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Numero do processo: 13971.722734/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2006
DIREITO DE IMPOR PENALIDADE. INFRAÇÕES AO REGULAMENTO ADUANEIRO. EXTINÇÃO. PRAZO.
O direito de impor penalidade por infrações ao Regulamento Aduaneiro extingue-se em cinco anos a contar da data da infração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INFRAÇÕES AO REGULAMENTO ADUANEIRO. EXTINÇÃO. PRAZO. O direito de impor penalidade por infrações ao Regulamento Aduaneiro extinguese em cinco anos a contar da data da infração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 27 34 /2 01 1- 79 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 01/12/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 58.903,38, em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas através da Declaração de Importação nº 06/06303779, de 31/05/2006, registradas em nome da empresa D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA. A empresa operava como interposta pessoa em comércio exterior para a empresa JOÃO LUIZ ZIMMER ME, praticando assim infração de ocultação do sujeito passivo, com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Face ao que determina o art. 23, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Como responsável solidário: • JOÃO LUIZ ZIMMER ME. Como Responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A): • CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF 936.292.65987; e • ÉRICA DEBOSSAN REINERT, CPF 919.869.82904. Cientificado do auto de infração, via Edital nº 06/11/DRF/BLU/SAANA, afixado nas dependências da DRF/Blumenau, em 09/12/2011 (folhas 387), o contribuinte JOÃO LUIZ ZIMMER ME não apresentou impugnação, consoante despacho de folhas 584/585. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 01/12/2011 (fls. 213 do processo digital), os contribuintes D&A COMERCIO E SERVICOS IMP E EXP LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram impugnação conjunta, tempestivamente em 23/12/2011, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 392 à 454, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Alegouse que: PRELIMINARMENTE. · ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Fl. 886DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 4 3 Os documentos e HDs apreendidos no Mandado de Busca e Apreensão jamais poderiam ter sido utilizados como provas para o presente procedimento fiscal, eis que: O compartilhamento dos documentos apreendidos (que jamais foram submetidos ao contraditório e ampla defesa), somente poderia ter sido realizado ao término do Inquérito Policial, o que até hoje não ocorreu; A grande maioria dos documentos apreendidos eram da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior, e; As infrações apuradas no presente auto de infração não guardam qualquer relação com os crimes apurados no inquérito policial, razão pela qual se tornam imprestáveis para tanto. · COMPARTILHAMENTO DE PROVAS INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA INOBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO PARA O COMPARTILHAMENTO NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Para fins de aplicação da pena de perdimento e das supostas infrações apontadas no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal se valeu EXCLUSIVAMENTE de provas (invasão domiciliar para apreensão de documentos e quebra de sigilo bancário e telemático) que não merecem respaldo jurídico, vez que ilícitas. Qualquer prova obtida com violação a essas ou outras garantias as quais, constitucionalmente asseguradas, não podem ser admitidas. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: STF, Voto do Rel. Min. Ilmar Galvão na AP 3073DF, DJU 13/10/95. No caso concreto, as provas utilizadas foram "emprestadas" dos autos do INQUÉRITO POLICIAL N° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) que tramita na Justiça Federal da Comarca de Florianópolis/SC. A D&A não faz parte daquele processo! Nunca teve acesso àqueles autos! Sequer lhe foi dado o direito ao contraditório e à ampla defesa sobre as provas colhidas naquele inquérito. Não merece qualquer respaldo jurídico a prova que não é submetida ao contraditório e à ampla defesa, devendo ser rechaçada, pois ilícita! Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito da validade da "Prova Emprestada". Tais provas, ainda que pudessem ser admitidas para o presente processo fiscal, somente poderiam ter sido utilizadas "após o sucesso das investigações policiais", ou seja, após o trânsito em julgado daquele processo, pois, sem isso, não se pode verificar o "sucesso" das investigações. Outra irregularidade nas provas emprestadas. Conquanto o sigilo tenha sido quebrado "pelos últimos 5 anos" daquele despacho (digase, de 08/Ago/2000 a 08/Ago/2005). verificase que as TODAS as provas juntadas ao presente processo fiscalizatório possuem datas POSTERIORES ao ano de 2005! Aliás, o próprio MPF F menciona que o período das apurações é de 2006 a 2008. Logo, resta cristalino que a autoridade fiscal excedeu os poderes que lhe foram conferidos para a quebra dos sigilos daquelas empresas relacionadas no Fl. 887DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 5 4 despacho judicial, evidenciando ainda mais a ilicitude da prova, imprestável, portanto, ao fim que se destina. Por essas razões, IMPUGNAMSE, desde já, TODAS as provas juntadas no presente procedimento que tiveram origem do Mandado de Busca e Apreensão em questão. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS EMPRESA DIVERSA DA INVESTIGADA AUSÊNCIA DE MANDADO JUDICIAL ESPECÍFICO ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE. Não obstante as ilegalidades apontadas no item anterior, outro ponto ainda mais abjeto quanto às provas utilizadas no presente procedimento fiscal é que muitas delas foram colhidas na empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda., empresa para a qual as autoridades fiscais e policiais não detinham Mandado Judicial para realizar as apreensões. Todos os documentos referentes à etapa 'préimportação', tais como planilhas de custo de importação, licenciamentos de importação, certificados de conformidade de produtos, laudos, bem como aqueles referentes ao despacho aduaneiro além de CPU's (dentre os itens 1 a 12 do Auto de Apreensão) estavam na posse e propriedade da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior. Embora a empresa Debossan Despachos Aduaneiros prestasse serviços de desembaraço de mercadorias para a empresa D&A Comércio Exterior (dentre outras empresas), certo é que na época dos fatos, a Debossan Despachos Aduaneiros funcionava em endereço contíguo ao endereço da D&A Comércio Exterior Ltda, ambas no Edifício Tóquio, um prédio comercial situado na Rua General Osório, n° 880 com diversas salas comercia. Enquanto a D&A estava localizada na Rua General Osório, n° 880, sala L Debossan Despachos Aduaneiros funcionava na sala ao lado, ou seja, no endereço Rua General Osório, n° 880, sala 05. Vejase que a autorização judicial não especificou em qual sala do Edifício Tóquio, na Rua General Osório, 880, funcionava a empresa D&A, mas apenas fez referência que seria no andar térreo. Ocorre que o Mandado de Busca e Apreensão, expedido única e exclusivamente para diligências na empresa D&A Comércio Exterior, foi levado a cabo também nas dependências da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Tal fato ocorreu, provavelmente porque o endereço constante do Mandado não especificava a sala, mas apenas que a empresa funcionava no andar térreo. Ao invés de certificarse de que no andar térreo funcionavam duas empresas distintas, o que fez a autoridade policial foi utilizarse daquela 'ambiguidade' constante da autorização judicial para fazer uma devassa não somente nos computadores da D&A Comércio Exterior, como também da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Aliás, digase de passagem, que o endereço constante no mandado de busca e apreensão não foi informado pela Juíza Federal, mas pela própria autoridade policial. Sendo assim, tudo leva a crer que a autoridade policial, certa de que não obteria um mandado de busca na empresa Debossan Despachos, utilizouse de meios escusos (a informação de endereço não específico), induzindo o magistrado em erro Fl. 888DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 6 5 na decretação da medida cautelar. Dessa forma, conseguiria justificar a apreensão de bens e documentos não só na empresa D&A, mas também na Debossan Despachos Aduaneiros. Por esses motivos, imperioso reconhecerse a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, devendose declarar a nulidade de todo o procedimento por mais esse motivo. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS INVESTIGAÇÃO CRIMINAL INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS CRIMES INVESTIGADOS E AS INFRAÇÕES APURADAS ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE. Para se conseguir que aquela investigação alcançasse a empresa Impugnante, alegouse que a D&A estaria envolvida com o Grupo Roger Tur, efetuando remessas cambiais às margens oficiais com o fim de subfaturamento de mercadorias. Contudo, em que pese toda a devassa realizada contra a Impugnante, com a quebra do seu sigilo fiscal, bancário, invasão domiciliar através da busca e apreensão de documentos sem mandado de procedimento fiscal, quebra de sigilo de dados, dentre outros, nenhuma prova ou qualquer indício de prova foi encontrado que pudesse ligar a D&A Comércio Exterior com o Grupo Roger Tur originalmente investigado. Por outro lado, de posse de todos aqueles dados, a autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Lançamento apurando supostas infrações administrativas no controle aduaneiro, como a multa por prestação de informações incorretas no comércio exterior, suposta ocultação do real adquirente de mercadorias ou, em alguns casos, multas por embarques de mercadorias sem o licenciamento de importação prévio. Ocorre que, de todas as infrações apuradas pela autoridade fiscal ao longo desses anos de fiscalização, nenhuma possui correlação com os crimes investigados no 'processomãe' do grupo Roger Tur. As penalidades aplicadas contra a Impugnante fogem à finalidade para a qual o Mandado de Busca e Apreensão fora concedido: apurar a evasão de divisas ou prática cambial às margens oficiais! Por esse motivo, não se pode aceitar como lícita a prova utilizada no presente processo pois não se presta ao fim a que se destinava. Estáse diante de uma verdadeira inversão das garantias fundamentais do cidadão, insculpidas no art. 5º da Constituição Federal, o que jamais poderá prosperar, devendo ser reconhecida desde já por esse ilustre julgador, ainda que em sede administrativa. Não é admissível que uma quebra de sigilos e garantias, com finalidade específica diante do objeto próprio do processo investigatório em curso, seja deturpada a ponto de chegarse a uma divulgação maior, fora dos parâmetros desse processo, para alcançar infrações administrativas que nenhuma relação possuem com o alvo inicial a que se destinava. A excepcional quebra do sigilo bancário da Impugnante foi autorizada com um único fim: comprovar de alguma forma a remessa de divisas ao exterior às margens oficiais. No entanto, a autoridade fiscal utilizou tais extratos para tentar Fl. 889DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 7 6 caracterizar infrações de natureza eminentemente administrativa, longe de caracterizar um ilícito penal. No caso em análise, houve verdadeira deturpação da ressalva constitucional para fins escusos. Utilizouse de meras suposições, sem respaldo em qualquer documentação probante, para a concessão das medidas judiciais próprias e exclusivas da investigação criminal. Desde o início do procedimento criminal, as quebras dos sigilos da Impugnante, bem como o Mandado de Busca e Apreensão, foram baseados em supostos crimes contra a ordem tributária, praticados pela empresa D&A. É sabido que a propositura de ação penal, bem como o procedimento prévio investigatório de crimes somente pode ser admitido após ocorrido o lançamento definitivo do tributo, assim entendido aquele que não comporte mais qualquer recurso na fase administrativa. Tratase, portanto, de expedientes próprios da investigação criminal sendo claramente utilizados de forma indevida para a definição de infrações de cunho administrativo ou créditos tributários. Impossível se referendar tal prática, devendose reconhecer a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, vez que não guardam qualquer relação com os crimes para os quais as quebras das garantias constitucionais foram autorizadas, determinandose o cancelamento do Auto de Lançamento ora impugnado. · AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO O procedimento fiscal em comento foi instaurado sem o prévio e necessário Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF, o que causa evidente e manifesta ilegalidade, por inobservância dos arts. 2º e 3º da Portaria RFB 3.014/2011. À época em que a Autoridade Fiscal deu início ao Procedimento de Fiscalização, dispunha apenas e tão somente de um Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência, que, de acordo com a própria legislação que trata da matéria, não se presta para a realização de procedimento fiscal. Aliás, o próprio relatório do Auto de Infração ora impugnado demonstra claramente que somente em 16 junho de 2011 houve a conversão do Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (Doc. 53 e fls. 18/19 do Auto de Infração). Ou seja, todos os atos de fiscalização praticados pelas Autoridades entre 21/10/2010 e 16/06/2011 são manifestamente nulos, por ausência de MPFF. Já os praticados posteriormente, são igualmente nulos, pois decorrem de atos nulos praticados anteriormente (observância da teoria dos frutos da árvore envenenada). Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 11.371/2007. Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 3.014/2011. Portanto, necessitavam as Autoridades Fiscais, desde o início do procedimento fiscal, de um mandado de procedimento fiscal de fiscalização, nos Fl. 890DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 8 7 termos dos arts. 2º e art. 3º de ambas as portarias, acima transcritas, o que não ocorreu, gerando inequívoca ilegalidade, passível de anulação do Auto de Infração. Dessarte, muito mais do que um mero instrumento de controle interno é uma garantia do contribuinte, para que, mediante a apresentação do MPFF lavrado contra si, possa invocar desde o início da fiscalização todos os princípios que a norteiam, notadamente o da ampla defesa e do contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. · EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O lançamento tributário é um ato administrativo de ofício, e como tal, somente poderá se aperfeiçoar se forem seguidos todos os seus requisitos essenciais, procedimentos imprescindíveis à sua perfectibilidade. Da mesma forma, o sujeito contra o qual foi procedido o conjunto de atos, deve tomar a devida e regular ciência dos mesmos. No caso concreto, além do vício formal por falta de MPFFiscalização para realizar o Procedimento Fiscal em questão, a autoridade fiscalizadora também extrapolou os prazos legais para a realização da fiscalização instaurada, além de não ter intimado regularmente os Impugnantes acerca das prorrogações dos prazos do MPF. É certo que, se por um lado é dado à autoridade fiscal o poder de fiscalizar, por outro lado tal poder está submetido a certos limites, dentre os quais, o prazo para a conclusão dos seus atos. Certamente o contribuinte não pode ser submetido a um procedimento de fiscalização eterna. No caso concreto, portanto, evidenciouse verdadeiro abuso do poder fiscalizatório. Não existe fiscalização por prazo indeterminado. Quando a autoridade fiscal inicia seu trabalho é obrigado a emitir um termo de início. Nesse termo já deve constar prazo máximo para o término do trabalho. Emitido o MPFD no dia 07/out/2010 a autoridade fiscalizadora detinha o prazo máximo de sessenta dias para sua conclusão, ou seja, deveria necessariamente terminar seu procedimento até o dia 06/Jan/2011 ou, solicitar a prorrogação da fiscalização, desde que devidamente justificada, sob pena de arquivamento do processo. Além do mais, verificase que houve diversas prorrogações do prazo do MPF, sem que, contudo, os Impugnantes fossem cientificados a respeito, em total afronta ao disposto no art. 9º, parágrafo único, da então vigente Portaria RFB 11.371/2007. Aliás, os Impugnantes solicitaram expressamente que, caso ocorressem prorrogações desta natureza, fossem estes expressamente notificados a respeito. No entanto, o pleito foi negado ao errôneo argumento de que não haveria previsão legal para tal pedido. No entanto, consoante se pôde ver da leitura do parágrafo único do art. 9º da Portaria que regulamente o MPF, o pleito dos Impugnantes tinha, sim, base legal, razão pela qual devia ter sido atendido. Assim, ao negar o pedido dos Impugnantes, incorreu a Autoridade Fiscal em novo ato ilegal, que acarreta em nulidade todos os atos praticados, mormente porque agiram em total afronta aos princípios Fl. 891DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 9 8 constitucionais da publicidade dos atos administrativos, ao direito de informação, da ampla defesa e do contraditório. Diante disso, deve ser declarado nulo o AI por vício formal. · DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O lançamento não está individualizado. O Auto de Infração aplicou pena de perdimento às mercadorias importadas sob o argumento de que a empresa JOÃO LUIZ ZIMMER seria a real adquirente das mercadorias, apesar de oculta. A conversão do perdimento cm multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias ocorreu porque os produtos já "teriam sido" consumidos. Como se sabe, o perdimento caracterizase pela pessoalidade e intransmissibilidade da pena e, por isso mesmo, só pode ser aplicado em face do proprietário da mercadoria, até porque, logicamente, ninguém pode ser condenado a "perder", ou melhor, ter subtraído do seu patrimônio, bem ou direito que nunca o compôs. Transcreve o artigo 100 do DecretoLei n° 37/66. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Como se vê, para a concretização da pena de perdimento é imprescindível se obter a exata e completa identificação do proprietário da mercadoria, pois é unicamente este o sujeito que poderá ser apenado ou alcançado pela sanção do perdimento. No presente caso, apesar de identificar quem supostamente seria o real proprietário oculto, o Fisco autuou as empresas D&A e JOÃO LUIZ ZIMMER conjuntamente, na condição de contribuinte, sem qualquer distinção. Assim, se o Auditor Fiscal entende que JOÃO LUIZ ZIMMER se ocultou, então deveria, vem Processo Administrativo e Auto de Infração próprio, individualizar sua conduta, e punila unicamente. Não existe, porque impossível, a "pena de perdimento solidária". A responsabilização solidária, quando prevista em lei, só pode ocorrer para fins de pagamento de tributo, que não se confunde com pena de perdimento e, evidentemente, também não pode ser confundida com a responsabilização penal do agente infrator, esta prevista no art. 95 do Dec.Lei 37/66. O Decreto 70.235/72 veda e impede que sejam reunidos em um só processo. Autos de Infração instaurados contra contribuintes diversos, ainda que em razão do mesmo fato. In casu, porém, não se trata de reunião em um só processo de dois autos de infração contra dois contribuintes diversos, o que já seria ilegal. No presente caso a ilegalidade é ainda mais flagrante, pois se trata de constituir em um único auto de infração, ou seja, um único crédito tributário constante em um único processo administrativo contra dois contribuintes distintos. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 10 9 · ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ÉRICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO Aspectos Fáticos Relevantes da Empresa D&A (Impugnante) O impugnante faz um relato sobre a constituição da empresa D&A Comércio Exterior Ltda. Ao se consultar o histórico de importações da empresa D&A, poderseá constatar que as importações em seu nome iniciaram efetivamente a partir de Junho de 2005, justamente por conta do benefício fiscal que lhe fora concedido naquele mês. Portanto, embora o foco da empresa D&A tenha mudado, iniciando como uma empresa prestadora de serviços de despacho aduaneiro (em 2003) e consolidandose como uma empresa comercial importadora (a partir de Jun/2005), a sua motivação negocial foi sempre muito bem definida. Todas as alterações contratuais foram realizadas conforme os ditames da lei vigente, sempre administrada pela sua sócia Josiane Denise dos Santos Debossan, essa, aliás, quem deu verdadeira guinada nas atividades da empresa, colocandoa no rumo em que se encontra hoje, não havendo qualquer irregularidade a ser apontada. Das Motivações da Autoridade Fiscal para Inclusão de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert como Responsáveis Solidários. Pelo que se depreende do Relatório do Auto de Infração, conjuntamente do que a autoridade fiscal denominou "Anexo Probante da Sociedade de Fato Caio Érica", a razão que levou à inclusão dos Despachantes Aduaneiros e sócios da Debossan Despachos Aduaneiros 1 (Sr. Caio Debossan e Érica Debossan) a figurarem como responsáveis solidários do presente Auto, foi que a AFRFB entendeu serem eles "sócios ocultos" da empresa D&A. Acontece que a Autoridade Fiscal, data vênia, parte de uma premissa totalmente equivocada para chegar a tal conclusão. A Autoridade Fiscal sustenta que Caio e Érica teriam "tentando ocultarse do quadro societário da empresa D&A com o uso de seus cônjuges na sociedade de direito", e que apesar de a legislação ter desvinculado funcionalmente a profissão de despachante aduaneiro da administração pública, dotoua de múnus público com a impossibilidade de comercializar mercadorias estrangeiras, pois se isso fosse possível "colocaria o despachante aduaneiro em franca vantagem concorrencial, ante as informações de que dispõe em razão de sua profissão, mutatis mutandis, o que o assemelha a um servidor público". Caso a premissa adotada pela Autoridade Fiscal fosse verdadeira, então nenhum servidor público poderia ter seu cônjuge sócio de uma empresa privada. Para se demonstrar que a premissa adotada pela Autoridade Fiscal é falha, tomase como exemplo os inúmeros auditores fiscais cujos cônjuges fazem parte do quadro societário de empresas privadas (muitas vezes de empresas importadoras). No caso hipotético, então, esses funcionários públicos teriam que ser considerados "sócios ocultos daquelas empresas visando obter franca vantagem concorrencial ante as informações de que dispõe". Tal linha de raciocínio, evidentemente, não pode prosperar. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 11 10 Além disso, interessante abrir um parêntesis nesse ponto para uma argumentação sob o plano hipotético, a fim de se demonstrar, sob outro ângulo, que as premissas tomadas pela Autoridade Fiscal são equivocadas. É que, caso a vedação do art. 10, I do Dec. 646/92 pudesse ser considerada válida, mesmo assim ela não atingiria o despachante aduaneiro sócio de uma empresa atuante na importação por conta e ordem. Se por um lado a empresa D&A Comércio Exterior Ltda. sempre foi gerenciada e administrada pela Josiane dos Santos Debossan (conforme pode ser comprovado pelo simples constatação de que é ela quem assina todas as procurações da empresa, livros fiscais, contratos com terceiros, negocia valores, etc.), por outro lado, Caio e Érica Debossan sempre atuaram como sócios e despachantes da empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. Não há que se confundir as duas empresas, pois distintas não só de fato, como também de direito. Da mesma forma, não há o que se falar em sociedade oculta, vez que os sócios de cada pessoa jurídica são conhecidos e exercem suas devidas funções. Ora, o fato das duas empresas terem sócios com laços familiares entre si, não tem o condão de desconsiderar suas personalidades jurídicas. Da mesma forma, não se pode presumir que Caio Debossan e Érica Debossan seriam sócios da empresa D&A pelo simples fato de que seus cônjuges é quem figuram no seu quadro societário, quando todos os documentos jurídicolegais da empresa demonstram o contrário. É um total disparate. Por sua vez, a alegação de que Josiane Debossan e Ivan Luiz Reinert seriam sócios "laranja" ou "presta nomes" também não passa de uma suposição descabida de qualquer fundamentação legal. No que tange especificamente o sócio da D&A, o Sr. Ivan Luiz Reinert, é certo que ele é apenas um sócio quotista e não detinha cunho gerencial na empresa. Aliás, possuía, sim, outro emprego em empresa diversa. É uma verdadeira aberração a presunção feita pela autoridade fiscal, de que Josiane Debossan seria uma 'sócia laranja', baseado numa simples conversa, desconsiderando todo o histórico gerencial da empresa realizado sempre pela Josiane Debossan. A empresa D&A se consolidou na prestação serviços de importação por conta e ordem de terceiros. Todo e qualquer outro serviço atrelado ao comércio exterior, como agenciamento de frete, preparação de documentos, desembaraço aduaneiro, etc. era prestado e cobrado pela Debossan Despachos Aduaneiros. Portanto, esse é o motivo para que Caio e Érica (sócios de fato e de direito Debossan Despachos) recebessem o percentual maior das comissões, repar do restante aos demais. Ou seja, mais um grande equívoco da autoridade fiscal. Érica Debossan, assim como inúmeros outros despachantes aduaneiros que trabalhavam para a D&A Comércio Exterior Ltda., eram apenas mandatários daquela empresa. Érica ao fazer contato com a ANP e buscar subsídios para realizar o cadastro de um dos seus clientes junto àquele órgão estatal, estava simplesmente exercendo seu mister. Como se sabe, a ANP é um dos inúmeros órgãos anuentes de licenciamentos de importação para determinadas mercadorias, razão pela qual Érica Debossan, na Fl. 894DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 12 11 qualidade de despachante da D&A, estava angariando informações e procedimentos para que Josiane Debossan realizasse o cadastro de sua empresa junto àquele órgão. Érica Debossan representava, então, a empresa D&A, por força do Mandato que lhe havia sido conferido. O que parece é que a autoridade fiscal pretende fazer crer que a sócia administradora de sua empresa não poderia terceirizar nenhum serviço, devendo pessoalmente tratar de todas as questões burocráticas, e, quiçá, cuidar pessoalmente do desembaraço aduaneiro. Um total desconhecimento da realidade empresarial. Merece destaque esse ponto, para se frisar que a importação por conta e ordem em Santa Catarina é regra, não exceção. Somente as empresas que possuem seus próprios benefícios fiscais de ICMS é quem realizam importações diretas. Sendo assim, despachantes aduaneiros da região invariavelmente firmam parcerias com empresas importadoras de sua confiança, pois se assim não o fizerem, o importador buscará outra comercial importadora e, consequentemente, irá desembaraçar suas mercadorias com outro despachante aduaneiro. Logo, a indicação de empresas comerciais importadoras/exportadoras (assim como empresas de outros ramos, como as de transporte nacional, agentes de carga internacional, inspetores de qualidade, corretores de seguros, tradutores e intérpretes, especialistas em classificação aduaneira, agências bancárias, despachantes aduaneiros dentre outras várias que gravitam a atividade de comércio exterior) é prática comum comercial, eis que se depende de vários prestadores de serviços terceirizados para a internação de mercadorias ou seu envio para o exterior. Contudo, a simples indicação da empresa D&A pela Érica Debossan não pode conduzir ao entendimento de que essa a gerenciava. Fosse assim, Érica e Caio Debossan teriam que ser considerados "sócios ocultos" de inúmeras outras empresas, tais como a ES Logística (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros no transporte internacional); Torre Corretora de Seguros (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros nos seguros internacionais de carga), dentre inúmeros outros. A fim de se esclarecer o imbróglio causado pela autoridade fiscal, vejase que em verdade, o site www.deacomex.com.br é destinado ao "Grupo D&A", ou seja, à todas as empresas pertencentes à família Debossan que atuam no comércio exterior. São ao todo três empresas distintas (D&A Com. Serv. Imp. Exp. Ltda.; Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. e; Confiança Comércio Exterior Ltda.), com motivos negociais específicos a cada uma delas. Não se confundem nem se misturam. Atuam individualmente e livremente, cada qual no seu segmento de mercado. Vejase, portanto, que embora se tratem de empresas distintas, com o passar dos anos, por serem da mesma família, passouse a chamálas apenas como "D&A". Isso, contudo, não quer dizer que esteja se falando apenas da D&A Comércio Serviços Importação Exportação Ltda. (ora Impugnante), mas sim do Grupo de Empresas D&A (Confiança; Debossan e D&A). Por fim, cumpre lembrar que somente poderia a autoridade fiscalizadora incluir os sócios Caio Debossan e Érica Debossan como solidariamente responsáveis no presente auto de infração, caso tivesse comprovado que os mesmos tiveram agido com excesso de poderes, infração de lei, ou em caso de dissolução irregular da empresa, nos termos do art. 135 do CTN. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 13 12 Entretanto, nenhuma das hipóteses ocorreu conforme amplamente demonstrado na presente peça impugnatória. Ainda que ao final da presente Impugnação se entenda que alguma infração tenha ocorrido, certo é que isso não terá o condão de desconsiderar a personalidade jurídica limitada da empresa Impugnante, ao ponto de alcançar qualquer pessoa física que seja, muito menos terceiros que em nada contribuíram para tal infração, tampouco puderam se beneficiar dela. · ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO Ainda que se admitisse como correta a aplicação da pena de perdimento e a multa de conversão dela decorrente, mesmo nessa hipótese o Auto de Infração deve ser anulado, diante da manifesta ilegitimidade passiva da D&A. É que a pena de perdimento da mercadoria importada, quando constatada a ocultação do real importador, mediante fraude ou interposição fraudulenta, é sanção que visa punir o real encomendante/adquirente da mercadoria, e não o importador ostensivo, pois este deve ser punido apenas com multa de 10% pela cessão de nome. Essa é, aliás, a exegese que se extrai da conjugação do art. 33 da Lei 11.488/07 com o art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76. Cita Jurisprudência Administrativa, em relação aos seguintes acórdãos da DRFSP: ACÓRDÃO N° 1728100; ACÓRDÃO N° 1728104 e ACÓRDÃO N° 1724943. Pelo mesmo motivo, também não se admite que o adquirente seja punido, solidariamente ao importador, com a multa do artigo 33 da Lei 11.488, sob pena de estarse ferindo o princípio do non bis in idem. Transcreve o art. 100 do DecretoLei 37/66. Não bastasse o erro de tipificação legal, é certo que a manutenção da multa de conversão da pena de perdimento em face da D&A causará inegável bis in idem, pois tal empresa já está respondendo a outro Auto de Infração, de n° 13971.722508/201198, no qual lhe fora aplicada justamente a pena de 10% pela cessão de nome. Assim, se a própria Receita Federal reconhece que a D&A deve ser multada apenas em 10% do valor da operação pela cessão de nome para a importação, não pode figurar, concomitantemente, como sujeito passivo na aplicação da pena de perdimento das mercadorias nem suportar a multa de conversão, no valor aduaneiro das mesmas, pois estaria sendo punida duas vezes pelo mesmo fato. Face ao exposto, o presente Auto de Infração deve ser integralmente anulado ou julgado integralmente improcedente, por erro de tipificação legal. · AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. É de fácil percepção, portanto, que a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro pressupõe a prova da impossibilidade de localização das mercadorias ou de que foram consumidas. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 14 13 Acontece que, no caso concreto, a Autoridade Fiscalizadora aplicou a multa em questão por mera presunção pessoal, pois, pelo que consta nos autos, não foram realizadas diligências nem constatações suficientes, conclusivas, que apontassem claramente que as mercadorias não foram encontradas, ou que já foram consumidas. Do extenso relatório do Auto de Infração impugnado não se extrai qualquer prova de que a Receita Federal tenha buscado 'localizar' a mercadoria em questão. E foi exclusivamente com base neste suposto 'consumo da mercadoria' que a Autoridade Fiscal, de imediato, converteu a pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Não bastasse a flagrante ilegalidade acima apontada, é de se reconhecer também a existência de FLAGRANTE CERCEAMENTO DE DEFESA da D&A, pois esta sequer foi intimada a prestar informações ou esclarecimentos a respeito da localização das mercadorias que envolvem este Auto de Infração. Ora, se a D&A é quem foi autuada pela pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, necessariamente deveria ser intimada a prestar esclarecimentos, informar o paradeiro/situação das mercadorias ou, pelo menos, se defender. Dessa forma, ante a ausência de intimação da D&A, necessária se mostra a completa anulação do Auto de Infração ora impugnado, notadamente porque se está diante de inegável afronta a princípios basilares do Estado Democrático de Direito: ampla defesa e contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Da mesma forma, face à ausência de intimação da D&A, para que esta pudesse apresentar as mercadorias destinadas à pena de perdimento ou, no mesmo prazo, esclarecimentos a respeito das mesmas, resta igualmente prejudicada a aplicação da pena de perdimento e da multa de conversão dela decorrente, inclusive por violação direta aos direitos constitucionais da ampla defesa e contraditório (CF 5º LV), motivos pelos quais deve ser decretada a nulidade deste Auto de Infração. · INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. A pena de perdimento das mercadorias é sanção aplicável aos casos de comprovada fraude na operação de importação ou de exportação. O próprio art. 23, V do DL 1.455/1976, no qual a Autoridade Fiscal embasa sua autuação, pressupõe a existência de fraude para que reste caracterizado o dano ao Erário. No caso em apreço, contudo, não houve ação nem omissão dolosa. O que houve foi um mero equívoco operacional, um erro de preenchimento da DI, que jamais pode ser considerado doloso, até porque esta "conduta" dolosa não traria benefício algum à Impugnante. Além do mais, a conduta dolosa deve, NECESSARIAMENTE, ter por escopo impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou de situações pessoais que sejam capazes de afetar a obrigação ou o crédito tributário, o que evidentemente não ocorreu no caso em tela, porquanto TODOS OS TRIBUTOS INCIDENTES NA OPERAÇÃO FORAM REGULARMENTE RECOLHIDOS! Fl. 897DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 15 14 Em outras palavras, se a conduta da D&A não impediu o conhecimento do fato gerador dos tributos, nem afetou a obrigação tributária e o crédito tributário, não há que se falar em sonegação, como quer fazer crer a Autoridade Fiscal. Aliás, agarrase tal autoridade no frágil argumento de que a conduta em tela visaria à quebra da cadeia do IPI, o que à toda evidência não prospera, consoante restará demonstrado em tópico apartado. Diante disso, não há que subsistir a forçosa alegação de que a D&A teria agido de forma fraudulenta, pois mesmo eventual erro no preenchimento da DI, além de não ser uma conduta deliberada (dolosa), não contribuiu em nada para que tributos deixassem de incidir ou deixassem de ser pagos, ou ainda que incidissem de forma reduzida. E, se não há fraude, também não há que se falar na aplicação da pena de perdimento das mercadorias, razão a mais para se julgar integralmente improcedente este lançamento tributário. Transcreve o artigo 73 da Lei n° 4.502/64. Nessa toada, mero juízo de delibação é suficiente para verificar que o conluio só existirá se houver a presença de sonegação e/ou fraude. No entanto, restou sobejamente demonstrado que em momento algum a D&A agiu de forma dolosa, a fim de praticar sonegação ou fraude, mormente porque todos os tributos foram regularmente recolhidos. Assim sendo, ante a inexistência de fraude ou sonegação, não há que se falar em conluio com a D&A. · INEXISTÊNCIA DA QUEBRA DA CADEIA DO IPI Com efeito, a Autoridade Fiscal aduz, em síntese, que a D&A e a DGF Teriam deliberadamente ocultado o real encomendante das mercadorias em questão, ao pretexto de deixar de recolher IPI, mesmo que proporcionalmente. No entanto, é flagrante o equívoco da Autoridade Fiscal. Ora, as mercadorias objeto das DI's que embasam este Auto de Infração a alíquota de IPI sempre foi 0%. · EXTINÇÃO DO DIREITO DE REALIZAR A REVISÃO ADUANEIRA TRANSCURSO DO PRAZO DE 5 ANOS –DECADÊNCIA O caso em tela é emblemático e não deixa dúvidas. A decadência operouse após a inércia da Administração Pública ao longo de 5 anos, não havendo como aquelas importações (digase ainda: de terceira empresa) ressoarem na esfera jurídica da Impugnante agora, depois de ultrapassado o prazo decadencial previsto no Regulamento Aduaneiro e no DecretoLei n° 37/66. O direito de a Administração punir se extinguiu, não podendo gerar conseqüências sancionatórias sobre a Impugnante, o que torna o Auto de Infração NULO DESPE O NASCIMENTO. Ora, em razão do transcurso in a/bis do período de 5 anos, a contar da data da suposta Infração leiase: registro da DI), extinguiuse o direito de o Fisco aplicar a pena de perdimento e, por consequência, de cobrar multa de conversão. Declaração de Importação nº 06/03524952, de 28/03/2006 Fl. 898DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 16 15 Declaração de Importação nº 06/10806364, de 11/09/2006 A REVISÃO ADUANEIRA, ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação (art. 638 do RA), extrapolou o prazo legal para sua conclusão. · INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU DE SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado e Heleno Taveira Tôrres a respeito do assunto. No presente caso, verificase que a Autoridade Fiscal fundamenta a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias ao argumento de que se estaria diante de uma interposição fraudulenta. E esta, por sua vez, seria realizada ao propósito de burlar os controles aduaneiros e quebrar a cadeia de incidência de IPI. Relativamente à suposta "quebra da cadeia do IPI", não houve qualquer burla ao recolhimento de tal imposto, notadamente porque as mercadorias importadas ou são materiais não tributáveis pelo IPI ou possuem alíquota 0%, ou seja, não há que se falar em sonegação de um imposto que sequer incide. Da mesma forma, todos os tributos incidentes na operação foram regularmente recolhidos, não se evidenciando, portanto, nenhuma sonegação ou fraude. Já no que se refere à suposta "burla aos controles aduaneiros" e à suposta "interposição fraudulenta", estas, de igual forma, não ocorreram. A Autoridade Fiscal quer fazer crer que a Impugnante ocultou dolosamente o real encomendante das mercadorias, ao argumento de que não teria informado o CNPJ deste no "campo próprio". Ocorre que este "campo próprio" não existia (e ainda não existe). Assim, as importações em questão se tratam de importações diretas para revenda. A importação direta diferese da importação por conta e ordem de terceiros, basicamente porque nesta (conta e ordem), a mercadoria continua sendo de propriedade do adquirente por conta e ordem, enquanto naquela (direta) a mercadoria é de propriedade do próprio importador, que, depois de desembaraçada, irá revendêla no mercado nacional. A empresa Importadora (D&A) cuidou de cumprir todos os aspectos jurídicos, tributários e formais para deixar "às claras" o negócio realizado, não havendo o que se cogitar em "simulação", como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora em seu relatório. Ademais, o negócio concretizado obedeceu todos os requisitos normatizados pela Receita Federal para que a mercadoria seja considerada de propriedade do importador, como é o caso na importação direta para revenda. Transcreve o Ato Declaratório Normativo da SRF n° 7 de junho de 2002 (ADN n° 7/2002). De acordo com o ADN SRF n° 7 como bastaria uma hipótese ser cumprida, para caracterizar a aquisição e propriedade da mercadoria importada pela Fl. 899DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 17 16 importadora (D&A Comércio Exterior), descartandose a importação por conta e ordem de terceiros ou encomenda e, conseqüentemente, qualquer hipótese de "interposição fraudulenta". Desta feita, a Ré não pode negar vigência à normativa da RFB a qual está diretamente vinculada, para concluir que a operação realizada tenha sido meramente uma prestação de serviços. Em suma, tratase claramente de importação própria, para revenda no mercado interno, assim caracterizada tanto do ponto de vista substancial, quanto formal, nos termos da legislação em vigor, especialmente do ADN n° 7/2002. · AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO As importações sob análise, ainda que se entendesse irregulares, não foram realizadas dessa forma com o intuito de fraude. Pelo contrário, o contribuinte agiu de boafé, entendendo ser correta sua conduta, baseada na interpretação da legislação aduaneira em vigor. Vejase que o legislador tratou de relevar a pena de perdimento, nos casos em que o infrator, voluntariamente, comunique eventual erro ou equívoco ocorrido nos seus procedimentos, pois são casos nos quais não há o elemento danoso, nem intenção do agente em cometer a infração. Junta textos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça a respeito do assunto: (REsp n° 331548/PR, Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 04/05/06) e (REsp n° 512517/SC, Min. Eliana Calmon, DJ de 19/09/05) Por mais que se insistisse na decretação da pena de perdimento à D&A, acreditandose ter havido a ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mesmo depois de toda a argumentação exposta, não há como se negar que houve o recolhimento de todos os tributos devidos na operação. Noutras palavras, a infração supostamente cometida neste caso, não resultou em falta ou insuficiência de recolhimento de tributo. Diante disso, considerandose que não houve falta de recolhimento de quaisquer tributos, a relevação da pena de perdimento, com fulcro no art. 737 do Regulamento Aduaneiro, é medida de Justiça que se impõe. · NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL Caso se entenda que houve irregularidades na importação, imperioso se reconhecer que estas foram de ordem meramente formal o que ensejaria a aplicação da multa comumente conhecida como "multa por erro", do art. 711 do R.A., ao invés da pena de perdimento. Aliás, insta frisar a existência de conflito entre a pena de perdimento por "ocultação do real comprador", fundamentada no art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76, com a pena de multa por "omissão do adquirente comprador" fundamentada no art. 711, inciso III, §1°, do Regulamento Aduaneiro. Conforme demonstrado, ao se confrontar a redação do art. 711, III do RA (omitir a identificação do adquirente comprador) com a redação art. art. 23, V do Dec. Lei 1.455/76 (ocultar o comprador da operação), que ensejou a pena de Fl. 900DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 18 17 perdimento no AI ora atacado, notase que as tipificações são idênticas para o caso sob análise, razão pela qual se faria necessária a aplicação da penalidade mais branda, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional. Além do mais, a redação que introduziu a pena de perdimento no caso de "ocultação do real comprador", prevista no art. 23, V do DeL. 1.455/76, veio ao mundo jurídico através da Lei 10.637, de 30/12/2002. Já a redação do art. 711, inciso III, §1°, inciso I do R.A., por seu turno, que aplica multa de 1% do valor aduaneiro no caso da "omissão do real comprador", foi dada pela Lei 10.833 de 29/12/2003, que é mais recente, razão pela qual há de prevalecer, por força do disposto no art. 2°, § 1° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. DOS PEDIDOS. DO EXPOSTO, os Impugnantes requerem: O acatamento das preliminares alhures constatadas, para: · Reconhecer a ilicitude e imprestabilidade das provas emprestadas do Inquérito Policial n° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) e, consequentemente, decretar a integral nulidade do Auto de Infração (tópico 2.1); · Reconhecer a existência de cerceamento de defesa e, consequentemente, anular o Auto de Infração ou oportunizar a juntada posterior de outros argumentos de fato e de direito, além de outros documentos que possam surgir para contrapor a autuação fiscal (tópico 2.2); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF (tópico 2.3); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pelo excesso de prazo para a conclusão procedimental e pela ausência de intimação sobre as prorrogações do MPFF (tópico 2.4); · Reconhecer a ilegitimidade passiva e a responsabilidade solidária de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert, para anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tais Impugnantes (tópico 2.6); · Reconhecer a ilegitimidade passiva da D&A para suportar a pena de perdimento e a multa de conversão eis que tal multa não pode ser aplicada ao importador ostensivo, mas tãosomente ao real encomen dante/adquirente , para o efeito de anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tal Impugnante, estendendose automaticamente tais efeitos a Caio e Érica (tópico 2.7); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pela ausência de comprovação do consumo das mercadorias, o que impossibilita a aplicação da pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro (tópico 2.8); · Decretar a nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa, consistente na ausência de intimação da D&A para apresentar as mercadorias a serem destinadas ao perdimento (tópico 2.8); Fl. 901DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 19 18 No mérito, os Impugnantes ainda requerem: · Seja reconhecida a inexistência de qualquer fraude, sonegação, conluio e/ou subfaturamento que pudesse ensejar a aplicação de pena de perdimento por suposta interposição fraudulenta (tópico 2.9); · Seja reconhecida a inexistência de quebra da cadeia de IPI nas operações em questão, mormente diante de ser produto não tributável e/ou de alíquota 0% (tópico 2.10); · Seja reconhecida a ocorrência da decadência do direito de realizar a Revisão Aduaneira e, consequentemente, decretada a nulidade/cancelamento do Auto de Infração (tópico 2.11); · Seja declarada a inocorrência de ocultação dolosa do real adquirente/encomendante das mercadorias, a inocorrência de burla aos controles aduaneiros, bem como a inocorrência de interposição fraudulenta, a fim de afastar a pena de perdimento e a multa de conversão; · Seja afastada a hipótese de aplicação da pena de perdimento ao caso concreto, por ausência do elemento danoso; ou, na remota hipótese de se entender realmente aplicável ao caso concreto a pena de perdimento, seja então, relevada tal penalidade, nos termos do art. 737 do R.A. (tópico 2.10); · Por fim, diante da completa ausência de dolo, fraude, sonegação ou dano, reconhecendo por outro lado a boafé, presente nas atividades das Impugnantes, sejam estas isentadas de qualquer tipo de penalidade, ou, alternativamente, seja aplicada apenas a multa de 1% do Valor Aduaneiro por erro, por se tratar de penalidade mais favorável (tópico 2.11). A 23a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo – SP julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente o lançamento, nos termos do Acórdão no 16050.673, de 25/09/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 31/05/2006 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle Fl. 902DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 20 19 absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. A empresa D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA tomou ciência da referida decisão no dia 21/10/2013 e a firma JOÃO LUIZ ZIMMER ME no dia 22/10/2013. Os responsáveis pessoais CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT tomaram ciência desse decisão no dia 19/10/2013. No dia 20/11/2013 os contribuintes D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA., CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram recurso voluntário conjunto, no qual renovam os argumentos da impugnação, acima resumido. A firma JOÃO LUIZ ZIMMER ME não apresentou recurso voluntário. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário apresentado conjuntamente por D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Preliminarmente, registrese que é tempestivo o recurso voluntário apresentado por CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT porque os referidos contribuintes tomaram ciência do acórdão da DRJ no dia 19/10/2013, um sábado, iniciando a contagem do prazo para apresentação do recurso voluntário no primeiro dia útil seguinte, ou seja, na segundafeira dia 21/10/2013. Como, na contagem do prazo excluise o dia do início e incluise o do vencimento, a contagem do prazo iniciou no dia 22/10 e terminou no dia 20/11, data da apresentação do recurso voluntário (art. 5º, e seu parágrafo único, do Decreto nº 70.235/72) Dito isso, passemos ao exame das razões dos recursos. Como relatado, contra a empresa D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e a firma JOÃO LUIZ ZIMMER – ME foi lavrado Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme determina o art. 23, V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/75 c/c o art. 105, VI e VII do DecretoLei nº 37/66 (arts. 689, VI, VII, XXII e § 1º, c/c art. 673 e 675, IV, todos do RA/2009). Os Recorrentes alegaram que ocorreu a extinção do direito de a Fazenda Nacional realizar a revisão aduaneira, por decurso de prazo, e, conseqüentemente, de efetuar o lançamento da multa objeto deste processo. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 21 20 As mercadorias objeto do perdimento, convertido em multa, foram desembaraçadas por meio da DI nº 06/06303779, registrada no dia 31/05/2006. A ciência do Auto de Infração pelos recorrentes D&A, Caio e Érica ocorreu no dia 01/12/2011. Portanto, já havia transcorrido mais de 5 (cinco) anos da data do registro da referida DI nº DI nº 06/06303779, de 31/05/2006, objeto da autuação. Sobre esse tema, comungo com a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento no Recurso de Ofício contido nos autos do Processo nº 12466.002712/201055, cujo Acórdão nº 3202001.391, da lavra do conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior, tem a seguinte ementa: PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DAS MERCADORIAS. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de multa em razão da pena de perdimento, por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Recurso de ofício negado. No voto condutor do referido Acórdão nº 3202001.391, o Ilustre Conselheiro Relator transcreve o seguinte enxerto do voto da decisão da DRJ, objeto do recurso de ofício: Todavia o artigo 139 do Decretolei n° 37/1966, assim dispõe, in verbis: Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Tal dispositivo foi reprisado no Regulamento Aduaneiro, Decreto n° 4.543/2002, nos seguintes termos, in verbis: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei n° 37, de 1966, art. 139). Desses dispositivos, observase que as penalidades têm prazo de contagem próprio para sua constituição, qual seja, cinco anos contados a partir da data da infração. No presente caso, considerandose que as infrações imputadas à interessada possuem como data de seu cometimento a data do registro das Declarações de Importação e que a ciência do auto de infração, ato que o perfectibiliza, ocorreu em 18/10/2010, o lançamento referente a Declarações de Importação registradas antes de 18/10/2005 deve ser declarado nulo. O auto de infração em tela se refere as Declarações de Importação registradas entre 07/03/2005 e 20/06/2005, portanto nulo. Sobre essa matéria, não posso concordar com a fundamentação da decisão recorrida que, após um longo arrazoado, concluiu o seguinte: Fl. 904DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 22 21 Assim, o marco inicial para transcorrer o prazo a que se refere o artigo 139 do DecretoLei nº 37/66 é quando se apreende a mercadoria (retirada do mercado interno) ou o órgão responsável pelo controle aduaneiro tem a ciência inequívoca da infração [...] Portanto, a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro, que vem a ser substitutiva da pena de perdimento, na forma do §3º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76, tem como inicio do seu prazo decadencial o primeiro dia ao ano subsequente da data da intimação não respondida pelo autuado para a apresentação das mercadorias passíveis de serem apenadas com perdimento. Em primeiro lugar, a decisão recorrida utilizouse de disposições da Lei nº 9.873/99 que, pelo disposto no seu art. 5º, abaixo reproduzido, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária, como é o presente caso. Art.5o O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. Em segundo lugar, não posso concordar com a referida conclusão do acórdão recorrido sobre essa matéria, acima reproduzida. E não o faço porque, a meu sentir, o art. 139 do DL 37/66 diz que extinguese em cinco anos o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. E para mim, a infração, neste caso, não é continuada, como alegado pela decisão recorrida, e ocorreu pontualmente com o registro da DI, onde deixou de ser informado o real importador. Tudo o que aconteceu antes do registro da DI era absolutamente normal e legal as tratativas de compra no exterior e as transferência de recursos da firma JOÃO LUIZ ZIMMER ME para a D&A, devidamente contabilizado. Se tivesse sido registrado a DI como importação por conta e ordem da firma JOÃO LUIZ ZIMMER ME, não haveria que se falar que ocorreu ocultação do real importador. E o que ocorreu depois venda pela D&A e compra e venda pela firma JOÃO LUIZ ZIMMER ME das mercadorias não se constitui na mesma infração imputada às empresas autuadas: interposição fraudulenta de terceiros. Diante da extinção do direito de a Fazenda Nacional de impor a penalidade, e a conseqüente improcedência do Auto de Infração, desnecessário abordar e discutir aqui as demais questões preliminares e de mérito argüidas pelas recorrentes. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para declarar improcedente o Auto de Infração. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 905DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722734/201179 Acórdão n.º 3302002.876 S3C3T2 Fl. 23 22 Fl. 906DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 15922.000473/2008-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comprová-las em parte.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos, para retificar o Acórdão 2101-001.350, para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento em parte, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 1.450,00 (hum mil, quatrocentos e cinqüenta reais).
