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10888892 #
Numero do processo: 13857.000310/97-38
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. RESSARCIMENTO. Incorre em nulidade a decisão recorrida quando há recusa em examinar provas que documentariam suposto direito de crédito reclamado pelo sujeito passivo do tributo, ainda que referidos documentos hajam sido produzido apenas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade. Precedentes. Recurso provido para anular o acórdão de Primeira Instância.
Numero da decisão: 3403-000.813
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de Primeira Instância.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ

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Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0424.15356.G80E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0424.15356.G80E. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     2   Relatório  Trata­se  de  pedido  de  compensação  por  meio  do  qual  a  ora  recorrente  pretende  extinguir  obrigações  tributárias  federais  oferecendo,  em  contrapartida,  alegados  créditos presumidos do IPI, apurados de conformidade com o regime da Lei no. 9.363/96.  Da primeira vez em que os autos vieram ao Colegiado de Segunda Instância  administrativa,  a  motivação  do  recurso  voluntário  interposto  pela  interessada  fora  o  indeferimento do pleito com fundamento restrito na inexistência de apresentação de pedido de  ressarcimento do mesmo crédito presumido de IPI, anterior ou simultaneamente à formalização  do  pedido  de  compensação.  Na  ocasião,  o  então  Segundo  Conselho  de  Contribuintes  deu  provimento  ao  apelo,  determinando  que  os  autos  retornassem  à  origem  para  exame  da  existência e quantificação dos créditos apresentados em compensação,  independentemente do  pedido requerimento de ressarcimento (fls. 67/74).  O órgão preparador, então, empreendeu fiscalização sobre a pessoa jurídica,  objetivando, justamente, averiguar as dimensões do alegado direito creditório. No relatório de  atividade fiscal acostado às fls. 160/164 dos autos, narra a autoridade ter procedido a uma série  de  verificações  até  que,  enfim,  intimou  a ora  recorrente  a  lhe  apresentar  determinadas  notas  fiscais relativas aos insumos (MP, PI e ME) adquiridos no período, a fim de confrontá­las com  os dados constantes do arquivo magnético apresentado à fiscalização.  Tendo  obtido  como  resposta  a  notícia  de  que  a  empresa  não  localizara  o  documentário fiscal em questão e, ainda, considerando­o indispensável à aferição definitiva da  existência do direito, a autoridade propôs o indeferimento do pedido de compensação, no que  foi acatada pelo despacho decisório de fls. 165 e ss.  Na  manifestação  de  inconformidade  de  fls.  177/178,  a  recorrente,  afinal,  trouxe  aos  autos  as  notas  fiscais  que  a  fiscalização  lhe  havia  requisitado,  noticiando  tê­las  encontrado.  A  DRJ­Ribeirão  Preto,  a  quem  competiu  o  julgamento  em  Primeiro  Grau,  manteve  o  indeferimento  do  pedido  sustentando,  em  primeiro  lugar,  caber  ao  contribuinte  o  ônus  probatório  do  direito  creditório  pretendido  e,  em  segundo,  a  extemporaneidade  da  produção da prova (fls. 251/254).  A interposição do recurso voluntário de fls. 257/282 é o que traz os autos a  exame deste Colegiado.  Este, em síntese, o relatório.    Voto             Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz  O  recurso  é  tempestivo  e  está  bem  formado,  preenchendo,  pois,  os  pressupostos de admissibilidade.  Fl. 2DF CARF MF Original Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0424.15356.G80E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0424.15356.G80E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13857.000310/97­38  Acórdão n.º 3403­00.813  S3­C4T3  Fl. 2          3 Tenho notícia de que, em ao menos duas outras oportunidades, órgãos deste  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se depararam com recursos análogos ao presente,  aviados  pelo mesmo  sujeito  passivo  tributário  e  construídos  sob  fundamentação  idêntica,  eis  que  associados  à  compensação  de  crédito­presumido  do  IPI  objeto  do  mesmo  relatório  de  atividade fiscal que culminou no recurso voluntário aqui posto em julgamento.  E,  nestas  duas  ocasiões,  decidiu­se  rigorosamente  no  mesmo  sentido,  conforme,  aliás,  deve  ser.  Numa  destas  situações,  o  recurso  voluntário  da  contribuinte  foi  distribuído  à  Primeira  Turma Ordinária  desta  Quarta  Câmara,  para  relatoria  do  Conselheiro  Dalton  Cesar  Cordeiro  de Miranda.  Eis  a  ementa  do  acórdão  a  que  chegou  o  Colegiado,  à  unanimidade:  “IPI. RESSARCIMENTO.  É  de  se  anular  a  decisão  recorrida  quando  há  recusa  em  apreciar documentação que embasaria suposto direito creditório  reclamado pela contribuinte, mesmo que tais documentos tenham  sido  apresentados  somente  com  a  manifestação  de  inconformidade.  Precedentes”  (Acórdão  no.  3401­00.294,  j.  18.09.2009)   Na  outra  oportunidade  a  que  referi,  o  recurso  voluntário  foi  decidido  pela  Terceira Turma Especial da Segunda Seção, sob relatoria do Conselheiro Alexandre Kern, de  cujo voto tomo de empréstimo as seguintes bem colocadas asserções. Veja­se:  “Circunscreve­se  o  litígio  à  discussão  a  respeito  da  possibilidade  de  comprovação  dos  créditos  no  momento  processual da reclamação.  (...)  De acordo com as normas processuais, é na impugnação que a  lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito  tem  início,  com  a  instauração  do  litígio,  não  se  permitindo,  a  partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação  de  novas  provas,  a  não  ser  nas  situações  legalmente  excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e  Maria  Tereza  Martínez  Lopez  asseveram  que  ‘a  inicial  e  a  impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto  da  defesa  as  afirmações  contidas  na  petição  inicial  e  na  documentação que a acompanha’ (Processo administrativo fiscal  federal comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67)  Portanto, ao contrário do sugerido na  tese recursal, com o seu  arrevesado  entendimento  do  princípio  processual  da  verdade  material,  há  evidente  limite  temporal  para  a  apresentação  de  provas  no  rito  instituído  pelo Decreto  no.  70.235,  de  1972Ç  o  momento processual da apresentação da reclamação.  (...)  Entendo  que  os  documentos  que  instruem  a  Manifestação  de  Inconformidade – e somente eles – merecem ser conhecidos, não  pela  incidência  do  princípio  da  verdade  material,  tão­ levianamente  invocado pelo  recorrente, mas  em  face da dicção  Fl. 3DF CARF MF Original Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0424.15356.G80E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0424.15356.G80E. Consulte a página de autenticação no final deste documento.     4 do art. 16, inc. III e §4o, do Decreto no. 70.235, de 1972, acima  transcrito.”  Pelos  motivos  expostos,  voto  no  sentido  do  provimento  do  recurso  voluntário,  anulando­se  o  acórdão  14­17.301,  de  17  de  outubro  de  2007,  a  fim  de  que  a  Segunda  Turma  da  DRJ/POR  conheça  da  prova  tempestivamente  produzida  para,  então,  prolatar novo acórdão.      Marcos Tranchesi Ortiz                                Fl. 4DF CARF MF Original Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0424.15356.G80E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP30.0424.15356.G80E. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Ministério da Fazenda PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. A página de autenticação não faz parte dos documentos do processo, possuindo assim uma numeração independente. Documento juntado ao processo em 23/02/2011 18:20:06 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, servidor habilitado e reconhecido via certificado digital. Histórico de ações sobre o documento: Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 30/04/2024. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: EP30.0424.15356.G80E 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 45458BDD1C55644476E3958731F832789F231B0C página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13857.000310/97-38. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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Numero do processo: 11080.901058/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. È permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo os autos de infração sido lavrados por autoridade competente, devidamente fundamentados e com observância do amplo direito de defesa, afasta-se a alegação de nulidade do lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO UTILIZADO EM RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ABATIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de créditos utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou em declarações de compensação, tratados em outros processos administrativos, eles não podem ser considerados para abater os débitos apurados em auditoria fiscal. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno.
Numero da decisão: 3201-012.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação; e (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos aos fretes na aquisição de bens adquiridos para revenda não incluídos nas notas fiscais de aquisição, vencidos, nesse item, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam a glosa. Sala de Sessões, em 31 de janeiro de 2025. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação; e (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos aos fretes na aquisição de bens adquiridos para revenda não incluídos nas notas fiscais de aquisição, vencidos, nesse item, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam a glosa. Sala de Sessões, em 31 de janeiro de 2025. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira.

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram-se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. È permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Tendo os autos de infração sido lavrados por autoridade competente, devidamente fundamentados e com observância do amplo direito de defesa, afasta-se a alegação de nulidade do lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO UTILIZADO EM RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ABATIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de créditos utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou em declarações de compensação, tratados em outros processos administrativos, eles não podem ser considerados para abater os débitos apurados em auditoria fiscal. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno.

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram- se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, Fl. 136DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 2 registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. PRODUÇÃO OU PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. No contexto da não cumulatividade das contribuições sociais, consideram- se insumos os bens e serviços adquiridos que sejam essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, observados os demais requisitos da lei. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. FRETE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os bens adquiridos para revenda, abarcando o valor do frete pago pelo contribuinte nessa aquisição, mas desde que tal valor esteja incluído na nota fiscal de aquisição, não alcançando, entretanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. CRÉDITO. ARMAZENAGEM. GASTOS COM ALUGUEL DE PRÉDIOS. POSSIBILIDADE. Geram direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas os gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS. POSSIBILIDADE. È permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. (Súmula CARF nº 188) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 AUTOS DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 137DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 3 Tendo os autos de infração sido lavrados por autoridade competente, devidamente fundamentados e com observância do amplo direito de defesa, afasta-se a alegação de nulidade do lançamento de ofício. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO UTILIZADO EM RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ABATIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de créditos utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou em declarações de compensação, tratados em outros processos administrativos, eles não podem ser considerados para abater os débitos apurados em auditoria fiscal. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. Somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: (i) por unanimidade de votos, para reverter as glosas de créditos relativos a (i.1) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno, (i.2) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições, (i.3) frete pago na aquisição de bens para revenda incluído na nota fiscal de aquisição, e (i.4) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, Fl. 138DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 4 mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação; e (ii) por voto de qualidade, para manter a glosa de créditos relativos aos fretes na aquisição de bens adquiridos para revenda não incluídos nas notas fiscais de aquisição, vencidos, nesse item, os conselheiros Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow e Fabiana Francisco de Miranda, que revertiam a glosa. Sala de Sessões, em 31 de janeiro de 2025. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Luiz Carlos de Barros Pereira (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). Ausente a conselheira Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, substituída pelo conselheiro Luiz Carlos de Barros Pereira. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em face da decisão da Delegacia de Julgamento (DRJ) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada em contraposição ao despacho decisório da repartição de origem, em que se reconhecera apenas parte do direito creditório pleiteado, relativo à Cofins não cumulativa – Mercado Interno Não Tributado e Exportação, bem como se homologara apenas parcialmente a compensação, até o limite do crédito deferido. De acordo com a Informação Fiscal que embasou o despacho decisório, a partir de auditoria realizada, glosaram-se créditos das contribuições decorrentes de dispêndios relativos a (i) serviços não enquadráveis no conceito de insumo (expurgo de matérias primas, limpeza de armazéns, serviços de supervisão e controle, dentre outros, por não se utilizarem na produção, (ii) produtos químicos não utilizados na produção e (iii) armazenagem e frete na aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero, identificados no Anexo II do relatório. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a suspensão da exigibilidade dos débitos cuja compensação não foi homologada até o trânsito em julgado do processo matriz nº 11080.728406/2012-76, adotando-se neste processo a impugnação do processo matriz, para, por derradeiro, deferir-se a compensação nos termos declarados, aduzindo o seguinte: a) o presente processo decorre da glosa parcial de créditos de PIS/Cofins no processo nº 11080.728406/2012-76, sendo que as razões do indeferimento parcial da compensação requerida nestes autos encontram-se integralmente apoiadas nas inferências fiscais extraídas do referido processo; Fl. 139DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 5 b) considerando que no processo matriz as glosas foram integralmente contestadas, indiretamente, também está sob controvérsia a fundamentação do despacho decisório que não homologou o presente PER/DCOMP, sendo repisados, nestes autos, os argumentos quanto (i) à nulidade dos autos de infração por cerceamento de defesa, dada a não especificação da razão que fundamentou as glosas de créditos, e no mérito, (ii) aos desembolsos glosados correspondentes a parcelas integrantes do custo de aquisição de bens para a revenda, bem como de custos dos serviços, (iii) às glosas de créditos vinculados a armazenagem, fretes e outras despesas de produtos vendidos com alíquota zero, e (iv) à existência de saldo credor originado de Créditos Vinculados a Operações de Importações suficientes para absorver as pretensas glosas. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo-se, na íntegra, o despacho decisório. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os argumentos de defesa. Em 25 de agosto de 2021, por meio da Resolução nº 3201-003.151, a turma julgadora converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que a autoridade fiscal juntasse, nestes autos, cópia do Relatório produzido no cumprimento da diligência no âmbito do processo de nº 11080.728406/2012-76, o que veio a ser efetivado na sequência, com manifestação do Recorrente acerca da medida. É o relatório. VOTO Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, atende os demais requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Conforme acima relatado, trata-se de despacho decisório da repartição de origem, em que se reconheceu apenas parte do direito creditório pleiteado, relativo à Cofins não cumulativa – Mercado Interno Não Tributado e Exportação, bem como se homologou apenas parcialmente a compensação, até o limite do crédito deferido. Como bem apontado pelo Recorrente, o presente processo é vinculado ao processo nº 11080.728406/2012-76, no qual se controverte sobre os autos de infração das contribuições decorrentes de glosas de créditos da não cumulatividade, abrangendo o período de apuração destes autos, razão pela qual se reproduz, na sequência, a decisão ali tomada acerca do direito creditório pleiteado, nos termos solicitados pelo próprio Recorrente. Por outro lado, deve-se destacar que a reversão de glosas de créditos adotada no processo dos autos de infração somente impactará este processo nas hipóteses de créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em Fl. 140DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 6 relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, não podendo, portanto, ser objeto de ressarcimento/compensação. Reproduz-se, portanto, o voto exarado no processo nº 11080.728406/2012-76: Segundo a fiscalização, a empresa autuada atua na aquisição e comercialização de produtos agrícolas, tais como trigo, alpiste, arroz, feijão lentilha, dentre, sendo que parte da receita auferida se submete à alíquota zero das contribuições, outra parte é normalmente tributada nas vendas no mercado interno e parte do faturamento provém de vendas para o exterior. O Recorrente, por seu turno, aduz que atua no ramo de comercialização, importação, exportação de produtos agrícolas, prestação de serviços na condição de Operadora Portuária, prestação de serviços de armazenagem, carga e descarga de produtos, inclusive com beneficiamento para posterior comercialização. Consta da Alteração Contratual registrada em 30/01/2012, que a empresa tem como objeto social (i) a comercialização de produtos em geral, (ii) a exploração por conta própria do ramo de transporte de cargas via terrestre, fluvial e lacustre, (iii) navegação fluvial, marítima e de apoio portuário, (iv) corretagem de produtos agrícolas em geral, (v) importação e exportação de produtos em geral, (vi) armazenagem de cereais em geral, por conta própria e de terceiros, (vii) operadora portuária, (viii) carga e descarga de embarcações, trens e caminhões, (ix) participação em outras sociedades, nas quais tenha interesses comerciais ou simples investimento, (x) industrialização e/ou beneficiamento de grãos em geral, (xi) industrialização de adubos e fertilizantes, (xii) comércio de adubos e fertilizantes, corretivos e insumos agrícolas em geral, (xiii) importação de produtos destinados à alimentação animal e (xiv) locação de equipamentos. Segundo o Recorrente, as atividades por ele desenvolvidas, inclusive a prestação de serviços de Operador Portuário, exigem sua presença nos principais portos do sul do Brasil, com sofisticada e complexa infraestrutura de equipamentos e com exigência de grande capacidade de armazenagem, na maioria terceirizada, mediante o pagamento de aluguel. Aduz, também, “que os processos de importação e comercialização de produtos que opera, tanto em nome próprio como os de terceiros (em que atua apenas como Operadora Portuária), são acompanhados por rigorosos procedimentos de fiscalização e análise por parte das autoridades fiscalizadoras brasileiras, especialmente do Ministério da Agricultura, por se tratar de produtos de origem agrícola e por estes se destinarem, principalmente, à alimentação humana”, exigindo “constantes e rigorosos serviços de expurgo e limpeza nos locais de armazenagem, assim como nos meios de transporte, inclusive com uso de agentes químicos apropriados, com vistas a impedir a proliferação de roedores, ácaros, insetos, fungos e outros microrganismos capazes de deteriorar os produtos, Fl. 141DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 7 condenando-os, em casos extremos, à imprestabilidade para o consumo humano ou mesmo animal.” Feitas essas considerações, passa-se à análise do Recurso Voluntário. I. Nulidade dos autos de infração. O Recorrente alega que a fiscalização, no procedimento de lançamento de ofício, corroborado pela Delegacia de Julgamento (DRJ), ignorou (i) que a empresa também atua na prestação de serviços, (ii) que a receita bruta por serviços auferidos pela empresa não é beneficiada por alíquota zero, (iii) que o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 autoriza a manutenção dos créditos vinculados a operações de venda com alíquota zero, bem como (iv) não externou a fundamentação das glosas de créditos, mesmo tendo à sua disposição todas as informações necessárias à apuração, presentes nos documentos de fls. 195 a 225, razão pela qual devia-se reconhecer a nulidade dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa. De pronto, deve-se ressaltar que a simples contrariedade do Recorrente em relação às constatações da fiscalização não acarreta, por si só, a nulidade do procedimento, uma vez que a ele se encontra assegurada e em exercício a plena defesa por meio do processo administrativo fiscal, tendo a autuação sido formalizada por autoridade competente para tal, em consonância com o art. 59 do Decreto nº 70.235/1972.1 Além disso, constam dos autos todas as informações em que se baseou a fiscalização para proceder à autuação, abrangendo os valores apurados, a base de cálculo, os acréscimos legais aplicados, o enquadramento legal e planilhas com identificação dos resultados da auditoria, tudo em conformidade com o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN),2 encontrando-se o Recorrente discutindo neste processo, de forma plena e com respeito ao devido processo legal, a referida apuração, razão pela qual não se vislumbra a ocorrência de qualquer vício que possa inquinar de nulidade o procedimento. II. Crédito. Prestação de Serviços. O Recorrente alega que “os gastos não foram avaliados sob a ótica de custos da atividade de prestação de serviços, pois a autuação ignorou totalmente a existência desta atividade, razão pela qual considerou que todos os custos 1 Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. 2 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 142DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 8 arrolados eram vinculados a mercadorias adquiridas para revenda, estas, na maior parte do período, sujeitas à alíquota zero.” Ele se contrapõe à seguinte conclusão da fiscalização: “13. Importante ainda ressaltar que estas despesas não estão relacionadas diretamente à fabricação ou produção de produtos destinados à venda, não podendo, portanto, ser consideradas insumos, uma vez que o contribuinte em questão sequer industrializa produtos, apenas compra e revende.” Esse entendimento do Recorrente encontra respaldo no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003,3 em que se prevê que o desconto de créditos abrange, também, os insumos (bens ou serviços) aplicados na prestação de serviços, tendo sido em razão dessa constatação que a turma julgadora converteu o julgamento do Recurso Voluntário em diligência para que a fiscalização esclarecesse essa questão. Realizada a diligência, a fiscalização assim se pronunciou: (...) os créditos vinculados às receitas com revendas de mercadorias NÃO TRIBUTADAS no mercado interno correspondem a aproximadamente 90% do total de créditos apurados pelo contribuinte no período fiscalizado. Embora o contribuinte tenha receitas como operador portuário ou prestador de serviços essas receitas na maioria dos meses objetos de fiscalização não ultrapassam 10% das receitas apuradas, porém o contribuinte quer fazer crer que a fiscalização teria ignorado o fato de que a empresa aufere receitas como operador portuário ou prestador de serviços e que as glosas teriam ocorrido sem considerar essa atividade o que não é verdade pois foram aceitos diversos créditos sobre essas atividades em especial créditos com energia elétrica, aluguéis de prédios e e/ou maquinas e equipamentos, sobre bens do ativo imobilizado com base no valor de aquisição assim como encargos de amortização de edificações e benfeitorias tudo conforme especificado pelo contribuinte na Dacon. Diante disso é importante esclarecer que as glosas de créditos atingiram principalmente despesas com “serviços utilizados como insumos” em especial custos vinculados à aquisição de produtos adquiridos pelo contribuinte para revenda tais como fretes de aquisição de produtos em especial trigo, sendo que a venda de trigo foi a maior receita auferida pelo contribuinte durante o período fiscalizado, e conforme explicado tanto no relatório de ação fiscal com na decisão de Primeiro Grau proferida pela DRJ/RECIFE não há o que se falar em bens e serviços utilizados como 3 Art. 3 o Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 o da Lei n o 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 143DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10485.htm#art2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/D4542.htm#tabela D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 9 insumos em relação a produtos que são simplesmente revendidos, não cabendo portanto qualquer crédito a este respeito. Não se ignorou, entretanto, que muitos contribuintes preenchiam errado a Dacon e colocavam indevidamente despesas integrantes do custo de aquisição de produtos adquiridos de terceiros cujos créditos eram legítimos, desde que estes produtos fossem tributados pelo Pis e Cofins e utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, nas linhas de Serviços utilizados como insumos, como se verifica no presente processo, pois as despesas com fretes de aquisição de produtos não tributados como trigo, arroz e ervilha foram indevidamente anotadas pelo contribuinte na linha de serviços utilizados como insumos da Dacon quando na realidade deveriam estar na linha de Bens Adquiridos para Revenda por fazer parte do custo de aquisição dos mesmos, tal erro por si só não levaria a glosa destes créditos entretanto além desse erro de preenchimento da Dacon constatou-se que estes serviços vinculados a aquisição de trigo referem-se a aquisição de produtos não tributados pelo Pis e Cofins, sendo que o produto sequer é industrializado pela empresa e sim revendido não havendo portanto o que se falar em insumos e por esse motivo o crédito foi glosado, pois referem-se a parcelas integrantes do custo de aquisição de bem para revenda não tributado. Importante ainda ressaltar que no período fiscalizado a revenda de produtos não tributados representava praticamente 90% das receitas auferidas pelo contribuinte que somada as revendas de produtos tributados chegam na maioria dos meses a ultrapassar 90% do total de receitas auferidas pela empresa. Com relação as receitas oriundas de operações diversas das operações comerciais como receitas com armazenagem para terceiros e operação portuária são inferiores a 10% total de receitas na maioria dos meses auditados. Não obstante isso o contribuinte em suas Dacons não relacionou nenhum crédito como sendo exclusivo das atividades de prestação de serviços uma vez que todos os créditos apurados possuem parcelas vinculadas às receitas não tributadas no mercado interno e de exportação nos meses em que ocorreram operações de exportação obviamente. Como a decisão de primeiro grau da DRJ/RECIFE abordou muito bem a questão do aproveitamento de créditos sobre bens e serviços utilizados como insumos à luz do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17/12/2018 que embora inexistisse na época da ação fiscal, que foi baseada em conceitos previstos nas Instruções Normativas SRF 247 e 404 vigentes à época, fica claro que as glosas ainda assim seriam suportadas pelo entendimento expressado no referido Parecer Normativo em função da atividade desenvolvida pela empresa ser