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Numero do processo: 18471.000248/2002-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao Fisco, como regra geral, a prova da ocorrência do fato gerador tributário, cancelando-se a exigência baseada em infração
insuficientemente caracterizada.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1999
Ementa: LUCRO PRESUMIDO. UTILIZAÇÃO DA CONTABILIDADE COMO MEIO DE PROVA. A contabilidade regular mantida pela pessoa jurídica tributada com base no regime do lucro presumido, cuja autenticidade não foi contestada pela autoridade fiscal, é elemento aceitável para fins de comprovação da composição de custos dos produtos vendidos.
Numero da decisão: 1103-000.462
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado DAR provimento ao recurso por
unanimidade.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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ÔNUS DA PROVA. Compete ao Fisco, como regra geral, a prova da ocorrência do fato gerador tributário, cancelandose a exigência baseada em infração insuficientemente caracterizada. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. UTILIZAÇÃO DA CONTABILIDADE COMO MEIO DE PROVA. A contabilidade regular mantida pela pessoa jurídica tributada com base no regime do lucro presumido, cuja autenticidade não foi contestada pela autoridade fiscal, é elemento aceitável para fins de comprovação da composição de custos dos produtos vendidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado DAR provimento ao recurso por unanimidade. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 9.057/2005 (fls. 291), da 6ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I. O contexto do lançamento recebeu a seguinte descrição no relatório da decisão contestada: “Trata o presente processo do auto de infração de IRPJ de fls. 227/232 lavrado pela DRF/Rio de Janeiro (RJ), no qual é exigido da interessada o valores de R$ 596.207,93, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, relativamente ao períodobase de 1999. De acordo com o relatório de descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 228, o lançamento decorreu de: 1 aplicação indevida do coeficiente de determinação do lucro presumido de 8% sobre receitas de prestação de serviços, quando, segundo o autuante, o correto seria 32%; 2 e 3 e compensação indevida com valores pagos a maior em 1998 com o imposto devido sobre receitas financeiras e outras receitas. O enquadramento legal encontrase relacionado às fls. 228. No Termo de Constatação de fls. 233/245, o autuante informou que a interessada efetuou consulta ao Superintendente da Receita Federal na 7ª Região Fiscal, em 22/02/1999, acerca do coeficiente aplicável sobre a renda bruta para apuração do lucro presumido, tendo em vista sua atividade básica ser a exploração do ramo de laboratório fotográfico profissional (fls. 199/124). Em Decisão SRRF/DISIT/7ª RF n° 84/1999 (fls. 125/130), foi informado à interessada que esta deveria aplicar coeficientes diferenciados, de 8% e 32%, dependendo se a atividade for prestação de serviços (32%) ou venda de mercadoria (8%). Esclareceu ainda a consulta que, se na confecção dos serviços encomendados são empregados materiais do executante, configurase verdadeira venda de mercadoria, aplicandose o coeficiente de 8%. Disse o autuante que o que define o coeficiente é a preponderância ou não da alienação da mãodeobra sobre a aplicação dos insumos. Da contabilidade da interessada, o autuante teria verificado que há predomínio de alienação de mãode obra e que, portanto, o coeficiente aplicável deveria ser 32%. Informou ainda o autuante que a interessada declarou na DCTF, e pagou, valores superiores aos apresentados na DIRPJ/2000, possivelmente motivada pelo fato de a consulta haver sido interposta em 22/02/1999, após o encerramento do ano calendário de 1998. Assim, a interessada teria pagado IRPJ a maior de 1998 e que tal crédito foi compensado em 1999. Como o autuante entendeu que não houve pagamento a maior em 1998, uma vez que o valor informado em DCTF/1998 estaria correto, tendo em vista que o coeficiente correto seria 32%, desfez a compensação e efetuou o lançamento de ofício quanto aos valores de 1999 (fls. 244). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000248/200260 Acórdão n.º 110300.462 S1C1T3 Fl. 2 3 Às fls. 230/232 constam os cálculos das bases tributáveis decorrentes das infrações, que são acrescidas das demais receitas (fls. 244). Sobre o total é aplicada a alíquota do IRPJ de 15%, além de calculado o adicional. Posteriormente, às fls. 231, verificase a dedução, no 1° trim/1999, do valor de R$ 29.380,00 como imposto pago, sendo exigida a diferença no auto de infração. (...)” Na impugnação apresentada (fls. 260), a autuada requereu a declaração da nulidade do auto de infração, na sua totalidade, tendo em vista que teria agido conforme a resposta à consulta formulada. Na hipótese de rejeição do requerimento para declaração da nulidade de todo o lançamento, que seja declarada nula a segunda infração, em razão de ausência de descrição e caracterização, além de incorreção na indicação do dispositivo legal infringido. Informou ter passado a aplicar percentuais de lucro presumido separados com suporte na resposta à consulta, utilizando 32% sobre as receitas decorrentes de prestação de serviços e 8% sobre a receita de venda de mercadorias e confecção de produtos em que não seria preponderante a alienação de mãodeobra. No seu entendimento, o percentual de mãodeobra no preço do produto foi indevidamente calculado pela autoridade fiscal, comparandose com a receita de venda e não com o preço de custo. Juntou parecer de consultoria especializada procurando demonstrar que a participação dos serviços nos produtos foi de 49% e 40% nos anoscalendário de 1998 e 1999, respectivamente (fls. 276). Os percentuais teriam sido calculados com base nos mesmos elementos utilizados pelo autuante. Considerou inconstitucionais os juros de mora com base na taxa Selic. Requereu que o auto de infração fosse julgado improcedente. A turma de primeira instância julgou o lançamento procedente, conforme decisão colhida por maioria de votos, vencida a relatora, assim resumida: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 Ementa: LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE INFERIOR AO DEVIDO. PREPONDERÂNCIA DE MÃODEOBRA. Comprovada a preponderância da mão de obra na formação do valor do serviço, caracterizando a atividade como de serviços, aplicase o coeficiente de 32% para a apuração do lucro presumido.” Cientificada da decisão em 14/02/2006 (fls. 303verso), a contribuinte interpôs o recurso no dia 13 do mês seguinte (fls. 305). Num breve relato das suas atividades, informou se tratar deempresa familiar, constituída em 1972, como laboratório fotográfico. Inicialmente, toda a receita da sociedade Fl. 3DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 4 era originária da prestação de serviços fotográficos, revelação de filmes e serviços correlatos. Com o passar dos anos, as atividades da empresa cresceram, foram se diversificando e sofisticando. Em meados da década de noventa, ainda prestava serviços de revelação de filmes, principalmente através de três filiais (as denominadas lojas de revelação de "Uma Hora"), mas esses serviços, em decorrência da diversificação das suas atividades, bem como da evolução da tecnologia, praticamente nada representavam no faturamento da empresa, pois a produção da sociedade estava concentrada na matriz, com sede na cidade do Rio de Janeiro, e em sua filial situada na cidade de São Paulo, que produziam painéis fotográficos de grande porte em polietileno e lonas de vinil, para colocação em outdoors; transparências fotográficas, utilizadas principalmente pelas indústrias de cosméticos, bebidas e cigarros; enfim, produtos solicitados em grandes quantidades pelas empresas de propaganda. As lojas de revelação de uma hora, cujo faturamento era pouco representativo, perderam completamente sua importância econômica com o advento da fotografia digital, tanto que atualmente uma loja já foi extinta, outra está em processo de extinção e a terceira é mantida apenas para atendimento a clientes tradicionais. Tendo em vista esse novo contexto, no qual as suas atividades deixaram de ser de prestação de serviços, entendeu que deveria alterar o percentual de apuração do lucro presumido de 32% para 8% ou mesmo passar para o regime de tributação pelo lucro real. Afirmou que desde o início das suas atividades, vinha adotando conduta conservadora e transparente enquanto prestava serviços, apurando a base de cálculo no percentual de 32% do seu faturamento. Quando a prestação de serviços deixou de ser representativa, antes de passar para o percentual de 8%, como prevê a legislação, apresentou consulta formal à Receita Federal com o fim de evitar qualquer sanção, para que pudesse ter a segurança jurídica que a lei assegura ao contribuinte que assim procede. No mais, renovou as razões de contestação expostas quando da impugnação, exceto as relativas à nulidade do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator O recurso foi apresentado por parte legítima, tempestivamente, além de reunir os demais pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Este Conselho, na condição de órgão integrante da estrutura administrativa da União, não detém competência para enfrentar argüições de inconstitucionalidade de atos legais, segundo entendimento contido na Súmula Carf nº 2, com o seguinte enunciado: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000248/200260 Acórdão n.º 110300.462 S1C1T3 Fl. 3 5 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A Decisão SRRF/DISIT/7ª RF nº 84/1999 (fls. 125), proferida no processo nº 10768.002816/9954, que tratou de consulta formulada pela ora recorrente, não conteve orientação para cálculo do lucro presumido com base no percentual de 8%. A decisão definiu que prestação ou venda de serviços é aquela atividade na qual é predominante “a alienação de mãodeobra, seja ela qualificada ou não”, enquanto venda de mercadorias ou produtos é aquela em que “o elemento preponderante é alienação de bens móveis previamente adquiridos para revenda ou industrialização”. A consulta foi solucionada no sentido de orientar a consulente para aplicar de forma separada os coeficientes de presunção do lucro segundo a classificação das receitas originárias das suas atividades diversas, cada atividade com o seu percentual legal correspondente. Dessa forma, considero descabida a alegação de que a decisão no processo de consulta deu respaldo ao entendimento da recorrente quanto à aplicação do percentual de 8% para fins de determinação do lucro presumido. Passando ao enfrentamento do mérito, vêse que a contribuinte classificava as suas receitas em “mercadorias”, “serviço 8%” e “serviço 32%” (fls. 62/65), sobre as quais apurava a base de cálculo do IRPJ pelo regime do lucro presumido. Para a autoridade fiscal, conforme termo de constatação (fls. 233), haveria preponderância de mãodeobra nos serviços prestados nos anoscalendário 1998 e 1999, o que implicaria na aplicação do percentual de 32% no cálculo do lucro presumido. A conclusão foi baseada no Ato Declaratório Normativo Cosit 18/2000, que, no seu item I, orienta: “I – A atividade gráfica pode configurarse como industrial, comercial ou de prestação de serviços. Consideramse como prestação de serviços as operações realizadas por encomenda, nos termos do art. 5°, V, c/c art. 7°, II, do Decreto n° 2.637, de 1998.” O citado Decreto n° 2.637/1998, norma reguladora no âmbito do IPI – imposto sobre produtos industrializados, define trabalho preponderante como aquele que “contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor, a título de mãodeobra, no mínimo com sessenta por cento”, segundo o seu art. 7º, II, “b”. Para demonstração da sua conclusão, a autoridade fiscal cotejou valores de materiais integrantes dos custos e de receita bruta. Tal lógica de cálculo foi criticada no parecer juntado na impugnação (fls. 276): “..., a posição sustentada pelo AFTN apresenta o equívoco do fato da comparação por ele efetuada entre o valor do custo dos materiais aplicados nos serviços vendidos e o valor da receita de venda dos mesmos para efeito de determinar o percentual que caracterizasse, ou não, a preponderância da mão de obras em tais serviços. O procedimento correto teria sido comparar o valor do custo da mão de obra aplicada com o valor do custo total dos serviços vendidos (e não Fl. 5DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 6 com o valor de venda, que inclusive inclui o lucro), chegandose ao percentual que caracterizaria, ou não, a preponderância da mão de obra em relação aos materiais.” Utilizando a composição dos custos registrada na contabilidade, concluíram os autores do parecer que os valores do custo da mão de obra e da prestação de serviços, em relação ao custo total dos serviços vendidos, se encontrariam em 49% e 40% nos anos calendário 1998 e 1999, respectivamente, não se caracterizando, portanto, a preponderância de mão de obra sustentada pela fiscalização. O argumento contido no parecer foi acolhido no voto vencido, de autoria do relator do julgamento em primeira instância: “Em que pese o extenso trabalho do autuante, este não logrou demonstrar de forma inequívoca que os serviços que a interessada alegava fazerem jus ao percentual de 8% tinham incidência maior de mãodeobra.” No voto vencedor, destacouse: “... caberia à interessada comprovar a composição da receita que considerou fazer jus ao percentual utilizado. (...) Como o contribuinte optou pelo lucro presumido, não há que se falar em custo. A referida sistemática prevê um percentual sobre a receita que seria o lucro do contribuinte. Qualquer comparação que se tome por base esta sistemática tem de ser feita com a receita, os custos não podem ser considerados nestas nesta sistemática. Portanto, não tem qualquer cabimento a pretensão do contribuinte em fazer comparações com o custo. Somente se fala em custo quando se adota a sistemática do lucro real. A interessada apresenta um demonstrativo, na fl 285, onde demonstra o resultado do exercício. Tal demonstrativo não tem sentido na sistemática do lucro presumido, onde a lei define um percentual de lucro.” Pelo exposto até aqui, bem se vê que a contribuinte teve rejeitada a sua tentativa de provar a sua alegação utilizando os seus registros de escrituração contábil e fiscal. Permitome divergir do entendimento contido na decisão recorrida. Em primeiro lugar, pareceume correta a interpretação do parecer juntado pela recorrente identificando o custo do produto como parâmetro de comparação para fins de definição acerca da preponderância de mãodeobra. Observese que a norma citada definiu trabalho preponderante como aquele que “contribuir no preparo do produto, para formação de seu valor” minimamente em 60%. Valor do produto, nesse caso, é o seu custo. Preço de venda (ou receita bruta) inclui o lucro, que constitui variável totalmente independente da formação do valor do produto e, por outro lado, inteiramente vinculada ao contexto de mercado. O segundo aspecto sobre o qual divirjo da decisão da DRJ diz respeito à rejeição da prova contábil no âmbito do regime de apuração do lucro presumido. A dispensa legal de manutenção de contabilidade completa para a apuração do lucro presumido não afasta a possibilidade da sua utilização como meio de prova no caso da sua existência, especialmente quando a sua autenticidade sequer foi contestada pela autoridade Fl. 6DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18471.000248/200260 Acórdão n.º 110300.462 S1C1T3 Fl. 4 7 fiscal. Nessa linha, perguntome qual meio de prova poderia ser utilizado pela recorrente para corroborar a sua alegação que não fosse a sua contabilidade. Não identifico outro mais apropriado. Na minha visão, a composição de custos com base nos registros de escrituração contábil é a via que demonstra os valores efetivamente empregados na produção. Além disso, não se deve perder de vista que, como regra geral, incumbe ao fisco o ônus de provar a existência do fato gerador tributário. Caberia à autoridade fiscal coletar os elementos que caracterizariam o erro na opção adotada pelo contribuinte. Atentese para o que determina o art. 9º do DecretoLei 1.598/77(1), em especial o § 2º: “Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração.” Semelhante comando é encontrado no art. 79 do Decretolei 5.844/43(2). Prescreve o dispositivo: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: (...) §1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão. (...)” Bem se vê que compete à fiscalização descrever corretamente a infração e reunir todos os seus elementos comprobatórios. Nessa linha, é a lição de Paulo Celso Bonilha(3): “Como bem salientou o saudoso e ilustre professor(4), que se destacou de forma proeminente na literatura processual e tributária, a presunção de legitimidade do ato administrativo confere à Administração uma “relevatio ab onere agendi” e não uma “relevatio ab onere probandi”, isto é, a presumida legitimidade do ato permite à Administração aparelhar e exercitar, diretamente, sua pretensão e de forma 1 Correspondente aos art. 174 do RIR/80; art. 223 do RIR/94 e art. 276, 923, 924 e 925 do RIR/99. 2 Correspondente aos art. 678, §2º, do RIR/80; art. 894, §1º, do RIR/94 e art. 845, §1º, do RIR/99. 3 “Da Prova no Processo Administrativo Tributário”, São Paulo, Dialética, 2ª edição, 1997, pág.75. 4 O “saudoso e ilustre professor” a quem se refere Bonilha é Gian Antonio Micheli. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA 8 executória, mas esse atributo não a exime de provar o fundamento e a legitimidade de sua pretensão.” Não é diferente a jurisprudência pacífica do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, exemplificada pelos seguintes acórdãos: “IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS ÔNUS DA PROVA Nos casos de lançamento por omissão de receitas, excetuandose as presunções legais, incumbe a Fazenda provar os pressupostos do fato gerador da obrigação e da constituição do crédito.”(Acórdão 10807.124/2002). “ÔNUS DA PROVA Na relação jurídicotributária o onus probandi incumbit ei qui dicit. Compete ao Fisco, ab initio, investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência, ou não, do fato jurídico tributário ou da prática de infração praticada no sentido de realizar a legalidade, o devido processo legal, a verdade material, o contraditório e a ampla defesa. O sujeito passivo somente poderá ser compelido a produzir provas em contrário quando puder ter pleno conhecimento da infração com vista a elidir a respectiva imputação.” (Acórdão 10320.594). “PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao Fisco, como regra geral, a prova da ocorrência do fato gerador tributário.” (Acórdão 10321.466). Dessa forma, percebese que a fiscalização não conseguiu provar a infração indicada. Conclusão Pelo exposto, dou provimento ao recurso. ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Fl. 8DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10183.001789/2005-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIO-MORADIA.
São tributáveis as verbas recebidas mensalmente, em percentual fixo do subsídio, por magistrado como auxílio-moradia, sem que exista qualquer
controle sobre os gastos efetuados.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIO-TRANSPORTE.
FALTA DE ESPECIFICAÇÃO DA BASE LEGAL.
Incide Imposto de Renda sobre verba denominada “Auxílio Transporte”, para a qual não se especificou o dispositivo de lei que determinou seu pagamento, sendo a simples denominação irrelevante para qualificar a natureza jurídica específica do tributo (art. 4º do CTN).
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
INCONSTITUCIONALIDADE.
A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
“A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais” (Súmula CARF nº 4).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.183
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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AUXÍLIOMORADIA. São tributáveis as verbas recebidas mensalmente, em percentual fixo do subsídio, por magistrado como auxíliomoradia, sem que exista qualquer controle sobre os gastos efetuados. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIOTRANSPORTE. FALTA DE ESPECIFICAÇÃO DA BASE LEGAL. Incide Imposto de Renda sobre verba denominada “Auxílio Transporte”, para a qual não se especificou o dispositivo de lei que determinou seu pagamento, sendo a simples denominação irrelevante para qualificar a natureza jurídica específica do tributo (art. 4o do CTN). MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A multa de ofício está prevista explicitamente em lei, não sendo permitido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (Súmula CARF nº 4). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.001789/200591 Acórdão n.º 2101001.183 S2C1T1 Fl. 77 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 5 a 9, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, para lançar infrações de omissão de rendimentos e de glosa de dedução de incentivo, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$9.455,91, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 36), que houve errônea declaração dos valores recebidos pelo TST como isentos quando deveriam ser tratados como rendimentos tributáveis e conseqüentemente com imposto a pagar, mas que também recebeu valores do TJ/MT a título de auxíliomoradia e auxíliotransporte, que são isentos de tributação, mas que foram indevidamente tributados, gerando assim retenção de imposto. Por estas argumentações, requereu a compensação dos valores correspondentes ao imposto a pagar com o IRRF retido a maior, a restituição da diferença a ser apurada e por fim a exclusão da multa e dos juros de mora, pois não haveria débito que os justificasse. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 35 a 41): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Fl. 80DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.001789/200591 Acórdão n.º 2101001.183 S2C1T1 Fl. 78 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse o a tributação dos rendimentos omitidos quando não apresentadas provas da ocorrência de fatos impeditivos, modificativos ou extintivos da exigência formalizada. AUXÍLIOMORADIA. AUXÍLIOTRANSPORTE. São tributáveis pelo Imposto sobre a Renda os rendimentos percebidos a título de auxíliomoradia e auxíliotransporte quando não possuírem caráter indenizatório. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 28/07/2008 (fl. 47), o contribuinte apresentou, em 22/08/2008, o recurso de fls. 50 a 72, onde: a) requer o julgamento do recurso independente do arrolamento de bens ou depósito do montante de 30% do débito recorrido; b) argumenta que o Código de Organização e Divisão Judiciária do Estado de Mato Grosso (COJE Lei Estadual n° 4.964/1985) estabelece, em seu art. 215, que, nas Comarcas em que não houver residência oficial para Juiz é concedida ajuda de custo, para moradia de trinta por cento dos vencimentos, que a Lei Complementar n° 35/1979, que dispõe sobre a Lei Orgânica da Magistratura afirma, em seu art. 65, inciso II, que, além dos vencimentos, poderá ser outorgada aos magistrados, nos termos da lei, ajuda de custo, para moradia, nas localidades em que não houver residência oficial à disposição, e que a MP n° 2.15835/2001 expressamente consagra o caráter indenizatório do auxíliomoradia, quando estabelece, em seu art. 25, que o valor recebido de pessoa jurídica de direito público a título de auxíliomoradia, não integrante da remuneração do beneficiário, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, considerase como da mesma natureza deste direito, não se sujeitando à incidência do imposto de renda, na fonte ou na declaração de ajuste; c) assevera que o único requisito estabelecido pelas legislações supra citadas para percebimento do auxíliomoradia, com caráter indenizatório, e, portanto, isento da incidência do IRPF, é o de que na comarca não exista residência oficial para abrigo do magistrado e de sua família; d) afirma que a Delegacia de Julgamento inovou o texto legal ao exigir, para o usufruto da isenção, que se comprovasse as despesas efetuadas com sua moradia, através da apresentação de contrato de locação e/ou recibos de pagamentos efetuados a este título, e que isso corresponderia a controle difuso da legalidade do texto da lei, matéria reservada ao Poder Judiciário; e) informa que a própria Secretaria da Receita Federal reconheceu o caráter indenizatório dessas verbas ao retificar sua Declaração de Imposto de Renda do exercício de 2002; Fl. 81DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.001789/200591 Acórdão n.º 2101001.183 S2C1T1 Fl. 79 4 f) postula que houve erro de direito na aplicação da multa de ofício de 75% sobre o imposto suplementar apurado, pois, na verdade, possui direito à restituição; g) defende que a multa de ofício possui caráter confiscatório; h) pugna pela inconstitucionalidade dos juros calculados com base na Taxa Selic. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 75, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Na autuação sob análise, o contribuinte teve os rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, CNPJ no 03.535.606/000110, alterado para R$ 251.376,17 (fl. 6). O recorrente reconhece ter recebido esse valor, mas argumenta que, dessa quantia, parte se refere a auxílios moradia e transporte, rendimentos isentos indevidamente tributados. No documento de fls. 10 a 23, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso informa que pagou ao recorrente, no ano de 2002, R$ 251.376,17, e que nesse total estava incluído auxilio moradia de R$ 32.435,54 e auxíliotransporte de R$ 1.801,34, e que do total de imposto de renda retido na fonte de R$ 56.200,77, R$ 8.919,77 corresponde ao auxíliomoradia. Auxíliomoradia: De acordo com o recorrente, o auxíliomoradia está previsto no art. 215 da Lei nº 4.964, de 26 de dezembro de 1 985, que trata do Código de Organização e Divisão Judiciárias do Estado de Mato Grosso, que possui a seguinte redação. Art. 215 Nas Comarcas em que não houver residência oficial para Juiz é concedida ajuda de custo, para moradia, de 30% (trinta por cento) do subsídio do Magistrado. Acrescenta que a vantagem também está prevista no art. 65 da Lei complementar nº 35, de 14 de março de 1979 Lei Orgânica da Magistratura Nacional, com a seguinte redação: Art. 65 Além dos vencimentos, poderão ser outorgadas aos magistrados, nos termos da lei, as seguintes vantagens: Fl. 82DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.001789/200591 Acórdão n.º 2101001.183 S2C1T1 Fl. 80 5 I ajuda de custo, para despesas de transporte e mudança; II ajuda de custo, para moradia, nas localidades em que não houver residência oficial à disposição do Magistrado. (Redação dada pela Lei nº 54, de 22.12.1986) (...) Finalmente, argumenta que a não tributação dessa verba está prevista no art. 25 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, nos seguintes termos: Art.25.O valor recebido de pessoa jurídica de direito público a título de auxíliomoradia, não integrante da remuneração do beneficiário, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, considerase como da mesma natureza deste direito, não se sujeitando à incidência do imposto de renda, na fonte ou na declaração de ajuste. O julgador de 1a instância considerou que o auxíliomoradia recebido não se enquadrava nos termos do dispositivo legal acima citado, por não haver a necessidade de comprovação da destinação ou de prestação de contas, caracterizando acréscimo patrimonial. O recorrente retruca que o único requisito estabelecido pelas Medida Provisória no 2.15835, de 2001, para caracterizar a não tributação do auxíliomoradia, é o de que na comarca não exista residência oficial para abrigo do magistrado e de sua família. Apesar da força da tese defendida no recurso, por vezes esposada pelo Poder Judiciário, creio assistir razão à decisão recorrida. Segundo o art. 3o, §1o, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Por sua vez, o §4o do mesmo artigo determina que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Ademais, o próprio Código Tributário Nacional CTN estabelece que são irrelevantes para qualificar a natureza jurídica específica do tributo a denominação e demais características formais adotadas pela lei (seu art. 4º). Por outro lado, o art. 176 do CTN determina que a isenção é sempre decorrente de lei, e seu art. 111, inciso II, exige que a sua outorga deve ser interpretada literalmente. Do mesmo modo, o §6o do art. 150 da Constituição Federal exige que qualquer isenção de impostos só poderá ser concedido mediante lei específica. Fl. 83DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.001789/200591 Acórdão n.º 2101001.183 S2C1T1 Fl. 81 6 Assim, quando a renda auferido pelo contribuinte for enquadrada no conceito de rendimento tributável, tornase irrelevante a denominação que lhe foi dada, somente sendo lícito se falar em isenção quando esta for concedida de forma expressa pela lei. Para o pagamento em discussão, o art. 16 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, classifica como tributáveis os salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento (inciso I) e as verbas, dotações ou auxílios, para representações ou custeio de despesas necessárias para o exercício de cargo, função ou emprego (inciso X). Na realidade, a verba em questão corresponde a um percentual do subsídio, não tendo nenhum caráter indenizatório, pois pode ser utilizada da maneira que melhor convier ao beneficiado. Ademais, é atribuído indistintamente a todos os magistrados, não levando em consideração o custo de moradia de cada região. Nos termos em que foi pago, corresponde a um adicional de salário com todas as características de acréscimo patrimonial. Assim, considero se tratar de verba integrante da remuneração do beneficiário, e que por isso não se enquadra nos termos do art. 25 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Auxíliotransporte: Já auxíliotransporte merece melhor análise. É fato que este Conselho vem reconhecendo a natureza não tributável de verbas denominadas indenização de transporte, independentemente da necessidade de comprovação do gasto (vide Acórdãos nos 10247.619, 10615280, 10247.982, 10615287, entre outros). Esses julgados entendem que, quando a lei que institui esse benefício o faz apenas para um determinado grupo de funcionários que necessitam do uso de veículos próprios para a consecução de suas tarefas, não é necessário que se comprove todos os gastos efetuados com os automóveis, pois existem despesas que não podem ser quantificadas de imediato, como a depreciação do veículo e gastos com sua manutenção. Considero que esse raciocínio não pode ser aplicado ao auxíliomoradia, pois os gastos com essa rubrica são facilmente quantificáveis, envolvendo, em regra, somente o valor do aluguel pago. Entretanto, mesmo para o auxíliotransporte, entendo não ser possível dar a razão ao recurso. Isso porque não se especificou qual a base legal desse benefício, sendo impossível verificar se possui as características de indenização. De fato, o documento de fl. 21, que informa o pagamento de R$1.801,34 em outubro de 2002, não esclarece qual o dispositivo do Código de Organização e Divisão Judiciárias do Estado de Mato Grosso que autorizou seu crédito, nem o recorrente explica. Ademais, o documento do Tribunal dá a entender que essa verba não foi tributada, pois determina apenas a parte do auxíliomoradia dentro do imposto retido na fonte, sem mencionar o auxíliotransporte (fl. 10). Fl. 84DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.001789/200591 Acórdão n.º 2101001.183 S2C1T1 Fl. 82 7 Assim, julgo que se deve manter a tributação tanto do auxíliomoradia, quanto do transporte. Multa de ofício e juros de mora: Do mesmo modo, não assiste razão ao recorrente quando defende a inconstitucionalidade e o caráter confiscatório da multa de ofício. Essa penalidade está prevista explicitamente em lei, e não é permitido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação de lei por sua incompatibilidade com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2 e art. 62 do Regimento Interno do CARF). Quanto aos juros de mora, nunca é demais enfatizar que a assunto não comporta mais discussão no âmbito do CARF com a publicação da Súmula CARF nº 4 (antigas Súmulas nos 4 do 1º e 3º Conselhos de Contribuinte e 3 do 2º Conselho de Contribuinte), que possui o seguinte conteúdo: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 85DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/ 08/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10120.014554/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
Como o contribuinte não é agência de propaganda, assim como é optante pelo lucro presumido, portanto não faz jus ao benefício disposto no art. 13 da Lei nº 10.925/2004, que estendeu a aplicação do art. 53, § único da Lei nº 7450/85 às agências de propaganda que apuram a contribuição com base no regime não cumulativo.
Numero da decisão: 3201-000.685
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'Amorim
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. EDITADO EM: 26/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira e Luis Eduardo Garrossino Barbieri. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudino. Fl. 1277DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 2 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratam os autos de lançamentos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), consubstanciados nos autos de infração às fl. 524/556, referentes a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2004 a 2006, com crédito tributário total de R$ 2.883.210,39, assim distribuído: Cofins R$ 2.369.762,35; PIS R$ 513.448,04. Consoante descrição dos fatos contida nos autos de infração e no Anexo a eles (fl. 550/555), foi apurada a seguinte irregularidade: Escrituração a menor da receita bruta sobre a prestação de serviços nos livros contábeis Diário e Razão e a conseqüente apuração a menor do imposto e da contribuição calculados sobre lucro presumido. O sujeito passivo apropriou no Diário e no Razão receitas já deduzidas de despesas a ela relativas., alegando que foram excluídas as somas pertencentes a terceiros (veículos de comunicação), correspondentes a veiculação de propaganda por si, vez que é representante de serviços de publicidade, tendo agido amparado pelo art. 53 da Lei nº 7.450/1985, alterada pela Lei nº 9.064/95, pelo art. 13 da Lei nº 10.925/2004 e pelo art. 651do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99). Para a autoridade fiscal, o sujeito passivo não é agência de propaganda e publicidade, não podendo deduzir, diretamente de sua receita bruta, valores supostamente repassados a terceiros, os quais se constituem em despesas da empresa que devem ser apropriadas em contas de resultado. Segundo ele, ao deduzir diretamente da receita bruta as despesas incorridas em sua obtenção, reduziu também as bases de cálculo do PIS e da Cofins. Em virtude disso, estão sendo lançados a Cofins e o PIS não declarados em DCTF (fl. 487/494) em virtude das diferenças entre as receitas declaradas na DIPJ/escrituradas (no Diário e Razão) e as receitas apuradas com base no Livro de Apuração do ICMS nos CFOP nº 5303 e 6303 (“prestação de serviço de comunicação a estabelecimento comercial”). A autoridade fiscal chegou à conclusão de que o sujeito passivo não é empresa de propaganda e publicidade pelas seguintes razões: A prestação de serviços deste tipo é sujeita à incidência do ISS (art. 1º da Lei Complementar nº 116/2003, art. 1º, e item 17.06 de sua lista anexa), mas a empresa emitia notas fiscais de serviços de comunicações sujeitos ao ICMS (art. 155, II, da Constituição Federal); Fl. 1278DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 10120.014554/200847 Acórdão n.º 3201000.685 S3C2T1 Fl. 1.270 3 O contrato apresentado, bem como seus respectivos aditivos, somente estabelece a obrigação de a empresa providenciar a transmissão de programas; O art. 3º da Lei nº 4.680/65 estabelece que a agência de propaganda é pessoa jurídica especializada na arte e técnica publicitária que, através de especialistas estuda, concebe, executa e distribui propaganda aos veículos de divulgação, por ordem e conta de clientes anunciantes; O art. 7º do regulamento anexo ao Decreto nº 57.690/66 estabelece que “os serviços de propaganda serão prestados pela Agência mediante contratação, verbal ou escrita, de honorários e reembolso das despesas previamente autorizadas, tendo como referência o que estabelecem os itens 3.4 a 3.6, 3.10 e 3.11, e respectivos subitens, das NormasPadrão de Atividade Publicitária, editadas pelo CENP – Conselho Executivo das NormasPadrão”. O item 3.6 reza que “todos os demais serviços e suprimentos terão o seu custo coberto pelo cliente, deverão ser adequadamente orçados e requererão prévia e expressa autorização do Cliente para a sua execução”; Segundo o Parecer Normativo (PN) Cosit nº 07/86, item 19, “estarão excluídas da base de cálculo as importâncias que se refiram ao reembolso de despesas (gastos feitos com terceiros em nome da Agência, mas reembolsáveis pelo Anunciante, nos limites e termos contratuais) ou os valores repassados (gastos feitos com terceiros pela beneficiária por conta e ordem do Anunciante e em nome deste)”; O objeto social do sujeito passivo é a execução de serviços de radiodifusão sonora, de sons e imagens e de televisão por assinatura, seus serviços afins e correlatos (contrato social e certidão simplificada da Junta Comercial do Estado de Goiás às fl. 04/10). No sistema CNPJ o CNAE informado é o de nº 6010100: atividades de rádio (fl. 499/500); Não houve valores reembolsados à fiscalizada, nem entregues à mesma para que repassasse a terceiros. Não há evidências de que isso tenha ocorrido, até porque não havia no contrato previsão para tanto; Intimado a se manifestar sobre a receita apurada e a apresentar contratos, não apresentou os elementos que a demonstrassem. Cientificado pessoalmente dos lançamentos em 07/11/2008, o sujeito passivo apresentou a impugnação às fl. 569/577 em 08/12/2008, instruída com os documentos às fl. 578/1224, onde argumentou que: A impugnação é tempestiva; “a Impugnante (...), apesar de ser ter sido constituída como uma empresa de Radiodifusão, com previsão também de representação comercial, tal como se aduz do seu contrato social, não possui efetivamente nenhuma concessão, tendo funcionado apenas como mera intermediária/agenciadora dos serviços em que foi contratada (representante comercial), equiparandose, no caso, a uma empresa de publicidade. Noutros falares, a Impugnante celebra Fl. 1279DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 4 contrato com o Poder Público para prestação de serviços de publicidade, mas não desenvolve tais serviços, que são executados por outras empresas de comunicação (rádio), ou seja, no caso figura apenas como simples intermediadora de tais serviços”; Emite nota fiscal contra o poder púbico como valor global dos serviços, repassando os valores devidos a cada uma das empresas de radiodifusão que efetivamente realizaram os serviços, retendo para si apenas o valor da intermediação; Os serviços prestados têm natureza de propaganda e/ou publicidade, pois se referem a propaganda institucional do Governo do Estado de Goiás. O repasse está comprovado pela documentação no doc 03 em anexo; Agiu acobertada pelo disposto no art. 53 da Lei nº 7.450/85, alterado pelo art. 6º da Lei nº 9.064/95, e consolidado no art. 651 do RIR/99. O benefício do referido dispositivo não é uma prerrogativa inerente à pessoa jurídica em si, mas à sua atividade, ou seja, à natureza dos serviços (propaganda e publicidade). Se não fosse assim, ao invés da expressão “por serviço de propaganda e publicidade”, teria utilizado “por serviços prestados por empresa de propaganda e publicidade”. O que prepondera para definir a atividade de uma empresa não é o contrato social, mas o que efetivamente realiza. Tanto os serviços prestados são de publicidade e propaganda, quando efetivamente a sua atividade é de propaganda e publicidade, já que não possui uma única concessão de rádio sequer; Não se alegue que não houve valores entregues a si para que repassasse a terceiros, pois a AGCOM (Agência Goiana de Comunicação), sabedora que a impugnante não possui concessões de rádio, somente convencionou a obrigação de providenciar a transmissão do programa, estabelecendo cláusula autorizando que a impugnante poderia a “seu exclusive critério, efetuar exclusões e inclusões de novas rádios” (parágrafo segunda da cláusula quarta do contrato – doc. 2). Além disso, nos aditivos consta que “a CONTRATADA executará o objeto do presente contrato por intermédio das seguintes emissoras afiliadas”, relacionando as empresas de radiodifusão; Os valores repassados às empresas de radiodifusão em contrapartida pela execução de serviços, por constituírem receitas de terceiros, não podem integrar a base de cálculo dos tributos, por força do já citado art. 53 da Lei nº 7.450/85. Nesse sentido dois acórdãos do Segundo Conselho de Contribuintes; O valor exigido do sujeito passivo é superior, em muito, ao efetivamente recebido por ele, representando um verdadeiro confisco, que fere de morte o art. 150, IV da Constituição Federal; Junta documentação a título de amostragem, deixando para juntar as demais provas posteriormente, nos termos do §4º, alínea “a”, do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Requer concessão de prazo de sessenta dias para a juntada da documentação faltante, haja vista impossibilidade de sua juntada nesta ocasião devido ao grande volume e ao prazo exíguo. É o relatório.” Fl. 1280DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 10120.014554/200847 Acórdão n.º 3201000.685 S3C2T1 Fl. 1.271 5 O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/BSB no 0334.393, de 20/11/2009, proferida pelos membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IMPOSSIBILIDADE DA APLICAÇÃO DO 13 DA LEI Nº 10925/2004 E DO ART. 53, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 7450/85. O contribuinte não é agência de propaganda e é optante pelo lucro presumido, logo não faz jus ao benefício disposto no art. 13 da Lei nº 10.925/2004, que estendeu a aplicação do art. 53, parágrafo único da Lei nº 7450/85 às agências de propaganda que apuram a contribuição com base no regime não cumulativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE DE MESMOS ELEMENTOS FÁTICOS E PROBATÓRIOS. Aplicase ao lançamento do PIS o decidido para o de Cofins em função de decorrerem dos mesmos elementos fáticos e probatórios. IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE.” O julgamento foi no sentido de considerar improcedente a impugnação apresentada pela empresa autuada, para manter o crédito tributário exigido mediante Autos de Infração de fls. 524/556 (COFINS e PIS). O Contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. Voto Fl. 1281DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 6 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de autos de lançamentos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), dispostos nos autos de infração às fl. 524/556, referentes a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2004 a 2006, com crédito tributário total de R$ 2.883.210,39, (Cofins R$ 2.369.762,35/PIS R$ 513.448,04). A recorrente escriturou a menor da receita bruta sobre a prestação de serviços nos livros contábeis Diário e Razão e a consequentemente apurou a menor imposto e contribuição calculados sobre lucro presumido. Apropriou no Diário e no Razão receitas já deduzidas de despesas a ela relativas, alegando que foram excluídas as somas pertencentes a terceiros (veículos de comunicação), correspondentes a veiculação de propaganda por si, vez que é representante de serviços de publicidade, tendo agido amparado pelo art. 53 da Lei nº 7.450/1985, alterada pela Lei nº 9.064/95, pelo art. 13 da Lei nº 10.925/2004 e pelo art. 651do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), conforme relatório. Ou melhor, apurou o imposto de renda e as contribuições sociais excluindo de suas bases de cálculos parcelas dos valores recebidos do governo do Estado de Goiás (Agência Goiana de Comunicação) título de prestação de serviços que foram repassadas para cada uma das empresas de radiodifusão que veicularam o programa “Goiás Hoje”. Emitiu notas fiscais contra o referido órgão pelo valor global dos serviços, repassando os valores devidos a cada uma das empresas de radiodifusão e retendo para si, segundo ele, a parcela referente à intermediação. Entendeu fazer jus a esta exclusão por se equiparar a empresa de propaganda em função de ter funcionado como intermediária/agenciadora dos serviços de veiculação de propaganda do Estado de Goiás em que foi contratada (representante comercial. A Lei nº 4.680/65, em seu art. 5º, definiu o serviço de propaganda como sendo uma forma remunerada de difusão de idéias, mercadorias ou serviços: Estabeleceu, ainda, em seus art. 1º e 6º, § 1º, que os publicitários são os técnicos especializados que atuam nas agências de propaganda ou em qualquer outra empresa Fl. 1282DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 10120.014554/200847 Acórdão n.º 3201000.685 S3C2T1 Fl. 1.272 7 que produzam propaganda, colaborando diretamente no planejamento, execução, produção e distribuição da propaganda. Está claro que a propaganda envolve não apenas a sua distribuição, mas também o seu planejamento, sua execução e sua produção. Já o seu art. 3º apresentou a definição das agências de propaganda, deixando evidente que para se enquadrar neste conceito a empresa deve estudar, conceber, executar e distribuir a propaganda aos veículos de divulgação. A recorrente não é agência de propaganda diante do seu contrato social e demais informações presentes nos autos; condição reconhecida por ele em sua defesa, inclusive, onde pretende apenas a equiparação em virtude a atividade que desenvolveu: (...), apesar de ser ter sido constituída como uma empresa de Radiodifusão, com previsão também de representação comercial, tal como se aduz do seu contrato social, não possui efetivamente nenhuma concessão, tendo funcionado apenas como mera intermediária/agenciadora dos serviços em que foi contratada (representante comercial), equiparandose, no caso, a uma empresa de publicidade. Noutros falares, a Impugnante celebra contrato com o Poder Público para prestação de serviços de publicidade, mas não desenvolve tais serviços, que são executados por outras empresas de comunicação (rádio), ou seja, no caso figura apenas como simples intermediadora de tais serviços. A atividade por ele desenvolvida não pode ser considerada como serviço de propaganda, vez que apenas atuou na distribuição do produto final, qual seja, o programa “Goiás Hoje”, junto aos veículos de divulgação (rádio, televisão etc.), que é simplesmente uma das etapas do todo, que abrange: o planejamento (idealização), a execução e, ao fim, a distribuição. É mais, as empresas que prestam serviços de propaganda recebem apenas honorários pela distribuição da propaganda junto aos veículos de divulgação, consoante art. 7º do Decreto nº 57.690/66, com redação do Decreto nº 4.563/2002, os quais representam, por óbvio, uma percentagem sobre o custo da veiculação da propaganda cobrado pela empresa de radiodifusão. O valor por ele recebido do Governo de Goiás é muito superior ao montante repassado ao veículo de divulgação, ou seja, a parte é maior que o todo. Um exemplo é o montante recebido de R$ 1.586.142,00 referente à nota fiscal à fl. 618. O respectivo repasse aos veículos de divulgação foi de R$ 245.705,13, conforme demonstrado às fl. 623/624 e 625/626. Ou seja, a recorrente recebeu uma “comissão” de R$ 1.340.436,87, enquanto o valor cobrado pelas empresas de radiodifusão foi de R$ 245.705,13. O honorário é maior do que o valor da veiculação. Assim sendo, a recorrente não faz jus ao benefício do art. 53 da Lei nº 7450/95, que dispõe: Fl. 1283DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM 8 Art. 53. Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5º (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: I – (....) II – por serviços de propaganda e publicidade. Parágrafo único – No caso do inciso II deste artigo, excluemse da base de cálculo as importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio, televisão, jornais e revistas, atribuída à pessoa jurídica pagadora e à beneficiária responsabilidade solidária pela comprovação da efetiva realização dos serviços. Tem razão o recorrente no sentido quando argumenta de que o benefício não está vinculado à pessoa, ou seja, não prevê a exclusão para agências de propaganda exclusivamente, mas sim ao serviço prestado, independentemente da empresa que o prestou. Isto porque, de acordo com o art. 1º da Lei nº 4.680/65 e com o art. 3º do Decreto nº 57.690/66, os serviços de propaganda e publicidade podem ser prestados também por outras empresas que não agências de propaganda. Todavia, não obstante não haver a necessidade da empresa ser agência de propaganda, há no art. 53 da Lei nº 7450/85 a exigência de que o serviço prestado tenha sido de propaganda, pressupondo, por conseguinte, a realização de todas as etapas antes mencionadas fixadas em lei: planejamento, execução e distribuição; o que não é o caso da impugnante. No caso, a recorrente não executou serviços de propaganda, não fazendo jus ao benefício. Logo, a autoridade fiscal procedeu de forma acertada ao exigir a Cofins e o PIS não pagos ou confessados em DCTF em função exclusão indevida, dos valores repassados aos veículos de divulgação da receita auferida do Estado de Goiás. Além do mais, o disposto no art. 53 da Lei nº 7.450/85, que trata de imposto de renda retido na fonte, não pode ser estendido para o PIS e a Cofins, vez que qualquer redução de base de cálculo de impostos ou contribuições somente pode ser concedida mediante lei específica federal que regule exclusivamente a matéria ou o tributo, consoante determinação contida no art. 150, § 6º da Constituição Federal, incluído pela Emenda Constitucional nº 3/93. Art. 150. (...) 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. Somente com o advento da Lei nº 10.925/2004 é que o benefício do parágrafo único do art. 53 da Lei nº 7.450/85 foi estendido para as contribuições. E mais, restringiu sua aplicação a agências de publicidade e propaganda, que não é o caso do contribuinte. Ou seja, aqui o legislador vinculou o benefício à pessoa jurídica e não ao serviço prestado como aconteceu no art. 53. Fl. 1284DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM Processo nº 10120.014554/200847 Acórdão n.º 3201000.685 S3C2T1 Fl. 1.273 9 Art. 13. O disposto no parágrafo único do art. 53 da Lei no 7.450, de 23 de dezembro de 1985, aplicase na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das agências de publicidade e propaganda, sendo vedado o aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas. Tal benefício somente tornouse aplicável para os fatos geradores ocorridos a partir de 23/10/2004, conforme Ato Declaratório Interpretativo nº 8/2005: Artigo único. O disposto no art. 13 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, aplicase aos fatos geradores ocorridos a partir de 23 de outubro de 2004. Somente é permitido para o regime não cumulativo de apuração do PIS e da Cofins, este benefício está restrito às empresas que adotam este regime. Como as empresas optantes pelo lucro presumido são obrigadas a adotar o regime cumulativo na apuração de ambas as contribuições, consoante art. 8 da Lei nº 10.637/2002 e art. 10 da Lei nº 10.833/2003, mesmo que o contribuinte fosse agência de publicidade não poderia se beneficiar do disposto no art. 13 da Lei nº 10.925/2004, já que apurou o IRPJ com base naquela forma de determinação da base de cálculo. Art. 8º Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 6º: (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º : (...) Logo, não merece reparo a decisão a quo. Isso posto, nego provimento ao recurso voluntário. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 1285DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 6/05/2011 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por JUDITH DO AMARA L MARCONDES ARM
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Numero do processo: 12268.000129/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. ARTIGO 150, § 4°, CTN.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF,
notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp
n° 973.733/SC.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. ARBITRAMENTO E DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA PRESTADORAS DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO SIMULAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO.
