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Numero do processo: 10805.001129/2007-16
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/2001
PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO
Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
PERÍCIA - NECESSIDADE - COMPROVAÇÃO - REQUISITOS - CERCEAMENTO DE DEFESA - NÃO OCORRÊNCIA
Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.292
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/1996 a 30/04/2001 PREVIDENCIÁRIO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DESCUMPRIMENTO Constitui descumprimento de obrigação tributária acessória prevista na legislação, a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. PERÍCIA - NECESSIDADE - COMPROVAÇÃO - REQUISITOS - CERCEAMENTO DE DEFESA - NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova Recurso Voluntário Negado
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PERÍCIA NECESSIDADE COMPROVAÇÃO REQUISITOS CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO OCORRÊNCIA Deverá restar demonstrada nos autos, a necessidade de perícia para o deslinde da questão, nos moldes estabelecidos pela legislação de regência. Não se verifica cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia, cuja necessidade não se comprova Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 11 29 /2 00 7- 16 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10805.001129/200716 Acórdão n.º 2402003.292 S2C4T2 Fl. 132 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista nos §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212 de 1991 c/c os artigos 232 e 233, § único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 06), a empresa deixou de apresentar ou apresentou de forma deficiente os seguintes documentos: a) documentos não apresentados: livros diário ou livro caixa registro de inventario folhas de pagamento referente ao período de 05/1996, 03/1997, 12/1998, 01/1999 e de 06 a 13/1999 GFIP, GRFP e GRFC RAIS 1996, 1999, 2000 e 2001 resumos mensais das folhas de pagamento de 01/96 a 04/96, 06/96 a 02/97, 04/97 a 11/98, 13/98, 02/99 a 05/99, 08 a 10/2000 e 04/2001. b) apresentou de forma deficiente (faltando discriminativo analítico de parte dos empregados) as folhas de pagamento de 01/96 a 04/96, 06/96 a 02/97, 04/97 a 11/98, 13/98, 02/99 a 05/99, 08 a 10/2000 e 04/2001. A autuada tomou ciência do lançamento em 31/03/2006 e apresentou defesa (fls. 38/45), onde alega que é optante pelo SIMPLES e, sem prévia notificação e sem o devido processo legal, foi excluída por ato declaratório que a Impetrante desconhece e só teve conhecimento deste indigitado ato, através da própria Fiscalização. Afirma que como empresa optante do SIMPLES, a Impugnante estava desobrigada da escrituração do livro diário, livro registro de inventário. Quanto aos demais documentos solicitados argumenta que não deixou de apresentálos apenas solicitou prazo maior para tanto o que não foi considerado. Argumenta sobre seu direito de permanecer no SIMPLES e da ilegalidade e inconstitucionalidade do ato declaratório executivo de exclusão. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Considera arbitrária a cobrança de tributos desde sua opção pelo SIMPLES baseado no suposto ato declaratório executivo. Solicita realização de diligências e perícias. Os autos foram encaminhados à auditoria fiscal, em diligência, para que se manifestasse quanto à informação dada pelo contribuinte, mencionando o n° do processo de exclusão da empresa do SIMPLES, a data da decisão, seus efeitos e, se possível, juntada de cópia desta. Em resposta (fl.66/67), a auditoria fiscal informa que a própria empresa apresentou o "Termo de Opção do SIMPLES" e o seu indeferimento. A empresa apresentou pedido de reconsideração através do processo PT 10805.001243/200312 de 03/06/2003, o qual foi indeferido por meio do comunicado da SRF SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SECAT 172/2005. Assim, a auditoria fiscal alega que a empresa jamais foi optante pelo SIMPLES. Intimada da resposta da auditoria fiscal, a autuada manifestouse (fls. 66/67) reforçando suas alegações e insistindo no acolhimento de seu pedido de perícia sob pena de cerceamento de defesa. Pelo Acórdão nº 0522.035 (fls. 101/103) a 8ª Turma da DRJ/Campinas julgou a autuação procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 110/117), onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10805.001129/200716 Acórdão n.º 2402003.292 S2C4T2 Fl. 133 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente foi autuada por não apresentar a totalidade da documentação solicitada pela auditoria fiscal, bem como por ter apresentado parte de documentação de forma deficiente, conforme se verifica da descrição feita no Relatório Fiscal da Infração juntado à folha 6. Parte da argumentação apresentada referese ao inconformismo da recorrente por uma suposta exclusão do SIMPLES, a ilegalidade e inconstitucionalidade de ato de exclusão e as razões pelas quais a recorrente entende que deve ser admitida no referido sistema simplificado de tributação. Vale dizer que tal argumentação não se presta a desconstituir o presente lançamento. O lançamento de contribuições previdenciárias não é objeto do processo em questão e a recorrente foi autuada pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcritos, na redação atual, dada pela Lei nº 11.941/2009: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(.....). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Asseverese que ainda que a empresa fosse optante pelo SIMPLES estaria obrigada à apresentação de documentos e sujeita à autuação em caso de descumprimento da solicitação, uma vez que a opção pelo SIMPLES não desobriga as empresas ao cumprimento das obrigações acessórias. A recorrente alega que não teria deixado de apresentar a documentação solicitada, apenas solicitou maior prazo para tanto, o que não lhe teria sido concedido. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Verificase que a recorrente deixou de apresentar vários documentos, entre eles livros contábeis. Também apresentou folhas de pagamento de forma deficiente. Tal situação dificultou o trabalho da auditoria fiscal que necessita dos documentos para a apuração da regularidade ou não da empresa sob ação fiscal. A recorrente alega que não houve empenho, por parte do órgão, na busca da verdade, ocorre que, mesmo alegando que os documentos não teriam sido apresentados pela negativa da dilação do prazo para apresentação, em nenhum momento, a recorrente trouxe aos autos a documentação faltante, a fim de demonstrar a veracidade de sua alegação. Cumpre afastar a alegação de cerceamento de defesa pelo indeferimento da perícia solicitada. A necessidade de perícia para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos. No que tange à perícia, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Da leitura do dispositivo, verificase que além de ser obrigada a cumprir requisitos para ter o pedido de perícia deferido, tal deferimento só ocorrerá diante do entendimento da autoridade administrativa no que concerne à necessidade da mesma. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia, esta tem que se considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10805.001129/200716 Acórdão n.º 2402003.292 S2C4T2 Fl. 134 7 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 270DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000098/2006-60
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos no plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá-los como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo das contribuições. FRETES E COMBUSTÍVEIS Apenas os fretes incorridos e o combustível comprovadamente gastos no transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporam-se ao custo dos mesmos e devem ser considerados para efeito de cálculo. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. A legislação de regência exige que se demonstre a vinculação direta entre o dispêndio e o processo produtivo. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para
o PIS/Pasep nãocumulativas,
apurados quando da aquisição de produtos e
serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à
correção pela taxa Selic.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3102-001.272
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração. Vencidos os conselheiros: a)Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção do parque fabril, além da correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp; b) Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção do parque fabril; e c) Luciano Pontes de Maya Gomes, que também acolhia a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos no plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá-los como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo das contribuições. FRETES E COMBUSTÍVEIS Apenas os fretes incorridos e o combustível comprovadamente gastos no transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporam-se ao custo dos mesmos e devem ser considerados para efeito de cálculo. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. A legislação de regência exige que se demonstre a vinculação direta entre o dispêndio e o processo produtivo. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos no plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computálos como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matériaprima empregada no processo produtivo enquadramse no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social nãocumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo das contribuições. FRETES E COMBUSTÍVEIS Apenas os fretes incorridos e o combustível comprovadamente gastos no transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporamse ao custo dos mesmos e devem ser considerados para efeito de cálculo. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. A legislação de regência exige que se demonstre a vinculação direta entre o dispêndio e o processo produtivo. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração. Vencidos os conselheiros: a)Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção do parque fabril, além da correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp; b) Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção do parque fabril; e c) Luciano Pontes de Maya Gomes, que também acolhia a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: O presente processo trata sobre pedido de ressarcimento de Pis/Pasep no valor de R$ 660.763,03, conforme fls. 01/04, referente ao 1º trimestre de 2006. 2. Ao analisar tal pretensão, a Delegacia de origem, no uso de sua competência regulamentar, proferiu despacho decisório (fls. 108/121), no qual deferiu parcialmente o pleito do contribuinte. 3. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade (fls. 198/212),com o seguinte conteúdo resumido: (a) A glosa parcial dos créditos é absolutamente dessarrazoada, não só em virtude de interpretação sistemática das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, como também pelo dispositivo contido no artigo 195, § 12, da Constituição Federal, que elimina toda e qualquer dúvida sobre o principio da não cumulatividade aplicável de forma ampla e irrestrita à contribuição em tela. (b) Apresentou síntese do processo produtivo. (c) Ressaltese que o contribuinte, ao contrário de outras do setor de celulose, em virtude de necessidades específicas e de estratégias de mercado, utiliza para sua produção Fl. 434DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000098/200660 Acórdão n.º 310201.272 S3C1T2 Fl. 415 3 matériasprimas produzidas por ela própria, eliminando assim uma etapa da cadeia básica do seu setor. (d) Ocorre que, por isso, incorre em despesas de elevada monta para a sua manutenção, que se consubstanciam inegavelmente em insumos imprescindíveis à sua atividade agroindustrial de fabricação de celulose. (e) Assim, entende que os custos advindos do emprego de bens e serviços na sua atividade florestal enquadramse claramente no conceito de insumos para a produção de celulose comercializada pelo contribuinte, devendo, portanto, ser admitidos como passíveis de creditamento na apuração da contribuição social em comento. (f) Caso a madeira fosse adquirida de terceiros, pela posição adotada si so despacho decisório, não teria havido questionamento e o "beneficio fiscal" seria admissivel. (g) Tal diferenciação não se encontra presente nas disposições contidas nas Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 e violam os princípios da igualdade e da nãocumulatividade. (h) O fato de ter uma cadeia de produção maior que a maioria das demais empresas não possibilita a oneração de sua produção, mediante a tributação majorada de seu faturamento. (i) A decisão ora impugnada desconsiderou o direito da defendente ao aproveitamento do crédito da contribuição calculado sobre serviços de transporte, tais como a contratação do frete relacionada à comercialização da produção da pasta de celulose, bem como a prestação de serviços contratados para a manutenção de seu parque fabril. (j) A DISIT da 2 Região Fiscal da Secretaria da Receita Federal já se posicionou em favor do creditamento do frete na operação de venda, consoante Solução de Consulta n° 01, de 13/01/2004. (k) Já com relação aos créditos apurados sobre os custos da prestação de serviços da manutenção do parque fabril, fica claro que sem a realização de tal manutenção, as atividades relacionadas à produção de celulose ficam seriamene prejudicadas. (1) À medida que os serviços de manutenção são essenciais à atividade de produção realizada pela defendente, possuindo assim estrita relação com o processo produtivo da pasta de celulose, os créditos apurados da contribuição social sobre os respectivos custos incorridos devem também ser reconhecidos. (m) A nãoaplicação da taxa Selic sobre os créditos da defendente anula o princípio da isonomia previsto no caput do artigo 5º da Carta Magna. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção do indeferimento do pedido de ressarcimento, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. É vedada, em dado processo administrativo, a extensão dos efeitos de outras decisões, por não se constituírem em normas complementares do Direito Tributário. Isso porque foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribua eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional, salvo na hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972, incluído pela Lei n° 11.196/2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITO. Somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. PIS/PASEP NÃOCUMULATIVO. FRETE. CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. ÔNUS DO VENDEDOR. Do valor apurado da contribuição para a Cofins ou o PIS/Pasep, poderá, a partir de 1º de fevereiro de 2004, ser descontado o crédito calculado em relação ao frete contratado na operação de venda, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor e pago à pessoa jurídica domiciliada no País. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Solicitação Indeferida Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, no que se refere ao mérito do pedido. Após a inclusão do processo em pauta, apresentou o sujeito passivo pedido de desistência parcial do recurso, informando que abre mão de discutir as glosas relativas aos insumos empregados na geração de energia elétrica e tratamento e captação de água distribuídas para moradores de comunidade vizinha de seu estabelecimento fabril. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000098/200660 Acórdão n.º 310201.272 S3C1T2 Fl. 416 5 É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção 1 Preliminarmente Demarcação do Litígio Não há questão preliminar a ser enfrentada. Antes de passar à análise dos fundamentos do recurso, entendo prudente demarcar a matéria litigiosa. No mérito, a discussão limitase à possibilidade de apuração de créditos quando das seguintes despesas: a) produtos e serviços empregados na pesquisa, plantio, manutenção e extração de florestas; b) fretes e movimentação de insumos; c) combustível empregado na frota; d) outros produtos e serviços empregados na manutenção do parque fabril; Pleiteiase, ainda a correção dos créditos mediante a aplicação da taxa Selic, a partir da apresentação de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). 2 Mérito 2.1 Regime Probatório Antes de passar à análise do mérito, entendo que é importante registrar a opinião deste relator no sentido de que a nãocumulatividade, diferentemente do que se tem corriqueiramente alegado, não representa um benefício. Entretanto, independentemente da aplicabilidade dos comandos do CTN afetos à hermenêutica dos dispositivos legais, no caso o art. 1111 ou da repartição do ônus da 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 prova, no caso o art. 1792, não se pode olvidar que a apuração de créditos é um redutor do imposto a pagar e, como tal, uma circunstância impeditiva da formação da obrigação tributária. Consequentemente, nos litígios que envolvem essa matéria não se pode olvidar do comando do art. 333, do Código de Processo Civil3, aplicado subsidiariamente. Analisando tal distribuição, concluiu o professor Hugo de Brito Machado4 No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) Assim sendo, não vejo como atribuir exclusivamente ao fisco o dever de buscar elementos que infirmem as alegações do sujeito passivo. Cabe a este último, a meu ver, o dever de trazer ao processo os elementos que respaldem seu pleito. 2.2 Conceito de Insumo Outro ponto que merece ser demarcado preambularmente é a opinião deste relator acerca do conceito de insumo, para efeito de apuração de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos. Como já tive oportunidade de me manifestar anteriormente, entendo que esse conceito não segue o mesmo viés que norteia a apuração de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Neste, privilegiase o critério físico, no caso do PIS e da Cofins, o da pertinência (ou inerência, se tomado o conceito doutrinário fixado no parecer juntado aos autos). Com efeito, a tributação pelo IPI, tem como fato gerador, regra geral, a saída do produto industrializado. Nada mais coerente, portanto, do que avaliar a qualificação do dispêndio (como insumo) em razão da sua relação com aquele produto. 2 Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. 3 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 4 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000098/200660 Acórdão n.º 310201.272 S3C1T2 Fl. 417 7 Lembrar, nessa senda, o que dizia o art. 164 do Regulamento do IPI vigente à época dos fatos litigiosos5 e que repete a redação de regulamentos anteriores e é repetida pelo que lhe sucedeu:. Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; De se destacar, ademais, que a exegese desse dispositivo, tanto no âmbito do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, quanto do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sempre levou em consideração as orientações do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. Por outro lado, quando se trata das contribuição para o PIS e a Cofins não cumulativas, incidentes sobre o faturamento, coerentemente, a meu ver, o legislador ampliou o universo dos dispêndios classificáveis como insumo, conforme se extrai do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, que repete a redação do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Como é possível perceber, de acordo com a legislação de regência, a relação do bem com o processo produtivo não seria medida exclusivamente em razão do produto, mas do processo produtivo como um todo. Evidentemente, isso não significa equiparar a insumo, para efeito de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, toda e qualquer despesa ou custo inerente à atividade econômica, nem muito menos estender, por analogia, os conceitos fixados pela legislação que rege a 5 Aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 Fl. 439DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 apuração do Lucro Real, no caso, os artigos 249 e 250 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999. Com efeito, tal e qual se verifica com relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados, tratase de fato gerador diverso (auferir lucro) e de base de cálculo formada sob uma sistemática igualmente diversa. Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo. Outro ponto sobre o qual não posso deixar de me manifestar é a interpretação fixada nos acórdãos do Segundo Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trazidos ao processo. Mesmo reconhecendo a excelência do colegiado responsável, peço vênia para discordar da exegese assentada em tais manifestações, pois entendo que o § 3º do art. 5º da Lei nº 10.833, de 20036 não autoriza a apuração de créditos a partir de toda e qualquer dispêndio vinculado à receita de exportação. Confirase, preambularmente, a redação do dispositivo: § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Em uma leitura isolada, poderseia concluir que o comando ampliou o rol de despesas passíveis de gerar direito a crédito: ao invés de limitálos aos bens e serviços empregados no processo produtivo, passara a admitir que toda e qualquer despesa vinculada à exportação conferisse tal direito. Ocorre que, a meu ver, esse parágrafo não pode interpretado sem levar em consideração os demais parágrafos do mesmo art. 5º, em especial do 1º e do 2º, assim redigidos (original não destacado): § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela 6 Igualmente aplicável ao cálculo do PIS/Pasep por força do comando inserido no art. 15 da mesma lei. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000098/200660 Acórdão n.º 310201.272 S3C1T2 Fl. 418 9 Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Como é possível concluir, a apuração dos créditos aptos a usufruir do tratamento diferenciado conferido a empresas exportadoras, diferentemente do que se cogitou, deve ser realizada segundo os moldes do art. 3º da mesma Lei nº 10.833, de 2003, observando se, consequentemente, o critério fixado no já transcrito inciso II desse mesmo artigo. Finalmente, no que se refere a máquinas e equipamentos incorporados ao ativo permanente, o valor do crédito será apurado mediante aplicação das alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os encargos de depreciação e amortização, conforme consignado no §1º, III do mesmo art. 3º: § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Em suma, para efeito da discussão que povoa o presente litígio, somente são passíveis de gerar crédito os bens e serviços utilizados no processo de fabricação e, no caso dos bens do ativo imobilizado, os valores de depreciação e amortização. Feitas tais considerações, passase à análise higidez das glosas alvo de litígio. 2.3 Formação e Manutenção de Florestas Com a devida licença, penso que não há como reconhecer os gastos em questão como custo ou despesa, para efeito de cálculo do crédito do PIS e da Cofins não cumulativos. De fato, apesar de não concordar com a premissa de que os gastos na formação e manutenção de floresta estejam dissociados ao processo produtivo, não vejo como considerar esses gastos como despesa ou custo, na medida em que os mesmos se incorporam ao valor daquelas florestas, contabilmente classificadas no ativo imobilizado, nos termos do art. 183, V da Lei nº 6.404, de 1976: Art. 183 No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; Fl. 441DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Por outro lado, o § 2º, “c”, do mesmo art. 183 deixa claro que os valores investidos em tal ativo devem ser alvo de exaustão, na medida em que o bem seja explorado (original não destacado): § 2º A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente nas contas de: (...) c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Ora, se representam um bem do ativo imobilizado, o valor da sua aquisição ou produção jamais será computado como despesa ou custo. Relembro o comando do no §1º, III do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Ou seja, tratandose de floresta, o custo a ser considerado é o valor da exaustão, calculada sobre o valor contábil do bem. Destaco, ainda, que eventual resistência do Fisco em admitir que se apurem créditos de PIS e Cofins a partir de tais custos, matéria estranha ao presente litígio, esclareça se, a meu ver, não desvirtua a natureza desses gastos. Assim, dispêndios que agreguem valor a determinado bem do ativo imobilizado, salvo expressa disposição legal em contrário, não representam um custo, mais um investimento, independentemente do tratamento tributário que posteriormente vier a ser conferido ao desgaste do bem. 2.4 Serviços Atrelados à Extração de Florestas Com base no que já foi debatido anteriormente, não vejo como rejeitar os créditos relativos aos serviços de corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira. Com efeito, tratandose de serviços atrelados aos produtos que servirão de matériaprima, seu emprego direto no processo produtivo da recorrente é inegável. Satisfeita tal condição, consequentemente, há que se reconhecer o direito ao crédito, nos termos do art. 3º, II, das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Por outro lado, a norma não dá margem para desconsiderar os gastos incorridos em etapa da produção que antecede a industrialização do produto. Basta fazer uma leitura isolada do dispositivo para concluir que se admitem créditos inerentes a insumos utilizados na produção (qualquer que seja o processo) e na industrialização. Ademais, no que se refere aos gastos com o transporte de insumos, já se manifestou o Fisco, por meio da Solução de Consulta nº 210 SRRF/8ª RF, de 25 de junho de 2009 (D.O. U: de 07/07/2009 (original não destacado): Geram direito a créditos da Cofins apurada em regime não cumulativo os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços, os dispêndios com a energia elétrica consumida estabelecimentos da pessoa jurídica, os dispêndios com armazenagem de mercadoria e os dispêndios com o frete pago na aquisição de insumos. O transporte de bens entre os Fl. 442DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000098/200660 Acórdão n.º 310201.272 S3C1T2 Fl. 419 11 estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que estejam estes em fase de industrialização, também enseja apuração de créditos da Cofins. Nessa ordem de consideração, acato os gastos incorridos com corte, arrasto, baldeio, taçamento mecanizado, transporte, desdobramento, desgalhamento, manuseio, carga e descarga da madeira. 2.5 Combustível Empregado na Frota Própria. Na esteira do que exposto quando da análise do conceito de insumo, após compulsar os autos, em especial as planilhas onde são descritas as despesas com a aquisição de combustível, vêse que aquelas que se referem ao processo produtivo (óleo tipo BPF e para a Casa de Força), já foram aceitas pela Autoridade de Jurisdição. Restaria enfrentar, assim, a possibilidade de se apurar créditos quando da aquisição de combustíveis para a frota de veículos da recorrente. Como destacado anteriormente, os custos relativos à movimentação dos produtos em elaboração, que englobam, evidentemente, os combustíveis empregados na frota do contribuinte, em princípio, inseremse no rol dos insumos capazes de gerar crédito. Em sentido diverso, tal tratamento não se estende aos combustíveis empregados em atividade diversa, como, por exemplo, o transporte de empregados ou de produtos industrializados entre estabelecimentos. Justamente em razão desse tratamento diferenciado em razão do emprego é que a apuração dos créditos não pode prescindir de uma escrituração que permita identificar o uso dado ao combustível. Assim, na medida em que não foi trazido ao processo qualquer elemento que demonstre qual foi o valor incorrido ou o quantitativo empregado como insumo e quais são utilizados em veículos que, se observado o texto da lei, não seriam utilizados em tal finalidade, não vejo como reconhecer os créditos atrelados à aquisição de combustíveis para a frota. 2.6 Manutenção do Parque Fabril Com a devida vênia, não vejo como considerar que a manutenção do parque fabril, independentemente da sua relevância para o exercício da atividade econômica, possa se inserir no conceito de insumo, para efeito de cálculo da contribuição alvo de discussão. Mais uma vez, há que se relembrar a delimitação imposta pelo inciso II do art. 3º: o crédito se limita aos bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos. Assim, na esteira do que já foi abordado anteriormente, não vejo como considerar as despesas com manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo indireto. Caberia demonstrar, imagino, que as despesas rotuladas como de manutenção do parque, teriam relação direta com o processo produtivo da recorrente. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 12 2.7 Taxa Selic. Busca a contribuinte, finalmente, a correção monetária dos créditos a partir da data da formulação do pedido objeto do presente litígio, onde é pleiteado, relembrese, o ressarcimento do saldo credor remanescente àquele utilizado nos termos do § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Com efeito, o § 2º do mesmo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, prevê expressamente tal possibilidade: § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Ocorre que, em pese a alegada violação aos princípios constitucionais expostos com maestria no parecer acostado ao processo, não vejo como, em nome de tais princípios, reconhecer a correção pleiteada. Para tanto, seria necessário afastar a proibição expressa gizada no art. 13 da mesma Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê (original não destacado): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Não vejo, outrossim, como aplicar no presente julgamento a interpretação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Com efeito, como é cediço, por força no art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais7, este Colegiado deve reproduzir as decisões proferidas pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. 7 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000098/200660 Acórdão n.º 310201.272 S3C1T2 Fl. 420 13 Entretanto, a matéria ali debatida, esclareçase, é a aplicação da correção monetária sobre créditos do IPI, apurados nos termos da Lei nº 9.363, de 1996, diploma que, sabidamente, não previu a incidência da Selic, mas também não proibiu tal incidência. Assim sendo, tratandose de arcabouço jurídico diverso, não vejo como reproduzir as conclusões daquela egrégia corte. 3 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira, incorridos quando da sua extração Sala das Sessões, em 11 de novembro de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 445DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 18336.000071/2001-75
Data da sessão: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II
Data do fato gerador 12/07/1999
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL.
