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Numero do processo: 10530.722471/2010-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2007
Ementa:
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMA DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Quando o contribuinte não faz opção pela tributação com base no Lucro Presumido, nem pelo Lucro Real anual, nas formas prescritas na legislação fiscal, cumpre efetuar o lançamento de ofício com base no Lucro Real Trimestral, ou com base no Lucro Arbitrado, dependendo do caso.
Numero da decisão: 1302-000.820
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano-calendário: 2007 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMA DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Quando o contribuinte não faz opção pela tributação com base no Lucro Presumido, nem pelo Lucro Real anual, nas formas prescritas na legislação fiscal, cumpre efetuar o lançamento de ofício com base no Lucro Real Trimestral, ou com base no Lucro Arbitrado, dependendo do caso.
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Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 Ementa: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMA DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Quando o contribuinte não faz opção pela tributação com base no Lucro Presumido, nem pelo Lucro Real anual, nas formas prescritas na legislação fiscal, cumpre efetuar o lançamento de ofício com base no Lucro Real Trimestral, ou com base no Lucro Arbitrado, dependendo do caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, , Eduardo de Andrade, Guilherme Polastri Gomes da Silva e Marcos Rodrigues de Mello. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.722471/201018 Acórdão n.º 130200.820 S1C3T2 Fl. 325 2 Relatório Tratam os autos de Recurso de Ofício interposto pela DRJ de Salvador em relação à decisão que exonerou o crédito tributário lançado, conforme ementa de acórdão abaixo reproduzida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADE. Afastase a tese de nulidade do lançamento, quando lavrado por servidor competente e em obediência aos princípios legais que o regem. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPF, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FORMA DE APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Quando o contribuinte não faz opção pela tributação com base no Lucro Presumido, nem pelo Lucro Real anual, nas formas prescritas na legislação fiscal, cumpre efetuar o lançamento de ofício com base no Lucro Real Trimestral, ou com base no Lucro Arbitrado, dependendo do caso. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL Os lançamentos reflexos devem observar o mesmo procedimento adotado no principal, em virtude da relação de causa e efeito que os vincula. Destacase no voto recorrido: No mérito, em análise o lançamento do IRPJ, com base no lucro presumido, apurado a partir de receitas escrituradas e não oferecidas à tributação. Verificase que, em relação ao anocalendário de 2007, na DCTF do 1º semestre, recepcionada em 15/08/2007, a forma de tributação indicada foi Lucro Real Trimestral e não foram declarados débitos. Na DCTF referente ao 2º semestre, entregue em 26/03/2008, a Contribuinte indicou como forma de tributação para o 1º e 2º trimestres, o Lucro Real/Estimativa, informou não Fl. 327DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.722471/201018 Acórdão n.º 130200.820 S1C3T2 Fl. 326 3 ter levantado balanço/balancetes de suspensão e não declarou débitos. Já na DIPJ, foi informado que a tributação para o ano calendário de 2007 seria pelo Lucro Presumido, e todos os campos destinados ao preenchimento de valores foram zerados. Pesquisa feita ao sistema interno da RFB que controla os pagamentos efetuados pelos contribuinte revela que a Impugnante não efetuou qualquer pagamento de IRPJ relativo aos períodos de apuração autuados. Sobre a tributação das pessoas jurídicas, a partir do ano calendário de 1997, os artigos: 1º, caput, 2º, caput, 3º, caput e parágrafo único, e 26, caput e § 1º, todos da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 530 do RIR/1999, cuja matriz legal são o art. 47, da Lei nº 8.981 de 1995, e o art. 1º da Lei nº 9.430 de 1996, rezam o seguinte: Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. Art.26. A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. §1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. RIR/1999 Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro Fl. 328DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.722471/201018 Acórdão n.º 130200.820 S1C3T2 Fl. 327 4 arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b)determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou domiciliado no exterior (art. 398); VI o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. No caso em exame, a Contribuinte não fez opção pelo Lucro Presumido, na forma do § 1º, do art. 26, da Lei nº 9.430, de 1996. Também, a opção pela tributação pelo Lucro Real Anual, com o pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, estabelecida no art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, não foi manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade, na forma do art. 3º da mesma Lei. Portanto, há de se concluir que, para o anocalendário objeto da autuação, a Contribuinte estava sujeita à regra geral de tributação, ou seja, Lucro Real Trimestral. Assim, de acordo com a legislação de regência, o IRPJ deveria ter sido calculado com base nesta forma de tributação, desde que a Contribuinte tivesse cumprido as exigências legais estabelecidas para tal, de forma que permitisse a Autoridade Fiscal apurar o Lucro Real Trimestral. Se não fosse possível a determinação do Lucro Real Trimestral, em face da ocorrência de uma das hipóteses previstas no art. 530 do RIR/1999, o lançamento deveria ter sido efetuado com base no Lucro Arbitrado. Diante do exposto, o lançamento do IRPJ, com base no Lucro Presumido, não pode prosperar por falta de sustentação legal. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.722471/201018 Acórdão n.º 130200.820 S1C3T2 Fl. 328 5 Quanto ao Auto de Infração relativo à CSLL, em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado o que for decidido para o Auto de Infração principal, uma vez que teve o mesmo suporte fático e deve ser tributado pelo mesmo regime. Ressaltese que os lançamentos do PIS e da COFINS, no caso de tributação do IRPJ pelo lucro real trimestral, devem se dar na modalidade nãocumulativa, razão pela qual também não devem prosperar. Ante o exposto VOTO por julgar PROCEDENTE a Impugnação, rejeitando a preliminar de nulidade e, no mérito, cancelando os lançamentos referentes ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), no valor de R$229.006,25 (duzentos e vinte e nove mil, seis reais e vinte e cinco centavos), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), no valor de R$136.623,37 (cento e trinta e seis mil, seiscentos e vinte e três reais e trinta e sete centavos), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$82.227,02 (oitenta e dois mil, duzentos e vinte e sete reais e dois centavos), e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no valor de R$379.509,40 (trezentos e setenta e nove mil, quinhentos e nove reais e quarenta centavos), acrescidas da multa de ofício, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), e dos juros de mora. Voto Fl. 330DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10530.722471/201018 Acórdão n.º 130200.820 S1C3T2 Fl. 329 6 O valor exonerado é superior a R$ 1.000.000,00, devendo ser conhecido o recurso. Entendo não merecer reparo a decisão recorrida. Diante da falta de opção válida pelo regime do lucro presumido, a fiscalização teria de realizar o lançamento pelo lucro real trimestral, o que não ocorreu. O fato do contribuinte ter entregue DIPJ zerada optando pelo lucro presumido, após ter entregue DCTF´s indicando o lucro real trimestral e depois o real anual, também nada alteram o status da recorrente, que não fez a opção pela forma legalmente instituída. Entendo que caberia à fiscalização verificar a regularidade da opção e adotar a forma correta de tributação no lançamento. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello relator Fl. 331DF CARF MF Impresso em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO, Assinado digitalmente em 06/02 /2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10183.003264/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA.
A despesa médica deduzida na declaração de ajuste anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando comprovada por meio de nota fiscal de serviço hábil e idônea, deve ser deduzida da base de cálculo para a apuração do imposto.
Recurso Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 2102-001.898
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento ao recurso para reconhecer uma despesa médica de R$ 15.060,00.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Francisco Marconi de Oliveira
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. A despesa médica deduzida na declaração de ajuste anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando comprovada por meio de nota fiscal de serviço hábil e idônea, deve ser deduzida da base de cálculo para a apuração do imposto. Recurso Provido Parcialmente.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO POR DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA. A despesa médica deduzida na declaração de ajuste anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, quando comprovada por meio de nota fiscal de serviço hábil e idônea, deve ser deduzida da base de cálculo para a apuração do imposto. Recurso Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer uma despesa médica de R$ 15.060,00. (ASSINADO DIGITALMENTE) Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura e presente o Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi expedida a Notificação de Lançamento com Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2002 (fls. 7/13), no valor de R$ 1.718,62 (um mil, setecentos e dezoito reais e sessenta e dois centavos), referente à glosa de despesas médicas. O contribuinte impugnou o lançamento e afirmou que não atendeu à intimação emitida pela fiscalização devido ao exíguo tempo que lhe foi concedido, mas que apresentara os recibos naquele momento, e que houve erro na grafia do valor referente às despesas pagas ao Hospital Geral e Maternidade Mirassol D’Oeste Ltda, que foram “na ordem de R$ 15.060,00 (quinze mil e sessenta reais) e não R$ 7.060,00 (sete mil e sessenta reais)”. Informa, ainda, que: [...] devido a uma atitude impensada de sua esposa, todos os talões de cheques do Banco HSBC Bank Brasil S/A, relativos ao anocalendário de 2001 e 2002, bem como alguns documentos, dentre eles a Nota Fiscal da Assistência Médico Hospitalar de Cuiabá S/A, foram incinerados, não havendo como provar os pagamentos efetuados, já que esses pagamentos foram efetuados, parceladamente por meio de cheques. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ/CGE, por meio do Acórdão nº 0415.977 (fls. 34/40), julgou o lançamento procedente. Cientificado da decisão em cinco de fevereiro de 2009 (fl. 43), o contribuinte interpôs recurso voluntário no dia nove do mês subsequente (fl. 44), alegando que: a) discorda da afirmação da Delegacia de Julgamento, pois não juntou um mero recibo e sim a nota fiscal de prestação de serviço; b) a importância foi paga em dinheiro; c) como no processo administrativo impera o princípio da verdade material, “junta o recibo circunstanciado, emitido pelo representante legal da unidade hospitalar que prestou os serviços médicohospitalares ao recorrente e seus dependentes”, no qual conta a informação “pagamento, feito em dinheiro – moeda corrente deste País” e a “indicação do número da nota fiscal de prestação de serviços, dos nomes dos pacientes e beneficiários dos serviços, bem como a quitação de recebimento da importância paga”. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS Processo nº 10183.003264/200671 Acórdão n.º 210201.898 S2C1T2 Fl. 52 3 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira Declarase a tempestividade, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de primeira instância e interpôs o recurso voluntário no prazo regulamentar. Atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o recurso. O requerente pede que sejam consideradas as deduções com despesas médicas glosadas na declaração do IRPF 2002. De acordo com a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a", na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Também se aplica, conforme o § 2º do mesmo artigo, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. Nos termos do DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º, as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, e conforme expresso no art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, “cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado”. O contribuinte apresentou na fase de impugnação uma nota fiscal, emitida pelo Hospital Geral e Maternidade Mirassol D’Oeste Ltda, e recibo com assinatura do administrador hospitalar devidamente reconhecida em cartório. Apesar de ser imprecisa, a nota fiscal fornecida pela pessoa jurídica descreve o “serviço de atendimento médico e hospitalar prestado no decorrer do ano de 2001, em favor do titular, sua esposa e seus filhos (Caroline e Hélio Rodrigues)”, no valor de R$ 15.060,00. Ainda, foi apresentado um recibo confirmando a prestação do serviço. Em principio, a Nota Fiscal de Serviços é documento aceitável como prova idônea dos serviços prestados, salvo se houvessem, nos autos, restrições ao documento ou à empresa que a forneceu. As demais despesas glosadas, em nome da Assistência Médico Hospitalar de Cuiabá S/A., no valor de R$ 2.275,00, não foram contestadas ou comprovadas pelo contribuinte no recurso voluntário e, portanto, não são passíveis de apreciação neste colegiado. Assim, voto em DAR provimento parcial ao recurso para reconhecer a despesa médica de R$ 15.060,00. (ASSINADO DIGITALMENTE) Francisco Marconi de Oliveira Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS 4 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 14/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 1/04/2012 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por GIOVANNI CHRIST IAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 15374.907589/2008-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Ano calendário: 1999
Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. MUDANÇA NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
As normas de regência impedem a apresentação de DIPJ retificadora que implique em mudança no regime de tributação. Inaceitável o direito creditório decorrente de Declaração entregue sob aquelas condições, ainda mais se o sujeito passivo não apresenta qualquer elemento de prova que justifique a retificação efetuada.
Numero da decisão: 1402-001.048
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 1999 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. MUDANÇA NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As normas de regência impedem a apresentação de DIPJ retificadora que implique em mudança no regime de tributação. Inaceitável o direito creditório decorrente de Declaração entregue sob aquelas condições, ainda mais se o sujeito passivo não apresenta qualquer elemento de prova que justifique a retificação efetuada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1999 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. MUDANÇA NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As normas de regência impedem a apresentação de DIPJ retificadora que implique em mudança no regime de tributação. Inaceitável o direito creditório decorrente de Declaração entregue sob aquelas condições, ainda mais se o sujeito passivo não apresenta qualquer elemento de prova que justifique a retificação efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.907589/200863 Acórdão n.º 1402 001.048 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação (Dcomp), através da qual a interessada solicita a compensação de parte do valor de IRPJ apurado no 4° trimestre de 1999 na sistemática do lucro presumido (código de arrecadação 2089), com parte do suposto recolhimento indevido do CSLL em 30/11/1999, no código de arrecadação 2484 e fato gerador ocorrido em 30/10/1999. Através do Despacho Decisório com n° de rastreamento 775529467 (fl. 07) a autoridade administrativa da Receita Federal do Brasil (RFB) não homologou a solicitação, tendo em vista que o pagamento em questão teria sido totalmente utilizado para quitar débito declarado pelo sujeito passivo, inexistindo assim crédito a ser compensado. Em Manifestação de Inconformidade (fls. 11/18, com documentação de fls. 19/48) a interessada reclama que a decisão questionada teria analisado apenas as informações constantes da DCTF sem examinar a DIPJ, entregue na mesma data de transmissão da Dcomp. Sustenta que deveriam prevalecer os dados constantes da DIPJ e afirma que estaria retificando a DCTF para a correta adequação. Tece arrazoado teórico para defender o direito à repetição do indébito sob pena de se caracterizar o enriquecimento sem causa do Poder Público e, por fim, requer a atualização monetária pela taxa SELIC do valor a ser restituído. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro prolatou o Acórdão 1227.702 (fls. 63/68) considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade e mantendo o entendimento do Despacho Decisório. Posicionouse o Acórdão no sentido de que não há previsão legal para que o declarante escolha, entre as informações que prestou ao Fisco (Darfs, DIRFs,.DIPJs e DCTFs etc. )a que deve prevalecer para fins de homologação de compensação, como também não existe previsão legal para que a informação prestada em DIPJ se preste a retificar Dcomp. Acrescenta que a reclamante não teria trazido provas documentais ou escriturais de que o valor informado na DIPJ seria o correto nem demonstrou a entrega da DCTF retificadora. Nesse caso as informações veiculadas em DIPJ não produzem o efeito pretendido pelo interessado, qual seja, o de alterar dívida confessada em DCTF. Finaliza sustentando que, mesmo que DIPJ tivesse efeito retificador de DCTF, o interessado sequer especificou o valor do débito a ser compensado (porque se limita a afirmar que "deve prevalecer o débito informado em DIPJ"). Devidamente cientificada (fl.69), a interessada recorre a este Colegiado (fls. 71/79, com documentos de fls. 80/94) ratificando em essência as razões apresentadas na manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.907589/200863 Acórdão n.º 1402 001.048 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO Conforme exposto no Relatório, tratase de Dcomp através da qual a interessada solicita a compensação de parte do valor de IRPJ apurado no 4º trimestre de 1999 na sistemática do lucro presumido (código de arrecadação 2089), com parte do suposto recolhimento indevido do CSLL em 30/11/1999, no código de arrecadação 2484 e fato gerador ocorrido em 30/10/1999. Como informado acima, o código 2089 corresponde ao IRPJ para as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido. Já o código 2484 referese ao pagamento da CSLL devido a título de estimativa para as pessoas jurídicas não obrigadas à apuração do lucro real. A DCTF referente ao 2° trimestre de 1999 foi entregue em 13/10/1999 (fl. 61) com a indicação do débito de CSLL a título de estimativa (cód. 2089) referente ao período de apuração no mês de outubro/99 no valor de R$ 3.576,44 fl. 62). O pagamento foi realizado nas condições informadas nessa Declaração. Portanto, a princípio não haveria que se falar em pagamento indevido. De acordo com as informações constantes dos arquivos da RFB (fls.50/51) , a interessada apresentou quatro DIPJs para o anocalendário de 1999. Excluindose as canceladas pelo sistema, constatase que em 29/06/2000 foi apresentada a DIPJ n° 0702096 sob a sistemática do lucro real. Nesse caso, mais um motivo para se considerar a razoabilidade da existência de recolhimentos feitos a título de estimativa da contribuição. Entretanto, na mesma data em que foi transmitida a Dcomp sob exame (27/03/2004) a interessada apresentou DIPJ retificadora com apuração de resultado sob a sistemática do lucro presumido. Nessa Declaração foi informado IRPJ devido no 3° trimestre no valor de R$ 6.374,53. A retificadora encontrase na situação cadastral "”RETIDA" indicando que não foi ainda integralmente processada. Assim, num conceito simplista a interessada deseja "transformar" o pagamento da estimativa da CSLL, feito sob regime do lucro real, em parcela de pagamento do IRPJ apurado sob o regime do lucro presumido. Tal procedimento não encontra amparo na legislação. As normas em vigência são extremamente restritivas quanto à mudança no regime de tributação do IRPJ. Poderseia imaginar, por exemplo, que bastaria a retificação do código no DARF de 2484 para 2089 e a solicitação estaria atendida mesmo sem apresentação da Dcomp. Ao tratar dos pedidos de retificação de Documentos de Arrecadação, a Instrução Normativa SRF n° 403/2004, em redação mantida pela IN/SRF/ 672/2006 estabeleceu: Art. 10.Serão indeferidos os pedidos de retificação de Darf ou DarfSimples que versem sobre: (........) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 15374.907589/200863 Acórdão n.º 1402 001.048 S1C4T2 Fl. 4 4 V alteração de código de receita que corresponda à mudança no regime de tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, por contrariar o disposto na legislação específica; (.......) A restrição também atinge a retificação da DIPJ nos termos efetuados pela interessada. Ao dispor sobre a retificação da DIRPJ, DIPJ e DITR; a IN/SRF n° 166/99 estabeleceu: Art. 4 No caso de DIPJ ou DIRPJ, , não será admitida retificação que tenha por objetivo mudança do regime de tributação, salvo, nos casos determinados pela legislação, para fins de adoção do lucro arbitrado. Mesmo que em prol da verdade material fossem superados todos os obstáculos formais supra mencionados, restaria ainda a circunstância de que a defesa da interessada preocupouse com aspectos teóricos do direito à repetição do indébito, sem trazer aos autos qualquer elemento de prova que embasasse o pleito. Não há como acatar o simplismo da afirmativa de que " a DIPJ está certa e a DCTF está errada" sem qualquer interesse ou esforço da interessada em demonstrar a origem do erro. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 22/05 /2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13839.000903/2003-31
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário:2002
Ementa:
PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A autoridade administrativa deve verificar a liquidez e certeza de saldos negativos declarados utilizados na compensação de estimativas que compuseram o saldo negativo de períodos posteriores. Tal procedimento não implica em cobrança de débitos prescritos, mas corresponde à apuração da existência de pagamento indevido ou maior.
COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
A autoridade administrativa deve indeferir a compensação pleiteada quando não comprovada a liquidez e certeza do direito creditório.
Numero da decisão: 1803-001.305
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário:2002 Ementa: PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A autoridade administrativa deve verificar a liquidez e certeza de saldos negativos declarados utilizados na compensação de estimativas que compuseram o saldo negativo de períodos posteriores. Tal procedimento não implica em cobrança de débitos prescritos, mas corresponde à apuração da existência de pagamento indevido ou maior. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. A autoridade administrativa deve indeferir a compensação pleiteada quando não comprovada a liquidez e certeza do direito creditório.
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INOCORRÊNCIA. A autoridade administrativa deve verificar a liquidez e certeza de saldos negativos declarados utilizados na compensação de estimativas que compuseram o saldo negativo de períodos posteriores. Tal procedimento não implica em cobrança de débitos prescritos, mas corresponde à apuração da existência de pagamento indevido ou maior. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. A autoridade administrativa deve indeferir a compensação pleiteada quando não comprovada a liquidez e certeza do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13839.000903/200331 Acórdão n.º 180301.305 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Tratase de declarações de compensação de fls. 01 e 02, protocolizada em 25/04/2003, solicitando o reconhecimento de direito creditório no total de R$ 16.148,29, referente a soma de pagamentos a maior ou indevidos apontados nos Demonstrativos de fls. 02 e 04 nos valores de R$ 3.827,34 e R$ 12.320,95, apurados em dezembro/2002, nos códigos 2484 (CSLL) e 2362 (IRPJ), respectivamente, discriminando como débitos declarados os mesmos códigos e períodos de apuração em valores distintos, a saber: (…) O SEORT da DRF Jundiai/SP, por meio do despacho decisório de 30/07/2007, fl. 18, não homologou as compensações declaradas às fls. 09 e 11, sob a seguinte ementa: Ementa: COMPENSAÇÃO O sujeito passivo tem direito à restituição do tributo pago indevidamente, ou a sua utilização na compensação de débitos, desde que o crédito seja líquido e certo. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A não homologação encontrase assim justificada pela autoridade administrativa: Extratos de pesquisa no SIEF juntados às fls. 14 e 17 não indicam a existência de qualquer saldo de crédito de IRPJ ou de CSLL. Os extratos da DIPJ/2003 e das DCTF dos períodos de competência, juntados às fls. 12/13 e 15/16 indicam débitos idênticos aos pagamentos efetuados, daí a inexistência de qualquer saldo de pagamento. Tendo tomado ciência da decisão em 07/08/2007 (AR à fl. 20), em 17/08/2007 a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade às fls. 21/23, por seu advogado e bastante procurador (procuração à fl. 24), alegando as razões de defesa adiante reproduzidas parcialmente: 1.A requerente foi intimada da decisão proferida nos autos do pedido de compensação tributária, onde não houve a homologação por não ter sido constatado a existência de saldo credor de IRPJ ou de CSLL. 2.Não obstante a intimação de indeferimento do pedido de compensação, em anexo a decisão foi emitido o extrato de Fl. 760DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13839.000903/200331 Acórdão n.º 180301.305 S1TE03 Fl. 3 3 processo onde consta a existência de débito no montante de R$ 70.589,25, código da receita 2484 (contribuição social sobre o lucro líquido), bem como a respectiva DARF para recolhimento da referida contribuição tida como em mora. 3.A pretensa cobrança é irregular, eis que a requerente nada deve à Receita Federal, conforme se demonstrará. 3.1. A requerente entregou a DCTF referente ao 4° trimestre de 2002, através da internet no dia 05/0212003, às 15:38:15 h, sob o n° 1663632163, tendo declarado como devedora da CSLL, do 4° trimestre de 2002, no valor de R$ 86.990,19; 3.2. Em razão da Declaração de Créditos Tributários Federais DCTF, a requerente efetuou os recolhimentos no Banco Bradesco S/A, conforme comprovantes e demonstrativos abaixo: (…) 3.3. a requerente efetuou o recolhimento da CSLL do 4° trimestre de 2002, corretamente, inclusive e especialmente o relativo ao período de apuração de 31/12/2002, no valor de R$ 70.589,25, objeto do extrato de processo e da DARF. Por todo o exposto, ante a documentação ora juntada pela requerente, requer a V. Sa. se digne ACOLHER A PRESENTE IMPUGNAÇÃO, para determinar a retificação do extrato de processo 13839.000903/200331, bem como tornar insubsistente a cobrança representada pela DARF da CSLL (2484), período de apuração 12/2002, vencimento 31/01/2003, para baixar/cancelar o pretenso indébito em razão do recolhimento efetuado. À fl. 28 foi juntado o extrato do sistema PROFISC relacionando o débito pendente de compensação de CSLL (2484) do PA 12/2002, no valor de R$ 70.589,25. Em 09/06/2008 esta Turma de Julgamento da DRJ/CPS converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 2.162 às fls. 77/82, para que a unidade preparadora procedesse ao saneamento dos débitos cadastrados no PROFISC, adequando os valores às declarações retificadoras apreciadas no despacho decisório, atentando para a existência de DCOMP eletrônicas no sistema contendo os mesmos débitos ora em análise, bem como cientificasse a contribuinte para complementar suas razões de defesa, uma vez que as argüições apresentadas restringiram se a comprovar a regularidade do débito indevidamente cobrado. O extrato PROFISC emitido em 27/06/2008, fl. 83, confirma o saneamento feito no cadastramento dos débitos no sistema, restando pendentes os débitos ora objetos de compensação de IRPJ e CSLL, apurados em janeiro/2003, nos valores respectivos de R$ 12.320,95 e R$ 3.827,34, DCOMP às fls. 08 e 10. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13839.000903/200331 Acórdão n.º 180301.305 S1TE03 Fl. 4 4 Nada foi consignado a respeito das DCOMP eletrônicas compensando parcelas das estimativas de janeiro/2003, de CSLL no valor de R$ 3.827,34 (fl. 71) e de IRPJ no valor de R$ 12.320,95 (fl. 71) processadas nos números 384696835023080413038553 CSLL e n° 304752145723080417028813 1RPJ. Cientificada em 02/07/2008 (AR à fl. 85), a interessada apresentou em 28/07/2008 a complementação de sua manifestação de inconformidade às fls. 86/89, alegando nada mais dever em relação aos valores cobrados de IRPJ (R$ 12.320,95) e de CSLL (R$ 3.827,34), vez que foram compensados com os créditos apurados em períodos anteriores, decorrentes de pagamentos a maior, já atualizados pela SELIC. Junta aos autos os demonstrativos de cálculo às fls. 95/97, 100, 103 e 106/108;cópias de DARF às fls. 94 e 104, de partes da DlPJ/2003 às fls. 98/99, apontando a apuração da estimativa de CSLL de janeiro/2002 no valor de R$ 17.822,96 e da DIPJ/2002 às fls. 101/102, com apuração do saldo negativo de IRPJ de R$ 167.648,91, bem como da DCTF do 1º trim./2003, indicando a compensação feita de parcela da estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 12.320,95 com saldo negativo de IRPJ de 31/03/2001, citando a DCOMP eletrônica n° 22873.81513.10080.41302.9458, fl. 104. Adiante são reproduzidas partes da argüição da manifestante [destaques do original]: Os débitos ora incluídos no presente processo, sob a rubrica de CSLL e IRPJ, PA 01/2003, não merecem prosperar como seguem: 1 CSLL PA 01/2003 R$ 3.827,34 A requerente aos 28 de fevereiro de 2002, período de apuração janeiro de 2002, efetuou o recolhimento da CSLL, DARF código 2484, no valor de R$ 35.934,23 (doc. 5) por estimativa. Entrementes, quando do encerramento do exercício de 2002 e apuração do lucro real, o valor devido a título de CSLL, PA 0112003 foi de R$ 17.822,96 (doc. 6/8), tendo sido declarado regulamente na DIPJ/2003, relativo ao período de janeiro de 2002 a dezembro de 2002 (docs. 9/10) Desta forma, resultou em favor da requerente um crédito a título de CSLL, PA 01/2003, nominal de R$ 18.111,27. Nos termos da legislação tributária, o valor do crédito de CSLL foi corrigido pela SELIC e compensado nos meses de maio de 2002 (R$ 12.756,91), junho de 2002 (R$ 2.715,35) e o saldo remanescente de R$ 3.827.04 foi compensado com o recolhimento efetuado em fevereiro de 2003, relativo ao PA 0112003 (DOC. 11) Portanto, o débito apurado nesse processo no valor de R$ 3.827,04, referese à compensação do saldo de CSLL relativo a Fl. 762DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13839.000903/200331 Acórdão n.º 180301.305 S1TE03 Fl. 5 5 recolhimento a maior, PA 31/01/2002, recolhido em 28/022002, conforme demonstrativo. II IRPJ PA 01/2003 R$ 12.320,95 A requerente quando da apuração do Imposto de Renda sobre o lucro real, período 01/01/2001 a 31/12/2001, declarou na DIPJ de 2002, ficha 12A, item 18, Imposto de Renda a pagar de R$ 167.648,91 negativo (docs. 12/13). Em razão da apuração do imposto de renda negativo no valor de R$ 167.648,91, a requerente efetuou a compensação dos valores, corrigidos pela taxa SELIC, nos recolhimentos efetuados de fevereiro de 2002 a fevereiro de 2003 (R$ 12.320,95), conforme demonstrativo (doc.14). Assim é que na DCTF 2.1, relativo ao 1º trimestre de 2003, na descrição do débito apurado e créditos vinculados, a requerente declarou ser devedora de R$ 78.661,46, e credora da importância de R$ 12.320,95 (saldo do IRPJ de 2001) (docs. 15/19). Dessa forma, a requerente aos 28 de fevereiro de 2003, período de apuração janeiro de 2003, efetuou o recolhimento do IRPJ, DARF código 2362, no valor de R$ 66.340,51 (doc. 20), em razão da compensação da importância de R$ 12.320,95, saldo do IRPJ de 2001. Portanto, o débito apurado nesse processo, no valor de R$ 12.320,95, referese à compensação do saldo de IRPJ de 2001, compensado no PA 31/01/2002, recolhido em 28 de fevereiro de 2003, conforme demonstrativo. Conclui a manifestante afirmando nada dever a título de CSLL e IRPJ no PA 01/2003, requerendo o cancelamento das exigências nos presentes autos.” A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a manifestação, com base nos seguintes fundamentos (fls. 216/222): Saldo negativo de CSLL a) As estimativas recolhidas no decorrer do anocalendário devem integrar a apuração de ajuste anual em sua totalidade, não havendo que se falar em indébito mensal por recolhimento de estimativa a maior antes do encerramento da apuração anual, cabendo assim aferir a apuração da contribuição social declarada na DIPJ/2003 entregue pela contribuinte, que na Ficha 17 da DIPJ/2003 – ano calendário de 2002. b) Detectase um equívoco na apuração da estimativa no mês de janeiro/2002, visto que na Ficha 16 da DIPJ/2003 a contribuinte apurou o valor de R$ 17.822,96, declarou na DCTF ter recolhido o valor de R$ 20.461,96 enquanto o sistema SIEFpagamentos aponta o efetivo recolhimento em 28/02/2002 de R$ 35.934,23. c) Esta a razão de a contribuinte ter interpretado como indébito a diferença de R$ 18.111,27 (R$ 35.934,23 menos R$ 17.822,96), que acrescida da taxa SELIC após o mês de recolhimento, foi utilizada na compensação das estimativas de CSLL apuradas Fl. 763DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13839.000903/200331 Acórdão n.º 180301.305 S1TE03 Fl. 6 6 nos meses de maio/2002 (R$ 12.756,91) e junho/2002 (R$ 2.715,35), sendo o saldo de R$ 3.827,04 utilizado para a compensação de parcela da estimativa de CSLL de janeiro/2003. d) Incabível a aplicação da SELIC sobre a diferença de recolhimento de estimativa em 28/02/2002 feita já a partir do período seguinte para compensação de estimativas apuradas nos meses de abril e maio de 2002 e janeiro/2003. e) Considerando que no ano de 2002 o sistema SIEFpagamentos registra recolhimentos de estimativas de CSLL, código 2484, no total de R$ 190.078,35, fl. 54, enquanto a Ficha 16 da DIPJ/2003 apuração mensal das estimativas indica o montante apurado de R$ 187.439,34, verificase que na DIPJ/2003 não foi considerada como dedução no ajuste uma diferença de recolhimento de estimativa de R$ 2.639,01. f) Remanesce como direito creditório de CSLL a ser compensado com a estimativa de CSLL de 01/2003, o valor de R$ 2.639,01. Saldo negativo de IRPJ g) Verificase nas DCTF relativas ao ano de 2002 que a contribuinte informou compensação de estimativas com indébitos relativos a saldos negativos anteriores, os quais também são igualmente formados por estimativas compensadas com saldos negativos de períodos anteriores, tornandose, pois, necessário apreciar os saldos negativos dos anos de 1998 a 2001. h) Não há saldo negativo em 1998. i) Excluídas as deduções de estimativas no ajuste da DIPJ/2000 (anocalendário 1999), vez que nem pagas nem comprovadamente compensadas, e inexistente retenção no período, o IRPJ apurado no anocalendário de 1999 resulta em saldo a pagar de R$ 270.327,07. j) Fica, assim, retificada a apuração da DIPJ/2001, passando o saldo negativo de IRPJ em 31/12/2000 no valor de R$ 21.677,18 para saldo a pagar de R$ 29.584,86. k) Recompondo a apuração constante da DIPJ/2002, fica retificado o saldo negativo de IRPJ em 31/12/2001 no valor de R$ 167.648,91 para R$ 97.578,36. l) Além de não ter sido apurado saldo negativo de IRPJ em 31/12/2002 obtémse saldo a pagar no valor de R$ 82.008,97, nada remanescendo, portanto, de saldo negativo no ano de 2002 para compensar a estimativa de IRPJ apurada em janeiro/2003. m) A compensação de fls. 10 não foi homologada, e a de fl. 8 foi homologada até o limite do direito creditório reconhecido, no valor de R$ 2.639,01. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) Antes mesmo do julgamento do pedido de compensação, a Secretaria da Receita Federal do Brasil constituiu a recorrente em mora por ter compensado o saldo negativo Fl. 764DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13839.000903/200331 Acórdão n.º 180301.305 S1TE03 Fl. 7 7 da CSLL de 2002, tendo emitido a cobrança que foi paga no dia 31/03/2008, conforme comprovantes. b) Requer a extinção do débito tributário caracterizado no julgamento, pelo pagamento integral. c) A ilustre relatora do processo, por equívoco ou mera comodidade passou a considerar eventuais créditos de IR a compensar a partir de 1997, "esquecendose" de verificar se a recorrente tinha créditos em anos anteriores (1995 e 1996), quando se ocorreu a constituição do saldo negativo a compensar. d) Uma vez apurado saldo negativo, a recorrente, compensou o montante de R$ 22.197,19 em fevereiro de 1998, com parte do crédito de 1995. e) Em 1999 a recorrente compensou os débitos de IR relativos aos meses de janeiro, fevereiro, março e abril/1999, com o saldo de IR (1995 e 1996). f) Em 2000 a recorrente compensou débitos de janeiro e fevereiro/2000, com o imposto pago a maior em 1999. O julgador, em sua "recomposição" de saldos a compensar, havia concluído que a recorrente tinha saldo de imposto a pagar em 1999 e, portanto, desconsiderou as compensações efetuadas em 2000. g) Em 2001 a recorrente compensou débitos de janeiro, abril, maio, julho, agosto, setembro e outubro/2001, com o imposto pago a maior em 2000 e com imposto recolhido indevidamente no próprio ano de 2001. h) Finalmente, em 2002 a recorrente compensou débitos de janeiro, fevereiro, maio, julho, agosto e setembro/2002, com o saldo de imposto a compensar de 2001. i) O julgador, ao recompor o saldo de créditos a compensar da recorrente a partir de 1997, deixando de considerar que a recorrente tinha saldo a compensar nos anos de 1996 e 1997, adota procedimento incompatível com o direito da recorrente de compensar os valores recolhidos a maior ou indevidamente. j) Ao transportar a constituição pretensos débitos de 1995 a 2002, para o fim de constituir a recorrente em devedora, o fez de forma irregular, uma vez que supostos débitos encontravamse fulminados pela prescrição qüinqüenal. k) Requer, outrossim, caso V. Sas. entende como viável, converter o julgamento em diligência para determinar o levantamento das DIPJ 1996 e 1997, AC 1995 e 1996, para constatação do saldo negativo a compensar a favor da recorrente. Em sessão de 31 de março de 2011, a 3ª Turma Especial resolveu converter o julgamento em diligência. A contribuinte foi intimada da resolução em 27/07/2011 (AR de fls. 282), e do relatório fiscal de fls. 343/345, em 03/11/2011 (AR de fls. 350). Os autos retornaram a este Conselho sem manifestação da recorrente. É o relatório. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13839.000903/200331 Acórdão n.