A desconsideração da personalidade jurídica de prestadoras de serviços, com o respectivo lançamento de contribuições previdenciárias por arbitramento, adotando os valores pagos pela contribuinte àquelas empresas desconsideradas como remuneração dos sócios da notificada (prólabore) somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência de simulação nos atos negociais das empresas envolvidas, com o fim precípuo de suprimir tributos. A ausência da imputação e, bem assim, comprovação da ocorrência de simulação em aludidos atos negociais rechaça de plano o lançamento arrimado no procedimento da desconsideração de personalidade jurídica c/c arbitramento de tributos, sobretudo quando lastreado simplesmente em opiniões pessoais do agente lançador.
DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO INEXISTENTE A SÓCIO GERENTE. INTERPOSTA EMPRESA. DESCARACTERIZAÇÃO. PRÓLABORE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
A distribuição de lucros a sócios gerentes, mesmo que por interposta pessoa jurídica, sem a empresa demonstre ter obtido no período resultado positivo, caracteriza-se como prólabore
indireto, incidindo sobre os pagamentos a esse título as contribuições previdenciárias.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/11/2002 a 01/05/2003
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL EXPRESSA. RENÚNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DE PARTE DO RECURSO. Nos termos do artigo 78, caput e § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o contribuinte/recorrente poderá, em qualquer fase
processual, desistir total ou parcialmente do recurso em andamento naquele Órgão Julgador, conquanto que de maneira expressa mediante petição interposta nos autos do processo, importando na renúncia à discussão da demanda na via administrativa e, por conseguinte, no não conhecimento de
sua peça recursal na parte objeto da desistência.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-001.948
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso de ofício; e b) conhecer parcialmente do recurso voluntário; e II) No mérito, dar provimento parcial para: a) por maioria de votos, excluir do lançamento os levantamentos RPS – REMUN PJ SOCIOS PRO LABORE e SCP – SCP PRO LABORE SOCIOS. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluía estes dois levantamentos; e b) Pelo voto de qualidade, excluir do levantamento DLP – DISTR LUCRO PRO LABORE, os valores referentes aos pagamentos realizados a sócios não dirigentes da empresa e os realizados a pessoas jurídicas,
remanescendo as contribuições incidentes sobre os pagamentos realizados aos sócios gerentes da empresa no respectivo período. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
(relator), Igor Araújo Soares e Walter Murilo Melo de Andrade, que excluíam o levantamento DLP – DISTR LUCRO PRO LABORE integralmente. Em primeira votação a Conselheira Elaine Cristina
Monteiro e Silva Vieira votou por manter o levantamento DLP – DISTR LUCRO PRO LABORE na íntegra. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OCORRÊNCIA ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. ARTIGO 150, § 4°, CTN. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. ARBITRAMENTO E DESCONSIDERAÇÃO DE PERSONALIDADE JURÍDICA PRESTADORAS DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO SIMULAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA LANÇAMENTO. A desconsideração da personalidade jurídica de prestadoras de serviços, com o respectivo lançamento de contribuições previdenciárias por arbitramento, adotando os valores pagos pela contribuinte àquelas empresas desconsideradas como remuneração dos sócios da notificada (prólabore) somente poderá ser levada a efeito quando devidamente demonstrada/comprovada à ocorrência de simulação nos atos negociais das empresas envolvidas, com o fim precípuo de suprimir tributos. A ausência da imputação e, bem assim, comprovação da ocorrência de simulação em aludidos atos negociais rechaça de plano o lançamento arrimado no procedimento da desconsideração de personalidade jurídica c/c arbitramento Fl. 825DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 de tributos, sobretudo quando lastreado simplesmente em opiniões pessoais do agente lançador. DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO INEXISTENTE A SÓCIO GERENTE. INTERPOSTA EMPRESA. DESCARACTERIZAÇÃO. PRÓLABORE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A distribuição de lucros a sócios gerentes, mesmo que por interposta pessoa jurídica, sem a empresa demonstre ter obtido no período resultado positivo, caracterizase como prólabore indireto, incidindo sobre os pagamentos a esse título as contribuições previdenciárias. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2002 a 01/05/2003 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL EXPRESSA. RENÚNCIA ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO DE PARTE DO RECURSO. Nos termos do artigo 78, caput e § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, o contribuinte/recorrente poderá, em qualquer fase processual, desistir total ou parcialmente do recurso em andamento naquele Órgão Julgador, conquanto que de maneira expressa mediante petição interposta nos autos do processo, importando na renúncia à discussão da demanda na via administrativa e, por conseguinte, no não conhecimento de sua peça recursal na parte objeto da desistência. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) negar provimento ao recurso de ofício; e b) conhecer parcialmente do recurso voluntário; e II) No mérito, dar provimento parcial para: a) por maioria de votos, excluir do lançamento os levantamentos RPS – REMUN PJ SOCIOS PRO LABORE e SCP – SCP PRO LABORE SOCIOS. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que não excluía estes dois levantamentos; e b) Pelo voto de qualidade, excluir do levantamento DLP – DISTR LUCRO PRO LABORE, os valores referentes aos pagamentos realizados a sócios não dirigentes da empresa e os realizados a pessoas jurídicas, remanescendo as contribuições incidentes sobre os pagamentos realizados aos sócios gerentes da empresa no respectivo período. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (relator), Igor Araújo Soares e Walter Murilo Melo de Andrade, que excluíam o levantamento DLP – DISTR LUCRO PRO LABORE integralmente. Em primeira votação a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira votou por manter o levantamento DLP – DISTR LUCRO PRO LABORE na íntegra. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Fl. 826DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000129/200741 Acórdão n.º 240101.948 S2C4T1 Fl. 791 3 Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Walter Murilo Melo Andrade, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausentes os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 827DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório AUTO VIAÇÃO REDENTOR LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 5a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 0327.750/2008, às fls. 653/665, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal referente às contribuições sociais devidas ao INSS pela notificada, correspondentes à parte da empresa, incidentes sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais (empresários), assim caracterizadas as importâncias pagas a diversas pessoas jurídicas a título de prestação de serviços, cuja personalidade jurídica foi desconsiderada pela fiscalização, em relação ao período de 07/2000 a 12/2006, conforme Relatório Fiscal, às fls. 56/62. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em 30/11/2007, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 10.832.540,99 (Dez milhões, oitocentos e trinta e dois mil, quinhentos e quarenta reais e noventa e nove centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, a ilustre autoridade lançadora achou por bem desconsiderar a personalidade jurídica das empresas REDENTOR PARTICIPAÇÕES LTDA.; TRIPLO A – CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA., MODELO – CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA.; DUPLO GC – CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA. e CRESCERE CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA., caracterizando os pagamentos efetuados a pretexto de prestação de serviços, mais precisamente elaboração de Plano de Trabalho Estratégico Empresarial, como remunerações (prólabore) dos sócios da notificada – Levantamento RPS – Remun. PJ Sócios – PróLabore. Informa, ainda, o fiscal autuante ter considerado tais pagamentos como pró labore dos sócios da autuada eis que os serviços contratados com as empresa acima elencadas (elaboração de Plano de Trabalho Estratégico Empresarial) são inerentes à própria função do sócio administrador, além de haver constatado que as pessoas jurídicas prestadores de serviços, ora desconsideradas, são dirigidas e controladas majoritariamente pelos mesmos sócios da contribuinte notificada, inclusive, com o endereço e contador em comum. Explicita que, em 17/12/2003, a notificada, na condição de Sócia Ostensiva, firmou Contrato Particular de Constituição de Sociedades em Conta de Participação – SCPs, com as empresas Duplo GC Consultoria e Serviços e Crescere – Consultoria e Serviços Ltda., constituindo a Sociedade SCP Redentor, estabelecendose o percentual a ser distribuído ao final do exercício para cada Participante (10% Para Viação Redentor Ltda.; 61,38% para Crescere Ltda.; e 28, 62% para a Duplo GC Ltda.). Para tanto, a Sócia Ostensiva (Redentor) fixou a participação das demais empresas no percentual de 7,3% sobre a receita decorrente da atividade de transporte coletivo de passageiros, com limite anual máximo de R$ 4.600.000,00, passando a partir de então a sofrer prejuízos acumulados, nos anos de 2004 a 2006, não impedindo, porém, a distribuição de parte de sua receita bruta (7,3%), antes da apuração do lucro, para as empresas Participantes (Duplo GC Ltda. e Crescere Ltda.), que nada mais são do que empresas coligadas, controladas e administradas pelos mesmos sócios e diretores da Empresa Ostensiva (Auto Viação Redentor Ltda.). Fl. 828DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000129/200741 Acórdão n.º 240101.948 S2C4T1 Fl. 792 5 Assim, concluiu a fiscalização que por se tratar de uma evidente transação realizada com pessoas jurídicas ligadas, em condições de visível favorecimento destas, sem qualquer justificativa administrativa e considerando que, nos exercícios em que passou a vigorar a Sociedade em Conta de Participação, 2004, 2005 e 2006, a empresa ora notificada só veio acumulando prejuízos e conseqüentemente, não havendo, desta maneira, lucros a serem distribuídos, entendemos que tais recursos passados às empresas Duplo GC Ltda. e Crescere Ltda., nada mais são do que RENDIMENTOS A TÍTULO DE PROLABORE, PAGOS AOS SÓCIOS DA EMPRESA REDENTOR LTDA., conforme relação que acompanha o presente relatório, DAD – Levantamento SCP [...]” Por fim, com arrimo no Balanço Patrimonial e na DIPJ, esclarece que no exercício de 2001, em que pese à empresa notificada somente obter um Resultado de Lucro Líquido no valor de R$ 278.000,00, distribuiu antecipadamente aos seus sócios o valor de R$ 430.000,00, razão pela qual a diferença de R$ 152.000,00 fora considerada como retiradas a título de Prolabore, a partir da competência 10/2001. Igualmente, para os exercícios de 2002 e 2003, inobstante a obtenção de prejuízos, continuou a empresa a distribuir lucros aos seus sócios, valores que foram, novamente, caracterizados como retiradas de prólabore, num total de R$ 1.120.000,00, desde 01/2002 a 12/2003, devidamente lançadas no Levantamento DLP – Distrib. Lucro ProLabore. As autoridades julgadoras de primeira instância acharam por bem julgar procedente em parte o lançamento, acolhendo a decadência parcial da exigência fiscal, nos termos do Acórdão n° 0327.750/2008, da lavra da 5a Turma da DRJ em Brasília, assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/12/2006 NFLD DEBCAD N° 37.065.7586 TRIBUTÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições sociais previdenciárias, a fiscalização lavrará notificação de débito. AFERIÇÃO INDIRETA. HIPÓTESE PREVISTA EM LEI. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE. STF. Prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de lançamento de oficio, devese aplicar o prazo Fl. 829DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 decadencial de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele que o lançamento poderia ter sido efetuado (art.173, I, do CTN). DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO PRÓPRIA. Pagamentos efetuados a titulo dc participação nos lucros, em desacordo com a lei especifica, integram o saláriode contribuição para fins de incidência de contribuições devidas à Seguridade Social. SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA Constatado pela fiscalização que a conduta do sujeito passivo se molda, em tese, à conduta descrita pela lei penal como descritiva da prática de crime, é seu dever efetuar Representação Fiscal para Fins Penais aos órgãos competentes para apuração da efetiva ocorrência do ilícito. Lançamento Procedente em Parte.” Em observância ao disposto no artigo 34 do Decreto n° 70.235/72, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/1997, e Portaria MF n° 375, de 10/12/2001, a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício da decisão encimada, que declarou procedente em parte o lançamento fiscal. Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 682/733, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Preliminarmente, pretende seja decretada a nulidade da decisão atacada, argumentando ter incorrido em preterição do direito de defesa da contribuinte, ao deixar de analisar os documentos colacionados aos autos junto à impugnação, indispensáveis ao deslinde da controvérsia, bem como não apreciando nenhuma das alegações suscitadas na sua peça inaugural (salvo a decadência), malferindo os princípios da legalidade, verdade material, razoabilidade e do devido processo legal administrativo. Ainda em sede de preliminar, pugna pela decretação da nulidade do lançamento, por entender que o fiscal autuante, ao constituir o presente crédito previdenciário, não logrou motivar/comprovar os fatos alegados de forma clara e precisa na legislação de regência, contrariando o disposto no artigo 142 do CTN, em total preterição do direito de defesa e do contraditório da notificada, conforme se extrai da doutrina e jurisprudência, baseando a notificação em meras presunções obscuras e imprecisas. Requer seja mantida a decadência acolhida pelo Acórdão recorrido, relativamente ao período de 07/2000 a 10/2002, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, sobretudo em razão da comprovação da ocorrência de antecipação de pagamentos. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, alegando não ter existido a prestação de serviços por contribuintes individuais de maneira a sustentar a pretensão fiscal, com a respectiva incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores Fl. 830DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000129/200741 Acórdão n.º 240101.948 S2C4T1 Fl. 793 7 pagos a empresas prestadoras de serviços, caracterizadas equivocadamente como remuneração dos sócios administradores da notificada. Assevera que a diferença excedente de R$ 152.000,00 não pode ser considerada como retirada a título de prolabore, a partir da competência 10/2001, tendo em vista que a importância de 430.000,00 foi pago a título de lucros de anos anteriores, embora na contabilidade conste como antecipação do período de 2001, equivocadamente, como se extrai dos próprios recibos, onde não consta a que período se refere, mas tão somente se tratar de distribuição de lucros. Contesta a imputação procedida pela fiscalização, no sentido de que a SCP firmada teria sido a causa necessária e suficiente para que a Autuada passasse a auferir prejuízos a partir dos exercícios de 2004, 2005 e 2006, bastando uma simples análise da contabilidade da contribuinte para se concluir que desde 2001 a empresa começou a apresentar baixa lucratividade, enquanto a SCP só fora constituída a partir de 2004. Tece comentários a propósito da lucratividade das empresas arroladas nos autos, com apresentação das respectivas demonstrações contábeis, com a finalidade de rechaçar os argumentos utilizados pela autoridade lançadora ao promover o lançamento, reforçando a tese de partir de premissas frágeis e puramente subjetivas. Sustenta não ter sido comprovada pelo fiscal autuante a ocorrência da hipótese de incidência prevista no artigo 22, inciso III, da Lei n° 8.212/91, ou seja, o pagamento de remunerações a segurados contribuintes individuais, mormente quando considerou, indevidamente, pagamentos realizados pela notificada a outras pessoas jurídicas regularmente constituídas, dentro do padrão da legislação de regência. Alega que nas verdadeiras oportunidades em que pagou aos sócios administradores prólabore, procedeu o respectivo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. Infere que a premissa mais forte adotada pela fiscalização ao lavrar a notificação, de que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços foram constituídas, controladas e administradas pelos próprios sócios da empresa contratante, não representa verdade absoluta, especialmente no período objeto da notificação, conforme delineado em sua peça recursal. Argumenta que no Brasil prevalece o princípio da livre iniciativa, podendo o administrado contratar, organizar e dispor de seus bens, recursos e negócios, como melhor lhe aprouver, salvo quando existir algum impedimento legal, o que não se verifica nos autos, onde referidas empresas possuíam cooperação mútua, não vedado pelo ordenamento jurídico pátrio. Defende que a circunstância do contador das empresas ser o mesmo, não oferece amparo ao lançamento na forma procedida, com a desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. Contrapõese ao lançamento, especialmente em relação ao arbitramento levado a efeito na apuração do crédito previdenciário, por entender que a escrituração contábil da contribuinte registra todo o movimento real dos fatos, os quais foram desconsiderados pela fiscalização a partir de meras presunções. Acrescenta que em nenhum momento o fiscal Fl. 831DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 autuante demonstrou e comprovou qual seria a inconsistência e/ou falha contida na contabilidade da recorrente, de maneira a não lhe oferecer idoneidade. Elucida que os valores repassados aos sócios a título de distribuições de lucros não guardam consonância com a pretensa participação de lucros ou resultados contemplada pela Lei n° 10.101/00, na forma sustentada pelo julgador recorrido, comprovando a inadequação na fundamentação do Acórdão guerreado. Reitera que a participação da sócia ostensiva (ora notificada) e das demais empresas sócias participantes nos resultados das SCPs ocorrera rigorosamente de acordo com os preceitos da legislação de regência, notadamente do imposto de renda para casos dessa natureza (RIR/1999, artigo 254 e normas complementares inscritas nas Instruções Normativas n°s 179/87 e 21/2001). Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. Posteriormente à interposição do recurso voluntário, em 25 de fevereiro de 2010, a contribuinte protocolizou petição, às fls. 758, requerendo desistência parcial de suas alegações de direito, relativamente ao período de 01/11/2002 a 01/05/2003, razão pela qual o presente débito fora desmembrado, consoante informações constantes dos documentos de fls. 785/786. É o relatório. Fl. 832DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000129/200741 Acórdão n.º 240101.948 S2C4T1 Fl. 794 9 Voto Vencido Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator DO RECURSO DE OFÍCIO Consoante se positiva do Relatório Fiscal, a lavratura da notificação deveuse a constatação de contribuições previdenciárias devidas pela contribuinte ao INSS, correspondentes à parte da empresa incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais. Após apresentação da impugnação da notificada, o lançamento fora julgado procedente em parte, nos termos do Acórdão nº 0327.750/2008, da lavra da 5a Turma da DRJ em Brasília/DF, acima ementado, razão pela qual a autoridade julgadora de primeira instância recorreu de ofício daquele decisum, com arrimo no artigo 34 do Decreto n° 70.235/72, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/1997, e Portaria MF n° 375, de 10/12/2001. A DRJ competente, ora guerreada, em síntese, achou por bem retificar o lançamento, excluindo as contribuições previdenciárias alcançadas pelo instituto da decadência, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, em face da existência de antecipação de pagamentos, consoante se extrai do excerto do Acórdão recorrido abaixo transcrito: “[...] No caso sob exame, considerando que, em consulta ao Sistema AGUIA (de arrecadação), constam recolhimentos antecipados pela empresa incidentes sobre as folhasdepagamento dos segurados a seu serviço e que o credito previdenciário foi constituído em 26/11/2007, com a ciência do contribuinte em 30/11/2007, a competência mais remota para a qual poderia haver lançamento é 11/2002. Desse modo, considerando o prazo decadencial de cinco anos para a constituição do crédito tributário, contado do fato gerador, consoante estabelecido no §4° do art. 150 do CTN, impõese a retificação do presente lançamento para excluir as competências 07/2000 a 10/2002. [...]” Da análise dos elementos que instruem o processo, concluise que a decisão recorrida, quanto a este tema, apresentase incensurável, devendo ser mantida em sua plenitude, pelas razões de fato e de direito a seguir desenvolvidas. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: Fl. 833DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Fl. 834DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000129/200741 Acórdão n.º 240101.948 S2C4T1 Fl. 795 11 Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Fl. 835DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese entendimento que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 836DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000129/200741 Acórdão n.º 240101.948 S2C4T1 Fl. 796 13 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Fl. 837DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, conforme restou devidamente evidenciado no Acórdão guerreado, a partir de consulta no banco de dados da Receita Federal, mais precisamente no sistema AGUIA (fls. 662). Assim, ocorrendo à comprovação de recolhimentos, em virtude dos fatos encimados, concordam os Conselheiros desta Colenda Câmara, à sua unanimidade, pela aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, uns pela natureza do tributo outros pela antecipação de pagamento, devendo ser acolhido o pleito da contribuinte para restabelecer a ordem nesse sentido. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 30/11/2007, com a devida ciência da contribuinte constante do Aviso de RecebimentoAR, às fls. 194, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos até a competência 10/2002, inclusive, os quais se encontram fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Neste sentido, não se pode cogitar em irregularidade na decisão levada a efeito pelo julgador de primeira instância, eis que agiu da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, promovendo a retificação do crédito previdenciário nos termos acima delineados. Em vista do exposto, estando à decisão de primeira instância em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o decisum recorrido, nesse ponto, em sua integralidade, pelas razões de fato e de direito acima ofertadas. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço parcialmente do recurso voluntário e passo a examinar as alegações recursais, somente em relação à parte do débito remanescente após pedido de desistência parcial. Isto porque, em 25/02/2010, a contribuinte protocolizou petição desistindo parcialmente do recurso, relativamente ao período de 01/11/2002 a 01/05/2003, o que enseja o não conhecimento de suas razões recursais para aquelas competências, com arrimo no artigo 78, § 2o, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, senão vejamos: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. Fl. 838DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000129/200741 Acórdão n.º 240101.948 S2C4T1 Fl. 797 15 § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo.” (grifamos) Uma vez evidenciada a parte do débito ainda controversa, após o desmembramento do débito procedido em face de pedido de desistência parcial do recurso, passamos à análise das demais questões suscitadas pela contribuinte. Consoante relatado alhures, a presente notificação fora lavrada a partir da desconsideração da contabilidade e da personalidade jurídica das prestadoras de serviços à notificada, com a conseqüente caracterização dos valores pagos àquelas empresas como remuneração (prólabore) dos sócios da recorrente, apurada por arbitramento, em razão dos fatos elencados em cada levantamento, a seguir, sinteticamente, explicitados: 1) Remun. PJ Sócios – PróLabore – RPS – Caracterização dos pagamentos realizados às empresas prestadoras de serviços, REDENTOR PARTICIPAÇÕES LTDA.; TRIPLO A – CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA., MODELO – CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA.; DUPLO GC – CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA. e CRESCERE CONSULTORIA E SERVIÇOS LTDA., como remunerações dos administradores da notificada, por entender o fiscal autuante que os serviços prestados (elaboração de Plano de Trabalho Estratégico Empresarial) são inerentes às atribuições dos próprios sócio administradores da recorrente. Levou a efeito, ainda, o fato de as pessoas jurídicas prestadores de serviços, ora desconsideradas, serem dirigidas e controladas majoritariamente pelos mesmos sócios da contribuinte notificada, inclusive, com o endereço e contador em comum; 2) SCP – concernente aos recursos passados às empresas Duplo GC Ltda. e Crescere Ltda., em razão da Sociedade em Conta de Participação constituída com a notificada, na condição de sócia ostensiva, considerados como prólabore pagos aos sócios da Redentor Ltda., uma vez que aludidas pessoas jurídicas nada mais são do que empresas coligadas, controladas e administradas pelos mesmos sócios e diretores da Empresa Ostensiva (Auto Viação Redentor Ltda.); 3) Distrib. Lucro PróLabore – DLP – relativo aos valores (Lucros) antecipadamente distribuídos aos sócios, sem conquanto ter havido posterior apuração do lucro líquido na totalidade distribuída, razão pela qual a diferença fora caracterizada como pró labore; Diante de aludidas constatações, em que pese não haver explicitação clara no Relatório Fiscal a respeito procedimento adotado, a autoridade lançadora desconsiderou a contabilidade de todas as empresas acima elencadas, apurando, por conseguinte, as contribuições previdenciárias ora exigidas por arbitramento, com base no artigo 33, §§ 3° e 6°, da Lei n° 8.212/91, vigente à época nos seguintes termos: “Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", ‘b" e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a Fl. 839DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. [...] § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Nesse sentido, estando o lançamento escorado em uma presunção legal, incumbe à fiscalização demonstrar e comprovar os motivos que a levaram a utilizar deste procedimento excepcional e, conseqüentemente, fundamentálo na legislação de regência, fazendo constar dos autos do processo, nos anexos pertinentes, a norma legal esteio da exigência fiscal, sob pena de nulidade e/ou improcedência do feito. Em suas razões recursais, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em seu mérito, aduzindo, dentre inúmeros argumentos, que o procedimento eleito pela fiscalização ao promover o lançamento não encontra amparo legal na legislação de regência, notadamente quando não se apresentou claro e preciso em suas conclusões ao desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. Sustenta, ainda, não ter sido comprovada pelo fiscal autuante a ocorrência da hipótese de incidência prevista no artigo 22, inciso III, da Lei n° 8.212/91, ou seja, o pagamento de remunerações a segurados contribuintes individuais, mormente quando considerou, indevidamente, pagamentos realizados pela notificada a outras pessoas jurídicas regularmente constituídas, dentro do padrão legal. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela fiscalização e autoridade julgadora de primeira instância em defesa da manutenção da exigência fiscal em comento, o inconformismo da contribuinte merece prosperar, como demonstraremos ao longo desse arrazoado. Destarte, em que pese à grande celeuma que envolve o tema, é certo que atualmente o Fisco dispõe de alguns mecanismos para apuração de crédito tributário quando constatadas operações/transações realizadas pelo contribuinte com a finalidade de se esquivar da tributação. Em verdade, tratase da eterna discussão a propósito da legalidade do planejamento tributário e seus limites. Em outras palavras, o verdadeiro conflito existente entre a Elisão e Evasão Fiscal. Referido tema, aliás, vem tomando espaço em grandes Congressos e outros Encontros Tributários, com propostas, inclusive, de elaboração de normas antielisivas, Fl. 840DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000129/200741 Acórdão n.º 240101.948 S2C4T1 Fl. 798 17 buscando cercar as condutas dolosas, simuladas dos contribuintes objetivando se afastar do campo de incidência da obrigação tributária. No seara do direito previdenciário, a própria legislação de regência oferece mecanismos para a desconsideração da relação contratual firmada entre o contribuinte e os prestadores de serviços, sejam segurados empregados, contribuintes individuais, outras pessoas jurídicas, etc. Exemplo de tais prerrogativas, o artigo 229, § 2°, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, impõe ao Auditor Fiscal a obrigação de considerar os contribuintes individuais (autônomos) ou outros prestadores de serviços como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis: “Art. 229. [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I «caput» do art.9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.” Observese do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “[...] ou sob qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, quando constatados os requisitos para tanto. A partir do permissivo legal encimado, inúmeros são os lançamentos em que o Fisco desconsidera o vínculo pactuado entre os prestadores de serviços (contribuintes individuais e empresas) e a contribuinte contratante, promovendo a caracterização dessas pessoas como segurados empregados, conquanto de devidamente demonstrada à existência dos pressupostos da relação empregatícia, quais sejam, subordinação, remuneração e não eventualidade. Neste caso, digase de passagem, inexiste a necessidade da comprovação de eventuais atos simulados, para a caracterização dos segurados empregados, bastando à demonstração da presença dos requisitos do vínculo laboral, podendo ou não haver o intuito doloso, fraudulento ou simulatório objetivando suprimir tributos. Na hipótese dos autos, porém, não há dúvidas que o procedimento adotado pela autoridade lançadora não fora aquele inscrito na norma legal retro. E nem poderia, uma vez que não se tratou de caracterização de segurados empregados. Afora o procedimento excepcional da caracterização de segurados empregados, somente a partir do arbitramento e conseqüente desconsideração da contabilidade e/ou personalidade jurídica do contribuinte é que poderia o Fisco exigir tributos desconstituindo a contratação formal existente em homenagem à situação fática real, mas somente quando demonstrada a ocorrência dos requisitos legais para tanto. A rigor, no caso de desconsideração da personalidade jurídica, além dos pressupostos legais da aferição indireta, impõese à autoridade fiscal a devida comprovação da existência da simulação na conduta do contribuinte, com o fito de mascarar a tributação. Fl. 841DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 Com efeito, em nosso entender a diferença entre evasão e elisão fiscal na seara do planejamento tributário, é que este último encontra amparo na liberdade negocial do empresário na condução das atividades e finalidades da empresa de modo a trabalhar com menor incidência de custos, inclusive relativamente ao campo fiscal, da exigência tributária a incidir nos diversos rumos que decidir tomar. Por sua vez, na evasão fiscal, o empresário, na condução de seus negócios, visa a todo momento simular atos tendentes a maquiar a ocorrência do fato gerador. No caso sub examine, concluise que o fiscal autuante edificou uma presunção legal, lançando valores que entendeu devidos, considerando, ainda, repasses a empresas prestadoras de serviços como remuneração (prólabore) dos sócios da recorrente na apuração do crédito tributário, invertendo, assim, o ônus da prova ao contribuinte. No entanto, sabemos que a presunção legal, como o próprio nome indica, somente poderá ser levada a efeito quando estiver expressamente inserta na legislação de regência. Na hipótese vertente, o único dispositivo legal que dá amparo ao procedimento adotado pelo fiscal autuante é o artigo 33, §§ 3º e 6º, da Lei nº 8.212/91, acima transcrito. Vislumbrase, assim, que o procedimento utilizado pela fiscalização ao lavrar a notificação foi precisamente aquele inscrito na norma legal encimada, qual seja, aferição indireta. Como se observa, o procedimento do arbitramento, uma vez constatados os requisitos exigidos pela legislação de regência, é legal e inverte o ônus da prova ao contribuinte. Porém, tal procedimento deve estar devidamente fundamentado e motivado nos autos do processo, além de estar revestido dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sob pena de nulidade ou improcedência do lançamento. Destarte, o arbitramento não pode representar uma verdadeira “carta branca” ao agente fiscal, de maneira a possibilitarlhe concluir pela existência de débitos tributários bem destoantes do que efetivamente devido pelo contribuinte, escorados em parâmetros aleatórios e imprecisos, sem o devido aprofundamento no exame das provas constantes dos autos. Não se pode admitir, pois, seja praticado o arbítrio em nome do arbitramento. É um procedimento, portanto, que objetiva aproximar, mensurar as remunerações tributáveis tanto quanto possível daquele que seria real. Temse assim que a vontade abstrata da lei é gravar o tributo que seria devido em condições normais, não mais do que isso, porquanto o objetivo precípuo da fiscalização é a orientação, com a finalidade de esclarecer aos contribuintes em geral sobre o indelével dever de recolher ao fisco os tributos efetivamente devidos, naturalmente após identificar as eventuais irregularidades extraídas de sua atividade, ou contabilidade, se for o caso. Em nenhum sistema jurídico se permite a tributação ao alvedrio da lei ou se preconiza a cobrança de tributo acima daquilo que o fisco tem direito. Gravar tributo não tem o mesmo sentido de agraválo. O agravamento se faz mediante cominação de multas, não pela via do arbitramento. A jurisprudência administrativa é firme e mansa neste sentido, determinando o cancelamento de autuações em que a fiscalização extrapolou os limites impostos pela legislação ao lançar com base no arbitramento, sobretudo quando os critérios utilizados nesta empreitada não estejam devidamente claros e precisos, senão vejamos: “[...] Fl. 842DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000129/200741 Acórdão n.º 240101.948 S2C4T1 Fl. 799 19 Ementa: ARBITRAMENTO – POSSIBILIDADE – PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE Na ocorrência de recusa na apresentação de livros ou documentos ou se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O procedimento de arbitramento, embora seja prerrogativa legal do fisco, deve revestirse de razoabilidade, de tal sorte que os indícios apresentados levem a inferir a efetiva ocorrência do fato gerador. [...]” (1a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, Acórdão n° 240100.057, Sessão de 04/03/2009 – Relatoria Conselheiro Ana Maria Bandeira) (grifamos) “Ementa: [...] AFERIÇÃO INDIRETA. REQUISITOS. MOTIVAÇÃO. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. AFERIÇÃO. REQUISITOS. NULIDADE. Na utilização da aferição o Fisco deve, de forma clara e precisa, descrever a fundamentação legal, os fatos geradores ocorridos, o débito apurado, os valores aferidos indiretamente, indicando claramente os parâmetros utilizados, bem como, sempre que possível, os segurados envolvidos. [...]” (2a TO da 4a Câmara da 2a SJ do CARF – Acórdão n° 240201.174, Sessão de 21/09/2010 – Relatoria Conselheiro Marcelo Oliveira) (grifamos) Ademais, o lançamento – atividade vinculada que constitui o crédito tributário – não pode se apoiar em suposições, conjecturas e muito menos presunções do agente arrecadador, como se extrai do artigo 142 do Código Tributário Nacional. Deve fundamentar se em fatos concretos, demonstrados, susceptíveis de comprovação. Destarte, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento a autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador, determinando, ainda, a perfeita base de cálculo dos tributos exigidos, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 843DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Em outras palavras, o procedimento do arbitramento, em que pese conferir a prerrogativa do fiscal autuante em presumir a base de cálculo do tributo lançado, não o desobriga de comprovar a ocorrência do fato gerador. Ou seja, a base de cálculo poderá ser presumida, uma vez observados os requisitos para tanto, mas a ocorrência dos fatos geradores não. É o que se extrai do artigo 148 do Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Destarte, os atos administrativos, conforme se depreende do artigo 50 da Lei n° 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, devem ser motivados, sob pena de nulidade, in verbis: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos [...] §1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente [...]” Como se verifica dos dispositivos legais encimados, para que o lançamento encontre sustentáculo nas normas jurídicas e, conseqüentemente, tenha validade, deverá o fiscal autuante descrever precisamente e comprovar a ocorrência do fato gerador do tributo e determinar a matéria tributável (base de cálculo). A ausência dessa descrição clara e precisa, especialmente no Relatório Fiscal da Notificação, ou erro nessa conduta, macula o procedimento fiscal. No caso dos autos, podese inferir que o fiscal autuante desprezou a contabilidade de todas as empresas elencadas no Relatório Fiscal, desconsiderando, ainda, a personalidade jurídica das prestadoras de serviços, para admitir que os pagamentos efetuados àquelas, em verdade, são valores pagos aos sócios da notificada a título de prólabore. Para tanto, os grandes argumentos da fiscalização são que a maioria dos dirigentes das prestadoras de serviços são sócios da notificada, bem como que a atividade “elaboração de Plano de Trabalho Estratégico Empresarial”, objeto do contrato de prestação de serviços, é inerente à rotina administrativa da Diretoria, além de em alguns casos haver coincidência de endereços e de contador. No que tange ao levantamento SCP, escora a pretensão fiscal no pretenso fato de referida sociedade ter sido constituída com empresas ligadas, em condição visível de favorecimento destas, sem qualquer justificativa administrativa. Com a devida vênia ao ilustre fiscal notificante, não vislumbramos em seus argumentos fundamento suficientemente capaz de amparar o procedimento excepcional de arbitramento c/c desconsideração da personalidade jurídica das prestadoras de serviços. Fl. 844DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000129/200741 Acórdão n.º 240101.948 S2C4T1 Fl. 800 21 Como se sabe, a livre iniciativa, a liberdade negocial e de contratação são direitos do contribuinte, não cabendo à autoridade fiscal rechaçála tão somente porque considera (entende) fora de propósito às contratações realizadas ou inerentes as atividades dos sóciosgerente. Tratandose de procedimento excepcional, o arbitramento e a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, deve ser devidamente fundamentado em fatos e documentos suscetíveis de comprovação. Não basta a fiscalização simplesmente inferir que não concorda com as condutas do contribuinte e por conta disso desconsiderálas. Para que o lançamento tivesse o devido amparo legal e fático, caberia ao fiscal autuante demonstrar que a contribuinte praticou atos simulados objetivando suprimir e/ou diminuir a carga tributária. Impõese alegar e comprovar qual fora o benefício atingido pela contribuinte nos seus atos praticados, bem como a conduta dolosa em simular contratações, para se esquivar da tributação. Isso não logrou o Fisco a comprovar na hipótese dos autos. Como se observa, mister se fazer à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de desconsideração da personalidade jurídica de empresas, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou simulação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta ou simulatória (o que sequer ocorrera no caso vertente), a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção pré determinada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. A presunção legal inserida no artigo 33, §§ 3° e 6°, da Lei n° 8.212/91, relativamente ao arbitramento, não tem o condão de suprimir o precípuo dever legal da autoridade fiscal demonstrar a ocorrência de simulação para fins da desconsideração da personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços. A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, consoante se infere do julgado com sua ementa abaixo transcrita, in verbis: “[...] DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA – MULTA QUALIFICADA – COMPROVAÇÃO DO DOLO – Pode o Fisco desconsiderar a personalidade jurídica da empresa toda vez que restar caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação pela pessoa física responsável. [...]” (6a Câmara do 1o Conselho de Contribuintes – Processo n° 10935.002991/200329, Acórdão n° 10614.720 – Sessão de 16/06/2005) A rigor, em momento algum o fiscal autuante asseverou que os atos praticados pela contribuinte são simulados, capaz de reforçar a sua tese. E, se assim não o foram, inexiste razão para a desconsideração da personalidade jurídica das empresas Fl. 845DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 prestadoras de serviços. Não se pode adentrar a seara de liberdade negocial do empresário exclusivamente porque não concorda com seus procedimentos. Prova disso (ausência de simulação indicada e comprovada), inclusive, é que o Acórdão recorrido acolheu a decadência parcial do crédito tributário com base no artigo 150, § 4°, do CTN, dispositivo legal não aplicado nos casos de dolo, fraude ou simulação, deslocandose, nestas situações, para o prazo decadencial do artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Aliás, a notificação fiscal se apresenta de forma tão imprecisa que a própria autoridade julgadora de primeira instância confundiu o fato gerador do tributo ora exigido, ao afirmar que a contribuinte não observou os preceitos da Lei n° 10.101/2001 ao participar lucros ou resultados aos seus segurados. Destarte, como é de conhecimento daqueles que lidam com direito tributário, a Participação nos Lucros e Resultados paga pela empresa aos seus segurados é bem diferente da distribuição de lucros aos sócios, rubrica objeto do presente lançamento. Alfim, impende esclarecer que não se sabe com a segurança que o caso exige, quem (quais sócios) foram os eventuais beneficiários dos pagamentos efetuados as prestadoras de serviços. Em que pese os quadros societários de referidas empresas convergirem em alguns ou vários sócios, não são iguais em sua plenitude. Existem outros sócios que não pertencem ao quadro societário das empresas prestadoras de serviços. Ou seja, não há precisão e comprovação dos argumentos suscitados pela fiscalização, mormente quanto à ocorrência do fato gerador ora exigido, remuneração de contribuintes individuais, contemplado no artigo 22, inciso III, da Lei n° 8.212/91. Como sustentado em linhas pregressas, ainda que o lançamento esteja apoiado numa presunção legal impõe a comprovação da ocorrência do fato gerador do tributo. Em outras palavras, conquanto que comprovados os requisitos para tanto, somente poderá ser presumida, ou seja, objeto do arbitramento, a base de cálculo do tributo, mas nunca o fato gerador das contribuições previdenciárias e/ou a situação fática em que se escora a pretensão fiscal, sob pena de improcedência do feito, como aqui se vislumbra. Por fim, quanto ao levantamento DLP – Distrib. Lucro ProLabore, onde se exige contribuições previdenciárias incidentes sobre PróLabore dos sócios da contribuinte, assim caracterizadas as verbas pagas a título de distribuição de lucros, inobstante o fiscal não ter constatado lucro acumulado no período objeto do lançamento, o mesmo entendimento levado a efeito paras os demais levantamentos é capaz de rechaçar a pretensão fiscal. Isto porque, da mesma forma, o fiscal autuante não foi preciso em sua fundamentação/motivação, sequer indicando os eventuais beneficiários do prólabore caracterizado, olvidandose também que no quadro societário das empresas em comento existem outras pessoas jurídicas, bem como sócios que não exercem atividade gerencial e não fazem jus à aludida remuneração. Com efeito, em nosso entender, o simples fato de a recorrente eventualmente ter deixado de auferir lucros no período objeto da autuação, sem que haja um aprofundamento maior no tema, com provas mais robustas e indicação dos beneficiários, não é capaz de fazer florescer a hipótese de incidência admitida pela fiscalização. Repitase, o arbitramento não pode representar uma “carta branca” ao agente fiscal de maneira a afastar a necessidade de comprovação dos requisitos mínimos da exigência fiscal. Em face dos fatos acima delineados, uma vez não demonstrada ou sequer aventada pelo fiscal autuante a ocorrência de atos simulados tendentes a rechaçar a tributação, Fl. 846DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000129/200741 Acórdão n.º 240101.948 S2C4T1 Fl. 801 23 não se pode admitir a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, com apuração de crédito previdenciário com base em arbitramento, exclusivamente arrimada numa presunção legal, a qual inverte o ônus da prova, mas devem estar devidamente motivada e comprovados seus pressupostos legais. Por todo o exposto, estando a NFLD sub examine em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO OFÍCIO E NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo a decadência até a competência 10/2002, CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a improcedência do presente lançamento fiscal, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 847DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 24 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Embora concordando com o Conselheiro Relator na maioria dos pontos por ele abordados no seu brilhante voto, ouso trilhar outro caminho na sua análise acerca do levantamento Distrib. Lucro PróLabore – DLP, o qual é relativo aos valores (Lucros) antecipadamente distribuídos aos sócios, sem conquanto ter havido posterior apuração do lucro líquido na totalidade distribuída, razão pela qual a diferença fora caracterizada como pró labore. É mais que correta a conclusão do voto do Relator no que se refere aos lucros distribuídos para as pessoas físicas que não tinham função de gerência na empresa autuada, bem como para as pessoas jurídicas, haja vista não se poder caracterizar, para esses, a existência de serviços prestados, pressuposto primeiro quando se analisa a hipótese de incidência relativa ás contribuições sociais. Todavia, quanto às quantias pagas aos sócios gerentes da recorrente, não tenho como acompanhar o Ilustre Relator. É que, nos termos do art. 12, V, “f”, da Lei n.º 8.212/19911, os sócios gerentes é enquadrado na categoria previdenciária de contribuinte individual, sendo certo que, para esses (os sócios gerentes), a prestação de trabalho à empresa é decorrência dos encargos de gestão a que estão submetidas essas pessoas. Nessa toada, pelo pagamento aos sócios gerentes, perfectibilizase a hipótese de incidência tributária prevista no inciso III do art. 22 da mesma Lei, que dispõe ser de 20% o encargo previdenciário patronal sobre as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviço à empresa. A caracterização da suposta distribuição de lucros como remuneração decorre da presunção relativa que dispõe o Fisco para arbitrar o valor o tributo quando a contabilidade do sujeito passivo não mereça credibilidade. Pois bem, o fato da empresa haver distribuído lucros inexistentes, para esse Julgador, é mais que um mero indício, representa verdadeira confissão, de que a escrita contábil da recorrente não reflete a realidade. Concluo, com arrimo no § 6.º do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991, já citado, que a Auditoria, pelo menos em relação aos sócios gerentes da autuada, acertou ao tributar os valores distribuídos sob o título de antecipação de lucros. 1 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V – como contribuinte individual: (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 848DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12268.000129/200741 Acórdão n.º 240101.948 S2C4T1 Fl. 802 25 A alegação de que os valores relativos à distribuição de lucros seriam referentes a períodos pretéritos ao fiscalizado e que, por isso, não poderiam sofrer a tributação deve ser afastada. É que a empresa não logrou demonstrar tal assertiva. Na processualística administrativotributária o ônus probatório recai sobre a parte que apresenta a alegação. Nesse sentido, caberia à recorrente trazer ao processo os documentos que dessem guarida a sua tese. Se deixou de fazêlo, não merecem acolhida os seus argumentos. E também não concordo que o fato da DRJ haver utilizado, para aferição do prazo decadencial pela norma do § 5.º do art. 150 do CTN ao invés do inciso I do art. 173, ambos do CTN, seja motivo a se concluir que o órgão recorrido afastou a ocorrência de fraude ou simulação. Não é essa leitura que faço dos autos. É cediço que nos casos de fraude, dolo ou simulação a decadência é contada pela norma do art. 173, I, conforme dispõe o § 4.º do art. 150, in fine, todavia, a motivação utilizada no voto condutor do acórdão de primeira instância não foi a inexistência das referidas circunstâncias, mas o fato de se haver detectado a ocorrência de recolhimento antecipado de contribuições. Assim, esse aspecto da decisão recorrida, absolutamente, pode ser utilizado para que se conclua que a DRJ manifestouse pela inexistência de fraude, dolo ou simulação. Por fim, não enxergo barreira intransponível para a liquidação do acórdão em razão da manutenção dessa parte do crédito, posto ser plenamente factível se obter com base na documentação da empresa as pessoas destinatárias da distribuição dos lucros e, assim, segregar as parcelas direcionadas aos sócios gerentes da autuada, sobre os quais haverá de se exigir as contribuições. Diante das considerações apresentadas, voto por excluir do levantamento DLP DISTR LUCRO PRO LABORE, os valores referentes aos pagamentos realizados a sócios não dirigentes da empresa e os realizados a pessoas jurídicas, remanescendo as contribuições incidentes sobre os pagamentos realizados aos sócios gerentes da empresa no respectivo período. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 849DF CARF MF Emitido em 29/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 17/08/2 011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE , Assinado digitalmente em 27/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13871.000153/2001-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1997
DADOS DECLARADOS. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. PROVA.
