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Numero do processo: 10166.722303/2010-28
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002
AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO OCORRÊNCIA. PAF. DIREITO A RESTITUIÇÃO. VALORES APROVEITADOS EM OUTRO PROCESSO. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NO RECURSO.
Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
Não há que se falar na aplicação de aferição indireta quando a apuração da base de cálculo do for feita com base nos documentos apresentados pela própria recorrente.
O aproveitamento dos valores que a recorrente tem direito a serem restituídos já ocorreu em outro Processo Administrativo Fiscal (PAF), sendo assim, não cabe alegações sobre a restituição de valores nos presentes autos.
Considera-se preclusa a matéria que não foi contestada expressamente na fase impugnatória e que, por consequência, não foi objeto de exame pela autoridade julgadora de primeira instância.
Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.738
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO OCORRÊNCIA. PAF. DIREITO A RESTITUIÇÃO. VALORES APROVEITADOS EM OUTRO PROCESSO. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NO RECURSO. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Não há que se falar na aplicação de aferição indireta quando a apuração da base de cálculo do for feita com base nos documentos apresentados pela própria recorrente. O aproveitamento dos valores que a recorrente tem direito a serem restituídos já ocorreu em outro Processo Administrativo Fiscal (PAF), sendo assim, não cabe alegações sobre a restituição de valores nos presentes autos. Considera-se preclusa a matéria que não foi contestada expressamente na fase impugnatória e que, por consequência, não foi objeto de exame pela autoridade julgadora de primeira instância. Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2002 AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO OCORRÊNCIA. PAF. DIREITO A RESTITUIÇÃO. VALORES APROVEITADOS EM OUTRO PROCESSO. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NO RECURSO. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Não há que se falar na aplicação de aferição indireta quando a apuração da base de cálculo do for feita com base nos documentos apresentados pela própria recorrente. O aproveitamento dos valores que a recorrente tem direito a serem restituídos já ocorreu em outro Processo Administrativo Fiscal (PAF), sendo assim, não cabe alegações sobre a restituição de valores nos presentes autos. Considerase preclusa a matéria que não foi contestada expressamente na fase impugnatória e que, por consequência, não foi objeto de exame pela autoridade julgadora de primeira instância. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722303/201028 Acórdão n.º 2803001.738 S2TE03 Fl. 425 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Natanael Vieira dos Santos, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, André Luís Mársico Lombardi. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722303/201028 Acórdão n.º 2803001.738 S2TE03 Fl. 426 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ADLER – ASSESSORAMENTO EMPRESARIAL REPRESENTAÇÕES LTDA em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte e manteve o crédito tributário exigido, referente a contribuições previdenciárias devidas pela empresa à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, devidas e não pagas, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/1999 a 12/2002. 2. O presente auto de infração, AIOP DEBCAD nº 37.297.2543, conforme consta das fls. 53/63, é referente a um lançamento substitutivo, uma vez que o auto de infração que consolidou o crédito constituído na NFLD n. 35.675.4200 ter sido anulado por vício formal, conforme narra o relatório fiscal, in verbis: “12. Este autodeinfração decorre de um lançamento substitutivo com a finalidade específica de constituir novo lançamento por ter havido uma decisão que anulou o autode infração anteriormente constituído, por vício formal. 13. A anulação do atuo anterior está bem detalhada na decisão que comandou a anulação do AI DEBCAD no. 35.675.4200, acórdão n. 2943/2005, de 14/12/2005 (cópia em anexo). 14. Porém destacase que o crédito anulado foi desmembrado da forma abaixo: AI 37.297.2543: apenas a parte patronal AI 37.297.2331: apenas a parte descontada dos segurados AI 37.297.2527: apenas a parte de terceiros” (f. 56) 3. A referida decisão de segunda instância proferida em 14/12/2005, pela então 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social considerou o débito nulo uma vez que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF estava vencido, sendo assim o acórdão restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE LEGAL. NULIDADE DOS ATOS PRATICADOS. I – A instituição do MPF se deu não apenas em vista da necessidade do Fisco em planejar e sistematizar melhor seus trabalhos internos, mas também, e com maior importância, para trazer segurança jurídica ao contribuinte, garantindo transparência na fiscalização, certeza de que esta não transcorrerá indefinidamente, e se sustenta no princípio da Fl. 426DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722303/201028 Acórdão n.º 2803001.738 S2TE03 Fl. 427 4 moralidade administrativa na boafé das relações com o tributado; II – A autorização contida no MPF para fiscalizar, tem prazo certo de vigência, cujo decurso levará à sua extinção nos termos do inciso II do art. 15 do Decreto nº 3.969/01; III – A prorrogação da ordem para fiscalizar, como ato fiscal que é, deve estar compreendida no prazo fixado no mandado precedente, sendo sua prorrogação extemporânea contrária ao direito, e suficiente pra inquinar de nulo o lançamento produzido, por vício na sua constituição em vista da ausência de MPF válido a precedelo nos termos exigidos pelo inciso III do artigo 32 da Portaria MPS nº 520/04; IV – Extinta a ordem originária pelo decurso do prazo, sem que tenha sido prorrogada atempadamente, a convalidação dos atos eventualmente executados com a autorização vencida, e a regularidade formal da fiscalização, somente se restabeleceria, nos termos do art. 16, com a confecção de um novo MPFF, e não por meio de uma ordem complementar. Recurso conhecido e NFLD nula por vício de forma”. (f. 329) 4. A fiscalização informou que na presente autuação foram efetuados lançamentos idênticos aos feitos na NFLD original. 5. Ressaltou ainda que os créditos a favor da empresa, foram aproveitados pela fiscalização anterior na NFLD 35.675.4219 que não foi anulada e continua tramitando administrativamente no CARF. 6. Há relatos da fiscalização acerca de métodos fraudulentos e dolosos cometidos pela empresa, para “em tese”, sonegar tributos e contribuições sociais. Destaquese: “11. E por fim, destacamos que a empresa, objetivando, EM TESES, a sonegação de tributos e contribuições sócias, empregou, conforme detectado pela fiscalização anterior, métodos fraudulentos e dolosos, caracterizados pelos seguintes atos: ● Calçar ou espelhar notas fiscais, isto é, emitir estes documentos consignando valores diferentes nas diversas vias, sendo o valor real da operação na via do destinatário e um valor inferior nas vias destinadas à contabilidade e ao fisco; ● Omitir em folhas de pagamento e na contabilidade os lançamentos corretos da contabilidade os lançamentos corretos da remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, mantendo controle paralelo (EM TESE, caixa dois), fato este comprovado pelos arquivos digitais constantes no HARD DISK (HD) apreendido pela Polícia Federal no inquérito policial SR/DPF/DF n. 04.560/2002. 7. Diante disso, no auto de infração anterior havia sido lavrada uma Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), conforme cópias ff. 338/352, dando origem ao Fl. 427DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722303/201028 Acórdão n.º 2803001.738 S2TE03 Fl. 428 5 processo judicial nº 2005.34.00.0283737 – Representação criminal, que atualmente aguarda a constituição definitiva do débito da NFLD 35.675.4219, de acordo com a manifestação do Procurador da República à f. 350, dessa forma, ressalta que deve ser informado ao setor competente que os presentes autos relançados estão vinculados à referida RFFP. 8. O auditor juntou ainda aos autos planilhas de comparação de multas, para auferir qual seria a mais benéfica para se aplicar no caso concreto, e assim individualizou a penalidade que deveria ser aplicada em cada competência lançada, sendo então ajustados os autosdeinfração CFL 68 e CLF 69 para a multa mais benéfica. 9. Diante da ciência do novo lançamento, em 11/10/2010, f. 367/371, a empresa apresentou impugnação tempestiva às ff. 387/391 e ao julgar a peça impugnatória apresentada, o Colegiado de primeira instância considerou a impugnação improcedente, e por consequência manteve o crédito tributário em sua totalidade. A decisão a quo restou ementada nos termos que hora transcrevo: “CONTRIBUIÇÃO DESTINADA AOS TERCEIROS SOBRE A FOLHA DE PAGAMENTO DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. São devidas pela empresa e equiparados as contribuições sociais incidentes sobre a remuneração paga aos empregados e contribuintes individuais que lhes prestem serviços. AFERIÇÃO INDIRETA. Não se constitui aferição indireta a apuração da base sd ecálculo feita a partir da análise de documentos ou informações exigidos pela legislação previdenciária. LIMITE MÍNIMO PARA O LANÇAMENTO. O limite mínimo para lançamento em NFLD, previsto no art. 630, da IN/INS/DC 100/03, foi revogado pela In MPS/SRP 03/05, não existindo mais limite mínimo para a constituição do crédito tributário. OPERAÇÃO CONCOMITANTE. Para efetivação de operação concomitante, impõese a existência de crédito da mesma natureza, oriundo de processo de restituição ou de reembolso. PROVA DOCUMENTAL. OPORTUNIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Impugnação improcedente Crédito tributário mantido”. (f. 406) Fl. 428DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722303/201028 Acórdão n.º 2803001.738 S2TE03 Fl. 429 6 10. Após a devida intimação do contribuinte em 26/05/2011, conforme Aviso de Recebimento f. 416, irresignado com a decisão prolatada o contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, às ff. 418/422, no qual aduz em síntese: a) preliminarmente, suscita a nulidade do lançamento pois o auto de infração foi lavrado de maneira irregular, já que na fundamentação legal deveria indicar a disciplina dos §§ 3º e 6º do art. 33, da Lei 8.212/91, uma vez que o Fisco desconsiderou registros formais apresentados pelo contribuinte e utilizou o método de aferição indireta para constituir o crédito tributário; b) que cabe à RFB zelar pela correta aplicação do vigente regramento previdenciário, o que não ocorreu nos autos, por promover uma cobrança em desfavor de um contribuinte que ostenta créditos perante o Fisco; c) alega que é obrigação da RFB restituir valores retidos mensalmente nas faturas de serviços do contribuinte ou homologar compensações realizadas espontaneamente pelo contribuinte; d) sustenta que a RFB deveria, na oportunidade de estar junto a toda a documentação do contribuinte, dinamizar o andamento dos diversos processos de restituição que o contribuinte possui, e, promover um encontro de contas com os eventuais passivos encontrados em seu desfavor; e) argumenta que deixando o Fisco, de dinamizar os expedientes administrativos de restituição de crédito ao contribuinte, para fazer o encontro de consta com eventual saldo devedor deste auto de infração, a RFB está suportando prejuízo. f) que os valores apropriados na NFLD 4219 devem compor a base de crédito do contribuinte a fazer frente a eventuais passivos seus, já que a tendência da referida NFLD é de ser cancelada, por decisão administrativa. g) conclui requerendo a improcedência da autuação, tanto pela inadequação da caracterização dos valores lançados, quanto pela existência de créditos a favor do contribuinte. 11. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722303/201028 Acórdão n.º 2803001.738 S2TE03 Fl. 430 7 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA AFERIÇÃO INDIRETA 2. Preliminarmente, a recorrente suscita a nulidade do presente auto de infração, pois entende que a autoridade fiscal aplicou o método da aferição indireta para constituir determinadas cobranças e por isso, caberia a RFB indicar no relatório fiscal a os §§ 3º e 6º da Lei 8.212/91 como fundamento legal do débito o que, de fato, não o fez. 3. A respeito desse ponto levantado pelo contribuinte é preciso esclarecer que a cobrança de contribuição previdenciária tem previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional e tratase de uma espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento. 4. Em tal modalidade de lançamento a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, restando ao fisco, posteriormente, conferir o procedimento realizado pelo contribuinte e homologar/ratificar a conduta deste. 5. Assim, a atuação posterior à declaração do contribuinte, no âmbito da Receita Federal do Brasil consiste na análise de documentos, livros contábeis e fiscais, dentre outros elementos apresentados pelo contribuinte e a partir daí verificase se o lançamento foi efetuado corretamente pelo contribuinte e o homologa. 6. No entanto, quando há recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação requerida pelo auditor fiscal, ou quando a apresentação de algum documento é deficiente, a legislação tributária prevê que a autoridade fiscal tem a prerrogativa de aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, conforme art. 148 do CTN e art. 33 §§ 3º e 6º da Lei n. 8.212/91. CTN: “Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Fl. 430DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722303/201028 Acórdão n.º 2803001.738 S2TE03 Fl. 431 8 Lei 8.212/91: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” 7. Concluise que, de fato, quando há o uso da prerrogativa concedida pela legislação ao auditor fiscal, de arbitrar valores, quando não lhe é apresentado todos os documentos necessários, os dispositivos basilares de tal conduta devem ser expressamente indicados na fundamentação legal do débito, sob pena de nulidade. 8. No entanto, ocorre que in casu, o contribuinte somente alega que a aferição indireta foi aplicada para calcular alguns valores, sem sequer mencionar quais valores foram arbitrados, tampouco carrear aos autos provas do que alega. 9. Ademais, como consta no relatório de lançamentos de (f. 5 a 13) foram analisados dados constantes na folha de pagamentos elaborada pela própria empresa, além de rescisões de contrato de trabalho e recibos de férias, assim a apuração da base de cálculo foi elaborada com base nos documentos exigidos pela legislação previdenciária e apresentados pelo contribuinte. 10. Assim, compulsando os autos, vêse que todos os documentos necessários foram analisados pelo fiscal e em momento algum nos autos há menção sobre arbitramento efetuado pelo fiscal. Nessa esteira, caberia ao contribuinte trazer provas de que foi aplicada a aferição indireta no auto de infração em epígrafe, o que não o fez. 11. Dessa forma, entendo equivocada a alegação do contribuinte e, no meu sentir, não assiste razão ao contribuinte. DA RESTITUIÇÃO 12. A recorrente, num segundo momento de seu recurso, combate o lançamento efetuado em face da empresa, com base no argumento de que o contribuinte possui valores a serem restituídos pelo fisco e assim, deveriam ter sido abatidos do total final lançado no auto de infração. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722303/201028 Acórdão n.º 2803001.738 S2TE03 Fl. 432 9 13. Ocorre que existe nos autos informação de aproveitamento dos valores que a empresa teria direito à restituição em outra NFLD, ainda em tramitação, qual seja NFLD n. 35.675.4219, conforme item 10 do relatório fiscal: “10. Lembramos ainda, que os créditos a favor da empresa (conforme consta nas explicações da NFLD originalmente lavrada 35.675.420.0) foram aproveitados pela fiscalização anterior na NFLD 35.675.4219 que não foi anulada e conta tramitando administrativamente atualmente (outubro2010) no CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” (f. 55). 14. Sendo assim, não vislumbro razão nas alegações do contribuinte neste auto de infração, se os valores que devem ser restituídos estão sendo aproveitados na NFLD supra mencionada. Cabe à recorrente contestar a forma do aproveitamento de tais valores no referido processo administrativo fiscal no qual está se tratando a restituição. DO MÉRITO 15. O auto de infração foi lavrado em função de contribuições sociais previdenciárias devidas pela empresa, essas incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, nas competências 01/1999 a 12/2002 (item 1 do relatório fiscal, fl..53). 16. Insta mencionar que o lançamento original, anulado por vício formal, apurou valores no período de 01/1994 a 12/2002 no entanto, “foram desprezados os valores apurados pela fiscalização anterior encerrada em junho/2004, que estavam em períodos superiores aos 5 (cinco) anos de decadência permitidos, sendo portanto, desprezados, os valores apurados em períodos anteriores ao ano de 1999 (f. 58)”. 17. No tocante ao mérito, o Colegiado a quo não enfrentou a matéria pertinente ao mérito, pois considerou que não houve “na defesa apresentada pelo contribuinte, qualquer alegação quanto ao objeto da notificação em epígrafe, ou seja, contribuições sociais, a cargo da empresa, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais (f. 412)”. 18. Importante frisar que, conforme preleciona o Decreto nº 70.235 de 1972, todas as matérias devem ser expressamente contestadas pelo impugnante sob pena de preclusão, assim legislado: “Art. 16. A impugnação mencionará: I – a autoridade julgadora a quem é dirigida; II – a qualificação do impugnante; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722303/201028 Acórdão n.º 2803001.738 S2TE03 Fl. 433 10 V – se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” 19. Nesse sentido, o CARF já pacificou seu entendimento no sentido de considerar preclusa a matéria não impugnada na primeira instância. Além de considerar definitiva, na esfera administrativa, aquela matéria que não for contestada na fase recursal. Seguem julgados recentes, proferidos por esse Colegiado: “PAF. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não se instaura o litígio em relação a matéria que não seja expressamente impugnada, tornandose definitiva, na esfera administrativa, a exigência a ela correspondente. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, os recibos fornecidos por profissionais de saúde, que atendam aos requisitos formais definidos na legislação, são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas. Em situações excepcionais em que se verifiquem indícios de irregularidades, justificase a cautela do fisco em exigir elementos adicionais de prova. Ausentes tais indícios, não é válida a glosa da despesa sob o fundamento da falta de comprovação da efetividade dos pagamentos. DESPESA MÉDICA. GASTOS COM ALIMENTANDO. O pagamento de despesa médica com alimentando somente é dedutível se a obrigação de arcar com tais despesas estiver definida em sentença judicial. Recurso parcialmente provido. (CARF – 2ª Câmara / 1ª Turma / Segunda Seção de Julgamento. Acórdão n. 220100936. Data do julgamento: 02/12/10. Relator; Pedro Paulo Pereira Barbosa) SALDO NEGATIVO DO IRPJ. EXAME. DECADÊNCIA. Inaplicável o conceito de decadência para o exame dos documentos que compõem a base de cálculo negativa do IRPJ objeto do pedido de restituição. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRECLUSÃO. Considerase preclusa a matéria que não foi contestada expressamente na fase impugnatória e que, por consequência, não foi objeto de exame pela autoridade julgadora de primeira instância. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NO RECURSO. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na fase recursal. ALEGAÇÃO DESPROVIDA DE PROVA DOCUMENTAL. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA FISCAL. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10166.722303/201028 Acórdão n.º 2803001.738 S2TE03 Fl. 434 11 Cabe à defesa trazer aos autos as provas documentais que embasam as alegações apresentadas capazes de elidir, no todo ou em parte, a exigência fiscal regular, a exigência fica mantida em sua integridade. VALOR DA CSLL INFORMADO NA DIPJ E NA DCTF. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA. POSSIBILIDADE. A atividade de lançamento é vinculada, obrigatória e privativa da autoridade administrativa. Os valores constantes da DIPJ são de caráter meramente informativo. Inexiste impedimento legal para a autoridade fiscal efetuar o lançamento da diferença entre a CSLL informada em DIPJ e aquela constante da DCTF. Recurso negado. (CARF, 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária / 1ª Seção de julgamento. Processo nº 16327.001986/200696. Acórdão n. 120100.542. Data do julgamento: 27/06/2011. Relator: Carlos Alberto Donassolo)”. 20. Assim, considerando que o recurso voluntário da recorrente, da mesma forma que a impugnação, no tocante à origem do lançamento, não apresenta nenhum combate aos argumentos trazidos pelo fisco, mantenho a decisão recorrida. CONCLUSÃO 21. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo os valores lançados pela fiscalização É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos – Relator. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/0 9/2012 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000879/2010-30
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2009
SERVIDORES MUNICIPAIS NÃO EFETIVOS (CONCURSADOS). REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA.
