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Numero do processo: 10845.004286/2003-75
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2008
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA.
"ASILO". LC 123, de 14/12/06.
Nos termos da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 17, § 2°, "poderão optar pelo Simples Nacional sociedades que se dediquem exclusivamente à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no caput deste artigo".
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 303-35.083
Decisão: ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA. "ASILO". LC 123, de 14/12/06. Nos termos da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 17, § 2°, "poderão optar pelo Simples Nacional sociedades que se dediquem exclusivamente à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no caput deste artigo". RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA. "ASILO". LC 123, de 14/12/06. Nos termos da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 17, § 2°, "poderão optar pelo Simples Nacional sociedades que se dediquem exclusivamente à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa no caput deste artigo". RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO 110 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da terceira câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. ANELISE AU, DT PRI TO - Presidente LI BARTO- Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Tarásio Campelo Borges, Luis Marcelo Guerra de Castro, Celso Lopes Pereira Neto e Davi Machado Evangelista (Suplente). Ausente a Conselheira Nanci Gama. . , • • Processo n° 10845.004286/2003-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.083 Fls. 51 Relatório Trata-se de Impugnação devido à exclusão do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, conforme Ato Declaratório Executivo n° 474.539, de 07/08/2003 de fl. 03, fundamentado em situação excludente, qual seja, "Asilos", com data da ocorrência em 19/07/1999. O contribuinte apresentou SRS à fl. 18, na qual alega que a Receita Federal a considerava como optante do Simples, já que aceitou em 05/2003 a Declaração de Imposto de Renda Simplificada, não cabendo, portanto, a exclusão retroativa a 01/01/02. Destacou que, devido a erro, consta na razão social da empresa o termo S/C, que parece ser relacionado a profissionais liberais, o que não é o caso, tendo em vista que o 11, contrato social não passou por nenhum conselho de classe profissional. Na ocasião da abertura da empresa optou-se pelo Simples, que tendo concedido legalmente pela Receita Federal toma improcedente a exclusão. Cientificada do indeferimento de sua SRS à fl. 20, o contribuinte apresentou a Impugnação de fl. 01, na qual reitera as alegações anteriores e requer acolhimento destas. Anexos os documentos de fls. 03/17, entre os quais, Contrato Social e Declaração de Imposto de Renda. Encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (SP), esta indeferiu a solicitação às fls. 36/39, nos termos da seguinte ementa: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples • Ano-calendário: 2002 Ementa: OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiu-se indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. Solicitação Indeferida." Ciente da decisão proferida à fl. 41, o contribuinte apresenta tempestivamente o Recurso Voluntário de fls. 42/ no qual reitera os argumentos já apresentados e acrescenta que: Não foi observado o princípio da ampla defesa e do contraditório, conforme disposto no art. 5° da CF, pois não foram realizadas diligências ou intimações a respeito da origem das receitas da empresa, sendo a exclusão baseada em presunção decorrente do contrato social; 2 , • . • Processo n° 10845.004286/2003-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.083 Fls. 52 Embora conste no Contrato Social, a empresa não presta serviços de natureza técnica regulamentada e sim serviços de hotelaria para pessoas idosas — atividade permitida à opção Simples; A mera descrição de atividades impeditivas ao Simples no Contrato Social, mas não efetivamente prestadas, não autoriza o fisco a proceder a exclusão da opção, conforme entendimento de vasta jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Espera e requer a nulidade e improcedência da decisão de primeira instância, e de seus efeitos retroativos. Os autos foram distribuídos a este Conselheiro em 06/11/2007, em um único volume, constando numeração até à fl. 48, última. Desnecessário o encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional para ciência quanto ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, nos termos • da Portaria MF n°. 314, de 25/08/99. É o relatório. • , • Processo n° 10845.004286/2003-75 CCO3/CO3• - Acórdão n.° 303-35.083 Fls. 53 Voto Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLI, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário, por conter matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. Inicialmente esclareça-se que a nulidade suscitada pela parte, por suposta violação do direito a ampla defesa e ao contraditório, já que não foram realizadas diligências ou intimações a respeito da origem das receitas da empresa, não se perfaz, visto que foram garantidos, através do presente processo administrativo, os meios legais ao direito de defesa do Requerente. Outrossim, nos termos do art. 29 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, o julgador é livre para determinar as diligências que entender necessárias. 0111 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." No mérito, cinge-se a questão em exclusão retroativa a data 01.01.2002, do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, que se deu por meio de Ato Declaratório Executivo(fls. 3), emitido pela Delegacia da Receita Federal em Santos/São Paulo, que trouxe como motivo atividade econômica vedada — "ASILOS". Assim, a controvérsia presente nos autos restringe-se à questão da atividade econômica exercida pelo contribuinte, se é, ou não, impeditiva para opção ao Simples. Diante disso, cumpre-nos analisar o objeto social da ora Recorrente. Consta do Contrato Social de fls. 04/08 (Cláusula Primeira), que seu objeto social é: "(.) prestação de serviços de atendimento, assistência e acomodamento na casa de repouso, para ambos os sexos e para pessoas de diversas idades, temporário ou definitivo, com acompanhamento e orientação psicológica dos residentes, alem do fornecimento de alimentação em geral, compatível com as características de cada residente (..)" Para o caso em questão, cumpre notar o que artigo 17, da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006, que a partir de 1° de julho de 2007, revogou' a Lei do Simples (Lei n°. 9.317, de 5 de dezembro de 1996): 1 Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006 Art. 89— Ficam revogadas, a partir de 1° de julho de 2007, a Lei ri°. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e a Lei n°. 9.841, de 5 de outubro de 1999. 4i _ • - • Processo n° 10845.004286/2003-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.083 Fls. 54 " Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (..) "§ 2 Também poderá optar pelo Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que se dedique à prestação de outros serviços que não tenham sido objeto de vedação expressa neste artigo, desde que não incorra em nenhuma das hipóteses de vedação previstas nesta Lei Complementar. (Redação dada pela Lei Complementar n° 127, de 2007). (g.n) Neste aspecto, importa esclarecer que, a atividade que afirma desempenhar, quanto àquela constante de seu contrato social, não é vedada, pela Lei Complementar n°. 123/06. Desta forma, analisando-se as atividades exercidas pela Recorrente e o • permissivo legal constante do §2°, do artigo 17, da Lei Complementar n°. 123, de 14 de dezembro de 2006, entendo que as atividades exercidas pela Recorrente não se encontram dentre as impeditivas à opção pelo Simples, não sendo cabível sua exclusão em razão dos motivos aduzidos no ADE. Conforme análise dos autos, podemos concluir que a atividade exercida pela empresa assemelha-se à hotelaria, atividade não vedada, ainda que esta disponibilize de acompanhamento e orientação clínico psicológico dos residentes. Explica bem esta questão, aresto da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, n° 303.30638, proferido pelo Conselheiro Irineu Bianchi, em 21/03/2003: SIMPLES — EXCLUSÃO — CASA DE REPOUSO — SERVIÇOS DE HOTELARIA.0 escopo principal das casas de repouso é o serviço de hotelaria, cuja clientela necessariamente não é feita de pessoas doentes. O concurso dos serviços médicos, de enfermagem e outros visa a amparar os assistidos, propiciando-lhes a possibilidade de pronto atendimento e/ou encaminhamento hospitalar.RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (g.n) No mesmo sentido, aresto da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, n° 303-33.099, proferido pela Conselheira Nanci Gama, em 27/04/2006: SIMPLES. REVISÃO DE EXCLUSÃO. ATIVIDADE PRECIPUA DA EMPRESA. Para fins de enquadramento no SIMPLES, há de ser levada em consideração a atividade efetiva e comprovadamente desempenhada pela empresa. Recurso voluntário provido. No tocante à aplicação da Lei Complementar n°. 123, de 14/12/2006, ao presente caso, importa destacar, o que ela própria dispõe, em seu artigo 16, §4°: , .• - Processo n° 10845.004286/2003-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.083 Fls. 55 "ê4° Serão consideradas inscritas no Simples Nacional as microempresas e empresas de pequeno porte regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n 0, 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma vedação imposta por esta Lei Complementar". (grifei) Note-se que a Lei Complementar n°. 123, de 14/12/2006, dispôs que a opção pelo 'Simples Nacional' das ME (microempresas) e EPP (empresas de pequeno porte) será na forma estabelecida pelo Comitê Gestor, órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, para tratar dos aspectos tributário da Lei Geral do Simples. Com efeito, através da Resolução CGSN n°. 04, de 30/05/07, o mencionado Comitê Gestor, ao regulamentar a opção ao 'Simples Nacional', resolveu em seu artigo 18 que: "Art. 18. Serão consideradas inscritas no Simples Nacional as ME e EPP regularmente optantes pelo regime tributário de que trata a Lei • n°. 9.317, de 5 de dezembro de 1996, salvo as que estiverem impedidas de optar por alguma das vedações previstas nesta Resolução." Pondero, neste ponto, que tal artigo, primeiramente, convalida a migração automática para o 'Simples Nacional', não havendo necessidade, neste sentido, de formalização expressa para a opção. Noutro aspecto, o dispositivo (in fine) ressalvou que só há migração automática caso não haja impedimento para tanto, mas advindos da nova lei. Entretanto, cumpre ainda notar o que dispõe o §1° da citada Resolução CGSN n°. 04, de 30/05/07, que diz respeito aos casos ainda não definitivamente julgados: "Art. 18. (.) §1" Para fins de opção tácita de que trata o caput, consideram-se 111 regularmente optantes as ME e as EPP, inscritas no CNPJ como optantes pelo regime tributário de que trata a Lei n°. 9.317/96, que até 30 de junho de 2007 não tenham sido excluídas dessa sistemática de tributação ou, se excluídas, que até essa data não tenham obtido decisão definitiva da esfera administrativa ou judicial com relacão a recurso interposto." Desta forma, o dispositivo em questão esclarece que também se consideram regularmente optantes aquelas empresas que se excluídas até 30/06/07, não tenham obtido decisão definitiva na esfera administrativa ou judicial, com relação ao recurso interposto. Por tudo isto, se conclui que a retroatividade está prevista na própria sistemática da Lei Complementar n°. 123, de 14/12/2006, e mesmo que assim não o fosse, o artigo 106, do Código Tributário Nacional (Lei n°. 5.172, de 25/10/1966) estipula que: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (.) II — tratando-se de ato não definitivamente julgado: . , " Processo n° 10845.004286/2003-75 CCO3/CO3 Acórdão n.° 303-35.083 Fls. 56 quando deixe de defini-lo como infração;" E não se diga que não seria o caso da lei nova deixar de definir como 'infração', pois se a Lei n°. 9.317/96 discriminava atividades que vedavam a opção ao Simples, caso estas fossem exercidas por contribuinte optante, haveria, nesta hipótese, clara infração ao regime da Lei n°. .9.317/96. Portanto, se a lei nova não pune mais certo ato, que deixou de ser considerado como infração, também pelo artigo 106 do Código Tributário Nacional, ela retroage em beneficio do contribuinte, como no presente. No mais, não se pode deixar de considerar o estabelecido na Lei de Introdução ao Código Civil vigente (Lei n°. 4.657, de 04/09/1942), que dispõe em seu artigo 6° que: "Art. 6° A lei em vizor terá efeito imediato e feral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada." 111 Logo, tal qual prescreve a LICC, a chamada de 'lei de introdução às leis', uma vez que dita princípios gerais sobre as normas de direito público e de direito privado (arts. 7° a 19), as normas têm efeito imediato e geral. Diante do exposto, uma vez que a atividade desenvolvida pela Recorrente não está dentre as eleitas pelo legislador como impeditiva de opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte — SIMPLES, conforme se comprova, bem como pelo disposto o §2°, do artigo 17, da Lei Complementar n°. 123, de 14/12/2006, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Sala das Sessões, em 30 de janeiro de 2008 5120N L BARTO- Relator • 7
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Numero do processo: 10860.001542/2002-01
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1997
IRPF - VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS (IHT) - NATUREZA SALARIAL - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
Os valores percebidos pelo contribuinte a título de IHT não têm caráter indenizatório e, sim, natureza salarial ou remuneratória, estando, pois, sujeitos à incidência do imposto de renda.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso do IRPF, comprovado o pagamento parcial do imposto há de se aplicar a rega do § 4° do art. 150, uma vez que deixa de existir a controvérsia sobre a rega decadencial aplicável.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.765
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, em face da decadência do crédito tributário. Vencido o conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1997 IRPF - VERBAS RECEBIDAS A TÍTULO DE INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS (IHT) - NATUREZA SALARIAL - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Os valores percebidos pelo contribuinte a título de IHT não têm caráter indenizatório e, sim, natureza salarial ou remuneratória, estando, pois, sujeitos à incidência do imposto de renda. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso do IRPF, comprovado o pagamento parcial do imposto há de se aplicar a rega do § 4° do art. 150, uma vez que deixa de existir a controvérsia sobre a rega decadencial aplicável. Recurso especial negado.
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Os valores percebidos pelo contribuinte a título de IHT não têm caráter indenizatório e, sim, natureza salarial ou remuneratória, estando, pois, sujeitos à incidência do imposto de renda. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso do IRPF, comprovado o pagamento parcial do imposto há de se aplicar a rega do § 4° do art. 150, uma vez que deixa de existir a controvérsia sobre a rega decadencial aplicável. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, em face da decadência do crédito tributário. Vencido o co selheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. , , /, , ,1 o, CARLOS • : I T • FREITAS JARRETO- Presidente .dw , ELIAS SAMPAI• FREIRE — Relator EDITADO EM: 1 4 MAlb 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional em virtude de o acórdão recorrido ter concluído que não incide imposto de renda sobre a verba recebida pelos empregados da Petrobrás sob a denominação de Indenização por Horas Trabalhadas - IHT. O contribuinte apresentou contra-razões, alegando, em apertada síntese, que: a) as, verbas recebidas foram pagas a título de indenização, não sendo suscetíveis de retenção do imposto de renda; b) o suposto crédito tributário não pode ser exigido do recorrido tendo vista a decadência do direito da Fazenda Nacional de exigir o referido Credito. É o relatório. 2 Processo n° 10860.001542/2002-01 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.765 Fl. 2 Voto Conselheiro ELIAS SAMPAIO FREIRE, Relator. O Recurso é tempestivo, estando também demonstrado o dissídio jurisprudencial, pressupostos regimentais indispensáveis à admissibilidade do Recurso Especial. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A controvérsia da questão está em torno da tributação ou não da verba recebida pelo contribuinte sob a denominação de "Indenização de Horas Trabalhadas — IHT". Entretanto, a 2a Turma da CSRF já pacificou o entendimento no sentido de que a que as verbas pagas a título de indenização por horas trabalhadas possuem caráter remuneratório, configuram acréscimo patrimonial e ensejam a incidência de imposto de renda. Precedentes CSRF: Ementa: IRPF. REMUNERAÇÃO - HORAS EXTRAS. PAGAMENTO SOB A DENOMINAÇO DE INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS. NATUREZA JURÍDICA. Embora o pagamento tenha sido efetuado sob a denominação Indenização de Horas Trabalhadas, a natureza jurídica da verba é que define a incidência tributária ou não. Há incidência tributária, conforme dispõe o art. 43, II, do C T/V, sobre renda e proventos quando ficar tipificado acréscimo ao patrimônio material do contribuinte, e ai estão inseridos os pagamentos efetuados por horas-extras trabalhadas, porquanto sua natureza é remunerató ria, e não indenizató ria. (Acórdão n° 9202-00.219, Relator: Conselheiro Caio Marcos Cândido) RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO - SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA COM RELAÇÃO À PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO - IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO NESSA PARTE. Nos termos do artigo 15, ,sr 2 0, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, a divergência jurisprudencial que autorizava a interposição de recurso especial devia estar demonstrada de forma fundamentada, o que não acontece quanto à preliminar de nulidade do lançamento, suscitada pelo contribuinte. 3 IRPF - VERBAS RECEBIDAS A TITULO DE INDENIZAÇÃO DE HORAS TRABALHADAS (IHT) - NATUREZA SALARIAL - RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Os valores percebidos pelo contribuinte a título de IHT não têm caráter indenizató rio e, sim, natureza salarial ou remuneratória, estando, pois, sujeitos à incidência do imposto de renda, de acordo com precedente bastante atual da Primeira Seção do Egrégio STJ (Ag. Rg. no REsp n° 933.117/RN). Recurso parcialmente conhecido e negado. (Acórdão n° 9202-00.183, Relator: Conselheiro Gonçalo Bonet Allage) Entretanto, há de se salientar que o acórdão recorrido deixou de apreciar a preliminar de decadência argüida pelo contribuinte em sede de recurso voluntário, com fulcro no seguinte fundamento: Na realidade, a controvérsia da questão está em torno da tributação ou não da verba recebida pelo Recorrente sob a denominação de "Indenização de Horas Trabalhadas - 1HT", pelo que se torna desnecessária a apreciação da preliminar de decadência também suscitada em sede de Recurso Voluntário. Para o deslinde da questão, transcrevo trecho da ementa do REsp 857614 / SP, Dje em 30/04/2008, em que resta claro que a 1' Seção do Superior Tribunal de Justiça — STJ consolidou entendimento da relevância da antecipação de pagamento para a fixação do termo inicial do prazo decadencial nos tributos sujeitos a lançamento por homologação: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. ISS. ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM INOCORRÊNCIA. ARTS. 150, á' 70 DA CF/88 E 128 DO Cl'N. VICIO NA CITAÇÃO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. FATO GERADOR. LEI MUNICIPAL N° 1.603/84. DIREITO LOCAL. SUMULA 280 DO STF. ARGÜIÇÃO DE PRESCRIÇÃO EM SEDE DE EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. POSSIBILIDADE. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. JUNTADA DA LEI MUNICIPAL À INICIAL DA AÇÃO. NÃO OBRIGATORIEDADE. 5. A Primeira Seção consolidou entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, no caso em que não ocorre o pagamento antecipado pelo contribuinte, como no caso sub judice, o poder- dever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício substitutivo deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, 1, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (GRIFEI) 6. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é 4 Processo n° 10860.00154212002-01 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.765 Fl. 3 do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte (Precedentes da Primeira Seção: AgRg nos EREsp 190287/SP, desta relatoria, publicado no DJ de 02.10.2006; e ERESP 408617/SC, Relator Ministro João Otávio de Noronha, publicado no DJ de 06.03.2006). 7. Todavia, in casu, para o deslinde da controvérsia relativa à decadência dos créditos tributários em tela, faz-se mister a interpretação de lei local, qual seja, a Lei Municipal n°1.603/84, porquanto necessário perscrutar o momento de ocorrência da hipótese de incidência tributária, determinado pelo referido diploma legal, mormente quando a sentença e o acórdão recorrido consideraram diferentes critérios temporais. Destarte, revela-se incabível a via recursal extraordinária para rediscussã o da matéria, ante a incidência da Súmula 280/STF: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário". (Precedentes: AGÁ 434121/M1, DJ 24/06/2002; RESP 191528/SP, DJ 24/06/2002). 8. Isto porque, consoante assentado pelo juízo singular, in verbis: "A lei municipal n° 1.063/84 já contemplava o ISS, seu fato gerador, lista de serviços e a possibilidade de cobrar o imposto do responsável tributário, o dono da obra (..) Com a sucessão de leis no tempo, entrou em vigor o atual Código Tributário Municipal (Lei Complementar n° 25/97), que manteve as disposições da lei anterior (..) A decadência, enquanto forma de extinção do crédito tributário, somente se opera após 05 (cinco anos) contados do primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Ora, mesmo considerando o término da obra em 1997, como alega a excipiente, o fisco teria 05 anos para efetuar o lançamento, a contar de 01/01/98. Portanto, a decadência somente se operaria em 01/01/03. Ocorre que o lançamento, que constitui o crédito tributário se deu antes, em 23/04/99 (fls. 39 e informação de fls. 41). Realizado o lançamento, não se fala mais em decadência, e a partir daí tem o fisco novo prazo de 05 (cinco) anos, de natureza prescricional, para ajuizar a ação para a cobrança do crédito tributário, contado da data da sua constituição definitiva." 5 Portanto, o prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art.173, I, do CTN, segundo o qual 'direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, confoline estabelece o § 4° do art. 150 do CTN. No caso dos autos, verifica-se a ocorrência de imposto de renda retido na fonte (fls. 5), configurando, assim, a ocorrência de antecipação de pagamento, razão pela qual se aplica a regra do art. 150, § 4°, do CTN, ou seja, conta-se o prazo decadencial a partir do fato gerador. Portanto, na data da ciência por parte do contribuinte da lavratura do Auto de Infração, que se deu por AR em 05 de abril de 2002 (fls. 31), a possibilidade de se exigir o imposto de renda referentes ao ano calendário 1996, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/1996, já se encontrava fulminada pela decadência. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É come vo 9t.Elias Samp. Freire — Relator 6
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000671/2005-11
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. ORGANISMO INTERNACIONAL.
Está sujeita a tributação do Imposto de Renda a remuneração auferida junto a Organismo Internacional relativa a prestação de serviço contratado em território nacional, uma vez não preenchida a condição de funcionário órgão. Súmula CARF n° 39.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-000.754
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Francisco Assis de Oliveira Júnior
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. ORGANISMO INTERNACIONAL. Está sujeita a tributação do Imposto de Renda a remuneração auferida junto a Organismo Internacional relativa a prestação de serviço contratado em território nacional, uma vez não preenchida a condição de funcionário órgão. Súmula CARF n° 39. Recurso especial negado
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Numero do processo: 10880.014902/85-17
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 1987
Ementa: Recurso de ofício:
O recurso voluntário para este Conselho deve ser interposto a partir da intimação da decisão do Superintendente Regional prolatada no recurso de oficio.
