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Numero do processo: 10814.009378/94-84
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 1999
Ementa: IMUNIDADE - FUNDAÇÃO PUBLICA - A imunidade do artigo. 150.
item VI, Letra" a " e ~ 2° da Constituição Federal, alcança os Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, vez que a significação do termo " patrimônio", não é o contido na classificação dos impostos, adotada pelo CTN. mas sim a do art. 57 do Código Civil. que congrega o conjunto de todos os bens e direitos, à guisa do comando normativo do art" 110 do próprio CTN.
Numero da decisão: CSRF/03-03.072
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda que dava
provimento parcial para excluir apenas a multa.
Nome do relator: Nliton Luiz Bartoli
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ISENÇÃO . RECORRENTE :FUND. PE. ANCHIETACEN. PAULISTADE RÁD E TV EDUCATIVA RECORRIDA 23 cÂMARA DO 3° CONSELHOCONTRIBUINTES INTERESSADA; FAZENDANACIONAL SESSÃO DE ' : 19DE OUTUBRODE 1999 ACÓRDÃON° :- CSRF/03-03.072 IMUNIDADE - FÚNDAÇÃO PUBLICA - A imunidade do artigo. 150. , item VI, Letra" a " e ~ 2° da Constituição Federal, alcança os Impostos de Importação e sobre Produtos Industrializados, ve~ que a significação do termo « patrimônio", não é o contido na classificação dos impostos , adotada pelo CTN. mas sim a do art. 57 do Código Civil. que congrega o conjunto de todos os bens e direitos, à guisa do comando normativo do art" 110 do próprio CTN. Vistos, 'r~latad~s e discutidos' os presentes autos de recurso interposto por FUNDAÇÃO PADRE ANCHIETA CENTRO PAULISTA DE RÁDIOE TV"EDUCATry A. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ,por maioria de ~ótos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relàtório e voto que passam a'it,ltegrar.o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda que dava provimento parcial para excluir apenas a multa NIL-d,m:- BAR~ RrtATOR 7' FORMALIZADO EM':2 4 ABR 2000 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, UBALDO CAMPELLO NETO e JOÃqHOLANDACOSTA. , ' r I f ! I I , I, PROCESSO NO : 10814.009378/94-84 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.072 RECURSON° ,:RD/302-0.353 RECORRENTE: FUND PE. ANCHIETA CEN. PAULISTA DE RÁD. E TV EDUCATIVA RECORRIDA :2a,.CÂMARA DO 3° G. CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO o 'presente feito tem mesmo conteúdó de outros processos que já foram apreci~dos por esta Egrégia Cãm~ Superior, mas' em vista da necessidade de .bem. ' informar os nobres 'Conselheiros das {?articularidadesdeste feito~especificamente, passo a, relatar detalhadamentea seqüência dos, fatos e atos que me foram submetidos à apreciação. .Trata-se de exigência' tributária constituída' pelo auto de infração (fls. 01) contra a Recorrente, 'fundação pública Estadual, que realizou importàção de mercàdoiiasdestinadas à operação de suas emissoras de radiodifusão educativa, I. . Rádió' e Te~evisão Cultura, ou sej~, .para a consecução de seus objetivos institucionaIs' legais, pleiteando' a exoneração da aplicação da legislação tributária com fundament(> na imunidade reciproca com fundamento no artigo 150, item VI, Letra "a" e ~ 23 da Constituição Federal. Entendendo que não era caso 'de imunidade, e buscando subsídios de fu~damento'no Parecer Normativo CST n.o 29, de 21.12.84, que dispõe que a imunidade não se confunde com a isenção, lavrou.o auto de,infração, aplicando~ .. ' multa de ofício previstà no art. 4°, inciso (da Lei n° 8..218/91. A Recorrente instrumentalizou competente Impugnação (fls" 11/20), ém 05,,08.95, desenvolvendo a tese de que, como fundação pública, está imune da incidência normativa constitutiva da obrigação tributária, corroborada por . . ~julgados do Supremo Tribunal Federal que entendem que '~não há razão' jurídica . .' '. 'parà: dela (imunidade) se excluírem o Imposto de Importação e Imposto, sobre Produtos Industrializados, pois a .tanto não, le,,'a o ,significado da p~lavra 'i " -'i, PROCESSON' : 10814.009378/94-84 ACÓRDÃO N° .: CSRF/03-03.072 "Patrimônio", empregada pela' nonna constitucional". De outro lado refuta inaplicável a penalidade pecuniária de oficio com base no Parecer Normativo CST n.o 255, que desde 1971. já disciplinava que "não constitui infração a mera \ '. invocação de isenção na Declaração ,de Import~çãõ, ainda que a ,entidade fazendária . entenda incabível tal benefício". A decisão singular, de 13..10.94, julga improcedente' a impugnação entendendo serem devidos os impostos lançados, considerando que:. (i) a fundamentação da Recorrente é alicerçada em' pareceres doutrinátios. e jurisprudência que se remetem à Constituição Federal de 1967 e não na atual ordem tributária; '(ii) o conceito de patrimônio contido na atual constituiçãõ não engloba. os "Impostos' sobre o. Comércio Exterior",. conforme a separação dada pelo Código Tributário Nacional; (iii) . o conceito da imunidade. sobre patrimônio está adstrito aos impostos sobre a propriedade imobiliária e sua transmissão, e sobre 'automóveis, não ..atingindo o IPI, lI, IOF, e o ICMS; - (iv) analisando a possibilidade da isenção prevista no Decreto-lei n.O 8.032/90, entende que.tal beneficio não ampara as fundações públicas; ( Tornando ciência da decisão singular, em 21.03.95 (fls. 147) a Recorrente interpôs I Recúrso Voluntário, em 04.04.95 (fls. 148/160), alegando basiCamente a mesma' tese da Impugnação, ,inovando, em suma, que: (i) .a imunidad~ da fundação. difere da do Poder Público, vez que '0 requisito encontra-se na parte final do ~ 20 do art. 150, da Constituição Federal ressalva "ao \' ~. . . . ' ". patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas' finalidades essenciais ou às delas, decorrentes"; . ., 1 I i '1 I i . !'. .I i . / , I PROCESSO N° : 10814.009378/94-84 ACÓRDÃO N° ; CSRF/03-03.072 , ( Oi) a ConstituiçãoFederal de 1967 e a de 1988, tem o mesmo texto e contexto no, . , que se refere à imunidade c(}nferidano art. 19 da ptimeira e'no art. 150 da segunda, , sendo a atual mais explícita e abrangente; --, Após regular processamento', o processo foi designado à Eg.. 23 / " , , Câmara do Terceiro Conselho de ContriQuintes que, por maioria de 'votos, deram, provimento parcial ao recurso, vencidos o voto do Eminente Conselheiro Ricardo Lúiz de -e,arrosBarreto, ,Relator:, Paulo RobertoCuco Antunes e-Luis Antonio Flora, que deram provimento total ao recurso, conforme ,ementa elaborada segundo o voto ." .... da Eminente Conselheira Relatora ,Designada Elizabeth Maria Víolatto, que assim ,constou: "I~UNIDADE - ISENÇÃO 1- o art. 150VI. ,~'a"da Constituição Fe-deral só se refere aos impostos s'obre o"patrimônio, a renda ou os serviços. 2- A isenção do Imposto de Importação às pessoas jurfdicas de direito público interno 'e as entidades vinculadas estão reguladas pela ~ei n.o 8.032191, que não ampara a situação constante deste processo. . , , 3- Incabível a aplicação da penalidade capitulada no art. 4°,-inciso I, da Lei 8218/91. ' 4- Recurso parcialmente provido." Assim, o presente feito' alçou a esta Eg., Câmara Superior de Recursos Fiscais, para julgamento, em decorrência de Recurso Especial (fls. 176(186), interposto pela Fundação Padre Anchieta~ c'om fundamento no art., 4°,- inciso II, do 'Regimento Interno aprovado pela Portaria do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamenton,O 540(92, vigente na época do protocol~, de 01.P4,97, Fundamenta a admissibilidade nos acórdão 301-26.667, 301-26.670 . . e 301-26.696, juntados às fls. 187/206, que, por maioria de votos, reconheceram a imunidade da Reéorrente ao. Imposto, de Importação e ao Imposto sobre ,Produtos In.dustrializados, nas importações de mercadorias destinadas' à consecução de, seus objeti-yos, confirmando a tese esboçada pela Recorrente .. , . .' 1, " , PROCESSO N° : 10814.009378/94-84 ACÓRDÃO l'f0 : CSRF/03-03.072 \ A' D. Procuradoria da Fazenda Nacional pronunciou-se à fls. 215/217, alegando "que à época que a .legislação ordinária concedia isenção em . • I • • favor da .Recorrente, esta nunca falou em imunidade. Revogada as isenções, suscita- I a, agora." (sic). ./ Alega, ainda, que o princípio da 'interpretação literal contido no " " " " CTN, art. 111, destinado ãsisenções, também é cabivel ã imunidade.'" . " . • I E o RelatÓrIO. I . \ i I 1_" ~~~~~_~~~ _ .r PROCESSO N° :10814.009378/94-84 ACÓRDÃON° :CSRF/03-03.072 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BAR,TOLI, RELATOR A matéria, realmente, ,não prescindiria de maIOres delongas na colação de argumentos jurídicos cabais para descQnstituição do crédito tributário lançado pelo Auto .de Infração que inaugurou a presente demanda, haja vista os esclarecimentos que realizei no início de meu relatório, e, inclusive pelo fato d~ a m~té.ria estar pacificada nesta Egrégia <;âmara Superior, ex-vi, Acórdãos CSRF nOs. 03-02.853 e 03-02.898. Çontudo, para que nenhum argumento fuja à apreciação. desta , . Câmara, não se fat por excessivo a prolatação, na íntegra, de meu entendimento a . respeito da questão posta, bem co~o para que seja respeitada a individualidade da Relação Jurídica Tributária iristrumentalizada pelo auto exordiaL O Recurso' Especial foi devidamen!e aparelhado por decisões que. tratam da mesma matéria e que são de Câmara distinta da qual pr9vem este feito, justificando a procedência da admissibilidade. Como vimos, trata-se' de exigência tributária constituída por Auto. . . de Infração que entendeu devidos o Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados pela Recorrente, fundação pública Estadual, que realizou importação de mercadorias destinadas à operação de suas emissoras de radiodifusão .educativa, Rádio e Televisão Cultura, ou seja; para a consecução de seus objetivos institucionais legais, pleiteando a exoneração da aplicação da legislação tributária com fundamento na imunidade recíproca com fundamento no artigo 150, item Vt , Letra "a" e ~.28 da Constituição Federal. Antes de adentrarmos ao mérito, entendo. conveniente ressaltar que o presente recurso proporcionou-me oportunidade ímpar para analisar a questão 1r ! PROCESSO N° : 10814.009378/94-84 ACÓRDÃO N° : CSRFJ03;.03.072 \ com maior 'profundidade e refletir a respei~o da correta interpretação do artIgo 150, item VI, Letra "a" e ~ 2a da Constituição Federal, que será desmontado, para. que seja an~lisado cada termo relevante ao deslinde da questão? ainda? ~uito pol~mica dentre nossas Casas Julgadoras .. Imprescindível- firmar-se. uma posição definitiva, 'que, para minha. . surpresa, é contrária ao meu entendimento anterior. . . Preliminarmente, necessárIo localizar a norma imunizante dentro do sistema juridico brasileiro,' vez que sem esse juizo espacial e do alcance do conteúdo da imutiiqade, sere/mos incapazes de por. fim à celeuma criada neste , processo e às diversas posições anta:gônic~sque reinam nas diversas Câmaras deste Egrégio Conselho de Contribui,ntes. •• A imunidade pleiteada é a~sim colocada na Constituição Federal, art. 150, inciso VI, alinea "a", c/co parágrafo 2° do mesmo artigo: \ "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao I ,. .., contribuinte, é ,vedado à União, aos Estados,' áo Distrito Federal e aos,Municípios: VI - instituir impostos sobre: . . a) patrimônio" renda ou serviços, uns dos outros; , ... Parágrafo 2° ..•.A vedação do inciso VI, "a", é e"xtensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas fÍllaHdades essenciais ou às . delas decorrentes." IniciaIInente é necessário dei~ar claro que, a Imunidade tratada pela c;onstituição Federal de 1988, tem o mesmo conteúdo e abrangência da imunidade disposta na Constituição Federàl de 1967, alterada substancialmente pela Emenda Constituefonal n.o 1 de 1969~Assim, quando se falar em Imunidade I Constitucional,entenda-sea abrangidapelasduasconstituições.! '7 ,1 PROCESSO N° ::10814.009378/94-84 ACÓRDÃO W :CSRF/03-~3.972.. oPRINCÍPIO DA IMUNIDADE RECíPROCA A Constituição Federal 'promulgad~ em 1988 consagrou como um dos pilares da sociedade brasileira o principio do Federalismo, outorgando . . . t independência política e econômica aos Estados Membros e Distrito Federal, bem como aos municípios brasileiros, pela autonomia municipaL Essa Independência e autonomia econômica, financeira e política . . . estão diretamente relacionadas à desvinculação com o Pod~r da União, que até , então era controlador das finanças públicas e dos direcionámentos políticos dos outros entes públicos, face à centralização do poder autoritário das décadas de 60 a meados da década de 80, inspirados no regime de controle do Estado e docidadão. Note-se que, a dependência econômica .traz, inexoravelmente, a dependência poHtica, e, assim, a Constituição Federal outorga a:cada ente poHtico da Federação a Competência Tributária, ou. seja, o poder de instituir tributos destinados à sua manutenção, na .forma do art. 145 iIiverbis: , '- "Art. 145. A' União, os' Estados', o. Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:" O tratamento reservado pela Constituição Federal ao. Sistema Tributário Nácional é um dos mais completos e detalhistas dentre todas as .constituições do mundo conte~porâneo; .ora, .indubitavelmente há, no mundo capitalista, relevante .importância-o P~der exercido pelos Entes Pol!tic<1s, face a carga de recursos que arrecada. pela tributação, o que reforça o requisito da' autonomia' contido no princípio do federalismo . . , I Dentre os tributos que estão sujeitos às respectivas competências tributárias, ..'.está o "Imposto", esp~cíe do gênero "tributo", que é mais o ! I t ! J I , 1_______ _ ./ PROCESSO N°: 10814.009378/94-84 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.072 especificamente tratado pela Constituição, para cada ente; nos artigos 1.53, para a , .União, 155, para os Estados e o Distrito Federal, e 156, para os Municipios. , . '. Percebe-se que o detalhe' do regramento constitucional para o Sistema Tributário Nacional, visa" principalmente, delinear' os contornos das competências t,ributárias dos entes políticos, 'com o fim de evitar-se, de um lado, 'invasões de competências e, de outro, abuso do 'poder de tributar, qué já fora preocupação de gn;mdes juristas como Rubens Gomes de Souza, Aleomar Baleeiro, Rui Barbosa' Nogueira e tantos 'outros . .Pauta~;;l nos princípios do federalismo e da autonomia, com vistas também a controle da Co'mpetência Tributária, a Constituição Federal contemplou o art.' 150, na Seção II - Das Limitações ao Poder de Tributar que açambarcou, dentre' i, os limites, o princípio da imunidade recíproca, ou' seja, a vedação de os entes políticos instituírem impostos ~ns dos outrOs. Note-se que o limite do poder de tributar está 'a,dstrito à espécie «Imposto" do gênero "Tributo", vez que os recursos arrecadados dessa tributação é não vinculado à atividade estatal, conforme a classificação dos tributos consagrada , ., , pelo Prof. Geraldo Ataliba. ' . CLASSIFICAÇÃO DOS TRIBlf,TOS SE.GUNDO GERALDO ATALIBA Segundo o Mestre de Direito Tributário, Prof. Geraldo Ataliba, os ' tributos classificam-se em "~'inculados" e "não vinc~lados", ou seja.: I - Vinculados são os tributos cuja hipótese de incidência consiste numa atuação , estatal (ou numa .repercussão desta), incluem-se ai as TAXAS e as CONTRIBUIÇÕES DE MELHORIA.. o , PROCESSO N°. : 10814.009378/94-84 ACÓRDÃO N<' : CSRF/03-03.072 , II - 'Não Vinculados são Os tributos cuja hipótese de incidência' consist~ num fato ou ato qualquer .que não uma atuação estatal, ou seJa, um' ato praticado no ~xercicio dos . . ' direitos civis, incluem-se aí tão somente oS,IMPOSTOS.. .. t , , Há inquestionável correlação entre o fato de a imunidade a,lcançar . , . os limites da competência tributária tão soniénte dos imposto, .uma vezq~ú~ . . I ~ independem do ato do estado, ou seja, o estado não necessitaria lançar mão do .' , imposto par~ ressarcira ,prestação de uma atividade ~statal ou propágar a equidade como ocorre no caso da contribuição de melhoria. j ..Como visto, o ente polí1:ico pode ser, sim, sujeito passivo de uma . " .' . relação jurídica tributária, desde que há, para o ente tributante, competênCiapara. . instituir determinado tributo~ ( o CONCEITO CONSTITUCIONAL DEííPATRIMÔNIO" Como vimos, o art. i50, VI, "a" estabelece a imunidade recíproca e. . - -. ~ . define, para ~anto,seu alcance tão somepteaos impostos, da seguinte forma.:, . "Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, ::lOS Estados, ao Distrito. Fed~ral e aos Municípios~ VI - instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; Mas o que significa' o termo "Impostos sobre o Patrimônio", dentre os impostos previstos na Constituição sob a. tutela da Competência Tributária outorgada aos Entes Políticos? Eis o Cerne central da questão, saber se ,os Impostos incidentes sobre a importação de bens estã~ ou não sob o termo "Impostos sobre oPatrimõnio" a que se refere o art .. 150, VI, "a", da Constituição Federal de'1988. ( 1() ',' PROCESSO N<l : ,10814,009378/94-84 ACÓRDÃO N°' : CSRF/03-03.072 Primeiramente n.ecessário conceituar, dentro do direito o termo, "patrimônio", vez que o termo "imposto", prescinde, no caso de conceito. O Código Civil, em seu a~ 57, trata "patrimônio;' como o coletivo de coisas:, ) "Art. 57. O patrimônio e a herança consistem coisas universais., ou universidades, e como tais subsistem, embora não constem de obJetos materiais.'" I • Considerando que as coisas coletivas, ou universais, são 'v~rificadas quando se 'encaram agregadas em todo, temos que, o patrimônio é um coletivo de. .. , .... coisas é'uma universalidade dentro 'do mundo das coisas. Em verdade o Código Civil, ao trat~r das diferente~ classes de b~ns, ora atribui a denominação de coisa, ora atribui a denominação de 'bem, sendo que se entende por coisa, o conceito J:!laisabrangente dentre ambos. Mas para adequar o .. vocabulário aos Impostos em discussão, adotaremos o termo "bens" .. I ',' . Assim temo~ que patrimônio é o conjunto de bens, é o coletivo de, bens pertencentes ã pérsonalidade,ou seja, é tudô que está soh a' propriedade da pessoa física ou jurídica. Aproveitando o Código, CIvil, verifica-se que, no caso, a Recorrente é pessoa juridíca, fundação pública, cuja' . conStituição . é, primordialmente, a .desti~ação de um 'patrimônio à consehução de certos objetiv?s. Ao transportarmos o conceito de "patrimônio" do Código Civil para a,regra imunizante do art. 150, VI, "a", da Constituição Federal, verificamos que os "Impostos sobre o, Patrimônio" alcançam a univers~lidade de coisas (móveis,' . . . imóveis, fungíveis, infungíveis, consumíveis, divisíveis e indivisíyeis) sujeitas às mais diversas ações da pessoa segundo ;tS atiyidades lícitas que venha a praticar .. ' Ou, no caso, é a universalidade de coisas que ingressam ou s'\em da esfera da 11 , PROCESSO N° :-10814.009378/94-84 ACÓRDÃO N° ;'CSRF/Q3-03.972 propriedade ,-da fundação pública, segundo' os ditames da lei que a instituiu ou segundo os seus objetivos estatutários. , . . O CONCÉITO CONSTITUCIONAIS E A ESTRUTURA DE CLASSIFICAÇÂO. . . \ DOS IMPOSTOS DO CTN. A contrariedade surgida a partir da diferença entre o conceito de patrimônio desenvolvido segundo as regras basilares do Código Civil Brasileiro e o , . ' . conceito dado ao termo patrimônIo pela. classificação dos Impostos adotada pelo Código Tributário Nacional tem sua razão. I O Cientista do Direito Paulo de Barros Carvalho, em parecer publicado na Revista Dialética de Direito Tributário} n.033, pàg. 147, ensina: , I "As coisas não mudam de nome, nós é que mudamos o modo de nomear. as coisas. Portanto, não existem nomes verdadeiros ou falsos das. coisas. Apenas existem nomes aceitos, nomes rejeitados e nomes menos aceitos que outros, como nos ensina Ricardo Guibourg. Esta possibilidade de inventar nomes para, as coisas chama-se liberdade de. estipulação. Ao .inventar nomes (ou ao aceitar os já inventados) traçamos limites na realidade, como se a cortássemos idealmente em pedaços e, ao assinalar cada nome, identificássemos o pedaço que,' segundo nossa . \ decisão, corresponderia a esse' nome. \ . Um nome gerai denota uma classe de objetos que apresentam o mesmo atributo. Nesse sentido, atributo significa a propriedade que manifesta dado objeto.' .Todo nome cuja significação está constituída de atributos é, em potenci~l, o nome de úm número indefinido de' objetos • .Desse modo, todo nome geral cria uma classe de objetos... . Ordinariamente, um nome geral. é ,introduzido porque temos a necessidade de uma palavra que denote determinada classe de objetos.e seus atributos peculiares. Entretanto, menos freqüentemente,. introduz-se um nome para designar uma classe por mera questão de utilidade: é imprescindível para o direcionamento de certas ópérações mentais que alguns sejam agrupados segundo critérios . específicos." " '" PROCESSO NO~: 10814.009378/94-84 ACÓRDÃO N° ;CSRF/03-03.072 Assim, s~gundo a origem do nome "patrimônio" do Código Civil, outros objetos' receberam esse nome com .0 fim de atribuir~lhe o conceito de coletividade de coisas, mas, nem sempre' o coleti"o universal que trata o Código Civil. o Código Comerciafatrib~Í' ao ilome "patrimônio" o conjunto de bens de propriedade do comércio e dos' sócios, para distingui-los. A" ,Lei de Sociedades Anônimas, antes da recente alteração, dava ao patrimônio oconc.eito de conjunto de bens, direito e deveres que deveriám ser dimensionados no balanço patrimonial, o.u seja, ~ncluía no conjunto do "patrim~nio" deveres ou dívidas, , criando ~. figura do patrimônio negativo, ou até, abusando da lógica formaJ, do patrimônio inexistente ou o não patrimônio. A Lei das Sociedades Anônimas a:dotou do nome "patrimônio" a nomenclatura do' "patrimônio líquido", como se pudesse", . , . imaginar um patrimônio bruto cujo conjunto, em si mesmo contém,coisas que não são patrimônIO, mas a ele não pertencem. No Código Tributário Nacional o nome "patrimônio" teve uma. ligação direta com, o "conceito "propriedade imobiliária", única e ,exclusi\l.amente .. Como poderia o CTN distinguir ou interpretar o conteúdo e alcance do conceito de "patrimônio", se a Constituição atual, e mesmo 'a vigente à época da edição da Lei ~ . I . 'n.o.5,172, de 2.5.10.66, não distinguia. Ora, comparandó-se a significação do termo "patrimônio" dada 'pelo art. 57 do Código Civ.il e a estrutura' de classificação adotada pelo, Código • • " J T,ributário.N?cional, do TítuloIII, verifica-se que <> conteúdo e alcances dos termos são distintos, apesar, de serem expressos, pela mesmà nomenclatura, razão , indiscutível da contrariedade. , Contudo, se adotarmos o conceito da classificação dos impostos do ,. .. Código Trib.utário Nacional, fatalmente est~remos limitando o alcance da significação do conceito. Aliás, deveremos rediscutir a significação "patrimônio", ,contido no art. 178, da Lei n"o.6.404/76: 1~ ' '. ~'. , . '. ~ ", ~. .._-' I , PROCESSO N° : 10814 ..009378/94-84 ACÓRDÃO N° : CSRF/03-03.072 .•. ,. "Art. 178. (Grupo de Contas) - No balanço, as contas serão 'clªssificadas segúndo QS elementos do' patrimônio' que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a.análise financeira da companhia •. • I . - '. , ~ 1° (Ativo)'- No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de graus de liquidez dos elementos (do patrimônio) nele registrados, nos seguintes grupos: a) a,tivocirculante; b) ativo realizável a longo prazo; c) ativo permanente, dividido em investimentos, ativo imobilizado e átivo diferido." Verifica-se que essa norma jurídica co~grega sob a mesma sigl~ de patrimônio as mercadorias em estoques, as matérias-primas, as máquinas,' os móveis, os veículos, os imóv~is, ou seja, o cotUunto de coisas de valor positivo que sejam na data do balanço de propriedade da sociedade. Aliás: o conceito de patrimônio, até 'es~eponto do árt 178, está , " 1 correto, pois não discrimina os befts s,egundo sua destinação fjnal se para vendar se para usar ou qualquer que seja. I?esta forma, não é cabível atribuir ao conceito constitucional' de , , "patrimônio" restrição de abrangência que ele não, tem, ex vi mera classificação, inadequada contida no Código Tributário Nacional, como se dele.fossea'origem do conceito de patrimônio.. Aliás, o Código Tributário Nacional não, estabelece. , conceito de patrimônio, o que é plenamente preenchido pelo Código Civil. A propósito, o 'artigo 110 do CTN assi:r,ndispõe no mesmo sentido, . conforme abaixo transcrito: " A lei tributária nãó pode' alterar a d~finição, o conteúdo e o alcance do~ institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela . , Constituição F~deral, pelas' Constituições dos Estados, ou pelas ,Leis Orgânicas do . , .1 PRO€ESSO N° ::10814,.009378/94-84 ACÓRDÃO N° ; CSRF/03-03,072 Distrito .Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar 'competências tributá-rias." DA IMUNIDADE CONSTITUCIONAL SOBRE OPATRIMÔNIO . Diante da fixa~ão de conceito, retomemos a questão da Imunidade. , '. ' , Constitucional sobre o PatrimÔnio instituida pela norma contida no art. 150, inciso VI,"alínea "a" 7 abordando o cOl)ceitode imunidade e de sua aplicação no caso em , .' r \ 'tela. " o Professor, Paulo de 'Barros Carvalho, que já foi membro deste Egrégio Conselho, ensina em seu livro "Çurso de Direito 'Tributário", Ed, Saraiva,' 73 Edição, 1995, pág. 113, sue o termo impostos, tributos não vinculados, na verdade deve ter~nterpretação mais abrangente, conteinplando,~nclusive as t~xasde podet: .de polícia e afirma "a proposição de que a imunidade. é instituto que só se r~fere aos impostos càrece' de consistência veritativa." Ou seja, se par~ o mestre, o conceito de imp~sto do. art. 150, VI, analisado segundo uma interpretação sistêmica da Constituição Federal é deveras' limitando7 devendo contemplar d~ntro da nomenclatura "imposto" taxas' e • I. • contribuições, de .melhoria (que afeta diretamente a propriedade), o que diria, então qu~nto à cobrança de i~postos sobre a importação?, O conceito delineado em seu,livro (cit. retro) deixa a questão clara: "Ao' coordenar as ponderações que até aqui expusemos, começa a. aparecer o vulto jurídico daentidad~. É mister, agora, demarcá-lo, delimitá-lo, defini-lo, atento, porém, às próprias críticas que aduzimos páginas atrás, afim de que não venhamos, por um, tropeço, metodológico, nelas nos enredar. Recortamos o conceito com auxílio de elementos jurídicos substanciais à natur~za, pelo que podemos exibi- la ,como ,A 'CLASSE FINITA ~E IMEi>IATAMEN,TE DETERMINÁVEI;. DE NORMA JURÍDICA, CONTIDAS ~O TEXTO CONSTITUCIONAL FEDERAL, E QUE, ESTABELECEM, DE. MODO EXPRESSO, A ,<: PROCESSO N° : 10814.009378/94-84 ACÓRDÃO N° :CSRF/03-03.072 É de se somar ao presente voto •. o prolatado pelo Eminente Conselheiro Wlademir Clóvis Moreira (Acórdãos nOs302-32.485, 301-26 ..667), cujo J .'. • , t;eor corrobora com a posição atual. Como se não bastassem os argumentos retro Iexpostos, é de se pensar,. ainda, o critério temporal da ocorrêncía dos fatos, para verificarmos que, ainda que não estivesse alcançado pela imunidade, o Imposto de Importação não poderia incidir sobre a mercadoria importada pela Recorrente. Note-se que no caso de importação a mercadoria importada ao. .chegar ao País, já é de propriedade da pessoa que a importou e já compõe o seu . . ". . '.. . "patrimônio". Tantô que o Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n.° t 91.030/85, em seu art. 514, ~revê as situações em que a mercadoria importada, ainda que ~ntes do despacho aduaneiro, é' retirada da' esfera da própriedade do importador, ou àquele que se assemelhe a figura de importador, péla pena de perdimento. Se aSSIm, indiscutível' que a mercadoria, mesmo. antes de desembaraçada já pertençaáo importador, fazendo parte de SéUpatrimônio, sendo que, no caso em que se discute, amparado p~la imunidade constitucional., Diante do exposto, considerando que o teimo patrimônio c.ontido no art. 150, inciso VI, alínea "a"; e no respectivo parágrafo 2°, da Constituição Federal, e considerando que a J).orma imunizante tem por obj~tivo preservar o . ~ princípio' da imunidade recíproca e o princípio do federalismo, acolhemos o Recurso Especial de Divergência pata dar-lhe p~ovimento, julgando improcedente o auto de infração para torná-lo insubsistente .. Sala das Sessões, Brasília, 19 de outubro de '1999 . 1'7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016
score : 1.0
Numero do processo: 10280.904347/2012-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO.
