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Numero do processo: 10245.900326/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Data do Fato Gerador: 31/03/2003
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.551
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 31/03/2003 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 65 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 66 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 01195.52888.070906.1.7.045241, na qual foi utilizado crédito de R$ 19,24, apurado em recolhimento de CSLL (código 2372), realizado em 30/04/2003 e relativo à apuração de 31/03/2003. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2372, do período de apuração de 31/03/2003. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 34/36) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 67 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 43 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 44/57 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 68 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 69 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 70 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte alegou, em sua impugnação, que teria informado, em DIPJ, apuração de CSLL em valor inferior ao recolhimento de R$ 37.415,41, confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 01195.52888.070906.1.7.045241. Embora tenha juntado à sua defesa cópia da apuração de outro período, confirmase nos sistemas informatizados da Receita Federal que, no período indicado na DCOMP, constou de declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1276351, a apuração de CSLL incidente sobre o Lucro Presumido no valor de R$ 36.432,56. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de CSLL no valor de R$ 982,85, utilizado parcialmente na compensação aqui tratada. Relevante anotar que tal indébito foi também utilizado na DCOMP nº 37040.56080.070906.1.7.048548 (processo administrativo nº 10245.900235/200921), pelo valor de R$ 963,62, o qual, somado ao indébito aqui utilizado (R$ 19,24), não supera o pagamento a maior verificado pela diferença entre o débito informado na DIPJ Retificadora (R$ 36.432,56) e o valor principal recolhido (1 quota(s) de R$ 37.415,41). Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 71 8 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 72 9 quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 73 10 Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 74 11 §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 75 12 expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 76 13 apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 77 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 78 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 79 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900326/200966 Acórdão n.º 110100.551 S1C1T1 Fl. 80 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 82DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10675.902719/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1999
SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO.
Provado nos autos do processo que o contribuinte, antes mesmo da decisão da DRF, já promovera a retificação de sua DIPJ em que, equivocadamente, não fizera constar o saldo negativo de IRPJ, mostra-se equivocada a decisão que indefere o seu pleito ao argumento de impossibilidade de retificação da DIPJ e da falta de prova de seu direito, mormente tendo a contribuinte acostado aos
autos do processo informes de fontes retentoras dando conta da origem do saldo negativo.
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
No momento da prolação da decisão que não homologou duas compensações
analisadas nos autos, já havia passado o prazo de 5 anos, ocorrendo, portanto,
a homologação tácita da compensação.
Recurso conhecido e provido.
Compensação homologada.
Numero da decisão: 1201-000.554
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Provado nos autos do processo que o contribuinte, antes mesmo da decisão da DRF, já promovera a retificação de sua DIPJ em que, equivocadamente, não fizera constar o saldo negativo de IRPJ, mostrase equivocada a decisão que indefere o seu pleito ao argumento de impossibilidade de retificação da DIPJ e da falta de prova de seu direito, mormente tendo a contribuinte acostado aos autos do processo informes de fontes retentoras dando conta da origem do saldo negativo. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. No momento da prolação da decisão que não homologou duas compensações analisadas nos autos, já havia passado o prazo de 5 anos, ocorrendo, portanto, a homologação tácita da compensação. Recurso conhecido e provido. Compensação homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10675.902719/200863 Acórdão n.º 120100.554 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Regis Magalhães Soares Queiroz, Rafael Correia Fuso e João Bellini Junior. Relatório Tratase de Pedido de Compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ do períodobase de 1999. A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico em 19.01.2009, no qual não homologa a compensação pleiteada, sob o argumento de inexistência do crédito. O contribuinte foi cientificado em 04.02.2009. A empresa apresentou manifestação de inconformidade em 05.03.2009, na qual alega que errou ao preencher a DIPJ do anocalendário 1999, que foi retificada em 23/04/2008. Vejamos os argumentos apresentados: Ocorre que ao entregar a DIPJ do ano base 1999, a Requerente não preencheu corretamente a ficha 13A, ao não apontar o valor do crédito apurado no referido período base, vindo a fazêlo mediante entrega de DIPJ retificadora em 23/04/08. Desta feita a composição do saldo de crédito da Requerente ficou assim apontada na DIPJ, ficha 13A: Total do imposto retido no ano R$ 69.736,56 (...) Apesar do ocorrido acima, a Requerente, tempestivamente já tinha apresentado as PER/DCOMP's (doc. 06) para aproveitamento do crédito a que tinha direito. Alega ainda que presta serviços de limpeza urbana para o Município de Uberlândia, emitindo este anualmente a DIRF (declaração de imposto de renda na fonte) trazendo esta todas as informações necessárias que comprovam as retenções que originaram o crédito ora discutido. Portanto, não restam dúvidas que a Secretaria da Receita Fazendária teria outros mecanismos para legitimar o crédito da Requerente, bastando para tanto uma breve pesquisa em sua base de dados. Neste contexto, mediante consulta aos registros Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10675.902719/200863 Acórdão n.º 120100.554 S1C2T1 Fl. 4 3 da DIRF (declaração de imposto de renda na fonte) teria o referido órgão verificado a existência de informação relativa aos valores retidos da Requerente pelo Município de Uberlândia no montante já falado de R$ 69.736,56. Assim sendo, não só via DIPJ se obtém as informações dos créditos ora discutidos. Considerando que na DIPJ original entregue não existiu apontamento de débito de imposto, com certeza o valor retido pelo Município de Uberlândia tornouse crédito para a Requerente. (...) A DRJ de Juiz de Fora indeferiu a manifestação de inconformidade, por considerar que o crédito deve estar identificado e declarado na data da transmissão da DCOMP. Vejamos a ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO O crédito objeto de compensação tem que estar disponível na data de transmissão da DCOMP. Solicitação Indeferida Em breve resumo, os fundamentos utilizados na decisão estão abaixo transcritos: Com fulcro no parágrafo 14°, do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que prevê que "a Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação", foi emitida a Instrução Normativa SRF n° 210/2002, cujo artigo 28 estabelece que "na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação" (grifei). Tal Instrução Normativa foi revogada pela de n° 460/2004, que por sua vez foi revogada pela de n° 600/2005, que mantêm a mesma determinação também no artigo 28. Assim não resta dúvidas de que a compensação se dá na data da transmissão da DCOMP, sendo que nessa data não existia crédito declarado. Participou do julgamento em primeira instância o ilustre Conselheiro desse E. Tribunal, Dr. Marcelo Cuba Netto. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10675.902719/200863 Acórdão n.º 120100.554 S1C2T1 Fl. 5 4 A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 02/06/2009. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário, em 30 de junho de 2009, alegando em síntese que: Presta serviços de limpeza urbana para o Município de Uberlândia, emitindo este anualmente a DIRF (declaração de imposto de renda na fonte) trazendo esta todas as informações necessárias que comprovam as retenções que originaram o crédito ora discutido; Portanto, não restam dúvidas que a Secretaria da Receita Fazendária teria outros mecanismos para legitimar o crédito da Requerente, bastando para tanto uma breve pesquisa em sua base de dados. Neste contexto, mediante consulta aos registros da DIRF (declaração de imposto de renda na fonte) teria o referido órgão verificado a existência de informação relativa aos valores retidos da Requerente pelo Município de Uberlândia no montante já falado de R$ 69.736,56. Assim sendo, não só via DIPJ se obtém as informações dos créditos ora discutidos; Considerando que na DIPJ original entregue não existiu apontamento de débito de imposto, com certeza o valor retido pelo Município de Uberlândia tornouse crédito para a Requerente; Nos termos do art. 151, III do Código Tributário Nacional (CTN) a presente Manifestação de Inconformidade suspende a exigibilidade do crédito objeto da compensação, confOrme a dicção do art. 74, § 11 da Lei 9.430/96; Traz o artigo 74 da Lei 9430/96 que caso o contribuinte apure créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, passíveis de restituição ou ressarcimento, poderá utilizálos na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil; No § 1° do mesmo dispositivo, exigese que a compensação deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constará informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados como consta nas Perdcomp's que não foram homologadas pela Receita Federal do Brasil no despacho decisório em anexo; Alega ainda a desproporcionalidade da penalidade interposta, destacando que o aplicador do direito deve obedecer o disposto no artigo 112 do CTN; Afirma também que produziu provas necessárias de que não se deu o inadimplemento, não devendo, portanto ser aplicada a sanção imposta no despacho decisório, porque não consubstanciado o suporte fático do dispositivo legal que a comina; Ademais, afirma que resta claro conforme a documentação em anexo que houve crédito na DIPJ do período de 01/01/1999 a Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10675.902719/200863 Acórdão n.º 120100.554 S1C2T1 Fl. 6 5 31/12/1999, sendo o mesmo utilizado segundo as informações constantes das Perdcomp's entregues. Por fim, pleiteia: a) Seja reconhecido como válido o crédito, ou seja, está embasado em informações da DIRF (declaração de imposto de renda na fonte), informe de rendimentos da fonte pagadora (Município de Uberlândia) e finalmente na DIPJ retificadora; b) Seja considerado tempestivo a entrega das PER/DCOMPs, ou seja, dentro do limite dos cinco anos para compensação, conforme tratado em lei (cinco anos a partir da data da entrega da DIPJ); c) Se for o entendimento que deva ser cobrada alguma multa pelo descumprimento de alguma obrigação acessória, isto é, a entrega intempestiva da DIPJ retificadora, que esta seja aplicada segundo os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Juntou em seu Recurso cópia da DIRF do períodobase de 1999, entregue pela Prefeitura de Uberlândia, onde aponta as retenções de IRRF. Este é o Relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Entendo que assiste razão o Recorrente! Em atenção ao princípio da verdade material, fora traduzida em linguagem competente nos autos o saldo negativo usado pelo contribuinte em sua compensação. A despeito do erro de identificação de informação do valor do crédito na ficha 13A da DIPJ de 2000, tal erro foi corrigido pelo contribuintes antes mesmo da prolação que qualquer decisão de não homologação do pedido de compensação. Ratificase o direito do contribuinte quanto ao crédito na medida em que a Receita Federal do Brasil, desde 2001, com a entrega da DIRF pela Prefeitura de Uberlândia, possui em seu sistema os dados da retenção do IRRF feito pela Municipalidade em relação aos pagamentos incorridos à Recorrente, fato esse confirmado com a apresentação da referida declaração à fl. 154 dos autos. Nestes termos, entendo que em razão das provas trazidas nos autos, a Recorrente possui direito ao crédito declarado na DIPJ retificadora. Faço uso do entendimento exposto na jurisprudência desse E. Conselho quanto à matéria: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10675.902719/200863 Acórdão n.º 120100.554 S1C2T1 Fl. 7 6 Número do Recurso:143902 Câmara:PRIMEIRA CÂMARA Número do Processo:13896.000475/9988 Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO Matéria:IRF Recorrente:BOSTON ADMINISTRAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA. Recorrida/Interessado:7ª TURMA/DRJSÃO PAULO/SP I Data da Sessão:28/04/2006 00:00:00 Relator:Caio Marcos Cândido Decisão:Acórdão 10195523 Resultado:DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Ementa:IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA – AC 1998 DIPJ RETIFICAÇÃO – sendo procedida a retificação da DIPJ antes da instauração da lide administrativa, os elementos nela constante devem dar base à análise do pleito de restituição apresentado. RESTITUIÇÃO – IRRF – provada a retenção de imposto de renda retido na fonte e resultando ao final do exercício saldo de imposto a restituir, é cabível sua restituição ao contribuinte. COMPENSAÇÃO – COMPETÊNCIA – reconhecido o direito creditório objeto da presente lide administrativa, cabe à autoridade tributária da Unidade Local da SRF do domicílio fiscal do contribuinte a manifestação quanto aos pedidos de compensação dele decorrentes. (negritamos) Número do Recurso:149749 Câmara:SÉTIMA CÂMARA Número do Processo:12155.000041/0068 Tipo do Recurso:VOLUNTÁRIO Matéria:CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Recorrente:COMPANHIA AGRÍCOLA DO ACARÁ COACARÁ Recorrida/Interessado:1ª TURMA/DRJBELÉM/PA Data da Sessão:14/06/2007 00:00:00 Relator:Natanael Martins Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 10675.902719/200863 Acórdão n.º 120100.554 S1C2T1 Fl. 8 7 Decisão:Acórdão 10709089 Resultado:DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão:Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para afastar o indeferimento à retificação da declaração e determino o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento para prosseguimento na apreciação do mérito Ementa:IRPJ – SALDO NEGATIVO – RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO – ALEGAÇÃO DE FALTA COMPROVAÇÃO – IMPROCEDÊNCIA DO DECISUM – Provado nos autos do processo que a contribuinte, antes mesmo da decisão da DRF, já promovera a retificação de sua DIPJ em que, equivocadamente, não fizera constar o saldo negativo de IRPJ, mostrase equivocada a decisão que indefere o seu pleito ao argumento de impossibilidade de retificação da DIPJ e da falta de prova de seu direito, mormente tendo a contribuinte acostado aos autos do processo informes de fontes retentoras dando conta da origem do saldo negativo. (gritamos) E mais, cumpre destacar que no momento da prolação da decisão que não homologou a compensação, nos PER/DCOMPS juntados às fls. 122 e 133, haviam passados 5 anos contados da entrega da DCOMP, ocorrendo, portanto, a homologação tácita dessas compensações, não podendo o fisco impedir a compensação de credito tributário já extinto. Diante do exposto, CONHEÇO DO RECURSO, para no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 11050.000996/2002-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997, 31/10/1997,
30/11/1997, 31/12/1997
PIS. COMPENSAÇÃO. LEI No 8.383, DE 1991. EFETUAÇÃO. MEIO.