Os servidores públicos não efetivos (concursados), a partir da Emenda Constitucional n. 20/1998, são vinculados e contribuintes ao Regime Geral de Previdência, tornando o ente público contribuinte e responsável de reter e recolher à União as contribuições previdenciárias incidentes sobre os vencimentos e remunerações pagas àqueles.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ATRIBUIÇÕES.
Cabe à autoridade fiscal apenas averiguar, em tese, se há possibilidade de ocorrência de fatos tipificados como crimes pela legislação penal, e informar a autoridade competente, por meio da Representação Fiscal para Fins Penais. A avaliação da ocorrência do tipo penal in concreto é de competência do Ministério Público Federal e, depois, do Poder Judiciário, caso o crédito
tributário de contribuições previdenciárias tenha sido mantido (art. 83, da Lei n. 9430/1998).
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-001.870
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). A multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base em fatos geradores anteriores à 04.12.2008 seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35-A da Lei n. 8.2121-1991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430-1996, sem interpretação conjunta com o art. 32-A, da Lei n. 8212-1991, desde que mais favorável ao sujeito passivo. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e Osmar Pereira Costa.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA. Os servidores públicos não efetivos (concursados), a partir da Emenda Constitucional n. 20/1998, são vinculados e contribuintes ao Regime Geral de Previdência, tornando o ente público contribuinte e responsável de reter e recolher à União as contribuições previdenciárias incidentes sobre os vencimentos e remunerações pagas àqueles. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ATRIBUIÇÕES. Cabe à autoridade fiscal apenas averiguar, em tese, se há possibilidade de ocorrência de fatos tipificados como crimes pela legislação penal, e informar a autoridade competente, por meio da Representação Fiscal para Fins Penais. A avaliação da ocorrência do tipo penal in concreto é de competência do Ministério Público Federal e, depois, do Poder Judiciário, caso o crédito tributário de contribuições previdenciárias tenha sido mantido (art. 83, da Lei n. 9430/1998). MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). A multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base em fatos geradores anteriores à 04.12.2008 seja a estabelecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 08 79 /2 01 0- 30 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 11.634.000879201030 Voluntário 11.634.000879201030 Voluntário 3ª Turma Especial 3ª Turma Especial 17 de outubro de 2012 17 de outubro de 2012 Contribuições Previdenciárias Contribuições Previdenciárias MUNICÍPIO DE CAMBE - PREFEITURA MUNICIPAL MUNICÍPIO DE CAMBE - PREFEITURA MUNICIPAL FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 191DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000879/2010-30 Acórdão n.º 2803-001.870 S2-TE03 Fl. 192 2 no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35-A da Lei n. 8.2121-1991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430-1996, sem interpretação conjunta com o art. 32-A, da Lei n. 8212-1991, desde que mais favorável ao sujeito passivo. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Helton Carlos Praia de Lima e Osmar Pereira Costa. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Osmar Pereira Costa, Bianca Delgado Pinheiro, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000879/2010-30 Acórdão n.º 2803-001.870 S2-TE03 Fl. 193 3 Relatório O presente Recurso Voluntário foi interposto contra decisão da DRJ, que manteve o crédito tributário oriundo da aplicação de contribuições previdenciárias patronais e dos segurados sobre vencimentos pagos/creditados a servidores não beneficiados pelo Regime Próprio de Previdência (ocupantes de cargo comissionados, temporários e sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho) no período de 01.01.2005 a 31.12.2009. A ciência do auto de infração inaugural foi em 14.07.2010. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos resumidos: a) a ilegitimidade passiva da Recorrente, pois os valores teriam sido recolhidos ao Instituto Municipal de Previdência de Cambe (IMP-Cambe) a título de Regime Próprio de Previdência, obedecendo a Lei Municipal n. 925/1994, sendo esta entidade também sujeito passivo no presente auto, sob pena de descumprimento às garantias do devido processo legal e ampla defesa. b) que parte das créditos lançados seriam decadentes em razão do art. 150,§4º, do CTN, c) que não houve qualquer ilegalidade ou ilicitude cometida pelo Recorrente por estar obedecendo a Lei Municipal n. 925/1994, e por consequëncia o princípio da estrita legalidade, ao recolher as contribuições ao IMP-Cambe. Inclusive, haveria possibilidade de compensação com o Regime Geral de Previdência conforme a Lei n. 9796/1999; d) que a multa aplicada na forma do art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991, combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9430/1994, é equivocada pois inexistiu ato de fraude, má- fé ou dolo, fato que também descaracterizaria a ocorrëncia de crime. Em ato apartado, o Recorrente requereu a juntada do Ofício n. 238/2011 do IMP-Cambé informando que os servidores contratados em teste seletivo antes de desembro de 2001, estariam aponsentados pelo Regime Próprio de Previdência, seguindo a orientação do Tribunal de Contas do Estado do Paraná. Os autos foram distribuídos à esta Turma Especial e conselheiro para sua apreciação em segunda instância administrativa. Esse é o relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000879/2010-30 Acórdão n.º 2803-001.870 S2-TE03 Fl. 194 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I - O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Quanto às questões preliminares de legitimidade passiva, é claro que essas afetam diretamente o mérito, pois definem quem são os contribuintes e responsáveis sob os quais recaem as normas de incidência tributária objeto do lançamento. Assim, essas questões serão tratadas de forma conjunta. A alegação de que o Município agiu conforme a legalidade e que não é sujeito passívo da relação jurídico tributária, em razão das contribuições retidas e recolhidas sobre os vencimentos pagos a servidores municipais não efetivos na forma do art. 37, IV, e 41, da Constituição Federal de 1988, não procede. A partir das Emendas Constitucionais 19 e 20, ambas de 1998, com a alteração do art. 40 da Constituição Federal, nos parágrafos 13º, c/c art. 24, XII, da mesma carta, a competência estabelecer, lançar e arrecadar contribuições previdenciárias sobre os vencimentos de servidores públicos não efetivos na forma do art. 37, par. IV, e 41, da CF/1988, passou a ser da União, tornando-os em beneficiários do Regime Geral de Previdência. Bem como, fora definido que os Estados e Municípios seriam os responsáveis pelo o recolhimento. Situação essa que foi estabelecida pela legislação federal a partir da Lei n. 9876/1999, consolidou as normas constante nos os artigos 12, I, g, j, 15, I, 20, 22, 30, I,da Lei n. 8.212/1991, mais de cinco anos antes da ocorrência dos fatos geradores objetos dos créditos lançados. Considerando que, ao caso em voga, a legislação municipal deverá respeitar as normas oriundas da legislação federal, por delegação constitucional, o Recorrente tornou-se contribuinte e responsável pelo o recolhimento das contribuições patronais e dos segurados vinculados ao Regime Geral de Previdëncia, respeitando também o que define o art. 121, I e II, do CTN. Ainda, quanto à possibilidade de compensação financeira a mesma não se aplica ao caso, pois a mesma ocorre em concomitância e aproveitamento de tempo de serviço e contribuição de beneficiários, mediante procedimentos próprios. Os documentos juntados pelo Recorrente não demonstraram de forma específica que os servidores não efetivos (concursados) relacionados pela fiscalização são realmente têm a condição de efetivos, ou beneficiários do Regime Próprio de Previdência, ou seja, a presunção trazida no lançamento está consolidada. Razões essas que, por si só, além das demonstradas na decisão recorrida às quais prestam-se homenagens, demonstram a necessidade de improver as razões do Recorrente, nos aspectos acima apontados. III – Quanto à ocorrência de extinção parcial dos créditos lançados decadência na forma do art. 150, par. 4o., do CTN, também não cabe razão. É certo que o Fl. 194DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000879/2010-30 Acórdão n.º 2803-001.870 S2-TE03 Fl. 195 5 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório à administração pública, emitiu a Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, que pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, tornando-o vinculante a toda Administração Pública(art. 103-A da CF/1988) Contudo, o presente auto de infração constituiu créditos tributários que têm como forma geral de apuração o lançamento por homologação (art. 150, par.4o, do CTN), contudo nem dos fatos geradores, das obrigações principais e créditos foram objeto de constituição em tal modalidade. Ou seja, o lançamento tributário em questão foi realizado de ofício por integral iniciativa do Fisco (art. 149, do CTN). Assim, dever-se-á aplicar a regra decadencial obtida do art. 173, I, do CTN, em que direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contadosdo primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ainda, em razão desse caso de decadência (art. 173, I, do CTN), tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543-C do normativo processual (recurso repetitivo) e, segundo a nova redação do art. 62-A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Consoante a regra retro citada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente a todos os fatos geradores ocorridos anteriormente ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Dessa forma, considerando que a data de ciência e perfectibilização do lançamento deu-se em 14.07.2010, o Fisco poderia lançar, como lançou, créditos tributários com base em fatos geradores ocorridos até 01.01.2005 a quo. Logo, novamente, não resta razão ao Recorrente. IV – Quanto à aplicação da multa questionada, realmente a Administração Fiscal Federal aplicou a legislação, pois a sanção aplicada não considera a ocorrência de dolo, má-fé ou fraude, mas sim a mora e a modalidade de lançamento, conforme o art. 105 e 142, do CTN. Única questão que deve ser levantada quanto à aplicação da multa está justamente sobre os créditos tributários lançados com base em fatos geradores anteriores à 04.12.2008, data da publicação da Medida Provisória n. 449/2008. A partir dessa medida provisória, a sanção prevista no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, ao caso em questão foi alterada. Observe-se que a sanção a ser aplicada deve ser a vigente a época dos fatos geradores da Fl. 195DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000879/2010-30 Acórdão n.º 2803-001.870 S2-TE03 Fl. 196 6 obrigação tributária, desde que mais favorável à norma sancionadora posterior (art. 105 e 106, do CTN) Assim, para os créditos lançados com base nos fatos geradores anteriores à 04.12.2008, a fiscalização aplicou de forma equivocada o disposto no art. 35-A, da Lei n. 8212-1991, na redação posterior à MP n 449, de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941-2009, que remete à aplicação do art. 44, I, da Lei n. 9430-1996, com multa estabelecida no patamar de 75%, por entender mais benéfico ao contribuinte. Em análise ao art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, a multa aplicada ao caso é escalonada de acordo com a fase do processo de constituição e cobrança das contribuições previdenciárias, iniciando com 4% a 100%. Os patamares superiores à 75% somente eram aplicáveis após o ajuizamento de ação de execução fiscal. Ou seja, em fase administrativa, a aplicação mais favorável é a da redação do art. 35, , da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008. Note-se que os créditos são inclusive anteriores à publicação da MP n 449, de 04.12.2008, Assim, entendimento contrário, será uma afronta à irretroatividade da aplicação da lei, salvo se mais benéfica,(art. 104, III, c;c 106, I, do CTN) bem como negar vigência à necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), pois o ato omissivo de não pagamento de contribuições que não foram devidamente declaradas ocorreu antes do lançamento. Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ - SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103- 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35-A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11634.000879/2010-30 Acórdão n.º 2803-001.870 S2-TE03 Fl. 197 7 Não se pode tratar a hipótese de incidência da multa moratória disposta no art. 32-A cumulada com a multa do art. 35, com a redação anterior, como uma possível multa de ofício para comparar com a nova redação do art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991, incluso pela Medida Provisória n. 449/2008, convertida em Lei n. 11.941/2009, porque a multa aplicada pela redação anterior do art. 35, somente tratava de multa de natureza moratória, variada em razão das fases (tempo) do processo. Salvo se a própria lei, expressamente assim definisse. Dessa forma, entendo que deve ser aplicado ao caso as penalidades estabelecidas no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, até o limite de 75% (art.. 35-A da Lei n. 8.2121-1991 combinado com o art. 44,I, da Lei n. 9.430-1996), conforme estabelecido pela redação posterior a da comentada alteração, sem interpretação conjunta com o art. 32-A, da Lei n. 8212-1991. V – Por último, em razão da alegação de não ocorrência de crime, ressalta-se que descabe à fiscalização fazer julgamento da ocorrência de crime ou não, averiguar, em tese, se há possibilidade de ocorrência de fatos tipificados como crimes pela legislação penal, e informar a autoridade competente, por meio da Representação Fiscal para Fins Penais. A avaliação da ocorrência do tipo penal in concreto é de competência do Ministério Público Federal e, depois, do Poder Judiciário, caso o crédito tributário de contribuições previdenciárias tenha sido mantido (art. 83, da Lei n. 9430/1998). VI - Conclusão Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário para, no mérito, DAR- LHE PROVIMENTO PARCIAL, reformando a decisão recorrida e o lançamento, no sentido de determinar que a multa a ser aplicada aos créditos tributários contituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35-A da Lei n. 8.2121-1991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430-1996, sem interpretação conjunta com o art. 32-A, da Lei n. 8212-1991, desde que mais favorável ao sujeito passivo. Sala de Sessões, 17 de outubro de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator Fl. 197DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 25/01/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 07/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 35464.000097/2006-81
Turma: Quinta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01101/1996 a 31/01/1996
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula
Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao
lançamento por homologação, que é o caso das contribuições
previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código
Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o
pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário,
aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Recurso Voluntário Provido.