meramente comercial e os produtos adquiridos para revenda principalmente o trigo não gerarem direito a créditos de Pis e Cofins. (...) Fl. 144DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 10 Importante deixar registrado que dentre as despesas glosadas pela fiscalização encontram-se despesas com transporte interno de mercadorias, e despesas de armazenagem destes produtos o que ainda hoje é vedado pelo Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5, de 17/12/2018 por se tratar de produtos acabados e não produtos em elaboração e terem natureza diversa das despesas com armazenagem e fretes nas operações de vendas essas integralmente aceitas pela fiscalização durante a auditoria fiscal. Não menos relevante é o fato de que as despesas que o contribuinte alega serem vinculadas a prestação de serviços foram rateadas na Dacon com vinculadas também a Receitas Não Tributadas no Mercado Interno e de Exportação, o que leva a crer que as mesmas não são vinculadas exclusivamente as receitas de prestação de serviço como quer fazer crer o contribuinte, uma vez que tais créditos foram classificados em parte como vinculados a Receitas Não Tributadas no Mercado Interno e inclusive constaram de pedidos de ressarcimento transmitidos pelo contribuinte e a analisados na mesma ação fiscal, ora se estas despesas fossem unicamente vinculadas à prestação de serviços os créditos não poderiam constar de Pedidos de Ressarcimento uma vez que as receitas de Prestação de Serviços auferidas pela autuada são tributadas pelo Pis e Cofins, portanto, durante a auditoria constatou-se que a despesa descrita como Serviços de Supervisão e Controle não são enquadráveis no conceito de insumos vinculados a revenda de bens e/ou vinculadas a receitas de prestação de serviços por não se enquadrarem no conceito de serviços utilizados como insumos previsto nas INs 247 e 404 vigentes à época que foi realizada a auditoria. Observa-se ainda que conforme Dacon apresentada pelo contribuinte essa despesa foi rateada entre os três tipos de receitas auferidas no período fiscalizado (Tributada, Não Tributada no Mercado Interno e Receita de exportação) o que leva a crer que eram créditos não exclusivos das receitas de prestação de serviços, o mesmo vale para Limpeza de Armazéns, Expurgo, serviços de armazenagem de diversos produtos como Trigo, Lentilha, Ervilha, Feijão Branco entre outros onde o contribuinte não especifica se esses produtos eram de sua propriedade e foram armazenados para revenda ou pertenciam a terceiros e foram armazenados na forma de prestação de serviço de armazenagem, porém em nenhum dos dois casos as INs 247 e 404 autorizavam o creditamento destas despesas por esse motivo foi realizada a glosa. Apesar de alegar que a atividade de prestação de serviços foi ignorada pela fiscalização o contribuinte omite o fato de que estas receitas correspondem a uma parcela ínfima das suas receitas totais (menos de 10% no período fiscalizado) e que quase a totalidade dos valores glosados dizem respeito a custos vinculados à aquisição de produtos sujeitos à alíquota zero das contribuições para o Pis e a Cofins principalmente trigo que era Fl. 145DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 11 simplesmente revendido, e ainda que o contribuinte tivesse custos adicionais nessas operações o creditamento era vedado pela legislação fato que se manteve inclusive com o advento do Parecer Normativo Cosit nº 05/2018 elaborado com base no RESP 1.221.170/PR que atualmente serve de baliza para as análises de créditos de Pis e Cofins. (...) Desse modo, as despesas de fretes com o transporte de bens sujeitos à alíquota zero não são passíveis de creditamento, em conformidade com o inciso II do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que impede o cálculo do crédito se não houve o pagamento da contribuição do bem adquirido. Fretes sobre movimentação interna e fretes após o desembaraço, entre o porto de Rio Grande e Porto Alegre, também não se caracterizam como insumos ou fretes na operação de venda, não fazendo o Contribuinte jus ao crédito não cumulativo. Portanto, devem ser mantidas as glosas dos créditos apurados sobre os fretes em questão. Por outro lado, inexiste previsão para aproveitamento de créditos apurados sobre despesas com armazenagem incorridas na aquisição de produtos. O art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833, de 2003, contempla a possibilidade de a pessoa jurídica utilizar créditos de armazenagem na operação de venda, o que foi integralmente aceito pela fiscalização durante a ação fiscal, uma vez que estas despesas são relacionadas em linhas específicas da Dacon sobre as quais sequer incidiram glosas. Diante da clara e evidente vedação legal ao aproveitamento destes créditos em relação as operações comerciais de revenda a empresa passou a alegar que estas despesas dizem respeito a prestação de serviços na condição de operador portuário omitindo o fato de que estas receitas correspondem a uma parcela muito pequena (menos de 10%) do seu faturamento no período fiscalizado sendo que os documentos entregues no curso da fiscalização e os Dacons transmitidos pelo próprio contribuinte em período anterior a ação fiscal e próximo a ocorrência das operações informaram que a maior parte destas despesas eram vinculadas a operações comerciais não tributadas pelo Pis e Cofins inclusive com diversos pedidos de ressarcimento destes créditos, ficando uma parcela inferior a 10% desses créditos como vinculados a receitas de prestação de serviços na qualidade de operador portuário, e mesmo assim a fiscalização aceitou todos os créditos vinculados a ambas as operações, comercial e de prestação de serviço como operador portuário, quando permitido pela legislação vigente à época. CONCLUSÃO Fl. 146DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 12 Portanto fica esclarecido ao órgão julgador nos termos solicitados pela nº 3201-003.204 – 3ª Seção de Julgamento/ 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária que as glosas descritas no item 1 do Relatório de Ação Fiscal abrangem despesas incorridas tanto na condição de empresa comercial como de prestadora de serviços sendo que a grande maioria dos valores glosados dizem respeito a custos na aquisição de produtos destinados a revenda sobre os quais a legislação veda o creditamento, aproveita-se para esclarecer que as glosas sobre despesas com atividades de prestação de serviços foram ínfimas e que a grande maioria das despesas com prestação de serviços de operador portuário foram aceitas pela fiscalização em especial, aluguéis de maquinas, equipamentos e edificações, amortizações de benfeitorias, energia elétrica, combustíveis entre outras, porém como o contribuinte também realiza a importação e revenda de mercadorias deve-se considerar que estas despesas dizem respeito também a atividade comercial da empresa conforme pode ser observado nas Dacons preenchidas pelo próprio contribuinte, e caso prevaleça o entendimento de que uma ou outra glosa deva ser revertida em função da atividade desenvolvida pela autuada de prestação de serviços deve ser excluída a parcela das despesas vinculadas as operações com revenda, devendo ser considerada apenas a parte vinculada as operações tributadas conforme Dacons apresentadas pelo contribuinte. Não obstante isso e tendo em vista que o presente relatório deverá ser juntado também aos processos de Ressarcimento de Créditos de Pis e Cofins conforme a Resolução 3201- 003.169, de 25 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 11080.901068/2012-23, paradigma ao qual todos os demais processos de ressarcimento estão vinculados é importante esclarecer que o eventual reconhecimento de créditos vinculados a Receitas Tributadas auferidas pelo contribuinte na condição de Operador portuário, pelo órgão julgador, não tem nenhum efeito sobre os processos de ressarcimento uma vez que estes créditos possuem vedação legal de serem utilizados em pedidos de ressarcimento e/ou compensação por serem vinculados a Receitas Tributadas auferidas no mercado interno servido apenas e tão somente para desconto da contribuição apurada no período devendo, portanto, abater os valores lançados através dos Autos de Infração de Pis e Cofins. Constata-se também que as receitas de prestação de serviços, embora relevantes, correspondem a menos de 10% das receitas totais da empresa na maioria dos meses sendo que a revenda de bens corresponde ao restante, o que explica o fato de quase a totalidade das glosas terem sido operadas sobre as operações comerciais da empresa. Em última análise o contribuinte busca convencer o órgão julgador de que as despesas glosadas dizem respeito somente a atividades de prestação de serviço o que não corresponde à realidade dos autos uma vez que estas despesas são comuns, ou pelo menos o contribuinte assim as classificou em Fl. 147DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 13 seus demonstrativos e nas Dacons entregues no período, às atividades comerciais da empresa que representam cerca de 90% das receitas auferidas no período fiscalizado e para corroborar com esta afirmação constatou-se ainda que parte destes créditos foram incluídos pelo contribuinte em pedidos de ressarcimento e/ou compensação de créditos vinculados unicamente a receitas não tributadas oriundas exclusivamente da atividade comercial da empresa o que sequer seria possível caso tais créditos fossem vinculados exclusivamente a atividade de operador portuário desenvolvida pela autuada. (g.n.) Do excerto do relatório de diligência supra, bem como dos documentos juntados aos autos durante a ação fiscal, extraem-se as seguintes conclusões: a) no relatório de diligência, a fiscalização passa a fazer alusão a créditos relacionados à atividade de prestação de serviços desempenhada pelo Recorrente, diferentemente do que ocorrera na autuação, quando a glosa de créditos se amparou apenas na não aplicação dos insumos na fabricação de bens destinados à venda; b) o fato de a prestação de serviços corresponder a apenas 10% das atividades do Recorrente, como alega o agente fiscal diligenciador, não justifica, por si só, que ela possa ser ignorada, devendo o crédito a que possa fazer jus o contribuinte ser reconhecido nos termos da norma jurídica, independentemente de sua extensão; c) nas planilhas apresentadas pelo Recorrente durante a ação fiscal, constam receitas de vendas de serviços (fls. 26 a 38), em valores relevantes; d) na planilha presente às fls. 39 a 87, também apresentada durante a auditoria, constam dispêndios com fretes sobre vendas, serviços prestados para pessoas jurídicas, dentre outros; e) na planilha de fls. 90 a 143, constam informações relativas a despesas com armazenagem, fretes nas compras e fretes nas vendas; f) em outros documentos apresentados pelo Recorrente à fiscalização, consta que, na ocasião, foram entregues os arquivos digitais das notas fiscais, bem documentos comprobatórios de aluguéis de máquinas e equipamentos, despesas de conservação, locação de imóveis, planilhas diferenciando os bens utilizados como insumos em relação aos bens destinados à revenda, planilhas discriminando os dispêndios com armazenagem e frete em operações de vendas etc. (fls. 160 a 169). Nota-se que a questão probatória não foi óbice à análise empreendida pela fiscalização, tendo a auditoria se orientado pela interpretação então dada ao conceito de insumo, tendo restringido o trabalho fiscal aos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens destinados à venda, inexistindo nos autos de infração qualquer alusão a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços. Fl. 148DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 14 Concorda-se com a fiscalização quando ela diz que o desconto de créditos na aquisição de insumos (bens ou serviços) não alcança os bens apenas revendidos, mas alcança, sim, os insumos aplicados na prestação de serviços, razão pela qual deve ser reconhecido o direito a crédito na aquisição de bens e serviços aplicados na prestação de serviços a terceiros, como, no dizer da fiscalização, “armazenagem para terceiros e operação portuária”, “transporte interno de mercadorias”, “serviços de supervisão e controle”, “limpeza de armazéns, expurgo, serviços de armazenagem de diversos produtos”, “fretes após o desembaraço”, “produtos químicos”, dentre outros. Caso não seja possível discriminar, com base nas notas fiscais, na escrita fiscal e nos demais documentos apresentados, os bens e serviços adquiridos, devidamente tributados, e utilizados como insumos na prestação de serviços, dos bens e serviços utilizados na revenda de mercadorias, a apropriação de créditos deverá se dar com base no critério da proporcionalidade das diferentes receitas, estas que, conforme apontado acima, se encontram identificadas pelo Recorrente de forma apartada (receitas de revenda, receitas de prestação de serviços etc.). Por outro lado, deve-se ressaltar que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno. Outro ponto a demandar decisão nesta instância se refere aos bens e serviços sujeitos à alíquota zero utilizados como insumos na prestação de serviços, pois, tratando-se de frete, o direito ao desconto de crédito encontra-se assegurado pela súmula CARF nº 188, verbis: Súmula CARF nº 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. Nesse sentido, vota-se por dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas de créditos relativamente aos seguintes itens: (i) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, e (ii) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos Fl. 149DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 15 não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. II. Crédito. Atividade comercial. O Recorrente alega que todos os gastos que são expressamente mencionados no art. 3º da Lei nº 10.833/2003 e da Lei nº 10.637/2002, bem como no art. 15, I, da Lei nº 10.865/2004, são suscetíveis a gerar créditos de PIS/Cofins, ainda que se tratando da hipótese de aquisições de bens para revenda prevista no inciso I do art. 3º das leis da não cumulatividade, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1o-A do art. 2o desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (g.n.) No mesmo sentido, tem-se o art. 15 da Lei nº 10.865/2004, verbis: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 200 3, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I - bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; (g.n.) Verifica-se dos dispositivos supra que, tratando-se de revenda, as leis autorizam o desconto de créditos somente em relação aos bens adquiridos, sendo que, no caso de prestação de serviços ou de produção, os créditos decorrem dos insumos (bens e/ou serviços) aplicados na atividade, não havendo, a princípio, razão ao Recorrente neste item, pois, além do custo dos bens adquiridos, seja no mercado interno ou via importação, ele pretende se creditar, também, em relação a “gastos com descarga, frete, limpeza de armazéns portuários (entenda-se Fl. 150DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 16 inclusive a necessária e exigida dedetização rotineira), os expurgos, os serviços de supervisão e controle do manuseio e armazenamento dos grãos, os gastos com classificação, pesagem e movimentação interna (dentro do porto de desembarque), os serviços marítimos, os serviços de classificação e vistoria de embarcações etc.” Dentre tais gastos, somente o frete pode ser considerado custo do bem adquirido para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição, excetuando-se, portanto, o serviço de transporte prestado, de forma autônoma, por transportador domiciliado no País. Tal entendimento encontra-se em consonância com as seguintes decisões desta turma de julgamento, em que o presente conselheiro atuou como relator, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2016 a 30/09/2016 (...) NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. REVENDA. AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. Na aquisição de bens destinados à revenda, o direito ao crédito se restringe ao valor da mercadoria, inclusive do frete na hipótese de este compor o custo de aquisição, não alcançando os dispêndios com frete contratado junto a terceiros, uma vez que a possibilidade de desconto de crédito na aquisição de serviços utilizados como insumos se restringe àqueles utilizados no processo produtivo ou na prestação de serviços. (Acórdão 3201-010.859, j. 22/08/2023) [...] ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 (...) CRÉDITO. REVENDA. AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. Na aquisição de bens destinados à revenda, o direito ao crédito se restringe ao valor da mercadoria, inclusive do frete na hipótese de este compor o custo de aquisição, não alcançando os dispêndios com frete contratado junto a terceiros, uma vez que a possibilidade de desconto de crédito na aquisição de serviços utilizados como insumos se restringe àqueles utilizados no processo produtivo ou na prestação de serviços. (Acórdão 3201-010.152, j. 20/12/2022) Ressalte-se que a diferenciação de desconto de créditos previstos nos incisos I e II supra ocorre somente entre eles, pois, quanto aos demais incisos do art. 3º das Fl. 151DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 17 Leis nº 10.833/2003 e 10.637/2002 e do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, eles se aplicam indistintamente a ambas as situações. Assim, em relação aos gastos com locação de depósito para armazenagem de grãos na compra/importação, há previsão legal de desconto de créditos no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV - aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Ressalte-se que a previsão contida no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/20034 se refere apenas a operações de venda, ou revenda, não alcançando, portanto, as aquisições de bens a serem vendidos/revendidos. Dessa forma, vota-se neste item no sentido de reconhecer o direito ao desconto de créditos das contribuições não cumulativas em relação ao seguinte: (i) frete pago na aquisição de bens para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição, e (ii) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei. III. Crédito. Produtos sujeitos à alíquota zero. O Recorrente alega que as atividades por ele desenvolvidas na qualidade de operadora portuária, relativamente ao trigo importado por terceiros (seus clientes), independentemente da alíquota aplicável ao produto, representam custos de prestação de serviços, devidamente tributados, os quais ensejam o direito ao desconto de créditos das contribuições em questão. Essa matéria já foi analisada no item I deste voto, razão pela qual a ele se remete neste ponto. E quanto ao trigo importado pelo próprio Recorrente, na condição de comerciante de trigo, a despeito de sua venda estar sujeita à alíquota zero das contribuições, os créditos porventura existentes devem ser mantidos, em conformidade com o art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004, verbis: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Efetivamente, a lei autoriza a manutenção de créditos nas hipóteses de as vendas não serem alcançadas pela tributação, mas, tratando-se de bens para revenda (inciso I do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), excluem-se desse 4 IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 152DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 18 direito eventuais créditos decorrentes de aquisição de insumos aplicados na produção ou na prestação de serviços (inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003), conforme já abordado acima. Dessa forma, considerando-se o já decidido neste voto, geram desconto de créditos das contribuições, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação, os dispêndios com frete em sua aquisição, bem como os dispêndios com aluguel de prédios destinados à armazenagem dos produtos adquiridos, observadas as restrições indicadas no item II deste voto. IV. Créditos na importação. Aduz o Recorrente que, conforme planilhas presentes às fls. 191/192 (Cofins) e fls. 249/250 (PIS), relacionadas a “Créditos Vinculados a Operações de Importações”, coluna “Saldo Final”, ele acumulava saldos credores de créditos incidentes sobre a importação de bens, créditos esses que sempre se mostraram muito superiores às pretensas glosas, sendo, portanto, suficientes, com sobras, para liquidar as contribuições exigidas nos autos de infração. Segundo ele, o próprio autuante efetivou a compensação dos débitos decorrentes das glosas por ele efetuadas com os seus créditos, o que, logicamente, reduziu o saldo de créditos e extinguiu o débito apurado, nos termos do art. 156, II, do CTN. Ainda de acordo com o Recorrente, “a compensação tanto foi eficiente que o Autuante que lavrou o auto de infração do período seguinte (processo nº 11080.731136.2015-23), de 2011 a 2013, partiu de um saldo de crédito já excluído o débito lançado, pois considerou que este já havia sido compensado pelo Autuante do presente processo. Assim, partiu do valor de R$ 1.038.821,30 (fl. 106 do processo nº 11080.731136.2015-23), resultado do “saldo final” dos créditos, em dez/2010, adotado pelo Autuante no presente processo, de R$ 1.187.002,59 (fl. 192), menos o débito lançado, de R$ 147.637,28 (fl. 170), pois o considerou já compensado na autuação ora combatida.” Esses argumentos já haviam sido aduzidos na primeira instância, vindo a Delegacia de Julgamento (DRJ) a assim se manifestar: 39. Não há reparos a serem feitos nos lançamentos. 40. Os saldos credores “remanescentes” de PIS e COFINS referendados pela impugnante foram objeto de inúmeros pedidos de ressarcimento e consequentes compensações analisados, inclusive, por esta turma de julgamento. 41. Não há como, portanto, dar duas utilizações para o mesmo crédito - ressarcimento/compensação de tributos e compensar débitos tributários originados em lançamento de ofício. Encontram-se sob julgamento na mesma sessão dois processos paradigmas e 35 processos repetitivos envolvendo o mesmo período de apuração destes autos, situação essa que aponta a verossimilhança da conclusão acima da DRJ, pois a Fl. 153DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 19 identificação dos saldos de créditos na planilha da fiscalização baseou-se no Dacon elaborado pela próprio Recorrente. Além disso, há que se considerar que há restrições quanto ao ressarcimento compensação de créditos decorrentes da importação de bens para revenda, conforme se verifica da Solução de Consulta Cosit nº 208/2023, verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep IMPORTAÇÃO DE BENS PARA REVENDA. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO REMANESCENTE. Na importação de bens adquiridos para revenda, quando os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação não forem vinculados às vendas e às receitas dispostas nos incisos II a IV do art. 49 da Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 2021, somente poderão ser objeto de ressarcimento ou de compensação se decorrentes da diferença da alíquota aplicada na importação do bem e da alíquota aplicada na sua revenda no mercado interno e apurados a partir de 1º de janeiro de 2023, consoante o § 2º-A do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Os créditos acumulados em data anterior, por ausência de previsão legal, não podem ser compensados ou restituídos, cabendo ao importador tão somente a faculdade de aproveitamento desses créditos nos meses subsequentes. Dispositivos legais: Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, art. 15, e Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 6 de dezembro de 2021, arts. 48 e 49. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins IMPORTAÇÃO DE BENS PARA REVENDA. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO REMANESCENTE. Na importação de bens adquiridos para revenda, quando os créditos da Cofins-Importação não forem vinculados às vendas e às receitas dispostas nos incisos II a IV do art. 49 da Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 2021, somente poderão ser objeto de ressarcimento ou de compensação se decorrentes da diferença da alíquota aplicada na importação do bem e da alíquota aplicada na sua revenda no mercado interno e apurados a partir de 1º de janeiro de 2023, consoante o § 2º-A do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Os créditos acumulados em data anterior, por ausência de previsão legal, não podem ser compensados ou restituídos, cabendo ao importador tão somente a faculdade de aproveitamento desses créditos nos meses subsequentes. Dispositivos legais: Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, art. 15, e Instrução Normativa RFB nº 2.055, de 6 de dezembro de 2021, arts. 48 e 49. (destaques nossos) Fl. 154DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 20 Por outro lado, após descontados os valores efetivamente solicitados pelo Recorrente nas diversas PER/DComps, havendo saldo credor passível de utilização para abater, ainda que parcialmente, os débitos apurados pela fiscalização, na parte mantida nestes autos, eles deverão ser considerados no momento da execução, na repartição de origem, da decisão definitiva a ser adotada neste processo. V. Conclusão. Diante do exposto, vota-se por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de créditos relativos a: (i) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno; (ii) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições; (iii) frete pago na aquisição de bens para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição; (iv) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação. Adotando-se, nestes autos, a mesma decisão supra, com a ressalva já apontada no introito deste voto de que a reversão de glosas de créditos adotada no processo dos autos de infração somente impactará este processo nas hipóteses de créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, não podendo, portanto, ser objeto de ressarcimento/compensação. Assim, vota-se por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas de créditos relativos a: Fl. 155DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.263 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.901058/2012-98 21 (i) bens e serviços adquiridos, devidamente tributados pelas contribuições, e utilizados como insumos na prestação de serviços, sendo que, que somente podem ser objeto de ressarcimento/compensação os créditos relacionados a operações no Mercado Interno Não Tributado e na Exportação, uma vez que, em relação às operações no Mercado Interno Tributado, os créditos correspondentes somente podem ser utilizados para o desconto dos débitos devidos no período na apuração escritural das contribuições, salvo se houver diferença de alíquota entre a importação e a revenda no mercado interno; (ii) despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições; (iii) frete pago na aquisição de bens para revenda, mas desde que incluído na nota fiscal de aquisição; (iv) gastos com aluguéis de prédios utilizados para armazenagem, na compra/importação, de grãos destinados à revenda, observados os demais requisitos da lei, mesmo se tratando de bem não sujeito à tributação. É o voto. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis Fl. 156DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10885693 #
Numero do processo: 10830.724898/2019-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2017 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. EFETIVO PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. Podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, se restar comprovado que os mesmos decorrem de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, e que atendam aos requisitos para dedutibilidade dos valores pagos. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Mantém-se a glosa das despesas que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, em conformidade com a legislação de regência, considerando, os pagamentos realizados, em mera liberalidade. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. As despesas médicas própria e dos dependentes, são dedutíveis na apuração do imposto de renda, quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência. Mantém-se a glosa da despesa remanescente declarada quando não comprovada por documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO. DESPESAS DE DEPENDENTES. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS EXIGIDOS PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. DEDUÇÃO SIMULTÂNEA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. IMPOSSIBILIDADE. Podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual as despesas de dependentes, desde que atendam aos requisitos legais para dedutibilidade. Não é considerado dependente para fins tributários, a neta, quando o contribuinte não detém a sua guarda judicial, na exata dicção do art. 77, V do RIR/99, vigente à época dos fatos. Não é permitida a dedução concomitante de pensão alimentícia e de dependente referente à filha/alimentanda. Mantém-se a glosa das despesas que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos, em conformidade com a legislação de regência.
