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Numero do processo: 10580.721333/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/12/2004
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO
RELATIVO A ESTOQUE.
Na apuração da contribuição, com incidência não cumulativa, o crédito
presumido calculado em relação ao estoque inicial de mercadorias adquiridas
para revenda existente em 01/02/2004, deve ser utilizado em doze parcelas
mensais, iguais e sucessivas, inexistindo expressa disposição legal que
autorize postergação ou antecipação.
NÃOCUMULATIVIDADE.
CRÉDITOS. ENCARGOS DE
DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO.
Não há permissivo legal para as pessoas jurídicas com atividade
exclusivamente comercial apurarem créditos sobre encargos de depreciação
do ativo imobilizado para os fins previstos no art. 3o, VI, da Lei nº 10.833, de
2003, haja vista não se utilizarem de tais bens para locação a terceiros, nem
para prestação de serviços, ou para produção de bens destinados à venda.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
NÃOCUMULATIVIDADE.
CRÉDITOS. ENCARGOS DE
DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO.
Não há permissivo legal para as pessoas jurídicas com atividade
exclusivamente comercial apurarem créditos sobre encargos de depreciação
do ativo imobilizado para os fins previstos no art. 3o, VI, da Lei nº 10.637, de
2002, haja vista não se utilizarem de tais bens para locação a terceiros, nem
para prestação de serviços, ou para produção de bens destinados à venda.
Numero da decisão: 3403-001.286
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da
seguinte forma: I) por maioria de votos, para reconhecer a legitimidade da apuração do crédito
presumido correspondente ao estoque de abertura dos bens em 31/01/2004. Vencidos os
Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira (Relatora) e Robson José Bayerl. Designado o
Conselheiro Ivan Allegretti; II) pelo voto de qualidade, negouse
provimento quanto ao direito
de crédito sobre os encargos de depreciação. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Domingos
de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO A ESTOQUE. Na apuração da contribuição, com incidência não cumulativa, o crédito presumido calculado em relação ao estoque inicial de mercadorias adquiridas para revenda existente em 01/02/2004, deve ser utilizado em doze parcelas mensais, iguais e sucessivas, inexistindo expressa disposição legal que autorize postergação ou antecipação. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Não há permissivo legal para as pessoas jurídicas com atividade exclusivamente comercial apurarem créditos sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado para os fins previstos no art. 3o, VI, da Lei nº 10.833, de 2003, haja vista não se utilizarem de tais bens para locação a terceiros, nem para prestação de serviços, ou para produção de bens destinados à venda. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Não há permissivo legal para as pessoas jurídicas com atividade exclusivamente comercial apurarem créditos sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado para os fins previstos no art. 3o, VI, da Lei nº 10.637, de 2002, haja vista não se utilizarem de tais bens para locação a terceiros, nem para prestação de serviços, ou para produção de bens destinados à venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI 2 Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por maioria de votos, para reconhecer a legitimidade da apuração do crédito presumido correspondente ao estoque de abertura dos bens em 31/01/2004. Vencidos os Conselheiros Liduína Maria Alves Macambira (Relatora) e Robson José Bayerl. Designado o Conselheiro Ivan Allegretti; II) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto ao direito de crédito sobre os encargos de depreciação. Vencidos, nesta parte, os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Antonio Carlos Atulim – Presidente Liduína Maria Alves Macambira Relatora. Ivan Allegretti – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida às fls. 510/512: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 05, em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cofins nos períodos de 01/03/2004 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/12/2004, correspondente a contribuição de R$ 52.040,85, multa de ofício de R$ 39.030,61 e juros de mora de R$ 25.026,86, perfazendo o total de R$ 116.098,32. Igualmente foi lavrado auto de infração em virtude da falta de recolhimento do PIS – fls.18, com a contribuição de R$ 5.359,22, multa de ofício de R$ 4.019,37 e juros de mora de R$ 2.702,63, perfazendo um total de R$ 12.081,22. No Termo de Verificação Fiscal tanto para a COFINS quanto para o PIS, o autuante esclarece que: 1. A partir do Livro Razão, foi elaborada pela fiscalização planilha, em anexo, denominada “Demonstrativo dos Créditos e Débitos da COFINS e PIS”, em que, para composição das bases de cálculo dos créditos e débitos das contribuições, foram considerados os valores escriturados nas contas contábeis; Fl. 538DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10580.721333/200721 Acórdão n.º 3403001.286 S3C4T3 Fl. 531 3 2.Observouse divergência entre os totais de Mercadorias Adquiridas – Total das Compras – constantes da referida planilha, em confronto com planilha apresentada pelo contribuinte; 3. Verificouse que os valores por ele considerados, a este título, já se encontravam acrescidos das despesas de Energia Elétrica e Encargos de Depreciação, razão pela qual tais valores não mais deveriam ser computados nestas bases de cálculo; 4. Quanto à despesa de energia elétrica, foi considerada, mensalmente, a parcela resultante do rateio da energia total do mês consumida, entre as vendas tributadas e não tributadas; 5. Outrossim, verificouse que o contribuinte acresce às bases de cálculo dos créditos da COFINS e PIS valores de encargos de depreciação referentes à depreciação de bens do ativo imobilizado. Todavia, tal crédito é facultado, pela Lei 10.637/02, apenas, até o período de apuração janeiro/04, portanto, quanto aos demais períodos, tanto para o PIS, como para a COFINS, não há amparo legal para a inclusão; 6. As Leis nº 10.833/03 e 10.865/04, que alteraram a lei anteriormente citada, autorizam o referido crédito em relação ao encargo de depreciação relativo a máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Portanto, tratandose de empresa comercial, tal procedimento não mais encontra arrimo na legislação vigente, posteriormente ao período de apuração fevereiro/2004; 7. Observouse ainda a comercialização de produtos sujeito à incidência monofásica, com o sujeito passivo apresentando a planilha denominada “Demonstrativo Compras de Antecipação de PIS e COFINS”, em que se verificam os valores totais, coincidentes com as notas fiscais de compras também apresentadas, assim como a exatidão dos produtos nelas discriminados, sujeitos, portanto, a esta incidência tributária; 8.Da base de cálculo do débito destas contribuições, apurada a partir dos valores de vendas escrituradas no Livro Razão, foram deduzidas os valores das vendas referentes aos produtos sujeitos à incidência monofásica, conforme demonstrado na planilha anteriormente citada. Ressaltese que, à exceção do período de apuração Março/2004, os demais valores de base de cálculo do débito das contribuições são coincidentes com os valores constantes da planilha apresentada pelo contribuinte; Fl. 539DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI 4 9. Os procedimentos acima descritos resultaram na apuração de valores de base de cálculo de crédito e débito de COFINS e PIS, distintos dos valores declarados pelo contribuinte no DACON. Desta forma, foram refeitos os cálculos dos valores apurados destas contribuições, conforme demonstrado na planilha elaborada pela fiscalização, tendo sido lançado no presente auto de infração as diferenças das contribuições ao PIS e COFINS não declaradas pelo contribuinte, conforme demonstrado no anexo citado. O enquadramento legal encontrase a fls. 06 e 20. Cientificada em 06/12/2007, a interessada apresentou em 07/01/2008 a impugnação de fls. 469/475, na qual alegou: 1. O procedimento fiscalizatório adotado pela autuante encontra se em discordância com a legislação vigente e poderá acarretar sérios prejuízos financeiros ao contribuinte, quando na sua apuração não considerou o crédito do tributo referente ao estoque de mercadorias constante em 31/01/2004, pois o contribuinte já detinha em seu estabelecimento mercadorias para revenda no início da nova sistemática da apuração pela não comutatividade; 2. Ainda em relação ao crédito do estoque na apuração da COFINS a Lei nº 10.865/2003, especificamente no artigo 12 e seus parágrafos 1º ao 3º rezam que o contribuinte que iniciar a apuração desta contribuição pela forma não cumulativa terá direito ao crédito presumido de 3% sobre o valor do estoque a ser apropriado em 12(doze) mensais e sucessivas; 3. Se observar a apuração da autuante pode ser observado que em sua planilha de apuração não contabilizou os valores dos créditos presumidos do estoque o que distorceu o valor do tributo a recolher, pois o contribuinte apurou regularmente tais valores que inclusive podem ser visto na sua apuração mensal entregue ao fisco, bem como os lançamentos na DACON; 4. O estoque de mercadorias existente em 31/01/2004 era de R$ 1.172.468,00, onde aplicando a alíquota de 3%(três por cento) corresponde a um crédito presumido de R$ 35.174,04 em 12 parcelas mensais de R$ 2.931,17; 5. Nas apurações dos meses de fev/04 a jun/04 não foram apropriados pelo contribuinte os valores mensais do crédito presumido referente ao estoque. Logo, no mês de julho de 2004 foram apropriados valores equivalentes a 06 parcelas, cujo valor total resultou em R$ 17.587,02; 6. É importante frisar ainda que o inciso III do parágrafo 1º combinado com os incisos VI e VII do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, com redação vigente até21/11/2005, garantia ao contribuinte o aproveitamento do crédito referente a depreciação sobre os bens, e que por consequência foram apropriados mensalmente na apuração do contribuinte e Fl. 540DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10580.721333/200721 Acórdão n.º 3403001.286 S3C4T3 Fl. 532 5 lançados no DACON. Todavia estes valores divergem da apuração da autuante por não ter considerado em seu processo de fiscalização; 7. O valor da depreciação mensal referente aos bens existentes do balanço do contribuinte é de R$ 1.133,46 (de janeiro a dezembro/2004 para o PIS e de fevereiro a dezembro de 2004 para a COFINS); 8. A Administração Fazendária ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstram no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente verdade, sem transferir o ônus ao contribuinte; 9. A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência do lançamento, requer que seja acolhida a presente impugnação. A 5ª Turma da DRJ/RJ2, no Acórdão nº 1326.094, de 26 de agosto de 2009, fls.509/518, julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário lançado. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/04/2004, 01/06/2004 a 31/12/2004 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO RELATIVO A ESTOQUE. ART. 3º, § 12, DA LEI 10.833/2003. FORMA DE APROVEITAMENTO. APROPRIAÇÃO DE PARCELAS NOS MESES SUBSEQÜENTES. POSSIBILIDADE. Em relação ao crédito presumido apurado sobre o estoque inicial existente em 01/02/2004, a Lei impede sua apropriação de maneira integral e imediata, permitindo seu aproveitamento paulatinamente, em 12 parcelas iguais, a partir da aplicação do regime nãocumulativo, ou seja, a partir de 02/2004. A Lei não impede, no entanto, que o contribuinte aproprie no mês subseqüente uma parcela que tenha deixado, e que tinha direito de apropriar, nos meses anteriores. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Não há permissivo legal para as pessoas jurídicas com atividade exclusivamente comercial apurarem créditos sobre encargos de depreciação do ativo imobilizado para os fins previstos no art. 3o, VI, da Lei nº 10.833, de 2003, haja vista não se utilizarem de tais bens para locação a terceiros, nem para prestação de serviços, ou para produção de bens destinados à venda. Cientificada da decisão em 18/11/2009, fls. 522, a recorrente interpôs Recurso Voluntário em , fls. 523/524 alegando não concordar com o julgamento e renova os Fl. 541DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI 6 fundamentos da impugnação, especialmente porque a decisão não observou a própria lei ordinária que se refere ao direito ao crédito presumido do estoque inicial para as empresas do lucro real que passaram a apurar os tributos do PIS e Cofins pela não cumulatividade; o julgamento faz referência a não entrega por parte da autuada do estoque de 31/01/2004, se era necessário entregálo ao fisco, solicitasse através de intimação ao invés de preferir desconsiderar os valores dos créditos apurados mensalmente na planilha de apuração, presumidos mensalmente nas alíquotas de 3% para a Cofins e 0,65 para o PIS, logo os julgadores poderão solicitar a figura do revisor para consertar o procedimento equivocado do fisco; a planilha foi entregue porque foi solicitado pela autuante e esta em momento algum solicitou o estoque em 31/01/2004, apenas desconsiderou o direito ao crédito desconsiderando a legislação vigente; em relação ao direito ao crédito dos bens pertencentes ao ativo imobilizado a legislação inicial que implementou a não cumulatividade dá direito aos créditos do ativo imobilizado; por fim reforça todos os apelos apresentados na sua defesa inicial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Liduína Maria Alves Macambira, Relatora O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, trata o presente processo de autos de infração para exigência das Contribuições Cofins e PIS nãocumulativos. A controvérsia sobre o lançamento envolve dois temas: estoque de mercadorias existente em 31/01/2004 e glosa dos encargos de depreciação dos bens do ativo imobilizado. DO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO SOBRE O ESTOQUE EM 31/01/2004 Sobre o direito ao crédito correspondente ao estoque de abertura dos bens adquiridos para revenda ou para serem utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, em estoque na data de inda assim restou disciplinado no art. 12 da Lei nº 10.833: Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3º, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. § 1º O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. § 2º O crédito presumido calculado segundo o § 1º será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. (grifei) Fl. 542DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10580.721333/200721 Acórdão n.º 3403001.286 S3C4T3 Fl. 533 7 § 3º O disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. (...) Depreendese da leitura do artigo acima transcrito que para usufruir do direito ao crédito presumido sobre o estoque de abertura, o legislador estabeleceu a forma de apuração de utilização e momento para seu gozo. Ficou determinado que este seria utilizado em doze parcelas mensais, iguais e sucessivas, para os fatos geradores ocorridos a partir da data de início da incidência nãocumulativa dessa contribuição. Portanto, não ficou a critério da pessoa jurídica a forma de utilização e o momento. De acordo com o voto condutor da decisão recorrida: Em sua impugnação, a contribuinte alega , em que o estoque de mercadorias existente em 31/01/2004 era de R$ 1.172.468,00, onde aplicando a alíquota de 3%(três por cento) corresponde a um crédito presumido de R$ 35.174,04 em 12 parcelas mensais de R$ 2.931,17. No entanto, frisa que, nas apurações dos meses de fev/04 a jun/04 não foram apropriados pelo contribuinte os valores mensais do crédito presumido referente ao estoque, salientando que no mês de julho de 2004 foram apropriados valores equivalentes a 06 parcelas, cujo valor total resultou em R$ 17.587,02. Ora, com a devida vênia, de antemão é necessário esclarecer que o procedimento informado pelo contribuinte em sua impugnação já contraria a legislação anteriormente transcrita que trata da utilização do crédito proveniente ao Estoque das Mercadorias em 01/02/2004, quando do início da nãocumulatividade da Cofins, pois consta expressamente que o valor do crédito a ser utilizado se presume como sendo 3%(três por cento) sobre o montante, cabendo ser utilizado mensalmente, em parcelas iguais e sucessivas, pelo período de 12(meses). Em que pese as argumentações na peça recursal, que não lhe foi solicitado o estoque em 31/01/2004 pela autoridade autuante, vejo que não lhe assiste razão, uma vez que diante fatos e provas constantes dos autos a recorrente não obedeceu as regras previstas na legislação para direito ao crédito presumido da Cofins sobre estoque de abertura. Não há razão para solicitar revisão para consertar o equivocado procedimento fiscal, como alega a recorrente. A forma de apuração de crédito presumido correspondente ao estoque de abertura dos bens em 31/01/2004, por ela própria informada em sua impugnação às fls. 469, anexo de fls. 505, não se enquadra nas condições estabelecidas na legislação. Assim, não procedem as alegações da recorrente. Não há reparos a fazer. DOS CRÉDITOS SOBRE OS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DOS BENS DO ATIVO IMOBILIZADO Como bem fundamentado no voto condutor da decisão recorrida, conforme trecho a seguir transcrito, para os períodos de apuração a partir de fevereiro de 2004, somente seria permitido o desconto de créditos sobre a depreciação das máquinas, equipamentos e Fl. 543DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI 8 outros bens integrantes do ativo imobilizados que tenham sido adquiridos pela pessoa jurídica quando forem utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços: Contudo, ao ser criada a sistemática nãocumulativa para a Cofins, por meio da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, já citada, foram introduzidas modificações no tópico, também estendidas à contribuição para o PIS/Pasep: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3o do art. 1o, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3o, nos §§ 3o e 4o do art. 6o, e nos arts. 7o, 8o, 10, incisos XI a XIV, e 13. [...] Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I aos arts. 1o a 15 e 25, a partir de 1o de fevereiro de 2004; [...] (sem os destaques no original) Destarte, a partir de 1o de fevereiro de 2004 deixou de ser possível a apuração de créditos sobre os encargos de depreciação incidentes sobre todos os bens do ativo imobilizado, sendo admissível somente sobre aqueles adquiridos para a utilização na produção de bens destinados à venda, ou, ainda, adquiridos para utilização na prestação de serviços. Tratando se a recorrente de uma empresa comercial atacadista de produtos alimentícios, tipicamente comercial, e os períodos contemplados no auto de infração posteriores a fevereiro de 2004 não há permissão legal para os desconto de créditos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado, uma vez que a legislação vigente no período delimitou o direito ao crédito presumido de PIS e Cofins para os ativos utilizados na produção dos bens ou na prestação de serviços. A recorrente comercializa bens, todavia não os produz. Assim, não procedem as alegações da recorrente. razão pela qual ratifico e adoto os fundamentos da decisão recorrida. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Liduína Maria Alves Macambira – Relatora Fl. 544DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10580.721333/200721 Acórdão n.º 3403001.286 S3C4T3 Fl. 534 9 Voto Vencedor Conselheiro Ivan Allegretti, Redator Designado Divirjo do entendimento da Conselheira Relatora no que se refere à forma de aproveitamento do crédito apurado sobre o estoque, gerado por força do art. 12 da Lei nº 10.833/2003. Mais especificamente, a divergência referese à interpretação e aplicação do parágrafo 2º do art. 12 da Lei, que dispõe o seguinte: Art. 12. A pessoa jurídica contribuinte da COFINS, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II daquele mesmo artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes na data de início da incidência desta contribuição de acordo com esta Lei. § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 3% (três por cento) sobre o valor do estoque. § 2o O crédito presumido calculado segundo os §§ 1o, 9o e 10 deste artigo será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. A interpretação dada pela Relatora é no sentido de que o contribuinte perderia o direito de utilizar a parcela caso não fizesse seu aproveitamento em cada um dos 12 meses que se seguiram à implantação da sistemática nãocumulativa, de tal modo que se o contribuinte não tivesse apropriado a parcela que poderia aproveitar em janeiro, não poderia fazêlo em fevereiro. Entendo que o texto legal – nem o texto específico do parágrafo 2º, nem o conjunto das disposições do art. 12 – de maneira alguma implica nesta interpretação tão restritiva. A Lei apenas impede que o contribuinte utilize integralmente o saldo total dos créditos apurados sobre o estoque, permitindo ao contribuinte que o aproprie paulatinamente a partir do mês seguinte ao do início da aplicação da sistemática não cumulativa de apuração das contribuições. Ou seja, em fevereiro de 2004 o contribuinte apenas poderia lançar o crédito correspondente a 1/12 avos do saldo total de crédito em relação ao estoque. Não poderia aproveitar valor maior. Mas se em fevereiro de 2004 deixou de lançar esta parcela, não parece que a Lei imponha qualquer impedimento a que o contribuinte promova o aproveitamento no mês subseqüente. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI 10 Ao ver deste Conselheiro, além de adequada – na medida em que não é vedada pela Lei –, tal medida é bastante melhor do que exigir que o contribuinte promova a retificação do passado, alterando sua contabilidade as declarações fiscais. O aproveitamento da parcela de um mês anterior no mês subseqüente não acarreta qualquer prejuízo ou vantagem, nem ao Fisco, nem ao contribuinte, nem prejudica os mecanismos de controle ou a fiscalização do exercício deste direito. Entendo, por isso, que em relação a este tema o recurso deve ser provido, no sentido de reconhecer ao contribuinte a possibilidade de que aproprie nos meses subseqüentes as parcelas que tenha deixado, mas que tinha direito de apropriar, nos meses anteriores. É como voto. Ivan Allegretti Fl. 546DF CARF MF Impresso em 16/01/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA, Assinado digitalmente em 0 5/12/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por LIDUINA MARIA ALVES MAC AMBIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por IVAN ALLEGRETTI
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Numero do processo: 19515.002121/2006-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003
DECADÊNCIA.
Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN.
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CONTA BANCÁRIA. TITULARIDADE.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010)
SÚMULA CARF Nº 29 Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ORIGEM COMPROVADA.
