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Numero do processo: 15979.000199/2007-71
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2007
REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO.
A contribuição do segurado empregado encontra respaldo nos artigos 12 inciso I; 20; 28 inciso I, 30 inciso I, todos da Lei n º8.212/91.
A contribuição do segurado contribuinte individual encontra respaldo nos artigos art. 12, inciso V; art. 21; art. 28, inciso III, art. 30 inciso II e parágrafos 2º., 4º. e 5º., da Lei nº8.212/91.
A contribuição a cargo da empresa encontra respaldo legal nos artigos 22 e 33, da Lei nº 8.212/91.
PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE DO LANÇAMENTO.
Há presunção de veracidade dos atos da administração pública que somente se sucumbe quando se demonstra o equívoco do alegado.
MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.663
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Eduardo de Oliveira que fará declaração de voto.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/01/2007 REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADO E CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONTRIBUIÇÃO. A contribuição do segurado empregado encontra respaldo nos artigos 12 inciso I; 20; 28 inciso I, 30 inciso I, todos da Lei n º8.212/91. A contribuição do segurado contribuinte individual encontra respaldo nos artigos art. 12, inciso V; art. 21; art. 28, inciso III, art. 30 inciso II e parágrafos 2º., 4º. e 5º., da Lei nº8.212/91. A contribuição a cargo da empresa encontra respaldo legal nos artigos 22 e 33, da Lei nº 8.212/91. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. Há presunção de veracidade dos atos da administração pública que somente se sucumbe quando se demonstra o equívoco do alegado. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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CONTRIBUIÇÃO. A contribuição do segurado empregado encontra respaldo nos artigos 12 inciso I; 20; 28 inciso I, 30 inciso I, todos da Lei n º8.212/91. A contribuição do segurado contribuinte individual encontra respaldo nos artigos art. 12, inciso V; art. 21; art. 28, inciso III, art. 30 inciso II e parágrafos 2o., 4o. e 5o., da Lei n º8.212/91. A contribuição a cargo da empresa encontra respaldo legal nos artigos 22 e 33, da Lei n º8.212/91. PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE DO LANÇAMENTO. Há presunção de veracidade dos atos da administração pública que somente se sucumbe quando se demonstra o equívoco do alegado. MULTA. RETROATIVIDADE. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000199/200771 Acórdão n.º 280300.663 S2TE03 Fl. 120 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Eduardo de Oliveira que fará declaração de voto. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Wilson Antonio de Souza Corrêa, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000199/200771 Acórdão n.º 280300.663 S2TE03 Fl. 121 3 Relatório O presente lançamento referese à cobrança de contribuições previdenciárias correspondentes à parte da empresa e as destinadas aos Terceiros (Salário Educação, INCRA, SEST, SENAT e SEBRAE), competências 01/2005 a 01/2007, relativas às remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais (transportadores autônomos e retirada de prólabore dos sócios), não declarados em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Consoante Relatório Fiscal de fls. 54/59, a fiscalização observouse que o contribuinte consta como "não optante pelo simples", tendo sido excluído a partir de 01/01/2000. O contribuinte demonstrou que o Ato Declaratório Executivo DRF/STS n° 11/2005 que determinou sua exclusão foi cancelado mediante decisão da 1° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo, fato este que restabelecia sua condição de empresa optante pelo Simples. Ocorre que, no exercício de 2005, o sujeito passivo espontaneamente adotou a forma de tributação pelo Lucro Presumido ao recolher segundo este sistema o imposto devido referente ao primeiro período de apuração, situação esta definitiva e irretratável, conforme expressa disposição do art. 516 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99. Salientese que o contribuinte ratificou esta opção com a entrega do Ajuste Anual pelo Lucro Presumido (fls. 60/69). Ademais, no exercício de 2005 o sujeito passivo ultrapassou o limite legal para sua possível manutenção no sistema simplificado (receita bruta neste exercício atingiu o montante de R$ 1.548.864,30; sendo que o limite legal vigente para época era de R$ 1.200.000,00, conforme art. 9° da Lei n° 9.317/96). O contribuinte tomou ciência da notificação em 28/03/2007 (fls. 01). Inconformado, apresentou impugnação às folhas 73 a 75. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento, fls. 84 a 90. O contribuinte tomou ciência da decisão em 17/09/2007 (fls. 95), apresentando recurso voluntário em 25/10/2007, fls. 98 a 100, alegando em síntese: a eventual mudança do regime fora por iniciativa da empresa, sem qualquer interesse de prejudicar os recolhimentos exigidos e legais. O regime do ramo de fretes sempre fora o “simples”. A aplicação da multa, não pode prevalecer porque o ato declaratório de excluíla do simples para outro sistema fora por absoluta desconexidade, naturalmente por informações errôneas. não há comprovação do nexo causal de ter praticado a infringência dos não recolhimentos das contribuições aos empregados. Não há ilícito de sonegação. Foram prestadas todas as informações exigidas, inclusive com o fornecimento de documentos. A exclusão do regime “simples” fora por imposição da fiscalização; reitera o desbloqueio da soma que se encontra a disposição da recorrida, por tutela antecipada, atendendo o artigo 273, do C.P.C., também, o 649, do mesmo CODEX, posto que se refere ao pagamento de salários. Requer a dispensa do depósito recursal. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000199/200771 Acórdão n.º 280300.663 S2TE03 Fl. 122 4 o lançamento não pode prevalecer porque os elementos são precários e sem a sustentabilidade do convencimento. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000199/200771 Acórdão n.º 280300.663 S2TE03 Fl. 123 5 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso é tempestivo, conforme fls. 112, pressuposto de admissibilidade superado, passo para o exame das questões. O depósito prévio no valor mínimo de 30% da exigência fiscal como condição para seguimento do recurso voluntário foi declarado inconstitucional pela Súmula Vinculante do STF n º 21, DOU de 10/11/2009, não sendo mais exigível. Em que pesem os esforços argumentativos trazidos no recurso pelo contribuinte, os mesmos não são suficientes para elidir o lançamento. Consoante Relatório Fiscal de fls. 54/59, a fiscalização observouse que o contribuinte consta como "não optante pelo simples", tendo sido excluído a partir de 01/01/2000. No exercício de 2005, o contribuinte espontaneamente adotou a forma de tributação pelo Lucro Presumido ao recolher segundo este sistema o imposto devido referente ao primeiro período de apuração, situação esta definitiva e irretratável, conforme expressa disposição do art. 516 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99. Ratificou esta opção com a entrega do Ajuste Anual pelo Lucro Presumido (fls. 60/69). No exercício de 2005 o contribuinte ultrapassou o limite legal para sua possível manutenção no sistema simplificado (receita bruta neste exercício atingiu o montante de R$ 1.548.864,30; sendo que o limite legal vigente para época era de R$ 1.200.000,00, conforme art. 9° da Lei n° 9.317/96). Apesar do Ato Declaratório Executivo DRF/STS n° 11/2005 que determinou sua exclusão ter sido cancelado pela 1° Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento São Paulo, o contribuinte não atendia os requisitos necessários para ser enquadrado como optante pelo Simples no período do lançamento: 01/2005 a 01/2007. No caso em concreto, o contribuinte não trouxe aos autos comprovações suficientes que pudessem desconstituir o lançamento fiscal. Ademais, a mudança do regime tributário fora por iniciativa da empresa. Não há que se falar em ilegitimidade do lançamento em razão da precariedade dos elementos e ausência de sustentabilidade do convencimento do lançamento, pois o crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores por intermédio do Relatório de Lançamento – RL (fls. 21/27), contendo a competência (mês e ano), a base de cálculo, a discriminação do fato, bem como, o Discriminativo Analítico de Débito – DAD (fls. 04/16), que informa as alíquotas e os valores das contribuições previdenciárias devidas, a Instrução para o Contribuinte – IPC (fls. 02/03), os Fundamentos Legais do Débito – FLD (fls. 44/46), a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal (fls. fls. 54/59), demais informações constantes das folhas 01 a 69. Não há que se falar em extinção do lançamento, pois o crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000199/200771 Acórdão n.