Numero da decisão: 101-77.448
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remessa dos autos à D.R.F. em São Paulo (SP), a fim de que seja julgado o recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Cristovão Anchieta de Paiva
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Recorrente SMC - ASSOCIADOS LTDA. Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM SÃO PAULO (SP). - Recurso de ofício: O recurso voluntário para este Conselho deve ser interposto a partir da intima- ção da decisão do Superintendente Regio nal prolatada no recurso de oficio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SMC - ASSOCIADOS LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a re- messa dos autos à D.R.F. em São Paulo (SP), a fim de que seja julgado o recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a inte grar o presente julgado. Sala das Sessões (DF), em 09 de dezembro de 1987. dr URGEL P ' RA/LOPES - PRESIDENTE - • , À - CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA - RELATOR , AGOSTINHO FLORES - PROCURADOR DA FAZEN VISTO EM DA NACIONAL SESSÃO DE: 11 DEZ 1987 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros:CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, CEL- SO ALVES FEITOSA, RAUL PIMENTEL, ARY TORIBIO e JOSÉ EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN. , 2 -...„.,„, SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10880/014.902/85-17 RECURSO N9: 91.596 ACCIRDÃON9: 101-77.448 RECORRENTE N9: SMC - ASSOCIADOS LTDA. RELATÓRIO Pelo Auto de Infração de fls. 11 constituiu-se contra SMC - Associados Ltda, empresa inscrita no CGC sob o no 50.595.289/0001-07, com domicílio em São Paulo (SP), o credito tri butário'de 15.203,56 ORTN, integrado por imposto de renda ( 8.687,75 ORTN ) e multa de 75% (6.515,81 ORTN), tudo relativo ao exercício de 1985, período-base de 01.07.83 a 30.06.84. O imposto de renda autuado resultou, segundo o Ter_ mo de Verificação de fls. 09, da adição ao lucro líquido contábil (Cr$ 179.501.169) das Provisões para Perdas no investimento de coli gadas no montante de Cr$ 635.151.237 com a necessária compensação de prejuízo fiscal de 1982 (Cr$ 468.326.439). A multa sobre o impos_ to foi elevada para 75% em face do não atendimento de intimações (f is. 2,3). A Provisão segundo o Auto foi tida por indedutível por falta de comprovação das perdas. A provisão adicionada no montante de Crt 635.151.237, assim se decompõe: a) relativamente aos investimentos em Raspa Habitação de São Paulo S.A. - Cr$ 538.442.345 h) idem, em Haspa Distribuidora de Títulos e Valores S.A. - Cr$ 7.562.029 I/7 Mj7) DMF - DF/19 C-C - Secgraf -1600/75 3 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10880/014.902/85-17 ACÔRDÃO N9 101-77.448 c) idem, em Hagpa S.A. - Credito Imobiliãrio Cr$ 13.236.908 d) idem, em Haspa Corretora de Câmbio S/A Cr$ 75.909.955. (Termo de fls. 09). O auto foi cientificado em 08.05.85 ( inobstante estar 1984 às fls. 11) e impugnado em 07.06.1985 ( fls. 28/42). Em longa exposição, recheada de transcrição de leis e atos administrativos, a autuada procura demonstrar: a) a pertinência da provisão realizada em somente 4% dos investimentos registrados em balanço; b) a inexisten cia na legislação tributária sobre procedimento das pessoas jurídicas na situação em aue se encontra a autuada e d) a improcedência da exas— peração _de penalidades". Depois de transcrever as normas em que se funda o auto e resumir o que nele se contém, a impugnante disserta sobre a "avalia ção dos investimentos" e a seguir sobre a "Provisão para perdas prová veis na realização de investimentos". A propósito , lembra que o art. 183 da Lei 6404/76, no inciso III, ao falar na avaliação de participa Oes societârias, prevê a Provisão, desde que a perda seja comprovada como permanente. E a impugnante interroga: Quando e cabível a consti tuição da provisão? E ela responde: sendo silente a lei tributária,há de se ater aos comandos da comissão de Valores Mobiliários que deter 'minam sua constituição (Transcreve os casos às fls. 34/35). A seguir discorre sobre as condiçóes de dedutibilidade da provisão e reconhe ce que o ónus da prova de permanência da perda é do contribuinte. Posteriormente, abre uma sessão para falar de falência e liquidação extrajudicial, que diz, são formas de dissolução das sociedades (Invoca os Pareceres Normativos 191/72; 29/75; 49/77;i/78 e 56/79). Continuando Passa a falar da consequência na autuada da liquidação extrajudicial das investidas. Revela então que as 5 em presas coligadas e controladas da impugnante ( Raspa S.A. de capitali zação; Raspa Ràbitação de São Paulo S.A.; Raspa Distribuidora de Titu PIA/(2-7 , 4 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10880/014.902/85-17 ACORDÃO N9 101-77.448 los e Valores Mobiliários S/A; Haspa S.A. Crédito Imobiliário; Haspa Corretora de Câmbio e Valores) foram submetidos pelo Banco Central do Brasil ao regime de liquidação extrajudicial em maio de 1984 (as qua tro Ultimas) e em outubro de 1984. Diz que, ate então, seus investi mentos eram avaliados pela equivalência patrimonial, mas, a partir dai, com a decretação da liquidação estrajudicial, uma das formas de disso lução das companhias, os investimentos da autuada ficaram comprometi dos. Com a dissolução das sociedades, a impugnante deixou de ter "in_ vestimento" nelas, para ter "direito" de participar no remanescente do ativo, se houver. E com isso entendeu ser legitima a constituição da provisão. Com efeito, se a lei tributária não diz como provar a per -manência da perda, a autuada entende com apoio na Comissão de Valores Mobiliários (elevado risco de paralização de operações de coligadas e controladas), na Lei 6404776 (causas relevantes do investimento), que a decretação da liquidação extrajudicial com a conseqüente extinção da autorização para flancionar é causa e prova da razão de ser da provi são. E pergunta a perda pelas investidas do ponto, da clientela, de marcas e patentes não corresponde a perda permanente e irrecuperável? É de se notar, faz observar a impugnante, que na apura ção do ativo de Raspa S.A. de Capitalização, em liquidação Textrajudi_ cial, o BACEN expurgou as participações que ela tinha em Haspa Habita_ ção São Paulo e Raspa S.A. Crédito Imobiliário, ambas em liquidação. R1 tende, pois, que se o BACEN atribui valor zero a esses investimentos ela, impugnante, teria direito ã constituição da provisão. Finalmente, a prop6sito do agravamento da multa, a reclamante, observa que o auto não mencionou o item II do art. 728 do RIR/80 e que ademais que as intimações foram atendidas dentro do que lhe era possível, em face das intervenções nas controladas e coligadas e a falta de contador Junta elementos de fls. 20/27. Pede o cancelamento do auto. (/2, Ul _ 5 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10880/014.902/85-17 ACÓRDÃO N9 101-77.448 O fiscal autuante, antes de informar, junta às fls. 45 cópia da declaração do exercício de 1985 e o Termo de Intimação de fls. 49 com os documentos de fls. 50/58. Informação fiscal de fls. 59. O autuante reitera que a glosa foi motivada pela falta de oportuna comprovação da perda, con soante exigência do § 19 do artigo 321 do RIR/80. Comprovação esta , ainda não feita. Como tal não se pode aceitar a simples decretação de liquidação cextrajudiciai, eis que a medida pode ser suspensa e ha ver ocorre'ncia de negociação do acervo patrimonial das investidas. Ademais, ante QS argumentos da defesa, diligenciou pa ra verificar a ocorrência da perda. Apurou que se é verdade que o balanço das investidas, exceto o de Haspa Corretora de Câmbio e Valo res S.A., registrem variação patrimonial negativa no valor dos inves timentos (Quadro de fls. 581, tambêm é verdade que tais variações não foram refletidas na investidora, "o que faz presumir que as liquida ções feitas pelo EACEN não foram acolhidas pelos titulares dessas em presas" e assim não justificam a provisão. Justifica também o agravamento da multa PaÈa7596. A empresa em nenhum-momento comprovou asdifiduldades alegadas. Além dis so, seu balanço estava encerrado em 15.03.85 (doc. fls. 4/81 e a de claração só foi entregue em 02/07/85 ( fls. 44). Tais fatos evikkircian o não atendimento das intimações e explicam o agravamento da multa. Inobstante isso, que justificariam a manutenção do crédito autuado, pede, à vista da declaração apresentada, seja o nes mo retificado, em virtude de redução do lucro líquido do exercício pa ra Cr$ 115.355.799. De fls. 62 a 68, a decisão da autoridade monocrâtica. Por ela, o julgador entende: 1- que a decretação de liquidação extrajudicial (medida, aliás, pas sive), derevoaao,não extingue a personalidade jurídica, enquanto U.41)11 6 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10880/014.902/85-l7 ACÓRDÃO N9 101-77.448 não findar a líquidaçÃo1; 2- que porisso os investimentos relevantes da imougnante nas socieda des em liquidação continuam sujeitos à avaliação por equivalência patrimonial; 3- que, se a impugnante tivesse escriturado, como determina a lei, os ajustes de seus investimentos ao valor do patrimônio liquido das investidas, o valor de suas participaçOes societárias em Haspa Ha bitação São Paulo S.A. e Haspa S.A. Cr -èdjto Imobilario seria nulo gel ne gativo, conforme se vê do doc. de fls. 58; Tal, porém, não ocorre ria em relação aos investimentos em Haspa Corretora de Câmbio S.A. e Raspa Distribuidora de Títulos e Valores; 4- que a multa agravada do art. 728, lido RIR180 deve ser aplicada em face do não atendimento das intimações; 5- que, na determinação do lucro real, deve-se retificar o lucro 11_ quido do exercício para Cr$ 115.355.799, ante a declaração de ren_ dimentos de fls. 45/48. Em vista disso, julga procedente em parte a ação Lis_ cal, para excluir a tributação sobre: 11 as provis8es constituídas so_ bre os investimentos em Haspa Corretora de ambio (Cr$ 75.909.955) e Raspa Distribuidora de Titulos e Valores (Cr$ 7.562.029); 2) a parce la em excesso do lucro liquido do exercício (Cr$ 64.145.370). De outra parte, o julgador determina ainda que a co brança seja agravada de PIS, multa/PIS e juros de mora. Em decorrên cia desse agravamento, reabre o prazo para nova impugnação. Interpõe, outrossim, recurso de oficio ao SRRF- 8 2. RF. A decisão ee. intimada em 03.04.86 e a nova impugnação é de 16.05.86 (Tis. 73), dentro do prazo prorrogado de 15 dias, con_ forme despacho de fls. 72v. eiVr b. ..../ _ 7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10880/014.902/85-17 ACÓRDÃO N9 101-77.448 Em sua nova defesa a impugnante reprisa os mesmos argumentos anteriores para justificar a constituição e dedutibilida— de da provisão. Diz que a decretação pelo Banco Central de liquidação extrajudicial das sociedades investidas constitui situação que auto riza a criação e dedução da provisão. A probabilidade da perda era,na ocasião, induvidosa. É do conhecimento público a circunstãncia de as sociedades em liquidação, por essa simples ocorrência, terem perdido seus respectivos fundo de comercio, clientela, pontos negociais etc. Ora, dizer que o nível tão drástico de deterioração patrimonial não alcançou nem mesmo os 4% dotados pela requerente e, em verdade, um absurdo. E é de se ver que tais perdas são irreversíveis. Negar a de dutibilidade da provisão nesse caso é negar aplicação ao artigo 32 do Decreto-lei n9 1598/77. Para casos muito menos graves o artigo 11 da Resolução 484 do BACEN impOe e obriga a constituição da referida pro visão. Pela decisão de fls. 87, a autoridade monocrática jul qa procedente a ação fiscal, por entender que os argumentos ora expen didos são os mesmos anteriores, tratando, pois, de matéria já decidi da. Determina a autoridade seja o processo enviado à S.R.R.F. para que seja apreciado o recurso de oficio, anteriormente ' interposto. Em 14.08.87 (f is. 93), a autuada interpõe recurso con tra a decisão de que foi intimada em 15.07.87 (f is. 921. Em caráter preliminar sustenta que o enfoque do de cisório de 19 grau discrepa do auto de infração, enquanto este fun da-se na "efetividade e permanência da perda", aquele se lastreia na inexistência de valor positivo do ativo a considerar. Tanto isso é verdade que no auto não consta um só artigo tido como infringido re latrvo à "equivalência patrimonial". De tal sorte, houve inovação do "Thema decidendum", o que é vedado à autoridade julgadora. O direito 8 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10880/014.902/85-17 ACÓRDÃO N9 101-77.448 a ré-impugnação que lhe foi deferido dizia respeito tão somente à parcela majorada. Assim, a recorrente perdeu um grau de jurisdição, o que compromete a decisão recorrida. No mérito, baseia seu recurso nos seguintes argumen tos: 19 - Nega que seus investimentos em sociedades "em liquidação decre tadas pelo Banco Central estivesse sujeitos à avaliação pelo va lor do património liquido. Segundo o artigo 258 e incisos do RIR/80, a obrigação existe a penas enquanto as investidas estive rem sob controle ou influência da investidora. Ora, transforma das em empresa "em liquidação", os liquidantes é que passaram a ter controle ou influência administrativa. Assim, não há por que manter, pela investidora, processo de acompanhamento anual do valor patrimonial das investidas. 29 - Como "empresas em liquidação", sujeitam-se elas ao regime das sociedades sob processo falimentar. Ao liquidante, não a investi dora, incumbe na forma da lei 6024/74 praticar os atos tipicos de liquidação, inclusive prestação de contas; não, porém, o de proceder escrituração contábil da liquidana, nem levantamento de balanços. Isso está em conformidade com os Pareceres Normativos' CST n9 g. 9/78 e 56/79. 39 - Sendo assim, é inaplicável a avaliação dos investimentos por equivalência patrimonial e, em conseqüência, impae-se o registro da provisão por perdas prováveis, já que ocorreu a); ,-- perecimento do investimento; b)--paralisação de operação das controladas e c)- perda do valor contábil do investimento, segundo conceitos da Comissão de Valores Mobiliários. Pede a revisão do julgado. É o relatório. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10880-014.902/85-17 9 Acórdão n9 101-77.448 VOTO _ Conselheiro CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA, Relator: Conforme se vê do relatório, a autoridade mo- nocrática interpôs recurso de ofício na primeira decisão que prola.--- tou (f is. 62/68) e, pela segunda (f is. 87) ratifica seu procedimento, determinando o encaminhamento do processo à S.R.R.F.-8 R.F. qpara apreciação do recurso. Tal apelo, porém, não foi julgado. Como o recurso voluntário para este Colegiado deve ser interposto a partir da intimação à interessada da deáisão que vier a ser prolatada por aquela autoridade, voto no sentido de se devolver o processo à repartição de origem a fim de que ela enca- minhe o processo à autoridade competente para julgar o recurso de ofício. /1) É o meu voto. _ - CRISTÓVÃO ANCHIETA DE PAIVA - RELATOR. • Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 13709.000524/2003-26
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INOVAÇÃO.
A manifestação de inconformidade é um instrumento de natureza processual e, como tal, não se presta a alterar a matéria da questão sub judice.
ERRO MATERIAL. PROVA.
O erro material consiste em erro ao proceder o registro da vontade do declarante, de forma que aquilo que foi registrado é diferente da vontade do autor naquele momento.
Quando alegado pelo defendente, o erro material deve ser por ele demonstrado ou deve estar evidenciado nas provas dos autos.
Numero da decisão: 1801-002.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros (Relator) Fernando Daniel de Moura Fonseca, Alexandre Fernandes Limiro e Rogério Aparecido Gil, que converteram o julgamento na realização de diligência. Designado o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque para redigir o Voto Vencedor.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator
.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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INOVAÇÃO. A manifestação de inconformidade é um instrumento de natureza processual e, como tal, não se presta a alterar a matéria da questão sub judice. ERRO MATERIAL. PROVA. O erro material consiste em erro ao proceder o registro da vontade do declarante, de forma que aquilo que foi registrado é diferente da vontade do autor naquele momento. Quando alegado pelo defendente, o erro material deve ser por ele demonstrado ou deve estar evidenciado nas provas dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros (Relator) Fernando Daniel de Moura Fonseca, Alexandre Fernandes Limiro e Rogério Aparecido Gil, que converteram o julgamento na realização de diligência. Designado o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque para redigir o Voto Vencedor. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fernando Daniel de Moura Fonseca – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 05 24 /2 00 3- 26 Fl. 418DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO DANI EL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 13709.000524/200326 Acórdão n.º 1801002.164 S1TE01 Fl. 3 2 . (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ1 que, por unanimidade de votos, (i) homologou a compensação pleiteada no processo em epígrafe por decurso de prazo (homologação tácita); (ii) não reconheceu o direito creditório pleiteado pela Recorrente; e consequentemente (iii) não homologou a compensação efetuada através da DCOMP de fls.01/02 do processo apenso, de n° 13709.0005711200370. Em resumo, os fatos foram os seguintes: A Recorrente apresentou à Receita Federal duas DCOMP’s, visando compensar débitos de IRPJ/CSLL de janeiro e fevereiro de 2003 com créditos dos mesmos tributos registrados na escrita da empresa. Na primeira DCOMP (fl. 01 deste processo), apresentada em 21/03/2003, a Recorrente solicitou a compensação de débitos de IRPJ e CSLL apurados em janeiro de 2003 e indicou, para extinguir esses débitos, um valor total (IRPJ + CSLL) de R$183.298,86, que a princípio seria decorrente do saldo negativo do ano de 2002. Esse pedido deu origem ao processo administrativo em epígrafe, de nº 13709.000524/200326. Na segunda DCOMP (fl. 138 deste processo), apresentada em 28/03/2003, a Recorrente solicitou a compensação de débitos de IRPJ e CSLL apurados em fevereiro de 2003 e indicou, para extinguir esses débitos, um valor total (IRPJ + CSLL) de R$62.662,27, que a princípio também seria decorrente do saldo negativo do anocalendário 2002. Esse pedido deu origem ao processo administrativo que se encontra apenso, de nº 13709.0005711200370. Aqui vale um destaque: como visto acima, em ambas as DCOMP’s os créditos foram indicados como sendo decorrentes do anocalendário 2002. Ou seja, no total, a Recorrente afirmou nas DCOMP’s que possuía um crédito total (IRPJ+CSLL) de R$245.961,13, relativo ao saldo negativo do anocalendário 2002. Analisando essas DCOMP’s e os demais documentos constantes dos autos (principalmente a DIPJ/AC2002 de fls. 1958), a Receita Federal, por meio do Parecer Conclusivo de fls. 80/83, glosou boa parte do crédito declarado pela Recorrente, reconhecendo, quanto ao saldo negativo de 2002, apenas os seguintes créditos: (i) R$23.231,31 de IRPJ; e (ii) R$6.930,47 de CSLL. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO DANI EL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 13709.000524/200326 Acórdão n.º 1801002.164 S1TE01 Fl. 4 3 Assim sendo, foi proposta a homologação parcial dos débitos declarados nas DCOMP’s, a fim de amortizar esses débitos tão somente até o limite reconhecido no Parecer Conclusivo (fls. 80/83). Seguindo esse Parecer, foi emitido despacho decisório de fls. 8485, através do qual homologou parcialmente as DCOMP’s até o limite do crédito reconhecido. Intimada desse despacho decisório em 24/03/2008, a Recorrente apresentou sua manifestação de inconformidade de fls. 149/157 concordando com o valor dos créditos reconhecido quanto ao anocalendário e requerendo a reforma do despacho com base em dois argumentos: (i) que, na verdade, houve erro material nas DCOMP’s ao se indicar os créditos como sendo decorrentes somente do anocalendário 2002, quando, na verdade, esses créditos seriam decorrentes dos anoscalendário 2002 e 2001; e (ii) que a Receita Federal, verificando esse erro material, deveria aplicar o disposto no parágrafo segundo do art. 147 do CTN e retificar de ofício as declarações da Recorrente, reconhecendo, assim, a efetiva existência dos créditos declarados e, consequentemente, a extinção dos débitos compensados. Ao conhecer da Manifestação de Inconformidade, a DRJ, através do acórdão de fls. 265/270, (i) reconheceu a homologação tácita da DCOMP que gerou este PTA, de nº 13709.000524/200326, em razão do transcurso de mais de cinco anos entre a data da entrega da declaração (21/03/2003) e a intimação da Recorrente acerca do Despacho Decisório (24/03/2008); e (ii) quanto à DCOMP que gerou o PTA anexo, de nº 13709.0005711200370, a DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade, alegando que a retificação das declarações seria ônus do contribuinte, nos termos do art. 55 da IN nº 460/2004, e que essa retificação não seria mais possível por já ter transcorrido mais de cinco anos da entrega da DIPJ do ano calendário de 2001, o que inviabilizaria sua análise. É contra este segundo ponto do acórdão da DRJ que a Recorrente se volta no Recurso Voluntário ora analisado (fls. 292/307), reiterando os argumentos já defendidos na Manifestação de Inconformidade, quais sejam: a efetiva existência dos créditos e a necessidade de se retificar de ofício as declarações. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Fernando Daniel de Moura Fonseca, Relator. Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Pois bem, como se viu acima, a discussão destes autos resumese à DCOMP que originou o processo anexo (de nº 13709.0005711200370), pois a declaração de fl. 01 destes autos foi homologada pela DRJ por decurso de tempo. Quanto a esta declaração, portanto, o contribuinte já teve, na prática, sua pretensão acolhida. A questão que remanesce é quanto à DCOMP do processo anexo. E para dirimir essa questão remanescente será necessário um procedimento de duas etapas, uma jurídica e outra fática: na primeira etapa, de caráter eminentemente jurídico, será necessário verificar se a Administração pode, de ofício, desconsiderar a verdade formal da declaração da Recorrente (os créditos declarados correspondem apenas ao ano de 2002) para alcançar a verdade material (os créditos declarados correspondem aos anos de 2001 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO DANI EL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 13709.000524/200326 Acórdão n.º 1801002.164 S1TE01 Fl. 5 4 e 2002) e, consequentemente, homologar a compensação, ou se a Administração deve aterse à literalidade do que foi declarado pelo contribuinte. Caso se conclua pela impossibilidade de superação da verdade formal (como fez a DRJ), o procedimento deverá parar neste ponto e o desprovimento do Recurso será medida impositiva (exatamente como ocorreu na instância a quo). Caso contrário, entendendo se que a verdade formal refletida na declaração do contribuinte pode ser superada, deverseá passar para a segunda etapa do procedimento (de caráter fático), que será verificar a efetiva existência do valor total dos créditos declarados e se os créditos de 2001 não foram utilizados anteriormente pela Recorrente. Caso os créditos existam e sejam suficientes para extinguir o débito remanescente, o Recurso deverá ser provido, caso contrário será parcialmente provido ou então desprovido, conforme o crédito (i) exista, mas não seja suficiente para quitar todo o débito; ou (ii) sequer exista. Passase, então, à realização desse procedimento. Quanto à primeira etapa (saber se a Administração pode superar a verdade formal refletida na declaração), por um lado a Recorrente afirma que isso seria possível em razão do disposto no parágrafo segundo do art. 147 do CTN; lado outro, a DRJ afirmou que a retificação da declaração seria ônus do contribuinte nos termos do art. 55 da IN nº 460/2004. Com a devida vênia, o caso não é de aplicação do parágrafo segundo art. 147 do CTN e também não se pode interpretar o art. 55 da IN nº 460/2004 tão friamente como fez a DRJ. A questão que se coloca é mais principiológica que de Direito Positivo. É ver: O art. 147 do CTN diz o seguinte: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Percebese que o Código não só autoriza como determina à Administração que realize a retificação dos erros apuráveis pelo exame da declaração. Ou seja, numa hipótese em que a Administração tenha capacidade, pela simples análise da declaração, de constatar a existência do erro cometido pelo contribuinte, deverá (e não “poderá”) proceder à devida retificação da declaração. É uma questão de eficiência administrativa. No entanto, esse não é o caso dos autos. É que, para a aplicação do parágrafo segundo do art. 147 do CTN, o erro deve ser patente. Existindo outras hipóteses, além do erro, igualmente possíveis, a Administração não deve alterar o pedido do contribuinte. E como se vê na declaração de fl. 02, a Recorrente de fato indicou um crédito total de R$239,390,07 (R$184.039,02 de IRPJ e R$55.270,05 de CSLL) como sendo decorrente exclusivamente do saldo negativo do anocalendário 2002. Ora, diante dessa declaração, não era possível que a Administração concluísse, desde logo, no sentido de que a Recorrente queria, na verdade, utilizar o crédito do anocalendário 2001, pois havia outras hipóteses igualmente possíveis, como, por exemplo, o Fl. 421DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO DANI EL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 13709.000524/200326 Acórdão n.º 1801002.164 S1TE01 Fl. 6 5 crédito de 2001 já ter sido utilizado pela Recorrente em outras compensações. Além dessa hipótese, é de se destacar que a Administração não poderia utilizar o crédito de 2001 para quitar os débitos declarados sem antes consultar o contribuinte. Portanto, como o erro (ou a verdadeira intenção da Recorrente) não estava patente quando a Administração analisou a declaração em questão, ela não poderia simplesmente retificar a DCOMP e homologar a compensação. Por isso, o despacho decisório, nesse ponto, andou bem. No entanto, apresentada a Manifestação de Inconformidade, ficou claro que a intenção da Recorrente era mesmo utilizarse também do crédito do anocalendário 2001, e, nesse caso, não se deve ficar preso à literalidade da declaração. E isso por vários motivos: (i) porque a Constituição exige da Administração uma atuação eficiente (art. 37), e não se pode reconhecer eficiência numa decisão que simplesmente desconsidera a verdade dos fatos; (ii) porque é cediço que na esfera administrativa impera a verdade material, devendo ser mitigados institutos processuais como o da preclusão ou coisa julgada; (iii) porque fere a razoabilidade negar, depois de já se ter movimentado toda a máquina administrativa, um crédito tributário que pode ser reconhecido no Judiciário, o que gerará mais gastos para o erário, tanto para custear o processo administrativo que não acabará ali, mas também para o acompanhamento do processo judicial, que certamente se seguirá. Ora, os órgãos administrativos devem prezar pelo gasto consciente do dinheiro público. De nada adianta negar aos contribuintes compensações com base em argumentos extremamente formais e gerar novos gastos (acompanhamento do processo administrativo e do judicial) para que, ao final, a compensação seja analisada e determinada pelo Judiciário. Sendo possível, é dever da Administração resolver a questão quando ela se encontra na sua esfera. E no presente caso era (e ainda é) possível. Por essas razões que a correta interpretação do art. 55 da IN nº 460/2004 não é a adotada pela DRJ. O que esse artigo regulamenta é o pedido de retificação feito pelo contribuinte, enquanto isso lhe é facultado (ou seja, antes do lançamento). Em momento algum a IN utilizase de palavras denotativas de exclusão (se/somente/apenas) para dizer que a retificação é de competência exclusiva dos contribuintes. Se assim fosse, a IN estaria em flagrante confronto com o CTN, o que não é razoável de se admitir. Portanto, ao contrário do que consignou a DRJ, o art. 55 da IN nº 460/2004 não atribui ao contribuinte competência exclusiva de retificação das declarações, mas tão somente diz que, em caso de retificação por ele requerida, deverá ser utilizado formulário próprio. Assim sendo, analisandose os dispositivos legais e os princípios supracitados, concluise que é possível, sim, que a Administração supere a verdade formal das declarações e proceda a uma análise material da situação. Superada essa questão, devese verificar, no presente caso, se realmente o crédito do anocalendário 2001 existe e se, somado ao crédito de 2002, seria suficiente para extinguir os débitos declarados. E nem se alegue, como fez a DRJ, que essa análise não pode mais ser feita em razão do transcurso de mais de cinco anos da entrega da DIPJ/AC2001, pois o decurso desse lapso temporal impede tão somente que a Administração analise a DIPJ e aponte Fl. 422DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO DANI EL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 13709.000524/200326 Acórdão n.º 1801002.164 S1TE01 Fl. 7 6 eventuais inconsistências na composição da base de cálculo, como de resto vem decidindo esta 1ª Turma Especial. No caso sob análise, parece mesmo que a soma dos anoscalendário 2001 e 2002 é suficiente para extinguir os débitos declarados. É ver que nas fls. 73 e 74 destes autos há as fichas de números 12A e 17 da DIPJ/AC2001, que demonstram saldo credor de R$163.662,52 de IRPJ e de R$ 58 .569,05 de CSLL. Somandose esses valores aos créditos do anocalendário 2002, reconhecidos pelo Parecer Conclusivo de fls. 80/83 (R$23.231,31 de IRPJ e R$6.930,47 de CSLL), chegase a um valor total (IRPJ e CSLL de 2001 e 2002) de R$252.393,35. Ou seja, a Recorrente em tese teria com a União um crédito neste valor. E somandose os valores dos débitos declarados nas DCOMP’s (fls. 01 deste processo e do processo anexo), temse um valor total de R$245.961,13. Ou seja, o crédito aparentemente existente realmente supera o débito declarado. No entanto, pelo que consta dos autos, não se sabe se a Recorrente já utilizou os créditos do anocalendário 2001 para compensar outros débitos administrados pela Receita Federal. Por essa razão, entendo que os autos devem retornar à jurisdição de origem para que a autoridade fiscal verifique se a Recorrente já utilizou os créditos de IRPJ e CSLL do ano calendário de 2001. É importante destacar que a diligência que ora se requer é exclusivamente para (i) verificar a efetiva existência do crédito; e (ii) se esse crédito, caso existente, já não foi utilizado anteriormente. A autoridade fiscal não poderá verificar a composição da base de cálculo, pois para isso já transcorreu o prazo decadencial de cinco anos, como dito acima, de modo que as informações contidas na DIPJ, relativas à composição da base de cálculo, não podem mais ser questionadas pela Administração. Em face do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o retorno dos autos à jurisdição de origem para que esta avalie a existência dos créditos de IRPJ e CSLL do anocalendário 2001 e principalmente se esses créditos já foram objeto de utilização anterior pela Recorrente em outras compensações. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Voto Vencedor Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Redator designado. Conforme bem narrado pelo muito digno Relator, o recorrente apresentou uma declaração de compensação em 21/03/2003 (fl. 2), em que aponta o crédito de R$ 164.039,02 relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano 2002, bem como o crédito de R$ 55.270,05 relativo à base de cálculo negativa de CSLL do mesmo ano 2002, totalizando um crédito de R$ 219.309,07. Essa declaração foi formalizada no presente processo, de nº 13709.000524/200326, e pretendeu extinguir débitos diversos que totalizam R$ 183.298,86. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO DANI EL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 13709.000524/200326 Acórdão n.º 1801002.164 S1TE01 Fl. 8 7 Posteriormente, o recorrente ingressou com nova declaração de compensação (154), em que pretende utilizar o mesmo crédito demonstrado na supracitada declaração de compensação para também extinguir outros dois débitos, que somam R$ 62.662,27. Essa última declaração foi formalizada no processo nº 13709.000571/200370, que se encontra apensado. A presente lide envolve as duas declarações de compensação. Em resumo, o recorrente apresentou duas declarações de compensação em que demonstra um crédito total de R$ 219.309,07 e pretende extinguir um débito total de R$ 245.961,13. Ressalvando o fato de que, ao valor do crédito apontado, devem ser adicionados os juros devidos. Ao analisar as referidas declarações de compensação (fl. 81), a Derat Rio de Janeiro chegou à conclusão de que o declarante possuía crédito de saldo negativo de IRPJ no ano 2002 no valor de R$ 23.231,31 e crédito de saldo negativo de CSLL no ano de 2002 no valor de R$ 6.930,47, totalizando o crédito de R$ 30.161,78. Considerando que o crédito reconhecido é insuficiente para extinguir todos os débitos declarados, as declarações de compensação foram parcialmente homologados. O contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, não questiona o valor dos saldos negativos encontrados pela Derat, mas afirma que errou ao demonstrar o seu crédito. O erro consistiria em ter apontado créditos relativos ao ano 2002, quando o correto seria ter apontado créditos relativos aos anos 2001 e 2002. Em seguida, passa a demonstrar que possui créditos de saldo negativo relativos a 2001. O voto inaugural faz uma análise clara e objetiva dos elementos que compõem a presente lide e é muito preciso ao apontar a primeira questão a ser solucionada: o fato de o contribuinte não ter apresentado declaração de compensação em que manifesta a sua vontade de utilizar o crédito de saldos negativos de 2001 pode ser superado pela manifestação de vontade trazida na manifestação de inconformidade? O voto inaugural apresentou o entendimento de que a ausência de declaração de compensação é um formalismo superável e prossegue na análise do mérito. Peço vênia para divergir desse entendimento. É certo que o processo administrativo tributário é informado pelo princípio do formalismo moderado, contudo a moderação do formalismo não pode superar as formas determinadas em lei. No presente caso, o artigo 74, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação já vigente naquela época, exige que todos os créditos utilizados em compensações sejam demonstrados em competente declaração de compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) Fl. 424DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO DANI EL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Processo nº 13709.000524/200326 Acórdão n.º 1801002.164 S1TE01 Fl. 9 8 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Portanto, a apresentação de declaração é forma inevitável para fins de realização de compensação de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Todavia, os erros de natureza material costumam ser superados por esta Turma Julgadora, assim como por todas as demais autoridades julgadoras do processo administrativo fiscal. O erro material referido consiste em erro ao proceder o registro da vontade do declarante, de forma que aquilo que foi registrado é diferente da vontade do autor naquele momento. O recorrente não apresenta qualquer evidência de que cometeu um erro ao preencher a sua declaração de compensação. Também não há, nos autos, qualquer evidência de erro material. Se a intenção do contribuinte, ao preencher a declaração de compensação, era utilizar os créditos de saldos negativos de ambos os anos 2002 e 2001, e este errou ao anotar apenas o ano 2002, era de se esperar que a soma dos créditos apontados coincidisse com a soma dos saldos negativos apurados em sua contabilidade. Porém, isso não acontece. Conforme demonstrado na referida manifestação de inconformidade (fl. 171), os saldos negativos de IRPJ e CSLL dos anos 2001 e 2002 totalizam R$ 261.376,42 (IRPJ/2001: 163.662,52; IRPJ/2002: 32.214,38; CSLL/2001: 58.569,05 e CSLL/2002: 6.930,47), diferente do total dos valores declarados nas compensações, de R$ 219.309,07. Portanto, entendo que não há evidências suficientes para fazer acreditar que a vontade do declarante, no momento que apresentou a declaração, era utilizar os saldos negativos de ambos os anos 2001 e 2002. Entendo que essa vontade surgiu posteriormente e foi manifestada apenas na manifestação de inconformidade supracitada. Sendo assim, não há que se falar em erro material, mas em inovação do pedido, o que não pode ser admitido. Como se sabe, a manifestação de inconformidade é um instrumento processual e, como tal, não pode ser utilizado para alterar a matéria da questão sub judice. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão de primeira instância. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 425DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por FERNANDO DANI EL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Numero do processo: 10283.001212/92-11
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PIS RECEITA OPERACIONAL - DECORRÊNCIA -
Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão
proferida no processo matriz se projeta no julgamento
do processo decorrente, recomendando o mesmo
tratamento, dada a íntima relação de causa e efeito
que vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.374
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Waldevan Alves de Oliveira
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por VITOPAN PANIFICADORA E CONFEITARIA LTDA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões, em 08 de novembro de 1995 d„...t...e.... ANTONIO DE, I S DUTRA - PRESIDENTE WALDEVAN A OLIVEIRA - RELATOR LO-81 = 1:Dr'r-.-n-5 Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Ursula Hansen, Júlio César Gomes da Silva, Maria Clélia de Andrade Figueiredo, José Clóvis Alves, Sueli Efigência Mendes de Britto e José Carlos Passuello, MINISTÉRIO DA FAZENDA 02 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10283/001.212/92-11 RECURSO N°: 82.794 ACÓRDÃO N°: 102-30.374 RECORRENTE: VITOPAN PANIFICADORA E CONFEITARIA LTDA RELATÓRIO VITOPAN PANIFICADORA E CONFEITARIA LTDA, empresa sediada na cidade de Manaus, Estado do Amazonas, na guarda do prazo regulamentar, recorre a este Conselho do ato do titular da DRF daquela cidade, que, indeferindo a sua impugnação, manteve o lançamento ex officio em sua declaração de rendimentos, apresentada para o exercício de 1990, ensejando a cobrança do imposto no valor correspondente a 239,67 UFIR, acrescido da multa de 50% e demais encargos legais. Iniciou-se o procedimento em decorrência da ação fiscal levada a efeito contra a pessoa jurídica, culminando com a lavratura do auto de infração de fls. 01. Notificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação tempestiva às fls. 17/18, representada por cópias da defesa apresentada no processo principal. A decisão da autoridade julgadora de primeira instância foi proferida às fls. 116, concluindo pelo deferimento parcial da impugnação, cujos fundamentos se acham consubstanciados na seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS PASEP - REFLEXO - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz constitue prejulgado aplicável no julgamento do processo decorrente, em razão da relação de causa e efeito que vincula um ao outro." Não se conformando com a decisão retro, a empresa interpôs recurso a este Conselho às fls. 120/121, cujas razões são lidas na íntegra em sessão. É o relatório. - MINISTÉRIO DA FAZENDA 03 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10283/001.212/92-11 Acórdão N° 102-30.374 VOTO Conselheiro Waldevan Alves de Oliveira, Relator: A matéria submetida ao julgamento desta Câmara decorre de lançamento ex officio levado a efeito contra a pessoa jurídica, processo matriz, relativamente a imposto de renda, resultando daí o lançamento decorrente nos termos do auto de infração de fls. 01. Trata-se, portanto, de lançamento reflexivo, do conhecimento da recorrente, revelado em sua peça impugnatória e bem assim em seu recurso onde insiste na vinculação deste processo ao julgamento do processo principal. Ocorre, todavia, que o recurso interposto pela pessoa jurídica, a propósito do imposto de renda foi objeto de julgamento por esta Câmara, em sessão de 05.05.93, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso, conforme faz certo o Acórdão N° 102-28.188. Destarte, em se tratando de lançamento decorrente, a decisão proferida nos autos do processo principal se projeta neste processo reflexivo, recomendando o mesmo tratamento, dada a íntima relação de causa e efeito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Brasília - DF., 08 ,e novembro de 1995 Waldevan Al t,ilt ,e 1 Oliveira - Relator n — Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10410.003109/2007-13
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2006
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
RELEVAÇÃO DA MULTA
A relevação da multa aplicada está condicionada à primariedade da autuada, à inexistência de circunstâncias agravantes, à formulação de pedido e à correção da falta cometida dentro do prazo de impugnação. Tais requisitos são cumulativos, e o descumprimento de qualquer deles impede a relevação da multa aplicada.
