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Numero do processo: 13973.000777/2003-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.
São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação pré-escolar), e de 1º, 2º e 3º graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Numero da decisão: 2102-001.083
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000 DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação pré-escolar), e de 1º, 2º e 3º graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
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DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), e de 1º, 2º e 3º graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente a Conselheira Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora Fl. 169DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13973.000777/200370 Acórdão n.º 210201.083 S2C1T2 Fl. 149 2 EDITADO EM: 09/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra BELINI MOSER foi lavrado Auto de Infração, fls. 25/32, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativo ao ano calendário 1999, exercício 2000, no valor total de R$ 21.071,66, incluindo multa de ofício no percentual de 112,5% e juros de mora, estes últimos calculados até 30/01/2004. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração, foram dedução indevida de previdência oficial (R$ 1.639,00), dedução indevida de dependentes (R$ 6.480,00), dedução indevida de despesas médicas (R$ 2.119,04), dedução indevida de despesas com instrução (R$ 8.500,00), dedução indevida de previdência privada/FAPI (R$ 6.957,00) e dedução indevida do imposto com contribuição de incentivo à cultura (R$ 481,02). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 41, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/FNS nº 0713.399, de 15/08/2008, fls. 136/140, decidindose, por unanimidade de votos, pela procedência em parte do lançamento, para restabelecer as seguintes deduções: previdência oficial (R$ 1.639,00), dependentes (R$ 5.400,00), despesas médicas (R$ 1.801,21), despesas com instrução (R$ 1.700,00) e previdência privada/FAPI (R$ 4.957,35) e reduzir o percentual da multa de ofício para 75%. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 28/08/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 142, o contribuinte apresentou, em 04/09/2008, recurso voluntário, fls. 144, no qual traz as alegações a seguir resumidas: Despesas com instrução – Solicita o restabelecimento das despesas com instrução do cônjuge, pois a apresentação de declaração em separado não evidencia que fez uso da dedução. A referida despesa é comum ao casal, de sorte que optou em deduzila em sua declaração. Multa de ofício – Solicita a exclusão total da multa de ofício, pelos seguintes motivos: (i) a DAA/2000 já havia sido processada desde 12/03/2001, logo entendeu não haver pendências com o Fisco; (ii) não houve intenção do contribuinte em produzir os fatos que deram causa ao lançamento, descaracterizandose assim culpa ou dolo (iii) a existência de débitos impediu a emissão de certidão negativa, fato que gerou constrangimentos ao contribuinte. Fl. 170DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13973.000777/200370 Acórdão n.º 210201.083 S2C1T2 Fl. 150 3 É o Relatório. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13973.000777/200370 Acórdão n.º 210201.083 S2C1T2 Fl. 151 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No que se refere à dedução de despesas com instrução, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) assim estabelece: Despesas com Educação Art.81.Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). (grifei) Como se vê, o dispositivo legal acima transcrito dispõe que o contribuinte pode deduzir despesas com instrução próprias ou de seus dependentes. No presente caso, o contribuinte apresentou declaração em separado, contudo, pleiteou dedução de despesas com instrução de sua esposa. Tal procedimento não encontra amparo na legislação, ainda que o cônjuge do contribuinte não tenha se beneficiado da referida dedução. Nessa conformidade, devese manter a glosa de despesas com instrução, conforme consubstanciado no Auto de Infração. Já quanto à multa de ofício, cumpre esclarecer que a mesma foi aplicada conforme disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como se vê, o contribuinte sujeitase a aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, pelo simples fato de incorrer em declaração inexata, o que foi o caso. Por outro lado, insta frisar que a autoridade fiscal não se pode furtar ao cumprimento dos mandamentos da legislação tributária, sob pena de responsabilidade Fl. 172DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13973.000777/200370 Acórdão n.º 210201.083 S2C1T2 Fl. 152 5 funcional, pois sua atividade é plenamente vinculada (art. 3º e parágrafo único do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN). Ademais, de acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Assim, deve prevalecer a cobrança da multa de ofício no percentual de 75%, conforme exigido no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 173DF CARF MF Emitido em 26/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13005.900586/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Ano-calendário: 2003
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO.
Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada.
PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO.
Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase
inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado.
DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO.
A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada.
Numero da decisão: 1202-000.531
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Carlos Alberto Donassolo
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO COMPENSAÇÃO. Não elidido o fato de que o pagamento foi alocado a débito confessado, mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. PER/DCOMP. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. Após a ciência do despacho decisório que não homologou a compensação informada no pedido/declaração PER/DCOMP, tornase inviável a alteração das informações contidas no pedido já formulado. DÉBITO CONFESSADO. DCTF. REDUÇÃO. A redução do débito confessado em DCTF, após o procedimento de ofício, somente pode ser desconstituído com base em elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator Fl. 321DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900586/200871 Acórdão n.º 120200.531 S1C2T2 Fl. 5.2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro e Jorge Celso Freire da Silva. Relatório A interessada transmitiu, em 27/08/2004, PERD/COMP eletrônico (fls. 11 a 16) visando utilizar o crédito da estimativa mensal da CSLL do período de apuração de setembro de 2003, pago mediante DARF, no valor de R$ 5.805,22, para compensação de débito nele declarado, relativo à CSLL do período de apuração de julho de 2004, no valor de R$ 6.523,33. Na sequência, a DRF/Santa Cruz do Sul emitiu Despacho Decisório Eletrônico, em 24/04/2008 (fl. 04), não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento já havia sido integralmente utilizado na quitação do débito da CSLL relativo à setembro de 2003, não restando assim crédito disponível para a compensação. Cientificada da decisão, em 05/05/2008, a interessada protocolizou a manifestação de inconformidade, de fls. 01 a 03, aduzindo que: a) por lapso, informou no PER/DCOMP que a origem do crédito seria "pagamento indevido ou a maior", tendo indicado o DARF recolhido no valor de R$ 5.805,22, código de receita 2484, PA: setembro/2003, com vencimento em 31/10/2003; b) na verdade, deveria ter indicado como origem do crédito "base de cálculo negativa da CSLL", apurada ao final do ano de 2003; c) o cruzamento de informações acabou constatando que o referido DARF acabou sendo utilizado duas vezes. Primeiro, pagando o débito de R$ 5.805,22 (PA setembro/2003), e, depois, buscando extinguir parcialmente o débito de R$ 6.523,33 (PA julho/2004), o que acabou resultando na nãohomologação da declaração de compensação pretendida; d) a partir da comunicação de nãohomologação do PER/DCOMP, a requerente tratou de proceder à retificação da DCTF do 3° trimestre de 2004, informando em tal documento um débito para a CSLL, PA: julho/2004, no valor de R$ 28,20, com indicação de que o pagamento se deu por DARF. O valor original informado na DCTF era de R$ 6.551,53, fl. 99. A fim de conciliar os novos valores, também foi retificada a DIPJ/2005; Após a análise da manifestação, foi emitido o Acórdão DRJ/Santa Maria, fls. 292 a 296, com o seguinte ementário: CSLL POR ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE SALDO NEGATIVO. As estimativas da CSLL recolhidas devem ser levadas à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando recolhimento da CSLL em montante superior ao devido no exercício de apuração, compensar ou restituir o saldo negativo, a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao da apuração. COMPENSAÇÃO. INCABÍVEL EXTINÇÃO DO DÉBITO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. FALTA DE PROVAS. Fl. 322DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900586/200871 Acórdão n.º 120200.531 S1C2T2 Fl. 6.2 3 Incabível reconhecer a extinção do débito referente à estimativa mensal da CSLL em sede de manifestação de inconformidade, especialmente quando o contribuinte não apresenta provas que fundamente o seu alegado direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A fundamentação utilizada no referido Acórdão foi no sentido de que os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, o que possibilita ao contribuinte aproveitar o saldo negativo, mediante compensação ou restituição, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração. No caso dos autos, não haveria comprovação do direito creditório passível de compensação com débitos do contribuinte. O acórdão também aborda a alteração do valor do débito da CSLL de junho/2004, por meio de retificação da DCTF feita após o recebimento do Despacho Decisório Eletrônico. Sustenta ainda que, nos termos da IN SRF nº 11, de 1996, dita alteração deverá ser registrada com a transcrição do balanço ou balancete no livro Diário e no livro LALUR, comprovando que o valor do tributo pago até o mês do balanço/balancete é igual ou excede o valor do tributo devido. Dessa forma, o contribuinte não poderia, diante da nãohomologação da compensação, simplesmente reduzir o valor do débito da CSLL informado na DCTF, período de apuração julho de 2004, de R$ 6.551,53 para R$ 28,20, sem comprovar o seu direito. Irresignada com a decisão, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário, fls. 299 a 301, repetindo praticamente os mesmos argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade. Reforça a tese de erro de preenchimento do PER/DCOMP, salientando que existe saldo negativo da CSLL, ao final do ano de 2003, passível de compensação no ano de 2004. A respeito das retificações das declarações DCTFs e DIPJs, menciona que tal procedimento se fazia necessário, a fim de conciliar os valores nelas informados. Alega, por fim, que encontrase suficientemente provado nos autos a alteração dos valores devidos, com a juntada de cópias das respectivas declarações originais e retificadoras. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. A questão principal a ser discutida diz respeito à existência do crédito de R$ 5.805,22, informado na PER/DCOMP como sendo pagamento indevido ou a maior da CSLL relativo ao PA setembro/2003, para quitar parcialmente um débito em aberto de R$ 6.523,33, relativo à CSLL, PA julho/2004, informado nessa mesma PER/DCOMP. Alega a recorrente que houve erro de preenchimento do PER/DCOMP e que o crédito seria originário do saldo negativo da CSLL apurado ao final do ano de 2003, ao invés de setembro de 2003. Menciona, ainda, que após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico Fl. 323DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900586/200871 Acórdão n.º 120200.531 S1C2T2 Fl. 7.2 4 DDE, providenciou na retificação do valor devido da CSLL do período em análise, julho de 2004, mediante entrega de DCTF e DIPJ retificadoras, cujo débito de R$ 6.551,53 passou para R$ 28,20, quitado mediante pagamento em DARF. Assim, o débito não compensado, de R$ 6.523,33 não mais existiria. Creio não assistir razão à recorrente. Primeiramente, cabe analisar a situação do crédito informado no pedido PER/DCOMP. Do exame do Despacho Decisório Eletrônico, consta que a interessada teria efetuado um pagamento da CSLL, referente ao PA setembro/2003, no valor de R$ 5.805,22. Após a ciência do Despacho Decisório Eletrônico, a interessada apresentou DCTF retificadora, em 12/05/2008. Segundo a recorrente, a DCTF retificadora referese ao débito originalmente compensado no PER/DCOMP, período de apuração junho/2004, cujo valor original informado na DCTF, passou de R$ 6.551,53 para o valor retificado de R$ 28,20, fls. 99 e 115. Como se percebe, a interessada reduziu o débito informado na DCTF relativo ao período em análise. Entretanto, no momento da transmissão da DCTF retificadora, a recorrente não gozava mais de espontaneidade para efetuar a alteração pretendida. O interessado confessou originalmente em DCTF que apurou débito de CSLL em setembro de 2003. E foi ao débito assim confessado que o DARF que indicou na PER/DCOMP está alocado, de sorte que não poderia ter sido utilizado para a quitação de outro débito, em julho de 2004. De fato, o débito da CSLL encontravase em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.(grifei) Além disso, a DCTF retificadora não produz efeito quando a contribuinte não mais goza de espontaneidade, conforme dispõe o art. § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações, combinado com o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, abaixo transcrito: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. (...) 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: (...) III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal.(destaquei) Fl. 324DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900586/200871 Acórdão n.º 120200.531 S1C2T2 Fl. 8.2 5 Assim, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito da CSLL referente a setembro/2003 efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao respectivo débito de setembro/2003, declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. O fato é que, na data da transmissão do PER/ DCOMP, a interessada não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há que se falar em direito à compensação (art. 170 do CTN). Por seu turno, a não homologação da compensação está conforme o art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), segundo a qual a retificação de declaração, por iniciativa do próprio declarante, que tenha por objeto a redução ou a exclusão de tributos, como é o caso, só é possível mediante a comprovação do erro alegado: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.(destaquei) Como mencionou o acórdão recorrido, as retificações pretendidas foram indeferidas, porque desacompanhadas das provas documentais correspondentes, entre elas a apresentação dos livros Diário e LALUR e demais documentos que lastreassem a alteração. Não houve a comprovação de que o valor da CSLL paga até o mês do balanço/balancete excedeu o valor da contribuição devida. Juntou apenas DCTFs originais e retificadoras dos períodos em análise e DIPJs original e retificadora do anocalendário de 2004, insuficientes para que se aceitasse as retificações pretendidas. Assim, também por esse motivo, não há como acolher a pretensão da contribuinte em reduzir a CSLL declarada sem elementos e documentos hábeis e suficientes que comprovem a incorreção apontada. Por fim, é de se registrar que as reduções da CSLL informadas nas DCTFs, acarretariam a alteração/cancelamento da própria PER/DCOMP ora examinada, que somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento de referido documento. O erro de identificação do indébito tributário na formulação do PER/DCOMP é insanável, já que se trata de alteração do próprio direito. Não pode ser considerado erro material o fato da recorrente ter pleiteado a compensação de débito cujo crédito já havia sido utilizado para quitar outro débito, confessado em DCTF pelo próprio contribuinte. Em verdade, sob a forma de retificação da DCTF original (sem nenhuma comprovação documental), pretende a recorrente formular novo pedido PER/DCOMP ( com outro crédito e com outro débito) aproveitandose da data do pleito original. Cabe aqui mencionar parte do Acórdão nº 10323.167 do antigo Conselho de Contribuintes, proferido na sessão de 09/08/2007 pelo ilustre Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, sobre a possibilidade de alteração do pedido após o Despacho Decisório: “Trata de restrição de ordem lógica que sequer necessitaria ter sido positivada pelos órgãos da SRF. É preceito indispensável à organização e estabilização das Fl. 325DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13005.900586/200871 Acórdão n.º 120200.531 S1C2T2 Fl. 9.2 6 relações jurídicas de que cuidam os procedimentos julgados pela Administração. É fácil intuir que os procedimentos administrativos jamais chegariam ao seu final caso fosse permitido às partes alterar os fundamentos ou o conteúdo do pedido após a análise de seu mérito pelo julgador.” É de se concluir, portanto, que está correto o Despacho Decisório Eletrônico, que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação pleiteada, pautado em declarações e em documentos apresentados pela própria recorrente, uma vez que as alterações efetuadas pela contribuinte, com a entrega da DCTF retificadora, após a ciência do despacho decisório, não têm o condão de tornar irregular a decisão administrativa que pretende ver reformada. Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 326DF CARF MF Emitido em 02/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Assinado digitalmente em 01/06/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.009890/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2006 a 31/12/2006
COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS.