º 280300.663 S2TE03 Fl. 124 6 A contribuição do segurado empregado encontra respaldo nos artigos 12 inciso I; 20; 28 inciso I, 30 inciso I, todos da Lei n º8.212/91. A contribuição do segurado contribuinte individual encontra respaldo nos artigos art. 12, inciso V; art. 21; art. 28, inciso III, art. 30 inciso II e parágrafos 2o., 4o. e 5o., da Lei n º8.212/91. A contribuição a cargo da empresa encontra respaldo legal nos artigos 22 e 33, da Lei n º8.212/91. As demais fundamentações legal que embasam o lançamento estão nos Fundamentos Legais do Débito – FLD (fls. 21/22). Há presunção de veracidade dos atos da administração pública que somente se sucumbe quando se demonstra o equívoco do alegado. Transcrevo as palavras de Maria Sylvia Zanella di Pietro: "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos; em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração. Assim, ocorre com relação com relação às certidões, atestados, declarações, informações por ela fornecidos, todos dotados de fé pública. (...) a presunção de veracidade inverte o ônus da prova". No mesmo sentido, os Tribunais brasileiros entendem que deve haver demonstração do equívoco alegado para se elidir a presunção de veracidade do lançamento: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO ICM EMBARGOS DO DEVEDOR CERCEAMENTO DE DEFESA PROVA PERICIAL DIVERGENCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA RISTJ, ART. 255 E PARAGRAFOS. NÃO BASTA O SIMPLES REQUERIMENTO DE PROVA PERICIAL PARA ELIDIR PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DO AUTOLANÇAMENTO, IMPONDOSE A DEMONSTRAÇÃO DO EQUIVOCO ALEGADO. NÃO MENCIONADAS AS CIRCUNSTANCIAS QUE IDENTIFIQUEM OU ASSEMELHEM OS CASOS CONFRONTADOS, NEM JUNTADAS AOS AUTOS AS COPIAS AUTENTICADAS OU CERTIDÕES DOS ARESTOS PARADIGMAS, TEMSE COMO NÃO COMPROVADO O DISSIDIO INTERPRETATIVO. RECURSO NÃO CONHECIDO."(STJ, Recurso Especial n° 16960/SP) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO REINCLUSÃO NO REFIS DE EMPRESA EXCLUÍDA POR INADIMPLÉNCIA: CANCELAMENTO DO REGISTRO NO CADIN E EMISSÃO DE CPDEN: LIMINAR SATISFATIVA (LEI N, 8.437/92, ART. 1°, § 3°) PRESUNÇÃO DE LEGALIDADE DOS ATOS ADMINISTRATIVOS – SEGUIMENTO NEGADO AGRAVO INOMINADO NÃO PROVIDO. 1A liminar que assegura a manutenção no REFIS de empresa dele excluída por inadimplência, manda cancelar o registro dela no CAD/N e expedirlhe CDPEN é antecipação da prestação jurisdicional futura, sem qualquer conotação de "cautela" e, por Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000199/200771 Acórdão n.º 280300.663 S2TE03 Fl. 125 7 isso, satisfativa, obstaculizada pelo § 3° do art. 1° da Lei n. 8.437/92. 2No nosso sistema jurídico, os atos administrativos gozam da presunção, ainda que relativa, de legalidade e veracidade, que somente se afasta diante de robusta prova em contrário, ônus do particular. 30 recurso deve fundarse em razões que digam respeito com os fundamentos da decisão recorrida. 4Agravo inominado não providor 5Peças liberadas pelo Relator em 10/06/2003 para publicação do acórdão." (TRF da 1a Região, Agravo Inominado no Agravo de Instrumento, Processo n° 2003.01.000094172/GO) Nesse sentido, ressaltase que estamos em um Estado Democrático de Direito, em que as regras jurídicas Constituição, Leis, Decretos, Portarias, etc. possuem mecanismos, presentes na Constituição, para sua elaboração, manutenção e extinção. Regras jurídicas vigentes devem ser obedecidas por todos, até que seja extinta, pelo mecanismo hábil e pelo órgão competente. Portanto, não há como afastar a aplicação da Legislação. Destarte, depreendese que o lançamento encontrase revestido das formalidades, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o artigo 33 da Lei n° 8.212/91, e demais dispositivos mencionados nos autos. Não compete a Secretaria da Receita Federal do Brasil o desbloqueio de valores que se encontram a disposição da recorrida, por tutela antecipada deferida pela justiça. Assim, nos termos dos artigos 273 e 649, do Código de Processo Civil, a análise do pleito deve ser feita poder judiciário. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação nos termos do art. 150 do CTN. Corrobora com o entendimento o Superior Tribunal de Justiça STJ, REsp 289181/MG. A multa aplicada pela Lei n º 8.212/91, na redação introduzida pela Lei n º 11.941/2009, estabelece a distinção entre multa de mora (art. 35) e a multa de ofício (art. 35 A). Suas aplicações devem seguir formas distintas, aplicandose para a multa de mora o art. 61 da Lei n º 9.430/96, e para a multa de ofício o art. 44 da Lei n º 9.430/96. Este entendimento, também, é corroborado pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no Processo AGRESP 200601560547. A multa de mora, art. 35 da Lei n º 8.212/91, deve ser aplicada para pagamento fora do prazo previsto na legislação e será calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso limitada a 20% (vinte por cento), nos termos do art. 61 da Lei n º 9.430/96. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000199/200771 Acórdão n.º 280300.663 S2TE03 Fl. 126 8 A multa de ofício, art. 35A da Lei n º 8.212/91, deve ser aplicada nos termos do art. 44 da Lei no9.430/96 (I 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II 50%, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal). O lançamento de ofício está previsto no art. 149 do CTN: Outrossim, o Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que as cominações impostas por meio de lançamento de ofício decorrem do fato de omissão na declaração e recolhimento intempestivos da contribuição, nos termos do Processo REAgR 241087. O julgado é acompanhado pelo STJ, REsp 330519/RS, e Tribunais Federais TRF3ª Região, AC 94.03.0108363/SP, e TRF1ª Região, AC 1997.01.00.0475312/DF; que compreendem que deve ser efetuado o lançamento de ofício quando constatadas diferença a menor, ou inexistência de pagamento, ou irregularidades na declaração de tributos sujeitos a lançamento por homologação (omissão ou inexatidão). As alterações trazidas pela Lei n º 8.212/91 quanto à aplicação da multa devem ser observadas no caso objeto de análise, buscando o disposto nos artigos 106, inciso II, e 112, ambos do CTN, no sentido de se analisar e aplicar a norma que for mais benéfica ao contribuinte. A análise dos valores das multas para verificação e aplicação da regra que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento, consoante entendimento trazido pela Portaria Conjunta PGFN/RFBnº14, de 4 de dezembro de 2009, DOU de 8.12.2009, bem como, demais normativos sobre o assunto. A análise será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Ante ao exposto, por se tratar de valores não declarado em GFIP (omissão na declaração) e de diferenças não recolhidas na época própria (recolhimento intempestivo da contribuição), referese a lançamento de ofício. Assim, a multa a ser aplicada será a do art. 35 A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que deve ser comparada à multa do lançamento, prevalecendo a que mais favorável ao contribuinte. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso. A multa a ser aplicada será a do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que deve ser comparada à multa do lançamento, prevalecendo a que mais favorável ao contribuinte. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15979.000199/200771 Acórdão n.º 280300.663 S2TE03 Fl. 127 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Assinado digitalmente em 13/05/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10215.000558/2009-70
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA.
