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Numero do processo: 13054.000202/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EFEITOS. EXTINÇÃO DO DÉBITO. APRESENTAÇÃO APÓS A DATA DO VENCIMENTO DO DÉBITO. ENCARGOS LEGAIS. INCIDÊNCIA.
A compensação de tributos federais será efetuada mediante a entrega à RFB, pelo sujeito passivo, da declaração de compensação, e a extinção do débito, sob condição resolutória, ocorre na data da apresentação da referida declaração de compensação. Ocorrendo apresentação de DCOMP após o vencimento do débito, sobre este incide os acréscimos moratórios legais.
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS PEDIDOS. UTILIZAÇÃO.
Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, entre a data do vencimento e a data da entrega da Declaração de Compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.023
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EFEITOS. EXTINÇÃO DO DÉBITO. APRESENTAÇÃO APÓS A DATA DO VENCIMENTO DO DÉBITO. ENCARGOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. A compensação de tributos federais será efetuada mediante a entrega à RFB, pelo sujeito passivo, da declaração de compensação, e a extinção do débito, sob condição resolutória, ocorre na data da apresentação da referida declaração de compensação. Ocorrendo apresentação de DCOMP após o vencimento do débito, sobre este incide os acréscimos moratórios legais. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS PEDIDOS. UTILIZAÇÃO. Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, entre a data do vencimento e a data da entrega da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado.
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EFEITOS. EXTINÇÃO DO DÉBITO. APRESENTAÇÃO APÓS A DATA DO VENCIMENTO DO DÉBITO. ENCARGOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. A compensação de tributos federais será efetuada mediante a entrega à RFB, pelo sujeito passivo, da declaração de compensação, e a extinção do débito, sob condição resolutória, ocorre na data da apresentação da referida declaração de compensação. Ocorrendo apresentação de DCOMP após o vencimento do débito, sobre este incide os acréscimos moratórios legais. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS PEDIDOS. UTILIZAÇÃO. Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, entre a data do vencimento e a data da entrega da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 11/03/2005 a empresa AMADEO ROSSI S/A METALURGIA E MUNIÇÕES, já qualificada nos autos, apresentou a Declaração de Compensação de fl. 01, acompanhada do formulário “CRÉDITOS DA COFINS” de fl. 02, relativo a créditos da Cofins nãocumulativa, previsto no § 1o do art. 6o da Lei no 10.833/2003, referente ao 4º trimestre de 2004. Posteriormente, apresentou outras declarações de compensação vinculadas ao mesmo crédito. A DRF em Novo Hamburgo RS incluiu na base de cálculo da Cofins o valor dos créditos presumidos de IPI recebidos pela recorrente e, consequentemente, reconheceu créditos em valores inferiores aos declarados na DACON, e homologou as compensações declaradas (fls. 63 a 72), até o limite do crédito reconhecido, restando débitos cuja compensação não foi homologada. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1016.066, de 29/05/2008 – fls. 111/113. Ciente desta decisão em 11/08/2008, a interessada ingressou, no dia 10/09/2008, com o recurso voluntário de fls. 118/125, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 a diferença dos créditos devese ao fato da empresa ter feito a apuração e as compensações mês a mês e a Fiscalização fez uma apuração estanque, gerando as diferenças de valores não compensados. 2 a legislação autoriza a utilização mensal dos créditos e não apenas trimestralmente, como fez a Fiscalização (art. 3º, §4º, da Lei nº 10.637/02, referente ao PIS; e art. 6º, §1º, II, da Lei nº 10.833/03, da Cofins) Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000202/200591 Acórdão n.º 330201.023 S3C3T2 Fl. 3.54 3 3 outro ponto de divergência diz respeito ao período de ocorrência das compensações. Entende a recorrente que os pedidos de ressarcimento não se vinculam às compensações realizadas espontaneamente, não se equiparando às compensações “ex officio”. Solicita a realização de diligência para apurar qualquer tipo de discrepância nos valores utilizados pela recorrente, mas numa análise global do período fiscalizado. Solicita, por fim, que seja analisado, em conjunto, os seus 13 processos de ressarcimento, que relaciona. Na sessão realizada no dia 20/10/2009 esta Turma de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência para a DRF informar as razões da diferença entre o valor pleiteado e o valor reconhecido, nos termos da Resolução nº 330200.021. Em atenção à referida resolução, a DRF ratificou o valor do ressarcimento reconhecido e informou que levou em consideração, na apuração do crédito, o valor do crédito apurado pela recorrente e informado na DACON e que no valor solicitado pela recorrente estava incluído o saldo do terceiro trimestre de 2004, conforme informação às fls. 141/143. Ciente do resultado da diligência, a recorrente reitera a necessidade de análise conjunta dos 13 processos de pedido de ressarcimento para aproveitar os créditos remanescentes de uns com os débitos remanescentes de outros e protesta pela cobrança dos encargos legais quando as declarações de compensação foram apresentadas após o vencimento dos tributos compensados. Na forma regimental, o processo retornou para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário foi conhecido e admitido na sessão realizada no dia 20/10/2009. Como relatado, a empresa recorrente ingressou com pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa e apresentou declarações de compensação vinculadas ao pedido de ressarcimento. A RFB reconheceu o crédito em valor inferior ao pleiteado porque incluiu na base de cálculo da exação a receita recebida a título de crédito presumido do IPI e porque a recorrente havia incluído, neste trimestre, o valor do crédito do terceiro trimestre de 2004. Inconformada, a empresa recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi indeferida pela DRJ em Porto Alegre RS. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Ciente da decisão de primeira instância, a empresa apresentou recurso voluntário no qual contesta o modo como a RFB efetuou as compensações declaradas, ou seja, utilizando os crédito de cada processo de pedido de ressarcimento com os débitos das declaração de compensação vinculadas pela recorrente ao mesmo processo e, também, por ter sido cobrado os encargos moratórios legais na hipótese da declaração de compensação ter sido apresentada após o vencimento do débito compensado. Pleiteia a recorrente, em verdade, que o seu crédito seja reconhecido como uno, englobando os 13 processos de pedido de ressarcimento e, em assim sendo, que seja o total do crédito reconhecido utilizado para homologar as compensações declaradas, sem acréscimos legais. Entende, ainda, a recorrente, que o seu direito à compensação pode ser exercido mensalmente porque assim autoriza a lei (§ 4º do art. 3º, c/c inciso II, do § 1º do art. 6º, todos da Lei nº 10.833/03). Por fim, solicita a realização de perícia. Sobre a possibilidade de se analisar englobadamente os 13 (treze) processos da recorrente que tratam de pedido de ressarcimento de PIS e de Cofins, entendo que não é possível pelas razões arroladas na decisão recorrida, que ratifico. De fato, as declarações de compensações apresentadas devem indicar, com precisão, qual é o crédito que foi utilizado na compensação, ou seja, em qual processo o crédito foi pleiteado ou reconhecido. Sendo insuficiente o crédito para extinguir a totalidade do débito, este será limitado ao valor do crédito e o saldo remanescente do débito pode ser compensado com crédito existente em outro ou outros processos de pedido de ressarcimento, desde que seja apresentado, em cada processo de crédito, a competente declaração de compensação informando a utilização desse crédito em compensação. Certo é que a compensação de débito em um processo está limitada ao crédito reconhecido neste mesmo processo. Se assim não for, a compensação somente poderá se operar de ofício, quando do ressarcimento em dinheiro de algum crédito, nos termos dos arts. 49 a 54 da IN RFB nº 900/08. Defende a recorrente que estar autorizada a efetuar, mensalmente, a compensação de crédito de PIS e de Cofins não cumulativo com débitos seus, por força do que dispõe o § 4º do art. 3º, c/c inciso II, do § 1º do art. 6º, todos da Lei nº 10.833/03. Enganase a recorrente porque, conforme diz textualmente o inciso II, in fine, do § 1º do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, a compensação ali autorizada deve observar a legislação específica aplicável à matéria, ou seja, à compensação. No caso, deve ser observado o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, com as alterações das Leis nos. 10.637/02, 10.833/03, 11.051/04, 11.941/09 e 12.249/10, que regula todas as compensações, inclusive de crédito passível de ressarcimento. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.000202/200591 Acórdão n.º 330201.023 S3C3T2 Fl. 4.54 5 Portanto, não existe previsão legal para a recorrente efetuar, mensalmente, a compensação de débitos outros na conta gráfica da Cofins. A previsão existente no inciso I do § 1º do art. 6º, da Lei nº 10.833/03 é para deduzir o “valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno” e não se confundo com o disposto no inciso II deste mesmo dispositivo legal que trata de compensação. Correto foi o procedimento da RFB que homologou as compensações declaradas pela recorrente neste processo, até o limite do crédito reconhecido. No caso específico deste processo, restou débitos cuja compensação não foi homologada. Deixo de analisar a alegação a respeito dos acréscimos legais cobrados quando a declaração de compensação for apresentada após o vencimento dos débitos compensados porque, no presente processo, esta hipótese não aconteceu. Todos os débitos compensados tiveram sua DCOMP apresentada antes do seu vencimento. Por último, entendo prescindível a realização de diligência porque não há controvérsia sobre o valor do crédito reconhecido e o procedimento adotado pela recorrente nas compensações não encontra respaldo legal. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13736.001256/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO.
As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei no. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.197
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado por unanimidade de votos, cm negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Acácia Sayuri Wakasugi
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei no. 8.852, de 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-12-15T16:28:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-12-15T16:28:48Z; Last-Modified: 2011-12-15T16:28:48Z; dcterms:modified: 2011-12-15T16:28:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:19386557-ae93-410d-9603-c0fc651b1c2d; Last-Save-Date: 2011-12-15T16:28:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-12-15T16:28:48Z; meta:save-date: 2011-12-15T16:28:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-12-15T16:28:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-12-15T16:28:48Z; created: 2011-12-15T16:28:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-12-15T16:28:48Z; pdf:charsPerPage: 1131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-12-15T16:28:48Z | Conteúdo => Acordam os Membros o Colegiad, , orjnanimidade votos, cm negar provimento ao recurso, nos termos do EDITA lO EM: 09/11/2011 S2-CIT2 Fl. 48 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13736.001256/2007-66 Recurso n° 172.435 Voluntário Acórdão n° 2102-01.197 — la Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 18 de março de 2011 Matéria IRPF Recorrente LUIZ HENRIQUE DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. HIPÓTESES DE ISENÇÃO. As exclusões do conceito de remuneração estabelecidas na Lei no. 8.852, dc 1994, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutido autos. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Ntabia Matos Moura, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Rubens Mauricio Carvalho e Acácia Sayuri Wakasugi. Relatório Assim, contra LUIZ HENRIQUE DA SILVA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 24/28, para alterar o resultado da Declaração de Ajuste Anual (DAA), ano- calendário 2004, exercício 2005, sendo que confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular constatou-se omissão de rendimentos sujeitos A. tabela progressiva, no valor de R$ 11.349,96, percebido das fontes pagadoras. Na apuração do imposto devido, nada havia a ser compensado. Cientificado, o recorrente insurgiu-se contra o lançamento focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação, tendo juntado documentos, fls. 02/16. A DRJ em acordão tombado sob o n°. 13-19.024 - l a . Turma da DRJ/RJOII , em sessão de julgamento datado de 28/02/2008, julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, fls. 35/39, tendo a seguinte ementa que ora transcrevo: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributaria, disposição legal federal especifica. Lançamento Procedente" Cientificado, por AR em 23/04/2008, fls. 43, o contribuinte apresentou, em 13/05/2008, recurso voluntário, fls. 44/45, onde repisa os argumentos elencados na impugnação ao auto de lançamento, aduzindo ainda que de acordo com a Lei Federal no 8.852/94, em seu art. 1°, inc. III, o IRPF não incidiria sob as parcelas relativas aos vencimentos dos militares/servidores civis, entre outras: Gratificação de tempo de serviço; gratificação ou adicional natalino, ou 13° Salário, Compensação Orgânica e Salário Família. É 0 RELATÓRIO. Voto Conselheira Acácia Sayuri Wakasugi 0 recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Em sede de recurso, não foram apresentados novos argumentos ou elementos de prova para contestar as razões utilizadas pelo relator do voto do acórdão da DRJ, apenas foi solicitada novamente que fosse aceita a tese de isenção sobre parcelas referentes a Compensação Orgânica e Adicional de Tempo de Serviço e Compensação Orgânica, conforme a Lei 8.852, de 1994. Processo n° 13736.001256/2007-66 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.197 Fl. 49 De outro lado, o acórdão recorrido, foi minucioso acerca da impossibilidade legal e fática para que seja aceita a tese da defesa, conforme se vê no voto do julgamento prolatado pela de primeira instância que, aqui transcrevo, em partes: "(...) 0 Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, define no artigo 43 o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. A Lei 7.713/88, em seu art 3 0, § 10, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 90 a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 40 do art 3° da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII, e 39, § I°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo I°, Ill, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. 0 artigo 10 da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser especifica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de "a" até "r" no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. Assim sendo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. No presente processo está clara pela instrução, provas prestadas e confirmadas pelos próprios interessados, que a parcela tributada não é isenta, pois, a Lei 8.852, de 1994 não é competente e não teve o objetivo de definir a isenção tributária sobre o MIT, obrigando que a autoridade fiscal, em função da seu dever de oficio, promovesse o lançamento atendendo a legislação tributária vigente. Ademais essa matéria sobre o efeito da Lei 8.852, de 1994 em matéria tributária em tela já fora tema debates neste CARF, havendo pois, uniformidade de entendimentos: Processo n°. : 13701.000384/2006-17 Recurso n°. : 155.978 Matéria : 1RPF - Ex(s): 2002 Sessão de : 25 de maio de 2007 Acórdão n°. : 104-22.484 I RPF - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - SERVIDORES PÚBLICOS A Lei n°. 8.852, de 1994, não veicula isenção do imposto de renda das pessoas físicas. As verbas recebidas a titulo de adicional por tempo de serviço, adicional de férias e gratificação constituem renda ou acréscimo patrimonial e devem ser tributadas, à mingua de enunciado isentivo na legislação. Recurso negado. Assim, constatadas as irregularidades descritas nos autos de infração, tendo sido observadas na autuação as respectivas legislações regentes das matérias e não tendo a contribuinte apresentado qualquer prova ou argumento capaz de elidir o que lhe foi imputado, devem ser mantidas as exigénci Desta fo / . merecendo reparos 41 eels correto o lançamento e, por conseguinte, não stância, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. akasugi - Relatora 4
score : 1.0
Numero do processo: 13054.001023/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EFEITOS. EXTINÇÃO DO DÉBITO. APRESENTAÇÃO APÓS A DATA DO VENCIMENTO DO DÉBITO. ENCARGOS LEGAIS. INCIDÊNCIA.
