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Numero do processo: 18471.000606/2006-68
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
GANHO DE CAPITAL. APLICAÇÕES FINANCEIRAS NO EXTERIOR COM RENDIMENTOS AUFERIDOS ORIGINARIAMENTE EM REAIS. FUNDOS DE INVESTIMENTOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Considera-se ocorrido o fato gerador do ganho de capital nas aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira o momento do crédito dos rendimentos auferidos e se o valor creditado for passível de saque pelo beneficiário. Assim, os valores aplicados em fundos de investimentos, cujos resgates não são automáticos, o fato gerador somente ocorrerá no momento da liquidação ou do resgate.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-001.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. José Maurício F. Mourão, inscrito na OAB/RJ sob o nº 53.484.
Nome do relator: Nelson Mallmann
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APLICAÇÕES FINANCEIRAS NO EXTERIOR COM RENDIMENTOS AUFERIDOS ORIGINARIAMENTE EM REAIS. FUNDOS DE INVESTIMENTOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Considerase ocorrido o fato gerador do ganho de capital nas aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira o momento do crédito dos rendimentos auferidos e se o valor creditado for passível de saque pelo beneficiário. Assim, os valores aplicados em fundos de investimentos, cujos resgates não são automáticos, o fato gerador somente ocorrerá no momento da liquidação ou do resgate. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, seu advogado, Dr. José Maurício F. Mourão, inscrito na OAB/RJ sob o nº 53.484. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Fl. 130DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 2 Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.000606/200668 Acórdão n.º 220201.591 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório EDUARDO FACÓ LEMGRUBER, contribuinte inscrito no CPF/MF 179.777.70768, com domicílio fiscal na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, à Rua Aperana, nº. 97 – apto 501 – Bairro Leblon, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro RJ, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 84/89, prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 93/111. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 21/08/2006, Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 46/51), com ciência pessoal, em 22/08/2006 (fls. 46), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 316.446,57 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Sobre Ganhos de Capital, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto de renda sobre ganhos de capital, relativo ao exercício de 2003, correspondente ao anocalendário de 2002. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de trabalho com vinculo empregatício, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. Infração capitulada nos artigos 1º ao 3° e §§, da Lei n° 7.713, de 1988 e artigos 1° ao 3°, da Lei n° 8.134, de 1990. 2 – GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE MOEDA ESTRANGEIRA OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS EM MOEDA ESTRANGEIRA: Ganho de capital auferido decorrente de aplicação financeira de moeda estrangeira aplicados no exterior, com rendimentos auferidos no Brasil, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante deste Auto de Infração. Infração capitulada no art. 18, da Lei nº. 7.713, de 1988; artigos 97, §§ 3º ao 5º, 8º, alínea “b”, da Lei nº. 8.383, de 1991; artigo 22, inciso I, da Lei nº. 8.981, de 1995 e artigo 24 da MP nº. 1.858, de 1999. A AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 41/42), entre outros, os seguintes aspectos: que, nesta data, encerramos esta ação fiscal, iniciada em 19/01/2006, com ciência do Termo de Inicio da Ação Fiscal, ocorrida em 26/01/2006, com base no Mandado de Procedimento Fiscal 07.1.90.002006000422. Esta ação fiscal foi originada por requisição do Ministério Público Federal; Fl. 132DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 4 que, por meio do Termo de Inicio da Ação fiscal nº 1, solicitouse que o contribuinte informasse os nomes dos Bancos, números de agências e contas de depósito, aplicação e/ou investimento (inclusive caderneta de poupança), de todas as instituições financeiras (no Brasil e exterior) em que manteve contas, no anocalendário de 2002 e seus respectivos extratos, bem como se recebeu neste mesmo período rendimentos da Fundação Coppetec; que, em 20/02/2006, o contribuinte compareceu a esta Divisão de Fiscalização, para apresentar sua resposta, juntamente com as cópias dos extratos relativos as suas contas correntes por ele relacionadas e a cópia do comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda da fonte emitida pela Fundação Coppetec; que, no anocalendário de 2002, o contribuinte recebeu da Fundação Coppetec, CNPJ no 73.060.999/000175, R$ 12.000,00, com retenção na fonte no valor de R$ 3.130,76; que ocorre que estes valores não foram oferecidos a tributação à época da entrega da Declaração de Ajuste 2003, relativa ao anocalendário de 2002, que será agora tributado, como omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, devendo o imposto retido pela fonte ser compensado; que, em maio de 2002, o contribuinte enviou para o exterior, por intermédio do Banco Itaú, R$ 1.565.000,00, recursos estes originados da sua conta bancária no Banco Itaú, no Brasil, (R$ 951.784,33) e transferência de sua outra conta bancária no Banco do Brasil (R$ 502.000,00). Estes recursos foram originados de resgates de aplicações financeiras. Nesta época o contribuinte também recebeu um depósito proveniente de lucros distribuídos pagos pela sua empresa OPTE, no valor de R$ 135.000,00; que o contribuinte aplicou em cotas os recursos enviados, conforme extratos de fls. 15/20, cuja valorização juntamente com a variação cambial ocorrida entre maio de 2002 e dezembro de 2002, gerou ganho de capital, cuja tributação é prevista no art. 24 da Medida Provisória no 2.158 e reedições posteriores; que no demonstrativo de fls. 43/45, calculamos o ganho de capital e seu imposto correspondente, que será objeto de tributação neste auto de infração. Em sua peça impugnatória (fls. 55/754), apresentada, tempestivamente, em 18/09/2006, o contribuinte se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência parcial do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que conforme comprova o DARF em anexo (doc. 1), o Impugnante procedeu ao pagamento de parte do Auto de Infração, qual seja, do imposto no valor principal de R$ 169,24 (cento e sessenta reais e vinte e quatro centavos) decorrente de omissão de rendimentos de pessoa jurídica (Fundação Coppetec — CNPJ 73.060.999/000175) que, por equivoco, deixou de constar da sua declaração de Imposto de Renda; que o impugnante promoveu, nos termos e para os efeitos da Lei n° 9.073/98, ao depósito extrajudicial, em dinheiro, junto à Caixa Econômica Federal, da quantia de R$ 319.161,10 (trezentos e dezenove mil cento e sessenta e um reais e dez centavos), relativa à parte do lançamento fiscal objeto da presente impugnação (doc. 2); que o lançamento ora impugnado, no valor correspondente a R$ 319.161,10 (trezentos e dezenove mil cento e sessenta e um reais e dez centavos) nesta data, tem como Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.000606/200668 Acórdão n.º 220201.591 S2C2T2 Fl. 3 5 única fundamentação a omissão de receita decorrente de ganho de capital sobre aplicações financeiras em moeda estrangeira; que o impugnante tinha comprovada origem de rendimentos para efetuar as remessas que geraram aplicações no exterior. Os recursos foram aplicados em cotas de fundos administrados pelo Banco Itaú Europa, recursos estes que permaneceram aplicados ate 14 de setembro de 2006. Durante todo este período, não ocorreu, em momento algum, nenhuma liquidação ou resgate da aplicação em beneficio do impugnante, e também não foi procedido ao retomo de qualquer parcela do capital aplicado para o Brasil; que a presente autuação, portanto, não decorre de inexistência de origem para efetuar a aplicação financeira no exterior, ou do resgate dessa aplicação sem que tivesse sido pago o tributo referente ao ganho de capital obtido através da mesma; que de acordo com o exposto acima, o que se pretende através da presente autuação é a tributação de ganho de capital supostamente decorrente de aplicação que não foi resgatada ou liquidada pelo contribuinte. E tal situação, pela própria definição de ganho de capital, não pode ser admitida; que a legislação invocada pela própria fiscal para fundamentar a autuação, somente prevê a tributação do ganho de capital quando liquidada / ou resgatada a aplicação financeira em moeda estrangeira; que, com efeito, a Medida Provisória n° 2.158 e a Instrução Normativa SRF n° 118 não autorizam a cobrança de imposto sobre a variação cambial de aplicação financeira MANTIDA NO EXTERIOR, como é o caso do Impugnante; que consta expressamente da Instrução Normativa SRF n° 118 de 2000, que a mesma "Dispõe sobre a tributação do ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras adquiridos em moeda estrangeira, e da alienação de moeda estrangeira mantida em espécie, de propriedade de pessoa física."; que, dessa forma, se na hipótese de aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em reais, o ganho de capital correspondera à diferença positiva, em reais, entre o valor da liquidação ou resgate e o seu valor original, como pôde a fiscal autuante calcular o ganho de capital se não houve essa liquidação ou resgate da aplicação financeira; que é óbvio que no caso desses autos não há que se falar em ganho de capital, se esse, por definição lógica e legal, só pode ser apurado quando do resgate ou liquidação da aplicação financeira. E o Impugnante, insistase, até dia 14 de setembro de 2006, não efetuou qualquer resgate ou liquidação, ainda que parcial, da sua aplicação financeira mantida no exterior; que a inexistência de liquidação ou resgate da aplicação financeira do Impugnante, em momento nenhum foi questionada ou entendida de forma diversa pela autoridade autuante! Ao contrário a fiscal afirma expressamente que apenas a valorização da aplicação, juntamente com a variação cambial ocorrida entre maio de 2002 e dezembro de 2002, gerou ganho de capital; Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 6 que a Instrução Normativa 118/2000, como não poderia deixar de ser sob pena de configurarse mais uma ilegalidade, não pretendeu dar a interpretação estampada no presente processo, sendo relevante transcrever o disposto no artigo 8° que trata da apuração e recolhimento do imposto no caso em questão; que enquanto os recursos forem mantidos no exterior e em dólares norte americanos o ganho é potencial e não real. Não se pode pressupor a ocorrência de algum ganho antes da efetiva conversão dólares/reais, pois o mercado de câmbio é tão complexo e variável que, por exemplo, entre a data da liquidação de uma operação no exterior e o efetivo ingresso de recursos no Pais, o que poderia representar um ganho potencial pode tornarse um prejuízo real quando da efetiva conversão da moeda, em razão da variação da sua cotação nesse período; que o Impugnante adquiriu a moeda estrangeira em 21/05/02 a uma cotação do dólar de R$ 2,47. 0 suposto ganho de capital teria decorrido da variação cambial dessa data até 31/12/02, quando o dólar estava cotado a R$ 3,53. Ocorre que quando o Impugnante efetuou o resgate e ingressou com os recursos no Pais — 14 de setembro de 2006 — o valor do dólar foi de R$2.1340, conforme contrato de cambio em anexo (doc.3) Ou seja, 0 Impugnante não obteve qualquer ganho de capital em razão da variação cambial, ao contrário, nesse aspecto, TEVE PREJUÍZO; que em que pese todo o acima exposto, ou seja, a inexistência de qualquer norma a justificar a cobrança de ganho de capital em aplicação financeira mantida no exterior, e estando a Administração Pública adstrita ao principio da legalidade, especialmente em matéria tributária, será demonstrada, por outras razões a improcedência da presente autuação; que isto porque, sendo o ponto nodal da questão a tributação da variação cambial — como ganho de capital — não existe qualquer justificativa para que recursos remetidos para o exterior e depositados em conta corrente ao invés de sempre aplicados, sejam merecedores de tratamento jurídico/tributário distinto e, conseqüentemente, não isonômico; que como cediço, a taxa SELIC é o valor apurado no Sistema Especial de Liquidação e Custódia, mediante cálculo da taxa média ponderada e ajustada das operações de financiamento por um dia; que, dessa forma, ela reflete, basicamente, as condições instantâneas de liquidez no mercado monetário e se decomp6e em taxa de juros reais e taxa de inflação no período considerado; que é justamente em função desse duplo caráter da taxa SELIC, que resta prejudicada a sua aplicação cumulada com outras taxas de juros como vem pretendendo o Fisco Federal em suas autuações. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ II conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base nas seguintes considerações: que não foi objeto de contestação a parte do auto de infração referente à omissão de rendimentos recebidos do trabalho com vinculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.000606/200668 Acórdão n.º 220201.591 S2C2T2 Fl. 4 7 que o crédito tributário ora discutido foi apurado a partir da constatação pela autoridade fiscal de falta de recolhimento de imposto relativo a ganho de capital decorrente de aplicação financeira realizada no exterior; que da leitura dos dispositivos legais transcritos, concluise que devem ser tributados como ganho de capital os rendimentos referentes A liquidação ou ao resgate de aplicações financeiras, de propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer titulo, em moeda estrangeira, independentemente da modalidade da aplicação; que é importante notar que, explicitando o sentido e alcance do art. 24 da Medida Provisória n° 2.15835 de 2001, o ADI SRF n° 08/2003 esclarece que são tributáveis, como ganho de capital, os créditos dos rendimentos de tais aplicações, desde que o valor creditado seja passível de saque pelo beneficiário. Ou seja, segundo o disposto no ato interpretativo acima referido, o rendimento mensal creditado na conta de aplicação financeira, desde que passível para saque, implica na liquidação da aplicação financeira ensejando o cálculo do ganho de capital, nos termos do caput do art. 24 da Medida Provisória n°2.15835 de 2001; que note que os Atos Declaratórios Interpretativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal (atualmente Secretaria da Receita Federal do Brasil) são instrumentos por meio dos quais é veiculada a interpretação adotada pelo órgão a respeito da matéria atinente aos tributos por ele administrados; que, sendo assim, por contrariar o entendimento expresso no ADI SRF n° 08/2003, o qual é de aplicação obrigatória por esta instância julgadora, não pode ser acatada a alegação do interessado no sentido de que o simples crédito de rendimentos não configura a hipótese definida em lei como fato gerador do imposto de renda; que, assim, mesmo que o valor inicialmente aplicado (US$ 621.000,00) tenha permanecido na aplicação financeira durante todo o período auditado, conforme alegado e demonstram os extratos que serviram de base para o lançamento, considerase que no momento em que houve crédito de rendimentos, o interessado auferiu ganho de capital representado pela diferença entre o valor da aplicação após tal evento e o valor originalmente aplicado; que, assim, como se vê, a isenção aplicase tãosomente ao acréscimo patrimonial correspondente à variação cambial dos saldos de depósitos em moeda estrangeira mantidos no exterior, não podendo ser estendida às aplicações financeiras que geram rendimentos ao investidor, como é o caso dos autos; que, nesse ponto, vale salientar que, conforme disposto no art. 111, do Código Tributário Nacional, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Interpretar literalmente um determinado dispositivo significa não ampliar nem restringir o texto legal; que em se tratando de aplicação financeira há que se observar o contido no art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 15/2001, segundo o qual, a isenção deve ser aplicada apenas à parcela da variação cambial correspondente aos rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira; Fl. 136DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 8 que assim é que na planilha As fls. 43/44, seguindo as regras contidas nos arts. 2°, 4° e 6° da Instrução Normativa SRF n° 118/2000, o ganho de capital foi apurado de duas formas distintas: (1) sobre a parcela da aplicação financeira oriunda de rendimentos auferidos no Brasil, o imposto foi calculado sobre os rendimentos recebidos e a variação cambial, enquanto que sobre a parcela oriunda de rendimentos auferidos em moeda estrangeira tributaramse apenas os rendimentos; que em relação à alegação de que os depósitos remunerados e aplicações financeiras estão sendo submetidos a tratamentos tributários distintos o que afronta os princípios da igualdade e da isonomia consagrados na Constituição Federal, cumpre esclarecer que às Delegacias da Receita Federal de Julgamento compete tãosomente o controle da legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais em confronto com as normas legais vigentes. Neste contexto, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, o julgador deve limitarse a verificar a sua aplicação ao caso concreto, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. As ementas que consubstanciam a presente decisão são as seguintes: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não contestada expressamente na impugnação é considerada incontroversa e o crédito tributário a ela correspondente, definitivamente consolidado na esfera administrativa. GANHO DE CAPITAL. APLICAÇÕES FINANCEIRAS NO EXTERIOR. FATO GERADOR. Considerase ocorrido o fato gerador no momento do crédito de rendimentos, se o valor creditado for passível de saque pelo beneficiário. 0 ganho de capital deve ser calculado mensalmente, não sendo permitida a compensação entre ganhos e perdas, por falta de previsão legal. GANHO DE CAPITAL. APLICAÇÕES FINANCEIRAS NO EXTERIOR. VARIAÇÃO CAMBIAL. Está sujeito a apuração do ganho de capital, na forma da IN SRF n° 118, de 2000, o acréscimo patrimonial decorrente da variação cambial do saldo da aplicação financeira mantida em instituições financeiras no exterior oriundo de rendimentos auferidos no Brasil. JUROS DE MORA. A cobrança dos juros de mora por percentual equivalente à taxa Selic encontra amparo na legislação em vigor. Impugnação Improcedente Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 30/11/2010, conforme Termo constante às fls. 90/91, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (27/12/2010), o recurso voluntário de fls. 93/111, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.000606/200668 Acórdão n.º 220201.591 S2C2T2 Fl. 5 9 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há argüição de qualquer preliminar. Da análise dos autos do processo se verifica, que a motivação inicial para instaurar o procedimento fiscal foi a investigação do Ministério Público Federal abrangendo as transferências de recursos ao exterior. Posteriormente, a autoridade fiscal lançadora, após receber os extratos bancários do próprio contribuinte, restringiu o presente lançamento à omissão de rendimentos referentes a ganhos de capital em aplicação financeira em moeda estrangeira, já que, em maio de 2002, o contribuinte enviou para o exterior, por intermédio do Banco Itaú, R$ 1.565.000,00, recursos estes originados da sua conta bancária no Banco Itaú, no Brasil, (R$ 951.784,33) e transferência de sua outra conta bancária no Banco do Brasil (R$ 502.000,00). Estes recursos foram originados de resgates de aplicações financeiras. Nesta época o contribuinte também recebeu um depósito proveniente de lucros distribuídos pagos pela sua empresa OPTE, no valor de R$ 135.000,00. A decisão de Primeira Instância manteve a tributação na forma lançada pela autoridade fiscal, sob o argumento base de que está sujeito a apuração do ganho de capital, na forma da IN SRF n° 118, de 2000, o acréscimo patrimonial decorrente da variação cambial do saldo da aplicação financeira mantida em instituições financeiras no exterior oriundo de rendimentos auferidos no Brasil. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho de Contribuintes pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi somente matéria de mérito, atacando a tributação de ganhos de capital em aplicação financeira em moeda estrangeira, amparado na tese de que não ocorreu nenhum resgate no anocalendário em discussão. Quanto a omissão de ganhos de capital de rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira / juros sobre aplicações financeiras em moeda estrangeira, temse que se depreende, da legislação de regência, que haverá incidência de imposto de renda sobre o ganho de capital para cada um dos depósitos de rendimentos em conta corrente no exterior. A princípio a base de cálculo é o rendimento em dólares dos EUA, convertido para reais mediante a utilização da cotação do dólar fixada, para compra, pelo Banco Central do Brasil, para a data do recebimento. O imposto é devido no momento em que tais rendimentos se tornam disponíveis para saque, sendo que a alíquota aplicável é de 15% e o prazo para o recolhimento, o último dia útil do mês subseqüente. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 10 Da análise dos autos, observase que o recorrente insurgese contra a autuação alegando, entre outras questões, que não teria ocorrido o depósito em conta, resgate ou liquidação da aplicação financeira no período do lançamento, hipóteses necessárias para se considerar ocorrido o fato gerador do imposto sobre ganho de capital. Reputa, ainda, incorreta a interpretação de que a simples possibilidade da presunção de auferir renda pela variação cambial ou o simples crédito de juros equivaleria à liquidação ou resgate da aplicação. Enfim, o recorrente defende a tese de que para as aplicações em fundos de investimentos no exterior o momento da tributação só se daria por ocasião da liquidação ou resgate das aplicações efetuadas nestes fundos de investimentos, de acordo com seu sentido técnico e legal. O assunto foi tratado, de forma clara, no art. 24 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art. 24. O ganho de capital decorrente da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras, de propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer título, em moeda estrangeira, será apurado de conformidade com o disposto neste artigo, mantidas as demais normas da legislação em vigor. § 1º O disposto neste artigo alcança, inclusive, a moeda estrangeira mantida em espécie. §2º Na hipótese de alienação de moeda estrangeira mantida em espécie, o imposto será apurado na declaração de ajuste. § 3º A base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em Reais, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito, da moeda estrangeira mantida em espécie ou valor original da aplicação financeira. §4º Para os fins do disposto neste artigo, o valor de alienação, liquidação ou resgate, quando expresso em moeda estrangeira, corresponderá à sua quantidade convertida em dólar dos Estados Unidos e, em seguida, para Reais, mediante a utilização do valor do dólar para compra, divulgado pelo Banco Central do Brasil para a data da alienação, liquidação ou resgate ou, no caso de operação a prazo ou a prestação, na data do recebimento de cada parcela. § 5º Na hipótese de aquisição ou aplicação, por residente no País, com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, a base de cálculo do imposto será a diferença positiva, em dólares dos Estados Unidos, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou do direito, convertida para Reais mediante a utilização do valor do dólar para compra, divulgado pelo Banco Central do Brasil para a data da alienação, liquidação ou resgate, ou, no caso de operação a prazo ou a prestação, na data do recebimento de cada parcela. § 6º Não incide o imposto de renda sobre o ganho auferido na alienação, liquidação ou resgate: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.000606/200668 Acórdão n.º 220201.591 S2C2T2 Fl. 6 11 I de bens localizados no exterior ou representativos de direitos no exterior, bem assim de aplicações financeiras, adquiridos, a qualquer título, na condição de nãoresidente; II de moeda estrangeira mantida em espécie, cujo total de alienações, no anocalendário, seja igual ou inferior ao equivalente a cinco mil dólares norteamericanos. § 7° Para efeito de apuração do ganho de capital de que trata este artigo, poderão ser utilizadas cotações médias do dólar, na forma estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. Da mesma forma, a matéria está disciplinada pela Instrução Normativa SRF n° 118, de 27 de novembro de 2000: Bens e Direitos Adquiridos e Aplicações Financeiras Realizadas com Rendimentos Auferidos Originariamente em Reais Art. 2o Na hipótese de bens e direitos adquiridos e aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em reais, o ganho de capital corresponderá à diferença positiva, em reais, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito ou o valor original da aplicação financeira. § 1° O valor de alienação, liquidação ou resgate, quando expresso em moeda estrangeira, será convertido em dólares dos Estados Unidos da América e, em seguida, em reais, pela cotação do dólar fixada, para compra, pelo Banco Central do Brasil, para a data do recebimento. § 2º O custo de aquisição de bens ou direitos ou o valor original de aplicações financeiras, quando expresso em moeda estrangeira, será convertido em dólares dos Estados Unidos da América e, em seguida, em reais, pela cotação do dólar fixada, para venda, pelo Banco Central do Brasil, para a data do pagamento (...). Bens e Direitos Adquiridos e Aplicações Financeiras Realizadas com Rendimentos Auferidos Originariamente em Moeda Estrangeira Art. 4º Na hipótese de bens e direitos adquiridos e aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira, o ganho de capital corresponderá à diferença positiva, em dólares dos Estados Unidos da América, entre o valor de alienação, liquidação ou resgate e o custo de aquisição do bem ou direito ou o valor original da aplicação, convertida em reais mediante a utilização da cotação do dólar fixada, para compra, pelo Banco Central do Brasil, para a data do recebimento. Parágrafo único. Os rendimentos produzidos por aplicações financeiras em moeda estrangeira, ainda que decorrentes de Fl. 140DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 12 rendimentos auferidos originariamente em reais serão considerados rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira. (...). Bens e Direitos Adquiridos e Aplicações Financeiras Realizadas com Rendimentos Auferidos Originariamente Parte em Reais e Parte em Moeda Estrangeira Art. 6º Na hipótese de bens e direitos adquiridos e aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira, com rendimentos auferidos originariamente parte em reais e parte em moeda estrangeira, os valores de alienação, liquidação ou resgate e os custos de aquisição do bem ou direito ou os valores originais da aplicação financeira serão determinados de forma proporcional à origem do rendimento utilizado na aquisição ou realização, para fins de apuração do ganho de capital, observado o disposto nos arts. 2° ao 5ºo. (...). Apuração e Recolhimento do Imposto Art. 8º Nas alienações de bens e direitos e nas liquidações e resgates de aplicações financeiras de que tratam os arts. 2o a 6o, o imposto sobre o ganho de capital será: I apurado em cada operação; II determinado à alíquota de quinze por cento; III recolhido até o último dia útil do mês subseqüente ao do recebimento. Complementam a matéria em discussão os artigos pertinentes da Instrução Normativa SRF n° 15, de 06 de fevereiro de 2001: Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: (...). LV variação cambial decorrente das alienações de bens e direitos adquiridos e aplicações financeiras realizadas com rendimentos auferidos originariamente em moeda estrangeira; (...). Art. 8º Estão sujeitos à tributação definitiva: (...) II ganhos de capital decorrentes da alienação de bens ou direitos e da liquidação ou resgate de aplicações financeiras, adquiridos em moeda estrangeira; A Secretaria da Receita Federal do Brasil, interpretando a legislação acima transcrita, editou o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 8, de 23 de abril de 2003, verbis: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN Processo nº 18471.000606/200668 Acórdão n.º 220201.591 S2C2T2 Fl. 7 13 Art. 1ºo O crédito de rendimentos relativos a aplicação financeira, inclusive depósito remunerado, realizada em moeda estrangeira por pessoa física residente no Brasil, implica a apuração de ganho de capital tributável, desde que o valor creditado seja passível de saque pelo beneficiário. (o grifo não consta do original). Da leitura dos dispositivos legais na restam dúvidas de que os rendimentos referentes à liquidação ou ao resgate de aplicações financeiras, de propriedade de pessoa física, adquiridos, a qualquer título, em moeda estrangeira, devem ser tributados como ganho de capital, independentemente, da modalidade da aplicação. Da análise dos autos, observase que os únicos indicativos de rendimentos auferidos em que a fiscalização se baseou encontramse às fls. 18/24, que nada mais é do que a simples avaliação da carteira de investimentos. Observou a autoridade fiscal de que, em maio de 2002, o contribuinte enviou para o exterior, por intermédio do Banco Itaú, R$ 1.565.000,00, recursos estes originados da sua conta bancária no Banco Itaú no Brasil (R$ 951.784,33) e transferência de sua outra conta bancária no Banco do Brasil (R$ 502.000,00). Estes recursos foram originados de resgates de aplicações financeiras. Nesta época o contribuinte também recebeu um depósito proveniente de lucros distribuídos pagos pela sua empresa OPTE, no valor de R$ 135.000,00. Baseado nestes indícios, entendeu a autoridade fiscal lançadora de que o contribuinte aplicou em cotas os recursos enviados, conforme extratos de fls. 15/20, cuja valorização juntamente com a variação cambial ocorrida entre maio de 2002 e dezembro de 2002, gerou ganho de capital, cuja tributação é prevista no art. 24 da Medida Provisória no 2.158 e reedições posteriores. Ora, com a devida vênia, o que a autoridade fiscal lançadora fez foi calcular os pretensos rendimentos mês a mês, através do Demonstrativo do Ganho de Capital Sobre Rendimentos em Moeda estrangeira (fls. 47) utilizando como parâmetro a simples avaliação da carteira de investimentos. Não há nos autos indicativos materiais, a exemplo dos extratos das contas bancárias, onde conste o crédito destes valores. Ou seja, não há nos autos prova material dos créditos de tais rendimentos, muito menos, que o valor creditado seja passível de saque pelo beneficiário sem que o mesmo solicite liquidação ou resgate. Nesta linha de pensamento, só posso concordar com o recorrente de que os valores investidos em fundos de investimentos não funcionam como uma conta bancária em que os quotistas podem, a qualquer momento, efetuar saques de dinheiro. Sempre se faz necessário que as quotas sejam liquidas ou resgatadas. O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 8, manifestase da seguinte forma: IRPF INVESTIMENTO NO EXTERIOR BASE DE CÁLCULO A variação cambial decorrente de aplicações financeiras realizadas em moeda estrangeira com rendimentos auferidos originariamente em reais, integra a base de cálculo para fins de apuração do ganho de capital. FATO GERADOR Considerase ocorrido o fato gerador na data da alienação, liquidação ou resgate da aplicação financeira, bem como no momento do Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN 14 crédito de rendimentos, se o valor creditado for passível de saque pelo beneficiário. Ora, a hipótese prevista na norma, diz respeito ao crédito de rendimentos relativos a aplicação financeira de propriedade da pessoa física e passível de saque, entretanto, fica evidenciado nos autos que tais créditos não existiram nos valores e datas considerados pela fiscalização. Diante do conteúdo dos autos, pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003613/97-14
Data da sessão: Mon Feb 12 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Ano-calendário: 1996
ALADI- CERTIFICADO DE ORIGEM. DATA. No há como considerar nulo o certificado de origem, sem prova convincente de falso conteúdo ideológico e antes que se proceda consulta ao órgão emitente do pais exportador, prevista no art. 16° do Cap. II do anexo V do Acordo de Cooperação Econômica entre Brasil e Argentina. Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/03-05.215
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.
