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Numero do processo: 13867.000095/2002-93
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/03/1998 a 31/03/1998
ESTIMATIVAS MENSAIS FALTA DE RECOLHIMENTO
As estimativas mensais não configuram fato gerador autônomo. Nos termos da lei nº 8.981/1995, que as instituiu, elas representam antecipações do tributo devido ao final do ano, conforme art. 27 c/c artigos 35, § 2º, e 37 da referida lei. Verificada a falta de seu recolhimento, caberia à Fiscalização lançar isoladamente a multa prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original, e não a CSLL mensal estimada, acrescida da multa de ofício padrão e dos juros de mora.
Numero da decisão: 1802-000.941
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro André Almeida Blanco.
Matéria: DCTF_CSL - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (CSL)
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/03/1998 a 31/03/1998 ESTIMATIVAS MENSAIS FALTA DE RECOLHIMENTO As estimativas mensais não configuram fato gerador autônomo. Nos termos da lei nº 8.981/1995, que as instituiu, elas representam antecipações do tributo devido ao final do ano, conforme art. 27 c/c artigos 35, § 2º, e 37 da referida lei. Verificada a falta de seu recolhimento, caberia à Fiscalização lançar isoladamente a multa prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/1996, em sua redação original, e não a CSLL mensal estimada, acrescida da multa de ofício padrão e dos juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Ausente justificadamente o Conselheiro André Almeida Blanco. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 718DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 236 2 José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marcelo Baeta Ippolito e Marco Antônio Nunes Castilho. Fl. 719DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 237 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 10 a 18), no valor total de R$ 35.791,5724, estando incluído nesse montante a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1423.211, às fls. 80 a 84: Tratase de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em 09/05/2002, em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos federais (DCTF), para exigir da empresa acima identificada o recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida pelo regime do lucro real anual com recolhimentos mensais em bases estimadas, código de receita nº 2484, concernente aos meses de janeiro, fevereiro e março de 1998, no valor de R$ 14.002,45, acrescida da multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento), na importância de R$ 10.501,84 e dos juros de mora na quantia de R$ 11.287,28. Regularmente cientificada, a autuada ingressou com a impugnação de fls. 01/02, acompanhada dos documentos de fls. 03/74, por meio da qual fustiga a exigência argumentando, em síntese, que não há débito a ser recolhido em decorrência de compensação com saldo negativo de CSLL de períodos anteriores, consoante informado na Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (DIRPJ) do ano calendário de 1998, ora juntada. Aduz, também, que providenciou retificação da DCTF no que diz respeito ao imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), ficando sem retificar a parte da contribuição social, daí porque pede a retificação daquela, nos moldes da declaração retificadora juntada. Como mencionado, a DRJ Ribeirão Preto/SP considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/03/1998 a 31/03/1998 AUDITORIA INTERNA NA DCTF. CSLL. NÃO CONFIRMAÇÃO DO PAGAMENTO. Fl. 720DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 238 4 Inexistindo nos autos a prova do crédito informado na DCTF, a título de pagamento, ou saldo negativo de contribuição social, subsiste a exigência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/1998, 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/03/1998 a 31/03/1998 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado aplicase retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento (CTN, art. 106, II, “c”). Lançamento Procedente em Parte A parcial procedência do lançamento em primeira instância foi motivada pelas alterações promovidas no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, restringindo as hipóteses para a imposição de multa no caso de lançamento por diferenças apuradas em auditoria interna de DCTF. Deste modo, observando as normas que tratam da retroatividade benigna, a Delegacia de Julgamento exonerou a multa de ofício. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/06/2009, a Contribuinte apresentou em 21/07/2009 o recurso voluntário de fls. 91 a 93, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, a Recorrente traz uma detalhada explicação sobre a evolução e o aproveitamento dos saldos negativos de CSLL ao longo do tempo, e junta aos autos uma série de cópias de DARF, Declarações, Livros e Planilhas, ano a ano, desde 1992, no intuito de demonstrar que realmente as estimativas de janeiro, fevereiro e março de 1998 foram quitadas por meio de compensação. Este é o Relatório. Fl. 721DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 239 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, em decorrência de procedimento de auditoria interna de DCTF, foi exigido da Contribuinte a CSLL relativa aos meses de janeiro, fevereiro e março de 1998, por falta de localização de pagamento nos sistemas da Receita Federal. Desde o início, a Recorrente vem alegando que estes débitos foram quitados por compensação com saldo negativo de CSLL de períodos anteriores, consoante informado em sua Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (DIRPJ) do ano calendário de 1998, e que, por um equívoco, teria sido informado na DCTF a quitação por pagamento e não por compensação. Ao examinar os documentos que acompanharam a primeira peça de defesa, a Delegacia de Julgamento fez as seguintes considerações: Não creio que a afirmação da existência de saldo negativo de CSLL, ainda que acompanhada da DIRPJ externando valores nesse sentido, se prestam ao afastamento de crédito tributário, que para tanto exige tratamento de cautela, a ver pelo artigo 141 do Código Tributário Nacional. Certo é que a DIRPJ indicia que a contribuinte teria efetuado pagamento a maior que o devido. Todavia, resumese à seara do indício, tão somente, vez que tanto a alegação como a declaração são manifestações da contribuinte e, no caso, desacompanhadas da escrita, não surtindo, assim, o efeito desejado. Crédito dessa estirpe se comprova com registros contábeis, como lançamentos em conta do ativo da CSLL a recuperar, e respectivas utilizações, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, etc, mesmo porque se trata de contribuinte sujeita ao regime do lucro real, para o qual exige a lei contabilidade regular. Reprisese, pois, que a certeza e liquidez de crédito a título de saldo negativo de CSLL, para fins da compensação aqui pretendida, não se apura em razão dos valores declarados no ano calendário, mas sim em relação àqueles mostrados pela contabilidade e outros documentos fiscais, sendo a declaração de rendimentos apenas um deles. Diante disso, a Contribuinte trouxe junto com o recurso voluntário uma farta documentação, constituída de cópias de DARF, Declarações, Livros e Planilhas, ano a ano, desde 1992, no intuito de comprovar que as estimativas de CSLL referentes a janeiro, fevereiro Fl. 722DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 240 6 e março de 1998 foram realmente quitadas por meio de compensação com saldo negativo de períodos anteriores. No contexto da dinâmica probatória que se desenvolveu neste processo, todos estes elementos mereceriam uma cuidadosa análise. Contudo, há uma questão que precisa ser enfrentada antes disso. Desde o auto de infração, está claro que o presente lançamento abrange débitos de CSLL no código 2484, cuja descrição, conforme sítio da Receita Federal na internet, é a seguinte: 2484 CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL (grifos acrescidos) As cópias da DIPJ e das DCTF também não deixam nenhuma dúvida de que a CSLL no anocalendário de 1998 foi calculada pelo regime de apuração anual, e que os valores lançados são referentes às estimativas de CSLL em alguns meses deste ano. Em vista disso, cabe registrar que as estimativas mensais não configuram fato gerador autônomo. Nos termos da lei nº 8.981/1995, que as instituiu, elas representam antecipações do tributo devido ao final do ano, conforme art. 27 c/c artigos 35, § 2º, e 37 da referida lei. Não há, portanto, no regime de apuração anual, CSLL de janeiro, de fevereiro, de março, etc., mas apenas a CSLL apurada em 31 de dezembro. Assim, se for para constituir tributo, o lançamento deve levar em conta o fato gerador ocorrido em 31 de dezembro. Tanto o é, que a Lei nº 9.430/96, desde seu texto original, prevê o lançamento de “multa isolada” para os casos de falta de recolhimento de estimativas, conforme o disposto em seu art. 44: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I .......... II .......... Fl. 723DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 241 7 III .......... IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (grifos acrescidos) Atualmente, em função das alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, essa mesma regra se encontra disposta no art. 44, II, “b” da Lei 9.430/96, com mudança no percentual da multa. Multa exigida isoladamente quer dizer multa exigida sem tributo. E a própria Receita Federal, por meio da Instrução Normativa SRF nº 093, de 24 de Dezembro de 1997, vigente à época dos fatos, determinou que após o término do ano calendário não se exigisse as estimativas não recolhidas: Art. 16. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: I a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; II o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. Mas a Fiscalização considerou que as estimativas mensais representavam verdadeiros fatos geradores de tributos, e lançou o principal (por falta de recolhimento), acrescido da multa de ofício padrão e dos juros de mora, procedimento que não está em consonância com as normas legais pertinentes ao caso. Entendo também que não se trata aqui de mero erro de capitulação legal, mas sim de um fundamento jurídico inapropriado para a autuação. Com efeito, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais não se confunde com o tributo devido, que deve ser apurado somente no final do período anual, pelo regime do lucro líquido ajustado. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 724DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13867.000095/200293 Acórdão n.º 180200.941 S1TE02 Fl. 242 8 Fl. 725DF CARF MF Emitido em 09/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/09/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.019537/2008-31
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 95 37 /2 00 8- 31 Fl. 316DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. Importante mencionar que, conforme termo de desapensação juntado aos autos, este processo encontravase apenso ao Processo 19647.019536/200897, principal, e foi desapensado para permitir o julgamento do respectivo recurso na sistemática prevista no art.47, §§1º e2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de2015. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 317DF CARF MF Processo nº 19647.019537/200831 Acórdão n.º 9202005.667 CSRFT2 Fl. 317 3 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) tem o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 318DF CARF MF 4 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é o entendimento deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 19647.019537/200831 Acórdão n.º 9202005.667 CSRFT2 Fl. 318 5 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 320DF CARF MF 6 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 19647.019537/200831 Acórdão n.º 9202005.667 CSRFT2 Fl. 319 7 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora Fl. 322DF CARF MF 8 fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 323DF CARF MF Processo nº 19647.019537/200831 Acórdão n.º 9202005.667 CSRFT2 Fl. 320 9 Fl. 324DF CARF MF
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Numero do processo: 15940.000053/2006-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2002, 2003, 2004
IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA
Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. Nesta hipótese, não há que se falar em retroatividade benéfica da Lei no. 11.488, de 2007.
Numero da decisão: 9202-005.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. Nesta hipótese, não há que se falar em retroatividade benéfica da Lei no. 11.488, de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 00 00 53 /2 00 6- 81 Fl. 1031DF CARF MF 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 729/749) que exigiu crédito tributário no valor de R$ 311.827,27, sendo IRRF no valor de 8.670,24 relativo ao pagamento sem causa, acrescidos de juros de mora no valor de R$ 5.326,78 e multa de ofício no valor de R$ 6.502,63, além de multa de ofício e juros exigidos isoladamente, incidentes sobre os valores que a empresa deixou de reter e recolher, nos valores de R$ 244.237,78 e R$ 47.089,84, respectivamente. De acordo com relatado no termo de verificação fiscal de fls. 725/728, foram constatadas as seguintes irregularidades: · Falta de recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, incidente sobre rendimentos pagos a beneficiários não identificados e/ou sem causa, nos valores e datas descritos no referido termo, conforme o demonstrativo de fl. 724. Tais pagamentos foram considerados líquidos, sendo reajustada a base de cálculo do imposto. · Falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre rendimentos pagos a titulo de: i) arrendamento (conforme demonstrativos de fls. 686 a 708 e do termo de verificação); ii) fretes (conforme demonstrativo às fls. 709 a 720 e do termo de verificação fiscal); iii) honorários profissionais (demonstrativo de fls. 721 e 722); iv) comissão e corretagem (demonstrativo de fls. 723); v) aluguel (demonstrativo de fls. 710, 723 e observação à fl. 720). O lançamento teve fulcro nas disposições legais apontadas no referido auto de infração. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgado o lançamento procedente. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. No Acórdão de Recurso Voluntário, o Colegiado, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso para excluir da autuação a infração falta de retenção de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados e a multa isolada referente aos fatos geradores ocorridos antes de 27/12/2001. Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 15940.000053/200681 Acórdão n.º 9202005.625 CSRFT2 Fl. 3 3 Portanto, em sessão plenária de 27/10/2011, deuse parcial provimento ao recurso, prolatandose o Acórdão nº 2802001.177, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2002, 2003, 2004 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. As matérias que não forem expressamente contestadas consideramse não impugnadas. A existência de um pedido genérico para cancelar o auto de infração não é suficiente para considerar que todas as matérias foram impugnadas, é preciso identificar a matéria, os pontos de discordância e as respectivas razões e provas. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL OBSCURO. A falta de clareza no enquadramento legal feito no auto de infração evidenciada com a modificação do enquadramento realizada pelo órgão Julgador de primeira instância não condiz com a certeza que se exige do lançamento tributário, bem como a alteração da imputação fiscal na primeira instância de julgamento é uma mudança de critério jurídico igualmente vedada. Hipóteses que conjugadas implicam excluir a infração do lançamento. IRRF. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. As convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias. IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. MULTA ISOLADA. LANÇAMENTO APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. Nos lançamentos efetuados após o término do exercício, a multa isolada aplicável à fonte pagadora em decorrência da falta de retenção do Imposto de Renda Retido na Fonte somente é aplicável a partir de 27 de dezembro de 2001. Recurso provido em parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 08/12/2011 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 18/01/2012, Recurso Especial visando a reforma do acórdão recorrido, que anulou por vício material, o AI na parte em que tratou da infração “falta de retenção de IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados”, para cancelamento por vício formal e lavrado um novo, revestido de todos os requisitos legais. Ao Recurso Especial da Fazenda foi negado seguimento, conforme o Despacho nº 220001.102, da 2ª Câmara, de 26/07/2012. Fl. 1033DF CARF MF 4 O contribuinte, então, foi cientificado do acórdão 2802001.177 em 23/11/2012 e interpôs, tempestivamente, em 06/12/2012, Recurso Especial. Em seu recurso visa rediscutir a matéria “exigência da multa isolada pela falta de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora. Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento conforme o Despacho s/nº, da 2ª Câmara, de 31/03/2017. Em seu Recurso Especial, a Recorrente ressalta que foi autuada com fundamento no art. 44, da Lei no 9.430/96, mas que a Medida Provisória nº 351, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/07, revogou a multa isolada em casos tais como o presente, no qual a sanção decorre da não retenção dos valores pagos a pessoas físicas; e que, dessa forma, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem decidindo pela anulação dos autos de infração fundamentados no revogado dispositivo, o que vem sendo feito com fundamento no art. 106, II, do Código Tributário Nacional, conforme atestam várias decisões desse órgão. Assim, requer seja dado provimento ao seu Recurso Especial, decidindose pela aplicação do art. 106, II, do CTN, cancelandose a multa isolada (e os juros), tendo em vista sua revogação pela Lei nº 11.488/2007. A Fazenda Nacional foi cientificada do Recurso Especial do contribuinte em 03/04/2017, mas não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 15940.000053/200681 Acórdão n.º 9202005.625 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 1022. Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com o despacho proferido para a apreciar o mérito da questão Do Mérito Quanto ao mérito ressaltese que a situação em questão, já foi enfrentada em diversas outras oportunidades por esta CSRF, razão pela qual, alinhome aos que entendem, no âmbito deste CARF, não se confundir a penalidade estabelecida pelo art. 9o da Lei no. 10.426, de 2002, base legal do presente lançamento e aplicável à fonte pagadora dos rendimentos, com eventual sanção decorrente do não recolhimento do Imposto sobre a Renda incidente sobre os rendimentos recebidos, este último de responsabilidade do beneficiário dos rendimentos e sujeito à eventual multa de ofício aplicável quando não houver recolhimento do principal, previamente ao início da ação fiscal, com fulcro no art. 44, inciso I da Lei no. 9.430, de 24 de dezembro de 1996. Compartilho do posicionamento de que a única ligação existente entre os citados dois dispositivos é a remissão, pelo dispositivo da mencionada Lei no. 10.426, de 2002, ao percentual de 75%, estabelecido pela Lei no. 9.430, de 1996, para fins de determinação do quantum devido a título de sanção. A matéria foi brilhantemente enfrentada no voto vencedor proferido na Câmara Superior de Recursos Fiscais no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.582, de 03 de março de 2015, de relatoria da Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, o qual adoto para delinde da controvérsia, assim, como razões de decidir quanto a este item guerreado pelo recorrente, verbis: " (...) A penalidade em tela foi instituída pela Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, convertida na Lei nº 10.426, de 2002, que assim estabelecia, em sua redação original: “Art.9º. Sujeitase às multas de que tratam os incisos I e II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou Fl. 1035DF CARF MF 6 contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” O dispositivo acima não deixa a menor brecha para que se entenda que a penalidade nele prevista poderia ser exigida de outra forma, que não a isolada. Com efeito, a penalidade está sendo aplicada à fonte pagadora, que não é a beneficiária dos rendimentos, portanto resta descartada qualquer possibilidade de cobrança desta multa juntamente com o imposto, cujo ônus, repitase, não é da fonte pagadora, e sim do beneficiário. Confirmando esse entendimento, o parágrafo único especifica a base de cálculo da multa, que nada mais é que o tributo que deixou de ser retido ou recolhido. O art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, por sua vez, tinha a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I. de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II. cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I. juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II. isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III. isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV. isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; V. isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (...)” Como se pode constatar, o art. 44, acima, não trata de multas incidentes sobre imposto cobrado por meio de responsabilidade tributária de fonte pagadora, e sim de penalidades que recaem diretamente sobre o imposto exigido do sujeito passivo, na Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 15940.000053/200681 Acórdão n.º 9202005.625 CSRFT2 Fl. 5 7 qualidade de contribuinte, que relativamente ao Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos. Nesse passo, nenhuma das modalidades de exigência elencadas no § 1º se amolda à exigência estabelecida no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, portanto não há que se falar que este último dispositivo tenha se referido ao art 44 da Lei nº 9.430, de 1996, para tomar de empréstimo algo além dos percentuais nele estabelecidos – 75% e 150%. Isso porque a problemática que envolve as modalidades de exigência das penalidades constantes do § 1º do art. 44 – vinculadas ao imposto ou exigidas isoladamente – não se coaduna com a multa por falta de retenção na fonte. Esta, quando exigida, obviamente será isolada, eis que o principal, ou seja, o imposto, será cobrado não da fonte pagadora, mas sim, repitase, do beneficiário dos rendimentos. Com estas considerações, constatase que a referência feita pelo art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, aos incisos I e II, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, está focada nos incisos I e II do caput, e não nos incisos I e II do § 1º, do contrário estarseia atribuindo à fonte pagadora o papel de sujeito passivo contribuinte do tributo, e não o de mera intermediária entre este e o Fisco, responsabilidade esta conferida por lei. Ora, se os incisos I e II do caput do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, tratam de penalidades aplicáveis ao sujeito passivo na qualidade de contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o próprio beneficiário dos rendimentos, e o art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, trata exclusivamente de multa por descumprimento da obrigação de reter e recolher o tributo, aplicável à fonte pagadora na qualidade de responsável, o único elemento passível de empréstimo, do art. 44 para o art. 9º, diz respeito efetivamente aos percentuais de 75% ou 150%. Com efeito, não existe qualquer outro liame entre os dois dispositivos legais. Corroborando este entendimento, a Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 16, de 27/12/2001, que foi convertida na Lei nº 10.426, de 2002, encaminhada ao Congresso Nacional, assim esclarece: “Os arts. 7º a 9º ajustam as penalidades aplicáveis a diversas hipóteses de descumprimento de obrigações acessórias relativas a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, reduzindoas ou, no caso do art. 9º, instituindo nova hipótese de incidência, preenchendo lacuna da legislação anterior.” (grifei) O texto acima não deixa dúvidas, no sentido de que o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, trata unicamente de multa por descumprimento de obrigação acessória pela fonte pagadora, portanto descartase a sua exigência juntamente com o respectivo imposto, cujo ônus é do beneficiário dos rendimentos. Ademais, fica patente que se trata de nova hipótese de incidência, o que também a desvincula definitivamente das hipóteses de incidência elencadas no § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, eis que estas já existiam no ordenamento Fl. 1037DF CARF MF 8 jurídico muito antes do advento da Medida Provisória nº 16, de 2001. (...)" Dos esclarecimentos transcritos no trecho acima, resta evidenciado que se tratam de obrigações distintas. A primeira resultante da obrigação de retenção e recolhimento do IRRF pela fonte pagadora à título de antecipação. A segunda decorrente do oferecimento à tributação, após o encerramento do período de apuração, pelo beneficiário dos rendimentos. Logo, o único ponto em comum em relação as duas obrigações é a referência ao dispositivo legal, cujo objetivo foi a utilização do percentual para fins de cálculo de sanção por descumprimento da obrigação de reter. Quanto a alegação de que a multa isolada fora revogada tacitamente pela Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007 a questão foi suficientemente enfrentada no citado acórdão 9202003.582, de 03 de março de 2015, ao qual novamente transcrevo na parte pertinente por entender acertada a interpretação ali apresentada, senão vejamos: Com a edição da Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, foi alterado o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, dentre outras finalidades, para extinguir a multa de ofício incidente sobre o pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo, desacompanhado de multa de mora. Dito dispositivo legal passou a ter a seguinte redação: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I. de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II. de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Assim, o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, foi reformulado, mantendose a aplicação das multas de ofício vinculadas ao tributo, nos percentuais de 75% e 150%, a primeira mantida no inciso I, do caput, e a segunda não mais abrigada no inciso II, do caput, mas sim no inciso I, do §1º. O inciso II, do caput, que anteriormente continha a multa no percentual de 150%, passou a prever a multa isolada, no percentual de 50%, nos casos de falta Fl. 1038DF CARF MF Processo nº 15940.000053/200681 Acórdão n.º 9202005.625 CSRFT2 Fl. 6 9 de pagamento do carnêleão e de falta de pagamento do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devido por estimativa (alíneas “a” e “b”). Quanto à multa isolada pelo pagamento de tributo ou contribuição fora do prazo sem o acréscimo de multa de mora, esta foi extinta. Observese que a extinção da multa isolada acima destacada, levada a cabo pela nova redação do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, promovida pela Lei nº 11.488, de 2007, não tem qualquer reflexo nas multas do art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, eis que, conforme já patenteado no presente voto, os dois dispositivos legais tratam de penalidades distintas, o primeiro disciplinando as exigências em face do sujeito passivo contribuinte, que no caso do Imposto de Renda é o beneficiário dos rendimentos, e o segundo regulamentando a incidência pelo descumprimento de obrigação de retenção e recolhimento do tributo pela fonte pagadora, na qualidade de responsável. Como ficou assentado, a conexão entre os dois dispositivos diz respeito unicamente aos percentuais de 75% e 150%. Tanto é assim que o art. 9º teve de sofrer também um ajuste, em função da realocação da multa de 150% (do caput para o § 1º). Ademais, também havia neste dispositivo a previsão de aplicação de multa de ofício à fonte pagadora, pelo recolhimento em atraso do Imposto de Renda Retido na Fonte, sem o acréscimo da multa de mora. Assim, na mesma linha da exclusão levada a cabo na nova redação do art. 44, esta penalidade teria de ser excluída do art 9º, já que não haveria sentido em permanecer no ordenamento jurídico apenas para apenar a fonte pagadora. Confirase a alteração do art. 9º, promovida pela mesma Lei nº 11.488, de 2007 (g.n.): “Art. 9º Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado.” Ora, se a multa pela falta de retenção e recolhimento na fonte houvesse sido efetivamente extinta, não haveria qualquer razão para que se alterasse o art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, como foi feito acima. A alteração visa claramente adaptar esse dispositivo à nova topografia do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, o que de forma alguma sinaliza que dita penalidade teria sido extinta. Além disso, repitase que a nova redação visou excluir a exigência de multa de ofício pelo recolhimento, pela fonte pagadora, do IRRF fora do prazo sem multa de mora, tal como ocorrera com penalidade semelhante, que antes também era imposta ao beneficiário do rendimento, relativamente ao recolhimento do principal. Assim, igualouse a exoneração desta penalidade, tanto em face do sujeito passivo contribuinte da Fl. 1039DF CARF MF 10 obrigação principal, como perante a fonte pagadora, na qualidade de responsável pela obrigação de reter e recolher o tributo. (...) Além de todas as razões que conduzem à conclusão de que não ocorreu a alegada extinção da multa de ofício pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, destacase o fato de que a adoção de tal tese equivaleria a admitirse a instituição de uma obrigação –retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora – sem o estabelecimento de sanção, o que seria inusitado no Sistema Tributário Nacional. Ademais, ninguém põe em dúvida a manutenção da multa pela falta de recolhimento do carnêleão, que pressupõe relação entre pessoas físicas, que nem sempre possuem estrutura para cumprir com a obrigação, sendo que quem recolhe a antecipação, nesse caso, é o próprio contribuinte que arca com o encargo financeiro do tributo, descartada a possibilidade de apropriação indébita. Nesse passo, causa ainda maior perplexidade a conclusão de que a multa pela falta de retenção e recolhimento do imposto pela fonte pagadora teria sido extinta, já que as fontes pagadoras, na sua maciça maioria, são pessoas jurídicas, que dispõem de meios adequados ao cumprimento da obrigação. Acrescentese que a retenção na fonte sem o respectivo recolhimento caracteriza apropriação indébita, portanto terse ia ainda a possibilidade do cometimento de crime, sem qualquer previsão de sanção na esfera tributária, o que também seria inédito no Sistema Tributário Nacional. (...) Considerando os pontos acima, não assiste razão ao recorrente quanto a tese de revogação da referida multa isolada pela nova redação dada pela Medida Provisória nº 351, de 2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488, de 2007, ao art. 9o. da Lei nº 10.426, de 2002. Face o exposto, concluise que a multa isolada aplicada no caso sob análise tem previsão legal própria, no art. 9º da Lei nº 10.426, de 2002, com sua base de cálculo definida em seu parágrafo único, e somente se vincula ao art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, quanto ao percentual a ser aplicado. Em mesmo sentido encaminhou este colegiado turma em relação ao Processo 12571000133/201151, Acórdão nº 9202005.326 de relatoria do conselheiro Heitor Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2007, 2008, 2009 OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. MULTA ISOLADA Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, mantida pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. Nesta hipótese, não há que se falar em retroatividade benéfica da Lei no. 11.488, de 2007. Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 15940.000053/200681 Acórdão n.º 9202005.625 CSRFT2 Fl. 7 11 JUROS DE MORA. COBRANÇA. CABIMENTO. O débito para com a União (aqui abrangida a multa isolada decorrente de não retenção de IRRF) é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros moratórios incidentes sobre os créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, não integralmente adimplidos na data do seu vencimento, são calculados, no período, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Ao contrário dos argumentos trazidos pelo recorrente, a fundamentação do presente auto de infração encontrase em perfeita consonância com o normativo vigente, sendo certo que, não prosperar qualquer alegação de violação aos princípios da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. Importante ressaltar que não se encontra na competência da autoridade administrativa apreciar a inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento pátrio, por se tratar de prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sob pena, inclusive, de violação ao princípio da legalidade. Aliás essa diretriz encontrase devidamente registrada em súmula deste Conselho, senão vejamos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Face o exposto, voto por CONHECER do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1041DF CARF MF 12 Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes. Em que pese o brilhante voto da relatora peço vênia para discordar do encaminhamento dado a questão, seguindo no encaminhamento dado por mim em processo semelhante, autos n. 10580.729581/201104, no que se refere a multa isolada. O Contribuinte alega que houve revogação da hipótese de incidência do cabimento da multa isolada pelo não recolhimento do IRRF após o prazo fixado. Aduz em sua defesa que com a publicação da MP 351/2007 foi alterada a redação do artigo 9 da Lei 10.426/02 que deixou de tratar das hipóteses de recolhimento após o prazo e simplesmente fora suprimido o segmento de linguagem que fazia referência a esta hipótese: “Com a nova redação, o artigo 9 simplesmente foi suprimido o segmento de linguagem que previa a conduta de oferecimento a tributação após o prazo fixado”. Assim, segundo o contribuinte, o artigo em questão deixou de tratar da situação de recolhimento fora do prazo, não podendo ser utilizado para fundamentar o lançamento da multa de ofício lançada isoladamente. Ressalta ainda que o item 8 da exposição de motivos da MP 351/2007 que expressamente afirma que a alteração perpetrada no artigo 44 da Lei 9430/96 retirou a hipótese de incidência de multa no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo. Em outra oportunidade tive acesso ao parecer do jurista Humberto Ávila, o qual conclui que a hipótese de incidência da multa isolada foi de fato suprimida na nova redação legal, em virtude da não retenção do imposto de renda retido na fonte. Assiste razão ao Contribuinte, desse modo, adoto o posicionamento segundo o qual não há mais previsão legal para a hipótese de cobrança de multa no caso de pagamento após o vencimento, portanto, na forma isolada, tratou a MP 531/2007 de alterar a redação integral do artigo 44, da Lei 9430/96 e suprimiu para esta hipótese, todas as referências, a exigência de multa na modalidade isolada. Observo que este não é um posicionamento isolado dentro deste Tribunal, uma vez que a jurisprudência deste Conselho (na anterior composição deste colegiado) em algumas oportunidades em que se manifestou defendeu que houve a revogação expressa da hipótese de incidência da multa isolada nos casos de tributos pagos em atraso sem o recolhimento da multa de mora. E diante disso, suprimida a hipótese do lançamento de multa quando o tributo já tenha sido recolhido pelo beneficiário, não há motivo para se manter a referência de multa na modalidade isolada, conforme se depreende da leitura do texto legal. Diante do exposto, conheço do Recurso da Contribuinte para no mérito dar lhe provimento. É como voto. Ana Paula Fernandes. Fl. 1042DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.005853/2004-00
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1995 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Com a edição da Súmula Vinculante n o. 8 pelo Supremo Tribunal Federal, o artigo 45 da Lei n o. 8212/1991 não pode mais ser aplicado pela Administração Pública. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo apuração e pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. O lançamento cientificado em 17/12/2004, em relação a fatos geradores ocorridos nos meses de abril, junho, agosto e dezembro de 1995, encontra-se decaído.