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Hipótese em que a prova produzida pela Recorrente é suficiente para comproválas em parte. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os embargos, para retificar o Acórdão 2101001.350, para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento em parte, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 1.450,00 (hum mil, quatrocentos e cinqüenta reais). (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 04 73 /2 00 8- 48 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15922.000473/200848 Acórdão n.º 2101002.699 S2C1T1 Fl. 111 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Júnior e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso de embargos de declaração (efls. 61/63) interposto em 16 de dezembro de 2011 em face do acórdão de efls. 54/57, do qual a Recorrente teve ciência em 10 de dezembro de 2011, que, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso voluntário interposto pelo contribuinte em virtude de intempestividade. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. É intempestivo o Recurso Voluntário interposto após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias contados da data da ciência da decisão recorrida, excluindo se o dia do início (data da ciência) e incluindose o do vencimento do prazo. Não interposto Recurso Voluntário no prazo legal, tornase definitiva a decisão de primeira instância.” (efl. 54) O contribuinte opôs embargos de declaração pedindo “seja sanada a omissão acima apontada (o fato de o recurso ter sido postado em 05 de novembro de 2010), a fim de que o Recurso Voluntário interposto seja conhecido e, por conseguinte, tenha seu mérito devidamente analisado” (efl. 63). O recurso foi admitido por meio do despacho de efl. 81/82. Em sessão realizada em 02 de dezembro de 2014, o julgamento foi convertido em diligência, “para que o dossiê do contribuinte seja trazido aos autos”. Juntado referido dossiê, os autos retornaram ao CARF para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O presente recurso, apresentado pelo contribuinte com fundamento no disposto no art. 65 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido in totum. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15922.000473/200848 Acórdão n.º 2101002.699 S2C1T1 Fl. 112 3 No presente caso, a Embargante aduz que o acórdão proferido por esta Turma foi omisso quanto à apreciação do fato de que o Recurso Voluntário interposto não foi protocolado diretamente na Unidade da Receita Federal do Brasil em 09/11/2010, mas sim postado tempestivamente, em 05/11/2010, em Agência dos Correios. Corroboram sua assertiva os documentos ora anexados, quais sejam a cópia do aviso de recebimento postal assinado por funcionário da Receita Federal do Brasil (efls. 72/73) e a cópia do rastreamento da postagem emitido pelo site dos Correios (efl. 74). Eis os motivos pelos quais os presentes embargos poderiam ser acolhidos para, suprindo a omissão apontada, retificar o Acórdão 2101001.350 para conhecer do recurso voluntário. Passo então a analisar as razões do recurso voluntário. Para tanto, transcrevo o relatório da Conselheira Celia Murphy: “Em desfavor de MARIA LIGIA FARIA RIBEIRO foi emitida a Notificação de Lançamento às fls. 6, na qual é cobrado o imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) suplementar no valor de R$ 3.790,82 (três mil, setecentos e noventa reais e oitenta e dois centavos), que, com juros de mora calculados até 29.08.2008 e multa proporcional perfaz um valor total exigido de R$ 8.929,27 (oito mil novecentos e vinte e nove reais e vinte e sete centavos). Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 5) a Fiscalização informa ter apurado dedução indevida a título de despesas médicas realizadas junto aos profissionais abaixo descritos: 1. ALZIRA FRANCHI (CPF 723.198.52891): Valor glosado: R$ 8.260,00. 2. MARCONI GONZAGA TAVARES (CPF 858.793.47168): Valor declarado R$ 12.000,00. Valor glosado R$ 1.450,00. 3. MARIANA CHAVES BORSATTO (CPF 218.539.87840): Valor glosado R$ 5.000,00. Em 8 de setembro de 2008, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 e 2), na qual requer o cancelamento da alteração no valor da restituição, alegando, em síntese, que: 1) Os recibos comprobatórios das despesas médicas foram apresentados tempestivamente e são idôneos; 2) Com a indicação do CPF ou CNPJ, a Receita Federal tem acesso ao endereço atualizado do emitente do recibo, que, por isso, deve ser validado Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15922.000473/200848 Acórdão n.º 2101002.699 S2C1T1 Fl. 113 4 apesar da falta de endereço, bem como, pela falta de indicação do beneficiário, haja vista que, se o recibo está na posse do contribuinte é óbvio que este efetuou o pagamento. A 10.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo 2, mediante o Acórdão n.º 1743.378, de 11 de agosto de 2010, julgou a Impugnação improcedente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. Mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados documentos comprobatórios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Em relação à glosa de despesas médicas, a norma aplicável ao caso (Lei n.º 9.250/95) preceitua o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15922.000473/200848 Acórdão n.º 2101002.699 S2C1T1 Fl. 114 5 Já o Decreto n.º 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” ... “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1º. O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento”. Cabe mencionar, ainda, que, no entender deste Conselheiro, a autoridade fiscalizadora deve fazer a prova necessária para infirmar os recibos de despesas dedutíveis eventualmente acostados aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade dos recibos, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15922.000473/200848 Acórdão n.º 2101002.699 S2C1T1 Fl. 115 6 "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) *** “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Feitos os esclarecimentos prévios, cumpre mover à análise específica dos documentos apresentados pela Recorrente, de maneira a aferir se, de fato, a glosa das despesas que foi mantida pelo acórdão recorrido, tal como realizada, afigurase válida, ou, em sentido contrário, se os documentos apresentados seriam suficientes para o fim de demonstrar a legitimidade dos gastos apontados in casu. No presente caso, foram glosadas despesas médicas de três profissionais. Com relação à Sra. Alzira Franch, os recibos não teriam discriminado o endereço da emitente; no que se refere ao Sr. Marconi Gonzaga Tavares, os recibos também não teriam discriminado o endereço do emitente; quanto à Mariana Chaves Borsatto, os recibos não teriam indicado o beneficiário. A DRJ decidiu que, além da identificação do beneficiário, a prova do pagamento efetuado e da efetiva prestação dos serviços deveria ser feita, pois as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual equivalem a percentual acima de 50% de seus rendimentos tributáveis. Em seu recurso, a Recorrente apresenta razões genéricas que, no entender deste Conselheiro, têm o condão de infirmar apenas parte das razões do acórdão recorrido. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15922.000473/200848 Acórdão n.º 2101002.699 S2C1T1 Fl. 116 7 De fato, ao contrário do que afirmado na notificação de lançamento, há sim em recibos do Sr. Marconi Gonzaga Tavares o endereço da emitente, o que já seria suficiente para afastar a glosa. Não obstante, quanto às demais despesas, o lançamento tem de ser mantido, pois a Recorrente não trouxe nenhum argumento que pudesse afastar a conclusão da DRJ. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de ACOLHER os embargos para retificar o Acórdão 2101001.350, para conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento em parte para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 1.450,00 (hum mil, quatrocentos e cinqüenta reais). (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 116DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/02/ 2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13896.910099/2012-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3801-000.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do presente voto. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório eletronicamente emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife, por meio do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 10 09 9/ 20 12 -1 4 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910099/201214 Resolução nº 3801000.891 S3TE01 Fl. 12 2 qual foi não homologada a Declaração de Compensação DCOMP em que é indicado suposto crédito a título de pagamento indevido ou a maior da COFINS. Por bem descrever os fatos, transcrevo o Relatório da DRJ de Recife: 2. A não homologação da compensação se deu porque, embora localizado supradito pagamento, ele fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. No recurso, a defendente alega que tem por objeto a prestação de serviços técnicos no ramo de engenharia e que tem como principal tomadora de serviços o Grupo PETROBRÁS, estando submetida ao pagamento, dentre outros tributos, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, relativamente às quais as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 estabeleceram sistemática não cumulativa de pagamento, que consiste “em deduzir, dos débitos apurados de cada contribuição, os respectivos créditos admitidos na legislação”. 4. Transcreve a recorrente o art. 3º, da Lei nº 10.833/2003, que prevê a possibilidade de desconto de créditos da COFINS, e apresenta decisões administrativas e judiciais que tratam do conceito de insumos para fins de desconto de créditos desta contribuição, após o que assevera que, “fundamentada na legislação tributária e no entendimento dado pelos Tribunais Pátrios, em decorrência de recolhimentos realizados a maior no exercício de liquidação de sua carga tributária inerente às Contribuições Sociais em comento, razão pela qual requereuse a presente compensação administrativa”. 5. Diz ter cumprido todas as etapas legais estabelecidas e que preencheu todos os requisitos e que, desta forma, não haveria que se negar a homologação das compensações e muito menos ainda aplicar multa. 6. Argúi que a alegação do Despacho Decisório recorrido de que inexistiria crédito indicaria, de forma clara, erro no cruzamento de informações dos sistemas que impediu a identificação do crédito, que fala ser líquido e certo. 7. Menciona que, para sanar quaisquer dúvidas, apresenta Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON e de Declaração de Débitos e Créditos – DCTF da DCOMP. 8. Ao final, diante das provas apresentadas, requereu o acolhimento da defesa e que seja julgada “improcedente a autuação e, em decorrência, cancelada a exigência”. 9. Dentre outros documentos, a contribuinte anexou aos presentes autos cópia de DACON retificadora e este. Analisando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife entendeu por bem julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, ao Fl. 247DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910099/201214 Resolução nº 3801000.891 S3TE01 Fl. 13 3 argumento de que este não apresentou documentos que evidenciassem, de forma inequívoca, o direito ao pretendido indébito. Transcrevase a ementa da referida decisão: TRIBUTO. PAGAMENTO ESPONTÂNEO. RESTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO. REQUISITOS. O reconhecimento do direito à restituição/compensação de tributo recolhido de acordo com confissão de dívida constante de DCTF ativa quando da emissão do Despacho Decisório que não homologa a compensação exige a comprovação, pelo sujeito passivo, de erro na confissão e de que o pagamento realizado foi indevido ou a maior que o devido em face da legislação aplicável ou das circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Diante dessa decisão, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que não fora intimado para prestar qualquer esclarecimento ou apresentar documentação fiscal que atestassem a natureza e demonstrassem inequivocamente o seu crédito, tendo o seu pedido de compensação sido não homologado direto por meio de despacho eletrônico. Assim, juntou ao Recurso todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes, que comprovam a natureza do crédito. Registrou também disponibilizar os documentos fiscais e contábeis, que poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa, em Barueri. Argumentou que o processo administrativo fiscal possui como princípio a verdade material e traz jurisprudência deste Conselho e do Poder Judiciário sobre a necessidade e importância de sua aplicação. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910099/201214 Resolução nº 3801000.891 S3TE01 Fl. 14 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisando os autos, entendo que no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Recife poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade e correção dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a Fl. 249DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910099/201214 Resolução nº 3801000.891 S3TE01 Fl. 15 5 ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Fl. 250DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13896.910099/201214 Resolução nº 3801000.891 S3TE01 Fl. 16 6 Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DACON que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Recife, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo decorrentes de bens e serviços utilizados como insumos na sua prestação de serviços de engenharia e, em conseqüência, são passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DACON retificada, balancete, documentação fiscal e contábil passível de verificação do direito creditório. Tal documentação, contudo, não foi considerada pela DRJ/Recife, sob a alegação de ter sido apresentada posteriormente ao indeferimento da compensação. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF de Recife para: 1. Apurar se, com base na documentação acostada aos autos, os valores dos créditos de bens e serviços utilizados como insumos na sua atividade declarado no DACON retificado estão corretos; 2. Caso se entenda que a documentação acostada aos autos não seja suficiente para a verificação dos créditos, intimar a empresa a apresentar documentos adicionais para esse fim específico, concedendolhe prazo para tal apresentação; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 251DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 12/03/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 31 /03/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 35431.000256/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/12/2006
AI. NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa.
ESTAGIÁRIOS. Tendo em vista que não foram observadas as formalidades constantes no art. 28, 9º, i, da Lei 8.212/91, , diante da não apresentação dos termos de compromisso de estágio, conforme previsão da Lei 6.494/77, é de se manter o lançamento das contribuições relativamente aos pagamentos efetuados a estagiários.
PAGAMENTOS DA PLR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS VALORES FORAM PAGOS A ESTE TÍTULO. O pagamento de participação nos lucros e resultados somente estará fora da incidência das contribuições previdenciárias, quando efetuado em conformidade com o que dispõe a Lei 10.101/00, o que não foi verificado no caso dos autos.
LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE do SEBRAE, SAT e INCRA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.(Súmula CARF nº2)
TAXA SELIC E JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº4. A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observála, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº4).
DA MULTA APLICADA. Não há que se falar em demonstração do dolo pelo contribuinte a fim da aplicação da multa art. 35 da Lei 8.212.91, devendo ser mantida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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NORMAS LEGAIS PARA SUA LAVRATURA. OBSERVÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o fiscal efetua o lançamento em observância ao art. 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado, garantindo ao contribuinte o seu pleno exercício ao direito de defesa. ESTAGIÁRIOS. Tendo em vista que não foram observadas as formalidades constantes no art. 28, 9º, “i”, da Lei 8.212/91, , diante da não apresentação dos termos de compromisso de estágio, conforme previsão da Lei 6.494/77, é de se manter o lançamento das contribuições relativamente aos pagamentos efetuados a estagiários. PAGAMENTOS DA PLR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS VALORES FORAM PAGOS A ESTE TÍTULO. O pagamento de participação nos lucros e resultados somente estará fora da incidência das contribuições previdenciárias, quando efetuado em conformidade com o que dispõe a Lei 10.101/00, o que não foi verificado no caso dos autos. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE do SEBRAE, SAT e INCRA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.(Súmula CARF nº2) TAXA SELIC E JUROS DE MORA. SÚMULA CARF Nº4. A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observála, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº4). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 43 1. 00 02 56 /2 00 7- 14 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 DA MULTA APLICADA. Não há que se falar em demonstração do dolo pelo contribuinte a fim da aplicação da multa art. 35 da Lei 8.212.91, devendo ser mantida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35431.000256/200714 Acórdão n.º 2402004.507 S2C4T2 Fl. 385 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por SANTO ANDRE ATLETICA DE GINASTICA LTDA, em face do acórdão que manteve integralmente a NFLD n.° 37.089.0531, lavrada para a cobrança de contribuições previdenciárias parte da empresa, parte não descontada dos segurados, SAT/RAT e as destinadas a terceiros, incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados empregados. Consta do Relatório Fiscal que foram considerados como fatos geradores: a) pagamentos efetuados a estagiários: no período de 05.2003 a 12.2004, uma vez que não foram apresentados os Termos de Ajuste de Cooperação entre a instituição e a empresa, bem como Termos de compromisso dos Estagiários, nem os Termos de Aditamento comprovando prorrogações, relativos ao período de prestação de serviços de 05.2003 a 12.2004; b) participação nos lucros e resultados, em razão de que: b.1) quando intimada através de TIAD para apresentação dos acordos e convenções coletivas, e dos instrumentos decorrentes da negociação, não apresentou nenhum documento, e quando solicitamos esclarecimentos informou que os acordos/convenções existentes não disciplinavam o assunto, e também não apresentou nenhum instrumento decorrentes da negociação, apenas informando o site para obtenção das convenções. b.2) foram encontrados registros nas contas 3.02.05.01.09 (outros serviços), conta imprópria, já que havia conta especifica para tal verba Conta 3.02.01.01.23 — Participação nos Lucros, bem como foram constatados reclassificação entre contas, envolvendo valores relativos a desconto de PLR— Participação nos Lucros e Resultados, entre a conta 3.02.05.01.09 (outros serviços) e a conta 10302010111 Benfeitorias em Imóveis de Terceiros que não tem nenhum vínculo com a rubrica analisada. Ao terem sido solicitados esclarecimentos sobre tais pagamentos de PLR, via TIAD, a recorrente informou que "tratase de critério da empresa para fins de imposto de renda e que a despesa teria sido diferida para ser apropriada em período posterior", justificativa que ao nosso ver não tem nenhum amparo legal. b.3) que ao analisar s documentos contábeis que deram origem aos lançamentos a titulo de participação nos lucros, verificamos que os pagamentos foram efetuados aos segurados empregados conforme cópias de cheque apresentadas, e em face da não comprovação regular do pagamento desta rubrica, concluímos que tal verba embora intitulada de "participação nos lucros", na realidade tratase de verba de natureza salarial que deve integrar o salário de contribuição uma vez que não se comprovou tratarse da real "participação nos lucros ou resultados da empresa desvinculada da remuneração", que deveria ser concedida de acordo com lei especifica, que é a Lei no 10.101, de 19/12/2000 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 c) contratação de mãodeobra temporária: pagamentos efetuados na Conta MO Temporária, que embora tenha recebido o nome de M.O.Temporária, ao solicitarmos os comprovantes recibos , notas fiscais de empresas de mão de obra temporária , fomos informados que não foram contratados tais serviços, logo inexiste notas fiscais de empresa prestadoras de Mão de Obra Temporária na empresa ora fiscalizada. Logo, concluímos que foi atribuído um nome impróprio a esta conta, pois na realidade tratase de serviços prestados pessoa física, que não tem nada a haver com a efetiva cessão de mão de obra temporária. Além das contas supra mencionadas, ainda nesta rubrica, foram considerados como fatos geradores valores lançados nas contas: Conta 3.02.01.01.36 Bonificação; Conta 3.02.02.01.42 — Premiações e Incentivos; .Conta 3.02.02.01.46 — Despesas com aulas diversas. O lançamento compreende as competências de 05/2003 a 12/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 23/04/2007 (fls. 64). O recorrente apresentou impugnação (fls. 152/161), restando mantido o lançamento constante da NFLD nº 37.017.2469. Devidamente intimado do julgamento da DRJ em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta preliminarmente que: 1. que o auto de infração merece ser anulado, tendo em vista que a adoção das informações do sistema águia e CNIS como base de cálculo das contribuições lançadas não foram apresentados ao contribuinte, de forma a permitir o exercício de seu direito de defesa; 2. que a não indicação, no bojo da evidenciada NFLD, do dispositivo legal que autoriza e mensura a alíquota de contribuição do SAT a ser aplicada na hipótese previdenciária do contribuinte; 3. que em relação aos estagiários, a fiscalização não comprovou a sua efetiva condição de empregados, na medida em que não demonstrou a presença dos requisitos inscritos no art. 3o da CLT; 4. que as verbas pagas a título de bonificação, premiação, incentivos e aulas diversas devem ser consideradas como verbas cujo pagamento fora efetuado de forma eventual, não podendo ser consideradas como verbas sujeitas à incidência das contribuições previdenciárias, uma vez que não foram pagas de forma habitual; 5. a necessidade de serem apropriados como fator de abatimento dos valores lançados como devidos nesta NFLD, aqueles que, eventualmente, tenham sido recolhidos aos cofres previdenciários, pelos próprios contribuintes individuais, ou por outras empresas Fl. 387DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35431.000256/200714 Acórdão n.º 2402004.507 S2C4T2 Fl. 386 5 tomadoras dos seus serviços, ou, ainda, na qualidade de segurados empregados; 6. que a justificativa adotada para desconsideração dos pagamentos efetuada a título de PLR é absolutamente subjetiva, de modo que não podem ser consideradas, pois desprovidas da objetividade determinada pela Lei 10.101/00, sendo certo que os pagamentos possuem imunidade constitucional frente a incidência das contribuições previdenciárias; 7. que a imunidade constitucional da PLR deve ser reconhecida, em razão da autoaplicabilidade do art. 7o, XIV da CF; 8. a inconstitucionalidade e ilegitimidade do SAT, INCRA, SEBRAE; 9. impossibilidade do INSS efetuar a cobrança das contribuições destinadas a terceiros; 10. inconstitucionalidade da SELIC; 11. que a multa aplicada, não é adequada ao presente lançamento, por não haver dolo, fraude ou sonegação; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório Fl. 388DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, dele conheço. PRELIMINARES A recorrente sustenta a nulidade do presente lançamento, em razão de que não lhe fora oportunizada vistas de relatórios utilizados pela fiscalização para a composição da base de cálculo das contribuições lançadas, e que assim teria sido cerceado o seu direito de defesa. No entanto, não é o que vislumbro dos autos. Nada mais fez a fiscalização do que aplicar ao caso em concreto a legislação pertinente, atribuindo à recorrente, a responsabilidade pelo pagamento de contribuições previdenciárias não adimplidas e apuradas em sua contabilidade, levando a efeito simplesmente aquilo que determinado pela Lei 8.212/91. Assim, uma vez que não houve qualquer transgressão a norma legal em vigor, não há que se reconhecer a nulidade do lançamento, sobretudo em razão de que ao contribuinte fora franqueado acesso ao inteiro teor da presente NFLD. Logo, ao que se depreende do relatório fiscal, verificase ter sido observado o que disposto no art. 142 do CTN a seguir: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Da análise do relatório fiscal, ao revés do que sustenta a recorrente, verifica se que este veio devidamente acompanhado de todos os anexos do Auto de Infração, sendo dele parte integrante, quando se percebe que todos foram concebidos em total observância às disposições do art. 142 do CTN e 37 da Lei n. 8.212/91, na medida em que todos os fundamentos, de fato e de direito, e documentos que ensejaram a lavratura do Auto restaram devidamente demonstrados, o que proporcionou e garantiu ao contribuinte a clara e inequívoca ciência e materialização da ocorrência do fato gerador e dos valores não recolhidos das Fl. 389DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35431.000256/200714 Acórdão n.º 2402004.507 S2C4T2 Fl. 387 7 contribuições sociais devidas, conforme também restou decidido pelo acórdão de primeira instância. Assim, rejeito a preliminar. MÉRITO Dos Pagamentos efetuados a estagiários A presente rubrica referese à cobrança de valores de contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a estagiários, considerados pela fiscalização como segurados empregados, em razão da inobservância do art. 28, § 9º, “i”, a seguir: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) [...] i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977 Por sua vez, assim dispõe o art. 3º da Lei 6.494/77: “ Art. 3º A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, como interveniência obrigatória da instituição de ensino.” A imputação fiscal, pois, baseouse no fato de que a recorrente deixou de apresentar os Termos de Ajuste de Cooperação entre a instituição e a empresa, bem como Termos de compromisso dos Estagiários, e os Termos de Aditamento comprovando prorrogações contratuais, relativos ao período de prestação de serviços de 05.2003 a 12.2004 Da análise dos autos verifico que tais documentos também não foram juntados pela recorrente, seja em sua impugnação, ou mesmo em seu recurso voluntário, de modo que resta patente a não comprovação do cumprimento da Lei 6.494/77. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Assim, é cediço que em se tratando da concessão de isenções, a Lei tributária deve ser interpretada de forma literal, em conformidade com o que dispõe o art. 111 do CTN, não havendo, portanto, que se falar na necessidade de demonstração da presença dos requisitos ensejadores da relação de emprego, como alega a recorrente. “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção;” Logo, não acolho os argumentos da contribuinte. Da Desconsideração dos Pagamentos da PLR Sobre o assunto, inicialmente a recorrente sustenta a auto aplicabilidade do artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, se tratando de regra de imunidade, de modo que não são cabíveis, in casu, a verificação do cumprimento das condições previstas na Lei 10.101/01. Fato é que, sobre o assunto, recentemente já se manifestou o Plenário do Eg. Supremo Tribunal Federal, em 30/10/2014,ao julgar o RE 569.441 sob o rito da repercussão geral, no caso, entendendo que a não incidência das contribuições previdenciárias sobre pagamentos efetuados a título de PLR somente poderá ser reconhecida quando cumpridos os requisitos da legislação infraconstitucional, de modo que não há que se falar em auto aplicabilidade da regra de imunidade constante na Carta Magna. Ademais, argumenta que o fiscal utilizouse de critérios subjetivos não previstos na Lei 10.101/00, para descaracterizar o caráter não salarial dos pagamentos efetuados a título de PLR. Sobre o assunto, não restam dúvidas de que o pagamento de participação nos lucros e resultados somente estará fora da incidência das contribuições previdenciárias, quando efetuado em conformidade com o que dispõe a Lei 10.101/00, o que não foi verificado no caso dos autos. Ressalto que, quando intimada, a recorrente deixou de apresentar os acordos inerentes ao pagamento da verba por ela intitulada como PLR, de modo que a fiscalização pudesse mesmo aferir o devido cumprimento das condições insertas na Lei 10.101/00, sendo que tais acordos sequer vieram a ser juntados aos autos por ocasião da impugnação ou mesmo do recurso voluntário. Ademais, as conclusões da fiscalização nos levam a entende que sequer havia tal acordo, uma vez que a própria recorrente declarou que efetuava a classificação de pagamentos a título de PLR de acordo com sua conveniência, pois, “tratase de critério da empresa para fins de imposto de renda e que a despesa teria sido diferida para ser apropriada em período posterior”. Logo, concluiu a fiscalização que diante da inexistência de mínimos traços de que os pagamentos alocados na contabilidade se relacionavam ou tinham previsão em um acordo devidamente formalizados pela empresa, dentre as opções trazidas à lume pela Lei 10.101/00, entendeu que se tratavam de meros pagamentos diversos, até porque atendiam Fl. 391DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35431.000256/200714 Acórdão n.º 2402004.507 S2C4T2 Fl. 388 9 conveniência exclusiva da própria recorrente, não havendo que se falar, portanto, na adoção de critérios subjetivos alheios ao que dispõe a Lei 10.101/00. No caso dos autos, portanto, a meu ver restou apurado, de acordo com o relatório fiscal que a descrição de pagamentos a título de PLR, se tratavam de pagamentos diversos, sem qualquer correlação com aqueles previstos na Lei 10.101/00, que se justificam diante da relação entre o capital e o trabalho. Assim, não vejo como prosperar a pretensão da recorrente. Dos pagamentos a título de bonificação e premiação. Relativamente ao presente levantamento, a alegação de recurso é no sentido de que se tratavam de pagamentos de natureza eventual, de sorte a não atrair a incidência das contribuições previdenciárias. E a demonstrar o seu caráter eventual, a recorrente sustenta que se tratavam de pagamentos que não eram efetuados de forma habitual, ou seja, com determinada periodicidade. Não compartilho do entendimento. Valores recebidos de forma eventual referemse a pagamentos que são efetuados pela recorrente sem que os empregados tenham a expectativa de recebêlo, ou seja, sem que estes esperem recebêlo, o que, de fato não ocorreu. Oportunamente, vale transcrever, o significado da palavra eventual, que fora extraído do Dicionário Aurélio, senão vejamos: “1 Dependente de acontecimento incerto; casual; fortuito; possível mas incerto. 2 herança eventual: a que se obtém sem ser por ordem legítima de sucessão.” Resta inequívoco, pois, que as bonificações bem como prêmios pagos pela recorrente aos seus empregados não se restringiam ao campo da mera liberalidade, mas sim a uma complementação salarial, vislumbrandose, de forma clara, a figura de salário contribuição, daí porque resta prejudicada a alegação de que tais verbas eram pagas em caráter eventual. Tendo em vista que a recorrente não comprovou a eventualidade do pagamento na forma supra, também entendo por descabida a sua pretensão recursal. Da inconstitucionalidade do SEBRAE, SAT e INCRA O Recorrente alega a inconstitucionalidade das contribuições ao SEBRAE, SAT e INCRA, no entanto tenho que tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Da taxa Selic Sabese que a aplicação da taxa SELIC, enquanto juros moratórios e multa, aplicada sobre as contribuições objeto do lançamento, fora efetuada com amparo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: “Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento.” Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Da multa aplicada No tocante a multa aplicada pela autoridade fiscal, como bem apontou o v. acórdão de primeira instância, tenho que a fiscalização se resumiu apenas em efetuar o lançamento em conformidade com o disposto no art. 35 da Lei 8.212.91, ademais, não há necessidade de comprovação do dolo por parte do contribuinte, sendo o mero não adimplemento da obrigação tributária do contribuinte já é apenada pela legislação com multa, razão pela qual deve ser mantida no patamar aplicado pela fiscalização, em respeito ao artigo 112 do CTN. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35431.000256/200714 Acórdão n.º 2402004.507 S2C4T2 Fl. 389 11 Ante todo o exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares argüidas, e, no mérito, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 05/02/20 15 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13808.003581/2001-87
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
Numero da decisão: 1803-002.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman (ausente momentaneamente).