Relevação concedida.
Numero da decisão: 2403-002.184
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos reconhecer a decadência das competências até 05/2002 com base no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional - CTN. No Mérito. Por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Croscato dos Santos
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2006 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. RELEVAÇÃO DA MULTA A relevação da multa aplicada está condicionada à primariedade da autuada, à inexistência de circunstâncias agravantes, à formulação de pedido e à correção da falta cometida dentro do prazo de impugnação. Tais requisitos são cumulativos, e o descumprimento de qualquer deles impede a relevação da multa aplicada. Relevação concedida.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos reconhecer a decadência das competências até 05/2002 com base no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional - CTN. No Mérito. Por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Croscato dos Santos Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. RELEVAÇÃO DA MULTA A relevação da multa aplicada está condicionada à primariedade da autuada, à inexistência de circunstâncias agravantes, à formulação de pedido e à correção da falta cometida dentro do prazo de impugnação. Tais requisitos são cumulativos, e o descumprimento de qualquer deles impede a relevação da multa aplicada. Relevação concedida. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 31 09 /2 00 7- 13 Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos reconhecer a decadência das competências até 05/2002 com base no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN. No Mérito. Por unanimidade de votos dar provimento ao recurso. Ausentes justificadamente os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Croscato dos Santos Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.003109/200713 Acórdão n.º 2403002.184 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, Acórdão 1119.747 da 6ª Turma, que julgou o lançamento procedente, relevando em parte a multa aplicada. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: O LANÇAMENTO O lançamento em destaque referese ao autodeinfração, DEBCAD n.° 37.004.3723, o qual decorreu do fato da empresa acima identificada haver apresentado a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contrariando desta forma o que dispõe o art. 32, inciso IV e §5° da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV, §4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A penalidade aplicada assumiu o valor de R$ 50.462,56 (cinqüenta mil e quatrocentos e sessenta e dois reais e cinqüenta e seis centavos). Nos termos do "Relatório Fiscal da Infração" e anexo, fls. 06 e 21/26, foi constatado em ação fiscal que o sujeito passivo, nas competências de 01/1999 a 12/2006 (sic), efetuou pagamentos a título de honorários contábeis a pessoa física e de prólabore aos sócios, sem que tais quantias fossem declaradas em GFIP. Aduz a Auditora Fiscal que no período de 01 a 03/2006 a empresa deixou de informar na GFIP a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária, fato também observado na competência 07/2001. Segundo o mesmo relatório não foram verificadas durante a fiscalização circunstâncias que pudessem agravar ou atenuar a multa aplicada. O "Relatório Fiscal da Aplicação da Multa", fl. 07, esclarece que a penalidade aplicada correspondeu a cem por cento do valor da contribuição devida não declarada. A fundamentação legal e os critérios utilizados para fixação da multa imposta estão consignados no anexo, fls. 21/26. A IMPUGNAÇÃO Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Cientificado pessoalmente do lançamento através do seu representante legal, fl. 01, o sujeito passivo apresentou em 05/07/2007, impugnação, fl. 28, na qual alega em síntese que: a) é uma empresa de médio porte que sempre atuou com lisura e boafé no desenvolvimento de suas atividades, mormente na sua relação com o fisco, na qual sempre priorizou o cumprimento de suas obrigações tributárias, sem jamais criar obstáculos aos agentes tributários; b) a penalidade que lhe é imposta decorreu unicamente de equívocos cometidos nas declarações feitas através da GFIP. Tais falhas são comuns neste tipo de obrigação acessória, posto que é fato notório as sucessivas alterações por que passou o programa gerador da GFIP; c) não teve a intenção de burlar a Previdência Social, até porque, conforme relatado pela Auditora Fiscal, efetuou o pagamento das contribuições nas quantias efetivamente devidas, não causando qualquer prejuízo aos cofres públicos; d) não mediu esforços para sanear as falhas, tendo corrigido todas as GFIP, conforme documentos juntados. Por fim, com arrimo no fato de haver saneado as irregularidades detectadas pela fiscalização, invoca o art. 291 do RPS para requerer a dispensa da multa aplicada. Inconformada com a decisão da DRJ, a recorrente apresentou recurso voluntário, folhas 896 a 903, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: · As contribuições foram recolhidas, e o erro foi somente no valor declarado em GFIP. · O programa SEFIP sofreu inúmeras alterações ao longo do tempo e pode ter havido conflito entre o programa gerador da folha de pagamento da empresa e versões do SEFIP. · Entregou todas as GFIPs, da matriz e da filial, corrigindo as ocorrências no prazo previsto para se aplicar a relevação da multa. · Todos requisitos para a relevação da multa estão presentes. · As GFIPs da filial foram entregues até 19/07/2007. · Questiona a relevação da multa exclusivamente nas competências 10, 11 e 12/2002 e 1, 2 e 3/2006. O processo baixou em diligência objetivando manifestação conclusiva do Fisco sobre se a recorrente entregou as GFIPs retificadoras sanando totalmente o que motivou o auto de infração e se a entrega se deu dentro do prazo em que a relevação da multa poderia ocorrer. Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.003109/200713 Acórdão n.º 2403002.184 S2C4T3 Fl. 4 5 A fiscalização informou que a recorrente corrigiu as falhas no prazo. É o relatório Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Este lançamento referese a omissões apenas de contribuintes individuais em GFIP. Tratase portanto de diferenças. Entendo que neste caso se aplica a regra do artigo 150 do CTN. O período do lançamento é de 01/99 a 03/2006. A ciência do lançamento ocorreu em 21/06/2007. Entendo decadentes as competências até 05/2002, inclusive. RELEVAÇÃO DA MULTA A relevação da multa estava prevista no artifo 291 do regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10410.003109/200713 Acórdão n.º 2403002.184 S2C4T3 Fl. 5 7 Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação.(Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007)(Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante.(Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007)(Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) O acórdão recorrido informa que o autuado é primário, que não foram identificadas circunstâncias agravantes e que o pedido de relevação foi requerido no prazo. Em relação ao cumprimento dos três primeiros requisitos listados acima, podese dizer que: a) o autuado é primário, dado que nos sistemas de informática da Previdência não constam outros autosdeinfração por descumprimento de obrigações acessórias previdenciárias emitidos contra a mesmo; b) não foram relatadas circunstâncias agravantes pela Fiscalização; e c) o pedido de relevação foi requerido dentro do prazo para impugnação A pedido desta turma, o processo baixou em diligência objetivando manifestação conclusiva do Fisco sobre se a recorrente entregou as GFIPs retificadoras sanando totalmente o que motivou o auto de infração e se a entrega se deu dentro do prazo em que a relevação da multa poderia ocorrer. A fiscalização informou que a recorrente corrigiu as falhas no prazo. 1. Fm atendimento a solicitação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil informa que a empresa Comercio Representação de Cereais Ltda, foi fiscalizada no período de 01/1999 a 03/2006 referente a Matriz (CNPJ 08.618.647/000193) e Filial ( CNPJ 08.618.647/000355) e que constatamos que o contribuinte ao receber a ciência da fiscalização em 21/06/2007 não informava todos os fatos geradores providenciados nas GFIP's e que após a ciência sob ação fiscal a empresa em 19/07/2007 informou novas Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 GFIP's corrigindo as devidas omissões, que foram objeto do AI DEBCAD 37.004.3723. 2. Na época houve a omissão de fatos geradores apenas para a Matriz (CNPJ 08.618.647/000193) e que a empresa ao informar novas GFIP's apenas na Matriz (CNPJ 08.618.647/000193) corrigiu as devidas omissões. Entendo que cabe a relevação total da multa aplicada. CONCLUSÃO Voto por , nas preliminares, reconhecer a decadência das competências até 05/2002 com base no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN. No Mérito, voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 26/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10920.000354/87-14
Data da sessão: Mon May 09 00:00:00 UTC 1988
Ementa: IRPJ - LANÇAMENTO DECORRENTE - Se o processo matriz foi remetido à repartição de origem, para que outra decisão fosse prolatada, idêntico destino deverá ter o processo decorrente.
Numero da decisão: 103-08.377
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes por unanimidade de votos, em declarar a nulidade da decisão de primeira instância
Nome do relator: Carlos Augusto de Vilhena
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ementa_s : IRPJ - LANÇAMENTO DECORRENTE - Se o processo matriz foi remetido à repartição de origem, para que outra decisão fosse prolatada, idêntico destino deverá ter o processo decorrente.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-23T12:49:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-23T12:49:12Z; Last-Modified: 2009-07-23T12:49:12Z; dcterms:modified: 2009-07-23T12:49:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-23T12:49:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-23T12:49:12Z; meta:save-date: 2009-07-23T12:49:12Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-23T12:49:12Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-23T12:49:12Z; created: 2009-07-23T12:49:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-07-23T12:49:12Z; pdf:charsPerPage: 1112; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-23T12:49:12Z | Conteúdo => PROCESSO N9 10920/000.354/87-14 MINISTÉRIO DA FAZENDA AMS sim" de 09 de maio de 19 88. ACORDÂO N.* 103-08.377 __Recurso n.• 50.061 PIS-DEDUÇÃO - RXS.: DE - 1983 e 1985 Recorrente H.V. EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA. Recornd DRF em JOINVILLE (SC). IRPJ - LANÇAMENTO DECORRENTE - Se o pro cesso-matriz foi remetido à repartição de origem, para que outra decisão fosse prolatada, idêntico destino deverá ter o processo decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- curço interposto por H.V. EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes por nnanimidad de votos, em declarar a nulidade da decisão de prieeira instância. Sa ; das Sessãos (DF), e 9 de maio de 1988. (:- - A‘-ONIO DA SILVA CABRAL - PRESIDENTE LARLOS AU15h1R- VILHENA - RELATOR VISTO EM UIZ CAR OS VA - PROCURADOR DA SESSÃO DE: 2MAI1988 FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: AMAURY JOSÉ DE AQUINQ CARVALHO, LORGIO RIBEIRO, DICLER DE ASSUNÇÃO,FRAN CISCO XAVIER DA SILV GUIMARÃES, RICHARD ULRICH KREUTZER e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. • SERVIÇO PUBLICO FEDERAI Processo n9 10920/000.354/87-14 Recurso n9 50.061 Acórdão n9 103-08.377 Recorrente: H. V. EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA. RELATÓRIO H. V. EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA., CGC 82.530.296/0001-17, recorre a este Conselho da decisão do Delegado da Receita Federal em Joinville que manteve, em parte, o lançamen- to "ex officio" da contribuição PIS-DEDUÇÃO para os exercícios de 1983 e 1985. 2. A exigência decorre do imposto de renda, também lança_. do "ex officio", que resultou no processo n9 10920/000.352/87-99. 3. Em sua impugnação de fls. 13/14, tempestivamente apre sentada, alega a contribuinte que: ã vista das provas aduzidas no processo principal, ficou demonstrado e comprovado que parte da exi gência ali constante não pode subsistir; tendo em vista que o deci- dido no processo matriz faz coisa julgada em relação ao procedimen- to decorrente, ocioso tecer aqui maiores comentários. A peça impug- natória encerra-se com o pedido de que seja julgada improcedente a tributação por reflexo. 4. A autoridade julgadora de primeira instância assim fundamentou a sua decisão de fls. 44/46: "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS-DEDUÇÃO A contribuição para o PIS, é constituída, por duas parcelas, a primeira como dedução do Imposto de Ren- da devido, e a segunda com recursos próprios da empre sa. P.A.F. - DECORRÊNCIA Tratando-se de procedimento decorrente ou reflexivo, deve-se proferir idêntica decisão ã do processo ma- triz, dada a íntima relação de causa e efeito." 5. Cientificada a contribuinte dessa decisão em 08 de fe ir vereiro do corrente ano, no dia 8 de março seguinte deu ela entrada gille:j SERVIÇO PÚBLICO FEDFJUL Processo n9 10920/000.354/87-14 2. Acórdão n9 103-08.377 em seu recurso de fls. 50151 informando que não se conformara com a decisão prolatada no processo principal, tendo apelado, em conse_ quência, a este Conselho no sentido de obter a sua reforma. Acres - centa, ainda, que, certa de obter um julgamento favorável, seja da- do a este litígio a mesma solução. 6. Pelo Acórdão n9 103-08.370, desta data, esta Câma- ra, por unanimidade de votos, apreciando o litígio instaurado no procesta-matiii, declarou nula a decisão de primeiro grau, para que outra fosse prolatada com a observância das prescrições legais. É o relatório. VOTO Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE VILHENA, Relator: O recurso foi interposto com base no artigo 33 do De creto n9 70.235/72 e dentro do prazo ali previsto. 2. O presente processo é um mero reflexo do lançamento "ex officio" levado a efeito no processo n9 10920/000.352/87-99. As razões de dec.idir da autoridade julgadora realçam essa vinculação e o mesmo ocorre com as defesas da contribuinte. 3. Conforme consta do item 6 do relatório, os autos refe rentes ao processo-matriz foram remetidos ã repartição de origem, a fim de que outra decisão fosse prolatada. Face ã sua condição de me_ ro reflexo, o mesmo destino deverá ter este processo. Ante o exposto, VOTO no sentido de conhecer do recur- so para determinar a remessa dos autos ã repartição de origem, a fim de que a autoridade julgadora de primeira instância prolate no- va decisão, após adotada idêntica providência no processo principal. Brasília-DF., em 09 de maio de 1988. si- 4ar".n"/2.44`4-^' CARLOS AUGUSTO DE VILHENA - RELATOR ..... Page 1 _0089500.PDF Page 1 _0089700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 10410.002696/2007-15
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 05/11/2004 a 13/11/2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL.
O erro na determinação da matéria tributável acarreta a nulidade do lançamento por vício formal, sem prejuízo do disposto no art. 173, II, do Código Tributário Nacional.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
É nulo o lançamento quando constatado que vícios nele presentes cercearam o direito do sujeito passivo ao contraditório e à ampla defesa.
Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 3102-000.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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IMP. DE MÁQUINAS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 05/11/2004 a 13/11/2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O erro na determinação da matéria tributável acarreta a nulidade do lançamento por vício formal, sem prejuízo do disposto no art. 173, II, do Código Tributário Nacional. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o lançamento quando constatado que vícios nele presentes cercearam o direito do sujeito passivo ao contraditório e à ampla defesa. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, nos termos do voto do relator. lyM 1211R-H LENA T l'• J • 4. O PiillOW'residente I . LUCIANO LOPES DE ' , - DA MORAES Relator EDITADO EM: 1 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Traj ano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes (Relator), Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata-se de lançamento da multa capitulada no art. 23, inciso V e seus parágrafos, do Decreto-Lei n° 1.455, de 07/04/1976, com a redação alterada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 30/12/2002, no valor total de R$ 1.518.648,91 (fls. 01/02), inerente à conversão da pena de perdimento em multa correspondente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas através das Declarações de Importação — DI's — listadas às fls. 31/34. Segundo a descrição dos fatos e enquadramento legal objeto do auto de infração em evidência (fls. 02), complementado pelo Relatório de Ação Fiscal de fls. 08/30, o lançamento foi motivado pela constatação da ocultação do verdadeiro responsável pelas operações de importação, infração a qual ensejaria a aplicação da pena de perdimento de que trata o art. 23, inciso V e § 1°, do Decreto-lei n° 1.455/76. Contudo, pelo fato de as mercadorias não terem sido encontradas ou por já terem sido consumidas houve a conversão da citada penalidade em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, conforme § 3° da prescrição legal acima reportada. De acordo com o trabalho conduzido pelos agentes fiscais, a conclusão de que houve ocultação do verdadeiro responsável pelas operações realizadas pela autuada foi baseada nos seguintes fatos, conforme Relatório de Ação Fiscal (fls. 08/30): no dia 15 de março de 2006, recebemos correspondência da 7" Região Fiscal onde nos é informado que durante a operação denominada Blindagem II, realizada no Porto de Sepetiba/RJ, foram identificados contêineres da empresa Brazilian Trade com solicitação de trânsito aduaneiro, o qual não foi concedido em virtude de se ter detectado que a fiscalizada enquadrava-se na previsão legal da Instrução Normativa n° 455/04 que estabelece os indícios de interposição fraudulenta em operações de comércio exterior e que ensejam, conseqüentemente, a abertura de procedimento especial previsto na Instrução Normativa N° 228/02." "Ao recebermos a documentação fornecida pela empresa para atender o Termo de Início de Ação Fiscal, de imediato notamos a existência de indícios de que a Brazilian Trade era uma interposta pessoa. Tais indícios são verificados na correspondência enviada pela fiscalizada onde nos é informado que: sobre a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações da empresa, que a mesma opera com o ciclo financeiro invertido. Como informação, as empresas no mercado nacional trabalham, 2 Processo n° 10410.002696/2007-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 687 normalmente, com a administração financeira e orçamentária na seguinte seqüência: compram, estocam, vendem, pagam seus fornecedores e recebem dos clientes. Tal ciclo determina que a empresa suporte, durante um período, com recursos próprios, capital de giro ou financiamento bancário, o período entre o pagamento ao fornecedor e o recebimento do cliente, aspecto que a onera sobremaneira. A nossa empresa trabalha na seqüência: compra, não estoca porque já negociou a venda do produto, vende, recebe do cliente, no prazo pactuado, e paga o fornecedor de acordo com a conveniência e oportunidade. [ ... J. Por vezes, a nossa empresa trabalha com o ciclo normal, mas tal fato é esporádico. [ ... J. A estrutura de distribuição e revenda é customizada. Para cada cliente, em função de sua localização geográfica, é escolhido um porto/aeroporto, um despachante aduaneiro é contratado para realizar o processo de nacionalização/internação da mercadoria; e, uma empresa de transporte é contratada para a entrega do produto, não havendo, portanto, necessidade de depósito para a mercadoria importada. Além disso a empresa trabalha com encomendante predeterminado, aspecto que facilita a revenda da mercadoria." (grifos dos agentes fiscais) "Além dos indícios de interposição acima assinalados, também fomos informados pela empresa em sua correspondência que ela obtém como outra fonte de receita os beneficios fiscais proporcionados pela Lei N° 6.410/03 do Estado de Alagoas, conhecida como lei dos Precatórios'. A fruição de tal beneficio também caracteriza indício de interposição no comércio exterior, já que, conforme se observa no documento em anexo, as empresas sediadas no Estado de Alagoas e detentoras de títulos precatórios têm sido usadas por empresas localizadas em outras unidades da federação para que estas últimas, também possam usufruir dos benefícios fiscais proporcionados pela referida lei." Com base em tais indícios, a fiscalização passou à analise detalhada da contabilidade da Brazilian Trade, tendo constatado o seguinte: "Analisando-se os Balancetes de Verificação, não verificamos a existência de contas que representassem a obtenção de empréstimos por parte da Brazilian Trade para que a mesma pudesse realizar o volume de importações evidenciadas. Também verificamos nas referidas peças contábeis que poucas foram as compras a prazo realizadas pela fiscalizada. Dessa forma, iniciamos a nossa análise financeira, já que fortes eram os indícios de que a Brazilian Trade estava operando com recursos de terceiros." "Dando inicio a nossa análise financeira, primeiramente examinamos os referidos Balancetes de Verificação. Nos mesmos observamos movimento atípico na conta Caixa e na conta Bancos. Nas respectivas contas verificamos que os valores debitados eram praticamente iguais aos valores creditados, ou seja, os recursos monetários que ingressaram na empresa imediatamente saíram, significando, assim, que os recursos 3 monetários recebidos possuíam destinaçã o predeterminada para pagamentos." "Dando continuidade a nossa análise financeira, notamos que a conta representativa de mercadorias também possuía movimento atípico. Nesta conta, observamos que toda a mercadoria que era adquirida era totalmente vendida, indicando, assim, que as mesmas já possuíam adquirentes predeterminados. Ao examinarmos nos Balancetes de Verificação as contas do Passivo, confirmaram-se os indícios de que a Brazilian Trade não era a real adquirente das mercadorias importadas. Em tais peças contábeis, verificamos a existência da conta Adiantamento de Clientes com a movimentação de expressivas quantias. Em virtude de tal situação, de imediato compulsamos os Livros Razão da conta Caixa e da conta Bancos. No exame de tais contas, verificamos a existência de diversos lançamentos referentes a adiantamentos de recursos monetários feitos por outras empresas." Por meio do Termo de Intimação Fiscal N° 02, os fiscais solicitaram à empresa que lhes fossem encaminhados os acordos ou contratos assinados com os seus clientes. No único contrato que a fiscalizada enviou, no qual figura como vendedora e o seu cliente, a empresa Meyer Comércio e Serviços Ltda., como comprador, a fiscalização constatou que as cláusulas indicavam claramente que a fiscalizada era uma mera prestadora de serviços, e não a real adquirente das mercadorias importadas. Além disso, verificaram que a Brazilian Trade em nenhum momento assume riscos pela aquisição das mercadorias, que todas as despesas, incluindo todos os impostos incidentes sobre as mercadorias são de responsabilidade da Meyer Comércio e Serviços Ltda., que o lucro obtido pela Brazilian Trade é um pequeno percentual do valor da nota fiscal de entrada, "indicando, assim, que o mesmo trata-se de uma comissão pela prestação de serviços", e que poderia haver o recebimento antecipado de recursos para pagamento das despesas aduaneiras. Neste sentido, concluem os fiscais autuantes que: "Os dados verificados deixam claro que a fiscalizada é uma interposta pessoa não sendo, portanto, a real adquirente das mercadorias adquiridas no comércio exterior." Analisando-se os demais documentos trazidos aos autos (especialmente as planilhas das notas fiscais de entradas, as planilhas das notas fiscais de saídas, as planilhas de comprovação de direito do recebimento de valores depositados na conta bancária — Relação de Depósitos, as notas fiscais de entradas e as notas fiscais de saídas), a fiscalização identificou novos indícios de que a Brazilian Trade não é a real adquirente das mercadorias importadas, tendo sido constatado o seguinte: "(a) a maioria das notas fiscais de entradas e de saídas foram emitidas no mesmo dia, com a mesma quantidade e em seqüência, significando, assim, a inexistência de mercadorias em estoque, o que indica, conseqüentemente, que as mercadorias possuíam destinatário predeterminado; 4 Processo n° 10410.002696/2007-15 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 688 (b) a maioria do valor total das notas fiscais de entradas e de saídas é praticamente igual (pouca diferença entre eles), significando, desta forma, a inexistência de lucros compatíveis com as praticas comerciais usuais; (c) nas planilhas das notas fiscais de saídas é informado que as mercadorias foram vendidas a prazo. No entanto, todas as notas fiscais foram emitidas como vendas à vista; (d) o prazo para pagamento das vendas é considerado após a emissão da fatura comercial internacional ou do conhecimento de carga (BL), indicando, portanto, que os prazos referem-se ao vencimento do câmbio e que a responsabilidade por tais pagamentos é do destinatário da mercadoria constante na nota fiscal de saída; (e) para determinados valores que foram recebidos, as notas fiscais de comprovação possuem o CFOP 6905 (Remessa para Armazenagem)." Analisando o Livro Razão das contas "Adiantamento de Clientes", "Caixa", "Clientes" e "Bancos", bem como os extratos de conta corrente da empresa, foram constatadas as seguintes ocorrências: "(1) valores debitados na conta caixa ou banco e creditados na conta adiantamentos de clientes; (2) divergências de datas e valores entre as notas fiscais de saídas e os valores debitados na conta caixa ou bancos; (3) maioria (acima de 90%) dos valores depositados em bancos não se refere a recebimento de títulos; (4) nos extratos não se vê, em sua grande maioria, a ocorrência de títulos colocados em cobrança; (5) valores debitados na conta bancos e creditados na conta clientes, mas os históricos dos Livros Razão e dos extratos bancários não se referem a recebimento de títulos." Quanto à análise acima referida, assim concluiu a fiscalização: "O conjunto de fatos apurados levou-nos a conclusão de que não houve a realização de vendas por parte da fiscalizada. Os fatos apurados demonstraram que a Brazilian Trade recebia os recursos dos seus 'clientes' somente para simular que ela possuía condições financeiras para adquirir as mercadorias no comércio exterior e, desta forma, utilizar os benefícios proporcionados pela 'Lei dos Precatórios'. Assim, construímos o Demonstrativo dos Valores Excluídos (onde é demonstrado os valores que não foram considerados no fluxo financeiro e o motivo da exclusão), o Demonstrativo dos Saldos (onde é demonstrado os saldos nas contas Caixa e Bancos nas datas especificadas) e o Demonstrativo do Fluxo Financeiro (onde é demonstrado o saldo real de recursos monetários da empresa disponíveis para pagamento das despesas aduaneiras realizadas). No Demonstrativo do Fluxo Financeiro, fica demonstrada a total falta de capacidade financeira da empresa para realizar as operações de comércio exterior no período fiscalizado." Compulsando os documentos enviados pela fiscalizada referentes às diversas Dis, a fiscalização observou que diversas duplicatas tinham as datas de vencimento e emissão idênticas. Ao analisarem as respectivas notas fiscais, verificaram que foram emitidas como vendas à vista e em data anterior à data de emissão. Examinando-se os Livros Razão das contas "Caixa" e "Bancos", não localizaram o recebimento de tais valores em datas iguais ou posteriores ao da emissão das notas fiscais. Também notaram a existência de diversos títulos emitidos pela fiscalizada. Em relação a tais títulos (boletos), observaram que: "(a) os mesmos foram emitidos sem data de vencimento; (b) nos extratos de conta corrente os históricos não se referem a recebimento de títulos; (c) título recebido parceladamente; (d) valor do título não localizado como recebido na conta bancos ou caixa; (e) documentos emitidos pelo banco informam que houve liquidação de títulos, mas não houve registro de entrada de títulos em carteira." Concluem, assim, os fiscais: "Como até aqui já se demonstrou, a Brazilian Trade não é a real adquirente das mercadorias importadas, pois ela não possui condições econômico-financeiras para realizar as importações registradas em nossa base de dados. Desta forma, não houve, portanto, venda de mercadorias. Assim sendo, as duplicatas emitidas pela empresa constituem-se, em tese, em ilícito penal, já que não houve venda efetiva de mercadorias, pois a fiscalizada, como se demonstrou, não é a real adquirente das mercadorias importadas." A fiscalização relata que, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal N° 02, a empresa enviou correspondência que corrobora o entendimento de que a empresa cometeu irregularidades em suas operações de comércio exterior, por ter atuado como interposta pessoa, destacando as seguintes alegações da Brazilian Trade: "o livro caixa registra entradas regulares de numerário na empresa conforme suas necessidades para a vida vegetativa e despesas