A compensação prevista no art. 66 da Lei no 8.383, de 1991, era realizada
pelo sujeito passivo no âmbito do lançamento por homologação e, para
produzir efeitos, teria que ser realizada em sua escrituração.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.090
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros
Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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COMPENSAÇÃO. LEI No 8.383, DE 1991. EFETUAÇÃO. MEIO. A compensação prevista no art. 66 da Lei no 8.383, de 1991, era realizada pelo sujeito passivo no âmbito do lançamento por homologação e, para produzir efeitos, teria que ser realizada em sua escrituração. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11050.000996/200254 Acórdão n.º 330201.090 S3C3T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de retorno de diligência, aprovada pela Resolução no 20100.693, de 20 de junho de 2007, a antiga Primeira Turma do 2o Conselho de Contribuintes (fls. 105 a 109), cujo relatório foi o seguinte: Tratase recurso voluntário (fls. 40 a 50) apresentado em 18 de novembro de 2005 contra o Acórdão 6.458, de 15 de setembro de 2005, da DRJ em Porto Alegre / RS (fls. 35 a 37), que considerou procedente em parte auto de infração de DCTF de PIS dos períodos de julho a dezembro de 1997. A interessada tomou ciência do acórdão em 20 de outubro de 2005. O auto de infração foi lavrado em 7 de junho de 2002 e, segundo o termo de verificação fiscal (fls. 5 a 8), não teria sido confirmado o direito de crédito decorrente do processo judicial vinculado à compensação (94.10024285) declarada. Da fl. 18, constou cópia de certidão de objetoepé, segundo a qual a medida liminar teria sido denegada, mas a sentença teria posteriormente concedido a segurança, relativamente à exigência do PIS nos termos dos DecretosLeis n. 2.445 e 2.449, de 1988. Segundo a DRJ, o interessado não teria demonstrado o direito de crédito que daria respaldo às compensações informadas em DCTF, razão pela qual o lançamento seria procedente. Entretanto, com a edição da Medida Provisória nº 135, de 2003, com a redação dada pela Lei n. 11.051, de 2004, a multa de ofício, no caso de declaração em DCTF, teria deixado de existir, cabendo a redução da multa para o percentual de 20%, em face do disposto no art. 106, II, c, do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172, de 1966). No recurso, o interessado alegou que ingressou com mandado de segurança contra a exigência do PIS nos moldes instituídos pelos decretoslei declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, tendo o Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirmado a sentença no processo 96.04.037820. Nos termos da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, teria efetuado “diretamente” as compensações efetuadas e as informado em DCTF. Segundo o recorrente, o acórdão de primeira instância teria partido de premissas equivocadas para manter o lançamento, uma vez que a informação contida na DCTF no item “medida judicial” não se referiria a “medida liminar” que autorizasse a compensação, mas a decisão definitiva “que criava um crédito tributário decorrente de todo e qualquer pagamento indevido do Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11050.000996/200254 Acórdão n.º 330201.090 S3C3T2 Fl. 3 3 PIS efetuado pela Recorrente e calculado com base nos DL’s (...)”. Assim, as informações constantes da certidão juntada aos autos seriam incompletas. Ademais, o auto de infração recebido imputava a falta de recolhimento ou pagamento principal e declaração inexata, tendo assim apresentado apenas a justificativa de que não haveria efetuado o pagamento em razão da compensação. Teria, assim, restado “ferido o ‘Princípio da Objetividade da Ação Fiscal’, no qual o contribuinte, sob ação fiscal, tem o direito de expor suas razões desde o início do procedimento fiscal, a fim de que não seja pego de surpresa, ao final do processo, depois do fato consumado”, e violada a segurança jurídica e a busca da verdade material. Citou vários autores da doutrina e ementas de decisões administrativas. Instruíram o recurso as cópias de Darf de fls. 52 a 82, demonstrativos de fls. 84 a 86 e demais documentos. A diligência foi realizada nas fls. 112 a 312 seu resultado resumido nas fls. 313 e 314: No dia 22/03/2010, a empresa atendeu, de forma parcial, a Intimação Fiscal através de Declaração, fls. 113, apresentando planilhas mensais de apuração de PIS, FINSOCIAL e COFINS referente ao período solicitado. Diante de tal informação, realizamos diligência no estabelecimento da empresa com vistas l a constatar a veracidade dos dados contábeis apresentados nas planilhas em comparação com os Livros Diários. Cabe destacar que a empresa só dispunha dos Livros Diários como elementos contábeis para a apuração da base de cálculo, o que só podemos constatar através dos Balanços Patrimoniais, tendo em vista que no período de janeiro de 1990 a dezembro de 1993, os Livros Diários não eram escriturados através de balancetes mensais, fato que só ocorreu a partir de janeiro de 1994. Desta forma, para o período de janeiro de 1990 a dezembro de 1990, o que se pode apurar a partir dos elementos apresentados pela empresa, são os valores referentes à Receita Operacional Bruta constante dos Balanços Patrimoniais, fls. 269 a 278. Ou seja, no curso do período supramencionado, somente podese apurar, para efeito de base de cálculo, o valor anual, o que restou prejudicada qualquer análise mensal com vistas a apurar a base de cálculo neste período. Já no curso do período que compreende de janeiro de 1994 a outubro de 1995, a empresa apresentou os balancetes correspondentes, fls. 279 a 284. Assim sendo, a partir desses Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11050.000996/200254 Acórdão n.º 330201.090 S3C3T2 Fl. 4 4 elementos contábeis podese apurar a nova base de cálculo, de forma mensal. Há que se destacar que para efeito de base de cálculo relativo ao Faturamento, foram deduzidas as contas contábeis de Devolução de Vendas e Vendas para Exportação. Diante de todo o exposto e, com base nos Livros, nos Balanços Patrimoniais e Balancetes apresentados pela interessada, no curso do período de janeiro de 1990 a outubro de 1995, constatamos que a base de cálculo, conforme apuração, a partir das planilhas apresentadas pela interessada, em confronto com a Conta Contábil "OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS", confere com as planilhas constantes do presente processo, fls. 84 a 86. Por derradeiro, cabe ainda destacar que na intimação fiscal datada de 15/03/2010, foi solicitado ao contribuinte que apresentasse cópia a petição inicial, fato que não ocorreu até o fim desta Diligência, tendo a interessada apresentado apenas as cópias da Sentença do Tribunal Regional Federal 4a Região(Recurso) e da Sentença da Justiça Federal. Com isso, cientifico o contribuinte do resultado da diligência e do Recurso interposto n° 132.526, reabrindo o prazo para impugnação(30 dias) conforme dispõe o art.18, §3° do Decreto n° 70.235, 06/03/1972, com redação dada pelo art. 1 0 da lei n° 8.748/1993. Cientificada do relatório, a Interessada apresentou a resposta de fl. 316, informando juntar aos autos a cópia da petição inicial requerida na diligência (fls. 317 a 324). É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, a Interessada vinculou nas DCTF os débitos dos períodos de abril a junho de 1997 a compensação sem Darf com suposta autorização no processo judicial no 94.10024285. Entretanto, os sistemas da RFB não confirmaram os valores declarados. Entretanto, a segurança teria sido concedida e as compensações teriam sido realizadas como forma de extinção do crédito tributário e não apenas suspensão, à vista do trânsito em julgado da ação. Ainda conforme o relatório, “na impugnação, deveria o contribuinte demonstrar o direito alegado, especialmente no que concerne à realização escritural da compensação e à apuração do direito de crédito”, uma vez a declaração foi efetuada incorretamente. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11050.000996/200254 Acórdão n.º 330201.090 S3C3T2 Fl. 5 5 Por tais razões, aprovouse a diligência, basicamente para se saber o que foi objeto da ação judicial e se as compensações foram realizadas contabilmente. Segundo a cópia de petição judicial apresentada pela Interessada (fls. 317 e seguintes), a Interessada requereu a declaração de inconstitucionalidade “dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88 e reconhecendo o direito liquido e certo de a Impetrante não se sujeitar às contribuições ao PIS por eles determinadas, e, sim, às previstas na Lei Complementar n° 7/70.” Constatase, assim, que a ação não se referiu a autorização para compensação, mas apenas para declaração de inexistência de relação jurídica em relação aos Decretoslei no 2.445 e 2.449, de 1988, em que a Interessada pretendeu apenas deixar de recolher o PIS sob a sistemática criada pelos decretoslei. Entretanto, obtida a declaração, é claro que a Interessada poderia realizar as compensações com base no art. 66 da Lei no 8.383, de 1991, desde que obedecesse à forma legal. Daí a realização da diligência. A ação fiscal iniciouse pela intimação de fl. 112, em que a Interessada foi intimada a comprovar o direito de crédito alegado e a realização das compensações. Na fl. 113, apresentou “planilhas mensais” de apuração, seguindose novas intimações. As decisões judiciais apresentadas referiramse a uma ação cível que discutia o Finsocial. Os documentos contábeis referiramse a períodos da apuração do crédito (até 1995). Conforme destacado pelo acórdão de primeira instância, a Interessada juntou o documento “declaração de ausência de receita e de compensação efetuada” (fl. 19), o que “não tem o condão de extinguir os débitos em questão, uma vez que sequer houve a comprovação da efetiva entrega dessas declarações à SRF, bem como por não ter ocorrido homologação expressa ou tácita por parte da SRF, procedimento necessário para que haja a extinção de débitos compensados.” Portanto, a compensação não foi realizada contabilmente. Nesse contexto, reproduzse o que já havia sido fundamentado na resolução: Nos casos de compensação, havia, à época dos fatos, duas formas de vincular os créditos tributários aos créditos do sujeito passivo. Na modalidade de compensação com Darf, o contribuinte deveria vincular os Darf recolhidos, relativamente à parcela do recolhimento efetuada a maior. Na modalidade de compensação sem Darf, deveria vincular os créditos com um número de processo administrativo, em que seria apurada a parcela do recolhimento efetuado a maior, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Em ambos os casos, a compensação seria realizada de acordo com o disposto na Lei n. 8.383, de 1991, art. 66, e Instrução Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11050.000996/200254 Acórdão n.º 330201.090 S3C3T2 Fl. 6 6 Normativa SRF nº 21, de 1997, que regulamentaram a compensação entre créditos e débitos de tributos da mesma espécie e destinação constitucional. Nos termos de entendimento pacífico do Superior Tribunal de Justiça, a referida compensação seria efetuada pelo próprio sujeito passivo, no âmbito do lançamento por homologação, independentemente de pedido ou autorização da autoridade fiscal, ficando sujeita à posterior fiscalização. No caso dos autos, a fiscalização ocorreu dentro dos limites do que foi informado à Secretaria da Receita Federal pelo contribuinte. Nesse contexto, não houve violação alguma do devido processo legal, uma vez que o auto de infração originouse das informações prestadas pelo próprio contribuinte, de quem passou a ser o ônus da prova dos fatos e do direito. Assim, na impugnação, deveria o contribuinte demonstrar o direito alegado, especialmente no que concerne à realização escritural da compensação e à apuração do direito de crédito. Corroborando o que foi acima afirmado, o entendimento do STJ é o seguinte: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINSOCIAL (LEI 7.689/1988). CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS (LC 70/1991). COMPENSAÇÃO (LEI 8.383/1991): POSSIBILIDADE. EMBARGOS RECEBIDOS. I Os valores recolhidos a titulo de contribuição para o Finsocial, cuja exação foi considerada inconstitucional pelo DTF (RE 150.7641), são compensáveis diretamente pelo contribuinte com aqueles devidos a conta de Cofins, no âmbito do lançamento por homologação. Precedente: EREsp 78.301/BA, relator ministro Ari Pargendler, 1a Seção, julgado em 11/12/1996. II Tributos, cujo crédito se constitui através de lançamento por homologação, como no caso, são apurados em registros do contribuinte, devendo ser considerados líquidos e certos para efeito de compensação a se concretizar independentemente de previa comunicação a autoridade fazendária (CF/1988 art. 2o da IN/SRF 67/1992), cabendo a essa a fiscalização do procedimento. III Embargos recebidos. (EREsp 89038 / BA, Ministro Adhemar Maciel, 23 abr 1997, DJ 30 jun 1997, p. 30825) Portanto, a compensação do art. 66 da Lei no 8.383, de 1991, era realizada pelo próprio sujeito passivo, no âmbito do lançamento por homologação, por meio de seu lançamento na escrita contábil. Realizada contabilmente a compensação, o Fisco teria o prazo de cinco anos para discordar, sob pena de ocorrer a sua homologação. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 11050.000996/200254 Acórdão n.º 330201.090 S3C3T2 Fl. 7 7 Entretanto, por todo o exposto, verificase que, de fato, a compensação não ocorreu. Portanto, conforme a acusação fiscal inicial, inexistiu a extinção dos créditos tributários por compensação, implicando sua exigência por meio de auto de infração. Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003411/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
OMISSÃO NA CONTABILIZAÇÃO DE FATOS GERADORES EM TÍTULOS PRÓPRIOS. INFRAÇÃO.
Ao deixar de contabilizar os fatos geradores de contribuições previdenciárias na sua contabilidade, a empresa incorre em infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE
Os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo para quitação das
contribuições devidas não pode ser direcionados para satisfação de crédito fiscal constituído para imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória.
ARBITRAMENTO. ALEGAÇÃO NÃO RELACIONADA AO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não tendo se verificado na espécie a adoção de arbitramento do tributo, não há de se apreciar essa alegação recursal.
FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA.
Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu
embasamento ao Auto de Infração, com indicação da conduta, do dispositivo infringido e dos parâmetros para fixação da penalidade, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada
apresenta para afastar as conclusões da Auditoria.
APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A
LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos,
sob a justificativa de que afrontam a Constituição.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA.
INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE
FALTA DE MOTIVAÇÃO.
O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão
do lançamento pelo autuado.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide.
JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.957
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; II) rejeitar a preliminar de nulidade e indeferir os pedidos para realização de perícia técnica e análise contábil; e III) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 OMISSÃO NA CONTABILIZAÇÃO DE FATOS GERADORES EM TÍTULOS PRÓPRIOS. INFRAÇÃO. Ao deixar de contabilizar os fatos geradores de contribuições previdenciárias na sua contabilidade, a empresa incorre em infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo para quitação das contribuições devidas não pode ser direcionados para satisfação de crédito fiscal constituído para imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória. ARBITRAMENTO. ALEGAÇÃO NÃO RELACIONADA AO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não tendo se verificado na espécie a adoção de arbitramento do tributo, não há de se apreciar essa alegação recursal. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu embasamento ao Auto de Infração, com indicação da conduta, do dispositivo infringido e dos parâmetros para fixação da penalidade, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado
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INFRAÇÃO. Ao deixar de contabilizar os fatos geradores de contribuições previdenciárias na sua contabilidade, a empresa incorre em infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Os recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo para quitação das contribuições devidas não pode ser direcionados para satisfação de crédito fiscal constituído para imposição de multa por descumprimento de obrigação acessória. ARBITRAMENTO. ALEGAÇÃO NÃO RELACIONADA AO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não tendo se verificado na espécie a adoção de arbitramento do tributo, não há de se apreciar essa alegação recursal. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INOCORRÊNCIA. Uma vez que o Fisco trouxe aos autos toda a documentação que deu embasamento ao Auto de Infração, com indicação da conduta, do dispositivo infringido e dos parâmetros para fixação da penalidade, não se justifica a alegação de falta de comprovação da ocorrência dos fatos geradores e de irregular inversão do ônus da prova, mormente quando o contribuinte nada apresenta para afastar as conclusões da Auditoria. APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS CONFORME A LEGISLAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa e dos juros legalmente previstos, sob a justificativa de que afrontam a Constituição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 LANÇAMENTO QUE CONTEMPLA A DESCRIÇÃO DOS FATOS APURADOS NA AÇÃO FISCAL, DOS DISPOSITIVOS LEGAIS INFRINGIDOS E DA CAPITULAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA OU DE FALTA DE MOTIVAÇÃO. O fisco ao narrar os fatos verificados, a norma violada e a base legal para aplicação da multa, fornece ao sujeito passivo todos os elementos necessários ao exercício do seu direito de defesa, não havendo o que se falar em prejuízo ao direito de defesa ou falta de motivação do ato, mormente quando os termos da impugnação permitem concluir que houve a prefeita compreensão do lançamento pelo autuado. REQUERIMENTO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica quando esta não se mostrar útil para a solução da lide. JUNTADA DE DOCUMENTOS APÓS O PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE HIPÓTESES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. INDEFERIMENTO. Serão indeferidos os pedidos para apresentação de provas após o prazo para impugnação, quando não comprovada a ocorrência de hipótese normativa que faculte tal permissão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de decadência; II) rejeitar a preliminar de nulidade e indeferir os pedidos para realização de perícia técnica e análise contábil; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003411/200918 Acórdão n.º 240101.957 S2C4T1 Fl. 158 3 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 Relatório O lançamento Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.194.8789 lavrado contra a empresa acima identificada, com data de lavratura em 13/07/2009 e cuja penalidade aplicada importou no valor de R$ 13.291,66 (treze mil e duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). A lavratura em questão diz respeito a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória que, nos termos do Relatório Fiscal da Infração, fl. 77, decorreu da conduta da empresa de deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias passíveis de descontos e as contribuições da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados. Asseverase que os registros contábeis da remuneração foram efetuados em valores inferiores aqueles efetivamente pagos. Para comprovar suas alegações, o Fisco indicou que foram acostadas por amostragem nos autos do processo n.º 10.950.003407/200950 cópias de folhas e recibos de pagamento não contabilizados. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 78, indica a fundamentação legal para aplicação da penalidade e os critérios utilizados para a sua gradação, onde se consignou a inexistência de circunstâncias agravantes ou atenuantes durante a ação fiscal. A impugnação Cientificada da autuação em 27/07/2009, a empresa ofertou impugnação, fls. 80/97, na qual em síntese alegou que: a) estão decadentes os créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 27/06/2004; b) a infração inexistiu, por conseguinte, o presente AI não pode prosperar; c) foi aplicada a multa com base no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, no patamar de 75%, a qual assume nítido caráter confiscatório, além de que o art. 32A da Lei n.º 8.212/1991 instituiu o limite de 20% para a multa punitiva; d) devese observar na espécie a aplicação da legislação mais benigna ao sujeito passivo; e) também é inconstitucional a aplicação da taxa SELIC para fins tributários; f) a aplicação de penalidades tributárias não pode ferir princípios constitucionais e específicos do Direito Tributário; g) o Fisco é que tem o dever de provar suas alegações, não sendo lícito querer que o contribuinte venha a produzir provas em seu favor; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003411/200918 Acórdão n.º 240101.957 S2C4T1 Fl. 159 5 h) devem ser compensados todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte; i) para se chegar a uma conclusão segura sobre a contenda, fazse necessária à realização de prova pericial, pelo que indica o assistente da perícia e formula os quesitos. Ao final, requer a utilização de todos os meios de prova em direito admitidas e a concessão de prazo para que possa apresentar considerações sobre a documentação acostada pela Auditoria. A decisão de primeira instância A DRJ em Curitiba (PR), fls. 126/133, declarou procedente a autuação em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 AIOA 37.194.8789 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento de multa pecuniária pelo descumprimento de obrigação acessória não cabe se falar em lançamento por homologação, pelo que a regra decadencial aplicável ao caso é a do artigo 173, I, do CTN. INFRAÇÃO AUTÔNOMA. INEXISTÊNCIA DE DÉBITO. IRRELEVÂNCIA Tratandose de lançamento de multa pelo descumprimento de obrigação acessória autônoma, o inadimplemento da obrigação independe da constatação da existência de débito tributário exigível, sendo devida a penalidade ainda que não haja crédito tributário devido. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA Não é confiscatória a multa exigida nos estritos limites do previsto em lei para o caso concreto, não sendo competência funcional do órgão julgador administrativo apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 A produção da prova pericial só é cabível quando o julgador administrativo entender que seu convencimento necessita da produção desta prova, não configurando seu indeferimento cerceamento do direito de defesa. MEIOS DE PROVA. Todos os meios de prova admitidos em direito são cabíveis c aceitáveis no Processo Administrativo Fiscal, havendo apenas que se observar as regras do Decreto n° 70.235, de 1972 quanto ao momento de sua apresentação ou formalidade para sua produção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recurso A empresa interpôs recurso voluntário, fls. 138/154, no qual alega, em apertada síntese, que: a) embora a apuração do crédito tenha se dado por arbitramento, o Fisco não conseguiu demonstrar qualquer irregularidade que justificasse o procedimento; b) estão decadentes os créditos relativos a fatos geradores ocorridos antes de 27/07/2004; c) não ficou demonstrada de forma robusta a existência dos fatos geradores supostamente não contabilizados, nem declarados em GFIP; d) inexiste espaço para aplicação de multa, haja vista que não se detectou irregularidade que pudesse dar azo à sanção; e) mesmo que se pudesse aplicála, a multa não pode ultrapassar o patamar de vinte por cento, sob pena de se afrontar a Constituição Federal, além de que devese observar a multa mais benigna ao sujeito passivo, tendose em conta a ocorrência de alteração legislativa; f) são inconstitucionais a aplicação de multa progressiva e da taxa SELIC; g) devem ser aproveitados na apuração do crédito os recolhimentos efetuados; h) o ônus de provar a existência do crédito é do Fisco, não se podendo inverter esse encargo em desfavor do contribuinte; i) a prova pericial se faz necessária no caso em tela para que se investigue sobre os critérios e de arbitramento e se faça uma análise contábil mais acurada; j) também se deve proporcionar maior lapso temporal para que a empresa possa analisar com esteio na contabilidade as irregularidades apontadas pela Auditoria; Ao final requereu que: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003411/200918 Acórdão n.º 240101.957 S2C4T1 Fl. 160 7 a) seja decretada a nulidade do feito, em razão do patente cerceamento ao seu direito de defesa, devendo ser oportunizada nova fase contenciosa, para que possa comprovar a sua idoneidade financeira e fiscal; b) caso não se entenda pela nulidade, que os autos retornem à primeira instância para realização de prova pericial; c) cancelese o Auto de Infração, posto que nenhuma irregularidade existiu; d) cancelese a multa aplicada posto que a mesma, da forma como foi fixada, fere princípios do Direito Tributário; e) cancelese a multa, pelo fato de não ter havido inadimplência; É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência Alega a recorrente a decadência dos créditos, cujos fatos geradores tenham ocorrido antes de julho de 2004. De acordo com o demonstrativo juntado pelo Fisco, data de 01/2004 a verificação da primeira infração. É cediço que após a edição da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o prazo de que dispõe o fisco para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias passou a ser regido, com efeito retroativo, pelas disposições do Código Tributário Nacional – CTN, posto que o art. 45 da Lei n.º 8.219/1991 foi declarado inconstitucional. Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não só em relação às exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados à fiscalização das contribuições. Diante disso, fixouse a interpretação de que, uma vez ocorrida a infração, teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Assim, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o crédito relativo à penalidade seria o prazo geral de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Não há nessa situação o que se cogitar de aplicação do art. 150, § 4.º, do CTN, uma vez que esse é dirigido apenas ao lançamento por homologação e o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória é um típico caso de lançamento de ofício. Tendose em conta que a empresa tomou ciência da autuação em 27/07/2009, pelo critério acima, a primeira competência em que se verificou a conduta infracional, 01/2004, somente estaria alcançada pela decadência, conforme a contagem pela regra do art. 173, I, do CTN, em 31/12/2009. Assim, não procede a alegação da empresa relativa à ocorrência do prazo decadencial. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003411/200918 Acórdão n.º 240101.957 S2C4T1 Fl. 161 9 Arbitramento Essa alegação não tem sequer pertinência com o AI objeto da lide, uma vez que não se vislumbra na aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória, pelo menos para a situação em destaque, a aplicação do arbitramento do tributo. Da não comprovação da ocorrência dos fatos geradores e da inversão do ônus da prova A Auditoria colacionou farta documentação, que engloba folhas de pagamento, recibos de salário, os quais demonstrou não haverem sido contabilizados. Tal providência atesta a preocupação da Autoridade Fiscal de trazer ao processo todos os elementos que serviram de base para suas conclusões. Nesse sentido, não vejo como acolher a alegação da recorrente de que não teria o Fisco demonstrado a contento a ocorrência dos fatos geradores ou da infração, como se queira chamar. Ainda mais quando se percebe que o sujeito passivo não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse vir em socorro de suas ponderações, mantendose no campo das argumentações desprovidas de elementos comprobatórios. Outro aspecto do recurso que tem vinculação com o anteriormente apontado diz respeito ao argumento de que não seria lícito ao Fisco impor ao sujeito passivo a inversão do onus probandi. Devo repelir essa tese. Na situação sob testilha foram carreados aos processos os elementos que comprovam a ocorrência da infração, os quais pertencem aos documentos da própria empresa, não havendo o que se falar em lavratura fiscal por presunção. Nesse sentido, não merece prosperar também esse argumento, tampouco, pelos mesmos motivos, a alegada nulidade por cerceamento ao direito de defesa da recorrente. Da multa e dos juros aplicados Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 78, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. O argumento de que a multa atingiu o patamar de 75% do tributo devido está em total desacordo com o que revela os autos. Eis as ponderações expressas no Relatório Fiscal da Multa: RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 1. A multa a ser aplicada é a constante da Lei no 8.212, de 24/07/1991, artigos 92 e 102, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n o 3.048, de 06/05/1999, artigo 283, inciso II, alínea "a" e artigo 373. 2. O valor da multa de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), foi autalizado pela PORTARIA INTERMINISTERIAL /GABINETE DO MINISTRO, N o 48, DE 12 DE FEVEREIRO DE 2009. Por outro lado, ao pedir a aplicação da penalidade mais benigna, alegando ter havido alteração legislativa dispondo sob multa menos gravosa, o sujeito passivo demonstrou desconhecimento da legislação aplicável uma vez que no período que medeia o cometimento da falta e o presente julgamento não houve qualquer modificação legal tratando da sistemática de fixação da multa para esse tipo de infração. No que diz respeito à aplicação dos juros moratórios verifico que também seguem a sistemática legal, senão vejamos a Lei n. 8.212/1991: Art. 34 As contribuições sociais e outras importancias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art.13 da Lei n. a 9.065, de 20 de junho de 1.995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Esse entendimento passou a ser adotado também para as multas decorrentes do inadimplemento de obrigação acessória, conforme se pode ver dos termos da Portaria Conjunta RFB/PGFN n. 10, de14/11/2008: Art.1.º. Os créditos constituídos a partir da publicação desta Portaria em decorrência de descumprimento de obrigação acessória relativa às contribuições previdenciárias estão sujeitos aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), a que se refere o art. 13 da Lei n a 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o seu valor. Parágrafo único: O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos dos créditos referidos no caput corresponderá a 1% (um por cento). Forçoso concluir, então, que também não se pode acatar a tese da redução do percentual de juros, uma vez que aplicados em total consonância com a legislação de regência. Quanto ao caráter confiscatório da penalidade, devese ter em conta que, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003411/200918 Acórdão n.º 240101.957 S2C4T1 Fl. 162 11 A própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente, como é o caso da aplicação dos juros e da multa. Compensação dos créditos do contribuinte Tendose em conta a natureza da presente lavratura, não procede o argumento de que haveria recolhimentos não considerados pelo Fisco, quando da apuração fiscal. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 12 Observase que nesse ponto o contribuinte acabou por confundir o que seja lançamento para exigência da obrigação principal, ou seja, do pagamento do tributo, com lançamento para imposição de penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Pedido de Perícia Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de prova pericial, entendo que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida à autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela ocorrência da infração. Realização de análise contábil Requer o contribuinte que lhe seja concedido prazo para a realização de análise contábil acerca das afirmações do Fisco. Não vejo como acolher esse o pleito. A fiscalização teve como base os documentos fornecidos pelo próprio sujeito passivo, que teve todo o prazo de defesa para detectar qualquer incorreção no trabalho de apuração fiscal. Todavia, nada foi apresentado naquela fase processual. Sobre esse tema, o Decreto n. 70.235/1972 determina que os inconformismos do contribuinte contra a exigência fiscal devem ser apresentados por ocasião da impugnação, junto a qual também serão juntados os elementos de prova. Vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4°. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10950.003411/200918 Acórdão n.º 240101.957 S2C4T1 Fl. 163 13 Em obediência a esse comando, deveria o sujeito passivo ter exposto na sua impugnação as possíveis falhas detectadas na verificação fiscal, todavia, não foi adotada a providência. Vejo que agora também no recurso nada é apresentado de concreto, reprisandose a alegação da defesa, portanto, também afasto esse pedido, por entender que o momento processual já não mais permite a juntada de análise contábil ou de qualquer outro documento que não se enquadre nas hipóteses do § 4. do art. 16 do Decreto n. 70.235/1972. Além de que, o AI guerreado não teve como base lançamentos contábeis, mas constatações de falta de inscrição de segurados empregados, as quais foram verificadas do cotejo das folhas e recibos de pagamento com o Livro de Registro de Empregados. Conclusão Diante de todo exposto, voto por conhecer do recurso, por afastar as preliminar de nulidade e decadência, por indeferir os pedidos de perícia técnica e análise contábil e, no mérito, pelo seu desprovimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 14DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10166.721320/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RETENÇÃO. OBRIGAÇÃO DO TOMADOR.