Numero da decisão: 2001-007.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honorio Albuquerque de Brito (Presidente), Raimundo Cassio Goncalves Lima, Lilian Claudia de Souza e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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PENSÃO ALIMENTÍCIA. EFETIVO PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. Podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, se restar comprovado que os mesmos decorrem de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, e que atendam aos requisitos para dedutibilidade dos valores pagos. Deve-se instruir os autos com elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa de maneira a não deixar dúvida sobre o que se pretende demonstrar. Mantém-se a glosa das despesas que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos para a dedutibilidade, em conformidade com a legislação de regência, considerando, os pagamentos realizados, em mera liberalidade. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. CONJUNTO PROBATÓRIO INSUFICIENTE. As despesas médicas própria e dos dependentes, são dedutíveis na apuração do imposto de renda, quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência. Mantém-se a glosa da despesa remanescente declarada quando não comprovada por documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO. DESPESAS DE DEPENDENTES. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS EXIGIDOS PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. DEDUÇÃO SIMULTÂNEA COM PENSÃO ALIMENTÍCIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 128DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.679 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10830.724898/2019-12 2 Podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual as despesas de dependentes, desde que atendam aos requisitos legais para dedutibilidade. Não é considerado dependente para fins tributários, a neta, quando o contribuinte não detém a sua guarda judicial, na exata dicção do art. 77, V do RIR/99, vigente à época dos fatos. Não é permitida a dedução concomitante de pensão alimentícia e de dependente referente à filha/alimentanda. Mantém-se a glosa das despesas que o contribuinte não comprova ter cumprido os requisitos exigidos, em conformidade com a legislação de regência. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honorio Albuquerque de Brito (Presidente), Raimundo Cassio Goncalves Lima, Lilian Claudia de Souza e Wilderson Botto. RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 99/106): O interessado acima qualificado recebeu a notificação de lançamento em que foi lhe exigido o imposto suplementar no valor de R$ 15.251,22, relativo ao ano- calendário 2016, em virtude da apuração da dedução indevida de dependentes, pensão alimentícia judicial e/ou escritura pública e despesas médicas por falta de comprovação. A descrição dos fatos e do enquadramento legal se encontram na referida notificação. A fiscalização efetuou as glosas por falta de comprovação dos valores de: Fl. 129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.679 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10830.724898/2019-12 3 - R$ 4.550,46 relativo às dependentes Sophie Gobato Langame e Alessandra Rodrigues Gobato por não comprovação da relação de dependência; - R$ 42.780,00 e relativo a dedução pleiteada a título de pensão alimentícia judicial e/ou escritura pública por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para a dedução. - R$ 8.716,44 de relativo a diferença entre o valor declarado de R$ 10.460,00 e o valor constante dos controles da RFB (Dmed) relativo ao plano de saúde da Caixa de Assistência dos Empregados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa; Na impugnação (fls. 4/5) complementada, às fls. 13/16, o contribuinte, através de seu procurador (fl. 17), discorda das glosas das deduções alegando, em síntese, que: - R$ 2.275,08 relativo a dependente filha ou enteada incapacitada física ou mentalmente para o trabalho; - R$ 2.275,08 se refere a dependente irmão (ã), neto (a)ou bisneto (a) sem arrimo dos pais, de quem o contribuinte detém a guarda judicial, com idade até 21 anos; - R$ 42.780,00 se refere a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, em decorrência de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, no caso de divórcio consensual; - R$ 8.716,44 se refere a despesas incorridas com o plano de saúde da Embrapa; - em 22/05/2019 compareceu à Unidade da Receita Federal em Campinas para apresentar a documentação solicitada no Termo de Intimação Fiscal 2017/641194740567841 como consta no termo de Recepção de Requerimento; - nessa ocasião, a DRF de Campinas alega ter recebido apenas o documento de identidade do interessado, bem como a Decisão Judicial ou Acordo Homologado e, para sua surpresa, em 10/06/2019 recebeu a notificação de lançamento ora contestada; - esclarece que Sara Rodrigues Gobato, é filha do contribuinte e portadora da Síndrome de Down, conforme comprovam os Laudos Médicos e o documento de identidade ora juntados aos autos; - conforme sentença transitada em julgado comprova-se a interdição de Sara, o que a deixou integralmente inapta para realizar os atos da vida civil; - o comprovante de pagamento de auxílio médico da Casembrapa comprova as despesas médicas do ano-calendário de 2016; - o documento judicial (anexo) comprova a determinação da continuidade do pagamento da pensão alimentícia para sua filha Sara, a qual não tem capacidade mental para o trabalho; Fl. 130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.679 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10830.724898/2019-12 4 - Sophie Gobato Lagame registrada como dependente na DIRPF/2017 é sua neta, uma vez que seu pai encontra-se em lugar não sabido e sua mãe não tem condições financeiras para arcar as despesas da menor/dependente, requereu a guarda da menor há de mais de vinte anos. Por fim, requer a improcedência do lançamento, juntando os seguintes documentos: Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº 1006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013 e conforme definição da Coordenação-Geral do Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o presente e-processo foi encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento. A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário exigido. Cientificado da decisão, em 07/10/2019 (fls. 113), o contribuinte, por procurador habilitado interpôs, em 06/11/2019, recurso voluntário (fls. 116/119), insurgindo-se contra a manutenção das glosas operadas, reportando-se e repisando literalmente as alegações da peça impugnatória, requerendo, ao final, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Instrui a peça recursal com os documentos de fls. 120/122. Em 29/12/2023, em face da extinção do mandato do conselheiro relator, Marcelo Rocha Paura, ocorrido em 28/09/2023, o processo foi enviado para novo sorteio (fls. 127), sendo- me distribuído em 03/10/2024, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. VOTO Conselheiro Wilderson Botto, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Fl. 131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.679 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10830.724898/2019-12 5 Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Da glosa sobre as despesas de dependente, com pensão alimentícia e médica declaradas: O litígio recai sobre a glosa das despesas de dependentes (R$ 4.550,16), com pensão alimentícia (R$ 42.780,00) e médicas com o remanescente do plano de saúde Casembrapa (R$ 8.716,44), por falta de comprovação da relação de dependência e dos pagamentos realizados, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do acatamento das aludidas despesas declaradas na DAA/2017. Inicialmente, da análise dos autos, pode-se constatar que a autoridade fiscal requereu as justificativas sobre as despesas declaradas, não tendo sido demonstrado o efetivo cumprimento dos requisitos legais a motivar as respectivas deduções. Vale salientar, que o art. 73 do RIR/99, por si só, autoriza expressamente ao Fisco, para formar sua convicção, solicitar os documentos subsidiários aos informes declarados, para efeito de confirmá-los, no que tange a regularidade dos pagamentos declarados e a verossimilhança dos dados informados. Ademais, não se pode olvidar que na relação processual tributária, compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam ilidir a imputação de irregularidades suscitada. Conclui-se, portanto, que a comprovação das despesas e dos dispêndios, quando exigidos e não apresentados, autoriza a glosa das deduções pleiteadas e a consequente tributação dos valores correspondentes. A própria lei estabelece a quem cabe provar determinado fato. É o que ocorre, a título de exemplificação, no caso das deduções. O art. 11, § 3º do Decreto-lei nº 5.844/43, por seu turno, reza que o sujeito passivo pode ser intimado a promover a devida justificação ou comprovação, imputando-lhe o ônus probatório. Mesmo que a norma possa parecer, ao menos em tese, discricionária, deixando ao sabor do Fisco a iniciativa, e este assim procede quando está albergado em indícios razoáveis de ocorrência de irregularidades nas deduções, mesmo porque o ônus probatório implica trazer elementos que afastem eventuais dúvidas sobre o fato imputado. Assim, passo ao cotejo dos documentos carreados, em relação aos fundamentos motivadores da manutenção da autuação traçados na decisão recorrida (fls. 101/106): Dependentes (...) Sophie Gobato Langame - neta do contribuinte Conforme determinação expressa, o neto sem arrimo dos pais, até 21 anos, poderá ser considerado como dependente, para fins de imposto de renda, desde que o contribuinte detenha a guarda do mesmo. Fl. 132DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.679 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10830.724898/2019-12 6 No caso, o contribuinte não juntou ao processo o Termo Judicial de Guarda da menor Sophie Gobato Langame, sua neta, que lhe autorizaria a pleiteá-la como dependente na DIRPF/2017. Esclareça-se que a "Declaração"(fl. 39) datada de 04/07/2019, emitida por Alessandra Rodrigues Gobato, mãe de Sophie, na qual declara que por estar desempregada nos anos de 2015, 2016 e até 09/2017, sem receber qualquer remuneração e em tratamento médico, recebeu mensalmente do Sr. Valter Gobato, no caso o contribuinte, recebeu uma ajuda mensal no valor de R$ 400,00, não supre a falta da apresentação do Termo Judicial de Guarda da menor. Igualmente, quanto a "Declaração" (fl. 40) de Alessandra Rodrigues Gobato, onde declara que recebe o valor mensal de R$ 2.275,08 de pensão alimentícia mensal paga pelo impugnante à Sophie (sua neta) mediante ACORDO NÃO JUDICIAL. Os recibos (fls. 41/55) emitidos pelo Lar Assistencial Casa da Criança e do Instituto de Recreação Espaço Criança em nome de Alessandra Rodrigues Gobato não suprem de forma alguma o Termo Judicial de Guarda da neta do contribuinte para que este possa fazer jus a dedução de dependente. Assim, mantida a glosa dessa dedução. Alessandra Rodrigues Gobato - filha No caso, Alessandra consta como beneficiária de pensão conforme Termo de Audiência nos Autos de Separação Judicial realizada em 04/04/2000 (fls.63/64), não podendo ser considerada dependente do interessado para fins de imposto de renda. Portanto, deve ser mantida a glosa dessa dependente. Pensão alimentícia judicial e/ou Escritura Pública (...) Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal foi efetuada a glosa do valor de R$ 42.780,00 com o seguinte fundamento: Dedução indevida de pensão alimentícia: Dedução não comprovada. A documentação apresentada no dossiê 10010.058376/0519-72 é insuficiente e/ou inadequada para fins de comprovação à dedução. Não foram apresentados os comprovantes de pagamentos do valor deduzido. Obs: o acordo homologado judicialmente nos autos da Separação Judicial é datado de 04 de abril de 2000 e tem redação genérica pois não informa o nome dos alimentandos (...o pai pagará às filhas, a título de pensão alimentícia a importância mensal correspondente à 1/3 de seus vencimentos líquidos. c.). Considerando que a alimentanda informada na declaração (Sara Rodrigues Gobato, data de nascimento 21/04/1989) é maior nos termos da Lei Civil, o contribuinte deverá apresentar documento judicial determinando a continuidade do pagamento da pensão motivada pela a sua incapacidade física e/ou mental para o trabalho (tendo em vista o Fl. 133DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.679 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10830.724898/2019-12 7 atestado médico apresentado) ou por qualquer outra circunstância que justifique a continuidade do pagamento da pensão após ter alcançado a maioridade." No Termo de Audiência nos Autos de Separação Judicial realizada em 04/04/2000 (fls. 63/64) assim ficou estipulado o pagamento de pensão alimentícia: “... Assim, no ano em questão, o contribuinte estava obrigado ao pagamento de pensão alimentícia às filhas (Sara, nascida em 08/05/84, e Alessandra, nascida em 21/04/89) da importância mensal de 1/3 (um terço) de seus vencimentos líquidos, que será efetuado mediante desconto em folha de pagamento junto à empregadora do requerente e depósito em conta corrente em nome da autora, junto ao Banco do Brasil, Ag. 0811-7, c.c 5285-x. Todavia, o contribuinte não juntou ao processo nenhum comprovante dos pagamentos mensais (contracheques) relativos à pensão alimentícia judicial que teria sido paga, no ano-calendário de 2016, tampouco recibos de depósitos na citada conta bancária. Em pesquisa aos sistemas da RFB verifica-se que na DIRF apresentada pela referida fonte pagadora qualquer informação de pagamento de pensão alimentícia judicial, para o ano-calendário de 2016. No tocante, a petição inicial juntada, às fls. 69/77, datada de 16/10/2017, na qual Alessandra Rodrigues Gobatto, outra filha do interessado, requer a interdição e curatela de Wayne Rodrigues, sua mãe, em nada favorece o contribuinte quanto a comprovação da dedução (pensão alimentícia judicial) por ele pleiteada na DIRPF/2017. Portanto, não tendo o contribuinte juntado ao presente processo a comprovação através de documentos hábeis e idôneos (contracheques, depósitos bancários, etc.) dos pagamentos que teriam sido efetuados a título de pensão alimentícia, no ano-calendário de 2016, de acordo com o Termo de Audiência nos Autos de Separação Judicial realizada em 04/04/2000 (fls. 63/64) deve ser mantida a glosa no valor de R$ 42.780,00. Despesas médicas Fl. 134DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.679 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10830.724898/2019-12 8 (...) Foi alterado o valor de R$ 10.460,00 para R$ 1.743,56 relativo a dedução a título de despesas médicas do plano de saúde à Casembrapa - Caixa de Assistência dos Empregados da Embrapa, tendo em vista as informações constantes da base de dados da RFB - DMED. O comprovante (fl.19) emitido pela Casembrapa refere-se as despesas pagas no ano-calendário de 2017 e não do ano-calendário em tela, 2016. Entretanto, no dossiê do contribuinte do exercício de 2015 (processo nº 10010.058376/0519-12) consta o comprovante do ano-calendário de 2016, ratificando o valor de R$ 1.743,56 considerado no lançamento. Em pesquisa aos sistemas da RFB verifica-se que não houve apresentação de Dmed retificadora pela Casembrapa, até a presente data. Portanto, mantida a glosa das despesas médicas. Pois bem. Em que pese as alegações recursais, do cotejo dos documentos acostados, aliado aos fundamentos trazidos no voto condutor da decisão recorrida (fls. 99/106) e atendo-se às informações contidas na autuação (fls. 6/12), não há como prosperar a pretensão recursal. Em relação à pensão alimentícia, e corroborando o acerto da decisão recorrida, vale registrar que sua dedução somente será cabível quando restar comprovado que o pagamento declarado ocorreu em conformidade com os termos da decisão judicial homologada. Noutras palavras, para ter direito à dedução o contribuinte deverá comprovar o efetivo pagamento bem como apresentar a decisão judicial que homologou o pedido formulado. Neste ponto, tem-se que não foi acostado nenhum documento atestando a realização do pensionamento declarado – situação que, ao meu sentir, poderia ter sido suprida, dentre outros, com declaração emitida pela genitora e curadora da filha/alimentanda, Sra. Wayne Rodrigues, atestando o recebimento dos valores pagos em favor da alimentanda, bem como certificando a impossibilidade da realização dos depósitos em conta bancária, previsão aliás estabelecida no acordo judicial homologado por sentença (fls. 58/66) – constituindo os supostos pagamentos declarados como realizados (e não comprovados), em mera liberalidade. Quanto à despesa médica remanescente, nada a prover, uma vez que além de não comprovada, tem-se que a parte efetivamente paga ao plano de saúde Casembrapa – ao teor do comprovante de pagamento relativo ao ano-calendário de 206 juntado no processo fiscal nº 10830.724896/2019-15, do mesmo contribuinte, também sob minha relatoria – foi integralmente considerada e deferida pela fiscalização, conforme se depreende dos registros contidos na notificação de lançamento e certificado pela decisão recorrida. No que se refere a dedução de dependentes, o Recorrente não possui a guarda judicial de sua neta, Sophie Gobato Langene, fato imprescindível para motivar a dedutibilidade, não podendo assim em termos fiscais ser considerada dependente, na exta dicção do art. 77, V do Fl. 135DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.679 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10830.724898/2019-12 9 RIR/99. Já relação à filha, Alessandra Rodrigues Gobatto, a mesma também é beneficiária de pensão alimentícia, acumulação esta inadmissível nos termos do art. 78, § 1º do RIR/99, sendo vedada tal conduta, uma vez que o pagamento de alimentos e a relação de dependência são incompatíveis e excludentes, excetuando-se a hipótese de mudança na relação de dependência no decorrer do ano-calendário, o que não é o caso dos autos. Destarte, restando desatendidos os requisitos para dedutibilidade dos valores pleiteados – diga-se de passagem, à míngua de comprovação por documentação hábil e consistente do pagamento da pensão alimentícia declarada, bem como da despesa remanescente com o plano de saúde, aliado a falta de previsão e acumulação não admissível da dedução das despesas dos dependentes declarados (neta da qual não possui a guarda judicial e filha/alimentanda) – correta é manutenção do lançamento, tudo em sintonia com a legislação de regência, razão pela qual mantenho subsistente o crédito tributário exigido. Por fim, vale relembrar que o lançamento rege-se por expressa determinação legal, sendo portanto, a atividade fiscal, vinculada e obrigatória, na exta dicção do art. 142 do CTN, competindo ao Fisco revisar a declaração de ajuste, calcular a exigência e constituir o crédito tributário ou ajustar o imposto a restituir declarado, sob pena de responsabilidade funcional. Conclusão Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso, para manter o lançamento e as alterações decorrentes na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 136DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10885002 #
Numero do processo: 17613.720497/2019-99
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 17 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2016 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE. Para ser beneficiado com o instituto da isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, nos termos do inciso art. 6º, II e § 4º da IN RFB nº 1500, de 29/10/2014. O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela doença de Alzheimer configura o pressuposto de moléstia grave previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. Restando comprovado o atendimento às exigências cumulativas legais, impõe-se o reconhecimento parcial do direito à isenção do imposto sobre a renda no caso concreto.
