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Numero do processo: 18471.003015/2003-08
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
AUTO DE INFRAÇÃO. IRRF. REFLEXO AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ.
Compete a 1ª Seção do CARF o julgamento de recurso em processo
administrativo de lançamento de IRRF reflexo de lançamento de IRPJ, em razão de competência originária, nos termos do art. 2°, inciso IV, do Anexo II, do Regimento do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2801-002.469
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF.
Nome do relator: CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE
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IRRF. REFLEXO AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ. Compete a 1ª Seção do CARF o julgamento de recurso em processo administrativo de lançamento de IRRF reflexo de lançamento de IRPJ, em razão de competência originária, nos termos do art. 2°, inciso IV, do Anexo II, do Regimento do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, e declinar da competência para julgamento do feito em favor da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Antônio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/ 05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 280102.469 S2TE01 Fl. 257 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 3ª Turma da DRJ/RJOI (Fls. 210), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Versa o presente processo sobre o Auto de Infração de fls. 160/175 (que tem como parte integrante o Termo de Verificação Fiscal de fls. 34/35 e as planilhas de fls. 54/58), lavrado pela DEFIC/RJO, com ciência do interessado em 23/12/2003 (fls. 35 e 160), para a exigência de crédito tributário de IRRF, no valor de R$22.974,20, com multa de 75% e juros de mora. O crédito tributário total lançado monta a R$64.438,37. O lançamento foi efetuado em virtude de, em procedimento fiscal, ter sido apurada a infração abaixo: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF SOBRE REMUNERAÇÃO INDIRETA (BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO). O interessado não efetuou o recolhimento do IRRF incidente sobre remuneração indireta pagas referentes as despesas com benefícios aos sócios, não tendo identificado o beneficiário dessas despesas, nem incorporado esse valor As suas retiradas, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 34/35 e as planilhas de fls. 54/58. Conforme explicitado no Termo de Verificação de fls. 34/35, a fiscalização verificou a apropriação indevida de despesas escrituradas nas contas: Serviços de Terceiros; Depreciações; Seguros; Combustíveis e Lubrificantes; Veículos; Viagens e Estadias; Outras Despesas; IPVA; Outras Despesas Tributárias. A fiscalização aponta que os pagamentos não foram destinados a benefícios para a empresa e sim referentes a benefícios para os sócios e não integraram a remuneração dos beneficiários. Os valores que relaciona nas planilhas de fls. 54/58 foram, então, tributados exclusivamente na fonte. O enquadramento legal consta do Auto de Infração. O interessado apresentou, em 21/01/2004, a impugnação de fls. 184/186. Em sua peça de defesa, alega, em síntese, que: "se o pagamento constitui uma remuneração indireta de administradores, é necessariamente dedutível para a apuração do resultado", sendo improcedente o lançamento com relação à sociedade; os gastos referentes a anúncios e viagens são relativos à prospecção de negócios entre as empresas Acoc, ISL e Sony, com a finalidade de autorizar a utilização das logomarcas da Copa do Mundo de 1998; Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/ 05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 280102.469 S2TE01 Fl. 258 3 "no caso concreto o tributo na fonte é incabível como se comprova do documento anexo 1, o beneficiado pelos pagamentos Dr. Antonio Carlos de Oliveira Coelho era credor em contacorrente da sociedade", "tratandose assim, de uma simples transferência financeira e não de rendimento". Encerra solicitando o cancelamento do lançamento. Passo adiante, a 3ª Turma da DRJ/RJOI entendeu por bem julgar o lançamento procedente, em decisão que restou assim ementada: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF SOBRE REMUNERAÇÃO INDIRETA. A falta de recolhimento de IRRF sobre remuneração indireta enseja lançamento. Cientificado em 22/01/2007 (Fls.222 verso), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 01/02/2007 (fls. 225 228), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação, e acrescentando ainda (Fls. 227 228), que: 13. Os gastos tidos por não dedutíveis foram realizados de janeiro a dezembro de 1998 e o auto de infração foi lavrado em 23/12/03. 14. Apenas um gasto no valor de R$833,33, realizado em 31/12/98 escapa da decadência que impede a análise do mérito da causa. (...) 16. Em outras palavras, como o fato gerador foi considerado a partir de cada pagamento sobre o qual se pretende fazer incidir o imposto de renda na fonte, há de se concluir que todos os valores anteriores a 23/12/98 não podem ser mais tributados por decadência. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Antes de tudo, é dever analisara informação da recorrente no sentido de já ter comprovado no “processo principal” de n° 18471.003.014/200355 que os gastos são dedutíveis. Analisando o sistema informatizado do CARF, é possível verificar que realmente a fiscalização, quando da lavratura do auto de infração dos presentes autos, também lavrou auto de infração cobrando IRPJ e CSLL (processo n° 18471.003.014/200355). Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/ 05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 280102.469 S2TE01 Fl. 259 4 Uma análise dos dados do processo n° 18471.003.014/200355, ainda em tramite, permite a constatação que a fiscalização glosou as deduções dos gastos indiretos com os sócios da empresa, e, em virtude de tal glosa, autuou a empresa cobrando IRPJ, CSLL, e Imposto de Renda exclusivamente na Fonte. Temos ainda que no acórdão da 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 1ª seção, que julgou o processo n° 18471.003.014/200355, assim consta: “No relatório: Instada a se manifestar, a DRJ/RJ por unanimidade julgou procedente o lançamento, mantendo os ajustes nas bases de cálculo de IRPJ, CSLL e o crédito tributário de IRRF, entendendo:” (...) “No voto Compartilho, em parte, com o entendimento aduzido quanto ao prazo decadencial . No que tange ao IRRF, tendo em vista que a ciência do auto infração se deu em 23/12/2003 e as despesas foram realizadas no período de janeiro a dezembro de 1998, podese afirmar, de fato, que ocorreu a decadência, haja vista ter transcorrido mais de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 150, § 40 do CTN. Já em relação à CSLL, como o fato gerador ocorreu apenas em 31/12/1998, não há que se falar em decadência. Diante ao exposto, acolho em parte a preliminar de decadência para excluir da atuação o crédito tributário de IRRF cujos fatos geradores ocorreram até 30/11/1998, de acordo com a regra do §4° do art. 150 do CTN. (...) Pelo exposto, acolho a preliminar de decadência dos fatos geradores do IRFonte até 30/11/1998, e no mérito dou parcial provimento ao recurso para restabelecer a dedução das despesas com benefícios indiretos, objeto de lançamento do IRFonte. Deste modo, entendo que o auto o lançamento constante nos presentes autos é reflexo do lançamento do IRPJ e da CSLL, e que, inclusive, a 1ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 1ª seção já se manifestou sobre este lançamento reflexo. Por sua vez, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22 de Junho de 2009, com modificações seguintes, estabelece; in verbis: ANEXO II DA COMPETÊNCIA, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS COLEGIADOS Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/ 05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 280102.469 S2TE01 Fl. 260 5 TÍTULO I DOS ÓRGÃOS JULGADORES CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS Art. 1° Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na forma dos arts. 2° a 4° da Seção I. Das Seções de Julgamento Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ;(grifamos) Assim, ante a existência de lançamento reflexo de IRPJ, e ao disposto no Regimento Interno do CARF, entendo que a competência para o julgamento da presente lide pertence a 1ª seção, não podendo ser apreciada por esta Turma Especial da 2ª Seção. Ante o acima exposto, voto por não conhecer do recurso, e declinar da competência para julgamento do feito em favor da 1ª Seção do CARF, nos termos do art. 2°, inciso IV, do Anexo II, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/ 05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 18471.003015/200308 Acórdão n.º 280102.469 S2TE01 Fl. 261 6 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 15/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/ 05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE
score : 1.0
Numero do processo: 13817.000341/2001-11
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996
RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO.
