Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,567)
- Primeira Turma Ordinária (16,459)
- Primeira Turma Ordinária (16,358)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,575)
- Primeira Turma Ordinária (13,128)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,554)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,999)
- Terceira Câmara (68,521)
- Segunda Câmara (57,460)
- Primeira Câmara (21,771)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,369)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,887)
- Segunda Seção de Julgamen (116,175)
- Primeira Seção de Julgame (78,015)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,150)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,430)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,232)
- HELCIO LAFETA REIS (3,928)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,791)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,925)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,674)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,704)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,932)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 12963.000100/2009-83
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2008
DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE
STF SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS EFETUADOS EM DESACORDO COM O QUE DETERMINADO NA LEI 10.101/00. ACORDO QUE NÃO POSSUI REGRAS CLARAS E OBJETIVAS QUANTO AO MECANISMO DE APURAÇÃO DAQUILO O QUE FOI ACORDADO. INCIDÊNCIA.
Nos termos do disposto no art. 28, § 9º , alínea “j”, do Decreto 3.048/99, para que os pagamentos das verbas a título de participação nos lucros não sejam consideradas como parcela do salário, componente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, deverá ser observado aquilo o que disposto na
Lei de regência, no caso, a Lei 10.101/00.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.115
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN, reconhecendo a decadência em parte e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Nereu Miguel Ribeiro Domingues acompanharam a relatora pelas conclusões.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 05 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201209
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2008 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS EFETUADOS EM DESACORDO COM O QUE DETERMINADO NA LEI 10.101/00. ACORDO QUE NÃO POSSUI REGRAS CLARAS E OBJETIVAS QUANTO AO MECANISMO DE APURAÇÃO DAQUILO O QUE FOI ACORDADO. INCIDÊNCIA. Nos termos do disposto no art. 28, § 9º , alínea “j”, do Decreto 3.048/99, para que os pagamentos das verbas a título de participação nos lucros não sejam consideradas como parcela do salário, componente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, deverá ser observado aquilo o que disposto na Lei de regência, no caso, a Lei 10.101/00. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 12963.000100/2009-83
conteudo_id_s : 6550232
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2402-003.115
nome_arquivo_s : Decisao_12963000100200983.pdf
nome_relator_s : ANA MARIA BANDEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 12963000100200983_6550232.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN, reconhecendo a decadência em parte e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Nereu Miguel Ribeiro Domingues acompanharam a relatora pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
id : 9164738
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Feb 05 09:56:36 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1723916639440732160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2293; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 114 1 113 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12963.000100/200983 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.115 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2012 Matéria SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Recorrente GONÇALVES SALLES S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2008 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTOS EFETUADOS EM DESACORDO COM O QUE DETERMINADO NA LEI 10.101/00. ACORDO QUE NÃO POSSUI REGRAS CLARAS E OBJETIVAS QUANTO AO MECANISMO DE APURAÇÃO DAQUILO O QUE FOI ACORDADO. INCIDÊNCIA. Nos termos do disposto no art. 28, § 9º , alínea “j”, do Decreto 3.048/99, para que os pagamentos das verbas a título de participação nos lucros não sejam consideradas como parcela do salário, componente da base de cálculo das contribuições previdenciárias, deverá ser observado aquilo o que disposto na Lei de regência, no caso, a Lei 10.101/00. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 96 3. 00 01 00 /2 00 9- 83 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN, reconhecendo a decadência em parte e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Nereu Miguel Ribeiro Domingues acompanharam a relatora pelas conclusões. Ana Maria Bandeira Relatora. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000100/200983 Acórdão n.º 2402003.115 S2C4T2 Fl. 115 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes àS contribuições destinadas a terceiros (SalárioEducação, SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 13/19), a empresa foi intimada a apresentar os Regulamentos que fundamentaram o pagamento da Participação nos Lucros, no período de janeiro de 2004 a fevereiro de 2009. No atendimento à intimação, foi apresentado o acordo firmado em 20 de dezembro de 1996, como sendo o documento que fundamentou os pagamentos efetuados a titulo de Participação nos Lucros em todo o período fiscalizado. Da análise do documento, a auditoria fiscal constatou o seguinte (trecho extraído do Relatório Fiscal): a) Ausência da participação do Representante Sindical da Categoria: No documento apresentado não consta a participação do representante sindical da categoria, nos termos previstos no artigo 2° , inciso I da Lei 10.101/2000 que exige expressamente que a comissão escolhida pelas partes deverá ser integrada por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; b) Ausência do período de vigência e prazos para revisão do acordo conforme previsto no artigo 2°, caput do § 1° da Lei 10.101/2000; c) Ausência de regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado: Quando questionada a respeito dos critérios de definição dos valores pagos a cada empregado em função da Participação nos Lucros, a empresa declarou por escrito em 04.02.09 (Anexo IV do Relatório Fiscal do processo apensado n° 12963.000101/200928) durante a Diligência Fiscal que antecedeu a Auditoria Fiscal iniciada em 03.03.09 que "...a avaliação de cada funcionário é feita pelo parâmetro salarial e por tempo de serviço e os pagamentos são efetuados baseado no salário do funcionário e pago proporcionalmente ao tempo trabalhado no exercício de apuração do lucro...". (...) A empresa utilizase de uma classificação de "A" a "C" (bom, regular e ruim) em critérios sem qualquer objetividade, tais como: apresentação pessoal, receptividade a mudanças, cuidados com uniformes, cuidado com equipamentos, cuidado com segurança, etc., ficando tal julgamento a cargo de avaliadores e supervisores. No Acordo apresentado pela empresa não há mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 acordado, tanto pela falta de determinação de metas a serem alcançadas como pela subjetividade do método de avaliação dos empregados adotado pela empresa. (...) No acordo apresentado pela empresa consta na cláusula terceira que "A participação nos Lucros variará de 0,8 a 2,0 salários do empregado na ocasião do pagamento, conforme resultado da cláusula anterior" . Observouse que mesmo constando na cláusula terceira do acordo apresentado uma faixa de variação tendo como base o salário do segurado, empregados que tiveram a mesma "avaliação" receberam de forma diferenciada. (...) Do acima exposto, concluise que a empresa remunerou adicionalmente seus empregados no período de abril de 2004 a abril de 2008, na roupagem de "Participação dos Lucros" tendo apresentado como base um acordo firmado em 1996 sem a observação de vários dispositivos da Lei 10.101 / 2000. Mais do que isto, a omissão na estipulação de regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas e dos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordo, descaracteriza tais pagamentos a este titulo, já que a contribuição dos trabalhadores e suas potencialidades não são mensuráveis objetivamente na avaliação das suas contribuições individuais para a obtenção do Lucro. Portanto, os pagamentos realizados a este titulo são, na verdade, remuneração extra que integram o salário de contribuição nos termos da Lei 8212/91, art. 28 §9°, inciso J e Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/99, art. 214, § 9° inciso X e § 10°. A autuada teve ciência do lançamento em 04/05/2009 e apresentou defesa (fls. 22/40) onde alega que é abusiva a exigência contida na presente autuação, uma vez que não podem ser considerados como fatos geradores de contribuição previdenciária os valores pagos pela impugnante a título de PLR aos seus empregados referentes aos períodos de abril de 2004 a abril de 2008, tendo em vista que a referida verba não tem natureza salarial, conforme reconhece a Constituição Federal de 1988 e a legislação de regência. Argumenta que teria ocorrido a decadência do montante da multa correspondente à competências anteriores a maior de 2004 pela aplicação do §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional CTN. Aduz que ao contrário do que pretende fazer crer a Fiscalização, o acordo celebrado entre a Impugnante e os seus empregados (devidamente representados por uma comissão), para fins de regulação da PLR em seu âmbito, conserva todos os pressupostos:da Lei n° 10.101/2000. Entende que há de se reconhecer que a falta da presença do representante sindical, principalmente quando o sindicato está ciente da negociação e os empregados estão devidamente representados na comissão, não invalida os efeitos legais do acordo. Alega que a análise do Acordo PLR demonstra que da negociação decorreu a fixação de regras claras e objetivas quanto aos critérios de fixação e distribuição dos lucros auferidos pela Impugnante. Argumenta que nas cláusulas primeira e segunda encontramse definidos critérios de lucratividade e produtividade. Nas cláusulas terceira e quinta constam os Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000100/200983 Acórdão n.º 2402003.115 S2C4T2 Fl. 116 5 percentuais de participação e as condições/formas a serem perquiridas por seus empregados, bem como na cláusula sexta a periodicidade do fornecimento da PLR pela Impugnante. Considera que a análise efetuada pela Fiscalização é simplista e produz o efeito de se presumir que os referidos valores não teriam a natureza de participação nos lucros e sim de complemento de remuneração mensal. Entende que ainda que a Fiscalização tivesse razão em relação à ausência de cumprimento da legislação de regência, o não atendimento às formalidades dessa legislação não implica na perda da natureza de participação nos lucros que segundo o próprio texto constitucional é "desvinculada da remuneração" (art. 7°, XI, da CF/88). Alega ser necessária a aplicação do art. 112 do CTN, uma vez que existindo dúvidas quanto à efetiva caracterização da supostas infrações imputadas à impugnante tornase necessária e obrigatória a aplicação da cláusula in dúbio pro reo. Por fim, requerse que a presente Impugnação seja julgada de forma concomitante ou posterior às defesas administrativas apresentadas nos autos dos AI’s n.°'s 37.034.6530, 37.034.6556 e 37.034.6572, tendo em vista a conexão entre o objeto do presente Auto de Infração e das correlatas autuações fiscais. Pelo Acórdão nº 0925.765 (ls. 68/72) a 5ª Turma da DRJ/Juiz de Fora, considerou a autuação procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 77/101), onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que não merece acolhida. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 04/2004 a 04/2008 e foi efetuado em 04/05/2009, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000100/200983 Acórdão n.º 2402003.115 S2C4T2 Fl. 117 7 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, tratase do lançamento contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, aplicase o art. 173, inciso I do CTN, para considerar que a decadência alcançaria fatos geradores ocorridos até a competência 11/2003. Como o lançamento só contempla competências posteriores a tal mês, não se verificou qualquer decadência. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000100/200983 Acórdão n.º 2402003.115 S2C4T2 Fl. 118 9 Quanto ao mérito, a recorrente mantém sua argumentação de que os valores a título de participação nos lucros e resultados foram pagos de acordo com a Constituição Federal e legislação de regência. Cumpre dizer que a matéria em questão já foi julgada pela análise do recurso apresentado nos autos do processo 12963.000101/200928, cujo objeto foi o lançamento da contribuições patronais, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Na ocasião, o colegiado assim decidiu, por meio do Acórdão nº 2402.002.016: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Igor Araújo Soares que davam provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período pelo artigo 150, §4° do CTN e, no mérito, por unanimidade de votos, em manter os demais valores. Os conselheiros Julio César Vieira Gomes, Tiago Gomes de Carvalho Pinto e Nereu Miguel Ribeiro Domingues acompanharam o relator pelas conclusões, entenderam que somente a ausência de representante do sindicato seria o requisito descumprido pela recorrente. Designada para redigir o voto vencedor quanto à decadência, a Conselheira Ana Maria Bandeira. Como se vê, a autuação foi mantida em sua integralidade, inclusive quanto ao mérito, cujos argumentos apresentados pelo Conselheiro Relator passo a transcrever: MÉRITO Inicialmente, cumpre esclarecer que a Participação nos Lucros e Resultados – PLR – fora regulada no âmbito previdenciário pelo art. 28, § 1º, alínea “j”, da Lei 8.212/91, a seguir: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” Resta claro, portanto, que a norma em comento possui o comando no sentido de que somente estarão fora do campo de incidência da contribuição previdenciária os pagamentos efetuados a título de PLR que observarem os requisitos determinados pela Lei específica e regulamentadora do assunto, no caso dos autos, a Lei 10.101/00. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Ressaltese que tal necessidade é reconhecida inclusive pelo próprio STJ. Frente a isso, a fiscalização entendeu que foram várias as irregularidades cometidas no acordo de PLR carreado aos autos e que não estavam de acordo com a legislação de regência. Inicialmente cumpre esclarecer que o acordo da PLR que a recorrente apresentou para justificar os pagamentos efetuados durante o período fiscalizado foi assinado em dezembro de 1996, ou seja, oito anos antes da primeira competência lançada, ainda em período anterior à promulgação da Lei 10.101/01. Apesar de não haver acordo para os anos posteriores, tenho que tal fato não seja capaz, por si só, de afastar o caráter isentivo dos pagamentos efetuados, pois da análise de uma série de resumos de avaliações dos empregados da recorrente juntados aos autos, percebese que o acordo, desde à época sempre foi praticado pelas partes. Cabe, portanto, ao julgado administrativo verificar se estão presentes no caso em concreto os requisitos determinados pela Lei para o reconhecimento do caráter isentivo da parcela. O relatório fiscal assim apontou a primeira das inconsistências do acordo entabulado: “b) Ausência do período de vigência e prazos para revisão do acordo conforme previsto no artigo 2°, caput do § 1° da Lei 10.101/2000;” Por sua vez, assim dispõe o art. 2o da Lei 10.101/ 01: “Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2oO instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores De fato, o acordo não possui Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000100/200983 Acórdão n.º 2402003.115 S2C4T2 Fl. 119 11 qualquer indicação do período de vigência, situação que a meu ver não ensejaria a ofensa ao artigo de lei encimado, já que em não havendo qualquer período máximo ou mínimo a ser observado, há de se entender, que a exigência é de que o acordo seja prévio ao pagamento, mesmo que não faça alusão específica a competência paga.” Entretanto, verifico que do instrumento de fato não consta a fixação de um prazo para revisão do acordo, não podendo sequer ser aceito sob esta ótica aquilo o que descrito na cláusula oitava do instrumento, que determina que o acordo será revisto em caso de haver modificação na legislação que regula a matéria. Entendo que tal disposição não se coaduna com o escopo da Lei em se determinar a periodicidade de revisão do acordo, pois ao invés de garantir uma revisão periódica deixa as partes sob a expectativa da ocorrência de um evento futuro e incerto, caracterizando a revisão das cláusulas como incerta. Outro motivo levantado pela fiscalização foi o de que o acordo não previa regras claras e objetivas na fixação da forma de apuração da participação. Forte na premissa de que este Conselho ou mesmo a própria administração tributária não possa fazer juízo de valor quanto aos itens considerados pelas partes como aptos a demonstrar a participação de cada empregado no lucro da empresa, tenho que nos cabe apenas avaliar se os itens eleitos possuem a objetividade encartada na legislação de regência para que então esteja verificado o cumprimento de mais uma condição para que a parcela distribuída esteja isenta da tributação. Da leitura do instrumento de fls. 22 depreendese que a participação do empregado no lucro será apurada conforme avaliação de desempenho dos itens produtividade, assiduidade, higiene e limpeza, dentro do exercício da apuração do lucro, a ser realizada pelo departamento de RH, variando a depender do resultado da avaliação entre 0,8 e 2,0 salários do empregado, sendo ainda proporcional ao tempo de serviço no exercício e devendo ter o empregado laborado na empresa por no mínimo 30 dias no exercício de apuração do lucro. Num primeiro momento, entendo que o acordo entabulado seja objetivo o suficiente quanto aos itens ou índices eleitos pelas partes como fundamentais para a apuração da participação de cada um no lucro, ou seja quanto aos direitos subjetivos na participação e da regras adjetivas. Entretanto, a legislação não exige que a objetividade do acordo seja somente quanto a tais pontos, mas também quanto aos mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Sobre tais regras assim expôs o relatório fiscal de fls. 18: “Quando questionada a respeito dos critérios de definição dos valores pagos a cada empregado em função da Participação nos Lucros, a empresa declarou por escrito em 04.02.09 (Anexo IV) durante a Diligência Fiscal que antecedeu a Auditoria Fiscal Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 iniciada em 03.03.09 que "...a avaliação de cada funcionário é feita pelo_ parâmetro salarial e_ por tempo de serviço e os pagamentos são efetuados baseado no salário do funcionário e pago proporcionalmente ao tempo trabalhado no exercício de apuração do lucro... Já durante a Auditoria Fiscal, a empresa apresentou os "Boletins de Avaliação _ de Desempenho" (Anexo II A a D), cujas cópias estão anexadas a este Relatório por amostragem, juntamente com declaração datada de 10/03/09 onde informa que "as referidas avaliações de Desempenho são usadas para determinar a participação do funcionário no lucro, e a empresa determina, conforme estas avaliações se o funcionário terá redução na participação ou será demitido do quadro da mesma. Como se vê, tratase de uma avaliação meramente de desempenho individual, em que os supervisores avaliam tão somente a eficiência do empregado em suas atividades normais, sem quantificar a sua contribuição para o alcance do Lucro da empresa, podendo até mesmo culminar com sua demissão. A empresa utilizase de uma classificação de "A" a "C" (bom, regular e ruim) em critérios sem qualquer objetividade, tais como: apresentação pessoal, receptividade a mudanças, cuidados com uniformes, cuidado com equipamentos, cuidado com segurança, etc., ficando tal julgamento a cargo de avaliadores e supervisores. No Acordo apresentado pela empresa não há mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, tanto pela falta de determinação de metas a serem alcançadas como pela subjetividade do método de avaliação dos empregados adotado pela empresa. A necessidade do estabelecimento de metas e indicadores está em medir a contribuição do funcionário no atingimento do lucro. Pelos termos do Art. 2o §1° da Lei 10.101/2000 a clareza e a objetividade devem nortear a fixação tanto dos direitos substantivos dos participantes quanto das correlatas regras instrumentais, as quais devem encerrar critérios quantitativamente mensuráveis, como forma de avaliação. Na leitura do § 1° do art. 2° da Lei n° 10.101/2000, constatase que esse parágrafo traz a expressão "deverão constar", que tem conotação de obrigação, ou seja, não é faculdade das partes decidir se dos instrumentos de negociação constarão ou não regras claras e objetivas quanto a fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetiva . O mandamento legal é imperativo, devendo obrigatoriamente constar os direitos e regras a serem observados.” Assim, mesmo considerando que o acordo seja suficientemente objetivo quanto a fixação dos direitos e regras adjetivas, entendo que o que não se encontra objetivamente previsto são somente os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao acordado, pois de fato, a avaliação efetuada pelo departamento de RH não traz informações objetivas de quais os pontos considerados pelos avaliadores para a determinação de uma nota A, B ou C nos quesitos avaliados de cada um dos Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000100/200983 Acórdão n.º 2402003.115 S2C4T2 Fl. 120 13 funcionários empregados. Sem a indicação de qual o método de avaliação para cada um dos quesitos, como poderá cada um aferir se de fato faria jus a uma maior ou menor distribuição. No caso dos autos, tal avaliação, ao que tudo indica é feita de forma subjetiva. Por tais motivos, sobre este tópico, concordo apenas em parte com as conclusões da fiscalização. Mais a mais, como se já não bastassem as ponderações já apontadas para que seja determinada a manutenção do lançamento efetuado, ainda diante da necessidade de observância daquilo o que determinado pelo art. 28, § 1º, alínea “j”, da Lei 8.212/91, a ausência de participação do representante do sindicato na negociação também deveria ter sido observada. De fato a legislação impõe que se a forma escolhida pela empresa e seus trabalhadores para a regulação do pagamento da PLR venha a se dar intermédio da comissão de trabalhadores, esta deverá ser composta obrigatoriamente por um representante do sindicato, o que não ocorreu no presente caso, já que o acordo somente possui o posterior registro junto à Federação da categoria. Apesar de cumprida a exigência do registro, insculpida no §2o da Lei 10.101/01, tenho que este não tem o condão de substituir a presença do representante na fase de negociação e fixação dos critérios de pagamento da PLR, não se tratando de uma condição de natureza secundária como pretende fazer crer a recorrente. A presença do representante garante a devida a assistência que os trabalhadores necessitam na fixação dos critérios e condições para uma melhor forma de apuração da participação de cada um na parcela do lucro, além de ser exigência da própria legislação. Até mesmo da análise da redação original do art. 2o da Lei 10.101/01, com a redação constante da MP 794/94, que regulamentou o inciso XI do art. 7.º da CF/88, percebese que dele já constava que a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade. Dispôs, em seus arts. “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, mediante negociação coletiva , a forma de participação destes em seus lucros ou resultados. Parágrafo único. Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário.” Na vigência de referida MP, percebese que o instrumento de acordo ainda não possuía a determinação de deveriam ser formadas as comissões, mas que a PLR deveria decorrer de uma negociação coletiva, envolvendo empregados em empregadores. Mais a mais, a MP 860, de 27 de janeiro de 1995, fez pequenas alterações nos referidos dispositivos, dentre elas, agora, não apenas exigindo que somente fosse levada a efeito negociação entre comissão de empregados e o empregador, mas que, agora, os instrumentos deveriam ser arquivados na entidade sindical dos trabalhadores. Confirase: “Art. 2º Toda empresa deverá convencionar com seus empregados, por meio de comissão por eles escolhida , a forma de participação daqueles em seus lucros ou resultados. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; e b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores . Mais uma vez, agora, quando a edição da MP 1.53934, de 07 de agosto de 1997, novas modificações foram trazidas, quando fora então determinado que a negociação da PLR deveria ser desenvolvida mediante a comissão escolhida pelo empregado e empregador, a qual deveria ser integrada, ainda, por um representante do sindicato da categoria. Tal situação, a meu ver, já demonstra que o próprio legislador fez questão e, portanto, assim determinou, a necessidade da participação ativa do sindicato nas negociações para a fixação dos parâmetros da PLR, exatamente para que seja ainda respeitado aquilo o que sempre fora determinado pela própria legislação em comento, no sentido de que a PLR, por se tratar de instrumento entre a integração do capital e do trabalho, não substituirá nem complementará a remuneração de qualquer dos empregados. Vejamos: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12963.000100/200983 Acórdão n.º 2402003.115 S2C4T2 Fl. 121 15 “Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante comissão por estes escolhida, integrada, ainda, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria . § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: a) índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; b) programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Novamente referido art. 2.º foi alterado pela então MP 1.69846, de 30 de junho de 1998, quando, com mais ênfase, a legislação encerrou a obrigatoriedade da participação do representante do sindicato nas negociações: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, dentre os empregados da sede da empresa ; II convenção ou acordo coletivo . § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores.” Logo, entendo que a participação do sindicato, para fins de adequação ao disposto na Lei 10.101/00, deve ser dar na forma em que por ela determinado ou seja, ativamente nas Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 negociações, por intermédio de seu representante, inclusive com o posterior arquivamento do acordo junto a própria entidade. São situações independentes, que a meu ver uma, no caso a posterior, de arquivamento do acordo, não poderá substituir, simplesmente a participação do representante nas negociações levadas a efeito entre as partes, questão que a própria evolução do art. 2º, diante das várias reedições das anteriores Medidas Provisórias que precederam a Lei 10.101/01, demonstraram ser necessária. Por fim, já no que se refere a desvinculação dos pagamentos, assim apurada em razão do confronto do pagamento recebido por um funcionário operacional da empresa e de um de seus advogados, não vejo outra solução senão dar razão a recorrente. Ora, tal situação demonstra, apenas, que a distribuição da parcela dos lucros era feita de forma proporcional, pois não é crível que se argumente que dois funcionários com funções e salários absolutamente diferenciados não possam ter participações diferenciada no lucro. A meu ver é esse uma das finalidades do próprio instituto e não existe na legislação qualquer vedação na diferenciação da distribuição de lucros diferenciada em razão da função exercida por cada um dos empregados. Contudo, mesmo entendendo que referida exigência seja descabida, o acatamento da tese da recorrente, somente quanto a este ponto e em parte quanto aos critérios objetivos do contrato, não possuem o condão de abalar o lançamento, diante dos demais argumentos lançados no presente voto. Como se vê, no mérito, não há como desconstituir, ainda que em parte, o presente lançamento. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13603.001561/2007-63
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para apurar créditos relativos às despesas com frete e armazenagem na operação de venda, nas revendas de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (derivados do petróleo) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições.