Numero da decisão: 2001-007.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à isenção sobre os rendimentos recebidos do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo, a partir de 27/06/2016, na base de cálculo do imposto de renda. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honorio Albuquerque de Brito (Presidente), Raimundo Cassio Goncalves Lima, Lilian Claudia de Souza e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO

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PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. CONJUNTO PROBATÓRIO SUFICIENTE. Para ser beneficiado com o instituto da isenção, os rendimentos devem atender a dois pré-requisitos legais: ter a natureza de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, e o contribuinte ser portador de moléstia grave, discriminada em lei, reconhecida por Laudo Médico Pericial de Órgão Médico Oficial, nos termos do inciso art. 6º, II e § 4º da IN RFB nº 1500, de 29/10/2014. O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela doença de Alzheimer configura o pressuposto de moléstia grave previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de aposentadoria, reforma ou pensão. Restando comprovado o atendimento às exigências cumulativas legais, impõe-se o reconhecimento parcial do direito à isenção do imposto sobre a renda no caso concreto. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito à isenção sobre os rendimentos recebidos do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo, a partir de 27/06/2016, na base de cálculo do imposto de renda. (documento assinado digitalmente) Fl. 287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.662 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17613.720497/2019-99 2 Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Honorio Albuquerque de Brito (Presidente), Raimundo Cassio Goncalves Lima, Lilian Claudia de Souza e Wilderson Botto. RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida (fls. 259/263): Trata-se do Lançamento Suplementar do Imposto de Renda Pessoa Física - IRPF, no valor de R$ 1.883,14 (hum mil, oitocentos e oitenta e três reais e quatorze centavos), acrescido da multa de ofício no percentual de 75% e dos juros de mora, decorrente de revisão de Declaração de Ajuste Anual, exercício 2017, ano- calendário 2016, realizada pela Autoridade Fiscal, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 13/18). Lançamento De acordo com a notificação de lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, foram constatadas as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos do trabalho assalariado no valor de R$ 114.052.82 recebidos pelo titular da fonte pagadora Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo, sujeitos à tabela progressiva e indevidamente declarados como isentos e não-tributáveis, por não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou a sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor (fl. 15). b) compensação indevida do Imposto de Renda na Fonte sobre rendimentos declarados como isentos e não-tributáveis em decorrência de proventos de aposentadoria por moléstia grave no valor de R$ 25.742,48. O contribuinte não comprovou ser portador de moléstia considerada grave ou a sua condição de aposentado, pensionista ou reformado, nos termos da legislação em vigor (fl. 16). Ciência ao Contribuinte O contribuinte foi cientificado da Notificação de Lançamento, em 29 de maio de 2019, conforme AR- Aviso de Recebimento (fl. 199). Impugnação Fl. 288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.662 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17613.720497/2019-99 3 O contribuinte, por meio do seu representante legal (fls. 19/23), apresentou impugnação, em 28 de junho de 2019, contestando o lançamento (fls. 02/12) acompanhada de cópias de documentos (fls. 19/34 e 56/258). Em sua defesa, o contribuinte alegou que é portador da doença de Alzheimer desde 27 de junho de 2016, quando houve o diagnóstico. Alegou ainda que foi iniciado o processo para fins de isenção do Imposto de Renda, nos termos do art. 6º da Lei nº 7.713/88, com avaliação pericial realizada pela Junta Militar de Saúde da Polícia Militar do Estado do Espírito Santo, concluindo que o Impugnante é de fato portador do mal de Alzheimer, sendo doença impassível de controle e de caráter permanente (laudo anexo). O contribuinte alegou também que: Foi submetido a perícia médica determinada nos autos da ação de interdição sob o nº 0006479-11.2018.8.08.0024, em trâmite na 1ª Vara de Órfãos e Sucessões de Vitória - ES, concluindo a perícia que o mesmo é portador de doença/transtorno mental que impedem de reger sua pessoa e seus bens, tornando-o absolutamente incapaz para realização dos atos da vida civil, em caráter irreversível, incurável e permanente. Em 03/07/2018, foi publicado no Diário Oficial, o deferimento da imunidade de contribuição previdenciária e a isenção do IRPF em benefício do impugnante. Em 13/08/2018, o Impugnante apresentou declarações retificadoras referentes aos anos-calendário 2016 e 2017, com a finalidade de restituição do valor pago pelo impugnante a título do imposto de renda. Entende que apesar de a doença mal de Alzheimer não estar expressamente arrolada entre as doenças que permitem isenção do imposto de renda, trata-se de uma espécie do gênero alienação mental, o que autoriza o contribuinte a perseguir a isenção. Citando jurisprudência para embasar seu entendimento. Por fim, requer: Fl. 289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.662 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17613.720497/2019-99 4 A decisão de primeira instância, por unanimidade, manteve o lançamento do crédito tributário exigido. Cientificado da decisão, em 06/02/2020 (fls. 267), o contribuinte, por procurador habilitado interpôs, em 04/03/2020, recurso voluntário (fls. 270/), insurgindo-se contra a manutenção da autuação, alegando, em brevíssima síntese, após traçar o histórico fático dos autos, que a doença acometida está descrita no rol de moléstia grave previstas na legislação de regência, citando a Portaria Normativa nº 1174/MD, de 06/09/2006, bem como o Manual de Perícia Oficial em Saúde do Servidor Público Federal, registrando que a doença de Alzheimer, dentre outras, é passível de enquadramento da alienação mental como moléstia grave, autorizando a isenção do imposto de renda na forma do art. 6º, XIV da Lei nº 7.713/88, razão pela qual a Junta Militar do Estado do Espírito Santo atestou o seu enquadramento como portador de doença especificada na citada legislação, notadamente alienação mental decorrente de Mal de Alzheimer. Alega ainda que tal parecer está corroborado pelos laudos médicos particular e o pericial acostado na ação judicial de interdição proposta em desfavor do contribuinte, atestando que o mesmo está impedido de reger sua pessoa e seus bens, tornando-o absolutamente incapaz para realização dos atos da vida civil, em caráter irreversível e incurável. Cita jurisprudência administrativa para justificar as pretensões recursais. Requer, ao final, a reforma da decisão recorrida, com a restituição do imposto de renda a que faz jus. Em 29/12/2023, em face da extinção do mandato do conselheiro relator, Marcelo Rocha Paura, ocorrido em 28/09/2023, o processo foi enviado para novo sorteio (fls. 286), sendo- me distribuído em 03/10/2024, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. VOTO Conselheiro Wilderson Botto, Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões por que dele conheço e passo à sua análise. Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Mérito Dos rendimentos recebidos indevidamente considerados isentos por moléstia grave e da compensação indevida do imposto de renda sobre os aludidos rendimentos – do não preenchimento dos requisitos cumulativos legais: Fl. 290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.662 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17613.720497/2019-99 5 O litígio recai sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, indevidamente considerados como isentos por moléstia grave (R$ 114.052,82) e da compensação indevida do imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos declarados como isentos por moléstia grave (R$ 25.742,48), apurados em sede de revisão da DAA/2017 retificadora apresentada, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do processado, no sentido do afastamento das infrações apuradas, com especial destaque para isenção em face da moléstia grave que lhe acometera. Assim, passo ao cotejo dos documentos carreados, em relação aos fundamentos motivadores da manutenção da autuação traçados na decisão recorrida (fls. 262/263): De acordo com o documento apresentado (Portaria nº 1.674 de 26/09/2012 - IPAJM), verifica-se que o contribuinte passou da situação reserva remunerada para reforma "ex-offício" a contar de 11 de julho de 2007 (fls. 215), comprovando um requisito, a situação de inatividade. Em relação ao segundo requisito, (portador de uma das doenças relacionadas no inciso XIV, do art. 6º da Lei nº 7.713/88), o contribuinte apresentou Laudo Médico-Pericial emitido pela Diretoria de Saúde da Polícia Militar vinculada à Secretaria de Estado de Segurança Pública do Estado do Espírito Santo declarando que o requerente se enquadra como portador de doença especificada no Inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7713/88, sendo especificada a Doença de Alzheimer, Cid - 10: G 30, com data do diagnóstico 27/06/2016, com validade permanente (fls. 33 e 243). Todavia, contrariamente do que está declarado no Laudo Médico-Pericial, (fls. 33 e 243), a doença denominada “Alzheimer” não consta das hipóteses elencadas na legislação que trata da isenção por moléstia grave (Lei nº 7.713/1988, art. 6º, inciso XIV). (...) Por outro lado, o contribuinte, por intermédio do seu procurador, entende que apesar de a doença mal de Alzheimer não estar expressamente arrolada entre as doenças que permitem isenção do imposto de renda, trata-se de uma espécie do gênero alienação mental, citando jurisprudência para embasar seu entendimento. Entretanto, apesar de o Laudo Médico-Pericial apontado (fl. 33 e 243) ter sido emitido por serviço médico oficial do Estado do Espírito Santo, conforme exigência legal acima transcrita, percebe-se que no referido laudo foi declarado que o contribuinte é portador da Doença de Alzheimer, a qual não se presta para isenção de Imposto de Renda. Ressaltando que, neste caso, é da alçada do médico-perito pronunciar-se sobre as condições de saúde do contribuinte, cabendo à autoridade tributária, tão somente, verificar se o relato médico se coaduna ao benefício fiscal proposto pelo legislador. Fl. 291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.662 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17613.720497/2019-99 6 Dessa forma, considerando que o contribuinte não comprovou ter preenchido os requisitos legais, ou seja, ser portador de uma das doenças elencadas na legislação que trata da isenção do Imposto de Renda por moléstia grave (Lei nº 7.713/1988, art. 6º, inciso XIV), entendo que não deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado pelo impugnante. Ressaltando que a isenção deve ser interpretada literalmente, consoante o disposto no art. 111 do Código Tributário Nacional – CTN – Lei nº 5.172, de 25/10/1966. Como se pode perceber, a decisão recorrida indeferiu o pedido formulado, sob o fundamento de que não restou comprovado o cumprimento cumulativo dos requisitos legais ao benefício fiscal, por ausência comprovação da moléstia tipificada no texto legal a proporcionar a isenção pleiteada. Pois bem. Feito o registro acima e após detida análise, entendo que a pretensão recursal merece parcialmente prosperar. Neste ponto, dada a pertinência e por se amoldar perfeitamente ao caso vertente, vale transcrever excertos do voto-condutor do Acórdão nº 2001-004.650 (sessão de 27/10/2021), deliberado à época, por unanimidade, pelo Colegiado desta 1ª Turma Extraordinária, onde o então ilustre relator Marcelo Rocha Paura, com mediana clareza, assim manifestou suas convicções, cujas razões de decidir perfilho: Acrescento, ainda, que discordo das conclusões do julgamento anterior que considerou ser a interessada portadora da doença de Alzheimer, mas não ser portadora de alienação mental, no ano-calendário de 2007. Tal convicção é por mim extraída do conteúdo constante do Manual de Perícia Oficial em Saúde do Servidor Público Federal, que estabelece orientações aos órgãos e entidades do Sistema de Pessoal Civil da Administração Federal - SIPEC sobre os procedimentos a serem observados quando da aplicação da Perícia Oficial em Saúde de que trata a Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Embora aquele manual tenha sido criado para orientar os profissionais de saúde nas perícias dos servidores públicos civis da administração federal, entendo que suas conclusões técnicas podem ser perfeitamente utilizadas, para fins de elucidação, neste caso concreto. Com efeito, o referido manual conceitua a alienação mental, conforme abaixo: Alienação Mental Conceito: Conceitua-se como alienação mental todo quadro de distúrbio psiquiátrico ou neuropsiquiátrico grave e persistente, no qual, esgotados os meios habituais de tratamento, haja alteração completa ou considerável da personalidade, comprometendo gravemente os juízos de valor e de realidade, bem como a capacidade de entendimento e de autodeterminação, tornando o indivíduo inválido total e permanentemente para qualquer trabalho. Fl. 292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.662 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17613.720497/2019-99 7 O indivíduo torna-se incapaz de responder legalmente por seus atos na vida civil, mostrando-se inteiramente dependente de terceiros no que tange às diversas responsabilidades exigidas pelo convívio em sociedade. O alienado mental pode representar riscos para si e para terceiros, sendo impedido por isso de qualquer atividade funcional. Há indicação legal para que todos os servidores portadores de alienação mental sejam interditados judicialmente. O perito deve avaliar se é conveniente e apropriado o enquadramento do indivíduo como alienado mental. O simples diagnóstico desses quadros não é indicativo de enquadramento. Mais adiante o documento define os critérios que devem ser observados para o devido diagnóstico, bem como as doenças que são passíveis de enquadramento como alienação mental, in verbis: Critérios de Enquadramento A alienação mental poderá ser identificada no curso de qualquer enfermidade psiquiátrica ou neuropsiquiátrica desde que, em seu estágio evolutivo, sejam atendidas todas as condições abaixo discriminadas: 1 Seja grave e persistente; 2 Seja refratária aos meios habituais de tratamento; 3 Provoque alteração completa ou considerável da personalidade; 4 Comprometa gravemente os juízos de valor e realidade, bem como a capacidade de entendimento e de autodeterminação; 5 Torne o servidor inválido de forma total e permanente para qualquer trabalho. São Passíveis de Enquadramento: 1 Psicoses esquizofrênicas nos estados crônicos; 2 Outras psicoses graves nos estados crônicos; 3 Estados demenciais de qualquer etiologia (vascular, Alzheimer, doença de Parkinson etc.); 4 Oligofrenias graves. Pelo exposto, temos que é pertinente o enquadramento do Alzheimer como espécie da moléstia alienação mental. Além deste fato, observamos que esta é a posição majoritariamente adotada por este Conselho em julgados recentes, conforme ementas abaixo colacionadas: 2201003.197 - 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 12/05/2016. MAL DE ALZHEIMER. MOLÉSTIA GRAVE. ALIENAÇÃO MENTAL. Havendo nos autos laudos médicos confirmando que a contribuinte é portadora do chamado Mal de Alzheimer, sendo que o quadro clínico apresentado caracteriza alienação mental, deve-se concluir que tem direito ao gozo da isenção prevista no Fl. 293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.662 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 17613.720497/2019-99 8 artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/1988, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 8.541/1992. 2201003.115 - 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 14/04/2016. IRPF RESTITUIÇÃO MOLÉSTIA GRAVE ALIENAÇÃO MENTAL DOENÇA DE ALZHEIMER. O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de "moléstia grave" previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de pensão. 9202007.821 - 2ª Turma, de 25/04/2019. IRPF. MOLÉSTIA GRAVE. DOENÇA DE ALZHEIMER. DEMÊNCIA. O estado de alienação mental ou a síndrome demencial ou constituída da demência senil causada pela Doença de Alzheimer configura o pressuposto de “moléstia grave” previsto na legislação para fins de isenção do imposto sobre proventos de aposentadoria e pensão. Assim, voto pelo deferimento do pedido recursal. Destarte, considerando: ter sido reconhecido por serviço médico oficial que o contribuinte é portador de moléstia grave (alienação mental decorrente de doença de Alzheimer) a partir de 27/06/2016 (fls. 243/244); que os rendimentos recebidos se referem a inatividade decorrente da transferência da situação de reserva remunerada para reforma “ex-officio” desde 11/06/2007, conforme aliás aquiescido pela decisão recorrida (fls. 32 e 215); e o que está em análise é o benefício fiscal sobre os rendimentos recebidos no ano-calendário de 2016, é de se concluir que tais rendimentos estão isentos a partir da data identificada no laudo pericial, razão pela qual reconheço o direito ao benefício fiscal, somente a partir de 27/06/2016. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso, somente para reconhecer o direito à isenção sobre os rendimentos recebidos do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo, a partir de 27/06/2016, na base de cálculo do imposto de renda. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 294DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10840.001164/2006-10
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins Contribuição para o PIS/Pasep Período de Apuração: 31/08/1989 a 29/02/1996 Ementa: PIS. ADIN 1417. PRESCRIÇÃO DO DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO, O prazo para restituição em relação ao direito decorrente da declaração de inconstitucionalidade da MP n° 1.212/95, por violação ao principio da anterioridade - que afastou seus efeitos no período de 1º de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996 - é de 5 anos contados da publicação da decisão do STF na ADIn n° 1,417-0/DF, em 16/08/1999. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95, CONVERTIDA NA LEI 9.715/98 ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. VACATIO LEGIS. Não ocorre fenômeno da vocatio legis por conta da declaração da inconstitucionalidade do art, 18 da Lei 9,715/98. Aplica-se, quanto aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996 o disposto na LC n° 7170, nos termos da IN SRF n° 6/2000. AMP 1.212195 surtiu regular efeito em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996, sendo validas e eficazes as suas republicações e a posterior conversão na Lei 9.715/98. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 15 DO CARE. Até fevereiro de 1996, a base de calculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art, 6 da LC n° 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, solo correção monetária ate a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STI, Resp 144.708-RS e Súmula 15 do CARE). Em relação aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, deve ser reconhecido ao contribuinte o direito de restituição da diferença entre o valor por ele recolhido e o valor que seria efetivamente devido nos termos da LC n° 7/70 Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 3403-000.769
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso para afastar a decadência e para reconhecer o direito ao indébito do PIS entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, observado o critério da semestralidade da base de cálculos nos termos da Súmula CARP nº 15. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Marcos Tranchesi Ortiz, quanto à decadência.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI

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ADIN 1417. PRESCRIÇÃO DO DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO, 0 prazo para restituição em relação ao direito decorrente da declaração de inconstitucionalidade da MP n° 1.212/95, por violação ao principio da anterioridade - que afastou seus efeitos no período de lo de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996 -, é de 5 anos contados - da publicação da decisão do STF na ADIn n° 1,417-0/DF, em 16/08/1999. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA MEDIDA PROVISÓRIA 1.212/95, CONVERTIDA NA LEI 9.715/98 ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. VACATIO LEGIS. ma ocorre fenômeno da mead(' legis por conta da declaração da inconstitucionalidade do art, 18 da Lei 9,715/98. Aplica-se, quanto aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996 o disposto na LC n° 7170, nos termos da IN SRF n° 6/2000. AMP 1.212195 surtiu regular efeito em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996, sendo validas e eficazes as suas republicações e a posterior conversão na Lei 9.715/98. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA 15 DO CARE. Até fevereiro de 1996, a base de calculo do PIS, nos termos do parágrafo único do art, 6 da LC n° 7/70, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, solo correção monetária ate a data do respectivo vencimento (Primeira Seção do STI, Resp 144.708-RS e Súmula 15 do CARE). Em relação aos fatos geradores ocorridos entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, deve ser reconhecido ao contribuinte o direito de restituição da diferença entre o valor por ele recolhido e o valor que seria efetivamente devido nos termos da LC n° 7/70 Recurso parcialmente provido, •- ■ 1:[ ri 123 S3-C413 Fl 117 p I-1. 12.1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial mento ao recurso para afastar a decadência e para reconhecer o direito ao indébito do PIS kmtubro de 1995 e fevereiro de 1996, observado o critério da semestralidade da base de 18 nos termos da Súmula CARP n 2̀ 15. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e o's Tranchesi Ortiz, quanto à decadência. Antonio Carlos Atulim - Presidente Ivan Ailegretti - Relator. AMMO a Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos ,Ivan Allegretti, Robson Jose Bayerl, Domingos de SA Filho, Winder ley Morais Pereira os Tranchesi Ortiz 1 a 0 contribuinte transmitiu Declaraçães de Compensação (listadas as fl 70) cando como crédito a totalidade dos valores que recolheu a titulo de Contribuição para o rama de Integração Social (PIS) com fundamento na MP 1 212/95, alegando que o seu Ito de crédito teria decorrido do julgamento da ADIN n° 1,417 pelo Supremo 'Tribunal tal, em que houve a declaração de inconstitucionalidade do art. 15 da Medida Provisória .212/95 A Delegacia da Receita Federal de Ribeirao Preto/SP (DRF), por meio de sio de 09/05/2006 (fls. 70/78), negou homologação às compensagiies, pelos fundamentos tizados na seguinte ementa (fl 78): PER/DCOMP PIS RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO DECADÊNCIA DECLARA (-JO DE COMPENSAÇÃO NÃO- HOMOLOGADA. ATO DECLARA TÓRIO SRF n° 96/1999 0 direito de pleitear a restitui cão de pagamentos indevidos para compensação com créditos vincendos decai no prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito ti ibutário, PIS RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. MEDIDA PROVISÓRIA 1 212/9.5. PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE MITIGADA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N°06/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA Tendo sido declarado inconstitucional apenas o artigo que determinava a aplicação retroativa da I 1 le 1,2IZ de 1995, aos jaws geradores °cot tidos entre 01/10/1995 e 29/02/1996 aplica- se a LC n° 7, de 1970 A exigéncia da contribuição para o P15. baseada na MI' n° 1.212, do 1995, iniciou-se após decorido o 2 83-C413 1:1 118 PR7CCSSO n° 10840 001164/2006-10 Antircifio n " 3403-110.769 plaza de noventa diay de sua edição, 01/03/1996, até ser convertida na Lei 9 715. de 1998 O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls 82/84) argumentando que não ocorreu a prescrição. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DID, por meio do Acórdão ria 14-19,560, de 13 de junho de 2008 (fls. 102/105), negou provimento niani festação de inconformidade, mantendo a decisão que indeferiu o direito do contribuinte', rei.iinindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP PERIOD() DE APURA pro 31/08/1989 a 29/02/1996 DECLARA ÇÃO DE COMPENSA pro. HomoLoGAÇÃ -0 A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo pi óprio ritieito passivo, inediante entrega de declaração de compensação (Dcomp), ester condicionada comp, ovação de certeza e liquidez dos alegados indébitos RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA O direito de o contribuinte pleitear. a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente. ou eat valor maior que o devido, extingue-se após o tionscurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados a partil da data de efetivação do suposto indébito Solicitação Indeferida Rest/Ray Indeferido - Comp ajo homologada O contribuinte interpôs Recurso Voluntário (lis 110/113) argumentando que não teria ocorrido a decadência, em razão de se tratar de exigência declarada inconstitucional. o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator 0 recurso é tempestivo (fls. 109 e 114), motivo pelo qual dele conheço. O direito alegado pelo contribuinte decorre da declaração de inconstitucionalidade da MP rf 1,212/95, pox violação ao principio da anterioridade — que afastou seus efeitos no período de 1° de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996—, de modo que o prazo prescricional de 5 anos para o pedido de restituição deve ser contado a partir da publicação da decisão do Supremo Tribunal Federal na ADIn if 1 417-0/DF, em 16/08/1999. Assim, o direito A restituição dos valores pagos com base na referida declaração de inconstitucionalidade podia ser exercido até 16/08/2004, sendo, pois, tempestivo o pedido do contribuinte neste caso ■ .' I r I 1: 3 I "n !e Contudo, a decisão do S IF que afastou os efeitos retroativos pretendidos pelo 8 da Lei n° 9715/98 não criou uma lacuna, ou urna "vacatio legis", na incidência do o STF não declarou a inconstitucionalidade da sistemática instituida pela MP W95 (convertida na Lei no 9.715198), mas apenas do efeito retroativo por ela pretendido pcc.nrde-se que a MP 1.212 foi publicada em 28/11/95, mas pretendia lançar flos a partir de 01.'1 0/95. Em razão disso, o STF assegurou que, em respeito ao principio da Finridade rwnagesimal (artigo 195, § 7 0 da CF), as disposições desta MP apenas passariam itiref&ioi paoir de março de 1996 Assim, a decisão do STF apenas projetou para frente o inicio dos efeitos da n? 1.212 (convertida na Lei n° 9.718/98), não havendo qualquer razão em alegar que isto a implicado numa lacuna temporal, na qual não haveria qualquer lei surtindo efeito Postergado o inicio dos efeitos da Medida Provisória n° 1 212 (ao final rtida na Lei n° 9115/98), permaneceu surtindo seus regulares efeitos, neste período, a LC TM. Ou seja, até o fim da fluência do prazo da anterioridade nonagesimal — nto em que a nova sistemática começaria a surtir seus efeitos continuou surtindo seus lams efeitos a sistemática anterior, prevista na LC n° 7/70. neste mesmo sentido a reiterada jurisprudência deste Conselho: PIS. MP 1 212/95, ADIN 1 417-0. RESTITUIÇÃO DOS VA LORES REFERENTES AOS FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS A VACA TIO LEGIS O STF declarou a inconstitucionalidade da aplicação retroativa da sistenuitica de apuração do PIS instituída pela MP 1.212/95 e posteriores reedições convettida na Lei n' 9.715/98 Referida sistenuitica de apuração passou a surtir efeitos noventa dias após a publicação da MP 1 212/95, ou seja, a partir do period° de apuração de março de 1996 atá a entrada em vigor da Lei n" 9.715/98 DECRETOS-LEIS NS 2.445/88 E 2 449/88, DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE A PLICAÇÃO DA SISTEMÁTICA INSTITUIDA PELA LEI COMPLEML:NTAR N" 07/70 A declaração de inconstimcionalidade dos Decretos-Leis 2 445/88 e 2.449/88, pelo STF: objeto de Resolução do Settado n" 49/95. imporia na aplicação da sistenzótica prevista na Lei Complemental . n" 07/70 Recurso negado (Acórdão 204-02 371. Relator Cons. Leonardo Slade Manzan. j 26/04/2007) PRAZO DE RECOLHIMENTO. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL VACA TIO LEGIS. Inocorre o fenômeno da vacatio legis por conta da declaração da inconstimcionalidade de parte do artigo 18 da Lei a" 9 715/98 Aplicável, nos fatos geradores entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, o prazo afeiçoado it LC n" 7/70 e a partir dai as regras da Lei a" 9 715/98 (MP n" 1.212/95 e reedições) ( Recurso negado (Acórdão n° 201-79 786. Rel, Cons Walber Jose da Silva, j 08111/2006) PIS. PRAZO DE RECOLHIMENTO ANTERIORIDADE NONAGESIMAL VACA TIO LEGIS Não °coin o fenómeno da '11 • , r- 1 ,12 r.1-3 1 r •ir 4 7 II Pruesso n" 10840001164/2006-10 S3-C4T3 I Adittlao " 3403-00.769 Fl 119 vacatio legis pot conta da declaravao da inconstitucionalidade de pen te do artigo 18 da Lei n" 9 715/98, Aplicável, /10.Y fatos geradores entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, o prazo afeiçoado it LC n" 7/70 e, a partir dai, as regias da Lei a" 9.715/98 (MP a" 1.212/95 e reedições) Recuso negado (Acárdao n° 201-79 408, Re! Cons Fabiola Cas- viano Keramidas, j 26/06/2006) A própria Administração Tributária, por meio da Instrução Normativa SRF n° 062000, cuidou de esclarecer que a Contribuição para o PIS nos períodos de outubro de 1995 a t;.!vereiro de 1996 seria devida com base na Lei Complementar n" 7/70, corno forma de c,bserváncia do prazo nonagesimal das contribuições, e a partir dai o PIS seria exigido corn fundamento na MP n 0 1.212 e suas sucessivas reedições. categoricamente. improcedente a alegação do contribuinte de que a MP 1 212 não teria surtido qualquer efeito válido antes de sua conversão na Lei 9 715/98. Isto porque, conforme definido pelo próprio STF no julgamento do RE 232.896, a Medida Provisória equivale à Lei para o efeito de atendimento do principio da legalidade, de modo que "conta-se o plaza de noventa dias a pal fir da veicalaça-o da ptimeit medida proviso.ria", definindo ainda que "ntio perde eficricia a medida pr oviso'ria, com força de lei, niio apreciada pelo Congresso Nacional, mas reeditada, por meio de nova medida proviso'ria, dentro de seu prazo de validade de trinta rhos". Ou seja, a MP 1.212 surtiu plenos efeitos depois do decurso da anterioridad e . nonagesimal, contada a partir da edição desta MP. No entanto, neste intervalo entre outubro de 1995 e fevereiro de 1996, em que o contribuinte apurou a Contribuição para o PIS corn fundamento na MP 1.212, quando apenas estava obrigado a apurar tais valores nos termos da Lei Complementar 7/70, o contribuinte tern direito à restituição da diferença que porventura recolheu a maior. Isto porque, na vigência da LC n° 7/70, a Contribuição para o PIS deve ser apurada tornando coma base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior, sem a aplicação da correção monetária Repise-se, a propósito, que o reconhecimento deste direito foi consolidado na Súmula CARE n° 15, no sentido de que "A base de calculo do PIS, pr et/Wu no artigo 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária." 0 valor do indébito deve ser corrigido monetariamente ate a data em que houve sua restituição ou o seu aproveitamento na compensação, sendo que em relação ao período até 31/12/1995 deve ser aplicada a tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar no 08, de 27/06/97. A partir de 01/01/96, passam a incidir exclusivamente os juros equivalentes à taxa Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior em que ocorrer a restituição ou a compensação, acrescida de .1% relativamente ao mês da ocorrência da restituição ou compensação, por força do disposto no art, 39, § 4°, da Lei n° 9 250/95. Diante do exposto, voto no sentidd de dar parcial provimento ao recurso, para, ern relação aos fatos geradores oconidos no período de 10 de outubro de 1995 a 29 de fevereiro de 1996, reconhecer o direito à restituição do crédito correspondente à diferença entre , os valores efetivamente recolhidos e aqueles que seriam devidos nos termos da Lei 1.../ 5 . ••- • •.;••:...; • 11 "171' plementar n° 7/70, tomando como base de cálculo o valor nominal do faturamento do irnês anterior, Note-se que este Colegiado está reconhecendo a existência do direito, ficando ur.ação da liquidez dos valores ao encargo da autoridade administrativa responsável pela ução do julgado, desde que, por certo, haja a demonstração dos recolhimentos e das bases 'Iculo pelo contribuinte. Pclruões expostas, voto no sentido de dar parcial provimento ao rem so Ivan Allegrerti 6 1,F.10 1:1 129 MINISTER/0 DA FAZENDA "f. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARE Terceira Seção —Quarta Cdmara Processo n": 10840.001164/2006-10 Interessada : :RAWL' TRANSPORTES E SERVIÇOS TERMO DE INTIMAÇÃO CARF-NIF- DF Em cumprimento ao disposto no § 3 0 do art, 81 do Anexo II ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) da Fazenda Nacional, credenciado(a), junto a este Conselho a tomar ciência do Acórdão n2 3403-00.769, de 10 de dezembro de 2010 Brasilia, 24 de dezembro de 2010 Antonio Carlos Atulim Presidente da 3 1 Turma Ordinária Ciente com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração [ ] Com Contrarra0es Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional (identificação e assinatura) 2

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Numero do processo: 10670.722035/2014-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 20 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Sun Jun 01 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142 do CTN e arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. SIMULAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA E PESSOA FÍSICA. Os rendimentos recebidos pelo sujeito passivo, decorrentes do exercício da atividade remunerada, quando recebidos por intermédio de interposta pessoa jurídica, comprovadamente inexistente, sujeitam-se ao imposto de renda na declaração anual de ajuste. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 147. Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75% ou 100%). MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Estando comprovado nos autos a prática de omissão deliberada da base de cálculo do tributo, com o objetivo de reduzir o pagamento dos tributos devidos, torna-se cabível a aplicação da multa qualificada. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO A 100%. O inciso VI, §1º, do art. 44 da Lei n. 9.430/96, deve ser aplicado, retroativamente, tratando-se de ato não julgado definitivamente, conforme o art. 106, inciso II, alínea ‘c’, do CTN.
