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Numero do processo: 19515.001968/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1302-000.176
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento em função do art. 62-A do Ricarf.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento em função do art. 62A do Ricarf. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Márcio Rodrigo Frizzo. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.001968/201061 Resolução n.º 1302000.176 S1C3T2 Fl. 286 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 7ª Turma da DRJ/SP1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar IMPROCEDENTE a impugnação interposta pelo sujeito passivo e mantendo integralmente as autuações dos créditos tributários, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 CISÃO TOTAL. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 15 da Lei nº 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2006 CISÃO TOTAL. APROVEITAMENTO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. CISÃO TOTAL. MULTA DE OFÍCIO. A responsabilidade dos sucessores de sociedade extinta em decorrência de deliberação que aprovar operação de incorporação aplicase às obrigações tributárias vinculadas à empresa incorporada, cuja abrangência da sujeição passiva alcança os respectivos tributos devidos, acrescido das multas de natureza fiscal e juros moratórios a eles associados, adstritos às infrações cometidas quanto aos fatos geradores ocorridos antes da concretude do evento societário. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: O presente processo versa acerca de autos de infração datados de 05/07/2010 (fls. 108/119), lavrados contra o sujeito passivo em epígrafe, que tratam de lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Fl. 298DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.001968/201061 Resolução n.º 1302000.176 S1C3T2 Fl. 287 3 Lucro Líquido (CSLL) conexos ao anocalendário de 2006, constituídos em montante equivalente à proporção do acervo líquido da empresa cindida Genexis do Brasil Serviços de Informação e para o Comércio Eletrônico Ltda., CNPJ nº 00.114.551/000186, perfazendo um crédito tributário total de R$ 5.973.031,09 e R$ 2.154.909,27, respectivamente, composto de principal, multa de ofício de 75% e juros de mora vinculados, calculados até 30/06/2010: Tributo/Contribuição Fls.dos autos do processo Principal Multa de Ofício (75%) IRPJ 108/112 2.793.747,01 2.095.310,25 CSLL 113/119 1.007.908,92 755.931,69 VALORES TOTAIS 3.801.655,93 2.851.241,94 Os referidos autos de infração decorreram de injuridicidade caracterizada em procedimento de revisão interna de Declarações de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) transmitida pela entidade Genexis do Brasil Serviços de Informação e para o Comércio Eletrônico Ltda., CNPJ nº 00.114.551/000186, segundo o qual restaram denotadas as condutas assentadas na descrição dos fatos e enquadramentos legais noticiados no corpo do Termo de Verificação Fiscal (fls. 99/107), conjugados com as informações detalhadas nas mencionadas autuações, ora integrantes e indestacáveis dos referidos lançamentos, quais sejam: 1) Compensação indevida de prejuízo fiscal apurado, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, sujeitando a autuação das diferenças apuradas, consoante expresso nos arts. 247; 250, inciso III; 251, parágrafo único; e 510 do RIR/99; 2) Compensação indevida da base de cálculo da CSLL apurada, ante a falta de observância do limite de compensação de 30% da base negativa de períodos anteriores, sujeitando a autuação das diferenças apuradas, consoante expresso no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 58 da Lei nº 8.981/95; art. 16 da Lei nº 9.065/95; e art. 37 da Lei nº 10.637/02. Importa destacar que o encerramento dos trabalhos certifica que a ação fiscal, inicialmente, foi determinada junto à empresa cindida, todavia, após a realização da análise preliminar das informações prestadas na Declaração de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ) – Situação Especial correlata ao período base, constatouse o seguinte: a) A declaração foi apresentada em 31/10/2006, compreendendo o período de 1º/01/2006 a 30/09/2006, fundamentada em deliberação que aprovou a cisão total da sociedade (fls. 2/28); b) No terceiro trimestre do períodobase, o contribuinte apurou um Lucro Real de R$ 52.835.384,46, efetuando a compensação de importância exatamente igual ao montante de Prejuízos Fiscais de Períodos Anteriores, consoante observado na linha 45 da ficha 09A (Demonstração do Lucro Real – PJ em Geral) – pág. 15 da DIPJ/2006; c) Similarmente, deduziu o valor total da Base de Cálculo Negativa da CSLL de Períodos Anteriores, no valor de R$ 52.835.384,46, conforme se verificado na linha 37 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.001968/201061 Resolução n.º 1302000.176 S1C3T2 Fl. 288 4 da ficha 17 (Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) relativo ao 3º trimestre do anobase – pág. 20 da DIPJ/2006; e d) Na ficha 49 (Dados das Sucessoras) – pág. 26 da DIPJ/2006 – prestou a declaração da realização de operação de Cisão Total associada às seguintes empresas: d.1) CNPJ nº 07.862.843/000146 – M.C.S.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., figurando com o percentual de incorporação do Patrimônio Líquido na proporção de 70% (setenta por cento); d.2) CNPJ nº 07.878.715/000190 – I.J.C.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda., demonstrando a agregação do Patrimônio Líquido da cindida na proporção de 30% (setenta por cento). Diante de tais informações prestadas pelo contribuinte declarante, a autoridade lançadora relata que prosseguiu o exame das informações comparando com os dados consignados no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), logrando as seguintes verificações: 1) CNPJ nº 07.878.715/000190: Empresa GENEXIS INFORMAÇÕES PARA NEGÓCIOS LTDA., situada no município de São Paulo/SP; 2) CNPJ nº 07.862.843/000146: Empresa GENEXIS SERVIÇOS TECNOLÓGICOS LTDA., também localizada em São Paulo/SP. Ato contínuo, com base nos dados cadastrais em destaque, o AuditorFiscal promoveu a lavratura dos Termos de Intimação Fiscal datados de 29/10/2009, am bos cientificados por via postal em 30/10/2009 (fls. 33/35 e 38/40), através dos quais requisitou às referidas pessoas jurídicas a apresentação de justificativas quanto aos motivos da compensação a maior de valores de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL, outrora formalizados pela, até então, empresa sucedida. Em resposta às intimações, ambas prestaram seus esclarecimentos em 17/09/2009 (fls. 41/52 e 53/64), esclarecendo que, por equívoco, constaram indevidamente como sucessoras da empresa cindida, todavia, anteciparam que a operação de cisão total da declarante, na verdade, representou a versão das parcelas cindidas para as seguintes entidades: a) CNPJ nº 08.091.585/000104: GHI Participações e Serviços de Informações para Negócios Ltda., com sede no município de São Paulo/SP, cuja participação no acervo líquido da sociedade cindida correspondeu ao montante de R$ 85.000,00, portanto, constituindose em detentora do equivalente a 30,28% da parcela cindida; b) CNPJ nº 08.091.591/000161: GBL Participações e Serviços de Tecnologia Ltda., também localizada em São Paulo/SP, cuja participação no acervo líquido da cindida representou o importe de R$ 195.693,61, desta forma, incorporando 69,72% dos elementos ativos e passivos provenientes da empresa cindida. Acrescenta que, concomitantemente à informação prestada pelas entidades intimadas apresentouse uma cópia da Ata da Reunião de Sócios realizada em 29/09/2006, formalizada pela Genexis do Brasil Serviços de Informação e para o Comércio Eletrônico Ltda., CNPJ nº 00.114.551/000186, registrada na JUCESP, sob o nº 318.029/066, cujo documento ratificava a operação sucessória nas condições supracitadas. Defronte tal circunstância, o AuditorFiscal promoveu a lavratura do Termo de Intimação Fiscal em 25/11/2009, dirigida ao impugnante, cientificado por via postal em Fl. 300DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.001968/201061 Resolução n.º 1302000.176 S1C3T2 Fl. 289 5 26/11/2009 (fls. 65/67), demandando a prestação de esclarecimentos sobre as compensações a maior efetuadas pela cindida no 3º trimestre do anocalendário de 2006, sendo, primeiramente, objeto de prorrogação de prazo de trinta dias para apresentação dos respectivos documentos e justificativas requerida em 09/12/209 (fl. 79) e, posteriormente, em 06/01/2010, formalizado novo requerimento de postergação do atendimento da demanda por um prazo adicional de trinta dias (fl. 83). Subseqüentemente, mais exatamente em 21/01/2010, a empresa apresentou justificativa no sentido de que a empresa cindida aproveitou integralmente os saldos existentes dos prejuízos acumulados e da base negativa da CSLL no 3º trimestre do anobase de 2006 (fls. 84/85). Vale registrar que no contexto da aludida petição a impugnante justificou que conduta praticada pela declarante objetivou evitar a perda dos saldos remanescentes de prejuízos fiscais e bases negativas acumulados, tendo em conta que a impossibilidade de ulterior aproveitamento dos respectivos direitos, bem como a inviabilidade de transferência em favor da sucessora. Por sua vez, em 14/04/2010, a autoridade administrativa formalizou nova intimação ao impugnante cujos termos deram conta da continuidade dos trabalhos fiscais por intermédio do RPF 0819000.2010.005284, em substituição ao RPF originário, permanecendo válidos todos os atos praticados precedentemente (fls. 86/87). Impende registrar que tal procedimento fora renovado em 08/06/2010, por intermédio da lavratura de Termos de Continuidade da Ação Fiscal, cientificados em 09/06/2010 (fls. 89/90). Ressaltese, porém, que a lavratura a intimação datada de 14/04/2010, estabeleceu também o prazo de 5 (cinco) dias para que a sucessora promovesse a apresentação de relação e documentos probatórios da propriedade de imóveis e veículos com vistas a realização de procedimentos de arrolamento de bens e direitos, cuja demanda foi contestada pela impugnante através de petição apresentada em 19/04/2010 (fl. 88). Sob esta perspectiva, certifica que a entidade cindida deveria limitar a compensação dos saldos de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL ao montante de R$ 15.850.615,33, denotando a caracterização da ocorrência do excesso de fruição dos aludidos direitos no importe de R$ 36.984.769,13, no que concerne à ambas as apurações tributárias. Nesse contexto, configurado que a impugnante detém 30,28% do acervo líquido da empresa cindida, a autoridade fiscal apurou uma base imponível no valor de R$ 11.198.988,09 (30,28% de R$ 36.984.769,12), resultando na tributação de ofício de diferenças de IRPJ e CSLL apuradas em decorrência da glosa da compensação indevida de prejuízo fiscal e base negativa, respectivamente, em face da inobservância do limite admitido pelas correspondentes legislações tributárias de regência. Finalmente, destaca que em virtude do exposto demandouse ao sujeito passivo a adoção de imediato ajuste em seus controles de compensação de prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL registrados no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) da empresa cindida, visando refletir com as inferências correlatas às alterações de valores consignados no referido termo de verificação fiscal. Cientificado pessoalmente dos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal em 05/07/2010 (fls. 107 e 119) dos aludidos autos de infração e do Termo de Verificação Fiscal, os procuradores habilitados pela sociedade apresentaram Fl. 301DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.001968/201061 Resolução n.º 1302000.176 S1C3T2 Fl. 290 6 impugnação em 04/08/2010 (fls. 121/147), acompanhado da documentação de fls. 148/199, segundo a qual requer a declaração da improcedência das autuações, em síntese, apoiandose nas seguintes alegações de fato e de direito: 1) Preambularmente, antes mesmo de submeter suas argüições de mérito, reforça que em 29/09/2006, a GENEXIS DO BRASIL SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO E COMÉRCIO ELETRÔNICO (GENEXIS) foi objeto de cisão total deliberada conforme Protocolo e Justificação da Cisão (doc. 4); 2) Acentua que em decorrência do processo sucessório, a parcela de 30,28% do patrimônio da empresa cindida foi vertida para o capital social da impugnante, enquanto que a parcela remanescente (69,72% do patrimônio da sucedida) foi incorporada ao capital social da GBL Participações e Serviços de Tecnologia Ltda. (GBL), inscrita no CNPJ sob o nº 08.091.591/000161; 4) Neste contexto, após breve relato dos fatos atinentes ao procedimento de ofício, inicia a exposição das questões de direito que visam demonstrar a inaplicabilidade da aplicação da limitação de 30% para compensação de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL na hipótese de cisão total da sociedade; 5) Dessa forma, primeiramente, ressalta os preceitos firmados no art. 43 do CTN e do art. 195, inciso I, alínea c da CF/88, com intuito de esclarecer que a configuração do fato gerador do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido demanda fundamentalmente a análise dos conceitos de renda, de proventos de qualquer natureza e do lucro, cujas noções vinculam à idéia de riqueza nova, logo, não correspondendo simplesmente aos resultados positivos obtidos em determinado exercício, mas, sim, um efetivo acréscimo patrimonial auferido mediante a disponibilidade da renda observada após a dedução dos prejuízos acumulados; 6) Avocando interpretação da doutrina tributária e ementa de decisão prolatada em Recurso Extraordinário do STF, afirma que o CTN, ao prever que o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, adotase a “Teoria do Acréscimo Patrimonial” como hipótese de incidência do imposto. Nesta perspectiva, acentua que em relação às pessoas jurídicas, tal concretização da base imponível depende da compensação prévia dos prejuízos auferidos pelas sociedades, porquanto, segundo a teoria, apenas serão submetidos ao recolhimento do tributo os valores que representam efetivo acréscimo no patrimônio da sujeito passivo; 7) Dessa forma, cita doutrina que trata sobre o assunto para fins de realçar que a legislação determina que a hipótese de incidência do imposto de renda e da CSLL são a renda e o lucro, respectivamente, evidenciando que se faz referência ao acréscimo patrimonial, razão porque tais tributações não podem incidir sobre o próprio patrimônio da pessoa jurídica; 8) Passando a tratar sobre a questão da limitação da compensação de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativo da CSLL, assevera que o art. 64 do Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do art. 509 do RIR/99, permitia que a pessoa jurídica reduzisse o lucro real apurado no períodobase mediante compensação da integralidade do saldo acumulado de prejuízos apurados em períodos anteriores e registrados no Livro de Apuração do Lucro Real. Acrescenta que tal possibilidade desta formalidade foi estendida à base de cálculo negativa da CSLL por meio do art. 44 da Lei nº 8.383/91, cujos termos harmonizaram tal conduta às normas de pagamento estabelecidas para o IRPJ; Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.001968/201061 Resolução n.