Numero da decisão: 9303-009.446
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13603-001562/2007-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 05 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201909
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para apurar créditos relativos às despesas com frete e armazenagem na operação de venda, nas revendas de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (derivados do petróleo) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições.
numero_processo_s : 13603.001561/2007-63
conteudo_id_s : 6551156
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 9303-009.446
nome_arquivo_s : Decisao_13603001561200763.pdf
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 13603001561200763_6551156.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13603-001562/2007-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
id : 9167456
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Sat Feb 05 09:56:42 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1723916639693438976
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-11-29T11:23:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-11-29T11:23:53Z; Last-Modified: 2019-11-29T11:23:53Z; dcterms:modified: 2019-11-29T11:23:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-11-29T11:23:53Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-11-29T11:23:53Z; meta:save-date: 2019-11-29T11:23:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-11-29T11:23:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-11-29T11:23:53Z; created: 2019-11-29T11:23:53Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2019-11-29T11:23:53Z; pdf:charsPerPage: 2365; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-11-29T11:23:53Z | Conteúdo => CSRF-T3 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13603.001561/2007-63 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303-009.446 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 18 de setembro de 2019 Recorrente ALESAT COMBUSTIVEIS S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para apurar créditos relativos às despesas com frete e armazenagem na operação de venda, nas revendas de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (derivados do petróleo) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada) e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13603-001562/2007-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Josefovicz Belisário (suplente convocada em substituição ao conselheiro Demes Brito), Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuida-se de julgamento submetido a sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 15 61 /2 00 7- 63 Fl. 1606DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.11068.0NBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.446 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13603.001561/2007-63 Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, com redação dada pela Portaria MF nº 153, de 17 de abril de 2018. Dessa forma, adoto os seguintes excertos do relatório constante do Acórdão nº 9303-009.444, proferido no âmbito do processo paradigma deste julgamento: Trata-se de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte ALESAT COMBUSTÍVEIS S/A, buscando a reforma do recorrido, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. O julgado foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 SISTEMA NÃO CUMULATIVIDADE. CÁLCULO DO VALOR DEVIDO APURAÇÃO. FRETE PAGO NA VENDA. ARMAZENAGEM. DISTRIBUIDORA DE GASOLINAS E SUAS CORRENTES. DIREITO AO CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. O inciso IX do art. 3º combinado com o inciso II do art. 15 da Lei nº 10.833/03 preveem o direito de crédito para os gastos com frete na venda, quando suportado pelo vendedor, e armazenagem, ambos nos casos dos incisos I e II do artigo 3º. As gasolinas e suas correntes (consideradas as exceção previstas na Lei) estão excluídas do rol de mercadorias que dão direito ao crédito (inciso I), restando também excluídos, por força disso, os valores gastos com frete na venda e armazenagem dessas mercadorias. SISTEMA NÃO CUMULATIVO. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA NA REFINARIA. MONOFASIA. DEMAIS INTEGRANTES DA CADEIA. DESONERAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. INCOMPATIBILIDADE. Em princípio, é incompatível com o sistema concentrado de tributação, que faz as vezes do sistema monofásico, o aproveitamento de créditos pelos demais integrantes da cadeia visada pela concentração, quando esses estão excluídos da incidência, ainda que, para excluí-los, o legislador tenha escolhido a redução da alíquota para o percentual de zero por cento. Recurso Voluntário Negado Nessa esteira, não resignado com o julgado, o Contribuinte interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial com relação à correta interpretação do art. 3º, inciso IX, das Leis n.º 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, no que tange à possibilidade de apuração de créditos de PIS e COFINS não-cumulativos, relativamente a despesas com frete e armazenagem vinculadas à venda sobre a qual não ocorre a incidência das contribuições. Assevera, ainda, o Sujeito Passivo que há coexistência da sistemática de apuração não-cumulativa e o regime monofásico de recolhimento, ressaltando a possibilidade de apuração de créditos relativos às despesas com frete e armazenagem. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os acórdãos n.º 3402-002.513 e 3102-001.981. Fl. 1607DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.11068.0NBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.446 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13603.001561/2007-63 O recurso especial foi admitido, nos termos do despacho constantes dos autos, por ter sido devidamente comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões requerendo a negativa de provimento ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Da admissibilidade O recurso especial de divergência atende aos pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Das razões recursais Tratando-se, como já consignado, de julgamento que segue a sistemática dos recursos repetitivos, de que trata o art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, adoto e reproduzo o voto vencedor do Acórdão 9303-009.444, da lavra do Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe serve de paradigma: “Com a devida vênia ao voto da ilustre relatora, discordo de sua análise quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos sobre fretes e armazenagem na operação de vendas para o caso em destaque, como veremos a seguir. Antes de adentrar ao mérito, cumpre registrar que essa matéria teve jurisprudência alterada recentemente por esta turma. Vínhamos tendo decisões favoráveis à tese dos contribuintes a exemplo dos acórdãos 9303-004310, 9303-004311, 9303-006219 e 9303-007364. Destaque que esse redator nunca concordou com a tese tendo sido vencido em todos esses acórdão citados. Por último com alteração de entendimento, perfeitamente justificada do presidente em exercício, foi proferido o acórdão nº 9303-007767, de 11/12/2018. Breve análise da posição da RFB Importante fazer este destaque, porque entre os argumentos do voto condutor da ilustre relatora, deixa-se entender que a própria Receita Federal já teria adotado expressamente esse entendimento favorável à manutenção dos créditos sobre fretes e armazenagem nas operações de vendas de produtos sujeitos à tributação monofásica ou concentrada. Não compartilho, por exemplo, de suas conclusões a respeito da Solução de Consulta Cosit nº 218, de 6/08/2014. De sua leitura, não se vê Fl. 1608DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.11068.0NBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.446 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13603.001561/2007-63 expressamente a permissão desse crédito. Na verdade ela fala que “o sistema de tributação monofásica não se confunde com os regimes de apuração cumulativa e não cumulativa das contribuições”. Estando ela no regime não cumulativo, ela não pode se creditar da aquisição do próprio bem submetido ao regime, com base nos incisos I e II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Porém, sendo possível legalmente, não haveria vedação para aproveitamento dos créditos previstos nos demais incisos do art. 3º. Veja a sua redação: “Assim, desde que não haja limitação em vista da atividade comercial da empresa, a uma pessoa jurídica comerciante varejista de gasolina (exceto gasolina de aviação) e óleo diesel que apure a contribuição pelo regime não cumulativo, ainda que a ela seja vedada a apuração de crédito sobre esses bens adquiridos para revenda, porquanto expressamente proibida nos art. 3º, I, “b”, c/c art. 2º, § 1º, I da Lei nº 10.637, de 2002, é permitido o desconto de créditos de que trata os demais incisos do art. 3º desta mesma Lei, desde que observados os limites e requisitos estabelecidos em seus termos.” Portanto, não faço a mesma leitura da relatora de que esta solução de consulta tenha definido esta questão dos créditos de fretes nas operações de venda, pois ela não enfrentou especificamente esta discussão. Por sua vez, a solução de consulta Cosit nº 78, de 26/06/2018, analisando questão da tributação concentrada do álcool, para fins carburantes, especificamente para o produtor ou importador do produto, deixou claro não ser permitido o aproveitamento do crédito sobre armazenagem e frete na operação de venda, inc. IX do art. 3º da Lei 10.833/2003. Note-se que o raciocínio é semelhante, pois trata de hipótese de creditamento sujeito ao regime da não cumulatividade. No mesmo sentido, a Solução de Divergência Cosit nº 2, de 13/01/2017, deixa expresso o entendimento da RFB a respeito do assunto. Vejamos: Em relação aos dispêndios com frete suportados pelo vendedor na operação de venda de produtos sujeitos a cobrança concentrada ou monofásica da Contribuição para o PIS/Pasep: a) é permitida a apuração de créditos da contribuição no caso de venda de produtos produzidos ou fabricados pela própria pessoa jurídica; b) é vedada a apuração de créditos da contribuição no caso de revenda de tais produtos, exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante desses produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos. Em relação aos dispêndios com frete suportados pelo vendedor na operação de venda de álcool, inclusive para fins carburantes: a) é permitida a apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep no caso de venda de produto produzido ou fabricado pela própria pessoa jurídica; b) é vedada a apuração de crédito da contribuição, exceto no caso em que a pessoa jurídica produtora ou importadora do produto o adquire para revenda de outra pessoa jurídica produtora ou importadora do mesmo produto. É permitida a apuração de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep em relação à armazenagem de mercadorias (bens disponíveis para venda): Fl. 1609DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.11068.0NBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.446 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13603.001561/2007-63 a) produzidas ou fabricadas pela própria pessoa jurídica; ou b) adquiridas para revenda, exceto em relação à armazenagem de: b.1) mercadorias em relação às quais a contribuição tenha sido exigida anteriormente em razão de substituição tributária; b.2) produtos sujeitos anteriormente à cobrança concentrada ou monofásica da contribuição, exceto no caso em que pessoa jurídica produtora ou fabricante de tais produtos os adquire para revenda de outra pessoa jurídica importadora, produtora ou fabricante desses mesmos produtos; e b.3) álcool, inclusive para fins carburantes, exceto no caso em que a pessoa jurídica produtora ou importadora de álcool, inclusive para fins carburantes, o adquire para revenda de outra pessoa jurídica produtora ou importadora do mesmo produto. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 3º, inciso IX e art. 15, inciso II; Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, art. 24; Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 5º, §§ 13 a 16. Reforma a Solução de Divergência Cosit nº 5, de 13 de junho de 2016, publicada no DOU de 17 de junho de 2016. Veja que a SD Cosit nº 2/2017, acima transcrita, revogou a SD Cosit nº 5/2016, que já dava entendimento expresso quanto a esta vedação. Vejamos sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: É vedada a apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep em relação aos dispêndios com armazenagem de mercadoria e com frete suportados pelo vendedor na operação de venda de produtos sujeitos à cobrança concentrada ou monofásica das contribuições, inclusive gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; óleo diesel e suas correntes; querosene de aviação; gás liquefeito de petróleo - GLP derivado de petróleo e gás natural. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 3º, inciso IX e art. 15, inciso II. Por fim a SC Cosit nº 184/2019 somente trata do produtor de álcool ou produto sujeito a tributação monofásica. Não trata dos distribuidores e comerciantes atacadistas de referidos produtos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS RECEITA DA VENDA DE ÁLCOOL. PRODUTOR. TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA. NÃO CUMULATIVIDADE. O sistema de tributação monofásica não se confunde com os regimes de apuração cumulativa e não cumulativa da Cofins. O enquadramento de uma pessoa jurídica, que se dedique à produção de álcool, produto sujeito à tributação monofásica, ao regime de apuração cumulativa ou não cumulativa segue as mesmas regras de enquadramento a que se sujeitam as pessoas jurídicas que não industrializem produtos monofásicos. Caso a pessoa jurídica esteja submetida à sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, os produtos sujeitos à tributação monofásica por ela produzidos também estarão a ela submetidos, permitindo à pessoa jurídica o aproveitamento de créditos, de acordo com a regra geral, desde que observadas as exigências que regem a não cumulatividade e que não exista nenhuma vedação na legislação impeditiva do desconto em uma dada operação específica. Fl. 1610DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.11068.0NBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.446 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13603.001561/2007-63 Portanto entendo não estar correta a premissa do voto da ilustre relatora de que a própria Receita Federal já vem reconhecendo esse direito de crédito. Mérito Quanto ao mérito destaco que concordo com os fundamentos adotados em todos os atos infra-legais acima apontados. Além disso, por economia processual utilizo como razões de decidir o voto proferido pelo ilustre conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, presidente em exercício, no acórdão nº 9303-007767, o qual transcrevo abaixo em parte: (...) Vejamos inicialmente o que diz a legislação a respeito, para melhor compreender a correta interpretação que a ela se deve dar: Lei nº 10.833/2003 (Cofins não cumulativa) Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). § 1º Excetua-se do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I – nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; II – no inciso I do art. 1º da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal, nele relacionados; (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (...) IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) II – nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; Lei nº 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa) Fl. 1611DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.11068.0NBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-009.446 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13603.001561/2007-63 Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicar-se-á, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1º, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento). § 1º Excetua-se do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I – nos incisos I a III do art. 4º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural; II – no inciso I do art. 1º da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e alterações posteriores, no caso de venda de produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal nele relacionados; (...) Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I – bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; Agora a Solução de Consulta Cosit nº 99.709, de 20/06/2017, da qual transcrevo os trechos de interesse (o mesmo aplica-se à Contribuição para o PIS/Pasep): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS REGIME NÃO CUMULATIVO. COMÉRCIO VAREJISTA DE COMBUSTÍVEIS. CRÉDITOS. APURAÇÃO E MANUTENÇÃO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. A partir de 1º de agosto de 2004, com a entrada em vigor dos arts. 21 e 37 da Lei nº 10.865, de 2004, é possível a apuração de créditos da não cumulatividade da Cofins (art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003) em relação a dispêndios vinculados a receitas submetidas ao regime de apuração não cumulativa decorrentes da revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada, desde que observados os requisitos e as vedações legais (exemplificativamente, na atividade de revenda de combustíveis é vedada a apuração dos créditos estabelecidos nos incisos I, II, VI, IX, X e XI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003). Todavia, entre 1º de maio de 2008 e 23 de junho de 2008 e entre 1º de abril de 2009 e 4 de junho de 2009, esteve vedada por expressas disposições legais a possibilidade de apuração, por comerciantes atacadistas e varejistas, de créditos em relação a dispêndios vinculados a receitas decorrentes da revenda de mercadorias submetidas à incidência concentrada da Cofins. (...) Fundamentos (...) Fl. 1612DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.11068.0NBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-009.446 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13603.001561/2007-63 17. Já em relação ao inciso IX, antes transcrito, permite-se a apuração de créditos sobre o valor da “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II”. Ora, se à Consulente não é permitido apurar créditos em relação aos incisos I e II, consoante se viu anteriormente, por decorrência não terá como apurar créditos em relação a este inciso IX, haja vista a remissão aos primeiros. Em outras palavras, é permitido apurar créditos sobre a armazenagem e os fretes pagos na operação de revenda de mercadorias conforme previsto no inciso I, porém, esse inciso exclui a revenda de produtos sujeitos à tributação concentrada da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, entre eles, os combustíveis. Para maiores esclarecimentos sobre este ponto, vide Solução de Divergência Cosit nº 2, de 13 de janeiro de 2017, publicada no Diário Oficial da União (DOU) de 18 de janeiro de 2017. 18. Dessa forma, tem-se como possível, em tese, a apuração de créditos, no caso trazido à análise, desde que respeitados todos os demais requisitos normativos e legais, em relação às hipóteses previstas nos incisos III, IV, V, VII e VIII, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, a saber ... Esta solução de consulta foi direcionada a um varejista de combustíveis, mas se aplica perfeitamente ao caso concreto, pois, conforme já visto, os produtos também se enquadram nas exclusões no inciso I do art. 3º de ambas as leis. Assim, a remissão do inciso IX ao inciso I objetiva restringir o direito ao creditamento dos comerciantes no caso das vendas de produtos sujeitos à tributação plurifásica, pois o inciso I, por sua vez, remete ao § 1º do art. 2º, para excluir os “monofasiados”. Se assim não fosse, bastaria que a norma dissesse que se referia às despesas nas operações de venda, sem necessidade de fazer qualquer remissão aos incisos I e II, pois a atividade-fim dos industriais e dos revendedores é a mesma: vender. No trabalho de interpretação, temos que partir do principio de que a lei não contém palavras inúteis (sabemos que algumas as têm, mas, só esgotados todos os métodos interpretativos pode-se chegar a esta conclusão). Comparemos (como fez a PGFN) a redação que seria “bastante” – se o creditamento simplesmente fosse permitido, em todos os casos, e como ela positivou-se: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. .......................................................... IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Ora, “nos casos ...”, quando se trata da concessão de um direito creditório, penso deva ser interpretado literalmente, como uma restrição, com bem mais “probabilidade” a dizer ao intérprete que olhe para aqueles incisos para delimitar o alcance do direito conferido. Fl. 1613DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.11068.0NBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-009.446 - CSRF/3ª Turma Processo nº 13603.001561/2007-63 Indo além, entendo eu que não poderia haver qualquer direito ao creditamento nas etapas posteriores àquela em que a tributação é concentrada (nos fabricantes e importadores). O objetivo principal desta técnica é o mesmo da substituição tributária “para a frente”, bastante adotada pelo ICMS (até o foi para as contribuições, em alguns casos), que é o de facilitar a arrecadação e a fiscalização, em cadeias nas quais há poucos produtores/importadores, diversos distribuidores e inúmeros varejistas, como é o caso dos combustíveis e dos medicamentos. Que estes revendedores não possam tomar créditos sobre os produtos comercializados é mais que óbvio, e isto nem mais se discute, mas possibilitar que eles o façam sobre despesas tais como frete e armazenagem leva à necessidade de que se fiscalize, da mesma forma, toda a cadeia, subvertendo a lógica buscada pelo legislador que concebeu a tributação concentrada (termo mais tecnicamente apropriado que “monofásica”, já que as operações subsequentes são tributadas, ainda que à alíquota zero). (...) Sendo certo que todas essas conclusões se aplicam ao presente processo, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte.” Conclusão Importa registrar que nos autos em exame as situações fáticas e jurídicas encontram correspondência com as verificadas na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela esposadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se nesta decisão o dispositivo consignado no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Relator Fl. 1614DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.11068.0NBG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por VILMA SANTOS DA GRACA em 29/11/2019 09:04:00. Documento autenticado digitalmente por VILMA SANTOS DA GRACA em 29/11/2019. Documento assinado digitalmente por: RODRIGO DA COSTA POSSAS em 29/11/2019. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/02/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0222.11068.0NBG Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 10E9DE64DC05673C33B90F7C0E60782982DF2E0A94E273F46D0B694F77D0E797 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13603.001561/2007-63. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010656/2009-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
DCOMP. CRÉDITO. RECONHECIMENTO INTEGRAL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. DÉBITOS INEXISTENTES. CONVERSÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO EM RECURSO HIERÁRQUICO. POSSIBILIDADE.