Numero da decisão: 2101-003.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir a multa de ofício qualificada para o percentual de 100%. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Cleber Ferreira Nunes Leite, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Wesley Rocha, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).
Nome do relator: ANA CAROLINA DA SILVA BARBOSA

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INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142 do CTN e arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. SIMULAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA E PESSOA FÍSICA. Os rendimentos recebidos pelo sujeito passivo, decorrentes do exercício da atividade remunerada, quando recebidos por intermédio de interposta pessoa jurídica, comprovadamente inexistente, sujeitam-se ao imposto de renda na declaração anual de ajuste. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF Nº 147. Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75% ou 100%). MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Fl. 1814DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 2 Estando comprovado nos autos a prática de omissão deliberada da base de cálculo do tributo, com o objetivo de reduzir o pagamento dos tributos devidos, torna-se cabível a aplicação da multa qualificada. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REDUÇÃO A 100%. O inciso VI, §1º, do art. 44 da Lei n. 9.430/96, deve ser aplicado, retroativamente, tratando-se de ato não julgado definitivamente, conforme o art. 106, inciso II, alínea ‘c’, do CTN. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reduzir a multa de ofício qualificada para o percentual de 100%. Assinado Digitalmente Ana Carolina da Silva Barbosa – Relatora Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ana Carolina da Silva Barbosa, Cleber Ferreira Nunes Leite, Raimundo Cassio Goncalves Lima (substituto[a] integral), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Wesley Rocha, Mario Hermes Soares Campos (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 1773/1799) interposto por TORQUATO GONCALVES DA FONSECA em face do Acórdão nº. 12-80.851 (e-fls. 1737/1766) que julgou a Impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Em sua origem, o Auto de Infração foi lavrado para cobrança do Imposto de Renda da Pessoa Física, relativo aos anos-calendário 2011 e 2012, em razão das seguintes infrações: Fl. 1815DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 3 i) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, recebidos das seguintes empresas no ano de 2011: 1. SANCOOP – R$ 215.989,61. No ano de 2012 foram os seguintes recebimentos: 1. Fundo Municipal de Saúde de Sebastião Laranjeiras – R$ 400,00. 2. Realeza Construtora – R$ 1.000,00. 3. Irmandade Nossa Senhora da Mercês – R$ 2.500,00. 4. SANCOOP – R$ 325.060,99. De acordo com o Relatório Fiscal e o relatório da decisão de piso, foi apurado o seguinte: Tais valores referiam-se originalmente a receitas recebidas da empresa IANES – Instituto de Anestesiologia Ltda, CNPJ 13.005.016/0001-39, cujo contribuinte, médico anestesista, é sócio juntamente com o Dr. Edvard Tadeu Mota Nobre. Essa empresa, segundo apontou os trabalhos fiscalizatórios, pode ser tipificada como inexistente de fato, tendo sido utilizada como mera ferramenta de planejamento tributário abusivo e passou ao arrepio do que preceitua a legislação tributária ao faturar em nome da pessoa jurídica os honorários recebidos em virtude do exercício pessoal e profissional da atividade exercida por seus sócios. ii) Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório. A fiscalização destacou o seguinte: Assim, como restou constatada a utilização pelo fiscalizado, juntamente com seu sócio na empresa IANES, de planejamento tributário abusivo, com a finalidade de redução dos tributos a serem recolhidos, restou claro que cada um dos referidos “sócios” prestou serviços de anestesia para diferentes pessoas físicas. iii) Multas aplicáveis à pessoa física - falta de recolhimento do IRPF devido a título de Carnê Leão. Foi aplicada multa qualificada de 150%, pois entendeu o fisco que houve a tentativa de transferir os valores dos honorários devidos às pessoas físicas dos médicos prestadores de serviços para o faturamento da empresa prestadora de serviços, ou seja, praticou o contribuinte o crime de sonegação ao esquivar-se da incidência da norma tributária do imposto de renda devido pelas pessoas físicas (mais gravosa, com alíquota de 27,5% nº caso em tela) para substituí-la pela incidência da norma tributária do imposto de renda devido pela pessoa jurídica que apura o imposto pelo regime do lucro presumido (menos gravosa, com alíquota efetiva de 11,33% no vertente caso). Além disso, ao deixar de escriturar os valores descontados pela SANCOOP, tais como taxas de assessoria jurídica, taxa de centro de estudos, desconto de seguro de vida, despesas diversas, taxa de custeio do PIS, taxa de custeio da COFINS, taxa de administração, taxa de contribuição e taxa de secretariado, cujos valores somados implicaram nas importâncias de R$ 26.385,23 e R$ 41.697,09 – em 2011 e 2012, respectivamente, o contribuinte aumentou de maneira artificial e ilegal os valores dos lucros contábeis apurados nos referidos períodos. Fl. 1816DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 4 Mediante tal prática o contribuinte obteve uma vantagem, também ilícita, de aumentar o lucro a ser distribuído para si mesmo e para o seu sócio, sem qualquer incidência de tributos. Assim, o contribuinte praticou o crime de fraude, pois agiu intencionalmente para modificar as características essenciais do fato gerador do tributo (trocando uma disponibilidade de renda tributável, por uma que seria isenta/não tributável), com a meta de reduzir o montante do imposto devido bem como para evitar o seu pagamento. O contribuinte foi devidamente cientificado do Auto de Infração em 27/12/2014 (e- fl. 91) e apresentou, em 23/01/2015 (e-fls. 1698/1721), a impugnação (e-fls. 1616/1640), com as seguintes alegações (em tópicos): i) Da Quebra do Sigilo Bancário ii) Da Ausência de Enquadramento Legal iii) Da Regularidade da Empresa iv) Do Negócio Jurídico Indireto e da Inexistência da Prova da Simulação v) Da Multa Qualificada vi) Da Ilegalidade da Aplicação da Multa Isolada e de Ofício vii) Da Exorbitância das Multas que Ultrapassam 200%. Na sequência, os autos foram encaminhados para julgamento e foi proferido o Acórdão nº. 12-80.851 (e-fls. 1737/1766) que julgou a Impugnação improcedente, e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2011, 2012 SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão- somente sua transferência para o Fisco. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não padece de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142 do CTN e arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Fl. 1817DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 5 Restando comprovado que o contribuinte praticou atos jurídicos simulados, com o intuito doloso de reduzir indevidamente sua base de cálculo, impõe-se a desconsideração dos efeitos dos atos viciados, para que se operem consequências no plano da eficácia tributária. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. COMPROVAÇÃO. A isenção do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual, que beneficia titular ou sócio de empresa tributada com base no lucro presumido, necessita de comprovação do efetivo recebimento dos valores a título de distribuição de lucros, especificando-se o meio utilizado e o momento em que ocorreu o pagamento, não bastando para tanto a simples informação em comprovante anual de rendimentos, recibos e livros contábeis. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente sua base de cálculo, omitindo rendimentos em sua declaração de ajuste anual, a fim de se eximir do imposto devido. MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊ-LEÃO. É devida a multa isolada concomitantemente com a multa sobre o imposto suplementar apurado na declaração, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão), que deixar de fazê-lo, por serem penalidades que têm por origem fatos distintos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O recorrente foi cientificado do resultado do julgamento pela via postal, conforme Aviso de Recebimento (e-fls. 1771), em 18/05/2016. Em 17/06/2016, foi apresentado o Recurso Voluntário (e-fls. 1773/1799) com os seguintes argumentos (em tópicos): (i) Preliminar de nulidade pela ausência de enquadramento legal – ausência de subsunção dos fatos à norma (ii) Mérito: Da ausência dos requisitos para desconsiderar atos e negócios da pessoa jurídica IANES. Da prestação de serviços realizados pela pessoa jurídica IANES. Negócio Jurídicos indireto, ausência de simulação, desnecessidade da existência sede ou de Fundo de Comércio. Da multa qualificada. Ilegalidade da cumulação da multa isolada e de ofício. Os autos foram encaminhados para julgamento no CARF. Em 05/05/2021 (e-fls. 1804), foi solicitada juntada de petição (e-fls. 1806/1813) argumentando fato jurídico novo e vinculativo, que seria a Solução de Consulta COSIT nº. 260, de 26 de maio de 2017 e a decisão do STF nos autos da ADC nº. 66. Pede para que seus termos sejam aplicados ao presente caso. Fl. 1818DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 6 Não foram apresentadas contrarrazões. É o relatório VOTO Conselheira Ana Carolina da Silva Barbosa, Relatora. 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235/72. Portanto, o recurso deve ser conhecido. Também conheço da petição apresentada em 05/05/2021 (e-fls. 1806/1813) uma vez que traz argumentos de direito vinculados ou decorrentes dos argumentos já apresentados em sede de Recurso Voluntário. 2. Preliminar de nulidade O recorrente alega que o Auto de Infração seria nulo em razão da ausência de enquadramento legal e ausência de subsunção dos fatos à norma jurídica, o que comprometeria o seu direito à ampla defesa e ao contraditório. Alega que não estão nos autos as regras legais para fins de apuração do Imposto de Renda, apenas o enquadramento legal que tipifica a conduta ilegal no presente caso. Sustenta, ainda, que não houve omissão de receitas , já que todas as receitas foram declaradas pela pessoa jurídica, de modo que os rendimentos auferidos deveriam ter sido considerados como divergência de sujeição passiva tributária e não desclassificação dos rendimentos auferidos, já que, como prevê o art. 129 da Lei nº. 11.196/2005, estaria autorizado a constituir pessoa jurídica para prestação dos serviços intelectuais. O argumento não é novo e foi enfrentado pela decisão de piso, senão, vejamos: ii) Da Ausência de Enquadramento Legal Alega a defesa que todas as infrações constantes do auto de infração se referem à omissão de rendimentos da pessoa física do Impugnante, mas inexiste omissão vez que a receita (fato econômico único) foi declarada na pessoa jurídica IANES. Diz que analisando os artigos mencionados no Auto de Infração (enquadramento legal), conclui que dizem respeito à aplicação de normas para fins de apuração de Imposto de Renda e não de enquadramento legal que tipifica conduta ilegal no presente caso. Inicialmente, necessário esclarecer que incumbe à RFB a execução da atividade de fiscalização do imposto de renda, atividade essa que envolve o dever de efetuar a Fl. 1819DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 7 constituição do crédito tributário por meio do lançamento, conforme disposto no art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Evidentemente, quando o legislador estabeleceu o dever de a autoridade fiscal efetuar o lançamento, teve como objetivo a identificação do verdadeiro fato gerador, a fim de determinar a efetiva matéria tributável, prevalecendo a essência sobre a forma. Assim, sempre que possível, a autoridade deve buscar a verdade material, em detrimento dos aspectos formais dos negócios e atos jurídicos praticados, restando evidente a possibilidade de o Auditor-Fiscal desconsiderar atos e fatos aparentes e apurar o crédito tributário com base nos fatos efetivamente ocorridos. Como se vê, desde que fundamentada em elementos concretos de prova, pode a Fiscalização fazer o enquadramento tributário quanto aos fatos geradores apurados que melhor se coadune com a realidade encontrada. Em última análise, no caso presente, buscou a autoridade fiscal alcançar a verdade material, uma vez que lhe compete apurar a ocorrência de eventuais situações de ilicitude, as quais devem ser devidamente levadas em consideração quando da aplicação da legislação e do lançamento do crédito tributário. Salienta-se que todas as imputações realizadas pela autoridade fiscal se deram a partir da apuração de uma série de elementos que dão sustentação ao procedimento realizado, tal como demonstrado no Relatório Fiscal. Assim, entendeu o fisco que a receita declarada pela pessoa jurídica IANES se tratava de os honorários médicos auferidos pelo Impugnante que deveriam ter sido somados aos rendimentos constantes em sua declaração de ajuste, conforme o art. 83 do Decreto 3.000/99, in verbis: Art.83.A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, e Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): I- de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II- das deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74, 75, 78 a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente. Fl. 1820DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 8 Parágrafo único.O resultado da atividade rural apurado na forma dos arts. 63 a 69 ou 71, quando positivo, integrará a base de cálculo do imposto (Lei nº 9.250, de 1995, arts. 9º e 21). Desta forma, salvo as exceções previstas no inciso I, acima transcrito, o rendimento deverá ser somado aos demais rendimentos para que seja feito o ajuste, nos termos da legislação tributária em vigor. Assim, não declarado pelo sujeito passivo o rendimento sujeito ao ajuste anual, evidenciada está a infração de omissão de rendimentos. Além disso, da análise do auto de infração, especificamente da descrição dos fatos, bem como do relatório fiscal, constata-se que demonstram com clareza as infrações imputadas, com a devida indicação do enquadramento legal em cada uma das matérias apuradas, além de ampla e substancial documentação levantada pela Fiscalização. Nesse sentido, não restam dúvidas de que o auto de infração contém todos os requisitos legais estabelecidos no art. 10, do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, com a matéria tributada devidamente caracterizada e corretamente tipificada, tanto que foi perfeitamente compreendida pelo autuado, que revelou conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, detalhadamente, mediante a impugnação apresentada, acompanhada da documentação que entendeu pertinente, abrangendo não só a questão preliminar ora analisada como também razões de mérito, descabendo, portanto, a proposição de nulidade. Portanto, contendo o auto de infração todos os requisitos legais estabelecidos no art. 10, do Decreto nº 70.235/72, mostrando-se devidamente motivado e trazendo as informações necessárias para que se estabeleça o contraditório e permita a ampla defesa, não há como declarar a nulidade do lançamento, nos termos pretendidos pelo requerente. Não assiste razão ao recorrente. O Auto de Infração traz toda a fundamentação legal separada por infração: 0001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, conforme relatório fiscal em anexo. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Arts. 37, 38, 45, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/99 Art. 1º, inciso V e parágrafo único, da Lei nº 11.482/07, incluído pela Lei nº 12.469/11. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: Fl. 1821DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 9 Arts. 37, 38, 45, 55, incisos I a IV, VI, IX a XII, XIV a XIX, 56 e 83 do RIR/99 Art. 1º, inciso VI e parágrafo único, da Lei nº 11.482/07, incluído pela Lei nº 12.469/11. 0002 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA Omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório, conforme relatório fiscal em anexo. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Arts. 37, 38, 45, 55, incisos I a IV, VI, VIII, X, XIV, XVI e XVII, 56, 106, inciso I, 109 e 110 do RIR/99 Art. 1º, inciso V e parágrafo único, da Lei nº 11.482/07, incluído pela Lei nº 12.469/11. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: Arts. 37, 38, 45, 55, incisos I a IV, VI, VIII, X, XIV, XVI e XVII, 56, 106, inciso I, 109 e 110 do RIR/99 Art. 1º, inciso VI e parágrafo único, da Lei nº 11.482/07, incluído pela Lei nº 12.469/11. 0003 MULTAS APLICÁVEIS À PESSOA FÍSICA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNÊ LEÃO O contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), motivo pelo qual se aplica a presente multa isolada, conforme relatório fiscal em anexo. (...) Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/03/2011: Arts. 106 e 961 do RIR/99, combinados com os arts. 43 e 44, inciso II, alínea "a" da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. Art. 1º, inciso IV da Lei nº 11.482/07, com a redação dada pela Lei nº 11.945/09 Fatos geradores ocorridos entre 01/04/2011 e 31/12/2011: Arts. 106 e 961 do RIR/99, combinados com os arts. 43 e 44, inciso II, alínea "a" da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. Art. 1º, inciso V, da Lei nº 11.482/07, incluído pela Lei nº 12.469/11. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: Arts. 106 e 961 do RIR/99, combinados com os arts. 43 e 44, inciso II, alínea "a" da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07. Art. 1º, inciso VI, da Lei nº 11.482/07, incluído pela Lei nº 12.469/11. Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Há todos os demonstrativos de apuração e um Relatório Fiscal detalhado, explicitando os fatos que levaram à autuação, instruído com todos os documentos, diligências e Fl. 1822DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 10 respostas às intimações, o que permitiu que o recorrente apresentasse uma defesa ciente de tudo o que levou o fiscal a promover o lançamento. Não percebo nenhum cerceamento do direito de defesa em razão da forma como as informações estão dispostas no lançamento, cujos valores, fundamentos e motivações estão claros no conjunto de peças anexas aos autos de infração. Rejeito, pois, a nulidade apontada. 3. Mérito No mérito, o recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de Impugnação de que a empresa IANES era regular, que foi constituída pelos médicos para prestação dos serviços intelectuais, nos moldes do admitido pelo art. 129 da Lei nº. 11.196/2005. Ademais, alega que não teriam sido verificados requisitos para desconsideração de atos ou negócios praticados pela empresa IANES, muito pelo contrário, a empresa cumpre o seu objeto social conforme observou a própria fiscalização, não tendo sido verificado abuso de personalidade jurídica, desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Argumenta que os atos das pessoas jurídicas apenas poderão ser desconsiderados quando preenchidos os requisitos do art. 50 do Código Civil e pelo poder judiciário, devendo seguir os procedimentos previstos no Código de Processo Civil, nos artigos 133 a 137 (incidente de desconsideração da personalidade jurídica). O recorrente segue defendendo a regularidade da empresa IANES contra a caracterização da fiscalização de que a empresa inexiste de fato por não possuir sede ou patrimônio. Afirma que a empresa não precisa de sede para desempenhar suas atividades, e que ela funciona dentro das dependências do Hospital Santa Casa, que é onde recebe pacientes e aplica as anestesias que somente podem ocorrer em bloco cirúrgico. Afirma, ainda, que: Outras controversas, como Alvarás, autorização da vigilância sanitária, cadastro junto a CNES, dentre outros documentos, são de alçada dos hospitais onde os procedimentos são realizados, e não do prestador de serviços, neste caso a Clínica IANES que, como dito, atende seus pacientes nas dependências hospitalares. (Recurso e-fl. 1717) O Hospital Santa Casa de Caridade de Montes Claros e o Hospital São Lucas, bem como a SANCOOP – Cooperativa de Trabalhos Médicos e Profissionais da Área da Saúde do Norte de Minas Ltda. confirmaram à fiscalização que a IANES prestava os serviços de anestesiologia por meio dos médicos. O recorrente esclarece que a IANES é contratada pelo SUS, pelos planos de saúde ou pela SANCOOP, e o paciente não escolhe o médico anestesiologista, a empresa manda o médico disponível no momento da cirurgia. Por fim, o recorrente alega que a fiscalização não comprovou a simulação, e que ficou comprovado que os serviços eram contratados da empresa IANES e a sujeição passiva tributária era da empresa e não das pessoas físicas sócias, que escolheram de acordo com o art. 170 da CR/88 constituir uma empresa para exercerem a sua atividade, e que a empresa não pode Fl. 1823DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 11 ser considerada inexistente apenas pelo fato de não ter uma sede própria ou estabelecimento próprio. Pois bem. A possibilidade de terceirização de atividades pelas empresas foi reconhecida pelo STF, quando assegurou às empresas o direito de se organizarem e de contratar outras empresas para a execução de quaisquer atividades a serem desempenhadas, inclusive suas atividades-fim. A tese firmada foi a seguinte: Tema 725: É lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante. Assim, a princípio, não é ilegal a terceirização, por parte dos Hospitais da prestação de serviços médicos a outras empresas. Por outro lado, os médicos podem ser organizar por meio de pessoas jurídicas para a prestação de tais serviços. No julgamento da ADC nº. 66/DF, o STF declarou a constitucionalidade do art. 129, da Lei nº. 11.196/2005, e a relatora Ministra Cármen Lúcia, em seu voto, fez relevantes apontamentos sobre a necessidade de que seja assegurada a liberdade de organização da atividade econômica empresarial, dotando-a da flexibilidade e da adequação atualmente exigidas, e da necessária compatibilização com os valores sociais do trabalho. A Ministra apontou contudo, que eventual conduta de maquiagem do contrato, deverá ser avaliada, por inexistirem no ordenamento constitucional garantias ou direitos absolutos. Dessa forma, mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, é permitido à fiscalização tributária desconsiderar a contratação de pessoa jurídica prestadora de serviços intelectuais, desde que demonstre que os serviços, no plano fático, são efetivamente prestados pelo sócio desta, na condição de segurado empregado além de demonstrar irregularidades e simulações na constituição de empresas. E foi exatamente a situação de inexistência da empresa IANES que a fiscalização apresentou no Relatório Fiscal. A declaração de voto da Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, no Acórdão nº. 9202-011.423, comenta o voto da Ministra Cármen Lúcia e do Min. Alexandre de Morais e ressalta a importância dos julgamentos do CARF continuarem analisando as provas trazidas nos autos pela fiscalização, pois se ficar caracterizada fraude e maquiagem do contrato, há que se imputar as obrigações tributárias e previdenciárias dos contratantes e também das pessoas físicas: Adequando o fecho do voto da Min.