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
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ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 35 81 /2 00 1- 87 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (Presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Sérgio Rodrigues Mendes, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Meigan Sack Rodrigues e Victor Humberto da Silva Maizman (ausente momentaneamente). Relatório Tratase, o presente feito, de homologação parcial de pedidos de compensações, declaradas nos autos do processo n. 11610.002519/200311, protocolizadas, em 14/02/2003, e as demais declarações de compensação listadas em fls. 208 e transmitidas em 14/06/2006. A empresa recorrente apresenta, inicialmente, pedido de Restituição, na data de 20.07.2001, referindo ser credora do IRPJ gerado pelo IRfonte sobre serviços prestados, PJ, Lei 7450/85 e sobre rendimentos de aplicações financeiras, não compensados no IRPJ devido nos anos de 1995,1996,1997,1998. O Despacho Decisório proferido pela DRF de origem aduz que o prazo para o pleito de restituição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1995 iniciouse na data de sua apuração, 31/12/1995, extinguindose em 21/12/2000 e tomando em conta a data do protocolo do pedido de restituição (20.07.2001) ser posterior a esta data, tal pedido não observa o requisito de tempestividade relativamente ao ano calendário de 1995. Atenta o Despacho em virtude da empresa não ter solicitado a restituição do saldo negativo de IRPJ, mas sim do IRPJ gerado pelo IRfonte, analisarseá apenas as retenções na fonte indicadas na DIPJ para efeito de cálculo do crédito de IRPJ restituível a mesma. Nesse sentido, afere o despacho que em pesquisa aos Sistema IRFConsulta (lis. 196 a 199), constatouse as retenções na fonte que compõem um valor total de R$ 85.616,13; as receitas correspondentes ao valor total retido foram oferecidas à tributação, conforme as rubricas 'Receita Liquida' e 'Outras Receitas Financeiras' da Demonstração do Lucro Liquido da DIRPJ/97 (A 192). Deduzindose o valor retido do Imposto devido, obtémse um saldo negativo de IRPJ gerado pelas retenções na fonte no montante de R$ 65.511,93. De igual modo, aduz que conforme a DIRPJ/98 e DIRPJ/99, a empresa não apurou saldo negativo de IRPJ em relação a nenhum dos oito trimestres que abrangem os anos calendários em análise. Assim, não há que se falar em saldo negativo de IRPJ em relação a esse anos calendários. Devidamente cientificada do despacho decisório que homologou parcialmente a compensação dos valores, a empresa apresenta suas razões em seara de manifestação de inconformidade de forma tempestiva, alegando que no despacho recorrido, teria sido analisado o pedido de restituição referente ao ano calendário de 1996 pela rubrica de 2 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 IRPJ gerado pelo IR fonte, desconsiderando o pedido de restituição do saldo negativo de IRPJ declarado que é bem maior. Ainda, afere que fosse admitido que o pedido teria sido nominado como IRPJ gerado pelo IRfonte, o que teria ocorrido seria simples erro de fato que não poderia ser desconsiderado, haja vista que o pedido era, como visto, de restituição pelo saldo negativo de IRPJ. No seu entendimento, deveria ser reconhecido que o pedido de restituição do saldo negativo do IRPJ, no valor acumulado do anoanterior de 1995, em R$ 350.331,58. Portanto requer, que seja analisado o pedido de restituição pela rubrica de saldo negativo de IRPJ, para fins de reconhecimento do direito creditório para a compensação do valor integral declarado pela empresa recorrente. A autoridade de primeira instância entendeu por bem seguir a linha da decisão proferida no despacho, atentando preliminarmente para a conversão em declaração de compensação, desde o seu protocolo, dos presentes pedidos de compensação, pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, conforme preceito do art. 74, §4° da Lei 9430/96. Atenta ainda que o despacho decisório recorrido não reconheceu o direito creditório relativos aos anos calendários de 1995, 1997 e 1998, tendo reconhecido parcialmente o relativo ao ano calendário de 1996. Aduz que a empresa recorrente não se insurgiu contra o indeferimento relativos aos anos calendários 1995, 1997 e 1998, sendo assim devese prosseguir na cobrança de eventuais débitos confessados e declarados no PER/DCOMP listados em fls. 208, para serem compensados com remanescentes desse ano calendário. Por essa razão entende que a decisão a ser proferida diz respeito apenas ao ano calendário de 1996, ou seja, ano de insurgência da empresa recorrente. No que tange ao indébito do IRRF e o saldo negativo do IRPJ, o julgador de primeira instância afastou o fundamento adotado no despacho decisório para o indeferimento do reconhecimento do direito creditório, para aplicar a legislação que rege a matéria, qual seja o art. 773 do RIR/99. Afirma que os rendimentos e ganhos líquidos decorrentes das aplicações financeiras, bem assim os pagos sobre ganhos líquidos mensais das pessoas jurídicas devem ser adicionados ao lucro real, presumido ou arbitrado, para efeitos de determinação do imposto de renda devido, e o IRRF incidente sobre tais operações deve ser considerado como antecipação do devido na declaração de rendimentos. Dessa forma, sob a ótica dos preceitos jurídicos referidos, não seria possível a restituição do IRRF incidente sobre o saldo negativo do IRPJ apurado ao final do período, tal como previsto no art. 2°, §4°, III, c/c art. 6°, §10 da Lei 9430/96. Cita legislação pertinente e refere que o tema também foi objeto de normatização no âmbito da administração (Ato Declaratório Normativo SRF n°003/2000). Verifica que desde 1995, a lei determina que somente é passível de restituição ou compensação, o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL apurado no final de cada ano calendário. Assim, caso existam recolhimentos a título antecipação, dentre eles as estimativas mensais os recolhimentos de IRRF, o efeito do indébito somente se verifica ao final do período de apuração, em uma destas duas situações: a) contribuintes que obtiveram como resultado final prejuízo fiscal, não apurando IRPJ ou CSLL devidos no exercício, e b) embora tenham apurado lucro real e débitos de IRPJ e/ou CSLL, o valor devido desses tributos ao final 3 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 do período é inferior à somatória dos recolhimentos por estimativa e/ou outras antecipações efetuadas durante o anocalendário. Cita a IN SRF n° 460/2004. Afere que os pedidos de restituição de IRRF e de estimativas devem sempre ser interpretados como pedido de restituição de saldo negativo, de IRPJ ou de CSLL. No entanto, apesar do erro da autoridade local na apreciação do pedido de restituição, atenta para o fato de que também há erro da recorrente quanto à sua adequada formalização, na medida em o IRRF, seja aquele incidente sobre as receitas financeiras, seja aquele retido por órgão público, bem como aquele retido na prestação de serviços, não é restituível. Afirma ainda que a decisão de convalidar o pedido formalizado inadequadamente para o pedido juridicamente possível sustentase no fato de que, em regra, a decisão administrativa acerca da inadequação do pedido somente é cientificada ao interessado no pleito quando já não mais é possível a formalização adequada de novo pedido, tendo em conta o decurso do prazo decadencial/prescricional. Desta forma, o presente pedido de restituição de IRRF incidente sobre prestação de serviços e sobre aplicações financeiras deve ser interpretado como pedido de saldo negativo de IRPJ. Cumpre observar, no entanto, que a presente análise será restrita à composição do saldo negativo apurado ao final do anocalendário de 1996. Nesse contexto, passou à análise dos valores que devem compor o saldo negativo do IRPJ relativo ao ano calendário de 1996, sendo que não se insurgiu a empresa recorrente quanto ao valor reconhecido a título de IRRF. Quanto ao saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 1996, a autoridade julgadora a quo faz algumas ponderações, tomando em conta a Declaração apresentada pela empresa recorrente. No que diz respeito à dedução do valor com vale transporte a despeito de a pessoa jurídica poder deduzir do IRPJ devido valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do imposto (25% ou 15%) sobre a soma das despesas comprovadamente realizadas, no ano calendário, na concessão do vale transporte, consoante disposições nos arts. 594 a 597 do RIR/94, temse que esta dedução limitase a 8% do imposto devido, observado o limite global para todos os outros incentivos baseados no próprio imposto, a exemplo do Programa de Alimentação ao Trabalhador. Ainda, salienta que para a dedução deste beneficio, a empresa empregadora deverá destacar contabilmente, de forma a permitir sua determinação com clareza e exatidão, as despesas efetivamente realizadas na aquisição do Vale Transporte (..). Este é o teor do art. 597 do RIR/94. Frisa que a empresa não juntou ao feito elementos que comprovasse a procedência das deduções dos valores com vale transporte e tampouco com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), sendo imprescindível, para tanto, a apresentação de documentação especifica comprobatória, prevista na legislação do programa. O não cumprimento dessa norma impede a dedução do valor declarado e diminui o saldo credor de IRPJ do período. Atenta que a empresa não logrou sequer apresentar a cópia do formulário e o respectivo comprovante oficial da postagem ou o comprovante de adesão ao PAT via INTERNET que deve ser mantida nas dependências da empresa, matriz e filiais, à disposição da fiscalização federal. Além disso, também não apresentou a documentação relacionada aos 4 Fl. 372DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 gastos com o Programa e aos incentivos dele decorrentes que deve estar disposição da fiscalização, de modo a possibilitar seu exame e confronto com os registros contábeis e fiscais exigidos pela legislação pertinente, normas essas previstas no parágrafo 2, art. 4 da Portaria Interministerial MTB/MF/MS 5/1999 e § 1 e 2 do art. 2 da Portaria SIT 3/2002. Lembra que o fornecimento de refeições e lanches para funcionários tem especificações próprias e comprovações especificas, detalhadas na citada portaria MTB/MF/MS /1999, que não se coadunam com a documentação apresentada pela empresa a guisa de comprovação. E, sendo assim, entende que não há como reconhecer os valores deduzidos do IRPJ a titulo de Vale Transporte e PAT. Não merece melhor sorte o reconhecimento da dedução do valor de R$ 50.038,42, na linha 18 () DEMAIS COMPENSAÇÕES DE IMPOSTO DE RENDA da referida Ficha 08. Observa que o manual para preenchimento da declaração de rendimentos para o anocalendário de 1996, na linha 18, da Ficha 08 (fls. 43), orienta que "nesta linha poderá ser indicado o valor do imposto recolhido ou pago indevidamente ou a maior, nos termos do art. 66, 80, 8 a 83 da Lei n° 8.383/91. A referida linha está a referirse nas compensações sem processo de tributo de mesma espécie, que devem ser devidamente escriturados pelo contribuinte, em seus assentamentos contábeis. Prossegue salientando que a compensação é forma de extinção do crédito tributário prevista no inciso II do art. 156, do CTN. Mas que para a correta utilização da compensação, como fruição de um direito, fazse necessário que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública seja dotado de liquidez e certeza. A exigência está contida no caput do art. 170 do CTN. Cita legislação referida. Prossegue aduzindo que a compensação pressupõe a existência de crédito liquido e certo, sem o que não poderá ser admitida, sendo que o ônus da prova da composição do saldo negativo do IRPJ; fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. E no que diz respeito à dedução do montante de R$ 50.038,42, na Linha 18, nenhuma comprovação foi colacionada pela recorrente, portanto não há de ser aceita a referida compensação. Salienta que a empresa não se insurgiu especificamente contra o montante de IRRF de R$ 65.511,93, reconhecido pelo despacho decisório. Mas, mesmo que assim não fosse, cumpre esclarecer, contudo, que para empresas de propaganda e publicidade, como é o caso, fazer jus à dedução do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos computados, além do dever de indicar referido imposto nas notas fiscais de prestação de serviço, deve a beneficiária do rendimento, adicionalmente, demonstrar o seu efetivo recolhimento, ou seja, a real antecipação do imposto devido, por ser ela própria a responsável pelo cumprimento de tal obrigação tributária, na qualidade de empresa de propaganda. E nada foi colacionado aos autos. E vota o julgador de primeira instância no sentido de considera procedente em parte a manifestação de inconformidade quanto ao pedido de apreciação do direito creditório, referente ao saldo negativo do anocalendário de 1996, e, quanto ao mérito, por não reconhecer o direito creditório requerido. 5 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta recurso voluntário, de forma tempestiva, insurgindose contra a decisão a quo. Aduz que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, ao não reconhecer o direito creditório da recorrente incidiu em violação direta ao principio da busca da verdade formal que orienta a atividade fiscalizatória estatal. Salienta que em violação ao princípio da busca da verdade material, os auditores sequer analisaram as informações prestadas nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de 1997 e nos próprios pedidos de compensação (PerdComps) que de forma expressa evidenciam a existência de tais créditos. Cita jurisprudência desse Egrégio Conselho de Contribuintes. Aduz ainda que a empresa tem a irrestrita aplicação, no processo administrativo, tributário, dos princípios constitucionais que asseguram a mesma o recurso a todos os meios de provas hábeis à comprovação dos fatos ou acontecimentos relacionados a qualquer aspecto de obrigação tributária, principal ou acessória. E nesse sentido, entende que a simples declaração da existência de um crédito a ser restituído e compensado com outros débitos administrativos pela RFB já é suficiente para que a fiscalização federal utilize todos os meios hábeis para comprovar a veracidade do pedido da empresa e em especial a comprovação da existência de um crédito tributário, sendo que o descumprimento de um dever formal não tem como pena a perda do direito ao crédito. Aduz que se tivesse, a análise administrativa, sido devida e corretamente elaborada, no exercício da atividade de fiscalização, concluirseia de forma inexorável pelo deferimento dos créditos de IRPJ em favor da Recorrente. E que a análise administrativa deveria ter aprofundado as investigações para se confirmar ou se infirmar a presunção de que a empresa recorrente não possuía direito aos créditos pleiteados, visto que o ônus da prova é da própria Administração. Cita doutrina nesse sentido. Contrapõese ao fato da autoridade a quo não ter aceitado os documentos que acostou como prova e pleiteado outros que entendeu serem pertinentes. E observa que a empresa atendeu a todos os requisitos para o pleito da restituição, não podendo a autoridade requerer juntada de documentação que sequer consta como necessário para instruir o pedido de restituição. E, atenta para o fato de que a fiscalização sequer dignouse a conceder prazo para a recorrente suprir a suposta falta de comprovação do crédito pleiteado, o que poderia facilmente esclarecer a existência dos créditos pleiteados. E pede a realização de diligência. Quanto ao mérito, a empresa recorrente aduz que o crédito no valor de R$ 350.331,58 pleiteados é decorrente do saldo negativo do Imposto de Renda gerado no ano calendário de 1996. Demonstra através de tabela. Frisa que os dados sobre o crédito de Imposto de Renda, decorrentes do saldo negativo ao final do exercício de 1996 foram devidamente informados no pedido de restituição não havendo razão para o indeferimento do crédito sobre a alegação infundada de que os valores não procedem. Já no que se refere à dedução dos valores referentes ao vale Transporte, observa que os art. 594 a 597 são claros ao disposto que a pessoa jurídica pode deduzir do imposto devido, o valor equivalente a 8% sobre a soma das despesas comprovadamente realizadas, desde que estejam destacadas contabilmente. 6 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 E, contrapõese ao acórdão proferido pela primeira instância, porquanto que o mesmo desconsidera os valores deduzidos, sob o argumento de que a empresa recorrente não colacionou nenhum elemento que permitisse firmarse convicção a respeito da procedência das deduções. Atenta para o fato de que não foram requeridos pela fiscalização os documentos contábeis que podem comprovar a idoneidade das deduções em comento. No mesmo sentido quanto ao PAT. Quanto à desconsideração do IRFonte sobre serviços prestados e sobre rendimentos de aplicações financeiras, salienta que da análise da DIPJ/97 verificase que as receitas da prestação de serviços da empresa superam significativamente o considerado pela fiscalização, que utilizou de maneira precária o Sistema IRFConsulta para suas análises. Isso porque as receitas correspondentes ao valor total retido, que serviram de base para as retenções na fonte no valor de R$ 85.616,13 já admitidas pela DERAT, não refletem a real situação da Requerente, tributada pelo IRFonte no exercício de 1996 em R$ 311.787,63. Além disso, afirma que a própria empresa recorrente, por se tratar de empresa de propaganda e publicidade, destaca o IRFonte nas notas fiscais de prestação de serviços, o que só vem a corroborar com a falta de diligência da autoridade administrativa em analisar os documentos apresentados pela empresa. É o relatório. Voto Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de pedido de Restituição, formulado pela empresa recorrente, na data de 20.07.2001, referindo ser credora do IRPJ gerado pelo IRfonte sobre serviços prestados e sobre rendimentos de aplicações financeiras, não compensados no IRPJ devido nos anos calendários de 1995, 1996, 1997 e 1998. O despacho decisório proferido na DRF deu parcial provimento, entendendo que não caberia o pedido na sua integralidade, uma vez que o ano de 1995 já se encontrava caduco e que o pedido formulado pela empresa não fora a solicitação de restituição do saldo negativo do IRPJ, mas sim do IRPJ gerado pelo IRFonte. Assim passou a analisar apenas as retenções na fonte indicadas na DIPJ para efeito de cálculo do crédito de IRPJ restituível a mesma. A matéria devolvida a este colegiado para apreciação referese tão somente ao ano calendário de 1996. Nesse sentido, os demais anos tratarseá de matéria preclusa. 7 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 111 Ocorre que na realidade tratase de PER/DCOMP cujo direito creditório foi postulado de forma equivocada, por um lapso material cometido pela interessada, mas que não inviabiliza o seu direito creditório, oriundo do saldo negativo de IRPJ. Assim, assiste parcial razão à interessada. Considerando, a alegação de que o valor indevidamente recolhido integra o saldo negativo de IRPJ, a este título deve ser considerado e apreciado pela unidade jurisdicionante, em conjunto com outras Per/DComp que porventura tenham a mesma origem de crédito. Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso voluntário para que o direito creditório pleiteado seja apreciado, pela DRF de origem, como saldo negativo relativo ao não calendário em apreço, qual seja 1996. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira 8 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2015 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/201 5 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000300/2007-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
PRELIMINARES DE NULIDADE
O uso de informações coletadas no âmbito de um MPF para a instrução primária dos lançamentos efetuados sob outro MPF não constitui emprego de prova emprestada. Trata-se de continuidade da própria instrução primária dos lançamentos, a qual se iniciou com o primeiro MPF-F e se concluiu com o segundo MPF-F. O fato de se ter emitido novo MPF-F, embora a fiscalizada tenha sido cientificada do primeiro MPF-F e do início do procedimento fiscal, não viola a Portaria RFB 4.066/07, sendo, antes, medida de cautela.
DECADÊNCIA - CIÊNCIA DOS LANÇAMENTOS EM 27/12/2007
O IRPJ e a CSLL tiveram sua apuração anual, no ano-calendário de 2002, conforme DIPJ/03, o que afasta a decadência. A exigência de PIS e de Cofins se deu somente para dezembro de 2002, ou melhor, para todo o ano-calendário de 2002, definindo o momento do fato gerador para 31/12/02, de modo que se afasta a decadência.
PIS, COFINS - LANÇAMENTOS ANUAIS E TRIMESTRAIS
Não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. Vício substancial que inquina os lançamentos de nulidade material.
IRPJ, CSLL - TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE JANEIRO A SETEMBRO DE 2003
A DIPJ/04 de evento especial de incorporação da recorrente em 30/9/03 não foi rechaçada pelo autuante. Incabível a exigência de IRPJ e de CSLL sob fato gerador em 31/12/03.
IRPJ, CSLL, PIS, COFINS - TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE OUTUBRO A DEZEMBRO DE 2003
Resulta comprovado que as transferências de recursos da controladora da recorrente foram para integralizações de seus aumentos de seu capital. Exigências afastadas.
FLUXO TRIANGULAR DE RECURSOS - PREÇO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO - RECUPERAÇÕES DE CUSTOS DEDUZIDOS
1 - Motivo central é de artificialidade entre os preços praticados entre a contratante com as contratadas empresas estrangeiras (por afretamento de embarcações), e os preços praticados entre a mesma contratante e a recorrente, controlada das empresas estrangeiras, emergindo a parte do preço pela prestação de serviços à contratante pela recorrente, com os recursos transferidos a essa pelas empresas estrangeiras. Os editais de licitação internacional preveem o limite percentual (sobre o preço global) a ser praticado pela prestação de serviços, sem exceção. Preços contratados conforme os limites percentuais estabelecidos nos editais de licitação. Não há nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais tenham sido objeto de alguma negociação entre o licitante e os participantes do certame. Também não há nenhuma discriminação de que parte dos recursos recebidos pela recorrente de suas controladoras sejam por prestação de serviços a essas e parte por prestação de serviços à contratante licitante.
2 - Motivo alternativo é de que os recursos transferidos pelas empresas estrangeiras à recorrente são subvenções para custeio ou recuperações de custos deduzidos. Recuperação de custos e subvenções para custeio não são sinônimos. Se os gastos foram em benefício das empresas estrangeiras, os valores transferidos para a recorrente até o limite dos gastos não foram subvenções para custeio.
Do exame da documentação constante dos autos, não há indicação que os gastos em benefício das empresas estrangeiras tenham transitado como despesa da recorrente; o que afasta a exigência por recuperação de custos deduzidos - as transferências não transitaram como receita na recorrente. Do mesmo exame, constata-se a ausência nas contas dos Razão de lançamentos contábeis de ingressos de recursos de R$ 1.063.093,46 em 2002, e de R$ 17.018.000,00 em 2004. Parcelas que representam subvenções para custeio. Exigências afastadas parcialmente.
CSLL - FALTA DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVA DE CSLL PARA OS TRIMESTRES DE 2004
Não consta a compensação de bases negativas de CSL apuradas nos próprios trimestres do ano-calendário de 2004, como declaradas na ficha 17 da DIPJ/05. Porquanto essas bases negativas de CSL não foram questionadas pelo autuante, impõem-se suas compensações na apuração dos valores tributáveis dos trimestres de 2004.
Numero da decisão: 1103-001.105
Decisão: Acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter as exigências de IRPJ e de CSLL sobre o valor de R$ 1.063.093,46, para o ano-calendário de 2002, e sobre o valor de R$ 17.018.000,00, para o primeiro trimestre do ano-calendário de 2004, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, que negaram provimento. O Conselheiro André Mendes de Moura apresentará declaração de voto e o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou o Relator pelas conclusões quanto a PIS e Cofins relativos ao recurso de oficio.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter as exigências de IRPJ e de CSLL sobre o valor de R$ 1.063.093,46, para o ano-calendário de 2002, e sobre o valor de R$ 17.018.000,00, para o primeiro trimestre do ano-calendário de 2004, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, que negaram provimento. O Conselheiro André Mendes de Moura apresentará declaração de voto e o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou o Relator pelas conclusões quanto a PIS e Cofins relativos ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva.
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 PRELIMINARES DE NULIDADE O uso de informações coletadas no âmbito de um MPF para a instrução primária dos lançamentos efetuados sob outro MPF não constitui emprego de prova emprestada. Trata-se de continuidade da própria instrução primária dos lançamentos, a qual se iniciou com o primeiro MPF-F e se concluiu com o segundo MPF-F. O fato de se ter emitido novo MPF-F, embora a fiscalizada tenha sido cientificada do primeiro MPF-F e do início do procedimento fiscal, não viola a Portaria RFB 4.066/07, sendo, antes, medida de cautela. DECADÊNCIA - CIÊNCIA DOS LANÇAMENTOS EM 27/12/2007 O IRPJ e a CSLL tiveram sua apuração anual, no ano-calendário de 2002, conforme DIPJ/03, o que afasta a decadência. A exigência de PIS e de Cofins se deu somente para dezembro de 2002, ou melhor, para todo o ano-calendário de 2002, definindo o momento do fato gerador para 31/12/02, de modo que se afasta a decadência. PIS, COFINS - LANÇAMENTOS ANUAIS E TRIMESTRAIS Não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. Vício substancial que inquina os lançamentos de nulidade material. IRPJ, CSLL - TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE JANEIRO A SETEMBRO DE 2003 A DIPJ/04 de evento especial de incorporação da recorrente em 30/9/03 não foi rechaçada pelo autuante. Incabível a exigência de IRPJ e de CSLL sob fato gerador em 31/12/03. IRPJ, CSLL, PIS, COFINS - TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE OUTUBRO A DEZEMBRO DE 2003 Resulta comprovado que as transferências de recursos da controladora da recorrente foram para integralizações de seus aumentos de seu capital. Exigências afastadas. FLUXO TRIANGULAR DE RECURSOS - PREÇO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO - RECUPERAÇÕES DE CUSTOS DEDUZIDOS 1 - Motivo central é de artificialidade entre os preços praticados entre a contratante com as contratadas empresas estrangeiras (por afretamento de embarcações), e os preços praticados entre a mesma contratante e a recorrente, controlada das empresas estrangeiras, emergindo a parte do preço pela prestação de serviços à contratante pela recorrente, com os recursos transferidos a essa pelas empresas estrangeiras. Os editais de licitação internacional preveem o limite percentual (sobre o preço global) a ser praticado pela prestação de serviços, sem exceção. Preços contratados conforme os limites percentuais estabelecidos nos editais de licitação. Não há nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais tenham sido objeto de alguma negociação entre o licitante e os participantes do certame. Também não há nenhuma discriminação de que parte dos recursos recebidos pela recorrente de suas controladoras sejam por prestação de serviços a essas e parte por prestação de serviços à contratante licitante. 2 - Motivo alternativo é de que os recursos transferidos pelas empresas estrangeiras à recorrente são subvenções para custeio ou recuperações de custos deduzidos. Recuperação de custos e subvenções para custeio não são sinônimos. Se os gastos foram em benefício das empresas estrangeiras, os valores transferidos para a recorrente até o limite dos gastos não foram subvenções para custeio. Do exame da documentação constante dos autos, não há indicação que os gastos em benefício das empresas estrangeiras tenham transitado como despesa da recorrente; o que afasta a exigência por recuperação de custos deduzidos - as transferências não transitaram como receita na recorrente. Do mesmo exame, constata-se a ausência nas contas dos Razão de lançamentos contábeis de ingressos de recursos de R$ 1.063.093,46 em 2002, e de R$ 17.018.000,00 em 2004. Parcelas que representam subvenções para custeio. Exigências afastadas parcialmente. CSLL - FALTA DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVA DE CSLL PARA OS TRIMESTRES DE 2004 Não consta a compensação de bases negativas de CSL apuradas nos próprios trimestres do ano-calendário de 2004, como declaradas na ficha 17 da DIPJ/05. Porquanto essas bases negativas de CSL não foram questionadas pelo autuante, impõem-se suas compensações na apuração dos valores tributáveis dos trimestres de 2004.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 PRELIMINARES DE NULIDADE O uso de informações coletadas no âmbito de um MPF para a instrução primária dos lançamentos efetuados sob outro MPF não constitui emprego de prova emprestada. Tratase de continuidade da própria instrução primária dos lançamentos, a qual se iniciou com o primeiro MPFF e se concluiu com o segundo MPFF. O fato de se ter emitido novo MPFF, embora a fiscalizada tenha sido cientificada do primeiro MPFF e do início do procedimento fiscal, não viola a Portaria RFB 4.066/07, sendo, antes, medida de cautela. DECADÊNCIA CIÊNCIA DOS LANÇAMENTOS EM 27/12/2007 O IRPJ e a CSLL tiveram sua apuração anual, no anocalendário de 2002, conforme DIPJ/03, o que afasta a decadência. A exigência de PIS e de Cofins se deu somente para dezembro de 2002, ou melhor, para todo o ano calendário de 2002, definindo o momento do fato gerador para 31/12/02, de modo que se afasta a decadência. PIS, COFINS LANÇAMENTOS ANUAIS E TRIMESTRAIS Não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. Vício substancial que inquina os lançamentos de nulidade material. IRPJ, CSLL TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE JANEIRO A SETEMBRO DE 2003 A DIPJ/04 de evento especial de incorporação da recorrente em 30/9/03 não foi rechaçada pelo autuante. Incabível a exigência de IRPJ e de CSLL sob fato gerador em 31/12/03. IRPJ, CSLL, PIS, COFINS TRANSFERÊNCIAS DO EXTERIOR DE OUTUBRO A DEZEMBRO DE 2003 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 03 00 /2 00 7- 61 Fl. 5812DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.582 2 Resulta comprovado que as transferências de recursos da controladora da recorrente foram para integralizações de seus aumentos de seu capital. Exigências afastadas. FLUXO TRIANGULAR DE RECURSOS PREÇO POR PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO RECUPERAÇÕES DE CUSTOS DEDUZIDOS 1 Motivo central é de artificialidade entre os preços praticados entre a contratante com as contratadas empresas estrangeiras (por afretamento de embarcações), e os preços praticados entre a mesma contratante e a recorrente, controlada das empresas estrangeiras, emergindo a parte do preço pela prestação de serviços à contratante pela recorrente, com os recursos transferidos a essa pelas empresas estrangeiras. Os editais de licitação internacional preveem o limite percentual (sobre o preço global) a ser praticado pela prestação de serviços, sem exceção. Preços contratados conforme os limites percentuais estabelecidos nos editais de licitação. Não há nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais tenham sido objeto de alguma negociação entre o licitante e os participantes do certame. Também não há nenhuma discriminação de que parte dos recursos recebidos pela recorrente de suas “controladoras” sejam por prestação de serviços a essas e parte por prestação de serviços à contratante licitante. 2 Motivo alternativo é de que os recursos transferidos pelas empresas estrangeiras à recorrente são subvenções para custeio ou recuperações de custos deduzidos. Recuperação de custos e subvenções para custeio não são sinônimos. Se os gastos foram em benefício das empresas estrangeiras, os valores transferidos para a recorrente até o limite dos gastos não foram subvenções para custeio. Do exame da documentação constante dos autos, não há indicação que os gastos em benefício das empresas estrangeiras tenham transitado como despesa da recorrente; o que afasta a exigência por recuperação de custos deduzidos as transferências não transitaram como receita na recorrente. Do mesmo exame, constatase a ausência nas contas dos Razão de lançamentos contábeis de ingressos de recursos de R$ 1.063.093,46 em 2002, e de R$ 17.018.000,00 em 2004. Parcelas que representam subvenções para custeio. Exigências afastadas parcialmente. CSLL FALTA DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVA DE CSLL PARA OS TRIMESTRES DE 2004 Não consta a compensação de bases negativas de CSL apuradas nos próprios trimestres do anocalendário de 2004, como declaradas na ficha 17 da DIPJ/05. Porquanto essas bases negativas de CSL não foram questionadas pelo autuante, impõemse suas compensações na apuração dos valores tributáveis dos trimestres de 2004. Acordam os membros do colegiado, rejeitar as preliminares, por unanimidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e dar provimento parcial ao recurso voluntário para manter as exigências de IRPJ e de CSLL sobre o valor de R$ 1.063.093,46, para o anocalendário de 2002, e sobre o valor de R$ 17.018.000,00, Fl. 5813DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.583 3 para o primeiro trimestre do anocalendário de 2004, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, que negaram provimento. O Conselheiro André Mendes de Moura apresentará declaração de voto e o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro acompanhou o Relator pelas conclusões quanto a PIS e Cofins relativos ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 5814DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.584 4 Relatório DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Tratase de autos de infração de IRPJ, CSL, PIS e Cofins lavrados em 24/12/2007 e com ciência em 27/12/2007, referente aos anoscalendário de 2002, 2003 e 2004, no montante de R$ 76.913.011,32, acrescido de multa de 75% e encargos moratórios. A autuação ocorreu, segundo a fiscalização, por omissão de receitas de reembolsos pelas controladas, mediante um fluxo triangular de rendimento, realizado entre a empresa contratante (Petrobras), as empresas controladoras no exterior e a controlada sediada no Brasil, com o intuito de reduzir os tributos incidentes sobre o lucro e o faturamento da empresa controlada com sede no território nacional. Esse fluxo triangular foi realizado por meio da elaboração de dois contratos distintos, nos quais a Petrobras é a contratante. Em um, específico para afretamento de embarcações, há empresas estrangeiras figurando como controladoras, contrato esse que envolve cerca de 90% do valor de soma dos dois contratos firmados. No outro, que realiza efetivamente a prestação de serviços à contratante (Petrobras), há a empresa sediada no Brasil como controlada e envolve cerca de 10% daquele valor total. Desse modo, o que ocorreu foi a celebração de dois contratos com o objetivo de escoar para o exterior a maior parte do valor obtido, de modo a enquadrar quase a totalidade do valor dos dois contratos sob a alíquota zero, o que de acordo com o artigo 1°, I, da Lei 9.481/97, é permitido no caso de afretamento de embarcações. Afirmou que as empresas controladoras realizaram transferências bancárias para a empresa controlada sediada no Brasil, a fim de fazer com que a controlada no Brasil recebesse os valores dos serviços que ela efetivamente prestou à contratante – Petrobras que estão previstos, indevidamente, no contrato de afretamento firmado entre a Petrobrás e as empresas estrangeiras. Ressaltou também que estão inseridos, nos valores objeto da transferência, os custos e despesas de manutenção da embarcação afretada, que pertencem às controladoras, pois, na realidade, é a controlada quem arca com esses custos. Sendo assim, em suma, o que motivou o auto de infração foi a omissão de receita nas DIPJs 2002, 2003 e 2004, pois a controlada não contabilizou como receita os valores recebidos como pagamento da prestação de serviço realizado por ela, os quais deveriam ter sido acrescentados ao resultado do lucro real e da base de cálculo da CSL. Colacionou quadro (fls. 1143) que demonstra a evasão fiscal resultante do fluxo triangular descrito: Fl. 5815DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.585 5 Com relação aos resultados desse fluxo triangular, a fiscalização constatou que houve a redução de tributos incidentes sobre o lucro e faturamento da empresa com sede no território nacional, conforme trecho do relatório de ação fiscal, de fl. 1142, infratranscrito: “Concluindo, da presente fiscalizada, vultosos valores, saem do País para pagamento de afretamentos de embarcações sem imposto retido na fonte, por força de alíquota zero legalmente aplicável aos afretamentos, enquanto valores contratuais com menor relevo ficam no Pais consignados na escrita contábil e fiscal de empresas que sempre dão prejuízo, da mesma forma implicando em nenhum recolhimento a titulo de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, e em recolhimento reduzido de PIS e COFINS, incidentes sobre o faturamento. Isso é realizado mediante fluxo triangular do receita (empresa contratante, PETROBRAS, empresa controladora, no exterior, e empresa sediada no Brasil, controlada) que visa ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos e contribuições incidentes sobre o lucro e faturamento da empresa com sede no território nacional. Importante destacar que a empresa fiscalizada é sediada em território brasileiro, presta serviços a uma empresa brasileira, a Petrobrás, dentro do território nacional, apenas com 'a conveniente interveniência de empresas controladoras e pessoas jurídicas ligadas residentes no exterior, de forma que na realidade tratamos de uma Receita de Serviços prestados no TERRITÓRIO NACIONAL e NÃO de uma receita de EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. Registrese que faz relevante diferença para a(s) contratada(s) evitar a tributação no Brasil, vez que pode(m) buscar tributação mais favorecida no Pais sede da controladora. A propósito, as duas empresas cotistas da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, a saber, TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES LIMITED e SEDECO FOREX INTL. INC, são domiciliadas no exterior(fls. 894/896).” Asseverou que, de acordo com o que consta