A compensação de tributos federais será efetuada mediante a entrega à RFB, pelo sujeito passivo, da declaração de compensação, e a extinção do débito, sob condição resolutória, ocorre na data da apresentação da referida declaração de compensação. Ocorrendo apresentação de DCOMP após o vencimento do débito, sobre este incide os acréscimos moratórios legais.
PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS PEDIDOS. UTILIZAÇÃO.
Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento.
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
Na compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, entre a data do vencimento e a data da entrega da Declaração de Compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.021
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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EFEITOS. EXTINÇÃO DO DÉBITO. APRESENTAÇÃO APÓS A DATA DO VENCIMENTO DO DÉBITO. ENCARGOS LEGAIS. INCIDÊNCIA. A compensação de tributos federais será efetuada mediante a entrega à RFB, pelo sujeito passivo, da declaração de compensação, e a extinção do débito, sob condição resolutória, ocorre na data da apresentação da referida declaração de compensação. Ocorrendo apresentação de DCOMP após o vencimento do débito, sobre este incide os acréscimos moratórios legais. PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EM DIVERSOS PEDIDOS. UTILIZAÇÃO. Cada pedido de ressarcimento protocolado ou apresentado em datas diversas deve ser analisado isoladamente e as declarações de compensação a ele vinculadas também serão analisadas à luz do crédito pleiteado e reconhecido pela RFB em cada pedido de ressarcimento. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, entre a data do vencimento e a data da entrega da Declaração de Compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 11/11/2003 a empresa AMADEO ROSSI S/A METALURGIA E MUNIÇÕES, já qualificada nos autos, apresentou a Declaração de Compensação de fl. 01, acompanhada do formulário “CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP” (fl. 02), relativo a créditos de PIS nãocumulativo, previsto no § 1o do art. 5o da Lei no 10.637/2002, referente ao 2º trimestre de 2003. Posteriormente, apresentou declaração retificadora e substituiu o formulário "CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP" pelo o de fl. 26, relativamente ao mês de junho de 2003, no qual altera o valor do crédito utilizado nas compensações.. A DRF em Novo Hamburgo RS incluiu na base de cálculo do PIS o valor dos créditos presumidos de IPI recebidos pela recorrente e, consequentemente, reconheceu créditos em valores inferiores aos declarados na DACON, e homologou as compensações declaradas (fls. 53 e 54), com os acréscimos legais devidos, apurando um saldo devedor no valor de R$ 6.734,48. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida, que leio em sessão. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 1016.056, de 29/05/2008, cuja ementa abaixo se transcreve. Ementa: COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Verificando a Fiscalização a insuficiência de créditos indicados nas Declarações de Compensação apresentadas, correto o procedimento adotado referente à homologação parcial das compensações declaradas. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. A espontaneidade do recolhimento não exclui a responsabilidade pelo pagamento dos acréscimos legais previstos pela legislação ordinária, nos recolhimentos ou compensações intempestivos de tributos. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.001023/200317 Acórdão n.º 330201.021 S3C3T2 Fl. 136 3 RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ANALISE CONJUNTA DE MAIS DE UM PROCESSO. Não existe amparo legal para que se determine que pedidos de ressarcimento e declarações de compensação, encaminhados em diferentes processos, sejam obrigatoriamente examinados em conjunto. Ciente desta decisão em 11/08/2008, a interessada ingressou, no dia 10/09/2008, com o recurso voluntário de fls. 93/100, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 a diferença dos créditos devese ao fato da empresa ter feito a apuração e as compensações mês a mês e a Fiscalização fez uma apuração trimestral, gerando as diferenças de valores não compensados. 2 a legislação autoriza a utilização mensal dos créditos e não apenas trimestralmente, como fez a Fiscalização (art. 3º, §4º, da Lei nº 10.637/02, referente ao PIS; e art. 6º, §1º, II, da Lei nº 10.833/03, da Cofins). 3 outro ponto de divergência diz respeito ao período de ocorrência das compensações. Entende a recorrente que os pedidos de ressarcimento não se vinculam às compensações realizadas espontaneamente, não se equiparando às compensações “ex officio”. Solicita a realização de diligência para apurar qualquer tipo de discrepância nos valores utilizados pela recorrente, mas numa análise global do período fiscalizado. Solicita, por fim, que seja analisado, em conjunto, os seus 13 processos de ressarcimento, que relaciona. Na sessão realizada no dia 20/10/2009 esta Turma de Julgamento do CARF converteu o julgamento em diligência para a DRF informar as razões da diferença entre o valor pleiteado e o valor reconhecido, nos termos da Resolução nº 330200.017. Em atenção à referida resolução, a DRF ratificou o valor do ressarcimento reconhecido e informou que levou em consideração, na apuração do crédito, o valor do crédito apurado pela recorrente e informado na DACON e que no valor solicitado pela recorrente estava incluído o saldo do primeiro trimestre de 2003, conforme informação às fls. 121/123. Ciente do resultado da diligência, a recorrente reitera a necessidade de análise conjunta dos 13 processos de pedido de ressarcimento para aproveitar os créditos remanescentes de uns com os débitos remanescentes de outros e protesta pela cobrança dos encargos legais quando as declarações de compensação foram apresentadas após o vencimento dos tributos compensados. É o Relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 O recurso voluntário foi conhecido e admitido na sessão realizada no dia 20/10/2009. Como relatado, a empresa recorrente ingressou com pedido de ressarcimento de PIS não cumulativo e apresentou declaração de compensação vinculados ao pedido de ressarcimento. A RFB reconheceu o crédito em valor inferior ao pleiteado porque incluiu na base de cálculo da exação a receita recebida a título de crédito presumido do IPI e porque a recorrente havia incluído, neste trimestre, o valor do crédito do primeiro trimestre de 2003. Inconformada, a empresa recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi indeferida pela DRJ em Porto Alegre RS. Ciente da decisão de primeira instância, a empresa apresentou recurso voluntário no qual contesta o modo como a RFB efetuou as compensações declaradas, ou seja, utilizando os crédito de cada processo de pedido de ressarcimento com os débitos das declaração de compensação vinculadas pela recorrente ao mesmo processo e, também, por ter sido cobrado os encargos legais na hipótese da declaração de compensação ter sido apresentada após o vencimento do débito compensado. Pleiteia a recorrente, em verdade, que o seu crédito seja reconhecido como uno, englobando os 13 processos de pedido de ressarcimento e, em assim sendo, que seja o total do crédito reconhecido utilizado para homologar as compensações declaradas, sem acréscimos legais. Entende, ainda, a recorrente, que o seu direito à compensação pode ser exercido mensalmente porque assim autoriza a lei (§ 4º do art. 3º, c/c inciso II, do § 1º do art. 6º, todos da Lei nº 10.833/03). Por fim, solicita a realização de perícia. Sobre a possibilidade de se analisar englobadamente os 13 (treze) processos da recorrente que tratam de pedido de ressarcimento de PIS e de Cofins, entendo que não é possível pelas razões arroladas na decisão recorrida, que ratifico. De fato, as declarações de compensações apresentadas devem indicar, com precisão, qual é o crédito que foi utilizado na compensação, ou seja, em qual processo o crédito foi pleiteado ou reconhecido. Sendo insuficiente o crédito para extinguir a totalidade do débito, este será limitado ao valor do crédito e o saldo remanescente do débito pode ser compensado com crédito existente em outro ou outros processos de pedido de ressarcimento, desde que seja apresentado, em cada processo de crédito, a competente declaração de compensação informando a utilização desse crédito em compensação. Certo é que a compensação de débito em um processo está limitada ao crédito reconhecido neste mesmo processo. Se assim não for, a compensação somente poderá se operar de ofício, quando do ressarcimento em dinheiro de algum crédito, nos termos dos arts. 49 a 54 da IN RFB nº 900/08. Defende a recorrente que estar autorizada a efetuar, mensalmente, a compensação de crédito de PIS e de Cofins não cumulativo com débitos seus, por força do que dispõe o § 4º do art. 3º, c/c inciso II, do § 1º do art. 6º, todos da Lei nº 10.833/03. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13054.001023/200317 Acórdão n.º 330201.021 S3C3T2 Fl. 137 5 Enganase a recorrente porque, conforme diz textualmente o inciso II, in fine, do § 1º do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, a compensação ali autorizada deve observar a legislação específica aplicável à matéria, ou seja, à compensação. No caso, deve ser observado o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, com as alterações das Leis nos. 10.637/02, 10.833/03, 11.051/04, 11.941/09 e 12.249/10, que regula todas as compensações, inclusive de crédito passível de ressarcimento. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Portanto, não existe previsão legal para a recorrente efetuar, mensalmente, a compensação de débitos outros na conta gráfica do PIS. A previsão existente no inciso I do § 1º do art. 6º, da Lei nº 10.833/03 é para deduzir o “valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno” e não se confundo com o disposto no inciso II deste mesmo dispositivo legal que trata de compensação. Correto foi o procedimento da RFB que homologou as compensações declaradas pela recorrente neste processo, até o limite do crédito reconhecido. No caso específico deste processo, restou débitos cuja compensação não foi homologada. Com relação aos acréscimos legais cobrados quando a declaração de compensação for apresentada após o vencimento dos débitos compensados, não há ilegalidade alguma no procedimento adotado pela autoridade da RFB, nos termos do que dispõe o art. 28 da IN SRF nº 210/02, com a redação da IN SRF nº 323, de 04/04/2003, vigente à época da apresentação das declarações de compensação. Diz o referido dispositivo normativo: Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação da IN 323, de 04/04/2003) (grifei). Esclareçase que os arts. 38 e 39 da IN SRF nº 210/02, acima referidos, tratam da restituição de quantias recolhidas ao Tesouro Nacional e não de ressarcimento. Por último, entendo prescindível a realização de diligência porque não há controvérsia sobre o valor do crédito reconhecido e o procedimento adotado pela recorrente nas compensações não encontra respaldo legal. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 37159.000342/2005-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA
A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendo-lhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação
Numero da decisão: 2302-000.906
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendo-lhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação
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Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. EDITADO EM: 12/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva e Edgar Silva Vidal. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Relatório Trata a presente notificação, lavrada em 12/11/2004, com ciência pelo sujeito passivo em 17/11/2004, de contribuições previdenciárias incidentes sobre valores da mãode obra empregada em obra de construção civil executada sob a responsabilidade de contribuinte pessoa física. O relatório fiscal de fls.19/23, diz que as contribuições previdenciárias devidas foram apuradas com base no Aviso para Regularização de Obra – ARO, emitido em 20/03/2002. Segundo consta, para emissão do ARO, foi feita diligência à Prefeitura de Guarapari – Setor de Arquivo e examinado o processo n. 10.332/2000, de regularização da obra perante o Município, onde ficou constatado que a área construída foi alterada de 1.508 m2 para 12.000, 20 m2. Consta no item 8 do relatório fiscal que o Sr. Antonio Manoel Silva Miranda, Diretor de Cadastro Imobiliário, emitiu relatório de valores e impostos, com áreas construídas que originaram cobrança de IPTU até o ano de 1999 e as áreas construídas que originaram a cobrança de IPTU a partir do ano de 2000. Por fim, a área pendente de regularização perante a Previdência Social, utilizada para o cálculo da remuneração por aferição, referese ao acréscimo de área ocorrida no ano de 2000, tomada na sua equivalência. Assim, o débito foi calculado pelo Custo Unitário BásicoCUB, aplicável às obras de construção civil de responsabilidade de pessoa física, vigente à época do lançamento, apurandose, desta forma, o custo da mãodeobra, bem como a contribuição previdenciária devida, à luz do art. 33, §4º da Lei n. 8.212/91, combinado com o art. 234 do Decreto n. 3.048/1999. Apresentada a defesa (fls. 60/70), os autos administrativos foram remetidos ao Serviço de Análise de Defesas e Recurso que, após avaliar os argumentos e documentos juntados pelo sujeito passivo, resolveu encaminhar o lançamento à Junta Fiscal Notificante para emissão de Informação Fiscal, com o objetivo de prestar os esclarecimentos necessários (fls. 132133). Por força dessa determinação, as AuditorasFiscais competentes emitiram a Informação Fiscal que apontou, ao final, incoerência das informações utilizadas para emissão do lançamento (fls. 140): (...) 7) Novidade, na defesa do contribuinte à atual NFLD, é quanto a mudança do Código Tributário Municipal de GuarapariES em 1999, apontada nas fls. 63 e com desdobramentos às fls. seguintes. Conforme informação em sua defesa, às fls. 69, o contribuinte protocolou pedido junto à Secretaria de Fazenda do Município de Guarapari, sob o n. 12625/04, solicitando correção e mais clareza nas áreas informadas pelo cadastro e, se ao final, restar provado a esta Auditoria Fiscal que mensurando áreas diferentes como iguais, decorrência da alteração que temos de modificar das áreas que embasaram o levantamento do débito, esta Auditoria Fiscal o fará, seja a área motivo da contenda convergente ou não com os fins pretendidos pelo contribuinte. Ato contínuo, foi proferida DecisãoNotificação que julgou procedente o lançamento, fls. 142/149. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 37159.000342/200559 Acórdão n.º 230200.906 S2C3T2 Fl. 2 3 Inconformado o contribuinte interpôs recurso tempestivo, por meio do qual alega, em síntese: a) A área da construção atual é a mesma de 1983, igual a 12.000,20 m2, mesma área do terreno que ocupa o Condomínio Independência; b) A área cadastrada em 1983 de 1580,00 m2, pela forma de mensuração adotada para seu cálculo, é equivalente a área privativa coberta padrão atual; c) Para efeito de cálculo de IPTU, até 1999, a área construída tributável, era calculada considerando a área realmente construída e medida “in loco”, ou seja, área coberta, e a partir de 1999, o cálculo do IPTU passou a ser preconizado pelo Código Tributário que entrou em vigor em 4 de janeiro daquele ano; d) O único acréscimo de área ocorrida no condomínio de 1983 a 2000 foi de área coberta que de 1508,00 m2 em 1983 passou para 1849,85 m2 em 2000; e) Decadência dos valores pleiteados. Requer a improcedência da NFLD e que seja notificada da juntada de qualquer documento pela autoridade fiscal. A DRP ofereceu as contrarrazões pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar Compulsando os autos verifico que foi realizada diligência fiscal, para responder as alegações constantes da peça de defesa e documentos colacionados pelo sujeito passivo, resultando relatório conclusivo sobre a matéria. Entretanto, ao recorrente não foi oferecida oportunidade de resposta sobre o resultado da diligência que rebateu as suas alegações com argumentos que lhe eram desconhecidos e, ato contínuo, foi proferida DecisãoNotificação. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 Há vários precedentes deste órgão colegiado neste sentido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 10515982 (relator Conselheiro Daniel Sahagoff; data da sessão 20/09/2006), verbis: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídicoprocedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação. Recurso provido. E a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Feitas estas considerações, voto pela anulação DecisãoNotificação, por violação ao princípio da ampla defesa, devendo, por conseqüência ser a pessoa jurídica Interessada intimada para, querendo, manifestarse em face do resultado da diligência. CONCLUSÃO Em razão do exposto, VOTO PELA ANULAÇÃO DA DECISÃONOTIFICAÇÃO. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR RELATOR Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 37159.000342/200559 Acórdão n.º 230200.906 S2C3T2 Fl. 3 5 Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/ 03/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.901801/2008-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002
Ementa:
COMPENSAÇÃO – ÔNUS DA PROVA – LUCRO PRESUMIDO DO 1º TRIMESTRE DE 2002 – COEFICIENTE DE 8% OU DE 32%
Se a pretensão é da contribuinte, dela é o onus probandi, de modo que, se ela
se insurge contra despacho decisório sobre sua pretensão, a demonstração e
comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio.
Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo.
Numero da decisão: 1103-000.459
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à contribuinte, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). Isso, para comprovar que a receita bruta do trimestre era somente de atividade de construção civil com emprego de materiais, para aplicação do coeficiente de 8%. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Fl. 370DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901801/200852 Acórdão n.º 110300.459 S1‐C1T3 Fl. 371 2 Aloysio José Percínio da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Shigueo Takata Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata (Relator), José Sérgio Gomes, Eric Moraes de Castro e Silva. Fl. 371DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901801/200852 Acórdão n.º 110300.459 S1‐C1T3 Fl. 372 3 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO Em 18/07/2008, por intermédio do Despacho Decisório (fl. 3), foi reconhecido parte do direito creditório a favor da recorrente e, por conseguinte,foi homologada parcialmente a compensação declarada na PER/DCOMP (fls. 1 e 2), por meio da qual a recorrente pretendia compensar débito de IRPJ (código de receita: 2089) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O motivo da parcial homologação da compensação até o limite do crédito reconhecido, se fundou na constatação de que o pagamento informado como origem do crédito foi utilizado para quitação de débitos da recorrente, “restando saldo disponível inferior ao pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Irresignada, em 22/08/2008, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 6 a 9), na qual alegou, em síntese, que: a) A sociedade em questão tem como atividade principal a exploração da construção civil, destacandose a prestação de diversos serviços; b) Em 23/01/2003, a recorrente formulou consulta fiscal, processo administrativo nº 10855.000267/20031 (fls. 18 a 21), requerendo solução acerca do percentual aplicável sobre a receita bruta da pessoa jurídica prestadora de serviços na área da construção civil, quando houver emprego de materiais, para fins de apuração do lucro presumido e obteve como resposta o percentual de 8%; c) Constatou que sempre apurou o lucro presumido e o lucro real pelo regime de estimativa pelo percentual de 32% sobre a receita bruta, mesmo empregando materiais nas obras, e, consequentemente, sempre recolheu IRPJ a maior, pelo quádruplo do valor devido; d) Procedeu à compensação do tributo pago a maior com tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB); e) Deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior do imposto; f) Embora não tenha havido a retificação da DCTF e da DIPJ para permitir que o sistema constatasse automaticamente o pagamento a maior do IRPJ e o seu decorrente crédito, os documentos anexos comprovam claramente a sua existência, bem como a veracidade das informações prestadas; Fl. 372DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901801/200852 Acórdão n.º 110300.459 S1‐C1T3 Fl. 373 4 g) A não retificação do débito de IRPJ na DCTF e na DIPJ não decorreu de dolo da recorrente e sim do entendimento equivocado de que as informações prestadas na Declaração de Compensação supririam a sua necessidade. h) Requereu o provimento da manifestação de inconformidade para homologar a compensação, e o apensamento deste processo ao processo nº 10855.900739/200881. Anexou aos autos notas fiscais emitidas no 1º trimestre do ano calendário de 2002, o contrato com a SABESP e a notas fiscais dos materiais empregados nas obras. DA DECISÃO DA DRJ E DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 26/01/2010, acordaram os julgadores da 5ª Turma da DRJ/RPO, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, pelos motivos abaixo sintetizados: a) O valor do indébito com o qual a recorrente declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código de receita: 2362, no valor de R$ 3.960,00, relativo ao 1º trimestre de 2002; b) A recorrente apresentou, originariamente, DCTF, em 10/01/2003, declarando IRPJ (código de receita: 2089), relativo ao 1º trimestre de 2002, no valor de R$ 15.060,43. Posteriormente, em 15/05/2003, apresentou DCTFretificadora, no valor de R$ 3.765,10; c) Alegou a recorrente que o indébito informado na PER/DCOMP decorreu do fato de ter tratado a totalidade de suas receitas como receitas advindas de prestação exclusiva de serviços, sobre as quais foi aplicado o coeficiente de 32%; d) Como regra, o lucro real deve ser apurado trimestralmente, e, alternativamente, a apuração anual requer pagamentos mensais por estimativa; e) Porém, a opção pelo regime de tributação é irretratável, ou seja, escolhida uma das formas de pagamento (lucro real trimestral ou recolhimento mensal por estimativa) fica vedada, no decorrer do anocalendário, a mudança para a outra modalidade de tributação (lucro presumido); f) Como a recorrente efetuou, em 30/04/2002, três recolhimentos de IRPJ no código de receita: 2362 (IRPJ – PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL – ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS – ESTIMATIVA MENSAL), ou seja, no código do imposto por estimativa para as empresas que optaram pela tributação com base no lucro real, esta estaria enquadrada definitivamente na tributação pelo lucro real, vedada, portanto, a tributação pelo lucro presumido; Fl. 373DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901801/200852 Acórdão n.º 110300.459 S1‐C1T3 Fl. 374 5 g) O indébito, portanto, não contém os atributos necessários de liquidez e certeza e não cabe o apensamento ao processo administrativo de nº 10855.900739/200881 por referiremse a períodos de apuração distintos. Cientificada da decisão em 22/02/2010, interpôs a recorrente recurso voluntário de fls. 272 a 276 em 10/03/2010, reiterando, basicamente, as alegações feitas na manifestação de inconformidade, e juntou aos autos cópias do Livro Diário correspondentes ao 1º trimestre do anocalendário de 2002, das notas fiscais emitidas nesse trimestre, e do Resumo Geral do Orçamento da SABESP para obras realizadas em rede e ligações de água e esgoto. É o relatório. Fl. 374DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901801/200852 Acórdão n.º 110300.459 S1‐C1T3 Fl. 375 6 Voto Conselheiro Marcos Takata, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A DCOMP da recorrente tivera homologação parcial sob fundamento de que fora localizado pagamento, mas parcialmente utilizado para solução de débito da recorrente, restandolhe crédito inferior ao postulado, conforme despacho decisório “eletrônico” (fl. 3). Em que pese o que ficou deduzido no acórdão a quo, a controvérsia acerca do direito creditório postulado pela recorrente de IRPJ pago a maior gravita em torno da aplicação da alíquota de 8% sobre a receita bruta do 1º trimestre de 2002 na determinação do lucro presumido, ao invés da alíquota de 32% sobre tal receita bruta – o que teria gerado o direito creditório da recorrente. Invoca a recorrente a Solução de Consulta a ela conferida pela SRRF da 8ª Região Fiscal, de março de 2005, no processo administrativo 10855.000267/200351. Nela se reconheceu a aplicação da alíquota de 8% na apuração do lucro presumido, na atividade de construção por empreitada, quando houver emprego de materiais em qualquer quantidade, e a alíquota de 32% na apuração do lucro presumido, quando houver unicamente emprego de mão deobra. Segundo o contrato social da recorrente, seu objeto social inclui atividades diversificadas na área da construção civil. Na manifestação de inconformidade, a recorrente carreou aos autos cópia do contrato firmado com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo – SABESP e cópias de notas fiscais emitidas para essa e cópias de notas fiscais de compra de materiais de construção civil, de janeiro a março de 2002, para intentar a comprovação de sua alegação e, pois, do direito creditório postulado. Na peça recursiva, a recorrente juntou aos autos cópia do Livro Diário correspondente ao 1º trimestre do anocalendário de 2002 e novamente cópia das notas fiscais emitidas nesse trimestre. No acórdão a quo é deduzido que o suposto indébito seria originário de pagamento de IRPJ sob o código 2362, no valor de R$ 3.960,00, relativo ao 1º trimestre de 2002. É dito que a recorrente efetivara retificação da DCTF, referente ao período em questão, declarando, afinal, o valor de R$ 3.765,100 como valor do débito de IRPJ do 1º trimestre de 2002, sob o código 2089 (as DCTF anteriores também informavam o débito sob o código 2089). O fundamento do acórdão de origem para decretar a improcedência do inconformismo foi o seguinte. Fl. 375DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901801/200852 Acórdão n.º 110300.459 S1‐C1T3 Fl. 376 7 O código 2362 é referente ao IRPJ mensal por estimativa. O contribuinte efetuara em 30/04/02, três recolhimento de IRPJ sob o código 2362, Outrossim, feita a opção pelo lucro real, manifestada mediante o pagamento da estimativa (lucro real anual) resulta vedada a alteração do regime, interditandose inclusive o REDARF para mudança de código. Divirjo desse fundamento para manutenção da não homologação da compensação. O suposto indébito indicado na DCOMP que figura nos autos, ainda que por erro, tem como valor original R$ 2.970,00 (ao invés de R$ 3.960,00), referente ao 1º trimestre de 2002, tendo sido indicado o DARF no valor de R$ 3.960,00, sob o código 2362 (fls. 1, 2, 25 e 26). Nenhuma indicação há nos autos de pagamento de IRPJ, mediante três DARF no dia 30/04/02, sob o código 2362, com encargos, o que seria de se supor se a opção feita mediante o pagamento mensal do IRPJ por estimativa. Não constam nos autos os DARF sob esse código. De todo modo, o que se aparenta é erro no preenchimento do DARF, supondo que tenha havido três DARF no dia 30/04/02, sob o código 2362, do que opção pelo regime do lucro real por estimativa mensal. De mais a mais, anoto que o fundamento ou o motivo da não homologação da DCOMP não é esse, mas simplesmente o ter sido localizado utilização parcial do valor postulado para solução de débito da recorrente (não o da DCOMP), justamente o débito sob o código 2089 do 1º trimestre de 2002, conforme o despacho decisório “eletrônico” (fl. 3). Feitas essas considerações, passo a deduzir o seguinte. É curial registrar que se a pretensão em jogo é da recorrente, desta é o onus probandi. E, assim, se ela se insurge contra despacho decisório que infirma total ou parcialmente sua pretensão, a demonstração e comprovação de seu direito deve ser exercida em seu momento próprio. Sendo a pretensão deduzida a da recorrente, a produção de provas devese limitar, em princípio, ao momento da manifestação de inconformidade. Reputo ser aceitável a apresentação de provas na fase recursiva, quando se tratar de comprovantes de rendimentos e de retenções de tributos, ou no caso de provas complementares às já apresentadas anteriormente. Diverso do que sucede (produção de provas) quando a pretensão em causa é do fisco. Em sede de processo de compensação, em que o onus probandi compete à recorrente, que postula o direito em causa, entendo não ser cabível convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel “primário” que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. Da mesma forma, se a pretensão for do fisco, minha intelecção é a de que não cabe transformar o órgão julgador ad quem em órgão de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel ou ônus “primário” (que compõe o que a doutrina italiana Fl. 376DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901801/200852 Acórdão n.º 110300.459 S1‐C1T3 Fl. 377 8 chama de instrução primária, a qual orienta a relação jurídicoformal do lançamento, em contraposição à instrução secundária, que se desenvolve na relação jurídicoformal processual) do fisco. A carência de certeza do crédito, nesse caso, implica nulidade (total ou parcial) do lançamento, a meu ver. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. A documentação contábil, conectada às notas fiscais que dão lastro aos lançamentos contábeis, é fundamental para aferir se a recorrente não auferira receitas no trimestre em questão por atividade de construção civil sem emprego de materiais. Importa acentuar, nesse passo, que a recorrente se limitou a juntar cópia do Livro Diário do trimestre em discussão, sem anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil, e sem indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os registros de compras. Além disso, não juntou e não conectou os lançamentos contábeis referentes a tais receitas com as contas do Razão que envolvam tais lançamentos contábeis, e tampouco elaborou planilha demonstrativa de tais receitas indicando a “fonte” contábil, e demonstrativa das compras (custos) e indicação da “fonte contábil”, com um mínimo de conexão entre elas as receitas que supostamente seriam com emprego de matérias e as compras (custos). Sequer há o plano de contas, e tampouco demonstração de resultado (no caso, do trimestre). Nesse passo, retomo o que deduzi acima, sobre o onus probandi, sobre o momento processual para produção de provas no caso de pretensão do contribuinte, sobre o princípio da verdade material não ser absoluto. Também, como disse alhures, não cabe transformar este juízo em fase de procedimento de auditoria. Sem embargo da questão da produção probatória no momento próprio, competia à recorrente, no mínimo, anotar ou discriminar todos os lançamentos contábeis relativos às receitas da atividade de construção civil do Livro Diário e indicar um mínimo de conexão de tais receitas com os lançamentos referentes a compras (custos). De outra parte, a determinação de diligência se presta para esclarecer produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclama essa constatação (esclarecimentos); ou, eventualmente, a diligência se orienta a complementar produção probatória não imputável à parte que tenha o ônus da prova (por ex., o contribuinte carreia aos autos documento que comprova o pedido, à fonte pagadora, de entrega do informe de rendimentos, mas não o recebe). De tudo quanto deduzi, é patente, a meu ver, a falta de certeza do crédito postulado pela recorrente, conforme o art. 170 do CTN. Fl. 377DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10855.901801/200852 Acórdão n.º 110300.459 S1‐C1T3 Fl. 378 9 Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Marcos Takata Fl. 378DF CARF MF Emitido em 12/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA Assinado digitalmente em 28/06/2011 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, 07/07/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001583/2005-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004, 2005
VEDAÇÃO AO SIMPLES
Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que, na condição de microempresa ou de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legal.