ª Rel.ª da nossa Corte Constitucional ao âmbito no qual estamos, certo poder dizer que “eventual conduta de maquiagem de contrato – como ocorre em qualquer caso – “, há de ser apurada pela fiscalização tributária, com a consequente lavratura do auto de infração. Fl. 1824DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 12 Certo que, com arrimo na livre iniciativa, pode a empresa optar pela forma de organização de sua atividade econômica, desde que observe os limites constitucionais e legais postos. Em nosso ordenamento, inexiste uma única liberdade absoluta, como também fez questão de destacar o Min. Alexandre de Morais no julgamento do já citado Tema de nº 725: Em nenhum momento a opção da terceirização como modelo organizacional por determinada empresa permitirá, seja a empresa “tomadora”, seja a empresa “prestadora de serviços”, desrespeitar os direitos sociais, previdenciários ou a dignidade do trabalhador. (...) Caso isso ocorra, seja na relação contratual trabalhista tradicional, seja na hipótese de terceirização, haverá um desvio ilegal na execução de uma das legítimas opções de organização empresarial, que deverá ser fiscalizado, combatido e penalizado. Não é compatível com a ordem constitucional demandar da autoridade fazendária a caracterização do fato gerador dissociada da realidade fática, privilegiando aquilo que quiseram fazer constar em documentos. Se rótulos vêm sendo atribuídos para conferir a negócios jurídicos um verniz de legalidade, tem a administração fazendária não só o poder, como o dever, de desconsiderá-los. (...) A bem da verdade, ainda que não houvesse a autorização contida no § 2º do art. 229 do RPS, da conjugação das previsões contidas no art. 142 e 149 do CTN, bem como em atenção ao disposto no parágrafo único do art. 116 do Digesto Tributário, cuja constitucionalidade igualmente já veio ser reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, resta evidente a possibilidade de reclassificar atos que visam escamotear a realidade dos fatos. Isso porque, no exercício de seu poder de polícia, pode a autoridade fazendária, desde que de forma fundamentada, desconsiderar situações que, embora previstas no papel, não se descortinam na realidade. Como é, exatamente o caso, sob apreciação. Não se está a negar o que decidido pela Mais Alta Corte do país, tanto no Tema nº 725, quanto na ADC nº 66. Apesar de despicienda a advertência acerca da autoridade dos Tribunais pátrios, prescreve o Novo RICarf, em seu art. 99, que [a]s decisões de mérito transitadas em julgado, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, ou pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Da análise do arcabouço fático-probatório, como fartamente demonstrado no voto do em. Relator, colhidos elementos capazes de comprovar que a forma eleita pela parte recorrente para a prestação dos serviços afronta o ordenamento pátrio. Não basta a aparência de que há conformidade com o direito, arvorando-se nas decisões proferidas pelo Pretório Excelso. Imprescindível que, no caso concreto, Fl. 1825DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 13 as características de uma verdadeira prestação de serviços por pessoas jurídicas estejam presentes. (sem grifos no original) Muitas decisões da Justiça do Trabalho têm sido canceladas pelo STF após os julgamentos mencionados. O teor das decisões proferidas pelo CARF também acompanhou as mudanças1, passando a avaliar, de forma mais detida, a presença dos requisitos caracterizadores da situação de segurado empregado: pessoalidade; da habitualidade e não-eventualidade; da subordinação e pagamento de remuneração, bem como a presença de fraudes, inexistência das empresas, maquiagem dos contratos, etc. No presente caso, entendo que a fiscalização logrou êxito em comprovar as irregularidades que levaram à consideração da inexistência da empresa IANES, desde à falta de comprovação da integralização do capital da empresa até problemas de comprovação da movimentação financeira, pagamentos feitos ao recorrente, e escrituração contábil: III.1 - DA INEXISTÊNCIA DE FATO DA EMPRESA IANES: Em primeiro lugar, é preciso ressaltar que o Dr. Edvard, quando intimado, não conseguiu comprovar, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, a integralização de capital da referida empresa. Em resposta ao TIF 01, o fiscalizado alegou que a subscrição das quotas, no valor de R$ 5.000,00 teria ocorrido em 01/10/2010, sendo integralizada em moeda corrente, conforme “recibos anexos”. Tais recibos não foram sequer apresentados a esta fiscalização. Caso idêntico ocorreu com o outro sócio da IANES, que apresentou a mesma resposta e não apresentou qualquer recibo anexo, comprobatório da alegada integralização de capital. Já a empresa IANES, quando intimada a comprovar a efetiva distribuição de lucros aos seus sócios (mediante item 1 do TIF 03), também não comprovou de maneira cabal a efetividade da saída dos recursos de seu patrimônio e a consequente transferência para o patrimônio dos sócios. Na resposta apresentada, a mesma alega que os valores das distribuições de lucros “foram feitos via caixa, em espécie moeda corrente nacional”, em conformidade com os livros apresentados (Diário e Razão). Ocorre, que de acordo com os vícios apurados na “escrituração” apresentada pela empresa IANES (vide item III-2 a seguir), a mesma não se coaduna com a realidade dos fatos contábeis observados, não servindo para fazer prova, entre outras coisas, da efetiva transferência de recursos do “patrimônio da empresa” para o patrimônio dos sócios. 1 PINTO, Alexandre Evaristo. (2019) CONJUR. Direto do CARF. Carf analisa tributação da pejotização pela contribuição previdenciária, Disponível em < https://www.conjur.com.br/2019-abr-03/direto-carf-carf-analisa-fenomeno- pejotizacao-tributacao/> Acessado em 05/07/2024. Fl. 1826DF CARF MF Original https://www.conjur.com.br/2019-abr-03/direto-carf-carf-analisa-fenomeno-pejotizacao-tributacao/ https://www.conjur.com.br/2019-abr-03/direto-carf-carf-analisa-fenomeno-pejotizacao-tributacao/ D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 14 Diante das respostas apresentadas ao TIF 1782, conclui-se que a empresa não possui imóvel, máquinas, equipamentos, funcionários registrados, não paga contas de energia, água, taxa de condomínio, contas de telefone fixo ou celulares, não recolhe taxa de incêndio, não possui alvará da vigilância sanitária. Ou seja, a empresa é completamente destituída de qualquer patrimônio, e tampouco, possui despesas que seriam perfeitamente comuns no caso de uma clínica, consultório, ambulatório, hospital ou qualquer empresa congênere. Ainda de acordo com a resposta ao mencionado termo os “serviços prestados pelos sócios são de anestesias, feitos exclusivamente no Hospital Irmandade Nossa Senhora da Mêrces/Santa Casa de Montes Claros/MG.” Como os sócios prestam seus serviços somente na SANTA CASA, tal fato foi elencado como causa da empresa não possuir alvará, equipamentos médicos, empregados, telefone, etc. – pois o hospital SANTA CASA já possuiria todas estas coisas, necessárias ao uso dos “sócios” da IANES. Além de se utilizarem de toda a estrutura da SANTA CASA, restou constatado que a empresa IANES possui outra coisa em comum com o referido hospital: o domicílio fiscal informado no cadastro CNPJ. Conforme consta do CNPJ, as duas empresas funcionam no mesmo endereço, qual seja, no número 22 da Praça Honorato Alves, no centro desta cidade de Montes Claros (CEP.: 39.400-103). Como esta fiscalização somente tinha conhecimento da existência do hospital SANTA CASA no referido endereço, mediante item II-1 do TIF 01, intimou-se o referido hospital, conforme relatado nº item II-3 do presente termo. Em resposta ao referido item a intimada respondeu: : “Não é do conhecimento da Santa Casa a utilização do endereço da Instituição como sede da empresa IANES - INSTITUTO DE ANESTESIOLOGIA LTDA, motivo pelo qual, informamos que notificaremos os responsáveis para que regularizem tal situação.” E acrescentou: “Aproveitamos a oportunidade e em virtude desta situação, solicitamos pela boa relação que mantemos com esse órgão, que caso exista qualquer outra empresa fazendo utilização do endereço da Praça Honorato Alves, 22 - Centro, Cep. 39.403-103 Montes Claros/MG, gentileza nos informar para devidas providências.” Diante da resposta apresentada pela SANTA CASA, outra constatação se impõe: o fato de a empresa IANES, além de não possuir patrimônio, empregados, máquinas e equipamentos – ser também destituída de uma sede, ou seja, de qualquer imóvel/lugar onde a mesma pudesse, manter uma caixa, um cofre ou qualquer coisa do gênero – para guardar o dinheiro mantido no caixa da empresa, vez que a mesma também não possui conta em banco. É preciso ressaltar que a conta caixa da empresa IANES, apresentou um saldo médio de R$ 87.081,28 no ano calendário 2011, chegando a acumular um valor máximo de R$ 403.535,08 (ao final do dia 30/12/2011). Já no ano seguinte, 2012, a mesma conta caixa apresentou um saldo médio de R$ 459.726,52 – chegando a registrar um saldo máximo de R$ 593.956,88 (ao final do dia 17/07/2012). Fl. 1827DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 15 Como já relatado, a empresa não possuía conta corrente em banco e nem mesmo uma sede. Assim sendo, é difícil de saber em que lugar valores tão vultosos de recursos eram mantidos. Por outro lado, conforme consta do item II-8 do presente relatório, foi possível identificar que o ora fiscalizado utilizou-se de crédito junto ao BANCO DO BRASIL, tendo pagado juros nos meses de maio e junho/2011 e, ainda, em janeiro/2012. Para citar um exemplo, em 02/01/2012, o mesmo pagou juros na conta corrente do Banco do Brasil, conforme registrado no extrato. Enquanto isto, nos dias 31/12/2011 e 06/01/2012, a conta caixa da empresa IANES – do qual o fiscalizado é sócio – ostentava os polpudos saldos de R$ 333.335,08 e R$ 333.935,08 – respectivamente. Como entender tal paradoxo: de um lado, o fiscalizado tem no caixa da sua empresa sobra de vultosa soma em recursos, enquanto por outro lado, está tomando dinheiro emprestado, a juros, de uma instituição financeira. Tais fatos são totalmente ilógicos e carentes de qualquer verossimilhança. O inciso II do artigo 27, da Instrução Normativa RFB nº 1.183, de 19 de agosto de 2011, vigente à época dos períodos fiscalizados, estabeleceu: “Art. 27. Pode ser baixada de ofício a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica: ... II – inexistente de fato, assim entendida aquela que: a) não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto, inclusive a que não comprovar o capital social integralizado. ...” Diante da legislação e dos fatos constatados, a conclusão que se chega é que a empresa IANES pode ser tipificada como inexistente de fato, tendo sido utilizada como mera ferramenta de planejamento tributário abusivo, e passou ao arrepio do que preceitua a legislação tributária, a faturar em nome da pessoa jurídica os honorários recebidos em virtude do exercício pessoal e profissional da atividade exercida por seus sócios. Ao contrário do que afirmado pelo recorrente, a fiscalização apontou várias razões que levaram à constatação de que a empresa IANES era uma ficção jurídica e não apenas a ausência de sede. Como se viu, a empresa não tinha sede, conta bancária, patrimônio, e não conseguiu comprovar sequer as distribuições de lucros que teriam sido feitas aos sócios. O trecho abaixo do Relatório Fiscal apresenta também considerações sobre os vícios de escrituração a empresa: III.2 – DOS VÍCIOS DA ESCRITURAÇÃO DA EMPRESA IANES: Fl. 1828DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 16 Já a empresa IANES, quando intimada a comprovar a efetiva distribuição de lucros aos seus sócios (mediante item 1 do TIF 03), também não comprovou de maneira cabal a efetividade da saída dos recursos de seu patrimônio e a consequente transferência para o patrimônio dos sócios. Na resposta apresentada, a mesma alega que os valores das distribuições de lucros “foram feitos via caixa, em espécie moeda corrente nacional”, em conformidade com os livros apresentados (Diário e Razão). Ocorre que a escrituração apresentada pela empresa IANES, não se encontra respaldada na realidade dos fatos ocorridos, bastando para isto efetuar um cotejo entre os valores dos pagamentos efetuados pela empresa SANCOOP e a referida escrituração. De fato, de acordo com a “contabilidade” apresentada pela IANES, as datas dos pagamentos, escrituradas na conta contábil 11010101 – CAIXA, das notas emitidas para o cliente SANCOOP, que se encontram escrituradas na conta contábil 41010101 – SERVIÇOS MÉDICOS A VISTA, coincidem perfeitamente com a data de emissão das referidas notas fiscais, conforme demonstrado no quadro a seguir: (...) Todavia, percebe-se que a escrituração dos referidos pagamentos não encontra qualquer respaldo na realidade, quando se examina as datas e valores dos cheques emitidos pela empresa SANCOOP, para pagamento pelos serviços prestados pelos sócios da empresa IANES, conforme consta dos demonstrativos NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELA IANES X REPASSES EFETUADOS PELA SANCOOP, relativos aos anos-calendário 2011 e 2012. Os diversos cheques foram emitidos pela SANCOOP, sempre em datas anteriores às datas de emissão das notas fiscais da IANES. Assim sendo, para refletir os fatos contábeis realmente ocorridos, deveria constar da escrita apresentada os adiantamentos dos valores efetuados pela cliente e o posterior reconhecimento da receita, quando da emissão do documento fiscal – o que não aconteceu. Em relação aos valores das retenções efetuadas pelas fontes pagadoras da IANES (pessoas jurídicas das quais os seus sócios receberam), constatou-se o seguinte: • Confiança Companhia de Seguros: Não apresentou DIRF tendo como beneficiária de pagamentos a empresa IANES. • Prontoclínica e Hospitais São Lucas: Apresentou DIRF’s relativas aos anos- calendário 2011 e 2012, em que a IANES figura como beneficiária de pagamentos. Todavia não informou qualquer retenção efetuada. • Irmandade Nossa Senhora das Mercês de Montes Claros (SANTA CASA): Apresentou DIRF relativa ao ano-calendário 2012, tendo a IANES como beneficiária de pagamentos. Foram efetuadas retenções do IMPOSTO DE RENDA Fl. 1829DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 17 RETIDO NA FONTE (IRRF), código de receita 1708, nos períodos de abril a julho/2012. • SANCOOP: Apresentou DIRF’s relativas aos anos-calendário 2011 e 2012, em que a IANES figura como beneficiária de pagamentos. Foram efetuadas retenções do IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF), código de receita 1708, nos períodos de abril/2011 a dezembro/2012, bem como retenções de contribuições (CSLL, PIS e COFINS), código de receita 5952, nos períodos de maio/2011 a dezembro/2012. A fiscalização continua trazendo vários pontos relevantes sobre os pagamentos feitos pela SANCOOP, Confiança Companhia de Seguros, com as constatações:  A nota fiscal, emitida em 05/07/2011, foi escriturada numa conta intitulada Serviços Médicos a Vista, quando o efetivo recebimento da referida nota somente ocorreu em 12/08/2011 – mais de um mês após a sua emissão.  A retenção de R$ 60,00 não foi efetuada pela fonte pagadora, a empresa Confiança Companhia de Seguros. Todavia foi escriturada e deduzida do imposto de renda a pagar.  Por fim, o valor do recebimento da nota fiscal, que se deu em 12/08/2011, foi efetuado diretamente na conta corrente do médico prestador dos serviços – o ora fiscalizado Dr. Edvard. Assim sendo, também o valor da entrada no Caixa da empresa não passa de uma ficção, pois além de ser escriturado na data errada (05/07/2011) e com o valor errado (R$ 3.940,00), jamais ocorreu de fato. Ao analisar os pagamentos realizados pelas empresas IANES, principalmente no que diz respeito à SANCOOP, vê-se que a IANES escriturou receita a maior, que fazia parte da estratégia do planejamento tributário. Assim, além da estrutura permitir uma tributação bem inferior (24,19% pessoa física x 11,33% pessoa jurídica lucro presumido), ainda propiciou a distribuição de lucros obtidos de forma artificial pela empresa: Mas esta não foi a única vantagem auferida com o mencionado planejamento tributário. Como relatado anteriormente, em razão de não escriturar os demais descontos efetuados pela cooperativa SANCOOP, restou constatado que a receita da pessoa jurídica (IANES), ficou artificialmente majorada nos valores de R$ 26.177,97 e R$ 41.697,34 – em 2011 e 2012, respectivamente. As pessoas jurídicas tributadas pelo regime do lucro presumido podem, independentemente da apuração do resultado contábil do período, distribuir aos seus sócios sob a forma de rendimentos não tributáveis, a parcela do valor presumido como lucro, deduzida do montante dos impostos devidos. No caso em tela, caso a IANES adotasse tal critério, a mesma poderia – a grosso modo - distribuir a título de lucros para os seus sócios, os seguintes valores: (...) Fl. 1830DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 18 Desta maneira, caso a empresa não houvesse elaborado a escrituração (livros Diário, Razão e Demonstração de Resultados), somente poderia distribuir aos sócios, sem o pagamento de tributos o montante de R$ 222.226,43 – relativos aos anos calendário de 2011 e 2012. Tal valor equivale a menos de 21% do total da receita bruta escriturada. (...) Assim sendo, o valor do lucro que pode ser distribuído para os sócios como rendimentos isentos/não tributáveis alcança o considerável montante de R$ 903.540,12 – o que equivale a pouco mais de oitenta e quatro por cento da receita bruta escriturada. Tendo em vista que a receita apurada restou majorada artificialmente, como já relatado anteriormente, a consequência disto é que o lucro apurado – que poderá ser distribuído aos sócios sem qualquer tributação – também foi artificialmente aumentado, nos valores de R$ 26.177,97 e R$ 41.697,34 – em 2011 e 2012, respectivamente, proporcionando uma vantagem obviamente ilegal, obtida mediante prática de planejamento tributário abusivo. É preciso aqui, fazer a seguinte ressalva: o aumento artificial do valor de lucro contábil, e, em consequência do lucro a distribuir, da maneira como foi efetuada na contabilidade da IANES, poderia ser considerada, à primeira vista, sem qualquer efeito prático. Dizer que o lucro foi artificialmente aumentado significa que o lucro que existe de fato é, e não poderia ser de maneira diversa, equivalente ao total das receitas efetivas diminuída dos gastos efetivos – quer tenham sido estes últimos sido escriturados ou não. Assim sendo, o lucro a maior a distribuir existiria tão somente no papel, ou seja, na contabilidade da empresa – não sendo passível de real distribuição aos sócios. Não obstante tal constatação, o diferencial de lucros, cuja existência seria tão somente na contabilidade da empresa, poderia perfeitamente ser utilizado para justificar rendimentos não declarados pelos “sócios” da pessoa jurídica, oriundos de fontes diversas. Entendo que, no presente caso, a fiscalização comprovou que a empresa IANES não existia, na realidade, tendo sido prestados os serviços diretamente pelos sócios pessoas físicas, de modo que a tributação dos valores pagos devem ser considerados como base de cálculo omitida do Imposto de Renda da Pessoa Física, assim como destacado pela fiscalização. Ademais, o que a fiscalização fez não foi a desconsideração da personalidade jurídica da IANES, o que, conforme apresentado pela defesa deve atender ao art. 50 do Código Civil e aos procedimentos previstos no CPC. O que a fiscalização fez foi conferir nova qualificação fiscal ao negócio jurídico, retirando-lhe os efeitos próprios do ato aparente para atribuir-lhe os efeitos próprios do negócio jurídico real. O ato de lançamento opera efeitos no plano dos efeitos Fl. 1831DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 19 tributários, não atingindo a validade dos atos de constituição da empresa (decisão de piso – e-fls. 1760). Diante do exposto, entendo que a autuação está devidamente embasada e deve ser mantida. 