O “crédito de ICMS transferido a terceiros”, por representar um meio de
pagamento de insumos adquiridos de fornecedores, não se trata de receita auferida pela empresa, portanto, fora do campo de incidência da COFINS.
Não há a subsunção do evento/fato concreto (“transferência de
crédito de ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”),
portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídico tributária / obrigação tributária).
Numero da decisão: 3201-000.777
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.
Vencido o conselheiro Robson José Bayerl.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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BASE DE CÁLCULO. RECEITA. CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS. O “crédito de ICMS transferido a terceiros”, por representar um meio de pagamento de insumos adquiridos de fornecedores, não se trata de receita auferida pela empresa, portanto, fora do campo de incidência da COFINS. Não há a subsunção do evento/fato concreto (“transferência de crédito de ICMS”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), portanto, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Robson José Bayerl. JUDITH AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. LUÍS EDUARDO G. BARBIERI Relator. EDITADO EM: 12/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice Fl. 113DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 2 presidente), Robson José Bayerl, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Mariz Gudino. Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação da COFINS – Não Cumulativa (fls. 1/4), em relação a créditos da Contribuição, referentes ao 4° trimestre de 2006, vinculados às receitas de exportação com base no disposto no art. 6º da Lei n° 10.833/2003, no valor de R$ 403.720,32. A DRF – Porto Alegre, por meio do Despacho Decisório No. 500/2008, reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da Requerente, no valor de R$ 381.837,83, restando indeferido um saldo no valor de R$ 21.882,49 (fls. 28). Por bem retratar os fatos ocorridos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis : Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento, cumulado com Declaração de Compensação, relativo ao saldo credor de Cofins não cumulativa. 0 interessado discorda da glosa parcial, oriunda do não oferecimento à tributação das receitas decorrentes das transferências de créditos do ICMS a terceiros. Alega que as operações de transferência de ICMS não se enquadram no conceito de receita, que se tratariam de mera recuperação de gastos/custos, que em função da sistemática de apuração do imposto seria absurda a apuração de débitos da contribuição nas transferências de ICMS e ainda que por conta de serem conexas A exportações, tais operações seriam isentas da incidência da contribuição. Aponta, também, a ausência de lançamento formal, pois entende que a análise de declaração de compensação, para fins de homologação, não seria o local apropriado para a constituição de crédito tributário por parte do Fisco. Isso posto, requer a reforma do Despacho Decisório em questão, para que seja reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado e homologadas as compensações realizadas, cancelandose a compensação de oficio levada a efeito no presente processo. Requer, ainda, o recebimento de sua manifestação com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o impedimento de sua inscrição em divida ativa e a produção de todos os meios deprova em direito admitidas. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre RS, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da empresa, proferindo o Acórdão nº 1019.606 (fls. 80/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Fl. 114DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11080.009890/200854 Acórdão n.º 3201000.777 S3C2T1 Fl. 100 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 Ementa: CESSÃO DE ICMS. INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7°, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. A Recorrente, inconformada com a decisão da autoridade julgadora de primeira instância administrativa, interpôs Recurso Voluntário (fls. 84/ss), por meio do qual reitera os argumentos já trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos, em apertada síntese: (i) Nãoincidência da Cofins sobre as operações de cessão de créditos de ICMS decorrentes de exportações, pelos seguintes motivos: com a nova redação do artigo 1 0, §3°, inciso VI da Lei n. 10.833/03, dada pela conversão da Medida Provisória n. 451/2008, as transferências/cessões de créditos de ICMS apurados por conta de operações de exportações passaram ser expressamente excluídas da base de cálculo da Cofins, situação esta que veio a corroborar o entendimento já firmado pela Recorrente; da ausência da hipótese de incidência da Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS — Ausência de ingresso de receita; (ii) Da impossibilidade de se constituir obrigação tributária em análise de declaração de compensação, sendo que haveria a necessidade de Auto de Infração para veicular o lançamento tributário. Requer, assim, seja provido o Recurso para excluir os créditos de ICMS referidos da base de cálculo das contribuições e sejam consideradas homologadas as compensações efetuadas. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente requereu o ressarcimento e compensação de créditos da COFINS não cumulativa, com base no § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, que abaixo transcrevo: Fl. 115DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 4 “Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.” (grifei). A priori, devemos entender qual é a natureza do crédito de ICMS transferido a terceiros. Este crédito, gerado em função das operações de exportações efetuadas sem incidência da Cofins, configura uma transferência entre contas patrimoniais da contabilidade da empresa, da conta “tributos a recuperar” para a conta “caixa” ou “estoques” (no caso de aquisição de insumos). A legislação do ICMS, em atendimento ao princípio da nãocumulatividade, permite que o contribuinte creditese dos valores já recolhidos em etapas anteriores da cadeia produtiva. Nos casos em que o montante dos créditos supera o montante dos débitos, o contribuinte apura um saldo de “ICMS a recuperar”, que poderá ser compensado em períodos posteriores pela empresa ou ser transferido para terceiros, nos casos em que a própria empresa não tem como realizar seu saldo de créditos. A nãocumulatividade é uma técnica que tem por objeto evitar o "efeito cascata" da incidência de alguns tributos (como é o caso do ICMS), permitindose, em cada uma das etapas do processo produtivo, a dedução do imposto já cobrado nas operações anteriores relativamente à circulação daquelas mesmas mercadorias e/ou matériasprimas necessárias a sua industrialização. O princípio da nãocumulatividade encontrase insculpido no próprio texto constitucional (artigo 155, § 2º , inciso I, alínea "a"), que assim dispõe: “§ 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose a que foi devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou Fl. 116DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11080.009890/200854 Acórdão n.º 3201000.777 S3C2T1 Fl. 101 5 prestação de .serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; (...) X não incidirá: a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores” Destaquese, ainda, que a Constituição Federal assegurou ao contribuinte do ICMS o direito à recuperação do imposto pago nas etapas anteriores, quando sua atividade é exclusiva ou preponderantemente exportadora (inciso X). Neste sentido, a Lei Complementar n° 87/1996 (Lei Kandir), em seu art. 25 e parágrafos, prescreveu a possibilidade de transferência dos créditos acumulados de ICMS, permitindo que o contribuinte exportador cedesse o saldo remanescente de créditos de ICMS à terceiros domiciliados no mesmo Estado da Federação, verbis: Art. 25. Para efeito de aplicação do disposto no art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensandose os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu parágrafo único podem ser, na proporção que estas saídas representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento: I imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. § 2º Lei estadual poderá, nos demais casos de saldos credores acumulados a partir da vigência desta Lei Complementar, permitir que: I sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II sejam transferidos, nas condições que definir, a outros contribuintes do mesmo Estado. Fazendose uma interpretação sistemática dos dispositivos supra mencionados, podese construir o seguinte entendimento: em decorrência da imunidade do ICMS conferida às exportações gerase um crédito relativo ao imposto pago nas etapas Fl. 117DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 6 anteriores da cadeia produtiva. Não sendo possível a compensação com débitos próprios do ICMS, o crédito pode ser transferido à terceiros. Neste caso, ocorre a mera recuperação de um custo tributário já incidente nas etapas anteriores, não restando configurado o ingresso de receita. No caso em tela, portanto, não há que falar receita nova auferida, mas de mera operação patrimonial, onde o contribuinte utilizouse dos créditos de ICMS registrados em sua contabilidade como meio de pagamento para com seus fornecedores. Não há como tratar “créditos de ICMS” como mercadorias. A troca de um ativo (“créditos de ICMS”) por outro (insumos) não representa vantagem patrimonial. A operação, portanto, é de compra de insumos e não de venda de mercadorias (que geraria, aí sim, receita). A Lei 10.833/2003 dispõe que a COFINS, nãocumulativa, incide sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, consideradas a receita bruta auferida com a venda de bens e serviços nas operações de conta própria e alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Entendo, assim, que os “créditos ICMS transferidos à terceiros”, no caso em discussão, utilizados para a aquisição de bens destinados ao processo produtivo da Recorrente, por não se tratarem de receitas auferidas pela empresa, estão fora do campo de incidência da COFINS, não devendo, portanto, compor a sua base de cálculo. Veja que não há a subsunção do fato concreto (“crédito de ICMS transferido à terceiros”) com a hipótese normativa (“auferir receita”), logo, não se instaurará o consequente da norma (relação jurídicotributária / obrigação tributária). Houve, no caso, uma economia no pagamento de fornecedores (redução de custos ou despesas incorridos pela empresa), que obviamente não gera receita. O que ocorreu foi a simples transformação de Impostos a Recuperar em Estoques, mas não a alegada obtenção de receita. Os recursos (receita) virão quando estes estoques forem vendidos pela empresa, aí sim, neste momento, deverá haver a incidência da COFINS. Ressaltese, por fim, para corroborar este entendimento, que a Medida Provisória 45/081, convertida na Lei 11.945/09, veio autorizar expressamente a exclusão da base de cálculo da COFINS (cumulativo e não cumulativo) do valor do crédito do ICMS Exportação transferido para terceiros. Logo, podese concluir que o entendimento que se fazia, interpretando sistematicamente os dispositivos legais, agora se pode extrair, diretamente, mediante uma simples leitura do texto da Lei. Vejamos as transcrições abaixo, do artigo 15 e 17 da Lei 11.945/2009: Art. 15. Os arts. 3o e 5o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art. 3o .................................................................................. § 2o ...................................................................................... V a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. Art. 17. Os arts. 1o, 2o, 3o, 10, 58J e 58O da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: Fl. 118DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11080.009890/200854 Acórdão n.º 3201000.777 S3C2T1 Fl. 102 7 “Art. 1o ................................................................................. .............................................................................................. § 3o ...................................................................................... ............................................................................................. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” (NR) (Produção de efeitos). Neste sentido, transcrevo ementas de decisões do antigo Conselho de Contribuinte e do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Recurso No. 262.320– Acórdão No. 340100.774, sessão de 26/05/2010: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2005 COFINS NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI, NÃO INCLUSÃO. Não compõe o faturamento ou receita bruta, para fins de tributação da Cofins e do PIS, o valor do crédito de ICMS transferido a terceiros, cuja natureza jurídica é a de crédito escritural do imposto Estadual. Apenas a parcela correspondente ao ágio integrará a base de cálculo das duas Contribuições, caso o valor do crédito seja transferido por valor superior ao saldo escritural. RESSARCIMENTO. REGIME NÃO CUMULATIVO, ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. O artigo 15, combinado com o artigo 13, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, vedam expressamente a aplicação de qualquer índice de atualização monetária ou de juros para este tipo de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Recurso No. 130.419 – Acórdão No. 20179.967, sessão de 24/01/2007: PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência de PIS e de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial. Fl. 119DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 8 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRATAMENTO FISCAL. RECEITA TRIBUTÁVEL. A receita relativa ao crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, apurada em função da ocorrência de exportação ou venda a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação e contabilizada como receita operacional, deverá ser oferecida à tributação do PIS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SELIC. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de correção monetária e/ou juros sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de Cofins nãocumulativa. Recurso provido em parte. E ainda, no mesmo sentido, transcrevo ementas de decisões do STJ: AgRg No. REsp 1229134 / SC, de 26/04/2011: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido Recurso Especial No. 1.025.833 – RS: CRÉDITOPRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". LC Nº 118/2005. APLICAÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. I "Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não Fl. 120DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE Processo nº 11080.009890/200854 Acórdão n.º 3201000.777 S3C2T1 Fl. 103 9 havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, ao apreciar Incidente de Inconstitucionalidade no Eresp 644.736/PE, sessão de 06/06/2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. (REsp nº 890.656/SP, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ de 20/08/07). II O Estado do Rio Grande do Sul concedeu benefício fiscal às empresas gaúchas, por meio do Decreto Estadual nº 37.699/97, para que pudessem adquirir aço das empresas produtoras em outros estados, aproveitando o ICMS devido em outras operações realizadas por elas, limitado ao valor do respectivo frete, em atendimento ao princípio da isonomia. III Verificase que, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos escriturais não se caracterizam como receita, porquanto inexiste incorporação ao patrimônio das empresas industriais, não havendo repasse dos valores aos produtos e ao consumidor final, pois se trata de mero ressarcimento de custos que elas realizam com o transporte para a aquisição de matériaprima em outro estado federado. IV Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. V Recurso especial improvido. Ante o exposto, conheço do recurso posto que presentes os requisitos objetivos de admissibilidade para o fim, no mérito, de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no tocante à não inclusão na base de cálculo da COFINS dos valores decorrentes de cessão de crédito do ICMS à terceiros/fornecedores. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Conselheiro Relator Fl. 121DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE 10 Fl. 122DF CARF MF Emitido em 07/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 12/08/2011 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIE
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000793/2006-62
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Exercício: 2005, 2006
OPÇÃO. IMPEDIMENTO LEGAL.
