Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,202)
- Segunda Câmara (27,794)
- Primeira Câmara (25,082)
- Segunda Turma Ordinária d (17,251)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (15,968)
- Primeira Turma Ordinária (15,808)
- Primeira Turma Ordinária (15,804)
- Primeira Turma Ordinária (15,693)
- Segunda Turma Ordinária d (15,666)
- Segunda Turma Ordinária d (14,180)
- Primeira Turma Ordinária (12,927)
- Primeira Turma Ordinária (12,226)
- Segunda Turma Ordinária d (12,209)
- Quarta Câmara (11,512)
- Primeira Turma Ordinária (11,266)
- Quarta Câmara (83,707)
- Terceira Câmara (65,729)
- Segunda Câmara (54,282)
- Primeira Câmara (18,795)
- 3ª SEÇÃO (15,968)
- 2ª SEÇÃO (11,233)
- 1ª SEÇÃO (6,766)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (121,479)
- Segunda Seção de Julgamen (112,370)
- Primeira Seção de Julgame (74,807)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,896)
- Câmara Superior de Recurs (37,563)
- Terceiro Conselho de Cont (25,949)
- IPI- processos NT - ressa (5,000)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,055)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,960)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,859)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,239)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,675)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,167)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,599)
- HELCIO LAFETA REIS (3,506)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,199)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,888)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- WILDERSON BOTTO (2,573)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,553)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,820)
- 2019 (30,956)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,464)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (18,980)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,076)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,747)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,856)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 11073.000178/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ.
Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega da DIPJ quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que justifiquem o seu afastamento.
Numero da decisão: 1201-002.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Jùnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. Mantêm-se a aplicação da multa por atraso na entrega da DIPJ quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que justifiquem o seu afastamento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11073.000178/2008-89
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5983125
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-002.802
nome_arquivo_s : Decisao_11073000178200889.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 11073000178200889_5983125.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Jùnior
dt_sessao_tdt : Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7680340
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:18 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663285092352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 31 1 30 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11073.000178/200889 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.802 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2019 Matéria Penalidades/Multa por atraso na entrega de declaração Recorrente COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES SÓCIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. Mantêmse a aplicação da multa por atraso na entrega da DIPJ quando inexistirem razões previstas em lei ou normas que justifiquem o seu afastamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente Convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Jùnior Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 3. 00 01 78 /2 00 8- 89 Fl. 31DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (efl. 03), no valor original de R$ 200,00 (duzentos reais), referente a Multa por Atraso na Entrega da Declaração Simplificada de Inatividade fora do prazo, correspondente ao período de apuração de 01/01/2007 a 31/12/2007, cujo prazo de apresentação era em 31/03/2008, mas recebida em 03/06/2008. Cientificada a contribuinte apresentou impugnação em que alega: I FATO Está sem amparo financeiro pelos programas de incentivo de crédito pelo Govemo (EPP e ME). II O DIREITO II. 1Preliminar Ter estado no Distrito Federal em 01/08/2006 à 08/08/2006, na Escola de administração fazendária de corpo presente com Diretor ERASMO VERÍSSIMO DE CASTRO SAMPAIO e, ter sido subestimado sobre posto em cumprimento à Ciência despejado o Conhecimento do Saber de minhas Provas e de Provas e Titulos. II. 2Mérito Transcorre em transitado julgado o parecer do Profissional junto ao Ministério da Justiça 1ª Instância e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional do Brasil. Ao final, requer cancelamento do débito fiscal reclamado. A Impugnação foi indeferida pelo Acórdão 1812.301 1ª Turma da DRJ/STM (efls. 21/22), que entendeu jurídica apresenta apenas argumentos de natureza pessoal, que carecem de fundamentação jurídica para o cancelamento do lançamento tributário e que foge da alçada daquela instância de julgamento a consideração das alegações da interessada, uma vez que, o ato do lançamento é vinculado à lei e não existe previsão legal para a dispensa da multa pelos motivos consignados pela autuada na impugnação. Cientificada em 29/06/2010 (efl. 24) da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 30/06/2010 (efls. 26) em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso voluntário é tempestivo. Resta dispor que quando há disposição expressa não cabe ao julgador administrativo afastála com base no princípio da equidade. Conforme já adiantado pela Primeira instância, não compete ao julgador administrativo a consideração às alegações da Fl. 32DF CARF MF Processo nº 11073.000178/200889 Acórdão n.º 1201002.802 S1C2T1 Fl. 32 3 interessada, uma vez que o ato do lançamento é vinculado à lei e não existe previsão legal para a dispensa da multa pelos motivos pessoais consignados pela autuada Desta forma, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 33DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000357/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/2005
DECADÊNCIA. ENUNCIADO 8 DE SÚMULA VINCULANTE STF. LEI COMPLEMENTAR 128/2008.
São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do Decreto -Lei n. 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
As regras de decadência de créditos de natureza tributária (incluídos as contribuições previdenciárias) são aquelas estabelecidas no CTN.
PRELIMINARES DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. LANÇAMENTO EM CONFORMIDADE COM DECRETO 70.235/72.
Não há que se falar de nulidade quando o lançamento encontra-se em consonância com as regras do processo administrativo fiscal consignadas no Decreto n. 70.235/72.
BITRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não resta caracterizada bitributação quando os débitos apurados em outras fiscalizações foram devidamente deduzidos do lançamento em litígio.
JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. INCIDÊNCIA.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
EXCESSIVIDADE E ABUSIVIDADE DA MULTA MORATÓRIA. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2402-007.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a ocorrência da decadência das contribuições até a competência 11/1999, inclusive.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. ENUNCIADO 8 DE SÚMULA VINCULANTE STF. LEI COMPLEMENTAR 128/2008. São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do Decreto -Lei n. 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. As regras de decadência de créditos de natureza tributária (incluídos as contribuições previdenciárias) são aquelas estabelecidas no CTN. PRELIMINARES DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. LANÇAMENTO EM CONFORMIDADE COM DECRETO 70.235/72. Não há que se falar de nulidade quando o lançamento encontra-se em consonância com as regras do processo administrativo fiscal consignadas no Decreto n. 70.235/72. BITRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não resta caracterizada bitributação quando os débitos apurados em outras fiscalizações foram devidamente deduzidos do lançamento em litígio. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. EXCESSIVIDADE E ABUSIVIDADE DA MULTA MORATÓRIA. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 17546.000357/2007-16
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5979201
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.069
nome_arquivo_s : Decisao_17546000357200716.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 17546000357200716_5979201.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a ocorrência da decadência das contribuições até a competência 11/1999, inclusive. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7673090
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663331229696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 834 1 833 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17546.000357/200716 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.069 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente METALÚRGICA OSAN LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. ENUNCIADO 8 DE SÚMULA VINCULANTE STF. LEI COMPLEMENTAR 128/2008. São inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do Decreto Lei n. 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. As regras de decadência de créditos de natureza tributária (incluídos as contribuições previdenciárias) são aquelas estabelecidas no CTN. PRELIMINARES DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. LANÇAMENTO EM CONFORMIDADE COM DECRETO 70.235/72. Não há que se falar de nulidade quando o lançamento encontrase em consonância com as regras do processo administrativo fiscal consignadas no Decreto n. 70.235/72. BITRIBUTAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não resta caracterizada bitributação quando os débitos apurados em outras fiscalizações foram devidamente deduzidos do lançamento em litígio. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 03 57 /2 00 7- 16 Fl. 834DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 835 2 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. EXCESSIVIDADE E ABUSIVIDADE DA MULTA MORATÓRIA. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo a ocorrência da decadência das contribuições até a competência 11/1999, inclusive. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 759/792) em face do Acórdão n. 05 17.982 9ª. Turma da DRJ/CPS (efls. 745/755) que julgou procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.774.776 3 consolidado em 26/12/2005 e constituído em 29/12/2005 (efl. 471) valor total de R$ 16.986.568,91 P.A 01/1995 a 08/2005 (efls. 04/264), com fulcro em i) contribuições sociais e outras importâncias devidas à Previdência Social, correspondentes à contribuição dos segurados empregados e contribuição da empresa; ii) contribuição social para o financiamento das prestações por acidente do trabalho SAT (para competências 01/1995 até 06/1997) e contribuição social para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (para competências a partir de 07/1997); e contribuições sociais destinadas a outras entidades/fundos, observandose que o período total do lançamento abrange as competências 01/1995 a 08/2005, incluindo os 13°. Salários e o período do lançamento da matriz abrange as competências 02/1995 a 08/2005; da filial 000206, as competências 01/1995 a 08/2001; da filial 000397 as competências 07/1997 a 05/1999; da filial 000478, as competências 04/1996 a 07/2001; da filial 000559, as competências 07/1997 a 10/1999; da filial 000630, a competência 05/1999 a 01/2001; iii) diferenças de acréscimos legais, não recolhidas em épocas próprias, do período de 01/1995 a 06/1999. Tudo conforme discriminado no Relatório Fiscal (efls. 358/372). Irresignado com o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação (e fls. 476/507) em 13/01/2006 (efl. 475), julgada improcedente pela DRJ/CPS, nos termos do Fl. 835DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 836 3 Acórdão n. 05 17.982 (efls.745/755), com o entendimento sumarizado na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/1995 a 08/2005 PREVIDENCIÁRIO. AFERIÇÃO INDIRETA DAS CONTRIBUIÇÕES.. A não apresentação pela empresa de contabilidade e outros documentos, acarreta a apuração por aferição indireta com fulcro nos §§ 2° e 30 do artigo 33, da Lei n° 8.212/91. ARBITRAMENTO.Deixando o contribuinte de apresentar documentação hábil e idônea, a despeito de ter sido devidamente intimado, é correto o arbitramento das contribuições devidas. ARGUIÇÃO DE NULIDADE.Somente ensejam a nulidade, os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa.Descabe a alegação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e quando a autoridade 010 notificante observa os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação previdenciária. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa, a apreciação de argüições de inconstitucionalidades ou injustiças, quando legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. Lançamento Procedente Cientificada do teor do Acórdão n. 05 17.982 (efls. 745/755) em 26/02/2008 (efl. 757), a impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (efls. 759/792) na data de 14/03/2008, esgrimindo os seguintes argumentos: i) nulidade da notificação por ausência de cumprimento dos requisitos legais; ii) decadência dos créditos exigidos; iii) ocorrência da prescrição; iv) nulidade da lavratura da notificação; v) inabilitação técnica do fiscal; vi) necessidade de lei complementar; vii) invalidade do lançamento; viii) ofensa ao principio da legalidade; ix) ausência de liquidez e certeza; x) existência de bitributação; xi) existência de pagamento das contribuições; xii) inexigibilidade de juros de mora; xiii) excessividade e abusividade da multa moratória; e xiv) inaplicabilidade da taxa Selic. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 759/792) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. O lançamento em apreço tem espeque nos seguintes levantamentos, conforme informa o Relatório Fiscal (efls. 358/372): Fl. 836DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 837 4 [...] Fl. 837DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 838 5 Fl. 838DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 839 6 Fl. 839DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 840 7 Fl. 840DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 841 8 [...] Em face das acusações fiscais em apreço, a Recorrente, então impugnante, apresentou impugnação (efls. 476/507) em face da totalidade da autuação, julgada improcedente pela instância de piso. Muito bem. É oportuno esclarecer que o Recurso Voluntário (efls. 759/792) apenas reproduz, ipsis litteris, os mesmos argumentos aduzidos na impugnação (efls. 476/507), sem nada acrescentar. De plano, verificase, a partir do que consta dos autos, que as alegações acerca da nulidade da notificação por ausência de cumprimento dos requisitos legais; nulidade da lavratura da notificação; ocorrência da prescrição; inabilitação técnica do fiscal; necessidade de lei complementar; invalidade do lançamento; ofensa ao principio da legalidade; e ausência de liquidez e certeza, não merecem prosperar, vez que o procedimento fiscal que subsidiou o lançamento ora combatido encontrase em conformidade com as regras do processo administrativo fiscal estabelecidas no Decreto n. 70.235/72. Dentre as alegações acima referidas, cabe, especificamente quanto à suposta inabilitação técnica fiscal, bem assim ocorrência de prescrição, considerações adicionais. A inabilitação técnica fiscal é objeto do Enunciado n. 8 de Súmula CARF, que de há muito espancou tal ilação: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Da mesma forma, não há que se falar de prescrição em face do lançamento em apreço, tendo em vista que iniciouse a fase contenciosa do processo administrativo com a impugnação tempestiva, ocorrendo a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, e, por óbvio, também a suspensão da sua cobrança por parte da Administração Tributária, forte no art. 151, III, do CTN. Todavia, em relação à preliminar de decadência, é oportuno destacar, inicialmente, que, de fato, à época do lançamento encontravase vigente o art. 45 da Lei n. 8.212/1991, que estabelecia prazo decadencial de 10 (dez) anos para a constituição de crédito tributário relativo às contribuições à Seguridade Social. Fl. 841DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 842 9 Ocorre que no julgamento do RE 559.943, em 12/06/2008 (DJE 182 de 26/09/2008) restou definida a tese de que são inconstitucionais o parágrafo único do art. 5°. do Decreto Lei n. 1.569/1977 e os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário, consolidandose no Enunciado n. 8 de Súmula Vinculante STF. Posteriormente, a matéria viria a ser objeto da Lei Complementar n. 128, de 19 de dezembro de 2008, que, em seu art. 13, I, alínea "a", estabelece que, a partir de 22/12/2008, ficam revogados os arts. 45 e 46 da Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991. Nessa perspectiva, as regras de decadência de créditos de natureza tributária (incluídos as contribuições previdenciárias), passam a ser aquelas estabelecidas no CTN. Na espécie, considerandose que o período de apuração da autuação em litígio abrange as competências 01/1995 a 08/2005, é forçoso admitirse, de plano, o advento da decadência em face do lançamento consignado na NFLD DEBCAD n. 35.774.7763, observandose a regra geral do art. 173, I, do CTN, nas competências 01/1995 a 11/1999, inclusive, vez que a exação foi constituída apenas em 29/12/2005. Não há registro nos autos de recolhimentos a caracterizar pagamento antecipado, tendo em vista que os créditos considerados que repercutiram no valor apurado das contribuições, conforme consignado no Discriminativo Analítico de Débitos (DAD) da NFLD DEBCAD n. 35.774.7763, referemse a valores apurados em fiscalizações anteriores e não a recolhimentos/pagamentos antecipados, conforme bem esclarece a informação fiscal de efls. 651/667, que atendeu à solicitação do Serviço de Contencioso Administrativo (efl. 643). Nessa perspectiva, não há que se falar da incidência da regra especial de decadência insculpida no art. 150, § 4°., do CTN c/c Enunciado n. 99 de Súmula CARF. Desta forma, é forçoso admitirse, vez que tratase de matéria de ordem pública, o advento da decadência em face das competências 01/1995 a 11/1999, inclusive. Outrossim, não há que se falar de bitributação, nem de pagamentos de contribuições, uma vez presente os esclarecimentos da autoridade lançadora quanto aos débitos apurados por estabelecimento da Recorrente e competência, constituídos em fiscalizações anteriores e devidamente abatidos da NFLD DEBCAD n. 35.774.7763, conforme consignado no Discriminativo Analítico de Débitos (DAD) e na informação fiscal de efls. 651/667, que atendeu à solicitação do Serviço de Contencioso Administrativo (efl. 643). No que diz respeito à incidência de juros de mora corrigidos pela taxa SELIC, tratase de matéria consolidada nos Enunciados n. 4, 5 e 108 de Súmula CARF, dispensandose outras considerações: Enunciado n. 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Enunciado n. 5: Fl. 842DF CARF MF Processo nº 17546.000357/200716 Acórdão n.º 2402007.069 S2C4T2 Fl. 843 10 São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Enunciado n. 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Quanto à alegação de excessividade e abusividade da multa moratória é de se observar que tratase de previsão legal e falece competência ao CARF para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, a teor do Enunciado n. 2 de Súmula CARF, verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 759/792), RECONHECER A DECADÊNCIA EM FACE DAS COMPETÊNCIAS ATÉ 11/1999, INCLUSIVE, REJEITAR AS DEMAIS PRELIMINARES, e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 843DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.002713/2005-90
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tomou-se requisito indispensável para a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural,
PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO ADA,
Sendo a apresentação do ADA condição fundamental para fruição do direito
à exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, sua protocolização deveria se dar antes da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. A administração tributária postergou sua apresentação para seis meses a contar da data da apresentação da DITR.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-000.436
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (Relator) que dava provimento ao recurso. Designado o conselheiro Caio Marcos Candido para redigir o voto vencedor.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201003
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tomou-se requisito indispensável para a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO ADA, Sendo a apresentação do ADA condição fundamental para fruição do direito à exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, sua protocolização deveria se dar antes da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. A administração tributária postergou sua apresentação para seis meses a contar da data da apresentação da DITR. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10735.002713/2005-90
conteudo_id_s : 5990344
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 23 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2101-000.436
nome_arquivo_s : Decisao_10735002713200590.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 10735002713200590_5990344.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (Relator) que dava provimento ao recurso. Designado o conselheiro Caio Marcos Candido para redigir o voto vencedor.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 11 00:00:00 UTC 2010
id : 7698137
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663379464192
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T18:51:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T18:51:34Z; Last-Modified: 2010-11-18T18:51:35Z; dcterms:modified: 2010-11-18T18:51:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:9227bbf8-bc0e-47d9-96a1-3be47eb694eb; Last-Save-Date: 2010-11-18T18:51:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T18:51:35Z; meta:save-date: 2010-11-18T18:51:35Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T18:51:35Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T18:51:34Z; created: 2010-11-18T18:51:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2010-11-18T18:51:34Z; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T18:51:34Z | Conteúdo => S2-C1T1 Fl 164 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10735,002713/2005-90 Recurso n" 342.581 Voluntário Acórdão na 2101-00.436 — 1" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2010 Matéria 1TR - Área de preservação permanente Recorrente PADOMAR AGRÍCOLA E PECUÁRIA LTDA, Recorrida Ia TURMA/DRI-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tomou-se requisito indispensável para a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO ADA, Sendo a apresentação do ADA condição fundamental para fruição do direito à exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do 1TR, sua protocolização deveria se dar antes da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. A administração tributária postergou sua apresentação para seis meses a contar da data da apresentação da DITR. Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (Relator) que dava provimento ao recurso. Designado o consell-ieira / n -Caio Marcos Candido para redigir o voto vencedor. . . r V, . ., ..• ,i 1 . '------CIaio Marcos Canãii1O---. -Presidente e Reda r Designado, LéaW r. / Alex Processo ri° 10735.002713/2005-90 S2-C111 Acórdão r1.° 2101-00.436 F I. 165 EDITADO EM: 24 SET 2010 Participaram do julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Robinson Passos de Castro e Silva e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 144/158) interposto em 20 de maio de 2008, contra o acórdão de fls. 128/138, do qual a Recorrente teve ciência em 18 de abril de 2008, sexta-feira (ff 142), proferido pela 1" Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 58/60, lavrado em 28 de setembro de 2005, em virtude da falta de recolhimento do imposto sobre a propriedade territorial rural, verificada no exercício de 2001, decorrente da não comprovação da área de preservação permanente. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO DA ÁREA TRIBUTÁVEL DO IMÓVEL RURAL CONDIÇÃO. A exclusão de área como de preservação permanente da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do IIR, está condicionada ao reconhecimento dela pelo IBAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), ou à comprovação de protocolo de requerimento desse ato àqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE, INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR, Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da inconstitucionalidade das leis, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar-lhe execução. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquele objeto da decisão PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO 2 Processo n õ 10735.002713/2005-90 S2-CIT1 Acórdão n..° 2101-00.436 Fl 166 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia e diligência, Lançamento Procedente" (fls. 128/129), Não se conformando, a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 144/158, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para exonerar o crédito tributário. É o relatório., Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A Recorrente aduz, basicamente, em seu recurso voluntário, que a exigência do ADA não possui suporte legal. Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: "Art. 29, O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município." À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal ri,° 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art, 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1°, corno hipótese de incidência do tributo, a "propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município" Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem corno fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verifica-se que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR.. Isso porque, como se i\sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 50 da CF, possti limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5 0, XIII, da CF). 3 Processo n° 10735 002713/2005-90 S2-C1 I I Acórdão n. 2101-00,436 Fl 167 Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar', contudo, "o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vincula ção social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocá-la, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade." (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al). Curso de direito constitucional, 4' ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verifica-se que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não- incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.° 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: "Art. 10. A apuração e o pagamento do FIR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do UR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel menos as áreas: de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7,803, de 18 de julho de 1989" (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada "área de preservação permanente" (APP), dispõe o Código Florestal, Lei ri.° 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: "Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros d 'argui a; 4 Processo n° 107.35.002713/2005-90 Acórdão n '2101-00.436 S2-C1T1 Fl. 168 2 - de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 - de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 - de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 - de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; 1) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1,800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único, No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observar-se- á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3° Consideram-se, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; 57— c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bem-estar público, § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for 5 Processo n" 10735 002713/2005-90 S2-C1II Acórdão n 2101-00.436 Fl 169 necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social, § 2° As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei." Verifica-se, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as "florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica" (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário, 5' ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1" do art. 3°, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2,166-67/2001, assim dispõe: "Art. 16, As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: 1 - oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II - trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7 2 deste artigo; III - vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do Pais; e IV - vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1 2 O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 22 A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3 2 deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas, § 32 Pata cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas 6 Processo n° 10735.002713/2005-90 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00436 Fl. 170 § 4° A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: - o plano de bacia hidrográfica; 11 - o plano diretor municipal; III - o zoneamento ecológico-econômico; IV - outras categorias de zoneamento ambiental; e V - a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida, § 5' O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico - ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: - reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os eeótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e - ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional, § 62 Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I - oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II - cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III - vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2° do art. § 7° O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 62, § 8' A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código, § 9° A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10, Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da 7 Processo n°10735 002713/2005-90 S2-C1 TI Acórdão n 2101-00.436 Fl 171 reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. Art. 44, O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5- e 6°, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I - recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II - conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III - compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossisterna e esteja localizada na mesma rnicrobacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1° Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar, § 2° A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAIVIA. § 3' A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4(-1 Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma micro-bacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III § 5 A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode serr, implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou\ reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art.. 44-B. . )" O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das Processo n° 10735.002713/2005-90 52-C1T1 Acórdão n." 2101-00A36 Fl 172 florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação especifica (MILARÉ, Edis, op. cit. p, 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que "ao permitir tal supressão [de .florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra ,fornza de vegetação nativa", delimitando, assim, "a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal" (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, "uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade", estando, assim, "unzbilicahnente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem" (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça, In: Revista de Direito Ambiental n.° 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p, 120). À luz do exposto, verifica-se que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tão-somente, da ocon-ência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem corno pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. À guisa do exposto, portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4° do art, 16 da Lei n." 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8° do art. 16 da Lei (, n." 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n." 6.514/2008, encontra-se atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n." 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominar-lhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à 9 Processo n° 10735.0027 t 3/2005-90 S2-C111 Acórdão n 2101-00.436 F1 173 competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental, Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17-0, da Lei Federal n,' 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17-0. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lbama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria," (AC) 1' A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do 1TR é opcional. Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao 1TR, a 2' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.° 106/2009: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.." Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n," 10,165/2000 alterou-se a redação do §1° do art, 17-0 da Lei n.o 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17-O. (-) § 1 A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do 1TR é obrigatória," Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejando-se o texto aprovado quando da edição da Lei n." 