Comprovada a existência de recursos correspondentes ou superiores, não incluídos no fluxo financeiro,que apurou o acréscimo do patrimônio da pessoa física e ensejando o lançamento, cancela-se a autuação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-001.507
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli Assinado digitalmente.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Conforme precedente do Superior Tribunal de Justiça, para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência do pagamento antecipado, para o art. 173, I, do CTN. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. CONTA BANCÁRIA. TITULARIDADE. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Súmula CARF nº 32 Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) SÚMULA CARF Nº 29 Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ORIGEM COMPROVADA. Comprovada a existência de recursos correspondentes ou superiores, não incluídos no fluxo financeiro,que apurou o acréscimo do patrimônio da pessoa física e ensejando o lançamento, cancelase a autuação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 457DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 558 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro Atilio Pitarelli Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 14/09/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 469 a 478 da instância a quo, in verbis: Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, mediante os fundamentos legais descritos às fls. 354/356, por omissão de rendimentos recebidos de fontes no Brasil e no exterior cuja origem não foi comprovada.Consta ainda na presente autuação, lançamento de ofício por acréscimo patrimonial a descoberto e multa isolada por falta de recolhimento do Imposto de Renda devido a título de carnêleão. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 318/329, o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos bancários relativos a todas as contas correntes e aplicações financeiras (inclusive poupanças), que deram origem a sua movimentação financeira no período de 01 de janeiro de 2000 a 31 de dezembro de 2001, bem como a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias no período indicado; ainda a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos referentes ao Imposto de Renda dos anoscalendário 2000 e 2001 conforme relacionado à fls. 318/319, item 3 de “a” a “m”. Informa o Auditor Fiscal que o contribuinte, em 14/04/2005, apresentou extratos bancários das instituições, Bradesco, HSBC e Itaú, Contratos, Instrumento de Confissão e Dívida relativo a empréstimos concedidos, Cópias de Notas Promissórias, Documentos relativos a Herança recebida, cópia de Escritura de cessão de direitos creditórios sobre imóveis, cópia de Instrumento particular de Alteração de Contrato Social da empresa Link Mercantil LtdaEPP; comprovantes de pagamento de IPVA e seguro obrigatório, comprovantes de pagamentos de taxa de condomínio e IPTU e microfilmagem de cheque emitido por Sayonara Jurdi Markakis relativo à doação em favor do contribuinte, tal documento veio acompanhado de folha de extrato da conta da mesma e foi apresentado pessoalmente em 30/01/2006. Informa ainda o Fiscal que em 09/05/2006, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos/créditos bancários efetuados na contas mantidas Fl. 458DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 559 3 nos Bancos: Bradesco, HSBC, Múltiplo e Itaú bem como informar o nome e CPF de todos os cotitulares das contas mencionadas. Ainda, com relação aos empréstimos concedidos a terceiros, que constam da declaração IRPF/2002, comprovar, com documentação hábil e idônea o efetivo recebimento do numerário quando da quitação dos referidos empréstimos pelos devedores. Também foi intimado a comprovar, a origem dos valores informados a título de dinheiro em caixa nas declarações retificadoras apresentadas pelo contribuinte relativas aos exercícios de 2000, 2001 e 2002. Não teria havido comprovação e os dados não foram considerados como origem. O contribuinte teria somente reapresentando documentos anteriores e outros demonstrando a cotitularidade de sua esposa nas contas mantidas junto ao Bradesco e HSBC. Também teria apresentado relação indicando quais os depósitos que tiveram origem decorrente da transferência de valores entre suas próprias contas e declaração do Banco Itaú S/A informando que o único titular da conta 140047, é a esposa do contribuinte Sra. Maria Dilea Meleipe Jurdi. Noticia a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, do qual decorreu intimação para que o contribuinte comprovasse a natureza e origem dos valores recebidos no exterior, por meio de contas denominadas MIDLER e CHELLO, administradas pela empresa Beacon Hill Service Corporation em agência do J P Morgan Chase Bank, conforme extratos anexados ao referido termo. Foi também intimado a comprovar, a natureza e a origem de valores movimentados no exterior em 01/07/2002, por meio da conta denominada CHELLO, em operação onde figurou como ORDENANTE, conforme extrato. O contribuinte requereu dilação de prazo para apresentação dos documentos referidos acima tendo sido concedida mais 10 dias, porém, até o final dos trabalhos não atendeu a fiscalização. Foram juntados aos autos os documentos relacionados no item 11, fls.322, e com a conclusão dos trabalhos, lavrou o presente Auto de Infração dando conta de: • Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no ano calendário de 2001. • Acréscimo patrimonial a descoberto no ano calendário 2001. • Omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior nos anos calendários 2001 e 2002. • Multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. O valor da Autuação é de R$ 1.472.183,98, consolidada em 09/10/2006. Da impugnação Após ter vista dos autos em 01/11/2006, conforme Termo de fls. 360, apresentou impugnação conforme instrumento de fls. 363/374, em que depois de resumir os fatos sustenta pontualmente: Da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior Fl. 459DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 560 4 • Não tem qualquer procedência a lavratura de auto de infração com base em meras ordens de pagamento emitidas por instituições financeiras, referentes a contas bancárias administradas pela referida empresa Beacon Hill Service Corporation pois, o Autuado nunca exerceu quaisquer atividades no exterior, nem manteve contas bancárias, seja em seu nome, seja em nome de terceiras empresas. • As alegadas ordens de pagamento nunca se efetivaram e não houve qualquer acréscimo patrimonial do Autuado oriundo das supostas omissões de rendimentos de fontes no exterior. • É de notório conhecimento que no caso Banestado, muitos nomes utilizados eram de pessoas reais, foram utilizados como “laranjas” mas que desconheciam que seus nomes estavam sendo utilizados. Assim aponta que a menção do nome do Autuado em extratos bancários de instituições financeiras no exterior teria sido caso de homônimos ou, mais provavelmente, utilização indevida de seu nome a fim de desviar as investigações das pessoas que efetivamente se beneficiaram nestas operações. • Acrescenta que as ordens de pagamento não são títulos que comprovem efetivamente o auferimento de rendimentos e que seriam apenas documentos internos das instituições financeiras, emitidos em favor da Beacon Hill Service Corporation, que o Autuado desconhece. • Aduz que a legislação do Imposto de Renda de pessoa física está fundamentada no regime de caixa, sendo necessário ocorrer à disponibilidade econômica para realização do fato gerador do IRPF. • Assim, a ordem de pagamento bancária não constitui documento hábil que comprove auferimento de renda apenas por mencionar o nome do autuado. Decadência • Alega que houve decadência dos fatos geradores ocorridos em 28/02/2001 e 31/03/2001, valores de R$ 155.736,00 e R$ 693.140,00, respectivamente, tendo em vista a apuração mensal do imposto devendo o prazo decadencial ser contado das datas da sua ocorrência, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional. Multa de ofício cumulada com multa isolada • Afirma a aplicação cumulativa das multas previstas nos incisos I e II, letra "a", do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27.12.96, seria indevida e que o cálculo correto da multa, se fosse devida, seria de 50% nos termos do artigo 44, inciso II, letra "a", da Lei n° 9.430, de 27.12.96. Assim pretende o cancelamento da multa de 75% calculada sobre o imposto apurado denominada "multa proporcional". Do Acréscimo patrimonial a descoberto • Afirma que no item 14 do campo "declaração de bens e direitos", referente à Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2002 (doc. 04), demonstrase que o Autuado recebeu, em devolução do empréstimo feito a Ithamar de Moraes Sampaio Fonseca, três imóveis declarados nos campos 2, 3 e 4 da mesma declaração de bens e direitos e R$ 285.000,00 em dinheiro e que com este Fl. 460DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 561 5 numerário pode fazer o pagamento de diversas despesas do período, não havendo fundamento para a exigência fiscal. • Alega ainda que no item 18 da referida Declaração de 2002, também está declarado dinheiro em caixa. Dos depósitos bancários com origem não comprovada Acerca deste item sustenta: • Que a quantia em dinheiro seria resultado pagamento do empréstimo feito a Ithamar de Moraes Sampaio Fonseca, já referidos acima, além da do dinheiro em caixa também mencionado no item anterior • Herança de parentes no Líbano, comprovada nos autos e declarada no campo de "rendimentos isentos e nãotributáveis" da Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2002, no valor de R$ 630.000,00. Da Multa isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão • Afirma que por ser oriunda das supostas omissões de rendimentos recebidos de fontes no exterior, conforme fundamentos que apontou no ao impugnar a cumulação com a multa de ofício em arrazoado anterior deve ser excluída juntamente com a obrigação principal. Finaliza com pedido de provimento à presente impugnação, e o conseqüente cancelamento do Auto de Infração e arquivamento dos autos. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, afastou a preliminar de decadência e julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 RENDIMENTOS DE FONTE NO EXTERIOR. Ficam sujeitos à tributação no Brasil, os rendimentos recebidos de fonte no exterior que não tenham sido tributados no país de origem. Art. 8º da Lei 7.713/88. DECADÊNCIA. O fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Física, por ser complexivo com período anual, ocorre em 31 de dezembro do respectivo anocalendário.O objeto da homologação é o pagamento, ante a ausência do mesmo, o prazo decadencial de 5 (cinco) anos iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Art. 173, I, do CTN). Fl. 461DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 562 6 MULTA ISOLADA SOBRE CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO SIMULTANEIDADE. É cabível o lançamento da multa isolada sobre carnê leão não recolhido concomitante à multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração inexata, visto que se trata de infrações distintas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430/1.996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. o justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 484 a 498, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: A) Da omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior. Conforme se verifica no acórdão recorrido, o presente Auto de Infração foi lavrado com base em meras ordens de pagamento emitidas por Instituições Financeiras, referentes a contas bancárias administradas pela empresa Beacon Hill Service Corporation. Com efeito, insta ressaltar que o Recorrente nunca exerceu quaisquer atividades no exterior, muito menos a manutenção de contas bancárias, seja em nome próprio, ou de terceiros. Ora, conforme consta nos presentes autos, a DRJ/SP não comprovou o efetivo ingresso da renda ao patrimônio do Recorrente, se baseando somente numa ordem de pagamento de banco, na qual menciona o nome do Recorrente, e que conforme entendimento da jurisprudência acerca do tema, o mesmo não é documento hábil que comprove o auferimento de renda. A existência de extratos em nome de Contribuinte "A" ou "B", pode levar à presunção da propriedade do numerário depositado naquela conta, contudo, no presente caso, em momento algum foi cabalmente comprovado que estas contas no exterior pertencem ao Recorrente — simplesmente presumiram que pertence ao Recorrente. Desta forma, não resta dúvida de que o acórdão proferido deve ser reformado na sua totalidade, com o conseqüente cancelamento do Auto .de Infração quanto a este tópico, por faltar a devida causalidade entre as ordens de pagamento c o auferimento de renda ou proventos de qualquer Fl. 462DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 563 7 natureza, descabendo o enquadramento legal no art. 43, do CTN, bem como dos arts. 1 0, 2° e 3° c §§, e 8°, da Lei n.° 7.713, de 22.12.88. B) Da Decadência. Pois bem, o Recorrente não concorda com o acórdão recorrido, uma vez que a apuração do Imposto de Renda da Pessoa Física se dá de forma mensal, conforme art. 2", da Lei n." 7.713 de 22.12.1988, abaixo transcrita, c que, partindo desse pressuposto, houve a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos em 28.02.2001 e 31.03.2001, nos valores de R$ 155.736,00 e R$ 693.140,00, respectivamente. C) Da concomitância da multa isolada e multa de ofício. Ocorre que, conforme jurisprudência pacifica tanto do C. Conselho de Contribuintes, quanto do C. Conselho Superior de Recursos Fiscais colacionadas abaixo, não deve persistir a exigência de multa isolada cumulada com a multa de oficio, tendo em vista que a infração é urna só, sendo incabível sua exigibilidade. D) Do Acréscimo Patrimonial a descoberto. O acórdão recorrido aduz que os valores apresentados como origens dos recursos não foram considerados porque o Recorrente não apresentou as provas necessárias, contudo, conforme informação do próprio Termo de Verificação Fiscal, consta a entrega dos referidos documentos. Ora, tendo em vista essa divergência entre o acórdão recorrido c o constante no Termo de Verificação Fiscal, verificase claramente que tais documentos, frisese, já entregues a autoridade fiscal tributária, ainda não foram analisados, desse modo, tais documentos probatórios devem ser encaminhados à autoridade fiscal, para que a mesma faça uma análise minuciosa e rigorosa sobre Os mesmos, sob pena de desobediência ao Principio da ampla defesa e do contraditório. Conforme fis. 10 do Recurso de Impugnação interposto pela Recorrente, na leitura do item 12.2 do Termo de Verificação Fiscal, bem como a folha 1 do "Demonstrativo de Variação Patrimonial", verificase que foram arbitrados os supostos rendimentos no valor de R$ 234.344,04 (janeiro/2001); R$ 7.712,65 (março/2001) e R$ 17.845,79 (abril/2001), com base nos dispêndios do Recorrente neste período. Contudo, uma singela leitura do item 14 do campo Declaração de bens e direitos", referente à Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2002 (anocalendário 2001) (doc. 04 da Impugnação), revela que o Recorrente recebeu, em devolução do empréstimo feito a Ithamar de Moraes Sampaio Fonseca, três imóveis (devidamente declarados nos campos 2, 3 c 4, da mesma declaração de bens e direitos) e R$ 285.000,00 em dinheiro. Ademais, além desse numerário, o Recorrente também mantém dinheiro em caixa, devidamente declarado, como se verifica no item 18 do Fl. 463DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 564 8 campo "declaração de bens e direitos" referente à Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2002 (anocalendário 2001). Assim, pelo exposto, os documentos devem ser analisados pela autoridade fiscal tributária, frisese, documentos já entregues à mesma, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, que comprovado o fluxo dc caixa coerente com as receitas do Recorrente, deve o referido item do Auto de Infração ser inteiramente anulado, inclusive a multa respectiva. E) Dos depósitos bancários de origem não comprovada Em relação ao anocalendário de 2001, nos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, junho, julho e novembro de 2001, entendeu a fiscalização que houve omissão de rendimentos, em face de depósitos bancários de origem não comprovada. Contudo, tal quantia em dinheiro é resultado do mencionado pagamento do empréstimo feito a Ithamar de Moraes Sampaio Fonseca, o qual foi feito através de transferência de três imóveis (devidamente declarados nos campos 2, 3 e 4 da mesma declaração de bens e direito) e R$ 285.000,00 em dinheiro. Além disso, o Recorrente recebeu herança de seus parentes no Líbano, a qual está comprovada com a documentação trazida aos autos. Referida herança está devidamente declarada no campo "rendimentos isentos e não tributáveis" da Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2002 (ano calendário de 2001), no valor de R$ 630.000,00. O Recorrente necessita efetuar a movimentação de numerário entre suas contas bancárias, o que pode ter causado a alegada diferença de saldo, levantada pela 'fiscalização. Cumpre ainda lembrar, conforme já asseverado anteriormente, que o Recorrente também mantém dinheiro em caixa, devidamente declarado, como se verifica no item 18 do campo "declaração de bens c direitos", referente à Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2002 (ano calendário 2001), o qual é depositado, periodicamente, em suas contas bancárias. Desta maneira, as diferenças encontradas pela fiscalização nada mais são do que depósitos efetuados pelo próprio Re2o1rente, cuja origem já foi declarada na referida Declaração de Ajuste Anual de 2002 (anocalendário de 2001) e comprovada nos autos. Ao final, requer pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É o Relatório. Fl. 464DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 565 9 Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Amissibilidade O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Da Decadência. Inicio apreciando o pleito decadencial no tocante ao crédito tributário do ano calendário 2001 Para tal análise, considerando a reprodução nos julgamentos do Carf, conforme art. 62a, do anexo II, do Ricarf, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, utilizome de entendimento pacífico dessa Turma de julgamento, expresso no Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 465DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 566 10 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Feitas estas considerações, nos presentes autos, para o anocalendário 2001 considerando que não se encontram pagamentos de IR na declaração, fl. 6, devese, portanto, aplicar a regra decadencial do artigo 173, I, do CTN, ou seja, como o fato gerador desse exercício se aperfeiçoou em 31/12/2001 a Fazenda Nacional poderia concretizar o lançamento até 31/12/2007. Considerando que a ciência do contribuinte se deu em 09/10/2006 (fl. 359), não prospera a tese da extinção do lançamento pela decadência. Infração 001 Da omissão de rendimentos recebidos de fontes do exterior Alega o Recorrente que nunca exerceu quaisquer atividades no exterior, muito menos a manutenção de contas bancárias, seja em nome próprio, ou de terceiros. Assim, por uma questão de lógica analisaremos primeiramente a questão da identificação do sujeito passivo. Essa questão é conhecida e já foi objeto de vários julgamentos Fl. 466DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 567 11 neste órgão, v.g., o Acórdão n° 330100.065, de 7 de maio de 2009, tendo como relatora do voto a conselheira Núbia Matos Moura, cujo julgado, especialmente quando trata da questão fundamental da sujeição passiva, se amoldando com perfeição ao caso em debate, aplicase como fundamento para esta decisão, verbis: (...) Pois muito bem. A autoridade fiscal imputou ao contribuinte a infração de omissão de rendimentos, caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto, que restou evidenciada por remessas de recursos ao exterior, conforme apurado durante as investigações do “Caso Banestado”, momento em que se identificou a empresa Beacon Hill Service Corporation como intermediária de diversas ordens de pagamento. No recurso, assim como durante o procedimento fiscal e na fase de impugnação, o contribuinte nega ter efetuado remessas de recursos ao exterior. Já a autoridade fiscal, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 171/173, assim se pronunciou: Apesar de negar a prática da operação, os documentos enviados pela COFIS, oriundos da Justiça Federal, 2ª Vara Criminal de Curitiba, atestam ser o Sr. Daniel Rosenthal ordenante ou remetente do montante de US$ 64.962,04, cujas operações financeiras foram realizadas através do Banco Chase de Nova York, por meio da conta/subconta Beacon Hill Service Corporation – BHSC. A lide que se impõe, portanto, gira em torno de se saber se existem nos autos documentos que comprovem de forma inequívoca que o contribuinte efetuou as remessas de recursos ao exterior, conforme discriminado na Descrição dos Fatos do Auto de Infração, fls. 171. Para o estudo que se propõe vale destacar que o art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito, estabelece que a autoridade fiscal deve instruir o Auto de Infração com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito imputado ao contribuinte. Art. 9.º. A exigência do crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Devese, ainda observar que o direito probatório brasileiro consagra a possibilidade de uso da prova indiciária. Entretanto, no caso do uso das provas indiciárias (indiretas), é ônus do agente fiscal contextualizar os elementos de prova juntados, tratando de articulálos de forma tal a demonstrar a inequívoca conduta ilícita do contribuinte (se do cruzamento dos elementos de prova coletados não resultar como possível apenas aquele resultado afirmado pelo agente fiscal, sem vigor restará o cenário construído, o que, via de regra, demanda aprofundamento da investigação). Fl. 467DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 568 12 No presente caso, a autoridade fiscal na Descrição dos Fatos afirma que os documentos oriundos da Justiça Federal (2ª Vara Criminal de Curitiba) são suficientes para atestar que o contribuinte realizou as remessas em questão. Entretanto, do exame dos documentos que compõe o processo verificase que o nome do recorrente Daniel Adolphe Rosenthal somente é mencionado na relação de fls. 11/13, elaborada pela Equipe Especial de Fiscalização constituída pela Portaria SRF nº 463/04. Nos documentos oriundos da Justiça Federal o nome do recorrente não é mencionado sequer uma única vez. Ora, tal relação, fls. 11/13, em que pese ter sido elaborada por Equipe Especial de Fiscalização, constituída por Portaria da Secretaria da Receita Federal do Brasil, não é prova suficiente de que o contribuinte de fato tenha realizado as operações ali indicadas. Sabese que as informações constantes da referida relação elaborada pela Equipe Especial de Fiscalização foram extraídas das planilhas eletrônicas recebidas das autoridades americanas, nas quais constam os movimentos a débito e a crédito das conta e subcontas da Beacon Hill Service Corporation. Temse, portanto, como certo que o nome Daniel Rosenthal foi de fato mencionado como ordenante e remetente das remessas de recursos ao exterior, nos documentos que se encontram transcritos nas planilhas eletrônicas encaminhadas ao governo brasileiro pelas autoridades americanas. É certo, ainda, que nas mencionadas planilhas eletrônicas o nome Daniel Rosenthal vinha acompanhado de endereço, no qual o recorrente já residiu, de modo que são fortes os indícios de o contribuinte ter realizado todas as operações apontadas no Auto de Infração. No entanto, tais fatos são apenas indiciários. Não se pode descartar a possibilidade de uso indevido do nome do contribuinte. Vale ressaltar que não restou comprovado nos autos que o contribuinte seja titular de contacorrente no exterior, tampouco, foram acostados aos autos documentos assinados pelo recorrente ou mesmo fornecidos por instituições financeiras brasileiras ou americanas, os quais indicassem o contribuinte como remetente ou beneficiário de recursos ao exterior. O nome Daniel Rosenthal aparece nas ordens de pagamentos por indicação dos titulares das conta e subcontas da Beacon Hill Service Corporation (doleiros). Tais informações não são inteiramente confiáveis, dado que os doleiros poderiam, na intenção de encobrir o verdadeiro titular dos recursos, mencionar um nome qualquer. Desta forma, temse que os elementos trazidos pela autoridade fiscal aos autos não são suficientes para comprovar, de forma inequívoca, que o contribuinte realizou as remessas de recursos ao exterior, de sorte que não pode prosperar a infração de omissão de rendimentos evidenciada por acréscimo patrimonial a descoberto. Ante o exposto, VOTO por não conhecer das alegações relativas a infração de multa isolada por perda do objeto em razão da extinção do correspondente crédito tributário e, no mérito, dar provimento ao recurso. Importante, unir o raciocínio do julgado supra com os fatos particulares desse processo, ressaltando o seguinte: Somente encontramos nesse processo referência ao nome do interessado ligado as operações no exterior, nos documentos de fls. 270 e 283, ambos elaborados pela Fl. 468DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 569 13 Equipe Especial de Fiscalização constituída pela Portaria SRF nº 463/04. Nos documentos oriundos da Justiça Federal o nome do recorrente não é mencionado sequer uma única vez. Ora, respeitando o Princípio da Estrita Legalidade, a determinação do sujeito passível deve ser precisa e inequívoca. Os valores que apenas são referidos no importante mas insuficiente documento da CoordenaçãoGeral de Fiscalização deveriam ser utilizados para compor um conjunto probante que mostrasse de forma cabal que o contribuinte era o sujeito passivo da exação tributária mas isso não vemos nos presentes autos. Importante ressaltar que esta posição está bem explicitada na Súmula CARF nº 32: Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. (Portaria CARF nº 52, de 21 de dezembro de 2010) Destarte, estando insuficientemente demonstrado nos autos que o interessado foi o responsável pelas remessas ao exterior e que todos valores lançados foram decorrentes dessa presunção indevida, voto pelo cancelamento da infração 001 Omissão de Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior. Infração 003 Dos depósitos bancários de origem não comprovada Esta infração foi efetivada com base nos seguintes valores: De outro lado pela documentação constante nos autos e pela própria declaração da autoridade autuante (fl.324), a conta que albergou os depósitos bancários era de titularidade conjunta, verbis: Como a conta onde foram efetuados esses depósitos é de titularidade conjunta do contribuinte e de Maria Dilea Meleipe Jurdi, CPF 148.389.05890, que apresentou, no exercício de 2002, declaração IRPF em separado, consideramos que o rendimento omitido pelo contribuinte corresponde a 50% dos valores relacionados nessa tabela (art. 42, § 6° da lei 9.430/96). Ocorre que não se encontra em nenhum momento do processo que a co titular Maria Dilea Meleipe Jurdi, foi regularmente intimada a comprovar a origem de tais depósitos. A Fiscalização limitouse a considerar que 50% dos depósitos seriam de Fl. 469DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 570 14 responsabilidade do recorrente. Esse aspecto traz uma questão tratada em súmula deste Conselho, qual seja: SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Dessa forma, resta nula a Infração 003 Dos depósitos bancários de origem não comprovada. Infração 002 Do Acréscimo Patrimonial a descoberto. Esta infração foi efetivada com base no Demonstrativo de Variação Patrimonial de fls. 237/238, onde foram obtidos os seguintes valores tributáveis: O recorrente aduz o seguinte acerca das suas origens que justificaria tal APD: Contudo, uma singela leitura do item 14 do campo Declaração de bens e direitos", referente à Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2002 (anocalendário 2001) (doc. 04 da Impugnação), revela que o Recorrente recebeu, em devolução do empréstimo feito a Ithamar de Moraes Sampaio Fonseca, três imóveis (devidamente declarados nos campos 2, 3 e 4, da mesma declaração de bens e direitos) e R$ 285.000,00 em dinheiro. Ademais, além desse numerário, o Recorrente também mantém dinheiro em caixa, devidamente declarado, como se verifica no item 18 do campo "declaração de bens e direitos" referente à Declaração de Ajuste Anual do Exercício de 2002 (anocalendário 2001). Da análise das alegações acima, constatamos que as razões do recorrente são confirmadas com os valores apresentados na DIRF2002 retificadora de fls. 6 a 7. Contudo a autoridade autuante entendeu, fl. 385, que seriam informações passíveis de provas do contribuinte que não o fez adequadamente por considerar insuficiente as provas apresentadas, quais sejam, as notas promissórias e confissões de dívida registras em cartório, fls. 84 a 88 referentes ao Sr. Ithamar e ainda, consta na DIRPF2002 outra devolução de empréstimo no valor de R$ 70.000,00 referente a pessoa de Ismar Arlindo Grechi Romani, fls. 92 a 93. Ocorre que a própria autoridade autuante considerou documentos de mesma forma como dispêndios/aplicações no fluxo financeiro no cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto (APD), sejam, as confissões de dívida e notas promissórias em favor de Sr. Nana Grechi Romani nos valores de R$120.000,00, fls. 97 a 99, e mais R$100.000,00 , fls. 100 a 102 que não constaram da DIRPF2002. Ora, é necessário que a autuação guarde uma coerência em relação a sistemática dos elementos que possam compor esse o fluxo do APD. Entendo assim, que Fl. 470DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.002121/200618 Acórdão n.º 210201.507 S2C1T2 Fl. 571 15 devem ser considerados os valores constantes da DIRPF2002 e consubstanciados nos mesmos tipos de documentos que foram considerados com dispêndios. Assim, entendo que o valor de R$285.000,00 devam ser considerados como origem de recursos. Restaria analisar a data que esse valor seria alocado no fluxo financeiro, especialmente considerando que o primeiro APD logo ocorreu em janeiro. Não encontrei a data de ingresso desse valor de R$285.000,00 de forma clara. Podemos precisar, pelo que consta nos autos, é que este valor e tenha ingressado em março de 2001 juntamente com a cessão dos imóvel que compuseram a quitação global da dívida, fls. 111. Por outro lado, como aduz o contribuinte, consta em sua declaração valores de dinheiro em espécie em 31/12/2000 no valor R$900.000,00 o que facilmente poderia ter sido usado para os dispêndios de janeiro e recomposto em março com a entrada de março. Assim, considerando que o valor total do APD apurado foi de R$ 259.902,48 e que os recursos provenientes da devolução do empréstimo feito a Ithamar de Moraes Sampaio Fonseca que passam a ser considerados como origens são superiores a este valor, concluo pela cancelamento do APD apurado. Da concomitância da multa isolada e multa de ofício. Em decorrência das considerações acima, resta superada essa infração que deve ser cancelada por falta de objeto. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 471DF CARF MF Emitido em 29/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/09/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.006207/2005-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS
OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2005
IOF. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO
CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B
e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros
no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em
que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-001.494
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, com arrimo no artigo 62-A do RICARF, dar provimento ao recurso .especial.