O tomador de serviço executado mediante cessão de mão de obra
deverá reter das notas fiscais/faturas emitidas pelo prestador o percentual de 11% sobre o valor bruto da operação e recolher o valor retido em nome da empresa contratada.
SERVIÇO DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. EXECUÇÃO PELOS SÓCIOS DA EMPRESA PRESTADORA SEM O CONCURSO DE TERCEIROS. DISPENSA DE RETENÇÃO.
Estão dispensados de efetuar a retenção de 11% as empresas tomadoras de serviços relativos a profissões regulamentadas por legislação federal, desde que a execução contratual seja efetuada exclusivamente pelos sócios.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.923
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições decorrentes dos levantamentos P05 (CLINICA DE ANESTESIA SANTA HELENA) para as competências 01 a 07, 09 e 12/2004 e P07 (COB CENTRO DE ORTOP E TRAUMATO) para todas as competências.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RETENÇÃO. OBRIGAÇÃO DO TOMADOR. O tomador de serviço executado mediante cessão de mãodeobra deverá reter das notas fiscais/faturas emitidas pelo prestador o percentual de 11% sobre o valor bruto da operação e recolher o valor retido em nome da empresa contratada. SERVIÇO DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. EXECUÇÃO PELOS SÓCIOS DA EMPRESA PRESTADORA SEM O CONCURSO DE TERCEIROS. DISPENSA DE RETENÇÃO. Estão dispensados de efetuar a retenção de 11% as empresas tomadoras de serviços relativos a profissões regulamentadas por legislação federal, desde que a execução contratual seja efetuada exclusivamente pelos sócios. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições decorrentes dos levantamentos P05 (CLINICA DE ANESTESIA SANTA HELENA) para as competências 01 a 07, 09 e 12/2004 e P07 (COB CENTRO DE ORTOP E TRAUMATO) para todas as competências. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 968DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 969DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10166.721320/200912 Acórdão n.º 240101.923 S2C4T1 Fl. 969 3 Relatório O lançamento Tratase do Auto de Infração AI n.º 37.209.7952, lavrado em nome do contribuinte acima identificado, cujo valor consolidado em 19/06/2009, assumiu o montante de R$ 946.953,94 (novecentos e quarenta e seis mil, novecentos e cinquenta e três reais e noventa e quatro centavos). O crédito diz respeito à contribuição previdenciária que a empresa, na condição de contratante, deveria ter retido das notas fiscais/faturas dos serviços que lhe foram prestados por cessão de mãodeobra. Segundo o Relatório Fiscal, fls. 52/62, os valores apurados não foram descontados das empresas contratadas. O Fisco assevera que os fatos geradores sob referência foram lançados na conta contábil 3.1.2.01.0001 – SERVIÇOS AUTÔNOMOS PESSOAS JURÍDICAS, que se relaciona com o grupo de custos das despesas operacionais do Hospital Santa Helena. Mencionamse ainda os históricos lançados nas notas fiscais, os quais em todos os casos estavam relacionados à prestação de serviços na área médica. Asseverase que a empresa não apresentou todos os contratos de prestação de relativos ao período fiscalizado, mas naqueles em que houve a exibição, o objeto contratado diz respeito à prestação de serviços médicos na especialidade da empresa contratada. Também consta dos ajustes, afirma a Auditoria, que a prestação de serviço seria feita diuturnamente, além de que a contratada estaria obriga a informar à contratante as escalas de serviço. Informa se também que, nos termos dos instrumentos de contrato, os serviços eram executados nas dependências da empresa tomadora. A Auditoria afirma ainda que, mesmo regularmente intimada, a empresa deixou de exibir as escalas de serviço previstas nos contratos, esse fato implicou na lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Ressaltase que a autuada foi intimada, com vistas a verificar a dispensa da obrigação de efetuar a retenção, a apresentar declaração das empresas prestadoras de que os serviços foram executados pelos seus sócios sem o concurso de empregados ou de contribuintes individuais, não apresentou, todavia, o documento para as empresas que especifica. O Fisco sustenta que a prestadora ASSOCIAÇÃO DOS MÉDICOS DO HOSPITAL SANTA HELENA AMHSH não é uma simples intermediária na contratação de serviços médicos, mas, nos termos da legislação previdenciária, deve ser enquadrada como empresa, cuja atividade econômica diz respeito à prestação de serviços na área de saúde. Diante da falta da apresentação das escalas de serviço, aliada a não exibição das declarações acima mencionadas, a Auditoria conclui que os serviços prestados pelas Fl. 970DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 empresas que cita foram realizados com o concurso de segurados empregados e contribuintes individuais, devendo se sujeitar à retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991. A seguir, o Fisco faz observações acerca da natureza da empresa e a forma de prestação de serviços para cada uma das contratadas, sobre as quais recaiu a apuração fiscal. Por fim, informase que, para algumas notas fiscais, os registros contábeis foram efetuados pelo valor líquido e que a empresa, intimada a apresentar o valor bruto dos documentos, não atendeu ao Fisco. Esse fato, afirmase, deu causa a aferição indireta da base de cálculo da retenção, apenas para essas notas fiscais. A impugnação Cientificada da lavratura em 23/06/2009, fl. 02, a empresa ofertou impugnação, fls. 800/868, alegando, em apertada síntese, que: a) estão decadentes as contribuições relativas ao período de 01 a 05/2004; b) em relação aos repasses efetuados à Associação dos Médicos do Hospital Santa Helena, podese afirmar: I – que o Hospital encaminha ao convênio uma fatura conjunta que engloba receitas próprias, tais como alimentação, exames, remédios, e adiciona à mesma o honorário dos médicos que prestaram serviço ao conveniado; II – que o pagamento conjunto dos honorários médicos com as despesas relativas à estrutura hospitalar é imposição dos convênios; III – que o montante pago pelo convênio a título de honorários médicos é integralmente repassado à Associação, o que confirma a natureza a natureza de repasse de receita de terceiros; IV – que o Hospital é mero intermediário na prestação dos serviços, enquadrandose a situação sob análise nas disposições do art. 286 da IN SRP n.º 03/2005 e também na Solução de Consulta COSIT n.º 05; V – que não estabelece escala de trabalho, não contrata mãodeobra para trabalhar em suas dependências e não fixa valores, forma e prazo para pagamento dos serviços prestados, posto que essas condições são estipuladas pelos planos de saúde. b) Quanto aos pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas, afirma: I) que apresenta declaração de algumas das clínicas, cujos serviços foram prestados exclusivamente pelos sócios; II) que para as demais empresas não localizou os documentos, mas que uma análise da folha de salários das prestadoras, já seria suficiente para se concluir pela inexistência de empregados ou contribuintes individuais auxiliando na prestação dos serviços; III) que é necessária a realização de diligência fiscal para que se façam as averiguações indicadas no item II acima. Fl. 971DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10166.721320/200912 Acórdão n.º 240101.923 S2C4T1 Fl. 970 5 A decisão de primeira instância A Delegacia da Receita Federal de Brasil de Julgamento DRJ em Brasília (DF), fls. 870/880, reconheceu a decadência pleiteada pelo sujeito passivo e, no mérito, decidiu pela improcedência da impugnação. Eis a ementa do referido decisum: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA PARCIAL. INCONSTITUCIONALIDADE. ARTIGO 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Consideramse decaídos os créditos tributários lançados com base no artigo 45 da Lei nº 8.212/91, que determinava o prazo decadencial de 10 anos para as contribuições previdenciárias, por ter sido este artigo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos da Súmula Vinculante nº 8, publicada no DOU em 20/06/2008. ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE COMPROVAÇÃO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento, salvo exceções previstas legalmente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O recurso Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 900/956, no qual, em síntese apertada, alegou que: a) não poderia a empresa apresentar contrato de prestação de serviço firmado com a Associação dos Médicos, posto que esse contrato nunca existiu; b) nunca houve o ajuste para que a Associação prestasse serviços à recorrente, haja vista que aquela é apenas uma entidade que representa os médicos; c) na Solução de Consulta COSIT n.º 05/2004, a própria Administração Tributária reconheceu na espécie a inexistência de prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra e que a Associação era mera representante dos médicos perante o Hospital. d) a fonte pagadora pelos serviços médicos é o plano de saúde, portanto, é esse que deveria arcar com a obrigação de efetuar a retenção para a Seguridade Social; e) o Hospital e a Associação são apenas intermediários entre os planos de saúde e os médicos associados; Fl. 972DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 f) o recorrente apenas cede a sua estrutura, onde o médico presta serviço ao paciente, sendo ambos, Hospital e médico, remunerados pelo convênio; g) os profissionais de saúde não ficam à disposição do recorrente, sendo a sua estrutura utilizada para os atendimentos; h) própria IN INSS/DC n.º 100, no § 1.º do art. 286 reconhece a figura de intermediação das unidades hospitalares e dispõe que essa circunstância não poderá gerar encargos previdenciárias para a unidade hospitalar; i) o entendimento jurisprudencial, conforme decisões colacionadas, é no sentido de que é ônus do profissional prestador ou da empresa para a qual é direcionada a prestação dos serviços; j) o Fisco não pode querer alterar a natureza jurídica da atividade do Hospital para querer lhe impor os valores constantes no AI; k) caso se considere que a Associação é uma empresa, os associados serão tratados como sócios e, pela aplicação do art. 157 da IN n.º 100/2003, esta seria hipótese de dispensa da retenção; l) as contribuições relativas aos pagamentos efetuados pelo Hospital à Associação devem, portanto, ser excluídos do lançamento; m) no que diz respeito às faturas emitidas pelas clínicas médicas não procede o lançamento, uma vez que os serviços foram prestados exclusivamente pelos médicos, tendo o recorrente apresentado as declarações requeridas pelo Fisco. Nesse sentido deve incidir a isenção prevista no art. 157 da IN INSS/DC n.º 100/2003. Ao final, pede o acolhimento do recurso com consequente cancelamento da autuação. É o relatório. Fl. 973DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10166.721320/200912 Acórdão n.º 240101.923 S2C4T1 Fl. 971 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Retenção sobre as faturas emitidas pela Associação dos Médicos O Fisco afirma que Associação dos Médicos do Hospital Santa Helena – AMHSH deve ser equiparada às empresas em geral para fins de aplicação da legislação previdenciária, uma vez que atua na prestação de serviços de saúde, contando com quadro de profissionais a sua disposição, de forma a cumprir os compromissos com seus contratantes. Diante dessas considerações, conclui que as faturas emitidas pela AMHSH em nome do Hospital Santa Helena estariam sujeitas à retenção de 11% do valor bruto faturado. Alega o recorrente, por sua vez, que, assim como a Associação dos Médicos do Hospital Santa Helena – AMHSH, é mera repassadora dos valores pagos pelos convênios aos médicos prestadores de serviço. Nesse sentido, não estaria obrigada a efetuar a retenção prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, uma vez que não é a tomadora dos serviços. O órgão de primeira instância decidiu que, para as competências não excluídas pela decadência, o lançamento deveria prevalecer uma vez que os argumentos apresentados pela autuada não se fizeram acompanhar dos elementos de prova necessários a dar substância à tese apresentada. Em relação à AMHSH, vejo que os únicos documentos apresentados foram uma declaração subscrita por seu Presidente, na qual consta que os serviços foram prestados pelos associados sem o concurso de empregados ou contribuintes individuais, e o estatuto da Associação. Embora o recorrente alegue que era exigência dos planos de saúde o faturamento das despesas pela utilização da estrutura do Hospital conjuntamente com os pagamentos pelos serviços médicos prestados, não apresentou nenhum documento que pudesse comprovar tal assertiva. Também não comprovou a autuada que repassava à AMHSH integralmente o valor pago pelos convênios pelos serviços prestados. Nem foi colacionado qualquer ajuste entre a Associação e os planos de saúde, que previsse o pagamento dos honorários pelos serviços médicos. Esse documento embora não fosse do recorrente, poderia ser facilmente obtido junto a qualquer das partes. Outra prova que reputo fundamental seria algum documento que estabelecesse a forma como os profissionais da área médica utilizariam as dependências do Fl. 974DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 8 recorrente, posto que esse afastaria por completo a tese de que os serviços eram prestados ao Hospital. Assim, o que prevalece são as notas fiscais emitidas por serviços médicos prestados pela Associação ao Hospital Santa Helena, os quais dizem respeito à atividade fim desse e eram prestados em suas dependências. A contabilização das referidas notas como despesas operacionais do Hospital Santa Helena, também é um forte indicativo de que os pagamentos à AMHSH não eram mero repasse de recursos de terceiros. Essa conclusão pode ser facilmente observada quando é feita uma leitura do art. 286 da IN INSS/DC n.º 100/2003, assim redigido: Art.286. A utilização das dependências ou dos serviços da empresa que atua na área da saúde, pelo médico ou profissional da saúde, para atendimento de seus clientes particulares ou conveniados, percebendo honorários diretamente desses clientes ou de operadora ou seguradora de saúde, inclusive do Sistema Único de Saúde (SUS), com quem mantenha contrato de credenciamento ou convênio, não gera qualquer encargo previdenciário para a empresa locatária ou cedente. .