As provas trazidas nos autos não permitiram afastar a imputação de que as receitas recebidas pela contribuinte eram de terceiros.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.511
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao Recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004, 2005 VEDAÇÃO AO SIMPLES Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que, na condição de microempresa ou de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legal. As provas trazidas nos autos não permitiram afastar a imputação de que as receitas recebidas pela contribuinte eram de terceiros. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Fl. 369DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 05/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Regis Magalhães Soares de Queiroz, Marcelo Cuba Netto e Rafael Correia Fuso. Relatório A contribuinte acima foi excluída de oficio do Simples por meio do Ato Declaratório Executivo (ADE) n°41, 10 de agosto de 2005, nos seguintes termos: O Delegado da Receita Federal em Contagem MG [..] declara: Art. 1° Excluída da opção pela sistemática de pagamento de impostos e contribuições de que trata o artigo 3° da Lei n." 9.317, de 1996, denominada SIMPLES, a partir de 01/01/2004, a pessoa jurídica ORGANIZAÇÕES LISBOA LTDA., CNPJ n°25.596.917/000121, em conformidade com o disposto no inciso lido art. 9° do referido diploma legal [...]. O ADE foi publicado no Diário Oficial em 18 de agosto de 2005. Em razão de tal exclusão, a contribuinte apresentou, em 12 de setembro de 2005, Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples (SRS), alegando que a exclusão derivaria de procedimento fiscal através do qual se apurou pretensa omissão de receita no ano de 2003. Para tanto a fiscalização alegou que o contribuinte teve depósitos bancários incompatíveis com suas negociações mercantis. Alega ainda que as importâncias depositadas em suas contas bancárias são, em realidade, receita de terceiros, não podendo tais valores serem considerados para fins de exclusão do SIMPLES. Com isso, considerando que em 2003 o contribuinte não auferiu receita bruta superior a R$ 1.200.000,00, requereu seja cancelado o ato excludente do Simples e determine a manutenção do Contribuinte no SIMPLES até ulterior decisão administrativa no bojo do processo administrativo pertinente. O referido SRS foi indeferido pela DRF, sob o fundamento de que, no ano calendário de 2003, a contribuinte auferiu receita bruta igual a R$ 3.131.264,17 (três milhões, cento e trinta e um mil, duzentos e sessenta e quatro reais e dezessete centavos). O fundamento do parecer se deu com base na Lei n.° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, em seus artigos: 2°, inciso II; 9; 13, inciso II, alínea a; 14, inciso I; e Instrução Normativa do Secretário da Receita Federal (IN/SRF) n° 355, de 8 de setembro de 2003, em seu artigo 24, inciso IV. Diante disso, não tendo a contribuinte oferecido à tributação a totalidade desta receita, formalizouse o processo 13603.001269/200589, na qual foi realizado lançamentos de oficio, exigindolhe pagamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS), para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e para o Financiamento da Seguridade Social (INSS). Fl. 370DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 05/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13603.001583/200561 Acórdão n.º 120100.511 S1C2T1 Fl. 370 3 Tais lançamentos foram impugnados e considerados procedentes pelo Acórdão n° 10.296, de 2 de fevereiro de 2006. A contribuinte interpôs recurso voluntário, ao qual negado provimento por unanimidade pelo Acórdão de n° 151.286 da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. A interessada opôs embargos de declaração ao mesmo Conselho, os quais não foram conhecidos, também por unanimidade. Inconformidade com o indeferimento pela DRF, a contribuinte apresentou, em 22 de novembro de 2007, manifestação de inconformidade alegando em síntese que: a) Em preliminar, menciona que os elementos probatórios necessários à comprovação do direito alegado neste processo encontramse anexados ao processo n° 13603.001269/200589 e que não está disponível para que a ora Recorrente obtenha as cópias de que necessita. Pede que tais documentos sejam "trasladados para este Recurso. b) A ora contribuinte foi excluída do SIMPLES sob a alegação de que no ano de 2003 teria auferido renda superior a R$ 1.200.000,00. Para tanto a fiscalização fazendária analisou os extratos bancários e os relatórios emitidos pelas administradoras de cartões de crédito, para então concluir que a movimentação financeira da Recorrente teria sido incompatível com o regime do Simples. c) Todavia, uma parte dos valores depositados nas contas bancárias da Recorrente pertenciam a terceiros, e por este motivo não representam receita bruta da empresa; d) Diante disso, afirma havia aberto "inúmeras filiais", as quais estariam desativadas desde 19 de outubro de 2001. e) Acrescenta que, nos endereços onde se achavam estabelecidas tais filiais, terseiam instalado pessoas jurídicas distintas, as quais teriam continuado a utilizar os terminais de cartão de crédito (tecnicamente conhecidos como POS, acrônimo de point of sale) lá deixados. f) Assegura que, até novembro de 2003, o valor das vendas efetuadas por meio destes terminais teria sido depositado em sua conta corrente bancária e por ela repassado àquelas terceiras pessoas. Invoca em seu favor o disposto no artigo 42, § 5°, da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Diante destas alegações, converteuse o julgamento em diligência, para juntada dos documentos requeridos pela interessada e devolução de prazo para apresentação de novas razões. A interessada pediu a inserção de cópias de peças de fls. 580 a 660 (alterações de seu contrato social) e 671 a 769 (relatórios de vendas emitidos por REDECARD S.A., CNPJ n° 1.425.787/000104), todas dos autos do processo 13603.001269/200589, reiterando as alegações já apresentadas (fls. 105). A DRJ de BH indeferiu o pedido do contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2005 Fl. 371DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 05/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 4 VEDAÇÕES À OPÇÃO Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que, na condição de microempresa ou de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legal. PROVA A manifestação de inconformidade apresentará obrigatoriamente as razões e provas do alegado. APRECIAÇÃO DA PROVA Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA A jurisprudência ressalvadas as previsões legais neste sentido e a doutrina não gozam do status de legislação tributária e não vinculam a Administração Tributária Federal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio A contribuinte foi intimada da decisão em 24/08/2009, apresentando Recurso Voluntário em 08/09/2009, com os seguintes argumentos: a) Desde 15 de fevereiro de 1989 a Recorrente pratica o comércio varejista de hortifrutigranjeiros em geral, tendo aberto, durante sua existência, inúmeras filiais, mas conforme se depreende da 28ª alteração do seu contrato social, desde 19 de outubro de 2001 a Recorrente está com todas as suas filiais desativadas, mantendo atividades exclusivamente através de sua sede; b) Após outubro de 2001 a Recorrente não abriu ou manteve nenhuma filial, estando este fato cabalmente demonstrado com espeque nas alterações do contrato social que se seguiram; c) No local em que suas filiais estavam estabelecidas instalaramse novas pessoas jurídicas que, aproveitandose do ponto comercial, deram início às suas operações. Enfim, estas empresas, cada uma delas dotada de personalidade jurídica própria, iniciaram novos empreendimentos nos endereços que, antes, acolhiam as filiais da Recorrente; d) Mas mesmo com todas as suas filiais desativadas, a Recorrente ainda não tinha cancelado as máquinas de cartão de crédito perante as respectivas operadoras e, diante de tal situação, as novas empresas pediram que lhes fossem autorizado utilizar tais equipamentos até o momento em que os seus próprios fossem entregues; e) A Recorrente anuiu com tal pleito e, a partir de então, as vendas com cartão de crédito promovidas por tais pessoas jurídicas passaram a ser creditadas nas contas bancárias da Recorrente que se tornou detentora provisória e precária de tais quantias; Fl. 372DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 05/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13603.001583/200561 Acórdão n.º 120100.511 S1C2T1 Fl. 371 5 f) Os depósitos de cartão de crédito, mesmo que creditados em conta bancária da Recorrente, pertenciam a terceiros, ou seja, às sociedades que estavam operando nos endereços das antigas filiais da Recorrente, incumbido a estas empresas contabilizar tais importâncias e, em seguida, pagar os tributos devidos; g) Em novembro de 2003 as novas empresas obtiveram perante as operadoras de cartão de crédito Visa, Redecard e American Express cadastros próprios e máquinas numeradas; h) Com isso, cancelou os registros que possuía perante as operadoras de cartão de crédito e não mais recebeu depósitos oriundos de vendas efetuadas pelas sociedades acima indicadas; i) Inclusive, cada um dos depósitos promovidos na conta bancária da Recorrente tem indicação da máquina que gerou o crédito; j) Desta forma, compulsandose os relatórios das operadoras, verificase que as máquinas responsáveis pelas vendas estavam instaladas nos locais em que outras empresas operavam pois, repitase, a Recorrente, desde outubro de 2001, não possui filiais; k) Além disso, a própria Visanet atestou que a sede da Recorrente "nunca foi ponto de venda", razão pela qual jamais efetuou, após o fechamento de suas filiais, qualquer operação de venda através de cartão de crédito; l) Na medida em que durante todo o ano de 2003, que serviu de referência para a exclusão do SIMPLES, a Recorrente não manteve qualquer filial e não possuiu sequer uma única máquina de cartão de crédito em sua sede, resta impossível que a mesma tenha praticado vendas por esse sistema; m) Fica evidente, portanto, que os montantes creditados pelas operadoras de cartão de crédito nas contas bancárias da Recorrente pertencem às pessoas jurídicas que efetuaram as vendas dos produtos e serviços por meio das máquinas de cartão que apenas formalmente ainda estavam registradas em nome da Recorrente, motivo pelo qual tais valores são, de fato e de direito, destinados àquelas empresa; n) O fato do contribuinte possuir depósitos em banco no decurso do período base não é, por si só, comprobatório de que ele tenha auferido rendimentos tributáveis. Para que a presunção que a lei formula ocorra, é necessário que entre o fato verificado (depósitos bancários) e a conseqüente tributação (incidência do IRPJ, da Cofins, do PIS e da Contribuição Previdenciária) exista um nexo de evidência que demonstre a existência de rendimentos omitidos; o) Enfim, um depósito bancário, por si só, não comprova que o recebedor tenha se tornado o beneficiário dos valores, pois, como ocorre no versante caso, as quantia reditadas nos bancos eram de propriedade de outras empresas, as quais, segundo seus interesses e necessidades, utilizaramse de tais recursos; p) Por isso, não se pode admitir o lançamento efetuado com base exclusivamente em extratos bancários, já que os valores constantes dos extratos bancários, segundo comprovado, não constituem rendimentos tributáveis da Recorrente; Fl. 373DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 05/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 6 q) A jurisprudência, em sintonia com a posição doutrinária predominante invalidou diversos lançamentos efetuados com base apenas em depósitos bancários, o que culminou na edição, pelo Egrégio ex Tribunal Federal de Recursos, da Súmula 182, assim ementada: "Súmula 182: É ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda com base apenas em extratos ou depósitos bancários". r) Além de os depósitos bancários não serem elementos suficientes para caracterizar faturamento da Recorrente, ainda foram carreados aos autos provas demonstrando que os depósitos promovidos pelas operadoras de cartão de crédito pertencem às pessoas jurídicas que se instalaram nos locais de suas antigas filiais; s) O simples fato de a Recorrente não possuir filiais, desde outubro de 2001, e não ter em sua sede nem mesmo uma única máquina de cartão de crédito já denota que os depósitos efetuados pelas operadoras não poderiam lhe pertencer, mas sim às empresas que efetuaram as vendas; t) Com efeito, a fiscalização deveria ter diligenciado perante as pessoas jurídicas que se estabeleceram nos locais onde antes funcionavam as filiais da Recorrente e verificado se estas recolheram os tributos incidentes sobre suas vendas com cartão de crédito, pois tais sociedades é que possuem a disponibilidade fática e jurídica dos valores depositados nas contas bancárias da Recorrente; u) Está indubitavelmente demonstrado, portanto, que a Recorrente não faz vendas com cartão de crédito, donde se conclui que os depósitos efetuados pelas operadoras em sua conta bancária pertencem a terceiros, não podendo estes valores serem considerados como faturamento para fins de enquadramento no SIMPLES; v) Entretanto, se se decidir pela regularidade da exclusão, ad argumentandum, cabe se apreciar os efeitos da exclusão em 2005, em razão de fato ocorrido em 2003; x) É que a Lei 9.317/96 não proíbe que um contribuinte excluído em determinado exercício faça jus ao regime no exercício subseqüente, tal como, hoje, prevê a LC 123, nos artigos 29 e 31; y) Ou seja, uma vez excluído do regime no exercício de 2004, em decorrência de ter ultrapassado o limite de faturamento em 2003, não há na Lei 9.317/96 qualquer norma que impeça o contribuinte de participar do regime nos exercícios subseqüentes; z) Com efeito, se o ADE em apreço somente foi agosto de 2005, a Recorrente não tinha ciência em janeiro de 2005 que estava excluída, razão pela qual permaneceu regular no SIMPLES, já que não se exige que a opção se renove a cada ano, bastando que o contribuinte inicie os pagamentos com base nas regras do SIMPLES; z.1) Desta forma, ainda que se considere procedente a exclusão da Recorrente do SIMPLES, este ato somente deverá surtir efeitos para o ano de 2004, considerandose como regularmente inscrita no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte em 2005 e nos anos subseqüentes; z.2) Em seu pedido, requereu seja cancelado o Ato Declaratório Executivo n° 41, de 10 de agosto de 2005, bem como admitida a inclusão da empresa no SIMPLES desde 1° Fl. 374DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 05/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13603.001583/200561 Acórdão n.º 120100.511 S1C2T1 Fl. 372 7 de janeiro de 2004 e se assim não se entender que se limite os efeitos do_ADE— exclusivamente ao ano de 2004, reconhecendose a manutenção da Recorrente no SIMPLES em 2005 e nos anos subseqüentes. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso conheço. Não há matéria preliminar a ser enfrentada, conforme se constatada dos enunciados do Recurso, passamos ao mérito. Entendo que não assiste razão o contribuinte, pelas razões a seguir expostas. Primeiramente, cumpre destacar que fora trazido aos autos cópia do acórdão julgado nos autos do Processo n° 13603.001269/200589, que cobra tributos em razão da exclusão do Simples, sendo que as mesmas provas trazidas pelo Recorrente nestes autos são as mesmas provas colacionadas nos autos do referido processo que exigiu IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. No acórdão n° 151.286 editado pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ficou consignado que as provas trazidas pelo Recorrente, quais sejam, os extratos bancários, o contrato social e suas alterações e os relatórios de vendas emitidos por REDECARD S.A. não foram suficientes para afastar a acusação fiscal quanto à exigência dos tributos federais: Não merece acolhida, primeiro, a alegação de que a autoridade lançadora teria apurado a matéria tributável com base em valores originados de máquinas de cartão de crédito instaladas em estabelecimentos que não lhe pertenceriam, pois, como bem destacado no acórdão recorrido, tratase de alegação vazia, sem amparo probatório. Equivocase, ainda, a contribuinte, quando afirma que depósitos bancários não caracterizariam base de cálculo do IRPJ e nem das contribuições lançadas. No caso concreto, as autuações têm fundamento na presunção legal do art. 42 da Lei n. 9.430/96, segundo a qual se presume receita omitida — receita bruta omitida — os depósitos bancários com relação aos quais, devidamente intimado, o contribuinte não lograr comprovar a regular origem. Na espécie, a contribuinte, devidamente intimada, não logrou provar a regular origem dos depósitos bancários individualizados nas intimações que lhe foram encaminhadas pela autoridade, omissão essa que, nos termos do art. 42 da Lei Fl. 375DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 05/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 8 n. 9.430/96, autoriza se presuma receita bruta omitida, sujeita, pois, à tributação pelo SIMPLES. A solução ora preconizada está em perfeita sintonia com a jurisprudência administrativa se verifica dos julgados abaixo: MINISTÉRIO DA FAZENDA a PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES QUINTA CÂMARA Processo n° :13603.001269/200589 Acórdão n° : 10516.614 "EXCLUSÃO DO SIMPLES ARBITRAMENTO DO LUCRO – A exclusão do SIMPLES não confere à empresa excluída o direito de opção retroativa pelo regime do lucro presumido, sendo legitimo o arbitramento do lucro quando as deficiências da escrituração impossibilitam a apuração do lucro real. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS – Constituem omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, cuja origem não reste comprovada mediante documentação hábil e idônea. MULTA QUALIFICADA A falta de declaração ou a prestação de declaração inexata, por si sós, não autorizam o agravamento da multa, que somente se justifica quando presente o evidente intuito de fraude, caracterizado pelo dolo específico, resultante da intenção criminosa e da vontade de obter o resultado da ação ou omissão delituosa, descrito na Lei n° 4.502/64. Recurso parcialmente provido. Publicado no D.O.U. n° 225 de 24/11/2006." (Ac. 10322303, Rel. Cons. Paulo Jacinto do Nascimento) "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA PRELIMINAR DE NULIDADE Não é nulo o lançamento apoiado em valores de depósitos bancários cuja intimação para comprovação foi devidamente formalizada e que constam de anexo ao termo de constatação, somente por não ter havido ciência individual na planilha que os demonstra, mas tendo firmada a expressa ciência, tanto nas intimações quanto no termo de constatação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 erigiu em legal a antiga presunção simples de que a falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária do contribuinte, objeto de expressa intimação para sua comprovação, o que não logrou fazer ou mesmo tentar, reflete omissão de receitas. Fl. 376DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 05/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13603.001583/200561 Acórdão n.º 120100.511 S1C2T1 Fl. 373 9 PIS E COFINS BASE DE CÁLCULO OS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A despeito da alegação de que a base de cálculo do Pis e Cofins é o faturamento, podem ser lançados sobre a receita legalmente presumida a partir da existência de depósitos bancários de origem não comprovada, uma vez que a presunção permite concluir ser a receita oriunda da atividade normal da empresa, logo de natureza operacional e correspondente a faturamento omitido. COFINS EFETIVAMENTE RECOLHIDO COMPENSAÇÃO DE 1/3 COM A CSLL LANÇADA DE OFICIO POSSIBILIDADE Tendo a empresa deixado de compensar 1/3 da Cofins efetivamente recolhida no ano de 1999, com a CSLL proceder a compensação a que tem direito com a CSLL lançada de oficio, obedecidos os limites legais. MULTA DE 75 APLICABILIDADE Por expressa previsão legal, a multa de 75% é devida quando da ocorrência de lançamento de ofício. Recurso voluntário conhecido e parcialmente provido. (Ac. 10515528, Rel. Cons. José Carlos Passuelo) Quanto ao suposto erro aritmético na apuração da base tributável, adoto, como minhas, as razões de decidir do acórdão recorrido, que neste particular assim se posiciona: "No que tange ao alegado erro de cálculo do montante tributável, devese atentar ao fato de que as administradoras de cartões de crédito depositam o valor das vendas menos a sua própria comissão; desta forma, o valor disponível para o comerciante não corresponde ao seu verdadeiro faturamento, que deve englobar também essa comissão.” Não merece, igualmente, acolhida a alegação da contribuinte de que a alíquota aplicável ao seu caso seria de 8,4%, resultante da majoração da alíquota de 7%, prevista no art. 5°, II, "e”, da Lei 9.317/96, em 20%, nos termos do § 3° do art. 23 do mesmo diploma legal. A razão é que; no caso da contribuinte, são aplicáveis as alíneas b, e, h e i do inciso II do art. 23, cujas disposições foram fielmente observadas pela autoridade lançadora. Forte no exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Reanalisando tais provas trazidas nos autos, destaco que as conclusões são as mesmas trazidas no voto acima citado. Isso porque, o fato da receita de terceiros ter circulado pela conta da Recorrente parecenos um tanto incoerente e desprovida de razoabilidade, ainda mais sob a anuência da contribuinte nessa operação. Ademais, em nenhum momento fora juntado qualquer documento relativo a essas empresas que supostamente seriam proprietárias do dinheiro circulado na conta da Fl. 377DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 05/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 10 recorrente, o que torna as alegações da contribuinte frágeis sob o ponto de vista do direito probatório. Diante disso, aplicandose o disposto na Lei n.° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória (MP) n°2.18949, de 23 de agosto de 2001, com vigor até a edição da MP n° 275, de 2005, de 29 de dezembro de 2005, os valores creditados na conta da Recorrente, em razão da ausência de prova nos autos para afastar a presunção fiscal, deve ser considerado como receita tributada para fins de cômputo do limite do Simples, devendo ser mantida a exclusão do contribuinte por ter auferido receita bruta igual a R$ 3.131.264,17 (três milhões, cento e trinta e um mil, duzentos e sessenta e quatro reais e dezessete centavos), vedada nos termos do artigo 9° da referida legislação: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...I II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (...) Quanto ao momento e forma da exclusão, a legislação assim dispõe: Art. 12. A exclusão do SIMPLES será feita mediante comunicação pela pessoa jurídica ou de oficio. [...] Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. [...] . § 3° A exclusão de oficio darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Por fim, a partir da exclusão, cumpre destacar que o retorno do contribuinte ao Regime do simples, conforme pleiteado, se dá em procedimento e pedido próprio perante a DRF local. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e no mérito NEGOLHE provimento, mantendo intacto o Ato Declaratório Executivo n°41, 10 de agosto de 2005. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 378DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 05/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 13603.001583/200561 Acórdão n.º 120100.511 S1C2T1 Fl. 374 11 Fl. 379DF CARF MF Emitido em 05/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 13/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 05/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.006422/2007-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE DIRIGENTE. ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91. REVOGADO.
RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante da revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941/2009, o qual atribuía à responsabilidade pessoal do dirigente máximo do órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige, impõe-se
afastar a sua legitimidade passiva em observância ao artigo 106,
inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-001.747
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 56 1 55 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.006422/200708 Recurso nº 261.110 Voluntário Acórdão nº 240101.747 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2011 Matéria DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente JOSÉ GUTEMBERG MEIRELES DE SOUSA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE DIRIGENTE. ARTIGO 41 DA LEI Nº 8.212/91. REVOGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante da revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91, pela Lei nº 11.941/2009, o qual atribuía à responsabilidade pessoal do dirigente máximo do órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige, impõese afastar a sua legitimidade passiva em observância ao artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório JOSÉ GUTEMBERG MEIRELES DE SOUSA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Fortaleza/CE, Acórdão n° 0812.309/2007, às fls. 40/44, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada em seu desfavor, na condição de Dirigente de Órgão Público – Prefeito Municipal de Paraipaba/CE, nos termos do artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 225, inciso II, do RPS, por ter deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, os montantes das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos por estabelecimento, conforme Relatório Fiscal da Infração, às fls. 22/25, e demais elementos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 12/04/2007, nos termos do artigo 293 do RPS, contra o contribuinte acima identificado, constituindose multa no valor de R$ 11.569,42 (Onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos), com base no artigo 283, inciso II, alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 50/53, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do feito, por entender que o contribuinte não pode ser penalizado pelo eventual descumprimento das obrigações acessórias objeto do presente lançamento. Em defesa de sua pretensão, assevera que não estava obrigado a cumprir a legislação referida no AI ora rebatido, uma vez que se sujeita às regras de contabilidade prevista na Lei 4.320/64, legislação específica sobre a matéria e que, portanto, derroga a 8.212/91 no que for incompatível. Neste sentido, reitera que saneou a falta apontada dentro do prazo legal, impondo seja relevada a multa, com fulcro no artigo 291, § 1°, do Regulamento da Previdência Social. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.006422/200708 Acórdão n.º 240101.747 S2C4T1 Fl. 57 3 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário do contribuinte e passo à análise das alegações recursais. Não obstante as substanciosas alegações ofertadas pelo contribuinte, bem como as razões de decidir do julgador de primeira instância em defesa da manutenção do feito, impõe suscitar questão meritória escorada na legislação superveniente ao lançamento, capaz de determinar a improcedência do feito, não aventada pelo autuado em sede de recurso voluntário que, por ser matéria de ordem pública, deve ser reconhecida de ofício. Com efeito, a presente autuação fora lavrada em face do então Prefeito do Município de Paraipaba/CE, tendo em vista a sua legitimidade passiva, na condição de Dirigente do Órgão Público, no caso de inobservância de obrigações acessórias, com arrimo no artigo 341, inciso II, §§ 2º e 3º, da Instrução Normativa IN INSS/DC nº 100, de 18 de dezembro de 2003, que por sua vez encontrava respaldo no artigo 289, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, e no artigo 41 da Lei nº 8.212/91, que assim prescrevem: “Art. 341. Os órgãos públicos da administração direta, as autarquias e as fundações de direito público são considerados empresa, para fins de: II – cumprimento das obrigações previdenciárias acessórias, ficando o dirigente do órgão ou da entidade da administração pública federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal pessoalmente responsável pela multa aplicada por infração a dispositivos da legislação previdenciária, nos termos do artigo 41, da Lei nº 8.212/91. [...] § 2º Havendo infração a dispositivo da legislação previdenciária, o Auto de Infração será lavrado em nome do dirigente, em relação as respectivo período de gestão; § 3º Considerase dirigente aquele que, à época da infração praticada, tem a competência funcional, prevista em ato administrativo emitido por autoridade competente, para decidir a prática ou não do ato que constitui infração à legislação previdenciária. [...]” “RPS Art. 289. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal responde pessoalmente pela multa aplicada por infração a dispositivos Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 deste Regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição.” “LEI 8.212/91: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal responde pessoalmente pela multa aplicada por infração a dispositivos desta lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição.” Ocorre que, o artigo 41 da Lei nº 8.212/91, esteio da pretensão fiscal, ou melhor, da legitimidade passiva do autuado, fora revogado pela Lei nº 11.941/2009, passando a responsabilidade pelo descumprimento da obrigação acessória ser do próprio Órgão Público. Partindo dessa premissa, em decorrência da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, in casu, revogando o dispositivo legal que atribuía à legitimidade passiva do autuado, impõese à aplicação desse novo regramento, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Nessa toada, impende rechaçar a responsabilidade do autuado pelo descumprimento da obrigação acessória objeto da presente autuação, de maneira a decretar a improcedência do auto de infração. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com os dispositivos legais vigentes que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO, decretando, de ofício, a insubsistência do lançamento, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.006422/200708 Acórdão n.º 240101.747 S2C4T1 Fl. 58 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 26/04/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001251/2007-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004 , 2005
Ementa: BOLSAS DE ESTUDO. DOAÇÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE
RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250/96.