A operacionalização da compensação ocorre mediante entrega de Dcomp em que conste informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados e o recurso previsto neste caso, o qual tem efeito suspensivo, é contra a não homologação da compensação. Ainda que a DIPJ seja retificada após a ciência do Despacho Decisório, caso conste dos autos elementos probatórios suficientes que demonstrem o equívoco cometido, em face da verdade material, o pleito pode vir a ser acolhido. Mas para isso o crédito pleiteado deve estar registrado na Dcomp, cuja análise inicial é da Receita Federal mediante Despacho Decisório. Somente após tal análise, e no caso de não homologação do crédito, é que se instaura o litígio.
No caso de reconhecimento integral do crédito pleiteado, eventual equívoco nesse valor, bem como do débito declarado demanda o cancelamento da Dcomp. Não há amparo legal para reconhecimento de direito creditório não informado em Dcomp, porquanto este é o instrumento legal para apuração do crédito vindicado e eventuais intercorrências. Portanto, o recurso voluntário não deve ser conhecido.
Em face de possível cobrança indevida de débitos cuja inexistência teria sido reconhecida em processo diverso, ao amparo da verdade material e da fungibilidade recursal é possível a conversão do recurso voluntário em recurso hierárquico, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999, a ser analisado pela autoridade administrativa competente. Ocasião em que poderá ser analisado inclusive o alegado erro no direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1201-005.504
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Efigênio de Freitas Júnior
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca (Suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Efigênio de Freitas Júnior
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 05 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202112
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. RECONHECIMENTO INTEGRAL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. DÉBITOS INEXISTENTES. CONVERSÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO EM RECURSO HIERÁRQUICO. POSSIBILIDADE. A operacionalização da compensação ocorre mediante entrega de Dcomp em que conste informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados e o recurso previsto neste caso, o qual tem efeito suspensivo, é contra a não homologação da compensação. Ainda que a DIPJ seja retificada após a ciência do Despacho Decisório, caso conste dos autos elementos probatórios suficientes que demonstrem o equívoco cometido, em face da verdade material, o pleito pode vir a ser acolhido. Mas para isso o crédito pleiteado deve estar registrado na Dcomp, cuja análise inicial é da Receita Federal mediante Despacho Decisório. Somente após tal análise, e no caso de não homologação do crédito, é que se instaura o litígio. No caso de reconhecimento integral do crédito pleiteado, eventual equívoco nesse valor, bem como do débito declarado demanda o cancelamento da Dcomp. Não há amparo legal para reconhecimento de direito creditório não informado em Dcomp, porquanto este é o instrumento legal para apuração do crédito vindicado e eventuais intercorrências. Portanto, o recurso voluntário não deve ser conhecido. Em face de possível cobrança indevida de débitos cuja inexistência teria sido reconhecida em processo diverso, ao amparo da verdade material e da fungibilidade recursal é possível a conversão do recurso voluntário em recurso hierárquico, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999, a ser analisado pela autoridade administrativa competente. Ocasião em que poderá ser analisado inclusive o alegado erro no direito creditório pleiteado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 10980.010656/2009-44
anomes_publicacao_s : 202202
conteudo_id_s : 6551798
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1201-005.504
nome_arquivo_s : Decisao_10980010656200944.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Efigênio de Freitas Júnior
nome_arquivo_pdf_s : 10980010656200944_6551798.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca (Suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
dt_sessao_tdt : Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2021
id : 9167786
ano_sessao_s : 2021
atualizado_anexos_dt : Sat Feb 05 09:56:46 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1723916639915737088
conteudo_txt : Metadados => date: 2021-12-20T21:57:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-12-20T21:57:08Z; Last-Modified: 2021-12-20T21:57:08Z; dcterms:modified: 2021-12-20T21:57:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-12-20T21:57:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-12-20T21:57:08Z; meta:save-date: 2021-12-20T21:57:08Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-12-20T21:57:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-12-20T21:57:08Z; created: 2021-12-20T21:57:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2021-12-20T21:57:08Z; pdf:charsPerPage: 2463; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-12-20T21:57:08Z | Conteúdo => S1-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10980.010656/2009-44 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-005.504 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de dezembro de 2021 Recorrente POSITIVO INFORMATICA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO. RECONHECIMENTO INTEGRAL. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. DÉBITOS INEXISTENTES. CONVERSÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO EM RECURSO HIERÁRQUICO. POSSIBILIDADE. A operacionalização da compensação ocorre mediante entrega de Dcomp em que conste informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados e o recurso previsto neste caso, o qual tem efeito suspensivo, é contra a não homologação da compensação. Ainda que a DIPJ seja retificada após a ciência do Despacho Decisório, caso conste dos autos elementos probatórios suficientes que demonstrem o equívoco cometido, em face da verdade material, o pleito pode vir a ser acolhido. Mas para isso o crédito pleiteado deve estar registrado na Dcomp, cuja análise inicial é da Receita Federal mediante Despacho Decisório. Somente após tal análise, e no caso de não homologação do crédito, é que se instaura o litígio. No caso de reconhecimento integral do crédito pleiteado, eventual equívoco nesse valor, bem como do débito declarado demanda o cancelamento da Dcomp. Não há amparo legal para reconhecimento de direito creditório não informado em Dcomp, porquanto este é o instrumento legal para apuração do crédito vindicado e eventuais intercorrências. Portanto, o recurso voluntário não deve ser conhecido. Em face de possível cobrança indevida de débitos cuja inexistência teria sido reconhecida em processo diverso, ao amparo da verdade material e da fungibilidade recursal é possível a conversão do recurso voluntário em recurso hierárquico, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999, a ser analisado pela autoridade administrativa competente. Ocasião em que poderá ser analisado inclusive o alegado erro no direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 06 56 /2 00 9- 44 Fl. 435DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.504 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010656/2009-44 (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca (Suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância que não conheceu da manifestação de inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório proferido pela unidade de origem, que homologou parcialmente o pedido de compensação apresentado pelo contribuinte. O pedido refere-se a compensação de débitos próprios com crédito de saldo negativo de IRPJ referente ao ano-calendário 2004. 2. O Despacho Decisório reconheceu o saldo negativo informado na DIPJ AC 2004, porém homologou parcialmente a compensação declarada por insuficiência de crédito. Os argumentos da manifestação de inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido, o qual não conheceu do recurso sob o fundamento de que a matéria reclamada não seria competência daquele colegiado. 3. Cientificado do acórdão recorrido, o contribuinte interpôs recurso voluntário em que reitera a existência do direito creditório postulado e requer, preliminarmente, seja admitido o recurso voluntário; subsidiariamente, seja convertido em recurso hierárquico. No mérito, requer diligência; reconhecimento do saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2004 no valor de R$1.658.008,95 ou, alternativamente, o sobrestamento deste feito até decisão no processo no 10980.010658/2009-33 em que se discute o valor de R$ 1.277.678,30 do referido crédito; restituição do valor remanescente; extinção do débito no valor de R$711.786,08, referente a IRPJ estimativa de dezembro de 2008. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, Relator. 5. O recurso voluntário é tempestivo, porém dele não conheço pelos motivos elencados a seguir. Passo à análise. 6. A recorrente apresentou três declarações de compensação (Dcomp’s), duas em Fl. 436DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.504 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010656/2009-44 30/09/2005 (final 3975 e 6484) e a terceira em 30/01/2009 (final 8400), em que compensou débitos de Cofins e de IRPJ referente 12/2008, com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ ano-calendário 2004 (e-fls. 222-237, 9-13). 7. Posteriormente, apresentou Dcomp retificadora (final 8400), para alterar o código do débito compensado de 2430-01 (IRPJ - ajuste) para 2362-01 (IRPJ - estimativa) (e-fls. 3-8). 8. Despacho Decisório, de 05/02/2010, não admitiu a Dcomp retificadora com fundamento no paragrafo único do art. 94-A da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008 que não permite a retificação de Dcomp que tenha sido originalmente transmitida no período entre 4 de dezembro de 2008 e 27 de maio de 2009 para inclusão de débito relativo a pagamento mensal de estimativa de IRPJ. 9. Em face do referido Despacho Decisório o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade/recurso administrativo, recurso voluntário, pedidos de reconsideração, os quais não foram admitidos (e-fls. 293-294). 10. Posteriormente, por força sentença proferida no Mandado de Segurança n° 5024229-87.2010.404.7000, todas as Dcomp’s elencadas acima foram analisadas, inclusive a retificadora. 11. O Despacho Decisório, com ciência em 29/06/2011, confirmou a integralidade do direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2004, no valor de R$825.064,15 e homologou integralmente as Dcomp’s final 3975 e 6484 e parcialmente a Dcomp final 8400, de 30/01/2009, em que houve a compensação de débito de IRPJ (estimativa 12/2008) (e-fls. 295). 12. Observe-se que o crédito reconhecido é exatamente o informado na DIPJ à época (e-fls. 242). 13. Em manifestação de inconformidade o contribuinte requereu, ao amparo do art. 149 do CTN, o reconhecimento do crédito de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2004, no valor de R$1.658.008,95 e a inexistência do débito de IRPJ estimativa mensal, código 2362, referente ao período de apuração de dezembro de 2008, no valor total de R$ 9.385.983,93 (e-fls. 313). 14. A decisão recorrida registra que a DIPJ retificadora apresentada pela recorrente, em 04/09/2009, com vistas alterar o saldo negativo de IRPJ referente ao ano-calendário 2004, não foi aceita por impedimento legal; portanto, não se tornou ativa. 15. Quanto ao débito de estimativa de IRPJ 12/2008, assentou que em 28/07/2010 a recorrente apresentou DIPJ AC 2008 retificadora, (e-fls. 367), em que o referido débito estava zerado. Salienta que a recorrente deveria ter cancelado a Dcomp, nos termos do art. 82 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, vez que ainda havia tempo hábil, porquanto o Despacho Decisório foi emitido em 2011, como visto acima. Fl. 437DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.504 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010656/2009-44 16. Destaca ainda o acórdão recorrido que o cancelamento da Dcomp somente é possível antes da prolação do despacho decisório e pontou que: [...] a pretensão deduzida pela contribuinte em face deste Colegiado não consiste na homologação da compensação declarada no PER/DCOMP. Pelo contrário, requer a retificação de ofício da DIPJ 2005, ano-calendário 2006, para que passe a constar o saldo negativo de IRPJ no valor original total de R$ 1.658.008,95 (item 5.2 da manifestação de inconformidade) e a extinção do débito de IRPJ estimativa mensal, sob código 2362, referente ao período de apuração de dezembro de 2008, no valor total de R$ 9.385.983,93, (item 5.2 da manifestação de inconformidade). Ora, ambas as pretensões não comportam ser apreciadas nestes autos, em face da literalidade do permissivo veiculado no § 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 [...]. Logo, o que pode aqui ser discutido e apreciado é o cabimento ou não da compensação pleiteada – e não retificação de DIPJ de anos-calendário anteriores ou o reconhecimento de inexistência de débitos. [...] No caso presente, não existe um litígio previamente instaurado a respeito da pretensão de tornar insubsistente o débito de estimativa de IRPJ que a contribuinte apurara em sua DIPJ e confessara em seus PER/DCOMP. (Grifo nosso) 17. De fato, nos termos do § 9º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, “É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação.”. 18. Nestes termos, por unanimidade de votos, não conheceu da manifestação de inconformidade. 19. Em recurso voluntário, a recorrente apresenta três valores para o saldo negativo de IRPJ no ano-calendário 2004, quais sejam, R$825.264,15 (DIPJ retificadora em 28/11/2005), o qual fora reconhecido integralmente pelo Despacho Decisório; R$1.277.678,30 (DIPJ retificadora em 04/09/2009) e R$1.658.008,95 (sem DIPJ retificadora). 20. Observa que a DIPJ retificadora apresentada em 04/09/2009 não fora admitida em razão de a recorrente estar sob procedimento fiscal, fato que foi objeto de discussão nos autos do processo nº 10980.009446/2009-11. Solicita, inclusive, que a analise deste feito seja sobrestada até a análise daquele processo. 21. Ocorre que o referido processo nº 10980.009446/2009-11 já foi analisado por este Carf, nos termos do Acórdão nº 1301-001.227, de 12/06/2013, que não aceitou a declaração retificadora, donde se extrai os seguintes trechos: Considerando o fato de a contribuinte encontrar-se sob procedimento fiscal, bem como as disposições do art. 832 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99) e que, relativamente aos anos-calendário de 2003, 2004 e 2005, períodos em relação aos quais ela (a contribuinte) pretendeu alterar os resultados fiscais e o registro dos Livros Diário foi efetuado após o início do procedimento fiscal, a autoridade autuante formalizou Representação ao Delegado da Receita Federal em Curitiba propondo o cancelamento das DIPJ retificadoras. [...] Fl. 438DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.504 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010656/2009-44 Alega a Recorrente que a Fiscalização, ao desconsiderar as declarações retificadoras, acabou por desprezar os princípios da verdade material e do dever de investigação. Diz que a apresentação de declarações retificadoras acompanhadas de provas suficientes a demonstrar o mero erro de preenchimento, comprovado por laudo de auditoria, deve ser considerada pela Fiscalização. Argumenta que, nos termos do art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), a alteração de declaração somente pode ocorrer antes do lançamento do 2auto de infração, quando comprovada a ocorrência de erro. [...] Relativamente às retificações efetuadas pela contribuinte nas declarações anteriormente apresentadas, resta assinalado no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 186/190, in verbis: [...] 2 - Ano-calendário de 2004 - O contribuinte, em DIPJ retificadora, transforma o Lucro de 1.953.336,73 para um prejuízo de -12.957.488,60 e Base > de Cálculo da CSLL de 1.953.336,73 para -12.957.488,60 - vide DIPJ's de folhas 79 a 83 - original e 84 a 87 - retificadora/cancelada e informações do contribuinte às folhas 35; [...] Não se trata, pois, de "mero erro de preenchimento" das declarações apresentadas, mas, sim, de substanciais alterações na escrituração contábil da Recorrente, que, da mesma forma, provocaram significativas alterações na apuração das bases de cálculo das exações devidas. [...] Na linha do argumentado pela decisão recorrida, merece destaque, ainda, o disposto na súmula CARF n° 33, abaixo reproduzida. Súmula CARF n° 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. [...] A partir da premissa expressa na presente apreciação no sentido de que a admissibilidade das retificações contábeis deve ficar condicionada à espontaneidade da contribuinte, isto é, deve restar devidamente comprovado que elas foram efetuadas antes do , início do procedimento de fiscalização, o que, considerada a documentação aportada ao processo, não se concretizou, não cabe, a meu juízo, análise acerca da natureza e das justificativas trazidas na peça de defesa acerca das alterações empreendidas. (Acórdão Carf nº 1301-0001.227, de 12/06/2014, Relator Wilson Fernandes Guimarães) 22. Como se vê, a decisão proferida nos autos do processo referenciado pela recorrente não aceitou a retificação da DIPJ AC 2004. Referido processo já foi julgado de forma definitiva na esfera administrativa. 23. A recorrente assenta que, independente do pronunciamento no processo acima, o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário é R$1.658.008,95, em razão de retenções na fonte que, no seu entendimento, poderiam ser validadas nos sistemas da Receita Federal. Nesse sentido, requer a retificação de ofício da DIPJ, nos termos do art. 149 do CTN, em razão de erro nas informações prestadas nas DIPJ’s original e retificadora do ano-calendário 2004. 24. Aduz ainda que “havendo a confirmação, por parte da SRF da existência do crédito no valor de R$1.277.678,30, objeto da retificadora, ou no valor de R$1.658.008,95, objeto do pedido de revisão de ofício nesse processo, decorrentes de decisão favorável à Fl. 439DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.504 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010656/2009-44 Recorrente no Processo n° 10980.009446/2009-11 ou de diligência na contabilidade da Recorrente, respectivamente, caberia a esse Órgão proceder à compensação do débito no valor original de R$711.786,08, não homologados por insuficiência de crédito, ou, em face da inexistência desse débito, converter a compensação em restituição, evitando, dessa forma, grave prejuízo à Recorrente e enriquecimento ilícito da Fazenda”. 25. A recorrente reconhece que se equivocou ao não cancelar as Dcomp’s após ter constatado a inexistência do débito de IRPJ referente a 12/2008, no valor de R$711.786,08. Todavia, afirma que a inexistência desse débito já teria sido reconhecida no processo n° 10980.010658/2009-33. 26. Pois bem. A compensação de tributos federais está sujeita às regras previstas no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e alterações. No que interessa ao caso em análise, cito o seguinte trecho: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1 o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 9 o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7 o , apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9 o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. 27. Como se vê, o sujeito passivo que apurar crédito, relativo a tributo administrado pela Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, pode utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados por aquele Órgão. 28. Verifica-se ainda que a operacionalização da compensação ocorre mediante entrega de Dcomp em que conste “informações relativas aos “créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados” e o recurso previsto neste caso, o qual tem efeito suspensivo, é “contra a não-homologação da compensação”. 29. No caso em análise, há uma barreira intransponível que impede o pleito da recorrente: o direito creditório pleiteado não foi informado em Dcomp. 30. Ainda que a DIPJ seja retificada após a ciência do Despacho Decisório, caso conste dos autos elementos probatórios suficientes que demonstrem o equívoco cometido essa Fl. 440DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.504 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.010656/2009-44 Turma, em face da verdade material, tem acolhido tal pleito. Mas para isso o crédito pleiteado deve estar registrado na Dcomp. A análise inicial do direito creditório é da Receita Federal mediante Despacho Decisório. Somente após tal análise e no caso de não homologação do crédito é que se instaura o litígio. 31. Note-se que o direito creditório pleiteado de R$825.264,15 foi integralmente reconhecido. Eventual equívoco nesse valor, conforme salientado pelo acórdão recorrido e reconhecido pela recorrente, demandaria cancelamento da Dcomp, ocasião em que seria informado o novo crédito e não seria informado o alegado débito inexistente. 32. Como visto acima, não há amparo legal para reconhecimento de direito creditório não informado em Dcomp, este é o instrumento legal para apuração do crédito vindicado e eventuais intercorrências. Com efeito, também indefiro o pedido de diligência. 33. Nestes termos, não conheço do recurso voluntário. Todavia, em face da possível cobrança indevida de débitos cuja inexistência teria sido reconhecida no processo n° 10980.010658/2009-33, conforme noticiado pela recorrente; ao amparo da verdade material e da fungibilidade recursal converto o recurso voluntário em recurso hierárquico, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999, a ser analisado pela autoridade administrativa competente. Ocasião em que poderá ser analisado inclusive o alegado erro no direito creditório pleiteado. Conclusão 34. Ante o exposto, não conheço do recurso voluntário e converto-o em recurso hierárquico, nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999, a ser analisado pela autoridade administrativa competente. 35. É como voto. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior Fl. 441DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10480.008813/95-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801-000.314