Numero da decisão: 1801-000.710
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Com a edição da Súmula Vinculante no. 8 pelo Supremo Tribunal Federal, o artigo 45 da Lei no. 8212/1991 não pode mais ser aplicado pela Administração Pública. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, inexistindo apuração e pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. O lançamento cientificado em 17/12/2004, em relação a fatos geradores ocorridos nos meses de abril, junho, agosto e dezembro de 1995, encontrase decaído. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Fl. 179DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de auto de infração à legislação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que exige da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 310.646,85, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura (fls. 08/12). Em procedimento de auditoria fiscal foram apuradas as seguintes irregularidades em relação aos fatos geradores da contribuição ocorridos em 30/04/1995, 30/06/1995, 31/08/1995 e 31/12/1995, assim descritas na "Descrição dos Fatos" do auto de infração às fls. 09/10: 001 — BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES. Valor apurado conforme Demonstrativo de Compensação da CSLL, que é parte integrante do presente auto de infração. Com relação a dezembro/95, informamos que excluímos o valor de R$ 856.846,83 referente a vendas de açúcar auferidas em 08/95, do valor do lucro apurado pelo contribuinte no valor de R$ 1.208.508,77 (conforme Demonstrativo do Resultado do Exercício 12/95) para apurar o Lucro Liquido Antes da Contribuição Social sobre o Lucro (R$ 351.661,94). Em razão do exposto, o valor apurado da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro antes da compensação foi de R$ 356.861,94 (R$ 351.661,94 + R$ 5.200,00). 002. CSLL REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Redução indevida do Lucro Liquido em virtude de inobservância do regime de escrituração, resultando no não pagamento da contribuição social sobre o lucro, apurada conforme Demonstrativo de Compensação da CSLL, que é parte integrante do presente auto de infração. Esclarecemos que o valor de R$ 856.846,83 referese a vendas de açúcar no mercado interno (R$ 354.023,44) e no mercado externo (R$ 502.823,39) conforme Demonstrativo de Receitas Auferidas Quadro 01, Livro Razão, Demonstrativo do Resultado do Exercício 08/95 e 12/95, DIRPJ e Demonstrativo do % da Receita de Exportação, em Relação a Receita Total Ano Calendário 1995 elaborado pelo próprio contribuinte. Cientificada em 17/12/2004, conforme demonstra a cópia do AR à fl. 75, apresentou a contribuinte a impugnação de fls. 80/95. Em sua defesa invoca a decadência do lançamento e a ilegalidade de limitação de compensação de bases negativas de períodos anteriores em 30% pois feriria o princípio do direito adquirido. Alega ser ilegal a aplicação de multa de ofício por erro de indicação de períodobase de escrituração de receita, devendo ser aplicada a multa de mora incidente nos casos de postergação. Suscitou, ainda, ofensa aos princípios constitucionais da proporcionalidade e do nãoconfisco. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10410.005853/200400 Acórdão n.º 180100.710 S1TE01 Fl. 178 3 A 3a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG proferiu o Acórdão 0216.490 e julgou procedente a exigência (fls. 141/158). No voto o relator sustentou, em preliminares: (i) que o prazo decadencial da referida contribuição teria sido determinado em 10 anos pelo artigo 45 da Lei no. 8.212, de 1991; (ii) que o pedido de perícia contábil foi feito em desacordo com os ditames legais mas que tal providencia seria desnecessária para o deslinde da questão; (iii) o procedimento não teria sido maculado por nulidade. No mérito observou que, não obstante a empresa possuir saldos de bases negativas antes da compensação, em abril, junho e dezembro de 1995, conforme quadro "Demonstrativo de Compensação da CSLL", de fls. 16/19, a compensação de base negativa da CSLL não poderia ultrapassar a 30% da base de cálculo antes das compensações, nos termos do que dispõe a Medida Provisória n° 812, de 1994, convertida na Lei n° 8.981, de 1995 e artigos 12 e 16 da Lei no. 9.065, de 1995 e que a análise de qualquer argüição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de Lei fugiria da alçada de sua competência. Afastou, ainda, as alegações de postergação no caso da redução indevida do lucro líquido pela inobservância do regime de competência no reconhecimento de receita. Notificada da decisão, em 18/01/2008, como demonstra a cópia do AR à fl. 161, a interessada apresentou, em 15/02/2008, o recurso voluntário de fls. 162 a 175, no qual reproduz as argüições de defesa deduzidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Preliminarmente DECADÊNCIA A primeira questão a ser analisada no presente recurso diz respeito à preliminar de decadência. O Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante n° 8, cujo enunciado tem o seguinte teor: "SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5o. DO DECRETOLEI N o. 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA N o. 8..212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Data de Aprovação Sessão Plenária de 12/06/2008 Fonte de Publicação DJE n o. 112/2008, p. 1, em 20/6/2008. DOU 20/6/2008, p. 1. Por conseguinte, o art. 45 da Lei n o. 8.212/19 não pode mais ser aplicado pela administração pública, nos termos do art. 2 o. da Lei n o. 11..417/2006, que assim dispõe: “Art. 2 o. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na. forma prevista nesta Lei." Dessa forma o prazo decadencial das contribuições sociais encontrase disciplinado no Código Tributário Nacional – Lei n o. 5.172, de 1966, como regra geral no artigo 173, e é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como exceção a essa regra o Código Tributário Nacional dispôs, no artigo 150, parágrafo 4o., prazo decadencial distinto para os tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, determinando que este será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A CSLL, dentre outros tributos, está sujeita ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Não basta, entretanto, a atribuição, ao sujeito passivo, pela legislação, do dever de apurar e pagar o tributo competente, antes de qualquer procedimento de verificação pelo Fisco. Para que referido regra seja aplicada Fl. 182DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10410.005853/200400 Acórdão n.º 180100.710 S1TE01 Fl. 179 5 é necessário que o sujeito passivo tenha, de fato, efetuado apuração e pagamento de tributo. Nesse contexto, a atividade de homologação da Fazenda Pública deve incidir sobre o pagamento efetuado, não sendo possível a incidência da norma nos casos em que o sujeito passivo não apura CSLL devida e nos casos em que apesar de apurar CSLL devida, não efetua qualquer pagamento correspondente. Nesse sentido, o pagamento, enquanto modalidade de extinção de crédito tributário configurase imprescindível para a antecipação da contagem do prazo decadencial do lançamento, nos moldes previstos no art. 150, §4º do CTN. Dada a grande divergência doutrinária e jurisprudencial acerca do tema, esclareço que a interpretação aqui adotada encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Cito, a título de exemplo, a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), com efeitos de Repetitivo, julgado em 12 de agosto de 2009, no acórdão relatado pelo Exmo. Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, Fl. 183DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No presente caso a recorrente optou, no anobase 1995, pela apuração de seus resultados e pagamento do IRPJ e da CSLL devidos com base nas regras do lucro real mensal. Assim, os fatos geradores da CSLL, com base nessa regra, ocorrem mensalmente. Verificase, pela cópia da DIPJ, acostada às fls. 34 a 71, que em todos os meses de 1995 a contribuinte apurou apenas base negativa de CSLL, ou seja, não foram apurados saldos de CSLL a pagar, ou, ainda, qualquer valor de CSLL recolhida por antecipação. Portanto, diante da ausência de apuração e do pagamento da CSLL no ano base 1995, a regra de contagem de prazo decadencial a ser aplicada é aquela prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. In casu, relativamente aos meses de abril, junho e agosto de 1995 o lançamento poderia ter sido efetuado no próprio ano de 1995. O primeiro dia do exercício seguinte é 1o. de janeiro de 1996, primeiro dia do prazo de cinco anos que venceu em 31/12/2000. Como a ciência do lançamento ocorreu em 17/12/2004 verificase a ocorrência da decadência em relação a esses fatos geradores. Em relação ao fato gerador da CSLL ocorrido em dezembro de 1995 o lançamento somente poderia ter sido efetuado em 1996. O primeiro dia do exercício seguinte se deu em 1o. de janeiro de 1997, vencendose o prazo decadencial de cinco anos em 31/12/2001. Assim, em relação ao fato gerador ocorrido em dezembro de 1995 também operouse a decadência em 31/12/2002, encontrandose portanto, o presente lançamento, em sua totalidade, fulminado pelo prazo decadencial. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 184DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10410.005853/200400 Acórdão n.º 180100.710 S1TE01 Fl. 180 7 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 185DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 15563.720130/2012-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DE ALIENAÇÃO.
Considera-se valor de alienação o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos.
GANHO DE CAPITAL. EXCLUSÕES DO VALOR DE ALIENAÇÃO. PREVISÕES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO ENQUADRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há que se falar de exclusão do preço de alienação, para fins de apuração de ganho de capital, valores não previstos na legislação tributária.
MULTA DE OFÍCIO. MULTA DE MORA. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Multa de mora não se confunde com multa de ofício, sendo aquela desta autônoma, restando assim prejudicada a pretensão da recorrente em estabelecer uma relação de vinculação e gradação entre elas.
São disciplinadas por diferentes dispositivos legais e se destinam a propósitos distintos e incomunicáveis entre si. A multa de ofício é prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, enquanto que a multa de mora tem abrigo no art. 59 da Lei n. 8.383/1991.
Numero da decisão: 2402-005.984
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DE ALIENAÇÃO. Considerase valor de alienação o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos. GANHO DE CAPITAL. EXCLUSÕES DO VALOR DE ALIENAÇÃO. PREVISÕES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO ENQUADRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se falar de exclusão do preço de alienação, para fins de apuração de ganho de capital, valores não previstos na legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. MULTA DE MORA. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Multa de mora não se confunde com multa de ofício, sendo aquela desta autônoma, restando assim prejudicada a pretensão da recorrente em estabelecer uma relação de vinculação e gradação entre elas. São disciplinadas por diferentes dispositivos legais e se destinam a propósitos distintos e incomunicáveis entre si. A multa de ofício é prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, enquanto que a multa de mora tem abrigo no art. 59 da Lei n. 8.383/1991. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 01 30 /2 01 2- 14 Fl. 141DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente justificadamente o Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitosa e Fernanda Melo Leal. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15563.720130/201214 Acórdão n.º 2402005.984 S2C4T2 Fl. 102 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 96/137) em face do Acórdão n. 03 069.476 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB (fls. 84/89), que julgou improcedente a impugnação de fls. 54/81 e manteve o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF AnoCalendário 2009 no montante de R$ 909.917,63 sendo R$ 458.027,60 de imposto Cód. Receita 2904 ; R$ 108.369,33 de juros de mora calculados até 31/05/2012; e R$ 343.520,70 de multa proporcional passível de redução (fls. 46/51) com fulcro em) omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações/quotas, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 43/45. O lançamento constituído mediante o Auto de Infração de fls. 46/51 originou se da constatação da omissão de ganhos de capital obtidos na alienação de ações/quotas das pessoas jurídicas Drogaria Vida de Caxias Ltda. CNPJ 01.401.791/000124 e Delivere de Caxias Expressos Drogaria Ltda. CNPJ 05.922.789/000151 , consoante o TVF de fls. 43/45. Cientificada do lançamento de fls. 46/51 em 21/06/2012 (fl. 52), a recorrente, inconformada com a autuação sofrida, apresentou a impugnação de fls. 54/81, alegando em síntese: a) o acréscimo do valor de venda acordado anteriormente deveuse ao estoque existente no montante de R$ 4.800.00,000, sendo que, após levantamento, constatou se que desse total R$ 2.000.000,00 referiamse a dívidas com fornecedores, que foram corretamente deduzidos do valor final; b) a autoridade fiscal não verificou que, para manter o estoque objeto do acréscimo ao valor da venda patrimonial, deveria existir lucro contábil no Patrimônio Líquido a título de Reservas, sem que tivesse sido distribuído, mas que é de fato um acréscimo patrimonial do detentor da participação do Capital Social; c) a mera ausência de distribuição do lucro, que é isenta de tributação, e a sua permanência em reservas da empresa, para capitalização, demonstra um aumento do Patrimônio Líquido, gerando, assim, uma capacidade maior de adquirir ativos, como no caso o estoque existente; d) o Estado não pode penalizar o empresário que deixa de distribuir lucros, evidentemente já tributados, com o intuito de capitalizar sua empresa, apenas por não haver cumprido com uma mera formalidade ao integralizar estas Reservas de Lucros ao Capital. e) à vista dos esclarecimentos acima, o valor bruto da venda seria de R$ 6.000.000,00, e não aquele considerado pela autoridade lançadora. Na apreciação da impugnação de fls. 54/81, o órgão julgador de primeira instância, mediante o Acórdão n. 03069.476 (fls. 84/89), sumarizou seu entendimento, consoante ementa abaixo: Fl. 143DF CARF MF 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. VALOR DE ALIENAÇÃO. Considerase valor de alienação o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente foi cientificada do teor do Acórdão n. 03069.476 (fls. 84/89) em 27/01/2016 (fls. 91/94) e, irresignado, interpôs Recurso Voluntário em 26/02/2016 (fls. 96/137), tempestivo, portanto, alegando, em síntese, erro da Fiscalização da RFB quando da apuração do ganho de capital (tributação de valor recebido decorrente de lucro de pessoa jurídica) e redução da multa de ofício de 75% para 20%. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15563.720130/201214 Acórdão n.º 2402005.984 S2C4T2 Fl. 103 5 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (fls. 96/137) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. O objeto do Recurso Voluntário de fls. 96/137 reside em suposto erro da Fiscalização da RFB quando da apuração do ganho de capital obtido na alienação de ações/quotas das pessoas jurídicas Drogaria Vida de Caxias Ltda. CNPJ 01.401.791/000124 e Delivere de Caxias Expressos Drogaria Ltda. CNPJ 05.922.789/000151 à pessoa jurídica Barenboim & Cia. Ltda CNPJ 33.228.701/000131 , concretizada em 20/10/2009 (fls. 27/31), bem assim na redução da multa de ofício de 75% para 20%. Consoante os termos do Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas Sociais (fls. 27/31), as participações societárias em lide haviam sido alienadas à pessoa jurídica Barenboim & Cia. Ltda CNPJ 33.228.701/000131, na data 20/10/2009, inicialmente por R$ 6.000.000,00. Todavia, mediante o Termo de Aditamento de Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas Sociais (fls. 35/36), o valor do negócio foi reajustado para R$ 10.800.000,00, a serem pagos da seguinte forma: i) R$ 5.400.000,00 na data de 26/11/2009, mediante a liberação dos cartões de crédito Visa, Mastercard e outros; ii) R$ 5.400.000,00 descontados R$ 2.000.000,00 a título de passivo com fornecedores restando R$ 3.400.000,00 em 15 parcelas mensais, iguais e sucessivas de R$ 226.667,00, a serem pagas a partir de 15/01/2010. Conforme a configuração acima informada, coube à recorrente o valor efetivo de R$ 8.800.000,00 (já deduzidos R$ 2.000.000,00 a título de passivo com fornecedores). Na DIRPF/2010 ND 07/16.814.081 (fls. 03/08), a recorrente declara titularidade de bens e direitos vinculados às pessoas jurídicas Drogaria Vida de Caxias Ltda. CNPJ 01.401.791/000124 e Delivere de Caxias Expressos Drogaria Ltda. CNPJ 05.922.789/000151 nas datas de 31/12/2008 e de 31/12/2009 nos valores de R$ 300,00 e de R$ 39.600,00, respectivamente. Tais valores correspondem a 300 quotas, no valor nominal de R$ 1,00, da pessoa jurídica Drogaria Vida de Caxias Ltda. CNPJ 01.401.791/000124 (de cujo capital social a recorrente detém 10% de participação) e a 39.600 quotas, no valor nominal de R$ 1,00, da pessoa jurídica Delivere de Caxias Expressos Drogaria Ltda. CNPJ 05.922.789/0001 51 (de cujo capital social a recorrente detém 99% de participação) , conforme denunciado na 3ª. alteração contratual de fls. 15/17 e na 1ª. alteração contratual e contrato social consolidado de fls. 18/21, respectivamente. De acordo com o TVF de fls. 43/45, o lançamento em lide restringese à parcela de R$ 5.400.000,00 recebida pelo recorrente na data de 26/11/2009 (Termo de Aditamento de Instrumento Particular de Compra e Venda de Quotas Sociais de fls. 35/36 e Ação de Cobrança de fls. 37/42). Essa parcela equivale a 61,36% do valor efetivo total da Fl. 145DF CARF MF 6 alienação (R$ 8.800.000,00). Desse total, cabe à recorrente o percentual de 57% de participação. As tabelas a seguir elucidam as situações ora descritas: Da leitura das tabelas acima reproduzidas, obtémse o custo de aquisição do conjunto das participações societárias vinculadas à recorrente mediante a multiplicação do custo total (R$ 39.900,00) pelo percentual efetivamente recebido pela alienação (61,36%), chegandose ao montante de R$ 24.482,64. Assim, o ganho de capital da recorrente em virtude da alienação em lide é de R$ 3.053.517,36 (diferença entre R$ 3.078.000,00 e R$ 24.482,64). Todavia, nos termos do Recurso Voluntário (fls. 96/137), a recorrente contrapõe à apuração do ganho de capital acima discriminado o seguinte argumento: "As referidas empresas foram alienadas pelo valor de R$ 10.800.00,00, contudo tal valor incluía parcelas referentes a débitos e o lucro existente no caixa da empresa destinados aos sócios da mesma, na data da alienação. O valor de fato das empresas efetuando os referidos descontos foi de R$ 6.000.000,00, sendo o valor do ganho de capital a ser calculado sobre tal verba e não sobre a totalidade do negócio. Ressaltandose, que coube à peticionária 57% desse montante, sendo tal valor pago de forma parcelada. Evidente, que a quantia correspondente ao estoque existente que não corresponde a dívidas com fornecedores, bem como o lucro da empresa, no valor total de R$ 2.800.000,00, não poderia compor o valor da alienação." (grifei) Em resumo, a recorrente alega que, do valor efetivo total da alienação (R$ 8.800.000,00), R$ 2.800.000,00 devem ser excluídos, vez que correspondem ao estoque existente não vinculado a dívidas com fornecedores, bem assim ao lucro da empresa (recebidos com base no art. 10 da Lei n. 9.249/1995). Nesse ponto, é oportuno destacar a definição de valor de transmissão, no caso de operações de venda ou de cessão de direitos, plasmada nos arts. 19 e 20, da Lei n. 7.713/1988, verbis: “Art. 19. Valor da transmissão é o preço efetivo de operação de venda ou da cessão de direitos, ressalvado o disposto no art. 20 desta Lei. Parágrafo único. Nas operações em que o valor não se expressar em dinheiro, o valor da transmissão será arbitrado segundo o valor de mercado. Art. 20. A autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará o valor ou preço, sempre que não mereça fé, por notoriamente diferente do de mercado, o Fl. 146DF CARF MF Processo nº 15563.720130/201214 Acórdão n.