Comprovado nos autos que a suposta omissão de rendimentos pela pessoa física refere-se a rendimentos recebidos por pessoa jurídica por serviço por ela prestado, deve a respectiva importância ser excluída da base de cálculo do lançamento efetuado contra a pessoa física.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 2802-001.761
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis o valor de R$33.726,77 (trinta e três mil, setecentos e vinte e seis reais e setenta e sete centavos), nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INOCORRÊNCIA. Comprovado nos autos que a suposta omissão de rendimentos pela pessoa física referese a rendimentos recebidos por pessoa jurídica por serviço por ela prestado, deve a respectiva importância ser excluída da base de cálculo do lançamento efetuado contra a pessoa física. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis o valor de R$33.726,77 (trinta e três mil, setecentos e vinte e seis reais e setenta e sete centavos), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 13/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente momentaneamente o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 03/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de IRPF do exercício 2005, anocalendário 2004, em virtude de apuração de omissão de rendimentos da Prefeitura Municipal de Santarém, da Unimed Oeste do Pará e da Universidade do Pará, bem como glosa de IRRF compensado indevidamente (fls. 63/64). Na impugnação foi contestada exclusivamente a omissão de rendimentos referente à Unimed, no valor de R$ 33.726,77, por defender o sujeito passivo que esses rendimentos foram auferidos pela pessoa jurídica da qual é sócio Fisioterapia e Reabilitação Tapajós Ltda — Fisiotap CNPJ 03.567.452/00148. A impugnação foi indeferida e o recurso voluntário conteve, em síntese, possui os seguintes argumentos: 1. o rendimento foi pago pela Unimed ao Centro de Fisioterapia e Reabilitação Tapajós Ltda, cuja administração é exercida pelo recorrente, o que pode ser comprovado pelos recibos anexos, cuja relação é discriminada (fls. 105), havendo erro na DIRF ao identificar o recorrente como beneficiário; 2. o fato de ter assinado alguns dos recibos não o torna beneficiário dos valores. outra prova em favor da defesa é que a relação entre o valor pago e o IRRF informados em DIRF indica uma alíquota de 1,5% tal como previsto para os pagamentos a pessoas jurídicas (art.; 647 RIR99); 3. o conjunto de notas fiscais e o Livro de ISS labutam em favor do recorrente; 4. a única prova em que se baseou o lançamento é a DIRF, que elaborada por terceiros de forma equivocada não pode servir para penalizar o recorrente que não possui ingerência sobre ela, de forma que a mera informação em DIRF quando impugnada pelo recorrente não é suficiente, a dúvida deve ser eliminada com outros elementos de prova, ainda que por meio de diligência fiscal, e o ônus da prova é do Fisco, bem como deve prevalecer a realidade sobre a forma; 5. a exigência de tributo sobre rendimentos que não foram renda do recorrente fere o princípio da vedação ao confisco e o da razoabilidade; Esta Turma julgador resolveu determinar realização de diligência fiscal por ter considerado que os elementos trazidos aos autos produziram dúvidas razóaveis acerca do real beneficiário dos pagamentos informados pela Unimed na DIRF, sem porém comprovar definitivamente se o beneficiário dos rendimentos foi a pessoa física ou a jurídica. A Resolução 2802000.031, de 12/03/2012 determinou que fosse intimada a UNIMED OESTE DO PARÁ COOPERATIVA DE TRABALHO MEDICO, CNPJ 10.219.897/000100, a objetivamente esclarecer se os rendimentos informados na DIRF, no valor de R$33.726,77 e IRRF de R$505,88, referentes ao anocalendário de 2004, foram pagos a Keybo Kalazy Canhetto Ciesca pelos serviços por ele prestados como pessoa física, CPF 442.422.04272, ou se tiveram como beneficiário o Centro de Fisioterapia e Reabilitação Tapajós Ltda – Fisiotap, CNPJ nº 03.567.452/000148 em virtude de serviços prestados pela pessoa jurídica. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 03/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10215.000558/200970 Acórdão n.º 280201.761 S2TE02 Fl. 191 3 O relatório de diligência fiscal foi juntado às fls. 183/184, tendo como conclusão que o valor de R$33.726,77 foi pago pela Unimed Oeste do Pará ao Centro de Fisioterapia e Reabilitação Tapajós Ltda, CNPJ 03.567.452/000148. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O exame de admissibilidade do recurso já foi realizado quando proferida a resolução. Após o resultado da diligência fiscal ficou comprovado que a omissão de rendimentos computada no lançamento de ofício, no valor de R$33.726,77, referese a rendimentos auferidos por Centro de Fisioterapia e Reabilitação Tapajós Ltda, CNPJ 03.567.452/000148, e não pelo recorrente pessoa física. Destarte, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis o valor de R$33.726,77 (trinta e três mil, setecentos e vinte e seis reais e setenta e sete centavos). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 192DF CARF MF Impresso em 03/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 03/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10215.000558/200970 Acórdão n.º 280201.761 S2TE02 Fl. 192 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 13 de julho de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 194DF CARF MF Impresso em 03/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /07/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10830.008096/99-67
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: SIMPLES - EXCLUSÃO - A pessoa jurídica que realize operações
previstas nos incisos XII e XIII do artigo 9º, da Lei n°. 9.317/96, está impedida de optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de
Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de
pequeno Porte - SIMPLES.
RECURSO NEGADO
Numero da decisão: 303-33.014
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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Recorrida : DRJ / CAMPINAS / SP SIMPLES - EXCLUSÃO - A pessoa jurídica que realize operações previstas nos incisos XII e XIII do artigo 9 0 , da Lei n°. 9.317/96, está impedida de optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte - SIMPLES. RECURSO NEGADO. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 41° á ANELISE A DT PRIETO President, 2,TON Z BART02 Formalizado em: o 5 MA I 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa e Tarásio Campeio Borges. R Z Processo n° : 10830.008096/99-67 Acórdão n° : 303-33.014 RELATÓRIO Tornam os autos a julgamento por esta Eg. Câmara, tendo em vista cumprimento da diligência formulada na Resolução n° 303-00.894, juntada às fls. 136/141. Com o intuito de ilustrar o presente e recordar aos pares à matéria, adoto o relatório de fls. 137/139. Atendem à referida diligência os documentos relacionados na petição de fls. 146, não qual o contribuinte informa, ainda, não firmar contrato para os serviços que executa, motivo pelo qual, não estão sendo juntados aos autos. 110 É o relatório O 2 ,. . - Processo n° : 10830.008096/99-67 Acórdão n° : 303-33.014 VOTO Conselheiro Nilton Luiz Bartoli, Relator. Ultrapassada a fase processual em que se encontram analisados os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, passo ao julgamento da controvérsia, cuja matéria está adstrita à competência deste Eg. Terceiro Conselho de Contribuintes. Pelo que se verifica dos autos, a matéria em exame refere-se à exclusão da recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e • Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com fundamento no inciso XII, alínea "f', e no inciso XIII, do artigo 9° da Lei n°. 9.317/96, que veda a opção à pessoa jurídica que: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ... XII - que realize operações relativas a: ... O prestação de serviço vigilância, limpeza, conservação e locação de mão-de-obra; ... XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, fisico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, • programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;" (grifos acrescidos ao original) De plano, é de se reconhecer que a norma relaciona diversas profissões cujas características intrínsecas da prestação de serviço implicam o caráter pessoal da atividade. Além disso, ao colacionar também os a elas assemelhados, outorga à pessoa jurídica a característica do profissional. O legislador elegeu a atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica como excludente da concessão do tratamento privilegiado do SIMPLES. Tal classificação não considerou o porte econômico do contribuinte, mas sim a efetiva atividade exercida pelo contribuinte. Portanto, indiferente os critérios quantitativos de faturamento ou receita da pessoa jurídica que tem como atividade uma das elencadas no dispositivo legal. 3 Processo n° : 10830.008096/99-67 Acórdão n° : 303-33.014 Observa-se que, de um lado, a norma relaciona as atividades excluídas do Sistema e adiciona a elas os assemelhados, ou seja, pelo conectivo lógico includente "ou" classifica na mesma situação aquelas pessoas jurídicas que tenham por objeto social assemelhado a uma das atividades econômicas eleitas pela norma. Por fim, entendo oportuna a colocação feita pelo Eminente Conselheiro Antonio Carlos Bueno Ribeiro, em voto que lastreou o Acórdão n". 202- 12.036, de 12 de abril de 2000, ao asseverar que: "o referencial para a exclusão do direito ao SIMPLES é a identificação ou semelhança da natureza de serviços prestados pela pessoa jurídica com o que é típico das profissões ali relacionadas, independentemente da qualificação ou habilitação legal dos profissionais que efetivamente prestam o serviço e a espécie de vínculo que mantenham com a pessoa jurídica. Igualmente correto o entendimento de que o exercício concomitante de outras atividades econômicas pela pessoa jurídica não a coloca a salvo do • dispositivo em comento." Cabe salientar que, no caso em espécie, não se trata de norma que atinja o patrimônio do contribuinte por veicular uma exação anormal ou inconstitucional. Trata-se de uma forma legal de implementação da política de exercício da capacidade tributária da pessoa política União, que tem o direito, e porque não dizer, o dever de implementar tratamento diferenciado às pequenas e micro empresas. Por outro lado, tal questão foi objeto do decisum liminar por parte do Ministro Relator da ADIN, Ministro Maurício Correia, cuja apreciação contempla: "...especificamente quanto ao inciso XIII do citado art. 9", não resta dúvida que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada não sofrem o impacto do domínio de mercado pelas grandes empresas; não se encontram, de modo substancial, • inseridas no contexto da economia informal; em razão do preparo técnico e profissional dos seus sócios estão em condições de disputar o mercado de trabalho, sem assistência do Estado; não constituiriam, em satisfatória escala, fonte de geração de empregos se lhes fosse permitido optar pelo "Sistema Simples". Consequentemente, a