-
Numero da decisão: 205-01.420
Decisão: ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de
•contribuintes, Por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior entendeu
que aplicava o artigo 150, § 4° do CTN e acompanhou o relator somente nas conclusões. Ausência justificada do Conselheiro Marcelo Oliveira.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Empresas em Geral Acórdão n° 205-01.420 Sessão de 02 de dezembro de 2008 • Recorrente BUNGE FERTILIZANTES S/A E OUTROS - Recorrida SÃO PAULO -SUL/RS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01101/1996 a 31/01/1996 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula .Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido. - Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • 1• rea C; C., - Ou :1 ta C—imara • CONFERE COM O C.,!GIV-l."3/4l- . Processo n• 35464.000097/2006-81 Brasilia '2G 1 (13 / CCO2/CO5 Acórdão n. • 205.01.420 it Fls. 783'Coutta Mnura ACORDAM os membros da quinta câmara do segundo conselho de •contribuintes, Por unanimidade de votos, acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do Relator. O Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior entendeu que aplicava o artigo 150, § 4° do CTN e acompanhou o relator somente nas conclusões. Ausência justificada do Conselheiro Marcelo Oliveira. 110 -JULIO 3/4 S 'y VIEIRA GOMES Presidente L1EGE LACROIX THOMASI • Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marco André 1 Ramos Vieira, Damião Cordeiro de Moraes, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato e Edgar Silva Vidal (Suplente). 2 • Processo n° 35464.000097/2006-81 2° Ca rt• F - cluinta tãnnara CCO2/01:05CONFERE COM O ORIGINAL A.:Mão o.* 205-01.420 Fls. 784 Brasília / Iras Sousa Moura Pi INA:atr. 4295 - Relatório Trata o lançamento de contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social e ao seguro acidente do trabalho, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e relativas a responsabilidade solidária da notificada com a empresa Exímia Serviços Temporários Ltda., na competência 01/1996. A notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 21/12/2005, sendo precedida de Mandado de Procedimento Fiscal, recebido em 18/04/2005. Após a apresentação das defesas pela tomadora e prestadora, os autos baixaram em diligência para manifestação fiscal. A auditora fiscal notificante se_pronunciou às fls. 572/574, juntou documentos de fls 513/572 e elaborou relatório fiscal substitutivo , do qual foi dada ciência à empresa e reaberto o prazo de defesa. Novamente as solidárias se manifestaram e Decisão-Notificação de fls. 622/657, julgou o lançamento procedente. Inconformada a notificada apresentou recurso onde alega, em síntese: a) é inconstitucional a exigência do depósito recursal; b) a decadência qüinqüenal nos moldes do C"TN; c) que a responsabilidade solidária já foi elidida, conforme demonstra a farta documentação juntada aos autos; d) que sempre condicionou o pagamento ao prestador de serviço, mediante a entrega das folhas e dos recolhimentos; e) que os juros somente poderiam ser contados a partir de 21/12/2005, data da lavratura da NFLD; O que faz jus à redução de 50% da multa, nos moldes do artigo 291, do Regulamento da Previdência Social. Requer a reforma da decisão para acolhimento da decadência e do bis in idem, ou seja julgada insubsistente a NFLD, com o cancelamento da multa imposta. É o Relatório. • 3 . • • Processo e 35464.000097/200641: C CCO2/CO5 c eai!Acórdão n.° 205-01.420 --1"eF4 QUinta Fls. 785 e C°44 C2rs eraistire, c's o c g,r4 03 kis sou mauts:2Moura irus Voto Conselheira LIEGE LACROIX THOMASI, Relatora Sendo tempestivo conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares A recorrente argúi a inexigência do depósito recursal para garantia de instância, contudo tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado em obediência ao Regimento Interno do Conselho de Contribuintes. De acordo com o previsto no parágrafo único do art. 49 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes - RICC, aprovado pela Portaria n ° 147/2007 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado ao a Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Não se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por •• decisão plenária definitiva do Supremo Tribuna/ Federal; O STF já se posicionou no julgamento do Recurso Extraordinário n ° 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágrafos 1° e 2° do art. 126 da Lei n 8.212. Quanto a argüição de decadência temos que a Notificação, abrangendo a competência de 01/1996, foi lavrada em 20/12/2005, com ciência pelo sujeito passivo em 21/12/2005 e o Mandado de Procedimento Fiscal com ciência em 18/04/2005. Há que de destacar que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2003, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° os. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo amo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/91 e o parágrafo único do art.5" do Decreto-lei n°1.569/77. que , versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos tiiiinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, 4°, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos 4 2° CClMF-OU C.- CONFERE C041 O C.-..k.iNAL • Processo n°35464.000097/200641 Brastlia 01 CCO2JCO5 Acórdão a' 205-01.420 leis Sousa Moura Fls. 786 Matr. 4295 arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° • • 1.569/77, frente ao § I° do art. 18 da Constituição de 1967, com a • redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É COMO LOW. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os- artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na foi-dia estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n°11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Coristituição Federal e altera a Lei rt2 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2 O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão• ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § lO enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4° do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do 5 • CCiSAF - asaste C Sr;ara • .OR• Processo n° 35464.000097/2006-81 CNFE:: COSI O ORIGINAL CO32/CO5 Acórdão n.° 205-01.420 Brasina, LaLft. Fls. 787 Isis Sousa Moura Mal!. 4295 CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4° do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Portanto, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 173, inciso I, uma vez que os valores devidos não foram objeto de recolhimento previdenciário: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se •definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Do Mérito Em vista do instituto da decadência quanto aos valores lançados, na notificação, o exame do mérito resta prejudicado. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso Sala das Sess r3es, em 02 de dezembro de 2008 • A.eacci. ' LIEGE LACROIX THOMASI Relatora 6 • Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1 _0012400.PDF Page 1 _0012500.PDF Page 1
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Numero do processo: 11030.002356/2003-06
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/1999
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE - SUSPENSÃO
DA EFICÁCIA DE NORMA LEGAL - EFEITOS - A suspensão da eficácia de
dispositivo legal, por meio de medida cautelar concedida liminarmente pelo Supremo Tribunal Federal, tem efeitos ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva conceder-lhe eficácia retroativa.
COFINS - IMUNIDADE - ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - REQUISITOS - Não atendidos os requisitos estabelecidos em lei para fruição da imunidade, é cabível a incidência da Cofins sobre as receitas auferidas pela entidade beneficente de assistência
social.
COFINS - ISENÇÃO - INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E DE
ASSISTÊNCIA SOCIAL - ALCANCE - A isenção da Cofins prevista para
as instituições de educação e de assistência social somente alcança as receitas relativas às atividades próprias das entidades, não se incluindo nestas as decorrentes da prestação de serviços, ainda que exclusivamente para associados.
Numero da decisão: 3801-000.632
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.]
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: MAGDA COTTA CARDOZO
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EDUCAÇÃO Recorrente ASSOCIAÇÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1999 a 31/05/1999 AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE SUSPENSÃO DA EFICÁCIA DE NORMA LEGAL EFEITOS A suspensão da eficácia de dispositivo legal, por meio de medida cautelar concedida liminarmente pelo Supremo Tribunal Federal, tem efeitos ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva concederlhe eficácia retroativa. COFINS IMUNIDADE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL REQUISITOS Não atendidos os requisitos estabelecidos em lei para fruição da imunidade, é cabível a incidência da Cofins sobre as receitas auferidas pela entidade beneficente de assistência social. COFINS ISENÇÃO INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL ALCANCE A isenção da Cofins prevista para as instituições de educação e de assistência social somente alcança as receitas relativas às atividades próprias das entidades, não se incluindo nestas as decorrentes da prestação de serviços, ainda que exclusivamente para associados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.] Magda Cotta Cardozo Presidente e Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 182 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Arno Jerke Junior, Flávio de Castro Pontes e José Luiz Bordignon. Ausente, justificadamente, a Conselheira Andreia Dantas Lacerda Moneta. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ recorrida: “Trata o presente de processo de Declarações de Compensação de valores relativos a Contribuição para o Financiamento da Seguridade SocialCOFINS no valor de R$ 18.256,79 – compensação com valores de IRRF devidos referentes a períodos de apuração 12/2003 – essa amparada em entendimento de que tivesse havido pagamento indevido relativamente à COFINS, observadas as fls. 01/08. Às declarações de compensação a contribuinte junta: a) às fls. 09 – cópia de tela PER/DCOMP 1.1; b) à fl. 10 – cópia de cartão CPF e documento de identidade; c) às fls. 11/13 – cópia de estatuto social; d) à fl. 14 – cópia de ata de assembléia geral ordinária; e) à fl. 15 – quadro sinóptico de crédito/compensação; f) às fls. 16/19 – cópia de documentos de arrecadação. A seguir a repartição preparadora anexou Extrato de Processo – fl. 21. Posteriormente estão anexados declaração de compensação e demonstrativo, telas do sistema PER/DCOMP 1.2, cópias de documentos de arrecadação, cópia de documento de identidade e CPF, cópia de estatuto social e assembléia, além de novo quadro sinóptico. A DRF preparadora emitiu, então, os Termos de Intimação de fls. 40 e 50, aos quais a contribuinte respondeu apresentando os documentos de fls. 42/49 e 52. Posteriormente houve anexação de cópia de DIPJ e extratos DCTF, além de consulta ao sistema SINAL10. Às fls. 74/80 está anexado o Despacho Decisório DRF/PFO, de 03/03/2006, onde o Sr. Chefe da SAORT da Delegacia da Receita Federal em Passo Fundo (RS), por delegação de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 183 3 competência, decide não reconhecer o direito creditório contra a Fazenda Pública da União, não homologando as compensações indicadas pela entidade, sendo que essa foi cientificada em 22/03/2006, conforme AR de fl. 106. Houve anexação de novas declarações de compensação – fls. 81/97. Não conformada com aquele despacho, apresenta a contribuinte em 17/04/2006 – fls. 111/115 – sua manifestação contrária, onde aponta, em síntese, os seguintes argumentos: • é entidade beneficente educacional, de utilidade pública, sem objetivo de lucro; • refere à origem do processo e da lide administrativa; • houve interpretação de forma restritiva e excludente de seu direito à imunidade ou isenção, em face da COFINS, tendo sido levado em conta os possíveis efeitos do art. 7º da Lei nº 9.732, de 1998, que pretendeu cancelar isenções concernentes às contribuições sociais elencadas no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, ou que estivessem em desacordo com a nova redação daquele dispositivo legal, introduzido pela mesma lei de 1998; • a declaração de inexistência do direito de compensação pleiteado deflui do entendimento de que a Lei nº 9.732, de 1998, teve vigência passageira, justamente nos períodos (meses) para os quais a entidade calculou e pagou a COFINS, não tendo nascido o direito de repetição ou compensação, sendo devidos os valores recolhidos aos cofres públicos. Nisso reside a sua contrariedade. DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA QUE BENEFICIA A RECLAMANTE • existe pronunciamentos dos tribunais pátrios acerca do significado da expressão isentas, inserta no art. 195, § 7º, da CF, sabendose que a mesma se refere, efetivamente, a imunidade, o que significa limitação ao poder de tributar, que somente pode nascer através de dispositivo constitucional, enquanto a isenção pode ser estabelecida por lei; • observada a imunidade, fica consubstanciado o direito de as entidades filantrópicas jamais serem compelidas, através de lei ordinária, a pagar contribuições sociais, devendo ser visto outro dispositivo constitucional ( art. 146, inciso II, CF), que delimita ao âmbito de LC o direito do legislador de restringir os princípios afetos a imunidade; • a Lei nº 9.732, de 1998, quando pretendeu ampliar os requisitos legais à fruição da imunidade para as entidades filantrópicas, beneficentes, assim reconhecidas, não produziu efeitos em nenhum momento; • o STF suspendeu a eficácia de diversos dispositivos da Lei nº 9.732, de 1998, o que ocorreu através da ADIn nº 20285, pela Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 184 4 qual, por decisão do relator e depois pelo Plenário que por unanimidade, referendou a concessão de liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1º, na parte que alterou a redação do art. 55, inciso III, da lei nº 8.212, de 24/07/1991, e acrescentoulhe os pars. 3º, 4º, 5º, bem como os arts. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.532, de 11/12/1998; • é de se compreender que a Lei nº 9.732, de 1998, não produziu nenhum efeito, não teve eficácia, quando pretendeu cancelar isenção, no âmbito das contribuições sociais, eis que em se tratando de imunidade não poderia ocorrer limitação, suspensão, cancelamento, eis que à lei ordinária não cabe nenhuma eficácia quando se trata da limitação ao poder de tributar. Isso levou o STF a suspender a eficácia daquela lei, consoante os dispositivos nomeados na decisão da ADIn; • ainda que se pudesse discutir a propósito dos efeitos da suspensão, se ex nunc ou ex tunc, o fato é que o art. 7º da Lei nº 9.732, de 1998, estabeleceu não a simples e definitiva revogação da isenção da COFINs e de outras contribuições sociais, mas a readequação dos requisitos legais a serem cumpridos pelas entidades beneficiadas (filantrópicas) para o gozo do que a lei chamou de isenção; • porém, frente ao significado mais amplo de imunidade, desaparece a pretensão do legislador ordinário, sendo de nenhuma valia a norma veiculada por tal instrumento legal, resultando nenhuma eficácia; • não se pode admitir que os efeitos da suspensão, em liminar, pelo STF, somente se propagassem para momentos posteriores, ou seja, com efeitos ex nunc, porquanto a declaração de inconstitucionalidade de uma norma corresponde à afirmação de que tal norma nunca existiu, não adentrou ao ordenamento jurídico pátrio, não produziu qualquer efeito; • o efeito da declaração de inconstitucionalidade atinge a todos e deverá retroagir à data em que a lei entrou em vigor, sendo que uma lei declarada inconstitucional já nasceu inconstitucional, não se tornou inconstitucional, resultando que os atos que dela emanaram são nulos de pleno direito; • a declaração de inconstitucionalidade de uma lei tem cunho declaratório, declarando situação préexistente, ou seja, a própria inconstitucionalidade da norma; • os atos inconstitucionais são nulos, assim como são nulos os derivados, que não possuem eficácia jurídica, e, se nulos, a nulidade abrange a todos, eis que a lei atinge a todos; • observado tudo que expôs, deve ser revista a decisão que acatou a compensação de seus créditos, eis que quando pagou duas parcelas mensais de COFINS em 1999, por decorrência de dispositivo legal que a seguir foi suspenso pelo STF, pagou indevidamente, porquanto mantinha a condição de entidade Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 185 5 filantrópica, imune a tributos, como o foi desde a sua constituição; • os pagamentos são indevidos, daí emanando o direito à repetição ou compensação, tal qual pleiteada em processo administrativo; • o julgamento deve repor a justiça com a homologação das compensações que realizou. Após a manifestação de inconformidade estão anexados os documentos de fls. 116/125. A repartição de origem despachou à fl. 126.” A DRJSanta Maria/RS manteve a não homologação das compensações, conforme as ementas abaixo: ASSERTIVA. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de argumentações que se refiram a existência de inconstitucionalidades, essa contida em atos ou normas, está deferida ao Poder Judiciário, por força do texto constitucional. PRELIMINAR. NULIDADE. Inexistente no presente procedimento hipótese de nulidade de que trata a legislação de regência. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. IMUNIDADE E ISENÇÃO. A COFINS incide sobre a receita das mensalidades cobradas pelas instituições de ensino, sendo que a imunidade prevista no art. 150, inciso VI, c, da Constituição Federal contempla apenas os impostos, e aquela prevista no art. 195, § 7º, da Lei Maior abrange tãosomente as entidades beneficentes de assistência social. Ademais, a isenção da MP nº 2.158 somente é aplicável às receitas decorrentes de atividades sem caráter contraprestacional. BASE DE CÁLCULO. MENSALIDADE ESCOLAR. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O preço cobrado a título de mensalidade, como contraprestação por curso provido por instituição de educação, por configurar receita de prestação de serviço, constitui base de cálculo da COFINS. A requerente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário (fls. 145 a 161), alegando em sua defesa, em resumo, que: 1. O STF fixou a imunidade das entidades assistenciais sem fins lucrativos que atendam aos requisitos legais (art. 14 do CTN), frente a qualquer forma de imposição tributária, inclusive contribuições sociais, conforme julgado transcrito; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 186 6 2. As contribuições sociais possuem natureza tributária e a Constituição prescreve norma imunitória, e não isencional, para as entidades de assistência social sem fins lucrativos (art. 195, § 7º); 3. O STF já se manifestou sobre a necessidade de lei complementar para regulamentar o art. 195, § 7º da Constituição e firmou entendimento de que, para as entidades de educação e assistência social, a imunidade relativa a impostos sobre patrimônio, rendas e serviços está condicionada ao disposto no art. 14 do CTN; 4. Tendo impostos e contribuições sociais a mesma natureza jurídica, os requisitos exigidos para a fruição da imunidade quanto a ambos encontramse no referido art. 14; 5. A Lei nº 9.732/98 não produziu efeitos em nenhum momento; 6. O STF suspendeu a eficácia de diversos dispositivos daquela Lei, por meio da ADI nº 2.0285; 7. Tratandose de imunidade, não poderia ocorrer limitação, suspensão, cancelamento, pois a lei ordinária não possui eficácia quando se trata de limitação do poder de tributar; 8. A referida Lei pretendeu a readequação dos requisitos a serem cumpridos pelas entidades filantrópicas para gozo da imunidade, resultando ineficaz; 9. A declaração de inconstitucionalidade de uma norma afirma que esta nunca existiu, não produzindo qualquer efeito, devendo seus efeitos retroagir à data em que a lei entrou em vigor, sendo os atos que dela emanaram nulos; 10. Tal ato tem cunho declaratório; 11. Até 2000 a instituição obtinha o reconhecimento da situação de “entidade filantrópica” perante o CNAS, conforme certificado (fls. 43 a 46); 12. A requerente não tem o intuito do lucro e não remunera seus dirigentes, únicos requisitos a serem atendidos por ela, considerando a inconstitucionalidade das exigências da Lei nº 9.732/98; 13. As entidades educacionais, quando atuam com o poder público, em atividade de responsabilidade pública e social, sem objetivo de lucro, e oferecendo bolsas de estudo, satisfaz os requisitos do art. 14 do CTN. É o relatório. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 187 7 Voto Conselheiro Magda Cotta Cardozo, Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele conheço. Conforme se vê pelo relatório acima, a requerente, em seu recurso, alega estar incluída na regra de imunidade prevista no artigo 195, § 7º da Constituição (entidade de assistência social sem fins lucrativos), entendendo que, para fruição do benefício, está condicionada apenas às disposições do artigo 14 do Código Tributário Nacional CTN. Alega, ainda, que a Lei nº 9.732/98 não produziu qualquer efeito, por conta do decidido nos autos da ADIn nº 2.0285. Por fim, afirma que possuía, até o ano de 2000, certificado reconhecendo sua condição de “entidade filantrópica”, não possuindo intuito de lucro, nem remunerando seus dirigentes. Por sua vez, o acórdão atacado entendeu ser irrelevante a questão relativa à retroatividade, ou não, da decisão judicial referente à constitucionalidade da Lei nº 9.732/98, uma vez que a requerente recebe contraprestação pelo serviço educacional por ela proporcionado, descaracterizandose como entidade de assistência social, não atendendo, ainda, condições previstas no artigo 55 da Lei nº 8.212/91 (certificado estadual de utilidade pública e promoção do serviço de forma gratuita e exclusiva). Observa, por fim, que a requerente também não faz jus à isenção prevista na Medida Provisória nº 2.158/01, considerando tratarse de receitas de caráter contraprestacional, que configuram o faturamento da entidade. Relativamente à imunidade prevista no artigo 195, § 7º da Constituição, dispõe este que: “§ 7º. São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Tal norma caracterizase como imunidade subjetiva, na medida em que prevista no texto constitucional. Dispõe, ainda, o artigo 150VI“c” da Constituição que: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...).” Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 188 8 A jurisprudência do STF firmouse no sentido de que as limitações do artigo 150VI não se aplicam às contribuições sociais, uma vez que a norma trata especificamente de impostos (RE nº 141.715/PE). Além disso, sendo a Cofins contribuição incidente sobre o faturamento, não está abrangida pela referida imunidade, a qual alcança apenas patrimônio, renda e serviços das entidades de assistência social. Desta forma, para que seja imune à incidência da Cofins, a entidade deve ser de assistência social e atender aos requisitos previstos em lei, nos termos do artigo 195, § 7º, acima transcrito. Tais requisitos foram fixados por meio da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, em seu artigo 55, com o texto aplicável aos períodos de apuração em questão (1999): “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I – seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II – seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos (Redação dada pela Lei nº 9.429/96); III – promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV – não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V Aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (...)” Nos termos do dispositivo acima, portanto, a entidade deveria ser reconhecida como de utilidade pública federal e estadual (ou municipal), portar o certificado de filantropia do CNAS, promover a assistência social beneficente, não remunerar seus diretores e aplicar integralmente o resultado operacional na manutenção de seus objetivos. Não satisfazendo um ou mais dos requisitos acima, a entidade deixaria de usufruir da imunidade. Posteriormente, a Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998, alterou o artigo 55 acima, nos seguintes termos: “Art.55. (...) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 189 9 (...) § 3o. Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (...)” Portanto, com a edição da Lei nº 9.732/98, passou a ser exigida a condição de a entidade prestar gratuitamente seus serviços. Tal questão, no entanto, foi submetida ao crivo do STF, por meio da ADIn nº 2.028, que se manifestou da seguinte forma no julgamento da medida cautelar: “EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a ‘lei’ para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, embora o § 7º do artigo 195 só se refira a ‘lei’ sem qualificála como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, ‘c’, da Carta Magna , essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II (‘Cabe à lei complementar: ... II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar’), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em conseqüência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao nãoconhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 190 10 Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral , não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao nãoconhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a ‘lei’, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarse ia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. – É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do periculum in mora. Referendouse o despacho que concedeu a liminar, na ADIn no 2028, para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta, ficando prejudicada a requerida na ADIn no 2036.” A decisão do STF foi a seguinte: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1º, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99.” Interessante, ainda, transcrever a parte final do voto do Ministro Moreira Alves: “(...) Com efeito, a Constituição, ao conceder imunidade às entidades beneficentes de assistência social, o fez para que fossem a Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 191 11 União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios auxiliados nesse terreno de assistência aos carentes por entidades que também dispusessem de recursos para tal atendimento gratuito, estabelecendo que a lei determinaria as exigências necessárias para que se estabelecessem os requisitos necessários para que as entidades pudessem ser consideradas beneficentes de assistência social. É evidente que tais entidades, para serem beneficentes, teriam de ser filantrópicas (por isso, o inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/91, que continua em vigor, exige que a entidade ‘seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos’), mas não exclusivamente filantrópica, até porque as que o são não o são para o gozo de benefícios fiscais, e esse benefício concedido pelo § 7° do artigo 195 não o foi para estimular a criação de entidades exclusivamente filantrópicas, mas, sim, das que, também sendo filantrópicas sem o serem integralmente, atendessem às exigências legais para que se impedisse que qualquer entidade, que praticasse atos de assistência filantrópica a carentes, gozasse da imunidade, que é total, de contribuição para a seguridade social, ainda que não fosse reconhecida como de utilidade pública, seus dirigentes tivessem remuneração ou vantagens, ou se destinassem elas a fins lucrativos. Aliás, são essas entidades que, por não serem exclusivamente filantrópicas, têm melhores condições de atendimento aos carentes a quem o prestam que devem ter sua criação estimulada para o auxílio ao Estado nesse setor, máxime em época em que, como a atual, são escassas as doações para a manutenção das que se dedicam exclusivamente à filantropia. De outra parte, no tocante às entidades sem fins lucrativos educacionais e de prestação de serviços de saúde que não pratiquem de forma exclusiva e gratuita atendimento a pessoas carentes, a própria extensão da imunidade foi restringida, pois só gozarão desta ‘na proporção do valor das vagas cedidas integral e gratuitamente a carentes, e do valor do atendimento à saúde de caráter assistencial’, o que implica dizer que a imunidade para a qual a Constituição não estabelece limitação em sua extensão o é por lei. 5. Também ocorre, para a concessão da liminar, o requisito do periculum in mora, tendo em vista a circunstância de que inúmeras entidades deixarão de ser consideradas como entidades beneficentes de prestação de serviços de saúde e de educação, com danos irreparáveis para a coletividade carente que vem sendo atendida por elas. 6. Em face do exposto, e pelas razões expostas, voto no sentido de ser referendado o despacho do eminente Ministro Marco Aurélio que concedeu a liminar requerida, concessão esta que, por aproveitar à requerida na ADIn 2.036, torna prejudicada a pedida nesta.” Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 192 12 Foram, portanto, duas as alegações fundamentais trazidas ao exame do STF: a inconstitucionalidade formal, por não se tratar de lei complementar, e a inconstitucionalidade material, por ter a lei limitado o conceito de assistência social, como definido pela Constituição. As disposições do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.732/98, determinam que somente se caracterizam como de assistência social as entidades que prestem serviços gratuitos. No entanto, como visto, tais alterações foram suspensas pelo STF, em razão de ter entendido que o conceito de assistência social contido na Constituição Federal é mais amplo (conteúdo material). A questão formal, de que somente lei complementar poderia ter instituído as limitações, embora considerada tese relevante, não determinou a concessão da medida cautelar. Portanto, com a decisão do STF, permaneceram apenas os requisitos exigidos pela Lei nº 8.212/91, restando analisar se a suspensão decidida por este Tribunal tem efeitos ex tunc, como pretende a interessada, ou ex nunc. Sobre a questão, estabelece a Lei nº 9.868, de 10 de novembro de 1999, que: “Art. 11. Concedida a medida cautelar, o Supremo Tribunal Federal fará publicar em seção especial do Diário Oficial da União e do Diário da Justiça da União a parte dispositiva da decisão, no prazo de dez dias, devendo solicitar as informações à autoridade da qual tiver emanado o ato, observandose, no que couber, o procedimento estabelecido na Seção I deste Capítulo. § 1º A medida cautelar, dotada de eficácia contra todos, será concedida com efeito ex nunc, salvo se o Tribunal entender que deva concederlhe eficácia retroativa. § 2º A concessão da medida cautelar torna aplicável a legislação anterior acaso existente, salvo expressa manifestação em sentido contrário.” A referida medida liminar foi publicada em 2 de agosto de 1999 (a publicação de 16 de junho de 2000 disse respeito ao referendo do pleno), conforme informado no sistema de acompanhamento processual do STF. Sendo assim, não restam dúvidas de que as disposições legais em análise (Lei nº 9.732/98) devem ser aplicadas até 1 de agosto de 1999, uma vez que a decisão liminar não determinou a retroatividade de seus efeitos. A partir daí, conforme disposição do citado § 2º, voltaram a ser aplicadas as disposições da redação original da Lei nº 8.212/91. Observese que as alterações promovidas pela Lei nº 9.732/98 tiveram vigência a partir de abril de 1999, conforme seu artigo 5º, abaixo reproduzido: “Art. 5º O disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991, na sua nova redação, e no art. 4º desta Lei terá aplicação a partir da competência abril de 1999.” O presente pedido se refere a pagamentos referentes aos períodos de apuração abril e maio de 1999 (fl. 02), períodos, portanto, em que vigeram plenamente as alterações da Lei nº 9.732/98. Sendo assim, não há como reconhecer a entidade como beneficiária da imunidade pretendida, uma vez que, conforme por ela mesma declarado (fl. 48), as contribuições recolhidas tiveram por base a receita referente ao pagamento de mensalidades escolares, não se podendo caracterizar, portanto, a gratuidade exigida pela norma. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 193 13 Considerando os períodos de apuração incluídos no pedido (abril e maio de 1999), tornase relevante, por fim, mencionar a isenção a que se refere a Medida Provisória nº 2.15835/01, em seu artigo 14, a qual se aplica às instituições de educação e de assistência social (artigo 12 da Lei nº 9.532/97) e às instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e às associações (artigo 15 da mesma Lei). Os artigos 13 e 14 da citada Medida Provisória dispõem que: “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; (...)” “Art. 14 . Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (...) X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13.” Os artigos 12 e 15 da Lei nº 9.532/97, referidos na norma acima transcrita, dispõem que: “Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea ‘c’, da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (...)” “Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente.” Fl. 13DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 194 14 Como se vê, o artigo 12 definiu o que seriam as instituições de educação e as entidades de assistência social para efeito da imunidade do artigo 150VI“c” da Constituição, enquanto que o artigo 15 estabeleceu uma isenção para as entidades filantrópicas sem fins lucrativos. A Medida Provisória nº 2.15835/01, portanto, estendeu a isenção da COFINS às receitas próprias das entidades relacionadas nos artigos 12 (imunes do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro) e 15 (isentas do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro) da Lei nº 9.532/97, sem distinguir as entidades beneficentes de assistência social abrangidas pela imunidade do artigo 195, § 7º da Constituição. Assim, as entidades beneficentes de assistência social que satisfaçam as exigências legais (artigo 55 da Lei nº 8.212/91) são imunes à incidência das contribuições sociais sobre a totalidade de suas receitas, como já analisado acima. Já as instituições de assistência social que satisfaçam as exigências legais (artigo 12 da Lei nº 9.532/97) são isentas da Cofins relativamente às receitas próprias de sua atividade, ainda que não se enquadrem nas condições de imunidade. Observese que o disposto no artigo 17 da Medida Provisória nº 2.15835/01 não prejudica tal conclusão, pois este dispositivo, abaixo transcrito, se refere a entidades beneficentes de assistência social e não à instituição de assistência social. “Art. 17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991.” Poderseia entender que o artigo acima referiuse à isenção própria, prevista no artigo 14 da mesma Medida Provisória, que diz respeito às instituições de assistência social, tendo em vista o fato de o dispositivo mencionar tanto as entidades beneficentes de assistência social (imunes), como as instituições filantrópicas, que não são, em princípio, imunes à incidência da Cofins. Nesse caso, terseia que a Medida Provisória nº 2.15835/01 apenas teria instituído isenção própria para as entidades beneficentes de assistência social que satisfizessem os requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91. Entretanto, sob pena de contradição, devese entender que a “isenção” a que se refere o artigo 17 é, na realidade, a imunidade do artigo 195, § 7º da Constituição. Tal conclusão baseiase no fato de que, ao referirse à isenção própria, prevista no artigo 14 da Medida Provisória, a lei menciona sempre “instituição de assistência social”, e não “entidade beneficente de assistência social”, expressão utilizada pelo referido dispositivo constitucional, bem como pelo artigo 55 citado. Além disso, vinculandose o artigo 17 em questão ao artigo 14 da mesma norma (isenção), concluiríamos que estaria aquele restringindo o benefício regulado pela Lei nº 8.212/91 (imunidade) às receitas próprias das entidades beneficentes de assistência social, alterando indevidamente o que dispõe a Constituição. Por fim, se as instituições filantrópicas satisfizessem as condições do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, seriam consideradas entidades beneficentes de assistência social, de forma que também seriam imunes à incidência da Cofins, o que elimina a razão de ser da interpretação divergente. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 11030.002356/200306 Acórdão n.º 380100.632 S3TE01 Fl. 195 15 Em conseqüência, concluise que o artigo 17 parece apenas ter objetivado esclarecer que, no tocante às entidades mencionadas, quanto à imunidade, continuariam valendo os requisitos do artigo 55 da Lei nº 8.212/91, questão já analisada neste voto. Feito o esclarecimento acima, resta analisar se as receitas que deram origem aos pagamentos relacionados ao pedido da requerente se incluem na limitação estabelecida no inciso X do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.15835/01, ou seja, se podem ser enquadradas no conceito de “receitas relativas às atividades próprias” da instituição. A resposta é negativa, uma vez que, conforme já dito, tais receitas tiveram origem no pagamento de mensalidades escolares (fl. 48), tendo, portanto, natureza econômico financeira ou empresarial – prestação de serviços educacionais, ainda que exclusivamente para associados. Nas receitas próprias das instituições de educação e de assistência social incluem se aquelas decorrentes de seus objetivos sociais, tais como: doações, contribuições, mensalidades e anuidades recebidas de profissionais inscritos, de associados, de mantenedores e de colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e manutenção. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Magda Cotta Cardozo Fl. 15DF CARF MF Emitido em 23/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 15/02/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10830.903137/2010-89
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Ano-calendário: 2007
IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO.
O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio.
Numero da decisão: 9303-014.239
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Vinícius Guimarães - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Josefovicz Belisario (suplente convocada), Vinicius Guimaraes, Semiramis de Oliveira Duro, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Denise Madalena Green (suplente convocada), Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira- Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Josefovicz Belisario (suplente convocada), Vinicius Guimaraes, Semiramis de Oliveira Duro, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Denise Madalena Green (suplente convocada), Liziane Angelotti Meira (Presidente).