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto relator.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 05 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201203
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10480.008813/95-16
conteudo_id_s : 5230597
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3801-000.314
nome_arquivo_s : Decisao_104800088139516.pdf
nome_relator_s : FLAVIO DE CASTRO PONTES
nome_arquivo_pdf_s : 104800088139516_5230597.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto relator.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
id : 4579270
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Feb 05 09:56:09 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1723916641131036672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1155; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 1 1 0 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.008813/9516 Recurso nº 866.548 Despacho nº 380100.314 – Turma Especial / 1ª Turma Especial Data 22/03/2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente J B AÇÚCAR E ÁLCOOL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. EDITADO EM: 05/04/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/04/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.008813/9516 Despacho n.º 380100.314 S3TE01 Fl. 2 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Contra a empresa acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/03, para exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor correspondente a 336.725,95 UFIR, a ser acrescido de multa de ofício e juros de mora. Em 22 de agosto de 2002, a contribuinte formalizou Pedidos de Compensação às fls. 62/63, onde aponta créditos de IPI, requeridos mediante processo nº 13407.000085/200275 e como débitos os valores de PIS apurados através do já mencionado auto de infração, relacionados às fl. 05/06 do presente processo. Em 15 de outubro de 2004, através do Termo de Informação Fiscal de fl. 69, a Chefe do SEORT/DRF/Recife, no uso da competência delegada pela Portaria nº 41/2004, não tomou conhecimento das compensações declaradas às fls. 62/63, considerando que a contribuinte não possui amparo legal para o crédito prêmio de IPI declarado no processo nº 13407.000085/200275, conforme cópia, à fl. 68, de Termo de Informação Fiscal constante de fl. 250 do referido processo. Em 24 de novembro de 2004, a contribuinte apresentou Declarações de Compensação às fls. 74/75, indicando créditos de IPI requeridos mediante processo nº 13407.000084/200221, para compensação com os mesmos débitos anteriormente relacionados (fls. 62/63). Por meio do Despacho Decisório de fl. 98, datado de 31/10/2006, o ChefeSubstituto do SEORT/DRF/Recife, no uso da competência que lhe foi delegada pela Portaria DRF/REC nº 118/2004, resolveu NÃO HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO entre os créditos de ressarcimento de IPI solicitados no processo nº 13407.000084/200221 e os débitos de PIS controlados no presente processo (10480.008813/9516) em virtude de ter sido indeferido o pedido de ressarcimento de IPI, considerado o disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 com redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Ao proferir a decisão acima, a autoridade administrativa se baseou nos termos da Informação Fiscal de fl. 97, esta prestada com base nas conclusões constantes do Termo de Informação Fiscal nos autos do processo nº 13407.000084/200221 (cópia às fls. 84/95). Devidamente intimada dos termos do Despacho Decisório de fl. 98 (conforme cópia de AR à fl. 162), a contribuinte apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade de fls. 101 a 116 (juntamente com documentação de fls. 117 a 162), onde, em síntese, formula os seguintes argumentos: a) do direito ao crédito vindicado e, por conseguinte, à compensação com seus débitos (fls. 103 a 106); b) do prazo prescricional aplicável à hipótese (fls. 106 a 110); c) do direito ao crédito e conseqüente compensação (fls. 110 a 115). Fl. 239DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/04/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.008813/9516 Despacho n.º 380100.314 S3TE01 Fl. 3 3 Ao final de sua manifestação de inconformidade, às fls. 115/116, a contribuinte requer, com fulcro no artigo 74, § 9º, da Lei nº 9.430/1996, seja reconsiderada a decisão da autoridade a quo, no sentido de que seja homologada a compensação declarada. Alternativamente, requer o sobrestamento do feito administrativo, com suspensão da exigibilidade dos créditos, até que haja pronunciamento em sede de pedido de ressarcimento a que está vinculado. É o que importa relatar. A DRJ em Recife (PE) indeferiu a solicitação de homologação das compensações declaradas às fls. 74/75, nos termos da ementa abaixo transcrita: CRÉDITOS PENDENTES DE DECISÃO JUDICIAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. COMPENSAÇÃO. VEDAÇÃO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 199 a 206, instruído com os documentos de fls. 207 a 218. Em síntese, apresentou as seguintes alegações. Sustenta, inicialmente, a existência de créditos decorrentes do pedido de ressarcimento objeto do processo administrativo nº 13407.000084/200221. Aduz que nos autos deste processo, ao contrário do que afirma o r. acórdão, ainda não foi proferido julgamento definitivo, isto porque, ainda está pendente de julgamento o recurso junto ao Egrégio Conselho Superior de Recursos Fiscais. Discorre sobre a legalidade do benefício fiscal instituído pelo art. 5º do Decreto lei n° 491/69. Argumenta que o DL assegurou aos produtoresexportadores, em seu art. 5º, a manutenção e utilização de um crédito incentivado de IPI referente a todos os insumos e matériaprima utilizados na industrialização do produto exportado, e que não há qualquer restrição quanto a circunstância desses insumos terem sido adquiridos com tributação, sem tributação, isentos ou à alíquota zero. Alega que não pode ser indeferido o pedido de compensação antes do desfecho do processo em que se discute a sua validade, devendo a d. autoridade fiscal, quando muito, suspender tal homologação e/ou cobrança, até julgamento final dos pedidos de ressarcimento a que estão atrelados. Ademais, defende a tese da compensação imediata dos créditos em face de sentença autorizativa que afastou a aplicação do art. 170A do Código Tributário Nacional.(CTN). Acrescenta que a compensação pretendida pela ora Recorrente é de índole administrativa, com base nas Leis nºs. 8.383/91 e 9.430/96, em que não há extinção do crédito tributário, pois o sistema utilizado é o de lançamento por homologação, previsto no artigo 150 do CTN e que essa sistemática afasta, de forma inconteste, a aplicação do art. 170A do CTN e do art. 4º da Lei nº 11.051/2004, que somente se aplicam à compensação estatuída no art. 170 do CTN, que preveem a extinção já definitiva do crédito tributário. Por fim, requereu que fosse dado provimento ao seu recurso voluntário, ou que fosse determinado o sobrestamento deste processo, com suspensão da exigibilidade dos Fl. 240DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/04/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.008813/9516 Despacho n.º 380100.314 S3TE01 Fl. 4 4 créditos em vergasta, até que haja pronunciamento final e definitivo em sede do pedido de ressarcimento objeto do processo nº 13407.000084/200221. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/04/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.008813/9516 Despacho n.º 380100.314 S3TE01 Fl. 5 5 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. De início, é importante salientar que não é necessário o pedido da requerente acerca da suspensão da exigibilidade dos débitos objeto do lançamento, pois este efeito decorre de dispositivo legal e não depende de apreciação por parte dessa instância administrativa. Como relatado, a recorrente insiste na tese de que enquanto não houver a decisão definitiva do pedido de ressarcimento, não há que se falar em cobrança dos débitos objeto de pedido de compensação ainda não julgado definitivamente. De fato, assiste razão à interessada, pois do exame deste processo administrativo, constatase que os débitos constituídos de ofício foram objeto de pedido de compensação no processo administrativo nº 13407.000084/200221, fls. 74/75. Destarte, a solução deste processo administrativo está na dependência do resultado do processo administrativo de ressarcimento nº 13407.000084/200221, em especial, se o contribuinte possui algum crédito para compensar os débitos objeto do lançamento de ofício. Convém ressaltar que em consulta, por meio da Internet, ao sistema Comprot (consulta de processos do Ministério da Fazenda), verificouse que o aludido processo foi movimentado para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) em 20/08/2009, portanto, em tese, não existe decisão definitiva em relação ao direito creditório. Outrossim, neste processo não há qualquer informação do desfecho do referido processo no âmbito da instância superior. Assim sendo, para a solução deste litígio é imprescindível que a unidade de origem informe o resultado definitivo do citado processo administrativo. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem informe se no processo administrativo nº 13407.000084/200221 foi reconhecido de forma definitiva algum direito creditório. Caso positivo, especificar as compensações homologadas, anexandose cópias das decisões proferidas. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 242DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 05/04/2 012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721297/2009-67
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3801-000.234
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Delegacia de origem, para informar a situação dos pagamentos realizados por meio dos DARF anexados aos autos.
Nome do relator: DANIELA RIBEIRO GUSMAO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 05 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201109
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10580.721297/2009-67
conteudo_id_s : 6548497
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 31 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3801-000.234
nome_arquivo_s : Decisao_10580721297200967.pdf
nome_relator_s : DANIELA RIBEIRO GUSMAO
nome_arquivo_pdf_s : 10580721297200967_6548497.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Delegacia de origem, para informar a situação dos pagamentos realizados por meio dos DARF anexados aos autos.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
id : 9159867
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Feb 05 09:56:20 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1723916641143619584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 168 1 167 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.721297/200967 Recurso nº 883963 Resolução nº 3801000.234 – Turma Especial / 1ª Turma Especial Data 02 de setembro de 2011 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TRAPICHEADELAIDE COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Delegacia de origem, para informar a situação dos pagamentos realizados por meio dos DARF anexados aos autos. (assinado digitalmente) MAGDA COTTA CARDOZO – Presidente (assinado digitalmente) DANIELA RIBEIRO DE GUSMÃO – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Magda Cotta Cardozo, Sidney Eduardo Stahl, Flávio de Castro Pontes, Alan Fialho Gandra e Adriana Oliveira e Ribeiro. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 24/01 /2012 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO Processo nº 10580.721297/200967 Resolução n.º 3801000.234 S3TE01 Fl. 169 2 RELATÓRIO Tratase de processo decorrentes de auto de infração em que foram cobrados valores de IRPJ, PIS e Cofins. Os valores de IRPJ cobrados já foram considerados parcialmente indevidos pela decisão de primeira instância administrativa. Assim, no presente momento julgase os lançamentos relacionados ao PIS e à COFINS. No termo de verificação fiscal, a autoridade autuante informa que os valores de PIS e COFINS relativos aos períodos de apuração contidos no 2o. semestre de 2006 foram recolhidos, mas não foram corretamente declarados em DCTF pelo contribuinte. O contribuinte foi intimado para regularizar esta situação e apresentou DCTFs retificadoras. No que tange ao PIS e COFINS apurados em outubro de 2006, foi detectado que os valores devidos não foram recolhidos e nem declarados da DCTF retificada, mas apenas na retificadora, sendo que tal retificação aconteceu após o início do procedimento fiscal. A contribuinte impugnou o feito fiscal, alegando em suma, em relação aos valores de PIS e COFINS lançados, o seguinte: Houve um equívoco no preenchimento do DARF, vez que no campo de CNPJ foi informado o no. 02.137.870/000132, da empresa Fernando Carlos Uzeda da Silva Junior, e não o CNPJ da contribuinte. Contudo, o pagamento foi devidamente realizado na data de vencimento. O preposto da contribuinte tentou retificar o DARF, mas o Fisco exigiu o consentimento do representante legal da empresa cujo CNPJ constava no DARF. Contudo, esse representante legal recusouse a assinar o termo que autorizaria a retificação do mencionado DARF. Foi exaustivamente comprovado o pagamento, com a apresentação da cópia de cheque utilizado para o recolhimento das contribuições e diversas diligências realizadas à repartição fazendária. No caso presente, a contribuinte está sendo obrigada ao pagamento de valor constante em DARF emitido e por ela pago, isso tão somente por ocorrência de um erro material cometido na sua emissão. Sobre a multa aplicada, esta é indevida, vez que não houve descumprimento de qualquer obrigação, devendo ser reduzido o percentual de 75% para 20% do valor do tributo devido. Diversos outros documentos foram juntados pela contribuinte para comprovação de suas alegações. A decisão de primeira instância manteve em parte o crédito tributário, apenas para julgar indevido o lançamento relativo ao IRPJ, mantendo a cobrança do PIS e da COFINS e a multa de 75%, assim ementada: (...) Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2006 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 24/01 /2012 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO Processo nº 10580.721297/200967 Resolução n.º 3801000.234 S3TE01 Fl. 170 3 FALTA DE DECLARAÇÃO E DE RECOLHIMENTO Cabe o lançamento dessa contribuição no caso de falta de sua declaração em DCTF e quando se constata que o alegado recolhimento teria sido efetuado por meio de documento de arrecadação vinculado ao CNPJ de pessoa jurídica diversa da autuada. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Data do fato gerador: 31/10/2006 FALTA DE DECLARAÇÃO E DE RECOLHIMENTO Cabe o lançamento dessa contribuição no caso de falta de sua declaração em DCTF e quando se constata que o alegado recolhimento teria sido efetuado por meio de documento de arrecadação vinculado ao CNPJ de pessoa jurídica diversa da autuada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu recurso voluntário, a contribuinte reafirma as alegações da impugnação, deixando claro seu inconformismo ante a situação de ter recolhido os tributos e ter tentado retificar o DARF preenchido incorretamente, sendo impedido pela ausência de consentimento do representante legal da empresa favorecida pelo erro no preenchimento do CNPJ equivocadamente indicado nos DARFs. É o relatório. VOTO Conselheiro Daniela Ribeiro de Gusmão Conheço do Recurso Voluntário, porque tempestivo e por reunir os demais requisitos de admissibilidade. Pela análise da documentação acostada aos autos do processo, a contribuinte efetivamente equivocouse no preenchimento do DARF, vez que não informou o seu próprio CNPJ, mas o de contribuinte diverso, no caso o n. 02.137.870/000132, da empresa Fernando Carlos Uzeda da Silva Junior. Contudo, juntou aos autos cópia de cheque em que consta valor supostamente recolhido para o pagamento das contribuições na data de vencimento. A exigência de autorização da empresa beneficiada com o erro no preenchimento do DARF para sua retificação efetivamente cria óbice que pode inviabilizar a realização de tal retificação e não há como proceder à cobrança de valores de contribuinte que já efetuou o pagamento dos tributos. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 24/01 /2012 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO Processo nº 10580.721297/200967 Resolução n.º 3801000.234 S3TE01 Fl. 171 4 Assim sendo, voto por converter este julgamento em diligência à Delegacia de origem, para informar a situação dos pagamentos realizados por meio dos DARF anexados aos autos. (assinado digitalmente) Daniela Ribeiro de Gusmão Relatora Fl. 191DF CARF MF Impresso em 01/02/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO, Assinado digitalmente em 24/01 /2012 por MAGDA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 06/01/2012 por DANIELA RIBEIRO DE GUSMAO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720611/2018-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.896
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em resolução, declinando da competência para a Terceira Sessão de Julgamento, conforme preceitua o art. 4º, I do Anexo II, do RICARF.