administrativas, integralização muitas vezes superior ao que determina o contrato social. Entretanto, não houve preocupação em documentar tal transferência, pois a movimentação financeira era de conhecimento de ambos os sócios e a confiança mútua premissa básica." (Grifos dos autuantes) Assim se manifestam os fiscais autuantes quanto a tais assertivas: "Do acima exposto, verifica-se que a inexpressiva quantia disponibilizada pelos sócios não seria capaz de realizar gastos aduaneiros totais de R$ 9.360.126,00 (sem considerarmos outras 6 Processo n° 10410.002696/2007-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 689 despesas, como ICMS, COFINS-importação, PIS/PASEP- importação, despachante aduaneiro, capatazia etc), bem como a empresa não gerou lucro suficiente para tanto. Também se verifica que ingressaram recursos monetários na empresa que não foram documentados, e não se informa qual a origem desses recursos, confirmando que a empresa utilizou recursos de terceiros para realizar suas operações." (Grifos dos autuantes) Quanto à estrutura de funcionamento da empresa, os fiscais aduzem que os elementos de prova comprovam que: "a Brazilian Trade não é a real adquirente das mercadorias importadas, pois, além de não possuir capacidade econômica e de não possuir capacidade financeira - como já foi demonstrado em linhas pretéritas - para realizar as importações registradas em nossa base de dados, a empresa também não possui capacidade operacional para realizar tais importações. Como já se mostrou anteriormente, a expressiva quantia referente às importações realizadas pela Brazilian Trade e a complexidade inerente ao comércio exterior requerem da empresa uma estrutura operacional que não pode estar resumida a utilização somente de estagiários. Não possuir a empresa nenhum empregado, nem mesmo especializado. (sic) Da forma como a empresa funciona, não é necessário nenhum esforço de raciocínio para se verificar que não foi ela quem realizou as importações que estão registradas em nossa base de dados. Caracteriza-se assim, com mais este elemento de prova, que a fiscalizada interpôs-se entre os reais adquirentes e os fornecedores no exterior com o fim de obter os beneficios proporcionados pela `Lei dos Precatórios'." Prosseguindo na análise da documentação apresentada pela Brazilian Trade, a autoridade fiscal afirma, ainda, que: "No atendimento dos Termos de Intimações Fiscais N° 03 e 04, a fiscalizada enviou-nos contrato de mútuo, onde se obtém mais um elemento de prova de que a Brazilian Trade não é a real adquirente das mercadorias importadas. Em tal contrato, na cláusula 11, é pactuado que a mutuante, a empresa Exporta Logística e Assessoria Aduaneira Ltda, que é uma comissária de despacho, transfere para a Brazilian Trade (mutuária) a importância de R$ 500.000,00 em parcelas semanais requisitadas pela mutuária. Na cláusula 2" é pactuado que o valor do empréstimo servirá como parâmetro para que a mutuante inicie a prestação de serviços de comissária de despacho. Na cláusula 3" é pactuado que os 'clientes' da mutuária poderão efetuar o pagamento de suas compras diretamente para a mutuante, valores estes que serão utilizados para custear toda a operação de nacionalização e entrega das mercadorias da mutuária, para pagamento dos honorários da mutuante e para amortizar o débito do contrato de mútuo. E na última cláusula (49, é pactuado que após todas as deduções acima referidas, a mutuante remeterá o saldo em dinheiro para a mutuária de acordo com os vencimentos dos pagamentos de seus 'clientes'. Ou seja, o presente contrato deixa claro que não 7 houve empréstimo nenhum. Na realidade, o contrato deixa antever que se trata de pagamentos de prestações de serviços aduaneiros realizados por uma comissária de despacho para os reais adquirentes das mercadorias importadas e que o saldo remetido para a Brazilian Trade é a sua recompensa por ter emprestado o seu nome nas diversas simulações realizadas nas importações registradas em nossa base de dados." "O Demonstrativo do Fluxo Financeiro elaborado pela fiscalização demonstra que a auditada não dispunha de recursos monetários próprios para liquidar as despesas aduaneiras referentes às diversas importações realizadas, demonstrando-se, assim, a falta de capacidade financeira da fiscalizada para a realização das operações de comércio exterior evidenciadas. A Declaração de Imposto de Renda dos Sócios também demonstra, nitidamente, que os sócios também não possuíam condições financeiras para integralizarem o Capital Social em montante compatível com as operações realizadas pela empresa. Demonstrou-se alhures que a simulação é pratica costumeira da empresa." Por fim, os agentes fiscais concluem assim o Relatório de Ação Fiscal: "Por tudo que foi exposto, fica caracterizado o dano ao Erário, já que a Brazilian Trade não é a real adquirente das mercadorias importadas, devendo-se, assim, ser aplicado o disposto no artigo 23, inciso V (e seus parágrafos) do Decreto- Lei N° 1.455 de 07 de abril de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei N° 10.637 de 30 de dezembro de 2002 (conversão da Medida Provisória N°. 66 de 29 de agosto de 2002)." DAS IMPUGNAÇÃO Cientificadas do lançamento em 26/04/2007 (Brazilian Trade) e 28/05/2007 (Wing World) — vide fls. 01 e 579, respectivamente), as recorrentes insurgiram-se contra a exigência, tendo apresentado, tempestivamente, a impugnação de fls. 580/627, argüindo, em síntese, o seguinte: 1. Preliminar de nulidade do auto de infração por equivoco de enquadramento legal — vício de forma Afirma A defendente que "o Auto de Infração em análise pretende a imputação de interposição fraudulenta à Impugnante, cujo enquadramento legal está arraigado nos artigos 602, 604, inciso IV, 618, e sç 1° do Decreto n° 4.523/02 e artigo 73, § ,f 1° e 2" da Lei n° 10.833/03. Entretanto, verificando as normas utilizadas para a lavratura do mencionado auto de infração, constata-se que o Decreto n° 4.523/02 em nada se refere aos fatos descritos na autuação. Cuida o aludido decreto de regulamentar o arrolamento de bens para interposição de recurso voluntário no processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União, sendo que a exação feita à Impugnante não tem qualquer relação com o arrolamento de bens para interposição de recurso, haja vista que não houve sequer uma decisão administrativa que justificasse tal medida. Ademais, manuseando o Decreto n° 4.523/02, vislumbra-se que o 8 Processo n° 10410.002696/2007-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 690 mesmo possui tão-somente 07 (sete) artigos, enquanto o auto de infração faz alusão aos artigos 602, 604 e 618. Assim, há um nítido equívoco no enquadramento legal, razão pela qual o auto de infração deve ser anulado, considerando a existência de vício de formalidade. De igual modo, o artigo 10, inciso IV, do Decreto n°70.235/72, estabelece que no auto de infração conterá, obrigatoriamente, a disposição legal e a penalidade aplicável. Assim, qualquer erro de tipificação será causa de nulidade." Continua, "no auto de infração, consta que a empresa Wing World Com. e Imp. De Máquinas Ltda. 'passa afigurar no pólo passivo como devedor solidário, conforme determina o art. 87 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002'. Ocorre que, compulsando a indigitada legislação, vislumbra-se que não existe o artigo 87, contemplando apenas um total de 68 (sessenta e oito) artigos. Ademais, não há qualquer dispositivo na supramencionada lei disciplinando a responsabilidade solidária do adquirente. A Lei n° 10.637/02 não trata da responsabilidade do comprador na eventual comprovação de interposição fraudulenta, dispondo apenas sobre a não-cumulatividade na cobrança da contribuição para os Programas de Integração Social (PIS) e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), nos casos que especifica; sobre o pagamento e o parcelamento de débitos tributários federais, a compensação de créditos fiscais, a declaração de inaptidão dé inscrição de pessoas jurídicas, a legislação aduaneira." Portanto, "o equívoco no enquadramento legal, além de eivar de vício de forma o auto de infração, traz prejuízos à sua impugnação, vez que torna impossível defender-se de uma suposta infração a dispositivos legais que não têm relação alguma com os fatos descritos na autuação." Em socorro de sua tese, colaciona citação doutrinária e jurisprudências dos tribunais administrativos. 2. Ausência de indicação precisa da disposição legal infringida. Erro de direito. Ainda como preliminar de nulidade, a impugnante segue afirmando o seguinte: "Como se não bastasse o equívoco no enquadramento legal, constata-se, ainda, que o auto de infração não traz uma precisa indicação dos dispositivos legais que serviram como base para a autuação. Conforme aduzido anteriormente, no vergastado auto consta apenas o Decreto n° 4.532/02 e a Lei n° 10.833/03 como enquadramento legal. No que diz respeito à primeira norma, resta devidamente demonstrada sua inaplicabilidade no presente caso. Já com relação à Lei n° 10.833/03, mais precisamente seu artigo 73, §§ e 2°, verifica-se que tais regramentos se referem somente à penalidade aplicável, e não à disposição legal infringida. Note- se que em momento algum no auto de infração houve uma descrição pormenorizada de qual dispositivo legal a Impugnante infringiu. Não há uma imputação precisa da infração à lei 9 supostamente praticada pela Impugnante. Ora, se o auto de infração atesta que a Impugnante praticou interposição fraudulenta, deveria constar qual o exato dispositivo legal foi violado, o que não ocorreu. Houve apenas a indicação de uma lei que trata apenas da aplicação de multa, em virtude da impossibilidade de apreensão da mercadoria." Por fim, transcreve manifestações doutrinárias e jurisprudência administrativa que corroborariam o seu entendimento. 3. Do contrato celebrado entre a empresa Brazilian Trade Com. e Rep. Ltda. e "seus clientes" Após transcrever algumas cláusulas do contrato celebrado entre as empresas em referência, a impugnante aduz que: "sobre a expressão acima 'A COMPRADORA poderá, quando for o caso, disponibilizar os recursos do item 4.3, antecipadamente', a legislação, à época, não proibia o procedimento adotado. Além disso, a modalidade de pagamento 'pagamento antecipado' encontra abrigo no Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais, atualizado em 19.09.2005, pelo Banco Central do Brasil, onde trata das modalidades de pagamento, abrigando a legislação da Câmara de Comércio Internacional. Destaca-se que, em uma operação de exportação, o produtor pode vender no exterior e receber antecipadamente por mercadoria que ainda não industrializou e ser beneficiado por mecanismos bancários como Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC), modalidade de financiamento mais utilizada, pois reduz os custos para o exportador, amplia a competitividade dos produtos brasileiros no exterior." Relaciona um conjunto de incentivos a exportações para concluir que "se constata os inúmeros incentivos que a exportação recebe, no Brasil, e a importação enfrenta toda sorte de restrições." (sic) Aduz, ainda, que: "adotar o pagamento antecipado para o futuro comprador nacional é apenas uma forma de proteção e financiamento da empresa importadora. Se o comércio exterior adota tal modalidade de pagamento, se o comércio nacional também a adota, fruto da confiança entre as partes, se o Banco Central a reconhece como legal, é licito que se receba de forma antecipada do cliente determinada quantia como forma de pagamento por mercadoria a ser adquirida, até porque não há Lei que proíba este procedimento. Vale, portanto, o princípio da liberdade contratual. Outro elemento importante diz respeito ao fato de que ao receber determinada quantia, antecipadamente, mesmo por contrato tácito e verbal, este numerário passa a integrar o capital de giro da empresa que conduz a negociação e, portanto, pode empregá-lo para saldar seus débitos dentro ou fora do país. A Instrução Normativa da SRF N° 634 de 24/03/06, DOU 27/03/06, no parágrafo único do artigo 1° diz que 'não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente', mas não aborda o recebimento antecipado em operação de compra e venda." Por fim, alega que "a observação das regras comerciais permitidas para as operações do mercado nacional ditam a interpretação a ser dada às regras do mercado internacional. 10 Processo n° 10410.002696/2007-15 53-C IT2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 691 Tudo baseado no princípio da isonomia, como determina a Constituição Federal. Ainda sobre a forma de atuação da empresa, muitos empresários de outros estados da federação passaram a procurar a Brazilian Trade, para intermediar suas operações internacionais, aproveitando os precatórios do Estado de Alagoas. Entretanto, a legislação vigente permitia apenas as importações por conta e ordem de terceiros e a importação por conta própria ou compra e venda." Eis aí a forma de atuação da Brazilian Trade no comércio exterior. 4. Da inexistência de interposição fraudulenta Alega, também, que pelas informações prestadas pela Brazilian Trade no curso da fiscalização, ficou cabalmente demonstrada sua operação no comércio exterior mediante importação por encomenda, não cabendo falar em "interposição fraudulenta, com objetivo de ocultar o real adquirente das mercadorias importadas, ao argumento de que teria se utilizado de recursos de terceiros." Afirma que "diversamente do que consta no Relatório de Ação Fiscal, a Impugnante operava no comércio exterior mediante importação por encomenda, ou seja, adquiria as mercadorias diretamente do fornecedor estrangeiro, com seus próprios recursos, inclusive assumia a responsabilidade pelos riscos da importação, pelo pagamento do exportador e pelo recolhimento dos tributos devidos, comprometendo-se a vendê-las à empresa encomendante. As importações realizadas pela Impugnante não se configuram como "por conta e ordem de terceiros", haja vista que a ela incumbe a negociação direta com o fornecedor estrangeiro, responsabilizando-se pela pesquisa de mercado, logística internacional, despachante aduaneiro e transporte interno, conforme previsto no contrato firmado com seu cliente, regularmente enviado para a Secretaria da Receita Federal, em atenção ao Termo de Intimação Fiscal N° 02. Ao adquirente cabe apenas informar os dados referentes ao produto solicitado e realizar o pagamento, na ordem de 3% (três por cento) a 4% (quatro por cento) sobre o valor da nota fiscal, após a entrada da mercadoria no país. Ressalte-se, ainda, que a Impugnante, na condição de importadora, se responsabilizava pela entrega da mercadoria nas exatas especificações exigidas pelo comprador/adquirente, sob pena de multa de 100% (cem por cento) do valor FOB da mercadoria." Finaliza suas alegações quanto a essa matéria, concluindo que "não existe qualquer dúvida que a responsabilidade pelos riscos, preço e prazo de pagamento da importação era de inteira responsabilidade da Impugnante, razão pela qual não há que se falar em importação por conta e ordem de terceiro, mormente quando este não mantém qualquer contato com os fornecedores estrangeiros." Colaciona, ao fim, jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4° Região. 5. Da não ocultação do real adquirente 11 No que respeita à suposta ocultação do real adquirente, afirma a defendente que "as alegações dos auditores não condizem com a realidade, posto que a Impugnante, a todo o momento, forneceu à Secretaria da Receita Federal documentação suficiente para identificar quais eram seus clientes, informando, ainda, toda a sua contabilidade, com demonstração dos recursos provenientes, fluxo de entrada e saída de mercadoria, dentre outros dados que denotam a transparência da importação." Assim, como o próprio Fisco é sabedor de todos os clientes da Brazilian Trade, não merece guarida a alegação de que houve interposição fraudulenta de terceiros. 6. Da não utilização de recursos de terceiros Aduz que não procede a assertiva dos auditores fiscais quanto à existência de interposição fraudulenta de terceiros, sob o fundamento de que a mesma não possuía situação económica compatível com os volumes transacionados no comércio exterior, tendo se utilizado de recursos de terceiros, haja vista que "a correspondência enviada pela Impugnante à SRF foi precisa ao dispor sobre a origem lícita e disponibilidade dos recursos necessários, considerando que atua com seu 'ciclo financeiro invertido', bem como se utiliza dos benefícios fiscais instituídos pela Lei n° 6.410/03 (Lei dos Precatórios do Estado de Alagoas), (..) declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal STF" Esclarece que "as empresas no mercado nacional trabalham, normalmente, com a administração financeira e orçamentária na seguinte seqüência: compram, estocam, vendem, pagam seus fornecedores e recebem dos clientes. Tal ciclo determina que a empresa suporte, durante um período, com recursos próprios, capital de giro ou financiamento bancário, o período entre o pagamento ao fornecedor e o recebimento do cliente, aspecto que a onera sobremaneira. Á nossa empresa trabalha na seqüência: compra, não estoca porque já negociou a venda do produto, vende, recebe do cliente, no prazo pactuado, e, paga o fornecedor de acordo com a conveniência e oportunidade." Segundo seu entendimento, "verifica-se que este tipo de procedimento (ciclo financeiro invertido) supre a eventual insuficiência de capital de giro, sem, contudo, infringir qualquer disposição normativa. A seqüência utilizada pela Impugnante atesta que o recebimento do valor da mercadoria importada pelo cliente é posterior à sua compra e sua nacionalização." Cita "jurisprudência pátria com relação à demonstração da origem com que a Importadora atua no mercado externo". Continua, afirmando que "em face do crescimento das operações da impugnante no exterior, e considerando os deferimentos para a concessão de novos limites de seu RADAR, há que se reconhecer a capacidade econômica da Impugnante, afastando, por conseguinte, a presunção de sua insuficiência de recursos para negociar no comércio exterior. No tocante ao adiantamento de valores realizado pelos clientes, tal operação se destina exclusivamente ao custeio da utilização da comissária de despachos, conforme consta da cláusula 4.3 do referido contrato, de amplo conhecimento da SRF." Diz que "não há 12 Processo n° 10410.002696/2007-15 S3-C IT2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 692 qualquer relação entre este tipo de adiantamento com a utilização de recursos de terceiros/encomendante, vedada pelo parágrafo único do artigo 1°, da Instrução Normativa n° 634/06. Insta registrar que tal antecipação de recurso ocorria em casos esporádicos, não acontecendo em todas as operações.0 que se proíbe na referida norma é que o importador utilize recurso do encomendante para pagamento, ainda que parcial, destinado à mercadoria importada." Assim, "a operação no exterior praticada pela Impugnante se configura perfeitamente na hipótese de importação por encomenda, posto que se destina a seus clientes/encomendantes predeterminados. Trata-se da importação por conta própria, sob encomenda, disciplinada pela Lei n° 11.281/06." Neste sentido, em tendo cabalmente demonstrada a origem lícita dos recursos utilizados pela Brazilian Trade para a importação das mercadorias, cairia por terra a alegação de que houve interposição fraudulenta de terceiros, até mesmo porque todos os sujeitos da negociação estariam devidamente identificados, não existindo, pois, a intenção de ocultar o adquirente. 7. Do financiamento concedido pelo exportador. Venda a prazo Quanto a este aspecto, declara que "inexiste qualquer dispositivo legal ou norma infralegal da Secretaria da Receita Federal que impeça a Impugnante por sua conta própria de realizar empréstimos, mútuos, ou outros recursos de natureza financeira, para conduzir suas operações comerciais. A impugnante foi financiada pelo fornecedor internacional, ao comprar mercadorias com pagamento a prazo, operação devidamente assegurada pelo Regulamento de Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais, do Banco Central do Brasil, na modalidade de pagamento Remessa sem Saque. A demonstração do financiamento externo está nas faturas comerciais internacionais, onde se verifica o prazo de pagamento de 90 (noventa) ou 120 (cento e vinte) dias da data da fatura comercial ou, ainda, 06 (seis) meses da data do conhecimento de transporte (BL). Nos contratos de câmbio e respectivos SWIFT's, em sua quase totalidade, se comprova a modalidade de pagamento aprazo. Das 157 (cento e cinqüenta e sete) operações de importações, conforme se comprova com as declarações de importação, anexas aos autos, e registradas no SISTEMA DE COMERCIO EXTERIOR (SISCOMEA 9, da Receita Federal do Brasil, apenas 06 (seis) foram para pagamento à vista, 3,82% do total das operações. O restante, 151 (cento e cinqüenta e um), foi realizado com pagamento a prazo - 96,18% do total das operações. Manuseando os documentos acima citados, constata-se que a Brazilian Trade obteve financiamento do exportador para conduzir o montante das operações de compra e um contrato de mútuo para suportar a maioria das obrigações. No tocante ao fechamento da operação de câmbio, conforme previsto na jurisprudência anteriormente colacionada, não é feita esta exigência quando se tratar de financiamento concedido pelo próprio exportador, haja 13 vista que sequer houve remessa de recursos ao importador, mas sim mera venda a prazo, como aconteceu exatamente no presente caso." 8. Importação por conta própria, sob encomenda. Enquadramento na Lei n°11.281/06. Aplicação retroativa. A impugnante segue afirmando que "o advento da Lei n° 11.281, de 20 de fevereiro do ano de 2006, fez surgir uma nova espécie de importação, denominada importação por encomenda. Para regular esta nova legislação, a SRF editou a Instrução Normativa n° 634, de 24 de março de 2006. Conforme asseverado anteriormente, a impugnante foi criada desde maio do ano de 2004. Ocorre que, no intervalo temporal entre a constituição da empresa Impugnante e a entrada em vigor da citada lei, não havia regramento para regular as importações por encomenda, razão pela qual eram consideradas como importação por conta própria, ainda que existisse comprador/encomendante predeterminado. Veja-se que a importação por encomenda, em que pese se assemelha à importação por conta e ordem de terceiro, se diferencia em muitos aspectos, como, por exemplo, quem realiza a importação, assume os riscos dela decorrentes e quem utiliza seus recursos é a importadora e não o terceiro." Para demonstrar a diferença entre a importação por conta e ordem de terceiro e a importação por encomenda, a defendente apresenta um quadro comparativo e conclui que a Brazilian Trade "é a verdadeira importadora das mercadorias no exterior, e não apenas mera prestadora de serviços," pois é ela quem assume todos os riscos com a importação, "cabendo ao encomendante realizar o pagamento somente após a nacionalização da mercadoria, desde que atendidas as especificações exigidas;" os recursos eram provenientes da Brazilian Trade, e não do encomendante (Wing World); "a antecipação de eventual recurso por parte do comprador se destinava apenas para o custeio do despachante aduaneiro; e é de conhecimento da própria SRF que a Impugnante realizava o fechamento do câmbio e não o comprador." 9. Aplicação retroativa da Lei n° 11.281/06. Inteligência do artigo 106, inciso II, alíneas 'a' e 'b', do CTN. Neste aspecto, alega a impugnante que a Brazilian Trade praticava importação de mercadorias por encomenda (ou seja, "mediante recursos próprios, compra a mercadoria no exterior, realiza os procedimentos de nacionalização e, posteriormente, as revende para o encomendante predeterminado'). No entanto, como tal modalidade de importação somente foi disciplinada pelo ordenamento jurídico com a entrada em vigor da Lei n° 11.281, publicada no Diário Oficial da União em 21 de fevereiro de 2006, e como a Brazilian Trade enquadra-se perfeitamente no conceito previsto na legislação em comento, deve, por conseguinte, o artigo 11, da referida Lei, retroagir para produzir seus efeitos no presente caso, a teor do disposto no artigo 106, inciso II, alíneas "a" e "b", do CT1V. 14 Processo n° 104 10.002696/2007-15 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 693 Assim, "considerando que o ato não está definitivamente julgado, ao revés encontra-se ainda na primeira instância do processo administrativo fiscal, há que ser aplicada a Lei n° 11.281/06, de forma a retroagir sobre os fatos pretéritos praticados pela Impugnante." 10. Causas (ou indícios) de interposição fraudulenta A impugnante prossegue sua defesa, alegando que não são causas (ou indícios) de interposição fraudulenta os seguintes fatos elencados pela fiscalização: 10.1. Contratação de estagiário "Inexiste qualquer legislação que proíba a contratação de estagiários; se o Fisco imputa à Impugnante a interposição fraudulenta com base na inexistência de empregados, deveria indicar qual o dispositivo legal que foi violado, sob pena de padecer de embasamento legal, nos termos do artigo 10, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72; não existe qualquer relação entre a contratação de estagiário e a incapacidade técnica de atuar no comércio exterior; não é o fato de contratar empregados que atestará sua condição de conhecedora das complexidades de uma importação; os estagiários eram qualificados para a tarefa, como se demonstrou na defesa à intimação." "Outrossim, se o Fisco aduz que 'não foi ela quem realizou as importações que estão registradas em nossa base de dados', deve indicar quem o fez em seu lugar, para que não caracterize em meras presunções carecidas de qualquer prova do alegado." 10.2. Utilização dos precatórios "A Lei n° 6.410/03, do Estado de Alagoas, prevê um possível lucro financeiro para quem opera com precatórios. Neste caso, a Impugnante tornou-se detentora de títulos precatórios, após submeter-se ao processo conduzido pela Procuradoria Geral do Estado de Alagoas, arquivando, inclusive, toda a documentação na Secretaria da Fazenda do Estado de Alagoas. O lucro financeiro proporcionado pelo emprego dos precatórios permite ampliar a disponibilidade de recursos próprios da empresa - capital de giro, incrementando sua capacidade de realizar operações comerciais e, em última análise, seu patrimônio líquido. As expressões utilizadas pelos auditores-fiscais, como 'nefasto artificio' e 'concorrência desleal' revelam suas opiniões contra o beneficio decorrente da Lei dos Precatórios, não obstante o STF ter se pronunciado sobre sua constitucionalidade. Além de desconhecer a legislação em apreço, o Fisco, mais uma vez faz acusações sem um mínimo de prova, com um simplório argumento que a utilização de benefícios fiscais é indício de interposição fraudulenta, maculando o auto de infração em face do vicio de conteúdo." 10.3. Poucas compras a prazo 15 "O Fisco alegou que 'também foi verificado que poucas foram as compras a prazo realizadas pela fiscalizada' (pág. 4). Tal assertiva não condiz com a realidade dos fatos, haja vista que segundo consta no registro do SISCOMEX, a Impugnante realizou 151 importações mediante pagamento a prazo."(..) Dessa forma, a premissa básica dos auditores de que as peças contábeis revelam fortes indícios de que a empresa trabalha com recursos de terceiros é um fato, mas de EXPORTADORES E NÃO DE CLIENTES. Neste aspecto, há um grave vício de conteúdo, insanável no contexto do relatório de ação fiscal, que compromete a base da investigação realizada pelos auditores." Em seguida, apresenta um quadro demonstrativo contendo uma comparação entre os valores das Notas Fiscais de saída e os depósitos efetuados, aduzindo que: "As empresas clientes, no Brasil, são financiadas pela Brazilian Trade por intermédio do alongamento de sua dívida (maior prazo de pagamento), mas respeitando o prazo do pagamento da Brazilian Trade no exterior, haja vista que devem à empresa a quantia de R$3.693.105,33. Portanto, a tese dos auditores de que a Brazilian Trade trabalha com recursos de terceiros clientes não prospera. Da mesma forma, fica demonstrado que a Brazilian Trade não é interposta pessoa. A assertiva de que os recursos monetários recebidos possuíam destinação predeterminada para pagamentos é falsa, pois foram recebidos R$ 4.862.335,67 e remetidos ao exterior R$ 3.976.702,67. A elevada quantia remetida ao exterior é conseqüência da antecipação de pagamentos internacionais fruto da atrativa taxa do dólar frente ao real. Tal realização de despesa prejudicou o Patrimônio Líquido da empresa, mas permitiu economizar reais devido à depreciação do dólar. O ciclo financeiro invertido justifica os valores mencionados. Tal ciclo não é aceito pelos auditores fiscais como recurso válido para compensar a falta de capital de giro. Entretanto, os beneficios de tal ciclo e o uso dos precatórios ficam evidentes ao verificar o crescimento do Patrimônio Líquido no período considerado." Assim, conclui que: "carece de veracidade a alegação dos auditores fiscais de que a Impugnante trabalhava com recursos de seus clientes, posto que o financiamento era oriundo dos exportadores, através de venda aprazo." 10.4. Imprecisões contábeis. "A Impugnante, em obediência aos Termos de Intimações Fiscais N° 03 e 04, apresentou contrato de mútuo realizado junto a Exporta-Logística e Assessoria Aduaneira Ltda., no qual ficou ajustado, dentre outras questões, o valor e as condições do empréstimo. Ocorre que houve uma imprecisão contábil, vez que não foi contabilizado o mútuo realizado junto à empresa Exporta-Logística Assessoria Aduaneira Ltda, no período fiscalizado. Diversamente do alegado pelo Fisco, a maior parte dos valores contabilizados como antecipação de clientes foram, em verdade, antecipações feitas pela empresa Exporta-Logística 16 Processo n° 10410.002696/2007-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 694 entre janeiro e março de 2006, nas operações de importação para vendas a clientes no Estado de São Paulo." 