º 180301.305 S1TE03 Fl. 8 8 Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 19/09/2008 (AR de fls. 225). O recurso foi protocolado em 20/10/2008, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. O litígio apenas prossegue em relação à compensação do saldo negativo de IRPJ, uma vez que a recorrente alega que pagou o débito objeto de compensação com o saldo negativo de CSLL do ano de 2002 (darf de fls. 238). Os autos foram baixados em diligência a fim de ser verificada a liquidez e certeza dos saldos negativos de IRPJ, apurados em 31/12/1995 e 31/12/1996, nos valores de R$ 111.109,77, e R$ 64.277,72, respectivamente. Saldo negativo apurado em 31/12/1995 A autoridade administrativa apurou os seguintes fatos: • Só foram confirmados recolhimentos de estimativas no valor de R$ 337.409,33. Portanto, o saldo negativo apurado em 31/12/1995 é de apenas R$ 82.262,11, tal como demonstrado na tabela abaixo: Discriminação Declarado Confirmado IRPJ + adicional devido em 31/12/95 270.930,01 270.930,01 () Vale Transporte 15.782,79 15.782,79 () IRPJ pagos por estimativa 366.256,99 337.409,33 IRPJ a pagar 111.109,77 82.262,11 • De acordo com demonstrativos fornecidos pela empresa, o saldo negativo confirmado foi inteiramente utilizado para compensar débitos de IRPJ fev/98, CSLL fev/98. O saldo foi utilizado para compensar estimativas devidas em 1999, conforme demonstrativo de compensação de fls. 317/318. • O saldo negativo apurado em 31/12/1995 esgotouse nas compensações de estimativas de janeiro a abril de 1999. Saldo negativo apurado em 31/12/1996 • O saldo negativo apurado na DIPJ/1997, no valor de R$ 60.573,81, foi integralmente confirmado, conforme extrato de fls. 314. • O saldo foi utilizado na compensação de débitos de IRPJ estimativa de 1999 — fl. 317. No relatório fiscal de fls. 343/348 foi claramente demonstrada a inexistência do direito creditório pleiteado, tendo sido efetuada integralmente a recomposição dos saldos a compensar desde o ano calendário de 1995. O relatório veio acompanhado de extratos e demonstrativos que respaldam suas conclusões. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13839.000903/200331 Acórdão n.º 180301.305 S1TE03 Fl. 9 9 Por outro lado, a recorrente não se manifestou sobre os fatos apurados na diligência. Resta analisarmos a alegação de ocorrência de prescrição dos débitos de 1995 a 2002. Primeiramente, cumpre observar que a autoridade administrativa efetuou as compensações dos saldos negativos de períodos anteriores de acordo com demonstrativos elaborados pelo próprio contribuinte, e com base em suas alegações de defesa. Foi a própria recorrente que afirmou que utilizou os saldos negativos de 1995 e 1996 para compensar estimativas devidas em 1999. Em nenhum momento foi cobrado débito relativo ao ano calendário de 1999. A autoridade administrativa, ao verificar a liquidez e certeza do saldo negativo apurado em 1999, constatou a inexistência do saldo negativo declarado em 1999. A contribuinte havia declarado pagamentos de estimativas no montante de R$ 305.997,17. No entanto, só foi confirmado o pagamento de R$ 237.692,12. Não houve cobrança do saldo de IRPJ a pagar apurado, mas tão somente o não reconhecimento do saldo negativo declarado. Logo, é improcedente e impertinente a alegação de prescrição de débitos. Os débitos que estão sendo objeto de cobrança são aqueles constantes do extrato Profisc de fls. 83. O direito creditório é decorrente do pagamento indevido ou a maior. No caso, não houve pagamento a maior de IRPJ no ano calendário de 1999. Pelo contrário, houve pagamento a menor, sendo que eventual débito não está sendo objeto de cobrança. De mais a mais, nos termos do art. 170 do CTN, só deverá ser admitida a compensação de crédito líquido e certo. A autoridade administrativa demonstrou cabalmente a falta de liquidez e certeza do direito creditório utilizado na presente compensação. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 767DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 13839.000903/200331 Acórdão n.º 180301.305 S1TE03 Fl. 10 10 Fl. 768DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10580.726056/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos membros do ministério público local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros do ministério público da Bahia, na forma
da Lei complementar estadual nº 20/2003.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2102-001.940
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos membros do ministério público local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros do ministério público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 30/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte JOSE LOIOLA FILHO, CPF/MF nº 002.739.88549, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 23/10/2009, auto de infração, com ciência postal em 16/11/2009. Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 66.851,97 MULTA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 75% SOBRE O IMPOSTO LANÇADO R$ 50.138,97 Ao contribuinte foi imputada uma reclassificação de rendimentos confessados em suas DIRPFs, nos anoscalendário 2004 a 2006, referentes às diferenças percebidas quando da conversão da URV, em 1994, pagas em 36 parcelas mensais a partir de janeiro de 2004, para as quais a Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003, havia asseverado que se tratava de verbas de natureza indenizatória. No entendimento da autoridade autuante, como a legislação estadual não poderia disciplinar as hipóteses de isenção do imposto de renda, e sendo tais diferenças verbas com caráter de acréscimo patrimonial, necessário reclassificar os rendimentos confessados pelo contribuinte como isentos, passandoos para rendimentos tributáveis, com incidência do imposto de renda. Por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do Despacho do Ministro da Fazenda S/N, de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, a autoridade fiscal considerou as tabelas do IRPF vigente no período em que os valores deveriam ter sido recebidos, distribuindo o imposto apurado em 03 parcelas anuais, pois a contribuinte recebeu os valores nos anos de 2004 a 2006. Ainda, não foram consideradas as diferenças de salário que tinham como origem o 13º salário, pois de tributação exclusiva na fonte, e as com origem em abono de férias (conversão de férias), já que não tributáveis, na forma do art. 19 da Lei nº 10.522/2002. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3ª Turma da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1527.195, de 18 de maio de 2011 (fls. 114 e seguintes), que restou assim ementado: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726056/200912 Acórdão n.º 210201.940 S2C1T2 Fl. 2 3 As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 21/07/2011. Irresignado, interpôs recurso voluntário em 03/08/2011. No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. a decisão recorrida não se pronunciou sobre a falta de legitimidade da União para cobrar imposto de renda pertencente, constitucionalmente, aos Estados, nem tampouco a quebra da capacidade contributiva da recorrente, levando a supressão de instância, sendo de rigor reabrila, sob pena de vulneração dos princípios da ampla defesa e do contraditório. No caso em debate, não houve, à época oportuna, a retenção do IRRF relativo às parcelas de URV pagas pelo Estado da Bahia, que deixou de exercer seu poder jurídico de cobrar o imposto na forma do art. 157, I, da Constituição da República, não tendo a União competência para fazêlo. Ademais, se tivesse havido a retenção à época certa, a contribuinte faria jus aos limites de isenção, não sendo plausível agora o estado moroso cobrar o imposto com juros e multa, que provavelmente excederá o valor outrora recebido, com vulneração do princípio da capacidade contributiva. Assim não entendendo, que esse CARF pelo menos enfrente a questão ora posta; II. as diferenças da conversão de Cruzeiro Real para URV têm nítido caráter indenizatório, tratandose de mera correção monetária, isenta do imposto de renda, declarada como tal, inclusive em decorrência das informações prestadas pela fonte pagadora. Ademais, não se deve esquecer que o Supremo Tribunal Federal, quando fez editar a Resolução administrativa nº 245/2002, expressamente consignou que diversas verbas (diferenças de URV de 11,98%, PAE, 10,87% e recálculo de representação) tinham a mesma natureza do abono variável pago a magistratura da União, não incidindo sobre tais verbas o imposto de renda e a contribuição previdenciária, entendimento que foi ratificado pelo Ministro da Fazenda. Ainda, devese anotar que a Lei complementar da Bahia nº 20/2003, que determinou o pagamento da vantagem, expressamente em seu art. 3º asseverou que se tratava de verba indenizatória; III. “Não há qualquer lei que diga que os membros do Ministério Público Federal, não devam ser alcançados pelo suposto imposto devido sobre uma determinada verba [benefício auferido com a Lei nº 10.477/2002, que deferiu o abono variável da Lei nº 9.655/98 aos membros do Ministério Público Federal, que culminou com a isenção sobre a diferença de URV e outras verbas], no caso diferenças de Fl. 221DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 parcelas relativas à URV, e que a esfera estadual da mesma instituição deva ser alcançada por suporto imposto sobre A MESMA VERBA – DIFERENÇAS NA CONVERSÃO PARA URV. Isso se configuraria em gritante inconstitucionalidade por violação ao princípio da isonomia”. Ademais, “Embora a resolução 245 do STF já transcrita, voltese para a magistratura federal e, como exposto, para o Ministério Público Federal, a equiparação do tema é impositiva e legítima, para o caso em tela, em obediência ao princípio da isonomia, além de firmar o entendimento do STF acerca do assunto, ou seja, como está previsto na Resolução nº 245/02 do STF, as parcelas recebidas por diferenças de URV, entre outras, são de natureza indenizatória e dessa forma descabe a cobrança de imposto de renda sobre elas”. Por fim, “Como se vê, não se pode simplesmente ignorar o texto constitucional, nem o entendimento do guardião da nossa Carta Magna, o Supremo Tribunal Federal, que ao estabelecer e determinar a natureza indenizatória de tais verbas para os magistrados e procuradores federais, e, portanto, não sujeita a tributação, tendo em vista o princípio da isonomia, não pode excluir que igual natureza seja conferida para a mesma verba, destinada aos membros do Ministério Público Estadual, pois onde há o mesmo fato – todos receberam a mesma verba, diferenças de URV – há necessariamente a mesma razão de decidir” (excertos do recurso voluntário. Destaques do original); IV. devese anotar que o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do RESp nº 1.187.109MA, adotou o entendimento do recorrente para as parcelas de URV recebidas pelos magistrados do Maranhão, não havendo sentido em não estender esse entendimento aos membros dos Ministérios Públicos estaduais; V. mesmo que superados os pontos acima, devese anotar que a autoridade fiscal utilizou as alíquotas do IR indevidas, nos anos calendário 1994 (utilizou a alíquota de 26,6%, ao invés de 25%) e 1998 (utilizou a alíquota de 27,5%, ao invés de 25%), devendo ser reparado esse erro. Ainda, para apurar o eventual imposto não pago, necessariamente a autoridade deveria ter considerado todas as rendas e despesas dedutíveis da contribuinte, ano a ano, o que não ocorreu no caso em apreço, majorando o imposto imputado à recorrente, devendo esse equívoco, igualmente, ser reparado. Por último, caso mantido o lançamento, deve ser aplicado o art. 12A da Lei nº 7.713/88, regulamentado pela IN RFB nº 1.127/2010, mais benéfico para a recorrente; VI. as parcelas referentes ao 13º e férias indenizadas fizeram parte do rendimento pretensamente omitido, sendo indevidamente tributadas; VII. não se deve afastar a responsabilidade da fonte pagadora para o caso em debate, que não reteve o IRRF que o fisco federal entende devido, devendo, assim, suportar o ônus do imposto apurado. Ademais, mesmo que se considere a responsabilidade supletiva da contribuinte, essa agiu de boafé, informando os rendimentos na forma expressa nos comprovantes emitidos pela fonte pagadora, não podendo ser apenada com juros de mora e multa de ofício, já que, inclusive, o art. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726056/200912 Acórdão n.º 210201.940 S2C1T2 Fl. 3 5 3º da Lei complementar nº 20/2003 do Estado da Bahia, que declarou indenizatórias tais verbas, deve ser enquadrada nos permissivos do art. 100, I e § único, do CTN; VIII. por fim, a fiscalização utilizou como base de cálculo todo o valor percebido a título de diferença de URV (principal, correção monetária e juros de mora), quando é cediço na jurisprudência pátria que os juros de mora e a correção monetária não estão submetidos ao campo de incidência do imposto de renda, por terem caráter indenizatório. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 21/07/2011, quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 03/08/2011, dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 22/08/2011, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Antes de tudo, tratase de matéria já debatida por este colegiado, em processos similares, assistindo razão ao recorrente. Assim, aqui não se apreciará a preliminar de ilegitimidade ativa da União para constituir o crédito tributário discutido nestes autos, já que assiste, no mérito, razão ao recorrente. Na sessão de 08 de junho de 2011, esta Turma de julgamento prolatou o Acórdão nº 2102001.337, unânime, na relatoria deste Conselheiro, quando se apreciou a tributação da diferença de URV paga a um membro do Ministério Público da Bahia, em caso juridicamente idêntico ao aqui em discussão, que ora se toma como razão de decidir e abaixo se colacionam as razões lá deduzidas (em itálico): Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Fl. 223DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação – artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios – artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 – artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União – artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I – apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II – o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726056/200912 Acórdão n.º 210201.940 S2C1T2 Fl. 4 7 Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I – o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II – o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/20031 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar 1 LEI COMPLEMENTAR Nº 20, DE 08 DE SETEMBRO DE 2003. Dispõe sobre os vencimentos dos Membros do Ministério Público do Estado da Bahia e dá outras providências. O GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, faço saber que a Assembléia Legislativa decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Fica fixado como vencimento básico do Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia, a partir de 31 de julho de 2003 e até que seja editada a Lei prevista no art. 48, inciso XV, da Constituição Federal, o valor de R$ 6.943,86 (seis mil, novecentos e quarenta e três reais e oitenta e seis centavos). § 1º A remuneração decorrente desta Lei inclui e absorve a Gratificação de Nível Universitário e a Parcela Autônoma de Equivalência, previstas na Lei Complementar nº 16, de 12 de setembro de 2001. § 2º Fica criada a vantagem de representação correspondente a 60% (sessenta por cento) do vencimento básico de cada nível. § 3º O escalonamento entre os diversos níveis da remuneração dos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, hoje fixado em 10% (dez por cento), será reduzido, gradativamente, no percentual de 1% (um por cento) ao ano, até alcançar, em janeiro de 2008, o percentual de 5% (cinco por cento), tendo como referência a remuneração, de caráter permanente, percebida por Procurador de Justiça da Bahia. Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Art. 4º As despesas decorrentes da aplicação desta Lei correrão à conta dos recursos orçamentários próprios, ficando o Poder Executivo autorizado a promover as alterações que se fizerem necessárias. Art. 5º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação. Art. 6º Revogamse as disposições em contrário. PALÁCIO DO GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, em 08 de setembro de 2003. PAULO SOUTO Governador Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726056/200912 Acórdão n.º 210201.940 S2C1T2 Fl. 5 9 estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Devese evidenciar que, na sessão de 28/09/2011, esta Turma voltou a esposar o entendimento acima, quando prolatou o Acórdão nº 210201.566, unânime, na relatoria da Conselheira Núbia Matos Moura. Ainda, pelo entendimento da não tributação das diferenças de URV percebidos por magistrados estaduais, vêse o REsp nº 1187109, relatoria da Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, sessão de 17/08/2010, que restou assim ementado: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL INCOMPETÊNCIA DO STJ IMPOSTO SOBRE A RENDA URV DIFERENÇAS RESOLUÇÃO N. 245/STF APLICAÇÃO. 1. Falece competência ao Superior Tribunal de Justiça para conhecer de alegações de ofensa à Constituição Federal. 2. A utilização de fundamento constitucional pelo tribunal local impede a admissão do recurso especial quanto à questão controvertida. 3. Cuidandose de remuneração percebida por magistrado estadual, aplicase na resolução da controvérsia a Resolução n. 245/STF, que considerou de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. Considerando o julgado acima, que se amolda à perfeição ao caso dos membros dos ministérios públicos estaduais, pois a única diferença entre os casos versa sobre a edição de uma lei complementar estadual (para os membros do ministério público do Estado da Bahia) ou lei ordinária estadual (para os membros da magistratura estadual), e, assim sendo, não há razão jurídica para tratálos de forma diversa dos membros da magistratura estadual. Ante tudo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 18471.001568/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/10/2003 a 31/01/2004,
01/12/2004 a 31/12/2004
COFINS. LEI Nº 9.718/98 (ALARGAMENTO DE BASE). INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo
Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito.