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CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso especial interposto pelo Contribuinte, e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira- Presidente (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Josefovicz Belisario (suplente convocada), Vinicius Guimaraes, Semiramis de Oliveira Duro, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Denise Madalena Green (suplente convocada), Liziane Angelotti Meira (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 31 37 /2 01 0- 89 Fl. 430DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.239 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.903137/2010-89 Relatório Trata-se de recurso especial de divergência, interposto pelo sujeito passivo, contra a decisão consubstanciada no Acórdão nº. 3301-010.293, de 27/05/2021. Intimado do acórdão, o sujeito passivo apresentou recurso especial, suscitando divergência com relação à possibilidade de aproveitamento de saldo credor de IPI de trimestres anteriores àquele de referência apontado no PER/DCOMP, indicando, como paradigma, o Acórdão nº. 3402-003.235. Em exame de admissibilidade, o Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção negou seguimento ao recurso especial, trazendo, em seu despacho, as seguintes considerações: Cotejando os arestos confrontados, parece-me que não há, entre eles, a similitude fática mínima para que se possa estabelecer uma base de comparação para fins de dedução da divergência arguida. Com efeito, o Acórdão indicado como paradigma, a par de sua peculiar interpretação da legislação, levou em especial consideração o fato de os saldos credores carreados de períodos anterior foram objeto de certificação pela Autoridade Administrativa. Tal circunstância, no entanto não se reproduziu no caso concreto analisado pela decisão recorrida. Como se vê, o paradigma nº 3402-003.235 decidiu em um contexto fático-probatório diverso do Acórdão nº 3301-010.293, o que impede que se atribua a diferença de resultados à alegada divergência interpretativa. É que, em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reporto-me ao Acórdão no CSRF/01- 0.956, de 27/11/89: “Caracteriza-se a divergência de julgados, e justifica-se o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterá-lo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Contra tal decisão, o sujeito passivo apresentou agravo, o qual foi analisado pela Presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, tendo sido exarado despacho que acolheu a o recurso especial, trazendo os seguintes fundamentos: Entendo assistir razão ao agravante. Com efeito, os colegiados examinaram rigorosamente a mesma questão jurídica, qual seja, a possibilidade de postular administrativamente ressarcimento de IPI de “saldo credor de mais de um trimestre”. No processo paradigma o saldo postulado corresponderia “à soma de três trimestres”, enquanto neste, a um trimestre e “mais o saldo ao final do trimestre anterior”. Fl. 431DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.239 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.903137/2010-89 Para a relatora da decisão recorrida: (...) Como já destacou a DRJ, é explícita a regra estabelecida para afins de utilização do saldo credor acumulado por trimestre-calendário para ressarcimento ou compensação. Em outras palavras, o regramento acima deixa evidente a possibilidade de aproveitar eventual saldo credor acumulado em cada trimestre-calendário, depois das compensações intrínsecas ao conta-corrente do IPI (no RAIPI), e considerado cada trimestre de modo estanque, para fins de ressarcimento ou de compensação com débitos de tributos administrados pela Receita Federal. Portanto, muito antes da Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002, e, logicamente, também antes da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, havia a restrição de que, para fins de ressarcimento ou compensação, a utilização admitida seria exclusivamente do eventual saldo credor do IPI acumulado em cada trimestre-calendário, e somente após as compensações inerentes ao conta-corrente do IPI. Esse entendimento corresponde ao exposto, mais precisamente, no voto vencido da decisão paradigmática: O saldo credor de um trimestre-calendário, se não integralmente aproveitado na forma de ressarcimento/compensação (arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996), pode e deve ser transportado para o período subseqüente (dentro de trimestre-calendário posterior), mas apenas para compensação com débitos do imposto na conta gráfica deste, e não para compor o saldo credor ressarcível do trimestre-calendário seguinte, vale dizer, o saldo credor apurado em um trimestre é não ressarcível em relação aos trimestres subsequentes. Ou seja, em ambos o que se discute é se o “saldo credor acumulado” ao final do trimestre a que se refere a lei é apenas a diferença entre créditos e débitos apurados em relação às operações ocorridas dentro do trimestre em consideração ou se, ao revés, pode incluir saldos apurados em períodos anteriores e transportados para o trimestre do ressarcimento nos termos da legislação do imposto. A turma ordinária ratificou o primeiro entendimento; a paradigmática, o segundo. Para tanto, disse-se no voto vencedor desta última: A questão não é nova neste Tribunal e, segundo entendimento consagrado no CARF, referida "transposição" creditícia é possível. Nesse sentido, rendo homenagens ao voto proferido pelo Presidente desta Turma julgadora, Antonio Carlos Atulim, que na qualidade de Relator do acórdão n. 3403003.223, que cuidou de caso análogo ao aqui tratado, assim se manifestou: A questão de fundo controvertida nestes autos é exclusivamente de direito e consiste em saber se o art. 11 da Lei nº 9.779/99, o art. 74 da Lei nº 9.430/96, a IN 210/2002 e as demais que se seguiram, vedaram o ressarcimento e a compensação do saldo credor de escrita do IPI, que veio por transferência de trimestres anteriores. Este colegiado já enfrentou essa questão na sessão do dia 25 de julho de 2013, quando foi proferido o Acórdão 3403002.387 no qual, por unanimidade de votos, esta turma considerou que nem os dispositivos legais e tampouco os atos administrativos que os regulamentaram impuseram qualquer vedação ao aproveitamento do saldo credor transferido de períodos anteriores para fins de ressarcimento ou compensação. Entendeu a turma de julgamento da DRJ que o art. 14 da IN 210/2002; o art. 16 da IN 460/2004 e o art. 16 da IN 600/2005 (com as alterações introduzidas pela IN 728/2007) impedem o ressarcimento do saldo credor acumulado em decorrência de transporte de períodos anteriores. Em outras palavras: entendeu a DRJ que somente o saldo credor gerado no próprio trimestre objeto do pedido de ressarcimento é que pode ser ressarcido e utilizado na compensação de outros tributos. Segundo aquela turma de julgamento, o saldo credor acumulado por transporte de trimestres anteriores só poderia ser utilizado para abater débitos do próprio imposto no livro modelo 8. (...) Assim, a conclusão a que se chega é no sentido de que, atualmente, embora haja vedação de se incluir no pedido de ressarcimento saldos credores de mais de um trimestre calendário, não existe óbice algum quanto ao direito ao ressarcimento do saldo credor de IPI que chegou por transporte de períodos anteriores ao trimestre calendário objeto do pedido. Fl. 432DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.239 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.903137/2010-89 Uma coisa é a restrição procedimental de vincular um pedido de ressarcimento a cada trimestre-calendário, e outra coisa totalmente distinta é entender que essa limitação impede o ressarcimento do saldo credor de escrita que veio por transporte de trimestres anteriores. E é isso que caracteriza a divergência interpretativa a ser dirimida pela Câmara superior. Ressalte-se que a correção dos saldos somente foi verificada no caso paradigmático, por determinação da turma, precisamente pelo seu entendimento de que a transferência era permitida. Neste processo ela não era necessária, dada a interpretação em contrário do colegiado, isto é, para ele, mesmo que correto, o saldo de período anterior não pode ser aproveitado na forma pretendida. Constata-se, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõe-se que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "possibilidade de aproveitamento de saldo credor de IPI transportado de períodos anteriores". Intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, sustentando, em síntese, que o recurso especial não deve ser conhecido, pois não teria sido comprovada a divergência jurisprudencial. No mérito, postula pela negativa de provimento do recurso. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator. Do conhecimento O Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo deve ser conhecido, conforme os fundamentos expostos no despacho em agravo exarado pela Presidência do CARF – os quais afastam, vale sublinhar, os argumentos deduzidos nas contrarrazões. Do mérito No presente caso, a controvérsia resume-se à questão de saber se o crédito a ser ressarcido, nos pedidos de ressarcimento do IPI, limita-se apenas ao saldo credor de um trimestre de referência, apontado no pedido, ou pode incluir saldos apurados em períodos anteriores e transportados para o trimestre do ressarcimento. Em seu recurso especial, o sujeito passivo defende a possibilidade de ressarcimento do saldo credor de trimestres anteriores ao trimestre de referência, enquanto que a decisão recorrida afasta tal possibilidade. Entendo que a linha adotada pelo aresto atacado é correta, ou seja, não são passíveis de ressarcimento, no mesmo PER/DCOMP, os saldos credores de trimestres anteriores ao trimestre de referência delimitado no pedido. Tal vedação encontra sua fundamentação em diversos instrumentos normativos editados, nos últimos anos, pela Secretaria da Receita Federal, no cumprimento do comando previsto pelo art. 11 da Lei 9.779/99, in verbis: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre-calendário, decorrente de aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Fl. 433DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.239 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.903137/2010-89 Levando a cabo a disposição acima transcrita, a Secretaria da Receita Federal editou, inicialmente, as Instruções Normativas SRF nºs. 33/1999 e 210/2002, cujos enunciados normativos fundamentais à presente análise são transcritos a seguir: Instrução Normativa SRF n° 033, de 04 de março de 1999. Art. 1º A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei n.° 9.779, de 1999, dar-se-á de conformidade com esta Instrução Normativa. Art. 2º Os créditos do IPI relativos à matéria prima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I - o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II - ao final de cada trimestre-calendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997. Instrução Normativa SRF nº210,de30 de setembro de 2002 Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: (grifamos) I - créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001; II - créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI a que se refere o art. 1º da Portaria MF nº 134, de 18 de fevereiro de 1992; e III - créditos do IPI passíveis de transferência a filial atacadista nos termos do item 6 da IN SRF nº 87/89, de 21 de agosto de 1989. § 2º Remanescendo, ao final de cada trimestre-calendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1º, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim utilizá-los na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. § 3º São passíveis de ressarcimento apenas os créditos presumidos do IPI a que se refere o inciso I do § 1º, apurados no trimestre-calendário, excluídos os valores recebidos por transferência da matriz, e os créditos relativos a entradas de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre-calendário. Fl. 434DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.239 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.903137/2010-89 Da leitura do art. 14, IN SRF nº210/2002, observa-se, em seu §1º, a permissão para a manutenção na escrita fiscal de créditos remanescentes de IPI para posterior dedução de débitos de IPI, relativos a períodos subsequentes. O §2º prevê, por sua vez, a possibilidade de ressarcimento de créditos de IPI passíveis de ressarcimento, remanescentes ao final de cada trimestre-calendário. O §3º, do referido artigo, delineia o significado de "créditos de IPI passíveis de ressarcimento", enunciando que seriam apenas os créditos presumidos do §1º, inciso I, apurados no trimestre-calendário, e os créditos provenientes de entradas de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização, escriturados no trimestre-calendário. As disposições normativas da IN SRF nº210/2002, acima transcritas, foram reproduzidas pela IN SRF nº. 460/2004, IN SRF nº. 600/2005, IN RFB nº. 900/2008 e IN RFB nº. 1300/2012, todas elas delimitando o ressarcimento de IPI apenas aos créditos apurados ou escriturados no trimestre-calendário, com cada pedido referindo-se a um único trimestre de referência. Constata-se, portanto, em face do arcabouço normativo que rege a matéria no decurso das últimas décadas, que o saldo credor de períodos anteriores pode ser mantido na escrita fiscal para a dedução escritural de débitos de IPI subsequentes, mas não é possível seu ressarcimento para além do trimestre-calendário de referência: este só é permitido no caso de créditos apurados (crédito presumido) ou escriturados (entrada de insumos) no trimestre- calendário. Na esteira de tal entendimento, a jurisprudência do CARF tem se posicionado. Vejam-se, por exemplo, o Acórdão nº. 3401-005.347, julgado na sessão de 26/09/2018, o Acórdão nº. 9303-007.148, julgado na sessão de 11/07/2018, e o Acórdão nº. 3301-005.078, julgado na sessão de 30/08/2018, cujas ementas seguem transcritas: Acórdão nº. 3401-005.347 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, devem se referir somente aos créditos escriturados no trimestre de apuração. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. Acórdão nº. 9303-007.148 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 ESCRITA FISCAL. SALDO CREDOR ACUMULADO. TRIMESTRES- CALENDÁRIO ANTERIORES. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO LEGAL. Admite-se a manutenção, na escrita fiscal, do crédito de IPI remanescente de outros trimestres-calendário e sua utilização para dedução de débitos do IPI de períodos subsequentes da própria empresa ou da empresa para a qual o saldo for transferido. Contudo, apenas o saldo credor correspondente ao crédito básico escriturado no mesmo trimestre-calendário pode ser objeto de pedido de ressarcimento/compensação. Fl. 435DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.239 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.903137/2010-89 Acórdão nº. 3301-005.078 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 IPI. CRÉDITO BÁSICO. PERIODICIDADE TRIMESTRAL. TRIMESTRES ANTERIORES. PEDIDO PRÓPRIO. O ressarcimento de IPI e/ou sua compensação com débitos de tributos e contribuições, efetuado por meio de PER/DCOMP, deve se referir apenas aos créditos decorrente de aquisições efetivadas e escrituradas no trimestre a que se refere. Se, no saldo credor apurado ao final do trimestre de referência, houver valores acumulados relativos a trimestres anteriores, tais quantias serão excluídas do pedido/declaração e deverão ser solicitadas em PER/DCOMP próprio. Nas ementas dos arestos transcritos, está claro o entendimento de que o ressarcimento/compensação de IPI só se aplica aos créditos escriturados ou apurados no trimestre a que se refere, devendo ser excluído o saldo credor de trimestres anteriores. No caso concreto, a autoridade fiscal não levou em consideração eventual saldo credor de períodos anteriores, até porque tal saldo não foi objeto do pedido de ressarcimento nem da declaração de compensação formulados pelo sujeito passivo. Desse modo, a decisão recorrida não merece reparos. Conclusão Diante do acima exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Vinícius Guimarães Fl. 436DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11075.001699/2007-52
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2000 a 28/02/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN.
Encontra-se atingido pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização.
RETENÇÃO LEI 9.711/98 BASE DE CÁLCULO.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida, na forma da lei, em nome da empresa cedente da mão-de-obra.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-001.982
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a decadência das competências 12/2000 a 11/2001, inclusive, nos termos do art. 173, inciso I do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 28/02/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Encontra-se atingido pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. RETENÇÃO LEI 9.711/98 BASE DE CÁLCULO. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida, na forma da lei, em nome da empresa cedente da mão-de-obra. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente CLINICA RENAL INTEGRADA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 28/02/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I, do CTN. Encontrase atingido pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. RETENÇÃO LEI 9.711/98 BASE DE CÁLCULO. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida, na forma da lei, em nome da empresa cedente da mãodeobra. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a), para reconhecer a decadência das competências 12/2000 a 11/2001, inclusive, nos termos do art. 173, inciso I do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 16 99 /2 00 7- 52 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11075.001699/200752 Acórdão n.º 2803001.982 S2TE03 Fl. 90 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11075.001699/200752 Acórdão n.º 2803001.982 S2TE03 Fl. 91 3 Relatório DO LANÇAMENTO A empresa acima identificada foi notificada a recolher à Seguridade Social as importâncias decorrentes da obrigação legal de reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo, na contratação de serviços da empresa EXPANSÃO SERVIÇOS DE LIMPEZA E CONSERVAÇÃO LTDA, no período de 12/2000 a 02/2004, executados mediante cessão de mãodeobra. A base de cálculo consta do “Relatório de lançamentos – RL” (fls.11/12). Os fundamentos legais integram o anexo da notificação fiscal às folhas 15/16. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento em 06/07/2007, fl. 53, apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente em parte o lançamento, excluindo valores da competência 02/2001. O contribuinte foi cientificado da decisão em 22/04/2008, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: a desnecessidade de depósito prévio ou arrolamento de bens conforme decisão do STF; a decadência do lançamento fiscal. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11075.001699/200752 Acórdão n.º 2803001.982 S2TE03 Fl. 92 4 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, pressuposto de admissibilidade cumprido, passo ao exame das questões suscitadas. O depósito prévio no valor mínimo de 30% da exigência fiscal como condição para seguimento do recurso voluntário foi declarado inconstitucional pela Súmula Vinculante do STF nº 21, DOU de 10/11/2009, não sendo mais exigível. DA DECADÊNCIA Quanto à questão relativa à fluência do prazo decadencial, a mesma deve ser analisada. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de nº 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei 8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11075.001699/200752 Acórdão n.º 2803001.982 S2TE03 Fl. 93 5 Como demonstrado no relatório “Discriminativo Analítico de Débito – DAD”, fls. 6/9, não constam créditos/recolhimentos efetuados no levantamento “RNF – Retenção sobre notas fiscais” que resultou no lançamento fiscal. Assim, devese aplicar a regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN. Para o período do lançamento 12/2000 a 02/2004, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores apurados pela fiscalização ocorridos para as competências 12/2000 a 11/2001, inclusive. A contar de 01/01/2002 fluiria o prazo decadencial em 01/01/2007. A ciência do lançamento fiscal se deu em 06/07/2007, fl. 53. Para a competência 12/2001 a contagem tem início a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo certo que o lançamento só poderia ocorrer em janeiro/2002, após o vencimento espontâneo para o cumprimento da obrigação tributária. Deste modo, a contar de 01/01/2003 fluiria o prazo decadencial em 01/01/2008. Destarte, não estão decadentes as competências 12/2001 a 02/2004. A empresa contratante de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada deverá reter, a partir de 02/1999, na forma do art. 31 da Lei 8.212/1991, na redação que lhe foi dada pela Lei 9.711, de 20 de novembro de 1998, onze por cento do valor bruto da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços e recolher ao INSS a importância retida em nome da empresa contratada: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20.11.98) (sem grifos no original). O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, a base de cálculo, o Discriminativo Analítico do Débito – DAD, a Instrução para o Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência das competências 12/2000 a 11/2001, inclusive, nos termos do art. 173, inciso I do CTN. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11075.001699/200752 Acórdão n.º 2803001.982 S2TE03 Fl. 94 6 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10280.900502/2008-52
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA.
0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratando-se de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-000.681
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ARNO JERKE JUNIOR
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratando-se de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado.