nos Livros Diário e Razão, a fiscalizada contabiliza os lançamentos de reembolsos/aumento de capital como forma de fazer frente aos custos e despesas pertinentes às empresas sediadas no exterior. Fl. 5816DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.586 6 Consignou que a recorrente já foi fiscalizada com relação ao anocalendário de 2000, em ação fiscal que envolveu os mesmos atores, fatos, modos operandi e que, assim como o presente processo, tratou de valores igualmente elevados que deixaram de ser oferecidos à tributação. Nesse sentido, apontou que essa fiscalização trouxe como conseqüência a lavratura de autos de infração, os quais integram o processo administrativofiscal 15521.000126/200595, que foi mantido integralmente pela DRJ/RJOI. Realizou uma breve síntese da infração, conforme trecho do relatório de ação fiscal, de fl. 1147, infratranscrito: “A infração tratase, em síntese, de omissão nas DIPJ's 2003 à 2005 (referentes aos anoscalendário 2002 à 2004) de valores recebidos como devolução de custos decorrentes de prestação de serviços pela empresa controlada à empresa controladora, realizadas basicamente através das contas denominadas "Transocean Offshore Deepwater Drilling", "Transocean Offshore Limited", e "Sedco Forex Ind. Inc.", nas quais eram registradas as contrapartidas das transferências de numerário de banco no exterior para contas bancárias da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, no Brasil, nos Bancos Safra e HSBC por ordem dessas pessoas jurídicas ligadas, para ressarcimento de custos com manutenção das embarcações objeto de afretamentos pela PETROBRAS).” Afirmou que a recorrente e a Petrobras apresentaram todos os documentos que foram requeridos pela fiscalização, o que possibilitou que essa extraísse algumas conclusões, conforme trecho do relatório de ação fiscal, de fl. 1146 e 1147, infratranscrito: “1) Lançamentos contábeis dos reembolsos (fls.642/884) nas contas denominadas “Transocean Offshore Deepwater", "Transocean Offshore Limited", Sedco Forex International Inc. e de Integralização de Capital, registrados nos livros diário e razão da controlada – Foram identificadas transferências de numerário do exterior, para as contas nos Bancos Safra S/A e HSBC, da empresa fiscalizada; 2) Escrituração da movimentação bancária, especialmente dos Bancos Safra e HSBC– apresentados pelo fiscalizado em resposta ao termo de início de ação fiscal (fls.642/884); 3) Contratos de Câmbio realizados pela fiscalizada no anos calendário de 2002 à 2004, e apresentados pela mesma em resposta à intimação da Fiscalização (fls.226/640 ); 4) Receitas, custos, despesas e lucro real – Valores declarados nas DIPJ's.2003, 2004 e 2005(f Is.05/196); 5) Extratos bancários do Banco Safra e HSBC – apresentados pelo fiscalizado em resposta ao termo de início de ação fiscal (fls.897 e ss); Afirmou que, uma vez que a empresa controlada prestou serviços para as controladoras e recebeu remuneração por tal prestação, não há como negar que houve a Fl. 5817DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.587 7 percepção de receitas que devem ser acrescentadas ao resultado do lucro real e da base de cálculo de CSL. Observou que não houve compromisso formal assumido entre a controlada e a controladora, mas que os pagamentos se concretizaram a vista das prestações dos serviços realizados pela controlada, em benefício da controladora. Dessa forma, afirmou que, tanto aqueles que entendem que as transferências realizadas entre elas possuem caráter de pagamento, quanto àqueles que entendem que estas possuem efeito de custeio, devem reconhecer as receitas e faturamentos nas datas das efetivas transferências. Neste sentido, colacionou as Resolução CFC 750/93 e Deliberação CVM 29/86. Consignou que houve preponderância dos interesses das controladoras nas atividades econômicas da controlada, de modo a fazer com que a firmação dos dois contratos trouxesse prejuízos para a controlada, dissimulasse o seu resultado operacional e trouxesse a fugacidade tributária em questão. Aduziu que, apesar de não ser possível exigir das empresas estrangeiras a sujeição à Deliberação CVM 26/86, que visa anular as disparidades decorrentes das transações feitas entre as partes relacionadas, as operações feitas entre as empresas mencionadas, com o intuito de reduzir o pagamento de tributos, foram observadas e são inegáveis. Com relação à tributação dos reembolsos, colacionou entendimentos das DRJs e do Conselho de Contribuintes, os artigos 117 e 245, da Lei 6.404/76, o artigo 9° da Convenção entre o Brasil e o Reino dos Países Baixos, o Decreto 3.000/99, a Lei 4.506/64 e o Parecer Normativo CST 112/78. Afirmou que a falta ou insuficiência de recolhimento do CSL, do PIS e Cofins, nos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, fundamentase nas mesmas razões expostas para o lançamento do IRPJ retro mencionado. Quanto a isso, transcreveu os artigos 2° e 3°, da Lei 9.718/98. Sobre a tempestividade do lançamento de ofício, disse que não recai sobre ele a decadência, nos termos dos artigos 150 e 173, do CTN, e do artigo 45 da Lei 8.212/91. Por fim, colacionou quadro que demonstra o crédito tributário que é devido pela recorrente a titulo de IRPJ, CSL, PIS e Cofins, incluídos os juros de mora e multa, e intimou essa a realizar os ajustes necessários em seu Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR). DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 1167 a 1216, em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, asseverou que a fiscalização realizou o lançamento dos tributos em questão com base em supostas omissões de receitas realizadas pela recorrente, o que não é correto, pois ela só poderia realizar tal lançamento se comprovasse a existência de uma grave inadequação no equilíbrio contratual através da análise do valor da embarcação afretada, do valor médio de mercado e do valor de mercado dos serviços que a recorrente realizou. Fl. 5818DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.588 8 Aduziu que a fiscalização está, na realidade, fazendo com que incidam tributos onde a lei os afastou, desconsiderando o caso concreto e tudo que o instrui. Afirmou que as despesas incorridas em seu próprio benefício, as em benefício de terceiro, a desvalorização do real frente ao dólar e os gastos com a exigência de nacionalização de mão de obra, foram fatores responsáveis pelo incremento dos custos incorridos. Isto fez também com que a lucratividade não fosse alcançada de imediato, o que acontece com muitas empresas que precisam realizar grandes investimentos. Acerca das demais questões preliminares e do mérito, aproveitase da síntese feita pela recorrente em sua impugnação de fls. 1172 a 1174, infratranscrita: “(a) manifesta nulidade do Auto de Infração lavrado, por ofensa cristalina ao disposto no art. 5 0, LV, da CF/88, na medida em que, (i) de forma açodada, sem observância ao consagrado e constitucionalmente assegurado direito de defesa (para que a Impugnante pudesse prestar os devidos esclarecimentos), foi lavrado o Auto de Infração em tela — considerando, outrossim e fundamentalmente, que foi concedido à empresa tempo exíguo (um dia) para providenciar determinados documentos, bem como, (ii) em diversas passagens do Termo de Verificação Fiscal, não foram corretamente apontadas as folhas do processo em tela, dificultando e obstaculizando que a Impugnante pudesse corretamente apresentar Impugnação consistente, posto não ter logrado êxito em aferir a quais documentos, especificamente, o Sr. AuditorFiscal se refere, e por último, (iii) pela ausência de intimação e/ou cientificação da ora Impugnante acerca da modificação de informações e dados do MPF originário, como manda a norma de regência; (b) manifesta decadência dos valores lançados, em relação a todos os tributos exigidos na autuação fiscal ora impugnada, cujo fato gerador tenha ocorrido entre o período de 1° de janeiro de 2002 até dezembro do mesmo ano, em razão da decadência prevista no art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN), face à observância obrigatória do que reza o art. 146, III, "b", da Constituição Federal de 1988 (CF188); (c) as empresas estrangeiras (TRANSOCEAN OFFSHORE LIMITED. E SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC. CONCENTRATION) não são controladoras da Impugnante, o que fulmina a premissa, que está na raiz da autuação fiscal, de que a Impugnante aceitou figurar em contrato com a PETROBRAS que lhe seria financeiramente desvantajoso apenas para assegurar ganhos adicionais à(s) empresa(s) estrangeira(s) que seriam suas controladoras e por isso estas estavam sendo deliberadamente favorecidas; (d) a Impugnante e as empresas estrangeiras contratadas, ao contrário do que afirma o Sr. Fiscal, não tiveram liberdade para definir o percentual do valor total do contrato que corresponderia ao afretamento de embarcação (que coube à empresa estrangeira, proprietária do bem) e aos serviços prestados (que coube à Impugnante), pois a estrutura do Fl. 5819DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.589 9 contrato foi previamente definida em edital de licitação da PETROBRAS, contratante, ora anexados (docs. nos 03 e 04); (e) os recursos que foram remetidos por empresas estrangeiras à Impugnante não representam remuneração por serviços — até porque não se prestou serviços remunerados à sociedade estrangeira, mas tão somente à PETROBRAS , pois refletiram (tais recursos) mero reembolso de despesas incorridas pela Impugnante em favor da(s) empresa(s) estrangeira(s), como a ora Impugnante demonstrará em perícia pela qual desde logo protesta, a ser produzida sobre a documentação a ser acostada ao processo administrativo, documentação esta capaz de atestar que efetivamente os recursos recebidos do exterior foram integralmente gastos em benefício da(s) empresa(s) estrangeira(s) (pois custearam despesas realizadas em favor do pessoal destas ou na conservação e armação das próprias embarcações afretadas); (f) sendo mero reembolso de despesas em que a lmpugnante incorreu em favor da(s) empresa(s) estrangeira(s) apontadas, os recursos provenientes do exterior não representam receita (pois tais valores jamais se incorporaram ao patrimônio da ora peticionária) e, por isso, não se sujeitam à incidência de IRPJ/CSLL/PIS/COFINS, o que justifica o fato de que nem tais valores, muito menos as despesas incorridas em nome de terceiros, foram levadas a resultado. De todo modo, se tais recursos pudessem ser contabilizados como receita da Impugnante (do que se cogita por reverência ao princípio da eventualidade), seria obrigatória a conclusão de que também as despesas realizadas deveriam ser contabilizadas, as quais caracterizariam despesas operacionais que, como tal,necessariamente seriam oponíveis às "receitas" vislumbradas pela autoridade fiscal, anulandose, qualquer valor eventualmente tributável, levando à constatação de que, como antecipado, a Impugnante não apresentou lucro/renda suscetível de tributação pelo IRPJ/CSLL no período fiscalizado; (g) já no que diz respeito a algumas remessas, conforme apontado pela própria Fiscalização, referemse estas a aumento de capital social realizado por pessoa jurídica estrangeira diversa (Sedco Forex International Inc.), que não se confunde com as pessoas jurídicas estrangeiras que arrendaram embarcações para a PETROBRAS (Sedco Forex International Services S.A., inicialmente, e posteriormente, Transocean UK Limited. Transocean Holdings Inc., etc..). Por fim, a remessa de recursos para aumento de capital social não constitui receita tributável; (h) por fim, ainda que pudessem ser superados todos os argumentos supra (do que mais uma vez se cogita em observância ao princípio da eventualidade), não se afigura correto, e nem mesmo razoável, supor que do universo de todas as remessas realizadas todo o montante seria receita proveniente de remuneração por serviços prestados à sociedade estrangeira, Fl. 5820DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.590 10 mormente quando comprovadas as despesas realizadas em seu nome. Seria tolerável, no extremo, a ilação de que uma ínfima parcela do total recebido da empresa estrangeira seria destinada à remuneração por serviços a ela prestados, sendo de qualquer modo forçoso reconhecer que toda a enorme diferença estaria mesmo infensa a tributação (porque, reiterese, integralmente voltada à ressarcimento de gastos em favor de terceiros);” Sobre as preliminares de nulidade acima sintetizadas, a recorrente arguiu injuridicidade no uso de provas emprestadas, em face de uso da instrução procedimental e processual feita sob o MPF de final 00203/2006, para os lançamentos que se deram sob MPF de final 200700322. Outro vício foi o de a recorrente não ter sido cientificada das prorrogações do MPF. Sobre o novo MPF, invocou violação da Portaria RFB 11.307/07, que regulava o MPF, resultando na nulidade dos lançamentos. De acordo com o que foi exposto, alegou ser inexistente a omissão de receitas, de modo a fazer com que o auto de infração deva ser considerado improcedente e, consequentemente, as cobranças referente à CSL, PIS e Cofins, também. Quanto a isso, colacionou entendimentos do Conselho de Contribuintes. Por fim, requereu o acolhimento da preliminar de nulidade dos autos de infração, bem como da decadência em relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e 25 de dezembro de 2002, a improcedência do auto de infração e o deferimento da perícia. Requereu também que, se os pedidos anteriores não forem acolhidos, seja realizado um arbitramento em módico percentual, a ser aplicado ao total dos recursos recebidos a titulo de antecipação das despesas em favor da controladora. DA DECISÃO DA DRJ Em 26/6/2008, acordaram os membros da 7ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, rejeitar a decadência e julgar procedente em parte os lançamentos de IRPJ e CSL efetuados e, por maioria de votos, julgar improcedente o lançamento de Cofins e PIS efetuados. Recorreu de ofício ao CARF, de acordo com o artigo 34 do Decreto 70.235/72 e alterações introduzidas pela Lei 8.748/93 e Portaria MF 375/2001, conforme o entendimento que se segue. Primeiramente, rejeitou a preliminar de nulidade, apontando que a ausência ou erro do MPF, que é um instrumento de controle e planejamento interno, não é causa de nulidade do lançamento, e que não houve ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, porque além de esses só serem exercidos quando da instauração do devido processo legal, a descrição dos fatos presente nos autos de infração permite o correto entendimento da infração apurada. Rejeitou a preliminar de decadência para os lançamentos de IRPJ e CSL. Com relação à DIPJ/2003, apontou que o lançamento é tempestivo, tendo em vista que ocorreu a ciência em 27/12/2007 e, como a recorrente optou pelo lucro real e apuração anual, a data do fato gerador é o final do período, ou seja, 31/12/2002. No que tange a CSL referente ao anocalendário de 2002, consignou ser o lançamento tempestivo, uma vez que houve a ciência em 27/12/2007 e, como a recorrente optou pela apuração anual, a data do fato gerador também é o final do período, ou seja, 31/12/2002 Fl. 5821DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.591 11 Por conseguinte, rejeitou o requerimento de juntada posterior de documentos alegando que a inviabilidade de realizar o desarquivamento e o exame dos documentos não configura motivo de força maior que, segundo o artigo 16, § 4°, “a”, do Decreto n° 70.235/72, é essencial para que ocorra a apresentação intempestiva desses. Afastou a realização de diligências para a produção de prova pericial nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72, afirmando que ela é desnecessária, tendo em vista que os documentos presentes nos autos são suficientes para formar a convicção do julgador. Aduziu que, diferentemente do que foi informado pela recorrente, as partes contratantes tiveram liberdade para definir o percentual do valor total do contrato que corresponderia ao afretamento de embarcação e ao de serviços prestados, de acordo com o seu interesse e sua conveniência. Isso porque, de acordo com a análise do item 2.7 do Convite Internacional nº 187.8.002.017 (Volume VI, fl 1.288) e do Acórdão nº 1219452/2008 da mesma Turma da DRJRJ1(Volume XXVIII, fl 5.609), que discorreu acerca dos itens 1.71, 1.7.1.1, 1.7.2 e 1.7.2.1 do Edital de Concorrência Internacional n° 101.0.015.966, é possível concluir que a Petrobras não impôs nenhuma forma de pactuação. Afirmou que, por meio da análise dos contratos sociais e suas alterações apresentadas (Volumes IX e X, fls. 1.642 a 1.864), verificase que fizeram ou fazem parte do quadro societário da recorrente as seguintes empresas: Transocean Offshore Deepwater DrillingInc, Sedco Forex International Inc. e Transocean Sedco Forex Ventures Limited. Com relação à interdependência entre as empresas estrangeiras e a recorrente, apontou que parte dos recursos remetidos do exterior eram das empresas estrangeiras. Isso porque, além de os contratos de afretamento firmados com as empresas estrangeiras e de serviço celebrados com a recorrente, em todos eles havia cláusula prevendo que a contratada e a interveniente seriam responsáveis solidariamente pelo cumprimento do acordo. Verificase que, nos anoscalendário de 2002 e 2004, grande parte das remessas foram realizadas pela Transocean Offshore Deepwater Diling Inc e Sedco Forex International Inc. Ainda acerca da interdependência mencionada, ressaltou que, mesmo que as sociedades fossem independentes, o fato de a recorrente quitar as despesas das empresas estrangeira a título gratuito e utilizando recursos recebidos do exterior, não resta justificado. Nesse sentido, aduziu que não pode prosperar a afirmação da recorrente de que os valores recebidos não constituíam receita por ela ser apenas gestora dos recursos, não prestando serviços para a controladora, pois é de se estranhar que aquela realize essa gestão, a titulo gratuito, somente por ser uma comodidade operacional, e por não haver nenhuma prova de que as partes firmaram esse acordo de gestão. Registrou que a afirmação presente no laudo técnico elaborado pela Ernst & Young, no sentido de que os valores dos pagamentos de materiais e serviços, realizados pela recorrente em nome das empresas estrangeiras, foram registrados em contas correntes ativas em nome dessas empresas, não transitando em conta de resultado, não pode ser considerada, pois não há nada no presente processo que a comprove. Fl. 5822DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.592 12 Afirmou que o não oferecimento à tributação dos recursos recebidos pela recorrente das controladoras caracteriza a omissão de receita, pois, até que se prove o contrário, as remessas do estrangeiro serão tidas como reembolso das despesas que a recorrente teve com as embarcações das empresas estrangeiras, fazendo com que essas devessem ter sido computadas na apuração do lucro operacional. Quanto a isso, transcreveu o artigo 392 do RIR/99, que confere embasamento legal para o presente lançamento. Consignou que todas as despesas, inclusive aquelas que, segundo a recorrente, pertencem à empresa estrangeira, estão computadas no resultado do período. Acrescentou que o total das despesas retromencionadas, no montante de R$ 228.451.152,28, corresponde ao dobro do faturamento do mesmo período. Ponderou que, por meio da análise dos contratos de câmbio e das alterações contratuais, restou comprovado que as remessas do estrangeiro realizadas nos meses de outubro a dezembro de 2003, pela Sedco Forex International Inc. (sócia da recorrente), no montante de R$ 74.456,815,00, possuem natureza de aumento de capital, devendo ser esse valor exonerado da base de cálculo do IRPJ do anocalendário de 2003. Quanto a isso, colacionou os seguintes quadros demonstrativos, de fls. 5.437: Registrou que a fiscalização cometeu um equívoco ao considerar que, para as remessas dos meses de janeiro a setembro de 2003, o fato gerador ocorreu em 31/12/2003 e não em 30/9/2003, devendo ser os valores referentes a essas remessas exonerados. Esclareceu que o equívoco supracitado ocorreu porque, devido à incorporação da empresa Transocean Sedco Forex Brasil Ltda. pela recorrente ocorrida em 2003, essa (incorporadora) apurou no anocalendário de 2003, de forma correta, o IRPJ em Fl. 5823DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.593 13 dois períodos, quais sejam, de janeiro a setembro de 2003 e de outubro a dezembro de 2003. Isso, com suporte no art. 5º da Lei 9.959/00. Sendo assim, concluiu que deve ser tido como improcedente o lançamento do IRPJ referente ao anocalendário de 2003 e, conseqüentemente, o da CSL relativo ao mesmo período. Com relação à CSL, apontou que a fiscalização não compensou a base de cálculo negativa do período quando da apuração da contribuição devida para os trimestres do anocalendário de 2004. Quanto a isso colacionou quadro demonstrativo. Afirmou que os lançamentos de PIS e Cofins não devem prosperar, pois a fiscalização apurou as bases de cálculo e as contribuições devidas na forma anual para os anos calendários de 2002 e 2003, e trimestral para o anocalendário de 2004, o que está incorreto, uma vez que, para essas contribuições, o período de apuração é mensal. Por fim, consignou que o lançamento deve ser procedente em parte, devendo ser mantida a cobrança dos seguintes valores, de acordo com quadro demonstrativo de fls. 5.641: DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 5663 a 5713, reiterando o alegado em sede de impugnação, e acrescentando as alegações abaixo sintetizadas. Fl. 5824DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.594 14 Primeiramente, reiterou as preliminares de nulidade e decadência e, nesse sentido, afirmou que a decisão recorrida não analisou corretamente os vícios e falhas apontados na impugnação, os quais justificam a necessidade de os autos de infração serem considerados nulos e os lançamentos decaídos. Com relação ao indeferimento dos pedidos de produção de provas, alegou que isso acarretou o cerceamento de defesa, devendo ser nulo o processo, pois essas provas comprovariam exatamente o que os julgadores alegam que não foi provado. Consignou que, tendo em vista que as empresas estrangeiras contratadas pela Petrobras para a realização do afretamento de embarcações nunca foram controladoras da recorrente, resta claro que não houve a manipulação de um fluxo triangular de rendimento, estando assim combatida a premissa básica na qual se sustentava a fiscalização. Nesse sentido, discorreu acerca da 26ª, 27ª, 28ª, 31ª e 37ª alterações de seu Contrato Social. Ressaltou que a recorrente e as empresas estrangeiras contratadas, ao contrário do que afirmou fiscalização, não tiveram liberdade para definir o percentual do valor total dos contratos celebrados, pois a estrutura do contrato foi previamente definida em edital de licitação da Petrobras.Quando a isso, transcreveu o item 2.7 do edital nº 187.8.002.017 e o item 1.6 do edital nº 101.0.015.95.6, Alegou que, por meio da análise das alterações contratuais da recorrente e dos documentos juntados aos autos, é possível identificar que os recursos recebidos pela recorrente das empresas estrangeiras não correspondem à remuneração pelos serviços que essa prestou, pois esses representam a antecipação/reembolso das despesas sofridas pela recorrente em favor das empresas estrangeiras. Nesse sentido, descreveu algumas alterações contratuais, objetivando exemplificar essa alegação. Apontou que a fomentação da fiscalização acerca das remessas realizadas em 2004 decorreu de um equívoco cometido por ela em razão da similaridade do nome das empresas envolvidas, quais sejam, Sedco Forex International Inc. ConcentrationUSA e Sedco Forex International Inc. Por fim, a recorrente requereu a nulidade do auto de infração e da decisão recorrida, a chancela da decadência do lançamento referente aos períodos anteriores a 27/12/2002, a realização de diligências antes do julgamento, e que seja julgada improcedente a autuação fiscal. Requereu também que, se tais pedidos não forem acolhidos, seja concedido o direito de se deduzirem os valores das despesas realizadas da suposta receita auferida. DAS CONTRARRAZÕES Tratase de contrarrazões ao recurso voluntário interposto pela recorrente contra a decisão da DRJ/RJ, que julgou parcialmente procedente o lançamento presente no auto de infração, em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, afirmou que, diferentemente do que foi alegado pela recorrente, os autos de infração não devem ser tidos como nulos devido a ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Isso porque, além de o contribuinte não ter sofrido prejuízo e o uso de prova emprestada não ofender os princípios mencionados, a ausência ou erro do MPF não é causa de nulidade do lançamento, uma vez que a administração possui a faculdade de realizar a prévia expedição do MPF. Quanto a isso, colacionou jurisprudências. Fl. 5825DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.595 15 Consignou que é improcedente a alegação da recorrente no sentido de que recai a decadência sob os fatos geradores ocorridos entre 1° de janeiro e setembro de 2002, tendo em vista que o artigo 149, V, do CTN estabelece que a fiscalização pode realizar o lançamento de ofício, e que o artigo 173, I, do CTN prevê que o prazo decadencial dos lançamentos de ofício deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ainda nesse sentido, afirmou que outro aspecto que torna improcedente essa alegação do recorrente, referese ao fato de o IRPJ e a CSL, por serem apurados pelo lucro real, apresentarem saldo de imposto a pagar e de CSL a pagar no término do anocalendário, sendo esse o termo inicial do prazo decadencial. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Alegou que a presença ou ausência da relação de controle entre a recorrente e a empresa estrangeira Sedco Forex International Services S.A. não foi fator determinante para a realização do lançamento em questão. Aduziu que, mesmo que não exista relação de controle entre as empresas, essas estão vinculadas por pertencerem ao mesmo grupo. Portanto, não é possível reconhecer a alegação da recorrente de que não havia vinculação entre ela e a controladora, mas sim uma aliança devido à comodidade operacional, em que a recorrente atuava de forma gratuita como staff para “cumprir as exigências que o contrato lhe impõe”, não se importando com o grande prejuízo que ela vinha sofrendo. Afirmou que a realização dos dois contratos, nos moldes que eles foram elaborados, decorreu de um acordo entre as contratantes e não de uma imposição pela Petrobras, como foi alegado pela recorrente. Enfatizou que o que motivou o auto de infração foi à omissão de receitas e não o intuito de fraudar, como foi afirmado pela recorrente. Desse modo, alegou que a presente discussão baseiase na análise da natureza jurídica dos valores recebidos pela recorrente: se for comprovado que foi a título de reembolso, ela estará com a razão, mas se for comprovado que foi a título de recuperação de custos é o que indica a análise dos documentos quem estará com a razão será o Fisco. Sendo assim, afirmou que, como as notas fiscais e faturas juntadas pela recorrente foram faturadas em nome dessa, não pode ser deduzido que os valores recebidos por essa da empresa sediada no exterior foi a título de reembolso, devendo ser o lançamento mantido nesse sentido. Com relação à violação da verdade material alegada pela recorrente, afirmou que essa não ocorreu, pois a recorrente não comprovou que os custos não foram contabilizados em seu nome nos resultados apurados nos anoscalendários de 2002, 2003 e 2004. Alegou que não houve o cerceamento de defesa, não devendo o indeferimento da perícia acarretar a nulidade da decisão, pois, nos temos do Decreto 70.235/72, o julgador pode indeferir a perícia quando entendêla desnecessária. Nesse sentido, alegou que a perícia requerida pela recorrente apenas retardaria o julgamento da lide, não trazendo nenhum aspecto relevante para esse. Fl. 5826DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.596 16 Por fim, requereu que fosse negado provimento ao recurso voluntário interposto e, por conseguinte, mantido o lançamento fiscal. DA PETIÇÃO DA RECORRENTE Tratase de petição interposta pela recorrente em 7/4/2014,em que aduz, em síntese, o que segue. Primeiramente, requereu a juntada dos anexos laudos elaborados pela conceituada empresa de auditoria independente Ernst & Young, e afirmou que esses demonstram o desacerto dos presentes autos de infração. Apontou que estão decaídos os valores autuados para o período de janeiro a dezembro de 2002, pois, tendo em vista que os tributos em questão são tributos sujeitos a lançamento por homologação, devese aplicar o prazo decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Consignou que o percentual das receitas provenientes do Edital de concorrência pública vencido pela recorrente e outras duas empresas estrangeiras foi estabelecido pelo ente licitante, não cabendo à recorrente ou às empresas licitantes a determinação desses percentuais. Entendeu que as receitas autuadas correspondem a reembolso de despesas para fazer frente a custos incorridos pelas empresas estrangeiras no Brasil, custos esses que foram assumidos perante o ente licitante, de acordo com o Edital de licitação pública em que foram vencedoras. Acentuou que a empresa Ernst & Young, por meio da análise da documentação contábil e fiscal da recorrente, concluiu que os valores autuados correspondem, para a recorrente, mero ressarcimento de despesas incorridas pelas empresas estrangeiras no Brasil, e que essas despesas não transitaram pelas contas de resultado da recorrente. Registrou a necessidade da alteração da parcela da decisão recorrida que manteve a autuação, ou a conversão do presente processo em diligência. Por fim, requereu o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 5827DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.597 17 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 5.662 e 5.663 – numeração, somente esta, é a do eprocesso neste voto). Dele, pois, conheço. Há também remessa de ofício, ou, na linguagem do PAF, recurso de ofício, que atende aos limites do art. 1º da Portaria MF 8/08, nos termos do art. 34, I, do PAF (Decreto 70.235/72). Recurso voluntário Principio com o exame do recurso voluntário. Preliminares de nulidade Há preliminares de nulidade dos lançamentos. A recorrente argui injuridicidade no uso de provas emprestadas, em face de uso da instrução procedimental e processual feita sob o MPF (Mandado de Procedimento Fiscal) de final 00203/2006, para os lançamentos que se deram sob MPF de final 200700322. Outro vício alegado é o de que a recorrente não fora cientificada das prorrogações do MPF. Sobre o novo MPF, argui violações da Portaria RFB 11.307/07, que regulava o MPF. Conforme o art. 4º da Portaria RFB 4.066, de 2/5/07, vigente e eficaz à época das instruções primárias dos lançamentos, devese dar ciência do MPF à fiscalizada, na forma do art. 23 do PAF vigente á época, no início do procedimento fiscal. E isso ocorreu, como se vê nas fls. 1, 2, 197 a 199. As prorrogações do MPF, que se devem dar por prazos máximos de 120 dias para o MPFF (Fiscalização), podemse ser feitas eletronicamente, com informação disponível à fiscalizada na internet, por código de acesso fornecido no próprio MPF. Essa é a interpretação extraível dos arts. 12, 13, caput e § 1º, c/c o art. 7º, VIII, da Portaria RFB 4.066/07: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. § 1º. A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. Fl. 5828DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.598 18 § 2º. Na hipótese do § 1º, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo após cada prorrogação, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Por outro lado, não diviso vício que acoime os lançamentos de nulidade, ao teor do art. 13, § 2º, da Portaria RFB 4.066/07, no fato de não se fornecer diretamente à fiscalizada demonstrativo de emissão e prorrogação efetuadas (reproduzidas a partir de informações colocadas na internet),no primeiro ato de ofício após cada prorrogação. O fim colimado não é vulnerado, desde que as prorrogações se deem a tempo, o MPF, que contêm a data limite de validade para prática dos atos de ofício e o código de acesso à internet, tenha sido entregue à fiscalizada, como descrito acima. É como vejo. O uso de informações coletadas no âmbito do MPF de final 00203/2006 para a instrução primária dos lançamentos efetuados sob o MPF de final 200700322 não constitui emprego de prova emprestada. Tratase de continuidade da própria instrução primária dos lançamentos, a qual se iniciou sob o MPFF de final 00203/2006 e se conclui com o MPFF de final 200700322. Despropositado se cogitar de vulneração ao contraditório e à ampla defesa, nesse passo. Nesse âmbito, não vejo vício na substituição do MPFF de final 00203/2006, pelo MPFF de final 200700322, comunicada e entregue à fiscalizada (fls. 213, 214, 1599 e 1600). A esse tempo vigia e tinha eficácia ainda a Portaria RFB 4.066/07 e não a Portaria RFB 11.371/07, invocada pela recorrente, e que só começou a ter eficácia em 1/1/08, i.e., após os lançamentos em dissídio. Seu art. 22 tinha a seguinte dicção – com as alterações das Portarias RFB 10.382/07 e 11.161/07: Art. 22. Os procedimentos fiscais iniciados antes de 2 de maio de 2007, no âmbito da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria da Receita Previdenciária, deverão ser encerrados até 31 de outubro de 2007. § 1º. Na impossibilidade de cumprimento do prazo a que se refere o caput, os procedimentos fiscais terão continuidade, devendo ser prorrogados pela autoridade outorgante dos respectivos MPF, observado o disposto no art. 13. § 2º. Os MPF emitidos antes de 2 de maio de 2007, cujos procedimentosainda não tiveram início mediante ciência ao sujeito passivo, deverão ser objeto de emissão de novo MPF nos termos desta Portaria. O fato de se ter emitido novo MPFF, ainda que a fiscalizada tenha sido cientificada do MPFF e do início do procedimento fiscal, não representa ofensa ao art. 22, § 2º, da Portaria RFB 4.066/07. Fl. 5829DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.599 19 Cuidase, antes, de medida de cautela. Inclusive, a fiscalizada foi cientificada dessa substituição do MPFF, com entrega de cópia dessa (fls. 213, 214, 1599 e 1600). Não vejo, pois, injuridicidade na emissão de novo MPF (o de final 2007 00322, em substituição ao de final 00203/2006). Ainda, não diviso ilegalidade no fato de o novo MPFF (de final 200700322) emitido ter sido ter designado autoridade fiscal que participara do procedimento fiscal sob o MPFF substituído (de final 00203/2006) – fls. 2, e 1600. O art. 16, parágrafo único, da Portaria RFB 4.066/07 se destina à hipótese em que o MPF se extingue por decurso de prazo e, em função disso, há emissão de novo MPF. Situação diversa à dos pressupostos de fato do art. 22 da Portaria 4.066/07 acima transcritos, para o que não há tal previsão – para esses casos a norma se aproxima à de disposição transitória. Eis a redação dos arts. 15 e 16, da Portaria RFB 4.066/07: Art. 15. O MPF se extingue: I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio, com a ciência do sujeito passivo; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13. Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRFB responsável pela execução do Mandado extinto. Quanto à concessão de prazo de 1 dia para apresentação de documentos, concordo ser de exasperada exiguidade o referido prazo (fl. 216). No caso, poderia a recorrente ter pedido dilações de prazo para o cumprimento da intimação. Ainda, efetivamente a intimação resultou cumprida (fls. 217 e seguintes). Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade dos lançamentos. Preliminar de mérito de decadência Sobre a aplicabilidade do prazo decadencial do CTN à CSL, ao PIS e à Cofins, em detrimento do prazo estabelecido no art. 45 da Lei 8.212/911, esse entendimento foi pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, e foi objetivado na Súmula Vinculante nº 8 do STF, nos termos do art. 103A da Constituição Federal2: 1 Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. 2Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Fl. 5830DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.600 20 Súmula Vinculante n° 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O art. 2º da Lei 11.417/06 é impositivo quanto à sua observância3. A ciência dos autos de infração se deu em 27/12/07 – fl. 1164. De plano, é de se afastar a decadência para os lançamentos de IRPJ e de CSL, que tiveram sua apuração anual, no anocalendário de 2002, conforme a DIPJ/03 (fls. 11 a 20) Embora a observação acima seja suficiente para derruir a alegação de decadência para os lançamentos de IRPJ e de CSL, faço considerações adicionais, diante da juntada aos autos pela recorrente de supostos comprovantes de pagamento com fim de ver reconhecido o fenômeno decadencial. Os supostos comprovantes de pagamento juntados aos autos em 7/4/14, obtidos do eCAC (fl. 5778), são de estimativas de CSL – código de arrecadação 2484 – relativos aos meses de janeiro, fevereiro e maio de 2009. Não por menos, na ficha 16 da DIPJ/03, não constam indicações de pagamentos de estimativas (fls., 16 a 19) e na ficha 17 dessa DIPJ não figura dedução de estimativas de CSL (fl. 20). Aliás, vêse pelas fichas 11 e 16 da DIPJ/03 que não foram pagas as estimativas de IRPJ e de CSL, por se as terem determinado com base em balanço de suspensão em todos os meses, apuradose prejuízo e base negativa – fls. 11 a 14 e 16 a 19. Em suma, não há consecução da decadência quanto a IRPJ e a CSL. Resta ver a decadência sobre os lançamentos de PIS e de Cofins. Fazse necessário reconhecer o entendimento veiculado pelo STJ, em sede de procedimento repetitivo. Sucede que, em face do art. 62A, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF 256/09, com a alteração da Portaria MF 586/10), o julgamento no CARF se subordina ao proferido pelo STJ, em procedimento repetitivo, conforme o art. 543C do CPC – bem como ao emanado pelo STF, em julgamento de RE sob repercussão geral, nos termos do art. 543B do CPC. Em matéria de decadência de lançamento, o julgamento do REsp 973.733/SC foi afetado ao procedimento repetitivo, tendo como relator o Ministro Luiz Fux. No acórdão a esse REsp, o STJ consagrou a exegese de que o art. 150, § 4º, do CTN só é aplicável caso haja algum pagamento de tributo sujeito a lançamento por administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. 3Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Fl. 5831DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.601 21 homologação; do contrário, o prazo decadencial é o do art. 173, I, do CTN. Entretanto, o mesmo acórdão do STJ, em seu dispositivo, embora faça remissão ao art. 173, I, do CTN, proclama que o termo a quo do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao do fato gerador! Ora, este prazo não condiz com o do art. 173, I, do CTN, pelo qual o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado, nem com o do art. 150, § 4º, do CTN. Em que pese o dislate redacional, diante da expressa referência ao art. 173, I, do CTN, inclusive com citações doutrinárias, pareceme que a melhor interpretação do dispositivo do acórdão é o de reconhecer a aplicabilidade do art. 173, I, nos termos do CTN, pois a literalidade redacional do contido no mesmo dispositivo não tem ponto com nenhum termo inicial algum previsto no CTN. Na DIPJ/03 (fichas 19A e 20A), constam PIS a pagar e Cofins a pagar para todos os meses do anocalendário de 2002 – fls. 21 a 44. Não consta nos autos, porém, nenhum documento comprobatório de pagamento de PIS e de Cofins referente aos meses de janeiro a novembro de 2002. É de se ressaltar, por outro lado, que a exigência de PIS e de Cofins se deu somente para dezembro de 2002, ou melhor, para todo o anocalendário de 2002, definindo o momento do fato gerador para 31/12/02, conforme os instrumentos específicos dos autos de infração (fls. 1124 e 1128). Ou seja, os lançamentos compreenderam a materialidade que o autuante reputou tributável para todos os meses do anocalendário de 2002, como um fato gerador de PIS e de Cofins, aperfeiçoado em 31/12/02. Isso constato da planilha referente aos contratos de câmbio de 2002, que contém a discriminação de valores mensais, fornecida pela recorrente (fl. 218): o autuante coletou dessa planilha os valores tributados – simplesmente reproduziu os valores da e conforme a planilha: o que é comprovado do cotejo dos valores nela constantes com os contidos nos lançamentos. Outrossim, ainda que o julgamento fosse convertido em diligência para se aferir se há pagamentos de PIS e de Cofins de fatos geradores de janeiro a novembro de 2002, isso seria inócuo, em face do exposto acima – lançamentos feitos com fato gerador de 31/12/02. Por tais razões, rejeito a preliminar de mérito de decadência dos lançamentos de IRPJ, de CSL, de PIS e de Cofins. Mérito Preço (receita) de prestação de serviços – fluxo triangular de recursos Passo ao exame de mérito. Como se viu do relatório, o motivo central da autuação se funda no suposto fluxo triangular de recursos entre a recorrente, a empresa no exterior prestadora do afretamento de embarcações, e a contratante, a Petrobras. Fl. 5832DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.602 22 A recorrente e a empresa no exterior, que seria sua controladora, firmaram dois contratos com a Petrobras: um de afretamento de embarcações, e outro, de prestação de serviços de interesse da Petrobras, excetuado o de afretamento. Segundo o autuante, a recorrente e a empresa no exterior, por ser sua controladora, atribuíram com artificialidade os preços que ambas praticariam à contratante, a Petrobras, de modo que a maior parte do preço global ajustado com a contratante fosse imputável à controladora da recorrente no exterior – no caso, cerca de 90% do preço global. Dessa forma, a maior parte do preço global ficou com a empresa no exterior, sem a incidência de IR no Brasil, por aplicação da hipótese de alíquota zero do art. 1º, I, da Lei 9.481/97. A parcela residual do preço, atribuída à recorrente, não apresentava suficiência para que ela apresentasse lucros. O fluxo triangular artificialmente criado pela recorrente e sua controladora, a empresa no exterior, se completava, conforme o autuante, pelas remessas de recursos feitas pela empresa no exterior para a recorrente, a título de reembolso a essa de despesas antecipadas pela recorrente pertencentes à empresa no exterior. O autuante identificou nos recursos remetidos pela empresa no exterior à recorrente o preço de prestação de serviços por essa à aquela, dissimulado sob o rótulo de reembolsos. A recorrente alega que a empresa no exterior, prestadora do afretamento de embarcações à Petrobras, não é sua controladora. Mais, a empresa no exterior, sobre não ser controladora da recorrente, não possui nenhuma participação em seu capital social, tampouco alguma ingerência em sua atividade social. O que houve foi confusão cometida pelo autuante devido à parecença de denominação da empresa no exterior e da controladora da recorrente. Acentua também que a definição dos preços de afretamento de embarcações e da prestação de serviços, ambos à Petrobras, foi preestabelecida pela contratante, nos editais de licitação, sobre o que, portanto, as contratadas nenhum ingerência tiveram. Ou seja, não houve manipulação de preços por parte da recorrente e da empresa no exterior, pois foram estabelecidos em edital de licitação da contratante, a Petrobras. Do exame da documentação acostada aos autos, constato o seguinte. A Transocean Brasil Ltda. (recorrente, sucessora da Transocean Sedco Forex Brasil Ltda.) tinha como sócios, em 2 de maio de 2002, a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., domiciliada nos EUA (Dellaware), com 9.199.982 cotas, Eric Brown, domiciliado nos EUA (Houston, Texas), com 9 cotas e Barbara S. Koucouthakis, domiciliada nos EUA (Houston, Texas), com 9 cotas – conforme a 26ª alteração contratual da Transocean Brasil Ltda. (fls. 1703 a 1713 – arquivada na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro – JUCERJA, em 9 de maio de 2002). Logo, em 2 de maio de 2002, a recorrente tinha como sócios: Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. (9.199.982 cotas), Eric Brown (9 cotas) e Barbara S. Koucouthakis (9 cotas). Em 2 de outubro de 2002, Eric Brown cede suas 9 cotas da Transocean Brasil Ltda. (recorrente) para a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., e Barbara S. Fl. 5833DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.603 23 Koucouthakis cede suas 9 cotas para Paul Arthur King, domiciliado nos EUA (Hounston, Texas) – segundo a 27ª alteração contratual da Transocean Brasil Ltda., arquivada na JUCERJA em 18 de outubro de 2002 (fls. 1714 a 1723). Assim, a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. passou a ter 9.199.991 cotas (9.199.982 + 9). Portanto, em 2 de outubro de 2002, a recorrente tinha como sócios: Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. (9.199.991 cotas) e Eric Brown (9 ciotas). Vêse que, em 2003, a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. transfere suas 9.199.991 cotas para a Sedco Forex International Inc., domiciliada no Panamá.. Isso, consoante a 28º alteração contratual da Transocean Brasil Ltda., datada de 1º de abril de 2003 e arquivada na JUCERJA em 2 de junho de 2003 – fls. 1724 a 1733. Assim, em junho de 2003, os sócios da recorrente passaram a ser: Sedco Forex International Inc. (9.199.991 cotas) e Paul Arthur King (9 cotas). Em 22 de setembro de 2003 é assinado o protocolo e justificação de incorporação da Transocean Sedco Forex Brasil Ltda. pela Transocean Brasil Ltda. (recorrente) – fls. 1764 a 1769. A Transocean Sedco Forex Brasil Ltda. é incorporada pela Transocean Brasil Ltda., em 30 de setembro de 2003, com a aprovação do protocolo e justificação de incorporação e da avaliação do patrimônio da incorporada, a valor contábil, por empresa independente de contabilidade. Isso, conforme a 31ª alteração contratual da Transocean Brasil Ltda., arquivada na JUCERJA em 13 de outubro de 2013 – fls. 1770 a 1785 (as 29ª e 30ª alterações contratuais da recorrente se limitam a abertura de filial – fls. 1734 a 1760). Notase que, em 3 de novembro de 2004, Paul Arthur King transfere suas cotas (9 cotas) na Transocean Brasil Ltda. (recorrente) para a Transocean Sedco Forex Ventures, Limited. Tudo, nos termos da 37ª alteração contratual da Transocean Brasil Ltda., arquivada na JUCERJA em 3 de dezembro de 2004 fls. 1842 a 1852 (as 32ª a 36ª alterações contratuais da Transocean Brasil Ltda. se reservam a extinção de filiais, aumentos de capital e sua integralização e alterações de cláusulas contratuais– fls. 1786 a 1841). Logo, em 3 de novembro de 2004, os sócios da recorrente passaram a ser: Sedco Forex International Inc. (com 78.584.480 cotas, após a incorporação da Transocean Sedco Forex Brasil Ltda. pela recorrente), e Transocean Sedco Forex Ventures, Limited (com 9 cotas). Em suma, durante o período da autuação, figuravam como sócias da recorrente, sucessivamente: · a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc.; · a Sedco Forex International Inc., a partir de junho de 2003; · a Sedco Forex International Inc. conjuntamente com a Transocean Sedco Forex Ventures, Limited, a partir de novembro de 2004. Anotese, também, que, antes do período autuado, constava como sócia da recorrente a Transocean Offshore Inc. (no caso, antes de 2001), anteriormente denominada Fl. 5834DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.604 24 Sonat Offshore Drilling Inc. (conforme a 21ª alteração contratual, de 15 de setembro de 1999, arquivada na JUCERJA em 3 de dezembro de 1999; fls. 1642 a 1652). Ainda antes do período autuado, vêse, pela 25ª alteração contratual da recorrente, que passou a constar como sua sócia a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., nova denominação da Transocean Offshore Inc. – fls. 1691 a 1701 (nas 22ª a 24ª alterações contratuais da recorrente, figurava a Transocean Sedco Forex Inc., como nova denominação da Transocean Offshore Inc., retificada, por erro, no inciso I da 25ª alteração contratual – fl. 1692). Permaneceu como sócia a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. durante parte do período autuado até o início de junho de 2003, como descrevi acima. No Termo de Verificação Fiscal (TVF), o autuante acusa que a contratada pela Petrobras era a controladora da recorrente. Não trouxe aos autos, contudo, os contratos firmados entre a Petrobras e a controladora da recorrente, como alegado. Transcrevo excertos do TVF que indicam ter sido a controladora da recorrente a contratada pela Petrobras: [...] Decompondo a situação fática real, podese ter uma visão analítica da simulação de prejuízos praticada, mediante atribuição forçada de prejuízos a empresa sediada no Brasil, contra resultados positivos auferidos por empresa ligada no exterior, de cujas receitas (da empresa estrangeira) não há sequer retenção de tributos e contribuições pela fonte pagadora (PETROBRAS): a) Há o interesse de empresa estrangeira em prestar serviços de prospecção, perfuração, avaliação, completação e "workover", para a PETROBRAS, em território Brasileiro; b) É criada uma empresa no Brasil cujo controle acionário ou de cotas pertence à empresa estrangeira; c) Na fase de elaboração do contrato de prestação dos serviços que interessam à PETROBRAS, são feitos dois contratos distintos, um com a empresa estrangeira, controladora, especifico para o afretamento de embarcações, e outro com a empresa criada no Brasil, controlada, e que alcança efetivamente a prestação dos serviços de que necessita a PETROBRAS, excetuado o afretamento; d) O contrato de afretamento envolve os grandes valores, em torno de 90% da soma dos dois contratos firmados em conformidade com o item "c", anterior, enquanto o contrato firmado com a empresa sediada no Brasil, controlada, prevê pagamentos da ordem de 10% da soma dos dois contratos; e) Assim, uma mesma prestação de serviços é seccionada em duas com o propósito de escoamento para o exterior da maior parte dos valores envolvidos, já que dessa maneira é possível enquadrar quase que a totalidade do valor (soma dos valores dos contratos com a controladora e com a controlada) sob o alcance de alíquota zero que obsta a retenção na fonte para afretamento de embarcações (Lei nº 9.481/97, art. 1º, inciso I); f) Como a titulo de custo para a PETROBRAS importa o valor global dos serviços e a sua efetiva execução, sendo indiferente como será registrado na contabilidade das contratadas os lucros ou prejuízos, essa não interfere nem apresenta obstáculos, ao que tudo indica, formatação contratual dupla citada no item "c"; g) E, uma vez criada artificialmente uma enorme defasagem entre os valores dos serviços a serem prestados e o afretamento da embarcação, cumpre à controladora no exterior reembolsar sua controlada no Brasil, para efeito de custeio operacional e não operacional pois Fl. 5835DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.605 25 de outra forma esta última não sobreviveria sem o apelo à falência ou concordata o que é feito através de transferências bancárias de contas no exterior para contas em bancos no Brasil, para que a controlada possa manterse regularmente em atividade; h) Dessa forma, fechase o ciclo, já que os rendimentos da empresa com sede no Brasil que realmente trazem correspondência com os serviços prestados de perfuração, avaliação, completação e "workover", e que são indevidamente inseridos no valor do contrato de afretamento celebrado com a empresa estrangeira, retornam para a empresa sediada no Brasil, controlada, por meio destas transferências bancárias (item "g"), cuja finalidade alcança, inclusive, remunerar serviços de manutenção muitas vezes executados pela controlada nas embarcações de propriedade da controladora afretadas; i) Outra situação revelada é a característica de reembolso dos valores transferidos do exterior para contas de empresas controladas no Brasil, pois que a controlada arca com os custos e despesas de manutenção da embarcação afretada, que pertence à empresa controladora, remetente das transferências bancárias. (fls. 1142 e 1143, TVF, grifos e negritos nossos) Para que não haja dúvida, transcrevese outro excerto do TVF: Como as empresas envolvidas com os benefícios financeiros dos contratos firmados com a empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS serão citadas inúmeras vezes no presente Termo de Verificação, adotouse o critério de tratálas preferencialmente por controlada e controladora, conforme estejamos nos referidindo (sic.) as empresas estrangeiras (SEDCO FOREX INTERNATIONAL INC., e TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES LIMITED, TRANSOCEAN OFFSHORE LIMITED, TRANSOCEAN OFFSHORE DEEPWATER DRILLING, etc.) – controladora , ou a empresa TRANSOCEAN BRASIL LTDA controlada. Por fim, quando não houver prejuízo interpretativo de qualquer natureza, será feita referência à empresa PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS tão somente como PETROBRAS. (fl. 1143, grifos do original) De outra parte, a recorrente carreou aos autos cópia de cartas de decisão, de contratos de afretamento, seus anexos e aditivos, firmado entre a Petrobras e a empresa no exterior (fls. 1966 a 135, 2137 a 2289, 2388 a 2551, 2998 a 3215, 3224 a 3275 e 3341 a 3373, 3546 a 3676, 5048 a 5169). As cópias de contratos de afretamento são dos naviossonda Deepwater Navigator, Deepwater Frontier, dos navios semisubmersíveis Transocean Legend, Transocean Driller e, do navio Peregrine IV, das unidades Sedo 707 e Sedco 710 e Discoverer Sean Seas. Há cópia de contrato de afretamento contratado entre Petrobras e a R&B Falcon Drilling (International & Deepwater) Inc., e cessão da posição contratual de R&B Falcon Drilling (International & Deepwater) Inc. para Transocean Holdings Inc. (aditivo 1 do contrato de afretamento do naviosonda Deepwater Navigator – fls. 1979 a 1981 e aditivo 4 do contrato de afretamento do navio Deepwater Frontier – fls. 2140 a 2142). Fl. 5836DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.606 26 Há cópia de contrato de afretamento contratado entre Petrobras e a Falcon Drillinig Co. Inc., cessão da posição contratual de Falcon Drillinig Co. Inc. para Falcon Atlantic Ltd. (aditivo 1 – fls. 3232 a 3234), e nova cessão da posição contratual de Falcon Atlantic. Ltd. para Transocean UK Limited (aditivo 4 – fls. 3224 a 3226). Há cópia de contrato de afretamento contratado entre Petrobras e a Sedco Forex International Services S.A. (domiciliada no Panamá), e cessão da posição contratual de Sedco Forex International Services S.A. para Transocean UK Limited (aditivo 8 – fls. 3550 a 3553). Há cópia de contrato de afretamento contratado entre Petrobras e a Sonat Offshore Drilling Inc. (fls. 5048 a 5168). Há também cópia de contrato de afretamento firmado entre Agip Oil do Brasil Ltda. e Transocean UK Ltd., da unidade Sedco Express – fls. 4087 a 4942. Em resumo, há cópias de contratos de afretamento entre a Petrobras e (ainda que por cessão da posição contratual): · R&B Falcon Drilling (International & Deepwater) Inc.; · Transocean Holdings Inc.; · Falcon Drillinig Co. Inc.; · Falcon Atlantic Ltd.; · Transocean UK Limited; · Sedco Forex International Services S.A.; · Sonat Offshore Drilling Inc. Repito. A autuante não trouxe aos autos cópia de nenhum contrato de afretamento firmado entre a Petrobrás e as empresas estrangeiras por ele indicadas como contratadas. Como se viu anteriormente, foram sócias da recorrente (Transocean Brasil Ltda.) nos períodos da autuação: Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc.; Sedco Forex International Inc.; Transocean Sedco Forex Ventures, Limited. Nada há nos autos que indique que as empresas no exterior, contratadas pela Petrobras para o afretamento de embarcações, R&B FalconDrilling (International & Deepwater) Inc., Transocean Holdings Inc., Falcon Drillinig Co. Inc., Falcon Atlantic Ltd., Transocean UK Limited, Sedco Forex International Services S.A., sejam sócias da recorrente nos períodos autuados. Ou seja, nada há nos autos que indique que as ora citadas empresas contratadas pela Petrobras para o afretamento de embarcações sejam sócias da recorrente, e, pois, controladoras da recorrente ao tempo dos períodos autuados – diversamente ao exposto no TVF, conforme transcrição feita acima. Fl. 5837DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.607 27 Por outro lado, a cópia do contrato de afretamento entre a Petrobras e a Sonat Offshore Drilling Inc., cujas fls. indiquei acima, contém data de assinatura ilegível. Ao teor das cláusulas nele constantes, há fortes indícios de que tenha sido assinado entre dezembro de 1994 e fevereiro de 1995. Conforme descrevi anteriormente, antes do período autuado, constava como sócia da recorrente a Transocen Offshore Inc., anteriormente denominada Sonat Offshore Drilling Inc. E a Transocen Offshore Inc. passou a ser denominada Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., permanecendo como controladora da recorrente até início de junho de 2003, quando passou a ser controladora a Sedco Forex International Inc. Portanto, somente em relação ao contrato de afretamento com a Sonat Offshore Drilling Inc., podese afirmar que a contratada da Petrobras era controladora da recorrente (contratada pela Petrobras para prestação de serviços) até o início de junho de 2003. O que se vê é que, ainda que não se possa dizer que as empresas estrangeiras contratadas pela Petrobras tenham sido sócias e controladoras da recorrente nos períodos autuados, cuidase de empresas do mesmo grupo econômico. Nesse passo, reputo curial acentuar o seguinte. Análise atenta do TVF permite concluir que o motivo central da autuação repousa sobre o estabelecimento de fluxo triangular de recursos, com artificialidade dos preços praticados com a contratante, a Petrobras. Nesse motivo central, a artificialidade dos preços se põe entre os praticados entre a Petrobras, contratante, com as contratadas empresas estrangeiras, controladoras da recorrente, segundo o TVF, e os praticados entre a Petrobras, contratante, com a contratada recorrente, controlada das empresas estrangeiras, conforme o TVF. E, dessa artificialidade dos preços, emerge a parte do preço (receita omitida autuada) pela prestação de serviços pela recorrente à contratante Petrobrás: ela é representada pelos recursos transferidos pelas controladoras estrangeiras da recorrente para esta. Ou seja, houve artificialidade dos preços na contratação pela Petrobras: parte do preço estabelecido na contratação do afretamento – contratação das empresas estrangeiras controladoras da recorrente – em realidade, compõe o preço estabelecido na contratação da recorrente (pela Petrobrás) para prestação de serviços à Petrobras. Tal conclusão é extraível da apreciação cuidadosa do “conjunto da obra” do TVF e, especialmente, da decomposição da situação fática real, como é dito no TVF, cuja descrição já transcrevi neste voto, a que faço remissão. E se reforça com a transcrição do excerto do TVF que se segue à referida descrição nele contida: Importante destacar que a empresa fiscalizada é sediada em território brasileiro, presta serviços a uma empresa brasileira, a Petrobrás, dentro do território nacional, apenas com a conveniente interveniência de empresas controladoras e pessoas jurídicas ligadas residentes no exterior, de forma que na realidade tratamos de uma Receita de Serviços prestados no TERRITÓRIO NACIONAL e NÃO de uma receita de Fl. 5838DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.608 28 EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. (fl. 1142, negritos do original, grifos nossos) Feita essa constatação, prossigo. A recorrente afirma que, por comodidade operacional, ela fazia os desembolsos de despesas incorridas pelas empresas estrangeiras contratadas pela Petrobras, sendo por essas reembolsada. Isso evitava que as empresas estrangeiras contratadas instalassem aqui um staff, somente para atender ao cumprimento de tais despesas – e a verificação das contraprestações, os serviços contratados. Tratavase de uma aliança informal, ou uma parceria comercialadministrativa, de interesse da recorrente, pois seria uma porta aberta para novos contratos celebráveis pela recorrente, juntamente ou com a indicação das empresas estrangeiras. Faz sentido, e não há óbice a tanto, que se estabelecesse uma parceria informal, a viabilizar a contratação e execução de serviços em favor das empresas estrangeiras, sem que elas estabelecessem aqui uma filial ou um staff, de modo a que a recorrente desse viabilidade operacional a tanto, antecipando os desembolsos pelas despesas incorridas pelas empresas estrangeiras, para ser por elas reembolsada. Por outro lado, diversamente do alegado pela recorrente, não se trata de compartilhamento de despesas, o que implica um convênio de rateio de despesas, mas de simples antecipação dos desembolsos de despesas das empresas estrangeiras, em que os proveitos são dessas, para a recorrente ser reembolsada por elas. Uma aliança ou parceria informal de tal espécie, a dar comodidade operacional às empresas estrangeiras, sobretudo no contexto em que ela se põe, quando ambas são as contratadas para execução de atividades à Petrobras, no campo de atividades assemelhadas, faz sentido, pois potencializa à recorrente a obtenção de novos contratos juntamente com a SedcoForex International Services S.A., ou por meio dela. Pois bem. O edital de concorrência internacional nº 101.0.15.956, em seu item 1.6 (fl. 1553), é expresso ao dizer: 1.6. Como resultado da licitação, a PETROBRAS celebrará 2(dois) contratos, quais sejam, um de afretamento e outro de prestação de serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou "workover". Os preços propostos, mediante o preenchimento das Planilhas de Preços Unitários, constantes do ADENDO V, estarão limitados a 85% (oitenta e cinco por cento) em dólares norteamericanos (relativos ao Contrato de Afretamento), sendo o restante pago em moeda corrente nacional (relativo ao Contrato de Prestação de Serviços). (grifos nossos) Nos autos do processo administrativo 15521.00122/200779 (de autos de infração contra a recorrente), sob minha relatoria, localizei cópia integral nos autos do mencionado edital de concorrência – fls. 2452 e seguintes. Os itens 1.7.1, 1.7.1.1, 1.7.2 e 1.7.2.1 do referido edital de concorrência internacional não contêm exceção ao que prevê o item 1.6 supratranscrito, diversamente ao Fl. 5839DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.609 29 que sinaliza o acórdão a quo. Também não divisei em nenhum outro item de tal edital a exceção ou a abertura aos limites contidos no item 1.6 do edital de concorrência. Já, o edital de convite internacional nº 187.8.002.017, em seu item 2.7 (fls. 1288 a 1326) determina expressamente: 2.7 As taxas diárias de operação, Ref. 101 das Planilhas de Preços Unitários, deverão ser cotadas observandose o "split" de 90% (noventa por cento) a ser pago em dólares norteamericanos, no caso do Contrato de Afretamento da Unidade e de 10% (dez por cento), no caso do Contrato de Prestação de Serviços. Os editais em questão deixam claro que não havia margem para aumentar o preço de prestação de serviços de perfuração e/ou avaliação e/ou completação e/ou “workover” em relação ao preço global que envolvia tais serviços e o afretamento de embarcações (naviossonda, navios semisubmersíveis, unidades de perfuração). Não há nos autos nenhuma indicação de que os limites previstos nos editais tenham sido objeto de alguma negociação entre os participantes do certame e a Petrobras. Disso tudo, a conclusão extraível é a de que não houve artificialidade na determinação dos preços de afretamento de embarcações pela SedcoForex International Services S.A., e de prestação de serviços pela recorrente, ambos contratados pela Petrobras. Resta, pois, derruído o motivo central da autuação, qual seja, o de estabelecimento de fluxo triangular de recursos, com artificialidade dos preços praticados com a contratante, a Petrobras. Importa registrar o seguinte. Como se viu, o motivo central se coloca na artificialidade de preços na contratação com a Petrobras, sendo parte do preço do afretamento das embarcações com as controladas da recorrente, a bem ver, valor que compõe o preço da prestação dos serviços da recorrente à Petrobras (receitas omitidas autuadas) – o tal fluxo triangular de recursos. O autuante incide em confusão, pois, depois dessas colocações, afirma que tais recursos recebidos pela recorrente são remuneração de serviços por ela prestados para suas controladoras (e não mais para a Petrobras), as quais transferiram os recursos à recorrente: A infração tratase, em síntese, de omissão nas DIPJs 2003 e 2004 (referentes aos anoscalendário 2002 e 2003) de valores recebidos como devolução de custos decorrentes de prestação de serviços pela empresa controlada à empresa controladora, realizadas basicamente através das contas denominada “Transocean Offshore Deepwater Drilling”, “Transocean Offshore Limited”, e "Sedco Forex Intl. Inc.”, nas quais eram registradas as contrapartidas das transferências de numerário de banco no exterior para contas bancárias da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, no Brasil, nos Bancos Safra e HSBC por ordem da controladora, para ressarcimento de custos com manutenção das embarcações objeto de afretamentos pela PETROBRAS. Ora, se a empresa controlada reconhecidamente prestou serviços para a controladora, e recebeu remuneração com a qual afirma Fl. 5840DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.610 30 haver correspondência com os citados serviços manutenção das embarcações de propriedade da controladora , por definição ocorreu percepção de receitas que devem ser acrescentadas ao resultado do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sem prejuízo da tributação desse faturamento como fato gerador da tributação das contribuições PIS e COFINS, não importando a classificação contábil e fiscal ou a denominação que a empresa controlada pretenda atribuir ao que registra como "transferência de numerário" (fls. 649 e demais). Digase mais ainda, tais ingressos correspondem na verdade a repatriação de receitas, restabelecendose através de reembolsos parte do lucro que deveria harmonizarse com o contrato assinado pela empresa controlada e a PETROBRAS. (fl. 1147, TVF, negritos do original, sublinhados nossos) Pois bem. Sem prejuízo da demarcação ora pontuada, mesmo que se reputasse que a conclusão do autuante fora de que parte dos recursos recebidos pela recorrente foram por prestação de serviços às suas “controladoras” (que, como examinado, com a exceção indicada alhures, não controladoras, embora sejam do mesmo grupo), e parte por prestação de serviços à Petrobras, caberia deduzir o seguinte. Não houve por parte do autuante, nenhuma indicação de que os valores recebidos pela recorrente de suas “controladoras” sejam maiores do que os valores das despesas dessas, a justificar que parte de tais valores foram por prestação dos serviços à Petrobras e parte por prestação de serviços às “controladoras” da recorrente. Tampouco houve indicação, muito menos discriminação, de quais valores seriam os de preço de serviços prestados à Petrobras, encobertos no preço de afretamento da SedcoForex International Services S.A., e quais seriam os de remuneração de atividade da recorrente para suas “controladoras”. Posto isso tudo, não se sustenta a conclusão de que os valores de transferência de recursos das “controladoras” da recorrente para esta são preço de prestação de serviços da recorrente às suas “controladoras”. E o mais importante. Não se sustenta a conclusão de que tais valores sejam preço de prestação de serviços pela recorrente à Petrobras (encobertos no preço dos afretamentos das empresas estrangeiras contratadas), pois já se viu que ficou incomprovada a artificialidade de preços praticados com a contratante. O motivo central resultou derruído, ante a imposição determinada pelos editais de licitação. Subvenção para custeio e recuperações de custos deduzidos Em que pese o motivo central da autuação analisado, e a conclusão dele decorrente, o autuante registrou que as transferências em comentário podem constituir, alternativamente, subvenção para custeio ou recuperações de custos deduzidos, em favor da recorrente (fls. 1147, 1153 a 1155, TVF e fls. 1106, 1115, 1124 e 1128, instrumentos específicos dos autos de infração). Transcrevo do TVF: Sendo assim, e considerando que não há compromisso formal assumido pela controladora com relação aos pagamentos Fl. 5841DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.611 31 (reembolsos), cumpre reconhecer as receitas e faturamentos nas datas dos efetivos pagamentos/transferências, tanto para a interpretação que lhes atribua caráter de pagamento quanto para a que lhe atribua caráter de subvenção para custeio. A irregularidade contábil cometida pela empresa controlada quanto à omissão na escrita contábil e fiscal dos reembolsos efetuados pela controladora como recuperação de custos, e quanto à falta de reconhecimento destas receitas, contextualizase nos textos normativos da Resolução CFC nº 750/93, Art. 1º, §§ 1ºe 2º, e Art. 9º, § 3º, inciso I e IV, transcritos a seguir: [...] De outra forma também se observa o cuidado legal acerca dos ingressos de valores recebidos por uma empresa com o objetivo de recuperação de custos ou subvenções para custeio ou operação, já que no caso da empresa fiscalizada os reembolsos transferidos da controladora têm natureza dupla. Como já exposto, tais reembolsos propuseramse simultaneamente a remunerara empresa sediada no Brasil — controlada — via devolução de custos e despesas dos serviços prestados por esta última, e a subvencionar a continuidade de sua operação, para que fosse possível ser perpetuada a evasão fiscal praticada. O caráter tributável dos valores utilizados com esta finalidade submetemse ao alcance dos textos legais a seguir. [...] Importante ressaltar que os valores ora tributados, oriundos de transferências de numerário com o intuito de Recuperação de Custos e/ou Subvenções para custeio ou operação, conforme descrito no presente item não foram oferecidos à tributação, haja vista não terem sido as remessas de "reembolsos" incluídas no Resultado do Exercício, por terem as mesmas sido contabilizadas basicamente em contas de obrigações da TRANSOCEAN BRASIL(p.e, TRANSOCEAN OFFSHORE, TRANSOCEAN DEEPWATER DRILLING, SEDCO FOREX INTL. INC.) ou de patrimônio líquido (capital a integralizar). (fls. 1147, 1148, 1153 e 1155, TVF, grifos e negritos do original) E dos instrumentos específicos dos autos de infração: 001 RECUPERAÇÃO OU DEVOLUÇÃO DE CUSTOS/DEDUÇÕES OMISSÃO Falta de contabilização de recuperação de custos, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo ao presente auto de infração. [...] 001 CSLL FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Fl. 5842DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.612 32 Falta de contabilização de recuperação de custos, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo ao presente auto de infração. [...] 001 PIS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS Falta de contabilização de recuperação de custos, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo ao presente auto de infração. [...] 001 COFINS FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Falta de contabilização de recuperação de custos, gerando redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal anexo ao presente auto de infração. (fls. fls. 1106, 1115, 1124 e 1128, instrumentos específicos dos autos de infração – negritos nossos) Sobre isso, passo a fazer as considerações pertinentes. Noto que as cópias dos contratos de câmbio constam nas fls. 227 a 328, 331 a 358, 360 a 368, 370 a 373, 376 a 378, 380 a 382, 384 a 386, 389 a 391, 393 a 395, 397 a 399, 402, 404 a 406, 408 a 410, 412 a 415, 416 a 418, 421 a 424, 425 a 427, 429 a 431, 433 a 436, 438 a 440, 442 a 470, 472 a 480, 483 a 486, 488 a 491, 493 a 496, 498 a 500, 502 a 505, 507 a 509, 511 a 515, 517 a 521, 523 a 527. 429 a 531, 533 a 535, 537 a 547, 549 a 551, 553 a 555, 557 a 559, 561, 562. 564 a 566, 568 a 570, 572 a 574, 576 a 578, 580 a 583, 585 a 588, 590 a 592, 594 a 598, 602 a 605, 607 a 609, 611 a 617, 619 a 622, 624 a 627. 