Nome do relator: Antonio Carlos Atulim Redator ad hoc
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DATA. No há como considerar nulo o certificado de origem, sem prova convincente de falso conteúdo ideológico e antes que se proceda consulta ao órgão emitente do pais exportador, prevista no art. 16° do Cap. II do anexo V do Acordo de Cooperação Econômica entre Brasil e Argentina. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Antonio Carlos Atulim - Redator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Carlos Henrique Klaser Filho, Judith do Amaral Marcondes Armando, Luis Antonio Flora, Anelise Daudt Prieto, Nilton Luiz Bártoli, Mário Junqueira Franco Júnior e Manoel Antônio Gadelha Dias (Presidente à época do julgamento). Relatório Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.003613/97-14 Acórdão n.º 03-005.215 CSRF/T03 Fls. 81 _________ 2 Por meio do Acórdão nº 303-29.861 a Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário. O julgado recebeu a seguinte ementa: "ALADI- CERTIFICADO DE ORIGEM. DATA. Não há como considerar nulo o certificado de origem, sem prova convincente de falso conteúdo ideológico e antes que se proceda à consulta ao órgão emitente do pais exportador, prevista no art. 16° do Cap. II do anexo V do Acordo de Cooperação Econômica entre Brasil e Argentina. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." Regularmente notificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou em tempo hábil recurso especial de divergência, apontando divergência em relação ao Acórdão nº 302-33.416. Alegou a Procuradoria da Fazenda Nacional que o art. 528 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 91.030/85) estabelece que o embarque da mercadoria se considera ocorrido na data da expedição do conhecimento de carga e que o art. 17, do Anexo I, do Oitavo Protocolo Adicional ao AAPCE nº 18, estabelece que "Os Certificados de Origem deverão ser emitidos no mais tardar 10 (dez) dias úteis depois do embarque definitivo das mercadorias amparadas pelos mesmos". O certificado de origem de fls. 17 foi expedido após o prazo de 10 dias e ainda em formulário diverso do que consta do Anexo III do Oitavo Protocolo Adicional ao AAPCE Nº 18. Sendo assim, deve ser reformado o acórdão recorrido para o fim de ser mantida a exigência fiscal. O recurso especial fazendário foi admitido e não houve apresentação de contrarrazões por parte do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Nos termos do art. 17, III, do RICARF 1 , incumbiu-me o Senhor Presidente do Colegiado de formalizar o Acórdão CSRF/03-05.215, em virtude do relator originário, Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo, ter deixado o colegiado sem ter se desincumbido dessa obrigação. Considerando que não há notícia de que o relator originário tenha entregue à Secretaria da CSRF a minuta do voto e que o recurso da fazenda nacional foi negado, adoto como fundamentos deste voto a tese do Conselheiro João Holanda Costa, que norteou o Acórdão recorrido, in verbis: 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III - designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazê-lo ou não mais componha o colegiado; Fl. 81DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.003613/97-14 Acórdão n.º 03-005.215 CSRF/T03 Fls. 82 _________ 3 "(...) Trata-se da denegação da alíquota negociada pelo fato de o Certificado de Origem haver sido emitido, em data posterior à do embarque da mercadoria, no porto de Buenos Aires, República Argentina. Quer-me parecer que a recorrente tem razão ao dizer que não existe fundamento legal para a denegação da validade ao Certificado de Origem por haver sido emitido em data posterior à do embarque da mercadoria. Esta Câmara, em diversos julgados sobre a matéria, entre os quais aqueles citados no recurso, tem levado em conta o fato de que os prazos de emissão do certificado vem sendo alongados, continuamente, de modo que o tratamento da matéria vem sendo abrandado. 0 8° Protocolo Adicional ao Acordo de Cooperação Econômica entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, recepcionado pelo Decreto 1.568/95, dispõe no art. 17 do seu Anexo I Cap. V, que: "Os certificados de origem deverão ser emitidos o mais tardar 10 (dez) dias úteis depois do embarque definitivo das mercadorias amparadas pelos mesmos". Permito-me transcrever, a propósito, trecho do Voto do ilustre Conselheiro Conselheiro Guinês Alvarez Fernandes, no Acórdão 303-28.768, de 11/02/97: "Adicione-se que o certificado de origem, como é de sua essência, constitui documento destinado a atestar de onde é originária a mercadoria nele expressamente individualizada, inexistindo no feito qualquer impugnação de sua autenticidade. Anote-se, por derradeiro, que em todas as avenças internacionais mencionadas, se estabeleceu que em nenhuma hipótese se coarctaria o fluxo da mercadoria coberta pelo certificado de origem, antes da troca de consultas entre as partes interessadas, inexistindo fixação de qualquer penalidade previamente aplicável, em especial a desproporcional aplicada neste feito que, baseada em presunção, concluiu pela nulidade daquele documento." (...)" Com esses fundamentos, na assentada do dia 12 de fevereiro de 2007, a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim Fl. 82DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.003613/97-14 Acórdão n.º 03-005.215 CSRF/T03 Fls. 83 _________ 4 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/04/201 5 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Relatório Voto
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Numero do processo: 16327.001758/2004-54
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2000, 2001, 2002
Ementa:
DESPESAS DESNECESSÁRIAS NO IRPJ. DEDUTIBILIDADE NA CSLL. BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido é o resultado do período de apuração com observância da legislação comercial e com os ajustes previstos na legislação específica. Descabe a adição de despesas consideradas desnecessárias, com fulcro unicamente em norma da legislação do Imposto de renda, pois a base de cálculo da contribuição não se confunde com o lucro real tributado pelo imposto de renda.
INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO UNIVERSAL DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES. APROVEITAMENTO PELA INCORPORADORA DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DA INCORPORADA.
Sendo a incorporação uma sucessão universal de direitos e obrigações, nas incorporações havidas antes da MP n° 1.858-6/1999 as bases de cálculo negativas da sucedida passam a integrar o patrimônio da sucessora no mesmo momento da incorporação. Assim, após o evento sucessório inexistem bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da sucedida às quais se possa aplicar a restrição introduzida pelo art. 20 da referida MP, que dispõe que se aplicam à base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido os arts. 32 e 33, do Decreto-lei n° 2.341, de 1987.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-001.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, recurso conhecido em parte. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. 2) Por unanimidade de votos, na parte conhecida, negado provimento ao Recurso Especial do Procurador.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior.
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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DEDUTIBILIDADE NA CSLL. BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido é o resultado do período de apuração com observância da legislação comercial e com os ajustes previstos na legislação específica. Descabe a adição de despesas consideradas desnecessárias, com fulcro unicamente em norma da legislação do Imposto de renda, pois a base de cálculo da contribuição não se confunde com o lucro real tributado pelo imposto de renda. INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO UNIVERSAL DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES. APROVEITAMENTO PELA INCORPORADORA DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DA INCORPORADA. Sendo a incorporação uma sucessão universal de direitos e obrigações, nas incorporações havidas antes da MP n° 1.8586/1999 as bases de cálculo negativas da sucedida passam a integrar o patrimônio da sucessora no mesmo momento da incorporação. Assim, após o evento sucessório inexistem bases de cálculo negativas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da sucedida às quais se possa aplicar a restrição introduzida pelo art. 20 da referida MP, que dispõe que se aplicam à base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido os arts. 32 e 33, do Decretolei n° 2.341, de 1987. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 58 /2 00 4- 54 Fl. 622DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 2 Acordam os membros do colegiado: 1) por maioria de votos, recurso conhecido em parte. Vencido o Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. 2) Por unanimidade de votos, na parte conhecida, negado provimento ao Recurso Especial do Procurador. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Ad Hoc – Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini dias, Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente) e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, o Conselheiro João Carlos de Lima Júnior. Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 04/08/2010 (fl. 534), a Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial às fls. 537/544, para a 1ª Turma de Julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Pleiteia a reforma da decisão proferida pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, através do Acórdão nº 1301 00.197, de 27/98/2009 (fls. 525/532) a qual, por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso de Ofício e, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte Vega Engenharia Ambiental S/A (fls. 445/469). Fundamenta o presente Recurso Especial no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos que contra o contribuinte, Vega Engenharia Ambiental S/A, foi lavrado, em 10/12/2004, Auto de Infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL (fls.322/331), com ciência pessoal, em 17/12/2004 (fls.326), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 3.319.612,52, acrescidos da multa de lançamento de ofício de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor dos tributos, referente aos exercícios de 2000 a 2002. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidades: 1 ADIÇÕES AO LUCRO LÍQUIDO ANTES DA CSLL. FALTA DE ADIÇÃO DO VALOR DA CSLL REGISTRADA COMO CUSTO OU DESPESA. Valor apurado conforme relatório de verificação fiscal em anexo, que doravante faz parte integrante e inseparável deste auto de infração, referente a despesas com gratificação ao conselho, participação dos administradores. Infração capitulada no art. art. 19 da Lei n° 9.249, de 1995; Fl. 623DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.001758/200454 Acórdão n.º 9101001.839 CSRFT1 Fl. 3 3 art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, 1988; art. 1º, parágrafo único, da Lei n° 9.316, de 1996; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 6º da Medida Provisória n° 1.858, de 1999 e suas reedições. 2 BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. Valor de base de calculo negativa compensado indevidamente,tendo em vista que tal valor era oriundo de equivalência patrimonial da Vega, quando controlada da Sita Brasil. Como a Sita Brasil foi incorporada pela Vega, (controlada incorpora controladora), não há base legal para efetuar tal operação, conforme relatório de verificação fiscal em anexo que doravante faz parte integrante e inseparável deste auto de infração. Infração capitulada no art.2° e §§, da Lei n° 7.689, de 1988; art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995; art. 16 da Lei n° 9.065, de 1995; art. 16 da Lei n° 9.065, de 1995 e art. 19 da Lei n° 9.249, de 1995. 3 REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. Falta da adição de 1/3 ou 1% do Cofins, utilizado em compensação do valor devido de contribuição social resultando no não pagamento desta contribuição social.conforme relatório de verificação fiscal em anexo, que doravante faz parte integrante e inseparável deste auto de infração. Infração capitulada no art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 1988; art. 19 da Lei n° 9.249, de 1995; art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 273 do RIR/99. Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 17/01/2005 (fls. 358/371), instruído pelos documentos de (fls. 372/421) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SPOI, em 25/09/2007, julgou parcialmente procedente o lançamento, (fls. 424/437), lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que a COFINS paga e compensada com a CSLL devida é indedutível da base de cálculo da própria CSLL; que para apuração da Contribuição Social, inexiste norma que prescreva que as despesas com gratificações a conselheiros e com participações a administradores devem ser adicionadas ao lucro líquido na apuração da base de cálculo da CSLL. As regras de dedutibilidade de despesas dirigidas expressamente à apuração do lucro real não se aplicam de forma reflexa à CSLL; que a legislação aplicável à compensação de prejuízos e bases negativas da CSLL é aquela vigente por ocasião da efetivação dessa compensação e não a da época de formação da base negativa da contribuição. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 01/11/2007, conforme Termo constante à fl. 439, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 29/11/2007, Recurso Voluntário (fls. 445/469), instruído pelos documentos de fls. 470/472, o qual, ao ser apreciado pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, através do Acórdão nº 130100.197, de 27/08/2009 (fls. 525/532), por unanimidade de votos, foi negado provimento ao Recurso de Ofício e quanto ao Recurso Voluntário, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial, conforme se verifica de sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 624DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 4 Exercício: 2000, 2001, 2002 DESPESAS INDEDUTÍVEIS PARA EFEITO DE IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE DE ADIÇÃO AO LUCRO LÍQUIDO PARA A APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Descabida a pretensão do Fisco de estender à CSLL, sem amparo legal, as disposições acerca de dedutibilidade de despesas para fins do IRPJ. São diversas as bases de cálculo de um e outro tributo. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS TRIBUTÁRIAS. Correta a autuação que adicionou ao lucro líquido, para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, o valor correspondente a um terço da COFINS efetivamente paga, compensada com a CSLL devida, por autorização do art. 8o da Lei n° 9.718/1999. A recuperação de despesa tributária pela via da compensação, como é o caso, deve ser levada ao resultado de forma a neutralizar, no exato montante recuperado, a redução do lucro líquido correspondente à despesa tributária apropriada por seu valor integral. INCORPORAÇÃO. SUCESSÃO UNIVERSAL DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES. APROVEITAMENTO PELA INCORPORADORA DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DA INCORPORADA. Sendo a incorporação uma sucessão universal de direitos e obrigações, nas incorporações havidas antes da MP n° 1.858 6/1999 as bases de cálculo negativas da sucedida passam a integrar o patrimônio da sucessora no mesmo momento da incorporação. Assim, após o evento sucessório inexistem "bases de cálculo negativas da CSLL da sucedida" às quais se possa aplicar a restrição introduzida pelo art. 20 da referida MP, que dispõe que se aplicam à base de cálculo negativa da CSLL os arts. 32 e 33 do Decretolei n° 2.341/87. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e quanto ao recurso voluntário, por unanimidade de votos dar provimento parcial para afastar a exigência fundada na compensação indevida de bases de cálculo da empresa incorporada, no valor de R$ 5.026.178,46, no anocalendário 1999, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 04/08/2010, conforme Termo constante à fl. 534, a Fazenda Nacional interpôs, de forma tempestiva (09/08/2010), Recurso Especial de fls. 537/544, com amparo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: Fl. 625DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.001758/200454 Acórdão n.º 9101001.839 CSRFT1 Fl. 4 5 que no caso, a fiscalização procedeu à glosa da dedução de despesas que não são consideradas operacionais pela legislação do imposto de renda, por faltarlhe os requisitos estipulados na própria lei; que, contudo, o acórdão recorrido afastou a aludida glosa por entender que as despesas indedutíveis para o IRPJ não se estendem para a apuração da CSLL; que ao assim decidir, o colegiado a quo exarou entendimento divergente da decisão proferida pela 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no acórdão n° 107 08870; que no paradigma, consagrouse o entendimento de que as despesas desnecessárias, e, consequentemente, desprovidas do caráter operacional, são também indedutíveis na apuração da CSLL; que quanto à apuração da CSLL pela incorporadora, o colegiado a quo considerou possível a compensação das bases negativas da incorporada, se a incorporação se realizou antes da edição da MP 18586/1999, que expressamente proibiu tal compensação; que este entendimento, no entanto, diverge da tese esposada pela 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes no acórdão n° 10323.404; que no paradigma indicado, assim como no caso dos autos, a incorporação foi realizada antes da Medida Provisória n° 18586/1999, conforme se lê no relatório do aresto apontado. Contudo, em sentido oposto ao acórdão recorrido, a Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes manteve a autuação referente à glosa da compensação indevida das bases negativas da incorporada; que resta, portanto, configurado dissídio jurisprudencial neste ponto, razão pela qual se encontram preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso especial; que as despesas não operacionais, consideradas indedutíveis na apuração do IRPJ, influenciam na base de cálculo da CSLL porque esta corresponde ao resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda (art. 2o da Lei n. 7.689/88), a depender das despesas operacionais; que esse fundamento se soma aos ditames do art. 13 da Lei n. 9.249/95, o qual veda deduções à base de cálculo da CSLL, sem prejuízo do disposto no art. 47 da Lei n. 4.506/64; que o último dispositivo considera como operacionais as despesas que são necessárias à atividade da entidade. As despesas que não forem necessárias não podem ser consideradas como despesas operacionais, logo, não podem ser deduzidas da base de cálculo da CSLL, isto é, não podem interferir no resultado do exercício para fins de apuração da base de cálculo da contribuição; que na hipótese vertente, o contribuinte foi autuado por ter compensado indevidamente bases negativas de CSLL apuradas por sua incorporada, conforme demonstrado no auto de infração que lastreia o presente processo; Fl. 626DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 6 que este tipo de compensação realizada pela empresa sucessora, de fato, está vedada no sistema legal, consoante o disposto no art. 20 da Medida Provisória n. 1858 6/1999, sucedida pela Medida Provisória 2.158/2001; que o acórdão recorrido sustenta que a norma supra transcrita não se aplicaria às incorporações realizadas antes de sua vigência em 1999; que a data máxima vênia, este entendimento não merece prosperar, pois o art. 20 da Medida Provisória n. 18586/1999 disciplina a compensação tributária, fazendo referência à incorporação somente para esclarecer em que hipótese não se pode compensar as bases negativas da CSLL; que logo, a aplicação temporal da referida norma deve se reger pela época da compensação e não da incorporação. Se as bases negativas da incorporada foram compensadas pela incorporadora após a edição da Medida Provisória n. 1858 6, de 26/06/1999, tornase indevida a aludida compensação, pois realizada quando já existia regra impeditiva. Este é o caso dos autos, onde se verifica que autuada realizou a compensação indevida em 31/12/1999, quando já estava em vigor a proibição legal veiculada na aludida Medida Provisória, que fundamentou a autuação em análise. Portanto, está correta a glosa efetuada pela fiscalização, que agiu dentro dos ditames legais. Seguem abaixo os acórdãos paradigmas apresentados (fls. 545/554), dos quais se transcreve as respectivas ementas nas partes que interessam: Acórdão nº 10708.870 DESPESAS FINANCEIRAS DESPESAS DESNECESSÁRIAS. Tendo o sujeito passivo tomado empréstimos no mercado financeiro, e tendo concedido empréstimos a afiliadas, sem cobrança de encargos ou os cobrado com insuficiência, em relação às taxas por ela pagas junto às instituições financeiras, configurase a desnecessidade das despesas financeiras às atividades da empresa, na proporção do capital cedido. CSLL — DESPESAS DESNECESSÁRIAS. Tendo a glosa se dado em razão da constatação de desnecessidade das despesas financeiras, o que as toma indedutíveis também da base de cálculo da CSLL é o próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Acórdão nº 10323.404 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2001 CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS. INCORPORAÇÃO. Conforme expressa disposição legal (Medida Provisória n. 18586, de 1999, sucedida pela Medida Provisória n. 2.15825, de 2001), a pessoa jurídica sucessora por incorporação não poderá compensar bases negativas apuradas pela empresa incorporada. Recurso voluntário não provido. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.001758/200454 Acórdão n.