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei riL° 10,165/00, verifica-se que, para o fim específico da legislação tributária, passou-se a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fiuição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9,393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como sg. poderia entender de uma análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há corno afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do 1TR. 10 Processo n° 10735 002713/2005-90 S2-C1TI Acórdrio ri 2101-00.436 El 174 Importante gizar, outrossim, ainda no que concerne à obrigatoriedade de apresentação do ADA, que não há que se falar em revogação do referido dispositivo pelo §70 do art. 10 da Lei n.° 9.393/96, instituído pela Medida Provisória n,° 2.166-67/01, tendo em vista que a inversão do ônus da prova prevista no referido dispositivo refere-se justamente às declarações feitas pelo contribuinte no próprio Ato Declaratório Ambiental (ADA), de modo que não estabelece referido dispositivo legal qualquer desnecessidade de apresentação deste último. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17-0 da Lei n.° 6.938/81, Analisando-se, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, pode-se inferir que a mudança de paradigma deveu- se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do 1TR foi permitir urna efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizando-se, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, pode-se afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária" (PONTES, Helenilson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites, In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez-2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigir-se-ia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passou-se, com o advento da Lei Federal n.° 10,165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratando-se, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferir-lhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais, I Processo n° 10735,002713/2005-90 S2 -C111 Acórdão n 2101 -00,436 F I 175 Partindo-se desta premissa basilar, verifica-se que o art. 17-0 da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR, A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §30, I, do Decreto n.° 4382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, posterior ao exercício que ora se trata. Quer-se com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse, de maneira inolvidável, a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia, sequer no âmbito do poder regulamentar, disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na folina como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repise-se, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17-0 da Lei n.° 6398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressalte-se, não é o caso. Nesse esteio, recorrendo-se à analogia para o preenchimento de referida lacuna, deve-se recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9393/96, aplicadas ao presente caso tendo-se sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17-0 da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verifica-se que cumpre o escopo da Processo n° 10735 002713/2005-90 S2-C1 TI Acórdão n 2101-00.436 Fl. 176 norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verifica-se que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo .juridico "tibi eadem ratia, ibi eaedem legis dispasitio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização especifica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato, Assim, aplica-se ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.189-49/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa," De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Poder-se-ia sustentar, inclusive, que o ADA poderia ser substituído por outros documentos que comprovassem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio "Manual de Perguntas e Respostas" do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornou-se anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: "Em virtude da impossibilidade de proceder-se à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores — por não haver retroatividade —, recomenda-se que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em viga') mesmo porque a apresentação, a partir do ADA — Exercício 2007 tomou-stÀ ANUAL. É necessário, também, munir-se de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao lbama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural — pela não apresentação do ADA no Exercício devido —, à ela deverão ser apresentados," 13 Processo n° 10735 002713/2005-90 S2-C111 Acórdão n 2101-00A36 P1 177 Mais adiante, em resposta à pergunta n, 40 ("Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?"), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: "a Ato Declaratório Ambiental — ADA e o comprovante da entrega do mesmo; e Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 1; 4) Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica — ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); • Laudo de vistoria técnica do Ibarna relativo à área de interesse ambiental; • Certidão do lbama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; • Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; e Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (FRAU) ou 'Termo de Ajustamento de Conduta (TÁC); e Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual — Ato do Poder Público — para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico, • Certidão de registro ou cópia da matricula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; G Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN)." Pode-se concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode ventre contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. Diante de todo o exposto, verifica-se que, no presente caso, a Recorrente, conforme se infere da análise dos presentes autos, apresentou o ADA em 18/02/2004 (fl. 53), sendo que a fiscalização teve início em 16/05/2005 (ft 04), ou seja, em data anterior à do início da fiscalização, logo, em total consonância com o posicionamento aqui adotado, 14 [ishioka f ALL, Alexandre Naoki v,4 Processo ri' 10735002713/2005-90 S2-C11-1 Acórdão n ° 2101-00.436 19 178 Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões-DF, em 11 de março de 2P10 Voto Vencedor Conselheiro Caio Marcos Candido, Redator Designado, A despeito do substancioso voto de lavra do Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, a maioria dos componentes da Turma entendeu de forma diversa, quanto à necessidade de apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental, com vistas a excluir a Área de Preservação Permanente da base de cálculo do UR. Tendo sido designado para redigir o voto que espelha a maioria das opiniões, assim o faço, Inicialmente reproduzo a parcela do voto vencido, naquilo que importa para o presente voto: De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigir-se-ia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passou-se, com o advento da Lei Federal n. 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA.. Tratando-se, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicado,- do direito, neste conceito compreendido o ,julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferir-lhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindo-se desta premissa basilar, verifica-se que o art 17-0 da Lei n " 6,938/81, em que pese o .fato de imprimir; de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua 15 Processo n° 10735 002713/2005-90 S2-C1 T 1 Acórdão n ° 2101-00,436 FI 179 protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do 1TR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim especifico da redução da base de cálculo do 1TR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3', 1, do Decreto n.' 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, posterior ao exercício que ora se trata. Quer-se com isso dizer; portanto, que, muito embora a legislação tratasse, de maneira inolvidável, a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim especifico da redução da base de cálculo do 1TR, não havia, sequer no âmbito do poder regulamentar; disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA, Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na _forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repise-se, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da D1TR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n° 4,382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. EM virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17-0 da Lei 11, " 6.398/81, A discussão que se trava nestes autos cinge-se em saber se a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, para fins de exclusão das mesmas da base de incidência do 1TR, depende, ou não, do cumprimento da exigência da protocolização tempestiva do ADA, a ser emitido pelo IBAMA ou órgão conveniado. Vejamos a legislação de regência da matéria. A legislação aplicável estabelece que não serão consideradas pata a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso 11 do § 1° do art. 10 da lei n° 9393/1996: Art.. 10. A apuração e o pagamento do 1TR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos 16 Processo n° 10735,002713/2005-90 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00,436 Fl. 180 pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1" Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 11 - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas:- a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 11" 4,771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n" 7803, de 18 de julho de 1989; Conforme visto, as áreas de preservação permanente são aquelas descritas nos § 20 e § 30 do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições,- ) § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área, § 3" Aplica-se às áreas de cerrado a reserva legal de 20% (vinte por cento) para todos os efeitos legais. A exigência da apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente, inicialmente tinha como supedâneo a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 67, de 1997. É pacífica a jurisprudência administrativa no sentido da inexigibilidade da apresentação do ADA com base no dispositivo infra-legal citado. No entanto, o art. 1° da Lei n° 10.165, de 2000 estabeleceu aquela condição ao incluir o art. 17-0 na Lei n° 6.938, de .31 de agosto de 1981, para os exercícios a partir de 2001, verbis: Art. 17-0 Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao lbama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei n 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (VR) ) § 1' A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. 7 Processo n° 10735002713/2005-90 S2-C1T1 Acórdão n 2101-00436 ri 181 Afirma o conselheiro relator do voto vencido que esta norma não indicou prazo para a apresentação do ADA e que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído por instrução normativa, o que feriria o ordenamento jurídico pátrio. Sendo assim, até a data do início da fiscalização a apresentação do ADA seria tempestiva. Este o ponto de discordância. Ao estabelecer que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória, a lei estabeleceu uma condição a ser adimplida pelo contribuinte com vistas a possibilitar a exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do 1TR. A partir do exercício de 1997, com a edição da Lei n° 9.393, de 1996, o 1TR passou a ser lançamento por homologação, Assim cabe ao contribuinte efetuar a apuração do valor devido e informá-lo à Secretaria da Receita Federal na DITR. Para fazer uso do direito da exclusão o contribuinte deveria cumprir as condições legais previamente à apuração do tributo devido, in casu, ser detentor do ADA, antes da ocorrência do fato gerador do imposto, A Secretaria da Receita Federal ao indicar o prazo de seis meses, em verdade, prorrogou o prazo estabelecido na lei, beneficiando o contribuinte. Sendo assim, para que o contribuinte fizesse jus à exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR deveria apresentar ADA protocolizado antes do faro gerador, sendo aceito, por prorrogação da autoridade tributária, aqueles protocolizados até seis meses a contar da data da entrega da DITR. No presente caso, a apresentação do ato se deu após o prazo estabelecido, pelo quê, nego provimento ao recurso. Marcos Candido. Is
score : 1.0
Numero do processo: 10580.903615/2009-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10580.903615/2009-14
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5974499
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1001-001.113
nome_arquivo_s : Decisao_10580903615200914.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10580903615200914_5974499.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7660911
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663395192832
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.903615/200914 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001001.113 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente CONSPLAN CONSTRUCAO PROJETO E PLANEJAMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ANOCALENDÁRIO 2002 COMPENSAÇÃO A DCTF constitui confissão de dívida e sua retificação é requerimento essencial para o reconhecimento do débito ou crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 15 029.863, da 2ª Turma da DRJ/SDR, que considerou improcedente a manifestação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 36 15 /2 00 9- 14 Fl. 215DF CARF MF 2 inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou o pedidos de compensação declarado através do PER/DCOMP n° nº 33450.39059.290806.1.3.040956 (fls. 02/06), transmitido em 29/04/2005, para a qual foi utilizado crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ – código de receita: 2362), do período de apuração 31/08/2002, no valor original, na data da transmissão, de R$1.907,05. Transcrevo, a seguir o relatório: Por meio do despacho decisório de fl. 07 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP acima mencionado, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a Contribuinte alega ter constado no PER/DCOMP que o crédito que deu origem ao pedido de compensação seria previamente de pagamento indevido ou a maior, quando referido crédito teria sido originário de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, conforme constatase na DIPJ 2003/2002 (Ficha 12 A, pág. 12), havendo, portanto, um erro no preenchimento, existindo de fato o crédito em seu favor. Informa que anexou: 1) cópia da última Alteração Contratual da Consplan Construção, Projeto e Planejamento Ltda; 2) cópia do RG/CPF do Representante Legal; 3) cópia do Despacho Decisório nº 824961044; 4) cópia do PER/DCOMP nº 33450.39059.290806.1.3.040956, recibo e página de 01 a 05; 3) cópia da ficha 12 A da DIPJ e recibo de envio. Os citados documentos encontramse às fls. 13 a 26. Cientificada em 18/09/2012 (fl 35), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 18/10/2012 (fl 37) Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente afirma que: · À época, as compensações entre débitos e créditos da mesma espécie tributária eram realizadas diretamente em DCTF pelo contribuinte, conforme art. 66 da Lei 8.383/91. Ou seja, ao declarar um débito como devido o contribuinte indicava como forma de pagamento uma compensação (de saldo negativo, por exemplo), cabendo à Fazenda Nacional fiscalizálo para verificar a existência e suficiência do crédito, e, quando for o caso, desconstituir a compensação via lançamento de ofício. · Ocorre que a compensação foi efetuada nos livros contábeis e evidenciada no LALUR, entretanto, não foi informada na DCTF, Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10580.903615/200914 Acórdão n.º 1001001.113 S1C0T1 Fl. 3 3 constando nesta como valor devido apenas o que foi recolhido. Sendo este recolhimento, como já sobejamente demonstrado, indevido. · A compensação do débito de IRPJ referente ao mês de agosto de 2002, com o saldo negativo gerado durante o ano base de 2001, foi tacitamente homologada pela Receita Federal, por conseguinte não tem mais discussão em relação a este fato. · A Turma Julgadora apresentou no seu decisório demonstrativo da composição do saldo de IRPJ referente ao ano base de 2002, entretanto, neste demonstrativo não foi considerado o saldo credor originário de exercícios anteriores. A comprovação desta disponibilidade de crédito, oriundo de saldo negativo de exercícios anteriores, consta dos registros da Secretaria da Receita Federal, ou seja, está assentada nas Declarações de Imposto de Renda da Contribuinte. · A manifestação de inconformidade não foi acolhida sob o fundamento de que não existia direito creditório. Valendo, mais uma vez, afirmar que o crédito não foi reconhecido pela Turma Julgadora em razão da mesma não ter considerado, no demonstrativo, o saldo negativo advindo de exercícios anteriores. · Conforme já demonstrado nesta petição, a existência do credito é inquestionável, o que ocorreu foi errd de preenchimento de DCTF erro material , que pode ser sanado em qualquer grau de jurisdição administrativa ou judicial, desde que se tenha documentação suficiente para que fique esclarecido o erro. · Deve ser privilegiada, sempre que possível, a busca pela verdade material relativa à situação fiscal do contribuinte, uma vez que eventual preenchimento incorreto da PER/DCOMP ou da DCTF não retira, por si só, o direito de crédito do contribuinte. · Uma vez esclarecido que a Recorrente cometeu erro no preenchimento da DCTF, em relação ao valor devido da IRPJ, bem como a forma de liquidação e considerando que a DIPJ, os DARF'S, o LALUR e os Livros Contábeis demonstram a saciedade a existência de crédito suficiente para liquidação do débito constante do PER/DCOMP, é de se acolher os presentes argumentos, suportados por documentação robusta, regular e idônea, para reformar o decidido pela Turma Julgadora e cancelar a cobrança de IRPJ, ora em discussão. Conclui, pedindo: · Por todo o exposto espera a Recorrente que este Egrégio Conselho de Contribuintes acolha o presente Recurso, julgando improcedente a cobrança do débito, ou, determine o retorno dos autos à Turma Julgadora, para que nova análise seja procedida e novo julgamento proferido. Anexa cópia de diversos documentos, tais como LALUR, recibos de entrega de declarações, termos de abertura e de encerramento de Livros etc. Fl. 217DF CARF MF 4 A DRJ, por sua vez, assim decidiu em relação à manifestação de inconformidade: A questão constante dos autos, por se tratar de suposto indébito tributário referente à estimativa mensal de IRPJ, requer o exame dos artigos 220 a 232, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99, transcritos a seguir: ... Conforme legislação acima, o contribuinte que optar pelo lucro real, apuração anual, deverá pagar mensalmente imposto devido por estimativa com base na receita bruta, com a aplicação de um percentual determinado. Poderá também suspender o pagamento desde que proceda aos balancetes mensais, demonstrando que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No final do ano, o imposto apurado deve ser deduzido dos pagamentos recolhidos sob esta sistemática. Assim, os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurarem pagamento indevido ou a maior, ao final do anocalendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, este sim passível de restituição ou compensação. No presente caso, a própria Contribuinte reconhece ser devido o pagamento da estimativa mensal de IRPJ, do período de apuração 31/08/2002, efetuado por meio do DARF discriminado no PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório em litígio, quando alega ter havido erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o crédito que pretendia utilizar seria originário de saldo negativo de IRPJ, que de fato existiria. Nesse sentido, cumpre, primeiramente, esclarecer que, à luz da legislação fiscal, mais especificamente, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, transcrito a seguir, a Declaração de Compensação somente poderá ser retificada ou cancelada, pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que admitidos, caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP. Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação Ademais, após a análise dos dados extraídos por meio de pesquisas feitas aos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), verificase que o resultado do ajuste anual do anocalendário de 2002 não seria saldo negativo de IRPJ, no valor de R$16.594,59, conforme informado na Ficha 12 A da DIPJ relativa ao exercício 2003, anocalendário 2002 (cópia à fl. 20), mas sim, saldo de IRPJ a pagar, no montante de R$8.543,58 (oito mil, quinhentos e quarenta e três reais e cinqüenta e oito centavos), senão vejamos: A Ficha 12 A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, da DIPJ/2003, apresenta a seguinte composição: (quadro à fl 32). Os valores declarados em DCTF, sob o código 2362 (totalmente vinculados a pagamentos), e os pagamentos efetivamente confirmados no sistema Sinal 05, sob o código 2362, são os demonstrados a seguir: (quadro à fl 32) Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10580.903615/200914 Acórdão n.º 1001001.113 S1C0T1 Fl. 4 5 O Imposto de Renda Retido na Fonte, durante o anocalendário de 2002, informado nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), entregues pelas fontes pagadoras, conforme informações constantes do Portal Dirf, da RFB, totaliza R$19.108,35. Desta forma, o ajuste anual do anocalendário de 2002, tem a seguinte configuração: (quadro à fl 33) Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de Inconformidade, confirmando o Despacho Decisório nº de rastreamento 824961044, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, que não reconheceu o direito creditório, no valor original, na data da transmissão do PER/DCOMP, de R$1.907,05 (um mil, novecentos e sete reais e cinco centavos), referente ao pagamento efetuado por meio de Darf, ali discriminado, a título de estimativa mensal de IRPJ, do período de apuração 31/08//2002, e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP em análise, de nº 33450.39059.290806.1.3.040956. A recorrente, no caso, admite um erro no preenchimento da DCTF que é reconhecidamente, uma confissão de dívida. Portanto, somente com a sua retificação é que é possível à Receita Federal reconhecer o novo débito, se e quando for o caso. A alteração das informações prestadas na DCTF, nas hipóteses em que admitida, é efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, conforme dispõe o artigo 9°, parágrafo 1°, da IN 255/2002 (vigente à época da ocorrência do fato gerador): Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Tal fato foi corroborado através do item 3 do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. Fl. 219DF CARF MF 6 Portanto, entendo como correta a decisão da DRJ, e peço a devida vênia para a ela aderir, com base no artigo 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF. Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.730026/2016-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2016
DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. MULTA ISOLADA. INCABÍVEL.
Tendo em vista que foi reconhecido o direito creditório (em outro processo e por decisão deste Colegiado, por outra Turma), e, consequentemente, a homologação da compensação pleiteada naquele processo, inexistem razões para a aplicação da multa objeto deste processo, que só se aplica em casos de compensação não homologada.
Numero da decisão: 1401-003.180
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2016 DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. MULTA ISOLADA. INCABÍVEL. Tendo em vista que foi reconhecido o direito creditório (em outro processo e por decisão deste Colegiado, por outra Turma), e, consequentemente, a homologação da compensação pleiteada naquele processo, inexistem razões para a aplicação da multa objeto deste processo, que só se aplica em casos de compensação não homologada.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.730026/2016-25
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970571
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1401-003.180
nome_arquivo_s : Decisao_11080730026201625.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
nome_arquivo_pdf_s : 11080730026201625_5970571.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
id : 7649578
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663417212928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1343; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.112 1 1.111 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.730026/201625 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401003.180 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de fevereiro de 2019 Matéria MULTA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Recorrente RAÍZEN COMBUSTÍVEIS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2016 DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. MULTA ISOLADA. INCABÍVEL. Tendo em vista que foi reconhecido o direito creditório (em outro processo e por decisão deste Colegiado, por outra Turma), e, consequentemente, a homologação da compensação pleiteada naquele processo, inexistem razões para a aplicação da multa objeto deste processo, que só se aplica em casos de compensação não homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 00 26 /2 01 6- 25 Fl. 206DF CARF MF 2 Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Letícia Domingues Costa Braga e Bárbara Santos Guedes (suplente convocada). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/BHE que, por meio do Acórdão de nº 0273.638 da 3ª Turma, em 21 de junho de 2017, julgou improcedente a Impugnação apresentada pela Contribuinte. A seguir se reproduz excertos da decisão de piso: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2016 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. MULTA POR COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Relatório A notificação de lançamento a fls. 02 impõe multa por compensação não homologada, no valor total de R$ 24.617.531,86. Consta da notificação que, de acordo com o despacho decisório constante do processo nº 16682.902259/201417, houve não homologação de compensação, o que enseja a aplicação da multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, prevista no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430, de 1996, com alterações posteriores. O detalhamento da apuração da base de cálculo da infração consta do anexo a fls. 03. Em 07/12/2016, o sujeito passivo tomou ciência do lançamento, por meio de sua caixa postal, considerada seu domicílio tributário eletrônico perante a RFB, conforme termo a fls. 07. Em 04/01/2017, conforme termo de solicitação de juntada a fls. 08, foi apresentada a impugnação a fls. 09/31, cujo teor pode ser assim resumido: "II – Síntese dos fatos · Apresentase um resumo dos fatos. [...] Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11080.730026/201625 Acórdão n.º 1401003.180 S1C4T1 Fl. 1.113 3 · Na remota possibilidade de não ser acolhida a impugnação, o crédito tributário constituído deverá permanecer com exigibilidade suspensa enquanto não seja prolatada decisão definitiva em face da manifestação de inconformidade apresentada nos autos do processo administrativo nº 16682.902259/201417, pois o seu provimento ensejará a imediata homologação dos pedidos de compensação correlatos e o esvaziamento da presente autuação. Esse comando, inclusive, encontrase expresso na legislação federal, a teor do parágrafo 18 do próprio artigo 74 da Lei nº 9.430/96. [...] Voto [...] Cabe ressaltar que já foi objeto de julgamento em primeira instância a manifestação de inconformidade constante do processo nº 16682.902259/201417, a qual, digase a propósito, foi julgada improcedente, conforme acórdão nº 0960.975, da 1ª Turma da DRJ/JFA (sessão de 07/11/2016). Assim sendo, nada impede que esta DRJ prossiga no julgamento do presente processo. Dito isso, impõese reconhecer que a multa contestada foi aplicada nos estritos termos do disposto no art. 74, § 17, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015, que prevê multa isolada de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. Confira se o teor do citado dispositivo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração Fl. 208DF CARF MF 4 apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) [...] DO RECURSO VOLUNTÁRIO Discorre longamente sobre a natureza da multa aplicada, que se trata de sanção política, inconstitucional, etc, e: [...] IV – DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ENQUANTO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADA O PROCESSO ADMINISTRATIVO Nº 16682.902259/201417– PARÁGRAFO 18, DA LEI Nº 9.430/96 Como ressaltado no próprio auto de infração acostado ao presente processo administrativo, a não homologação dos “PER/DCOMP’s” que deram ensejo à aplicação da multa isolada em questão estava sendo devidamente contestada pela RECORRENTE por meio de Manifestação de Inconformidade protocolizada nos autos do processo administrativo nº 16682.902259/201417. Muito embora a decisão aqui recorrida tenha mencionado que este processo administrativo já foi objeto de julgamento em primeira instância, vale ressaltar que foi apresentado Recurso Voluntário o qual ainda não foi apreciado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, portanto delo conheço. Evidentemente que a Multa aplicada encontrase vinculada ao destino que se dê quanto ao litígio instaurado no processo de nº 16682.902259/201417, que trata do reconhecimento do direito creditório para fins de compensação de tributos naquele processo. Conforme relatoriado, a Recorrente não logrou êxito em ambos os processos, na 1ª instância administrativa. Em consulta ao sistema que permite acompanhar o andamento do processo, temos que aquele processo de compensação já foi objeto de decisão por parte do CARF. Eis alguns excertos do decidido: Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11080.730026/201625 Acórdão n.º 1401003.180 S1C4T1 Fl. 1.114 5 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator Designado. Com a devida vênia, ouso discordar do voto da ilustre Conselheira Bianca Felícia Rothschild. A controvérsia tratada nos autos diz respeito a pedido de saldo negativo de IRPJ composto por estimativas compensadas, mas não homologadas, em diversos processos. Segundo a Recorrente, as não homologações de compensação levaram a Fazenda Nacional a propor a Execuções Fiscais. A Recorrente, por sua vez, opôs os Embargos à em ambas as execuções e teria oferecido garantia aos débitos. [...] E mesmo na hipótese de extinção do processo administrativo e inscrição em dívida ativa dos débitos em questão (quer como estimativas, quer como imposto devido no ajuste anual), a presunção de certeza de liquidez e certeza se dá quanto ao crédito da Fazenda (débito do contribuinte), e não o contrário. Somente há que se falar em certeza e liquidez do crédito do contribuinte em caso de extinção de seu débito inicial utilizado posteriormente na formação desse indébito, ou, se ainda não perfectibilizada a extinção, haja ao menos certeza de que o débito será adimplido, conforme explanarei na sequência deste voto. De outra banda, indeferir o crédito pleiteado sem que o litígio administrativo tenha findado, também não me parece razoável. [...] Retornando ao cerne do debate, em que pesem as restrições de cobrança das estimativas trazidas pelos Pareceres PGFN/CAT nº 193/2013 e nº 88/2014, talvez justamente por se tratarem de decisões anteriores à edição de tais pareceres, o fato é que houve inscrição em dívida ativa das estimativas de IRPJ que compõem o saldo negativo em discussão neste processo. Venho me manifestando no sentido não ser razoável considerar como líquido e certo os créditos de estimativa somente pelo fato da possibilidade de virem a ser cobrados pela Fazenda. Infelizmente, sabese que, na prática, é muito baixa a efetividade das execuções fiscais no Brasil, o que aumentaria sobremaneira a possibilidade de se devolver um tributo a determinado contribuinte sem que, jamais, o crédito tributário tenha sido efetivamente extinto. Contudo, no presente caso, compulsando a cópia dos Embargos à Execução nº 002594672.2018.4.02.5101 (inicial às fls. 684804 – referente à estimativa de R$ 11.894.407,26 – 09/2009) e dos Embargos à Execução nº 0501168152.2011.4.02.5101 (inicial às fls. 816899 – referente à estimativa de R$ 32.594.785,45 – Fl. 210DF CARF MF 6 12/2009), constatei que os débitos estão garantidos por apólices de seguro acolhidas pelo Poder Judiciário (fls. 652672/673683 e fls. 625635/903905, respectivamente). Ressaltese que não há dúvidas de que a inscrição dos valores em questão é alvo das Execuções Fiscais a que se referem os embargos citados, bastando confrontar as CDA (fls. 645651 e fls. 805812), as iniciais das Execuções Fiscais (fls. 622624 e fls. 813815) e os extratos obtidos pela Recorrente junto ao ECAC (fls. 900902 e fls. 906908). Nesse cenário, do mesmo modo que já decidi no Acórdão 1402002.330, na condição de relator, entendo que o apelo da Recorrente deve ser provido. Isso porque, como o contribuinte, em seus Embargos, não contesta a existência dos débitos originais das estimativas em questão1, mas sim considera que havia crédito disponível para extinguilas via compensação, se pode concluir que as estimativas em questão ou serão consideradas homologadas (na hipótese de o contribuinte obter êxito em seus Embargos à Execução), ou será extinta por pagamento, ainda que mediante o seguro garantia que afiança ambas as execuções fiscais. Nessa hipótese, se ainda não foram extintas os débitos de estimativa em debate, há segurança suficiente de que serão. Logo, entendo que, a despeito do mérito discutido nessas execuções e respectivos embargos, as estimativas que compõem o saldo negativo ora em análise devem ser reconhecidas. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Consta nos autos, fls.933, a ciência do decidido, pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional Coordenação do Contencioso Administrativo Tributário: Processo nº 16682.902259/201417 Contribuinte: RAIZEN COMBUSTÍVEL S.A. A UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), por intermédio da Procuradora que esta subscreve, diante da intimação no processo em epígrafe, vem dizer que está ciente do r. acórdão nº 1301.003.210. Assim, tendo em vista que foi reconhecido o direito creditório e, consequentemente, a homologação da compensação pleiteada naquele processo, inexistem razões para a aplicação da multa objeto deste processo, que só se aplica em casos de compensação não homologada. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11080.730026/201625 Acórdão n.º 1401003.180 S1C4T1 Fl. 1.115 7 CONCLUSÃO É o voto, para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.904177/2009-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/2001. ADMISSÃO, POR IDENTIDADE DE EXIGÊNCIA CONTIDA NA LEI Nº 9.363/96. ANALOGIA, EM TESE. DECISÃO VINCULANTE STJ.
Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96, originalmente regulada pela IN/SRF nº 23/97) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins (pessoas físicas), ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Mesmo que, a rigor, não haja a mesma vinculação quando a apuração se dá no regime da Lei nº 10.276/2001, originalmente regulada pela IN/SRF nº 69/2001, considerando que nela há a mesma exigência da incidência das contribuições na aquisição do produtor rural pelo produtor-exportador, e que a interpretação vinculante do STJ de que as contribuições estão embutidas em etapas anteriores da cadeia produtiva, está consignada em tese, admite-se também o creditamento no regime alternativo.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
É legítima a incidência de correção monetária desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-006.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as exclusões/glosas/ajustes da base de cálculo do crédito presumido relativas à matéria-prima adquirida de pessoas físicas e não contribuintes do PIS e da COFINS. Por maioria de votos, em estabelecer a incidência da Taxa Selic a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra (Relator), que davam provimento em menor extensão. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/2001. ADMISSÃO, POR IDENTIDADE DE EXIGÊNCIA CONTIDA NA LEI Nº 9.363/96. ANALOGIA, EM TESE. DECISÃO VINCULANTE STJ. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543-C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96, originalmente regulada pela IN/SRF nº 23/97) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins (pessoas físicas), ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Mesmo que, a rigor, não haja a mesma vinculação quando a apuração se dá no regime da Lei nº 10.276/2001, originalmente regulada pela IN/SRF nº 69/2001, considerando que nela há a mesma exigência da incidência das contribuições na aquisição do produtor rural pelo produtor-exportador, e que a interpretação vinculante do STJ de que as contribuições estão embutidas em etapas anteriores da cadeia produtiva, está consignada em tese, admite-se também o creditamento no regime alternativo. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. É legítima a incidência de correção monetária desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10850.904177/2009-76
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5979812
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.254
nome_arquivo_s : Decisao_10850904177200976.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10850904177200976_5979812.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as exclusões/glosas/ajustes da base de cálculo do crédito presumido relativas à matéria-prima adquirida de pessoas físicas e não contribuintes do PIS e da COFINS. Por maioria de votos, em estabelecer a incidência da Taxa Selic a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra (Relator), que davam provimento em menor extensão. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada).
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7674229
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663429795840
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-03-22T16:28:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-03-22T16:28:38Z; Last-Modified: 2019-03-22T16:28:38Z; dcterms:modified: 2019-03-22T16:28:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:73a3c871-403f-4349-9f3e-19f161d29753; Last-Save-Date: 2019-03-22T16:28:38Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-03-22T16:28:38Z; meta:save-date: 2019-03-22T16:28:38Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-03-22T16:28:38Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-03-22T16:28:38Z; created: 2019-03-22T16:28:38Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; Creation-Date: 2019-03-22T16:28:38Z; pdf:charsPerPage: 2277; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-03-22T16:28:38Z | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 904 1 903 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.904177/200976 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.254 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria Ressarcimento IPI Recorrente BRUMAU COMÉRCIO DE ÓLEOS VEGETAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/2001. ADMISSÃO, POR IDENTIDADE DE EXIGÊNCIA CONTIDA NA LEI Nº 9.363/96. ANALOGIA, EM TESE. DECISÃO VINCULANTE STJ. Havendo decisão definitiva do STJ (REsp nº 993.164/MG), proferida na sistemática do art 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no sentido da inclusão na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI na exportação (Lei nº 9.363/96, originalmente regulada pela IN/SRF nº 23/97) das aquisições de não contribuintes PIS/Cofins (pessoas físicas), ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental (art. 62, § 2º, do RICARF). Mesmo que, a rigor, não haja a mesma vinculação quando a apuração se dá no regime da Lei nº 10.276/2001, originalmente regulada pela IN/SRF nº 69/2001, considerando que nela há a mesma exigência da incidência das contribuições na aquisição do produtor rural pelo produtorexportador, e que a interpretação vinculante do STJ de que as contribuições estão embutidas em etapas anteriores da cadeia produtiva, está consignada em tese, admitese também o creditamento no regime alternativo. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. É legítima a incidência de correção monetária desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 41 77 /2 00 9- 76 Fl. 904DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as exclusões/glosas/ajustes da base de cálculo do crédito presumido relativas à matériaprima adquirida de pessoas físicas e não contribuintes do PIS e da COFINS. Por maioria de votos, em estabelecer a incidência da Taxa Selic a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Larissa Nunes Girard (suplente convocada) e Waldir Navarro Bezerra (Relator), que davam provimento em menor extensão. Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Thais De Laurentiis Galkowicz e Cynthia Elena de Campos. Ausente o Conselheiro Pedro Sousa Bispo, sendo substituído pela Conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, conforme ementa abaixo (fls. 797/798): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. APURAÇÃO. EXCLUSÃO INDEVIDA DO ICMS DO VALOR DA RECEITA OPERACIONAL BRUTA. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO. Tornase incontroversa a matéria não expressamente contestada na manifestação de inconformidade. Fl. 905DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 905 3 NÃO HOMOLOGAÇÃO. ATO ADMINISTRATIVO INCONDICIONADO AO NÃO RECONHECIMENTO DEFINITIVO DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. Não reconhecido, total ou parcialmente, o direito de crédito do sujeito passivo, a autoridade fiscal deve não homologar imediatamente a compensação. Impugnada a não homologação, os créditos tributários ficam com a exigibilidade suspensa até a decisão administrativa definitiva. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. JUROS SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. Não existe previsão legal para incidência de juros Selic sobre ressarcimento de crédito presumido de IPI, especialmente quando o montante em litígio seja objeto de compensação, realizada na data da apresentação do pedido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 30/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. CUSTO DE AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS. MÉTODO ALTERNATIVO DA LEI N. 10.276, DE 2001. INCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. A apuração do crédito presumido pelo método alternativo não admite, por expressa disposição legal, a inclusão de custos relativos a aquisições de não contribuintes das contribuições PIS/Pasep e Cofins e não está abrangida pelo entendimento definitivo do Superior Tribunal de Justiça relativo ao método originalmente criado pela Lei n. 9.363, de 1996, que não trazia expressamente tal restrição. GLOSA DE VALOR AJUSTADO NA DCP. APURAÇÃO EM DILIGÊNCIA. SUPERAÇÃO DA QUESTÃO. Havendo, em diligência fiscal, a Fiscalização refeito a apuração do crédito presumido, cancelando as glosas indevidamente efetuadas, resta superada a questão, quando, na contestação da informação fiscal, o contribuinte não demonstre de forma específica eventual erro na apuração. APURAÇÃO DO QUARTO TRIMESTRE. AJUSTE DE ESTOQUE. Fl. 906DF CARF MF 4 No último trimestre em que houver exportação no de cada ano, conforme o caso, deve ser excluído da base de cálculo do crédito presumido o valor dos insumos utilizados em produtos não acabados e acabados mas não vendidos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Por bem retratar os fatos que gravitam em torno da presente demanda, valho me de partes do Relatório desenvolvido pela DRJ em Ribeirão Preto (SP) e retratado no Acórdão nº 1459.906, de 06/04/2016 (fls. 797/805): "(...) Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 2 a 33) apresentada em 15 de outubro de 2010 contra despacho decisório (efl. 43) de 06 de setembro de 2010, cientificado em 15 de outubro de 2010, que não homologou declarações de compensação com créditos de IPI do 3º trimestre de 2005, apresentadas a partir de 06 de dezembro de 2005. De acordo com o despacho decisório, foi apurado o seguinte: "Analisadas as informações prestadas PER/DCOMP e período de apuração acima identificados, constatouse o seguinte: " Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 1.322.971,33 " Valor do crédito reconhecido: R$ 25.341,22 "O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): " Constatação de que o saldo credor passivel de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. " Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. "O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual: "HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP 36024.59389.300409.1.3.011354 "NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: "25189.15674.060509.1.3.013090 21972.55685.260509.1.3.010909 41889.12704.290909.1.3.017007 27438.39588.310809.1.3.012423 "Não há valor a ser restituído/ressarcido para o(s) pedido(s) de restituição/ressarcimento apresentado(s) no(s) PER/DCOMP: "12834.85075.061205.1.1,014404 05281.03324.300409.1.1.010858" Nos termos do relatório fiscal anexo, disponível na Internet1, a Interessada teria excluído indevidamente o ICMS do valor da receita operacional bruta, utilizada na apuração do incentivo; incluído produtos não utilizados como insumos na fabricação das mercadorias exportadas; incluído aquisições de pessoas físicas e de cooperativas; apresentado documentação fiscal inidônea para comprovar aquisições; e deixado de apresentar notas fiscais referentes a aquisições de insumos (nos dois últimos casos, os valores tiveram que ser glosados por falta de comprovação). Na manifestação de inconformidade, a Interessada, inicialmente, apresentou, em forma de histórico, a legislação do crédito presumido de IPI. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 906 5 Nas razões de reforma do despacho decisório, esclareceu o seguinte (1): "Observamos que o valor indicado no Despacho corresponde a duas vezes o valor de fato solicitado pela Recorrente e, considerando ainda que no "Demonstrativo do Crédito Reconhecido para Cada Perdcomp" que acompanha o Despacho Decisório o agente fiscal indicou dois pedidos de ressarcimento, sendo um do Perdcomp do crédito transmitido em 06.12.2005 de número 12834.85075.061205.1.1.014404 e outro de número 05281.03324.300409.1.1.010858, transmitido em 30.04.2009, ambos de mesmo valor. "[...] "Desta forma, não foram protocolados dois pedidos de ressarcimento, mas sim um pedido Original em 06.12.2005 e outro pedido de ressarcimento Residual em 30.04.2009, por força das normas de compensação via Perdcomp, transcritas na nota de rodapé, sendo que, nesta mesma data foi vinculada a primeira compensação de débitos com créditos vinculados a este processo. "Assim; voltamos a ressaltar, o valor do pedido de ressarcimento apresentado pela Recorrente foi de R$ 661.485,66 e desde já requer que seja considerado este valor. "[...]" A diligência foi aprovada nos seguintes termos: "Num exame preliminar da manifestação de inconformidade, concluise que a Interessada não impugnou a reinclusão do ICMS na receita operacional bruta e que as principais alegações da Interessada são relativas (1) aos erros na apresentação dos PERDCOMP, que resultaram na acumulação do crédito pleiteado, e (2) à afirmação de que os valores excluídos pela Fiscalização, relativamente ao estoque de produtos não empregados nas exportações efetuadas, teriam já sido excluídos pelo próprio cálculo do DCP. "[...] "Além disso, protestou pela reinclusão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas ainda que tenha adotado o método alternativo da Lei n. 10.276, de 2001 , contestou as exclusões de aquisições de pessoas jurídicas consideradas inidôneas e requereu a aplicação dos juros Selic, questões que serão objeto de análise no retorno do processo. "É necessária diligência antes de julgar a manifestação de inconformidade, em razão das duas alegações anteriormente mencionadas. "Quanto à primeira (1), é preciso verificar se os débitos compensados estão dentro do limite do crédito alegado (R$ 661.485,67) e se houve alguma incorreção relativamente à cumulação dos créditos dos 3º e 4º trimestres. "Quanto à segunda (2), a Fiscalização deverá verificar se no cálculo efetuado pela Interessada já não houve a exclusão dos insumos não empregados nos produtos exportados, esclarecendo como tal situação se relaciona com o fato de não ter a empresa apresentado os livros Registro de Controle da Produção e do Estoque." Após a realização das diligências, a Fiscalização lavrou o relatório de efls. 595 a 705, esclarecendo, relativamente à primeira questão, o seguinte: "Observamos que a primeira verificação determinada pela DRJ é pertinente à relação entre os débitos compensados e o limite do crédito alegado, a qual não foi objeto das averiguações efetuadas por esta Seção de Fiscalização (Safis). "Respeitante à segunda verificação, observamos que a correspondente alegação da Interessada, transcrita à efl. 66, menciona que a questão de cumulação de crédito Fl. 908DF CARF MF 6 (“o valor indicado no Despacho corresponde a duas vezes o valor de fato solicitado pela Recorrente”) envolve os PER (Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento) números 12834.85075.061205.1.1.014404 e 05281.03324.300409.1.1.010858. "Ocorre que somente o primeiro PER foi objeto das análises de crédito efetuadas pela fiscalização, conforme atesta o primeiro parágrafo do Relatório Fiscal, que colaciono a seguir: "[...] "Considerando que a última tabela consignada no Relatório Fiscal registra corretamente o valor do crédito presumido declarado nesse PER número 12834.85075.061205.1.1.014404 (R$ 661.485,67), concluise que os trabalhos efetuados pela Seção de Fiscalização não corroboraram para a inserção, no Despacho Decisório, do valor do crédito solicitado/utilizado ali consignado, ou seja, R$ 1.322.971,33 conforme primeira página do Despacho Decisório, à efl. 43, valor esse que, segundo o “DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO RECONHECIDO PARA CADA PERDCOMP”, exposto no final do despacho decisório, à efl. 44, contempla os dois PER indicados pela Interessada." "Ante o exposto, fazse mister o retorno do presente processo à Saort desta Delegacia para realizar as verificações mencionadas acima." Em relação ao segundo item, esclareceu o seguinte: "Para o deslinde desta questão, anexamos, às efls. 71 a 694, os documentos que produzimos e os recebidos da interessada no curso da fiscalização que originou o Relatório Fiscal juntado às efls. 45/52. "Analisamos o Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) referente ao 4º trimestre de 2003, às efls. 101/110, e constatamos que há registro de estoque final no mês de dezembro de 2003, no valor de R$ 504.993,83 (efl.104). "Por sua vez, o artigo 14 combinado com o art. 15 da Instrução Normativa SRF n. 420, de 2004, define, em relação às pessoas jurídicas indicadas no caput desse artigo, a utilização do método Peps, em que as saídas das unidades de bens seguem a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque, para a avaliação de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI), materiais de embalagem (ME) e combustíveis utilizados no processo industrial durante o mês, disciplinando também o critério de apuração da parcela do estoque, existente no início e no final de cada período de apuração, que gera direito ao crédito presumido: "[...] A Ficha de dados iniciais do referido DCP mostra que o contribuinte adotou o "Regime Alternativo da Lei n. 10.276/2001, sem custo integrado (efl. 101), estando, portanto, enquadrado na sistemática definida no art. 15 supracitado. "Outrossim, analisando as linhas 12 e 15 da Ficha 06B desse DCP, à efl. 104, notamos que os valores das compras totais no mês são idênticos aos das compras com direito ao crédito no mês. [...]""A seguir, continuou analisando pormenorizadamente a apuração do crédito, apresentando os procedimentos e valores. "Às efls. 759 a 761, a Fiscalização lavrou informação complementar, primeiramente apresentando tabela das declarações de compensações e dos valores compensados. A seguir, esclareceu o seguinte: "Logo, na tabela acima, fica evidente que os débitos compensados estão dentro do limite do crédito pleiteado pela interessada. Fl. 909DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 907 7 "Quanto à incorreção referente à cumulação dos créditos do 3º e 4º trimestres, segundo os Demonstrativos de Crédito Presumido (DCP) apresentados pela interessada (fls.71110), constatase o seguinte: "[...] "Conforme o DCP, no terceiro trimestre de 2003, o valor passível de ressarcimento seria R$ 279.811,87. No entanto, consta no sistema SIEFPER/ DCOMP apenas o pedido de ressarcimento (PER) do 3º trimestre de 2003 no montante de R$ 661.485,67, total acumulado apenas no final do quarto trimestre de 2003. Não foram constatados outros processos no sistema Comprot relativos a ressarcimento de IPI de trimestres do anocalendário 2003." A Interessada apresentou a resposta de efls. 766 a 772, esclarecendo o seguinte: "1. Em relação a notação “1 valor do pedido de ressarcimento e valor compensado: "O valor do crédito solicitado foi efetivamente de R$ 661.485,67 e foi solicitado no 3o Trimestre de 2005, via Perdcomp n° 12834.85075.061205.1.1.014404, logo, sendo que o valor integral estava constituído na data do pedido. "Assim, as informações constantes no documento denominado de "Informação Fiscal Complementar " estão corretas quanto ao valor compensado pela Interessada, mas continuam equivocadas quanto ao valor passível de ressarcimento na data do pedido, já que o pedido foi efetuado no 3°T/2005, transmitido em 06.12.2005, e não em 3°T/2003, como informou a agente fiscal , (efls 2 do referido documento) ; "Desta forma, deverá ser considerado o valor de R$ 661.485,67 referente ao crédito presumido de IPI calculado para os períodos do l°T/200 3 até o 4°T/2003 e solicitados no 3°T/2005. "2. Em relação a notação "2 valor de estoques exclusão de insumos não empregados em produtos exportados: "O agente fiscal alega em sua "Informação Fiscal " que a Interessada por utilizar método PEPS deveria ter excluído as compras efetuadas após a última exportação o que ocorreu em novembro/2003 e para suportar seu entendimento apresenta cálculos e transcreve o manual do DCP. "No entanto, cabe trazer a conhecimento que este mesmo manual em momento algum determina que deverão ser excluídas Notas Fiscais de aquisição de insumos do período supostamente não consumidas no processo produtivo ou exportadas independentemente do critério de apuração de estoques adotado. "[...]" Diante do exposto cabe analisar o efeito prático destas informações nas apurações. Quando é informado o estoque final o sistema de cálculo do DCP trata este valor como uma exclusão para que todos os valores não consumidos sejam retirados/excluídos na base de cálculo. Tanto é verdade que se excluiu em um período e se adiciona no outro como estoque inicial. Assim, se efetuarmos a informação do estoque final na Linha 19 como fez a Interessada e também efetuarmos a exclusão das NFs, como pretende o agente fiscal , teremos duplicidade de exclusão dos valores não consumidos no processo produtivo do período em debate. Fl. 910DF CARF MF 8 A alegação do agente fiscal somente seria válida se não houvesse a obrigação de informar o estoque final. [...]A seguir, apresentou "informações adicionais", em que defendeu a inclusão das aquisições de pessoas físicas na base de cálculo do incentivo A fundamentação adotada pela Turma foi a seguinte: Na diligência, restaram esclarecidas as questões suscitadas na primeira resolução, mas não restam solucionadas. Do relatório fiscal e da resposta da Interessada, restou constatado que a Interessada apurou o crédito presumido de todo o ano de 2003 e o escriturou no mês de setembro de 2005, tendo apresentado a declaração de compensação relativamente ao terceiro trimestre de 2005, uma vez que o período de escrituração extemporânea é desse trimestre. A rigor, não existe impedimento a que o contribuinte que tenha direito ao crédito presumido de IPI o apure extemporaneamente e, quando o faça, obedecendo ao disposto na lei, primeiramente o escriture, para aproveitamento com o abatimento de débitos. Restando saldo credor no trimestre de escrituração, poderá, então, apresentar o pedido de ressarcimento ou a declaração de compensação. Entretanto, a Fiscalização tratou o pedido como se fosse relativo ao terceiro trimestre de 2003. A não ser coincidência circunstancial de o crédito ter sido escriturado no terceiro trimestre de 2005, não há, portanto, razão para que se desse tal tratamento à declaração de compensação apresentada. Portanto, o saldo de crédito do terceiro para o quarto trimestres de 2003 restou indeferido sumariamente pelo fato de supostamente não fazer parte do pedido e, assim, restaram as compensações não homologadas. A Fiscalização afirmou em seu relatório de diligência que a referida diferença não foi analisada. Embora tenham sido não homologadas as compensações realizadas com tais créditos, em sede do julgamento da presente manifestação de inconformidade, a Interessada demonstrou o equívoco cometido pela Fiscalização. Entretanto, não é possível deferirse ou indeferirse o crédito não analisado, em razão da necessidade da apuração de sua liquidez e certeza. Dessa forma, não há alternativa a baixar novamente os autos em diligência, para que a Fiscalização analise a diferença de crédito entre o quarto e o terceiro trimestres de 2003, fazendo a apuração integrada de todo o crédito presumido do ano de 2003. A seguir, deverá ser a Interessada intimada da apuração e do relatório de diligência, para apresentar eventual contestação no prazo de trinta dias. A Fiscalização elaborou a Informação Fiscal complementar retificada de efls. 789 e 790, cujo teor foi o seguinte: (...). Tendo em vista a Resolução n° 14003.275 8a Turma da DRJ/RPO, de 24/02/2015 (fls.783788), cabe retificação da Informação Fiscal Complementar (fls.759761). Desta forma, tornase importante esclarecer que a diferença mencionada pela Fiscalização está analisada nesta informação. Fl. 911DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 908 9 Quanto ao item 2 mencionado na informação fiscal (fls.695705), especificamente sobre os débitos compensados estarem dentro do limite do crédito pleiteado pela interessada (montante de R$ 661.485,67), constatouse o seguinte: Logo, na tabela acima, fica evidente que os débitos compensados estão dentro do limite do crédito pleiteado pela interessada. Ressaltese que se trata de crédito pleiteado e não de crédito reconhecido. Quanto à incorreção referente à cumulação dos créditos do 3° e 4° trimestres de 2003, retificando e considerando os Demonstrativos de Crédito Presumido (DCP) apresentados pela interessada (fls.71110), constatase o seguinte: (...). Segundo o registrado nos DCP apresentados, o valor passível de ressarcimento acumulado no final de 2003 é R$ 661.485,67. Importante informar que não constam DCP referentes aos trimestres dos anoscalendário 2004 a 2006 no Sistema DCPConsulta. Isto posto, propõese o encaminhamento desta Informação Fiscal Complementar Retificada à interessada para ciência e manifestação conforme determinado na Resolução n° 14.002.981 8a Turma da DRJ/RPO (fls.783788). A Interessada foi intimada do teor da informação (efl. 795), mas não ofereceu contrarrazões. É o relatório". Cientificada do Despacho acima, a interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade. No entanto, o julgador de 1ª instância acolheu parcialmente as razões da Recorrente, sob o fundamento de que manteve as glosas de parte do crédito pleiteado por entender que as aquisições de insumos e matériasprimas de pessoas físicas e/ou pessoas jurídicas não contribuintes de COFINS e PIS, não podem ser utilizadas no cômputo dos custos com direito ao crédito presumido de IPI, ou seja, na base de cálculo do crédito presumido de IPI. Ainda, dispôs acerca de insumos lançados na base de cálculo e que no seu entender não foram exportadas, além da exclusão de fornecedores declarados inidôneos. Ressaltase que o processo ora analisado fora objeto de Diligência na fase de Manifestação de Inconformidade onde foram esclarecidos pela Fiscalização os valores efetivamente pleiteados no processo em debate. Cientificada da decisão em 19/05/2016 (fl. 836 via DTE, eCAC/RFB), a Recorrente apresentou Recurso Voluntário em 20/06/2016 (fl. 837), mediante o qual repisou as alegações da Manifestação de Inconformidade, sob os seguintes tópicos (fls. 851/883): 1. que o benefício fiscal instituído pela Lei n° 9.363/96, em face dos cálculos apresentados pela Recorrente com base no critério alternativo fixado pela Lei 10.276/01 e devidamente auditados pelo agente fiscal da Receita Federal e em face da doutrina e das decisões do Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário que reconhecem o direito subjetivo à requerente de ressarcirse do crédito presumido do IPI decorrente da exportação de mercadorias nacionais, apurados do l°T/03 até o 4°T/03 perfaz o montante de R$ 661.485,67 apurados na forma prescrita pela legislação vigente; Fl. 912DF CARF MF 10 2. que seja determinado o ressarcimento do crédito requerido pela Recorrente no período referente ao lºTri/03 até o 4°Tri/03 e que para tanto seja determinada a inclusão na base de cálculo dos insumos adquiridos após a última exportação do ano, eis que os mesmos foram excluídos pelo estoque final, conforme determina o programa DCP Demonstrativo de Crédito Presumido de IPI; 3. que seja determinado o ressarcimento do crédito requerido pela Recorrente no período referente ao l°T/03 até o 4°T/03 e que para tanto seja determinada a inclusão na base de cálculo os insumos adquiridos de Pessoas Físicas e de Pessoas Jurídicas não contribuintes de PIS e Cofins; 4. que o direito crédito da Recorrente na forma acima requerida, sejam homologadas as compensações de débitos vinculadas ao processo, eis que foram efetuadas na forma prescrita em lei; 5. caso assim não entender o julgador, que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho decisório definitivo; e 6. que todos os valores de créditos constantes do pedido de ressarcimento sejam atualizados mediante a incidência da taxa SELIC, a partir do protocolo do Pedido de Ressarcimento dos créditos, em face das disposições das disposições do Decreto n° 2.138/97 e parágrafo 4º do artigo 39 da Lei nº 9.250/95. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do recurso Consta que a Recorrente foi cientificada em 19/05/2016 (doc. fl. 836) e apresentou seu Recurso Voluntário em 20/06/2016 (fl. 837); verificase que o prazo de 30 dias expirou em um sábado (18/06/18), portanto, legalmente estendido para a segunda feira (primeiro dia útil 20/06/16) e, desta forma foram atendidos aos requisitos de admissibilidade e, tomase conhecimento do Recurso. 2. Contexto / Objeto da lide Consta dos autos que a Recorrente é empresa industrial, dedicada a industrialização, comercialização e exportação de óleo de amendoim, conforme se depreende de seu Contrato Social anexo. Para o exercício regular de sua atividade a Recorrente adquire, de fornecedores situados no mercado interno, matériasprimas, produtos intermediários e embalagens para serem utilizados e empregados na produção, destinados ao mercado interno e à exportação. No caso sob análise, a Recorrente é empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, que nessa qualidade lhe propicia o direito ao crédito presumido do IPI criado por Medida Provisória e convertida em Lei Lei n° 9.363/96 ou, alternativamente, pelo critério de cálculo instituído pela lei 10.276/2001. Fl. 913DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 909 11 No presente caso, a Recorrente somente apurou o crédito presumido do IPI pelo método alternativo previsto na Lei n. 10.276, de 2001. 3. Das exclusões da Base de Calculo (aquisições pós ultimas exportações) Aduz a Recorrente que, "(...) Assim, desde já requerse sejam incluídos à base de cálculo os valores excluídos a título de compras e aquisições realizadas após a última exportação, bem como considerado o estoque final informado no DCP, valor este que está de acordo com o valor dos estoques constantes nos Livros e Demonstrativos Contábeis da empresa. Pois bem. Esta matéria, encontrase muito bem delineada pela decisão de piso, inclusive com a realização de duas diligências, o qual subscrevo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir com forte no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto. "(...) Em relação ao valor total do pedido, conforme restou demonstrado nos autos, foi ele duplicado em função da forma de apresentação das declarações de compensação. Como as compensações estão dentro do limite do crédito pleiteado, conforme esclarecido na diligência, não há o risco de cobrança de débitos em duplicidade. A segunda questão a ser analisada diz respeito à afirmação de que os valores excluídos pela Fiscalização, relativamente ao estoque de produtos não empregados nas exportações efetuadas, teriam já sido excluídos pelo próprio cálculo do DCP. Segundo a Interessada, como "a proporção de exportação informada no DCP é aplicada aos custos do período integral, já temos uma exclusão dos custos ou aquisições (que) não foram aplicados aos produtos exportados". No relatório da primeira diligência, em que, conforme já esclarecido, foi efetuada a apuração integral do ano de 2003, a Fiscalização esclareceu haver juntado os documentos de fls. 71 a 694, informando que, de acordo com o DCP do 4º trimestre de 2003, "há registro de estoque final do mês de dezembro de 2003, no valor de R$ 504.993,83 (efl. 104)". A seguir, citou a Fiscalização os dispositivos da IN SRF n. 420, de 2004, que prevêem o ajuste do estoque. Esclareceu como deveriam ser efetuados os preenchimentos das linhas 12 (compras com direito ao crédito no mês) e 15 (compras totais do mês) da Ficha 06B do DCP, e que a linha 21 (utilizados na produção do mês) seria automaticamente preenchida pelo sistema. Dessa forma, o valor apurado no mês de dezembro de 2003 foi negativo, implicando a redução, em relação aos meses anteriores, do total utilizado na produção industrial (linha 26). Esclareceu a Fiscalização o seguinte: Ante o exposto, é de rigor o cancelamento da glosa do valor total das notas fiscais relacionadas no anexo ao Relatório Fiscal (R$ 356.541,36), representativas das aquisições posteriores à exportação de 06.11.2003 mencionada no item 2 desse relatório, posto que esta quantia está inclusa Fl. 914DF CARF MF 12 no valor do estoque final de 2003, uma vez considerada a utilização do método Peps. Além disso, devem ser expurgadas outras glosas de notas fiscais emitidas no período formador do estoque final de 2003, o qual será levantado na sequência. Nesse levantamento iremos utilizar o conceito do método Peps, que nos obriga a somar o valor da última aquisição de 2003 com os das anteriores até alcançar a importância do estoque final. Cotejando o valor do estoque final de 2003 com o das compras de novembro e dezembro do mesmo ano, notamos que aquele é superior à soma dessas aquisições, do que se depreende a necessidade de identificar as compras de outubro de 2003 que formaram o estoque final. Após análise dos demais itens da apuração dos valores, concluiu que o valor correto a ser glosado seria o de R$ 495.223,83. O valor reconhecido do crédito presumido seria, assim, de R$ 41.299,64. A informação fiscal foi complementada nas efls. 759 a 761: Conforme o DCP, no terceiro trimestre de 2003, o valor passível de ressarcimento seria R$ 279.811,87. No entanto, consta no sistema SIEFPER/ DCOMP apenas o pedido de ressarcimento (PER) do 3º trimestre de 2003 no montante de R$ 661.485,67, total acumulado apenas no final do quarto trimestre de 2003. Não foram constatados outros processos no sistema Comprot relativos ao ressarcimento de IPI de trimestres do anocalendário 2003. Portanto, a Fiscalização procedeu ao ajuste, em função da duplicidade da exclusão, mas, ainda assim, a Interessada manteve a alegação na contestação da informação fiscal (efls. 766 a 772), reafirmando o valor total do pedido e analisando a questão dos insumos não utilizados na produção de insumos exportados. Num item chamado de "informações adicionais", a Interessada tratou da questão das aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Além de não haver previsão legal para complementação de matéria abordada na manifestação de inconformidade, as informações trazidas pela Interessada não têm relevância para a análise da matéria já efetuada anteriormente. Na segunda resolução, foi requerido que a Fiscalização fizesse a análise integrada dos créditos do ano de 2003, uma vez que a diferença entre os créditos acumulados no 4º e 3º trimestres de 2003 não foi analisada. A Fiscalização complementou as informações anteriores (efls. 789 e 790), esclarecendo que os créditos compensados pela Interessada estariam dentro do limite do crédito pleiteado. Ademais, reafirmou que o valor pleiteado acumulado em 2003 seria de R$ 661.485,67. Em razão de todo o exposto, constatase que a Interessada não tem razão em suas alegações. Como resultado da primeira diligência, os valores foram recalculados pela Fiscalização, que excluiu as glosas e fez a apuração das diferenças de estoque, conforme a Fl. 915DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 910 13 legislação citada, considerando todo o período. Aquilo que havia sido excluído indevidamente foi considerado na nova apuração. A Interessada, ao contestar o primeiro relatório de diligência, apenas repetiu o que havia afirmado na manifestação de inconformidade, sem demonstrar que o procedimento adotado pela Fiscalização seria incorreto. Devese notar ainda que, no ajuste do crédito presumido do quarto trimestre, é comum apurarse um valor total inferior ao acumulado até o terceiro trimestre, situação em que, nos casos de análise conjunta como no dos presentes autos , já se limita o direito de crédito. Quando há apuração contínua no ano seguinte, pode ocorrer de o saldo negativo ser transportado para o primeiro trimestre posterior, reduzindo o crédito presumido. Mas não é esse o caso dos autos, conforme esclarecido na segunda diligência. Portanto, o procedimento adotado pela Fiscalização revela correto. Dessa forma, ficou cabalmente demonstrado que os valores que devem ser considerados como pleiteados, reconhecidos e glosados são aqueles constantes da tabela de e fl. 704 (pág. 10 da primeira informação fiscal):" (...) Portanto, sem reparos nesta parte, o decidido pela decisão a quo. 4. Dos insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS (Pessoas Físicas ou Jurídicas). Aduz a Recorrente que, "(...) Os agentes fiscais, prolatores da referida decisão ora espancada, entenderam no presente caso que os insumos adquiridos e aplicados às mercadorias pela Recorrente, que foram adquiridas de produtores pessoas físicas (naturais) ou de pessoas jurídicas não contribuintes, não garantem o direito ao crédito presumido de que tratam as leis 9.363 e 10.276. O Fisco, através do agente julgador, informou no termo de Verificação Fiscal que "foram destacadas compras de insumos de pessoas físicas e de cooperativas, as quais não geram direito ao crédito presumido de IPI [...]". Tais notas fiscais foram relacionadas no Anexo ao Relatório Fiscal e o montante identificado foi excluído da base de cálculo do crédito apresentado pelo agente julgador, interpretação esta que de imediato se revela equivocada". Repisese que, no presente caso, a Recorrente somente apurou o crédito presumido pelo método alternativo previsto na Lei nº 10.276, de 2001. Quanto à possibilidade de se incluir as aquisições de insumos de pessoas físicas no cálculo do Crédito Presumido apurado em conformidade com a Lei nº 9.363/96, não é mais possível de discussão no CARF, uma vez que é consabido que o tema foi objeto de recurso repetitivo do STJ (REsp nº 993.164/MG, submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei Fl. 916DF CARF MF 14 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1.241.856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula STJ nº 494, de 13/08/2012, de seguinte teor: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Pois bem. O REsp nº 993.164/MG, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, que é, portanto, vinculante nos julgamentos deste Conselho Administrativo por força do seu Regimento Interno, tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. (...) 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: (...) § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas Fl. 917DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 911 15 jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: (...). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: (...). (...) 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (REsp 993.164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, unânime, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010). Por força regimental do art. 62, §2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça para o caso dos autos deve ser reproduzido por este Conselho, sendo reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI com relação às aquisições de não contribuintes do PIS e da COFINS pessoas físicas e cooperativas. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) No entanto, antes disto, já havia sido editado o Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, nos seguintes termos: A PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida ..., DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da ilegalidade da IN/SRF 23/1997, que, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos Fl. 918DF CARF MF 16 produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, extrapolou os limites do art. 1º da Lei n. 9.363/1996”. JURISPRUDÊNCIA: AGREsp 913433/ES, REsp 627.941/CE, REsp 840.056/CE REsp 995285/PE, REsp 1008021/CE, REsp 921397/CE, REsp 840056/CE, REsp 767617/CE, todas do STJ. Na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, mas em razão da manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir: NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.155/2012 (...) Em complementação à Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que delimitou a matéria decidida nos julgamentos submetidos à sistemática dos artigos 543 B e 543C, do Código de Processo Civil, ... encaminhase a presente nota na qual se acrescenta o item 84 da lista do art. 1º, V, da Portaria PGFN nº 294/2010, correspondente ao Recurso Especial nº 993.164/MG, acrescentado a esta lista na sua última atualização realizada no dia 10 de agosto de 2012. 2. Em razão de o referido julgado ter repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, encaminhase o item relativo à delimitação do tema para fins de complementação do anexo da Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, com a seguinte redação: 84 – REsp nº 993.164/MG Relator: Min. Luiz Fux (...) Resumo: o tribunal julgou ilegal a IN RFB Nº 23/97, por ter ela extrapolado os limites da Lei 9.363/96, ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Ocorre que, no presente caso sob discussão, o Crédito Presumido foi apurado com base no regime da Lei nº 10.276/2001, abrindose aí a discussão que é efetivamente o cerne da lide aqui posta se a jurisprudência vinculante do STJ, que faz somente referência à Lei nº 9.363/96 e às normas infralegais que a regulam, também seria aplicável ao regime alternativo da Lei nº 10.276/2001. Como relatado na decisão, a DRJ consigna que só a Lei nº 10.276/2001, traz referência expressa à exigência de que tenha havido a incidência das contribuições nas aquisições passiveis de inclusão na base de cálculo. Desta que nesse contexto, além de as manifestações do STJ a respeito do crédito presumido de IPI referiremse ao crédito presumido apurado na forma da Lei n. 9.363, de 1996, há diferenças fundamentais entre os dois métodos de apuração, especialmente, quanto ao que importa ao presente caso, em relação à existência de expressa restrição legal sobre os custos que geram direito de crédito, conforme já anteriormente destacado. Dessa forma, conclui que em relação ao direito de crédito discutido nos presentes autos, há uma vedação expressa na lei quanto aos custos de aquisição de não Fl. 919DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 912 17 contribuintes das contribuição PIS/Pasep e Cofins, que nunca foi considerada ilegal pelo STJ, nem afastada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Dentro deste contexto, se faz necessário verificar o que rezam os dois diplomas legais, na parte que interessa à discussão: Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Lei nº 10.276/2001 Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (Grifei) § 5º Aplicamse ao crédito presumido determinado na forma deste artigo todas as demais normas estabelecidas na Lei nº 9.363, de 1996. (negritos e grifos acrescidos) Neste diapasão, visando esclarecer os fatos quanto a aplicação daquela decisão judicial (REsp nº 993.164/MG) ao presente caso, em conformidade com o disposto na Lei nº 10.276, de 2001 versus a Lei nº 9.363, de 1996, utilizome para o deslinde da questão, o Voto muito bem conduzido pelo Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, no Acórdão nº 9303006.802, de 16/05/2018, da 3ª Turma da CSRF, que adoto como razão de decidir com fulcro no artigo 50, §3º da Lei nº 9.784/99, nos seguintes termos: "A redação é distinta ? Sim, mas, na visão deste Relator, ambas as leis trazem a mesma exigência, qual seja, que haja incidência sobre os custos de produção admitidos na base de cálculo do Crédito Presumido de IPI. A Lei nº 10.276/2001, ao contrário do que alguns pensam, não criou um novo benefício, mas tão somente: Fl. 920DF CARF MF 18 1) Passou a admitir a inclusão na base de cálculo, além dos insumos para industrialização, no conceito da legislação do IPI (MP, PI e ME), gastos com energia elétrica, combustíveis e serviços de industrialização por encomenda; 2) Alterou a forma de cálculo. Em nada estas mudanças afetaram a “essência” do benefício, cujo objetivo é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia produtiva (no caso, PIS/Cofins), ainda que de forma presumida (pois cada produto exportado tem uma cadeia distinta, na qual incidem as contribuições com menor ou maior reflexo no custo), para aumentar a competitividade dos produtos nacionais no mercado globalizado ou, ao menos, buscar uma maior equiparação (diminuindo o chamado “Custo Brasil”). O que se discutiu no STJ foi a exigência da incidência na última etapa da cadeia produtiva, ou seja, na venda do fornecedor para o produtorexportador. No caso concreto, estamos tratando de gado bovino adquirido de pecuaristas pessoas físicas, para abate e processamento das carnes destinadas à exportação. Nestas aquisições não há incidência das contribuições; se, de pessoas jurídicas como são uma pequena parte das realizadas pelo frigorífico estão sujeitas à incidência de PIS/Cofins (se foi de forma presumida, das agroindústrias, ou de outra forma, pouco importa; a discussão aqui é em tese importa é que tenha havido a incidência). Se dermos às leis interpretação literal (aplicável àquelas que concedem benefícios fiscais, não podendo, portanto, ser diversa a regulamentação dada pelas instruções normativas da RFB), sem dúvida não haveria o direito ao crédito se não há a incidência, mas o STJ a elasteceu, vislumbrando que há efetivamente incidência também em etapas anteriores, neste caso, na fase agrícola, como nas aquisições de ração e outros insumos utilizados na criação dos animais até estarem prontos para o abate (não empreendi também aqui pesquisa para se saber efetivamente quais são estes insumos, qual é a alíquota aplicável ... o que se pretende transmitir é conceitual). Na decisão que nos vincula, o STJ considerou que a IN/SRF nº 23/97, que regulou a Lei nº 9.363/96, estaria a “exorbitar os limites” impostos pela lei ordinária, na parte em que restringe o crédito, nas aquisições de produtos oriundos da atividade rural, àquelas de pessoas jurídicas: Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. .................... § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. E a interpretação mais “elástica” dada pelo STJ, a que me refiro ainda específica para os produtores rurais está mais que clara nos trechos da Ementa do Acórdão no REsp nº 993.164/MG que transcrevo a seguir: 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 913 19 oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes ...) 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; ... É bem verdade que a Súmula nº 497 é genérica, não especificando a norma atingida, mas, a rigor, não estamos vinculados quando o crédito é calculado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/2001, regulado, originalmente, pela IN/SRF nº 69/2001, ainda que traga dispositivo idêntico: Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a empresa produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. .................... § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei Nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. Entretanto, como já visto, apesar de haver uma “sensível alteração de texto” como disse o ilustre Relator Rosaldo Trevisan no Acórdão 3403003.173, trazido no Voto Condutor do Acórdão recorrido, havendo que se reconhecer que a norma insculpida na Lei nº 10.276/2001 é mais “explícita” (muito provavelmente pelo fato de que esta questão já vinha sendo aventada no interregno entre as duas leis notadamente pelas Usinas, no que se refere à aquisições de canadeacúcar de fornecedores pessoas físicas), entende este relator que as normas legais dizem o mesmo o que vejo ainda com mais propriedade sendo idênticas, no que tange à produção rural, as redações das instruções normativas que regulam a apuração nos dois regimes. E a interpretação dada pelo STJ de que as contribuições estariam “embutidas” nas etapas anteriores da cadeia da produção rural é dada em tese, sendo aplicável, portanto, a qualquer forma de cálculo que seja adotada para o benefício, não alterada a sua essência. É com estas visões: (i) as duas leis exigem a incidência das contribuições nos mesmos casos e versam sobre o mesmo incentivo e (ii) a interpretação vinculante do STJ, vendo a cadeia produtiva como um todo, é conceitual, que admito a “analogia”, para fins de aplicação do decidido pelo STJ no julgamento REsp nº 993.464/MG, também quando o cálculo do valor do direito creditório é feito na forma alternativa da Lei nº 10.276/2001. Não o é (para que fique o registro, já que a conclusão a que se chega é a mesma): * Pelo fato de somente a Lei nº 10.276/2001 trazer a exigência expressa de que haja a incidência, como defende a PGFN; * Por comungar com a análise que faz o Acórdão recorrido, ao dizer a Relatora que “...até por uma até por uma questão de razoabilidade e isonomia, que o mesmo Fl. 922DF CARF MF 20 entendimento do STJ exarado no Recurso Especial nº 993.164/MG deva ser aqui adotado, vez que não há, no texto de nenhuma das duas leis, a limitação expressa de não inclusão no cálculo do crédito presumido das aquisições de pessoas físicas"; E a jurisprudência, inclusive a recente, do CARF, vai no mesmo sentido, conforme podemos ver nos excertos das Ementas de dois Acórdãos que trago a seguir: Acórdão nº 3401004.459, de 22/03/2018. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/1996. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. REGIME ALTERNATIVO. LEI Nº 10.276/2001. CABIMENTO. ENTENDIMENTO STJ. VINCULANTE. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF, conforme Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/1996, o mesmo ocorrendo, logicamente, em relação ao regime alternativo instituído pela Lei nº 10.276/2001. Acórdão nº 3402004.372, de 30/08/2017. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. MATÉRIA RESOLVIDA PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. REGIME ALTERNATIVO DA LEI Nº 10.276/01. APLICAÇÃO. O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP, conforme decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça (STJ), proferida na sistemática dos recursos repetitivos e que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF por força do artigo 62A do RICARF. A referida decisão do STJ também se aplica ao crédito presumido apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01. À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional". Com base nos fundamentos acima expostos, devem ser revertidas as glosas dos valores efetuado pelo Fisco (1ºTri ao 4ºTri de 2003) , reconhecendose o direito creditório correspondente aos valores de crédito presumido do IPI (insumos adquiridos de não contribuintes do PIS e da COFINS Pessoas Físicas ou Jurídicas), apurado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01. 5. Da Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI No acórdão recorrido, entendeuse pela impossibilidade de incidência da taxa SELIC sobre o crédito presumido o de IPI a ser ressarcido. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 914 21 Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa SELIC, é cediço que o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do Recurso Especial nº 1.035.847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo CPC). No entanto há que se ressaltar que concerne à incidência da Taxa Selic sobre os créditos pleiteados, entendese que o parágrafo 4º do art. 39 da Lei n. 9.250/95, inseriu no seu comando a incidência da Selic somente sobre valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento de tributo presumidamente calculado, cujo direito somente se concretiza depois de reconhecido pela autoridade administrativa fiscal, nos termos da lei. Portanto, o § 4° do art. 39 da Lei n° 9.250/95 é aplicável à restituição do indébito (pagamento indevido ou a maior) e não ao ressarcimento, que é do que trata a Lei n° 9.363/96. Ao contrário do que muitos defendem, o ressarcimento não é "espécie do gênero restituição". São dois institutos completamente distintos (pois senão, não faria qualquer sentido a discussão em tela sobre a atualização monetária, pois expressamente prevista em lei para a repetição do indébito). Neste diapasão, quanto a atualização do valor do direito creditório, utilizome para o deslinde da questão sob discussão, do Voto Vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, no Acórdão nº 9303005.425, de 25/07/2017, da 3ª Turma da CSRF: "A questão da atualização monetária, pela Taxa Selic, nos pedidos de ressarcimento de IPI, tem rendido inúmeras discussões, tanto na esfera administrativa como judicial. A verdade é que não há previsão legal para o seu reconhecimento na análise dos pedidos administrativos. Vêse que no âmbito das turmas de julgamento do CARF, tem se reconhecido sua incidência em decorrência da aplicação do que foi decidido pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, no âmbito dos REsp n° 1.035.847/RS e no REsp n° 993.164. Ambos julgados estabeleceram que é devida a incidência da correção monetária, pela aplicação da Taxa SELIC, aos pedidos de ressarcimento de IPI cujo deferimento foi postergado em face de oposição ilegítima por parte do Fisco. Portanto, sem dúvida, o reconhecimento da incidência da aplicação da Taxa Selic nos processos de ressarcimento decorrem de uma construção jurisprudencial e não por disposição expressa da Lei. Vêse que o STJ nos dois julgados acima citados reconhecem expressamente a falta de previsão legal a autorizar tal incidência. Vejamos o que dispôs referidos julgados: REsp nº 1.035.847/RS: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. Fl. 924DF CARF MF 22 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizalos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. REsp n° 993.164: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC.APLICAÇÃO.VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535,DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF23/97,ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo,impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 915 23 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ08/2008. Concluise que a oposição ilegítima por parte do Fisco, ao aproveitamento de referidos créditos, permite que seja reconhecida a incidência da correção monetária pela aplicação da Taxa Selic. Porém da leitura que se faz, para a incidência da correção que se pretende, há que existir necessariamente o ato de oposição estatal que foi reconhecido como ilegítimo. No âmbito do processo administrativo de pedidos de ressarcimento tem se que estes atos administrativos só se tornam ilegítimos caso seu entendimento seja revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Portanto somente sobre a parcela do pedido de ressarcimento que foi inicialmente indeferida e depois revertida é que é possível o reconhecimento da incidência da Taxa Selic. Tudo isso por força do efeito vinculante das decisões do STJ acima citadas e transcritas. (Grifei). Porém resta uma discussão quanto ao prazo inicial da incidência da Taxa Selic. No CARF a grande maioria das decisões dividemse em duas vertentes. A primeira que a aplicação da correção dariase somente a partir da edição do Despacho Decisório, pela autoridade administrativa da DRF de origem, que teria denegado parte ou integralmente o pedido. A justificativa desta primeira tese seria no sentido de que só a partir daí é que teria nascido o ato ilegítimo a permitir a aplicação dos repetitivos do STJ. A segunda vertente é reconhecer a aplicação da correção monetária desde a data do protocolo do pedido, hipótese que até então estava sendo adotada por este relator e pela própria CSRF. Entretanto, refletindo melhor sobre a matéria, penso que não existe base legal e nem comando vinculante de nossos tribunais a autorizar nenhuma dessas duas hipóteses, sobretudo a segunda, referente à incidência da correção monetária desde a data do protocolo do pedido. Essa hipótese permite uma correção monetária integral que nunca foi permitida do ponto de vista legal e, smj, nem pela interpretação dos referidos julgados. Entendo que a melhor interpretação está vinculada ao que dispôs o próprio STJ, também em sede de recurso repetitivo, no REsp n° 1.138.206, abaixo transcrito com destaques: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72.ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5°, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." Fl. 926DF CARF MF 24 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: ..........) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum, dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7°, § 2°, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: Art. 7º. (...) 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Nesse mesmo sentido, verificase que foi o decido nos seguintes julgados do STJ: AgRg no REsp 1.400.909/SC, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2015, DJe 05/02/2016 e AgInt no REsp 1.585.275/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/10/2016, DJe 14/10/2016. Da leitura das decisões acima, concluise que o STJ determinou a aplicação do art. 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência. Assim, manifestouse de forma vinculante que o prazo razoável para duração do processo administrativo, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 916 25 Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, e não há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Importante ressaltar que referido julgado não dispõe absolutamente nada sobre incidência de correção monetária ou aplicação da taxa Selic nos processos de ressarcimento. Portanto, como não há previsão legal para incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento, o seu reconhecimento em sede dos julgados administrativos deve ser erigido a partir da interpretação do que se construiu nos julgados do STJ com efeitos vinculantes. Portanto, para reconhecimento da incidência da taxa Selic nos processos de ressarcimento de IPI, devemos partir de duas premissas: 1) existe ato administrativo que indeferiu de forma ilegítima parcial ou integralmente o pedido? e 2) o trânsito em julgado da decisão administrativa ultrapassou os 360 dias? A resposta positiva para as duas premissas importa em reconhecer a incidência da taxa Selic somente para os créditos indeferidos de forma ilegítima, cujo termo inicial da incidência da correção somente poderá ser contado a partir dos 360 dias do protocolo do pedido. Esta conclusão coadunase com a aplicação do princípio da igualdade. Veja que se o processo for deferido em 359 dias, o contribuinte não receberá qualquer ajuste monetário e caso seja deferido em 361 dias haveria incidência integral desta correção. Parece me um casuísmo não pretendido, a justificar a interpretação de que esta correção monetária só seria aplicada a partir de 360 dias do protocolo do pedido e, desde que exista um ato administrativo que teria sido considerado ilegítimo, assim considerado aquele cujo entendimento foi revertido pelas instâncias administrativas de julgamento. Assim, no presente processo, tendo entendido a turma de julgamento, a despeito de voto contrário deste julgador, que é possível o aproveitamento de crédito presumido de IPI sobre os serviços de industrialização por encomenda, sobre esta parcela permitese a incidência da taxa Selic a ser aplicada a partir de 360 dias contados do protocolo do pedido de ressarcimento até a sua efetiva utilização (...)". Com esses fundamentos, voto para estabelecer a incidência da Taxa SELIC somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. 6. Do pedido de suspensão da exigência do crédito tributário Uma vez que é efeito automático do Recurso Voluntário a suspensão da exigibilidade do crédito lançado, por força do art. 151, inciso III, do CTN, e do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, descabe qualquer providência do Órgão Julgador quanto ao pedido levado a efeito pela Recorrente nesse sentido. A suspensão também assegurada pelo §11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 17 da Lei no 10.833, de 2003. Fl. 928DF CARF MF 26 7. Dispositivo Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para: (i) reverter as exclusões/glosas/ajustes da base de cálculo do crédito presumido relativas à matériaprima adquirida de pessoas físicas e não contribuintes do Pis e da Cofins (ac 2003) e, (ii) estabelecer a incidência da Taxa SELIC somente a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, a incidir somente sobre o crédito cujas glosas foram revertidas nas instâncias de julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Voto Vencedor Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Especificamente quanto ao tópico "5. Da Incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de crédito presumido de IPI", ousei em divergir do Ilustre Relator em sessão por entender que a incidência dos juros deve ocorrer desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. É o que decidiu esse Colegiado, a título de exemplo, nos acórdãos 3402 003.840, de 20/02/2017 e 3402004.778, de 12/12/2017, ambos de minha relatoria. Com efeito, ainda que não seja possível a correção a partir da data da geração do crédito por ausência de previsão legal, com o impedimento da utilização do crédito com a emissão do despacho decisório relativo ao pedido de ressarcimento, passou a ser necessária a sua correção desde a data do protocolo do pedido por ter ocorrido uma oposição do fisco ao legítimo aproveitamento do crédito. Este entendimento está em conformidade com o entendimento sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.035.847/RS, em sede de recursos repetitivos, que deve ser aplicado por este CARF na forma do art. 62, §2º, do Regimento Interno: "PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. Fl. 929DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 917 27 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008." (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) A aplicação analógica deste julgamento tem sido feita de forma reiterada pelo Conselho Superior deste CARF, como se depreende dos julgados já trazidas acima, e dos seguintes julgados apenas a título de exemplo: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (...) Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte." (CSRF, Processo 10675.001666/200195 Data da Sessão 04/04/2011 Relator Rodrigo Cardozo Miranda. Redator designado Antônio Carlos Atulim. Acórdão n.º 9303001.407 grifei) "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/01/2000 (...) Fl. 930DF CARF MF 28 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DE DECISÕES DOS TRIBUNAIS SUPERIORES PROFERIDAS NA SISTEMÁTICA DO ART. 543 DO CPC Dispõe o art. 62A do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI. OPOSIÇÃO INJUSTIFICADA DA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Nos termos da decisão proferida pelo STJ no RE 993.164: 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). NORMAS REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS. Não se admite recurso especial cuja divergência não esteja comprovada nos termos do artigo 67 do RICARF baixado pela Portaria MF 256/2009." (CSRF, Processo 13971.001062/0040 Data da Sessão 23/02/2016 Relator Julio Cesar Alves Ramos. Acórdão n.º 9303003.460 grifei) Como se depreende dos julgados acima colacionados, não se cabe falar em correção desde a data da geração do crédito vez que o crédito presumido é um crédito escritural para o qual não há previsão legal de atualização. Uma vez emitido o despacho decisório com a oposição à utilização do crédito presumido, cabível a inclusão da SELIC desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, para evitar o locupletamento ilícito do fisco. Com todo respeito ao entendimento do I. Conselheiro Relator, a tese por ele sustentada, no sentido de que a incidência da SELIC somente seria cabível a partir do prazo de 360 (trezentos e sessenta dias) da data da protocolização do pedido de ressarcimento, não possui qualquer respaldo na legislação ou no precedente do Superior Tribunal de Justiça. Com efeito, como visto, o que é relevante identificar é a existência de uma oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, que impeça a utilização do direito de crédito pelo contribuinte. Com a descaracterização do crédito como um crédito escritural, ele deverá ser atualizado. E para evitar o locupletamento ilícito do fisco, essa atualização deve ocorrer desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento, data que marca o momento quando o contribuinte exerceu o seu direito ao crédito, na forma do art. 165, do CTN. É no momento do protocolo do pedido de ressarcimento que o contribuinte exerce o seu direito ao crédito, direito este que foi indevidamente obstado pela Administração Pública por meio da emissão do despacho decisório, que caracterizou a oposição estatal indevida suscetível a autorizar a atualização monetária do crédito posteriormente reconhecido Fl. 931DF CARF MF Processo nº 10850.904177/200976 Acórdão n.º 3402006.254 S3C4T2 Fl. 918 29 pelas instâncias de julgamento. E essa atualização deve ocorrer desde a data do exercício do direito obstado, repitase, desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. Acrescese que o raciocínio delineado pelo I. Relator foi feito com fulcro na previsão do art. 24 da Lei n° 11.457/2007, que sequer estava vigente à época dos fatos envolvidos no presente processo. Nesse sentido, com fulcro nas considerações realizadas pelo I. Relator em seu voto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reverter as exclusões/glosas/ajustes da base de cálculo do crédito presumido relativas à matériaprima adquirida de pessoas físicas e não contribuintes do Pis e da Cofins (ac 2003), apresentando divergência no sentido de estabelecer a incidência da Taxa Selic a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento, a incidir sobre o crédito cujas glosas foram revertidas. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 932DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.907902/2016-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.909
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.907902/2016-59
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5993232
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.909
nome_arquivo_s : Decisao_13896907902201659.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13896907902201659_5993232.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7706123
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663441330176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.907902/201659 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.909 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CATHO ONLINE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 07 90 2/ 20 16 -5 9 Fl. 455DF CARF MF Processo nº 13896.907902/201659 Resolução nº 3201001.909 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 456DF CARF MF Processo nº 13896.907902/201659 Resolução nº 3201001.909 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 457DF CARF MF Processo nº 13896.907902/201659 Resolução nº 3201001.909 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 13896.907902/201659 Resolução nº 3201001.909 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13896.907902/201659 Resolução nº 3201001.909 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13896.907902/201659 Resolução nº 3201001.909 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 461DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001760/2005-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INEXISTÊNCIA.
Não há nulidade quanto os atos e termos são lavrados por pessoa competente, ou quando os despachos e decisões são proferidos por autoridade legalmente designada, sem preterição do direito de defesa e do contraditório.
IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO.
O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido.
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
1. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição.
2. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. CABIMENTO.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC. Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 2402-007.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade quanto os atos e termos são lavrados por pessoa competente, ou quando os despachos e decisões são proferidos por autoridade legalmente designada, sem preterição do direito de defesa e do contraditório. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratando-se, pois, de receita ou rendimento omitido. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. 1. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. 2. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. CABIMENTO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC. Súmula CARF nº 4.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 18471.001760/2005-76
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5979174
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-007.093
nome_arquivo_s : Decisao_18471001760200576.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 18471001760200576_5979174.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
id : 7673063
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663450767360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2235; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 366 1 365 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18471.001760/200576 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402007.093 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2019 Matéria IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recorrente ALGINO DE ALMEIDA SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INEXISTÊNCIA. Não há nulidade quanto os atos e termos são lavrados por pessoa competente, ou quando os despachos e decisões são proferidos por autoridade legalmente designada, sem preterição do direito de defesa e do contraditório. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receita ou rendimento omitido. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. 1. A multa de ofício tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. 2. Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. CABIMENTO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC. Súmula CARF nº 4. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 17 60 /2 00 5- 76 Fl. 366DF CARF MF Processo nº 18471.001760/200576 Acórdão n.º 2402007.093 S2C4T2 Fl. 367 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sergio da Silva, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Mauricio Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada em face de lançamento suplementar de IRPF, constituído em face de alegada omissão de rendimentos, decorrente de valores creditados em conta de depósito ou investimento, cuja origem não teria sido comprovada mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. Segue a ementa da decisão: Exercício: 2001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA A multa de oficio e os juros de mora são previstos em lei, sendo defeso aos órgãos administrativos reconhecer a ilegalidade e a inconstitucionalidade de lei. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 18471.001760/200576 Acórdão n.º 2402007.093 S2C4T2 Fl. 368 3 Intimado da decisão em 03/08/2009, através de correspondência com aviso de recebimento (v. fl. 360 do pdf), o sujeito passivo interpôs recurso voluntário em 01/09/2009 (fls. 322 e seguintes), no qual reiterou as seguintes teses de defesa: nulidade do lançamento por cerceamento de defesa; depósitos não comprovam a existência de renda; vige em toda a sua plenitude a Súmula 182 do TFR; o ônus da prova é do Fisco; tributar por presunção é violar princípios constitucionais; é incabível a aplicação de multa confiscatória e juros pela SELIC. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da nulidade por cerceamento de defesa O recorrente afirma que não teria entendido o quadro de variação patrimonial apresentado pela fiscalização e por este fato não teria como defenderse adequadamente. Entretanto, verificase no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL e no Auto de Infração dele decorrente que o sujeito passivo foi autuado apenas por depósitos bancários de origem não comprovada, não tendo havido acusação de omissão de rendimentos por variação patrimonial a descoberto. Na folha de continuação do auto de infração (v. fls. 220/222 do pdf), vêse claramente que a única acusação fiscal que deu razão ao lançamento foi, efetivamente, a de depósitos bancários. O somatório dos valores ali relacionados, no total de R$ 462.298,34, compôs a base de cálculo do lançamento feito pela Receita Federal do Brasil, não tendo havido a acusação de variação patrimonial a descoberto, ainda que tal acusação pudesse ter sido eventualmente cogitada nos autos, antes da lavratura efetiva do auto. Do auto e do TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, é indubitavelmente possível extrairse todos os fatos e fundamentos que deram azo ao lançamento suplementar, não tendo havido qualquer cerceamento ao direito de defesa do recorrente. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 18471.001760/200576 Acórdão n.º 2402007.093 S2C4T2 Fl. 369 4 Tal fato não passou despercebido à DRJ, que assim se pronunciou: De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls 105/106 a autoridade fiscal não considerou a planilha denominada de "Demonstrativo de Variação Patrimonial" que havia registrado "Acréscimo Patrimonial a Descoberto" uma vez que ao considerar o valor de R$ 462.298,34 a ser tributado como rendimentos omitidos o valor de R$ 100.873,07 passou a inexistir. Expressandose de outra forma, a ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu ao recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; a autuação foi devidamente motivada e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; a autuação ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. No mais, e como bem pontuado no acórdão recorrido: Concernente à alegação de nulidade do procedimento fiscal, vale esclarecer que todos os elementos essenciais do procedimento fiscal constam nos autos, dos quais foi regularmente cientificado o autuado de modo a lhe permitir conhecer o inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, mesmo porque o rito processual adequado foi observado quanto h ciência e aos prazos pois foi proporcionada a oportunidade de acompanhamento dos atos processuais. Não restou, portanto, especificada qualquer hipótese que propicie a nulidade do presente lançamento, quais sejam, os atos e os termos lavrados por pessoa incompetente, como também os despachos e as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações posteriores 3 Dos depósitos bancários de origem não comprovada O recorrente afirma que: depósitos não comprovam a existência de renda; vige em toda a sua plenitude a Súmula 182 do TFR; o ônus da prova é do Fisco; Tais argumentações, contudo, não afastam o lançamento. O art. 42 da Lei 9.430/1996 cria um ônus em face do contribuinte, consistente em demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira. O consequente normativo resultante do descumprimento desse dever é a presunção de que tais recursos não foram oferecidos à tributação, tratandose, pois, de receitas ou rendimentos omitidos. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 18471.001760/200576 Acórdão n.º 2402007.093 S2C4T2 Fl. 370 5 Tal disposição legal é de cunho eminentemente probatório e afasta a possibilidade de acatarse afirmações genéricas e imprecisas. A comprovação da origem, portanto, deve ser feita de forma minimamente individualizada, a fim de permitir a mensuração e a análise da coincidência entre as origens e os valores creditados em conta bancária. O § 3º do citado artigo, ao prever que os créditos serão analisados individualizadamente, corrobora a afirmação acima e não estabelece, para o Fisco, a necessidade de comprovar o acréscimo de riqueza nova por parte do fiscalizado. A título ilustrativo, segue o texto da regra: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 19971) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) 1 Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 18471.001760/200576 Acórdão n.º 2402007.093 S2C4T2 Fl. 371 6 § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) O art. 4º da Lei 9.481/1997 alterou os valores a que se refere o inc. II do § 3º acima para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente. Na mesma toada, a Súmula CARF nº 612. A não comprovação da origem dos recursos viabiliza a aplicação da norma presuntiva, caracterizando tais recursos como receitas ou rendimentos omitidos. Destarte, e de acordo com a regra legal, não é que os depósitos bancários, por si só, caracterizam disponibilidade de rendimentos, mas sim os depósitos cujas origens não foram comprovadas em processo regular de fiscalização. Expressandose de outra forma, o sujeito passivo pode comprovar que o recurso é atinente a venda de imóveis ou recebimento de prólabore e lucros, etc. Não o fazendo, aplicase o consequentemente normativo da presunção, com a consequente constituição do crédito tributário dela decorrente. O verbete sumular CARF 26 preceitua o seguinte: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O Superior Tribunal de Justiça reconhece a legalidade do imposto cobrado com base no art. 42, como se vê no precedente abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÕES GENÉRICAS DE OFENSA AO ART. 535 DO CPC. SÚMULA 284/STF. IMPOSTO DE RENDA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ART. 42 DA LEI 9.430/1996. LEGALIDADE. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, I, DO CTN. [...] 4. A jurisprudência do STJ reconhece a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo assentado que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 18471.001760/200576 Acórdão n.º 2402007.093 S2C4T2 Fl. 372 7 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). [...] (AgRg no AREsp 664.675/RN, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2015, DJe 21/05/2015) Mais ainda, aquele Tribunal Superior vem consignando a inaplicabilidade da Súmula 182/TRF, que preconizava a ilegitimidade do imposto lançado com base em extratos bancários (EDcl no AgRg no REsp 1343926/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 13/12/2012 e REsp 792.812/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/03/2007, DJ 02/04/2007, p. 242). Diante do exposto, deve ser negado provimento ao recurso voluntário neste particular. 4 Da multa de ofício O recorrente defende que seria incabível a aplicação de multa confiscatória. Entretanto, a multa aplicada ao recorrente tem como base legal o art. 44, inc. I, da Lei 9430/96, segundo o qual, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não há qualquer previsão legal para sua redução, nos moldes pleiteados no recurso, e, por outro lado, a cláusula de não confisco está prevista na Constituição Federal e, para se concluir pela existência de sanção confiscatória, seria necessário declarar a inconstitucionalidade da Lei 9430/96. Como sabido, todavia, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejase, nesse sentido, a Súmula CARF 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto é, a verificação de que a norma implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, negandose provimento ao recurso neste particular. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 18471.001760/200576 Acórdão n.º 2402007.093 S2C4T2 Fl. 373 8 5 Da Selic Por fim, a tese da recorrente relativa aos juros moratórios é rechaçada pela Súmula CARF nº 4. Desde 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal, entre os quais se incluem as contribuições devidas à seguridade social e as contribuições devidas a terceiros (Lei 11457/07, arts. 2º e 3º), são calculáveis, no período de inadimplência, de acordo com a SELIC: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 6 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer, rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 373DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720012/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há nulidade se o lançamento foi efetuado por agente competente, com observância dos requisitos previstos na legislação tributária, tendo sido indicados os fundamentos de fato e de direito que amparam a autuação.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento doloso adotado pelo sujeito passivo visa a impedir o fisco de tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador.
MULTA E JUROS MORATÓRIOS. IRRF. LANÇAMENTO ISOLADO.
Mantém-se o lançamento de multas e juros isolados em auto de infração contra fonte, quando esse se efetua após a data de entrega da declaração de IRPF pelos beneficiários dos pagamentos correspondentes.
RECOLHIMENTO DO IRRF. ÔNUS PROBATÓRIO.
O ônus probatório da existência de eventual recolhimento de imposto, havido antes da data de entrega da DIRPF, pelos beneficiários de pagamentos, é da fonte pagadora.