O termo insumo utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracteriza-se como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais.
No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão.
Recurso Especial do Procurador negado.
Numero da decisão: 9303-004.745
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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CONCEITO DE INSUMO. DCOMP. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALUNORTE ALUMINA DO NORTE DO BRASIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Recurso Especial do Procurador negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 43 47 /2 01 2- 20 Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10280.904347/201220 Acórdão n.º 9303004.745 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN contra o Acórdão nº 3402002.649, de 24/02/2015, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, do qual se reproduz apenas a parte da ementa que interessa ao presente julgamento: (...) ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Gastos com a aquisição de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, no contexto do Processo Bayer de produção de alumina, ensejam o creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter as glosas de créditos tomados sobre as aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, nos termos do voto do Relator. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgiuse contra a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão, que, no seu entender, não geram direito a crédito. Alega divergência de interpretação em relação aos paradigmas apontados, cujas ementas foram transcritas no recurso. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Fazenda Nacional. A contribuinte apresentou contrarrazões ao especial Fazendário. Também interpôs recurso especial, o qual, todavia, não foi admitido. É o Relatório. Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10280.904347/201220 Acórdão n.º 9303004.745 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.731, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10280.902051/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.731): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no seu exame, que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, enquanto o acórdão paradigma adotou a tese mais restritiva para o conceito de insumos, de forma a guardar correspondência com o obtido da legislação do IPI, o acórdão recorrido consubstanciou entendimento mais amplo, de sorte a incluir, no mesmo conceito, os produtos e serviços necessários ao processo produtivo da contribuinte. Conhecido, entendemos não assistir razão à douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Depois de longos debates, passamos a adotar o entendimento majoritário que, justo, encontrase encartado no acórdão recorrido. Como os motivos do nosso convencimento coincidem, na totalidade, com o que exposto no voto proferido pelo il. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, nos autos do processo administrativo n.º 11065.101271/200647 (Acórdão 3ª Turma/CSRF nº 930301.035, sessão de 23/10/2010), passamos a adotálas, também aqui, como razão de decidir. Eilas: A questão que se apresenta a debate diz respeito à possibilidade ou não de se apropriar como crédito de PIS/Pasep dos valores relativos a custos com combustíveis, lubrificantes e com a remoção de resíduos industriais. O deslinde está em se definir o alcance do termo insumo, trazido no inciso II do art. 3º da Lei 10.637/2002. A Secretaria da Receita Federal do Brasil estendeu o alcance do termo insumo, previsto na legislação do IPI (o conceito trazido no Parecer Normativo CST n° 65/79), para o PIS/Pasep e a para a Cofins não cumulativos. A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matéria prima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo n° 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10280.904347/201220 Acórdão n.º 9303004.745 CSRFT3 Fl. 5 4 Destarte, aplicada a legislação do ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que ai incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem. Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do IPI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiuse o creditamento de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa, máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Vejamos o dispositivo citado: [...] As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram se reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem como as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços, geram direito a créditos de PIS/Pasep, nos termos do art. 3º transcrito linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional. (grifamos) Passemos ao caso concreto. A Recorrente contesta a concessão de crédito oriundo das aquisições de ácido sulfúrico, calcário AL 200 Carbomil e inibidor de corrosão. Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10280.904347/201220 Acórdão n.º 9303004.745 CSRFT3 Fl. 6 5 Antes de concluirmos o voto em relação a cada item e os motivos que sustentam o nosso convencimento, reputamos imprescindível fazer a seguinte observação: em julgamentos recentes envolvendo a mesma contribuinte e, grosso modo, os mesmos produtos e serviços, esta mesma CSRF chegou a conclusões divergentes das que aqui serão adotadas. Nestes julgamentos, acompanhamos o voto do relator, porque nos pareceu que os motivos por ele adotados encontravamse plenamente compatíveis com a tese majoritária. Referimonos aos Acórdãos CSRF/3ª Turma nº 9303004.378, 9303004.379 e 9303004.380, todos de 09/11/2016. Aqui, contudo, na condição de relator, ao analisarmos com maior detença os itens cujo creditamento a Recorrente pretende afastar, formamos a convicção de que andou bem a Câmara baixa ao reconhecer os créditos. Com relação aos produtos citados, consignou: No contexto do Processo Bayer, a recorrente explica que o ácido sulfúrico é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. O calcário (produto AL 200 – Carbomil) é empregado durante o processo de combustão nas caldeiras a carvão para absorção do enxofre, que é formado durante o processo de queima do carvão mineral. O inibidor de corrosão, por sua vez, é usado em refinarias de alumina para desincrustar linhas dos trocadores de calor e outros equipamentos. É utilizado também para neutralização de efluentes e desmineralização da água para as caldeiras. Entendo que o recorrente demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a relação de pertinência e essencialidade destes três bens para com o processo produtivo, nos termos do conceito de insumo que se adota neste voto, devendose reverter as respectivas glosas. Sendo claramente necessário ao processo produtivo, na linha do que vem sendo aqui mesmo decidido, reajustamos o nosso voto para acompanhar o entendimento adotado no acórdão recorrido, negando, no ponto, provimento ao recurso especial. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 667DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.005148/2004-53
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO, REPARO, SUBSTITUIÇÃO DE PEÇAS E MATERIAIS ELÉTRICOS. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI Nº 9317/96. ÔNUS DA PROVA DO FISCO. EXCLUSÃO DO SIMPLES AFASTADA.
Não se admite a exclusão do Simples baseada em mera interpretação de cláusula de contrato social ou em dados cadastrais – CNAE-fiscal. Imperativa a prova de que o contribuinte exerce atividade impeditiva para justificar a exclusão. Não há, no caso, margem à inversão do ônus da prova, porque equivale a exigir-se prova negativa.
Não demonstrado nos autos que a empresa exerce atividade que requer habilitação de profissão regulamentada, inaplicável a vedação legal para opção ao regime Simplificado.
Numero da decisão: 1802-001.099
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nelso Kichel
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NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI Nº 9317/96. ÔNUS DA PROVA DO FISCO. EXCLUSÃO DO SIMPLES AFASTADA. Não se admite a exclusão do Simples baseada em mera interpretação de cláusula de contrato social ou em dados cadastrais – CNAEfiscal. Imperativa a prova de que o contribuinte exerce atividade impeditiva para justificar a exclusão. Não há, no caso, margem à inversão do ônus da prova, porque equivale a exigirse prova negativa. Não demonstrado nos autos que a empresa exerce atividade que requer habilitação de profissão regulamentada, inaplicável a vedação legal para opção ao regime Simplificado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.005148/200453 Acórdão n.º 1802001.099 S1TE02 Fl. 2 2 (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 80/83 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Campinas (fls 48/54) que indeferiu a solicitação de revisão da exclusão do Simples. Quanto aos fatos imputados no ADE de 02/08/2004 (fl. 04) e razões da irresignação apresentada na primeira instância de julgamento em 22/09/2004 (fls. 1/3 e 25/27), transcrevo o relatório da decisão a quo que, até então, resumiu os principais aspectos do litígio (fl. 63): (...) 1. Cuidase de Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples (SRS), sem apreciação de mérito por parte da DRF origem, certo que, na hipótese, entendeuse que o Contribuinte discutia questão exclusivamente de direito (fl. 61). 2. Na indigitada SRS (fls. 01/03, 25/27), então, ponderava o Contribuinte que: a) Haveria descompasso entre a fundamentação legal apontada no ato de exclusão e o motivo fático então referido no mesmo ato. Ainda nessa linha, afirmase que o indigitado ato pecaria pela falta de clareza. b) A exclusão não poderia operar efeitos retroativos. c) Prescindiria, para o exercício de sua atividade, do domínio de conhecimento técnicocientífico próprio de profissional da engenharia e/ou assemelhado. d) A SRF já teria aquiescido com o seu ingresso no Simples, isso desde o pleito de adesão original. 3. Em tempo, o Ato Declaratório Executivo (ADE) que excluíra o Contribuinte do Simples foi sumariamente motivado nos termos seguintes: "atividade econômica vedada: 31127/02 Instalação, reparação e manutenção de transformadores, indutores, conversores, sincronizadores e semelhantes". (fi. 04). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.005148/200453 Acórdão n.º 1802001.099 S1TE02 Fl. 3 3 (...) Como já mencionado inicialmente, a DRJ/Campinas indeferiu a solicitação de revisão da exclusão do Simples, cuja ementa desse decisum transcrevo a seguir (fl. 62), in verbis: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 CIRCUNSTANCIAS IMPEDITIVAS DE INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. O exercício de atividade que pressupõe o domínio de conhecimento técnicocientifico próprio de profissional da engenharia é circunstância que impede o ingresso ou a permanência no Simples. EXCLUSÃO. RETROATIVIDADE. A exclusão do Simples pode operar efeitos retroativos a data da situação impeditiva. INGRESSO E/OU PERMANÊNCIA NO SIMPLES. DIREITO ADQUIRIDO. O ingresso ou a permanência no Simples é situação precária, digase, sempre sujeita à reapreciação da satisfação dos requisitos exigidos em Lei, seja pelo próprio contribuinte, seja pela SRF. (...) Ainda, quanto ao ônus probatório, consta do voto condutor do Acordão (fl. 68): (...) 22. Presentemente, sem que o Contribuinte faça a juntada de outros instrumentos probatórios (tais os já citados: alterações de contrato social, notas fiscais de venda de produtos, mercadorias e/ou serviços), não se pode, pura e simplesmente, à força de simples alegação, ter por desconstituida (ou até restringida) a declaração de vontade impressa na atual redação do contrato social atinente ao objeto social. (...) Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.005148/200453 Acórdão n.º 1802001.099 S1TE02 Fl. 4 4 Inconformada com a decisão a quo da qual tomou ciência em 21/05/2007(fl. 79), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 22/06/2007 de fls. 80/83, juntando, ainda, os documentos de fls. 84/136, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que não aceita, não admite, a exclusão do Simples, pois a atividade econômica exercida, na época, não estaria enquadrada na hipótese de vedação do art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96; que o CNAEFiscal 31127/02, utilizado para preenchimento da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica em 27/04/2000 quando da protocolização do pedido de CNPJ (fls. 18/21) , decorreu de enquadramento por aproximação, pois não havia outro que se enquadrasse na atividade econômica (objeto social): montagem, manutenção e reforma de luminosos, de que trata o Instrumento de Contrato Social da PJ, de 03/04/2000, art. 4º (fls. 13/17 e 34/41). que o CNAEfiscal 43291/01 – instalações de painéis publicitários – foi criado anos depois, o qual, sim, espelha sua atividade econômica, da época; que, entretanto, o ADE levou em conta o CNAEFiscal 31127/02 para exclusão da recorrente do Simples, cujo codigo de atividade, como demonstrado, é inadequando, pois não configura a atividade desempenhada pela empresa; que a mão de obra aplicada era tão somente manutenção de luminosos, apesar de no contrato social o objeto social expressar montagens, a referência se faz a instalação e não à fabricação; que a atividade, na época (instalação, manutenção e reforma de letreiros, luminosos), toda era desempenha pelo(s) sócio(s), cujo conhecimento da atividade, profissão, foi adquirido informalmente ("na raça"), no diaadia; que a atividade não requeria serviço de engenheiro, pois todo o material, a industrialização, as estruturas dos painéis publicitários sempre foram fornecidos por terceiros; que o CNAE para quem exerce a atividade de luminosos é 43291/01 — Instalacão de Painéis Publicitários, que a atividade não configura exercício de atividade regulamentada, juntando algumas notas fiscais de manutenção de letreiros, luminosos dos anoscalendário 2000, 2001 e 2002 (fls. 93/98); que, a partir da Alteração Contratual de 01/12/2004, os sócios de então deixaram a sociedade, e o objeto social da empresa (art. 4º) passou a ser o comércio de produtos de padaria e confeitaria, laticínios e derivados, frios e conservas de frutas, legumes, verduras e similares, balas, doces em creme ou massa, bombons e semelhantes, bebidas e outras mercadorias em geral de gênero alimentício, transporte rodoviário de cargas em geral, municipal, intermunicipal e interestadual, exceto de produtos perigosos. (fls. 118/126). Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu a reforma da decisão recorrida, para afastar os efeitos do ADE. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.005148/200453 Acórdão n.º 1802001.099 S1TE02 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de Exclusão do SIMPLES. O ato declaratório de exclusão do SIMPLES, de 02/08/2004, consigna infração ocorrida em 12/04/2000 exercício de atividade econômica vedada: 31127/02 Instalacao, reparação e manutenção de transformadores, indutores, ccnversores, sincronizadores e semelhantes, com efeito jurídico da exclusão a partir de 01/01/2002, conforme arts. 9º XIII, 12, 14I e 15II, da Lei nº 9.317/96 e alterações posteriores (fl. 04). Vale dizer, a recorrente foi excluída do SIMPLES a partir de 01/01/2002 por exercer atividade econômica de profissão regulamentada de engenheiro ou qualquer outra profissão assemelhada cujo exercício dependeria de habilitação profissional legalmente exigida e sujeita à fiscalização pelo Conselho de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA (Lei nº 9.317/96, art. 9º XIII). Por sua vez, a recorrente rebelase contra a decisão a quo, argumentando que: é inaceitável a exclusão do Simples, pois a atividade econômica exercida, na época, não estaria enquadrada na hipótese de vedação do art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/96; o CNAEFiscal 31127/02, utilizado para preenchimento da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica em 27/04/2000 quando da protocolização do pedido de CNPJ (fls. 18/21), decorreu de enquadramento por aproximação, pois não havia outro que se enquadrasse na atividade econômica (objeto social): montagem, manutenção e reforma de luminosos, de que trata o Instrumento de Contrato Social da PJ, de 03/04/2000, art. 4º (fls. 13/17 e 34/41). o CNAEfiscal 43291/01 – instalações de painéis publicitários (painéis luminosos) – foi criado anos depois, o qual, sim, espelha sua atividade econômica, da época; entretanto, o ADE levou em conta o CNAEFiscal 31127/02 para exclusão da recorrente do Simples, cujo codigo de atividade, como demonstrado, é inadequando, pois não configura a atividade desempenhada pela empresa; a mão de obra aplicada era tão somente manutenção de luminosos, apesar de no contrato social o objeto expressar montagens; que essa referência se faz no sentido de instalação e não de fabricação; a atividade, na época (instalação, manutenção e reforma de letreiros, luminosos), toda era desempenha pelo(s) sócio(s), cujo conhecimento da atividade, profissão, foi adquirido informalmente ("na raça"), no diaadia; que a atividade não requeria serviço de Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.005148/200453 Acórdão n.º 1802001.099 S1TE02 Fl. 6 6 engenheiro, pois todo o material, a industrialização, as estruturas dos painéis publicitários sempre foram fornecidos por terceiros. Delimitado o litígio (apresentada a síntese dos principais pontos ou questões), passo a enfrentar o mérito. No mérito, a exclusão da recorrente do Simples não pode prosperar. Como fundamento para afastamento da exclusão, trato da questão cadastral. O instrumento de Contrato Social (art. 4º), de 03/04/2000, consigna objeto social: montagem, manutenção e reforma de luminosos (fls. 13/17 e 34/41). Por outro lado, no ADE consta, como fundamento da exclusão, o exercício de atividade econômica: Instalacao, reparação e manutenção de transformadores, indutores, ccnversores, sincronizadores e semelhantes. A contribuinte, ainda, juntou algumas cópias de notas fiscais que comprovam, diversamente da imputação do fisco, o exercício de atividade econômica de instalação, manutenção e reforma de letreiros ou luminosos nos anoscalendário 2000, 2001 e 2002 (fls. 93/98). Como visto, os fatos imputados pelo ADE não se subsumem à atividade econômica desempenhada pela recorrente. A mãodeobra aplicada era tão somente de instalação, manutenção e reforma de luminosos, apesar de no contrato social o objeto expressar montagens, cuja referência entendese por instalação e não ao processo de fabricação (montagem); que a atividade, na época (instalação, manutenção e reforma de letreiros, luminosos), foi toda desempenhada pelo(s) sócio(s), cujo conhecimento da atividade, profissão, foi adquirido informalmente ("na raça"), no diaadia; que a atividade não requeria serviço de engenheiro, pois todo o material, a industrialização, as estruturas dos painéis publicitários sempre foram fornecidos por terceiros. Como já dito anteriormente, a RFB excluiu a recorrente tãosomente com base em dados cadastrais (código de atividade fiscal que não reflete a atividade econômica da recorrente), não apurando, in loco, a real atividade por ela exercida. Ora, com base nos elementos de prova constantes dos autos, até que se prove o contrário, a recorrente exercitou a atividadade de instalação, manutenção e reforma de letreiros ou luminosos. No caso, o ônus da prova é do fisco. Nesse sentido, os precedentes jurisprudenciais deste Conselho Administrativo apontam que é incabível, em regra, a exclusão do Simples apenas com base em meros dados cadastrais (código “CNAE”), sem apuração pela fiscalização, in loco, da real atividade praticada pelo contribuinte. A propósito, transcrevo alguns precedentes: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.005148/200453 Acórdão n.º 1802001.099 S1TE02 Fl. 7 7 SIMPLES. EXCLUSÃO. ÔNUS DA PROVA. Não se admite a exclusão do SIMPLES baseada em interpretação de cláusula em contrato social. Imperativa a prova de que o contribuinte exerce atividade impeditiva para justificar a exclusão. Não há, no caso, margem à inversão do ônus da prova, porque equivale a exigir se prova negativa. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO POR UNANIMIDADE (Acórdão nº 30130.810, Sessão 05/11/2003). EXCLUSÃO. MÚLTIPLAS ATIVIDADES. Se a empresa tem múltiplas atividades, a Administração Tributária tem de provar que aquelas vedadas pela legislação que rege o SIMPLES são desenvolvidas efetivamente pela pessoa jurídica, não basta constar tãosomente da cláusula do contrato social que trata do objeto social da pessoa jurídica. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Acórdão nº 30238.280, Sessão: 06/12/2006). SIMPLES NORMAS LEGAIS O ato administrativo que determina a exclusão da opção pelo SIMPLES, por se tratar de um ato vinculado, está jungido à observância estrita do critério da legalidade, impondo o estabelecimento de nexos entre o resultado do ato e a norma jurídica, daí a nulidade daquele que apresente defeito na sua motivação. Processo que se anula ab initio (ACÓRDÃO nº 20213.505 , Sessão 06/12/2001). SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. DIGITAÇÃO. A fiscalização não trouxe aos autos nenhuma evidência de que a empresa praticasse efetivamente atividade impedida pelo SIMPLES. Não há evidência de efetiva prestação de serviços de consultoria, ou assessoria ou de qualquer atividade que pudesse caracterizar impedimento ao SIMPLES. Não se afigura razoável que o Fisco exija do contribuinte a realização de prova negativa, qual seja a de que não praticou as atividades impedidas previstas no Contrato Social. A jurisprudência administrativa atesta que costuma não coincidir a descrição do objeto social com a real atividade das empresas, daí, não se poder dispensar um trabalho de investigação preliminar, ainda que sucinta, que, pelo menos se dê ao trabalho de verificar os Livros Contábeis. Aceitar um ato de exclusão com tal fragilidade de embasamento seria equivalente a assumir a dispensabilidade de trabalho de fiscalização, seria admitir a condenação sem prova, e não há de se defender nem uma nem outra coisa. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Acórdão nº 30331.557, Sessão 12/08/2004). Além disso, a atividade de instalação, manutenção e reforma de materiais elétricos, é compatível com o Simples, consoante os seguintes precedentes jurisprudenciais deste Egrégio CARF: Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. ART. 9º, INCISO XIII, DA LEI 9317/96. INAPLICABILIDADE AOS SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO, MANUTENÇÃO, REPARO, SUBSTITUIÇÃO DE PEÇAS E MATERIAIS ELÉTRICOS. Verificado, em sede de diligência, que a Interessada pratica atividades relacionadas com pequenos e médios reparos em Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.005148/200453 Acórdão n.º 1802001.099 S1TE02 Fl. 8 8 instalações industriais e comerciais, os quais podem ser eficientemente prestados por eletricistas (dispensável, o emprego de conhecimentos técnicos tão complexos quanto aqueles próprios dos engenheiros), deve ser dado provimento ao recurso interposto. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão 30238.615, Sessão de 26/04/2007). SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. Comprovado que a recorrente se dedica ao ramo do comércio varejista de material elétrico e derivados em geral e à prestação de serviços de instalações elétricas em geral, e como estes ramos de atividade não se confundem com a prestação de serviços privativos de engenheiros, assemelhados e profissões legalmente regulamentadas, sendo essas atividades exercidas pela recorrente perfeitamente permitidas pela legislação vigente aplicável, é de se manter a recorrente no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES.Recurso provido.(Acórdão nº 30332.364, Sessão de 12/09/2005). SIMPLES EXCLUSÃO INDEVIDA. CONSERTOS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS. MANUTENÇÃO EM INFORMÁTICA. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9°, INCISO XIII, DA LEI N° 9317/96. POSSIBILIDADE DE PERMANECER NO REGIME DO SIMPLES. SUPERVENIÊNCIA DA LEI 11.051/2004 QUE POSSIBILITA A INCLUSÃO DESSAS ATIVIDADES NO SIMPLES RECURSO PROVIDO. (Acórdão nº 30132.465, Sessão de 25/01/2006). SIMPLES EXCLUSÃO INDEVIDA. CONSERTOS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E MANUTENÇÃO EM INFORMÁTICA. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9°, INCISO XIII, DA LEI N°9317/96.POSSIBILIDADE DE PERMANECER NO REGIME DO SIMPLES — APLICAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE SRF N. 8 DE 1812005 DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL E DA LEI 11051/2004. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão nº 30132.704, Sessão de 26/04/2006). SIMPLES. EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE REPAROS E MANUTENÇÃO DE INSTALAÇÕES TELEFÔNICAS E ELÉTRICAS. Não sendo a atividade prestada pela recorrente específica de engenharia ou assemelhada a esta, bem como não exigindo o emprego de conhecimentos técnicos de profissional de engenharia, já que de baixa complexidade, não pode ensejar sua exclusão do SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.(Acórdão nº 30237.864, Sessão de 13/06/2006). Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. CONSERTOS E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS. CONDICIONADORES DE AR, TELEFONES E INTERFONES. DESNECESSIDADE DE Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.005148/200453 Acórdão n.º 1802001.099 S1TE02 Fl. 9 9 CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9°, INCISO XIII, DA LEI N° 9317/96.POSSIBILIDADE DE PERMANECER NO REGIME DO SIMPLES. Não demonstrado nos autos que há nas dependências da empresa atividade que requer habilitação profissional legalmente exigida, inaplicável se toma à vedação legal ao regime Simplificado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão nº 30133.829, Sessão de 26/04/2007). Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. MANUTENÇÃO E INSTALAÇÕES ELÉTRICAS E SISTEMAS DE TELEFONIA. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI Nº 9317/96. Não demonstrado nos autos que a empresa exerce atividade que requer habilitação profissional, inaplicável a vedação legal a opção ao regime Simplificado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Acórdão nº 30299.081, Sessão de 18/10/2007). De modo que, diversamente do narrado pelo fisco no ADE, não restou comprovado nos autos que a atividade exercida pela recorrente, até 30/11/2004, tivesse óbice para a empresa figurar no Simples, conforme opção manifestada. Por outro lado, após essa data houve mudança no objeto social da recorrente (alteração do ramo de atividade econômica). Vale dizer, em face de alteração do Contrato Social em 01/12/2004, os sócios, até então, deixaram a sociedade e o objeto social da empresa (art. 4º) passou a ser o comércio de produtos de padaria e confeitaria, laticínios e derivados, frios e conservas de frutas, legumes, verduras e similares, balas, doces em creme ou massa, bombons e semelhantes, bebidas e outras mercadorias em geral de gênero alimentício, transporte rodoviário de cargas em geral, municipal, intermunicipal e interestadual, exceto de produtos perigosos (fls. 118/126). Portanto, o lapso temporal inciado a partir de 01/12/2004 é estranho ao objeto da lide, em face de alteração do objeto social (mudança do ramo de atividade econômica). Por conseguinte, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para manter a empresa no regime do SIMPLES no período de 01/01/2002 a 30/11/2004, época na qual a empresa exercitou a atividade de instalação, manutenção e reforma de letreiros ou luminosos, ou seja, lapso temporal anterior à alteração contratual de 01/12/2004 (fls. 118/126). (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 156DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.005148/200453 Acórdão n.º 1802001.099 S1TE02 Fl. 10 10 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 29/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 26/03/2012 por NEL SO KICHEL, Assinado digitalmente em 29/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 37169.005382/2006-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2005
INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO.