º 2402005.984 S2C4T2 Fl. 104 7 valor ou preço informado pelo contribuinte, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial.” Lateralmente, a Instrução Normativa SRF n. 84/2001 (que dispõe sobre a apuração e tributação de ganhos de capital nas alienações de bens e direitos por pessoas físicas), ao tratar do valor de alienação, assim dispõe em seu art. 19, in verbis: Art. 19 . Considerase valor de alienação: I o preço efetivo da operação de venda ou de cessão de direitos; II o valor de mercado, nas operações não expressas em dinheiro; III no caso de bens ou direitos vinculados a qualquer espécie de financiamento ou a consórcios, em que o saldo devedor é transferido para o adquirente, o valor efetivamente recebido, desprezado o valor da dívida transferida; IV no caso de bens em condomínio, a parcela do preço que couber a cada condômino ou coproprietário; V no caso de permuta com recebimento de torna, o valor da torna; VI no caso de imóvel rural com benfeitorias, o valor correspondente: a) exclusivamente à terra nua, quando o valor das benfeitorias houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; b) a todo o imóvel alienado, quando as benfeitorias não houverem sido deduzidas como custo ou despesa da atividade rural. § 1º Tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase valor de alienação da terra nua: I o valor declarado no Diat do ano da alienação, quando houverem sido entregues os Diat relativos aos anos de aquisição e alienação; II o valor efetivamente recebido, nos demais casos. § 2º Na alienação dos imóveis rurais, a parcela do preço correspondente às benfeitorias é computada: I como receita da atividade rural, quando o seu valor de aquisição houver sido deduzido como custo ou despesa da atividade rural; II como valor da alienação, nos demais casos. § 3º Os valores recebidos a título de reajuste, no caso de pagamento parcelado, qualquer que seja sua designação, a exemplo de juros e reajuste de parcelas, não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados à medida de seu recebimento, na fonte ou mediante o recolhimento mensal obrigatório (Carnê Leão), quando a alienação for para pessoa jurídica ou para pessoa física, respectivamente, e na Declaração de Ajuste Anual. § 4º O valor da corretagem, quando suportado pelo alienante, é deduzido do valor da alienação e, quando se tratar de venda a prazo, com diferimento da tributação, a dedução farseá sobre o valor da parcela do preço recebida no mês do pagamento da referida corretagem. Conforme se observa da leitura dos dispositivos supra reproduzidos, as verbas no valor total de R$ 2.800.000,00 que a recorrente pretende excluir do valor efetivo de alienação (R$ 8.800.000,00) não encontram abrigo na legislação tributária. Fl. 147DF CARF MF 8 Só para argumentar, uma vez despiciendo, ainda que previsão legal houvesse, o recorrente não faz prova da pretendida exclusão das verbas alegadas e que almeja excluir do valor da alienação em lide, quais sejam, estoque existente não vinculado a dívidas com fornecedores, bem assim ao lucro da empresa. Os documentos acostados às fls. 123/134 não se prestam para o mister, vez que i) dizem respeito a questões contábeis das pessoas jurídicas cujas participações societárias foram alienadas, alheias, portanto, ao lançamento em lide; ii) não se revestem das formalidades exigidas por lei; iii) sequer discriminam os valores no total de R$ 2.800.000,00 cuja exclusão é pretendida; e iv) encontramse com registros ilegíveis. A recorrente também requer a redução da multa de 75% para 20%, conforme os termos do Recurso Voluntário (fls. 96/137). Na verdade, nas suas alegações, a recorrente confunde multa de ofício com multa de mora, emprestando, de forma indevida, um caráter de vinculação e gradação entre elas, quando, na verdade, nada têm em comum e destinamse a propósitos distintos e incomunicáveis entre si. Com efeito, a multa de ofício é prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] Por sua vez, a multa de mora é prevista no art. 59 da Lei n. 8.383/1991, abaixo transcrito, e não tem caráter punitivo. Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. A multa de mora aplicada sobre o valor do tributo ou contribuição devido e, na sua essência, busca desestimular o cumprimento da obrigação fora do prazo. É devida quando do recolhimento de débitos vencidos, com atraso, portanto. Essa multa nunca incide sobre as multas de ofício, e com estas não têm qualquer relação. Diz respeito ao atraso do inadimplemento da obrigação tributária. É, como a própria denominação expressa, multa de caráter moratório. É oportuno destacar a remansosa jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) no que tange à sua limitação ao percentual de 20%, conforme se depreende do entendimento plasmado nos julgados a seguir transcritos: “ [...]A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória Fl. 148DF CARF MF Processo nº 15563.720130/201214 Acórdão n.º 2402005.984 S2C4T2 Fl. 105 9 cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (RE 582.461, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes)" “AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. MULTA FISCAL DE 20%. AUSÊNCIA DE CARÁTER CONFISCATÓRIO. Esta Corte firmou entendimento no sentido da ausência de caráter confiscatório de multa fiscal no percentual de 20% (RE 582.461, leading case de repercussão geral). Agravo regimental a que se nega provimento.” (RE 596.429 AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Joaquim Barbosa)" “IPI. MULTA MORATÓRIA. ART. 59. LEI 8.383/91. RAZOABILIDADE. A multa moratória de 20% (vinte por cento) do valor do imposto devido, não se mostra abusiva ou desarrazoada, inexistindo ofensa aos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. Recurso extraordinário não conhecido.” (RE 239.964, Primeira Turma, Rel.ª Min.ª Ellen Gracie)" "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA DE 30%. CARÁTER CONFISCATÓRIO RECONHECIDO. INTERPRETAÇÃO DO PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO À LUZ DA ESPÉCIE DE MULTA. REDUÇÃO PARA 20% NOS TERMOS DA JURISPRUDÊNCIA DA CORTE. 1. É possível realizar uma dosimetria do conteúdo da vedação ao confisco à luz da espécie de multa aplicada no caso concreto. 2. Considerando que as multas moratórias constituem um mero desestímulo ao adimplemento tardio da obrigação tributária, nos termos da jurisprudência da Corte, é razoável a fixação do patamar de 20% do valor da obrigação principal. 3. Agravo regimental parcialmente provido para reduzir a multa ao patamar de 20%. (Ag. Reg. no Agravo de Instrumento 727.872/RS, 1ª Turma, 28/04/2015)." Desta forma, concluise, de forma inequívoca, que a multa de mora não se confunde com a multa de ofício, sendo desta autônoma, restando assim prejudicada a pretensão da recorrente em estabelecer uma relação de vinculação e gradação entre elas. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (fls. 96/137) e NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 149DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.000014/2005-80
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2000 Nos termos do inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/1996, resta caracterizada situação impeditiva quando um dos sócios da optante participa de outra empresa, detendo mais de 10% do capital desta, e o somatório da receita bruta das duas empresas ultrapassa o limite permitido para o Simples. O texto da Lei 9.317/1997, especificamente contido em seu art. 15, II, vigente à época da ocorrência da situação impeditiva, dispunha que a exclusão por força do art. 9º, IX, somente surtiria efeito a partir do mês subseqüente àquele em que se procedesse à exclusão, norma que só foi modificada com a MP 2.158-35, de 2001. Embora a situação impeditiva tenha ocorrido em 31/12/2000, a exclusão só pôde produzir efeitos a partir de 01/01/2002, como definido no art. 24, parágrafo único, II, da IN SRF nº 355/2003, que conjugou as alterações promovidas pela MP n° 2.158-35/2001 no referido art. 15, II, da Lei 9.317/1996, com o texto legal anterior a essa MP. Se na data alcançada pelo ADE, ou seja, 01/01/2002, a situação impeditiva não mais existia, e a Contribuinte podia fazer nova opção pelo Simples, não o fazendo apenas porque continuava nele enquadrada, não há motivos para excluí-la com efeitos a partir daquela data.
Numero da decisão: 1802-000.892
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2000 Nos termos do inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/1996, resta caracterizada situação impeditiva quando um dos sócios da optante participa de outra empresa, detendo mais de 10% do capital desta, e o somatório da receita bruta das duas empresas ultrapassa o limite permitido para o Simples. O texto da Lei 9.317/1997, especificamente contido em seu art. 15, II, vigente à época da ocorrência da situação impeditiva, dispunha que a exclusão por força do art. 9º, IX, somente surtiria efeito a partir do mês subseqüente àquele em que se procedesse à exclusão, norma que só foi modificada com a MP 2.15835, de 2001. 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(assinado digitalmente) Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.000014/200580 Acórdão n.º 180200.892 S1TE02 Fl. 34 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, André Almeida Blanco, Nelso Kichel, Marcelo Assis Guerra e Marco Antônio Castilho. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.000014/200580 Acórdão n.º 180200.892 S1TE02 Fl. 35 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que indeferiu a solicitação da Contribuinte para que fosse mantida no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições de Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). A exclusão do regime simplificado operouse pelo Ato Declaratório Executivo n° 529.001, de 02 de agosto de 2004, emitido pela DRF Ponta Grossa (fl. 3), com efeitos a partir de 01/01/2002, e assim fundamentado: Data da opção pelo Simples: 01/01/1997 Situação excludente (evento 311): Descrição: sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% e a receita bruta global no anocalendário de 2000 ultrapassou o limite legal. CPF 752.597.37920. CNPJ 79.570.388/000116. Data da ocorrência: 31/12/2000 Fundamentação legal: Lei nº 9.317, de 05/12/1996: art. 9º , IX; art.12; art.14, I; art.15, II. Medida Provisória nº 2.15834, de 27/07/2001: art. 73. Instrução Normativa SRF nº 355, de 29/08/2003: art.20, IX; art.21; art.23, I; art. 24. II, c/c parágrafo único. Primeiramente, a Contribuinte apresentou a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS nº 09104/529001, com pedido de revisão do ato em rito sumário (fl.05), mas esta SRS foi considerada improcedente (fl. 12). A Contribuinte, então, apresentou manifestação de inconformidade, limitandose a pedir que fosse aplicado ao presente processo, por analogia, a mesma decisão adotada para o CNPJ 05.665.258/000120, por se tratar de caso idêntico ao seu, mas com desfecho favorável ao outro Contribuinte (fls. 6 a 11). Como já mencionado, a DRJ Curitiba/PR indeferiu a solicitação da interessada, afirmando que um de seus sócios, o Sr. Jorge Luiz Belich, participava de uma outra empresa, a Cherubim Compensados e Embalagens Ltda., CNPJ 79.570.388/000100, com 33,33% do capital social desta, ou seja, com mais de 10%, e que a receita global das duas empresas teria ultrapassado o limite permitido para o SIMPLES. Quanto ao pedido para que fosse aplicada a mesma solução dada ao CNPJ 05.665.258/000120, de Lima & Staziaki Ltda. ME, cujo ADE nº 529.565 foi declarado nulo, a DRJ tomouo como improcedente, uma vez que não restou demonstrada a razão da anulação deste outro ADE. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.000014/200580 Acórdão n.º 180200.892 S1TE02 Fl. 36 4 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 27/08/2008, a Contribuinte apresentou em 18/09/2008 o recurso voluntário de fls. 24 e 25, com os seguintes argumentos: ratificase a ocorrência de ambigüidade no caso em pauta, pelo teor do próprio art. 9º, IX, da Lei 9.317/1996, que não define explicitamente de qual empresa está tratando, ou seja, se o limite de 10% é em relação à optante ou à não optante, dando margem a interpretações diversas; o caso da outra empresa, Lima & Staziaki Ltda. ME, é idêntico ao deste processo, e teve decisão favorável ao contribuinte. Sendo assim, cabe o pedido de analogia, afinal, dois casos comuns não podem e nem devem ser tratados de forma diferente; outrossim, apreciando a composição societária da empresa supostamente causadora da exclusão, Cherobim Compensados Ltda., inscrita no CNPJ 79.570.388/000116, constatase que houve alteração no seu quadro societário, com a retirada do sócio Jorge Luiz Belich, portador do CPF 752.597.37920 e ingresso de Francisco Cherobim Filho, portador do CPF 005.558.78953, datada de maio de 2001 e homologada pela Junta Comercial do Paraná sob o número 20011309024, por despacho em sessão de 04/06/2001; inadvertidamente, tal ato não foi informado à Receita Federal para adequação do seu sistema interno e, concomitantemente, cruzamento de informações; com este novo fato observado e agora apresentado a este Órgão, excluise totalmente a incidência do fator preponderante para a exclusão do SIMPLES, que seria o equivocado entendimento do legislador sobre o excesso de receita bruta global, pois a saída do referido sócio ocorreu no anocalendário de 2001, e o excesso previsto no artigo 9°, inciso IX, da Lei 9.317/2006 foi verificado apenas no anocalendário de 2002; já está sendo providenciada alteração junto à Receita federal, através de DBE documento básico de entrada, para adequação da real e atual situação societária da empresa; segue em anexo cópia reprográfica autenticada demonstrando tal ocorrência. Este é o Relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.000014/200580 Acórdão n.º 180200.892 S1TE02 Fl. 37 5 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona a validade do Ato Declaratório Executivo n° 529.001, de 02 de agosto de 2004, que promoveu a sua exclusão do SIMPLES com efeitos a partir de 01/01/2002. A razão da exclusão é que um dos sócios da interessada detinha mais de 10% do capital de outra empresa, e a receita bruta global das empresas, no anocalendário de 2000, havia ultrapassado o limite legal (Lei 9.317/1996, art. 9º, IX). Na Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS, apresentada em 22/09/2004, a Contribuinte alegou obscuridade da norma impeditiva: Enfatizamos que o artigo da Lei não é por si só esclarecedor, cabendo dúbia interpretação pelo contribuinte, se estaria excluído sendo sócio de outra empresa que não a do SIMPLES com mais de 10% (dez por cento) ou se qualquer outra empresa, independente do seu regime tributário. Neste caso, teríamos uma empresa optante pelo SIMPLES com participação do sócio em 5% e outra empresa de regime tributário normal com participação de 30%. Logo, reforçando o critério utilizado, como em apenas uma das empresas a participação foi superior a 10%, não somariase os faturamentos. Como a matéria em tela gera discussão quanto a sua interpretação, solicitamos que seja revisto todo o caso, reenquadrando a empresa NARF COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA, inscrita no CNPJ 95.420.634/0001 00, para que a mesma possa continuar gozando das prerrogativas previstas pelo SIMPLES. E em sede de recurso voluntário, ela novamente suscita ambigüidade no conteúdo da norma que fundamentou o ato de exclusão. Contudo, o texto do inciso IX do art. 9º da Lei 9.317/1996 não deixa qualquer margem para dúvidas: Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.000014/200580 Acórdão n.º 180200.892 S1TE02 Fl. 38 6 IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º; (...) (grifos acrescidos) Está bastante claro que o limite de 10% do capital social deve ser verificado em relação à outra empresa, independentemente do percentual de participação na empresa optante do Simples. Assim, se um dos sócios da optante participar de outra empresa, detendo mais de 10% do capital desta, e o somatório da receita bruta das duas empresas ultrapassar o limite permitido para o Simples, restará caracterizada a situação impeditiva. Foi exatamente o que ocorreu neste caso. O sócio Jorge Luiz Belich participava da ora reclamante, com 5% do capital social, bem como com 33,33% do capital social da empresa Cherubim Compensados e Embalagens Ltda., CNPJ 79.570.388/000100, e a receita bruta das duas empresas ultrapassou o limite legal permitido, relativamente ao ano calendário de 2000. Portanto, são improcedentes as alegações de ambigüidade da norma contida no art. 9º, IX, da Lei 9.317/1996. Em sede de recurso, a Contribuinte também insiste para que seja aplicada a mesma solução dada no caso da empresa Lima & Staziaki Ltda. ME, cujo Ato Declaratório de Exclusão foi declarado nulo (fl. 11). Compulsando os autos, vêse que embora o fundamento deste outro ADE tenha sido o mesmo do analisado neste processo, não há nenhuma informação sobre as circunstâncias concretas desta outra empresa, para que se pudesse avaliar as diferenças e as semelhanças em relação à Recorrente. Deste modo, tais argumentos se revelam igualmente improcedentes. O recurso voluntário está acompanhado de cópia da “Décima Quarta Alteração do Contrato Social”, registrada em 04/06/2001 (fls. 26/27), e a Contribuinte informa sobre a retirada do sócio Jorge Luiz Belich, argumentando que estaria excluído o fator preponderante que motivou a sua exclusão do SIMPLES. Quanto a esse ponto, é importante observar, conforme o conteúdo do Ato Declaratório Executivo n° 529.001, à fl. 3, que a situação impeditiva ocorreu em 31/12/2000, data essa que, via de regra, deve delimitar o exame das condições da optante, e, por conseguinte, a análise do mérito da exclusão. Ocorre que o texto da Lei 9.317/1997, especificamente contido em seu art. 15, II, vigente à época da ocorrência da situação impeditiva, dispunha que a exclusão por força do art. 9º, IX, somente surtiria efeito a partir do mês subseqüente àquele em que se procedesse à exclusão, norma essa que só foi modificada com a MP 2.15835, de 2001. Conforme já mencionado, o ato declaratório de exclusão é de 02 de agosto de 2004, e não podia alcançar os períodos de 2000 e 2001, tanto é assim que embora a situação Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10940.000014/200580 Acórdão n.º 180200.892 S1TE02 Fl. 39 7 impeditiva tenha ocorrido em 31/12/2000, os efeitos da exclusão só foram produzidos a partir de 01/01/2002, como definido no art. 24, parágrafo único, II, da IN SRF nº 355/2003, que conjugou as alterações promovidas pela MP n° 2.15835/2001 no referido art. 15, II, da Lei 9.317/1996, com o texto legal anterior a essa MP. Mas na data alcançada pelo ADE, ou seja, 01/01/2002, a situação impeditiva não mais existia, e a Contribuinte poderia ter feito nova opção pelo Simples. Só não o fez, porque continuava nele enquadrada, e, por essa razão, apenas nele prosseguiu. Assim, não há motivos para desenquadrála do Simples a partir de 01/01/2002, já que desta data em diante não mais restava configurada a situação impeditiva apontada nos autos. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, 14/06/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000178/99-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 19/10/1988 a 09/03/1990
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. OBSCURIDADE.