exclusão do "Simples", da abrangéncia dessas sociedades civis, não caracteriza discriminação arbitrária, porque obedece critérios razoáveis adotados com o propósito de compatibilizá-los com o enunciado constitucional." Neste sentido, tanto o Contrato Social do contribuinte, como as Notas Fiscais por ele juntadas aos autos, depõem contra o mesmo. Consta de seu objeto social: 4 Processo n° : 10830.008096199-67 Acórdão n° : 303-33.014 "a) — O estudo, projeto, direção e execução das instalações elétricas das oficinas, fábricas e indústrias; redes de distribuição de eletricidades a direção, fiscalização e construção das instalações que utilizem energia elétrica.; o estudo, projeto, direção, fiscalização e montagem das estações de telecomunicações com fios e sem fios; o estudo, projeto e execução das redes de telecomunicações com fios e sem fios; Assistência Técnica; Manutenção; Assessoria e Consultoria. b) — Prestação de serviços de mão de obra, por conta própria ou de terceiros. c) — Comércio por atacado ou varejo de Materiais Elétricos; Materiais de Construção; Aparelhagem de Irrigação e seus componentes hidráulicos; de materiais, matérias primas e artigos de aplicação ou consumo industrial, agrícola, comercial e doméstico; • d) — Prestação de Serviços de Representações Comerciais, por conta própria ou de terceiros." Destaco apenas algumas Notas Fiscais nas quais restou demonstrada a atividade de "conservação", impeditiva à opção, conforme segue: fls. 02 — anexo I - NF 005047 —"detectar três pararaios queimados"; fls. 05 — anexo I — NF 005052 — "trocar fusíveis vidro/comando do pivô/fusíveis"; fls. 06— anexo 1— NF 005055 — "troca de rele"; fls. 07— anexo 1— NF 005056— "troca de motor"; fls. 13 — anexo I — NF 005068 — "reparar telefone sem fio"; fls. 86 — anexo I — NF 005213 — "serviços intentos/cerâmica"; fls. 89— anexo 1— NF 005220— "emendar cabo de alimentação"; • fls. 321 — anexo II — NF 005521 — "reforma placa portão eletrônico"; fls. 499— anexo II — NF 005871 — "detectar defeito rede telefônica". No meu entendimento, o serviço de manutenção, descrito nas Notas Fiscais apresentadas, configuram a operação de conservação, atividade impeditiva à opção pelo Simples, tipificada no mesmo diploma legal que a operação de locação de mão-de-obra, qual seja, o inciso XII, "f", do artigo 9° da Lei 9.317/96. É ainda de se mencionar que a Recorrente executa serviços de projeto e em rede de alta tensão, conforme fls. 309 e 508— anexo III — NF's 005509 e 005885, as quais comprovam prestar serviço assemelhado ao executado por engenheiro, atividade impeditiva. . • • Processo n° : 10830.008096/99-67 Acórdão n° : 303-33.014 Portanto, como as atividades desenvolvidas pela ora recorrente estão dentre as eleitas pelo legislador como excludentes da possibilidade de opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte — SIMPLES, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, 23 de março de 2006. 1,12n Lui artoli - Rel tor 110 o 6 Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1 _0008000.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10166.907942/2009-28
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
Ementa:COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Conhecido
Numero da decisão: 3803-003.006
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 Ementa:COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Conhecido
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FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 14/07/2006, onde busca a contribuinte compensar crédito, código de receita 2172, do período de apuração de dezembro de 2004, decorrente de pagamento a maior ou indevido. A DRF em Brasília não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 18/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 20/07/2009, na qual alega que: De janeiro de 2004 a fevereiro de 2006 pagou a Cofins e o Pis sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa Bar e Restaurante, com grande volume de venda de Chopp, cervejas e refrigerantes, foram pagos um valor maior, tendo em vista a não observância do tratamento tributário adequado. Tomando conhecimento do erro na apuração dos impostos, fez DIRPJ retificadora do período, corrrigindo as informações referentes ao PIS e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, através do PER/Dcomp. Ao tomar conhecimento dos Despachos Decisórios, procurou o Plantão Fiscal, apresentando todos os documentos a respeito do assunto. O Fiscal de Plantão informou a necessidade de apresentar as DCTF retificadoras, alterando o valor devido e informando o valor pago a maior, para que a Receita possa apurar o valor do crédito que posteriormente seria compensado através de Dcomp. Assim, retificou a DCTF para que a receita possa, processando as informações contidas nas DCTF retificadoras, baixar os débitos referentes aos Despachos Decisórios. A DRJ em Brasília manteve o despacho decisório por entender que o contribuinte não trouxe aos autos os documentos contábeis e fiscais que comprovassem a liquidez e certeza do crédito, ou seja, do pagamento supostamente realizado a maior. Consignou, ainda que a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2004 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907942/200928 Acórdão n.º 3803003.006 S3TE03 Fl. 2 3 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, após ciência do acórdão retro (21/11/2011), apresentou Pedido de Revisão de Ofício em 14/01/2012, o qual pelo princípio do formalismo moderado e pela instrumentalidade das formas será aceito como se recurso voluntário fosse, na qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e requer a homologação da compensação apresentada. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A defesa da ARMAZÉM DO FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF tendo em vista que calculou o recolhimento da Cofins e do PIS sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos, o que representaria boa parte de suas receitas. Diante disso, apresentou DCOMP, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 14/07/2009, após a ciência do despacho decisório –passados quase três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Tendo em vista o caráter de confissão de dívida característico do documento, não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração da contribuição objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep e Cofins sobre a totalidade das vendas, sem a exclusão dos produtos monofásicos, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não detinha a competência para a análise de DCTFs retificadoras. Salutar destacar que os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros2. 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907942/200928 Acórdão n.º 3803003.006 S3TE03 Fl. 3 5 Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 3 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de dezembro de 2004, apurar o tributo devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que o que determinou o indeferimento do seu pleito foi entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório, realidade esta que não podemos aceitar. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Brasília, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator 3 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13882.000440/2003-81
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Numero da decisão: 303-01.078
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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DE MATERIAIS PARA CONSTRUÇÃO LTDA. : DRJ/CAMPINAS/SP RESOLUÇÃO N° 303 -01.078 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Formalizado em: 27 OUT 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli e Tarásio Campelo Borges. Esteve presente o Procurador da Fazenda Nacional Rubens Carlos Vieira. mmm Processo n° : 13882.000440/2003-81 Acórdão n° : 303-01.078 RELATÓRIO Adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir. "Trata-se de Auto de Infração eletrônico decorrente do processamento das DCTF ano calendário 1998, exigindo crédito tributário de C$ 2.322,27, correspondente a multa por atraso na entrega da DCTF 1 0, 2°, 3° e 4° trimestres. Impugnando tempestivamente a exigência, argumenta o contribuinte, em síntese e com fundamento no art. 144 do CTN, a aplicação retroativa da Lei 10.426/02." A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas considerou procedente o lançamento sob as alegações de que a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar declaração, como também o de fazê-lo no prazo previamente determinado, independentemente de apuração de tributo devido ou de qualquer procedimento fiscal. Portanto, o fato de apenas entregá-la, sem observância do prazo, não o exime da penalidade; e que não compete A. autoridade administrativa julgar leis e atos regularmente inseridos no ordenamento jurídico. Inconformado, o contribuinte apresenta recurso a este Conselho, repetindo os argumentos expendidos na fase impugnatória e acrescentando que não existe permissão, seja na Constituição Federal, seja no Código Tributário Nacional, para que qualquer órgão do Poder Executivo crie tributos e que não tem valor jurídico o encargo criado por simples decreto do Poder Executivo, "pois a Constituição diz que isso cabe a Lei Complementar (art. 146, inciso III, alínea "B")." Cita o art. 25, dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias "que revogou, a partir de 180 (cento e oitenta) dias da promulgação da Constituição Federal, todos os dispositivos legais que atribuíram ou delegaram a órgão do Poder Executivo, competência assinalada pela Constituição ao Congresso Nacional." É o relatório. ANELISE DA U DT PRIETO - ' elatora .: Processo n° : 13882.000440/2003-81 Acórdão n° : 303-01.078 VOTO Conselheira Anelise Daudt Prieto, Relatora 0 recurso é tempestivo e trata de matéria de competência deste Colegiado. Entretanto, não foi apresentado o arrolamento de bens necessário para o seu seguimento, conforme disposto pela redação atual do Decreto n° 70.235/72, artigo 33, parágrafos 2° e 3°. Em que pese a Instrução Normativa SRF 264/2002 ter estabelecido a dispensa de tal exigência para valores inferiores a R$ 2.500,00, vale lembrar que o mesmo diploma determinou que o valor da exigência a ser considerado seria aquele consolidado na data do arrolamento. Portanto, considerando que ele montava R$ 2.883,80, deveria ter sido cumprida a exigência da garantia de instância. Porém, parece não ter ficado claro para a empresa qual o valor da exigência a ser considerada para efeito da dispensa do arrolamento. Além disso, apresentado o recurso sem a devida garantia, ela não foi intimada para que cumprisse a obrigação. Em face ao exposto e com vistas a evitar cerceamento de direito de defesa, voto pela realização de diligência para que a empresa seja intimada a, querendo, apresentar a devida garantia recursal. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2005. 3
score : 1.0
Numero do processo: 13121.000132/2001-04
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PAF. DESISTÊNCIA.