4. Das Penalidades Foram aplicadas duas penalidades no referido processo: (i) multa isolada pela falta de recolhimento do carnê-leão; (ii) multa de ofício qualificada, em razão da conduta dolosa do contribuinte. Insurge-se o Recorrente contra a aplicação da multa isolada do carnê-leão. Com a edição da MP nº 351 de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê- leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pela falta de pagamento ou recolhimento a menor do imposto sobre a renda. Assim, deve ser aplicado o entendimento da Súmula nº 147 deste Conselho Administrativo: Súmula CARF n° 147: Somente com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%) Tem-se, portanto, por devida a aplicação da multa isolada por falta de pagamento do carnê-leão, relativamente aos anos-calendário 2011 e 2012, objeto desse lançamento fiscal, visto que posterior à edição da MP nº 351/2007. No que diz respeito à multa de ofício, como se viu, foi aplicada na forma qualificada (150%), com fulcro no artigo 44, I da Lei n.º 9.430/1996, e o recorrente alega que não teria ficado comprovada sua conduta dolosa a ensejar a sua aplicação. Da leitura do Relatório Fiscal, vê-se que a fiscalização indicou que o contribuinte teria, de forma deliberada, reduzido a base de cálculo do seu Imposto de Renda, usado a estrutura descrita num planejamento tributário abusivo, com a constituição de uma empresa inexistente e com registros contábeis elaborados de forma artificial para obter vantagens tributárias. A leitura do trecho abaixo esclarece: VI – DA MULTA AGRAVADA: Segunda a doutrina existem dois tipos de planejamento de tributário: aquele que pode ser considerado legal, também denominado elisão fiscal. E o segundo tipo, Fl. 1832DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 20 conhecido como planejamento tributário abusivo, também denominado de evasão fiscal. Uma definição de planejamento tributário abusivo estabelece tal fenômeno como sendo uma “conduta voluntária do contribuinte que, mediante a realização de atos ou negócios jurídicos, formalmente lícitos, busca obter uma economia de tributos, esquivando-se de forma habilidosa e com astúcia da incidência da norma tributária (Heleno).” A presente fiscalização deparou-se com um caso de planejamento tributário abusivo, uma vez que a simples abertura de uma empresa, constitui-se em um negócio jurídico formalmente lícito. Já a tentativa de transferir os valores dos honorários devidos às pessoas físicas dos médicos prestadores de serviços, para o faturamento da empresa prestadora de serviços, foi uma tentativa de esquivar-se da incidência da norma tributária do imposto de renda devido pelas pessoas físicas (mais gravosa, com alíquota marginal de 27,5% no caso em tela) para substituí-la pela incidência da norma tributária do imposto de renda devido pela pessoa jurídica que apura o imposto pelo regime do lucro presumido (menos gravosa, com alíquota efetiva de 11,33% no vertente caso). A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, estabeleceu: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ... § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” A Lei nº 4.502/64, dispôs, nos seus artigos 71, 72 e 73: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária Fl. 1833DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 21 principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” No presente caso, o contribuinte incidiu, em tese, nos três artigos da referida lei, conforme se demonstra a seguir. Em primeiro lugar, ao substituir a pessoa física do contribuinte pela pessoa jurídica IANES, como se fosse esta última a responsável pelos atendimentos efetuados, e, em consequência pelo recebimento dos honorários médicos, o contribuinte praticou o crime de sonegação, ao agir de maneira intencional com o intuito de impedir/retardar o conhecimento da autoridade fazendária DAS CONDIÇÕES PESSOAIS DO CONTRIBUINTE, SUSCETÍVEIS DE AFETAR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO CORRESPONDENTE (troca de uma alíquota efetiva de 24,19% - do IRPF – por uma alíquota efetiva de 11,33% - do IRPJ LUCRO PRESUMIDO), conforme relatado no item III.2 do presente relatório, o que implicou num recolhimento a menor de tributos federais no valor de R$ 138.314,56 (cento e trinta e oito mil, trezentos e catorze reais e cinquenta e seis centavos). Em segundo lugar, ao deixar de escriturar os valores descontados pela SANCOOP, tais como taxas de assessoria jurídica, taxa de centro de estudos, desconto de seguro de vida, despesas diversas, taxa de custeio do PIS, taxa de custeio da COFINS, taxa de administração, taxa de contribuição e taxa de secretariado, cujos valores somados implicaram nas importâncias de R$ 26.385,23 e R$ 41.697,09 – em 2011 e 2012, respectivamente, o contribuinte aumentou de maneira artificial e ilegal, os valores dos lucros contábeis apurados nos referidos períodos. Mediante tal prática o contribuinte obteve uma vantagem, também ilícita, de aumentar o lucro a ser distribuído para si mesmo e para o seu sócio, sem qualquer incidência de tributos. Assim, o contribuinte praticou o crime de fraude, pois agiu intencionalmente para modificar as características essenciais do fato gerador do tributo (trocando uma disponibilidade de renda tributável, por uma que seria isenta/não tributável), com a meta de reduzir o montante do imposto devido bem como para evitar o seu pagamento. Por fim, os atos praticados pelo contribuinte tiveram a participação pelo menos do seu “sócio” na empresa IANES, implicando no cometimento de conluio, que consiste no ajuste intencional entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando ao cometimento dos crimes de sonegação e/ou fraude. Tais constatações resultaram na imposição de penalidade agravada, razão pela qual foi lavrada representação fiscal para fins penais, e aplicada para as infrações apuradas nos itens V-1 e V-2, a multa de 150%. Fl. 1834DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 22 A decisão de piso apenas corroborou o entendimento da fiscalização: De fato, no caso concreto, verifica-se a presença dos pressupostos para a qualificação da multa. O contribuinte auferiu rendimentos decorrentes da prestação de serviços médicos, o que resta incontroverso no presente processo. Com o objetivo de eximir-se do pagamento do imposto de renda da pessoa física a que se encontrava sujeito, valeu-se de uma pessoa jurídica da qual era sócio, engendrando com terceiros a pactuação de negócios envolvendo a prestação de serviços de anestesia como se esses fossem prestados pela pessoa jurídica. É irrelevante se, para esse fim, a pessoa jurídica foi constituída anteriormente e foram cumpridas as formalidades legais a que estaria em tese obrigada, uma vez que a emissão de notas fiscais, a contabilização dos rendimentos, o cumprimento de obrigações fiscais acessórias e a tributação na pessoa jurídica ocorreram justamente com o objetivo de afastar a correta tributação dos rendimentos pela pessoa física. A tentativa de caracterizar-se como beneficiário de lucros da pessoa jurídica, quando na realidade os rendimentos àquela atribuídos pertenciam à pessoa física, que deveria tê-los oferecido à tributação no ajuste anual, visou impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador pela autoridade fiscal, o que se amolda à figura da sonegação do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964; o ato de deixar de escriturar os valores descontados pela SANCOOP, aumentando de maneira artificial e ilegal os valores dos lucros contábeis apurados nos referidos períodos, caracteriza-se como fraude, na acepção do art. 72 do dispositivo legal; e a participação das demais pessoas jurídicas e de seu sócio nesses procedimentos evidencia a presença do conluio, como prevê o art. 73 da lei. O Conselho de Contribuintes, atual Carf, vem se manifestando, em várias decisões, que cabe o lançamento de ofício quando resta caracterizada a simulação. Neste caso, o entendimento é que a simples ostentação de legalidade das transações não é garantia da legitimidade das operações quando estas não representam a real intenção dos contratantes. SIMULAÇÃO. Caracterizada a simulação, os atos praticados com o objetivo de reduzir artificialmente os tributos não são oponíveis ao fisco, que pode desconsiderá-los. (Acórdão nº 101-95537, de 24/05/2006 ) SIMULAÇÃO – Configura-se como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dá-se pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade.(Acórdão nº 101-95409, de 23/02/2006) DESCONSIDERAÇÃO DE ATO JURÍDICO – Devidamente demonstrado nos autos que os atos negociais praticados deram-se em direção contrária a norma legal, com o Fl. 1835DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 23 intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária (art. 149 do CTN), cabível a desconsideração do suposto negócio jurídico realizado e a exigência do tributo incidente sobre a real operação. (Acórdão nº 101-94771, de 11/11/2004) SIMULAÇÃO - A simulação se caracteriza pela divergência entre a exteriorização e a vontade, isto é, são praticados determinados atos formalmente, enquanto subjetivamente, os que se praticam são outros. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas no aspecto formal, pois, na realidade, o ato praticado é outro. SIMULAÇÃO E ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - Comprovado que o contribuinte realizou a operação pretendida por meio de outrem, ato simulado, não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo quando o crédito tributário é constituído e exigido daquele que realmente praticou o negócio.” (Acórdão nº 104-23129, de 23/04/2008) Já sobre a multa, transcreve-se a seguinte ementa do CARF: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA — A multa de ofício qualificada, nº percentual de 150%, é aplicável nos casos em que fique caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme definido pelos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. A simples realização de contrato entre a empresa da qual o contribuinte era sócio e terceiro para a prestação de serviços de natureza pessoal pelo sócio, ainda que com o propósito de se beneficiar de tributação mais favorecida, não caracteriza o evidente intuito de fraude. Já a realização de operações envolvendo empresas com o propósito de dissimular o recebimento de remuneração por serviços prestados por pessoa física, caracteriza a simulação e, consequentemente, o evidente intuito de fraude, ensejando a exasperação da penalidade. ACÓRDÃO 104-20.915 em 11/08/2005 Portanto, presentes os seus pressupostos legais, deve ser mantida a multa qualificada aplicada. No tocante à multa qualificada, a redação atual, determina a aplicação do percentual de 150% “nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 1964” Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de Fl. 1836DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 24 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de: (Redação dada pela Lei nº 14.689, de 2023)(...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 14.689, de 2023)§ 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. Para a configuração as condutas dos art. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, exige-se sempre o dolo, elemento subjetivo do tipo. É dizer, para haver dolo não basta o agente querer o resultado, é indispensável à vontade consciente de se praticar a conduta prevista no tipo. No caso concreto, a qualificação está devidamente justificada pela fiscalização e reforçada pela decisão de piso. A inexistência da empresa ficou demonstrada pela fiscalização e também a conduta dolosa do recorrente, de modo que, entendo que a multa qualificada deve ser mantida. Contudo, é necessário ajustar o valor da multa qualificada, pois, nos termos da Lei nº. 14.689/2023, ela foi reduzida de 150% para 100%, nos casos de não verificada a reincidência do sujeito passivo. Nos termos do art. 106, II, “c”, do CTN, a lei nova aplica-se a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. Portanto, deve-se aplicar a retroação disposta na Lei n. 9.430/96, art. 44, § 1º, VI, reduzindo o percentual da multa de ofício para 100%. 5. Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário, rejeito a preliminar de nulidade e no mérito, dou-lhe parcial provimento para reduzir a multa de ofício qualificada para o percentual de 100%. É como voto. Assinado Digitalmente Fl. 1837DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.128 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10670.722035/2014-78 25 Ana Carolina da Silva Barbosa Fl. 1838DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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4610315 #
Numero do processo: 35405.003329/2006-58
Turma: Sexta Turma Especial
Câmara: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO NA ENTREGA DA GFIP. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Deixar, a empresa ou equiparado, de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP/GRFP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, configura infração à legislação previdenciária por descumprimento de obrigação acessória. AUDITOR FISCAL SEM HABILITAÇÃO COMO CONTABILISTA. COMPETÊNCIA PARA EXAME CONTÁBIL. Dentre as atribuições legais dos Auditores da Receita Federal do Brasil está a de efetuar o exame da contabilidade dos sujeitos passivos, independentemente de habilitação em Conselho de Contabilidade. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 296-00.057
Decisão: Acordam os Membros da Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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Siape 751663 CCO2/T96 Fls. 100 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 16/12/2005 PREVIDENCIARIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO NA ENTREGA DA GFIP. INFRAÇÃO A LEGISLAÇÃO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Deixar, a empresa ou equiparado, de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP/GRFP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, configura infração legislação previdenciária por descumprimento de obrigação acessória. AUDITOR FISCAL SEM HABILITAÇÃO COMO CONTABILISTA. COMPETÊNCIA PARA EXAME CONTABIL. Dentre as atribuições legais dos Auditores da Receita Federal do Brasil está a de efetuar o exame da contabilidade dos sujeitos passivos, independentemente de habilitação em Conselho de Contabilidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 2° CCIMF - Sexta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL Brasilia ,03 Maria de Fatima Fert , de Carvalho Maur. Siape 751683 Processo n° 35405.003329/2006-58 Acórdão n.° 296-00.057 CCO2/T96 Fls. 101 Acordam os Membros da Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente \(.Q1■)\ ;-UAIA-6■WA, 61, KLEBER FERREIRA DE ARAt110 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Lourenço Ferreira do Prado (Suplente convocado). 2 Processo n° 35405.003329/2006-58 Acórddo n.° 296-00.057 CCO2/T96 2° CC/MF - Sexta Câmara CONFa-RE. CON] O ORIGINAL Brasilia, ,e3 o _Am 02 Mat ia de Fatima Ferr a de Carvalho Mau. Siape 751683 F1s. 102 Relatório 0 lançamento em destaque refere-se ao Auto-de-Infração - AI, DEBCAD no 35.797.579-0, o qual decorreu do fato do sujeito passivo acima qualificado haver deixado de apresentar na rede bancária a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP corn dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdencidrias, contrariando desta forma o que dispõe o art. 32, inciso IV e §§ 3° e 9° da Lei no 8.212, de 24/07/1991, acrescentados pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com art. 225, IV, § 2° do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A penalidade aplicada assumiu o valor de RS 7.601,98 (sete mil e seiscentos e um reais e noventa e oito centavos). Segundo o Relatório Fiscal da Infração, fl. 06, a empresa não comprovou a entrega na rede bancária das GFIP das competências 09/2002 e de 11/2002 a 02/2003. A metodologia e fundamentação legal utilizadas no cálculo da penalidade encontram-se expostas no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 07. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, fls. 14/16, na qual ventila, em síntese, as seguintes alegações: a) a imposição da multa é ilegal, devendo o AI ser declarado nulo; b) como a fiscalização pode desenvolver seu trabalho lançando mão das informações da RAIS e do sistema informatizado do órgão, não se constatou nenhum impedimento ao desenvolvimento da auditoria; c) houve a lavratura de dois outros Autos-de-Infração pelo mesmo motivo, o que inadmissível. A Delegacia da Receita Previdencidria em Bauru (SP), emitiu a Decisão Notificação n° 21.423.4/190/2006, de 22/05/2006, fls. 68/71, declarando procedente o lançamento. Inconformado com a decisão a quo, o sujeito passivo apresentou recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, fls. 78/91, alegando o transcurso do prazo decadencial, a exigência de habilitação como contabilista para proceder à análise de documentação contábil e a inconstitucionalidade dos juros SELIC quando aplicados para fins tributários. Por fim, pede a reforma da decisão de primeira instância e, por conseguinte, a anulação do AI. O órgão a quo apresentou contra-razões, fls. 95/97, pugnando pela manutenção integral da autuação. 20 CCITAF: - Sexta Camara CONFERE. COM O ORIGINAL Brasi, ,12 Marla ae Fttima Ferrc-: e Carvalho Maw. Siape 751683 CCO2/T96 Fls. 103 Processo n° 35405.003329/2006-58 Acórdão n. ° 296 -00.057 Voto Conselheiro KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO, Relator 0 recurso foi apresentado no prazo legal, conforme data da ciência da DN em 31/05/2006, fl. 75, e data de protocolização da peça recursal em 29/06/2006, fl. 78. A exigência do depósito recursal prévio como condição de admissibilidade do recurso foi afastada por decisão judicial colacionada, fl. 73, assim, deve o mesmo ser conhecido. A alegada decadência não pode ser considerada. É que as competências envolvidas são 09/2002 e 11/2002 a 02/2003 e a data da ciência do lançamento foi 22/12/2005. Quanto à falta de competência de Auditor Fiscal, por não possuir registro no Conselho de Contabilidade, não pode representar como causa de nulidade do lançamento. A análise de escrita fiscal, é respaldada por norma vigente, a qual autoriza o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil a verificar a escrita contábil dos contribuintes. Essa matéria já se encontra, inclusive sumulada pelo Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, nos seguintes termos: "SÚMULA NO 5 0 Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para procede,- ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador." (aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007. Publicada no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28) A inexistência de aplicação de juros SELIC sobre a multa imposta, torna o argumento recursal quanto a essa questão totalmente impertinente. Diante do exposto, voto pelo conhecimento do recurso, negando-lhe provimento. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2008 \RA k)V KLEBER FERREIRA DE ARAOJ 4

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10937936 #
Numero do processo: 13502.720185/2010-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Jun 06 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ISENÇÃO CONCEDIDA A PARTIR DE LAUDO EMITIDO PELA SUDENE. INCORPORAÇÃO. TRANSFERÊNCIA AUTOMÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE EMISSÃO DE NOVO LAUDO. Nos termos do art. 179 do CTN, a isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. Não há transmissão automática ao patrimônio da empresa incorporadora a isenção concedida a partir de laudo emitido pela SUDENE, havendo necessidade de análise e aprovação de novo laudo pelo Órgão para que se tenha direito ao benefício fiscal.
Numero da decisão: 1002-003.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Andréa Viana Arrais Egypto – Relator Assinado Digitalmente Ailton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luís Angel Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ricardo Pezzuto Rufino, Andréa Viana Arrais Egypto, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (substituto integral), Ailton Neves da Silva (Presidente). Ausente a conselheira Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, substituída pelo conselheiro Fellipe Honorio Rodrigues da Costa.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ISENÇÃO CONCEDIDA A PARTIR DE LAUDO EMITIDO PELA SUDENE. INCORPORAÇÃO. TRANSFERÊNCIA AUTOMÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE EMISSÃO DE NOVO LAUDO. Nos termos do art. 179 do CTN, a isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. Não há transmissão automática ao patrimônio da empresa incorporadora a isenção concedida a partir de laudo emitido pela SUDENE, havendo necessidade de análise e aprovação de novo laudo pelo Órgão para que se tenha direito ao benefício fiscal.