O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data do pagamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3803-000.394
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: DANIEL MAURÍCIO FEDATO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data do pagamento. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-10-07T15:12:28Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-10-07T15:12:28Z; Last-Modified: 2010-10-07T15:12:28Z; dcterms:modified: 2010-10-07T15:12:28Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:f200f13b-0671-498f-8214-bb4338fed5a1; Last-Save-Date: 2010-10-07T15:12:28Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-10-07T15:12:28Z; meta:save-date: 2010-10-07T15:12:28Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-10-07T15:12:28Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-10-07T15:12:28Z; created: 2010-10-07T15:12:28Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-10-07T15:12:28Z; pdf:charsPerPage: 1064; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-10-07T15:12:28Z | Conteúdo => re Kern - Presidentelexar S3-1E03 Fl 130 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 1.3817.000.341/2001-11 Recurso n" 251,400 Voluntário Acórdão n" 3803.00.394 — 3" Turma Especial Sessão de 29 de abril de 2010 Matéria RESTITUIÇÃO/COMP PIS Recorrente PÃES E DOCES CBA LTDA Recorrida DR,I - CAMPINAS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1996 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO, O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data do pagamento, Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, negar. provimento ao recurso. Daniel Maurício Fedato Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Angela Sartori, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis e Rangel Perrucci Fiorin. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Henrique Martins de Lima. Relatório Trata o presente Recurso sobre pedido de restituição de PIS, solicitado pela Recorrente em 19.09.2001, referente ao período de apuração de outubro/1995 a fevereiro/1996. Conforme consta nos autos a Interessada não alcançou seu pleito, pois em 20.07.2006 através de um despacho decisório, a solicitação não foi atendida, com a argumentação da decadência, Ementa da Decisão: "PIS. Medida Provisória 1,212, de 28/11/95, e suas reedições convertida na Lei 9.715, de 25/11/98. Pedido de restituição de recolhimentos relativos aos períodos de apuração de outubro/1995 a fevereiro/1996 Indeferimento do pedido. Inexistência de indébito. Extinção do direito de pleitear a restituição por decurso do prazo de 5 (cinco) anos dos recolhimentos efetuados em períodos anteriores a 19/09/1996. AD/SAF 96/99". Inconformada, ingressou recurso argumentando em síntese que: o A Instrução Normativa SRF n° 06/2000, ao estabelecer a aplicação da Lei Complementar ri° 07/70, ao período 10/95 a 02/96, viola as disposições da Lei de Introdução ao Código Civil, que dispõem sobre a impossibilidade de vigência simultânea das normas (leis) ao tratar a mesma matéria, e de repristinação, considerando que a declaração de inconstitucionalidade da Medida Provisória 1.212, convertida na Lei 9.715/98, foi apenas parcial, e ela não deixou de viger. Assim, ao ser declarada a inconstitucionalidade do art. 18, estabeleceu-se a impossibilidade de cobrança do tributo no período mencionado; • Conforme entendem a doutrina e a jurisprudência, a extinção do crédito tributário operar-se-ia com a homologação do lançamento, o que, na prática, resultaria num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido; o Cita Láudio Camargo Fabretti, em seu livro Código Tributário Comentado e o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que julgou improvido o recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional no Resp n° 627,203-R, para corroborar a tese dos 10 anos, bem como transcreve trecho da posição do ST I no Recurso Especial rf 726668- PE, nas palavras do Ministro Teori Albino Zavaski; o Assevera que o dispositivo no art. 3 0 da Lei Complementar IV 118/2005 somente pode ser aplicado a situações que venham a OCOITCE a a partir de sua vigência; • Aduz que teria direito "a atualização monetária com as inclusães dos expurgos inflacionários" sobre o crédito a restituir/compensar; - 2 Processo n" 13817.000341/2001-11 S3-1E03 Acórdão n " 3803.00,394 Fl. 131 • Solicita que sejam mantidos suspensos as compensações nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei tf 10.833, de 29 de dezembro de 2003 nos termos do seu artigo 17, §11 A DIU de Campinas/SP, estribada no Ato Declaratório da SRF n o 96 de 26 11.1999 e na Lei Complementar n° 118, de 09.02,2005, não acatou a solicitação. Ementa da Decisão: "RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. OUTUBRO/9.5 A FEVEREIRO/96. LEGISLAÇÃO VIGENTE. Aos ,fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 01/10/1995 e 29/02/1996, aplica-se o disposto na Lei Complementar n" 07/70 Rest/Re.ss. Indeferido — Compensação não homologada. Insatisfeita, novamente apresenta suas manifestações (tis, 114/127) repisando o entendimento "dos 5+5". Em síntese, é o relatório Voto Conselheiro Daniel Maurício Fedato, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende às demais exigências legais, razão pela qual dele conheço. Conforme relatório demonstra a Interessada aguarda entendimento de que o prazo decadencial começa "correr" após decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, somando mais cinco, "5+5 10 anos". Antes da análise do mérito, evoco os arts, 165 e 168 do CIN, que trata sobre o direito e prazos para requerer a repetição do indébito: "Art. 165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4" do artigo 162, nos seguintes casos I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do , fato gerador efetivamente ocorrido; - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da ali quota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III- reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatót ia. (-) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LC n" 118, de 2005) II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória," Assim, deduz-se que o direito de restituição de tributo pago a maior ou de forma indevida, situação em que supostamente se enquadraria o presente caso, se extingue após cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Portanto, o prazo de cinco anos para pleitear a repetição do indébito se inicia com o pagamento antecipado que se extingue o crédito tributário sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, manifestando-se sobre o assunto, emitiu o Parecer PGFN/CAT if 1.538, de 18 de outubro de 1999, posicionando-se nos seguintes termos: I — o entendimento de que termo "a qtto" do prazo decadencial do direito de restituição de tributo pago indevidamente, com base em lei declarada inconstitucional pelo STF, seria a data de publicação do respectivo acórdão, no controle concentrado, e da resolução do Senado, no controle difuso, contraria o principio da segurança jurídica, por ampliar o efeito ex tune, de maneira absoluta, sem atenuar' a sua eficácia, de forma a não desfazer situações jurídicas que, pela legislação regente, não sejam mais passíveis de revisão administrativa ou judicial; II — os prazos decadenciaís e prescricionais em direito tributário constituem-se em matéria de lei complementar, conforme 4 Processo o' 13817.000341/2001-11 Acórd5o ri S3-TE03 Fl. 132 determina o art, 150, III, "b" da Constituição da República, encontrando-se hoje regulamentada pelo CTN; III — o prazo decadencial do direito de pleitear restituição de crédito decorre de pagamento de tributo indevido, seja por aplicação inadequada da lei, seja pela inconstitucionalidade desta, rege-se pelo art. 168 do CTN, extinguindo-se, destarte, após decorridos cinco anos da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 165 do mesmo Código. Posteriormente considerando o teor do Parecer acima transcrito, o Secretário da Fazenda Nacional expediu o Ato Declaratório n° 96, de 26 de novembro de 1999, fixando a interpretação, acercado prazo para a formulação de repetição para indébito, in verbis: "I - o prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declara tória ou em recurso extraordinário, extingue-se após o transcurso do prazo de .5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário — arts. 16.5, I, e 168, I, da Lei n" .5.172, de 2.5 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional)." Ressalte-se ainda, que por possuir caráter interpretativo, o citado Ato Declaratório, aplica-se a fato pretérito, conforme o disposto no art. 106, I, do CTN. Assinale- se, também, que tal norma deve ser entendida no sentido de que a extinção do crédito tributário, como referida no art 168, inciso I, do CTN, ocorre na data do pagamento indevido ou maior que o devido. Não há de se esquecer ainda o que dita a Súmula Vinculante n" 08 do STF. A esse respeito, sobre o prazo decadencial a Lei Complementar n° 118, de 09 de fevereiro de 2005, soterrou definitivamente a questão, estabelecendo em seus artigos 3' e 4° que: "Art. 3" Para efeito de interpretação do inciso 1 do art. 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no inomento do pagamento antecipado de que trata o ,55' 1" do art. 1.50 da referida Lei.. Art., 4" Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3", o disposto no ar! 106, inciso I da Lei n" 5.172 de 25 de outubro de 1966, CTN" 5 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso, em decorrência do transcurso do prazo decadencial de cinco anos para repetição do indébito contados da data do pagamento, • Daniel Maurício Fedato 6
score : 1.0
Numero do processo: 10730.006841/2008-03
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2005
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). CONTRIBUIÇÃO À
PREVIDÊNCIA OFICIAL. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO.
Cabe restabelecer a dedução do IRRF e da Contribuição à Previdência Oficial na proporção do total dos rendimentos tributáveis auferidos na reclamatória trabalhista e oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual do respectivo ano-calendário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.526
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para restabelecer Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 37.262,85 e Contribuição à Previdência Oficial no valor de R$ 6.231,54, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. RENDIMENTOS OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. Cabe restabelecer a dedução do IRRF e da Contribuição à Previdência Oficial na proporção do total dos rendimentos tributáveis auferidos na reclamatória trabalhista e oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual do respectivo anocalendário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$ 37.262,85 e Contribuição à Previdência Oficial no valor de R$ 6.231,54, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Carlos César Quadros Pierre. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10730.006841/200803 Acórdão n.º 2801002.526 S2TE01 Fl. 106 2 Relatório Trata o processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), para redução do imposto a restituir (apurado pelo contribuinte na declaração de ajuste anual) de R$ 25.364,20 para zero, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 02/04. A autoridade lançadora efetuou a glosa dos valores de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e de Contribuição à Previdência Social declarados pelo contribuinte na DIRPF apresentada para o exercício 2006, anocalendário 2005, face à ausência de comprovação pelo interessado. Assim consta da peça fiscal: “Dedução Indevida de Previdência Oficial. Glosa do valor de R$ 7.600,00, indevidamente deduzido a titulo de Contribuição à Previdência Oficial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Conforme EDITAL 004/2008.” (...) “Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 54.596,37 referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. Conforme EDITAL 004/2008. 00.360.206/019808 CAIXA ECONÔMICA FEDERAL” Cientificado do lançamento em 21/06/2008, conforme faz prova o Aviso de Recebimento AR à fl. 20, o contribuinte apresentou impugnação, à fl. 01, anexando ao processo os comprovantes de recolhimentos de IRRF, no valor de R$ 54.596,37, à fl. 06, e de Contribuição Previdenciária, no valor de R$ 2.463,03, à fl. 07, ambos efetuados em 04/05/2006. Após o exame da lide, a 2a Turma de Julgamento da DRJ/Campo Grande/MS decidiu, por unanimidade de votos, pela improcedência da impugnação, mantendo o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/CGE nº 0421.197, de 23/07/2010, às fls. 24/25, sob o seguinte entendimento: [...] Não assiste razão ao contribuinte pelos seguintes motivos: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10730.006841/200803 Acórdão n.