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CONSTITUIÇÃO. ERRO. ONUS DA PROVA. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratando- se de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, ern negar provimento ao recurso. Qkt0\- ko Magda'Cott Cardozo - Pr ;idente Arrio Jerke or Processo n° 10280.900502/2008-52 Acórdão n.° 3801-000.681 S3-TE01 Fl. 2 EDITADO EM:24/10/2012 Participaram do presente julgamento os conselheiros Magda Cotta Cardozo, Flavio de Castro Pontes Arno Jerke Junior Andréia Dantas Lacerda Moneta, e José Luiz Bordignon. Relatório Conselheiro Arno Jerke Júnior, Relator Aproveito o relatório da DRJ Recorrida. Cuida o presente feito de PER/DCOMP transmitido em 25/08/2004, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada, com crédito de Cofins referente a pagamento indevido, no valor de R$ 2.229,23, recolhido através de DARF em 13.02.2004. A DRF/Belém, através de despacho decisório eletrônico (fl.15), considerou "não homologada" a referida compensação, em virtude do DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. Cientificada em 05.05.2008 (fl. 17) a interessada apresentou, tempestivamente, em 04.06.2008, manifestação de inconformidade (fls. 01/02) na qual informa que, após haver confessado em DCTF e quitado o débito, constatou que o valor real a ser pago seria menor, motivo pelo qual efetuou a retificação de sua declaração e de seu Dacon, utilizando o crédito resultante no PER/DCOMP ora em análise. Inconformada com o julgamento da DRJ, o Recorrente apresentou recurso para este colegiado E o relatório. Voto Conselheiro Arno Jerke Júnior, Relator 0 recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Por coadunar com a tese esposada pela DRJ recorrida, aproveito, como fundamentação, em parte, o voto do Eminente relator a quo: Processo n° 10280.900502/2008-52 S3 -TE01 Acórdao n.° 3801-000.681 Fl. 3 0 art. 49 da Medida Provisória n2 66, de 30 de agosto de 2002, convertida na Lei n2 10.637, de 31 de dezembro de 2002, ao alterar o art. 74 da Lei n2 9.430, de 30 de dezembro de 1996, atribuiu A. compensação efeito extintivo do crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. Por outro lado, o art. 17 da MP n2 135, de 31 de outubro de 2003, convertida na Lei n2 10.833, de 30 de dezembro de 2003, ao dar nova redação ao § 5 2 do art. 74 da Lei n 2 9.430, de 1996, fixou o prazo de cinco anos, contado da data da entrega da DCOMP, para a Receita Federal do Brasil homologar a compensação declarada pelo sujeito passivo, reconhecendo a homologação tácita das compensações que, após cinco anos da data do protocolo respectivo, não tenham sido objeto de despacho decisório proferido pela autoridade competente, independentemente da existência e do montante do crédito alegado pelo sujeito passivo. Constata-se, dessa forma, que com tal mudança de sistemática a compensação deixou de ser um pedido submetido à apreciação da autoridade administrativa, tratando-se, antes, de procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita. Veja-se que, conforme decorre das normas gerais estabelecidas no CTN, a ocorrência do fato gerador dá origem à obrigação tributária (CTN, art. 133, § 1°), que representa o tributo ainda em estado ilíquido, incerto e inexigível (em estado "bruto"). 0 crédito tributário propriamente dito nasce ("constitui-se") com a formalização da obrigação tributária. Ora, essa formalização (=constituição do crédito tributário) pode ocorrer por vários modos. Em primeiro lugar, pelo lançamento, nas suas diversas espécies. Mas há outras formas de constituição do crédito tributário. "0 fato de o cidadão-contribuinte não poder efetuar o lançamento não significa que ele não possa constituir o crédito tributário", observou, com inteira razão, Denise Lucena Cavalcante (Crédito Tributário - a função do cidadão- contribuinte na relação tributária, SP, Malheiros, 2004, p. 100). "Há hipóteses", explica James Marins, citado na referida obra, "cada vez mais frequentes na legislação tributária em que a exigibilidade do crédito tributário se dá independentemente do labor da autoridade fiscal em realizar a formalização da obrigação, pois nesses casos a própria norma tributária alberga o plexo de elementos necessários a perfeita individualização da obrigação (critérios material, espacial e temporal) e modo de adimplemento, sobretudo quantos aos prazos de declaração e vencimento da obrigação (prazo certo de vencimento), que, em verdade, conferem exigibilidade ao crédito independentemente de qualquer notificação fazendária, ou, em outras palavras, é o especial conteúdo da norma tributária disciplinadora dos tributos que sujeita o contribuinte ao lançamento por homologa cão ou por declaração que atribui exigibilidade ao crédito tributário" (Direito Processual Tributário Brasileiro, la ed., p. 208209). Neste passo, nos termos §1° do art. 5° do Decreto-lei n. 2.124, de 1984, "o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de divida e instrumento legal hábil e suficienle para exigência do referido crédito" (grifou-se). 3 Processo n° 10280.900502/2008-52 S3 -TE01 Acórdão n.° 3801-000.681 FL 4 Logo, a desconstituição do crédito tributário nascido com a con fissão de divida ocorrida através da DCTF dependerá de comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que se trata de débito inexistente. E que, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário nascido não se mostra suficiente que o contribuinte limite-se a alegar erros, fazendo-se necessário que demonstre, por intermédio de documentação hábil e idônea, que a obrigação tributária principal é indevida. Dessa forma, corno ausentes documentos que comprovem o quantum do tributo efetivamente devido, impossível o deferimento dos pedidos do Recorrente Destarte, pugno pela improcedência do recurso manejado pelo Recorrente. 4
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901001/2008-63
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
PER/DCOMP. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO
OCORRÊNCIA. Não se caracteriza a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando este deixa de juntar à manifestação de inconformidade documentação contábil e fiscal comprobatória do direito alegado, não sendo suficiente a mera apresentação de DCTF retificadora.
PER/DCOMP. PIS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO.
COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o
reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite daquele.
Numero da decisão: 3801-000.718
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 4.595,08, na data de 15/07/2003, homologando a compensação até o valor original de R$ 1.157,24, conforme pretendido pelo contribuinte (fl. 05), observando que o mesmo pagamento é objeto também dos processos administrativos nºs 10283.900886/200883 e 10283.900919/200895.]
Nome do relator: MAGDA COTTA CARDOZO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PER/DCOMP. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não se caracteriza a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando este deixa de juntar à manifestação de inconformidade documentação contábil e fiscal comprobatória do direito alegado, não sendo suficiente a mera apresentação de DCTF retificadora. PER/DCOMP. PIS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite daquele.
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CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não se caracteriza a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando este deixa de juntar à manifestação de inconformidade documentação contábil e fiscal comprobatória do direito alegado, não sendo suficiente a mera apresentação de DCTF retificadora. PER/DCOMP. PIS. PAGAMENTO EM VALOR SUPERIOR AO DEVIDO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. Comprovada documentalmente a ocorrência de pagamento em valor superior ao devido, cabível o reconhecimento do direito creditório decorrente e a homologação da compensação, até o limite daquele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, [por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 4.595,08, na data de 15/07/2003, homologando a compensação até o valor original de R$ 1.157,24, conforme pretendido pelo contribuinte (fl. 05), observando que o mesmo pagamento é objeto também dos processos administrativos nºs 10283.900886/200883 e 10283.900919/200895.] Magda Cotta Cardozo (assinado digitalmente) Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Leonardo Mussi da Silva (suplente) e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo (suplente). Fl. 66DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.901001/200863 Acórdão n.º 3801000.718 S3TE01 Fl. 63 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJBelém/PA, abaixo transcrito: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação transmitida em 15.04.2004, em que foi efetivada a compensação de débitos de PIS/Pasep com crédito da mesma contribuição referente a junho de 2003, no valor total de R$ 1.157,24, que teria sido recolhido a maior através de DARF, em 15.07.2003. 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl.06), considerou “não homologada” a referida compensação por não haver localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil saldo no DARF através do qual teria havido o pagamento a maior. 3. Cientificada em 30.06.2008 (fl. 21) a interessada apresentou, tempestivamente, em 23.06.2008, manifestação de inconformidade (fls. 11/12) na qual, em síntese, informa haver retificado sua DCTF referente ao período, informando o valor correto devido pela empresa, sendo que o recolhimento a maior deuse por erro na aplicação da alíquota.” Analisando o litígio, a DRJBelém/PA considerou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 24/25), conforme ementa abaixo transcrita: DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. ERRO. ÔNUS DA PROVA. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. Tratandose de suposto erro de fato que aponta para a inexistência do débito declarado, o contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado. Às fls. 28 a 34 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: • Se a decisão atacada reconhece a necessidade de “livros fiscais e demais documentos de suporte capazes de indicar o quantum do tributo efetivamente devido” para acolher a pretensão, deveria ter lançado mão de seu poder para requerer diligências e informações à parte para elucidação de tais questões; • Negligenciando o impulso oficial, desrespeitou os princípios da oficialidade e do formalismo moderado; Fl. 67DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.901001/200863 Acórdão n.º 3801000.718 S3TE01 Fl. 64 3 • A autoridade administrativa deve observância aos princípios do processo administrativo, buscando garantir o contraditório e a ampla defesa, garantia constitucional; • No presente caso, o julgador não só se afastou da busca da verdade material, como também preteriu o direito de defesa, cabendo a aplicação da segunda parte do inciso II do artigo 59 do PAF; • Assim, requer a recorrente a anulação da decisão atacada; • A recorrente entende suficientes os documentos apresentados, visto que a DCOMP se apresenta por meio eletrônico, sendo que o cotejo dos valores informados na DCTF retificada com aqueles constantes dos DARF revelamse suficientes à análise do pleito; • Os valores constantes da DCTF retificada, tal qual na original, são confissão de dívida; • Assim, entendendo pela necessidade de provas documentais, o julgador cria situação que não existe, com dois pesos e duas medidas, pois para a DCTF original a exigência é nenhuma, e para a retificadora devese provar o informado; • A decisão recorrida se refere a créditos constituídos antes da retificação da DCTF, criando nova situação fáticojurídica não prevista pelo contribuinte, carecendo da necessária contra prova, sob pena de incorrer em preterição do direito de defesa, mais uma vez; • Assim, com base no § 4º do artigo 16 do PAF, fazse pertinente a juntada de documentos adicionais, requerendose sua juntada, que segue acostada; • A DCTF retificadora informa o correto valor devido de PIS (R$ 3.057,28), enquanto que o recolhido em DARF foi R$ 7.652,36; • A DIPJ/2004 indica o faturamento da recorrente, base de cálculo do PIS na alíquota de 0,65%, bem como cópias dos Livros de Registro de Apuração de ICMS da matriz e filiais; • Assim, induvidosa a existência de pagamento além do devido e procedente a compensação realizada nos seus limites. É o relatório. Voto Fl. 68DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.901001/200863 Acórdão n.º 3801000.718 S3TE01 Fl. 65 4 Conselheiro Magda Cotta Cardozo, Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Trata o presente caso de DCOMP apresentada em 15/04/2004 (fls. 01 a 05), na qual é informado como origem do crédito pagamento de PIS, relativo ao PA 06/2003, no valor de R$ 7.652,36, compensado com débito de IRPJ. Tal pretensão foi indeferida pela DRF/Manaus – AM em 06/2008, em razão de estar todo o valor pago vinculado ao crédito tributário declarado na DCTF respectiva. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte afirma ter incorrido em erro na apuração do PIS no período em questão, calculando a contribuição na alíquota de 1,65%, e não 0,65%, como seria correto, em razão de sua opção pelo Lucro Presumido, sem, no entanto, juntar qualquer documentação aos autos. Informa, ainda, ter apresentado DCTF retificadora. A DRJ/Belém – PA manteve a nãohomologação, entendendo ser ônus do contribuinte a apresentação de prova documental comprobatória do direito alegado, o que não foi feito nos presentes autos. Em seu recurso voluntário, o contribuinte alega, preliminarmente, o cerceamento ao seu direito de defesa pela decisão de 1ª instância, uma vez que o órgão julgador deveria ter intimado a empresa a apresentar os documentos que entendesse necessários, devendo buscar a verdade material dos fatos. Entende também ser suficiente a apresentação de DCTF retificadora. Conforme se verifica nos autos, apesar de a DCOMP ter sido apresentada pelo contribuinte em 31/03/2004, a informação contida na DCTF original, relativa ao valor devido a título de PIS no PA 06/2003, origem do alegado direito creditório, somente foi alterada pela empresa em 30/05/2008 (fl. 14), por meio da declaração retificadora. A retificação dos valores informados na DCTF, por si só, não é suficiente para atestar a correção de tal alteração, cabendo sua comprovação por meio dos documentos contábeis e fiscais respectivos, presumindose correta a informação inicial, uma vez que supostamente baseada nos registro contábeis e fiscais da empresa. Alterandose a situação originalmente informada, deve ser tal alteração comprovada por meio documental, especialmente quando dela decorre direito creditório. Assim, o pagamento efetuado já se encontrava, desde 2003, vinculado integralmente ao respectivo crédito tributário, decorrente da DCTF original, não podendo ser tal situação alterada pela mera apresentação de DCTF retificadora, razão pela qual foi proferida a decisão original da DRF/Manaus AM. Vêse que a empresa, em sua manifestação de inconformidade, não juntou aos autos qualquer documentação comprobatória de sua alegação, restringindose a mencionar a existência da DCTF retificadora, e o erro na apuração da contribuição. Desta forma, não se verifica a ocorrência de cerceamento ao direito de defesa da empresa em nenhum momento processual, visto que a ela caberia comprovar documentalmente a correção da retificação procedida na DCTF original e, conseqüentemente, Fl. 69DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.901001/200863 Acórdão n.º 3801000.718 S3TE01 Fl. 66 5 do direito creditório pretendido, uma vez que dela partiu o ato original que deu origem à compensação, por meio da apresentação da DCOMP. No mérito, afirma ter havido erro na apuração do PIS pago, utilizandose a alíquota aplicável ao Lucro Real (1,65%), e não ao Presumido (0,65%), como seria correto, juntando aos autos cópias da DIPJ/2004 (fls. 44/45) e do Livro de Apuração de ICMS da matriz e filiais (fls. 46 a 60). Sobre a questão, dispõe o artigo 8º, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: (...) II – as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (...) Conforme se vê pelas informações contidas na DIPJ/2004, a empresa optou, no anocalendário de 2003, pela apuração do lucro com base no Lucro Presumido, permanecendo, portanto, sujeita à apuração do PIS com base na sistemática cumulativa, à alíquota de 0,65%, como determina a norma acima transcrita. Em conseqüência, informa o valor de R$ 3.057,28 como devido a título daquela contribuição no mês de junho, correspondendo a um faturamento de R$ 470.350,86. Nos Livros de Apuração de ICMS do mês de junho de 2003, vêse o registro dos seguintes valores, a título de vendas de mercadorias adquiridas/recebidas de terceiros: R$ 87.388,05 (matriz), R$ 174.097,48 (filial 0002), R$ 50.385,03 (filial 0004), R$ 32.360,46 (filial 0005) e R$ 126.119,84 (filial 0007), totalizando exatamente R$ 470.350,86, valor idêntico àquele informado na DIPJ/2004 e também no DARF (fl. 15). Desta forma, entendo que efetivamente restou comprovada nos autos a ocorrência de pagamento de PIS em valor superior ao devido, relativamente ao PA 06/2003, sendo devido o valor de R$ 3.057,28, e recolhido o valor de R$ 7.652,36 (fl. 43), caracterizandose como indevido o valor original de R$ 4.595,08. Em conseqüência, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor original de R$ 4.595,08, na data de 15/07/2003, homologando a compensação até o valor original de R$ 1.157,24, conforme pretendido pelo contribuinte (fl. 05), observando que o mesmo pagamento é objeto também dos processos administrativos nºs 10283.900886/200883 e 10283.900919/200895. Magda Cotta Cardozo (assinado digitalmente) Fl. 70DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.901001/200863 Acórdão n.º 3801000.718 S3TE01 Fl. 67 6 Fl. 71DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Assinado digitalmente em 12/04/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001595/2006-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Sep 29 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
MATÉRIA NÃO ANALISADA NO PRIMEIRO GRAU. DUPLO GRAU DE COGNIÇÃO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INFRAÇÃO.
Dentro do trâmite processual, a análise de matéria não pode ser feita diretamente em grau recursal, sob pena de infração ao duplo grau de cognição, bem como ao contraditório e à ampla defesa. Nos casos em que não houve exame de matéria por parte da DRJ, devem os autos retornar a tal delegacia para o julgamento dos pontos omitidos.