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INCORPORAÇÃO. TRANSFERÊNCIA AUTOMÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE EMISSÃO DE NOVO LAUDO. Nos termos do art. 179 do CTN, a isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. Não há transmissão automática ao patrimônio da empresa incorporadora a isenção concedida a partir de laudo emitido pela SUDENE, havendo necessidade de análise e aprovação de novo laudo pelo Órgão para que se tenha direito ao benefício fiscal. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Andréa Viana Arrais Egypto – Relator Fl. 496DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.776 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13502.720185/2010-43 2 Assinado Digitalmente Ailton Neves da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luís Angel Carneiro Baptista, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ricardo Pezzuto Rufino, Andréa Viana Arrais Egypto, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa (substituto integral), Ailton Neves da Silva (Presidente). Ausente a conselheira Maria Angélica Echer Ferreira Feijó, substituída pelo conselheiro Fellipe Honorio Rodrigues da Costa. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O presente processo versa sobre a análise do PER/DCOMP nº 12350.88758.110407.1.7.02-0311 (fls.15/23), com Data de Transmissão em 11/04/2007, onde a Recorrente indica crédito de Saldo Negativo de IRPJ no importe de R$ 27.303.026,13, referente ao ano-calendário de 2005. Em razão de glosas, foi reconstituído o saldo negativo ao montante de R$ 25.703.294,02 O Despacho Decisório não homologou a compensação pleiteada e tomou como fundamento o PARECER DRF/CCI/Saort N.° 0004/2011(fls.351/367). Por bem resumir os fatos ocorridos, trago os seguintes trecho do Relatório do Acórdão recorrido: O referido despacho decisório aprovou o PARECER DRF/CCI/Saort N.° 0004/2011(fls.351/367), parte integrante da decisão, no qual analisou-se o crédito pleiteado no PER/DCOMP acima identificado, de acordo com a DIPJ/2006 disponível nos sistemas da RFB, concluindo pelas seguintes glosas: - da dedução do IRPJ relativa a isenção(linha 10/05 da DIPJ/2006), prevista no art. 13 da Lei n° 4.239, de 27 de junho de 1963, no valor de R$ 1.459.696,29, isenção essa que era reconhecida pela SUDENE e que deveria ser comunicada à RFB segundo o disposto no art. 37 da Lei n° 5.508, de 11 de outubro de 1968, e o caput do art. 8 o do Decreto n° 64.214, de 18 de março de 1969; - da dedução do IRPJ relativa a redução do IRPJ de 25%(linha10/25 da DIPJ/2006), no valor de R$ 138.114,14, prevista no art. 14, da Lei n° 4.239, de 27 de junho de 1963, com as alterações introduzidas pelo § 2°, incisos I, II e III, do art. 3 o , da Lei Fl. 497DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.776 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13502.720185/2010-43 3 n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997 e art. 2 o da Medida Provisória n° 2.199-14, de 24 de agosto de 2001 A motivação das glosas apresentadas pela autoridade a quo foi o fato de que a requerente, como incorporadora das titulares dos benefícios fiscais, não apresentou documentação onde a SUDENE reconhecesse a transferência dos respectivos benefícios para a incorporadora. Houve ainda glosa de parte do IRRF, no valor de R$ 1.921,68, em face de ajustes entre o total do IRRF comprovado em DIRF e a tributação das respectivas receitas financeiras. Em razão dessas glosas, a autoridade a quo reconstituiu o saldo negativo da DIPJ do ano-calendário 2005, apurando o montante de R$ 25.703.294,02. [...] Cientificada em 23/03/2011 (fls.372) do despacho decisório, a requerente apresentou em 20/04/2011 manifestação de inconformidade (fls.385/399), reclamando a reforma da decisão, alegando, em resumo e substância, que as isenções e reduções concedidas pela Sudene a título de incentivo fiscal são transferidas automaticamente à empresa incorporadora, por conseqüência das disposições legais sobre incorporação e concessão de benesses fiscais. A 7ª Turma da DRJ/SPO, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (414/423), conforme Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 INCENTIVOS FISCAIS. ISENÇÃO E REDUÇÃO DO IRPJ. SUDENE. INCORPORAÇÃO. Benefícios fiscais concedidos sob condições específicas à empresa incorporada não se transferem automaticamente ao patrimônio da empresa incorporadora, salvo haja expressa previsão legal na legislação de regência do benefício fiscal ou, em não havendo óbice legal, seja comprovado que a sucessora satisfaça aos requisitos exigidos quando do reconhecimento da benesse fiscal à antiga beneficiária pelo órgão interveniente definido em lei, no caso, a Sudene. A Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ, por meio de sua Caixa Postal na data de 01/03/2018, sexta-feira (fl. 428) e, inconformada com a decisão prolatada, em 29/03/2018, apresentou Recurso Voluntário (fls. 432/423), onde repisa os argumentos utilizados na Manifestação de Inconformidade, a seguir colacionados de forma sintética: Fl. 498DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.776 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13502.720185/2010-43 4  A empresa apura o Imposto de Renda com Base no Lucro Real, na sistemática de estimativas mensais, com ajuste no final do ano-calendário;  A partir desses procedimentos, verificou saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-calendário de 2005, no valor original de R$ 27.303.026,13, proveniente, dentre outras coisas, de deduções decorrentes de benefícios fiscais concedidos à incorporada, pelo que promoveu a compensação com débitos próprios de IRRF;  O benefício surge como efeito legal da sucessão empresarial, não podendo seu direito ser mitigado por mera formalidade relativa à apresentação de documento emitido pela SUDENE reconhecendo a isenção para a Recorrente, nos termos do art. 13 da Lei nº 4.239/63;  Na incorporação existe uma absorção pela entidade incorporadora de direitos e obrigações de titularidade originária da pessoa jurídica incorporada. Assim, pode seguir utilizando a benesse, até que encerre o período do usufruto, sob pena de contrariar o art. 178 do CTN. É o Relatório. VOTO Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto, Relator Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Recurso Voluntário Conforme relatado, o crédito discutido decorre da apuração de Saldo Negativo do IRPJ do ano-calendário 2005, no valor de R$ 27.303.026,13, e que no Despacho Decisório foi reconhecido como comprovado o montante de R$ 25.703.294,02. O cerne da questão posta em julgamento é a seguinte: se para a comprovação da isenção da Recorrente, haveria a necessidade de apresentação de documento da SUDENE atestando a transferência do benefício de isenção concedido originalmente às empresas PROPPET S/A e TRIKEM S/A para a BRASKEM S/A, incorporadora das referidas empresas. Fl. 499DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.776 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13502.720185/2010-43 5 Segundo a Recorrente, o documento de transferência reivindicado pelo órgão fazendário, nos moldes em que é emitido pela SUDENE, trata-se de ato meramente declaratório que se limita a atestar a continuidade das atividades que originariamente ensejaram a outorga do favor fiscal. Assevera a empresa que, na qualidade de sucessora legal, por incorporação das empresas que detém o benefício fiscal junto à SUDENE, pode seguir utilizando a benesse, até que encerre o período do usufruto, tendo em vista que a incorporação enseja a transferência, para a sociedade incorporadora, da totalidade de direitos e obrigações originariamente detidos pela pessoa jurídica absorvida. Assim, as isenções e reduções do IRPJ em apreço foram automaticamente transferidas para a Requerente desde as datas em que promoveu a incorporação das beneficiárias originais dos citados benefícios fiscais. Em face dos argumentos apresentados, há de se esclarecer que a DRJ não discorda do fato de que, com a incorporação, nos termos do art. 227 da Lei 6.404/1976, a empresa incorporadora sucede em todos os direitos e obrigações a empresa incorporada. O ponto não é esse. Nos termos em que disciplina o artigo 111 do Código Tributário Nacional, interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: outorga de isenção. Nesse ponto, trago os seguintes trechos da decisão da DRJ, a qual me filio por concordar com as razões exaradas no julgamento: Observa-se que a lei conferiu à Sudene o papel interveniente na concessão para a averiguação dos requisitos prescritos na lei. Destarte, agiu bem a autoridade a quo quando exigiu da requerente pela INTIMAÇÃO DRF/CCI/Sarac N° 1.133/2010 (fls.140) as Portarias administrativas e Laudos relativos às benesses fiscais. Embora a empresa tenha apresentado a documentação solicitada em relação às detentoras originárias das benesses fiscais, não o fez relativamente a si mesma, incorporadora. Da leitura da legislação de regência e portarias reconhecendo os benefícios, não há menção expressa a eventual transferência automática a eventuais sucessores dessas empresas originariamente titulares dos benefícios, o que, no entender desse julgador, acarretaria na necessidade de renovação expressa das concessões fiscais, bem como imputação das correspondentes responsabilidade ao novo titular. Em outras palavras, deveria ter a requerente solicitado ao órgão interveniente, no caso a Sudene, o reconhecimento da continuidade da fruição dos benefícios fiscais. Impõe-se aqui dizer que tais procedimentos já o tinham sido realizados em operações idênticas para a renovação dos benefícios, conforme a incorporação da Fl. 500DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.776 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13502.720185/2010-43 6 NITROCARBONO S/A pela PROPPET S/A (documento da SUDENE de fls. .246) e da OPP QUÍMICA S/A pela BRASKEM S/A (Laudo de fls.219/221). Ante essas considerações, não comprovando a interessada o reconhecimento da continuidade do usufruto das benesses fiscais, após intimação regular, conforme a interpretação literal da lei concessiva do benefício, deve ser mantida a glosa efetuada pela autoridade a quo relativa aos referidos benefícios fiscais (isenção e redução do IRPJ). Demais aspectos legais suscitados pela requerente, de suposta ilegalidade ou inconstitucionalidade por afronta ao art. 178 do CTN e inciso XXXV , § 5º, da CF, impera dizer que sequer houve revogação do citado benefício, tendo havido, sim, glosa de efeitos tributários por conta de não cumprimento de requisitos previstos em lei, conforme já apreciado até aqui. Ainda sobre a interpretação da outorga de isenção, destaco o Decreto nº 64.214, de 18 de março de 1969, que Regulamenta dispositivos das Leis números 4.239, de 27 de junho de 1963, 4.869 de 1º de dezembro de 1965 e 5.508, de 11 de outubro de 1968, referentes aos incentivos fiscais e financeiros administrados pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), que assim determina: Art. 2º As pessoas jurídicas ou firmas individuais que instalarem nôvos empreendimentos industriais ou agrícolas na área de atuação da SUDENE até 31 de dezembro de 1971, ficarão isentas do impôsto de renda e adicionais não restituíveis, em relação aos referidos empreendimentos. § 1º A isenção prevista nêste artigo não beneficiará: a) as pessoas jurídicas ou firmas individuais cujos empreendimentos industriais visem à produção de bens considerados não essenciais, a critério da SUDENE ressalvados aquêles que se destinem à exportação; b) as pessoas jurídicas ou firmas individuais que mantenham empreendimentos que tenham similar no Nordeste, salvo se o benefício já tiver sido concedido à emprêsa existente ou quando, em circunstâncias especiais, a critério da SUDENE o nôvo empreendimento, de preferência a ser localizado nas áreas menos industrializadas, por suas dimensões e características dos artigos a produzir, destinar-se a suprir o mercado local, extra-regional ou zonas limitadas, na mesma região. § 2º Consideram-se empreendimentos novos, para os efeitos dêste artigo, aquêles que, satisfeitas as demais condições estabelecidas nêste Decreto, foram instalados a partir do dia 12 de julho de 1963, inclusive, ou que venham a entrar em operação até o dia 31 de dezembro de 1971, inclusive. [...] Fl. 501DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.776 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13502.720185/2010-43 7 § 5º Não se consideram empreendimentos novos, para os efeitos da isenção de que trata êste artigo, os resultantes da alteração de razão ou denominação social, transformação ou fusão de emprêsas existentes, ou ampliações modernização de empreendimentos. Art. 3º As pessoas jurídicas ou firmas individuais cujos empreendimentos novos não preencherem as condições estabelecidas no artigo anterior para efeito do gôzo de benefício da isenção total, pagarão com a redução de 50% (cinqüenta por cento) o impôsto de renda e adicionais não restituíveis até o exercício de 1978, inclusive, obedecidas as demais disposições dêste Decreto. Insta também colacionar a MEDIDA PROVISÓRIA No 2.199-14, de 24 de agosto de 2001, com as modificações posteriores, que altera a legislação do imposto sobre a renda no que se refere aos incentivos fiscais de isenção e de redução, e assim disciplina a matéria: Art. 1º Sem prejuízo das demais normas em vigor aplicáveis à matéria, a partir do ano- calendário de 2000, as pessoas jurídicas que tenham projeto protocolizado e aprovado até 31 de dezembro de 2028 para instalação, ampliação, modernização ou diversificação, enquadrado em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, nas áreas de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), terão direito à redução de 75% (setenta e cinco por cento) do imposto sobre a renda e adicionais calculados com base no lucro da exploração. (Redação dada pela Lei nº 14.753, de 2023) § 1o A fruição do benefício fiscal referido no caput deste artigo dar-se-á a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, ampliação, modernização ou diversificação entrar em operação, segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional até o último dia útil do mês de março do ano-calendário subseqüente ao do início da operação. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2o Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no § 1o, a fruição do benefício dar-se-á a partir do ano-calendário da expedição do laudo. [...] § 8o O laudo a que se referem os §§ 1o e 2o será expedido em conformidade com normas estabelecidas pelo Ministério da Integração Nacional. Art. 4o Os arts. 5o, 9o e 21 da Lei no 8.167, de 16 de janeiro de 1991, passam a vigorar com as seguintes alterações: [...] Fl. 502DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14753.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Lei/L14753.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art32 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art32 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8167.htm D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.776 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13502.720185/2010-43 8 "Art. 9 o As Agências de Desenvolvimento Regional e os Bancos Operadores assegurarão às pessoas jurídicas ou grupos de empresas coligadas que, isolada ou conjuntamente, detenham pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de empreendimento de setor da economia considerado, pelo Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional, a aplicação, nesse empreendimento, de recursos equivalentes a setenta por cento do valor das opções de que trata o art. 1o, inciso I. [...] § 10o O Ministério da Integração Nacional poderá, excepcionalmente, autorizar o ingresso de novo acionista com a participação mínima exigida nos §§ 2o, 4o e 6o, deduzidos os compromissos assumidos em outros projetos já aprovados pelas extintas SUDENE e SUDAM, com o objetivo de aplicação do incentivo na forma estabelecida neste artigo, desde que a nova participação acionária minoritária venha a garantir os recursos de incentivos anteriormente previstos, em substituição às deduções de pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas que: I - esteja em processo de concordata, falência ou liquidação; ou II - não tenha apresentado, nas declarações de imposto sobre a renda dos dois últimos exercícios, capacidade de geração de incentivo compatível com os compromissos assumidos por ocasião da aprovação do projeto, com base em parecer técnico da Secretaria-Executiva da respectiva Superintendência de Desenvolvimento Regional extinta. Referida Medida Provisória foi regulamentada nos termos dos Decretos nº 4.212/2002 e 4.213/2002 que traz outras condicionantes para a redução do Imposto de Renda da pessoa jurídica que detenha laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional. A legislação anterior já preconizava a necessidade do laudo constitutivo e a Medida Provisória veio ratificar essa necessidade, tanto que o art. 179 do CTN já traz essa questão de individualidade para a concessão da isenção, por despacho da autoridade administrativa. Percebe-se que as normas atinentes aos incentivos fiscais de isenção e de redução, sempre tratam do titular do projeto e da autorização do poder executivo (Ministério da Integração Nacional) para qualquer modificação, mudança nos termos de investimento e de titularidade. Esse foi o entendimento exarado no Acórdão nº 1201-007.097 que trata do mesmo tema, relativo ao mesmo contribuinte. Vejamos a ementa a seguir transcrita: ISENÇÃO SUDENE. INCORPORAÇÃO. O benefício de isenção concedido a partir de laudo emitido pela SUDENE não se transfere automaticamente ao património da empresa incorporadora, dependendo de análise de tal órgão, com a consequente emissão de novo laudo, Fl. 503DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8167.htm#art9 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8167.htm#art9%C2%A710 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.776 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13502.720185/2010-43 9 atestando a continuidade das condições e atividades ensejadoras do benefício por parte da pessoa jurídica sucessora. IRRF. PARCELA DE CRÉDITO. TITULARIDADE DO RENDIMENTO. Para que o imposto de renda retido na fonte seja aproveitado como parcela componente de direito creditório oriundo de saldo negativo de tributo, faz-se mister que o correspondente rendimento tenha sido auferido pelo próprio contribuinte, bem assim por ele tenha sido regularmente oferecido à tributação (Processo nº 13502.000279/2007-05. Data da Sessão: 21/11/2024; Relator JOSE EDUARDO GENERO SERRA). Nesse caso, o Relator traz o Regulamento dos Incentivos Fiscais Administrados pelas Superintendências de Desenvolvimento Regional, com o destaque apara o trecho a seguir transcrito: O próprio Regulamento dos Incentivos Fiscais Administrados pelas Superintendências de Desenvolvimento Regional, SUDAM e SUDENE, prescreve em seu artigo 9° e parágrafo único, a necessidade de comunicação ao Órgão de incorporação e empreendimento beneficiado e a posterior emissão de novo laudo atestando se persistem as condições fixadas pelo laudo anterior, verbis: Art. 9° - No caso de alteração de razão ou denominação social, transformação, cisão, fusão, incorporação de empresas ou transferência de ativos de empresas beneficiadas com incentivos do imposto de renda, deverá a Superintendência de Desenvolvimento Regional ser informada da ocorrência, com a devida documentação comprobatória e observada a regra disposta no artigo anterior (Decreto n° 64.214, art. 2°, §5° e RIR — Decreto n° 3.000199, art. 557, § 3° e art. 559). Parágrafo Único — Nas situações descritas no caput, a Superintendência de Desenvolvimento Regional, após análise das linhas agregadas ou cindidas emitirá laudo com o objetivo de atestar se persistem as condições fixadas à época da expedição do laudo constitutivo ou da declaração. O conjunto das normas atinentes à questão, transbordam sempre para a necessidade de informação e de aprovação pelo órgão competente das mudanças ocorridas. E isso se justifica porque estamos tratando de isenção concedida de forma individual e, nos termos do art. 179 do CTN que dispõe o seguinte: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o Fl. 504DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1002-003.776 – 1ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 13502.720185/2010-43 10 interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. Assim procedeu a Recorrente para a renovação dos benefícios quando da incorporação da NITROCARBONO S/A pela PROPPET S/A (documento da SUDENE de fls. 246) e da OPP QUÍMICA S/A pela BRASKEM S/A (Laudo de fls.219/221), conforme já ressaltado anteriormente. Diante de todo o exposto, e em face da necessidade de emissão de novo laudo, atestando a continuidade das condições e atividades ensejadoras do benefício por parte da pessoa jurídica sucessora, tendo em vista que a isenção individual concedida a partir de laudo emitido pela SUDENE não se transfere de forma automática, deve ser mantida a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e NEGAR-LHE PROVIMENTO. Assinado Digitalmente Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 505DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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4610301 #
Numero do processo: 35381.001108/2005-80
Turma: Sexta Turma Especial
Câmara: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/11/1999 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO. A elaboração de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social caracteriza infração, por descumprimento de obrigação acessória. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO À autoridade administrativa é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 296-00.044
Decisão: Acordam os Membros da Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2014-06-27T17:14:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 3; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2014-06-27T17:14:34Z; Last-Modified: 2014-06-27T17:14:34Z; dcterms:modified: 2014-06-27T17:14:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:42698f46-3cf3-4b17-8be2-0d08bcf5a0eb; Last-Save-Date: 2014-06-27T17:14:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2014-06-27T17:14:34Z; meta:save-date: 2014-06-27T17:14:34Z; pdf:encrypted: false; modified: 2014-06-27T17:14:34Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2014-06-27T17:14:34Z; created: 2014-06-27T17:14:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2014-06-27T17:14:34Z; pdf:charsPerPage: 1045; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2014-06-27T17:14:34Z | Conteúdo => Processo n° Recurso n° Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Recorrida 2° CC/IVIF - Sexta CtImara CONFERE COM C) ORIGINAL Dra:sflia 4-23 / Maria de Fatima reira e Carvalho Matr. Siape 751683 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA TURMA ESPECIAL 35381.001108/2005-80 142.432 Voluntário AUTO DE INFRAÇÃO 296-00.044 28 de novembro de 2008 RB EMPREGOS TEMPORÁRIOS LTDA SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP CCO2/T96 Fls. 108 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/11/1999 a 31/12/2003 PREVIDENCIARIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONFECÇÃO DE FOLHAS DE PAGAMENTO. A elaboração de folhas de pagamento em desconformidade com os padrões estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade —caracteri-zd -ihfr-4dc7o-r -dé§du-rhpTrirhé-ritb—dC-ob-i-i-g-41-d-- — acessória. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO A autoridade administrativa é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 2° CCIMP Se.xtu Cilmara CONFEFa_=- COM O ORIGINAL Brasiiie 3 on, / eira e Carvalho Maria de FiIltirna Matr. Siape 751683 CCO2/T96 Fls. 109 KLEBER FERREIRA DE ARAI:JJ Relator • A Processo n°35381.001108/2005-80 Acórdão n.° 296-00.044 Acordam os Membros da Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Freitas de Souza Costa e Lourenço Ferreira do Prado (Suplente convocado). 2 Processo n°35381.001108/2005-80 Acórdão n.° 296-00.044 Relatório CCO2/T96 2° CC/iVIF Sc-mtai Camara CONFZRE. COM O ORIGINAL Brasilia ,23 /09 Fls. 110 Maria de Fatima r eira de Car ho Mau-. Slaw 751683 0 lançamento Trata o presente processo administrativo do Auto-de-Infração — Al, DEBCAD n° 35.767.469-3, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado por descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 32, I, da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, combinado corn o art. 225, I e § 9.°, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. 0 valor da penalidade aplicada atingiu a cifra de R$ 1.035,92 (um mil e trinta e cinco reais e noventa e dois centavos). Segundo o Relatório Fiscal da Infração, fl. 04, a empresa ao elaborar as folhas de pagamento, deixou de incluir os segurados contribuintes individuais, que lhe prestaram serviço no período de 1111999 a 12/2003 0 recurso Inconformado com a decisão a quo, o sujeito passivo apresentou recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, fls. 73/76, contra a Decisão Notificação n° 21.426.4/0037/2005, de 28/03/2005, fls. 57/61, de lavra da Delegacia da Receita Previdencidria em Jundiai (SP), a qual declarou procedente o lançamento. Inicialmente alega que a exigência do depósito para garantia de instância fere a Constituição, mormente, os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. No mérito, assevera que a contribuição sobre a remuneração dos contribuintes individuais é indevida, posto que a relação jurídica entre a empresa e os empresários e autônomos não resulta de contrato de trabalho. Não lid lei complementar que autorize a exação sobre as remunerações desses trabalhadores, não havendo, por conseguinte, obrigação de preparar as folhas de pagamento correspondentes. A par do disposto no art. 195, § 4. 0, da Constituição Federal, outras fontes de custeio para a Seguridade Social somente poderiam ser instituidas em obediência ao seu art. 154, I, ou seja, mediante lei complementar. Assim as contribuições instituidas por lei ordinária está eivada de inconstitucionalidade. Conclui que a decisão que declarou procedente a autuação deve ser reformada. As contra-razões O órgão de primeira instancia apresentou contra-razões, fls. 92/93, reconhecendo a tempestividade do recurso e o afastamento da exigência do depósito recursal prévio, esse por força da decisão judicial colacionada, fls. 90/93. Afirma que a decisão a quo deve ser mantida, haja vista que a recorrente apenas repetiu em sua peça de inconformidade os argumentos já apresentados anteriormente. Processo n°35381.001108/2005-80 Acórdão n.° 296-00.044 -- 2° CCÉMI- - Soxtzs CtIrnara CONF.E.P.a. COM O ORIGINAL Bras i / CCO2/T96 Fls. 111 Mana (le Fatima r Tr arva ho Maw. Siape 751683 A conversão do julgamento ad quem em diligência Tendo noticia de que a liminar que afastava a exigência do depósito para garantia de instância havia sido cassada em sede de agravo de instrumento, a Segunda Câmara de Julgamento do CRPS, resolveu, pelo Acórdão n° 267/2006, fls. 94/95, que o processo deveria retornar à origem para que fosse oportunizado prazo para a recorrente comprovar a efetivação do aludido depósito. Em despacho, fl. 106, o órgão da SRP dá conta de que sentença de mérito superveniente, fls. 98/105, voltou a afastar a exigência do depósito prévio. Os autos, então, subiram para análise do recurso. Voto Conselheiro KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO, Relator Os requisitos de admissibilidade foram cumpridas e o recurso deve ser conhecido. Percebe-se que a única discussão posta a lume é a inconstitucionalidade do inciso III do art. 22 da Lei n° 8.212/1991, verbis: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (.) III - vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do Ines, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei n° 9.876, de 26.11.99) Entende a recorrente que sendo o referido dispositivo inconstitucional, as contribuições não poderiam ser exigidas, sendo também afastada a obrigação de incluir os segurados contribuintes individuais em folhas de pagamento, restando improcedente a autuação. Vou evitar imiscuir-me nessa discussão. É cediço que não é dado a órgão de julgamento administrativo lançar pronunciamento sobre inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. A esse respeito, trago a colação súmula aprovada pelo Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda em Sessão Plenária realizada no dia 18/09/2007, a qual versa acerca da impossibilidade de conhecimento na seara administrativa de questão atinente inconstitucionalidade de ato normativo. CCÉNIF Sc»cta Camara CONFERE COM O ORiGiNAL :73rasilia 132 / gm, Maria de Fatima eira de Carvalho Processo n°35381001108/2005-80 Acórdão n.° 296-00.044 CCO2/T96 Fls. 112 Matr. Siape 751683 "SÚMULA NO 2 0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária." Ante o exposto, voto por conhecer do recurso, negando-lhe provimento. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2008 \t\U Vi\MA)1\Wk KLEBER FERREIRA DE ARAÚJ 5

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Numero do processo: 37169.002834/2004-89
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/1999 a 31/10/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão e/ou incorreção no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração tão somente para suprir a omissão apontada, re-ratificando o resultado levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento. EMBARGOS ACOLHIDOS.
Numero da decisão: 2401-000.995
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o ACÓRDÃO Nº 296-00.071, passando a: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se determine o cálculo da penalidade com base no art. 32-A, inciso I, da Lei nº 8212/1991, caso esse critério seja mais benéfico ao contribuinte.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO

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Seção de Julgamento, po re-ratificar o Acórdão provimento parcial ao 32-A, inciso I, da Lei ecurso ° 8.212 S2-C4T1 FL 170 Processo n° Recurso n° Acórdão n° Sessão de Matéria Embargante Interessado MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO 37169.002834/2004-89 142.131 Embargos 2401-00.995 — 4a Camara / la Turma Ordinária 23 de fevereiro de 2010 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS - OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL TEKA TECELAGEM KUENHRINCH S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/1999 a 31/10/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão e/ou incorreção no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração tão somente para suprir a omissão apontada, re-ratificando o resultado levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento. EMBARGOS ACOLHIDOS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ELIAS SA 4 IO FREIRE - Presidente KLEBER FERREIRA DE A' 4UJO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique MagalhAes de Oliveira. 2 Processo n° 37169.002834/2004-89 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.995 Fl. 171 Relatório Cuida-se de Embargos de Declaração, fls. 160/163, apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n° 296-00.071 de lavra da extinta Sexta Turma Especial do Segundo Conselho de Contribuintes. 0 processo em destaque é um auto de infração lavrado em razão do sujeito passivo haver apresentado a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com informações inexatas nos campos não relacionados aos fatos geradores de contribuição previdencidria. Na decisão recorrida, deu-se provimento parcial ao recurso, para que o órgão responsável pela execução do acórdão adequasse o valor da multa em confonnidade com as alterações do cálculo da mesma promovida pela MP n° 449/2008, convertida na Lei n.° 11.941/2009. Foi nesse ponto que a embargante verificou omissão no acórdão, porquanto não foi mencionada a forma como deveria se fazer a verificação da situação mais benéfica para o sujeito passivo. o relatório. Sala das Sessões, em 23 de fevereiro de 2010 KLEBER FERREIRA DE ARA O - Relator Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator De fato, não posso deixar de dar razão a PGFN. É que com a alteração do cálculo da multa para esse tipo de infração pela Medida Provisória n° 449/2008, convertida na Lei n° 11.941/2009, deve o órgão responsável pelo cumprimento da decisão recalcular o valor da penalidade, posto que o critério atual pode ser mais benéfico para o contribuinte, de forma a prestigiar o comando contido no art. 106, II, "c", do CTN 1 . Como para esse tipo de infração não se verifica a existência de NFLD correlata, a comparação deva ser feita entre a multa calculada conforme o revogado § 6° do art. 32 da Lei n° 8.212/1991 e a multa prevista no novel inciso I do art. 32-A da mesma Lei. Destaque-se que os embargos não terão efeitos modificativos no resultado do julgamento, todavia não se pode deixar de dar razão a PGFN quanto aponta a obscuridade no acórdão embargado. Por todo o exposto VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAQ -ÃO, para sanear a omissão existente no Acórdão Embargado, re-ratificando o resultado do julgamento levado a efeito no decisum guerreado para que se determine o cálculo da penalidade com base no art. 32-A, inciso I, da Lei n° 8.212/1991, caso esse critério seja mais benéfico ao contribuinte. Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (.--) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (.-.) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua pratica. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,#e QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO -Processo 110 : 37169.002834/2004-89 Recurso n°: 142.131 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-00.995 Braília, 6 de abril de 2010 ELIAS AIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional

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