º 2801002.526 S2TE01 Fl. 107 3 a) Tanto os recolhimentos efetuados como os rendimentos declarados que não constam da DIRF da fonte pagadora com certeza tem origem em rescisão de contrato de trabalho, pelo código de recolhimento do DARF e indicação no mesmo do número de processo, cujas provas não foram juntadas aos autos para serem consideradas; b) Os recolhimentos em comento foram efetuados em 04.05.2006, o que indica que a rescisão foi realizada nesse ano, e, conseqüentemente, tanto os rendimentos, quanto a retenção na fonte e deduções com a previdência devem referirse ao exercício de 2007 ano calendário de 2006 e não como foram incluídos no exercício de 2006 ano calendário de 2005. [...] Devidamente intimado da decisão a quo em 10/08/2010, conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 28, o interessado interpôs em 01/09/2010, por meio de representante legal, o Recurso Voluntário às fls. 34/40, argumentando que: nem sempre na data em que é expedido o alvará judicial é emitido o alvará da transferência do IRRF para a Fazenda Nacional ou da Contribuição Previdenciária para o INSS; no caso, ocorreu tãosomente um descompasso temporal entre os recebimentos percebidos pelo recorrente e a expedição do alvará de transferência dos valores retidos para a Fazenda Nacional e ao INSS, o que teria gerado uma falsa presunção de percepção de rendimentos em 2006, quando na realidade tais transferências realizadas a posteriori (02/05/2006) tanto para a Fazenda Nacional quanto ao INSS (por meio dos alvarás n°s 0262/06 e 0263/06) dizem respeito a rendimentos auferidos pelo recorrente em maio de 2005. Para comprovar suas alegações o interessado colaciona aos autos a seguinte documentação: i) Comprovantes de Agendamento Bancário (Guias da Previdência), às fls. 42/52; ii) peças da ação trabalhista nº 1219/89, movida contra a caixa Econômica Federal, às fls. 55/93; e iii) Alvarás Judiciais e guias de recolhimento (DARF e GPS), às fls. 95/102. Requer o recorrente, ao final, seja o auto de infração declarado insubsistente em todos os seus efeitos, restabelecendose, assim, o seu direito à restituição que fora reduzida a zero pela autoridade fiscal. É o relatório. Voto Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10730.006841/200803 Acórdão n.º 2801002.526 S2TE01 Fl. 108 4 Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O presente recurso reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, razão pela qual dele tomo conhecimento. O lançamento em discussão decorreu da glosa de valores informados pelo contribuinte na DIRPF/2005 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte, face à ausência de DIRF, e de Contribuição à Previdência Oficial, em razão da não comprovação do recolhimento. Os montantes glosados foram R$ 54.596,37 e R$ 7.600,00, respectivamente. Em sua defesa, o interessado esclareceu inicialmente que ingressou no ano de 1989 com ação trabalhista contra a Caixa Econômica Federal, resultando no processo nº 1219/89 que tramitou pela 2a Vara do Trabalho de Niterói (RJ). Destacou ainda que no ano de 2005, por força do Alvará Judicial nº 0224/05, à fl. 95, recebeu no âmbito da referida ação judicial o valor líquido de R$ 171.340,90, pois do montante total da execução foram descontados os valores relativos aos honorários advocatícios, ao IRRF e à Contribuição à Previdência Oficial. No entanto, ressaltou também o recorrente que os recolhimentos à Fazenda Nacional e ao INSS somente ocorreram no ano seguinte (2006), com base nos Alvarás Judiciais n°s 0262/06 e 0263/06, às fls. 97/98. Passo à apreciação do litígio. Primeiramente, observase que a decisão de primeira instância se baseou tão somente na escassa documentação que até então havia sido juntada pelo contribuinte por ocasião da impugnação (ou seja, os DARF às fls. 06/07 e extrato de recolhimentos previdenciários às fls. 08/09), visto que somente com a interposição do Recurso Voluntário é que foram colacionadas ao presente processo cópia da documentação constante da citada ação trabalhista. De fato, da análise da referida ação judicial, notase que, na homologação dos cálculos (doc. à fl. 93), consta, inclusive, a discriminação dos valores (bruto e líquido) devidos ao reclamante (contribuinte) pela fonte pagadora, bem como a indicação dos valores de IRRF e da Contribuição Previdenciária (R$ 54.596,37 e R$ 2.463,03, respectivamente) a serem descontados da importância total a ser executada. Há ainda o Alvará Judicial n° 0224/05, expedido em 25/05/2005, determinando à Caixa Econômica Federal (reclamada) a realização de pagamento ao contribuinte do valor líquido estipulado na decisão judicial, deduzidos desse montante o Imposto de Renda Retido na Fonte e a Contribuição Previdenciária nos valores acima citados, como qualquer pagamento regular de verbas salariais. Portanto, os rendimentos decorrentes da ação trabalhista foram pagos ao recorrente no anocalendário 2005, pelo seu valor líquido, ficando retidos em conta judicial à disposição daquele Juízo os valores do IRRF e da Contribuição à Previdência Oficial. Deveras, não obstante os recolhimentos do IRRF e da Contribuição Previdenciária Oficial somente tenham se efetivado em 04/05/2006, por força dos Alvarás Judiciais n°s 0262/06 e 0263/06, observase que tais valores relacionados à ação trabalhista já haviam sido retidos do empregado, ora recorrente, no anocalendário 2005, quando da liberação das verbas trabalhistas devidas. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10730.006841/200803 Acórdão n.º 2801002.526 S2TE01 Fl. 109 5 Assim, após o exame da lide, entendo que o contribuinte não pode ser penalizado pela omissão da fonte pagadora em adotar providências que somente a ela seriam pertinentes, tais como a apresentação de DIRF ao órgão fazendário contendo todas as informações relativas aos rendimentos pagos ao recorrente em determinado anocalendário. Em situações peculiares, como a verificada no caso concreto, onde os rendimentos auferidos pelo recorrente resultam de valores estabelecidos em sentença judicial (ação trabalhista), vejo possível por meio de outros meios de prova fidedignos à comprovação de que o mesmo sofreu o ônus da retenção do IRRF e da Contribuição Previdenciária Oficial por ocasião do recebimento desses valores tributáveis. Todavia, na referida ação judicial o contribuinte recebeu o valor bruto de R$ 260.708,06, que deduzido do FGTS+Multa 40% (rendimentos isentos e não tributáveis) e dos honorários advocatícios resultou em um valor líquido de R$ 200.835,10, este o valor que deveria ter sido oferecido à tributação pelo recorrente, ao invés do montante de R$ 137.073,00 declarado na DIRPF. Portanto, diante da impossibilidade de se efetuar o reajustamento da base de cálculo, posto que caracterizaria um agravamento do lançamento, cabível a proporcionalização destes valores. Neste sentido, quanto ao IRRF, deve ser restabelecido o valor de R$ 37.262,85, montante proporcional aos rendimentos declarados (R$ 137.073,00 x R$ 54.596,37 / R$ 200.835,10 = R$ 37.262,85). Com relação à Contribuição Previdenciária Oficial, por meio do extrato às fl. 08/09 o contribuinte comprova o pagamento espontâneo em 2005 do montante de R$ 4.550,49, que somado ao valor de R$ 1.681,05 relacionado ao resultado da proporcionalização já destacada (R$ 137.073,00 x R$ 2.463,03 / R$ 200.835,10 = R$ 1.681,05), permite restabelecer a importância de R$ 6.231,54 a esse título. Face o acima exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer IRRF no valor de R$ 37.262,85 e Contribuição à Previdência Oficial no valor de R$ 6.231,54. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 26/06/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10183.720503/2007-32
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2003
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. EXIGÊNCIA DE PROTOCOLIZAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA.
A partir do exercício 2001, para fins de exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, faz-se necessário a existência de ADA tempestivamente protocolizado junto ao IBAMA.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO.
Para fins de redução no cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. ENFRENTAMENTO DE TODAS AS ALEGAÇÕES DAS PARTES.
Não constitui cerceamento do direito de defesa o fato de o julgador não ter enfrentado todas as alegações das partes, cabendo-lhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da lide.
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE.
A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal.
MATÉRIA INCONTROVERSA. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO NA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE RECURSAL.
Não é passível de apreciação em sede recursal matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros.
Preliminar rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.449
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN Valor da Terra Nua declarado, bem como Área de Reserva Legal de 6.450,00 ha. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara
Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre.
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. EXIGÊNCIA DE PROTOCOLIZAÇÃO TEMPESTIVA DO ADA. A partir do exercício 2001, para fins de exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, fazse necessário a existência de ADA tempestivamente protocolizado junto ao IBAMA. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRAZO. Para fins de redução no cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da capacidade potencial da terra, não pode prevalecer. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO. ENFRENTAMENTO DE TODAS AS ALEGAÇÕES DAS PARTES. Não constitui cerceamento do direito de defesa o fato de o julgador não ter enfrentado todas as alegações das partes, cabendolhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da lide. Fl. 222DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 185 2 RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. A retificação da DITR só é possível mediante a comprovação do erro em que se funde e antes do início da ação fiscal. MATÉRIA INCONTROVERSA. AUSÊNCIA DE QUESTIONAMENTO NA IMPUGNAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO EM SEDE RECURSAL. Não é passível de apreciação em sede recursal matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Preliminar rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN Valor da Terra Nua declarado, bem como Área de Reserva Legal de 6.450,00 ha. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Carlos César Quadros Pierre, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Por sua pertinência, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 96), que reproduzo a seguir: “Contra a interessada supra foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01 a 04, por Fl. 223DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 186 3 meio do qual se exigiu o pagamento do ITR do Exercício 2003, acrescido de multa de ofício e juros moratórios, totalizando o crédito tributário de R$ 669.874,30, relativo ao imóvel rural com área total de 11.000,0 ha., NIRF 15957047, localizado no município de Aripuanã/MT. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a título de utilização limitada no imóvel rural e não comprovou, por meio de Laudo de Avaliação do Imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado, o qual foi alterado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra da Receita Federal – SIPT. Instruíram o lançamento os documentos de fls. 05 a 50. Cientificada do lançamento, por via postal, em 04/01/2008 (fls. 51), a interessada apresentou a impugnação de fls. 71 a 80, em 01/02/2008, acompanhada dos documentos de fls. 81 a 88, onde argumentou, em suma, o que segue: Recebeu Termo de Intimação Fiscal e apresentou a documentação solicitada, mesmo assim, foi autuada, e, na descrição dos fatos o Auditor fiscal não se pronunciou sobre a averbação da área de reserva legal nas matrículas, ADA e laudo técnico; ao préjulgar seu próprio ato preparatório da constituição do lançamento tributário, o Agente Lançador usurpou competência legalmente reservada ao órgão julgador, subtraindo uma instância legítima de julgamento, tudo caracterizando cerceamento de defesa; A área de utilização limitada/reserva legal encontrase averbada nas matrículas, consta do Licenciamento Ambiental Único, onde a SEMA reconhece sua existência, está comprovada por laudo técnico e imagem de satélite e foi informada no ADA, protocolado no Ibama; e nem é necessária essa comprovação, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça, que definiu que cabe à autoridade fiscal comprovar falta de veracidade do declarado pelo contribuinte; Não houve levantamento de preços para o Estado de Mato Grosso, conforme determinam os dispositivos legais e normativos, e, assim, as tabelas da Receita não podem ser utilizadas para glosa de valores de terra nua porque seus valores são irreais, não se prestando para adoção na notificação de lançamento; buscou junto à Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado de Mato Grosso informações sobre existência de tabelas de preços de terra nua e constatou que a SRF não tem informações sobre valor de terra nua para os Exercícios de 2000 a 2005, solicitado pela Superintendência Regional da SRF na 1a. RF, conforme Ofício de 29/03/2005 Rural; após consultar a Empaer, o Secretário de Desenvolvimento Rural informou à Receita Federal que não dispunha das informações solicitadas; e, então, a Delegacia da Receita Federal de Mato Grosso não Fl. 224DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 187 4 tem tabela com preços de terra elaborada de acordo com dispositivos legais, para glosa dos valores declarados e/ou informados em laudo; isso é corroborado por documento remetido pelo Delegado da Receita Federal em Cuiabá aos Sindicatos Rurais, com recomendação para utilização da tabela do Incra; transcreveu acórdão do Conselho de Contribuintes, no qual foi constatado que não houve cumprimento da norma legal para fixação do VTNm de algum Exercício.” A 1a Turma da DRJ/Campo GrandeMS julgou a impugnação improcedente (fls. 95/104), nos termos da ementa do respectivo aresto, abaixo transcrita: NULIDADE. Ausentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72 e cumpridos os requisitos contidos no art. 11 do mesmo Decreto, não se configura a nulidade do lançamento. ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para exclusão da tributação sobre áreas de reserva legal e preservação permanente é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas e cumprimento de exigência legal de entrega do ADA ao Ibama, no prazo fixado na legislação, e de averbação da reserva legal junto ao Registro de Imóveis em data anterior a da ocorrência do fato gerador do ITR. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Cientificada do acórdão de primeira instância em 23/12/09 (fls. 108), a interessada interpôs, em 22/01/10, o recurso de fls. 110/128, juntamente com os documentos de fls. 129/175, alegando, em suma, que: a) o imóvel se encontra encravado em plena Floresta Tropical ao Norte de Mato Grosso, na Amazônia Legal, sendo que sequer recebeu a visita de agentes da fiscalização para constatar in loco a veracidade das informações prestadas na DITR fiscalizada; b) embora não tenha sido declarada em sua DITR/2003, existe no citado imóvel 883,30 ha de área de preservação permanente, constatada no Laudo de Avaliação de Imóveis Rurais, na LAU e em documentos comprobatórios elaborado pelo engenheiro florestal Ledequias Fernandes de Assis, CREAMT 8.815/D, acostados aos autos, e constatado em imagem satélite, onde demonstra a sua identificação às margens dos diversos cursos d'água, atendendo plenamente ao contido no art. 2° do Código Florestal e também no Ato Declaratório retificado em 20/03/2001. Por conseguinte requer sua inclusão na DITR/2003; c) 86,58% da área de reserva legal está averbada nas matrículas das respectivas áreas, sendo que documentos juntados aos autos comprovam Fl. 225DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 188 5 que 100% da área do imóvel é constituída de reserva legal, cuja conservação ambiental foi protocolada na Secretaria de Estado do Meio Ambiente; d) no processo administrativo fiscal deve prevalecer o princípio da verdade material, assim, devem ser acatadas as informações constantes na DITR e cancelada a exigência fiscal; e) é desnecessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental – ADA, para fins de comprovação da área de preservação permanente e da área de reserva legal. Ainda assim, junta o referido documento, que foi protocolado em 20/03/01, antes, portanto, da data limite fixada em lei, atestando a existência de 883,30 ha de área de preservação permanente e 9.524,0062 ha de área de reserva legal; f) o laudo de avaliação de imóvel rural atende às normas estabelecidas pela ABNT, sendo competente para determinar o Valor da Terra Nua VTN de seu imóvel; g) a DRJ/Campo GrandeMS não se pronunciou sobre as provas juntadas aos autos, relativas à alegação de insubsistência do VTN arbitrado, o que configura cerceamento do direito de defesa; h) a tabela utilizada para arbitramento do VTN, caso exista, não reflete a realidade do VTN do Estado de Mato Grosso, posto que a Secretaria da Receita Federal não fez qualquer levantamento de preços para aquele Estado; i) a jurisprudência deste Conselho tem sido no sentido de que é cabível a revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, mediante a apresentação de laudo convincente; j) o Acórdão nº 30333.423 informa a existência de decisão judicial no sentido de afastar a exigibilidade da apresentação do ADA para fins de comprovação de áreas não tributáveis. Diante do exposto acima requer provimento integral de seu recurso para que seja: a) reconhecida a área de reserva legal em sua totalidade, 9.524,0062 ha (86,58% da área total do imóvel), excluindoa da base de cálculo do ITR 2003; b) reconhecida a área de preservação permanente em sua totalidade, 883,30 ha, excluindoa da base de cálculo do ITR2003; c) acolhido o VTN apurado no laudo de avaliação apresentado, 37,93/ha, ou, caso contrário, que seja acolhido o VTN declarado, uma vez que a Receita Federal não dispõe de tabela de preço elaborada com atendimento da legislação reguladora que lhe autorize impugnar o valor declarado pela contribuinte; Fl. 226DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 189 6 É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. DA PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A recorrente alega que a DRJ/Campo GrandeMS não se pronunciou sobre as provas juntadas aos autos, relativas à alegação de insubsistência do VTN arbitrado, o que configuraria cerceamento do direito de defesa. Todavia tal alegação não prospera, posto que aquele órgão julgador esclareceu perfeitamente quais os critérios utilizados para apuração do VTN pela fiscalização, inclusive acerca das fontes de dados que alimentam o sistema de preços de terras SIPT, como pode ser observado no trecho do voto do relator do respectivo acórdão, reproduzido a seguir: “A base de cálculo do ITR e a forma de apuração do VTN tributável encontram previsão nos artigos 10 e 11 da Lei nº 9.393/1996, que assim dispõem: Art. 10. ( ...) § 1º. Para os efeitos de apuração do ITR considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitoras; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável (...) III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; Art. 11. O valor do imposto será apurado aplicandose sobre o Valor da Terra Nua Tributável VTNt a alíquota correspondente prevista no Anexo desta Lei considerados a área total do imóvel e o Grau de Utilização GU. O procedimento de apuração do imposto feito pelo contribuinte fica sujeito à verificação por parte da autoridade fiscal, estando o lançamento de ofício do ITR previsto no art. 14, da Lei nº 9.393/1996, que também é a base legal para a instituição de um sistema de preços de terra por parte da Receita Federal, conforme segue: Fl. 227DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 190 7 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (...) Os meios citados nesse dispositivo para fins de apuração do VTN não são exaustivos, pois o que se busca é encontrar o VTN do imóvel para se chegar ao VTN tributável. O fato de esse dispositivo indicar que serão considerados “levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios” não pode ser tomado como sendo essa a única forma de se levantar VTN para fins de alimentar o sistema de preços de terra da Receita Federal. Sustenta esse entendimento o fato de que o artigo se reporta também aos critérios estabelecidos pelo inciso II, do § 1º do artigo 12 da Lei n.º 8.629, de 1993, que tratava da apuração do VTN para fins de indenização em caso de desapropriação, cuja redação era a seguinte: Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Fl. 228DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 191 8 O valor da terra nua deve corresponder ao valor de mercado na data do fato gerador, conforme previsão legal. Orientações quanto ao valor que deve ser considerado para a terra nua constam dos manuais elaborados pela Receita Federal. A determinação para alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR constou do art. 3º da Portaria no. 447 de 28/03/2002. O valor do SIPT só é utilizado quando, após intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que o valor apurado pela fiscalização fica sujeito a revisão quando o contribuinte logra comprovar que seu imóvel possui características que justificam essa revisão. Com a entrada em vigor da Lei n.º 9.393/1996, a fixação do VTN mínimo (VTNm) deixou de ser feita pela Receita Federal e, assim, não se aplicam aos lançamentos de ITR posteriores ao Exercício 1997 normas ou jurisprudência administrativa ou judicial que se refiram à Lei n.º 8.847/1994 e trate de fixação de VTN mínimo, como é o caso de Acórdão do antigo Conselho de Contribuintes citado na impugnação. A elaboração de um sistema de preços de terras, como previsto no art. 14 da Lei n.º 9.393/1996 visa fornecer elementos para que a Receita Federal exerça sua atribuição legal de fiscalização do cumprimento das obrigações tributárias e pagamento de tributo por parte do contribuinte. Observese que o fiscal autuante, em procedimento de verificação dos dados declarados pelo contribuinte, intimouo, entre outros itens, a comprovar, por meio de laudo técnico elaborado de acordo com normas da ABNT, o VTN declarado, e o contribuinte não apresentou laudo de avaliação do imóvel. Para o lançamento em questão, a autoridade fiscal considerou o valor de R$ 128,38 por hectare, extraído do SIPT, relativo ao VTN médio apurado com base nas DITR processadas no Exercício 2003 para o município de Aripuanã/MT (consulta SIPT às fls. 94). No caso de a fiscalização utilizar os valores indicados no SIPT para apuração do VTN de um determinado imóvel rural e seu proprietário discordar dessa avaliação, por entender que seu imóvel possui VTN menor do que a média dos outros imóveis do mesmo município, é dado a ele o direito de questionar o valor apurado e de apresentar laudo técnico que comprove o VTN efetivo de seu imóvel. O VTN considerado no lançamento pode ser revisto pela autoridade administrativa com base em laudo técnico elaborado por Engenheiro Civil, Florestal ou Agrônomo, acompanhado de cópia de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, devidamente registrada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA, e que demonstre o atendimento das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, através da explicitação dos métodos Fl. 229DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 192 9 avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel e dos bens nele incorporados. A título de referência, para justificar as avaliações, poderão ser apresentados anúncios em jornais, revistas, folhetos de publicação geral, que tenham divulgado aqueles valores e que levem à convicção do valor da terra nua na data do fato gerador. A informação expedida pelo Delegado da Receita Federal em Cuiabá/MT orientando aos contribuintes de que deve ser informado na DITR como Valor da Terra Nua o valor de mercado do imóvel, acrescentando que a tabela do Incra é “uma referência mínima para esse valor”, não está em desacordo com as determinações legais, pois, se esse instituto elaborar uma lista com valor de mercado de imóveis, tal pode servir como referência para o contribuinte apurar o VTN de seu imóvel. Destaquese que a informação em questão constou de um expediente encaminhado por aquele Delegado a presidentes de sindicatos rurais de sua região, com o objetivo de alertar sobre grande quantidade de erros no preenchimento das DITRs, inclusive quanto ao VTN, que resultaram em lavratura de autos de infração, e que poderiam ser evitados. Com essas considerações, verificase que, para a alteração do valor considerado como base de cálculo do ITR com base no SIPT é indispensável a apresentação de um laudo de avaliação que detalhe completamente o imóvel e todas as suas possíveis benfeitorias e/ou melhoramentos, comprovando o VTN efetivo do imóvel. Ocorre que o interessado não apresentou laudo técnico comprovando que o VTN efetivo do imóvel é menor do que o considerado pela fiscalização e, portanto, não há justificativa para sua alteração.” Convém ressaltar que, conforme entendimento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, o julgador não está obrigado a responder a todos os questionamentos formulados pelas partes, cabendolhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da questão, observadas as peculiaridades do caso concreto, o que ocorreu neste caso. Vejamos abaixo ementa de julgamento daquela Corte, que esclarece essa questão: AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.400.606 RS (2011/00444916) RELATOR : MINISTRO CESAR ASFOR ROCHA AGRAVANTE : DÁCIO BORBA DAVI ADVOGADO : FABIANA FERREIRA DA SILVA E OUTRO(S) AGRAVADO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. SERVIDOR PÚBLICO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 QUE NÃO SE VERIFICA. Fl. 230DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 193 10 OFENSA ÀS LEIS 8.622/93 E 8.627/93. 28,86%. REESTRUTURAÇÃO DA CARREIRA. LIMITAÇÃO TEMPORAL. MODIFICAÇÃO DO JULGADO. VERBETE N. 7 DA SÚMULA DO STJ. INCIDÊNCIA. – O Tribunal de origem decidiu a controvérsia de forma clara e fundamentada, embora desfavoravelmente à pretensão da parte, pelo que afastada a apontada violação do art. 535 do Código de Processo Civil. O julgador não está obrigado a responder a todos os questionamentos formulados pelas partes, cabendolhe apenas indicar a motivação adequada ao deslinde da quaestio, observadas as peculiaridades do caso concreto. – A jurisprudência desta Corte é firme no sentido de que não ofende a coisa julgada a limitação temporal do pagamento do reajuste de 28,86%, devido em razão de decisão judicial, à data da edição de lei que reestrutura a carreira do servidor. Precedentes. – A modificação do julgado demandaria o revolvimento do acervo fático e probatório dos autos, inviável em sede de recurso especial, a teor do verbete n. 7 da Súmula desta Corte. Agravo regimental improvido. (Data do julgamento: 25/10/11) (Grifo meu) Diante do exposto acima rejeito a preliminar suscitada. DO MÉRITO Cumpre informar, inicialmente, que o auto de infração em discussão teve por objeto somente a exclusão da área de reserva legal da base de cálculo do ITR e a alteração do VTN, logo a solicitação de exclusão de área de preservação permanente não será objeto de apreciação por este Colegiado, por não fazer parte da lide. É importante destacar que não é permitido à contribuinte incluir em sua DITR/2003 a área de preservação permanente, como pretende em seu recurso, posto que configuraria uma retificação de declaração que, no caso em que vise a reduzir ou excluir tributo, somente pode ocorrer antes de iniciado o procedimento de ofício, de acordo com o disposto no art. 147, § 1º, do CTN, abaixo transcrito, e este requisito não se encontra preenchido neste caso. Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é Fl. 231DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 194 11 admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (...) Ademais a aludida matéria sequer foi mencionada na impugnação, não podendo, assim, ser objeto de apreciação em sede recursal, por se tratar de matéria incontroversa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72 (com a redação dada pela Lei nº 9.532/97), in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. A partir do exercício 2001, a protocolização tempestiva do ADA é um dos requisitos legais para que a área de reserva legal não seja tributada pelo ITR, conforme disposto no art. 17O, § 1º, da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, in verbis: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (grifos acrescidos) Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que a interessada comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tais pelo Poder Público, inclusive para fins de redução do valor do ITR. Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em Lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, que compilou a legislação do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal; (...) Fl. 232DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 195 12 § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”. (destaque meu) Para o exercício 2003, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido no art. 9º, § 3º, II, da IN SRF nº 256, de 11/12/02, in verbis: IN SRF nº 256, de 11/12/02 Art. 9º Área tributável é a área total do imóvel rural, excluídas as áreas: I de preservação permanente; II – de reserva legal; (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I – ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR.. (destaque meu) A exigência da averbação da área de reserva legal até a data da ocorrência do fato gerador, para fins de redução da base de cálculo do ITR, constitui matéria bastante controversa no âmbito deste Conselho, sendo objeto de distintos entendimentos, sendo que me alinho àquele que considera tal exigência imprescindível para exclusão da aludida área da base de cálculo daquele tributo, por se tratar de ato constitutivo e não mera formalidade, haja vista o disposto no art. 16, § 8º, da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, e também ao disposto no art. 1.227, do Código Civil, abaixo transcritos: Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Fl. 233DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 196 13 Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)” (destaque meu) Código Civil Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código”. Diante do exposto acima entendo que, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve ter sido averbada à margem da matrícula do imóvel até a data de ocorrência do fato gerador, sendo que a partir do exercício de 2001 constitui, também, requisito indispensável à fruição do benefício Ato Declaratório Ambiental – ADA tempestivamente protocolizado no IBAMA, declarando a existência da respectiva área. No caso em apreço o órgão julgador de primeira instância reconheceu a averbação em cartório, até a data de ocorrência do fato gerador, de 2.800,0 ha, porém não acatou a exclusão de tal área da base de cálculo do ITR face à ausência de apresentação tempestiva do ADA para o exercício de 2003, tendo sido ressaltado que até o exercício de 2005 a legislação tributária não obrigava a entrega do ADA ao Ibama anualmente, mas somente quando houvesse alteração nas áreas não tributáveis do imóvel. Em sede de recurso voluntário a recorrente juntou ADA relativo ao exercício 1997, protocolado em 20/03/01, em que consta a existência de 8.800,0 ha de área de reserva legal. Mesmo se tratando de ADA que não é relativo ao exercício de 2003, como o próprio acórdão recorrido destacou que não era necessária a apresentação de ADA anual até o exercício de 2005, considero que este requisito se encontra atendido neste caso. Resta verificar se a área em questão encontravase averbada em 01/01/03 para que possa ser excluída da base de cálculo do ITR. É o que analisaremos a seguir. Verificando as certidões juntadas às fls. 26/34, constatase a existência das seguintes averbações de área de reserva legal realizadas até 01/01/2003 (data da ocorrência do fato gerador para a DITR/2003): Matrícula nº 21.686: 2.000,00 ha, averbada em 22/10/98; Matrícula nº 21.686: 200,00 ha, averbada em 23/04/99; Fl. 234DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 197 14 Matrícula nº 21.692: 1.250,0025 ha, averbada em 10/01/91; Matrícula nº 28.732: 1.500,00 ha, averbada em 17/01/91; Matrícula nº 28.734: 1.500,00 ha, averbada em 17/01/91; Dessa forma a área de reserva legal total averbada à margem das matrículas do imóvel até a data da ocorrência do fato gerador, no caso em pauta, corresponde a 6.450,00 ha, que, assim, deve ser excluída da base de cálculo do ITR na DITR/2003. Cumpre assinalar que, embora o § 4º do art. 16 do Decreto n° 70.235/72 estabeleça que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que seja comprovada a ocorrência de quaisquer das hipóteses previstas naquele parágrafo, o que não foi feito pela recorrente em relação à apresentação do ADA relativo ao exercício 1997, entendo que, neste caso, o princípio da verdade material deve prevalecer sobre o dispositivo legal citado. Por conseguinte apreciei o citado documento. Em relação à alteração do VTN pelo Fisco, importante trazer à colação o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Por sua vez, à época da edição da Lei nº 9.393, de 1996, a Lei nº 8.629, de 1993, art. 12, §1º, inciso II estabelecia: Lei nº 8.629/93 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: Fl. 235DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 198 15 a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: Lei nº 8.629/93 Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IIIdimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) §3oO Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 236DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10183.720503/200732 Acórdão n.º 2801002.449 S2TE01 Fl. 199 16 Ante a legislação acima transcrita, depreendese que, nos casos de subavaliação do VTN, o lançamento de ofício deve considerar as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização do imóvel, a capacidade potencial da terra e a dimensão do imóvel. Ocorre que, no caso em apreço, o VTN extraído do SIPT para o exercício em análise e o município de localização do imóvel não decorre de levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agriculturas. Limitase ao VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas, haja vista a consulta reproduzida no extrato de fl. 94. O VTN médio das declarações de ITR apresentadas referentes ao município de localização do imóvel não permite a generalização no tocante ao critério da capacidade potencial da terra, não sendo apto a justificar o arbitramento. Portanto, em relação a esta matéria, não pode prevalecer o lançamento. Por fim, acerca das decisões administrativas e judiciais citadas, cumpre informar que, com exceção das decisões judiciais transitadas em julgado, proferidas no rito do recurso repetitivo e da repercussão geral, as demais decisões administrativas e judiciais não vinculam os julgamentos deste Conselho, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Diante do exposto acima voto por REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, por DAR provimento parcial ao recurso para restabelecer o VTN declarado e o montante de 6.450,00 ha da área de reserva legal. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 237DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP08.1019.09328.GRLI. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 21/05/2012 09:18:58. Documento autenticado digitalmente por WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 21/05/2012. Documento assinado digitalmente por: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES em 22/05/2012 e WALTER REINALDO FALCAO LIMA em 21/05/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 08/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP08.1019.09328.GRLI Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F78C7130BFECDA7D80AF5F9E52F8FDF7D9F0D1C8 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10183.720503/2007-32. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13907.000144/2008-60
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. PAGAMENTO À SPA.
Não são dedutíveis como despesas médicas os pagamentos referentes a
internações em clínicas de emagrecimento do tipo SPA.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.458
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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DESPESA MÉDICA. PAGAMENTO À SPA. Não são dedutíveis como despesas médicas os pagamentos referentes a internações em clínicas de emagrecimento do tipo SPA. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 103DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/05/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13907.000144/200860 Acórdão n.º 280102.458 S2TE01 Fl. 94 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 11.089,95, referente ao exercício de 2004. O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de despesas médicas. Em sua impugnação, o contribuinte argumentou que a notificação deve ser cancelada, pois houve atendimento médico e fisioterápico pela Kurotel Clinica Gramado Ltda, cuja atividade principal perante o CNPJ é hotel, possuindo, contudo, em seu objeto social também a atividade de clinica em geral para cuidados e atendimentos médicos e terapêuticos, conforme 13ª alteração de contrato social. A 6ª Turma da DRJ/CTA/PR julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 78/79, que restou assim ementado: DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São dedutíveis despesas médicas, desde que devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Regularmente cientificado daquele acórdão em 03/12//2010 (fls. 83), o interessado, representado pelo procurador habilitado (fl. 85), interpôs recurso voluntário de fl. 84, em 28/12/2010. Em sua defesa, pretende seja restabelecida a dedução de despesa médica, juntando aos autos correspondência do Kurotel com discriminação detalhada da NF 14317 de 08/03/2003 especificando a parte de diária e o atendimento médico e fisioterápico, Declaração do Kurotel que o Sr. Paulo H. Pennacchi foi atendido como paciente e não apenas como acompanhante conforme citado no acórdão, e, ainda, prontuário médico do paciente Paulo H. Pennacchi. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento da glosa do valor de R$ 17.465,19 deduzido indevidamente a titulo de despesa médica, pois se refere a pagamento de Nota Fiscal de Prestação de Serviços emitida por Kur Hotel Clinica Gramado Ltda., cuja atividade econômica principal é hotel. O cerne da questão a ser aqui examinada diz respeito à dedutibilidade da despesa referente a pagamento feito a SPA. Sustenta o recorrente que a despesa é dedutível, pois se refere a pagamento de serviços médicos e fisioterápicos. Ocorre que a dedutibilidade das despesas médicas não é definida apenas em função da necessidade ou não do serviço para o tratamento da saúde, mas, também, em função Fl. 104DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/05/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A Processo nº 13907.000144/200860 Acórdão n.º 280102.458 S2TE01 Fl. 95 3 do beneficiário dos pagamentos que devem exercer uma das profissões relacionadas à saúde especificadas em lei, como médicos, dentistas, fisioterapeutas, etc. e hospitais. Isto é, somente se o SPA for considerado como um estabelecimento hospitalar com base nas normas previstas pelo Ministério da Saúde, as correspondentes despesas poderão ser consideradas dedutíveis para o imposto de renda da pessoa´física. É o que se extrai do art. 8º da Lei nº 8.134, de 1990, a saber: Art. 8° Na declaração anual (art. 9°), poderão ser deduzidos: I os pagamentos feitos, no anobase, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos; Assim, não sendo essa a situação do estabelecimento em questão, resta considerar acertada a glosa da referida despesa. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 105DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 21/05/201 2 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH A
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Numero do processo: 11543.001817/2007-69
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2004
RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1)
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-002.454
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por renúncia à instância administrativa.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 2004 RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) Recurso Voluntário Não Conhecido.