º 1302000.176 S1C3T2 Fl. 291 7 9) Assenta que durante vários anos, por expressa determinação legal, a pessoa jurídica poderia valerse do aproveitamento integral do saldo acumulado de prejuízo fiscais e da base de cálculo negativo da CSLL apurados em períodos anteriores para fins de redução da base imponível dos respectivos tributos calculados em períodos supervenientes, observada apenas uma limitação temporal de realização da compensação em até quatro anos subseqüentes; 10) Assinala que, posteriormente, a legislação tributária vislumbrou situações de incorporação, fusão e cisão passando a prever regras para utilização dos créditos em relação a esses eventos especiais; nesse sentido, particularmente o art. 33 do Decreto nº 2.341/87, fundamento legal do art. 514 do RIR/99, tornou defeso às sucessoras a admissibilidade de utilização de prejuízos fiscais apurados pelas pessoas jurídicas incorporadas, fusionadas ou cindidas, vedação que se estendeu à compensação da base negativa da CSLL pelo art. 22 da Medida Provisória nº 2.15835/01; 11) Dessa forma, atesta que restou estabelecido a vedação da transferência de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL da pessoa jurídica que tenha apurado tais valores, ainda que seja para a sucessora daquela em relação a todos os seus direitos e obrigações, tendo como finalidade coibir a prática abusiva de certas sociedades, que, periodicamente, saiam a procura de empresas não operacionais detentoras de enormes prejuízos fiscais co intuito de viabilizar seu transpasse para redução de resultado positivo apurado em sociedade distinta; 12) Enfatizava que aquele regime de compensação de prejuízos vigente até então, ao limitar em quatro anos o prazo para utilização dos prejuízos, lesava os contribuintes mais fragilizados que, por apresentarem prejuízos ao longo de mais de quatro anos ou por terem amargado, em determinado ano, um prejuízo vultoso que superasse os lucros de períodos subseqüentes, eram obrigados a pôr de parte, total ou parcialmente, o saldo de prejuízos apurados, conseqüentemente, levando a sociedade a perder o direito de fruição dos resultados negativos acumulados; 13) Desse modo, salienta que se fazia necessária a adoção de medida que terminasse com a questão da limitação temporal, porém, resguardando ao erário o direito de impedir que o contribuintes passassem a promover a compensação sem qualquer espécie de limitação; 14) Destaca, porém, que o advento dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, que fundamentam o art. 510 do RIR/99, impôs que a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas passasse a ser limitada ao montante de 30% do lucro tributável do exercício em que se realize a compensação, sem, todavia, ter qualquer limitação de caráter temporal; 15) Reforça, ainda, que os preceitos legais não tiveram o propósito de retirar o direito de compensação integral dos saldos de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL, circunstância que se evidencia pela leitura da exposição de motivos dos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065, de 1995, através do qual torna nítida a intenção do legislador de somente gerar um melhor fluxo de caixa do Governo, sem extirpar do contribuinte o direito à compensação dos saldos negativos, mas, sim, limitar a aplicação dos efeitos da trava de 30% na hipótese de sociedades que continuam o exercício de suas atividades, porém, admitindo a compensação em períodos subseqüentes, a fim de evitar a tributação do patrimônio da pessoa jurídica, prestigiando o fato gerador do IRPJ e da CSLL no intuito de recair a incidência tributária sobre o acréscimo patrimonial auferido pela pessoa jurídica; 16) Salienta que no caso objeto das normas supracitadas, o acréscimo patrimonial tributável é medido considerando o lapso temporal em que se inserem as atividades da Fl. 303DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.001968/201061 Resolução n.º 1302000.176 S1C3T2 Fl. 292 8 pessoa jurídica, logo, correspondendo à diferença positiva entre o quantum tributável existente em determinados períodos e o prejuízo fiscal lato sensu apurados em períodos distintos; dessa forma, o deferimento só tem razão de existir se, em relação aos períodos supervenientes, o saldo remanescente de créditos puder ser aproveitado, ao menos em princípio, com o intuito de evitar o desvirtuamento do fato gerador do IRPJ e da CSLL. Reforça suas considerações por meio de ementas de decisões prolatadas pelo STJ; 17) Sustenta também que as normas de compensação de prejuízos e de base de negativa da CSLL pressupõem a existência de dois momentos distintos: (I) as respectivas apurações propriamente dita; e (II) a existência de períodos posteriores passíveis de aproveitamento de tais importâncias, ante a apuração de base tributável do IRPJ e da CSLL; 18) Assim sendo, conclui restar claro que os dispositivos legais firmados pela nº 9.065, de 1995, não pretenderam contemplar a situação de extinção de sociedade em decorrência de operações de fusão, cisão ou incorporação de pessoa jurídica, muito menos fulminar o aproveitamento de tais valores, mas, sim, diferir esta utilização ao longo do tempo; 19) Na seqüência, realçando a redação do art. 229 da Lei nº 6.404/1976, reitera que na cisão total não há que se falar na continuidade da sociedade, conseqüentemente, tornando inadmissível a aplicabilidade da hipótese de limitação de 30% para compensação de prejuízos fiscais e da base negativa de CSLL acumulados. Ressalta que na extinção da pessoa jurídica, não há fluxo de receitas tributárias futuras decorrentes do exercício das suas atividades ou um acréscimo patrimonial futuro a ser compensado com prejuízos acumulados, assim, não há continuidade do empreendimento que possa assegurar pagamento de tributos, quaisquer que sejam, ao Governo Federal; 20) Repisa que o interesse do legislador ao introduzir o art. 42 da Lei nº 8.981/95 e o art. 16 da Lei nº 9.065, de 1995, não visou extirpar do contribuinte o direito à compensação dos saldos negativos, mas, somente, pressupor a continuidade das atividades da empresa para a aplicação dos efeitos da trava de 30% na hipótese de sociedades que continuam o exercício de suas atividades, particularmente, admitindo a compensação em períodos futuros; 21) Sob este prisma, entende que se permite, conseqüentemente, a compensação integral do saldo acumulado de prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL no momento da cisão total, conclusão totalmente compatível com a intenção do órgão legiferante quando introduziu o atual mecanismo de travas percentuais para a redução do lucro líquido, em substituição da limitação temporal para o exercício da compensação. Reforça seus entendimentos citando excerto da doutrina tributária e ementa de decisão do STJ e do Primeiro Conselho de Contribuintes; 22) Nesse sentido, entende afastada a limitação percentual de redução do lucro líquido quando da cisão de uma sociedade, podendo realizar a fruição integral de tais quantias com o resultado positivo apurado no momento do encerramento das atividades da empresa cindida, assim, denotandose estritamente regular o procedimento adotado pela declarante; 23) No tocante à multa de ofício, primeiramente, questiona a impossibilidade de exigência da sanção em relação à empresa sucessora, isto porque, baseado na redação do art. 132 do CTN, as sucessoras não respondem pelas multas pecuniárias que seriam aplicáveis às cindidas, na circunstância do lançamento ocorrer após a data de operação de cisão total; Fl. 304DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.001968/201061 Resolução n.º 1302000.176 S1C3T2 Fl. 293 9 24) No caso em análise, destacando excerto de julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais e citando doutrina tributária, assenta que em face da data da incorporação a multa imposta à empresa sucessora deve ser cancelada, tendo em conta que a tributação de ofício ocorreu em 05/07/2010, portanto, após a concretização da operação sucessória; 25) Antecipa também que não há porque admitir a formalização do lançamento, após o ato sucessório, sob o pretexto de que a sucessão deuse entre pessoas jurídicas do mesmo grupo empresarial, uma vez que o art. 132 do CTN limitase a afirmar que o sucessor responde apenas pelos créditos tributários da sucedida, assim, não restando dúvidas acerca do descabimento da imposição de multa de ofício no que tange aos pretensos lançamentos associados ao litígio; 26) Finalmente, requer o provimento integral da peça impugnatória, determinando: (I) no mérito, o julgamento improcedente do lançamento de ofício porquanto inaplicável a adoção da trava de 30% para compensação de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL nos casos de extinção da pessoa jurídica, em particular, na hipótese da ocorrência da cisão total da entidade; e (II) caso se entenda pertinente as autuações, que se promova o cancelamento da imposição da multa de ofício, sob pena de violação do disposto no art. 132 do CTN. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: o conceito de resultado positivo é distinto do de acréscimo patrimonial; há exceção para o caso vertente. Análise sistemática mostra que a restrição imposta pelos art. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 não tem intuito de extinguir o direito à compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, mas tão somente diferir seu aproveitamento no tempo; a limitação pretendia violaria os art. 43 do CTN e 195, I, alínea “c” da CF/88. Isto porque no caso de extinção, a aplicação da regra violaria o conceito de renda, avançando a tributação sobre o patrimônio; a decisão recorrida analisou decisão do STJ aplicável a caso diverso, pois se tratava de apuração de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL da pessoa jurídica que apurou tais valores para outra pessoa jurídica, ainda que esta seja sucessora daquela em relação a todos os seus direitos e obrigações; a inexistência de exceção na legislação para o caso de extinção se sustenta em razão do próprio fundamento e justificativa da legalidade da limitação de compensação, estabelecida pela Lei nº 9.065/95. A intenção do legislador foi apenas de diferir e não de extinguir o aproveitamento dos prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL; a exposição de motivos da MP nº 998/95 (convertida na Lei nº 9.065/95) reconhece que o contribuinte teria o direito de compensar até integralmente os saldos negativos; a interpretação teleológica da norma em comento permite a compensação integral, pois a limitação criada de 30% visou a melhorar o fluxo de caixa do Governo Federal sem impedir o exercício pelo contribuinte do direito de compensar; Fl. 305DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.001968/201061 Resolução n.º 1302000.176 S1C3T2 Fl. 294 10 requer a improcedência do lançamento. Alternativamente, em caso contrário, pleiteia a não fluência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada (art. 161, CTN), conforme decidido pela CSRF (PA nº 10680.002472/200723; sessão de 08/11/2010). É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 19515.001968/201061 Resolução n.º 1302000.176 S1C3T2 Fl. 295 11 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. A matéria posta em discussão (constitucionalidade da limitação da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL, com base nos art. 42 e 58 da Lei nº 8.981/95 e 15 e 16 da Lei nº 9.065/95) foi objeto de reconhecimento de repercussão geral pelo STF no julgamento do RE 591.340, de relatoria do Min. Marco Aurélio. Tendo em vista que o mérito ainda não foi decidido pelo plenário da Corte Suprema, cabe aplicação no caso do art. 62A do RICARF, que determina o sobrestamento do processo, enquanto não decidido o mérito no STF, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, diante dos fatos constatados, voto para sobrestar o julgamento do presente processo administrativo, nos termos do §2º do art.62A do RICARF, até que sobrevenha decisão de mérito do STF nos autos do RE 591.340. Sala das Sessões, 13 de junho de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 307DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/07/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 17460.000143/2007-81
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1999 a 28/02/2005
PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. DECADÊNCIA PARCIAL. MANUTENÇÃO DA COBRANÇA EM OUTRAS COMPETÊNCIAS. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PRÊMIO. HABITUALIDADE. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35 DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Na presente NFLD, há débitos que foram acobertados pela decadência. Com relação às demais competências, a cobrança deverá prosseguir com o acréscimo de multa e juros na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN, tendo em vista que os valores pagos a título de prêmio aos segurados da empresa, por serem pagos com habitualidade, deverão sofrer incidência da contribuição social previdenciária.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2403-000.280
Decisão: Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por maioria de votos, em reconhecer a decadência das competências até 09/2001, inclusive, com base no Art. 150, § 4º do CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. NO MÉRITO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-17T15:10:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2548962_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-17T15:10:42Z; Last-Modified: 2011-01-17T15:10:42Z; dcterms:modified: 2011-01-17T15:10:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2548962_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:45a244eb-eacd-4383-adec-94a0a7052c73; Last-Save-Date: 2011-01-17T15:10:42Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-17T15:10:42Z; meta:save-date: 2011-01-17T15:10:42Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2548962_0.doc; modified: 2011-01-17T15:10:42Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-17T15:10:42Z; created: 2011-01-17T15:10:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2011-01-17T15:10:42Z; pdf:charsPerPage: 2276; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-17T15:10:42Z | Conteúdo => S2-C4T3 Fl. 329 1 328 S2-C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17460.000143/2007-81 Recurso nº 154.424 Voluntário Acórdão nº 2403-00.280 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente TRIÂNGULO DO SOL AUTO-ESTRADA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 28/02/2005 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. DECADÊNCIA PARCIAL. MANUTENÇÃO DA COBRANÇA EM OUTRAS COMPETÊNCIAS. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PRÊMIO. HABITUALIDADE. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35 DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Na presente NFLD, há débitos que foram acobertados pela decadência. Com relação às demais competências, a cobrança deverá prosseguir com o acréscimo de multa e juros na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN, tendo em vista que os valores pagos a título de prêmio aos segurados da empresa, por serem pagos com habitualidade, deverão sofrer incidência da contribuição social previdenciária. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por maioria de votos, em reconhecer a decadência das competências até 09/2001, inclusive, com base no Art. 150, § 4º do CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Vencido o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. NO MÉRITO, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora Fl. 275DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente. Cid Marconi Gurgel De Souza Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto. Ausente o conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato Fl. 276DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000143/2007-81 Acórdão n.