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 10.637/02 e Nº 10.833/03 RECEITAS
DE VARIAÇÃO CAMBIAL. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE COMPETÊNCIA
Por determinação legal e para fins de apuração da Cofins, considera-se
receita financeira a variação cambial ativa apurada na data da liquidação do
contrato. Optando pelo regime de competência, mensalmente ajusta-se a variação cambial ativa de cada contrato desde a data da contração, de modo a preservar a base de cálculo real da exação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.550
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso
voluntário nos seguintes termos: por unanimidade de votos, para excluir as outras receita da base da Cofins no regime não cumulativo e rejeitar a preliminar de nulidade; e pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às demais matérias. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora) e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/10/2003 a 31/01/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004 COFINS. LEI Nº 9.718/98 (ALARGAMENTO DE BASE). INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorado pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecido e aplicado de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 10.637/02 e Nº 10.833/03 RECEITAS DE VARIAÇÃO CAMBIAL. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. OPÇÃO DO CONTRIBUINTE PELO REGIME DE COMPETÊNCIA Por determinação legal e para fins de apuração da Cofins, considerase receita financeira a variação cambial ativa apurada na data da liquidação do contrato. Optando pelo regime de competência, mensalmente ajustase a variação cambial ativa de cada contrato desde a data da contração, de modo a preservar a base de cálculo real da exação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos: por unanimidade de votos, para excluir as outras receita da base da Cofins no regime não cumulativo e rejeitar a preliminar de nulidade; e pelo voto de Fl. 273DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto às demais matérias. Vencidos, nesta parte, os conselheiros Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas (relatora) e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 15/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de autos de infração (fls. 83/89 e 90/97) lavrados para o fim de exigir (i) Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, referente aos períodos de apuração de 01/2003 a 10/2003 a 01/2004 e 12/2004, no valor de R$ 791.668,24 incluído principal, multa de oficio de 112,5% e juros de mora calculados até 31/10/2006 e (ii) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, referente aos mesmos períodos de apuração, no valor de R$ 1.841.423,21 incluído principal, multa de oficio de 112,5% e juros de mora calculados até 31/10/2006. De acordo com o relatado na decisão de primeira instância administrativa, que passo a reproduzir ante a veracidade dos fatos: “Nos Termos de Verificação Fiscal de fls. 83 a 85 e 90 a 92, a autoridade lançadora registra que: a) A empresa deixou de recolher e de declarar em DCTF as contribuições para o PIS e a COFINS relativas aos meses de janeiro, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2004 e janeiro e dezembro de 2004, nos valores relacionados no Termo e conforme demonstrativos de fls. 71/74; b) O contribuinte optou pelo regime de competência no reconhecimento das variações cambiais ativas nos anos calendário de 2003 e 2004; c) Intimado, o contribuinte deixou de justificar as diferenças entre as bases de cálculo por ele informadas, conforme Fl. 274DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.001568/200661 Acórdão n.º 330201.550 S3C3T2 Fl. 2 3 "Demonstrativos de Apuração do PIS e da COFINS" e as bases de calculo apuradas pela fiscalização através do Livro Razão; d) A empresa deixou de declarar em DCTF e de comprovar o recolhimento de parte do PIS e da COFINS dos meses de outubro e novembro de 2003 e janeiro de 2004, conforme demonstrativos constantes do Termo, cujos valores foram extraídos do Livro Razão, nas contas 2.1.02.03 — PIS e 2.1.02.04— COFINS; e) A empresa foi intimada a comprovar as diferenças e não apresentou qualquer resposta, sujeitandose ao agravamento da multa de oficio prevista no art. 44, § 2 °, da Lei 9.430/96. O enquadramento legal citado nos Autos de Infração foi: PIS arts. 2 °, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3 °, 10, 26 e 51 do Decreto 4.524/02 e COFINS arts. 2°, inciso II, e parágrafo único, 3 °, 10, 22 e 51 do Decreto 4.524/02. A base legal da multa de oficio e dos juros de mora exigidos consta em fls. 89 e 97. Após tomar ciência das autuações em 30/11/2006 (fls. 86 e 93), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 122 a 138 em 29/12/2006 alegando, em síntese que: a) Um dos motivos que dificultaram a apresentação de alguns documentos solicitados pelo fiscal autuante devese ao fato de que o arquivo morto da Impugnante estava sendo reorganizado e a localização de determinados documentos que ainda não haviam sido catalogados tornouse tarefa de dificil execução; b) Como bem salientado pelo fiscal autuante, a troca da funcionária designada para atender a fiscalização, por motivos alheios à vontade da Impugnante, também dificultou a apresentação dos documentos solicitados; c) Para afastar qualquer dúvida quanto à propriedade dos registros contábeis e fiscais, requer seja efetuada perícia para comprovar a manutenção em boa ordem dos documentos fiscais e comerciais relativos aos valores indicados na Ficha 39 A da DIPJ ano calendário 2002, as despesas operacionais registradas em 2002 e as fichas patrimoniais que identificam os bens depreciados; d) Não pode prosperar o entendimento da fiscalização no sentido de que a Impugnante teria omitido receitas ao não comprovar os saldos das contas indicadas nos itens 13, 15 e 16 do Termo de Verificação Fiscal; e) Apenas nos casos especificados em lei os agentes fiscais estão autorizados a desclassificar a escrita do contribuinte e proceder ao arbitramento dos resultados. No caso concreto, o autuante arbitrou os resultados para o ano de 2002 pelo fato de a Impugnante não ter tido tempo hábil para comprovar a existência de diversos saldos nas contas relacionadas no item 13 do auto de infração; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 f) A fiscalização também se equivocou ao deixar de considerar exclusões de despesas operacionais e de parcelas que não representam renda e/ou lucro da empresa; g) Um dos princípios norteadores da atividade administrativa de lançamento consiste no principio da verdade material, segundo o qual cabe ao fisco apurar a essência dos fatos ocorridos para concluir pela tributação ou não no caso concreto; h) No tópico relativo ao "passivo fictício", a fiscalização considerou que os pagamentos efetuados a diversos fornecedores e a titulo de despesas operacionais configurariam omissão de receita, devendo integrar a base de calculo do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Destarte, o que se fez não foi a aplicação de uma presunção, mas a utilização de mero indicio como meio de prova da ocorrência do fato gerador; i) Está sendo exigido pagamento de tributo e imposta penalidade sobre valores que não refletem a verdade material, regra basilar do lançamento tributário; j) Por carente de respaldo fitico e legal, o que será comprovado com a realização de perícia, impõese reconhecer que o auto de infração é nulo de pleno direito, não podendo prosperar e gerar qualquer efeito; k) A aplicação da multa de 112,5% evidenciase completamente confiscatória e violadora dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade; l) No caso especifico da norma de aplicação da pena de 112,5% do imposto supostamente devido, em razão da simples não prestação de esclarecimentos a contendo do autor do procedimento, não pode o intérprete desconsiderar a diretriz fixada no art. 112 do CTN; m) A inobservância de mera obrigação acessória alegadamente não atendida pela Impugnante, não autoriza a aplicação da pena em que se pautou o autuante, sendo esta desproporcional; n) Requer a realização de perícia. Nomeia perito e formula quesitos; o) Por fim, requer seja declarado insubsistente e infundado o auto de infração e, em decorrência, determinado o cancelamento dos respectivos lançamentos tributários.” Após analisar as razões apresentadas, a 5ª Turma da DRJ/RJOII proferiu acórdão nº 1324.672, que restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/10/2003 a 31/01/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.001568/200661 Acórdão n.º 330201.550 S3C3T2 Fl. 3 5 Considerase definitivo o crédito tributário que não tenha sido expressamente contestado pelo impugnante. MULTA AGRAVADA. Não é cabível a imposição de multa agravada de 112,5% quando os documentos disponibilizados pelo contribuinte permitiram à fiscalização a apuração do montante devido e das diferenças exigidas de oficio. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá o pedido de perícia que considerar prescindível ou impraticável, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado.” Em resumo, os julgadores administrativos de primeira instância esclareceram que a matéria de mérito alegada aplicavase apenas aos outros autos lançados (IRPJ/CSL) e que no tocante à discussão acerca da multa, assiste razão à Recorrente posto que todos os documentos foram devidamente disponibilizados e a fiscalização atendida, sem que houvesse qualquer impedimento ou retardo da fiscalização1. Registrase que o auto de infração foi lavrado em virtude da divergência entre valor declarado e o contabilizado. Irresignada, a Recorrente interpôs o competente recurso voluntário (fls. 219/243) por meio do qual alegou: (i) a nulidade da decisão, uma vez que o contribuinte não teria recebido a fl. 4 da decisão; (ii) pela mesma razão, alega o cerceamento de defesa; no mérito (iii) alegou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo trazido pela Lei nº 9.718/98, no período cumulativo e (iv) a impossibilidade de exigência do PIS e COFINS sobre mera expectativa de receita, pois, com isso estáse exigido tributo antes mesmo da ocorrência do seu efetivo fato gerador. É o relatório. 1 Penalidade prevista no § 2 ° do artigo 44 da Lei 9.430/96. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS O recurso atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, em relação às preliminares argüidas, de nulidade e cerceamento de defesa, mister esclarecer que, em virtude da extensa defesa de 25 páginas, bem como das alegações tratarem de toda a matéria em discussão, entendo que não houve prejuízo à parte, razão pela qual nego provimento ao pleito da Recorrente neste particular e adentro ao mérito da discussão. Conforme relatado, são dois autos de infração (PIS e COFINS), que abrangem o período cumulativo (Lei nº 9.718/98) e não cumulativo (Lei nº 10.637/02 e 10.833/03). Em decorrência dos períodos serem distintos, são duas as alegações constantes no recurso voluntário: (i) ilegalidade da Lei nº 9.718/98 que promoveu o alargamento da base de Fl. 277DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 cálculo das contribuições e (ii) impossibilidade de exigência do PIS e COFINS sobre expectativa de receita. PERÍODO CUMULATIVO No que se refere à Lei nº 9.718/98, a principal matéria em discussão referese à constitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins (período de 01/2003 a 10/2003), trazido pela Lei nº 9.718/98. De acordo com o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, as matérias já definitivamente julgadas pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, podem ser conhecidas pelos tribunais administrativos, mesmo que sejam matéria de ordem constitucional. Neste sentido, é de domínio público que “ao julgar os RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 (Inf./STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal, redação esta anterior a EC nº 20/98” (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Ag.Reg. no RE nº 330.226PR, em sessão de 23/05/06, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 16/06/06, pág. 17 EMENT VOL0223703 PP00481; Ac. da 1ª Turma do STF nos Emb. Dec. no RE nº 368.468PR, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23062006, pág. 52 EMENT VOL0223803 PP00428; Ac.da 1ª Turma nos Emb. Dec. no RE nº 410.691MG, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23/06/2006, pág. 52, EMENT VOL0223803 PP00538). Parafraseando o Conselheiro Fernando Lobo D’Eça, que inicialmente trouxe, a esta Câmara, o entendimento da possibilidade de aplicação pelos tribunais administrativos de decisão do pleno do STF, cito: “Por seu turno, analisando os efeitos reflexos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 sobre os lançamentos fiscais, o E. STJ recentemente esclareceu que “a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475L, § 1º, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Conseqüentemente, a base de cálculo das referidas contribuições continua sendo a definida pela legislação anterior, nomeadamente a LC 70/91 (art. 2º), por decorrência da qual o conceito de faturamento tem sentido estrito, equivalente ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP nº 828.106SP, Reg. nº 200600690920, em sessão de 02/05/06, Rel. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.001568/200661 Acórdão n.