Numero da decisão: 1402-006.581
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para, com base em preliminar, devolver os autos ao órgão julgador de 1ª Instância para que proceda à análise de questão omitida no Acórdão, ou seja, o momento do requerimento e realização da compensação. A Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio acompanhou o Relator pelas conclusões.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luciano Bernart Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Mauricio Novaes Ferreira, Luciano Bernart, Jandir Jose Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCIANO BERNART
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 MATÉRIA NÃO ANALISADA NO PRIMEIRO GRAU. DUPLO GRAU DE COGNIÇÃO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INFRAÇÃO. Dentro do trâmite processual, a análise de matéria não pode ser feita diretamente em grau recursal, sob pena de infração ao duplo grau de cognição, bem como ao contraditório e à ampla defesa. Nos casos em que não houve exame de matéria por parte da DRJ, devem os autos retornar a tal delegacia para o julgamento dos pontos omitidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para, com base em preliminar, devolver os autos ao órgão julgador de 1ª Instância para que proceda à análise de questão omitida no Acórdão, ou seja, o momento do requerimento e realização da compensação. A Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio acompanhou o Relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Luciano Bernart Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Mauricio Novaes Ferreira, Luciano Bernart, Jandir Jose Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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DUPLO GRAU DE COGNIÇÃO. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. INFRAÇÃO. Dentro do trâmite processual, a análise de matéria não pode ser feita diretamente em grau recursal, sob pena de infração ao duplo grau de cognição, bem como ao contraditório e à ampla defesa. Nos casos em que não houve exame de matéria por parte da DRJ, devem os autos retornar a tal delegacia para o julgamento dos pontos omitidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário, para, com base em preliminar, devolver os autos ao órgão julgador de 1ª Instância para que proceda à análise de questão omitida no Acórdão, ou seja, o momento do requerimento e realização da compensação. A Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio acompanhou o Relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Luciano Bernart – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Mauricio Novaes Ferreira, Luciano Bernart, Jandir Jose Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório 1. Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 290-303 e docs. anexos) interposto em face de Acórdão n° 12-21.767, da 9ª Turma da DRJ/RJOI (fls. 273-278), em sessão realizada na data de 14 de novembro de 2008, por meio do qual o referido Órgão julgou procedente a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 15 95 /2 00 6- 43 Fl. 324DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-006.581 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.001595/2006-43 Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte (fl. 164-195 e docs. anexos), de forma a reconhecer direito creditório em favor da Manifestante. I. PER/DCOMP, Despacho Decisório (DD), Manifestação de Inconformidade (MI) e Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil (DRJ) 2. Por economia e celeridade processual, transcreve-se o relatório do Acórdão da DRJ de fls. 274-275. A interessada apresentou as declarações de compensação – Dcomp discriminadas a seguir, que deram origem ao presente processo e ao de n° 15374.001596/2006-98, por terem sido selecionadas pela Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal de Administração no Rio de Janeiro - Diort/Derat/RJO para tratamento manual, e foram encaminhadas à Delegacia de Fiscalização - Defic/RJO para diligência. As referidas Dcomp, detalhadas no quadro abaixo, apresentam compensação de créditos e débitos de IRRF sobre juros de capital próprio (JCP), incidente na fonte tanto por ocasião do recebimento como do pagamento da remuneração pela interessada. (*) presente processo Foi solicitada diligência à Defic/RJO, que concluiu, após exame da escrituração e documentos, pela ausência de inconsistências nas Dcomps apresentadas, bem como pela regularidade da D IPJ/2003, constatando que foi oferecida a receita correspondente e não foi compensado do IRPJ o IRRF sobre os JCP recebidos, conforme relatório fiscal de fls. 118, datado de 20/03/2007. Em 01/09/2008, o Delegado da Derat/RJO, com base no Parecer Conclusivo n° 358/2008, de fls. 130/133, proferiu, em 01/09/2008, despacho decisório de fls. 134, em que não reconheceu o direto creditório e, em conseqüência, não homologou as compensações efetuadas por meio da Dcomp de final 06-4167. De acordo com o referido Parecer Conclusivo n° 358/2008, a interessada indicou na Dcomp, como crédito, o valor de R$ 1.127.529,76, relativo ao IRRF pela fonte pagadora Queiroz Galvão S.A. sobre JCP pagos à interessada em 12/2002. O débito compensado, no mesmo valor, se refere ao IRRF de mesma rubrica e de período-base de I a semana de 01/2003, retido pela interessada ao pagar remuneração a seus sócios. Desse modo e considerando o disposto no art. 9o, §3°, inc I, e § 6o, da Lei n° 9.249/1995, e o art. 32 das IN SRF n° 460/2004 e IN SRF n° 600/2005, entendeu o parecerista que a pessoa jurídica optante pelo lucro real deve observar o regime de competência quando da compensação que tiver como crédito o IRRF sobre JCP que lhe forem pagos, e que o direito à dedução do IRRF sobre o pagamento de JCP deve ser Fl. 325DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-006.581 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.001595/2006-43 exercido no período-base em que foram pagos ou creditados os JCP, mediante Dcomp, de acordo com o art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Aduz o parecerista que, no presente caso, o crédito informado na Dcomp se refere ao mês 12/2002 e o débito, à I a semana de 01/2003, mas a Dcomp foi apresentada em 02/09/2003, portanto após o encerramento do ano-calendário no qual ocorreu a retenção informada como crédito na referida Dcomp. Por esta razão, entende o parecerista que a interessada não faz jus à compensação declarada. Além disso, conclui que não ficou comprovada a existência de crédito líquido e certo passível de compensação, e propôs o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da compensação declarada, com o quê anuiu o Delegado da Derat/RJO. Cientificada da decisão do Delegado da Derat/RJO em 01/09/2008 (fls. 135), a interessada apresentou em 25/09/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 149/179, em que alega, em síntese: - que é incontroverso o crédito de R$ 1.127.529,76; - inaplicabilidade das INs SRF n°s 460/2004 e 600/2005 em razão da irretroatividade da, legislação tributária, além da impossibilidade de IN limitar direito concedido por lei; wS) - que tinha o direito de proceder à retificação da DCTF com posterior apresentação da Per/Dcomp; - que o processo administrativo busca a verdade material e que a diligência concluiu pela ausência de inconsistência na Dcomp apresentada; que a compensação foi efetuada dentro do mesmo período de apuração em que ocorreu a retenção do IRRF e que inexiste prejuízo a ser suportado pelo Erário. Por fim, pede a reforma do despacho decisório, e a conseqüente homologação da compensação declarada. 3. A DRJ julgou pela PROCEDÊNCIA da Manifestação da Inconformidade, nos seguintes termos da Ementa (fls. 273). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2002 DCOMP. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. COMPENSAÇÃO DO IRRF SOFRIDO COM O IRRF RETIDO. A pessoa jurídica optante pelo lucro real poderá compensar o IRF sofrido por ocasião do recebimento ou crédito de juros sobre capital próprio com o IRF retido quando do pagamento ou crédito, a esse mesmo título, feito a seu titular, sócios ou acionistas. Solicitação Deferida 4. Em suma, o Órgão julgador entendeu que o parecer fiscal careceu de fundamentação, motivo pelo qual cancelou o ato administrativo, por falta de motivação. Reconhecer ainda que isto não invalida a decisão da Derat, uma vez que também há outro motivo que justificou o indeferimento da compensação, qual seja o regime de competência. A DRJ entendeu que o fato de ter entregado a DCOMP em momento posterior não obsta o direito da Interessada, podendo ser a compensação efetuada. Assim, pronunciou-se o Órgão de julgamento de primeiro grau (fl. 278). Fl. 326DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-006.581 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.001595/2006-43 5. Teria ainda o fato de que se houve alteração de critério jurídico, este ocorreu depois dos fatos analisados, assim não aplicáveis a eles. Por fim, foi reconhecido o direito creditório no montante de R$ 1.127.529,76, relativo a IRRF sobre juros de capital próprio retido em 12/2002, devendo ser homologada a declaração até o limite do montante reconhecido. 6. O dispositivo aprovado para o Acórdão foi elaborado nos seguintes termos (fl. 273): Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo, acordam os membros da 9 a Turma de Julgamento desta Delegacia, por unanimidade de votos, deferir a solicitação, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado, para reconhecer o direito creditório de RS 1.127.529,76, relativo ao IRRF sobre juros de capital próprio retido em 12/2002 e homologar a compensação declarada até o limite do crédito ora reconhecido. Encaminhe-se o presente à Unidade competente, para dar ciência à interessada do inteiro teor deste acórdão e adotar as demais providências necessárias ao seu cumprimento. II. Recurso Voluntário 7. Intimada da decisão, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual argumenta, em síntese, o seguinte: a) ao executar a decisão da DRJ, a Autoridade fazendária considerou que aa compensação homologada teria sido realizadas fora do prazo para recolhimento do IRRF incidente sobre os JCP, assim, efetuou imputação proporcional, o que resultou no montante suficiente para quitar uma parte do IRRF. Assim, a Autoridade não atendeu na íntegra a determinação da DRJ, especialmente no que diz respeito à tempestividade das compensações; b) “a realização de uma compensação amparada por legislação, em determinado período onde não era exigida sua instrumentalização não poderia ser desconstituída, ou desconsiderada, para fins de quitação, pelo envio posterior de uma DCOMP (Declaração de Compensação)”. Assim as compensações decorrentes do pagamento de juros sobre capital próprio se davam no ano-calendário de 2002, sem que fosse necessária qualquer instrumentalização perante a Receita, apenas ajuste contábil. Após, a Recorrente se viu obrigada a reproduzir as compensações do IRRF em PER/DCOMP, pois era obrigatório o preenchimento do número da declaração de compensação na retificadora da DCTF. A não informação do número impedia o protocolo da DCTF (retificadora) sob a nova versão do programa. A compensação em questão foi concluída dentro do prazo de vencimento do IRRF incidente sobre a remuneração de JCP; c) em dezembro de 2002, a Requerente sofreu retenção de IRRF sobre recebimento de juros sobre capital próprio, no valor de R$ 1.127.529,76. No mesmo período pagou juros sobre capital próprio a seus sócios, operação sobre a qual se sujeitou à incidência do IRRF, nos termos do art. 9, § 2º da Lei nº 9.248/95. O valor resultante do IRRF do pagamento a Fl. 327DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-006.581 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.001595/2006-43 seus sócios de JCP também foi de R$ 1.127.529,76. Assim, compensou os seus créditos de retenção de IR sobre JCP com seus débitos, também em virtude de pagamento de JCP, nos termos do art. 9, § 6º da Lei nº 9.248/95. Nesta época não se exigia do contribuinte que fosse apresentada a declaração de compensação, já que tal forma de compensação era presumida, pois ocorria diretamente do art. 9, § 6º da Lei nº 9.248/95 c/c art. 170 do CTN. Não havia regra instrumental, sendo realizada por mera comprovação da existência do crédito. Ao aderir o PAES, foi necessário que a Recorrente retificasse sua DCTF, sendo que o crédito em discussão já havia sido extinto pela compensação, dentro do prazo legal. Com a retificação, houve a necessidade de informar o número da PER/DCOMP, o que demandou a necessidade de gerar um número para operação (compensação) que já tinha sido realizada no prazo adequado. Tal procedimento ensejou a falsa ideia de que a compensação foi feita a destempo. A situação foi enfrentada pela DRJ, ao mencionar o alcance dos efeitos produzidos pelas IN SRF nº 460/04 e nº 600/05; d) irretroatividade da lei tributária. A compensação deve ser regida pela legislação vigente à época dos fatos, ou seja, primeira semana de janeiro de 2003. Assim, deve-se considerar a Lei nº 9.249/95 e a IN SRF nº 210/02, as quais não continham vedação de compensação do IRRF sobre juros do capital próprio em período diverso do que ocorreu a retenção; e) a Requerente apresentou a retificadora da DCTF conforme seu direito, sendo que foi necessário criar uma DCOMP para atender os requisitos da referida retificadora, versão 2.10. Tal procedimento não pode desnaturar a compensação efetuada na primeira semana de 2003. Ao final, requer o provimento do Recurso, para que sejam cancelados os valores apontados como devidos no presente processo administrativo. Requer ainda a produção de provas e conversão em diligência. 8. Não foram apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional. 9. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Bernart, Relator. III. Tempestividade e admissibilidade 10. Com base no art. 33 do Decreto 70.235/72 e na constatação da data de intimação da decisão da DRJ (fl. 288 – 28/11/11), bem como do protocolo do Recurso Voluntário (fl. 290 – 22/12/11), conclui-se que este é tempestivo. PRELIMINARMENTE IV. Omissão no julgamento 11. Como se percebe, a decisão da DRJ foi direcionada no sentido de dar provimento integral ao crédito da Requerente. Entretanto, no momento da execução da decisão, ao observar a diferença entre as datas dos débitos a serem compensados (PA de janeiro de 2003 – fl. 10) e a data de transmissão da DCOMP (02/09/03 – fl. 7), a Autoridade fiscal teria aplicado as Fl. 328DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-006.581 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.001595/2006-43 sanções cabíveis, o que resultou em um débito, depois de usado o crédito na homologação parcial da compensação, no montante de R$ 683.942,15. 12. A Contribuinte afirma que tal cobrança se deu em virtude de interpretação equivocada dos fatos, por parte da fiscalização. Isto teria ocorrido porque a compensação foi efetuada já nos períodos de apuração dos débitos, antes dos seus vencimentos. Assim seria, pois até então não era necessária a apresentação de DCOMP e a compensação era feita automaticamente, que, no caso, dar-se-ia entre o crédito do IRRF de JCP pago a ela e os débitos de IRRF sobre JCP pago a seus sócios, cujos valores eram idênticos. 13. A necessidade de emissão de DCOMP, para indicar compensação anterior surgiu quando, no ano de 2003, a Recorrente precisou apresentar a retificação da DCTF para aderir ao PAES. Segundo a Interessada, a retificação exigia o número da declaração de compensação. Como a compensação entre os valores de IRRF de JCP foi feita antes da entrada em vigor da Lei 10.637/02, que dispôs sobre a entrega de declaração de compensação, não havia qualquer número. Para tentar resolver o problema, a Contribuinte preencheu a DCOMP em 2003, que teria por objeto a compensação já efetuada de 2002, apenas para ter um número para inserir na retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. 14. A questão que se coloca é que tal matéria não foi apreciada pela DRJ. Em verdade, não foi nem por esse motivo que o direito creditório, inicialmente, foi indeferido. O indeferimento se deu em virtude de que a DRF entendeu que não havia liquidez e certeza, além de ter sido feita a compensação em momento posterior ao ano-calendário. Os dois argumentos do fisco foram rechaçados pela DRJ (fls. 276 e 278). 15. Apesar das acima indicadas alegações da Recorrente terem sido feitas também na Manifestação de Inconformidade (fls. 172 e 173), a DRJ não abordou tal situação, o que permitiu, inclusive, que a DRF agisse da forma como o fez. Ocorre que a matéria não julgada na primeira instância não pode ser analisada em segundo grau, sob pena de incorrer em supressão de instância. Neste sentido já se manifestou o CARF. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OMISSÃO DO JULGAMENTO. NULIDADE. Verificada a omissão quanto a pontos relevantes contidos na manifestação de inconformidade, a decisão recorrida deve ser anulada para que novo julgamento seja prolatado de modo que a totalidade das questões em lide recebam a devida analise, garantindo-se o direito ao duplo grau de jurisdição. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DUPLO GRAU DE COGNIÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A dupla cognição é regra no processo administrativo fiscal e não pode ser afastada em nome da celeridade processual, a fim de se evitar ocorrência de supressão de instância. (Acórdão nº 1003-002.340, Sessão de 08 de abril de 2021) Fl. 329DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-006.581 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.001595/2006-43 16. Tal supressão incidiria em infração ao duplo grau de cognição, igualmente ao contraditório e à ampla defesa. Desta feita, é necessário que os presentes Autos retornem à DRJ para que seja analisada a questão omitida, ou seja, se a compensação foi apresentada de maneira extemporânea em relação ao prazo de pagamento dos débitos a serem compensados. A dúvida persiste porque, como visto acima, a Recorrente alegou que a compensação seria feita ordinariamente, mas com a criação da DCOMP teve que formalizar seu pedido, já feito. V. Conclusão 17. Em vista do exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Voluntário, para, com base em preliminar, encaminhar os Autos para a DRJ, de forma que seja analisada a questão omitida no Acórdão, especificamente o momento do requerimento e realização da compensação. (documento assinado digitalmente) Luciano Bernart Fl. 330DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006617/2001-52
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 14/07/2001
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa, que somente se aplica aos despachos e decisões.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE.
De acordo com a Súmula nº 11 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
INFRAÇÕES E PENALIDADES. MULTA REGULAMENTAR. INCISO I
DO ART. 463 DO RIRPI/98. ELEMENTOS TÍPICOS COMPONENTES
DO ILÍCITO.