O equívoco nos Fundamentos Legais do Débito, quando ausente prejuízo para a defesa, não causa nulidade do lançamento.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO DE 11%. EMPRESA INSCRITA NO SIMPLES. IMPROCEDÊNCIA. ART. 62 DA PORTARIA MF n.º 343/2015. APLICAÇÃO.
O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 1.112.467, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o regime especial de tributação SIMPLES é incompatível com a retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA E DA MULTA APLICADA. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.
A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-003.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados interpostos, para, sanando a decisão vergastada, anular a decisão proferida pelo Acórdão 2302-003.553, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 27/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. O equívoco nos Fundamentos Legais do Débito, quando ausente prejuízo para a defesa, não causa nulidade do lançamento. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO DE 11%. EMPRESA INSCRITA NO SIMPLES. IMPROCEDÊNCIA. ART. 62 DA PORTARIA MF n.º 343/2015. APLICAÇÃO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 1.112.467, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o regime especial de tributação SIMPLES é incompatível com a retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DA EXIGÊNCIA E DA MULTA APLICADA. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 16 9. 00 53 82 /2 00 6- 59 Fl. 321DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados interpostos, para, sanando a decisão vergastada, anular a decisão proferida pelo Acórdão 2302003.553, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 27/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratamse de Embargos Inominados contra Acórdão de Embargos de Declaração que acolheu o recurso para a correção do erro material e manteve a anulação da decisão de primeira instância. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 25/04/2006, cuja ciência do Recorrente ocorreu em27/04/2006 (fls.168). De acordo com o Relatório Fiscal de fls.112/ , os fatos geradores do presente lançamento fiscal decorrem de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, onde a empresa contratante, a Transportadora Itanorte Ltda. está obrigada a reter onze por cento (11%) do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços emitido pelo contratado e recolher a Previdência Social a importância retida, em documento de arrecadação identificado com a denominação social e o CNPJ da empresa contratada. A empresa deixou de recolher em época própria valores relativos a retenções sobre os serviços prestados pelos seus contratados na atividade de limpeza, conservação, vigilância, segurança, carga de descarga, prestação de serviços, entre outros. A obrigação de efetuar a retenção está amplamente amparada pela legislação, art. 31 da Lei n.°8.212, de 24/07/1991: Fl. 322DF CARF MF Processo nº 37169.005382/200659 Acórdão n.º 2201003.702 S2C2T1 Fl. 3 3 Os fatos geradores foram apurados com base na analise da escrituração contábil da empresa, Livros Diário e Livros Razão, corroborados por Arquivos digitais disponibilizados, GFIP, Notas fiscais de Serviço, Faturas, Recibos e documentos de suporte de lançamentos contábeis, além das guias de recolhimento para a previdência social — GPS, relativas a retenção. A documentação foi fornecida pela empresa, no período indicado. O Recorrente apresentou impugnação com documentos, levando a Unidade de Atendimento a sugerir o encaminhamento do processo ao setor de análises para manifestarse sobre os documentos e alegações da impugnação (fls.193). A DN julgou o lançamento procedente, e, inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário, alegando em síntese: interpôs recurso voluntário sem o depósito recursal resguardada por Mandado de segurança; nulidade da decisão por falta de análise da impugnação; inconstitucionalidade e ilegalidade da taxa selic; decadência; inconstitucionalidade da exigência; A DRP apresentou contrarazões. É o relatório. Após a decisão do CARF de anulação da decisão de piso, remetidos os autos à origem, o Auditor Fiscal manifestouse no sentido de que: "O julgamento proferido pela 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF deve ser revisto, por ter incorrido em erro material, motivo pelo qual, nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, que determina que as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto existentes nas suas decisões serão retificadas pelo Presidente da Turma, mediante requerimento do titular da Unidade da Administração Tributária encarregada da execução do acórdão, propomos o retorno do presente processo àquele Conselho com vistas à retificação das incorreções ocorridas no Acórdão 230201.401, visto que inexistente diligência determinada nos autos, o que enseja a inexistência de cerceamento do direito de defesa.” (fls. 269 e ss). Em análise aos Embargos de Declaração, foi proferido Despacho de Admissibilidade nos termos seguintes: Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo Chefe da Seção de Controle e Acompanhamento Tributário DRFB em Blumenau/SC, com escopo no art. 66 do Regimento Interno do CARF, sob o fundamento de haver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto. De acordo com o Embargante, o Relator teria anulado a decisão de 1ª instância por não ter sido proferido parecer conclusivo sobre a impugnação e posterior ciência do interessado, conforme fl. 193. Fl. 323DF CARF MF 4 Ocorre que o despacho de fls. 193 não se trata de determinação de diligência fiscal, mas tão somente encaminhamento dos autos para a autoridade competente para proferir a decisão administrativa de modo a dar prosseguimento ao feito. Assim consta: “1. O sujeito passivo em referência apresentou impugnação tempestiva e total, protocolizada sob o n° 37169.003229/200697 em 12/05/2006, à fl. 169. 2. Da análise do instrumento da impugnação, constatamos a existência dos elementos essenciais. 3. Registrado o evento "Apresentação de Impugnação Tempestiva", à fl. 192. 4. A chefia da Unidade de Atendimento da UAR — Previdenciária em Blumenau, sugerindo o encaminhamento ao Setor de Análise de Defesas e Recursos — 20.4214.” Nestes termos, por não vislumbrar a determinação de qualquer diligência capaz de ensejar a necessária intimação do contribuinte, entendo que devam ser acatados os embargos opostos. À consideração da Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção do CARF. Posteriormente, foi proferido Acórdão relativo a apreciação dos mencionados Embargos, restando consignado o entendimento disposto abaixo: Na verdade, o despacho de fls. 193 informou apenas que a impugnação foi tempestiva e, por isso, encaminhou o processo ao setor de análise de defesa e recursos. Não existiu qualquer diligência a ensejar a intimação do contribuinte para apresentar manifestação sobre os fatos trazidos ao processo pela outra parte. Neste ponto, resta esclarecido o equívoco apontado pelo Ilustre Auditor. Todavia, tendo em vista que a presente análise não adentrou no cerne do julgamento, até porque os embargos protocolados tiveram o objetivo tão somente de corrigir o erro material, mantenho a decisão tal como exposta no Acórdão nº 2302081. Por todo o exposto: CONHEÇO dos Embargos Declaratórios para corrigir o erro material, mantendo a decisão consubstanciada no Acórdão embargado no sentido de anular a decisão de primeira instância para que seja analisada a impugnação e os documentos a ela anexados. Com a publicação do Acórdão citado, foram opostos Embargos de Declaração pela DRF Blumenau/SC, fls. 310, e admitidos, conforme Despacho de Admissibilidade de fls. 315 e 316, trechos abaixo transcritos: Os embargos foram acolhidos e o processo retornou à pauta de julgamento sendo proferido o Acórdão n.º 2302003.553, fls. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 37169.005382/200659 Acórdão n.º 2201003.702 S2C2T1 Fl. 4 5 700/702, ora embargado, porquanto o mesmo se manifesta dizendo que, com efeito, não houve diligência e por isso não houve fato que devesse ser noticiado ao contribuinte, mas inadvertidamente e sem motivação pugna por manter a nulidade da decisão para que a primeira instância aprecie a impugnação apresentada pelo notificado. Ora, examinando os autos se vê que a DecisãoNotificação de fls. 194/199, se pronunciou sobre as alegações trazidas na impugnação, não incorrendo em cerceamento de defesa e não havendo motivo para ser anulada. Ou seja, o Acórdão proferido em sede de embargos foi omisso ao não apreciar as razões recursais trazidas pelo contribuinte e mantendo a decisão proferida no Acórdão de fls. 268/270, de anular a DecisãoNotificação sem motivo para tanto. Pelo exposto, constatada a omissão no Acórdão proferido em sede de embargos, às fls. 700/702 e de acordo com os artigos 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015, entendo que deva ser acolhido como embargos inominados o expediente da Delegacia da Receita Federal de Blumenau/SC datado de 13/04/2015, conforme os autos do processo digital. No uso da competência conferida pelos artigos 65 e 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, ACOLHO os embargos inominados para que o Acórdão 23023.553, seja revisto a fim de sanar suas omissões mediante a prolação de novo acórdão. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, tratamse de embargos inominados apresentados pela DRF Blumenau/SC contra o Acórdão de Embargos n.º 2302003.553 no qual restou consignado o entendimento no sentido de que houve, de fato erro material do Acórdão de Recurso Voluntário n.º 230201.401, considerando que o documento mencionado da decisão (Despacho de fls. 193) informou apenas que a impugnação foi tempestiva, não tendo a natureza de diligência apta a ensejar a intimação do contribuinte para manifestação. Fl. 325DF CARF MF 6 Assim, naquela ocasião, foram acolhidos os embargos para a correção do erro material, mas mantida a decisão de anulação do acórdão de primeira instância para que fosse analisada a impugnação e os documentos a ela anexados. Entendeu o auditor da DRF Blumenal, em seu Despacho, fls. 310, recebido como Embargos Inominados, que: O Acórdão dos embargos reconheceu o erro material do Acórdão 230201.401,todavia, manteve a decisão consignada no acórdão anulado, configurando total contradição. Retornese ao CARF para revisão do acórdão dos embargos e para julgar o recurso voluntário interposto pela contribuinte. O Despacho de Admissibilidade dos referidos Embargos assim dispôs: Os embargos foram acolhidos e o processo retornou à pauta de julgamento sendo proferido o Acórdão n.º 2302003.553, fls. 700/702, ora embargado, porquanto o mesmo se manifesta dizendo que, com efeito, não houve diligência e por isso não houve fato que devesse ser noticiado ao contribuinte, mas inadvertidamente e sem motivação pugna por manter a nulidade da decisão para que a primeira instância aprecie a impugnação apresentada pelo notificado. Ora, examinando os autos se vê que a DecisãoNotificação de fls. 194/199, se pronunciou sobre as alegações trazidas na impugnação, não incorrendo em cerceamento de defesa e não havendo motivo para ser anulada. Ou seja, o Acórdão proferido em sede de embargos foi omisso ao não apreciar as razões recursais trazidas pelo contribuinte e mantendo a decisão proferida no Acórdão de fls. 268/270, de anular a DecisãoNotificação sem motivo para tanto. Cumpre esclarecer que o equívoco apontado pela DRF de Blumenau decorreu do entendimento de que não houve atendimento à diligência constante de fls. 193, sendo que, na verdade, como reconhecido no Acórdão de Embargos, não se tratou de diligência, mas apenas de referência à tempestividade existência de elementos essenciais da impugnação. Observase que o acórdão recorrido traz como fundamentos de decidir para a conclusão de anulação da decisão de primeira instância a ausência de análise dos fatos e dos documentos da impugnação, o que teria ocasionado o cerceamento do direito de defesa. Portanto, o julgadores consideraram necessária a emissão de Parecer conclusivo sobre a impugnação e posterior ciência da informação à Contribuinte, facultando a sua manifestação posterior. Compulsandose os autos, observase que a Decisão Notificação n.º 20.421.4/0341/2006, fls. 196 e seguintes do PDF, apreciou os fundamentos da decisão recorrida, de modo que não se vislumbra cerceamento do direito de defesa da recorrente. Assim, acolho os embargos apresentados pela DRF de Blumenau e ressalto que o vício apontado está diretamente relacionado ao resultado do julgamento. Portanto, é nula a decisão de proferida no Acórdão de n.º 2302003.553, em razão da ausência de motivação. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 37169.005382/200659 Acórdão n.º 2201003.702 S2C2T1 Fl. 5 7 Tendo em vista que o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte se encontra pronto para julgamento, deve ser incluído novamente em pauta, após a abertura de prazo para manifestação do recorrente acerca da anulação do acórdão embargado, a fim de que lhe seja devidamente garantido o contraditório e a ampla defesa. Diante do exposto, conheço e acolho os embargos inominados opostos pela DRF Blumenau para anular a decisão proferida pelo Acórdão n.º 2302003.553 e determinar a ciência do recorrente quanto ao teor da decisão e abertura de prazo para posterior manifestação, devendo ocorrer a reinclusão dos autos em pauta. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.905559/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.781
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 59 /2 01 2- 83 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13888.905559/201283 Acórdão n.º 3201002.781 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.298, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13888.905559/201283 Acórdão n.º 3201002.781 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13888.905559/201283 Acórdão n.º 3201002.781 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13888.905559/201283 Acórdão n.º 3201002.781 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13888.905559/201283 Acórdão n.º 3201002.781 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13888.905559/201283 Acórdão n.º 3201002.781 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13888.905559/201283 Acórdão n.º 3201002.781 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 13888.905559/201283 Acórdão n.º 3201002.781 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.725252/2014-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
IRPJ. ATO COOPERATIVO. CARACTERIZAÇÃO. EXCLUSÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL.
1. A legislação do Imposto de Renda estabelece que a incidência do IRPJ das sociedades cooperativas se dará apenas sobre os "resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade", como o fornecimento de bens ou serviços a não associados para atender aos objetivos sociais.
2. A venda, pela cooperativa, de serviços que serão executados pelos seus associados não se enquadra neste conceito, pois é este o objeto e a razão de ser da cooperativa. O principal serviço que uma cooperativa de serviços presta aos seus cooperados é o de angariar clientes e repassar a prestação dos serviços contratados para execução pelos cooperados.
3. O "fornecimento de bens ou serviços a não associados para atender aos objetivos sociais", sujeitos à tributação do IR, seria o repasse dos serviços (contratados) a terceiros não associados, para cumprimento de contrato firmado pela cooperativa com os tomadores de serviços (para atender aos objetivos sociais). O resultado dessas operações derivadas do repasse desses serviços, é que deve ser alcançada pela tributação do imposto de renda.
4. A legislação do imposto de renda estabelece a obrigatoriedade de retenção na fonte sobre os valores recebidos pelas cooperativas "relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição" e a compensação desse imposto "por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados".
5. Os valores repassados aos associados pelas cooperativas, que constituem rendimentos destes, é que devem ser alcançados pela tributação do imposto de renda tanto que o imposto retido em face da cobrança dos serviços pela cooperativa deve ser compensado com o imposto que deve ser retido sobre os rendimentos pagos aos cooperados.
6. Para que haja a neutralidade na tributação das operações realizadas apenas uma delas pode ser alcançada pelo imposto de renda e, claramente, a lei elegeu como contribuinte do imposto de renda o cooperado e não a cooperativa.
CSLL. ATO COOPERATIVO. CARACTERIZAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
1. Não há como dissociar o resultado apurado para fins de incidência imposto de renda da pessoa jurídica devido pela cooperativa, do resultado a ser considerado para fins da incidência da CSLL.
2. Se o valor dos serviços repassado aos cooperados é rendimento destes e não da cooperativa para fins de apuração do lucro tributável, este também não pode compor o resultado desta para fins de incidência da CSLL, pois se o dito rendimento é de um (cooperado) não pode ser, também, de outro (cooperativa).
3. O recebimento dos serviços e o seu repasse aos associados constituem-se em atos cooperativos, na forma anteriormente analisada, não sendo, portanto, passíveis (tais atos) de serem alcançados pela tributação da CSLL, nos termos do art. 39 da Lei nº 10.865/2009.
IRPJ E CSLL. COOPERATIVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS REPASSES DA A ASSOCIADOS EM FACE DOS SERVIÇOS PRESTADOS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
1. Se for considerado que os valores recebidos pela cooperativa na execução do contrato de prestação de serviços firmado com terceiros para execução pelos cooperados devem compor a apuração do resultado da cooperativa pelo lado da receita, os valores repassados aos associados pela prestação desses serviços teria que, necessariamente, integrar o resultado pelo lado do custo (necessário à execução dos serviços contratados).
2. Em face do comando constitucional que determina o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, não pode a carga do IRPJ e da CSLL ser mais gravosa para a cooperativa que a incidente sobre as demais pessoas jurídicas, o que ocorreria na desconsideração dos repasses aos associados como custo.
PIS E COFINS. ATOS COOPERATIVOS. DISCUSSÃO SOBRE A INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO NAS ESFERAS ADMINISTRATIVAS E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(Súmula CARF nº 1).