Homologa-se a desistência do recurso expressamente manifestada nos autos.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 303-31.989
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, homologar a desistência e não conhecer o recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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RECORRIDA : DRJ/BRASíLIA/DF PAF. DESISTÊNCIA. Homologa-se a desistência do recurso expressamente manifestada nos autos. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, homologar a desistência e não conhecer o recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 14 de abril de 2005 ANELISE DAUDT IETO Presidente e Relatora 1111 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZENALDO LOIBMAN, NANCI GAMA, SERGIO DE CASTRO NEVES, SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA, MARCIEL EDER COSTA, NILTON LUIZ BARTOLI e TARÁSIO CAMPELO BORGES. • RNO/3 ^ . • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.696 ACÓRDÃO N° : 303-31.989 RECORRENTE : AGROPECUÁRIA FRIBOI LTDA. RECORRIDA : DRJ/BRASILIA/DF RELATOR(A) : ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO E VOTO Com a Resolução n° 303-00.941, de 14/04/2004, esta Câmara decidiu converter o julgamento em diligência, conforme voto que transcrevo a seguir: "Conheço do recurso, que trata de matéria de competência deste • Colegiado, é tempestivo e está acompanhado da comprovação da realização de garantia de instância. Trata-se de lançamento efetuado a maior do que o VTNm constante da IN SRF n° 16/95, que estabelece que o valor da terra nua declarado pelo contribuinte será comparado com o VTNm, prevalecendo o de maior valor. A recorrente, apesar de alertada, pela decisão recorrida, da necessidade de apresentação de laudo técnico, não o acostou aos autos. Entretanto, solicitou a conversão do julgamento em diligência para que fosse providenciado laudo de avaliação da terra nua. Considerando também que no julgamento do Recurso Voluntário 126.699, da mesma interessada, em processo semelhante a este, esta Câmara decidiu pela realização de diligência, para que fosse dada oportunidade à recorrente de acostar o referido laudo, voto da mesma forma." Intimada em seu endereço e por edital, a empresa deixou transcorrer o prazo sem manifestação. Insistindo, a autoridade preparadora intimou- a no endereço de seu responsável em Brasília, mas também não houve resposta. Em 31/12/2004 foi protocolado, na Secretaria do Terceiro Conselho, documento onde a empresa aduz ter efetuado recolhimento do débito conforme DARF que anexa e requer a desistência do processo. Reza o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes que: "Artigo 16. Em qualquer fase o recorrente poderá desistir do recurso em andamento nos Conselhos. fra2 2 - . , MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 126.696 ACÓRDÃO N° : 303-31.989 § I° A desistência será manifestada em petição ou termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da divida, a extinção, sem ressalva, do debito, por qualquer de sUas modalidades, ou a propositura pelo Contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso." À vista do exposto, voto por homologar a desistência do recurso voluntário e dele não tomar conhecimento. • Sala das Sessões, em 14 de abril de 2005 4a. -ANELISE DAUDT RI - e atora 111 3 Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 14474.000029/2007-12
Data da sessão: Mon Mar 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/2004 a 01/11/2006
REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo é fato gerador de contribuição previdenciária.
Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-000.010
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 01/11/2006 REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente VISIONNAIRE INFORMÁTICA S/A Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA EM CURITIBA-PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 01/11/2006 REMUNERAÇÃO. PREMIAÇÃO. INCENTIVO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo é fato gerador de contribuição previdenciária. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3' Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). HE4LIT lir 4 Lá PRAIA DE LIMA - Presidente 6UÀRDO .2-12 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Oséas Coimbra Júnior,Vera Kempers de Moraes Abreu (Suplente), Eduardo Augusto Marcondes de Freitas (Suplente) e Helton Carlos Praia de Lima (Presidente). Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social. O período de apuração compreende as competências MAIO DE 2004 a OUTUBRO DE 2006, conforme relatório fiscal às fls. 37 a 60. Irresignada com a notificação, a empresa apresentou impugnação, fls. 394 a 404. O lançamento foi confirmado pela Decisão Notificação, de fls. 482 a 490. Não concordando novamente o sujeito passivo com a decisão do órgão previdenciário, aquele interpôs recurso voluntário, como consta, as fls. 500, com Razões Recursais, as fls. 502 a 526. A empresa não realizou o depósito prévio, solicitando sua substituição por Arrolamento de Bens, fls. 525, negado pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba, fls. 531 a 534. Desta forma a empresa impetrou o MS n° 2007.70.00.021156-1 PR, no qual obteve liminar, fls 537 e 538, para o processamento do recurso sem o depósito recursal. É o Relatório. Voto Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, Relator O recurso foi interposto tempestivamente, conforme AR, de fls. 494, e envelope de correspondência, de fls. 499. Não havendo questões preliminares ou prejudiciais, passo para o exame do mérito. O ponto controverso reside na incidência ou não de contribuições sobre os valores pagos aos segurados, por meio da utilização da sociedade empresária Incentive House S.A. Para o deslinde da questão é imprescindível a análise do campo de incidência das contribuições previdenciárias. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entende-se por salário-de-contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades e para os contribuintes individuais entende-se por salário-de-contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, nestas palavras: Art.28. Entende-se por salário-de-contribuição: I - para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, Lin Ã.22 Processo n° 14474.00002912007-12 82-TE03 Acórdão n.° 2803-00.010 Fl. 2 inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos sei-viços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10/12/97). II- omissis. III - para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o sç 5'; (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 1999). PARECER/CJ N° 2.952 ASSUNTO: Fato Gerador da Contribuição Previdenciária.Aprovo. Publique-se. Em, 16 de janeiro de 2003. RICARDO BERZOINI. EMENTA: SEGURIDADE SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E CONTRIBUIÇÃO DO EMPREGADO. FATO GERADOR. OCORRÊNCIA COM A EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. O fato gerador da contribuição previdenciária da empresa incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos e contribuição do empregado sobrevém com a efetiva prestação do serviço, quando surge para a empresa o dever de remunerar o trabalhador. Inteligência dos artigos 22, inciso I, 28 e 30, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991. (destaques nosso) Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3a edição, página 730. O salário pode ser pago em dinheiro, bem como em utilidades, como alimentação, vestuário, habitação, ou outras prestações in natura. Logo, a verba paga no presente caso não se enquadra no conceito utilidade, como alega a recorrente, pois dinheiro não se subsume ao conceito de utilidade para fins do conceito salarial. Desse modo, a questão da habitualidade para fins de incidência de contribuições previdenciárias somente é relevante quando a parcela paga não for em dinheiro. O dinheiro é a ferramenta de troca universal, e logicamente por meio de tal recurso, o beneficiário conseguirá satisfazer as suas necessidades básicas; conforme a disponibilidade financeira escolherá o bem que lhe convier. ,---,, /---`,) 3 O pagamento para o trabalho não acarreta um rendimento para o trabalhador, um ganho ou uma vantagem para o mesmo. São valores despendidos pelo empregador e utilizados pelo trabalhador como imprescindíveis para a realização do trabalho. Não há provas nos autos de que os valores tenham sido pagos para que o trabalho fosse possível. Pelo contrário, há provas de que os segurados receberam os valores, obtendo assim um ganho econômico, uma vantagem financeira, em função de serviços que foram prestados à recorrente. Portanto, foram valores pagos pelo trabalho realizado, sendo uma retribuição pelos mesmos. O pagamento é atrelado ao cumprimento de certas metas e condições imposta pela recorrente. O critério que a sociedade empresária utilizou para pagar a verba a seus segurados é irrelevante para o deslinde da questão. Os prêmios se caracterizam por atendimento a determinadas condições impostas pelo empregador, possuindo natureza remuneratória, integrando o salário-de- contribuição.Caso a empresa tenha pago os valores sem observar as condições estabelecidas, tais verbas não deixam de ter natureza remuneratória, para passarem a ter natureza indenizatória. Como já analisado a empresa não demonstrou que as verbas foram pagas para o trabalho e não pelo trabalho. Além do mais, o nome dado à verba é irrelevante, o que interessa é saber se a mesma remunerou ou não o trabalho realizado. No presente caso, não resta dúvidas que este era o papel do sistema de prêmios, a partir das provas colacionadas, de que a verba foi paga pelo trabalho em retribuição ao trabalho ou serviço prestado. No presente caso, é inconteste de que houve prestação de trabalho e serviço à sociedade empresária pelos segurados empregados e contribuintes individuais, e os valores pagos estão no campo de incidência tributária, por remunerarem as atividades citadas. Uma vez que a notificada remunerou segurados, deveria efetuar o recolhimento à Previdência Social. Não efetuando o recolhimento, a notificada passa a ter a responsabilidade sobre o mesmo. O fato de os valores serem repassados por uma interposta empresa, no caso a Incentive House S.A., não desnatura o fato gerador de contribuições previdenciárias em relação à recorrente. O encargo financeiro foi suportado pela recorrente, conforme demonstram as notas fiscais juntadas pela fiscalização; a Incentive House simplesmente cumpria as determinações da recorrente, que informava os valores que deveriam ser disponibilizados aos segurados, bem como a relação nominal dos mesmos. Os valores percebidos pelos segurados surgiram em função do vínculo com a recorrente e não de vinculaçã.o com a Incentive House. Também os tribunais pátrios entendem que a pagamento de prêmios são base de cálculo da contribuição previdenciária, senão vejamos: TRF2 AC199751010175528 AC - APELAÇÃO CIVEL -341935 TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CINCO ANOS A PARTIR DO FATO GERADOR. ART. 150, §4 0, CM. INEXTSTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SIMULAÇÃO, DOLO OU FRAUDE. PRECEDENTES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁ RIAS. BASE DE CÁLCULO. AJUDA DE CUSTO ALUGUEL. AUXILIO CRECHE/BABA '. PRÊMIO DE PRODUÇÃO. PARTICIPAÇÃO DE LUCROS. 