Numero da decisão: 2102-001.216
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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DOAÇÃO. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VANTAGEM PARA O DOADOR E NÃO CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços, na forma do art. 26 da Lei nº 9.250/96. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Fl. 328DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 Em face da contribuinte ANA PAULA ROCHA DE OLIVEIRA, CPF/MF nº 030.191.43624, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 26/07/2007, auto de infração (fls. 02 a 15), com ciência postal em 30/07/2007 (fl. 16), a partir de ação fiscal iniciada em 09/04/2007 (fl. 1). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 2.013,45 MULTA DE OFÍCIO R$ 1.510,08 À contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica, nos anoscalendário 2003 e 2004, conduta essa apenada com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado, com a seguinte motivação (fls. 04 a 10), verbis: Fiscalização efetuada na entidade Associação Cultural e Educacional de Franca ACEFRAN, CNPJ 06.049.065/000108, que substituiu a ACEF S/A, CNPJ 46.722.831/000178, na condição de mantenedora da instituição particular de ensino superior conhecida como UNIFRAN, revelou a prática de pagamentos, para parte de seus professores, dos salários e de bolsas de estudo e de pesquisa, estas últimas sem a devida retenção do imposto de renda na fonte. A isenção, prevista no art. 26 da Lei n° 9.250, de 1995, não se aplicava a referidas bolsas em razão: 1. da não caracterização de doação, em face a) do vínculo empregatício existente; e b) de a instituição particular de ensino superior estabelecer os critérios de concessão e aprovação dos projetos de pesquisa; e c) de a instituição "doar" os valores das bolsas de estudo e de pesquisa à Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular, Funadesp, que efetuava os depósitos dos referidos valores nas contas bancárias dos professores; 2. do não recebimento exclusivo para proceder a estudos e pesquisas, em razão de os beneficiários das bolsas terem obrigações de orientação de pesquisas, oferecimento de oportunidades de estágio a alunos da UNIFRAN, orientação de acadêmicos em projetos de iniciação científica, participação em bancas de mestrado, orientação de monografias de pós graduação, etc; 3. os resultados das atividades representarem vantagem para a ACEF/ACEFRAN, especialmente: a) a manutenção da caracterização de universidade da UNIFRAN, que lhe garantia autonomia para a criação, organização e extinção, em sua sede, de cursos e programas de educação superior; b) contar para a renovação do credenciamento da UNIFRAN como instituições de educação superior, e para a renovação de Fl. 329DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.001251/200787 Acórdão n.º 2102001.216 S2C1T2 Fl. 2 3 autorização e reconhecimento dos cursos desta instituição de ensino; 4. importarem em contraprestação de serviços, relacionados no item 2 acima. A respeito do item 1.c) cumpre acrescentar que: I. Antes do início dos pagamentos das bolsas de estudo e de pesquisa, a ACEF pagava a alguns de seus professores "DESC. SEM. REM. PESQUISA", código 551, e "HORA ATIVIDADE PESQUISA", código 552, e tratavaos como rendimentos tributáveis, fazendo a devida retenção do imposto de renda na fonte; II. Verificouse no período dos pagamentos das bolsas de estudo e de pesquisa, redução dos salários pagos aos professores, compensada com os valores das bolsas. Tratandose não de rendimentos isentos mas de rendimentos tributáveis, os valores das bolsas de estudo e de pesquisa deveriam ter sido tributados na fonte e informados nas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda dos beneficiários, observados os correspondentes exercícios. A ACEFRAN concordou com "os termos da notificação fiscal" resultante da referida fiscalização. 001.1.1 Efetivação dos pagamentos pela FUNADESP Convênio firmado entre a ACEF e a FUNADESP, estabeleceu: (1) "um sistema de concessão de bolsas de estudo" nas "modalidades de especialização, mestrado, doutorado e pós doutorado ... de estrito interesse da ACEF", concedidas "para docentes e/ou pessoal técnicoadministrativo"; (2) "um sistema de concessão de bolsas ... de pesquisa" nas "modalidades de iniciação científica, recémmestre, recém doutor, produtividade em pesquisa para mestre, produtividade em pesquisa para doutor, professor e/ou pesquisador visitante, desenvolvimento científico regional e de apoio técnico ao ensino, pesquisa e extensão, gestão acadêmica ou desenvolvimento institucional, científico e tecnológico"; (3) a obrigação da Funadesp de promover "o pagamento das bolsas de estudo de docentes e/ou pessoal técnico administrativo, de bolsas de fomento à pesquisa ..." e informar "a ACEF, mensalmente, as bolsas de estudos pagas". A ACEF remetia mensalmente, como doação à Fundação, um valor equivalente ao valor das bolsas que deveriam ser pagas aos seus professores, acrescido da taxa de administração da FUNADESP, 8% mas que também integrava a base de cálculo (cálculo "por dentro"). Fl. 330DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 A ACEF enviava, também, lista com os beneficiários das bolsas, inclusive com as informações bancárias, para que em seguida as "doações" efetuadas pela ACEF à FUNADESP fossem repassadas aos bolsistas através de depósitos em suas contas correntes, efetuados pela FUNADESP. A comprovação do pagamento dos bolsistas, pela ACEF, através da FUNADESP, está documentada no processo administrativo 13855.002087/200644, destacandose: 1. planilhas "Projetos de Pesquisa Pesquisadores Cadastrados na FUNADESP", assinada pelo Coordenador de Recursos Humanos da ACEF Ismael José Vieira, contendo relação dos bolsistas, seus CPFs e contas bancárias, valores mensais das bolsas e descrição dos projetos. No final das planilhas consta o valor total mensal das bolsas de pesquisa, a contribuição para a FUNADESP, e a soma destes dois últimos valores chamada "custo pesquisas"; 2. cópias de páginas do livro Diário da ACEF, contendo lançamentos contábeis, dos valores mensais "custo pesquisas" com o histórico "Débito Conf. Extrato Ref. A FUNADESP REF. CONVÊNIO P/ CONCESSÃO DE BOLSAS DE ESTUDO E DE PESQUISAS P/ DOCENTES E TÉCNICOS ADMINISTRATIVOS FIRMADO EM 19/08/02 CONF. CONTRATO"; 3. cópias dos cheques emitidos pela ACEF, com valores iguais aos "custos pesquisas" de cada mês; 4. comprovantes de depósito a favor da FUNADESP dos cheques referidos no item anterior. A FUNADESP firmou Termo de Compromisso do Bolsista com cada professor bolsista, onde consta que "o financiamento ... consistirá, no repasse, por parte da FUNADESP, mediante depósito em conta corrente ... em favor do bolsista". A palavra "repasse" revela a natureza da operação e o efetiva origem dos pagamentos. Nem a FUNADESP nem a ACEF fizeram incidir as contribuições previdenciárias sobre os valores das bolsas de estudo e de pesquisa. Estando demonstrada a vinculação do valor passado pela ACEF à FUNADESP com os valores das bolsas repassadas aos professores da UNIFRAN, fica determinada a obrigação das contribuições previdenciárias, porque os valores das bolsas são considerados salários indiretos, não pelas atividades de pesquisas, mas pelas atividades de professores prestadas à UNIFRAN. Também, tendo os pesquisadores que receberam as bolsas prestado serviços, fica configurado o exercício de atividade remunerada, pouco importando o nome que se dê à atividade e ao pagamento dela. Contudo, isto é irrelevante tratandose de salário indireto, situação em que não é a pesquisas que configura a prestação de serviço mas o trabalho ordinário que o professor presta à instituição de ensino. 001.1.2 Residentes Fl. 331DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.001251/200787 Acórdão n.º 2102001.216 S2C1T2 Fl. 3 5 Na lista de bolsistas estavam incluídos residentes do hospital veterinário e de fisioterapia. Eram exalunos que cursavam a residência, com carga horária de 3660 horas, e recebiam bolsas em decorrência do desempenho profissional prestado na UNIFRAN. Estes profissionais de veterinária e fisioterapia não realizavam simples estágio, mas trabalhavam como profissionais diplomados para obterem qualificação. A comprovação do pagamento das bolsas dos residentes, pela ACEF, através da FUNADESP, também está documentada no processo administrativo 13855.002087/200644, destacandose: 1. planilhas "Projetos de Pesquisa Residentes Cadastrados na FUNADESP", para os meses de abril a junho de 2003, a última assinada pelo Diretor Financeiro da ACEF Valderci Carrara, contendo relação dos bolsistas residentes, seus CPFs e contas bancárias, valores mensais das bolsas e descrição da "área". No final das planilhas consta o valor total mensal das bolsas de pesquisa, a contribuição para a FUNADESP, e a soma destes dois últimos valores chamada "custo pesquisas"; 2. planilhas "Projetos de Pesquisa Pesquisadores e Residentes Cadastrados na FUNADESP", para os meses a partir de julho de 2003, assinadaS pelo Diretor Financeiro, Valderci Carrara, e pelo Coord. Rec. Humanos e Infraestrutura, Maurício Cerqueira Pucci, da Acef, contendo relação dos bolsistas, pesquisadores e residentes, seus CPFs e contas bancárias, valores mensais das bolsas e descrição do projeto. No final das planilhas consta o valor total mensal das bolsas de pesquisa, a contribuição para a FUNADESP, e a soma destes dois últimos valores chamada "custo pesquisas"; 3. cópias de páginas do livro Razão Analítico da ACEF, contendo lançamentos contábeis, dos valores mensais "custo pesquisas" com o histórico "Pagt° pelo Pagfor A FUNADESP REF. CONVÊNIO P/ CONCESSÃO DE BOLSAS DE ESTUDO E DE PESQUISAS PARA DOCENTES E RESIDENTES DEPARTAMENTO PESSOAL, FISIOTERAPIA E MEDICINA VETERINÁRIA", ou com histórico "Débito Conf. Extrato Ref. A FUNADESP CONVÊNIO P/ CONCESSÃO DE BOLSAS DE ESTUDO E DE PESQUISAS PARA DOCENTES E RESIDENTES DEPARTAMENTO PESSOAL, FISIOTERAPIA E MEDICINA VETERINÁRIA". Os valores mensais lançados, para os meses de abril a junho de 2003, correspondem a soma do "custo pesquisas" das planilhas citadas no item anterior e do "custo pesquisas" das planilhas "Projetos de Pesquisa Pesquisadores Cadastrados na FUNADESP". Para os meses seguintes, corresponde ao "custo pesquisas" das planilhas "Projetos de Pesquisa Pesquisadores e Residentes Cadastrados na FUNADESP". A FUNADESP firmou Termo de Compromisso do Bolsista com cada residente bolsista, onde também consta que "o finaciamento ... consistirá, no repasse, por parte da FUNADESP, mediante Fl. 332DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 depósito em conta corrente ... em favor do bolsista". Novamente, a palavra "repasse" revela a natureza da operação e o efetiva origem dos pagamentos. 001.1.3 Obrigações e autonomia das universidades A Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n° 9.394, de 1996, estabeleceu em seu artigos 52, inciso II, e 88, parágrafo 2°, a obrigação de as universidades possuírem "um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado e doutorado" até 23 de dezembro de 2004. As bolsas de estudo e de pesquisa, pagas pela ACEF através da FUNADESP, permitiram a qualificação dos professores da UNIFRAN visando o cumprimento da obrigação referida no parágrafo anterior. O Decreto n°2.306, de 1997, que regulamentou os artigos 52 e 88 da Lei n° 9.394, ao tratar da obrigação das universidades de manterem um terço do corpo docente em regime de tempo integral (inciso III do artigo 52 da Lei n° 9.394), determinou, em seu artigo 10, que neste regime haveria obrigação de prestar quarenta horas semanais de trabalho, na mesma instituição, reservadas pelo menos vinte horas semanais a estudos, pesquisa, trabalhos de extensão, planejamento e avaliação. Em seu artigo 19, o referido Decreto determinou que as universidades apresentassem plano de cumprimento das disposições constantes do artigo 52 da Lei n° 9.394, até 23 de dezembro de 1997, com vistas ao disposto no parágrafo 2° do seu artigo 88. O Decreto n° 3.860, de 2001, revogou o Decreto n° 2.306, mas, ao tratar da obrigação das universidades de manterem um terço do corpo docente em regime de tempo integral (inciso III do artigo 52 da Lei n° 9.394), também determinou, em seu artigo 9°, que neste regime haveria obrigação de prestar quarenta horas semanais de trabalho na mesma instituição, reservado o tempo de pelo menos vinte horas semanais destinados a estudos, pesquisa, trabalhos de extensão, planejamento e avaliação. Da definição de regime de trabalho docente em tempo integral, frisese a obrigação de reservar vinte horas semanais dos professores, neste regime, a estudos, pesquisa, trabalhos de extensão, planejamento e avaliação. Estas atividades são parte, portanto, do trabalho ordinário que estes professores prestam à instituição de ensino. O artigo 53 da Lei n° 9.394 assegurou às universidades, entre outras atribuições, autonomia para a criação, organização e extinção, em sua sede, de cursos e programas de educação superior previstos naquela Lei, assim como remanejar ou ampliar vagas nos cursos existentes. Também, o artigo 46 da Lei n° 9.394 determinou que para a renovação de autorização e reconhecimento de cursos, e para a renovação de credenciamento de instituições de educação superior, fosse executado processo regular de avaliação. Segundo o artigo 17 do Decreto n° 3.860, serão avaliados, entre outros itens, a produção científica, tecnológica e cultural dos cursos e instituições de ensino superior. Fl. 333DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.001251/200787 Acórdão n.