórdão n.º 1302001.357 S1C3T2 Fl. 1.010 3 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da Inexistência dos Requisitos para Oposição dos Embargos de Declaração Os Embargos de Declaração têm lugar nos casos em que o acórdão se mostra obscuro, omisso ou contraditório (art. 65 do Regimento Interno do CARF – Anexo II da Port. do Ministério da Fazenda n. 256 de 22/06/09). Na presente situação, nenhuma das situações ocorre, tendo o embargos finalidade exclusiva de alterar o que ficou decidido. Prevalece neste Conselho que o Julgador não é obrigado a enfrentar todos os argumentos apresentados pelas partes quando tenha empregado fundamento bastante para dirimir a controvérsia (v. Acórdão n. 3301001.956, Acórdão n. 3301001.955, Acórdão n. 3801001.981, Acórdão n. 3301.001.802 entre outros), entendimento ao qual me filio. Dessa forma, havendo fundamentação no acórdão recorrido, não há omissão a ser sanada, sendo que o intento da embargante é apenas modificar o acórdão recorrido, o que não é admitido nesta via, observese: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. OMISSÃO. Os embargos de declaração não são cabíveis para reexaminar matéria já devidamente equacionada. As alegações de defesa devem ser trazidas desde a impugnação, sob pena de preclusão, não servindo os embargos para possibilitar a apreciação de matérias veiculadas apenas no recurso voluntário. (CARF. Acórdão 1103000.893. Cons. Eduardo Martins Neiva Monteiro. Sessão 10/07/2013). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1996, 01/11/1998 a 31/12/1998, 01/02/1999 a 31/07/1999, 01/05/2000 a 30/09/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO OBSCURIDADE INOCORRÊNCIA REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA Não constatada a ocorrência de omissão ou obscuridade na decisão embargada, não deve ser dado provimento aos embargos de declaração. Os embargos de declaração não se prestam à reexame de matéria já decidida. Embargos Rejeitados. (CARF. Acórdão 3801001.999. Cons. Marcos Antonio Borges. Sessão 25/07/2013). Ad argumentandum, cumpre observar que o acórdão expressamente faz referência às procurações anunciadas pela embargante, bem como aos contratos sociais das Fl. 537DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 empresas, sendo que estes foram analisados minuciosamente. Neste sentido, muito embora seja pertinente a observação de que o Sr. Carlos Alberto Giuberti ocupava cargo de gerência na empresa Giucafé Exportação e Importação, conforme contratos sociais (fls. 420/432), entendo que tal fato não altera a impossibilidade de aplicação do art. 128, do CTN, ao presente caso, pois não demonstrada a unicidade de comando e gestão administrativa entre a fiscalizada JD Comissária de Café LTDA. e as embargadas, nos mesmos termos em que se fundamenta o acórdão embargado (item 3). Outrossim, quanto a ausência de análise de uma das razões apontadas pela autoridade fiscal como importante para demonstrar a existência de grupo econômico, ressalta se que é despiciendo o enfrentamento de todos os argumentos apresentados uma vez que a decisão foi devidamente fundamentada e demonstrase suficiente para resolver o conflito. Toda a situação fática foi devidamente analisada e considerada. Isto posto, não merecem ser providos os embargos de declaração por não se verificar omissão, contradição ou obscuridade, os quais representam pressupostos específicos de cabimento (art. 65 do Regimento Interno do CARF – Anexo II da Port. do Ministério da Fazenda n. 256 de 22/06/09). 2. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer os presentes embargos de declaração para negarlhe provimento, mantendo incólume o acórdão embargado, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 538DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 12571.000179/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2007
COFINS NÃO/CUMULATIVA/ FRETE UTILIZADO COMO INSUMO/ DATA DA,MISSÃO DA NOTA FISCAL DE SERVIÇO OU DO CONHECIMENTO DE TRANSPORTE
No caso de transporte utilizado como insumo, o que demonstra a data da aquisição do serviço não é a data da conclusão do transporte, mas sim a data de início dele, presente na nota fiscal e no conhecimento de transporte. E é essa data Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins que deve ser utilizada para análise do direito creditório.