º 9101001.839 CSRFT1 Fl. 5 7 Em 17/11/2010 foi proferido o Despacho nº 232/2010 (fls. 557/558), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer os pressupostos regimentais. Ciente, nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, em 30/03/2011 (fl. 567), o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 11/04/2011, as contrarrazões de fls. 582/596, sem instrução de documentos adicionais, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que ocorre, contudo, que o Acórdão nº 107 – 08870, indicado como paradigma pela recorrente, não trata de fatos semelhantes ao deste processo nem, muito menos, deram à lei tributária interpretação divergente; que a simples leitura do Acórdão nº 107 – 08870, invocado pela recorrente para respaldar o seu Recurso Especial, revela que naquele caso os fatos eram completamente diferentes: desnecessidade das despesas financeiras pelo fato de o contribuinte ter tomado empréstimo no mercado financeiro e, ao mesmo tempo, concedido empréstimo a afiliadas sem cobrança de encargos; que, portanto, os casos do acórdão recorrido e do acórdão coligido pela recorrente como paradigma não são idênticos e também não há demonstração analítica de pontos específicos, razão pela qual não preenchem os requisitos do § 6º do art. 67 do RICARF; que nessa conformidade, a jurisprudência da CSRF é pacífica no sentido de que não deve ser conhecido o recurso especial quando o acórdão recorrido tiver decidido questão diversa daquela enfrentada pelos acórdãos paradigmas; que com relação à outra divergência jurisprudencial (impossibilidade da compensação de bases negativas da incorporada na apuração da CSLL devida pela incorporadora), ao analisar o § 10º do art. 67 do atual Regimento Interno do CARF, verificase que o pressuposto para o conhecimento do Recurso Especial é a apresentação de acórdãos cuja tese, na data da interposição do recurso, ainda não tenha sido superada pela CSRF; caso contrário, não servirá de paradigma, independentemente de sua reforma específica; que ocorre, contudo, que desde 27.07.2009, por meio do Acórdão CSRF/9101 – 00197, a 1ª Turma da CSRF já tinha pacificado o entendimento de que até o advento do art. 20 da MP nº 1.858 – 6/1999, não havia vedação para que a incorporada pudesse compensar a base de cálculo negativa da CSLL apurada pela incorporada; que, portanto, a tese do Acórdão nº 103 – 23.404, coligido pela recorrente, já havia sido superada quando da interposição do Recurso Especial em 09.08.2010, razão pela qual não serve de paradigma, independentemente de sua reforma específica; que a recorrente alega em seu Recurso Especial que as despesas que não forem necessárias não poderiam ser consideradas como despesas operacionais, logo não poderiam ser deduzidas da base de cálculo da CSLL; que tal fundamento equivocado vem sendo corretamente afastado desde a 1ª instancia e deve continuar o sendo também na CSRF, pois apesar de a legislação (Lei nº 8.383/91, 8541/92 e 8.981/95) ter estendido à CSL as normas de “apuração” e de “pagamento” aplicáveis ao IRPJ, as bases de cálculos dos referidos tributos continuaram a ser diferentes, Fl. 628DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 8 razão porque as adições extra contábeis previstas para fins de apuração do lucro real não são automaticamente aplicáveis à determinação da base de cálculo da CSL; que as gratificações atribuídas a administradores, as participações nos lucros a eles pagas têm natureza de despesa, e não de provisão, daí serem dedutíveis da base de cálculo da CSL, uma vez que não há lei que imponha a sua adição extracontábil, tal como ocorre para fins de IRPJ; que no que se refere à compensação de bases negativas, a recorrente alega em seu Recurso Especial que a recorrida teria realizado a compensação indevida em 31.12.1999, quando já estaria em vigor a proibição legal veiculada na MP nº 1858 – 6/1999; que em 30.11.1998, data em que realizada a incorporação, não havia impedimento legal a que a base negativa de CSL da incorporada fosse a ela transferida, razão por que tais bases negativas passaram a integrar o patrimônio da recorrida, podendo ser utilizadas para compensar sua base positiva, observado o limite de 30 %. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, este Conselheiro foi designado Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF). Destarte, levandose em consideração a minuta de acórdão inicialmente apresentada pelo relator original quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em outubro de 2013, passo a formalizar o voto do relator: Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 04/08/2010 (fls. 534) e protocolizado o presente apelo em 09/08/2010 (fls. 537/544), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos verificase que a Fazenda Nacional cumpriu com os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial da Divergência, já que demonstrou que a decisão recorrida conferiu à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. O mero cotejo da ementa e voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, questionase qual seria o tratamento de glosa de despesas não operacionais da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e a possibilidade de compensação de bases negativas da incorporada na apuração da Contribuição Social sobre o Fl. 629DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.001758/200454 Acórdão n.º 9101001.839 CSRFT1 Fl. 6 9 Lucro Líquido devida pela incorporadora. Enquanto os acórdãos paradigmas decidiram pela legalidade da glosa das despesas e pela impossibilidade da compensação das bases negativas pela incorporadora, o acórdão recorrido ao contrário decidiu que as glosas de despesas são indevidas e pela legalidade da compensação das bases negativas pela incorporadora. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Como visto no relatório o presente trata de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão 130100.197 (fls. 525/532v), de 27/08/2009 (formalizado em 26/04/2010), o qual, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário. Inconformada a Fazenda Nacional interpôs recurso especial em 09/08/2010 (fls. 537/544), alegando divergência jurisprudencial: (i) quanto à glosa de despesas não operacionais da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; (ii) quanto à possibilidade de compensação de bases negativas da incorporada na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devida pela incorporadora. 1 QUANTO À GLOSA DE DESPESAS NÃO OPERACIONAIS DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO Da análise dos autos observase que foram exoneradas em primeira instância as glosas efetuadas pela fiscalização, correspondentes a gratificações ao Conselho de Administração (R$ 169.500,00 no anocalendário 1999) e participação nos lucros dos administradores (R$ 1.813.348,03, R$ 3.549.769.98 e R$ 3.197.175,92, respectivamente nos anoscalendário 1999, 2000 e 2001). Baseouse o Fisco, para o referido lançamento, no disposto no art. 49, da Instrução Normativa SRF n° 93/19971, ao fundamento de que todas as despesas consideradas indedutíveis para fins de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica também o seriam para a determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Ora, foge da razoabilidade crer que com a Instrução Normativa nº 93, de 1997, estabeleceuse a equivalência entre as bases de cálculo da CSLL e do IRPJ, uma vez que, nesse aspecto, nada acrescentou ao que já dispunha a Lei n° 8.981, de 1995, verbis: Art. 28 Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Resta claro que dentre as disposições relativas ao IRPJ que também alcançam a CSLL, por determinação do art. 28 da Lei 9.430/96 (arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71), nenhuma prescreve sobre despesas indedutíveis da base de cálculo do IRPJ, as quais teoricamente teriam sido estendidas à base de cálculo da CSLL. As normas sobre ajustes na base de cálculo são distintas das normas de apuração a que aludem invocada instrução normativa. Não há na legislação dispositivo que determine a adição à base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de despesas efetivas, tidas como indedutíveis na apuração do Lucro Real. As bases de cálculo do IR e da Fl. 630DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 10 CSL não são idênticas, daí os ajustes previstos ao lucro líquido para fins de determinação do lucro real não serem automaticamente aplicáveis à referida contribuição. A base de cálculo da CSL é aquela definida pelo art. 2º da Lei n° 7.689, de 1988, com as alterações introduzidas pela Lei n° 8.034, de 1990 Despesas ou encargos contabilmente apropriados, para efeitos de apuração do resultado comercial da pessoa jurídica, ainda que considerados não dedutíveis para efeitos do IRPJ, nem por isso deixariam de ser considerados na apuração da base de cálculo da CSLL. Para esse tributo, ao lucro líquido ou resultado comercial somente se agregam ou excluem valores constantes do artigo 2º dos diplomas legais mencionados, bem como do artigo 13 da Lei n° 9.249, de 1995. Outras exclusões, ainda que pertinentes ao IRPJ, não o são para efeitos da contribuição em questão, por absoluta falência de amparo legal. Ora, somente a lei pode dispor sobre a base de cálculo de tributos. Os dispositivos legais que embasaram o auto de infração não vedam especificamente a dedutibilidade de gratificações ao Conselho de Administração nem a atribuição de participação nos lucros a administradores. A pretensão de estender à CSLL as disposições acerca de dedutibilidade de despesas para fins do IRPJ não encontra amparo legal, nem mesmo infralegal, e não se pode admitir que a expressão "normas de apuração e pagamento'' possa alcançar também a determinação da base de cálculo, distinção que está expressa no texto do art. 57 da Lei n° 8.981, de 1995. 2 QUANTO À POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE BASES NEGATIVAS DA INCORPORADA NA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO DEVIDA PELA INCORPORADORA. No que diz respeito a glosa da compensação, efetuada pela autuada em 31/12/1999, com observância da trava de 30%, da base de cálculo negativa da empresa incorporada em 1998. Valeuse o Fisco do art. 20 da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, a seguir transcrito. Art.20. Aplicase à base de cálculo negativa da CSLL o disposto nos arts. 32 e 33 do DecretoLei n° 2.341, de 29 de junho de 1987. Por sua vez, eis a redação dos referidos artigos do DecretoLei n° 2.341, de 29/06/1987: Art. 32. A pessoa jurídica não poderá compensar seus próprios prejuízos fiscais, se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido, cumulativamente, modificação de seu controle secretário e do ramo de atividade. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. No caso concreto, a incorporação se deu em outubro/1998 (fl. 263), antes do advento da MP n° 1.8586, de 1999. Na ausência de impedimento legal, as bases negativas de CSLL acumuladas pela incorporada se transferiram à incorporadora, podendo ser utilizadas posteriormente, inclusive no encerramento do anocalendário 1998, observadas as limitações Fl. 631DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI Processo nº 16327.001758/200454 Acórdão n.º 9101001.839 CSRFT1 Fl. 7 11 legais, especialmente a "trava". Não é demais reforçar: tratase de sucessão universal, em que a incorporadora sucede a incorporada em todos os seus direitos e obrigações, a teor do art. 227 da Lei n° 6.404, de 1976 (Lei das S/A). Especificamente, o direito à compensação das bases negativas pertencia à incorporada, integrava o seu patrimônio, ainda que extracontabilmente. Aliás, a boa técnica admite também o registro contábil desse direito. Em assim sendo, a transferência de direitos e obrigações havida por ocasião da extinção da sucedida e sua incorporação pela sucessora deve ser reputada como ato jurídico perfeito, insuscetível de alteração superveniente. Aquilo que, até então, eram bases de cálculo negativas da CSLL da SITA (sucedida) passam a ser bases de cálculo negativas da VEGA (sucessora), visto que a incorporada deixou de existir e esse direito, integrante de seu patrimônio, passou a integrar o patrimônio da incorporadora. Posteriormente a esses eventos, foi publicada a MP n° 1.8586, de1999, com vigência a partir de 01/10/1999. Nessas condições, a vedação estabelecida por essa Medida Provisória, da forma como foi entendida pela fiscalização e no julgamento em primeira instância, corresponde de fato à cassação do direito da sucessora, adquirido anteriormente no momento da incorporação, o que não se há de admitir. Ora, a melhor interpretação que se deve extrair do ato legal sob exame (art. 20 da Medida Provisória n° 1.8586, de 1999) é de que se aplica somente às incorporações havidas posteriormente à vigência da norma legal que impôs a vedação da compensação, pela incorporadora, de bases de cálculo negativas da CSLL da incorporada. Isso porque entendo que, após a incorporação, não mais se há de falar em bases negativas da sucedida, posto que essa pessoa jurídica desapareceu e as bases negativas que antes lhe pertenciam passaram a integrar, de pleno direito e de forma definitiva, o patrimônio da sucessora. Assim, a vedação à compensação almejada pelo legislador deveria produzir seus efeitos no momento da incorporação, evitando que esse direito, especificamente, se transferisse do patrimônio da sucedida para o da sucessora. No caso concreto, não foi o que ocorreu. A transferência desse direito se deu em 1998, antes do advento da MP n° 1.8586/1999, e livre das restrições por ela estabelecidas. Assim, quando a MP veio a ser publicada e produzir efeitos, suas disposições acerca das bases de cálculo negativas da sucedida não se poderiam aplicar a fatos pretéritos, visto que a sucedida já não mais existia e as bases de cálculo negativas já eram próprias da sucessora, definitivamente incorporadas ao seu patrimônio. Inexistiam, no início da vigência da MP, "bases de cálculo negativas de CSLL da sucedida" às quais se pudesse aplicar a vedação legal, pelo que a exigência deve ser exonerada, nessa parte. Nestas condições, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do Procurador. (Assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Ad Hoc Fl. 632DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI 12 Fl. 633DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTONI, Assinado digitalmente em 0 7/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por MARCOS VINICIU S BARROS OTTONI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.017120/99-66
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1990
DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - PDV - DECADÊNCIA AFASTADA.
O inicio da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a titulo de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n°165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento.
Nome do relator: Moises Giacomelle Nunes da Silva
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O inicio da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a titulo de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento. CARLOS ALBER 1 F EITAS B • TO- Presidente MOISES • 1 L I NUNES DA SILVA - Relator EDITADO EM: 14 MG 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de processo que tem por objeto pedido de restituição de valor de Imposto de Renda Retido na Fonte, correspondente ao exercício de 1990, sobre verbas trabalhistas que, em tese, foram pagas em face de implantação de Programa de Demissão Voluntária - PDV. O pedido de restituição foi protocolizado em 05/08/1999 (fl. 02), sendo que a decisão recorrida (fl. 66/70), por maioria de votos, afastou a decadência e determinou o retomo dos autos à origem para exame do mérito. Intimada da decisão, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial de fls. 72 e seguintes, sustentando que a interpretação correta em relação ao inciso I, do artigo 168, do CTN, é no sentido de que o prazo decadencial para requerer a restituição é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. Admitido o recurso às fls. 43/44, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. 2 Processo n° 1 05 8 0.017120/99-66 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.741 Fl. 2 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte-legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Partindo do conceito legal de tributo, de que trata o artigo 3° do CTN, como sendo "toda a prestação de natureza pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada", tem-se que editada norma pela Administração exigindo tributo cabe ao particular, independentemente de sua vontade ou concordância, satisfazer a exigência tributária. Mesmo nas hipóteses em que a norma que exige o tributo esteja em desconfoimidade com o texto constitucional, cabe ao sujeito passivo a obrigação de satisfazer o pagamento, pois os atos editados pelo poder público, até decisão em contrário, gozam de presunção de legalidade. Nesta linha, mesmo diante das hipóteses de exigência indevida de tributo, cabe ao sujeito passivo efetuar o pagamento até que se verifique uma das seguintes hipóteses: a) Decisão do Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; b) Resolução do Senado Federal editada nos termos do artigo 52, X, da CF, suspendendo a execução, no todo ou em parte, da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e; c) A Administração Pública, através de ato competente, reconhece que o tributo cobrado é indevido. No caso do PDV, a SRF editou a Instrução Normativa 165/98, datada de 31 de dezembro de 1998, e publicada no D.O.U. em 06/01/1999, reconhecendo a não incidência de imposto de renda sobre as parcelas pagas por adesão a Programa de Demissão Voluntária. Publicada a instrução normativa, nasceu em favor do contribuinte o direito subjetivo de se dirigir à Administração para requerer a restituição do valor pago indevidamente. Neste sentido destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF — RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE — PRAZO — DECADÊNCIA — INOCORRÊNCIA — PARECER COSIT N° 4/99 — O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, nos termos do (1; 3 caput do artigo 150 do CTN, por delegação da legislação fiscal, promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento (art. 142 do CTN). Assim, o contribuinte, por delegação legal, irá verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular o tributo devido e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Além do lançamento, para consumação daquela hipótese prevista no artigo 150 do CTN, é necessário o recolhimento do débito pelo contribuinte sem prévio exame das • autoridades administrativas. Havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, ato homologató rio este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, VII, do CTN). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 0, do CTN), a chamada homologação tácita. Ademais, o Parecer COSIT n° 4/99 concede o prazo de 5 anos para restituição do tributo pago indevidamente contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n° 165 de 31.12.98. O contribuinte, portanto, segundo o Parecer, poderá requerer a restituição do indébito do imposto de renda incidente sobre verbas percebidas por adesão à PDV até dezembro de 2003, razão pela qual não há que se falar em decurso do prazo no requerimento do Recorrente feito em 2000. A Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu, em questão semelhante, que 'em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributário.' (Acórdão CSRF/01-03.239). Ao efetuar retenções na fonte e incluir as parcelas do PDV na base de cálculo anual do tributo, tanto a fonte pagadora quanto o sujeito passivo agiram sob a presunção de ser legítima a exação. Mais, seguiram orientações expressas da administração tributária, sob pena de serem autuados. Entretanto, reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça e, posteriormente, por ato da administração pública, que as parcelas recebidas como incentivo ao desligamento voluntário estão fora do campo de incidência do imposto de renda, surge para o contribuinte o direito ao não recolhimento do tributo, como também a repetição aos valores recolhidos indevidamente. No meu sentir, desta forma, se homenageiam princípios basilares do direito como o da moralidade, isonomia, boa fé, lealdade, vedação do enriquecimento sem causa e o da segurança jurídica. Do contrário, estar-se-ia disseminando a desconfiança na lei e na Administração Tributária que orientou o contribuinte e a fonte pagadora ao cumprimento de exigência tributária desprovida de fundamento legal para tanto. Por outro lado, o lançamento é ato administrativo vinculado à lei. Nesta, encontram-se todos os elementos que compõem a obrigação tributária. O controle da legalidade, a ser efetuado pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, é imperàtivo de ordem pública. Constatada a ilegalidade da cobrança do tributo, a Administração tem (oh poder/dever de anular o lançamento e restituir o pagamento indevido. 4 Processo n° 10580.017120/99-66 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.741 Fl. 3 Em síntese, no momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998 (DOU de 06/01/1999) tem-se que os pedidos protocolizados até 06/01/2004 são tempestivos. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. Mo'isés - iacome 1 unes a Silva — Relator 5
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Numero do processo: 10166.721539/2009-11
Data da sessão: Fri Dec 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AO INCRA, SESC, SENAI E SEBRAE. LEGALIDADE.
É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural.
O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC).
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR.
A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção.ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES.
A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários.
ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL.
A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Cursos de graduação e pós-graduação são presumidos como relacionados com a atividade da empresa, salvo prova em contrário da fiscalização.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes- Relator.