Numero da decisão: 2402-006.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não há nulidade se o lançamento foi efetuado por agente competente, com observância dos requisitos previstos na legislação tributária, tendo sido indicados os fundamentos de fato e de direito que amparam a autuação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento doloso adotado pelo sujeito passivo visa a impedir o fisco de tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. IRRF. LANÇAMENTO ISOLADO. Mantém-se o lançamento de multas e juros isolados em auto de infração contra fonte, quando esse se efetua após a data de entrega da declaração de IRPF pelos beneficiários dos pagamentos correspondentes. RECOLHIMENTO DO IRRF. ÔNUS PROBATÓRIO. O ônus probatório da existência de eventual recolhimento de imposto, havido antes da data de entrega da DIRPF, pelos beneficiários de pagamentos, é da fonte pagadora.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16561.720012/2013-61
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5976222
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2402-006.919
nome_arquivo_s : Decisao_16561720012201361.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RENATA TORATTI CASSINI
nome_arquivo_pdf_s : 16561720012201361_5976222.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7667432
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663471738880
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-03-23T18:13:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-03-23T18:13:29Z; Last-Modified: 2019-03-23T18:13:29Z; dcterms:modified: 2019-03-23T18:13:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-03-23T18:13:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-03-23T18:13:29Z; meta:save-date: 2019-03-23T18:13:29Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-03-23T18:13:29Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-03-23T18:13:29Z; created: 2019-03-23T18:13:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; Creation-Date: 2019-03-23T18:13:29Z; pdf:charsPerPage: 1712; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-03-23T18:13:29Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.038 1 1.037 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720012/201361 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.919 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Recorrente CAMARGO CORREA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não há nulidade se o lançamento foi efetuado por agente competente, com observância dos requisitos previstos na legislação tributária, tendo sido indicados os fundamentos de fato e de direito que amparam a autuação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento doloso adotado pelo sujeito passivo visa a impedir o fisco de tomar conhecimento da ocorrência do fato gerador. MULTA E JUROS MORATÓRIOS. IRRF. LANÇAMENTO ISOLADO. Mantémse o lançamento de multas e juros isolados em auto de infração contra fonte, quando esse se efetua após a data de entrega da declaração de IRPF pelos beneficiários dos pagamentos correspondentes. RECOLHIMENTO DO IRRF. ÔNUS PROBATÓRIO. O ônus probatório da existência de eventual recolhimento de imposto, havido antes da data de entrega da DIRPF, pelos beneficiários de pagamentos, é da fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 12 /2 01 3- 61 Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.039 2 (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Wilderson Botto (Suplente Convocado), Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante da decisão recorrida, que reproduzo abaixo: Introdução O processo trata de impugnações a autos de infração (AI) para lançamento de multas isoladas e de juros isolados por falta de retenção ou recolhimento de imposto de renda na fonte, às fls. 004/009, referentes a fatos geradores ocorridos entre abril de 2008 e maio de 2009. Os valores originários são demonstrados na tabela a seguir, com juros moratórios calculados até abril de 2013. A contribuinte Camargo Correa S/A (Camargo) teria efetuado pagamentos de verbas salariais (Gratificações e Participações Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.040 3 nos Resultados PPR), por intermédio de aportes a um plano de previdência complementar contratado junto à Seguradora Bradesco Vida e Previdência (Seguradora), destinados a apenas quatorze funcionários, no período de 01/04/2008 a 31/05/2009, de forma a assegurar sua dedução no lucro real, e a evitar a incidência de contribuições previdenciárias e demais encargos trabalhistas, bem como a retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF no momento do pagamento, propiciando, inclusive, que os ditos empregados submetessem seus rendimentos a uma menor tributação em razão do regime próprio dos planos de previdência privada complementar. Tal procedimento teria se dado com falsa declaração, por deixar de acrescentar as ditas verbas à base de cálculo salarial e para tanto teria se utilizado de meio ardiloso na consecução dos referidos pagamentos. A autuada foi cientificada, em 26/04/2013, dos AI referentes aos tributos e consectários legais, acompanhado do termo de verificação fiscal (TVF), às fls. 13/59. A impugnação aos AI encontrase às fls. 638/695, tendo sido apresentada, tempestivamente, em 27/05/2013. Termo de verificação fiscal A seguir transcreveremos o resumo da autuação, apresentado pelo agente fiscal no relatório de 47 folhas, no que concerne aos tributos em discussão neste processo. O procedimento fiscal em apreço originouse de fiscalização previdenciária ocorrida entre 28/02/2011 e 16/12/2011, que resultou na lavratura de dois autos de infração e na formação de dois processos a eles correspondentes. O período abrangido por aqueles procedimentos era de janeiro de 2006 a dezembro de 2010 enquanto que o período lançado no presente processo foi de janeiro de 2008 a maio de 2009. Os fatos apurados naqueles procedimentos bem como os documentos que os embasaram foram utilizados como elementos de convicção na presente autuação. Em síntese, do TVF se extrai: • Pela documentação apresentada, Folhas de Pagamento e contabilidade, constatouse que a empresa disponibilizou, a empregados e dirigentes, plano corporativo de previdência complementar contratado com a seguradora Bradesco Vida e Previdência S.A., CNPJ 51.990.695/0001 37. • Foi instaurado procedimento de diligência fiscal na seguradora, pelo qual se verificou a existência de quatro planos corporativos de previdência complementar, instituídos em 16/12/1997, 01/08/2001, 01/09/2002 e 01/05/2010. • O TVF analisa apenas o segundo, pois o primeiro já não vigorava no período sob fiscalização, o terceiro foi cancelado (teve seus participantes transferidos para o segundo) e no último não foram constatadas irregularidades. Nas fls. 17/21 são apresentadas as características contratuais desse segundo plano. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.041 4 • Os participantes (empregados e dirigentes da empresa) são segregados em dois grupos, com base no seu nível salarial mensal: Grupo I, funcionários de maior salário, ocupantes de funções de chefia e direção e Grupo II, funcionários menos qualificados. • Participantes do Grupo I realizavam contribuições mensais para uma CONTA PREVIDENCIÁRIA DE PARTICIPANTE. A instituidora também realizava contribuições mensais, iguais às do participante, em CONTA PREVIDENCIÁRIA DE INSTITUIDORA, individualizada em nome de cada participante, sendo ambas as contas destinadas ao custeio do plano. • Existia ainda uma CONTA VOLUNTÁRIA DE PARTICIPANTE, formada por contribuições suplementares (cláusula 5.1.2.1) de participantes e da instituidora (cláusula 5.1.2.3), não destinada a custeio do plano. Por fim, havia um FUNDO COLETIVO DE PARTICIPANTE (cláusula 6.4), composto por créditos da instituidora apenas, em favor dos participantes do Grupo II, mas sem a contrapartida contributiva destes. • Os benefícios do plano eram de duas naturezas: “Aposentadoria por Idade, Reversível ao Cônjuge”, destinado aos participantes do Grupo I e “Múltiplo de URCC” destinado aos participantes do Grupo II. • Também foi constatado que 94% das contribuições suplementares são para apenas 9 beneficiários, todos ocupantes de funções de diretoria e conselho de administração. • A disparidade das contribuições suplementares (98,89 % empresa e 1,11% participantes), além da discrepância, indica que houve favorecimento de uns em detrimento de outros. • Da análise de alguns beneficiários das contribuições suplementares, verificase que os valores destas contribuições são flagrantemente desproporcionais aos respectivos salários mensais, conforme Tabelas 3 e 4 (fl. 24). • A despeito da vedação da cláusula 8.2 (fl. 21) do plano de previdência, a totalidade das contribuições suplementares foi objeto de resgates e transferências sem observar a periodicidade mínima de 60 dias. • Na contabilidade da Fiscalizada, o custeio do plano encontra se contabilizado, no período de 01/2006 a 04/2010, nas contas n° 209050061 e n° 421060001 (Planos Previdenciários). No entanto, as contribuições suplementares da empresa foram contabilizadas como pagamentos de verbas salariais (Gratificações e Participações nos Resultados), conforme Tabela 8, à fl. 28. Ou seja, a própria empresa registra que os recursos contabilizados teriam natureza remuneratória. • O Tópico “2.3 Da Participação nos Resultados" (fls. 29/31) traz informações sobre os planos de participação nos resultados Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.042 5 PPR da empresa, demonstrando que não há previsão de participações nos resultados por intermédio de planos de previdência, nem que os mesmos não transitariam pelas folhas de pagamento. • Em resposta a diversas intimações fiscais, a contribuinte sempre alegou (sem apresentar documentos) não haver parâmetro ou métricas salariais entre os valores das contribuições suplementares e os salários dos respectivos beneficiários, os valores são discricionários. Também justificou que apesar de os registros contábeis (indicados na tabela 8) descreverem pagamentos de gratificações e participações nos resultados via plano previdenciário, "os mesmos são apenas contábeis". • Observase que no período autuado, 01/04/2008 e 31/05/2009, do total das contribuições aportadas pela empresa, 91% o foram a título de contribuição suplementar e se dirigiram apenas a seis de seus diretores. A diferença releva a falta de isonomia no tratamento dos participantes, violando o disposto no art. 16 da Lei Complementar nº 109 de 29/05/2001, que regula o Regime de Previdência Complementar. Também nos termos do artigo 28, parágrafo 9°, alínea "p" da Lei n° 8212/91, os valores pagos pela empresa relativos a plano de previdência privada só não integram o salário de contribuição se houver a disponibilidade a todos os empregados e dirigentes. • Além disso, o resgate dos aportes vertidos pela instituidora devem respeitar carência mínima, de um ano, contado a partir do primeiro dia útil do mês de janeiro do ano subsequente ao da contribuição, de acordo com ao art. 56, § 4º, da Circular SUSEP 139/2005. • Os saques e transferências feitos em prazo inferior a 15 dias desvirtuaram o caráter previdenciário dos benefícios, exigidos pela Lei Complementar 109/2001, que é a acumulação de reservas para complementação de aposentadorias. • Diante dos fatos, a Fiscalização constatou que a empresa utilizouse do plano de previdência complementar, na modalidade FGB, contratado com a seguradora Bradesco Vida e Previdência para, valendose de um contrato que prevê contribuições suplementares estranhas ao custeio do plano, efetuar o pagamento de verbas salariais aos funcionários ocupantes de funções de direção e chefia, sem a incidência de contribuições previdenciárias, encargos trabalhistas e a devida tributação na fonte, pois as referidas verbas salariais não transitaram pelas folhas de pagamento. • Pelas suas condições específicas, no período da autuação, o Plano Bradesco Vida e Previdência representou um meio indireto para oferecer vantagens econômicas de natureza remuneratória a 14 funcionários com funções de direção e chefia, em contraprestação aos serviços prestados, realizada Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.043 6 pela empresa por intermédio de vultosas contribuições suplementares. • A descrição das operações realizadas, leva a concluir pela existência de simulação, pois há divergência entre a vontade real, de pagar salários ou gratificações, e a fingida, depósitos em contas de previdência privada, não tributáveis. Tudo isso só foi descortinado após minucioso cotejo entre os dados contábeis da fiscalizada e das diligências realizadas na seguradora Bradesco. Inexistente tal fiscalização, não seria identificada a infração, sendo os atos praticados pela fiscalizada voltados a impedir ou retardar a ocorrência dos fatos geradores dos tributos, pela subversão dos institutos da previdência privada. • A situação descrita no TVF subsumese à hipótese prevista no artigo 72 da Lei n° 4.502 de 30/11/1964, pois o Contribuinte contratou um plano corporativo de previdência complementar com a seguradora Bradesco a fim de remunerar seus principais executivos. Resta evidente a intenção de sonegar quando se constata que os valores pagos não constam nas declarações tributárias (DIRF), nas folhas de pagamento e nos acordos de participações nos resultados. • Tendo em vista que a fiscalizada deixou de reter e recolher imposto de renda no pagamento de verbas que tinham natureza salarial, mas tais valores estariam sujeitos a ajuste na declaração de rendimentos dos beneficiários, a exigência do imposto da fiscalizada fica impossibilitada após o prazo de entrega da DIRPF pelos beneficiários. Por essa razão, com base nos arts. 624, 717 e 722 do RIR/99 c/c art. 9º da Lei nº 10.426/2002, foi efetuado o lançamento de ofício de multa isolada e juros moratórios em razão da não retenção e do não recolhimento do imposto de renda na fonte. • A multa aplicada foi a definida no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, 150% sobre o imposto não recolhido, em face do intuito de fraude anteriormente descrito; os juros cobrados tiveram por base a taxa SELIC aplicada desde o vencimento da data para o recolhimento, até o termo final para entrega da DIRPF dos beneficiários. Impugnação Introdução De início, apresenta um breve relato sobre a autuação combatida, bem como sintetiza as alegações preliminares e de mérito que serão desenvolvidas na impugnação. A seguir, discorre sobre o plano de previdência complementar firmado com a empresa Bradesco Vida e Previdência S/A, o qual se trataria de um programa preestabelecido e aprovado pelas normas reguladoras das regras que regulam a aposentadoria complementar, citandoas. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.044 7 Ressalta que a origem da presente cobrança decorre de fiscalização previdenciária anterior que se encontrava em litígio na esfera administrativa sem decisão final, e pela mesa razão não há que se dar força à convicção fiscal aqui atacada. Afirma que a autuação silencia quanto à regularidade das condições estabelecidas em contrato, e tenta estabelecer situações que não se coadunam com a legislação aplicável, sendo eivada de subjetivismo fiscal ao concluir que o plano de previdência visava ao resgate como única razão de ser. Até mesmo a interpretação fiscal dos aspectos contábeis seriam equivocadas, o que buscará demonstrar com a existência de uma lógica atuarial nos aportes por ela realizados e não de meros pagamentos por participação nos resultados. Preliminares de nulidades apontadas Segue apertado resumo das nulidades apontadas pela impugnante: • após o aporte realizado pela patrocinadora ao plano de previdência, o resgate passa a ser uma faculdade regularmente prevista em lei, para a destinação que o então beneficiário participante queira dar a tais vinculados numerários, o que caracteriza a ora impugnante como parte ilegítima a compor o pólo passivo desta autuação, por não ter qualquer forma de controle sobre tais ocorrências, caso fosse obrigatória alguma retenção e recolhimento de IRRF isto caberia à entidade seguradora e gestora do plano; • são infundadas as ilações fiscais quanto a valores pretensamente elevados no âmbito dos aportes em análise, tanto por ser inexistente qualquer regra legal que imponha limites valorativos a tais aportes, quanto pela totalmente falha tentativa de demonstrar uma desproporcionalidade de tais aportes frentes aos salários mensais apresentados no relatório fiscal desta autuação; Mérito Da universalidade do plano de previdência complementar A impugnante admite que que os valores em discussão foram disponibilizados efetivamente como contribuição suplementar. Contudo, invoca os arts. 27 e 68 da LC n°109/2001 para reafirmar que as contribuições do empregador não integram o contrato de trabalho nem sua remuneração, sobre elas não incidindo tributação, bem como a existência da possibilidade de resgate parcial ou total dos recursos pelos participantes. Salienta que o § 9° do art. 28 da Lei n° 8.212/1991, em sua alínea p), asseguraria que o valor das contribuições por ela pagos relativamente ao programa de previdência complementar não integre o saláriocontribuição para fins previdenciários. Assim, ela teria rigorosamente cumprido os comandos legais, Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.045 8 sobre a matéria, ao disponibilizar para todos os seus colaboradores um plano de previdência complementar. A instituição de valores suplementares também seria compatível com a legislação, sendo assim isenta do IRRF a sua disponibilização ao plano correspondente, de acordo com o inciso VIII do art. 6 da Lei n° 7.713/1988. A discricionariedade dos valores aportados, bem como sua frequência, não viola qualquer legislação. Cita acórdão que suportaria seu argumento. Salienta que a isenção seria aplicada sobre valores destinados à previdência complementar, desde que esta abranja a todos os empregados e dirigentes do contribuinte o que, entende incontroverso nos autos. Da lógica atuarial A impugnante apresenta laudo técnico atuarial (fls. 709/752), firmado em dezembro de 2011, como contraponto ao raciocínio fiscal, procurando demonstrar a validade do seu plano de previdência complementar. Tal laudo serviria para demonstrar que os valores aportados de forma suplementar não o foram de maneira aleatória, mas visavam suprir complemento de aposentadoria com renda mensal vitalícia próxima ao patamar de 50% do último salário do participante, salvo, se por inciativa do próprio participante, ocorrerem resgates no curso dos tempos ou exercício da portabilidade, ambos legalmente respaldados. Para tanto, levaria em consideração alguns dados dos participantes: a idade, data de adesão ao plano, idade estimada para aposentação, salário mensal. O fato de o beneficiário do plano exercer o direito a portabilidade ou resgatar os valores, com base na lei, não pode ser utilizado para retirar a legitimidade do plano instituído pela empresa e assim tornar os valores suplementados base de incidência tributária, como se parcelas salariais fossem. A própria falta de homogeneidade dos valores aportados seria um sinal da regularidade do plano, na medida em que a correspondente mensuração destes valores obedece a especificidade da situação pessoal de cada um dos beneficiários. Na sequência, a impugnante aborda diversos pontos do laudo atuarial buscando demonstrar que esse dá o suporte técnico para suas afirmações de regularidade econômica e jurídica dos aportes suplementares por ela realizados e da importância destes para consistência do plano de previdência complementar. Considerações diversas Aqui, reafirma que não há norma que limite os valores suplementares por ela aportados ao plano, cabendo a ela discricionariamente fazêlo a qualquer tempo e laudo atuarial que apresenta com a impugnação atestaria a necessidade e regularidade destes aportes. Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.046 9 Assim, não existiria dolo ou fraude da sua parte, estando, inclusive, todas as informações fiscais exigidas por lei disponibilizadas em meio eletrônico, pelo que a contribuinte não se furtou do seu dever de lealdade perante o fisco. No mesmo sentido, a possibilidade de resgates ou pagamentos a beneficiários é faculdade a eles concedidas por lei e que não trazem qualquer vantagem ou ganho à autuada, não podendo ela ser maculada por atos dessa natureza que tenham sido por eles praticados. Discussão sobre os valores em caso de manutenção da autuação Decadência parcial O AI envolve alegadas faltas de retenção e recolhimento de IRRF às quais seriam aplicáveis o art. 150, § 4° do CTN, pois o lançamento referente à abril de 2008 já não mais poderia ser constituído em abril de 2013. Exclusão dos valores de carregamento Pleiteia a contribuinte a exclusão da ‘taxa de carregamento’ da “base de incidência previdenciária” (sic), destinada ao custeio inerente à administração do plano de previdência complementar. Tal “taxa” é contemplada no contrato com a entidade gestora e seguradora, servindo para sua remuneração, e por isso não se incorpora ao patrimônio do beneficiárioparticipante. Da exclusão dos valores vinculados ao exercício legal da portabilidade A impugnante entende que o relatório fiscal em sua tabela 05 admite que 54% dos valores da base de incidência previdenciária lançada referemse a resgates sem exercício da portabilidade, que é a transferência de valores de um plano de previdência complementar para outro plano da mesma natureza. De forma incontroversa é admitido de 46% daqueles valores foram utilizados legitimamente na portabilidade. Tendo em vista que a portabilidade não caracteriza resgate, seria injurídico que as parcelas a ela relacionadas fossem mantidas como salário disfarçado e utilizadas como base para apuração da penalidade nos autos. Dos consectários legais Multa aplicada a terceiro De início, a impugnante afirma que a multa não poderia ser a ela aplicada tendo em visto que a norma define como sujeito da penalidade a fonte pagadora e esta seria, caso fosse devida tal penalidade, a entidade gestora e seguradora do plano. A norma penal não aceitaria ao alargamento para incluir pessoa não prevista, pois a responsabilidade é pessoal do agente e por isso não se pode passar a outrem que não aquele definido na lei. Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.047 10 A autuada não seria fonte pagadora, pois não entregou nenhum valor às pessoas físicas arroladas no AI, falta vínculo legal para aplicação da penalidade, por isso sua imputação deve ser afastada. Multa confiscatória Forte em decisões exaradas no STF, afirma a abusividade das multas aplicadas, sejam as de 75% sejam as duplicadas de 150%, por violação do postulado do art. 150 IV, da Constituição Federal, do nãoconfisco, e dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Ilegitimidade da aplicação da multa dobrada na espécie dos autos Apesar de a fiscalização ter entendido que a contribuinte agiu com fraude e simulação, a argumentação desenvolvida nesta impugnação demonstra que a contribuinte sempre teria acreditado que estava agindo corretamente, dentro da legalidade, ao patrocinar o mencionado plano de previdência complementar. Assim, não aceita ser taxada de sonegadora, o que afastaria a multa dobrada pela incidência do previsto no art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Dos juros A autuada reafirma que somente buscou propiciar condições legítimas para fruição da aposentadoria complementar de seus colaboradores, cumprindo as normas e que regulam a matéria. Caso seja legítima a retenção do IRRF, uma vez mais os juros, consectários legais do tributo, seriam devidos pela fonte pagadora, instituição de previdência complementar, ou pelo beneficiário, não sendo a impugnante sujeito passivo dessa obrigação. Além disso, afirma que não há comprovação da falta de recolhimento pelas pessoas físicas ou de recolhimento fora do prazo de retenção. Conclusões A impugnante ao final requerse o acolhimento e julgamento de procedência da impugnação interposta para o reconhecimento da total nulidade deste processo fiscal, pelo acolhimento dos argumentos preliminares suscitados, ou, se superados, pela sua improcedência respaldada pelos argumentos meritórios oportunamente apresentados. Na eventualidade de também serem superados os argumentos de mérito, que sejam excluídas as apontadas parcelas ilegítimas relativas: à decadência parcial, aos valores de carregamento e aos valores correlatos à portabilidade; além disso que se afaste os consectários legais, na forma anteriormente argumentada. A DRJ julgou a impugnação improcedente, mantendo a autuação integralmente. Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.048 11 Intimada dessa decisão, a recorrente intepôs recurso voluntário no qual, em síntese, reproduziu suas razões de defesa trazidas na impugnação, afirmando, ainda, a nulidade da decisão proferida pela DRJ por violação à ampla defesa, utilização de outras decisões administrativas como fundamento, contradição entre o acórdão atacado e o termo de verificação fiscal e exercício de aferição indireta sem fundamentação legal (fls. 861 a 922). Contrarrazões a fls. 1024. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini Relatora 1. ADMISSIBILIDADE. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. Anotese que a Procuradoria da Fazenda Nacional apontou deficiência na representação da recorrente, requerendo o não conhecimento do recurso, porque: " a procuração outorgada pela Camargo Correa S/A ao Sr. Ricardo Ferreira Pinto, signatário do recurso voluntário, tinha prazo de validade até 31 de dezembro de 2013 (fle. 762). O recurso, porém, foi protocolado em dezembro de 2015 (flse. 860/861 e 928), quando já expirado o prazo de validade do instrumento de mandato. A autoridade preparadora, percebendo o lapso, intimou a recorrente a regularizar a sua representação processual (fle. 992). Este, porém, somente juntou o instrumento procuratório em 20 de janeiro de 2016 (flse. 997/999), quando já ultrapassado o prazo de trinta dias para a interposição do recurso voluntário, considerando que o recorrente tomou ciência do acórdão da DRJ em 27 do novembro de 2015 (flse. 857/859). Além do mais, próprio instrumento de mandato somente foi outorgado em 15 de janeiro de 2016, ou seja, em tempo posterior à expiração do prazo recursal." Cita o enunciado de súmula da jurisprudência do STJ de nº 115, segundo o qual "na instância especial é inexistente recurso interposto por advogado sem procuração nos autos" argumentando que o recurso voluntário não deve ser conhecido pois interposto por quem não tinha representação para tanto. Neste ponto, entendemos que não tem razão a D. Procuradoria da Fazenda Nacional. Com efeito, o NPC/2015, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, prevê expressamente, em seu art. 104, "caput", que "o advogado não será admitido a postular em juízo sem procuração, salvo para evitar preclusão, decadência ou prescrição, ou para praticar ato considerado urgente" (Destacamos). Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.049 12 O seu § 1º dispõe, na sequência, que "nas hipóteses previstas no caput, o advogado deverá, independentemente de caução, exibir a procuração no prazo de 15 (quinze) dias, prorrogável por igual período por despacho do juiz". No presenta caso, a recorrente foi intimada a regularizar sua representação processual aos 13/01/2016 (fls. 992/994) e, na ocasião, foilhe concedido prazo de 15 dias para fazêlo. Essa intimação foi atendida pela recorrente aos 20/01/2016, portanto, dentro do aludido prazo de 15 dias. Desse modo, a regularização da representação processual da recorrente se deu regular e tempestivamente, pelo que seu recurso deve ser conhecido. 