3. O prêmio desempenho faz parte da remuneração paga a seus empregados, devendo incidir contribuição previdenciária sobre essa rubrica. (grifo do relator) 4 Processo n° 14474.000029/2007-12 S2-TE03 Acórdão n.° 2803-00.010 Fl. 3 Estes são os argumentos de minha decisão. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO. É o voto. Sala das Sessões, em 23 de março de 2010. DUA • e il DE OLIVEII=Relator./E7-- I , --) 5 - ed p n "N59' 4. • % ' ' -.0) ; e FoN na .,..,', ,i4....e' o e.., MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3 SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO — TERCEIRA CÂMARA SCS — QD. 01 — BL. "J" — ED. ALVORADA — 12 0 ANDAR — CEP 70396-900 — BRASÍLIA — DF Home Page: https://carf.fazenda.gov.br TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no artigo 11, inciso VII, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, a tomar ciência do presente Acórdão às fls. . Brasília, 25 de março de 2010 \e"/ Patricia ' meida Proença e Silva Chefe a Secretaria 3 a Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Sem Recurso [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10983.907481/2009-60
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Provido.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3803-002.676
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatorio e voto que integram o
presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão.
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FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, determinando o retorno dos autos à autoridade julgadora de primeira instância para que seja proferida nova decisão, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator. EDITADO EM: 01/05/2012 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 14/11/2005, onde busca a contribuinte compensar crédito de PIS/PASEP, do período de apuração de abril de 2003, decorrente de pagamento a maior ou indevido, com débitos da mesma contribuição. A DRF em Florianópolis não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 29/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 23/07/2009, na qual alega que A empresa sendo tributada pelo lucro real, vinha pagando o PIS não cumulativo no período de janeiro/2003 à abril/2005 e a COFINS no período de janeiro/2004 à abril/2005 não cumulativos. Porém em maio de 2005 foi verificado que a atividade de vigilância se enquadrava nas atividades da Lei 7.102 de 20 de junho de 2003, que devem tributar o PIS e a COFINS pelo método cumulativo. Desta forma, foi refeito o cálculo do período acima referido, com base na tributação cumulativo conforme determina a lei e devidamente retificadas as declarações de IR, DCTF e DACON, sendo que o crédito referente ao pagamento a maior, foi compensado nos débitos posteriores conforme PERDCOMP (grifamos) A DRJ em Florianópolis manteve o despacho decisório por entender que a DCTF retificada após o início do procedimento fiscal não possui o condão de produzir efeitos retroativos, de modo que somente seria possível a homologação da compensação, independentemente de eventuais outras verificações, caso a contribuinte houvesse retificado a DCTF antes da transmissão da Dcomp. Eis a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 49DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10983.907481/200960 Acórdão n.º 380302.676 S3TE03 Fl. 2 3 Inconformada, após ciência do acórdão retro (20/07/2011), apresentou recurso voluntário em 16/08/2011, na qual requer a homologação da compensação apresentada ou, subsidiariamente, que seja facultado outro pedido de compensação utilizando o crédito gerado pela retificação da DCTF. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Consoante o relato, tratam os autos de declaração de compensação na qual o contribuinte buscou compensar créditos com débitos próprios, porém não logrou êxito ante a constatação pela RFB de insuficiência de saldo credor. A defesa da PROLINCON VIGILANCIA LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato em relação ao regime tributário de arrecadação. Alega que recolhia o PIS/Pasep pelo regime não cumulativo mas que, em análise posterior, verificouse que deveria recolher pelo regime cumulativo pois a empresa de vigilância se enquadraria na Lei 7.102 de 20 de junho de 2003. Diante disso, apresentou a DCOMP em 14/11/2005, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 09/07/2009, ou seja, após a ciência do despacho decisório (29/06/2009) –passados mais de três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 50DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 4 I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Já se encontra pacificado no âmbito administrativo e judicial que este instrumento constituise em confissão de dívida, sendo inclusive suficiente para a Fazenda Nacional exigir o respectivo crédito tributário mediante a inscrição em dívida ativa do débito declarado.2 Não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração do PIS/Pasep objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep sobre regime de apuração errôneo, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não se deve reconhecer a retificadora apresentada após o início do procedimento fiscal, premissa esta já devidamente superada. Como bem citou a PROLINCON, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros3. Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 5º, §§ 1º e 2º do Decreto Lei nº 2.124, de 1984. 3 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10983.907481/200960 Acórdão n.º 380302.676 S3TE03 Fl. 3 5 seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 4 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. No tocante ao mérito da questão, extraímos do art. 8º da Lei nº 10.637/02 que as pessoas jurídicas de direito privado, e as que lhe são equiparadas pela legislação do imposto de renda, que apuram o IRPJ com base no lucro real estão sujeitas à incidência nãocumulativa, exceto: as instituições financeiras, as cooperativas de crédito, as pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos imobiliários e financeiros, as operadoras de planos de assistência à saúde, as empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores de que trata a Lei nº 7.102, de 1983, e as sociedades cooperativas (exceto as sociedades cooperativas de produção agropecuária e as sociedades cooperativas de consumo). Sabendo que a alíquota do PIS/PASEP nãocumulativo, instituído pela Lei nº 10.637, de 2002, é de 1,65% e que a alíquota da contribuição pelo regime cumulativo é de 0,65% há que se presumir a existência de efetivo recolhimento a maior pela Interessada. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de agosto de 2003, apurar o PIS/Pasep devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. No presente caso, o contribuinte verificou existência de crédito ao constatar que a atividade de vigilância se enquadrava nas atividades da Lei nº 7.102/2003 e que estava apurando o tributo equivocadamente pelo regime não cumulativo, que apresenta alíquota majorada se comparada com o regime cumulativo, o correto. Por força dos princípios da verdade material e do formalismo moderado, princípios estes que regem o processo administrativo fiscal, entendo que a retificadora deve ser aceita, posto que o equívoco perpetrado pelo contribuinte foi de gravidade tal que inequivocamente geroulhe o direito ao 4 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN 6 crédito. Não reconhecer tal fato ensejaria o recolhimento em duplicidade do tributo e conseqüentemente o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que a discussão pairou somente na entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Florianópolis, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. É como voto. [assinado digitalmente] Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/05/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/05/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/05/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000030/2006-77
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO - TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE.
o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial, após 01-01-1999, para utilização na industrialização de produtos situados dentro do campo de incidência do imposto, devendo-se estornar os créditos derivados
da aquisição de insumos aplicados em produtos NT.