Matéria: IOF - ação fiscal- (insuf. na puração e recolhimento)
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2005 IOF. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, com arrimo no artigo 62A do RICARF, dar provimento ao recurso especial. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 2 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 661 a 666) contra o v. acórdão proferido pela colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 650 a 657) que I) por maioria de votos, deu provimento parcial para reconhecer a decadência dos períodos de apuração anteriores a 28/06/2000, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho e Odassi Guerzoni Filho, que não a reconheciam por adotarem como termo inicial do prazo decadencial o primeiro dia do ano seguinte, nos termos do art. 173, I, do CTN; e II) quanto ao restante, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. Conforme se verifica do voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, reconheceuse a decadência quanto aos fatos geradores anteriores a 28/06/2000, determinandose que fossem subtraídos das bases de cálculo mensais adotadas pela fiscalização os valores dos saldos devedores diários até o dia 27/06/2000, cancelandose na integralidade os períodos de apuração até o mês de maio de 2000, e parcialmente o período do mês de junho de 2000. A ementa do v. acórdão recorrido é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/01/2000 a 31/05/2005 DECADÊNCIA. CINCO ANOS A CONTAR DE CADA FATO GERADOR DIÁRIO. O direito de constituição do IOF, tributo submetido ao lançamento por homologação, decai em cinco anos a contar de cada fato gerador diário, sendo irrelevante a antecipação do pagamento. OPERAÇÕES DE MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. BASE DE CÁLCULO. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10980.006207/200578 Acórdão n.º 930301.494 CSRFT3 Fl. 689 3 As operações de empréstimo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, assim como entre pessoa jurídica e pessoa física, sujeitamse à incidência do I0F, cuja base de cálculo é dada pela soma dos saldos devedores diários apurada no último dia de cada mês. Recurso provido em parte. (grifos nossos) A Fazenda Nacional alegou em seu recurso, em síntese, que como não houve antecipação de pagamento pelo contribuinte, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte ao que o tributo poderia ser lançado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN. Assim, assevera que, verbis, nos períodos de 01/01/2000 a 27/06/2000, considerando a ausência de antecipação de pagamento por parte do contribuinte, temse o início da contagem do prazo decadencial apenas em 01/01/2001, findandose em 01/01/2006, tudo nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Mais adiante, arremata que considerando que a lavratura do auto de infração foi devidamente cientificada em 28/06/2005, é descabido cogitarse de decadência do crédito tributário lançado em quaisquer competências objeto da presente autuação. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 669 a 671. Contrarazões do contribuinte às fls. 678 a 680 em que se propugnou, em suma, pela aplicação do disposto no § 4º do artigo 150 do CTN. É o relatório Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Com relação ao mérito, especificamente quanto ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 4 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10980.006207/200578 Acórdão n.º 930301.494 CSRFT3 Fl. 690 5 qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA 6 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o auto de infração, cuja ciência se deu em 28/06/05 (fls. 503), diz respeito a créditos tributários referentes ao IOF, competências de janeiro de 01/01/2000 a 31/05/2005. Pelo que consta dos autos, não só do auto de infração (fls. 490), mas também da decisão de primeira instância (fls. 600) e da r. decisão proferida pela Câmara a quo (fls. 650), verificase que não houve pagamento antecipado. Assim, não havendo pagamento, nos termos da jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, aplicase à espécie o disposto no inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Por conseguinte, em face de todo o exposto, com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 29/07/2 011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/06/2011 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 18088.000603/2008-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a
arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontando-as das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência.
SALÁRIO INDIRETO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
Somente não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais da empresa que observarem os requisitos inscritos nos dispositivos legais que regulam a matéria, notadamente artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual,
quando tratar de isenção, deverá ser interpretado de maneira literal e restritiva, conforme preceitos do artigo 111, inciso II, e 176, do Códex Tributário.
VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que
deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual.
NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatando-se a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999.
NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção,
podendo determinar diligência que entender necessária.
A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72.
LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do
contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e
materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os
artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendo-lhes
apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-002.115
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos rejeitar
o pedido de perícia; II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do
lançamento os valores pagos a título de vale transporte. Vencidos os conselheiros Elaine
Cristina Monteiro e Silva Vieira e Elias Sampaio Freire, que negavam provimento.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Com fulcro no artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto no prazo constante da legislação de regência. SALÁRIO INDIRETO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Somente não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais da empresa que observarem os requisitos inscritos nos dispositivos legais que regulam a matéria, notadamente artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual, quando tratar de isenção, deverá ser interpretado de maneira literal e restritiva, conforme preceitos do artigo 111, inciso II, e 176, do Códex Tributário. VERBAS PAGAS A TÍTULO DE VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA DO STF E STJ. APLICABILIDADE. ECONOMIA PROCESSUAL. De conformidade com a jurisprudência mansa e pacífica no âmbito Judicial, especialmente no Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça, os valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, pagos ou não em pecúnia, não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias, em razão de sua natureza indenizatória, entendimento que deve prevalecer na via administrativa sobretudo em face da economia processual. Fl. 245DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 2 NORMAS PROCEDIMENTAIS DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. CARACTERIZAÇÃO SEGURADOS EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. Constatandose a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “prestador de serviços”, deverá o Auditor Fiscal desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, enquadrando os trabalhadores desta última como segurados empregados da tomadora, com fulcro no artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, c/c Pareceres/CJ nºs 330/1995 e 1652/1999. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PAF. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. De conformidade com os artigos 62 e 72, § 4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, c/c a Súmula nº 2 do antigo 2º CC, às instâncias administrativas não compete apreciar questões de ilegalidade ou de inconstitucionalidade, cabendolhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua competência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, I) Por unanimidade de votos rejeitar o pedido de perícia; II) Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento os valores pagos a título de vale transporte. Vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Elias Sampaio Freire, que negavam provimento. Fl. 246DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000603/200810 Acórdão n.º 2401002.115 S2C4T1 Fl. 245 3 Elias Sampaio Freire Presidente. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Fl. 247DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 4 Relatório LUPO SA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Decisão da 10a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, Acórdão n° 1230.669/2010, às fls. 207/222, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, em relação ao período de 01/2004 a 12/2004, conforme Relatório Fiscal, às fls. 85/126, concernentes aos seguintes levantamentos: 1) ALU ALUGUEL LUIS CLAUDIO MARROCO período de 01 e 02, 04 a 07, 09, 10 e 12/2004 — aluguel imóvel pago para moradia de Luis Cláudio Marroco considerado salário de contribuição previdenciário; 2) SUL — ASSIST MEDICA SUL AMERICA — período de 01 a 12/2004 — concessão de assistência médica considerada salário de contribuição previdenciário, arbitrado por não ter individualização e indicação de beneficiário; 3) AMD — ASSIST MED DlF CONTAB FOL PGTO período de 01 a 12/2004 — concessão de assistência médica considerada salário de contribuição previdenciário, arbitrado por não ter individualização e indicação de beneficiário; 4) AME — ASSIST MED EMPREG período de 01 a 12/2004 concessão de assistência médica considerada salário de contribuição previdenciário referente a empregados; 5) AMC — ASSIST MED CONTR INDIV período de 01 a 06 e 12/2004 concessão de assistência médica considerada salário de contribuição previdenciário referente a contribuintes individuais; 6) SVC — SEGURO DE VIDA CONTR INDV — período de 01 a 12/2004 concessão de seguro de vida em grupo considerado salário de contribuição previdenciário referente a contribuintes individuais; 7) SVE — SEGURO DE VIDA EMPREGADOS — período de 01 a 12/2004 concessão de seguro de vida em grupo considerado salário de contribuição previdenciário referente a empregados; 8) VT — VALE TRANSPORTE — período de 01 a 12/2004 — desconto a título de reembolso de vale transporte menor que o preconizado na legislação previdenciária; 9) RPF — REPRES PESSOA FISICA — período de 04/2004 e 10/2004 — pagamento de valores a pessoas jurídicas ainda não constituídas; 10) D1C VIAGEM CONTA 30203010500012 — período de 07, 08 e 11/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a contribuintes individuais; 11) D1E VIAGEM CONTA 30203010500012 período de 01 a 12/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a empregados; Fl. 248DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000603/200810 Acórdão n.º 2401002.115 S2C4T1 Fl. 246 5 12) D2C VIAGEM CONTA 30203020500012 — período de 02 a 07, 09 a 12/2004 reembolso de despesas de viagem não comprovadas a contribuintes individuais; 13) D2E VIAGEM CONTA 30203020500012 período de 01 a 12/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a empregados; 14) D3E — VIAGEM CONTA 30103010500012 — período 01, 05 e 07 a 12/2004 — reembolso de despesas de viagem não comprovadas a empregados; 15) FLC — FLORIO CONFECCOES período de 02 a 12/2004 — pagamento de valores com Florio Confecções no histórico sem qualquer comprovante; 16) PRO PROMOTORAS 30203020900029 período de 01 a 12/2004 — reembolso de despesas de com atividade laboral não comprovadas; 17) PRE — PREMIO DEMONSTRADORAS período de 01 a 12/2004 — valores dispendidos com histórico prêmio demonstradoras; 18) CON — CONVENCAO 30203020900027 — período de 01, 06, 11 e 12/2004 valores dispendidos com contratação de pessoas físicas apropriados na conta contábil 30203020900027; 19) CIN CONTR INDV NAO DECLARADO — período de 01 a 12/2004 — valores dispendidos com contribuintes individuais apropriados na contabilidade; 20) DPJ — DESCONSIDERACAO PJ — período de 01 a 06 e 08 a 12/2004 — valores pagos a empregado mascarado em pessoa jurídica; 21) CSE — CONTR SEGURADO EMPREGADO — período de 01 a 11/2004 — montantes devidos das rubricas apuradas referentes à contribuição do segurado empregado; Tratase de Auto de Infração (Antiga NFLD), lavrado em 24/11/2008, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito no valor de R$ 456.641,60 (Quatrocentos e cinqüenta e seis mil, seiscentos e quarenta e um reais e sessenta centavos). Irresignada com a autuação, a contribuinte interpôs impugnação, às fls. 130/152, ressaltando que seu inconformismo diz respeito, exclusivamente, às rubricas assistência médica, transporte, despesas de viagem, promoção de vendas, prêmios demonstradoras e desconsideração da pessoa jurídica, uma vez ter promovido o recolhimento dos levantamentos aluguel, seguro de vida em grupo, convenções, contribuintes individuais não declarados, representantes comerciais e “Flório Confecção”. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu por bem reconhecer a insubsistência parcial do feito, excluindo do lançamento a rubrica Assistência Médica, com esteio na jurisprudência administrativa, no sentido de que a concessão de planos diferenciados entre os funcionários não desnatura tal verba, não se cogitando, portanto, na incidência de contribuições previdenciárias. Fl. 249DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 6 Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 225/238, procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, repisa os argumentos lançados em sua defesa inaugural, a propósito do seu insurgimento tão somente em relação às rubricas transporte, despesas de viagem, promoção de vendas, prêmios demonstradoras e desconsideração da pessoa jurídica, tendo promovido o recolhimento dos levantamentos aluguel, seguro de vida em grupo, convenções, contribuintes individuais não declarados, representantes comerciais e “Flório Confecção”, e excluídas contribuições previdências incidentes sobre os valores pagos a título de assistência médica. Contrapõese ao presente lançamento, com arrimo no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, por entender que as verbas pagas pela empresa aos segurados empregados, devidamente elencadas nos autos, não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de salário. Quanto aos valores concedidos aos segurados empregados a título de Vale Transporte, infere que o fato de a contribuinte somente descontar 4% de participação dos beneficiários não afasta a natureza indenizatória de aludida verba, sobretudo quando o percentual de 6% contemplado na legislação de regência é o teto de referida importância, não podendo a quantia suportada pela empresa ultrapassar tal percentual, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. A fazer prevalecer seu entendimento, transcreve no bojo da peça recursal jurisprudência administrativa e judicial a respeito do tema, oferecendo proteção ao pleito da empresa, especialmente julgado do Supremo Tribunal Federal, reafirmando o caráter indenizatório da verba em comento. No que tange às importâncias pagas a título de despesas de viagens, reitera o pedido de diligência/perícia formulado na sua impugnação, com o fito de oportunizar o levantamento dos documentos comprobatórios de aludidas despesas, de maneira a corroborar a documentação já colacionada aos autos. Assevera que o lançamento fora promovido com base na escrituração contábil da contribuinte, deixando a autoridade fazendária de compulsar os documentos ofertados pela autuada quando da ação fiscal, o que justifica a realização de perícia nesta oportunidade para a sua devida análise. Em defesa de sua pretensão, argumenta que alguns valores concernentes a despesas de viagens são insuscetíveis de comprovação, mas nem por isto pode se duvidar da sua existência, como, por exemplo, as importâncias gastas com táxi, ônibus, metrô, etc, os quais, em sua maioria, não fornecem documentos de comprovação. Opõese à exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos aos Conselheiros do Conselho de Administração a título de reembolso de despesas de viagens, aduzindo para tanto que referidos beneficiários não são segurados empregados que prestam serviços à empresa, inexistindo, portanto, fato gerador do tributo ora exigido. Relativamente à rubrica “Promoção de Vendas”, onde o fiscal autuante considerou as despesas de viagens das promotoras de vendas, insurgese contra a pretensão Fl. 250DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000603/200810 Acórdão n.º 2401002.115 S2C4T1 Fl. 247 7 fiscal, utilizando como esteio à sua empreitada os mesmos fundamentos acima aduzidos, mormente quando o valor admitido pelo Fisco, na maioria dos casos, diverge do lançamento na escrituração contábil. No que concerne aos “Prêmios Demonstradoras”, onde se exige contribuições previdenciárias sobre as importâncias pagas a título de prêmio aos representantes comerciais, igualmente, entende que os argumentos da fiscalização não encontram amparo legal ou fático, eis que concedidos unicamente aos representantes comerciais que mantêm em seus quadros funcionários promotores de vendas. Esclarece que as vendas da empresa são feitas a partir de comissões pagas aos representantes comerciais autônomos (Lei nº 4.886/1965) que, em algumas oportunidades, contratam promotores de vendas, vinculados exclusivamente a eles, com a finalidade de aumentar a lucratividade, recebendo, nestes casos, prêmios a título de estímulo em face do empenho demonstrado na divulgação do produto, não caracterizando, portanto, fato gerador de contribuições previdenciárias. Acrescenta que a afirmação do Fisco de “que os pagamentos eram concedidos a pessoas jurídicas, os montantes foram considerados como repasse a contribuinte individual”, não tem o condão de prosperar, tendo em vista que pagamentos a pessoas jurídicas, sem que se desconsidere a personalidade jurídica, não pode ser considerado repasse a contribuintes individuais, sob pena, inclusive, de bin in idem, porquanto tais empresas já promovem o recolhimento dos tributos devidos incidentes sobre as remunerações dos promotores de vendas. Por sua vez, em relação à desconsideração da personalidade jurídica da empresa Fiscont Assessoria Fiscal e Contábil S/S Ltda, defende que o Sr. Tuyoshi Futata, de fato, fora por longo período empregado da autuada. No entanto, após a sua aposentadoria, constituiu pessoa jurídica e começou a prestar serviços à recorrente, notadamente por conta de sua experiência contábil e conhecimento da contribuinte, o que não demonstra qualquer vínculo empregatício, inexistindo subordinação e/ou cumprimento de horários pré estabelecidos. Ressalta, ainda, a prestação de serviços a outras empresas (Comercial Lupo SA e Condomínio Shopping Lupo SA). Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a autuação, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 8 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Consoante se positiva dos autos, mais precisamente do Relatório Fiscal, às fls. 85/126, o crédito tributário objeto da presente Autuação fora constituído com base nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais da empresa, assim consideradas as inúmeras verbas concedidas àqueles segurados, bem como outra rubrica decorrente da desconsideração da personalidade jurídica de empresa prestadora de serviços e caracterização do sócio como empregados da autuada. Em sede de impugnação a contribuinte manifestou inconformismo exclusivamente em relação aos levantamentos relativos à assistência médica, transporte, despesas de viagem, promoção de vendas, prêmios demonstradoras e desconsideração da pessoa jurídica, uma vez ter promovido o recolhimento dos levantamentos aluguel, seguro de vida em grupo, convenções, contribuintes individuais não declarados, representantes comerciais e “Flório Confecção”. Por sua vez, os julgadores de primeira instância decretaram a improcedência parcial do crédito previdenciário, afastando a tributação sobre as verbas pagas a título de Assistência Médica, por entender não ser necessária a sua concessão de maneira idêntica a todos segurados empregados e diretores da empresa. Ainda irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repisando seus argumentos a propósito da não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas inicialmente combatidas, com exceção do plano de assistência médica, já afastada pelo Acórdão recorrido. PRELIMINAR REALIZAÇÃO PERÍCIA Preliminarmente, reitera pedido de diligência formulado na sua defesa inaugural, objetivando oportunizar o levantamento dos comprovantes das despesas realizadas a título de viagens, de maneira a corroborar a documentação já colacionada aos autos, sobretudo em razão de o lançamento ter sido promovido com arrimo na escrituração contábil da contribuinte, deixando a fiscalização de compulsar os documentos ofertados pela empresa quando da ação fiscal, o que justifica a realização de perícia nesta oportunidade para a sua devida análise. Observase, que relativamente ao indeferimento do pedido de diligência para produção de prova decidiu acertadamente o ilustre julgador de primeira instância. Além de a então impugnante não atender os requisitos para concessão da perícia, inscritos no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72, a autoridade recorrida já tinha formado sua convicção no sentido de manter parte do lançamento fiscal com base nos demais documentos constantes dos autos, sendo despicienda a produção de prova pericial. Com efeito, a realização de perícia se faz necessária quando indispensável ao deslinde da questão, não se prestando para fins protelatórios, o que impõe o seu indeferimento Fl. 252DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000603/200810 Acórdão n.º 2401002.115 S2C4T1 Fl. 248 9 nos termos do artigo 38, § 2º da Lei nº 9.784/99 c/c o artigo 16, inciso IV, § 1º do Decreto 70.235/72, in verbis: “Lei 9.784/99 Art. 38. [...] § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “Decreto 70.235/72 Art. 16. [...] IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” Nesse contexto, o pedido de produção de prova pericial é desprovido de qualquer elemento motivador, eis que bastaria a recorrente ter apresentado a documentação exigida pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, para afastar a tributação sobre os valores concedidos a título de despesas viagens, desnecessário para tanto qualquer meio de produção de prova pericial. Mais a mais, tratandose de matéria de fato, caberia a contribuinte ao ofertar a sua defesa produzir a prova em contrário através de documentação hábil e idônea. Não o fazendo, é de se manter o lançamento, corroborado pela decisão de primeira instância. Registrese, por fim, que a contribuinte em seu Recurso Voluntário, a exemplo das fases anteriores do processo administrativo, não apresentou nenhuma documentação capaz de comprovar que os valores lançados não condizem com a verdade. MÉRITO No mérito, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve parte substancial da exigência fiscal, aduzindo para tanto que as verbas pagas pela empresa aos segurados empregados, elencadas nos autos, não se equiparam àquelas que compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias, tendo em vista a inexistência dos requisitos necessários à caracterização de saláriodecontribuição. Em defesa de sua pretensão, elabora substancioso arrazoado contemplando com especificidade as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais ainda objeto de contestação, quais sejam, Despesas Viagens, Promoção de Venda, Fl. 253DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 10 Prêmios Demonstradoras, concluindo estarem fora do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Em virtude das inúmeras verbas lançadas na presente notificação como salário indireto, cada uma com suas peculiaridades, analisaremos a questão posta nos autos de maneira individualizada, após transcrição dos dispositivos legais que regulamentam a matéria, senão vejamos. Antes de adentrar as questões de mérito, é de bom alvitre trazer à baila o disposto nos artigos 111, inciso II e 176, do CTN, indispensáveis ao deslinde da lide, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias”” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer espécie de isenção que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal e não extensiva, como requer a contribuinte. Por sua vez, as importâncias que não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias estão expressamente listadas no artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual estabelece os pressupostos legais para que não se caracterizem como salário decontribuição, visando garantir os direitos dos empregados, como segue: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o Fl. 254DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000603/200810 Acórdão n.