Não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal.
Numero da decisão: 1801-000.496
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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IMPEDIMENTO LEGAL. Não pode optar pelo Simples, a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 622DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13005.000793/200662 Acórdão n.º 180100.496 S1TE01 Fl. 579 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Inclusão Retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, fls. 136/138, a partir de 01/01/2003, ao argumento de que preenche os requisitos legais. Em conformidade com o Parecer, fls. 486/496, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se concluiu: 1) pelo indeferimento do pedido de inclusão retroativa a 01/01/2004, fl. 496, pelo fato de, fls. 406/467 (§ 6º do art. 8º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996): a sócia Ester Matte Dreyer, CPF 074.156.48078, participa com mais de 10% do capital da pessoa jurídica Matte Viagens Turismo Ltda, CNPJ 89.193.577/000170; o sócio Reinaldo Carlos Matte, CPF 268.337.78000, participa com mais de 10% do capital da pessoa jurídica Estação Rodoviária Santa Cruz do Sul Ltda, CNPJ 89.309.546/000132; o somatório da receita bruta anual das pessoas jurídicas ultrapassou no ano calendário de 2004 o limite legal de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). 2) pela exclusão de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/Santa Cruz do Sul/RS nº 20, de 09/07/2007, fl. 497, com efeitos a partir de 01/01/2006, fundamentado no exercício da prestação de serviço profissional de representante comercial (inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996). Cientificada em 23/07/2007, fl. 498 , a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 22/08/2007, fls. 506/508, com as alegação a seguir resumidas. Suscita que formalizou o pedido de inclusão retroativa no Simples no processo nº 13005.000112/200313. Acrescenta se encontra em situação regular atinente às suas obrigações tributárias, inclusive em relação à entrega das DSPJSimples a partir daquele período. Diz que procedeu à alteração contratual e que os referidos sócios participam com até 10% do capital social da Recorrente. Argúi que se dedica somente à atividade comercial e que não presta serviço profissional de representante comercial e que não há qualquer impedimento para opção pelo Simples a partir de 01/01/2004. Conclui DIANTE DO EXPOSTO, IMPUGNA OS TERMOS DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE No. 20, DE 09 DE JULHO DE 2007, E REQUER SEJA DEFERIDA A SUA INCLUSÃO ADMINISTRATIVA NO "SIMPLES" A PARTIR DO ANO BASE DE 2004, PORQUE JUSTO E DE DIREITO, TERMOS EM QUE PEDE DEFERIMENTO. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/STM/RS nº 1811.010, de 07/07/2009, fls. 546/555: “Solicitação Deferida em Parte”. Consta que Fl. 623DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13005.000793/200662 Acórdão n.º 180100.496 S1TE01 Fl. 580 3 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 PARTICIPAÇÃO DE TITULAR OU SÓCIO COM MAIS DE 10% NO CAPITAL SOCIAL DE OUTRA PESSOA JURÍDICA. Não poderá optar pelo Simples ou permanecer como optante a pessoa jurídica cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa quando a receita bruta global destas ultrapassa o limite de R$ 1.200,000,00. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADES VEDADAS. COMPROVAÇÃO. Se o contrato social previr mais de uma atividade e uma delas for impeditiva da opção pelo SIMPLES, cabe à autoridade fiscal, antes de promover a exclusão, provar o efetivo exercício da atividade econômica vedada. Notificada em 08/09/2009, fl. 557, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 08/10/2009, fls. 558/559, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Conclui DIANTE DO EXPOSTO, REQUER SEJA TAMBÉM DEFERIDA A INCLUSÃO ADMINISTRATIVA NO SIMPLES PARA O ANO BASE DE 2004 E 2005. TERMOS EM QUE PEDE E ESPERA DEFERIMENTO. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente expressamente não discorda do indeferimento da opção retroativa para o anocalendário de 2003, e por esta razão esta matéria não é objeto de litígio, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. O litígio se restringe ao indeferimento do pedido de inclusão retroativa no períodos de 01/01/2004 a 31/12/2005, fl. 496. A Recorrente discorda do procedimento de ofício e solicita que seja mantida no Simples no período. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições Fl. 624DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13005.000793/200662 Acórdão n.º 180100.496 S1TE01 Fl. 581 4 estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 1996, fixa: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2° ; Não pode optar pelo Simples, a Recorrente, cujos sócios participem com mais de 10% do capital de outras pessoas jurídicas e que o somatório das receitas brutas de todas as sociedades ultrapasse o limite legal. Analisando as condições excludentes legais e cumulativas restou esclarecido que nos anoscalendário de 2004 e 2005, fls. 406/467, verificase que na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul foi registrada a alteração contratual em 30/12/2003, indicando o seguinte quadro societário: Pessoa Jurídica Sócios Participação (%) 1) R. Matte & Cia Ltda (fls. 207/213) Reinaldo Carlos Matte 9,98 Esther Matte Dreyer 9,98 Outros 80,04 2) Matte Viagens Turismo Ltda (fls. 214/220) Reinaldo Carlos Matte 10,00 Esther Matte Dreyer 90,00 3) Estação Rodoviária Santa Cruz do Sul Ltda (fls. 221/226) Reinaldo Carlos Matte 90,00 Esther Matte Dreyer 10,00 Assim, nos anoscalendário de 2004 e 2005: a sócia Ester Matte Dreyer, CPF 074.156.48078, participa com mais de 10% do capital da pessoa jurídica Matte Viagens Turismo Ltda, CNPJ 89.193.577/000170; o sócio Reinaldo Carlos Matte, CPF 268.337.78000, participa com mais de 10% do capital da pessoa jurídica Estação Rodoviária Santa Cruz do Sul Ltda, CNPJ 89.309.546/000132; Fl. 625DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 13005.000793/200662 Acórdão n.º 180100.496 S1TE01 Fl. 582 5 os somatórios das receitas brutas anuais das pessoas jurídicas ultrapassaram nos anoscalendário de 2004 e 2005 o limite legal de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). A despeito do percentual de participação do capital social da Recorrente pelos sócios identificados, a descrição da razão de fato indicada no ato de exclusão está demonstrada de forma inequívoca. Não houve o implemento concomitante das condições legais de exclusão nos anoscalendário de 2004 e 2005, já que os sócios participavam com mais de 10% do capital de outras pessoas jurídicas e o somatório da receita bruta anual das pessoas jurídicas ultrapassou nos anoscalendário de 2004 e 2005 o limite legal. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 626DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001614/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS.
Somente são isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-001.323
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ISENÇÃO. REQUISITOS NÃO ATENDIDOS. Somente são isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 24/05/2011 Fl. 119DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13855.001614/200784 Acórdão n.º 210201.323 S2C1T2 Fl. 114 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra MARIA INES JUNQUEIRA GARCIA TEIXEIRA foi lavrado Auto de Infração, fls. 03/09, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2002 a 2004, exercícios 2003 a 2005, no valor total de R$ 4.671,24, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 29/06/2007. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 10/16, foi omissão de rendimentos recebidos sob a forma de bolsa de estudo da Fundação Nacional de Desenvolvimento de Ensino Superior Particular (Funadesp). No mencionado Termo de Verificação, a autoridade fiscal faz extenso arrazoado, onde expõe as razões que conduziram pela tributação dos rendimentos recebidos sob a forma de bolsa de estudos, importando destacar os seguintes trechos: A análise da documentação levanos a entender que se trata de mecanismo triangular de pagamento das bolsas. A partir de convênio firmado entre a ACEF e a FUNADESP estipulase o pagamento de bolsas de estudo pela FUNADESP a bolsistas vinculados à ACEF. As bolsas destinamse à capacitação de recursos humanos e para o fomento à pesquisa. A forma como eram pagas envolve o repasse dos valores aos beneficiários pelo coordenador de recursos humanos da ACEF, destacada a contribuição de 8% do total enviado à título de doação. Digase que não consta no convênio previsão de referido pagamento. (...) A Instituição de Ensino tem fins lucrativos e realiza atividades de ensino e pesquisa para atingir esses fins. Beneficiase com o trabalho dos pesquisadoresbolsistas, pois a realização das pesquisas e a divulgação de seus resultados servem para difundir e elevar o nome da Instituição, aumentando a procura por seus cursos de graduação e pósgraduação e maximizando seus lucros. (...) Embora os valores das bolsas sejam depositados pela Fundação, as bolsas só são concedidas a professores detentores de projetos aprovados pela própria instituição de ensino "doadora", empresa empregadora dos professores. Fl. 120DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13855.001614/200784 Acórdão n.º 210201.323 S2C1T2 Fl. 115 3 Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 61/66, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SPOII nº 1729.880, de 04/02/2009, fls. 96/102: 1. inobstante seja obrigação do estado oferecer educação de qualidade a todos, conforme os artigos 213, § 1° e 218 da Constituição Federal, verificase que tal obrigação não é cumprida integralmente; 2. assim, a iniciativa privada colabora com a Administração Pública no exercício de suas atividades, devendo para tanto, cumprir requisitos determinados pelo Ministério da Educação, dentre os quais manter produção científica e ter corpo docente com títulos, conforme o art. 8° do Decreto n° 3.860/2001; 3. todas as universidades do país, sejam elas públicas ou privadas, devem manter em sua grade de professores pessoas com titulação, não havendo como tal exigência legal ser caracterizada como contraprestação de serviço à universidade, sob pena de ferimento ao princípio constitucional da isonomia, já tais exigências são comuns às universidades públicas e privadas, na forma do determinado pelos artigos 70 e 77 da Lei n°9.394/199; 4. também não se pode dizer que a Universidade de Franca efetua os pagamentos da autuada já que a mesma repassa recursos ao FUNADESP; 5. fazer tal afirmação é o mesmo que dizer que os pesquisadores das universidades públicas não podem receber bolsas do CNPQ Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, ou da CAPES Coordenação de Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Pessoal de Nível Superior, pois a União é que as financia; 6. a autuada é renomada pesquisadora, possuindo os títulos de mestre e doutor, além de ter participado de diversos congressos e bancas examinadoras, possuindo extenso currículo, sendo de rigor o reconhecimento da sua condição de isenta de pagamento de imposto de renda das verbas recebidas da FUNADESP nos exercícios de 2002 a 2004, eis que fomentou sua carreira através de pesquisas que desenvolveu quando de sua residência; 7. não ocorre a hipótese de incidência do imposto de renda em casos de recebimento de verbas a título de bolsa de pesquisa, devendo ser reconhecido o direito da impugnante ao não pagamento do IRPF; 8. não é qualquer entrada de dinheiro nos cofres de uma pessoa que pode ser alcançada pelo IR, mas, tão somente, os acréscimos patrimoniais, isto é a disponibilidade de riqueza nova, como averbava com precisão Rubens Gomes de Souza; 9. é o caso das indenizações, nas quais não há geração de rendas ou acréscimos patrimoniais (proventos) de qualquer espécie; Fl. 121DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13855.001614/200784 Acórdão n.º 210201.323 S2C1T2 Fl. 116 4 10. ante todo o exposto, requer o cancelamento do auto de infração, uma vez que as verbas recebidas pela impugnante estão abrangidas pela isenção, tendo sido ilegalmente tributadas pelo fiscal autuante, e ainda, que todos os atos e intimações sejam enviadas ao endereço do escritório de seu representante legal. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 28/04/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 105, a contribuinte apresentou, em 22/05/2009, recurso voluntário, fls. 106/109, trazendo as alegações a seguir transcritas: 1) Há que se considerar que a Constituição Federal, em seus arts. 213, § 1° e 218, prevê que o Estado deve oferecer educação de qualidade para toda a população brasileira, seja no nível primário, secundário ou universitário. 2) Como é sabido, esta obrigação não é cumprida, por isso, é permitido ao "particular colaborar com a Administração Pública no exercício de suas atividades, cuja característica principal é justamente a colaboração com o serviço público ". (MELLO, C. C., Fomento da Administração Pública. Belo Horizonte. Ed. Del Rey, 2003, citado por LUNA FILHO, E. P.). 3) De acordo com o art. 8°, do Decreto n° 3.860/2001, para gozar da condição de universidade, esta deve manter produção científica e ter corpo docente com títulos. 4) A FUNADESP tem como objetivos a capacitação de docentes, o estímulo para a realização de estudos e pesquisas que promovam a participação das IES Instituições de Ensino Superior Privadas, na geração e na disseminação de conhecimentos científicos, técnicos, culturais e artísticos em beneficio da sociedade. 5) Ora, I. Julgador, se a bolsa de estudos e pesquisa, concedida pela FUNADESP, para desenvolvimento e execução de projeto de pesquisa/plano de trabalho, não gerou vantagem para a doadora e como não representou contraprestação de serviços, pois a ora recorrente trabalhava para a ACEF/SA, a recorrente é beneficiária da isenção do imposto de renda sobre os valores auferidos decorrentes da bolsa de estudo/pesquisa, pois não há que se considerar infringido qualquer dos requisitos constantes no artigo 26, da Lei n° 9.250/95, não sendo devido qualquer valor decorrente do Auto de Infração ora contestado. 6) Se houve pagamentos da ACEF/SA à FUNADESP, o que a recorrente ignora, a este não devem ser atribuídas as penalidades. É o Relatório. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13855.001614/200784 Acórdão n.º 210201.323 S2C1T2 Fl. 117 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos, contra o qual a contribuinte se insurge alegando que os valores recebidos da Funadesp são relativos à bolsa de estudo e que se enquadrariam nas condições de rendimentos isentos e não tributáveis. No que se refere à bolsa de estudo, a regra geral é a tributação, como se depreende pela leitura do art. 43 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), abaixo transcrito: Art.43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769, de 1998, arts. 1º e 2º): I salários, ordenados, vencimentos, soldos, soldadas, vantagens, subsídios, honorários, diárias de comparecimento, bolsas de estudo e de pesquisa, remuneração de estagiários; A isenção se restringe à hipótese descrita no artigo 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, matriz legal do artigo 39, inciso VII do citado RIR/1999: Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Dos dispositivos acima transcritos resta claro que somente são isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudo que se caracterize como doação, ou seja, quando recebidos exclusivamente para proceder a estudo e pesquisa e o resultado dessas atividades não represente vantagem para o doador e não caracterize contraprestação de serviço. No presente caso, restou perfeitamente demonstrado no Termo de Verificação e Constatação Fiscal, fls. 10/16, que a doadora dos recursos utilizados no pagamento da bolsa de estudo se beneficiou dos resultados da atividade desenvolvida pelos bolsistas. Vale acrescentar que o caso em questão (pagamento de bolsas de estudos vinculadas à Unifran, por intermédio da Acefran/Funadesp), já foi examinado por esta Turma Fl. 123DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13855.001614/200784 Acórdão n.º 210201.323 S2C1T2 Fl. 118 6 nas sessões de julgamento realizadas nos meses de março e abril de 2001, sendo certo que firmouse a jurisprudência no sentido de que tais rendimentos, recebidos sob a forma de bolsa de estudo são tributáveis. Exemplificandose, citese os Acórdãos nºs 2102001.142, de 16/03/2011 e 2102001.216, de 13/04/2011. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 124DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 24/05/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 25/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000954/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DEVIDA