º 2403-00.280 S2-C4T3 Fl. 330 3 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado às fls.296 a 315 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (fls.276 a 292) que julgou procedente o lançamento constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n° 35.736.311-6, no valor consolidado de R$ 350.833,56 (trezentos e cinquenta mil, oitocentos e trinta e três reais e cinquenta e seis centavos), referente à parte devida pelo segurado, da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e das contribuições destinadas a terceiros – INCRA, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE, SENAI, SESI e SEBRAE, por pagamento de salário indireto através de cartão de premiação, relativas ao período de 07/1999 a 02/2005. Segundo o relatório fiscal, a fiscalização teve como objetivo apurar as relações negociais entre a recorrente e a empresa Incentive House (CNPJ nº 00.416.126/0001- 41). Ademais, foram solicitadas as notas fiscais emitidas em desfavor da empresa autuada, bem como os contratos firmados entre elas e os livros contábeis. A recorrente apresentou os documentos fiscais exigidos, tendo sido verificado em auditoria aos livros razão, que os valores cobrados na NFLD foram apropriados em registros contábeis com diferentes intitulações, o que pode ser entendido através da tabela abaixo: A recorrente informou ainda que firmou contrato com a empresa Incentive House a partir de 2003, e que antes desse ano não havia qualquer contrato escrito entre as partes. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 19/10/2006 e apresentou impugnação às fls.256 a 264, alegando os seguintes pontos: - A não incidência da contribuição previdenciária sobre prêmios e pagamentos do PPR (Programa de Participação nos Resultados); - Com relação aos prêmios pagos nos anos de 1999 a 2001, que os lançamentos relativos a esses períodos foram feitos em títulos próprios da contabilidade, razão pela qual não podem ser comparados a salários indiretos; Nº conta contábil Nome da intitulação do registro Exercício 310407001 Despesas com brindes, doações e prêmios; 1999 e 2000 310102021 Prêmios; 2001 310430001 Amostras, donativos e brindes; 2001 310102014 Gratificação de função. 2001,2003,2004 e 2005 Fl. 277DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 - Com relação ao pagamento do PPR nos anos de 2003 a 2005, que não poderão sofrer incidência da contribuição previdenciária; Por fim, requereu a total procedência da impugnação, bem como a revogação da NFLD em tela. Instada a manifestar-se acerca da matéria, a 6 Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP proferiu decisão (acórdão n 14-16.401) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 28/02/2005 SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. PRÊMIOS.CRÉDITOS EM CARTÕES ELETRÔNICOS.INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. É devida a contribuição sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, a segurados empregados, ainda que pagos na forma de crédito em cartão eletrônico, administrado por empresa interposta. Salário-de-contribuição é a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas. a qualquer titulo, aos segurados empregados a seu serviço. Lançamento Procedente Irresignada com a decisão acima, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 296 a 315, ratificando todos os pontos da impugnação, requerendo, por fim, a reforma do decisum de 1 instância. Às fls.316, a recorrente acostou comprovante de depósito recursal equivalente a 30% (trinta por cento) do montante da dívida. É o relatório. Fl. 278DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000143/2007-81 Acórdão n.º 2403-00.280 S2-C4T3 Fl. 331 5 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. PRELIMINARMENTE: I – DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: O recurso voluntário foi interposto tempestivamente (fls.296 a 315). Acontece que à época da discussão do crédito, exigia-se do sujeito passivo que quisesse recorrer ao Contencioso Administrativo Federal o depósito de 30% (trinta por cento) equivalente ao crédito exigido. Desse modo, às fls.316, a recorrente juntou comprovante de depósito recursal, cumprindo a determinação legal. Todavia, cabe destacar que não mais se exige a comprovação do depósito recursal como requisito de admissibilidade para a discussão de matéria no âmbito administrativo, tendo sido este o entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal ao editar a Súmula Vinculante nº. 21, que passa a vincular a administração pública, nos termos do art.103-A da Constituição Federal: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Impende-se ainda colacionar o teor do verbete sumular: Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Portanto, conheço a admissibilidade do presente recurso e passo a analisar as questões relevantes para a resolução da lide tributária. II – DA DECADÊNCIA PARCIAL: Sobre a decadência de créditos tributários, cabe destacar que as controvérsias que existiam no âmbito dos contenciosos administrativos e no judiciário com relação ao prazo decadencial da Secretaria da Receita Federal para apurar os valores devidos a título de Fl. 279DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 contribuições previdenciárias tiveram seu fim com o advento da Súmula Vinculante n° 8, a qual reconheceu como inconstitucional os arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91. Ambos os dispositivos previam que os prazos para a Seguridade Social apurar e cobrar os seus créditos extinguiam-se com 10 (dez) anos. A grande celeuma era a não aplicação do prazo previsto no Código Tributário Nacional de que os créditos tributários só poderiam ser apurados ou cobrados até 5 (cinco) anos a contar do marco inicial estabelecido pelo CTN. Assim, após várias decisões invocando a inconstitucionalidade dos arts.45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o Egrégio Supremo Tribunal Federal sumulou a matéria com a edição da Súmula Vinculante de n º 8, in verbis: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Sabe-se ainda que essas súmulas têm efeito vinculante sobre a Administração Pública, conforme previsão do art.103-A da Constituição Federal, motivo pelo qual este Colegiado deve aplicar o entendimento acima. Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional, o qual disciplina a decadência no art. 173, I e no art. 150, § 4. Em ambos, o direito de a Fazenda constituir o crédito extingue-se em cinco anos, sendo que pela regra do art. 150, § 4º, a contagem é a partir da ocorrência do fato gerador e a do 173, I, é a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homolo¬gação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos an¬teriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por tercei¬ro, visando à extinção total ou parcial do crédito. Fl. 280DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000143/2007-81 Acórdão n.º 2403-00.280 S2-C4T3 Fl. 332 7 § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. * * * Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Pelo exposto, percebe-se que o marco inicial da decadência diverge no Código Tributário Nacional. A regra exposta no art.173, inciso I é aplicável às espécies tributárias que não estão sujeitas ao lançamento por homologação, pois as que se sujeitam a este tipo de lançamento têm o prazo decadencial regulado pelo art.150, §4° do CTN. Este entendimento é pacífico na doutrina pátria 1 : O início do prazo de decadência do direito de lançar, em se tratando de tributo ordinariamente sujeito a lançamento por homologação, começa na data do fato gerador do tributo a que se referir o lançamento. Sendo assim, os valores relativos às competências 07/1999 a 09/2001 estão acobertados pela decadência, tendo em vista que, considerando a data da ciência da NFLD em 19/10/2006, a cobrança só poderia atingir débitos relativos a fatos geradores relacionados a partir da competência 10/2001. Portanto, os débitos referentes às competências de 07/1999 a 09/2001 estão acobertados pelo manto da decadência, tendo em vista que, com relação às competências 10/2001 a 02/2005, o fisco ainda poderia autuar, considerando a contagem inicial do art. 150, §4° do Código Tributário Nacional. DO MÉRITO: 1 MACHADO, Hugo de Brito. Decadência e Prescrição no Direito Tributário Brasileiro. In MARTINS, Ives Gandra da Silva (Coord.), Curso de direito tributário. 11ed. São Paulo. Saraiva,2009, p.208. Fl. 281DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 I – DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE OS VALORES RECEBIDOS PELOS EMPREGADOS A TÍTULO DE PREMIAÇÃO: Segundo o relatório fiscal da NFLD nº 35.736.311-6, o fato gerador da contribuição social previdenciária a cargo da empresa prevista no art.22, I, da Lei n 8.212/91, ocorreu com o pagamento das premiações/remunerações aos segurados empregados da recorrente pela empresa Incentive House, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Desse modo, o trabalho dos segurados empregados será remunerado por verbas de qualquer título. No caso em tela, além do salário base, há certos valores que são pagos aos segurados como forma de incentivo profissional, focado em metas que devam ser atingidas, razão pela qual só ocorrem esses pagamentos quando há aumento de produtividade por esses trabalhadores. Todavia, mesmo entendendo que os pagamentos através das premiações são feitos a quem atingir as metas previstas contratualmente, deve-se analisar a frequência com a qual esses beneficiados são pagos, tendo em vista que esse pagamento só fará parte da base de cálculo do tributo em comento se estiver caracterizada a habitualidade. Diante da documentação analisada (fls.87 a 90), percebo que há a presença da habitualidade. Sobre esse requisito ser essencial para caracterizar a natureza dos valores recebidos pelos empregados, o Supremo Tribunal Federal manifestou seu entendimento, através da Súmula nº 209: Súmula 209 – Salário-Prêmio, salário –produção. O salário- produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade. Ademais, com relação aos exercícios de 2003, 2004 e 2005, nos quais a recorrente alega que a incidência da contribuição seria indevida por tratar-se de valores pagos em razão do Programa de Participação nos Resultados – PPR, entendo que esses não se referem exclusivamente à participação de lucros, mas sim também de prêmios, fato este que foi comprovado pelo sujeito passivo em vários momentos do processo: Fls.86 Por liberalidade da empresa, os colaboradores que ultrapassaram o valor de 06 salários normativos estabelecido em Fl. 282DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000143/2007-81 Acórdão n.º 2403-00.280 S2-C4T3 Fl. 333 9 Acordo Coletivo, receberam premiações no valor excedente através da Incentive House". Fls.262 Para aqueles funcionários que tinham direito a valor superior a seis salários normativos, além do pagamento do limite máximo em folha de PPR, eram entregues os cartões emitidos pela empresa Incentive House, tendo cada qual o valor do crédito excedente, que não pôde ser descrito em folha de PPR, conforme se verifica.. Pelo exposto, percebe-se que nesses exercícios, além do pagamento ter sido por PLR, houve creditamento pelos empregados através de cartões emitidos pela Incentive House e é sobre esses valores (créditos concedidos pela Incentive House) que a fiscalização pretende constituir seu crédito tributário, e não sobre aqueles pagos em razão do programa de lucros, tendo em vista que o art.28, parágrafo 9, “j”, da Lei n .8.212/91, exclui da composição do salário de contribuição os valores pagos a título de participações nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. Essa lei específica é a Lei n 10.101/2000, sendo, portanto, o instrumento normativo que regula e disciplina essa participação nos lucros e resultados, a qual não pode ser revestida como caráter salarial. Portanto, considerando que a Lei n 8.212/91 determinou que sobre todos os créditos e rendimentos recebidos pelos empregados, inclusive prêmios, pagos com habitualidade, com a finalidade de remunerar o trabalho prestado, deva incidir contribuição social previdenciária, entendo que no caso em tela a incidência deve ser mantida de modo integral, não podendo prevalecer as alegações da nobre recorrente. II – DA MULTA MORATÓRIA E DOS JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Considerando a manutenção da cobrança com relação às demais competências (10/2001 a 02/2005), cabe destacar que esta será acrescida de multa moratória e juros na forma do art.35, caput, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Fl. 283DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 10 Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registre-se que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) Fl. 284DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 17460.000143/2007-81 Acórdão n.º 2403-00.280 S2-C4T3 Fl. 334 11 § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovou a Súmula nº 03, nos seguintes termos: SÚMULA Nº 3 – CARF: A partir de 1º de abril de 1995,os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é correta com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. III – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratando-se de ato pendente de julgamento, há que se observarem alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verifica-se que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei nº 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei nº 11.941/2009. Desse modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei nº 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para, nas preliminares, reconhecer a decadência das competências 07/99 a 09/2001, com base no art.150, §4º, do Código Tributário Nacional. Fl. 285DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 12 No mérito, entendo pela parcial procedência do recurso voluntário, de modo que a contribuição social previdenciária venha a incidir sobre os valores recebidos pelos empregados da recorrente, tendo em vista a constatação da habitualidade, devendo-se proceder ao recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel De Souza Fl. 286DF CARF MF Emitido em 17/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 18/01/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, 20/01/2011 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10950.722126/2017-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013
OPERAÇÕES COM ASSOCIADO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA. PARTICIPAÇÃO NO PERCENTUAL DE RATEIO DE CUSTOS.
As vendas de bens e mercadorias a associados, excluídas da base de cálculo da contribuição pelas sociedades cooperativas, conforme autorização legal, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero. Trata-se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo por força da natureza jurídica da cooperativa quando vende bens e mercadorias ao associado, devendo ser consideradas no cálculo do percentual de rateio do crédito como tributadas.
NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR.
O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa.
NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS INACABADOS. POSSIBILIDADE.
Os fretes relacionados ao tratamento das matérias-primas e produtos inacabados são custos de produção (em fases da industrialização) relacionados com a aquisição dos insumos, essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei 10.833/2003.
Numero da decisão: 3301-011.287
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.271, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10950.722132/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges.
Nome do relator: Semíramis de Oliveira Duro
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TRIBUTAÇÃO DA RECEITA. PARTICIPAÇÃO NO PERCENTUAL DE RATEIO DE CUSTOS. As vendas de bens e mercadorias a associados, excluídas da base de cálculo da contribuição pelas sociedades cooperativas, conforme autorização legal, não constituem caso de isenção, não incidência, suspensão ou alíquota zero. Trata- se de receitas normalmente tributadas e que tem a possibilidade de serem excluídas da base de cálculo por força da natureza jurídica da cooperativa quando vende bens e mercadorias ao associado, devendo ser consideradas no cálculo do percentual de rateio do crédito como tributadas. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. RESP 1.221.170-PR. O limite interpretativo do conceito de insumo para tomada de crédito no regime da não-cumulatividade de COFINS foi objeto de análise do Recurso Especial nº 1.221.170-PR, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, assim são insumos os bens e serviços utilizados diretamente ou indiretamente no processo produtivo ou na prestação de serviços da empresa, que obedeçam ao critério de essencialidade e relevância à atividade desempenhada pela empresa. NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE DE INSUMOS E PRODUTOS INACABADOS. POSSIBILIDADE. Os fretes relacionados ao tratamento das matérias-primas e produtos inacabados são custos de produção (em fases da industrialização) relacionados com a aquisição dos insumos, essenciais e relevantes, com crédito assegurado no art. 3°, II, da Lei 10.833/2003. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-011.271, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10950.722132/2017-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 21 26 /2 01 7- 18 Fl. 919DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.287 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722126/2017-18 (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Juciléia de Souza Lima e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Ausente o Conselheiro Ari Vendramini, o Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, substituído pelo conselheiro Marcos Antonio Borges. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento/Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a crédito de COFINS Não-Cumulativa – Exportação do 2º Trimestre de 2013, informando crédito passível de ressarcimento no valor de R$ 423.044,75. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto, em síntese: (1) A prova documental deve ser apresentada junto da peça de contestação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos; (2) Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações e prestar Liquidez e Certeza ao direito alegado; (3) Regra geral, as decisões administrativas e judiciais têm eficácia inter-partes, não sendo lícito estender seus efeitos a outros processos, não só por ausência de permissivo legal para isso, mas também em respeito às particularidades de cada litígio; (4) É vedado o aproveitamento de créditos da não-cumulatividade em relação às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; (5) Inexiste previsão legal para apuração de crédito a descontar das contribuições não-cumulativas sobre valores relativos a fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. Em recurso voluntário, a empresa reitera os argumentos de sua defesa anterior e defende a aplicação do laudo como prova de seus alegações. É o relatório. Fl. 920DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.287 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722126/2017-18 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a análise fiscal efetuada voltou-se à verificação dos créditos de PIS/COFINS informados pelo contribuinte, que foram objeto de pedidos de ressarcimento. Um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração não-cumulativa das contribuições. A Recorrente pleiteia os créditos de gastos que entende como essenciais para sua atividade de cooperativa agroindustrial. Esta 1ª Turma de Julgamento já adotava a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento, no regime da não-cumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não-cumulatividade, para se aferir o que é insumo. Ademais, sobreveio o julgamento do REsp 1.221.170-PR, proferido na sistemática de recursos repetitivos, no qual o STJ fixou as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF n° 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (julg. 22/02/2018, DJ 24/04/2018). Em virtude do julgamento desse recurso especial, a RFB editou o Parecer Normativo n° 5, de 17 de dezembro de 2018 (DOU 18/12/2018), que prescreveu: Apresenta as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR. Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de Fl. 921DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.287 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722126/2017-18 serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. As glosas são analisadas a seguir. Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit Alega a Recorrente que “não houve a devida análise da Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit em que Manifestante, na ocasião Consulente, logrou êxito na consulta, sendo eficaz (leia-se favorável a Manifestante) exatamente na manutenção dos créditos”. Interessa ao presente litígio, portanto, verificar a conclusão da referida Solução de Consulta, e estabelecer a sua relação e pertinência com o direito ora em discussão: Conclusão 36. À vista do exposto, conclui-se que: 36.1. Entre outras hipóteses e respeitados os requisitos do art. 23 da IN SRF nº 635, de 2006, a cooperativa pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, bem como manter, créditos calculados em relação a: a) bens para revenda a associados, adquiridos pela cooperativa e de não associados; b) aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços especializados utilizados como insumo na prestação de serviços aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas e na industrialização da produção do associado; e c) armazenagem da produção do associado. 36.2. Todavia, a cooperativa não pode descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, tampouco manter, os créditos calculados em relação a: a) repasse de valores aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; e b) receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras. Observe-se, inicialmente, que as conclusões da solução de consulta circunscrevem-se a definir os créditos que a cooperativa pode descontar e manter (item 36.1 da conclusão), diferenciando-os dos créditos que a cooperativa não pode descontar e, tampouco, manter (item 36.2). A Solução de Consulta não é “conclusiva nos exatos termos formulados pela Manifestante, ou seja, que as saídas beneficiadas com a exclusão da base de cálculo das contribuições PIS/Pasep e COFINS merecem o mesmo tratamento das saídas Fl. 922DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.287 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722126/2017-18 beneficiadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência (...)”, como pretende concluir a Recorrente, como bem posto na decisão de piso conforme os argumentos abaixo: Observe-se que, além de limitar a possibilidade de desconto/manutenção dos créditos às hipóteses descritas no item 36.1 da Solução de Consulta, a referida conclusão trata apenas dos efeitos concernentes aos próprios créditos das contribuições, não havendo qualquer menção ao tratamento das receitas correspondentes no que se refere ao rateio da receita bruta total entre mercado interno e mercado externo, que foi o objeto da fiscalização ao concluir que “os valores relativos a essas receitas devem compor o somatório da receita bruta total para fins de rateio (...)”. Tal conclusão, contida no Termo de Verificação Fiscal é relevante, visto que o pedido de ressarcimento ora em pauta apresenta como fonte do direito creditório o §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, ou seja, os créditos apurados na forma do art. 3º da mesma lei relacionados às receitas de exportação (receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; e vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação). Caso a autoridade fiscal assim não procedesse, haveria o risco de ressarcir, a título de créditos do mercado externo, eventuais créditos apurados sobre receitas em operações realizadas no mercado interno, como são as operações que foram objeto da indigitada Solução de Consulta, o que aconteceria ao arrepio de todas as autorizações legais e normativas. Por isso, não há no Despacho Decisório e no TVF qualquer desconsideração, contradição ou incompatibilidade com a posição expressa na Solução de Consulta nº 151, da SRRF09/Disit. Do Direito à Manutenção e Ressarcimento do Crédito nas Saídas Beneficiadas com Exclusão da Base de Cálculo por Equiparação à Norma Prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Trata-se da mesma temática do tópico anterior, a violação da Solução de Consulta nº 151 – SRRF09/Disit, da qual figurava como consulente. Adoto também as razões da decisão de piso, por com elas concordar integralmente: A própria conclusão do tópico, em que afirma que “todo contexto jurídico apresentado de forma escorreita demonstra que a Manifestante, com suas operações cooperativista, a luz do que dispõe o art. 15 da Medida Provisória nº 2.58-35 de 2001, justificou de forma plausível e incontroversa que as saídas beneficiadas com exclusão da base de cálculo devem ter o mesmo tratamento tributário das demais hipótese como "suspensão", "isenção", "alíquota zero" ou "não-incidência”, razão pela qual faz jus ao pedido de ressarcimento nos termos dos arts. 17 da Lei n° 11.033/2004 e 16 da Lei n° 11.116/2005”, demonstra que a alegante mantém-se ao redor da questão da possibilidade de desconto e manutenção de créditos decorrentes das suas operações cooperativistas. Como já clareado anteriormente, a real questão levantada pela fiscalização, considerando que o pedido de ressarcimento apresenta como fonte do direito creditório o §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, é estabelecer o quanto de crédito vinculado às receitas de exportação encontra-se disponível para o pretendido ressarcimento. Para tanto, é necessário corrigir o tratamento das Fl. 923DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.287 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722126/2017-18 receitas correspondentes às operações com cooperados, computando os seus valores na receita bruta, para fins de estabelecer o correto rateio da receita bruta total entre mercado interno e mercado externo. Considerando que a manifestante sequer tangencia tal questão, e que os eventuais créditos decorrentes de operações no mercado interno, ainda que porventura existentes, não estão contemplados diretamente na fundamentação do pedido de ressarcimento, temos por prejudicadas as alegações manifestas neste tópico, com manutenção das conclusões da autoridade fiscal no Despacho Decisório. Logo, não se acolhe também os argumentos tecidos pela empresa neste tópico. Do Direito ao Créditos nas Aquisições de Bens para Revenda - Aquisição de Cooperados Insurge-se contra o entendimento da Autoridade Fiscal, de que as aquisições realizadas junto a cooperados não poderiam gerar crédito das contribuições para o PIS e a COFINS, tendo em vista que a Instrução Normativa nº 635/2006 restringe o crédito apenas para aquisições de “não associados”. Não há razão no argumento. A decisão de piso foi precisa também neste tópico: A possibilidade de descontar, do valor das contribuições incidentes sobre a receita bruta, o crédito calculado em relação a aquisições de bens para revenda, estava regulamentada, à época dos fatos, pela Instrução Normativa SRF nº 635/2006, que assim dispunha: Dos Créditos a Descontar na Apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins Dos créditos decorrentes de aquisição e pagamentos no mercado interno Art. 23 As sociedades cooperativas de produção agropecuária e de consumo sujeitas à incidência não-cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins podem descontar, do valor das contribuições incidentes sobre sua receita bruta, os créditos calculados em relação a: I -bens para revenda, adquiridos de não associados, exceto os decorrentes de: (...) II - aquisições efetuadas no mês, de não associados, de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...) Tal disciplina mantém-se hígida até os dias atuais, através do art. 298, I, da IN RFB nº 1.911/2019. Assim, existe base legal para o desconto de créditos na aquisição de não associados, mas inexiste base para o creditamento na aquisição de associados. Relevante, ainda, estar-se diante de ato cooperativo, na acepção dada pelo art. 79 da Lei nº 5.764/1971 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”), in verbis: Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Fl. 924DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.287 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722126/2017-18 Inexistindo a incidência das contribuições, nas operações em questão, por tratarem-se de atos cooperativos, é natural que inexista, também, o direito ao creditamento, por força do inciso II do §2º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: (...) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (...) Observe-se que tais conclusões foram evidenciadas, até mesmo, nos parágrafos 8 a 11 da própria Solução de Consulta nº 151 - SRRF09/Disit, de 27 de junho de 2011, que a empresa utiliza em seu socorro em outros momentos da presente Manifestação de Inconformidade. Mantém-se, portanto, as disposições do Despacho Decisório. Despesas com Frete – Transferência de Produtos entre Estabelecimentos Sustenta a Recorrente que: Outrossim, deve-se entender melhor a atividade agroindustrial da Recorrente para certificar de que as despesas com transporte de carga são todas, sem qualquer exceção, realizadas para a movimentação de matérias-primas entre as unidades industriais e de beneficiamento. Basta analisar o Laudo do Processo Produtivo que facilmente se comprova a necessidade de deslocamento de um insumo/matéria-prima para uma das unidades da Recorrente, tendo em vista a localização geográfica das plantas industriais. Logo, não se tratam de deslocamento de produto final pronto para comercialização, mas sim, insumos que serão utilizados em alguma das unidades de beneficiamento. Há no laudo do processo produtivo, ora anexado, descrição do processo de beneficiamento dos insumos soja em grãos e para refino, café em grãos e para refino, algodão caroço, canola e girassol para refino, trigo para refino e grãos, inclusive seguindo instruções normativas do MAPA (Ministério da Agricultura e Abastecimento). Dessa forma, não se tratariam apenas de produtos acabados, mas insumos que são utilizados no processo produtivo, como café, soja, trigo para refino, algodão caroço, canola e semente de girassol para refino, laranja e néctar etc. Operações de transporte de matéria-prima de um ponto de coleta até as unidades de beneficiamento, e destes a outras unidades da Recorrente conforme a necessidade da produção. Em análise do Laudo, identifica-se que há vários processos produtivos que demandam insumos e fases diferentes. Por essa razão, não há como afastar a essencialidade dos dispêndios com frete. Assim, reverto as glosas referentes a: Fl. 925DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.287 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722126/2017-18 (i) Frete na aquisição de insumos, por representar custo de aquisição, com crédito fundamentado no inciso II, do art. 3°. (ii) Frete na transferência de insumos/produtos inacabados entre diferentes estabelecimentos da empresa, por representar também custo de aquisição, com crédito fundamentado também no inciso II. Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado O Laudo técnico identifica os principais bens do ativo imobilizado da empresa e suas respectivas utilizações. Da leitura em conjunto com as planilha de glosas dos imobilizados, cabe a reversão das glosas do sistema de aeração do armazém, balança rodoviária, ventilador centrifugo, forno elétrico industrial, conjunto de irrigação, equipamentos de conservação do armazém, trator agrícola, pulverizador hidráulico, cultivador São Francisco, pulverizador atomizado, secador de ar comprimido, sistema de termometria, prensa hidráulica, podador lateral, trilhadeira de parcela, determinador de umidade, dosadores, rack para armazenamento, tanques, balanças, centrifugadoras, filtros, misturador, trocador de calor, reator, medidores de vazão e secador adubadeira, agitador magnético, alicate amperímetro, analisador de rede, alinhador de eixo, aparelho de GPS, aparelho de pressão de pulso digital, aparelho de teste visual, aparelho de secar mãos, balanças, betoneira, bicicleta cargueira, bomba diversas, caixas d’água, calibrador de pressão, carretas diversas, carrinhos diversos, compressores de ar, conjuntos de irrigação, dosimetro de ruído, empilhadeira, enceradeira, endoscópio, escadas, esmerilhadeiras, exaustores eólicos, forno elétrico industrial, furadeiras, lavadoras de alta pressão, máquinas de cortar grama, medidores de distância, de energia, de nível, motobombas diversas, motoserra, parafusadeiras pistolas para pintura e pulverização, politriz, prensas hidráulicas, pulverizadores, roçadeiras, semeadeira, sistema de alarme, soprador, talhas, tanques para diesel, termômetro, testador digital de cabos, transformadores, tratores agrícolas, ventiladores, entre outros, por serem utilizados na produção de bens destinados à venda. A utilização de todo o maquinário está descrita nos laudos de processo produtivo anexados aos autos, logo, em síntese, cabe a reversão das glosas do ANEXO VI – “BENS DO ATIVO IMOBILIZADO – DEPRECIAÇÃO - GLOSAS – GERAL”. No tocante à apropriação de créditos em relação à depreciação de bens adquiridos até 30/04/2004 (art. 31 da Lei nº 10.865/04), a celeuma foi analisada pelo STF, no Recurso Extraordinário 599.316, julgado em repercussão geral, com trânsito em julgado em 20/04/2021. Restou assentado que o art. 31, caput, é inconstitucional: PIS – COFINS – ATIVO IMOBILIZADO – CREDITAMENTO –LIMITAÇÃO – LEI Nº 10.865/2004. Surge inconstitucional, por ofensa aos princípios da não cumulatividade e da isonomia, o artigo 31, cabeça, da Lei nº 10.865/2004, no que vedou o creditamento do PIS e da COFINS, relativamente ao ativo imobilizado adquirido até 30 de abril de 2004. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. LIMITAÇÃO TEMPORAL. ART. 31 DA LEI Nº 10.865/04. INCONSTITUCIONALIDADE. A limitação temporal do aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de bens para o ativo imobilizado realizadas até 30 de abril de 2004, no regime não-cumulativo do PIS e COFINS, ofende os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade da lei tributária, da segurança jurídica e da não-surpresa. Fl. 926DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.287 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10950.722126/2017-18 Declarada a inconstitucionalidade o art. 31 da Lei nº 10.865/05 pela Corte Especial deste Tribunal. Por conseguinte, deve ser afastada a trava do limite temporal. Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter a glosa dos fretes de insumos e produtos inacabados e encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 927DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001905/99-54
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1991
NORMAS PROCESSUAIS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO IMPROCEDÊNCIA.
Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos opostos.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Numero da decisão: 301-34.141
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES,por unanimidade de votos,rejeitar os Embargos de Declaração,nos termos do voto do relator.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 19515.003945/2008-77
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.228
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade – Presidente (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Luiz Tadeu Matosinho. Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 1620.176 da 4ª Turma da DRJ/SPOI, cuja ementa assim dispõe: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerado 31/03/2004, 30/06/2004, 30/09/2004, 31/12/2004 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. INOCORRÊNCIA. Somente serão considerados nulos, aqueles atos em que presentes quaisquer das circunstancias previstas pelos incisos I do art. 59 do Decreto n° 70.235/1972. Ausentes, não há falar em nulidade. Preliminar rejeitada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 94 5/ 20 08 -7 7 Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003945/200877 Resolução nº 1302000.228 S1C3T2 Fl. 1.596 2 PRELIMINAR. LOCAL DE LAVRATURA DOS , AUTOS DE INFRAÇÃO DIVERSO DAQUELE ONDE ESTABELECIDO O CONTRIBUINTE. ART. 10 DO DECRETO N° 70.235/1972. MOTIVO A DAR POR NULO LANÇAMENTO. 0 local de verificação da falta estabelecido pelo caput do art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, pode ser interpretado tanto como sendo o próprio estabelecimento do contribuinte onde aquela, em tese, teria sido praticada – ou outro qualquer, inclusive na própria repartição fiscal, onde apurada (verificada) a ocorrência da irregularidade. Rejeitase a preliminar. PRELIMINAR. FATOS GERADORES DO PIS E DA COFINS. MENSAIS AO INVÉS DE TRIMESTRAIS. Conforme dispositivos legais específicos, os fatos geradores do PIS e da COFINS ocorrem mensalmente, ao invés de trimestralmente como apontado pelos lançamentos. Dessa forma, devem ser mantidas as parcelas relativas aos meses finais de cada um dos trimestres, exonerandose, dado apontado, os valores apurados nos demais meses. Para fim dos lançamentos, foram considerados, como suas bases de calculo, as somatórias dos valores apurados em cada um dos trimestres, ao invés dos respectivos valores mensais. Preliminar que se acata parcialmente. PRELIMINAR. MULTA DE OFICIO. CAPITULAÇÃO LEGAL EQUIVOCADA. INOCORRÊNCIA DE MOTIVO A NULIDADE DOS LANÇAMENTOS. Ainda que equivocada a capitulação legal utilizada, relativa a aplicação da penalidade, o contribuinte teve pleno conhecimento da acusação que lhe foi imputada de modo a terse dela defendido por meio da impugnação apresentada, preservandose, com tal fato, os direitos ao contraditório e a ampla defesa. Tal equívoco é insuficiente a tornar nulos os lançamentos, conforme acima. Preliminar rejeitada. MÉRITO. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE OS VALORES CREDITADOS POR ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITO/DÉBITO E AQUELES INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE NA RESPECTIVA DIPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizamse como omissão de receitas, as diferenças apuradas entre os valores levados a crédito do contribuinte, por administradoras de cartões de crédito/débito, e aqueles por ele informados ao fisco, por meio da respectiva DIPJ. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. CARATER CONFISCATORIO. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTUMÁCIA. ALEGAÇÃO DE ATO CULPOSO. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Correta a aplicação da multa de oficio agravada, diante do procedimento adotado pelo contribuinte, que se estendeu durante a totalidade dos meses do anocalendário. Arrazoado no sentido de que a penalidade aplicada, da forma como o foi, teria efeito confiscatório, deixa de ser apreciado pelo presente voto, visto se tratar de matéria de cunho constitucional e, em razão de tal fato, faltar competência a autoridade administrativa para tal. Meras alegações no sentido de que a irregularidade se deu mediante a prática de mero ato culposo são insuficientes a descaracterizar a aplicação da mencionada penalidade. Correta, por igual, a elaboração da devida Representação Fiscal para Fins Penais. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. CSLL. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram a exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos dele reflexos. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ILEGALIDADE E/OU INCONSTITUCIONALIDADE. Descabe a autoridade administrativa a apreciação de alegações no sentido ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de leis e/ou dispositivos legais, competência essa atribuída, de maneira exlcusiva, ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003945/200877 Resolução nº 1302000.228 S1C3T2 Fl. 1.597 3 Em sua peça recursal, a recorrente apresenta as seguintes razões de defesa: a) que a fiscalização iniciada em 27/12/2007 intimou o contribuinte a apresentar seus livros contábeis e os comprovantes que embasaram os seus registros e lançamentos contábeis; b) que, posteriormente, foram verificados os livros e documentos da ora recorrente, tendo sido apresentados os extratos bancários que embasaram os registros contábeis e os extratos de repasses recebidos das empresas administradoras de cartões de crédito e de débito, de todos os estabelecimentos da fiscalizada; c) que, após a análise de tais documentos, foi elaborado levantamento específico de todas as operações mercantis da empresa realizadas com a intermediação das administradoras de cartões de crédito e de débito, sendo as transações resumidas mensalmente no mapa denominado “Demonstrativo mensal de receitas com cartão de crédito no ano calendário de 2004 – Consolidação”; d) que, além dos valores indicados pelas empresas administradoras de cartões, foram apresentadas ao contribuinte, como parte da Intimação Fiscal e devidamente notificada em 15/07/2008, pela qual a fiscalizada foi intimada a esclarecer as diferenças constatadas entre sua escrituração contábil e fiscal, cujosvalores informou nasua DIPJ/2005 e os levantamentos realizados pela fiscalização; e) que, após os esclarecimentos apresentados pela ora recorrente, entendeu a fiscalização que as supostas diferenças apuradas, seriam valores de receitas de vendas realizadas pela fiscalizada, para as quais não emitiu nota fiscal; f) que os valores das referidas diferenças, apuradas mensalmente, foram resumidos por trimestre, considerando que a empresa apresentou sua DIPJ do período mediante apuração trimestral, sendo confrontadas com os valores do Lucro Real de cada trimestre do ano calendário, gerando o mapa Demonstrativo das operações com cartões de credito/débito x DIPJ do contribuinte no ano calendário 2004, abatendose os novos valores trimestrais do lucro real tributável pelo Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e seus reflexos; g) que os valores encontrados foram submetidos a tributação do IRPJ e seus reflexos, conforme anteriormente assinalado, sendo o total das omissões de receitas submetidas à tributação das Contribuições para a COFINS e para o PIS, e os valores das bases de cálculo trimestrais, deduzidas do percentual de 30% dos mesmos, compensado com os prejuízos acumulados nos períodos anteriores, tudo em obediência ao disposto no artigo 42 da Lei n. 8.981/95, submetendose à tributação do IRPJ e da CSLL, com o acréscimo da multa de oficio agravada (150%) e dos juros de mora (Selic); h) que, considerando que supostamente houve o cometimento de crime contra a ordem tributária, previsto no inciso I, do art. 2º da Lei 8.137/90 e tendo sido constatada pela fiscalização a realização de operações comerciais, as quais não foram registradas nos livros contábeis e fiscais da empresa e não foram informadas na Declaração de Informações Econômicas da Pessoa Jurídica DIPJ, do ano calendário fiscalizado, a autuação foi realizada com o agravamento da multa de oficio, previsto no artigo 957, II e I, do parágrafo único do Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003945/200877 Resolução nº 1302000.228 S1C3T2 Fl. 1.598 4 mesmo artigo, Decreto n. 3.000/99, lavrandose representação fiscal para fins penais, em obediência a Portaria SRF n. 326/2005; i) que, apresentado o recurso administrativo competente, houve por bem o ilustre julgador julgar pela procedência parcial, para que se dê prosseguimento à cobrança do crédito tributário mantido, conforme demonstrativo constante a fls. 737; j) que não pode prosperar a decisão recorrida, no ponto em que sustenta que a antiga redação do dispositivo legal contemplava no inciso II do art. 44 da Lei n. 9.430/96, a multa de 150% (cento e cinquenta por cento) e que ao depois de alterada por emenda aglutinativa a referida multa passou a constar do §1° do mesmo artigo (sic), pois tal alegação não tem o condão de socorrer ou mesmo reparar a negligência e a imperícia da autoridade administrativa que realizou o lançamento da imposição tributária e lavrou a multa de ofício de 150% com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, o qual à época já versava sobre a multa isolada, por força da alteração introduzida pela Lei nº 11.488/07; l) que, enfim, sob qualquer aspecto que se analise a questão, o argumento em que se fundou a r. decisão não pode prosperar, uma vez que além de afrontar o Principio da Estrita Legalidade em Matéria Tributária, nega vigência ao art. 142 do CTN e aos arts. 10 e 11 c.c. 59 do Decreto 70.235 (PAF), razão pela qual deve ser objeto de análise por este E. Colegiado, devendo ser acolhida a preliminar ora destacada, para reformando a r. decisão a quo, julgar nulo por vicio formal o Auto de Infração; m) que, em sua peça defensiva ora recorrente também pugnou pela nulidade do auto de infração, sob o fundamento de que os fatos geradores da COFINS e do PIS, por força de expressa disposição legal (ao que tudo indica também desconhecida do Ilmo. Sr. Auditor Fiscal), são obrigatoriamente apurados em bases mensais, ao invés de trimestrais, conforme equivocadamente lançados no Auto de Infração pelo Autoridade Administrativa responsável; n) que, mais uma vez o emérito julgador a quo atendeu ao pleito da contribuinte reconhecendo que os fatos geradores, tanto da COFINS e do PIS (ambos nãocumulativos) são mensais, conforme determinam as Leis n°. 10.833/2003 e 10.637/2002, e, em razão do engano apontado, restaram excluídas da Autuação as bases de cálculo de ambos os lançamentos (COFINS e PIS, não cumulativos), das parcelas relativas às supostas omissões receitas apuradas em relação aos meses de: Janeiro e Fevereiro (1° Trimestre); Abril e Maio (2° Trimestre); Julho e Agosto (3° Trimestre); Outubro e Novembro (4° Trimestre), mantendose, entretanto, as de Março, Junho, Setembro e Dezembro, por este apontarem as datas corretas de ocorrência de cada um dos respectivos fatos geradores, e todos, referentes ao ano calendário de 2004; o) que, por outro lado, as parcelas então excluídas dos lançamentos deverão ser objeto de Representação Fiscal a ser formalizada junto a DEFIS/SPO, objetivando a re constituição dos créditos Tributários respectivos, cujos lançamentos deverão observar a efetiva ocorrência de cada um dos fatos geradores; p) que, a r. de decisão não pode prosperar, entende a ora recorrente que toda a apuração do PIS e da COFINS são nulos, e não apenas os meses que não se encerram coincidetemente com as bases trimestrais de apuração (IR e CSSL), pois atoda evidência que o erro decorrente da incorreta apuração das bases de cálculo da tributação, in casu reflexa de PIS e COFINS, acarreta em nulidade insanável da autuação; Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003945/200877 Resolução nº 1302000.228 S1C3T2 Fl. 1.599 5 q) que a r. decisão deixou de garantir validade e eficácia ao argumento expendido na impugnação, uma vez que o correto seria converter o julgamento em diligência a fim de apurar os valores devidos segundo a sistemática não cumulativa, pois, em respeito ao Principio da Legalidade e da Busca da Verdade Material imperioso de ordem legal reconhecer a imprescindibilidade de apuração do PIS e da COFINS conforme a sistemática não cumulativa, de forma que havendo crédito em sua "escrita fiscal" o mesmo deverá ser compensado com os valores exigidos na presente, o que se diz apenas ad argumentadum tantum, vale dizer na remota hipótese de ser mantida a equivocada autução que ora se recorre; r) que tais créditos constam expressamente da DACON, regularmente apresentada pelo contribuinte em cumprimento às incontáveis obrigações acessórias corriqueiramente alteradas pela "mutante" legislação tributária federal; s) que a r. decisão proferida pela C. 4a Turma da DRJ/SPOI não pode prosperar, uma vez que também afronta o Principio da Estrita Legalidade em Matéria Tributária, nega vigência ao art. 142 do CTN e aos arts. 10 e 11 c.c. 59 do Decreto 70.235 (PAF), razão pela qual deve ser objeto de análise por este E. Colegiado, devendo ser acolhida a preliminar ora destacada, para dando provimento ao presente recurso, reformar a r. decisão a quo, e julgar nulo por vício formal o Auto de Infração objeto do presente recurso; t) que, se assim não entenderem V. Sa. o que se diz apenas ad argumentadum tantum, requer se dignem a julgar procedente o presente recurso apenas para anular integralmente a imposição dos tributos incidentes sobre a receita (PIS e COFINS) face ao flagrante equivoco dos lançamentos perpetrados em bases trimestrais e da inobservância da sistemática da nãocumulatividade; u) que, por incrível que pareça, não é só, pois há outro equivoco perpetrado, qual seja, a incorreta aplicação da aliquota de 7,6% sobre a competência de janeiro de 2004, antes de entrar em vigor Lei 10.833/2003, mas que, em decorrência do quanto decidido na equivocada decisão ora recorrida, acerca da base de cálculo mensal / trimestral do PIS e da COFINS este argumento foi superado, haja vista que a r. decisão excluiu da autuação a base de cálculo dos mês de janeiro 2004, restando assim afastada esta preliminar; v) que não se pode aceitar que somente após a apresentação da defesa, dificultada pela inexatidão da capitulação legal e descrição fática, bem como decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, é que a contribuinte possa compreender a autuação que the é imputada e oferecer defesa; x) que, no mínimo inaceitável que tantos equívocos sanáveis ocorram em uma única Autuação, posto que determinam o cerceamento de defesa da ora recorrente; z) que o extinto TFR editou a Súmula n° 182 segundo a qual "É ilegítimo o lançamento de Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos bancários"; aa) que não há nenhuma demonstração de que as entradas de numerários em conta bancária da Impugnante não seja decorrente de pagamento de prestação de serviços, aquisição de mercadorias ou equipamentos para desenvolvimento de seu objeto social, empréstimos, mútuos, etc; ab) que, qualquer indício deve ser necessariamente provado, já que se não for provado, não será sequer indício, ou seja, se não houver conexão entre o indicio e o fato Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003945/200877 Resolução nº 1302000.228 S1C3T2 Fl. 1.600 6 relevante para a aplicação da lei, não se configurará o indício. O indicio é apenas um ponto de partida, um meio para se chegar a uma presunção. Como possui valor probatório inferior às presunções, não pode ser utilizado individualmente; ac) outro lado, há que se em vista que o Sr. Auditor Fiscal não justificou como teve acesso aos extratos de depósitos bancários da contribuinte. Somente asseverou que examinando a documentação da empresa, verificou que os depósitos bancários relacionados ao ano calendário de 2003 não tinham origem identificada na contabilidade; ad) que o Sr. Auditor Fiscal não justificou como teve acesso aos extratos de depósitos bancários da contribuinte. Somente asseverou que examinando a documentação da empresa, verificou que os depósitos bancários relacionados ao ano calendário de 2003 não tinham origem identificada na contabilidade; ae) que os extratos bancários devem ser desconsiderados como indicio ou presunção posto que a quebra do sigilo bancário/fiscal é questão esta diretamente relacionada com o binômio prevalência entre o direito constitucional à intimidade, previsto em norma constitucional (artigo 5°, Incisos X e XII) e a violação ao sigilo bancário e fiscal; af) que o depósito bancário ou mesmo quaisquer outros extratos, mesmo após o advento da Lei n° 9.430/96, não se constitui, por si só, fato gerador da aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, pois é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida; af) que o lançamento foi feito sem as provas incontestáveis da acusação feita ao autuado', sendo que o artigo 142 do Código Tributário Nacional não deixa margem ao exercício da apreciação subjetiva do agente fiscal; ag) que exsurge nítida a irregularidade em aplicarse multa de 150% sobre o suposto débito apurado, uma vez que para tomar essa medida, se faz necessário provar o evidente de fraude do contribuinte, o que não ocorreu no caso em tela; ah) que é flagrante a ilegalidade de aplicação da Taxa Selic aos tributos exigidos na presente autuação; ai) que, em decorrência da impossibilidade de se aplicar a taxa Selic, à taxa legal de juros na esfera tributária é a prevista do artigo 161, § 1º, do CTN, ou seja, 1% ao mês, o que ora se requer. É o Relatório. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 04/03/2009 (AR a fls. 740 verso) e interpôs recurso voluntário em 01/04/2009 (doc. a fls. 746), o qual foi subscrito por seu representante legal (vide cláusula 5ª da 18ª Alteração contratual a fls. 800), razões pelas quais, conheço do recurso. Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.003945/200877 Resolução nº 1302000.228 S1C3T2 Fl. 1.601 7 Inicialmente, há que se ressaltar que, em resposta ao termo de intimação recebido em 27/02/2008, a recorrente, representada naquele ato pelo Sr. Eduardo Mussa Assaly, informa que está entregando “Xérox de todos os extratos bancários do ano de 2004”, conforme documento a fls. 100 do vol. I dos autos, razão pela qual é totalmente descabida as indagações feitas, na sua peça recursal, sobre como a autoridade fiscal teria conseguido os extratos bancários. Com relação aos extratos das operadoras de cartão de crédito, não fica claro da leitura do Termo de Verificação Fiscal a fls. 640 e segs. do vol. IV, se eles foram entregues pela própria recorrente ou se foram decorrentes de Requisição de Movimentação Financeira com base na Lei Complementar nº 105/2001. Ocorre que, nos termos do art. 1º, VI, da LC 105/01, as administradoras de cartão de créditos são consideradas instituições financeiras para os fins daquela eli complementar. Assim, como a recorrente questiona a constitucionalidade da LC 105/2001, há necessidade de se converter o processo em diligência, para que a autoridade lançadora informe se os extratos de cartão de crédito foram objeto de RMF, hipótese na qual seria aplicável o § 1º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256/09 (RICARF), tendo em vista que ainda não houve o trânsito em julgado da RE 601.314. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade lançadora informe se os extratos de cartão de crédito que compõem o conjunto probatório dos autos foram objetos de RMF. Do relatório de diligência, deve ser dada ciência à recorrente, com a concessão de prazo para que se pronuncie nos autos. Após tais providências, os autos devem retornar ao CARF, para prosseguimento do feito. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 36624.014115/2006-95
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/03/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, III, DA LEI N° 8.212/ C/C ARTIGO 225, III, DO DECRETO N° 3.048/99 -DEIXAR DE APRESENTAR AS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS E CONTÁBEIS E OS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS À FISCALIZAÇÃO
Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso III combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui por deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA MORATÓRIA - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NATUREZA JURÍDICA DISTINTA
A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.276
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cid Marconi Gurgel de Souza e Ivacir Julio de Souza.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/1996 a 31/03/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, III, DA LEI N° 8.212/ C/C ARTIGO 225, III, DO DECRETO N° 3.048/99 -DEIXAR DE APRESENTAR AS INFORMAÇÕES FINANCEIRAS E CONTÁBEIS E OS ESCLARECIMENTOS NECESSÁRIOS À FISCALIZAÇÃO Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso III combinado com o art. 225, inciso III, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999 A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui por deixar a empresa de prestar à RFB todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA MORATÓRIA - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - NATUREZA JURÍDICA DISTINTA A multa moratória possui natureza jurídica distinta da multa por descumprimento de obrigação acessória, pois enquanto esta se refere ao não cumprimento das obrigações de fazer, não fazer ou tolerar, já aquela se refere às contribuições sociais previdenciárias relacionadas à obrigação principal em atraso. Recurso Voluntário Negado
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Numero do processo: 11065.002838/2007-84
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2007
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
ESCRITURAÇÃO. MULTA . ÔNUS DA PROVA.