(assinado digitalmente)
MAURO JOSÉ SILVA - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AO INCRA, SESC, SENAI E SEBRAE. LEGALIDADE. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no Decreto-Lei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC). ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção.ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários. ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Cursos de graduação e pós-graduação são presumidos como relacionados com a atividade da empresa, salvo prova em contrário da fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes- Relator. (assinado digitalmente) MAURO JOSÉ SILVA - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva
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LEGALIDADE. É legítima a cobrança da contribuição para o INCRA das empresas urbanas, sendo inclusive desnecessária a vinculação ao sistema de previdência rural. O adicional destinado ao SEBRAE (Lei nº 8.029/90, na redação dada pela Lei nº 8.154/90) constitui simples majoração das alíquotas previstas no DecretoLei nº 2.318/86 (SENAI, SENAC, SESI e SESC). ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no PAT atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência ao requisito legal não há como reconhecer o direito à isenção.ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. INAPLICABILIDADE PARA VALORES QUE BENEFICIAM OS DEPENDENTES DOS EMPREGADOS E DIRIGENTES. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo, porém o benefício não se estende aos dependentes dos beneficiários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 39 /2 00 9- 11 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 ISENÇÃO PARA PLANO EDUCACIONAL. A lei concede isenção para o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo. Cursos de graduação e pósgraduação são presumidos como relacionados com a atividade da empresa, salvo prova em contrário da fiscalização. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Redator(a) designado. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. (assinado digitalmente) MAURO JOSÉ SILVA Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damiao Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva Fl. 558DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 558 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte, CEB DISTRIBUIÇÃO S/A, contra decisão que julgou válido o lançamento, mantendo o débito contra a empresa. 2. Conforme o Relatório Fiscal, constituem fatos geradores do lançamento as contribuições sociais devidas pelo contribuinte às outras entidades conveniadas (terceiros) INCRA, SENAI, SESC, SEBRAE, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, proveniente do fornecimento das rubricas ticket alimentação, lanche matinal, auxílio escolar, e programa de incentivo educacional, no período de 01/2006 a 12/2006. 3. Cumpre transcrever a ementa do julgamento administrativo de origem nos seguintes termos: “CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO ALIMENTAÇÃO. Integra o saláriodecontribuição o valor concernente à alimentação fornecida se a empresa não fez adesão ao programa de alimentação do trabalhador previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho. (Lei nº 6.321, de 14.04.1976 e art. 195, I, “a”, da CF/88). EDUCAÇÃO. ISENÇÃO. Nos termos do art. 111 c/c art. 176, ambos do CTN, a isenção, como forma de exclusão do crédito tributário, é matéria plenamente vinculada à lei, que especifica as condições e requisitos para a concessão, devendo ser interpretada sempre de forma restritiva. Desse modo, para as despesas de auxílio escolar, concernentes à educação superior, graduação e pós graduação; os valores reembolsados por cursos frequentados pelos dependentes dos empregados, e os relativos ao programa de incentivo educacional, que consiste no ressarcimento, por parte da empresa, dos gastos efetuados pelo empregado com matrículas e mensalidades de cursos de graduação e pósgraduação, não existe direito à isenção por falta de previsão legal. Impugnação improcedente Crédito tributário mantido” 4. O contribuinte, por sua vez, interpôs recurso voluntário, alegando em suma: a) nulidade do auto de infração na medida em que não constam, expressamente, quais as obrigações tributárias que teriam motivado o crédito Fl. 559DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 tributário tal como lançado, os erros constatados nas informações prestadas pelo contribuinte e os dispositivos legais que o fundamentaram; b) ao contribuinte não cabe o pagamento da contribuição devida ao INCRA, por sua atividade está enquadrada na categoria econômica da indústria, na medida em que, nos termos do art. 15 da Lei Complementar nº 11/71, são sujeitos passivos dessa contribuição apenas os produtores rurais; c) as contribuições devidas ao SESC e SENAI não eram da competência da Receita Federal do Brasil até 31 de março de 2006, conforme a Instrução Normativa nº 567, de 31 de agosto de 2005; d) os benefícios ticket alimentação e lanche matinal fornecidos pelo contribuinte a seus empregados estavam enquadrados na exceção do art. 28,§ 9º, “c”, da Lei nº 8.212/91, pois o contribuinte encontravase devidamente inscrito no Programa de Alimentação ao Trabalhador do Ministério do Trabalho e Emprego (PAT); e) ainda que o contribuinte não fosse inscrito no PAT desde o ano de 2004, o lanche matinal fornecido e o ticket alimentação não poderiam integrar o salário de contribuição por possuírem finalidade de manter a integridade da saúde dos trabalhadores, possuindo, assim, caráter indenizatório, posto que, somente as verbas que fazem parte da remuneração dos empregados integram a base de cálculo da contribuição social; f) as rubricas programa de incentivo educacional e auxílio escolar, seja em face da legislação previdenciária ou trabalhista, não podem fazer parte do salário de contribuição. 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 559 5 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE 2. Preliminarmente, alega o contribuinte a existência de nulidade do auto de infração, em razão de não constarem, expressamente, as obrigações tributárias que teriam motivado o crédito tributário tal como lançado, os erros constatados nas informações prestadas pelo contribuinte e os dispositivos legais que o fundamentaram. 3. Contudo, entendo que razão não lhe assiste, pois foram apontados os fundamentos de fato, conforme se depreende do item 1 do Relatório Fiscal, in verbis: “1. Contribuições sociais devidas pelo contribuinte às outras entidades conveniadas (terceiros) INCRA, SENAI, SESC, SEBRAE, incidentes sobre remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados, provenientes do pagamento das rubricas “ticket alimentação”, “lanche matinal”, “auxílio escolar” e ‘programa de incentivo educacional.” 4. Além disso, verificase que os fundamentos de direito estão presentes nos Fundamentos Legais do Débito FLD, f. 10, no item 42 do Relatório Fiscal: “42. O lançamento fiscal está fundamentado na Constituição Federal e legislação constante do anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD, além da já citada textualmente neste relatório” 5. Desse modo, restam evidenciadas, de forma clara, as razões técnicas e jurídicas que determinaram o lançamento fiscal. 6. Por fim, cumpre ressaltar que o lançamento encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e o art. 38, do Decreto 7.574/2011. Desta forma, não há que se falar em anulação do lançamento fiscal. DAS CONTRIBUIÇÕES PARA O INCRA, SENAI, SESC E SEBRAE 7. Com relação ao INCRA, o contribuinte batalha no sentido de demonstrar a ausência de fundamento jurídico para a cobrança da contribuição, alegando que não cabe o seu pagamento, na medida em que, nos termos do art. 15 da Lei Complementar n.º 11/71, são sujeitos passivos dessa contribuição apenas os produtores rurais, sendo que a atividade desempenhada pelo contribuinte restringese a categoria econômica da indústria. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 8. Todavia, verificase que a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente à produção rural, conforme sua lei de instituição, a qual relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas, como se depreende do DecretoLei nº 1.110, de 9 de julho de 1970 e do DecretoLei n.º 1.146, de 31 de dezembro de 1970, que estabelecem a competência e as atividades do INCRA, incluindo a atividade em questão. 9. No que se refere às contribuições para o SESC e SENAI, aduz o contribuinte no sentido de que a competência da Refeita Federal do Brasil de arrecadar e fiscalizar as contribuições devidas ao sistema “S” somente se deu a partir de 1º de abril de 2006, posto que até esta data caberia exclusivamente ao SESC e ao SENAI, nas respectivas áreas de atuação, arrecadar, fiscalizar e cobrar as respectivas contribuições. 10. Porém, não prospera a alegação do contribuinte de que as contribuições devidas ao SESC e ao SENAI não são da competência da RFB, pois a Instrução Normativa RFB n.º 567, de 31 de agosto de 2005, citada pela impugnante, diz respeito somente às empresas industriais, de comunicação, de pesca, de transporte ferroviário e metroviário que tenham firmado contrato ou celebrado convênio com o SESC e o SENAI, até 14 de agosto de 2005, situação em que, como se infere dos autos, não se encontra a autuada. 11. Quanto à alegação de inexigibilidade da cobrança de contribuições para o SEBRAE, não dou razão ao contribuinte. 12. Isso porque, sobre a questão, este Conselho vem pacificando seu entendimento no sentido de que a contribuição ao SEBRAE tratase de um adicional sobre as destinadas ao SESC/SENAI e SEST/SENAT e, ainda, conforme jurisprudência recente do STJ, a contribuição destinada ao SEBRAE constitui contribuição de intervenção no domínio econômico (CF art. 149) sendo, por isso, exigível de todos aqueles que se sujeitam às Contribuições ao SESC, SESI, SENAC e SENAI. 13. Assim, não devem prosperar as alegações do contribuinte, pois há previsão legal da exigência das contribuições para terceiros, como trata: o art. 149 da Constituição Federal; a Lei 8.212/91, em seu art. 33, que dispõe sobre a arrecadação e recolhimento dessas contribuições pela Receita Federal do Brasil; bem como o art. 8º, § 3º, da Lei 8.029, de 12 de abril de 1990. 14. Contudo, entendo que não são devidas as contribuições para terceiros na forma pretendida pelo fisco, pois as rubricas descritas como fato gerador da obrigação principal (ticket alimentação, lanche matinal, auxílio escolar e programa de incentivo educacional) não integram o saláriodecontribuição para os efeitos da legislação previdenciária, como passamos a demonstrar adiante. TICKET ALIMENTAÇÃO E LANCHE MATINAL 15. Como narrado no relatório fiscal, a empresa CEB Distribuição disponibilizou, conforme previsão em Acordo Coletivo de Trabalho, o benefício da alimentação a seus empregados, no ano de 2006, mediante fornecimento de vales refeição/alimentação e de kit lanche matinal. O regulamento interno da empresa previa, ainda, o fornecimento de vales refeição/alimentação também aos diretores da empresa. 16. E a despeito do bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o débito não merece prosperar, conforme passarei a demonstrar a seguir. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 560 7 17. Tenho firmado entendimento no sentido de que o pagamento do auxílio alimentação ‘in natura’ não sofre a incidência da contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. 18. E a despeito do bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o débito não merece prosperar, conforme passarei a demonstrar a seguir. 19. Corroborando o posicionamento ora exposto, temse a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento ‘in natura’ do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 20. Confirase, a propósito, recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Fl. 563DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...) 6. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.) 21. Salientase, ainda, que para firmar esse entendimento fazse mister a referência de acórdão cuja relatoria é do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp Fl. 564DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 561 9 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente. Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) [grifo nosso] 22. Inclusive, a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. 23. Digase, também, pelo que se indica nestes casos, que a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). 24. É oportuno dizer que as empresas, na verdade, estão desempenhando enorme papel social ao fornecerem alimentação a seus trabalhadores, notadamente para aqueles de menor renda. É dizer, cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. 25. Dessa forma, a mesma orientação do ticket alimentação aplicase à rubrica “lanche matinal” pelos mesmos fundamentos acima transcritos, já que a mesma não tem natureza salarial e não se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos. Sendo o caso, portanto, de dar provimento ao recurso nesta parte. 26. Por fim, embora não tenha influência para o meu voto, deixo registrado que o contribuinte alega que estava inscrito no Programa de Alimentação ao Trabalhador do Ministério do Trabalho e Emprego (PAT); em razão de ser integral sucessor da Companhia Energética de BrasíliaCEB, devidamente inscrita no Programa desde 04/03/2004. Não obstante, compulsando os autos, verificase por meio da análise dos comprovantes de inscrição fornecidos pelo Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, ff. 409 a 410, que a data de Fl. 565DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 inscrição da sucedida (06/08/2008) é posterior a da sucessora (03/04/2008) e, por consequência, não há que se falar em adesão ao PAT no período de 2006. AUXÍLIO ESCOLAR E PROGRAMA DE INCENTIVO EDUCACIONAL 27. Como consta do Relatório Fiscal, o fornecimento do auxílio escolar se deu mediante crédito em folha de pagamento, código “V 138”, sendo pagos os valores de R$ 212,04 para reembolso de cursos em que o empregado estava matriculado e de R$ 161,04 por dependente que também fizesse jus ao benefício. 28. E quanto à rubrica programa de incentivo educacional trazida no item 3 do Relatório Fiscal consiste no ressarcimento, por parte da empresa, com gastos efetuados pelo empregado com matrículas e mensalidades de cursos de doutorado, mestrado, graduação, pós graduação, língua estrangeira, técnicos profissionalizantes, atualização regular, supletivo de ensino fundamental e médio. 29. No presente caso, conforme a decisão de primeira instância, não foram considerados como alcançados pela exclusão prevista na alínea “t”, § 9º, art. 28 da Lei 8.212/91 os valores de auxílio escolar, concernentes à educação superior, graduação e pós graduação; os valores reembolsados por cursos frequentados pelos dependentes dos empregados, e os relativos ao programa de incentivo educacional, que consiste no ressarcimento, por parte da empresa, dos gastos efetuados pelo empregado com matrículas e mensalidades de cursos de graduação e pósgraduação. 30. Dessa forma, verificase que deve ser feita análise da incidência de contribuições sociais sobre os valores considerados pelo fisco como salário, uma vez que o agente fiscal atribui equivocadamente natureza salarial ao auxílio escolar e ao programa de incentivo educacional concedido pela empresa. 31. Posto que, no meu entender, os planos educacionais disponibilizados pelas empresas a seus empregados, ou a dependentes, não gera a incidência de contribuição previdenciária, eis que desvinculadas do salário do trabalhador. 32. Sobre essa questão, o o meu ponto de vista encontra respaldo no artigo 458, parágrafo 2º, inciso II, da Consolidação das Leis do Trabalho, que retirou a natureza salarial do benefício de educação, facultando que os cursos sejam fornecidos em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo, inclusive, os valores relativos à matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático. 33. Cumpre ressaltar que a legislação trabalhista também não colocou qualquer trava para o benefício, simplesmente o desvinculou do salário, conforme transcrito abaixo: “Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) Fl. 566DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 562 11 § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...)” 34. A propósito, essa é a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior do Trabalho, que se posicionam no sentido de que o auxílio educação não remunera o trabalho, pois não retribui o trabalho efetivo, assim não pode ser considerado salário in natura, conforme jurisprudência abaixo: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. AUXÍLIOEDUCAÇÃO DE EMPRESA (PLANO DE FORMAÇÃO EDUCACIONAL). VERBAS DE NATUREZA NÃO SALARIAL. 1. Tratam os autos de embargos à execução fiscal opostos por TELECOMUNICAÇÕES DO PARANÁ S/A TELEPAR em face de execução fiscal movida pelo INSS para cobrar valores notificados referentes a auxílioeducação em face da autarquia previdenciária considerar que tal benefício integra o saláriode contribuição. A exordial do presente processado restou fundada no seguinte pedido (fls. 15/16): a) "o acolhimento da preliminar de nulidade do título executivo, ante as razões supra aduzidas, extinguindose a execução sem julgamento de mérito"; b) "caso não seja acolhida a preliminar suscitada, no mérito seja julgado procedentes os presentes embargos, com a declaração de inexigibilidade do título executado, cancelandose o crédito tributário constituído, a respectiva inscrição em dívida ativa e a execução fiscal correspondente, com a condenação do Instituto embargado em custas e honorários advocatícios"; c) "'ad argumentandum tantum', na hipótese de manutenção, total ou parcial, de qualquer das exigências fiscais, seja reconhecido o caráter confiscatório da multa, ou seja considerado o percentual de 40% para as multas impostas, ..". O juízo de primeiro grau julgou procedente o pleito, desconstituindo o título executivo, tornando insubsistente a penhora e declarando extinta a execução fiscal. Inconformado, Fl. 567DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 apelou o INSS e o Tribunal a quo, por unanimidade, negou provimento ao recurso, mantendo incólume a sentença prolatada ao afirmar que os valores pagos a título de auxílioeducação constituem investimento da empresa na qualificação profissional de seus empregados, não integrando o saláriode contribuição, por se tratar de ganho eventual. Na via especial, a autarquia previdenciária alega negativa de vigência aos artigos 28, I, § 9º, "t" da Lei nº 8.212/91 e 457, § 1º, da CLT. Sustenta que os pagamentos efetuados pela recorrida habitualmente a título de "auxílio educação" integram a remuneração, incidindo nas disposições do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, tornandose, portanto, válido o título executivo. 2. Os valores recebidos como formação profissional incentivada não podem ser considerados como salário in natura, porquanto não retribuem o trabalho efetivo, não integrando, portanto, a remuneração do empregado, afinal, investimento na qualificação de empregados não há que ser considerado salário. É um benefício que, por óbvio, tem valor econômico, mas que não é concedido em caráter complementar ao salário contratual pago em dinheiro. Salário é retribuição por serviços previamente prestados e não se imagina a hipótese de alguém devolver salários recebidos. Precedente: (REsp 365398/RS, DJ de 18/03/2002, desta Relatoria). 3. Recurso especial improvido. Decisão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Luiz Fux, Teori Albino Zavascki e Denise Arruda votaram com o Sr. Ministro Relator.” (Superior Tribunal de Justiça; turma.1: acordão; Resp:20050303;695514602309) U 35. Corroborando tal entendimento, têmse os seguintes julgados: “(...) O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho.” (REsp 324.178PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 17/12/2004). Fl. 568DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 563 13 “O entendimento da Primeira Seção já se consolidou no sentido de que os valores despendidos pelo empregador com a educação do empregado não integram saláriode contribuição e, portanto, não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária mesmo antes do advento da Lei n. 9.528/97. Recurso especial improvido.” (REsp 371.088/PR, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 25/08/2006)” 36. Por esse motivo, o correto é que a legislação previdenciária (artigo 28, §9º, ‘t’) não deve considerar para efeitos de incidência de contribuição valores a título de benefício, notadamente quando excluídos do salário do trabalhador pela legislação trabalhista. 37. Salientese que o programa de incentivo educacional possui a mesma natureza jurídica do auxílio escolar, qual seja de promover o desenvolvimento educacional dentro da empresa. 38. Isto posto, as rubricas programa de incentivo educacional e auxílio escolar, seja em face da legislação previdenciária ou trabalhista, não podem fazer parte do saláriode contribuição. 39. Por todo o exposto, não são devidas as contribuições previdenciárias no caso em análise, por não subsistirem os fatos geradores da obrigação, pois foram consideradas inexigíveis as rubricas referentes ao ticket alimentação, ao lanche matinal, ao auxílio escolar e ao programa de incentivo educacional, assim, não há que se falar em contribuição para terceiros. CONCLUSÃO 40. Assim, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, darlhe PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Relator Fl. 569DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Auxílio alimentação. Necessidade de inscrição no PAT. Alinhamento com Parecer PGFN. Princípio da eficiência. Conforme previsto no caput do art. 458 da CLT, a alimentação fornecida ao trabalhador está compreendida no conceito de salário. Apesar do dispositivo legal suscitar poucas dúvidas, temos que acrescentar que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já editou a Súmula 241 sobre o assunto, in verbis: Súmula Nº 241 do TST SALÁRIOUTILIDADE. ALIMENTAÇÃO O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. Estando compreendida no conceito de salário, é verba que está no campo de incidência da contribuição previdenciária. No entanto, quis o legislador, no art. 28, §9º, alínea “c” instituir uma isenção para a alimentação concedida in natura, ou seja, para a alimentação fornecida pela própria empresa. Como requisito para o gozo da isenção, foi estabelecido que a parcela in natura seja “recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. A referida Lei, em seu art. 3º, traz texto similar à Lei 8.212/91, conforme segue: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Vêse, pois, que a exigência de que a alimentação fornecida in natura esteja de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do trabalho tem dupla previsão legal. Tal constatação, por si só, já seria suficiente para afastarmos qualquer possibilidade de afastarmos, na aplicação da lei, a exigência de tal requisito para o reconhecimento da isenção. No entanto, a título argumentativo, compulsamos a legislação do Ministério do Trabalho que trata do assunto para verificarmos quais as exigências do referido programa, de modo a concluirmos se seriam exigências que atendem ao princípio da proporcionalidade. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 564 15 No art 1º da Portaria 03/2002 há a previsão de que o Programa de Alimentação do Trabalhador “tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais.”. Notase, portanto, que a regulamentação do PAT traz em si uma preocupação com o bem estar dos trabalhadores. Nesse sentido, o art 5º da mesma Portaria estabelece critérios para garantir que o trabalhador receba uma alimentação saudável, com respeito aos alimentos regionais e ao significado socioeconômico e cultural dos vários alimentos. Prossegue a norma infralegal com preocupações sobre os macronutrientes que devem estar contidos em cada uma das refeições do dia. Quanto às formalidades necessárias para adesão ao PAT, não vislumbramos serem demasiadamente excessivas de modo a, consideradas as finalidades de interesse público do PAT, ferirem a proporcionalidade. A necessidade de obediência ao PAT, portanto, é uma exigência legal para o benefício da isenção que tem objetivo proteger o trabalhador, evitando que o empregador forneça alimentação inadequada para sua saúde e bem estar, e que foi regulada atendendo ao princípio da proporcionalidade. Desconsiderar a adesão ao PAT, além de afrontar o texto legal, é operar em desfavor do trabalhador na medida em que implicaria afastar norma que tenta preservar sua saúde. A par disso, não ignoramos que o STJ tem jurisprudência que afasta a incidência da contribuição previdenciária sobre a alimentação in natura, estando ou não a empresa vinculada ao PAT. No entanto, ao analisarmos os vários Acórdãos nesse sentido, observamos, mais uma vez, um encadeamento de referências a precedentes que acabam por tomar como leading case o RESP 85.306DF de 1996 com a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR EMPRESA.PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO SALARIAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL. I AFIGURASE ESCORREITO O V. ACÓRDÃO VERGASTADO AO DECIDIR QUE A ALIMENTAÇÃO PAGA, ESTEJA O EMPREGADOR INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO E SALÁRIO UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO CASO, HAVER INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADEMAIS, NÃO E O RECURSO ESPECIAL O MEIO HABIL PARA REEXAMINAR PROVAS. II RECURSO NÃO CONHECIDO. Indo além da ementa, o voto condutor do leading case assumiu as conclusões do Parecer do Ministério Público Federal que fez considerações sobre a alimentação fornecida de maneira não gratuita aos funcionários de uma empresa. Ora, é fora de dúvidas que se o trabalhador paga pela alimentação que recebe, não podemos cogitar que isso seja salário. Não sendo salário, não seria mesmo necessário cogitar da inscrição ou não no PAT, pois não faz parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. Mas veja que o leading case, tantas vezes repetido no STJ, tratava de uma situação específica de alimentação paga pelo Fl. 571DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 trabalhador e não pela empresa em benefício do trabalhador. Apesar disso, a partir de tal Acórdão foram se multiplicando os Acórdãos que tomavam tal decisum como precedente para, em situação diversa, não exigir o registro no PAT em casos de alimentação in natura fornecidas gratuitamente ao trabalhador. Escapando da reiterada confusão, o RESP 476.194 fez uma clara distinção da situação para a qual não se exige o PAT: REsp 476194 / PR TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR NÃO INSCRITO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES DECORRENTE DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. 1. Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos benefícios fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária. 2. Fornecida a alimentação pelo empregador não inscrito no PAT e havendo desconto do salário do empregado que a usufrui, para cobrir custos dos alimentos auferidos, não se caracteriza como salário in natura, e, por isso, como salário de contribuição para a receita da seguridade. Por outro lado, não sendo integral o pagamento da refeição, fica caracterizada como parcela salarial a diferença do que foi pago, integrando este excedente a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. É pacífico na jurisprudência da Corte o entendimento segundo o qual é legítima a incidência, tanto na cobrança de dívida fiscal,quanto na repetição de indébito tributário, da Taxa SELIC. 4. Recurso especial a que se nega provimento. Lamentavelmente, o Acórdão acima não prevaleceu, tendo sido objeto de Embargos de divergência que acabaram por retomar o conteúdo da jurisprudência reiterada que não exige a inscrição no PAT. De nossa parte, com a devida vênia, assinalamos que a repetida jurisprudência do STJ que dispensa a vinculação ao PAT em qualquer caso está amparada em premissa específica que não permitiria sua aplicação genérica como vem sendo feita. Assim, nossa posição é, seguindo a expressa determinação legal, no sentido de exigir a inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. A posição acima registrada diz respeito ao mérito da discussão sem considerar os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002 e o princípio da eficiência. A propósito, não desconhecemos o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. No entanto, aquele parecer não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já Fl. 572DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 565 17 constituídos a ser feita pela autoridade lançadora. Ademais, o parecer não diz respeito ao direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado atual da jurisprudência, não teriam êxito, o que, fora de dúvida, diz respeito ao direito processual tributário. Pelas razões acima aventadas, continuamos com o resultado da interpretação da legislação, no campo do direito material tributário, que conclui pela necessidade da inscrição no PAT para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. Assim, votamos por manter na base de cálculo os valores do auxílio alimentação pago em natura sem ia devida inscrição no PAT. Incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos de bolsa de estudo. Requisitos para a isenção. Iniciamos a análise sobre a incidência da contribuição previdenciária instituída pela Lei 8.212/91 sobre fornecimento de bolsas de estudo tomando o dispositivo constitucional que outorgou competência para a União instituir tal contribuição. Os dispositivos que tratam do assunto estão, primordialmente, no art. 195, no entanto, não podemos desconhecer o conteúdo do §art. 201 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Fl. 573DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Como se vê, a Constituição conferiu competência à União para instituir contribuição para financiar a seguridade social – incluída nesta a previdência social, conforme o caput do art. 194 – que pode incidir, no caso do empregador, sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho; e, no caso, do trabalhador, sobre base de cálculo com relação à qual não houve expressa previsão de limites. Importante atentar para o fato de o §11º do art. 2001 ter autorizado a instituição de incidência da contribuição previdenciária sobre os ganhos habituais a qualquer título. Portanto, para as contribuições previdenciárias, temos que, desde de pelo menos a edição da emenda 20/98, a incidência destas estava autorizada, entre outros, para os seguintes fatos geradores: · No caso dos empregadores, sobre a folha de salários e demais itens remuneratórios(rendimentos) pagos à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício, bem como sobre os ganhos habituais do empregado pagos a qualquer título; · No caso dos trabalhadores, não há expressa delimitação dos fatos geradores. Como é cediço, a constituição apenas autoriza a criação de tributos, deixando para a Lei Ordinária do ente federativo a tarefa de criar a exação autorizada pelo Texto Magno. No caso das contribuições para a seguridade social é a Lei 8.212/91 que cumpre esse papel de forma mais específica, apesar de existirem outras contribuições destinadas a financiar a seguridade social criadas por outras leis(PIS, COFINS e CSLL, por exemplo). A referida lei determinou, em seu art. 11, que os empregadores, a quem denominou de empresas, seriam contribuintes de contribuições sociais “incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço”(parágrafo único, alínea “a”)., sendo segurados aquelas pessoas enumeradas no art. 12. Para os trabalhadores, a lei definiu que a contribuição incidiria o saláriodecontribuição, sendo este definido no art. 28. A definição das hipóteses de incidência da contribuição das empresas é encontrada no art. 22, o qual em seus quatro incisos estabelece a incidência de uma contribuição previdenciária geral sobre a remuneração dos empregados, uma contribuição previdenciária relacionada aos riscos do trabalho, uma contribuição previdenciária sobre contribuintes individuais e uma contribuição previdenciária devida sobre pagamentos a cooperativas de trabalho. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 566 19 Interessanos para o momento a contribuição previdenciária das empresas cuja hipótese está presente no inciso I do art. 22, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) Analisando o referido dispositivo, podemos constatar, portanto, que três são as hipóteses de incidência do inciso I: remunerações, ganhos habituais sobre a forma de utilidades e adiantamentos decorrentes de reajuste salarial. Para tanto, em obediência ao art. 110 do CTN, iremos buscar o alcance das expressões constantes em tais hipóteses de incidência na legislação trabalhista. Assim, remuneração será aquilo que a CLT assim o considera. Sistematizando o conteúdo dos arts. 457 e 458 do código trabalhista, temos que remuneração é gênero do qual o salário lato sensu e as gorjetas são espécies. Ao seu turno, o salário lato sensu compreende o salário stricto sensu, as comissões, as porcentagens, as diárias e ajudas de custo que ultrapassam 50% do salário stricto sensu, as gratificações ajustadas, os abonos e as utilidades não excepcionadas pela lei trabalhista. A essa altura podemos concluir que as utilidades excepcionadas pela CLT não estão abrangidas pelo conceito de remuneração. No entanto, conforme esclarecido anteriormente, a Constituição autorizou a incidência da contribuição previdenciária não só sobre a remuneração como também sobre os ganhos habituais dos empregados a qualquer título, ao passo que a Lei 8.212/91 instituiu a incidência da contribuição das empresas sobre os ganhos habituais dos empregados sob a forma de utilidades. No que tange aos fornecimentos de bolsas de estudo (educação), quis a CLT estabelecer que se trata de utilidade que deve ser excepcionada da noção de salário lato sensu, e, portanto, da noção de remuneração, mas isso não retira sua natureza de utilidade paga aos empregados que, sendo habitual, sofre a incidência da contribuição, conforme autorização constitucional e incidência positivada pela segunda parte do inciso I do art. 22 da Lei 8.212/91. A habitualidade, frisamos, é característica comum nesse tipo de utilidade. Estando no campo de incidência da contribuição, devemos observar quais os requisitos para a isenção e como devemos interpretálos. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 20 Os requisitos da isenção estão insertos no art. 28, §9º, alínea “t”, mas, antes de tomar o conteúdo da norma isencional, cabenos estabelecer nossa metodologia de interpretação. Como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Mas restritivo em que? Se adotarmos a corrente doutrinária de Paulo de Barros Carvalho para compreendermos a isenção, teremos que a isenção é a mutilação de um dos aspectos(o autor fala em critérios) do fato gerador – material, espacial, temporal, subjetivo e quantitativo. No caso da isenção da contribuição previdenciária incidente sobre as bolsas de estudo, temos uma situação de mutilação de um aspecto material (ganhos habituais sob a forma da utilidade bolsa de estudo), se obedecidas determinadas condições. O que devemos esclarecer é em que medida devemos ser restritivos. Restritivos quanto ao aspecto do fato gerador mutilado ou quanto ao requisito eventualmente existente para o gozo da isenção? Considerando que a isenção é categoria técnica de tributação que não pode ser interpretada dissociada dos desígnios constitucionais que permeiam todo o ordenamento jurídico, não seria apropriado que o resultado hermenêutico, a título de obedecer ao comando restritivo, negasse a finalidade da norma isencional que aponta para algum valor constitucionalmente protegido. Isso já nos aponta algum caminho. A finalidade da norma isencional é definida pelo aspecto do fato gerador mutilado e este há de ser restritivo. Mas as eventuais condições da isenção não devem se submeter à uma restrição excessivamente rigorosa advinda da literalidade sob pena de negarmos a finalidade do norma isencional. Logo, se a isenção é para bolsas de estudo do ensino básico e outras relacionadas com capacitação do profissional, não seria adequado ao comando do art. 111 do CTN, por exemplo, estendermos seu alcance para bolsas de estudo para cursos não regulares e não relacionados diretamente com capacitação do empregado. Ou mesmo não seria adequado ao referido comando a extensão do benefício aos dependentes dos empregados. Eis a maneira de aplicarmos a interpretação restritiva para a isenção. Portanto, os valores dispendidos a título de auxílio educação aos dependentes dos empregados devem ser mantidos na base de cálculo. Por outro lado, cursos de graduação e pósgraduação podem ser considerados cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa desfrutando da isenção do art. 28, §9º, alínea “t” da Lei 8.212/91. A descaracterização de tal situação deve ser provada pela fiscalização, justificando quais cursos entende não relacionados, o que não foi o caso dos autos. Assim, essa parte do lançamento deve ser afastada. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a afastar da base de cálculo os valores dispendidos com auxílio escolar aos empregados. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 576DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10166.721539/200911 Acórdão n.º 2301002.485 S2C3T1 Fl. 567 21 Fl. 577DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente e m 28/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10830.008736/97-95
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO. Descabe conhecer do recurso, quando verificado que o acórdão tomado por paradigma não se presta para configurar a divergência.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9900-000.114
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, NÃO CONHECER do recurso extraordinário, por não restar configurada a dwergência jurisprudencial arguida. Vencidos os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Leonardo Andrade Couto, Elias Sampaio Freire, Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Jose Adão Vitorino de Moraes, que conheciam e enfrentavam o mérito.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DE FREITAS BARRETO
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA NÃO CONFIGURADA. NÃO CONHECIMENTO. Descabe conhecer do recurso, quando verificado que o acórdão tomado por paradigma não se presta para configurar a divergência. Recurso não conhecido.