Constitui infração punível com multa administrativa, o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso III que impõe à empresa obrigação de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-001.730
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DEVIDA Constitui infração punível com multa administrativa, o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso III que impõe à empresa obrigação de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1551; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 427 1 426 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17546.000954/200732 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 240101.730 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PEVIDENCIÁRIA Recorrente CORPIVALE CONSTRUCAO E INCORPORACAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DIREITO PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DEVIDA Constitui infração punível com multa administrativa, o descumprimento da obrigação acessória prevista no artigo 32, inciso III que impõe à empresa obrigação de prestar ao INSS todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente. Cleusa Vieira de Souza Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 05/12/2006, em face da empresa em epígrafe, por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32 inciso III da Lei nº 8212/91, c/c os art. 216, inciso I, alínea “g” do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. Segundo o relatório fiscal da infração, fls. 2, o contribuinte, apesar de intimada, deixou de prestar ao INSS todas as informações financeiras e contábeis, assim como, esclarecimentos necessários, sobre saldos das contas, nos termos do artigo 32 inciso III da Lei nº 8212/91. A multa foi aplicada de acordo com o artigo 283, inciso II, letra “b” do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99 e corresponde a R$ 11.569,42 (onze mil, quinhentos e sessenta e nove reais e quarenta e dois centavos). Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua defesa, fls. 67/68, alegando, em síntese, que a empresa e a contabilidade estão em ordem com seus cumprimentos legais, e, para provar o alegado, apresenta documentação e esclarecimentos necessários. Requer a nulidade do presente AI. Os autos foram encaminhados a essa DRJ BrasíliaDF em razão do disposto na Portaria RFB n° 10.999/2007 .Da análise dos autos concluiuse pela necessidade de diligência fiscal para que a autoridade notificante se manifestasse conclusivamente sobre a correção da falta, verificando se os documentos anexos às folhas 69 a 71 coincidem com as solicitações anteriores e suprem as necessidades da auditoriafiscal em relação às irregularidades apontadas na contabilidade da empresa. A autoridade fiscal manifestase às fls. 104/105 dos autos, informando: • que a empresa não justifica as inconsistências nas contas apontadas às fls. 179 e 180 (autos da NFLD), para o período de 1999; • que a empresa confirma a divergência do saldo do Diário com o Razão para o período de 2002; • que o fato de as contas com saldo de exercícios anteriores com movimento no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2002 não aparecerem no Livro Razão compromete a contabilidade, vez que é necessária a colocação do Saldo atual, quando do encerramento do balanço patrimonial; • que não foram solucionadas as divergências entre o livro caixa e o livro razão, conforme apontado às fls. 277/278; • que não foi comprovada a formalidade do aumento do capital registrado na conta 181 — Capital, no valor de R$ 165.000,00. Cientificada a empresa do resultado da diligência, a mesma apresentou, às fls. 111 requerimento de prazo para cumprir as exigências constantes do termo de ciência do relatório fiscal, e, posteriormente, após manifestação da autoridade fiscal pela impossibilidade Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000954/200732 Acórdão n.º 240101.730 S2C4T1 Fl. 428 3 de análise dos livros contábeis naquele momento processual, apensou aos autos cópias dos livros razão 1999 e 2002 (fls. 116). A 7ª Turma da DRJ/BSA, por meio do Acórdão nº 0327.368 /2008, julgou procedente a autuação. Intimado da decisão, o contribuinte ingressou com recurso a este Conselho, em que requer que seja anexado ao processo 17546.000954/200732 e Al 37.036.9548, as copias dos Livros Razão dos anos de 1999 e 2002 e, informa e solicita o que segue: Que o Livro Diário do ano de 1999 está correto, o Razão apresentado na ocasião, foi emitido antes das conciliações e por engano entregue o fisco, e portando anexa agora o Razão correto, portanto não há divergências entre estes livros. Que o Livro Diário do ano de 2002 está correto, o Razão apresentado na ocasião, foi emitido antes das conciliações e por engano entregue o fisco, e portando anexa agora o Razão correto, portanto não há divergências entre estes livros, Quanto a formalização do aumento do Capital Social no valor de R$ 165.000,00, foi efetuado realmente o aporte do mesmo, embora não tenha constado de alteração contratual, o que esta sendo regularizado. Diante do exposto acima, protesta por uma perícia contábil, na documentação apresentada. Sem contrarrazões, vem os autos a esta Câmara para julgamento É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheira Cleusa Vieira de Souza relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, pois o recurso é tempestivo e evidenciada a legitimidade da parte, portanto, merece ser conhecido. Conforme relatado, tratase de Auto de Infração, lavrado contra a empresa, por descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, a qual tem por objeto as prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, conforme o disposto no art. 113 § 2º do Código Tributário Nacional –CTN. No presente caso, a obrigação consiste no fato de não ter a empresa prestados ao INSS, quando intimada, todas as informações financeiras e contábeis, assim como, esclarecimentos necessários, sobre saldos das contas, nos termos do artigo 32 inciso III da Lei nº 8212/91. Em suas razões de recurso a este Conselho, o contribuinte requer que sejam anexadas aos autos, as copias dos Livros Razão dos anos de 1999 e 2002 e, informa que Livro Diário do ano de 1999e 2002 estão corretos, o Razão apresentado na ocasião, foi emitido antes das conciliações e por engano entregue o fisco, juntando agora o Razão correto, portanto não há divergências entre estes livros. Quanto a formalização do aumento do Capital Social no valor de R$ 165.000,00, foi efetuado realmente o aporte do mesmo, embora não tenha constado de alteração contratual, o que esta sendo regularizado. Protesta por uma perícia contábil, na documentação apresentada. Nesse sentido, importa salientar primeiramente que, nada obstante a alegação da empresa de que sua contabilidade está em conformidade com a lei, apresentando documentos para comprovar o alegado, impões salientar que, conforme se verifica às fls. 104/105, a autoridade fiscal enumerou diversas irregularidades que permaneciam não corrigidas/esclarecidas à época da realização da diligência. Ainda, mesmo após a cientificação da diligência e nova apresentação de livros contábeis, a própria empresa autuada informa que não apresentou documentos que justifiquem o lançamento contábil relativo ao aporte de capital social, destacado pela autoridade fiscal às fls. 105, alegando que “estão sendo regularizados”. Com relação ao pedido de perícia contábil, na documentação apresentada, entendo não ser cabível sua realização, uma vez que inócua sua realização, eis que como já devidamente demonstrado, a presente autuação foi lavrada pela falta de informações financeiras e contábeis, como também esclarecimentos necessários, sobre saldos das contas. É de se ver além dos livros apresentados, na fase de defesa e recurso, outras irregularidade ainda permanecem sem o devido esclarecimento. Além disso nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70235/1972, os pedidos de Perícia ou de Diligência devem ser apresentados na impugnação, expondo os motivos que as justifiquem, bem como a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. O que no presente caso não ocorreu, razão porque indefiro o referido pedido. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 17546.000954/200732 Acórdão n.º 240101.730 S2C4T1 Fl. 429 5 Assim, verificando a fiscalização, o não cumprimento de obrigação acessória, prevista em lei, lavrou, oportunamente o competente Auto de Infração, impondo ao infrator, sanção administrativa, capitulada no artigo 283, inciso II letra “b”, decorrente do presente Auto de Infração, lavrado de acordo com o disposto no artigo 293 do Regulamento da Previdência Social –RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. Pelo exposto; VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. Cleusa Vieira de Souza. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por AMARILDA BATISTA AMORIM Assinado digitalmente em 13/04/2011 por CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, 19/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.015391/2007-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2003, 2004
Perícia e diligência.
Entendendo o colegiado que o processo está suficientemente instruído para julgamento, devem ser negados os pedidos de perícia e/ou diligência.
Correção pela selic dos tributos pagos.
Não há previsão legal para correção pela selic dos tributos pagos pela recorrente e compensados de ofício durante a ação fiscal.
Responsabilidade tributária do sócio.
Ausentes os pressupostos previstos no art. 135 do CTN deve ser afastada a responsabilidade tributária, sem prejuízo da possibilidade da Fazenda Nacional realizar nova responsabilização.
Numero da decisão: 1302-000.503
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar a perícia requerida, negar provimento ao recurso voluntário da empresa Multi-Action e afastar a responsabilidade tributária de Ricardo Penna Machado, sem prejuízo de futura responsabilização pela Fazenda Nacional em instrumento próprio.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004 Perícia e diligência. Entendendo o colegiado que o processo está suficientemente instruído para julgamento, devem ser negados os pedidos de perícia e/ou diligência. Correção pela selic dos tributos pagos. Não há previsão legal para correção pela selic dos tributos pagos pela recorrente e compensados de ofício durante a ação fiscal. Responsabilidade tributária do sócio. Ausentes os pressupostos previstos no art. 135 do CTN deve ser afastada a responsabilidade tributária, sem prejuízo da possibilidade da Fazenda Nacional realizar nova responsabilização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar a perícia requerida , negar provimento ao recurso voluntário da empresa MultiAction e afastar a responsabilidade tributária de Ricardo Penna Machado, sem prejuízo de futura responsabilização pela Fazenda Nacional em instrumento próprio (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO – Presidente e relator. Fl. 524DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015391/200793 Acórdão n.º 1302000.503 S1C3T2 Fl. 500 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Irineu Bianchi (Vicepresidente) Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em relação ao acórdão DRJ que manteve o lançamento consubstanciado nos Autos de Infração (A.I.) de fls. 6 a 52, que exigem o pagamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), no (11, montante de R$ 2.045.770,61 (dois milhões, quarenta e cinco mil, setecentos e setenta reais e sessenta e um centavos), aí incluídos multa por lançamento de oficio e juros moratórios. O Auto de Infração de IRPJ, de que decorrem os demais, assim descreve o lançamento: 001 — Receitas da atividade — a partir do AC 93 Receitas da Atividade, não declaradas — lucro presumido 2003 Receita da atividade, escriturada e não declarada na DIPJ do anocalendário 2003, cujos tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COF1NS) também não foram declarados em DCTF e nem recolhidos [...]. [...] 002 — Receitas da atividade — a partir do AC 93 Receita bruta mensal sobre a prestação de serviços, apurada a partir do Livro Razão e das notas fiscais emitidas, cujos tributos correspondentes (IRPJ e CSLL) não foram integralmente declarados em DCTF e nem recolhidos [...]. [...] 003 — Falta de recolhimento /declaração do Imposto de Renda Insuficiência de recolhimento ou declaração — IR fonte deduzido a maior em 2003 • Sobre as receitas declaradas pelo contribuinte na DIPJ/2003 constatouse que ocorreu dedução a Maior do IRfonte, relativamente ao que foi efetivamente retido pelas fontes pagadoras em cada um dos trimestres de 2003 [...] 004 — Outras receitas Outras receitas — lucro presumido —2003 Valor referente a outras receitas (receitas financeiras — descontos recebidos e aplicação de curto prazo, e receitas não operacionais — reembolso de despesas e outras receitas eventuais), que, embora escrituradas, não foram declaradas na DIPJ do anocalendário Fl. 525DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015391/200793 Acórdão n.º 1302000.503 S1C3T2 Fl. 501 3 2003, cujos tributos correspondentes (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) não foram declarados em DCTF e nem recolhidos [...]. 005 — Outras receitas Outras receitas — lucro presumido — 1° trimestre de 2004 Valor referente a outras receitas (receitas financeiras — descontos recebidos e aplicação de ciirto prazo, e receitas não operacionais — reembolso de despesas e outras receitas eventuais), cujos tributos correspondentes (IRPJ e CSLL) não foram integralmente declarados em DCTF e nem recolhidos [...]. [...] Razão do arbitramento no(s) período(s): 06/2004 09/2004 12/2004 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que o contribuinte notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, [...] deixou de apresentálos. [...]006— Receitas operacionais (atividade não imobiliária) Prestação de serviços — lucro arbitrado — 2°, 3° e 4° trimestres de 2004. Arbitramento dos lucros realizado a partir dos valores da receita constantes do Livro razão de abril de 2004 e das Notas Fiscais emitidas no período de abril a dezembro de 2004 [...]