§ 1º Na hipótese prevista no caput, a entidade hospitalar ou afim se reveste da qualidade de mera repassadora dos honorários, os quais não deverão constar em contas de resultado de sua escrituração contábil, sendo que o responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida pela empresa e pela arrecadação e recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual será, conforme o caso, o ente público integrante do SUS ou de outro sistema de saúde ou a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou diretamente o segurado. § 2° Se comprovado que a entidade hospitalar ou afim não se reveste da qualidade de mera repassadora, e for constatado que os honorários não constam em contas de receita e de despesa de sua escrituração contábil, promoverseá o arbitramento da base de cálculo das contribuições sociais devidas pela entidade e pelo contribuinte individual. Claro está que o fato do Hospital haver escriturado os pagamentos a Associação dos Médicos como despesa operacional retira do recorrente a condição de repassador de recurso, a que alude a norma transcrita. A meu ver os elementos que caracterizam a cessão de mãodeobra estão presentes na espécie. Analisemos o que dispõe o art. 31, § 3.º da Lei n.º 8.212/1991: Art.31.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (...) Fl. 975DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10166.721320/200912 Acórdão n.º 240101.923 S2C4T1 Fl. 972 9 §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (...) Pois bem, a prestação de serviços na atividade fim do recorrente por segurados vinculados à AMHSH é comprovada pelas notas fiscais emitidas em nome do Hospital. Também a realização dos serviços nas dependências do recorrente é fato incontroverso. Essas constatações, aliadas à falta de comprovação das alegações recursais, levamme a concluir que o lançamento é procedente, quanto aos serviços faturados pela Associação dos Médicos. A Solução de Consulta COSIT n.º 05/2004 não é aplicável ao caso sob enfoque. Primeiro porque trata da relação entre o Superior Tribunal de Justiça e a Associação dos Médicos de Hospitais Privados do Distrito Federal AMHPDF, portanto, não tem o recorrente ou mesmo a Associação dos Médicos do Hospital Santa Helena – AMHSH como protagonistas do caso levado à consulta. Demais disso, a consulta sequer versa sobre o tributo objeto do lançamento, mas diz respeito a IRPF, COFINS e PIS/PASEP. Assim não há como vincular o presente lançamento à referida Solução de Consulta. No que diz respeito à possibilidade de reconhecer a dispensa da retenção para as faturas emitidas pela Associação dos Médicos também não devo acatála. É que a IN INSS/DC n.º 100/2003, ao tratar do tema no seu art. 157, III, prevê a dispensa da obrigação de reter quando o serviço de profissão regulamentada for executado exclusivamente pelos sócios. Ocorre que na espécie não há que se falar em sócios, mas em médicos associados à AMHSH. Nos termos do art. 111, II, do CTN, a legislação que trate da outorga de isenção deve ser interpretada literalmente, não se admitindo, por conseguinte, o emprego da analogia pretendida pelo recorrente. Retenção sobre as faturas emitidas pelas Clínicas Médicas Além da Associação dos Médicos, o presente lançamento engloba as faturas apresentadas por clínicas médicas que prestaram serviço à autuada no período da apuração. Asseverou o Fisco que os históricos de todas as notas fiscais apresentadas continham a expressão “SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS” ou similares. Acrescenta que a empresa foi intimada a apresentar os contratos correspondentes, todavia, não os apresentou para todas as empresas. Afirma a Auditoria que nos contratos que foram apresentados há previsão da prestação contínua de serviços médicos, na atividade fim do contratante e nas dependências deste. Além disso, afirma, a contratada estaria obrigada a apresentar as escalas de plantão médico, todavia, o Hospital Santa Helena, tendo sido intimado a apresentar essas escalas, omitiuse. Fl. 976DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 10 A Auditoria informa também que a autuada deixou de apresentar as declarações firmadas pelas empresas contratadas de que os serviços no ano de 2004 foram executados exclusivamente pelos sócios, sem o concurso de terceiros. Está listado o rol das empresas para as quais não foi apresentada a mencionada declaração, a qual poderia implicar na dispensa da retenção. Diante dos fatos narrados, o Fisco entendeu que os serviços prestados pelas clínicas, por serem realizados nas dependências do Hospital, na atividade fim desse, seriam passíveis da retenção de 11%, prevista no art. 31 da Lei n.º 8.212/1991. Os levantamentos (itens de apuração) relativos a essas prestadoras são (P02 (CEM CENTRO DE DESP MÉDICA); P03 ( CETRO CENTRO DE TRAT ONCO); P04 (CLINICA DE CIRUR VASCULAR); P05 (CLINICA DE ANESTESIA SANTA HELENA); P06 ( CLINOR CLINI INT DE ORTOPEDIA); P07 ( COB CENTRO DE ORTOP E TRAUMATO); P08 (FISIOTERAPIA INTENS SANTA RITA); P09 ( GASTROCLIN CLIN E CIRG APARLH); P10 (HC SERVIÇOS DE INSTRUMENTAÇÃO); P11 ( HOSPITAL PRONTONORTE); P12 ( INST BRÁS DE LAPAROSCOPIA). Em relação aos mesmos, a autuada não contesta a cessão de mão de obra, apresentando, contudo, algumas declarações emitidas pelas empresas prestadoras de serviço, nas quais as mesmas informam que os trabalhos foram prestados exclusivamente pelos sócios, conforme determinado pelo art. 157, inciso III da IN INSS n.º 100/2003. A DRJ não acatou tais declarações, por entender que a falta de apresentação pelo recorrente das escalas de plantão inviabilizaram a verificação de que os serviços foram prestados exclusivamente pelos sócios das empresas contratadas. Nesse ponto eu não posso concordar com a DRJ, posto que a norma citada condiciona a dispensa da retenção unicamente a apresentação da citada declaração, senão vejamos o que prescrevia a IN INSS/DC n.º 100/2003: Art.157. A contratante fica dispensada de efetuar a retenção, quando: I o valor correspondente a onze por cento dos serviços contidos em cada nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços for inferior ao limite mínimo estabelecido pelo INSS para recolhimento em documento de arrecadação; II a contratada não possuir empregados, o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio e o seu faturamento do mês anterior for igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do saláriodecontribuição, cumulativamente; III a contratação envolver somente serviços profissionais relativos ao exercício de profissão regulamentada por legislação federal, ou serviços de treinamento e ensino definidos no inciso X do art. 155, desde que prestados pessoalmente pelos sócios, sem o concurso de empregados ou outros contribuintes individuais. § 1º Para comprovação dos requisitos previstos no inciso II do caput, a contratada apresentará à tomadora declaração assinada por seu representante legal, sob as penas da lei, de que não possui empregados e o seu faturamento no mês anterior foi Fl. 977DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 10166.721320/200912 Acórdão n.º 240101.923 S2C4T1 Fl. 973 11 igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do saláriode contribuição. § 2º Para comprovação dos requisitos previstos no inciso III do caput, a contratada apresentará à tomadora declaração assinada por seu representante legal, sob as penas da lei, de que o serviço foi prestado por sócio da empresa, profissional de profissão regulamentada, ou, se for o caso, profissional da área de treinamento e ensino, e sem o concurso de empregados ou outros contribuintes individuais ou consignando o fato na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. Não há dúvida de que os serviços prestados eram prestados por trabalhador de profissão regulamenta por legislação federal, portanto, a única exigência legal para a dispensa da retenção seria a apresentação da declaração mencionada no texto legal acima. Verifico que foram apresentadas declarações para as empresas CLÍNICA DE ANESTESIA SANTA HELENA S/C LTDA; COB – CENTRO DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA DE BRASÍLIA LTDA. Tendo sido apresentado o documento exigido pela norma para dispensa da retenção, esse somente poderia ser desprezado, caso restasse comprovado nos autos que o documento era falso. Não é isso que se infere da leitura dos autos, posto que em nenhum momento a idoneidade das declarações foi questionada, tendo a DRJ deixado de acatálas tão só pela falta da apresentação de outro documento, no caso, as escalas de plantão. Não devo chancelar esse procedimento, pois a prova exigida pela norma aplicável foi exibida, o fato de ter havido omissões de outros elementos, pelo que sei, foi punido com a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, não devendo ser utilizado para invalidar uma prova, que a princípio, não apresenta indício de fraude. Assim, entendo que devam ser expurgados do lançamento os levantamentos P05 (CLINICA DE ANESTESIA SANTA HELENA) e P07 ( COB CENTRO DE ORTOP E TRAUMATO), para as competências em que houve a apresentação da declaração prevista no inciso III do art. 157 da IN INSS/DC n.º 100/2003. Conclusão Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para darlhe provimento parcial para que sejam excluídas do AI as contribuições decorrentes dos levantamentos P05 (CLINICA DE ANESTESIA SANTA HELENA) para as competências 01 a 07, 09 e 12/2004 e P07 (COB CENTRO DE ORTOP E TRAUMATO) para todas as competências. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 978DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 12 Fl. 979DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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Numero do processo: 10245.900291/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Data do Fato Gerador: 31/12/2002
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não homologação de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.539
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 31/12/2002 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 65 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 66 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 34621.51357.060906.1.7.040103, na qual foi utilizado crédito de R$ 712,30, apurado em recolhimento de CSLL (código 2372), realizado em 31/01/2003 e relativo à apuração de 31/12/2002. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2372, do período de apuração de 31/12/2002. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 34/36) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 67 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 43 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 44/57 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 68 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 69 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 70 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte juntou, à sua impugnação, cópia da ficha de apuração de CSLL incidente sobre o Lucro Presumido, constante de sua DIPJ do anocalendário correspondente à apuração do crédito alegado, e nela consta a declaração de tributo no valor de R$ 44.189,11, inferior ao recolhimento de R$ 45.564,55, confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 34621.51357.060906.1.7.040103. Nos sistemas informatizados da Receita Federal verificase que esta informação provém de declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1249635. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de CSLL no valor de R$ 1.375,44, utilizado parcialmente na compensação aqui tratada. Relevante anotar que tal indébito foi também utilizado na DCOMP nº 07414.45154.060906.1.7.047351 (processo administrativo nº 10245.900264/200992), pelo valor de R$ 663,14, o qual, somado ao indébito aqui utilizado (R$ 712,30), não supera o pagamento a maior verificado pela diferença entre o débito informado na DIPJ Retificadora (R$ 44.189,11) e o valor principal recolhido (1 quota(s) de R$ 45.564,55). Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 71 8 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 72 9 quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 73 10 Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 74 11 §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 75 12 expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 76 13 apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 77 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 78 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 79 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 110100.539 S1C1T1 Fl. 80 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 82DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10920.001661/2003-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Exercício: 2001 e 2002.
IRPF - RENDIMENTOS OMITIDOS - COMPROVAÇÃO — Cumpre ao
fisco fazer prova da omissão de rendimentos atribuida ao contribuinte. A Declaração do Imposto de Renda na Fonte - DIRF, por si só, não faz prova bastante da omissão, constituindo-se indicio. Se o contribuinte contestar as informações da DIRF, negando o recebimento dos valores declarados pela fonte pagadora, cabe a fiscalização diligenciar junto a empresa e obter a
comprovação dos pagamentos declarados; do contrário a exigência deve ser cancelada
DESPESAS DEDUTÍVEIS - FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com o artigo 8°, § 2°, III, da Lei n° 9.250, de 1995, todas as
deduções da base de cálculo do imposto de renda estão sujeitas
comprovação, a juizo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação ou justificação das despesas deduzidas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-001.080
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir a omissão de rendimentos recebidos da empresa WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA e para restabelecer
diferenças de dedução com o INSS, nos montantes de R$ 803,81 e R$ 190,46, nos anos-calendário 2000 e 2001, respectivamente, nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Nubia Matos Moura que convertia o julgamento em diligência e, no mérito, somente reconhecia o restabelecimento de despesas com o INSS.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: VANESSA PEREIRA RODRIGUES DOMENE