629 a 631, 633 a 635, 637 a 639. Verificandose essas cópias dos contratos de câmbio constantes nos autos, vejo que são todos contratos de câmbio de compra que têm como vendedor da moeda estrangeira a recorrente, e como remetente dessa moeda: a Transocean Offshore Ltd. (em relação a vários contratos de câmbio), a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. (quanto a outros tantos), a Sedco Forex International. Inc. (em relação a outros), a Sedco Forex International Inc. – Concentration (quanto a muitos outros), e a Transocean UK Ltd. Co Transocean Offshore Deep. (quanto a um contrato de câmbio). Ou seja, são remessas feitas pela Transocean Offshore Ltd., pela Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., pela Transocean UK Ltd., pela Sedco Forex International Inc. (domiciliada no Panamá) e pela Sedco Forex International Inc. – Concentration (domiciliada nos EUA), para a recorrente. Do exame das contas no Razão, observo o seguinte. Vejo que a conta “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” é conta transitória ou conta “ponte” entre a conta de ativo de “Banco Safra” e as contas do passivo em nome das empresas estrangeiras. Essa conta é assaz usada no anocalendário de 2002. Fl. 5843DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.613 33 Tanto a conta transitória ou “ponte” como a conta de “Banco de Boston” são contas do ativo (pois também são identificadas no Razão, respectivamente, como 1.1.101021.01000 e 1.1.101012.01165 – início com “1”). Embora nos lançamentos em cada conta no Razão não figure a indicação da conta na qual é registrada a contrapartida, a mencionada constatação a faço do cotejo dos lançamentos no Razão nas contas citadas. O registro contábil do ingresso de recursos na conta corrente de depósito à vista no Banco Safra é identificado pelo: Débito conta “46” de “Banco Safra S/A”(ativo) Y a Crédito conta “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” (ativo) Y Essa conta transitória ou “ponte” é zerada, com o registro no passivo da recorrente, como na conta abaixo: Débito conta “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” (ativo) Y a Crédito “9225 – Transocean Offshore Limited” (passivo) Y Assim, exemplifico, com os dados coletados das contas dos Livros Razão nos autos (anocalendário de 2002), mediante o cotejo que fiz entre as contas do Razão: Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 1.392.000,00 (fl. 647) Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 1.404.000,00 (fl. 647) Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 956.400,00 (fl. 647) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 1.392.000,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 1.404.000,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 956.400,00 (fl. 668) e Débito “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 1.392.000,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 1.404.000,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 956.400,00 (fl. 668) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 1.392.000,00 (fl. 672) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 1.404.000,00 (fl. 672) a Crédito – “36624 – Transocean Offshore Deep.Drilling I” R$ 956.400,00 (fl. 671) Depois: Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 588.720,00 (fl. 654) Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 385.920,00 (fl. 654) Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 576.800,00 (fl. 654) Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 904.400,00 (fl. 654) Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 1.328.100,00 (fl. 654) Fl. 5844DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.614 34 Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 386.560,00 (fl. 654) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 588.720,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 385.920,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 576.800,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 904.400,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 1.328.100,00 (fl. 668) a Crédito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 386.560,00 (fl. 668) e Débito “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 588.720,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 385.920,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 576.800,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 904.400,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 1.328.100,00 (fl. 668) Débito – “75” de “Caixa em Trânsito – Houston” R$ 386.560,00 (fl. 668) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 588.720,00 (fl. 672) a Crédito – “36624 – Transocean Offshore Deep.Drilling I” R$ 385.920,00 (fl. 671) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 576.800,00 (fl. 672) a Crédito – “36624 – Transocean Offshore Deep.Drilling I” R$ 904.400,00 (fl. 671) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 1.328.100,00 (fl. 672) a Crédito – “36624 – Transocean Offshore Deep.Drilling I” R$ 386.560,00 (fl. 671) Mais outro exemplo (em que não se vê uso da conta transitória ou conta “ponte” “75 – Caixa em Trânsito Houston”): Débito “46” de “Banco Safra S/A” R$ 1.028.720,00 (fl. 661) a Crédito “9219 – Transocean Offshore Deepwater” R$ 1.028.720,00 (fl. 671) Que as contas “36624 – Transocean Offshore Deepwater Drilling I”, “9225 – Transocean Offshore Limited” e “9219 Transocean Offshore Deepwater” são contas do passivo da recorrente, isso é identificado pelo nº completo dessas contas, respectivamente: conta 2.1.220776.00007, conta 2.1.220776.00169 e conta 2.1.220776.00054 (início com “2”). Do cotejo dos dados das contas dos Livros Razão nos autos, trago alguns exemplos, para o anocalendário de 2003: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.888.000,00 (fl. 764) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 2.621.600,00 (fl. 764) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 4.888.000,00 (fl. 781) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 2.621.600,00 (fl. 781) Depois: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 903.000,00 (fl. 773) Fl. 5845DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.615 35 Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.186.000,00 (fl. 773) a Crédito “9219 – Transocean Offshore Deepwater” R$ 903.000,00 (fl. 780) a Crédito “9219 – Transocean Offshore Deepwater” R$ 4.186.000,00 (fl. 780) Também: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.556.800,00 (fl. 778) a Crédito – “9225 – Transocean Offshore Limited” R$ 4.556.800,00 (fl. 781) Também: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 1.967.000,00 (fl. 790) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.592.000,00 (fl. 790) a Crédito “9219 – Transocean Offshore Deepwater” R$ 1.967.000,00 (fl. 783) a Crédito “9219 – Transocean Offshore Deepwater” R$ 4.592.000,00 (fl. 783) Evidente que a conta “55870 Banco HSBC” é conta do ativo da recorrente (o nº completo da conta é 1.1.101012.01807, início em “1”). Do cotejo dos dados das contas dos Livros Razão nos autos, trago alguns exemplos, para o anocalendário de 2004: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 8.715.000,00 (fl. 851) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 2.906.000,00 (fl. 851) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 8.715.000,00 (fl. 852) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 2.906.000,00 (fl. 852) Depois: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.503.000,00 (fl. 863) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 8.596.000,00 (fl. 863) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 6.080.000,00 (fl. 863) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 4.503.000,00 (fl. 864) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 8.596.000,00 (fl. 872) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 6.080.000,00 (fl. 872) Também: Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 2.909.500,00 (fl. 871) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.863.700,00 (fl. 871) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 5.266.080,00 (fl. 871) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 2.909.500,00 (fl. 872) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 4.863.700,00 (fl. 872) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 5.266.080,00 (fl. 872) Também: Fl. 5846DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.616 36 Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 5.464.000,00 (fl. 883) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 2.148.800,00 (fl. 883) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 9.397.500,00 (fl. 883) Débito “55870” de “Banco HSBC” R$ 4.973.400,00 (fl. 883) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 5.464.000,00 (fl. 884) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 2.148.800,00 (fl. 884) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 9.397.500,00 (fl. 884) a Crédito – “65927 – Sedco Forex Internacional Inc.” R$ 4.973.400,00 (fl. 884) Quer dizer, os valores de transferências do exterior para a recorrente são registrados primeiro a débito na conta “bancos”, em contrapartida aos lançamentos a crédito na conta “75” de “Caixa em Trânsito – Houston”, representando o registro contábil do ingresso de recursos na conta corrente de depósito à vista no Banco de Boston S.A. E, em seguida, há o lançamento a débito na conta “75” de “Caixa em Trânsito – Houston”, do mesmo valor creditado (zerandose essa conta), em contrapartida aos lançamentos a crédito nas contas passivas em nome das empresas estrangeiras. Isso, quando se usa a conta transitória ou “ponte” “75” de “Caixa em Trânsito – Houston”. Quando não utilizada a conta “ponte”, as transferências do exterior são registradas a débito na conta “bancos”, em contrapartida aos lançamentos a crédito nas contas do passivo em nome das empresas estrangeiras. Os lançamentos a crédito nas contas do passivo em nome das empresas estrangeiras significam que os recursos recebidos do exterior representam obrigações com as empresas estrangeiras, que, provavelmente, são baixados (debitados) contra as baixas (créditos) nas contas do ativo contra essas mesmas empresas estrangeiras (ativo da recorrente, pelos gastos por ela feitos em benefício de tais empresas estrangeiras). Ou seja, a exigibilidade das empresas estrangeiras contra a recorrente (passivo pelos recursos a ela transferidos) provavelmente é baixada contra a baixa do ativo da recorrente contra essas empresas estrangeiras (pelos gastos feitos a favor dessas). É isso que justificaria o registro da contrapartida dos recebimentos do exterior no passivo em nome de cada empresa estrangeira. A lógica diz isso. Na impugnação, a recorrente carreou aos autos documento da Ernst & Young, que atestaria não terem sido reconhecidos como despesas os gastos feitos em favor das empresas estrangeiras Transocean Offshore Ltd., Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc., Sedco Forex International. Inc., e Transocean UK Ltd. Porém, tratase de mera carta, na qual é dito tais gastos em favor dessas empresas estrangeiras não transitaram por conta de resultado (despesa) da recorrente, mas registrados em contas correntes ativas, e que o trabalho da Ernst & Young ainda se encontra em andamento (fl. 5592). Fl. 5847DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.617 37 Posteriormente, em 7/4/14, a recorrente juntou aos autos laudos da Ernst & Young, em que constam as contas patrimoniais relativas às empresas estrangeiras acima descritas (fls. 5765 a 5777). Um dos laudos se refere aos registros contábeis dos valores recebidos das empresas estrangeiras e dos valores utilizados para pagamentos em favor das empresas estrangeiras, no período de 2002 e de janeiro a setembro de 2003. Ainda, tal laudo se refere aos registros contábeis feitos pela Transocean Sedco Forex do Brasil Ltda., incorporada pela Transocean Brasil Ltda. (recorrente) em 30/9/03, não se tendo verificado valores inferiores a R$ 1.000,00. Referido laudo conclui que os valores gastos em favor das empresas estrangeiras não transitaram por conta de resultado (despesa) da recorrente, assim como os valores recebidos do exterior não transitaram por conta de resultado (receita). Os gastos tiveram como contrapartida o débito em conta do ativo, e os valores recebidos tiveram como contrapartida o crédito em conta do passivo. Assim, os lançamentos contábeis em questão se deram da seguinte forma exemplificativa. Pela transferência de recursos do exterior (quando utilizada a conta “ponte” “75”; quando não utilizada a conta ponte, a contrapartida do débito em “banco” se dá diretamente na conta do passivo em nome da empresa estrangeira): Débito – Banco (ativo) X a Crédito – conta 75 Caixa em Trânsito (ativo) X e, concomitantemente: Débito – conta 75 – Caixa em Trânsito (ativo) X a Crédito – Sedco Forex (passivo) X Pelo reconhecimento das despesas a pagar: Débito – Contas correntes ativas das empresas ligadas X a Crédito – Fornecedores a pagar (passivo) X Pelo pagamento das despesas Débito – Fornecedores a pagar X a Crédito – Banco X O outro laudo da Ernst & Young trata dos procedimentos contábeis adotados pela Transocean Brasil Ltda. (recorrente), de 2002 a 2004, quanto aos registros dos gastos feitos em favor das empresas estrangeiras: Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc, Transocean UK Ltd., Transocean Offshore International Ltd., Transocean Offshore Ltd., Sedco Forex International Services S.A. e Sedco Forex International. Inc. Foram selecionados lançamentos contábeis de dispêndios de valores superiores a R$ 50.000,00. Fl. 5848DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.618 38 A conclusão desse laudo é a de que, pelos documentos analisados os gastos registrados contabilmente, objeto de exame, guardam relação com a natureza das atividades exercidas pelas empresas estrangeiras acima descritas. E que a recorrente não registrou em conta de resultado (despesa) tais gastos, os quais foram registrados em contas do ativo individualizadas em nome de cada uma dessas empresas estrangeiras. O autuante tratou, alternativamente, como subvenções para custeio, as transferências do exterior das empresas estrangeiras que ele tratou como controladora da recorrente para esta, como suporte para a pretensão fiscal. De tudo o que já foi deduzido, com a exceção que será feita adiante, vêse que, a rigor, não há como se falar de subvenção para custeio. Recuperação de custos e subvenções para custeio não são sinônimos. Se os gastos foram em proveito das empresas estrangeiras, mesmo que eles tenham transitado por conta de resultado (como despesas) da recorrente, para se falar de subvenções para custeio, os valores transferidos para a recorrente teriam de ser maiores que os referidos gastos. Noutras palavras, se os gastos foram em benefício das empresas estrangeiras, os valores transferidos para a recorrente até o limite dos gastos não foram subvenções para custeio: só o que ultrapassar aqueles gastos seriam representativos de subvenções para custeio da recorrente. Ora, não se demonstrou, tampouco se indicou, que tenha havido transferências de valor superior às despesas imputáveis às empresas estrangeiras; também ficou incomprovada a artificialidade ou manipulação de preços dos afretamentos feitos pelas empresas estrangeiras contratadas pela Petrobras e dos serviços prestados a essa pela recorrente. Daí não se poder cogitar de subvenções para custeio, na alternativa alvitrada pelo autuante, com a exceção de que tratarei adiante. Outra alternativa descrita pelo autuante é a de que se verse sobre recuperações de custos –as recuperações de custos deduzidos e as subvenções para custeio são reconhecíveis como receita operacional tributável, para fins de IRPJ, nos termos do art. 392 do RIR/99. Se os gastos que beneficiaram as empresas estrangeiras tratadas como controladora da recorrente tivessem sido reconhecidos como despesas dessa, o autuante as teria glosado. Em nenhum momento disse o autuante que houve indevida apropriação de despesas pela recorrente. Mesmo que não glosadas as despesas, o autuante não teria laborado em toda sua construção, se os gastos em questão tivessem sido reconhecidos como despesas pela recorrente, e, pois, deduzidas. Bastaria, nesse caso, louvarse simplesmente em recuperação de custos deduzidos, para dizer que os valores das transferências das empresas estrangeiras são tributáveis como receitas. Por outro lado, suponhase que os gastos em questão tenham sido reconhecidos como despesas. Já se viu que a contrapartida dos recursos transferidos do exterior Fl. 5849DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.619 39 para a recorrente (ingresso na conta “bancos”) se deu a crédito em conta do passivo em nome das empresas estrangeiras. Admitindose a hipótese colocada (gastos registrados como despesas), a baixa (débito) do passivo em nome das empresas estrangeiras teria de se dar em contrapartida a crédito em receitas. Não há nenhuma indicação de que se tenha baixado o passivo contra crédito em receitas. Mas o autuante não deduziu como motivo da autuação a omissão de receitas legalmente presumida, por passivo fictício, ou melhor, por passivo com exigibilidade incomprovada (art. 281, III, do RIR/99; art. 40 da Lei 9.430/96). Manter a autuação por passivo de exigibilidade incomprovada, seria inovar o lançamento, o que é vedado ao órgão julgador. Da junção disso com o constatado nos laudos suprarreferidos, só se pode concluir que não cabe falar de receitas de recuperação de custos deduzidos. Cabem ainda as seguintes ponderações. Os valores tributados foram coletados pelo autuante das planilhas referentes aos contratos de câmbio de fls. 218, 221 e 224, fornecidas pela recorrente, juntamente com cópias de contas do Razão e cópias de contratos de câmbio, em atendimento a intimação. Sendo mais claro: os valores tributados reproduzem os informados pela recorrente nas planilhas de fls. 218, 221 e 224, relativas aos contratos de câmbio, em atendimento a intimação. Isso é comprovado pelo cotejo dos valores acusados nos instrumentos específicos dos autos de infração (fls. 1106, 1119, 1124 e 1128) com os das referidas planilhas. Anoto: ► O total do valor apurado para o anocalendário de 2002 é de R$ 56.261.236,46 (mesmo total da planilha de fl. 218, para o anocalendário de 2002); ► O total do valor apurado para o anocalendário de 2003 é de R$ 116.641.915,00 (mesmo total da planilha de fl. 221, para o anocalendário de 2003); ► Os totais dos valores apurados para os trimestres de 2004 são de R$ 51.325.115,00, R$ 49.200.000,00, R$ 50.167.230,00 e R$ 66.258.200,00. Sua somatória monta R$ 216.950.545,00 (mesmo total da planilha de fl. 224, para o anocalendário de 2004). Ainda, notese que o demonstrativo que corresponde ao Anexo I dos autos de infração (fl. 1104) contém exatamente os mesmos valores, linha a linha, aos das planilhas de fls. 218, 221 e 224 fornecidas pela recorrente durante o procedimento fiscal. Pois bem. No que interessa a este feito, as contas do Razão apresentadas pela recorrente juntamente com as referidas planilhas sobre os contratos de câmbio são as contas do passivo em nome das empresas estrangeiras, e as contas do patrimônio líquido de capital social. As contas do passivo são as mencionadas neste voto: Fl. 5850DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.620 40 · “3624 – Transcoean Offshore Deepwater Drilling I” (conta completa: 2.1.220776.00007); · “9219 – Transocean Offshore Deepwater” (conta completa: 2.1.220776.00054); · “44724 – Transocean Offshore Intern Ltda.” (conta completa: 2.1.220776.00061); · “9225 – Transocean Offshore Limited” (conta completa: 2.1.220776.00269); · “65927 – SedcoForex Internacional Inc” (conta completa: 2.1.220776.00607). As contas de capital social: · “9484 – Capital social” (conta completa: 2.3.280000.01000); · “9491 – Capital Social a Integralizar” (conta completa: 2.3.280000.01001). Do exame dessas contas do Razão, constato o seguinte. Para o anocalendário de 2002, os lançamentos a crédito, como contrapartida das transferências de recursos do exterior, são os registrados nas contas do passivo: “3624 – Transcoean Offshore Deepwater Drilling I”; “9219 – Transocean Offshore Deepwater”; e “9225 – Transocean Offshore Limited”. Na conta “44724 – Transocean Offshore Intern Ltda.” não há lançamento a crédito representativo de contrapartida de transferência de recursos do exterior (conforme históricos dos lançamentos); há baixas (lançamentos a débito) desse passivo em contrapartida a baixas (crédito) na conta do ativo em nome dessa empresa estrangeira. Somandose os lançamentos a crédito nas contas do passivo ora citadas, têm se, respectivamente: R$ 33.895.430,00, R$ 3.973.520,00, e R$ 20.329.193,00. O total dos lançamentos a crédito monta R$ 58.198.143,00. Para o anocalendário de 2003, os lançamentos a crédito, como contrapartida das transferências de recursos do exterior, são os registrados nas contas do passivo: “9219 – Transocean Offshore Deepwater”; e “9225 – Transocean Offshore Limited”. Somandose os lançamentos a crédito nessas contas do passivo, têmse, respectivamente: R$ 33.637.200,00, e R$ 12.066.400,00. O total monta R$ 45.703.600,00. Fl. 5851DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.621 41 Também, há lançamentos a crédito na conta do patrimônio líquido de “9491 – Capital Social a Integralizar”, como contrapartida das transferências de recursos do exterior. A soma desses lançamentos totaliza R$ 74.456.815,00. A somatória dos lançamentos a crédito nas contas do passivo e na conta de capital social do patrimônio líquido resulta em R$ 120.160.415,00 (R$ 45.703.600,00 + R$ 74.456.815,00). Para o anocalendário de 2004, os lançamentos a crédito, como contrapartida das transferências de recursos do exterior, são os registrados na conta do passivo “65927 – Sedco Forex Internacional Inc”. Sua somatória resulta em R$ 199.932.545,00. Já se viu que o total indicado na planilha dos contratos de câmbio (que, repitase, é o valor utilizado apurado nos instrumentos específicos dos autos de infração): para o anocalendário de 2002 é de R$ 59.261. 236,46; para o anocalendário de 2003 é de R$ 116.641.915,00; para o anocalendário de 2004 é de R$ 216.950.545,00. O total nas contas do Razão para o anocalendário de 2002, conforme indiquei, é de R$ 58.198.143,00. Há uma diferença de R$ 1.063.093,46, faltante nas contas do Razão. O total nas contas do Razão para o anocalendário de 2003, como indiquei, é de R$ 120.160.415,00. Não há diferença faltante; pelo contrário, há sobra. O total nas contas do Razão para o anocalendário de 2004, conforme indiquei, é de R$ 199.932.545,00. Há uma diferença de R$ 17.018.000,00, faltante nas contas do Razão. Analisei também as cópias dos Livros Razão contendo mais contas do Razão (do que os juntados com as planilhas), constantes nos autos. Foram sobre tais Livros Razão que indiquei alhures vários dos lançamentos contábeis. Dessa análise, não localizei, no anocalendário de 2002, lançamentos a crédito adicionais aos que figuram nas contas do Razão acima examinados – e que sejam representativos de contrapartida de transferências de recursos do exterior. Constam os mesmos lançamentos apresentados nas contas do Razão – fls. 642 a 672. Para o anocalendário de 2004, igualmente, não localizei lançamentos a crédito adicionais aos apresentados na conta passiva do Razão “65927 – Sedco Forex Internacional Inc”, e que sejam correspondentes a transferências de recursos do exterior. Há os mesmos lançamentos – fls. 883 a 884. O que encontrei foram lançamentos a crédito não na conta passiva em nome de empresa estrangeira, mas na conta do ativo “20038 – Sedco Forex Intern. Inc. Brasil”, de R$ Fl. 5852DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.622 42 5.626.000,00 e de R$ 11.392.000,00, em janeiro de 2004 – fls. 838 e 839. Sua soma totaliza os R$ 17.018.000,00. Nenhuma palavra a respeito foi dita pela recorrente. Aliás, as contas dos Livros Razão são as acostadas aos autos durante a fase de procedimento fiscal. Quanto ao anocalendário de 2003, também não localizei lançamentos a crédito adicionais nas contas do passivo aos que constam nas contas (de passivo) do Razão. Sobre as contas do capital social, há os mesmos lançamentos a crédito na conta “9491 – Capital Social a Integralizar” (total de R$ 74.456.815,00). Tudo, conforme fls. 736 a 831. Ainda em 2003, os lançamentos a crédito na conta “9484 – Capital Social” (contrapartida da baixa em “Capital Social a Integralizar”) totalizam R$ 68.992.614,24. A diferença entre R$ 74.456.815,00 e R$ 68.992.614,24 (= R$ 5.464.200,76), corresponde à absorção de débito nesse valor que constava como saldo da conta de “Capital Social a Integralizar”em outubro – fl. 796. Daí, em 27/10/03, o crédito nessa conta ter sido de R$ 14.591.610,00, e a baixa por transferência à conta “Capital Social” em 31/10/03, ter sido de R$ 9.127.409,24 (mesmo valor creditado em 31/10/03, na conta “Capital Social”). Isso também se constata nessas contas do Razão de fls. 209 e 210 (juntadas com as planilhas de contratos de câmbio). Já demonstrei o porquê de não se estar diante de subvenções para custeio. Também, ressaltei exceção que colocaria adiante. Estamos diante dela. Esclareço. Ainda que os gastos em benefício das empresas estrangeiras não tenham transitado por conta de resultado (despesa) da recorrente – e tudo leva a isso – vêse que há diferenças, nos anoscalendário de 2002 e 2004, entre os valores das planilhas dos contratos de câmbio (ingresso de recursos) e os registrados contabilmente nas contas de passivo em nome das empresas estrangeiras e nas contas de capital social. Como já apontei, no anocalendário de 2002, a diferença é de R$ 1.063.093,46 sem demonstração de lançamentos contábeis. E, no anocalendário de 2004, a diferença é de R$ 17.018.000,00; especificamente para janeiro de 2004 – a apuração de IRPJ e de CSL em 2004 foi trimestral. Reitero: localizei lançamentos a crédito de R$ 5.626.000,00 e de R$ 11.392.000,00, em janeiro de 2004, mas na conta de ativo “20038 – Sedco Forex Intern. Inc. Brasil”, sem nenhuma palavra da recorrente sobre isso. Significa dizer, a ausência de lançamentos contábeis do ingresso dessas diferenças nas contas do passivo em nome das empresas estrangeiras ou nas contas de capital social, permite tratálas como recursos de subvenções para custeio não reconhecidas como receitas. Ou seja, receitas de subvenções para custeio de R$ 1.063.093,46 e de R$ 17.018.000,00. Por todas as considerações deduzidas, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para manter as exigências de IRPJ e de CSL sobre o valor de R$ 1.063.093,46, para Fl. 5853DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.623 43 o anocalendário de 2002, e sobre o valor de R$ 17.018.000,00, para o primeiro trimestre do anocalendário de 2004. Recurso de ofício O órgão julgador de origem exonerou as exigências de IRPJ, CSL, PIS e Cofins no valor de principal que monta R$ 59.241.652,04 (R$ 29.160.478,75 de IRPJ + R$ 15.742.013,40 de CSL + R$ 2.553.549,00 de PIS + R$ 11.785.610,89 de Cofins), por reconhecer: a) que os recursos transferidos pela controladora à recorrente, de outubro a dezembro de 2003, foram para o aumento de capital dessa; b) que as exigências de IRPJ e de CSL, em relação aos recursos transferidos para a recorrente de janeiro a setembro de 2003, encontramse fulminados por vício substancial, pois os fatos geradores se aperfeiçoaram em 30/9/03, por evento de incorporação, conforme a DIPJ/04 da recorrente; c) que as exigências de PIS e de Cofins também se encontram vitimadas de vício substancial por terem se dado em bases anuais, e não mensais; d) que o autuante deixou de compensar base negativa de CSL na apuração desse tributo para os trimestres do anocalendário de 2004. Examino as questões na ordem acima posta. Na 33ª alteração contratual da recorrente (Transocean Brasil Ltda.), de 21/10/2003, constam as integralizações do capital social de R$ 5.072.326,00 e de R$ 9.519.284,00 pela sócia SedcoForex International Inc., totalizando R$ 14.591.610,00 (fls. 1801 a 1810). Na 34ª alteração contratual da recorrente, de 4/11/203, é acusada a integralização do capital social de R$ 9.711.420,00 pela sócia SedcoForex International Inc. (fls. 1811 a 1821). Na 35ª alteração contratual da recorrente, de 18/12/2003, constam as integralizações do capital social de R$ 19.360.440,00 e de R$ 30.793.345,00 pela sócia Sedco Forex International Inc. (fls. 1822 a 1832). O contrato de câmbio de compra 3/04218, de 21/10/2003, que tem como vendedor da moeda a recorrente, indica como remetente dos recursos a SedcoForex International Inc., para investimento direto (aumento de capital), no valor de R$ 14.591.610,00, para crédito em conta no HSBC – fls. 442 e 443. O contrato de câmbio de compra 3/044753, de 4/11/2003, que tem como vendedor da moeda a recorrente, indica como remetente dos recursos a SedcoForex International Inc., para investimento direto (aumento de capital), no valor de R$ 9.711.420,00, para crédito em conta no HSBC – fls. 449 a 451. Fl. 5854DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.624 44 O contrato de câmbio de compra 3/048067, de 21/11/2003, que tem como vendedor da moeda a recorrente, indica como remetente dos recursos a SedcoForex International Inc., para investimento direto (aumento de capital), no valor de R$ 19.360.440,00, para crédito em conta no HSBC – fls. 455 e 457. O contrato de câmbio de compra 3/051535, de 9/12/2003, que tem como vendedor da moeda a recorrente, indica como remetente dos recursos a SedcoForex International Inc., para investimento direto (aumento de capital), no valor de R$ 8.796.000,00, para crédito em conta no HSBC – fls. 461 a 463. O contrato de câmbio de compra 3/053654, de 18/12/2003, que tem como vendedor da moeda a recorrente, indica como remetente dos recursos a SedcoForex International Inc., para investimento direto (aumento de capital), no valor de R$ 20.093.105,00, para crédito em conta no HSBC – fls. 468 a 470. O contrato de câmbio de compra 3/053655, de 18/12/2003, que tem como vendedor da moeda a recorrente, indica como remetente dos recursos a SedcoForex International Inc., para investimento direto (aumento de capital), no valor de R$ 1.904.240,00, para crédito em conta no HSBC – fls. 465 a 467. Notase que o contrato de câmbio de 21/11/2003 é de R$ 19.360.440,00, e a soma dos contratos de câmbio de 9/12 e 18/12/2003 totaliza R$ 30.793.345,00 (R$ 8.796.000,00 + R$ 20.093.105,00 + R$ 1.904.240,00). É o mesmo total de integralização do capital social em 18/12/2003, conforme a 35º alteração contratual da recorrente (acima descrito): R$ 19.360.440,00 e R$ 30.793.345,00. Não há dúvida, pois, que são transferência de recursos da controladora da recorrente, para integralizações de seus aumentos de seu capital. Isso totaliza R$ 74.456.815,00 (R$ 14.591.610,00 + R$ 9.711.420,00 + R$19.360.440,00 + R$ 30.793.345,00). E isso se encontra refletido devidamente nos registros contábeis. Assim, os lançamentos contábeis finais foram: Débito (27/10) – 5870 Banco HSBC R$ 14.591.610,00 (fl. 795) a Crédito (27/10) – 9491 Capital social a integralizar R$ 14.591.610,00 (fl. 796) e Débito (31/10) – 9491 Capital social a integralizar R$ 9.127.409,24 (fl. 796) a Crédito (31/10) – 9498 Capital social R$ 9.127.409,24 (fl. 796) Observação para os lançamentos acima: Havia saldo a débito anterior “9491 Capital social a integralizar” de R$ 5.464.200,76 (fl. 796); Esse saldo devedor da referida conta do patrimônio líquido foi absorvido pelo lançamento a crédito em 27/10 de R$ 14.591.610,00 nessa conta; Com esse lançamento a crédito, a conta “9491 Capital social a integralizar”, ficou com saldo credor de R$ 9.127.409,24, que foi debitado (baixado, transferido) para crédito na conta “9498 – Capital Social. Fl. 5855DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.625 45 Débito (26/11) – 5870 Banco HSBC R$ 9.711.420,00 (fl. 814) Débito (26/11) – 5870 Banco HSBC R$ 19.360.440,00 (fl. 814) a Crédito (26/11) – 9491 Capital social a integralizar R$ 9.711.420,00 (fl. 815) a Crédito (26/11) – 9491 Capital social a integralizar R$ 19.360.440,00 (fl. 815) e Débito (28/11) – 9491 Capital social a integralizar R$ 9.711.420,00 (fl. 815) Débito(28/11) – 9491 Capital social a integralizar R$ 19.360.440,00 (fl. 815) a Crédito (28/11) – 9491 Capital social R$ 9.711.420,00 (fl. 815) a Crédito (28/11) – 9491 Capital social R$ 19.360.440,00 (fl. 815) Débito (23/12) – 5870 Banco HSBC R$ 20.093.105,00 (fl. 830) Débito (23/12) – 5870 Banco HSBC R$ 8.796.000,00 (fl. 830) Débito (23/12) – 5870 Banco HSBC R$ 1.904.240,00 (fl. 830) a Crédito (23/12) – 9491 Capital social a integralizar R$ 20.093.105,00 (fl. 831) a Crédito (23/12) – 9491 Capital social a integralizar R$ 8.796.000,00 (fl. 831) a Crédito (23/12) – 9491 Capital social a integralizar R$ 1.904.240,00 (fl. 831) e Débito (31/12) – 9491 Capital social a integralizar R$ 30.793.345,00 (fl. 831) a Crédito (31/12) – 9491 Capital social R$ 30.793.345,00 (fl. 831) Esse resultado é igual ao chegou o juízo do órgão julgador recorrido. Sobre essa questão, portanto, nego provimento ao recurso. Quanto às exigências de IRPJ e de CSL, relativas aos recursos do exterior transferidos à recorrente de janeiro a setembro de 2003, observo o seguinte. Consta nos autos, a DIPJ/04 de evento especial de incorporação, para o período de 1/1/03 a 30/9/03 (fls. 52 a 90), e a DIPJ/04 normal, para o período de 1/10/03 a 31/12/03 (fls. 91 a 118). Aliás, DIPJs carreadas aos autos pelo autuante. O art. 5º da Lei 9.959/00 prevê que o fato gerador de IRPJ e de CSL da incorporadora também se aperfeiçoa na data do evento da incorporação, caso ela e a incorporada não se encontrem sob o mesmo controle desde o anocalendário anterior ao do evento. A razão desse preceito é evitar a compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSL da incorporadora no mesmo período decorrido até a incorporação. O evento de incorporação é da Transocean Sedco Forex Brasil Ltda. pela recorrente (Transocean Brasil Ltda.). Ademais, nos autos do processo administrativo nº 15521.00122/200779 (de autos de infração igualmente contra a recorrente), sob minha relatoria, em que o julgamento foi convertido em diligência, vêse que no anocalendário de 2002 a controladora direta da Fl. 5856DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.626 46 incorporada era a Sedco Forex International Inc., conforme a 7ª alteração contratual dela, em 2/5/02, e assim permaneceu até a incorporação. E, como já visto alhures no presente voto, no anocalendário de 2002, a controladora direta da incorporadora era a Transocean Offshore Deepwater Drilling Inc. É possível que tanto a incorporada como a incorporadora estivessem em 2002 sob o mesmo controle indireto, pois as controladoras diretas de ambas são do mesmo grupo. Não há, porém, elementos suficientes nos autos para afirmar que a incorporada e a incorporadora se encontravam sob o mesmo controle indireto. Mais do que isso, o determinante é que a DIPJ/04 de evento especial de incorporação da recorrente não foi rechaçada pelo autuante. A propósito disso, não há uma palavra a respeito no TVF. Por conseguinte, não merece reparos a decisão do órgão julgador a quo, de modo que sobre a questão, nego provimento ao recurso. Passo a apreciar a questão do PIS e da Cofins. Vejo que, segundo a DIPJ/05, carreada aos autos pelo autuante (fls. 119 a 196), a recorrente apurou no anocalendário de 2004 IRPJ e CSL trimestralmente – fichas 4A, 6A, 9A, 12 e 17. Nos instrumentos específicos dos autos de infração de PIS e de Cofins – fls. 1124 a 1126, 1127 a 1130 noto que as exigência se deram sob fatos geradores anuais para 2002 e 2003, e sob fatos geradores trimestrais para 2004 (daí ter me referido à apuração trimestral de IRPJ e de CSL para o anocalendário de 2004). O vício substancial que inquina os lançamentos de PIS e de Cofins é claro. Como já tive oportunidade de dizer, por ex., no voto do Acórdão nº 1103000.940, da sessão de 9/10/13, no que fui acompanhado pelos pares por unanimidade, não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. Irreparável o decidido pelo órgão julgador de origem. Dessa forma, sobre a questão de PIS e de Cofins, nego provimento ao recurso. Resta a questão da compensação de bases negativas de CSL dos trimestres do anocalendário de 2004. No instrumento específico de lançamento do IRPJ, vejo que se procedeu à compensação de prejuízos fiscais apurados nos trimestres do anocalendário de 2004 fls. 1109 a 1112 conforme apurados na ficha 9A da DIPJ/05 (fls. 133 a 136). O que se constata também no demonstrativo de compensação de prejuízos fiscais que integra o lançamento fls. 1133 e 1134. No instrumento específico de lançamento da CSL, não consta a compensação de bases negativas de CSL apuradas nos próprios trimestres do anocalendário de 2004 fls. Fl. 5857DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.627 47 1119 e 1120 como declaradas na ficha 17 da DIPJ/05 (fls. 140 a 142). Igualmente não há essa compensação de bases negativas apuradas nos próprios trimestres de 2004 no demonstrativo de compensação de bases negativas que integra o lançamento fls. 1137 e 1138. Porquanto essas bases negativas de CSL não foram questionadas pelo autuante, impõese a seguinte compensação das bases negativas de CSL na apuração dos valores tributáveis dos trimestres de 2004: R$ 13.380.244,00 na apuração da base de cálculo da CSL do 1º trimestre; R$ 13.692.379,77 na apuração da base de cálculo da CSL do 2º trimestre; R$ 13.765.680,48 na apuração da base de cálculo da CSL do 3º trimestre; R$ 16.931.040,72 na apuração da base de cálculo da CSL do 4º trimestre. Não merece rechaço, pois, o decidido pelo órgão julgador a quo, quanto às compensações de bases negativas de CSL apuradas nos trimestres do anocalendário de 2004. Logo, sobre a questão, nego provimento ao recurso. Nos termos acima deduzidos, nego provimento ao recurso de ofício. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso voluntário, para manter as exigências de IRPJ e de CSL sobre o valor de R$ 1.063.093,46, para o anocalendário de 2002, e sobre o valor de R$ 17.018.000,00, para o primeiro trimestre do anocalendário de 2004, e nego provimento ao recurso de ofício. É o meu voto. Sala das Sessões, em 28 de agosto de 2014 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 5858DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.628 48 Declaração de Voto Conselheiro André Mendes de Moura. Não obstante as considerações do I. Relator, tão bem expostas ao Colegiado, peço vênia para divergir quanto ao exame do mérito do recurso voluntário. A situação apresentada aos autos trata de dois contratos, celebrados entre a Petrobrás, a recorrente e a sua controladora, empresa sediada no exterior. Um contrato dispõe sobre prestação de serviços entre a recorrente e a Petrobrás, que trata de atividades como prospecção, perfuração, avaliação, completação e workover, dentre outros, excetuandose o serviço de afretamento. O outro contrato, celebrado entre a controladora da recorrente e a Petrobrás, dispõe sobre o afretamento. Somandose os valores dos dois contratos, noventa por cento do montante referese ao contrato de afretamento celebrado entre a controladora do exterior e a Petrobrás, sendo que as receitas de afretamento são albergadas por alíquota zero prevista no art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997. Os outros dez por cento correspondem ao contrato entre a recorrente e a Petrobrás, por prestação de serviços submetida à tributação regular. Diante de prejuízos sucessivos apurados pela recorrente (ordem de 14,5 milhões em 2002, 14,3 milhões em 2003 e 58,2 milhões em 2004), e de “reembolsos” recebidos da controladora no exterior sem contabilização em contas de resultado (na ordem de 59,2 milhões em 2002, 116,6 milhões em 2003 e 216,9 milhões em 2004) foi intimada pela autoridade fiscal a prestar esclarecimentos. A recorrente informou que havia celebrado uma “parceria” ou “aliança informal” com a sua controladora, no sentido de prestar suporte às operações da controladora no território nacional. E, nesse sentido, os “reembolsos” corresponderiam à despesas incorridas pela recorrente para dar suporte aos serviços prestados em favor da controladora. Ou seja, as remessas do exterior recebidas da controladora seriam reembolsos de despesas. São os fatos. A princípio, cumpre esclarecer que um lançamento contábil de remessas oriundas do exterior, atendendo aos princípios basilares da contabilidade, deveria ser de débito em conta de ativo e crédito em conta de resultado. Ou seja, a situação tratada no caso em tela, no qual a contabilização a crédito ocorreu em conta de obrigações, constituise em lançamento atípico. Caso os fatos alegados pela recorrente pudessem conduzir a uma outra realidade, qual seja, de que seriam de reembolsos de despesas, o que justificaria a contrapartida do débito em conta de ativo a crédito em conta de obrigações, deveriam ser lastreados por elementos hábeis para comprovar a escrituração. Fl. 5859DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.629 49 Mero contrato informal celebrado com a sua controladora não é suficiente para fundamentar o registro contábil efetuado pela recorrente das remessas de divisas do exterior. Tratase de liberalidade que não pode ser oponível ao Fisco. Sequer houve preocupação da recorrente em segregar as despesas que foram incorridas por ela daquelas supostamente originadas do suporte dado à sua controladora. Não há como identificar quais despesas foram oriundas dos serviços prestados a título de prospecção, perfuração, avaliação, completação e workover (decorrente do contrato celebrado entre a recorrente e a Petrobrás) e daquelas derivadas do afretamento (referentes ao contrato celebrado entre a controladora da recorrente e a Petrobrás). Ora, se o motivo dos alegados “reembolsos” (repitase, na ordem de 59,2 milhões em 2002, 116,6 milhões em 2003 e 216,9 milhões em 2004) seria precisamente as despesas incorridas em favor de sua controladora, mostrase inadmissível e inexplicável o procedimento da recorrente em optar por não segregar as suas despesas daquelas incorridas em favor da empresa no exterior. Registrese que a contabilização atípica da recorrente é fato incontroverso, inclusive confirmado por laudo de empresa especializada apresentado pela própria defesa. Por isso, mostrase preciso o Termo de Verificação Fiscal: A infração tratase, em síntese, de omissão nas DIPJ's 2003 à 2005 (referentes aos anoscalendário 2002 à 2004) de valores recebidos como devolução de custos decorrentes de prestação de serviços pela empresa controlada à empresa controladora, realizadas basicamente através das contas denominadas "Transocean Offshore Deepwater Drilling", "Transocean Offshore Limited", e "Sedco Forex Ind. Inc.", nas quais eram registradas as contrapartidas das transferências de numerário de banco no exterior para contas bancárias da TRANSOCEAN BRASIL LTDA, no Brasil, nos Bancos Safra e HSBC por ordem dessas pessoas jurídicas ligadas, para ressarcimento de custos com manutenção das embarcações objeto de afretamentos pela PETROBRAS). (...) Importante ressaltar que os valores ora tributados, oriundos de transferências de numerário com o intuito de Recuperação de Custos e/ou Subvenções para custeio ou operação, conforme descrito no presente item não foram oferecidos à tributação, haja vista não terem sido as remessas de "reembolsos" incluídas no Resultado do Exercício, por terem as mesmas sido contabilizadas basicamente em contas de obrigações da TRANSOCEAN BRASIL(p.e, TRANSOCEAN OFFSHORE, TRANSOCEAN DEEPWATER DRILLING, SEDCO FOREX INTL. INC.) ou de patrimônio líquido(capital a integralizar).(grifos originais) Portanto, no caso concreto, caberia à recorrente, diante da contabilização atípica das remessas do exterior, lastrear a sua escrituração com elementos de provas hábeis e idôneos, conforme art. 923 do RIR/99. Fl. 5860DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15521.000300/200761 Acórdão n.º 1103001.105 S1C1T3 Fl. 5.630 50 E, conforme já demonstrado, não é o que ocorre nos presentes autos. Assim, pelas razões expostas, apresento minha divergência em relação ao recurso voluntário, para negarlhe provimento. (Assinado Digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 5861DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 20/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13839.002169/2002-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 08/02/1999, 12/02/1999, 25/02/1999, 02/03/1999, 28/07/1999
DRAWBACK SUSPENSÃO.