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OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por renúncia à instância administrativa. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11543.001817/200769 Acórdão n.º 2801002.454 S2TE01 Fl. 68 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) em que está o Fisco a exigir do recorrente o crédito tributário no valor total de R$ 2.691,28, incluídos a multa e os juros de mora. A exigência fiscal decorreu da revisão efetuada na declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte referente ao exercício 2005, anocalendário 2004. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da Notificação de Lançamento (fls. 04/06 dos autos), foi glosado o valor de R$ 3.527,00 indevidamente compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou tempestivamente sua impugnação, às fls. 01/08, argumentando que preencheu a Declaração de acordo com o comprovante de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora. Alegou ainda que, nos termos dos documentos apresentados, ficou comprovado os recolhimentos (depósito judicial), por força de medida liminar, com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Ao apreciar o litígio, a 3a Turma de Julgamento da DRJ/Brasília/DF decidiu, por unanimidade de votos, não conhecer da impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/BSB nº 0333.994, de 28/10/2009, às fls. 53/55, cuja ementa encontrase a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2005 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto, tomando definitivo o lançamento. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão a quo, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário às fls. 61/63, argumentando que são diferentes os objetos da ação judicial e do presente processo administrativo, pugnando pela apreciação deste, dandolhe provimento, para correção do preenchimento indevido da declaração (erro formal) extinguindo o débito de origem ilegal, e liberada a restituição que entende fazer jus. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11543.001817/200769 Acórdão n.º 2801002.454 S2TE01 Fl. 69 3 Trata o presente lançamento de glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), cujo valor de R$ 3.527,00 foi depositado em conta vinculada ao juízo da 12ª Vara da Justiça Federal do Estado do Rio de Janeiro, por força de decisão prolatada no processo nº 2001.51010209593. Portanto, a questão tratada no presente processo administrativo está atrelada ao resultado da referida demanda judicial. Esclareçase que, à autoridade administrativa cabe constituir o crédito tributário pelo lançamento nos termos do art. 142 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 e alterações, Código Tributário Nacional (CTN). O lançamento, ainda que a exigibilidade do crédito esteja suspensa, deve ser formalizado para prevenir a decadência, cujo prazo não se interrompe. De acordo com os documentos constantes do autos, não há dúvida de que o contribuinte fez opção pela via judicial, importando em renúncia à instância administrativa, relativamente à matéria concernente à exigência do imposto de renda em questão. Portanto, há de se corroborar a decisão recorrida no que se refere a este aspecto, conforme posição já sumulada no âmbito deste Conselho, in verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 1) Verificase, então, que o pleito do recorrente não pode ser apreciado nesta instância administrativa, pois somente cabe a Administração se submeter ao decidido pelo Poder Judiciário, devendo o processo retornar à unidade de origem para que seja adequado aquilo que consta nos presentes autos à decisão que for proferida na esfera judicial. Diante do acima exposto, VOTO por não conhecer do recurso, por renúncia à instância administrativa. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 72DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
score : 1.0
Numero do processo: 13561.000044/2007-19
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Indevida a dedução de despesas médicas efetuada na declaração de ajuste anual quando não apresentada documentação comprobatória hábil e suficiente para caracterizar a efetiva realização das despesas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.450
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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COMPROVAÇÃO. Indevida a dedução de despesas médicas efetuada na declaração de ajuste anual quando não apresentada documentação comprobatória hábil e suficiente para caracterizar a efetiva realização das despesas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Paticiparam do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Sandro Machado dos Reis e Walter Reinaldo Falcão Lima. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 13561.000044/200719 Acórdão n.º 2801002.450 S2TE01 Fl. 84 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Em auto de infração relativo ao imposto sobre a renda, exercício 2003, anocalendário 2002 (fls.2 a 7), formalizouse a exigência de imposto suplementar, no valor de R$ 5.658,29, acrescido de multa de oficio e juros de mora, calculados até maio de 2007, perfazendo um crédito tributário total de R$13.607,04. O lançamento foi motivado por dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$20.575,60. Intimado a comproválas, o Contribuinte apresentou em 31/10/2006 os documentos de fls.35 a 46. Nenhum documento relativamente aos pagamentos declarados como tendo sido feitos à Cooperativa de Trabalho Médico — Inimed Piraqueaçu (R$2.847,60) e ao profissional Claudio Lessa (R$1.100,00). As fls.49/50 indicam que em 27/3/2007 lhe foram solicitados esclarecimentos adicionais, mais especificamente a apresentação dos originais dos documentos e a comprovação mediante documentação hábil e idônea da origem dos recursos que teriam sido utilizados no efetivo pagamento aos profissionais Luis Carlos Merçon de Vargas (R$10.328,00), Robson Almeida de Rezende (R$5.800,00) e Rafael Vago Cipriano (R$500,00), indicados nos documentos de fls.35 a 37. O Contribuinte não atendeu a essa intimação. Além das despesas para as quais nada havia comprovado originalmente, foram ainda glosadas as que não restaram suficientemente comprovadas durante a ação fiscal. Agora na impugnação à fl.1, o Contribuinte limitase a referir anexação de copias dos recibos correspondentes a despesas médicas e odontológicas que teriam sido desconsiderados no lançamento. E os reapresenta às fls.8 a 12.” Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. Mantémse como indevida a dedução de despesas médicas efetuada na declaração de ajuste anual, quando não apresentada documentação comprobatória hábil e suficiente para caracterizar a efetiva realização das despesas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Irresignado, o Recorrente interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de sua impugnação. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA Processo nº 13561.000044/200719 Acórdão n.º 2801002.450 S2TE01 Fl. 85 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. Conforme relatado, tratase de lançamento visando à glosa das seguintes despesas médicas: a) por falta de apresentação de qualquer documento, as declaradas como tendo sido pagas à Cooperativa de Trabalho Médico — Inimed Piraqueaçu (R$ 2.847,60) e ao profissional Claudio Lessa (R$ 1.100,00); e b) por insuficiência de comprovação, as relativas aos profissionais Luis Carlos Merçon de Vargas (R$ 10.328,00), Robson Almeida de Rezende (R$ 5.800,00) e Rafael Vago Cipriano (R$ 500,00). Cumpre ressaltar, desde já, que o contribuinte, em seu recurso voluntário, junta mais recibos, estes referentes às despesas medicas com a Cooperativa de Trabalho Médico — Inimed Piraqueaçu (R$ 2.847,60) e com o profissional Claudio Lessa (R$ 1.100,00). Não obstante, fato é que o cenário até então existente pouco muda, eis que não restou comprovado o pagamento das despesas. Em outras palavras, seja através de cheque ou transferência bancária, não logrou o Recorrente demonstrar a efetividade das despesas, na forma destacada claramente na autuação fiscal. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 85DF CARF MF Impresso em 08/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 10/07/2 012 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHA
score : 1.0
Numero do processo: 13811.000794/2006-11
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
GLOSAS DE DESPESAS DEDUTÍVEIS. COMPROVAÇÃO DA PERTINÊNCIA DAS DESPESAS. RESTABELECIMENTO DO VALOR GLOSADO.
Comprovada a pertinência da despesa dedutível, deve-se restabelecer o valor glosado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.592
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Marcelo Vasconcelos de Almeida, que apresentarão Declaração de Voto.
Nome do relator: TÂNIA MARA PASCHOALIN
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COMPROVAÇÃO DA PERTINÊNCIA DAS DESPESAS. RESTABELECIMENTO DO VALOR GLOSADO. Comprovada a pertinência da despesa dedutível, devese restabelecer o valor glosado. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães e Marcelo Vasconcelos de Almeida, que apresentarão Declaração de Voto. Assinado digitalmente ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES Presidente Assinado digitalmente TÂNIA MARA PACHOALIM Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Sandro Machado dos Reis, Tânia Mara Paschoalin, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Eivanice Canário da Silva. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 13811.000794/200611 Acórdão n.º 2801002.592 S2TE01 Fl. 52 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/BSA/DF. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado Auto de Infração na data de 14/11/2005 (fls. 13 a 17), referente ao IRPF, do exercício 2003, ano calendário 2002, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DEFIC/São Paulo SP. O crédito tributário apurado pela autoridade fiscal está assim constituído, em Reais: Imposto Suplementar .................................................... 1.326,86 Multa de oficio (75%) ................................................... 995,14 Juros de Mora (calculados até 11105) ...................... 591,24 Valor do Crédito Tributário apurado ............................ 2.913,24 O cálculo do Imposto Suplementar apurado, de R$ 1.326,86, encontrase demonstrado às fls. 15 e 16, e a descrição dos fatos e enquadramentos legais das infrações às fls. 13/14, conforme transcrito: Dedução indevida a título de despesas médicas. Dos valores declarados efetuamos glosa das despesas médicas referentes à sogra, senhora Marcelina de Morais porque não é dependente do contribuinte, pois sua esposa Maria Fernanda M. Pais Fernandes Mendonça não tem rendimentos tributáveis próprios e é dependente do marido. Foram feitas as seguintes glosas: Hospital Albert Einstein: aceito R$ 276,02 porque o restante é despesa da sogra; Milton Glezer: aceito R$ 150,00 porque o restante é despesa da sogra; Gondemberg Serviços Médicos e Diagnostica da América: glosa total porque são despesas da sogra. Total da Glosa: 136.943,64. Enquadramento legal: art. 8% inciso II, aliena "a", e §§2° e 3% da Lei n° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. Após ciência do Auto de Infração em 24101 /2006 (informação Sucop às fls. 18), o contribuinte apresenta impugnação, protocolada em 20/02/2006 (fls. 01 a 07), acompanhada da documentação de fls. 08/12, expondo, em síntese, os motivos de fato e de direito que se seguem: Que o requerente sempre procura observar e cumprir com as obrigações tributárias, especialmente as normas contidas no Decreto n° 3.000/99, para preparar anualmente a sua Declaração de Ajuste; Foi justamente por seguir os preceitos da referida norma, que o Requerente no exercício de 2003, anocalendário de 2002, Fl. 53DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 13811.000794/200611 Acórdão n.