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IRPF - RENDIMENTOS OMITIDOS - COMPROVAÇÃO — Cumpre ao fisco fazer prova da omissão de rendimentos atribuida ao contribuinte. A Declaração do Imposto de Renda na Fonte - DIRF, por si só, não faz prova bastante da omissão, constituindo-se indicio. Se o contribuinte contestar as informações da DIRF, negando o recebimento dos valores declarados pela fonte pagadora, cabe a fiscalização diligenciar junto a empresa e obter a comprovação dos pagamentos declarados; do contrário a exigência deve ser cancelada DESPESAS DEDUTÍVEIS - FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com o artigo 8°, § 2°, III, da Lei n° 9.250, de 1995, todas as deduções da base de cálculo do imposto de renda estão sujeitas comprovação, a juizo da autoridade lançadora. Assim, sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir a comprovação ou justificação das despesas deduzidas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Camara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para excluir a omissão de rendimentos recebidos da empresa WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA e para restabelecer diferenças de dedução com o INSS, nos montantes de R$ 803,81 e R$ 190,46, nos anos- calendário 2000 e 2001, respectivamente, nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Nubia Matos Moura que convertia o julgamento em diligência e, no mérito, somente reconhecia o restabelecimento de despesas com o INSS. Processo n0 10920.001661/2003-85 S2-C1T2 Acórddo n.° 2102-01.080 Fl. 2 to kie, iovanni Chr . pos - Presidente ssa Pere I a • I r lues Domene — Relatora Forma ado m: 26.10.2011 Participaram so presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, NUbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Acacia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em 26/05/2003 foi lavrado Auto de Infração contra o contribuinte, cobrando R$ 7.906,69 de imposto de renda, R$ 1.899,50 a titulo de juros de mora e R$ 8.833,15 a titulo de multa proporcional, totalizando R$ 18.639,34. De acordo com o que consta do auto de infração, a autoridade fiscal imputou ao contribuinte o cometimento das seguintes infrações: 001 - OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. 002 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE PREVIDÊNCIA OFICIAL DEDUZIDA INDEVIDAMENTE. 003 — DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. 004 — DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESAS MÉDICAS DEDUZIDAS INDEVIDAMENTE. 005 - DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESAS DE LIVRO CAIXA DEDUZIDAS INDEVIDAMENTE. 006 - DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DESPESA COM INSTRUÇÃO DEDUZIDA INDEVIDAMENTE. Inconformado com o lançamento em comento, o contribuinte apresentou sua defesa (Impugnação ao Auto de Infração) as fls. 26/28, acompanhada dos documentos acostados as fls. 29/45, sendo que em analise a referida defesa sobreveio decisão de primeira instancia administrativa (fls. 48/54-verso), que julgou procedente em parte o lançamento, pelos motivos em suma a seguir expostos: 2 Processo n0 10920.001661/2003-85 82-C1T2 AcOrdao n.° 2102-01.080 Fl. 3 • Consoante informado pela autoridade lançadora, o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos comprobat6rios das deduções e de comprovantes de rendimentos e, não atendida a solicitação, lançou os valores considerados como indevidos, bem como agravou a multa, conforme fundamentos legais descritos no Auto de Infração. • Tocante à alegação de notificação à revelia e intimação por edital, verifica-se que primeiramente foi enviado por via postal, que restou inexitosa por devolução dos Correios em função de insuficiência de endereço, e houve a tentativa de se dar ciência pessoal da intimação mediante edital. • Cabe a notificação por edital quando resultarem improficuos os meios referidos nos incisos I e II, ou seja, pessoalmente e via postal. Frise-se, é o que prevalecia até o advento da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005. • No caso em questão, nota-se as fls. 02/05 que a intimação para apresentação dos documentos necessários à fiscalização foi enviada ao contribuinte por via postal, mas a correspondência foi devolvida, pelo motivo de ser insuficiente o endereço fornecido (fls. 03). Dessa forma, foi emitido o Edital SAFIS n° 004/2002 (fls. 06/08), em 21 de outubro de 2002. • Entretanto, essa irregularidade não tem reflexos no lançamento fiscal, sendo quanto ao aspecto da majoração da multa, uma vez que a intimação prévia ao contribuinte para fornecer esclarecimentos ou apresentar documentos não 6 requisito obrigatório para a validade do lançamento. A autoridade fiscalizadora pode efetuar o lançamento com os dados que dispõe, a teor dos §§ 2° e 40 do art. 835 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), Decreto n° 3000, de 26 de março de 1999. • Desse modo, entendo que não restou evidenciada a situação de fato que dá ensejo à aplicação da multa de oficio de 112,5%, nos termos do art. 959, do RIR199. • Por conseguinte, deve ser excluído o agravamento da multa sobre as infrações decorrentes das glosas de deduções, mantendo-se o percentual de 75% sobre todas as infrações objeto deste lançamento. • Dos rendimentos omitidos: Em sede de impugnação o contribuinte apresentou comprovante de rendimentos no qual consta para a empresa o mesmo valor de sua declaração de ajuste anual, porém, o acréscimo dos rendimentos apontado pela autoridade fiscal decorreu da DIRF retificadora, com o novo valor para R$ 8.945,56. • Entendo correto o procedimento de buscar os rendimentos omitidos nas informações em DIRF levadas a efeito pela autoridade fiscal, tal como o ora verificado. 3 Processo no 10920.001661/2003-85 82-C1T2 Acórdão n.° 2102-01.080 Fl. 4 • Deduções glosadas. Deduções à Previdência Oficial: 0 Comprovante de Rendimentos para o ano-calendário 2000 (fls. 29) consta o valor de R$ 3.420,89, tendo informado em sua declaração de ajuste anual o valor de R$ 2.508,89. • 0 Comprovante de Rendimentos para o ano-calendário 2001 (fls. 39), consta o valor de R$ 2.010,86, tal como consta em sua declaração de ajuste anual. • Entendo assistir em parte razão ao impugnante. • Para o ano-calendário 2000 o limite máximo do desconto para a Previdência Social, com base no salário-de-contribuição, nas competências 12/1999 a 05/2000 correspondeu a R$ 1.255,32 e nas competências 06/2000 a 11/2000 R$ 1.328,25 e, aplicando-se a alfquota de 11% a contribuição previdencidria no ano soma o valor de R$ 1.705,08, quantia esta que deve ser deve ser restabelecida na dedução. • Para o ano-calendário 2001 o limite máximo do desconto para a Previdência Social, com base no salário-de-contribuição, nas competências 12/2000 a 05/2001 correspondeu a R$ 1.328,25 e nas competências 06/2001 a 11/2001 R$ 1.430,00 e, aplicando-se a aliquota de 11% a contribuição previdenciária no ano soma o valor de R$ 1.820,40, quantia esta que deve ser deve ser restabelecida na dedução. • Glosa de dependentes: Das certidões de registro civil apresentadas, tenho que restou comprovada a dependência de Márcia Alexandre da Silva Ramos (esposa) e Thais Ionara Ramos (filha), devendo ser restabelecida a glosa para estes no valor total de R$ 2.160,00. • Tocante as demais certidões faço as seguintes considerações: • a) Mike Andrew de Souza: apesar de constar na declaração de ajuste anual como filho do impugnante, a certidão juntada não permite a relação de parentesco; • b) Ursolina Gonçalves de Oliveira: a certidão de nascimento juntada não permite atestar ser avó ou bisavó do impugnante, tal como informado em sua declaração; • c) Erivelton R. de Souza, Vera Lúcia Camilo e Gisele Ramos: as certidões de nascimento juntadas não permitem afirmar o parentesco com o impugnante e, não obstante ter informado em sua declaração com o código para irmão, neto ou bisneto, sequer há comprovação de possuir a guarda judicial. • Assim, para estes entendo não restar comprovada a dependência para fins de dedução do imposto de renda, devendo ser mantidas as glosas levadas a efeito pela autoridade fiscal. 4 Processo n° 10920.001661/2003-85 82-CIT2 Ac6rdao n.° 2102-01.080 Fl. 5 • Da glosa de despesas médicas: No ano-calendário 2000 constou na declaração de rendimentos do contribuinte pagamento ao Plano de Saúde Bradesco no valor de R$ 2.356,80, no entanto, o impugnante não trouxe aos autos provas do efetivo pagamento, pelo que deve ser mantida a glosa. No ano-calendário 2001 o contribuinte informou dedução para UNIMED no valor de R$ 4.658,66 e em sede de defesa junta boletos bancários para pagamento de plano de saúde UNIMED de Joinville Coop. De Trab. Méd. As fls. 40 a 45, em nome de Thais I. Ramos, sobre os quais passo a analisar. • Das guias apresentadas considero comprovada a despesa para as que constam a autenticação bancária nos seguintes vencimentos: 10/07/2001, 10/08/2001, 10/09/2001, 10/10/2001 e 10/12/2001, que totalizam o valor de R$ 180,26, que deve ser restabelecido para o ano-calendário 2001. • Da dedução escriturada em Livro Caixa: Em sede de impugnação o contribuinte limita-se a informar que se trata de despesa necessária participação do rodízio de chamada para o serviço, todavia, não apresenta qualquer prova do alegado e sequer o Livro Caixa. • O contribuinte informou na Declaração de Ajuste Anual para o ano- calendário 2001 o valor de R$ 9.061,66, como despesas de Livro Caixa, todavia, na impugnação não o apresentou para prová-la. Conforme se verifica da legislação, as despesas dedutiveis devem ser aquelas obrigatórias e com a finalidade da obtenção dos rendimentos, não demonstrado pelo contribuinte. Destarte, ausentes provas das despesas e pelos elementos que constam nos autos, incabível a dedução pleiteada. • Da glosa de despesas com instrução: Não trouxe o contribuinte qualquer prova apta a demonstrar tais despesas, limitando-se a dizer que se referem a valores pagos a estabelecimentos de ensino particular para seus dependentes. As informações prestadas na declaração de ajuste anual pressupõem que estejam suportadas em documentos que as tornem fidedignas, todavia, não é o que verifica no caso presente. Destarte, não provada a despesa tenho por escorreito o procedimento fiscal e se mantém o lançamento da glosa da dedução indevida. Diante da decisão proferida, o contribuinte ainda inconformado interpôs Recurso Voluntário As fls. 58, aduzindo o que segue: • 1 0 SOMENTE APÓS CINCO ANOS E NOVE MESES APÓS A APRESENTAÇÃO DA DEFESA •ADMINISTRATIVO, MEU PROCESSO FOI JULGADO E CONSIDERADO DEVEDOR; 2" DE ACORDO COM A MINHA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL FORAM -GLOSADAS INSS DEVIDAMENTE REGISTRADO PELA OGMO E TAMBÉM DEPENDENTES SENDO ESTES MEUS FILHO DEVIDAMENTE COMPROVADOS, PORTANTO MINHA DECLARAÇÃO SE ENQUADRA DENTRO DESTA NORMA: 3" TODOS OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS EM FAVOR DO CONTRIBUINTE 5 Processo n° 10920.001661/2003-85 S2-C1T2 Acórclao n.° 2102-01.080 Fl. 6 PRESCREVE NO PERIODO DE 05 (CINCO) ANOS TANDO MESMO IMPEDIDO LEGALMENTE DE REIN VINDICAR VALORES DESTE PERIOD°, CONVEM SALIENTAR QUE EM DECISÃO RECENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ORGÃO MÁXIMO NO PAIS PARA DER1MIR DUVIDAS JURIDICAS, CONSIDEROU QUE "TODOS OS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PERTENCENTES A UNIÃO, NÃO LANÇADOS EM DIVIDA ATIVA, PRESCREVE NO PERÍODO DE 45 ANOS, verificando a prazo da notificação e a data do julgamento observa-se que já decorreram mais de 5 anos." o relatório. Voto Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Relatora. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legitima e esta devidamente fundamentado. Sendo assim, conheço-o e passo ao exame. Preliminar: I. Decadência: Inicialmente cumpre analisar o instituto da decadência nos termos em que expostos pelo contribuinte em seu recurso voluntário. Neste aspecto, em que pesem as argumentações trazidas pelo recorrente, ressalto que a regra decadencial a ser aplicada no presente caso é aquela prevista no artigo 150, §4°, do Código tributário Nacional, que por sua vez determina o prazo decadencial de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, para que o fisco efetue o lançamento de oficio. Nesse passo, cumpre ressaltar que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física ocorre no dia 31 de dezembro do respectivo ano-calendário, sendo assim, os fatos geradores ocorridos durante os anos-calendário de 2000 e 2001, somente se completaram em 31/12/2000 e 31/12/2001, respectivamente, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, nos termos já ventilados, de forma que se encerrou em 31/12/2005 o direito do fisco lançar de oficio para os fatos geradores do ano-calendário de 2000 e em 31/12/2006, para os fatos geradores relativos ao ano-calendário de 2001 Contudo, tendo em vista que auto de infração foi lavrado em 26/05/2003 e o contribuinte tomou ciência do lançamento em 03/06/2003, conforme documento de fl. 24, evidente que o crédito tributário relativo aos anos-calendários de 2000 e 2001, abarcados no auto de infração em análise, não se encontravam fulminados pelo instituto da decadência na data do lançamento, de modo que, neste aspecto não ha qualquer reparo a ser efetuado no trabalho realizado pela autoridade fiscal. 6 Processo n° 10920.001661/2003-85 S2-C I T2 AcórdAo n.° 2102-01.080 Fl. 7 Mérito: Inicialmente cumpre ressaltar que em conformidade com o artigo 8°, § 2°, III, da Lei n° 9.250, de 1995, bem como o disposto no artigo 11, § 3°, do Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, todas as deduções da base de cálculo do imposto de renda estão sujeitas à comprovação, a juizo da autoridade lançadora. Art. 8° A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: II - das deduções relativas: (.) 2° 0 disposto na alínea a do inciso (-) III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes - CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Deste modo, sempre que entender necessário, a fiscalização tem a prerrogativa de exigir do contribuinte a comprovação ou justificação das despesas lançadas como dedutiveis das Declarações de Ajuste Anual pelo contribuinte. Com efeito, a norma insculpida pelo artigo 8°, da Lei n° 9.250/55 se aplica para todos os casos de deduções que a seguir serão objeto de análise neste julgamento. I. Da omissão de rendimentos: Pela análise dos autos, veri fiquei de plano que caberia dar razão ao recorrente no que tange ao ônus da prova da omissão de rendimentos a ele atribuida no valor de R$ 1.195,52. Isto porque, cumpre ao fisco fazer prova da omissão de rendimentos atribuida ao contribuinte. A Declaração do Imposto de Renda na Fonte - DIRF, por si só, não faz prova bastante da omissão, constituindo-se indicio. Alias, tal entendimento é corroborado por diversos julgados proferidos por este Egrégio Conselho de Recursos Fiscais, a exemplo dos abaixo relacionados: Número do Recurso: 150747- SEGUNDA CAMARA - Número do Processo: 10280.001362/2002-42 - Tipo do Recurso: VOLUNTARIO - Matéria: IRPF - Recorrente: JOSÉ MASSOUD SALAME Recorrida/Interessado: TURMA/DRJ-BELÉM/PA- - Data da Sessão: 24/06/2008 00:00:00 - Relator: Moises Giacomelli Nunes da Silva - Decisão: Acórdão 102-49124 - Resultado: DPPU - DAR PROVIMENTO PARCIAL POR 7 Processo n° 10920.001661/2003-85 S2-C1T2 Acórdiao n.