º 2401002.115 S2C4T1 Fl. 249 11 art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 255DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 12 m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 256DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000603/200810 Acórdão n.º 2401002.115 S2C4T1 Fl. 250 13 x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) ” Como se observa, tendo a autoridade lançadora inserido os pagamentos realizados pela empresa aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais no conceito de remuneração (saláriodecontribuição), nos termos do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, comprovando/demonstrado com especificidade a natureza remuneratória das verbas concedidas, impõese ao contribuinte afastar a pretensão fiscal enquadrando tais pagamentos em uma das hipóteses de não incidência e/ou isenção elencadas na norma encimada, observando, porém, os requisitos legais para tanto. Em outras palavras, desincumbindose o Fisco do ônus de comprovar o fato gerador das contribuições previdenciárias, cabe ao contribuinte demonstrar, com documentação hábil e idônea, que as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais se enquadram em uma das hipóteses previstas no § 9°, do artigo 28, da Lei n° 8.212/91, de maneira a rechaçar a tributação imputada. Voltando à análise do caso sub examine, a contribuinte somente se insurgiu contra a tributação de parte das verbas pagas aos seus funcionários, razão pela qual passaremos a analisar os argumentos relacionados a tais rubricas individualmente, senão vejamos: a) DESPESAS VIAGENS E PROMOÇÃO DE VENDAS – Reembolso de despesas de viagens e promoção de vendas, sem a devida comprovação. Relativamente a estas verbas a contribuinte solicitou a conversão do julgamento em diligência, com a finalidade de colacionar aos autos os comprovantes das despesas, na forma que exige a legislação de regência. Ressaltou, ainda, que parte de tais despesas, em razão da própria natureza, não oferecem condições à comprovação, sendo impossível apresentar à fiscalização os documentos requeridos necessários a afastar a tributação. Observese, que a própria argumentação da contribuinte oferece guarida a pretensão fiscal. Com efeito, referidas despesas com viagens e/ou deslocamentos, com fulcro no artigo 28, § 9°, incisos “h” e “m”, da Lei n° 8.212/91, exigem a sua comprovação, objetivando, inclusive, demonstrar que não excederam 50% da remuneração dos empregados. Assim, como a recorrente em nenhuma fase processual logrou comprovar aludidas despesas mediante documentação hábil e idônea, não há como se acolher o seu pleito. b) PRÊMIO DEMONSTRADORAS valores dispendidos com histórico premio demonstradoras. No que concerne a esta rubrica, considerou a fiscalização como remuneração aludidas verbas pagas a contribuintes individuais, assim considerados os prestadores de serviços dos representantes comerciais, uma vez que a empresa não logrou comprovar que tais pagamentos eram, de fato, realizados a pessoas jurídicas, mas, sim, destinados a gratificações a “free lancer”. Por sua vez, opõese à recorrente à conclusão fiscal, aduzindo que a caracterização desses pagamentos como remuneração de contribuintes individuais somente Fl. 257DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 14 poderia ser levada a efeito com a desconsideração da personalidade jurídica dos representantes comerciais. Não obstante as substanciosas razões ofertadas pela contribuinte, o entendimento acima alinhavado, igualmente, não é capaz de rechaçar a exigência fiscal, mormente quando não demonstrou que tais pagamentos, de fato, se destinavam a pessoas jurídicas, constando de sua contabilidade, inclusive, os termos “free lancer” e “regist”, dando a entender que se destinam a prestadores de serviços contribuintes individuais. Diante de tais considerações, em que pese o esforço da contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de macular a exigência fiscal em comento. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, não se cogitando na improcedência do lançamento na forma requerida pela recorrente. Com efeito, ao admitir a não incidência de contribuições previdenciárias sobre as verbas retro, pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais em total afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teríamos que interpretar o artigo 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/91, de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação tributária, como acima demonstrado. Afora as demais discussões a respeito da matéria, o certo é que nos termos do artigo 28, § 9º, da Lei n° 8.212/91, não integram o salário de contribuição às importâncias recebidas pelo empregado ali elencadas, sendo defeso à interpretação de referida previsão legal extensivamente, de forma a incluir outras verbas, senão aquela (s) constante (s) da norma disciplinadora do “benefício” em comento, a pretexto de meras ilações desprovidas de qualquer amparo legal ou fático, sobretudo quando os pagamentos foram efetuados aos funcionários da empresa sem qualquer observância às normas legais. Nessa toada, tendo a contribuinte concedido a seus segurados empregados e/ou contribuintes individuais as verbas encimadas, ser levar em consideração os preceitos legais que disciplinam o tema, não há que se falar em não incidência de contribuições previdenciárias sobre referidas importâncias, por se caracterizarem como salário de contribuição, impondo a manutenção do feito. c) VALE TRASPORTE período de 01 a 12/2004 — desconto a título de reembolso de vale transporte menor que o preconizado na legislação previdenciária; Em que pese se tratar de caracterização de salário indireto pela fiscalização, o que determinaria sua análise com as demais verbas acima contempladas, examinaremos a rubrica em epígrafe de forma apartada, em razão de suas peculiaridades, arrimadas especialmente na jurisprudência atual de nossos Tribunais Superiores. Ao promover o lançamento, o ilustre fiscal autuante constatou que a empresa concede valetransporte aos segurados empregados, descontando 4% das respectivas remunerações a título de reembolso, o que malfere a legislação de regência que estabelece que referido desconto, nos vencimentos dos laboradores, será equivalente a 6%, salvo quando expressamente autorizada dedução a menor mediante Acordo ou Convenção Coletiva, o que não se vislumbra na hipótese vertente. Neste sentido, considerou a fiscalização a diferença de 2% como salário indireto dos funcionários. Fl. 258DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000603/200810 Acórdão n.º 2401002.115 S2C4T1 Fl. 251 15 Em suas razões recursais, precipuamente, aduz a contribuinte que os valores concedidos aos segurados empregados a título de ValeTransporte possuem natureza indenizatória, não integrando a base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme o Supremo Tribunal Federal reconheceu nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/2010. A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que a legislação de regência estabeleceu o percentual de 6% como teto do desconto nas remunerações dos beneficiários, não impedindo que seja procedido em percentuais menores, como aqui se constata. Afora a vasta discussão a propósito da matéria, deixaremos de abordar a legislação de regência ou mesmo adentrar a questão da natureza/conceituação de aludida verba, uma vez que o Supremo Tribunal Federal afastou qualquer dúvida quanto ao tema, reconhecendo a sua natureza indenizatória, ainda que pago em pecúnia, nos autos do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP, consoante se positiva do Acórdão assim ementado: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” É bem verdade que a decisão com sua ementa acima transcrita não transitou em julgado, ou seja, não se tornou definitiva, de maneira a fazer incidir o permissivo regimental constante do artigo 62, parágrafo único, inciso I, do RICARF, nos seguintes termos: Fl. 259DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 16 “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Destarte, extraise do andamento processual no site do Supremo Tribunal Federal que o Acórdão em comento fora objeto de Embargos de Declaração por parte da Procuradoria, estando, desde 13/06/2011, concluso para o Relator. Assim, em tese, não seria viável o acolhimento da pretensão da contribuinte, reconhecendo a natureza indenizatória do ValeTransporte, na forma que o STF decidiu, diante da não definitividade de tal decisão. Entrementes, é de bom alvitre destacar que o Superior Tribunal de Justiça, que já vinha reconhecendo a natureza indenizatória da verba em questão, salvo quando concedida em pecúnia, vem reiterando sua conclusão, adotando, inclusive, o entendimento do STF, quando o pagamento se der em espécie, o que não seria capaz de desnaturar seu caráter indenizatório, como se observa dos recentes julgados com as seguintes ementas: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GRATIFICAÇÃO NATALINA. CÁLCULO EM SEPARADO. LEGALIDADE. MATÉRIA PACIFICADA EM RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (Resp 1.066.682/SP). VALETRANSPORTE. VALOR PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. AGRAVO REGIMENTAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. A Primeira Seção, em recurso especial representativo de controvérsia, processado e julgado sob o regime do art. 543C do CPC, proclamou o entendimento no sentido de ser legítimo o cálculo, em separado, da contribuição previdenciária sobre o 13º salário, a partir do início da vigência da Lei 8.620/93 (REsp 1.066.682/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 1º/2/10) 2. O Superior Tribunal de Justiça reviu seu entendimento para, alinhandose ao adotado pelo Supremo Tribunal Federal, Fl. 260DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000603/200810 Acórdão n.º 2401002.115 S2C4T1 Fl. 252 17 firmar compreensão segundo a qual não incide contribuição previdenciária sobre o valetransporte devido ao trabalhador, ainda que pago em pecúnia, tendo em vista sua natureza indenizatória. 3. Agravo regimental parcialmente provido.” (Primeira Turma do STJ, AgRg no REsp 898932 / PR, Rel.: Ministro Arnaldo Esteves Lima – Dje 14/09/2011 – Unânime) (grifamos) “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REVISÃO DA JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR 1. Com a decisão tomada pela Excelsa Corte, no RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, em que se concluiu ser inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, houve revisão da jurisprudência deste Tribunal Superior, a fim de se adequar ao precedente citado. Assim, não merece acolhida a pretensão da recorrente, de reconhecimento de que, "se pago em dinheiro o benefício do valetransporte ao empregado, deve este valor ser incluído na base de cálculo das contribuições previdenciárias". 2. Precedentes da Primeira Seção: EREsp 816.829/RJ, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, DJe 25.3.2011; e AR 3.394/RJ, Rel. Min. Humberto Martins, Primeira Seção, DJe 22.9.2010. 3. Recurso especial não provido.” (Segunda Turma do STJ REsp 1257192 / SC, Rel.: Ministro Mauro Campbell Marques – Dje de 15/08/2001 Unânime) (grifamos) Partindo dessas premissas, inobstante ainda não ter ocorrido a definitividade da decisão do STF a propósito do tema, em face de oposição de Embargos de Declaração, além da remotíssima possibilidade de reforma do julgado, com acolhimento de efeitos infringentes ao recurso da Procuradoria, não podemos olvidar que o próprio Superior Tribunal de Justiça já vem acolhendo o entendimento do Pretório Excelso, não fazendo sentido a esta Corte Administrativa aguardar um simples formalismo processual, em detrimento ao entendimento dos dois Órgãos máximos do Poder Judiciário, sobretudo em face da economia processual, evitando demandas despiciendas no âmbito Judicial. Mais a mais, a jurisprudência deste Colegiado é firme e mansa no sentido de acolher entendimentos já sedimentados no âmbito dos Tribunais Superiores, senão vejamos: “NORMAS PROCESSUAIS. CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é competente para apreciar matéria constitucional. No entanto, a constitucionalidade das leis deve ser presumida e apenas quando pacífica a jurisprudência, consolidada pelo STF, será merecida consideração da esfera administrativa. Preliminar rejeitada. COFINS. Em Sessão plenária de 01.12.93, no julgamento de Ação Declaratória de Constitucionalidade, o STF, em decisão unânime, declarou constitucional a exigência da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, criada pela Lei Complementar nº 70/91. Fl. 261DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 18 Recurso negado.” (3a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, Processo n° 10880.041416/9373, Acórdão n° 20308023 – Rel.: Lina Maria Vieira) Encampando o entendimento acima, a 1a Turma Ordinária da 3a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF já se manifestou a propósito da matéria, adotando posicionamento consolidado na esfera Judicial, reconhecendo a natureza indenizatória das verbas pagas a título de ValeTransporte, como segue: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 01/12/2006 VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA. NATUREZA INDEN1ZATÓRIA. NÃO SE CARACTERIZA COMO SALÁRIO INDIRETO, DECRETO 95,247/87 EXTRAPOLOU O SEU CARÁTER DE REGULAMENTAR A LEI 7.418/85, O pagamento de Vale Transporte em pecúnia, não é integrante da remuneração do segurado, pois nítido o seu caráter indenizatório, referendado esse entendimento, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal. Ademais, a vedação quanto ao pagamento do vale transporte em pecúnia inserida em nosso Ordenamento Jurídico pelo Decreto n. 95247/87, é ilegal, pois extrapolou o seu poder de regulamentar a Lei n, 7.418/85. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.” (1a TO da 3a Câmara da 2a SJ do CARF, Processo n° 14041.001392/200818 – Acórdão n° 230101.476, Sessão de 08/06/2010) (grifamos) Na esteira da jurisprudência uníssona dos Tribunais Superiores, uma vez reconhecida à natureza indenizatória do Vale Transporte, não se pode cogitar na incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, sobretudo quando se pautou em simples diferença de percentual de desconto nas remunerações dos beneficiários, o que se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja excluído do crédito tributário referida rubrica. DA DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURIDICA Por derradeiro, contrapõese a contribuinte à desconsideração da personalidade jurídica da empresa Fiscont Assessoria Fiscal e Contábil S/S Ltda, sob o argumento de que o Sr. Tuyoshi Futata, de fato, fora por longo período empregado da autuada. No entanto, após a sua aposentadoria, constituiu pessoa jurídica e começou a prestar serviços à recorrente, notadamente por conta de sua experiência contábil e conhecimento da contribuinte, o que não demonstra qualquer vínculo empregatício, inexistindo subordinação e/ou cumprimento de horários pré estabelecidos. Ressalta, ainda, a prestação de serviços a outras empresas (Comercial Lupo SA e Condomínio Shopping Lupo SA). Inobstante os argumentos da recorrente contra referido procedimento levado a efeito na constituição do crédito tributário ora exigido, a legislação previdenciária, por meio do artigo 229, § 2º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, impôs ao Auditor Fiscal a obrigação de considerar os contribuintes individuais Fl. 262DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000603/200810 Acórdão n.º 2401002.115 S2C4T1 Fl. 253 19 (autônomos) ou outros prestadores de serviços pessoas jurídicas como segurados empregados, quando verificados os requisitos legais, in verbis: “Art. 229. [...] § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social, constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inc. I «caput» do art.9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.” Verificase do artigo supracitado, que o legislador ao mencionar “ [...] ou sob qualquer outra denominação [...]”, deu margem a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, quando constatados os pressupostos para tanto, tal como procedeu o Auditor Fiscal na presente demanda. Mais a mais, esse procedimento também encontra respaldo no Parecer/MPAS/CJ nº 1652/99 c/c Parecer/MPAS/CJ nº 299/95, os quais apesar de não mais vincularem este Colegiado, tratam da matéria com muita propriedade, com as seguintes ementas: “EMENTA PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO – VÍNCULO EMPREGATÍCIO – DESCARACTERIZAÇÃO DE MICROEMPRESÁRIOS. 1. A descaracterização de microempresários, pessoas físicas, em empregados é perfeitamente possível se verificada a existência dos elementos constituintes da relação empregatícia entre o suposto “tomador de serviços” e o tido “microempresário”. 2. Parecer pelo não conhecimento da avocatória. Precedente Parecer/CJ nº 330/1995.” “EMENTA Débito previdenciário. Avocatória. Segurados empregados indevidamente caracterizados como autônomos. Procedente a NFLD emitida pela fiscalização do INSS. Revogação do Acórdão nº 671/94 da 2ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidiu contrariamente a esse entendimento.” Ainda a respeito do tema, cumpre transcrever o artigo 12, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, e o artigo 3º da CLT, que assim estabelecem: “Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas? I – como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado;” Fl. 263DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 20 “Art. 3º. Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Assim, constatados todos os requisitos necessários à caracterização do vínculo laboral entre o suposto tomador de serviços com os tidos prestadores de serviços (pessoas jurídicas), a autoridade administrativa, de conformidade com os dispositivos legais encimados, tem a obrigação de caracterizar como segurado empregado qualquer trabalhador que preste serviço ao contribuinte nestas condições, fazendo incidir, conseqüentemente, as contribuições previdenciárias sobre as remunerações pagas ou creditadas em favor daqueles. Entrementes, não basta que a autoridade lançadora inscreva no Relatório Fiscal da Notificação tais requisitos, quais sejam, subordinação, remuneração e não eventualidade. Deve, em verdade, deixar explicitamente comprovada a existência dos pressupostos legais do vínculo empregatício, sob pena de improcedência do lançamento por ausência de comprovação do fato gerador do tributo, e cerceamento do direito de defesa do contribuinte. É o que determina o artigo 37 da Lei nº 8.212/91, nos seguintes termos: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” (grifamos) No mesmo sentido, o artigo 142 do Código Tributário Nacional, ao atribuir a competência privativa do lançamento à autoridade administrativa, igualmente, exige que nessa atividade o fiscal autuante descreva e comprove a ocorrência do fato gerador do tributo lançado, como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora, ao proceder a caracterização do prestador de serviços (funcionário da pessoa jurídica desconsiderada) como segurado empregado, foi muito feliz em sua empreitada, demonstrando e comprovando, no entendimento deste Conselheiro, os requisitos legais necessários à configuração do vínculo empregatício, acima elencados, consoante se positiva do Relatório Fiscal do Auto de Infração, às fls. 85/126, não havendo dúvidas quanto à regularidade do feito. Constatase, assim, que o fiscal autuante, ao promover o lançamento, agiu da melhor forma, com estrita observância à legislação de regência, demonstrando circunstanciadamente os fatos que ensejaram a constituição do crédito previdenciário, impondo a manutenção da autuação relativamente a este levantamento. DA APRECIAÇÃO DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADES/ILEGALIDADES NA ESFERA ADMINISTRATIVA. Fl. 264DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Processo nº 18088.000603/200810 Acórdão n.º 2401002.115 S2C4T1 Fl. 254 21 Relativamente às questões de inconstitucionalidades suscitadas pela contribuinte, além dos procedimentos adotados pela fiscalização, bem como os tributos ora exigidos encontrarem respaldo na legislação previdenciária, cumpre esclarecer, no que tange a declaração de ilegalidade ou inconstitucionalidade, que não compete aos órgãos julgadores da Administração Pública exercer o controle de constitucionalidade de normas legais. Notese, que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. A própria Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando o afastamento de leis, decretos, atos normativos, dentre outros, a pretexto de inconstitucionalidade ou ilegalidade, nos seguintes termos: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Observese, que somente nas hipóteses contempladas no parágrafo único e incisos do dispositivo regimental encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência, o que não se vislumbra no presente caso. A corroborar esse entendimento, a Sumula nº 02, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, assim estabelece: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” E, segundo o artigo 72, § 4 º do Regimento Interno do CARF, as Súmulas dos Conselhos de Contribuintes, que são o resultado de decisões unânimes, reiteradas e uniformes, serão de aplicação obrigatória por este Conselho. Fl. 265DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE 22 Finalmente, o artigo 102, I, “a” da Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, senão vejamos: “Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I – processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; [...]” Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, também em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade de normas ou atos normativos que fundamentaram o presente lançamento. No que tange a jurisprudência trazida à colação pela recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expressos sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações da contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente debatidas pelo julgador de primeira instância. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, somente para excluir do lançamento a rubrica Vale Transporte, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 266DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 14/12/2 011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 30/11/2011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10283.720442/2006-02
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001
LUCRO ARBITRADO BASE
DE CÁLCULO RECEITA
BRUTA INFORMAÇÕES
PRESTADAS AO FISCO ESTADUAL As
informações de saídas de mercadorias prestadas ao fisco estadual são suficientes para determinação da receita bruta da pessoa jurídica quando não estão identificadas por tipo de operação. Incidência no IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS).