º 2801002.592 S2TE01 Fl. 53 3 informou em sua declaração de ajuste anual, que tinha como suas dependentes, a Sra Marcelina de Morais, (sua sogra) e a Sr a Maria Fernanda M. Pais Fernandes Mendonça (sua esposa), tendo em vista que as mesmas não auferiram rendimentos, tributáveis ou não, deduzindo em conseqüência dessa situação, as despesas médicas incorridas nesse período; As dependentes sempre foram incluídas em sua declaração de ajuste anual do Imposto de Renda, até o momento do falecimento de sua sogra; Esta inclusive, desde que se transferiu para o Brasil, sempre morou com o impugnante no endereço declarado, juntamente com sua filha e em nenhum momento ausentouse deste domicílio, tamanha era a dependência econômica, moral e emocional da mesma; No entanto, para sua surpresa, recebeu a Intimação do Auto de Infração; Transcreve o demonstrativo do crédito tributário apurado e a descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no Auto de Infração; Transcreve o artigo 80 caput, inciso II e Parágrafo 2 ° da Lei n° 9.250/95 e o Artigo 35 da Lei n° 9.250/1995; Pela leitura dos dispositivos legais citados, verificase que está absolutamente correto o entendimento do Impugnante de que a sua sogra pode sim ser considerada sua dependente para fins de imposto de renda; Este entendimento é igualmente ratificado pela Secretaria da Receita Federal, tanto que a mesma o disponibiliza para consulta pública em seu site, no campo de "perguntas e respostas". E transcreve a pergunta n° 329 do referido site. Transcreve ainda a pergunta 337, que explica o art. 8º da Lei n° 9.250/95; Os requisitos acima foram integralmente cumpridos, já que a Sr a Maria Fernanda M. Pais de Mendonça, filha da Sra. Marcelina de Morais, também é dependente do Requerente, ou seja, as declarações são apresentadas em conjunto; Transcreve algumas ementas de julgados do Conselho de Contribuintes, que dizem, em síntese, que o vínculo de afinidade com sogros permite que sejam considerados dependentes e, que para tanto basta que a esposa não declare em separado, podendo inclusive ser dependente na declaração do marido (Ac. nN 10221.256/84, 10220.327/83, 106707/86 e 104 20.897/05); Diz que improcede a glosa referente à sogra e lista os documentos anexados à impugnação; Solicita o cancelamento do Auto de Infração; Fl. 54DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 13811.000794/200611 Acórdão n.º 2801002.592 S2TE01 Fl. 54 4 Pede deferimento.” O lançamento foi julgado procedente, conforme Acórdão de fls. 20/24, que restou assim ementado: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. DEPENDENTE SOGRA. Não é considerado dependente o sogro ou sogra quando a filha não tiver auferido rendimentos tributáveis, constando apenas como dependente na declaração de ajuste do cônjuge. Regularmente cientificado daquele acórdão em 10/08/2009 (fl. 30), o interessado, representado por seus advogados (fls. 41/42), interpôs recurso voluntário de fls. 32/40, em 08/09/2009. Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente litígio da inconformidade do recorrente em relação à glosa das despesas médicas declaradas com a sogra. Concluiu a decisão recorrida que a glosa das referidas despesas médicas deve ser mantida, pois a sogra do contribuinte – Sra. Marcelina de Morais não poderia ser considerada sua dependente, tendo em vista que, na espécie, não se trata de declaração em conjunto, dado que inexistem rendimentos tributáveis do cônjuge declarados na declaração sob exame. Quanto a essa relação de dependência, adoto idêntico entendimento adotado em diversas decisões deste Egrégio Conselho (citase algumas: Acórdão nº 10617.231, de 04/02/2009 – Recurso nº 164.910 – Processo nº 10120.006346/200611; Acórdão nº 2801 00.419, de 13/04/2010 – Recurso nº 162.367 – Processo nº 10680.001614/200492; Acórdão nº 10615.105, de 11/11/2005 Recurso nº 147.087 –Processo nº 11516.000859/200203), no sentido de que o sogro ou sogra (pai ou mãe do cônjuge/companheira do declarante), desde que não aufira rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal, pode ser considerado dependente do imposto de renda do declarante, quando cônjuge/companheira esteja igualmente incluída na respectiva declaração de rendimentos. Portanto, não havendo nos autos qualquer elemento de prova que venha a afastar o vínculo ali informado, ou ainda, que venha a demonstrar a incomunicabilidade do patrimônio relacionado na referida declaração, a Sra. Marcelina de Morais deve ser considerada dependente para fins de dedução do imposto apurado na declaração de rendimentos em análise, nos termos da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, II, “c”, com redação dada pela Lei nº 10.451, de 10 de maio de 2002, restabelecendose, por conseguinte, as despesas médicas declaradas com ela, no montante de R$ 136.943,64 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 13811.000794/200611 Acórdão n.º 2801002.592 S2TE01 Fl. 55 5 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 56DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 13811.000794/200611 Acórdão n.º 2801002.592 S2TE01 Fl. 56 6 Declaração de Voto A ilustre Conselheira Tânia Maria Paschoalin deu provimento ao recurso para restabelecer a glosa de despesas médicas efetuadas com a sogra do Recorrente. Pedi vista para melhor analisar a questão. O art. 35 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, não contempla o sogro ou a sogra como dependente econômico para fins de imposto de renda. A Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB admite, em seu sítio eletrônico, a possibilidade de inclusão de sogro (a) como dependente na declaração de genro ou nora, desde que o filho (a) esteja declarando em conjunto com o genro ou nora e o sogro (a) não tenha renda superior ao limite de isenção anual: 335 A sogra ou sogro podem ser considerados dependentes na declaração do genro ou nora? De acordo com a Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 35, os pais podem ser considerados dependentes na declaração dos filhos, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual (R$ 18.799,32). O sogro ou a sogra não podem ser dependentes, salvo se seu filho ou filha estiver declarando em conjunto com o genro ou a nora, e desde que o sogro ou a sogra não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção anual (R$ 18.799,32), nem estejam declarando em separado. A situação em análise não se amolda à exceção admitida pela RFB, haja vista que somente é considerado “declarante em conjunto” o cônjuge, companheiro ou dependente cujos rendimentos sujeitos ao ajuste anual são oferecidos à tributação na declaração apresentada pelo contribuinte. Em outras palavras: a declaração em conjunto supre a obrigatoriedade da apresentação da declaração a que porventura estiver sujeito o cônjuge. Não estando o cônjuge obrigado a apresentar a declaração, por não ter percebido rendimentos, não há que se falar em “declaração em conjunto”, tampouco em dependência da sogra em relação ao genro para fins de imposto de renda. Este entendimento se coaduna com o disposto no artigo 8º, § 1º do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, verbis: Declaração em Conjunto Art. 8º. Os cônjuges poderão optar pela tributação em conjunto de seus rendimentos, inclusive quando provenientes de bens gravados com cláusula de incomunicabilidade ou inalienabilidade, da atividade rural e das pensões de que tiverem gozo privativo. § 1º. O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos do outro cônjuge, incluídos na declaração, poderá ser compensado pelo declarante. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 13811.000794/200611 Acórdão n.º 2801002.592 S2TE01 Fl. 57 7 Em decorrência, descabe a dedução de despesas médicas realizadas com a sogra quando sua filha, embora constando da declaração de ajuste do cônjuge, não tenha auferido rendimentos tributáveis. Face ao exposto, peço vênia à ilustre Relatora, Conselheira Tânia Mara Paschoalin, para conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. Assinado digitalmente Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 58DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA Processo nº 13811.000794/200611 Acórdão n.º 2801002.592 S2TE01 Fl. 58 8 Declaração de Voto Com a devida vênia da insigne Relatora, Conselheira Tânia Mara Paschoalin, permitome divergir de seu voto por entender que na espécie em exame não me foi possível aferir, diante da documentação colacionada aos autos, se os dependentes (esposa e sogra), informados pelo contribuinte na DIRPF/2003 objeto da exação fiscal, auferiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal/anual, ou mesmo, se apresentaram declaração de rendimentos em separado para o exercício em questão, razão pela qual, neste caso, não acompanho o voto da Relatora, e nego provimento ao Recurso. Assinado digitalmente Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 59DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
score : 1.0
Numero do processo: 13707.004116/2007-97
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
Súmula CARF n° 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem
enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.413
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Antônio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/ 05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 13707.004116/200797 Acórdão n.º 280102.413 S2TE01 Fl. 64 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 1ª Turma da DRJ/RJOII (Fls. 29), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o processo fiscal de lançamento, gerado após o processamento da declaração de ajuste, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o impugnante insurgiuse contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art. 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever a autuação. Passo adiante, a 1ª Turma da DRJ/RJOII entendeu por bem julgar o lançamento procedente em parte, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Principio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Cientificado em 26/05/2008 (Fls. 34 verso), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 05/06/2008 (fls. 35 e 36), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Não merece reforma o acórdão de Primeira Instância. Indenização significa ressarcir, compensar; ou seja, é a reparação de um dano ou prejuízo. Deste modo, para que um determinado rendimento seja considerado de natureza indenizatória, este deve ser decorrente da reparação de um dano ou prejuízo. Ocorre que o chamado “adicional por tempo de serviço”, e a “compensação orgânica” não são decorrentes da reparação de um dano ou prejuízo. Na verdade, estes se prestam mais como um prêmio pelo tempo de serviço do servidor; razão pela qual não devem ser considerados como rendimento que possuem natureza indenizatória. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/ 05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 13707.004116/200797 Acórdão n.º 280102.413 S2TE01 Fl. 65 3 Temos ainda que, nos termos, do artigo 43 do Código Tributário Nacional, o Imposto sobre a Renda incidirá sobre a renda e proventos de qualquer natureza; in verbis: Art. 43 – O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade jurídica: I – de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II – de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Na medida em que o Imposto sobre a Renda incide sobre os rendimentos do produto de trabalho, e sobre os proventos de qualquer natureza, para que o chamado “adicional por tempo de serviço” e a “compensação orgânica”não fossem alcançados por sua base de cálculo haveria a necessidade de Lei específica determinando a sua isenção. Contudo, não há norma legal determinando a isenção do Imposto de Renda de Pessoa Física sobre os rendimento do adicional por tempo de serviço ou sobre a compensação orgânica. O art. 39, do Decreto n 3.000 99 (Regulamento do Imposto de Renda), que estabelece as exclusões do rendimento bruto, não elenca, entre as suas exclusões de rendimentos, o rendimento oriundo do adicional por tempo de serviço ou da compensação orgânica. Melhor sorte não resta a Lei 8.852, de 1994, que, em nenhum momento estabelece isenção, ou hipótese de não incidência do IRPF. Na verdade, a Lei 8.852, de 1994, apenas define aquilo que seja vencimento básico, para efeitos de cálculo dos tetos remuneratórios dos ocupantes de cargos, funções, e empregos públicos. Assim, o rendimento oriundo do adicional por tempo de serviço, e a compensação orgânica, importam em aquisição de disponibilidade econômica de renda, não possuem natureza indenizatória, e não estão relacionados entre as isenções previstas em Lei; sujeitos, portanto, estão à incidência do Imposto sobre a Renda. Este, esclareçase, é o entendimento mantido por este Egrégio Conselho, conforme estabelecido na Súmula CARF 68, de aplicação obrigatória pelos Conselheiros; in verbis: Súmula CARF n° 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Ante tudo acima exposto, e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 73DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/ 05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE Processo nº 13707.004116/200797 Acórdão n.º 280102.413 S2TE01 Fl. 66 4 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 24/ 05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por CARLOS CESAR Q UADROS PIERRE