° 2102-01.080 Fl. 8 UNANIMIDADE - Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência o valor de R$ 1.250,40. Ementa: IMPOSTO DE RENDA - DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE E AS INFORMAÇÕES CONSTANTES DA DIRF - NECESSIDADE DA FONTE PAGADORA COMPROVAR OS VALORES QUE INFORMOU TER PAGO - INEXISTÊNCIA DE PROVA POR PARTE DA FONTE PAGADORA - RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Os valores constantes na DIRF, quando impugnados, não se constituem em meio de prova de pagamento da fonte pagadora. Em se tratando de lançamento feito a partir de informações constantes de Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF, nos casos em que o contribuinte sustenta que não recebeu o valor informado pela Fonte Pagadora, cabe ez fiscalização intimar a Fonte para que comprove o pagamento informado na DIRF. Da não comprovação do pagamento resulta o cancelamento da exigência feita com base no valor impugnado. Recurso parcialmente provido. Número do Recurso: 134627- Câmara: SEGUNDA CA 1' 1L4RA - Número do Processo: 10630.000845/00-24 - Tipo do Recurso: VOL UNTA - Matéria: IRPF - Recorrente: PAULO CÉSAR ANTUNES RIBEIRO - Recorrida/Interessado: I° TURMA/DRJ-JUIZ DE FORA/MG - Data da Sessão: 18/08/2006 00:00:00 - Relator: Antônio José Praga de Souza - Decisão: Acórdão 102-47871 - Resultado: DPU - DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE - Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa: IRPF - RENDIMENTOS OMITIDOS - COMPROVAÇÃO - Cumpre ao fisco fazer prova da omissão de rendimentos atribuída ao contribuinte. A Declaração do Imposto de Renda na Fonte - DIRF, por si só, não faz prova bastante da omissão, constituindo-se indicio. Se o contribuinte contestar as informações da DIRF, negando o recebimento dos valores declarados pela fonte pagadora, cabe a fiscalização diligenciar junto a empresa e obter a comprovação dos pagamentos declarados; do contrário a exigência deve ser cancelada. Assim, se o contribuinte contestar as informações da DIRF, negando ter recebido os valores declarados pela fonte pagadora, cabe a fiscalização diligenciar junto a empresa e obter a comprovação dos pagamentos declarados, do contrário, a exigência deve ser 8 Processo n° 10920.001661/2003-85 S2-C I T2 Acórdão n.° 2102-01.080 Fl. 9 cancelada, sendo que neste sentido, o contribuinte alega ter recebido o valor declarado constante do Comprovante de Rendimentos e Retenção de IR Fonte, conforme demonstra o documentos acostado As fls. 29 dos autos, cujo valor informado pela respectiva fonte pagadora é de R$ 7.750,04. A inversão do ônus da prova, nesses casos, é descabida, pois não há dispositivo legal que ampare tal presunção. Ora, estava sendo exigida nos autos uma prova negativa do contribuinte, qual seja: que ele não recebeu os rendimentos. Portanto, pelo exposto, deve ser excluída da tributação a importância de R$ 1.195,52. 2. Deduções indevidas relativas h Previdência Oficial: Em relação As deduções decorrentes de pagamentos efetuados A Previdência Oficial entendo que merece acolhimento a pretensão do recorrente, posto que os limites mencionados pela relatora da decisão recorrida estão relacionados aos valores referentes As contribuições dos segurados da Previdência Social, que não é o caso. Assim, uma vez demonstrada a ocorrência das despesas, nos termos inclusive ratificados pela decisão recorrida, ha que se considerar os valores declarados pelo contribuinte para fins de dedução do imposto de renda. Alias, cumpre destacar que tal entendimento ficou consignado em Declaração de Voto vencido, em sede de primeira instancia administrativa, por parte da julgadora Rosane Raquel Compagnoni Lubini, As fls. 54 e 54-verso destes autos. Portanto, devem ser restabelecidas as deduções relacionadas A Previdência Oficial. 3. Deduções indevidas com dependentes: Quanto As deduções pleiteadas com dependentes, entendo que a decisão recorrida rid() merece reparos, pois, analisando de forma cuidadosa os documentos apresentados, verifico que somente restou comprovada a dependência relativa A Sra., Márcia Alexandre da Silva (cônjuge) — fls. 34 e Thais Ionara Ramos (filha) — fls. 35, já devidamente reconhecidas pela decisão recorrida. Quando aos demais dependentes declarados pelo contribuinte, com base nos documentos acostados aos autos não é possível estabelecer a situação de dependência e/ou de parentesco, de forma que não comprovada a condição legal para a admissão das deduções pleiteadas, deve ser mantida a decisão recorrida nos termos em que proferida. 4. Deduções indevidas com despesas médicas: No tocante As despesas médicas, verifico que o contribuinte não apresentou qualquer comprovação referente ao ano-calendário de 2000, sendo assim, não demonstrada a efetividade dos serviços prestados ou mesmo do pagamento, deve ser mantida a glosa levada a efeito pela autoridade fiscal. 9 Processo n° 10920.001661/2003-85 82-C112 Acórdão n.° 2102-01.080 Fl. 10 Já em relação As despesas médicas relativas ao ano-calendário de 2001, o contribuinte apresentou comprovação parcial das despesas (fls. 40/45) e, conforme as observações já efetuadas pela decisão recorrida, apenas as guias com vencimentos em 10/07/2001, 10/08/2001, 10/09/2001/ 10/10/2001 e 10/12/2001 são hábeis e idôneas para comprovar as despesas médicas, posto que estas comprovam o efetivo pagamento dos valores devidos, por terem a autenticação bancária, além de estarem relacionadas a despesas médicas gastas com dependentes. Em relação As demais guias, estas não apresentam a autenticação bancária, não prestando, portanto, A comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas. Deste modo, não merece qualquer reparo a decisão recorrida quanto ao decidido para as despesas médicas declaradas pelo recorrente. 5. Deduções indevidas a titulo de Livro Caixa: 0 contribuinte pugna pelo reconhecimento das deduções relativas aos pagamentos de contribuição sindical obrigatória, que estaria demonstrada pelo Livro Caixa do ano-calendário de 2001. No entanto, cumpre ressaltar inicialmente que o recorrente não apresentou sequer o Livro Caixa, no sentido de comprovar suas alegações. Assim, entendo que não merece reparos a decisão recorrida quanto a análise da matéria, visto que não restou demonstrada a natureza dos pagamentos em voga, muito menos a efetividade dos recolhimentos. Alias, cumpre ressaltar que o Livro Caixa, ainda que fosse apresentado pelo recorrente, por si só não seria suficiente, neste caso, para comprovar as alegações apresentadas, sendo necessária a apresentação de outros documentos que demonstrassem os efetivos repasses A entidade de classe e, principalmente, documentos que deixassem clara a natureza de tais pagamentos. Portanto, diante das considerações acima, mantém-se a glosa da dedução a titulo de livro caixa indevidamente pleiteada. 6. Deduções indevidas com instrução: No caso das deduções a titulo de instrução pleiteadas pelo contribuinte, nota- se que não houve a apresentação de qualquer documento no sentido de demonstrar a efetividade dos serviços educacionais prestados. Portanto, não tendo o contribuinte apresentado nenhuma justificativa para a dedução pleiteada a titulo de instrução, há de se manter as glosas de despesas com instrução, mantendo-se a decisão recorrida, bem como o lançamento neste aspecto. Resumo: Em vista do exposto, consideram-se comprovados os seguintes rendimentos e restabelecidas as seguintes deduções: 10 Processo n° 10920.001661/2003-85 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-01.080 Fl. 11 • Comprovado o rendimento de R$ 7.750,04, devendo ser excluída da tributação a importância de R$ 1.195,52, referente ao Item 001 do Auto de Infração; • Restabelecida na totalidade as deduções das despesas com Previdência Oficial, para os anos-calendários de 2000 e 2001, relativas ao item 002 do Auto de Infração. Por todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte. Sala das Sessões, em 10 de fevereiro de 2011. Van ssa Pereira R i drigues Domene 11
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Numero do processo: 16327.000838/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/1997 a 28/02/1998
PIS. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL E PRAZO. LANÇAMENTO POR
HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. AUSÊNCIA.
Em face da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei no 8.212, de 1991,
reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula
Vinculante no 8, de 2008, aplicamse
às contribuições sociais os prazos de
decadência previstos no CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-000.891
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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DECADÊNCIA. TERMO INICIAL E PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS ANTECIPADOS. AUSÊNCIA. Em face da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei no 8.212, de 1991, reconhecida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal e objeto da Súmula Vinculante no 8, de 2008, aplicamse às contribuições sociais os prazos de decadência previstos no CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andrea Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.000838/200654 Acórdão n.º 330200.891 S3C3T2 Fl. 131 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 96 a 108) apresentado em 22 de julho de 2008 contra o Acórdão no 1617.032, de 29 de abril de 2008, da 8ª Turma da DRJ/SPO I (fls. 83 a 86), cientificado em 20 de junho de 2008, que, relativamente a auto de infração de PIS dos períodos de julho de 1997 a fevereiro de 1998, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997, 1998 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda constituir o crédito tributário relativo ao PIS é de 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 19 de junho de 2006, de acordo com o termo de fls. 36 a 40. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Tratase de impugnação (fls. 52/59) apresentada por UNIBANCO AIG PREVIDÊNCIA S.A., supra qualificada, em face do Auto de Infração de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS em fls. 44/46. Conforme consta no Termo de Verificação de Infração – Lançamento com Exigibilidade Suspensa (fls. 36/40), o contribuinte impetrou Mandado de Segurança Preventivo (processo 98.76549) em nome de Prever S.A. Seguros e Previdência (CNPJ 46.665.139/000155), antecessora da Unibanco AIG Previdência, visando afastar a exigência do PIS pela EC nº 17/97 no período de 01.07.1997 a 25.11.1997, tendo em vista o princípio da irretroatividade, bem assim no período de 25.11.1997 a 23.02.1998, em face do princípio da anterioridade nonagesimal. Durante esse período, a autora apurou e recolheu o PIS conforme a LC 7/70. Foi concedida a liminar pleiteada (Agravo de Instrumento nº 63425SP – Registro 98.03.0216317), e posteriormente foi prolatada sentença julgando procedente o pedido da impetrante que, “com relação à sua receita bruta operacional, fato gerador da contribuição para o PIS, apurada mensalmente entre 01/07/97 e 23/02/98, deverá calcular e recolher o tributo de acordo com a lei de regência genérica – Leis Complementares nº 7/70 e nº 17/73, com as alterações da Medida Provisória nº 1.212/95, suas reedições e Medida Provisória nº 1.67635/98”. Os autos foram remetidos ao TRF 3ª Região. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.000838/200654 Acórdão n.º 330200.891 S3C3T2 Fl. 132 3 Para prevenir a decadência, a autoridade fiscal lavrou o Auto de Infração de PIS de fls. 44/46, no montante de R$ 2.309.027,77, já incluídos os juros de mora calculados até 31.05.2006, com o seguinte enquadramento legal: arts. 1º, 2º e 4º, da MP nº 1.485/96 e suas reedições, convalidadas pela Lei nº 9.701/98; arts. 1º, 2º e 4º, da MP nº 1.67456/96 e suas reedições, convalidadas pela Lei nº 9.701/98; art. 3º, §§2º e 3º, da LC nº 7/70, alterado pelo art. 72, inc. V, dos ADCT da CF/88, com a redação dada pela EC nº 17/97. O crédito tributário foi lançado com exigibilidade suspensa, por força de medida liminar concedida nos autos do processo nº 98.00076549 da 3ª Vara Federal, e não foi aplicada a multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96 (fls. 48). A ciência da autuada ocorreu em 19.06.2006 (fls. 44). Irresignada, a autuada apresentou em 18.07.2006 a Impugnação de fls. 52/59, alegando, em apertada síntese, que por se tratar de lançamento por homologação, ocorreu a decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao PIS referente aos fatos geradores autuados, por transcorrido o prazo de cinco anos previsto no § 4º, do art. 150, do CTN. Acrescenta, ainda, que não é aplicável ao caso o prazo de dez anos previsto no art. 45, da Lei nº 8.212/91, uma vez que a matéria é de exclusiva competência de lei complementar, consoante prevê o art. 146, III, da CF/88." No recurso, a Interessada alegou que o prazo para lançamento seria de cinco anos, com base em decisão do Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação à decadência, o Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20 de junho de 2008, do seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A Súmula teve origem no julgamento do RE nº 559.8829, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, que reconheceu as referidas inconstitucionalidades. O texto da decisão que tratou da modulação temporal dos efeitos da decisão foi o seguinte (http:// www.stf.gov.br/ portal/ processo/ verProcessoTexto.asp? id= 2393382&tipoApp= RTF): Fl. 141DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.000838/200654 Acórdão n.º 330200.891 S3C3T2 Fl. 133 4 Decisão: O Tribunal, por maioria, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, esclarecendo que a modulação aplicase tãosomente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 12.06.2008. A decisão, portanto, atribuiu efeito preclusivo aos casos não litigiosos na data da decisão, aplicandose aos casos em julgamento. A referida súmula, nos termos da Emenda Constitucional nº 45, de 2004, art. 2º, tem efeito vinculante “em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal [...]”. Portanto, aplicase ao PIS, em princípio, o prazo o art. 150, § 4º, do CTN, a não ser que não tenha havido pagamento antecipado, hipótese que desloca o termo inicial do prazo para o estabelecido no art. 173, I, do CTN. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4º E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. Ainda que se aplicasse o art. 173, I, do CTN, o último período de autuação foi fevereiro de 1998, cujo lançamento poderia ter sido efetuado no próprio ano de 1998. Assim, o prazo iniciarseia em 1999 e terminaria 2003. Quando o auto de infração foi lavrado, em 2006, já havia ocorrido a decadência. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Fl. 142DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.000838/200654 Acórdão n.º 330200.891 S3C3T2 Fl. 134 5 (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 143DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 17/03/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000387/2006-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/01/2004
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE.
É cabível o lançamento para prevenção da decadência relativamente a crédito
tributário cuja exigibilidade tenha sido suspensa por medida judicial.
AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO.
CONCOMITÂNCIA. EFEITOS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito
passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois
do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo,
sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo,
de matéria distinta da constante do processo judicial.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/2002 a 31/01/2004
TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO COMO TAXA DE JUROS DE MORA.
POSSIBILIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no
período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
JUROS DE MORA. CRÉDITO SUSPENSO. APLICAÇÃO.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago
no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir
depósito no montante integral.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.095
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2002 a 31/01/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. É cabível o lançamento para prevenção da decadência relativamente a crédito tributário cuja exigibilidade tenha sido suspensa por medida judicial. AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2002 a 31/01/2004 TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO COMO TAXA DE JUROS DE MORA. POSSIBILIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA. CRÉDITO SUSPENSO. APLICAÇÃO. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Recurso Voluntário Negado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.000387/200655 Acórdão n.º 330201.095 S3C3T2 Fl. 368 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 298 a 322) apresentado em 24 de setembro de 2008 contra o Acórdão no 1617.649, de 30 de junho de 2008, da 8ª Turma da DRJ / SPO I (fls. 284 a 290), cientificado em 28 de agosto de 2008, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de setembro de 2002 a janeiro de 2004, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO MEDIANTE AUTO DE INFRAÇÃO. O único instrumento legal à disposição do auditorfiscal para o lançamento tributário, seu dever funcional, é o auto de infração, ainda que inexista infração ou que o respectivo crédito tributário esteja com a exigibilidade suspensa. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura de ação judicial importa a renúncia à discussão administrativa relativamente à matéria sub judice. Quanto à matéria diferenciada, há de ser conhecida a impugnação, devendo o processo ter seu prosseguimento normal. CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. Não cabe à instância administrativa apreciar alegada inconstitucionalidade ou ilegalidade de dispositivo da legislação tributária. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.000387/200655 Acórdão n.º 330201.095 S3C3T2 Fl. 369 3 JUROS DE MORA. Os acréscimos moratórios são devidos mesmo quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário correspondente, por expressa disposição legal. TAXA SELIC. Utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, que deve ser observada no lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 31 de março de 2006, de acordo com o termo de fls. 151 e 152. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Tratase de impugnação (fls. 163/181) apresentada por Telefônica Factoring do Brasil Ltda., supra qualificada, em face do Auto de Infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins (fls. 158/160). Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 151/152), o contribuinte impetrou o Mandado de Segurança nº 2002.61.00.02383979 visando ter reconhecido o direito de não recolher a Cofins na forma preconizada pelos arts. 3º e 8º da Lei nº 9.718/98, e sim para que os fatos geradores relativos à contribuição tivessem por base de cálculo exclusivamente o faturamento consoante os ditames da LC nº 70/91. A liminar foi deferida em 06.11.2002, e em 26.05.2003 foi prolatada sentença concedendo a segurança, garantindo ao contribuinte a inexigibilidade do recolhimento da Cofins nos moldes estabelecidos pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, impondo a manutenção do recolhimento da Cofins, mediante a aplicação da alíquota de 3% sobre o conceito de faturamento consoante a sistemática anterior estabelecida pela LC nº 70/91. A apelação da União foi recebida em seu regular efeito devolutivo. Embasado nas disposições contidas na sentença, o contribuinte efetuou os recolhimentos nos meses de setembro/2002 a janeiro/2004 nos moldes da LC nº 70/91. As diferenças entre os valores devidos segundo a Lei nº 9.718/98 e os recolhimentos efetivamente efetuados, demonstradas às fls. 150, devem permanecer com a sua exigibilidade suspensa enquanto perdurarem os efeitos da medida judicial. Assim, para prevenir a decadência, a autoridade fiscal lavrou o Auto de Infração de Cofins de fls. 158/160, que perfaz o montante de R$ 489.395,11, já incluídos os juros de mora calculados até 24.02.2006. Como fundamento legal, foi consignado: art. 1º da LC nº 70/91; arts. 2º, 3º e 8º, da Lei nº 9.718/98, com as alterações da MP nº 1.807/99 e reedições, com Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.000387/200655 Acórdão n.º 330201.095 S3C3T2 Fl. 370 4 as alterações da MP nº 1.858/99 e reedições; arts. 2º, inc. II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02. Não foi aplicada a multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96 (fls. 157) e a ciência do contribuinte ocorreu em 31.03.2006 (fls. 158). Irresignada, a autuada, devidamente representada por seus procuradores (docs. de fls. 183/186), apresentou em 28.04.2006 a Impugnação de fls. 163/181, alegando, em apertada síntese: que é nulo o auto de infração, por ofensa ao art. 62 do Decreto nº 70.235/72, que impede que haja exigência fiscal quando a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa; não há que se falar em infração quando existir medida liminar concedida pelo Poder Judiciário; que há de se reconhecer a competência dos órgãos administrativos para conhecer e julgar o mérito da discussão travada no presente processo, inclusive para analisar e, se for o caso, afastar normas ilegais e/ou inconstitucionais; que os conceitos de faturamento e de totalidade das receitas auferidas não se confundem, consoante já decidiu o STF em caso análogo, a demonstrar que a exigência da Cofins na forma preconizada pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 é totalmente improcedente; que é indevida a exigência de juros de mora, por estar suspensa a exigibilidade do crédito tributário; que é incabível a aplicação da taxa SELIC para o cômputo dos juros de mora, por inexistir mora, e por afrontar os princípios da legalidade e da indelegabilidade da competência tributária, devendo, assim, serem utilizados os juros previstos no art. 161, § 1º, do CTN; por fim, pleiteia que seja sobrestado o presente processo até o trânsito em julgado da decisão judicial. Conforme ementa reproduzida anteriormente, a DRJ considerou ser cabível o lançamento para constituição do crédito tributário, com aplicação dos juros de mora. No recurso, a Interessada alegou nulidade do acórdão de primeira instância, em razão da “a necessidade de conhecimento de todo o mérito da Impugnação interposta”, pelo fato de os órgãos julgadores administrativos terem competência “para analisar e não aplicar normas ilegais e/ou inconstitucionais” e ter o STF declarado a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins; alegou, ainda, a nulidade do auto de infração, por ofensa ao art. 62 do Decreto no 70.235, de 1972, e a impossibilidade de lançamento do crédito tributário pela inexistência de infração. Ainda contestou a exigência de juros de mora, que seria ilegal no caso dos autos, à vista do disposto nos arts. 394 a 401 do Código Civil e da suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Ademais, não seria possível a aplicação da taxa Selic. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.000387/200655 Acórdão n.º 330201.095 S3C3T2 Fl. 371 5 É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Inicialmente, esclareçase que se aplicam ao presente recurso as seguintes Súmulas aprovadas pelo Carf, aprovadas pela Portaria Carf no 106, de 2009, e consolidadas nos termos da Portaria MF no 383, de 2010: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Portanto, embora tenha o STF declarado a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo das contribuições, o fato de a Interessada ter discutido a questão judicialmente impede sua apreciação no âmbito administrativo, nos termos da Súmula acima citada e do art. 78, § 2º, do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2010. Ademais, a questão da incidência da Selic sobre créditos tributários, ainda que com exigibilidade suspensa, já foi exaustivamente discutida no âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes e do Carf, tendo sido expedidas as súmulas acima mencionadas, de observação obrigatória pelos membros do Carf, de acordo com o art. 72, § 4º, do Regimento Interno. Ainda em relação à Selic, o Supremo Tribunal Federal julgou recentemente a matéria em âmbito de repercussão geral no RE no 582.461, ainda não publicado, considerando legítima a incidência da Selic como índice da atualização dos débitos tributários pagos em atraso. Quanto ao art. 62 do Decreto no 70.235, de 1972, tal disposição foi revogada tacitamente pelo art. 63 da Lei no 9.430, de 1996, que expressamente prevê o lançamento para constituição do crédito tributário. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 16327.000387/200655 Acórdão n.º 330201.095 S3C3T2 Fl. 372 6 No mais, adoto os fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1999, para negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 23/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 21/07/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 12269.001917/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005
SALÁRIO PAGO DURANTE OS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Incidem contribuições sobre o salário pago pela empresa aos segurados empregados, durante os primeiros dias de afastamento motivado por doença.
Recurso Voluntário Negado
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005
ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO ACATAMENTO.
Não merecem sucesso as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se funda.
Numero da decisão: 2401-001.836
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, negar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Jhonatas Ribeiro da Silva, que davam provimento parcial para excluir do lançamento as parcelas referentes aos valores pagos durante os quinze primeiros dias de afastamento por motivo de doença.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Incidem contribuições sobre o salário pago pela empresa aos segurados empregados, durante os primeiros dias de afastamento motivado por doença. Recurso Voluntário Negado ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO ACATAMENTO. Não merecem sucesso as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se funda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Jhonatas Ribeiro da Silva, que davam provimento parcial para excluir do lançamento as parcelas referentes aos valores pagos durante os quinze primeiros dias de afastamento por motivo de doença. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Fl. 95DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Jhonatas Ribeiro da Silva e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 96DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12269.001917/200825 Acórdão n.º 240101.836 S2C4T1 Fl. 84 3 Relatório Trata o presente processo do Auto de Infração n. 37.087.3688, consolidado em 10/06/2008 no valor de R$ 3.148,25 (três mil, cento e quarenta e oito reais e vinte e cinco centavos). De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 29/31, o crédito diz respeito à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais, sendo que, para os primeiros, a empresa efetuou o desconto da contribuição. O Fisco esclarece ainda que da apuração fiscal consta dois “levantamentos”, o quais passo a descrever: a) FPS – Folha de Pagamento sem GFIP: referese à diferença entre os valores do desconto dos segurados empregados constantes na folha de pagamento e aquele declarado na GFIP; b) PAC – PRO LABORE E AUT COM GFIP: referese aos descontos dos contribuintes individuais declarados em GFIP e não recolhidos, sendo que tais valores foram escriturados na conta contábil conta 3.3.01.01.00.0 — Despesas Operacionais. A empresa apresentou impugnação, fls. 44/47, na qual alega que houve equívoco em incluir na folha de pagamento como base de cálculo das contribuições os valores relativos aos quinze primeiros dias de afastamento dos empregados por motivo de doença e as rubricas “Saldo Devedor”, “Contribuição Assistencial”, “Restituição de Vale Transporte” e “Restituição de Vale Refeição”. Conclui que os valores apurados no “levantamento FPS” são improcedentes. Afirma ainda que os valores constantes do “levantamento PAC”, por terem sido declarados em GFIP, as contribuições decorrentes foram calculadas pelo sistema informatizado, não havendo diferenças a recolher. Assevera que juntou planilha demonstrativa dos valores relativos aos dias de “atestado” e dos créditos que possui, requerendo, inclusive, que os mesmos sejam abatidos do presente AI. A recorrente advoga que a tese da não incidência de contribuições sobre a remuneração correspondente aos quinze primeiros dias de afastamento por motivo de doença encontra amparo na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, conforme decisões que apresenta. A Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS) decidiu por manter na íntegra o crédito, em decisão, fls. 58/61, assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005 Auto de Infração AI DEBCAD n° 37.087.3688 1. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AFASTAMENTO Fl. 97DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 POR DOENÇA. O valor recebido pelo empregado nos quinze dias que antecedem a percepção do auxíliodoença, por tratarse de salário, enquadrase na definição legal de saláriode contribuição. 2. ÔNUS DA PROVA. A simples indicação de equívoco no lançamento, desacompanhada de provas, não enseja a retificação do AI. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 65/68, no qual alega, em apertada síntese, que a decisão original há de ser reformada, uma vez que as provas dos fatos alegados encontramse no processo e que acostou planilha apenas para facilitar a compreensão de suas razões. Apresenta cálculo relativo à competência 12/2005, no qual procura demonstrar que recolheu corretamente os valores devidos à Seguridade Social. No mais, insiste na tese da não incidência de contribuições sobre os quinze primeiros dias de afastamento, voltando também a alegar que, por equívoco, considerou determinadas rubricas como integrantes do saláriodecontribuição. Ao final, requer o cancelamento do AI e que, se assim não se entender, compensemse os valores que recolheu a maior. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12269.001917/200825 Acórdão n.º 240101.836 S2C4T1 Fl. 85 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Incidência de contribuição sobre os valores recebidos durante os quinze primeiros dias de afastamento por motivo de doença A incidência de contribuições previdenciárias sobre esses valores decorre do fato que os primeiros quinze dias de afastamento do obreiro por motivo de doença enquadram se em típica situação de interrupção do contrato de trabalho, já que não há prestação de serviço, nem disposição do obreiro perante seu empregador, ocorrendo, porém, o pagamento de salário, como decorrência da manutenção da relação empregatícia (o contrato de trabalho permanece em execução), computandose normalmente o período de afastamento (15 dias) como de efetivo serviço para os efeitos legais, inclusive previdenciários. Assim, não há fundamento legal para afastar da incidência da contribuição previdenciária os valores pagos pelo empregador a título de remuneração dos primeiros quinze dias de afastamento por motivo de doença, posto que caracterizada a natureza salarial. Devese tem em conta, por outro lado, o § 3º do art. 60 da Lei n. 8.213/1991, que prevê o pagamento dos valores correspondentes pelo empregador, além de que a matriz constitucional das contribuições sociais (art. 195, inciso I, da CF) define que a Seguridade Social será financiada, entre outras fontes, pelas contribuições sociais dos empregadores incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho. Não tenho dúvida que esse tipo de pagamento é um rendimento do trabalho. De acordo com o art. 201, § 11, da CF, que define os contornos da base de cálculo da contribuição previdenciária, os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. À luz do artigo 22, inciso I combinado com o art. 28, inciso I e § 9º, da Lei n. 8.212/1991, concluise pela natureza salarial do valor pago nos primeiros quinze dias de afastamento do empregado por motivo de doença, razão pela qual essa verba deve integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. Tendo concluído pela natureza salarial da verba, forçoso adotar a tese de que o valor correspondente aos quinze primeiros dias de afastamento do trabalho por motivo de doença está dentro do campo de incidência de contribuições delimitado pelo artigo 28 da Lei n. 8.212/1991. Vêse ainda que as hipóteses de isenção/não incidência previstas no § 9. do mesmo artigo não contemplam a verba sob comento. Daí se poder afirmar que a exação está sob o amparo da legislação previdenciária. Da inclusão de rubricas não sujeitas à incidência de contribuições Fl. 99DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Alega a recorrente que incluiu indevidamente na base de cálculo das contribuições as rubricas “Saldo Devedor”, “Contribuição Assistencial”, “Restituição de Vale Transporte” e “Restituição de Vale Refeição”. Nesse sentido, devem ser excluídos do salário decontribuição esses pagamentos. Junta planilha para comprovar o alegado. Ver fl. 53. Para solução desse ponto do recurso, já alegado em sede de defesa, é preciso que se analise a distribuição do ônus de provar no processo administrativo fiscal. Cabe ao Fisco indicar os elementos em que se baseou para efetuar a apuração do montante devido. Na espécie, verifico que esse dever foi cumprido, quando o fisco mencionou os elementos analisados que o levaram a concluir pela existência das diferenças apuradas, os quais, digase de passagem, foram os documentos apresentados pelo contribuinte. Esse, por sua vez, alega a ocorrência de equívocos, que teriam levado seu sistema informatizado a incluir na base de cálculo parcelas não sujeitas à incidência previdenciária. Juntou planilha apresentando os valores que supostamente teriam indevidamente figurado como matéria tributável. Todavia, não foram carreados ao processo quaisquer outros elementos que pudessem dar força à tese adotada. Sobre essa questão vale trazer à baila o que dispõe Decreto n. 70.235/1972, ao tratar da questão: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Nesse sentido, nítido é o ônus do contribuinte de fazer prova dos fatos que articula. No caso em tela, verifico que poderiam ter sido acostadas as folhas de pagamento retificadas, os comprovantes de pagamentos das rubricas, dentre outros. Nada porém foi oferecido ao órgão de julgamento. Entendo não ser cabível cancelar um lançamento tributário ou mesmo se reconhecer um direito creditório com esteio apenas em demonstrativo desacompanhado de outros elementos que pudessem lhe trazer credibilidade. Nesse diapasão, não devo reconhecer a alegada inclusão indevida de rubricas não incidentes na base de cálculo do lançamento. Dos cálculos relativos à competência 12/2005 Não merece também acatamento o demonstrativo de cálculo da contribuição relativos à competência 12/2005, no qual a recorrente enfatiza os valores percebidos pela segurada empregada SANDRA MARA DOS SANTOS MACHADO. É que, em se tratando de segurada empregada, a sua remuneração foi objeto do “levantamento FPS”, para o qual não houve lançamento relativo à competência tomada como paradigma. Compensação Fl. 100DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 12269.001917/200825 Acórdão n.º 240101.836 S2C4T1 Fl. 86 7 O fato de não ter dado razão a recorrente nos itens anteriores acaba por prejudicar o pedido de compensação dos créditos que supostamente teriam surgido de pagamentos indevidos relativos à remuneração durante os quinze primeiros dias de afastamento do trabalhador, bem como das outras rubricas alegadas. Diante de todo o exposto, voto pelo desprovimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 101DF CARF MF Emitido em 01/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 21/05/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 23/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
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