º 330201.550 S3C3T2 Fl. 4 7 Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 15/05/06, pág. 186) Consubstanciando atividade essencialmente realizadora do Direito, inteiramente vinculada e subordinada ao princípio da legalidade do tributo (art. 150, inc. I da CF/88; arts. 97 e 142 do CTN), a atividade administrativa do lançamento tributário necessariamente há de conformarse com a Constituição e com a interpretação que lhe empresta a Suprema Corte, só podendo se efetivar nas condições e sob os pressupostos estipulados em lei válida, donde decorre que ante a formal declaração de inconstitucionalidade ou invalidade da lei pela Suprema Corte, deslegitimamse todos os lançamentos fundados nas referidas disposição e base de cálculo inconstitucionais (§ 1º do art. 3º da Lei 9.718/98); em suma, são ilegítimos todos os lançamentos que refujam às base de cálculos do COFINS e PIS/PASEP adotadas pela legislação anterior e ao conceito de faturamento em sentido estrito por ela adotado e equivalente à receita bruta decorrente de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou de serviços de qualquer natureza.” (destaquei) Desta feita e uma vez que no período de 01/2003 a 10/2003, enquanto vigente a Lei nº 9.718/98, houve autuação de COFINS, reformo a decisão de primeira instância para fim de excluir os valores referentes às outras receitas. PERÍODO NÃO CUMULATIVO Outro argumento que deve ser analisado referese à tributação das variações cambiais no regime não cumulativo. Neste caso, os lançamentos de PIS e Cofins relativos às demais competências fundamentamse nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, as quais estabeleceram, respectivamente, a incidência não cumulativa das contribuições tendo por base de cálculo a totalidade de receitas – base esta admitida pela Constituição Federal, quando da edição daqueles diplomas legais. De todo modo, em relação a estas competências o lançamento referente os resultado das variações cambiais não pode prosperar. Isso porque a incidência do PIS e da COFINS sobre tais variações somente poderia ocorrer no momento em que há a liquidação do contrato – o que, no presente caso, não ocorreu e, portanto, injustificada a constituição do crédito tributário. Procedimento inverso significaria tributarse expectativa de receita. O ordenamento jurídico é um sistema ordenado de normas e deve ser analisado em conjunto de forma sistêmica e harmoniosa. É fato que à época não havia exceção específica da legislação ordinária que trata sobre as contribuições ao PIS e COFINS para dedução de variações passivas. Todavia, apesar de a legislação exigir que as variações monetárias, em função da taxa de câmbio, sejam consideradas receitas, não imputa o momento em que estas receitas devem ser contabilizadas. Neste sentido, podese dizer que é razoável – e de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro se interpretar que a apuração da receita cambial deverá ser realizada no momento em que estiver findo o contrato cambial, ou seja, quando este for liquidado. Até Fl. 279DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 8 porque, antes deste momento, não há que se falar em efetivo ganho, mas de expectativa de ganho financeiro. E expectativa de receita, a meu ver, não é, ainda, receita, sendo certo que este conceito de expectativa não está legalmente aceito ou presumido para fim de incidência de PIS e COFINS. Uma vez que não se encontra a definição desta possibilidade, devem ser aplicadas as regras gerais, para o fim de alcançarse o conceito adequado e a correta interpretação dos termos legais. Nesta intenção aplico ao presente caso o artigo 116 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável.” A situação de fato que gerou a “receita financeira” no caso em apreço apenas ocorrerá com a liquidação do contrato de câmbio, antes deste momento não há base de cálculo para a incidência da alíquota prevista na regra matriz da incidência tributária. O E. Superior Tribunal de Justiça também defende este entendimento em sua jurisprudência: “TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – VARIAÇÕES CAMBIAIS CONSIDERADAS COMO RENDA ANTES DO PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO – MOMENTO DA DISPONIBILIDADE ECONÔMICA – INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. O Imposto de Renda só incide sobre os ganhos decorrentes de variações cambiais quando realizado o pagamento das obrigações financeiras relativas àquelas variações, porque é a partir daí que serão incluídos na receita e na apuração do lucro real obtido. Recurso improvido. (Recurso Especial n. 320455RJ, de 7.6.2001, 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça – STJ) ” Neste sentido impera citar o brilhante voto proferido pelo D. Conselheiro Fernando Luis da Gama Lobo D`Eça, in verbis: “(...) a Jurisprudência do E. STJ já proclamou que a inexigibilidade do PIS e da COFINS, decorrente da variação cambial dos contratos de mútuo, firmados em moeda estrangeira, antes de sua liquidação, como se pode ver da seguinte e elucidativa ementa: ‘TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. COFINS E PIS. CONTRATOS EM MOEDA ESTRANGEIRA (DÓLAR). INCIDÊNCIA NO MOMENTO DA LIQUIDAÇÃO DA OPERAÇÃO, OPORTUNIDADE EM QUE DEVERÁ SER Fl. 280DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.001568/200661 Acórdão n.º 330201.550 S3C3T2 Fl. 5 9 VERIFICADA A VARIAÇÃO CAMBIAL. OFENSA AO ART. 535, II, DO CPC REPELIDA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. 1. Cuidam os autos de mandado de segurança preventivo impetrado por DEL MONTE FRESH TRADE COMPANY BRASIL LTDA. contra ato a ser praticado pelo Delegado da Receita Federal em Fortaleza no sentido de exigirlhe a COFINS e o PIS sobre a variação cambial decorrente de contratos de empréstimos firmados em moeda estrangeira. A sentença denegou a segurança. A autora interpôs apelação e o TRF deulhe provimento, reconhecendo que, embora a variação cambial integre o conceito de receita, o que comporta a incidência da COFINS e do PIS, não é razoável entender que se possa tributar a expectativa de receita, pois, enquanto não liquidada a obrigação contraída, não se pode apurar a existência de saldo positivo no caixa da empresa. Recurso especial da Fazenda Nacional, pela alínea “a”, apontando violação dos arts. 535, II, do CPC, 2º e 9º da Lei 9.718/98 e 1º da Lei 10.637/02. Sustenta, em suma: a) anulação do acórdão por ofensa ao art. 535, II, do CPC, por haver deixado de se manifestar acerca da aplicação dos arts. 2º e 9º da Lei 9.718/98 e 1º da Lei 10.637/02; b) todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica devem ser consideradas quando da determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS; c) por expressa determinação legal, art. 9º da Lei 9.718/98, as variações monetárias em função da taxa de câmbio deverão ser consideradas como receitas. 2. Não se constata infringência do art. 535, II, do CPC se o Tribunal de segundo grau aprecia todos os pontos nucleares para a decisão da causa, fundamentando a entrega da prestação jurisdicional. Não há necessidade de se rebater individualmente todas alegações das partes nem se pronunciar especificamente sobre cada um dos dispositivos legais listados nas peças processuais se já encontrou fundamentos suficientes para embasar a conclusão. In casu, verificase que o cerne da controvérsia, quanto ao momento da incidência da COFINS e do PIS sobre variações cambiais decorrentes de contratos pactuados em moeda estrangeira, foi efetivamente analisado, não se cogitando na hipótese de ser anulado o aresto proferido. 3. A matéria já foi objeto de discussão nesta Casa Julgadora, culminandose com o entendimento firmado na linha de que a exigibilidade do PIS e da COFINS, decorrente da variação cambial dos contratos de mútuo, firmados em moeda estrangeira, só ocorre por ocasião de sua liquidação. Precedentes: REsp 640.069/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 08/11/04; REsp 872.492/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 14/12/06. 4. Recurso especial nãoprovido.’ (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp nº 898.372CE, Reg. nº 2006/02395566, em Fl. 281DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 10 sessão de 03/05/07, Rel. Min. JOSÉ DELGADO,publ. in DJU de 28/05/07 p. 299 destacamos) Realmente, do v. aresto retro mencionado, resulta claro que, embora as variações cambiais dos contratos de mútuo em moeda estrangeira possam, em tese, integrar o conceito de “receita” (base de cálculo tributável pela contribuição do PIS), o fato gerador da respectiva obrigação tributária somente se considera ocorrido com a liquidação total do contrato em moeda estrangeira (art. 116, inc. I do CTN), vez que não é lícito tributar a mera expectativa de receitas que, por não se terem ainda incorporado definitivamente ao patrimônio do contribuinte, somente podem ser definitivamente aferidas após a liquidação total das obrigações objeto do contrato externo, quando então se pode apurar a existência (ou não) de eventual receita residual, a título de variação cambial, então tributável pela contribuição ao PIS.” – destaquei. Desta forma, por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário apresentado, uma vez que presentes os pressupostos de admissibilidade, para o fim de NEGAR PROVIMENTO à preliminar suscitada e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário concluindo (i) pela redução da base de cálculo autuada da COFINS no período de 01/01/2003 à 30/10/2003; retirando os valores referentes à outras receitas diversas ao faturamento; bem como (ii) pelo cancelamento do lançamento de PIS e Cofins sobre receitas cambiais nos demais períodos, pois a alegada “receita” a que o contribuinte teria direito não foi auferida no período (ausência de fato gerador da contribuição), em vista dos contratos não terem sido liquidados. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Adoto e ratifico o voto da Ilustre Conselheira Relatora, exceto quanto à tributação, no regime de não cumulatividade, da receita de variação cambial ativa, pelas razões de fato e de direito que passo a expor. Antes de adentrar no mérito da lide, cabe registrar que as bases de cálculo do PIS e da Cofins apuradas nos autos de infração não foram objeto de impugnação e sobre elas não há litígio, conforme se constata pelo conteúdo da impugnação, devidamente registrado no acórdão recorrido. Mesmo não tendo sido objeto de impugnação, acompanho a ilustre relatora quanto à exclusão das outras receitas da base de cálculo da Cofins cumulativa (Lei Fl. 282DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.001568/200661 Acórdão n.º 330201.550 S3C3T2 Fl. 6 11 Complementar nº 70/91), a teor da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98, pelo STF. Quanto à inclusão da receita de variação cambial ativa na base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativas, mesmo estando a matéria perempta, passo à sua análise em homenagem ao princípio da verdade material. Toda receita de uma empresa afeta positivamente o seu patrimônio e não se confunde com mera expectativa de receita. A primeira deve ser levada a registro na contabilidade de forma definitiva e a segunda pode ser levada a registro na contabilidade em um período (mêscalendário) e ser desfeita no período (mêscalendário) seguinte, por não se concretizar. A variação cambial ativa, ocorrida antes da liquidação do contrato, é uma receita pendente de evento futuro e incerto: a taxa de câmbio no dia da liquidação do contrato. Ela não se confunde com aplicações financeiras de risco, inclusive as atreladas a moedas estrangeiras, que em um período pode dar lucro (receita) e em outro incorrer em prejuízo (despesa). O artigo 9o da Lei no 9.718/98 estabeleceu a equiparação das variações cambiais (ativas e passivas) a receitas e despesas financeiras, inclusive para fins de cálculo do PIS e da Cofins. “Art.9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso.” Por não ter estabelecido, expressamente, o momento em que as variações cambiais deveriam ser consideradas como receitas ou despesas financeiras, este dispositivo legal criou a possibilidade de diversas interpretações sobre este momento: na data da contração, a cada variação da taxa de câmbio, no último dia de cada mês, na data da liquidação do contrato, etc., etc., etc. Posteriormente, o momento em que as variações cambiais são consideradas receitas ou despesas financeiras foi fixado pelo artigo 30 da Medida Provisória no 1.85810, de 26/10/1999 (MP no 2.15835, de 2001): quando da liquidação da correspondente operação. Verbis: “Art. 30. A partir de 1o de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. O art. 31 dessa mesma Medida Provisória autorizou, na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, a exclusão da parcela da receita de variação cambial, submetida Fl. 283DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 12 à tributação pelo regime de competência em 1999, excedente ao valor da variação cambial efetivamente realizada. Verbis: Art.31.Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS poderá ser excluída a parcela das receitas financeiras decorrentes da variação monetária dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, submetida à tributação, segundo o regime de competência, relativa a períodos compreendidos no ano calendário de 1999, excedente ao valor da variação monetária efetivamente realizada, ainda que a operação correspondente já tenha sido liquidada. Já não há mais dúvidas sobre o momento em que a receita de variação cambial deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins: na data da liquidação da operação. Ou seja, o regime legal de tributação destas receitas é quando da sua realização. Em outras palavras: regime de caixa. Também não há dúvidas de que a receita de variação cambial tributada pelo PIS e pela Cofins é aquela ocorrida entre a data da contratação da operação e a data de sua liquidação, ou seja, a apurada na data da liquidação da operação. Variações cambiais ocorridas entre estas duas datas, em face da flutuação da taxa de câmbio, não afetam o valor da base de cálculo do PIS e da Cofins e nem, evidentemente, o valor devido dessas contribuições. Até aqui podíamos afirmar que a receita de variação cambial ocorrida antes da liquidação da operação/contrato não deve e não pode ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins. O regime legal de tributação dessas receitas (pelo IRPJ, CSLL, PIS e Cofins) é o regime de caixa. Não há exceções. Ocorre que, posteriormente, por meio da Medida Provisória no 1.99114, de 11/02/2000, foi acrescido ao artigo 30, acima transcrito, três parágrafos, quais sejam: “§ 1o À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo de todos os tributos e contribuições referidos no caput deste artigo, segundo o regime de competência. § 2o A opção prevista no § 1 o aplicarseá a todo o ano calendário. § 3o No caso de alteração do critério de reconhecimento das variações monetárias, em anoscalendário subseqüentes, para efeito de determinação da base de cálculo dos tributos e das contribuições, serão observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal.” Com esta alteração, e por opção do contribuinte, a receita de variação cambial ocorrida antes da liquidação do contrato poderá ser considerada na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, segundo regime de competência, mesmo não sendo, ainda, considerada receita financeira. A condição é que esta opção seja feita para o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, conjuntamente. Basta utilizar o regime de competência para uma destas exações para alcançar as demais. É opção do contribuinte. No caso em tela, fez a recorrente a opção pelo regime de competência para tributar o IRPJ e a CSLL e, consequentemente, para tributar o PIS e a Cofins. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 18471.001568/200661 Acórdão n.º 330201.550 S3C3T2 Fl. 7 13 Pela sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins, as receitas mensais de variação cambial ativa e as despesas mensais de variação cambial passiva geram, respectivamente, débito e crédito das exações resultando tributado, na data da liquidação do contrato, apenas e tão somente a receita de variação cambial efetivamente auferida e equiparada legalmente a receita financeira. Havendo despesa de variação cambial ao final do contrato, esta gera um crédito a favor do contribuinte. Portanto, à mingua de autorização nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 (e alterações posteriores) para excluir a receita de variação cambial ativa da base de cálculo do PIS e da Cofins, é que entendo que não merece reforma a decisão recorrida, neste particular, cujos fundamentos adoto integralmente. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da tributação da Cofins cumulativa (Lei Complementar nº 70/91) as outras receitas acrescidas à base de cálculo da exação pela Lei no 9.718/98. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10830.001396/2004-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM DOS RECURSOS COMPROVADA.