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Numero do processo: 11618.000169/2005-41
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Somente podem ser aceitas as deduções pleiteadas em consonância com a legislação de regência e devidamente respaldadas por documentos hábeis, idôneos e suficientes a comprová-las.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.473
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 10.543,00, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Somente podem ser aceitas as deduções pleiteadas em consonância com a legislação de regência e devidamente respaldadas por documentos hábeis, idôneos e suficientes a comproválas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 10.543,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11618.000169/200541 Acórdão n.º 2801002.473 S2TE01 Fl. 77 2 Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Mediante Auto de Infração, às fls. 18/21, relativa ao IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2003, anocalendário 2002, que alterou o saldo de imposto a restituir de R$ 12.644,85 apurado pela contribuinte na DIRPF, reduzindoo para o valor de R$ 3.742,67. De acordo com a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação, foram glosadas deduções com despesas médicas, conforme a seguir transcrito (fl. 19): “(...) Dedução indevida a título de despesas médicas. Foi glosado o valor de R$ 13.600,00 (impossibilidade de identificar o beneficiário do tratamento); R$ 16.880,00 (serviço prestado por Pessoa Jurídica, não apresentou Nota Fiscal); R$ 100,00 (falta de endereço do profissional) e R$ 5.610,77 (falta de comprovação). Enquadramento Legal: art. 8°, inciso II, alínea “a”, e §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.250/95; arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001.” Inconformada com a exigência a interessada apresentou impugnação, às fls. 01/02, cujas razões de defesa estão a seguir resumidas: quanto à impossibilidade de identificar o beneficiário do tratamento, as declarações anexadas que foram emitidas pelos profissionais prestadores dos serviços informa que os tratamentos foram efetuados na declarante e em sua filha Ana Carolina Borges de Miranda; em relação à falta de apresentação da nota fiscal relativa a serviços prestados por pessoa jurídica no montante de R$ 16.880,00, o valor de R$ 4.600,00 é relativo a serviço prestado pelo Centro Especializado de Odontologia, conforme notas fiscais anexas; o valor de R$ 10.000,00 referese a serviço prestado pelo profissional Cleidson de Jesus Albuquerque Ribeiro, conforme recibo anexado; e o valor de R$ 2.280,00 é relativo ao serviço prestado pela empresa Arcada Assistência Odontológica Ltda., conforme nota fiscal e recibo também colacionados ao processo; a psicóloga Maria das Graças Teles Martins, que prestou serviço médico no valor de R$ 100,00, tem como endereço profissional a Avenida D. Pedro II, n° 712, Centro, João Pessoa/PB, conforme comprovante anexado aos autos; além das despesas acima relacionadas, consta na declaração R$ 1.791,55 corresponde à Unimed João Pessoa, e os valores de R$ 948,55 e R$ 843,00 são referentes às despesas médicas com a AFRAFEP, conforme comprovantes. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11618.000169/200541 Acórdão n.º 2801002.473 S2TE01 Fl. 78 3 Ao final, a impugnante solicitou o cancelamento do débito fiscal reclamado. Anexou, ainda, às fls. 03/17, os documentos pertinentes à questão. A 1a Turma de Julgamento da DRJ/Recife/PE, em decisão unânime, julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/REC nº 1122.470, de 29/05/2008, às fls. 30/35. Consta da peça decisória a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2003 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Lançamento Procedente. Cientificada do julgamento a quo em 30/07/2008, nos termos do AR – Aviso de Recebimento à fl. 39, a contribuinte interpôs, em 27/08/2008, o Recurso Voluntário às fls. 40/41, asseverando que: “(...) Referente o valor de R$ 2.280,00, foi realizada na própria contribuinte, conforme consta na NF de serviços e recibo de quitação da empresa Arcada; Os serviços odontológicos feito pelo Centro Especializado de Odontologia S/C Ltda., foi realizado na Contribuinte e sua dependente e segue documentação que especifica o tratamento; as despesas pagas ao Dr. Geraldo Batista Paiva Junior, referente a atendimento psicológico, foram realizados na contribuinte e sua dependente, ao valor de R$ 100,00 cada sessão, no curso do ano em meses alternados; R$ 100,00 emitido pela médica Maria das Graças Teles Martins, consta de uma única consulta e sessão, valor de R$ 948,55 referente à UNIMED é de sua dependente e R$ 843,00 da AfrafepSaude, descontada mensalmente no contracheque órgão Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba, na qual a contribuinte é lotada como Auditora Fiscal e representado no Comprovante de Rendimentos Pagos. (...) Anexa Notas Fiscais de Serviços; Relatórios dos médicos, com fichas técnica dos procedimentos enfatizados; Cópia de ficha de atendimento medica; exames de RaiosX; Comprovantes de Rendimentos Pagos emitido pela Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba; Declaração anual da UNIMED, onde consta discriminação mensal e indicação da dependente.” É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11618.000169/200541 Acórdão n.º 2801002.473 S2TE01 Fl. 79 4 Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Para solução do presente litígio, há que se observar o que dispõe o art. 80 do RIR/1999, cuja matriz legal é art. 8º, inciso II, e §2º, inciso III, da Lei nº 9.250, de 1995, in verbis: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2°. O disposto na alínea “a” do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; [...] Ressaltese, inicialmente, que a glosa das despesas médicas efetuada no lançamento ocorreu com supedâneo nas seguintes razões: i) despesas no valor de R$ 13.600,00 em que não foi possível identificar o beneficiário do tratamento; ii) despesas no montante de R$ 16.880,00 em que os serviços foram realizados por pessoa jurídica e o contribuinte não apresentou as respectivas notas fiscais; iii) despesa no valor de R$ 100,00 face à ausência do Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11618.000169/200541 Acórdão n.º 2801002.473 S2TE01 Fl. 80 5 endereço do profissional que realizou o serviço; e iv) demais despesas no montante de R$ 5.610,77 em que não foi apresentada documentação comprobatória. Como se observa, a exigência fiscal em apreço não se baseou na ausência de comprovação do efetivo pagamento das despesas declaradas. Deste modo, o exame da presente lide deve se pautar na observância da motivação posta pela autoridade lançadora para efetuar a glosa destas deduções pleiteadas na declaração de rendimentos apresentada pela recorrente. Deveras, nessa instância, a discussão restringese às seguintes despesas médicas questionadas na peça recursal, cuja documentação anexadas aos autos passamos a apreciar, apresentando as devidas conclusões quanto à dedutibilidade ou não destes dispêndios, face ao que estabelece o artigo 8° da Lei n° 9.250, de 1995, acima reproduzido. É o que a seguir se destaca: i) recibo à fl. 43, emitido em 10/06/2002, e nota fiscal à fl. 44, emitida em 19/02/2005, que informam o valor de R$ 2.280,00 Tais documentos não indicam o beneficiário do tratamento. E mais, por se tratar de aquisição de prótese dentária, para comprovação deste dispêndio seria necessária a anexação de receituário médico ou odontológico, como já havia destacado a decisão recorrida. O orçamento anexado à fl. 68 não se revela como elemento capaz de suprir tal deficiência probatória. Portanto, tal despesa não pode ser aceita para fins de dedução do imposto de renda. ii) notas fiscais às fls. 06 a 12 (/48 a 54), emitidas pelo Centro Especializado de Odontologia S/C Ltda., no valor total de R$ 4.600,00, em nome de “clientes diversos (Ana Maria Borges)” – não informam o beneficiário dos serviços odontológicos. A cópia do livro de “Registros dos Serviços Prestados”, anexada pela recorrente às fls. 55/59 dos autos, apenas apresenta a relação de notas fiscais emitidas e os respectivos valores recebidos por serviços prestados pela referida empresa no ano de 2002, não servindo de elemento de prova a favor da recorrente, posto que não indica os clientes (beneficiários) daqueles serviços. Mantida, portanto, tal glosa efetuada no lançamento. iii) recibo à fl. 13 (/45), emitido por Cleidson de Jesus Albuquerque Ribeiro, no valor de R$ 10.000,00 – também não indica o beneficiário dos serviços odontológicos executados. A cópia da ficha de tratamento dentário às fls. 46/47, anexada juntamente com a peça recursal, não contém a assinatura do profissional executor dos serviços ali discriminados, não havendo, portanto, como vincular tal documento à esta despesa que a recorrente pretende comprovar. Procedente esta glosa efetuada no auto de infração. iv) recibo à fl. 15 (/67), emitido por Geraldo Batista Paiva Júnior, no valor de R$ 9.600,00 – diante da motivação exposta pela autoridade lançadora para efetuar a glosa desta despesa (não identificação do(s) beneficiário(s) dos tratamentos), entendo que a declaração colacionada à fl. 14 (/66) se revela hábil a comprovar que os serviços médicos foram prestados à contribuinte e à sua filha Ana Carolina Borges de Miranda (dependente informada na declaração de rendimentos). Portanto, tal dedução deve ser restabelecida. v) recibo à fl. 17 (/63), emitido por Maria das Graças Teles Martins, no valor de R$ 100,00 – Verificase que a declaração anexada à fl. 14 (/62) do presente processo supre a deficiência probatória que fundamentou a autuação, ou seja, referido documento informa o endereço da profissional emitente do recibo, pelo que deve ser desconstituída essa glosa fiscal. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 11618.000169/200541 Acórdão n.º 2801002.473 S2TE01 Fl. 81 6 vi) recibos às fls. 15 e 74, de emissão do profissional Cláudio Nunes Ribeiro Neto, no valor de R$ 4.000,00 – não são hábeis a comprovar a despesa pleiteada, visto que não indicam o beneficiários dos serviços odontológicos prestados. Mantida, portanto, tal glosa efetuada no lançamento. vii) declaração da Unimed João Pessoa Cooperativa de Trabalho Médico, à fl. 64 – referese tal documento ao exercício 2002, portanto, não se presta à comprovação de despesas dedutíveis referente ao exercício em exame (2003), razão pela qual tal documento não pode ser considerado para fins da dedução pleiteada nos autos. viii) Comprovante de Rendimentos emitido pela Secretaria de Finanças do Estado da Paraíba (fonte pagadora dos rendimentos declarados pela recorrente), à fl. 65 – Este documento foi anexado ao processo juntamente com a peça recursal, e comprova despesas efetuadas pela recorrente no anocalendário de 2002 com a AFRAFEPSaúde, no total de R$ 843,00. Deste modo, deve ser restabelecida esta dedução. Diante do acima exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução com despesas médicas no montante de R$ 10.543,00. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 85DF CARF MF Impresso em 27/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 25/05/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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