Numero da decisão: 1302-002.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exigência de IRPJ e CSLL, e em não conhecer das razões recursais relativas ao PIS e a Cofins, em face da existência de ação judicial quanto à matéria recorrida. Os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, votaram pelas conclusões quanto às exigências de IRPJ e CSLL.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ATO COOPERATIVO. CARACTERIZAÇÃO. EXCLUSÃO DO RESULTADO TRIBUTÁVEL. 1. A legislação do Imposto de Renda estabelece que a incidência do IRPJ das sociedades cooperativas se dará apenas sobre os "resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade", como o fornecimento de bens ou serviços a não associados para atender aos objetivos sociais. 2. A venda, pela cooperativa, de serviços que serão executados pelos seus associados não se enquadra neste conceito, pois é este o objeto e a razão de ser da cooperativa. O principal serviço que uma cooperativa de serviços presta aos seus cooperados é o de angariar clientes e repassar a prestação dos serviços contratados para execução pelos cooperados. 3. O "fornecimento de bens ou serviços a não associados para atender aos objetivos sociais", sujeitos à tributação do IR, seria o repasse dos serviços (contratados) a terceiros não associados, para cumprimento de contrato firmado pela cooperativa com os tomadores de serviços (para atender aos objetivos sociais). O resultado dessas operações derivadas do repasse desses serviços, é que deve ser alcançada pela tributação do imposto de renda. 4. A legislação do imposto de renda estabelece a obrigatoriedade de retenção na fonte sobre os valores recebidos pelas cooperativas "relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição" e a compensação desse imposto "por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados". 5. Os valores repassados aos associados pelas cooperativas, que constituem rendimentos destes, é que devem ser alcançados pela tributação do imposto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 52 52 /2 01 4- 55 Fl. 476DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 477 2 de renda tanto que o imposto retido em face da cobrança dos serviços pela cooperativa deve ser compensado com o imposto que deve ser retido sobre os rendimentos pagos aos cooperados. 6. Para que haja a neutralidade na tributação das operações realizadas apenas uma delas pode ser alcançada pelo imposto de renda e, claramente, a lei elegeu como contribuinte do imposto de renda o cooperado e não a cooperativa. CSLL. ATO COOPERATIVO. CARACTERIZAÇÃO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. 1. Não há como dissociar o resultado apurado para fins de incidência imposto de renda da pessoa jurídica devido pela cooperativa, do resultado a ser considerado para fins da incidência da CSLL. 2. Se o valor dos serviços repassado aos cooperados é rendimento destes e não da cooperativa para fins de apuração do lucro tributável, este também não pode compor o resultado desta para fins de incidência da CSLL, pois se o dito rendimento é de um (cooperado) não pode ser, também, de outro (cooperativa). 3. O recebimento dos serviços e o seu repasse aos associados constituemse em atos cooperativos, na forma anteriormente analisada, não sendo, portanto, passíveis (tais atos) de serem alcançados pela tributação da CSLL, nos termos do art. 39 da Lei nº 10.865/2009. IRPJ E CSLL. COOPERATIVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS REPASSES DA A ASSOCIADOS EM FACE DOS SERVIÇOS PRESTADOS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. 1. Se for considerado que os valores recebidos pela cooperativa na execução do contrato de prestação de serviços firmado com terceiros para execução pelos cooperados devem compor a apuração do resultado da cooperativa pelo lado da receita, os valores repassados aos associados pela prestação desses serviços teria que, necessariamente, integrar o resultado pelo lado do custo (necessário à execução dos serviços contratados). 2. Em face do comando constitucional que determina o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, não pode a carga do IRPJ e da CSLL ser mais gravosa para a cooperativa que a incidente sobre as demais pessoas jurídicas, o que ocorreria na desconsideração dos repasses aos associados como custo. PIS E COFINS. ATOS COOPERATIVOS. DISCUSSÃO SOBRE A INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES. CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÃO NAS ESFERAS ADMINISTRATIVAS E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(Súmula CARF nº 1). Fl. 477DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 478 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exigência de IRPJ e CSLL, e em não conhecer das razões recursais relativas ao PIS e a Cofins, em face da existência de ação judicial quanto à matéria recorrida. Os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, votaram pelas conclusões quanto às exigências de IRPJ e CSLL. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 479 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0262.226, proferido pela 4ª Turma da DRJ Belo Horizonte/MG, em 20 de novembro de 2014, mediante o qual o colegiado julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada em face de lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, conforme sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Publica com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renuncia as instancias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS A autoridade julgadora de primeira instancia indeferira o pedido de realização de diligencias ou perícias, quando as entender prescindíveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2006 BASE DE CÁLCULO O faturamento das cooperativas e sujeito a tributacao pelo PIS. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2006 BASE DE CÁLCULO O faturamento das cooperativas e sujeito a tributacao pela COFINS. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006 Fl. 479DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 480 5 MATÉRIA TRIBUTÁVEL São considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas pelo fornecimento de bens e serviços a não associados. REPASSES A ASSOCIADOS O valor dos repasses pagos aos cooperados não constitui custo nem despesa operacional dedutível, nos termos da Lei. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A autoridade fiscal lançadora efetuou a constituição dos créditos tributários relativos ao PIS e a Cofins tomando como base as receitas que considerou como atos cooperados (taxa de administração de 11% cobrada dos associados) e da receitas de prestação de serviços, consideradas como atos não cooperados constante das contas contábeis 3111.0003 (Serviços de Veículos Leves) e 3111.0004 (Serviços de Veículos Pesados), excluindose da base de cálculos os descontos incondicionais (conta 3112.0002) e abatendose os valores de PIS e Cofins retidos pelas fontes pagadoras. Com relação ao IRPJ e a CSLL, a autoridade fiscal entendeu como tributáveis as receitas de prestação de serviços, por ela consideradas como atos não cooperados, constante das contas contábeis 3111.0003 (Serviços de Veículos Leves) e 3111.0004 (Serviços de Veículos Pesados), adicionandoas ao Lucro Real e à base de cálculo da CSLL. Foram lançadas, também, multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas. A decisão recorrida exonerou parcialmente o lançamento da multa isolada CSLL em face da comprovação da existência de um pagamento de estimativas no mês de janeiro de 2010. Cientificada do acórdão recorrido em 09/01/2015, a interessada interpôs recurso voluntário em 06/02/2015, no qual refuta as conclusões da decisão recorrida e reapresenta os argumentos trazidos em sua impugnação. Por bem resumir os principais argumentos expendidos pela recorrente, transcrevo os trechos da impugnação destacados no relatório do acórdão recorrido, verbis: De inicio, a interessada alega que o pedido de efeito suspensivo requerido pela ora Impugnante nos autos do Recurso Extraordinário RE 378.860, que tramita perante o Excelso STF fora negado, o que não e verdade. [...] Ao contrario do que sustentado, a liminar foi sim deferida e o efeito suspensivo foi concedido, estando suspensa a exigibilidade do tributo PIS/COFINS. [...] Fl. 480DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 481 6 Dito isso, cumpre a Impugnante arguir a inconstitucionalidade da revogação da isenção relativa ao PIS e a COFINS, antes prevista pela Lei Complementar no 70/91, e operada pela Lei no 9.718/98. A partir deste ponto, a interessada estendese em considerações sobre a suposta inconstitucionalidade da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, para concluir que [...] ao contrario do que sustentado pela i. Auditora Fiscal, a Cooperativa Impugnante nada deve ao fisco a titulo de PIS/COFINS alem daqueles valores que já foram recolhidos por terceiros e identificados pela fiscalização. Menciona a letra “c”, inciso III, do artigo 146, da Constituição da República e recorda que as cooperativas são sociedades de pessoas, sem fins lucrativos, criadas para prestar serviços aos seus associados, de acordo com o que estabelece a Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Com apoio no inciso VII do artigo 4o desta Lei, afirma que “toda a receita da cooperativa, revertese, exclusivamente, aos cooperados” e que “as despesas da sociedade são rateadas proporcionalmente entre os sócios”, concluindo tratarse de “sociedade que não possui receita e nem despesa”. Acrescenta: As sobras não são, nem ao longe, o objetivo das cooperativas, mas sim o resultado positivo das operações por ela realizadas, em nome dos seus sócios. Por isso as sobras não podem ser equiparadas ao lucro. Critica a edição das Medidas Provisórias n.° 1.8586, de 29 de junho de 1999, e 66, de 29 de agosto de 2002, recepcionada pela Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com “afronta aos principios da capacidade contributiva e da isonomia, com afronta ainda ao texto constitucional“. Menciona a Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991 e discorre sobre a natureza dos atos cooperativos, a luz do artigo 79 da Lei no 5.764, de 1971, para concluir que tais atos [...] não implicam em operação de mercado ou contrato de compra e venda de mercadoria, pela simples razão de que a sociedade cooperativa, quando pratica atos que lhe são próprios, não aufere lucro. Tanto as despesas quanto os resultados são rateadas entre os associados, assim como o resultado do exercício, positivo ou negativo, e rateado entre o grupo, na medida da contribuição de cada um. Afirma que “as sociedades cooperativas, relativamente aos atos cooperados, não estão sujeitas a incidência do PIS” e que, no período fiscalizado, não teria realizado “qualquer operação com não associados que implicasse em ato não cooperado para fins de tributação”. Resume este segmento da impugnação pedindo que seja [...] provida a presente impugnação para tornar insubsistente a cobrança, quer seja porque Inconstitucional a revogação da isenção anteriormente existente, quer seja porque os atos cooperados, tal qual nos presentes autos, não estão sujeitos a incidência do PIS/COFINS. Naquilo que concerne ao IRPJ e a CSLL, a interessada repisa, em essência, os mesmos argumentos já apresentados, afirmando: Também nesse particular, equivocouse data venia a i. Auditora Fiscal ao pretender tributar a ora Impugnante Fl. 481DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 482 7 tomando como base o faturamento bruto da Cooperativa, sem observar a existência dos atos não cooperados e das deduções dos custos operacionais. Assegura, transcrevendo o artigo 209 da Instrução Normativa RFB no 971, de 13 de novembro de 2009, que [...] matricula cooperados motoristas (mesma profissão), celebra contratos de prestação de serviços com órgãos públicos ou entidades privadas (intermedeia serviços a terceiros) para que esses cooperados executem em veiculo de sua propriedade. E conclui: Isto e ato cooperativo na essência. [...] Entende que [...] os serviços prestados pelos Cooperados estão umbilicalmente vinculados a atividade fim da Cooperativa, não se tratando, por isso, de forma indubitável, de ato não cooperado para fins de não incidência de tributação. [...] No caso concreto sob exame, os serviços prestados pelos Cooperados são exatamente para atender aos objetivos sociais da cooperativa, e não podem ser considerados como atos não cooperados para efeito de tributação. Afirma que sua receita e oferecida a tributação por seus associados, na qualidade de contribuintes do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescentando que o Auto de Infração ora em comento implicaria [...] bitributação, vedada por lei, já que os valores que foram tomados como base de calculo para a apuração do credito tributário pela fiscalização [...] não são renda da Cooperativa, [sendo] integralmente repassados aos cooperados a titulo de remuneração de suas atividades, e por isso, são tributados na fonte. Mais adiante, alega que [...] a i. Auditora deixou de considerar a dedução do custo dos serviços prestados no valor de R$ 28.742.903,29, que e exatamente o valor dos repasses pagos aos cooperados mensalmente, mediante folha de pagamento, alem de não excluir da base de calculo o resultado não tributável das sociedades cooperativas, conforme previsto na DIPJ, ficha 9a linha 66 (IRPJ) e ficha 17 linha 55 (CSLL). [...] Afirma que a Autora do feito, ao elaborar o Anexo I (“Valores Retidos na Fonte Conforme DIRF" ─ fls. 43 a 49), haveria cometido “incorreção pratica na apuração e compensação de valores” e confundido “o IRRF de aplicação financeira com o IRRF próprio das cooperativas de trabalho, código 3280”, discorrendo a respeito e concluindo: [...] somente a partir do exercício seguinte o saldo do IRRF 3280 poderá ser utilizado para compensar os débitos de outros tributos, entretanto a Auditora Fiscal da RFB utilizou o saldo por ela apurado no final do anexo I, no valor de R$ Fl. 482DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 483 8 106.805,81 para abater o "imposto de renda a pagar"(imposto da pessoa jurídica) relativo ao próprio exercício de 2010, apurado no anexo VI, também elaborado pela Auditora Fiscal da RFB. Impugna a metodologia adotada na elaboração do referido Anexo ao constatar que “a i. Auditora não acumula o saldo do mês imediatamente anterior”. A tal respeito, escreve: A guisa de exemplo, vejase abaixo o que ocorre com os valores da competência março/2010: Especificações Valores Total (créditos do mês de março) 12.416,19 Vr. Deduzido conforme DCTF codigo 058806 14.053,90 Vr. Deduzido conforme DCTF codigo 243001 17.907,61 Total a deduzir em 03/2010 19.545,32 A i. Auditora Fiscal da RFB apurou um saldo negativo (no seu entendimento, glosado) de R$ 19.545,32. Entretanto, nos meses de janeiro e fevereiro de 2010 o próprio anexo I demonstrou a apuração de saldos positivos de R$ 43.624,10 e 10.811,17, respectivamente. Então, não há que se falar em saldo negativo em março ele foi positivo em R$ 34.889,95 porque a legislação autoriza a compensação de todo o credito constituído e em momento algum determina que saldos de um determinado mês não possa ser utilizado [sic] para compensação de débitos de períodos seguintes. Entretanto, assim não procedeu a i. Auditora. Entende que “a Douta Fiscalização se confunde em relação ao IRRF e IRPJ, que são institutos diferentes”, chamando a atenção para o cabeçalho da oitava coluna do mesmo Anexo, onde “esta escrito IRPJ para expressar os valores de IRRF por nossos tomadores de serviços”. Repete esta observação com respeito a outro t pico do´TVF. Afirma que houve pagamento de CSLL calculada por estimativa no mes de janeiro de 2010. Revoltase contra a “aplicação da multa de oficio sobre o valor do principal [...] por falta de amparo legal” e completa: Não fosse isso, a multa de oficio não pode inviabilizar o pagamento do valor principal, observandose que o acréscimo de juros, correção monetária e da multa de oficio, superam o valor do principal, o que, convenhamos e um absurdo. Requer ainda “a realização de perícia técnica para a apuração dos reais valores devidos”. Ao final do recurso a recorrente requer que o mesmo seja conhecido e provido, com o consequente cancelamento da exigência. É o relatório. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 484 9 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Assim, dele conheço. O litígio instaurado centrase, no que concerne ao IRPJ e à CSLL, à natureza das receitas de prestação de serviços obtidas pela recorrente, se caracterizam ou não atos cooperativos, enquanto que, com relação ao PIS e a Cofins, a discussão se situa no plano da validade e aplicação das disposições legais que tratam da exigência das contribuições sobre as receitas das sociedades cooperativas. Examino inicialmente as exigências relacionadas ao IRPJ e à CSLL. A autoridade fiscal assim descreveu a infração apurada no seu Termo de Verificação Fiscal (efls. 32/42), verbis: Da análise da DIPJ da empresa podese constatar que a empresa ofereceu como base de cálculo para o IRPJ somente as receitas dos rendimentos apurados em aplicações financeiras. No âmbito tributário, as cooperativas que obedecem ao disposto na Lei n° 5.764/71 e demais normas específicas não sofrem incidência tributária ao praticarem os chamados atos cooperativos, em respeito ao objeto para o qual elas foram idealizadas. Evidentemente, a não incidência abrange apenas os atos cooperativos, devendo ser tributadas as parcelas que não tenham origem nesses atos e que deverão integrar a base de cálculo do imposto de renda e das contribuições. Assim, não seguindo às determinações previstas, conforme abaixo, deixam de obedecer a legislação específica e a inobservância importará em tributação dos resultados, conforme dispõe a legislação abaixo: O art. 183, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda assim dispõe: [...] O art. 79 da Lei nº 5.764/71 dispõe: [...] O art. 111 da mesma lei assevera, que constituem renda tributável os. resultados positivos obtidos nas operações de bens e serviços fornecidos a não associados. Entretanto, na maioria das cooperativas de serviços, os associados são os prestadores de serviços, e não os usuários. Deste modo, deve ser levado em conta que, nas cooperativas voltadas para a atividade de prestação de serviços, o objetivo é criar condições que favoreçam o exercício dessas atividades profissionais por Fl. 484DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 485 10 pessoas de um mesmo segmento econômico, aproximando potenciais usuários desses serviços e os profissionais que os prestam. Assim, há que se considerar que os atoscooperativos abrangem não só os serviços que justificam a existência e finalidade da cooperativa (aproximação dos usuários com os cooperados, defesa de interesses técnicos e profissionais etc), que. são fruídos pelos próprios cooperados, como também os serviços que compõem o objeto da cooperativa, propriamente o aluguel de veículos, e são fruídos por pessoas, estranhas aos quadros da cooperativa (usuários). O Art. 4o da Lei 5.764/71 assim dispõe: As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: I adesão voluntária, com número ilimitado de associados, salvo impossibilidade técnica de prestação de serviços;... Do acima exposto podese concluir que o objeto da cooperativa somente pode ser, diretamente, a prestação de serviços aos associados dela, nunca a prestação de serviços a terceiros. O contrato de prestação de serviços celebrado por elas não pode ser objeto de negociação mercantil, dado a natureza civil do mesmo. Analisandose os contratos celebrados entre cooperativa e os tomadores de serviço, temos que neles constam às seguintes cláusulas contratuais: designação do tipo de veículo a ser locado; quantidade de veículos que deverão estar disponibilizadas pela cooperativa; quantidade de horas por mês; ano de fabricação, etc., Conforme cláusulas contratuais analisadas, verificase a existência do gerenciamento dos serviços pela cooperativa, em que ela assume os riscos do negócio e não os cooperados. Apesar dos cooperados prestarem os serviços negociados, eles ficam presos a esses contratos, onde. são estabelecidos os valores contratados e também condicionando o recebimento pela cooperativa a diversas cláusulas que não foram negociadas com os cooperados individualmente. Também não existe pessoalidade nos serviços que serão prestados em tais contratos, que existe são cláusulas, contratuais, que deverão ser. cumpridas pela cooperativa para atender aos contratos firmados. Observase que não é a cooperativa que oferece os veículos, independentemente das condições dos mesmos. Ela deverá ter associados que tenham tais veículos para atender aos contratos firmados. Ou seja, ela não atende ao objetivo que é criar condições que favoreçam as atividades dos cooperados. A clientela não poderia determinar este ou aquele veículo a ser disponibilizado. O papel da cooperativa deveria ser unicamente aproximar usuários dos mesmos. Não é o que ocorre. A cooperativa através dos contratos pactuados, fica na obrigação de ter, esses e aqueles veículos, para cumprir as cláusulas contratuais firmadas com os contratantes. Os associados cooperados ficam Fl. 485DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 486 11 subjugados a estes contratos e obrigados a cumprilos enquanto cooperados, sem, no entanto, terem participado da sua negociação. Portanto podemos concluir que o que ocorre é a prestação de serviços a terceiros, e não atos cooperativos que são aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados: A cooperativa na prestação desses serviços pratica na essência, no relacionamento com terceiros, atividades empresariais de prestação de serviços, realizando, na prática, ato não cooperado. Assim, temos que ato cooperado exclui os atos praticados com terceiros, por se tratarem de atos comerciais ou civis e por faltarlhes o requisito de estar a cooperativa e seus associados em ambos.os lados da relação negocial. Portanto, os atos praticados com terceiros relativos a fornecimento de bens ou serviços a não associados, mesmo que para atender aos objetivos sociais, configura ato não cooperado e também deverão compor a base de cálculo do IRPJ. Portanto, diante do acima exposto foram consideradas como base de cálculo para o IRPJ, as receitas dos atos não cooperados que é a prestação de serviços, (Conta 3111.0003 conta 3111.0004), as receitas financeiras e operacionais. Os atos cooperados que são as taxas cobradas dos cooperados (11% sobre as receitas), foram excluídos das receitas de prestação de serviços, e também os descontos incondicionais. Estes valores estão discriminados nas planilhas elaboradas pela cooperativa: Planilha dos Ingressos/ Receitas Quadro I e Planilha Analítica dos Grupos Dedução dos Ingressos e Outros IngressosQuadro II. A recorrente, por sua vez, contesta o entendimento da fiscalização, conforme já relatado, verbis: [...] equivocouse data venia a i. Auditora Fiscal ao pretender tributar a ora Impugnante tomando como base o faturamento bruto da Cooperativa, sem observar a existência dos atos não cooperados e das deduções dos custos operacionais. [...] (A cooperativa) matricula cooperados motoristas (mesma profissão), celebra contratos de prestação de serviços com órgãos públicos ou entidades privadas (intermedeia serviços a terceiros) para que esses cooperados executem em veiculo de sua propriedade. Isto é ato cooperativo na essência. [...] os serviços prestados pelos Cooperados estão umbilicalmente vinculados a atividade fim da Cooperativa, não se tratando, por isso, de forma indubitável, de ato não cooperado para fins de não incidência de tributação. [...] No caso concreto sob exame, os serviços prestados pelos Cooperados são exatamente para atender aos objetivos sociais da cooperativa, e não podem ser considerados como atos não cooperados para efeito de tributação. [...] o Auto de Infração ora em comento implicaria [...] bitributação, vedada por lei, já que os valores que foram tomados como base de calculo para a apuração do credito tributário pela fiscalização [...] não são renda da Cooperativa, [sendo] integralmente repassados aos cooperados a titulo de remuneração de suas atividades, e por isso, são tributados na fonte. Fl. 486DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 487 12 O cerne da discussão relacionada ao IRPJ e à CSLL é saber se os atos praticados pela cooperativa, ao estabelecer contratos de prestação de serviços junto a terceiros (pessoas jurídicas de direito público ou privado), de cuja execução ficam incumbidos os seus associados, deve ser considerado ou não "ato cooperativo", uma vez que a legislação dos tributos referidos excluem expressamente a tributação dos referidos atos, alcançando tão somente os atos não cooperados. Sobre o ato cooperativo, dispõe a Lei nº 5.764/1971, verbis: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Em que pese a definição legal, acima transcrita, é grande a discussão quanto à abrangência do ato cooperativo, especialmente quanto à sua abrangência para fins tributários. O ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, relator do Acórdão 9303 003.267, discorreu com propriedade sobre a abrangência do conceito de ato cooperativo, em seu voto condutor daquele acórdão, verbis: O Colegiado a quo, no acórdão recorrido, entendeu que o ato cooperativo não é somente o ato praticado entre a cooperativa e o associado, também denominado atofim, mas também atos praticados pela cooperativa com terceiros (mercado), denominados atomeio, mas tal operação deve ser essencial à realização do objeto social da sociedade e não se dissociar dos serviços que cada associado, individualmente, produz. Por sua vez, a Fazenda Nacional alega, fundamentada nos arts. 79, 86, 87 e 111 da Lei 5.764/1971, que a prestação de serviços a terceiros não cooperados se caracteriza como um ato não cooperativo, pois este é um atomeio e não pode ser ou equivaler a um atofim, que seria somente o ato praticado entre a cooperativa e o cooperado. Por conseguinte, os valores oriundos desta atividade não se encontrariam na isenção da contribuição disciplinada no art. 6º , I da LC 70/1991 c/c art. 2º , §1° da Lei 9.715/1998. Entendimento contrário configuraria uma interpretação extensiva da norma de isenção, expressamente vedado pelo art.111, II, do CTN. Visando deslindar o litígio, observase a doutrina, normalmente, adota duas interpretações sobre o ato cooperativo, sendo uma restritiva, na qual o ato cooperativo é somente o praticado entre a sociedade cooperativa e seus associados (operações internas), e outra extensiva, no qual o ato cooperativo pode também ser praticado com terceiros não cooperados (operações externas), em maior ou menor grau. Dentre os termos usados pela doutrina podemos classificar da seguinte forma : _ ato–fim (interno) : são os atos ou negócios realizados entre a cooperativa e seus associados cooperados; Fl. 487DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 488 13 _ atomeio (externo) : são os atos realizados como terceiro não cooperado (mercado); _ ato auxiliar : são atos relacionados com o objeto da cooperativa, mas não condicionam o atofim, sendo necessário em função de situações especiais; _ ato acessório: são atos não relacionados diretamente com o objeto da cooperativa. Os conceitos doutrinários acima serve para a interpretação da regulamentação legal do ato cooperativo contido nos arts.79, 86, 87 e 111 da Lei 5.764/1971, abaixo transcritos: [...] Utilizando meios de hermenêutica, como, a sistemática, na qual as normas são correlacionadas com normas da própria Lei e do ordenamento jurídico, chegase a conclusão diferente da interpretação literal dos retrocitados a rtigos de lei. Dentro do ordenamento jurídico verificamos que a Constituição Federal de 1998, que é posterior à Lei 5.764/1971, previu em seu art.146, III, “c”, o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, entre outros dispositivos constitucionais que trazem tratamento que beneficiam o cooperativismo (art.174, §2º). Tais princípios servem, não só como preceitos de validade, mas também de interpretação das normas infraconstitucionais. Além disso, na própria Lei 5.764/1971, verificamos os artigos 3º e 4º, que assim dispõem: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características: ... VII retorno das sobras líquidas do exercício, proporcionalmente às operações realizadas pelo associado, salvo deliberação em contrário da Assembléia Geral; VIII indivisibilidade dos fundos de Reserva e de Assistência Técnica Educacional e Social; ... Pelo fato das cooperativas serem sociedades sem fins lucrativos, os atos que constituem seu objeto social não teriam caráter mercantil. Assim, essas sobras líquidas só poderiam derivar de atos com terceiros, já que os realizados entre a cooperativa e seus associados não implicaria em operação de mercado. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 489 14 Como as sociedades cooperativas visam, através do esforço conjunto dos cooperados, oferecer bens e serviços para o exercício da atividade econômica, sendo que as sobras do exercício devem ser repartidas entre os cooperados, proporcional às operações realizadas pelo associado, necessariamente, deveriam haver algumas operações com terceiros (mercado), pois do contrário ficariam sem sentido os preceitos destas normas. Nestas operações com terceiros, a sociedade teria apenas a posse temporária dos valores, que somente transitariam por sua contabilidade para controle interno, não havendo como tributálos, por falta de legitimidade passiva, pois, a despeito de não configurar receita bruta, tais valores sequer configuram receita da cooperativa, mas sim do cooperado. Então, para a consecução dos objetivos sociais da sociedade cooperativa seria necessário que o ato cooperativo não fosse somente ato/negócio entre ela e seus associados (atofim), mas também inclua alguns atos/negócios com terceiros não cooperados (atomeio). Este entendimento acima demonstrado, no qual a isenção do ato cooperativo se aplicaria também aos atosmeio, quando estes são essenciais à realização dos atosfim e não vão além do que cada associado, individualmente, poderia oferecer a terceiros sem a intermediação da cooperativa, está contido no acórdão recorrido e em jurisprudência desta egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, (...). [...] A Solução de Consulta nº 17/2002, também analisou a definição de ato cooperativo contida na lei, para fins de tributação, assim se posicionou: 10. Como se extrai dos arts. 3ºe 4º as cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, tendo por finalidade a prestação de serviços aos associados para o exercício de um atividade comum, econômica, sem objetivo de lucro. Portanto, é uma estrutura de prestação de serviços que se destina ao atendimento de seus associados sem finalidade lucrativa. 11. De sua parte estabelece o art. 79 e parágrafo único, que um ato para ser considerado como cooperativo, além de ser praticado na consecução dos objetivos sociais, necessariamente deve ser praticado entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas. Portanto, os atos cooperativos abrangem negócios jurídicos internos, negóciosfim, com características próprias em relação aos atos civis, mercantis ou trabalhistas. 12. Dessa forma, o conceito do art. 79 exclui os atos praticados com terceiros (mesmo no atendimento dos objetivos sociais ou da finalidade da cooperativa), que são atos ou comerciais ou civis, dependendo de suas características próprias, por faltarlhes o requisito de estar em ambos os lados da relação negocial, ou a cooperativa e seus associados, ou cooperativas entre si, quando associadas, para a consecução dos seus objetivos. 13. Vêse, assim, que a caracterização de ato cooperado, não sujeito à tributação, é a condição dos sujeitos integrantes das relações jurídicas estabelecidas. Tanto é assim que a própria lei, nos seus arts. 86 e 87, permite que as cooperativas forneçam bens e serviços a não associados, desde que tais operações atendam aos seus objetivos sociais e estejam de conformidade com a citada lei, Fl. 489DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 490 15 determinando, outrossim, que estes resultados sejam levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e contabilizados em separado, de molde a permitir o cálculo para incidência de tributos. 14. Aliás, o art. 111 da lei, novamente determina a tributação dos resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações vinculadas ao fornecimento de bens e serviços a não associados. 15. Com efeito, as cooperativas, ao praticarem atos com não associados, sujeitamse ao respectivo imposto. Defluise disto que, para a sociedade eximirse da obrigação tributária, não basta que se encontre formalmente inserida no regime jurídico próprio das cooperativas, que não objetive lucro, que o capital seja representado por cotaspartes e que haja o retorno aos associados das sobras líquidas do exercício. É preciso também que os atos por ela praticados sejam aqueles permitidos pela legislação. 16. Nesse ponto, buscamos na doutrina de Paulo César Andrade Siqueira "in" Adequação Tributária dos Atos Cooperativos de Trabalho. Revista Dialética de Direito Tributário nº60 p. 93 a 98, o conceito segundo o qual: "O ato não cooperativo é todo ato que poderia ser realizado pelos associados, mas é realizado por alguém que, tendo as mesmas características deste, no entanto não é associado. A venda de mercadorias comercializadas pela cooperativa, mas que não foram adquiridas dos associados, obtenção de serviços prestados por profissionais que, inobstante terem a mesma profissão dos associados, não são associados, a utilização de recursos para empréstimos a não associados, são exemplos destes atos não cooperativos". (grifos não constavam do original transcrito) 17. No âmbito administrativo, visando esclarecer dúvidas acerca da base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa jurídica nos atos não cooperativos, a Coordenação do Sistema de Tributação, mediante o Parecer Normativo CST nº 38, de 30 de outubro de 1980, publicado no Diário Oficial de 5 de novembro de 1980, classificou as operações das sociedades cooperativas, admitidas como regulares para o seu funcionamento, em duas categorias, a saber: "2.3.1 Atos cooperativos A primeira delas abrange os negócios jurídicos internos, negóciosfim, com caracteres próprios em relação aos atos civis, mercantis ou trabalhistas, que a lei denomina atos cooperativos e define como os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais (art.79), devendose assinalar que as cooperativas singulares se caracterizam pela prestação direta de serviços aos associados (art.7º). (...) 2.3.2 – Atos NãoCooperativos Legalmente Permitidos A segunda categoria corresponde a alguns atos não cooperativos, cuja prática o legislador considerou tolerável, por Fl. 490DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 491 16 servirem ao propósito de pleno preenchimento dos objetivos sociais, mas sujeitaos, por isso mesmo, à escrituração em separado e à tributação regular dos resultados obtidos. São estas as operações admitidas: I – Aquisição, por cooperativas agropecuárias e de pesca, de produtos de não associados quer sejam agricultores, pecuaristas ou pescadores, para o fim de completar lotes destinados ao cumprimento de contrato ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuam (art. 85); II – Fornecimento, a não associados, de bens ou serviços, assim entendidos estes bens e serviços como sendo os mesmos que a cooperativa, em obediência ao seu objetivo social e que estejam em conformidade com a lei, oferecer aos seus próprios associados (art.86); III – Participação, em caráter excepcional, em sociedades não cooperativas públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares, mediante prévia e expressa autorização do Conselho Nacional de Cooperativismo, hipótese em que as inversões serão contabilizadas em títulos específicos (art. 88)." 18. Arremata, assim, o Parecer Normativo CST nº 38/80: "Tendo a Lei nº 5.764 indicado quais os negócios que, dentro do universo econômico, podem ser exercitados pelas cooperativas, é lícito deduzir que quaisquer outros que elas realizem serão juridicamente incompatíveis com o regime especial que foi estabelecido e, portanto, com o próprio conceito legal dessas entidades." 19. Relativamente às sociedades cooperativas de médicos, tendo em vista os atos nãocooperativos legalmente permitidos, especificados nos arts. 85, 86 e 88 da Lei nº 5.764, de 1971, e explicitados no trecho transcrito, o referido parecer normativo dispôs: "3.1 – Atos Cooperativos. As cooperativas singulares de médicos, ao executarem as operações descritas em 2.3.1, estão plenamente abrigadas da incidência tributária em relação aos serviços que prestem diretamente aos associados na organização e administração dos interesses comuns ligados à atividade profissional, tais como os que buscam a captação de clientela; a oferta pública ou particular dos serviços dos associados; a cobrança e o recebimento de honorários; o registro, controle e distribuição periódica dos honorários recebidos; a apuração e cobrança das despesas da sociedade, mediante rateio na proporção direta da fruição dos serviços pelos associados; cobertura de eventuais prejuízos com recursos provenientes do Fundo de Reserva (art. 28, I) e, supletivamente, mediante rateio, entre os associados, na razão direta dos serviços usufruídos (art. 89). Fl. 491DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 492 17 3.2 – Atos NãoCooperativos, Diversos dos Legalmente Permitidos. Se, conjuntamente com os serviços dos sócios a cooperativa contrata com a clientela, a preço global não discriminativo, ainda o fornecimento, a esta, de bens ou serviços de terceiros e/ou cobertura de despesas com (a) diárias e serviços hospitalares, (b) serviços de laboratórios, (c) serviços odontológicos, (d) medicamentos e (e) outros serviços, especializados ou não, por não associados, pessoas físicas ou jurídicas, é evidente que estas operações não se compreendem nem entre os atos cooperativos nem entre os excepcionalmente facultados pela lei, resultando, portanto, em modalidade contratual com traços de segurosaúde. 3.3 – Intermediação. Como estas obrigações contratuais não poderão ser cumpridas diretamente pela cooperativa porque seu objeto social é voltado internamente aos associados, nem pelos associados na condição de prestadores de serviços médicos, tornase logicamente imprescindível a aquisição daqueles bens/serviços de outras sociedades ou de outros profissionais, o que, evidentemente, é característica da mercancia, ou seja a intermediação. 20. Extraise, assim, do Parecer Normativo CST nº 38, de 1980, que as sociedades cooperativas de serviços médicos, ao desenvolverem atos diversos dos previstos na Lei nº 5.764, de 1971 (arts. 85, 86 e 88), não se encontram alcançadas pelos benefícios fiscais próprios dos atos cooperativos. 21. Com essas considerações preliminares passamos à análise da tributação das cooperativas de trabalho, à vista das disposições legais vigentes, no que se refere ao IRPJ, à CSLL, à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins. 21.1 Relativamente ao Imposto de Renda, o tratamento tributário das sociedades cooperativas está regulamentado nos arts. 182 e 183 do Decreto nº 3.000, de março de 1999Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR de 1999), a seguir transcritos: [...] 21.2 Vêse que o art. 182 do RIR, de 1999, contempla a isenção para o resultado positivo nos chamados atos cooperativos e o art. 183 submete à tributação os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, os chamados atos não cooperativos. 21.3 Portanto, quando a sociedade cooperativa obedece ao disposto na legislação específica, sobre os resultados dos atos cooperativos não há incidência do imposto de renda da pessoa jurídica, diferentemente de quando, por exemplo, a cooperativa prestar outros serviços, caso em que o resultado desses atos não cooperativos será alcançado pela tributação pelo imposto de renda da pessoa jurídica. 21.4 De sua vez, o artigo 652 do RIR, de 1999, aprovado pelo Decreto n º 3.000, de 1999, dispõe que: Fl. 492DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 493 18 " Art. 652.Estão sujeitas à incidência do imposto na fonte à alíquota de um e meio por cento as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição (Lei nº 8.541, de 1992, art. 45, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 64). §1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados (Lei nº 8.981, de 1995, art. 64, § 1º). § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada anocalendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro de Estado da Fazenda (Lei nº 8.981, de 1995, art. 64, § 2º ). (...)” [...] 28. Assim, em síntese, podese concluir em relação às cooperativas de trabalho que: 1) sobre os resultados dos atos cooperativos não há incidência do imposto de renda da pessoa jurídica, diferentemente de quando, por exemplo, a cooperativa prestar outros serviços, caso em que o resultado desses atos não cooperativos será alcançado pela tributação do imposto de renda da pessoa jurídica; 2) estão sujeitos à incidência do imposto na fonte à alíquota de um e meio por cento as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas às cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhados, relativos a serviços que lhe foram prestados por associados destas ou colocados à disposição (Lei nº 8.541, de 1992, art. 45, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 64); 2.1) o imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhados com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados (Lei nº 8.981, de 1995); 2.2) as importâncias pagas ou creditadas por cooperativas de trabalho a seus associados ou terceiros, pelos serviços pessoais que forem prestados por estes, estão sujeitas ao imposto sobre a renda na fonte, conforme a tabela progressiva; 2.3) somente não serão tributados pelo IRPJ os rendimentos de serviços prestados pelos associados, que serão tributados na pessoa física desses associados; (grifo nosso) [...] A jurisprudência deste Conselho vem se manifestando majoritariamente no sentido de tratar como ato cooperativo, a prestação de serviços pelos cooperados, na execução de contratos firmados pela cooperativa junto a terceiros, ou seja, admitem o atomeio como parte essencial na consecução do objeto social, portanto, do atofim. Trata como tributável Fl. 493DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 494 19 apenas o ato não cooperativo, desde que estejam segregadas as receitas e custos correspondentes. Vejamos: Acórdão nº 1302001.435 04/07/2014: COOPERATIVAS DE TRABALHO. ATOS COOPERADOS. ISENÇÃO. Os valores recebidos pélas cooperativas de trabalho, por serviço prestados por seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo e não estão sujeitos ao IRPJ. Acórdão nº 9101000.753, de 13/12/2010 SOCIEDADES COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO – MULTA Se a escrituração contábil da sociedade segrega as receitas e correspondentes custos, despesas e encargos segundo sua origem (atos cooperados e demais atos), serão excluídos da tributação os resultados dos atos cooperados. Todavia, se a escrita (acompanhada de documentação hábil que a lastreie) não especificar com clareza quais as receitas dos atos cooperativos e quais as dos atos não cooperativos, terseá como integralmente tributado o resultado da sociedade, por impossibilidade de determinação da parcela não alcançada pela não incidência tributária. Acórdão nº 9101001.516, de 20/11/2012 COOPERATIVA. RESULTADO DO ATO COOPERADO. CSLL. NÃO INCIDÊNCIA. As sobras, decorrentes do resultado positivo do ato cooperado, não sofrem a incidência da CSLL por não se enquadrarem no conceito de lucro, base de cálculo dessa contribuição. Acórdão CSRF/0104.454, de 24/02/2003 IRPJ SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO: Não são alcançados pela incidência do imposto de renda os resultados de atos cooperativos. O resultado positivo de operações praticadas por atos não cooperativos, ainda que não se incluam entre as expressamente previstas nos artigos 86 a 88 da Lei n° 5.764/71, é passível da tributação normal pelo imposto de renda. O valor recebido pelas cooperativas de trabalho, por serviços prestados por seus associados, a outra pessoa ainda que não associado, é ato cooperativo, desde o serviço seja da mesma atividade econômica da cooperativa, não sendo portanto tributável em relação ao IPRJ. (Art. 146 III b da CF 88 c/c art. 45 da Lei n° 8.541/92). Se a exigência se funda exclusivamente na descaracterização da cooperativa, pela prática de atos não cooperativos diversos dos previstos nos artigos 85 e 86 da Lei n° 5.764/71, não pode a mesma prosperar. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 495 20 Não obstante, verificase no Acórdão nº 9303003.267, de 04/02/2014, da relatoria do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, anteriormente citado, uma mudança de posicionamento em relação ao tema, ao menos no que se refere à tributação do PIS/Pasep, conforme se extrai da ementa, verbis: COOPERATIVA DE SERVIÇOS. ATOS COOPERATIVOS. ISENÇÃO. ATOFIM . INAPLICABILIDADE DE ATOMEIO ESSENCIAL. OPERAÇÕES COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS. TRIBUTAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO. Em cooperativa de prestação de serviços, a receita proveniente da prestação de serviço ao mercado, por não ser um atofim, mas somente um atomeio, mesmo que essencial, não se inclui se na isenção do PIS que vigorou até os atos geradores de outubro de 1999. A interpretação literal do art. 79 da Lei n° 5.764/71 restringe os atos cooperativos apenas aos atos internos ou atosfim, realizados entre a sociedade cooperativa e seus associados, não se aplicando aos atos com terceiros não cooperados, que seriam as operações como o mercado, pois estes representam a receita bruta da cooperativa e não do cooperado, conforme proclama a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. O relator do Acórdão 9303003.267, justificou e fundamentou sua mudança de entendimento em face do julgamento do RE nº 599.362/RJ pelo STF, em regime de repercussão geral. O acórdão do referido RE traz a seguinte ementa: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as Fl. 495DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 496 21 peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. (Destaque cfe. texto original transcrito) Fl. 496DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 497 22 O relator do RE no STF, Ministro Dias Toffoli, destaca os diversos posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais acerca do que se constituiria o ato cooperativo, verbis: [...] Sobre o tema, observo que dentre aqueles que laboram junto às cooperativas, há os que emprestam uma acepção muito ampla ao instituto, colocando toda sorte de situações sob essa rubrica. Outros há que restringem o conceito de ato cooperativo de modo a abranger somente aqueles praticados “entre a cooperativa e seus associados , sempre na busca dos objetivos colimados pelo empreendimento” (NASCIMENTO, Carlos Valder do. Teoria geral dos atos cooperativos . São Paulo: Malheiros, 2007. p. 54). Há, também, aqueles que, apesar de reconhecer que o ato cooperativo se resume àqueles praticados entre a cooperativa e seus associados (atos internos), acabam por emprestar ao negócio jurídico firmado entre a cooperativa e terceiros (atos externos ou negóciomeio), o mesmo tratamento tributário. A justificativa da última corrente parte da concepção de que “[o] negócio interno ou negócio fim está vinculado a um negócio externo, negócio de mercado, ou negócio meio. Este último condiciona a plena satisfação do primeiro, quando não a própria possibilidade de sua existência” (Walmor FRANKE. Direito das sociedades cooperativas (direito cooperativo). São Paulo: Saraiva, Editora da USP, 1973. p. 26). [...] Mais adiante, o ministro analisa o tratamento tributário a ser dado às receitas auferidas pelas cooperativas de serviço, auferidas na prática de atos cooperativos, seja no sentido mais restritivo, seja no sentido mais amplo, verbis: [...] Pelos entendimentos acima colacionados, evidenciase que, em maior ou menor extensão, as definições de ato cooperativo partem sempre da interpretação da legislação de direito privado, no caso, do art. 79 da Lei 5.764/71, o qual define o ato cooperativo como “os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecução dos objetivos sociais”. Se, para uns, o foco são os sujeitos da relação, para outros, o que importa é o ato cooperativo não em si considerado, mas como aquele que garante a plena satisfação dos objetivos sociais da cooperativa. Quando estamos diante de uma cooperativa de trabalho, caso dos autos, o tipo de serviço prestado precisa ficar bem evidenciado. Isso se vê claramente nas chamadas cooperativas de prestação de serviços profissionais, as quais respondem “pela captação e pela contratação impessoal dos serviços, para ulterior distribuição entre os cooperados , que os executarão de forma individual e autônoma, de modo a garantir oportunidade de trabalho e remunerabilidade a todos” (Heleno Taveira Torres, op. cit.). Na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos a cooperativa não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores que se associaram. Como dizia Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado – contratos de sociedade, sociedades de pessoas. 3. ed. São Paulo: RT, 1984. XLIX, p. 507), Fl. 497DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 498 23 [...] Dessa forma, mesmo que se parta da última corrente, de modo a abranger no conceito de ato cooperativo os denominados “negóciosmeio”, do ponto de vista do adequado tratamento tributário, esse negócio externo consistente na contratação de serviços ou venda de produtos tendo em vista o aperfeiçoamento do ato cooperativo quanto às suas finalidades poderá, em tese, ser neutralizado pela concessão de benefício fiscal às cooperativas, o que não implica dizer que as receitas daí advindas estariam fora do campo de incidência da tributação, pois o constituinte, ao conferir um tratamento tributário adequado ao ato cooperativo (qualquer que seja a acepção), pressupôs a existência da tributação, desde que haja a subsunção do fato à norma de incidência. [...] O relator aprofunda a análise, citando precedentes jurisprudenciais, com vistas a diferenciar a tributação incidente sobre as receitas daquela incidentes sobre os lucros, verbis: [...] Foi nesse sentido o posicionamento do Ministro Teori Zavascki nos autos do REsp nº 591.298/MG. O caso, embora envolva uma cooperativa de crédito, no meu entender, elucida a problemática gerada pela constante alegação de que as cooperativas não possuem faturamento ou receita, como se lucro fosse sinônimo de faturamento: “Cumpre, finalmente, tecer algumas considerações acerca da recorrente alegação de que as sociedades cooperativas não possuem ‘receita’ ou ‘faturamento’ (ou, pelo menos, não possuem em relação aos atos cooperativos típicos), razão pela qual não se realiza, em relação a elas (ou àqueles atos), a hipótese de incidência da contribuição social, que é justamente o ‘faturamento’, ou a ‘receita’. Também esse argumento não procede, já que parte do pressuposto de que receita e faturamento são sinônimos de lucro, ou de ‘resultado’, o que é um manifesto equívoco. A distinção desses conceitos decorre da própria Constituição, que no seu art. 195 separa as diversas situações de incidência da contribuição para a seguridade social ‘do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei’ (inciso I), a saber: ‘a) a folha de salário (...); b) a receita ou o faturamento; c) o lucro’. Aqui, em relação ao PIS (ao contrário do que ocorre com o imposto de renda), a hipótese de incidência é o faturamento e a receita, e não o lucro. Ora, a lei considera ‘faturamento’ a ‘receita bruta’, assim entendida ‘a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas’ (Lei 9.718, de 27.11.98, art. 3º e § 1º). É certo que as cooperativas não têm fim lucrativo, conforme está expresso no art. 3º da Lei 5.764, de 16.12.71, que Fl. 498DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 499 24 ‘define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas’. Também é certo que o resultado das suas operações, nomeadamente os que decorrem dos atos cooperativos, são direcionados, em regra, a beneficiar o próprio cooperado (art. 4º, VII). Mas isso não significa dizer que as cooperativas não tenham ‘faturamento’ e nem ‘receita bruta’, que é o conjunto das receitas auferidas com as suas operações, ‘irrelevantes o tipo de atividade por ele exercida e a classificação contábil adotada para as receitas’ . Com efeito, é da própria essência e está na própria definição legal de sociedade cooperativa o de que ela se destina ao ‘exercício de uma atividade econômica’ (Lei 5.764/71, art. 3º), podendo ‘adotar por objeto qualquer gênero de serviço, operação ou atividade’ (art. 5º) E é da essência da atividade econômica a pratica atos jurídicos (operações de compra, de venda, de financiamento, de serviços, pouco importa) que geram receitas e despesas. Também as cooperativas, portanto, como qualquer empresa do gênero, para atingir os objetivos que lhes são próprios, deve, necessariamente, auferir receita . Quem não tem receita não pode ter despesa, nem resultado a ser distribuído entre os cooperados ou destinado a constituir fundos (art. 28). Quem não tem receita não pode operar. E as cooperativas, indubitavelmente, operam fartamente, tanto que a Lei que as regulamenta tem um capítulo próprio tratando ‘Do Sistema Operacional das Cooperativas’ (Capítulo XII), cuja Seção III trata especificamente ‘Das Operações da Cooperativa’. Não é por outra razão que também as cooperativas estão obrigadas a possuir livros fiscais e contábeis (art. 22, V), destinados, justamente, ao lançamento das suas receitas e das suas despesas, com base nas quais apurará, em cada exercício, seus resultados, positivos ou negativos. Em suma, considerando que a hipótese de incidência do PIS não é o lucro (a contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas está disciplinado em outra lei, a Lei 7.689, de 15.12.88), mas suas receitas brutas, não há como negar que as cooperativas, como todas as demais pessoas jurídicas que exercem atividades econômicas, com ou sem fins lucrativos, realizam aquela hipótese de incidência e, não estando isentas, submetemse ao pagamento daquela contribuição, nos limites e com as deduções e exclusões previstas em lei.” Nos autos do RE nº 474.132/SC (DJe de 1º/12/10), o Plenário desta Corte já firmou a “distinção ontológica entre os conceitos de lucro e receita”. Na ocasião, a Ministra Ellen Gracie destacou: “Assim é que coexistem o PIS e a COFINS, de um lado, com a CSLL, de outro, e, ainda, com as contribuições previdenciárias que incidem sobre a folha e demais pagamentos a pessoa física por trabalho prestado, isso sem falar na contribuição do importador, para ficar apenas naquelas embasadas diretamente no art. 195 da CF. Cada uma das bases econômicas tributadas por tais contribuições é tomada numa perspectiva distinta. Fl. 499DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 500 25 Entender que todas as bases estão abrangidas pela noção de receita implicaria tornar sem sentido a coexistência entre as alíneas do art. 195, I, da CF, comprometendo a compreensão do Texto Constitucional e da legislação tributária. Sob o ponto de vista estritamente econômico, podemos admitir que a tributação sempre recai sobre a receita, ora auferida (tributos que gravam os ingressos), ora consumida (tributos indiretos suportados na aquisição de bens), ora acumulada (tributos sobre o patrimônio). Mas tal noção, importante para a elaboração de políticas fiscais, é de todo insuficiente para lidarse com as competências e com as leis tributárias. No Direito Tributário, segmentase a riqueza para fins de distribuição do ônus tributário fazendose com que incida em atenção a inúmeros fatos geradores reveladores de capacidade contributiva. Embora todos tenham cunho econômico, retratam modos ou momentos de revelação de riqueza distintos. A falta de comprometimento com o sentido técnicotributário dos termos renda, lucro e folha de salários, entre outros construídos ao longo do tempo por este próprio Tribunal e operados pelo Fisco e pelos contribuintes, faz com que se perca os instrumentos jurídicos necessários à aplicação do Direito Tributário. E isso em prol de uma descabida simplificação econômica dos fatos, de nenhuma validade jurídica.” O entendimento de que as sociedades cooperativas não possuem faturamento, nem receita, e que, portanto, não haveria a incidência de qualquer tributo sobre a pessoa jurídica levaria ao mesmo resultado prático de se conferir a elas imunidade tributária, com a ressalva de que não há autorização constitucional para tanto. [...] Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). Por fim, não vislumbro na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 ofensa ao postulado maior da isonomia. Na esteira dos precedentes da Corte, o tratamento tributário adequado ao ato cooperativo é uma questão política que deve ser resolvida na esfera adequada e competente, sendo que, repito, a eventual insuficiência de normas não pode ser tida por violadora do princípio da isonomia. Nos julgados dos MI nºs 701, 702 e 703, assentouse que a definição do adequado tratamento tributário previsto no art. 146, III, alínea c, da Constituição se insere na órbita da opção política do legislador . [...] Notese que as diferenciações são possíveis e até necessárias, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor Fl. 500DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 501 26 necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso em tela. [...] No que concerne às cooperativas de trabalho, na modalidade serviço, como se vê na IN nº 635/06, são excluídas diversas receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS, dentre outras: (i) para as cooperativas de transporte rodoviário de cargas, dos ingressos decorrentes de ato cooperativo; (ii) exclusões da base de cálculo do PIS/PASEP apuradas por sociedades cooperativas de serviços médicos; (iii) para as cooperativas de crédito, os ingressos decorrentes de ato cooperativo (art. 15, IN 635/06). Portanto, sem a norma geral que disciplinará o adequado tratamento ao ato cooperativo, a partir do caso concreto, não vislumbro afronta ao princípio da isonomia, tampouco um desvirtuamento do comando mínimo garantido pelo art. 146, III, c, da Constituição, naquilo que garante o direito na sua concepção negativa de impedir um “tratamento gravoso ou prejudicial às cooperativas e respeitandose, igualmente, as peculiaridades de cada ’cooperativa’ com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais” . Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário da União para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. [...] (Destaques constam do texto original transcrito) No julgamento de embargos de declaração interpostos em face do acórdão do RE nº 599.362/RJ, o Ministro Toffoli acolheu o recurso, sem efeitos infringentes, para esclarecer o alcance daquela decisão, deixando claro que, se restringia à hipótese de incidência do PIS, e que está diretamente relacionada ao entendimento de que as cooperativas auferem receitas e, portanto, praticam o fato gerador daquela contribuição, sendo irrelevante se o faturamento se origina de ato cooperativo ou não. É a seguinte a ementa dos embargos : Embargos de declaração no recurso extraordinário. Artigo 146, III, c, da CF/88. Possibilidade de tributação do ato cooperativo. Cooperativa. Contribuição ao PIS. Receita ou faturamento. Incidência. Fixação de tese restrita ao caso concreto. Embargos acolhidos sem efeitos infringentes. 1. A norma do art. 146, III, c, da Constituição, que assegura o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, é dirigida, objetivamente, ao ato cooperativo, e não, subjetivamente, à cooperativa. 2. O art. 146, III, c, da CF/88, não confere imunidade tributária, não outorga, por si só, direito subjetivo a isenções tributárias relativamente aos atos cooperativos, nem estabelece hipótese de não incidência de tributos, mas sim pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo, dispondo que lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. 3. O tratamento tributário adequado ao ato cooperativo é uma questão política, devendo ser resolvido na esfera adequada e competente ou seja, no Congresso Nacional. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 502 27 4. No contexto das sociedades cooperativas, verificase a materialidade da contribuição ao PIS pela constatação da obtenção de receita ou faturamento pela cooperativa, consideradas suas atividades econômicas e seus objetos sociais, e não pelo fato de o ato do qual o faturamento se origina ser ou não qualificado como cooperativo. 5. Como, nos autos do RE nº 672.215/CE, Rel. Min. Roberto Barroso, o tema do adequado tratamento tributário do ato cooperativo será retomado, a fim de se dirimir controvérsia acerca da cobrança de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, incidentes, também, sobre outras materialidades, como o lucro, tendo como foco os conceitos constitucionais de “ato cooperativo”, “receita de atividade cooperativa” e “cooperado” e, ainda, a distinção entre “ato cooperado típico” e “ato cooperado atípico”, proponho a seguinte tese de repercussão geral para o tema 323, diante da preocupação externada por alguns Ministros no sentido de adotarmos, para o caso concreto, uma tese minimalista : “A receita ou o faturamento auferidos pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se inserem na materialidade da contribuição ao PIS/Pasep.” 6. Embargos de declaração acolhidos para prestar esses esclarecimentos, mas sem efeitos infringentes. No seu voto, o Ministro Dia Toffoli esclarece, verbis: [...] Na espécie, portanto, esteve sempre em questão a possibilidade ou não de tributação do ato cooperativo. Com efeito, ficou esclarecida a desnecessidade de se investigarem as espécies de atos cooperativos, pois a questão da incidência da contribuição ao PIS não deve levar em consideração se o ato do qual a receita ou o faturamento se origina é qualificado como cooperativo ou não, mas sim se a sociedade tributada praticou o fato gerador dessa exação, se auferiu receita ou faturamento, tendo em conta suas atividades econômicas e seus objetos sociais. [...] A partir da exegese constitucional do que seja o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, a Corte, para o caso concreto, firmou o entendimento de que a receita ou o faturamento auferidos pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos negócios jurídicos praticados com terceiros se inserem na materialidade da contribuição ao PIS/Pasep. Considerando o objeto da impetração, concluiuse pelo provimento do recurso extraordinário da União para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre a receita ou o faturamento decorrentes de atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante (cooperativa de trabalho) com terceiros tomadores de serviço, os quais foram tidos, no acórdão recorrido, como “atos cooperativos próprios”, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Por fim, registro que, nos autos do RE nº 672.215/CE, Rel. Min. Roberto Barroso, o tema do adequado tratamento tributário do ato cooperativo será retomado para dirimir controvérsia acerca da cobrança de contribuições sociais Fl. 502DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 503 28 destinadas à Seguridade Social incidentes, também, sobre outras materialidades, como o lucro. Da manifestação do Relator sobressai que a análise se dará a partir dos conceitos constitucionais de “ato cooperativo”, “receita de atividade cooperativa” e “cooperado”, considerada, ainda, a distinção entre “ato cooperado típico” e “ato cooperado atípico”. Diante disso, na esteira da preocupação externada por alguns Ministros no sentido de adotarmos, para o caso concreto, uma tese minimalista, proponho a seguinte tese de repercussão geral para o tema 323: “A receita auferida pelas Cooperativas de Trabalho decorrente dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/Pasep.” (Destaque em negrito cfe. original. Grifo nosso) Do exame do precedente jurisprudencial oriundo do STF, verificase que este não abrangeu a tributação do IRPJ e da CSLL sobre o resultado auferido pelas cooperativas, ficando claro, quanto a esta última contribuição, a existência do RE nº 672.215/CE, relator o Ministro Roberto Barroso, que tratará do tema da incidência sobre os lucros. Com relação à jurisprudência relativa ao IRPJ e CSLL, destaco o Acórdão nº 1102000.936, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que traz uma mudança de entendimento no conceito de ato cooperativo aplicável às cooperativas de serviços médicos, amparado em decisões recentes do STJ sobre a matéria, verbis: IRPJ. CSLL. SOCIEDADE COOPERATIVA DE SERVIÇOS MÉDICOS. RECEITA PROVENIENTE DA VENDA DE PLANOS DE SAÚDE A TERCEIROS (PACIENTES). ATO NÃO COOPERATIVO. Os resultados de atos nãocooperativos, caracterizados pelo fornecimento de serviços a terceiros não cooperados, não estão abrigados pela nãoincidência do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro. Precedentes do E. Superior Tribunal de Justiça, inclusive sob a sistemática do art. 543 C do CPC. O voto condutor deste julgado, do ilustre conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, cita os seguintes precedentes do STJ acerca da incidência do IRPJ e CSLL sobre os resultados das cooperativas: Nada obstante entenda legítimo o entendimento supra, supervenientemente, o tema referente à tributação pelo IRPJ dos atos praticados por cooperativas com terceiros não associados (inclusive, clientes não cooperados) foi objeto de julgamento pelo E. Superior de Justiça em sede de recurso especial representativo da controvérsia, consoante a seguinte ementa, verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESULTADO POSITIVO DECORRENTE DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS. INCIDÊNCIA. ATOS NÃOCOOPERATIVOS. SÚMULA 262/STJ. APLICAÇÃO. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 504 29 1. O imposto de renda incide sobre o resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas, por não caracterizarem "atos cooperativos típicos" (Súmula 262/STJ). 2. A base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas (critério quantitativo da regra matriz de incidência tributária) compreende o lucro real, o lucro presumido ou o lucro arbitrado, correspondente ao período de apuração do tributo. 3. O lucro real é definido como o lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação tributária (artigo 6º, do DecretoLei 1.598/77, repetido pelos artigos 154, do RIR/80, e 247, do RIR/99). 4. As sociedades cooperativas, quando da determinação do lucro real, apenas podem excluir do lucro líquido os resultados positivos decorrente da prática de "atos cooperativos típicos", assim considerados aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais (artigo 79, caput, da Lei 5.764/71). 5. O artigo 111, da Lei das Cooperativas (Lei 5.764/71), preceitua que são consideradas rendas tributáveis os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de aquisição de produtos ou de fornecimento de bens e serviços a não associados (artigos 85 e 86) e de participação em sociedades não cooperativas (artigo 88), assim dispondo os artigos 87 e 88, parágrafo único, do aludido diploma legal (em sua redação original): "Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados , mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Mediante prévia e expressa autorização concedida pelo respectivo órgão executivo federal, consoante as normas e limites instituídos pelo Conselho Nacional de Cooperativismo, poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas públicas ou privadas, em caráter excepcional, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. Parágrafo único. As inversões decorrentes dessa participação serão contabilizadas em títulos específicos e seus eventuais resultados positivos levados ao 'Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social' ." 6. Outrossim, o Decreto 85.450/80 (Regulamento do Imposto de Renda vigente à época) preceituava que: "Art. 129 As sociedades cooperativas, que obedecerem ao disposto na legislação específica, pagarão o imposto Fl. 504DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 505 30 calculado unicamente sobre os resultados positivos das operações ou atividades : I de comercialização ou industrialização , pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados , agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais (Lei n. 5.764/71, artigos 85 e 111); II de fornecimento de bens ou serviços a não associados , para atender aos objetivos sociais (Lei n. 5.764/71, artigos 86 e 111). III de participação em sociedades não cooperativas , públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares, desde que prévia e expressamente autorizadas pelo órgão executivo federal competente (Lei n. 5.764/71, artigos 88 e 111). § 1º É vedado às cooperativas distribuir qualquer espécie de benefício às quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de 12% (doze por cento) ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n. 5.764/71, art. 24, § 3º, e DecretoLei n. 1.598/77, art. 39, I, b). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Regulamento." 7. Destarte, a interpretação conjunta dos artigos 111, da Lei das Cooperativas, e do artigo 129, do RIR/80, evidencia a mens legislatoris de que sejam tributados os resultados positivos decorrentes de atos não cooperativos, ou seja, aqueles praticados entre a cooperativa e não associados, ainda que para atender a seus objetivos sociais. 8. Deveras, a caracterização de atos como cooperativos deflui do atendimento ao binômio consecução do objeto social da cooperativa e realização de atos com seus associados ou com outras cooperativas, não se revelando suficiente o preenchimento de apenas um dos aludidos requisitos. 9. Ademais, o ato cooperativo típico não implica operação de mercado, ex vi do disposto no parágrafo único, do artigo 79, da Lei 5.764/71. 10. Conseqüentemente, as aplicações financeiras, por constituírem operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam "atos nãocooperativos", cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 506 31 11. Recurso especial da Fazenda Nacional provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009).” Como observado pelo voto condutor do AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.221.603 – SP, da lavra do Exmo. Ministro Mauro Campbell Marques, cuja ementa abaixo se transcreve, embora se estivesse apreciando no caso hipótese de "resultado positivo das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas", nas razões de decidir daquele precedente restou estabelecido o pressuposto de que “[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda” (REsp. n. 58.265 / SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). Não por outro motivo a E. Turma do E. STJ reconheceu no AgRg em AI citado que: “a questão sobre a incidência tributária nas relações jurídicas firmadas entre as Cooperativas e terceiros diz respeito a tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, não havendo mais dúvidas quanto ao seu julgamento, sejam terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde, sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados, motivo pelo qual a tributação do IRPJ e CSLL deverá ocorrer normalmente sobre tais atos negociais.”. Vejase, nesse sentido, teor da ementa do precedente da E. Segunda Turma Corte de Justiça, verbis: “DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. COOPERATIVA DE TRABALHO. UNIMED. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL SOBRE OS ATOS NEGOCIAIS. TEMA JÁ JULGADO PELA SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C, DO CPC EM RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. TRIBUTAÇÃO DE DESPESAS. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei nº 5.764/71, dispositivo que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. 2. Na hipótese dos autos, a contratação, pela Cooperativa, de serviços laboratoriais, hospitalares e de clínicas especializadas, atos objeto da controvérsia interpretativa, não se amoldam ao conceito de atos cooperativos, caracterizandose como atos prestados a terceiros. 3. A questão sobre a incidência tributária nas relações jurídica s firmadas entre as Cooperativas e terceiros é tema já pacificado na jurisprudência desta Corte, sejam os terceiros na qualidade de contratantes de planos de saúde (pacientes), os sejam na qualidade de credenciados pela Cooperativa para prestarem serviços aos cooperados (laboratórios, hospitais e clínicas), deve haver a tributação do IRPJ e CSLL normalmente sobre tais atos negociais. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 507 32 4. Consoante o julgado no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 58.265/SP, “[...] as operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente, em busca da consecução do objeto social da cooperativa), consubstanciam 'atos nãocooperativos', cujos resultados positivos devem integrar a base de cálculo do imposto de renda” (REsp. n. 58.265/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 09.12.2009). 5. A tese de que se trata de tributação sobre uma despesa e não sobre uma receita da Cooperativa não foi apreciada pela Corte de origem, o que atrai o teor das Súmulas 282 e 356/STF. 6. Agravo regimental não provido.” (grifos nossos) No mesmo sentido: Ø “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. COOPERATIVA MÉDICA. ATOS NÃO COOPERATIVOS. 1. A UNIMED presta serviços privados de saúde, ficando evidenciada assim a sua natureza mercantil na relação com seus associados, ou seja, vende, por meio da intermediação de terceiros, serviços de assistência médica aos seus associados. 2. O fornecimento de serviços a terceiros e de terceiros não associados caracterizase como ato nãocooperativo, sujeitandose, portanto, à incidência do Imposto de Renda. Precedentes: REsp. Nº 237.348 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Castro Meira, julgado em 17 de fevereiro de 2004; REsp 418.352/SC, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJU de 23.09.02; REsp 215.311 / MA, Segunda Turma, Rel. Min. Eli ana Calmon, julgado em 10/10/2000; REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 9.10.2006. 3. Agravo regimental nãoprovido.” (AgRg no REsp 751.460/MG, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 13.2.2009 – grifos nossos) No mesmo sentido: TRIBUTÁRIO COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO E ASSEMELHADOS PIS E COFINS ATOS PRATICADOS COM NÃOASSOCIADOS: INCIDÊNCIA PRECEDENTES. 1. É legítima a incidência do PIS e da COFINS, tendo como bas e de cálculo o faturamento das cooperativas de trabalho médico, conceito que restou definido pelo STF como receita bruta de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, por ocasião do julgamento da ADC 01/DF e mais recentemente, dos Recursos Extraordinários 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, dentre outros. 2. De igual maneira, na linha da jurisprudência da Suprema Corte, o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, a que se refere o art. 146, III, “c”, da Carta Magna Fl. 507DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 508 33 e o tratamento constitucional privilegiado a ser concedido ao ato cooperativo não significam ausência de tributação. 3. Reformulação do entendimento da Relatora nesse particular. 4. A partir dessas premissas, e das expressas disposições das Leis 5.764/71 e LC 70/91, e ainda do art. 111 do CTN, não pode o Poder Judiciário atuar como legislador positivo, criando isenção sobre os valores que ingressam na contabilidade da pessoa jurídica e que, posteriormente, serão repassados a seus associados, relativamente às operações praticadas com terceiros. 5. Apenas sobre os atos cooperativos típicos, assim entendidos como aqueles praticados na forma do art. 79 da Lei 5.764/71 não ocorre a incidência de tributos, consoante a jurisprudência consolidada do STJ. 6. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 635.986/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 25.9.2008 – grifos nossos) No mesmo sentido, decidiu a E. Primeira Turma do E. Superior Tribunal de Justiça, verbis: “COFINS. COOPERATIVAS MÉDICAS. CARACTERIZAÇÃO OU NÃO DE ATO COOPERATIVO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS A TERCEIROS. CARÁTER EMPRESARIAL. I É assente o entendimento nesta Corte, no sentido de não ser cabível a isenção da COFINS sobre os atos das sociedades cooperativas médicas, relacionados à intermediação entre cooperados e terceiros, estes adquirentes de Plano de Saúde, visto que a prestação de tais serviços não se configura como ato tipicamente cooperativo, mas mercantil, sendo, portanto, cabível a incidência da referida exação. Precedentes: AgRg no REsp nº 788904/RJ, Rel. Min. DENISE ARRUDA, DJ de 15/09/2008; REsp nº 729.947/MG, Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 24/05/07; REsp nº 807.690/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 01/02/2007; e REsp nº 778.135/MG, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, DJ de 13/02/2006. II Agravo regimental improvido”. (AgRg no AgRg no Resp 1033732/SP, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, Dje 1.12.2008) No mesmo sentido: “TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. PIS. COOPERATIVAS. ISENÇÃO. ATOS COOPERATIVOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO. CONCEITO DE FATURAMENTO MATÉRIA CONSTITUCIONAL. EXAME NA VIA DO RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. Os atos que não são tipicamente cooperativos, tais como os serviços prestados por sociedades cooperativas médicas a terceiros (nãoassociados), são passíveis de incidência do PIS. [...] Fl. 508DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 509 34 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido.” (REsp 746.382/MG, Rel. Min. Humberto Martins, DJ 9.10.2006) Analisando a jurisprudência citada no Acórdão nº 1102000.936, verificase que apenas o Acórdão do REsp. nº. 58.265 foi submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC. Neste se analisa a tributação das receitas financeiras obtidas pelas cooperativas e não propriamente o fornecimento de serviços a terceiros. Não obstante há uma convergência nos julgados citados no sentido de não admitir como atocooperativo as operações praticadas pela cooperativa junto a terceiros não associados. Outrossim, os julgados citados, com exceção do primeiro, tratam especificamente da tributação dos serviços médicos prestados e ou vendidos a terceiros não cooperados pelas cooperativas de serviços médicos, considerandoos como atos não cooperados. Assim, penso, com a devida vênia, que os julgados anteriormente referidos, seja do STF, seja do STJ, proferidos no regime de repercussão geral ou dos recursos repetitivos nos termos dos arts. 543B e 543C do antigo CPC, não são necessariamente aplicáveis ao caso em apreço, nos termos do art. 62. § 2º do Anexo II do Ricarf, em face das ponderações abaixo. No acórdão proferido no RE nº 599.362, o STF deixou clara sua aplicação à contribuição ao PIS, tendo como base o conceito de faturamento, fato gerador daquela contribuição. E expressamente distingue a incidência daquela contribuição, cuja base é o faturamento (receita) da CSLL, que tem como fato gerador o lucro, ressalvando ainda que tal matéria será examinada em outro RE. Com relação ao REsp. nº 587.265, julgado no regime do art. 543C do antigo CPC, verificase que não obstante tenha feito uma análise do atos cooperativos, é certo que tratou da tributação de rendimentos de aplicações financeiras, considerandoas como operações realizadas com terceiros não associados (ainda que, indiretamente em busca da consecução do objeto social da cooperativa), entendendo que tais operações são atos não cooperativos, sujeitos à tributação do IRPJ. São, portanto, situações distintas da ora analisada. Feito tal registro e tendo por base as análises acima, cumpre aprofundar a questão da incidência do IRPJ e da CSLL sobre o resultado das cooperativas de serviço e as implicações da definição da abrangência do ato cooperativo na solução da controvérsia. Seguindo a linha de raciocínio do STF de que a adequada tributação do ato cooperativo, prevista no art. 146 da CF/1988, é definida pela legislação aplicável a cada tributo, impende analisar a que trata da incidência do IRPJ. O art. 183 do RIR estabelece, verbis: Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica pagarão o imposto calculado Fl. 509DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 510 35 sobre os resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei nº 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 2º): I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares. A legislação do Imposto de Renda estabelece que a incidência do IRPJ das sociedades cooperativas se dará apenas sobre os "resultados positivos das operações e atividades estranhas à sua finalidade". E exemplifica, no inciso II, aplicável às cooperativas de serviços, como o fornecimento de bens ou serviços a não associados para atender aos objetivos sociais. Qual seria o fornecimento de serviços a terceiros que caracterizaria uma operação ou atividade estranha às suas operações ou atividades? Não me parece que a venda de serviços que serão executados pelos seus associados se enquadra neste conceito, pois é este o objeto e a razão de ser da cooperativa. A oferta dos serviços (prestados pelos cooperados) a terceiros e sua contratação para execução por estes, me parece constituir o cerne da existência de uma cooperativa de serviços. Acho até mesmo impróprio chamálo de negóciomeio para atingir o atofim, pois se a cooperativa não presta este serviço (de intermediação dos serviços) qual outro serviço prestaria? Assim, me parece que o "fornecimento de bens ou serviços a não associados para atender aos objetivos sociais", que ensejaria o alcance pela tributação do IR, seria o repasse dos serviços (contratados) a terceiros não associados, para cumprimento de contrato firmado pela cooperativa com os tomadores de serviços (para atender aos objetivos sociais). O resultado (se positivo) dessas operações derivadas do repasse desses serviços, no meu entender, é que deve ser alcançada pela tributação do imposto de renda. O principal serviço que uma cooperativa de serviços presta aos seus cooperados é o de angariar clientes e repassar a prestação dos serviços contratados para execução pelos cooperados. Entendo, portanto, que o serviço prestado a terceiros, a que se refere o dispositivo é aquele mesmo que seria disponibilizado ao associado: a oferta (para execução) de serviços contratados pela cooperativa com os tomadores dos serviços, visando a suprir eventual demanda não passível de ser atendida pelos próprios cooperados. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 511 36 Qualquer outro serviço prestado a terceiros pela cooperativa não enquadrado em seus objetivos sociais, por óbvio, também seriam alcançados pela tributação. Outro aspecto a considerar é o de que os rendimentos pelos serviços prestados devem ser tributados na pessoa dos cooperados e não da cooperativa. No seu voto, no RE. nº 599.362CE, o Ministro Roberto Barroso discorre com propriedade a necessidade da legislação tributária dar um adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, ressaltando em especial que não devam ser tributadas duas vezes (na cooperativa e cooperados) as operações realizadas pela cooperativa, verbis: [...] 5. O entendimento de que as cooperativas incorrem na materialidade do PIS e da Cofins encontra ressonância na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal que afirma não haver uma imunidade com relação aos atos cooperativos. Registro que a Corte já teve a oportunidade de assentar que o ‘tratamento adequado’ ao ato cooperativo não significa, necessariamente, tratamento privilegiado (RE 141800, Rel. Min. Moreira Alves). Tratamento tributário adequado é fazer incidir o tributo em consonância com as peculiaridades estruturais, sociais e econômicas das cooperativas. Adequado, portanto, não é sinônimo de desonerado. Adequado é sinônimo de conforme, ou seja, correlato às peculiaridades que são próprias à modalidade societária. Significa que o sujeito passivo receberá do direito tributário um tratamento diferente, consentâneo com suas diferenças. Essencialmente, o que se busca impedir é que o direito tributário venha a punir o associativismo. Associarse não pode significar ter de pagar mais. Extraio da doutrina especializada a confirmação desta diretriz interpretativa: “Portanto, ‘adequado tratamento ao ato cooperativo’ significa que as pessoas que se reunirem em cooperativa ou veicularem suas operações por ela não devem ser tributadas duas vezes (sejam pessoas ou operações) pelo simples fato de terem personalidades jurídicas distintas (cooperativas e cooperados). A rigor, não devem sofrer maior tributação, por estarem reunidas em cooperativa, do que sofreriam se agissem isoladamente.”(Marco Aurélio Greco em nota do tradutor à obra Princípios Comuns de Direito Constitucional Tributário, do tributarista italiano Victor Uckmar, 2ª ed., Malheiros, 1999, p. 139) 6. A orientação que vem prevalecendo aponta que o comando constitucional impõe neutralidade. Logo, a regra é a sujeição ao âmbito de atuação do poder de tributar, consideradas as hipóteses de exclusão e dedução descritas na legislação tributária. Vale dizer: os tributos não podem incidir em duplicidade alcançando cooperativa e cooperado. É preciso enxergar uma unidade de sujeitos passivos. E não é por outro motivo que o chamado ato cooperativo de que trata o art. 79, parágrafo único, da Lei nº 5.764/71 não implica operação de mercado. Se a cooperativa e o cooperado produtor devem ser vistos como um sujeito passivo único, em harmonia com o que determina o predicado constitucional ‘adequado’, as diversas operações que aglutinam o resultado do processo produtivo não podem ser vistas como atos reveladores de riqueza para fins de tributação. Isso porque é a operação subsequente a ser realizada com o mercado que vai ser alcançada pela incidência. Desconsiderase a operação interna (ato cooperativo típico) para tributar Fl. 511DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 512 37 tão somente a operação externa (ato cooperativo atípico). Uma incidência única para uma entidade una (cooperadocooperativa). (grifo nosso) [...] Nesta perspectiva, no caso das cooperativas de prestadores de serviços, quem deve ser alcançado pela tributação do imposto de renda? A cooperativa que intermedeia a contratação, recebe os valores dos tomadores e repassa aos cooperados, ou estes últimos, que são quem efetivamente prestam o serviço e auferem a renda? A resposta a esta questão é encontrada na própria legislação do imposto de renda. O art. 45 da Lei 8.541/1992, com a redação dada pela Lei nº 8981/1995, estabelece, verbis: Art. 64. O art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992, passa a ter a seguinte redação: "Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada anocalendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda." Ora, a legislação estabelece a obrigatoriedade de retenção na fonte sobre os valores recebidos pelas cooperativas "relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição" e a compensação desse imposto "por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados". É cristalino, pelo texto legal acima transcrito, que os valores repassados aos associados pelas cooperativas é que devem ser alcançados pela tributação do imposto de renda tanto que o imposto retido em face da cobrança dos serviços pela cooperativa deve ser compensado com o imposto que deve ser retido sobre os rendimentos pagos aos cooperados. Para que haja a neutralidade na tributação das operações realizadas apenas uma delas pode ser alcançada pelo imposto de renda e, claramente, a lei elegeu como contribuinte do imposto de renda o cooperado e não a cooperativa. Reforça meu entendimento quanto a não incidência do IRPJ o fato de a Lei nº 9.249/1995 estabelecer a isenção do imposto de renda na distribuição de lucros e dividendos, verbis: Fl. 512DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 513 38 Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Ora, se o resultado dessas operações fosse tributado pela cooperativa, na forma de lucros apurados, a sua distribuição aos cooperados deveria ser isenta do imposto de renda o que colide com a disposição legal prevista no art. 45 da Lei nº 8981/1995 que estabelece a tributação dos rendimentos pelos associados. Notese que, com relação aos resultados apurados pela cooperativa relativos a outras operações estranhas à sua finalidade, tais como aplicações financeiras, repasse de serviços para prestação de terceiros não cooperados, que efetivamente não configuram atos cooperativos típicos, a tributação pelo IRPJ é plenamente justificável, podendo o resultado líquido apurado, na forma de "sobras", ser repassado aos associados, neste caso com a isenção do imposto de renda (art. 10 da Lei nº 9.249/1995), mantendose a neutralidade das operações entre cooperativa e cooperados. Deste modo, entendo que não pode existir a cobrança do IRPJ sobre tais atos. No que se refere à exigência da CSLL, o art. 39 da Lei 10.865/2009, assim estabelece: Art. 39. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação específica, relativamente aos atos cooperativos, ficam isentas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. De acordo com o art. 2º da Lei nº 7.689/1988 a base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício da pessoa jurídica, antes da provisão para o imposto de renda. Penso que não há como dissociar o resultado apurado para fins de incidência imposto de renda da pessoa jurídica devido pela cooperativa, do resultado a ser considerado para fins da incidência da CSLL. Usando o mesmo raciocínio acima empreendido se o valor dos serviços repassado aos cooperados é rendimento destes e não da cooperativa para fins de apuração do lucro tributável, este também não pode compor o resultado desta para fins de incidência da CSLL, pois se o dito rendimento é de um (cooperado) não pode ser, também, de outro (cooperativa). Como bem aponta o Ministro Barroso, no seu voto anteriormente citado, "as diversas operações que aglutinam o resultado do processo produtivo não podem ser vistas (isoladamente) como atos reveladores de riqueza para fins de tributação". Apenas um deles deve ser alcançado, precisamente, aquele que revele o real detentor da riqueza gerada, no caso o cooperado. Fl. 513DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 514 39 Além do mais, em meu entendimento, o recebimento dos serviços e o seu repasse aos associados constituemse em atos cooperativos, na forma anteriormente analisada, não sendo, portanto, passíveis (tais atos) de serem alcançados pela tributação da CSLL, nos termos do art. 39 da Lei nº 10.865/2009. Nesse diapasão, examinando os elementos dos autos, entendo que tem razão a recorrente. De acordo com sua descrição, a cooperativa, ora recorrente, celebra contratos de prestação de serviços com órgãos públicos ou entidades privadas (intermedeia serviços a terceiros) para que esses cooperados executem em veiculo de sua propriedade. Os contratos de prestação de serviços juntados aos autos (efls. 164/246) corroboram tal afirmação. Ora, a prestação dos serviços pelos cooperados, inclusive com a utilização de seus próprios veículos, consiste precisamente na execução do contrato firmado pela cooperativa de serviços, sendo este "ato cooperativo na essência", como bem aponta a recorrente. O raciocínio desenvolvido pela fiscalização, no presente caso, revelase contraditório. Observese que, primeiro afirma em seu TVF, verbis: (...) deve ser levado em conta que, nas cooperativas voltadas para a atividade de prestação de serviços, o objetivo é criar condições que favoreçam o exercício dessas atividades profissionais por pessoas de um mesmo segmento econômico, aproximando potenciais usuários desses serviços e os profissionais que os prestam. Assim, há que se considerar que os atoscooperativos abrangem não só os serviços que justificam a existência e finalidade da cooperativa (aproximação dos usuários com os cooperados, defesa de interesses técnicos e profissionais etc), que são fruídos pelos próprios cooperados, como também os serviços que compõem o objeto da cooperativa, propriamente o aluguel de veículos, e são fruídos por pessoas, estranhas aos quadros da cooperativa (usuários). (grifei) É precisamente isto que identifico no contrato celebrado pela cooperativa, em nome dos cooperados e que está em conformidade com os estatutos sociais (efls. 79/103). A fiscalização, no entanto, adotando outras premissas, ao analisar os referidos contratos, entende por afastar a natureza de atos cooperativos, apontando: a existência do gerenciamento dos serviços pela cooperativa, em que ela assume os riscos do negócio e não os cooperados; que os cooperados ficam presos a esses contratos, onde são estabelecidos os valores contratados e também condicionando o recebimento pela cooperativa a diversas cláusulas que não foram negociadas com os cooperados individualmente; Fl. 514DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 515 40 que não existe pessoalidade nos serviços; que não é a cooperativa que oferece os veículos, independentemente das condições dos mesmos, pois ela deverá ter associados que tenham tais veículos para atender aos contratos firmados; que a clientela não poderia determinar este ou aquele veículo a ser disponibilizado; que o papel da cooperativa deveria ser unicamente aproximar usuários dos mesmos; que os associados cooperados ficam subjugados a estes contratos e obrigados a cumprilos enquanto cooperados, sem, no entanto, terem participado da sua negociação. Ora, me parece claro que o objetivo da cooperativa é representar os associados junto a terceiros tomadores dos serviços que oferece, inclusive firmando contratos em nome destes, fomentando a atividade que exercem. E, não menos evidente, que os serviços devem ser prestados pelos cooperados, posto que a cooperativa só tem a função de agregálos para tal fim. Se a própria cooperativa fosse a responsável pela execução dos serviços contratados com o concurso de terceiros não cooperados, ai sim estaríamos diante de atos não cooperativos. Assim, não há que se falar que os associados ficam subjugados aos contratos assinados pela cooperativa, sem terem participado de sua negociação. A cooperativa, por meio de órgãos estatutários (assembléia, diretorias, conselhos deliberativos, etc), existe justamente para representar o interesse dos associados junto a terceiros, buscando não apenas o fomento de sua atividade, como condições favorecidas nas contratações. Assim, não há qualquer sentido na afirmação de que o seu papel seria apenas de aproximar os associados dos usuários, sem interferência nas negociações. Sem dúvida alguma, uma das vantagens competitivas das cooperativas é agregar produtores e/ou prestadores de serviços para, em conjunto, buscar uma ampliação e valorização junto ao mercado consumidor ou tomador dos serviços. Assim, minha conclusão é oposta a da autoridade fiscal, quando esta afirma: [...] o que ocorre é a prestação de serviços a terceiros, e não atos cooperativos que são aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados. A cooperativa na prestação desses serviços pratica na essência, no relacionamento com terceiros, atividades empresariais de prestação de serviços, realizando, na prática, ato não cooperado. Assim, temos que ato cooperado exclui os atos praticados com terceiros, por se tratarem de atos comerciais ou civis e por faltarlhes o requisito de estar a cooperativa e seus associados em ambos os lados da relação negocial. Portanto, os atos praticados com terceiros relativos a fornecimento de bens ou serviços a não associados, mesmo que para atender aos objetivos sociais, configura ato não cooperado e também deverão compor a base de cálculo do IRPJ. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 516 41 Ora, como já dito, os cooperados prestam seus serviços a terceiros em cumprimento do contrato firmado pela cooperativa em seu nome. Funciona esta como mera intermediária na relação entre os tomadores de serviços e os prestadores (cooperados), gerindo esta prestação e repassando aos associados os rendimentos a que fazem jus, de acordo com os serviços prestados, descontados os custos e taxas de administração estipulados pelos seus órgãos estatutários. A própria cooperativa não é a tomadora dos serviços (dos associados), nem tampouco a prestadora dos serviços, já que prestados pelos associados. Portanto, a cooperativa e cooperados participam direta ou indiretamente na relação negocial, seja ela interna ou com terceiros. É indispensável a existência de terceiros (os tomadores de serviços) nesta relação, pois só assim se concretiza a razão de ser da associação sob a forma de cooperativa entre os prestadores do serviço. Assim, me parece evidente que as receitas de prestação de serviços auferidas pela cooperativa constituemse em receitas decorrentes dos atos cooperativos para a qual foi instituída, não devendo compor o resultado tributável, seja do IRPJ a ser apurado, nos termos do art. 183 do RIR/1999. seja da CSLL, nos termos do art. 39 da Lei nº 10.865/2004. Não obstante, caso meus pares discordem dos fundamentos trazidos para cancelar as exigências do IRPJ e da CSLL, impõese considerar que se os valores recebidos pela cooperativa na execução do contrato de prestação de serviços firmado com terceiros para execução pelos cooperados devem compor a apuração do resultado da cooperativa pelo lado da receita, os valores repassados aos associados pela prestação desses serviços teria que, necessariamente, integrar o resultado pelo lado do custo (necessário à execução dos serviços contratados). Afinal, tendo em consideração o texto constitucional que determina o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo, não pode a carga do IRPJ e da CSLL ser mais gravosa para a cooperativa que a incidente sobre as demais pessoas jurídicas, o que ocorreria na desconsideração dos repasses aos associados como custo. Assim, também sobre esta perspectiva, os lançamentos do IRPJ e CSLL seriam cancelados, pois a consideração desses repasses como custo, anularia completamente o resultado apurado pela autoridade fiscal. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, nesta parte, para cancelar a exigência relativa ao IRPJ e a CSLL, inclusive as multas isoladas. Passo a examinar a exigência relativa ao PIS e a Cofins. Com relação a essas exigências a recorrente alega a existência de inconstitucionalidade da MP. 18586 de 1999, que revogou a isenção da Cofins sobre as receitas decorrentes de atos cooperativos previstos no art. 6º, inc. I da LC/70/91 e alterou a base de cálculo do PIS, que também passou a incidir sobre as receitas de atos cooperativos. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 15504.725252/201455 Acórdão n.º 1302002.113 S1‐C3T2 Fl. 517 42 Informa também que obteve antecipação de tutela para suspender a exigibilidade do crédito tributário relativo a estas exações, em decisão proferida pelo Ministro do STF, Sepúlveda Pertence, no âmbito do RE. nº 378.860, em 22/03/2007 (cópias efls. 376/382), em ação na qual busca o reconhecimento à isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas oriundas de atos praticados com os cooperados. Quanto a este ponto, entendo que está correta a decisão de primeiro grau que entendeu existir concomitância entre o recurso administrativo interposto e a decisão judicial, sendo cabível a observância da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante ao exposto e, tendo em vista que as matérias relativas às exigências do PIS e da COFINS, objeto do lançamento ora discutido, encontramse sub judice, voto no sentido de não se conhecer das alegações recursais, neste ponto. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar as exigência de IRPJ e CSLL, e de não conhecer das razões recursais relativas ao PIS e a Cofins, em face da existência de ação judicial quanto à matéria recorrida, nos termos já expostos. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 517DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.724001/2014-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2202-003.932
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 40 01 /2 01 4- 49 Fl. 74DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 06/10), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2012, ano calendário de 2011, em que foram glosadas despesas médicas indevidamente deduzidas, declaradas como pagas a Ana Helena Spinello Poniewas de Oliveira, no valor de R$ 15.950,00, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. Na descrição dos fatos e enquadramento legal da Notificação de Lançamento, consta: "Glosa do valor pago a título de despesas médicas à fisioterapeuta CPF 031.028.92973, ANA HELENA PONIEWAS DE OLIVEIRA. O contribuinte afirmou, conforme declaração firmada em 10/10/2014, que as despesas foram pagas em dinheiro (moeda corrente) e que foi emitido um único recibo anual de todas as despesas." O contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, argumentando que as despesas foram real e efetivamente pagas em moeda corrente, a cada sessão no valor individual de R$ 110,00 e a profissional emitiu apenas um recibo em 23/12/2011, contemplando todas as datas e sessões realizadas, conforme descrito no próprio recibo. Afirmou que os serviços foram efetivamente prestados nas datas descritas e que a Dra. Ana Helena declarou os recebimentos pelos serviços prestados em sua DIRPF. Juntou o recibo anual às fls. 12. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Salvador (BA), julgou improcedente a impugnação conforme acórdão de fls. 34/36, do qual reproduzo apenas as partes do voto que esclarecem a lide: (...) Quando exageradas, as deduções podem ser glosadas a critério da autoridade lançadora, como dispõe o art. 73, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda, RIR (Decreto nº 3.000/1999). As provas apresentadas servem para formar convicção e podem ser recusadas pela autoridade administrativa. Além dos valores excessivos, o pagamento que o contribuinte teria efetuado em favor da fisioterapeuta Ana Helena Spinello Pontewas de Oliveira não guarda proporção ou é incompatível com os valores declarados pela profissional para que tenha recebido tal quantia de um único cliente. Diante destes indícios de inidoneidade, seria indispensável que o contribuinte comprovasse a efetividade dos pagamentos com documentos bancários. Indagado pela fiscalização, declarou haver efetuado os pagamentos em espécie, o que não supre a prova requerida. Poderia, por exemplo, ter comprovado os saques correspondentes em sua conta bancária. Ademais, o documento apresentado pelo contribuinte (fls. 12) não é comprovante hábil, pois relaciona valores mensais globalizados, sem especificar as datas dos pagamentos, contrariando assim o disposto no art. 80, § 1º, III, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999): Fl. 75DF CARF MF Processo nº 19985.724001/201449 Acórdão n.º 2202003.932 S2C2T2 Fl. 75 3 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. (O destaque não está no original). Ainda que se admitisse a validade formal do comprovante apresentado, o recibo é uma declaração particular, e por isso prova meramente relativa. Válido entre as partes para efeito de quitação de débitos, é insuficiente, perante terceiros, como prova dos pagamentos que atesta, competindo ao interessado, em caso de dúvida, comproválos através de provas materiais. É o que decorre do artigo 368 do Código de Processo Civil: (...) Cientificado dessa decisão por via postal em 12/03/2015 (A.R. de fls. 40), o interessado apresentou Recurso Voluntário em 13/04/2015/2014 (fls. 42/43), alegando em síntese, que os serviços foram realmente necessários, executados em sessões de uma hora ao valor de R$ 110,00 por sessão, compatíveis ao praticado à época. Quanto à desproporção ou incompatibilidade com os valores declarados pela profissional, se de fato ocorreu, não cabe ser ele o penalizado, pois os serviços foram executados e pagos. Que em nenhum momento lhe foram solicitados comprovantes bancários, mas apenas que declarasse de próprio punho, no verso do recibo, o que foi feito, de forma que só após o acórdão da DRJ ficou sabendo da indispensabilidade de comprovação com documentos bancários e, para tal comprovação, junta cópia de seus extratos bancários de todo o ano de 2011, assinalando os saques realizados. Por fim, para sanar a falha apontada no acórdão, de que o recibo não é prova hábil por relacionar valores mensais globalizados, sem especificar as datas dos pagamentos, junta declaração da profissional especificando as datas de realização das sessões e dos pagamentos, já que efetuados no final de cada sessão. Anexa Declaração da profissional às fls. 44 e extratos de conta do Banco do Brasil, às fls. 45/69. Requer que à vista das provas, este E. Conselho acolha seu recurso e declare a nulidade do débito fiscal reclamado. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação pela Autoridade Fiscal, de um único recibo relativo a tratamento fisioterápico continuado acompanhado de declaração do contribuinte de que os pagamentos foram realizados em moeda corrente. Fl. 76DF CARF MF 4 Pelo que se vê, a Autoridade Fiscal não explicou as razões e fundamentos da não aceitação do pagamento e o acórdão da DRJ, na intenção de manter o lançamento, buscou justificativas variadas para não acolher os documentos do contribuinte, apontando indícios de inidoneidade do recibo, seja porque os gastos seriam exagerados ou porque as receitas recebidas de um único cliente não eram compatíveis com a declaração de rendimentos da profissional que prestou os serviços, ou porque o contribuinte poderia ter comprovado os saques em sua conta bancária para demonstrar a efetividade dos pagamentos. Assim, nenhuma falha foi apontada objetivamente pela autoridade lançadora, seja com relação aos requisitos formais do recibo, à efetividade da prestação dos serviços ou quanto à impossibilidade dos pagamentos terem sido realizados em espécie. Se desejasse aprofundar a investigação, deveria intimar o contribuinte a apresentar documentos complementares. Verificase que no Termo de Intimação Fiscal TIF, de fls. 21, anterior à formalização da Notificação Fiscal, foram exigidos comprovantes de pagamento de Contribuição à Previdência Privada e Fapi, com discriminação dos valores pagos por beneficiário; originais e cópias das despesas médicas e das despesas com planos de saúde, com valores discriminados por beneficiário. Naquela oportunidade não foi exigida a comprovação dos desembolsos efetivados e não há nos autos qualquer outra intimação ao contribuinte neste sentido. Caberia à Autoridade Fiscal, desde o início do procedimento de revisão da declaração, intimar o contribuinte, nos casos de pagamento em espécie, a apresentar cópia de seus extratos bancários com indicação dos saques realizados em datas e valores coincidentes aos recibos emitidos pelos prestadores de serviços ou comprovar com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nos pagamentos efetuados ao emitente do recibo, caso tais valores não tenham circulado pela conta bancária. Pelos elementos dos autos constata se que o notificado não foi intimado a apresentar comprovantes do efetivo pagamento realizado em dinheiro, conforme por ele declarado. Entendo que, em sede de julgamento da impugnação, descabem novas exigências. No caso, ao levantar dúvidas a respeito dos comprovantes apresentados, a autoridade julgadora, se entendesse necessária a confirmação por meio de cruzamento complementar de informações, exames ou qualquer outro elemento a corroborar a necessidade e efetividade dos serviços prestados pela profissional e também a necessidade de verificação da origem dos recursos utilizados pelo contribuinte para a os pagamentos, poderia ter requerido à Autoridade Fiscal que, em procedimento de diligência, intimasse o declarante a apresentálos, mas isso não correu. Assim, neste ponto, a decisão de primeira instância careceu de motivação. Em sede de recurso voluntário o contribuinte anexa extratos bancários para demonstrar os saques efetuados e utilizados para realizar os pagamentos e também uma declaração da profissional (fls. 44) especificando as necessidades do paciente e os tratamentos aplicados, os dias em que realizadas as sessões de fisioterapia, o valor cobrado por sessão e que os pagamentos foram realizados em moeda corrente ao final de cada sessão. Reconheço que o Decreto 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação posterior de provas, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal, bem como se prestam a corroborar alegações suscitadas Fl. 77DF CARF MF Processo nº 19985.724001/201449 Acórdão n.º 2202003.932 S2C2T2 Fl. 76 5 desde o início do processo. Nesse sentido os seguintes acórdãos da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: 9202002.587, 920201.633, 920202.162 e 920201.914. Embora entenda desnecessária esta complementação de documentos, como estão nos autos e em consideração ao recorrente, procedi à análise e concluo que corroboram a realização das despesas, que se referem a tratamento continuado, com sessões semanais (de duas e três por semana datas das sessões identificadas às fls. 44), que o pagamento foi realizado em espécie e o recibo consolida as sessões do ano calendário 2011. Nas condições em que realizados os serviços, entendo ser plenamente possível que o paciente tenha alcançado valores à profissional a cada sessão durante o mês, à medida de suas disponibilidades e/ou da necessidade da profissional, com a emissão de um único recibo. Os saques em conta corrente, comprovados pelos extratos bancários e conciliados com os valores dos recibos, são compatíveis com os pagamentos realizados, mesmo que não sejam equivalentes em datas, haja vista a possibilidade acima aventada dos desembolsos se darem durante o mês. A situação em exame espelha a ocorrência de tratamento continuado, com sessões semanais e pagamento em espécie. Houve comprovação de saques realizados durante o tratamento, que cobrem os valores das sessões mensais, podendo se considerar comprovado o efetivo pagamento. Assim, tenho como comprovadas as despesas médicas devendo ser restabelecida a dedução no valor de R$ 15.950,00. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10715.001396/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/10/2008, 30/10/2008
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO.
Matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, torna-se preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/10/2008, 30/10/2008
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE.
Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea e, inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2008, 30/10/2008
RETROATIVIDADE BENIGNA. IN RFB nº 1.096, de 2010 INAPLICABILIDADE
Comprovado nos autos que os dados do embarque foram extemporâneos ao prazo de 2 (dois dias), previsto na IN SRF nº 510, de 2005, vigente à época dos fatos, deixa-se de aplicar a retroatividade benigna com base na alínea b do inciso II, do artigo 106, do CTN, em face da edição, no curso do processo da IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte, visto que o atraso nas informações é superior a 7 (sete dias).
Numero da decisão: 3302-004.315
Decisão: Crédito Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo e Ricardo Rosa votaram pelas conclusões.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/10/2008, 30/10/2008 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. Matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, torna-se preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 28/10/2008, 30/10/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea e, inciso IV, do artigo 107, do Decreto-Lei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/10/2008, 30/10/2008 RETROATIVIDADE BENIGNA. IN RFB nº 1.096, de 2010 INAPLICABILIDADE Comprovado nos autos que os dados do embarque foram extemporâneos ao prazo de 2 (dois dias), previsto na IN SRF nº 510, de 2005, vigente à época dos fatos, deixa-se de aplicar a retroatividade benigna com base na alínea b do inciso II, do artigo 106, do CTN, em face da edição, no curso do processo da IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte, visto que o atraso nas informações é superior a 7 (sete dias).
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decisao_txt : Crédito Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo e Ricardo Rosa votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente BRITISH AIRWAYS PLC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/10/2008, 30/10/2008 MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. Matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 28/10/2008, 30/10/2008 REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. INFRAÇÃO CONFIGURADA. PENALIDADE. APLICABILIDADE. Restando comprovado nos autos o atraso na prestação de informações dos dados de embarque no SISCOMEX, é aplicável a penalidade prevista na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2008, 30/10/2008 RETROATIVIDADE BENIGNA. IN RFB nº 1.096, de 2010 INAPLICABILIDADE Comprovado nos autos que os dados do embarque foram extemporâneos ao prazo de 2 (dois dias), previsto na IN SRF nº 510, de 2005, vigente à época dos fatos, deixase de aplicar a retroatividade benigna com base na alínea “b” do inciso II, do artigo 106, do CTN, em face da edição, no curso do processo da IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte, visto que o atraso nas informações é superior a 7 (sete dias). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 13 96 /2 01 1- 71 Fl. 297DF CARF MF 2 Crédito Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Walker Araújo e Ricardo Rosa votaram pelas conclusões. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório do r. Acórdão de Recurso Voluntário nº 3801005.318, de fls.242/249, conforme a seguir transcrito: Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10715.001396/201171 contra o acórdão nº 0734.605, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), na sessão de julgamento de 09 de abril de 2014, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 10.000,00, referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n° 37/66. Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos (fls.05), a interessada deixou de registrar os dados de embarque de mercadorias despachadas através das Declarações de Exportação (DE’s) listada a folhas 11, no SISCOMEX, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no artigo 37 da IN SRF n° 28/94. Assim, entendendo estar caracterizado a infração, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 (por vôo), pela não prestação de informação de dados de embarque no prazo. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10715.001396/201171 Acórdão n.º 3302004.315 S3C3T2 Fl. 298 3 Cientificada, a interessada apresentou impugnação. Em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, o auto de infração não está instruído com as mínimas informações e peças necessárias para que seja exercido o direito de defesa (ausência de provas); Que, Instrução Normativa não é lei, razão pela qual não pode estabelecer um prazo que vincule o cumprimento de uma obrigação acessória, a norma é ilegal; Que, deve ser aplicado o disposto na Solução de Consulta n° 215/04; Que, não houve ausência de informação, logo os fatos não se subsumem à hipótese legal; Que, houve denúncia espontânea conforme previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional; Que, há violação aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; Que, há penalidade mais específica; Que, o Siscomex apresenta frequentes falhas; Requer, seja julgado improcedente o lançamento fiscal e, ainda, seja determinada auditoria no Sistema da Receita Federal. A DRJ de Florianópolis (DRJ/FNS) decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito. Colaciono a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/02/2011. EMENTA. Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF nº 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a fl. 143/169, expondo que: 1 O auto de infração foi lavrado com base em incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; 2 A recorrente espontaneamente inseriu todas as informações de embarque de mercadorias o Siscomex, por esse motivo não deve ser penalizada pela suposta infração; 3 O Siscomex apresenta falhas técnicas, que por diversas vezes geram sua indisponibilidade por horas ou mesmo dias e impedem a inserção de dados de embarque de mercadorias, não podendo arcar com pesadas multas em virtude de um atraso; 4 A inexistência de embaraço à fiscalização, bem como necessária desoneração das exportações e também nítida violação à finalidade do ato administrativo, eis que não ocorreu qualquer prejuízo ao Fisco ou ao interesse público, sendo a Fl. 299DF CARF MF 4 multa em questão desvinculada do aumento à fiscalização ou arrecadação de tributos; 5 A denúncia espontânea é aplicável a todas as penalidades de natureza administrativa, exceto com relação ao perdimento. É o sucinto relatório. Através do Acórdão nº 3801005.318 foi dado provimento ao recurso voluntário, em sede preliminar, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa ora combatida. Cientificada do referido acórdão o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a nova redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. Nos termos do acórdão nº 9303003.752, de 26/04/2016, fls.276/284, a CSRF ao julgar o recurso especial, assim decidiu conforme excertos da ementa e voto a seguir transcritos: Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 21/02/2011 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/02/2011 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10715.001396/201171 Acórdão n.º 3302004.315 S3C3T2 Fl. 299 5 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Excertos do voto: Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Fl. 301DF CARF MF 6 Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. (...) Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." A empresa teve ciência do julgado em 02/06/2016, através do Termo de Abertura de Documento, conforme despacho, fl. 294. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Superada a questão quanto à denúncia espontânea da infração, já decidida pela CSRF, indicase a seguir as principais matérias recursais na sequência em que arguidas: 1) nulidade do auto de infração, pela incorreta tipificação, bem como em incorreta adequação dos fatos à norma; 2) prova imperfeita da infração cometida em razão de indisponibilidades do Siscomex; 3) Violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade Da Matéria preclusa Destaca o Recorrente, após uma retrospectiva cronológica da legislação, notadamente quanto às alterações da Instrução Normativa SRF n° 28, de 1994, promovidas pela edição da Medida Provisória n° 135, de 2003, que alterou a redação do art. 107 do DecretoLei n° 37, de 1966, que referidas alterações não ensejaram qualquer mudança no artigo 44 do referido ato normativo, concluindo ao final: Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10715.001396/201171 Acórdão n.º 3302004.315 S3C3T2 Fl. 300 7 Diante de tal análise, concluise inequivocamente que a fundamentação legal da penalidade aplicada está errada, uma vez que relacionada à falta de informação sobre carga transportada em veículo, prevista na alínea "e" daquele inciso, e não ao embaraço à fiscalização aduaneira, prevista na alínea "c". É imprescindível lembrar que o art. 44 da Instrução Normativa n° 28/94 determina expressamente que o descumprimento da obrigação prevista no art. 37 constitui embaraço à fiscalização aduaneira.(grifos do original). Observase da análise da impugnação apresentada, peça processual que tem o condão de instaurar a lide administrativa que referida matéria, não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo 1o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997 para submeterse ao duplo grau de jurisdição. Ultrapassada essa questão analisarseá a seguir as matérias suscitadas em sede recursal. Da violação aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade Argui a defesa: A multa não tem razão de existir simplesmente porque a conduta supostamente praticada pela Recorrente é irrelevante para o direito tributário. Frisese que nenhum tributo deixou de ser recolhido e que não houve qualquer espécie de prejuízo à fiscalização quanto às mercadorias exportadas. Não há razão de existir para normas punitivas se não existem tributos envolvidos e nem sequer existe um interesse a ser protegido.(grifos do original). (...) Assim, no presente caso, devese observar que a aplicação de multa à Recorrente não obedece aos requisitos do art. 113, § 2o, do Código Tributário Nacional, eis que não visa interesse da fiscalização ou da arrecadação de tributos, conforme disposto abaixo:(grifei). As normas utilizadas para embasar a aplicação de multa à Recorrente, quais sejam, o art. 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, com as alterações introduzidas pela IN RFB n° 1.096/10, e o art. 107, IV, do DecretoLei n° 37/66, estão completamente desvinculadas do interesse de aprimorar a fiscalização e a arrecadação de tributos, eis que, ressaltese, toda a espécie de fiscalização e recolhimento relativo a tributos já foi efetivamente realizada, não havendo finalidade relacionada à aplicação da multa. 1 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997 Fl. 303DF CARF MF 8 Argui o Recorrente que a penalidade aplicada não tem uma finalidade específica a justificála, visto que não há qualquer interesse público envolvido na questão em comento, não sendo minimamente razoável a aplicação de multa no valor lançado, haja vista que a Recorrente não deixou de prestar qualquer informação dela exigida. O 2artigo 113, § 2o do CTN, colacionado na defesa está inserido no âmbito do Direito Tributário, visto que integra, como norma geral o Código Tributário Nacional CTN, ocorre que a multa ora debatida está disciplinada na legislação aduaneira, com regras e motivação próprias, visto que o escopo da legislação aduaneira, cuja característica precípua é a extrafiscalidade, situase para além do tributário, uma vez que os bens tutelados, incluem não apenas o aspecto fiscal, mas o econômico, o controle do território aduaneiro, a proteção e segurança da sociedade. Com efeito, cabe enfatizar que a Constituição Federal de 1988 prescreve: Artigo 22, VIII : quanto à competência privativa da União para legislar sobre comércio exterior,; Artigo 237: que a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, serão exercidos pelo Ministério da Fazenda.(grifei). Com efeito, dispõe o artigo 94 do DecretoLei nº 37, de 1966: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Observese que a multa prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei nº 10.833, de 2003, está situada no [CAPÍTULO III ...DAS DISPOSIÇÕES RELATIVAS À LEGISLAÇÃO ADUANEIRA] da Lei nº 10.833, de 2003. Assim, a multa que ora se discute tem um escopo claro na legislação que é o controle aduaneiro, logo sua natureza acessória autônoma se distingue perfeitamente da natureza acessória de que trata o § 2º do art. 113, do CTN, que tem por escopo o adimplemento do tributo. Aduz em abono dessa tese o acórdão nº 9303003.737, de 26/04/2016, fls. 216/224, ao afastar a denúncia espontânea com relação a multa que ora se discute: O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação 2 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (...) Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10715.001396/201171 Acórdão n.º 3302004.315 S3C3T2 Fl. 301 9 acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido.(grifei). Rejeitase portanto, as preliminares suscitadas. MÉRITO Da multa pela extemporaneidade dos dados do embarque Conforme já demonstrado o lançamento ora debatido, decorre da multa capitulada no art. 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003, pela não informação ou informação fora do prazo sobre a carga transportada, conforme dados do embarque, de fl.11. É de relevo destacar que estando a cominação de penalidades no campo da reserva legal, ou melhor, reserva absoluta da lei, ex vi do 3inciso V do artigo 97 do Código Tributário Nacional CTN, sendo exigível para a espécie, lei em sentido material e formal, significa que somente nas hipóteses expressamente delineadas no tipo legal pode ser aplicável uma penalidade. Esclarecida a situação fática, analisase a base legal aplicada. DecretoLei nº 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, 3 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I (omissis; .................................................................................................... V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas;” Fl. 305DF CARF MF 10 aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; (...)(grifei) Constatase que o dispositivo legal em comento remete à Secretaria da Receita Federal a disciplina da forma e prazo para a prestação, das informações nele explicitadas. Em cumprimento à determinação acima gizada, a então SRF, com o escopo de normatizar os procedimentos editou a IN SRF nº 510, de 2005, que definiu o prazo de comunicação em 02(dois) dias, aplicado no caso concreto para a exigência em lide: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.(grifei). § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo." (NR)(grifei). Notese que, objetivamente estabelece o dispositivo legal ([artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação do artigo 77 da Lei n.º 10.833, de 2003) uma sanção quando da ocorrência do seguinte pressuposto fático: ....deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Não tratando o caso dos autos da excepcionalidade do § 2º acima transcrito, visto que adstrito ao modal marítimo, constatase pela planilha de fl.11, abaixo reproduzida que as informações foram efetivamente extemporâneas ao prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque, situação que configura a infração tipificada no artigo 107, IV, alínea “e”, do DecretoLei n.º 37, de 1966, com a redação da Lei n.º 10.833, de 2003 acima reproduzido. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10715.001396/201171 Acórdão n.º 3302004.315 S3C3T2 Fl. 302 11 Ocorre que no curso processual, foi editada a IN RFB nº 1.096, de 2010, que manteve o prazo de 7 (sete) dias, independentemente do modal do transporte. "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. § 2º Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. § 3º Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana)." (NR) Nesse mister, importa realçar que é princípio assente no seio constitucional o da não retroatividade da lei penal, exceto para beneficiar o réu (art. 5º, XL). O cânone interpretativo fundamental é o de que as leis devem ser interpretadas de acordo com as normas superiores da Constituição. Nesse sentido é importante ressaltar que em sede infraconstitucional, consagra o Código Tributário Nacional CTN no art. 106, abaixo transcrito, a possibilidade de aplicação retroativa da legislação tributária a fatos pendentes nas hipóteses nele elencadas que são: a) lei expressamente interpretativa e; b) tratandose de ato não definitivamente julgado: lei tributária penal que estabeleça penalidade mais branda; que deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; ou deixe de considerar determinado fato como infração. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 307DF CARF MF 12 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; (grifei). c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Com efeito, a matéria objeto da presente lide, poderia se adequar à aplicação do disposto no art. 106 do CTN que estabelece, em caráter excepcional, a eficácia retroativa da lei tributária, ou seja a retroatividade benigna, nos termos da alínea “b” do inciso II do já referido dispositivo legal, no entanto verificase que os prazos foram excedidos em mais de 7 (sete) dias à data do embarque, impossibilitando assim a aplicação retroatividade benigna. Da prova imperfeita da infração cometida em razão de indisponibilidades do Siscomex Destaca a Recorrente: A despeito de todo o alegado nos parágrafos acima, há de se ressaltar que não existe PROVA de que os REGISTROS efetuados pela Recorrente se deram a destempo. pois o Siscomex inegavelmente possui falhas técnicas que impedem a armazenagem das tentativas de registro por parte da Transportadora e, ainda, geram sua indisponibilidade por horas, ou mesmo dias, impedindo o registro de informações das mercadorias procedentes do exterior, não podendo a Recorrente arcar com pesadas multas em virtude de atrasos aos quais não deu causa.(grifos do original). Verificase da planilha de fl. 11 que os dados da data de embarque relativos aos respectivos DDE, correspondem aos dias: 28/10/2008 e 30/10/2008, no entanto as supostas falhas e indisponibilidades do Siscomex apresentados no recurso não correspondem ao dias de embarque selecionados, que ensejaram o lançamento, tampouco o prefixo da aeronave. Ante o exposto, VOTO POR CONHECER PARCIALMENTE O RECURSO VOLUNTÁRIO; NA PARTE CONHECIDA, REJEITAR AS PRELIMINARES SUSCITADAS E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.722381/2014-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º).
Sanada a falta apontada pela Autoridade lançadora, devem ser aceitos os recibos comprobatórios das despesas.
Numero da decisão: 2202-003.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º). Sanada a falta apontada pela Autoridade lançadora, devem ser aceitos os recibos comprobatórios das despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 23 81 /2 01 4- 95 Fl. 69DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 16/22), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2013, ano calendário de 2012, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas com instrução, por falta de previsão legal para dedução de gastos com participação em congresso e de despesas médicas pagas a: 1) UNICRED, no valor de R$ 3.247,00, por não se referir a plano de saúde da própria contribuinte; 2) Angelo Amoedo de Ramos, no valor de R$ 6.000,00, Maria Elizabete Monsores de Lima, no valor de R$ 3.000,00, Julia Canella Amoedo de Ramos, no valor de R$ 3.000,00 e Úrsula Valéria Borges de Vasconcellos, no valor de R$ 5.000,00, todos pelo motivo indicado na "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" como "recibos apresentados não contém o endereço do profissional, requisito exigido pela legislação vigente para sua admissibilidade." Foi apresentada impugnação tempestiva e parcial pois a interessada contestou as glosas de despesas médicas, admitindo que "o plano de saúde foi feito em conjunto com a filha Vanessa Kroeff e declarado pelo valor total, visto não ser descontado na declaração do IR da mesma mas agora devidamente desmembrado". Anexou declaração da Unimed Centro Sul Fluminense com a indicação dos valores pagos por beneficiária do plano de saúde no ano de 2012 (fls. 04) e recibos dos profissionais Angelo Amoedo de Ramos, Maria Elizabete Monsores de Lima, Julia Canella Neta Amoedo de Ramos e Úrsula Valéria Borges de Vasconcellos Alves (fls. 05/08), onde estão declarados seus endereços. Não impugnou a glosa de despesa com instrução e recolheu o IR correspondente. A 20ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 26/29, mantendo a glosa das despesas médicas haja vista que o direito à dedução condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados. No corpo da decisão consta: 6.2 Embora a impugnante em sua peça não tenha contestado diretamente as glosas das demais despesas médicas declaradas, trouxe aos autos (fls. 05/08) os recibos emitidos pelos supostos prestadores dos serviços médicos, recibos estes que não serão aceitos, por não conterem todos os requisitos necessários previstos na legislação. 6.2.1 Deve se observar que os recibos referentes aos profissionais Ângelo Amoedo de Barros (fls. 05), Maria Elizabete Monsores de Lima (fls. 06), Julia Canella Neta Amoedo de Ramos e Úrsula Valéria Borges de Vasconcellos Alves (fls. 08) possuem todos o mesmo padrão, tendo sido emitidos muito provavelmente pela mesma pessoa, sendo que os três primeiros recibos foram inclusive emitidos na mesma data – 09/12/2014. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10073.722381/201495 Acórdão n.º 2202003.875 S2C2T2 Fl. 70 3 6.2.2 Os recibos juntados não contêm todos os requisitos exigidos pela fiscalização tributária, eis que não apresentam a descrição do serviço prestado, nem a data exata em que os mesmos teriam ocorrido. Tampouco são informadas as datas em que supostamente se deram os pagamentos. Ademais, em consulta aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, foi possível apurar que as informações declaradas pelos supostos prestadores de serviços em suas DIRPF não são condizentes com as importâncias constantes nos recibos juntados pela impugnante. Cientificada dessa decisão por via postal em 08/05/2015 (A.R. de fls. 32), a interessada interpôs Recurso Voluntário em 02/06/2015 (fls. 35), insurgindose contra a manutenção da glosa da dedução das despesas médicas e afirmando ter entregue na repartição, novamente, os recibos de despesas médicas que não foram aceitos anteriormente e que geraram a recusa da impugnação, esclarecendo que foram confeccionados por ela própria e devidamente assinados pelos profissionais, constando em todos eles o nome, CPF, endereço onde atuam e respectivos registros profissionais. Outrossim informa que está em processo de requisição de devolução dos impostos pagos nos últimos cinco anos, por ser portadora de moléstia grave que lhe garante a isenção. Anexou às fls. 47/48, Termo de Recepção de Requerimento, com data de protocolo 18/05/2015, onde consta: Atendimento à intimação nº 2014/010300062191, Ref. Termo de Intimação nº 2014/377143771878500, Dossiê nº 10010022912051578. É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. A glosa de R$ 3.247,00, relativa à despesa com plano de saúde da filha da contribuinte não foi objeto do recurso voluntário. Assim, o presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação de comprovantes de despesas médicas pagas pela declarante e que totalizam o valor de R$ 17.000,00. A autoridade lançadora motivou as glosas das despesas médicas na falta de endereço dos profissionais nos recibos apresentados. A contribuinte juntou à sua impugnação quatro recibos assinados pelos profissionais, com a indicação dos endereços faltantes. Em sua decisão, a DRJ não aceitou tais recibos, ao argumento de terem todos o mesmo padrão, provavelmente terem sido emitidos pela mesma pessoa, alguns na mesma data, não apresentarem a descrição dos serviços prestados, nem a data em que prestados, tampouco as datas em que se deram de fato os pagamentos. Traz ainda novo fato qual seja: que em consulta aos sistemas informatizados da RFB foi possível apurar que as declarações Fl. 71DF CARF MF 4 prestadas pelos profissionais em suas DIRPF não são condizentes com as importâncias constantes nos recibos juntados para comprovar as despesas. Em seu recurso a interessada informa ter sido ela mesma quem confeccionou os recibos e colhido as assinaturas dos profissionais e que naqueles recibos constam todos os requisitos exigidos na legislação, o que se comprova da sua leitura. Entendo que, em sede de julgamento da impugnação, descabem novas exigências. No caso, ao levantar dúvidas a respeito dos comprovantes apresentados, a autoridade julgadora, se entendesse necessária a confirmação por meio de cruzamento complementar de informações, exames ou qualquer outro elemento a corroborar a necessidade e efetividade dos serviços prestados pelos profissionais, poderia ter requerido à Autoridade Fiscal que, em procedimento de diligência, intimasse a declarante a apresentálos, mas isso não ocorreu. Assim, neste ponto, a decisão de primeira instância careceu de motivação. A Autoridade lançadora não aceitou os recibos que lhe foram apresentados devido à falta do endereço dos profissionais e não indicou qualquer outro vício. Vejase que a autoridade lançadora examinou recibos e provas que não estão nos autos, pois o dossiê fiscal não foi anexado. No entanto, julgo desnecessária a juntada do dossiê pois com os elementos dos autos foi possível formar minha convicção. Os recibos trazidos pela interessada quando da impugnação, o foram com o fito de sanar a falta do endereço dos profissionais. Uma vez sanada a falta do endereço, devem ser aceitos os recibos comprobatórios das despesas. Deste modo, com base nas provas apresentadas, há que se restabelecer a dedução a título de despesas médicas, no valor de R$ 17.000,00. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 10120.902748/2011-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.332
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente CIAASA MERCANTIL DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 48 /2 01 1- 05 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10120.902748/201105 Acórdão n.º 3301003.332 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 03050.597. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10120.902748/201105 Acórdão n.º 3301003.332 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10120.902748/201105 Acórdão n.º 3301003.332 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10120.902748/201105 Acórdão n.º 3301003.332 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10120.902748/201105 Acórdão n.º 3301003.332 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 180DF CARF MF
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