Numero da decisão: 3401-002.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2007 COFINS NÃO/CUMULATIVA/ FRETE UTILIZADO COMO INSUMO/ DATA DA,MISSÃO DA NOTA FISCAL DE SERVIÇO OU DO CONHECIMENTO DE TRANSPORTE No caso de transporte utilizado como insumo, o que demonstra a data da aquisição do serviço não é a data da conclusão do transporte, mas sim a data de início dele, presente na nota fiscal e no conhecimento de transporte. E é essa data Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins que deve ser utilizada para análise do direito creditório.
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E é essa data Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins que deve ser utilizada para análise do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 00 01 79 /2 00 9- 56 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento da COFINS não cumulativa referente aos períodos entre o terceiro trimestre de 2004 e quarto trimestre de 2007 para compensar com diversos débitos (fls.13/60). Pelo despacho decisório (fls.320/329), a autoridade fiscal efetuou glosas em relação a: 1 Notas fiscais cujo CFOP e descrição demonstram que se tratava de aquisições não consideradas insumos; 2 Aquisição de energia elétrica de cooperado, o que configura ato cooperativo; 3 Frete e armazenamento, cuja emissão de nota fiscal é anterior a entrada da cooperativa no regime da nãocumulatividade; 4 Encargos de depreciação, em razão de a Contribuinte não ter comprovado a utilização do ativo imobilizado na produção de bens destinados à venda. Depois dos ajustes, do valor de R$ 1.285.206,15, pleiteado pela Contribuinte, foi deferido somente R$ 678.559,31. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 331/333), mas a DRJ em Curitiba/PR manteve as glosas ao prolatar acórdão (fls.370/376) com a seguinte ementa: “MOMENTO DE UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS. FRETE E ARMAZENAGEM. O momento para as pessoas jurídicas se utilizarem do crédito para o desconto da contribuição devida ou para o pedido de compensação ou ressarcimento é o da data de aquisição dos bens para revenda ou utilizados como insumos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 12571.000179/200956 Acórdão n.º 3401002.612 S3C4T1 Fl. 446 3 A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 13/04/2012 (fl. 382) e interpôs recurso voluntário em 10/05/2012 (fls.415/421), refutando somente as glosas em relação ao frete e armazenamento sustentando que a data a ser considerada não é a da emissão da nota fiscal, mas sim a data da entrada do bem no estabelecido da Recorrente. Com base nessas alegações, a Recorrente pediu a reforma do acórdão da DRJ e o reconhecimento do direito creditório quanto ao frete e armazenamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente combate a glosa em relação à despesa com frete e armazenamento em período anterior à sua entrada no regime da nãocumulatividade. A Recorrente sustenta que deve ser considerada a data da entrada da mercadoria em seu estabelecimento. As cooperativas agropecuárias passaram a ter direito à nãocumulatividade do PIS e da COFINS somente em 1º de maio de 2004, por força as alterações provocadas pela Lei nº 10.865/04 às Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. O debate em questão é que a data de emissão da nota fiscal do frete e do conhecimento de transporte é anterior à data de 1º de maio de 2004. Apesar de esses documentos não estarem presentes nos autos digitais, esse fato é incontroverso, pois a Recorrente não o refuta. Ocorre que a Recorrente alega que não devem ser considerada a data de emissão das notas fiscais e do conhecimento de transporte, mas sim a data de entrada da mercadoria em seu estabelecimento. A alegação da Recorrente não prospera, vez que deve ser consideradas somente a aquisição dos serviços e as despesas incorridas somente a partir do mês em que iniciou a aplicação da nãocumulatividade, conforme se nota do §3º, do art. 3º, da Lei nº 10.833/03, in verbis: § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 447DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Como para a Recorrente o disposto na Lei nº 10.833/03 passou a ser aplicado somente a partir de 1º de maio de 2004, somente a aquisição de bens e serviços utilizados como insumos a partir dessa data é que dão direito ao crédito. No caso de transporte utilizado como insumo, deve ser considerada a data do conhecimento e da nota fiscal, e não é a data da conclusão do transporte. Outrossim, não há provas nos autos da entrega da mercadoria. Desse modo, como a data da nota fiscal e do conhecimento de transporte é anterior a 1º de maio de 2004, a glosa deve ser mantida. Ex positis¸ nego provimento ao recurso voluntário interposto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 448DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 30 /07/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 10/07/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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