Numero da decisão: 1803-001.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do
CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: Sergio Luiz Bezerra Presta
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Incidência no IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 327DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10283.720442/200602 Acórdão n.º 180301.093 S1TE03 Fl. 328 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao presente contencioso administrativo, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 0112.202 proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém Pará, constante das fls. 158/160 dos autos, a seguir transcrito: “Versa o presente processo sobre os Autos de Infração de fls. 10 a 44, referente aos lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL e Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF, referente a fatos geradores ocorridos no ano calendário 2001, no valor total de R$ 821.395,96 (fl. 03), incluindo o principal, multa e juros atualizados até 30/11/2006. A contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 26112/2006 (fls. 10, 18, 25,32 e 41). A infração tem fundamento no arbitramento do lucro referente a receita de venda de produtos de fabricação própria, revenda de mercadorias e outras receitas, e no imposto de renda na fonte sobre pagamentos a beneficiários não identificados/pagamentos sem causa. A contribuinte apresentou sua impugnação aos lançamentos em 25/01/2007, (fl.153), na qual alegou que: 1) a empresa tem uma atividade de terceirização de industrialização que é prestada para outras empresas e que nem sempre as saídas lançadas nos respectivos livros fiscais e contábeis correspondem a um efetivo faturamento sujeito aos tributos federais. Como exemplo ilustrativo, constatamos a divergência no lançamento referente ao mês de maio de 2001 em que a rubrica OUTRAS SAÍDAS, apresenta o valor de R$ 2.597.209,64 (mensal) quando na verdade este valor referese a devolução de insumos entrados para industrialização; 2) com relação ao lançamento referente à suposta remessa de recursos para o exterior, no valor de US$ 99.981,00 equivalente ao valor tributável de R$ 379.497,11 reiteramos desconhecer qualquer remessa à revelia do sistema financeiro nacional e que todos os efetuados foram através de importações legais e fechamentos de câmbio em instituição bancária acompanhada pelo Banco Central do Brasil. Por fim, requer que seja concedida nova diligência para que sejam constatados todos os motivos alegados”. Fl. 328DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10283.720442/200602 Acórdão n.º 180301.093 S1TE03 Fl. 329 3 A 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém Pará, na sessão de 09/10/2008, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0112.202 entendendo “por unanimidade de votos, de votos, em julgar o lançamento PROCEDENTE EM PARTE, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ALEGAÇÃO NÃO COMPROVADA. Não pode ser aceita alegação desacompanhada de provas. PRESUNÇAO DE RENDIMENTO DE TERCEIROS, SÓCIOS, ACIONISTAS OU TITULAR, A PARTIR DE PAGAMENTOS EFETUADOS PELA PESSOA JURÍDICA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO CABAL, PELA ADMINISTRAÇÃO, DA AUTORIA DOS PAGAMENTOS, EM OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A presunção legal de rendimento de terceiros ou de sócio, a partir de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica, em caso de não comprovação da operação que tenha dado origem à transferência de recursos, ou da sua causa, impõe à Administração Tributária a obrigação de comprovar, sem margem de dúvida, a autoria daqueles pagamentos. A atividade do lançamento é regida pelo princípio da legalidade, e a presunção legal acima referida tem como pressuposto a identificação inequívoca da autoria dos pagamentos. Lançamento Procedente em Parte”. Cientificada da decisão de primeira instância em 10/02/2009, DOLLY DA AMAZONIA LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0112.202, recorre (166 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro Sergio Luiz Bezerra Presta Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do artigo 33 do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Fl. 329DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10283.720442/200602 Acórdão n.º 180301.093 S1TE03 Fl. 330 4 Trata o presente processo de auto de infração IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS) e de IRRF, lavrados em decorrência de movimentações financeiras não comprovadas relativas ao ano calendário 2001. Em relação ao IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS) transcrevo parte do voto da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – Pará quando proferiu o Acórdão nº 0112.202, “verbis”: “A contribuinte alega que a empresa tem uma atividade de terceirização de industrialização que é prestada para outras empresas e que nem sempre as saídas lançadas nos respectivos livros fiscais e contábeis correspondem a um efetivo faturamento sujeito aos tributos federais. Como exemplo ilustrativo, a empresa constata a divergência no lançamento referente ao mês de maio de 2001 em que a rubrica OUTRAS SAÍDAS, apresenta o valor de R$ 2.597.209,64 (mensal) quando na verdade este valor referese a devolução de insumos entrados para industrialização. Ocorre que a empresa em nenhum momento demonstrou documentalmente a sua alegação. Vale lembrar que a cópia do Livro de Apuração de ICMS (fls. 154 e 155), que já constava do processo (fls. 62 e 63 do ANEXO 1), não faz prova da argumentação da impugnante e sim da fiscalização, não podendo ser considerado como prova a simples alegação da contribuinte sem que esta esteja fundamentada em documentos que deveriam estar anexos a este processo. Assim, não merecem reparos o lançamentos de IRPJ, PIS, COFINS e CSLL, devido a ausência de provas em contrário ao demonstrado pela fiscalização”. O recurso apresentado pela Recorrente, constante das fls. 166 a 169, não contesta os argumentos da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – Pará, nem tampouco apresenta elementos que comprovem que a conduta, apontada pela fiscalização como passível de autuação, não tenha ocorrido. Essa posição é reforçada nos documentos juntados ao recurso. Na verdade o mesmo aconteceu quando da impugnação ao lançamento tributário, que não trouxe nenhum argumento, simplesmente requereu que “seja concedida nova diligência para que sejam constatados todos os motivos alegados”. Entendo que pela análise dos autos, constatase que ao fisco não coube alternativa senão aquela de arbitrar o lucro, uma vez que o sujeito passivo limitouse a apresentar apenas os livros de entradas e saídas próprios para apuração do ICMS. Contudo, vejo que a base de cálculo não merece críticas, uma vez que a fórmula adotada pelo fisco encontra amparo na legislação pátria. Com uma breve análise dos autos percebese que o fisco determinou a base de cálculo considerando como sendo conhecida a renda bruta do sujeito passivo, a partir de informações prestadas pela Recorrente ao fisco estadual. Segundo colhese da jurisprudência administrativa, “é valida a receita bruta obtida a partir de regular requisição das declarações apresentadas ao fisco estadual, ainda Fl. 330DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES Processo nº 10283.720442/200602 Acórdão n.º 180301.093 S1TE03 Fl. 331 5 mais quando os valores declarados são compatíveis com os apurados pela própria fiscalizada em atendimento à intimação no curso da ação fiscal” (Ac. 10708.814). Assim, na falta de outros elementos, as informações prestadas ao fisco estadual têm inteiro acolhimento para fins de determinar a base de cálculo na hipótese de arbitramento do lucro. Desta maneira, tendo a autoridade fiscal considerado válidos os dados constantes dos livros de apuração do ICMS, principalmente no que se refere às saídas, têmse que a receita bruta era efetivamente conhecida, donde a aplicação do disposto no art. 532 do RIR/99. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar o arbitramento imposto, não vejo como reparar a decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – Pará, devendo, assim, ser mantida o credito tributário em relação ao IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Já, em relação ao IRRF, como houve a exclusão da autuação pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém – Pará e pela falta de recurso da Fazenda Nacional, entendo a preclusão desta matéria, devendo ser mantida a decisão pronunciada pela 1ª Instancia Administrativa. Diante do exposto, observando tudo que consta nos autos (principalmente da falta de argumentos e provas no recurso), voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter o arbitramento do lucro; e, consequentemente, a imposição tributária referente ao IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS). Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 331DF CARF MF Emitido em 26/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/12/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 18/1 2/2011 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por SELENE FERREIRA DE MO RAES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001905/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Períodos base 1º, 2º, 4º e 4º trimestres de 2002
NULIDADE CERCEAMENTO
DE DEFESA – INOCORRÊNCIA Perfeitamente identificadas, no Termo de Verificação Fiscal que integra o auto de infração, as acusações e os valores questionados, os quais, inclusive, foram minuciosamente combatidos pelo contribuinte, não se vislumbra
cerceamento da defesa, a reclamar nulidade do auto de infração.
NULIDADE INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL NÃO OCORRÊNCIA O
Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida
a habilitação profissional de contador (Súmula CARF nº 8)
PRELIMINAR LANÇAMENTO FORMALIZADO NAS DEPENDÊNCIAS DA DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO INOCORRÊNCIA DE IRREGULARIDADE É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula CARF nº 6), podendo, inclusive, decorrer de apurações
internas feitas pela administração, a partir de elementos arquivados na repartição (como, por exemplo, na revisão de declaração) ou, até, de informações obtidas junto a terceiros (fornecedores ou clientes).
OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO
LEGAL Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta corrente da pessoa jurídica que, intimada, não logrou comprovar a origem dos recursos mediante apresentação de documentação idônea.
CRÉDITOS EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA RECEITAS DA ATIVIDADE DO CONTRIBUINTE NÃO INFORMADAS NA DIPJ Se a fiscalização aceita a vinculação da origem dos depósitos com nota fiscal emitida e contabilizada num período, não pode considerar irregular seu não
oferecimento à tributação noutro período.
OMISSÃO DE RECEITAS RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS Correta
a exigência incidente sobre os rendimentos resultantes de aplicações financeiras, quando o contribuinte não logrou
comprovar havê-los oferecido a tributação.
OMISSÃO DE RECEITAS NÃO COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE QUE TERIA GERADO OS VALORES OMITIDOS APLICAÇÃO DO COEFICIENTE PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO Na impossibilidade de se comprovar de qual atividade se origina a omissão de receita apurada, para fins de apuração do lucro presumido, deve ser aplicado o maior coeficiente a que se submete o contribuinte.
LANÇAMENTOS REFLEXOS – CSLL – PIS – COFINS A omissão de
receita interfere, também, na base de cálculo da CSLL, do PIS e da COFINS, aplicando-se a essas exações o decidido em relação ao IRPJ, exceto quando razões exijam diferenciação.
PIS E COFINS RAZÕES ESPECÍFICAS As receitas de aplicações
financeiras não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, por representarem alargamento do conceito de receita bruta, declarado inconstitucional pelo STF.
Numero da decisão: 1301-000.763
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para: excluir da matéria tributável relativa ao IRPJ, à CSLL, ao PIS e à COFINS, os valores correspondentes ao item II do lançamento (Omissão de Receita Receita da Atividade); e excluir da base de calculo do PIS e da COFINS, os rendimentos de aplicação financeira (item III do lançamento).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Períodos base 1º, 2º, 4º e 4º trimestres de 2002 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA – INOCORRÊNCIA Perfeitamente identificadas, no Termo de Verificação Fiscal que integra o auto de infração, as acusações e os valores questionados, os quais, inclusive, foram minuciosamente combatidos pelo contribuinte, não se vislumbra cerceamento da defesa, a reclamar nulidade do auto de infração. NULIDADE INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL NÃO OCORRÊNCIA O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador (Súmula CARF nº 8) PRELIMINAR LANÇAMENTO FORMALIZADO NAS DEPENDÊNCIAS DA DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO INOCORRÊNCIA DE IRREGULARIDADE É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula CARF nº 6), podendo, inclusive, decorrer de apurações internas feitas pela administração, a partir de elementos arquivados na repartição (como, por exemplo, na revisão de declaração) ou, até, de informações obtidas junto a terceiros (fornecedores ou clientes). OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta corrente da pessoa jurídica que, intimada, não logrou comprovar a origem dos recursos mediante apresentação de documentação idônea. CRÉDITOS EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA RECEITAS DA ATIVIDADE DO CONTRIBUINTE NÃO INFORMADAS NA DIPJ Se a fiscalização aceita a vinculação da origem dos depósitos com nota fiscal emitida e contabilizada num período, não pode considerar irregular seu não oferecimento à tributação noutro período. OMISSÃO DE RECEITAS RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS Correta a exigência incidente sobre os rendimentos resultantes de aplicações financeiras, quando o contribuinte não logrou comprovar havê-los oferecido a tributação. OMISSÃO DE RECEITAS NÃO COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE QUE TERIA GERADO OS VALORES OMITIDOS APLICAÇÃO DO COEFICIENTE PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO Na impossibilidade de se comprovar de qual atividade se origina a omissão de receita apurada, para fins de apuração do lucro presumido, deve ser aplicado o maior coeficiente a que se submete o contribuinte. LANÇAMENTOS REFLEXOS – CSLL – PIS – COFINS A omissão de receita interfere, também, na base de cálculo da CSLL, do PIS e da COFINS, aplicando-se a essas exações o decidido em relação ao IRPJ, exceto quando razões exijam diferenciação. PIS E COFINS RAZÕES ESPECÍFICAS As receitas de aplicações financeiras não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, por representarem alargamento do conceito de receita bruta, declarado inconstitucional pelo STF.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2480; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001905/200718 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301000.763 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de novembro de 2011 Matéria IRPJ, CSLL, PIS e COFINS Recorrente Repisoli Indústria e Comércio Ltda. Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Períodosbase 1º, 2º, 4º e 4º trimestres de 2002 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA – INOCORRÊNCIA Perfeitamente identificadas, no Termo de Verificação Fiscal que integra o auto de infração, as acusações e os valores questionados, os quais, inclusive, foram minuciosamente combatidos pelo contribuinte, não se vislumbra cerceamento da defesa, a reclamar nulidade do auto de infração. NULIDADE INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL NÃO OCORRÊNCIA O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador (Súmula CARF nº 8) PRELIMINAR LANÇAMENTO FORMALIZADO NAS DEPENDÊNCIAS DA DIVISÃO DE FISCALIZAÇÃO INOCORRÊNCIA DE IRREGULARIDADE É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula CARF nº 6), podendo, inclusive, decorrer de apurações internas feitas pela administração, a partir de elementos arquivados na repartição (como, por exemplo, na revisão de declaração) ou, até, de informações obtidas junto a terceiros (fornecedores ou clientes). OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta corrente da pessoa jurídica que, intimada, não logrou comprovar a origem dos recursos mediante apresentação de documentação idônea. CRÉDITOS EM CONTA CORRENTE BANCÁRIA RECEITAS DA ATIVIDADE DO CONTRIBUINTE NÃO INFORMADAS NA DIPJ Se a fiscalização aceita a vinculação da origem dos depósitos com nota fiscal emitida e contabilizada num período, não pode considerar irregular seu não oferecimento à tributação noutro período. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 2 2 OMISSÃO DE RECEITAS RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS Correta a exigência incidente sobre os rendimentos resultantes de aplicações financeiras, quando o contribuinte não logrou comprovar havêlos oferecido a tributação. OMISSÃO DE RECEITAS NÃO COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE QUE TERIA GERADO OS VALORES OMITIDOS APLICAÇÃO DO COEFICIENTE PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO Na impossibilidade de se comprovar de qual atividade se origina a omissão de receita apurada, para fins de apuração do lucro presumido, deve ser aplicado o maior coeficiente a que se submete o contribuinte. LANÇAMENTOS REFLEXOS – CSLL – PIS – COFINS A omissão de receita interfere, também, na base de cálculo da CSLL, do PIS e da COFINS, aplicandose a essas exações o decidido em relação ao IRPJ, exceto quando razões exijam diferenciação. PIS E COFINS RAZÕES ESPECÍFICAS As receitas de aplicações financeiras não integram a base de cálculo do PIS e da COFINS, por representarem alargamento do conceito de receita bruta, declarado inconstitucional pelo STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para: excluir da matéria tributável relativa ao IRPJ, à CSLL, ao PIS e à COFINS, os valores correspondentes ao item II do lançamento (Omissão de Receita Receita da Atividade); e excluir da base de calculo do PIS e da COFINS, os rendimentos de aplicação financeira (item III do lançamento). (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Repisoli Indústria e Comércio Ltda., recorre da decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo que, por unanimidade de votos, considerou procedentes em parte os autos de infração relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, correspondentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2002. A fiscalização acusa a pessoa jurídica de ter praticado: (a) omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada; (b) depósitos bancários originados em receitas operacionais não oferecidas à tributação, mediante informação na DIPJ respectiva, e (c) omissão de receita de rendimentos de aplicações financeiras (Termo de Verificação Fiscal às fls. 501/519). Em impugnação tempestiva, a contribuinte suscitou nulidade dos lançamentos em razão de descrição deficitária da infração, prejudicando o exercício do seu direito de defesa, e ainda, por descumprimento do art. 904 do RIR/99, visto os lançamentos terem se dado fora do local onde ocorreram os fatos (domicílio do contribuinte), bem como incompetência do autuante por não haver comprovado ser contador e encontrarse em dia com suas obrigações junto ao Órgão de registro de tal profissão. Quanto ao mérito, alegou cometimento de equívocos pela autoridade fiscal, quais sejam: (i) estornos de crédito em conta corrente foram considerados receitas, (ii) não considerou recebimentos, em 2002, de vendas efetuadas em 2001, (iii) não considerou valores recebidos a título de multa por rescisão de contrato, ainda que escriturados, (iv) alterou o regime de apuração, passando de competência para de caixa, (v) considerou trocas de cheques como receita, sem verificar junto a clientes e fornecedores, (vi) não atendeu o próprio RIR/1999 em relação a comprovação da omissão de receitas e, (vii) fez uso de alíquota indevida, para fins de apuração do lucro presumido. A Turma de Julgamento, acolhendo o voto do Relator, rejeitou a preliminar de nulidade do auto de infração. Quanto ao mérito, do confronto das razões deduzidas pela interessada com os documentos anexados, concluiu assistir em parte razão ao impugnante, apenas em relação à primeira acusação (omissão de receitas caracterizada pela não comprovação da origem dos recursos depositados em conta corrente). Enfrentando a alegação de que valores levados a crédito em sua conta corrente teriam por origem vendas a prazo efetuadas em anocalendário anterior (2001), cujos recebimentos terseiam dado nos primeiros meses de 2002, tendo composto a DIPJ do ano calendário de 2001, confirmou que, “ao serem confrontados os valores de algumas das duplicatas, apontados pelas mencionadas cópias reprográficas, bem como seus respectivos vencimentos, encontrase a devida correlação entre as datas de alguns dos depósitos e seus valores, ambos, em sua maioria, coincidindo com aqueles primeiros, ou, ainda, com datas bastante próximas” . Os valores e datas nessa situação encontramse demonstrados no corpo do voto, totalizando R$ 406.962,08. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 4 4 Foi acolhida parcialmente a impugnação e exonerados das bases de cálculo dos lançamentos, face à comprovação, os seguintes valores: do IRPJ e da CSLL, R$ 406.962,08, relativo ao 1º trimestre/2002, e do PIS e da COFINS, R$ 238.325,30, relativo a janeiro e R$168.636,78, a fevereiro/2002. É a seguinte a ementa da decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002 Ementa: PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNClA Somente serão considerados nulos os atos em que presentes quaisquer das circunstâncias estabelecidas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/1972. Incomprovada a presença, não há que se falar em nulidade. De ser rejeitada a preliminar. PRELIMINAR. DESCRIÇÃO DEFICITÁRIA DA IRREGULARIDADE. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se acatar alegações no sentido de que a peça acusatória não teria sido clara o suficiente em relação a irregularidade praticada pelo contribuinte, de maneira a que venha a impedir o pleno exercício ao direito de defesa. O conteúdo da impugnação apresentada, ao contrário, demonstra um perfeito entendimento, por parte do contribuinte e, pela citada peça defendeuse de forma integral, da acusação que lhe foi imputada. Rejeitase a preliminar argüida. PRELIMINAR. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. DESNECESSIDADE DE SER PROFISSIONAL DA ÁREA CONTÁBIL. Desnecessário que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil seja profissional voltado a área contábil, presumindose que o mesmo, independentemente de sua formação acadêmica, possua conhecimento técnico suficiente de forma a proceder a auditoria fiscal. Rejeitase a preliminar. PRELIMINAR. LANÇAMENTO FORMALIZADO NOUTRO LOCAL QUE NÃO O ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. INOCORRÊNCIA DE IRREGULARIDADE. Não há que se caracterizar como mácula, suficiente a tornar nulo o lançamento de o mesmo vir a ser formalizado em local distinto daquele onde localizado o estabelecimento. De ser rejeitada a preliminar. MÉRITO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS COMPROVADOS PARCIALMENTE. VINCULAÇÃO COM NOTAS FISCAIS EMITIDAS AO FINAL DE ANO CALENDÁRIO ANTERIOR. A comprovação, ainda que em reduzida quantidade, da emissão dos documentos fiscais correspondentes, ao final do anocalendário anterior, por meio de coincidências entre as datas de vencimentos das duplicatas respectivas e os valores levados a crédito em contacorrente de Fl. 4DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 5 5 titularidade do contribuinte, é suficiente para exonerar da base de cálculo do lançamento os valores que se encontram nessa situação. O regime de apuração — competência ou caixa — não provoca qualquer interferência no resultado do presente voto. De serem mantidos, entretanto, os valores não comprovados. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS DA ATIVIDADE DO CONTRIBUINTE. Não comprovadas às emissões dos documentos fiscais correspondentes, correta a exigência incidente sobre OS valores comprovadamente oriundos da atividade desenvolvida pelo contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Correta a exigência incidente sobre os rendimentos resultantes de aplicações financeiras, quando o contribuinte não logrou comprovar havêlos, espontaneamente, oferecido a tributação. OMISSÃO DE RECEITAS. NÃO COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE QUE TERIA GERADO OS VALORES OMITIDOS. APLICAÇÃO DO COEFICIENTE PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. Na impossibilidade de se comprovar de qual (is) atividade (s) se origina a omissão de receita apurada, para fins de apuração do lucro presumido, deve ser aplicado o maior coeficiente a que se submete o contribuinte. LANÇAMENTOS REFLEXOS. PIS. COFINS. Por decorrerem dos mesmos motivos de fato e de direito que levaram a exigência do IRPJ, igual destino deverão ter os lançamentos dele reflexo. Lançamento Procedente em Parte Frustrada a tentativa de ciência postal, o contribuinte foi cientificado por edital afixado em 13 de novembro de 2009 e desafixado em 30 de novembro de 2009, tendo ingressado com recurso em 09 de dezembro seguinte. Na peça recursal, renova as preliminares, requer a anulação da multa com base na Súmula 14 do CARF. Quanto ao mérito, no que se refere à omissão de receitas pela não comprovação da origem dos recursos depositados, refuta especificamente quatro valores que diz estarem sendo cobrados embora tenha sido estornados, contesta as razões da decisão a quo para não afastar a tributação sobre o montante de R$ 837.526,13, cuja origem seria a multa por rescisão contratual; Sobre o item referente à receita operacional não incluída na DIPJ (depósitos comprovados por notas fiscais, mas cujos valores não foram oferecidos à tributação), diz ter ficado provado que o Auditor Fiscal não observou o regime de apuração por competência, ou seja, recolhimento dos impostos no trimestre pela emissão da nota fiscal, e procura evidenciar erros que teriam sido cometidos pelo Auditor Fiscal e pelos Membros da 4ª. Turma de Julgamento, principalmente por desrespeitar o regime de competência para o recolhimento dos impostos e contribuições sociais, e pede a exoneração de todos os valores apontados. Invoca decisão do Supremo Tribunal Federal, publicada no Diário da Justiça de 15/08/2006, afirmando que "É inconstitucional o parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 6 6 de 27 de novembro de 1998, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por Pessoa Jurídica, independente da atividade por elas devolvida e da classificação contábil adotada", para concluir que “não existe base legal para exigência de recolhimento de imposto e contribuições em rendimento de aplicações financeiras porque não é atividade principal da empresa” . Quanto à troca de cheques, diz que os julgadores não apresentaram nenhum dispositivo legal que proíbe ou torna sonegação fiscal (omissão de receita) o fato de o contribuinte trocar cheques com seus parceiros comerciais. Lembra que o objetivo da fiscalização era evidenciar a origem dos recursos transitados na conta corrente do contribuinte. Diz que ao ser intimado, em 19/06/2007, a identificar a origem dos recursos e o nexo causal da troca de cheque, provou a origem dos recursos com o faturamento de anos anteriores e do próprio ano de fiscalização, identificou cada parceiro apresentado nome, CNPJ/MF, valor de cada troca de cheque e, ainda, apresentou nota fiscal de vendas de anos anteriores para provar o vinculo comercial entre as partes e, portanto, o nexo causal. Ainda, enviou cartas para todos os clientes (anexo 11, folha 712) e recebeu retorno da Poliresin (anexo 12 folha 659). Alega que a relação comercial e forma de pagamento dizem respeito exclusivamente a fornecedores e clientes e não esta condicionadas a um único critério exigido pelo Auditor Fiscal ou Autoridade Tributária. Aduz que toda operação de adiantamento de recursos (troca de cheque) não envolveu a cobrança de juros e correção monetária, visando apenas a área comercial e a colaboração para efetivar vendas ao consumidor final de forma financiada. Ressalta que o Auditor Fiscal rejeitou a troca de cheque, alegando somente que o contrato social do contribuinte estabelecia apenas Comércio e Industrialização, porém não verificou corretamente, estando prevista a prestação de serviço, “tanto é verdade que o Auditor Fiscal utilizou a alíquota de 32% para cálculos dos impostos (prestação de serviços)”. Diz que os membros da 4ª Turma de Julgamento não apresentaram nenhuma objeção à troca de cheque, logo, a operação é legal e deve ser exonerada da base de calculo da exigência de impostos e contribuições. O valor total para exoneração é R$ 1.958.030,61, conforme anexo3 (Folhas 619 a 624). Afirma que toda saída como adiantamento e toda devolução estão lançadas no extrato bancário, sendo prova irrefutável da operação, mas alega que o Auditor tabulou somente os depósitos como entrada de recurso e não observou a saída na troca de cheque no próprio extrato bancário. Comenta que os julgadores na (Folha 936) confirmaram que a troca dos cheques sem gerar beneficio ou ganho não é omissão da Receita. Menciona que, segundo o art. 924 do RIR/99, há necessidade de elaboração de prova para consubstanciar a omissão de receita e, depois, podese arbitrar tal omissão, e diz que o Termo de Verificação Fiscal não apontou nenhum indício de omissão de receita apurada nos documentos contábeis. Conclui que, diante dos fatos e da comprovação do nexo causal do contribuinte e seus clientes (Anexo5 notas fiscais anteriores a 2002), da causa da realização Fl. 6DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 7 7 do adiantamento de recursos (aumento de vendas), da confirmação da Poliresin do adiantamento de recursos sem a cobrança de juros e correção monetária (anexo12), da constatação do recolhimento dos impostos e contribuições de acordo com emissão da nota fiscal de venda por apuração pelo regime de competência no lucro presumido e, definitivamente diante de varias decisões do Supremo Tribunal do Brasil considerando que os depósitos em conta corrente do contribuinte não são renda, vem o contribuinte com devido respeito requerer o cancelamento total dos autos de infrações (...). Afinal, assim resume suas razões de recurso: 1 O Auditor Fiscal não apresentou evidência ou forte indício de sonegação fiscal, apurado no Mandato de Procedimento Fiscal para caracterizar omissão de receita e multa de oficio; 2 O Termo de Verificação Fiscal não apresentou nenhuma irregularidade na escrita fiscal do contribuinte para consubstanciar sonegação por omissão de receita; 3 O Auditor Fiscal apresentou omissão de receita baseado unicamente nos depósitos bancários, ignorando a saída do mesmo volume de recursos na troca de cheques. 