2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS. O recurso voluntário, como bem registrou a Procuradoria de Fazenda Nacional, não apresenta uma sequência de argumentos clara, muitas vezes as preliminares se confundindo com o mérito. Diante disso, adotaremos a proposta de concisão adotada pela PGFN em suas contrarrazões, analisando as questões trazidas no recurso voluntário conforme sequência abaixo. 3. PRELIMINARES 3.1. NULIDADE DA DECISÃO ATACADA. Conforme relatado, a recorrente sustenta a nulidade da decisão recorrida em razão de: i) violação à ampla defesa; ii) utilização de outras decisões administrativas como fundamento; iii) contradição entre acórdão atacado e termo de verificação fiscal; iv) exercício de aferição indireta sem fundamentação legal. (i) Violação à ampla defesa. A recorrente argumenta que a DRJ passa rapidamente pelas questões preliminares suscitadas em sua impugnação "sem lhes dar a atenção jurídica que merecem", uma vez que apenas teria fundamentado seu posicionamento no argumento de que "nada no processo indica a existência de qualquer das irregularidades que levem à nulidade do AI, dispostos no art. 10 e 50 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1992PAF". Na sequência, a recorrente passa a tratar do mandamento constitucional da ampla defesa e do contraditório, bem como das determinações constantes do NCPC acerca do tema. No entanto, entendemos que não tem razão a recorrente. Com efeito, a jurisprudência sedimentada de nossos Tribunais Superiores é no sentido de que fundamentação concisa não se confunde com fundamentação insuficiente ou ausência de fundamentação, não estando o julgador obrigado a se pronunciar sobre todas as questõe suscitadas pelas parte no processo. Se a decisão recorrida padece dos vícios que lhe impinge a recorrente, o que entendemos que não é o caso, em seu recurso também não logrou demonstrar ter havido prejuízo ao seu direito de defesa que implique em reconhecimento de nulidade da decisão Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.050 13 recorrida ou do processo administrativo. Seus argumentos, neste ponto, com todo o respeito, confundemse com o mérito e demandam análise do mérito. No mais, como ressaltado pela decisão recorrida, porém, de maneira suscinta, de acordo com o artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, que rege o processo administrativo fiscal, somente se caracteriza a nulidade do lançamento se o ato for praticado por agente incompetente (inciso I), bem como, em relação aos despachos e decisões (inciso II), se proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, o que, como ressaltamos, entendemos não ser o caso. Ademais, também conforme ressaltado pela decisão recorrida, porém sucintamente, o lançamento está perfeito sob o aspecto formal, uma vez que foram atendidos todos os requisitos constantes do art. 10 do Decreto n° 70.235/19721. Diante de todo o exposto, entendemos que não se há falar em nulidade, seja da decisão recorrida, seja do auto de infração, uma vez que o julgador apreciou os pontos suscitados pela recorrente, embora de forma concisa, porém de maneira suficiente a permitir o regular exercício de seu direito de defesa. (ii) Utilização de outras decisões administrativas como fundamento. As razões de convencimento do julgador devem ser expostas de forma clara e seus fundamentos devem ser lógicos. Adotar decisão emanada por outra turma, mesmo que ainda não transitada em julgado, não importa em nulidade. Tratase, em verdade, de alinhamento aos termos de decisão proferida por outro julgador. As decisões mencionadas pela recorrente foram proferidas nos processos administrativos de nºs 16561.720049/201128 e 16561.720050/201152, que envolvem os mesmos fatos aqui discutidos, mas deram origem ao lançamento de contribuições previdenciárias, enquanto os presentes autos têm por objeto o lançamento de multa isolada decorrente da não retenção na fonte do imposto de renda. Como bem observou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em suas contrarrazões, a legislação expressamente permite a chamada fundamentação “per relationem” ou “aliunde”, conforme se verifica do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/98: Art. 50 Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. 1 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.051 14 Assim, igualmente neste ponto, não se há falar em nulidade da decisão recorrida. (iii) Contradição entre acórdão atacado e termo de verificação fiscal A alegada contradição entre a decisão recorrida e o Termo de Verificação Fiscal quanto ao número de funcionários beneficiados pelos aportes suplementares se trata, na realidade, de referência da DRJ a elementos que constam do proprio TVF (fls. 23): “Será demonstrado no curso do presente Termo que o contribuinte em epígrafe, efetuou pagamentos de verbas salariais (Gratificações e Participações nos Resultados), por intermédio de aportes a um plano de previdência complementar contratado junto à Seguradora Bradesco Vida e Previdência CNPJ 51.990.695/000137, destinados a apenas quatorze funcionários, no período de 01/04/2008 a 31/05/2009, de forma a assegurar sua dedução no lucro real, e a evitar a incidência de contribuições previdenciárias e demais encargos trabalhistas, bem como a retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF no momento do pagamento, propiciando, inclusive, que os ditos empregados submetessem seus rendimentos a uma menor tributação em razão do regime próprio dos planos de previdência privada complementar. (...) A média anual de vínculos (GFIP) no período fiscalizado (01/01/2006 a 31/12/2010) foi de 1.350 (um mil trezentos e cinqüenta) funcionários. Destes, 118 funcionários (cento e dezoito) contribuíram para o plano e apenas 29 foram beneficiários das contribuições suplementares da empresa (R$ 45.044.456,79) (ANEXO 7)." (fls. 13 e 23) (Destacamos) Desse modo, se a decisão recorrida faz referência a elementos do próprio Termo de Verificação Fiscal, não se há falar em contradição entre ambos e, por conseguinte, em nulidade da decisão recorrida. (iv) Exercício de aferição indireta sem fundamentação legal Neste ponto, a recorrente alega que o lançamento teria sido realizado por meio de aferição indireta ou arbitramento, o que não é verdade. Como bem observado pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarrazões, manifestação à qual pedimos vênia para reproduzir, (...) em momento algum o lançamento se valeu de aferição indireta, nem mesmo implicitamente. Primeiro, o art. 33, § 6º, da Lei nº 8.212, de 1991, invocado pelo contribuinte, simplesmente não é aplicável ao caso, pois o presente lançamento é relativo a imposto de renda, e o referido dispositivo trata da aferição indireta de contribuições previdenciárias. Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.052 15 Quanto ao art. 148 do CTN, que trata do arbitramento, este não foi invocado pelo recorrente. Nada obstante, verificase que ele também não é aplicável ao caso, pois a autoridade fiscal não desconsiderou ou negou fé as declarações, documentos ou esclarecimentos prestados pelo sujeito passivo. Pelo contrário, utilizouos como fundamento para a efetivação do lançamento. Com efeito, a autoridade fiscal registrou que a própria contabilidade do contribuinte corroborava a natureza salarial dos aportes suplementares, pois eles assim foram registrados, verbis: “2.2. Contabilidade Na contabilidade (Livros Diário e Razão) foi observado que o custeio do plano encontrase contabilizado, no período de 01/2006 a 04/2010, nas contas n° 209050061 e 421060001 (Planos Previdenciários). Também foi observado que as contribuições suplementares da empresa, daí a constatação de sua desvinculação do custeio do plano, foram contabilizadas como pagamentos de verbas salariais (Gratificações e Participações nos Resultados), conforme comprovam (por amostragem) os históricos dos lançamentos contábeis abaixo reproduzidos na tabela. (...) Por último, como evidência da utilização do plano de previdência privada para pagamentos de verbas salariais (gratificações e participações nos resultados), foram constatados diversos lançamentos contábeis confirmando a prática, entre os quais, por exemplo, dois registros ocorridos em 30/04/2009 na conta n° 209050061 (vide tabela 2 acima), devidamente identificados como referentes ao PPR 2008, um de R$ 8.063.931,66 e outro de R$ 4.329.926,63, no valor total de R$ 12.393.858,29 (doze milhões e trezentos mil reais), pagos por intermédio das referidas contribuições suplementares a 04 (quatro) funcionários, ocupantes de funções de diretoria e conselho de administração, conforme confirmam os dados fornecidos pela seguradora Bradesco abaixo reproduzidos na tabela 9”. (Destacamos) Portanto, verificase que não houve, de fato, sequer o arbitramento conforme disposto no art. 148 do CTN, razão pela qual, mais uma vez, não se há falar em nulidade da decisão de primeira instância. 3.2. ILEGITIMIDADE PASSIVA DA RECORRENTE Alega a recorrente sua ilegitimidade para figurar como sujeito passivo do presente auto de infração, pois caso houvesse a obrigação legal de retenção de imposto de renda na fonte, esta obrigação caberia à seguradora, que permitiu os resgates dos aportes suplementares pelos beneficiários. Ocorre que o que se discute nos presentes autos e que gerou a autuação não é a movimentação dos valores relativos aos aportes suplementares já em posse da seguradora, mas sim o fato de que toda a operação, na verdade, constituiu uma simulação visando a afastar Fl. 1052DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.053 16 a incidência de tributos pela qual a recorrente é diretamente responsável, conforme registrado no Termo de Verificação Fiscal. Nesse sentido, a impugnação relativamente à sua legitimidade ou não para figurar no polo passivo do presente processo administrativo em razão desses fatos arguidos pela recorrente, por conseguinte, implica necessariamente em análise de mérito, qual seja, se houve ou não simulação. Desse modo, enquanto preliminar, esse argumento não deve ser acolhido. 4. MÉRITO. Quanto ao mérito, no que concerne à alegação de que os aportes suplementares desiguais não significam que o plano de previdência não teria sido oferecido a todos e atenderia ao principio da universalidade, a recorrente não apresentou nenhuma prova nesse sentido e, ao contrário, a estruturação dos planos de previdência demonstram justamente o contrário. Com efeito, conforme bem demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, o procedimento da recorrente em relação aos aludidos planos de previdência visava mascarar o pagamento de outras verbas de natureza salarial como se de aportes em previdência privada complementar se tratasse. No período compreendido entre 01/2006 a 04/2010, o quadro de colaboradores da empresa era composto por 1.350 funcionários, dos quais apenas 118 contribuíram para o aludido plano de previdência, sendo que do total de contribuintes aderentes, apenas 29 foram beneficiados com as contribuições suplementares da empresa, ora em discussão (fls. 23). Notese que do valor total das contribuições (básica e suplementar) suportadas pela empresa (R$ 47.937.734,89), aproximadamente 96 % (R$ 45.909.087,29) foi na modalidade de contribuição suplementar, destinada a esses 29 colaboradores, no período de 04/2008 a 05/2009, objeto de discussão nestes autos. E como anotou a Procuradoria da Fazenda Nacional, do valor total creditado a título de contribuições suplementares da empresa no período de 01/01/2006 a 30/04/2010, 94% foi destinado a apenas 09 (NOVE) beneficiários, todos ocupantes de funções de diretoria e no conselho de administração (fls. 23). Ou seja, a estrutura da operação demonstra que não é verdadeira a alegação da recorrente no sentido de que o aludido plano de previdência teria sido ofertado a todos os seus colaboradores, pois não nos parece crível que dentre 1.350 funcionários, à exceção de apenas aqueles mencionados 118, todos os demais rejeitassem um plano de previdência no qual participariam com menos de 2% do valor dos aportes enquanto a recorrente se incumbiria dos 98% restantes. Quanto à alegação de que não incidiriam contribuições previdenciárias e imposto de renda sobre os aportes suplementares pois alcançados por isenção, esse fato dependeria da integral observância, pelos aludidos planos de previdência, das normas legais, o que não se verifica neste caso. Além de não atender ao principio da universalidade, nas análises individuais dos pagamentos, verificamse pagamentos em valores que superam em muito a remuneração Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.054 17 dos beneficiários, conforme bem observado pela PGFN, ressaltando as constatações do Termo de Verificação Fiscal a esse respeito: Os valores das contribuições suplementares, analisados de forma individual, são flagrantemente desproporcionais aos salários dos respectivos beneficiários. Em relação ao Diretor Presidente, a proporção dos aportes chegou a 29,5 vezes o valor do salário; em relação ao Presidente da Divisão de Cimentos, a proporção chegou a 226,5 vezes. Ademais, a liberdade de saque dos valores depositados e a conduta contumaz dos beneficiários em realizar saques e movimentações igualmente reforçam as conclusões a que chegou o auditor no Termo de Verificação Fiscal. No mais, considerando que o recurso voluntário apenas reproduziu os argumentos apresentados em sede de impugnação, tendo em vista o que dispõe o art. 57, §3º do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, adoto, em complementação a este voto, como razões de decidir, os seguintes fundamentos da decisão de primeira instância, com os quais estou de acordo: (...) Se aceitarmos o argumento da contribuinte que os aportes suplementares nada mais são do que sua contribuição [da recorrente] ao plano de previdência complementar, realmente não haveria razão para existência de IRRF que teria deixado de ser recolhido pela Camargo, ou este deveria ser retido apenas da Seguradora. Todavia, o alentado TVF já trouxe elementos suficientes para o convencimento de que se estava tratando de verbas de natureza salarial. Também nesse sentido, peço vênia para transcrever excerto do voto da relatora Beatriz Passeto de Oliveira Pinto, dentro do mencionado processo n° 16561.720049/201128, no qual entendo caracterizados esses elementos e que já foi corroborado inclusive no acórdão 2301004.258 da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária do CARF: Do Mérito das Contribuições Lançadas – Previdência Privada 28. Com relação às verbas pagas a título de previdência privada, temse que deve ser observada a legislação a seguir relacionada. 28.1 A Constituição Federal de 1988 (CF/88) estabelece em seu artigo 202, parágrafo 2º, norma relativa à previdência privada: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de Fl. 1054DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.055 18 benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) (grifos nossos) 28.2 A Lei Complementar n.º 109, de 29/05/2001, por sua vez, assim dispõe sobre os valores destinados à previdência complementar, em seus artigos 16 e 69: Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1º Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. (...) Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1º Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...) 28.6 Por disponibilidade, há de se entender acesso livre, desimpedido, desembaraçado, com a possibilidade de opção de adesão ou não ao programa, por todos os empregados e dirigentes. 28.7 No caso, após análise dos Regulamentos dos Planos de Previdência Complementar apresentados, constatouse que no Programa instituído em 01/08/2001 com a seguradora Bradesco Vida e Previdência não se verifica a hipótese de isenção prevista na alínea “p” do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, em relação aos aportes das contribuições suplementares realizados pela empresa em benefício apenas de somente 29 funcionários ocupantes de cargos de chefia e direção. 28.8 E apesar da argumentação trazida pela Impugnante, verifica se que os referidos pagamentos, a título de contribuições suplementares de previdência privada complementar, não atenderam os requisitos estabelecidos na Lei nº 8.212/91 para a não incidência, conforme explicitado pormenorizadamente nos Termos de Verificação Fiscal, e como será ratificado a seguir. 28.8.1 Muito embora o número de beneficiáriosparticipantes do Grupo I fosse, em média, no período fiscalizado, de 118 funcionários, apenas 29 funcionários foram beneficiários das contribuições suplementares da empresa, conforme o Anexo 7. E do total das contribuições (básica e suplementar) suportadas pela empresa (R$ 47.937.734,89), aproximadamente 96 % (R$ Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.056 19 45.909.087,29) foi na modalidade contribuição suplementar da empresa. 28.8.2 A paridade entre as contribuições básicas (50,24 % empresa e 49,76 % participantes) demonstra a sua finalidade de custeio do plano. Entretanto, a disparidade das contribuições suplementares (98,89 % empresa e 1,11 % participantes), indica distorção da lógica que norteia uma previdência complementar corporativa. 28.8.3 Ainda em relação às contribuições suplementares, também foi constatado que o valor creditado, a título de contribuições suplementares da empresa (R$ 42.084.734,06), no período de 01/01/2006 a 30/04/2010, a apenas 09 beneficiários (tabela 2), todos ocupantes de funções de diretoria e conselho de administração, equivale a 94% (noventa e quatro por cento) do montante total desta modalidade de contribuição. 28.8.4 O AuditorFiscal demonstrou nos Termos de Verificação Fiscal a grande relevância dos valores patronais aportados em relação aos rendimentos do trabalho declarados, pelos dirigentes, como por exemplo, o presidente da Divisão de Cimentos empresa, que em 04/2009 recebeu, por meio das contribuições suplementares patronais do plano de previdência complementar, um montante (R$ 2.264.581,91) correspondente a duzentas e vinte e seis e meia vezes o seu salário mensal declarado (R$ 10.000,00). Ora, não é concebível que um plano de previdência privada, que deve ter como objetivo a acumulação de reservas para a complementação de aposentadorias, receba aportes feitos pela empresa muito superiores aos salários recebidos pelo funcionário beneficiado. 28.9 Cabe ressaltar, aqui, que o fato do Auditor Fiscal informar no Termo de Verificação Fiscal que os valores das contribuições são substanciais em relação aos salários dos dirigentes foi no sentido de demonstrar que tais valores constituem verbas remuneratórias. 28.10 Outro ponto relevante é o fato de que a totalidade das contribuições suplementares foi resgatada/transferida, sem justificativa, em um prazo inferior a 15 dias, apesar da cláusula 8.2 do Plano de Previdência Complementar regular a periodicidade de resgates e transferências, estabelecendo periodicidade mínima de 60 dias, somente admitindo saques parciais antes desta carência em situações excepcionais, devidamente justificadas. Ou seja, o que era para ser exceção tornouse regra, desvirtuando o caráter previdenciário dos benefícios exigido expressamente pela LC 109/2001 em seu artigo 19, que é a acumulação de reservas para complementação de aposentadorias: Art. 19. As contribuições destinadas à constituição de reservas terão como finalidade prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, observadas as especificidades previstas nesta Lei Complementar. 28.11 Ora, um contrato de previdência complementar instituído pela empresa em favor de seus funcionários, visa garantir a complementação da aposentadoria e outros benefícios ao participante e, portanto, pressupõe duração no tempo e que ambos, empresa e funcionário, devam contribuir ao longo deste tempo, embora não necessariamente na mesma proporção. 28.12 Não tem cabimento excluir da incidência de contribuições previdenciárias os valores pagos visando a instituição de um plano Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.057 20 de previdência complementar, onde houve apenas desembolsos da empresa com resgates efetuados pelos beneficiados em período tão curto. O legislador ao excluir da base de cálculo das contribuições devidas à Seguridade Social os valores referentes aos aportes feitos pela empresa a plano de previdência privada a favor de seus funcionários, teve como objetivo incentivar a prática da previdência privada com todas as suas repercussões econômico sociais (segurança social do trabalhador, poupança interna, fontes de investimento etc). 28.12.1 A empresa lançou as referidas contribuições suplementares em contas contábeis referentes a verbas salariais – remuneração variável (Gratificações e Participações nos Resultados); 28.12.2 Diante das 3 intimações da Fiscalização (Anexos 19, 21, e 23), para esclarecimentos sobre quais métricas salariais embasaram os valores das contribuições suplementares, o Contribuinte esclareceu, sem apresentação de documentos, que: As contribuições suplementares efetuadas em favor dos contribuintes listados no quadro contido no Termo de Intimação Fiscal n° 2011/003 foram definidas de forma discricionária, visando a aproximação aos benefícios previdenciários que o Plano proporciona. Levaram em consideração as características individuais dos participantes, tais como seu cargo, sua idade, tempo de contribuição ao plano; (...) 28.12.3 O Contribuinte também informou, sem apresentação de nenhum documento, que apesar dos históricos dos registros contábeis descreverem pagamentos de gratificações e participações nos resultados via plano previdenciário, os mesmos são apenas contábeis. 28.13 Como já foi acima exaustivamente enfatizado, os pagamentos que transitaram por meio do plano de previdência complementar (seguradora Bradesco Vida e Previdência), feitos a apenas 29 funcionários (com cargos de direção e chefia), além de não cumprirem os requisitos da legislação específica acima mencionada, foram contabilizados em contas impróprias, sem registros em folhas de pagamento e sem o desconto do imposto de renda na fonte. Desta forma, referidos pagamentos não estão abrangidos pela hipótese de exclusão de incidência de contribuições previdenciárias prevista no art. 28, §9º, “p”, da Lei 8.212/91, conforme foi acima salientado. 28.14 A própria Fiscalizada, em 17/11/2011 (Anexo 22) alegou que “Com a intenção de criar um instrumento de atração e retenção de profissionais, a Camargo Corrêa S.A. contratou um plano de previdência complementar com a empresa Bradesco Vida e Previdência S.A.” 28.15 Ou seja, em que pese a nomenclatura dos referidos pagamentos, as parcelas resultantes das contribuições suplementares aportadas pela empresa devem sofrer a incidência das contribuições sociais previdenciárias e de Terceiros, posto que são oferecidas pelo trabalho, de maneira a favorecer a obtenção e a retenção dos serviços dos colaboradores de alto desempenho, conforme informações prestadas pelo próprio Contribuinte. Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.058 21 28.16 Cumpre ressaltar que a Autuada reconhece que as contribuições suplementares não podem ser consideradas como de previdência complementar privada, na medida em que registra em sua contabilidade que os pagamentos (aportes) foram efetuados a título de PPR e gratificações, embora tenham sido intermediados pela seguradora Bradesco Vida e Previdência. Ora, tais rubricas (PPR e gratificações) têm natureza jurídica distintas, não podendo ser classificadas como aportes para plano de previdência complementar, nos termos da Lei Complementar nº 109, de 29/05/2001. 28.17 Como visto, as contribuições suplementares aportadas pela empresa nas contas voluntárias do participante objetivam a obtenção e a manutenção dos executivos e funcionários de alto nível, razão pela qual o caráter contraprestativo e remuneratório é inerente. 28.18 Por óbvio que a empresa é livre para estabelecer políticas salariais internas, desde que não contrarie a lei, e de fato não existe previsão legal que impeça a empresa de impor as citadas restrições e condições à fruição do benefício em questão. Todavia, a lei expressamente prevê as hipóteses em que o benefício concedido pela empresa não integra o salário de contribuição, hipótese esta, em que o caso em tela não se enquadra. (...) Dessarte, conclusivamente, os aportes têm a natureza de remuneração. Por outro lado, não é possível aceitarse o argumento de que a contribuinte, apesar de contabilizar que os aportes decorriam de PPR, não tivesse a intenção de entregar esses valores a seus colaboradores colocados no Grupo II do contrato, no qual justamente encontramse os cargos mais altos da organização e que usufruiriam da suplementação desses altos valores associados aos resultados. No mesmo sentido, não é verossímil o argumento da empresa de que realizara mera adesão a uma forma contratual préexistente, pois não se trata de singela relação entre pessoa física ou mesmo de uma pequena empresa com um grande grupo segurador, mas de contratação realizada por um grande grupo, com assessoria jurídica competente, que tem domínio das cláusulas contratuais e seguramente nelas pode interferir. Foi também destacado que a Camargo fez esta operação favorecendo com altos aportes apenas a colaboradores com funções diretivas e do conselho de administração, valores muito altos favorecendo muito poucos que tem influência na administração. Aqui temos mais um indício da simulação, os beneficiários têm influência na administração da empresa e podem se beneficiar da não tributação dos pagamentos. Em linguagem figurada, simulação ocorre quando se retira o véu que encobre os atos e se descobre que o que estava aparente não é efetivamente o que aparentava ser. Descortinase uma vantagem obtida por aquele que simula, que não existiria se a Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.059 22 verdadeira vontade das partes não estivesse oculta, gerando prejuízos a terceiro. A prova da simulação pode ser efetuada através de indícios que, reunidos como substrato fático, formam presunção. Moacyr Amaral Santos, por sua vez, leciona: ... prova é a soma dos fatos produtores da convicção, apurados no processo. A prova indireta é o resultado de um processo lógico. Na base desse processo está o fato conhecido. O fato conhecido, o indício, provoca uma atividade mental, por via da qual poderseá chegar ao fato desconhecido, como causa ou efeito daquele. O resultado positivo dessa operação será uma presunção... O conjunto de indícios e presunções é chamado pela doutrina de prova indireta. Sobre o tema, Antônio da Silva Cabral assim se pronunciou: Valor da prova indireta. Em direito fiscal conta muito a chamada prova indireta. Conforme consta do Ac. CSRF/01 0.004, de 26/10/79, ‘A prova indireta é feita a partir de indícios que se transformam em presunções. Constitui o resultado de um processo lógico, em cuja base está um fato conhecido (indício), prova que provoca atividade mental, em persecução do fato conhecido, o qual será causa ou efeito daquele. O resultado desse raciocínio, quando positivo, constitui a presunção. Sobre o tema, prossegue o mesmo autor: O julgador de uma causa não esteve em contato com os fatos, não conheceu as circunstâncias e as pessoas que atuaram. Tudo isso é dado no processo e ele procura, manipulando as provas, chegar ao verdadeiro conhecimento dos fatos para, depois, aplicar a norma. Como todo ser humano que se debruça sobre os fatos, tem ele de valerse por vezes, da experiência adquirida com o trato da coisa pública. As presunções e os indícios servem, pois, para o julgador chegar à verdade dos fatos. Os elementos que possibilitam estabelecer juízo de valor a respeito da ocorrência de simulação são predominantemente de natureza indiciária. Tal fato, todavia, não surpreende. Francisco Ferrara, jurista italiano que é referência sobre o tema, ressalta que os elementos de prova que firmarão a convicção do juiz nos casos de simulação são, via de regra, de natureza indireta: A simulação como divergência psicológica da intenção dos declarantes, escapa a uma prova direta. Melhor se deduz, se pode argüir, se infere por intuição do ambiente em que surgiu o contrato, das relações entre as partes, do conteúdo do negócio, das circunstâncias que o acompanham. A prova da simulação é uma prova indireta, de indícios, conjectural (...), e é esta verdadeiramente que fere no coração a simulação, porque a combate no seu próprio terreno. O mesmo autor faz reflexões acerca da fixação de presunções válidas para configurar a simulação: Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.060 23 Fixar a priori quais sejam as presunções de simulação é impossível, porque o seu exame só pode ser positivamente realizado relativamente a um determinado negócio e a um determinado móvel, e, além disso, as condições de fato e os múltiplos interesses das partes implicam uma variação incessante dos elementos presuntivos, de tal modo que esta investigação antes deve ficar reservada ao critério prático e experimental do juiz, do que à análise do jurista. Todavia, indicaremos para os vários tipos de simulação as presunções fundamentais, advertindo que com isto não pretendemos esgotar o material indiciário, de que a vida é mina inexaurível, nem excluir possíveis desvios e formas características, pelo que se deverá procurar luz mais nos repregos do coração humano do que nas páginas dos códigos. (...) Estabelecido o interesse em simular, será necessário deduzir todos os indícios e presunções que acompanham o ato e se conjugam para provar o seu caráter aparente... Como visto, a prova da simulação não tem uma fórmula específica. Deve ser feita para cada caso concreto, podendo o intérprete socorrerse de qualquer meio não proibido pelo direito. Conforme Francisco Ferrara, a comprovação da simulação nos negócios jurídicos, na maior parte das vezes, decorre da observação dos seguintes elementos: a existência de motivo sério, a falta de execução material da vontade exteriorizada, a discrepância entre esses atos e a conduta das partes, e a divergência entre a natureza e a quantidade dos bens e direitos e o preço pelo qual são negociados. Outro fator relevante é a ligação entre as partes que operam a simulação. O TVF é substancioso na descrição de fatos e indícios congruentes que demonstram os elementos acima descritos, conforme relato abaixo transcrito: No que diz respeito ao pagamento de verba salarial mediante depósito em conta de previdência privada há uma divergência entre a vontade real e a aparente: a fiscalizada quer pagar salário, mas para se furtar à tributação o faz mediante depósitos em conta de previdência privada como se tratassem de contribuições normais a estes planos. Enquadrase, pois, no inciso II, § 1° do art. 167, do Código Civil em vigor. Conforme já detalhado no item referente à fiscalização previdenciária, esta fiscalização considerou para formação de sua convicção, além da análise da escrituração contábil da fiscalizada, os documentos obtidos por meio da diligência na seguradora Bradesco. No tocante à contabilização dos pagamentos de verbas salariais, por intermédio das contribuições suplementares, não restam dúvidas de que foram deliberadamente omitidos da folha de pagamentos, só sendo possível identificálos após minucioso cotejo dos lançamentos contábeis com os extratos disponibilizados pela seguradora Bradesco (tabelas 10 e 11). Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.061 24 Ou seja, não tivesse a fiscalização confrontado estas evidências, não seria possível identificar a infração. Neste sentido, se pode afirmar que a fiscalizada se não impediu, no mínimo retardou o conhecimento, por parte da Fazenda Pública, da ocorrência do fato gerador. A identificação desta infração não é tarefa fácil: verificadas as folhas de pagamento e a contabilidade de forma isolada nada se constata. Também não há recolhimento de IRRF sobre tais pagamentos, o que inviabiliza um diagnóstico calcado na análise da DIRF. E em relação à pessoa física beneficiária, se esta não resgata os valores depositados na conta de previdência privada não há também a retenção na fonte, ou seja, se o beneficiário não declara o valor como renda recebida não é possível a identificação da infração cometida. Além dos depósitos efetuados em conta de previdência privada (que estavam a ocultar o pagamento de verba de natureza salarial) foram identificados diversos resgates. Em procedimento de diligência junto à seguradora Bradesco foram obtidos os extratos das contas dos empregados beneficiários das contribuições suplementares nos quais foi possível constatar a ocorrência dos resgates. Como dito acima, o resgate não é condição essencial à caracterização das infrações que levaram a esta autuação. Estas considerações estão sendo tecidas para reforçar a tese de que o contribuinte agiu de má fé, pois na condição de instituidora, do referido plano de previdência complementar junto à seguradora Bradesco, subverteu este instituto (previdência privada) ao ter permitido resgates em exagerada freqüência, dissociados da ocorrência de um estado de necessidade. Quando o resgate ocorre de forma indiscriminada, pode indicar, e é este justamente o caso ocorrido com o fiscalizado, que o plano de previdência pode estar servindo a fins ilícitos. Não se está afirmando que não é possível ocorrer o resgate num plano de previdência. Ao contrário do que ocorre no regime geral da previdência social, os planos privados asseguram a possibilidade de resgate. Mas é pacífico que o resgate é o ato mais indesejado pois retira do âmbito previdenciário, desviando sua natural vocação, valores que deveriam propiciar benefícios. Como nos leciona Adacir Reis "Tratase do único instituto que desvia a vocação previdenciária da poupança privada, tendo em vista que o resgate nada mais é que o saque sem qualquer destinação específica, ou seja, é o saque para consumo". Daí porque a legislação contém mecanismos punitivos dirigidos ao resgate. Neste sentido, se tem o magistério de Arthur Bragança de Vasconcellos Weintraub (...) para que o participante evite resgatar tais valores previdenciários, há incentivos (redução e isenção tributárias) e há Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.062 25 punições, sempre com o alvo da manutenção dos recursos na Previdência Privada. Não há notícia de nenhum país civilizado que possua sistema de Previdência Privada que careça deste mecanismo punitivo/premiativo. Criando maiores dificuldades para os resgates, a Resolução CNSP número 139/2005, com vigência a partir de 2006, alterou e consolidou as regras de funcionamento e os critérios para operação da cobertura por sobrevivência oferecida em plano de previdência complementar aberta. Com esta norma, as regras de resgate passaram a valer para todos os planos. Neste diapasão, em relação aos aportes vertidos pela instituidora (empregador) deve ser respeitada a carência de um ano civil completo, contado a partir do primeiro dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente ao da contribuição, (art. 56, § 4o, da Circular SUSEP 139/2005). Se forem seguidos os princípios basilares da previdência jamais o resgate poderá ocorrer a esmo sendo possível sua implementação em prazos exíguos. No que tange aos benefícios previdenciários, sejam eles ligados à previdência oficial ou sejam relacionados à previdência privada, sua utilização deve decorrer da materialização dos chamados "riscos rociais". (...) A relevância do resgate no sistema de previdência privada é tamanha que sua ocorrência em determinadas circunstâncias serve, inclusive, como "sinal de alerta" para a possível existência de crimes de lavagem de dinheiro. Senão vejamos. A Circular SUSEP 327/2006 cuida da comunicação de operações suspeitas e dos controles internos para tratamento de situações relacionadas aos crimes de lavagem de dinheiro. Está disposto em seus arts. 1o. e 11: Art. 1° Dispor sobre os controles internos específicos para o tratamento de situações relacionadas à prática dos crimes previstos na Lei N° 9.613, de 3 de março de 1998, ou que com eles possam relacionarse, a comunicação de operações suspeitas e a responsabilidade administrativa de que trata aquela Lei. (...) DAS OPERAÇÕES SUSPEITAS Art. 11. As operações suspeitas são divididas da seguinte forma: Grupo 1: (...) c) aporte ou pagamento único de PGBL e VGBL em valor igual ou superiora R$ 100.000,00 (cem mil reais); d) resgate antecipado de valor igual ou superiora R$ 100.000,00 (cem mil reais); e) aporte de PGBL ou VGBL pago por terceiros sem vínculo familiar, inclusive pessoa jurídica, em valor superior a R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), ainda que parcelado; Ou seja, foi o próprio legislador que elegeu determinadas operações praticadas no âmbito da previdência complementar, Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.063 26 vinculadas ao resgate, como suspeitas e aptas a provocar a comunicação às autoridades competentes. Repetindo: o resgate não é condição essencial à caracterização das infrações que levaram a esta autuação. Entretanto, tendo em vista o agravamento da exigência é fundamental a demonstração do dolo do sujeito passivo, e a ocorrência dos resgates reforça a tese de que o contribuinte agiu de má fé. Deve ser acrescido o fato de que a própria fiscalizada (vide tabelas 10 e 11 acima) confessou ter utilizado os planos de previdência para pagamentos de verbas de natureza salarial. (...) Resta evidente a intenção de sonegar quando se constata que os valores pagos não constam nas declarações tributárias (DIRF e GFIP) e folhas de pagamento. (Sublinhei.) Outro indício claro de simulação dos aportes é a instituição de um plano de previdência complementar que, diferentemente do alegado pela insurgente, não os disponibiliza a todos os participantes. Isso fica inclusive evidenciado no próprio laudo atuarial por ela juntado aos autos. Aliás, assim também entendeu o Conselheiro relator Wilson Antonio de Souza Corrêa ao relatar o acórdão 2301004.258, na 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária no CARF, no mesmo processo n° 16561.720049/2011 28, acima citado, de onde se extrai: vi) LÓGICA ATUARIAL Pelas razões já expostas não vejo como modificar o lançamento efetuado e a decisão de piso, eis que o LAUDO TÉCNICO ATUARIAL que deseja demonstrar a consistência do plano de previdência complementar, para este Julgador, em que pese o laudo perfulgente, este, por si só não é capaz de demonstrar que o plano de previdência complementar estava disponível a todos os funcionários. Mas não é só, eis que restou demonstrado que os pagamentos que transitaram por meio do plano de previdência suplementar (seguradora Bradesco Vida e previdência), feitos por intermédio de contribuições suplementares custeadas pela Recorrente a somente vinte e nove funcionários com funções de direção e chefia, não estão abrangidos pela hipótese de exclusão de incidência de contribuições previdenciárias prevista no art. 28, § 9 “p”, da Lei 8.212/91. Sem razão a Recorrente. (Sublinhei.) No tocante à falta de universalidade do plano de previdência, combatida pela impugnante, uma vez que é característica que afasta a natureza do aporte suplementar por ela afirmado, a leitura da alínea p) do § 9° do art. 28, logo acima mencionado, revela: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.064 27 (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; É de se notar que o entendimento da contribuinte sobre essa norma é estritamente com relação à disponibilidade do plano de previdência complementar para empregados e dirigentes: se todos a ele têm acesso a um plano, estaria cumprida a condição para isenção. Contrariamente a essa leitura, entendo ser correto que o valor das contribuições pago pela pessoa jurídica deva ser disponível a todos, pois apenas assim estariam em situação isonômica. Outro não é o entendimento do Conselheiro relator no acórdão previamente citado, quando corrobora a decisão da DRJ para o mesmo assunto, e que se resume com ementa naquele acórdão: EQUÍVOCOS JURÍDICOS CONSUMADOS NA DECISÃO DE PISO. AUSÊNCIA DE TRATAMENTO ISONÔMICO AOS SEUS EMPREGADOS. Decreto 3.048/99 que atualizou e regulamentou a Previdência Social, Artigo 1°, I, diz que a seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinado a assegurar o direito relativo à saúde, à previdência e à assistência social, atendendo, sobretudo, a diretrizes da universalidade da cobertura e do atendimento. Havendo distinção de planos de seguros, de previdência, de aposentadoria e outros quejandos, entre funcionários de uma mesma empresa, não pode ser considerado tratamento isonômico. Isto porque a etimologia da palavra temse que "isonomia", implica em: "iso", igual + "nomos", lei + "ía", abstrato e significa, literalmente, lei que igual, que estabelece a justiça mediante a igualdade de direitos a todos usando os mesmos critérios. No presente caso alega a Recorrente que houve equívoco jurídico na decisão de piso, eis que a falsa premissa de que ela deixou de tratar isonomicamente todos seus funcionários, privilegiando 29 que ocupam cargo diretivo, é equivocada, e por isto desaguou no presente lançamento. Todavia, há nos autos provas inequívocas de que houve tratamento diferenciado aos funcionários de maior gradação, já que seus planos complementares não era extensivo a todos. E, ficando comprovado a diferença de tratamento entre funcionários não há de aplicar o disposto no artigo 28, § 9°, alínea P, eis que cristalino ao determinar que o plano será considerado como complementar e não incidente de contribuição previdenciária desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes. A discricionariedade que a empresa alega ter para realizar os depósitos em suplementação ao plano de previdência justamente esbarra nessa falta de isonomia; implicando que tais aportes passem a integrar o saláriodecontribuição, sujeitos também ao IRRF a partir do momento que são depositados nas contas individualizadas de alguns poucos colaboradores. Foi o que Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.065 28 entendeu a fiscalização no presente processo e com o que concordo. Já os resgates, talvez não sejam do controle da Camargo e nem mesmo lhe tragam qualquer ganho ou vantagem, mas, como informado no TVF, servem de indícios da real função dos depósitos suplementares: remuneração, ao serem resgatados em tempos inferiores ao previsto nas normas reguladoras dos planos. Isso foi salientado no TVF: ...como evidência irrefutável da sua não finalidade para fins previdenciários complementares, foi constatado que, no período de 01/2006 a 04/2010, do valor total das contribuições suplementares custeadas pela empresa (R$ 45.909.087,29), aproximadamente 100 % (R$ 45.691.566,94) foram resgatados e/ou transferidos sem nenhuma justificativa e num prazo inferior a 15 (quinze) dias. (fl. 27) (...) Vale ressaltar que com a publicação da Circular SUSEP 139/2005, para serem resgatados os aportes vertidos pela instituidora (empregador) deve ser respeitada a carência de um ano civil completo, contado a partir do primeiro dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente ao da contribuição. (art. 56, § 4º, da Circular SUSEP 139/2005). (fl. 45) Retomando as os elementos que geralmente evidenciam a simulação, enunciados por Ferrara, no caso concreto: inexistiu negociação sobre bens e direitos, mas a ligação entre a empresa e seus altos funcionários é patente, o motivo sério é o afastamento da tributação dos altos valores pagos, a falta de execução material da vontade exteriorizada com a discrepância da conduta das partes se observa pelo volume dos aportes suplementados a poucos colaboradores e pelo resgate em curto tempo dos valores que deveriam suportar benefícios previdenciários que soem ser de longa acumulação. Assim, evidenciada a realidade material de que se está tratando de remuneração de colaboradores por meio da simulação de depósitos suplementares nas contas individuais de previdência privada, chegase ao verdadeiro agente desses pagamentos: a empresa instituidora; logo, ela é quem deveria reter o IRRF quando disponibilizou, nas contas individuais que existiam na Seguradora, valores que eram remuneração por gratificação/PPR. A disponibilização econômica ou jurídica desses valores através desses depósitos em conta a sujeitava à retenção e recolhimento do IRRF. Por isso descabe a alegação de que ela não seja pólo passivo frente ao fisco no AI que lhe imputou multa e juros isolados. Tudo o que foi descrito, evidenciou o dolo na montagem do plano que levou à sonegação do IRRF em favor de alguns poucos colaboradores da empresa, que todavia tem influência na sua administração e contratações, importando na duplicação das penalidade aplicadas, no teor do o artigo 44, inciso I, e seu Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.066 29 parágrafo 1.º da Lei n.º 9.430, de 27/12/1996, na redação dada pela Lei n.º 11.488, de 15/07/2007. Tendo em vista os argumentos acima expostos, entendo que já estão abordados os questionamentos da impugnação sobre os temas: Da universalidade do plano de previdência complementar, Da lógica atuarial, Considerações diversas, Multa aplicada a terceiro, Da ilegitimidade da multa dobrada e Juros moratórios. Quanto a este último, devese notar todavia que a alegação da impugnante de que não há comprovação de que não tenham sido recolhidos os juros pelas pessoas físicas é despicienda para a autuação que seguiu a legislação e o procedimento disposto no Parecer Cosit nº 1 de 24/09/2002, não exigindo o tributo e lançando os juros apenas no período entre o pagamento dos rendimentos e a data da entrega da declaração das pessoas físicas DIRPF a eles correspondente. Se a impugnante observar o art. 722 do RIR/1999, transcrito no TVF à fl. 52, notará que dela deve ser cobrado inclusive o imposto exceto quando comprove que o beneficiário já o tenha incluído em sua DIRPF. Portanto, o ônus probatório em face da irregularidade apontada pelo fisco é dela. Não cabe ao agente fiscal perquirir junto ao beneficiário se ele recolheu algum tributo antecipadamente à entrega da DIRPF, situação improvável (até porque, pelo que se conclui da simulação, tudo foi feito para não recolher o imposto) que poderia reduzir a contagem dos juros. A sorte também não assiste a reclamante ao invocar a decadência da autuação relativa ao mês de abril de 2008 com fulcro no § 4° do art. 150 do CTN. Ocorre que esse artigo se aplica ao lançamento por homologação nas situações em que o contribuinte antecipa o pagamento do tributo; não há indício de que isso tenha ocorrido, aliás, a própria nega que devesse pagá lo. Sendo assim, a regra decadencial passa a ser aquela geral, do art. 173 do CTN, cuja contagem se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja 01/01/2009. Com referência às exclusões reclamadas pela impugnante, seja relativa aos valores de carregamento seja relativa aos valores transferidos por portabilidade, é de se lembrar que, uma vez sejam os valores tratados como remuneração, a destinação destes é irrelevante para a tributação do IRRF. A dedução de valores de rendimentos na tributação do IRRF decorre de expressa previsão legal e no momento em que os valores depositados se despem da natureza de depósitos para previdência complementar e se revelam remuneração por gratificação ou PPR, as normas que poderiam isentar a portabilidade não mais se aplicam. O fato de que parte dos rendimentos creditados nas contas seja consumida com carregamento ou ainda com a taxa de gestão, Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.067 30 decorrentes do vínculo contratual entre instituidora e Seguradora, também não afeta a tributação do IRRF que deu base às multas e juros lançados no AI combatido. Como singela analogia, tomese a situação de empregados que tenham débitos de chequeespecial e recebam salário em conta corrente. O fato de os juros referentes ao cheque especial serem cobrados diretamente na conta não afasta a tributação do IRRF cuja incidência é prévia a esse débito, tampouco a transferência de parcela do saldo dessa conta para quaisquer outras (analogicamente à portabilidade). Por fim, apesar da contribuinte esgrimir citações jurisprudenciais do STF que combatem a aplicação de multa sobre tributos, tanto de 75% quanto de 150% (que é o seu caso concreto), seja pela vedação da natureza confiscatória dos tributos, seja por violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade postos na Constituição Federal, não se reconhece tal entendimento na esfera administrativa. Isso porque desconheço ADI que tenha afastado o art. 44 ou qualquer de seus incisos do ordenamento legal e enquanto vigente essas normas, não pode a administração deixar de aplicálas. Outro não é o entendimento do CARF, que o expressa na Súmula n° 2 e vincula o entendimento dos julgadores administrativos, com a seguinte redação: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A multa em questão, incidente sobre os tributos lançados está em consonância com o artigo 44, inciso I, e seu parágrafo 1.º da Lei n.º 9.430, de 27/12/1996, na redação dada pela Lei n.º 11.488, de 15/07/2007, os quais dispõem: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1.º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Os artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, suprareferidos, a seu turno, estabelecem, in verbis: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 1067DF CARF MF Processo nº 16561.720012/201361 Acórdão n.º 2402006.919 S2C4T2 Fl. 1.068 31 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O conceito de dolo encontrase estabelecido no artigo 18, inciso I, do DecretoLei n.º 2.848, de 07 de dezembro de 1940 Código Penal, que define o crime doloso como aquele “em que o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo”. Em relação ao crime em que o agente quis o resultado, dizse que houve dolo direto; no tocante àquele o agente assumiu o risco de produzilo, dolo eventual. Na lição de Julio Fabbrini Mirabete (in Manual de direito penal. São Paulo, Atlas, 1990. 5.ª edição. Vol. 1, págs. 138/139), “o Código Penal Brasileiro adotou a teoria da vontade quanto ao dolo direto e a teoria do assentimento ao conceituar o dolo eventual”. Pela teoria da vontade, concernente ao dolo direto, “age dolosamente quem pratica a ação consciente e voluntariamente. É necessário para a sua existência, portanto, a consciência da conduta e do resultado e que o agente a pratique voluntariamente”; pela teoria do assentimento, ou do consentimento, relativa ao dolo eventual, “faz parte do dolo a previsão do resultado a que o agente adere, não sendo necessário que ele o queira. Para a teoria em apreço, portanto, existe dolo simplesmente quando o agente consente em causar o resultado ao praticar a conduta”. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário, afastar as preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 1068DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.653304/2016-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3201-005.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/2016-45.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.653304/2016-35
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5975510
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-005.113
nome_arquivo_s : Decisao_10880653304201635.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10880653304201635_5975510.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/2016-45. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
id : 7664736
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051663501099008
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1507; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 660 1 659 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.653304/201635 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201005.113 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2019 Matéria Embargos de declaração Embargante RELATOR Interessado RAIZEN ENERGIA S.A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2012 a 30/09/2012 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 65 33 04 /2 01 6- 35 Fl. 660DF CARF MF 2 Tratase de Embargos de Declaração interpostos tempestivamente pelo conselheiro relator, contra o Acórdão nº 3201004.223, de 25/09/2018, proferido pela 1ª Turma da 2ª Câmara desta 3ª Seção. Conforme suscitado, houve uma contradição entre os fundamentos do voto condutor do acórdão embargado e a sua parte dispositiva, especificamente quanto à matéria relativa à glosa de créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Com efeito, o acórdão embargado incorreu numa inequívoca contradição, uma vez que, na decisão nele transcrita, proferida nos autos do processo administrativo nº 19311.720238/201645, não obstante negado provimento, na integralidade, ao Recurso de Ofício, conforme parte dispositiva do acórdão, mantevese a redação original do voto levado à sessão de julgamento que lhe dava provimento quanto ao direito aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica "não agroindustrial". Eis o excerto em que a matéria é apreciada: Discordamos, no entanto, quanto ao entendimento em relação aos créditos presumidos oriundos de aquisição de cana de açúcar de pessoa jurídica ͞"não agroindustrial". Não obstante admitidos no acórdão recorrido, ao fundamento de que o fato de a empresa vendedora não desenvolver atividade agropecuária não impediria o creditamento, uma vez não haver qualquer exigência legal no sentido de qualificar o vendedor dos bens que ensejariam o crédito presumido em tela, a verdade é que somente a aquisição da canadeaçúcar efetuada junto a pessoa jurídica ou cooperativa de produção que exerça atividade agropecuária dá direito à apuração e à dedução do crédito presumido de que trata o art. 8º da lei nº 10.925, de 2004. É o que se extrai da própria lei (inciso III do § 1º, supra), daí que, ao menos quanto a esta matéria, divergimos do voto acima reproduzido, para manter a glosa efetuada pela fiscalização, de sorte que ao recurso de ofício deve ser dado parcial provimento. Todavia, durante o julgamento do processo nº 19311.720238/201645, modificamos o nosso entendimento e passamos a adotar a decisão proferida pela DRJ com relação à matéria, cujos fundamentos ora reproduzimos, uma vez que, Conforme amostragem realizada pela IMPUGNANTE as fls. 1054 e 1055 desse processo, as pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, são produtores de canade açúcar, conforme critério adotado AUTORIDADE FISCAL da DRF/Jundiaí: possuem pelo menos um CNAE em que consta tal atividade. Pesquisas feitas por amostragem nos sistemas internos da RFB a partir da relação das pessoas jurídicas, de cujas compras os créditos apurados foram glosados, também apontam possuir, além do CNAE relacionado pela AUTORIDADE FISCAL da Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10880.653304/201635 Acórdão n.º 3201005.113 S3C2T1 Fl. 661 3 DRF/Jundiaí, CNAE relacionado à atividade agroindustrial ou agropecuária. Além disso a informação que consta no CNAE não é por si só suficiente para caracterizar que a empresa não exerça atividade agropecuária. Errada, portanto, a acusação fiscal nessa questão, devendo ser cancelada essa glosa. Ante o exposto, voto por ACOLHER os Embargos Declaratórios interpostos, sem efeitos infringentes, sem efeitos infringentes, para adequar a fundamentação do voto transcrito no acórdão embargado ao que restou decidido em sede de Embargos no processo nº 19311.720238/201645. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 662DF CARF MF
score : 1.0