É incabível a concessão de preferência tarifária quando não
atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre
certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as
mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro
pais, não signatário do acordo internacional, caracterizam o
inadimplemento dessas condições.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-000.061
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando (Substituta convocada), Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocado) e Nilton Luiz Bartoli (Substituto convocado), que davam provimento ao recurso.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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Recorrente Petróleo Brasileiro S/A - PETROBRÁS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador 12/07/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a concessão de preferência tarifária quando não atendidas as condições do favor fiscal. A divergência entre certificado de origem e fatura comercial, associada ao fato de as mercadorias importadas terem sido comercializadas por terceiro pais, não signatário do acordo internacional, caracterizam o inadimplemento dessas condições. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3 3 Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando ( bstituta convocada), Luciano Lopes de Almeida Moraes (Substituto convocad i,) e Nilton z Bartoli (Substituto convocado), que davam provimento ao recurso. e CARLOS ALBERTO" FREITAS B RRETO Presidente • • Processo n°18336.000071/2001-75 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 304 frimeat-pirifrotiner Relator FORMALIZADO EM: 2 2 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Susy Gomes Hoffinann, Luis Marcelo Guerra de Castro e Antonio Carlos Guidoni Filho (Vice-Presidente Substituto). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida: A empresa acima identificada recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza - CE. AUTO DE INFRAÇÃO O Auto de Infração (J7.s. 01/06), lavrado em ato de revisão do despacho aduaneiro, cuidou da exigência do Imposto de Importação-li e respectivos acréscimos legais, no valor total de R$ 23.115,84 (vinte e três mil, cento e quinze reais e oitenta e quatro centavos). Segundo a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe registrou a Declaração de Importação de n° 99/0565640-5, adição 001, em 12/07/1999, com a utilização da redução de 28% da alíquota, prevista no Acordo de Alcance Regional n° 04 (PTR-04), conforme Decreto de Execução n° 90.782, de 28 de dezembro de 1984, alterado pelo Decreto 805, de 1° de agosto de 1990, firmado entre Brasil e os seguintes países: Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Esclareceu a fiscalização, quanto à operação, o seguinte: A PETROBRÁS adquire os produtos da empresa venezuelana PDV S.A. - Petróleo Y Gas S.A. (PDVSA); Em seguida, revende os produtos para uma subsidiária, situada nas Ilhas Cayman, denominada Petrobràs International Finance Company (PIFC0); Posteriormente, recompra os produtos. Quanto às irregularidades encontradas, esclarece a fiscalização que: O produto importado, referente à Dl citada no Auto de Infração, foi transportado diretamente para o Brasil, conforme se verifica pelo exame do conhecimento de transporte (Bill of Landing), fis. 08; b) Nos termos do artigo 13 da IN/SRF n° 69, de 10 de dezembro de 1996, a Dl deve ser instruída, dentre outros documentos, pela via 2 Processo n° 18336.00007112001-75 CSI1F-T3 Acórdão n.• 9303-00.061 Fl. 305 original da fatura comercial, "entretanto, no presente caso, por estar configurada nitidamente a triangulação comercial, com objetivos não definidos, foi apresentada pelo importador a fatura emitida pela subsidiária da PETROBRÁS situada nas Ilhas Cayman (PIFC0)"; c) Há divergência entre o número da fatura comercial informada no Certificado de Origem e o da fatura apresentada pelo importador, como documento de instrução da respectiva declaração de importação; d) A Resolução n° 232, celebrada no ámbito da Associação Latino- Americana de Integração - ALAN, aprovada em 08/1011997, embora admita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro pais, não se aplica ao caso, uma vez que não abrange o tipo de operação comercial praticada pelo sujeito passivo, não tendo o importador atendido às exigências prescritas no item 2 da referida Resolução. Diante dos fatos, a fiscalização reputou inválido o Certificado de Origem apresentado, e lavrou Auto de Infração para cobrança da diferença do Imposto de Importação, acompanhada dos juros de mora e da multa, com fundamento no ADN/COSIT n° 10, de 16 de janeiro de 1997. O enquadramento legal citado no Auto de Infração foi o seguinte: art. 1°, art. 77, inciso I, art 80, inciso I, alínea "a", art. 83, art. 86, art. 87, inciso I, art. 89, inciso 11, art. 99, art. 100, art. 220, art. art. 455, art. 456, art. 499 e art. 542 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, de 05 de março de 1985, e Decretos 98.836, de 1990, e 98.874, de 1990, além do ADN/COSIT/SRF n° 10, de 16/01/97. Cientificado do lançamento em 20/02/2001, conforme fls. 01, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando, em 16/03/2001, a impugnação de fls. 14/42, nos termos a seguir resumidos: a) Em virtude de significativas especificidade: geopoliticas, que acarretam limitações aos negócios e inviabilizam o pagamento no prazo estipulado pelo fornecedor (PDVSA), uma das subsidiárias da Petrobrás paga diretamente ao produtor-exportador o preço dessa compra, por ordem da controladora. Concomitantemente, a Petrobrás revende a mercadoria à subsidiária, com tal prazo e a recompra para pagamento em 180 dias; b) A exigência da fatura e o lançamento do imposto contrariam frontalmente a apreciação que sobre a matéria fez o órgão sistêmico da Secretaria da Receita Federal; c) Traz à colação o art. 4°, "b", da Resolução n° 78, e argúi que a Resolução referida e o Acordo n° 91 não vedam a compra direta com interveniência posterior de terceiros e sem trânsito por outro país, com a finalidade de mera alavancagem financeira; o que se veda é a figura do atravessador ou especulador, e não que o importador de uma das "Altas Panes" subseqüentemente negocie a mercadoria, quando já satisfeitas a finalidade e formalidades do acordo; 3 É .,. . Processo n°18336.000071/2001-75 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 306 d) Ratifica a operação constatada e descrita pela fiscalização às fis. 02, ressaltando que a fatura final, após a recompra, compreende o preço puro e idêntico, constante das faturas anteriores, acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de crédito tomadas; e) Ressalta a necessidade de realização dessas operações intermediárias pela empresa como forma de alavancagem financeira; fi Reitera que essas operações de intermediação de um terceiro pais não colidem com a intenção que presidiu a celebração dos Acordos de redução tarifária, impondo-se o reconhecimento tarifário neles previsto, em homenagem à real origem da mercadoria e sua expedição direta; g) Destaca que o art. 10 da Resolução 78/87 determina que os países signatários procederão a consultas entre os Governos, sempre e previamente à adoção de medidas que impliquem "rejeição do Certificado de Origem, observando-se, ainda, o devido processo legal"; h) Ressalta que o Terceiro Conselho de Contribuintes, em jurisprudência firme, tem iterativamente anulado autos de infração aferrados a quizilias sacramentais, de pequena relevância em relação ao cerne da questão; • i) que a pretensa divergência entre os números constantes do Certificado de Origem e da fatura correspondente à recompra não procede, posto que não há tal exigência em relação a importações objeto de acordo tarifário no âmbito da ALADI; j) Requer, por fim, que seja declarado nulo por ilegalidade, e se caso não seja esse o entendimento, seja cancelado o Auto de Infração, por sua manifesta improcedência. DECISÃO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO Em 27 de setembro de 2001, a DRJ de Fortaleza/CE, julgou o lançamento procedente, com a seguinte ementa: Ementa: PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. É incabível a aplicação de preferência tarifária percentual em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial, bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro pais, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 12/07/1999 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. Improcedente a argüição de nulidade do lançamento apontada pela defesa, tendo em vista que a exigência foi formalizada com observância ir das normas processuais e materiais aplicáveis ao fato em exame. 4 . . • Processo n° 18336.00007112001-75 CSRF-T3 Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 307 Lançamento Procedente." RECURSO VOLUNTÁRIO Em 22/11/2001, tempestivamente, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho «is. 64/82), acompanhado do devido depósito recursal (fls. 82), pelo qual, além de reiterar os fundamentos de defesa apresentados com sua impugnação delis. 14/42, acrescentou: a) que a decisão está eivada de nulidades, comprometidas as suas premissas e conclusões, por falta de findamentação válida e eficaz, vez que (i) acolhe ato que claramente contraria orientação sistêmica do órgão central da SI?F (qual seja, a NOTA COANA/COLAD/DITEG n° 60/97), de modo que os efeitos jurídicos dessa orientação não poderiam ser desconsiderados; e (h) contraria normas expressas do Ato Internacional (o art. 10 da Resolução n°78). que claramente impõe um procedimento prévio à rejeição dos certificados de origem; b) que a exigência prevista nos arts. 425 e seguintes do RA diz respeito apenas à via original da última operação que, esta sim, deve ser registrada no SISCOMEX; e não a das anteriores, as quais podem ser provadas por qualquer meio idôneo, nos termos do art. 434 do mesmo RA; c) que a intermediação de pessoas de terceiro país é corriqueira e não prejudica, por óbvio, o fato da origem, e nem que se aplique a redução; d) que a Resolução 232, aprovada ainda em 1997, admite expressamente esta operação, e foi editada exatamente para dirimir tais dúvidas; e) que a decisão, proferida teria descumprido o art. 10 da Resolução 78, Resolução esta que disciplina dos acordos tarifá rios no âmbito da ALAD1, vez que deixou de solicitar informações adicionais às autoridades governamentais do país exportador, adotando medidas que considere necessárias para garantir o interesse fiscal; .0 para atender o disposto no art. 10 da Resolução 78, não precisava o agente lançar para garantir o interesse fiscal, bastando exigir as garantias de praxe; g) que, mesmo analisando a espécie sob a ótica da pretendida inversão do requisito feita pela Notificação de Lançamento, verifica-se não estar vedada tal operação no Ato Internacional, impondo-se o reconhecimento do tratamento tarifário nele previsto, em homenagem à real origem da mercadoria e sua expedição direta; h) que o número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é condição coadjuvante com essa finalidade, como ressaltado na NOTA COARA 60/97, e que tanto no âmbito do MERCOSUL quanto da ALAD1 não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais; i) que é incontroverso que a mercadoria foi adquirida pela PETROBRÁS diretamente, e o Certificado de Origens é claro em mencionar que a carga vem direto para o País, assim como a»( 5 é • Processo n° 18336.000071/2001-75 CSRF-T3 • Acórdão n." 9303-00.061 Fl. 308 respectiva fatura de recompra menciona a mesma carga, o mesmo navio, na mesma viagem, só não tendo sido registrada a primeira compra e a revenda subseqüente, pois que a SRF nunca exigiu tais registros e nem a cópia das faturas anteriores, além do SISCOMEX impedir tais registros; j) que o fundamento central da decisão recorrida é no sentido de que há uma vedação implícita, por incompatibilidade, da interveniência de operador de terceiro país na exportação de produtos contemplados em acordo de redução tarifária, mas que ao longo da impugnação e deste recurso restou cristalino inexistir tal incompatibilidade; k) que, muitíssimo ao contrário do que sustenta a decisão recorrida, já bem antes da realização das importações — e quem o diz é a própria SRF — esse já era um assunto superado, apenas dependente de explicitação em regra, aliás editada também um ano antes, seja no âmbito da ALADI, seja no plano interno, por meio da NOTA COARA 60/97; I) que, radicalmente ao contrário ao que afirma a Sra. Delegada, o espírito do Acordo é exatamente amparar tais operações, imprescindíveis ao interesse nacional, m) que, finalmente, confia na declaração da nulidade da Notificação de Lançamento, por ilegalidade, ou cancelado por sua manifesta improcedência. Em 21/05/2002, estes autos foram ao Conselheiro Sidney Ferreira Batalha, e redistribuídos a esta Conselheira em 25/02/2003, conforme documento de fls. 85, último destes autos. É o relatório. A Câmara a quo negou provimento ao recurso, cujo acórdão foi assim ementado: REDUÇÃO TARIFÁRIA. Incabível a fruição do beneficio previsto no ACE-39 (Decreto n° 3.138/99), quando o país exportador não é membro da ALADL 1NTERVENIÊNCIA DE TERCEIRO PAIS. Ainda que se tratasse de interveniência de terceiro país não signatário do Acordo, o aproveitamento do beneficio estaria condicionado ao cumprimento de formalidades que vinculassem o certificado de origem à fatura comercial que amparou a operação de importação (Resolução 232/97, da ALADO. NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE. A contribuinte, dissentida da decisão que lhe foi desfavorável, apresentou Recurso Especial (fls. 116/287), requerendo seja julgado insubsistente o auto de infração em tela por entender que nenhuma infração foi cometida. Por meio do Despacho n° 302-0.107 (fl. 294) a Presidente da r Câmara do 3° CC deu seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, encaminhando o '6 4 • v. • Processo n° 18336.00007112001-75 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 309 processo para ciência da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, que apresentou Contra- Razões às fls. 295/298. É o relatório. Voto Conselheiro HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. As questões trazidas a debate cingem-se aos efeitos da divergência entre certificado de origem e Fatura Comercial, e, também, ao fato de o produto importado haver sido comercializado por terceiro pais, não signatário de Acordo Internacional. As importações efetuadas ao abrigo do beneficio de redução tarifária entre os países membros da ALADI para gozarem do favor fiscal devem preencher todos os requisitos estabelecidos no respectivo acordo firmado pelos membros dessa Associação. Dentre esses requisitos apresenta-se como essencial a comprovação da origem da mercadoria, que, nas importações realizadas no âmbito da ALADI, a comprovação dessa origem dá-se exclusivamente por meio do Certificado de Origem. Por conseguinte, O Fisco só pode reconhecer o direito ao favor fiscal quando a importação for realizada ao amparo de toda a documentação exigida. Sendo que o ônus probatório da regularização documental compete ao importador. Assim, a apresentação da documentação exigida, dentre esta o Certificado de Origem que ampare a mercadoria submetida a despacho, é pressuposto de validade do regime de tributação utilizado pelo importador. De outro lado, a teor do art. 10 do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, promulgado pelo Decreto n° 98.836, de 1990, com a redação dada pela Resolução n° 232 da ALADI, apensa ao Decreto n° 2.865, de 07 de dezembro de 1998, não deixa margem à dúvida de que a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria. PRIMEIRO - A descrição dos produtos incluídos no formulário que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá, coincidir com a que corresponde ao produto negociado, classificado de conformidade com a NALADI/SH, e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro. (destaquei) É de clareza meridiana que a exegese da norma internacional inserta no artigo primeiro transcrito linhas acima é no sentido de ser indissociável a vinculação existente entre o Certificado de Origem da mercadoria e a fatura comercial correspondente. Não é por outro motivo que o formulário-padrão, adotado para a mencionada certificação, possui campo próprio destinado à informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Por conseguinte, cada Certificado de Origem refere-se, exclusivamente, à mercadoria constante da fatura comercial nele indicada. /I( 7 , •• Processo n°18336.000071/2001-75 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 310 Assim, não resta a menor dúvida de que é o vinculo entre Certificado de Origem e fatura comercial que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do Acordo, e legitima o gozo do beneficio tarifário quanto à mercadoria importada. Aqui, peço licença para transcrever a conclusão do ilustre relator do acórdão da DRJ, com as quais comungo. 14. Com efeito, a certificação da origem é feita em função da fatura comercial que acoberta determinada partida de mercadoria, objeto de tratamento tributário diferenciado por força de acordo internacional. Tanto assim, que o formulário-padrão adotado para formalizar a mencionada certificação possui um campo próprio destinado a informação expressa do número da fatura a que se relaciona. Assim, o Certificado de Origem apresentado ampara exclusivamente a quantidade de mercadoria coberta pela fatura comercial nele indicada. 15. Cabe destacar que a finalidade única do certificado de Origem é a de assegurar, por meio de uma declaração padrão, que as mercadorias objeto de intercâmbio, beneficiadas com os tratamentos preferenciais negociados, são efetivamente originárias e procedentes do pais declarante, e que cumprem, obrigatoriamente, com os requisitos fixados entre as partes. 16. Com efeito, para fruição do tratamento tarifário previsto é necessário que tal declaração acompanhe a documentação de exportação, quando de sua apreciação para fins de desembaraço aduaneiro. 17. Destaque-se que o artigo I° do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, que trata da regulamentação das Disposições Referentes à Certificação da Origem, promulgado pelo Decreto n° 98.836, de 17 de janeiro de 1990, ao estabelecer que a descrição de produto incluído na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem, deve coincidir com o correspondente produto negociado, constante na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro, vincula expressamente a mercadoria ao emissor da fatura, e no caso em comento, conforme se constata dos autos, o emissor da fatura comercial que instruiu o despacho de exportação não é país signatário do (PTR-04). 18.Nesse mister, é importante ressaltar que uma vez que o produtor é identificado como a pessoa jurídica que fabrica ou produz a mercadoria, podendo ser ao mesmo tempo o exportador, que é a pessoa jurídica que promove a venda da respectiva mercadoria e emite a fatura comercial correspondente, que acompanhará os documentos de exportação, fica claramente demonstrado a obrigatoriedade de constar o nome do exportador no Certificado de Origem para fins de cumprimento das disposições estabelecidas para certificação. (.) 20. Verifica-se que as normas que disciplinam a certificação de origem estabelecem a forma solene para o documento que atesta a origem da mercadoria pactuada, desse modo é imperioso concluir que og. • t . . • Processo n° 18336.000071/2001-75 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 311 documento contém elementos que estão adstritas à mercadoria pactuada como a indicação da fatura comercial que acoberta exatamente a mercadoria certificada, e deverão ser observadas pelos países signatários, dada a imprescindibilidade destas para ratificar a origem da mercadoria objeto do beneficio tarifário. Dada a importância do documento em análise como instrumento de certificação de origem de mercadoria objeto de acordo de redução tarifária entre países signatários, infere-se que a ausência de qualquer dos requisitos exigidos descaracteriza o certificado e invalida o tratamento preferencial pleiteado, devendo ser aplicada à mercadoria o tratamento normal, previsto para as importações de terceiros países. 21. Entretanto, a matéria aí não se esgota, devendo-se, portanto, continuar a apreciação, perquirindo-se quanto ao aspecto legal no tocante à interveniência de um terceiro País na operação, questão que, se deslindada, dispensa qualquer consideração a respeito da citada fatura. Em outro giro, além da apresentação de Certificado de Origem e fatura comercial, em conformidade com as normas previstas no acordo internacional, a importação das mercadorias deve obedecer às demais regas determinadas nos Acordos de regência. O escopo de se condicionar a redução de tarifa às importações amparadas por certificado de origem emitido, nos termos e na forma prevista pela ALADI é para prevenir operações comerciais que, pela sua natureza, poderiam, de modo ilegítimo, estender o beneficio fiscal às importações de terceiros países não signatários do tratamento preferencial. Assim, à exceção de operações em que intervenha operador de terceiro país, para que haja o beneficio fiscal, deve-se demonstrar que o produto acreditado pelo certificado de origem é o efetivamente negociado com o emissor da fatura comercial do país produtor, sendo considerado exportador, para esse fim, o País-membro da ALADI signatário do Acordo. Vale aqui transcrever a norma inserta no art. 40 da Resolução ALADI/CR n° 78, de 1987: QUARTO - Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considera-se como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: O o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; ii) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e 9 • • Processo n° 18336.000071/2001-75 CSRF-T3 • Ackrao n.• 9303-00.061 F1.312 fiz) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantê-las em boas condições ou assegurar sua conservação. De outro lado, não se pode olvidar que, com a globalização, é cada vez mais freqüente as operações comerciais que envolvam mais de 2 países, denominadas de operações triangulares. A par dessas mudanças nas relações comerciais internacionais, o Comitê de Representantes da ALADI editou a Resolução 232, que veio a ser incorporada na legislação brasileira pelo Decreto n° 2.865, publicado em 08/12/1998. Essa resolução alterou o Acordo 91, no sentido de modificar o regime de origem, passar a permitir a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI, da seguinte forma: SEGUNDO - Quando a mercadoria objeto de intercámbio for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino." Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro pais, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente unta declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Todavia as disposições acima não se aplicam à espécie dos autos, posto que, da documentação carreada aos autos, não se verifica a participação de um operador, nos moldes previstos na Resolução acima transcrita. A uma porque a falta de vinculação entre Certificado de origem e a fatura comercial, ilide a prova da intermediação de um operador de terceiro país. A única evidência extraída da documentação juntada pela autuada é de que houve participação de sociedade empresária situada nas Ilhas Cayman, que fatura e exporta para o Brasil mercadoria, para a qual se pretende aplicar preferências tarifárias pactuadas entre este e a Venezuela, com base nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. A duas porque a alegada operação triangular não foi respaldada pelo Certificado de Origem, para efeito de gozo da redução tarifária, como exige a legislação. Ressalte-se, por oportuno, o seguinte trecho do acórdão de primeira instância: 42. Com efeito, no caso em tela, o certificado de origem apresentado, jls. 09, não atende às exigências previstas na primeira pane do artigo 2' da mencionada Resolução. Também não consta dos autos que o importador tenha apresentado a declaração juramentada referida na legislação. Atente-se que, sendo a norma tributária de natureza cogente e estabelecendo o Regime Geral de Origem as exigências para a certificação, complementadas aqui pela Resolução 232 do Comitê de Representantes da ALADI, não cabe ao intérprete decidir pela prescindibilidade desta ou daquela informação, ao argumento de que se trata de mera formalidade, sob pena de atentar contra a própria( to 4 • Processo Fe 18336.000071/2001-75 CSRF-T3 • Acórdão n.° 9303-00.061 Fl. 313 literalidade da norma, haja vista que as regras que disciplinam o Regime de Origem, são claras quanto a vincula ção do certificado de origem à fatura comercial que ampare a mercadoria efetivamente pactuada. 43. Reitere-se que para fazer jus à alíquota preferencial acordada na esfera da ALADI, a mercadoria a ser negociada deverá atender a requisitos de natureza objetiva, tais como aqueles indicados nos artigos PRIMEIRO e QUARTO da citada Resolução 78, quais sejam, o de constituir-se de produto efetivamente fabricado dentro do território de um dos países signatários, e de serem despachados diretamente do pais exportador para o importador e ainda que a origem dessa mercadoria seja formalmente atestada por um Certificado de Origem emitido pela entidade competente, de conformidade com o disposto no Capítulo II da mesma Resolução 78 e no Acordo 91, com a descrição do produto negociado e a indicação de sua classificação tarifária e da fatura emitida pelo exportador. 44. Logo, constata-se que é inequívoca a impropriedade da operação realizada pela impugnante, não repercutindo na solução do litígio a argumentação trazida à colação na peça impugnatéria de que tal operação teve o cunho eminentemente financeiro. Assinale-se que sendo essa argumentação de cunho extra legal não tem o condão de convalidar o descumprimento das normas que tratam do regime de origem, envolvendo mercadoria objeto de acordo de redução tanfária. 45. Qualquer que seja o motivo alegado, seja para mera alavancagem financeira ou não, vale dizer, tratando-se de uma operação comercial entre uma empresa brasileira e outra das Ilhas Cayman, sem respaldo em certificado de origem, não há, como invocar a redução tarifária prevista no Acordo de Alcance Regional n° 04 (PTR-04), conforme Decreto de execução n° 90.782, de 28 de dezembro de 1984, alterado pelo Decreto 805, de I° de agosto de 1990, firmado entre Brasil e os seguintes países: Argentina, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, porque reside na essência das normas que disciplinam o regime de origem, cuja observância entre os países-membros da ALAD1 se faz mister para o implemento das preferências tarifárias, a vedação da citada operação, dado o caráter cogente da norma que vincula expressamente, por meio do Certificado de Origem, a mercadoria ao emissor da fatura. 47. Resta sobejamente demonstrado que não há subsunção dos fatos arrolados nos autos às disposições da Resolução 232, de 1997, para o gozo do tratamento preferencial estabelecido no Acordo firmado entre os países-membros. 48.Destaque-se ainda que não há contrariedade entre essa conclusão e a Nota COANA/COLAD/DITEG n't: 60/1997. Ao contrário do que interpreta o impugnante, a nota em apreço diz expressamente que ALADI não havia regulamentado tal situação até então, porém, sustenta exatamente a necessidade de correlação entre a fatura comercial e o Certificado de Origem, nos termos preconizados na Resolução 232, de 1997, acima citada. II Ã, • 4 • 118. • • Processo n° 18336.00007112001-75 CSRF-T3 Acórdão n." 9303-00.061 Fl. 314 49. Portanto, sob qualquer ângulo que se veja a questão, não se sustenta a alegação do contribuinte de que o produto importado deve gozar do beneficio de redução tantária previsto no Acordo pleiteado.• Esclareça-se, por oportuno, que não se está aqui exigindo tributo com fimdamento em mero descumprimento de obrigação acessória, mas sim pelo descumprimento de uma das condições essenciais para a concessão da redução tarifária — certificado de origem-, previstas em acordo internacional (Artigo Segundo do Acordo 91) e, também, no Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n o 91.030, de 5 de março de 1985, parágrafo único do art. 434. Por último, deve-se ter presente que a legislação do comércio exterior envolve uma série de controles a serem implementados pelos países participantes, sendo os ritos e formas previstos nos acordos internacionais imprescindíveis para uniformizar os procedimentos em cada um dos signatários, bem como assegurar o cumprimento fiel das regras estabelecidas no respectivo acordo. Em razão disso, toma-se bastante restrito o campo de aplicação dos princípios do formalismo moderado e da verdade material. . De todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pela contribuinte. Sala das Sessões, em 27 de maio de 2009. ilfielrliQtEgHEIRO TI:tRiçt 12 Page 1 _0013700.PDF Page 1 _0013800.PDF Page 1 _0013900.PDF Page 1 _0014000.PDF Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1
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Numero do processo: 18471.002163/2007-21
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outro
Exercício: 2003
Ementa: IRPJ. CSLL. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO COM LUCRO REAL. LIMITE DE 30%.
Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa.
Numero da decisão: 1101-000.497
Decisão: Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outro Exercício: 2003 Ementa: IRPJ. CSLL. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CÁLCULO. COMPENSAÇÃO COM LUCRO REAL. LIMITE DE 30%. Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. (assinado digitalmente) FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 2 Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Versa o presente processo sobre autos de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), por meio dos quais fora exigido crédito tributário acrescido de multa de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, conforme segue: Tributo / Contribuição Valor do Tributo/ Contribuição Valor Total Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ R$ 275.299,67 R$ 692.185,95 Contribuição Social sobre Lucro Líquido – CSLL R$ 352.017,15 R$ 885.076,70 TOTAL R$ 627.316,82 R$ 1.577.262,65 A acusação consistiu em compensação indevida de prejuízo fiscal, no que tange ao IRPJ, e de compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL. Ademais, constituiu também, o Auto de Infração em tela, os Formulários de Alteração do Prejuízo Fiscal (FAPLI) e do Lucro Inflacionário e da Alteração da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social (FACS) (fls. 170/171). Em sede de impugnação, depois de regularmente cientificado em 27/12/2007, o contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 173/186), acompanhada de vasta documentação (188/343), por meio da qual se sustentou, em síntese, o que segue: nos termos do artigo 17 da IN RFB nº 257, em caso de compensação de prejuízos fiscais oriundos de atividades rurais, não há que se falar em limitação de compensação, para fins de determinação da base de cálculo; ainda que se tratasse de prejuízo derivado de atividade rural, foi a compensação circunscrita à trava de 30% (trinta por cento), mesmo que pudessem ser ajustados 100% da base de cálculo negativa; foram analisados, em sede de fiscalização, apenas os Livros de Apuração do Lucro Real, condizentes com os anos de 2002 e 2003, lavrando, no que Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 18471.002163/200721 Acórdão n.º 1101000.498 S1C1T1 Fl. 2 3 tange ao IR, auto de infração decorrente de compensação de prejuízo fiscal acumulado do anocalendário de 2001; os procedimentos de compensação de prejuízo fiscal e da base negativa de CSLL que adotou estão corretos; por se tratar de atividade rural, não há que se falar em limitação de 30% (trinta por cento), conforme pacífico entendimento do Conselho de Contribuinte (jurisprudência às fls. 182/183); o exame de toda a documentação fiscal permitirá comprovar a origem dos créditos compensados; requereuse, pois, a produção de prova técnica, mediante perícia contábil, conforme indicado às fls. 185/186 – oportunidade em que já se indicou perito e quesitos a serem respondidos. Em sede de julgamento (fl. 391/405), a 4ª TURMA – DRJ – RIO DE JANEIRO entendeu pela improcedência do AII, com fulcro em arguições assim reduzidas: os lançamentos questionados revestiramse de todas as formalidades previstas no artigo 142 do CTN. Portanto, não há que se falar em nulidade, conforme fora avocado pelo contribuinte; para acatar o pedido de realização de perícia, pressupõese que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Porém, não é esta a situação dos presentes autos; em sede de mérito, dizente à compensação dos prejuízos, não há dúvida de que a empresa se dedica à atividade rural e mantém o controle do prejuízo fiscal dessa atividade a ser compensado, apurado na demonstração do LALUR. Inexiste falar em limite de 30% (trinta por cento) para efetuar a compensação; porém, apesar de o contribuinte declarar que a compensação glosada era de prejuízo fiscal da atividade rural, a escrituração fiscal trazida aos autos não separou o prejuízo fiscal da atividade rural do prejuízo fiscal das demais atividades. Idêntica situação ocorreu com as bases negativas de cálculo da CSLL; verificase que a interessada efetuou, quanto ao prejuízo fiscal, a compensação de R$ 1.101.198,70 (um milhão, cento e um mil, cento e noventa e oito reais e setenta centavos). Tal montante não alcança o limite dos 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado. Sendo assim, não há óbice quanto a sua compensação; pela escrituração trazida aos autos, a interessada efetuou a compensação de base de cálculo negativa de R$ 3.911.301,75 (três milhões, novecentos e onze mil, trezentos e um reais e setenta e cinco centavos). Tal valor corresponde a 30% (trinta por cento) do montante imponível, não havendo, portanto, óbice a dita compensação; Assim restou ementado dito decisum: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 4 “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos na legislação de regência afasta a hipótese de ocorrência de nulidade do lançamento. PEDIDO DE PERÍCIA E/OU DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de perícia e/ou diligência, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que forem consideradas prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 ATIVIDADE GERAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITE DE 30%. Na apuração do lucro real, os prejuízos fiscais gerados na atividade geral poderão ser compensados com o lucro real da mesma atividade, observado o limite dos trinta por cento de que trata o art. 15 da Lei n° 9.065/95. ATIVIDADE RURAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS COM LUCRO REAL DA MESMA ATIVIDADE. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ESCRITURAÇÃO EM SEPARADO. O prejuízo fiscal apurado na atividade rural poderá ser compensado com o resultado positivo da mesma atividade, obtido em períodos de apuração posteriores, não se lhe aplicando o limite de 30% (trinta por cento) do lucro líquido ajustado, para fins de redução por compensação de prejuízos fiscais. O contribuinte deverá manter escrituração em separado dos demais resultados com o fim de segregar as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural de modo a permitir a determinação da receita líquida por atividade, bem como demonstrar, no LALUR, separadamente, o lucro ou prejuízo da atividade beneficiada com incentivo das demais atividades não incentivadas. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 18471.002163/200721 Acórdão n.º 1101000.498 S1C1T1 Fl. 3 5 ATIVIDADE RURAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS DA ATIVIDADE GERAL. POSSIBILIDADE. LIMITE DE 30%. Na apuração do lucro real, os prejuízos fiscais gerados na atividade geral poderão ser compensados com o lucro real da atividade rural, observado o limite dos trinta por cento de que trata o art. 15 da Lei n° 9.065/95. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2002 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA. COMPENSAÇÕES. ATIVIDADE GERAL E ATIVIDADE RURAL. À compensação de base de cálculo negativa de CSLL de atividade geral e de atividade rural, aplicamse as mesmas normas previstas na legislação de regência para as compensações de prejuízos fiscais. Impugnação Procedente. Crédito Tributário Exonerado.” A presidente recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fl. 392). É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: Tratase de Recurso de Ofício interposto face conta decisão de improcedência da exigência insculpida no presente Auto de Infração, por meio do qual se imputou, à autuada, originalmente, no anocalendário de 2002, a realização de compensação indevida de prejuízo fiscal, no valor de R$ 1.101.198,70 (um milhão, cento e um mil, cento e noventa e oito reais e setenta centavos), e de base de cálculo negativa de CSLL, no valor de R$ 3.911.301,72 (três milhões, novecentos e onze mil, trezentos e um reais e setenta e dois centavos). Observese que, para haver a compensação de prejuízos, imperioso se faz respeitar a chamada “trava” dos 30% (trinta por cento), positivada no artigo 510 do RIR/99: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 6 “Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do anocalendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passíveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470.” O contribuinte, em sua impugnação administrativa, sustentou que, em se tratando de exploradora de atividade rural, não estaria adstrita à trava dos 30% (trinta por cento). De fato, a pessoa jurídica que empresaria atividade rural não está sujeita ao limite imposto pelo dispositivo legal acima mencionado. Isso é o que dispõe o artigo 512 do RIR/99, in verbis: “Art. 512.O prejuízo apurado pela pessoa jurídica que explorar atividade rural poderá ser compensado com o resultado positivo obtido em períodos de apuração posteriores, não se lhe aplicando o limite previsto no caput do art. 510.” Porém, para fazer jus a este benefício, a pessoa jurídica que explorar outras atividades, além da rural, dever segregar, contabilmente, as receitas, os custos e as despesas, nos termos do artigo 1º da IN SRF nº 038/96: Art. 1º A pessoa jurídica que explorar outras atividades, além da atividade rural, deverá segregar, contabilmente, as receitas, os custos e as despesas referentes à atividade rural, das demais atividades, bem como demonstrar, no Livro de Apuração do Lucro Real, separadamente, o lucro Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 18471.002163/200721 Acórdão n.º 1101000.498 S1C1T1 Fl. 4 7 ou prejuízo contábil e o lucro ou prejuízo fiscal dessas atividades. § 1º A pessoa jurídica deverá ratear, proporcionalmente à percentagem que a receita líquida de cada atividade representar em relação à receita líquida total: a) os custos e as despesas comuns a todas as atividades; b) os custos e despesas não dedutíveis, comuns a todas atividades, a serem adicionados ao lucro líquido, na determinação do lucro real; c) os demais valores, comuns a todas as atividades, que devam ser computados no lucro real. § 2º Na hipótese de a pessoa jurídica não possuir receita líquida no anocalendário, a determinação da percentagem prevista no parágrafo anterior será efetuada com base nos custos ou despesas de cada atividade explorada. As declarações e os escritos trazidos aos autos, pertinentes à recorrida, não separaram, no entanto, o prejuízo fiscal apurado na atividade rural, conforme se pode depreender das demonstrações apresentadas na própria impugnação, relativas a saldos transferidos para a conta “prejuízo fiscal a compensar” do LALUR (fls. 210, 222 e 236): Portanto, não há, em princípio, como desconsiderar os 30% (trinta por cento), estando o contribuinte sujeito a dita limitação. Ainda que exercesse atividade rural, não logrou Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 8 a peticionária cumprir com a necessária separação de receitas e despesas, ao arrepio do que determina a legislação aplicável. Em todo caso, observese que a autuada efetuou compensação de prejuízo fiscal apenas até o importe de R$ 1.101.198,70 (um milhão, cento e um mil, cento e noventa e oito reais e setenta centavos), conforme ficha 9A da DIPJ/2003, ano calendário 2002 (fls. 358/362): Ora, não é difícil perceber que o total compensado correspondia a pouco mais de 8% (oito por cento) do lucro real apurado no período (R$ 609.222,61 + R$ 13.038.741,01 = R$ 13.647.963,62), mesmo se considerando todo este como oriundo do desenvolvimento de atividades não rurícolas. Não há, pois, crédito tributário a ser exigido. Passo a enfrentar agora, pois, a questão da compensação da base negativa da contribuição social, também sujeita ao limite de 30% (trinta por cento), nos moldes do artigo 16 da Lei 9.095/95: Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subsequentes, observado o limite máximo, de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ Processo nº 18471.002163/200721 Acórdão n.º 1101000.498 S1C1T1 Fl. 5 9 Da mesma forma que os prejuízos fiscais, a pessoa jurídica que explora atividade rural não está detida a 30% (trinta por cento). Para tanto, porém, é necessário haver segregação da base de cálculo negativa da CSLL de cada atividade, rurícola ou não. Mais uma vez a autuada não engendrou dita distinção, conforme consta de seu LALUR (fls. 216, 230 e 283). Devem ser considerados os saldos de base negativa, portanto, como provenientes das atividades gerais realizadas pela empresa. Ainda assim, da mesma forma que ocorreu com o prejuízo fiscal, não é árduo notar que a autuada respeitou o limite legal, compensando exatamente 30% (trinta por cento) da base de cálculo negativa, conforme demonstração do Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício, mantendo, in totum, a decisão recorrida. Sala das Sessões, em 30 de junho de 2011 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JUNIOR Relator Fl. 9DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ 10 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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Numero do processo: 10108.000378/2001-58
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL.
Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação deve ser
anterior ao fato gerador da obrigação tributária.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.168
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram provimento.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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MINISTÉRIO DA FAZENDA P .7 • v. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10108.000378/2001-58 Recurso n° 301-132.156 Especial do Procurador Acórdão o° 9202-00.168 — 2a Turma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado FAZENDA GUAICURUS LTDA. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação deve ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiad 91 por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rol- da de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes •i: Silva, Rycari,f, Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram pro ento. #441 C i OS ALBERT REITAS BA r Te - Presfl ente • CAIO ARCOS CA DIDO — Re tor dir EDITADO EM: 8 $E T 2009 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.. Relatório Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n°301-33.097, exarado na sessão de julgamento de 23 de agosto de 2006. A interposição do recurso de deu com supedâneo no inciso II do art. 5° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, vigente à época de sua interposição: Art. 5° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais julgar recurso especial interposto contra: (.) II. decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara de Conselho de Contribuintes ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Despacho em que se admite o recurso às fls. 222/224. A divergência jurispnidencial, que se quer seja solucionada nos presentes autos, resume-se a definir se, para fins de não incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matricula do imóvel no Registro de Imóveis competente, efetuada posteriormente à data de ocorrência do fato gerador, satisfaz a condição estabelecida na lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal Brasileiro), com a redação dada pelo § 2° do art. 16 da lei no 7.803, de 18 de julho de 1989, como entendeu o acórdão recorrido ou, se ao contrário, constitua-se condição essencial para a não incidência que a citada averbação tenha se dado em momento anterior à ocorrência do fato gerador do ITR. Contrarrazões ao recurso especial às fls. 232/236. É o relatório. Passo ao voto. 2 Processo n° 10108.000378/2001-58 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.168 • ; $. n Fl. 2 Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Recurso Especial de Divergência tempestivo. Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a comprovação da divergência na interpretação de lei tributária entre duas câmaras dos Conselhos de Contribuintes ou de turma da CSRF. A P Câmara do 3° Conselho de Contribuintes no acórdão recorrido decidiu: AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL. Não há sustentação legal para exigir averbação das áreas de reserva legal como condição ao reconhecimento dessas áreas isentas de tributação pelo ITR. Esse tipo de infração ao Código Florestal pode e deve acarretar sanção punitiva, mas que não atinge em nada o direito de isenção do ITR quanto a áreas que sejam de fato de preservação permanente, de reserva legal ou de servidão federal conforme definidas na Lei 4.771/65 (Código Florestal). O reconhecimento de isenção quanto ao ITR independe de averbação da área de reserva legal no Registro de Imóveis. A Fazenda Nacional recorre à instância especial sob a alegação de que deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização relativa à área de reserva legal, para fins de não incidência do ITR, tendo em vista que a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matricula do imóvel no Registro de Imóveis deveria ter sido efetuado antes de ocorrido o fato gerador, reportando-se, como paradigma de divergência, ao acórdão n° 302-36.585, de lavra da r Câmara do 3° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, na sessão de 02 de dezembro de 2004, em que restou consignado: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL — ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A área de reserva legal )1- somente será considerada para efeito de exclusão tributária e aproveitada do imóvel rural quando devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do referido imóvel, junto ao Registro de Imóveis competente, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos da legislação pertinente." Pelos excertos reproduzidos restou demonstrada a divergência entre decisões adotadas por duas Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes. Presentes os pressupostos, há que ser admitido o Recurso Especial. No mérito, o lançamento combatido trata do ITR realizado com fulcro na glosa da área declarada como sendo de reserva legal. 3 Conforme visto, a 1' e 2 Câmaras do 3° Conselho de Contribuintes divergem quanto à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador (condição prevista no Código Florestal Brasileiro (Lei n° 4.771, de 1965), incluída pelo § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 1989. A 3' Turma da CSRF vinha decidindo no sentido de que a comprovação da área declarada como de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, poderia dar- se por outros meios de prova, independendo da averbação de tal área à margem da matricula do imóvel rural no registro de imóveis competente ou mesmo de sua averbação posterior. Neste sentido reproduzo a ementa do acórdão CSRF/03-05.505, de 12 de novembro de 2007: Ementa: ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. - A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente de sua prévia averbação no cartório competente, e seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbação procedida posteriormente à data do fato gerador. Peço vênia para discordar do posicionamento, então adotado, pelas razões a seguir apresentadas. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (.) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Conforme visto, a definição do que seja "área de reserva legal" encontra-se estabelecida no § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n°7.803, de 1989: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. 4 Processo n° 10108.000378/2001-58 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.168 Fl. 3 Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja-se o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.1561DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação - posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n°4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 10 da lei n° 7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei n° 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2° do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (-) 2° A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considera-se constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Tendo em vista que a averbação imposta em lei para constituição da reserva legal só foi realizada posteriormente à ocorrência do fato gerador, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial de divergência. 11110 110 Caio arcos Candido - Relator é , 6
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Numero do processo: 10830.001377/99-06
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2002
Ementa: DECADÊNCIA – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, em caso de situação fática conflituosa, inicia-se a partir da data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela administração tributária.
Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e não provido.
Numero da decisão: CSRF/01-04.115
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão e Verinaldo Henrique da Silva.