A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos termos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do Decreto-lei nº 37/1966). O descumprimento das exigências estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-000.478
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: Mércia Helena Trajano D'amorim
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A concessão do regime condiciona-se ao cumprimento dos tennos e condições estabelecidos no seu regulamento (art. 78 do Decreto-lei n" 37/1966). O descumprimento das exigências estabelecidas em Ato Concessório e na legislação de regência enseja a cobrança de tributos suspensos relativos às mercadorias importadas sob esse regime aduaneiro especial, acrescidos dos encargos legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar 4 provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. • t !i ("--)\—• JUDITH 90 ' M g RAL MARCONDES ARMANDO Presidente i - 4 . D -,..1) ' 3---)---- / MÉ r IA HELENA TR 4ANO D'AMORIM — Relatora FORMALIZADO EM: 25 de junho de 2010. . li Processo n° 13839.002169/2002-63 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 575 Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Ricardo Paulo Rosa, Mercia Helena Trajano D'Amorim, Tatiana Midori Migiyama (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira. 2 Processo n° 13839.002169/2002-63 S3-C2T1L Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 516 Relatório A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos, adoto integralmente o relatório componente da decisão recorrida, às fls. 448/450, que transcrevo, a seguir: "Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, acrescidos das respectivas multas de oficio, no percentual de 75%, e dos juros de mora, perfazendo, na data da autuação, créditos tributários nos valores de R$ 94.503,03 e R$ 60.638,03, objeto dos Autos de Infração fls. 01-06 e 07-29. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa interessada importou mercadorias ao amparo do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, com base nos atos concessários n" 2000-9 8/00066 7- 9 e 2000-98/000795-0, porém, descumpriu parcialmente o compromisso de exportação. No Termo de Constatação Fiscal de fls. 14-29, inicialmente, são expendidas considerações genéricas sobre o regime de drawback, compreendendo sua base legal, definição, natureza jurídica, finalidade e princípios informadores. A seguir, a fiscalização expõe informações gerais sobre a concessão e fiscalização do regime drawback e a sistemática de comprovação. São feitas ainda considerações sobre o princípio da vincula ção física, a exigibilidade dos tributos incidentes na importação, as penalidades aplicáveis e a contagem do prazo decadencial no caso do regime drawback. Às fls. 24-26, constam os cálculos relativos à parcela de insumos cuja industrialização e exportação não foram comprovadas bem como a apuração dos impostos correspondentes. No tocante à infração constatada, a fiscalização expõe o seguinte: Falta de averbação do número do ato coneessório no RE - Base legal: art. 325 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985; art. 37 da Portaria Secex n° 4/1997; item 19.3 do Comunicado Decex n°21/1997. A averbação no Registro de Exportação (RE) do número do ato concessário visa o controle do incentivo, caso contrário, poderia o beneficiário do regime comprovar dois ou mais atos concessórios com os mesmo documentos de exportação e, assim, os insumos importados com suspensão de impostos poderiam destinar-se ao mercado interno sem o pagamento dos tributos; Processo n0 13839.002169/2002-63 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 577 Existe campo próprio no RE para a informação do número do ato concessório (02-f ou 23); Nos REs relacionados na fl. 21, apresentados pelo contribuinte no intuito de comprovar o adimplemento do drawback, não consta o numero do ato concessório ao qual estariam vinculados; Os REs apresentados não fazem prova do cumprimento das exportações pactuadas nos atos concessórios por não atenderem a requisito legal; Tal obrigatoriedade se faz necessária para que o interessado comprove o preenchimento das condições e cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão do beneficio, conforme art. 134 do Regulamento Aduaneiro e art. 179 do CTN; Não enquadramento da operação de exportação de drawback no código próprio — base legal: art. 325 do Regulamento Aduaneiro; Decreto n° 661/1992; art. 10 da Portaria SCE n° 02/1992. os REs relacionados na fl. 22 foram enquadrados como exportação normal (código 80000), conforme se verifica no campo 2-a; o código de enquadramento da operação de exportação relacionada a drawback — suspensão, é 81101, conforme consta na tabela de código para preenchimento do RE; constata-se ainda nas Declarações de Despacho de Exportação (DDE) que no campo "regimes aduaneiros" consta "exportação normal" e não "exportação drawback"; "ao solicitar o enquadramento da operação no 'regime normal', o exportador fez com que todo procedimento de desembaraço aduaneiro na exportação fosse conduzido com o tratamento de uma exportação no 'regime comum', sem que fossem adotadas as cautelas próprias para uma exportação no 'regime drawback-'"; "não pode o exportador, após concluídos todos os procedimentos de despacho de exportação, utilizar-se de uma exportação efetuada no 'regime comum' para comprovar um Ato Concessório Drawback-Suspensão"; somente exportações enquadradas nos códigos de operação de drawback são hábeis para comprovar o adimplemento do regime. Cientificado do lançamento em 04/07/2002, conforme fls. 01 e 07, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 370-384, em 02/08/2002, acompanhada dos documentos de fls. 385-445, por meio da qual expõe aá seguintes razões de defesa: 4. Processo n° 13839.002169/2002-63 s3-c2'ri Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 511 . conforme pode ser constatado nos REs anexos à impugnação e facilmente poderia ter sido verificado no Siscomex, quando da fiscalização, é flagrante o equívoco da digna autoridade fiscal, porquanto nos campos 23, 24 e 25 consta a devida averbação e vincula ção aos atos concessórios de drawback; consta no campo 2-a dos referidos REs o código 81101, relativo ao regime cirawback-suspensão; embora os REs tivessem sido tempestivamente retificados, a fiscalização não considerou tais documentos e sim os anteriores; no presente caso não há questionamento sobre a exportação da mercadoria e sim sobre a informação de códigos nos campos apropriados dos REs; ainda que os argumentos da autoridade fiscal fossem procedentes, os cofres públicos não tiveram nenhum prejuízo; detalhes acessórios e burocráticos não podem ter o condão de descaracterizar o instituto do drawback; mesmo que as infrações mencionadas pela fiscalização pudessem prevalecer, o montante exigido não foi calculado corretamente, conforme demonstrativos de cálculo expostos às fls. 3 74-3 77; os juros de mora não podem ser calculados utilizando-se a taxa Selic, mas sim a taxa de 1% ao mês, nos termos do art. 161, § 1°, do CTIV; o vício da taxa Selic se caracteriza pela ausência de lei que institua a referida taxa, definindo-a e estabelecendo como deve ser calculada e decorre também da aplicação de juros de natureza remunerató ria em tributos, bem como pela impossibilidade de se aferir o montante dos juros antes do fato gerador do tributo, conforme acórdão do Superior Tribunal de Justiça, que decidiu pela inconstitucionalidade da referida taxa de juros. Por força da Portaria SRF n° 956, de 08/04/2005, a competência para julgamento deste processo foi transferida para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza — CE." O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos tennos Acórdão DRJ/FOR na 08-13.609, de 03/07/2008, proferido pelos membros da 2' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 08/02/1999, 12/02/1999, 25/02/1999, 02/03/1999, 28/07/1999 DRAW73ACK. MODALIDADE SUSPENSA- O. LVADIMPLEMENTO PARCIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. • • Processo n° 13839.002169/2002-63 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 579 Somente comprovam o adimplemento do drawback Registros de Exportação vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham o código de operação correspondente, não se admitindo Registros de Exportação alterados após a averbação com o intuito de promover a vincula ção ao drawback. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Inconformado o interessado apresenta recurso voluntário, tempestivamente, às fls.467/489 e documentos às fls.490/569 onde repisa basicamente os tenuos da impugnação. O processo foi distribuído a esta Conselheira.. É o relatório. 6 Processo n° 13839.002169/2002-63 83-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 580 Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa a matéria sobre a autuação decorrente da não comprovação de compromissos de drawback - suspensão, firmados através dos Atos Concessórios n OS 2000- 98/000667-9 e 2000-98/000795-0, porém, descumpriu parcialmente o compromisso de exportação., Constitui regime aduaneiro, o tratamento aplicável às mercadorias submetidas a controle aduaneiro, de acordo com as leis e regulamentos aduaneiros, segundo a natureza e os objetivos da operação. São chamados regimes aduaneiros especiais, de acordo com o Decreto lei 37/66 com redação do DL 2472/88, porque escapam à regra geral do regime comum de importação que, salvo exceções legais (isenção, Acordos Internacionais) implicam no pagamento do II. O regime Drawback é considerado um incentivo à exportação e pode ser aplicado em três modalidades: suspensão, isenção e restituição e tem como objetivo, dar poder competitivo à produção nacional, tendo por fundamento eliminar do custo final dos produtos exportáveis o ônus tributário relativo às mercadorias estrangeiras neles utilizadas. Acontecem, portanto, o incremento das exportações e o aumento da competitividade do produto final no mercado externo, uma vez que os produtos beneficiados, desonerados da carga tributária comum às importações, agregam-se ao processo produtivo de um pais, possibilitando o barateamento de custos. Criado para incentivar as exportações, o Drawback enquadra-se dentre os regimes especiais previstos no Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 05/03/85. Para tanto, o beneficiário deve observar os termos, limites e condições estabelecidos pelo órgão concedente. Logo, são suspensivos, tendo em vista o aspecto jurídico da suspensão da exigibilidade da obrigação tributária que acarretam. Drawback suspensão é a modalidade que permite ao beneficiário importar, com suspensão de tributos, mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada, que foi o utilizado pela empresa. A competência para conceder o Ato Concessório é da Secretaria de Comércio Exterior - Secex, órgão pertencente ao Ministério do Desenvolvimento da Indústria e do Comércio — MDIC. Assim como a solicitação do Ato Concessório, também deverão ser encaminhados à Secex, os pedidos de retificações e adendos, previstos em seus aditivos e anexos. Ressalte-se que o benefício de drawback, modalidade de suspensão, ese previsto no art. 78 do Decreto-lei n° 37/1966, verbis: 7 Processo n° 13839.002169/2002-63 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 581 "Art. 78. Poderá ser concedida nos termos e condições estabelecidos no regulamento: I — Suspensão do pagamento dos tributos incidentes sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementaçã o ou acondicionamento de outra a ser exportada; Observa-se de forma clara a vinculação entre a mercadoria importada e a mercadoria a ser exportada no regime, seja quanto à espécie, quantidade, valor e prazo, bem como ainda quanto ao beneficiário do regime e em conseqüência a imposição do cumprimento de vários requisitos de modo a tornar inequívoca a vinculação entre a importação e a exportação, para fins de controle do emprego e destinaç'ão dos bens. Como relatado, versam os autos sobre a inadmissibilidade dos Registros de Exportação-RE com fins de comprovação do adimplemento do compromisso relacionado ao Drawback, em virtude de não terem sido vinculados aos respectivos Atos Concessários. O art. 325 do Regulamento Aduaneiro dispõe: "Art. 325 — A utilização do beneficio previsto neste Capitulo será anotada no documento comprobatório da exportação." Como constatado pela fiscalização, não houve comprovação de parte das exportações relativas aos compromissos firmados por meio dos citados atos concessorios, haja vista que, através das tabelas de fls. 21/22, os Registros de Exportação -REs infoiiiiados pela empresa, no intuito de comprovar o cumprimento do regime, não se relacionam a drawback, pois se referem a exportações não enquadradas nos códigos próprios de drawback-suspensão e/ou não vinculadas ao ato concessorio, como se observa às fls. 156/186 e 262/291. A recorrente apresentou diversos REs. Compulsando esses documentos e confrontando-os com a tabela de fl. 22, verifica-se inicialmente que não abrangem todos os REs relacionados no auto de infração, faltando os REs nos 99/0817788-001, 99/0817805-001 e 99/0859083-001. Assim, ainda que os documentos apresentados com a contestação pudessem ser admitidos como comprobatórios do cumprimento do drawback, restariam exportações não comprovadas, relativas aos REs acima mencionados. Verifica-se, no entanto, que a mensagem de advertência existente no campo 26 desses documentos demonstra que foram alterados, posteriontiente à averbação das exportações, para inclusão do código referente a drawback e/ou para vinculação ao ato concessorio no campo 24 (dados do fabricante). Como não foi comprovada a relação entre as exportações e os Atos Concessorios, seja pela falta de vinculação da exportação ao Ato Concessário respectivo, seja pela falta de indicação do código próprio da operação Drawback nos campos apropriados dos Registros de Exportação, no momento do despacho aduaneiro, não há como se demonstrar que 8 Processo n° 13839.002169/2002-63 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 582 as mercadorias importadas foram efetivamente utilizadas na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não há como atestar que a empresa cumpriu com o compromisso assumido. Por todo o exposto, e pela necessidade da vinculação, por ser uma exigência legal, não merece reparo o auto de infração, quanto à descaracterização das exportações correspondentes aos Registros de Exportação com o código de exportação comum e tampouco a vinculaçã.o a Ato Concessório. E, tampouco, não se admite RE alterado, após averbação, no intuito de promover a vinculação ao ato concessório. Quanto ao argumento da cobrança de juros de mora, a mesma está prevista no Código Tributário Nacional, nos seguintes termos: "Art. 161 — O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês." Confoune prevê o § 1° supracitado, a Lei 9.065195, por sua vez, de modo diverso, relativamente aos juros de mora, determinou: "Art. 13 — A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com redação dada pelo art. 6° da Lei 8.850 de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei 8.981 de 1995, o art. 84, inciso I e o art.91, parágrafo único, alínea a2, da Lei 8981 de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente." Por fim, no que se refere à alegação de que seria ilegal a aplicação da SELIC como fator de correção do débito do contribuinte, incide na hipótese a Súmula n° 4 do Conselho Administrativo Fiscal, in verbis: Súmula 3°CC n° 4 - A partir de 1 0 de abril de 1995 é legitima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal. E, por final, não merece reparo a decisão a quo. Diante do exposto, voto por que se negue provimento ao recurso. Sala das Sessões, 26 de mit de 2010 1./iitue OtQ/n\J"\-) ME 1A H ENI-T JANO D'AMORIM 9 Processo n° 13839.002169/2002-63 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.478 Fl. 583 • 10
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Numero do processo: 10680.014340/2005-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIDO.
Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE.
Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES.
Excluem-se da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos recebidos de pessoas físicas não oferecidos a tributação na Declaração de Ajuste Anual.
DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO.
Somente são dedutíveis, para fins de cálculo do IRPF devido, as despesas escrituradas em livro Caixa, devidamente comprovadas, por documentação hábil e idônea.
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009)
MULTA AGRAVADA.
O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.269
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas pela defesa e, no mérito, por maioria, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada o valor de R$ 14.500,00 no ano-calendário 2000 e reduzir o percentual da multa de ofício aplicada sobre a referida infração de 112,5% para 75%. Vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que dava provimento em menor extensão, mantendo a multa de 112,5%.
Assinado digitalmente
JOÃO BELLINI JUNIOR Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 20/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIDO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de realização de perícia, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Excluem-se da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos recebidos de pessoas físicas não oferecidos a tributação na Declaração de Ajuste Anual. DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis, para fins de cálculo do IRPF devido, as despesas escrituradas em livro Caixa, devidamente comprovadas, por documentação hábil e idônea. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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INOCORRÊNCIA. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIDO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de realização de perícia, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DA COMPROVAÇÃO DO CONSUMO DE RENDA. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26, Portaria nº 383 DOU, de 14 de julho de 2010) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 43 40 /2 00 5- 82 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.327 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÕES. Excluemse da tributação os depósitos/créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física e os referentes a resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Prevalece o lançamento de ofício de rendimentos recebidos de pessoas físicas não oferecidos a tributação na Declaração de Ajuste Anual. DESPESAS ESCRITURADAS NO LIVRO CAIXA. COMPROVAÇÃO. Somente são dedutíveis, para fins de cálculo do IRPF devido, as despesas escrituradas em livro Caixa, devidamente comprovadas, por documentação hábil e idônea. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009) MULTA AGRAVADA. O agravamento da multa de ofício em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas pela defesa e, no mérito, por maioria, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada o valor de R$ 14.500,00 no ano calendário 2000 e reduzir o percentual da multa de ofício aplicada sobre a referida infração de 112,5% para 75%. Vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que dava provimento em menor extensão, mantendo a multa de 112,5%. Assinado digitalmente JOÃO BELLINI JUNIOR – Presidente Substituto. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 20/03/2015 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.328 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, João Bellini Junior, Livia Vilas Boas e Silva, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra CLEBER JOSÉ GODINHO foi lavrado Auto de Infração, fls. 04/22, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, exercícios 2001, 2002 e 2003, no valor total de R$ 1.495.703,61, incluindo multa de ofício (proporcional e isolada) e juros de mora, estes últimos calculados até 30/09/2005. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 23/31, foram omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, dedução indevida de despesas de livro caixa, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão (multa isolada). Sobre a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, a multa de ofício foi exigida na sua forma agravada, no percentual de 112,5%, em razão da falta de atendimento dos Termos de Intimação Fiscal nºs. 175/2005 e 189/2005, fls. 170/172 e 174/175. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 255/262, e a autoridade julgadora de primeira instância considerou procedente em parte o lançamento, para reduzir o percentual da multa isolada de 75% para 50%, conforme Acórdão DRJ/BHE n 0222.365, de 22/05/2009, fls. 272/280. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 17/06/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 283, o contribuinte apresentou, em 17/07/2009, recurso voluntário, fls. 288/319, no qual traz as alegações a seguir resumidas: que houve cerceamento de defesa em face do indeferimento do pedido de perícia. que é nulo o Auto de Infração em razão da ilícita quebra do sigilo bancário do contribuinte, posto que o art. 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, prescreve que a autoridade fiscal somente se encontra autorizada a conhecer a movimentação financeira do contribuinte, caso tal exame seja considerado indispensável. que diante da ilicitude da prova produzida no bojo dos autos, seja reconhecida a nulidade da autuação, na medida em que fruto da devassa desmedida e não amparada constitucionalmente da ação dos agentes fazendários, não podendo ser legitimada pela Lei Complementar nº 105, de 2001. que é preciso avaliar se os métodos probatórios indiciários são autorizados em lei e se são, em si mesmo, compatíveis com o princípio da verdade material. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.329 4 que necessário se faz analisar o caso concreto dos autos, sob a luz do princípio da verdade real, a fim de se comprovar que inexistiu qualquer omissão de rendimentos por parte do recorrente, não sendo válida a presunção fiscal de que todos os valores depositados nas contascorrentes do recorrente seriam rendimentos por ele omitidos à fiscalização. que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção simples de omissão de rendimentos, porquanto os extratos bancários traduzam movimentação financeira, os mesmos não representam individualmente matéria tributável, enquanto não provado pelo fisco a existência ou a ocorrência de aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica auferida pelo titular da conta bancária que o recorrente tem a medicina oftalmológica como sua principal fonte de renda e que o custo dos serviços médicos de implantação de lentes de contato é calculado da seguinte forma: (i) honorários médicos do recorrente, pela implantação das lentes de contato (ii) comissionamento pela utilização das dependências do Instituto de Oftalmologia de Belo Horizonte (iii) custo de elaboração das lentes de contato, valores esses integralmente repassados aos fabricantes das referidas lentes. que as notas fiscais em anexo, todas elas devidamente escrituradas no livro caixa do contribuinte, comprovam as aquisições das lentes de contato realizadas pelo recorrente no período de 2000 a 2002, lentes estas que foram aplicadas nos pacientes, e cujo custo de aquisição foi repassado a cada um dos pacientes por ele atendidos. que, logo, resta comprovado que dos valores cobrados dos pacientes, cujos recibos se requer a juntada, apenas uma pequena parte se referia aos honorários médicos devidos ao recorrente. que vale salientar, ainda, que não somente as despesas com a aquisição das lentes de contato eram deduzidas das receitas obtidas pelo recorrente, mas sim, todas as despesas de custeio da atividade de prestação de serviços do recorrente, como despesas com aluguel, telefone, tributos incidentes sobre a prestação de serviço, todas essas devidamente escrituradas no livro caixa do recorrente e, portanto, hábeis a serem deduzidas das receitas na forma do artigo 51 da IN 15/01 que a fiscalização considerou como base de cálculo do IRPF todos os valores depositados nas diversas instituições financeiras, nas quais o recorrente possuía contacorrente, tendo sido considerados valores em duplicidade, eis que se referem a meras transferências entre contas do mesmo titular, consoante comprovado através das planilhas anexas. que ocorreram créditos nas contas correntes do recorrente oriundos de empréstimos bancários, que jamais constituem renda do recorrente. A título exemplificativo, fls 60 dos autos, a fiscalização presumiu que o valor de R$ 14.500,00, cujo histórico do extrato bancário possui os dizeres liberação operação crédito , teria se traduzido em omissão de receitas (ver documentação anexa) que quanto às multas majoradas aplicadas pela fiscalização por suposta omissão do contribuinte no atendimento às intimações fiscais, verificase que a ausência de resposta do contribuinte aos termos de intimação fiscal não impediu em nada o trabalho fiscal, mormente pelo fato de que os extratos bancários, base do trabalho fiscal, foram enviados diretamente pelas instituições financeiras a pedido da Receita Federal. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.330 5 que a aplicação das multas, nos patamares em que foram exigidas é ilegítima e inválida, não produzindo seus regulares efeitos, pelo que deve ser anulada face às violações aos Princípios da Proporcionalidade, da Razoabilidade, do NãoConfisco e Moralidade. Conforme Resolução n° 2102000.135, de 15/05/2013, fls. 3324/3325, o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Ocorre que o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.331 6 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, devese examinar a alegação do recorrente de cerceamento do direito de defesa em face do indeferimento do pedido de perícia. Em que pese o contribuinte tenha formulado os quesitos e indicado perito, verdade é que a autoridade julgadora de primeira instância entendeu desnecessária a realização da perícia, fundamentando suas razões de decidir nos seguintes termos: 4Pedidos de perícia e apresentação de provas posteriormente à impugnação: O impugnante solicita a realização de perícia contábil, tanto no Instituto de Olhos de Belo Horizonte, como na sua contabilidade. Cabe ao administrador tributário, por força do art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações posteriores, determinar a realização de diligências e/ou perícias quando as entender necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis. No presente caso, não se cogita a realização de perícia, pois, como pode se verificar do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal a análise dos documentos pela fiscalização foi bem abrangente e está toda consubstanciada nos referidos Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal. Se o impugnante discorda da fiscalização, caberia ter feito a manifestação contrária, na condição de impugnante, trazendo provas aos autos e não procurando transferir o ônus da produção de provas que cabe a ele para a autoridade administrativa. No tocante ao pedido para posterior juntada de provas, cumpre lembrar que os §§ 4° e 5° do art.16 do Dec. n° 70.235, de 1972, e alterações, estabelecem a preclusão da juntada de prova documental depois de trazida a impugnação, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. A petição do interessado, contudo, não demonstra a ocorrência das condições acima. Aditese que, passados mais de três anos em que foi apresentada a impugnação o contribuinte não se manifestou sobre a pretendida apresentação de tais provas. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.332 7 Veja que cuidase das infrações de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas físicas, dedução indevida de despesas de livro caixa, omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada e falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão (multa isolada), sendo certo que alguns quesitos formulados pela defesa podem ser respondidos sem a necessidade de realização da perícia ao passo que outros, relacionados às infrações de omissão de rendimentos, deveriam ser demonstrados pela defesa, durante o procedimento fiscal ou nas fases de impugnação e de recurso. Como exemplo citese o primeiro quesito formulado pela defesa: Qual a origem do crédito tributário exigido? Ora a origem do crédito tributário são as infrações a ele imputadas. O que se faz necessário esclarecer é qual a origem dos créditos efetivados nas contas bancárias do contribuinte. Contudo, este esclarecimento jamais foi prestado pelo contribuinte. E mais, a decisão recorrida está devidamente fundamentada, sendo certo que estão presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide. Nestes termos, devese confirmar o indeferimento do pedido de perícia, nos moldes em que negado pela decisão recorrida, razão porque afastase a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Ainda, preliminarmente, devese examinar a alegação da defesa de nulidade do lançamento. Segundo entende o contribuinte a quebra do seu sigilo bancário seria ilícita, posto que o art. 6° da Lei Complementar nº 105, de 2001, prescreve que a autoridade fiscal somente se encontra autorizada a conhecer a movimentação financeira do contribuinte, caso tal exame seja considerado indispensável. Por oportuno, trazse a seguir o disposto no art. 6º da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Da leitura do referido dispositivo, resta claro que havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente, sendo certo que tal entendimento é reforçado pelo disposto no art. 4º, § 8º, do Decreto nº 3.724, de 2001, abaixo transcrito: Art.4oPoderão requisitar as informações referidas no § 5odo art. 2oas autoridades competentes para expedir o MPF.(Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007) (...) Fl. 364DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.333 8 §8oA expedição da RMF presume indispensabilidade das informações requisitadas, nos termos deste Decreto. Ou seja, cabe à autoridade administrativa competente, no caso, ao Delegado da Receita Federal em Belo Horizonte, a apreciação do indispensável exame dos extratos bancários do contribuinte para o prosseguimento da ação fiscal que estava em curso, sendo certo que a emissão das RMF, fls. 490, 592, 634 e 647, por si só, presume a indispensabilidade das informações requisitadas. Assim, alegações acerca do enquadramento do contribuinte nas hipóteses descritas no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, não tem o condão de caracterizar quebra ilegal de sigilo bancário, tampouco pode comprometer o uso dos extratos bancários, obtidos mediante a referida RMF, para fins de lançamento da infração de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Nessa conformidade, afastase a alegação de nulidade do lançamento, suscitada pela defesa. No mérito, no que pertine à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada devese ter em mente que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabeleceu uma presunção legal, e não uma presunção simples, conforme afirma a defesa, de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. É a própria lei definindo que os depósitos bancários, de origem não comprovada, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos. Quando a origem dos depósitos não é justificada, tal circunstância permite inferir ter havido aquisição de renda omitida à tributação. Essa presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Em outras palavras, ao fazer uso de uma presunção legalmente estabelecida, o Fisco fica dispensado de provar o fato alegado, qual seja omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte para afastar a presunção provar que o fato presumido não existiu no caso. Assim, com a edição do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autoridade fiscal está desobrigada de estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o sinal exterior de riqueza que represente omissão de receita. Aliás, este é o entendimento traduzido pela Súmula CARF nº 26, abaixo transcrita, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Súmula CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Logo, nesse aspecto não se sustenta a tese defendida pelo recorrente. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.334 9 Ainda em relação à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada o contribuinte afirma que a autoridade fiscal considerou como base de cálculo do IRPF todos os valores depositados nas diversas instituições financeiras, nas quais o recorrente possuía contacorrente, tendo sido considerados valores em duplicidade, eis que se referem a meras transferências entre contas do mesmo titular, consoante comprovado através das planilhas anexas. Todavia, tais planilhas não foram acostados aos autos, seja quando da apresentação da impugnação ou do recurso voluntário, de sorte que carece de comprovação tal alegação. Noutro giro, assiste razão ao contribuinte em relação ao depósito efetivado em sua conta bancária, junto ao Banco HSBC, em 21/01/2000, no valor de R$ 14.500,00, fls. 60, cujo histórico no mencionado extrato bancário é liberação operação de crédito. Referido histórico corresponde a liberação de empréstimo tomado pelo recorrente, sendo, portanto, passível de exclusão da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, mormente diante do Instrumento Particular de Confissão, Composição de Dívida, Forma de Pagamento e Outras Avenças, fls. 338, juntados aos autos quando da apresentação do recurso voluntário. Nestes termos, a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada deve ser mantida em parte, excluindose da base de cálculo o valor de R$ 14.500,00, no anocalendário 2000. No que se refere à infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, cumpre dizer que a autoridade fiscal agiu com acerto, conforme se infere do trecho a seguir transcrito do Termo de Verificação Fiscal, fls. 23/31: As planilhas n°s 02, 03 e 04, referentes aos anos de 2000, 2001 e 2002, respectivamente DEMONSTRATIVO DOS VALORES MENSAIS RECEBIDOS DE CLIENTES (REAIS), doc.fl. 109 127, enviadas para o contribuinte com o nome dos 134 pacientes, foram preenchidas pelo fiscalizado e constam, em alguns meses, valores maiores do que os lançados no Livro Caixa, doc.fls. 09 a 98, anexo 1. No Livro Caixa e na DIRPF do ano 2000, nos meses de fevereiro e junho foram lançados os valores de R$ 824,00 e R$ 860,00, respectivamente, doc. fls.09 a 44, e na planilha n° 02 foram lançados os valores de R$ 940,00 e R$ 995,00, respectivamente doc. fls. 117. No Livro Caixa e na DIRPF do ano 2001, no mês de setembro foi lançado o valor de R$ 1680,51, doc. fls. 45 a 59 e na planilha n° 03 foi lançado o valor de R$ 1955,00, doc. fls. 122. No Livro Caixa do ano 2002, nos meses de janeiro, maio, julho, setembro, novembro e dezembro foram lançados os valores de R$ 1.324,00, R$ 1.330,00, R$ 1.320,00, R$ 1.330,00, R$ 1.290,00 e R$ 1.220,00, respectivamente, doc. fls. 60 a 98 e na planilha n° 04 foram lançados os valores de R$ 3.933,50, R$ 2.148,50, R$ 3.655,00, R$ 2.498,50, R$ 3.174,35 e R$ 3.462,50, respectivamente doc. fls. 127. Como os valores nos meses acima citados lançados nas planilhas apresentadas pelo fiscalizado foram maiores do que os valores lançados no livro caixa, consideramos como recebidos nestes meses os valores Fl. 366DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.335 10 maiores lançados nas planilha; fls. 117, 122 e 127. No "DEMONSTRATIVO DA DIFERENÇA APURADA PELA FISCALIZAÇÃO COM RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS NÃO DECLARADOS', doc. fls. 100,100v e 101, podese melhor visualizar os valores apurados como Omissão de Rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício recebidos de pessoas físicas, que ora lançamos no Auto de Infração do qual este Termo de Verificação Fiscal é parte integrante. No recurso, o contribuinte limitase a afirmar que dos valores cobrados dos pacientes, apenas uma pequena parte se referia aos honorários médicos devidos ao recorrente. Todavia, tal alegação carece de comprovação, sendo certo que a autoridade fiscal teve o cuidado de expurgar dos valores lançados todos os clientes que não apresentaram recibos ou apresentaram os recibos com compra de lente de contato, conforme bem observado pela decisão recorrida. Assim, devese manter integralmente a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas física. Quanto à infração de dedução indevida de despesas escrituradas no Livro Caixa, o contribuinte afirma que as notas fiscais de compras de lentes, devidamente escrituradas no livro caixa, comprovam as aquisições das lentes de contato realizadas pelo recorrente no período de 2000 a 2002, lentes estas que foram aplicadas nos pacientes, e cujo custo de aquisição foi repassado a cada um dos pacientes por ele atendidos. Todavia, do exame do Livro Caixa verificase que o contribuinte não registrou despesas com a aquisição da compra das lentes de contatos, sendo certo que restou apurado durante o procedimento fiscal que o contribuinte também não oferecia à tributação os valores recebidos dos clientes pela cobrança das referidas lentes. Ou seja, a transação das lentes de contatos não está registrada no Livro Caixa, seja no que se refere à despesa, seja no que se refere ao ressarcimento por parte dos clientes, de modo que tal operação não tem nenhuma influência no lançamento da infração de dedução indevida de despesas escrituradas no Livro Caixa. Já no que se refere às despesas escrituradas no livro Caixa, tais como aluguel e telefone, devese esclarecer que as mesmas foram glosadas em razão da falta de apresentação dos competentes comprovantes das despesas. Assim, na ausência da referida documentação, devese manter a infração, nos moldes em que consubstanciado no Auto de Infração. No que tange à infração de falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão (multa isolada) temse que a mesma não foi contestada pela defesa no recurso voluntário. Por fim, a respeito da multa de ofício o contribuinte afirma que houve violação aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade, do não confisco e da moralidade. Nesse sentido, vale dizer que o exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU, Seção 1, de 22/12/2009: Fl. 367DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.336 11 Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como se vê, os julgamentos administrativos não contemplam o exame de constitucionalidade de leis tributárias, de sorte que não será neste voto apreciada a alegação da recorrente de ofensa aos princípios constitucionais. Ainda no que se refere à multa de ofício, devese analisar a pertinência da aplicação do percentual de 112,5% exigido em relação à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Sobre o assunto a defesa afirma que a falta de atendimento às intimações fiscais não impediu em nada o trabalho fiscal, mormente pelo fato de que os extratos bancários, base do trabalho fiscal, foram enviados diretamente pelas instituições financeiras a pedido da Receita Federal. No Termo de Verificação Fiscal restou esclarecido que agravouse a multa de ofício em razão da falta de atendimento aos Termos de Intimação, nºs. 175/2005 e 189/2005, fls. 170/172 e 174/175. Referidos Termos cuidam exclusivamente da movimentação financeira do contribuinte, ocasião em que a autoridade fiscal solicita a apresentação dos extratos bancários e a comprovação da origem dos recursos lá movimentados. É bem verdade que o contribuinte deixou de atender aos referidos Termos. Entretanto, ao assim proceder atuou contra si próprio. Os extratos bancários foram obtidos, sem dificuldades pela autoridade fiscal e a falta de esclarecimentos sobre a origem dos recursos depositados nas contas bancárias de titularidade do contribuinte não obstaculizou a atividade fiscal, pelo contrário, a facilitou, pois tal conduta teve como conseqüência direta a caracterização da infração de omissão de rendimentos por presunção legal. Nessa conformidade, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido de 112,5% para 75%. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas pela defesa e, no mérito, DAR PARCIAL provimento ao recurso, para excluir da base de cálculo da infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, o valor de R$ 14.500,00 no anocalendário 2000 e reduzir o percentual da multa de ofício aplicada sobre a referida infração de 112,5% para 75%. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 368DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10680.014340/200582 Acórdão n.º 2102003.269 S2C1T2 Fl. 3.337 12 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 07/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 19515.000940/2010-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2011
Ementa:
DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Rejeita-se preliminar de decisão de primeira instância que enfrenta todos os argumentos de defesa aduzidos pelo contribuinte.
LANÇAMENTO. NULIDADE. Não é nulo o lançamento que atende aos requisitos formais previstos na legislação de regência.