Nome do relator: PAULA SANTOS DE ABREU
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 05 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201909
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 19515.720611/2018-33
conteudo_id_s : 6551576
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1402-000.896
nome_arquivo_s : Decisao_19515720611201833.pdf
nome_relator_s : PAULA SANTOS DE ABREU
nome_arquivo_pdf_s : 19515720611201833_6551576.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em resolução, declinando da competência para a Terceira Sessão de Julgamento, conforme preceitua o art. 4º, I do Anexo II, do RICARF.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2019
id : 9167482
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Sat Feb 05 09:56:44 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1723916641229602816
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-10-19T02:50:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-10-19T02:50:55Z; Last-Modified: 2019-10-19T02:50:55Z; dcterms:modified: 2019-10-19T02:50:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-10-19T02:50:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-10-19T02:50:55Z; meta:save-date: 2019-10-19T02:50:55Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-10-19T02:50:55Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-10-19T02:50:55Z; created: 2019-10-19T02:50:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2019-10-19T02:50:55Z; pdf:charsPerPage: 2061; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-10-19T02:50:55Z | Conteúdo => 0 S1-C 4T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19515.720611/2018-33 Recurso Voluntário Resolução nº 1402-000.896 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de setembro de 2019 Assunto PROCESSO DE COMPETÊNCIA DA TERCEIRA SESSÃO DE JULGAMENTO Recorrente RODONAVES TRANSPORTES E ENCOMENDAS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, converter o julgamento em resolução, declinando da competência para a Terceira Sessão de Julgamento, conforme preceitua o art. 4º, I do Anexo II, do RICARF. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Paula Santos de Abreu - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Sérgio Abelson (Suplente Convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Murillo Lo Visco. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão de n. 10-63.786 proferido pela 2 a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre –RS, que julgou improcedente a impugnação da Recorrente (fls. 280-298 1 ) contra Auto de Infração emitido pela DEFIS - SÃO PAULO, (fls. 2-5), em razão de apresentação de EFD- Contribuições com informações inexatas, incompletas ou omitidas e cujo relatório transcrevo a seguir: 1 Numeração das folhas conforme processo digital RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 61 1/ 20 18 -3 3 Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15107.Y2PD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 da Resolução n.º 1402-000.896 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720611/2018-33 A fiscalização iniciou-se diante de indícios de insuficiência de declaração e recolhimento na comparação entre a EFD-C x DCTF, relativos ao ano de 2014. Durante o procedimento fiscal, foi constatado que o contribuinte apresentou com informações inexatas, incompletas ou omitidas sua Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Previdenciária sobre a Receita (EFD-Contribuições), exigida nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/99. Tal fato resultou na aplicação da multa prevista no Art. 57, inciso III, alínea a, da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei nº 12.873/13. Após cientificado da autuação, em 30/08/2018, conforme informação dos Correios na fl. 316, o contribuinte apresentou, tempestivamente, sua impugnação, conforme atestado no despacho de fl. 323, na qual alega, em síntese: - que os valores declarados nas suas DCTFs, teriam sido devidamente recolhidos aos cofres públicos e estariam corretos; - que as divergências (entre EFD-C x DCTF) ocorreram em função de falha no envio de dados do seu sistema para a EFD-C, na medida em que os mesmos não se geravam corretamente, fato este que teria sido suprido com os dados contábeis - planilha manual - para a apuração das contribuições e seus recolhimentos; - que para sanar a divergência entre as declarações, procedeu à retificação do arquivo EFD-C para que ficasse coincidente com os valores lançados nas DCTFs. Tal informação consta, inclusive, do próprio relatório fiscal, fls. 6 a 26, onde a fiscalização concluiu, nos termos do item III – Infrações (fl. 17): “Depois de feitas todas estas verificações, constatou-se o contribuinte conseguiu explicar as diferenças apontadas nos Termos de Intimação Nºs 6 e 7.”; - considera que após os esclarecimentos prestados, os indícios de insuficiência de declaração e recolhimento de PIS e COFINS, que supostamente geraram a fiscalização, cairiam por terra, contudo, mesmo com a fiscalização tendo aceito todas as suas explicações, não apontando qualquer irregularidade a título de tributo não pago, ou pago a menor, lavrou-se o presente auto de infração para cobrança de multa, por descumprimento de obrigação acessória; - reclama que ao aplicar a multa de 3% sobre a totalidade das transações comerciais e operações financeiras registradas na escrituração da impugnante, gerando uma autuação no elevado valor de R$ 25.790.658,23, teria se desconsiderado por completo a legislação atinente à matéria, além dos princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade e do não confisco, totalmente aplicáveis ao caso, motivo pelo qual o auto de infração ora impugnado não merece prosperar; - argumenta que o Supremo Tribunal Federal tem exarado decisões em que reconhece a inconstitucionalidade de diversas multas, por seu caráter confiscatório, todas, inclusive, de menor impacto financeiro que a analisada no presente caso, no qual foi transmitida EFD-C com algumas informações inexatas, incompletas ou omissas - por falha do sistema de dados - que, logo após constatadas, foram devidamente retificadas pela impugnante já que, conforme dito anteriormente, os valores que haviam sido declarados em DCTFs e devidamente recolhidos estavam devidamente corretos; Fl. 377DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15107.Y2PD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 3 da Resolução n.º 1402-000.896 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720611/2018-33 - reitera que os valores lançados e constituídos via DCTF, foram totalmente pagos e não sofreram qualquer tipo de modificação, mesmo após a retificação da EFD-C; - que a multa em comento atentaria contra o princípio do não confisco, e ainda contra os princípios da proporcionalidade e razoabilidade em relação ao bem jurídico tutelado; - alega, ainda , suposto equívoco da fiscalização ao interpretar o comando normativo do Art. 57, inciso III, “a”, da MP 2.158-35, pois a fiscalização, ao aplicar a multa de 3% sobre a totalidade das transações comerciais da impugnante, no caso R$ 859.688.607,55, teria distorcido totalmente o comando normativo, assim como entendimento da própria Receita Federal a respeito da matéria; - cita a Solução de Consulta COSIT nº 67, de 14 de junho de 2018, que tratou de interpretação da matéria relativa ao cumprimento de obrigação acessória referente ao Siscoserv, com informações inexatas, incompletas ou omitidas, a qual teria entendido que a multa (também aplicada com base no Art. 57 da MP 2.158-35) incidiria sobre o valor de cada operação cujas informações sujeitas a registro no Siscoserv que se revelem inexatas ou incompletas ou sejam omitidas; - conclui, assim que o contrário do que restou adotado pela fiscalização, a multa não incidiria sobre a totalidade das operações, mas tão somente sobre a operação que contenha informação inexata, incompleta ou omissa; - aponta que no presente caso, a EFD-C teria sido retificada para acrescentar nas saídas o valor de R$ 638.008,46, atinente a notas fiscais de prestação de serviço que o sistema de dados da impugnante não enviou para a escrituração fiscal digital, logo, a incorreção, inexatidão ou omissão estaria limitada a tal valor e não à totalidade das receitas, como efetuado no lançamento; Encerra seu recurso com o pedido para que seja declarada a improcedência do lançamento, diante da inconstitucionalidade da multa aplicada, haja vista atentar contra os princípios do não confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, ou, quando menos, o seu redimensionamento a patamares menos gravosos, de acordo com o inciso I, do art. 57 da MP 2.158, antes transcrita (R$ 1.500,00 por mês ou fração). Alternativamente, requer a correta aplicação da previsão normativa para o caso, ou seja, que a multa incida apenas e tão somente sobre as incorreções, inexatidões ou omissões, que, no caso, dizem respeito à diferença constatada entre as EFD-C original e EFD-C retificadora. No Acórdão de Impugnação, as alegações do Contribuinte, ora Recorrente, não foram acatadas conforme os fundamentos a seguir resumidos: Em relação à aplicação da multa em decorrência da inexatidão das informações constantes na EFD-Contribuições apresentada pela Recorrente: a) A instituição da obrigação acessória EFD-Contribuições tem como base legal a Instrução Normativa RFB nº 1.252, de 01 de março de 2012 2 . 2 Art. 1º Esta Instrução Normativa regula a Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/Pasep, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Previdenciária sobre a Receita, que se constitui em um conjunto de escrituração de documentos fiscais e de outras operações e informações de interesse da Secretaria da Receita Federal do Brasil, em arquivo digital, bem como no registro de apuração das referidas contribuições, referentes às operações e prestações praticadas pelo contribuinte. (...) Fl. 378DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15107.Y2PD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 4 da Resolução n.º 1402-000.896 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720611/2018-33 b) A penalidade pela apresentação da EFD-Contribuições com incorreções está prevista no art. 57, inciso III, “a” da Medida Provisória nº 2158-35, com redação e vigência dada pela Lei nº 12.766, de 2012, e nova redação pela Lei nº 12.873, de 2013. O referido artigo estabelece a multa de 3% (três por cento) “do valor das transações comerciais próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta” 3 . c) Constatada a falha no cumprimento da obrigação acessória de apresentar corretamente a escrituração fiscal, tem-se como correto o procedimento fiscal e a consequente autuação. d) Ressalta que o próprio Contribuinte reconhece o equívoco na prestação das informações. e) Não obstante a IN RFB nº 1.252/2012 permitir a retificação da EFD - Contribuições, após instaurado o procedimento fiscal, a redação posterior da Medida Provisória nº 2.158-35,pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013, determina a aplicação da multa no caso em questão, não cabendo ao julgador afastar sua aplicação. Sobre a base de cálculo da multa, aduz que: a) em regra, “a responsabilidade por infrações tributárias independe da intenção do agente e dos efeitos do fato, conforme disposto no art. 136 do Código Tributário Nacional” 4 . b) a obrigação acessória no direito tributário é autônoma, estando desvinculada da obrigação principal e podendo ocorrer independentemente daquela. Art. 10. A não apresentação da EFD-Contribuições no prazo fixado no art. 7º, ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretará aplicação, ao infrator, das multas previstas no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001 (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1387, de 21 de agosto de 2013) 3 Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumpri-las ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) (...) III - por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) (...) § 3º A multa prevista no inciso I do caput será reduzida à metade, quando a obrigação acessória for cumprida antes de qualquer procedimento de ofício. (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) 4 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 379DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15107.Y2PD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 5 da Resolução n.º 1402-000.896 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720611/2018-33 c) Afasta a aplicação da Solução de Consulta COSIT nº 67, de 14 de junho de 2018, que estabelece a forma de computo da base de cálculo da multa aplicável ao caso, alegando que o entendimento se aplicaria apenas ao SISCOSERV e não ao caso em questão. Por fim, o Acórdão esclarece que à autoridade administrativa cabe somente “o fiel cumprimento da lei até que esta seja expungida do mundo jurídico por uma outra superveniente ou por resolução do Senado da República, publicada posteriormente à declaração de sua inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal”. E acrescenta: “a atribuição dos julgadores da esfera administrativa está limitada a afastar a aplicação apenas de leis declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal (STF), de forma inequívoca e definitiva, atendendo ainda a determinação do Secretário da Receita Federal”. A Requerente, insatisfeita, interpôs Recurso Voluntário reiterando as alegações de sua Impugnação aos Autos de Infração, alegando, em suma: a) a inconstitucionalidade da multa aplicada; b) O equívoco da fiscalização ao interpretar o comando normativo do art. 57, inciso III, alínea “a”, da Medida Provisória nº 2.158-35/01, com redação dada pela Lei 12.873/2013, ao aplicar a multa de 3% sobre a totalidade das transações comerciais da Recorrente, no caso R$ 859.688.607,55; c) Invoca a interpretação dada pela Solução de Consulta COSIT nº 67, de 14 de junho de 2018 5 , ressaltando que não obstante a consulta tenha sido feita no âmbito do Siscoserv, “a matriz legal de sua aplicação é a mesma do caso sob análise, qual seja, o art. 57 da MP 2.158-/01”. d) Que, diante da resposta oferecida ao Contribuinte por meio da Referida Solução de Consulta, conclui-se que “a multa não incide sobre a totalidade das operações, mas tão somente sobre a operação que contenha informação inexata, incompleta ou omissa”. e) Requer a reforma integral do acórdão recorrido, diante da suposta inconstitucionalidade da multa aplicada, ou o redimensionamento do valor da multa a patamares menos gravosos, de acordo com o inciso I, do art. 57 da MP 2.158, de modo que a multa incida apenas e tão somente sobre as incorreções, 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EMENTA: SISCOSERV. MULTA. VALOR DA OPERAÇÃO. Na hipótese de cumprimento de obrigação acessória referente ao Siscoserv com informações inexatas, incompletas ou omitidas, o sujeito passivo sujeita-se à multa de 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário. A multa incide sobre o valor de cada operação cujas informações sujeitas a registro no Siscoserv se revelem inexatas ou incompletas ou sejam omitidas. Caso a informação inexata ou incompleta ou omitida esteja vinculada a mais de uma operação, ainda que tenha sido fornecida uma única vez, aplica-se a multa sobre o valor do conjunto de operações a que se refira. Dispositivos Legais: Instrução Normativa RFB nº 1.277, de 28 de junho de 2012, art. 1º, caput e inciso I do § 6º, e art. 4º, caput, alínea “a”, do inciso III, e § 5º; Portaria Conjunta RFB/SCS nº 1.908, de 19 de julho de 2012, art. 8º, caput, e alínea “a” do inciso III. Fl. 380DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15107.Y2PD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 6 da Resolução n.º 1402-000.896 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.720611/2018-33 inexatidões ou omissões, que, no caso, dizem respeito à diferença constatada entre as EFD-C original e EFD-C retificadora. É o relatório. Voto Conselheira Paula Santos de Abreu, Relatora. Analisando-se os autos, verifica-se que o objeto dos autos não é de competência desta sessão de julgamento, nos termos do artigo 2º do Anexo II do RICARF. Dessa forma, voto por converter o julgamento do recurso em resolução para declinar competência à Terceira Sessão de Julgamento, conforme preceitua o art. 4º, I do Anexo II do RICARF. (documento assinado digitalmente) Paula Santos de Abreu Fl. 381DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0222.15107.Y2PD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por PAULA SANTOS DE ABREU em 19/10/2019 01:31:00. Documento autenticado digitalmente por PAULA SANTOS DE ABREU em 19/10/2019. Documento assinado digitalmente por: PAULO MATEUS CICCONE em 29/10/2019 e PAULA SANTOS DE ABREU em 19/10/2019. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/02/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0222.15107.Y2PD Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: B6DC83E6DD81082BFE4825A4C87AF0A0D1D6DE958ACF98E0FB4D2FAAB572D2B5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.720611/2018-33. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 14485.002463/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
OCORRÊNCIA DE CRIME EM TESE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS ARGÜIÇÃO EM SEDE DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMPOSSIBILIDADE
Não cabe à instância administrativa de julgamento manifestar-se
sobre a ocorrência ou não de crime, bem como sobre o momento em que a auditoria fiscal deve elaborar Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhada ao Ministério Público a quem compete decidir a respeito ADMINISTRADORES PÓLO PASSIVO NÃO
INTEGRANTES
Os administradores legais da empresa elencados pela auditoria fiscal no Relatório de Representantes Legais não integram o pólo passivo da lide, não lhes sendo atribuída qualquer responsabilidade pelo crédito lançado, seja solidária ou subsidiária. A relação tem como finalidade subsidiar a
Procuradora da Fazenda Nacional na eventual necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis.
CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
ALÍQUOTA SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT) DEFINIÇÃO
POR ESTABELECIMENTO PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120/2011
A alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) deve ser calculada levando em conta o grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento empresarial individualizado pelo seu CNPJ, ou pelo grau do risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme entendimento manifestado no Parecer PGFN/DRJ/nº 2120/2011
TAXA SELIC APLICAÇÃO
Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide a taxa de juros SELIC INCONSTITUCIONALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.963
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para que o enquadramento da atividade econômica seja realizado por estabelecimento da recorrente.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 05 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 OCORRÊNCIA DE CRIME EM TESE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS ARGÜIÇÃO EM SEDE DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMPOSSIBILIDADE Não cabe à instância administrativa de julgamento manifestar-se sobre a ocorrência ou não de crime, bem como sobre o momento em que a auditoria fiscal deve elaborar Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhada ao Ministério Público a quem compete decidir a respeito ADMINISTRADORES PÓLO PASSIVO NÃO INTEGRANTES Os administradores legais da empresa elencados pela auditoria fiscal no Relatório de Representantes Legais não integram o pólo passivo da lide, não lhes sendo atribuída qualquer responsabilidade pelo crédito lançado, seja solidária ou subsidiária. A relação tem como finalidade subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional na eventual necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis. CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara ALÍQUOTA SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT) DEFINIÇÃO POR ESTABELECIMENTO PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120/2011 A alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) deve ser calculada levando em conta o grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento empresarial individualizado pelo seu CNPJ, ou pelo grau do risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro, conforme entendimento manifestado no Parecer PGFN/DRJ/nº 2120/2011 TAXA SELIC APLICAÇÃO Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide a taxa de juros SELIC INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 14485.002463/2007-08
conteudo_id_s : 5218552
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 31 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2402-002.963
nome_arquivo_s : Decisao_14485002463200708.pdf
nome_relator_s : ANA MARIA BANDEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 14485002463200708_5218552.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para que o enquadramento da atividade econômica seja realizado por estabelecimento da recorrente.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
id : 4573335
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Feb 05 09:56:07 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1723916641293565952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2456; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 610 1 609 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14485.002463/200708 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2402002.963 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2012 Matéria SALÁRIO INDIRETO PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS Recorrente MANGELS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 OCORRÊNCIA DE CRIME EM TESE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS ARGÜIÇÃO EM SEDE DE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMPOSSIBILIDADE Não cabe à instância administrativa de julgamento manifestarse sobre a ocorrência ou não de crime, bem como sobre o momento em que a auditoria fiscal deve elaborar Representação Fiscal para Fins Penais a ser encaminhada ao Ministério Público a quem compete decidir a respeito ADMINISTRADORES PÓLO PASSIVO NÃO INTEGRANTES Os administradores legais da empresa elencados pela auditoria fiscal no Relatório de Representantes Legais não integram o pólo passivo da lide, não lhes sendo atribuída qualquer responsabilidade pelo crédito lançado, seja solidária ou subsidiária. A relação tem como finalidade subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional na eventual necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis. CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara ALÍQUOTA SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO (SAT) DEFINIÇÃO POR ESTABELECIMENTO PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011 A alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) deve ser calculada levando em conta o grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento empresarial individualizado pelo seu CNPJ, ou pelo grau do risco da atividade preponderante quando houver Fl. 620DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 apenas um registro, conforme entendimento manifestado no Parecer PGFN/DRJ/nº 2120/2011 TAXA SELIC APLICAÇÃO Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide a taxa de juros SELIC INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso para que o enquadramento da atividade econômica seja realizado por estabelecimento da recorrente. Ana Maria Bandeira Relatora. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.002463/200708 Acórdão n.º 2402002.963 S2C4T2 Fl. 611 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e aos terceiros (SESI, SENAI, SEBRAE e INCRA). Segundo o Relatório Fiscal (fls. 24/27), constituem fatos geradores das contribuições lançadas valores pagos aos segurados empregados relativos a diferenças apuradas a título de participação nos resultados. A auditoria fiscal informa que os valores informados a título de “Participação de Empregados” na DIPJ Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica Anos Calendário 2002, 2003, 2004 e 2006 foram maiores que os apresentados nas folhas de pagamento de PLR à fiscalização. É informado que a empresa foi intimada através de TIAD Termo de Intimação para Apresentação de Documentos de 26/04/2007 e 13/11/2007 a apresentar documentos do período compreendido entre 01/2002 a 12/2006, entre eles, Livros Diário, Livros Razão, Folhas de Pagamento de PLR e os acordos relativos a estes pagamentos, que deveriam estar nos moldes da Medida Provisória 794/94 e suas reedições, convertidas na Lei 10.101/2000 A empresa não apresentou Livros Razão de 01/2002 a 12/2005 e Livros Diário do período de 01/2002 a 12/2006 conforme solicitado no TIAD emitido em 13/11/2007 No entanto, foi obtida a DIPJ da empresa através dos sistemas da Secretaria da Receita Federal e do cotejamento com a folha de pagamento verificouse diferenças a maior no pagamento de participação dos empregados. Assim, foi realizado o lançamento por arbitramento, tomado por base os valores declarados a maior na DIPJ, a título de participação dos empregados. Em face da existência do crime, em tese, de sonegação de contribuição previdenciária foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais encaminhada à autoridade competente. A autuada teve ciência do lançamento em 19/11/2007 e apresentou defesa (fls. 145/179) onde alega inocorrência de crime contra a ordem tributária e que o crédito constituído contra a Impugnante decorre de divergências de interpretação em relação à natureza jurídica dos pagamentos de PLR efetuados, distanciandose da prática nefasta de evasão fiscal. Entende que os administradores devem ser excluídos do pólo passivo da autuação. Argumenta a nulidade do lançamento por falta de fundamentação e da precisa identificação do fato gerador tributado. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Aduz que a auditoria fiscal parte da equivocada premissa de que o valor declarado na DIPJ a título de participações nos lucros e resultados, redutor da base de cálculo desse imposto, deveria ser idêntico àquele retratado nas folhas de pagamento, que corresponde ao montante efetivamente pago aos empregados da Impugnante. Com isso, fez uma conta aritmética simples, presumindo ser toda a diferença identificada fato gerador da contribuição previdenciária. Considera que foi cometido um equivoco elementar, uma vez que não é necessário ter conhecimentos avançados em direito tributário ou contabilidade para se ter claro que os valores dos documentos comparados não têm bases compatíveis, razão pela qual não poderiam ser idênticos. Alega que a significativa divergência entre os valores apontados nos documentos em questão é causada primordialmente pelas provisões para pagamento de PLR no valor apontado na DIPJ, as quais foram incluídas na base de cálculo do imposto de renda calculado pelo lucro real. As provisões não corresponderiam ao efetivo pagamento, mas seriam expectativas relativas ao exercício financeiro presente que poderiam ser realizadas no exercício subseqüente. Argumenta que provisões contábeis não podem ser consideradas fatos geradores de contribuições previdenciárias e, além disso, os valores provisionados, mesmo que revertidos em função do efetivo pagamento de PLR, não seriam base de cálculo da contribuição previdenciária em razão de disposição constitucional que expressamente os imuniza. Considera o método de aferição utilizado pela auditoria fiscal ilegítimo e que a auditoria fiscal respaldou sua atuação invocando a falta de apresentação dos livros razão e diário. No entanto, estes foram apresentados em meio magnético, ou seja, disponibilizados desde o início da ação fiscal. Sustenta que o lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre provisões viola os aspectos material e temporal da regra matriz de incidência tributária. Alega que no caso do pagamento de participação nos lucros e resultados estariam ausentes dois requisitos necessários para caracterização do conceito de salário, quais sejam, a habitualidade e a contraprestação pelo serviço prestado. Argumenta que houve desrespeito ao limite máximo do salário de contribuição relativamente à parcela dos empregados. Apresenta sua irresignação pela aplicação de alíquota SAT de 3% para todos os estabelecimentos, uma vez que o grau de risco deve ser fixado de acordo com a atividade principal de cada estabelecimento, definido por CNPJ, atividade esta exercida pelo maior número de segurados em cada um dos estabelecimentos, examinados de forma individual. Entende que mesmo que se admita que o SAT deva ser aplicado à alíquota única, não sendo considerados os estabelecimentos individualmente, a principal atividade da Impugnante, que ocupa o maior número de segurados, é enquadrada no grau de risco médio, ou seja, correspondente à alíquota de 2%. Por fim, alega a inconstitucionalidade na utilização da taxa de juros SELIC como juros moratórios. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.002463/200708 Acórdão n.º 2402002.963 S2C4T2 Fl. 612 5 A DRJ São Paulo I (SP) solicitou diligência (fls. 436/444) para as seguintes providências: • Emissão de Relatório Fiscal Complementar, fazendo menção aos dispositivos legais que fundamentam o lançamento das contribuições lançadas nesta NFLD sobre o pagamento efetuado a título de PLR ; e às razões pelas quais referido pagamento de PLR foi aqui considerado em desacordo com a legislação específica, de modo a configurar parcela integrante do saláriodecontribuição, com reabertura de prazo de defesa para manifestação do contribuinte quanto a este novo documento; • Apreciação dos documentos juntados pela empresa, em sua defesa; • Verificação de existência ou não de erro de enquadramento no grau de risco, de acordo com a atividade econômica preponderante da empresa, especificando qual seria esta e o seu CNAE correspondente, com a indicação, se for o caso, das medidas tomadas pela fiscalização; Em resposta (fls. 446/453), a auditoria fiscal esclarece que durante a ação fiscal, a empresa não apresentou, apesar da regular intimação, NENHUM documento que comprovasse a origem das diferenças lançadas na DIPJ a titulo de Participação de Empregados e os constantes nas folhas de pagamento e planilhas apresentadas. A empresa não apresentou documentos que comprovassem que tais valores tivessem sido pagos a titulo de PLR. Todas as planilhas de PLR, folhas de pagamento e documentos apresentados continham valores de PLR inferiores aos declarados na DIPJ. Além disso, a empresa também teria reconhecido na impugnação, a hipótese de não terem sido estas verbas pagas a titulo de PLR conforme itens 117 a 136. Conclui a auditoria fiscal que o fato gerador foi a remuneração paga ou creditada aos segurados a serviço da empresa , sobre os quais incidem contribuições sociais de acordo com o art 11, parágrafo único, da Lei 8212/91, apurados por aferição indireta com base no art. 33, § 3º da mesma lei, razão pela qual entendeu desnecessária a emissão de relatório complementar. Da análise da documentação juntada pela autuada, a auditoria fiscal concluiu que esta não poderia levar à alteração do lançamento e no que se refere ao inconformismo quanto à alíquota do SAT aplicada no percentual de 3%, a auditoria fiscal assim se manifestou: 16. Com relação ao enquadramento no grau de risco, a empresa apresentou planilhas apenas das competências 03/2003, 07/2004, 07/2005 e 07/2006.". 17. A planilha denominada Base Geral das Informações, deveria ter sido elaborada com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, vigente na época. 18. O Cargo/Função discriminados na planilha Base Geral das Informações não mantêm relação com a Atividade informada na Fl. 624DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 planilha denominada Resumo Geral das Informações — Definição do Grau de Risco e Percentual do SAT. Não havendo, portanto, a possibilidade de efetuarmos uma analise da relação entre as planilhas apresentadas. 19. Na elaboração das planilhas a empresa não levou em consideração que existem filiais que desenvolvem mais de uma atividade, como por exemplo, a fabricação de botijão de gás tipo P13, CNAE 28.916 grau de risco 3 %, na filial CNPJ 17.958.315/001030. 20. A empresa não apresentou planilhas mensais, com o enquadramento dos segurados nos correspondentes graus de risco e atividade preponderante de acordo com a legislação vigente a cada período com base na Classificação Nacional de Atividades Econômicas CNAE, prevista no Anexo V do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. 21. Nas GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informação a Previdência Social, declarou para o período objeto deste levantamento, 3% de alíquota RAT — Risco de Acidente do Trabalho para todas as filiais, exceto para a matriz (escritório central) e para a filial Cachoeiro CNPJ 17958315001110 (comercio de equipamentos elétricos). Os estabelecimentos em que declarou 3% de alíquota representam 97% do total de segurados da empresa. Portanto, auto enquadrandose na atividade preponderante com grau de risco 3%. 22. A atividade econômica principal, constante do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica é a Produção de relaminados, trefilados e perfilados de aço, exceto arames que corresponde ao grau de risco 3% e CNAE 27.294 na época da fiscalização. Devidamente intimada do resultado da diligência, a autuada manifestouse (fls. 456/474) apresentando as mesmas alegações já apresentadas anteriormente. Pelo Acórdão nº 1623.740 (fls. 490/515) a 11ª Turma da DRJ/São Paulo I (SP) considerou o lançamento procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 520/568), onde em nada inova. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 625DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.002463/200708 Acórdão n.º 2402002.963 S2C4T2 Fl. 613 7 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Inicialmente, a recorrente alega inocorrência de crime contra a ordem tributária e insurgese contra a elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais. Cumpre dizer que não cabe a esta instância de julgamento manifestarse sobre a ocorrência ou não de crime de sonegação de contribuição previdenciária, bem como sobre a oportunidade de a auditoria fiscal elaborar a Representação Fiscal para Fins Penais. Quanto à ocorrência de crime, cabe ao Ministério Público manifestarse a respeito. Salientase que a auditoria fiscal apenas efetuou a representação em face da ocorrência de crime em tese, ou seja, não houve nenhuma conclusão no sentido de que o crime teria efetivamente ocorrido. Além disso, conforme bem tratado na decisão recorrida, é dever legal da fiscalização comunicar ao Ministério Público a ocorrência de crime em tese. Tal dever era previsto à época do lançamento nos artigos 616 e 617 da Instrução Normativa (IN) da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP) n.° 03, de 14/07/2005. Portanto, não se pode acolher o inconformismo da recorrente. Entende a recorrente que os administradores devem ser excluídos do pólo passivo da autuação. Asseverese que a auditoria fiscal somente informou os administradores da empresa no relatório denominado Representantes Legais (fls. 12/13). O citado relatório apenas elenca os responsáveis legais pela empresa sem, contudo, atribuirlhe qualquer responsabilidade, seja solidária ou subsidiária. Tanto é que sequer os administradores foram intimados para apresentação de defesa. O Relatório de Representantes Legais contém os responsáveis pela gerência da sociedade e os períodos correspondentes, dados obtidos do contrato social e alterações. Tal relatório serve para subsidiar a Procuradora da Fazenda Nacional – PFN na necessidade de identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis, conforme determina o Código Tributário Nacional art. 135, Inciso I e permitir que se cumpra o estabelecido no inciso I do § 5º art. 2º da lei nº 6.830/1980 que estabelece o seguinte: Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle Fl. 626DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.); Assim, não há razão no pedido da recorrente uma vez que os administradores não integram o pólo passivo da presente autuação. A recorrente argumenta a nulidade do lançamento por falta de fundamentação e da precisa identificação do fato gerador tributado. Não há razão no argumento. Os valores tributados pela auditoria fiscal referemse às diferenças apuradas no cotejo entre os valores de participação dos empregados verificados nas folhas de pagamento e aqueles informados a mesmo título da DIPJ Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica. Asseverese que antes de efetuar a tributação, foi dada a oportunidade à recorrente de demonstrar as razões pelas quais os valores informados da DIPJ a título de participação dos empregados eram superiores àqueles apurados na folha de pagamento e esta não o fez. A recorrente, embora intimada, deixou de apresentar documentos do período compreendido entre 01/2002 a 12/2006, entre eles, Livros Diário, Livros Razão, Folhas de Pagamento de PLR relativas aos valores apurados. Alega a recorrente que não seria verdade que esta deixou de apresentar os livros contábeis na medida em que estes teriam sido apresentados em meio digital. Entretanto, cabe frisar que dentre as autuações sofridas pela recorrente estão as que se seguem. Infração fundamentada no inciso III do art. 32 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 225, inciso III e § 22 (acrescentado pelo Decreto nº 4.729/2003) do Regulamento da Previdência Social, que consiste em a empresa deixar de prestar ao órgão todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do mesmo, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização, conforme previsto. Tal autuação foi objeto do processo 14485.002445/200718 e teve por motivação o fato de a empresa não ter efetuado a correção dos Arquivos Digitais apresentados, que continham diversas inconsistências o que impossibilitou sua utilização na ação fiscal. O recurso apresentado contra a autuação acima descrita também me foi distribuído para relatoria e o encaminhamento foi no sentido de negarlhe provimento, posição acompanhada pelo colegiado, conforme Acórdão nº 2402002.961 A recorrente também foi autuada por deixar de apresentar os Livros Razão de 01/2002 a 12/2005, os Livros Diário de 01/2002 a 12/2006, e todos os documentos que deram suporte aos lançamentos contábeis de todas as contas de Participação nos Lucros e Resultados – PLR. Tal autuação teve fundamento nos §§ 2º e 3º do artigo 33 da Lei nº 8.212 de 1991 c/c Fl. 627DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.002463/200708 Acórdão n.º 2402002.963 S2C4T2 Fl. 614 9 os artigos 232 e 233, § único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. A autuação é objeto do processo 14485.002446/200762, cujo recurso também foi objeto de análise desta conselheira que entendeu por negarlhe provimento, decisão acolhida na sessão que resultou no Acórdão nº 2402002.962 Portanto, o que levou a auditoria fiscal a efetuar o lançamento foi o fato de a recorrente não ter apresentado escrituração contábil ou documentos que demonstrassem a origem dos valores existentes na DIPJ a título de participação dos empregados, bem como os motivos pelos quais estes valores seriam superiores àqueles pagos sob o mesmo argumento de acordo com a folha de pagamento. Tal conduta autorizou a auditoria fiscal a utilizar a prerrogativa do arbitramento cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Tal procedimento é legalmente previsto no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991, que vigia com a seguinte redação à época do lançamento: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Desse modo, padece de fundamento a alegação de que o lançamento não teria sido devidamente motivado e fundamentado, pois todos os elementos que compõem os autos são suficientes para a compreensão de sua existência. Para justificar o fato de não ter oferecido à tributação os valores a título de participação dos empregados constantes da DIPJ, a recorrente afirma que a significativa divergência entre os valores apontados nos documentos em questão seria causada primordialmente pelas provisões para pagamento de PLR, as quais não corresponderiam ao efetivo pagamento, mas seriam expectativas relativas ao exercício financeiro presente que poderiam ser realizadas no exercício subseqüente. É possível de plano rejeitar tal argumento, uma vez que a recorrente não apresentou seus livros contábeis para que se pudesse comprovar a alegação de que tal diferença corresponderia a provisões. Fl. 628DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 A recorrente alega, ainda, que no caso do pagamento de participação nos lucros e resultados estariam ausentes dois requisitos necessários para caracterização do conceito de salário, quais sejam, a habitualidade e a contraprestação pelo serviço prestado. A alegação acima não merece acolhida em virtude de a própria recorrente não ter dado condições à auditoria fiscal, face à ausência de apresentação de documentos, de verificar as condições em que teriam sido pagas as quantias lançadas na DIPJ a título de participação dos empregados em valores superiores àqueles apurados nas folhas de pagamento. No que tange à alegação de que teria havido desrespeito ao limite máximo do salário de contribuição relativamente à parcela dos empregados, vale ressaltar a impertinência de tal alegação, uma vez que a contribuição dos segurados não é objeto da presente autuação, mas tão somente a contribuição patronal e a destinada a terceiros. A recorrente apresenta seu inconformismo quanto à alíquota SAT de 3% para todos os estabelecimentos. Para ela o grau de risco deve ser fixado de acordo com a atividade principal de cada estabelecimento, definido por CNPJ, atividade esta exercida pelo maior número de segurados em cada um dos estabelecimentos, examinados de forma individual. Aduz que a alíquota correta deveria ser de 2%, correspondente ao grau de risco médio. É importante destacar que a auditoria fiscal, em resposta à diligência solicitada pela primeira instância, informou que nas GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informação a Previdência Social, a empresa declarou para o período objeto deste levantamento, 3% de alíquota RAT — Risco de Acidente do Trabalho para todas as filiais, exceto para a matriz (escritório central) e para a filial Cachoeiro CNPJ 17958315001110 (comercio de equipamentos elétricos). Concluiu que a própria empresa auto enquadrouse na atividade preponderante com grau de risco 3, uma fez que os estabelecimentos em que declarou 3% de alíquota representam 97% do total de segurados da empresa. Verificase, portanto, que a própria empresa considerou que as atividades desenvolvidas em seus estabelecimentos levavam ao enquadramento na alíquota de 3% de SAT, à exceção da matriz (escritório central) e da filial Cachoeiro CNPJ 17958315001110 (comércio de equipamentos elétricos). Da informação acima, podese concluir que a auditoria fiscal somente considerou alíquota de SAT divergente daquela considerada pela empresa nos dois estabelecimentos mencionados, escritório central e filial destinada ao comércio de equipamentos elétricos. Tal conduta da auditoria fiscal teve por base o art. 202, § 3º do Decreto nº 3.048/1999 que assim dispõe: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos do sarts. 64a70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou Fl. 629DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.002463/200708 Acórdão n.º 2402002.963 S2C4T2 Fl. 615 11 creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. (...) § 3ºConsiderase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos Ocorre que foi aprovado o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011 que trata da matéria por meio de Despacho do Ministro da Fazenda publicado no Diário Oficial da União de 15/12/2011, o qual dispôs o seguinte: "Contribuição Previdenciária. Alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT)." Assunto: Contribuição Previdenciária. Alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). Grau de risco da atividade desenvolvida em cada estabelecimento empresarial individualizado pelo seu CNPJ, ou pelo grau do risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Aprovo o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011, de 10 de novembro de 2011, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. A partir da publicação da aprovação do citado parecer, resta claro que, relativamente ao cálculo do grau de risco, devese observar a atividade preponderante desenvolvida em cada estabelecimento individualmente. Nesse sentido, quanto aos estabelecimentos matriz e filial Cachoeiro CNPJ 17958315001110, entendo que a contribuição do SAT deve ser recalculada de acordo com a Fl. 630DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 alíquota correspondente à atividade desenvolvida pela maioria dos empregados vinculados a estes estabelecimentos. Por fim, a recorrente questiona a aplicação da taxa de juros SELIC como juros moratórios argumentando que seria ilegal e inconstitucional. A taxa de juros SELIC foi aplicada tendo como base no art. 34 da Lei nº 8.212/1991, vigente à época do lançamento e não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar a aplicação de legislação vigente no ordenamento jurídico pátrio, sob o argumento de que seria inconstitucional A impossibilidade acima decorre do fato ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífico na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 07/12/2010, por meio da Portaria CARF nº 49, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 631DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14485.002463/200708 Acórdão n.º 2402002.963 S2C4T2 Fl. 616 13 Ademais, relativamente à aplicação da taxa de juros SELIC, também há súmula do CARF tratando a matéria, no caso a Súmula nº 04, também publicada por meio da portaria citada. Súmula CARF nº4: A partir de 1ºde abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para que sejam recalculadas as contribuições do SAT da matriz e da filial Cachoeiro de acordo com a alíquota correspondente à atividade preponderante nestes estabelecimentos. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 632DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 01/09/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11396.000801/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2004
DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE
STF SÚMULA VINCULANTE DOLO REGRA GERAL INCISO I ART. 173
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN.
CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa ou ofensa ao devido processo legal se o lançamento obedeceu a todos os requisitos necessários à sua validade e o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
PÓLO ATIVO ALTERAÇÃO INOCORRÊNCIA
A então Secretaria da Receita Previdenciária foi criada por lei para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar as receitas previdenciárias, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS que continua sendo o destinatário destas receitas
RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO
Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus
efeitos
SUCESSÃO DE FATO RESPONSABILIDADE SUCESSOR
O sucessor é responsável pelos tributos devidos pela sucedida na ocorrência de sucessão de fato, plenamente demonstrada
TAXA SELIC APLICAÇÃO
Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide a taxa de juros SELIC, conforme preceitua o art. 34 da Lei nº 8.212/1991
INCONSTITUCIONALIDADE
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-003.311
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 05 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2004 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE DOLO REGRA GERAL INCISO I ART. 173 De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa ou ofensa ao devido processo legal se o lançamento obedeceu a todos os requisitos necessários à sua validade e o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara PÓLO ATIVO ALTERAÇÃO INOCORRÊNCIA A então Secretaria da Receita Previdenciária foi criada por lei para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar as receitas previdenciárias, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS que continua sendo o destinatário destas receitas RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos SUCESSÃO DE FATO RESPONSABILIDADE SUCESSOR O sucessor é responsável pelos tributos devidos pela sucedida na ocorrência de sucessão de fato, plenamente demonstrada TAXA SELIC APLICAÇÃO Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide a taxa de juros SELIC, conforme preceitua o art. 34 da Lei nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 11396.000801/2009-31
conteudo_id_s : 6552085
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2402-003.311
nome_arquivo_s : Decisao_11396000801200931.pdf
nome_relator_s : ANA MARIA BANDEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 11396000801200931_6552085.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
dt_sessao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
id : 9168438
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Sat Feb 05 09:56:56 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1723916641297760256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2417; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 1.224 1 1.223 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11396.000801/200931 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.311 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de janeiro de 2013 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS DESCONTADAS DOS SEGURADOS Recorrente EXPRESSO CIDADE FOZ TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2004 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE DOLO REGRA GERAL INCISO I ART. 173 De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. No caso de lançamento por homologação, restando caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN. CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa ou ofensa ao devido processo legal se o lançamento obedeceu a todos os requisitos necessários à sua validade e o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara PÓLO ATIVO ALTERAÇÃO INOCORRÊNCIA A então Secretaria da Receita Previdenciária foi criada por lei para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar as receitas previdenciárias, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS que continua sendo o destinatário destas receitas RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 39 6. 00 08 01 /2 00 9- 31 Fl. 2469DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos SUCESSÃO DE FATO RESPONSABILIDADE SUCESSOR O sucessor é responsável pelos tributos devidos pela sucedida na ocorrência de sucessão de fato, plenamente demonstrada TAXA SELIC APLICAÇÃO Sobre as contribuições não recolhidas em época própria, incide a taxa de juros SELIC, conforme preceitua o art. 34 da Lei nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 2470DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11396.000801/200931 Acórdão n.º 2402003.311 S2C4T2 Fl. 1.225 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados descontadas e não recolhidas à época própria. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 41/49), o presente crédito foi lançado contra a empresa Expresso Cidade Foz Transportes Ltda, por ter sido esta considerada sucessora da empresa TSP Transporte Salto de Pirapora Ltda e, nessa qualidade, responsável pelos débitos desta empresa com a Seguridade Social. Adiante passo a denominálas como EXPRESSO e TSP. A auditoria fiscal apresenta os elementos que a levaram à convicção de que teria ocorrido a sucessão, conforme segue. Foi iniciada ação fiscal nas duas empresas em questão e o primeiro indício da relação havida entre as duas empresa, surgiu pelo fato da TSP, ser detentora do contrato de concessão de serviço público n° 124/96, de 08/05/1996, cujo objeto é a concessão da operação de transporte coletivo municipal de passageiros de Foz do Iguaçu PR, com vigência de 12 anos contados da data da assinatura do referido contrato. Tal contrato foi aditivado em 10/09/2003 e este aditivo teve como objeto a transferência da concessão da TSP para EXPRESSO, que passou a constar do preâmbulo como concessionária e contratada, (anexo II). Todos os empregados pertencentes ao quadro de funcionários da TSP, relacionados na planilha que compõe o anexo II, tiveram suas rescisões contratuais com data de demissão em 31/08/2004, sendo admitidos na EXPRESSO, em 01/09/2004. Inicialmente constou nos Livros de Registro de Empregados desta empresa, data de admissão em 01/10/2004, mas por força da fiscalização do Ministério do Trabalho, a data de admissão de todos os empregados remanescentes foi retificada para 01/09/2004, inclusive com retificação do CAGED Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, tendo em vista que não houve interrupção da atividade operacional do transporte coletivo, objeto da concessão citada anteriormente, (anexo III). Na transição dos empregados da TSP para EXPRESSO, houve um acordo celebrado entre as partes com a intermediação do sindicato da classe trabalhadora. Segundo informação do sócio gerente, todos os empregados da TSP seriam admitidos na EXPRESSO, com garantia de emprego por dois anos. Embora os dirigentes do sindicato tenham confirmado o acordo, se negaram a apresentar cópia deles. Foi verificada a existência de diversos comprovantes de pagamentos de acertos trabalhistas de empregados da TSP, que foram efetivamente pagos pela EXPRESSO. Fl. 2471DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 O patrimônio físico da TSP era composto basicamente pela frota de ônibus, que operava nas linhas abrangidas pelo contrato de concessão 124/96 Esses veículos foram transferidos para a EXPRESSO tendo como intermediária a empresa F N Participações e Empreendimentos Ltda, CNPJ 05.554.322/0001 04. Tais transferências foram feitas com valores muito aquém dos de mercado. Além disso, os sócios da FN Participações e Empreendimentos Ltda eram empregados da EXPRESSO e anteriormente da TSP, nos cargos de assistente administrativo e motorista. O endereço da FN Participações e Empreendimentos Ltda era o mesmo do escritório de contabilidade responsável pela escrituração contábil da EXPRESSO e da TSP. A auditoria fiscal verificou que relativamente aos anos base de 2003 e 2004, a FN Participações e Empreendimentos Ltda apresentou DIPJ – Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física com a informação “sem movimento”, quando deveria ao menos ter informado veículos adquiridos em 08/04/2003 e vendidos para EXPRESSO em 04/02/2004, bem como, no Patrimônio Líquido, os valores do capital. A EXPRESSO foi constituída em 07/2003, a concessão da TSP para a EXPRESSO foi transferida em 09/2003, a frota de ônibus, com exceção de três veículos, foi transferida para a expresso em 11/2003, 02 e 03/2004, o alvará municipal de funcionamento foi obtido em 09/2004, como também a admissão dos empregados na EXPRESSO. Foi verificada na documentação da EXPRESSO o pagamento de aluguel do imóvel que era sede da TSP, no mês 09/2004. Em 10/2004, a auditoria fiscal encontrou correspondências solicitando autorização para pagamento de despesas com reforma da “garagem antiga”, para devolução do imóvel. Tais despesas foram efetivamente pagas pela EXPRESSO. A auditoria fiscal encontrou, nos movimentos de caixa da EXPRESSO, diversos pagamentos de valores correspondentes à aquisição de um veículo financiado em 24 parcelas no período de 10/03 a 09/05, financiamento este em nome da TSP junto a BV FINANCEIRA S/A, que continuou a ser pago pela EXPRESSO, conforme controle de pagamento das parcelas, (anexo VI). Da análise dos atos constitutivos da EXPRESSO e da TSP, bem como outros documentos, verificouse que há uma interligação evidente entre as empresas, seus sócios e empregados, conforme a auditoria fiscal demonstra detalhadamente. Após várias alterações contratuais, a TSP permaneceu, apenas com um único sócio, que "em tese", foi utilizado como "laranja", tendo sido constituído um novo instrumento particular de sociedade limitada, dando aparência de uma nova empresa totalmente desvinculada da anterior, com a finalidade de se eximirem dos impostos e contribuições sociais devidos. Diante dos fatos relatados, a auditoria fiscal concluiu ter havido a sucessão de fato entre as empresas TSP e EXPRESSO, sucedida e sucessora, respectivamente. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações pagas aos segurados empregados que prestaram serviços à empresa declaradas em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Fl. 2472DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11396.000801/200931 Acórdão n.º 2402003.311 S2C4T2 Fl. 1.226 5 A autuada teve ciência do lançamento em 18/10/2005 e apresentou defesa (fls. 1036/1055), onde alega a nulidade do lançamento por preterimento do direito de defesa, em face da inaplicabilidade dos dispositivos legais utilizados em sua fundamentação. Argumenta que a autuação tão somente descreve eventuais e "supostas" infrações de modo genérico, sem possuir elementos que possibilitem à Impugnante exercer seu direito de defesa. Alega que não existe pertinência lógica entre os fatos afirmados e a legislação tida como suporte legal, restando evidente que o princípio do devido processo legal e da ampla defesa restaram prejudicados. Entende que o ato administrativo deve preencher os requisitos gerais necessários à sua formação, dentre os quais desta a forma prescrita em lei que, segundo a autuada, não teria sido observado, levando à nulidade do lançamento. Aduz a ilegitimidade do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e a necessária alteração do pólo ativo por força da Lei Federal nº 11.098/2005 resultante da conversão em lei da Medida Provisória nº 222/2004. Alega que houve decadência de parte do lançamento. Para a autuada, não se caracteriza a sucessão apontada pela auditoria fiscal. O que teria ocorrido, foi o fato da Impugnante, ao ser convocada pelo Poder Público competente, no caso Município de Foz do Iguaçu, assumiu a exploração de atividade concedida, uma vez que o transporte público na cidade de Foz do Iguaçu estava caótico. Afirma a autuada que é empresa completamente diversa da empresa TSP a qual explorava a concessão de transporte urbano do Município de Foz do Iguaçu e que inexistiu e inexiste entre as duas empresas qualquer identidade societária, econômica, física e contábil. Argumenta que o Município de Foz optou por repassar o serviço de transporte coletivo à Impugnante, sem que essa adquirisse a antiga exploradora, qual seja a TSP. Apresenta como anexo documento intitulado de "Parecer Jurídico" que comprovaria que nunca houve aquisição por parte da Impugnante da empresa TSP, mas tão somente o recebimento da concessão do serviço público de transporte (doe. em anexo). Considera óbvio que a autuada tenha se aproveitado do quadro de funcionários da TSP, porém, não de todos, mas tão somente daqueles que mostraram eficiência nos trabalhos desenvolvidos. Alega que o fato de ter adquirido a frota de ônibus da TSP não caracteriza a sucessão e que ao assumir o serviço público a Impugnante necessitava de frota, sendo que a empresa F.N. possuía tais veículos. Fl. 2473DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 Entende que se a empresa F.N. adquiriu tais veículos junto a TSP é um fato que não diz respeito à Impugnante sendo ainda irrelevante à esta, como também o fato de a empresa F. N. ter como sócios empregados seus e que também teriam sido empregados da TSP. Questiona a liquidez do crédito em face da aplicação da taxa de juros SELIC e finaliza solicitando o acolhimento da impugnação. Pela Decisão Notificação nº 14.421.4/0121/06 (fls. 1106/1117), a autuação foi considerada procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (FLS. 1126/1146), onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 2474DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11396.000801/200931 Acórdão n.º 2402003.311 S2C4T2 Fl. 1.227 7 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que não merece acolhida. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Em decisão unânime, o entendimento dos ministros foi no sentido de que o artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, afirma que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 02/2000 a 12/2004 e foi efetuado em 18/10/2005, data da intimação do sujeito passivo. Fl. 2475DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. Fl. 2476DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11396.000801/200931 Acórdão n.º 2402003.311 S2C4T2 Fl. 1.228 9 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, ainda que existissem recolhimentos, tratase de situação em que se caracteriza a conduta dolosa da notificada que, embora legalmente responsável, arrecadou e deixou de recolher contribuição dos segurados. Fl. 2477DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Asseverese que o Egrégio Supremo Tribunal Federal tem decidido que, ao contrário do crime de apropriação indébita comum, o delito de apropriação indébita previdenciária não exige, para sua configuração o animus rem sibi habendi. Nesse sentido, tratase de dolo genérico que se caracteriza pela mera vontade livre e consciente da prática da conduta de não recolher aos cofres públicos das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, independentemente de qualquer outra intenção do agente. A fim de corroborar o entendimento acima, transcrevo a seguinte ementa: “HC86478 / AC – ACRE HABEAS CORPUS Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 21/11/2006 Órgão Julgador: Primeira Turma EMENTA: HABEAS CORPUS. PENAL. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. CRIME DE APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. ART. 168A DO CÓDIGO PENAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE DOLO ESPECÍFICO (ANIMUS REM SIBI HABENDI). IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES. AÇÃO PENAL COM TRÂNSITO EM JULGADO. PREJUÍZO. 1. A discussão sobre ausência de dolo não pode ser revista na via acanhada do habeas corpus, eis que envolve reexame de matéria fática controvertida. Precedentes. 2. Relativamente à tipificação, o Supremo Tribunal Federal decidiu que "o artigo 3º da Lei n. 9.983/2000 apenas transmudou a base legal da imputação do crime da alínea 'd' do artigo 95 da Lei n. 8.212/1991 para o artigo 168A do Código Penal, sem alterar o elemento subjetivo do tipo, que é o dolo genérico. Daí a improcedência da alegação de abolitio criminis ao argumento de que a lei mencionada teria alterado o elemento subjetivo, passando a exigir o animus rem sibi habendi". Precedentes. 3. O objeto da ação era o trancamento da ação penal, cuja decisão transitou em julgado. 4. Habeas corpus prejudicado(g.n.)” No mesmo sentido são as decisões exaradas nos processos RHC88144/SP, RHC 86072/PR e HC 76978/RS. Julgados do Conselho de Contribuintes também se apresentam no mesmo sentido, ou seja, restando caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deixa de ser aplicado o § 4º do art. 150, para a aplicação da regra geral contida no art. 173, inciso I ambos do CTN. Abaixo transcrevo, a título de exemplificação, as ementas de alguns acórdãos: 1º Conselho – 8ª Câmara Recurso 146870 – Acórdão 10809631 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAnocalendário: 1998 DECADÊNCIA. Para os tributos lançados por homologação, o início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4º do artigo 150 do CTN. Fl. 2478DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11396.000801/200931 Acórdão n.º 2402003.311 S2C4T2 Fl. 1.229 11 Configurados o dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial é realizada nos termos do art. 173, inciso I, do CTN” 1º Conselho – 7ª Câmara Recurso 152994 – Acórdão 10709311 Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000 IRPJ. DECADÊNCIA.. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Nos lançamentos por homologação, a contagem do prazo decadencial, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, não se aplica aos casos de dolo, fraude ou simulação; nesses casos, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. FRAUDE. ART. 173, I, DO CTN. INAPLICABILIDADE DA LEI Nº 8212/91. Em matéria de decadência, inclusive nos casos das contribuições sociais, a norma aplicável é o Código Tributário Nacional. Não pode a lei 8212/91, lei ordinária, veicular norma de decadência, afastando a regra expressa do CTN, formalmente lei complementar. MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A falta de escrituração de parte expressiva das receitas, reiteradamente, em todos os meses de dois anoscalendário consecutivos, demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%.” Portanto, resta afastada a aplicação do § 4º do art. 150 para a aplicação do art. 173 inciso I, ambos do CTN. Dessa forma, não se verifica decadência, uma vez que pela aplicação do art. 173, Inciso I, do CTN, ocorreria decadência até a competência 11/1999 e o lançamento compreende competências posteriores a 02/2000. Ainda em sede de preliminar, a recorrente alega nulidade do lançamento por preterimento do direito de defesa, em face da inaplicabilidade dos dispositivos legais utilizados em sua fundamentação e que não teria seguido a forma prevista em lei. Não há razão no argumento. Os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja, contribuições patronais incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa TSP Transporte Salto de Pirapora Ltda da qual, a recorrente foi considerada sucessora. Fl. 2479DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 A auditoria fiscal aponta os elementos que levaram à conclusão de que teria ocorrida a sucessão de fato. Além disso, toda a fundamentação legal que amparou o lançamento foi disponibilizada ao contribuinte conforme se verifica no relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Assim, entendo que o lançamento cumpre todos requisitos necessários à sua validade, não havendo que se falar em nulidade da notificação da autuação por ofensa a aos princípios da ampla de defesa e devido processo legal. A recorrente alega a ilegitimidade do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e a necessária alteração do pólo ativo por força da Lei Federal nº 11.098/2005 resultante da conversão em lei da Medida Provisória nº 222/2004. Melhor sorte não merece o argumento acima. A lei nº 11.098/2005 criou a Secretaria da Receita Previdenciária, no âmbito do Ministério da Previdência Social, a quem atribuir as competências para arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar as receitas previdenciárias. A referida lei em seu artigo 1º vigente à época do lançamento era claro no sentido de que as atribuições referidas no parágrafo anterior seriam realizadas em nome do Instituto Nacional do Seguro Social, destinatário das contribuições previdenciárias, conforme se verifica na transcrição abaixo: 1oAo Ministério da Previdência Social compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento, em nome do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição, bem como as demais atribuições correlatas e conseqüentes, inclusive as relativas ao contencioso administrativo fiscal, conforme disposto em regulamento. (g.n.) Portanto, a Lei nº 11.098/2005 apenas retirou do INSS a atribuição de realizar ele próprio a arrecadação, fiscalização, lançamento e normatização de receitas previdenciárias, passando tal tarefa à Secretaria da Receita Previdenciária, restando ao primeiro a realização dos procedimentos relativos à concessão de benefícios. A recorrente argumenta que não existiu a sucessão tributária apontada pela auditoria fiscal. Não é o que se verifica. Da análise dos elementos trazidos pela auditoria fiscal podese concluir que ocorreu a sucessão de fato. Conforme se verifica, a empresa sucedida TSP não efetuava os recolhimentos das contribuições previdenciárias a seu cargo e sequer recolheu a integralidade das contribuições dos segurados, razão do presente lançamento. Segundo a recorrente, esta teria sido convocada pelo Poder Público competente, no caso Município de Foz do Iguaçu, a assumiu a exploração de atividade concedida, uma vez que o transporte público na cidade de Foz do Iguaçu estava caótico. pelo Poder Público. Fl. 2480DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11396.000801/200931 Acórdão n.