. 007— Outras receitas Outras receitas — lucro arbitrado —2° trimestre de 2004 Valor referente a outras receitas (receitas financeiras — descontos recebidos e aplicação de curto prazo, e receitas não operacionais — reembolso de despesas e outras receitas eventuais), as quais devem ser somadas à base de cálculo do Arbitramento realizado sobre o 2° trimestre de 2004 [...]. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 53 a 74, os trabalhos de auditoria enfocaram as atividades da matriz da interessada, situada em Belo Horizonte, e de sua filial de n° 2, em Rio Acima (fls. 60). Deste mesmo Termo, extraemse os seguintes trechos: [...]solicitamos que o contribuinte demonstrasse analiticamente a composição dos valores [...] aproveitados em sua DIPJ a título de Imposto de Renda Retido na Fonte. Na sua resposta, a fiscalizada registrou que os valores apropriados como recuperadas decorreriam das informações constantes de sua DIPJ [...]. Informou ainda que os valores excedentes decorreriam de equívocos na apropriação das notas fiscais de clientes e ainda estariam pendência de conciliação. Deste modo, os questionamentos levantados pela fiscalização permaneceram sem um esclarecimento satisfatório, e, diante dessa situação, não Fl. 526DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015391/200793 Acórdão n.º 1302000.503 S1C3T2 Fl. 502 4 restou outra alternativa a não ser o levantamento dos valores de IR fonte a partir das DIRF entregues pelas fontes pagadoras (fls. 122 às 130 do Anexo 1). [...] os valores do IRRI e CSLL do primeiro trimestre de 2004, declarados em DCTF ou recolhidos, foram deduzidos dos totais calculados (fls. 179 às 182 do Anexo 1). [...]2°, 3° e 4° Trimestres de 2004 [...] é importante registrar que mesmo depois de várias intimações e reintimações, o contribuinte não apresentou os livros Diário e Razão, ou Caixa, para que pudéssemos verificar a apuração do IRPJ e da CSLL. O último mês abrangido pela escrituração apresentada foi abril de 2004. Deste modo, não restou outro caminho senão proceder ao arbitramento dos lucros [...] Nesse sentido, é também relevante frisar que as intimações fiscais sempre alertaram o contribuinte sobre a possibilidade de Arbitramento dos Lucros, mas isso, como já relatado, não foi suficiente para demovêlo de seu imobilismo [...]. [...] É importante registrar que [...] a fiscalização considerou os cancelamentos de notas fiscais no próprio mês de sua emissão. Igualmente [...], os valores do IRPJ e CSLL declarados em DCTF, ou recolhidos [...] foram deduzidos dos totais calculados. Em face do disposto no Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), foram considerados responsáveis solidários pelos créditos tributários em tela os sóciosgerentes da empresa: CRISTIANO DE MELLO PAZ (até fevereiro de 2004); RICARDO PENNA MACHADO (até outubro de 2004); RENATO VILLAMARIN SOARES; / MARCOS VALÉRIO FERNANDES DE SOUZA; e RAMON HOLLERBACH CARDOSO (a partir de março 2004). Dentre outras considerações, a Autora do feito relata que a RICARDO PENNA MACHADO foram distribuídos lucros da ordem de R$ 106.000,00 em 2003 e de R$ 230.000,00 em 2004, embora a empresa não pagasse os tributos de sua responsabilidade. Ciente em 8 de outubro de 2007 (fls. 7), a interessada apresentou, em 5 de novembro de 2007, a impugnação de fls. 298 a 304, a seguir resumida. Inicialmente, pede a interessada que os valores compensados pela Autora do feito sejam acrescidos de juros equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia para Títulos Federais (SELIC), invocando a inteligência das Leis 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e 9.069, de 29 de junho de 1995. Requer perícia e afirma que a base de cálculo está equivocada, tendo em vista que repassa a terceiros parcela do valor total das notas fiscais emitidas. Manifestação de sujeito passivo solidário RICARDO PENNA MACHADO, ciente em 15 de outubro de 2007 (fls. 293) do Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 255 a 257, apresentou, em 14 de novembro de 2007, a manifestação de inconformismo de fls. 305 a 318, principiando por questionar a' legitimidade do "Termo de sujeição passiva solidária", por não se tratar de ato expressamente mencionado pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo ti' administrativo fiscal. A seguir, afirma que o simples não Fl. 527DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015391/200793 Acórdão n.º 1302000.503 S1C3T2 Fl. 503 5 pagamento de tributo por parte da interessada não o tomaria sujeito passivo, solidário com esta última. Diz que o artigo 135 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN) somente se aplicaria em caso de infração dolosa à lei. A DRJ julgou procedente o lançamento, conforme abaixo ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2003, 2004 DILIGÊNCIAS E PERÍCIAS A autoridade julgadora de primeira instância formará livremente sua convicção, podendo determinar, de oficio ou a requerimento d, impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. JUROS SELIC Não há previsão legal para acrescer de juros os pagamentos compensado pelo Fisco no cômputo de crédito tributário. AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE Apenas as agências de publicidade têm direito . a excluir da base de cálculo de PIS e da Cofins a parte de sua receita repassada a terceiras empresas. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA A doutrina e a jurisprudência, por via de regra, não gozam do status de legislação tributária, e não vinculam a Administração Tributária Federal. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA Os termos lavrados pela administração tributária destinamse a condensar informações de interesse processual, sendo irrelevante que tenham sido o não instituídos por lei ou ato administrativo. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito • privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso d poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, mesmo sem ocorrência de crime de natureza fiscal. Cientes do acórdão DRJ, apresentaram recurso a empresa MultiAction e os responsáveis tributários Renato Vilamarin Soares, Ramon Hollerbach Cardoso, Cristiano de Mello Paz e Ricardo Penna Machado. No recurso repete os argumentos apresentados em sede de impugnação, em especial: Fl. 528DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015391/200793 Acórdão n.º 1302000.503 S1C3T2 Fl. 504 6 Inicialmente, pede a interessada que os valores compensados pela Autora do feito sejam acrescidos de juros equivalentes à taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia para Títulos Federais (SELIC), invocando a inteligência das Leis 8.383, de 30 de dezembro de 1991, e 9.069, de 29 de junho de 1995. Requer perícia e afirma que a base de cálculo está equivocada, tendo em vista que repassa a terceiros parcela do valor total das notas fiscais emitidas. O responsável tributário Ricardo Penna Machado afirma que além de não existir qualquer prova de que tenha agido de forma dolosa, com excesso de poderes ou infração à lei a par do simples não pagamento do tributo, a imputação de responsabilidade ao Recorrente, matéria de execução fiscal, é de competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO Os recurso da empresa MultiAction e do responsável tributário Ricardo Penna Machado são tempestivos e devem ser conhecidos. Os recursos dos demais responsáveis não podem ser conhecidos pois eles não apresentaram impugnação ao lançamento, o que os impede de apresentação de recurso. Passo a analisar o recurso da empresa MultiAction. Afasto a necessidade de pericia pois as matéria que nela seriam abordadas estão suficientemente esclarecidas nos autos e, principalmente, porque a fiscalização já excluiu das bases de cálculos dos tributos lançados os valores repassados a terceiros. Em relação ao argumento da recorrente de que apenas parcela das receitas consideradas pela fiscalização pertenceriam à empresa, pois , por se tratar de empresa que exerce atividade de agência de publicidade, repassa a terceiros parcela do que recebe de seus clientes, não assiste razão à recorrente. Como se pode observar na tabela de fls. 91, a fiscalização segregou as receitas da recorrente da parcela referente a serviços de terceiros, ou seja, o requerido pela recorrente já foi atendido pela fiscalização na base de cálculo de todos os tributos lançados. A interessada pede se acresçam juros SELIC aos pagamentos por ela realizados e compensados pela Autora do feito. Sobre este tema adoto as razões do voto condutor do acórdão DRJ: Entretanto, este pedido é incabível, por falta de previsão legal. Examinandose os presentes autos, verificase que a autuante, ao calcular o montante das omissões de receitas em cada período, os pagamentos eventualmente feitos pela interessada no mesmo período, daí resultando um crédito tributário a ser pago. Logo, assim como não se cobram juros moratórios dentro do trimestre Fl. 529DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015391/200793 Acórdão n.º 1302000.503 S1C3T2 Fl. 505 7 (ou seja, antes que o imposto seja devido), não há como capitalizar os pagamentos realizados dentro do mesmo período. Por conseguinte, não se pode acolher este argumento. Passo a analisar a sujeição passiva atribuída ao Sr. Ricardo Penna Machado. A fiscalização justifica a responsabilização dos sócios afirmando que houve distribuição de lucros, o que demonstraria o interesse comum na ocorrência do fato gerador e também pelo fato da falta de declaração de parte de suas receitas e o registro do livro diário apenas em 30/06/2006 e a não apresentação regular dos livros Diário e Razão de 2004. A decisão recorrida, após transcrever os artigos 124 e 135 do CTN, motiva sua decisão de manter a responsabilidade tributária do recorrente Ricardo Penna Machado: Notese que, à toda evidência, a situação descrita nos autos é suficiente para que se verifique a ocorrência desta sujeição passiva solidária, tal como descrita no artigo 135 do CTN. Logo, estes Termos não criaram esta sujeição, limitandose a declarála e dela cientificar as pessoas a ela submetidas. Assim sendo, estes impugnantes, ao negar validade aos Termos de Sujeição passiva, apenas combatem a oportunidade que lhes foi dada de exercer seu direito à ampla defesa. Por conseguinte, não há como acolhei este argumento. Entendo no caso assistir razão ao recorrente. Observo que os lançamentos foram feitos com base na contabilidade da recorrente MultiAction e que, em função da não entrega dos livros diário e razão de 2004, houve o arbitramento do lucro. Não entendo suficientes as razões alegadas pela fiscalização para responsabilizar o sócio da empresa. O art. 135 do CTN prescreve: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. No caso dos autos, há demonstração de que houve descumprimento da legislação tributária, o que levou ao presente lançamento. Entretanto, me parece faltar a prova do elemento volitivo do sócio, que, inclusive, levaria à qualificação da penalidade aplicada. Se sempre que houvesse a prática de infração a legislação tributária o sócio teria de ser responsabilizado, o próprio sentido da responsabilidade limitada estaria alterado, pois essa seria sempre solidária ou pessoal do sócio. Fl. 530DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10680.015391/200793 Acórdão n.º 1302000.503 S1C3T2 Fl. 506 8 O fato de ter havido distribuição de lucro, isoladamente, não tendo sido demonstrado que tal demonstração foi ilegal, também não muda em nada a situação do sócio. Entendo que o STJ também entende desta forma. A súmula 430 expressa: O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera,por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Portanto, não tendo sido demonstrada a violação de lei (exceto a que institui a obrigação tributária) ou do contrato social, afasto a responsabilidade do sócio Ricardo Penna Machado. Diante do todo o exposto, voto por negar a perícia requerida , negar provimento ao recurso voluntário da empresa MultiAction e afastar a responsabilidade tributária de Ricardo Penna Machado, sem prejuízo de futura responsabilização pela Fazenda Nacional em instrumento próprio. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 531DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 18184.003168/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2006
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a
Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP)
com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições
previdenciárias.
PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. UTILIDADES.
PAGAMENTO DE PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. INCIDÊNCIA DE
CONTRIBUIÇÃO.
Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela empresa aos
contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a título de incentivo pelas
vendas.
REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES.
Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos
a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do
trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de
serviço prestado.
CORESPONSABILIDADE
DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII
da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis
CORESP”
passou a
ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e
respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes
responsabilidade
solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara
e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta
de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre os
valores pagos a título cartão de premiação.
PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO
SÃO NECESSÁRIOS. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerálo
prescindível e meramente protelatório, a autoridade
julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios
admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no
contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a
impugnação, precluindo o direito de fazêlo
em outro momento, salvo se
fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS.
A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser
relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção
da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver
nenhuma circunstância agravante, nos termos do art. 291, §1o, do
Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999.
MULTA. GRAU RETROATIVIDADE MÉDIA DA NORMA. PRINCÍPIO
DA RETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA BENIGNA.
A lei aplicase
a ato ou fato pretérito, tratandose
de ato não definitivamente
julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei
vigente ao tempo da sua prática.
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a
apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse
necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte
que a anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-001.503
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher
parcialmente a preliminar quanto à coresponsabilidade
para, por aplicação do artigo 79, inciso
VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, reconhecer que a relação
apresentada no lançamento sob o título de “Relação de CoResponsáveis
– CORESP” apenas
identifica os sócios e diretores da empresa sem, por si só, atribuirlhes
responsabilidade
solidária ou subsidiária pelo crédito constituído, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira,
Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo que rejeitavam a preliminar argüida.