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Numero do processo: 11065.000819/2006-32
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO - CRÉDITO DE TERCEIROS - AÇÃO JUDICIAL - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO
A ausência de comprovação da autorização judicial para que o crédito fosse transferido para terceiros e para que estes pudessem proceder à compensação de débitos tributários, inviabiliza o aproveitamento do crédito. A simples observância da Lei Civil (artigo 229 do Código Civil), não é suficiente para validar a compensação tributária de créditos de terceiros, que obedece legislação específica e, desde o ano de 2002, por força das alterações trazidas ao caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, por intermédio da Lei nº 10.637/02, não permite a compensação de débitos de terceiros, limitando o procedimento apenas aos créditos próprios.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA
Presidente
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO - CRÉDITO DE TERCEIROS - AÇÃO JUDICIAL - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO A ausência de comprovação da autorização judicial para que o crédito fosse transferido para terceiros e para que estes pudessem proceder à compensação de débitos tributários, inviabiliza o aproveitamento do crédito. A simples observância da Lei Civil (artigo 229 do Código Civil), não é suficiente para validar a compensação tributária de créditos de terceiros, que obedece legislação específica e, desde o ano de 2002, por força das alterações trazidas ao caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, por intermédio da Lei nº 10.637/02, não permite a compensação de débitos de terceiros, limitando o procedimento apenas aos créditos próprios. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita.
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A simples observância da Lei Civil (artigo 229 do Código Civil), não é suficiente para validar a compensação tributária de créditos de terceiros, que obedece legislação específica e, desde o ano de 2002, por força das alterações trazidas ao caput do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, por intermédio da Lei nº 10.637/02, não permite a compensação de débitos de terceiros, limitando o procedimento apenas aos “créditos próprios”. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 08 19 /2 00 6- 32 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Gileno Gurjão Barreto e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de compensações realizadas por DCOMP`s pela Recorrente, para aproveitar crédito Prêmio de IPI de terceiros, nos termos de autorizações judiciais. Na intenção de sanear o processo e preparálo para julgamento, em 29/09/2010, esta Colenda Turma de Julgamento proferiu a Resolução nº 330200.073 (fls. 312/317), para o fim de converter o julgamento em diligência e averiguar o direito avocado pelo contribuinte. Conforme registrado da Resolução supra mencionada, a matéria atualmente em análise referese única e exclusivamente às decisões – e procedimentos judiciais que possibilitaram a transferência do crédito prêmio de IPI à Recorrente. Frisese que não está em discussão a validade/existência do crédito prêmio ou a multa inicialmente aplicada, uma vez que esta foi cancelada pela decisão de primeira instância administrativa e não foi objeto de recurso de ofício. Para melhor compreensão dos fatos peço vênia a meus pares para transcrever o relatório da decisão de primeira instância administrativa, vez que reflete a realidade dos fatos: “1. O estabelecimento acima qualificado transmitiu as Declarações de Compensação (DCOMP), no total de R$ 543.480,61, conforme extratos nas fls. 02 a 179, no período compreendido entre 12 de junho de 2003 e 27 de dezembro de 2004, objetivando compensar os débitos objeto daquelas declarações de compensação com crédito decorrente da Ação Judicial nº 89.00136224. 2. Foram juntadas aos autos, pelo contribuinte, em atendimento à intimação da fl. 180, cópia da petição inicial, das decisões proferidas no processo judicial, bem como da certidão do trânsito em julgado do acórdão que reconheceu aos impetrantes o direito ao créditoprêmio do IPI, e seu aproveitamento na forma dos artigos 1º e 2º do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969 (fls. 190 a 222). Nas fls. 186 e 189 constam cópias de escrituras públicas de cessão de direitos creditórios, de D&J Assessoria Empresarial Ltda. (cedente) para Supermercado Muller Ltda. (cessionária). Consta, nessas escrituras, que tais direitos creditórios foram adquiridos, pelo cedente, da Massa Falida de ABC Componentes para Calçados Ltda. fl.186), e da Massa Falida de Indústria de Calçados Cairú Ltda. (fl. 189), que tiveram o direito garantido por decisão judicial, transitada em julgado, na ação ordinária nº 89.00136224. COMPENSAÇÕES Fl. 336DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000819/200632 Acórdão n.º 3302002.172 S3C3T2 Fl. 11 3 3. A Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo, pelo Despacho Decisório DRF/NHO, de 27 de julho de 2006, fl. 231, com suporte no Parecer DRF/NHO/SACAT nº 274/2006, fls. 229/230, com ciência do contribuinte em 22 de agosto de 2006 (aviso de recebimento na fl. 237), não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas, pelos motivos a seguir. 3.1. O créditoprêmio à exportação é de natureza financeira, não se conformando com as normas tributárias, e seu aproveitamento deve observar normas próprias. 3.2. O interessado não figura como autor da ação ordinária nº 89.00136224, apesar de apresentar Escritura Pública de Cessão de Direitos Creditórios. 3.3. A legislação tributária não permite a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos cedidos por terceiros. 4. Inconformado, o interessado apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, fls. 240/252, alegando, resumidamente, o que segue: 4.1. Preliminarmente, diz o interessado que o crédito deferido judicialmente tem natureza de título executivo judicial, transitado em julgado para o fim específico de compensação tributária, e a esse crédito aplicamse os artigos 468, c/c o art. 42, § 3º, ambos do CPC, ou seja, é lei entre as partes e estende seus efeitos à cessionária. 4.2. Após breve relato dos fatos, afirma que não cabe à Fazenda Nacional se opor à cessão de crédito, pois tratase de direito privado da parte, e que a cessão de crédito está prevista e autorizada no Código Civil. 4.3. Diz que não há impedimento legal para a cessão de créditos a terceiros, e que, a partir da assinatura da escritura de cessão de direitos creditórios, o crédito decorrente de decisão judicial passou a ser crédito próprio da cessionária, preenchendo os requisitos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, quais sejam: a recorrente adquiriu, na condição de crédito próprio, decorrente de ação judicial com trânsito em julgado, e utilizouo na compensação de débitos próprios, estando autorizada por esse dispositivo legal a opor seu crédito contra a Fazenda Nacional. 4.4. Transcreve jurisprudência que, diz, corrobora o entendimento de que a cessão de créditos decorrentes de decisão judicial é possível no Direito Tributário. 4.5. Diz ser totalmente descabido o argumento de que o crédito prêmio à exportação seria de natureza financeira. Transcreve os artigos 1º e 2º do DecretoLei nº 491, de 1969. 4.6. Ao final, requer a nulidade do Despacho Decisório atacado, com a conseqüente homologação das compensações pleiteadas. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 MULTA ISOLADA – (Processo nº 11065.002295/200614 – apensado) 5. Em decorrência da não homologação das compensações declaradas pelo contribuinte, a DRF/Novo Hamburgo efetuou o lançamento de ofício da multa isolada, no valor de R$ 407.610,89, tendo como enquadramento legal o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e o art. 18 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Tal lançamento teve como base de cálculo os valores dos tributos objeto das declarações de compensação referidas no item 1. 5.1. O auto de lançamento da multa isolada originou o processo nº 11065.002295/200614, apensado a este processo. O auto de infração, bem como a descrição dos fatos e o Relatório do Trabalho Fiscal constam em suas fls. 01 a 11; a ciência do contribuinte deuse em 22 de agosto de 2006 (aviso de recebimento na fl. 12). 5.2. Consta no Relatório do Trabalho Fiscal que o auto de infração se refere ao lançamento da multa isolada decorrente de compensações indevidas, em razão de que “o artigo 18 da Lei nº 10.833/2003 prevê o lançamento de multa isolada sobre valores apurados decorrentes de compensações indevidas na hipótese de o crédito ser de natureza não tributária” 6. Inconformado, o interessado apresentou, tempestivamente, impugnação ao lançamento, pelo documento das fls. 14 a 32 do processo referido no item anterior, alegando, resumidamente, o que segue: 6.1. Preliminarmente, diz que, por ter a Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, deixado de definir a hipótese de compensação indevida com crédito de natureza não tributária como espécie sujeita à multa isolada, é cabível a aplicação dos arts. 106, II, “a” e 112, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), requerendo a nulidade do auto de infração. 6.2. Prosseguindo, diz que não podem ser exigidas multas por compensação efetuada de forma pretensamente indevida enquanto pendente de decisão definitiva o mérito administrativo sobre a compensação. 6.3. Afirma ser descabida a afirmativa de que o créditoprêmio à exportação, reconhecido judicialmente, seria de natureza financeira. Transcreve os artigos 1º e 2º do Decreto nº 491, de 05 de março de 1969. 6.4. Prossegue defendendo seu direito à utilização do crédito havido por cessão, entendendo que, a partir da assinatura da Escritura de Cessão de Direitos Creditórios, o referido crédito passou a ser crédito próprio. 6.5. Ao final, requer seja julgado improcedente o auto de infração.” Após analisar as razões trazidas pela Recorrente, a Terceira Turma da Delegacia de Julgamento de Porto Alegre – RS – proferiu o acórdão nº 1013.751 (fls. 266/272 – Vol. II) Fl. 338DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000819/200632 Acórdão n.º 3302002.172 S3C3T2 Fl. 12 5 por meio do qual cancelou a multa de ofício e manteve in totum o valor do principal lançado, a saber: “COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIRO. IMPOSSIBILIDADE. As compensações declaradas a partir de 1º de outubro de 2002, de débitos do sujeito passivo, com crédito de terceiro, recebido por cessão, esbarram em inequívoca disposição legal, impeditiva de compensações da espécie. MULTA ISOLADA, POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOPRÊMIO DE IPI CEDIDO POR TERCEIRO. DESCABIMENTO. A compensação indevida de créditoprêmio de IPI, reconhecido em decisão judicial, transitada em julgado, que o considerou de natureza tributária, recebido por cessão, não se enquadrava nas hipóteses punidas com a multa isolada, na época da compensação, sendo descabida sua aplicação no presente caso. Também não se aplica a multa isolada para as Declarações de Compensação indevidas transmitidas antes de 31 de outubro de 2003, data da vigência da MP nº 135, de 2003, que instituiu a referida multa.” Em resumo, os julgadores administrativos entenderam que a cessão de créditos tributários é defesa por força de lei e que afronta a própria razão de ser do créditoprêmio de IPI, que é incentivar os exportadores, já que passa a ser aproveitado por empresa não exportadora. A multa foi cancelada porque a vedação ao aproveitamento não resulta de expressa previsão legal, mas de interpretação do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 (redação do artigo 49 da Lei nº 10.637/02) e porque in casu o crédito não é financeiro, mas tributário, tendo sido este o teor da sentença proferida nos autos do processo judicial (ação nº 89.00136224). Inconformada, a Recorrente opôs Recurso Voluntário (fls. 279/308) por meio do qual reiterou as razões trazidas em sua inconformidade. Conforme antecipado, a Turma de julgamento optou por converter o julgamento em diligência, posto que se constatou que a única matéria ainda em discussão referiase à questão processual que possibilitou a transferência do crédito prêmio de IPI. De acordo com o esclarecido pela Recorrente em seu recurso voluntário, o crédito se originou na ação ordinária nº 89.00136224 em que eram partes a empresa ABC – Componentes para Calçados Ltda (CNPJ: 87.225.371/000150) e Indústria de Calçados Cairú Ltda (CNPJ: 97.275.655/000457). Estas empresas, após transformaremse em MASSA FALIDA, cederam seu crédito para D&J Assessoria Empresarial Ltda (CNPJ: 94.318.714/000196), sendo que esta, por fim, transferiu estes créditos para a ora Recorrente, Supermercado Muller Ltda (CNPJ: 89.918.338/000130). Constam dos autos cópia simples das escrituras públicas de cessão do direito sobre ação ordinária (fls. 182/190), onde a empresa D&J declara que não utilizou o crédito em benefício próprio ou cedeu a outros, o que garantiria a integralidade da transferência do crédito para a Recorrente. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 Ainda, às fls. 221/222 – Vol. II, consta certidão de objeto e pé da ação ordinária nº 89.00136224. Nesta, resta claro que outras empresas cederam seus créditos e que tal procedimento foi aceito pelo magistrado, uma vez que pelos termos da ação judicial não havia a opção de receber os valores pela via do precatório, sendo possível a utilização do crédito apenas por meio da compensação, nos termos do DecretoLei nº 491/69, verbis: “Certidão de objeto e pé – fls. 222 (...) CERTIFICO, ainda, que foi juntada aos autos cópia da sentença exarada nos autos dos Embargos à Execução nº 97.00274926, a qual julgou procedente os embargos para ‘o fim de declarar que a sentença prolatada às fls. 6434/6440 dos autos da ação ordinária nº 89.00136224 não se presta para instrumentar pedido de restituição, via precatório, do direito ali reconhecido aos embargados, havendo que ser utilizada apenas para o fim de compensação tributária, segundo os moldes instituídos pelos arts. 1 e 2 do DecLei 491/69.’ Todavia, verificouse que não constava dos autos as cópias dos documentos do processo judicial em que foi realizada e permitida, pelo Juízo, a cessão do crédito para a empresa D&J e posteriormente para a Recorrente. Também não se localizou a comprovação da quantificação dos valores, que nos termos da certidão de objeto e pé foi realizada no processo judicial: (final das Fls. 221) “... foi procedida à liquidação de sentença e requerida a citação da ré, pelos valores encontrados pela Contadoria, cujo resumo de cálculo indicando os totais por autor encontrase anexo, fazendo parte integrante desta certidão. Certifico, assim, que o cálculo detalhado de cada autora encontrase nos autos, disponível par cópia às interessadas. Citada, a União Federal opôs Embargos à Execução, que restou suspensa nos termos do art. 739, parág.1º, do CPC...” Foi em razão desta incerteza que a Turma entendeu por bem realizar a diligência consubstanciada na Resolução nº 330200.073 (fls. 312/317), por meio da qual solicitouse que a contribuinte fosse intimada a trazer à colação cópia das páginas do processo judicial originário (nº 89.00136224) ou embargos à execução (nº 97.00274926) que comprovassem: a) a cessão dos créditos para a D&J e Supermercado Muller; b) a aceitação do magistrado para este procedimento, ou seja, o aceite judicial para a cessão do crédito e seu aproveitamento por terceiros / a habilitação deste crédito; c) a quantificação do crédito das Massas Falidas ABC – Componentes para Calçados Ltda (CNPJ: 87.225.371/000150) e Indústria de Calçados Cairú Ltda (CNPJ: 97.275.655/000457); d) a suficiência do crédito cedido; e) a informação ao judiciário do quantum cedido para comprovar a inexistência de duplicidade de cessões do mesmo crédito e Fl. 340DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000819/200632 Acórdão n.º 3302002.172 S3C3T2 Fl. 13 7 f) a existência de outros processos administrativos (D’Comps) pleiteando o mesmo crédito ou a declaração de que aproveitou os citados créditos apenas nestes autos. Após a apresentação dos documentos, os julgadores ainda solicitaram que as autoridades administrativas procedessem à quantificação do crédito das Massas Falidas ABC – Componentes para Calçados Ltda (CNPJ: 87.225.371/000150) e Indústria de Calçados Cairú Ltda (CNPJ: 97.275.655/000457) e informassem se estes créditos ainda existiam e se seriam suficientes para quitar as D`Comps apresentadas no presente processo administrativo, em complementação, a autoridade administrativa foi questionada quanto a existência de outras DCOMP`s ou outros processos administrativos pleiteando os mesmos créditos. Ocorre que a Recorrente não apresentou qualquer documento quando foi intimada para tanto e, após ao responder à conclusão da fiscalização quanto à não apresentar documentos (petição de 17/01/2012 fls. 353) limitouse a informar que “o contribuinte que não mais possui a documentação requerida tendo em vista que já a forneceu a Receita Federal estando em poder da mesma.”. A Recorrente disse ainda “que os processos encontramse arquivados e o desarquivamento dos mesmos não se de pronto”, razão pela qual solicitou que fosse exonerada da obrigação de apresentar os documentos ou que lhe fosse concedido 30 dias para que lhe fosse possível obter as informações necessárias. Às fls. 331, manifestouse a autoridade administrativa: “Sr. Chefe de Equipe,Este processo foi enviado pelo CARF a este serviço para que fosse realizada uma diligência.Considerando que o contribuinte não atendeu ao Termo de Intimação Fiscal N° 991/2011 dentro do prazo de trinta dias e somente solicitou uma prorrogação de prazo 39 dias após a ciência do resultado da diligência, proponho a devolução do processo ao CARF para a adoção das medidas cabíveis.” A seguir os autos foram encaminhados a este tribunal administrativo para seqüência do julgamento. É o relatório. Voto RELATORA CONSELHEIRA FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Assim como relatado, tratase de crédito prêmio de IPI cedido a terceiro com suporte em processo judicial (ação ordinária nº 89.00136224). A existência do crédito para os autores da ação judicial (empresa ABC – Componentes para Calçados Ltda CNPJ: 87.225.371/000150 e Indústria de Calçados Cairú Ltda CNPJ: 97.275.655/000457) não se discute. Houve trânsito em julgado de decisão judicial favorável à tese pleiteada. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 A questão que resultou na diligência está nos procedimentos seguintes. Ocorre que estas empresas, após transformaremse em MASSA FALIDA, pelo que consta dos autos, cederam seu crédito para D&J Assessoria Empresarial Ltda (CNPJ: 94.318.714/000196), sendo que esta, por fim, transferiu parte dos créditos para a ora Recorrente, Supermercado Muller Ltda (CNPJ: 89.918.338/000130). Ainda que constem dos autos as escrituras públicas de cessão do direito sobre ação ordinária (cópias simples fls. 182/190), onde a empresa D&J declara que não utilizou o crédito em benefício próprio ou cedeu a outros, na intenção de garantir a integralidade da transferência do crédito para a Recorrente, fato que este fato não é suficiente para o aproveitamento do crédito por meio da compensação. Da mesma forma, a notificação extrajudicial realizada em 14/04/2004, contra a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (fls. 187/188), não basta para a finalidade pretendida. À época da cessão 06/06/2003 (Escritura Pública nº 4.522/128) e 14/04/2004 (Escritura Pública nº 4.824/145); a legislação tributária específica (Lei nº 9.430/96, Artigo 74, caput1) impedia a cessão de créditos tributários a terceiros para que fossem utilizados em procedimentos de compensação, uma vez que apenas permitia a compensação de créditos com débitos próprios. Notese que os Instrumentos Públicos de Cessão do Crédito, seguidos de Notificação Extrajudicial pretenderam validar a transferência de créditos nos termos pertinentes ao Direito Civil, especificamente com supedâneo no artigo 290 do Código Civil, a saber: CC – Lei 10.406/02 “Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da cessão feita.” Todavia, a cessão realizada nos termos da Legislação Civil, com fundamento no Código Civil, não é suficiente para justificar e garantir a transferência e compensação de créditos tributários, em virtude destes seguirem legislação específica. Em razão deste fato é que os julgadores converteram o primeiro julgamento em diligência, para que a Recorrente demonstrasse que o procedimento que adotou, lastreado no direito civil, foi aceito pelo magistrado também para fins tributários. Na hipótese de o magistrado, nos autos do processo judicial, validar o procedimento adotado impondoo para fins tributários, não seria permitido a este tribunal administrativo impedir o aproveitamento do crédito, uma vez que a via judicial prefere à administrativa. Entretanto, não houve qualquer prova neste sentido. Ao contrário das outras empresas que ascenderam ao pólo ativo do processo judicial, conforme se verifica da certidão de objeto e pé de fls. 221/222 – Vol. II, não restou comprovado que a transferência de crédito para a empresa D&J Assessoria Empresarial Ltda foi validada nos autos do processo judicial. Via de conseqüência, não restou demonstrado que a 1 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." Fl. 342DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 11065.000819/200632 Acórdão n.º 3302002.172 S3C3T2 Fl. 14 9 Recorrente poderia utilizar os créditos que lhe foram cedidos para compensar com débitos tributários. Outra questão que levou à diligência foi a quantificação dos créditos. É certo que os instrumento públicos de cessão registram que o crédito “existe” e não foi utilizado com mais nenhum débito (de terceiros ou próprios). Todavia, esta afirmação não é suficiente para validar a liquidez e certeza do crédito tributário, o qual, em princípio, deveria ter sido quantificado nos autos da execução de sentença. Registrase que os instrumentos de cessão de crédito transferiram parte do crédito (dois valores) detido por D&J, sendo que sem a comprovação da integralidade do crédito não há meios de saber se houve a transferência de créditos em duplicidade ou em valor superior ao realmente existente. Logo, o crédito, sem comprovação, é ilíquido e não pode ser simplesmente considerado suficiente por este tribunal administrativo. No que se refere ao pedido de prazo suplementar de 30 dias para apresentação dos documentos solicitados na diligência, fato é que a petição foi protocolada em janeiro de 2012, e este julgamento está sendo realizado apenas em maio/2013, mais de 1 ano depois. Não consta dos autos qualquer petição com os mencionados documentos, ainda que passados mais de 12 meses da solicitação do prazo adicional. Em vista da ausência dos documentos solicitados, que impedem a esta julgadora firma convicção acerca da liquidez e certeza do crédito, bem como da possibilidade de utilização do mesmo para a compensação de débitos tributários de terceiros, voto por não prover o recurso voluntário apresentado. Ante o exposto, conheço do presente recurso para o fim de NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 343DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 02/0 9/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/08/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10945.005094/95-31
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2001
Ementa: SUBFATURAMENTO. Idêntica mercadoria apresentada à
fiscalização à mesma época, mas com discrepância de valor acima
da tolerância legalmente admitida. Demonstrada de forma
inequívoca a prática do subfaturamento na importação
Mantida a exigência de diferença de impostos e bem assim das
multas de ofício e a multa administrativa (inciso III do art. 526 do Regulamento Aduaneiro).