Uma vez comprovada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.533
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral a patrona do contribuinte, Dra. Isabella Bariani Tralli OAB-SP nº 198772.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM DOS RECURSOS COMPROVADA. Uma vez comprovada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral a patrona do contribuinte, Dra. Isabella Bariani Tralli OABSP nº 198772. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1735.502, proferido pela 7ª Turma da DRJ/SP2 (fl. 95), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Em ação levada a efeito no contribuinte acima qualificado, foi constituído crédito tributário no valor de R$ 260.209,60, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física — OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIO, no anocalendário 1998, sendo que R$ 99.613,20 a titulo de Imposto de Renda Pessoa Física, R$ 74.709,90 referentes à Multa de Oficio proporcional, e R$ 85.886,50 referentes aos juros de mora, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 08 a 13, com fundamento legal especificado em fl. 11. 2. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Termo de Verificação Fiscal, fls. 04 a 07, e nos dá conta de que o procedimento teve origem na apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósitos mantidas em instituições financeiras (Banco Real S/A, Banco Real de Crédito Imobiliário e Banco do Brasil S/A), em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrativo dos valores individualizados de fls. 31 a 37. 3. O Auto de Infração foi lavrado em 17/03/2004, tomando o autuado ciência em 19/03/2006, pessoalmente, fls. 07 e 09, ingressou com a impugnação (fls. 44 a 62), em 19/04/2004, alegando, em resumo, o seguinte: 3.1. BREVE HISTÓRICO DA FISCALIZAÇÃO. O impugnante foi reintimado diversas vezes para comprovar seus depósitos porque o agente fiscal não compreendeu o teor das respostas entregues; 3.2. contra o contribuinte tramita, perante a 3ª Vara Cível do Foro Distrital de Valinhos, Comarca de CampinasSP, Ação Ordinária de Restituição do Indébito com Pedido de Tutela Antecipada, Processo n° 503/01. A requerente desse processo visa à restituição de valores ilicitamente subtraídos pelo impugnante; 3.3. a despeito de terem sido fornecidas, no processo judicial, as justificativas para o fato ocorrido, o que importa na presente esfera tributária é saber se os rendimentos não tributados são ou não de titularidade do contribuinte; 3.4. DECADÊNCIA. É imperativo que se reconheça que decaiu o direito do Fisco de constituir crédito tributário sobre valores originados em 1998, por força da regra contida no art. 150, § 4°, do CTN; 3.5. somente não seria possível falarse em decadência se o lançamento de oficio tivesse sido realizado com a aplicação de multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), utilizada nos casos de evidente intuito de fraude. Nesses casos contase o prazo decadencial em conformidade com a regra geral, estabelecida no art. 173 do CTN; 3.6. no entanto, como não há que se falar em fraude, posto que o lançamento foi realizado com a imposição da multa de oficio em percentual igual a 75%, nos termos do art. 44, I, Fl. 263DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10830.001396/200425 Acórdão n.º 210101.533 S2C1T1 Fl. 255 3 da Lei n° 9.430/96, já estava extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, já que este se realizou somente no mês de fevereiro do ano de 2004; 3.7. ERRO NA DETERMINAÇÃO DO MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O Fiscal desprezou a redação dos §§ 1° e 40 do art. 42 da Lei n° 9.430/96 ao fincar, para fins de tributação, um único fato gerador, em 31/12/1998, tendo por vencimento da obrigação a data prevista para entrega da declaração de rendimentos do contribuinte, ou seja, 30.04.1999. Por isso nulo o lançamento tributário que considerou apenas um único fato gerador ao final do anocalendário em questão; 3.8. DO CONCEITO DE TRIBUTO — ARTIGO 3° DO CTN. O lançamento é precipitado e insustentável devido A ação de restituição e ao conceito de renda contido no artigo 43 do CTN; 3.9. o artigo 3° do CTN conceitua tributo como algo que não pode constituir sanção de ato ilícito. É preciso que não se contamine a questão jurídica com questões morais, éticas e econômicas; 3.10. DA TITULARIDADE DOS VALORES E DA RENDA COMO BASE DE CÁLCULO DA OBRIGAÇÃO. Posto haver ainda dúvida quanto à titularidade dos valores transferidos para a contacorrente da contribuinte, não é possível atribuir àquela importância a natureza de renda auferida; 3.11. se procedente a ação cível para o ressarcimento dos valores em posse do marido da Impugnante, ficarseá estabelecida a titularidade da pessoa jurídica sobre os valores que serviram de cálculo para lavratura do Auto de Infração e assim, nenhuma renda foi auferida pela autuada ou por seu consorte; 3.12. Ao tributar valores não pertencentes a contribuinte, e que foram, ainda, por presunção, tributados na pessoa jurídica dita titular da importância encontrada na conta bancária da autuada e se os valores serão devolvidos para o real titular, o que pretendeu a fiscalização ao lavrar o AIIM, foi tributar duas vezes a mesma riqueza, o que é expressamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio; 3.13. DA INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL NO AIIM LAVRADO. Argumenta que o AIIM não tem cabimento no caso em questão, pois, o conceito da norma descrita no Auto de Infração não se adapta ao conceito do fato, vez que os depósitos têm origem certa e estão identificados, restando pendente apenas a definição da titularidade da quantia em questão; 3.14. DA INCERTEZA E ILIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO DE OFÍCIO. A autoridade autuante se limitou a somar os depósitos realizados na conta bancária do contribuinte, sem levar em conta que o impugnante, nos anoscalendário objeto da autuação, era funcionário registrado na sociedade Magneti Marelli do Brasil Indústria e Comércio e auferia mensalmente a quantia de R$ 3.256,19; 3.15. esse valor naturalmente sofria a incidência de imposto sobre a renda na fonte. Entretanto, a fiscalização não descontou da base de cálculo utilizada os rendimentos do trabalho, regularmente tributados. Por isso, o valor do auto de infração é ilíquido; 3.16. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO SUSTENTAM A PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, pelo menos no tocante As pessoas físicas, encontra sérios obstáculos para sua instituição e concreção. A presunção deve sempre estar apoiada na repetida e comprovada correlação natural entre os dois Fl. 264DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 fatos considerados, o conhecido e o desconhecido. Só a certeza da correlação natural entre esses fatos autoriza a inserção lógica entre ambos, mediante a via legislativa; 3.17. entre o fato conhecido (fato indiciário) e o fato desconhecido (provável) deve haver uma correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas sobre a materialização dessa correlação, sob pena desse artifício legal resultar indevido por absoluta inadequação; 3.18. no que tange a pessoa física, essa inadequação está presente na presunção do artigo 42, da Lei n° 9.430/96, posto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica e segura; 3.19. cita a Súmula 182, do extinto TRF, e decisões administrativas, aduzindo ser inquestionável que a movimentação bancária não corporifica fato gerador de Imposto de Renda, vez que não é a operação que deve ser tributada, mas sim o ganho, o acréscimo patrimonial proveniente da mesma; 3.20. DA INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR E SEUS EFEITOS. A definição legal do fato gerador deve ser interpretada a partir dos efeitos dos fatos ocorridos, que seriam o acréscimo patrimonial da Impugnante e de seu cônjuge, a disponibilidade econômica ou jurídica de renda, ou de proventos. Entretanto, se bloqueados todos os valores da Impugnante, por força de determinação judicial, longe estão os efeitos e a disponibilidade de renda; 3.21. Enquanto não transitada em julgado a Ação Ordinária de Restituição do Indébito com Pedido de Tutela Antecipada proposta contra o marido da autuada, não resta falar em efeitos do fato gerador e muito menos em Auto de Infração e Imposição de Multa sobre tais efeitos inexistentes; 3.22. DO DOCUMENTO JUNTADO APÓS TER DECORRIDO 0 PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. Por intermédio do requerimento datado de 28/04/2005 (fls. 53 e 54), a contribuinte requer a juntada aos autos da cópia da decisão judicial proferida no âmbito da Ação Ordinária de Restituição do Indébito, em face de FERNANDES DA SILVA URBANO — que é seu esposo , na qual o réu foi condenado a restituir à autora a importância de R$ 6.584.218,85, correspondentes aos recursos transitados nas contas que enumera (fls. 55/79), informando que a sentença transitou em julgado em 19/11/2004, conforme documentos anexos As fls. 64 a 93. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau julgou manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. 0 direito de a Fazenda Pública da Unido constituir crédito tributário extinguese em cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme o disposto no art. 173, I, do CTN. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, A exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação e daquelas objeto de Súmula vinculante, nos termos da Lei n° 11.417 de 19 de dezembro de 2006, não se constituem em normas gerais, razão Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10830.001396/200425 Acórdão n.º 210101.533 S2C1T1 Fl. 256 5 pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo àquela objeto da decisão. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59, do Decreto n° 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97 a Lei 9.430/96 no seu art. 42 autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários sem origem justificada transfere ao sujeito passivo o ônus de provar que por sua conta corrente transitaram valores pertencentes a terceiros. UTILIDADE ECONÔMICA. IRRELEVÂNCIA. RENDA CONSUMIDA. RENDA BLOQUEADA. RENDA RESTITUÍDA. A utilidade econômica que é conferida à renda ganha não possui relevo para fins de tributação do IRPF. Por isso, o acréscimo patrimonial mesmo que posteriormente consumido, bloqueado ou ressarcido deve ser alvo de tributação do imposto de renda. De outro lado, o que fica vedado ao Fisco é a tributação de algo que em momento algum ingressou no patrimônio do sujeito passivo. Há disponibilidade econômica (acréscimo patrimonial) do contribuinte quando recebe valores em contacorrente (depósitos bancários), presumidos como rendimentos pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, e não os contesta de forma eficaz. Por tal regra, não há necessidade de que o Fisco comprove a utilização desses recursos como renda consumida, bloqueada ou restituída, mas a simples demonstração dos fatos indiciários. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, às fls. 120/149, o recorrente rediscute questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator Fl. 266DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Preliminarmente, no tocante à alegação de decadência, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, no julgamento do REsp 973.733/SC, em 12/08/2009, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4º, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo a regra do art. 173, nos demais casos. Cumpre destacar que o acórdão do mencionado REsp foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Considerandose o disposto no art. 62A do Regimento CARF (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e alterações), a regra de contagem de prazo decadencial aqui aplicável é aquela prevista no art. 173 do CTN, tendo em vista que não houve antecipação de IRPF no anocalendário de 1998, conforme Demonstrativo à fl. 12. Dessa forma, rejeitase a preliminar de decadência, eis que a ciência da autuação se deu em 19/03/2004 (fls. 09). Ainda em preliminar, o recorrente aduz ter havido erro na determinação da ocorrência do fato gerador. Se a lei prevê tributação mensal, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira, deve o lançamento espelhar o nascimento de doze obrigações tributárias para cada ano fiscalizado, com doze vencimentos diferentes, conforme dispõe o § 1º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Essa questão já foi muito debatida neste Conselho, firmandose o entendimento de que a mesma lei não determinou a tributação do crédito bancário sem origem comprovada de forma autônoma, mensal e definitiva. Apurase, portanto, a omissão em bases mensais, em observância à regra geral aplicável aos rendimentos auferidos por pessoas físicas, e tributase com os demais rendimentos sujeitos à Declaração de Ajuste Anual, com fato gerador em 31/12/1998. Neste sentido foi editada a Súmula CARF nº 38: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. No mérito, o autuado argumenta que teria havido erro na identificação do sujeito passivo. Ocorre que, como já relatado, o lançamento se fez com base na presunção de omissão de rendimentos estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A lei em questão estabelece que, em se tratando de contas conjuntas, cujos titulares apresentem declarações em separado, não restando comprovada a origem dos recursos ali depositados, após regular intimação, o montante dos rendimentos omitidos será dividido pelos cotitulares da conta. E foi isso que se fez no lançamento, eis que as contas objeto da autuação são de titularidade do contribuinte/cônjuge e o casal apresentou declaração em separado. A propósito, cumpre registrar que o entendimento deste Conselho, expresso na Súmula CARF nº 32 é que a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Dessa forma, não há o erro apontado. Os extratos bancários das contas de titularidade do contribuinte/cônjuge foram fornecidos à autoridade fiscalizadora por força de determinação judicial, exarada em Ação Ordinária de Restituição do Indébito, com Pedido de Tutela Antecipada, interposta pela Fl. 267DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10830.001396/200425 Acórdão n.º 210101.533 S2C1T1 Fl. 257 7 antiga empregadora contra o autuado, cujo resultado, transitado em julgado, foi a condenação do réu a restituir à pessoa jurídica Magneti Marelli do Brasil Ind. e Com. Ltda. os valores que havia, ilicitamente, subtraído da empresa e foram objeto dos depósitos nas contas bancárias mencionadas no lançamento. Uma vez comprovada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, razão pela qual não pode subsistir a exigência tributária em exame. De fato, a Sentença às fls. 68/92 é bastante explicita em estabelecer a vinculação das contas bancárias do autuado aos valores subtraídos da sua antiga empregadora, que atualizado à época já alcançava o montante de R$ 6.584.218,85. No mesmo sentido é a denúncia oferecida pelo Ministério Público à 4ª Vara Judicial da Comarca de Sumaré, consoante se constata às fls. 160/185, e demais documentos juntados aos autos (fls. 186/251). Por fim, cumpre registrar que a 1ª Turma Especial desta Câmara, ao apreciar o processo de nº 10830.001282/200485, que trata da outra metade dos créditos bancários tributados na cotitular das contas bancárias (Maria Eguimar Cavalini Urbano – esposa do autuado), em votação unânime, deu provimento ao recurso. Confirase: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS RECURSOS COMPROVADA. Uma vez comprovada a origem dos recursos, não há que se falar em omissão de rendimentos a que alude o caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Provido O julgamento do recurso que trata do lançamento relativo aos exercícios de 2000 e 2001 (processo nº 10830.007813/200362), realizado na sessão de 19/08/2009, que se refere aos mesmos fatos e contribuinte, segue o mesmo diapasão, consoante Acórdão de nº 220100.389, da lavra da 1ª Turma Ordinária/2ª Câmara desta Seção, cuja ementa transcreve se: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo uma vez que os valores de fato estavam na conta corrente da recorrente o que a princípio se caracteriza acréscimo patrimonial uma vez que entrou em sua conta, conforme dispõe o artigo 116, inciso III, da Lei 8,112/90, Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 Neste caso, a autuação fiscal está perfeita, pois tratase de conta conjunta com o cônjuge, que declaravam em separado, o que originou duas autuações com movimentação bancária dividida em dois lançamentos fiscais. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. DEPÓSITOS COM ORIGEM ILICITA. RECONHECIMENTO JUDICIAL. Os recursos depositados, por terem origem ilícita reconhecida Poder Judiciário, não podem ser considerados rendimentos omitidos para fins da aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, sob pena de nulidade do Auto de Infração. IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL DO ART. 42 DA LEI 9430/96, ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. COMPROVAÇÃO DE RECEITAS ORIUNDAS DE CRIME. A infração de omissão de rendimento oriundos de depósitos bancários de origem não comprovada, com base no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, se aplica quando o contribuinte, devidamente intimado, não comprova mediante documentação hábil e idônea a origem dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento de que seja titular. Com a origem identificada através de trânsito em julgado em sentença judicial confirmando que os depósitos bancários são oriundos de crime (roubo), não há que se falar em omissão de rendimentos para a tributação do IRPF. Recurso Voluntário Provido Em face ao exposto, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 05/0 4/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720048/2005-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Apr 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Assunto: IPI
Período de apuração: Dez/93 à Set/03
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3401-00.675
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos de voto do Relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Não Informado
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ementa_s : Assunto: IPI Período de apuração: Dez/93 à Set/03 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso negado.
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Numero do processo: 10109.001815/2006-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue May 25 00:00:00 UTC 2010
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Data do fato gerador: 18/10/2004, 21/10/2004
PROCESSO FISCAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Matéria não suscitada em sede de impugnação de lançamento não deve ser conhecida em recurso voluntário, tendo em vista a ocorrência
da preclusão processual (arts. 16, § 42, e 17 do Decreto IV
70.235/72).