Apresentará voto vencedor nessa parte o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Por
unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares. No mérito, por maioria de votos, em
dar provimento parcial ao recurso para redução da multa aplicada, nos termos do artigo 35A
da Lei n° 8.212/91, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela aplicação
do artigo 32A
da Lei n° 8.212/91.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO. REMUNERAÇÃO INDIRETA. UTILIDADES. PAGAMENTO DE PRÊMIO. PRODUTIVIDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. Incide contribuição previdenciária sobre o prêmio fornecido pela empresa aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a título de incentivo pelas vendas. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado. CORESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre os valores pagos a título cartão de premiação. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO SÃO NECESSÁRIOS. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. RELEVAÇÃO DA MULTA. REQUISITOS. NÃO ATENDIDOS. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória somente poderá ser relevada se cumpridos os requisitos legais para o benefício, no caso, correção da falta dentro do prazo de defesa, o infrator ser primário e não haver nenhuma circunstância agravante, nos termos do art. 291, §1o, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. MULTA. GRAU RETROATIVIDADE MÉDIA DA NORMA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE TRIBUTÁRIA BENIGNA. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher parcialmente a preliminar quanto à coresponsabilidade para, por aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, reconhecer que a relação apresentada no lançamento sob o título de “Relação de CoResponsáveis – CORESP” apenas identifica os sócios e diretores da empresa sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo que rejeitavam a preliminar argüida. Apresentará voto vencedor nessa parte o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para redução da multa aplicada, nos termos do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, vencido o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes que votou pela aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212/91. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 566 3 Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 11/2003 a 12/2006. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 14), a empresa apresentou a GFIP sem os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias dos seus segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências descritas nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD’s) nos 35.058.2143 (processo no 18184.003166/200717), 35.058.2152 (processo no 18184.003167/200761) e 35.058.2160 (processo no 18184.003168/200714). Registra que os fatos geradores não informados por intermédio das GFIP’s correspondem a remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais por meio de cartões de premiação, emitidos pelas empresas ALQUIMIA SERVIÇOS DE MARKETING LTDA (antiga SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA) e SALLES, ADAN & ASSOCIADOS – MARKETING PROMOCIONAL, INCENTIVO, PUBLICIDADE e PROPAGANDA LTDA, no período de 11/2003 a 12/2006. Em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF), datado de 03/09/2007, a empresa informa não ter transitado estes valores por folha de pagamento e consequentemente não foi gerada a GFIP correspondente. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 15) informa que foi aplicada a multa no valor de R$ 164.451,62 (cento e sessenta e quatro mil, quatrocentos e cinquenta e um reais e sessenta e dois centavos), fundamentada no art. 32, inciso IV, parágrafo 5o, da Lei n° 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n° 9.528/1997, e no art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. Às folhas 16 a 21, seguem as planilhas “CONSOLIDADO NFLD’s PARA AI 68 e “CÁLCULO DA MULTA”, com o total da base de cálculo considerada por competência, bem como o valor das contribuições não declaradas e o valor da multa aplicada. O limite por competência está previsto no artigo 32, §4o, da Lei no 8.212/1991, seguindo a variação de 10 a 20 vezes o valor mínimo de R$ 1.195,13 (atualizado pela Portaria no 142 de 11 de abril de 2007), uma vez que o número de segurados da empresa enquadrase na faixa acima de 101 e abaixo de 1000 segurados no período. Consta do relatório que não ficaram configuradas circunstâncias agravantes ou atenuantes na ação fiscal. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/12/2007 (fls. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 30 a 67) – acompanhada de anexos de fls. 68 a 140 –, alegando, em síntese, que: I DAS PRELIMINARES: Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 567 5 1. necessidade de sobrestamento do feito até o trânsito em julgado administrativo. Discorre a impugnante, aqui, a respeito dos vícios que, segundo ela, constam no presente auto de infração. Informa que não os valores pagos pela Impugnante através dos cartões de premiação não integravam a remuneração, sendo assim, não precisavam ser rubricados na GFIP nem inscritos na folha de pagamento, por ser fato estranho à situação informada nesses documentos. Ademais, tais importâncias não deixaram de ser contabilizadas pela impugnante, o registro foi próprio obedecendo regras gerais de contabilidade. Logo, pede pelo sobrestamento do julgamento do presente Auto de Infração, até que sejam julgadas as NFLD’s 37.058.2144, 37.058.2152, 37.058.2160, vez que podem ser consideradas improcedentes; 2. falta de Discriminação dos Fatos Geradores da NFLD. A autoridade não discriminou na NFLD os fatos geradores a que se refeririam os lançamentos efetuados, ofendendo assim o artigo 142, parágrafo único do CTN, e o artigo 37 da Lei 8.212/1991, que prevê que a NFLD deve discriminar clara e precisamente os fatos geradores das contribuições nela exigidas, diante disso requer seja anulada a presente NFLD, ante a frustração do devido processo legal pela inobservância das regras formais previstas, geral e individualmente no CTN e na Lei n. 8.212/91; 3. ilegitimidade passiva. Cessão de Mão de Obra e Responsabilidade Tributária Acessória. A empresa Impugnante maximizando a eficiência de seu negócio, terceirizou atividades laborais meio, contratando através de cessão de mãodeobra, promotores de venda. Tais colaboradores legalmente terceirizados eram cedidos e remunerados por empresas contratadas pela Impugnante. Cumprida a meta laboral, a Empresa de Marketing de Incentivo contemplava, através de cartões magnéticos os colaboradores cedidos com prêmios. Assim, sustenta que há apenas uma relação jurídica acessória entre a empresa cedente de mãodeobra e tomadora dos serviços haja vista a obrigação da contribuinte de reter 11% sobre o valor bruto da Nota Fiscal ou fatura, elencada no artigo 31 da Lei 8.212/91, pois que não cria regra de substituição tributária, há somente relação instrumental, com presunção relativa de cumprimento. Necessária, portanto à legalidade formal da NFLD a constituição do litisconsórcio passivo, notificandose simultaneamente a Impugnante e as empresas cedentes de mãodeobra beneficiada pelos cartões de premiação, diante desse vício insanável na presente fase, anula a NFLD impedindo sua materialização; 4. da falta de amparo legal para a lavratura da NFLD. A autoridade ignorou a existência de contrato de prestação de serviços celebrado entre Impugnante e as empresas de Marketing de Incentivo, cujo objeto é a promoção de campanha com a finalidade de premiar a título de incentivo à performance e produtividade, assim a legítima relação de prestação de serviços, cujos meios de execução, assim como os Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 6 objetivos traçados estão em perfeita harmonia com as normas vigentes e autorizada pela legislação civil; 5. a impossibilidade da responsabilização das pessoas arroladas. Entende que somente poderão ser responsabilizados os diretores, sócios gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado quando a obrigação tributária advir de um ato por eles praticado com excesso de poderes ou infração a Lei ou contrato social, o que não ocorreu e não restou comprovado em nenhum momento. Assim, a mera inadimplência não configura a prática de um ato com excesso de poderes ou com infração à Lei ou contrato social, e nem é possível cogitar da aplicação do artigo 124, inciso II, do CTN, o qual trata da responsabilidade solidária. II DO MÉRITO: 1. dos planos de incentivos adotados. O Auditor Fiscal não explicitou na presente Autuação quais as origens dos pagamentos realizados através das empresas de marketing de incentivo. Assim os programas reportavamse a três distintas abordagens: (a)funcionários com mais de vinte e cinco anos de serviços prestados para a empresa; (b) promotores de venda que cumprissem determinada quota; e (c) funcionários que contribuíssem com ideias adotadas pela empresa. Quanto aos promotores de vendas, a modalidade de premiação implantada pela empresa davase em relação aos promotores de venda que atuavam através de contratos de cessão de mão de obra, desta feita caso estes atingissem certa meta, seriam contemplados, alem dos salários que lhes era pago pela empresa cedente de mão de obra, com o valor do prêmio ofertado pela Impugnante, por intermédio de empresa de marketing de incentivo. Cita par tanto a definição de mão de obra dada pela Lei 8212/91, artigo 31, § 3o, e do Decreto 3.048/99, artigo 143, §§ 1°, 2° e 3°. Alega que não existe a possibilidade de se reter os valores para se eximir da responsabilidade solidária, conforme hipótese prevista no artigo 30, VI, presumindose a arrecadação dos valores nos termos do artigo 33, §5°. Contata ainda, que houve vício na autuação que nem logrou identificar a natureza e a origem dos valores recebidos pelos promotores de venda, nem como não buscou dados referentes a contribuições sociais eventualmente recolhidas pela empresa cedente de mão de obra; 2. hipótese de incidência tributária. Discorre pormenorizadamente acerca da hipótese de incidência das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, para concluir que o ato de pagar ou creditar valores somente gera a incidência, se o fato social ou jurídico que justificou o pagamento ou crédito gerou a filiação obrigatória ao RGPS do sujeito perceptor do valor pago ou creditado. Assim, os pagamentos ou créditos de valores cuja origem não configura contraprestação do trabalho, seja qual for a respectiva natureza ou rubrica, não desencadeiam a incidência e, por conseguinte não constituem a relação jurídica de custeio. Desta forma, a verba remuneratória compreendida pelo fato gerador é aquela que retribui o trabalho, verbas, não obstante deferidas no âmbito do pacto laboral cujo escopo não consiste na remuneração do trabalho, não integram o Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 568 7 fato imponível, não podendo, como se verá, dimensionar a base de cálculo da hipótese de incidência. Discorre acerca dos conceitos de remuneração dados pelos artigos 457 e 458 da CLT, e conclui a partir daí que prestações in natura eventuais, não são compreendidas pela definição de remuneração. Contudo o artigo 22 do inciso I da Lei 8.212/91 diversamente do prescrito nos incisos II e III não limita o fato imponível da contribuição social sobre a folha ao ato de pagar ou creditar remuneração, inclui os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Conclui por final que o pagamento dos valores desvinculados da remuneração dada pelos artigos 457 e 458 da CLT só enseja a contribuição previdenciária se habitual; 3. diferença entre isenção e não incidência – valores que não integram a base de cálculo. Após discorrer entre as diferenças doutrinárias entre a não incidência e isenção, conclui que a verba recebida na relação laboral, necessariamente não constitui base de cálculo da contribuição sobre a folha mesmo diante da inexistência de hipótese de isenção que a contemple (§9° artigo 28 da Lei n. 8.212/91), pois a importância ante a não satisfação do fato gerador (contraprestação ao trabalho), pode não gerar incidência. Assim, as verbas pagas pela impugnante aos seus colaboradores e a terceiros não são isentas, porque sequer geraram a incidência, posto, não terem origem na prestação laboral, nem foram percebidas de forma habitual; 4. da natureza dos prêmios. O requisito da premiação, genérico e impessoal é unicamente o cumprimento das condições de exigibilidade estipuladas na oferta que se fez pública. Sempre considerado, é claro o escopo do melhor resultado alcançado por quem participou da promoção desse modo engendrada; 5. requisitos da Campanha. Para que fique bem configurada a campanha de incentivo é imprescindível que resulte preestabelecido um especial procedimento, cujo desenvolvimento seguirá o regulamento prescrito para tanto. Para tanto são oferecidos estímulos extraordinários aos trabalhadores que colaboram com a empresa, estes por sua vez são livres para decidir ou não ao plano engendrado pela entidade promotora do programa.A adesão dependerá, única e exclusivamente do juízo de valor daquele que resolve aderir, baseado tal juízo no nexo entre a vantagem que está sendo oferecida e o esforço que certamente, exigirá para ser conquistada; 6. compreensão casuística. Não incidência. Improcedência da NFLD. Pede pela improcedência da NFLD em virtude da ausência de natureza remuneratória, da inexistência habitualidade no deferimento, o que não se pode admitir como caracterização dos valores lançados como contribuições à Seguridade Social. III – DO PEDIDO: 1. a NFLD é nula, pois ausente de pressuposto formal, isto é, descrição pormenorizada do fato gerador da contribuição e de sua base de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 8 incidência. A ausência de notificação das empresas cedentes de mão deobra beneficiada pelos cartões de premiação nulifica formalmente o lançamento. Os valores pagos pela empresa impugnante a colaboradores diretos e indiretos através de cartões de premiação não constituem base de cálculo da contribuição sobre a folha, já que não integram o conceito de remuneração, bem como não foram deferidos de forma habitual. O recebimento individual dos valores não enseja a filiação do colaborador ao RGPS, não repercutindo quando da aposentação no valor de sua renda mensal inicial (RMI). Assim, diante do exposto requer pelo imediato saneamento da NFLD, sob pena de ser inevitável seu pleno cancelamento. Espera, pois pelo acolhimento da defesa com o cancelamento da NFLD, bem como dos Autos de Infração conexos, para reconhecer a improcedência das autuações e lançamentos; 2. por fim, requer que seja determinada o cancelamento da NFLD, haja vista o exposto, devendo ser o mesmo arquivado, evitandose assim futuros prejuízos a empresa, bem como dos Autos de Infração conexos, para reconhecer a improcedência das autuações e lançamentos. Pretendese provar o alegado com todos os meios de provas admitidos no direito, bem como aqueles que o contraditório vier a exigir. Protestase, desde já, pela julgada de novos documentos interessantes ao contraditório. Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo ISP – por meio do Acórdão n° 1617.183 da 11a Turma da DRJ/SPOI (fls. 143 a 155 – Volume I) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que o auto de infração encontrase revestido das formalidades legais, foi lavrada de acordo com as disposições expressas da legislação e a Impugnante não apresentou argumentos e/ou elementos de prova capazes de elidir e/ou modificar o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. A Notificada apresentou recurso (fls. 161 a 179 – Volume I) – acompanhado de anexos de fls. 180 a 562 (Volumes I, II e III) –, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua repetição das alegações apresentadas na peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São PauloSP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho de Contribuintes para processamento e julgamento (fls. 563 e 564 – Volume III). É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 569 9 Voto Vencido Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fls. 564). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: Inicialmente na análise das preliminares, a Recorrente manifesta inconformismo a respeito do relatório dos corresponsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos sócios da empresa. Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios (diretores), cabe esclarecer que os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram no polo passivo do presente lançamento fiscal. A relação de corresponsáveis anexada pela fiscalização tem como finalidades identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis ou estatuto, conforme determina o Código Tributário Nacional e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º, inciso I, § 5º, da Lei nº 6.830/1980, que dispõe: “Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.);” Assim, a responsabilidade tributária também será discutida na eventual execução do débito, sendo obrigação da fiscalização, indicar os eventuais representantes da empresa. Se houve violação a lei ou estatuto, não importa neste momento. O que importa é a legalidade do lançamento e a existência do fato gerador. Na possível cobrança efetuada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, irá ser apurado a eventual responsabilidade em caso de omissão do devedor principal, no caso a Recorrente. A finalidade do simples arrolamento, no processo administrativo, dos representantes legais do sujeito passivo, na condição de corresponsáveis, é que os mesmos sejam previamente identificados e não significa que essas pessoas serão convocadas para pagamento do débito que é imputado à empresa. E tanto é assim, que nem ao menos foram notificados com vistas ao exercício dos seus respectivos direitos de defesa e nem conferiram mandato aos patronos da impugnante para propor defesas em seus nomes. Dessa forma, essa discussão, sobre a intimação dos sócios corresponsáveis, Fl. 9DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 10 não pode prosperar em esfera administrativa. Seria cabível, possivelmente, se o débito estivesse inscrito em dívida ativa, e, na via da execução judicial, caso os dirigentes tivessem sido convocados para o pagamento do crédito. A Recorrente alega que deverá haver o sobrestamento do julgamento do presente feito até o julgamento das NFLD’s nos 37.058.2143, 37.058.2152 e 37.058.2160, que abordam o mérito da questão (incidência de contribuições sobre os prêmios pagos). Tal alegação tratase de fato irrelevante para o julgamento do presente processo, eis que, além do recolhimento das contribuições previdenciárias (obrigação tributária principal), a Recorrente está sujeita à satisfação de determinadas obrigações tributárias acessórias previstas na legislação previdenciária, dentre as quais, elaborar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias dos seus segurados empregados e contribuintes individuais, para as competências 11/2003 a 12/2006. Verificouse que, consoante o Relatório Fiscal da Infração de fls. 14, a Recorrente apresentou a GFIP sem os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias dos seus segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências descritas nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD’s) nos 35.058.2143 (processo no 18184.003166/200717), 35.058.2152 (processo no 18184.003167/200761) e 35.058.2160 (processo no 18184.003168/200714). Diante disso, não será acatada a alegação da Recorrente de que deverá haver sobrestamento do presente feito até o julgamento das NFLD’s concernentes ao lançamento da obrigação tributária principal, já que essa alegação deverá ser considerada como um fato irrelevante, pois todas as NFLD’s serão julgadas conjuntamente com o presente julgamento deste auto de infração. Isso está em consonância com os princípios da economia processual e da precaução do sistema processual em relação à existência de julgados contraditórios. A Recorrente alega que haveria uma ilegitimidade passiva na constituição do crédito tributário, pois a sua relação jurídica com os promotores de vendas (contribuintes individuais) deveria ser caracterizada como um contrato de cessão de mão de obra. E afirma, com isso, que os valores concedidos aos promotores de vendas não integrariam o salário de contribuição dos beneficiários dos cartões de premiação. A Recorrente, por intermédio de sua peça recursal de fls. 161 a 179, registra que o programa se reportava a três distintas abordagens, aos promotores de venda que cumprissem determinada quota, aos funcionários com mais de 25 anos de empresa, aos funcionários que contribuíssem com ideias adotadas pela empresa. Essa peça recursal registra ainda que os promotores de vendas eram contratados por meio de empresa fornecedora de mão de obra, para alocálos em pontos estratégicos a fim de estimular a venda de determinados produtos, assim seriam contemplados caso atingissem a meta com o prêmio e ainda o salário da empresa cedente de mão de obra. Cita para tanto o artigo 31, § 3o, da Lei no 8.212/1991, para definir o conceito de cessão de mão de obra, bem como os §§ 1° e 2° do Decreto no 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS), e afastar assim a relação de trabalho entre tais segurados e a mesma. Cita ainda, por equívoco o artigo 30, inciso VI, da Lei no 8.212/1991, para justificar que não existia a possibilidades de se reter os valores para se eximir da responsabilidade solidária, regra esta aplicada unicamente a construção civil. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 570 11 Diante disso, essa alegação da Recorrente não será acatada, eis que ela, além de se fundamentar em regras não aplicáveis para o caso ora analisado, não comprova materialmente tal assertiva mediante juntada de provas documentais, tais como: os contratos de cessão de mão de obra, as Notas Fiscais ou faturas destes serviços, a relação destes funcionários cedidos, dentre outros elementos probatórios permitidos pela legislação vigente. Assim, cabia a Recorrente o ônus da prova de suas alegações, e quedouse inerte, seja na sua peça de impugnação de fls. 30 a 67 (acompanhada de anexos de fls. 68 a 140), seja na sua peça recursal de fls. 161 a 179 (acompanhada de anexos de fls. 180 a 562 – Volumes I, II e III). É importante esclarecer novamente que o presente lançamento foi apurado com base nos valores nominais dos prêmios creditados aos contribuintes individuais informados através de planilha elaborada e fornecida pela própria empresa. Com isso, rejeito a preliminar supramencionada e passo ao exame da preliminar de nulidade do lançamento fiscal ora alegada pela Recorrente. Ainda em preliminar, a Recorrente alega nulidade do auto de infração sob o argumento de que a auditoria fiscal da Receita Federal do Brasil e a unidade julgadora de primeira instância não fundamentaram ou explicitaram os motivos pelos quais entenderam que os valores pagos a título de prêmios para incentivo à produtividade fariam parte da remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Alega que os valores lançados no presente auto de infração não foram devidamente provados e nem os fatos alegados foram claramente demonstrados, não tendo a fiscalização demonstrado os requisitos necessários para considerar os pagamentos efetuados aos segurados como se fossem decorrentes de remuneração. Tal alegação não será acatada, pois os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja: descumprimento de obrigação tributária acessória pela Recorrente, eis que ela apresentou a GFIP sem os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias dos seus segurados empregados e contribuintes individuais, nas competências descritas nas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito (NFLD’s) nos 35.058.2143 (processo no 18184.003166/200717), 35.058.2152 (processo no 18184.003167/200761) e 35.058.2160 (processo no 18184.003168/200714). Portanto, a Recorrente deixou de informar nas GFIP’s os fatos geradores incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais por meio de cartões de premiação, emitidos pelas empresas ALQUIMIA SERVIÇOS DE MARKETING LTDA e SALLES, ADAN & ASSOCIADOS – MARKETING PROMOCIONAL, INCENTIVO, PUBLICIDADE e PROPAGANDA LTDA, para as competências 11/2003 a 12/2006. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, já que, no auto de infração com seus anexos, consta de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal ora analisado, pois estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01 a 21) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária acessória (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada e devida; identificação do sujeito passivo; determinação da Fl. 11DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 12 exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Assim, dispõem o art. 142 do CTN e o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal da Infração (fls. 14) e o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 15), acompanhados de anexos de consolidação dos fatos geradores e do cálculo da multa (fls. 16 a 21), são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da infração incorrida pela Recorrente. A fundamentação legal aplicada encontrase na folha 01 do auto de infração (AI). Anexo ao auto de infração, foi enviado à empresa, por meio de arquivos digitais – conforme Recibo de arquivos entregues ao contribuinte de fls. 12 e 13 –, as planilhas AI68PLAN1 e AI68PLAN2. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito. Além disso, no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 09) e no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF (fls. 10 e 11), assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória lançada e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal da Infração fls. 14. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 571 13 Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o auto de infração foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária acessória, fazendo constar, nos relatórios que compõem o lançamento fiscal, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do auto de infração (AI) são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade no lançamento fiscal ora analisado, e não serão acatadas. A constituição do auto de infração foi detalhadamente descrita, conforme documentos às fls. 01 a 21, fornecendo todos os fatos necessários para sua compreensão e análise. Por tudo isso, não há que se falar em vícios e nulidade do presente lançamento fiscal. Diante disso, não acato a preliminar ora examinada de nulidade e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: No aspecto meritório, a Recorrente não nega que concedeu aos segurados empregados e contribuintes individuais os valores decorrentes das parcelas pagas a título de programa de incentivo, por meio de cartão de premiação. Ela apenas entende que tais valores não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária por não possuírem natureza remuneratória. Tal alegação não deve prosperar pelos fatos, pela legislação de regência e pela jurisprudência judicial e deste Conselho, todos a seguir delineados neste voto. Conforme o Relatório Fiscal da Infração de fls. 14, a auditoria fiscal teve acesso as notas fiscais, tabela de incidência da folha de pagamento mediante listagem com valores descontados dos segurados contribuintes individuais e bases de cálculo referentes a segurados premiados, sendo que com base em tais documentos, verificouse que tais cartões eram destinados a programa de estímulo ao aumento de produtividade e, portanto, relacionados ao alcance de metas de desempenho, conforme relatado pela própria Recorrente em sua peça de impugnação de fls. 30 a 67. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade (ganhos eventuais), uma vez que o pagamento é vinculado exclusivamente à eventual superação das metas ou expectativas de desempenho prédeterminadas pela mesma. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 14 A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T – relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199). Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007 – Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603). Com isso, entendo que há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos segurados empregados por meio de cartão de premiação. Nesse sentido, registramos que há vários precedentes desta natureza prolatados por esta Corte Administrativa, então denominada 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes: Ac. 20600236, Ac. 20600286, Ac. 20600333, Ac. 20600949. Assim, peço vênia à ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira para transcrever trecho de seu voto, condutor do Ac. 20601657, que enfrenta a questão ora posta em julgamento: Conforme discutido nos autos o ponto chave é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Para isso façamos uso da legislação previdenciária, atrelada a conceitos trazidos da legislação trabalhista. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: “Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 572 15 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)” O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Súmulas nos 84, 101 e 226 do TST.) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.” Não procede o argumento do recorrente, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que os prêmios pagos possuem natureza salarial. A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 16 O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: “(...) Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta indicidual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(...) O prêmio, na qualidade de constraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...)” Claro é o posicionamento do STF, acerca da natureza salarial dos prêmios, posto o descrito na súmula n° 209, nestes termos: “Súmula 209 – SalárioPrêmio, salário –produção. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade.” Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Segundo o professor Amauri Marcaro Narcimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras “Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos.” Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os prêmios devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, devendose observar a habitualidade dependendo da verba que se faça incidir. Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo Fl. 16DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 573 17 empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: “Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; Fl. 17DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 18 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos Fl. 18DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 574 19 empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)” Pela análise do dispositivo legal, podemos observar que não existe nenhuma exclusão quanto aos prêmios concedidos seja aos segurados empregados ou contribuintes individuais. Além disso, o texto legal não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: “No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na Fl. 19DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 20 própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado”.” Ademais, o art. 458 da CLT, §2º descreve as verbas fornecidas aos empregados que não possuem natureza salarial. Senão vejamos: “Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Súmula nº 258 do TST.) § 1º Os valores atribuídos às prestações in natura deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (artigos 81 e 82). § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; V – seguros de vida e de acidentes pessoais; VI – previdência privada; VII – VETADO.” Logo, entendo que são devidos os valores decorrentes da multa aplicada à empresa e lançados no presente processo, eis que os valores pagos pela Recorrente, por meio de cartão de premiação, aos seus segurados empregados e contribuintes individuais são utilizados como estímulo ao incremento de produtividade, possuindo assim natureza remuneratória. Ou seja, são valores pagos em função da melhor qualidade e produção do trabalho e devem integrar a base de cálculo para incidência de contribuição previdenciária, conforme determina a Lei no 8.212/91, em seu artigo 28, incisos I e III. A Recorrente insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova testemunhal e outros meios de prova admitidos em direito só deverão Fl. 20DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 575 21 ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito, tais como a prova testemunhal, quando não se referir a matéria fática documental, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova testemunhal que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de procedência, ou não, do lançamento fiscal ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que, no auto de infração com seus anexos (fls. 01 a 21), consta de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova testemunhal. Estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01 a 21) – para o procedimento de lançamento fiscal analisado – todos os seus requisitos legais, conforme preconiza o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária acessória descumprida (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada e devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Dessa forma, a realização de prova testemunhal, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/1972) estabelecem: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972 – na redação dada pela Lei n° 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Fl. 21DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 22 Após os registros dos fatos e da legislação de regência delineados anteriormente, não serão acatadas as alegações da Recorrente registradas dentro do seu aspecto meritório. Com efeito, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicoprevidenciário vigente à época da sua lavratura. Com relação ao pedido de relevação da penalidade, a autuada não atendeu a todos os 4 (quatro) requisitos previstos no artigo 291, § 1°, do Decreto no 3.048/1999, ao não proceder a correção das faltas, apesar de ser primária, com pedido no prazo da defesa e não ter incorrido em circunstância agravante (fls. 01 e 15). Esse artigo 291, § 1º, dispõe: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 12/02/2007). §1o. A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Alterado pelo Decreto nº 6.032, de 12/02/2007) (grifamos) Logo, não será acatada a alegação da Recorrente para aplicação da relevação da multa, eis que a ela estava obrigada a apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto nº 3.048/1999, transcritos abaixo: Lei no 8.212/1991 Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Decreto no 3.048/1999 Art.225. A empresa é também obrigada a: Fl. 22DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 576 23 (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Após os registros dos fatos e da legislação de regência delineados anteriormente, não serão acatadas as alegações da Recorrente registradas dentro do seu aspecto meritório. Ainda dentro do aspecto meritório e em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e da autotutela administrativa, presentes no processo administrativo tributário, frisamos que os valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §5o, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997. Entretanto, este dispositivo sofreu alteração por meio do disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada por infrações concernentes à GFIP’s, a qual deve ser aplicada ao presente lançamento ora analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN). Assim, a Lei nº 11.941/2009 acrescentou o art. 35A, que dispõe o seguinte: Art. 35A Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Considerando o grau de retroatividade média da norma (princípio da retroatividade benigna tributária) previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas, já que se trata de ato não definitivamente julgado. CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) Fl. 23DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 24 II. tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nesse sentido, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para a recorrente, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, “c”, do CTN. Devese, então, calcular a multa da presente autuação nos termos do art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o art. 35A da Lei no 8.212/1991, deduzidas as multas aplicadas nos lançamentos correlatos e utilizar esse valor, caso seja mais benéfico à recorrente. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento foi lavrado na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que teve por base o que determina a Legislação de regência. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se recalcule a multa aplicada – conforme os termos do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, como determina o art. 35A da Lei 8.212/1991 –, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos das NFLD’s nos 35.058.2143 (processo no 18184.003166/200717), 35.058.2152 (processo no 18184.003167/200761) e 35.058.2160 (processo no 18184.003168/200714), e que se compare esse cálculo com a multa já aplicada, a fim de utilizar o valor que for mais benéfico à recorrente, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 24DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 18184.003169/200751 Acórdão n.º 240201.504 S2C4T2 Fl. 577 25 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Redator Designado Embora na essência não exista dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, entendo que a decisão do colegiado passou a ser no sentido do acolhimento parcial dessa preliminar argüida. Isto porque após a revogação acima a denominada “Relação de CoResponsáveis – CORESP” não pode mais ostentar em seu título qualquer expressão que venha mesma a apenas insinuar uma coresponsabilidade das pessoas nela relacionadas. Segue transcrição: Lei 8.620/93: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. A “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores. da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 25DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 26 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Em síntese, temos que: a) a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; b) a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação. Portanto, embora não se atenda ao requerido para exclusão de sócios e diretores da “Relação de CoResponsáveis – CORESP”, devese acolher parcialmente a preliminar para que se reconheça que a finalidade do documento é apenas indicar os representantes legais da empresa, “Representantes Legais – REPLEG”, como subsídio para a PFN. Voto pelo acolhimento parcial da preliminar de coresponsabilidade. Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 26DF CARF MF Emitido em 28/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO Assinado digitalmente em 22/03/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, 25/03/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 37311.002121/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/08/2005
Ementa:
CERCEAMENTO DE DEFESA
Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de impugnação, posto que a matéria vem regulada em lei.