Os lançamentos contábeis relativos aos fatos geradores de todas as contribuições, ao montante das quantias descontadas, às contribuições da empresa e aos totais recolhidos, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, podem ser exigidos pela Fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições.
A apresentação, à Fiscalização, de Livros Diários sem a devida formalização atrai a incidência da multa prevista no artigo 92 da Lei n.° 8.212/91, c/c o artigo 283, inciso II, alínea "j", do RPS, devidamente atualizada.
A empresa tem o ônus da prova em relação àquilo que alega.
Numero da decisão: 2403-000.347
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 ESCRITURAÇÃO. MULTA . ÔNUS DA PROVA. Os lançamentos contábeis relativos aos fatos geradores de todas as contribuições, ao montante das quantias descontadas, às contribuições da empresa e aos totais recolhidos, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, podem ser exigidos pela Fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições. A apresentação, à Fiscalização, de Livros Diários sem a devida formalização atrai a incidência da multa prevista no artigo 92 da Lei n.° 8.212/91, c/c o artigo 283, inciso II, alínea "j", do RPS, devidamente atualizada. A empresa tem o ônus da prova em relação àquilo que alega.
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MULTA . ÔNUS DA PROVA. Os lançamentos contábeis relativos aos fatos geradores de todas as contribuições, ao montante das quantias descontadas, às contribuições da empresa e aos totais recolhidos, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, podem ser exigidos pela Fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições. A apresentação, à Fiscalização, de Livros Diários sem a devida formalização atrai a incidência da multa prevista no artigo 92 da Lei n.° 8.212/91, c/c o artigo 283, inciso II, alínea "j", do RPS, devidamente atualizada. A empresa tem o ônus da prova em relação àquilo que alega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausente o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11065.002838/200784 Acórdão n.º 240300.347 S2C4T3 Fl. 45 3 Relatório A Recorrente foi autuada por não haver apresentado os Livros Diários relativos aos exercícios 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007 (até 30 de abril), devidamente formalizados nos termos do parágrafo 13 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06 de maio de 1999. O Relatório Fiscal da Infração, que compõe o presente Auto de Infração AI, esclarece que a empresa não tem antecedentes de autuação, nem ocorreram outras circunstâncias agravantes ou atenuante. O Relatório Fiscal da Multa Aplicada consigna a aplicação da multa de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos). A empresa impugnou tempestivamente a exigência. A ciência do AI ocorreu em 25 de outubro de 2007, e a protocolização da impugnação, em 23 de novembro de 2007. Alega, inicialmente, que, em nenhum momento, deixou de apresentar os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na Lei n.° 8.212/91. Aliás, a documentação solicitada sempre foi colocada à disposição da Fiscalização. Além disso, todos os documentos foram apresentados com as formalidades legais e com as devidas indicações condizentes com os fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas. Refere, ainda, que não é predominante o entendimento adotado pela Fiscalização, no sentido de que a encadernação dos livros deve ocorrer a cada noventa dias, uma vez que esta obrigação somente ocorre com o término do exercício fiscal. Todavia, tais encadernações foram realizadas para atender à Fiscalização, que mesmo assim não deixou de autuar a empresa. Considera, portanto, a autuação desprovida de fundamento fático e jurídico, sendo indevida a multa aplicada. Aduz, ainda no tocante à multa aplicada, que os valores estabelecidos a tal título estão fora da razoabilidade e muito superiores ao que seria, em tese, devido por força de tal infração. Ao final, a empresa requer seja acolhida a presente impugnação, julgandoa procedente para efeitos de declarar insubsistente o AI; sucessivamente, postula seja reduzida a multa imposta. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar as alegações da impugnante, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento DRJ Porto Alegre/RS, mediante Acórdão n° 1014.886, fls. 32, julgou procedente o lançamento. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 4 DO RECURSO Irresignada com a decisão “a quo” a recorrente interpôs recurso de fls. 39/43, onde reitera as alegações que fizera em sede de impugnação inovando ao argüir a constitucionalidade da autuação argumentando que : “ Sendo o CNT uma lei complementar, configura inconstitucionalidade a previsão punitiva existente em legislação ordinária para o fato da espécie (inadimplência de tributo em cumprimento de obrigação acessória), o que torna a referida multa inexigível, mormente porque a cobrança da mesma é cumulada com juros e correção monetária.” Requereu, por fim, seja dado provimento ao presente recurso, para efeitos de tornar insubsistente o crédito tributário em questão. É o relatório Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11065.002838/200784 Acórdão n.º 240300.347 S2C4T3 Fl. 46 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA DECADÊNCIA A recorrente foi autuada por não haver apresentado os Livros Diários relativos aos exercícios 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007 (até 30 de abril), devidamente formalizados, o que constitui infração aos parágrafos 2.° e 3.° do artigo 33 da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do RPS. Tomou conhecimento do Auto de Infração em 25/10/2007, desse modo, considerando que se trata de um tributo cuja obrigação principal se subsume aos ditames do lançamento por homologação e, por coerência, as obrigações acessórias são de sofrer as mesmas observações, em se reconhecendo a ocorrência do Instituto da decadência na forma do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional – CTN, restariam fulminadas as competências 10/2002 e anteriores. Entretanto, ainda que se observe tal ocorrência, tratase o presente auto de autuação por valor único abrangendo a infração ao período como um todo. LEI N.° 8.212, DE 24 DE JULHO DE 1991 ( ... ) Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ( ... ) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (GN) No § 3° do artigo supra se encontra a conduta que define a infração, ou seja, a recusa ou sonegação ou a apresentação deficiente DE QUALQUER documento. Dessa forma, um único descumprimento, um único exercício como no presente caso, inadimplido, já Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI 6 constitui conduta punível pela lei. O que artigo 283, inciso II, alínea “a ” traz é a quantificação da pena, o valor da multa aplicável que correspondeu, em 25 de outubro de 2007, data da notificação, a R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos). Desse modo, sem discutir o mérito, os exercícios não alcançadas pela decadência justificariam a autuação. DO MÉRITO Em que pesem as alegações da Recorrente de que teria colocado à disposição da Fiscalização toda a documentação por esta solicitada e de que todos os documentos assim apresentados preenchiam as formalidades legais, não se desincumbiu do ônus, que lhe competia, de fazer prova de que os Livros Diários considerados na autuação encontravamse devidamente formalizados. Também não fez prova de que a infração haveria sido corrigida durante a ação fiscal. O prazo para escrituração do livro Diário encontrase estabelecido no parágrafo 13 do artigo 225 do RPS, segundo o qual os lançamentos contábeis relativos aos fatos geradores de todas as contribuições, ao montante das quantias descontadas, às contribuições da empresa e aos totais recolhidos, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, podem ser exigidos pela Fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições. DA CONSTITUCIONALIDADE No que se refere à multa, esta foi corretamente aplicada consoante o disposto nos artigos 92 e 102 da Lei n.° 8.212/91, combinado com os artigos 283, inciso II, alínea "j", e 373 do RPS, devidamente atualizada pela Portaria MPS n.° 142, de 11 de abril de 2007. Ademais, conforme súmula 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF : “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” As observações acima permitem concluir que não assiste razão às alegações da Recorrente. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso e no mérito NEGARLHE provimento. Ivacir Júlio de Souza Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI Processo nº 11065.002838/200784 Acórdão n.º 240300.347 S2C4T3 Fl. 47 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 10/03/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, 15/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES ST RINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 37311.000135/2006-75
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE
LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E
MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 -
RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos
legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.314
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar
provimento parcial ao recurso determinando recalcular a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - ACRÉSCIMOS LEGAIS - JUROS E MULTA DE MORA - ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 - RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35-A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Fl. 72DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso determinando recalcular a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza. Ausente o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 37311.000135/2006-75 Acórdão n.º 2403-00.314 S2-C4T3 Fl. 59 3 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário, fls. 46, apresentado contra Decisão da Secretaria da Receita Previdenciária / Delegacia da Receita Previdenciária em Jundiaí – SP, fls. 36 a 40, que julgou procedente a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.889.543-0, no valor consolidado de R$ 6.640,55 (seis mil, seiscentos e quarenta reais e cinqüenta e cinco centavos), às fl. 01, contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas correspondentes à parte dos segurados empregados, parte patronal, as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e contribuições para outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração decorrente da mão-de- obra em construção civil de responsabilidade de pessoa física, referente à obra realizada no endereço: Rua dos Jacarandás Lote 10 Quadra N — Horizonte Azul — ltupeva – SP, Matrícula CEI: 50.001.44549/61, Responsável: Osmir Fernandes da Costa. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 12 a 13, o débito foi apurado com base no Custo Unitário Básico - CUB - Tabela elaborada pelo Sindicato da Construção Civil - SINDUSCON e Aviso para Regularização de Obra - ARO. O Relatório Fiscal, às fls. 12 a 13, ainda informa que foi preenchida Declaração e Informação sobre Obra - DISO ex-officio em 02.09.2005 e emitido o ARO — Aviso para Regularização de Obra, referente à competência Setembro/2005, bem como a respectiva GPS — Guia da Previdência Social, com vencimento no 2º dia útil do mês subseqüente. Informa ainda o Relatório Fiscal, às fls. 12 a 13, que a ARO foi emitida de ofício pela fiscalização, em 04.07.2005, conforme fls. 15: indica que a obra em questão, com Matrícula CEI 50.001.44549/61, tem datas de início em 01.01.2000 e de término em 04.07.2005, se refere à área total de construção de 201,61 m2. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09277957-00, foi de 01/2000 a 12/2005, fls. 10. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético de Débito - DSD, às fls. 05, é 09/2005. O Recorrente teve ciência da NFLD no dia 27.12.2005, conforme o Aviso de Recebimento – AR às fls. 32. O Recorrente apresentou Impugnação, às fls. 35. A Recorrida analisou a autuação e a Impugnação, julgando procedente a autuação, conforme a Decisão-Notificação nº 21.426.4/0147/2006, às fls. 36 a 40. Inconformada com a decisão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 46, onde alega: Fl. 74DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 Neste momento formalizo meu RECURSO VOLUNTÁRIO AO CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL — CRPS, pois não tenho condições financeiras para suportar a referida cobrança e reitero que não fui informado preliminarmente (quando da construção do Imóvel) da legitimidade do tributo, por nenhuma das entidades Prefeitura Municipal de Itupeva, Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura e INSS. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 57. É o Relatório. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 37311.000135/2006-75 Acórdão n.º 2403-00.314 S2-C4T3 Fl. 60 5 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 57. Avaliados os pressupostos, passo para o mérito. DO MÉRITO. O Recorrente argumenta: Neste momento formalizo meu RECURSO VOLUNTÁRIO AO CONSELHO DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL — CRPS, pois não tenho condições financeiras para suportar a referida cobrança e reitero que não fui informado preliminarmente (quando da construção do Imóvel) da legitimidade do tributo, por nenhuma das entidades Prefeitura Municipal de Itupeva, Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura e INSS. Analisemos. Foi realizada auditoria-fiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte da empresa; do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a outros fundos e entidades – FNDE, INCRA, SENAT, SEST e SEBRAE, incidentes sobre a remuneração decorrente da mão-de-obra em construção civil de responsabilidade de pessoa física, referente à obra realizada no endereço: Rua dos Jacarandás Lote 10 Quadra N — Horizonte Azul — ltupeva – SP, Matrícula CEI: 50.001.44549/61, Responsável: Osmir Fernandes da Costa. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD nº 37.889.543-0 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.889.543-0) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com Fl. 76DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV - Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; O Recorrente teve ciência da NFLD no dia 27.12.2005, conforme o Aviso de Recebimento – AR às fls. 32. Desta forma, a ciência do sujeito passivo por Aviso de Recebimento – AR ocorreu nestes termos do art. 662, II da IN MPS/SRP n° 03/2005: IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 662. O sujeito passivo será cientificado da NFLD e do AI da seguinte forma: I - pessoalmente, após a lavratura da NFLD ou do AI, comprovando-se o recebimento mediante a assinatura do representante legal ou do mandatário; II - por via postal ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; ou III - por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos. § 1º Na hipótese do inciso I do caput, ocorrendo recusa de recebimento dos documentos, o AFPS deixará a via destinada ao sujeito passivo no local da ocorrência e registrará, em todas as vias, a expressão "recusou-se a assinar" seguida da identificação do responsável pela recusa, considerando-se, dessa forma, cientificado o sujeito passivo. § 2º Quando da ciência pessoal a mandatário do sujeito passivo será juntada cópia autenticada da procuração, que deverá, em se tratando de instrumento particular, conter firma reconhecida do representante legal. § 3º Na hipótese do inciso II do caput, o encaminhamento dos documentos deverá ser efetuado, preferencialmente, em até três dias após a lavratura da NFLD ou do AI, considerando-se cientificado o sujeito passivo na data do efetivo recebimento ou, se omitida a mencionada data do recebimento, quinze dias após a data da expedição da intimação. § 4º Os meios de intimação previstos nos incisos I e II do caput não estão sujeitos a ordem de preferência. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 37311.000135/2006-75 Acórdão n.º 2403-00.314 S2-C4T3 Fl. 61 7 § 5º Na hipótese do inciso III do caput, o edital será publicado uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência do órgão encarregado da intimação, franqueada ao público, considerando-se cientificado o sujeito passivo quinze dias após a publicação ou afixação do edital. § 6º A ciência ao órgão do poder público far-se-á mediante ofício encaminhado ao seu dirigente, subscrito pelo Delegado da Receita Previdenciária circunscricionante do órgão. § 7º No procedimento fiscal em empresa sob regime especial de falência, se o síndico ou administrador judicial renunciou ou foi destituído do cargo, não tendo sido nomeado o substituto, a remessa da NFLD far-se-á mediante ofício ao juízo da falência. § 8º O sujeito passivo é obrigado a manter atualizado o endereço perante o respectivo órgão previdenciário, sob pena de serem tidas como eficazes as notificações encaminhadas ao endereço anterior. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao Recorrente pois, de plano, nota-se que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Pode-se elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF- F, com a competente designação do Auditor-Fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC - Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); Fl. 78DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 b. DAD - Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD - Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL - Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD- Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; g. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos; h. TEAF - Termo de Encerramento da Ação Fiscal; i. REFISC – Relatório Fiscal; Cumpre-nos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisando-se a NFLD nº 35.889.543-0, tem-se que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao Auditor-Fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumpri-lhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos Fl. 79DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 37311.000135/2006-75 Acórdão n.º 2403-00.314 S2-C4T3 Fl. 62 9 geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela não notificação ao sujeito passivo. DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 Ressalva-se a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35-A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 81DF CARF MF Emitido em 23/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/01/2011 por MARIA MADALENA SILVA Assinado digitalmente em 15/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 14337.000345/2008-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÃO.
A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do
lançamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-000.330
Decisão: ACORDAM os membros colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
PROVIMENTO AO RECURSO.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA CONTRIBUINTE INDIVIDUAL INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. Recurso Voluntário Negado
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A legislação da Seguridade Social indica que incidem contribuições providenciarias sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14337.000345/200831 Acórdão n.º 240300.330 S2C4T3 Fl. 179 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 162 a 166, com Anexo às fls. 167, apresentado contra Acórdão nº 0112.567 – 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém PA, fls. 139 a 157, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.118.7478, no montante de R$ 206.868,00 (duzentos e seis mil, oitocentos e sessenta e oito reais). Em relação à NFLD nº 37.118.7478, observase que o Valor Total Consolidado de R$ 206.868,00, é formado pelas parcelas: (a) Valor Atualizado: R$ 145.800,74; (b) Valor de Multa: R$ 0,00; e (c) Valor de Juros: R$ 63.067,26. Segundo a AuditoriaFiscal, de acordo com o Relatório Fiscal, fls. 74 a 94, o lançamento referese a as contribuições incidentes sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, competências 04/2003 a 12/2006. A AuditoriaFiscal abrange todos os Órgãos municipais, a saber: Prefeitura Municipal, CNPJ: 05.193.073/000160, Câmara Municipal, CNPJ: 05.564.711/000102, e Secretaria Municipal de Saúde e Meio Ambiente, CNPJ: 02.378.413/000130, esta última correspondendo ao Fundo Nacional de Saúde. O Instituto de Previdência Municipal foi instituído pela Lei 278 de 24/05/1995 e extinto pela Lei 021/2000 de 27/12/2000. Ainda segundo o Relatório Fiscal, às fls. 74 a 94, até o encerramento da ação fiscal mais de sessenta dias desde a intimação inicial, o Recorrente não apresentou pelo menos parcialmente os elementos solicitados, denotando o caráter procrastinatório do pedido de prorrogação de prazo feito, sendo que a única documentação apresentada foi a relativa à criação e extinção do regime próprio de previdência municipal. A sonegação dos elementos motivou a lavratura de Auto de Infração Obrigação Acessória em nome do Dirigente e poderia originar o lançamento arbitrado, na forma do art. 33 da Lei 8212/91. Desta forma, na busca de elementos fáticos para lastrear o lançamento, buscouse os dados das prestações de constas do Ente Municipal no Tribunal de Contas dos Municípios do Pará, ofício anexado ao Auto. Conforma ainda o Relatório Fiscal, às fls. 74 a 94, foi possível a apuração dos valores nas notas de empenho, folhas de pagamento e recibos, constando no Relatório de Lançamento RL, campo observação, em qual documento foi verificado o valor considerado. A numeração que consta no referido campo é o número do empenho emitido pelo Ente municipal, de acordo com Lei 4320/1964. Ainda assim, em razão da não apresentação da documentação solicitada, os valores dos salários família e salários maternidade deduzidos pelo Recorrente foram glosados pela fiscalização e as importâncias apropriadas no Auto de Infração nº 37.118.7524. A recusa em fornecer documentos ensejou a lavratura de Auto de Infração, conforme mencionado anteriormente, em nome de cada um dos Prefeitos, obedecendose o período do mandato, de acordo com legislação de custeio. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 O Relatório Fiscal, às fls. 74 a 94, expõe acerca da obrigação legal das empresas de efetuar o desconto das contribuições dos segurados empregados e também dos contribuintes individuais a partir da competência 04/2003 por força da MP 83/2002, convertida na lei 10.666/2003, cujo desconto sempre se presumirá feito conforme § 50 do art. 33 da Lei n° 8.212/91. Assinala que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte constam do RDA Relatório de Documentos Apresentados. Consigna que as GPS com código de recolhimento 2909Reclamatória Trabalhista não foram considerados haja vista serem de utilização exclusiva para os litígios trabalhista que lhe deram origem. O período de apuração, de acordo com o Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF e Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0210100.2008.00358, foi de 01/2004 a 12/2006, às fls. 68 a 69. O período do débito, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 11, é de 04/2003 a 12/2006. A Recorrente teve ciência da NFLD no dia 06.08.2008, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 100 a 110, com Anexos às fls. 111 a 136. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente em parte a autuação (de forma a excluir do lançamento as competências 04/2003 a 07/2003, inclusive, devido à decadência, nos termos da Súmula Vinculante nº 8, STF e do art. 150, § 4º, CTN), com o Acórdão nº 0112.567 – 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém PA, fls. 139 a 157, cuja Ementa segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/12/2006 AIOP n° 37.118.7478. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE. STF. AFERIÇÃO INDIRETA. ÔNUS PROBATÓRIO. DESCONTO DA CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DILIGÊNCIA E PERÍCIA Prescreve a Súmula Vinculante n° 8, do STF, que são inconstitucionais os artigos 45 e 46, da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência, razão pela qual, em se tratando de lançamento de ofício, devese aplicar o prazo decadencial de cinco anos. A empresa é obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Autoridade Fiscal pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O crédito previdenciário lavrado em conformidade com o art. 37 da Lei n° 8.212/91 e alterações c/c art. 142 do C.T.N, somente Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14337.000345/200831 Acórdão n.º 240300.330 S2C4T3 Fl. 180 5 será elidido mediante a apresentação de provas, pelo contribuinte, que comprove a não ocorrência desses fatos. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 1° caput, da Portaria RFB Receita Federal do Brasil n° 10.875, de 16/08/07). A realização de diligência ou de perícia não se presta à produção de provas que o sujeito passivo tinha o dever de trazer à colação junto com a peça impugnatória. Lançamento Procedente em Parte Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, fls. 162 a 166, com Anexo às fls. 167, onde alega, em apertada síntese: Em sede Preliminar. (a) Da dilação do prazo. Considerandose que os serviços de fiscalização foram iniciados em 27/05/2008 e concluídos em 31/07/2008, alega que o pedido de dilação de prazo para apresentação de documentação não é procrastinatório vez que a fiscalização abrangeu extenso período de verificação de documentos e administração de diferentes gestores municipais, o que torna maior a dificuldade de organizar toda a documentação. (a.1) Vêse que a dificuldade em reunir documentos de tal natureza, é evidente, ainda mais se considerarmos que a fiscalização realizada não dizia respeito apenas valores devidos pela atual administração, englobando também administrações pretéritas, trazendo como conseqüência a necessidade de se catalogar volumosa documentação, o que dificultou ainda mais a reunião do todos os documentos solicitados. (b) Da existência potencial de vícios na autuação fiscal. Aduz que os elevadíssimos valores lançados são incompatíveis com a realidade econômica Município e que os dados, fatos e provas nos quais se fundamentou são insuficientes para a manutenção da sanção aplicada. O alto valor do resultado apurado pela fiscalização não condiz com o pequeno tamanho do município revelando potencialmente a existência de vícios na sua apuração. (c) Do cerceamento de defesa pela não divulgação da relação dos contribuintes individuais prestadores de serviço ao Município. A relação dos contribuintes individuais prestadores de serviço ao município, utilizados para cálculo da contribuição Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 descontada que compuseram o AIOP ora em discussão, não foram fornecidas para o sujeito passivo, a fim de que pudesse produzir o cotejo entre os prestadores utilizados como parâmetro para o calculo da contribuição reclamada pelo fisco e os registros constantes na municipalidade. (c.1) O fornecimento apenas do número de empenhos, sem a individualização de cada um daqueles juntamente com a natureza do serviço prestado, impossibilita a defesa de corretamente checar tais valores. (c.2) A falta de tal individualização, ainda que ignorada pelo julgador de primeira instância, se revela em claro cerceamento de defesa (d) Do cerceamento de defesa pela não individualização do fato gerador. Da análise do Auto de Infração, percebese que não houve a individualização dos elementos que compuseram o fato gerador da obrigação, impondo dificuldades ao recorrente em averiguar a certeza do lançamento, que se deu sem os cuidados especiais imprimindo assim, as características de cerceamento de defesa, como alhures explicitado, posto que estão ausentes os pressupostos de viabilidade do exercício constitucional da ampla defesa, que se faz com todos os meios e recursos a ela inerentes. (e) Alegações de inconstitucionalidade. No Mérito. (f) Da nova diligência administrativa. Sem a demonstração da individualização de cada elemento que compõe o fato gerador da obrigação tributária fica a defesa da recorrente cerceada em corretamente verificar um a um cada segurado relacionado, para observar se não inclusão indevida de servidores estaduais colocados a serviço desta Secretaria Municipal, ou se os empenhos obtidos junto ao Tribunal de Contas dos Municípios espelham fielmente a realidade do elevado valor resultante da Ação fiscal. Tal verificação somente seria possível através de uma nova diligência administrativa para que compulsando os documentos, por ocasião já colacionados, se possa corretamente aplicar a justiça tributária. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 177. É o Relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14337.000345/200831 Acórdão n.º 240300.330 S2C4T3 Fl. 181 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 175 e 177. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Preliminares e do Mérito. DAS PRELIMINARES (a) Da dilação do prazo. A Recorrente argumenta. Considerandose que os serviços de fiscalização foram iniciados em 27/05/2008 e concluídos em 31/07/2008, alega que o pedido de dilação de prazo para apresentação de documentação não é procrastinatório vez que a fiscalização abrangeu extenso período de verificação de documentos e administração de diferentes gestores municipais, o que torna maior a dificuldade de organizar toda a documentação. (a.1) Vêse que a dificuldade em reunir documentos de tal natureza, é evidente, ainda mais se considerarmos que a fiscalização realizada não dizia respeito apenas valores devidos pela atual administração, englobando também administrações pretéritas, trazendo como conseqüência a necessidade de se catalogar volumosa documentação, o que dificultou ainda mais a reunião do todos os documentos solicitados. Analisemos. Não prospera a argumentação da Recorrente acerca do cerceamento de defesa em função do prazo exíguo para a apresentação de documentos, pois, em sentido contrário ao alegado pela Recorrente, ocorreu prazo suficiente para a apresentação de documentações, a partir da ciência dos TIAF Termo de Início da Ação Fiscal e TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos emitidos no decorrer da auditoriafiscal. Inclusive, este ponto este já enfrentado na decisão de 1ª instância a qual também não considerou o possível cerceamento de defesa, in verbis, às fls. 1206: “ (...) As fls. 68/71 dos autos encontram anexados diversos TIAFTermo de Início da Ação Fiscal e TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos emitidos no Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 decorrer da ação fiscal, por meio dos quais foram solicitados os documentos necessários para a efetivação da auditoria em curso. Examinando tais documentos constato que a primeira notificação deuse em 27/05/2008, da qual foi devidamente cientificado o prefeito, Sr. Vildemar Fernandes, solicitando os documentos ali discriminados relativos ao período de 01/2004 a 12/2006, e deixando claro que a documentação relacionada é relativa "a todos os estabelecimentos da empresa". No decorrer da ação outras solicitações se seguiram, reiterando ou acrescendo documentos a serem apresentados. Por seu turno o TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal às fls. 20 dos autos, atesta que a ação fiscal foi encerrada em 05/08/2008 do qual também foi devidamente cientificado o prefeito, Sr. Vildemar Fernandes. Destarte, os documentos examinados apontam que na prática o município em questão teve de 27/05/2008 a 05/08/2008 para apresentar a referida documentação à autoridade fiscalizadora. Ademais, teve até 05/09/2008 para sua apresentação junto à sua impugnação nessa data interposta, para apreciação da autoridade julgadora.” (b) Da existência potencial de vícios na autuação fiscal. A Recorrente argumenta: Aduz que os elevadíssimos valores lançados são incompatíveis com a realidade econômica Município e que os dados, fatos e provas nos quais se fundamentou são insuficientes para a manutenção da sanção aplicada. O alto valor do resultado apurado pela fiscalização não condiz com o pequeno tamanho do município revelando potencialmente a existência de vícios na sua apuração. Analisemos. Não prospera tal argumento da Recorrente posto que elaborado apenas em ilação sem um suporte fático que possa comprovar a “potencial existência de vícios na sua apuração”. (c) Do cerceamento de defesa pela não divulgação da relação dos contribuintes individuais prestadores de serviço ao Município. A Recorrente argumenta. A relação dos contribuintes individuais prestadores de serviço ao município, utilizados para cálculo da contribuição descontada que compuseram o AIOP ora em discussão, não foram fornecidas para o sujeito passivo, a fim de que pudesse produzir o cotejo entre os prestadores utilizados como parâmetro para o calculo da contribuição reclamada pelo fisco e os registros constantes na municipalidade. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14337.000345/200831 Acórdão n.º 240300.330 S2C4T3 Fl. 182 9 (c.1) O fornecimento apenas do número de empenhos, sem a individualização de cada um daqueles juntamente com a natureza do serviço prestado, impossibilita a defesa de corretamente checar tais valores. (c.2) A falta de tal individualização, ainda que ignorada pelo julgador de primeira instância, se revela em claro cerceamento de defesa Analisemos. Não prospera tal argumentação da Recorrente posto que a própria Administração Municipal forneceu as informações relacionadas com a prestação de serviço de contribuintes individuais, tais como notas de empenho, ao Tribunal de Contas dos Municípios do Pará. Ademais, logicamente, parte da própria Recorrente a origem das Notas de Empenho, o que implica que tem acesso à relação dos número de empenhos com a individualização de cada um daqueles beneficiados juntamente com a natureza do serviço prestado. (d) Da nulidade e do cerceamento de defesa pela não individualização do fato gerador. A Recorrente argumenta. Da análise do Auto de Infração, percebese que não houve a individualização dos elementos que compuseram o fato gerador da obrigação, impondo dificuldades ao recorrente em averiguar a certeza do lançamento, que se deu sem os cuidados especiais imprimindo assim, as características de cerceamento de defesa, como alhures explicitado, posto que estão ausentes os pressupostos de viabilidade do exercício constitucional da ampla defesa, que se faz com todos os meios e recursos a ela inerentes. Analisemos. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições incidentes sobre as remunerações de segurados contribuintes individuais, competências 04/2003 a 12/2006. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.118.7478 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.118.7478) Lei n° 8.212/91 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • Ciência do contribuinte acerca do TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal e observandose a autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do Auditor Fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14337.000345/200831 Acórdão n.º 240300.330 S2C4T3 Fl. 183 11 e. RDA Relatório de Documentos Apresentados (relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto de notificações anteriores); f. RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (que demonstra, por estabelecimento, competência, levantamento e tipo de • documento, os valores recolhidos pelo sujeito passivo, arrolados no RDA, e a correspondente apropriação e abatimento das contribuições devidas); g. FLD Fundamentos Legais do Débito (informa ao contribuinte os dispositivos legais que fundamentam o lançamento efetuado, de acordo com a legislação vigente à época de ocorrência dos fatos geradores; h. RepLeg de Representantes Legais (lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação); i. VÍNCULOS Relação de Vínculos (lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente); j. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; k. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. l. REFISC – Relatório Fiscal, se destina à narrativa dos fatos verificados em procedimento fiscal, sendo emitido por AFRFB sempre que houver lavratura de AIOP ou AIOA. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.118.7478, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de individualização do fato gerador. (e) Alegações de inconstitucionalidade. Analisemos. Alega a Recorrente pela inconstitucionalidade da interpretação da auditoria fiscal na aplicação da legislação ordinária para exigir a contribuição previdenciária de uma obrigação principal inexistente. Inferese que a exigência delas é inconstitucional pelo cerceamento ao amplo direito de defesa insculpido no art. 5º, inciso LIV e inciso LV, CRFB/1988 Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14337.000345/200831 Acórdão n.º 240300.330 S2C4T3 Fl. 184 13 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO Passemos à análise do Mérito. (f) Da nova diligência administrativa. A Recorrente argumenta. Sem a demonstração da individualização de cada elemento que compõe o fato gerador da obrigação tributária fica a defesa da recorrente cerceada em corretamente verificar um a um cada segurado relacionado, para observar se não inclusão indevida de servidores estaduais colocados a serviço desta Secretaria Municipal, ou se os empenhos obtidos junto ao Tribunal de Contas dos Municípios espelham fielmente a realidade do elevado valor resultante da Ação fiscal. Tal verificação somente seria possível através de uma nova diligência administrativa para que compulsando os documentos, por ocasião já colacionados, se possa corretamente aplicar a justiça tributária. Analisemos. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 (f.1) Da individualização de cada elemento que compõe o fato gerador da obrigação tributária De plano, quanto ao argumento de fundo da Recorrente, acerca da individualização de cada elemento do fato gerador, não prospera tal argumentação conforme já visto na análise do item (d) anterior. (f.2) Da diligência administrativa Outrossim, a Recorrente argumenta em relação à requisição de diligência administrativa para se verificar os elementos trazidos aos autos pela Recorrente Reitera a Recorrente pela produção de provas. Não confiro razão à Recorrente pois, em relação ao pedido de produção de provas, indefiro tal pedido, porque a Recorrente não demonstrou, fundamentadamente, a ocorrência de uma das condições elencadas no art. 16, § 6º c/c art. 16, IV, Decreto 70.235/1972: “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) “ § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 14DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 14337.000345/200831 Acórdão n.º 240300.330 S2C4T3 Fl. 185 15 b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) “(gn) Da leitura do dispositivo, verificase que a Recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de pedido de nova prova documental, por meio de diligência, portanto não prospera o requerimento da Recorrente em relação à produção de provas. Ainda assim, nos termos do art. 18, Decreto 70.235/1972, é desnecessária a realização de diligência nos documentos trazidos aos Autos porque tais documentos relacionados pela Recorrente no Anexo à Impugnação, às fls. 111 a 136, são simplesmente cópias de procuração e do presente Auto de Infração de Obrigação principal – AIOP. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 15DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente no sentido da necessidade de diligência. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar as PRELIMINARES suscitadas, NO MÉRITO NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 16DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 16/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 17/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10120.904793/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1302-000.267
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência , nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência , nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto de Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros presentes Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 20 .9 04 79 3/ 20 09 -7 1 Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17529.G3NU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10120.904793/200971 Resolução nº 1302000.267 S1C3T2 Fl. 121 2 Relatório Trata o processo de manifestação de inconformidade em face de despacho decisório de não homologação de declaração de compensação. A DCOMP não homologada tem por objeto a compensação de débito do sujeito passivo, com base em suposto direito creditório oriundo de ‘pagamento indevido ou a maior’ de IRPJ, código 5993, no valor de R$ 283.310,03, do período de apuração 31/05/2005, com data de arrecadação em 30/06/2005. Transmitida em 14/02/2006, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de ‘não homologação’ da compensação, emitido em 20/04/2009, cujas razões de negação se fundam na utilização integral do pagamento discriminado para a quitação do débito de código 5993, do PA 31/05/2005, portanto, sem crédito disponível para a compensação em comento. Cientificada desse despacho em 29/04/2009, a interessada apresentou, em 28/05/2009, manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que “efetuou recolhimentos a maior conforme apurado na DIPJ 2006 transmitida em 29/06/2006”, sob o “regime de tributação com base em balancete de suspensão ou redução do imposto”. Pede revisão do despacho decisório. A 4ª Turma da DRJ/BSB através do acórdão nº 0345.536, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, unanimemente, alegando basicamente o seguinte: que na linha disciplinada pelos artigos 2º, 6º, e 28 a 30 da Lei nº 9.430/1996; artigo 6º, parágrafo único, da Lei nº 7.689/1988; e artigos 221 a 232 do Decreto nº 3.000/99, os valores pagos a título de estimativa de imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido não podem ser considerados crédito em favor do contribuinte, sob a qualificação de “pagamento indevido ou a maior’, uma vez que nesta sistemática de tributação a pessoa jurídica fica obrigada a antecipar ao Fisco, mensalmente, parte desse tributo, calculado com base em sua receita bruta, e aplicação de um percentual prédefinido com vistas ao cálculo do lucro real, com a faculdade aberta à pessoa jurídica para suspender ou reduzir o pagamento do tributo devido por estimativa, desde que demonstre, mediante balancetes mensais, que o valor acumulado já pago até o mês anterior excede o valor do tributo, inclusive adicional (no caso do IRPJ), calculado com base no lucro real auferido até aquele mês. que essa opção somente pode ser exercida até o vencimento do tributo, ou seja, não é facultado ao contribuinte efetuar o pagamento de uma estimativa e, depois, elaborar balancete, concluindo que poderia pagar valor menor ou, até mesmo, não pagar nada. Isso decorre da própria definição do instituto e da sua essência. Por isso, o balancete de suspensão ou redução não pode servir de base para que o contribuinte, tendo recolhido sua estimativa com base na receita bruta, venha a alegar ter sido indevido ou a maior esse pagamento. que o fato gerador do IRPJ (ou CSLL) abrange todas as situações ocorridas durante o anocalendário, sendo que o tributo devido é apurado no encerramento desse período. Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17529.G3NU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10120.904793/200971 Resolução nº 1302000.267 S1C3T2 Fl. 122 3 na apuração segundo a sistemática do lucro real anual, no fim do ano calendário, para se calcular o tributo efetivamente devido, cujo fato gerador é, então, anual, subtraemse do IRPJ (ou CSLL) apurado para todo o ano as deduções legalmente previstas, entre elas as antecipações feitas durante o período, como as decorrentes de retenções na fonte, e a título de pagamentos de estimativa mensal. Caso o resultado dessa operação matemática seja positivo, tem o interessado o dever de recolher o valor encontrado; caso seja negativo, ter seá caracterizado o saldo negativo de IRPJ (ou CSLL), o que significa direito creditório em favor do contribuinte. Nesse último caso, o referido valor constitui crédito em favor do contribuinte, repisase, na forma de saldo negativo de IRPJ (ou CSLL) apurado no período, porém, jamais na condição de pagamento indevido ou a maior. Intimado da decisão da DRJ em 16/12/2011, apresentou recurso voluntário tempestivo, em 23/12/2011 alegando basicamente o seguinte: a origem dos créditos compensados por meio do PER/DCOMP advém dos recolhimentos do IRPJ e da CSLL, do exercício de 2006, ano calendário 2005, recolhidos a maior conforme apurado na DIPJ 2006 (anexa) transmitida em 29.06.2006, originando, portanto, o direito a compensação com os demais tributos. os valores foram compensados nos recolhimentos do PIS e do COFINS, conforme demonstrado. verificouse com base no acórdão, que a origem dos créditos tributários, a serem compensados, fora informada de maneira indevida. onde deveria ser assinalado créditos de "saldo negativo de CSLL e saldo negativo de IRPJ", fora preenchido "pagamento indevido ou a maior." Único fator que amparou a decisão em desfavor do contribuinte. pugna pelo reconhecimento do direito creditório tolhido em razão da equivocada 'denominação' do referido crédito, mero erro formal, quando em contrapartida verificase, claramente, a correta origem do saldo negativo. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17529.G3NU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10120.904793/200971 Resolução nº 1302000.267 S1C3T2 Fl. 123 4 VOTO Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator O presente processo retornou de diligência determinada pela Resolução nº 1302000.208 de 06/11/2012, que em seu dispositivo final determinou o seguinte: “Das informações ora requeridas e juntadas aos autos, à recorrente deve ser dada a devida ciência e concedido prazo regulamentar para, desejando, se manifestar a respeito.” Verificase, todavia, clara prejudicial para o julgamento da presente lide que é a falta da cientificação da Contribuinte sobre o Relatório de Diligência Fiscal solicitado. Diante do exposto voto pelo retorno dos autos a unidade de origem para que seja notificada a Contribuinte para que tenha oportunidade de se pronunciar sobre o relatório fiscal como determinado na Resolução desta Turma. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP01.0520.17529.G3NU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA em 15/10/2013 11:26:47. Documento autenticado digitalmente por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA em 22/10/2013. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 24/10/2013 e GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA em 22/10/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 01/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP01.0520.17529.G3NU Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 7691BAD1BED111F6268437F889CBAF3D537EB7A1 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10120.904793/2009-71. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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