Nome do relator: José Carlos Passuello
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PRIMEIRA TURMA Processo n.° . 10830 001377/99-06 Recurso n ° 106-123622 (RP/106-0 627) Matéria I RPF - PDV Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : CLAINOR DE SANTIS Recorrida . 6' CÂMARA DO 1° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de . 20 DE AGOSTO DE 2002 Acórdão n°. CSRF/01-04 115 DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, em caso de situação fática conflituosa, inicia-se a partir da data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela administração tributária Recurso especial da Fazenda Nacional conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Leila Maria Scherrer Leitão e Verinaldo Henrique da Silva .-;-,;,;- ,---------- _-,.--,.,.,,.:.----..-,#-: - ,,..,_ _ _ „ ti- • , 1 • --, -,• • - em- ,,,, , PRESfln -490,r" ' / À(7,4~ JOSÉ/ AR OS PASSUEL O RE dr OR FORMALIZADO EM. 0 9 ril.: 7 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, REMIS ALMEIDA ESTOL, 2 Processo n ° 10830 001377/99-06 Acórdão n.° CSRF/01-04 115 ZUELTON FURTADO, WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, JOSÉ CLOVIS ALVES, CALOS ALBERTO GONÇALVES NUNE., MA . OEL ANTONIO GADELHA DIAS e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. 'í 2 3 Processo n°. 10830001377/99-06 Acórdão n,° CSRF/01-04 115 Recurso n.° . 106-123614 (RP/106-0 655) Recorrente FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fulcro no art. 32, I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes 1 (fls. 56 a 68), que teve seguimento apoiado no Despacho n° 106- 1,560 (fls. 69 e 70). A decisão recorrida, da 6a Câmara, está consubstanciada no Acórdão n° 106-11.832 (fls., 50 a 54), cuja decisão foi tirada por maioria, e tem como ementa: "DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente, em caso de situação tática conflituosa, inicia-se a partir da data em que o contribuinte viu seu direito reconhecido pela administração tributária, PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA — Em tendo sido afastada por este Conselho a preliminar de decadência do requerimento, devem os autos retornar à repartição de origem para apreciação da contenda. Decadência afastada " o Ilustre Relator, Dr. Wilfrido Augusto Marques, resumidamente, assim colocou a questão, na peça decisória: "Consoante exposto pelo Ilustre Conselheiro José Antônio Minatel, da 88 Câmara deste Conselho, por ocasião do julgamento do RV 118858, para inicio da contagem do prazo Art 32 Caberá recurso especial à Câmara Superior de Rec sos iscais I - de decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à ei • à evidência da prova, e ( ) I 3 \ Ws' 4 Processo n..° 10830.001377/99-06 Acóidão n.°. CSRF/01-04 115 decadencial há que se distinguir a forma como se exterioriza o indébito Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação tática não litigiosa, o prazo para pleitear restituição tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução administrativa conflituosa, o prazo deve iniciar a partir do reconhecimento pela Administração do direito à restituição Neste sentido também os acórdãos 106-11221 e 106-11261, todos da lavra desta Egrégia Câmara. Ora, o caso presente é exatamente este Anteriormente à edição da Instrução Normativa SRF n° 165/98 acreditavam os contribuintes que a retenção na fonte era legal e, por isso, não tinham como pleitear a restituição do valor. Posteriormente a essa, contudo, tiveram conhecimento de que o valor havia sido retido ilegalmente e injustamente, pelo que somente a partir deste momento nasceu o direito à restituição. Veja-se que a edição de tal instrução criou uma situação de direito até então inexistente. Em sendo assim, o termo a quo para a contagem do prazo decadencial do pedido de restituição deve ter início em tal data Assim sendo, entendo que in casu o pedido de restituição formalizado pelo contribuinte não foi atingido pelo instituto da decadência Afastada a preliminar de decadência, devem ser os autos remetidos à repartição de origem para que esta aprecie o mérito da contenda, sob pena de supressão de instância, Ante o exposto, conheço do recurso e dou-lhe provimento para tão somente afastar a decadência do direito de pleitear a restituição, determinando sejam os autos devolvidos à repartição de origem para que seja apreciado o mérito da lide " O Douto Procurador da Fazenda Nacional, após extenso arrazoado, veio (fls.. 67) assim finalizar seu pedido: "Portanto, Sr. Relator: primeiro, não há qualquer contradição entre os efeitos da decisão de inconstitucionalidade do Poder Judiciário no controle direto e no controle difuso (em virtude da qual a IN n° 165/98 foi editada) e a decadência do direito à restituição, se.qundo, o termo a quo da decadência é a data da extinção do crédito tributário (que ocorre com o pagamento), saiba o contribuinte ou não qu- ag o u indevidamente,' terceiro o art 168, I do Código Tribli " depende completamente da 4 5 Processo n° 10830 001377/99-06 Acórdão n° CSRF/01-04 115 data da decisão de inconstitucionalidade, quarto, a decisão de inconstitucionalidade deve respeitar, tal qual toda e qualquer lei, as situações definitivamente constituídas; quinto, exatamente porque passados cinco anos da data do pagamento (que extinguiu o crédito), o contribuinte perde o direito à repetição (art.. 168, I do Código Tributário) e a decisão de inconstitucionalidade, qualquer que seja ela, não pode mais atingir essa situação que, bem o mal, justa ou injustamente, já definitivamente se consolidou, sexto para a intercorrência da prescrição, o Código não exige o prévio conhecimento que o contribuinte pagou indevidamente, sétimo, o choro de contribuintes pela perda de uns míseros cruzeiros Enfim, como diz velho brocardo jurídico, universalmente conhecido e repetido, o Direito não protege os que dormem Pelo exposto, requer a Fazenda Nacional que V. Ex,a dê provimento a este Recurso Especial, mantendo a douta decisão monocrática que considerou caduco pedido de restituição, por corresponder à melhor exegese do dispositivo tributário." (destaques no original) Portanto, a questão é claramente posta e se busca o deslinde à dúvida sobre a data que deve ser adotada como sendo inicializadora da contagem do prazo decadencial, para a hipótese de tributo tratado na Instrução Normativa n° 165/98, relativamente à incidência do imposto de renda devido por pessoas físicas referente a verbas indenizatórias pagas em decorrência de incentivo à demissão voluntária (PDV) O recurso especial ateve-se exclusivamente à tese acerca da contagem do prazo decadencial, deixando de lado a apreciação da prova ou da efetiva natureza indenizatória da verba sobre a qual se questiona a tributação, o que restringe a discussão à matéria de direito, unicamente Assim se apresenta o processo para julgamento do recurso especial É o relatório, 11., r`- 5 6 Processo n,° 10830001377/99-06 Acórdão n° CSRF/01-04 115 VOTO CONSELHEIRO JOSÉ CARLOS PASSUELLO, RELATOR O recurso especial foi devidamente acolhido e deve ser apreciado A divergência discutida é única e diz respeito tão somente ao prazo conferido ao contribuinte que sofreu indevidamente retenção do imposto de renda na fonte sobre rendimentos decorrentes de Plano de Desligamento Voluntário (ou de Demissão Voluntária) — PDV. A par da argumentação expendida pela Fazenda Nacional, de que o prazo para o contribuinte pleitear a devolução das parcelas indevidamente gravadas pelo imposto de renda na fonte se iniciaria da data da retenção e se extinguiria em cinco anos, na forma do artigo 168, I, do Código Tributário Nacional 2 , data em que se teria como extinto o crédito tributário. A questão, porém, não é tão simples e já encontra posicionamento firme em todo Primeiro Conselho de Contribuintes, inclusive nesta Câmara., Como bem ressaltou o Conselheiro Remis Almeida Estol, ao proferir o voto condutor da decisão consubstanciada no Acórdão n° CSRF/01-03.593 (processo n° 13706,001667/99-92), de 05. 1.2101, casos semelhantes ao presente guardam diferenças fundamentas ao r- ig , nio simplista da tese trazida no recurso especial. 1 2 Art 168 - O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; ( ) 6 7 Processo n° 10830 001377/99-06 Acórdão n° CSRF/01-04 115 Por ter termos mais precisos do que eu poderia produzir, transcrevo os argumentos trazidos no voto citado, de onde posso extrair, principalmente "Nesse contexto, cumpre inicialmente enfrentar a questão do termo inicial do prazo decadencial, especificamente em relação ao pedido de restituição do imposto retido na fonte, incidente sobre a verba percebida por força da adesão ao Programa de Desligamento Voluntário Antes de mais nada, é da maior importância ressaltar que não estamos diante de um recolhimento espontâneo feito pelo contribuinte, mas de uma retenção compulsória efetuada pela fonte pagadora em obediência a um comando legal, então válido, inexistindo qualquer razão que justificasse o descumprimento da norma Feito isso, me parece induvidoso que o termo inicial não seria o momento da retenção do imposto, isto porque o Código Tributário Nacional, em seu artigo 168, simplesmente não contempla esta hipótese e, por outro lado, a retenção do imposto pela fonte pagadora não extingue o crédito tributário, isto porque não se trata de tributação definitiva, mas apenas antecipação do tributo devido na declaração. Da mesma forma, também não vejo a data da entrega da declaração como o momento próprio para o termo inicial da contagem do prazo decadencial para o requerimento da restituição Tenho a firma convicção de que o termo inicial para a apresentação do pedido de restituição está estritamente vinculado ao momento em que o imposto passou a ser indevido. Antes deste momento as retenções efetuadas pelas fontes pagadoras eram pertinentes, já que em cumprimento de ordem legal, o mesmo ocorrendo com o imposto devido apurado pelo contribuinte na sua declaração de ajuste anual. Isso significa dizer que, anteriormente ao ato da Administração atribuindo efeito "erga omnes" quanto a intributabilidade das verbas relativas aos chamados PDV, objetivada na Instrução mativa n° 165, de 31 de dezembro de 1998, tanto o em. , egaoor quanto o contribuinte nortearam 7 , 8 Processo n ° 10830 001377/99-06 Acórdão n°. CSRF/01-04 115 seus procedimentos adstritos à presunção de legalidade e constitucionalidade próprias das leis. Concluindo, não tenho dúvida de que o termo inicial para a contagem do prazo para requerer a restituição do imposto retido, incidente sobre a verba recebida em decorrência da adesão ao Plano de Desligamento Voluntário é a data da publicação da Instrução Normativa n° 165, ou seja, 06 de janeiro de 1999, sendo irrelevante a data da efetiva retenção que, no presente caso, não se presta para marcar o início do prazo extintivo Comungo da certeza de que uma visão diferente, fatalmente levaria a situações inaceitáveis como, por exemplo, o reconhecimento pela administração pública de que determinado tributo é indevido quando já transcorrido o prazo decadencial para o contribuinte pleitear a restituição, constituindo verdadeiro enriquecimento ilícito do Estado e tratamento diferenciado para situações idênticas, o que atentaria, inclusive, contra a moralidade que deve nortear a imposição tributária. Assim, com essas considerações, meu voto é no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial formulado pelo ilustre representante da Procuradoria da Fazenda Nacional." Essa posição, com a qual me perfilho, embasa meu voto, no mesmo sentido e no sentido convergente da jurisprudência dominante nas diversas Câmaras do Colegiado. Assim, diante do que consta do processo, voto por conhecer do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, negar-lhe provimento. Sala d- s Sessões1- DF, em 20 de agosto de 2002 e i, # n ,,, ,fr i-ie.4k : , 'i JO*4 CAOS L PASSUELLO 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 15586.000701/2005-03
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004
COISA JULGADA. DIREITO ADQUIRIDO.
OS limites da lide e da coisa
julgada reportam-se à norma jurídica aplicada aos fatos e não albergam a pretensão do recorrente de projetar os efeitos da sentença para além da vigência do seu suporte normativo.
MOLÉSTIA GRAVE - ISENÇÃO.
A comprovação da moléstia grave deve ser efetuada por meio de laudo ou parecer emitido por serviço médico oficial, e somente terá efeito a partir da data do laudo ou da data de ocorrência da moléstia quando determinada no laudo.
INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO.
O percentual mínimo de aplicação
da multa de oficio é de 75% (setenta e cinco por cento), consoante determina O artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC
A Súmula n° 4 do 1° CC dispõe que a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3301-000.063
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara
da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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DIREITO ADQUIRIDO. OS limites da lide e da coisa julgada reportam-se à norma jurídica aplicada aos fatos e não albergam a pretensão do recorrente de projetar os efeitos da sentença para além da vigência do seu suporte nonnativo. MOLÉSTIA GRAVE - ISENÇÃO. A comprovação da moléstia grave deve ser efetuada por meio de laudo ou parecer emitido por serviço médico oficial, e somente terá efeito a partir da data do laudo ou da data de ocorrência da moléstia quando determinada no laudo. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. O percentual mínimo de aplicação da multa de oficio é de 75% (setenta e cinco por cento), consoante determina O artigo 44, inciso I, da Lei nO9.430, de 1996. JUROS DE MORA - TAXA SELIC - A Súmula n° 4 do 1° CC dispõe que a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. Recurso negado. ACORDAM os Membros da Primeira Tunna Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos tennos do voto do relator. Processo n° 15586.00070l/2005-Q]., Acórdão n.o 3301-00.063 JOSÉ RAI Relator .Ã~ PESSOA MONTEIRO OSTA SANTOS S3-C3T1 Fl.172 FORMALIZADO EM: o 3 JUN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rubens Mauricio Carvalho (Suplente), Núbia Matos Moura, Alexandre Naoki Nishioka, Sidney Ferro Barros (Suplente), Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a refonna do Acórdão DRJ/RJO II nO13-16.491, de 28/06/2007 (fls. 143/154), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o 1ançainento. - As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados pelo contribuinte foram sumariados pela pelo Órgão julgador a quo nos seguintes tennos: Em 16 de novembro de 2005, foi lavrado contra o contribuinte o auto de infração de fls.66/73, em face da utilização indevida de decisão obtida em Mandado de Segurança, já que declarou, nos anos-calendário 2000, 2001, 2002 e 2003 seus rendimentos de aposentadoria como isentos. O crédito tributário perfaz o montante de R$ 338.322,54 (trezentos e trinta e oito mil, trezentos e vinte e dois reais e cinqüenta e quatro centavos), restando discriminado às fls. 67 e 72 dos autos os dispositivos legais adequados para dar amparo ao lançamento. Inconfonnado, o interessado ingressou com a impugnação de fls.79/86, instruída com os documentos de fls. 101/129,a1egando, em síntese que: l.em face de ser aposentado e maior de 65 anos e de ter como fonte exclusiva de renda os beneficios de sua aposentadoria, propôs, litisconsorciado com outros em idêntica situação, Mandado de Segurança (Processo. n° 94.0001527-5) com vistas a obter declaração da imunidade que era prevista no art. 153, S 2°,II da CF; 2.a segurança foi concedida e confirmada no Egrégio TRF 2a Região, bem como no STJ e STF; 2 Processo n° 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 S3-C3T1 FI. 173 3. em face das referidas sentença e Acórdãos e a partir do seu trânsito em julgado, não teve o IR recolhido na fonte, nem mesmo deveria fazê-lo mediante declaração de ajuste; 4. contudo, em 16/12/1998, a Emenda Constitucional(EC) nO20, em seu art. 17 revogou o citado inciso II do S 2° do art. 153 da Constituição Federal; 5. com esta supressão de dispositivo, a Receita Federal, após longos sete anos (2005 - 1998 = 7 anos), achou por bem tomar a exigir do contribuinte os valores relativos ao imposto de renda; 6. para tanto, a fiscalização efetuou o lançamento dos valores do imposto de renda pessoa física que considerou devido após o início da vigência da EC n° 20, ou seja, os anos-calendário 2000, 2001, 2002 e2003; 7. além do imposto que considerou devido, a autuante lançou a multa de ofício e juros de mora; 8. contudo, tal cobrança não pode persistir haja vista a sua ilegitimidade que decorre de "agressões" (sic) à princípios fundamentais da Constituição Federal e à legislação federal; 9. na hipótese de que Emenda Constitucional possa suprimir dispositivo relativo à imunidade a impostos, a pretensão da Receita em cobrar o imposto de renda do contribuinte não pode persistir haja vista o seu direito adquirido; 10.0 art. 153, S2°,II, revogado pela Emenda Constitucional n° 20/98 dispunha o seguinte: " Não incidirá, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão, pagos pela previdência social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, a peSsoa com idade superior a sessenta e cinco. anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimentos do trabalho. " .. 11.0 dispositivo acima, airida que mencione " não incidência", trata de imunidade tributária, confonne entende a doutrina e os tribunais pátrios; "Segundo entende Roque Carrazza, não obstante o art. 153, S2°, II, da CF, tratar de norma de eficácia limitada, enquanto não sobreviesse a Lei Complementar por se tratar de limitação ao poder de tributar, ela deveria produzir todos os efeitos como se de eficácia plena fosse. Ou seja, o gozo de uma liberdade (Direito Fundamental), não pode ficar a mercê de iniciativas do Poder Legislativo, mesmo por que exigem um Status Negativus Libertatis"; entende, assim, que não é outro sentido da Decisão da qual se beneficia: A regra imunizante do art. 153, S2°,II, da CF , possui eficàcia plena.A título de reforço de seu entendimento, cita jurisprudência do STJ, muito emborfl reconheça que tal citação seja imprestável para fazer frente aos seus direitos; 3 Processo n° 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 S3-C3T1 FI. 174 a aplicabilidade imediata e plena da regra imunizante foi deferida ao interessado mediante uma decisão com trânsito em julgado ( Sentença e Acórdãos em MS) cujos efeitos não podem se desviar, possuindo, assim, direito adquirido à imunidade ao imposto de renda pessoa fisica; a proteção ao direito adquirido mereceu garantia expressa na própria Constituição da República ( art. 5° XXXVI) bem como na Lei de Introdução ao Código Civil (art. 6°); os dispositivos citados tratam do princípio da segurança jurídica, ou seja, que pretendem agregar segurança ao sistema jurídico , impedindo que transformações legislativas venham prejudicar situação prévia já tutelada e, portanto, certa; como se não bastassem os dispositivos citados, o Poder Constituinte derivado estabeleceu dispositivo" didático" na própria Emenda n020/98, para tutelar a transição; aliás, é esta a ementa da referida Emenda:" Modifica o sistema de previdência social, estabelece normas de transição e dá outras providências"; eis a regra "didática" sobre a transição: Art.3° g 3° são mantidos todos os direitos e garantias assegurados nas disposições constitucionais vigentes à data de publicação desta emenda aos servidores e militares, inativos e pensionista, aos anistiados e aos ex-combatentes, assim como àqueles que já cumpriram, até aquela data, os requisitos para usufruírem tais direitos, observado o disposto no art. 37,XI, da Constituição Fede;'al. "(g.n.),' neste sentido é imperioso o respeito aos direitos adquiridos pelo contribuinte e o conseqüente cancelamento dos tributos recorridos, bem como do auto de infração lavrado pelo seu não recolhimento; alega, ainda, ser portador de cardiopatia grave o que faz-lhe incidir a regra de isenção tributária prevista na Lei n° 7.713/88, art. 6°, inciso XIV; infonna que aguarda processo administrativo para apuração da cardiopatia grave e da concessão do beneficio da isenção do imposto de renda, junto ao SEGRE - processo administrativo nO320095695; para qualquer apuração que se fizer necessária, se predispõe para, se preciso for, se submeter a perícia médica para avaliação do seu quadro clínico; se os motivos de fato e de direito não forem suficientes para convencer os julgadores, o autuado pretende ver-se livre da obrigação de pagar a multa de ofício e dos juro moratórios em vista da sua boa fé; 4 Processo n° 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 S3-C3T1 FI. 175 a instabilidade gerada no sistema jurídico deveu-se a um ato Estatal (edição de EC). Portanto,imputar ao requerente o pagamento de juros e multa é inverter a responsabilidade sobre a referida instabilidade; quem incidiu em mora é o Estado (Receita Federal), que deveria ter notificado o autuado da alteração do regime jurídico bem como ter dado preferência o processo de constituição do auto de infração; argúi, ainda, que a Constituição da República, em seu art. 230 , e a Lei n° 10.74112003, tutelam a proteção do idoso, garantindo-o acesso preferencial, inclusive, em processos e procedimentos administrativos; por fim, contesta os cálculos do imposto de renda que acompanham o auto de infração, razão pela qual faz juntada de cálculos em que se aponta para valores inferiores aos cobrados pela Receita Federal (fls. 126/129); por fim, protesta provar o alegado por prova documental, pericial e testemunhal, caso necessário. Em 14/11/2006 o processo foi encaminhado à SECATIDRF?VITÓRIA, por intennédio do Despacho DRJ/RJO-Il/Secoj n00332912006 (fls. 131/132) para intimar o contribuinte a apresentar documentação específica, razão pela qual foram anexados aos autos a . petição de fls. 136/139, reiterando alguns tópicos de sua peçadefensória, e anexar os documentos de fls. 140/141. Tendo em vista a menção feita pelo contribuinte no corpo de sua impugnação à proteção constitucional ao idoso (Lei n° 10.74112003) foi dada prioridade à tramitação do presente processo. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 DIREITO ADQUIRIDO. Quando decisão judicial transitada em julgado tem seu dispositivo legal revogado por Emenda Constitucional, inexiste a obrigação da parte vencida em cumprir a sentença favorável ao vencedor. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Compõem a base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual do beneficiário, os rendimentos provenientes de aposentadoria e pensão pagos a pessoa com idade superior a 65 anos, que excederem o limite de isençqo estabelecido em lei. MOLÉSTIA GRA VE - ISENÇÃOA comprovaçào da moléstia grave deve ser efetuada por meio de laudo ou parecer emitido por serviço médico oficial, e somente terá efeito a partir da data 5 Processo n° J 5586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 do laudo ou da data de ocorrência da moléstia quando determinada no laudo. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA REGULAMENTARES. São aplicáveis sobre o valor de imposto apurado em auto de infração a multa de oficio e os juros de mora previstos na legislação de regência. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Indefere-se o pedido de perícia que, além de não ter observado os requisitos previstos no art. 16, inciso IV, ~ 1°, do Decreto 70.235/72, se revela impraticável e protelatória da decisão. Lançamento Procedente S3-C3T1 FI. J 76 ~---- ------- o recurso voluntário interposto (fls. 160/169) repIsa as mesmas questões suscitadas em sede de impugnação. É o relatório. Voto o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Do exame das peças processuais, firmo entendimento de que a decisão de primeiro grau não merece reparos. Com efeito, a exigência tributária em exame não está afrontando a coisa julgada nem o direito adquirido do contribuinte, porquanto dirigida, tão-somente, para os fatos geradores do imposto de renda ocorridos em momento posterior à Emenda Constitucional n° 20, DOU de 16/12/1998. A atividade do lançamento poderia ser efetuada, para fins de cumprimento da nova regra vigente, até o prazo estabelecido no artigo 150, S 4°, ou artigo 173 do CTN, razão pela qual não procede a insurgência do recorrente quanto ao lançamento efetuado no ano de 2005, em relação aos anos-calendário de 2000 a 2003. Da mesma forma com que o autuado teve a iniciativa de buscar a tutela jurisdicional, não havia obstáculo algum para que espontaneamente ajustasse suas contas com o fisco, após a edição da referida Emenda. Constata-se que a demora do fisco inclusive o beneficiou, pela decadência do direito de constituir o crédito em relação ao ano de 1999. O Estatuto do Idoso não possui regramento para a hipótese em tela, até porque somente passou a existir processo fiscal em tramitação após a lavratura deste Auto de Infração. A decisão judicial que albergava o reconhecimento do direito conquistado através da Ação Mandamental de n° 94.0001527-5 foi obedecida, enquanto vigente a ordem jurídica por ela disciplinada. A imunidade do artigo 153, S 2°, inciso II, da Constituição Federal, poderia, por prescrição da própria regra que a instituiu, sofrer restrições através de lei complementar - instrumento nonnativo competente para disciplinar as limitações constitucionais ao poder de tributar - consoante entendimento expresso na Sentença às fls. ~ 6 Processo n° 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 S3-C3T1 FI. 177 31140, com arrimo em doutrina e jurisprudência majoritária. Segundo manifestação do Relator Carreira Alvim do Tribunal Regional Federal da 23 Região (fls. 46), os limites impostos pelo artigo 10, inciso V, da Lei nO8.383, de 1991, deveriam ser disciplinados por lei complementar, e enquanto esta não fosse editada, estabelecendo os limites atinentes à imunidade, a regra constitucional que a instituiu é de eficácia direta, imediata e plena. Efetivamente os limites da lide e da coisa julgada reportam-se à norma jurídica concreta aplicada aos fatos e não albergam a pretensão do recorrente de projetar os efeitos da sentença para além da vigência do seu suporte normativo. Inexistindo a lei reclamada pelo texto constitucional (LC), a regra inibidora da tríbutação não poderia sofrer limitações por meio de lei ordinária. Tal conclusão é insofismável. Se a norma complementar poderia impingir restrições ao direito do contribuinte, com muito mais razão o poderá a própria norma constitucional, veiculada através da Emenda Complementar nO20. Enquanto esteve em vigor o artigo 153, S 2°, inciso lI, da Constituição Federal, houve o mais absoluto respeito à coisa julgada e ao direito adquirido do contribuinte, ou seja, à imunidade ao IR, por este auferir proventos de aposentadoria pagos pelo Estado e ter idade superior a sessenta e cinco anos, e renda total constituída, exclusivamente, de rendimentos do trabalho. Não houve, portanto, qualquer violação ao princípio da segurança jurídica. A coisa julgada e o direito adquirido pelo contribuinte, no presente caso, sempre estiveram sujeitos a limitações, por via de lei complementar ou por alteração da própria Constituição Federal. Quanto ao argumento suscitado pelo contribuinte relativamente ao art. 3° S 3° da Emenda Constitucional nO20, 1998, cabe esclarecer que os direitos mantidos e às garantias assegurados nas disposições constitucionais vigentes à data de publicação desta emenda foram aqueles direcionados aos servidores e militares, inativos e pensionistas, aos anistiados e aos ex- combatentes, assim como àqueles que já cumpriram, até àquela data, os requisitos para usufruírem tais direitos, observado o disposto no art. 37, XI, da Constituição Federal, que não se aplica ao caso em exame, pois tratam dos limites aplicáveis às remunerações, proventos e pensões, pagas pela administração direta, autárquica e fundacional dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Em relação ao direito a Isenção dos proventos de aposentadoria, aos portadores de molésti a f,'Tave,vejamos o que dispõe a Lei n° 7.713/88, art. 6°, inciso XIV, com a redação com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004: Art. 6" Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (..) XIV - os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hansenÍase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radioçào, sÍndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusào da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; " 7 Processo nO 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 S3-C3T1 FI. 178 A partir do ano-calendário de 1996, deve-se aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: o artigo 30 da Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995 dispõe: Art. 30 - A partir de 1()de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nO8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (g. n.) A Instrução Normativa SRF nO15, de 06 de fevereiro de 2001, ao normatizar o disposto no art. 6°, XIV, da Lei nO7.713, de 1988, e alterações posteriores, assim esclarece: Art. 5° Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: ( ..) XII - proventos de aposentadoria ou reforma motivadas por acidente em serviço e recebidos pelos portadores de moléstia ( ...) 1° A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XITTI, solicitada a partir de 1()de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. (g.n.). ~ 2" As isenções a que se referem os incisos XI! e XXXV aplicam- seaos rendimentos recebidos a partir: 1- do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for preexistente; II - do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municipíos, que reconhecer amoléstia, se estafor contraída após a concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; 111- da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. " (g.n.) Conforme claramente indicado no voto condutor do Acórdão recorrido, de acordo com o texto legal,depreende-se que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reporta-se à natureza dos valores recebidos, que devem ser' proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal. Inicialmente, faz-se mister ressaltar que um dos requisitos essenCIals à concessão da isenção foi preenchido pelo interessado já que consta do processo cópia do D.a 8 Processo nO 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 S3-C3Tl FI. 179 de 13/07/84, onde consta a infonnação de que foi concedida aposentadoria, a partir de 17/8/1983, ao Sr. Alcides do Amaral Semblano (fls. 141). Quanto ao outro requisito indispensável à concessão da isenção, é de se destacar que, analisando-se o laudo pericial de fls. 140, constata-se que o interessado é portador de cardiopatia grave, doença esta compatível com o CID (I 25), ressaltando-se, entretanto, que neste laudo contém a informação de que a data de início dos sintomas comprovados da doença ocorreu em 09/05/2005. É de se acrescentar que, apesar de o contribuinte se predispor a se submeter à perícia médica para avaliação de seu quadro clínico, o laudo pericial que ele acostou aos autos, foi expedido pelo Instituto de Previdência e Assistência dos Servidores do Estado do Espírito Santo - IPAJM (serviço médico oficial), e é um instrumento hábil para a comprovação da cardiopatia grave que possui, foi diagnostica em 09/05/2005 , e, em conseqüência, para formar a convicção do julgador de que o autuado não era portador de moléstia grave nos anos- calendário de 2000 a 2003, de que trata a presente lide fiscal. Assim, não havendo matéria de fato a ser esclarecida, desnecessária a realização de diligências ou perícias. Nestas circunstâncias, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Compete privativamente à. autoridaôe administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O parágrafo único do artigo 142 do CTN ainda acrescenta: "A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Em relação à multa de oficio, confira-se o que dispõe o enquadramento legal indicado no Auto de Infração (artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996), verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 11 - cento e cinqüenta por cento, 110S casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifei) Pela letra da lei, sempre que o lançamento do crédito tributário for realizado pelos Agentes do Fisco, há que ser exigida a multa de ofício no percentual de 75%, nos casos de falta de pagamento, falta de declaração, declaração inexata, ou de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos 3liigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Considerando a boa-fé do contribuinte, foi aplicada a multa de 75%. A única previsão legal de abrandamento da multa está contida no artigo 6° da Lei nO8.218, de 1991, que prevê a redução de cinqüenta por cento da multa de lançamento de ofício, ao contribuinte que, notificado, 9 Processo nO 15586.000701/2005-03 Acórdào n.o 3301-00.063 S3-C3Tl FI. 180 efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação. Se houver impugnação tempestiva, a redução será de trinta por cento, se o pagamento do débito for efetuado dentro de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Da mesma fonna, a exigência dos juros moratórios decorre da falta de pagamento do imposto de renda, conforme previsto no artigo 161, do Código Tributário Nacional: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 81()Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. A cobrança dos juros de mora não tem caráter punitivo, a sua incidência visa compensar o período de tempo em que o crédito tributário deixou de ser pago. Paulo de Barros Carvalho, eminente tratadista do Direito Tributário, (Curso de Direito Tributário, 9a edição, Editora Saraiva: São Paulo, 1997, p. 337), discorre sobre as características dos juros moratórios, imprimindo-lhes um caráter remuneratório pelo tempo em que o capital ficou com o administrado a mais que o permitido: (..) Sobre os mesmos fundamentos, os juros de mora, cobrados na base de 1% ao mês, quando a lei não dispuser outra taxa, são tidos por acréscimo de cunho civil, à semelhança daqueles usuais nas. avenças de direito privado. Igualmente aqui não se lhes pode negar feição administrativa. Instituídos em lei e cobrados mediante atividade administrativa plenamente vinculada, distam de ser equiparados aos juros de mora convencionados pelas partes, debaixo do regime da autonomia da vontade. Sua cobrança pela Administração não tem fins punitivos, que atemorizem o retardatário ou o desestimule na prática da dilação do pagamento. Para isso atuam as multas moratórias. Os juros adquirem um traço remuneratório do capital que permanece em mãos do administrado por tempo excedente ao permitido. Essa particularidade ganha realce, na medida em que o valor monetário da divida se vai corrigindo, o que presume manter-se constante com o passar do tempo. Ainda que cobrados em taxas diminutas (1% do montante devido, quando a lei não dispuser sobre outro valor percentual), os juros de mora são adicionais à quantia do débito, e exibem, então, sua essência remuneratória, motivada pela circunstância de o contribuinte reter consigo importância que não lhe pertence. Após inúmeros debates a respeito da legalidade e constitucionalidade da utilização da taxa SELIC para fins tributários, no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes foi editada a Súmula n° 4, de aplicação obrigatória neste Órgão: Súmula 10 CC 11o 4: A partir de 1 {J de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de 10 Processo n° 15586.000701/2005-03 Acórdão n.o 3301-00.063 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. S3-C3T1 FI. 181 11 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011
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Numero do processo: 10980.001875/2009-32
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO DEMONSTRADO.
O lançamento sub examine se lastreia tão-somente nas provas que constam deste processo, sendo irrelevante qualquer documento que não tenha sido trazido aos autos pela autoridade lançadora. Sendo inconcusso que a recorrente teve acesso as peças deste processo, não há falar que tenha havido cerceamento do seu direito de defesa.
DECADÊNCIA. REGRA DO ART. 173 , I, DO CTN.
Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, aplica-se a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pela qual o dies a quo do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia efetuar o lançamento.
RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS.
Demonstrada à exaustão a omissão dos ganhos nas operações vermelha, azul, verde e rebate, conforme denominação cunhada pela própria recorrente nos seus relatórios confidenciais, devem ser mantidos os lançamentos.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
Recusando-se a contribuinte a informar a origem dos depósitos bancários, há que se presumir que tais valores são receitas omitidas.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, com o fito de omitir do Fisco os ganhos nas operações de importação, há que se manter a multa qualificada no percentual de 150% nos lançamentos tributários sobre as receitas não contabilizadas
Há que se manter a multa qualificada, quando a contribuinte age visando impossibilitar o conhecimento do Fisco de indício (depósito bancário de origem não comprovada) que levaria à presunção de omissão de receitas.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL.
Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa c efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1302-001.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros: Márcio Frizzo, que dava provimento parcial para reduzir a multa de ofício relativa ao item 002 da autuação (depósitos bancários de origem não comprovada) e exonerava parcialmente o crédito relativo ao item 001 (receitas não contabilizadas); e Paulo Cortez, que dava provimento para reduzir a multa de ofício relativa ao item 002 (depósito bancário de origem não comprovada)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO DEMONSTRADO. O lançamento sub examine se lastreia tão-somente nas provas que constam deste processo, sendo irrelevante qualquer documento que não tenha sido trazido aos autos pela autoridade lançadora. Sendo inconcusso que a recorrente teve acesso as peças deste processo, não há falar que tenha havido cerceamento do seu direito de defesa. DECADÊNCIA. REGRA DO ART. 173 , I, DO CTN. Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, aplica-se a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pela qual o dies a quo do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia efetuar o lançamento. RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Demonstrada à exaustão a omissão dos ganhos nas operações vermelha, azul, verde e rebate, conforme denominação cunhada pela própria recorrente nos seus relatórios confidenciais, devem ser mantidos os lançamentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recusando-se a contribuinte a informar a origem dos depósitos bancários, há que se presumir que tais valores são receitas omitidas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, com o fito de omitir do Fisco os ganhos nas operações de importação, há que se manter a multa qualificada no percentual de 150% nos lançamentos tributários sobre as receitas não contabilizadas Há que se manter a multa qualificada, quando a contribuinte age visando impossibilitar o conhecimento do Fisco de indício (depósito bancário de origem não comprovada) que levaria à presunção de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Tratando-se de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa c efeito que os vincula.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO DEMONSTRADO. O lançamento sub examine se lastreia tãosomente nas provas que constam deste processo, sendo irrelevante qualquer documento que não tenha sido trazido aos autos pela autoridade lançadora. Sendo inconcusso que a recorrente teve acesso as peças deste processo, não há falar que tenha havido cerceamento do seu direito de defesa. DECADÊNCIA. REGRA DO ART. 173 , I, DO CTN. Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, aplicase a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, pela qual o dies a quo do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte ao que o Fisco poderia efetuar o lançamento. RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Demonstrada à exaustão a omissão dos ganhos nas operações vermelha, azul, verde e rebate, conforme denominação cunhada pela própria recorrente nos seus relatórios confidenciais, devem ser mantidos os lançamentos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Recusandose a contribuinte a informar a origem dos depósitos bancários, há que se presumir que tais valores são receitas omitidas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Demonstradas as condutas simuladas e fraudulentas, com o fito de omitir do Fisco os ganhos nas operações de importação, há que se manter a multa qualificada no percentual de 150% nos lançamentos tributários sobre as receitas não contabilizadas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 18 75 /2 00 9- 32 Fl. 7340DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Há que se manter a multa qualificada, quando a contribuinte age visando impossibilitar o conhecimento do Fisco de indício (depósito bancário de origem não comprovada) que levaria à presunção de omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa c efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros: Márcio Frizzo, que dava provimento parcial para reduzir a multa de ofício relativa ao item 002 da autuação (depósitos bancários de origem não comprovada) e exonerava parcialmente o crédito relativo ao item 001 (receitas não contabilizadas); e Paulo Cortez, que dava provimento para reduzir a multa de ofício relativa ao item 002 (depósito bancário de origem não comprovada) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 14/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha. Relatório Versa o presente processo sobre recurso de ofício apresentado pela 1ª Turma da DRJ/CTA e recurso voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n˚ 06 22.445 da 1ª Turma da DRJ/CTA, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendúrio: 2003, 2004, 2005 LEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOBRE RECURSOS MOVIMENTADOS NO EXTERIOR. NULIDADE INEXISTENTE. Os recursos movimentados em contas abertas em paraísos fiscais vinculamse à pessoa responsável por sua origem. Se os recursos são provenientes das atividades operacionais da pessoa jurídica, correto mantêla no pólo passivo da exigência decorrente de tais movimentações, ainda que as contas tenham Fl. 7341DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.341 3 sido abertas em nome da pessoa física do sócio majoritário ou de empresas de fachada. PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em casos de dolo, fraude ou simulação, o termo de inicio para contagem do prazo decadencial é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN. OMISSÃO DE RECEITAS. DESCONTOS NÃO ESCRITURADOS. PROVA DIRETA. A comprovação da obtenção de descontos financeiros pela empresa, não escriturados em sua contabilidade, constitui prova direta de receita omitida. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizamse omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. A conduta do contribuinte de manter vultosa movimentação financeira em paraísos fiscais, utilizada para auferir descontos financeiros omitidos e para recebimento de depósitos sem comprovação de origem, omitindo suas receitas durante anos consecutivos, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de sonegação prevista no art. 71 da Lei n° 4.502/1964. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS. CSLL. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa c efeito que os vincula. Dessa decisão, a 1ª Turma da DRJ/CTA recorreu de oficio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em face de o crédito tributário exonerado estar acima do limite de alçada fixado no art. 34, inciso I, do Decreto no 70.235/72, c/c a Portaria MF n° 3, de 3 de janeiro de 2008. O crédito tributário exonerado se refere aos lançamentos da Cofins e da Contribuição para o PIS dos fatos geradores dos meses de março a novembro de 2003, por entender a 1ª Turma da DRJ/CTA que tais créditos tributários já estavam extintos pela decadência no momento em que lavrado o auto de infração (20/02/2009). No seu recurso voluntário, a contribuinte aduz as seguintes razões de defesa: i) que mais de 90% dos insumos utilizados pela Fertipar na fabricação de fertilizantes são importados; ii) que, nos anos de 2003, 2004 e 2005, período objeto desta autuação, a recorrente importou 2.478.934 toneladas de matériaprima, no valor aproximado de US$ 395 milhões (trezentos e noventa e cinco milhões de dólares americanos); iii) que as importações sujeitamse a rigorosos controles internos e externos, estes exercidos pela Administração Pública Federal de forma constante e permanente, quer a priori, quer ao longo de cada processo; Fl. 7342DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 iv) que o prazo decadencial para lançamento dos referidos tributos é aquele disposto no artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional: 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador; v) que a DRJ de Curitiba aplicou o prazo previsto no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, porquanto entendeu que houve dolo na conduta da recorrente; vi) que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entende que somente há dolo quando existir prova cabal, não se admitindo meras presunções ou indícios; vii) o presente auto de infração foi lavrado integralmente com base em presunções, o que afasta a ocorrência de dolo; viii) que, no caso em tela incide o disposto no artigo 150 do Código Tributário Nacional, com o que os créditos do IRPJ e da CSLL do anocalendário de 2003 e do PIS e da COFINS das competências anteriores a janeiro de 2004 foram atingidos pela decadência, haja vista que o auto de infração foi lavrado em 20/02/2009; ix) que os exportadores, quando o pagamento é a vista, somente enviam os documentos originais de embarque após a comprovação da remessa financeira para o exterior e (ii) o despachante aduaneiro necessitará dos dados do câmbio para registrar a Declaração de Importação no Siscomex; já nas importações em que o pagamento é a prazo, tais documentos são liberados pelo exportador após o aceite de um Saque (Draft) no valor da importação; xi) que o pagamento das importações, independentemente de sua modalidade (antecipado, à vista, a prazo e financiamento), é feito exclusivamente através de contrato de câmbio; xii) que, para a contratação do câmbio, é necessário apresentar à instituição bancária os seguintes documentos: i. pagamento antecipado: fatura proforma (proforma invoice) onde conste a previsão do embarque; ii. Pagamento à vista: a) fatura comercial (commercial invoice) e conhecimento de embarque (BL); iii. pagamento a prazo ou financiamento bancário: fatura comercial (commercial invoice), conhecimento de embarque (BL) e comprovante de importação — Cl; xiii) que a quitação do contrato de câmbio somente pode se dar mediante débito em contacorrente bancária mantida pelo importador; xiv) que assim a Fertipar só pode pagar suas importações com o débito em contacorrente bancária do valor fixado no contrato de câmbio; xv) que a conditio sine qua non para a quitação de uma importação passou inteiramente despercebida pelo digno agente fiscal e pela DRJ de Curitiba; xvi) que o agente fiscal e DRJ se mostraram impressionados com o reiterado registro nas faturas comerciais (invoices) emitidas pelos fornecedores internacionais, de conta corrente bancária que não corresponde com a que efetivamenie foi beneficiada pelos valores remetidos, ou onde ocorreu o crédito do valor dos contratos de câmbio; xvii) que somente alguém não afeito ao comércio exterior se impressionaria com tal fato, pois a menção de conta bancária do fornecedor na fatura (invoice) espelha o que ocorreu no momento da venda, mas é bastante comum que, após a emissão da fatura, o fornecedor negocie seu título, buscando liquidez, por razões muito simples: o exportador Fl. 7343DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.342 5 necessita de capital de giro, sendo que o prazo de pagamento das importações geralmente é de 180 dias após o embarque da mercadoria; xviii) que, na época em que a importação vier a ser liquidada (mais de 6 meses após a venda), o fornecedor instrui o importador a remeter o pagamento para conta diversa daquela que constou na fatura (invoice), conta essa que normalmente não pertence ao exportador, mas sim As empresas que descontaram o título; xix) que, ao invés de reconhecer que tal mudança resultou de uma negociação financeira entre o exportador e terceiros, numa operação de desconto que chega a ser corriqueira no comércio exterior, o autuante ousou expressar sua interpretação a respeito, para entender ... que a contribuinte ou pagou muito menos, ou simplesmente não pagou as Importações descritas no "Demonstrativo de Conversão para Real de Descontos Auferidos em Dolar" (item 9, intimação 4, fls. 366/375 da autuação); xx) que o presente auto de infração foi lavrado a partir de uma série de presunções, sendo a principal delas a de que a recorrente é sócia de empresas offshores estrangeiras, as quais possuem contas em instituições bancárias no exterior; xxi) que a autuação está embasada em diversos documentos que constam do Inquérito Policial n. 2 1248/05SR/DPF/PR8, cuja cópia (não se sabe se integral ou parcial) foi remetida (fls. 29) ao Delegado da Receita Federal em Curitiba; xxii) que a recorrente jamais teve acesso aos autos do referido inquérito, mas apenas e tão somente, de alguns fragmentos esparsos, cujas cópias vêm anexadas neste procedimento administrativo fiscal; xxiii) que o acórdão recorrido sustentou que: “O fato de a impugnante não ter tido acesso aos autos do inquérito policial instaurado em razão das investigações sobre a empresa Dourada Corretora de Câmbio Ltda. em nada impediu o livre exercício de seu direito de defesa. Afinal, todas as provas em que se baseia o lançamento foram remetidas a autuada durante o procedimento de fiscalização. E. mais, como os registros nas citadas contas "Anglo", "Riven" e "Crumer" espelham rigorosamente os pagamentos e recebimentos decorrentes de suas transações comerciais, presumese que a impugnante possua todas as provas sobre tais transações, mas não as apresenta em razão de sua estratégia de defesa de alegar desconhecimento sobre a existência de tais contas”; xxiv) que a a DRJ de Curitiba, partindo da presunção, falsa conforme a seguir se verá, de que a recorrente movimentou contas bancárias no estrangeiro, também presume que a Fertipar possui as provas necessárias à elaboração de suadefesa; xxv) a recorrente deve ter acesso a todos os elementos constantes do inquérito policial, os quais são imprescindíveis para o exercício do contraditório e da ampla defesa assegurados pelo artigo 5º, inciso LV da Constituição da República, pois certamente foram anexados outros elementos, os quais não foram remetidos para a autoridade fiscal e tais elementos podem infirmar o conteúdo dos "documentos" apócrifos que fundamentam esta autuação; xxvi) que está a se exigir da recorrente tributos que superam a astronômica cifra de R$ 450.000.000,00 (quatrocentos e cinquenta milhões de reais) com base em Fl. 7344DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 elementos que não foram apreendidos em suas dependências, elementos esses que segundo a DRJ de Curitiba a recorrente teria ciência; xxvii) que toda a autuação está embasada em "documentos" apócrifos