- Se o lançamento se baseia exclusivamente em dados informados pelo contribuinte em declaração e se o contribuinte infirma estes dados na sua defesa, o lançamento perde a sua base fática.
LANÇAMENTO. PROVA DOS FATOS. - O lançamento deve ser feito com
elementos que permitam a convicção dos fatos. Caso a tese que fundamenta o lançamento seja refutável por mera alegação do contribuinte, o Fisco fica sujeito a ver cancelado o lançamento.
Numero da decisão: 1101-000.479
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1997 DADOS DECLARADOS. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. PROVA. - Se o lançamento se baseia exclusivamente em dados informados pelo contribuinte em declaração e se o contribuinte infin-ria estes dados na sua defesa, o lançamento perde a sua base fática. LANÇAMENTO. PROVA DOS FATOS. - O lançamento deve ser feito com elementos que permitam a convicção dos fatos. Caso a tese que fundamenta o lançamento seja refutável por mera alegação do contribuinte, o Fisco fica sujeito a ver cancelado o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, que fará declaração de voto, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. FRANC CO DE S U—RIBEIRO DE QUEIROZ - Presidente CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator EDITADO EM: 2 , NI i Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente) e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou parcialmente procedente impugnação apresentada em razão de auto de infração. Em 27/12/2001, o contribuinte apresentou impugnação (proc. fls. 01 e 02) em razão do auto de infração n°0000185 (proc. fls. 26 a 32). Explica que, de acordo com o auto de infração, ela teria informado na DCTF compensação da CSLL do 1° trimestre de 1997 com DARF, mas que o pagamento a maior ou indevido não foi confirmado. Esclarece que se equivocou no preenchimento da DCTF, pois a compensação foi feita corn créditos de estimativas recolhidas a maior no decorrer do ano de 1995, conforme comprova relatório e cópia de DARFs que diz juntar. Informa que a possibilidade de aproveitar estimativas recolhidas a maior, sem ter de pedir autorização a SRF, era prevista no Majur. Conta que tinha um saldo de estimativa recolhidas a maior em 1995 de R$ 12.529,52, que de abril a dezembro de 1996 compensou R$ 9.562,81, que ern 1997 compensou R$ 2.320,47 (objeto do auto de infração), restando ainda R$ 646,24, sem falar nos juros. Repete que se enganou no preenchimento da DCTF, sobre a forma como deveria informar a compensação que fez. Em 28/05/2007, a la Turma da DRJ de Ribeirao Preto considera parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, exonerando apenas a multa de oficio que havia sido lançada (proc. fls. 53 a 56). Um dos fundamentos da decisão foi de que o art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, permite a compensação entre tributos da mesma espécie, nos termos regulamentados pela Receita Federal. Diz que a Receita Federal regulamentou a compensação com a IN DRF n" 67, de 1992, que no seu art. 10 exige que o contribuinte mantenha em sua guarda a documentação comprobatória da compensação efetuada. Conclui que não basta que o contribuinte demonstre ter recolhido a maior, mas que ele precisa demonstrar a compensação pela apresentação de seus livros , onde ela deve estar registrada. Conforme a decisão: 4.4. Em outras palavras, a simples alegação de que débitos foram compensados nos tennos do art. 66 da Lei 8.383/91, ainda que seja comprovada a realização de pagamento indevido ou existência de saldo negativo apto a ser utilizado em compensação, não basta para atestar a extinção do erédito tributário compensado. A compensação deve restar consignada na escrituração contóbil para que a autoridade administrativa tenha condições de verificar a regularidade do procedimento. E a razão para esta exigência é óbvia: o indébito deve estar vinculado a um débito especifico na compensação e, tendo em vista que a compensação prevista no art. 66 da Lei 8.383/91 se realiza por iniciativa do próprio contribuinte, sem interferência c/a Administração, que se reserva o direito de verificar posteriormente a regularidade do procedimento, deve a vincula ção entre débito e crédito estar devidamente escriturada para que este controle seja possível. 4.5. Na impugnação apresentada não logrou o contribuinte comprovar que os créditos tributários constituídos de oficio haviam sido extintos por meio de compensação. A impugnação contém apenas a alegação de que a compensação foi realizada e a apresentação do demonstrativo de fl. 24 e dos DARF's de fls. 12-16. Não foi demonstrado qtte, ã 'poca em que ocorreram os 2 Processo IV 13871.000153/2001-39 SI-CIT1 Accirclao n.° 1101-00.479 H. 115 . fatos geradores, o contribuinte escriturou as compensações. Ressalte-se, ademais, que as alegações da impugnante não são confirmadas sequer pelas informações por ela prestadas Secretaria da Receita Federal em suas DIREIs. Com efeito, conforme caesium os documentos de fls. 38-51, não foram informadas na DIRPJ compensações dos débitos de CSLL para qualquer dos meses do ano-calendário 1996. Quanto aos meses de janeiro e fevereiro do ano-calendário 1997, o contribuinte informou na DIRPJ apresentada compensa cão da CSLL com pagamentos indevidos ou a maior, não indicando qualquer valor na linha 22 da Ficha 09, correspondente a compensações com saldo negativo de períodos anteriores. Em síntese, compensação invocada constitui mera alegação, sem comprovação. No que tange a multa de oficio, a DRJ informa que ela deve ser exonerada em razão da aplicação retroativa do art. 18 da Lei n" 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n°11.051, de 2004. Em 22/09/2009, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 63). Em 21/10/2009, o contribuinte apresenta seu recurso voluntário (proc. fls. 65 a 83). 0 contribuinte alega que: Urge informar, EXCELENTÍSSIMOS SENHORES CONSELHEIROS, que não obstante tratar-se de auditoria interna de DCTF, bastava a fiscalização ter expedido unia mera intimação fiscal para a contribuinte apresentar ou disponibilizar a escrituração contábil e tudo estaria resolvido, sem autuação. A contribuinte não apresentou a escrituração contábil porquanto não fora, repita-se, legalmente requisitada para tanto, em qualquer hora e, a bem da verdade, entendeu que lhe bastava apresentar os DARF's devidamente recolhidos por estimativa, a demonstração dos saldos, dos valores compensados no ano- calendário 1996 e primeiro trimestre de 1997, com juntada das DIRPJ's dos anosealendeirio de 1995 e 1996, onde aparecem todos os recolhimentos efetuados por estimativa e o saldo credor a ser compensado nos anos seguintes, além da cópia da .ficha DCTF e da tabela de compensação de contribuição social. Entende que, numa pior hipótese, bastava a fiscalização ou a Delegacia de Julgamento ter procedido a conversão do expediente ou do processo em z diligência para constatação da regularidade dos lançamentos, mediante verificação na contabilidade da empresa. Até Mes1110 porque, repitase, a mera expedição de uma intimação parcz apresentação na repartição fiscal dos balanços, dos livros e da contabilidade propriamente dita, haja vista a obrigatoriedade de conservação dos documentos contabilizados por prazo determinado, sanaria o problenza. Temos que a informação da Autoridade Fazem/ária Autuante está pautada em argumentos que careceriam cla expedição de ulna prévia intimagdo esclarecedora, ndo podendo .fiderar-se apellaS em unia simples suposição, a qual se origina apenas enz presunção da autoridade fazendária de que os lançamentos embasadores da compensa cão não estariam contabilizados. Alistei; portanto, que havendo dúvida quanto ao lançamento, que a empresa fosse notificada pelo Agente Fiscal para apresentar sua contabilidade no recinto da repartição .fiscal, o que não ocorreu. Por outro lado, se o fiscal autuante não procurou, intimou ou solicitou o acesso à contabilidade da empresa, não há que se falar em falta de comprovação da compensa cão procedida. 0 contribuinte enfatiza que sua contabilidade é boa e que não foi infinnada. Diz que teve sua defesa cerceada porque não foi intimado antes da autuação a apresentar seus livros. Informa que está juntando cópia de seus livros onde é possível constatar as compensações que efetuou (proc. fls. 84 a 96) Processo no 13871.000153/2001-39 SI-CITI Acórdão n.° 1101-00.479 Fl. 116 Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O litígio se refere a compensação de CSLL no primeiro trimestre de 1997. Na época, nos termos da Lei n° 8.383, de 1991, era possível a compensação feita pelo contribuinte entre tributos de mesma espécie, por sua conta e risco. Ao lado disso, era exigido pela IN SRF n° 73, de 1996, que o contribuinte informasse em DCTF as compensações efetuadas a partir de 01 101/1997. 0 contribuinte apresentou a DCTF, informando a compensação que efetuou (proc. fls. 27). No entanto, ao invés de informar que seu crédito decorria de estimativas recolhidas a maior em 1995, informou que seu crédito tinha origem em DARFs. Em razão de revisão interna de DCTF, no ano de 2001, o Fisco constatou a insuficiencia dos DARFs informados na DCTF e, sem maiores investigações, efetuou o lançamento do débito que ficou em aberto, com multa e juros. Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita corn base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornem-se verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, corno qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 90 da IN RFB n° 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. 0 texto é o seguinte: Art. 9 2 A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadoiv, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificado. § 12 A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, § 21 A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: - reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DA U, nos casos cm que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria in terna, relativos as informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados a PGFN para inscrição em DA U; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscaliza cão. II - alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de inicio de procedimento fiscal. § 32 A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento c/c fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de .fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração, § 42 Na hipótese do inciso II do § 22, havendo recolhimento anterior ao inicio do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadom, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 72• 52 0 direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 12 (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 62 A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que ten/main sido informados: I - na Declaração de Informações Económico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIP]), deverá apresentar, também, DIP] retificadora; e Ii - 170 Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações corn o instituto da espontaneidade, da inscrição em divida ativa, e mudança do órgão que administra o titulo executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e refere- se a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que sera usada pela Administração para efetuar corn base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a etificação. 6 Processo n° 13871.000153/2001-39 SI-C1T1 Acórddo n.° 1101-00.479 Fl. 117 As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetem-se a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do principio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa sendo em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebe-se que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. 0 Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazê-lo, conformou-se em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas urn instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veiculo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veiculo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. De outra banda, a existência e correção da compensação feita ao tempo e nos termos da Lei IV 8.383, de 1991, só se verifica na contabilidade, pois a DCTF é meramente informativa a seu respeito. Se a indicação na DCTF suscitou dúvidas ao Fisco, caberia o exame da contabilidade e não a simples autuação, corn base unicamente na consideração de que a compensação informada na DCTF era improcedente. Dentro dos poderes atribuidos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas corn base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. 0 argumento da DRJ de que a compensação só seria admitida se o contribuinte comprovasse a compensação, com sua contabilidade, so seria correto se a fiscalização tivesse intimado o contribuinte a demonstrar a compensação, sem que este lograsse comprovar. Mas, não bastaria isso, também seria necessário que o lançamento tivesse sido feito 7 corn este fundamento (não comprovação ou não apresentação de contabilidade). Apenas ai é que a defesa do contribuinte teria de ser feita com base na comprovação da compensação que fez na sua contabilidade. Mas, não foi isso o que ocorreu. 0 contribuinte jamais foi intimado a apresentar qualquer documento e o fundamento usado no lançamento foi outro (inexistência de DARF). Assim, não pode a DRJ exigir que o contribuinte apresente provas que jamais foi intimado a fazer. Agindo assim, a DRJ coloca o direito de defesa dependente de urna prévia adivinhação, onde o contribuinte tem de adivinhar do que está sendo acusado. Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Para melhor enfatizar esta questão, cabe transcrever voto meu em situação semelhante, cabendo antes comentar dois pontos para estabelecer o paralelo. 0 primeiro é que o voto abaixo transcrito versa sobre a possibilidade do contribuinte, por meio de retificação da DIPJ, infirmar lançamento de oficio, feito exclusivamente com base na DIPJ que veio a ser retificada. 0 segundo é que, apesar das diferenças entre a situação presente e a do voto, a questão jurídica é exatamente a mesma. Tal questão consiste em determinar o quadro de possibilidade de retificação/alteração de declarações, bem como da demonstração que lançamento de oficio relativo a tributos lançados por homologação, onde o Fisco baseia-se unicamente em declaração informativa do contribuinte, que é infinnada, perde sua base fática de sustentação. Segue trecho do voto: Em resumo, nota-se que, por opção do Fisco, o lançamento ficou baseado unicamente nas informações dadas pelo próprio contribuinte na sua DIRPJ. Caso o Fisco pretendesse efetuar o lançamento com base mais sólida, deveria ter apresentado outras provas que demonstrassem o fato tributável. Tmtando-se de tributo lançado por homologação e tendo o Fisco se contentado CM considerar informa cão prévia do contribuinte, caso o contribuinte retifique ou altere a informa cão, o lançamento perde sua base fática. Ou seja, tratando-se de tributo lançado por homologação, se o lançamento de oficio se baseia exclusivanzente em dados informados pelo contribuinte emu declaração e se o contribuinte infirma estes dados na sua defesa, o lançamento perde a sua base.fática. Nessa linha, é preciso repisar que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não há regra jurídica que torne inalterável os fatos declarados em cumprimento de obrigação acessória. Os fatos declarados podem ser alterados e basta a sintples retificação de declaração. Do mesmo modo, para os tributos lançados por homologação, não há regra jurídica que torne mais oneroso ao contribuinte retificar fatos informados em declaração se esses fatos foram utilizados pelo .fisco para efetuar lançamento de oficio. Assim, independente dos fatos declarados terem sido utilizados pelo Fisco em autuação, o contribuinte pode retificar suas informações anteriores simplesmente infirmando -cis. Ou sejct, a circunstáncia c/c um fato declarado ter sido utilizado pela Fiscalização em lançamento de oficio não torna mais onerosa a retificação de ,fatos pelo contribuinte e não o obriga a ter de apresentar prova do erro que alega. Processo n° 13871.000153/2001-39 SI-CITI AeOrd5o n.°1101-00.479 Fl. 118 Portanto, no caso de tributos lançados por homologação, não havendo regra jurídica que exija prova do erro para admitir a retificação, a retificação dos fatos depende apenas da afirmação do contribuinte. Se a Fiscalização efetuou lançamento de oficio tendo por base apenas os fatos anteriormente declarados, a simples negativa desses fatos por parte do contribuinte retira a base /ática do lançamento. Situação diferente ocorre no caso dos tributos lançados por declaração. 0 art. 147 do CTN estabelece o seguinte (os grifos não são do original): Art. 147. 0 lançamento é efetuado coin base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, ndforma da legislação tributária, presta a autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1" A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só admissivel mediante comprovação do erro em que se finde, e antes de notificado o lançamento. 2" Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Portanto, fica patente que dentre as modalidades de .formalização de crédito tributário previstas no CTN, dos art. 147 ao 150 - por declaração, de oficio, por homologação — apenas na modalidade de lançamento por declaração é que existe restrição legal quanto a possibilidade de retificar informação prestada. Embora seja possível atacar ci razoabilidade de tal restrição para os tributos lançados por declaração, é possível explica-la e compreende-la. É que no caso dos tributos lançados por declaração, a declaração do contribuinte fornece os fatos sobre os quais o Fisco aplicará o direito para quantificar e efetuar o lançamento. Ou seja, a declaração é o primeiro passo do lançamento. Assim, quando o contribuinte apresenta a declaração, já sabe que aqueles linos serão utilizados para lançamento. Porém, em se tratando de tributo lançado por homologação, a declaração de fatos pelo contribuinte é mero ato inforMaliVO e não a informação de fatos que serão objeto de lançamento. Se houver algum outro lançamento, além daquele homologado, sera lançamento de oficio, que é modalidade de lançamento na qual o Fisco é responsável pelo levantamento dos fatos e pela aplicação do direito. Deste modo, sequer há razão para restringir a possibilidade de retificação de fatos informados anteriormente pelo contribuinte. Inclusive, desde a vigência do art. 19, da Medida Provisório n" 1.990, de 14/12/1999, atualmente art. 18 da Medida provisória n° 2.189-49 de 23/08/2001, as retificações de DIPJ, DIRF, e ITR são feitas mediante a apresentação de nova declaração, independente de 9 autorização da Administração, e a retificadora tem a mesma natureza da declaração originalmente prestada, como se vê na transcrição abaixo: Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade achninistrativa. Assim, no presente caso, a Administração estava ciente de que a compensação efetiva era aquela registrada na contabilidade do contribuinte (Lei n° 8.383, de 1991), que devia ser informada em DCTF, sendo que a DCTF estava sujeita a retificações ou infirmação sem maior ônus para o contribuinte. Tanto é asssim que, embora equivocando-se quanto à quem incubiria o dever de verificar e demonstrar os fatos existentes na contabilidade do contribuinte para negar ou aceitar a compensação, a própria DRJ afirma que o relevante é o consignado na contabilidade, com seus respectivos elementos comprobatórios. Mesmo neste contexto, o Fisco preferiu efetuar o lançamento corn base na constatação de que uma informação dada na DCTF estaria errada, naquilo que tange a origem do crédito utilizado na compensação. Inclusive, efetuou o lançamento sem solicitar qualquer esclarecimento ao contribuinte. Ora, vindo o contribuinte esclarecer que a informação na sua DCTF estava errada e que seu crédito decorre de outro crédito, não há corno manter o lançamento, que não chegou a analisar a existência do credito que o contribuinte indica como usado na compensação. Ademais, no caso concreto, alertado pela DRJ, durante o julgamento administrativo, de que a prova da compensação era feita pela apresentação da contabilidade, o contribuinte juntou ao seu recurso voluntário cópias dos livros que informam a compensação (proc. fls. 84 a 96). Nesses livros percebe-se registros da compensação efetuada (proc. fls. 92, 94 e 95). Portanto, fica evidente que a disponibilização dos livros para o exame era possível e que não foi feita por falta de interesse do Fisco. Por fim, existe um outro aspecto do presente caso que é preciso registrar. Para tanto, é necesssário analisar a decisão da DRJ. 0 seguinte texto da decisão bem retrata a situação a ser percebida (grifei): 4.5. Na impugnação apresentada não logrou o contribuinte comprovar que os créditos tributários constituídos de oficio haviam sido extintos por meio de compensação. A impugnação contém apenas a alegação de que a compensação foi realizada e a apresentação do demonstrativo de fl. 24 e dos DARF's de . fls. 12-16. Não foi demonstrado que, à época em que ocorreram os fatos geradores, o contribuinte escriturou as compensações. Ressalte-se, ademais, que as alegações da impugnante não são confirmadas sequer pelas informações por ela prestadas Secretaria da Receita Federal em suas DIRPJs. Com efeito, conforme atestam os documentos de fls. 38-51, não foram informadas na DIRPJ compensações dos débitos de CSLL para qualquer dos meses do ano-calendário 1996. Quanto aos meses de janeiro e fevereiro do ano-calendário 1997, o contribuinte informou na DIRPJ apresentada compensação da CSLL coin pagamentos indevidos ou a maior, não indicando qualquer valor na linha 22 da Ficha 09, correspondente a compensações coin saldo negativo de períodos anteriores. Em síntese, a compensação invocada constitui in era alegação, sem comprovação. 10 Processo n° 13871.000153/2001-39 SI-CITI Acórao n.° 1101-00.479 Fl. 119 Inicialmente, destacar que os documentos juntados nas páginas 38 a 51 são documentos de sistemas da RFB, obtido por pessoa de nome Emerson, possivelmente o mesmo Emerson relator do processo julgado pela DRJ. Deste modo, aparentemente, o relator do processo, durante o julgamento, buscou fatos não mencionados no auto de infração, para fundamentar subsidiariamente sua posição. Isso foi feito sem o conhecimento do contribuinte, o que, por si, torna todo este material nulo. De qualquer modo, independente de quem tenha juntado tais documentos ou de quando o tenha feito, como não há menção deles no auto de infração, eles não podem ser levados em conta no julgamento. Isso porque o que se julga é o auto de infração e esses documentos, além de juntados unilateralmente pelo Fisco, sem ser objeto de diligência, não têm qualquer conexão com o lançamento efetuado e seus fundamentos. Não obstante, a DRJ os considerou na decisão. Também, não pode ser levado em conta no julgamento nenhum outro argumento jurídico, a favor do Fisco, apresentado após a autuação. Não obstante a DRJ decidiu pela manutenção do lançamento com um novo argumento. Fundamentou sua decisão afirmando que o contribuinte deveria ter provado com sua contabilidade a compensação que diz ter feito. Inclusive, a juntada daqueles documentos estranhos a autuação deve ter sido feita para sustentar o novo fundamento da autuação, criado pela DRJ. Assim, tanto os documentos, como o argumento da DRJ devem ser desconsiderados. 0 fundamento para desconsiderar essas inovações trazidas pela DRJ é que o rito do Decreto 70.235, de 1972, define a discussão administrativa como um processo de julgamento, que visa o controle da legalidade do ato administrativo e que se coloca como um método alternativo de solução de litígios. Deste modo, não cabe a revisão do lançamento, entendida esta revisão como aperfeiçoamento do lançamento. Ou seja, instaurada a fase contenciosa da discussão administrativa só cabe o julgamento da lide e não a alteração de seus contornos fáticos ou jurídicos. A autoridade julgadora não pode inovar na acusação. Ela não pode trazer fatos novos e nem alterar a fundamentação jurídica do ato impugnado. Ela não pode revisar o lançamento. Isso viola o rito estabelecido no Decreto n° 70.235, de 1972, esvazia as funções do julgamento administrativo, invade a competência da fiscalização, lesa os direitos do contribuinte, viola o regimento interno dos órgãos de julgamento que impede a inovação. Cabe destacar que neste aspecto (proibição de inovação, inclusive de argumentação jurídica) o julgamento administrativo difere substancialmente do julgamento judicial e a razão é simples. 0 objeto dos dois diferem radicalmente. No julgamento administrativo disciplinado no decreto 70.235, de 1972, o que se julga é o ato administrativo trazido ao litígio (sua legalidade). Isso é bastante diferente de julgamentos judiciais, relativos a disputas sobre a existência de direito. Nesses, o que se julga é a existência de determinada relação jurídica e o Juiz pode trazer sua percepção jurídica sobre as relações jurídicas em análise, mesmo que não tenha sido suscitada por qualquer parte, pois o objeto do julgamento é a própria relação. JA no julgamento administrativo, não está em questão uma relay -do jurídica, mas a legalidade de um ato administrativo. Dessarte, no PAF, não cabe qualquer inovação nos fundamentos lógicos e jurídicos do ato julgado, pois é o ato com seus elementos integrantes que é julgado. Retornando a análise da decisão da DRJ, fica evidente que a DRJ adotou fundamentos absolutamente diferentes dos adotados pela DRF. Enquanto a DRF efetuou o lançamento por entender que o crédito não existia, já que constatou a insuficiência de DARF, a 11 DRJ entendeu que o lançamento era viável porque o contribuinte não comprovou com sua contabilidade a compensação. Na verdade, considerando que o contribuinte jamais foi intimado por ninguém a comprovar sua compensação ou a apresentar sua contabilidade, mais do que urna simples inovação, a decisão da DRJ equivale a um novo ato. Isso porque o único fundamento do lançamento (insuficiência de DARF) foi desconsiderado pela própria DRJ, que passou a sustentar a cobrança com o novo fundamento de que o contribuinte não comprovou a compensação. Ou seja, o ato foi mantido, não por seu fundamento, mas por novo fundamento. No caso concreto, a situação foi ainda mais grave porque a DRJ juntou e adotou novos fatos. Issso foi feito na tentativa de comprovar fundamento de sua decisão, que na verdade passou a ser o novo e único fundamento do ato impugnado. Deste modo, a DRJ, longe de promover o controle de legalidade do ato administrativo (do ato da DRF) ou propiciar um julgamento para o contribuinte, acabou por dar um novo fundamento ao ato impugnado. Isso equivale a DRJ refazer o lançamento. Com isso, embora aproveitando parte do ato praticado pela DRF (exigir o tributo e juros), a DRJ faz um lançamento novo, com base em fatos novos, em análise nova, em direito novo, e deve ser anulado por isso. Ora, que não se diga que a DRJ só poderia agir assim, para evitar que o Fisco se tornasse refém de eventual malícia de contribuinte, consistente em postergar para fase de discussão administrativa a apresentação de provas relativa ao litígio. Na verdade, a responsabilidade pela falta de esclarecimentos sobre a questão é do próprio Fisco que não promoveu a investigação necesssaria e preferiu efetuar o lançamento com base em fatos que apenas permitiam supor não estar correta a compensação por falta do crédito indicado. Alem disso, não se pode aceitar que o processo de julgamento administrativo substitua a fase investigatória e que a acusação venha a ser feita pela DRJ. Em razão da inovação, a decisão da DRJ seria nula. Porém, no caso, corno é possível decidir no mérito em favor do contribuinte, deixa-se de lado a declaração de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235, 1972. Dessarte, pelos fundamentos acima, voto por considerar procedente o recurso voluntário. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO 12 Processo n" 13871.000153/2001-39 SI-CIT1 Acárd5o ri. 0 1101-00.479 Fl. 120 Declaração de Voto Conselheira ED ELI PEREIRA BESSA Na DCTF do 1 0 trimestre/97, a contribuinte informou que a CSLL devida no 10 trimestre/97 havia sido extinta mediante compensação corn DARF, sem processo. Significa dizer que existiria um pagamento a maior ou indevido em período passado, apurdvel mediante confronto entre um recolhimento especifico e sua determinação. Todavia, em sua impugnação, afirmou a interessada que realmente não existe nenhum DARF vinculado porque a empresa efetuou compensação com créditos de recolhimentos a maior efetuados por estimativa no decorrer do ano calendário 1995 confbrme relatório anexo e que anexamos copias de todos os DARFs recolhidos naquele período, ou seja, que a compensação teria sido realizada com o saldo negativo de CSLL apurado no ano- calendário 1995. Nesta hipótese, porém, a contribuinte deveria ter informado, na DCTF, como crédito vinculado ao débito declarado, a existência de compensação sem processo, a qual, por ser feita sem maiores detalhamentos naquele período de apuração, não se sujeitaria á. auditoria eletrônica de DCTF. Ressalto, porém, que o erro cometido pela contribuinte era escusável, pois, em verdade, o saldo negativo alegado acabou por ser formado corn recolhimentos de estimativas efetuados durante o ano-calendário 1995, os quais somente se mostraram superiores aos devidos após a apuração do ajuste anual daquele período. Acrescento, ainda, que conforme se vê a fl. 23, ao preencher a DCTF do 1 0 trimestre/97, e detalhar a compensação promovida no valor de R$ 2.320,47, a contribuinte certamente equivocou-se ao indicar os DARFs que teriam dado origem ao indébito, pois ali consignou os períodos de apuração e de vencimento dos débitos liquidados mediante compensação, e não daqueles que teriam sido recolhimentos a maior. Portanto, não vejo indícios de que a contribuinte possa ter utilizado, em compensação, crédito distinto daquele que alegou em sua defesa. Demais disto, a contribuinte traz evidências de que apurou o alegado saldo negativo, juntado copia do recibo de entrega da DIPJ correspondente, no qual seu valor está apontando no montante de R$ 12.529,52. Assim, embora entenda que o I. Relator do voto condutor do acórdão recorrido apenas expressou suas razões de decidir, bem como a prova que entendia necessária para cancelamento da exigência, discordo de seu entendimento no sentido de que esta prova deveria ser mais robusta, na medida em que o lançamento se fez a partir de uma situação fática 13 que se mostrou, ao final, precária, porque facilmente posta em dúvida pela argüição de erro no preenchimento da DCTF e da existência de um crédito passível de compensação sem processo, com tributo de mesma espécie, em período subseqüente à sua apuração. Logo, por ver fragilizada a exigência, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA 14 Processo n° 13871.000153/2001-39 SI-CITI Acórao n.° 1101-00.479 Fl. 121 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se urn dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n ° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, 2 8 J 44 2011 JOSE ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da ia Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas corn ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração; 15
score : 1.0
Numero do processo: 35415.000020/2006-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIO INDIRETO ASSISTÊNCIA MÉDICA PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. RUBRICA NÃO RECONHECIDA. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Constatando-se a antecipação de pagamento parcial do tributo aplica-se, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, mesmos para os casos em que a empresa não reconhece a incidência de contribuição
sobre determinada rubrica.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2401-001.800
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar
provimento ao recurso, por reconhecer a decadência de todo o lançamento. Vencida a
conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que dava parcial provimento
para restabelecer a competência 12/1999. Designado para redigir o voto vencedor o(a)
Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a “Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. PRAZO DECADENCIAL. PAGAMENTO ANTECIPADO. RUBRICA NÃO RECONHECIDA. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no § 4.º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, mesmos para os casos em que a empresa não reconhece a incidência de contribuição sobre determinada rubrica. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, por reconhecer a decadência de todo o lançamento. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora), que dava parcial provimento Fl. 235DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 para restabelecer a competência 12/1999. Designado para redigir o voto vencedor o(a) Conselheiro(a) Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 236DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35415.000020/200697 Acórdão n.º 240101.800 S2C4T1 Fl. 210 3 Relatório O presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, bem como a parcela a cargo dos segurados empregados não descontada em época própria, levantadas sobre os valores de assistência médica. Conforme descrito no relatório fiscal, a empresa fornece assistência médica aos seus funcionários, entretanto para que tenham direito a esse beneficio a empresa exige que o funcionário tenha no mínimo 6 (seis) meses de contratado. Com isso a empresa exclui do beneficio parte de seus funcionários não cumprindo com a exigência legal de que o mesmo seja extensivo a todos os empregados para que tal beneficio seja isento de contribuição previdenciária. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 19/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 21/12/2005. Não conformada com a NFLD a recorrente apresentou impugnação, fls. 96 a 120. O processo foi baixado em diligência para que a autoridade fiscal prestasse esclarecimentos, fl. 145. Tendo sido emitido relatório fiscal complementar, fl. 150, para exclusão de coresponsável, bem como prestados esclarecimentos, foi o recorrente novamente cientificado, tendo ratificado os termos da defesa as fls. 163 a 164. Novamente foram solicitados esclarecimentos a autoridade fiscal, fls. 166, tendo sido emitido TIAD específico para identificar a contribuição previdenciária já descontada dos segurados empregados. A empresa manifestouse às fls. 169, requerendo dilação de prazo para preparação da planilha. A autoridade fiscal, manifestouse no sentido de que o cálculo da contribuição dos segurados pela alíquota mínima obedece o art. 599 da IN n;. 03/2005. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que determinou a improcedência da notificação face a aplicação da decadência qüinqüenal, conforme fls.197 a 208. Foram considerados como argumentos para improcedência do lançamento no mérito. 1. Os agentes fiscais sustentam que o descumprimento do art. 28, §9º, “q” da lei 8212/91, qual seja o não fornecimento da utilidade em tela aos empregados com menos de 6 meses de trabalho. 2. Por outro lado a impugnante sem negar que o benefício é concedido apenas aos trabalhadores com mais de 6 meses de atividade, argui que esse lapso de tempo representa nada mais do que carência a ser Fl. 237DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 cumprida por todos eles, antes de ingressarem no plano de assistência médica em comento. 3. Entende a autoridade julgadora que razão assiste ao recorrente na medida que o tempo de espera é o mesmo para todos os empregados a serviço do MC DONALD´S. Neste ínterim, chega a conclusão que todos os empregados que permanecem mais de seis meses são amparados pela assistência médica por esta fornecida, bem como, todos os trabalhadores cujo contrato de trabalho é rescindido antes de findado o primeiro semestre de atividade na empresa são excluídos do direito a utilidade. 4. Entendeu a autoridade julgadora que é indiscutível a existência de um critério uniforme para a aquisição ou exclusão do direito de acesso. Não há discriminação alguma entre os trabalhadores com mais de seis meses de casa ou os inferiores a um semestre. 5. O objetivo da norma em apreço no entender o julgador de 1ª instância é consagrar a isonomia – que impõe sejam tratados igualmente todos os que estejam em idêntica situação jurídica diversa e ao mesmo tempo evitar que os benefícios ali referidos sejam concedidos apenas a uma parcela dos trabalhadores a serviço da empresa, como forma de substituição do salário em espécie por utilidades. 6. Seria caso de descumprimento, caso o benefício fosse estendido apenas aos dirigentes, ou pessoas com certa remuneração. No caso, não há descumprimento tendo em vista que todos os empregados tem acesso ao benefício após o prazo de 6 meses. 7. Não fosse esse critério, a mesma rotatividade que ocorre na empresa se verificaria também no plano de assistência médica, daí resultando dificuldades na sua administração e conseqüência elevação do respectivo custo operacional. 8. Observa, ainda que carência é absolutamente ínsita aos segurossaúde, estando presente até no RGPS. 9. Acrescenta que a condição para o ingresso dos trabalhadores no plano de saúde custeado pela MC DONALD´S além de genérica é pré estabelecida, significando que todos os laboristas sabem, desde o momento em que contratados, que terão direito ao benefício, apensa se quando ultrapassarem a marca dos 6 meses. Após a devida cientificação do recorrente o processo foi encaminhado para julgamento no âmbito deste Conselho. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35415.000020/200697 Acórdão n.º 240101.800 S2C4T1 Fl. 211 5 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: Tratase de recurso de ofício, com base no art. 34, I do Decreto 70235/72, c/c art. 366, I do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, e c/c art. 1º da portaria nº 3 de 3/1/2008 do Ministro da Fazenda. Notese que mesmo devidamente intimado não apresentou a empresa notificada recurso. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: O primeiro ponto a ser apreciado diz respeito a exoneração do crédito face a aplicação da decadência qüinqüenal em relação ao período de 01/1999 a 12/1999. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido, à decisão do STF. Dessa forma, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, correto o posicionamento adotado pela órgão julgador de 1. Instância, quanto a exclusão das contribuições apuradas até a competência 11/1999, tendo em vista a aplicação da súmula n. 08 do STF, c//c com o art. 173, I do CTN. Senão vejamos: O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade Fl. 239DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à Fl. 240DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35415.000020/200697 Acórdão n.º 240101.800 S2C4T1 Fl. 212 7 condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fl. 241DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão Fl. 242DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35415.000020/200697 Acórdão n.º 240101.800 S2C4T1 Fl. 213 9 anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 243DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas, bem como a existência de recolhimentos antecipados, para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4º. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiarse Fl. 244DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35415.000020/200697 Acórdão n.º 240101.800 S2C4T1 Fl. 214 11 pelo seu “desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa” para sempre escusarse ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em que não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES, ASSISTÊNCIA MÉDICA ETC). Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente porque não houve reconhecimento do fato gerador pelo recorrente e caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP, o que implica a exclusão dos valores da base de cálculo de contribuições que se pretende recolher. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poderseia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se reconhece como devido. No caso ora em análise, identificamos pagamentos de “assistência médica”, ou seja salários indiretos, nos quais o próprio recorrente entende não existir contribuição. Portanto, existe a demonstração do não reconhecimento do fato gerador, o que afasta a existência de antecipação do pagamento. Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;.Chegar antes de; anteceder. Ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Não há como engajarse no raciocínio de que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global em relação às contribuições previdenciárias, visto que existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. Conforme descrito pelo órgão julgador, no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 19/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 21/12/2005. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1999 a 12/1999, sendo assim, devem ser excluídas a luz do art. 173, I as contribuições até 11/1999. Sendo assim, correto o posicionamento adotado pelo ilustre julgador. DO MÉRITO Em havido remanescido a competência 12/1999, cumprenos apreciar o mérito da questão. Assim, quanto ao mérito ouso divergir do entendimento descrito pelo ilustre Fl. 245DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 julgador de 1ª instância, que declarou a improcedência do lançamento, por entender que os pagamentos preencheram os requisitos da lei 8.212/91. Toda argumentação do impugnante acatada pela autoridade de 1ª instância é no sentido de que a assistência médica fornecida aos empregados apenas após seis meses, não cria qualquer restrição de acesso, cumprindo a legislação previdenciária. Destaca, ainda, que nos termos da legislação trabalhista não constituem salário e portanto, independente da forma como pago estaria excluído da base de cálculo de contribuições previdenciárias. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição, seja para os segurados empregados, seja para os contribuintes individuais. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título assistência médica e odontológica, não representam alguma espécie de ganho. Pelo contrário, estão inseridos no conceito latu de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais: "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para Fl. 246DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35415.000020/200697 Acórdão n.º 240101.800 S2C4T1 Fl. 215 13 adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Ao contrário do que afirma a recorrente, a verba paga a título de “assistência médica e odontológico” possui natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados empregados em decorrência do contrato de prestação de serviços à recorrente, sendo, portanto, uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Assim, quanto ao pagamento da verba ASSISTÊNCIA MÉDICA E ODONTOLÓGICA, destacase que o primeiro fundamento para que seus valores constituam salário de contribuição é o fato de que o pagamento não era extensivo a todos os empregados e dirigentes. Alegar que o art. 428, § 2º, determina que o plano de saúde por si só, já está excluído do conceito de remuneração, não possui o condão de refutar a incidência das contribuições apuradas. Conforme o preceito legal, necessário que o fornecimento da assistência saúde fosse estendido a todos os empregados. Apesar de entender que o termo utilizado “cobertura”, diz respeito não apenas a extensão a todos como o acesso ao mesmo tipo de cobertura, no caso ora em análise, a base, que é o acesso a todos os empregados já restou descumprido, não sendo necessária a análise do tipo de cobertura. Discordo do argumento descrito pelo recorrente e abraçado ´pelo julgador de primeira instância de que o limitador de acesso ao benefício apenas após seis meses de contrato de trabalho, não constitui um obstáculo ao recebimento do benefício. Em sentido totalmente contrário ao exposto na Decisão Notificação, entendo que a maneira como disponibilizado o benefício demonstra indiscutivelmente uma restrição ao acesso, tendo em vista que a rotatividade dos empregados, descrita pelo próprio recorrente acaba com que grande parte dos empregados não tenha acesso ao benefício. Ora, não há que se falar, conforme argumentado pelo impugnante, que a indicação dos seis meses constituiria uma espécie de carência, adotada pelos seguros saúde, ou até mesmo pelo INSS, pois para que se adote a linha de carência o benefício do plano de saúde já deveria ter sido concedido, o que não se verifica no caso vertente, no qual o acesso ao plano dáse apenas após seis meses de trabalho. Ao contrário do que tentou demonstrar o recorrente, a “restrição” não foi criada pelo plano de saúde, ou pelo programa de saúde oferecido diretamente pela empresa. Na verdade, o empregado antes dos seis meses não tem acesso ao benefício. Não há que se falar em dificuldades de operacionalização, pois nada impediria que a empresa concedesse o acesso a todos os empregados e que o plano de saúde estabelecesse padrões de atendimento de acordo com o cumprimento dessas carências. É assim, que funcionam os planos de saúde e o próprio Regime Geral de Previdência Social RGPS. Ou seja, o indivíduo é segurado (já está dentro do sistema), e a partir do cumprimento da carência vai gozando gradativamente do benefício. No caso vertente, o acesso foi limitado. Não concordo de forma alguma com a tese exposta de que está se respeitando o princípio da isonomia, dividindo em dois blocos sem impor qualquer espécie de Fl. 247DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 discriminação. Aliás, podemos afirmar que existem dois grupos: os que TEM ACESSO ao benefício, e os que NÃO TEM acesso ao benefício, portanto entendo que não há que se falar que o benéfico foi estendido a todos os empregados. O fato de a empresa atribuir restrições ao empregados antes dos seis meses de vínculo empregatício, é sim condição que afasta o benefício da totalidade de empregados como prescreve a lei. Ainda para reafirmar nosso posicionamento, nem mesmo no contrato de experiência respaldado no art. 445, §2º da CLT, que nada mais é do que uma possibilidade de o empregador “testar” o empregado antes que o mesmo tornese empregado por prazo indeterminado, se justificaria dita restrição. Ou seja, desde o primeiro dia em que está trabalhando na condição de empregado o empregado faz jus a TODOS os direitos trabalhistas, por exemplo: Férias, 13º salário, FGTS, amparo previdenciário etc.. Portanto, qualquer empregado desde o 1º dia, é considerado empregado e como tal faz jus a direitos trabalhistas. No mesmo sentido, não há como acolher a tese de que o art. 458, §2º da CLT, exclui o benéfico do conceito de salário de contribuição sem estabelecer qualquer critério, tendo em vista que existe lei previdenciária específica que trata da matéria. O fato de haver compartilhamento por parte do segurado quanto ao custo do programa é irrelevante para indicar o natureza remuneratória. Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento, razão porque deve ser revista a Decisão Notificação que julgou improcedente o lançamento. Contudo, apesar de ser possível descrever solução ao mérito da questão, não há como avançar nas preliminares suscitadas pelo impugnante, tendo em vista que o próprio julgador em seu voto (aprovado pela turma) afastou a análise das mesmas, tendo em vista a improcedência do mérito. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso de ofício para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, no sentido de que em relação a contribuição da competência 12/1999, assistência médica as parcelas que ensejaram o lançamento, possuem natureza remuneratória sendo procedente o lançamento. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 248DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35415.000020/200697 Acórdão n.º 240101.800 S2C4T1 Fl. 216 15 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Redator Designado Em que pese a boa fundamentação apresentada pela relatora, concluo de forma diversa no que diz respeito ao critério para fixação do prazo decadencial. Passarei, de imediato, a expressar meu entendimento, posto que a legislação aplicável já foi suficientemente mencionada no voto da Conselheira Elaine Cristina Vieira. A bem da verdade, tanto esse Conselheiro quanto a Ilustre Relatora entendemos que, havendo recolhimento antecipado da contribuição, há de se contar o prazo decadencial pela norma do art. 150, § 4. do CTN, qual seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Divergimos, todavia, para os casos em que, embora existam recolhimentos efetuados pela empresa, esta não reconhece a incidência de contribuição sob determinada rubrica. Nesses casos, a Conselheira Elaine Cristina pondera que as guias de recolhimento embora existentes, dizem respeito a outras rubricas, haja vista que, para as parcelas sobre as quais não se considerou a incidência tributária, não há o que se falar em antecipação de pagamento. Ouso divergir dessa tese. É cediço que na Guia da Previdência Social – GPS não são identificados os fatos geradores, mas são lançados em campo único – “Valor do INSS” – todas as contribuições previdenciárias e, inclusive a dos segurados. Por esse motivo, havendo recolhimentos, não vejo como segregar as parcelas reconhecidas pela empresa, daquelas que não tenham sido tratadas como saláriodecontribuição. Verificase na espécie, que há recolhimentos da empresa para o período em questão, conforme Relatório de Documentos Apresentados – RDA. Nesses casos, o entendimento que tem prevalecido nessa Turma de Julgamento é que se aplique o § 4. do art. 150 do CTN para contagem do prazo decadencial. Assim, considerandose que a ciência do lançamento deuse em 19/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 21/12/2005 e que os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1999 a 12/1999, voto pela declaração de decadência para todo o período do lançamento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 12/05/2011 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO, 24/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10830.000359/2005-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2001
NULIDADE. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS ART. 135 DO CTN. NÃO CABIMENTO.