Numero da decisão: CSRF/03-03.184
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: João Holanda Costa
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Sessão de : 08 DE MAIO DE 2001 Acórdão n° : CSRF/03-03.184 SUBFATURAMENTO. Idêntica mercadoria apresentada à fiscalização à mesma época, mas com discrepância de valor acima da tolerência legalmente admitida. Demonstrada de forma inequívoca a prática do subfaturamento na importação Mantida a exigência de diferença de impostos e bem assim das multas de ofício e a multa administrativa (inciso III do art. 526 do Regulamento Aduaneiro). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. • ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 5 SON PEREI 00 GUES PRESIDENT JOÃ LANDA COSTA RE TOR FORMALIZADO EM: 24 OUT 2001 RC Processo n° : 10945.005094195-31 Acórdão no . CSRF/03-03.184 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros :CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, HENRIQUE PRADO MEGDA, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e NILTON LUIZ BARTOLI. 2 s. Processo n° : 10945.005094/95-31 Acórdão n° : . CSRF/03-03.184 Recurso n° : RP/301-0.565 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Com o acórdão 301-28.919, de 9 de dezembro de 1.998, a douta 18 câmara do 3° Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso de FRESAT — Comércio de Importação e Exportação de Manufaturados Ltda. Entendeu a Câmara ter havido presunção de subfaturamento e este fato por si só, não basta para punir, sendo imprescindível que as provas sejam irrefutáveis para tipificar a diferença do preço como subfaturamento. A ação fiscal teve início com a verificação de diferença de preço de mesmo produto importado, entre o que fora submetido a despacho com as Dl 000297, 001516 e 007059, com o valor unitário de US$ 0,30, e o produto submetido a despacho com as Dl 009458 e 000265 que apresentavam o valor unitário de US$ 3.50. Em face da diferença e considerando o disposto no art. 2° do Código de Valoração Aduaneira, a fiscalização optou por adotar o valor de US$ 3.50 como valor base para a exigência dos tributos e aplicou a multa do inciso III do art. 526 do Regulamento Aduaneiro além das multas de ofício de II e IPI e juros de mora. A mercadoria constou nas três primeiras Dis, registradas em 13.01.93, 03.03.93 e 01.09.93, respectivamente, como sendo "partes e peças para aparelhos da posição 8527.39, placa de circuito impresso, montada, utilizada na montagem de receptores de sinais de microondas de alta frequência emitidos por satélite, posta no código TAEVTIPI/SH 8529.90.9900; com a mesma descrição e na mesma classificação taritária, a mercadoria foi igualmente declaradas nas outras Dl registradas em 08.12.93 e 14.01.94, feitas entre os dois grupos de Dl as comparações. A autoridade de primeira instância julgara procedente em parte a ação, para o fim de excluir da exigência as mercadorias desembaraçadas através das Dl 00297 e 001516, de 1993, mantendo-a apenas com relação à mercadoria desembaraçada através da Dl 007059 No recurso especial, a Fazenda Nacional diz entender que o subfaturamento foi comprovado de forma irrefutável.Com efeito, a descrição da mercadoria em todos os despachos foi sempre a mesma e com a mesma classificação fiscal, com divergência, porém, de valor pois as primeiras apresentam o valor unitário de US$ 0.30, as outras trazem-no de US$ 3.50. A afirmativa do 3 Processo n° : 10945.005094/95-31 Acórdão n° : . CSRF/03-03.184 contribuinte de que se trata de placas de circuito impresso diferentes dando como prova a diferença de peso unitário. Quanto a a este aspecto, o julgador singular excluiu da exigência inicial as importações registradas em janeiro/93 e março/93, mas manteve a autuação quanto à Dl de setembro/93 apurado ficara que o peso líquido por peça coincidia com o encontrado nas importações de dez/93 e jan194, pelo que considerou como provado o subfaturamento e manteve a autuação. Pede ao final seja restabelecida a exigência conforme consta da decisão singular. Instado a se manifestar em contra-razões, o contribuinte deixou de fazê-lo. É o relatório. 4 Processo no : 10945.005094/95-31 Acórdão n° : . CSRF/03-03.184 VOTO CONSELHEIRO RELATOR JOÃO HOLANDA COSTA No presente caso, está bem demonstrada a prática do subfaturamento na importação registrada em set/93em que o contribuinte atribuiu a cada unidade de peça o valor de US$ 0.30 ao passo que das outras duas Dl o valor para idêntica mercadoria foi dado como US$ 3.50. Quanto a esta importação, as razões do contribuinte não puderam prevalecer mas ficou demonstrado que, quanto ao peso as mercadorias o tinham idênticos não podendo ser aceito este único argumento dado como prova de dessemelhança entre as respectivas placas de circuito impresso. Transcrevo a fundamentação da decisão proferida pela digna autoridade singular, na decisão de primeira instância, que entendo bem formulada: " A revisão aduaneira das Dl n° 000297, 001516 e 007059, registradas, respectivamente, em 13/01/93, 03/03/93 e 01/09/93 (fls. 01 a 27) está amparada nos artigos 455e 456 do regulamento aduaneiro, aprovado pelo Decreto 90.030/85. A mercadoria desembaraçada nessas Dl é descrita comosendo "partes e peças para aparelhos da posição 8527.39, na quantidade "n" de peças de placa de circuito impresso, montada, utilizada na montagem de receptores de sinais de microondas de alta frequência emitidos por satélite", classificadas no código TABÍTIPI/SH 8529.90.9900. Referidas descrição e classificação tarifária constam também nas Dl 009458 e 000265, registradas, respectivamente, em 8/12/93 e 14/01/94 (fls. 28 a 41), tomadas para base de comoparação, haja vista a discrepância de preço por unidade da mercadoria: nas Dl utilizadas na comparação, o valor unitário é de US$ 0,30 (trinta centavos de dólar americano) e nas Dl utilizadas nacomparação, o valor unitário é de US$ 3.50 (tres dólares e cinquenta centavos de dólar americano), por peça. - Justificou o Impugnante que as peças constantes nos dois últimos despachos são mais completas e têm um componente a mais que as acompanha (peça impugnatória, fls. 70, 50 parágrafo), não esclarecendo, entretanto, qual seria esse componente. Baseia suas alegações na grandeza peso bruto por peça, dados extraídos dos conhecimentos aéreos (fls. 32e 39), que instruem as Dl tomadas para comparação na revisão fiscal, calculando o peso .1C 3 . . Processo n° : 10945.005094/95-31 Acórdão n° : . CSRF/03-03.184 bruto igual a 0,94 g (3.760 Kg: 4.000 unidades e 282,5 Kg: 300 unidades). Nas Dl objeto da revisão, as peças apresentam o peso de 0,1338 Kg e ),1416 por peça, conforme os conhecimentos de fls. 06, 17 e 26, respectivamente. Entendemos que para comparar a grandeza peso, é imprópria a utilização do valor bruto, pois estaria sendo computado o peso da embalagem que pode apresentar variação e portanto deve ser descartado. Nesse caso a Guia de Importação (GI) e o Extrato da GI, por informarem o peso liquido da mercadoria importada são mais adequados. Com base, portanto, nesses documentos e não no conhecimento aéreo, analisando a grandeza peso líquido, prova cabal para distinção das peças, segundo defende o lmpugnante, chegamos aos seguintes resultados: D. I. Registro Folhas Ext Peças Ps.Liqui P VI/Unit Gl/fl. d Lq/peç da peça 00297 13/01/9 01/03 10.000 US$ 01516 3 12/14 04 10.000 1.338 133,8g 0,30 07059 03/03/9 25 15 15.000 kg 87,0 g 0,30 09458 3 28/30 25 4.000 870 166,7 g 0,30 00265 01/09/9 35/37 31 300 Kg 166,7 g 3,50 3 38 2.500 160.0 g 3,50 08/12/9 Kg 3 667 14/01/9 Kg 4 48 Kg De acordo com a grandeza sob análise verificamos na coluna "Peso Líquido por peça"que apresentam dessemelhança com as demais apenas as desembaraçadas através das Dl 00297 e 001516, as quais apresentam o preço unitário de US$ 3,50 enquanto as desembaraçadas através das Dl 007059, 009458 e 000265 apresentam, as duas primeiras, o mesmo peso líquido porpeça e a última valor aproximado das duas anteriores.entretanto, verifica-se que há deiscrepância njo que se refere ao custo unitário das peças: a primeira dessa série, embora de mesmo peso da que lhe sucede e de peso aproximado da última, consta como adquirida a apenas US$ 0,30 enquanto as outras que se lhe assemelham em peso liquido, a US$ 3,50. A lmpugnante defende-se com evasivas, alegando queexiste um componente a mais nas peças adquiridas ao custo de US$ 3,50 mas não esclarece de que componente se trate e nem junta laudo provando o alegado. O ónus da prova pertence ao que alega. Ao autor quanto ao seu direito e ao Requerido quanto aos fatos 6 • Processo n° : 10945.005094/95-31 Acórdão n° : . CSRF/03-03.184 extintivos ou modificativos do direito do Autor, eegese do art. 333 do CPC, in vestis: Art. 333 — O Ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto à existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na bisca da verdade materialo, esta Autoridade Julgadora requereu diligências a serem realizadas no estabelecimento da Impugnante para, através de laudo técnico das peças, robustecer o convencimento, contudo, além de não promover, poriniciativa própria, a referida prova, dificultou a sua produção ao se mudar sem comunicar a esta repartição o novo endereço do estabelecimento, conforme consta no Termo de diligência juntado às fls. 33. O Termo de Constatação juntado às fls. 79, fruto de análise documental, prendeu-se, também, ao peso bruto das importações, o qual concluiu que todas as importações teriam peso aproximado e, segundo esse meio de prova, o Auto deveria ser mantido inegralmente, não atendendo, porém, à linha de julgamento adotado por esta autoridade julgadora. De forma que, segndo as provas dos autos e sua análise, concluímos que deve ser aplicado o 1° método de valoração aduaneira — Valor de Transação — às importações instruídas pela Dl 00297 e 001516 e considerando o 2° método de valoração aduaneira àquela desembaraçada através da Dl 007059. Assim dispõe o artigo 2° do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio, aprovado pelo Decreto 92.930, de 16 de julho dei .986: "a) Se o valor aduaneiro das mercadorias importadas não puder ser determinado segundo as disposições do artigo 1°, será ele o valor da transação de mercadorias idênticas vendidas para exportação, para o mesmo país de exportação e exportadas ao mesmo tempo que as mercadorias objeto de valoração, ou em tempo aproximado" Também essascaracterísticas se fazem presentes na importação instruída pela Dl 007059, registrada em 01/09/93, procedente de Taiwan. As importações tomadas para comparação, Dl 009458 e 00265, registradas em 08/12/93 e 14/01/94, além das semelhanças já verificadas, foram realizadas em tempo aproximado e se originam do mesmo produtor, sendo, portanto, válidos os parâmetros utilizados.' Sobreleva notar, por fim, a omissão do sujeito passivo em se manifestar em contra-razões . • -• .. . Processo n° : 10945.005094195-31 Acórdão n° : . CRU/03-03.184 Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala de Sessões, 8 de maio de 2.001 JOÃO H LAND COSTA Page 1 _0022800.PDF Page 1 _0023000.PDF Page 1 _0023200.PDF Page 1 _0023400.PDF Page 1 _0023600.PDF Page 1 _0023800.PDF Page 1 _0024000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.721073/2009-66
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3302-002.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi - OAB 334956 - SP.
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Insere-se no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS. INSUMO. FRETE. TRANSPORTE ENTRE MINA E COMPLEXO INDUSTRIAL. DESCONTO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Inserese no conceito de insumo a aquisição de matéria prima, materiais e embalagens, e, prestação de serviço quando esses se revela necessário e essencial atividade fabril, por ser específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece, no caso concreto, o frete pago pelo transporte de minérios, insumo básico a fabricação do produto, extraídos de minas de propriedade do mesmo proprietário do complexo industrial, por viabilizar a produção e guardar pertinência ao processo produtivo, insere no conceito de “insumo, e, sendo assim, autoriza a tomada do crédito. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente a advogada Priscila Cursi OAB 334956 SP. Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 10 73 /2 00 9- 66 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 131/170, visando modificar a decisão de piso que manteve a deliberação do Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito do contribuinte em tomar crédito de COFINS do período de 01/10/2006 a 31/12/2006, proveniente de despesas de fretes decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos. Consta do Despacho Decisório de fls. 62/63 que o exame do crédito foi formalizado de ofício para tratamento manual de Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER – registrado sob nº 00431.59980.290607.1.1.113166 e homologando as compensações declaradas nas Dcomp nºs 08670.48992.290607.1.3.113307, 34302.93862.060707.1.3.11 2434, 21424.90097.310707.1.3.110537 e 12884.52858.310707.1.3.118550, do crédito de COFINS no montante de R$ 742.509,43, dos R$ 1.398.483,07, decorrente de operações no mercado interno, referentes ao 4º Trimestre/2006. Sendo que os débitos assim compensados foram cadastrados no SIEF. A divergência se refere apropriação de créditos relativos ás despesas de fretes tomados decorrentes de transferência entre estabelecimentos, de insumos e de produtos em elaboração, bem como, da tomada de crédito proveniente das despesas de fretes de aquisição de insumos, cujo entendimento é de que essas despesas não integram o conceito de insumo utilizado na produção e por não se tratar de custo de fretes na operação de venda, mesmo pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliados no país. Extraíse, também, da “Informação Fiscal”, o raciocínio de que as despesas descritas no tópico acima não geram direito a créditos a serem descontados das contribuições do PIS e da COFINS. Irresignada com o conteúdo do Despacho Decisório, a Manifestante discorre sobre suas operações, alega que atua em toda a cadeia de produção de fertilizantes, sendo responsável não apenas pela fabricação do mesmo, mas também pela extração de minerais e o beneficiamento de uma parte dos insumos utilizados no processo produtivo (fertilizantes). Destaca que possui diversos estabelecimentos no território nacional, dentre as unidades mineradoras encontram aquelas localizadas em Minas Gerais e na Bahia, bem como os complexos industriais, assim como, possui uma unidade portuária no Estado do Ceará. Assevera que as despesas efetuadas com frete contratados quando da aquisição de insumos, bem como para a realização de transferências de matérias primas dos estabelecimentos mineradores para as unidades industriais são essenciais a confecção do produto, por essas razões o indeferimento parcial do pleito desrespeita disposição legal que assegura o direito a tomada do crédito dos insumos utilizados na produção de bens e serviços, violando, via de conseqüência, o princípio da não cumulatividade insculpido no § 12º do art. 195 da Constituição Federal, por essa razão entende que deve ser reformada a decisão. Quanto aos insumos extraídos pela Manifestante em suas unidades mineradoras, bem como, os adquiridos de terceiros, disse que são indispensáveis ao processo Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721073/200966 Acórdão n.º 3302002.973 S3C3T2 Fl. 7 3 produtivo. Concluiu afirmando o direito assegurado pela norma do art. 3º da Lei nº 10.833/03, que elenca os custos e despesas sobre os quais o crédito poderá ser calculado, aplicandose o inciso I, para as empresas comerciais que compram e revendem as mercadorias e o inciso II para as empresas industriais e prestadores de serviços. Os argumentos restaram rechaçados ao fundamento de que os gastos efetuados com fretes na transferência de bens e insumos entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito do PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade, por falta de previsão legal, decisão essa que encontra assim resumida: “Cumpre destacar, novamente, que o crédito das contribuições no sistema da não cumulatividade decorre de determinações legais explícitas. E no caso não há base legal para creditamento sobre aquisições isoladas de serviços de fretes nas operações de transferências entre estabelecimentos diferentes da pessoa jurídica, pois não se confundem com fretes na operação de venda, quando o ônus é suportado pelo vendedor (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003), como já salientado no Relatório Fiscal. Ainda sobre as possibilidades aventadas para justificar o creditamento, temse o fato de que os gastos com fretes sobre a transferência de produtos e insumos entre estabelecimentos de uma mesma pessoa jurídica geraria direito ao crédito, por se tratarem de aquisição de serviços utilizados como insumo. Entretanto, tal argumentação não pode prosperar. Isso porque os serviços adquiridos para utilização como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação da Lei nº 10.864, de 2004, implica necessariamente que tais serviços sejam consumidos ou aplicados no processo produtivo, conforme está estabelecido no art. 8º, § 4º, inciso I, letra ‘a’ da IN SRF nº 404, de 2004, já transcrita. Por certo, os serviços de fretes decorrentes dessas transferências não são serviços aplicados especificamente no processo produtivo. Poderseia aceitar que seriam serviços aplicados em fase anterior, preliminar ao processo produtivo, qual seja a aquisição de bens que, geralmente, vão a estoque antes da produção e, dessa forma, os dispêndios com fretes sobre a transferência de produtos entre os estabelecimentos da pessoa jurídica, não são passíveis de creditamento.” A conclusão do voto se refere ausência de comprovação da vinculação do frete com os insumos transportados: “No caso em análise, pela inexistência de comprovação de despesas com frete na aquisição de bens ou insumos que possam possibilitar o seu creditamento, nos termos analisados neste Voto, não há como atender a solicitação da interessada, devendo ser mantida a glosa procedida pela autoridade fiscal”. Ciente da decisão em 16 de novembro de 2014, interpôs o Voluntário em 28.11.2014. Sobreveio o Voluntário, em razões recursais mantém os mesmos fundamentos e Fl. 180DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 irresignação com as glosas, reprisa os termos da defesa e os pleitos formulados em Manifestação de Inconformidade. É relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de Recurso tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A conteda trazida no bojo desse caderno se resume a tomada de crédito de COFINS sobre frete de insumos decorrentes de transferência entre estabelecimentos do mesmo contribuinte. A glosa encontra justificada por ausência previsão legal e de que só cabe tomada de crédito de frete nas vendas das mercadorias quando o ônus é suportado pelo vendedor. A discussão se restringe a frete. A Interessada argumenta que os insumos dispensam altercação por serem básicos na produção de fertilizante, declina o nome de alguns dos itens. Em relação ao frete sustenta que esses decorrem do transporte contratado com pessoa jurídicas cujo objeto é a transferência da matéria prima extraídas de minas de sua propriedade para os complexos industriais que encontram implantados longe do local de exploração. De outra banda a Informação Fiscal pouco ou quase nada menciona, afirma que investigou o processo industrial da contribuinte, e, por razões tais entendeu glosar parte dos créditos provenientes de alguns insumos adquiridos e produtos em elaboração, bem como, frete relacionado com a transferência da matéria prima explorada pela Contribuinte para o pátio do complexo industrial por ausência de previsão legal. O inconformismo trazido a exame se refere a frete. Lendo a conclusão do voto do Acórdão recorrido, a conclusão encontra fundamentada na inexistência de comprovação: “No caso em análise, pela inexistência de comprovação de despesas com frete na aquisição de bens ou insumos que possam possibilitar o seu creditamento, nos termos analisados neste Voto, não há como atender a solicitação da interessada, devendo ser mantida a glosa procedida pela autoridade fiscal.” Embora a fundamentação do Despacho Decisório é de que restaram comprovado os desembolsos das aquisições de insumos e da prestação de serviços de transportes. Em sede de ressarcimento e ou restituição, não há dúvida de que ônus probante é do Interessado, mas, a fiscalização não glosou por ausência de comprovação. A motivação para glosa não decorre de ausência de documento capaz de não justificar a tomada do crédito, segundo se extraí do relatório fiscal, houve notificação para que a Recorrente prestasse informação e planilhas, bem como, apresentasse os livros fiscais, e especificação dos serviços considerados como Despesas de Frete. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10830.721073/200966 Acórdão n.º 3302002.973 S3C3T2 Fl. 8 5 Portanto, quanto a essa questão não há de se enxergar, pois em momento algum houve registro da ausência de comprovação, sendo assim, tratase de decisão equivocada. Em síntese, o tema se refere a frete de transferência entre e estabelecimentos, é o que se vê do Despacho Decisório. Em sendo assim, o ponto nodal da discussão se refere ao frete pago a terceiros no transporte de insumos básicos, necessários e essenciais atividade produtiva da Recorrente, capaz de obstar a atividade da empresa. A meu sentir, os minerais extraídos pela Interessada em minas longe do complexo industrial é pelo que se deduz dos autos o principal insumo na fabricação de fertilizantes, portanto, necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, fato constatado pela fiscalização. A questão é dirimir se o frete pago a terceiros pessoa jurídica na movimentação dessa matéria prima até o local de produção, fertilizante, integra o conceito de insumo por não se tratar de custo na operação de venda. Cada caso deve ser examinado com observância das particularidades próprias de cada contribuinte. No caso concreto a extração dos minerais dáse em minas de propriedade da empresa que produz o fertilizante, caso não possuísse, a aquisição darseia por meio de compra de fornecedores, cujo frete estaria diretamente interligado ao insumo, o que autoriza a tomada do crédito. De outra banda, a transferência desse material se revela fundamental ao processo de fabricação, o que é cogente reconhecer nesse caso específico tratarse, não de uma simples estocagem para venda, mas, sim, meio necessário e essencial a fabricação do produto final. A meu sentir, impedir a tomada de crédito quando se trata de processo produtivo verticalizado configura, no meu entendimento, uma punição ao contribuinte, por buscar, em decorrência da característica do produto produzido, cercarse de segurança da fonte dos insumos para que o processo produtivo não sofra interrupção. Algumas empresas como a Recorrente necessitam de produzir o próprio insumo, entre tantas, destacase as àquelas voltadas à produção de celulose, que precisam plantar eucalipto e posteriormente transportar até unidade fabril. O serviço de transporte nesse caso, quando tomado de pessoa jurídica interna, configura custo de fabricação do produto final, não há como dissociar esse fato, sem o qual obsta todo o processo produtivo. Assim, penso diversamente do signatário do despacho decisório, bem como, do julgador de piso, pois a meu ver tratase de custo necessário e essencial atividade fabril, e, se revela específico e íntimo ao processo produtivo, sem o qual o processo de fabricação não acontece. No caso concreto, o frete pago em decorrência do transporte dos minerais das minas até o complexo industrial local que é produzido o fertilizante se insere no conceito de “insumos” para efeitos de creditamento, nesse sentido pronunciou o Min. Campbell Marques, de onde se extrai o que há de nuclear da definição de “insumos” para efeito de creditamento: “... o bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizálos pertinência ao processo produtivo; Fl. 182DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 a produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição essencialidade ao processo produtivo; e não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto possibilidade de emprego indireto no processo produtivo.” Explica ainda que, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Com essas considerações, conheço do recurso e dou provimento para autorizar a tomada de crédito decorrente de frete de insumos entre a extração dos minerais até o complexo fabril da Recorrente. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10580.000331/2003-71
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO UTILIZADO EM QUITAÇÃO DE ESTIMATIVA.