que o auditor fiscal designou de "extratos manuscritos", os quais se encontram no apenso I, volume 4 (fls. 31/123); xxviii) que todos os elementos anexados no apenso 1, inclusive o volume 4, foram apreendidos na residência de Juliana Feldmann, a qual sequer é sócia da Fertipar, sendo tal fato reconhecido no acórdão recorrido (fls. 4383) no seguinte trecho: “Já asseverei acima que o contribuinte de fato e de direito em relação aos tributos exigíveis sobre as transações identificadas nas contas "Anglo", "Riven" e "Crumer" é a autuada. Em nada influencia parte da documentação ter sido apreendida na residência da Sra. Juliana Feldmann, que não integra o quadro societário da impugnante. Afinal, além de ela ser filha do Sr. Alceu, dono de 90% das cotas de capital da autuada, constam dos autos inúmeras ordens de transferência de valores das referidas contas assinadas pela indigitada senhora”; xxix) que os peritos da Polícia Federal emitiram Laudo de Exame Financeiro de fls. 14/28, no qual afirmam que: "constam documentos indicando que os investigados [ou seja, Alceu Elias Feldmann e Juliana Feldmann mantinham e/ou movimentavam contas em bancos estrangeiros, tanto em nome próprio, como em nome de empresas"; xxx) que o auditor fiscal, a DRJ de Curitiba e o Banco Central do Brasil reconhecem que Alceu Elias Feldmann é (I) o titular de contas bancarias no exterior e (II) quem as movimenta (ou seja, quem assina as ordens de transferência); xxxi) que de maneira contraditória o agente fiscal imputou à Fertipar, que reconhecidamente não é titular de contas bancárias no estrangeiro, a responsabilidade pelo pagamento de tributos que incidiriam sobre supostos recursos mantidos nas contas bancárias das empresas Partner, Riven, Crumer e Anglo; xxxii) que é importante ressaltar que Alceu Elias Feldmann é sócio de outras empresas além da recorrente, inclusive no exterior (Fertipar International LLP, no Reino Unido, e Mintenvile Corporation, nas Ilhas Virgens Britânicas), bem como tem uma expressiva atuação na área agropecuária (6 proprietário de diversas fazendas); xxxiii) que os negócios de Alceu Elias Feldmann não se resumem à recorrente, como procurar fazer crer a DRJ de Curitiba; xxxiv) que a tributação da pessoa jurídica por fato reconhecidamente imputável à pessoa física de um de seus sócios encontraria ao menos um motivo lógico se (e este é um grande se) esta pessoa física não tivesse capacidade econômicofinanceira para fazer frente autuação fiscal; xxxv) se Alceu Elias Feldmann é o titular de contas bancárias fora do país e é quem as movimenta (isto é, tem a disponibilidade dos recursos), ele que é o contribuinte de eventual tributo devido, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional; xxxvi) que os pagamentos das importações objeto desta autuação, segundo a DRJ de Curitiba, foram efetuados nas contas bancarias das empresas Partner, Riven, Crumer e Anglo, e mais, considerando que o acórdão recorrido reconheceu que Alceu Elias Feldmann é o titular e quem movimenta tais contas, resta evidente que a presente autuação foi erroneamente endereçada à Fertipar, verdadeira parte ilegítima; Fl. 7345DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.343 7 xxxvii) que as presunções de que a Fertipar é sócia de empresas offshores estrangeiras e possui contas bancárias fora do país são falsas, eis que infirmadas pela prova colacionada nos autos; xxxviii) que cumpre ressaltar que mais de uma centena de importações relacionadas nas fls. 366/375, não foram realizadas pela recorrente, o que foi reconhecido pelo agente fiscal, mas sim por outras empresas e até mesmo por pessoas fisicas; xxxix) que Fertipar Sudeste Adubos e Corretivos Agricolas Ltda. (CNPJ 02.614.911/000134), Fertipar Fertilizantes do Nordeste Ltda. – Fertinor (CNPJ 02.119.258/000137), Fertipar Bandeirantes Ltda. (CNPJ 04.081.068/000101), Fertigran Fertilizantes Vale do Rio Grande Ltda. (CNN 53.400.818/000168), Fertilizantes Piratini Ltda. (CNN 78.937.158/000180), Fertilizantes Centro Oeste Ltda. (CNN 82.040.585/000138), Fertilizantes do Nordeste Ltda. Fertine (CNN 73.674.202/000192), Fertial Fertilizantes de Alagoas Ltda. (CNPJ 04.869.169/0001 33), Fecoagro e Adufertil não podem ser confundidas com a ora recorrente; xl) Conforme consta no Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização de fls. 02, a Fertipar Fertilizantes do Paraná (CNPJ 90.810.706/000101), e somente ela, foi objeto de fiscalização; xli) que eventual omissão de receita decorrente de "ganhos financeiros" obtidos em importações efetuadas por outras empresas não pode ser imputada à recorrente; xlii) que a DRJ de Curitiba entendeu que compete à recorrente comprovar que repassou supostos descontos auferidos em importações realizadas por outras empresas, mas a recorrente não auferiu nenhum beneficio em importações efetuadas por terceiros, até porque não atuou em tais operações, logo, a recorrente não pode fazer prova de que repassou qualquer espécie de beneficio para tais empresas; xliii) que se impõe a revisão do lançamento a fim de que sejam excluídas as supostas receitas advindas das importações realizadas pelos terceiros antes relacionados; xliv) que, após presumir que a Fertipar é acionista de empresas estrangeiras e possui contas bancárias no exterior, o auditor fiscal também presumiu que a recorrente: obteve descontos na aquisição de insumos no exterior, o que designou de "operação vermelha" e também de "rebate" e adquiriu insumos fora do país sem o dispêndio de recursos, o que chamou de "operação azul" e de "operação verde"; xlv) que, ao contrário do que presume o auditor fiscal, a recorrente não auferiu descontos na importação de matériaprima, muitos menos as importou a título gratuito; xlvii) que, como já se demonstrou, o pagamento de produtos importados somente pode ser efetuado mediante a contratação de câmbio junto às instituições financeiras; xlviii) que toda a autuação a título de omissão de receita decorrente de "ganhos financeiros recebidos em espécie ou em mercadorias" reportase ao demonstrativo de fls. 366/375, porém, mesmo após escoimada das importações que foram realizadas por outras empresas, cuja discussão é impertinente, a presunção fiscal não se sustenta; Fl. 7346DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 xlix) que, para que não restem dúvidas, procede a análise de cada uma das operações constantes do demonstrativo de fls. 366/375, realizadas pela recorrente; l) que, conforme exaustivamente demonstrado, todas as importações realizadas pela recorrente foram pagas sem qualquer desconto; li) que, afora o problema de crédito que a Fertipar enfrentaria se simplesmente não pagasse suas importações (como presumiu o digno agente fiscal), restaria ainda um verdadeiro "problemão": as Leis Federais nº 9.718/99 e 10.755/2003 preveem a aplicação de multa diária ao importador inadimplente, na hipótese das importações não serem liquidadas em até 180 dias do seu vencimento, multa esta calculada com base na taxa prefixada de empréstimo para capital de giro divulgada pelo Banco Central do Brasil; lii) que a presunção fiscal não se sustenta e é incoerente, porque há toda uma coleção de importações dentre aquelas mencionadas no demonstrativo de fls. 366/375 nas quais os pagamentos foram efetuados exatamente para a conta mencionada na fatura (final invoice); liii) que o razão analítico da conta fornecedores (fls. 556/588) registra o débito de maneira individualizada para cada uma das operações de importação, sendo que a recorrente, conforme reconheceu o agente fiscal, "mantém em boa guarda os livros contábeis e os dossiês de importacão de todas as unidades cujas pastas reúnem documentos de até três importações tendo sido atribuído pela fiscalizada, para facilitar seu controle, numeração própria que denominamos de Número de Referência Interno; liv) que insiste que não possui qualquer participação acionária em empresas estrangeiras, muito menos contas bancárias no exterior, o que foi corroborado pela documentação anexada neste procedimento e reconhecido pelo auditor fiscal, pela DRJ de Curitiba e pelo Banco Central do Brasil; lv) que ainda que admitido, por um momento, apenas a título de argumentação, como correta a presunção de que a Fertipar seria sócia de empresas situadas no exterior, ou offshore, nem assim o auto de infração teria como prosperar, pois a legislação brasileira é muito clara ao determinar que somente os lucros (e não a receita) gerados por empresa estrangeira integrarão a base de cálculo (lucro real) do IRPJ e da CSLL devidos por sua controladora ou coligada situada no Brasil; lvi) que eventuais depósitos nas contas bancárias de empresas estrangeiras constituem receita destas, e não de sua controladora ou coligada domiciliada no Brasil, e tais receitas, evidentemente, devem ser tributadas de acordo com a legislação do pais em que localizada a empresa, em observância ao princípio da territorialidade; lvii) que, somente dois tributos IRPJ e CSLL incidem sobre os lucros auferidos no exterior, com o que indevida a exigência de PIS e COFINS; lviii) que a presente autuação está totalmente embasada nos "extratos manuscritos" apócrifos de fls. 31/123 (apenso 1, volume 4 do inquérito policial), os quais, conforme reconheceu a DRJ de Curitiba, não foram apreendidos na sede da recorrente; lix) que os referidos "extratos" consignam créditos e débitos, tanto isso é verdade que foi lavrado outro auto de infração (PAF n. 10980.001876/200987), tendo por objeto a tributação de supostos pagamentos a beneficiários não identificados (débitos), logo pagamentos (despesas) devem ser considerados para apuração do lucro real; Fl. 7347DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.344 9 lx) que o lançamento deverá ser revisto a fim de que da receita supostamente omitida, apurada na presente autuação, sejam deduzidos os pagamentos a beneficiários não identificados objeto do PAF nº 10980.001876/200987; lxi) que, conforme se demonstrou à exaustão, o auto de infração está baseado somente em presunções, o que afasta a ocorrência de dolo, fraude, etc., logo, impõese a redução da multa de 150% para 75%. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior O recurso de ofício atende o disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. Todavia, negolhe provimento, pois os fatos geradores da Cofins e da Contribuição do PIS dos meses de março a novembro de 2003 poderiam ser objetos de lançamento no próprio ano de 2003, razão pela qual, in casu, o primeiro dia do ano de 2004 é o dies a quo do prazo decadencial. Assim sendo, em 31/12/2008 ocorreu a decadência do direito de o Fisco efetuar o lançamento dos referidos créditos tributários, razão pela qual agiu bem a decisão recorrida quando cancelou o lançamento de tais créditos, efetuado em 27/02/2009. O recurso voluntário foi interposto tempestivamente, já que a ciência da decisão recorrida se deu em 10/06/2009 (AR a fls. 4392) e a peça recursal foi protocolizada em 30/06/2009 (doc. a fls. 4393), como também foi assinado por advogado devidamente constituído com poderes para tal (doc. a fls. 702/703). Por essas razões, conheço do recurso voluntário da contribuinte. De plano, afasto a preliminar de cerceamento do direito de defesa, com base na alegação de que a recorrente não teve acesso a todas as peças do Inquérito Policial, do qual foram emprestadas as provas que compõe estes autos, por autorização judicial (doc. a fls. 30 do vol. I). Ocorre que o lançamento sub examine se lastreia tãosomente nas provas que constam deste processo, sendo irrelevante qualquer documento que não tenha sido trazido aos autos pela autoridade lançadora, ou seja, a sorte do lançamento em tela depende unicamente das provas destes autos. Por sua vez, é inconcusso que a recorrente teve acesso as peças deste processo, razão pela qual não há falar que tenha havido cerceamento do seu direito de defesa, já que todas as provas que fundamentam os fatos que lhe são imputados, nestes autos, foram colocadas a sua disposição. Por último, salientese que a contraprova necessária para infirmar os fatos aqui imputados à recorrente constituise basicamente de registros contábeis e de documentos que o lastreiam, ou seja, algo que necessariamente é do conhecimento da recorrente e que está a sua disposição, razão pela qual a insistência da recorrente em querer ter acesso a documentos que só interessam ao Inquérito Policial, deve ser tido apenas como a tentativa de criar argumento de defesa em virtude de alguma dificuldade de refutar os fatos que lhe são imputados neste processo. Quanto à preliminar de mérito suscitada, consistente na alegação de que estariam decaídos, quando do lançamento, os créditos do IRPJ e da CSLL do anocalendário de Fl. 7348DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 2003 e da contribuição do PIS e da COFINS das competências anteriores a janeiro de 2004, sua análise impõe necessariamente que invertamos a lógica processual e adentremos no mérito. Isso porque, a se configurar, pela análise das provas, que a recorrente agiu com dolo, fraude ou simulação, deslocase a regra decadencial do art. 150 para o art. 173 do CTN, conforme preceitua o § 4º do art. 150 do CTN. Ressaltandose que, sendo aplicável, in casu, a regra decadencial do art. 173 do CTN, nenhum crédito tributário lançado estava decaído no momento do lançamento, logicamente, salvo aqueles já declarados decaídos na decisão de primeira instância. DAS PROVAS Sustenta a recorrente que toda a autuação está embasada em "documentos" apócrifos que o auditor fiscal designou de "extratos manuscritos", os quais foram apreendidos na residência de Juliana Feldmann, a qual sequer é sócia da Fertipar. Ora, a Sra. Juliana Feldmann é filha do Sr. Alceu Elias Feldmann, o qual detém 90% do capital da recorrente, e irmã do Sr. Alceu Elias Feldmann Filho, que detém 10% do capital da recorrida (doc. a fls. 619 do vol. III). Como se vê, não estamos falando de uma pessoa estranha ao grupo econômico da recorrente, mas de alguém que tem os mais estreitos laços familiares com os únicos titulares das cotas de capital da recorrente. Noutro ponto, há que se salientar que seria absurdo exigir que a escrituração contábil paralela (extratos manuscritos) estivessem assinados pelos representantes legais da recorrente. Por outro lado, vale salientar que a veracidade dos extratos manuscritos (doc. a fls. 31 e segs. do vol. I), apreendidos na casa da Sra. Juliana Feldmann, tornase incontestável quando se verifica a correlação deles com outros documentos constantes dos autos, como, por exemplo, as Solicitações de Transferências de Valores e as comunicações eletrônicas (emails) entre a recorrente e instituições financeiras, como também, o próprio cotejo de tais manuscritos com os registros internos de importação da recorrente já deixa claro que se tratam de uma escrituração paralela. Noutro ponto, o Termo de Verificação Fiscal (doc. a fls. 618 e segs. do vol. III) informa que, em ação fiscal executada na sede administrativa da recorrente, constatouse que a mesma movimentou contas bancárias, não escrituradas, por meio das seguintes offshores: a) Riven Incorporation, conta no banco Itaú em Luxemburgo; b) Anglo Discount Company, conta no banco Itaú em Luxemburgo; c) Farmer no banco Itaú em Luxemburgo; d) Partner no banco Itaú em Luxemburgo; e) Crumer no banco HSBC na Suiça; f) Minterville Corporation, conta no banco Safra em Nova York. A recorrente, em seu recurso, não contesta a existência das contas, mas a titularidade, pois sustenta que o próprio autuante reconhecera que o titular era o Sr. Alceu Elias Feldmann. Posteriormente à interposição do recurso, a recorrente peticionou, nos autos, para comunicar que, pelo Acórdão/CRSFN nº 10745/11 (doc. a fls. 7327 e segs.), o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN) condenou o Sr. Alceu Elias Feldmann a pagar multa pecuniária de R$ 625.000,00 por não ter prestado Declarações de Capitais Brasileiros no Exterior relativas aos anosbases de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. Assim, Fl. 7349DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.345 11 entende a recorrente, na sua petição, que está configurado que ela não era titular das referidas contas. Há que se salientar que este Colegiado não está jungido ao que fora decidido naquela outra corte administrativa, mesmo porque não era da competência da CRSFN analisar a existência de interesse comum no fato gerador das obrigações tributárias ora em exame. Além do mais, a questão da origem dos recursos não foi objeto de profunda apreciação naquele Colegiado, tanto que a CRSFN afirma que o Sr. Alceu Elias Feldmann em momento algum se preocupou em demonstrar a origem dos recursos nem a cabal separação patrimonial entre ele e as empresas. Já nesse processo, sobejam provas nos autos que comprovam que as referidas contas bancárias serviam para as operações da recorrente (Fertipar), conforme a seguir trataremos, sem qualquer prejuízo ao que fora sustentado pela CRSFN, pois, em verdade, poderia a autoridade fiscal ter colocado os Srs. Alceu Elias Feldmann e Alceu Elias Feldmann Filho no pólo passivo, como responsáveis solidários pelos tributos lançados, já que aplicável ao caso o art. 124, I, c/c o art. 135 do CTN, em razão dos atos praticados por eles na gestão da recorrente. Preferiu, no entanto, a autoridade lançadora efetuar o lançamento apenas contra a Fertipar, a qual tinha relação direta e pessoal com o fato gerador dos tributos ora em análise, conforme a seguir demonstraremos. RECEITAS NÃOCONTABILIZADAS Com relação ao primeiro item do lançamento, receitas não contabilizadas, a autoridade lançadora verificou que a movimentação financeira consistia basicamente da aquisição, no exterior, com pagamento à vista (débito na conta offshore) ou sem pagamento, de insumos para a indústria de fertilizantes e adubos desenvolvida pela Fertipar no Brasil como para as suas coligadas…e na intermediação para outras pessoas físicas e jurídicas. Desembaraçada a mercadoria, o fluxo financeiro se completa com o suprimento de numerário para as referidas contas (crédito nas contas offshore), mediante transferência de recursos após liquidação dos contratos de câmbio junto às instituições financeiras nacionais, aproximadamente 180 dias após o desembaraço, simulando operação comercial à prazo. Sustenta a autuação que o pagamento antecipado dessas aquisições proporcionou benefícios financeiros à fiscalizada, conhecidos por descontos ou rebates e foram mantidos à margem da escrituração contábil e, por consequência, da tributação. Notese, então, que a autoridade lançadora alega que houve uma triangularização da recorrente com as empresas offshores constituídas pelo Sr. Alceu Elias Feldmann, de tal sorte que todo o custo do insumo importado, conforme registrado na DI, era repassado para a conta bancária no exterior de titularidade formal das empresas offshores. Todavia, os valores pagos aos exportadores estrangeiros eram menor do que aquele registrado, na contabilidade da recorrente ou de suas controladas, como custo do insumo, conforme os extratos manuscritos e as solicitações de transferências constantes dos autos, do que se conclui que se travam de ganhos decorrentes de descontos e de rebate. Vale, desde já registrar que tais descontos não eram incondicionais e nem eram dados na fatura, razão pela qual a sua contabilização deveria mesmo ser conforme apontada pelo autuante, ou seja, registrados como ganho financeiro. Por sua vez o autuante verificou que as movimentações financeiras eram classificadas pela recorrente em três diferentes operações: vermelha, verde e azul. Isso pode ser constatado em vários documentos juntados aos autos, mas, apenas para ilustrar, cito o documento a fls. 138 do Anexo VII, intitulado “Fechamento de Importação”, no qual consta Fl. 7350DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 expressamente que a legenda verde é Fertipar Internacional, a azul é operação rebate; e a vermelha é operação Riven. Pela Intimação nº 4, a autoridade fiscal solicitou a recorrente que esclarecesse o significado das expressões verde, azul e vermelha, que constam da legenda dos relatórios de fechamento de importações, mas a recorrente alegou desconhecer (item VI do doc. a fls. 391 do vol. II). Já no recurso voluntário, a recorrente alega que foi a autoridade fiscal que designou tais operações como verde, azul e vermelha, esquecendose de que tais expressões foram cunhadas em relatórios de Fechamento de Importações dela própria, apreendidos pela autoridade policial. Não obstante a recusa da recorrente, o conjunto probatório foi suficiente para que a autoridade fiscal pudesse esclarecer o critério de classificação das movimentações financeiras em operações verde, azul e vermelha, conforme podemos verificar a partir da análise das provas relativas a cada uma das importações, se não vejamos o que se segue. I Operação Vermelha: conforme o Termo de Verificação Fiscal a fls. 618 e segs. do Vol. III, são aquelas em que: “os dados das importações são grafados com a cor vermelha nos relatórios de Fechamento de importação, para indicar que houve desconto financeiro na operação, ou seja, houve dispêndio de recursos em montante inferior ao efetivo valor da mercadoria importada e desembaraçada. Tais ganhos em dólar na aquisição de matéria prima no exterior na modalidade vermelha foram apurados no Demonstrativo de Cálculo de Descontos Auferidos (fls. 356 a 365). Para esse efeito, comparouse o valor bruto total da mercadoria importada constante dos relatórios de Fechamento de Importação e o correspondente valor pago registrado pela fiscalizada nos extratos manuscritos que compõem o volume quatro do apenso 1 do IPL e/ou nos documentos de Solicitação de Transferência de Valores assinados pela direção da fiscalizada e encaminhados às instituições financeiras mantenedoras das citadas contas offshore.” Essa conduta da recorrente está perfeitamente demonstrada nos autos, se não vejamos, a título ilustrativo, a análise das provas referentes à importação de NP, transportada pelo navio Pochard: a) A fls. 138 do Anexo VII, consta documento interno da recorrente, intitulado “Fechamento de Importação”, datado de 01/06/2005, referente a importação de 8.000 toneladas de NP por US$ 1.800.000,00, a ser paga em 180 dias (COB 180). b) Consta, também, neste mesmo documento, na parte intitulada “Dados Confidenciais”, que a taxa anual seria de 6% ao ano para a Fertipar e que o preço unitário seria “217,00 + 1% = 219,17”, este valor multiplicado por 8000 t resulta no total de US$ 1.689.528,07, conforme ali também informado ao lado da indicação “Operação Vermelha”. c) Cabe aqui explicar que os relatórios de Fechamento de Importação foram emitidos em duas versões: uma versão completa que registra informações em todos os seus campos, inclusive no campo “Dados Confidenciais”, e que foram objeto de apreensão por agentes policiais; e uma versão incompleta do relatório, também batizada pela fiscalizada de "substitutivo", a qual suprime as informações a partir do campo “Dados Confidenciais”, e que foram objeto de apreensão pelas autoridades fiscais. d) A fls. 141 do Anexo VII, consta folha dos extratos manscritos apreendidos na casa da Sra. Juliana Feldmann, no qual está lançado Fl. 7351DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.346 13 uma saída da conta no Itaú Luxembourg S.A., para pagamento à “Ameropa Pochard”, em 12/07/2005, no valor de US$ 1.689.583,07 (neste valor está incluído US$ 55,00 a título de taxa). e) Por sua vez, a fls. 89 do vol. I, consta registro, em página dos extratos manuscritos, de lançamento em 14/09/2005 de quatro ingressos na conta no banco Itaú Luxembourg S.A., nos valores de US$ 337.480,00; US$ 112.480,00; US$ 224.980,00; e US$ 1.124.980,00, totalizando US$ 1.799.920,00, os quais se referem as operações de câmbio feitas pela Fertipar, com o fito de pagar as suas importações, cujos doc. estão a fls. 142 a 168 do Anexo VII. g) Assim, verificase que houve um ganho financeiro, já que foram reconhecidos, na contabilidade da empresa insumos no valor de US$ 1.800.000,00, quando o real custo de aquisição foi US$ 1.689.528,07, sendo que tal ganho foi sonegado e mantido em conta offshore no Itaú Luxembourg S.A. Há, também, operações em que a recorrente age como intermediária de suas controladas e até mesmo de terceiros, sendo que, em ambos os casos, o ganho financeiro fica depositado na sua conta offshore e não é oferecido à tributação, se não vejamos, a título de exemplo, o que ocorreu com a importação de uréia transportada pelo navio “Sea Pace”: a) A fls. 02 do Anexo IX, consta documento interno da recorrente, intitulado “Fechamento de Importação”, datado de 28/07/2004, referente a importação de 15.000 toneladas de uréia por US$ 3.291.600,00 do fornecedor Ameropa, o que dá um preço unitário da tonelada de US$ 219,44, sendo indicado que o pagamento seria para 180 dias. b) Consta, também, neste mesmo documento, que a taxa anual seria de 8% ao ano, sendo que o preço unitário à vista é US$ 211,00, logo, com o prazo de 180 dias, incorrese em 4% de juros, resultando no preço unitário de US$ 219,44. No verso deste documento, consta a indicação de que seria operação vermelha e que seriam 15.000 t de uréia por US$ 3.165.000,00. c) A fls. 03 do Anexo IX, consta o mesmo documento, intitulado “Fechamento de Importação”, com o timbre da Fertipar, agora com algumas informações manuscritas sobre os destinatários da carga, se não vejamos: 280FS....................... 4500 t.......................US$ 987.480,00 281FS....................... 3000 t.......................US$ 658.320,00 512FG.......................5000 t.....................US$ 1.097.200,00 128BAN....................2500 t........................US$ 548.600,00 _________________________________________________ TOTAL...................15000 t.....................US$ 3.291.000,00 Fl. 7352DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 d) Outros documentos