A responsabilidade pessoal instituída pelo art. 135 do CTN não configura hipótese de sujeição passiva tributária, mas de
responsabilidade patrimonial pelo crédito tributário, decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Tendo em conta a natureza não tributária da discussão acerca da atuação de diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica com excesso de poderes, a questão não deve ser definitivamente dirimida na esfera
administrativa, com a exclusão do contribuinte do pólo passivo, sendo apenas possível, na execução fiscal, em sede de embargos do devedor. Admitir a exclusão de responsabilidade da pessoa jurídica pelos atos praticados por seus dirigentes, em seu nome, mas com excesso de poderes, implicaria afronta às disposições do art. 123 do CTN, na medida em que a violação de um contrato particular entre as partes in casu, o estatuto da sociedade a
regular a competência de atuação dos dirigentes poderia vir a alterar a definição de sujeito passivo da obrigação tributária.
LUCRO ARBITRADO. OPÇÃO ADOTADA PELO SUJEITO PASSIVO.
Constatado, em procedimento de auditoria fiscal, que a contribuinte, diante da falta de manutenção de escrituração nos moldes das leis comerciais e fiscais optou, por ocasião da entrega da DIPJ do respectivo exercício, pelo arbitramento dos lucros, mantém se, no lançamento de ofício, a opção originalmente adotada, quando presentes os requisitos estabelecidos em lei
para tributação com base no lucro arbitrado., uma vez que a retificação para troca de sistemática de tributação, não é admitida pela legislação.
ESCRITURAÇÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL. Como não existe arbitramento condicional, a opção da empresa pela sistemática do lucro
arbitrado não pode ser modificada ainda que, sob procedimento fiscal, venha a ser apresentada escrituração hábil a amparar o lucro real, fato que não se verificou no caso concreto.
ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Considera se receita bruta conhecida aquela informada pela própria contribuinte, em
atendimento à intimação da auditoria fiscal, confirmada na escrituração e consignada em DIPJ retificadora, apresentada sob procedimento fiscal.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. SALDO CREDOR DE CAIXA A imputação de presunção de omissão de receitas, apurada em registros
contábeis, não é compatível com o arbitramento dos lucros fundamentado na manutenção, pela contribuinte, de escrita contendo vícios, erros e omissões e, por essa mesma razão, repudiada.
SOCIEDADES COOPERATIVAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. As cooperativas de médicos não se sujeitam à incidência tributária em relação aos serviços que prestem diretamente aos associados na
organização e administração dos interesses comuns ligados à atividade profissional. Todavia, se conjuntamente com os serviços dos sócios, a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, o fornecimento de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços
odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, tais operações não se compreendem entre os atos cooperativos, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de seguro saúde a ser tributada, nos termos
da legislação em vigor.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. A penalidade instituída pelo
art. 44, I, da Lei nº 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, o seu pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da
multa de ofício encontra se em perfeita consonância com a legislação em vigor.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC — A partir de 1°de abril de 1995, os
juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.439
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 41; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2594; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.000359/200581 Recurso nº 177.817 Voluntário Acórdão nº 140200.439 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2011 Matéria IRPJ. AÇÃO FISCAL. LUCRO ARBITRADO Recorrente COOPERMECA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 NULIDADE. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS DIRETORES GERENTES OU REPRESENTANTES DAS PESSOAS JURÍDICAS ART. 135 DO CTN. NÃOCABIMENTO. A responsabilidade pessoal instituída pelo art. 135 do CTN não configura hipótese de sujeição passiva tributária, mas de responsabilidade patrimonial pelo crédito tributário, decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Tendo em conta a natureza nãotributária da discussão acerca da atuação de diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica com excesso de poderes, a questão não deve ser definitivamente dirimida na esfera administrativa, com a exclusão do contribuinte do pólo passivo, sendo apenas possível, na execução fiscal, em sede de embargos do devedor. Admitir a exclusão de responsabilidade da pessoa jurídica pelos atos praticados por seus dirigentes, em seu nome, mas com excesso de poderes, implicaria afronta às disposições do art. 123 do CTN, na medida em que a violação de um contrato particular entre as partes in casu, o estatuto da sociedade a regular a competência de atuação dos dirigentes poderia vir a alterar a definição de sujeito passivo da obrigação tributária. LUCRO ARBITRADO. OPÇÃO ADOTADA PELO SUJEITO PASSIVO. Constatado, em procedimento de auditoria fiscal, que a contribuinte, diante da falta de manutenção de escrituração nos moldes das leis comerciais e fiscais optou, por ocasião da entrega da DIPJ do respectivo exercício, pelo arbitramento dos lucros, mantémse, no lançamento de ofício, a opção originalmente adotada, quando presentes os requisitos estabelecidos em lei para tributação com base no lucro arbitrado., uma vez que a retificação para troca de sistemática de tributação, não é admitida pela legislação. ESCRITURAÇÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL. Como não existe Fl. 386DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 2 arbitramento condicional, a opção da empresa pela sistemática do lucro arbitrado não pode ser modificada ainda que, sob procedimento fiscal, venha a ser apresentada escrituração hábil a amparar o lucro real, fato que não se verificou no caso concreto. ARBITRAMENTO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. Considerase receita bruta conhecida aquela informada pela própria contribuinte, em atendimento à intimação da auditoria fiscal, confirmada na escrituração e consignada em DIPJ retificadora, apresentada sob procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. SALDO CREDOR DE CAIXA .A imputação de presunção de omissão de receitas, apurada em registros contábeis, não é compatível com o arbitramento dos lucros fundamentado na manutenção, pela contribuinte, de escrita contendo vícios, erros e omissões e, por essa mesma razão, repudiada. SOCIEDADES COOPERATIVAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS. As cooperativas de médicos não se sujeitam à incidência tributária em relação aos serviços que prestem diretamente aos associados na organização e administração dos interesses comuns ligados à atividade profissional. Todavia, se conjuntamente com os serviços dos sócios, a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, o fornecimento de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, tais operações não se compreendem entre os atos cooperativos, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de segurosaúde a ser tributada, nos termos da legislação em vigor. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, o seu pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. JUROS DE MORA. TAXA SELIC — A partir de 1°de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Fl. 387DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório COOPERMECA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase de autos de infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, que constituíram o crédito tributário no montante total de R$ 1.437.192,64, incluídos a multa de ofício e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta a apuração das irregularidades assim descritas no Termo de Verificação Fiscal – IRPJ de fls. 28 a 37: “1 Da fiscalizada 1.1 A ora fiscalizada é pessoa jurídica de direito privado, constituída na forma de sociedade cooperativa, nos termos da lei 5.764 de 16/12/1.971. 1.2 A cooperativa foi constituída como cooperativa de trabalho médico, com objetivo de ‘congregar os serviços dos médicos cooperados, proporcionandolhes condições de executar trabalho médicohospitalar’, conforme ata da Assembléia Geral de Constituição, cópia anexa. 1.3 Os atos não cooperativos, como é o caso da administração de planos de saúde, contratados com terceiros, com cobertura de despesas com diárias e serviços hospitalares, serviços de laboratórios e outros, prestados por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, estas não se compreendem entre os atos cooperativos e estão sujeitas à incidência tributária (vide AC 1º CC 10320.139/99 DOU 17/12/99). Fl. 388DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 4 1.4 A entidade ora fiscalizada, embora revestida da forma de cooperativa, pela análise de suas contas escrituradas nos livros ‘diário’ e ‘razão’, apresentados pela fiscalizada, pratica um sem número de atos não cooperativos, além de deter participações majoritárias, em diversas entidades com fins lucrativos, dentre elas o Hospital Santa Edwiges. 1.5 Pela simples análise do livro diário podemos constatar, que a maior parte de suas receitas provêm da administração de planos de saúde, com contratação de terceiros, não cooperados, e assunção de riscos inerentes à atividade. 1.6 O artigo 87 da lei 5.764/71, c/c PN/CST 73/75 e 38/80, determina que as cooperativas devem fazer sua escrituração de maneira a segregar os atos cooperativos dos não cooperativos, bem como manter em boa ordem e guarda os livros e documentos em que a escrituração se baseou, de forma a poder comprovar os fatos, quando solicitados pela fiscalização, sendo que a fiscalizada não segregou os mencionados atos, nos anos calendário 2.001 e 2.002. 1.7 Tais constatações são apenas para firmar o entendimento de que todas as receitas da entidade devem ser consideradas como atos não cooperativos, entendimento este, que a própria entidade vem adotando, seja nos cálculos das contribuições para o PIS e a COFINS, nos anos calendário 2.001 a 2.004, seja nas informações prestadas pelo contribuinte, quando demonstrou as bases de cálculo para as contribuições referidas, para os fatos geradores ocorridos entre 1.999 e 2.004, nas planilhas anexas, assinadas pelo contador da mesma, bem como na DIPJ 2.003 e 2.004, anos calendário 2.001 e 2.002, bem como na tentativa de retificação da DIPJ 2.002, ano calendário 2.001, como abaixo veremos. 2 Da fiscalização 2.1 A fiscalização teve início em 15/03/2.004, com ciência do competente MPF – Mandado de Procedimento Fiscal 08.1.04.002004001320, juntamente com o Termo de Início de Fiscalização. 2.2 No citado Termo, o contribuinte foi intimado a, no prazo de 20 dias, apresentar os livros contábeis e fiscais, documentos que embasaram a escrituração e demonstrativos de bases de cálculo de tributos e contribuições administrados pela SRF, inclusive extratos das contas bancárias. 2.3 Em 14/04/2004, o contribuinte solicita dilação de prazo para atendimento ao Termo de Início de Fiscalização. 2.4 Em 14/05/2004, sem atendimento até aquela data, o contribuinte foi reintimado a apresentar os mesmos elementos já solicitados, bem como a preencher o anexo ‘questionário de informações geral’. 2.5 Em 25/06/2004 o contribuinte foi novamente intimado a apresentar os elementos constantes do Termo de Início. 2.6 Finalmente, em 08/07/2004, o contribuinte atende, parcialmente, ao solicitado, disponibilizando os livros ‘razão’ e ‘diário’, referentes aos anos calendário 1.999 e 2.000, sendo que o livro diário de 2.000 estava sem o devido registro, determinado pelo art. 258 § 4º do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000 de 26/03/1.999. 2.7 Após análise dos lançamentos efetuados nos livros acima, esta fiscalização intimou o contribuinte, em 12/07/2.004, conforme cópia anexa ao Termo de Intimação 02/2.004, a esclarecer e comprovar vários pontos, dentre eles: Fl. 389DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 5 2.7.1 Informar se as operações com não cooperados foram segregadas, conforme determina o artigo 87 da Lei 5.764/71 c/c PN/CST 73/75 e 38/80. Em caso negativo informar se tem condições de proceder à reescrituração de maneira a segregálas. A teor das normas retro citadas, as operações com não cooperados sofrem a tributação normal, não se aplicando as isenções próprias das cooperativas. 2.7.2 Apresentar o LALUR – livro de apuração do lucro real, referente aos períodos sob ação fiscal. Tal livro é fundamental para a apuração do lucro real. 2.7.3 Apresentar os modelos das minutas dos contratos de adesão aos planos de saúde, administrados pela cooperativa. A cooperativa tem como suas principais fontes de receitas, os planos de saúde e receitas de convênio. Pela análise das minutas poderíamos verificar se tais receitas poderiam ou não ser caracterizadas como atos cooperativos. A priori entendemos que não são atos cooperativos, visto a grande quantidade de despesas incorridas, pela cooperativa, junto a hospitais e clínicas. 2.8 Em 25/08/2004, o contribuinte recebeu nova intimação, sobre contas do ano 2.000. 2.9 Em 20/09/2004, o contribuinte apresenta documento assinado pelos seus representantes legais, datado de 01/09/2004, em resposta às intimações acima, alegando, dentre outras, o seguinte: 2.9.1 ‘Quanto às exigências no item 2 (anos calendário 1999 a 2.002) – 2.1 segregação das contas de operações com não cooperados – A requerente não reúne condições, nessa oportunidade, de fornecer os dados solicitados, ...’ 2.10 No mesmo dia 20/09/2004, este apresenta os livros razão, dos anos 2.001 a 2.003. 2.11 Em 22/09/2004, nova intimação. 2.12 Em 15/10/2004, a fiscalização foi encerrada, parcialmente, para os anos calendário 1.999 e 2.000, com a lavratura dos Autos de Infração, protocolados sob nº 10830.005877/200418; 10830.005878/200454; 10830.005879/200407. 2.13 Ainda em 15/10/2004, o contribuinte foi intimado a, no prazo de 10 dias, apresentar os livros ‘DIÁRIO’, referentes aos anos 2.001 a 2.003, até então, passados 7 meses do início da fiscalização, não apresentados, a apresentar justificativas para o seguinte: 2.13.1 Não escrituração da conta corrente 140.7821, mantida junto ao Banco do Brasil S/A, Agência 2913 – Taquaral; 2.13.2 Existência de saldos credores de caixa, durante o ano calendário 2.001; 2.13.3 Informar se nos anos calendário 2.001 e 2.002, as operações com não cooperados foram segregadas, conforme determina a legislação de regência, já citada. Fl. 390DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 6 2.14 Em 27/10/2004, finalmente o contribuinte disponibiliza os livros ‘DIÁRIO’ referentes aos anos calendário 2.001 a 2.003, observando que os livros referentes ao ano 2.001, estava sem o competente registro. 2.15 Em 30/11/2004, sem respostas às indagações feitas em 15/10/2004, esta fiscalização reintimou o contribuinte a, no prazo de 5 dias, apresentar os elementos solicitados no termo de 15/10/2004. 2.16 Em 06/12/2004, o contribuinte foi intimado a comprovar, documentalmente, a origem dos recursos que propiciaram os depósitos e/ou crédito na conta corrente 140.7821 mantida junto ao Banco do Brasil S/A, agência 2913 Taquaral – Campinas, SP. 2.17 Em 18012.005, finalmente o contribuinte explica e demonstra que a conta acima referida é apenas uma conta de transição, já que esta e a conta mantida junto à UNICRED são administradas pelo Banco do Brasil S/A, servindo a primeira apenas para transitar os valores contabilizados na segunda. Embora não contabilizada corretamente, entendemos que tal fato não configuraria omissão de receitas. 2.18 Considerando todo o exposto acima, esta fiscalização encerrou os trabalhos, apurando, em relação aos anos calendário 2.001 e 2.002, o seguinte: ANO CALENDÁRIO 2.001 3) LUCRO ARBITRADO 3.1 Para o ano calendário 2.001, o contribuinte apresentou sua DIPJ – 2002, Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, ND 0.970.882, com opção pela forma de tributação do lucro como ‘lucro arbitrado’ trimestral, por sua livre e espontânea vontade. 3.2 No decorrer da fiscalização, iniciada em 15/03/2.004, esta apresentou uma declaração retificadora, transmitida via internet, em 29/06/2004, ND 1.215.942, mudando a opção para ‘lucro real’ trimestral, alterando os valores das receitas apuradas. 3.3 Tal retificadora é totalmente inócua e inválida, pois além de ferir o artigo 832 do RIR/99, que só admite a retificação da DIPJ, antes de iniciado o procedimento fiscal, também fere o artigo 57 da IN / SRF / 15 / 01, que impede a mudança no regime de tributação eleito pelo contribuinte, após o prazo previsto para a entrega das declarações. 3.4 Portanto conforme acima exposto, o regime adotado, pelo próprio contribuinte, para o ano calendário 2.001, é o do ‘lucro arbitrado’ e não pode mais ser alterado. 3.5 Não bastasse a eleição, pelo próprio contribuinte, do regime de apuração pelo ‘lucro arbitrado’, o contribuinte, em resposta às intimações feitas, cópias anexas, diz textualmente, que ‘não detém os documentos contábeis solicitados, referentes a período anterior a junho de 2.001, época que a atual administração assumiu a gestão da entidade, responsabilizando os exadministradores pelas faltas havidas, até aquela época, bem como apresentou o livro diário sem o competente registro. Estes fatos, em si, autorizam a desclassificação da escrita e o Arbitramento do Lucro, a teor do artigo 530, inciso III, do RIR/99, consubstanciado pelos reiterados Acórdãos emanados pelo E. 1º Conselho de Contribuintes, como os de nº 101 73.383/82; 1054.200/90, DO 17/09/90; 1053.556/89, DO 15/06/90 e 102 23.912/89, DO 06/06/90. Fl. 391DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 7 3.6 Na DIPJ originalmente apresentada, com opção pelo lucro arbitrado, o contribuinte declara uma receita bruta linear de R$ 1.000,00 por trimestre. 3.7 Na mal sucedida tentativa de retificação, com opção pelo lucro real, apresentada em 29/06/2004, este informa os seguintes valores de receita tributável, decorrentes, na sua totalidade, de prestação de serviços: Trimestre Receita bruta em R$ 1º 1.236.892,32 2º 1.092.201,02 3º 1.299.288,26 4º 1.144.456,04 3.8 Os valores das receitas mensais, totalizadas por trimestres, no ano calendário 2.001, informados pelo contribuinte, em planilhas assinadas pelo próprio contador desse, conferidas, por processo de amostragem, com a escrituração dos livros razão e consolidados nas demonstrações financeiras trimestrais, registradas no livro diário são os seguintes: Mês Receita bruta em R$ Janeiro Fevereiro Março 425.267.75 332.429.57 479.195,00 Total 1º trimestre 1.236.892,32 Abril Maio Junho 333.625,37 339.483,37 419.092,28 Total 2º trimestre 1.092.201,02 Julho Agosto Setembro 400.860,71 454.696,05 443.731,50 Total 3º trimestre 1.299.288,26 Outubro Novembro Dezembro 373.921,64 457.154,87 313.380,13 Total 4º trimestre 1.144.456,04 3.9 Pelo acima exposto, os valores acima devem ser submetidos à tributação do IRPJ e da CSLL, pela sistemática do lucro arbitrado, ao percentual de 38,4%, tendo em vista que a atividade do contribuinte é de prestação de serviços. 4) OMISSÃO DE RECEITAS 4.1 SALDO CREDOR DE CAIXA 4.1.1 No ano calendário 2.001, o contribuinte escriturou o livro razão, utilizandose de 2 (duas) contas ‘caixa’, a saber – ‘caixa geral’ e ‘caixa B’. 4.1.2 Analisando tais contas, constatamos a existência dos seguintes saldos credores: Data Conta Razão fls. Saldo credor em R$ 03/01/2.001 1.021.001.009.0000001 – caixa geral 03 7.128,55 Fl. 392DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 8 05/03/2.001 1.021.001.009.0000001 – caixa geral 36 10.672,24 06/04/2.001 1.021.001.009.0000001 – caixa geral 49 11.126,16 31/05/2.001 1.021.001.009.0000001 – caixa geral 66 392.223,10 Data Conta Razão fls. Saldo credor em R$ 31/01/2.001 1.021.001.009.0000002 – caixa B 178 15.193,50 28/02/2.001 1.021.001.009.0000002 – caixa B 179 29.380,25 27/03/2.001 1.021.001.009.0000002 – caixa B 180 98.644,41 24/04/2.001 1.021.001.009.0000002 – caixa B 181 106.133,02 24/05/2.001 1.021.001.009.0000002 – caixa B 182 171.946,26 28/11/2.001 1.021.001.009.0000002 – caixa B 194 233.925,26 28/12/2.001 1.021.001.009.0000002 – caixa B 196 506.895,82 4.1.3 O contribuinte foi regularmente intimado, em 15/10/2004, a justificar a existência de tais saldos credores. Sem resposta este foi reintimado, em 3011 2004, novamente sem resposta nos prazos fixados. 4.1.4 A existência de saldos credores de caixa, sem prova da improcedência da presunção, por parte do contribuinte, autoriza a presunção legal de omissão de receitas, a teor do artigo 281, inciso I do RIR/99. 4.1.5 Estamos, portanto, considerando omissão de receitas os valores acima, considerando o maior saldo credor, em cada mês, descontandoo, nos meses subseqüentes, conforme abaixo: Caixa Geral Mês Maior saldo credor em R$ Razão fls. Omissão de receitas apurada em R$ Janeiro/01 7.128,55 03 7.128,55 Março/01 10.672,24 36 3.543,69 Abril/01 11.126,16 49 453,92 Maio/01 392.223,10 66 381.096,94 Total de omissão no ano 392.223,10 Caixa B Mês Maior saldo credor em R$ Razão fls. Omissão de receitas apurada em R$ Janeiro/01 15.193,50 178 15.193,50 Fevereiro/01 29.380,25 179 14.186,75 Março/01 98.644,41 180 69.264,16 Abril/01 106.133,02 181 7.488,61 Maio/01 171.946,26 182 65.813,24 Novembro/01 233.925,26 194 61.979,00 Dezembro/01 506.895,82 196 272.970,56 Fl. 393DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 9 Total de omissão no ano 506.895,82 Resumo = soma dos saldos credores dos dois caixas Mês Omissão por saldo credor do caixa geral Omissão por saldo credor do caixa B Omissão de receitas total apurada em R$ Janeiro/01 7.128,55 15.193,50 22.322,05 Fevereiro/01 0,00 14.186,75 14.186,75 Março/01 3.543,69 69.264,16 72.807,85 Abril/01 453,92 7.488,61 7.942,53 Maio/01 381.096,94 65.813,24 446.910,18 Novembro/01 0,00 61.979,00 61.979,00 Dezembro/01 0,00 272.970,56 272.970,56 Total no ano 899.118,92 5) DO LANÇAMENTO 5.1 Por todo o exposto, estamos lavrando Autos de Infração anexos, dos quais este termo é parte integrante e indissociável, para constituir e exigir, no ano calendário 2.001: 5.1.1 O IRPJ e a CSLL, juntamente com seus acréscimos legais, calculados pela forma de lucro arbitrado, sobre as receitas conhecidas, no ano calendário, conforme demonstrado no item 3.8; 5.1.2 O IRPJ e a CSLL, calculados pela forma de lucro arbitrado, bem como o PIS e a COFINS, juntamente com seus acréscimos legais, sobre as receitas omitidas e apuradas pela fiscalização, conforme itens 4.1 (saldo credor de caixa) ...” Cientificada, por via postal, dos autos de infração, em 01/02/2005, conforme comprova o A.R. original anexado à fl. 96, a contribuinte, por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (Instrumento de Mandato de fls. 146), protocolizou impugnação (fls. 99/144), em 03/03/2005, observando, inicialmente, tratarse de sociedade constituída sob a forma de cooperativa, voltada para o ramo de saúde, condição essa que teria sido descaracterizada pelo Fiscal Autuante, quando da lavratura dos autos de infração. Afirma ter sido de boa fé a resposta dada a Auditoria Fiscal descrevendo, detalhadamente, a turbulenta situação que vivenciou nos anoscalendário abrangidos pela Fiscalização 1999, 2000 e parte de 2001, o que, inclusive, teria ensejado a necessidade de alteração de seu quadro de gestores. Contra os lançamentos, defende: (i) que os ilícitos deveriam ser atribuídos, exclusivamente, aos administradores da Impugnante durante o período objeto de autuação; (ii) que estariam pautados em procedimento – arbitramento de lucros inaplicável à espécie, posto que empregado quando ainda não esgotados outros meios de fiscalização; (iii) que os dados que teriam embasado o procedimento fiscal estariam muito longe da realidade fática, quer no tocante à receita bruta conhecida, quer no tocante às receitas omitidas; e (iv) que teriam sido considerados, na base de cálculo apurada pela Fiscalização, valores que decorreriam de atos eminentemente cooperativos. Referese à conturbada transição de sua Diretoria Executiva, esclarecendo que, no período de 1996 a 2001, a Impugnante teria sido administrada pelos Drs. Sílvio Brocchi, José Roberto Franchi Amade e Alexandre Contadores Bierrembach de Castro, pessoas que, valendose de seus cargos, teriam desrespeitado cânones legais Fl. 394DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 10 e estatutários, pelo emprego de práticas contrárias à confiança que lhes foi depositada em decorrência de suas funções, e que teriam extrapolado o poder de administração e gerência que lhes foi delegado. Como conseqüência da má gestão perpetrada por esses administradores, a pessoa jurídica teria deixado de pagar tributos, obrigações trabalhistas e fornecedores, assim como teriam sido constatadas irregularidades na administração dos planos de saúde, efetivação de pagamentos, na sua maioria, sem qualquer amparo documental, aquisição de produtos superfaturados, dentre outras. Nas palavras da defesa: “(...) tudo isso mitigado pela apresentação de balancetes anuais supostamente corretos, mas que, na verdade, escondiam uma escrituração fiscal e contábil inidônea baseada em imprestáveis amontoados de documentos, livros mal escriturados, registros falhos e dados confusos, com o único escopo de impossibilitar a plena compreensão dos cooperados e sócios acerca da temerária, para não dizer enganosa, gestão que promoveram”. Afirma que as práticas adotadas pelos exdiretores teriam sido extremamente maléficas, tendo culminado na ausência de recolhimento de praticamente todos os tributos, desacompanhada da adoção de qualquer medida tendente a assegurar o mínimo amparo à impugnante, caracterizando assim o total descaso por parte dos ex gestores que, em proveito pessoal, teriam deixado de zelar pela manutenção da ordem e pelo cumprimento das obrigações fiscais devidas. Faz remissão à ação judicial de indenização por danos materiais e morais, nº 3.131/2003, em trâmite na 6º Vara Cível de Campinas, objetivando o reconhecimento da responsabilidade dos exgestores pelos atos por eles praticados, para minimizar os prejuízos da Impugnante; assim como, aos inquéritos policiais nº 110/2002, do 5º Distrito Policial de Campinas e nº 90640/2003, da Polícia Federal de Campinas, visando à apuração dos atos fraudulentos praticados pelos ex diretores. Pretende assim, a Impugnante, afirmar também ter sido vítima da atuação desonesta e irresponsável dos gestores, concluindo a partir daí a indevida atribuição de responsabilidade tributária à cooperativa. Apesar das disposições do art. 20 do Novo Código Civil, a referendar a separação entre a pessoa jurídica da Impugnante e a pessoa física dos cooperados e administradores e, conseqüentemente, a autonomia patrimonial, defende haver situações em que restaria caracterizada a prática de atos, pelos sócios ou administradores, contrários à Lei ou ao objeto social da sociedade, denotando a utilização da pessoa jurídica para fins eminentemente ilícitos, a configurar hipóteses de máfé. Nestes casos, estariam contempladas no ordenamento jurídico normas que afastariam a responsabilidade da pessoa jurídica para atribuíla, de forma exclusiva, às pessoas físicas agentes dos atos dolosos. Nesse contexto, destaca as disposições do art. 135 do CTN a contemplar hipóteses de responsabilidade pessoal, de maneira que “(...) sendo caracterizada conduta dolosa – é dizer, revestida de máfé – por parte do sócio ou administrador da sociedade, a esta pessoa física deve ser atribuída a responsabilidade pela constituição, bem assim pelo adimplemento da obrigação tributária, uma vez que devidamente comprovada sua concorrência para a prática do fato jurídico – de forma ilícita, frisese – que inaugurou esta mesma obrigação (tributária)”. Transcreve doutrina com o objetivo de defender a tese de que a responsabilidade atribuída pelo art. 135 é pessoal e exclusiva das pessoas ali indicadas, não sendo subsidiária ou solidária. Fl. 395DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 11 No seu entendimento a responsabilidade pessoal seria subjetiva, impondo que as condutas típicas e antijurídicas dos sócios ou administradores fossem praticadas com dolo. E continua: “Assim pela análise dos termos constantes da exordial do processo retro referido, aliada à ampla documentação acostada, resta certa e inafastável a conclusão de que houve efet ivamente, prática de atos delituosos por parte dos Drs. Sílvio, José Roberto e Alexandre, responsáveis pela gestão e administração da Impugnante no lapso temporal compreendido no presente Auto de Infração, porquanto a responsabilidade pelo adimplemento de TODAS as obrigações – inclusive tributárias – contraídas nesse interregno haverão que lhes ser atribuídas de forma ampla e irrestrita, dentre as quais o débito a t ítulo de IRPJ ora exigido” [destaques do original]. Enfatiza que, sob o manto de estarem agindo em nome e em favor da cooperativa, os exdirigentes teriam feito uso de seu poder de gerência para: (i) a criação de empresas fictícias para a prestação de serviços de ‘gerenciamento administrativo’, em contraprestação ao pagamento de absurdas “taxas de administração”; (ii) a criação de empresas administradoras de planos de saúde para a captação da clientela do plano da cooperativa Impugnante; (iii) a promoção de copiosas e reiteradas fraudes na escrituração contábil e fiscal da autuada, que culminou na necessidade de contratação de serviços de auditoria independente para refazimento da contabilidade, procedimento esse ainda não concluído, mas que já possibilitou a apuração de diversas irregularidades, como: (i) acertos sem comprovação documental; (ii) emissão de cheques sem os comprovantes de quitação; (iii) débitos junto aos cooperados e aos prestadores de serviços; (iv) repasses médicos sem os devidos comprovantes de quitação; (v) emissão de recibos genéricos; (vi) efetivação de pagamentos de despesas próprias e depósitos bancários na conta corrente particular do Dr. Sílvio Brocchi Neto; (vii) ausência de cumprimento de obrigações fiscais, tributárias, trabalhistas e previdenciárias. Afirma que todas essas irregularidades teriam gerado prejuízos incalculáveis à autuada, fato que restaria comprovado no processo judicial em tramitação na 6ª Vara Cível da Comarca de Campinas. Requer a nulidade da autuação, uma vez que não caberia imputação de qualquer responsabilidade à Impugnante, por estar comprovada a atuação dolosa dos ex dirigentes, que deveriam responder “exclusiva e irrestritamente” pelas obrigações decorrentes de seus atos, inclusive pelo débito a título do IRPJ exigido. No mérito, questiona a eleição da modalidade do lançamento, por arbitramento do lucro, para exigência do crédito tributário. Lembra que nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, caberia à autoridade administrativa, nos casos de não homologação, efetuar o lançamento de ofício suplementar ou substitutivo e que, apenas em casos específicos, ante a ausência ou imprestabilidade de documentação fiscal e contábil, poderia a administração se valer da sistemática do lançamento por arbitramento de lucros. E defende: “Ressaltase, desde logo, que no caso em comento, o Sr. Fiscal Autuante houve por bem desclassificar a escrita fiscal apresentada pela Impugnante para, então, presumir a ocorrência do fato gerador do IRPJ – ‘auferir renda’ – tomando por base o valor da receita bruta supostamente percebida no anocalendário 2001, a qual foi informada pela Impugnante em DIPJRetificadora não aceita por este I. Órgão, e, assim, arbitrar a base de cálculo para a apuração deste tributo, mediante a Fl. 396DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 12 combinação matemática desta grandeza (base de cálculo) com os percentuais estabelecidos na legislação”. [destaques do original]. Entende haver a necessidade, a embasar o arbitramento, de atendimento dos seguintes pressupostos expressamente determinados pela legislação: (i) ausência da prestação de declarações ou esclarecimentos por parte do contribuinte ou terceiro legalmente obrigado; (ii) ausência de expedição dos documentos obrigatórios por parte do contribuinte ou do terceiro legalmente obrigado; e (iii) a prestação, pelo contribuinte ou terceiro legalmente obrigado, de declarações que não mereçam fé. Atendidos os requisitos mencionados, entende haver, ainda, a necessidade de constatação de que a omissão e/ou vício detectados na documentação, implique em total impossibilidade de descoberta da dimensão do fato gerador da obrigação tributária, significando, dizer, que a subsistência do lançamento por arbitramento dependeria do esgotamento de todas as outras possibilidades de apuração e confirmação do crédito tributário. Em suas palavras: “Tal característica denota, a bem da verdade, o caráter absolutamente excepcional desta modalidade de lançamento, que se condiciona, portanto, ao prévio exaurimento de todos os outros meios de prova que permitam a identificação precisa do fato gerador da obrigação tributária que se pretende exigir do contribuinte”. [destaques do original]. Colacionada doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Afirma que, in casu, a Auditoria Fiscal não teria esgotado todos os meios ao seu alcance, antes de proceder ao arbitramento, de vez que a impugnante teria disponibilizado todos os documentos de que dispunha, especialmente os livros ‘diário’ e ‘razão’ do ano de 2001. Reiterando ter atravessado período muito tormentoso, submetida a uma administração irresponsável, fora equivocadamente orientada a proceder à entrega de DIPJ do anocalendário 2001 manifestando inadequada opção pelo lucro arbitrado e que a tentativa de regularização dessa situação, mediante entrega de DIPJ retificadora, com opção pelo Lucro Real, não teria sido aceita pela Administração Tributária que, no entanto, teria se valido das informações nela prestadas, para efetivar o lançamento combatido. E continua: “Ora, consoante amplamente já debatido, durante grande parte do anobase de 2001 a Impugnante ainda estava submetida a uma Direção comprovadamente problemática, de forma que a contabilidade proveniente desse período, certamente não se afigura conexa à realidade, é dizer, certamente está irregular. Desta feita, a Impugnante não cogita consentir com a manutenção de um lançamento fiscal pautado em dados contábeis que sequer podem ser considerados verossímeis, em razão, justamente, da complexa situação que vivia nesse período”. Enumera outros meios de que disporia a fiscalização para encontrar a real dimensão do fato jurídico tributário, como a circularização, mediante pedidos de apresentação de documentos e esclarecimentos junto a seus tomadores e prestadores de serviços, bem como à verificação, junto aos sistemas internos da própria Receita Federal, de informações prestadas por contribuintes que tivessem mantido relacionamento com a autuada. Fl. 397DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 13 Nesse contexto, reitera ser condição sine qua non ao lançamento, a circularização da ação fiscal, sem o que seria inviável constatar, com exatidão, a veracidade dos dados apurados, providência, essa, não adotada ao caso vertente. Constata violação aos princípios da capacidade contributiva, nãoconfisco e verdade material, vez que a auditoria teria se apegado a dados sabidamente irreais, enquanto detinha outros meios eficazes para efetuar um lançamento conexo com a realidade. Entende que, ainda que prevaleça a forma de tributação pelo lucro arbitrado, a auditoria teria deixado de observar o roteiro exigido pela legislação aplicável à espécie, tipificando o caso na categoria de “receita bruta conhecida” quando a receita operacional considerada fora extraída de DIPJ Retificadora não admitida. E afirma: “Ora, se a própria DIPJRetificadora do ano 2001 não foi aceita pela SRF, inadmissível a utilização de suas informações para o arbitramento dos (supostos) lucros auferidos pela Impugnante!!” Emergeria, daí, a necessidade da correta capitulação legal da infração, direcionando a à Subseção II – Omissão de Receita – artigos 284 e seguintes do RIR/99, que estabelecem os procedimentos para arbitramento dos lucros nos casos de receita bruta não conhecida. Transcrevendo jurisprudência do STJ, procura demonstrar que, para a produção dessa receita estimada, teria havido inúmeras despesas, não raro denotando prejuízo do exercício e não lucro. Considera equivocada a conduta adotada pela Auditoria Fiscal que teria considerado como receitas omitidas os saldos credores de caixa apurados a partir dos seus livros fiscais, vez que se trataria de presunção legal, não absoluta, ilidida ante a apresentação de prova contrária. Mencionando, uma vez mais, a turbulência a que esteve submetida no período fiscalizado, contesta os saldos credores apurados em escrituração sabidamente irregular, restando inconteste, no seu entender, a inexistência do crédito suplementar de IRPJ na importância exigida. Expõe considerações a respeito das diferenças entre ato tipicamente cooperativo e ato não cooperativo, ressaltando sua condição de sociedade cooperativa de assistência médica, praticante, portanto, de atos exclusivamente cooperativos, razão pela qual estaria sujeita à tributação prevista para este tipo de sociedade. Diz ser a legislação de regência clara e precisa ao prescrever que o ato cooperativo não constitui operação de mercado, o que afastaria qualquer tentativa de atribuição de conceitos como faturamento, receita e custos, nessa atividade. Da doutrina extrai a interpretação de que atos cooperativos são todos aqueles praticados pela sociedade cooperativa, ainda que junto à terceiras pessoas, porém cujo escopo seja a consecução de seu objetivo social, ou seja, a viabilização de melhores condições para a execução das atividades por parte dos cooperados, mediante a satisfação de suas necessidades comuns. E prossegue: “Portanto, desde logo se percebe que a atividadefim das cooperativas é buscar o maior número de usuários aos serviços dos profissionais que formam esse tipo de sociedade, enquanto que a atividade dos cooperados é a prestação de serviços aos usuários, de modo que a atividade da cooperativa – a de promover, organizar e elaborar o trabalho dos cooperados – ao qual se denomina ‘ato cooperativo’ é diferente da atividade dos cooperados – a efetiva prestação de serviços” (...) Fl. 398DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 14 Portanto, resta evidente que, verificandose atos praticados por cooperativas entre si ou entre a cooperativa e o cooperado inexistem maiores questionamentos, posto que uníssono o entendimento que os caracteriza como ‘atos cooperativos’. De outra feita, tratandose de atos praticados entre a cooperativa e terceiros, porém no intuito de propiciar a consecução do objetivo social da primeira, já sinaliza a melhor doutrina por, outrossim, quadrálos como atos tipicamente cooperativos.” Afirma que todos os ingressos percebidos pela entidade, em função da prática de atos cooperativos, são empregados na consecução de seus objetivos sociais, ou seja, a favor dos cooperados, o que levaria à evidência de que tais valores não representam riqueza nova para fins de tributação pelo IRPJ. Tampouco, em seu entendimento, seria adequado falar em custo ou receita, figuras dissociadas das sociedades cooperativas. As denominadas sobras líquidas também não poderiam compor eventual renda, já que, assim como os prejuízos apurados, seriam rateadas entre as pessoas dos cooperados. Conclui, daí, que a não incidência do IRPJ, no presente caso, decorreria de determinação legal e que a eventual manutenção do lançamento, nos moldes em que exigido, afrontaria o princípio da capacidade contributiva. Contesta a legalidade das penalidades aplicadas, haja vista que na ausência de tributos devidos não seriam cabíveis as exigências de multa e de juros moratórios, como também questiona a validade e eficácia da cobrança da taxa Selic, como juros de mora, sem que tenha sido instituída em Lei e contra as disposições do art. 161 do CTN. Referese à decisão do STJ no RE nº 215.881. Ao final pugna pelo provimento da impugnação, a fim de que seja declarada a nulidade do auto de infração, com o cancelamento dos débitos dele decorrentes, baixa de eventuais apontamentos nos sistemas informatizados, e arquivamento do presente processo. Também foram apresentadas impugnações contra os autos de infração que exigem as contribuições ao PIS (fls. 189 a 224), CSLL (fls.......) e COFINS (fls.....). No entanto, nessas impugnações, a contribuinte não acrescentou qualquer outro argumento relevante, que já não tivesse sido abordado na impugnação ao lançamento principal do IRPJ. A decisão recorrida está assim ementada: Nulidade Erro de Identificação do Sujeito Passivo Responsabilidade Pessoal dos Diretores Gerentes ou Representantes das Pessoas Jurídicas Art. 135 do CTN NãoCabimento. A responsabilidade pessoal instituída pelo art. 135 do CTN não configura hipótese de sujeição passiva tributária, mas de responsabilidade patrimonial pelo crédito tributário, decorrente de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Tendo em conta a natureza nãotributária da discussão acerca da atuação de diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica com excesso de poderes, a questão não deve ser definitivamente dirimida na esfera administrativa, com a exclusão do contribuinte do pólo passivo, sendo apenas possível, na execução fiscal, em sede de embargos do devedor. Admitir a exclusão de responsabilidade da pessoa jurídica pelos atos praticados por seus dirigentes, em seu nome, mas com excesso de poderes, implicaria afronta às disposições do art. 123 do CTN, na medida em que a violação de um contrato particular entre as partes in casu, o estatuto da sociedade a regular a competência Fl. 399DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 15 de atuação dos dirigentes poderia vir a alterar a definição de sujeito passivo da obrigação tributária. Lucro Arbitrado. Opção Adotada pelo Sujeito Passivo Constatado, em procedimento de auditoria fiscal, que a contribuinte, diante da falta de manutenção de escrituração nos moldes das leis comerciais e fiscais optou, por ocasião da entrega da DIPJ do respectivo exercício, pelo arbitramento dos lucros, mantémse, no lançamento de ofício, a opção originalmente adotada, quando presentes os requisitos estabelecidos em lei para tributação com base no lucro arbitrado., uma vez que a retificação para troca de sistemática de tributação, não é admitida pela legislação. Escrituração Apresentada na Impugnação. Inexistência de Arbitramento Condicional. Como não existe arbitramento condicional, a opção da empresa pela sistemática do lucro arbitrado não pode ser modificada ainda que, sob procedimento fiscal, venha a ser apresentada escrituração hábil a amparar o lucro real, fato que não se verificou no caso concreto. Arbitramento. Receita Bruta Conhecida Considerase receita bruta conhecida aquela informada pela própria contribuinte, em atendimento à intimação da auditoria fiscal, confirmada na escrituração e consignada em DIPJ retificadora, apresentada sob procedimento fiscal. Omissão de Receitas. Presunção. Saldo Credor de Caixa A imputação de presunção de omissão de receitas, apurada em registros contábeis, não é compatível com o arbitramento dos lucros fundamentado na manutenção, pela contribuinte, de escrita contendo vícios, erros e omissões e, por essa mesma razão, repudiada. Sociedades Cooperativas de Prestação de Serviços Médicos Segurosaúde Atividade Mercantil Ato Não Cooperado As cooperativas de médicos não se sujeitam à incidência tributária em relação aos serviços que prestem diretamente aos associados na organização e administração dos interesses comuns ligados à atividade profissional. Todavia, se conjuntamente com os serviços dos sócios, a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, o fornecimento de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, tais operações não se compreendem entre os atos cooperativos, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de segurosaúde a ser tributada, nos termos da legislação em vigor. Lançamento de Ofício. Penalidade A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, configurado na falta de pagamento ou recolhimento de tributo devido, o seu pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. Taxa de Juros SELIC Apreciação de Ilegalidade Não cabe à autoridade administrativa apreciar questionamentos a respeito de ilegalidade ou Fl. 400DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 16 inconstitucionalidade de normas tributárias. Tal competência é exclusiva do Poder Judiciário Lançamento Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisando as alegações da peça impugnatória nos seguintes tópicos: pedido de suspensão do processo administrativo fiscal até decisão final no processo judicial que versa sobre a responsabilidade dos exadministradores da contribuinte; imprescindibilidade da imputação de responsabilidade pessoal aos ex administradores; impropriedade do arbitramento de lucros por falta de aprofundamento na auditoria fiscal; efetiva caracterização da empresa como sociedade cooperativa; ilegalidade das multas e taxas de juros aplicadas. Ao final, a peça recursal traz o os tópico “Conclusão” e “Pedido”, nos seguinte termos: CONCLUSÃO Frente à argumentação acima, inarredáveis as seguintes conclusões: O auto de infração é nulo porque lavrado em face de pessoa jurídica (Recorrente) quando, na verdade, foram os membros componentes da sua Diretoria anterior que, mediante a efetivação de atos flagrantemente ilícitos, deram causa à constituição do crédito ora exigido, porquanto a responsabilidade pelo seu adimplemento lhes deve ser atribuída de forma total e irrestrita, cabendo registrar ademais, que essa evidência seja considerada no bojo do presente processo administrativo, porque relativa a efetiva regra de responsabilidade. O auto de infração é nulo porque efetivado por intermédio de arbitramento de lucros, sistemática esta que, por configurar medida excepcional, não se sustenta, uma vez que não esgotados outros meios para comprovação e confirmação das bases de cálculo do IRPJ lançado, especialmente, a circularização da ação fiscal e a fiscalização dos fornecedores e clientes da Impugnante; Se, porventura, se pudesse admitir o arbitramento da presente hipótese, resta inconteste que este foi procedido de forma equivocada, na medida em que o Sr. Fiscal considerou conhecida a receita bruta da Recorrente, quando, na verdade, os dados que chegaram a seu conhecimento destoam, flagrantemente, da realidade contábil da mesma, tendo sido submetidos, inclusive, à procedimento de revisão contábil; 04. O valor correspondente às receitas supostamente omitidas pela Recorrente também não se compagina à sua realidade, configurando, in casu uma presunção ilidida, eis que extraídos da contabilidade que, posteriormente, foi reestruturada; 05. Considerandose que o arbitramento foi levado a cabo com base no valor da receita bruta indicada pela Recorrente, fazse necessário discriminar quais valores referemse a ingressos decorrentes da prática de atos cooperativos que não ensejam a obtenção de renda e quais referemse a atos não cooperativos, para o fim de que sejam excluídos os primeiros (ingressos decorrentes de atos cooperativos), o que, entanto, não foi observado pelo Sr. Fiscal; 06. Em vista da ausência de créditos tributários passíveis de serem exigidos, devem ser declarados insubsistentes, outrossim, os lançamentos efetuados a título de juros e multa; 07. A Taxa Selic é inconstitucional. Fl. 401DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 17 DO PEDIDO As razões fáticas e jurídicas apresentadas nesta peça recursal levam a conclusão de que não pode prevalecer o Auto de Infração e Imposição de Multa ora recorrido posto que todos os débitos (imposto, juros e multas) nele apontados são indevidos, mormente pelo fato de que, a uma, não cabe a exigência do presente crédito tributário frente à Recorrente, devendo ser atribuída aos exdirigentes da Impugnante, Dr. Sílvio Brocchi Neto, Dr. José Roberto Franchi Amade e Dr. Alexandre Contadore Bierrembach de Castro, a responsabilidade pessoal pelo seu adimplemento, uma vez que responsáveis pela prática de infrações dolosas que originaram a presente pendência; a duas, porque utilizada indevidamente a modalidade de lançamento via arbitramento; a três, porque, ainda que admitido o arbitramento, este o foi, in casu capitulado em dispositivo legal equivocado, o que originou base de cálculo flagrantemente incoerente à realidade; a quatro, porque as receitas supostamente "omitidas" pela Recorrente contemplam valores totalmente irreais; e, a cinco porque sendo, porventura, desconsideradas as fundamentações anteriores, há que ser excluída da base utilizada pelo Fiscal para o arbitramento (receita bruta) os valores correspondentes aos ingressos decorrentes das práticas de atos cooperativos, posto que os mesmos não ensejam a obtenção de renda, para fins de tributação. Portanto, requer a Recorrente, preliminarmente, que dignemse Vossas Senhorias a analisar a questão quanto a responsabilidade dos ex administradores da ora Recorrente vez que trata de genuína regra de responsabilidade tributária, determinando que os exadministradores sejam chamados a figurar no pólo passivo do presente processo administrativo de forma a serem responsabilizados pelo débito tributário o qual deram causa, ou, caso assim não se entenda que, ao menos, seja determinada a suspensão do presente processo administrativo fiscal até a definitiva solução do processo judicial n° 3.131/03, em trâmite na 6a Vara Civil da Comarca de Campinas, no qual se discute a responsabilidade dos exadministradores no período contemplado nestes autos. No mérito, reitera essa Recorrente seu requerimento, fundamento em todos os dispositivos legais e constitucionais invocados no presente recurso, dignese Vossa Excelência a dar provimento ao presente recurso, para o fim de declarar nulo, porque ilegal, o Auto de Infração objeto desta defesa, cancelandose todos os débitos nele apontados e procedendose às baixas nos respectivos arquivos e sistemas informatizados, determinandose, por fim, o arquivamento do presente processo. É o relatório. Fl. 402DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 18 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte é uma “cooperativa de trabalhos médicos”que foi objeto de fiscalização do IRPJ e demais tributos da administrados pela Receita Federal, dos anos de 1999 a 2002 (fl1 1), e o presente lançamento referese ao IRPJ e contribuições no ano de 2001 (fl. 6 e seguintes), sendo que o IRPJ e CSLL se deram na modalidade do lucro arbitrado. O presente processo é conexo ao de No. 10830.0005877/200418, relativo ao IRPJ, oriundo da mesma ação fiscal, que foi julgado procedente pela 3a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em 20/10/2006, acórdão 10322690, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 1999, 2000 EMENTA: ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – NULIDADE INOCORRÊNCIA A autuação deve ser lavrada contra a pessoa jurídica, sujeito passivo titular da relação jurídicotributária, que não se confunde com o responsável tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ ANO CALENDÁRIO: 1999, 2000 EMENTA: LUCRO ARBITRADO APLICABILIDADE Cabível o arbitramento do lucro quando a escrituração do sujeito passivo contém vícios insuperáveis e inexistem documentos que possam embasar os registros efetuados. SOCIEDADE COOPERATIVA Não são alcançados pela incidência do imposto de renda os resultados dos atos cooperativos. O resultado positivo de operações praticadas com a intermediação de terceiros, ainda que não se incluam entre as expressamente previstas nos artigos 86 a 88, da Lei 5.764/71, é passível de tributação normal pelo imposto de renda. Se, todavia, a escrituração não segregar as receitas e as despesas/custos segundo a sua origem atos cooperativos e não cooperativos ou, ainda, se a segregação feita pela sociedade não se apoiar em documentação hábil que a legitime, o resultado global da cooperativa será tributado, por ser impossível a determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. MULTA DE OFICIO. É aplicável na hipótese de lançamento de oficio, nos termos do art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996. JUROS DE MORA. TAXA SELIC — A partir de 1°de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4). Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL Ementa: LANÇAMENTO DECORRENTE – Ao lançamento dito decorrente, aplicase a mesma decisão proferida no auto do IRPJ, dada a intima relação de causa e de efeito que os unem. Fl. 403DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 19 Aplicase também ao presente processo, no que couber o decidido no acórdão acima, em face da intima relação de causa e efeito que os une (tal qual versado na ementa supra transcrita, relativa à CSLL). A contribuinte em seu recurso, basicamente, reproduziu as alegações da peça impugnatória que a meu ver foram corretamente enfrentadas e ultrapassadas na decisão de 1a. instância. Peço vênia para transcreve e adotar integralmente os fundamentos da decisão recorrida: PRELIMINARMENTE Em preliminares, cumpre analisar a invocada nulidade das autuações, por alegado erro na atribuição da responsabilidade tributária à impugnante, tendo em conta a previsão do art. 135 do CTN de responsabilidade pessoal dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias, resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Nas lições de Bernardo Ribeiro de Moraes, adotadas por Sérgio André Rocha Gomes da Silva (In “Responsabilidade Pessoal dos Sócios por Dívidas Fiscais da Pessoa Jurídica”. Revista Dialética de Direito Tributário nº 76. Janeiro de 2002, págs. 119/130), o legislador, ao determinar o aspecto subjetivo da hipótese de incidência da obrigação tributária, especifica o caso da pessoa que se acha ligada de forma direta e pessoal com o fato gerador. Entretanto, com vistas a ampliar o rol de sujeitos submetidos ao adimplemento da obrigação tributária, aumentando o âmbito subjetivo da arrecadação dos tributos, o legislador estabelece situações em que pessoas sem vínculo pessoal e direto com a hipótese de incidência tributária podem ser demandadas pelo recolhimento do tributo. Nesses casos o Estado, por conveniência e oportunidade, amplia o número de devedores do tributo, alcançando também, como sujeito passivo, pessoa diferente do contribuinte. O Código Tributário Nacional (CTN), em seu capítulo V, trata da responsabilidade tributária, deixando consignado, no art. 128, que, sem prejuízo do disposto nesse capítulo, a Lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Entre as situações em que se verifica a ocorrência de responsabilidade tributária, encontrase previsto o dever dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado recolherem aos cofres públicos os créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de Lei, contrato social ou estatutos (art. 135, inciso III, do CTN). Contextualizando a responsabilidade tributária como um tema ligado à eficácia das normas de direito tributário material e, conseqüentemente, à ampliação de possibilidades de realização do crédito tributário, cumpre esclarecer à defesa que, em regra, o ato administrativo de lançamento para constituição do crédito tributário efetuado contra o próprio contribuinte – aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador (art. 121, Parágrafo único, I) –, apenas, em alguns casos, de morte da pessoa física ou de extinção da pessoa jurídica, poderia ter decretada a sua invalidade, por erro na identificação do sujeito passivo. Fl. 404DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 20 Na questão da responsabilidade tributária, cumpre distinguir as hipóteses de sujeição passiva, que diz respeito ao pólo passivo da relação jurídica tributária, e as de responsabilidade patrimonial pelo adimplemento do crédito tributário. Não se pode dizer, propriamente, que a responsabilidade instituída pelo art. 135 do CTN tenha estabelecido uma hipótese de sujeição passiva tributária, principalmente porque a atribuição da responsabilidade pessoal dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, ali definida, depende de produção probatória da ocorrência dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Em verdade, o art. 135, III, do CTN teria possibilitado que a pessoa jurídica de direito privado, lesada pela conduta ilícita de seus diretores, gerentes e representantes, pudesse vir a ser exonerada, total ou parcialmente, da responsabilidade patrimonial pelo crédito tributário, contra ela originariamente constituído, tendo em conta a prova de subsunção dos fatos à hipótese legal ali prevista. Configurase, assim, a definição da responsabilidade patrimonial pelo crédito tributário, um problema a ser dirimido na execução fiscal, em sede de embargos do devedor. No esteio da melhor doutrina e jurisprudência, podese dizer que a legitimidade das partes na ação de execução fiscal definese, em princípio, em função dos partícipes da relação jurídica tributária constituída. Tendo em conta que a pessoa jurídica goza de personalidade própria e autonomia patrimonial, não se confundindo com a pessoa e o patrimônio de seus sócios ou diretores, gerentes e representantes, não seriam estes últimos, em regra, partes legítimas para figurar no pólo passivo da execução fiscal. Nas lições do Min. José Delgado, no voto proferido no REsp nº 100.739/SP, DJ 28/02/2000, “(a) quem está obrigada a recolher os tributos devidos pela empresa é a pessoa jurídica; e, não obstante ela atuar por intermédio de seu órgão, o sócio gerente (ou diretor), a obrigação tributária é daquela, e não deste; (b) sempre que a empresa deixa de recolher o tributo na data do respectivo vencimento, a impontualidade ou a inadimplência é da pessoa jurídica, não do sóciogerente (ou diretor); (c) o sóciogerente (ou diretor) só responde pelas dívidas da pessoa jurídica quando age com excesso de mandato ou infração à lei, contrato social ou estatutos, exatamente nos termos expressos pelo art. 135, III, do CTN” [destaques acrescidos]. Dizse ordinária a legitimidade do credor (sujeito ativo) e do devedor (sujeito passivo) figurantes no título – e anteriormente no lançamento –, porque são eles os sujeitos da relação jurídica substancial litigiosa e a eles diretamente interessa o resultado do processo de execução, a beneficiar ou não, o patrimônio de um deles em detrimento do patrimônio do outro. Segundo Cândido Rangel Dinamarco (In Execução Civil. 6ª ed., São Paulo, Malheiros, 1998), ainda que o título executivo tenha a inegável utilidade de indicar as partes legítimas, sua verdadeira função institucional é fornecer o requisito da adequação da tutela executiva, sem o qual o exeqüente carece de ação por falta de interesse de agir e não por ilegitimidade ad causam. Ademais, há outras hipóteses em que o título executivo não indica, de forma completa, quem tem a qualidade para figurar como parte no processo de execução: é o caso da legitimidade extraordinária. Dizse extraordinária a legitimidade, quando se tratar de situações referentes a pessoas que não são sujeitos das relações jurídicas substanciais, mas cuja participação no contraditório o legislador admite. Fl. 405DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 21 Sob tais lições a responsabilidade dos diretores, gerentes e representantes seria extraordinária, porque apesar de não integrar a relação jurídica de direito material, a legislação tributária e comercial, em circunstâncias determinadas, lhes atribui o papel de responsáveis pelo crédito tributário decorrente da atividade da pessoa jurídica. É necessário incluir os responsáveis tributários entre os legitimados porque deve ser parte quem vai sofrer diretamente os efeitos da atividade jurisdicional na execução. Aqui, cumpre destacar as recentes e reiteradas decisões do Superior Tribunal de Justiça – STJ, no sentido de ser possível o redirecionamento da execução, quando configurada a subsunção dos fatos à hipótese normativa prevista no art. 135, III, do CTN, mesmo que os diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica não constem do título executivo (e, conseqüentemente, do lançamento previamente formalizado). Vide ementas abaixo, transcritas, in verbis: RESP 525.741/RS RECURSO ESPECIAL 2003/00385126 Relator(a) Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI Órgão Julgador PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 14/12/2004 Data da Publicação/Fonte DJ 09.02.2005 p. 184 “Ementa: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIOGERENTE QUE FIGURA NA CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA COMO CORESPONSÁVEL. POSSIBILIDADE. DISTINÇÃO ENTRE A RELAÇÃO DE DIREITO PROCESSUAL (PRESSUPOSTO PARA AJUIZAR A EXECUÇÃO) E A RELAÇÃO DE DIREITO MATERIAL (PRESSUPOSTO PARA A CONFIGURAÇÃO DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA). 1. (...) 2. Não se pode confundir a relação processual com a relação de direito material objeto da ação executiva. Os requisitos para instalar a relação processual executiva são os previstos na Lei processual, a saber, o inadimplemento e o título executivo (CPC, artigos 580 e 583). Os pressupostos para configuração da responsabilidade tributária são os estabelecidos pelo direito material, nomeadamente pelo art. 135 do CTN. 3. A indicação, na Certidão de Dívida Ativa, do nome do responsável ou do coresponsável (Lei 6.830/80, art. 2º, § 5º, I; CTN, art. 202, I), confere ao indicado a condição de legitimado passivo para a relação processual executiva (CPC, art. 568, I), mas não confirma, a não ser por presunção relativa (CTN, art. 204), a existência da responsabilidade tributária, matéria que, se for o caso, será decidida pelas vias cognitivas próprias, especialmente a dos embargos à execução. 4. É diferente a situação quando o nome do responsável tributário não figura na certidão de dívida ativa. Nesses casos, embora configurada a legitimidade passiva (CPC, art. 568, V), caberá à Fazenda exeqüente, ao promover a ação ou ao requerer o seu redirecionamento, indicar a causa do pedido, que há de ser uma das situações, previstas no direito material, como configuradoras da responsabilidade subsidiária. 5. No caso, havendo indicação do codevedor no título executivo (Certidão de Dívida Ativa), é viável, contra ele, o pedido de redirecionamento da execução. Precedentes (REsp 272.236SC, 1ª Turma, Min. Gomes de Barros; REsp 278.741, 2ª Turma, Min. Franciulli Netto). 6. Recurso especial a que se nega provimento”. Fl. 406DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 22 AgRg no RESP 434.491/RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2002/00537097 Relator(a) Ministra DENISE ARRUDA Órgão Julgador PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 24/11/2004 Data da Publicação/Fonte DJ 17.12.2004 p. 417 “Ementa AGRAVO REGIMENTAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. REGULARIDADE DA CDA. SÚMULA N.º 7. REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO PARA O SÓCIO, EM FUNÇÃO DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. NÃOCONFIGURADA A AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DA SENTENÇA. NÃOOCORRÊNCIA DE PRESCRIÇÃO. 1. As razões que levaram o Tribunal a quo, revolvendo a matéria fática, a declarar a regularidade da CDA, impossibilita a esta Corte o seu reexame, em decorrência da vedação expressa conferida pela Súmula n.º 7/STJ. 2. Os patrimônios das pessoas jurídica e física, em regra, não se confundem. No entanto, incorrendo a administração em excesso de poderes e/ou infração de lei, ou havendo a extinção irregular da empresa, não há óbice quanto à extensão aos bens particulares da constrição judicial. 3. Apresentando o decisum outros argumentos bastantes à solução do conflito e sendo oportunizada à parte a correção da omissão por meio de embargos declaratórios, mantendose silente naquela ocasião, não cabe a alegação de nulidade da sentença em sede de recurso especial. 4. A Primeira Seção desta Corte Superior vem orientandose no sentido de que o prazo prescricional, no caso de redirecionamento excepcional da execução contra os sócios da pessoa jurídica, iniciase no momento da citação da pessoa jurídica e é de 5 (cinco) anos. 5. Agravo regimental improvido”. AgRg no RESP 445.366/RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2002/00836567 Relator(a) Ministra DENISE ARRUDA Órgão Julgador PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 18/11/2004 Data da Publicação/Fonte DJ 17.12.2004 p. 418 “Ementa TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL. APLICAÇÃO RETROATIVA DO ART. 13 DA LEI 8.620/93. IMPOSSIBILIDADE. ART. 135 DO CTN. IMPOSSIBILIDADE QUANDO O PEDIDO FUNDASE EM CAUSA QUE, NEM EM TESE, ACARRETA A RESPONSABILIDADE SUBSIDIÁRIA DO TERCEIRO REQUERIDO. 1. O art. 13 da Lei 8.620/93, que estabelece a responsabilidade solidária dos sócios pelas dívidas previdenciárias, não pode ser aplicado aos créditos constituídos antes da sua vigência.s 2. Para viabilizar o redirecionamento da execução fiscal ao sócio gerente da pessoa jurídica, basta que a Fazenda Pública, ao requerer tal redirecionamento, indique como causa do pedido alguma das hipóteses previstas em lei, pelas quais se admite esse procedimento. 3. A jurisprudência desta Corte, entretanto, não admite o redirecionamento da execução fiscal pelo simples inadimplemento de obrigação tributária, bem como nos casos em que não são encontrados bens suficientes em nome da empresa executada. Fl. 407DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 23 4. Agravo regimental a que se nega provimento”. RESP 595.022/RS RECURSO ESPECIAL 2003/01691428 Relator(a) Ministro LUIZ FUX Órgão Julgador PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 21/10/2004 Data da Publicação/Fonte DJ 22.11.2004 p. 276 “Ementa: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO PARA O SÓCIOGERENTE. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. SÚMULA 07/STJ. CARÁTER PROTELATÓRIO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUSPENSÃO DO PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE OUTROS RECURSOS. 1. O redirecionamento da execução fiscal, e seus consectários legais, para o sóciogerente da empresa, somente é cabível quando reste demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou contra o estatuto, ou na hipótese de dissolução irregular da empresa. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no sentido de que a responsabilidade do sócio pelas dívidas da sociedade depende da comprovação de que este agiu com infração à lei, ao regulamento ou com excesso de mandato, aí não se incluindo o simples inadimplemento de obrigações tributárias. 3. (...) 4. (...) Precedentes: RESP 469409/SP, Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, DJ 23.06.2003; RESP 261596/PR, Rel. Min. Aldir Passarinho Júnior, DJ 19.02.2001. 5. Recurso Especial de Luiz Roglio provido. Recurso Especial do Estado do Rio Grande do Sul parcialmente conhecido, e, nesta parte, provido”. Conforme se depreende dos julgados acima, é juridicamente possível o redirecionamento da execução contra a pessoa dos diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica, quando ficar provado que o crédito tributário constituído é resultantes de atos por eles praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, mesmo que tais pessoas não constem do título executivo e, conseqüentemente, do anterior lançamento de ofício. A partir daí, impõese concluir que, não pode ser decretado nulo o lançamento efetuado contra o contribuinte do tributo, por erro de identificação do sujeito passivo, ou erro na atribuição de responsabilidade tributária, tendo em conta que o art. 135, III, do CTN não configura hipótese de sujeição passiva, mas de responsabilidade patrimonial pessoal pelo crédito tributário, que pode vir a ser configurada juridicamente apenas na fase de execução. É o que pode vir a ocorrer no presente caso. Destaquese, ainda, o julgado acima (Agravo Regimental no Recurso Especial nº 434.491/RS) que trata do problema da prescrição do redirecionamento da execução contra os sócios, e não da decadência, denotando a regularidade de constituição do crédito tributário contra o contribuinte. Apesar das alegações da defesa e das providências administrativas (inquéritos) e judiciais (ação de indenização), tomadas pela pessoa jurídica contra os exdirigentes, não poderia o órgão administrativo competente para a constituição do crédito tributário, afastar a responsabilidade da pessoa jurídica e proceder ao lançamento contra as pessoas físicas dos exdirigentes porque a configuração jurídica da hipótese prevista no art. 135, III, do CTN, além de in casu, restringir a possibilidade de realização do crédito tributário, tendo em conta que a contribuinte é pessoa Fl. 408DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 24 jurídica existente de fato e de direito, depende, ainda, de prévia e definitiva manifestação judicial nesse sentido. (...) Nesse contexto, justamente pela natureza não tributária da lide acerca da constituição do fato de terem atuado, os dirigentes, com excesso de poderes e lesado patrimonialmente a pessoa jurídica, os órgãos administrativos, encarregados da administração dos tributos, falecem de competência para qualquer apreciação definitiva a respeito da subsunção dos fatos à hipótese normativa de responsabilidade patrimonial prevista no art. 135, III, do CTN, não devendo, por isso, proceder à exclusão do contribuinte do pólo passivo. Acaso comprovada a subsunção dos fatos à hipótese normativa prevista no art. 135, III, do CTN, o órgão administrativo encarregado do lançamento do tributo deve providenciar a caracterização da responsabilidade pessoal dos diretores, gerentes e representantes da pessoa jurídica, mantendo, todavia, o contribuinte no pólo passivo da relação jurídica tributária constituída no lançamento. Numa outra linha de argumentação, Aurélio Pitanga Seixas Filho (In “A Responsabilidade do Administrador e sua Defesa na Execução Fiscal por Encargo de Terceiro”. Revista Dialética de Direito Tributário nº 6. Março de 1996, págs. 23/28), defende que a responsabilidade de terceiros pelo crédito tributário está prevista nos arts. 134 e 135 do CTN e compreende atos praticados pelo terceiro, em nome e por conta do contribuinte. Nesse contexto, a dívida tributária surge em nome do contribuinte em razão de atos praticados pelos terceiros, sustentados por poderes outorgados pelo próprio contribuinte ou com base no cumprimento de deveres legais. Em suma: o fato gerador da dívida tributária é praticado pelo terceiro, porém agindo em nome e por conta do contribuinte. Quando uma pessoa (o terceiro) age em nome e por conta de outra pessoa (o contribuinte), obedecendo fielmente aos poderes que lhe foram outorgados, todas as conseqüências jurídicas dos atos praticados pelo terceiro irão recair sobre a pessoa por ele representada, não cabendo a este nenhuma responsabilidade jurídica pelos atos praticados. E, posteriormente, destaca o Ilmo. Doutrinador que, mesmo que o terceiro tenha agido com excesso de poderes ou infringido a Lei, contrato social ou estatutos, a dívida tributária surgirá originariamente em nome do contribuinte, sendo necessária a prova da conduta ilícita ou ilegal do terceiro. Decorre dos pressupostos acima adotados, que a responsabilidade patrimonial prevista no art. 135 do CTN não constitui hipótese de substituição tributária. Limitase a estabelecer a responsabilidade patrimonial pessoal dos dirigentes pelo crédito tributário, decorrente da prática de atos com excesso de poderes, mas não estabelece expressamente ser esta responsabilidade exclusiva. (...) Admitir a exclusão de responsabilidade da pessoa jurídica pelos atos praticados por seus dirigentes, em seu nome, mas com excesso de poderes, implicaria afronta às disposições do art. 123 do CTN, na medida em que um contrato particular entre as partes – in casu, o estatuto da cooperativa a regular a competência de atuação dos dirigentes – poderia vir a alterar a definição de sujeito passivo da obrigação tributária. Repitase: o art. 135 do CTN estabelece hipótese de responsabilidade patrimonial e não de sujeição passiva tributária. Cumpre ainda ressaltar que a exclusiva responsabilidade dos dirigentes pelos atos praticados com excesso de poderes beneficiaria indevidamente e, em detrimento do interesse público, a atuação, no mínimo, culposa da pessoa jurídica, culpa esta em seus diversos aspectos, tipos e definições adotados pelo Direito Pátrio. A culpa in elegendo, já que os dirigentes da entidade, envolvidos em todos os ilícitos, foram Fl. 409DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 25 designados nos termos do estatuto da cooperativa. Culpa in vigilando, caracterizada pela total negligência dos órgãos da administração que, apesar do dever expresso, deixaram de zelar pelo bom nome e bom funcionamento da entidade. Superada, portanto, a preliminar de nulidade por erro de atribuição de responsabilidade tributária ao sujeito passivo. MÉRITO 1. ARBITRAMENTO 1.1 Lançamento de Ofício Com Base nas Regras do Arbitramento dos Lucros No mérito argúi, a impugnante, a nulidade da autuação por entender que a auditoria fiscal utilizouse, de forma indevida, da sistemática de lançamento por arbitramento de lucros, considerando que não teriam sido esgotados todos os meios possíveis para a determinação e confirmação da base de cálculo do IRPJ, verificandose, assim, ofensa aos princípios da capacidade contributiva, do nãoconfisco e da verdade material. Por outro lado, segundo consignado no Termo de Verificação Fiscal, à fl. 32, o agente autor do feito apenas manteve, no lançamento de ofício, a forma de tributação adotada pela contribuinte, quando promoveu a entrega da DIPJ do anocalendário 2001, ocasião em que optou pela apuração do imposto pelas regras do lucro arbitrado, observando, ainda, a auditoria, que a opção, uma vez adotada, não poderia ser modificada, tampouco depois de iniciado procedimento fiscal que tivesse por objeto o exercício de 2002. Com efeito, o Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, ao tratar da possibilidade de correção da declaração por iniciativa do próprio declarante, condiciona essa faculdade à comprovação de erro e antes de qualquer notificação do Fisco. Determina o §1º do art. 147 do CTN: “§1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o contribuinte.” Assim, ao contrário do que entende a impugnante, a retificação da declaração deve ser promovida antes do início do procedimento fiscal. Mesmo que se entenda que a notificação referida no parágrafo acima transcrito se trate de notificação do lançamento, e não de qualquer ato escrito relativo ao início de uma ação fiscal, não se pode olvidar do disposto no Decreto nº 70.235/72: “Art. 7º. O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; (...) §1º. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas.” É farta a jurisprudência administrativa dispondo no sentido de que a retificadora só tem amparo quando apresentada antes do início da ação fiscal. É o que se verifica dos julgados adiante reproduzidos: Retificação da Declaração Após Iniciada a Ação Fiscal A retificação de declaração exige que seja efetuada antes da ação fiscal e motivada com provas. À míngua de provas materialmente elucidativas, do erro cometido na retificação e sendo o pedido de retificação depois da ação fiscal, não se Fl. 410DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 26 aceita o pedido de retificação. 1º CC. / 5ª Câmara / Acórdão 10513.319 em 17.10.2000. Publicado no DOU em: 15.12.2000. Retificação Após Iniciado Procedimento Fiscal Não pode o contribuinte, em seu benefício, obter a retificação da declaração de rendimentos, após iniciado o procedimento fiscal (Ac. 1º CC 10221.822/85 Resenha Tributária, Seção 1.2, Ed. 30/87, pág. 768). Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica Prazo Para Retificação Homologação O prazo para o Contribuinte retificar sua declaração do imposto de renda de pessoa jurídica coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no § 4º do artigo 150 do CTN. CSRF Primeira Turma / ACÓRDÃO CSRF/0103.692 em 10/12/2001. Publicado no DOU em: 05.08.2003. Conforme descrito, a contribuinte somente procurou alterar os dados contidos na DIPJ relativa ao anocalendário 2001, em 29/06/2004, após o início do procedimento fiscal, em 15/03/2004, momento em que já não mais dispunha de espontaneidade para confessar eventuais irregularidades vinculadas à matéria sob exame. Todavia, a retificação da declaração, para troca de sistemática de tributação, ainda que apresentada tempestivamente, ou seja, antes do início de qualquer procedimento fiscal, não pode ser acatada. Excepcionandose os casos em que apuração dos resultados da pessoa jurídica, com base nas regras do lucro real é obrigatória, pode a contribuinte optar pela tributação com base no lucro presumido ou com base no lucro arbitrado, desde que respeitados os requisitos estabelecidos em lei, especialmente em relação a este último. No entanto, uma vez adotada a forma de tributação, ratificada por ocasião da entrega da respectiva DIPJ, a opção se torna definitiva e não pode mais ser alterada, ainda que a retificação seja promovida ANTES do início do procedimento fiscal. Isto porque não se admite que a opção por determinada forma de tributação, espontaneamente adotada pela pessoa jurídica, seja interpretada como erro, para efeitos do disposto no citado § 1º do artigo 147 do CTN. Nesse sentido o artigo 57 da IN SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001, abaixo reproduzido, e a já pacificada jurisprudência dos tribunais administrativos, cujos acórdãos ilustram o posicionamento aqui adotado: IN SRF nº 15 de 06 de fevereiro de 2001: Art. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Retificação Para Troca de Formulário Não é permitida a retificação da declaração de rendimentos da pessoa física visando a troca de formulário, quando esse procedimento caracterizar uma mudança de opção e não erro cometido na declaração. Dispositivos Legais: Ato Declaratório Normativo 24/96. Decisão nº 200/98. SRRF / 7ª Região Fiscal. Publicação no DOU: 30.10.1998. Retificação Para Alteração de Opção Com o exercício do direito de escolha, determinase (modificase) o conteúdo da obrigação e temse a prestação escolhida como única devida desde o começo. Exercido o direito de escolha pela empresa, ao lhe ser dada a opção de escolher entre ser tributada com base no lucro real ou com base no lucro presumido, no caso, opção pelo lucro real, temse esta opção como único dever de prestar a obrigação devida Fl. 411DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 27 desde o início, tornandose definitiva a opção pelo lucro real. O direito de optar pela tributação com base no lucro presumido deve ser exercido por ocasião da apresentação espontânea da declaração de rendimentos, uma vez que se esgota nesse momento. Descabe a retificação da declaração de rendimentos apresentada para tributação com base no lucro real, para substituíla por declaração optando pelo lucro presumido. 1º CC. / 7ª Câmara / Acórdão 10705821 em 08.12.1999. Publicado no DOU em: 20.10.2000. Neste sentido, regular foi o procedimento da Fiscalização, ao deixar de considerar a declaração retificadora apresentada. Vencida essa questão, resta verificar se teriam sido atendidos os requisitos para a adoção, pelo sujeito passivo, da forma de tributação do IRPJ do anocalendário 2001, com base nas regras do lucro arbitrado, e a conseqüente manutenção dessa forma de tributação, no lançamento de ofício perpetrado pela autoridade fiscal. Para que seja possível o arbitramento dos lucros da pessoa jurídica, é necessário constatar a existência de um dos requisitos estabelecidos em lei, como se verifica do dispositivo adiante transcrito: Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o Decretolei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI REVOGADO VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto de renda correspondente com base nas regras previstas nesta Seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: Fl. 412DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 28 a) a apuração do imposto de renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. Como se verifica da leitura do dispositivo anterior, o autoarbitramento, ou o arbitramento promovido pelo próprio sujeito passivo, já era permitido à época da vigência da Lei nº 8.981, de 1995, desde que também presentes os pressupostos para apuração do lucro com base nas regras do arbitramento. Na compilação da legislação que rege o assunto, o Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99 – dispôs em capítulo próprio: Art. 531. Quando conhecida a receita bruta (art. 279 e parágrafo único) e desde que ocorridas as hipóteses do artigo anterior, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com base no lucro arbitrado, observadas as seguintes regras (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, §§ 1º e 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I a apuração com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada, ainda, a tributação com base no lucro real relativa aos trimestres não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos por aquela modalidade de tributação; II o imposto apurado na forma do inciso anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento de cada período de apuração. (*) O artigo anterior mencionado no caput é o artigo 530, que tem por base legal o artigo 47 da Lei nº 8.981/95, anteriormente transcrito. Para validação, portanto, da opção da pessoa jurídica pelo autoarbitramento, necessária a constatação da existência de alguma das situações elencadas no artigo 47 da Lei nº 8.981/1995. Retornandose à cronologia dos acontecimentos verificase que, já no Termo de Início de Fiscalização, às fls. 38 e 39, cientificado em 15/03/2004, a contribuinte foi intimada a, dentre outras exigências, tornar disponíveis os livros contábeis e fiscais dos 5 (cinco) últimos anos (item 3), bem como disponibilizar o acesso aos documentos que embasaram os lançamentos nos livros fiscais e contábeis do período de 1999 a 2002 (item 4). O prazo concedido para atendimento às solicitações foi de 20 (vinte) dias. Em 25/06/2004, ou seja, passados mais de 90 (noventa) dias sem que as solicitações contidas no Termo de Início fossem atendidas pela contribuinte, ou que fossem oferecidas justificativas para a falta de atendimento, foi lavrada a reintimação de fls. 61, e instada, uma vez mais a pessoa jurídica, a tornar disponíveis os elementos já solicitados no Termo de Início. Fl. 413DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 29 Apenas em 08/07/2004, quando transcorridos quase que 4 (quatro) meses do início dos trabalhos, a contribuinte apresenta os livros Razão Analítico de 1999 a 2001 e Diário de 1999. Observese que não foi entregue, nessa oportunidade, o Livro Diário do anocalendário 2001, período objeto da auditoria sob exame, e o Livro Diário do anocalendário 2000 encontravase em situação irregular, posto que não fora devidamente registrado. O LALUR não fora escriturado. As demais solicitações da auditoria, dentre elas o pedido para apresentar a segregação, determinada em lei, entre contas com cooperados e contas com não cooperados, informação imprescindível no caso de auditoria em sociedades cooperativas, não foi atendida. Somente após 6 (seis) meses do início da ação fiscal, em 20/09/2004, pela petição de fls. 79 a 83, afirma, a impugnante, no item “B – 2.1 – Segregação de contas de operações com não cooperados” que “A Requerente não reúne condições, nessa oportunidade, de fornecer os dados solicitados, uma vez que os mesmos referemse à época na qual a sua administração estava a cargo de outros cooperados, os quais, em razão de tumultuada transição havida em junho de 2001, não disponibilizaram dados e documentos sobre o tema”. No mesmo instrumento, informou a contribuinte, no item “C” que “... não detém os documentos contábeis solicitados, todos eles referentes a período anterior a junho de 2001...” Verificase, assim, que, desde o início da ação fiscal e, no decorrer dos 6 (seis) meses seguintes, além dos parcos dados obtidos, a auditoria não teve acesso aos necessários e imprescindíveis elementos da escrituração contábil e fiscal, relativa ao anocalendário 2001. Em que pese ter a contribuinte fornecido, ainda que precariamente, alguns elementos de sua escrituração contábil e fiscal, é necessário ressaltar que, ainda que fosse permitido pelo ordenamento jurídico, a auditoria fiscal não teria logrado determinar, com segurança, a apuração dos resultados da pessoa jurídica com base no Lucro Real do período sob análise. Isto porque além das irregularidades e inconsistências detectadas pelo agente fiscal na escrituração da empresa, devidamente descritas no Termo de Verificação Fiscal, anexo aos autos de infração, a própria contribuinte, durante todo o procedimento fiscal, e ao longo de toda a explanação em sua impugnação, não apenas admitiu, como inúmeras vezes afirmou que sua contabilidade, no período, não se prestava a determinar o Lucro Real. É o que se constata a partir da leitura dos trechos acima transcritos, da resposta apresentada em 20/09/2004, e das seguintes passagens extraídas da peça impugnatória: “(...) a impugnante (...) conforme descrito no tópico antecedente atravessou um período muito tormentoso, na qual esteve submetida a uma administração que não zelou pelo cumprimento de diversas obrigações, tampouco pela guarda e manutenção de vasta documentação. (...)” (destaques acrescidos) – fl. 117; “(...) de forma que a contabilidade proveniente desse período (2001), certamente não se afigura conexa à realidade, é dizer, certamente está irregular (...)” – fl. 117; “(...) a Impugnante não cogita consentir com a manutenção de um lançamento fiscal pautado em dados contábeis que sequer podem ser considerados verossímeis (...)” – fl. 118; Fl. 414DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 30 “É fato: não se afigura prudente, ou sequer razoável a utilização de dados contábeis, por parte dessa Fiscalização, que sabidamente provém de um período em que a Impugnante tinha sua contabilidade escriturada de forma totalmente irregular”. (destaques do original) – fl. 122; “Considerandose, no entanto, a absoluta ‘ininteligibilidade’ das informações anteriores, bem como a complexidade do trabalho de auditoria desenvolvido, sua conclusão demorou a ser alcançada, cabendo ressaltar, inclusive, que até o presente momento sequer se pode afirmar a constatação de um resultado definitivo (...)” (destaques acrescidos) – fl. 122; “(...) como já salientado, a contabilidade da Impugnante não primava pela organização, não se podendo sequer atestar se tais saldos refletem, efetivamente, sua realidade contábil.” (destaques acrescidos) – fl. 127; “Com efeito (...) a contabilidade da Impugnante já se mostra totalmente equivocada, razão pela qual não é possível se considerar de forma ‘definitiva’ os dados apurados a partir de sua escrituração contábil, até mesmo porque (...) a Impugnante teve sua contabilidade refeita, de forma que suas informações contábeis foram totalmente reelaboradas (...)” (destaques acrescidos) – fl. 127. Uma vez admitido pela própria contribuinte, a imprestabilidade de sua escrituração, o que foi confirmado na avaliação da auditoria fiscal, pela análise dos mínimos elementos apresentados, resta claro que não teria sido realmente possível, apenas com base nesses elementos, determinar a apuração dos resultados da empresa no anocalendário 2001, com base nas regras do lucro real. Até este ponto, portanto, verificase, de fato, a presença dos pressupostos exigidos pela legislação em vigor para apuração dos resultados da pessoa jurídica com base no arbitramento promovido pelo próprio sujeito passivo, assim como estariam atendidos os requisitos para lançamento de ofício, também com base nas regras do arbitramento dos lucros. Na oportunidade, a impugnante consignou seu inconformismo, questionando, também, por qual motivo não teria, a fiscalização, se utilizado de outros meios para averiguação dos componentes do fato jurídico tributário manifestado pela empresa, no anocalendário 2001, tais como, em suas palavras, “a circularização da Ação Fiscal, mediante a extensão dos pedidos de apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos aos tomadores e prestadores de serviços da Impugnante”. (grifos originais). Antes de responder a esse questionamento, cumpre ressaltar o que foi consignado, pela impugnante, nas “considerações finais” constantes da resposta apresentada, em 20/09/2004 (fls 79 a 83), transcritas a seguir: “A Requerente, por meio de sua atual diretoria, assim como àquela imediatamente anterior, registra que não obstante os problemas verificados em gestões anteriores a agosto de 2001, está procurando, na medida do que está a seu alcance, sanar as inúmeras irregularidades e pendências herdadas das diretorias anteriores, motivo pelo qual está empenhada a fornecer todos os dados e documentos que possam contribuir nesse sentido, mas desde que deles disponha – o que, nem sempre e infelizmente, tem sido possível”.