RESSARCIMENTO DE INAPLICABILIDADE. CRÉDITOS. JUROS SELIC.
Ao valor do ressarcimento de IPI, inconfundível que é com restituição ou compensação, não se abonam juros calculados pela taxa Selic.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2803-000.013
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao pedido de abono de juros calculados pela taxa Selic ao ressarcimento, vencido o Conselheiro Luís. Guilherme Queiroz Vivacqua, e, quanto às demais matérias, por unanimidade de votos, negar provimento ao
recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO - TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial, após 01-01-1999, para utilização na industrialização de produtos situados dentro do campo de incidência do imposto, devendo-se estornar os créditos derivados da aquisição de insumos aplicados em produtos NT. RESSARCIMENTO DE INAPLICABILIDADE. CRÉDITOS. JUROS SELIC. Ao valor do ressarcimento de IPI, inconfundível que é com restituição ou compensação, não se abonam juros calculados pela taxa Selic. Recurso Negado.
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DRJ .:RIBEIRÃO PRETO / SP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO - TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. o direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial, após 01- 01-1999, para utilização na industrialização de produtos situados dentro do campo de incidência do imposto, devendo-se estornar os créditos derivados da aquisição de insumos aplicados em produtos NT. RESSARCIMENTO DE INAPLICABILIDADE. CRÉDITOS. JUROS SELIC. Ao valor do ressarcimento de IPI, inconfundível que é com restituição ou compensação, não se abonam juros calculados pela taxa Selic. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORD~ membros da 33 Turma Especial da SEGUNDA SEçÃO DEJmGAM00~ de votos, negar provimentoao pedido de abono.de juro: . I. . calculados pela taxa Selic ao ressarcimento, vencido o Conselheiro Luís. Guilherme Queiroz Vivacqua, e, quanto às demais matérias, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luís Guilherme Queiroz Vivacqua e Andréia Dantas Lacerda Moneta. . Relatório Cuida-se de recurso (fls. 455 a 525) interposto pelo recorrente acima qualificado, contra o Acórdão n!:!14-18.546, de 20 de fevereiro de 2008, da DRJ/RPO, fls. 440 a 445, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 IPI. RESSARCIMENTO. DCOMP. o direito ao aproveitamento/utilização, nas condições estabelecidas no art. 11, da Lei nO 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI, decorre somente de aquisições, pelo contribuinte do imposto, de matérias-primas, produtos intermediários e' material de embalagem aplicados. na industrialização de produtos inseridos no campo de incidência do imposto. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausencza de prevzsao legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. RESSARCIMENTO DO IPI. INSUMOS COM DIREITO Á CRÉDITO. .• Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI. 2 Processo nO 15940.000030/2006-77 Acórdã,o TI.o 2803-00.013 A autoridade administrativa é incompetente para declarar a inconstitucionalidade da lei e dos atos infra legais. RESSARCIMENTO DE IPI iNCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI Solicitação Indeferida S2-TE03 FI. 93 Após sintetizar os fatos relacionados com o julgamento, em primeira instância administrativa, de seu pedido de ressarcimento de créditos, em sede de preliminar, o Recorrente requer a anulação da decisão de piso, que lhe teria cerceado o direito de defesa ao indeferir perícia. Invoca o princípio da verdade material para anexar aos autos laudo técnico por meio do qual pretende provar que os produtos discriminados (eletrodos, arame MIG, oxigênio, argônio e acetileno, correntes, pentes, bagaceira de moenda, martelo, facas, facão, enxada, limas, coroas de corte e facas, cabo de aço, grampos para cabo de aço, chapa de aço inox perfurada, barra de aço, arruela retangular, cantoneira de aço, chapa de aço, chapa preta, tubo de aço inox e óleo para moenda) são imprescindíveis ao seu processo produtivo, conforme o descreve. Na continuação, disserta sobre o fulcro constitucional do direito ao crédito de IPI, no seu entender, irrestrito e ilimitável. Cita e transcreve doutrina e jurisprudência. Pugna pelo seu direito ao creditamento, inclusive nas aquisições de insumo aplicados na industrialização de produtos situados fora do campo de incidência. Rechaça o crédito de 50% do imposto, nas compras a estabelecimentos comerciais atacadistas, entendendo ter direito a 100% do valor do crédito. Dado o caráter interpretativo da Lei n2 9.779, de 19 de janeiro de 1999, entende plausível sua incidência retroativa. Reafirma seu direto à compensação do crédito pleiteado, nos termos do art. 74 da Lei n2 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 49 da Lei n2 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Reclama o abono de correção monetária sobre o valor do ressarcimento autorizado, calculado pela taxa Selic, conforme doutrina e jurisprudência que cita e transcreve. Combate ainda a imposição de multa, considerada abusiva, desarrazoada e ofensiva dos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Lembra também que os débitos, objeto das compensações declaradas, estão com sua exigibilidade suspensa. Após concluir, requer a anulação <la decisão de piso, para o efeito de deferimento da totalidade de seu pedido de ressarci, nto. Pede ainda que seja intimado no escritório do patrono da causa, no endereço que cita. É o Relatório.rt 3 Voto Conselheiro Alexandre Kem, Relator Presentes os. pressupostos recursais, a petição de fls. 455 a 525 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ-RPO nQ 14-18.546, de 20 de fevereiro de 2008. Endereçamento de expedientes ao endereço dos advogados do Recorrente Com relação ao requerimento de que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao patrona da causa, indefira-se. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Decreto nQ 70.235, de 6 de março 1972 - PAF, art. 23, lI, com a redação que lhe foi dada pela Lei nQ 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Preliminar de nulidade da decisão administrativa de 1a instância o Recorrente infirma a decisão da DRJ/RPO, por ter-lhe cerceado o direito de defesa ao negar seguimento a pedido de p~rícia. Improcedentemente. . Ressalto, em primeiro lugar, que a realização de perícias não se configura em direito subjetivo da parte. A teor do art. 18 do Decreto nQ 70.235, de 6 de março 1972 - PAF, toca à autoridade julgadora indeferir os requerimentos de perícia que entender prescindíveis ou impraticáveis. Ainda, nunca é demais lembrar que as perícias prestam-se ao esclarecimento de questões técnicas, jamais à produção de provas que toca ao interessado produzir. A invocação do princípio processual da verdade material é leviana. Em sede de pedido de ressarcimento, causa de. exclusão do crédito tributário, consoante o que dispõe o art. 179, caput, da Lei nQ 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional - CTN, o pleito é examinado, em cada caso, mediante requerimento em que o interessado deve fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos na legislação de regência. Em não o fazendo, não pode esperar que a autoridade fiscal, sponte sua, suplemente a sua vontade e diligencie aquilo que o próprio interessado desidiosamente deixou de fazer, sobretudo quando a matéria é prescindível para a elucidação do litígio. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar a comprovação dos créditos alegados. Mérito - Direito ao crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI De acordo com a Informação Fiscal SAFIS nQ 16/2006, fls. 242 a 244, o pleito foi deferido parcialmente, sendo glosados (a) a integralidade dos valores correspondentes aos créditos extemporâneos, referentes ao valor do IPI incidente na aquisição de mercadorias utilizadas em fases não produtivas (e.g., manutenção de propriedades rurais e do parque industrial e não como insumo na industrialização de produtos, e; (b) o valor dos insumos aplicados . industrialização de mercadorias situadas fora do campo de incidência do . imposto. 