Confessado nos autos, pela própria contribuinte, que compensou estimativa mensal com crédito de ação judicial inexistente para tal fim, não se admite o seu valor na composição do Saldo Negativo do tributo ao final do ano-calendário, ainda que venha após, em fase processual, explicar que a natureza do crédito seria outra.
COMPENSAÇÃO POR ENCONTRO DE CONTAS EM DCTF. REGIME DO ART. 66 DA LEI Nº 8.383/1991. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA A GLOSA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
A glosa de compensações efetuada por meio de encontro de contas em DCTF deve ser realizada mediante lançamento de ofício, nos termos do art. 142, e no prazo do art. 150, §4º, ambos do CTN. Se não houve lançamento de ofício a compensação deve ser tida por tacitamente homologada e considerada na composição do saldo negativo.
Numero da decisão: 1801-002.190
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Fernando Daniel de Moura Fonseca (Relator) e Rogério Aparecido Gil deram provimento ao recurso, mas foram vencidos no que respeita à parte do crédito do saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2001, composto pela estimativa de janeiro de 2001. Os Conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque e Fernanda Carvalho Álvares negaram provimento ao recurso. A Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich foi designada para redigir o Voto Vencedor. O Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque apresentará Declaração de Voto, por negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Redatora designada
(assinado digitalmente)
Fernando Daniel de Moura Fonseca Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA
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INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO UTILIZADO EM QUITAÇÃO DE ESTIMATIVA. Confessado nos autos, pela própria contribuinte, que compensou estimativa mensal com crédito de ação judicial inexistente para tal fim, não se admite o seu valor na composição do Saldo Negativo do tributo ao final do ano calendário, ainda que venha após, em fase processual, explicar que a natureza do crédito seria outra. COMPENSAÇÃO POR ENCONTRO DE CONTAS EM DCTF. REGIME DO ART. 66 DA LEI Nº 8.383/1991. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO PARA A GLOSA. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A glosa de compensações efetuada por meio de encontro de contas em DCTF deve ser realizada mediante lançamento de ofício, nos termos do art. 142, e no prazo do art. 150, §4º, ambos do CTN. Se não houve lançamento de ofício a compensação deve ser tida por tacitamente homologada e considerada na composição do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Fernando Daniel de Moura Fonseca (Relator) e Rogério Aparecido Gil deram provimento ao recurso, mas foram vencidos no que respeita à parte do crédito do saldo negativo de IRPJ, anocalendário 2001, composto pela estimativa de janeiro de 2001. Os Conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque e Fernanda Carvalho Álvares negaram provimento ao recurso. A Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich foi designada para redigir o Voto Vencedor. O Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque apresentará Declaração de Voto, por negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 03 31 /2 00 3- 71 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich – Presidente e Redatora designada (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca – Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Fernanda Carvalho Álvares, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Tratase de declaração de compensação, protocolada em papel no dia 15/01/2003, por meio da qual a interessada SANTANA S/A Drogarias Farmácias pretendeu compensar débitos de IRRF no valor de R$ 29.567,87, valendose de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, no valor de R$ 567.354,44. O despacho decisório, proferido em 2008, glosou parte das estimativas mensais de IRPJ utilizadas na composição do referido saldo, o que levou ao reconhecimento de um crédito no montante de R$ 135.230,17, nos seguintes termos: “Pretende o interessado utilizar o valor declarado como pago a título de Estimativa mensal de IRPJ, na forma exposta na Ficha 12A, quantificado em R$ 567.354,44(quinhentos e sessenta e sete mil, trezentos e cinqüenta e quatro reais e quarenta e quatro centavos), para quitar os débitos relacionados à fl.01. Logo é fundamental verificar a real quitação das estimativas acima citadas, de forma a compor o saldo negativo do ano calendário de 2001 e autorizar a sua utilização para fins de restituição/compensação. Analisando a DIPJ/2002, observase que no período de janeiro a maio de 2001, foi apurado imposto de renda a pagar, sendo declarados/confessados em DCTF e extintos por compensação com saldo negativo apurado em períodos anteriores. Excetuase, entretanto, a estimativa de IRPJ, referente ao período de janeiro de 2001, que foi quitada por meio de crédito pleiteado no processo judicial no 1997.330001329908 0 Vara/BA, fls.175/179. Diante de tal fato, foi solicitado ao requerente a Certidão de Objeto e Pé do processo judicial no 1997.3300013299081 Vara/BA, não sendo fornecido tal documento (videfls.85 e 100). Posteriormente, realizamos pesquisas no sítio do 1º TRF, onde consta a informação de que o processo acima citado se encontra em trâmite, fls.187/198. Ressaltese que tal procedimento se encontra vedado segundo o disposto no artigo 170A da Lei no 5.172/66 — CTN, senão vejamos: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação Judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Quanto às estimativas apuradas nos meses de fevereiro a maio/2001, extintas mediante autocompensações com o saldo negativo de IRPJ apurado nos anos Fl. 323DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 323 3 calendário de 1999 e 2000 , fazse necessário verificar a consistência dos referidos valores. 1 IMPOSTO DE RENDA — ANOCALENDÁRIO 1999 Inicialmente, verificamos com base nos dados constantes da DIPJ/2000, recepcionada em 27/07/2000, com o no 1024824DV12, ficha 13 A, linha 18, que o resultado final apurado foi imposto de renda a pagar, no montante de R$ 10.806.879,75(vide fls.152/153). Contrariando, portanto, a informação apresentada pelo contribuinte no demonstrativo de compensação, anexado às fls.132, que apresenta como resultado final um saldo negativo de IRPJ "fictício' no montante de R$ 807.295,59. Registrese que a estimativa de IRPJ apurado em fevereiro/2001 foi indevidamente extinta por meio de autocompensação com saldo negativo de IRPJ, inexistente, apurado em 3111211999. 2 IMPOSTO DE RENDA — ANOCALENDÁRIO 2000 Sequênciando a análise dos fatos, constatase que as estimativas de março a maio/2001, foram extintas mediante autocompensações com crédito oriundo do saldo negativo apurado em 31/12/2000. Dessa forma buscando verificar a consistência do referido crédito, foi efetuada a análise dos dados lançados na ficha 12 A, da DIPJ/2001, recepcionada em 27/06/2001, com o nº 0672461DV18. De pronto, observase por meio dos dados obtidos do sistema DCTF/GER, fls.199/200, que as estimativas apuradas nos meses de Janeiro e fevereiro de 2000, foram extintas mediante pagamento : sendo os valores recolhidos confirmados no sistema Sinal 05, fls.174. Por sua vez, constatase que as estimativas apuradas nos meses de março a novembro/2000 foram quitadas por meio de autocompensações com o saldo negativo apurado nos anoscalendário de 1998 e 1999, conforme demonstrativo de compensação apresentado pelo contribuinte às fls.135/137; sendo os valores confrontados e confirmados com as informações confessadas nas DCTF dos 1º, 2º, 3º e 4º trimestre de 2000, fls.201/209. Por sua vez, constatase que as estimativas apuradas nos meses de março a novembro/2000 foram quitadas por meio de autocompensações com o saldo negativo apurado nos anoscalendário de 1998 e 1999, conforme demonstrativo de compensação apresentado pelo contribuinte às fls.135/137; sendo os valores confrontados e confirmados com as informações confessadas nas DCTF dos 1º, 2º, 3º e 4º trimestre de 2000, fls. 201/209. No tocante a estimativa apurada em março de 2000, verificase que parte da mesma foi quitada com saldo credor remanescente referente ao ano calendário de 1998, no montante de R$ 44.538,25 , devidamente confirmado às f1s . 130/134. Entretanto, o saldo remanescente do citado débito, foi indevidamente extinto mediante autocompensação com crédito fictício apurado no anocalendário de 1999, visto que, o mesmo se mostrou inexistente, conforme informação contida na ficha 13 A, linha 18, da DIPJ/2000, fls.152/153. Por fim, relativamente às estimativas apuradas nos meses de abril a novembro/2000, constatouse que foram indevidamente extintas por autocompensações com saldo negativo de IRPJ, inexistente, referente ao anocalendário de 1999(vide docs. De fls.135/137; 152/153; 202/209). Nesses termos, recompomos a ficha 12A da DIPJ/2001, a partir das informações prestadas pelo contribuinte nos documentos anexados às f1s.126/141; assim como com base nas Fl. 324DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 informações declaradas nas DIPJ e DCTF e, observados, ainda, os valores acima apurados, que foram objeto de confirmação: DIPJ/2001 – ANOCALENDÁRIO 2000 Por todo exposto , segue abaixo, composição detalhada do saldo negativo de IRPJ, efetivamente, apurado em 31/12/2001. DIPJ/2001 – ANOCALENDÁRIO 2000 Dessa forma , o valor de Saldo Negativo de IRPJ , disponível para ser utilizado nas compensações informadas nesse processo , perfaz o montante de R$ 135.230, 17 (cento e trinta e cinco mil, duzentos e trinta reais e dezessete centavos), conforme demonstrado acima , em valor original. Fazse, ainda, necessário verificarse se os valores referentes ao saldo negativo em apreço não foram objeto de outras compensações efetuadas pelo interessado. Da consulta aos sistemas COMPROT e SIEF PERDCOMP, não foram localizados outros processos administrativos ou Declarações de Compensação referentes a pedidos de compensação que tratassem da parcela creditória em análise, salvo os processos de no 10580.000725/200329 e 10580.10580.720044/200623, apensados aos autos. Por último, cumpri informar quanto a não homologação das compensações das estimativas integrantes dos saldos negativos de IRPJ, referentes aos anos calendário de 1999, 2000 e 2001; que tal procedimento não implica na sua cobrança e, sim, na imposição de multa isolada na forma prevista no IV do § 1 2 do art. 44 da Lei 9.430/1996 (atualmente alínea "b" do inciso II do caput, em virtude da nova redação dada a este artigo pelo art. 18 da Medida Provisória n 2 303, de 29 de junho de 2006). A despeito da determinação legal, o SEORT deixou de adotar providências no tocante à aplicação da aludida multa face à decadência prevista no artigo 173 da Lei 5.172166 (CTN). DECISÃO: Pelo exposto, no uso da competência estabelecida pela Portaria DRFSDR nº 26, de 20 de maio de 2007, D.O.U. 25/05/2007, diante do relatório e da fundamentação apresentada, de tudo mais que consta do presente processo, DECIDO: A)DEFERIR EM PARTE a utilização do crédito requerido na forma de saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 2001; Fl. 325DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 324 5 B) RECONHECER EM PARTE o direito creditório em favor da Empresa SANTANA S/A, CNPJ no 15.103.047/000158, no valor original de R$ 135.230,17 (cento e trinta e cinco mil, duzentos e trinta reais e dezessete centavos), correspondente ao saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ/2002, no 0943064DV 36; C)HOMOLOGAR as compensações dos débitos discriminados a seguir, observado o limite do crédito; (...) D) DETERMINAR o prosseguimento na cobrança dos débitos porventura não compensados em razão da insuficiência de créditos, observandose o disposto nos parágrafos 6° a 11 do art. 74 da Lei n ° 9.430, de 1996, incluídos pelo art. 17 da MP n. 135, de 2003, convertida na Lei n ° 10.833, de 2003.” Em síntese, o saldo negativo foi parcialmente indeferido sob os seguintes argumentos: (i) em relação à estimativa de IRPJ de janeiro/2001, o crédito decorreria da ação judicial nº 1997.33.00.0132990, o que seria vedado pelo art. 170A do CTN; (ii) em relação às estimativas de IRPJ de fevereiro a maio/2001, o crédito teria sido compensado com saldo negativo também de IRPJ dos anoscalendário 1999 e 2000, de modo que seria necessária a análise da existência de tais saldos negativos; (iii) em razão da conclusão pela inexistência do saldo negativo de IRPJ nos anoscalendário 1999 e 2000, as estimativas de fevereiro a maio/2001 também foram glosadas, o que resultou na inexistência do crédito. Inconformada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 234/272, sustentando o seguinte: (i) “O não reconhecimento da totalidade do direito creditório pleiteado decorreu de erros materiais incorridos pela Requerente quando do preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF relativa ao 1° Trimestre de 2001, no que tange à forma de extinção das estimativas de IR apuradas em janeiro e fevereiro; e quando do preenchimento da DIPJ/2000 Retificadora recepcionada sob o n.° 1024824DV 12 no que diz respeito ao cálculo do saldo negativo apurado no ano calendário de 1999, que, por sua vez, impactou na apuração do saldo negativo do ano calendário de 2001 que ora se pretende ver reconhecido; (ii) O Saldo Negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2001, originouse das estimativas apuradas nos meses de janeiro a maio, entendeu o i. preposto fazendário ser “fundamental verificar a real quitação das estimativas acima citadas, de forma a compor o saldo negativo do ano calendário de 2001 e autorizar a sua utilização para fins de restituição/compensação; (iii) No que tange à estimativa de janeiro/2001, o i. auditor desconsiderando o demonstrativo de fls. 138, e atendose à equivocada informação consignada na DCTF correlata, concluiu pela sua quitação por meio da utilização de crédito de FINSOCIAL pleiteado no processo judicial n° 1997.33.00 0132990; Fl. 326DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 (iv) Relativamente à estimativa de fevereiro/2001, também se apegando exclusivamente à equivocada informação consignada na DCTF correlata, entendeu por bem a autoridade fiscal desconsiderar referida parcela do credito pugnado, sob a perspectiva de que a antecipação em foco teria sio compensada com o saldo negativo de IR apurado no anocalendário de 1999, que, por sua vez, não foi confirmado a partir dos dados consignados na Declaração Retificadora da DIPJ/2000 (anocalendário de 1999) transmitida em 27/07/2000. (v) Ocorre, entretanto, que as estimativas de IRPJ em comento; tais como aquelas apuradas nas competências de março a maio de 2001, no valor total de R$ 567.354,44, foram, em verdade, compensadas com o saldo negativo de IRPJ , apurado no ano calendário de 2000, conforme se depreende do Razão Analítico ora colacionado aos autos; (vi) Diferentemente do quanto inferido pela autoridade fazendária a partir das informações inadvertidamente consignadas na DCTF do 1° Trimestre de 2001, as estimativas de IR referentes às competências de janeiro e fevereiro, devidamente acrescidas de multa e juros, nos valores totais de R$ 140.060,52 e R$ 113.821,39, respectivamente, também foram objeto, de compensação com o crédito correspondente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário imediatamente anterior;” Em apertada síntese, alega o contribuinte: (i) que teria ocorrido erro no preenchimento das DCTFs, e que todas as estimativas mensais de janeiro a maio/2001 teriam sido compensadas com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000; (ii) alega, ainda, erro de preenchimento das DIPJs e junta documentos para demonstrar a existência dos respectivos saldos negativos utilizados para quitar a estimativa de IRPJ do anocalendário 2001; (iii) pede, ao final, o provimento do recurso com o reconhecimento integral do direito creditório. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade às fls. 279/281 verso, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 ERRO DE FATO. INOCORRÊNCIA. Inexistindo erro de fato no preenchimento da declaração, mantémse o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição/compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Permitese a transcrição do voto condutor: A Manifestação de Inconformidade é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos nos artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972 (Processo Administrativo Fiscal — PAF), por isso, dela tomo conhecimento. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 325 7 Conforme visto a Impugnante declarouse possuidora de um saldo negativo de R$ 567.354,44 enquanto que a autoridade administrativa deferiu tão somente a quantia de R$ 135.230,17, homologando conseqüentemente os débitos requeridos no presente processo como compensação no montante de R$ 29.567,87. Desta maneira, cabenos debruçarmos sobre a diferença que não foi aceita pela autoridade administrativa a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2001, no valor de R$ 432.124,27. Primeiramente há que se deixar evidenciado que a maneira de corrigir uma DCTF é procedendo a retificação da mesma e, assim sendo, reputo como correta a DCTF de onde constam como valores de créditos a compensar aqueles decorrentes de ação judicial que não havia transitado em julgado conforme esclareceu o Despacho Decisório. Certo é que a Impugnante possuía ação judicial e que tal crédito foi informado como utilizado para compensação da estimativa de janeiro de 2001, sendo que ao contrário do que afirmava a Impugnante indébito pleiteado judicialmente não havia transitado em julgado. O fato de no Balanço da Impugnante não constar tal registro, representa apenas um grave problema contábil da mesma, pois, fato é que a autoridade fiscal localizou no sitio do TRF tal ação e, conforme dito, ainda não transitada em julgado. Assim, fica mantida a glosa da estimativa de janeiro de 2001 na composição do saldo negativo do IRPJ daquele ano calendário. Quanto às demais estimativas do anocalendário de 2001, foram elas quitadas ou diretamente com o saldo negativo do anocalendário de 1999 ou com o saldo negativo apurado em 2000 que decorreu de compensações de estimativa deste ano calendário com o saldo negativo do anocalendário de 1999 reputado inexistente pela autoridade administrativa. Com efeito, ao apreciarmos o processo administrativo de número 10580.006770/200125 em sessão de 10 de novembro de 2008, assim conduzimos o voto acatado por unanimidade por esta lª Turma de Julgamento. Acórdão anexo às fls. 274/277. (...) Conforme se pode verificar as razões evocadas pelo contribuinte no presente processo são iguais àquelas já examinadas quando analisamos o saldo negativo da CSLL, erro de fato na DIPJ 2000. Confirmase assim, mais uma vez, o acerto da autoridade administrativa quanto à inexistência de saldo negativo do IRPJ no anocalendário de 1999 o que, conforme concorda a própria Impugnante vem impactar o resultado do ano calendário de 2000 e conseqüentemente de 2001, pois valores de estimativa do ano calendário de 2000 foram compensados com o saldo inexistente de 1999. Por todo exposto VOTO no sentido de JULGAR IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade.” Em síntese, a DRJ: (i) manteve a glosa da estimativa de janeiro/2001, por entender que o crédito decorreria de ação judicial em curso, o que encontraria vedação no art. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 170A do CTN; e (ii) manteve a glosa das estimativas compensadas com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000, ao argumento de inexistência de crédito. Recurso voluntário às fls. 283/298 reiterando as razões expostas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Fernando Daniel de Moura Fonseca, Relator Conheço o recurso voluntário, pois tempestivo. Em síntese, as seguintes estimativas mensais utilizadas para formar o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 foram glosadas pelo despacho decisório: (i) estimativa de janeiro/2001, por violação ao art. 170A do CTN; e (ii) estimativas de fevereiro a abril/2001, compensadas com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000, ao argumento de inexistência do referido crédito. I) Matéria Vencida no Voto: QUANTO À GLOSA DE ESTIMATIVA MENSAL DE JANEIRO/2001. A DCTF de fl. 175 dos autos indica a compensação da estimativa mensal de IRPJ de janeiro/2001 com crédito decorrente da ação judicial nº 97.123990, em trâmite perante a 8ª VF da Bahia. Em razão disso, o despacho decisório glosou tal estimativa ao argumento de violação ao art. 170 A do CTN: “Analisando a DIPJ/2002, observase que no período de janeiro a maio de 2001, foi apurado imposto de renda a pagar, sendo declarados/confessados em DCTF e extintos por compensação com saldo negativo apurado em períodos anteriores. Excetuase, entretanto, a estimativa de IRPJ, referente ao período de janeiro de 2001, que foi quitada por meio de crédito pleiteado no processo judicial no 1997.330001329908 0 Vara/BA, fls.175/179. Diante de tal fato, foi solicitado ao requerente a Certidão de Objeto e Pé do processo judicial no 1997.3300013299081 Vara/BA, não sendo fornecido tal documento (vide fls.85 e 100). Posteriormente, realizamos pesquisas no sítio do 1º TRF, onde consta a informação de que o processo acima citado se encontra em trâmite, fls.187/198. Ressaltese que tal procedimento se encontra vedado segundo o disposto no artigo 170 A da Lei no 5.172/66 — CTN, senão vejamos: "Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação Judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial". O contribuinte, por sua vez, alega que houve erro de preenchimento na DCTF, e que sua contabilidade demonstraria que o crédito decorre de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000. Neste ponto, razão não assiste ao Recorrente. Na vigência do art. 66 da Lei nº 8.383/91 a DCTF era o instrumento próprio para a instrumentalização das compensações, que deve ser admitida de acordo com as informações lá registradas. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 326 9 Ainda que o contribuinte tenha pretendido compensar crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 com a estimativa de IRPJ do anocalendário 2001, não foi esse o ato efetivamente praticado. Tal compensação pode ter sido a intenção do sujeito passivo, mas a sua existência não pode ser alegada quando não registrada nos termos definidos em lei. Entendo, nesse ponto, corretas as conclusões do acórdão da DRJ. Vejase: “Certo é que a Impugnante possuía ação judicial e que tal crédito foi informado como utilizado para compensação da estimativa de janeiro de 2001, sendo que ao contrário do que afirmava a Impugnante indébito pleiteado judicialmente não havia transitado em julgado. O fato de no Balanço da Impugnante não constar tal registro, representa apenas um grave problema contábil da mesma, pois, fato é que a autoridade fiscal localizou no sitio do TRF tal ação e, conforme dito, ainda não transitada em julgado.” Portanto, considero que a compensação utilizou crédito decorrente da ação judicial 97.123990 da 8ª VF da Bahia, tal como registrado na DCTF do período. De todo modo, a glosa realizada pelo despacho decisório não merece prosperar. É que o art. 170A do CTN somente se aplica às ações ajuizadas após a sua vigência, o que ocorreu em 11/01/2001. Nesse sentido, é pacífica a jurisprudência do STJ, inclusive em sede de Recurso Repetitivo: “(...) 5. Por fim, é entendimento pacífico da Primeira Seção desta Corte que o disposto no art. 170A do CTN, a exigir o trânsito em julgado para fins de compensação de crédito tributário, somente se aplica às demandas ajuizadas após a vigência da LC 104/01, ou seja, a partir de 11.01.2001, o que se verifica na espécie. Nesse sentido: AgRg no REsp. 1.240.038/PR, Rel. Min. OG FERNANDES, DJe 02.05.2014 e AgRg no REsp. 1.429.680/SC, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 28.03.2014, dentre outros. 