MULTA MORATÓRIA
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO.
Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS.
VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-000.824
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/08/2005 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA Não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de impugnação, posto que a matéria vem regulada em lei. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. REGULAMENTAÇÃO. Não ofende ao Princípio da Legalidade a regulamentação através de decreto do conceito de atividade preponderante e da fixação do grau de risco. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva, Thiago D’ Ávila Melo Fernandes,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Fl. 2DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 37311.002121/200777 Acórdão n.º 230200.824 S2C3T2 Fl. 185 3 Relatório Trata a notificação lavrada em 05/06/2006, de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativa a diferença de alíquota de 1%, referente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, em função da empresa ter se auto enquadrado por estabelecimento, quando a legislação prevê o enquadramento de acordo com a atividade preponderante da mesma. O crédito referese ao período de 10/2003 a 08/2005. O relatório fiscal de fls. 45/59, diz que o enquadramento foi efetuado com base nos discriminativos do número de empregados envolvidos no setor produtivo, apresentados pela notificada e as informações prestadas pela mesma em GFIP, sendo que a atividade preponderante da empresa enquadrase no risco médio, com alíquota de 2%. O levantamento constante desta notificação referese apenas à diferença de 1%, no estabelecimento de CNPJ 03.085.759/001699. Após a apresentação de impugnação, DecisãoNotificação de fls. 126/134, julgou o lançamento procedente. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega: a) o cerceamento de defesa pelo exíguo prazo concedido para a impugnação; b) o cerceamento de defesa pela aplicação de multas progressivas; c) a inconstitucionalidade da multa e seu caráter confiscatório; d) a ilegalidade e a inconstitucionalidade do Decreto n.º 3048/99, ao deliberar sobre atividade preponderante; e) que o estabelecimento em questão desenvolve atividades administrativas devendo recolher a alíquota de 1%. Faz referencia à jurisprudência. Requer a reforma da decisão proferida para cancelar integralmente os créditos previdenciários. A DRP ofereceu as contrarazões pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Cumpridos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares Quanto à argüição da recorrente de que houve cerceamento de defesa frente ao exíguo prazo para impugnar várias notificações e autuações, temse que não se configura cerceamento de defesa a impossibilidade de dilação do prazo de defesa, posto que a matéria vem regulada em lei. Os atos processuais, por força do disposto no art. 177 do Código de Processo Civil, realizarseão nos prazos prescritos em lei. O prazo para impugnação ( à época do lançamento) era de 15 (quinze) dias, conforme teor do art. 37, § 1º, da Lei nº 8.212/91 e arts. 243, § 2º, e 293, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, abaixo transcritos: “Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. § 1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Renumerado pela Lei nº 9.711, de 20.11.98)” “Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes (...). § 2º Recebida a notificação, a empresa, o empregador doméstico ou o segurado terão o prazo de quinze dias para efetuar o pagamento ou apresentar defesa”. “Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 37311.002121/200777 Acórdão n.º 230200.824 S2C3T2 Fl. 186 5 hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. § 1º Recebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de quinze dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001)” A Portaria MPS/GM nº 520, de 19 de maio de 2004, que regulava o Contencioso Administrativo Previdenciário, também à época do lançamento, previa, em seu art. 34, que “os prazos para impugnação ou recurso não serão prorrogados”. Portanto, foram cumpridas as determinações legais, sendo improcedente a arguição de cerceamento de defesa. Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, vigente à época do lançamento. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Assim, a exigência de multa de ofício, aplicada em atenção à legislação vigente, não pode ser afastada pela administração sob o argumento de que se reveste do conceito de confisco. Esta questão já foi enfrentada por este Colegiado, cujo entendimento firmado foi no sentido de que o princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor. (Acórdão nº 20500035; 2º Conselho de Contribuintes, 5ª Câmara; data da sessão 10/10/2007; Relator Damião Cordeiro de Moraes) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 37311.002121/200777 Acórdão n.º 230200.824 S2C3T2 Fl. 187 7 Do Mérito Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, em razão da reserva à lei para estabelecer os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de trabalho não confiro razão à recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. ... § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003). Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99) que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de Fl. 8DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 37311.002121/200777 Acórdão n.º 230200.824 S2C3T2 Fl. 188 9 “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau risco de acidente de trabalho não precisariam estar definidos em lei, o Regulamento é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que são complementares e não essenciais na definição da exação. No que se refere ao enquadramento por empresa e não por estabelecimento, tenho que foi obedecida a legislação vigente estampada no artigo 202, § 3º do Regulamento da Previdência Social, já transcrito em parágrafos anteriores. Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise na esfera administrativa, pois não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 10 De acordo com a Súmula n ° 2 aprovada pelo Conselho Pleno do 2º Conselho de Contribuintes não pode ser declarada a inconstitucionalidade de norma pela Administração. Súmula N ° 2 O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 10DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 31/03/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 01/04/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
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Numero do processo: 10920.003171/2007-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 06/07/2007
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade.
PRAZO RECURSAL. SOLIDARIEDADE. DIES A QUO.
No caso de solidariedade, o prazo para o oferecimento do Recurso Voluntário é contado a partir da ciência do último coobrigado da decisão de 1ª instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-001.037
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade. PRAZO RECURSAL. SOLIDARIEDADE. DIES A QUO. No caso de solidariedade, o prazo para o oferecimento do Recurso Voluntário é contado a partir da ciência do último coobrigado da decisão de 1ª instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. ARLINDO DA COSTA E SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 204DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Ausência momentânea : Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Período de apuração: Janeiro/1997 a dezembro/2006. Data da lavratura do Auto de Infração : 06/07/2007. Data da Ciência do Auto de Infração : 11/07/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em razão de não haver sido informado nas GFIP os fatos geradores decorrentes da receita bruta auferida pela comercialização da produção rural comercializada nas competências 11/2001 a 10/2003 contabilizada nos Livros Diário 08/2001, 09/2002 e 10/2003, na conta “3111.01 Vendas no Mercado Interno”, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 20/35 e anexos. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. O valor da multa aplicada corresponde a 100% (cem por cento) do valor calculado relativo à contribuição não declarada, calculada sobre o fato gerador omitido, limitada, por competência, aos critérios estabelecidos no § 4° do art. 32 da Lei n. 8.212/91, em função do número de segurados na empresa, conforme descrito no Relatório Fiscal de Aplicação da multa, a fls. 36/39. Informa outrossim a Autoridade Lançadora que desde dez/1986, a Fábrica de Móveis Neumann ltda é controladora direta, com 100% do capital votante, da empresa autuada, situação que se manteve até 24/11/2006, quando a Fábrica de Móveis Neumann ltda se retirou da sociedade transferindo suas ações a seus próprios sócios, fato que evidenciaria da existência de grupo econômico. Por tal razão a Fábrica de Móveis Neumann ltda houve por incluída no presente débito na condição de responsável solidária. O devedor solidário foi devidamente intimado do lançamento em apreço, mediante o Ofício DRF/JOI/SC/SAFIS/EFI3 015/2007, de 16 de julho de 2007, em 18/07/2007, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 256. Contudo, não ofereceu impugnação no prazo normativo. Fl. 205DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.003171/200747 Acórdão n.º 230201.037 S2C3T2 Fl. 275 3 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 222/225. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa a fls. 258/262, julgando procedente em parte a autuação em estudo e retificando o crédito tributário de R$ 27.460.56 (vinte e sete mil, quatrocentos e sessenta reais e cinquenta e seis centavos) para R$ 21.944,11 (vinte e um mil, novecentos e quarenta e quatro reais e onze centavos). Não foi oferecido Recurso de Ofício. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 08/01/2008, mediante Oficio N° 718/2007 ARF/SBS, de 19 de dezembro de 2007, conforme consignado expressamente a fl. 267. O coobrigado, Fábrica de Móveis Neumann ltda, foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 09/01/2008, mediante Oficio N° 719/2007 ARF/SBS, de 19 de dezembro de 2007, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 265. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 266/271, requerendo ao fim que seja deferido o autoenquadramento da Neumann Agro Florestal S.A. como mero produtor rural para fins previdenciários. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Fl. 206DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de Fl. 207DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.003171/200747 Acórdão n.º 230201.037 S2C3T2 Fl. 276 5 determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal competência, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não dispõe mais a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 08 de janeiro de 2008, terçafeira, iniciandose, por conseguinte, a Fl. 208DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 fluência do trintídio recursal na quartafeira seguinte, digase, no dia 09 de janeiro de 2008. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria na sextafeira, 07 de fevereiro de 2008, inclusive. Igualmente, o coobrigado foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 09 de janeiro de 2008, quartafeira, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na quintafeira seguinte, digase, no dia 10 de janeiro de 2008. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria na sextafeira, 08 de fevereiro de 2008, inclusive. Nessas condições, a lei fixa o dia 08 de fevereiro de 2008 como o dies ad quem para a protocolização do recurso em realce. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço. Lei nº 662, de 6 de abril de 1949. Art. 1º São feriados nacionais os dias 1º de janeiro, 21 de abril, 1º de maio, 7 de setembro, 2 de novembro, 15 de novembro e 25 de dezembro. (Redação dada pela Lei nº 10.607, de 19.12.2002) Art. 2º Só serão permitidas nos feriados nacionais, atividades privadas e administrativas absolutamente indispensáveis. Art. 3º Os chamados "pontos facultativos" que os Estados, Distrito Federal ou os Municípios decretarem não suspenderão as horas normais do ensino nem prejudicarão os atos da vida forense, dos tabeliães e dos cartórios de registro. Assim, não procede a preliminar de tempestividade oferecida pelo Recorrente. O fato de o porteiro ser terceirizado e de ter deixado de comunicar aos representantes legais da empresa o recebimento da intimação constituise questão interna corporis da empresa, não podendo ser oposta ao fisco ou mesmo afastar a incidência cogente da legislação tributária. Tal compreensão emerge diretamente no texto legislativo o qual, não contemplando excepcionalidades como a esposada pelo Recorrente, assim dispõe: Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 29. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal ou telegráfica, com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo; (grifos nossos) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. Fl. 209DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.003171/200747 Acórdão n.º 230201.037 S2C3T2 Fl. 277 7 (...) §2º Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (grifos nossos) III se por meio eletrônico, quinze dias contados da data registrada: a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV quinze dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. §3 Os meios de intimação previstos no caput não estão sujeitos a ordem de preferência. §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à RFB; (...) §6º No caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado. Os preceptivos ora enunciados não discrepam do regramento asselado no art. 23 do Decreto nº 70.235/72, o qual reproduzimos abaixo, naquilo que se mostra pertinente ao caso espécie. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) (...) §2° Considerase feita a intimação: (grifos nossos) (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 210DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Assim, na hipótese em apreço, em que a intimação deuse por via postal com prova de recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo, considerase feita a intimação na data do recebimento, em atenção ao disposto no inciso II do parágrafo 2º do art. 29 da Portaria RFB nº 10.875/2007. Sendo certo que, no caso de solidariedade, os prazos somente são contados a partir da ciência da intimação do último coobrigado, e que as ciências do sujeito passivo e do devedor solidário se deram igualmente nos dias 08 e 09 de janeiro de 2008, respectivamente, cumpre reconhecer que tal evento marca, para todos os efeitos jurídicos, o dia 10 de janeiro de 2008 como o dies a quo do trintídio para o oferecimento de recurso voluntário no vertente processo, e o como dead line, o dia 08 de fevereiro de 2008. No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 11 de fevereiro de 2008, conforme resta consignado no Carimbo de Protocolo a fl. 266, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Citese por relevante que, mesmo tendo sido intimado da Decisão ora guerreada – Acórdão 07 11.407 da 6ª Turma da DRJ/FNS, a fls. 258/262, transcorrido o trintídio normativo, o coobrigado já referido quedouse inerte, não contestando a citada decisão. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva Fl. 211DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10920.003171/200747 Acórdão n.º 230201.037 S2C3T2 Fl. 278 9 no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’ da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederam os fatos jurídicos em realce. Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) Fl. 212DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude de sua apresentação intempestiva. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 213DF CARF MF Emitido em 08/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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