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3202-000.119
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Recorrida DRJ FORTALEZA/CE ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 18/10/2004, 21/10/2004 PROCESSO FISCAL. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Matéria não suscitada em sede de impugnação de lançamento não deve ser conhecida em recurso voluntário, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual (arts. 16, § 42, e 17 do Decreto IV 70.235/72). RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. - JOSÉ -tUIZ_NOVO ROSSARI — Presidente e Relator FORMALIZADO EM: 29 de junho de 2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Heroldes Bahr Neto, Alan Fialho Gandra, Luciano Pontes de Maya Gomes, Rodrigo Cardozo Miranda e José Luiz Novo Rossari (Presidente). Ausente o Conselheiro João Luiz Fregonazzi. • Processo n° 10109.001815/2006-55 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.119 Fl. 312 Relatório Trata-se de recurso voluntário contra a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, que concluiu pela procedência dos lançamentos referentes a exigências de PIS e de Cofins, constantes de Autos de Infração lavrados em razão de o Fisco ter concluído pelo descumprimento do regime aduaneiro especial de drawback em importações realizadas pela recorrente acima identificada. A respeito, adoto o relatório componente do Acórdão proferido pela DRJ em Fortaleza/CE, que transcrevo, verbis: "Trata o presente processo de exigência da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Folinação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (PIS/PASEP- Importação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (COFINS- Importação), acrescidas de juros de mora e das respectivas multas de ofício, no percentual de 75%; perfazendo, na data da autuação, créditos tributários nos valores de R$ 124.385,74 e R$ 27.004,81, respectivamente, objeto dos Autos de Infração de fls. 31-39 e 40-50. 2. De acordo com a descrição dos fatos constante dos Autos de Infração, os créditos tributários decorrem do inadimplemento do compromisso de exportar relativo ao regime aduaneiro especial de drawback, modalidade suspensão, de que trata o Ato Concessório n° 20040251004. No relato dos fatos, são expendidas considerações genéricas sobre o regime de drawback, compreendendo sua definição, natureza jurídica, finalidade e procedimento de formalização e comprovação. A fiscalização relata ainda o seguinte: 2.1 os fatos narrados dizem respeito ao estabelecimento de CNPJ 25.068.87510044-96, localizado no município de Amambai - MS, responsável pelos despachos aduaneiros relativos ao regime aduaneiro especial de Drawback; 2.2 "as operações de drawback, que consistem na importação de produtos importados com os beneficios já citados e sua posterior exportação, não foram comprovadas" (sic); 2.3 a empresa utilizou a suspensão de tributos nas Declarações de Importação nos 04/1046018-9 e 04/1046019-7 (registradas em 18/10/2004) e 04/1064903-6, 04/1064904-4 e 04/1064906-0 (registradas em 21/10/2004); 2.4 a validade do Ato Concessório venceu em 11/04/2005, sem que ocorresse a exportação, inadimplemento confirmado em pesquisa no Sistema Siscomex; 2.5 os arts. 139, 159, 162 e 163 da Portaria Secex 11014, de 17/11/2004, alterada pela Portaria Secex n° 33, de 07/12/2005, dispõem sobre as obrigações do beneficiário para comprovação da operação de drawback, bem como as conseqüências do inadimplemento do regime; 2.6 por meio do regime de drawback, a empresa se beneficiou da suspensão do pagamento das contribuições para PIS/PASEP e da COFINS na importação, porém, como não comprovou a exportação deve, em observância ao 2 Processo n° 10109.001815/2006-55 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.119 H. 313 compromisso assumido no ato concessório, recolher os tributos e respectivas penalidades; 2.7 a empresa submeteu a despacho de importação, ao amparo do drawback, 110.000 Kg de peças desossadas bovinas, frescas ou refrigeradas; 2.8 as aliquotas das contribuições para PIS/PASEP e da COFINS importação, vigentes nas datas de registros da DIs, eram 1,65% e 7,60%, respectivamente. 3. Cientificado de lançamento em 25/08/2006, conforme' Aviso de Recebimento de fl. 53, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 55-60, em 26/09/2006, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: a) propugna pela anulação do lançamento, porque quando importou as mercadorias, "se por hipótese tivesse se beneficiado do aludido Regime Especial de Drawback sem quitar os tributos incidentes que estavam suspensos, é indiscutível que, ao promover a saída de tais mercadorias, tanto o PIS/PASEP corno o COFINS, foram recolhidos"; b) se prevalecer a exigência formulada no auto de infração, restará caracterizado o bis in idem, uma vez que estarão sendo cobrados novamente os mesmos tributos que foram pagos na "seqüência da operação", acrescidos de multa, atualização monetária e juros de mora; c) os tributos (PIS/PASEP e COFINS) vêm sendo pagos regularmente,- porém a autuação refere-se a tributos que teriam sido gerados em 2004, pertinentes a uma filial da impugnante, que foi desativada; d) com base no principio constitucional da ampla defesa e nos termos do que dispõe o Decreto tf 70.235/1972 com as alterações introduzidas pelas Leis nos 8.748/1993 e 9.532/1997, protesta pela posterior exibição e juntada dos comprovantes de pagamento, sendo necessário um prazo mínimo de 90 dias para que localize os DARFs correspondentes, devendo ser reconhecida, ao final, a insubsistência da autuação." O julgamento de primeira instância foi realizado pela 2' Turma da DRJ em Fortaleza/CE, nos termos do Acórdão DRJ/FOR if 08-11.016, de 26/6/2007 (fls. 105/110), cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 18/10/2004, 21/10/2004 DRAWBACK. INADIMPLEMENTO TOTAL. O inadimplemento do regime aduaneiro especial de drawback, em razão do descumprimento do compromisso de exportar,• impõe o recolhimento dos tributos suspensos, acrescidos dos encargos morató rios. Não havendo o recolhimento espontâneo, é cabível o lançamento de ofício dos tributos incidentes na importação, acrescidos de multa de 75% e juros de mora. • Lançamento Procedente" A decisão manteve a exigência fiscal, levando em consideração as informações fiscais que concluíram pela não efetivação das exportações, o que não foi contestado pela impugnante, e também o fato de não haver prova do recolhimento espontâneo r 3 Processo n° 10109.001815/2006-55 S3-C2T2 Acórdão n°3202-00.119 Fl. 314 dos tributos suspensos. Aduziu ser descabido o argumento da contribuinte de que os tributos que estavam suspensos teriam sido recolhidos ao promover a saída da mercadoria, tendo em vista não ter sido apresentada prova desse recolhimento; e que, ademais, não cabe confundir as contribuições para o Pis/Pasep e Cofins, cujo fato gerador é a entrada dos bens estrangeiros no Pais, com essas contribuições quando exigidas com base no faturamento mensal da empresa, por se tratarem de fatos geradores distintos, sendo impertinente falar em bis in idem. A contribuinte apresenta recurso às fls. 117/306, alegando que: • a decisão recorrida não deve prosperar, vez que a obrigação de exportar foi integral e tempestivamente cumprida, conforme pesquisa realizada no Siscomex e discriminação de Registros de Exportação (REs) que faz na peça recursal; • os REs discriminados estão vinculados ao Ato Concessório n° 20040251004 e as exportações foram realizadas dentro do prazo de validade do mesmo, qual seja, 11/4/2005; • as exportações totalizam quantidade maior do que a quantidade importada; • assim, não há que se falar em inadimplemento do regime por descumprimento do compromisso de exportar; • transcreve o art. 132 da Portaria Secex n° 14, de 17/11/2004, alterada pela Portaria Secex no 33, de 7/12/2005, que estabelece que, como regra geral, fica dispensada a apresentação de documentos impressos na habilitação e na comprovação das operações amparadas pelo regime de drawback e determina a mantença dos documentos (DIs e REs) pelo prazo de 5 anos para eventual verificação pelo Decex; e assim, anexa toda a documentação necessária para uma eventual verificação acerca das exportações realizadas. Pelo exposto, requer seja acolhido o recurso para o fim de que não prosperem os Autos de Infração, assim como a decisão recorrida, esperando sejam cancelados os débitos fiscais relativos a este processo. - É o relatório. 4 Processo n° 10109.001815/2006-55 S3-C2T2 Acórdão n°3202-00.119 Fl. 315 Voto Conselheiro JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Verifico que em sua impugnação a interessada requereu a anulação dos Autos de Infração, alegando que "se por hipótese tivesse se beneficiado do aludido Regime Especial de Drawback sem quitar os tributos incidentes que estavam suspensos, é indiscutível que, ao promover a saída de tais mercadorias, tanto o PIS/PASEP como o COFINS, foram recolhidos", e que, portanto, se prevalecer a exigência fiscal, restaria caracterizado o "bis in idem", urna vez que se estaria cobrando novamente as contribuições. E acrescentou que a Receita Federal está cobrando novamente os mesmos tributos que foram pagos na seqüência da operação e que tais contribuições vêm sendo pagas regularmente. Ao final, protestou pela ulterior exibição e juntada dos comprovantes de pagamento, solicitando um prazo mínimo de 90 dias para que localize os DARFs correspondentes. Essas, as alegações constantes da impugnação apresentada pela interessada. Já em sede de recurso voluntário, a recorrente apresenta alegações que em nada se identificam com as que inicialmente apresentou em sua impugnação. Com efeito, antes alegou que as contribuições exigidas pelo Fisco estavam sendo pagas, solicitando prazo para tal comprovação. No recurso voluntário, traz alegações que dizem respeito exclusivamente à comprovação do regime aduaneiro especial de drawback, modalidade de suspensão, acrescentando que as exportações foram realizadas e que o regime foi adimplido, para o que anexa as impressões dos Registros de Exportação correspondentes ao beneficio. É entendimento pacificado no âmbito administrativo processual que matéria não suscitada em sede de impugnação de lançamento não deve ser conhecida em recurso voluntário, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual (arts. 16, § 0, e 17 do Decreto riY- 70.235/72). A respeito, transcreve-se precedente em acórdão que trata de matéria idêntica, verbis: "NORMAS PROCESSUAIS — PRECLUSÃO. Não é licito inovar na postulação recursal para incluir questão diversa daquela que foi originariamente deduzida quando da impugnação do lançamento na instância a quo. Comina-se a esses casos a perda da faculdade processual de contestar, por força do principio da preclusão. ...". (Recurso Voluntário n° 125984, 20 CC Ac. 202- 15728, de 11/08/2004). 5 - Processo n° 10109.001815/2006-55 S3-C2T2 Acórdão n.° 3202-00.119 Fl. 316 Verifica-se que é exatamente o caso sob exame, em que a recorrente em seu recurso voluntário trouxe alegações de defesa que em nada diziam respeito com as que suscitou originariamente em sua impugnação. Recurso que não ataca a decisão recorrida c seus fundamentos não deve ser conhecido, porque tal procedimento implica supressão de instância, visto que impede o exame da lide pelas duas instâncias administrativas. De outra parte, mesmo que o recurso pudesse ser conhecido, também' não teria razão a recorrente, visto que, em consulta feita pelo Fisco no módulo especifico do Siscomex para verificar a situação da interessada, no curso da ação fiscal, foi obtida a informação "OBSERVAÇÃO DO DECEX: INADIMPLEMENTO TOTAL, COM BASE NO ARTIGO 162 DA PORTARIA DE 17/11/2005. SUJEITO A RECURSO NA FORMA DA LEI 9784/99", que é clara quanto ao inadimplemento do regime, e que tal informação ainda hoje permanece no site do Siscomex, onde consta "Inadimplente Total". A respeito, a permanência dessa observação no módulo drawback demonstra que o status da beneficiária não teve alteração, permanecendo sob condição de inadimplente até o momento. Ou seja, mesmo com a possibilidade de recurso nos termos da Lei ri 9.784/99, e havendo ou não o beneficiário se utilizado desse instrumento para questionar a manifestação da Secex, esse órgão manteve a decisão de considerar inadimplente a empresa beneficiária. Diante do exposto, voto por que não seja conhecido o recurso voluntário. Sala das Sessões, em 26 de maio de 2010 - JOS IZ NOVO ROSSARI • 6
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Numero do processo: 11080.011713/2007-57
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RESSARCIMENTO. DEFERIMENTO PARCIAL FUNDADO NA ACUSAÇÃO DE NÃO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DE PARTE DAS RECEITAS DA PESSOA JURÍDICA.
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não incorre em vício de nulidade o despacho decisório que, a propósito do exame de pedido de ressarcimento, defere apenas parcialmente a pretensão amparando-se no argumento de que o requerente não teria oferecido à tributação, em toda extensão, os fatos geradores supostamente praticados no período de apuração.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS.
HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. NÃO-CARACTERIZAÇÃO.
Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da contribuição ao PIS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo.
CONTRIBUIÇÃO AO PIS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE “INSUMO”.
Os “insumos” geradores de direitos de crédito no âmbito do PIS e da COFINS não-cumulativos não são somente aqueles a que alude a legislação do IPI, designadamente, as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. A amplitude, aqui, é maior e abriga, sem prejuízo de outros itens, ao menos os valores computáveis, pelo método de absorção, no “custo de produção”, conforme artigo 290, do RIR/99.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3403-000.913
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para restabelecer o direito de crédito do contribuinte em relação as recuperações de despesas e aos valores lançados na conta “manutenção de prédios”, nos
termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl quanto à “manutenção de prédios”. Os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Antonio Carlos Atulim votaram pelas conclusões.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RESSARCIMENTO. DEFERIMENTO PARCIAL FUNDADO NA ACUSAÇÃO DE NÃO OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO DE PARTE DAS RECEITAS DA PESSOA JURÍDICA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não incorre em vício de nulidade o despacho decisório que, a propósito do exame de pedido de ressarcimento, defere apenas parcialmente a pretensão amparandose no argumento de que o requerente não teria oferecido à tributação, em toda extensão, os fatos geradores supostamente praticados no período de apuração. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. NÃOCARACTERIZAÇÃO. Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da contribuição ao PIS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE “INSUMO”. Os “insumos” geradores de direitos de crédito no âmbito do PIS e da COFINS nãocumulativos não são somente aqueles a que alude a legislação do IPI, designadamente, as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. A amplitude, aqui, é maior e abriga, sem prejuízo de outros itens, ao menos os valores computáveis, pelo método de absorção, no “custo de produção”, conforme artigo 290, do RIR/99. Recurso provido em parte. Fl. 239DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para restabelecer o direito de crédito do contribuinte em relação as recuperações de despesas e aos valores lançados na conta “manutenção de prédios”, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Robson José Bayerl quanto à “manutenção de prédios”. Os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Antonio Carlos Atulim votaram pelas conclusões. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório A ora recorrente formulou pedido de ressarcimento de créditos de COFINS acumulados, sob o regime da nãocumulatividade da Lei no. 10.833/03, ao término do quarto trimestre de 2006 como decorrência do desempenho de atividade exportadora. Esta sua iniciativa mobilizou a auditoria fiscal da DRFPorto Alegre/RS a, via procedimento fiscalizatório, averiguar a existência e a extensão dos direitos afirmados pela interessada. Fato é que, no relatório preparado ao cabo da investigação, a auditoria tributária descreve uma série de supostas irregularidades cometidas pela requerente na determinação seja dos próprios custos e despesas que ensejam o direito de crédito, seja da base de cálculo da exação, nos períodos de apuração considerados. Daí porque, reconheceu apenas parcialmente o crédito pretendido em pecúnia (fls. 77/83). A contribuinte, insatisfeita, opôs manifestação de inconformidade ao despacho decisório para, em síntese, sustentar (fls. 105/125): (a) preliminarmente, a nulidade do decisum em virtude da alegada indispensabilidade de lançamento para a constituição do crédito tributário sobre valores não oferecidos à tributação espontaneamente; (b) relativamente às glosas, o direito à apropriação de créditos sobre as seguintes rubricas: dispêndios escriturados nas contas “manutenção de prédios” (35120025 e 35520025) e “materiais para consumo próprio” (35120099 e 35520099); lançamentos à conta “compras para recebimento futuro” (CFOP 1.116 e 2.116); despesas incorridas com locação de veículos; e, ainda, com o custeio de frete contratado para entrega de peças em garantia; Fl. 240DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.011713/200757 Acórdão n.