4 ; Processo n° 15940_000030/2006-77 Acórdão n_o 2803-00.013 S2-TE03 FI. 94 Contra essas exclusões, o Recorrente interpõe o argumento da ilimitabilidade do direito de crédito, esperando que seja aceito, neste foro, o aproveitamento na escrita fiscal de créditos de IPI concernentes a aquisições de bens que não se subsumem ao conceito matéria-prima - MP, produto intermediário - PI e material de embalagem - ME, e de insumos tributados, mas utilizados na industrialização de produtos NT, sob pena de conspurcação do princípio da não-cumulatividade insculpido na Carta Magna, art. 153, S 3°, 11.Nesta linha, reproduziu diversos escólios jurisprudenciais, alusivos ao aproveitamento de insumos isentos e não tributados, com esteio no sobredito princípio. De início, é preciso observar que decisões não atinentes ao caso concreto, como é assente, não têm eficácia erga omnes; não constituem legislação tributária, à luz do CTN, arts. 96 e 100. Ademais, como salientado na decisão controvertida, o princIpIO da não- cumulatividade não é amplo e irrestrito, como pretende o Recorrente. É perfeitamente possível sua limitação e regulamentação por leis infraconstitucionais, tal como ocorre com vários outros direitos e garantias previstos na Constituição. Não há como sustentar o procedimento da postulante com base no princípio da não-cumulatividade, pois, um princípio constitucional de índole programática não é apto a criar relações jurídicas materiais de ordem subjetiva. Princípios constitucionais possuem como destinatário, via de regra, o legislador ordinário, servindo tão-somente de inspiração e orientação para o exercício da competência legislativa no momento da criação das normas jurídicas que regulam o imposto. Somente a lei, elaborada por quem detém a competência legiferante conferida pela Constituição, assim como as normas constitucionais de eficácia plena e aplicabilidade imediata, têm o condão de criar relações jurídicas de direito material. Por outro lado, essa instância recursal administrativa não tem competência para apreciação de argumentos tendentes a pugnar pela negativa de vigência de normas legais regularmente introduzidas no ordenamento jurídico. No que diz respeito à glosa dos créditos extemporâneos, referentes às aquisições de bens que não foram aplicados no processo produtivo, mas na manutenção das propriedades rurais e do parque fabril, não há o que reparar na decisão ora vergastada. Não há previsão legal para tal pretensão, vez que essa hipótese de creditamento não consta do art. 164 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 - RIPI/2002: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditar-se (Lei nO 4.502, de 1964, art. 25): 5 II - do imposto relativo a MP, PI e ME , quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; I - do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; J 6 111- do imposto relativo a MP, PI e ME , recebidos de terceiros" para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV - do imposto" destacado em" notà' fiscal" relativa ~ produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V - do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI - do imposto mencionado, na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; VII - do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII - do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos Va VII; IX - do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito; e X - do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento. Parágrafo único. Nas remessas de produtos para armazém-geral e depósito fechado, o direito ao crédito do imposto, quando admitido, é do estabelecimento depositante. A reclamação contra o creditamento, a 50% do valor da nota fiscal, nas aquisições de insumos a estabelecimentos comerciais atacadistas também é improcedente, à luz do que dispõe o art. 165 do RIPI/2002: Art. 165. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditar-se do~imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos de comerciante atacadista não- contribuinte, calculado pelo adquirente, mediante aplicação da alíquota a qué estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal (Decreto- lei nO400, de 1968, art. 6). A menos que se tratasse de estabelecimentos comprovadamente optantes pela condição de industrial (caso em que a nota fiscal já conteria destaque do valor integral do imposto), , o que não ficou demonstrado pelo Recorrente, o valor do crédito facultado conferida pelo art. 165 limita-se àquela proporção. Irretocável também a decisão da DRJ-RPO no que diz respeito à impossibilidade de ressarcimento da parcela do saldo credor contaminada por créditos de imposto incidente na aquisição de insumos aplicados na fabricação de mercadorias situadas fora do campo de incidência do IPI. Com efeito, podem ser articuladas as seguintes considerações e, para tal, deve ser, primeiramente, destacado que os produtos de que se trata, situam-se fora do 9¥llPo. de incidência do IPI, como o próprio Recorrente afirma. Tendo isso: em vista, dirime-~ a questão pela aplicação da disposição do art. 193, inc. I, alínea "a" do, ~ Processo nO 15940.000030/2006-77 Acórdão n.o 2803-00.013 S2-TE03 FI. 95 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n2 4.544, de 26/12/2002 - RIPI/2002 (art. 174 do RIPI/98), abaixo transcrito, com grifos: Art. 193. Será anulado. mediante estorno na escrita fiscal. o crédito do imposto (Lei n° 4.502, de 1964, art. 25, 9 3~ Decreto- lei nO34, de 1966, art. 2~ alteração 8~ Lei n° 7.798, de 1989, art. 12, e Lei n09.779, de 1999, art. 11): I - relativo aMP, PI eME , que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, deprodutos não-tributados; b) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento industrial com suspensão do imposto nos casos de que tratam os incisos VII,XI, XII e XIII do art. 42; c) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento produtor com a suspensão do imposto determinada no art. 43 (Lei n° 9.493, de 1997, art. 5j; d) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos saídos do estabelecimento remetente com suspensão do imposto, em hipóteses nãoprevistas nas alíneas b e c, nos casos em que aqueles produtos ou os resultantes de sua industrialização venham a sair de outro estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, da mesma empresa ou de terceiros, não-tributados; e) empregados nas operações de conserto, restauração, recondicionamento ou reparo, previstas nos incisos XI e XII do art. 5°; ou f) vendidos apessoas que não sejam industriais ou revendedores Não há como sustentar a pretensão do Recorrente com base em peculiar interpretação do princípio da não-cumulatividade, pois, relativamente aos bens situados fora do campo de incidência, o estabelecimento não é contribuinte do IPI, quedando patente a necessidade de estorno dos créditos pela entrada de insumos tributados. Ainda, a propósito da possibilidade de aplicação retroativa da Lei n2 9.779, de 1999, deve-se destacar que a matéria já teve entendimento pacificado no seio do Segundo Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, plasmado na Súmula n2 8, aprovada na Sessão plenária de 18 de setembro de 2007: o direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da 'aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricàção de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei n!!9. 779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento contribuinte a partir de 1° de janeiro de 1999. 7 ...•..........•.... Mérito - Correção do valor do ressarcimento autorizado pela taxa Selic Inicialmente, é sempre conveniente frisar que a taxa Selic não se confunde com os Índices de preço, indicadores da inflação. A taxa Selic não é mera correção monetária. Ainda, deve-se sempre ter em conta que ao ressarcimento não se aplica o mesmo trata1;nento próprio da restituição ou compensação. Não se constituindo em mera correção monetária, mas de um plus quando comparada aos Índices de inflação, referida taxa somente poderia ser aplicada aos valores a ressarcir se houvesse lei específica que o autorizasse. É certo que a partir do momento em que o contribuinte ingressa com o pedido de ressarcimento o mais justo é que fosse o valor corrigido monetariamente, até a data da efetiva disponibilização dos recursos ao requerente. Afinal, entre a data do pedido e a do ressarcimento o valor pode ficar defasado, sendo corroído pela inflação do período. Daí ser admissível a correção monetária no interregno. Todavia, desde 01-01-96, não se tem qualquer Índice inflacionário que possa ser aplicado aos valores em tela. A taxa Selic, representando juros, e não mera atualização monetária, é aplicável somente na repetição de indébito de pagamentos indevidos ou a maior, inconfundíveis com a hipótese de ressarcimento. Daí a impossibilidade de sua aplicação no caso ora em exame. Por oportuno, ressalto que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, embora tenha julgados contrários, já decidiu outrora no sentido de inaplicabilidade não só de juros, mas de também de correção monetária, aos créditos do IPI. Observe-se: Número do Recurso: 201-111325 Turma: SEGUNDA TURMA Número do Processo: 10120.001391/97-28 Tipo do Recurso: RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria: IPI Recorrente: REFRESCOS BANDEIRANTES IND. E COM LTDA Interessado(a): FAZENDA NACIONAL Data da Sessão: 24/01/2005 09:30:00 Relator(a): Josefa Maria CoelhoMarques Acórdão: CSRF/02-01.772 Decisão: NPQ - NEGADO PROVIMENTO PELO VOTO DE QUALIDADE Ementa: IPI. CRÉDITOS. CORREÇÃOMONETÁRiA. Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer, Gustavo Kelly Alencar (Suplente convocado),' Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva e Leonardo de Andrade Couto que deramprovimento ao recurso." Mérito - outros pedidos Deixo de conhecer os argumentos tendentes a reclamar da imposição de multa, posto que não se trata disso nos autos. A teor do que contém o último parágrafo da Intimação n2 31/2008 ARF/ADA, fl. 450, a suspensão da exigibilidade dos débitos constantes do demonstrativo da folha seguinte foi assegurada pela DRF de jurisdição. Conclusão Isso dito, voto por que se rejeite a prelimin de nulidade e, no mérito, se negue provimento ao recurso voluntário. 8 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
score : 1.0
Numero do processo: 13026.000216/98-15
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 303-00.820
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: NILTON LUIZ BARTOLI
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decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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