10.5. Impugnante não era apenas prestadora de serviços "Tenta a fiscalização aduzir que a Impugnante era mera prestadora de serviços, utilizando-se como fundamento o contrato firmado junto à empresa Meyer Comércio e Serviços Ltda. enviado à SRF. Note-se que o contrato tem duas situações distintas. Na primeira, a Impugnante realiza pesquisa de produtos e mercados, configurando uma prestação de serviços, onde foi emitida uma nota de serviço. Na segunda, há uma nítida compra da mercadoria, configurando um contrato de compra e venda, e não de prestação de serviços." "Assim, revela-se que o viés preponderante da Impugnante era vender as mercadorias oriundas do exterior para as encomendantes nacionais. O fato de também realizar pesquisa de mercado, constitui apenas um adicional de sua atividade, não podendo enquadrá-la como mera prestadora de serviços." 10.6. Lucro irrisório Afirma a defendente que "a política da empresa Impugnante de instituir lucro baixo está de acordo com a competitividade no mercado interno. Até mesmo por ser iniciante, sua entrada no mercado através de melhor preço revela-se uma estratégia comercial. Dessa forma, o lucro baixo não é causa de caracterização da interposição fraudulenta, muito menos configura violação a qualquer dispositivo. Assim considerar lucro baixo como fraude é cercear a atividade econômica e impor regras ao mercado diferentes da oferta e procura. Pelo contrário, a estratégia permitiu à empresa ampliar seu patrimônio líquido no período considerado." 10.7. Outra tentativa de caracterização de interposição fraudulenta por parte da autuação. "Os auditores alegam que existem contra a fiscalizada duas ocorrências que comprovam que ela agiu como interposta pessoa nas operações de comercio exterior. Na primeira ocorrência, no porto de São Francisco do Sul no Estado de Santa Catarina, a Brazilian Trade registrou uma Declaração de Importação informando como se fosse própria a importação de dois centros de usinagem, Em procedimento administrativo fiscal foi constatado que não existia qualquer indicio de interposição. O relatório da Aduana de SFS através do processo administrativo número 0927700/11401/07, comprova que não houve interposição fraudulenta. Em relação à empresa Fivebros, foi comprovado acima não haver interposição fraudulenta por parte da Brazilian Trade, pois aquela empresa é financiada pela última." 10.8. Valores debitados praticamente iguais aos valores creditados. 17 "No período considerado da análise dos auditores fiscais, os valores debitados foram empregados, em grande parte, imediatamente para fechamento de câmbio, pois a valorização do real favorecia ao pagamento dos fornecedores. A apreciação do real frente ao dólar é fato público e favorece ao importador. Além disso, há um contrato de mútuo com a empresa Exporta- Logística que financiava, naquele período, a empresa nas despesas aduaneiras, valores depois ressarcidos quando do pagamento do cliente. Uma parte do pagamento ressarcia aquela empresa das despesas aduaneiras, os valores referentes ao lucro financeiro dos precatórios, do valor da mercadoria e o lucro da operação eram repassados à Brazilian Trade. Fora do período da análise, a empresa passou a receber os valores que os clientes possuíam em débito. Portanto, considerar tal fato indício de fraude é um vício de conteúdo." 10.9. Maioria das notas fiscais de entradas e de saídas foram emitidas no mesmo dia, com a mesma quantidade e seqüência. "Sobre a aparente incoerência que há na coincidência de datas entre a nota fiscal de entrada e a nota fiscal de saída, é fundamental esclarecer que, após o recolhimento dos impostos de nacionalização conforme a legislação vigente e o registro da declaração de importação, quando da condução do despacho, a aduana envolvida solicita a Guia para liberação de mercadoria estrangeira sem comprovação do recolhimento do ICMS, já que este tributo não foi recolhido com os demais. O despachante aduaneiro aciona a empresa, a fim de preparar os documentos para exoneração do ICMS-Desembaraço de Mercadorias Importadas (anexo 52), para a nota fiscal de entrada, e a Guia para liberação de mercadoria estrangeira sem comprovação do recolhimento do ICMS, recolhe o ICMS devido (22%) com o respectivo DAR, e seu representante legal se dirige à Secretaria da Fazenda, onde um funcionário daquele órgão conduz o processo de apuração do imposto, verifica os documentos apresentados e confronta os valores a serem recolhidos com o DAR. Como a venda ocorre, normalmente, para outra unidade da federação, o ICMS na entrada é diferido e terá o percentual de 12% na nota fiscal de saída. Assim, como não se tem, ainda, uma data do desembaraço, a data escolhida mais próxima da realidade é a data da DL Portanto, para liberar a mercadoria e exercer o direito do crédito alimentar dos precatórios é preciso elaborar as duas notas fiscais com a mesma data. Somente com todos os procedimentos corretos, o funcionário lança as informações na conta gráfica e libera as notas fiscais e demais documentos, para remessa ao despachante aduaneiro. No órgão da Receita Federal onde se faz a nacionalização do produto, os documentos são apresentados e ocorre a liberação da mercadoria para o mercado interno." 10.10. Maioria do valor total das notas fiscais de entradas e de saídas é praticamente igual, significando, desta forma, a inexistência de lucros compatíveis com as praticas comerciais. "A política de formação de preço da mercadoria nacionalizada está na página 5/23 do relatório de ação fiscal e ali consta o lucro praticado. Do exame do texto se deduz que este é um lucro líquido e o fato fica espelhado no crescimento do patrimônio 18 Processo n° 10410.002696/2007-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 695 Líquido no período considerado. Uma comparação a ser feita no quadro demonstrativo acima mencionado indica que a empresa vendeu um montante de R$ 8.555.441,00 e o preço FOB da mercadoria foi R$ 6.740.970,21, proporcionando um acréscimo de 26,91% incluídos os impostos e a margem de lucro aceita de acordo com a estratégia de inserção no mercado priorizada pela empresa naquele período. O incremento no patrimônio Líquido indica que a estratégia foi correta. Outro aspecto fundamental, a SRF não tem poderes nem atribuições para determinar, estabelecer ou avaliar o percentual de lucro das empresas, caso contrário estaríamos diante de uma economia estatizada, com forte cunho socialista/ditatorial, onde não há liberdade contratual, nem livre mercado, muito menos propriedade privada. Neste caso, o Estado afrontaria os princípios do Estado Democrático de Direito previstos na Constituição Federal. Portanto, este é um grave vício do relatório de ação fiscal, pois evidencia distorções conceituais dos agentes da administração pública." 10.11. Prazo para pagamento das vendas é considerado após a emissão da fatura comercial internacional ou do conhecimento de carga (BL). "A assertiva não é verdadeira, pois os boletos bancários, a partir do momento em que passaram a serem emitidos, não estabeleceram um prazo de pagamento, pois esta foi a negociação com os clientes. A empresa utilizou o critério que julgou melhor para cada cliente, dentro do princípio da liberdade contratual estabelecida no Direito Comercial. Não reconhecer ou respeitar este princípio contraria a Constituição Federal e vicia o relatório de ação fiscal. Da mesma forma, o auditor não pode afirmar que o responsável pelo câmbio é o destinatário final da mercadoria. Para tanto, deve apresentar provas materiais, caso contrário será mera ilação, o que também vicia o dito relatório. A empresa tem como prova que todos os contratos de câmbio estão em nome da pessoa jurídica." 10.12. Autuação fiscal alusiva a impostos estaduais e municipais. Incompetência ratione materiae. "Não restam dúvidas que a Delegacia da Receita Federal de Maceió ultrapassou os limites de sua competência, ao versar sobre impostos de competência diversa da União, uma vez que aponta suposta violação a impostos estaduais e municipais, quais sejam: imposto sobre serviço de qualquer natureza (ISS) e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS). (.) Neste contexto, o artigo 153, da Lei Maior, prevê a competência tributária da União para instituir os impostos previstos nos incisos de I a VII, deixando de fora dessa competência a de instituir ISS e ICMS, sendo estes de competência municipal e estadual, respectivamente. (...) Não competiria, portanto, a Delegacia da Receita Federal discutir qualquer violação aos referidos tributos (ISS e ICMS), vez que extrapola sua competência, razão pela 19 " qual carece de fundamentação idônea o relatório que lastreou o presente auto de infração, por nítida violação a Constituição Federal, sobretudo a autonomia dos entes políticos. Destarte, qualquer alusão acerca de eventuais danos ao Estado e ao Municio deve ser, desde logo, desconsiderado para fins de embasamento deste auto de infração, ante a incompetência em razão da matéria, o que, por si só, nos mostra os equívocos dos argumentos apresentados para justificar a autuação." 11. Da ilegitimidade passiva ad causam. Adquirente de boa-fé. Afirma a defendente, neste tópico da impugnação, que "não pode haver a responsabilização do adquirente das mercadorias importadas quando este age de boa-fé na negociação. Há que levarmos em consideração a presunção da boa-fé nas importações encomendadas pelo adquirente, in casu, a empresa Wing World Com. e Imp. de Máquinas Ltda. Ainda que comprovada a existência de uma suposta interposição fraudulenta, a responsabilidade do encomendante somente poderia ser cogitada se ficasse cabalmente demonstrada seu conluio com o importador. No presente caso, sequer ficou comprovado que as mercadorias encomendadas foram importadas de forma irregular, não havendo que se falar em responsabilização da Impugnante, muito menos da adquirente, que foi indevidamente apontada como devedora solidária neste auto de infração." Neste diapasão, transcrevem as impugnantes jurisprudência dos tribunais pátrios para concluir que: "o adquirente de mercadoria importada não pode figurar no pólo passivo desta relação administrativo-processual, vez que não ficou sequer comprovada a interposição fraudulenta, nem tampouco houve qualquer demonstração de que agiu com má-fé na compra das mercadorias. É cediço que a legislação tributária adotou a responsabilidade subjetiva, mediante a qual o Fisco deve comprovar a culpabilidade do agente para fins de aplicar-lhe qualquer punição. Desta feita, não pode ser imposta a pena de perdimento à empresa adquirente/encomendante da mercadoria importada, mormente quando verificada sua boa-fé na aquisição", conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que transcreve. Ao final de sua peça de defesa (fls. 618/621), a impugnante relata as operações realizadas (entre a Brazilian Trade e a Eing World), colacionando as planilhas de fls.622/626, que comprovariam o relatado. DOS PEDIDOS Face às suas alegações, a impugnante requer que seja determinada a suspensão do crédito tributário na forma do artigo 151, inciso III, do CTN, sejam acolhidas as preliminares de nulidade do auto de infração e de ilegitimidade passiva e seja julgado improcedente o lançamento. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE declarou nulo o auto de infração, conforme Decisão DRJ/FOR n° 11.475, de 31/08/07, fls. 654/681: 20 Processo n° 10410.002696/2007-15 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 696 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 05/11/2004 a 13/11/2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O erro na determinação da matéria tributável acarreta a nulidade do lançamento por vício formal, sem prejuízo do disposto no art. 173, II, do Código Tributário Nacional. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nulo o lançamento quando constatado que vícios formais nele presentes cercearam o direito do sujeito passivo ao contraditório e à ampla defesa. Lançamento Nulo. Em face da decisão proferida, são encaminhados os autos para análise do recurso de oficio. É o Relatório. 21 Voto Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator O recurso obedece aos requisitos legais. Como se verifica dos autos, foi aplicada pena de perdimento ao recorrente, convertida em multa em face da não localização dos bens. A recorrente alegou diversas preliminares, como o enquadramento legal equivocado, a informação de noras violadas que não existem em nosso ordenamento jurídico, bem como, no mérito, procurou demonstrar as incorreções realizadas no lançamento, que contrariam as provas dos autos. A DRJ/FOR, ao analisar o tema, verificou que o Auto de Lançamento era nulo, mas por outros motivos, sustentando não ser possível aferir a forma com que foi calculada a multa aplicada, a falta de documentos suporte do lançamento, a não autuação de todas as empresas que trabalharam com a recorrente nas mesmas operações, o valor lançado a menor que o valor aduaneiro apurado, dentre outras questões. Em face desta situação, foi declarada a nulidade do lançamento realizado. Apresentado recurso de ofício, entendo que este não mereça prosperar, seja porque entendendo terem ocorrido as falhas listadas pela contribuinte, mais ainda pelas falhas apontadas pela decisão recorrida. Como concordo inteiramente com o decidido, adoto o voto proferido e atendido por unanimidade para suportar meu posicionamento: DA NULIDADE Deve ser examinada, de imediato, a questão preliminar relativa à impossibilidade de se determinar, com base nos elementos de prova constantes dos autos e nos demonstrativos elaborados pela autoridade fiscal, o valor efetivo da multa lançada por meio do Auto de Infração de fls. 01/02. Convém ressaltar que embora tal s fato não tenha sido objeto de impugnação por parte das empresas arroladas no pólo passivo do presente lançamento, como houve argüição de cerceamento do direito de defesa nesse sentido, suscitada por outras impugnantes nos autos dos processos n 10410.002695/2007-71, 10410.002696/2007-15, 10410.002729/2007-27 e 10410.002694/2007-26, e dada a estreita relação entre tais processos e o presente, decorrentes da mesma ação fiscal, e a repercussão da decisão proferida naqueles sobre este, cumpre trazer à baila a questão, por coerência processual, visto que a matéria fática de todos os processos submete-se ao crivo da mesma norma de regência. De acordo com a descrição dos fatos contida no Auto de Infração, a exigência tributária foi motivada pela constatação de que "a empresa Brazilian Trade Comércio e Representações Ltda. não é a real adquirente das mercadorias importadas em 22 Processo n° 10410.002696/2007-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 697 seu nome." Assim, "em face ao que determina o art. 23, inciso V, § 3" do Decreto-Lei n° 1.455, de 07 de abril de 1976", foi emitido o Auto de Infração de fls. 01/02 para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme Relação das Mercadorias Consumidas e/ou Não Localizadas (fls. 31/34). Do total apurado na Relação das Mercadorias Consumidas e/ou Não Localizadas, foi verificado pela fiscalização, conforme Demonstrativo das Notas Fiscais e dos Depósitos (fl. 05), "que o valor do crédito tributário apurado no presente Auto de Infração refere-se a mercadorias cujo real adquirente é a empresa Trade Sport Comércio de Confecções (CNRI 05.096.118/0001-89), a qual passa a figurar no pólo passivo como devedor solidário, conforme determina o art. 87 (sic) da Lei n." 10.637 de 30 de dezembro de 2002." Embora o trabalho fiscal tenha sido conduzido com destacável zelo (principalmente se levarmos em consideração que o negócio simulado levado a cabo pelos envolvidos se reveste de artimanhas que dificultam — e por vezes até mesmo impossibilitam — a comprovação material do mesmo, uma vez que, pela própria natureza do ilícito, os meios utilizados para burlar a fiscalização precisam dar aparência de negócio legal), no auto de infração persistem omissões e inconsistências no tocante à determinação da matéria tributável e subsiste a ausência de documentação idônea que sirva de base à apuração do valor correto da multa a ser aplicada, fatos que comprometem a validade do lançamento. No caso em exame, o procedimento fiscal se propôs a aplicar multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme determina o art. 23, inciso V, § 3° do Decreto-Lei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei n." 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A autoridade fiscal apurou corretamente o valor aduaneiro relativo a todas as importações da empresa Brazilian Trade no período de 05111/2004 a 13/11/2006, com base nas informações das DIs constantes da base de dados da Receita Federal, conforme demonstrativo às fls. 31/34, pelfazendo um montante de R$ 8.603.339,00. Tal valor não é contestado pela Brazilian Trade, que direciona a sua impugnação no sentido de comprovar que teria capacidade econômica para realizar as operações nos montantes indicados nas referidas DIs. No entanto, ao tentar determinar o montante do crédito tributário relativo à responsabilidade solidária de cada real adquirente, como fração do valor aduaneiro de todas as importações da empresa Brazilian Trade no período analisado, entendo que a fiscalização cometeu um grave equívoco, comprometendo o lançamento em questão, senão vejamos. 23 Conforme demonstrativo de fls. 05, a fiscalização apura o valor da multa com base nas notas fiscais de saída da Brazilian Trade, cujo destinatário teria sido a empresa Wing World. Afirma, em nota de rodapé, que os dados foram obtidos da relação das notas fiscais de saídas (lis. 120/140) e da relação dos 20 maiores clientes da Brazilian Trade (fls. 561/562). Tal apuração poderia estar correta se ocorrida pelo menos uma das seguintes situações: 19 a fiscalização teria utilizado as notas fiscais de saída apenas para identificar os reais adquirentes das mercadorias e, a partir de tal identificação, ter calculado o valor da multa com base no valor aduaneiro dos produtos que foram destinados a cada • adquirente; 29 a fiscalização teria utilizado efetivamente os valores das notas fiscais de saída, mas estes seriam idênticos ao valor aduaneiro. Não me parece que tenha ocorrido a primeira situação acima descrita. Cotejando os valores constantes do demonstrativo de fl. 05 com os indicados na relação das notas fiscais de saídas (fls.120/140) e com a nota fiscal emitida para a Dynamite Brasil, antiga denoiminação da Wing World (li. 166), pode-se inferir que a fiscalização efetivamente utilizou os valores das notas fiscais de saída para apurar o valor da multa a ser aplicada no caso, pela qual respondem a Brazilian Trade e a devedora solidária. Resta saber, portanto, se os valores das notas fiscais de saída são idênticos aos valores aduaneiros das mercadorias importadas, o que justificaria o procedimento levado a efeito pela autoridade fiscal. Analisemos, pois, a segunda situação acima mencionada. Como o preço de venda dos produtos ao adquirente no mercado interno (representado pelo valor das notas fiscais de saída do estabelecimento do importador) deve corresponder ao valor aduaneiro das mercadorias importadas acrescido dos tributos devidos na importação e outros custos inerentes à atividade de comércio exterior, dos tributos internos incidentes sobre a operação de compra e venda e da margem de lucro da importadora, é bastante improvável a ocorrência da segunda situação. Se os valores das notas fiscais de saída coincidissem com os respectivos valores aduaneiros, estaríamos diante de uma situação ímpar no comércio dos referidos produtos: a inexistência de tributos devidos na importação, de outros custos inerentes ao comércio exterior, de tributos internos incidentes sobre a operação de compra e venda e de lucro da importadora. Embora a fiscalização tenha afirmado que a maioria das notas fiscais de entrada tenham os mesmos valores das notas de saída, não faz qualquer observação quanto à relação entre aquelas e os valores aduaneiros das mercadorias. Por meio de uma análise da relação das notas fiscais de saídas (lis. 120/140), elemento de prova utilizado pela fiscalização para apuração da matéria tributável (conforme se depreende da observação em nota de rodapé da fl.05), é possível identificar as Dls correspondentes a cada nota fiscal de saída (tal identificação evidentemente parte da hipótese de que as informações contidas na relação das notas 24 Processo n° 10410.002696/2007-15 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 698 fiscais de saídas às fls. 120/140, fornecida pela Brazilian Trade, são todas verídicas, especialmente as relativas à vincula ção às DIs, e foram confirmadas pela autoridade fiscal, o que admito apenas para argumentar, já que não é possível tirar tal conclusão apenas com os elementos constantes dos autos). A referida relação, à fl. 127, indica que a nota fiscal n.°000204, cuja destinatária é a Wing World (veja cópia à fl. 166) se refere às mercadorias importadas por meio da DI n°06/0084765-3. Por sua vez, na relação das mercadorias consumidas e/ou não localizadas (fi. 32) consta que o valor aduaneiro dos produtos constantes da referida DI é de R$ 101.761,00, diferente, portanto, do valor da nota fiscal de saída, que é de R$ 155.239,47. Assim, afastada estaria, pelo menos para o caso aqui exemplificado, a hipótese de que as notas fiscais de saída teriam valores idênticos aos valores aduaneiros dos produtos nelas indicados. No entanto, é de causar estranhamento o fato de a soma total dos autos de infração (veja demonstrativo à fl. 574) não ser superior ao valor aduaneiro total apurado com base nas DIs da Brazilian Trade, embora a fiscalização tenha-se utilizado dos valores das notas fiscais de saída (a princípio superiores aos respectivos valores aduaneiros) para apurar a matéria tributável em relação a cada real adquirente. Na verdade, como há um lançamento de um saldo remanescente (R$ 47.898,00) em nome, apenas, da Brazilian Trade, a soma dos autos de infração relativos às seis empresas arroladas como solidárias é inferior ao valor aduaneiro total apurado. O que justificaria tal resultado? O que causa ainda mais dúvida quanto aos efetivos valores dos créditos tributários individualizados por cada uma das seis empresas arroladas pela fiscalização como solidárias, é o fato de haver, na relação de notas fiscais de saídas utilizadas pela fiscalização para o cálculo da multa em questão, várias outras empresas que não foram incluídas no pólo passivo, não tendo a fiscalização feito qualquer menção a elas. Cotejando as informações contidas no demonstrativo de fls. 31/34 com a relação de notas fiscas de saídas (fls. 120/140), observa-se que diversas DIs incluídas no cálculo do valor aduaneiro total estão vinculadas a notas fiscais de saídas cujos destinatários são outras empresas que não as arroladas como solidárias. Não consta das manifestações das autoridades fiscais qualquer referência a este fato, nem uma expressa descaracterização das vincula ções entre as DIs e as notas fiscais contidas na relação de notas fiscais de saídas (fls.120/140) que justificasse a não consideração das demais empresas. A título de amostragem, se tomarmos apenas as Dls listadas à fl. 31, verificaremos que foi incluído no cálculo do valor aduaneiro total parcial (R$ 2.240.029,00) um montante de R$742.346,00(33,14%) que se refere a Dls que estariam vinculadas a operações de compra e venda realizadas com outras empresas não incluídas no pólo passivo, conforme tabela a seguir. 25 Tabela 1 - Relação de DIs referenciadas a notas fiscais emitidas em nome de outras empresas (Amostra referente às DIs listadas à fl. 31 da Relação de Mercadorias não localizadas) DI Valor Aduaneiro NF Empresa Destinatária 05/0283415-8 40.427,00 23 GS Sistemas Digitais Ltda. 05/0527200-2 75.938,00 44 a 48 Riso Impressoras Digitais Ltda. 05/0625186-6 31.369,00 51 Bezerra Impressos Ltda. 05/0744897-3 47.490,00 60 a 64 Riso Impressoras Digitais Ltda. 05/0819162-3 28.984,00 69 Maria Parente Frota Chagas 05/0802769-6 12.076,00 71 Dprinter. Distr. & Tec. De Imp. Ltda. 05/1305326-8 62 .756,00 95 e 95 Riso Impressoras Digitais Ltda. 05/1404381-9 64.578,00 106 RC Barros 05/1410252-1 40.127,00 109 e 110Resiltech do Brasil Ltda. 06/0004212-4 55.496,00 117 Malhasul Com. de Tecidos e Conf. 06/0013307-3 39.439,00 124 e 125 Resiltech do Brasil Ltda. 06/0018403-4 28.061,00 134 e 135 Resiltech do Brasil Ltda. 06/0023914-9 55.351,00 137 Bronzin Confecções Ltda. 06/0021885-0 28.534,00 139 Ind. Com. De Roupas Ekolos Ltda. 06/0045666-2 48.875,00 143 Saltorelli do Brasil Ind. Têxtil Ltda. 06/0051723-8 23. 112,00 151 e 152 Confecções de Roupas Piero Ltda. 06/0068796-6 59.733,00 156 e 157 Nobletec Têxtil Ltda. Total 742.346,00 Percentual= 33,14% Valor Total fl. 312.240.029,00 O que se indaga é por que a fiscalização teria desconsiderado tais fatos e indicado como reais adquirentes de todas as importações da Brazilian Trade no período somente as seis empresas arroladas no demonstraivo de fls. 574? Os elementos probantes constantes dos autos e as considerações das autoridades fiscais no Relatório de Ação Fiscal não são suficientes para esclarecer a questão, não permitindo aos impugnantes conhecer de forma precisa o que se lhes está sendo imputado. Tem-se, ainda, que as informações utilizadas para a apuração da matéria tributável restam desguarnecidas de suporte probatório. A fiscalização se utiliza de uma relação de notas fiscais de saída fornecida pela Brazilian Trade como fonte de informação para determinação da base de cálculo da infração e junta aos autos apenas algumas notas fiscais, segundo ela por economia processual. Entretanto, tal economia não se justifica, quando no caso concreto bastaria juntar as 10 notas relacionadas à fl. 05. Por outro lado, convém observar que embora o presente lançamento tenha se originado de uma ampla e complexa fiscalização, que deu origem a outros lançamentos, não seria necessário juntar em todos os processos todas as notas fiscais envolvidas na operação, bastando trazer para cada um deles as cópias das notas fiscais relativas às operações objeto daquela autuação específica. Isso significa dizer que houve falta de demonstração dos dados que serviram de base à determinação da matéria tributável, a qual está intrinsecamente relacionada com a apuração do valor aduaneiro que, por sua vez, depende da identificação exata dos 26 Processo n° 10410.002696/2007-15 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 699 adquirentes de cada uma das mercadorias importadas, dentre eles a empresa arrolada como responsável solidária no caso sob exame. Portanto, se inexistem, no caderno processual, demonstrativos de cálculo escorreitos e a correspondente prova documental que lhe dê suporte, de modo a respaldar a exigência tributária, e tampouco foram cientificados à impugnante, resta explícito o vício do lançamento, caracterizado por obscuridade, omissão e inconsistência, que acabam por afetar o direito de defesa da impugnante, na medida em que não teve ciência dos critérios de cálculo e documentos que amparam a determinação da matéria tributável. Portanto, o auto de infração continua a carecer de comprovação documental necessária para dar suporte à descrição dos fatos, acarretando cerceamento do direito de defesa e, por conseqüência, viciando o lançamento de nulidade. Nesse passo, anote-se que o lançamento é um instituto específico do Direito Tributário, privativo da Administração Pública e, como tal, sujeito à estrita legalidade, princípio basilar e norteador de toda atividade administrativa, visto que todo ato administrativo tem como fonte primária a lei. A formalização da exigência tributária, seja através de auto de infração ou notificação de lançamento, há de ser feita com observância dos requisitos dos atos administrativos em geral. Além disso, o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN) estabeleceu os requisitos essenciais para a constituição do crédito tributário, que se dá pelo lançamento: a demonstração da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo e, sendo caso, propositura da aplicação de penalidade. Há, ainda, requisitos específicos que, no caso em espécie, estão elencados no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, o qual determina que o auto de infração conterá obrigatoriamente, dentre outros, a descrição dos fatos, a qual guarda um liame lógico com a determinação da matéria tributável. O art. 142 do CTN deve ser interpretado conjuntamente com o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972 e sob o enfoque do princípio consagrado no art. 5 0, inciso LV, da Constituição Federal, o que resultará na conclusão de que a determinação da matéria tributável e o cálculo do montante do tributo devem estar cristalinamente explicitados no auto de infração, acompanhados ainda dos documentos em que se embasam, com vista a assegurar o contraditório e a ampla defesa ao litigante em processo administrativo. Constata-se, assim, que a lei processual impõe a forma solene para a validade jurídica do auto de infração, como instrumento de constituição do crédito tributário. Dentre os requisitos exigidos, indispensável, por ser da essência do ato, é a descrição dos fatos em que se baseia o lançamento. Todavia, sob o prisma da interpretação sistemática, infere-se das mencionadas 27 _ disposições legais que tal requisito não se considera atendido com o mero o