6. Agravo Regimental da Fazenda Nacional provido para restabelecer o acórdão recorrido quanto ao prazo prescricional. Agravo Regimental do contribuinte desprovido.” (AgRg nos EDcl no REsp 1202553/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/08/2014, DJe 03/09/2014) “(...) 3. Consoante entendimento pacificado na jurisprudência, o disposto no art. 170A do CTN, que exige o trânsito em julgado para fins de compensação de crédito tributário, somente se aplica às demandas ajuizadas após a vigência da Lei Complementar n. 104/01, ou seja, a partir de 11/1/2001, o que se verifica na espécie. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.” (AgRg no REsp 1240038/PR, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/04/2014, DJe 02/05/2014) Desse modo, e ao contrário do despacho decisório, considero inaplicável o art. 170 A à ação judicial ajuizada pelo contribuinte em 03/11/1997 (fls. 191), do que resulta a improcedência da glosa realizada pelo despacho decisório. Por outro lado, seria possível a glosa da compensação que utiliza crédito reconhecido em ação judicial não transitada em julgado. Para tanto, bastaria ao Fisco realizar o lançamento de ofício, glosando a compensação, dentro do prazo previsto no art. 150, §4º, do CTN. A jurisprudência do STJ também já se manifestou neste sentido: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES DE TRIBUTOS FEDERAIS DCTF. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CRÉDITO NÃO CONSTITUÍDO DEVIDAMENTE. 1. "Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002" (REsp. n. 1.240.110PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 2.2.2012). 2. Indiferente tenha o contribuinte pleiteado a compensação com indébito proveniente de decisão judicial não transitada em julgado (art. 170A, do CTN), deveria, de todo modo, haver lançamento. Não consta dos autos que tenha sido oportunizada defesa administrativa ao contribuinte. 3. Recurso especial não provido. (REsp 1320915/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/11/2012, DJe 26/11/2012) No caso, é irrelevante saber se havia ou não liminar autorizando a compensação e suspendendo a exigibilidade do crédito, uma vez que o art. 63 da Lei n º 9.430/96 autoriza o lançamento de ofício para prevenir a decadência. Como nos autos não há notícia de que a autoridade fiscal tenha realizado o lançamento de ofício para questionar a compensação por encontro de contas, entendo que a compensação não pode ser glosada para fins de composição do saldo negativo. É o que será analisado no ponto abaixo, em conjunto com as demais estimativas. II) Matéria Vencedora no Voto QUANTO À GLOSA DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE FEVEREIRO A MAIO/2001. A interessada compensou estimativas mensais de IRPJ das competências fevereiro (fl. 176), março (fl. 177) e abril (fl. 178) do anocalendário 2001 com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ dos anoscalendário 1999 e 2000. Tal como no tópico acima, a interessada informa que houve erro de preenchimento da DCTF relativamente à compensação de estimativa do mês de fevereiro, que apesar de indicar crédito de saldo negativo do anocalendário 1999, deveria ter indicado o anocalendário 2000. Novamente, rejeito tal pretensão da Recorrente de alterar, por meio do recurso voluntário, o crédito utilizado na compensação declarada em DCTF. Se a DCTF é o meio próprio para declarar a compensação, a manifestação de vontade do interessado fica vinculada às informações ali prestadas, salvo evidente erro material, o que não se verifica. De todo modo, entendo que a glosa dessas compensações também merece ser revista. É que para analisar o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, o despacho decisório proferido em 2008 pretendeu analisar a existência dos créditos (saldos negativos de IRPJ de 1999 e 2000) utilizados para quitar as estimativas mensais de IRPJ do anocalendário 2001. Tal conduta não me parece possível. Explico. Ao tempo da compensação efetuada pela empresa (ano 2000), havia dois regimes para a compensação em nível federal: (a) O regime de compensação entre créditos e débitos da mesma natureza, realizado por simples encontro de contas, sem a necessidade de prévio requerimento à Receita Federal – regime do art. 66 da Lei n° 8.383/91; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 327 11 (b) O regime de compensação entre créditos e débitos de espécies tributárias diversas, submetido a prévio requerimento à Receita Federal – regime do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Apenas com a MP nº 66/02, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/02, é que a sistemática para compensação no âmbito da Receita Federal foi unificada, passando a exigir um regime único para as compensações tanto de créditos e débitos de mesma espécie, quanto para os de espécies diferentes. Neste novo regime, o contribuinte passou a ser obrigado a entregar uma declaração de compensação, através da qual extinguia o débito compensado, sob condição de ulterior homologação pelo Fisco. Contudo, as compensações glosadas pelo despacho decisório foram declaradas em fevereiro (fl. 176), março (fl. 177) e abril (fl. 178) do anocalendário 2001, isto é, anteriormente à vigência da Lei nº 10.637/2002. Tratase de compensações realizadas por encontro de contas (também conhecida por “autocompensação” ou “compensação no âmbito do lançamento por homologação”), declaradas pelo próprio contribuinte diretamente em DCTF, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie.” Neste regime, a compensação era realizada de modo direto pelo contribuinte, através de simples encontro de contas, devidamente registrado em suas declarações fiscais. Em outras palavras, dispondo o contribuinte de créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, poderia aproveitálos imediatamente, informando em suas declarações que o pagamento de um determinado débito foi realizado por meio da utilização dos créditos que julgava possuir. Não havia, destarte, exigência de requerimento ou autorização fiscal prévia pelo Fisco, para que os créditos pudessem ser aproveitados. Porém, da mesma forma que as compensações no regime do art. 74 da Lei nº 9.430/96, as compensações realizadas por encontro de contas (regime do art. 66 da Lei nº 8.383/91) também têm o condão de extinguir imediatamente o crédito tributário (art. 156, II, do CTN), sob condição resolutória de ulterior homologação pelo Fisco (art. 150, §1º, do CTN). Declaradas tais compensações em DCTF, duas situações poderiam ocorrer: (a) a homologação tácita ou expressa da compensação no prazo de cinco anos contado do art. 150, §4º, do CTN, com a consequente extinção definitiva do débito compensado; (b) o lançamento de ofício (auto de infração), dentro do prazo decadencial do art. 150, §4, do CTN, para exigir o débito fiscal objeto de compensação, na hipótese de discordância do Fisco com a compensação realizada. Em outras palavras, para a glosa de compensações realizadas por encontro de contas em DCTF é indispensável que a autoridade fiscal realize o lançamento de ofício, nos Fl. 332DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 12 termos do art. 142 do CTN, dando ao contribuinte a chance de apresentar impugnação administrativa. Neste sentido, a lição de Maria Tereza Martinez Lopes, exConselheira deste Tribunal: “Na compensação escorada tãosomente no citado art. 66, não havia necessidade de formalização de processo próprio. Por isto a DCTF consistia no único meio pelo qual era dado conhecimento à Receita Federal do encontro de contas efetuado pelo sujeito passivo. Nesta modalidade de compensação, o encontro de contas equivale a um pagamento à vista que, à semelhança do recolhimento antecipado exigido nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, extingue o crédito tributário compensado sob condição resolutório da ulterior homologação por parte do fisco (art. 150, § 4º do CTN). (“Compensação de Tributos Administrados pela Receita Federal do Brasil.”, artigo publicado no livro “Compensação Tributária”, coordenado por Karem Jureidini Dias Marcelo Magalhães Peixoto, MP Editora, p. 94.) Em artigo publicado recentemente na Revista Dialética de Direito Tributário, Donovan Mazza Lessa e Daniel Serra Lima assim se manifestaram sobre a questão: “Como adiantado, as compensações de indébitos federais também podem ser realizadas diretamente pelo contribuinte mediante encontro de contas em DCTF (o que era permitido até 2002) ou GFIP (em vigor até os dias atuais), conforme art. 66 da Lei 8.383/199114. Tratase da chamada compensação no âmbito do lançamento por homologação, segundo a qual o contribuinte, após apurar a existência de um débito fiscal, efetua a quitação deste débito através de uma compensação informada diretamente em sua DCTF. Não há, neste regime, a necessidade de prévio requerimento ou autorização da Fazenda para que a compensação seja realizada. A conclusão disto é que a compensação feita no regime do art. 66 da Lei nº 8.383/91 se assemelha ao pagamento antecipado feito pelo contribuinte no lançamento por homologação. E assim como o pagamento antecipado que fica submetido ao posterior exame e homologação do Fisco, o mesmo ocorre com a compensação efetuada direta na DCTF ou GFIP. Logo, se o Fisco, por qualquer razão, entende ser irregular a compensação efetuada nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91, cabe a ele o dever de apurar de ofício o tributo que entender devido, para que possa exigilo.” (“A Correta Interpretação da Súmula 436 do STJ e os Regimes de Lançamento previstos no CTN” in Revista Dialética de Direito Tributário nº 209. São Paulo: Dialética, fevereiro/2013, p. 38) No caso vertente, a Recorrente realizou compensações de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2000 com débitos de estimativa mensal de IRPJ do anocalendário 2001, e informou tais valores diretamente em DCTF. Caberia ao Fisco, portanto, verificar a validade e o cumprimento das informações prestadas, e, caso entendesse que existiam débitos em aberto (seja porque o débito apurado é superior ao valor declarado, seja porque o pagamento informado não se realizou), efetuar o lançamento de ofício, para exigência do débito e a constituição da multa, como determinava a IN/SRF nº 126 de 1998: Art. 7º. Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. (...) § 4º Os débitos apurados nos procedimentos de auditoria interna serão exigidos de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e de multa, moratória ou de ofício, Fl. 333DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 328 13 conforme o caso, efetuado com observância do disposto nas Instruções Normativas SRF nº 094, de 24 de dezembro de 1997, e n º 077, de 24 de julho de 1998. Tanto é assim que este Tribunal vem julgando lançamentos de ofício que glosaram compensações por encontro de contas realizado em DCTF: “AUDITORIA INTERNA NA DCTF. IRPJ. COMPENSAÇÃO. CONFIRMAÇÃO DO PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. Existindo nos autos a prova do crédito a título de saldo negativo de imposto de renda de períodos anteriores, tendente a legitimar a pretendida compensação, insubsiste a exigência.” (1ª Seção, 4ª Câm., 2ª TO, AC 1402 001.386, Rel. FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, julgado em 11.06.2013) O entendimento do STJ é pacífico acerca da necessidade de lançamento de ofício para glosar compensações realizadas por encontro de contas em DCTF, sob pena de homologação tácita. Vale conferir: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DCTF. REJEIÇÃO PELO FISCO. NECESSIDADE DE NOVO LANÇAMENTO. DCTF APRESENTADA ANTES DE 31.10.2003. DECADÊNCIA CONFIGURADA NA ESPÉCIE. 1. O acórdão recorrido analisou todas as questões necessárias ao desate da controvérsia, só que de forma contrária aos interesses da parte. Logo, não padece de vícios de omissão, contradição ou obscuridade, a justificar sua anulação por esta Corte. Tese de violação do art. 535 do CPC repelida. 2. A Segunda Turma desta Corte já se pronunciou no sentido de que antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença dos débitos apurados em DCTF decorrentes de compensação indevida; de 31.10.2003 em diante (eficácia da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento de débitos apurados em DCTF decorrentes de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430/96). Precedente: REsp 1.240.110/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 26.6.2012. 3. Na hipótese, tratandose de compensações informadas em DCTFs apresentadas entre os anos de 2000 a 2002, havia necessidade de lançamento de ofício, o que não ocorreu na espécie. Evidente, pois, a decadência do crédito tributário. 4. Recurso especial parcialmente provido. (REsp 1228429/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/08/2012, DJe 21/08/2012) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. IPI. VIOLAÇÃO AO ARTIGO 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. ENTREGA DE DCTFS. INFORMAÇÃO DE COMPENSAÇÃO POSTERIORMENTE CONSTATADA ILEGÍTIMA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NECESSIDADE. ARTIGO 149, INCISO V, DO CTN. 1. Esta Corte já decidiu que, sendo rejeitada pelo Fisco a quitação do tributo por meio de compensação informada em DCTF, é necessária a realização de novo lançamento, para que o contribuinte exerça seu direito de defesa, vedada a automática inscrição em dívida ativa do débito informado. Precedentes (...). Fl. 334DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 14 2. Agravo regimental desprovido.” (AgRg no REsp 1233831/RS, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, julgado em 01.12.2011) "TRIBUTÁRIO. DCTF INFORMANDO PEDIDO DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR COMPENSAÇÃO. REJEIÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NECESSIDADE. 1. O STJ pacificou o entendimento de que é vedada a imediata inscrição em dívida ativa dos valores confessados em DCTF, quando o referido documento informar a quitação do crédito tributário por compensação. Se esta for rejeitada, impõese o lançamento de ofício, com abertura de prazo para impugnação. 2. Agravo Regimental não provido". (AgRg no Ag 1.285.897/PR, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, julgado em 19.10.2010) TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO INFORMADA EM DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. IMPRESCINDIBILIDADE DE LANÇAMENTO DOS DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DECLARADA EM DCTF ENTREGUE ANTES DE 31.10.2003. 1. Antes de 31.10.2003 havia a necessidade de lançamento de ofício para se cobrar a diferença do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida. Interpretação do art. 5º do DecretoLei nº 2.124/84, art. 2º, da Instrução Normativa SRF n. 45, de 1998, art. 7º, da Instrução Normativa SRF n. 126, de 1998, art. 90, da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, art. 3º da Medida Provisória n. 75, de 2002, e art. 8º, da Instrução Normativa SRF n. 255, de 2002. 2. De 31.10.2003 em diante (eficácia do art. 18, da MP n. 135/2003, convertida na Lei n. 10.833/2003) o lançamento de ofício deixou de ser necessário para a hipótese, no entanto, o encaminhamento do "débito apurado" em DCTF decorrente de compensação indevida para inscrição em dívida ativa passou a ser precedido de notificação ao sujeito passivo para pagar ou apresentar manifestação de inconformidade, recurso este que suspende a exigibilidade do crédito tributário na forma do art. 151, III, do CTN (art. 74, §11, da Lei n. 9.430/96). 3. Desse modo, no que diz respeito à DCTF apresentada antes de 31.10.2003, onde houve compensação indevida, compreendo que havia a necessidade de lançamento de ofício para ser cobrada a diferença do "débito apurado", a teor da jurisprudência deste STJ, o que não ocorreu. Precedentes: REsp. n. 1.240.110PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 2.2.2012; REsp. n. 1.205.004SC, Segunda Turma, Rel. Min. César Asfor Rocha, julgado em 22.03.2011; REsp. n.º 1.212.863 PR, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.05.2012. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1332376/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2012, DJe 12/12/2012) E, para realizar este lançamento o Fisco deve observar a regra contida no art. 150, §4º do CTN, que prevê que o prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos a contar do fato gerador. Ou seja, passados esses cinco sem que a Fazenda tenha se pronunciado a respeito do pagamento efetuado voluntariamente pelo contribuinte, ela não poderá mais efetuar o lançamento de ofício de eventuais diferenças, pois o crédito tributário estará definitivamente extinto. É a chamada homologação tácita. Entretanto, as compensações em DCTF de fevereiro a maio/2001 não foram desconstituídas mediante lançamento de ofício, de modo que já se encontravam tacitamente homologadas ao tempo em que foram analisadas pelo despacho decisório (2008). O mesmo ocorreu com a compensação de janeiro/2001, que deveria ter sido objeto de lançamento de ofício. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 329 15 Concluo, portanto, pela ilegitimidade da glosa das estimativas mensais compensadas no anocalendário 2001, e, via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a existência do saldo negativo registrado em DIPJ no valor de R$ 567.354,44. Referido valor deve ser restituído ao interessado até o limite do montante efetivamente pleiteado e descontandose os valores cuja compensação já foi validada pela jurisdição de origem. (assinado digitalmente) Fernando Daniel de Moura Fonseca Voto Vencedor Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Redatora designada Apesar de respeitar a tese adotada pelo Conselheiro Relator sobre a inteligência, vigência e aplicação do artigo 170A do Código Tributário Nacional, a maioria deste Colegiado não admite o reconhecimento do crédito tributário pleiteado, e a consequente compensação declarada, no que concerne ao valor relativo à estimativa de janeiro de 2001 compor o Saldo Negativo de IRPJ do mesmo anocalendário. A questão é simples, porque foge ao escopo da aplicação ou não do referido preceito legal, mas subsumese ao fato inarredável e esclarecido pela própria recorrente, às fls. 239 e 240, em sede de manifestação de inconformidade, que incidiu em erro ao preencher a DCTF pertinente e que tal crédito supostamente oriundo de ação judicial (transitada ou não em julgado, pouco importa) não foi efetivamente utilizado para a quitação, por compensação, da estimativa de janeiro de 2001. Sendo assim, tal crédito informado em DCTF nunca existiu para os fins de quitação de estimativa e consequente composição do Saldo Negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2001, não podendo ser reconhecido de forma absoluta, sob qualquer pretexto ou consertada a DCTF, de ofício. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Declaração de Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque. Peço vênia ao muito digno Relator e aos demais membros dessa egrégia Turma de Julgamento para discordar de seu entendimento. Conforme já foi muito bem relatado, o contribuinte apresentou declaração de compensação em que extinguiu débitos de IRRF utilizando alegado crédito de saldo negativo de IRPJ do ano 2001. A unidade de origem homologou em parte tal compensação, deixando de reconhecer a parte do saldo negativo originada nas antecipações (estimativas) de janeiro a maio daquele ano. Este é o Fl. 336DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES 16 objeto da presente lide, que pode ser dividido em duas partes: (i) o valor relativo à estimativa de janeiro e (ii) o valor relativo às estimativas de fevereiro a maio. Quanto à glosa da antecipação de janeiro/2001. O valor relativo à antecipação de janeiro foi glosado em razão de ter sido quitada por meio de compensação cujo crédito teria origem em ação judicial ainda em fase recursal, o que é defeso pelo artigo 170A do Código Tributário Nacional. O Relator observou muito bem que o referido dispositivo legal foi introduzido no ordenamento jurídico em 11/01/2001, o que o levou à conclusão de que não se aplicaria à presente compensação, em razão de a referida ação judicial ter sido iniciada em data anterior. Devo discordar de tal entendimento, em razão do fato de a compensação em tela ter sido apresentada em 15/01/2003, quando o referido artigo 170A já estava em pleno vigor. Todavia, essa questão foi superada por uma questão processual, oriunda no fato de o contribuinte, em sede de manifestação de inconformidade, ter negado a afirmação inicial, prestada no momento em que apresentou o pedido de compensação, de que a compensação teria sido efetuada com o crédito da supracitada ação judicial. Acompanho o entendimento da maioria desta egrégia Turma de Julgamento no sentido de que não é possível reconhecer um direito negado pelo próprio autor da ação. Quanto à glosa das antecipações de fevereiro a maio/2001. As antecipações de fevereiro a maio de 2001 foram glosadas em razão de terem sido quitadas por compensação cujo crédito não foi reconhecido pela unidade de origem. Acompanhando o voto inaugural, esta egrégia Turma de Julgamento entendeu que, “para a glosa de compensações realizadas por encontro de contas em DCTF é indispensável que a autoridade fiscal realize o lançamento de ofício, nos termos do art. 142 do CTN, dando ao contribuinte a chance de apresentar impugnação administrativa.” Peço permissão para discordar desse entendimento. Nos termos do artigo 1421 do CTN, o lançamento tem por finalidade constituir o crédito tributário. Na presente situação, o crédito tributário foi constituído pelo próprio contribuinte, na confissão realizada em sede de DCTF, o que torna desnecessário o lançamento. Por outro lado, a desconstituição de compensação realizada pelo contribuinte em declaração de compensação é medida formalizada por meio de despacho decisório, conforme o regulamento contido no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Data venia, não há fundamento legal para exigir regime diferente para as compensações declaradas em DCTF. Muito pelo contrário, a regulamentação das auditorias internas de DCTF determinavam o envio imediato da compensação glosada para a cobrança executiva, nos termos do artigo 7º da Instrução Normativa SRF nº 126, de 1998: Art. 7º. Todos os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. (Redação dada pela IN SRF n º 16/00, de 14 de fevereiro de 2000 ) § 1º Omissis § 2 º Na hipótese de indeferimento de pedido de compensação, efetuado segundo o disposto nos arts. 12 e 15 da Instrução Normativa SRF nºs 21, de 10 de março de 1997, alterada pela 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.000331/200371 Acórdão n.º 1801002.190 S1TE01 Fl. 330 17 Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997, os débitos decorrentes da compensação indevida na DCTF serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União, trinta dias após a ciência da decisão definitiva na esfera administrativa que manteve o indeferimento. (Redação dada pela IN SRF n º 16/00, de 14 de fevereiro de 2000 ) Ressalto o fato de que o legislador atribuiu à Administração Fazendária a competência de determinar o rito a ser seguido no procedimento de compensação, conforme o parágrafo 4º do artigo 66 da Lei nº 8.383, de 1991. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) ... § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) Por tais razões, entendo ser incabível o lançamento tributário com o fim de desconstituir a autocompensação em tela e considero o despacho decisório guerreado como meio hábil para possibilitar o devido processo legal. Com isso, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 338DF CARF MF Impresso em 18/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente e m 26/02/2015 por FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por NEUDSON C AVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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