(destaques acrescidos). Pela redação acima, parece demonstrar, a contribuinte, sua disposição em contribuir com a auditoria fiscal, na medida em que dispusesse de documentos, comprovantes, escrituração, e outros elementos que pudessem ajudar a demonstrar a real “manifestação do fato jurídico tributário” relativo ao anocalendário 2001. Fl. 415DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 31 Igualmente procurou enfatizar, na impugnação apresentada, que, em que pese haver contratado auditoria independente, que determinou fosse refeita a escrituração contábil e fiscal do anocalendário 2001, até o momento em que foi apresentada a impugnação, não teria logrado encontrar o resultado final relativo aquele período. Por pertinente, são reproduzidos os seguintes trechos da peça de defesa: “Tanto é assim que a Impugnante, inclusive, foi submetida a um procedimento de auditoria contábil, que determinou o imediato refazimento de sua contabilidade de todos os anoscalendário envolvidos na presente fiscalização, eis que as informações iniciais se mostravam desconexas à sua realidade. Para cumprimento dessa determinação da Assembléia foi contratada renomada empresa de auditoria contábil, que procedeu, então, à revisão dos procedimentos adotados pela Impugnante nas áreas contábil, fiscal, tributária e trabalhista, relatando todos os fatos correlacionados ao período em que permaneceu vigorando a Diretoria constituída pelos Dr. Silvio Brocchi, Dr. José Roberto Franchi Amade e Dr. Alexandre Contadores Bierrembach de Castro, bem assim os efeitos desses fatos decorrentes (vide nesse sentido, toda a documentação acostada à exordial da ação indenizatória nº 3131/03, que segue anexa à presente). Considerandose, no entanto, a absoluta ‘ininteligibilidade’ das informações anteriores, bem como a complexidade do trabalho de auditoria desenvolvido, sua conclusão demorou a ser alcançada, cabendo ressaltar, inclusive, que até o presente momento sequer se pode afirmar a constatação de um resultado definitivo, uma vez que ainda estão sendo levantados os resultados das práticas da ex Diretoria, até mesmo por intermédio dos procedimentos cíveis e criminais em curso.” Nessa oportunidade, afirmou, ainda, que para a formalização do auto de infração, a fiscalização teria tido acesso apenas aos registros da contabilidade anterior, elaborada com base em dados oriundos do período de gestão da antiga diretoria e, por essa razão, dados contábeis que destoariam da realidade. E afirma, com destaque: “Visando a escorreita demonstração do exposto, a Impugnante informa que todos os documentos concernentes à auditoria interna, que culminou na reestruturação contábil da Impugnante encontramse à disposição do Fisco Federal, para necessária análise em sua sede”. A partir das afirmações da impugnante, acima transcritas, alguns pontos merecem melhor atenção. 1. Em que pese a alegada disposição da impugnante em fornecer todos os dados e documentos que pudessem contribuir com os trabalhos fiscais, na resposta apresentada em 20/09/2004 (fls 79 a 83), foi sonegada a informação de que estava submetida a um procedimento de auditoria externa que culminou com a recomposição de sua escrituração. 2. Não resta dúvida de que o procedimento de auditoria externa já estava em curso, no decorrer da fiscalização federal; do contrário, não seria possível que, na data de apresentação da impugnação, a contribuinte já estivesse de posse de todos os documentos concernentes à auditoria interna, que culminou na reestruturação contábil da Impugnante, que teria colocado à disposição, para análise, ao Fisco Federal, conforme afirmou na própria impugnação. A propósito, a própria impugnante anexou, à sua peça de defesa, os relatórios produzidos pela auditoria externa realizada em seu estabelecimento, conforme documentos acostados às fls.779 a 1.086; Fl. 416DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 32 3. Possuindo, a impugnante, outros elementos que pudessem levar à correta apuração dos resultados com base no lucro real, como os relatórios da auditoria externa e os documentos nela produzidos, o fato de ter deixado de entregálos à fiscalização deve ser interpretado como mera estratégia de defesa, ou, mesmo, como máfé. Numa investigação mais profunda do contexto em que inserida a ação fiscal, releva destacar que, no Termo de Intimação nº 02/2004, cientificado ao representante legal da empresa em 12/07/2004, o agente encarregado dos trabalhos fiscais instou a contribuinte a explicar determinados lançamentos contábeis envolvendo o nome “EXITUS”. Vejamos, a propósito, o item 12 da referida intimação (fl. 73): “ 12 EXITUS Justificar e esclarecer a natureza dos lançamentos efetuados no ano calendário, nas contas 2.1.8.01.0727 – ‘REPASSE MÉDICO’, com históricos ‘valor de cotas p/ subscrição da EXITUS’. Esclarecer: a) o que é a EXITUS? b) Tratase de coligada ou controlada? c) Em caso positivo, por que razão não aparece no ATIVO PERMANENTE como investimento? d) Houve ingresso de recursos nas operações acima?” No atendimento à intimação, conforme a mesma petição datada de 20/09/2004, a resposta da contribuinte foi a seguinte (fl.81): “12 EXITUS: A Requerente registra que desconhece a natureza dos lançamentos efetuados no ano calendário 1999 na conta 2.1.8.01.0700 – ‘EXITUS P/ SUBSCRIÇÃO DE CAPITAL e na conta 2.1.8.01.0727 – ‘REPASSE MÉDICO’, com históricos ‘valor de contas p/ a subscrição da EXITUS’; não tem claro o que é a EXITUS e, finalmente, não tem ciência de eventual vinculação acionária ou ingresso de recursos decorrentes de eventuais operações com a EXITUS. Sabe, apenas, que esta última empresa tem como únicos sócios os Srs. Sílvio Brocchi Neto e Alexandre Contadores Bierrenbach de Castro. Importa, aqui, esclarecer que as informações solicitadas não estão sendo pura e simplesmente sonegadas. Ao contrario, a Requerente, por meio de seus atuais cooperados e diretoria, pretende esclarecer todas essas questões, o que deverá ocorrer com o desfecho do processo judicial supra referido.” (destaques acrescidos). Em que pese a afirmação acima, os fatos denotam realidade bem diversa. Na exordial da ação indenizatória nº 3131/03, datada de 03/09/2003, promovida perante a 6ª Vara Cível de Campinas e subscrita pelos mesmos procuradores signatários da impugnação ora sob apreciação, cuja cópia foi apresentada pela recorrente às fls. 445 a 518, verificase que a EXITUS já era bastante conhecida dos representantes legais da COOPERMECA. Com efeito, todo um tópico específico foi destinado a descrever que a EXITUS se tratava de uma pessoa jurídica, que prestava serviços à autuada e constituída pelos Fl. 417DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 33 mesmos diretores desta. Vejamos, a propósito, como é abordada a EXITUS na mencionada peça: “2.2. DA ATUAÇÃO DA EMPRESA ‘EXITUS PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS LTDA.’ A Empresa Exitus possui inconteste importância e destaque no processo de administração e gerência das empresas Autoras(*), que culminou no resultado lesivo aos respectivos patrimônios, razão pela qual mister se faz discorrer sobre a sua criação e atuação (...)” – fl. 454. (*) dentre as autoras da ação encontrase a COOPERMECA. “De fato a ‘Exitus Participações Societárias Ltda.’ foi criada pelos Réus Dr. Silvio, Dr. José Roberto e Dr. Alexandre (doc), com o escopo, ‘a priori’, de prestar serviços de gerenciamento operacional, administrativo, financeiro, comercial, técnico e societário à COOPERMECA, conforme faz prova o contrato de prestação de serviços assinado em 29/10/1998, e o termo de cessão de ações, datado de 10/12/1998 (documentos anexos a presente sob o título ‘Documentos relativos à empresa Exitus Comércio e Participações Ltda’)” (destaques acrescidos) – fl. 454. (...) Vale ressaltar que, muito embora tenha sido a ‘Exitus’ contratada para prestar serviços para a COOPERMECA mediante a remuneração simbólica de R$ 1,00, em verdade, também recebia, a título de taxa de administração, 10% (dez por cento) de toda a receita da cooperativa (...)” (destaques acrescidos) – fl. 456. A cobrança de tal taxa, não obstante não ser mencionada no contrato de prestação de serviços, resta explícita no ‘Termo de Rescisão do Contrato de Prestação de Serviços’ (...)” (destaques acrescidos) – fl. 456. Com isso querse demonstrar que, contrariamente à sua afirmação, a contribuinte não contribuiu, da maneira que lhe era possível, com o bom andamento dos trabalhos fiscais. Constatase, pois, que de forma flagrante, a autuada sonegou informações à auditoria fiscal, a uma, porque deixou de dar a conhecer que estava de posse de nova escrituração, relativa ao anocalendário 2001, providenciada pela empresa de auditoria “TALENTUS”; a duas porque os documentos que embasaram a nova escrituração deixaram de ser apresentados, e a três, por simplesmente ter se abstido, deliberadamente, de responder a indagações sobre assuntos dos quais tinha pleno conhecimento. Agora sim, em resposta ao inconformismo da impugnante, que alegou que a auditoria fiscal não teria esgotado todos os meios para apuração do lucro real, por ter deixado de circularizar junto de seus fornecedores e prestadores de serviços, consignese que o protesto revelase falso e sem fundamento, posto que a própria impugnante, estrategicamente, omitiu, da fiscalização, elementos imprescindíveis que poderiam ter levado à apuração do real fato jurídico tributário. Importa salientar, no entanto, que ainda que fosse possível à auditoria determinar, com fundamento em outros meios inclusive a reivindicada circularização a apuração do resultado da empresa com base no lucro real, ou, que a própria contribuinte apresentasse a escrituração reelaborada com base nas orientações da auditoria externa, ainda assim não seria possível a formalização do lançamento com base na sistemática do lucro real, por expressa vedação legal, conforme já consignado no presente voto. Fl. 418DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 34 Além de não ser admitida a mudança da opção pela forma de tributação adotada pelo contribuinte e manifestada com a entrega tempestiva da DIPJ, não existe arbitramento condicional. Isto porque, uma vez formalizada a opção do contribuinte pelo arbitramento dos lucros em face da inexistência de escrituração nos termos das leis comerciais e fiscais, não há previsão legal para seu desfazimento por suposta possibilidade de apuração do lucro real, com base nas informações contidas na escrituração refeita, supostamente colocada à disposição da fiscalização, após a ciência dos autos de infração. Nessa vertente está direcionada a jurisprudência do Conselho de Contribuintes: INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL Como não existe arbitramento condicional, o ato administrativo do lançamento, regularmente constituído, não pode ser modificado pela apresentação, na fase de impugnação, dos documentos cuja inexistência foi a causa do arbitramento. (Acórdão nº 10706411, Sétima Câmara, Data da Sessão: 18/10/2001). FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. Inexistindo o arbitramento condicional, o auto de infração não se modifica pela posterior apresentação desta documentação. (Acórdão nº 10318947, Terceira Câmara, Data da Sessão: 14/10/97). IRPJ ARBITRAMENTO DE LUCROS O lançamento efetuado de acordo com as normas legais, notificado o sujeito passivo, só pode ser alterado nas formas estabelecidas no art. 141 do CTN. A apresentação dos livros na fase impugnatória não tem o condão de tornar sem efeito o lançamento, posto que não há arbitramento condicional. (Acórdão nº 10320070, Terceira Câmara, Data da Sessão: 18/08/99). ESCRITURAÇÃO APRESENTADA POSTERIORMENTE – Inexistindo arbitramento condicional, o ato administrativo do lançamento não é modificável pela posterior apresentação da escrituração, cuja recusa ou inexistência foi a causa do arbitramento. (Acórdão 1° CC 1052.959/88 – DOU 07/06/89). Como resumo do presente tópico temos que: 1) A própria contribuinte determinou seus resultados relativos ao anocalendário 2001, à época da entrega da DIPJ do respectivo exercício, optando pelas regras de apuração do lucro arbitrado, porque não dispunha de escrituração, mantida de acordo com as leis comerciais e fiscais, conforme suas próprias afirmações; 2) No procedimento de auditoria fiscal constatouse que a mesma escrituração utilizada como base para a entrega da DIPJ original do exercício 2001 e que foi parcialmente apresentada pela contribuinte, em atendimento às intimações, continha, de fato, omissões, erros e vícios que a tornaram imprestável para determinar a apuração do anocalendário 2001, com base nas regras do lucro real; 3) Ainda que fosse possível a posterior apuração, pela auditoria fiscal, dos resultados da pessoa jurídica com base nas regras do lucro real, proporcionada pelas informações contidas na escrituração refeita, não é admitida a mudança da opção pela forma de tributação in casu, o autoarbitramento adotada pela contribuinte e manifestada com a entrega da respectiva DIPJ; Fl. 419DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 35 5) A contribuinte deliberadamente omitiu da fiscalização a escrituração refeita do anocalendário 2001, e sonegou elementos imprescindíveis que poderiam ter levado à correta determinação do fato jurídico tributável. Ilustrando o posicionamento ora adotado, transcrevemse, a seguir, ementas de acórdãos proferidos, nesse mesmo sentido, pelo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO APÓS O LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL O arbitramento do lucro, quando realizado em prazo hábil, sem percalços que provoquem grave dificuldade ao contribuinte na reconstituição de sua escrituração, deve ser entendido, tãosomente, como meio único na obtenção das bases de cálculo dos tributos. A apresentação da escrituração após o lançamento de ofício não invalida a apuração das bases de cálculo pelo arbitramento. Não existe lançamento condicional. 1º CC. / 8a Câmara / ACÓRDÃO 10806.053 em 16.03.2000. Publicação DOU: 22.08.2000. INTIMAÇÃO RECUSA – APRESENTAÇÃO NA FASE DE JULGAMENTO – ARGUIÇÃO DE CONDICIONALIDADE DESCABIMENTO O arbitramento não é algo que se possa subordinar à matroca da parte que lhe deu causa. A recusa ou a inexistência de livros e documentos impede a auditoria não o arbitramento do lucro. O acolhimento ulterior do acervo implicará das duas uma: ou se empreende uma celeridade meteórica às operações fiscais e aos julgamentos em suas diversas instâncias, ainda com amparo em legislação complementar que oferte maior elasticidade aos prazos decadenciais em casos de recusa ou embaraço às ações do Fisco; ou se exime de tributos, paradoxalmente, todos aqueles cidadãos que obrarem contra os cânones democráticos que os agasalham e os protegem. Eis um dualismo e uma antinomia execráveis. 1º CC. / 7ª Câmara / ACÓRDÃO 10706921 em 05/12/2002. Publicado DOU: 20.10.2003. NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS NECESSÁRIOS A APURAÇÃO DO LUCRO REAL A não apresentação pela fiscalizada dos livros e da documentação contábil e fiscal, reforçada pela resposta à intimação de que, além de não dispor dos livros obrigatórios à apuração do lucro real , não tinha condições de preparálos, por não dispor da documentação exigida, não deixou ao fisco outra alternativa que não lançar mão do arbitramento do lucro. 1º CC. / 7a Câmara / ACÓRDÃO 10707559 em 17.03.2004. Publicado no DOU em: 23.06.2004. LUCRO ARBITRADO APRESENTAÇÃO POSTERIOR DE DOCUMENTOS É inócua a posterior apresentação de livros e documentos com o intuito de apresentar base de cálculo menor que a apurada pelo fisco, utilizandose de forma de tributação que, apesar de reiteradamente intimado, não mostrou tê la adotado no tempo devido. 1º Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 10322.980 em 25.04.2007. Publicado no DOU em: 07.01.2008. Correta, portanto, a manutenção, pela auditoria fiscal, no lançamento de ofício ora sob apreciação, da tributação do IRPJ e da CSLL com base nas regras de apuração do lucro arbitrado. 1.2 Forma de Apuração da Base de Cálculo Para Arbitramento dos Lucros A legislação que regula o arbitramento dos lucros dispõe que a tributação deverá tomar por base a receita bruta, quando esta for conhecida. Fl. 420DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 36 Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Art. 47 (...) § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto de renda correspondente com base nas regras previstas nesta Seção. ................................................................................................................ Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995: Art. 16. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando conhecida, dos percentuais fixados no art. 15, acrescidos de vinte por cento. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 27. O lucro arbitrado será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 16 da Lei nº 9.249 de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; Retornandose, novamente, aos fatos, observase que, em atendimento à intimação lavrada em 14/05/2004, a empresa recorrente apresentou à auditoria fiscal, as receitas de prestação de serviços auferidas nos meses de janeiro a dezembro do ano calendário 2001, para efeito de apuração das bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS, mediante o preenchimento do “questionário de informações gerais”. As receitas informadas nas planilhas anexas ao “questionário de informações gerais”, também foram consignadas na DIPJ/2002 – retificadora, que a contribuinte pretendia fosse acatada. Interessante ressaltar que na DIPJ original fora consignado o montante de R$ 1.000,00 por trimestre, a título de receita. Nas planilhas apresentadas à fiscalização e na DIPJ retificadora, foram estas as receitas de prestação de serviços declaradas pela contribuinte: Trimestre Receita bruta em R$ 1º 1.236.892,32 2º 1.092.201,02 3º 1.299.288,26 4º 1.144.456,04 Os valores constantes do demonstrativo acima foram checados, por amostragem, e mostraramse compatíveis com os valores constantes das contas de receitas escrituradas pela pessoa jurídica, nos livros apresentados à auditoria fiscal. Tomou se, assim, como receita conhecida, para fins de manutenção do arbitramento dos lucros, os valores constantes da tabela acima. Sendo os únicos elementos obtidos, depois de esgotadas todas as tentativas em obter a documentação comprobatória das receitas e despesas da entidade no período, Fl. 421DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 37 consideramse legítimos para cálculo do lucro arbitrado, como de fato o foram. Quanto a este item nenhum reparo há que se fazer ao procedimento fiscal. Não há dúvida de que a receita foi conhecida, ao menos na parte em que a contribuinte permitiu fosse conhecida. Tanto é verdade que a própria pessoa jurídica, para se eximir das penalidades aplicáveis aos casos de lançamentos de ofício, tentou retificar a DIPJ do exercício 2002, nela consignando os valores das receitas auferidas que haviam sido omitidas e que, notese, representam um acréscimo de aproximadamente 100.000% sobre as receitas trimestrais declaradas na DIPJ original. Diante dos fatos apurados e retratados no presente feito, anteriormente narrados, a alegação de que a auditoria deveria ter adotado procedimentos para lançamento de ofício por arbitramento dos lucros, nos casos em que a receita não é conhecida, mostrase sem fundamento e meramente procrastinatória. (...) 3. Ato cooperativo. Ato nãocooperativo. Tributação Como se verifica, o lançamento foi efetuado tendo por base a descaracterização dos atos praticados pela contribuinte como atos eminentemente cooperativos. Além de não apresentar escrituração com segregação de receitas, a sociedade teria por finalidade a administração de planos de saúde, atividade considerada de natureza mercantil, contratando, com terceiros não associados, serviços médicos, hospitalares, laboratoriais, dentre outros, não estando, por essa razão, inserida no âmbito das cooperativas. Essa constatação teria sido confirmada pela própria contribuinte quando, na tentativa de retificação da DIPJ do exercício 2002, consignou exclusivamente receitas de prestação de serviços submetidas à tributação, além de declarálas, como tributáveis, à auditoria fiscal mediante a entrega do formulário “questionário de informações gerais”. Por outro lado a impugnante afirma a sua condição de sociedade cooperativa por praticar atos exclusivamente cooperativos. A questão a ser enfrentada, portanto, relacionase a identificar, dentre os atos praticados pela empresa interessada, quais seriam os atos cooperativos e quais não seriam. As cooperativas, em linhas gerais, são definidas como empresas de serviços, criadas para atender às necessidades de seus associados, em que estes exercem, em relação a elas, simultaneamente, o papel de sócio e de usuário ou cliente. Permite a lei que elas adotem por objeto qualquer gênero de serviço, operação ou atividade, ficando sua autorização, controle e fiscalização, sujeitos aos órgãos governamentais. A Lei no 5.764, de 1971, que define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, ao se referir aos atos que podem ser praticados pela cooperativa alude expressamente somente aos atos cooperativos. Vejamos: Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução de seus objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 422DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 38 (................................................................................................................) Na lição de Walmor Franke (in ISS e Cooperativas; Revista de Direito Tributário, 1718 p. 90), há três famílias de atos que podem ser praticados pelas cooperativas: atos cooperativos, atos nãocooperativos intrínsecos e atos nãocooperativos extrínsecos à atividade cooperativa. Os atos cooperativos, segundo o autor, também são conhecidos por atosfim, operações internas, operações privativas dos associados ou negócios cooperativos. Estes atos, embora possam implicar transferência patrimonial, não caracterizam compra e venda ou operação de mercado, pela própria definição legal (§ único do art. 79). Os atos cooperativos, por sua natureza, não sofrem a incidência do Imposto de Renda, em razão de que a transferência patrimonial, quando ocorre (p. ex., na entrega da produção em cooperativas agrícolas), não se configura em operação de mercado, nem contrato de compra e venda e não constitui a base de cálculo do tributo (lucro real, presumido ou arbitrado). Não há, em princípio, resultados positivos em relação a estes atos, nem para a cooperativa, nem para os associados. São, portanto, os resultados desses atos, denominados de atos cooperativos, que recebem a proteção da legislação especial e específica das cooperativas. Os atos nãocooperativos intrínsecos são inerentes aos objetivos da sociedade. São dois os grupos de atos, os quais assim são classificados: (i) Atosmeio, operações externas, operações de contrapartida ou operações instrumentais são os atos que a cooperativa perfaz com terceiros no atendimento de seu objetivo social, sendo meio ou instrumento por intermédio do qual a cooperativa se coloca na posição de poder realizar aquelas operações internas que dizem respeito à prestação de serviços aos sócios. Nos atosmeio existe sempre a presença de um terceiro, não cooperado, negociando com a cooperativa, no atendimento dos objetivos sociais desta. O nãocooperado aparece em apenas uma ponta da relação negocial. Em uma cooperativa de trabalho, por exemplo, o terceiro será o consumidor dos serviços prestados. Em uma cooperativa agrícola, o terceiro compra os produtos dos cooperados, agricultores. É essencial o atendimento aos objetivos sociais da cooperativa e a presença de um cooperado em uma das pontas da relação negocial. (ii) Como atos acessórios ou auxiliares à regular administração da empresa, podem ser citados, dentre outros, os atos de contratar ou demitir empregados e alugar salas. São os inúmeros atos em que a cooperativa age na busca de bem atender seus objetivos sociais, através da boa administração da sociedade. Os atos nãocooperativos intrínsecos não geram lucro para a sociedade por sua própria essência, pois, caso contrário, não estariam atendendo aos objetivos sociais. Os resultados positivos resultantes destas operações constituem, por opção do legislador e em atenção aos princípios cooperativos, sobras. Isto se dá porque a cooperativa que exerce atividade econômica em conformidade com seus objetivos sociais legalmente aceitos não visa ao lucro, mas sim ao beneficiamento de seus associados. Já, os demais atos nãocooperativos praticados pela cooperativa – denominados atos nãocooperativos extrínsecos geram efetivamente lucros para esta, sendo regularmente tributados pelo Imposto de Renda.. Alguns desses atos foram expressamente previstos pela Lei no 5.764/71, que os chamou de “operações com nãoassociados” e estão previstos nos artigos. 85 a 87: Fl. 423DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 39 “Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possua. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei.” Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do “Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social” e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência tributária”. O tratamento tributário a ser dispensado a essas operações com não associados – ato não cooperativo extrínseco, é aquele previsto no artigo 111 do citado normativo: “Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os arts. 85, 86 e 88 desta Lei.” (...) Concluise, portanto, pela simples leitura dos dispositivos anteriormente transcritos, que a cooperativa de serviços médicos tem como objetivo único a prestação de serviços médicos pelos seus associados. Os argumentos expendidos pela Impugnante em sentido contrário não podem ser aceitos uma vez que tal entendimento levaria à confusão entre ato(s) de intermediação e ato cooperativo, quando é certo, como vimos que este consiste apenas na prestação de serviços médicos, nada mais. A prestação de serviços médicos é aquela exercida pelo médico no seu trabalho pessoal, na clínica médica ou na cirurgia. A venda de planos de saúde com internação hospitalar, os convênios com laboratórios para os exames laboratoriais, dentre os demais elencados no Termo de Verificação Fiscal, não constituem prestação de serviços médicos para fins de não incidência tributária. E também não são imprescindíveis a esse mister, como quer fazer parecer a Impugnante. Este entendimento já se encontra solidificado na esfera administrativa, tanto pelas orientações internas expedidas pelos órgãos normativos da RFB, como ilustra o citado PN/CST nº 38/80, como pelos diversos julgados proferidos pelas Delegacias de Julgamento e pelos Conselhos de Contribuintes. Apenas a título de corroborar tal afirmação, transcrevese, abaixo, parte do voto do Conselheiro José do Nascimento Dias, relator do acórdão nº 1059.181/1995, com a seguinte manifestação: “A cooperativa tem personalidade jurídica própria distinta da dos cooperados. Assim, ao contratar com o beneficiário do plano de saúde a prestação de serviços, ela o faz, a meu ver, em nome e por conta próprios e não em nome e por conta dos seus cooperados, conforme sustenta a recorrente. Nessa contratação de prestação de serviços com os beneficiários do plano, a cooperativa se compromete, em contrapartida ao pagamento da mensalidade tal, a prestarlhe tanto os serviços de médicos cooperados como também serviços de terceiros não cooperados (hospitais, laboratórios, etc.), seja lá quanto estes últimos serviços venham a custar à cooperativa. Fl. 424DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 40 Quanto a estes últimos serviços existe a possibilidade de lucro na medida em que o paciente fique internado por poucos dias, ou que os exames laboratoriais necessários sejam baratos em relação às previsões estatísticas e o risco de prejuízo no caso inverso. No caso, a meu ver, a cooperativa está fazendo intermediação entre dois não cooperados, de um lado, o laboratório de análises, ou o hospital conveniado, aos quais encaminha pacientes e, de outro lado, ao próprio paciente ao qual assegura a prestação do serviço do terceiro, qualquer que seja o seu preço. Entendo que tal atividade enquadrase na norma do artigo 129, II do Regulamento de 1980, que prevê a tributação do resultado positivo de tal atividade, ainda que a mesma vise atender aos objetivos sociais da cooperativa. Se a cooperativa não pagasse pelo serviço de terceiro não cooperado quem teria que pagálo, à parte, seria o beneficiário do plano de saúde e não o médico. Além do mais, conquanto a intermediação da cooperativa entre o médico cooperado e o paciente seja da própria natureza desse tipo de cooperativa de serviços, que visa exatamente captar clientes para o cooperado, afastandose a incidência da norma do artigo 129, II do RIR/80, o mesmo não ocorre na intermediação da cooperativa entre o laboratório de análises (não cooperado) e o beneficiário do plano de saúde (também um não cooperado). Neste caso, incide, a meu ver, a norma referida.” Não é por demais salientar que o que atribuiu ao ato o caráter de ato cooperativo são suas características intrínsecas, as pessoas físicas e/ou jurídicas nele envolvidas e o contexto em que foi praticado. Isto significa dizer que, não basta atribuir a denominação de ato cooperativo a qualquer ato praticado por uma sociedade que também se denomina de sociedade cooperativa. A lógica não é tão simplória. Não é porque se trata de sociedade cooperativa, que todos e quaisquer atos por ela praticados deverão ser, necessariamente, considerados como atos cooperativos, para fins de não incidência tributária, como quer fazer crer a Impugnante. Destaquese, ainda, por oportuno, que o fato de constar do estatuto social da defendente a previsão de prestação de serviços hospitalares ou laboratoriais por terceiros nãocooperados, não é suficiente para conferir natureza cooperativa a esse ato, mesmo que a despeito do conceito legal pretendase, contratualmente, conferir lhe esse atributo. Assim, concluise pela improcedência das alegações da impugnante. A venda de planos de saúde ou de convênios médicos não se constituem em atos cooperativos. Configuram, isto sim, mera intermediação de serviços de terceiros a terceiros não cooperados. Correto, portanto, o procedimento fiscal quando considerou como atos não cooperativos, e por isso sujeitos à tributação pelo IRPJ e CSLL, os atos praticados pela Impugnante, mencionados no presente processo. 4. Multa de Ofício. Juros de Mora. Taxa Selic Com relação à multa aplicada sobre os tributos exigidos no presente processo administrativo é de se esclarecer que a multa ao percentual de 75% corresponde à multa exigida nos casos de lançamento de ofício. A penalidade instituída pelo art. 44, I, da Lei nº 9.430, nada mais é do que uma sanção pecuniária a um ato ilícito, qual seja, a falta de pagamento ou recolhimento Fl. 425DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10830.000359/200581 Acórdão n.º 140200.439 S1C4T2 Fl. 0 41 de tributo devido, o seu pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, ou ainda a falta de declaração ou a apresentação de declaração inexata. In casu, dado que não houve pagamento ou recolhimento de tributo devido, por parte da contribuinte, a exigência da multa de ofício encontrase em perfeita consonância com a legislação em vigor. Sobre a questão, suscitada pela defendente, de que há ilegalidade na aplicação, sobre o principal, de juros de mora calculados com base na taxa Selic, é de se assinalar que os dispositivos legais que regem a matéria levam a discussão para além das atribuições deste órgão julgador. No âmbito do processo administrativo não cabe, à autoridade fiscal, emitir juízo de valor a respeito de legalidade ou constitucionalidade de normas legais que embasam o ato praticado, sob pena de responsabilidade funcional por desrespeito aos comandos legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico, em observância ao disposto no artigo 142, parágrafo único, do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único – A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A apreciação de questionamentos desse tipo é reservada ao Poder Judiciário. Logo, qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse poder. 5. Exigências Reflexas As exigências relativas às contribuições CSLL, PIS e COFINS são mera decorrência da exigência principal do IRPJ .Não tendo sido oferecida nenhuma alegação específica pela impugnante contra essas exigências e uma vez considerado improcedente a exigência fundamentada em presunção de omissão de receitas por suposto saldo credor de caixa, conforme consta do presente ato, igual sorte deve colher as exigências reflexas. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 426DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10380.006094/2007-31
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/1998 a 30/09/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL.
CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO
ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO
I, DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45
e 46 da Lei n º 8.212 de 1991, conforme Súmula Vinculante n º 8, de 12 de
junho de 2008,
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela
fiscalização há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN.
Encontramse
atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos
geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-00.470
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente
julgado.Ausente momentaneamente o Conselheiro Eduardo de Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1998 a 30/09/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n º 8.212 de 1991, conforme Súmula Vinculante n º 8, de 12 de junho de 2008, Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido.
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei n º 8.212 de 1991, conforme Súmula Vinculante n º 8, de 12 de junho de 2008, Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.Ausente momentaneamente o Conselheiro Eduardo de Oliveira. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Relatório DO LANÇAMENTO A fiscalização registra que a empresa ARRISCADO ASSESSORIA EM RECURSOS HUMANOS S/C LIDA (CNPJ 02 378 219/000154) prestou serviços à empresa incorporada, configurando cessão de mãodeobra e acarretando a responsabilidade solidária entre o prestador e o tomador dos serviços, em conformidade com o disposto no então vigente art. 31 da Lei n.° 8.212/91. Considerando a operação de incorporação mencionada, os valores foram lançados em nome da VULCABRAS DO NORDESTE S/A (incorporadora), período 01/03/1998 a 30/09/1998, conforme relatório fiscal, fls. 87 a 90. Diante da não apresentação de guias de recolhimento e das respectivas folhas de pagamento referentes ao serviço prestado, a base de cálculo das contribuições previdenciárias devidas foi aferida em 40% do valor constante das notas fiscais de serviço, conforme listado no Relatório de Lançamentos (fls. 07 e 08). DA CIÊNCIA A ciência da notificação fiscal se deu em 24/11/2006, fl. 01, inconformado o recorrente apresentou impugnação, fls. 144 a 164. A decisão do órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal confirmou a procedência do lançamento, fls. 194 a 199. DO RECURSO O contribuinte tomou ciência da decisão em 31/03/2008, fls. 204, inconformado interpôs recurso voluntário, fls. 209 a 225, em 28/04/2008, requerendo em síntese a decadência dos fatos geradores lançados. É o Relatório. Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator Como já reconhecido pela autoridade fiscal na manifestação de fls. 228, o Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual, passo a analisálo. Quanto à questão preliminar relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser reconhecida. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.006094/200731 Acórdão n.º 280300.470 S2TE03 Fl. 230 3 O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212/91, há que serem observadas as regras previstas no CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, se não houver o pagamento antecipado não se aplica o disposto no art. 156, inciso VII do CTN, devendo assim ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN; havendo a necessidade de lançamento de ofício substitutivo, conforme previsto no art. 149, inciso V do CTN. Nessa hipótese, caso não haja o lançamento, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão exarado em Recurso Especial REsp 761908 / SC, 2005/01010128, T1 PRIMEIRA TURMA, relator Ministro LUIZ FUX (1122), publicação DJ 18/12/2006 p. 322, prevê a aplicação de regras de contagem de decadência distintas em um mesmo lançamento de contribuições previdenciárias, cujo excerto transcrevemos: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DE SEUS CRÉDITOS. DECADÊNCIA. LEI 8.212/91 (ARTIGO 45). ARTIGOS 150, § 4º, E 173, I, DA CF/88. ACÓRDÃO ASSENTADO EM FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. ....... 11. In casu, a notificação de lançamento, lavrada em 31.10.2001 e com ciente em 05.11.2001, abrange duas situações: (1) diferenças decorrentes de créditos previdenciários recolhidos a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA 4 menor (abril e novembro/1991, março a julho/1992; novembro e dezembro/1992; setembro a novembro/1993, janeiro/1994, março/1994 a janeiro/1998; e março e junho/1998); e (2) débitos decorrentes de integral inadimplemento de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a autônomos (maio a novembro/1996; janeiro a julho/1997; setembro e dezembro/1997; e janeiro, março e dezembro/1998) e das contribuições destinadas ao SAT incidente sobre pagamentos de reclamações trabalhistas (maio/1993; abril/1994; e setembro a novembro/1995). 12. No primeiro caso, considerandose a fluência do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador, encontram se fulminados pela decadência os créditos anteriores a novembro/1996. 13. No que pertine à segunda situação elencada, em que não houve entrega de GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), nem confissão ou qualquer pagamento parcial, incide a regra do artigo 173, I, do CTN, contandose o prazo decadencial qüinqüenal do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta sorte, encontramse hígidos os créditos decorrentes de contribuições previdenciárias incidentes sobre pagamentos efetuados a autônomos e caducos os decorrentes das contribuições para o SAT." Nosso grifo No caso em concreto, tratase de lançamento, período 03/1998 a 09/1998, anterior a exigência da GFIP e sem registro de recolhimento prévio, conforme DAD – Discriminativo Analítico de Débito, fls. 04 a 05. Destarte, deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do CTN. REGRA DO ART. 173, I DO CTN. Para as competências 03/1998 a 09/1998 encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização, pois para a competência mais recente 09/1998, o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, data em que se exigia o pagamento antecipado, ou seja, em outubro de 1998; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, o dia 1o de janeiro de 1999, a qual findaria em 31 de dezembro de 2003. A ciência da notificação fiscal se deu em 24/11/2006, fl. 01. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento ao recurso em razão da decadência total do período do lançamento, nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 4DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.006094/200731 Acórdão n.º 280300.470 S2TE03 Fl. 231 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/02/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 28/02/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 18088.000026/2006-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
Ementa:
NULIDADE – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO
Inexiste ofensa ao direito fundamental ao sigilo bancário diante de
autorização expressa do titular da conta bancária para acesso a seus dados – hipótese em que sequer houve aplicação do art. 6º da Lei Complementar 105/01.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO
Descabe cogitar de transformação de firma individual. Aquela é figura
jurídica própria para pessoa jurídica. O que se deu foi a extinção da firma individual com aquisição do fundo de comércio por outra firma individual.