º 2402003.311 S2C4T2 Fl. 1.230 13 A questão relativa à situação do transporte público na cidade de Foz do Iguaçu mencionada pela recorrente é irrelevante para o deslinde da questão, como também o parecer jurídico juntado pela recorrente que segundo ela demonstraria a regularidade da transferência da concessão entre as empresas. O referido parecer foi elaborado a pedido da recorrente, a fim de atender ao disposto na Lei nº 8.897/1995 que regulamenta as concessões e permissões , a qual exige para o caso de realização de transferência que se requeira a anuência prévia do órgão. Assim, a EXPRESSO apresentou requerimento à Secretaria de Controle Interno e Negócios Jurídicos do Município de Foz de IguaçuPR, salientando possuir os requisitos legais exigidos, conforme cópia de folhas 1067/1068. Inferese, portanto, que a iniciativa da transferência da concessão da TSP para a EXPRESSO partiu das empresas e não da Municipalidade como quer fazer crer a recorrente. Da leitura do referido parecer (fls. 1069/1072), depreendese que ele limitou se a informar que não haveria óbice à transferência da concessão da TSP para a EXPRESSO. Além disso, nada naquele documento comprovaria que nunca houve aquisição da TSP pela recorrente, conforme alegado. Ao contrário, o parecer jurídico corrobora a situação verificada pela auditoria fiscal, conforme se pode observar do trecho abaixo: Neste ponto interessante observar que a pretendente irá executar o contrato e prestar o serviço público de transporte coletivo, utilizando todos os equipamentos, técnicas e instalações já utilizados na prestação do serviço e promoveu a contratação de todos os empregados que já vinham desempenhando suas funções junto à empresa concessionária, o que evidencia que a execução do contrato não sofrerá qualquer tipo de alteração (g.n.) A meu ver, o conjunto fático probatório apresentado pela auditoria fiscal é suficiente para caracterizar a sucessão de fato, senão vejamos. · Todos os empregados da TSP foram transferidos para a EXPRESSO e não houve interrupção da atividade operacional de transporte coletivo. Sendo que os empregados tiveram garantia de emprego por dois anos conforme acordo firmado com o sindicato da categoria. · Foi verificada a existência de diversos comprovantes de pagamentos de acertos trabalhistas de empregados da TSP, que foram efetivamente pagos pela EXPRESSO. · O patrimônio físico da TSP era composto basicamente pela frota de ônibus, que operava nas linhas abrangidas pelo contrato de concessão 124/96 e esses veículos foram transferidos para a EXPRESSO tendo como intermediária a empresa F N Participações e Empreendimentos Ltda, cujos sócios eram empregados da EXPRESSO e anteriormente Fl. 2481DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 da TSP. Tais aquisições se deram por valores muito aquém do valor de mercado. · O endereço da FN Participações e Empreendimentos Ltda era o mesmo do escritório de contabilidade responsável pela escrituração contábil da EXPRESSO e da TSP. · A auditoria fiscal verificou que relativamente aos anos base de 2003 e 2004, a FN Participações e Empreendimentos Ltda apresentou DIPJ – Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física com a informação “sem movimento”, quando deveria ao menos ter informado veículos adquiridos em 08/04/2003 e vendidos para EXPRESSO em 04/02/2004, bem como, no Patrimônio Líquido, os valores do capital. · A EXPRESSO foi constituída em 07/2003, a concessão da TSP para a EXPRESSO foi transferida em 09/2003, a frota de ônibus, com exceção de três veículos, foi transferida para a expresso em 11/2003, 02 e 03/2004, o alvará municipal de funcionamento foi obtido em 09/2004, como também a admissão dos empregados na EXPRESSO. · Foi verificada na documentação da EXPRESSO o pagamento de aluguel do imóvel que era sede da TSP, no mês 09/2004. Em 10/2004, a auditoria fiscal encontrou correspondências solicitando autorização para pagamento de despesas com reforma da “garagem antiga”, para devolução do imóvel. Tais despesas foram efetivamente pagas pela EXPRESSO. · A auditoria fiscal encontrou, nos movimentos de caixa da EXPRESSO, diversos pagamentos de valores correspondentes à aquisição de um veículo financiado em 24 parcelas no período de 10/03 a 09/05, financiamento este em nome da TSP junto a BV FINANCEIRA S/A, que continuou a ser pago pela EXPRESSO, conforme controle de pagamento das parcelas, (anexo VI). · Da análise dos atos constitutivos da EXPRESSO e da TSP, bem como outros documentos, verificouse que há uma interligação evidente entre as empresas, seus sócios muitos dos quais empregados. · Após várias alterações contratuais, a TSP permaneceu, apenas com um único sócio, que "em tese", foi utilizado como "laranja", tendo sido constituído um novo instrumento particular de sociedade limitada, dando aparência de uma nova empresa totalmente desvinculada da anterior, com a finalidade de se eximirem dos impostos e contribuições sociais devidos. O Código Tributário Nacional traz em seu art. 133, o seguinte: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: Fl. 2482DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11396.000801/200931 Acórdão n.º 2402003.311 S2C4T2 Fl. 1.231 15 I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. (g.n.) A recorrente tenta em suas alegações dar uma aura de normalidade aos procedimentos que adota e que foram verificados pela auditoria fiscal, porém sem sucesso. O que se evidencia é um mascaramento, sob a forma de um negócio ficto, que seria criar uma empresa nova para exercer as atividades realizadas pela precedente que não possui solvabilidade para honrar com o passivo tributário existente. Tal conduta se revela verdadeira simulação. O Código Civil Brasileiro instituído pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 regula a questão da simulação no Capítulo que trata da Invalidade do Negócio Jurídico e no inciso I do § 1º do artigo 167 temos o exato enquadramento da situação verificada pela auditoria fiscal, in verbis: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado – 15ª Edição). Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ª Edição). Escudada no Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária, aos verdadeiros participantes do negócio pois, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Fl. 2483DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 Assim, entendo que a auditoria fiscal, na presença de simulação não se obriga a permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento. Nesse diapasão, podese citar o entendimento de Heleno Tôrres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado – Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária – Ed. Revista dos Tribunais – 2003 – pág. 371: “Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superarlhes a forma, visando a alcançar a substância negocial, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocial, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo “motivo” para o ato administrativo: o ato simulado” Não restam dúvidas de que todos os expedientes utilizados tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intentio facti se divorcia da intentio iuris, ou seja, a intenção das partes é uma, a forma jurídica adotada é outra; Assim, verificada a ocorrência da sucessão, deve a sucessora arcar com os tributos de responsabilidade da sucedida. A recorrente questiona a aplicação da taxa de juros SELIC como juros moratórios. Cabe dizer que em obediência ao princípio da legalidade não cabe ao julgador no âmbito administrativo afastar a aplicação de dispositivo legal vigente no ordenamento jurídico sob o argumento de que ele seria inconstitucional A impossibilidade acima decorre do fato ser o controle da constitucionalidade no Brasil do tipo jurisdicional, que recebe tal denominação por ser exercido por um órgão integrado ao Poder Judiciário. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis e atos normativos, também chamado controle repressivo típico, pode se dar pela via de defesa (também chamada controle difuso, aberto, incidental e via de exceção) e pela via de ação (também chamada de controle concentrado, abstrato, reservado, direto ou principal), e até que determinada lei seja julgada inconstitucional e então retirada do ordenamento jurídico nacional, não cabe à administração pública negarse a aplicála; Ainda excepcionalmente, admitese que, por ato administrativo expresso e formal, o chefe do Poder Executivo (mas não os seus subalternos) negue cumprimento a uma lei ou ato normativo que entenda flagrantemente inconstitucional até que a questão seja apreciada pelo Poder Judiciário, conforme já decidiu o STF (RTJ 151/331). No mesmo sentido decidiu o Tribunal de Justiça de São Paulo: Fl. 2484DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11396.000801/200931 Acórdão n.º 2402003.311 S2C4T2 Fl. 1.232 17 “Mandado de segurança Ato administrativo Prefeito municipal Sustação de cumprimento de lei municipal Disposição sobre reenquadramento de servidores municipais em decorrência do exercício de cargo em comissão Admissibilidade Possibilidade da Administração negar aplicação a uma lei que repute inconstitucional Dever de velar pela Constituição que compete aos três poderes Desobrigatoriedade do Executivo em acatar normas legislativas contrárias à Constituição ou a leis hierarquicamente superiores Segurança denegada Recurso não provido. Nivelados no plano governamental, o Executivo e o Legislativo praticam atos de igual categoria, e com idêntica presunção de legitimidade. Se assim é, não se há de negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusarse a cumprir ato legislativo inconstitucional, desde que por ato administrativo formal e expresso declare a sua recusa e aponte a inconstitucionalidade de que se reveste (Apelação Cível n. 220.1551 Campinas Relator: Gonzaga Franceschini Juis Saraiva 21). (g.n.)” A abstenção de manifestação a respeito de constitucionalidade de dispositivos legais vigentes é pacífica na instância administrativa de julgamento, conforme se verifica na decisão deste Conselho que decidiu por sumular a questão por meio da Súmula nº 02 publicada no DOU em 07/12/2010, por meio da Portaria CARF nº 49, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 2485DF CARF MF Excluído Documento de 9 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0819.10548.E44H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANA MARIA BANDEIRA em 18/02/2013 20:22:05. Documento autenticado digitalmente por ANA MARIA BANDEIRA em 18/02/2013. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR VIEIRA GOMES em 14/03/2013 e ANA MARIA BANDEIRA em 18/02/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 16/08/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP16.0819.10548.E44H Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 2C4DD2F01AA97414354C2A8BD6E29BB9145212D8 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11396.000801/2009-31. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10283.901876/2008-65
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801-000.311
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: MARIA INÊS CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
dt_index_tdt : Sat Feb 05 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201203
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10283.901876/2008-65
conteudo_id_s : 6550120
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3801-000.311
nome_arquivo_s : Decisao_10283901876200865.pdf
nome_relator_s : MARIA INÊS CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
nome_arquivo_pdf_s : 10283901876200865_6550120.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
id : 9164734
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Feb 05 09:56:36 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1723916641303003136
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 111 1 110 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.901876/200865 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3801000.311 – 1ª Turma Especial Data 20 de março de 2012 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente SOCIEDADE AMAZONENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLUÇÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) FLAVIO DE CASTRO PONTES Presidente. (assinado digitalmente) MARIA INÊS CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Paulo Sergio Celani e Maria Inês caldeira Pereira da Silva Murgel RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJBELEM/PA (fl. 69 e seguintes), abaixo transcrito: Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 18/08/2004 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .9 01 87 6/ 20 08 -6 5 Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10283.901876/200865 Resolução nº 3801000.311 S3TE01 Fl. 112 2 crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 5856, do período de apuração de 31/03/2004, com arrecadação em 15/04/2004, no valor originário de R$ 76.742,45. A Delegacia de origem, em análise datada de 18.07.2008 (fl. 06), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou, em 07.08.2008, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 10/11): "A requerente declarou na DCTF 1° TRIMESTRE/2004 ter a pagar (e pagouse) de COFINS no mês de março o valor de R$ 76.742,45, conforme DARF's em anexo. Posteriormente, constatouse que o valor real a ser pago era de R$ 33.672,24, ou seja, inferior ao valor informado na referida DCTF, gerando, portanto, um crédito de R$ 43.070,21. Entretanto, de forma equivocada não foi retificada a DCTF de origem dos créditos, o que gerou a vinculação de um débito com valor equivalente ao DARF pago, a inconformidade dos créditos a serem utilizados para compensação e conseqüentemente a reprovação do PER/DCOMP." Juntando aos autos cópia de DCTF retificadora, entende a contribuinte que "se torna equivalente o débito compensado com o valor pago". Analisando o litígio, a DRJBELÉM/PA entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 88 e seguintes), conforme ementa abaixo transcrita: Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Às fls. 92 e seguintes consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a Recorrente traz as seguintes alegações, em resumo: · Que, ao verificar o erro no preenchimento da DCTF, se prontificou a retificála e que, após a retificação, restou comprovado o seu direito creditório · Que a fiscalização não lhe intimou, em nenhum momento, a apresentar documentação comprobatório do seu crédito. Por isso, junta ao Recurso Voluntário documentos que comprovam o crédito declarado na compensação; É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10283.901876/200865 Resolução nº 3801000.311 S3TE01 Fl. 113 3 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10283.901876/200865 Resolução nº 3801000.311 S3TE01 Fl. 114 4 VOTO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Manaus, sob o argumento de que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (fl. 06). Ocorre, contudo, que o Recorrente retificou a sua DCTF o que gerou, a princípio, crédito de pagamento indevido ou a maior, passível de ser utilizado para compensar débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Belém (PA) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Fl. 282DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10283.901876/200865 Resolução nº 3801000.311 S3TE01 Fl. 115 5 Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... ....... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10283.901876/200865 Resolução nº 3801000.311 S3TE01 Fl. 116 6 Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 103 18789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material Fl. 284DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10283.901876/200865 Resolução nº 3801000.311 S3TE01 Fl. 117 7 prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, a DCTF que foi retificada pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstra créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de Manaus, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo oriundos de pagamento indevido ou a maior e, por isso, passíveis de serem compensados, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além da DCTF retificada, os livros com as apurações da Recorrente que não foram analisados pela fiscalização. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/ManausAM para: 1. Apurar se, após a retificação da DCTF da Recorrente, os créditos pagos indevidamente ou a maior passíveis de compensação; 2. Verificar se, uma vez existentes estes créditos, estes são suficientes para quitar o débito declarado na compensação apresentada pela Recorrente; 3. Intimar a empresa a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 4. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 285DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 07/03/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 13 /03/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930349/2009-98
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801-000.298
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 05 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201201
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 11080.930349/2009-98
conteudo_id_s : 6549868
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3801-000.298
nome_arquivo_s : 380100298_11080930349200998_201201.pdf
nome_relator_s : JOSE LUIZ BORDIGNON
nome_arquivo_pdf_s : 11080930349200998_6549868.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4579193
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Feb 05 09:56:08 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1723916641305100288
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-09-15T19:48:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-09-15T19:48:20Z; Last-Modified: 2015-09-15T19:48:20Z; dcterms:modified: 2015-09-15T19:48:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:780667e6-124d-4ed7-88af-4ca5b3a805ec; Last-Save-Date: 2015-09-15T19:48:20Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-09-15T19:48:20Z; meta:save-date: 2015-09-15T19:48:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-09-15T19:48:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-09-15T19:48:20Z; created: 2015-09-15T19:48:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2015-09-15T19:48:20Z; pdf:charsPerPage: 1279; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2015-09-15T19:48:20Z | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 228 1 227 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.930349/200998 Recurso nº 918.730 Resolução nº 000.298 – 1ª Turma Especial Data 25 de janeiro de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente GUAIBA QUIMICA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLUÇÃO Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, converteuse o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 01/02/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Ausente justificadamente a conselheira Daniela Ribeiro de Gusmão. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.930349/200998 Resolução n.º 000.298 S3C1T1 Fl. 229 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “A empresa acima identificada transmitiu declaração de compensação (Per/Dcomp) nº 24015.84838.200308.1.3.045402, em 20/03/2008, informando como crédito valor de pagamento indevido ou a maior de Cofins no montante de R$ 14.403,45. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre (DRF/POA) emitiu Despacho Decisório eletrônico que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação declarada, em razão do DARF indicado como pagamento indevido ou a maior ter seu valor integralmente aproveitado na quitação de débito declarado pela empresa em DCTF, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no Per/Decomp. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro nos valores informados nas declarações fiscais e informa que apresentou DCTF retificadora em 31/10/2009, na qual constaria o valor correto da Cofins apurada. Desta forma, conclui que estaria demonstrada a origem do crédito fiscal do período em questão. Anexa cópias das declarações fiscais (DCTF original e retificadora, DACON e Per/Decomp) além do Comprovante de Arrecadação referente ao recolhimento original que alega ter sido a maior e gerado, assim, o crédito fiscal em questão. Ao final, requer o cancelamento do Despacho Decisório combatido, pois entende que teria atendido todas as formalidade legais previstas. A DRF de origem atesta a tempestividade da Manifestação protocolada e encaminha para apreciação da DRJ”. A Delegacia de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada ã comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.930349/200998 Resolução n.º 000.298 S3C1T1 Fl. 230 3 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 177 a 181, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese: 1. O valor informado na DCTF originária e posteriormente retificada deu se por erro na base de cálculo dos créditos de COFINS sobre as aquisições no mercado interno de bens destinados a revenda, a qual (base de cálculo) foi ajustada posteriormente em sua contabilidade, ensejando no aumento do seu crédito e, conseqüentemente, a diminuição do recolhimento do tributo pago anteriormente. 2. Que tão logo notificada da não homologação das compensações, a Recorrente procedeu à imediata retificação da referida DCTF. Tal procedimento é autorizado pela IN RFB 974/2009, cujo art. 9º prevê a possibilidade de retificação até o momento em que os débitos tenham sido encaminhados à PGFN para inscrição em divida ativa, o que é o caso presente. 3. Que a retificação do valor da COFINS, apurada na competência de agosto de 2005, decorreu exclusivamente do ajuste da base de cálculo dos créditos de COFINS apurados pela Recorrente neste período. Especificamente, os lançamentos contábeis (doc. 01), o registro de apuração do ICMS (doc. 02), bem como o demonstrativo auxiliar de apuração do tributo (doc. 03) que seguem em anexo, demonstram a correta base de cálculo e o crédito apurado. 4. Que identificando uma diferença de R$ 40.704,55, procedeu a compensação de parte do crédito (R$ 14.403,45). Para tanto, apresentou PER/DCOMP recebida e processada sob o n°. 24015.84838.200308.1.3.045402. REQUER: • O provimento deste Recurso Voluntário para o efeito de que, reformandose a decisão atacada, seja homologada a declaração de compensação nº 24015.84838.200308.1.3.045402. • Reitera, ao final, o pedido de que o presente processo seja baixado em diligência no caso em que subsistam dúvidas em relação aos créditos apurados pela Recorrente, tudo em homenagem ao principio da verdade material que rege o processo administrativo tributário, evitandose, igualmente, o ajuizamento de uma discussão judicial. É o relatório. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.930349/200998 Resolução n.º 000.298 S3C1T1 Fl. 231 4 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator Conforme se depreende dos autos, a interessada apresentou o PER/DCOMP nº 24015.84838.200308.1.3.045402, em 20/03/2008, por meio do qual informa um pagamento indevido ou a maior de Cofins – Não Cumulativa, referente ao período de apuração 08/2005, recolhido em 15/09/2005, no valor original de R$ 14.403,45. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre não homologou a compensação pretendida, sob o fundamento de que não restou crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01 a 02. A DRJ/POA, através do acórdão nº 1028.824, da 2ª Turma, manteve o Despacho Decisório emitido pela Delegacia de origem. Em seu recurso voluntário, contrapondo um dos fundamentos utilizados pelo órgão julgador de primeira instância para não homologar a compensação, qual seja, “[...] a empresa não indica a origem do erro na apuração ou mesmo junta qualquer prova que confirme o novo valor indicado. Não é possível reconhecer o direito creditório se o contribuinte não traz nenhum dado fidedigno apto a provar o direito alegado[...]”, a recorrente junta ao processo cópias dos seguintes documentos: 1. Razão Contábil, fls. 197/219. 2. Registro de Apuração do ICMS, fls. 221/223. 3. Demonstrativo Auxiliar de Apuração do Tributo, fls. 225/226. Desse modo, levandose em consideração os documentos apresentados pela recorrente, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência à DRF de origem, a fim de: 1. apurar, à luz dos documentos acostados aos autos e da escrita contábil e fiscal, o valor devido a título de contribuição para a COFINS Não Cumulativa, referente ao período de apuração 08/2005; 2. cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; 3. retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 236DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