deixaram claro que FS é Fertipar Sudeste, FG é Fertilizantes Vale do Rio Grande, e BAN é Fertipar Bandeirantes Ltda, todas controladas pela recorrente durante o período fiscalizado (vide TVF a fls. 619 do vol. III). e) A fls. 03 do Anexo IX, consta também a indicação “Itaú Lux.”, o que, logicamente, significa banco Itaú Luxembourg S.A., e que o embarque se deu em 08/08/2004. f) A fls. 04 do Anexo IX, consta documento intitulado “Solicitação de Transferência de Valores”, datado de 10/09/2004 (um mês depois do embarque da carga), pelo qual é solicitado ao banco Itaú Luxembourg S.A. que transfira da conta da empresa Anglo Discount Company, para o beneficiário Ameropa, o valor de US$ 3.165.000,00. Consta também o campo “Referência”, o qual foi completado com o nome do navio “Sea Pace”. Assinaram a solicitação a Sra. Juliana Gadotti Feldmann e o Sr. Alceu Elias Feldmann Filho, conforme se pode deduzir do cotejo deste documento com outros constantes dos autos (vide, por exemplo, o doc. a fls. 125 do volume I). g) As controladas registraram, na contabilidade, insumos no valor US$ 3.291.600,00, mas pagaram, por meio da conta no exterior da recorrente, apenas US$ 3.165.000,00 ao fornecedor (Ameropa). Há um ganho financeiro, então, de US$ 126.600,00, o qual é transferido para a conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A., pois, com o fito de pagar suas importações, transferem para essa conta o valor de US$ 3.291.000,00. h) Assim, da conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A, saíram US$ 3.165.000,00, em 10/09/2004, para pagar o fornecedor, e foram transferidos, a partir de fevereiro de 2005, por suas controladas, o valor de US$ 3.291.000,00, conforme provam documentos sobre operações de câmbio a fls. 05 a 52. i) O registro do ingresso das remessas feitas pelas controladas para a conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A, constam também dos extratos manuscritos apreendidos na casa da Sra. Juliana Feldmann, os quais assim estão nos autos: a fls. 82 do vol I, consta, em 21/02/2005, o ingresso de US$1.097.200,00 na conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A., feito pela “Fertigran 512”, com referência ao Sea Pace; a fls. 83 do Vol. I, consta, em 01/04/2005, o ingresso de US$ 658.320,00 na conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A., feito pela “F. Sudeste 281”, com referência ao Sea Pace; a fls. 84 do Vol. I, consta, em 08/04/2005, o ingresso de US$ 548.580,00 na conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A., feito pela “F. Bandeirantes 128”, com referência ao Sea Pace; Fl. 7353DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.347 15 a fls. 85 do Vol. I, consta, em 10/05/2005, o ingresso de US$ 999.420,20 na conta offshore no banco Itaú Luxembourg S.A., feito pela “F. Sudeste 280”, com referência ao Sea Pace. Com algumas pequenas nuanças em cada caso, as quais não modificam o cerne do procedimento, este “modus operandi” intitulado “operação vermelha” foi verificado também nas movimentações financeiras relativas a outras 60 importações, cujas as cargas foram transportadas pelos seguintes navios: Ali Khaliq; Alex Dimitrov; Althea I; Anangel Argona; Apollonia; Betio; Bonita; Bulgaria II; Callanda; Chalkidon; Columbia Land; Dia P; Dominator; Edco; Esperia; Fair Lady; Fany; Federal Fuji; Federal Yukon; Fedon; Fetish; Fiesta; Fuat Bey; General Drabo; Gen Grot Rowecki; Giorgi Grigoro; Hinrish Oldendorff; Isa; Island Skiper; Kali; Kritika Naree; Kyma; Lady Z; Liliana Dimitrova; Maritime Valour; Maru D; Mathios; Mirande; Nogat; Phoenix; Omiros; Paciforest; Petimata; Pintail; Player; Polydefkis; Samos Sky; San Felipe; Scoter; Sea Lady; Sea Merit; Selandia; St George; Star Ace; Top Pioneer; Tuloma; Volcano; Win I; Yangtze River; Yordan Lutibro. II Operação Azul: conforme o Termo de Verificação Fiscal a fls. 618 e segs. do Vol. III, são aquelas em que: “no relatório de Fechamento de Importação, os dados das importações são grafados com a cor azul para indicar que não haveria qualquer dispêndio de recursos para aquisição da mercadoria ali descrita. Esta estratégia permaneceu em vigor nos anos calendário de 2003 e meados de 2004. Nesta modalidade de operação, observase que para possibilitar o regular desembaraço das mercadorias, as faturas comerciais (commercial invoice) foram generosamente cedidas pelos fornecedores observandose nelas, a inscrição do prazo como sendo de saque 180 dias”. Essa conduta da recorrente também está demonstrada nos autos, se não vejamos, a título ilustrativo, a análise das provas referentes à importação de DAP, transportada pelo navio Alycia: a) A fls. 97 do Anexo I, consta o relatório de Fechamento de Importação datado de 02/12/2003, no qual está registrada a Importação nº 1314/03, referente a 1402,73 toneladas de DAP adquirida por US$ 288.962,38, pela Fertipar da Ameropa. b) Consta lançamento, em 02/06/2004, de ingresso no valor US$ 288.943,20 na conta offshore Crumer no banco HSBC na Suiça, indicando como referente a “Fertipar 1314”, conforme página dos extratos manuscritos a fl. 98 do Anexo I. c) A fls. 99 do Anexo I, consta o contrato de câmbio, feito pela recorrente com o HSBC Bank Brasil, para compra de US$ 288.962,38. d) Embora o recurso para pagar a importação tenha sido remetido a conta offshore Crumer, ao se compulsar o registro da movimentação financeira desta conta no período entre dezembro de 2003 a junho de 2004, conforme extratos manuscritos juntados a fls. 49 a 52 vol. I, verificase que não houve qualquer saída de caixa para pagamento da refferida importação ao fornecedor Ameropa. Fl. 7354DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Vejamos, também a título ilustrativo, a análise das provas referentes à importação de KCL, transportada pelo navio Sylvia: a) A fls. 159 do Anexo IX, consta relatório completo de “Fechamento de Importação” da Fertipar (relatório que foi apreendido pela autoridade policial e que contém prenchido os campos “Dados Confidenciais” e outros abaixo deste), no qual consta a importação de 2.829,06 t de KCL por US$ 574.299,18, em que o adquirente é a Fertigran e o exportador é a Canpotex. b) Nesse relatório, consta que o embarque da mercadoria foi em 2/11/2004 e a chegada em 19/11/2004. c) No campo “Operações”, após o campo “Dados Confidenciais”, consta que se trata de operação azul a importação do produto KCL, no volume de 2.829,06 t, mas o que mais chama a atenção é que, com os descontos dados, não se seria pago pela mercadoria. d) A fls. 160 do Anexo IX, consta o relatório de “Fechamento de Importações) incompleto (ou substitutivo, como denomina a recorrente), o qual foi aprendido pela Fiscalização da RFB na sede da recorrente. Neste relatório, não há os registros constantes do campo “Operações” do relatório completo, logo, da sua leitura, aparentemente, seriam pagos US$ 574.299,18 pelas 2.829,06 t de KCL. e) A fls. 161 do Anexo IX, consta registro do ingresso, em 19/07/2005, de US$ 574.299,18, referente a “Fertigran 526 Sylvia”, na conta offshore Anglo no banco Itaú Luxembourg S.A.. f) A fls. 162 a 169 do Anexo IX, consta os documentos referentes a operações de câmbio feitas pela Fertigran para remessa dos US$ 574.299,18 para a conta offshore Anglo no banco Itaú Luxembourg S.A.. g) A importação nº 526 foi registrada na contabilidade da Fertigran, pelo custo de R$ 1.641.634,21 com uma VMP de R$ 1.148,60, conforme folha do Livro Diário a fls. 173 e 174 do Anexo IX, e o pagamento ao fornecedor da importação nº 526 foi registrado por US$ 1.339.897, 42, conforme folha do Razão Analítico a fls. 178 do Anexo IX, valor esse que corresponde ao informado no contrato de câmbio a fls. 165 do Anexo IX. h) Embora o recurso para pagar a importação tenha sido remetido à conta offshore Anglo, ao se compulsar o registro da movimentação financeira desta conta no período entre novembro de 2004 a outubro de 2005, conforme extratos manuscritos juntados a fls. 79 a 90 do vol I, verificase que não houve qualquer saída de caixa para pagamento da referida importação ao fornecedor Canpotex. Em verdade, há duas saídas para pagamento à Canpotex, mas referentes a outras importações, mas precisamente, as transportada pelos navios: Federal Yukon (fl. 86 do vol. I) e Argona (fl. 80 do vol. I). i) Assim, fica configurado que, embora a Fertigran tenha repassado US$ 574.299,18 para a conta offshore da recorrente, no banco Itaú Luxembourg S.A., para fins de pagamento do fornecedor internacional Canpotex, a recorrente não teve que liquidar a operação, o que confirma as informações colocadas no campo “Operações” do relatório completo de “Fechamento de Fl. 7355DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.348 17 Importações”. Da mesma forma, com algumas pequenas nuanças em cada caso, mas nenhuma capaz de desconfigurar o “modus operandi”, outras 25 movimentações financeiras são enqudráveis como “operação azuis”, as quais referemse a importações, cujas as cargas foram transportadas pelos seguintes navios: Alma; Angela R; Angela P; Annika N; Anthia; Aurelia; Chrysoula S; Eptalofos; Fanton; Federal Kumano; Georgios II; Golden Bay; Imperiale; Ken Ocean; Kovdor; Laine; Liliana Dimitrova; Marigold; Paragon; Sea Boxer; Sea Lady; Silver Shing; Star Ace; Tuloma I e Wish. III Operação Verde: conforme o Termo de Verificação Fiscal a fls. 618 e segs. do Vol. III, são aquelas em que: “Contrariamente ao modus operandi da operação azul ocorrido nos anos de 2003 e 2004, nesta, a partir de 2005, o desembaraço aduaneiro amparouse somente em faturas emitidas pela interligada Fertipar International LLP. Da mesma forma que na operação azul, não houve qualquer dispêndio de recursos pela fiscalizada, tendo havido o ingresso de matériaprima a custo zero, sem ônus.”. Da mesma forma, analisemos, então, a título ilustrativo, as provas relativas a uma dessas operações, qual seja, a importação da carga de sulfato de amonio cristal (SAFA), transportada pelo navio Alma: a) A fls. 76 do Anexo I, relatório de “Fechamento de Importação” da recorrente, datado de 24/01/2005, referente a carga do navio Alma, no qual consta a aquisição de 500 t de SAFA pelo valor de US$ 70 mil, pela Fertipar, sendo o fornecedor a Mekatrade. b) A fls. 78, consta “Planilha de Fechamento – Importação – Tipo 02”, na qual a Fertipar esta remetendo para conta offshore Anglo no banco Itaú Luxembourg S.A. a soma de US$ 70 mil, sendo o recebedor a Fertipar International LLP com sede em Londres. Consta a data de 13/06/2005, e a assinatura de Marcelo Loli Vieira, pelo Departamento de Importação da Fertipar. c) A fls. 79 do Anexo I, consta a operação de câmbio, feita pela Fertipar no Banco do Brasil, para remeter US$ 70 mil para a conta offshore Anglo no banco Itaú Luxembourg S.A.. d) A fls. 80 do Anexo I, consta “Bill of Lading”emitido pela Mekatrade para a Fertipar International LLP, referente às 500 t de SAFA. e) A fls. 81 do Anexo I, consta “Proforma Invoice”, emitido pela Fertipar International LLP, no qual a Fertipar é indicada com compradora de 500 t de SAFA por US$ 70 mil. Sabemos que a Fatura Proforma ou Proforma Invoice tem força de contrato e contém os compromissos assumidos durante a fase de uma suposta negociação entre a Fertipar International LLP e a recorrente (Fertipar). Fl. 7356DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 f) A fls. 82 do Anexo I, consta a “Final Invoice nº 18904”, datado de 28/02/2005, emitida pela Fertipar International LLP, referente a compra pela recorrente (Fertipar) de 500 t de SAFA por US$ 70 mil. O mais curioso é que está indicado que o pagamento deverá ser feito em favor da conta offshore Anglo da compradora (no banco Itaú Luxembourg S.A.). Isso mesmo, a compradora, ora recorrente, compra a mercadoria e deposita o pagamento na sua própria conta offshore Anglo. g) Se a recorrente (Fertipar) pagou os US$ 70 mil a ela mesmo, com a transferência para a sua conta offshore Anglo, de onde saiu os recursos para pagar a Mekatrade? h) Compulsamos os extratos manuscritos da conta Anglo (doc. a fls. 81 a 90), referente ao período de janeiro a outubro de 2005, não se verifica qualquer saída de caixa que para pagamento da Mekatrade. Os únicos lançamentos da conta Anglo referentes a Mekatrade são: pagamento de demurrage (fls. 84); pagamento referente a carga do navio Edco (fls. 86); depósito feito pela Fertigran referente a importação nº 537 navio Angela P (fls. 87); pagamento referente a carga do navio Apollonia II (fls. 88); depósitos, em 11/10/05, de US$ 591.996,20 e US$ 24.260,55 com referencia à Mekatrade. i) Concluise, assim, que , nos autos, não há qualquer documento que prove a transferência efetiva de US$ 70 mil para a Mekatrade, razão pela qual está correto o entendimento da autoridade fiscal, pois realmente, a recorrente simulou uma compra e venda, quando, na verdade, tratavase de mercadoria recebida sem custo. Neste item também, com algumas pequenas nuanças em cada caso, mas nenhuma capaz de desconfigurar o “modus operandi”, outras 9 movimentações financeiras são enquadráveis como “operação verde”, as quais referemse a importações, cujas as cargas foram transportadas pelos seguintes navios: Al Khaliq; Apollonia; Dia P; Flag Splendor; Gokhan Kiran; IVS Swift; Leon I; Polydefkis; Sea Pace I. III Operação Rebate: conforme o Termo de Verificação Fiscal a fls. 618 e segs. do Vol. III, em algumas movimentações financeiras houve ganho decorrente de rebates, ou seja, de vantagens que as empresas de navegação concedem aos embarcadores para obterem preferência nos embarques. Saliento, inicialmente, que as movimentações financeiras em que se verificaram operações “rebate” também foram verificadas as operações vermelhas e, no caso da importação cuja a carga foi transportada pelo navio Polydefkis foram as operações verde, vermelha e rebate. Analisemos, então, as provas relativas a uma dessas importações, , qual seja, a importação da carga transportada pelo navio Kyma, na qual ocorreu tanto a operação rebate como a vermelha, se não vejamos: a) A fls. 216 do Anexo V, consta documentação apreendida, que registra importações em nome da Fertipar, Livio e AEF, no total de Fl. 7357DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.349 19 32.999,49 toneladas de KCl, com valor nominal de US$5.056.323,50 para pagamento em 360 dias, lotes da AEF e da Livio, e pagamento via financiamento para os demais lotes (fechamento de importação datado de 04/03/2003). Observese que o custo nominal da tonelada de KC1 é de US$163,30 (para a AEF e Livio) e de US$150,00 para a Fertipar. O fornecedor é a Mekatrade. b) No verso do referido documento, consta o valor real da tonelada que a Fertipar estaria pagando pelo seus lotes seria de US$ 133,00, logo, tinha um desconto de US$ 17,00 em cada tonelada, razão pela qual, na aquisição das 24.999,49 toneladas, o desconto montava US$424.991,33 (operação vermelha). d) Ocorre que a recorrente também tinha outros créditos junto ao exportador no valor de US$419.879,40, a titulo de "rebate", o que totalizou desconto no valor de US$844.870,73. Esse crédito total foi utilizado para abater o valor da importação das 8 toneladas, resultando assim em um saldo a pagar de US$ 219.129,27, conforme consta do verso do aludido documento. Notese que também houve ganho da operação vermelha na compra das 8 toneladas, pois o valor escriturado da tonelada estava em US$ 163,30 e o valor efetivado foi US$ 133,00. e) Chamo atenção para o fato de que o desconto no valor de US$419.879,40, a titulo de "rebate", conforme registrado no verso da fls. 216 do Anexo V, decorre de operações feitas por outros navios, conforme ali informado, ou seja, ao contrário do que ocorria com outros ganhos (ganhos financeiros), esse era um crédito que a recorrente tinha junto ao exportador. e) A fls. 218 do Anexo V, consta solicitação da Intersud (representante da Mekatrade), para que seja feito o pagamento dos US$ 219.129,27. e) A fls. 217 do Anexo V, consta a solicitação de transferência, datada de 11/03/2004, de US$ 219.129,27 da conta offshore Crumer no HSBC na Suiça para a conta da Mekatrade no Banque Cantonale de Genebra. f) A fls. 219 do Anexo V, consta extrato manuscrito da conta Crumer, onde se pode vê o lançamento do pagamento a Mekatrade, em 11/03/2004, do valor US$ 219.129,27. g) Fica evidente assim o ganho na operação rebate, o qual não foi escriturado nem oferecido à tributação. Da mesma forma que nos itens anteriores, com algumas pequenas nuanças em cada caso, mas nenhuma capaz de desconfigurar o “modus operandi”, outras 4 movimentações financeiras são enquadráveis como “operação rebate”, as quais referemse a importações, cujas as cargas foram transportadas pelos seguintes navios: Fiesta; Player; Polydefkis; e Selandia. Da análise das provas de cada uma das operações vermelha, verde, azul e rebate acima tratadas, concluise que: a) configurase simulação a elaboração de dois relatórios de “Fechamento de Importações”, um com dados confidenciais (vontade real) e o outro com dados a serem escriturados na contabilidade (vontade declarada); Fl. 7358DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 b) a manutenção de escrituração contábil paralela (extratos manuscritos) teve a nítida finalidade de sonegar informações e, consequentemente, tributos ao Fisco; c) em razão do alto grau de sofisticação dos procedimentos utilizados pela recorrente para sonegar tributos, tais fatos jamais chegariam ao conhecimento do Fisco se não houvesse a ação policial, mesmo porque a recorrente se utilizava de paraísos fiscais, onde são rígidos os sigilos bancários e societários, o que demonstra ainda mais o caráter doloso da conduta da recorrente; d) tratouse de mais de 100 movimentações financeiras fraudulentas no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, o que configura a prática reiterada de omissão de receitas. d) as contas bancárias no exterior, embora abertas pelas pessoas físicas dos sócios, serviam para as atividades da recorrente, sendo lá que ela mantinha os valores que sonegava à tributação brasileira (art. 71, I, da Lei nº 4.502/64); e) embora possa ser normal que o pagamento da importação seja remetido para conta diferente da indicada no “Commercial Invoice”, como alega a recorrente; não é normal que os pagamentos das importações fossem remetidos para as contas offshores da própria importadora (a recorrente), a qual, em sua defesa, apenas alega que a conta é da titularidade do sócio que detém 90% do seu capital social; f) é irrelevante a alegação da recorrente de que a Fertipar só pode pagar suas importações com o débito em contacorrente bancária do valor fixado no contrato de câmbio, já que disso ninguém dúvida, mesmo porque foi o que ocorreu nessas operações, em que a recorrente fazia remessas do valor do contrato de câmbio para as suas contas offshores, possibilitando assim que os descontos obtidos lá ficassem, sem serem escriturados e, logicamente, sem serem oferecidos a tributação brasileira; g) diante de um conjunto probatório tão sólido a demonstrar condutas simuladas e fraudulentas, aplicarse ao item 1 da autuação a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, razão pela qual deve ser afastada a preliminar de decadência suscitada, bem como, deve ser mantida a multa qualificada de 150%, uma vez que a conduta da recorrente se subsume ao conceito de sonegação do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64; h) os sócios, em razão dos atos praticados, deveriam ter sido colocados no pólo passivo como responsáveis solidários, pois a contribuinte in casu é a recorrente, já que tinha relação direta e pessoal com toda a movimentação financeira das contas offshores, já que por elas transitavam os recursos das operações comerciais da recorrente; e h) restam demonstrados à exaustão os ganhos nas operações vermelha, azul, verde e rebate, conforme denominação cunhada pela própria recorrente nos seus relatórios confidenciais, razão pela qual devem ser mantidos os lançamentos referentes ao item 1 da autuação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA O segundo item da autuação está caracterizado pela movimentação de contas correntes bancárias em empresas offshores no exterior, as quais receberam depósitos (créditos) Fl. 7359DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.001875/200932 Acórdão n.º 1302001.034 S1C3T2 Fl. 7.350 21 relacionados na planilha de fls. 467 a 471, mantidos à margem da escrituração contábil e consequentemente da tributação. Devidamente intimada pela Fiscalização, para se pronunciar sobre a planilha, a recorrente alegou que "não tem como comprovar a origem dos recursos creditados (sic, item 2), simplesmente porque não os creditou" (doc. a fls. 484). Cabe aqui esclarecer que agiu bem a autoridade fiscal, quando excluiu da referida planilha os valores emprestados, estornados, devolvidos, bem como aqueles valores dos contratos de câmbio liquidados no Brasil relativos ao "simulado" pagamento de importações de que trata o item 1 da autuação. Sustenta a recorrente que eventuais depósitos nas contas bancárias de empresas estrangeiras constituem receita destas, e não de sua controladora ou coligada domiciliada no Brasil, logo, tais receitas, evidentemente, devem ser tributadas de acordo com a legislação do pais em que localizada a empresa, em observância ao princípio da territorialidade. Tal alegação não procede, pois como vimos tais empresas offshores (Anglo, Crumer, Farmer, Riven e Partner) não são nada mais do que meras contas bancárias, seja qual for a denominação que o paraíso fiscal dê a elas. Aliás, nesse sentido julgou o CSRFN e a própria recorrente parece concordar, ao insistentemente afirmar que o titular era o Sr. Alceu Elias Feldmann. Repito: enganase porém, ao pensar que, definido o Sr. Alceu Elias Feldmann como titular das contas, a recorrente estaria automaticamente excluída da relação jurídico tributária em tela, pois, conforme já abordado, na medida em que as contas bancárias offshores do Sr. Alceu serviam para as operações comerciais da recorrente, existia entre eles solidariedade tributária (até mesmo pela confusão patrimonial tão bem apontada pela CRSFN), que, ao revés, termina por confirmar a sujeição passiva da recorrente. Se a Anglo, Crumer, Farmer, Riven e Partner fossem empresas, já que elas são controladas pela mesma pessoa física que detém 90% do capital da recorrente (Alceu Elias Feldmann), poderia a recorrente ter apresentado provas de que elas produzem ou circulam bens ou serviços, ou seja, que são efetivamente empresas. Isso não foi feito. Na verdade, a constituição de contas bancárias travestidas de empresas nada mais prova do que mais uma simulação praticada pela recorrente. Por último, com a entrada em vigor da Lei nº 9.249/95, o IRPJ passou a ser informado pelo princípio da universalidade, razão pela qual a recorrente é tributada por receitas auferidas em qualquer lugar do mundo. O depósito bancário de origem não comprovada é apenas indício que, quando constatado, faz presumir a omissão de receitas, por expressa disposição legal. Isso, por si só, não autoriza a qualificação da multa, pois se faz necessário provar o evidente intuito de fraude, conforme dispõe a Súmula CARF nº 14. No presente caso, porém, os depósitos de origem não comprovada foram feitos em bancos situados em paraísos fiscais e sua escrituração era toda omitida do Fisco, o que se constituiu a meu ver em sonegação fiscal, pois, ao assim agir, a recorrente visou impossibilitar o conhecimento do Fisco do indício (depósito bancário de origem não comprovada) que levaria à presunção de omissão de receitas. Ademais, não há como equiparar a conduta de contribuinte que escritura e informa ao Fisco a sua movimentação bancária embora não consiga provar a origem de algum depósito – daquele que impede com sofisticados esquemas o conhecimento do Fisco das próprias contas bancárias. Assim, in casu, entendo que o contribuinte agiu dolosamente, razão pela qual há que se aplicar a regra decadencial do art. 173 do CTN, para se afasta a preliminar de decadência suscitada, bem como, deve ser mantida a multa qualificada de 150%, uma vez que a conduta da recorrente se subsume ao conceito de sonegação do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64. Fl. 7360DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS Insurgese, indevidamente, a recorrente contra os lançamentos decorrentes da Cofins e da Contribuinte para o PIS, sob a alegação de que se estaria fazendo incidir tais contribuições sobre os lucros auferidos no exterior. Confundese a contribuinte, pois o que se está tributando são receitas omitidas decorrentes de ganhos da recorrente em suas importações. Já no que concerne ao item “002 – Depósito Bancário não Contabilizados”, reafirmo que ficou provado, a mais não poder, que as contas bancárias offshores serviam mesmo para as operações comerciais da recorrente, razão pela qual é ela que deve responder pelos tributos incidentes sobre a receita omitida, legalmente, presumida a partir da existência de depósito bancário de origem não comprovada. Em face do exposto, voto por: conhecer do recurso voluntário do contribuinte, afastar a preliminar de cerceamento do direito de defesa; afastar a decadência suscitada; e, no mérito, negar provimento ao recurso. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 7361DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13986.000140/2001-72
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 13 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 01, 02, 03/2001
RECEITA BRUTA OPERACIONAL. EXPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO. Não se vê, na legislação de regência, nem tampouco na ratio essendi do conceito de receita de exportação, previsão de exclusão da receita de bens adquiridos de terceiros e revendidos no mercado externo. Se os referidos bens são revendidos para o mercado externo, por óbvio sua receita engloba a receita de exportação. Excluindo-se a mesma, deve-se também excluir a mesma parcela da receita bruta operacional.