Como os lançamentos se aperfeiçoaram contra a contribuinte firma
individual extinta – e, carecendo essa de legitimidade passiva, não há como sobreviver, sobre exigências feitas àquela, a responsabilidade solidária à firma individual sucessora. Hipótese de erro na identificação do sujeito passivo.
Numero da decisão: 1103-000.513
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso. Declarou-se impedido o Conselheiro José Sérgio Gomes.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: NULIDADE – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO Inexiste ofensa ao direito fundamental ao sigilo bancário diante de autorização expressa do titular da conta bancária para acesso a seus dados – hipótese em que sequer houve aplicação do art. 6º da Lei Complementar 105/01. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Descabe cogitar de transformação de firma individual. Aquela é figura jurídica própria para pessoa jurídica. O que se deu foi a extinção da firma individual com aquisição do fundo de comércio por outra firma individual. Como os lançamentos se aperfeiçoaram contra a contribuinte firma individual extinta – e, carecendo essa de legitimidade passiva, não há como sobreviver, sobre exigências feitas àquela, a responsabilidade solidária à firma individual sucessora. Hipótese de erro na identificação do sujeito passivo.
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RESPONSÁVEL POR SUCESSÃO MILTON FERNANDO MASSUCO ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 Ementa: NULIDADE – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO Inexiste ofensa ao direito fundamental ao sigilo bancário diante de autorização expressa do titular da conta bancária para acesso a seus dados – hipótese em que sequer houve aplicação do art. 6º da Lei Complementar 105/01. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Descabe cogitar de transformação de firma individual. Aquela é figura jurídica própria para pessoa jurídica. O que se deu foi a extinção da firma individual com aquisição do fundo de comércio por outra firma individual. Como os lançamentos se aperfeiçoaram contra a contribuinte firma individual extinta – e, carecendo essa de legitimidade passiva, não há como sobreviver, sobre exigências feitas àquela, a responsabilidade solidária à firma individual sucessora. Hipótese de erro na identificação do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso. Declarouse impedido o Conselheiro José Sérgio Gomes. Fl. 1329DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.330 2 (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), Cristiane Silva Costa. Fl. 1330DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.331 3 Relatório DO LANÇAMENTO Contra a recorrente foram lavrados autos de infração exigindolhe os impostos e contribuições integrantes do Simples, ou seja, o IRPJ (fls. 691 a 708) no valor de R$ 22.256,89; PIS (fls. 717 a 722) no valor de R$ 22.256,89; CSL (fls. 731 a 736) no valor de R$ 45.683,55; COFINS (fls. 747 a 752) no valor de R$ 92.256,38 e INSS (fls. 763 a 768) no valor de R$ 143.947,74, além de juros e multa. Consta no Termo de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, que encontrase no Auto de Infração – IRPJ (fls. 691 a 708), que em 7/04/2006 a fiscalização, com o fim de dar ciência do Termo de Início de Fiscalização (fls. 12 a 15), compareceu no endereço do estabelecimento informado no cadastro da empresa Ariane Cristina Nonato ME, já baixada na Receita Federal, e lá encontrou uma outra empresa, cuja responsável era Tereza Nonato Massuco (tia de Ariane Cristina Nonato). Ao solicitar um talão de notas fiscais para conferência, foi fornecido um talão de notas da empresa Varejão Central de Carnes 1 (Ariane Cristina Nonato – ME), do qual foi emitida a nota fiscal 006606 (fl. 679) para constatação, tendo a Sra. Tereza Nonato Massuco informado que a utilização do talonário foi em razão de orientação de seu contador e que tratavase de uma mesma empresa, vez que no Fisco Estadual a empresa Ariane Cristina Nonato – ME havia sido apenas transformada. Em 17/04/2006 a fiscalização compareceu novamente ao estabelecimento, oportunidade em que foi emitida uma outra nota fiscal, a de nº 006591 (fl. 680), da mesma empresa Ariane Cristina Nonato – ME. Em nova diligência no estabelecimento, em 27/06/2006, foi emitida a nota fiscal nº 008067 (fl. 683), desta vez figurando como contribuinte a empresa Milton Fernando Massuco – ME. Diante dos esclarecimentos prestados pela Sra. Tereza Nonato Massuco a fiscalização deu a ela ciência do Termo de Início de Fiscalização (fls. 12 a 15), por meio do qual a recorrente fiscalizada (Ariane Cristina Nonato – ME) foi intimada a apresentar, no prazo de 20 dias, relação de todas as contas bancárias e cartões de créditos em seu nome, bem assim os extratos bancários, extratos dos cartões de créditos referentes aos períodos de 1º/01/2001 a 31/12/2004, além dos livros fiscais e contábeis. No mesmo termo, a autoridade fiscal esclareceu que a presente ação fiscal foi motivada pelo resultado de uma outra ação junto às empresas Rodrigues e Ferrante Ltda e Zentil & Silva EPP, ocasião em que foram identificados cheques nominais e/ou depositados em nome da recorrente Ariane Cristina Nonato – ME, o que sugeria haver uma movimentação financeira incompatível com os valores das receitas declaradas, conforme demonstrativo (fl. 12), mesmo levando em consideração os rendimentos declarados pela pessoa física Ariane Cristina Nonato. Em 18/04/2006 Ariane Cristina Nonato prestou os esclarecimentos de fls. 16 e 17, informando que seu pai apropriouse de seu nome para dar continuidade aos negócios e que a razão social que resultou da abertura da pessoa jurídica com o seu nome sempre foi, com exclusividade, de uso e manejo de seu pai. Na mesma data, por meio do Termo de Constatação Fl. 1331DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.332 4 Fiscal de fl. 18, o pai de Ariane Cristina Nonato (Sr. Milton Aparecido Nonato) ratificou os termos da declaração por ela prestada. Em 3/05/2006 foi entregue na ARF/São Carlos documento firmado por Vitorino Ângelo Filipin (fls. 20 e 21), informando que estaria apresentando procuração, livros fiscais solicitados e extratos bancários da pessoa física Ariane Cristina Nonato e da pessoa jurídica Ariane Cristina Nonato – ME. Em 1º/06/2006 foi lavrado o Termo de Constatação e Reintimação Fiscal de fls. 236 a 240. Em 19/06/2006, Ariane prestou os esclarecimentos de fl. 243 informando que o documento entregue por Vitorino Ângelo Filipin (fls. 20 e 21) é válido, mas que deixava de apresentar procuração por não ser mais seu advogado; que durante o período de 1º/01/2001 e 31/12/2004 teve uma única conta bancária, a de nº 8011X da agência do Banco do Brasil; que somente seu pai (Milton Aparecido Nonato) tinha permissão para movimentar referida conta; que autorizava o titular da presente ação fiscal a ter acesso aos dados bancários da referida conta; que, na época da baixa da referida empresa, por se tratar de firma individual, só foi encerrada junto a Jucesp e à Receita Federal, transferindo no âmbito estadual e municipal, conforme Xerox anexo DECA estadual e, por essa razão, os talonários poderiam ser utilizados pela empresa sucessora e os novos já teriam sido configurados com a razão social atual; que deixava de apresentar os extratos bancários ainda não entregues (outubro a dezembro de 2003 e maio de 2004) tendo em vista a autorização para acessar os dados bancários. O Banco do Brasil, em atendimento à intimação, apresentou os documentos de fls. 251 a 398. Em 23/08/2006 foi a recorrente intimada por meio do Termo de Constatação e Reintimação de fls. 401 a 403, a comprovar a origem dos recursos relacionados na tabela anexa (de fls. 404 a 420), em atenção ao que dispõe o art. 42 da Lei 9.430/96. Em 12/09/2006 a empresa, por meio de seu procurador Milton Aparecido Nonato (Procuração de fl. 431), informou, à fl. 424. que não era possível saber a origem dos recursos referentes aos depósitos mencionados na intimação por ser de muito tempo e que não possuía em mãos qualquer tipo de comprovantes de depósitos. Diante disso, a fiscalização lavrou os autos de infração, em 11/12/2006, para tributar os valores depositados em conta bancária superiores a R$ 1.000,00 como receita omitida, com fulcro na Lei 9.430/96, art. 42, respeitando a opção pelo Simples. Os valores dos depósitos estão relacionados às fls. 404 a 420 e estão consolidados mensalmente à f. 816. Ressaltou a autoridade fiscal que a escrituração contábil e fiscal da recorrente não guarda qualquer relação com a movimentação financeira apurada, razão pela qual não foram utilizados os livros fiscais. Segundo a fiscalização, houve uma perfeita sucessão em relação às pessoas jurídicas Ariane Cristina Nonato – ME e Milton Fernando Massuco – ME, posto que houve continuidade da mesma atividade, no mesmo local e as pessoas envolvidas são da mesma família. Diante dos fatos narrados, a fiscalização lavrou os autos de infração em 6 vias, uma para o processo fiscal; uma para a ciência da representante de direito Ariane Cristina Nonato; uma para o representante de fato Milton Aparecido Nonato; uma para Milton Fl. 1332DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.333 5 Fernando Massuco, responsável pela empresa Milton Fernando Massuco – ME (sucessora de Ariane Cristina Nonato – ME); e uma para representação fiscal para fins penais. DA IMPUGNAÇÃO Cientificados dos autos de infração, as empresas Ariane Cristina Nonato – ME e Milton Fernando Massuco – ME apresentaram impugnações de fls. 828 a 880 (Milton Fernando Massuco – ME) e fls. 886 a 932 (Ariane Cristina Nonato – ME). Impugnação apresentada por Ariane Cristina Nonato – ME Em suas razões de defesa, a recorrente, por meio de seus procuradores, aduziu o seguinte. Nulidade do Processo – Falta de Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal Alegou nulidade do processo tendo em vista que houve expiração do prazo de validade do mandado de procedimento fiscal, sem a conseqüente expedição de mandado de procedimento fiscal complementar. Omissão de Receitas – Presunção de Omissão de Receitas Alegou que não basta a simples presunção ad hominis levantada pela autoridade administrativa de que houve omissão de receitas para dar fundamento ao auto de infração, é preciso que a fiscalização apresente elementos comprobatórios seguros de que houve omissão de receita, o que não foi feito. Requereu, caso não seja aceita sua tese, a realização da competente prova pericial. Obtenção de Prova Ilícita – Ofensa ao Princípio Constitucional do Sigilo Bancário Alegou que o fisco adquiriu os extratos bancários diretamente das instituições bancárias, sem ordem judicial, com respaldo na Lei Complementar 105/2001. No entanto, nem mesmo a citada lei complementar tem o condão de tornar o fisco federal independente de autorização judicial e mesmo que estabelecesse a quebra do sigilo bancário sem autorização, só teria sentido para fins de apuração de crimes e não em caso de processo administrativo visando apurar créditos tributários. Dessa forma, segundo a recorrente, teria o fisco conseguido as provas (extratos bancários) de maneira ilícita, o que tornaria nulo o auto de infração. Omissão de Receitas – Depósitos Bancários não Contabilizados Na apuração do IRPJ pesa preponderantemente o confronto entre entradas e despesas, ambas devidamente identificadas, e que no caso a autoridade fiscal esqueceu de levar em consideração as despesas, pois em nenhum momento fez alusão a elas, o que torna inconsistente o auto de infração. Por outro lado, os depósitos bancários correspondem a uma movimentação de dinheiro e não de renda, além de conter empréstimos, valores liberados por cheque especial, circulação de valores entre bancos, e muitas outras situações que não afetam a renda da Fl. 1333DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.334 6 impugnante em cada ano e, exatamente por isso, não podem admitir os depósitos bancários como suposto indicativo de omissão de receita. Tributação Reflexa Alegou que uma vez reconhecida a improcedência do lançamento atinente ao IRPJ, decorrente de omissão de receita, também restam indevidos todos ao valores atinentes às Contribuições para o PIS, COFINS, CSL e INSS. Segundo a recorrente, o lançamento relativo a COFINS e ao PIS seria insubsistente por estar pautado em base de cálculo alargada por lei inconstitucional e ilegal (Lei 9.718/98), além de ter o agente fiscal tomado como base de cálculo para o PIS o valor do mês anterior à ocorrência do fato gerador, desrespeitando o comando do art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar 7/70. Juros Selic A exigência de juros com base na Taxa Selic está em descompasso com o art. 161 do CTN, o que torna a exigência improcedente. Multa Aplicada – Confisco A multa de 150% é confiscatória e deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20% de conformidade com o art. 61, § 2º, da Lei 9.430/96. Prova Pericial Requereu a realização de prova pericial com o fito de se evidenciar a efetiva base de cálculo, bem como a ocorrência dos fatos geradores, e em especial sobre as questões formuladas (fl. 931). Indicou assistente técnico. Ao final requereu que seja acolhida a impugnação para julgar improcedente o lançamento tributário. Impugnação apresentada por Milton Fernando Massuco – ME A empresa Milton Fernando Massuco – ME, por meio de seus procuradores legalmente constituídos, apresentou a impugnação de fls. 828 a 880, na qual apresentou praticamente as mesmas alegações da recorrente Ariane Cristina Nonato – ME, não havendo razão para repetir aqui os argumentos. Acrescentou, todavia, pedido para que o patrono da recorrente fosse intimado para que pudesse sustentar oralmente as suas razões, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos da Constituição Federal, art. 5º, LV, e alegou, em preliminar, o seguinte. Preliminar I – Ilegitimidade Passiva Alegou que a autoridade fiscal lhe atribuiu, injustamente, a qualidade de sujeito passivo da obrigação tributária, e que não existe nos autos nenhuma prova documental, como por exemplo, a análise de movimentação financeira, de transações entre contas correntes, de instrumento procuratório, de testemunhas, etc., que façam qualquer vinculação do recorrente Fl. 1334DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.335 7 com a empresa Ariane Cristina Nonato – ME (também recorrente), como também não houve a produção de provas no sentido de que o recorrente auferiu qualquer benefício decorrente de eventual falta de recolhimento de tributo por parte da citada empresa, o que implica reconhecer que a atribuição de responsabilidade foi feita por mera presunção, o que vicia por completo o procedimento fiscal. Preliminar II – Falta de Identificação do Sujeito Passivo Alegou que, pelo auto de infração, não é possível saber se o impugnante recebeu o mesmo como suposto representante legal da empresa e/ou como responsável solidário, e que tal omissão vicia de nulidade o lançamento na medida em que contraria as disposições constantes no art. 142 do CTN, bem assim os arts. 10 e 11, do Decreto 70.235/72, por não identificar o sujeito passivo, por não conter a qualificação do autuado ou do notificado. Relativamente à multa de 150% acrescentou que ela é prevista no art. 44, I, §1º, da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória 303/2006, não se aplica ao caso primeiro porque, segundo o CTN, ao lançamento aplicase as disposições legais vigentes à época do fato gerador e, no caso, inexistia previsão legal para aplicação da multa nesse percentual e, segundo, porque é princípio básico do direito penal a impossibilidade da retroatividade in pejus, ou seja, prejudicando a situação do réu, no caso, o recorrente. Alegou ainda não ter o recorrente praticado qualquer conduta dolosa, sendo que não existe prova nesse sentido, além de ser referida multa confiscatória, razão pela qual deve ser reduzida, no mínimo, ao patamar de 20% de conformidade com o art. 61, § 2º, da Lei 9.430/96. DA DECISÃO DA DRJ Em 18/01/2008, acordaram os julgadores da 5ª Turma de Julgamento da DRJ/Ribeirão Preto (SP), por unanimidade de votos, por considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, alegando, em síntese, o que segue. Alegações comuns apresentadas por Milton Fernando Massuco – ME e Ariane Cristina Nonato – ME Da Nulidade do Processo por Falta de Prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal O início do procedimento fiscal se deu com a autorização contida no MPF nº 08.1.22.002006001334 (fl. 1), datado em 3/04/2006, para ser executado até 1º/08/2006, ressalvando a possibilidade de haver prorrogação, o que se deu mediante MPF Complementar nº 08.1.22.0020060013341, datado em 5/12/2006 (fl. 688). Dispõe a Portaria 6.087/2005 que o referido mandado se extingue pela conclusão do procedimento fiscal registrado em termo próprio, ou pelo decurso do prazo previsto para sua duração, não implicando, neste caso, nulidade dos atos praticados. Assim, mesmo que o aludido MPF tenha se encerrado com o simples decurso do prazo previsto para a sua duração, isso não invalida os atos subseqüentes ou as constatações feitas durante sua execução, pois citado documento é emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Receita Federal sejam levados a Fl. 1335DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.336 8 efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante MPF. Assim, não cabe interpretar que qualquer irregularidade ocorrida em um instrumento de controle administrativo instituído por norma infralegal (portaria) possa acarretar a nulidade dos procedimentos fiscais, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (art. 37 da Carta Magna), devidamente refletido no parágrafo único do art. 142 do CTN. Destacase ainda o fato de a autoridade fiscal, por diversas vezes (fls. 239 e 403), além de ter dado conhecimento a recorrente da continuidade da ação fiscal, também informou que quaisquer esclarecimentos relativos à fiscalização poderiam ser obtidos direta e pessoalmente com os auditores fiscais signatários, na DRF/Araraquara, ou na ARF da cidade da recorrente, mediante prévio agendamento, o que demonstra que o objetivo do MPF, que é dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, foi alcançado. Preliminar rejeitada. Da Presunção de Omissão de Receita com base em depósitos bancários não escriturados e de origem não justificada e/ou comprovada Com a previsão do art. 42 da Lei 9.430/96, onde a existência de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receitas, sempre que o titular de conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado/obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não mais havendo a obrigatoriedade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Ao fazer o uso de uma presunção legalmente estabelecida, o fisco ficaria dispensado de provar no caso concreto a omissão de rendimentos. Tratase de presunção juris tantum, que admite prova em contrário, cabendo à recorrente a sua produção. Portanto, nada de ilegalidade existe no lançamento feito com base em depósito bancário de origem não comprovada. E fez a autoridade lançadora o que a lei lhe atribuiu como responsabilidade, ou seja, constatada a existência de movimentação bancária não contemplada na escrituração comercial, intimou a recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados nas contas correntes de titularidade da empresa. A recorrente não tendo apresentado prova da origem do numerário apresentado, agiu corretamente a fiscalização tributando os depósitos como receita omitida. Deixou de acolher as alegações de que os depósitos bancários poderiam corresponder a empréstimos, ou a valores liberados por cheque especial, circulação de valores entre bancos, pois não comprovou suas alegações. Da obtenção de Prova Ilícita – Ofensa ao Princípio Constitucional do Sigilo Bancário Fl. 1336DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.337 9 É equivocada a interpretação da recorrente, pois a quebra do sigilo bancário pela Receita Federal sem a apreciação do Poder Judiciário foi devidamente autorizada pela Lei Complementar 105/2001, regulamentada pelo Decreto 3.724/2001, conforme discriminado nas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), dirigidas às Instituições Bancárias, além do que as informações bancárias obtidas regularmente e usadas reservadamente, no processo, pelos agentes do Fisco, não caracterizam violação do sigilo bancário, e estão contempladas pelo ordenamento jurídico vigente, pelo que não podem ser obstadas. Ademais, a própria Ariane Cristina Nonato, ao prestar os esclarecimentos de fl. 243, autorizou o titular da presente ação fiscal a ter acesso aos dados bancários. Portanto, não tratase de provas ilícitas, tendo a fiscalização agido dentro da lei. Da Multa Aplicada Reputando os argumentos apresentados por Milton Fernando Massuco – ME, a fiscalização não apontou como enquadramento legal para aplicação da multa qualificada o art. 18 da Medida Provisória 303/2006, mas sim o art. 44, II da Lei 9.430/96, c/c art. 19 da Lei 9.317/96. Visto que a conduta da recorrente de não escriturar os depósitos bancários é rotineira, envolvendo valores bastante significativos em relação à receita declarada da empresa, resta impossível negar o dolo, ou seja, a intenção de deixar inúmeros ingressos de recursos financeiros à margem da escrita fiscal, visando ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador. Outra questão a ser observada é que a omissão de receita, caracterizada pelos depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, viçou também impedir o conhecimento fiscal da circunstância de perda do direito da tributação incentivada (Simples), pois se tivesse declarado a totalidade das receitas, sem sombra de dúvida, ultrapassaria o limite legal para permanência no Simples. Totalmente improcedente a pretensão da recorrente em ver reduzida a multa para 20%, pois esta referese à multa de mora prevista para os casos de pagamentos espontâneos, porém fora do prazo, enquanto a penalidade em discussão referese aos procedimentos de ofício nos quais verificase infração à legislação tributária, sendo portanto inerente ao lançamento de ofício. Quanto às alegações de multa confiscatória, ressalta que a apreciação dessa matéria escapa à competência da Turma Julgadora, sendo de competência do Poder Judiciário. Aos julgadores administrativos incumbe aferir em que grau os atos da Administração se harmonizam às leis, na forma como foram elaboradas. Dos Juros de Mora – Selic Sua aplicação como juros de mora é decorrente de lei ordinária, conforme faculta a Lei 5.172/66, art. 161, § 1º. Portanto, não é ilegal a sua cobrança. Ademais, por estar vinculado à lei, não compete ao julgador administrativo negar a aplicação de lei validamente promulgada. Fl. 1337DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.338 10 Do Pedido de Diligência/Perícia Pelo teor dos quesitos formulados pela recorrente, pretende demonstrar que o lançamento foi efetuado com base em extratos bancários e que nem todos os valores representam rendimentos omitidos e, por conseqüência, não haveria presunção de certeza o auto de infração e, havendo erro, implicaria na sua nulidade. Porém, diligências e perícias destinamse à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos. Jamais poderão estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Dos Tributos Reflexos A recorrente alegou inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência de PIS e COFINS. Não é pertinente alegar na instância administrativa inconstitucionalidade de lei, por transbordar os limites da competência do julgamento administrativo, cabendo ao Poder Judiciário o controle de legalidade e constitucionalidade de leis. No caso em análise, a recorrente é optante pelo Simples. Portanto, a omissão de receita, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, corresponde à base de cálculo dos impostos e contribuições tributados pelo Sistema Simplificado (Simples), de acordo com o disposto no caput do art. 24 da Lei 9.249/95. Assim, sobre o total da receita bruta foi aplicado, corretamente pelo autuante, o percentual estabelecido na legislação do Simples, para apuração dos tributos devidos. Alegações apresentadas por Milton Fernando Massuco – ME A fiscalização atribuiu ao Sr. Milton Fernando Massuco, na qualidade de responsável pela empresa Milton Fernando Massuco – ME, responsabilidade solidária pelos créditos tributários apurados na pessoa jurídica Ariane Cristina Nonato – ME, por ter entendido que houve perfeita sucessão em relação às pessoas jurídicas, posto que a atividade é a mesma, mesmas são as instalações, mesmo é o local, bem, como a proximidade das pessoas envolvidas, vez que são da mesma família. Quanto ao pedido de sustentação oral, cumprese informar que tal sustentação não possui previsão no âmbito da legislação processual tributária, já que o dispositivo legal regulador apenas prevê a manifestação por escrito do contribuinte. No entanto, em julgamento perante o CARF ou diante à CSRF, a recorrente haverá de ter oportunidade para tanto. Quanto a alegação de ilegitimidade passiva, também não procede. A condição da sucessora é a de responsável, enquanto a de sucedida é a de contribuinte, estando ambas no pólo passivo da relação tributária, como determina o art. 121 do CTN. O art. 133 estatui que a pessoa jurídica que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde Fl. 1338DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.339 11 pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até a data do ato, subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração. Talvez em razão do parentesco entre as pessoas envolvidas, pode não ter havido um ato formal de sucessão, porém o fato da empresa Milton Fernando Massuco – ME estar funcionando no mesmo local que se encontrava a empresa Ariane Cristina Nonato – ME, utilizandose inclusive de talonário da empresa sucedida, exercendo as mesmas atividades daquela e utilizandose das mesmas instalações, resta a convicção que houve sim perfeita sucessão em relação às pessoas jurídicas Ariane Cristina Nonato – ME e Milton Fernando Massuco – ME, e diante disso há de se concluir que a empresa Milton Fernando Massuco – ME deve responder solidariamente pelos tributos objetos dos lançamentos. Também é improcedente o argumento de nulidade do auto de infração ao argumento de que não é possível saber se o impugnante recebeu o mesmo como suposto representante legal da empresa e/ou responsável solidário. As autoridades fiscais identificaram corretamente o sujeito passivo nos termos do art. 142 do CTN, atribuindo à empresa Ariane Cristina Nonato – ME a condição de contribuinte e a empresa Milton Fernando Massuco – ME a condição de responsável por decorrência de disposição expressa de lei. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificados da decisão em 11/03/2008 (fls. 1.110 e 1.111), e inconformados, os recorrentes Ariane Cristina Nonato – ME e Milton Fernando Massuco – ME apresentaram recurso voluntário juntos em 11/04/2008 de fls. 1.116 a 1152. Anotase que a recorrente Ariane Cristina Nonato – ME é a bem ver sua “representante” legal, Ariane Cristina Nonato (a pessoa física, e não a firma individual), como se vê da própria procuração de fl. 1.155. Reiteraram, basicamente, o alegado na impugnação de Ariane Cristina Nonato – ME, sem mais contraditar a questão do MPF e dos juros à taxa Selic. Entretanto, acrescentaram, no recurso, preliminares, a seguir resumidas. Da duplicidade na cobrança do auto de infração Alega ser ilegal a cobrança de Milton Fernando Massuco – ME e Ariane Cristina Nonato – ME, pois o responsável pelos débitos é a firma sucessora Milton Fernando Massuco – ME. Haveria dupla arrecadação, o que é ilegal. Frisa ser clara a total responsabilidade de Milton Fernando Massuco – ME pelos débitos, aplicandose o art. 133, I do CTN, conforme o julgamento da DRJ. Isto pois Ariane Cristina Nonato nunca esteve materialmente na atividade da firma Milton Fernando Massuco – ME. Na carta entregue por Ariane, fls. 16 e 17, deve ser observado que seu pai a emancipou somente para fazer uso de seu nome. Não houve qualquer concordância da filha que outorgou ao pai procuração para negociar em seu nome. Não houve dolo ou mesmo culpa neste ato, mas claro vício de consentimento. Fl. 1339DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.340 12 Neste aspecto, o único responsável, seja pela firma Ariane Cristina Nonato – ME seja pela Milton Fernando Massuco – ME é o Sr. Milton Aparecido Nonato, a quem, caso haja condenação, deverão ser dirigidos, com exclusividade, todos os ônus do processo, inclusive a representação penal. Requer seja excluída Ariane Cristina Nonato de qualquer responsabilidade tributária ou penal, imputandose, com exclusividade, a responsabilidade pessoal ao seu genitor, Sr. Milton Aparecido Nonato. Da ilegitimidade passiva de Ariane Cristina Nonato – ME Restou claro no processo que a empresa Ariane Cristina Nonato – ME não pode ser considerada sujeito passivo da obrigação tributária, sendo que toda a obrigação foi assumida pela sucessora Milton Nonato Massuco – ME. Com relação ao mérito, os argumentos reiteram o alegado na impugnação de Ariane Cristina Nonato – ME, não cabendo reproduzilos novamente. É o relatório. Fl. 1340DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.341 13 Voto Conselheiro MARCOS TAKATA O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. As recorrentes articulam a preliminar de nulidade dos autos de infração por ofensa ao direito fundamental reconhecido no art. 5º, XII, da Constituição Federal (CF), violação ao direito fundamental ao sigilo bancário, pela aplicação do art. 6º da Lei Complementar 105/01. Ou seja, a quebra do sigilo bancário só se poderia dar por ordem judicial, nos estritos termos do art. 5º, XII, da CF. Liminarmente, observo o seguinte. No Termo de Constatação e Reintimação Fiscal 003/133/2006 (fls. 236 a 240), cientificado em 6/06/06 (fl. 242), dirigido à Ariane Cristina Nonato – ME, consta o seguinte: “IV) INFORMAR SE AUTORIZA OS TITULARES DESTA AÇÃO FISCAL A TEREM ACESSO AOS DADOS BANCÁRIOS EM MEIO MAGNÉTICO DIRETAMENTE JUNTO (SIC.) BANCO DO BRASIL, para fins de confronto dos documentos apresentados, em relação à conta bancária 8011x, agência: 2931;” (fl. 238) Ao referido termo de constatação e reintimação fiscal, recebida em 27/06/06 (fl. 243), a intimada responde positivamente quanto ao acesso aos dados bancários em questão: “II – durante o período de 01/01/2001 à 31/12/2004 tive como conta bancária somente a conta nº 8011X – agência 29319 do Banco do Brasil. (...) IV – autorizo o titular desta ação fiscal à (sic.) ter acesso aos dados bancários em meio magnético diretamente junto ao Banco do Brasil em referências (sic.) a conta nº 8011X citada no item II.” (fl. 243). Bem verdade que a resposta à intimação foi levada a efeito por Milton Aparecido Nonato, que era o responsável de fato pela firma individual e que assina por procuração. Esta foi outorgada pela firma individual Ariane Cristina Nonato –ME, assinada por Ariane Cristina Nonato (pessoa física). Quero com isso dizer que o fato de a firma individual Ariane Cristina Nonato – ME se encontrar, a bem ver, extinta sobre o que tratarei adiante não inquina de nulidade a intimação nem sua resposta, até porque, na visão de Ariane Cristina Nonato e de Milton Aparecido Nonato, a firma individual se transformara (equivocadamente), e não se extinguira. Fl. 1341DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.342 14 Enfim, a pessoa física e o responsável de fato (Ariane Cristina Nonato e Milton Aparecido Nonato) eram quem respondiam pela conta bancária. Daí não entrever vício seja na intimação, seja na resposta, a vitimar os atos de nulidade. Posto isso, e diante dessa autorização, vejo que a intimação dirigida ao Banco do Brasil S.A. não se deu por RMF (Requisição de Movimentação Financeira), prevista na Portaria SRF 180/01, com fundamento no Decreto 3.724/01, o qual regulamenta o art. 6º da Lei Complementar 105/01. A intimação ao Banco do Brasil S.A. foi realizada com suporte na autorização expressa da titular da conta, Ariane Cristina Nonato – ME (fls. 245 e 246). Reiterese: o acesso aos dados bancários de Ariane Cristina Nonato – ME, ou seja, aos extratos a mencionada conta corrente de depósito à vista, deuse com a expressa autorização do titular da conta. Bem verdade que, na resposta do Banco do Brasil S.A., é dito que as informações encaminhadas são amparadas pela Lei Complementar 105/01 (fls. 252 e 253). Entretanto, não vejo que tal resposta tenha o condão de desfigurar a “causa” ou fundamento jurídico para a concessão dos extratos bancários pelo Banco do Brasil S.A. Noutras palavras, o fundamento foi a autorização expressa do titular da conta. Feitas essas observações, é de curial distinção a hipótese de ofensa a direito fundamental do art. 5º, XII, da CF por conta da aplicação do art. 6º da Lei Complementar 105/01, da hipótese em que o titular desse direito franqueia o acesso a seus dados bancários. No último caso, não há a referida agressão – não há aplicação do art. 6º da Lei Complementar 105/01. Pode haver tal agressão se a autorização expressa do titular da conta bancária se encontrar viciada por coação, dolo ou erro substancial – já que dos vícios de consentimento por estado de perigo ou por lesão não se hão de cogitar para o negócio autorizativo em comentário. No caso vertente, não diviso vício de consentimento no negócio jurídico autorizativo emanado pelo titular da conta. Até pelo teor da intimação retrotranscrito. Sob essa ordem de considerações, rejeito tal preliminar de nulidade por ofensa a direito fundamental ao sigilo bancário, ex vi da autorização expressa dada pelo titular da conta para acesso aos dados bancários, e em face de não haver a aplicação do atacado art. 6º da Lei Complementar 105/01. Passo ao exame da questão da ilegitimidade passiva de Ariane Cristina Nonato –ME. Da própria descrição fática e fundamentação deduzida nos autos de infração consta o reconhecimento pelo autuante da sucessão da firma individual Ariane Cristina Nonato –ME pela firma individual Milton Fernando Massuco –ME (fls. 701 e 703 – notase que a fl. 701 deveria ser a fl. 702 e viceversa, processandose a equívoco na numeração; indicamse, aqui, a numeração tal como consta nos autos). Embora em diversas passagens se fale em transformação da empresa Ariane Cristina Nonato –ME, não se concebe essa figura jurídica no caso vertente. Fl. 1342DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.343 15 A transformação é figura jurídica própria e específica para pessoas jurídicas (ou para sociedades), para mudança de um tipo societário para outro. Erronia jurídica é cogitar de transformação de firma individual. Em nosso direito, infelizmente, não se consagrou o tipo societário da sociedade unipessoal – bastante difundida no direito europeu, e que consta inclusive nas Diretrizes da Comunidade Econômica Européia. Há uma exceção que é a sociedade anônima subsidiária integral, que pode ter um único acionista, o qual deve ser sociedade brasileira (art. 252 da Lei de S.A.). Mas é só, sem mais exceções. A firma individual não é sociedade (unipessoal) e tampouco pessoa jurídica, de modo que inexiste transformação daquela – é flagrante o equívoco ao se falar em transformação de firma individual (atualmente, empresário, conforme os arts. 966 e 968, do Código Civil). A firma individual é somente equiparada, para fins tributários (no que interessa, federais), à pessoa jurídica. A transformação é figura ou conceito jurídico de direito privado que não foi alterado pela legislação tributária. Por óbvio que é descabido suscitar a figura ou conceito jurídico de transformação à firma individual, em face de a legislação tributária federal equiparála à pessoa jurídica. Na transformação, a pessoa jurídica permanece sendo a mesma: ela não se extingue, somente se opera a mudança do tipo societário. O que há ou, melhor, o que houve, então? Simplesmente se deu a extinção da firma individual Ariane Cristina Nonato – ME com a aquisição do fundo de comércio pela firma individual Milton Fernando Massuco – ME. É o que deflui dos autos. Nesse diapasão, notese que o próprio autuante, no início da descrição fática e jurídica que integra os autos de infração, afirma que a firma individual Ariane Cristina Nonato – ME já havia sido baixada na Receita Federal (fls. 692 e 693). E, nada há nos autos indicando que a firma individual Ariane Cristina Nonato – ME existia de fato, ao tempo do aperfeiçoamento dos lançamentos, em 11/12/06 (fls. 691, 717, 731, 747, 763). Ora, a baixa na inscrição perante a Receita Federal, implica o arquivamento da extinção da firma individual perante o Registro do Comércio (Registro Público de Empresas Mercantis – Junta Comercial). Nesse sentido, o art. 28, § 1º c/c o art. 8º, §§ 1º, II e 9º, da Instrução Normativa (IN) SRF 568/05 (vigente ao tempo do início do procedimento fiscal que culminou nos lançamentos em dissídio) e de seu Anexo II. Da Baixa de Inscrição no CNPJ Art. 28. A baixa de inscrição no CNPJ, de matriz ou de filial, deverá ser solicitada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente à ocorrência dos seguintes eventos de extinção: I – encerramento da liquidação, judicial ou extrajudicial, ou conclusão do processo de falência; Fl. 1343DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.344 16 II – incorporação; III – fusão; IV – cisão total; V – elevação de filial à condição de matriz, inclusive: a) transformação em matriz de órgãos regionais de Serviço Social Autônomo; e b) transformação em matriz de unidades regionais ou locais de órgãos públicos. VI – transformação de órgãos locais de Serviço Social Autônomo em filial de órgão regional. § 1º. O pedido de baixa de entidade deverá observar o disposto no art. 8º, exceto quanto ao meio de remessa da documentação que, nesse caso, se restringe à entrega direta na unidade da RFB que jurisdicione o estabelecimento. (...) § 7º. A baixa da inscrição no CNPJ produzirá efeitos a partir da data da extinção da entidade no órgão de registro. (...) § 9º. Consideramse datas de extinção aquelas referidas no Anexo II. (...) Art. 8º. Constituem atos a serem praticados perante o CNPJ: I – inscrição; II – alteração de dados cadastrais; III – alteração de situação cadastral; IV – baixa de inscrição; V – restabelecimento de inscrição; e VI – invalidação de atos perante o CNPJ. § 1º. Os atos perante o CNPJ serão solicitados por intermédio da página da RFB na Internet, no endereço eletrônico <http://www.receita.fazenda.gov.br>, observado o seguinte: I – as solicitações dos atos darseão por meio de FCPJ, de QSA, no caso de estabelecimento matriz de entidade, e de Ficha Específica, quando a requerente estiver localizada em unidade federada ou município conveniado, gerados pelo Programa CNPJ, ou por meio de outro aplicativo aprovado pela RFB; II – a solicitação será formalizada pela remessa, por via postal, pela entrega direta, ou por outro meio aprovado pela RFB, à unidade cadastradora de jurisdição do estabelecimento, do DBE ou do Protocolo de Transmissão da FCPJ e de cópia autenticada do ato constitutivo, alterador ou extintivo da entidade, devidamente registrado no órgão competente, observada a tabela de documentos constante do Anexo II. (...) Anexo II Fl. 1344DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.345 17 TABELA DE DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES Eventos de Baixa Documentação Necessária a) A FCPJ deve ser transmitida exclusivamente pela Internet por meio do programa ReceitaNet; b) Os documentos abaixo relacionados devem ser entregues pelo contribuinte diretamente na Unidade Cadastradora de jurisdição: b.1) original do DBE, assinado pela pessoa física responsável perante o CNPJ, preposto anteriormente indicado ou procurador, com firma reconhecida em cartório. O mandato (procuração) poderá ser outorgado pela pessoa física responsável perante o CNPJ ou por sócio administrador/diretor com poderes de administração; b.2) no caso de DBE assinado por procurador, cópia autenticada da procuração pública (registrada em cartório) ou particular (firma reconhecida do outorgante); b.3) cópia do recibo de entrega da declaração de encerramento, se for o caso; b.4) cópia autenticada do ato de extinção registrado no órgão competente ou cópia autenticada de documentação comprobatória, conforme tabela abaixo, observado que a autenticação da cópia poderá ser feita, à vista do original, pelo servidor a quem deva ser apresentado, conforme estatuído no parágrafo único do art. 5º do Decreto nº 83.936, de 1979. Tabela Exemplificativa de Atos de Extinção Conforme a Natureza Jurídica Natureza Jurídica / Situação Data de Evento Ato de Extinção Empresário Data do registro do requerimento. Requerimento de Empresário registrado na JC, com ato de extinção declarado. (..) Empresário e Sociedades Empresárias com registro cancelado por inatividade pelo órgão de registro (art. 60 da Lei nº 8.934/1994). Data do cancelamento do registro ou da inatividade considerada pela JC (último arquivamento mais dez anos). Certidão emitida pela JC, contendo a informação sobre o cancelamento do registro por inatividade. (...) Fl. 1345DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.346 18 Não discrepa o 24, §§ 1º, I, “d”, 3º e 22, da Instrução Normativa SRF 200/02, imediatamente anterior à IN SRF 568/05. Do Cancelamento da Inscrição no CNPJ Art. 24. O pedido de cancelamento de inscrição no CNPJ, por extinção da pessoa jurídica ou de qualquer de seus estabelecimentos, será único e simultâneo para todos os órgãos convenentes a que estiver sujeito. § 1º. O pedido de cancelamento de pessoa jurídica domiciliada no Brasil será formalizado por meio da FCPJ e do DBE, acompanhados dos seguintes documentos: I no âmbito da SRF: a) Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIRPJ), Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e, no caso de empresa optante pelo Simples ou inativa ou entidade imune ou isenta, Declaração Simplificada, relativa ao evento da baixa, juntamente com a declaração correspondente ao anocalendário anterior ao evento, se ainda não vencido o prazo para sua apresentação; b) Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e Declaração do Imposto Sobre Produtos Industrializados (Dipi), correspondentes ao anocalendário do evento, caso a pessoa jurídica esteja sujeita à apresentação dessas declarações; c) comprovantes dos recolhimentos dos impostos e contribuições a que estiver sujeita a pessoa jurídica, informados nas declarações referidas nas alíneas anteriores; d) ato extintivo devidamente registrado no órgão competente, de que constem os bens e direitos entregues a cada sócio, no caso de sociedade, a título de devolução do capital e de distribuição dos demais valores integrantes do patrimônio líquido; e) comprovante do arquivamento da decisão de cancelamento de registro pela Junta Comercial, com base na art. 60 da Lei no 8.934, de 18 de novembro de 1994, quando for o caso, em substituição ao documento referido na alínea anterior, acompanhado de declaração de encerramento das atividades da pessoa jurídica de que conste os bens e direitos entregues a cada sócio, no caso de sociedade, a título de devolução do capital e de distribuição dos demais valores integrantes do patrimônio líquido; f) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), relativo ao pagamento da multa por atraso na entrega de declarações, se for o caso; g) Darf, relativo ao pagamento da multa por atraso na comunicação da cancelamento, quando for o caso. II no âmbito dos demais convenentes, os documentos por eles exigidos, conforme consignado no convênio. Fl. 1346DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.347 19 § 2º. No caso de pessoa jurídica que não houver iniciado atividades, os documentos a que se referem as alíneas "a", "b" e "c" do inciso I do § 1º serão substituídos pela Declaração Simplificada. § 3º. No caso de firma mercantil individual, o documento a que se refere a alínea "e" do inciso I será substituído por declaração de firma mercantil individual com ato de encerramento informado. (...) § 11. Sem prejuízo de posteriores verificações fiscais, constatada a inexistência de pendência impeditiva, nos arquivos do CNPJ, relativamente a todos os órgãos convenentes da jurisdição da pessoa jurídica ou do estabelecimento requerente, o pedido de cancelamento será deferido. (...) § 20. O cancelamento da inscrição no CNPJ produzirá efeitos a partir da data da extinção da pessoa jurídica. § 22. Considerase data de extinção, a data: (...) V do registro de ato extintivo no órgão competente, nos demais casos; VI do arquivamento da decisão de cancelamento de registro pela Junta Comercial, com base no art. 60 da Lei nº 8.934, de 18 de novembro de 1994. (...) O deferimento do cancelamento ou baixa do CNPJ é ato público que ostenta presunção de legalidade. Logo, presumese também a concreção dos atos pressupostos para o cancelamento ou baixa do CNPJ, como é o caso do arquivamento da extinção da firma individual, na e pela Junta Comercial, na conformidade dos arts. 32, 36, 37 e 60, da Lei 8.934/94. Se a extinção da firma individual foi regular ou não (e a descrição fática e a fundamentação não entram nessa questão, ou seja, ela não se coloca no motivo dos autos de infração), isso é coisa distinta: pode implicar a responsabilização tributária da pessoa física titular da firma individual (sta. Ariane Cristina Nonato); e/ou do administrador e responsável de fato pela firma individual, como consta nos autos, o genitor da sta. Ariane Cristina Nonato. Também, outra coisa é a eventual responsabilidade tributária da sucessora da firma individual Ariane Cristina Nonato –ME, a firma individual Milton Fernando Massuco – ME. Fl. 1347DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.348 20 De tudo quanto deduzi acima, é nítida a ausência de legitimidade passiva de Ariane Cristina Nonato –ME. O que houve foi a sucessão dessa firma individual, com sua extinção, pela firma individual Milton Fernando Massuco – ME. Na medida em que a firma individual Ariane Cristina Nonato – ME foi autuada como a contribuinte, tendo ocupado a posição de sujeito passivo a firma individual Milton Fernando Massuco – ME somente como responsável solidária nos lançamentos feitos contra aquela, o que há, no caso vertente, é o chamado erro na identificação de sujeito passivo, a derruir a pretensão fiscal. Como os lançamentos se aperfeiçoaram contra a contribuinte – firma individual Ariane Cristina Nonato – ME – e carecendo essa de legitimidade passiva, não há como sobreviver a responsabilidade solidária atribuída pelo autuante à outra firma individual. Diverso seria o sucesso da pretensão fiscal se os lançamentos tivessem sido lavrados contra a firma individual Milton Fernando Massuco – ME, como sucessora da firma individual Ariane Cristina Nonato – ME, extinta. E a hipótese, aqui, não é comparável à de grupo de fato, aliás, grupo societário, em que haja, por ex., incorporação por outra do mesmo grupo. Nada há nos autos que indique participação ou ingerência da sucessora na atividade da sucedida, a firma individual Ariane Cristina Nonato – ME. O único ilícito detectado foi o praticado após a extinção da firma individual Ariane Cristina Nonato – ME, mas não durante sua existência. Não era a firma individual Milton Fernando Massuco ME, e, assim, o titular dessa, sócio da sucedida. No caso em dissídio, a então firma individual, como soa dos autos, era dirigida pelo pai da titular da firma individual, Milton Aparecido Nonato. Ele era o responsável pela firma individual, com plenos e amplos poderes para todos os atos de disposição relativos à firma individual. Enfim, era Milton Aparecido Nonato quem efetivamente praticava os atos em nome da firma individual, inclusive movimentava a conta corrente bancária, e deu causa à omissão de receitas que, por sua reiteração e volume percentual em relação às receitas declaradas, culminou na aplicação da multa qualificada. Particularmente, entendo que os lançamentos deveriam ter sido feitos contra Milton Aparecido Nonato, com fundamento no art. 124, I, do CTN, i.e., por interesse comum com a contribuinte na situação que constitui fato gerador da obrigação tributária. Aí, os lançamentos caberiam ter sido lavrados somente contra ele, ou em nome da sucessora Milton Fernando Massuco – ME e com sujeição passiva solidária a Milton Aparecido Nonato. Não é o que ocorreu. Procedeuse aos lançamentos justamente contra quem não tem legitimidade passiva, por inexistente, na situação de contribuinte. Aí resvalam os lançamentos, por erro na identificação do sujeito passivo. O outro sujeito passivo só assim foi erigido, em grau de responsável solidário àquele, ao primeiro eleito, o sujeito passivo “primário”, de identificação malograda. Daí não se poder sustentar os lançamentos em questão. Fl. 1348DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.349 21 Mas, poderiam as autuações teremse dado contra a firma individual Milton Fernando Massuco – ME? Entendo que sim. A meu ver, em regra, o art. 133 do CTN não se orienta a imputação de responsabilidade por tributos pessoais, como é o caso de tributação que grava a renda ou lucro das pessoas, bem como a receita das pessoas. O art. 133 do CTN, em regra, prestase à imputação de responsabilidade por tributos vinculados a estabelecimento empresarial, como é o caso do IPI, do ICMS, do ISS (tributos indiretos), do IPTU, do ITBI, do ITR (tributos reais). Eis sua dicção: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. § 1º. O disposto no caput deste artigo não se aplica na hipótese de alienação judicial: (Parágrafo incluído pela Lcp nº 118, de 2005) I – em processo de falência; (Inciso incluído pela Lcp nº 118, de 2005) II – de filial ou unidade produtiva isolada, em processo de recuperação judicial.(Inciso incluído pela Lcp nº 118, de 2005) § 2º. Não se aplica o disposto no § 1º deste artigo quando o adquirente for: (Parágrafo incluído pela Lcp nº 118, de 2005) I – sócio da sociedade falida ou em recuperação judicial, ou sociedade controlada pelo devedor falido ou em recuperação judicial;(Inciso incluído pela Lcp nº 118, de 2005) II – parente, em linha reta ou colateral até o 4o (quarto) grau, consangüíneo ou afim, do devedor falido ou em recuperação judicial ou de qualquer de seus sócios; ou (Inciso incluído pela Lcp nº 118, de 2005) III – identificado como agente do falido ou do devedor em recuperação judicial com o objetivo de fraudar a sucessão tributária.(Inciso incluído pela Lcp nº 118, de 2005) § 3º. Em processo da falência, o produto da alienação judicial de empresa, filial ou unidade produtiva isolada permanecerá em conta de depósito à disposição do juízo de falência pelo prazo de 1 (um) ano, contado da data de alienação, somente podendo ser utilizado para o pagamento de créditos extraconcursais ou de créditos que preferem ao tributário. (Parágrafo incluído pela Lcp nº 118, de 2005) Fl. 1349DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 18088.000026/200602 Acórdão n.º 110300.513 S1C1T3 Fl. 1.350 22 Contudo, na hipótese de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento empresarial de titularidade de firma individual, sendo aquele o único dessa, meu entendimento é o de que a imputação de responsabilidade tributária do art. 133 do CTN alcança os tributos pessoais da firma individual, vale dizer, os tributos que gravam a renda ou lucro, bem como a receita da firma individual. No caso vertente, o que houve foi a aquisição de fundo de comércio da firma individual Ariane Cristina Nonato – ME, pela firma individual Milton Fernando Massuco – ME. Tanto era o único estabelecimento ou fundo de comércio da firma individual Ariane Cristina Nonato – ME que esta resultou extinta com a aquisição de seu fundo de comércio pela outra firma individual – erroneamente designado de transformação. Se a aquisição do fundo de comércio se deu a título gratuito ou oneroso, pouco importa aqui. Enfim, sob o manto de todas essas considerações, não me resultam dúvidas quanto a se encontrarem fulminados os lançamentos, por falta de legitimação passiva contra quem eles foram lavrados (a contribuinte), e, por via consequente, com a insubsistência da imputação de responsabilidade solidária. Nessa ordem de razões e juízo, dou provimento ao recurso, por erro na identificação do sujeito passivo. É o meu voto. Sala das Sessões, em 3 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) MARCOS TAKATA Relator Fl. 1350DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 22/08/201 1 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 21/10/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 16327.002145/2007-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2004, 2005
CSL - COISA JULGADA - RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA - PERENIDADE - LIMITE TEMPORAL- Não são eternos os efeitos da decisão judicial transitada em julgado que afasta a incidência da Lei n°7.689/88 sob fundamento de sua inconstitucionalidade. Ainda que se
admitisse a tese da extensão dos efeitos dos julgados nas relações jurídicas continuadas, esses efeitos sucumbem ante pronunciamento definitivo e posterior do Supremo Tribunal Federal em sentido contrário, corno também sobrevindo alteração legislativa na norma impugnada.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA. Sao distintas as hipóteses de
aplicação da multa de oficio e da multa de mora. Constatada pela fiscalização a ausência de recolhimento do tributo no prazo legal, deve ser aplicada multa de oficio.