relato dos motivos fáticos e jurídicos em que se lastreia a exigência tributária, mas abrange necessariamente a demonstração explícita da apuração dos valores e dos critérios de cálculo utilizados para a determinação da matéria tributável, bem como da comprovação documental que lhe dê suporte, os quais se incluem como requisitos obrigatórios do lançamento. Tal demonstração tem o escopo de fornecer ao sujeito passivo todas as informações pertinentes ao lançamento para que possa exercer com plenitude o seu direito de defesa, constitucionalmente assegurado, o qual restará obstado se não for possível conhecer com precisão quais são os valores e critérios de cálculo que respaldam a exigência tributária e os documentos em que se baseiam. É que o exercício da defesa abrange não só a refutação dos fatos descritos e seus efeitos legais, mas também envolve o exame e conferência dos cálculos e documentos em que se baseiam, com vista a permitir a contestação de eventuais inconsistências, assegurando-se, dessa forma, o controle da atividade impositiva. Somente com o conhecimento de todos esses elementos que servem de base para a exigência tributária é que se assegura ao interessado o pleno exercício do direito de defesa. É certo que, no caso da Brazilian Trade, considera-se atendido esse requisito mediante a simples alusão ao número da DI, a qual deve conter todos os valores levados em conta para determinação da base de cálculo, sendo, muitas vezes, suficiente a reprodução, no auto de infração, dos principais elementos extraídos da DI, que permitam o cálculo do valor aduaneiro, conforme efetuado pela fiscalização às fls. 31/34. Todavia, percebe-se a atipicidade do caso em exame, que consiste não só na exigência da multa calculada com base no valor aduaneiro total, mas também na identificação dos reais adquirentes, que responderão solidariamente pelo crédito tributário, mas cada um por uma parcela específica calculada a partir da vincula ção destes à aquisição dos produtos importados, a qual necessita ser demonstrada, porquanto a sua exata apuração envolve um cálculo que encerra maior grau de complexidade em relação à hipótese aludida no parágrafo acima. A princípio, não se conhece de modo direto o valor tributável e, por conseguinte, o montante da multa a ser exigida, uma vez que tais informações dependem do cálculo do valor aduaneiro correspondente a cada operação, que requer a exata identificação dos destinatários dos produtos importados, os quais não chegaram a ser claramente demonstrados. Inexistem nos autos quaisquer demonstrativos de cálculo que evidenciem de forma clara e exata a determinação da matéria tributável, não atendendo a esse objetivo a planilha de fls. 05, a qual é omissa e inconsistente. Como conseqüência, conclui-se que o contribuinte não chegou a ser cientificado das informações necessárias ao conhecimento completo do lançamento tributário. Em obediência aos princípios da legalidade objetiva e tipicidade, é preciso que haja, além da descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, a demonstração precisa, completa 28 Processo n° 10410.002696/2007-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 700 e coerente dos valores e cálculos que subsidiam o lançamento, bem como dos documentos que embasam essa apuração, de modo a permitir o exercício do contraditório e da ampla defesa. No caso sob exame, embora argumentações precisas tenham sido expendidas no Auto de Infração e no Relatório de Ação Fiscal com o intuito de caracterizar o ilícito, a descrição dos fatos revela omissão e inexatidão no tocante à determinação da matéria tributável, deixando com isso de demonstrar a apuração do crédito tributário. O óbice à perfeita compreensão do crédito tributário exigido resulta inexorável prejuízo à defesa, impossibilitando seu pleno exercício, o que macula de vício insanável o Auto de Infração. Com efeito, não puderam as litigantes exercer com plenitude o direito de defesa, oferecendo todas as contestações possíveis, uma vez que sequer lhes foi permitido conhecer a prova documental que embasa os valores utilizados e certificarem-se da exatidão dos cálculos que levaram à determinação da matéria tributável e a apuração do montante do tributo lançado. Portanto, do exame dos autos, constata-se que o lançamento, em razão dos fatores antes referidos, não obedece aos requisitos de completude, clareza, exatidão, o que equivale a desatender o disposto no art. 142, caput, do CT1V, c/c o inciso III do art. 10 do Decreto n° 70.235/72, c/c o art. 5 0, inciso LV, da Constituição Federal, configurando-se, dessa forma, a preterição do direito de defesa. Nesse sentido, impõe-se a decretação da nulidade do lançamento, nos termos do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72. Pelo princípio da instrumentalidade das formas e dos atos processuais, o ato só se considera nulo e sem efeito se, além de inobservância da forma legal, não tiver alcançado a sua finalidade. É o que ocorre no caso concreto, em que há um vício de forma insanável, uma vez que foi preterida uma solenidade essencial ao ato administrativo de lançamento, impossibilitando o exercício da ampla defesa. Ainda que tenha sido efetuado com observância das demais formalidades exigidas pela lei, o lançamento, seja pela omissão ou incorreção na descrição dos fatos, seja pela omissão de outras informações essenciais, que não venha a permitir ao sujeito passivo conhecer com clareza a determinação da matéria tributável, deve ser considerado nulo, dele não emanando nenhum efeito jurídico. A conclusão firmada na presente peça se coaduna com o entendimento da Secretaria da Receita Federal, veiculado no Parecer e 9, de 03 de fevereiro de 1999, da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação — COSIT cujos fundamentos adoto no julgamento do presente processo, conforme a seguir transcrito: "A nulidade está presente num ato jurídico quando há defeito grave que impeça a produção do efeito pretendido. Há nulidade quando o ato desrespeita, no momento de sua formação, o pressuposto exigido pela lei para que tenha validade. A nulidade é a reação da ordem jurídica, tolhendo o ato de seus efeitos, imposta à manifestação de vontade que não cumpriu os 29 requisitos fixados pela lei. Ocorre que nem sempre tais requisitos aparecem de maneira expressa na lei. Não raras vezes, a essência do ato vem à tona mediante o conhecimento dos princípios gerais com os quais deve ele se conformar. Se o ato, no momento de sua formação, passa ao largo dessa essência ou descumpre alguma solenidade fundamental, deverá suportar a reação do ordenamento - a nulidade. (.) Assim como os atos jurídicos em geral, os atos administrativos também possuem elementos básicos de estruturação. À competência do agente, forma e objeto do ato, somam-se a finalidade e o motivo. Qualquer vício nesses elementos estruturais faz com que o ato não reúna condições para irradiar os efeitos jurídicos que lhe são próprios. Portanto, é causa de nulidade do ato a existência de qualquer defeito que macule tais elementos. O vício de forma é um dos possíveis vícios que podem atingir o ato administrativo, causando a sua nulidade. Ao discorrer sobre a teoria da nulidade dos atos administrativos, Antônio da Silva Cabral, in "Processo Administrativo Fiscal", menciona os principais vícios dos atos administrativos, e, entre eles, o vício de forma, que, nos dizeres de Seabra Fagundes, consistiria no "conjunto de solenidades com que a lei cerca a exteriorização do ato administrativo, estabelecendo o vínculo aparente entre a manifestação de vontade e objeto". O item "b" do parágrafo único do art. 2" da Lei n°4.717, de 20 de junho de 1965, que define os vícios dos atos administrativos, dispõe: "h) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; ...".(..) Assim, é equívoco pensar que a única causa de nulidade do lançamento é a incompetência do agente. A interpretação meramente literal do disposto no art. 59 do Decreto ri° 70.235/1972 levar-nos-ia à conclusão absurda de que, por exemplo, mesmo que a forma adotada pelo ato de lançamento fosse desconforme com o mandamento legal, ele reuniria condições para produzir efeitos. Ora, de tal conclusão decorreria a afirmação errônea de que um ato administrativo poderia prosperar, mesmo tendo sido exteriorizado por uma forma absolutamente irregular. Cabe então lembrar que se nos atos jurídicos da ordem privada, em que impera a liberdade de forma, o vício nesta última é causa de nulidade absoluta, conforme preconiza o art. 145, incisos III e IV, da Lei n°3.071, de 1' de janeiro de 1916 (Código Civil), mais ainda o será para os atos administrativos, pois neles impera a vincula ção à forma. Aplicar, de maneira literal e isolada, o disposto no referido art. 59 significa ignorar a coerência do sistema jurídico. Não concordamos, desta feita, que a lista prescrita naquele dispositivo legal seja numerus clausus, e sim numerus apertus. É nulo todo ato administrativo que desrespeita os requisitos impostos pela legislação. O dispositivo do Decreto não faz menção às vicissitudes do ato administrativo do lançamento em 30 Processo n° 10410.002696/2007-15 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.054 Fl. 701 virtude da forma, por esta circunstância já estar implícita, já que ele é cercado de requisitos e formalidades já consagradas pela legislação. Os requisitos formais do ato administrativo de lançamento aparecem no art. 142 do Código Tributário Nacional (C7'N) e nos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972. Se o ato não respeita referidas formalidades, não tem condições para produzir efeitos. (.) (.) E mesmo que o lançamento seja promovido por agente competente, que a finalidade , seja o interesse público, o motivo seja aquele fixado em lei, no caso dos atos vinculados, e o objeto seja a manifestação creditícia do Fisco, ainda assim o lançamento carregará consigo a nulidade absoluta se a forma determinada explícita ou implicitamente na lei for desrespeitada, com a omissão dos elementos que deveriam estar contidos no documento que exterioriza o ato de imposição. (.) A ineficácia do ato administrativo não é decretada em prol do particular interessado, mas em respeito à ordem pública e ao princípio da legalidade, que devem sempre nortear as atividades da Administração. (.) Costuma a doutrina sobre o assunto sentenciar que, tratando-se de atos administrativos, não há que se falar em anulabilidade, visto que os vícios a eles relativos são de ordem pública, cabendo, nesses casos, somente a nulidade, cuja declaração é de interesse da própria administração e não apenas de interesse privado do particular. (..) Em face do que se expôs, conclui-se que a falta de menção, no lançamento, dos elementos previstos no art. 142 do CTN e nos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972 constitui vício deforma, causando, portanto, a nulidade do lançamento que pode e deve ser decretada de oficio pela autoridade administrativa competente." Portanto, demonstrado que o auto de infração não descreve a matéria tributável de forma completa, exata e congruente, o que impede a compreensão do crédito tributário apurado, ensejando cerceamento do direito de defesa, cumpre declarar sua nulidade, com fundamento no art, 59, II, do Decreto n° 70,235/72 c/c art. 5 0 , inciso LV, e art. 37, caput, da Constituição Federal e ainda com respaldo no princípio 1 estrita legalidade que informa todo ato administrativo. Em face do exposto, vote por negar provimento ao recurso de oficio. — LUCIANO LOPE D ' MEIDA MORAES 31
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Numero do processo: 13971.002373/2004-11
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003
PIS - COOPERATIVAS - NÃO INCIDÊNCIA SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS - INCIDÊNCIA SOBRE OS DEMAIS ATOS REALIZADOS COM TERCEIROS.
A tributação dos valores decorrentes dos atos cooperativos não podem ser objeto de incidência tributária, em especial do PIS, por não configurarem faturamento. No entanto, quando há faturamento da cooperativa contra terceiros, ainda que em cumprimento a seus objetivos sociais, há incidência do PIS.
COOPERATIVAS MÉDICAS - EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - DECRETO Nº 4.524/02 - ARTIGO 32.
O artigo 32 do Decreto nº 4.524/02, prevê exclusões na base de cálculo do PIS e COFINS das cooperativas. Todavia, as exclusões não se aplicam a todas as cooperativas. Os incisos I a V, claramente, aplicam-se para as cooperativas rurais. A única dedução, deste artigo, aplicável às cooperativas de serviços médicos é aquela constante do inciso VI, aplicada com a alteração introduzida pela Medida Provisória nº 101/02, convertida na Lei nº 10.676/2003.
COOPERATIVAS MÉDICAS - PIS/ COFINS - MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835 - POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO - CO-RESPONSABILIDADE CEDIDA - CONCEITO.
Nas operadoras de planos de saúde OPS entende-se por despesas decorrentes de co-responsabilidade cedidas aquelas resultantes dos valores pagos à outras operadores para que estas façam o atendimento de seus beneficiários, sendo que neste caso ocorre a transferência de responsabilidade ou transferência de risco para esta segunda operadora que vai atender os beneficiários. Em outras palavras, trata-se de valor mensal, pago a operadoras contratadas chamadas congêneres para estas assumirem a responsabilidade pela cobertura de assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de saúde da OPS contratante.
COOPERATIVAS MÉDICAS - PIS/COFINS - MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835 - POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO - PROVISÕES TÉCNICAS.
Outra exclusão refere-se à previsão constante no inciso II, §9º, artigo 2º da MP 2.15835, denominada de Provisões Técnicas. Aqui tem-se o registro dos valores que as Operados de Saúde, por força de determinação da Agência Nacional de Saúde - ANS - reservam para eventualidades técnicas futuras. Estão registrados na rubrica contábil específica 3.1.2. VARIAÇÃO DA PROVISÃO TÉCNICA DE OPERAÇÕES DE ASSIST. À SAÚDE.
COOPERATIVAS MÉDICAS - PIS/COFINS - MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835 - POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO - INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS - CONCEITO.
Grande polêmica alcança a exclusão de base de cálculo prevista no inciso III, §9º, artigo 2º da MP 2.15835, que assim determina: III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades. Este dispositivo diverge, por consectário lógico, não equivale ao inciso I, que possibilita a exclusão de valores repassados para as congêneres contratadas com transferência de responsabilidade. O inciso III permite a exclusão dos valores repassados aos credenciados, sem transferência de responsabilidade, que ao invés de receberem valores fixos mensais, recebem indenizações por eventos efetivamente ocorridos. Em nenhuma hipótese se permite a exclusão da base de cálculo de valores referentes à rede própria.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as sobras líquidas e a provisão técnica de operações de assistência à saúde da base de cálculo do PIS, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
RELATORA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 02/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Nome do relator: Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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A tributação dos valores decorrentes dos atos cooperativos não podem ser objeto de incidência tributária, em especial do PIS, por não configurarem faturamento. No entanto, quando há faturamento da cooperativa contra terceiros, ainda que em cumprimento a seus objetivos sociais, há incidência do PIS. COOPERATIVAS MÉDICAS EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DECRETO Nº 4.524/02 ARTIGO 32. O artigo 32 do Decreto nº 4.524/02, prevê exclusões na base de cálculo do PIS e COFINS das cooperativas. Todavia, as exclusões não se aplicam a todas as cooperativas. Os incisos I a V, claramente, aplicamse para as cooperativas rurais. A única dedução, deste artigo, aplicável às cooperativas de serviços médicos é aquela constante do inciso VI, aplicada com a alteração introduzida pela Medida Provisória nº 101/02, convertida na Lei nº 10.676/2003. COOPERATIVAS MÉDICAS PIS/ COFINS MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835 POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO CO RESPONSABILIDADE CEDIDA CONCEITO. Nas operadoras de planos de saúde OPS entendese por despesas decorrentes de “coresponsabilidade cedidas” aquelas resultantes dos valores pagos à outras operadores para que estas façam o atendimento de seus beneficiários, sendo que neste caso ocorre a transferência de responsabilidade ou transferência de risco para esta segunda operadora que vai atender os beneficiários. Em outras palavras, tratase de valor mensal, pago a operadoras contratadas chamadas congêneres para estas assumirem a responsabilidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 23 73 /2 00 4- 11 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 3 2 pela cobertura de assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de saúde da OPS contratante. COOPERATIVAS MÉDICAS PIS/COFINS MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835 POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO PROVISÕES TÉCNICAS. Outra exclusão referese à previsão constante no inciso II, §9º, artigo 2º da MP 2.15835, denominada de Provisões Técnicas. Aqui temse o registro dos valores que as Operados de Saúde, por força de determinação da Agência Nacional de Saúde ANS reservam para eventualidades técnicas futuras. Estão registrados na rubrica contábil específica 3.1.2. VARIAÇÃO DA PROVISÃO TÉCNICA DE OPERAÇÕES DE ASSIST. À SAÚDE. COOPERATIVAS MÉDICAS PIS/COFINS MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.15835 POSSIBILIDADES DE EXCLUSÃO INDENIZAÇÕES REFERENTES A EVENTOS OCORRIDOS CONCEITO. Grande polêmica alcança a exclusão de base de cálculo prevista no inciso III, §9º, artigo 2º da MP 2.15835, que assim determina: “III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades”. Este dispositivo diverge, por consectário lógico, não equivale ao inciso “I”, que possibilita a exclusão de valores repassados para as congêneres contratadas com transferência de responsabilidade. O inciso “III” permite a exclusão dos valores repassados aos credenciados, sem transferência de responsabilidade, que ao invés de receberem valores fixos mensais, recebem indenizações por eventos efetivamente ocorridos. Em nenhuma hipótese se permite a exclusão da base de cálculo de valores referentes à rede própria. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir as sobras líquidas e a provisão técnica de operações de assistência à saúde da base de cálculo do PIS, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) RELATORA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 02/02/2015 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 4 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Relatório Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF 09.204.00 2004000928, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 261 a 275, em 09/12/2004, por meio do qual se exigiu da Recorrente o recolhimento da importância de R$ 5.270.921,06 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, já devidamente acrescida de multa de ofício e de juros de mora. Conforme se constata do “Termo de Verificação de Infração PIS” (fls. 244 a 260), a autuação se deve à falta ou à insuficiência de recolhimento da contribuição nos meses de janeiro de 2000 a dezembro de 2003. O relatório fiscal esclareceu o histórico legislativo das contribuições ao PIS e Cofins e concluiu que as sociedades cooperativas, excluídas as de créditos, devem recolher as contribuições para o PIS/PASEP e a Cofins sobre a base de cálculo aplicável às demais pessoas jurídicas, com as exclusões e deduções previstas no § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, no art. 15 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 e no art. 1º da Medida Provisória nº 101, de 2002 (Lei nº 10.676, de 2003). Salienta que as quantias passíveis de exclusão ou dedução não restaram evidenciadas na contabilidade da empresa. Ademais, em vista do valor do auto ser superior a R$ 500.000,00 foi formalizado processo de arrolamento de bem, protocolizado sob o nº 13971.002375/200419. Inconformada, a autuada apresentou a impugnação de fls. 277 a 325, na qual apresenta as seguintes argüições: (i) No tocante à natureza jurídica das cooperativas As cooperativas possuem natureza jurídica diversa das demais sociedades, possuindo como objetivo servir aos associados mediante o exercício de uma atividade econômica de proveito comum, sem intuito de lucro. Especificamente no caso em apreço, a cooperativa foi constituída pelo interesse de pessoas (médicos) que se dispuseram a congregar sua atividade profissional em proveito comum, funcionando nos estritos termos da Lei nº 5.764/71. Assim, as receitas são geradas em nome dos sócios e a eles transferidas integralmente depois de liquidadas proporcionalmente as despesas da sociedade. Desta forma, os pagamentos efetuados às cooperativas não configuram faturamento. A incidência, sobre os atos cooperativos, de toda carga tributária a que estão sujeitas as sociedades comuns, contraria os preceitos da lei das Cooperativas, bem como o disposto na Constituição Federal, no que tange ao apoio e incentivo à política cooperativista. Além do fato de que os valores pagos às cooperativas constituem remuneração dos próprios cooperados, razão pela qual não podem ser equiparados ao faturamento de outras pessoas jurídicas. (ii) Da eficácia plena da “Lei Complementar nº 70/91” Fl. 691DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 5 4 Sustenta que a isenção do pagamento da Cofins, concedida às sociedades cooperativas pelo art. 6º, inciso I, da LC nº 70/91, não pode ser revogada, alterada ou acrescida por lei de natureza ordinária posto que a matéria é formal e materialmente reservada exclusivamente a Lei Complementar. Isto porque tal norma passaria a definir como contribuintes uma nova categoria de pessoas jurídicas que anteriormente não o eram. Ampara se em doutrina e em precedentes judiciais. (iii) Da inexistência de pressuposto material para a “Cofins” A Recorrente contesta ainda a ausência de exclusões ou deduções à base de cálculo, no levantamento feito pela fiscalização. A título de exemplo, reportase às seguintes contas do plano contábil: a) reservas de sobras (2.7.1.3) – passível de exclusão por representarem os valores destinados à constituição do fundo de reserva e de assistência técnica a que se refere o art. 1º da MP nº 101/02; b) consultas e honorários médicos (4.1.1.1.2) – valores repassados aos cooperados e que, portanto, devem ser deduzidos da base de cálculo na forma do art. 15, I, da MP nº 1.858 (atual art. 15 da MP nº 2. 15835/01); c) eventos a liquidar com assistência (2.2.1) – despesas efetuadas pela Contribuinte com os eventos indenizáveis, cuja dedução da base de cálculo é expressamente contemplada no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Argumenta ainda que não é possível admitir como não demonstradas as despesas indicadas na contabilidade, uma vez que decorrentes da própria atividade da cooperativa. Afirma ainda que na hipótese de a contabilidade não representar a realidade da cooperativa, seria necessário que ela fosse recomposta pela autoridade fiscal, mesmo que por arbitramento. (iv) Ofensa ao princípio da legalidade. Caracteriza a atuação da fiscalização como discricionária, pois teria desconsiderado a realidade da empresa e os fatos devidamente contabilizados, desrespeitando o mandamento constitucional da legalidade. Alega também que a Administração tem o dever de buscar a verdade material e que o indício ou a presunção da concretização do fato gerador não autoriza a Administração a ter este como certo. (v) Do “adequado tratamento tributário das cooperativas” Defende a inconstitucionalidade da contribuição ao PIS, posto que o adequado tratamento tributário ao ato cooperativo (artigo 146, inciso III, alínea ‘c’) consiste em não onerar o associado, pessoa física ou jurídica, que se reunir em cooperativa para exploração de uma atividade. (v.i.) Da ofensa ao princípio da isonomia Fl. 692DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 6 5 Alega que em alguns momentos a impugnante é identificada como cooperativa e sujeita a tratamento tributário diverso das demais sociedades, e em outros, é desenquadrada. Entende que o tratamento tributário dispensado caracteriza violação ao princípio constitucional da isonomia em relação à incidência da Cofins. (v.ii.) Ilegalidade da SELIC e Inconstitucionalidade da Multa Contesta a incidência de juros equivalentes à taxa Selic em vista de sua ilegalidade, conforme precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Sustenta que a multa aplicada fere o princípio da razoabilidade por ser confiscatória. Em 27.05.05, após analisar a impugnação apresentada pela Recorrente, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis acordou, por unanimidade de votos, sobre a procedência do lançamento efetuado pelo Fisco – Acórdão 6033 – em razão dos argumentos a seguir resumidos: (i) No tocante à natureza jurídica das cooperativas Em relação à natureza jurídica das cooperativas, a decisão de primeira instância esclareceu que a tributação iniciouse em vista da alteração dos dispositivos legais pertinentes ao assunto. Nestes termos, a Lei 9.715/98 previa a incidência da contribuição ao PIS com base (i) na folha de pagamento mensal e (ii) nas receitas decorrentes das operações praticadas com não associados. Já a Lei 9.718/98, ampliou o campo de incidência do PIS e da Cofins, cuja base de cálculo passou a ser a (iii) totalidade das receitas auferidas. Houve ainda tentativa de isenção dos atos cooperativos (MP 18587, 28/07/99) revogada a seguir (MP 1858 9, 24/09/00). Desta forma, a despeito das alegações da Recorrente, a lei determina a incidência das contribuições sobre a totalidade das receitas das cooperativas, o que deve ser observado pela autoridade administrativa. (ii) Da eficácia plena da “Lei Complementar nº 70/91” Tendo em vista que a Cofins não é objeto do auto de infração esta argumentação deixou de ser considerada posto que estranha aos autos. (iii) Da inexistência de pressuposto material para a “Cofins” A despeito de a Recorrente tratar da questão como se fosse Cofins, em virtude da similaridade da matéria, foi analisada para a incidência do PIS objeto deste auto de infração. Especificamente no tocante às alegações da Recorrente, analisouse o item “c”: c) eventos a liquidar com assistência (2.2.1) – despesas efetuadas pela Contribuinte com os eventos indenizáveis, cuja dedução da base de cálculo é expressamente contemplada no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Neste item, as autoridades de primeira instância registram que (i) se trata de “comercialização de produtos por eles entregues às cooperativas” e não de serviços prestados; (ii) a simples utilização do plano de saúde não implica a exclusão da respectiva despesa da receita bruta. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 7 6 No tocante às demais alegações de exclusão a decisão limitouse a registrar (i) que o contribuinte não trouxe qualquer prova aos autos da existência de valores dedutíveis; (ii) o “Termo de Verificação de Infração” apontou quais foram as bases utilizadas pela fiscalização, estando o contribuinte apto a apresentar uma defesa plena; (iii) a Recorrente não especificou, em sua DIPJ o campo de “Exclusões Permitidas às Sociedades Cooperativas”. Conclui ainda pela desnecessidade da produção de provas requerida pela Recorrente, com base na conclusão de que a realização de perícia é descabida. (i.v) Ofensa ao princípio da legalidade. (v) Do “adequado tratamento tributário das cooperativas” (v.i.) Da ofensa ao princípio da isonomia (v.ii.) Ilegalidade da SELIC e Inconstitucionalidade da Multa Concluiu a mencionada decisão pela impossibilidade de análise, no âmbito do julgamento administrativo, de matéria atinente à legalidade e constitucionalidade. Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário contra o citado acórdão pugnando pela nulidade do auto de infração com base nas mesmas alegações de suas razões de impugnação, apenas reiterando sua solicitação de produção de prova e perícia contábil uma vez que não foram deduzidos diversos valores indicados em sua contabilidade. Em julgamento realizado em 27 de fevereiro de 2007, a Colenda Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes entendeu por bem converter o julgamento em diligência, determinando: “Em conclusão: A) a contribuinte deverá ser intimada a apresentar: (i) a documentação necessária à comprovação das deduções pretendidas na base de cálculo da contribuição ao PIS; (ii) parecer de perícia contábil, se entender necessário; (iii) os documentos comprobatórios das despesas com eventos indenizáveis; e (iv) os documentos comprobatórios das despesas eventos a liquidar com assistência e B) o agente fiscal deverá: (i) analisar as contas contábeis: a) reservas de sobras (2.7.1.3); b) consultas e honorários médicos (4.1.1.1.2); e c) eventos a liquidar com assistência (2.2.1), e realizar parecer conclusivo acerca da regularidade ou não destas deduções; (ii) verificar se as deduções contábeis realizadas pela recorrente e desconsideradas no auto de infração estão corretas; Fl. 694DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 8 7 (iii) analisar a conta de despesas com eventos indenizáveis e realizar parecer conclusivo acerca da possibilidade ou não de sua dedução da base de cálculo da Lei nº 9.718/98 e (iv) verificar a existência da conta de eventos a liquidar com assistência (2.2.1) despesas pela contribuinte com os eventos indenizáveis, bem como realizar termo conclusivo sobre quais são os eventos constantes desta conta dedutíveis da base de cálculo da Lei nº 9.718/98.” Em cumprimento à diligência requerida, a autoridade administrativa intimou a Recorrente, que apresentou os documentos solicitados, bem como Parecer Contábil sobre as exclusões pretendidas. Após analisar os documentos, a autoridade fazendária competente apresentou parecer conclusivo por meio do qual acatou a dedução da base de cálculo dos valores destinados ao Fundo de Reservas e FaTes. Entende, ainda, a autoridade administrativa que “O grupo de contas Eventos a liquidar com assistência 2.2.1, destinase a registrar os eventos devidos aos cooperados e conveniados nas contas 2.2.1.1.2 e 2.2.1.1.3, engloba os atendimentos aos associados da contribuinte e a associados de outras operadoras. Estes eventos não são dedutíveis da base de cálculo.” Intimada a se manifestar acerca das conclusões trazidas pela fiscalização e Recorrente apresentou petição por meio da qual reiterou as razões trazidas em seu recurso voluntário, em relação à não incidência das receitas entre cooperados e à redução da base de cálculo. É o relatório. Voto Conselheira Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado para fim de constituir débito de PIS relativo aos meses de janeiro de 2000 a dezembro de 2003. No mérito, discutese, nos presentes autos, as exclusões da base de cálculo do PIS, permitidas para as cooperativas médicas, quais sejam: (i) as exclusões decorrentes da natureza de cooperativa e (ii) as exclusões decorrentes da atividade de operadora de saúde. Especificamente, a Recorrente requer a exclusão dos seguintes valores: POR SER COOPERATIVA a) reservas de sobras (2.7.1.3) – passível de exclusão por representarem os valores destinados à constituição do fundo de reserva e de assistência técnica a que se refere o art. 1º da MP nº 101/02; Fl. 695DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 9 8 b) consultas e honorários médicos (4.1.1.1.2) – valores repassados aos cooperados e que, portanto, devem ser deduzidos da base de cálculo na forma do art. 15, I, da MP nº 1.858 (atual art. 15 da MP nº 2. 15835/01); POR SER OPERADORA DE PLANO DE SAÚDE c) eventos a liquidar com assistência (2.2.1) – despesas efetuadas pela Contribuinte com os eventos indenizáveis, cuja dedução da base de cálculo é expressamente contemplada no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Passo a análise dos pontos em discussão. (i) Aspectos Constitucionais Em relação às alegações de nulidade, imperioso esclarecer que todas as alegações referemse à constitucionalidade da autuação. Ocorre que os aspectos constitucionais não pode ser analisados no âmbito deste tribunal administrativo. O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu que a instância administrativa não possui competência legal para se manifestar sobre questões em que se presume a colisão da legislação de regência com a Constituição Federal, atribuição reservada, no direito pátrio, ao Poder Judiciário. Tal decisão resultou na Súmula no 2, abaixo reproduzida: “SÚMULA CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PRECEDENTES: Súmulas 2 do 1º e 2º CC a acórdãos: 10194.876, 10321568, 10514586, 10806035, 10246146, 20309298, 20177691, 20215674, 20178180, 20400115.” Desta forma, as preliminares suscitadas, em virtude de estarem pautadas em aspectos constitucionais, não podem ser conhecidas por incompetência do órgão colegiado para apreciação da matéria específica, sendo mantida, neste ponto, a decisão da primeira instância administrativa. Por idêntico fundamento, indefiro os argumentos de mérito que estão pautados nos aspectos constitucionais, quais sejam, legalidade, isonomia, confiscatório. (ii) Das exclusões decorrentes da natureza de cooperativa Em primeiro lugar, discorre a Recorrente sobre afronte à coisa julgada, porque as UNIMEDs já teriam obtido decisões judiciais validando o procedimento de “cooperativas médicas”. Neste particular esclareço que a Recorrente trouxe a colação apenas uma decisão da UNIMED FLORIANÓPOLIS e, vez que a sentença é lei somente entre as partes, razão pela qual não aproveita à Recorrente, nego provimento ao argumento apresentado. Ainda, a Recorrente discorre sobre a característica peculiar das cooperativas médicas, que tem como finalidade “...servir aos associados, mediante o exercício de uma atividade econômica de proveito comum, sem intuito de lucro, o que importa dizer que o fim da Fl. 696DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 10 9 cooperativa é gerir e administrar, desinteressadamente, em regime de mutualidade, as atividades dos cooperados, para a satisfação de suas necessidades econômicas.” Esta particularidade faria com que todos os atos praticados pela cooperativa sejam atos cooperados. Passo a análise das legislações acerca do assunto. É cediço que o Estado incentiva as atividades das sociedades cooperativas, inclusive dispondo tal incentivo em dispositivos constitucionais (artigo 5º, XVIII e Artigo 174, parág. 2º) e legais, conforme Lei nº 5.764/71, que dispõe sobre a Política Nacional do Cooperativismo, a saber: “CF/88 Art. 5º (...) Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos seguintes termos: (...) XVIII – a criação de associações, e, na forma da lei, a de cooperativas independente de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento.” “Art. 174 – (...) parágrafo 2º a lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo.” “Lei nº 5.764/71 Art. 1º Compreendese como Política Nacional de Cooperativismo a atividade decorrente das iniciativas ligadas ao sistema cooperativo, originárias do setor público ou privado, isoladas ou coordenadas entre si, desde que reconhecido seu interesse público.” “Art. 2º As atribuições do Governo Federal na coordenação e no estímulo às atividades de cooperativismo no território nacional serão exercidas na forma desta lei e das normas que surgirem em sua decorrência. Parágrafo único – A ação do Poder Público se exercerá, principalmente, mediante a prestação técnica e de incentivos financeiros e creditórios especiais, necessários à criação, desenvolvimento e integração das atividades cooperativas.” Para esclarecer do que se trata, aos olhos do legislador, o cooperativismo, a legislação estabelece, ainda, o conceito de “ato cooperado” que, in casu, é importante para a definição da questão da tributação das cooperativas. Estabelece o artigo 79 da Lei nº Lei nº 5.764/71, verbis: “Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 11 10 Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.” (destaquei) Portanto, ato cooperado (ou cooperativo) é aquele praticado pela cooperativa com seus associados, ou com outras cooperativas. Nada impede, contudo, que as cooperativas realizem atos negociais com terceiros. Aliás, justamente em cumprimento de seus objetivos sociais as cooperativas normalmente realizam atos com terceiros. É sobre estes atos que dispõe o artigo 86 da citada lei: “Art. 86 – As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo.” (destaquei) Ou seja, a própria lei, prevendo que, para atingir seus objetivos sociais, as cooperativas precisariam realizar atos com não associados, reconheceu expressamente tal possibilidade e regulamentoua, nos termos do artigo 87, a saber: “Art. 87 – Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do “Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social” e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para a incidência de tributos.” (destaquei) Resta evidente, da leitura do dispositivo em destaque, que em relação aos atos praticados com terceiros, permitese a incidência de tributos. Ademais, se a legislação explicita que os resultados das operações realizadas com terceiros (não cooperados) deverá ser contabilizado em separado, para que possa haver a incidência de tributos sobre tais resultados, a contrario sensu é possível concluir que, em relação aos resultados das operações realizadas entre cooperados e cooperativas (os chamados atos cooperados), não pode haver incidência tributária. A legislação, portanto, estabelece um caso claro de não incidência tributária, ao retirar do campo de incidência os atos cooperados. Por outro lado, é evidente que os atos que não se enquadram em tal categoria, quais sejam, aqueles realizados com terceiros, podem ser objeto de tributação. O mecanismo, a meu ver, tem por fim evitar a dupla incidência tributária sobre mesmos valores. No âmbito das relações entre cooperativa e cooperados é afastada a tributação porque, na relação entre a cooperativa e terceiros, há incidência tributária. Se a cooperativa age sempre em benefício dos cooperados, os valores que recebe de terceiros serão repassados aos cooperados. Neste repasse não há incidência tributária, porque no fluxo financeiro de terceiros para a cooperativa o ônus fiscal já foi cobrado. Importa ressaltar, que a realização de atos entre as cooperativas e terceiros é perfeitamente legal, quando tem por finalidade o benefício dos seus cooperados (afinal, este é o objeto social da cooperativa, em última análise). Logo, não se está aqui a discutir se os atos praticados pela Recorrente, com terceiros não cooperados, são legais ou não. Não se discute que tais atos foram realizados em benefício dos cooperados. O que se está a analisar é se, nestas operações é cabível a incidência tributária. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 12 11 Conforme mencionado acima, pareceme claro que a legislação eximiu da tributação os atos cooperados, mas manteve a possibilidade de incidência tributária quando da realização de atos das cooperativas, com terceiros, ainda que em benefício de seus cooperados, criando mecanismo visando afastar a bitributação de mesmos valores (cujos beneficiários são, em última instância, os cooperados). No presente caso não há controvérsia sobre o fato de que a Recorrente fatura, contra terceiros não cooperados, os valores correspondentes a serviços prestados diretamente por seus cooperados. O valor que a Recorrente arrecada é repassado aos cooperados por meio de atos cooperados (não tributáveis), mas sofre a incidência tributária, quando recebido pela Recorrente – sob pena de, sobre tais valores, não ocorrer incidência tributária alguma. Ora, se o cooperado recebesse os valores diretamente do terceiro (para quem presta seus serviços) tais valores também seriam tributados, quando do recebimento pelo cooperado. Caso admitíssemos a não incidência no recebimento do valor pela cooperativa e no repasse ao cooperado, estaríamos admitindo que serviços prestados através de cooperativas jamais seriam tributados – o que não me parece lógico, ou legal (em especial considerando o princípio da isonomia). Assim, o cooperado pode escolher o modelo que melhor lhe convém para receber os valores correspondentes à sua prestação de serviços: (i) prestar os serviços e receber diretamente do terceiro contratante, tributando os valores quando deste recebimento, ou; (ii) receber os valores através da cooperativa, sem submetêlos à tributação nesta etapa do fluxo financeiro (pois estarseá diante de ato cooperado), mas ciente de que na remessa dos valores do terceiro (tomador de seus serviços), para a cooperativa (que fatura o valor diretamente ao tomador) esta deverá oferecer a quantia à tributação. Importante ressaltar que não há prejuízo para os cooperados, porque eles já pagariam uma vez a tributação. Uma incidência é devida e garantida pela própria legislação que trata do ato cooperado. O que a legislação garante é que os cooperados, que ao meu ver são considerados uma espécie de “hipossuficientes”, utilizem do mecanismo do agrupamento para prestar seu serviço e fazer frente aos grandes concorrentes sem que, para isso, sofram ônus, majorações do custo operacional. No presente caso a Recorrente recebe de terceiros (beneficiários) valores que, embora de titularidade dos cooperados, devem ser tributados nesta etapa do fluxo financeiro, pois se consubstanciam faturamento, sem que haja disposição legal que autorize a não incidência tributária. Logo, nego provimento à alegação da Recorrente de inexistência de base tributável por ser totalmente decorrente de ato cooperado, vez que é devido o PIS sobre os valores recebidos pela Recorrente, ainda que em nome de seus cooperados, sendo tais quantias faturamento tributável, por configurar resultados de operações com não cooperados. A par deste fato, importante registrar a existência de legislação para a exclusão de valores da base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins que são devidas pelas cooperativas. Quer dizer, da receita tributável decorrente dos atos desenvolvidos com terceiros, ainda é possível realizar algumas deduções, a saber: Fl. 699DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 13 12 Decreto nº 4.524 de 17/12/2002 “Art. 32. As sociedades cooperativas, para efeito de apuração da base de cálculo das contribuições, podem excluir da receita bruta o valor (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art.15, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 36): I repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, observado o disposto no § 1º ; II das receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III das receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV das receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V das receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos; e VI das sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei nº 5.764, de 1971. § 1º Para fins do disposto no inciso I do caput: I na comercialização de produtos agropecuários realizada a prazo, a cooperativa poderá excluir da receita bruta mensal o valor correspondente ao repasse a ser efetuado ao associado; e II os adiantamentos efetuados aos associados, relativos a produção entregue, somente poderão ser excluídos quando da comercialização dos referidos produtos. § 2º Para os fins do disposto no inciso II do caput, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa. § 3º Relativamente às exclusões previstas nos incisos I a V do caput, as operações serão contabilizadas destacadamente, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos. § 4º A cooperativa que fizer uso de qualquer das exclusões previstas neste artigo contribuirá, cumulativamente, para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários. § 5º As sobras líquidas, apuradas após a destinação para constituição dos Fundos referidos no inciso VI do caput, somente Fl. 700DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 14 13 serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas. § 6º A entrega de produção à cooperativa, para fins de beneficiamento, armazenamento, industrialização ou comercialização, não configura receita do associado.” – destaquei. Com base no mencionado artigo 32, inciso I, a Recorrente pleiteia a exclusão dos valores registrados na rubrica 4.1.1.1.2 consultas e honorários médicos – entendendoo como meio de exclusão da base de cálculo dos valores repassados aos cooperados. Todavia, a simples análise do texto normativo é suficiente para se verificar que o legislador pretendeu desonerar as cooperativas de produção, especialmente as rurais, alcançando as cooperativas médicas apenas no que se refere ao item VI. Tanto é assim que referemse à "empréstimos rurais", "venda de mercadorias", "produtos", "atividades rurais". Dito isso, nego provimento ao pedido da Recorrente de exclusão da base de cálculo dos valores referentes às “consultas e honorários médicos registrados na rubrica 4.1.1.1.2”, com fundamento no art. 15, I, da MP nº 1.858 (atual art. 15 da MP nº 2. 158 35/01), uma vez que entendo que este inciso I repetido no art. 32 do Decreto supracitado referese apenas às cooperativas de produção, pois permitem a exclusão do valor “repassado ao associado, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos”. Em relação às exclusões permitidas, no que se refere ao item VI, necessário considerar a alteração introduzida pela Medida Provisória nº 101/02, convertida na Lei nº 10.676/2003, a saber: "Art. 1° As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971. § 1° As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. § 2° Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados à formação dos Fundos nele previstos. § 3° O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória n.° 1.858 10, de 26 de outubro de 1999." destaquei. Mais uma vez percebese a diferenciação realizada pelo legislador entre a cooperativa de produção rural e as demais cooperativas. Neste diapasão, estou de acordo com a Fl. 701DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 15 14 conclusão fiscal indicada pelo auditor fiscal que, analisando detalhadamente a legislação, apurou os valores entendidos por passíveis de exclusão: “Dessa forma, no que tange às sobras líquidas, para as cooperativas médicas, a exclusão ficou restrita aos valores destinados à formação do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social. Assim, em princípio, a partir do período de apuração de novembro de 1999, a contribuinte, como cooperativa médica, poderia excluir da base de cálculo da Cofins e do PIS os valores das sobras líquidas destinados à formação do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social.” Assim, em relação à exclusão da base de cálculo permitida em virtude da sociedade ser cooperativa, dou provimento ao pedido da Recorrente para adotar a apuração realizada pelo auditor fiscal às fls. 620/621, que é a mesma indicada pela Recorrente em seu Parecer Contábil às fls. 492. (iii) Das exclusões decorrentes da atividade de operadora de saúde. No que se refere à exclusão da base de cálculo permitida em virtude de tratar se de operadora de saúde, acato as considerações do d. auditor fiscal que restringiu o benefício da exclusão no tempo: “em princípio, somente para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2001, como operadora de plano de assistência à saúde, poderia deduzir as parcelas definidas no § 9° do art. 3° da Lei n.° 9.718/98, inserido pela MP 2.15835 de 2001.” Lembrando que os fatos geradores ocorrem entre os meses de janeiro de 2000 a dezembro de 2003. Conforme esclarecido a Recorrente pretende, no que se refere à sua natureza de operadora de saúde, excluir da base de cálculo o valor referente aos “c) eventos a liquidar com assistência (Conta Contábil: 2.2.1) – despesas efetuadas pela Contribuinte com os eventos indenizáveis, cuja dedução da base de cálculo é expressamente contemplada no inciso III do § 9º do art. 3º da Lei nº 9.718/98.” Para que seja possível concluir acerca do requerido pela Recorrente, necessário analisar as hipóteses de dedução legalmente previstas, senão vejamos. Claro está que a discussão em tela referese à conceituação da base de cálculo, para as contribuições sociais de PIS e COFINS, das empresas do ramo de seguro saúde1 Operadoras de Planos de Assistência à Saúde (“OPS”), as quais são regulamentadas e 1 RESOLUÇÃORDC Nº 39, DE 27 DE OUTUBRO DE 2000 Dispõe sobre a definição, a segmentação e a classificação das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde. "Art. 10. As operadoras segmentadas conforme o disposto nos arts. 3º ao 9º desta Resolução deverão classificarse nas seguintes modalidades: I administradora; II cooperativa médica; III cooperativa odontológica; IV autogestão; V medicina de grupo; VI odontologia de grupo; ou VII filantropia." Fl. 702DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 16 15 fiscalizadas pela ANS Agência Nacional de Saúde Suplementar, vinculada ao Ministério da Saúde e criada pela Lei 9.961/00. Especialmente, interessa, para o caso em apreço, as operadoras de saúde denominadas como de “medicina de grupo”, a saber: RESOLUÇÃORDC Nº 39, DE 27 DE OUTUBRO DE 2000 Dispõe sobre a definição, a segmentação e a classificação das Operadoras de Planos de Assistência à Saúde. “SEÇÃO V DA MEDICINA DE GRUPO Art. 15. Classificamse na modalidade de medicina de grupo as empresas ou entidades que operam Planos Privados de Assistência à Saúde, excetuandose aquelas classificadas nas modalidades contidas nas Seções I, II, IV e VII2 desta Resolução.” destaquei As operadoras de medicina de grupo oferecem basicamente dois tipos de coberturas assistenciais na área da saúde: planos de saúde e seguros saúde. Ambos são sistemas de assistência médicohospitalar. RESOLUÇÃO NORMATIVA – RN Nº 159, DE 3 DE JULHO DE 2007 "Art. 2º Para fins desta resolução, definese: I – operadora de planos privados de assistência à saúde OPS: a pessoa jurídica de direito privado constituída sob a forma de associação, sociedade simples ou empresária que opere produto, serviços ou contrato de planos privados de assistência à saúde definidos no inciso I do art. 1º da Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998." 2 “SEÇÃO I DA ADMINISTRADORA Art. 11. Classificamse na modalidade de administradora as empresas que administram planos ou serviços de assistência à saúde, sendo que, no caso de administração de planos, são financiados por operadora, não assumem o risco decorrente da operação desses planos e não possuem rede própria, credenciada ou referenciada de serviços médicohospitalares ou odontológicos. SEÇÃO II DA COOPERATIVA MÉDICA Art. 12. Classificamse na modalidade de cooperativa médica as sociedades de pessoas sem fins lucrativos, constituídas conforme o disposto na Lei n.º 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que operam Planos Privados de Assistência à Saúde. (...) SEÇÃO IV DA AUTOGESTÃO Art. 14. Classificamse na modalidade de autogestão as entidades de autogestão que operam serviços de assistência à saúde ou empresas que, por intermédio de seu departamento de recursos humanos ou órgão assemelhado, responsabilizamse pelo Plano Privado de Assistência à Saúde destinado, exclusivamente, a oferecer cobertura aos empregados ativos, aposentados, pensionistas ou exempregados, bem como a seus respectivos grupos familiares definidos, limitado ao terceiro grau de parentesco consangüíneo ou afim, de uma ou mais empresas, ou ainda a participantes e dependentes de associações de pessoas físicas ou jurídicas, fundações, sindicatos, entidades de classes profissionais ou assemelhados. (...) SEÇÃO VII DA FILANTROPIA Art. 17. Classificamse na modalidade de filantropia as entidades sem fins lucrativos que operam Planos Privados de Assistência à Saúde e tenham obtido certificado de entidade filantrópica junto ao Conselho Nacional de Assistência Social CNAS e declaração de utilidade pública federal junto ao Ministério da Justiça ou declaração de utilidade pública estadual ou municipal junto aos Órgãos dos Governos Estaduais e Municipais." Fl. 703DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 17 16 Os planos de saúde oferecem aos seus usuários, o direito de usufruir da assistência médica em caso de necessidade, com serviços prestados nas instalações próprias da operadora, por profissionais por ela empregados (denominados rede própria) e estabelecimentos terceiros, contratados pela operadora (denominados credenciados), nominalmente indicados em livro periódico (os livretos do plano). Na terminologia de mercado, estas são as “operadoras”, porque efetivamente “operam” o atendimento médico. Os seguros de saúde, por sua vez, proporcionam aos associados a livre escolha de profissionais, hospitais e laboratórios, cujos custos são ressarcidos por meio de reembolso (total ou parcial) e a utilização de rede referenciada, indicada em livro periódico. Tratase de típica atividade de seguro, denominandose vulgarmente de “seguradoras de saúde”. Não possuem rede própria. A diferença básica, portanto, consiste na existência ou não do reembolso das despesas médicas aos associados e da existência de rede própria da OPS. Ambas as empresas (que comercializam plano e seguro) utilizam os serviços de terceiros (credenciados), mas apenas algumas possuem o custo de uma rede própria. No caso em análise a Recorrente é operadora de saúde (OPS) que comercializa planos de saúde e atua na forma de cooperativa, em razão deste fato, com base no parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, pleiteou a exclusão da base de cálculo dos valores referentes à rubrica contábil 2.2.1. Logo, a questão é, a legislação permite que os valores referentes às consultas e honorários médicos pagos à credenciados, cooperados e rede própria sejam deduzidos da base de cálculo do PIS e Cofins? A Receita Federal vêm entendendo que não existe esta possibilidade, pois se existisse o PIS e a Cofins das OPS incidiria sobre receita líquida, não sobre faturamento, elemento que efetivamente compõe o aspecto quantitativo da regra matriz de incidência tributária. É indiscutível que o segmento de saúde é altamente peculiar, tanto que sua Contabilidade possui, inclusive, Plano de Contas Próprio, instituído e “controlado” pela ANS. Tal fato é imprescindível para o deslinde da questão, pois as matérias fiscais em discussão apenas têm sentido se, também, forem analisadas com base neste Plano de Contas, o qual reflete as especificidades do setor. Pois bem. Em primeiro lugar fazse necessário consolidar o entendimento do que é faturamento para uma operadora de saúde, nos termos da interpretação consolidada pelo Supremo Tribunal Federal (“receita da venda de produtos e serviços”). Pareceme evidente que uma OPS tem como faturamento todos os valores cobrados a título de: (i) prestações mensais faturadas contra seus clientes, pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, bem como (ii) prestação de serviços médicos com a utilização de sua rede própria (hospitais, clínicas, pronto socorros, ambulatórios, consultórios, etc) por terceiros, aqui entendidos quaisquer pessoas físicas ou jurídicas , inclusive outras operadoras de saúde. Ao meu sentir, é esta, conceitualmente, toda a receita passível de ser faturada pela operadora de saúde, logo, estes valores é que consistem no faturamento das OPS. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 18 17 A complexidade para o correto entendimento da legislação de PIS e COFINS específica para as OPS se evidencia a partir da análise prática do conceito de faturamento, justamente porque a ANS estabeleceu no Plano de Contas Contábil das Operadoras, (a) algumas rubricas de custos classificadas no mesmo Grupo de Contas de Faturamento/Receita das Operadoras e (b) outras rubricas de faturamento classificadas no mesmo Grupo de Contas de Custos/Despesas. É o caso, respectivamente : a) dos CUSTOS INCORRIDOS COM OUTRAS OPERADORAS (CONGÊNERES) que são contabilizados no Grupo 3 – RECEITAS (conta 3117 e 3118) reduzindo o montante do Faturamento / Receitas Operacionais da Operadora (conta redutora); e b) das receitas advindas do FATURAMENTO CONTRA OUTRAS OPERADORAS (CONGÊNERES) que são classificadas no Grupo 4 – DESPESAS (conta 4123 e 4124) reduzindo o montante dos Custos e Despesas dos eventos assistenciais (conta redutora). Desta forma, o faturamento das OPS, conforme conceito prédefinido (total dos valores referentes a venda de produtos e serviços, e coberturas oferecidas), não é encontrado apenas nas rubricas contábeis do GRUPO 3, contas de RECEITAS. Acrescido a este fato, o legislador optou para fins de incidência das contribuições ao PIS e COFINS que sabidamente, no sistema cumulativo, incidem sobre o faturamento e de forma cumulativa a possibilidade de abatimentos na base de cálculo do tributo. Frisese, não houve alteração no conceito de faturamento, como havia quando se pretendeu a equiparação do conceito de faturamento à receita bruta3 (o que foi julgado inconstitucional pela Suprema Corte), o legislador apenas orientou a apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS às peculiaridades do plano de contas contábil específico a incidência e concedeu determinado benefício de diminuição de carga tributária, consubstanciado na redução da base de cálculo dos referidos tributos. Neste particular, erra a fiscalização ao regularmente limitar a interpretação das deduções de base, sob o entendimento de que outra interpretação alteraria o conceito de faturamento. Diz o dispositivo legal: “Art. 2°. O art. 3º da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: (...) 3 Tal equiparação foi declarada inconstitucional pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 357.950, em sessão de 09/11/2005. “Lei nº 9.718/98 (...) Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) (...)” Fl. 705DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 19 18 § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I— coresponsabilidades cedidas; II a parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas; III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Aqui chego ao ponto nevrálgico da questão. O que significam os incisos I a III do parágrafo 9º supra? Alcançam a exclusão pretendida pela Recorrente? Para melhor compreensão de meus pares, passo a analisar cada inciso, com base na legislação específica do setor, subsidiada pelas determinações estabelecidas no Plano de Contas Contábil adotado pelas OPS, definido pela Agência Nacional de Saúde. (i) CoResponsabilidades Cedidas É de sumária nitidez a determinação contida na Lei nº 9.718/98 (introduzida pela Medida Provisória nº 2.15835), sobre a possibilidade de exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins das operadoras de saúde (OPS), dos valores referentes às coresponsabilidades cedidas. Neste ponto, crucial é saber o que são “coresponsabilidade cedidas”. Conforme esclarecido, as empresas que operam a saúde podem fazêlo por meio de sua rede própria e/ou com o auxílio de terceiros ou ainda cooperados. Ocorre que esses terceiros, também denominados de “credenciados” ou “congêneres” podem ser contratados de forma direta ou indireta. Os credenciados contratados de forma direta (ou simplesmente credenciados) prestam o serviço “em nome” e sob a responsabilidade da OPS contratante. Aqui, não há transferência de responsabilidade da cobertura de assistência à saúde dos beneficiários ou usuários dos planos de saúde. O credenciado é contratado para a prestação de serviços específicos a serem prestados consoante sua especialidade médica, trata da saúde dos beneficiários do plano por evento. Por exemplo, médicos cardiologistas que atendem os usuários do plano de saúde em seu consultórios particulares e são remunerados pelas OPS, em função da quantidade de horas dispendidas ou pela quantidade de consultas efetuadas. Já as congêneres credenciados contratados de forma indireta são outras OPS (denominadas de congêneres por serem do mesmo gênero da contratante) que são contratadas para assumir a responsabilidade pela cobertura de assistência à saúde de determinados grupos de beneficiários ou usuários dos planos de saúde da OPS contratante. Aqui se identifica a TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE ou TRANSFERÊNCIA DE RISCO. Essas congêneres prestam o serviço contratado em seu próprio nome e, por isso, respondem diretamente pelo serviço prestado. As congêneres obrigatoriamente devem ser OPS, porque apenas as operadoras registradas na ANS podem assumir riscos em saúde suplementar. A congênere assume o risco de tratar permanentemente da saúde dos usuários que assumiu de outra OPS, cobrando para tanto uma taxa mensal para “cuidar” dos beneficiários que foram Fl. 706DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 20 19 “transferidos” aos seus cuidados. Portanto, recebe um valor fixo contratado entre as partes, sendo este valor devido ainda que o serviço não seja utilizado pelo beneficiário. De forma sumária temse que no primeiro caso (“credenciado”), a responsabilidade é da OPS contratante e o pagamento do serviço é feito mensalmente, pelos eventos ocorridos, enquanto no segundo caso (“congêneres”), a responsabilidade pelo atendimento médico é da OPS contratada e o pagamento é realizado mensalmente, apurado de acordo com a quantidade de beneficiários transferidos/cobertos pela congênere. Esta questão da responsabilidade é regulada pela própria ANS, que para garantir os beneficiários exige, cada vez que a OPS credencia um prestador de serviço, uma série de documentos/informações. A substituição de prestadores de serviços na rede credenciada – principalmente congêneres é procedimento complicado e burocrático que, caso desrespeitado, impõe severas multas às OPS, justamente pela necessidade de manutenção da capacidade e da qualidade de atendimento aos usuários dos planos de saúde. Em termos técnicos, em razão da própria natureza do serviço, a rede credenciada consiste na espécie de produto oferecido, uma vez que se refere à abrangência geográfica da prestação do serviço. Logo, as regras aplicáveis às congêneres são denominadas regras de PRODUTO. Toda esta introdução é necessária porque a redação do “inciso I” do citado §9º, menciona que serão excluídos da base os valores referentes à “coresponsabilidade cedida”. Trata, portanto, de responsabilidade e de cessão. Neste aspecto, o dispositivo legal mencionado permite que sejam excluídos da base de cálculo os valores pagos justamente para estas congêneres, que se responsabilizam por determinados beneficiários da OPS contratante, do que se conclui, por dedução lógica inversa, que os valores pagos aos credenciados (contratados de forma direta) não se enquadram neste “inciso I”. No Plano de Contas adotado pela ANS, a percepção de qual seria este número está evidente – e por isso mesmo não costuma gerar dúvidas para a fiscalização, é que estes valores estão registrados separadamente nas já mencionadas contas 3.1.1.7 e 3.1.1.8. São os CUSTOS COM CONGÊNERES e estão classificados no Grupo 3, relativo às contas de RECEITAS. A mera análise do Plano Contábil é suficiente para constatarse que, na prática, este valor seria naturalmente deduzido do montante das Receitas, uma vez que se trata de uma “conta redutora” de receita, com a necessária aposição do sinal negativo, melhor dizendo, valor inverso ao das contas de receitas, verbis: “ CONTA: 3.1.1.7 () CONTRAPRESTAÇÕES DE CORRESPONSABILIDADE TRANSFERIDA DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” A providência legislativa, portanto, ao definir a exclusão da conta 3.1.1.7, responsável pelo registro do “custo” com a contratação das congêneres como prestadores de serviços, ajustou o valor da base de cálculo do PIS e da COFINS das OPS, retirando do total faturado o montante “repassado” (pago ou prometido pagar) aos terceiros que “assumiram” a assistência de determinados beneficiários. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 21 20 A meu sentir, resta inconteste que, por força de lei, houve a redução da base do PIS e Cofins pela exclusão de valores pagos a prestadores de serviços, neste item em particular credenciados congêneres (que assumem a responsabilidade pela cobertura de atendimento à saúde de determinados beneficiários da OPS contratante), e que são sem dúvida terceiros. E este fato não significa que a legislação alterou o significado de faturamento, mas que definiu, isso sim, um benefício ao setor de saúde ao permitir que as OPS excluam das bases de cálculo dos tributos em questão, os valores repassados aos terceiros congêneres. Friso: não se refere à alteração do conceito de faturamento, mas apenas de exceção legal que, enquanto válida, vigente e eficaz no ordenamento jurídico, deve ser observada por toda administração pública. (ii) Provisões Técnicas A possibilidade da exclusão dos valores destinados à constituição das reservas técnicas obrigatórias às OPS (a parcela de contraprestações pecuniárias destinadas à constituição de provisões técnicas) também não gera dúvida, em virtude da setorização em rubrica contábil própria. A manutenção das reservas técnicas pelas OPS são exigidas pela ANS que também estabelece os níveis de valores, bem como exige que essas obrigações estejam integralmente garantidas por ativos reais (imóveis hospitalares em funcionamento ou em aplicações financeiras diversificadas e de liquidez imediata). Essas provisões são necessárias para garantir a manutenção da atividade das OPS em caso de risco de descontinuidade no atendimento aos seus beneficiários, e se justificam pela característica social do serviço prestado. Neste aspecto, na hipótese de a operadora de saúde deixar de atender os seus beneficiários em virtude, por exemplo, de má administração, a ANS prevê diversas regras para a manutenção do serviço até a equalização do problema, regras estas que determinam, inclusive, a intervenção direta na direção da OPS. Para estas situações, prevêse a utilização das provisões realizadas pelas empresas, na mesma linha do que ocorre com as seguradoras, que não de saúde, sujeitas às determinações deste tipo pela Superintendência de Seguros Privados SUSEP. Ao tratar das deduções relativas às provisões a legislação contempla a exclusão da “parcela de contraprestações pecuniárias (ou seja, faturamento) destinadas à constituição de provisões técnicas”. A lei permite, portanto, que o valor recebido a título de receita que for destinado às Reservas Técnicas obrigatórias por lei (regulamentação da ANS) seja excluído da tributação do PIS e Cofins. Impera recordar que dispositivo semelhante desonera estes mesmos valores de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro – CSL – estando o legislador na firme intenção de não tributar valor que, por força de lei, seja indisponível ao contribuinte. Ante o exposto, pareceme clara a exclusão, da base de cálculo do PIS e Cofins, dos valores referentes às Provisões Técnicas. E vez que os valores estão definidos em conta específica (SUBGRUPO: 3.1.2. VARIAÇÃO DA PROVISÃO TÉCNICA DE OPERAÇÕES DE ASSIST. À SAÚDE) não costuma causar problemas de interpretação entre os agentes da Receita Federal. Entendo que a questão não está diretamente discutida nestes autos, mas é preciso analisar todas as hipóteses de exclusão para que seja possível concluir se o procedimento adotado pela Recorrente encontra supedâneo legal. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 22 21 (iii) Indenizações Referentes a Eventos Ocorridos Este é, seguramente, dos conceitos trazidos pela legislação, o mais de mais difícil interpretação. As maiores divergências estão justamente no entendimento de sua significação. Isso porque, a despeito de, assim como nos itens analisados anteriormente, existir uma rubrica contábil indicando quais seriam/onde estariam os eventos ocorridos, fato é que os agentes administrativos têm apresentado o entendimento de que esta não pode ter sido a intenção do legislador, uma vez que o PIS e Cofins incidem sobre o faturamento e ao praticar a exclusão de toda a rubrica contábil, estarseia tributando apenas a receita líquida. Neste sentido, entende a administração que como não é possível a “mudança do conceito de faturamento”, não se admite, ao contribuinte, qualquer exclusão referente a este inciso. De acordo com este raciocínio a fiscalização proferiu várias interpretações no sentido de não permitir aos contribuintes a exclusão das bases de cálculos do PIS e COFINS do valor pago aos credenciados. A meu ver é impossível esta interpretação, sob pena de expressa negativa à aplicação do dispositivo legal, o que não pode ser feito pela administração pública. Que o dispositivo estabeleceu alguma espécie de exclusão, não resta dúvida, e para tal conclusão basta ler os termos da lei. Vejamos os exatos termos trazidos sobre este assunto no parágrafo 9º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, a saber: “§ 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (...) III — o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos, deduzido das importâncias recebidas a titulo de transferência de responsabilidades.” Da análise do texto citado, pareceme que para decifrar a intenção do legislador é preciso repartir o dispositivo em duas partes: (a) indenizações de eventos ocorridos e efetivamente pagos e (b) valores recebidos a titulo de transferência de responsabilidades. A simples leitura do inciso III é suficiente para constatar que se trata de uma DEDUÇÃO seguida de uma ADIÇÃO. Poderão ser excluídas as referidas indenizações, mas deverão ser incluídos os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades. A expressão “... poderão deduzir o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos...” é óbvia. Inconteste que é possível a exclusão de algum valor, a questão, a meu ver é: qual valor? Ao meu sentir, impedir a exclusão de qualquer valor em relação a este inciso por entender que seria “tributação de receita líquida” é uma discussão que não pertence a este tribunal administrativo e uma interpretação defesa às autoridades administrativas. Se o questionamento é sobre a regularidade/constitucionalidade da lei, no sentido do desvirtuamento Fl. 709DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 23 22 da intenção do legislador, é preciso que os órgãos competentes (no caso a Advocacia Geral da União – AGU) tomem as medidas cabíveis para obter a invalidade do dispositivo normativo. Não compete ao auditor fiscal, assim como ao julgador administrativo, deixar de aplicar a lei, sob pena de responsabilidade funcional. É preciso que, ao menos, seja feita a interpretação do dispositivo mencionado. Somente se permite a restrição da redução definida pelo legislador se ela for pautada na interpretação do dispositivo legal. Assim, minha questão quanto ao posicionamento adotado pela fiscalização é: se os agentes administrativos entendem que o pagamento aos credenciados e a rede própria não consistem em indenizações dos eventos ocorridos, o que consiste? De pronto, afasto o entendimento de que o inciso III está vinculado aos eventos decorrentes de “cessão de responsabilidade”. Em primeiro lugar porque não existe evento com “cessão de responsabilidade”, esta apenas é possível, inclusive por determinação da ANS, quando se opera a “transferência da responsabilidade pelo beneficiário”. Inclusive, o pagamento por cessão da responsabilidade independe de qualquer evento, é devido simplesmente porque a responsabilidade foi transferida. O simples fato do pagamento para CONGÊNERES e para simples CREDENCIADOS ser realizado de forma diferente (o primeiro fixo por mês, o segundo por evento ocorrido e comprovado) já é suficiente para se constatar a diferença do inciso I e III neste particular. Neste diapasão, em termos operacionais, quando se trata de indenização por evento, automaticamente se exclui a cessão de responsabilidade, razão pela qual todos os valores referentes à transferência de responsabilidade estão localizados no inciso I do citado § 9º. Por idêntica forma, aparto a interpretação de que o legislador não pretendeu excluir da base de cálculo o valor pago a terceiros, pois não resta dúvida de que o inciso I do §9º referese a terceiros (CONGÊNERES), que como dito alhures são espécie de credenciados contratados de forma indireta. Neste sentido, que é possível a exclusão da base de cálculo de valores pagos a terceiros, não tenho dúvida, e em afirmação a isto está o próprio inciso I do dispositivo legal analisado. Com este raciocínio questiono: qual o conceito de eventos ocorridos? O que o legislador pretendeu, ao expressamente conceder a possibilidade de redução da base de cálculo dos tributos em discussão? A despeito do entendimento que vêm sendo apresentado pela fiscalização, conforme se depreende do Plano de Contas da ANS, os eventos ocorridos estão sim definidos na conta “4.1. EVENTOS INDENIZÁVEIS LÍQUIDOS / SINISTROS RETIDOS”. E tratase de identidade de classificação, é exatamente este termo – eventos – que permite a interpretação que a intenção da lei é alcançar esta rubrica contábil. Várias OPS aplicam este entendimento de forma genérica e excluem da base de cálculo o valor referente ao inteiro teor da conta “4.1.1. EVENTOS CONHECIDOS / INDENIZAÇÕES AVISADAS DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR”. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 24 23 Todavia, também não coaduno com este entendimento. É que entendo que, como se trata de benefício fiscal, a lei deve ser analisada em seus termos literais4, lembrando que no ordenamento jurídico não há palavras inúteis. A rubrica 4.1.1. contém registros dos custos incorridos com a rede própria e a rede contratada (no caso terceiros simplesmente credenciados, não congêneres). Ocorre que entendo que os custos com a rede própria não estão incluídos no dispositivo de desoneração legal. Explico. Conforme se depreende do texto legal, o inciso III permite a dedução do “...valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pagos ...” O que significa indenizações de eventos ocorridos efetivamente pagos? Mais uma vez socorrome dos aspectos técnicos específicos do setor. É cediço que o setor da saúde é diverso dos demais setores da sociedade, não apenas por tratar de serviço essencial e se sujeitar às regras definidas por Agência Reguladora, mas pela própria operação e exatamente por isso é que a legislação limitou à possibilidade de exclusão da base de cálculo aos eventos ocorridos efetivamente pagos. Em aspectos práticos, para fim de atender as determinações da ANS, a sistemática de procedimento das empresas de saúde geralmente obedece ao seguinte critério: (1) O credenciado presta o serviço para o beneficiário; Janeiro /X1 (2) após o serviço prestado, este credenciado informa à OPS, apresentando a documentação suporte necessária para o ressarcimento do custo, já que a credenciada trabalha por evento (ao contrário da congênere). A OPS reconhece a despesa quando desse aviso/notificação. Fevereiro/X1 (3) apenas após validar a informação da credenciada a OPS realiza o pagamento. Março/X1 As operadoras de saúde possuem sistemas de controles internos contábeis e extracontábeis, integrados com os controles da ANS, e toda esta informação é importante porque justamente com base nesta movimentação de faturamento/ pagamento/ despesas/ utilização de rede credenciada, que a ANS faz todos os seus controles, não necessariamente contábeis. Por exemplo, é com base nesta informação que são feitos os cálculos dos valores que precisarão ser provisionados (as mencionadas Provisões Técnicas que garantem o atendimento aos beneficiários); assim como são controladas as alterações de produto (descredenciamento/alteração de rede credenciada). Podese citar, ainda, o cruzamento de informações com o SUS (que é uma espécie de terceiro, uma vez que as operadoras precisam ressarcilo na hipótese da Rede pública de atendimento médico vir a atender beneficiários das OPS). 4 Código Tributário Nacional: "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias." Fl. 711DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 25 24 Neste diapasão, os eventos ocorridos em janeiro/X1, serão reconhecidos contabilmente em fevereiro/X1, quando AVISADOS, e efetivamente pagos a partir de março/X1, quando da validação e aprovação final das contas apresentadas para a OPS, sendo impossível qualquer outro procedimento. Este procedimento específico tem uma razão de ser. Até o momento do pagamento podem ocorrer e efetivamente ocorrem – glosas. Assim, na hipótese de o legislador permitir a contabilização e dedução do valor AVISADO, estaria utilizando valor não definitivo. Por outro giro, ao utilizar o valor PAGO, a legislação adota o custo efetivo do evento, não o valor informado pelo credenciado, mas aquele efetivamente aceito pela OPS contratante e efetivamente pago. Podese dizer que, com este procedimento, o legislador buscou os números finais mais objetivos possíveis, pois a partir do pagamento entendese incabível qualquer tipo de reajuste. Esta “apuração do número final”, inclusive, permite a rastreabilidade dos valores envolvidos, por ser um número definitivo. Procedimento diverso significaria a contabilização de números preliminares sujeitos a ajustes nos meses seguintes, o que macularia a objetividade da apuração da referida exclusão. É uma espécie de exceção aos regimes de caixa e competência, e por isso que se tornou imperioso ao legislador reconhecer a especificidade do setor e determinar que apenas poderia ser deduzido o valor das “indenizações referentes a evento ocorrido efetivamente pago”, sob pena de (i) o benefício não poder ser aplicado ao setor; (ii) causar grande confusão nos controles ou, no limite, (iii) serem deduzidos valores preliminares, ainda não pagos, e reconhecidos contabilmente e maiores do que o efetivamente devidos. É exatamente em razão desta especificidade de procedimento do setor que discordo do raciocínio de exclusão total e genérica da conta 4.1.1. É que não são todos os eventos registrados naquela rubrica que podem, a meu ver, ser considerados como “indenizações” ou ‘eventos ocorridos, efetivamente pagos”. A Rede Própria consiste no exercício direto do serviço médico, incluindo portanto todos os custos e despesas operacionais decorrentes da utilização de hospitais, clínicas, ambulatórios, laboratórios, serviços de imagem, inclusive folha de salário dos empregados médicos e paramédicos, depreciação dos imóveis operacionais,...., das OPS. Para tais, não há como tratálos nos limites de definição ao termo “indenização”. Estes eventos não são “indenizados” pelas OPS, mas sim custeados por ela. A folha de pagamento salarial não precisa ser avisada ou aguardar qualquer procedimento de confirmação para ser “efetivamente paga”, é simplesmente elaborada pelas OPS e paga, de forma automática, todos os meses, como em qualquer outra empresa. Não me parece, ao conhecer o procedimento do setor, que os valores referentes à rede própria estejam dentre aqueles imaginados pelo legislador, e esta interpretação decorre justamente da análise dos termos legais. Todavia, é visível a identidade dos dizeres apostos no inciso III com o procedimento adotado para os credenciados. Indiscutível que são estes os valores cuja exclusão foi pretendida pelo legislador. Os credenciados – não congêneres – atuam por evento, e recebem o pagamento para cada serviço prestado, após estar efetivamente confirmado pela OPS contratante. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 26 25 Todavia, é preciso atentar para o fato de que não são todos os eventos AVISADOS pelos terceiros que serão deduzidos, mas apenas aqueles efetivamente pagos, por isso se considera a conta contábil de resultado. Reitero que não se trata de discutir o conceito de faturamento para as OPS, esta questão já foi superada quando definida a base de cálculo. Tratase de dar efetividade à intenção do legislador que foi, claramente, beneficiar esse setor de saúde com a exclusão de determinados valores da base de cálculo constituída para pagamento dos tributos em tela (justamente do valor total do faturamento). Ante os esclarecimentos expostos, entendo que o inciso III, do parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98 determinou com absoluta clareza a exclusão dos valores efetivamente pagos aos terceiros (rede credenciada e SUS), não congêneres, os quais se coadunam exatamente com os dispositivos legais mencionados. No que se refere à mencionada ADIÇÃO, também presente neste inciso, mais uma vez deparamonos com o conceito de transferência de responsabilidade. Conforme já analisado, temse a transferência de responsabilidade quando a outra OPS e exerce a função de CONGÊNERE, ou seja, a mesma função da OPS que a contratou, respondendo inclusive civil e penalmente pela prestação do serviço médico. No caso, assim como a Recorrente contrata terceiros para lhe prestar serviços, no exercício de suas atividades é contratada por outras empresas para atender aos beneficiários destas. A OPS contratada assume a totalidade dos RISCOS no atendimento médico hospitalar de determinados usuários da OPS contratante. Dessa forma, as partes estabelecem o valor que a contratada deverá faturar contra a contratante, usualmente em função das quantidades de beneficiários a serem assistidos e o tipo do plano de saúde (hospitalar, ambulatorial,...). É cediço que tais contratações são muito comuns neste segmento em virtude da necessária abrangência geográfica dos planos de saúde. É certo que as pessoas estão em constante movimento, e esta mobilidade faz com que, às vezes, tenham que ser atendidas em locais (cidades/estados) diversos daqueles onde a OPS que mantém seu plano de saúde possui estabelecimento, bem como os clientes corporativos que mantém filiais e empregados em vários municípios brasileiros, onde a OPS contratada pelo cliente empresarial, não tem estabelecimento. Assim, para poder atender aos seus beneficiários, e com a devida autorização da ANS, as OPS se servem de outras empresas de saúde, as quais terão condições de atender o beneficiário de acordo com as especificidades e nos locais que estes necessitem. A meu ver, é evidente que esta receita – mensalidade recebida pela Recorrente para atender beneficiários, ainda que de terceiros – é faturamento da Recorrente. Está vinculado ao objeto social da entidade e resulta de sua prestação de serviços. Todavia, assim como exposto alhures, os valores relativos a esta receita, nos termos do Plano de Contas da ANS, não estão registrados no GRUPO 3, que é o vinculado às RECEITAS, ao contrário, estão registrados no GRUPO 4, que é rubrica de CUSTOS e DESPESAS. Neste aspecto, as receitas advindas do FATURAMENTO da OPS contratada como congênere (empresas pertencentes ao mesmo gênero da Recorrente) contra a OPS que a contratou, é classificada contabilmente como uma rubrica redutora dos Custos e Despesas, in verbis: “ CONTA: 4.1.2.3 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 27 26 () RECUPERAÇÃO / RESSARCIMENTO DE EVENTOS/ SINISTROS EM CORESPONSABILIDADE DE ASSISTÊNCIA MÉDICO HOSPITALAR” Registro que esta é a exata contraposição da conta contábil 3.1.1.7. conta redutora das Receitas que está expressamente excluída da tributação, conforme inciso I – razão pela qual é necessário o seu reconhecimento e inclusão na base de cálculo dos tributos em questão. Ao obrigar a tributação sobre os valores recebidos a título de transferência de responsabilidades, a legislação garante que aquele que efetivamente prestou o serviço, seja tributado. Pareceme claro que, em relação a este item o legislador pretendeu “ajustar” a base de cálculo do PIS e da COFINS das operadoras de saúde para que a tributação recaísse sobre o seu faturamento total, uma vez que a sua aposição em conta redutora de custos e despesas podia evitar que fosse tributado pelo PIS e Cofins, mesmo consistindo faturamento da operadora. (iv) Do pleito da Recorrente Assim como mencionado alhures, in casu, a Recorrente é operadora de saúde (OPS) que comercializa planos de saúde e atua na forma de cooperativa e pleiteia, com base no parágrafo 9º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718/98, a exclusão da base de cálculo dos valores referentes à rubrica contábil 2.2.1. que, conforme Plano Contábil da ANS da seguinte forma dispõe: PLANO DE CONTAS DAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE CLASSIFICAÇÃO DIVISÃO | CÓDIGOS | TÍTULOS CLASSE | 2 | PASSIVO GRUPO | 22 | CIRCULANTE SUBGRUPO | 221 | EVENTOS A LIQUIDAR C/OPERAÇÕES DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE CONTA | 2211 | EVENTOS A LIQUIDAR DE OPERAÇ. DE ASSIST. MÉDICOHOSPITALAR SUBCONTA | 22111 | Consultas e Honorários Médicos – Pessoal Próprio SUBCONTA | 22112 | Consultas e Honorários Médicos – Cooperados SUBCONTA | 22113 | Consultas e Honorários Médicos – Conveniados SUBCONTA | 22114 | Exames e Terapias – Rede Própria SUBCONTA | 22115 | Exames e Terapias – Rede Conveniada SUBCONTA | 22116 | Demais Despesas Assistenciais Rede Própria SUBCONTA | 22117 | Demais Despesas Assistenciais Rede Conveniada SUBCONTA | 22118 | Reembolso S.U.S. SUBCONTA | 22119 | Operações com o Exterior CONCEITUAÇÃO FUNÇÃO: Registrar os eventos conhecidos a liquidar de assistência à saúde, pelo seu valor total, com base no registro de eventos conhecidos. FUNCIONAMENTO: Debitada pelo pagamento ou baixa dos eventos encerrados sem pagamento. Creditada pelo valor dos eventos conhecidos, ajustes de estimativas, etc. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 28 27 OBSERVAÇÃO: Na subconta 22113, as Cooperativas deverão utilizarse da nomenclatura “não cooperados” em substituição a “conveniados”. E ainda nesta rubrica: PLANO DE CONTAS DAS OPERADORAS DE PLANOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE CLASSIFICAÇÃO DIVISÃO | CÓDIGOS | TÍTULOS CLASSE | 2 | PASSIVO GRUPO | 22 | CIRCULANTE SUBGRUPO | 221 | EVENTOS A LIQUIDAR C/OPERAÇÕES DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE CONTA | 2213 | PROVISÃO DE EVENTOS OCORRIDOS E NÃO AVISADOS OPERAÇÕES DE ASSISTÊNCIA MÉDICOHOSPITALAR SUBCONTA | 22131 | Consultas e Honorários Médicos – Pessoal Próprio SUBCONTA | 22132 | Consultas e Honorários Médicos – Cooperados SUBCONTA | 22133 | Consultas e Honorários Médicos – Conveniados SUBCONTA | 22134 | Exames e Terapias – Rede Própria SUBCONTA | 22135 | Exames e Terapias – Rede Conveniada SUBCONTA | 22136 | Demais Despesas Assistenciais Rede Própria SUBCONTA | 22137 | Demais Despesas Assistenciais Rede Conveniada SUBCONTA | 22138 | Reembolso S.U.S. SUBCONTA | 22139 | Operações com o Exterior CONCEITUAÇÃO FUNÇÃO: Registrar a provisão de eventos ocorridos e não avisados de assistência à saúde, constituída de acordo com a legislação pertinente. OBSERVAÇÃO: Na subconta 22133, as Cooperativas deverão utilizarse da nomenclatura “não cooperados” em substituição a “conveniados”. A primeira questão que se coloca é que a Recorrente está pleiteando a exclusão de valores pagos a título de eventos logo, importa a interpretação conferida ao inciso III, do § 9º, da Lei nº 9.718/98. Em segundo lugar, vêse claramente a intenção da Recorrente em excluir da base de cálculo, valores contabilizados na conta de passivo circulante. Não se admite esta intenção pelo simples conceito da classificação desta rubrica contábil. É que se registra como passivo circulante as obrigações que normalmente serão pagas dentro de um ano nos próximos 365 dias a contar da data base do encerramento do balancete contábil: contas a pagar, dívidas com fornecedores de mercadorias ou matériasprima, impostos a recolher (para o governo), empréstimos bancários, provisões (despesas incorridas, geradas, ainda não pagas, mas já reconhecidas pela OPS. Todavia, o inciso III, §9º, da Lei nº 9.718/98, expressamente menciona a possibilidade de exclusão de valores referentes a indenizações de eventos ocorridos e efetivamente pagos. Portanto, não se trata de eventos a liquidar, mas liquidados. E menos ainda de Provisão para eventos a liquidar. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 13971.002373/200411 Acórdão n.º 3302001.765 S3C3T2 Fl. 29 28 Neste sentido, nego provimento ao pleito da Recorrente neste particular. Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de darlhe PARCIAL PROVIMENTO, excluindo da base de cálculo do PIS e Cofins e, consequentemente, do auto de infração, os valores relativos às reservas de sobras (2.7.1.3), conforme apuração realizada pelo auditor fiscal às fls. 620/621, e indicada pela Recorrente em seu Parecer Contábil às fls. 492, e os valores referentes às Provisões Técnicas (SUBGRUPO 3.1.2). É como penso. É como voto. Sala de sessões, 21 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS OBS: Acórdão reeditado nos termos do Despacho nº 3302114, de 26/11/2014. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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