IPI - RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE.
Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não haver previsão legal. Pela sua característica de incentivo, o legislador optou por não alargar seu benefício.
Recurso Voluntário Negado.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
É de quem alega o ônus de provar suas alegações.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-00.170
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, 1) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para excluir da receita operacional bruta a receita decorrente de bens exportados adquiridos de terceiros; 2) por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso quanto ao ressarcimento dos valores referentes ao mês de janeiro de 2001; e, 3) pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à aplicação da taxa Selic sobre ressarcimento Vencidos os Conselheiros Dr Gustavo Kelly Alencar (Relator), Dra Maria Teresa Martinez Lopez e Dr Antônio Lisboa Cardoso que a reconheciam Designado o Conselheiro DrMaurício Taveira e Silva para redigir o voto vencedor, em relação à Selic.
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Exercício: 01, 02, 03/2001 RECEITA BRUTA OPERACIONAL. EXPORTAÇÃO DE BENS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. EXCLUSÃO. Não se vê, na legislação de regência, nem tampouco na ratio essendi do conceito de receita de exportação, previsão de exclusão da receita de bens adquiridos de terceiros e revendidos no mercado externo. Se os referidos bens são revendidos para o mercado externo, por óbvio sua receita engloba a receita de exportação. Excluindo-se a mesma, deve-se também excluir a mesma parcela da receita bruta operacional. IPI - RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não haver previsão legal. Pela sua característica de incentivo, o legislador optou por não alargar seu benefício. Recurso Voluntário Negado. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. É de quem alega o ônus de provar suas alegações. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Numero do processo: 11020.005231/2007-72
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
DECADÊNCIA - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.
PRESCRIÇÃO - CONTAGEM DO PRAZO
O prazo prescricional previsto no art. 174 do CTN é contado a partir da constituição definitiva do crédito tributário que se dá quando o lançamento não possa mais ser contestado administrativamente
AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL.
Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes
LEGISLAÇÃO POSTERIOR - MULTA MAIS FAVORÁVEL - APLICAÇÃO
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS - ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. PRESCRIÇÃO - CONTAGEM DO PRAZO O prazo prescricional previsto no art. 174 do CTN é contado a partir da constituição definitiva do crédito tributário que se dá quando o lançamento não possa mais ser contestado administrativamente AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes LEGISLAÇÃO POSTERIOR - MULTA MAIS FAVORÁVEL - APLICAÇÃO A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32-A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2195; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.005231/200772 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.422 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO GFIP FATOS GERADORES Recorrente FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 DECADÊNCIA OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ART 173, I, CTN De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. PRESCRIÇÃO CONTAGEM DO PRAZO O prazo prescricional previsto no art. 174 do CTN é contado a partir da constituição definitiva do crédito tributário que se dá quando o lançamento não possa mais ser contestado administrativamente AUTO DE INFRAÇÃO. CORRELAÇÃO COM O LANÇAMENTO PRINCIPAL. Uma vez que já foram julgadas as autuações cujos objetos são as contribuições correspondentes aos fatos geradores omitidos em GFIP, a autuação pelo descumprimento da obrigação acessória subsistirá relativamente àqueles fatos geradores em que as autuações correlatas foram julgadas procedentes LEGISLAÇÃO POSTERIOR MULTA MAIS FAVORÁVEL APLICAÇÃO A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 52 31 /2 00 7- 72 Fl. 352DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa ao artigo 32A da Lei n° 8.212/91, caso mais benéfica Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista na Lei nº 8.212/1991, no art. 32, inciso IV e § 5º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. O Relatório Fiscal da Infração (fls. 11) informa que a autuada deixou de informar nas GFIPs os valores relativos às remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados e contribuintes individuais, bem como os valores das contribuições patronais incidentes sobre remunerações que haviam sido informadas nas respectivas GFIPs, demonstrado nas planilhas anexas ao relatório fiscal da aplicação da multa. A autuada também apresentou GFIPs com informações inexatas nos dados não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, uma vez que no campo "FPAS", no período de 01/2002 a 12/2006, para todos os estabelecimentos, foi informado o FPAS 639, que corresponde à informação das entidades filantrópicas e entidades beneficentes de assistência social, isentas das contribuições patronais, quando o correto seria o FPAS 574, destinado aos estabelecimentos de ensino para os quais não existe a referida isenção. A auditoria fiscal informa que a autuada teve a isenção patronal cancelada a partir de 04/08/1998, por meio do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 19.422.1/001/2004, de 05/05/2004 (doc. 01). Da decisão, a FUCS recorreu em 27/08/2004 (recurso protocolado sob nº 37071.001984/200454) e pelo Acórdão nº 1234/2005, proferido pelos membros da Quarta Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS em 20/06/2005 (doc. 02), foi negado provimento ao recurso da FUCS. A FUCS teve ciência da autuação em 27/12/2007 e apresentou defesa (fls. 181/195) nos termos que se seguem. Argumenta que todo o procedimento da Fiscalização do INSS parte de premissa equivocada, qual seja, a de que a impugnante não faria jus ao beneficio da isenção. Aduz que a alegada perda da isenção patronal, levada a cabo pelo INSS, não prevalece ante os critérios fixados em lei e que garantem à Impugnante não apenas o direito à isenção, como ao beneficio maior da imunidade tributária. Tece considerações a respeito da imunidade tributária que entende ter direito, trazendo doutrina à colação, bem como questiona as razões que levaram ao cancelamento da isenção. Alega que o chamado cancelamento de isenção, em razão do qual nasceu o presente processo de autuação, apresentase como uma verdadeira aberração jurídica. E porque Fl. 354DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 5 4 fere a imunidade tributária da Impugnante, é um ato ilícito, ilegal, improcedente, injurídico, injusto e abusivo. Argumenta que em razão de falta de amparo legal para a multa aplicada, deve a mesma ser desconstituída. De igual modo, inocorrente a hipótese da gradação baseada no art. 292, I, do RPS. Ressalta que o levantamento realizado pela Fiscalização atinge até mesmo período prescrito, eis que qüinqüenal o prazo para a prescrição de quaisquer tributos. Pelo Acórdão nº 1025.547 (fls. 215/223) a 6ª Turma da DRJ/Porto Alegre (RS) considerou a autuação procedente. A autuada, inconformada, apresentou recurso tempestivo (fls. 228/271) onde repete as alegações de defesa e inova na alegação de que a infração está fundada no descumprimento de requisitos constantes no art. 55, da Lei 8.212/91, revogado pela Medida Provisória nº 446/2008, medida legal que a União Federal tem obrigação de cumprir e aceitar, já que a reclamada cumpre os requisitos previstos no art. 28, da referida Medida Provisória 446/2008. Argumenta que diante da vigência da Medida Provisória 446/2008 foram considerados deferidos os certificados de entidade beneficente de assistência social e prorrogados os certificados existentes, não havendo amparo legal para a exigência pretendida, sob a alegação de não atendimento dos requisitos do revogado art.55, da Lei 8.212/91. Salienta que em vigência a referida Medida Provisória, deve ser analisada na forma do parágrafo 3°, do art.62, da Constituição Federal e não tendo havido legislação regulamentando a Medida Provisória 446/2008 sua eficácia só desapareceria seria suspensa por ordem judicial. Alega que deve ser respeitada a data do fato gerador, para a aplicação do instituto da decadência para as parcelas anteriores ao quinquídeo legal. De igual forma, invoca a prescrição, pelo mesmo prazo, como direito do contribuinte, caso incidente, em qualquer tempo e instância. Mantém seus argumentos relativamente ao gozo da isenção e afirma aderiu ao Programa Universidade para Todos (PROUNI), que nos termos da Lei n° 11.096/2005, passou a regular a atuação das entidades beneficentes de assistência social no ensino superior, dispondo no seu art. 8°, a isenção que a União Federal diz não mais existir. Alega que comprovado o direito da Recorrente à isenção tributária, não pode, legalmente, sofrer a incidência da cota patronal. No mesmo sentido, sendo comprovadamente entidade beneficente de assistência social, as informações prestadas na GFIP são corretas, e indevida a penalidade aplicada. Requer a aplicação retroativa dos benefícios trazidos pela Lei n° 11.941/2009, reduzindose o montante da multa aplicada, com o cumprimento das disposições legais mais favoráveis ao contribuinte. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 6 5 Os autos foram encaminhados a este Conselho e, por meio da Resolução nº 2402000.148 (fls. 316/317), foi solicitada diligência para que fosse informado o destino nas notificações correlatas. Em resposta (fls. 322) a auditoria fiscal informou que as autuações correlatas, correspondentes aos processos nº 11020.005236/200703, 11020.005239/200739 e 11020.005235/200751 já se encontrariam no âmbito do CARF. Também correlato, o processo 11020.005238/200794 teria sido encaminhado, equivocadamente, para a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN e que já teria ocorrido a solicitação para o encaminhamento correto ao CARF. É o relatório. Fl. 356DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 7 6 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente traz argumentos relativamente à decadência e à prescrição. Quanto à decadência, esta deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante nº 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art 45 da Lei nº 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 357DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 8 7 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT No 856/ 2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Nesse sentido, entendo que não se verificou a decadência, ainda que parcial. O lançamento ocorreu em 27/12/2007, data da intimação do sujeito passivo, o que poderia levar ao reconhecimento de decadência até a competência 11/2001, inclusive. No entanto, o lançamento compreende as competências de 01/2002 a 12/2006, ou seja, totalmente compreendido em período não decadencial. Assim, não há que se falar em decadência. Quanto à alegação de prescrição, não merece melhor sorte. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 9 8 A prescrição extingue o direito, pertencente ao credor, da ação de cobrança do crédito tributário, também pelo decurso do prazo de 5 anos, contado da data da sua constituição definitiva, conforme dispõe o art. 174 do Código Tributário Nacional CTN. Por outro lado, a constituição definitiva do crédito tributário se dá quando o lançamento não possa mais ser contestado administrativamente. Assim, só há que se falar em ocorrência de prescrição após a decisão administrativa definitiva, o que não se verifica no presente caso, onde o contribuinte está questionando o lançamento. A recorrente argumenta que o lançamento seria indevido em razão do gozo de imunidade constitucional por parte da recorrente. Asseverese que tal questão é matéria que já foi discutida nos autos do processo em que a entidade manifestou seu inconformismo pela emissão do ato cancelatório de isenção. A discussão administrativa chegou ao CRPS onde a 4ª Câmara de Julgamentos pelo Acórdão nº 1234/2005, negou provimento ao recurso apresentando, mantendo o Ato Cancelatório de Isenção nº 19.422.1/001/2004. Abaixo, transcrevo trecho do citado acórdão de lavra do Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira: Neste contexto, muito embora discordamos de alguns pontos levantados pela fiscalização. como afronta aos requisitos legais à concessão e manutenção da isenção da quota patronal, quais sejam, 1) A Concessão. de_Empréstimos; 2) Integralização de Capital da COOPERUCS; 3) Administração do Hospital Geral de Caxias do Sul; 4) Desvio de finalidade com a Publicação do Livro de autoria do Presidente/Reitor; e 5) Férias pagas em dobro ao Presidente/Reitor, tudo na forma que restou demonstrado, ainda assim, de conformidade com as demais situações apresentadas pelo AFPS, impõe afirmar que ; de fato, a Fundação Universidade de Caxias do Sul, deixou de cumprir com os requisitos necessários à concessão e manutenção da isenção sub examine, inscritos no artigo 55, inciso IV, V, e§ 6º , da Lei 8.21/91, devendo ser mantido o Ato Cancelatório recorrido. Por todo o exposto, estando o Ato Cancelatório sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Portanto, no que tange ao cancelamento da isenção, esta foi mantida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, nos autos do processo nº 37071.001984/200454. Quanto ao alegado gozo de imunidade constitucional, não confiro razão à recorrente. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 10 9 Em 1988, a Constituição Federal veio disciplinar sobre a isenção de contribuições previdenciárias em seu art. 195, § 7º, dispondo que seriam isentas de tais contribuições as entidades beneficentes de assistência social que atendessem as condições estabelecidas em lei; A lei que estabeleceu as condições para que uma entidade fosse isenta das contribuições previdenciárias foi a Lei nº 8.212/91 que dispôs em seu art. 55 os requisitos para o benefício; Para corroborar o entendimento de que os requisitos a serem cumpridos pelas entidades beneficentes de assistência social são os estabelecidos pela Lei nº 8.212/91, artigo 55, transcrevo trecho extraído do voto do Ministro do STF Moreira Alves no julgamento do Mandado de Injunção nº 232/RJ impetrado em razão da mora em que se encontrava o Congresso Nacional em cumprir a obrigação de legislar decorrente do art. 195, 7º da Constituição Federal: “Sucede, porém, que, no caso, o parágrafo 7º do art. 195 não concedeu o direito de imunidade às entidades beneficentes de assistência social, direito esse que apenas não pudesse ser exercido por falta de regulamentação, mas somente lhes outorgou a expectativa de, se vierem a atender as exigências a ser estabelecidas em lei, farão nascer, para si, o direito em causa, o que implica dizer que esse direito não nasce apenas do preenchimento da hipótese de incidência contida na norma constitucional, mas, depende, ainda, das exigências fixadas pela lei ordinária, como resulta claramente do disposto no referido parágrafo 7º.” Assim, resta claro que o gozo de isenção, à época dos fatos geradores, estava diretamente relacionado ao cumprimento dos requisitos do então art. 55 da Lei nº 8.212/1991, os quais não foram cumpridos em sua integralidade, conforme verificou ação fiscal que resultou na emissão de ato cancelatório de isenção. Em sede recursal, a entidade faz menção à Medida Provisória nº 446/2008 e argumenta que esta teria reconhecido seu caráter filantrópico, estendido a validade das certificações das entidades beneficentes de assistência social, outorgandolhes o prazo de doze meses para adaptação às novas normas editadas no aludido diploma. Assim, considera que com o reconhecimento do caráter filantrópico da recorrente, a ela não poderiam ser exigidas as contribuições objeto do lançamento. Não há razão no argumento. Cumpre informar que a Medida Provisória nº 446/2008 foi rejeitada por Ato do Presidente da Câmara dos Deputados de 10 de fevereiro de 2009. Com a rejeição da citada MP, mantevese vigente o art. 55 da Lei nº 8.212/1991. É certo que a MP nº 446/2008, em sua curta vigência, pode ter gerado efeitos decorrentes das relações jurídicas que porventura possam ter ocorrido. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 11 10 No entanto, a recorrente não aponta qualquer dispositivo da MP nº 446/2008 que possa expressamente têla favorecido. Além disso, não se verifica na leitura da citada MP que esta tenha o condão de desconstituir o presente lançamento. Asseverese que o único efeito que poderia beneficiar as entidades beneficentes seria aquele decorrente dos artigos 37 e 39 da MP nº 446/2008, os quais determinaram o deferimento dos pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, ainda não julgados, bem como daqueles objeto de pedido de reconsideração contra indeferimento, também não julgados, conforme se verifica. Art.37.Os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social protocolizados, que ainda não tenham sido objeto de julgamento por parte do CNAS até a data de publicação desta Medida Provisória, consideramse deferidos. Parágrafo único. As representações em curso no CNAS propostas pelo Poder Executivo em face da renovação referida no caput ficam prejudicadas, inclusive em relação a períodos anteriores. (...) Art.39.Os pedidos de renovação de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social indeferidos pelo CNAS, que sejam objeto de pedido de reconsideração ou de recurso pendentes de julgamento até a data de publicação desta Medida Provisória, consideramse deferidos. No entanto, observase que não foi a ausência de certificação que levou ao cancelamento da isenção usufruída pela entidade, requisito previsto no inciso II do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, mas o descumprimento dos requisitos previstos nos incisos IV e V e § 6º do mesmo artigo, os quais proíbem a concessão de remuneração, vantagens ou benefícios a qualquer título aos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, obrigam a aplicação integral do eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento dos objetivos institucionais da entidade, como também, determinam que a continuidade do gozo da isenção esteja condicionada à inexistência de débitos para com a Seguridade Social. Assim, concluise que a recorrente de fato perdeu o direito ao usufruto da isenção em decisão administrativa definitiva o que torna exigíveis as contribuições patronais e as destinadas a terceiros incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. O cancelamento da isenção se dá a partir da data em que se verificou o descumprimento do requisito e não a partir da data da emissão do Ato Cancelatório, conforme argumentou a recorrente. Tal entendimento encontra respaldo no art. 206, § 8º, do decreto nº 3.048/1999, vigente à época dos fatos geradores. Art.206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) Fl. 361DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 12 11 §8º O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: (g.n.) Asseverese que nem poderia ser diferente, uma vez que o caput do ora revogado art. 55 da lei nº 8.212/1991 é claro ao dispor que a isenção só pode ser usufruída pela entidade que cumprir os requisitos que especifica, conforme se verifica no trecho: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente Demonstrado que a recorrente não possuía o direito ao usufruto de isenção, foram mantidos os lançamentos no que tange às contribuições patronais e de terceiros. Quanto aos fatos geradores apurados nos lançamentos de obrigações principais, verificase que foram mantidos no mérito, conforme se verifica nos acórdãos mencionados e respectivos processos. Recurso contra o lançamento objeto do processo 11020.05238/200794, correspondente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre valores de bolsas de estudos concedidas a funcionários e dependentes Este colegiado negou provimento ao recurso pelo Acórdão nº 2402003.423. Recurso contra o lançamento objeto do processo 11020.005239/200739, correspondente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais apurados em folhas de pagamento e GFIP, lançados em razão da perda da isenção pela entidade. Este colegiado negou provimento ao recurso voluntário por meio do Acórdão nº 2402003.140. Recurso contra o lançamento objeto do processo 11020.005235/200751, correspondente às contribuições dos segurados incidentes sobre os valores pagos aos segurados professores, tidos pela Fundação Universidade de Caxias do Sul FUCS como contribuintes individuais e enquadrados como segurados empregados pela fiscalização. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, por meio do Acórdão nº 230102.408, negou provimento ao recurso, por unanimidade de votos, sob o argumento de que os elementos caracterizadores do vínculo empregatício estavam devidamente demonstrados no relatório fiscal. Quanto ao processo nº 11020.005236/200703, referese às contribuições patronais incidentes sobre os valores pagos a professores caracterizados como segurados empregados pela fiscalização, esclarecese que, embora este processo encontrese na 3ª Câmara aguardando julgamento, a matéria em questão já foi tratada por aquela Câmara no acórdão mencionado no parágrafo anterior, razão pela qual, não há óbice ao julgamento do presente auto de infração. Se este Conselho corroborou a ocorrência dos fatos geradores não declarados em GFIP, bem como considerou que a entidade não fazia mais jus ao gozo de isenção nos julgamentos das obrigações principais, o lançamento da obrigação acessória deve prevalecer. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 13 12 No que tange à multa aplicada, observase que a Lei nº 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, qual a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11020.005231/200772 Acórdão n.º 2402003.422 S2C4T2 Fl. 14 13 Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32A da Lei nº 8.212/1991 e comparado ao cálculo anterior, para que seja aplicado o valor mais benéfico ao sujeito passivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 364DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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