º 2102001.216 S2C1T2 Fl. 4 7 001.2 PROCEDIMENTO A contribuinte apresentou em 26/04/2007; 1. Termo de Compromisso do Bolsista que assinou com a FUNADESP, em 01/04/2003; 2. Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte dos anoscalendário 2003 e 2004, emitidos pela FUNADESP, sendo o contribuinte o beneficiário dos rendimentos; 3. Plano de Trabalho para o período 18/02/2002 até 18/02/2004. Observese que a contribuinte recebeu "bolsa de estudos, na modalidade de especialização, consistente no financiamento para execução do projeto de pesquisa/plano de trabalho", paga em parcelas mensais a partir de abril de 2003, posterior a data de inicio do seu plano de trabalho. Consta deste as seguintes partes: a) "cursar regularmente o Curso de Especialização ... durante o ano de 2002"; b) "atendimentos fisioterapêuticos de rotina realizados na ClinicaEscola de Fisioterapia" da Unifran, "de 2ª a 6ª feira no período das 13h às 18h e, às 3ª e 5ª feiras das 8h às 12h; c) atividades de pesquisa não obrigatórias; d) atividades de apoio pedagógico, através (1) de orientação, no desenvolvimento de trabalhos científicos, aos alunos das 2ª séries, às 2ª, 4ª e 6ª feiras das 9h às 12h; e (2) de auxilio no desenvolvimento de aulas de determinadas disciplinas. O plano prevê, ainda, a freqüência de 40 horas semanais, e um relatório final, no qual constaria "estatísticas dos pacientes atendidos". Este plano define o desempenho profissional da contribuinte, prestado na UNIFRAN, estabelecendo atividades e carga horária de trabalho; 4. Correspondência em que declara "que as atividades contratadas ... eram referentes à atividade acadêmica de Residência em Fisioterapia Neurológica". Fica por esta fiscalização constatada omissão de rendimentos tributáveis pela contribuinte, por esta ter: (1) recebido bolsas de pesquisa da ACEF, repassadas pela FUNADESP, que são tributáveis, por não terem sido atendidas, pelas razões já expostas, as condições para isenção previstas no artigo 26 da Lei n° 9.250; e (2) informado tais rendimentos, recebidos em 2003, em sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda correspondente, como rendimentos isentos e não tributáveis; Fl. 334DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 (3) não ter informado os rendimentos recebidos em 2004 na correspondente Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda. No Acórdão 10246.320 de 18/03/2004, publicado no Diário Oficial da União em 24/05/2004, da 2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes consta decisão que trata de situação análoga à da contribuinte. Diz o Acórdão: "As importâncias recebidas a título de residência médica, independentemente de serem chamadas bolsa de estudo, são consideradas rendimentos com vínculo empregatício e como tais tributáveis na fonte e na declaração. Neste sentido consta o artigo 45, inciso I, do RIR/1994 (Decreto n° 1.041/94), segundo o qual "São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Leis n°s 4.506/64, art. 16, 7.713/88, art. 3°, § 4°, e 8.383/91, art. 74): [I] salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, comparecimento, bolsa de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários;". Reconhecese a relevância da bolsa educacional como instrumento necessário à melhor formação profissional. Contudo, disso não decorre o afastamento da natureza tributária de tais valores, mesmo diante de sua nobreza e especificidade, haja vista a previsão. O fato de ser denominada "bolsa" não retira da verba, por si só, sua sujeição à tributação, já que "tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de Percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo." (art. 3, parágrafo 4, Lei n° 7.713/88)". "Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira" (artigo 42, parágrafo 4°, inciso I da Lei n° 9.430, de 1996). Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. 302 e 303), com os seguintes argumentos: 1. inobstante seja obrigação do estado oferecer educação de qualidade a todos, conforme os artigos 213, § 1° e 218 da Constituição Federal, verificase que tal obrigação não é cumprida integralmente; 2. assim, a iniciativa privada colabora com a Administração Pública no exercício de suas atividades, devendo para tanto, cumprir requisitos determinados pelo Ministério da Educação, dentre os quais manter produção científica e ter corpo docente com títulos, conforme o art. 8° do Decreto n° 3.860/2001; 3. todas as universidades do país, sejam elas públicas ou privadas, devem manter em sua grade de professores pessoas Fl. 335DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.001251/200787 Acórdão n.º 2102001.216 S2C1T2 Fl. 5 9 com titulação, não havendo como tal exigência legal ser caracterizada como contraprestação de serviço à universidade, sob pena de ferimento ao princípio constitucional da isonomia, já tais exigências são comuns às universidades públicas e privadas, na forma do determinado pelos artigos 70 e 77 da Lei n° 9.394/1999; 4. também não se pode dizer que a Universidade de Franca efetua os pagamentos da autuada já que a mesma repassa recursos ao FUNADESP; 5. fazer tal afirmação é o mesmo que dizer que os pesquisadores das universidades públicas não podem receber bolsas do CNPQ —Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, ou da CAPES — Coordenação de Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Pessoal de Nível Superior, pois a União é que as financia; 6. a autuada é renomada pesquisadora, sendo de rigor o reconhecimento da sua condição de isenta de pagamento de imposto de renda das verbas recebidas da FUNADESP nos exercícios de 2002 a 2004, eis que fomentou sua carreira através de pesquisas que desenvolveu quando de sua residência; 7. a presente autuação é ilegal e fere o princípio da isonomia, na medida em que existem inúmeros residentes atuando nas mais diversas áreas, inclusive na medicina, que recebem bolsas de entes públicos e privados, tais como as santas casas de misericórdia; 8. não ocorre a hipótese de incidência do imposto de renda em casos de recebimento de verbas a título de bolsa de pesquisa, devendo ser reconhecido o direito da impugnante ao não pagamento do IRPF; 9. não é qualquer entrada de dinheiro nos cofres de uma pessoa que pode ser alcançada pelo IR, mas, tão somente, os acréscimos patrimoniais, isto é a disponibilidade de riqueza nova, como averbava com precisão Rubens Gomes de Souza; 10. é o caso das indenizações, nas quais não há geração de rendas ou acréscimos patrimoniais (proventos) de qualquer espécie; 11. ante todo o exposto, requer o cancelamento do auto de infração, uma vez que as verbas recebidas pela impugnante estão abrangidas pela isenção, tendo sido ilegalmente tributadas pelo fiscal autuante, e ainda, que todos os atos e intimações sejam enviadas ao endereço do escritório de seu representante legal. A 3ª Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1729.877, de 04 de fevereiro de 2009 (fls. 301 a 307). Fl. 336DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 16/03/2009 (fl. 310). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 25/03/2008 (fl. 313). No voluntário, a recorrente repisa as argumentações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que a contribuinte foi intimada da decisão recorrida em 16/03/2009 (fl. 310), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 25/03/2008 (fl. 313), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 15/04/2009, quartafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. A controvérsia em debate, referente ao pagamento de bolsistas vinculadas à UNIFRAN, por intermédio da ACEFRAN/FUNADESP, já é de conhecimento desta Turma de Julgamento, pois foi debatida e apreciada em sessões de julgamento de fevereiro e março de 2011, como se viu no Acórdão nº 2102001.142, relator o Conselheiro Rubens Maurício Carvalho, que restou assim ementado: IRPF. BOLSA DE ESTUDOS. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudos, desde que caracterize doação, ou seja, quando recebidos exclusivamente para proceder a estudo ou pesquisa e o resultado dessas atividades não represente vantagem para o doador e não caracterize contraprestação de serviços. Recurso Voluntário Negado Nessa oportunidade, entendeuse que as verbas pagas aos bolsistas tinham natureza salarial, com contraprestação de serviço, e, como tal, deveriam ser submetidas à incidência do imposto de renda. Para esclarecer a motivação da tributação das verbas controvertidas, abaixo colacionase o art. 26 da Lei nº 9.250/95: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Acima se vê que a isenção sobre bolsas de estudos somente se aperfeiçoa se o doador não tiver qualquer vantagem, bem como não pode haver contraprestação de serviço. Fl. 337DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 13855.001251/200787 Acórdão n.º 2102001.216 S2C1T2 Fl. 6 11 Primeiro, não pode haver qualquer vantagem para o doador. Como exemplo desse entendimento, veja o Resp 959.195, relatora a Ministra Eliana Calmon, unânime, DJE DATA:17/02/2009, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA BOLSA DE ESTUDOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL ISENÇÃO DOAÇÃO NÃO CARACTERIZADA CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A isenção do imposto de renda prevista no art. 26 da Lei 9.250/95 exige que a bolsa de estudos seja espécie de doação, sem vantagens para o doador. 2. Hipótese em que o recorrente continuou recebendo salário a título de bolsa de estudos para desenvolver atividades acadêmicas no exterior, assumindo por escrito a obrigação de reverter ao empregador os resultados dos estudos e pesquisas por este financiados. 3. A manutenção da natureza salarial da verba paga para cobrir os custos da oportunidade dada pelo Banco Central do Brasil ao seu servidor descaracteriza a doação. 4. Recurso especial improvido. Ainda, não pode haver qualquer contraprestação de serviço, sob pena da bolsa mascarar um rendimento de natureza salarial. No caso destes autos, parece patente que a bolsa somente é deferida para aqueles com vínculo com a UNIFRAN, esta que é, na verdade, a efetiva pagadora da bolsa (por intermédio da ACEFRAN), como se vê na cláusula segunda do convênio FUNADESP/ACEF (fl. 30), assim vazada: CLÁUSULA SEGUNDA — As Bolsas de Estudo a que se refere à cláusula anterior, relativas ao Programa de Capacitação de Recursos Humanos, compreenderão as modalidades de especialização, mestrado, doutorado e pós doutorado e somente serão concedidas para docentes e/ou pessoal técnico—administrativo, cujas finalidades sejam de estrito interesse da ACEF. A cláusula acima denuncia claramente os benefícios para o doador, que é a ACEFRAN/UNIFRAN, sendo a FUNADESP uma mera repassadora dos recursos, o que já vulnera um dos requisitos do art. 26 da Lei nº 9.250/95, a ausência de benefício ao doador. Ainda, demonstrouse a contraprestação de serviço por parte da recorrente, como se vê no seguinte excerto do relatório da autoridade fiscal: 001.1.2 Residentes Na lista de bolsistas estavam incluídos residentes do hospital veterinário e de fisioterapia. Eram exalunos que cursavam a residência, com carga horária de 3660 horas, e recebiam bolsas em decorrência do desempenho profissional prestado na UNIFRAN. (...) 3. Plano de Trabalho para o período 18/02/2002 até 18/02/2004. Observese que a contribuinte recebeu "bolsa de estudos, na Fl. 338DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 modalidade de especialização, consistente no financiamento para execução do projeto de pesquisa/plano de trabalho", paga em parcelas mensais a partir de abril de 2003, posterior a data de inicio do seu plano de trabalho. Consta deste as seguintes partes: a) "cursar regularmente o Curso de Especialização ... durante o ano de 2002"; b) "atendimentos fisioterapêuticos de rotina realizados na ClinicaEscola de Fisioterapia" da Unifran, "de 2ª a 6ª feira no período das 13h às 18h e, às 3ª e 5ª feiras das 8h às 12h; c) atividades de pesquisa não obrigatórias; d) atividades de apoio pedagógico, através (1) de orientação, no desenvolvimento de trabalhos científicos, aos alunos das 2ª séries, às 2ª, 4ª e 6ª feiras das 9h às 12h; e (2) de auxilio no desenvolvimento de aulas de determinadas disciplinas. O plano prevê, ainda, a freqüência de 40 horas semanais, e um relatório final, no qual constaria "estatísticas dos pacientes atendidos". Este plano define o desempenho profissional da contribuinte, prestado na UNIFRAN, estabelecendo atividades e carga horária de trabalho; Fica claro que a “doação” em foco beneficiou a UNIFRAN, havendo clara contraprestação de serviço, como se vê no item 3, “b”, acima, o que afasta os pagamentos efetuados do regime isentivo do art. 26 da Lei nº 9.250/95. Com as razões acima, nego provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 339DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 13964.000238/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2006
IMUNIDADE. ISENÇÃO. DIREITO AO RECONHECIMENTO. DISCUSSÃO EM AUTOS PRÓPRIOS.
Direito ao reconhecimento da imunidade não será objeto de conhecimento por este Colegiado, pois já se tornou definitiva no âmbito administrativo, tendo sido discutida nos autos que promoveram o cancelamento da isenção. Caso se possibilitasse tal discussão, na verdade estaríamos diante de um processo de revisão de acórdão. Na data de hoje há decisão definitiva que reconhece que a entidade não possui direito à isenção da cota patronal.
CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. EFEITOS A PARTIR DA DATA DO DESATENDIMENTO DOS REQUISITOS.
O cancelamento da isenção gerou efeitos a partir do descumprimento dos dispositivos legais; no caso a isenção foi cancelada a partir de 1o de janeiro de 1995, conforme disposto no Ato Cancelatório. Conforme previsto no art. 206, parágrafo 8o do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n º 3.048 de 1999, o Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a
isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos.
ESTAGIÁRIO. NÃO ATENDIMENTO À LEI ESPECÍFICA. ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO.
A contratação de estagiários deve observar a lei específica, no caso a Lei n ° 6.494.
A não observância dos dispositivos legais, forçosamente faz o
enquadramento do segurado ser realizado como empregado, nos termos da Lei n ° 8.212.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-000.927
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam
aplicar-se o art. 150, paragrafo 4 do CTN em relação a extinção do crédito tributário.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2006 IMUNIDADE. ISENÇÃO. DIREITO AO RECONHECIMENTO. DISCUSSÃO EM AUTOS PRÓPRIOS. Direito ao reconhecimento da imunidade não será objeto de conhecimento por este Colegiado, pois já se tornou definitiva no âmbito administrativo, tendo sido discutida nos autos que promoveram o cancelamento da isenção. Caso se possibilitasse tal discussão, na verdade estaríamos diante de um processo de revisão de acórdão. Na data de hoje há decisão definitiva que reconhece que a entidade não possui direito à isenção da cota patronal. CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. EFEITOS A PARTIR DA DATA DO DESATENDIMENTO DOS REQUISITOS. O cancelamento da isenção gerou efeitos a partir do descumprimento dos dispositivos legais; no caso a isenção foi cancelada a partir de 1o de janeiro de 1995, conforme disposto no Ato Cancelatório. Conforme previsto no art. 206, parágrafo 8o do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n º 3.048 de 1999, o Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos. ESTAGIÁRIO. NÃO ATENDIMENTO À LEI ESPECÍFICA. ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO. A contratação de estagiários deve observar a lei específica, no caso a Lei n ° 6.494. A não observância dos dispositivos legais, forçosamente faz o enquadramento do segurado ser realizado como empregado, nos termos da Lei n ° 8.212. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA UNISUL Recorrida SRP SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2006 IMUNIDADE. ISENÇÃO. DIREITO AO RECONHECIMENTO. DISCUSSÃO EM AUTOS PRÓPRIOS. Direito ao reconhecimento da imunidade não será objeto de conhecimento por este Colegiado, pois já se tornou definitiva no âmbito administrativo, tendo sido discutida nos autos que promoveram o cancelamento da isenção. Caso se possibilitasse tal discussão, na verdade estaríamos diante de um processo de revisão de acórdão. Na data de hoje há decisão definitiva que reconhece que a entidade não possui direito à isenção da cota patronal. CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. EFEITOS A PARTIR DA DATA DO DESATENDIMENTO DOS REQUISITOS. O cancelamento da isenção gerou efeitos a partir do descumprimento dos dispositivos legais; no caso a isenção foi cancelada a partir de 1o de janeiro de 1995, conforme disposto no Ato Cancelatório. Conforme previsto no art. 206, parágrafo 8o do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n º 3.048 de 1999, o Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos. ESTAGIÁRIO. NÃO ATENDIMENTO À LEI ESPECÍFICA. ENQUADRAMENTO COMO SEGURADO EMPREGADO. A contratação de estagiários deve observar a lei específica, no caso a Lei n ° 6.494. A não observância dos dispositivos legais, forçosamente faz o enquadramento do segurado ser realizado como empregado, nos termos da Lei n ° 8.212. Recurso Voluntário Negado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicarse o art. 150, paragrafo 4 do CTN em relação a extinção do crédito tributário. Marco André Ramos Vieira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Edgar Silva Vidal, Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13964.000238/200773 Acórdão n.º 230200.927 S2C3T2 Fl. 732 3 Relatório A presente NFLD abrange as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados que a empresa denominou Dissentes Contratados — Bolsa Trabalho e Monitores, e contabilizou na conta Bolsa Trabalho, conforme relatório fiscal às fls. 45 a 50. Inconformada, a autuada apresentou defesa administrativa, conforme fls. 580 a 625. A unidade da Receita Previdenciária emitiu a decisão de fls. 635 a 641, mantendo o lançamento em sua integralidade. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, a autuada interpôs recurso na forma das fls. 647 a 705. Alega em síntese: a) É inconstitucional o depósito recursal; b) A entidade possui direito à imunidade prevista no art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal; c) É nulo o ato administrativo cancelatório de isenção; d) Que possui direito adquirido ao Certificado; e) Não é possível retroagir o lançamento à data da decisão de cancelamento; f) Deveria ser observada a anterioridade nonagesimal; g) A NFLD é nula por falta de clareza e precisão; h) Não houve demonstração da subordinação; i) Não poderiam ser imputados juros e multa moratória; Não foram apresentadas contrarazões pelo órgão fazendário. É o relato suficiente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fls. 719. Pressuposto superado, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. Quanto aos argumentos de que o cancelamento da isenção é passível de decretação de nulidade; de que possui direito adquirido ao Certificado; e de que a recorrente possui direito à imunidade tributária; tais argumentos já foram solucionados nos autos que geraram o cancelamento da isenção. Todas essas questões não serão objeto de conhecimento por este Colegiado, pois já se tornaram definitivo no âmbito administrativo, tendo sido discutidas nos autos que promoveram o cancelamento da isenção. Caso se possibilitasse tal discussão, na verdade estaríamos diante de um processo de revisão de acórdão. Na data de hoje há decisão definitiva que reconhece que a entidade não possui direito à isenção da cota patronal. Não assiste razão à recorrente ao afirmar que não seria possível retroagir o lançamento à data da decisão de cancelamento; e de que deveria ser observada a anterioridade nonagesimal. Como é cediço, a anterioridade somente é observada quando da criação ou majoração do tributo, a decisão que cancelou a isenção da recorrente não criou o tributo, este foi criado por meio da Lei n 8.212 de 1991, tampouco houve majoração da carga tributária, haja vista o aspecto quantitativo estar definido também na Lei n 8.212 com alterações posteriores. O próprio Ato Cancelatório mencionou expressamente a partir de quando teriam seus efeitos, in casu, a partir de 1º de janeiro de 1995. A retroatividade dos efeitos é possível tendo em vista a natureza declaratória desse ato que se reporta à data em que a autuada violou as normas previdenciárias. Nesse sentido era o disposto no art. 206, parágrafo 8º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 3.048 de 1999, na redação anterior ao Decreto n 7.237 de 2010. Quanto ao argumento de que a NFLD deve ser declarada nula; não lhe confiro razão. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme relatório fiscal às fls. 45 a 50; o relatório indicou os motivos do lançamento; os fatos geradores estão devidamente descritos às fls. 27 a 36; a forma para se apurar o quantum devido, por competência, encontrase às fls. 04 a 19. Ao contrário do que afirma a recorrente, a NFLD atendeu todos os requisitos exigidos no art. 688 da Instrução Normativa INSS/DC n º 100, nestas palavras: Art. 688. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: I Instruções para o Contribuinte (IPC), que fornece ao sujeito passivo orientações, entre outros assuntos de seu interesse, sobre as providências para regularização de sua situação perante a Previdência Social, por meio de recolhimento, parcelamento ou apresentação de defesa ou recurso, quando for o caso; II Discriminativo Analítico do Débito (DAD), que discrimina, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo Fl. 4DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13964.000238/200773 Acórdão n.º 230200.927 S2C3T2 Fl. 733 5 sujeito passivo, as alíquotas utilizadas, os valores já recolhidos, anteriormente confessados ou objeto de notificação, as deduções legalmente permitidas e as diferenças existentes; III Discriminativo Sintético do Débito (DSD), que discrimina sinteticamente, por estabelecimento, competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo; IV Discriminativo Sintético por Estabelecimento (DSE), que discrimina sinteticamente, por competência e por estabelecimento, as contribuições objeto da apuração, atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo; V Relatório de Lançamentos (RL), que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações, quando necessárias, sobre sua natureza ou fonte documental; VI Relatório de Documentos Apresentados (RDA), que relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto de notificações anteriores; VII Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA), que demonstra, por estabelecimento, competência, levantamento e tipo de documento, os valores recolhidos pelo sujeito passivo, arrolados no relatório do inciso VI, e a correspondente apropriação e abatimento das contribuições devidas; VIII Diferenças de Acréscimos Legais (DAL), que discrimina, por levantamento e por estabelecimento, as diferenças decorrentes de recolhimento a menor de atualização monetária, juros ou multa de mora, com indicação dos valores que seriam devidos e dos valores recolhidos, considerandose como competência para lançamento do acréscimo legal aquela em que foi efetuado o recolhimento a menor;IX Fundamentos Legais do Débito (FLD), que informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores;X Relação de CoResponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos (VÍNCULOS), que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; XII Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); Fl. 5DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 XIII Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD); XIV Auto de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos (AGD); XV Termo de Arrolamento de Bens e Direitos (TAB); XVI Termo de Encerramento da AuditoriaFiscal (TEAF); XVII Relatório Fiscal (REFISC), que se destina à narrativa dos fatos verificados em procedimento fiscal, sendo emitido por AFPS sempre que houver lavratura de NFLD, LDC ou AI, observandose, conforme o caso, o disposto no art. 690; XVIII Outros anexos a critério da fiscalização, devendo o relatório fiscal fazer menção aos mesmos. § 1° Os relatórios constantes dos incisos I a XI e XVI do caput serão emitidos eletronicamente, em duas vias, destinadas ao INSS e ao sujeito passivo, observado o seguinte:I O DSE será emitido quando o crédito constituído em NFLD referirse a mais de um estabelecimento ou obra de construção civil; II O RDA, o RADA e o DAL deixarão de ser emitidos na ausência das informações dispostas, respectivamente, nos incisos VI, VII e VIII do caput; III O AGD, o TAB, bem como outros documentos referidos no inciso XVIII do caput, serão juntados à NFLD ou ao AI quando necessários ao esclarecimento ou comprovação de fatos mencionados no relatório fiscal. § 2° Os documentos constantes dos incisos XII a XVI do caput serão emitidos segundo as orientações específicas desta Instrução Normativa, podendo ser utilizadas cópias autenticadas para instrução do processo administrativofiscal. § 3° Na instrução do processo administrativofiscal, os relatórios e documentos relacionados nos incisos I a XVIII do caput devem observar a ordem de citação constante deste artigo. Os relatórios juntados pela fiscalização favorecem a ampla defesa e o contraditório, possibilitando ao notificado o pleno conhecimento acerca dos motivos que ensejaram o lançamento. Desse modo, não assiste razão à recorrente de que houve omissão na motivação do lançamento. A motivação é simples, e restou cabalmente demonstrada no relatório fiscal às fls. 45 a 50: a empresa remunerou segurados, e não recolheu os valores declarados. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração dos registros contábeis e fiscais, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria registrados não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. Alegar sem provar é o mesmo que não alegar. Não procede, portanto, o argumento da recorrente de que é inexato o quantum devido. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato Fl. 6DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 13964.000238/200773 Acórdão n.º 230200.927 S2C3T2 Fl. 734 7 impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária provou a existência do fato gerador, com base na documentação juntada. Assim, a presente NFLD não foi lavrada apenas com base em presunções, a fiscalização demonstrou, por meio de documentos elaborados pela própria recorrente, a veracidade do argumento da existência dos fatos geradores. A contratação de estagiários tem que seguir a legislação específica, no caso a Lei n ° 6.494 de 1977. Ao não seguir os ditames legais a empresa assume o encargo do enquadramento como segurados empregados. Desse modo, não procede o argumento da recorrente de que não há vínculo empregatício do estagiário com a empresa. Tal vínculo existe quando a contratação ocorre de forma irregular. Não integra a remuneração a importância paga a título de bolsa ao estagiário, quando paga nos termos da Lei 6.494 de 07/12/1977, regulamentada pelo Decreto 87.497, de 1982 com as alterações introduzidas pela Lei 8.859 de 1994. A Lei n ° 6.494 permite que as sociedades empresárias contratem estagiários, alunos regularmente matriculados em cursos vinculados ao ensino público e particular. Os alunos devem estar frequentando cursos de nível superior, profissionalizante de 2º grau, ou escolas de educação especial. A condição de estagiário pressupõe que haja compromisso entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória do estabelecimento de ensino, contratopadrão, observância de prazos de duração do estágio e efetiva complementação do ensino. No presente caso a recorrente não provou a existência de tais requisitos por meio de documentação. As irregularidades na contratação dos supostos estagiários e monitores foi também observada pelo Ministério Público do Trabalho, conforme documentação acostada às fls. 549 a 563. São devidos os juros e a multa moratória haja vista a recorrente estar em débito desde o momento em que infringiu as obrigações previdenciárias tendo descumprido o disposto no art. 55 da Lei n 8.212, o que gerou a emissão do Ato Cancelatório. CONCLUSÃO: Pelo o exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário, para NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Marco André Ramos Vieira Fl. 7DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002661/2004-91
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS
Período de Apuração: 01.01.2003 a 29.02.2004.
Ementa: DÉBITO NÃO DECLARADO EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO.
Impõe a multa de ofício quando o contribuinte deixa de declarar em DCTF o
débito tributário, art. 44, inciso I, da Lei. N. 9.430/96.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.080
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade negar provimento ao
Recurso.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de Apuração: 01.01.2003 a 29.02.2004. Ementa: DÉBITO NÃO DECLARADO EM DCTF. MULTA DE OFÍCIO. Impõe a multa de ofício quando o contribuinte deixa de declarar em DCTF o débito tributário, art. 44, inciso I, da Lei. N. 9.430/96. Recurso Negado.
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