Constatada a existência de obscuridade na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015.
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado".:
Numero da decisão: 9303-005.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, re-ratificando o Acórdão nº 9303-003.414, de 26/01/2016, sanar o erro material apontado na ementa, mantendo inalterado o resultado do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ADMISSIBILIDADE. OBSCURIDADE. Constatada a existência de obscuridade na decisão embargada, devem ser acolhidos os embargos de declaração e sanado o vício apontado, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado".: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, reratificando o Acórdão nº 9303003.414, de 26/01/2016, sanar o erro material apontado na ementa, mantendo inalterado o resultado do julgamento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 9. 00 01 78 /9 9- 55 Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 13909.000178/9955 Acórdão n.º 9303005.488 CSRFT3 Fl. 1.157 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Contribuinte, sob alegação da existência de erro material no Acórdão nº CSRF/9303003.414 (fls. 1033 a 1037) que impediria a execução da decisão, em razão de constar na ementa do Acórdão "COFINS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°08. O decisum embargado recebeu, quando do seu julgamento, a seguinte ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONFIGURADA CONTRADIÇÃO E OMISSÃO NA DECISÃO EMBARGADA. ACOLHIMENTO. Os embargos de declaração são o meio processual idôneo para atacar o julgado contraditório e omisso. Uma vez constatada a contradição e a omissão alegada pela embargante, procedese as devidas retificações, com vistas à correção e integração do julgado embargado COFINS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°08 Consoante entendimento pacificado do e. Supremo Tribunal Federal expresso na Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n' 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Desse modo, obrigatória a observância do prazo de cinco anos previsto no CTN. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ. NO RITO DO ART. 543C DO CPC. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Embargos Acolhidos. Embora a fundamentação do Acórdão embargado tenha reconhecido o direito da embargante nos termos dos fundamentos explicitados, verificase na ementa erro material de fácil constatação. É o relatório. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 13909.000178/9955 Acórdão n.º 9303005.488 CSRFT3 Fl. 1.158 3 Voto Conselheiro Demes Brito Relator Os embargos de declaração são tempestivos e apontam erro material, devendo ser conhecido, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Esse é um caso típico de erro na confecção do acórdão, que, antes da edição do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, poderia ser sanado por um simples despacho do Presidente da Turma. Acontece que com o advento do art. 67 do citado decreto, os erros de escrita existentes na decisão só poderão ser sanados mediante prolação de um novo acórdão. Em respeito ao Decreto, acolho os embargos, voto no sentido de retificar a ementa do acórdão n° 9303003.414, de 26 de janeiro de 2016, devendo constar o seguinte "RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.O prazo para repetição de indébito, para pedidos efetuados até 08 de junho de 2005, era de 10 anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo pago indevidamente ou a maior que o devido (tese dos 5 + 5). A partir de 9 de junho de 2005, com o vigência do art. 3º da Lei complementar nº 118/2005, esse prazo passou a ser de 5 anos, contados da extinção do crédito pelo pagamento efetuado". Diante do que foi exposto, voto no sentido de acolher os embargos para retificar a ementa acima proposta. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001058/92-42
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2005
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO -
Havendo omissão na apreciação de matéria objeto de Recurso de
Oficio cabem Embargos de Declaração com o fim de dirimir a falta.
EXCLUSÃO DE PENALIDADES - MULTA PREVISTA NO ART. 526, INCISO IX, DO REGULAMENTO ADUANEIRO - A disposição genérica constante no inciso IX do art. 526, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85, configura norma penal branca, na qual cabe para qualquer conduta que se queira indicar como descumpridora de requisitos de controle da importação, inexistindo, portanto, um tipo penal que dê nexo à aplicação da pena.
MULTA PREVISTA NO ART. 521, I, "a" e "b" REGULAMENTO
ADUANEIRO.- Incabível ao caso.
Embargos de Declaração acolhidos e providos para apreciar
matéria omissa e, nesse ponto, negar provimento ao Recurso de
Ofício.
Numero da decisão: 301-31.144
Decisão: DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Luiz Roberto Domingo
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ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS - EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Havendo omissão na apreciação de matéria objeto de Recurso de Oficio cabem Embargos de Declaração com o fim de dirimir a falta. EXCLUSÃO DE PENALIDADES - MULTA PREVISTA NO ART. 526, INCISO IX, DO REGULAMENTO ADUANEIRO - A disposição genérica constante no inciso IX do art. 526, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85, configura norma penal branca, na qual cabe para qualquer conduta que se queira indicar como descumpridora de requisitos de controle da importação, inexistindo, portanto, um tipo penal que dê nexo à aplicação da pena. MULTA PREVISTA NO ART. 521, I, "a" e "b" REGULAMENTO ADUANEIRO.- Incabível ao caso. Embargos de Declaração acolhidos e providos para apreciar matéria omissa e, nesse ponto, negar provimento ao Recurso de Ofício.
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EXCLUSÃO DE PENALIDADES - MULTA PREVISTA NO . ART. 526, INCISO IX, DO REGULAMENTO ADUANEIRO - A disposição genérica constante no inciso IX do art. 526, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85, configura norma penal branca, na qual cabe para qualquer conduta .que se queira indicar como descumpridora de requisitos de controle da importação, inexistindo, portanto, um tipo penal que dê nexo à aplicação da pena. MULTA PREVISTA NO ART. 521, I, "a" e "b" REGULAMENTO ADUANEIRO.- Incabível ao caso. Embargos de Declaração acolhidos e providos para apreciar matéria omissa e, nesse ponto, negar provimento ao Recurso de Ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes embargos de declaração interpostos por: PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL. DECIDEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos Embargos de Declaração para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do • voto do Relator. Formalizado em: 05 JUL 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Carlos Henrique KIaser Filho, Atalina Rodrigues Alves, José Luiz Novo Rossari, Valmar Fonseca de Menezes e Susy Gomes Hoffmann. Hf/l • • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.144 Processo N° 11065.001058/92-42 Recurso N° 115.625 Embargante Procuradoria da Fazenda Nacional RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração interpostos pela D. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, que alega ter havido omissão no Acórdão n°. 301-31.144, de 12 de maio de 2004, que apreciou Recurso de Oficio da DRJ/Florianópolis-SC, por entender que houve omissão do julgado em relação à exclusão das penalidades previstas no art. 526, inciso IX, e no art. 521, inciso I, alíneas "a" e "b", ambos do Regulamento Aduaneiro. Em despacho este Conselheiro-Relator propôs a apreCIaçao da questão pela Câmara por entender que, realmente, a exclusão da penalidade não foi objeto do julgamento. ~ 7 É o relatório. ~ 2 • • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.144 Processo N° 11065.001058/92-42 Recurso N° 115.625 VOTO Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Acolho os embargos de declaração para apreciação da matéria omIssa. A questão que se coloca para apreciação é a exclusão das penalidades previstas no art. 526, inciso IX, e no art. 521, inciso I, alíneas "a" e "b", ambos do Regulamento Aduaneiro. No que tange à penalidade prevista no art. 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85, entendo que o tipo penal ali previsto é inaplicável pois trata-se de norma penal branca passível de preenchimento por qualquer conduta que, a critério da autoridade, seja entendida como descumpridora de requisitos ao controle da importação, vejamos, in verbis: Art. 526 - Constituem infrações administrativas ao controle das . importações, sujeitas às seguintes penas: XI) descumprir outros requisitos de controle da importação, constantes ou não de Guia de Importação ou de documento equivalente, não compreendidos nos incisos IVa VII deste artigo: multa de 20% (vinte por cento) do valor da mercadoria. Note-se que não há uma conduta predefinida, com seus limites de ação e/ou omissão que acarretassem a dura aplicação da penalidade de 20% sobre o valor da mercadoria. É uma norma penal aberta que alberga desde uma rasura na Guia de Importação até uma eventual troca de vias (o original pela cópia), enfim, qualquer conduta caberia nessa norma. Esse tipo aberto é inconcebível no sistema de direito positivo vigente no País, haja vista que ninguém pode estar sujeito a uma pena sem que a norma estabeleça exatamente qual o ato punível, qual o fato será ilícito, típico e antijurídico, nos estritos termos da Teoria Geral de Direito Penal. Não nos esqueçamos que o Direito Penal tem escopo maior que os delitos previstos e listados no Código Penal e nas legislações esparsas que definem crimes específicos. Ele abrange qualquer penalidade ou sanção decorrente de uma conduta, específica, condenável pela legislação. Note-se que a noção de "fato típico" exige a definição :~~~~~ 7 "fato" para que, ocorrendo aquele fato no ~ondo fisico seja possive1 a sUbsã • EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.144 Processo N° 11065.001058/92-42 Recurso N° 115.625 ausência de definição do fato exclui, por consequencia, a subsunção e, portanto, tecnicamente prejudicada a norma secundária (Lourival Vilanova). Outra pergunta cabível ao caso em concreto é: qual a conduta descrita como sancionável pela hipótese normativa? Descreve o auto de infração como sendo o "descumprimento da condição essencial prevista nos Atos Concessórios, Guias de Importação e Declarações de Importação, ou seja, a não agregação ao produto exportado dos insumos importados para aquele fim.". Ora, a condição de exportação é condição da conversão da suspensão em isenção. Não ocorrendo a exportação deve ser o pagamento dos impostos como se devidos desde a importação, na forma do art. 319, parágrafo único, do RA. Note-se que, com base na legislação do drawback, impende afirmar que a não exportação é uma previsão aceitável, possível e plenamente lícito, pois expressamente prevista em lei. Portanto, não se pode penalizar uma conduta que a própria lei reconhece como sendo lícita. Diante desse argumentos, entendo inaplicável a penalidade prevista no art. 526, inciso IX, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85. No que tange à penalidade prevista no art. 521, inciso I, alíneas "a" e "b", do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°. 91.030/85, entendo, da mesma forma, inaplicável ao caso concreto, mas por outros motivos. "Art. 521 - Aplicam-se as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (DL n° 37/66, art. 106, LIL IVe V): /-de100% (cemporcento): a) pelo não emprego dos bens de qualquer natureza nos fins ou atividades para que foram importados com isenção ou redução de tributos; b) pelo desvio, por qualquer forma, de bens importados com isenção ou redução de tributos: O Drawback em apreço é um regime aduaneiro especial de suspensão de impostos na importação de insumos que farão parte de produtos destinados à exportação. Se assim, no momento da importação não se verifica automaticamente a isenção ou a redução, institutos para os quais foram criadas as penalidades das alíneas acima mencionadas. No drawback, o importador desembaraça as mercadorias com suspensão dos tributos que somente se convolará em isenção ~ 7. a efetiva exportação desses insumos após o processo de industrialização. C--fL. 4 :i» EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO N° 301-31.144 Processo N° 11065.001058/92-42 Recurso N° 115.625 o próprio Regulamento Aduaneiro em apreço, coloca as isenções no Título lU do Livro U e o drawback no Título I do Livro lU, que cuida dos regimes especiais, cuja disciplina se inicia no art. 249: "Art. 249 - As obrigações fiscais suspensas pela aplicação dos regimes aduaneiros especiais serão constituídas em termo de responsabilidade firmado pelo beneficiário. " A suspensão, portanto, não exclui a tributação desde o ato da importação, mas suspende a exigência do tributo até que o importador comprove o adimplemento do compromisso assumido quando da concessão do regime especial. Desta forma, entendo que o tipo penal previsto no dispositivo legal não corresponde ao fato verificado no mundo fenomênico, a ponto de implicar o conseqüente pretendido pelo lançamento. Diante disso, acolho os Embargos de Declaração para dar-lhes provimento com o fim de RERRATIFICAR o Acórdão nO.301-31.144, para apreciar a matéria omissa e, nesse ponto, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Oficio para manter as exclusões das penalidades previstas no art. 526, inciso IX, e no art. 521, inciso I, alíneas "a" e "b", do Regulame Ad an iro. LUIZ ROBERTO DOMINGO - Relator 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 12448.735950/2011-40
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 31/12/2006, 30/09/2009
OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS.
Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto nº 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-005.619
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Data do fato gerador: 31/12/2006, 30/09/2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto nº 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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Recorrente EDUARDO KEMMELMEIER Interessado PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 31/12/2006, 30/09/2009 OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. DUPLICIDADE DE CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS. Constatada a majoração artificial do custo de aquisição da participação societária alienada, mediante a capitalização de lucros e reservas oriundos de ganhos avaliados por equivalência patrimonial nas sociedades investidoras, seguida de incorporação reversa e nova capitalização, em inobservância da correta interpretação a ser dada ao art. 135 do Decreto nº 3.000, de 1999, devem ser expurgados os acréscimos indevidos com a conseqüente tributação do novo ganho de capital apurado. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Ana Paula Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 59 50 /2 01 1- 40 Fl. 1229DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração AI de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, às efls. 783 a 789, cientificado à contribuinte em 05/11/2011 (efl. 790). O lançamento visou à constituição de créditos devido à omissão dos ganhos de capital auferidos na alienação de ações não negociadas em bolsa, conforme, minuciosamente, consta no termo de verificação fiscal TVF às efls. 730 a 782. Em resumo, de acordo com o TVF, a operação de alienação das ações do Banco Pactual S.A. pelos acionistas pessoas físicas foi precedida por reorganização societária ocorrida entre sociedades holdings (Nova Pactual Participações Ltda NPP e Pactual S.A. PSA), as quais detinham todas as ações do Banco Pactual S/A. Essa reorganização societária teve como finalidade transferir a propriedade das mencionadas ações diretamente às pessoas físicas alienantes (que antes da reorganização detinham a propriedade indireta sobre as ações do Banco Pactual S/A), em atendimento ao Contrato de Compra e Venda das Ações do Banco Pactual S.A. firmado em 09/05/2006 com a adquirente UBS AG. Sinteticamente, a referida reorganização consistiu na extinção das holdings que detinham participações societárias no Banco, por meio de sucessivas incorporações às avessas, culminando com a alienação das ações do Banco Pactual S.A. diretamente pelos acionistas pessoas físicas da instituição. A pessoa física alienante de ações do Banco Pactual S/A valeuse da supracitada reorganização societária para adotar um planejamento tributário inconsistente, por meio do qual se verificou a majoração ilícita do custo das ações alienadas, gerando, como conseqüência, a redução indevida do ganho de capital tributável obtido pelo acionista pessoa física. No anocalendário de 2006 o contribuinte aumentou o custo das ações do Banco Pactual S.A., mediante prévia capitalização de lucros nas holdings a serem incorporadas, em valor total de R$ 5.126.997,00, sendo R$ 3.134.825,00 na NPP e R$ 1.992.172,00 na PSA. Nas incorporações às avessas, da sociedade investidora que basicamente auferia lucros pela equivalência patrimonial com a sociedade investida, os lucros em curso de equivalência patrimonial da investidora incorporada não tinham capacidade, por si só, de aumentar o capital social da investida incorporadora, porque eram meros reflexos dos lucros desta. Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.230 3 Houve no anocalendário 2006 um substancial aumento de capital social nas holdings do Banco Pactual S.A., seguido de incorporações às avessas, até que restasse somente a pessoa jurídica do Banco Pactual S.A. Mas, no entanto, não houve qualquer aumento de capital social do Banco Pactual S.A. no anocalendário 2006. Foram glosados parcialmente os seguintes aumentos do custo de aquisição das ações: R$ 3.134.825,00, referentes à capitalização de lucros (a) na investidora/incorporada Nova Pactual Participações Ltda em 13/10/2006; e (b) R$ 1.992.172,00 referentes à capitalização de lucros na investidora/incorporada Pactual S.A. em 03/11/2006. Para apuração do ganho de capital, foi considerado pela fiscalização, como custo dedutível, o valor calculado com base no valor corrente do capital social na data de aquisição, mediante o custo médio ponderado, resultando em R$ 593.384,36. Tendo o Contribuinte informado na Declaração de Ajuste Anual Simplificada a tributação exclusiva do ganho de capital obtido pela alienação de suas ações do Banco Pactual S.A., referente à parcela do valor de alienação recebida no anocalendário 2006, com base em um custo de aquisição total de R$ 5.127.119,00, foi ilicitamente omitido o ganho de capital no montante de R$ 4.533.734,64 (R$ 5.127.119,00 menos R$ 593.384,36). O crédito lançado, em decorrência da glosa dos custos das ações, atingiu o montante de R$ 1.915.9600,18, já calculado com multa de ofício e juros de mora até 31/10/2011, para os fatos geradores ocorridos em 31/12/2006 e 30/09/2009. O auto de infração foi impugnado, às efls. 858 a 891, em 02/12/2011. Já a 21ª Turma da DRJ/RJ1, no acórdão nº 1249.881, prolatado em 03/10/2012, às efls. 900 a 930, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 26/10/2012, a contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 937 a 984, repisando argumentos da impugnação, conforme abaixo: 1. antes da reestruturação, era titular de investimentos representativos de 0,000019% da Nova Pactual Participações Ltda (NPP), sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital de Pactual S.A. (PSA), também uma sociedade holding e titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual. Os demais 21,82% do capital social da NPP eram de propriedade de Pactual Holdings S.A., sociedade holding na qual não tinha qualquer participação; 2. após a implementação da reestruturação, o custo de seus investimentos no Banco Pactual passou a ser R$5.127.119,00, o valor utilizado como base para a quantificação de seu ganho de capital; 3. o auto de infração indica, como enquadramento legal, uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e à tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas; não há a indicação do dispositivo legal que teria sido infringido, o que nem poderia ser feito, pois os efeitos da reestruturação decorreram justamente da aplicação dos dispositivos legais em vigor; Fl. 1231DF CARF MF 4 4. várias outras pessoas físicas integrantes do Grupo Pactual foram autuadas em razão do mesmo fato, inexistindo uniformidade quanto à irregularidade apontada; em alguns casos, a Receita Federal do Brasil (RFB) reconhece os reflexos da reestruturação sobre o custo dos investimentos do contribuinte, embora considere serem eles ineficazes perante o Fisco, por decorrerem de ato simulado ou terem sido praticados com abuso de direito; em outros, a RFB sequer atribui à reestruturação os efeitos que seriam próprios aos atos que a consubstanciaram, não apresentassem eles os supostos vícios apontados; 5. O Grupo Pactual era composto por diversas holdings, existentes há mais de 10 anos, e constituídas em época em que os acionistas não cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual; os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e propiciar uma distribuição adequada de seus resultados; dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as holdings se tornassem totalmente desnecessárias; 6. o caminho trilhado pelos acionistas para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico dentre todos disponíveis, sendo o acréscimo do custo de seus investimentos mera consequência de aplicação das normas em vigor; 7. havia algumas opções para a realização do negócio diretamente pelos acionistas, tendo sido a opção pela incorporação reversa das holdings pelo Banco Pactual a mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal; desde que o art. 8° da Lei 9.532, de 1997, definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações de holdings têm sido a primeira opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária; a rapidez com que as holdings foram eliminadas demonstra a eficiência da opção adotada pelos acionistas; 8. assim, não procede a assertiva de que a reestruturação foi realizada com o objetivo de ser utilizada pelos acionistas para aumentar indevidamente o custo de aquisição de seus investimentos no Banco Pactual; 9. a Lei 6.404, de 1976 (LSA) define, em seu art. 227, a incorporação como a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações; como regra, cabe à incorporadora aumentar seu capital social, sendo o aumento realizado pelo patrimônio líquido da incorporada e tocando aos acionistas desta última as ações representativas desse aumento de capital (art. 224, inciso I); Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.231 5 10. a incorporadora recebe um conjunto patrimonial e paga aos acionistas da incorporada por esse, em ações representativas do aumento de seu capital; não se apuram resultados na substituição de ações da incorporada por ações da incorporadora e, por essa razão, as ações da incorporadora recebidas pelos acionistas da incorporada tem o mesmo custo de seus investimentos na incorporada, declarados extintos na incorporação; 11. o conjunto patrimonial destinado à realização do aumento de capital corresponde à diferença entre o valor dos ativos e das obrigações da incorporada, isto é, ao seu patrimônio líquido; 12. a parcela do patrimônio líquido da incorporada representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação; por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados; 13. nas incorporações inversas, a capitalização de lucros das incorporadas nos processos de incorporação por vezes não é perceptível de imediato, pois pode ocorrer de o capital da incorporadora permanecer o mesmo antes e depois da operação; com efeito, tomese, por exemplo, situação em que: (i) a incorporadora/controlada tenha sido constituída no ano I, com o capital de RS100.000,00; (ii) sua única acionista seja a incorporada/controladora, uma incorporadora/controlada (R$100.000,00); (iii) a incorporadora/controlada tenha auferido lucros de R$50.000,00 e promovido a capitalização dos mesmos; 14. na incorporação, caberia à incorporadora/controlada aumentar seu capital em R$150.000,00 (valor de patrimônio líquido da incorporada/controladora), atribuindo as ações representativas desse aumento aos acionistas da incorporada/controladora; em contrapartida desse aumento, os ativos da incorporada/controladora seriam transferidos à incorporadora/controlada; mas, como a legislação brasileira não confere às ações representativas do capital da própria emitente a natureza de ativo, as referidas ações seriam declaradas extintas e o capital social da incorporadora/controlada permaneceria inalterado; assim, a situação patrimonial da incorporadora/controlada seria exatamente a mesma, antes e depois da incorporação; 15. mesmo quando o capital da incorporadora/controlada permanece inalterado após a incorporação, ocorre aumento de seu capital e desaparecem as contas que refletem os lucros e reservas da controladora/incorporada, cuja capitalização seria apta a gerar acréscimo de custo para seus acionistas; 16. caso a incorporada/controladora tivesse, além de investimentos na investida/incorporadora, aplicações financeiras Fl. 1233DF CARF MF 6 no valor de R$30.000,00, sendo de R$180.000,00 o seu capital social, o aumento de capital da incorporadora/controlada seria de R$180.000,00; apesar disso, o capital final da incorporadora/controlada não seria de R$330.000,00 (R$150.000,00 + R$180.000,00), mas sim de R$ 180.000,00 (RS150.000,00 + R$180.000,00 – R$150.000,00); uma parcela do aumento de capital no valor de R$150.000,00 seria neutralizada pelo cancelamento das ações da incorporadora/controlada, daí o resultado final da operação ser um aumento de capital correspondente ao saldo de RS 30.000,00; 17. antes da incorporação, os acionistas da investidora/incorporada seriam titulares de ações de empresa apta a distribuir dividendos no valor de R$50.000,00, quando tivesse disponibilidades de caixa, e em condições de capitalizar seus lucros, elevando para R$150.000,00 o custo dos investimentos; 18. com a incorporação da investidora/incorporada, seus acionistas passariam a participar da sociedade investida/incorporadora sem lucros disponíveis e com capital social de R$150.000,00; assim, se o custo dos investimentos dos acionistas da investidora/incorporada não fosse elevado para R$150.000,00, eles perderiam, com a incorporação, a oportunidade de receber dividendos ou mesmo bonificações que possibilitassem o aumento do custo de seus investimento até o montante do patrimônio líquido da invertida/incorporadora; ou seja, se o custo não fosse ajustado, o acionista passaria a registrar um deságio nos seus investimentos; esse fato evidencia, por si só, a ocorrência da capitalização dos lucros das incorporadas nos processos de incorporação e justifica o ajuste do custo dos investimentos dos acionistas da incorporada, com base no § único do art. 130 ou no art. 135 do RIR; 19. não fosse a distribuição e capitalização prévia de lucros, a incorporação faria com que as quotas da incorporadora (Pactual S.A.), destinadas aos quotistas da Nova Pactual Participações Ltda em substituição de suas participações na mesma, fossemlhes atribuídas na proporção do capital social, fazendo com que os lucros acumulados até então fossem distribuídos também nesta proporção; 20. os lucros de Nova Pactual foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação, o que é comprovado com a 3ª e 4ª alterações contratuais da Nova Pactual datadas de 19/09/2006 e 13/10/2006, respectivamente; 21. ao contrário do afirmado no TVF, não houve nenhum "estratagema" na reestruturação; a capitalização prévia de lucros, não era relevante para efeitos de aumento de custo dos investimentos dos acionistas e ocorreu apenas para viabilizar a distribuição adequada das ações da incorporadora; 22. antes da 4ª Alteração Contratual de Nova Pactual, os acionistas André Esteves e Gilberto Sayão da Silva detinham, em Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.232 7 conjunto, cerca de 42,4% das quotas representativas do capital da Nova Pactual; depois, apenas 28,6%; não faz sentido imaginar que os referidos acionistas estariam dispostos a abrir mão de participação indireta tão significativa no Banco Pactual para se beneficiarem de economia fiscal totalmente desprezível, se confrontada com o valor das participações societárias que, com a distribuição/capitalização de lucros da Nova Pactual, deixaram de ter; 23. nas incorporações reversas, cabe à incorporadora aumentar seu capital pelo valor do patrimônio líquido da incorporada e os lucros reconhecidos em razão da aplicação do MEP integram esse patrimônio líquido, sejam eles correntes ou não; 24. embora tanto as incorporações quanto as liquidações acarretem a extinção da empresa incorporada ou liquidada, a LSA trata essas operações de forma diferenciada, na seção II de seu capítulo XVII (as liquidações) e na seção II do capítulo XVIII (as incorporações); ou seja, nas incorporações reversas, os acionistas da incorporada recebem ações representativas de aumento de capital da incorporadora em valor correspondente ao do patrimônio líquido da incorporada refletido no balanço que servir de base para a operação, pouco importando a natureza do lucro que compõe o referido patrimônio líquido. 25. supondose que: (i) a investidora/incorporada tenha apenas 30%, do capital da investida/incorporadora, empresa prestadora de serviços extremamente rentável, como o Banco Pactual; (ii) que, à época da incorporação, o patrimônio líquido da incorporada seja representado por um capital social, no valor de R$1.000,00, e por lucros correntes, no montante de R$1.000.000,00; e (iii) que os lucros da incorporada representem 30% dos resultados apurados pela incorporadora em balanço semestral e já incorporados a seu capital; não seria razoável que, com a incorporação, os acionistas da incorporada, minoritários da incorporadora, perdessem o direito ao recebimento de dividendos no valor de R$1.000.000,00 sem que o custo de seus investimentos sequer fosse ajustado naquele mesmo valor; 26. a situação patrimonial da incorporadora não é afetada pela incorporação; não há nenhuma bolha patrimonial e o aumento do capital é essencial a que se atribuam ações aos acionistas da incorporada. Essas ações são novas, emitidas em razão de aumento de capital; 27. o Ato Declaratório Normativo CST 39, de 1979, disciplinou os efeitos dos aumentos de capital realizados com balanços intercalares; o balanço levantado para efeitos de incorporação é um balanço como outro qualquer; ele pode ser utilizado para a realização de simples aumento de capital, exclusivamente para a incorporação ou para as duas coisas, como ocorreu; 28. é irrelevante que o acervo líquido da incorporada, a ser transferido à incorporadora, tenha como contrapartida conta de lucro, reserva ou capital; assim, a transferência dos lucros Fl. 1235DF CARF MF 8 correntes para conta de capital, realizada antes da ocorrência da incorporação, como no caso, não conflita com o tratamento que o art. 21 da Lei 9.249, de 1995 dá à matéria; o próprio termo de verificação fiscal (TVF) contempla essa possibilidade; 29. o TVF apresenta um quadro onde o valor de patrimônio líquido da Nova Pactual é de R$818.019.594,94 e o valor final do aumento de capital da incorporadora é de apenas R$33.593.148,46; os R$818.019,594,94 corresponderiam aos R$180.000,00 mencionados no exemplo antes descrito, e os R$33.593.148,46 ao acréscimo de R$30.000,00 (no exemplo) ocorrido no capital de Pactual, após o ajuste resultante do fato de a incorporadora (a Pactual) não ter mantido em tesouraria as ações representativas de seu próprio capital, ações essas adquiridas da Nova Pactual, por sucessão, por ocasião da incorporação; 30. como se observa no TVF, os lucros de exercício constantes do balanço utilizado para a incorporação de Nova Pactual somavam R$402.348.068,00, ou seja, pouco mais do que a metade dos lucros capitalizados na 4ª alteração contratual de Nova Pactual; 31. não há razão para que os ganhos de equivalência relativos a exercícios já encerrados tenham tratamento diverso dos mesmos ganhos incluídos nos resultados de exercício em curso, mas na medida em que as restrições feitas no TVF quanto à capitalização de lucros aplicase apenas a lucros correntes, também não há razão para serem desconsiderados os efeitos da capitalização dos lucros acumulados de Nova Pactual, no valor de R$302.511.403,00; 32. tanto os ganhos de MEP reconhecidos no exercício em curso quanto os ganhos de exercícios encerrados integram o patrimônio líquido da investidora/incorporada e, por isso, são suscetíveis de serem capitalizados antes ou no processo de incorporação; o TVF rejeita a capitalização dos lucros correntes, mas não faz restrição à capitalização dos lucros acumulados; 33. nas incorporações inversas, os acionistas da incorporada recebem ações da incorporadora por custo idêntico ao das ações da incorporada por eles detidas; por outro lado, ocorre capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada, passando o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada a corresponder ao valor original de seu investimento, acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada, capitalizados no processo de incorporação; 34. o aumento do custo de aquisição se seus investimentos no Banco Pactual se verificaria, quer houvesse deliberação expressa e específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings – como houve – quer não; 35. em se tratando da alienação de quotas ou ações e sendo o alienante pessoa física, o custo de aquisição corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.233 9 e reservas de lucros capitalizados, nos termos do § 1° do art. 130 e do art. 135 do RIR; 36. a legislação em vigor prevê que a capitalização de lucros gera acréscimo e custo para os acionistas pessoas físicas, sem cogitar da natureza do lucro; o ajuste do custo de seus investimentos decorre da aplicação da lei, e não há como rejeitálo; 37. para justificar autos lavrados contra outros acionistas, a RFB já sustentou que caberia aos quotistas da incorporada, no momento do recebimento de quotas da incorporadora, dar baixa em uma parcela do custo pelo qual os investimentos na incorporada estariam registrados em sua declaração de bens, após o aumento de capital da incorporada; em outros autos de infração, a RFB afirma que os lucros da incorporada não poderiam ser capitalizados, em razão de ganhos decorrentes da aplicação do MEP não serem suscetíveis de capitalização; agora a RFB segue uma nova linha, tratando simplesmente como inexistentes os aumentos de capital de Nova Pactual (incorporada) e Pactual (incorporadora); 38. a diversidade de critérios adotada pela RFB nos vários autos lavrados contra os acionistas revela, por si só, a "deficiência ou lacuna na legislação" que o TVF diz inexistir; se a lei vedasse o procedimento adotado pelos acionistas, porque razão cada auto contestaria os efeitos da reestruturação com base em argumentos totalmente distintos? 