º 340300.913 S3C4T3 Fl. 2 3 (c) relativamente à base de cálculo do tributo, a insujeição à incidência de valores resultantes da “recuperação de despesas” e da contraprestação pela transferência onerosa de saldo acumulado do ICMS a terceiros. Desprovida a irresignação pela DRJPorto Alegre/RS (fls. 144/148), a requerente interpôs recurso voluntário a fim de acionar a revisão da matéria por este Colegiado (fls. 153/171). A então Segunda Turma Ordinária da Segunda Seção do CARF, todavia, preferiu converter o julgamento em diligência por meio da Resolução no. 220200.023, objetivando, com a providência, melhor esclarecer a natureza de valores sobre os quais a interessada calculara seus créditos e, também, de rubricas não voluntariamente expostas à tributação. Cumprida a diligência e colhida a manifestação da parte, retornam os autos para conclusão do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso cumpre com os pressupostos de admissibilidade, inclusive com aquele tocante ao prazo de interposição. Sustenta a interessada, em preliminar, a ocorrência de nulidade no despacho decisório. O vício estaria no deferimento apenas parcial do crédito almejado sem o correspondente lançamento tributário, ato que, segundo alega, seria indispensável à inclusão, na base de cálculo do tributo, de rubricas não espontaneamente oferecidas à incidência. Daí resultaria, no entender da recorrente, comprometimento do contraditório e da ampla defesa. Realmente, infiro do relatório elaborado ao cabo do procedimento instaurado pela fiscalização que o ressarcimento pretendido resultou deferido somente em parte não apenas em razão de supostos excessos na apropriação dos direitos de crédito, mas também como decorrência da nãosujeição à exação de determinados ingressos auferidos pela pessoa jurídica. Não observo qualquer nulidade, todavia, neste procedimento – que, em suma, consiste em negar total ou parcialmente o ressarcimento requerido como resultado da apuração de insuficiência no cálculo do débito tributário por parte do particular obrigado. E, para chegar à conclusão, fiome, entre outros, aos seguintes motivos: (a) o despacho decisório que, sob tal fundamentação, indefere o pedido de ressarcimento tanto obedecerá a pressupostos formais equivalentes ao do lançamento de ofício, como revestirá conteúdo material próprio deste ato: verificará a ocorrência do fato gerador, determinará a matéria tributável, calculará o montante devido e, enfim, identificará o sujeito passivo; Fl. 241DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 (b) o contencioso posto à disposição do sujeito passivo tributário após a prolação do despacho decisório observa o rito do Decreto no. 70.235/72, isto é, deflagrase sob procedimento idêntico àquele a que o obrigado teria direito caso a constituição do débito tributário se desse através de ato autônomo, o que esvazia o argumento de prejuízo à ampla defesa; (c) a omissão da recorrente no oferecimento à tributação das verbas apontadas pela fiscalização não lhe rendeu, in casu, a imposição seja de multa de ofício, seja de juros moratórios, vantagem esta que, à toda evidência, não lhe acudiria caso a formalização do crédito ocorresse em separado (Lei no. 9.430/96, arts. 44, I e 61, §3o); e (d) não é razoável supor que, mesmo constatando a irregular supressão do tributo devido, esteja o Fisco compelido a restituir em pecúnia o valor pretendido pelo contribuinte para, em separado e apenas ao término do procedimento administrativo, obter autorização para perseguir o crédito tributário. Rejeitada, nestes termos, a preliminar, avanço ao mérito da controvérsia iniciando pelo debate do débito tributário atribuído ao sujeito passivo pela fiscalização. Neste particular, são as seguintes as matérias debatidas no recurso voluntário: a intributabilidade das contraprestações recebidas de terceiros pela transferência de saldo credor do ICMS; a insujeição, ao tributo, de valores percebidos a título de recuperação de despesas; e, por fim, a exclusão em duplicidade, da base imponível, dos valores auferidos com a alienação de bens do ativo permanente. Limitome a constatar, quanto ao primeiro tema, que no quarto trimestre de 2006, período ao qual se reporta o pedido de ressarcimento objeto de exame nestes autos, a ora recorrente não chegou a realizar transações envolvendo créditos de ICMS. É o que se pode inferir tanto da relação de operações contida às fls. 64, como, depois, da planilhasíntese das diferenças de cálculo do tributo construída às fls. 73. Isso se explica pelo fato de que o relatório de informação fiscal constante de fls. 77/83 resulta de auditoria que não se restringiu à aferição do direito creditório reivindicado nestes autos, mas, com maior abrangência, serviu a uma série de pedidos de ressarcimento sucessivamente formulados pela parte. Nem todos os vícios relatados pela fiscalização, portanto, se manifestam em todos os períodos de apuração e, por conseguinte, em todos os trimestres envolvidos nos diferentes processos. É o caso da cessão de créditos de ICMS que, como observado, não chegou a ser praticada nos meses em consideração nos autos em questão. Em situação idêntica se coloca o problema da dupla exclusão, da base de cálculo, do preço pela alienação de itens do ativo permanente. Também aqui o fenômeno está circunscrito a períodos de apuração – julho e outubro de 2004 e abril de 2005 – não associados ao ressarcimento discutido nestes autos (fls. 73). Já no que respeita à recuperação de despesas e à sujeição de seus valores ao tributo, verifico que a fiscalização não se ocupou da pesquisa e da identificação da natureza das quantias lançadas sob tal rubrica, na escrituração comercial da empresa. Antes, bastouse com a constatação de valores contabilizados a este título, forte no argumento de que, de acordo com as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03, somente as receitas nelas expressamente referidas estão excluídas da respectiva base de cálculo. Por proposta deste relator, a Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF procurou elucidar o vazio, convertendo o julgamento do recurso em diligência. Na ocasião, determinouse ao órgão de origem que, “via exame da escrituração contábil do período e, se necessário, pelo suporte documental que lhe serve”, identificasse “(a) a origem e (b) a Fl. 242DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.011713/200757 Acórdão n.º 340300.913 S3C4T3 Fl. 3 5 natureza dos valores lançados na conta”. Consignouse, ainda, que o propósito da diligência, neste particular, consistia em “conhecer a espécie de custo supostamente reembolsado à recorrente e/ou o negócio jurídico que lhe é subjacente, sem o que não é possível qualificar o ingresso como receita.” O relatório da diligência, porém, pouco contribuiu para estas finalidades. Sem se debruçar sobre o contexto negocial em que a recorrente aufere os valores lançados nesta conta, a autoridade preparadora, telegráfica, se limita a narrar que a quantia se refere a “reembolso com gastos com hospedagem, gastos com translado (sic) (passagens aéreas e táxi), a despesas de serviço de atendimento técnico, entre outros”. Sob tais circunstâncias, ganha em importância a regra de atribuição do ônus da prova. Embora produzido ao ensejo do pedido de ressarcimento, o despacho decisório opera, aqui, no sentido de constituir o crédito tributário, tal qual se fora o próprio ato de lançamento suplementar do artigo 149, V, do CTN. E se é assim, para manter a coerência, tenho que a regra aplicável quanto à distribuição do ônus da prova é aquela regente da atividade de lançamento propriamente dita. Se o contribuinte escritura determinados valores em conta intitulada “recuperação de despesas”, é de se presumir – até demonstração em contrário – que esta é, de fato, a natureza destas importâncias. Para que aqui estivéssemos cogitando de coisa diversa seria, portanto, indispensável que a acusação fiscal fosse nesse sentido: a de que, ao abrigo da conta destinada ao lançamento de reembolso de despesas, a contribuinte escriturasse valores de outras origens. Não foi o que fez a autoridade encarregada, contudo. Seu argumento não é o de que a conta de recuperação de despesas contém escriturados valores de natureza diversa, mas sim o de que, em si, despesas recuperadas constituem percepção de verdadeiras receitas e, portanto, de ingressos integrantes da base de cálculo da exação. É este o ponto em que divergimos. Nota fundamental à caracterização de receita é a de se tratar de riqueza nova, consistente seja no acréscimo de novos direitos ao patrimônio do sujeito, seja na valorização de direitos nele já previamente existentes. Este aspecto do conceito, todavia, não está presente nas situações em que a pessoa jurídica se limita a obter o reembolso de custos ou despesas previamente incorridos. Por todos, leiase em José Antonio Minatel: “(...) tratandose de despesa ou custo anteriormente suportado, sua recuperação econômica em qualquer período posterior, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial, não ostenta qualidade para ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou negócio jurídico (materialidade), além de faltar o atributo da disponibilidade de riqueza nova. (...) parece evidente que o valor recebido a título de reembolso equivale a um estorno de despesa anteriormente registrado, por se caracterizar em simples recomposição de valor patrimonial, não reunido qualquer dos atributos que permita aproximar o reembolso de despesa ao conceito de receita.” (Conteúdo do Fl. 243DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, p. 218/219) A redução do crédito pretendido em ressarcimento não deve prevalecer, portanto, no que decorra da inclusão, na base de cálculo do tributo, de valores pertinentes à recuperação de custos ou despesas. Estas considerações encerram o capítulo dedicado ao debate das obrigações tributárias constituídas pela fiscalização, por ocasião do exame do pedido de ressarcimento. O capítulo seguinte, a sua vez, está voltado à discussão das glosas propriamente ditas ao direito de crédito afirmado pelo sujeito passivo. Estão em pauta, portanto, a dinâmica da “nãocumulatividade” instituída pelas Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 e, em especial, as categorias de valores sobre os quais o sujeito passivo do tributo tem permissão para apurar direitos de crédito. Nesta análise, interessa particularmente o inciso II, do artigo 3o destes dois diplomas, de acordo com o qual cabe o creditamento sobre o montante de “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Toda divergência que o dispositivo provoca decorre da extensão do direito de crédito nele assegurado, o que passa pela demarcação do que seja, enfim, “insumo” para fins da “nãocumulatividade” nestas duas exações. Sua compreensão a respeito o Fisco não tardou em divulgar por meio da IN no. 247/02 (com a redação da IN no. 358/03), adaptando, para o âmbito do PIS, conceito que construiu e consagrou na sistemática de apuração do IPI. Vejase: “Art. 66. (...) §5o Para os efeitos da alínea ‘b’ do inciso I do caput, entendese como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;” Desta compreensão quanto a abrangência do instituto é que a autoridade de origem e a DRJ recorrida retiram inspiração para, no caso concreto, recusar, por exemplo, o direito de crédito sobre verbas empregadas na manutenção das instalações onde funciona a unidade produtiva da ora recorrente. Embora respeite o entendimento, partilho de orientação diversa a respeito. Observo, em primeiro lugar, que quando da promulgação das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03, a Constituição Federal não impunha – como, de resto, até hoje não impõe – a não cumulatividade em se tratando das contribuições arrecadadas para a Seguridade Social. Daí não defluia, todavia, estivesse o legislador infraconstitucional impedido de disciplinála no âmbito destas espécies tributárias. Significava, tãosomente, que a adoção e o regramento da técnica permanecia na inteira discrição do legislador ordinário. Fl. 244DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.011713/200757 Acórdão n.º 340300.913 S3C4T3 Fl. 4 7 Foi o que possibilitou a implementação, primeiramente na contribuição ao PIS e, depois, na COFINS, de uma “nãocumulatividade”, digamos, “imprópria”. Imprópria por cotejar, de um lado, base de cálculo composta pela totalidade das receitas da pessoa jurídica e, de outro, não admitir senão determinadas deduções, definidas em lista taxativa. Imprópria, também, porque o direito de crédito garantido não corresponde, sempre e necessariamente, aos valores de PIS e de COFINS efetivamente devidos na incidência anterior. Aliás, dada a especificidade da hipótese de incidência das duas contribuições, é até mesmo inadequado falar, aqui, num sentido convencional de nãocumulatividade. É que, enquanto o ICMS e o IPI – impostos em que a técnica encontra máxima aplicação – têm por hipótese de incidência operações sucessivas de uma mesma cadeia produtiva ou mercantil, o PIS e a COFINS gravam fato jurídico, a receita, cuja ocorrência é independente de acontecimentos anteriores ou posteriores. A diferença não passou despercebida por Ricardo Mariz de Oliveira, para quem: “Realmente, a COFINS e a contribuição ao PIS, que são tributos cujas hipótese de incidência são a receita ou o faturamento, a rigor sequer têm incidência multifásica, pois são devidos sempre que houver receita (de faturamento ou não), a qual se constitui em um substrato específico e isolado de qualquer outro fenômeno jurídico ou econômico.” Por isso, dirá, “diferentemente de outros tributos, as duas contribuições podem incidir sobre as receitas de sucessivos faturamentos de uma mesma mercadoria, ou sobre as receitas de sucessivas alienações de um mesmo bem imóvel, ou sobre as receitas de sucessivas prestações de serviços para obtenção de um bem imaterial mais completo, ou sobre sucessivas receitas de alugueres mensais de um mesmo bem, e em muitas outras situações. Mesmo neste caso – adverte – as duas contribuições não são jurídicamente plurifásicas, eis que tomam por substrato cada fato isolado e de per si, isto é, cada fato de ser auferida uma receita” (Aspectos relacionados à ‘nãocumulatividade’ da COFINS e da Contribuição ao PIS. PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 27). Já nos casos de IPI e de ICMS, como suas hipóteses de incidência estão associadas à circulação econômica da coisa, o direito de crédito que realiza a não cumulatividade resulta do ingresso desta e, eventualmente, de outras que interagem fisicamente entre si para, transformadas, se submeterem a uma nova incidência na etapa subseqüente da cadeia. É por isso mesmo que, no contexto destes dois impostos, apenas os insumos agregados ao produto em fabricação ou que se desgastam em contato direto com ele – designadamente, as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem – proporcionam direito de crédito ao contribuinte. E o importante: em ambas as exações, a limitação resulta não apenas da coerência intrínseca da espécie, mas, com maior relevo, de prescrição normativa expressa. No caso do IPI, refirome ao artigo 226, inciso I do atual Decreto no. 7.212/10. Na disciplina das Leis no. 10.637/02 e 10.833/03 não se encontra, todavia, restrição semelhante, assim como não há comando no sentido da aplicação subsidiária, na matéria, de conceitos ditados pela legislação do IPI. Esta a razão pela qual, a meu sentir, Fl. 245DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 inexiste fundamentação de hierarquia legal a amparar as limitações prescritas pelas INs nos. 247/02 e 404/04. Neste sentido, voto do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, ao ensejo do julgamento do processo no. 13974.000199/200361: “Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de ‘insumos’ aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão ‘insumos’, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu ‘serviços’, de nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem.” Não fosse por isso, conclusão semelhante se imporia pela própria literalidade do vocábulo “insumo”, a identificar “cada um dos elementos (matériaprima, equipamentos, capital, horas de trabalho etc.) necessários para produzir mercadorias ou serviços; input” (Dicionário Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Objetiva). Daí a conclusão de Mariz de Oliveira, para quem, no âmbito da contribuição ao PIS e da COFINS, “constituemse em insumos para a produção de bens ou serviços não apenas as matérias primas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem e outros bens quando sofram alteração, mas todos os custos diretos e indiretos de produção, e até mesmo despesas que não sejam registradas contabilmente a débito do custo, mas que contribuam para a produção” (ob. cit.,p. 47). Este entendimento encontra justificação normativa no conceito de “custo por absorção”, com base no qual a legislação do imposto de renda determina a apuração dos custos da atividade produtiva, para fins de apuração do resultado tributável. De acordo com o princípio, enunciado pelo artigo 13, do Decretolei no. 1.598/77 e reproduzido no artigo 290 do atual RIR (Decreto no. 3.000/99), o custo do estoque de produtos acabados e em processo de industrialização deve corresponder a “todos os custos diretos (material, mão de obra e outros) e indiretos (gastos gerais de fabricação) necessários para colocar o item em condições de venda. (Manual de contabilidade societária. FIPECAFI/Atlas, 2010, p. 83). Leiase o dispositivo: “Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: I – o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II – o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; Fl. 246DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11080.011713/200757 Acórdão n.º 340300.913 S3C4T3 Fl. 5 9 III – os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV – os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V – os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção.” No conceito, portanto, estão incluídos, sem prejuízo de outros itens, (i) o custo de aquisição dos materiais envolvidos na produção, (ii) o custo de mãodeobra direta, compreendendo a remuneração do pessoal vinculado à produção e os respectivos encargos sociais e previdenciários, e (iii) os gastos gerais de fabricação, também chamados de custos indiretos, entre os quais inspeção, manutenção, almoxarifado, supervisão, depreciação, energia, seguros etc. Incorrendo em tais dispêndios perante pessoas jurídicas domiciliadas no País, o contribuinte tem, pois, em princípio, assegurado o direito ao creditamento. Não vejo como prosperar, desta maneira, a glosa dos valores escriturados pela ora recorrente na conta por ela intitulada “manutenção de prédios” (35120025 e 35520025), sobretudo depois de, ao ensejo da diligência, a autoridade de origem ter constatado que, ali, estão compreendidos os valores despendidos pela pessoa jurídica na manutenção e conservação da unidade fabril, designadamente, com a contratação de serviços de reforma de portões de acesso, pintura, instalação de meiofio e eliminação de pragas, insetos e roedores. Observo, todavia, que pelo exame das planilhas de fls. 64/76 anexas ao relatório de informação fiscal, não me foi possível afirmar que, no trimestre objeto deste particular ressarcimento, a autoridade de origem tenha reduzido o montante do crédito em virtude deste motivo: a manutenção de prédios da recorrente (contas 35120025 e 35520025). Daí porque, na execução do julgado, deverá o órgão preparador se certificar a respeito para, se o caso, restabelecer na medida exata o direito creditório aqui reconhecido à contribuinte. Destino diverso, a meu ver, merece o creditamento sobre o escriturado na conta chamada “materiais para consumo próprio”. Sustentando que os dispêndios ali contabilizados não se vinculariam diretamente à produção, a fiscalização glosou a apropriação de créditos sobre os valores correspondentes, ao que, irresignada, a recorrente respondeu sustentando se tratar, em verdade, de materiais de manutenção e reposição de máquinas. Mais uma vez, ante a superficialidade da prova colacionada aos autos e do resultado inconclusivo da diligência, socorrome da regra de distribuição do ônus da prova. Aqui, porém, estamos no campo do direito de crédito propriamente reivindicado, em relação ao qual o sujeito passivo tributário ocupa a posição de postulante. É em seu desfavor, portanto, que entendo deva ser solucionada a disputa, ante a insuficiência de elementos probatórios seguros num ou noutro sentido. Quanto ao mais, mantenho inalteradas as conclusões do julgamento em Primeiro Grau, pela DRJPorto Alegre. No que se refere ao fretegarantia, quer dizer, às despesas incorridas pela recorrente na contratação de serviço de transporte de peças de reposição de produtos protegidos pela garantia contratual, pareceme acertada a exegese segundo a qual não se trataria de “frete na operação de venda” a que alude o inciso IX do artigo 3o, das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 247DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 No que pertine às locações de veículos, rejeito o argumento da recorrente para quem o direito de crédito decorreria do só fato da sujeição à tributação da receita correspectiva auferida pelo locador. Como já expus mais acima, na sistemática de apuração “nãocumulativa” do PIS e da COFINS, não basta, para a titulação do direito de crédito, que a operação anterior haja sido tributada. Por outro lado, não evidenciando se tratar da locação de máquinas ou equipamentos ou de qualquer outro insumo da atividade produtiva, a glosa procede. Por fim, igualmente procede a recusa do crédito apropriado sobre valores lançados em conta intitulada “compras para recebimento futuro”, eis que, como bem observado no aresto recorrido, a interessada não documentou suficientemente se tratar de aquisições destinadas a revenda ou à aplicação no processo produtivo. Em conclusão, meu voto é no sentido do provimento parcial do recurso voluntário, a fim de se reformar o acórdão recorrido e o despacho decisório tãosomente para restabelecer o direito creditório indevidamente reduzido em relação à recuperação de despesas e aos valores lançados na conta “manutenção de prédios” (35120025 e 35520025), neste último caso com observância, pelo órgão preparador, das instruções constantes deste voto no que concerne à identificação dos respectivos valores. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 248DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 02/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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