É cabível o lançamento de multa regulamentar quando as mercadorias de procedência estrangeira, ainda que na condição de avariadas, não se submeteram ao controle aduaneiro.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-000.688
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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NULIDADE. Estando presentes os requisitos formais previstos nos arts. 9 e 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade por cerceamento do direito de defesa, que somente se aplica aos despachos e decisões. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. De acordo com a Súmula nº 11 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. INFRAÇÕES E PENALIDADES. MULTA REGULAMENTAR. INCISO I DO ART. 463 DO RIRPI/98. ELEMENTOS TÍPICOS COMPONENTES DO ILÍCITO. É cabível o lançamento de multa regulamentar quando as mercadorias de procedência estrangeira, ainda que na condição de avariadas, não se submeteram ao controle aduaneiro. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. Fl. 367DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 23/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006617/200152 Acórdão n.º 3801000.688 S3TE01 Fl. 179 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator. EDITADO EM: 23/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Arno Jerke Junior, Andreia Dantas Lacerda Moneta e José Luiz Bordignon. Fl. 368DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 23/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006617/200152 Acórdão n.º 3801000.688 S3TE01 Fl. 180 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de exigência da multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 1º, alteração 2ª, do Decretolei nº 400, de 30 de dezembro de 1968, no valor de R$ 30.000,00, objeto do Auto de Infração de fls. 0207. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe retirou do Porto de Manaus, sem autorização da Alfândega, vinte e duas bobinas de aço galvanizado, conforme foi declarado em ofício datado de 20/05/2001 (fls. 0809) e corroborado por ofício encaminhado pelo fiel depositário, Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias do Estado do Amazonas (SNPH) (fls. 1011). De acordo como o despacho exarado no processo nº 10283.001188/9824, o fato já havia sido detectado, quando do exame do pedido de cancelamento da DI nº 97/0855684, de 19/09/1997, registrada no intuito de desembaraçar a mercadoria em questão. Ainda em conformidade com o relato da fiscalização, os bens haviam desembarcado em Manaus, em 14/09/1997, destinados originalmente à empresa Aços da Amazônia Ltda., porém, em decorrência de avarias ocorridas por ocasião da descarga, foi realizada Vistoria Aduaneira, concluindose pela perda total da mercadoria. Interpelada pela Alfândega, a Entec Comercial Importadora e Exportadora Ltda. informou que, tendo em vista ainda estar tramitando o processo judicial do segurador da mercadoria contra a Companhia Docas do Maranhão, fiel depositário à época doa fatos, a SNPH, atual operador do Porto de Manaus, requereu ao juiz autorização para venda dos salvados. Após anuência da seguradora, a autoridade judicial autorizou a venda. A Entec adquiriu os salvados mediante o pagamento da importância de R$ 30.000,00, depositando o valor em juízo, conforme Recibo de Venda de Salvados e Termo de Comparecimento e Depósito (fls. 2729). Com base na Nota Fiscal nº 002423, de 03/04/2000 (fl. 30), a Entec iniciou o transporte das mercadorias para seu estabelecimento. De acordo com o Parecer do Serviço de Tributação (Sesit), da Alfândega do Porto de Manaus (fls. 3336), deve ser instaurada ação fiscal contra as empresas SNPH e Entec, com vista à imposição das penalidades aplicáveis a cada uma, pelos ilícitos Fl. 369DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 23/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006617/200152 Acórdão n.º 3801000.688 S3TE01 Fl. 181 4 praticados, sendo cabível a pena de perdimento da mercadoria ou, não sendo possível sua aplicação, a multa equivalente ao valor da mercadoria. Na impossibilidade de aplicar a pena de perdimento, foi lavrado o auto de infração, para cobrar a multa igual ao valor comercial da mercadoria, prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/1964, com a redação dada pelo art. 1º, alteração 2ª, do Decretolei nº 400, de 30 de dezembro de 1968 (art. 463, I, do Decreto nº 2.637/1998). Cientificado do lançamento em 22/08/2001, conforme fl. 02, a interessada insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 3942, em 20/09/2001, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: a empresa dispôsse a adquirir as mercadorias avariadas, ensejando o seguinte despacho do juiz: “Nos Autos. Como requer. Providenciese”, estando autorizada a venda das mercadorias; a venda sem restrição, como foi autorizada, em seu mais amplo sentido, significa uma operação comercial, onde quem paga o valor tem o direito de receber e tomar posse das mercadorias adquiridas; é fora de dúvidas que o despacho de importação tenha se iniciado, conforme prevêem os arts. 411 a 437 do Regulamento Aduaneiro, caracterizando o formalismo e a regularidade da operação, que encontra seu ponto alto na apresentação da DI, no processo de vistoria aduaneira e no lançamento dos tributos, sendo muito difícil concluir que não tenha ocorrido despacho de importação; como preceituam os arts. 447 a 449 do Regulamento Aduaneiro, ocorreu a conferência das mercadorias, faltando apenas o cumprimento do disposto no art. 450, ou seja, a entrega dos bens, na presença da autoridade fiscal, ato conhecido por desembaraço aduaneiro, uma operação final, quase acessória, que não provocou prejuízo ao Fisco; os tributos incidentes sobre a importação foram pagos pela metade por erro na identificação do sujeito passivo, estando a outra metade em discussão processual; notase três aspectos no parecer do Sesit: “considera o crédito tributário contra o depositário”; a entrega do bem não foi submetido a despacho aduaneiro; o conhecimento que detém a autoridade judicial das normas que regem o internamento de mercadorias em território pátrio.” (sic); a contradição é visível, pois se a Sesit admite o lançamento do crédito tributário contra o depositário e reconhece a existência da DI, não pode afirmar que os bens não tenham sido submetidos a despacho aduaneiro; a autoridade judicial poderia ter vinculado a entrega das mercadorias à apreciação do Fisco, preferindo, porém, Fl. 370DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 23/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006617/200152 Acórdão n.º 3801000.688 S3TE01 Fl. 182 5 “considerar as mercadorias como já nacionalizadas, apenas, ainda, depositadas em território aduaneiro, pelo embate judicial existente, sem prejuízo ao Fisco Aduaneiro”; a impugnante agiu com boa fé para retirar as mercadorias da zona primária, num total de oito viagens com a utilização de um tratorreboque, operação de durou 3 dias, efetuada em horário comercial, recebendo as mercadorias diretamente do fiel depositário, com autorização judicial; a situação efetivamente ocorrida foi a seguinte: “a) as mercadorias entraram no País exatamente por onde deveriam entrar: formalmente pelo porto; b) o despacho aduaneiro teve andamento e as mercadorias foram entregues pelo fiel depositário, com 50% dos impostos já pagos; c) foi registrada a DI no SISCOMEX; e d) a venda das mercadorias teve amparo judicial, tendo sido emitida NF de entrada”, não havendo como enquadrar o fato no art. 463, I, do RIPI/1998. A DRJ em Fortaleza (CE) julgou procedente o lançamento, fls. 60 a 67, nos termos da ementa abaixo transcrita: IMPORTAÇÃO IRREGULAR. Incorre na multa igual ao valor comercial da mercadoria quem entregar a consumo ou consumir produto de procedência estrangeira importado irregularmente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da Declaração da Importação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 81 a 87 e 102 a 108, instruído com os documentos de fls. 88 a 99 e 109 a 120. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na impugnação, acrescentando basicamente que: Preliminar de cerceamento de defesa o processo foi constituído de documentos extraídos de pelo menos dois outros processos; alguns anexos não foram juntados a este processo; outros documentos encontramse repetidos; por isso, clama por cerceamento do direito de defesa. Preliminar de prescrição recorrente a autuada apresentou impugnação ao Auto de Infração em 20.09.01. No dia seguinte foi encaminhado a DRJ/FOR. Em 05.04.02, a DRJ/FOR encaminhou o processo para a DRJ Recife, alegando engano na remessa. Em 10.03.05 a DRJRecife reencaminhou os Autos para a DRJ/FOR afirmando que o julgamento é de sua competência. Finalmente, a DRJ/FOR terminou o julgamento em 19.02.09. Fl. 371DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 23/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006617/200152 Acórdão n.º 3801000.688 S3TE01 Fl. 183 6 tendo em vista os fatos e o tempo decorrido para julgamento equivalente a 7 anos e 6 meses, o caso enquadrase perfeitamente no que se convencionou chamar de prescrição recorrente; Dessa forma, o autuado pede seja anulado o Auto de Infração na sua totalidade por prescrição provocada por desinteresse do órgão julgador. Da Inexistência de Autorização Judicial a autuada não descumpriu nada, pois recebeu os salvados da operadora do porto (fiel depositária) que, legalmente representa o fisco no terminal aduaneiro. Além do mais, a autorização judicial, de forma peremptória é de uma clareza inconfundível. Não estabelece qualquer condicionante para a entrega dos bens avariados; há um outro bem jurídico a ser preservado, tão importante como o primeiro, que é a contratação da compra e venda estabelecida no art. 1.122, do CC/1916 ou art. 481, do CC/2002; não se deve confundir bens avariados, salvados ou mesmo sucata com mercadorias ou bens importados, pois aqueles não constam da TIPI, nem da MBM e tem valores ínfimos relativamente aos seus valores originais de importação. Não são mercadorias a serem importadas; O art. 44, do DL n° 2472/88, não se aplica às mercadorias avariadas porque o preço que atingem é tão ínfimo que não permite a subsistência de suas qualidades de mercadorias. No caso, as mercadorias nominadas bobinas de aço eletrogalvanizadas, com a avaria, foram consideradas totalmente imprestáveis para a finalidade de sua importação, transformandose em sucatas. Da inexistência de Despacho Aduaneiro os impostos referentes aos salvados foram pagos e os mesmos localizados no Paredão. Conforme a ocorrência de avaria também não se chegou a apresentar Declaração Complementar porque esta depende da existência de Dl original. No entanto, a Declaração Complementar também não contou com a exigência do fisco, principalmente por ocasião de impostos a serem pagos, conforme determina o § único, do art. 421, do RA/85; os impostos foram pagos independentemente de Declaração Complementar; a inexistência de DI, por cancelamento, prejudicou a condução do procedimento aduaneiro do desembaraço por imprevisibilidade no regulamento de casos absolutamente atípicos como são as avarias ocorridas em 100% das mercadorias objeto de importação; o controle existiu, desde o início, pelo exame do Laudo Técnico e TVA — Termo de Vistoria, conhecimento, fatura e mesmo pela Fl. 372DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 23/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006617/200152 Acórdão n.º 3801000.688 S3TE01 Fl. 184 7 Dl que fora cancelada e outros documentos de transporte, à disposição do fisco. No mérito não há nenhuma prova nos Autos de que a autuada tenha tido conduta ilícita nos termos do art. 463 e inciso I, do Decreto n° 2637/98, que regulamenta o art. 83, inciso I, da Lei n° 4502/64, com a redação dada pelo art. 1°, do DL n° 400/68 e que essa capitulação não expressa a verdade dos fatos; o exposto é de se compreender que a autorização judicial faz parte do ordenamento jurídico nacional não configurando dano de forma alguma, ou ofensa à atividade de controle aduaneiro, mas sim, a autorização surgiu em momento oportuno para tranquilizar as operações, acalmando a voracidade do fisco que pretendia se impor diante de normas confusas e incompletas. Por fim, solicitou a anulação da decisão recorrida e que fosse reconhecido seu direito de dispor dos salvados adquiridos legalmente. É o relatório. Fl. 373DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 23/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006617/200152 Acórdão n.º 3801000.688 S3TE01 Fl. 185 8 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente sustentou preliminarmente a nulidade do lançamento de ofício em razão do cerceamento do direito de defesa. A argumentação não procede, visto que no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que o auto de infração foi lavrado por servidor competente e o inciso II aplicase, apenas, aos casos de despachos e decisões, ressaltando que o auto de infração enquadrase na categoria de atos e termos processuais prevista no inciso I do aludido artigo. Ao contrário do alegado de afronta aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, o lançamento de ofício observou o procedimento previsto no Decreto nº 70.235/72, em especial os requisitos formais estabelecidos nos arts. 9 e 10, de sorte que a alegação de cerceamento de defesa não pode prosperar, mormente quando se constata que o sujeito passivo demonstra conhecer os fatos motivadores da autuação. Consignese, por pertinente, que as alegações da requerente no sentido da ausência de anexos não resultaram em prejuízo ao amplo direito de defesa, pois a requerente poderia trazer esses elementos de prova tanto na sua impugnação quanto no seu recurso voluntário. Quanto aos documentos repetidos, eles geram apenas pequenos transtornos, mas jamais prejuízo ao direito de defesa. Não se pode perder de vista que o lançamento de ofício contém todos os elementos necessários e suficientes para a constituição do crédito tributário, em especial a descrição dos fatos foi pormenorizada. De sorte que não há que se falar em violação ao princípio do amplo direito de defesa, pois a requerente teve a oportunidade de apresentar robusta impugnação, além das razões coerentes desse recurso voluntário. Nesses recursos evidenciamse a correta percepção da matéria e da motivação do lançamento. Por tais razões, não procedem as alegações de nulidade do auto de infração por cerceamento de direito de defesa, posto que não houve transgressão aos requisitos formais legalmente exigidos e a requerente pode exercer sua defesa plena, após ter ciência dos fatos motivadores da exigência. Fl. 374DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 23/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006617/200152 Acórdão n.º 3801000.688 S3TE01 Fl. 186 9 Outrossim em preliminar, a interessada defendeu a tese de que no caso vertente ocorreu a denominada prescrição intercorrente provocada pelo desinteresse do órgão julgador, ou seja, entre a apresentação da impugnação e o julgamento de 1ª instância decorreu prazo superior a cinco anos. Essa tese não merece prosperar. O art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe que suspendem a exigibilidade do crédito tributário as reclamações e os recursos, nos termos das lei reguladoras do processo administrativo tributário administrativo. Por seu turno, o art. 174 trata da prescrição e estabelece que a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da sua constituição definitiva. Desta forma, o crédito em discussão não está definitivamente constituído e encontrase com a exigibilidade suspensa, visto que o seu recurso voluntário está sendo apreciado. Destarte, existindo recurso administrativo pendente de julgamento, não corre o prazo prescricional. A propósito, é pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no sentido de que o instituto da prescrição intercorrente não se aplica ao processo administrativo fiscal: RECURSO ESPECIAL PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO. 1. O prazo prescricional previsto no art. 174 do CTN só se inicia com a apreciação, em definitivo, do recurso administrativo (art.151, inciso III, do CTN). Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. 2. É inadmissível o recurso especial se a análise da pretensão da recorrente demanda o reexame de provas. 3. Recurso especial conhecido e não provido . (STJ,REsp 1197885 /SC, DJe 22/09/2010) (grifouse) De resto, aplicase a Súmula nº 11 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que uniformizou o seguinte entendimento: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmulas 11 do 1º CC e 7 do 2º CC Assim, rejeitase essa preliminar quanto à ocorrência de prescrição intercorrente por suposta omissão das autoridades julgadoras. De outro giro, a interessada insiste na tese de que havia autorização judicial para a retirada das mercadorias avariadas. A tese não merece guarida. A decisão judicial interlocutória tãosomente autorizou o procedimento de negociação dos salvados, como requereu a seguradora nos autos Fl. 375DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 23/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006617/200152 Acórdão n.º 3801000.688 S3TE01 Fl. 187 10 da ação regressiva de ressarcimento, fls. 25 e 26. Consignese, por oportuno, que a petição da seguradora ressalva que o bem não estava sob a tutela da justiça. Diferentemente do alegado e como bem assentou a decisão recorrida, em nenhum momento a decisão judicial determinou expressamente que a liberação dos salvados não estava sujeita ao despacho aduaneiro de importação. Com efeito, a Fazenda Nacional não integrava a lide, portanto os efeitos da decisão operaramse apenas entre as partes da referida ação ordinária. Ora, se a decisão judicial fosse no sentido de liberar as mercadorias sem o necessário procedimento de despacho aduaneiro, as empresas, por certo, alegariam o descumprimento de ordem judicial e as autoridades públicas seriam responsabilizadas nas esferas penal, administrativa e cível, o que, de fato, não ocorreu. A interessada menciona outro bem a ser preservado, a contratação da compra e venda estabelecida no art. 481 do Código Civil de 2002 ( art. 1.122 do Código Civil de 1916). Esta tese não tem suporte legal e fático e é incompatível com as disposições que regem o comércio exterior. O contrato de compra e venda não tem o condão de dispensar o controle aduaneiro. Neste sentido, o art. 44 do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, dispõe: Toda mercadoria procedente do exterior por qualquer via, destinada a consumo ou a outro regime, sujeita ou não ao pagamento do imposto, deverá ser submetida a despacho aduaneiro, que será processado com base em declaração apresentada à repartição aduaneira no prazo e na forma prescritos em regulamento.(grifouse) Ademais, é insubsistente a assertiva de que o art. 44 DecretoLei nº 37/66 não se aplica as mercadorias avariadas porque o preço é ínfimo. De acordo com a inteligência do aludido dispositivo toda mercadoria procedente do exterior está sujeita ao controle aduaneiro, sendo indiferente se ela está avariada ou mesmo transformouse em sucata. Não poderia ser diferente, visto que uma interpretação mais flexível poderia, inclusive, comprometer a segurança nacional. Outrossim, a recorrente sustenta que o cancelamento da Declaração de Importação original inviabilizou o procedimento aduaneiro de desembaraço. Não merece prosperar esse argumento. O cancelamento da Declaração de Importação original de nº 97/0855684 teve como consequência imediata o fato de que a mercadoria encontravase no país em situação irregular. Destarte, tendo sido cancelado o despacho aduaneiro, a interessada tinha por obrigação legal de processar o desembaraço da mercadoria, ainda que na condição de sucata. Assim, caberia a recorrente efetuar o despacho de importação, o qual deveria ser instruído com outra declaração de importação, conhecimento de carga, fatura comercial e outros documentos pertinentes. Do exame dos elementos comprobatórios, constatase que a interessada limitouse a retirar as mercadorias do recinto alfandegado sem qualquer comunicação à autoridade aduaneira. É preciso insistir no fato de que a decisão judicial não dispensou o necessário controle aduaneiro. Fl. 376DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 23/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006617/200152 Acórdão n.º 3801000.688 S3TE01 Fl. 188 11 Em remate, fundamentado nos argumentos aduzidos, é forçoso concluir que a interessada poderia perfeitamente ter efetuado o despacho de importação nos termos do artigo 411 e seguintes do Decreto nº 91.030/85 ( Regulamento Aduaneiro). Como última tese, a recorrente arguiu que a capitulação legal não expressa a verdade dos fatos e que não há nenhuma prova nos autos de que a autuada tenha tido conduta ilícita. Mais uma vez não assiste razão à interessada. O fundamento legal foi o art. 463, inciso I, do Decreto nº 2.637/98, que tem por matriz o art. 83, inciso I e parágrafo único da Lei nº 4.502/64, com a redação dada pelo art. 1º, do Decreto Lei nº 400/68, que dispõem: Art. 463 Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe for atribuído na nota fiscal, respectivamente (Lei n.º 4.502, de 1964, art. 83, e Decretolei n.º 400, de 1968, art. 1º, alteração 2ª): I os que entregarem a consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso. A situação fática é que a interessada consumiu ou entregou a consumo mercadoria importada irregularmente, visto que não procedeu ao despacho de importação. Registrese, por oportuno, o conceito de despacho de importação, segundo o art. 411 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030/1985 vigente à época dos fatos: Art. 411 Despacho de importação é o procedimento fiscal mediante o qual se processa o desembaraço aduaneiro de mercadoria procedente do exterior, seja ela importada a título definitivo ou não.. Ademais, a interessada deu entrada da mercadoria em seu estabelecimento sem que tenha havido o registro da declaração de importação. Com efeito, a infração foi perfeitamente tipificada, tendo em vista que a situação fática se amoldou à hipótese legal. Desta forma, a conduta de transporte da bobinas do recinto alfandegado para o estabelecimento da interessada sem o devido controle aduaneiro subsumese à prevista no art. 463, inciso I, do Decreto nº 2.637/98 (RIPI/98). Ante ao exposto, voto no sentido de julgar procedente o lançamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 377DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 23/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10283.006617/200152 Acórdão n.º 3801000.688 S3TE01 Fl. 189 12 Fl. 378DF CARF MF Emitido em 12/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Assinado digitalmente em 23/03/2011 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, 23/03/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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