MULTA REGULAMENTAR. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplicase retroativamente o disposto no art. 57, II, da Medida Provisória nº 2.15835/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.873/13, na hipótese de falta de apresentação de arquivos digitais requeridos pela Fiscalização.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 1102-001.281
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do lançamento, e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para que a multa de ofício seja aplicada nos termos do inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.873/13, vencidos o conselheiro Jackson Mitsui, que negava provimento ao recurso, e o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, que dava parcial provimento ao recurso voluntário para que a multa de ofício fosse aplicada nos termos do inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.766/2012.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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NULIDADE. Rejeita-se preliminar de decisão de primeira instância que enfrenta todos os argumentos de defesa aduzidos pelo contribuinte. LANÇAMENTO. NULIDADE. Não é nulo o lançamento que atende aos requisitos formais previstos na legislação de regência. MULTA REGULAMENTAR. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE ARQUIVOS DIGITAIS. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplica-se retroativamente o disposto no art. 57, II, da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.873/13, na hipótese de falta de apresentação de arquivos digitais requeridos pela Fiscalização. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida e do lançamento, e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para que a multa de ofício seja aplicada nos termos do inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.873/13, vencidos o conselheiro Jackson Mitsui, que negava provimento ao recurso, e o conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, que dava parcial provimento ao recurso voluntário para que a multa de ofício fosse aplicada nos termos do inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.766/2012. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 2 (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ (Presidente), RICARDO MAROZZI GREGÓRIO, MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, JACKSON MITSUI, MARCELO BAETA IPPOLITO e ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo (SP1), assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/04/2010 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Incabível a alegação de cerceamento de defesa porquanto a recorrente teve acesso a todos os documentos elaborados no curso do procedimento fiscal, bem como do auto de infração consequente, o que lhe possibilitou o pleno exercício do contraditório. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESCABIMENTO. Incabível o pedido de realização de diligência e perícia, pois o presente litígio se resolve com o direito e os fatos comprovados por documentos já constantes dos autos. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. NÃO APRESENTAÇÃO. MULTA ISOLADA. A não apresentação de arquivos magnéticos requeridos pela autoridade fiscal enseja a aplicação de multa de dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/04/2010 CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 2 3 Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte, acima identificada, foi autuada em 12/04/2010 (fl. 26), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo a multa pela não entrega de arquivos magnéticos requeridos pela fiscalização. 2. Conforme descrito no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal Nº 01 – Meios Magnéticos (fls. 17 a 20), a empresa foi regularmente intimada, de acordo com as normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal, a disponibilizar seus arquivos magnéticos contábeis e de Notas fiscais, não tendo entregue aqueles pertinentes às Notas Fiscais. 3. Tendo em vista o apurado, foi lavrado, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, o seguinte Auto de Infração: 3.1. Multa Regulamentar e/ou Multa e Juros Isolados (fls. 21 a 25): 3.1.1. Multas Isoladas Multas de Valor Fixo – Falta/Atraso na Entrega de Arquivo Magnético – com base nos artigos 11 e 12, inciso III, da Lei nº 8.218, de 29/08/1991, com redação dada pelo art. 72 da Medida Provisória nº 2.158-34/2001 e reedições. 3.1.2. O crédito tributário totalizou o montante de R$ 1.548.282,62. 4. Irresignada com os lançamentos, em 10/05/2010, a empresa apresentou, representada por procuradores (Procuração e documentos respectivos às fls. 70 a 84), a impugnação às fls. 43 a 69, acompanhada dos documentos às fls. 70 a 117, na qual alega, em síntese, o seguinte: 4.1. Em 17/08/2009 a recorrente entregou à fiscalização, em cumprimento ao Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 06 de agosto de 2009, os Livros Registros de Entradas Anos 2005 e 2006; Registro de Saídas — Ano 2005 — Livros n.°s 15 e 16 e Ano 2006 — Livros n.°s 17 e 18; Registro de Inventário Anos 2005 e 2006; Registro de IPI Anos 2005 e 2006; Registro de ICMS — Anos 2005 e 2006; Registro Mod. 06, n.° 01; Livro Diário — Ano 2005 — n.° 37 e Ano 2006 — n.° 49. Os livros aqui elencados foram recebidos pessoalmente pelo Auditor Fiscal Autuante, conforme atesta o documento ‘Entrega de Documentos n.° 12045’ (anexou documentos às fls. 96 a 102). 4.2. Posteriormente, em 25/08/2009, a defendente, ainda em cumprimento ao Termo de Início de Fiscalização, encaminhou os Livros de Apuração do Lucro Real (LALUR) nºs 04/2005 e 05/2006. 4.3. Evidencia-se, de pronto que a requerente deu pleno atendimento à solicitação da digna Autoridade Fiscal Autuante, ou seja, em nenhum momento procurou obstaculizar os trabalhos da auditoria fiscal a que foi submetida, e os livros apresentados já seriam suficientes para a verificação da situação econômica- Fl. 232DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 4 financeira-patrimonial da fiscalizada, independentemente da existência ou não dos arquivos magnéticos, que não é o caso presente como se verá adiante. 4.4. Além dos livros e documentos solicitados e ofertados conforme descrito, a autuante intimou a Impugnante a apresentar os arquivos magnéticos, na forma disciplinada pela Instrução Normativa SRF n.° 86/2001. 4.5. No Termo de Verificação Fiscal Nº 01 – Meios Magnéticos, parte integrante do AI, a fiscalização consigna ‘Lavrou-se no mesmo dia a Intimação relativa a apresentação dos arquivos magnéticos contábeis e fiscais previstos na IN 86/2001 e ADE COFIS n° 15/01’, sendo que ‘Até a presente data o contribuinte não apresentou os arquivos fiscais, não apresentando qualquer justificativa para o não atendimento à intimação’. 4.6. A afirmação do autuante é totalmente improcedente e não retrata a verdade material dos fatos face ao contido nos autos do Processo Administrativo Fiscal oriundo da exigência fiscal, posto que a Impugnante apresentou os arquivos magnéticos solicitados, os quais foram recepcionados pelo Auditor Fiscal em 08 de setembro de 2009 (anexou documentos às fls. 96 a 102). Acresça-se que, nesta mesma data, foram entregues à fiscalização 5 (cinco) pastas AZ contendo documentos comprobatórios de operações realizadas no curso do ano-calendário 2006, atestando a legitimidade dos registros contábeis e fiscais efetuados pela Impugnante (juntou documento à fl. 102). 4.7. Registre-se que após a entrega dos arquivos magnéticos, conforme acima provado e comprovado, o Auditor Fiscal autuante quedou-se em silêncio, não se manifestando se os mesmos estavam conformes com a sua exigência e se os referidos arquivos deveriam ser refeitos, corrigidos ou reconstituídos, ou seja, até o momento da lavratura do Auto de Infração ora questionado, aceitou como plenamente válidas as informações fornecidas pela Impugnante e contidas nos referidos arquivos magnéticos. 4.8. Não há como aceitar a imposição da cobrança dos juros moratórios pretendidos pela Administração Fazendária, calculado com base na Taxa Selic. A Impugnante, neste aspecto, manifesta seu protesto por ser simplesmente inconcebível que, ao tributo lançado, seja acrescida a cobrança de juros exorbitantes, calculados com base na Taxa Selic, posto que o artigo 161 do Código Tributário Nacional estipula que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis. 4.9. É bem verdade que o § 1º deste artigo estabelece que ‘se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês’. No entanto, não se pode utilizar os juros remuneratórios como instrumento de sanção pelo inadimplemento do crédito tributário, dado que aqueles estão sujeitos a variação de um mercado específico, voltado exclusivamente para o mercado financeiro, o qual possui regras e objetivos próprios totalmente dissociados da tributação. 4.10. Assim, ainda que não sejam acolhidos os itens precedentes, os juros cobrados devem limitar-se ao percentual de 1% (um por cento) ao mês. 4.11. Sendo aplicada sobre o crédito tributário constituído através do AI ora impugnado, a Taxa Selic assume caráter manifestamente confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal. 4.12. Independentemente do acolhimento da improcedência dos juros Selic, a recorrente protesta, adicionalmente, pela suspensão de sua incidência e exigibilidade no período compreendido entre a data da protocolização desta Impugnação e a data Fl. 233DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 3 5 em que se proferir decisão final do feito na esfera administrativa, com fulcro no art. 151, inciso III, do CTN. 4.13. Não se pode carrear para o contribuinte os encargos financeiros decorrentes da demora no julgamento dos procedimentos administrativos fiscais. Enquanto não for regulamentado o parágrafo único do art. 27 do Decreto n.° 70.232, de 6 de março de 1972, incluído por força do disposto na Lei n.° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, não há que se falar em imputar os juros moratórios no período compreendido entre a data da interposição da defesa até a decisão final da lide. 4.14. O AI que se discute foi lavrado em 07/04/2010, com ciência em 12/04/2010. Entretanto, a Divisão de Fiscalização encaminhou os autos à Equipe de Controle e Cobrança do Crédito Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo somente em 29/04/2010, conforme atesta o comprovante anexo (juntou documentos às fls. 112 e 113), quando passou a registrar a condição ‘em trânsito’. 4.15. A empresa, por meio de seus representantes legais, compareceu à Equipe de Controle e Cobrança do Crédito Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em 07/05/2010, com o objetivo de ter vistas dos autos, sendo informada que o processo ainda não havia chegado à aquele setor, conforme documento que lhe foi entregue pela mencionada equipe (acostou documento às fls. 114 e 115). Em 10/05/2010 compareceu novamente perante o mencionado órgão, sendo-lhe novamente informado que o processo ainda não havia sido entregue àquele setor, conforme atesta documento constante deste contraditório (anexou documento às fls. 116 e 117). 4.16. Assim, a Impugnante se viu privada de ter acesso aos autos, constituindo-se tal fato em verdadeiro e inquestionável cerceamento do seu direito de defesa, posto que, para interpor a presente impugnação, louvou-se única e exclusivamente dos termos lavrados pela fiscalização e das informações que lhes foram prestadas, desconhecendo até a presente data, 10 de maio de 2.010, o contido nos autos do referido processo administrativo. 4.17. Ante o exposto a recorrente se reserva o direito de, se necessário, novamente comparecer nos autos tão logo tenha vista do Processo Administrativo Fiscal oriundo da autuação ora contestada, apresentando novos argumentos de fato, de direito, prova, diligências e perícias, ao amparo do disposto no na Lei n.° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, em seus artigos 2º, 3º, inciso III, e 69, inclusive em razão de fatos supervenientes que estejam intimamente relacionados com a autuação ora impugnada, em decorrência da auditoria fiscal que se encontra em curso, tendo em vista que, conforme noticiado, o Auditor Fiscal da Receita Federal Autuante encerrou parcialmente a fiscalização a que foi e está submetida a Impugnante. 5. Em 08/07/2010 a interessada solicitou a juntada de aditamento à defesa apresentada (fl. 122), que foi acostada às fls. 123 a 128 (anexos às fls. 129 a 135), na qual reitera os argumentos já expostos anteriormente, e pugna, com base no disposto na Lei n.° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, em seus artigos 2º, 3º, inciso III, e 69, pela ‘produção de novos argumentos de fato e de direito, provas admitidas em direito, diligências e perícias, se necessárias’.” O acórdão recorrido julgou improcedente a impugnação pelos motivos sintetizados na ementa descrita acima. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 6 Em recurso voluntário, a Contribuinte suscita preliminar de nulidade da decisão recorrida por não ter examinado aditivo à impugnação apresentando antes da data do respectivo julgamento e, no mais, reproduz suas alegações de impugnação relativas (i) à nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e (ii) à improcedência da multa isolada imposta, ante (a) a apresentação dos arquivos magnéticos solicitados; (b) o erro de tipificação legal da multa incorrido pela Fiscalização; (c) a ausência de obrigação de apresentar os arquivos magnéticos requeridos; (d) a ilegitimidade de exigência concomitante de multa isolada por não entrega de arquivos magnéticos e de multa isolada por entrega deficiente de escrituração digital nos mesmos anos-calendário (objeto do Processo Administrativo n. 19515.002847/2010-37). Subsidiariamente, argui a ilegalidade da incidência de juros equivalentes à Taxa Selic sobre a multa. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. (i) Preliminar de nulidade do acórdão recorrido por alegado cerceamento de defesa Suscita a Contribuinte preliminar de nulidade do acórdão recorrido pelo fato de este (acórdão) não ter examinado os argumentos aduzidos em aditivo à impugnação (fls. 122 a 128 da cópia digital) apresentado antes da data do respectivo julgamento. A preliminar não procede. A par do fato de a Contribuinte não apontar em recurso quais as matérias de defesa teriam deixado de ser analisadas pelo acórdão recorrido e o conseqüente prejuízo ao seu direito de defesa e contraditório, nota-se do cotejo entre o citado aditivo e a fundamentação do acórdão recorrido que todos os argumentos aduzidos pela Contribuinte foram expressamente refutados pelo ato decisório impugnado. No aditivo, a Contribuinte alega a improcedência da multa isolada pelo fato de ter entregue os arquivos magnéticos requeridos pela Fiscalização por meio dos termos de intimação que instruem esse processo administrativo. Comprovaria o alegado pela juntada de comprovante de protocolo que teria sido omitido pela Fiscalização na narrativa dos fatos que justificaram o lançamento. Citada argumentação foi rejeitada pelo acórdão recorrido nos seguintes termos (fls. 148 da cópia digital): “Afirma a defendente que a afirmação da fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal Nº 01 – Meios Magnéticos , parte integrante do AI, que a contribuinte não apresentou os arquivos fiscais, não procede, pois a defendente apresentou os arquivos magnéticos solicitados, os quais foram recepcionados pelo Auditor Fiscal em 08 de setembro de 2009 (anexou documentos às fls. 96 a 102). 28. Nos documentos acostados pela requerente (fls. 96 a 102) realmente se constata registro manuscrito do auditor responsável pela fiscalização, de 08/09/2009 (fl. 97), atestando o recebimento dos arquivos magnéticos. Entretanto, trata-se de Fl. 235DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 4 7 arquivos de Lançamentos Contábeis, Plano de Contas e Saldos Mensais, o que remete a questão ao item A da intimação recebida com ciência em 06/08/2009. Não há, portanto, qualquer menção ao recebimento dos arquivos magnéticos solicitados no item B da referida intimação, questão que já havia sido abordada no retrocitado Termo de Verificação Fiscal, que informa expressamente que empresa não entregou os arquivos magnéticos mencionados no item B da intimação.” Independentemente da procedência (ou não) do fundamento aduzido pelo acórdão recorrido, o que será objeto de exame linhas abaixo, é certo que as alegações de defesa argüidas em aditivo pela Contribuinte foram examinadas pelo acórdão recorrido. Rejeita-se, pois, a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. (ii) Preliminar de nulidade do lançamento por alegado cerceamento de defesa Aduz a Contribuinte cerceamento do direito de defesa pelo fato de que a Fiscalização teria levado 17 dias, após a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, para formalizar o procedimento administrativo, tendo os autos sido disponibilizados para consulta na DERAT apenas após o decurso do prazo de intimação. Confira-se (fls. 167 a 168 da cópia digital): “Conforme por ele atestado, o Autuante levou exatos 17 dias para formalizar o procedimento administrativo e encaminhá-lo à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo – DERAT/SP – fls 143 dos autos. Este é um procedimento que deve ser reorientado no âmbito da Administração Fiscal/Tributária, posto que, lavrado o auto de infração, o processo deve estar disponibilizado de imediato ao sujeito passivo da obrigação tributária para que ele promova sua defesa. Nada justifica o Auto de Infração com ciência em 12/04/2010, e o processo ter sido movimentado pela Divisão de Fiscalização somente em 29/04/2010, e em 10/05/2012 não estar disponível para o contribuinte junto à DERAT/SP.” O acórdão recorrido reconhece a demora para a disponibilização do processo administrativo para consulta da Contribuinte. Contudo, considerou tal situação irrelevante para a validade do lançamento na medida em que todos os documentos e informações haviam sido disponibilizados à Contribuinte pela Fiscalização no decorrer da ação fiscal. Verbis: (fls. 143 da cópia digital): “10. A questão do acesso aos autos após a lavratura do AI, considerando-se a realidade dos fatos, é irrelevante, pois todos os documentos que a interessada poderia consultar já tinham sido a ela disponibilizados no decorrer da ação fiscal, com destaque para o Termo de Verificação Fiscal e o AI, a ela enviados com ciência em 12/04/2010 (fl. 26). 11. Portanto, rejeita-se a alegação de cerceamento de defesa arguida pela recorrente.” Novamente a preliminar de nulidade não procede. A uma, pois a Contribuinte não aponta em recurso quais documentos teriam sido omitidos e cuja falta de tempestivo exame teria causado prejuízo ao seu direito de defesa. A duas, pois os documentos e informações relevantes para a apresentação de impugnação eram de pleno conhecimento da Contribuinte. Prova inequívoca dessa assertiva é o robusto conteúdo Fl. 236DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 8 da impugnação apresentada contra o lançamento. A três e, principalmente, pelo fato de que eventual atraso na disponibilização do processo para consulta após a lavratura do auto de infração não teria o condão de invalidá-lo, mas, sim, fosse o caso, implicaria devolução de prazo para a apresentação de impugnação, tal como ocorre ordinariamente em processos judiciais. Rejeita-se, pois, a preliminar de nulidade do lançamento suscitada. (iii) Mérito Conforme se depreende do relatório supra, trata-se de lançamento para exigência de multa isolada pela ausência de entrega de arquivos magnéticos nos anos- calendário de 2005 e 2006, requeridos pela Fiscalização por meio do Termo de Intimação de fls. 13/14 da cópia digital. Cite-se, por relevante, trecho do termo de intimação e do Termo de Verificação Fiscal que bem sintetizam as razões da autuação, verbis: - Termo de Intimação Fiscal “No exercício das funções de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, INTIMAMOS o contribuinte acima identificado para que, no prazo de 20 (vinte) dias, a contar da data da ciência do presente Termo, apresente os arquivos magnéticos contábeis e notas fiscais, especificados abaixo, previstos na IN 86/2001 e ADE 15/01, do ano—calendário de 2005 e 2006, com base nos artigos 904, §§ e 927 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26.03.99, DOU de 29.03.99. I— IN 86/01 A — Arquivos Contábeis 1 — Arquivos : 4.1.1 (lançamentos contábeis); 4.1.2 (saldos mensais) , 4.9.2 (tabela de plano de contas), 4.9.3 e (Tabela de Centro de Custo/Despesa). B — Arquivos Notas Fiscais — por estabelecimento 1 — Arquivos : 4.2.1 — (Arquivos Fornecedores/clientes); 4.3.1 ( arquivo mestre de mercadorias/serviços — notas fiscais de saída ou de entradas emitidas pela pessoa jurídica); 4.3.2 (arquivo de itens de mercadorias/serviços — notas fiscais de saídas ou de entradas emitidas pela pessoa jurídica); 4.3.3 ( arquivo mestre de mercadorias/serviços — entradas — emitidas por terceiros); 4.3.4 (arquivo itens de mercadorias/serviços — entradas — emitidas por terceiros) ; 4.3.5 (arquivo mestre de notas fiscais de serviços emitidas pela pessoa jurídica); 4.3.6 ( arquivo itens de notas fiscais de serviço emitidas pela pessoa jurídica) ; 4.5.1 (arquivo de controle de estoque); 4.5.2 (arquivo de registro de inventário — AC de 2004, 2005 E 2006);4.81(arquivo de folha de pagamento); 4.8.2 (arquivo cadastro de empregados); 4.9.1 (arquivo de cadastro de pessoas jurídicas e fisicas); 4.9.4 (tabela de natureza da operação) e 4.9.5 (tabela de mercadorias/serviços).” - Termo de Verificação Fiscal “2 — O procedimento fiscal foi iniciado em 06/08/2010, através da lavratura do Termo de Inicio de Fiscalização, onde o contribuinte foi intimado a apresentar os livros fiscais e contábeis relativos aos períodos mencionados; Fl. 237DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 5 9 3 — Lavrou-se no mesmo dia a Intimação relativa a apresentação dos arquivos magnéticos contábeis e fiscais previstos na IN 86/2001 e ADE COFIS n° 15/01; 4 — Até a presente data o contribuinte não apresentou os arquivos fiscais, não apresentando qualquer justificativa para o não atendimento à intimação; 5 — Com base das disposições dos arts. 12 e 13 da Lei n° 8.218/91, com redação dada pelo art. 62 da Lei no 8.383/91, e art. 72 da Medida Provisória n° 2.158-34/2001, é possível montar a seguinte tabela da penalidade aplicável pelo fisco, quando verificada infração as normas referentes à apresentação dos arquivos magnéticos: (...) 6 — No caso concreto, o contribuinte, decorrido o interregno de 244 (duzentos e quarenta e quatro dias) e vencido o prazo para apresentação, não entregou os arquivos magnéticos de notas fiscais, especificados no item "B" da Intimação lavrada em 06/08/2009, especificados pelo Anexo Onico do ADE COFIS n° 15/01: 4.2.1 — (Arquivos Fornecedores/clientes); 4.3.1 ( arquivo mestre de mercadorias/serviços — notas fiscais de saída ou de entradas emitidas pela pessoa jurídica); 4.3.2 (arquivo de itens de mercadorias/serviços — notas fiscais de saídas ou de entradas emitidas pela pessoa jurídica); 4.3.3 ( arquivo mestre de mercadorias/serviços — entradas — emitidas por terceiros); 4.3.4 (arquivo itens de mercadorias/serviços — entradas — emitidas por terceiros) ; 4.3.5 (arquivo mestre de notas fiscais de serviços emitidas pela pessoa jurídica); 4.3.6 ( arquivo itens de notas fiscais de serviço emitidas pela pessoa jurídica) ; 4.5.1 (arquivo de controle de estoque); 4.5.2 (arquivo de registro de inventário — AC de 2004, 2005 E 2006);4.81(arquivo de folha de pagamento); 4.8.2 (arquivo cadastro de empregados); 4.9.1 (arquivo de cadastro de pessoas jurídicas e físicas); 4.9.4 (tabela de natureza da operação) e 4.9.5 (tabela de mercadorias/serviços). 7 - Assim, o contribuinte está sujeito à penalidade imposta pela legislação, cuja multa é equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento desta, aos que não cumprem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas (Lei n° 8.218/91, art. 12, inciso III, com a redação dada pela Medida Provisória no 2158-35, de 2001).” (grifos nossos) Em sua defesa, a Contribuinte sustenta que teria entregue os arquivos digitais requeridos por meio do citado termo de intimação fiscal (fls. 96 a 102 da cópia digital), fato esse que teria sido omitido pela Fiscalização no lançamento. O argumento não procede. Conforme se verifica do termo de verificação fiscal, o lançamento decorre da ausência de entrega, pela Contribuinte, de arquivos magnéticos que contivessem informações fiscais, notadamente arroladas no item B do termo de intimação fiscal acima transcrito. Por sua vez, os arquivos magnéticos recebidos pela Fiscalização (fls. 97 da cópia digital) referem-se às informações contábeis da Contribuinte, referidas no item A da intimação. Não são verdadeiras, pois, as alegações de que (a) teria havido omissão da Fiscalização no lançamento sobre o recebimento de arquivos magnéticos entregues (em parte) pela Contribuinte; e (b) citados arquivos teriam sido integralmente entregues. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 10 Também não procede o argumento da Contribuinte no sentido de que não estaria obrigada a apresentar a escrituração digital requerida pela Fiscalização. Trata-se de obrigação imposta pela Lei n. 9.779/99 (art. 16), regulamentada pela Instrução Normativa n. 86/2001. Ainda no mérito, a Contribuinte sustenta erro na tipificação da multa imposta e a impossibilidade de exigência concomitante entre as multas isoladas citadas nos incisos II e III, do art. 28 da Lei n. 8.218, de 1991, tal como ocorre no caso, nos seguintes termos (fls. 179 da cópia digital): “Senhores conselheiros, ante o acima exposto, não há como se aplicar concomitantemente as infrações previstas nos incisos II e III do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991, pois: a) o inciso II impõe a penalidade quando o contribuinte omitir ou prestar incorretamente as informações solicitadas pela Autoridade Fiscal e, b) no inciso III a penalidade é imposta quando o contribuinte deixa de cumprir o prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos magnéticos e sistemas.” Ora, se o contribuinte apresenta, ainda que parcialmente, os arquivos magnéticos exigidos pelo Auditor Fiscal Autuante, por óbvio, a única penalidade a ser aplicada, se procedente, é a contida no inciso II, do art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991.” Lembre-se, por relevante, que a alegada concomitância decorre da imposição, nos anos calendário de 2005 e 2006, (a) de multa isolada pela ausência de entrega de arquivos magnéticos relativos às informações arroladas no item B do termo de intimação fiscal acima citado; e (b) de multa isolada pela entrega de arquivos magnéticos com omissões (campos em branco) e informações incorretas relativos às informações arroladas no item A do termo de intimação fiscal em referência. Essa última multa é objeto do Processo Administrativo n. 19515.002847/2010-37. A argumentação de concomitância não merece acolhida nesse processo administrativo, que versa sobre a penalidade imposta por força da não entrega dos arquivos digitais requeridos pela Fiscalização. Aplicando-se a teoria da consunção, é a penalidade imposta à conduta de “entregar arquivos digitais deficientes” que é absorvida pela conduta de “não entregar arquivos digitais”, e não o inverso. Se não houve entrega integral na forma da lei, conduta já punida por multa de ofício pela Fiscalização, é pouco relevante discutir (e apenar) a deficiência daquela parte que foi entregue em desconformidade com a lei. Ou seja, se se pune por “não entrega”, não é legítimo punir também por “entrega deficiente” de documentação digital no mesmo ano-calendário. A argumentação de concomitância pode ser relevante para o julgamento do caso em que se discute a multa por entrega deficiente dos arquivos digitais, mas não para este que versa sobre a conduta (mais genérica) de não entregar citada documentação. Procede, contudo, a nulidade do lançamento por erro de tipificação legal. Conforme se verifica no Termo de Verificação Fiscal, o enquadramento legal utilizado para a aplicação da multa foi o inciso III da Lei nº 8.218/91 (fls. 19). Citem-se os arts. 11 e 12 da Lei n. 8.218/1991, verbis: “Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 6 11 Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3 o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) Art. 12 - A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I - multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; II - multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas; III - multa equivalente a Cr$ 30.000,00, por dia de atraso, até o máximo de trinta dias, aos que não cumprirem o prazo estabelecido pelo Departamento da Receita Federal ou diretamente pelo Auditor-Fiscal, para apresentação dos arquivos e sistemas. Parágrafo único. O prazo de apresentação de que trata o inciso III deste artigo será de, no mínimo, vinte dias, que poderá ser prorrogado por igual período pela autoridade solicitante, em despacho fundamentado, atendendo a requerimento circunstanciado e por escrito da pessoa jurídica. II - multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Mpv/303.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Mpv/303.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 12 III - multa equivalente a dois centésimos por cento por dia de atraso, calculada sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período, até o máximo de um por cento dessa, aos que não cumprirem o prazo estabelecido para apresentação dos arquivos e sistemas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) Parágrafo único. Para fins de aplicação das multas, o período a que se refere este artigo compreende o ano-calendário em que as operações foram realizadas. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) A imposição de penalidade no âmbito do direito tributário está pautada pela regra da tipicidade cerrada. A multa imposta pela Fiscalização à Contribuinte tem como fundamento “não cumprir o prazo estabelecido para apresentação de arquivos e sistemas” ou, em termos mais simples, apresentar fora do prazo, em atraso, as informações pretendidas. Veja-se, no particular, que a multa prevista no dispositivo é calculada em função da demora na apresentação de arquivos digitais: “por dia de atraso”. É intuitivo que o “atraso” pressupõe que os arquivos tenham sido efetivamente apresentados à Fiscalização, contudo, a destempo. Não é a hipótese dos autos, conforme afirmação da própria Fiscalização, que atesta expressamente a falta de entrega dos documentos pela Contribuinte. Nesses termos, a multa adequada à hipótese seria aquela prevista no inciso II do referido art. 12, cabível para as hipóteses de “omissão” por parte da Contribuinte em relação às informações solicitadas, verbis: “Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: II - multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001)” (grifei) Não seria possível transmutar um lançamento em outro, seja por força do mencionado princípio da tipicidade cerrada no direito tributário, seja pelo fato de as bases de incidência das penalidades serem distintas para cada uma das hipóteses (percentual da receita bruta por dia de atraso x valor da operação omitida). Não é possível alegar sequer que a penalidade aplicada, apesar de equivocada, seria mais benigna à Contribuinte, já que não há informação nos autos sobre as bases de incidência e cálculos respectivos. Em que pese esse entendimento pessoal, por ter ficado vencido em discussão travada pelo Colegiado em relação ao cancelamento integral da multa por erro de tipificação, suscito, de ofício, preliminar de retroatividade benigna nos termos abaixo. Retroatividade Benigna – Art. 106, II, “c”, do CTN Superado o argumento supra, ainda assim o lançamento não poderia prevalecer tal como lavrado, ante a aplicação retroativa da multa prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2158-35/2001, conforme nova redação dada pela Lei nº 12.766/12 e, posteriormente, pela Lei nº 12.873/13. Dispunha o art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01 o quanto segue: Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art72 Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 7 13 “Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I - R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês-calendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento.” O art. 16 da Lei 9.779/99 referido na norma dispõe que: “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável.” A Lei nº 12.766/12 alterou o art. 57 da Medida Provisória nº 2158-35/01, cuja redação passou a ser a seguinte: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentá-los ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) I - por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês-calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) II - por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 14 por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) III - por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 1o Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 2o Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea b do inciso I do caput. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012) § 3o A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício. (Incluído pela Lei nº 12.766, de 2012)” (grifei) A questão posta, quando da alteração da redação do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, promovida pela Lei nº 12.776/2012, era se o art. 12 da Lei 8.218/91 haveria sido revogado tacitamente ou não, já que o art. 57 da referida medida provisória passou a mencionar também a hipótese genérica de falta apresentação de escrituração digital. Analisando esta questão, a 3ª Turma Ordinária desta Câmara de Julgamento, em 10/04/2013, conforme acórdão nº 1103-000.844, decidiu que o art. 57, II da Medida Provisória nº 2.158-35/01 deve ser aplicado retroativamente, por força do art. 106, II do CTN, no caso de não apresentação de arquivos digitais. Veja-se: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2005, 2006, 2007 MULTA REGULAMENTAR. ARQUIVOS DIGITAIS. Comprovado, quanto ao ano-calendário 2005, que o contribuinte apresentou à fiscalização arquivo digital de livro auxiliar contábil, não se sustenta a penalidade com fundamento na falta de entrega. Recurso de ofício negado. Por força do art.106, II, c, do Código Tributário Nacional, aplica-se retroativamente o disposto no art.57, II, da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com a redação conferida pelo art.8º da Lei nº 12.766/12, na hipótese de falta de apresentação de livros em formato digital (arquivos digitais).” (grifei) A própria RFB analisando o tema, no Parecer Normativo RFB nº 3/13 entendeu pela revogação tácita do art. 12 na hipótese da falta de apresentação de arquivos Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000940/2010-15 Acórdão n.º 1102-001.281 S1-C1T2 Fl. 8 15 digitais, desde que a fiscalização não logre êxito em provar que a empresa não dispunha de escrituração digital. Confira-se: “4.5. Caso a Fiscalização comprove que a pessoa jurídica não apresentou o demonstrativo ou escrituração digital por não ter escriturado e, concomitantemente, não mantém os arquivos à disposição de maneira contínua à RFB, tal conduta se amolda no aspecto material dos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991. Ressalte-se que a falta de existência de comprovação da falta de escrituração digital de maneira contínua quando seja obrigatória (caso da Escrituração Contábil Digital (ECD), por exemplo) deve ser demonstrada e comprovada. 4.6. Na situação do item 4.5, é importante que a aplicação da multa prevista nos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, se coadune com a distinção dos aspectos materiais dela em relação ao novo art. 57 da MP nº 2158-35, de 2001. A simples não apresentação de documentos sem a comprovação de que faltou a escrituração não pode gerar a multa mais gravosa, mas sim a geral de que trata o novo art. 57 da MP nº 2158-35, de 2001. Havendo dúvidas quanto a esse fato ou não se conseguindo comprová-lo, aplica-se a multa mais benéfica da Lei nº 12.766, de 2012, em decorrência do que determina o art. 112, inciso II, da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN).” (grifei) Considerando que a Fiscalização não comprovou que a Contribuinte não teria escrituração digital, não há como manter, nos termos do Parecer referido acima, a aplicação do art. 12, III da Lei nº 8.218/91, por força da retroatividade benigna, tendo em vista que a autoridade fiscal teria que ter comprovado a não escrituração dos arquivos. Não bastasse, note-se que a distinção das tipificações efetuada pelo Parecer Normativo RFB nº 3/13, conforme analisado acima, deixou de ter sentido com a publicação, em 24 de outubro de 2013, da Lei nº 12.873/13, a qual alterou novamente a redação do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01. Veja-se: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumpri-las ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) II - por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013)” (grifei) Com o advento da referida Lei nº 12.873/2013, o tipo a ser penalizado não é mais “deixar de apresentar”, mas “deixar de cumprir as obrigações acessórias”, a qual é uma tipificação mais ampla do que a anterior. Não há que se distinguir, como pretendia o referido parecer normativo, a conduta de “deixar de apresentar” e a conduta de “não manter os arquivos”, para fins de aplicação da retroatividade benigna, pois a tipificação dada pela Lei nº 12.783/2013 é “deixar e Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO 16 cumprir as obrigações acessórias”, o que incluiu tanto a conduta de não apresentar os documentos, quanto a conduta de não manter os arquivos à disposição. Também não há como se distinguir as obrigações acessórias de que tratam o art. 16 da Lei n. 9.779/99 da escrituração digital (arquivos magnéticos) objeto de regulamentação pela Lei n. 8.218/91. É incontroverso que a realização e manutenção de escrituração digital são espécies do gênero “obrigações acessórias”, cuja base legal é o citado art. 16 da Lei n. 9.779/99. Trata-se de entendimento positivado pelo próprio legislador federal, por meio da citada Lei nº 12.766/12, que alterou o art. 57 da Medida Provisória nº 2158-35/01, do seguinte teor: “Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentá-los ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) (grifou-se) Quisesse excluir a escrituração digital do alcance das obrigações acessórias de que tratam o art. 16 da Lei n. 9.779/1999, o legislador o teria feito expressamente, mediante dispositivo específico, que ressalvasse a aplicação da nova legislação em relação às hipóteses de cumprimento (de obrigação acessória) de entrega de escrituração digital pelo contribuinte. Além disso, a penalidade, que era R$ 1.000,00 por mês-calendário, passou a ser de R$ 500,00, o que indica ser esta uma lei mais benéfica. Diante de todo o exposto, superado o vício da acusação fiscal acima referido, impõe-se ao menos o reconhecimento da retroatividade benigna ao caso em tela para que a multa seja aplicada nos termos do inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.873/13. Por tais fundamentos, orienta-se voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para que a multa seja aplicada nos termos do inciso II do art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.873/13. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO - Relator Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 23 /02/2015 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007290/2006-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3202-000.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Luis Eduardo Garrosino Barbieri declarou-se impedido.
Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Luis Eduardo Garrosino Barbieri declarouse impedido. Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA IGREJA JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS contra Acórdão nº 17 31.730, de 7 de maio de 2009 (de fls. 147 a 158), proferido pela 1ª Turma da DRJ/SPOII, que julgou por unanimidade de votos, pelo indeferimento da solicitação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 28 .0 07 29 0/ 20 06 -0 4 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.007290/200604 Resolução nº 3202000.194 S3C2T2 Fl. 217 2 “Trata o presente processo de pedido de restituição (fls. 17/8) de valores pagos a titulo de Imposto de Importação (II.) e Imposto sobre Produtos Industrializados (I.P.I.) na importação relativa à Declaração de Importação n°02/06131237, registrada em 12/07/02 (fls. 44/48) por entender a requerente que goza da imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "b" da Constituição Federal de 1988, para o II e INimportação, conforme reconhecido pela Secretaria da Receita (em determinadas circunstâncias) em resposta às Soluções de Consulta SRRF/83 RF/DISIT nos. 227 (fis.18/22) e 254 (fls. 23/27), de 02/08/2004 e 06/09/2004, respectivamente, levadas a efeito pela interessada. O pleito referese à restituição de R$ 412,42 (quatrocentos e doze reais e quarenta e dois centavos) de Imposto de Importação e R$ 194,36 (cento e noventa e quatro reais e trinta e seis centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados — vinculado à importação, num total de R$ 606,78 (seiscentos e seis reais e setenta e oito centavos). Seguese um breve histórico dos fatos, conforme documentos nos autos. Em 12/07/02 a interessada importou as seguintes mercadorias (relacionadas apenas as relativas ao pleito atual), pela Declaração de Importação n° 02/06131237, selecionada pelo Siscomex para o canal verde conferência. ADIÇÃO TIPO DE MERCADORIA DESCRIÇÃO NCM QUANT. 002 Formulários – 31959000 1600 Outros Impressos Formulários 31966000 4911.99.00 5000 003 Outros papéis/cartões autoadesivos, em rolos/folhas Emblemas auto adesivos – etiquetas 36654000 9401.69.00 2000 Deixou de utilizarse do beneficio previsto na Constituição Federal de 1988, em seu art. 150, inciso VI, alínea "b", pelo qual é veda à União instituir impostos sobre templos de qualquer culto, sendo que tal vedação compreende somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Recolheu os tributos cobrados, cuja restituição ora pleiteia (Pedido de reconhecimento de direito decorrente de retificação de DI às fis. 017/8). Visando dirimir dúvidas sobre sua• situação em relação às importações, apresentou as duas já mencionadas Soluções de Consulta SRRF/8 a RF/DISIT nos. 227 , de 02/08/2004 (fis.44148) , e 254 (fls. 49/53), de 06/09/2004. 41/ Pleiteou e obteve retificação da mencionada DI (fis. 71/72), após o que passouse à análise do pedido de restituição decorrente da mesma. A ALF/PORTO DE SANTOS SP expediu a Intimação n° 119/2008 (v. fls. 74/76, pela qual o interessado foi instado a apresentar documentos contábeis e fiscais comprobatorios de que as mercadorias amparadas pela DI n° 02/06131237 destinadas a integrar seu patrimônio e estão relacionadas à finalidade essencial da entidade. Em resposta (fls. 79/80), o interessado informou da dificuldade em obter a documentação contábil exigida, haja vista que a importação ocorrera há mais de cinco anos. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.007290/200604 Resolução nº 3202000.194 S3C2T2 Fl. 218 3 Às fls. 84/86 foi proferido DESPACHO DECISÓRIO DE INDEFERIMENTO do pleito (restituição), com base, em síntese, nos seguintes argumentos: / que a interessada não apresentou documentação contábil comprobatória da incorporação dos bens ao seu patrimônio, e que apenas juntou fotos do equipamentos instalado. 2 Como na descrição da mercadoria não há elementos suficientes para a precisa identificação dos mesmos "in loco", não há como confirmarse hoje (mais de cinco anos após vistoria ao local. É o relatório.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou o deferimento do pedido com a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 12/07/2002 IMPORTAÇÃO. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. IMUNIDADE RELATIVAMENTE AO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO E AO IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTAÇÃO. ABRANGÊNCIA. A importação, por entidade que se enquadra no art. 150, VI, b, da Constituição Federal de 1988, está abrangida pela imunidade constitucional, desde que atendidas duas condições, simultaneamente: devem os artigos importados serem destinados ao patrimônio da entidade, e devem também ser vinculados às finalidades essenciais da entidade religiosa. Quando não comprovado o atendimento simultâneó das duas condições, a referida imunidade não pode ser invocado. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS RECOLHIDOS INDEVIDAMENTE. De acordo com o art. 165 do CTN (Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional ) cabe restituição de tributos recolhidos indevidamente ou a maior que o devido. Quando não comprovado que o recolhimento do tributo por parte da entidade religiosa foi indevido ou a maior que o devido, descabe o reconhecimento do direito creditório respectivo. Solicitação indeferida” Cientificado do referido acórdão em 5 de junho de 2009 (fl. 160), a interessada apresentou recurso voluntário em 3 de julho de 2009 (fls. 161 a 177), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Fl. 218DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.007290/200604 Resolução nº 3202000.194 S3C2T2 Fl. 219 4 Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 5 de junho de 2009, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 3 de julho de 2009. Depreendendose da análise do recurso voluntário apresentado pela recorrente, temse que o cerne da discussão envolve a restituição da quantia total do principal de R$ 606,78 de Imposto de Importação II e Imposto sobre Produtos Industrializados IPI relativo a Declaração de Importação Dl n° 02/06131237. Para suportar o direito ao crédito, traz a recorrente que: · é entidade religiosa que tem por objetivo a proclamação do Evangelho de Jesus Cristo através do aperfeiçoamento de seus membros por meio do ensino do Referido Evangelho, da disponibilização de ordenanças sagradas para os ancestrais identificados por meio de pesquisa genealógica, do desenvolvimento de programas religiosos, missionários, de caridade, humanitários etc; · Por entender ser imune aos impostos conforme previsão contida no artigo 150, inciso VI, alinea "b", da Constituição Federal de 1988, havia apresentado "Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito Creditório", requerendo a retificação da Declaração de Importação — Dl n° 02/06131237 e, consequentemente, a restituição das quantias indevidamente pagas a título de II e de IPI; · O pedido de retificação da Declaração de Importação foi analisado e deferido pela Inspetoria da Receita Federal de São Paulo — IRF/SP, por fazer jus à imunidade tributária visto que os bens importados (formulários e emblemas autoadesivos) foram identificados como bens vinculados às finalidades essenciais da Recorrente; · Posteriormente, as autoridades fiscais da Alfândega do Porto de Santos expediram Termo de Intimação Fiscal solicitando documentos fiscais e contábeis e declaração legal atestando que a entidade não se aproveitou e não transferiu créditos relativos ao IPI pago por ocasião do registro da citada Dl; · A r. exigência foi atendida parcialmente pela Recorrente ao juntar a declaração solicitada aos autos e considerando a dificuldade na obtenção da documentação solicitada no prazo assinalado, protestou pela realização de vistoria ao local onde os bens foram instalados; Fl. 219DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.007290/200604 Resolução nº 3202000.194 S3C2T2 Fl. 220 5 · Não obstante, foi proferido despacho decisório, indeferindo o pleito ao direito creditório por falta de comprovação da incorporação dos bens ao patrimônio da entidade religiosa; · sendo assim, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando ter havido cerceamento do seu direito de defesa e que os bens importados são utilizados nas suas finalidades essenciais; · Mas foi novamente surpreendida com o indeferimento do seu pedido de direito creditório. Após a descrição dos fatos, quanto ao acórdão recorrido, insurge a recorrente que as autoridades julgadoras concluíram que "não pode ser evocada a imunidade constitucional no caso da presente importação", tendo em vista, entre outros, que a recorrente, não logrou comprovar, por documentação contábil a incorporação dos bens em apreço ao seu patrimônio e os bens importados não podem ser consideradas como necessárias e indispensáveis aos seus objetivos. Em virtude das considerações feitas pela DRJ no r. acórdão, passa a recorrente a se manifestar: · Após trazer a baila doutrinas tratando do art. 150, inciso VI, alínea “b” da CF/88, que o objetivo precípuo desse dispositivo não fora outro senão assegurar que os impostos, em razão de seus efeitos econômicos, não desfalquem o patrimônio, nem diminuam a eficácia de seus serviços ou a integral aplicação das rendas da entidade imune; · Que, no caso vertente, revelase inegável que o pagamento do II e do IPI desfalcou o patrimônio da Recorrente, razão pela qual ela faz jus â restituição dos valores pagos a titulo dos referidos impostos; · Quanto à relevância da ausência de similar nacional – quando da menção pelas autoridades julgadoras no acórdão recorrido da citação pela Recorrente das Soluções de Consulta SRRF da 8a Região Fiscal n°s 227/2004 e 254/2004, de que os importados não teriam similares nacionais, o artigo 150 da Constituição Federal de 1988 não traz qualquer exigência de similaridade. · Nesse ponto, que toda evidência, de verdadeira e legitima "imunidade tributária", tem como amparo direto da CF/88 – o que não se trata de não mera "isenção fiscal, esta sim sujeita a possíveis requisitos de inexistência de similar nacional, na medida em que decorre diretamente de simples lei. Assim, superado esse ponto, combate a recorrente outros argumentos utilizados para o não reconhecimento da imunidade tributária, entre outros, que, quanto à avaliação das autoridades julgadoras de que um dos requisitos para fruição da imunidade tributária seria a destinação do bem importado ao "patrimônio" da entidade imune, traz que: · A documentação contábil poderia demonstrar que houve a incorporação dos bens importados ao patrimônio da entidade Fl. 220DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.007290/200604 Resolução nº 3202000.194 S3C2T2 Fl. 221 6 religiosa, mas seu valor probatório não poderá ser considerado como único e exclusivo – pois, poderá ser feita essa prova por outros meios, como, por exemplo, a exibição de fotografias, apresentação de declarações especificas sob as penas da lei, diligência fiscal aos locais onde os bens importados estão instalados etc; · Apesar de a Recorrente não ter apresentado aos autos a documentação contábil relacionada à incorporação dos bens ao seu patrimônio, poderia a autoridade fiscal ter convertido o julgamento do processo em diligência para se verificar a utilização e destinação dos r. bens importados. Vêse, portanto, que o cerne da questão envolve a comprovação da certeza e liquidez do r. crédito tributário, haja vista que, para se fruir da imunidade referendada pela Carta Magna, devese vincular os bens importados pela associação à sua utilização nas finalidades essenciais da entidade. No caso vertente, foram apresentadas fotos que, ainda que não sejam suficientes para a individualização dos elementos, representam indícios que são efetivamente utilizadas em suas atividades essenciais. Não obstante, tal como ocorreu em outros processos de mesma similaridade, não foi demonstrada contabilmente o registro individual em seu patrimônio. Importante trazer que, conforme documentações acostadas aos processos: · o Processo n° 10814.004547/200586 — Alfândega do Aeroporto de Guarulhos — julgado pela DRJ/SP deparou com situação idêntica ao pedir restituição dos mesmos tributos junto à Alfândega do Aeroporto de Guarulhos, mas, independentemente, houve decisão favorável a recorrente quando da Manifestação de Inconformidade, sendo reconhecido o direito de crédito, com base apenas nas fotos juntadas; · o Processo n° 11808.0001331200520 — Alfândega do Aeroporto do Recife mediante vistoria e fotografias constantes dos referidos autos ao local constataram que os bens importados foram incorporados "à obra civil do templo ou compuseram as suas instalações físicas”; · outros 12 processos administrativos — Alfândega do Aeroporto de Porto Alegre, houve deferimento do pedido de restituição do II e IPI, sem apresentação de documentação contábil, mas com verificação da instalação e utilização dos bens importados. Independentemente das decisões envolvendo processos semelhantes, considerando que os bens importados, quais sejam: · o formulário 31959 é preenchido em nome do missionário quando ele termina sua missão religiosa (doc. 03); · o formulário 31966 é preenchido pelo missionário para fazer o teste de tuberculose antes de iniciar a missão religiosa (doc. 04); Fl. 221DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 11128.007290/200604 Resolução nº 3202000.194 S3C2T2 Fl. 222 7 · os emblemas autoadesivos 36654000 (doc. 05) são adesivos dourados que são colados no livreto "Progresso Pessoal Das Moças" (doc. 06) quando elas conseguem cumprir determinadas metas pessoais (vide página 68 do livreto). Em vista do exposto, é de se entender, para fins de fruição do benefício da imunidade dos impostos em questão, que podem ser tais bens, a princípio, considerados essenciais para a finalidade da entidade, visto o objeto constante do Estatuto da Associação Brasileira da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, considerando as alegações e os documentos trazidos no Recurso Voluntário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Analise, à luz da documentação acostada ao Recurso Voluntário, necessários ao deslinde da controvérsia em conjunto com a realização de vistoria à entidade, se há efetivamente ou não o r. crédito tributário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 222DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 23/03/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA
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