Numero da decisão: 1103-000.440
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005 CSL COISA JULGADA RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA PERENIDADE LIMITE TEMPORAL Não são eternos os efeitos da decisão judicial transitada em julgado que afasta a incidência da Lei nº 7.689/88 sob fundamento de sua inconstitucionalidade. Ainda que se admitisse a tese da extensão dos efeitos dos julgados nas relações jurídicas continuadas, esses efeitos sucumbem ante pronunciamento definitivo e posterior do Supremo Tribunal Federal em sentido contrário, como também sobrevindo alteração legislativa na norma impugnada. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA. São distintas as hipóteses de aplicação da multa de ofício e da multa de mora. Constatada pela fiscalização a ausência de recolhimento do tributo no prazo legal, deve ser aplicada multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Aloysio José Percínio Da Silva Presidente Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator Fl. 254DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Gervasio Nicolau Recktenvald, Eric Moraes de Castro e Silva, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário a respeito da decisão da DRJ que negou provimento a impugnação da contribuinte. Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima, conforme termo de verificação de fls. 96100, foi constatada falta de recolhimento de CSLL para os anos calendário de 2004 e 2005, sendo então lavrado o auto de infração de fls. 104105, integrado pelos termos, demonstrativos e documentos neles mencionados. O crédito tributário lançado, composto pela contribuição, multa e juros de mora, calculados até 30/11/2007, perfaz o total de R$ 3.604.874,24. No termo de verificação, o autuante informa que o contribuinte ajuizou a ação ordinária 90.00036763 objetivando declaração de não obrigatoriedade de recolher a CSLL, tendo a ação transitado em julgado com decisão favorável ao autor. Destaca o fiscal que a matéria objeto de trânsito em julgado foi prolatada em ação de natureza declaratória e, posteriormente, decisão do STF considerou constitucional os preceitos da lei 7.689/88, excetuandose seu art.8.º. Desde então, a jurisprudência passou a reconhecer a constitucionalidade da lei 7.689/88, exceto seu art.8.º, cuja execução foi suspensa pela resolução do Senado 11/95. Informa que a lei 7.689/88 foi alterada pela lei 8.034/90, e as leis 8.212/91 e LC 70/91 mantiveram as normas da lei 7.689/88 com as alterações posteriores. Também a lei 9.316/96 alterou a alíquota e a base de cálculo da CSLL. Cita os pareceres PGFN/CRJ 1.277/94 e PFN/MG 03/95, concluindo que, tendo havido alteração nas normas que disciplinam a relação tributária entre as partes, não cabe alegação de exceção da coisa julgada em relação a fatos geradores ocorridos após as alterações legislativas. Inconformada com a autuação, da qual foi devidamente cientificada em 17/12/2007, a contribuinte apresentou em 16/01/2008 a impugnação de fls. 115130, documentos anexos às fls. 131204, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Alega nulidade do lançamento por incorreto enquadramento legal, eis que o auto de infração e o termo de verificação fiscal registram que o enquadramento legal da autuação sofrida são as leis 7.689/88, 8.034/90 e 9.316/96, enquanto que, conforme consta no auto de infração, o fundamento da exigência da CSLL residiria nos diplomas legais que posteriormente alteraram aquela legislação, tais como as leis 8.212/91, 8.383/91 e LC 70/91. Explica que, no entender da fiscalização, a exigência se justifica diante do advento da lei 8.212/91 e LC 70/91, concluindo a impugnante que esse seria o enquadramento legal correto para a autuação. A empresa afirma que, deixando a fiscalização de registrar que o motivo da autuação seria a superveniência da lei 8.212/91 e da LC 70/91, houve omissão de requisito obrigatório no auto, nos termos do art.10 do decreto 70.235/72, configurandose sua nulidade. Cita decisões do Conselho de Contribuintes a respeito. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.002145/200787 Acórdão n.º 110300.440 S1C1T3 Fl. 2 3 Afirma ser descabido dizer que não houve cerceamento do direito de defesa em razão da impugnante demonstrar perfeita intelecção dos reais motivos da autuação, pois a destreza dos profissionais que atuaram na impugnação não é justificativa para a imperfeição do lançamento.Expõe que a impugnante está autorizada a argüir toda a matéria que entende útil à sua defesa, não podendo a Administração se valer do benefício da dúvida para entender que não houve cerceamento de defesa. Alega nulidade do lançamento diante da coisa julgada material, pois a declaração de inconstitucionalidade pelo STF da maioria dos preceitos da lei 7.689/88 e a suspensão do art.8.º da referida lei por resolução do Senado não interferem nos efeitos da decisão judicial transitada em julgado obtida pela empresa reconhecendo a inconstitucionalidade da CSLL em relação aos exercícios futuros. Frisa que a declaração de constitucionalidade pelo STF ocorreu com efeitos inter partes, e os efeitos da coisa julgada prevalecem sobre a justiça das próprias decisões das quais emanam. Explica que a coisa julgada possui status de direito individual fundamental (art.5.º, XXXVI), inatingível inclusive por emenda à Constituição (art.60, § 4.º, IV). Cita a doutrina no sentido de que a segurança das relações sociais e jurídicas é o valor que deve prevalecer no exercício das jurisdição pelo Estado. Menciona súmula 343 do STF. Repele afirmação de violação ao princípio da isonomia, pois o contribuinte está amparado por decisão transitada em julgado decorrente do devido processo legal e obtida no exercício do direito de ação. Esclarece que as alterações legislativas posteriores não modificaram os limites objetivos da coisa julgada, definidos no acórdão transitado em julgado a favor da impugnante. Explica que as alterações na legislação que rege a CSLL não foram suficientes para abalar os fundamentos da decisão que serve de limite à coisa julgada material, permanecendo em vigor a decisão que considerou inconstitucional a relação jurídica entre as partes, no que concerne à CSLL. Assim, entende que a regra matriz de incidência da CSLL foi declarada inconstitucional pelo Poder Judiciário, somente podendo ser exigida a CSLL se promulgado um diploma legal com todos os elementos necessários à constituição da regra matriz de incidência. Menciona a doutrina a respeito. Conclui ser inválida a exigência de CSLL com amparo na lei 7.689/88, e também com amparo nas leis 8.212/91 e LC 70/91, eis que insuficientes para definir a regra matriz de incidência. Alerta que o provimento obtido pela impugnante é amplo, sem restrições à inexigibilidade da CSLL em determinado exercício, sendo inaplicável a súmula 239 do STF. Anexa decisão judicial de primeira instância no sentido de sua tese (fls.187190). Requer nulidade da autuação por cuidar de crédito tributário inexigível face à existência de coisa julgada material. Alega inexigibilidade da multa de ofício por inexistência de deliberada infração à legislação tributária, eis que a falta de pagamento se deu por conta da controvertida extensão dos efeitos da decisão judicial passada em julgado eximindo a impugnante do recolhimento da CSLL. Entende que não houve deliberada intenção de deixar de pagar ou declarar o tributo, que constitui o substrato para aplicação do art.44, I, da lei 9.430/96. Afirma que o art.136 do CTN não pode ser interpretado isoladamente, havendo que se levar em conta o art.112 do mesmo código. Transcreve a doutrina. Afirma que foi punida por não haver entregado a declaração do tributo considerado devido pela fiscalização, bem como ter deixado de efetuar seu recolhimento, procedendo assim em virtude da decisão judicial transitada em julgado eximindoa do recolhimento. Expõe ser patente a existência de dúvida quanto às circunstâncias materiais dos fatos que embasaram a penalidade aplicada, pois não houve Fl. 256DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 deliberada intenção da impugnante em deixar de recolher o tributo. Pede que a norma do art.47 da lei 9.430/96 seja interpretada favoravelmente à impugnante, sendolhe cominada apenas à multa moratória prevista no art.61 daquela lei. A DRJ decidiu: “NULIDADE. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DESCABIMENTO. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou invalidação do auto de infração. É infundada a argüição de nulidade do lançamento se o embasamento legal que o fundamentou encontrase descrito no auto de infração e anexos, e a peça impugnatória é apresentada com desenvoltura suficiente para contradizer a autuação. CSLL. INOCORRÊNCIA DE OFENSA À COISA JULGADA. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI NÃO ACOLHIDA PELO STF. O controle da constitucionalidade das leis, de forma cogente e imperativa em nosso ordenamento jurídico, é feito de modo absoluto pelo STF. Sendo a relação jurídica de tributação da CSLL continuativa, a declaração de intributabilidade, no que concerne a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros. A coisa julgada em matéria tributária não produz efeitos além dos princípios pétreos da CF, a destacar o da isonomia. CSLL. COISA JULGADA. ALTERAÇÃO DO ESTADO DE DIREITO. A alteração do estado de direito, pelo surgimento de nova legislação, afeta a imutabilidade da coisa julgada, interrompendo seus efeitos nos casos de relação jurídica continuativa. MULTA PROPORCIONAL. Legalidade do percentual de multa aplicado e adequação ao seu caráter punitivo conforme lei 9.430/96, art. 44. MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA. São distintas as hipóteses de aplicação da multa de ofício e da multa de mora. Constatada pela fiscalização a ausência de recolhimento do tributo no prazo legal, deve ser aplicada multa de ofício.” A contribuinte, ora recorrente, alega: DO PROLONGAMENTO DOS EFEITOS DA COISA JULGADA Fl. 257DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.002145/200787 Acórdão n.º 110300.440 S1C1T3 Fl. 3 5 Cumpre esclarecer que, ao contrário do afirmado pelo Fisco, mesmo em se tratando de relação jurídica continuativa, a coisa julgada permanece imutável, somente sendo possível uma única exceção, qual seja, a efetiva modificação nos motivos e razões que fundamentaram a declaração de inconstitucionalidade da Contribuição Social Sobre o Lucro, não bastando, para tanto, a simples modificação da legislação aplicável. Ocorre que, no presente caso, o indicado no acórdão transitado em julgado declarou a inconstitucionalidade da Contribuição Social Sobre o Lucro com fundamento nas seguintes razões de direito: (i) contribuição social instituída na competência residual através de lei ordinária; (ii) coincidência de base de cálculo com o imposto de renda, (iii) a infração ao princípio da anterioridade nonagesimal, e (iv) arrecadação por órgão desvinculado à Seguridade Social. Esclareçase, portanto, que, ao contrário do alegado pela Autoridade Fiscal, mesmo diante das alterações promovidas na legislação que fundamenta a cobrança da contribuição em tela, com exceção da inconstitucionalidade verificada no artigo 8°, da Lei 7.689/88, todos os demais vícios que maculam a exigência da CSLL, e serviram de motivação para a declaração de inconstitucionalidade da exação, permanecem presentes nos exercícios atuais. Anexa jurisprudência. A Recorrente possui uma decisão transitada em julgado a respeito da inconstitucionalidade total da CSLL criada pela Lei n° 7.689/88, uma decisão ampla, que a desobriga do recolhimento da exação. Assim, é irrelevante o pronunciamento do E. Supremo Tribunal Federal nos casos em que já existe uma norma individual e concreta que cria uma situação específica, que no presente caso, é a de deixar de recolher o tributo criado pela Lei n° 7.689/88. Alegou ainda, a Douta Autoridade Julgadora que se acolhida à coisa julgada, iria estarse vulnerando a vigência da legislação que serviu de base à autuação, incluindo as Leis n°s 8.212/91, 9.316/96, 9.430/96, 10.637/2002 e a Lei Complementar 70/91. Isto porque, a legislação acima mencionada, que sucedeu a Lei n° 7.689/88, estabeleceu uma nova relação jurídicatributária entre o Fisco e a Recorrente, fora dos limites da coisa julgada. Ocorre que, a legislação acima mencionada apenas estabeleceu modificações no que tange à alíquota e a base de cálculo e dispuseram sobre a forma de pagamento, tal como exposto no julgado acima transcrito, vale dizer, a legislação acima mencionada trouxe alterações apenas no aspecto quantitativo da hipótese de incidência, não havendo como exigir a contribuição em tela, haja vista que o trânsito em julgado que a Recorrente possui afeta o aspecto material da hipótese de incidência da contribuição. DA MULTA DE OFÍCIO No caso presente, a Recorrente foi punida por não haver entregado a declaração do tributo considerado devido pela fiscalização, bem como deixado de efetuar o seu recolhimento. Contudo, apenas assim procedeu porque possui decisão judicial transitada em julgado eximindoa do recolhimento do tributo, e cujos efeitos entende serem subsistentes. Assim, não caberia a multa de ofício. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 Desta feita, por persistir dúvida quanto ao fato penalizado, é de se interpretar a norma do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 favoravelmente à Recorrente, sendolhe cominada tão somente a multa moratória prevista no artigo 61 daquele diploma legal. Por fim pede: (i) declarar a nulidade do lançamento em razão da existência de decisão transitada em julgado, eximindo a Recorrente do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sem qualquer distinção de exercício e cujos efeitos não foram obstados pelas ulteriores alterações nas normas de regência daquela exação; (ii) no caso de se entender devido o tributo, reconhecer a inaplicabilidade da multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/96, aplicandose o artigo 112 do CTN, em face da existência de dúvida quanto às circunstâncias materiais que embasaram a aplicação dessa pena. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A questão, então, cingese ao exame dos efeitos da decisão judicial transitada em julgado proferida favoravelmente ao contribuinte acerca da CSLL na ação 90.00036763, porém em desacordo com posterior acórdão do Supremo Tribunal Federal, que considerou constitucional os preceitos da lei 7.689/88, com exceção de seu art.8o. A matéria sub examine já foi objeto de apreciação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/CRJN 1.277/94. Oportuna a transcrição de trechos desse parecer sobre a matéria aqui examinada: “4. De início, noticiese que, em tema de ação declaratória, a 1ª Turma do Augusto Pretório, no Julgamento do RE nº 99.4351, Relator Ministro RAFAEL MAYER, decidiu que "a declaração de intributabilidade, no pertinente a relações jurídicas originadas de fatos geradores que se sucedem no tempo, não pode ter o caráter de imutabilidade e de normatividade a abranger eventos futuros". (in "R.T.J." 106/1.189) 5. Esse entendimento foi ratificado pelo Plenário, no julgamento da Ação Rescisória nº 1.2399MG, cujo Relator, o Ministro CARLOS MADEIRA, acolheu o Parecer do então Procurador Geral da República, o hoje Ministro SEPÚLVEDA PERTENCE, pela improcedência da ação. No referido julgado, o Emérito Ministro MOREIRA ALVES esclareceu que "não cabe ação declaratória para efeito de que a declaração transite em julgado para os fatos geradores futuros, pois a ação dessa natureza se destina à declaração da existência, ou não da relação jurídica que se pretende já existente. A declaração da impossibilidade do surgimento de relação jurídica no futuro porque não é esta admitida pela Lei, ou pela Constituição, se possível de ser obtida Fl. 259DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.002145/200787 Acórdão n.º 110300.440 S1C1T3 Fl. 4 7 pela ação declaratória, transformaria tal ação em representação de interpretação ou de inconstitucionalidade em abstrato, o que não é admissível em nosso ordenamento jurídico." (in "Revista Jurídica" nº 159 jan/91, p. 39) 6. Mesmo se admitíssemos a tese da restrição da Súmula nº 239 do S.T.F., no sentido de que se de uma decisão transitada em julgado, numa ação declaratória, que se coloca no plano da relação de direito tributário material, para dizer da inconstitucionalidade da pretensão do Fisco, decorre coisa julgada a impossibilitar a renovação, em cada exercício, de novos lançamentos e cobranças do tributo, impende ponderar, por outro lado, que tal efeito não prevalece na hipótese de advir mudanças das relações jurídicotributárias, pelo advento de novas normas jurídicas e de alterações nos fatos, com os seus novos condicionantes. 7. Assim, a res judicata proveniente de decisão transitada em julgado em uma ação declaratória, em que se cuidou de questões situadas no plano do direito fiscal material, não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência, tratandose de relação jurídica continuativa, como preceitua o inciso I, do art. 471. , do C.P.C. 8. Adaptase como uma luva ao que acabamos de dizer a segunda parte da Ementa do Plenário do Supremo Tribunal Federal, no Julgamento do Recurso Extraordinário nº 83.225 SP, ipsis verbis: "2) A coisa julgada não impede que lei nova passe a reger diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência. Embargos rejeitados" (in "R.T.J." 92/707). 9. Cumpre também, noticiar o entendimento do Procurador Regional da Fazenda Nacional em Pernambuco Dr. ANTÔNIO GALVÃO CAVALCANTI FILHO, exposto no Ofício PRFN/PE nº 406/92, no sentido de que, tornandose mansa e pacífica a jurisprudência que reconhece a constitucionalidade da legislação da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, verificarseia mudança no estado de fato em relação jurídica de trato sucessivo, hospedada no art. 471, I, do Código de Processo Civil, não havendo de antepor, na matéria, a couraça impermeável da coisa julgada, passando a ter, pois, fomento jurídico a cobrança da exação, independentemente de ação rescisória, ressalvados os efeitos jurídicos dos fatos efetivamente consumados. 10. Reforça esta posição, a transcrição de trecho do voto do Ministro COSTA LEITE, no Julgamento da 1ª Turma do sempre Egrégio Tribunal Federal de Recursos da AC nº 81.915RJ (in RTFR 160/59/61), verbis: "A coisa julgada, como ensina Frederico Marques, é suscetível de um processo de integração, decorrente de situação superveniente, a que deve o juiz atender, tendo em conta a natureza continuativa da relação jurídica decidida." Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 8 11. Aliás, a primeira parte da Ementa da AC supracitada traz o seguinte entendimento: "Tratandose de relação jurídica de caráter continuativo, não prospera a exceção de coisa julgada, nos termos do art. 471. , do CPC". 12. Neste ponto, vale ressaltar que a Lei nº 7.689, de 15.12.88, foi alterada por preceptivos jurídicos novos de vários Diplomas Legais, cabendo citar, apenas a título ilustrativo, os arts. 41, § 3º e 44 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; e o art. 11. da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, c/c os arts. 22, § 1º e 23, § 1º, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. 13. Ressaltese, outrossim, que a Lei Complementar nº 70/91, no seu art. 11, manteve as demais normas da Lei nº 7.689/88 com as alterações posteriormente introduzidas. 14. Ademais, desde a Decisão do Excelso Pretório no Julgamento do Recurso Extraordinário nº 1382848CE, a jurisprudência pátria passou a reconhecer mansa e pacificamente a Constitucionalidade da Lei nº 7.689/88, com a exceção do seu art. 8º . 15. Impende transcrever recente Decisão do Pretório Excelso, confirmando o entendimento de decisões anteriores no que respeita ao âmbito dos efeitos da coisa julgada em ação declaratória: "Coisa julgada âmbito Mesmo havendo decisão em que se conclui pela inexistência de relação jurídica entre o Fisco e o contribuinte, não se pode estender seus efeitos a exercícios fiscais seguintes." (Plenário do STF E. Decl. em . Diver. em RE nº 109.0731SP, Rel. Min. ILMAR GALVÃO Jul. 11.2.93) (....) 20. Diante do exposto, concluise que, tendo havido alterações das normas que disciplinam a relação tributária continuativa entre as partes, não seria cabível, no caso, a alegação da exceção da coisa julgada em relação a fatos geradores sucedidos após as alterações legislativas, sendo do interesse público o lançamento e a cobrança administrativa ou judicial dos créditos decorrentes.” Ainda que os argumentos acima expostos pela PGFN, por si só, sejam suficientes para justificar a manutenção da exação aqui combatida, outros pontos podem ser destacados em relação ao lançamento. Se acolhida à hipótese de que a coisa julgada na ação transitada em julgado alcança o período autuado, estarseia a vulnerar a vigência da legislação que serviu de base à autuação, incluindo as leis 8.212/91, 9.316/96, 9.430/96, 10.637/2002 e LC 70/91. A coisa julgada não impede que lei nova discipline diferentemente os fatos debatidos (tal qual na situação que ora se apresenta), razão pela qual o julgado em que se escora o recorrente não autoriza a imutabilidade para fatos geradores futuros, especialmente por se tratarem de relações jurídicas continuativas. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.002145/200787 Acórdão n.º 110300.440 S1C1T3 Fl. 5 9 É indubitável, por conseguinte, que o comando normativo contido nos diplomas legais acima citados introduziu modificações no estado de direito antecedente, seja pelo novo regime jurídico normativo procedimental, sejam materiais, ainda que a alteração se adstrinja às alíquotas da contribuição. É a consubstanciação do julgado do STF, no julgamento do RE 83.225SP (já referido no Parecer PGFN/CRJ 1.277/94). Ademais, a decisão do STF, ao considerar constitucional a CSLL, à exceção do art. 8.º da lei 7.689/88, produziu alteração no estado de direito preexistente, de forma que não restou preservado o estado de direito anterior, seja pelas inovações introduzidas por leis ulteriores àquela instituidora da CSLL, seja pela decisão do STF que a julgou constitucional. Tampouco há que se falar em ofensa à coisa julgada, por estar a situação sub examine sob o abrigo da previsão contida no art. 471, inciso I, do Código de Processo Civil. Atentese para a lição de Vicente Greco Filho (Direito Processual Brasileiro, 2.º Volume, Ed. Saraiva, 14.ª ed, pág.248) sobre a questão: “Diferente, porém, é a situação se existe fato novo ou diferente que venha a constituir fundamento jurídico para outra demanda. Nesse caso, o problema da coisa julgada não se põe, porque o fato que constitui fundamento jurídico novo enseja outra demanda diferente e a coisa julgada se refere a demandas idênticas nos três elementos: mesmas partes, mesmo pedido e mesma causa de pedir.” Também sobre o tema, transcrevo ementa de decisão do STJ no RESP 281209: “TRIBUTÁRIO. COISA JULGADA. EFEITOS. RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. 1. A Lei nº 7.689, de 15.12.88, foi declarada constitucional, com exceção do art. 8º, pelo STF (RE nº 1382848CE). 2. Efeitos da coisa julgada que reconheceu, sem exame pelo STF, ser inconstitucional toda a Lei nº 7.689, de 15.12.88. 3. Superveniência da Lei nº 8.212, de 24.07.91, e da LC nº 70, de 30.12.1991. Reafirmação, nestas leis, da instituição da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas. 4. Superveniência de situações jurídicas que afetam a imutabilidade da coisa julgada quando se trata de declaração de inconstitucionalidade não examinada, na situação debatida, pelo STF e proclamada na apreciação de relação jurídicotributária de natureza continuativa. 5. Recurso provido que resulta em denegação da segurança impetrada pela empresa, obrigandoa a pagar a contribuição em questão devida, a partir da vigência da Lei nº 8.212/91, por respeito aos efeitos da coisa julgada nos exercícios de 1989 e 1990. Inexistência de ação rescisória.” Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 10 Igualmente, a prevalência de decisões judiciais hierarquicamente inferiores sobre decisões do STF constituiria verdadeira subversão hierárquica, especialmente por importar transgressão e ruptura do princípio da isonomia insculpido na Carta Magna, além de abalar a própria confiança depositada no Poder Judiciário. Penoso seria ao contribuinte pagador de seus tributos admitir que um seu concorrente estivesse exonerado do pagamento da exação, em face de coisa julgada material contrária ao entendimento do STF em matéria constitucional tributária. Neste sentido, a preponderância futura e inter partes da decisão judicial que decidiu pela inconstitucionalidade da contribuição firmaria um disfarçado regime jurídico privilegiado, o qual é repudiado pela ordem constitucional pátria. A decisão do STJ no RESP 233662/GO bem observou o acima exposto: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COISA JULGADA. EFEITOS E LIMITES. LEI 7689/88. APLICAÇÃO. 1. Pode haver cobrança de tributo após cada fato gerador nos períodos supervenientes à coisa julgada pela presença de relações jurídicas de trato sucessivo. 2. Os Tribunais, de qualquer grau, podem declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, mas com efeito meramente declaratório, sem qualquer carga de executabilidade, mesmo que alcance a coisa julgada. 3. Há limites a serem impostos à segurança jurídica, em face de regras postas na Carta Maior como o de que ela, quando construída pelo direito formal, não pode se impor sobre os princípios constitucionais. 4. Recurso especial provido.” O voto do Ministro José Delgado, proferido no processo cuja ementa fora acima transcrita, expõe de maneira absolutamente cristalina o entendimento exposto neste voto: “A coisa julgada, na situação examinada, não tem força absoluta. A decisão do Poder Judiciário, mesmo que lhe proteja a coisa julgada, não pode sobreporse aos ditames da Carta Magna. É dever da jurisprudência adaptar os efeitos da coisa julgada, em situações como a revelada nos autos, à força dos princípios que regem a relação jurídicotributária, essencialmente, de conteúdo público, portanto, indisponível. O primeiro plano da discussão deve ser situado na busca de se compreender a extensão dos efeitos da não aplicação de uma lei considerada inconstitucional, por parte dos Juízes de primeiro e segundo graus, quando tal decisão transita em julgado. Sabido é que a Carta Magna, em seu art.97, permite que os Tribunais, de qualquer grau, declarem pela maioria dos seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público. Essa decisão, contudo, tem mero efeito declarativo e fica condicionada para que produza efeitos de validade, eficácia e efetividade em relação às partes, haja vista o caso concreto Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.002145/200787 Acórdão n.º 110300.440 S1C1T3 Fl. 6 11 examinado, se o Colendo Supremo Tribunal Federal a confirmar. Não se deve afastar, na interpretação do art.97, da CF, a forma sistêmica. A adesão a esse tipo de visualização da lei consiste em têla como em rigorosa vinculação com os demais dispositivos que regulam o panorama jurídico em apreciação, para que o fenômeno da segurança jurídica seja fortalecido com o pronunciamento judicial. É princípio maior adotado pela Carta Magna que cabe, precipuamente, ao Colendo Supremo Tribunal Federal, a guarda da Constituição (art.102), sendo de sua competência originária e recursal dizer ou não se determinada lei é constitucional ou inconstitucional. Somente ao Supremo Tribunal Federal é que a Carta Magna outorgou essa competência, pelo que qualquer outra decisão proferida pelos Tribunais Superiores ou de Segundo grau sobre a inconstitucionalidade ou constitucionalidade da lei tem efeito meramente declaratório, sem qualquer carga de executoriedade, mesmo que lhe alcance a coisa julgada. A diferença existente está, portanto, que o Supremo Tribunal Federal dispõe sobre constitucionalidade ou a inconstitucionalidade da lei com carga constitutiva ou desconstitutiva de direito, o que provoca imediata validade, eficácia e efetividade da sua decisão para o mundo jurídico, vinculando as partes no controle difuso e a todos no controle concentrado. A decisão dos Tribunais, com base no art.97, CF, tem efeito meramente declaratório, inexecutável e dependente do pronunciamento do Supremo. A coisa julgada formada com a decisão dos Tribunais Superiores e a de Segundo grau é de natureza relativa e dependente. Impõese a construção desse entendimento, sob pena de inverter se o sistema introduzido pelo ordenamento jurídico constitucional, gerandose clima de insegurança e desrespeito maior aos princípios postos na Carta Magna. Não há lógica jurídica a se sustentar que uma declaração de inconstitucionalidade de uma lei proferida por um Tribunal de Segundo grau, em caso concreto, só pelo efeito do trânsito em julgado, tenha força de sobreporse ao entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a mesma lei, considerandoa constitucional, especialmente, quando aquela decisão provoca, pelos seus efeitos, violação a princípio constitucional, como é o da igualdade tributária. O tema, como visto, desafia os estamentos vinculados à interpretação do direito (doutrina e jurisprudência), exigindo que se ponha ordem no sistema criado pela CF para o nosso ordenamento jurídico. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 12 É de toda sabença que a função da coisa julgada é a de impor segurança jurídica nas relações entre os litigantes, no âmbito do Poder Judiciário. Não é desconhecida, também, a doutrina que consagra a segurança jurídica como um direito fundamental do cidadão. Ocorre, porém, que há limites a serem impostos à segurança jurídica, em face de regras postas na Carta Maior – como o de que ela, quando construída pelo direito formal, não pode se impor sobre princípios constitucionais. Considerese, também, que no trato das relações jurídicas de direito público o fenômeno da indisponibilidade do direito está presente, ladeado pelo da obediência rigorosa ao da legalidade. Os efeitos formados por esse círculo principiológico não permitem colocar a decisão judicial trânsita em julgado, sem que tenha sido pronunciada pelo Colendo Supremo Tribunal Federal como hierarquicamente superior à Carta Magna. O prevalecimento desse comportamento, isto é, de reconhecerse a declaração de inconstitucionalidade de lei proferida por Tribunais que não o Supremo Tribunal Federal, com trânsito em julgado, como produtora de efeitos permanentes de execução e, conseqüentemente, efetividade e eficácia, produziria o fenômeno de se compreender a possibilidade desse fenômeno (a coisa julgada) ficar acima das regras constitucionais, outorgandose, também, aos juízes de instância inferior competência que não lhes foi dada pela Constituição Federal. (...) Por último, considerese o já acentuado, de modo pacífico, na doutrina e na jurisprudência, de que a relação jurídico tributária é de natureza continuativa. Essas relações se sucedem no tempo, mês a mês, pelo que não têm caráter de imutabilidade qualquer declaração de inconstitucionalidade a seu respeito. Por isso, tenho afirmado que pode haver cobrança de tributo, após cada fato gerador, nos períodos supervenientes à coisa julgada, pela presença de relações jurídicas de trato sucessivo.” A jurisprudência administrativa é pacífica a respeito do tema: CSL – COISA JULGADA RELAÇÃO JURÍDICA CONTINUATIVA – PERENIDADE – LIMITE TEMPORAL Não são eternos os efeitos da decisão judicial transitada em julgado que afasta a incidência da Lei nº 7.689/88 sob fundamento de sua inconstitucionalidade. Ainda que se admitisse a tese da extensão dos efeitos dos julgados nas relações jurídicas continuadas, esses efeitos sucumbem ante pronunciamento definitivo e posterior do Supremo Tribunal Federal em sentido contrário, como também sobrevindo alteração legislativa na norma impugnada. (Acórdão 10807548). Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 16327.002145/200787 Acórdão n.º 110300.440 S1C1T3 Fl. 7 13 Contribuição Social sobre o Lucro Alegação de Ofensa a Coisa Julgada Inocorrência Manutenção do Lançamento Em matéria tributária a coisa julgada não tem o condão de perenidade, sobretudo tendo o Supremo Tribunal Federal declarado a constitucionalidade da exigência da contribuição social sobre o lucro instituída pela Lei 7.689/88, restando inconstitucional apenas o seu artigo 8º, que é indiferente para o deslinde da controvérsia instaurada. aplicabilidade, no caso, da Súmula 239 do STF. A decisão judicial transitada em julgado em favor da Recorrente diz respeito a uma situação produzida pelo quanto determinado na Lei nº 7.689/88, a qual foi alterada por legislação superveniente, ou seja, houve modificação da situação fático jurídica protegida pela decisão transitada em julgado, de modo que a referida norma individual e concreta que a eximia do recolhimento da contribuição social sobre o lucro não mais se aplica à situação jurídica em que se encontra atualmente. (Acórdão 10706532) Assim, concluise que o lançamento foi corretamente efetuado pela autoridade fiscal, não merecendo reparos. DA MULTA DE OFÍCIO O lançamento é atividade vinculada e obrigatória, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, cabendo à autoridade administrativa tãosomente aplicar a lei ao caso concreto. No caso em exame, a multa de ofício foi lançada como penalidade porque a fiscalização constatou falta de recolhimento pela contribuinte para o período considerado, no curso do procedimento fiscal. Sua aplicação está prevista no art. 44, inciso I, da lei 9.430/96, de forma que não restou à autoridade administrativa outra alternativa senão dar aplicação à lei, sob pena de responsabilidade funcional. Cumpre esclarecer que a responsabilidade por infrações da legislação tributária possui caráter objetivo, independendo da intenção do sujeito passivo. Em outras palavras, basta para caracterizála a prática do ato que infringe a norma tributária, sendo irrelevantes os motivos que eventualmente possam ter contribuído para tal conduta. Tratase de princípio consagrado no próprio CTN, cujo art. 136 dispõe: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Sendo as multas de ofício aplicáveis quando se constatar, em procedimento fiscal, falta de cumprimento espontâneo das obrigações tributárias, como é o caso, equivocada é a pretensão da impugnante para ser aplicada a multa de mora prevista no art. 61 da lei 9.430/96, em substituição à multa lançada de ofício. Com efeito, a multa moratória é aplicável nas hipóteses de recolhimento espontâneo de tributo ou contribuição efetuado após o prazo de vencimento previsto na legislação específica. Por outro lado, a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da lei 9.430/96 aplicase nas hipóteses de falta de pagamento, de falta de declaração ou de declaração inexata. Portanto, a multa de ofício aplicase quando a infração é constatada pela autoridade administrativa no curso de uma ação fiscal. No caso de que trata o Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 14 presente processo administrativo, o termo de verificação fiscal foi claro ao consignar que o auto de infração foi lavrado em razão de falta de recolhimento da CSLL devida nos anos calendário 2004 e 2005. Assim, não há que se falar em aplicação de multa moratória, devida somente nas hipóteses de procedimento espontâneo, mas em multa de ofício, apurada no curso da ação fiscal. Por todo o exposto voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 31 de março de 2011 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 267DF CARF MF Impresso em 06/07/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, 11/04/2011 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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