4 O Auditor Fiscal não apresentou o nexo causal da omissão de receita com a escrita fiscal do contribuinte quando concluiu pela omissão de receita baseada unicamente em depósitos bancários, contrariando a jurisprudência pacificada; 5 Os cálculos de exoneração não têm memória de cálculos e estão errados quando avaliados pelo regime de tributação do contribuinte (competência); 6 O Auditor Fiscal considerou estornos de depósitos como receita passível de tributação; 7 O Auditor Fiscal ignorou a identificação e a documentação de origem do recurso oriundo da empresa Bramac devidamente registrado no livro caixa e, ainda, os membros da Delegacia da Receita Federal estão exigindo agora o pagamento de imposto (IRRF) do recebedor (contribuinte) e não da fonte pagadora (Bramac S.A); 8 O Auditor Fiscal desconsiderou o regime de competência do contribuinte e fez uma série de cálculos errados levando em consideração o regime de caixa; 9 O Auditor Fiscal não considerou a jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e considerou renda os rendimentos de aplicação financeira; 10 O Auditor Fiscal não apresentou nenhum contraditório na operação de troca de cheque. Logo, a operação está dentro do âmbito legal e não devem ser considerados como renda apenas os depósitos, ignorando as saídas da mesma conta corrente para um cliente identificado e lançado no extrato bancário; 11O Auditor Fiscal rejeitou o serviço de troca de cheque alegando que o contribuinte não tinha esta previsão no contrato social, mas na apuração de impostos e contribuições utilizou a alíquota de 32% de prestação de serviço; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 8 8 12 Permanecem todas as condições preliminares de nulidade do auto de infrações; 14 Os autos de infração do processo n° 19515. 001905/200718 não decorrem do Mandato de Procedimento Fiscal n° 08.190.002006013162, conforme determina a legislação. Formula, afinal, seu pedido nos seguintes termos: “ A vista do exposto, demonstrada a improcedência total dos autos de Infrações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRRJ, Programa de Integração SocialPIS, Contribuições para Financiamento de Seguridade SocialCOFINS e Contribuição Sobre o Lucro Líquido — CSLL, pela falta de previsão legal, contrariedade aos dispositivos legais, pela falta de relação e causa com o Mandato de Procedimento Fiscal n°08.1.90.00 2006103162 e falta de argumentação sustentada na Legislação Brasileira. O presente recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais visa a reparação de erros de avaliação contábeis de apuração de impostos e Contribuições Sociais pelo regime de competência e não pelo regime de caixa como fez o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Assim o contribuinte requer o cancelamento completo de todos os autos de infrações decorrentes do processo n°19515.001905/200718.” É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 9 9 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Inicio por analisar as nulidades argüidas. Afirma a Recorrente: Os Nobres Julgadores não apresentaram os elementos essenciais no Termo de Verificação Fiscal para evidenciar sua descrição completa. Observase na (folha 928) do processo que a essência do contraditório é dizer que a contribuinte conseguiu fazer uma impugnação com detalhes e insurgiu contra todas as parcelas do lançamento. Esta argumentação não tem amparo legal e não serve como elemento probatório. Cabe salientar que a Autoridade Autuante e Julgadora devem sempre apresentar fundamentos legais baseados na legislação e nunca apresentar ilações para manter uma exigência legal. O contribuinte insiste na tese que o Termo de Verificação Fiscal é deficitário e não apresenta nenhuma relação com o Mandato de Procedimento Fiscal e nem com os depósitos em cheque na conta corrente do contribuinte e a multa de oficio esta sem amparo legal e contraria a súmula 1° CC N° 14 (CARF). A infração deve ser definida e apresentada para o contribuinte entender o fato gerador. A Autoridade Fiscal deve estabelecer a relação dos depósitos bancários com os fatos demonstrados no Mandato de Procedimento Fiscal n. 08.1.90.002006013162. Observase que o Mandato de Procedimento Fiscal estabeleceu a rotina e o roteiro de fiscalização resultando na verificação de entrada de mercadoria, conforme definiu a Autoridade em seu Termo de Intimação datado de 19/09/2006, (anexo n º 24). A omissão de receita apurada no Termo de Verificação Fiscal não tem nenhuma relação ou nexo causal com o Mandato de Procedimento Fiscal, portanto, o auto de infração esta sem autorização legal para apurar origem dos recursos em conta corrente. Assim, o auto de infração é nulo no seu próprio nascedouro por insuficiência descritiva e pela falta de autorização legal definida pelo Mandato de Procedimento Fiscal em questão com o Termo de Verificação Fiscal. Conforme se depreende dos autos, o MPF nº 08.1.90.002006013162, emitido em 15 de maio de 2006, determinou o procedimento de fiscalização em relação ao Fl. 9DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 10 10 Imposto de RendaPessoa Jurídica para o período de 01/01/2002 a 31/12/2002. Essa ordem de fiscalização é ampla, alcançando a averiguação de todos e quaisquer fatos que influenciem a apuração do tributo nela especificado, sem nenhuma limitação quanto a “rotina e roteiro de fiscalização”. E mais, nos termos do art. 9º da Portaria SRF nº 3007, de 2001, e alterações posteriores, na hipótese em que as infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa.”. O Termo de Verificação Fiscal de fls. 501 a 519 explica detalhadamente como foram apuradas as infrações, o teor das intimações para apresentar comprovações e quais não foram acolhidas. O Termo indica expressamente quais os créditos/depósitos que, a juízo do fisco, permaneceram sem comprovação da origem, quais os que tiveram sua origem comprovada por nota fiscal, mas que não foram incluídos da DIPJ, e quais os valores de rendimentos de aplicações financeiras e respectivo imposto de fonte foi apurado por meio da DIRF apresentada pelo Banco Itaú, e que não compuseram a declaração. Não há o que se falar aqui, portanto, em cerceamento de defesa. O contribuinte invoca a Súmula CARF nº 14, para pedir a anulação da multa. Contudo, o que a súmula enuncia é que “a simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo”. Não é esse o caso dos autos, em que foi imposta a multa em seu percentual normal (75%) e não no percentual qualificado (150%). Ainda para amparar sua argüição de nulidade do auto de infração, a Recorrente aponta como vícios a lavratura do auto de infração fora do estabelecimento do contribuinte e do local da suposta infração (na repartição fiscal), e a falta de competência do auditor para proceder à auditoria contábil, privativa dos profissionais contadores. Sobre a lavratura do auto de infração fora do estabelecimento do contribuinte, a Recorrente manifesta um equivocado entendimento da Súmula CARF nº 6, como se ela só autorizasse a lavratura do auto de infração no estabelecimento do contribuinte ou no local onde fosse cometida a infração. Contudo, não é esse o alcance da Súmula CARF nº 6, que enuncia que “É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.”. Não exige, a lei, que o auto de infração seja lavrado no estabelecimento do sujeito passivo. O “local da verificação da falta” mencionado no art. 10 do Decreto no 70.235/72 diz respeito à jurisdição, nada importando o local físico onde é confeccionado o auto de infração. Sequer há necessidade de o agente fiscalizador comparecer ao estabelecimento do contribuinte, podendo o auto de infração decorrer de apurações internas feitas pela administração, a partir de elementos arquivados na repartição (como, por exemplo, na revisão de declaração) ou, até, de informações obtidas junto a terceiros (fornecedores ou clientes). Neste sentido, a Súmula CARF nº 46, inclusive, enuncia que “O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.”. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 11 11 Da mesma forma, a competência dos Auditores da Receita Federal para auditarem os livros e escrituração contábil do contribuinte não pode ser questionada, eis que a matéria está tratada em súmula do CARF que, nos termos do art. 72 do Regimento Interno, é de observância obrigatória por seus membros. Enuncia a Súmula nº 8: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Essa competência decorre de lei, precisamente o art. 7º da Lei nº 2.354, de 1954, que acrescentou ao Regulamento do Imposto de Renda a seguinte disposição: "Os agentes fiscais do imposto de renda procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e documentos apresentados, e das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações.” Essa questão já foi tratada pelo Superior Tribunal Justiça que, em 14/09/99, ao enfrentar a mesma argüição no âmbito da atuação dos fiscais de contribuições previdenciárias, nos autos do Recurso Especial n.º 218.406, manifestouse em decisão assim ementada: ADMINISTRATIVO – FISCAL DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS – INSCRIÇÃO EM CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE – DESNECESSIDADE. O fiscal de contribuições previdenciárias prescinde de inscrição em Conselho Regional de Contabilidade para desempenhar suas funções, dentre as quais a de fiscalização contábil das empresas. Ante o acima exposto, rejeito as preliminares suscitadas. Passo à análise das razões recursais de mérito, as quais aplicamse por igual a todas as exações, no que não houver razão específica para tratamento diferenciado. Como visto, a matéria tributável resulta de omissão de receitas, apurada a partir de três irregularidades apontadas pela fiscalização: (i) depósitos bancários de origem não comprovada; (ii) divergências entre valores creditados/depositados e aqueles informados na D1PJ/2002 e, (iii) rendimentos de aplicações financeiras. Para elidir a primeira acusação a interessada trouxe, em síntese, as seguintes alegações: (a) a autoridade computou estornos de crédito em conta corrente como se fossem receitas; (b) há valores recebidos em 2002, de vendas efetuadas em 2001; (c) a autoridade fiscal não considerou valores recebidos a título de multa por rescisão de contrato; (d) valores decorrentes de trocas de cheques foram considerados como receita, sem verificação junto a clientes e fornecedores; (e) o regime de apuração foi alterado, passando de competência para de caixa e, (f) o coeficiente de presunção utilizado, de 32%, seria equivocado. No que se refere aos estornos, afirma a Recorrente: “ Estornos de depósitos em cheques: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 12 12 A Receita Federal do Brasil descumpriu o art. 31, parágrafo único, da Lei nº 8.891 de 1995 e o art. 24 da Lei 9.249 de 26 de dezembro de 1995 (anexo 16). O contribuinte precisa provar apenas os valores descritos no Termo de Verificação Fiscal pela ordem numeradas de 01 a 349, porque todos os outros valores do extrato bancário foram devidamente comprovados no decorrer da fiscalização e, portanto, não aparecem no Termo de Verificação Fiscal. Os membros da 4ª Turma rejeitaram os argumentos do contribuinte apresentando outros depósitos no mesmo dia e em outros dias de valores iguais e outros diferentes (folha 930). O fato é que todos os valores de depósitos na conta corrente n° 34.220, agência 0354 do Banco Itaú foram devidamente comprovados no decorrer da fiscalização, restando apenas pendentes de comprovação de origem os valores de depósitos listados e numerados em ordem de 01 a 349. Logo, qualquer apresentação de outro valor mesmo igual ou diferente não é justificativa para manter a exigência. A prova deve ficar restrita ao número de ordem e o lançamento do extrato bancário no dia do depósito. Portanto, o extrato bancário aparece como estorno de depósito e como tal não é valido como receita. Os outros lançamentos foram comprovados durante a fiscalização, mesmo os valores iguais ou diferentes. Os Nobres Julgadores apresentaram depósitos em valores diferenciados para justificar depósitos claramente identificados como estorno de depósito, pelo próprio Banco Itaú, além do que pode haver depósito de igual valor ou valores diferentes no mesmo dia ou outros dias, mas todos foram comprovados na fiscalização. Apenas como exemplo segue: N° de ordem 67, extrato (Folha 79), data de lançamento 07/02/2002, valor R$ 17.355,57, descrição no extrato "estorno depósito". Assim, fica provado o erro de apontamento de crédito em conta corrente, devendo prevalecer o informado no anexo1, (Folha 614) e os outros valores de depósitos não é objetivo de identificação ou comprovação nesta fase, nem mesmo serve para justificar o erro do Auditor da Receita Federal do Brasil. Assim, deve exonerar estes valores da base de cálculo de imposto e contribuições (R$ 48.343, 58).” Os valores questionados pelo contribuinte estão assim identificados no “anexo 1”, fls. 614: ordem Fls. data Valor (R$) 30 4307 16/01/2002 4.323,15 Estorno depósito cheque pág. 4307 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 13 13 67 4311 07/02/2002 17.255,97 Estorno depósito pág. 4310 79 4312 18/02/2002 14.690,84 Estorno depósito cheque pág. 4312 126 4316 18/03/2002 12.065,05 Estorno depósito cheque pág. 4316 Alega a Recorrente que a Decisão recorrida estaria trazendo novos valores não questionados pela fiscalização, e que seu dever é de provar apenas os valores descritos no Termo de Verificação Fiscal pela ordem numeradas de 01 a 349. Contudo, equivocase a Recorrente. A fiscalização, ao apresentar a relação dos valores não comprovados, expurgou aqueles que foram estornados por qualquer motivo. Dessa forma, ao analisar as razões de defesa do contribuinte, o julgador a quo constatou que os valores estornados não haviam sido considerados pela autoridade fiscal. Assim, às fls. 4307 dos extratos (fl. 78 do processo) há, no dia 16 de janeiro, três lançamentos no valor de R$ 4.323,15, sendo dois a título de “Tec. depósito cheque” e um a título de “Estorno depósito cheque”. Naturalmente, a fiscalização relacionou apenas um depósito naquele valor para ser comprovado (nº de ordem 30 da relação), visto que o outro fora estornado. Da mesma forma, no dia 07 de fevereiro constam dois depósitos em cheque no valor de R$ 17.255,57 (extrato fls. 4311) e um estorno de depósito no mesmo valor (extrato fls. 4310), tendo a fiscalização exigido apenas o valor não estornado (nº de ordem 67). No dia 18 de fevereiro (extrato fls. 4312 consta um depósito em cheque no valor de R$ 14.590,84, que não foi considerado pela fiscalização por haver, na mesma data, um estorno no mesmo valor. Nessa mesma data há um depósito em cheque no valor de R$ 14.690,84, esse sem qualquer estorno, e que constou na relação de depósitos não comprovados, no Termo de Verificação (nº de ordem 79). No dia 18 de março constam dois depósitos em cheque no valor de R$ 12.065,02 e um estorno de depósito no mesmo valor (extrato fls. 4316), tendo a fiscalização exigido apenas o valor não estornado (nº de ordem 126). Especificamente sobre o valor de R$ 17.255,57 (nº de ordem 67), que a Recorrente invoca em seu recurso a título de exemplo, de se notar que o Termo de Verificação Fiscal reclama a origem do lançamento da fl. nº 4311 do extrato (ou seja, do depósito), e não do lançamento de fl. 4310 (estorno), como alega a Recorrente. A questão de vendas realizadas em 2001 e recebidas em 2002 foi analisada pela Turma de Julgamento de Primeira Instância, tendo resultado em redução parcial da exigência, naquilo que restou confirmado. Pretende, ainda, a sociedade empresária, explicar parte dos créditos como oriundos de multa contratual. Da relação dos créditos para os quais a fiscalização pediu a comprovação da origem, indicou 31 depósitos feitos em sua conta corrente entre setembro e dezembro de 2002, afirmando corresponderem a recebimento de multa paga por Bramac, em Fl. 13DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 14 14 razão de rescisão de contrato de representação. Diz, em seu recurso, que os examinadores comprovaram que o valor de R$ 822.000,00 foi pago pela empresa Bramac e registrados no livro caixa (folha 223), que aceitou vários cheques de terceiros para receber um valor acordado entre as partes, e que a diferença de R$ 15.526,13 é decorrente de encargos na devolução destes cheques. Às fls. 223 consta cópia da folha do Diário onde está registrado, no dia 30 de agosto, o valor de R$ 822.000,00, a título de Rescisão de Contrato de Representação Bramac, sem qualquer referência a multa. As alegações da Recorrente são deveras frágeis, não se prestando a comprovar a origem dos 31 depósitos apontados. Não há nada vinculando os créditos a eventual multa, não há coerência entre a data da rescisão e as datas dos créditos, e sequer há coincidência entre o valor que diz ser oriundo de multa e o somatório dos créditos questionados. Embora ela alegue ter recebido a multa mediante cheques prédatados, inclusive de terceiros, e atribua a diferença a encargos na devolução destes cheques, não apresentou qualquer documentação para corroborar suas alegações. O contrato de representação firmado em setembro de 1992 (fl. 364 a 368) não prevê multa por rescisão. Sua cláusula 14 estabelece que o contrato poderia ser rescindido por qualquer das partes, mediante aviso expresso de no mínimo seis meses de antecedência. E no item 14.1 estabelece que, se houver rescisão, serão respeitados os direitos decorrentes de pedidos em via de execução, até o final da liquidação dos créditos dos mesmos. Pelo documento de fls. 786, a Bramac comunicou ao mercado que, a partir de 1º de março de 2002, a administração das vendas de seus produtos, que até então era feita pela Repisoli, seria absorvida pela Bramac. Às fls. 616, correspondência datada de 16 de abril de 2002, formalizando a rescisão do contrato, sem qualquer alusão a multa. Nesse mesmo documento de formalização da rescisão, a Bramac convoca a Repisoli para reunião no dia 23 de abril, para acerto de contas e outorga de quitação recíproca. Onde o documento dando quitação recíproca? Como se vê, não é possível relacionar os 31 créditos feitos entre 29 de setembro e 30 de dezembro a suposta multa por rescisão contratual, que em momento nenhum é referida em qualquer documento ou na escrituração da Recorrente, restando incomprovada a origem dos recursos depositados e, por conseguinte, concretizada a hipótese de presunção legal de omissão de receita. Apenas a título de esclarecimento, ainda que o contribuinte houvesse apresentado à fiscalização prova concreta de que os créditos questionados seriam oriundos de multa por rescisão do contrato de representação, ainda assim não estaria elidida a acusação de omissão de receitas. É que, ainda que identificada a origem dos valores creditados, tais valores apenas não serão objeto de lançamento se demonstrado que não correspondem a receitas ou, se receitas, foram oferecidos à tributação. Conforme previsto no art. 70, § 3º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996, a multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização, em virtude de rescisão de contrato, é acrescida ao lucro presumido para determinação da base de cálculo do imposto devido pela pessoa jurídica. E nos termos do § 4º Fl. 14DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 15 15 do mesmo art. 70, o imposto retido na fonte, na forma deste artigo, será considerado como antecipação do devido em cada período de apuração. No caso, a alegada multa por rescisão contratual não compôs os rendimentos oferecidos à tributação pelo contribuinte. De fato, na declaração do contribuinte, às fls. 24 e 25, nos quatro trimestres de 2002 não consta nenhum valor no item 12 da Ficha 14A (multas e vantagens decorrentes de rescisão contratual). Afirma a Recorrente ter recebido os valores da Bramac livres do imposto de renda, e que a Bramac reteve e recolheu o IRRF (Imposto de Renda Retido na Fonte). Contudo, ainda que assim fosse, esse fato não autorizaria o não oferecimento à tributação, cabendo sua inclusão na declaração e, de posse da prova da retenção, efetuar a compensação do tributo retido. Assevera a interessada que a fiscalização computou como receita uma série de depósitos oriundos de troca de cheques, sem proceder a qualquer verificação junto a clientes e fornecedores. Contudo, no caso, estáse diante de presunção legal relativa, não sendo ônus da fiscalização apurar se os depósitos para os quais o contribuinte não apresentou a documentação hábil comprovando sua origem representam ou não omissão de receitas. Não apresentada, pelo fiscalizado, a prova documental da origem dos recursos depositados, nada mais cabe à fiscalização senão presumir tratarse de omissão de receitas. Portanto, excetuados os créditos cuja origem já foi aceita pela decisão a quo, não alcançou, a Recorrente, elidir a presunção de omissão de receitas. Para impugnar o período de apropriação da receita o contribuinte deve, necessariamente, provar que ela integrou resultado de outro período, sendo absolutamente incongruente alegar que a fiscalização alterou o regime de competência para o de caixa sem provar a contabilização na receita. Quanto ao coeficiente de presunção, o procedimento da fiscalização observou rigorosamente a lei, no caso, o art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, que dispõe: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. Passo a analisar o segundo item de acusação ("omissão de receita receitas da atividade”), relativo às notas fiscais não oferecidas à tributação na DIPJ. Ao ser intimada a comprovar a origem dos valores depositados, a contribuinte indicou, para o terceiro e quarto trimestres de 2002, as notas fiscais a seguir: Fl. 15DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 16 16 Terceiro trimestre 2002: valor Nota fiscal 16.982,00 572 37.285,66 574 18.210,00 575 21.313,00 579 31.367,00 581 59.188,62 586 61.052,00 587 43.488,00 588 1.114,66 1988 290.000,94 Total Quarto trimestre 2002: valor Nota fiscal 27.158,00 578 A autoridade fiscal, considerando que o contribuinte tributara R$ 188.160,00 no terceiro trimestre e nada tributara no quarto trimestre, exigiu os tributos sobre as diferenças de R$ 101.840,94 (R$ 290.000,94R$ 188.160) e R$ 27.158,00. Em sua impugnação, a interessada alegou não ter ocorrido à omissão das referidas receitas, visto que: (a) para todo o faturamento houve amparo de documentos fiscais; (b) fez uso do regime de competência, ao invés do de caixa; (c) foi autuada nota fiscal de remessa para industrialização, e (d) o valor de determinada nota fiscal foi utilizado de forma equivocada, elaborando demonstrativo que denominou Anexo 22 (fls. 787). A decisão de primeira instância examinou detidamente as alegações de defesa, e concluiu por sua imprestabilidade para afastar a acusação. Assentou que o demonstrativo (Anexo 22) apresenta uma série de discrepâncias entre os valores nele apontados e aqueles que vieram a ser objeto da acusação fiscal, e que nenhum dos valores trazidos coincidem com os apontados pela auditoria fiscal. Registrou que tais incompatibilidades independem do regime de apropriação utilizado pelo contribuinte, tenha sido ele o de competência ou o de caixa; que a soma dos valores das duplicatas não coincide com o da nota fiscal respectiva, o quê, em princípio, deveria ocorrer; que as planilhas elaboradas pela interessada trazem novos dados, também contraditórios com outros apontados, relacionados ao mesmo documento fiscal. Como dito, esse item da exigência decorreu de o auditor fiscal ter aceito a comprovação da origem de alguns depósitos como oriundos de vendas contabilizadas e amparadas em notas fiscais, mas ter concluído que essas notas não foram integralmente oferecidas à tributação, porque a receita bruta tributada dos trimestres a que correspondem os depósitos são inferiores aos que serviram de base à tributação. O contribuinte alega que a tributação ocorre pelo regime de competência, e não pelo de caixa, razão pela qual não se encontrou a coincidência. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 17 17 A afirmativa de que a tributação se dava pelo regime de competência foi acolhida pela decisão a quo quando analisou o primeiro item da autuação, e excluiu da base do primeiro trimestre a importância de R$ R$ 406.962,08. Vejamos, então, se há coerência entre acolher a explicação da origem dos depósitos como oriundos das indigitadas notas fiscais, porém considerálas não oferecidas à tributação. Analisemos o procedimento fiscal tomando como exemplo a nota fiscal nº 574. Ao ser intimado a comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente no Banco Itaú, o contribuinte apresentou a relação de fls. 124 e seguintes, que relaciona, em ordem cronológica, os 429 depósitos naquela conta e indica a origem daqueles para os quais teria alcançado a prova (segundo o contribuinte, 72% dos depósitos). Desse demonstrativo, extraio as seguintes informações relacionadas com a nota fiscal nº 574, emitida em 30/04/2002, no valor R$ 56.430,00 (fl. 151): Crédito bancário Nº ordem Fls. extrato data valor 276 4327 14/06/2002 19.907,00 294 4320 03/07/2002 18.296,46 412 4331 09/07/2002 18.889,20 total 56.992,66 Se não há coincidência absoluta entre o valor da nota fiscal 574 e o somatório dos créditos que o contribuinte alega a essa se referirem, a fiscalização poderia ter tido como não comprovada a origem dos depósitos. Contudo, tendo aceito a vinculação da origem dos depósitos com aquela nota fiscal, que foi emitida e contabilizada (fls. 294) em abril (2º trimestre), não pode considerar irregular seu não oferecimento à tributação no terceiro trimestre. Esse mesmo raciocínio se presta aos demais créditos que a autoridade lançadora considerou como receitas de atividade não informadas na DIPJ. Assim, considero que o lançamento, nesse item, carece de certeza, razão porque, dou provimento para excluílo da tributação. Sobre os rendimentos de aplicação financeira, alega a Recorrente que as exigências formalizadas para o PIS e a COFINS são improcedentes, eis que têm base no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, dispositivo julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Nesse ponto, assiste razão à Recorrente, visto que o STF declarou inconstitucional o alargamento da base de cálculo imposto pelo apontado dispositivo. Assim, os rendimentos de aplicações financeiras não devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Pelas razões acima expostas, rejeito as preliminares suscitadas, para no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: Fl. 17DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 19515.001905/200718 Acórdão n.º 1301000.763 S1C3T1 Fl. 18 18 (a) excluir da matéria tributável relativa ao IRPJ, à CSLL, ao PIS e à COFINS, os valores correspondentes ao item II do lançamento (Omissão de Receita Receita da Atividade); (b) excluir da base de calculo do PIS e da COFINS os rendimentos de aplicação financeira (item III do lançamento). Sala das Sessões, em 23 23 de novembro de 2011. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 18DF CARF MF Impresso em 25/01/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por AL BERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10935.004058/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/1998 a 28/02/1999
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.
Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para
a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do
recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei
Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa.
Numero da decisão: 3302-001.361
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1998 a 28/02/1999 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa.
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PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) RELATOR ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 04/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Curitiba: Trata o processo de pedido de restituição (apresentado por meio de formulário) de contribuição para o PIS/Pasep, fl. 01, protocolizado em 13/09/2007, o qual, consoante planilhas e demonstrativos de fls. 06/19, corresponde a retenções ou pagamentos efetuados nos meses de abril de 1998 a fevereiro de 1999, no montante atualizado de R$ 133.829,37. À fl. 01, no quadro destinado à descrição do motivo do pedido constam os seguintes esclarecimentos: "Restituição do Pasep recolhido sobre arrecadação própria no período de setembro/1997 a março/1998, em face de sua inexigibilidade em razão da não conversão em lei da Medida Provisória 1212/95 e suas reedições. Pedido de restituição está sendo .feito em processo administrativo pois o programa pedido eletrônico de ressarcimentoou restituição e declaração de compensação (Per/Dcomp — versão 3.2) impossibilita sua utilização não aceitando a data do fato gerador do crédito passados de cinco anos." Às fls. 02/04, procuração e documentos pessoais do representante do Município. Encaminhado para análise (fl. 20), apurouse que, com base no referido crédito, o ente federativo também havia transmitido, eletronicamente, em 17/09/2007 e 15/10/2007 as Declarações de Compensação n"s 42855.64204.170907.1.3.048774 e 25799.89280.151007.1.3.043730, pleiteando a compensação de débitos de PIS/Pasep dos períodos de agosto (R$ 3.500,00) e setembro (R$ 3.500,00) de 2007, no valor total de R$ 7.000,00 (fls. 21/29). Em 01/11/2007, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel/PR, despacho decisório às fls. 30/33, em face da decadência do direito, a teor dos arts. 165 e 168 do CTN. Consequentemente, não foram homologadas as compensações pleiteadas. Inconformada com a decisão proferida, da qual foi cientificada em 12/11/2007 (11s. 36/37), a interessada, por intermédio de procurador, interpôs, em 12/12/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 38/46, instruída com os documentos de fls. 47/48 (procuração e cópia de documento pessoal de mandatário), cujo teor é sintetizado a seguir. Primeiramente, após relato sucinto dos fatos, discorre sobre a ineficácia das medidas provisórias não convertidas em lei e conclui que a MP n° 1.212, de 1995, "não revela os predicamentos da urgência e relevância." Disserta sobre a ilegalidade da MP n° 1.212, de 1995, e suas reedições, e diz que "no período compreendido entre outubro de Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10935.004058/200710 Acórdão n.º 330201.361 S3C3T2 Fl. 86 3 1995 até fevereiro de 1999, pode ser recuperada a totalidade dos recolhimentos ,feitos a título de PÁ SE?, haja vista que não havia norma legal a exigir a exação, muito menos através da LC 8/70, em respeito à vedação da represtinação em nosso ordenamento jurídico." Fala sobre o posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação à legislação tributária e às medidas provisórias e, após análise das medidas editadas, conclui que a Lei n° 9.715, de 1998, deve operar como lei primitiva, cuja entrada em vigor, respeitandose a anterioridade nonagesimal, teria ocorrido somente em 24/02/1999. A seguir, discorre sobre o prazo decadencial. Defende a tese dos "5 + 5 anos", transcreve posicionamento da jurisprudência e conclui que em relação aos pagamentos efetuados anteriormente a 09/06/2005 o prazo de restituição seria de dez anos contados da data do pagamento ou até 09/06/2010, "valendo o prazo que vier antes." Ao final, requer a reforma do despacho decisório e, consequentemente, o deferimento da restituição e a homologação das compensações vinculadas. É o relatório. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1998 a 31/01/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2007 a 30/09/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A compensação de débitos com crédito que não é passível de restituição não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de pedido de restituição protocolado em 13/09/2007 relacionado a supostos pagamentos indevidos de PIS no período de 01/04/1998 a 28/02/1999, alegando teriam ocorrido recolhimentos a maior "em virtude da interpretação e aplicação de critérios de fato e/ou de direito (jurídicos) considerando o art. 15 da MP n° 1.212/95 e suas reedições e art. 18 da Lei Federal n°9.715/98". Tanto a DRF quanto a DRJ indeferiram o pedido de restituição, e por conseqüência os pedidos de compensação anexados, por entenderem que o prazo para a restituição de tributos pagos a maior era de 5 anos, a contar do recolhimento indevido ou a maior. Não houve análise por parte das autoridades administrativas em relação ao mérito do pedido de restituição, ou seja, em relação a existência ou não de pagamentos a maior ou indevidos. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Neste sentido, o E. STJ, após inúmeras reviravoltas pacificou seu entendimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada Fl. 91DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10935.004058/200710 Acórdão n.º 330201.361 S3C3T2 Fl. 87 5 a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Agravo regimental não conhecido.1 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ já manifestou sua posição, entendendo pela manifesta inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 SP (2005/00095396). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Como é de conhecimento geral ao julgador administrativo é vedado declarar a inconstitucionalidade de norma tributária vigente, como é o caso do art. 4º da Lei Complementar 118/05, até que haja manifestação plenária do Supremo Tribunal Federal. É o que se extrai do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possui natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente, para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, como vemos de sua ementa que segue transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para Fl. 93DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10935.004058/200710 Acórdão n.º 330201.361 S3C3T2 Fl. 88 7 repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. No presente caso o pedido foi protocolado em 13/09/2007, estando assim submetido ao prazo de 5 anos conforme interpretação conferida pela Lei Complementar 118/2005. Como o período relacionado aos alegados pagamentos indevidos compreende as competências 04/1998 a 02/1999, estão todos atingidos pela prescrição. Por fim, vale registrar que o Regimento Interno do CARF determina a obrigatoriedade da aplicação das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal, com aplicação do rito estabelecido no art. 543 B do CPC, senão vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 94DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES 8 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Não existindo direito ao crédito pleiteado, por conta da ocorrência da prescrição, correta a decisão que não homologou as compensações efetuadas, por ser conseqüência lógica. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 11077.000450/99-75
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 16/11/1999
IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA.
SUBSTITUIÇÃO DE MERCADORIA. Perícia técnica efetuada. A chegada
ao País de produtos novos, diferentes portanto dos exportados
temporariamente para conserto, sujeita a interessada ao recolhimento dos tributos incidentes na importação.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-001.526
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria Teresa Martinez Lopez
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ementa_s : REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 16/11/1999 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. SUBSTITUIÇÃO DE MERCADORIA. Perícia técnica efetuada. A chegada ao País de produtos novos, diferentes portanto dos exportados temporariamente para conserto, sujeita a interessada ao recolhimento dos tributos incidentes na importação. Recurso Especial do Procurador Provido.
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 16/11/1999 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. EXPORTAÇÃO TEMPORÁRIA. SUBSTITUIÇÃO DE MERCADORIA. Perícia técnica efetuada. A chegada ao País de produtos novos, diferentes portanto dos exportados temporariamente para conserto, sujeita a interessada ao recolhimento dos tributos incidentes na importação. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Júlio César Alves Ramos, Marcos Tranchesi Ortiz, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 241/252), contra a decisão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, mediante o Acórdão n. 30331.585, cuja ementa transcrevo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Reimportação de mercadoria submetida ao regime de exportação temporária para reparos. Impossibilidade técnica da determinação exata de que a mercadoria ora ingressada no pais não corresponde a que foi temporariamente exportada para reparos não é razão suficiente para se deduzir que a mercadoria tenha sido substituída. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, alegando, em suma, ter ocorrido divergência de outras 2 decisões proferidas: AC. 30130.893 e 30133.197 de interesse da mesma contribuinte. Por meio do Despacho nº 375/2007, de fls 256/258, e sob o entendimento de estarem presentes os requisitos de admissibilidade deuse seguimento ao recurso interposto. Consta do Despacho o que a seguir transcrevo: Confrontando os acórdãos apresentados verificase a divergência entre os julgados, pois o primeiro paradigma entendeu que a identidade quantitativa perde qualquer relevância se não há identidade qualitativa, pois os produtos exportados temporariamente devem retornar ao Pais, após submetidos a conserto, sendo indispensável a declaração das partes e peças novas acaso empregados, para fins de tributação. O segundo paradigma entendeu que a mercadoria submetida ao Regime de Exportação temporária deve ser devidamente identificada quando do seu retorno, pois qualquer divergência entre a mercadoria exportada temporariamente e posteriormente reimportada sujeita o contribuinte ao recolhimento dos tributos incidentes, por descumprimento das condições do regime de exportação temporária. Quanto ao acórdão recorrido entende que apenas o fato de encontrar impresso nas mercadorias entradas no País o número 99 e o fato de não constar na fatura a numeração de série (completa) não são provas suficientes de que as mercadorias entradas não são as mesmas que saíram. As fls. 261/265 contrarrazões apresentadas pela contribuinte. Pede em síntese a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11077.000450/9975 Acórdão n.º 930301.526 CSRFT3 Fl. 272 3 Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora O recurso atende aos requisitos legais de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Consta do voto do acórdão recorrido o que peço vênia para transcrever: Tratase de operação de "reimportação" de mercadorias "caixas de câmbio, que, segundo a r. decisão recorrida, "não são perfeitamente identificáveis" com as "caixas de câmbio" que foram exportadas à Argentina, para fins de reparo ou aperfeiçoamento. Isto porque, de acordo com o relatório da perícia técnica, citado na r. decisão recorrida, "a quantidade de mercadorias está correta, porém, a identificação fica prejudicada por não constar na fatura a numeração de série (completa) pois consta somente a numeração que identifica o modelo." E prossegue, "Consta, ainda, dos referidos relatórios que as mercadorias são de 1999, apenas uma de 1993. De se observar que as exportações temporárias foram registradas em 1996. A peticionária procura justificar tal fato alegando que houve a substituição da 'carcaça de embreagem além de alguns componentes para atualização do produto. Junta documentos de fls. 158 a 163 e 164/165 (não traduzidos) para comprovar o que alega." Em face disso, concluise que a Recorrente não faz jus à isenção prevista no artigo 92, § 4° do Decretolei n° 37, de 18/11/66, visto que, para tanto, seria necessário que o produto exportado fosse exatamente o mesmo que ora se importa, ''sem que sobre ele tenha havido qualquer aperfeiçoamento". Entretanto, essa não é a solução a ser dada ao presente caso. Aliás, a verdadeira solução foi mencionada na própria decisão recorrida: A impossibilidade da perfeita identificação das mercadorias que saíram com as mercadorias ora ingressadas no território nacional decorre da falta de descrição na fatura da numeração de série (completa). A única prova de que as mercadorias saídas não correspondem às que retornaram consiste no fato de se encontrar impresso nelas o número 99, o que, segundo a fiscalização, indica, provavelmente, o ano de fabricação. A Recorrente justificase, alegando que houve a "substituição da "carcaça de embreagem", que possui estampado 99 como o ano de fabricação", com o intuito de "acompanhar a constante Fl. 290DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 evolução da tecnologia.", o que comprova por meio de documentos anexados à Impugnação. Diante disso, conforme consta da própria decisão recorrida, com base no artigo 386 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 91030185), deve ser exigido única e exclusivamente o valor dos tributos incidentes na importação dos materiais empregados no reparo. Com efeito, não se pode exigir o recolhimento integral dos tributos incidentes na operação de importação em exame, ao fundamento de que o Fisco não está convencido de que as mercadorias "reimportadas" correspondem exatamente às mercadorias exportadas para reparo. Desta forma, como retornou ao pais a mesma quantidade de mercadorias que foi exportada, conforme se verificou na própria pericia técnica providenciada pela fiscalização, tendo sido constatada apenas a substituição de peça "carcaça de embreagem", que foi fabricada no ano de 1999, há que ser observado o disposto no parágrafo único do citado artigo 386 do Regulamento Aduaneiro, que assim dispõe: Artigo 386 Na reimportação de mercadoria exportada temporariamente para conserto, reparo, restauração, beneficiamento ou transformação são exigíveis os tributos incidentes na importação dos materiais acaso empregados naqueles serviços. Parágrafo único. No caso deste artigo, o despacho aduaneiro na reimportação será feito com relação à própria mercadoria, aplicandose a alíquota que lhe corresponde e deduzindo da base de cálculo o valor que lhe foi atribuído no momento da exportação." Entretanto, como neste caso, constituiuse através do lançamento o valor dos tributos incidentes na operação de importação das mercadorias em questão, sem a observância do disposto no referido dispositivo do Regulamento Aduaneiro, outra alternativa não resta que não seja o cancelamento deste lançamento. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Não me parece justificável o envio de uma mercadoria com o ano de 1996 e volte com o ano de 1999. A carcaça deve acompanhar também as inovações técnicas do produto – assim, claro está que não se trata de apenas um concerto, reparo ou restauração. Tal procedimento reforça a autuação, apenas isto. Contra o relatório de perícia técnica, a interessada apresenta apenas alegações e a declaração da Scania Argentina, o que a meu sentir, não tem força probatória para alterar o lançamento fiscal. Prova, por definição, é a "demonstração da existência ou da veracidade daquilo que se alega como fundamento do direito que se defende ou que se contesta". ("apud" De Plácido e Silva Vocabulário Jurídico). Em suma, como ensina MOACYR AMARAL DOS SANTOS, in Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, vol.2. Ed. Saraiva, SP, 1977, p. 288 "prova é a soma dos fatos produtores da convicção da autoridade julgadora, apurados no processo administrativo tributário". Aliás, em qualquer ramo do Direito, como regra, e no Fl. 291DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 11077.000450/9975 Acórdão n.º 930301.526 CSRFT3 Fl. 273 5 processo Administrativo Fiscal, prevalece a máxima contida no brocardo latino onus probandi incumbit ei qui dicit. É importante também observar que os produtos exportados temporariamente devem retornar ao País, após submetidos ao conserto, sendo indispensável a declaração das partes e peças novas acaso empregados, para fins de tributação. No caso, constando do processo de que as caixas de marcha trazidas ao País são novas, sem uso e fabricadas em ano posterior ao da saída dos bens exportados temporariamente, há a incidência dos tributos sobre as importações. CONCLUSÃO Diante dos fatos e do exposto anteriormente voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Maria Teresa Martínez López Fl. 292DF CARF MF Impresso em 01/05/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2011 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001409/2007-42
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO
COMPROVADA.
Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE
COMPROVAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2003
CSLL. PIS. COFINS. INSS. IPI. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-001.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 CSLL. PIS. COFINS. INSS. IPI. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
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EPP, atual CIARIN COMÉRCIO DE ARTIGOS PARA SELARIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Evidencia omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, de direito ou de fato, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 CSLL. PIS. COFINS. INSS. IPI. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Fl. 544DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10950.001409/200742 Acórdão n.º 180301.083 S1TE03 Fl. 490 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 545DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10950.001409/200742 Acórdão n.º 180301.083 S1TE03 Fl. 491 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 457verso a 459): Trata o processo de autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ – Simples; Contribuição para o Programa de Integração Social PIS – Simples; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins – Simples; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL – Simples, Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Simples e Contribuição para Seguridade Social – INSS – Simples, referentes ao anocalendário de 2002. 2. O auto de infração de IRPJ – Simples (fls. 372/379) exige o recolhimento de R$ 12.005,34 de imposto e R$ 9.003,95 de multa de lançamento de ofício, além dos encargos legais. 3. O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 352/356: Omissão de Receitas – Depósitos Bancários não Escriturados: no período de 01/2002 a 12/2002. Enquadramento legal no art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, “a”, 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998; arts. 186, 188 e 199 do RIR/1999. Multa de 75%; Insuficiência de Recolhimento: nos períodos de 02/2002 a 12/2002. Enquadramento legal no art. 5º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996; art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998; arts. 186 e 188 do RIR/1999. Multa de 75%. 4. Os demais autos de infração são decorrentes das mesmas infrações apuradas em relação ao IRPJ Simples, sendo que resultaram na exigência dos seguintes valores, além dos encargos legais; Imposto / contribuição Principal Multa PIS Simples 12.005,34 9.003,95 CSLL Simples 20.364,52 15.273,33 Cofins Simples 40.729,01 30.546,67 IPI Simples 10.182,25 7.636,64 INSS Simples 76.219,40 57.164,51 5. Cientificada em 25/06/2007, conforme fls. 376, 384, 400, 416 e 420, tempestivamente, em 24/07/2007, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 430/449, através de seu procurador, conforme procuração de fls. 450, acompanhada dos documentos de fls. 451/454, que se resume a seguir: Fl. 546DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10950.001409/200742 Acórdão n.º 180301.083 S1TE03 Fl. 492 4 a. Alega que a Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724 tendem a se transformar em mecanismo de arbítrio para satisfazer a voracidade arrecadadora do fisco, instituindo verdadeiro terrorismo na vida do contribuinte; b. Sustenta que o sigilo bancário é considerado pela doutrina e jurisprudência pátria como parte da vida privada da pessoa física e jurídica, devendo ser protegido pelas Constituições dos Estados soberanos, fazendo parte do rol dos direitos e garantias fundamentais da pessoa; c. Cita o artigo XII da Declaração Universal dos Direitos Humanos, art. 11, item “2” da Convenção Americana de Direitos Humanos, para concluir que a norma prevista no art. 60 da Lei Complementar nº 105/2001 fere os preceitos da Constituição Federal; e que um lançamento de tributo baseado apenas em movimentação financeira é absolutamente incorreto, por ser apenas presunção, suposição ou indício, conforme jurisprudência e súmula 182 do TFR; d. Entende que uma fiscalização, para que possa ter início, é indispensável a representação, que tenha com base expediente administrativo iniciado pela Delegacia da SRF ou outro agente do fisco, não sendo lógico ter como parâmetro a CPMF cobrada dos contribuintes; e. Justifica que a movimentação financeira, quando superior à renda declarada pelo contribuinte, pode ter inúmeras explicações, como administradores de bens de terceiros, e até mesmo os advogados, podem receber depósitos em suas contas bancárias de valores que não lhes pertencem e dos quais são obrigados a prestar contas; f. Afirma ser equivocada a idéia de que o Ministério Público possa investigar crimes fiscais sem que tenha ocorrido lançamento de tributo, sendo certo que o lançamento do imposto de renda é privativo do auditorfiscal da SRF; g. Defende que, a menos que o STF mude radicalmente a sua posição, a qual vem sendo sedimentada por nove dos onze ministros, a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial deve ser considerada inconstitucional (incisos X e XII do art. 5º), fazendo valer sua função precípua de zelar pela Constituição, preservando o equilíbrio dos poderes constituídos, que nada mais são que os mandamentos para a sobrevivência das instituições democráticas e do Estado de Direito; h. Cita doutrina acerca da presunção e da prova, concluindo que, entre o fato conhecido (fato indiciário) e o fato desconhecido (fato provável) deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena de esse artifício resultar indevido por absoluta inadequação do conceito jurídico escolhido para sua concreção; i. Argumenta que, quanto às pessoas jurídicas, vários são os motivos que impedem a materialização dessa correlação lógica; em primeiro lugar, a observação da experiência cotidiana demonstrou que não há uma correlação natural entre depósitos e rendimentos omitidos; a movimentação bancária não corporifica fato gerador do imposto de renda, conforme decisões administrativas e judiciais; j. Conclui que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência com casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, tendo sido constatado não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido; Fl. 547DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10950.001409/200742 Acórdão n.º 180301.083 S1TE03 Fl. 493 5 k. Declara que pode licitamente alegar e demonstrar que os valores movimentados em contas correntes provêm de empréstimos obtidos com agiotas ou com pessoas interessadas no destino da empresa, ou até investidores informais, capitais estes que não são rendimentos e não são tributáveis; e que pode comprovar que o capital movimentado, nos anos fiscalizados, provém de aquisição de riqueza (capital) em anoscalendário anteriores e já acobertados pela prescrição do direito de tributação pelo fisco; e que pode demonstrar e comprovar, por quaisquer outras formas imagináveis e em direito admitidas, que as quantias objeto, por quaisquer outros motivos, não se caracterizam como renda ou rendimentos tributáveis; l. Reclama que um princípio basilar está sendo afrontado no presente caso, pela legislação tributária, ora aplicada como fundamento do auto de infração, ou seja, o de que ninguém é obrigado a fazer provas contra si mesmo; m. Assevera que os fatos relacionados no Termo de Verificação Fiscal induzem que a empresa, por legislação totalmente inconstitucional, foi obrigada a fazer provas contra si mesma, e que, diante das mesmas, firmouse falsas presunções de que houve faturamento sonegado, conforme movimentação financeira não comprovada, o que tornam insubsistentes os autos de infração; n. Aponta que a aplicação da multa de ofício no patamar de 75% ofende o princípio da capacidade contributiva, bem como o do nãoconfisco, além de sua inconstitucionalidade, diante da situação patrimonial da empresa; o. Cita doutrina; p. Reclama que a empresa teve, conforme termo de arrolamento de bens, sua capacidade produtiva e sua livre iniciativa atingidas seriamente, pois os bens arrolados são vitais para a existência da empresa; e que o montante calculado em 20/06/2007, no valor de R$ 502.752,25, ultrapassa o valor patrimonial da empresa; e a consequência é a total inoperância da mesma, social e financeiramente falando, pois caso aquele débito venha a ser consolidado, deverá cerrar as portas, além de prejudicar terceiros credores, tornando até inoperante eventual aplicação da Lei 11.101/2005; q. Repisa que a multa de 75% é inconstitucional, pois viola o princípio do nãoconfisco, ou seja, tal ato atinge o patrimônio da empresa, o patrimônio que gera as riquezas e, consequentemente, alimenta os cofres públicos; r. Cita doutrina, que enfatiza que, em se tratando de restrições a determinados direitos, devese indagar não apenas sobre a admissibilidade constitucional da restrição eventualmente fixada (reserva legal), mas também sobre a compatibilidade das restrições estabelecidas com o princípio da proporcionalidade; s. Pede a retirada da multa de 75%, primeiramente por sua inconstitucionalidade flagrante, que ofende aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e do nãoconfisco e, segundo, pela retroatividade da lei mais benigna, que elimina tal multa, conforme caso elencado anteriormente e jurisprudência expressa. 6. Acompanha o presente o processo de Representação Fiscal nº 10950.00001411/200711. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 457 e verso): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 548DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10950.001409/200742 Acórdão n.º 180301.083 S1TE03 Fl. 494 6 Anocalendário: 2002 SIGILO BANCÁRIO. DIREITO À INTIMIDADE E À PRIVACIDADE. INOPONIBILIDADE A PESSOAS JURÍDICAS. MATÉRIA NÃO SUJEITA À RESERVA DE JURISDIÇÃO. É improcedente o pedido de insubsistência do auto de infração dos tributos do Simples, por violação do sigilo bancário da empresa, eis que o acesso às informações bancárias diretamente pelo fisco é legítimo, não configurando afronta ao direito de intimidade e privacidade, defesas estas que não são oponíveis em face de pessoas jurídicas, e, além disso, o ato de levantamento do sigilo bancário não se insere nas matérias sujeitas à reserva de jurisdição. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Os percentuais da multa de ofício, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na insuficiência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituirse de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996. OMISSÃO DE RECEITAS. MUDANÇAS DE ALÍQUOTA. Em virtude das alterações de alíquotas, causadas por mudanças de faixas de receita bruta acumulada por constatação de omissão de receitas, impõese a exigência de ofício das insuficiências de recolhimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 29/10/2009 (fls. 470), a tempo, em 27/11/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 473 a 480, nele argumentando, em síntese: a) que deixou a fiscalização de demonstrar, de forma objetiva e motivada, a efetiva existência de renda consumida, por meio de sinais exteriores de riqueza ou outros elementos de fato, limitandose a lavrar o auto de infração com base nos extratos bancários; b) que, assim, cai por terra o argumento de que os depósitos de origem não comprovada constituem indícios de rendimentos omitidos, uma vez que somente poderiam ser tomados como tal, caso a autoridade fiscal Fl. 549DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10950.001409/200742 Acórdão n.º 180301.083 S1TE03 Fl. 495 7 efetivamente tivesse demonstrado fundamentadamente os sinais exteriores de riqueza do contribuinte; c) que é dever jurídico da Fiscalização (e não mero ônus da parte), comprovar consistentemente que o lançamento baseouse em provas verossímeis de que houve enriquecimento do contribuinte, o que não restou comprovado; d) que é dever da autoridade embasar fundamentalmente o motivo pelo qual o lançamento está sendo efetuado, não cabendo “presunções” de enriquecimento com base em extratos de movimentações bancárias; e) que o lançamento com base em extratos bancários e dados da CPMF somente pode ser admitido se estiver acompanhado de outros elementos que autorizem a presunção de que os depósitos enumerados pela Fiscalização representam, de fato e de direito, rendimentos omitidos, o que no caso não ocorreu; f) que é dever do fisco provar que, quanto à renda consumida, existiram sinais exteriores de riqueza, obedecendo aos arts. 43 e 142 do CTN; g) que basta análise superficial dos extratos acostados aos autos, para constatarse que não houve enriquecimento por parte da Recorrente, como se pode observar das inúmeras vezes em que o saldo da conta foi negativo, tendo se utilizado de crédito disponibilizado pelo Banco; h) que não se pode tomar o total da movimentação financeira como base tributável pelo Imposto de Renda e seus reflexos; i) que não houve, em nenhum momento, a solicitação de documentos contábeis para análise do caso; e j) que não há que se admitir a inversão do dever de provar a origem dos depósitos bancários, sendo que o dever do Fisco de efetuar o lançamento (e não um ônus) deve ser calçado de provas robustas, motivo pelo qual deve ser nulo o lançamento ora efetuado. Em mesa para julgamento. Fl. 550DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10950.001409/200742 Acórdão n.º 180301.083 S1TE03 Fl. 496 8 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Extratos bancários 4. De início, cumpre esclarecer que foi a Recorrente devidamente intimada e reintimada a apresentar os extratos bancários de todas as contas correntes por ela movimentadas (fls. 7 e 9), tendoos apresentado e, quando não os possuía, autorizado a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a solicitálos junto aos bancos (fls. 130, 136 e 175). Existência de renda consumida 5. Alega a Recorrente que teria deixado a fiscalização de demonstrar, de forma objetiva e motivada, a efetiva existência de renda consumida, por meio de sinais exteriores de riqueza ou outros elementos de fato, limitandose a lavrar o auto de infração com base nos extratos bancários. 6. Aplicase, aqui, o contido na Súmula CARF nº 26, de seguinte teor: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 7. Afirma a Recorrente, ainda, que o lançamento com base em extratos bancários e dados da CPMF somente pode ser admitido se estiver acompanhado de outros elementos que autorizem a presunção de que os depósitos enumerados pela Fiscalização representam, de fato e de direito, rendimentos omitidos. 8. Quanto a esse ponto, é de se dizer que a presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, se fundamenta, não na mera existência desses depósitos, mas na ausência de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nessas operações. 9. Os lançamentos fiscais assim efetuados não são propriamente sobre os depósitos bancários, em tal qualidade; mas, sim, sobre os rendimentos omitidos à declaração, quando neles inequivocamente espelhados. 10. Os depósitos apurados constituem, pois, somente elementos dos quais se infere a omissão de rendimentos, pelo contribuinte, em sua declaração, ao tempo que este não fornece explicações quanto à sua origem. Fl. 551DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10950.001409/200742 Acórdão n.º 180301.083 S1TE03 Fl. 497 9 11. Assim, a diferença entre a receita declarada pelo contribuinte e a apurada nos registros que controlam as contas bancárias do sujeito passivo, por meio de procedimentos de auditoria que levam em consideração todos os aspectos da movimentação dessas contas, admitida ainda prova em contrário, caracteriza omissão de receitas. 12. Nesse sentido, observase que foram expurgados da movimentação financeira total da Recorrente os valores referentes a empréstimos bancários e a devolução de cheques depositados, e outros passíveis de exclusão identificável pelo histórico do lançamento no extrato bancário, além das transferências comprovadas, conforme Termo de Verificação Fiscal (fls. 355). Demais exigências 13. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 552DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2 011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 11522.000048/2003-04
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999
LANÇAMENTO DE OFÍCIO MULTA QUALIFICADA JUSTIFICATIVA.
Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de reiteração da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos na conduta do agente.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B
e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62-A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C,
do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à
ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.834
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de ofício de 75%, prevista como regra geral, deverá ser justificada e comprovada nos autos, não se prestando para tanto a alegação de reiteração da conduta, desacompanhada da demonstração de outros elementos dolosos na conduta do agente. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator EDITADO EM: 28/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Sérgio de Oliveira Cunha foi lavrado o auto de infração de fls. 658/664, objetivando a exigência de imposto de renda pessoa física dos anoscalendário de 1996 a 1998, tendo sido apurada omissão de rendimentos recebidos da Assembléia Legislativa do Estado do Acre. A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 10249.026, que se encontra às fls. 858/877 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1996, 1997, 1998, 1999 DECADÊNCIA Tratandose de lançamento por homologação (art. 150 do CTN), o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário decai em 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador. A ausência de recolhimento da prestação devida não altera a natureza do lançamento, já que o que se homologa é a atividade exercida pelo sujeito passivo. Preliminar de decadência acolhida. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11522.000048/200304 Acórdão n.º 920201.834 CSRFT2 Fl. 2 3 VERBA DE GABINETE PAGA AOS DEPUTADOS – DESVIO DE FINALIDADE DOS RECURSOS INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA A denominada verba de gabinete se constitui em meio necessário para que o parlamentar possa exercer seu mandado. Entretanto, constatado que os valores correspondentes aos repasses da cota de passagens e de correspondências não foram utilizados aos fins a que se destinavam, sendo utilizados pelo deputado para outas finalidades não autorizadas, tais valores transformamse em rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda. VERBA DE GABINETE, PAGA AOS DEPUTADOS UTILIZAÇÃO DIVERSA AOS FINS A QUE SE DESTINAVA MULTA QUALIFICADA INEXIGIBILIDADE O fato do deputado não utilizar a verba de gabinete na finalidade para a qual se destinava, não caracteriza, por si sé, evidente intuito de fraude tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS – VALORES INFERIORES A DOZE MIL: REAIS INEXIGIBILIDADE – É incabível a exigência de crédito tributário constituído com base na movimentação financeira do contribuinte, quando a soma dos recursos de origem não comprovada não ultrapassar, no decorrer do exercício, o valor de R$ 80.000,00 e nenhum deles for superior a R$ 12.000,00. Preliminar de decadência acolhida. Multa desqualificada. Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, (i) acolheu a preliminar de decadência em relação ao anocalendário de 1997, (ii) desqualificou a multa de ofício e, por unanimidade, deu provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo a exigência referente aos depósitos bancários. Intimada pessoalmente do acórdão em 04/06/2008 (fls. 878) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 881/889, em que sustenta, em apertada síntese, ter sido comprovado o intuito de fraude à legislação tributária pela conduta reiterada do contribuinte em omitir rendimentos, devendo ser mantida a multa qualificada, bem como que a contagem do prazo decadência deveria observar o disposto no artigo 173, I, do CTN. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 619, de 01/12/2008 (fls. 890/891). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou suas contrarazões de fls. 897/905. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A discussão no presente recurso está limitada (i) ao dispositivo legal aplicável para contagem do prazo de decadência (art. 150, §4º ou 173, I, ambos do CTN) e (ii) ao restabelecimento da multa qualificada aplicada ao contribuinte. No presente caso, a autoridade fiscal autuante entendeu estar caracterizado evidente intuito de fraude, tendo aplicado a multa qualificada de 150%. O v. acórdão recorrido afastou a multa qualificada imposta pela autoridade fiscal autuante, e, no tocante à decadência, determinou a aplicação da regra do § 4º do artigo 150 do CTN, verbis: “Art. 150 – (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” (destacamos). Em seu recurso especial a Procuradoria da Fazenda Nacional requer a aplicação da sistemática de contagem do prazo decadencial do artigo 173, I do CTN, bem como o restabelecimento da multa qualificada. Considerando que a qualificação da multa implica o afastamento da aplicação da sistemática do artigo 150, §4º do CTN optei por primeiramente examinar referida qualificação. Qualificação da multa A penalidade em questão foi aplicada com base no art. 44, inciso II da Lei n. 9.430, de 1996, incorporado ao art. 957, II, do RIR/99, assim redigido (conforme redação em vigor à época dos fatos geradores): “Art. 957 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de imposto (Lei n.º 9.430, de 1996, art. 44) (...) II de cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11522.000048/200304 Acórdão n.º 920201.834 CSRFT2 Fl. 3 5 Os dispositivos referidos, vale dizer, os artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502, de 1964, cuidam das figuras do dolo, fraude e sonegação, nos seguintes termos: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Já me manifestei em outras oportunidades que a teor da previsão legal acima, para que a multa de lançamento de ofício de 75% seja qualificada e elevada para 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude, demonstrado inequivocadamente nos autos a partir de elementos probatórios colacionados pela fiscalização. Essa posição é reconhecida pela jurisprudência deste E. Colegiado, restando incontroverso que a fraude não se presume, sendo necessário que sejam produzidas provas do evidente intuito a que se refere a norma legal, não bastando suspeitas. A experiência indica que o evidente intuito de fraude se configura nas situações em que demonstrado o emprego de meios ardis, como notas fiscais calçadas, recibos falsificados, etc. Ao contrário da responsabilidade pela obrigação tributária principal, que a teor do art. 136 do CTN não requer dolo ou culpa para sua configuração, bastando a prática da infração por qualquer meio, a aplicação da multa dita qualificada pressupõe dolo específico, no sentido de subtrair o imposto que se sabe devido pela utilização de meios fraudulentos. No caso presente, em que pese a ausência de um detalhamento claro acerca da qualificação da penalidade no auto de infração, o v. acórdão recorrido entendeu por bem desqualificar a multa na medida em que a conduta caracterizada como fraudulenta (deixar de devolver aos cofres públicos verbas indenizatórias não utilizadas) estaria fora do campo tributário, como se verifica do voto condutor, in verbis: “Ainda que o auto de infração em julgamento seja genérico em relação às circunstâncias que resultaram na qualificação da multa, podendo ser aplicado indistintamente a qualquer Deputado Estadual do Acre, tenho que o recorrente compreendeu que a qualificação deuse em virtude de ficar para si a diferença da quota correspondente a passagens e correspondência. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Em relação a este ponto, tenho que a intenção do sujeito passivo deve ser avaliada em dois momentos: a) quando fica para si com a diferença correspondente às passagens e correspondências não utilizadas; b) quando não declara em seu imposto de renda os valores correspondentes à diferença das quais se apropriou. No primeiro momento, isto é, quando o Deputado, quer por erro de direito, quer mediante fraude, não devolve a diferença correspondente às passagens aéreas e correspondências não utilizadas, não se pode dizer que está agindo com a intenção dolosa de ocultar ou retardar o conhecimento de um fato gerador do imposto de renda. A intenção do agente, neste momento, caso não caracterizada situação de erro de direito, é de fraudar quem lhe alcançou os recursos, no caso a Assembléia do Estado do Acre. Ainda que se admita que o sujeito passivo agiu mediante fraude para apropriarse dos valores correspondentes à diferença com despesas de passagem e correspondências, sua intenção, no momento em que está cometendo a alegada fraude para apropriarse indevidamente dos recursos, não está voltada a ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. O caso dos autos pode ser comparado à situação de alguém que tenha recebido diárias para fazer determinado curso e, sem participar do evento, apresenta notas fiscais "frias" para justificar despesa que não ocorreu. A intenção do agente, no momento da ação, não é sonegar tributo, mas sim apropriarse de recursos que não lhe pertence. No segundo momento, caracterizada a situação em que o agente, mediante procedimento irregular, obteve determinada receita e não declarou ao imposto de renda, não se pode dizer que esta omissão, frente ao fisco, possa ser caracterizada como atitude dolosa com a intenção de ocultar ou retardar a ocorrência do fato gerador correspondente à exigência do crédito tributário. No caso dos autos, o fato do recorrente ter agido mediante procedimento irregular para obter para si os valores que deveria ter restituído à Assembléia Legislativa, caracteriza fraude que se situa fora do campo tributário, razão pela qual afasto a multa qualifica aplicada em relação aos valores correspondentes à diferença de passagens e correspondências.” O recurso especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteia o restabelecimento da multa qualificada de 150% tendo em vista a conduta reiterada e sistemática do contribuinte que omitiu rendimentos nos exercícios de 1995 a 1998 (fls. 883/885). Entendo, no tocante às alegações apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seu recurso especial, que a simples omissão de rendimentos, ainda que reiterada em vários exercícios, desacompanhada de outros elementos probatórios do evidente intuito de fraude, não dá causa para a qualificação da multa. Além disso, tal aspecto não foi aventado na qualificação da multa. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11522.000048/200304 Acórdão n.º 920201.834 CSRFT2 Fl. 4 7 Dentre outras razões, tal conclusão decorre do fato de que, se assim não fosse, não haveria hipótese para a aplicação da multa de ofício “não qualificada” de 75%. Com efeito, considero que para a correta aplicação da multa qualificada a inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o contribuinte, por ato fraudulento, levou a autoridade administrativa a erro, por meio por exemplo da utilização de documentos falsos, notas frias, interposição de pessoas, etc. Em resumo, entendo não ter a fiscalização logrado êxito em demonstrar evidente intuito de fraude na conduta do Recorrente a justificar a qualificação da penalidade, razão pela qual voto no sentido de negar provimento ao recurso especial nesse quesito. Decadência Por outro lado, no tocante à decadência, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o IRPF é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Assim, no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 973.733, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11522.000048/200304 Acórdão n.º 920201.834 CSRFT2 Fl. 5 9 No presente caso o acórdão recorrido acolheu a alegação de decadência em relação ao anocalendário de 1997. Examinando a declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte relativamente ao anocalendário de 1997 (fls. 07/08) verifico que houve antecipação de imposto de renda durante o anocalendário. Logo, aplicase no presente caso o disposto no artigo 150, §4º do CTN, sendo que o início do prazo de decadência dáse a partir da ocorrência do fato gerador. Considerando que o fato gerador se deu em 31/12/1997 a data limite para lançamento venceu em 31/12/2002. Na data em que a contribuinte tomou ciência do lançamento (20/01/2003 – fls. 686) os fatos geradores referentes ao ano calendário de 1997 estavam fulminados pela decadência, razão pela qual deve darse negar provimento ao presente recurso especial também nesta parte. Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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