39. no caso concreto, a precariedade do argumento apresentado no TVF é tão evidente que ele só serve para afastar os efeitos da reestruturação com relação à capitalização de lucros correntes; 40. se o aumento de capital da incorporada, sua incorporação e o aumento de capital da incorporadora tivessem ocorrido após o encerramento do exercício social das referidas empresas, o registro do acréscimo do custo dos investimentos de seus acionistas seria legítimo; uma parcela dos lucros capitalizados na Nova Pactual, no valor de R$302.511.403,00, foi gerada em exercícios anteriores; assim, ao menos com relação ao aumento de capital resultante do aproveitamento desses lucros, o TVF reconhece a inexistência de lei que impeça o registro de acréscimo do custo de seus investimentos; 41. ainda que a majoração do custo de seus investimentos no Banco Pactual, em montante superior aos lucros auferidos pelo próprio Banco Pactual, seja encarada como uma distorção, ela resultará da aplicação das normas societárias e fiscais em vigor; 42. não é de se esperar que o contribuinte deixe de aplicar a lei em razão de a mesma lhe ser favorável, dadas as peculiaridades da situação em que se encontre; por outro lado, o fisco também não pode deixar de aplicála por considerar que ela beneficia indevidamente o contribuinte; as distorções apontadas pela fiscalização, decorrente da aplicação do MEP, se verificam não Fl. 1237DF CARF MF 10 só nas hipóteses de incorporações, mas também em muitas outras situações; 43. o art. 22 da Lei 9.249, de 1995, admite que, nas extinções de pessoas jurídicas, os bens de sua propriedade sejam restituídos a seus sócios ou acionistas pelos correspondentes valores contábeis; 44. não cabe à fiscalização deixar de aplicar a lei por considerar que ela gera distorções injustificáveis. O 1° Conselho de Contribuintes já decidiu que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que "não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador"; 45. a fiscalização atribui aos seus investimentos, com base em critérios totalmente equivocados, o valor de apenas R$593.384,36; o critério adotado no TVF é ímpar e diverge dos que nortearam os demais autos até então lavrados contra os acionistas; 46. as incorporações de Nova Pactual e Pactual são absolutamente neutras em termos fiscais; não há alienação de bens nas incorporações; há sucessão, e o TVF chega a citar doutrina e manifestações da RFB nesse sentido; as suas outras operações integrantes da reestruturação consistiram na realização de aumentos de capital, com distribuição/capitalização de lucros e, como é evidente, operações desta natureza são incapazes de afetar negativamente o custo de investimentos; 47. as ações dos acionistas da incorporada não são alienadas no processo de incorporação; as incorporações são operações neutras nesse particular e não justificam qualquer alteração no custo de investimentos; 48. ao contrário do que parece entender a fiscalização, houve uma única alienação envolvendo seus investimentos em empresas do Grupo Pactual, qual seja, a verificada por ocasião da venda das ações do Banco Pactual para o grupo UBS; assim, o § 5° do art. 16 da Instrução Normativa SRF 84, de 2001, não se aplica ao caso e muito menos pode ser invocado para justificar a redução de parte do custo de seus investimentos; 49. a fiscalização tenta justificar o seu entendimento de que o custo de aquisição é o valor corrente na data de aquisição, com base em acórdão prolatado no Recurso Especial 835.231/RS; entretanto, o referido recurso trata de hipótese em que o contribuinte não forneceu os documentos exigidos pelo Fisco para a comprovação do custo de aquisição de seu investimento e não de situação análoga à presente; além disso, já na ementa do aludido acórdão, há a afirmação de que o custo de aquisição é o valor pago, nos termos do art. 16 da Lei 7.713, de 1988; 50. o TVF menciona dispositivo de natureza totalmente programática do Estatuto Social do Banco Pactual, que supostamente indicaria que todos seus acionistas, diretos ou indiretos, deveriam estar a par de tudo que com o Banco Pactual ocorresse; além disso, indica outros fatos que levariam a Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.234 11 concluir serem todos os acionistas pessoas de bom nível intelectual, com capacidade psíquica acima à do homem médio; 51. o primeiro dos efeitos apontados pelo TVF (absorção dos resultados de equivalência pelos lucros do Banco Pactual) é inexistente; não há restrição legal a que se capitalizem lucros correntes; aliás, não tivesse havido deliberações específicas dos acionistas no sentido da capitalização dos lucros de Nova Pactual e Pactual, elas aconteceriam necessariamente com as incorporações das citadas empresas, pois os lucros das incorporadas constantes do balanço de incorporação transformamse em capital da incorporadora; 52. quanto ao segundo dos efeitos apontados (registro de reserva no Banco Pactual), não consegue sequer imaginar que fato justificaria sua constituição; o mesmo se pode dizer com relação aos auditores independentes do Banco Pactual e ao próprio Banco Central do Brasil, os quais em nenhum momento recomendaram o registro dessa reserva; uma incorporação reversa não afeta, por si só, a situação patrimonial de incorporadora; 53. quanto à existência de usufruto sobre parte de seus lucros, para o Banco Pactual é totalmente irrelevante que os destinatários de seus lucros sejam seus acionistas ou um usufrutuário qualquer; 54. ha divergências na RFB até mesmo quanto à forma pela qual o custo dos investimentos dos acionistas deve ser calculado; em determinados processos, a fiscalização entendeu que o custo correto corresponderia ao valor indicado pelos acionistas, deduzido do valor das bonificações resultantes da capitalização de lucros da Nova Pactual; ou seja, considerou válido e eficaz ao menos o aumento de capital de Pactual; em um outro processo a fiscalização entendeu que o custo correto corresponderia ao valor indicado pelo acionista, deduzido do valor das bonificações resultantes da capitalização de lucros da Pactual; ou seja, considerou válido e eficaz o aumento de capital realizado por Nova Pactual; em outros processos, ainda, a RFB entendeu que o custo dos investimentos deveria ser arbitrado a partir do capital social de Pactual, dele deduzida parte dos lucros existentes no Banco Pactual destinada aos acionistas em razão de usufruto; 55. se a situação é tão clara e incontestável a ponto de o TVF afirmar não ser crível que ele desconhecesse seus efeitos, por que razão há tanta divergência entre os auditores fiscais quanto aos critérios que deveriam ser utilizados na determinação do custo dos investimentos dos acionistas? 56. o efeito apontado no TVF de que os lucros reflexos nas holdings seriam absorvidos pelos próprios lucros do Banco Pactual, não ocorre nas incorporações inversas, precedidas ou não da capitalização de lucros; os exemplos por si apontados comprovam essa assertiva, como também a comprovam o fato de Fl. 1239DF CARF MF 12 o balanço do Banco Pactual, levantado após a incorporação, não refletir essa consequência; 57. a bolha patrimonial citada no TVF não existe, uma vez que, conforme demonstrado, a situação patrimonial do Banco Pactual seria a mesma, antes e depois da incorporação, caso inexistissem outros ativos na incorporada; 58. o único problema que se põe está no tratamento dos lucros existentes na incorporada à época da incorporação, ou capitalizados como medida preparatória da mesma: (i) somam se eles ao custo dos investimentos dos acionistas, como prevê a lei; ou (ii) são simplesmente ignorados, privando os acionistas da incorporada, em determinada circunstância, de se aproveitarem dos referidos lucros; 59. a reestruturação foi motivada por objetivos negociais legítimos e a majoração do custo de seus investimentos no Banco Pactual é mera decorrência da aplicação direta da legislação em vigor; em nenhum momento se desviou das regras previstas na LSA ou na legislação fiscal, ao considerar que as capitalizações de lucros das holdings provocariam um aumento no custo de seus investimentos; 60. não contesta o legítimo direito da RFB, na defesa do erário, buscar novos argumentos para contestar os efeitos da reestruturação; não obstante, rejeita veementemente, face a esse cenário, as alegações de que não poderia ignorar estar agindo em desacordo com a lei, ao quantificar seu ganho de capital, e de estar prestando informações falsas ao preencher os formulários relativo a tal quantificação; 61. fica evidente que não se verificam, no caso concreto, os pressupostos da aplicação da multa de 150%, razão pela qual a cobrança da mesma é improcedente. 62. é descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa; O pedido consistiu em julgar improcedente o auto de infração, com a extinção do crédito tributário dele decorrente. Além dos argumentos da impugnação, acresceu ainda: (a) a decisão recorrida parte de premissas equivocadas sobre a aplicação e funcionamento do MEP, ao afirmar que os lucros capitalizados pela Nova Pactual e PSA não tinham representatividade física, na medida em que eram meros reflexos contábeis do lucro do Banco Pactual, nelas registrados em razão do MEP; (b) quando um investimento é contabilizado pelo MEP, os lucros da sociedade investida traduzemse em receitas da sociedade investidora – chamados resultados positivos ou ganhos de equivalência – que, antes de serem o próprio lucro da sociedade investidora, são apenas um elemento positivo (receita) na formação deste, que, a rigor, poderá sequer existir a depender das demais receitas e despesas próprias da sociedade; a Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.235 13 sociedade investidora pode ter ganhos de equivalência (receitas) e não ter lucros ou mesmo ter prejuízos; (c) essa receita de equivalência é considerada definitiva e efetivamente auferida pela investidora; só não está sujeita à incidência de imposto de renda e outros tributos porque a lei permite que ela seja excluída da base de cálculo dos mesmos; essa exclusão não ocorre na base de cálculo do imposto de renda quando o lucro provém de investimentos em controladas ou coligadas sediadas no exterior (art. 74 da MP 2.15835/ 2001); o lucro da investidora que a leva em consideração pode ser distribuído aos sócios da investidora ou objeto de capitalização; (d) a aplicação do MEP é uma obrigatoriedade imposta pela lei, que objetiva fazer com que a sociedade investidora já reconheça como seu um ganho, uma receita ainda potencial, correspondente aos lucros retidos na sociedade investida; isso não torna o lucro da investida lucro da investidora e não iguala a capitalização dos lucros da investidora com a capitalização dos lucros da investida; aceitar essa simplificação é negar a própria existência da sociedade investidora, desconsiderar a sua personalidade jurídica, rejeitar a sua aptidão para ser sujeito ativo e passivo de direitos e obrigações e revogar todo o arcabouço jurídico que garante não serem as sociedades holdings estruturas inócuas e ilegítimas; (e) uma holding que também tenha atividades operacionais próprias pode ter receita de equivalência, e, num cenário positivo, outras receitas que aumentem o seu lucro ou, num cenário negativo, perdas que reduzam a sua lucratividade ou mesmo a levem a demonstrar prejuízo; (f) nenhuma interpretação do art. 135 do RIR autoriza que, na capitalização de lucros, o custo de aquisição das ações não seja acrescido no valor da capitalização; (g) uma holding pura, ou seja, que não tem atividade operacional própria, mas tãosomente participa no capital da investida, não pode ser tratada diferentemente de outras holdings, pois a lei não faz essa distinção; portanto, os lucros da investida não são os lucros da investidora, seja esta uma holding pura, ou não; os lucros da investida continuam a ser uma receita da investidora, ainda que a ausência de outras atividades relevantes nas holdings faça com que os seus resultados sejam afetados de forma extremamente preponderante pelos lucros gerados pela sociedade operacional (Banco Pactual); (h) no caso em apreço, as capitalizações deramse com os lucros das próprias holdings e não com o lucro do Banco Pactual; são lucros absolutamente distintos e inconfundíveis; (i) a rejeição da aplicação da lei em benefício de suposta justiça econômica geraria uma total insegurança jurídica e situações ambíguas em que o aplicador da lei não teria como identificar de forma consistente o aumento de capital que seria apto a gerar Fl. 1241DF CARF MF 14 acréscimo de custo do investimento: o da controladora ou o da controlada; (j) por essas razões, deve ser rechaçada a referida simplificação, e reconhecido que, no caso concreto, aplicase o art. 135 do RIR, tal como está escrito; se assim não for, estarseá desprezando os comandos legais sobre o MEP, desconsiderando as personalidades jurídicas das sociedades holdings e reescrevendose o referido dispositivo a pretexto de uma suposta justiça econômica. (l) a decisão recorrida sustenta que os ganhos decorrentes da aplicação do MEP não podem ser capitalizados antes de efetivamente realizados; esse entendimento não se sustenta, pois contraria texto da LSA e até mesmo entendimento que vem prevalecendo no Supremo Tribunal Federal (STF), que recentemente analisou a constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/ 2001, segundo o qual se tributa no Brasil o ganho das pessoas jurídicas, aqui sediadas, decorrente de suas participações em controladas e coligadas com sede no exterior, independentemente da distribuição do referido ganho, sendo fundamento dos votos dos que já o consideraram constitucional de que o ganho produzido por tais investimentos integra o lucro líquido das investidoras, em razão da aplicação do MEP, podendo mesmo ser distribuído; (m) os investimentos sujeitos ao MEP são registrados no ativo da investidora pelo correspondente valor de patrimônio líquido contábil (PLC); na hipótese de a investida ser uma subsidiária integral da investidora e o valor de seu PLC ser de R$ 100.000,00, a investidora registrará seu investimento por aquele valor; se, ao final do exercício, o PLC da investida evoluir para R$ 150.000,00, o investimento passará a ser registrado por aquele valor e assim permanecerá até que ocorra novo registro do investimento; se os lucros da investida forem distribuídos, seu PLC voltará a ser de R$ 100.000,00 e a investidora passará a registrar seu investimento por aquele novo valor; a redução do valor do investimento da investidora terá como contrapartida o registro de crédito contra a investida (se o dividendo ainda não tiver sido pago) ou de disponibilidades, se o pagamento do dividendo tiver ocorrido; (n) o fato de a investida não ter ainda distribuído dividendos não impede –juridicamente – a distribuição dos ganhos de MEP pela investidora; caso a investidora disponha de caixa suficiente ao pagamento de dividendos não haverá óbice jurídico ou financeiro; na ausência de disponibilidade, os ganhos de MEP também poderão ser distribuídos, mediante o registro de crédito a acionistas, ou mesmo capitalizados; (o) o tratamento que uma investida dá a seus lucros afeta, efetivamente, as investidoras, pois elas são as destinatárias dos mesmos; mas o contrário jamais poderá ocorrer; o patrimônio da investida é alheio ao da investidora e, na medida em que ambas são pessoas jurídicas distintas, o que a última fizer não poderá interferir na situação patrimonial da primeira. Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.236 15 (p) os efeitos de que ora se trata não decorrem da realização de incorporações reversas, mas da aplicação do MEP; como demonstrado, das cinco variantes disponíveis para a realização da venda do Banco Pactual por seus acionistas, duas delas (a venda de todas as holdings e a incorporação do BANCO) eram inviáveis e as três remanescentes (incorporações reversas, extinção das holdings ou redução de seus capitais) produziriam o mesmo efeito no custo dos investimentos do recorrente; (q) a decisão recorrida admite que a reestruturação foi legítima e que a irregularidade estaria no efeitos econômicos pretendidos através da reorganização societária; ora, o recorrente não buscou nenhum efeito com a reestruturação, pois os efeitos da redução de capital ou da extinção das holdings seriam idênticos; por outro lado, se a reestruturação é regular e comprovadamente realizada com objetivos negociais legítimos, seus efeitos tem que ser aceitos pelo fisco, mesmo que prejudiciais ao erário; (r) o auto de infração relativo a um dos acionistas controladores do Banco Pactual já foi julgado improcedente pelo Acórdão n° 210201938; (s) quanto à apuração do custo de seus investimentos, no qual a fiscalização utilizou critério distinto dos demais lançamentos efetuados contra os acionistas do Banco Pactual, os lançamentos não podem utilizar discricionariamente critérios absolutamente distintos e desconexos para apurar o custo do investimento dos acionistas, chegandose a absurdas discrepâncias de valores; a diversidade de critérios na quantificação do ganho de capital dos acionistas evidencia que nem a RFB sabe exatamente qual teria sido o equívoco cometido, e que o lançamento fundouse exclusivamente no efeito econômico gerado pela reestruturação; (t) no seu caso específico, em que o custo de seus investimentos existentes antes da reestruturação foi reduzido, esclareçase que as ações do Banco por si vendidas substituíram por sucessão ações das holdings, de sorte que o custo das ações do Banco Pactual deveria corresponder ao das ações que substituíram; deixar de considerar no custo das ações ao menos o custo original das ações da Nova Pactual e o valor das bonificações a ela atribuídas é de todo absurdo. (u) a capitalização prévia dos lucros fez com que seus principais acionistas, que detinham o seu controle indireto – André Esteves e Gilberto Sayão da Silva – tivessem suas participações no capital da Nova Pactual reduzidas (de 22,21% e 20,2% para 15,5% e 13,1%, respectivamente), comprovado pelo da 3ª com a 4ª alteração contratual, o que fez com que recebessem menos ações do Banco Pactual por ocasião das incorporações das holdings, e, consequentemente, vendessem menos ações do Banco à UBS Brasil; estimase a perda conjunta dos referidos acionistas em mais de R$500.000.000,00, já desconsiderados os efeitos fiscais do aumento do custos de suas ações do Banco, decorrentes da capitalização dos lucros da Nova Pactual, o que Fl. 1243DF CARF MF 16 evidencia que a capitalização de lucros teve objetivos outros, que não fiscais; (v) no que se refere à fraude ou abuso de forma, a decisão recorrida parte da premissa de que sua interpretação do art. 135 do RIR é tão clara e evidente que, quem ler o referido artigo de forma diferente, estará agindo com o evidente intuito de fraude; assim como o recorrente, outros acionistas foram autuados, com multa qualificada, sob a alegação de terem quantificado a maior o custo de seus investimentos no Banco Pactual; entretanto, não há convergência da fiscalização quanto à natureza da infração cometida pelos acionistas: (i) no Processo 12898.002335/200931, alegouse a presença de simulação subjetiva para a imposição de penalidade, com base no art. 167, parágrafo Iº, inciso I do CC/02; na decisão proferida em primeira instância, contudo, a RFB, ao justificar a existência de simulação, usa argumentos totalmente aplicáveis à simulação decorrente da utilização de negócio jurídico diverso daquele efetivamente desejado, hipótese prevista no inciso II do referido artigo; (ii) no Processo 12448.734760/201113, os autuantes alegam que o procedimento do autuado teria caracterizado um abuso de direito; (iii) no Processo n° 12448.735954/201128, alegam ter ocorrido fraude à lei; ou seja, nem mesmo a RFB conseguiu chegar a uma conclusão quanto a natureza do ilícito cometido pelos acionistas na determinação do ganho de capital verificado na venda das ações do Banco Pactual; (x) no que se refere à alegada existência de fraude à lei, resultante de abuso de direito, além de reportarse às razões já expostas na impugnação, transcreve trecho do voto vencedor do Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, no Processo 10680.724392/201028, em que contesta a sua existência no direito tributário brasileiro (z) a motivação da fiscalização na lavratura do auto de infração bem como dos responsáveis pela decisão recorrida está evidentemente ligada ao inconformismo com o acréscimo de custo de seus investimentos resultante da aplicação do art. 135 do RIR ao caso concreto, mas, pela lei, esse acréscimo é inquestionável, já tendo sida inclusive admitida pelo CARF, o que prova que não pode ser encarada como absurda a ponto de, por si só, justificar a aplicação de penalidade em que o evidente intuito de fraude tem que estar presente. O recurso voluntário foi apreciado, em 15/02/2016, pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 2301004.478, às e fls. 995 a 1036, que deu provimento em parte do recurso, apenas para cancelar a qualificação da multa de ofício, nos termos da ementa e decisum a seguir: OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. LUCROS SOCIETÁRIOS ORIGINÁRIOS DA APLICAÇÃO DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL EM HOLDINGS. INCORPORAÇÃO REVERSA. AUMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO EM DESCOMPASSO COM O PARÁGRAFO ÚNICO DO ART. 10 DA LEI 9.249, de 1995 (ART. 135 DO RIR 99). Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.237 17 A capitalização de lucros societários, não tributados, sem substrato econômico e meros reflexos da aplicação do método de equivalência patrimonial em holdings puras, seguidas de correspondentes incorporações reversas, não ampara a aplicação do parágrafo único do art. 10 da Lei 9.249, de 1995 (art. 135 do RIR 99), para fins de majoração do custo da aquisição de ações a serem alienadas e consequente apuração de ganho de capital. O lucro que é tributado, e, por decorrência, pode ser objeto de benefícios fiscais, como isenção ou majoração do custo de aquisição de ações é o lucro fiscal, e não o lucro societário. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SUJEITO PASSIVO SEM CONTROLE DOS ATOS QUE DERAM ORIGEM À ATUAÇÃO. Não tendo o sujeito passivo poder para determinar ou impedir os atos que deram origem ao auto de infração, descabe a aplicação da multa qualificada. JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual, assim,devem incidir os juros de mora à taxa Selic. O acórdão teve o seguinte teor: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Acompanhou pelas conclusões a Dra. Alice Grecchi. Fez sustentação oral o Dr. Luis Claudio Pinto, OAB/RJ 88.704. Recurso especial do contribuinte Ciente do acórdão em 30/03/2016 (efl. 1043), a contribuinte interpôs recurso especial de divergência, em 13/04/2016, às efls. 1050 a 1093. Aponta duas matérias em que ocorrem divergências entre o acórdão recorrido e paradigmas do CARF. A principal se relaciona com a apuração do custo de aquisição das ações do Banco Pactual S.A., por ele alienadas à empresa do grupo UBS. O paradigma para essa matéria foi estabelecido sobre as mesmas transações, sendo que no caso do recorrido, a fiscalização negou a aplicação do art. 135 do RIR/99 à situação analisada e glosou o aumento do custo decorrente da capitalização dos lucros em cada uma das holdings do Banco Pactual, mesmo entendimento da turma a quo, enquanto no acórdão paradigma nº 210201.938, se entendeu: Fl. 1245DF CARF MF 18 (i) estar correta a aplicação do art. 135 do RIR/99 â capitalização dos lucros em cada uma das holdings que compunham o Grupo Pactual, além de estar correto o calculo efetuado pelo contribuinte (acionista) na determinação de seu ganho de capital e, por conseguinte, estar correto o valor do IR pago por ocasião da venda de sua participação societária no Banco Pactual; (ii) inexistir previsão legal para a glosa de parte do custo de aquisição dos investimentos no Banco Pactual; e (iii) que a alegada distorção econômica apontada pela fiscalização não poderia servir de fundamento para o lançamento, sob pena de violação do principio da legalidade. Já quanto a segunda, incidência de juros de mora sobre as multas de ofício, para situação semelhante, não foi admitida pelos acórdãos paradigmas nº 2202002.165 e nº 10196.008. Nos paradigmas se em tenderia que os arts. 113 e 161 do CTN autorizam apenas a cobrança de juros de mora sobre a penalidade decorrente do descumprimento de obrigação acessória a qual, se não integralmente paga no vencimento, convertese em obrigação principal; ou seja, eles entendem inexistir base legal para a cobrança de juros sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo, assim divergindo do recorrido. Por fim, pleiteia que se admita seu recurso especial de divergência para que seja provido e afastada a tributação pelo cancelamento integral do auto de infração ou, caso mantida a tributação, se afaste a incidência dos juros moratórios sobre as multas de ofício. O recurso especial interposto pela contribuinte foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, por meio do despacho de efls. 1194 a 1199, em 30/09/2016. O despacho deu seguimento ao recurso para que sejam apreciadas ambas as matérias, em face da efetiva demonstração das divergências. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional teve ciência do recurso especial da contribuinte e do despacho de admissibilidade do recurso especial, em 02/05/2017 (efl. 1385), apresentando contrarrazões em 03/05/2017, às efls. 1386 a 1402. Quanto à apuração do ganho de capital na alienação das ações, em apertado resumo, o Procurador reitera os argumentos já expendidos pela fiscalização e pelo relator do recorrido, segundo os quais se procurou demonstrar que as sucessivas incorporações com duplicidade de utilização dos lucros em aumentos de capital pelas holdings, em face de apuração de resultados considerando a equivalência patrimonial, seguidas da incorporação reversa, inflaram o custo de aquisição das ações em 233,71%, enquanto o patrimônio líquido do Banco Pactual aumentou em 84,45%. As operações realizadas não guardaram proporção com a grandeza econômica efetivamente reinvestida na empresa, pois o contribuinte capitalizou uma empresa com lucro ou reserva de capital que já havia sido utilizado. O contribuinte se apegou ao art. 135 do RIR/99 se olvidando do contexto fático que envolveu a alienação das mencionadas ações. O objetivo do art. 135 do RIR/99 é Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.238 19 assegurar uma espécie de compensação ao contribuinte que optou por não receber os dividendos da empresa para reinvestir esse capital na pessoa jurídica. Assim, diminuirseia da base de cálculo do IRPF, que seria utilizada na apuração de eventual ganho de capital, o valor dos lucros e reservas de capital utilizados no aumento do capital social da empresa. Portanto, contraria o sentido e a lógica dessa norma o aproveitamento em duplicidade de lucros e reservas de capital para aumentar o custo de aquisição de ações de uma empresa. O recorrente tenta fazer prevalecer a tese de que o lucro gerado pelo Banco Pactual, a única operacional do grupo, pode ser utilizado em mais de uma capitalização dentro de um mesmo grupo de empresas. Os acionistas tentaram extrapolar o comando do referido artigo, tentando fazer prevalecer uma situação totalmente dissonante da realidade. No tocante aos juros de mora aplicáveis sobre as multas de ofício, argumenta, em síntese, que o crédito tributário não pago no vencimento está sujeito a juros de mora, à luz do art. 161 da Lei nº 5.172/1966 CTN. Além disso, também com base no mesmo Código, a inobservância da obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária e o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Esses dispositivos de lei complementar, inclusive à luz de interpretações judiciais e doutrinárias, levariam ao entendimento de que há correta aplicação de juros de mora sobre as penalidades de ofício. Encerra, pedindo pela denegação de provimento ao recurso especial interposto para manutenção do lançamento impugnado. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Adotarei aqui as razões de decidir por mim apresentadas na relatoria do acórdão nº 9202003.700, que abordava a mesma operação, com alienação de ações de emissão do Banco Pactual para a UBS por outro contribuinte. I) Ganho de capital na alienação de participação societária após incorporação reversa. O deslinde da questão se resume à correta interpretação da legislação aplicável ao caso de capitalização de lucros de uma pessoa jurídica, no tocante à atualização do custo de aquisição das participações societárias mantidas pelos proprietários dessa pessoa jurídica. Pela complexidade do tema, dividirei meu voto em quatro partes, a saber: (a.I) a delimitação do problema a ser enfrentado, (a.II) a interpretação correta da legislação aplicável, (a.III) a aplicação da legislação ao caso dos autos e (a.IV) conclusão. a.I – Delimitação do Problema Fl. 1247DF CARF MF 20 Vejamos aqui o dispositivo central da discussão: o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro 1995, base legal do art. 135 do Decreto n° 3.000, de 1999, expressamente referido no auto de infração, in verbis: Art. 10. ... Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista.b) Com base nesse dispositivo, o aumento de capital, realizado por uma pessoa jurídica, por incorporação de lucros, implica o aumento proporcional do custo de aquisição da participação societária de seus proprietários. Para exemplificar essa determinação, considere uma participação societária correspondente a 100% do capital de uma pessoa jurídica (detida por dois sócios, pessoas físicas), adquirida por R$ 1.000,00. Considere, também, que essa pessoa jurídica, em seguida, tenha auferido um lucro de R$ 100,00 e o tenha capitalizado. Considere, por fim, que os sócios tenham alienado essa participação societária a terceiros por R$ 1.500,00. Nesse caso, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, a alienado por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não seria de R$ 500,00, mas apenas de R$ 400,00. Isso porque os lucros de R$ 100,00, capitalizados, têm o condão de aumentar o custo de aquisição da participação societária e, consequentemente, de diminuir o ganho de capital. Dessa forma, de uma maneira simples e apressada, poderseia concluir que qualquer capitalização de lucros implicaria um aumento do custo da correspondente participação societária. Ocorre que essa interpretação, no entender deste conselheiro, é literal e, considerando exclusivamente o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações. Para ilustrar a questão, vejamos uma situação, em tudo semelhante à anterior, porém em que os sócios tenham decidido criar uma holding controladora da pessoa jurídica operacional, que por sua vez, passaria a ser subsidiária integral da holding. Nesse caso: inicialmente, teríamos os sócios, como proprietários da Holding, e esta reconhecendo em seu ativo uma participação societária na pessoa jurídica operacional, avaliada em R$ 1.000,00 por equivalência patrimonial; em seguida, com a pessoa jurídica operacional auferindo lucros de R$ 100,00, a Holding (por equivalência patrimonial) iria refletir esse lucro no valor de sua participação societária, o que resultaria no reconhecimento de lucros, também no valor de R$ 100,00; prosseguindo, a holding capitalizaria o lucro por ela reconhecido por equivalência patrimonial e, consequentemente, os proprietários atualizariam o valor da participação societária, para R$ 1.100,00; em momento posterior, a pessoa jurídica operacional incorporaria a holding, mantendo porém os lucros, de R$ 100,00, em seu patrimônio líquido e, somente então, Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.239 21 capitalizaria esses lucros, permitindo que os proprietários atualizassem, mais uma vez, o valor da participação societária, agora para R$ 1.200,00; por fim, com os proprietários alienando sua participação societária por R$ 1.500,00, seria apurado um ganho de capital de apenas R$ 300,00. Repare que, em que pese os sócios terem adquirido a participação societária por R$ 1.000,00 e, posteriormente, alienado essa participação societária por R$ 1.500,00, o ganho de capital apurado não foi de R$ 500,00, nem de R$ 400,00, mas de apenas R$ 300,00. Isso ocorreu porque os lucros de R$ 100,00, reconhecidos na Holding por equivalência patrimonial foram capitalizados, aumentando o custo de aquisição da participação societária e, posteriormente, os mesmos lucros de R$ 100,00, auferidos pela pessoa jurídica operacional, em função de suas atividades, também foram capitalizados, aumentando mais uma vez o custo de aquisição da participação societária. Consequentemente, vemos aqui o ganho de capital reduzido duas vezes. Ora, essa situação é – em essência – igual à anterior: (a) uma participação societária adquirida por mil reais, (b) a correspondente empresa – operacional – que aufere 100 reais de lucro e (c) a venda dessa participação societária por mil e 500 reais. Mas apenas pela interposição de uma holding na estrutura societária do grupo econômico, o ganho de capital ficaria reduzido. E o pior, se – ao invés de uma holding – existissem duas ou mais, o ganho de capital seria mais reduzido ainda. Portanto, essa aplicação direta do parágrafo único a qualquer incorporação de lucros leva à incoerente conclusão de que, em se existindo várias holdings interpostas entre os proprietários e a pessoa jurídica, o ganho de capital pode ficar artificialmente reduzido, até a zero ou ainda a valores negativos. E adicionalmente, com essa interpretação, a capitalização de lucros apenas nas Holdings, além de permitir que o ganho de capital fosse reduzido, permitiria que o lucro registrado na pessoa jurídica fosse, posteriormente, distribuído isento, aos proprietários ou então aos futuros adquirentes. O que se discute aqui é o efeito da aplicação da legislação tributária em situações como essa, de capitalização de lucros em uma pessoa jurídica que detenha participação em outras pessoas jurídicas, para fins de cálculo do custo das ações ou cotas dessa primeira pessoa jurídica. Delimitados os problemas a serem enfrentados, passo agora à análise da legislação de regência. a.II Interpretação da Legislação Com efeito, a capitalização de lucros nada mais é do que uma operação que substitui o seguinte procedimento: (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Fl. 1249DF CARF MF 22 Por outro lado, o método da equivalência patrimonial tem por objetivo refletir no patrimônio de uma pessoa jurídica controladora (ou coligada) de outra, o patrimônio e consequentemente o resultado da investida. Com efeito, ele serve para refletir a situação da investida no patrimônio da investidora. Esclarecendo a questão, Modesto Carvalhosa, em Comentário à Lei de Sociedades Anônimas (Saraiva São Paulo, 1998) ensina que: de início todos os investimentos (inclusive de empresas controladas) eram registrados pelo custo e os respectivos lucros somente eram reconhecidos quando da distribuição de lucros ou dividendos, já no caso de prejuízos, no máximo era aceito o reconhecimento de uma provisão para perdas no investimento; com influência anglosaxã, surgiu a figura da consolidação de balanços e, consequentemente, de reconhecimento do lucro de pessoas jurídicas controladas no patrimônio da controladora; estendendose esse raciocínio a todos os investimentos relevantes, surgiu a equivalência patrimonial, para dar o mesmo efeito da consolidação, trazendose para uma linha do ativo da investidora, uma parte do patrimônio (e do resultado) da investida. Nesse mesmo sentido, no dizer de Eliseu Martins, em Iniciação à Equivalência Patrimonial Considerando Algumas Regras Novas da CVM (IOB São Paulo 1997) o Método da Equivalência Patrimonial é a consolidação de patrimônios em uma linha. A propósito, lembramos que, no procedimento de consolidação, para apresentação da efetiva situação patrimonial, os lucros refletidos por equivalência patrimonial no patrimônio das investidoras devem ser eliminados. Realizaremos, agora, a análise jurídica da legislação, sem perder de vista essas características ontológicas (a) da operação de capitalização de lucros e (b) do método da equivalência patrimonial. Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 – lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de períodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no País, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.240 23 (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1°, 2.065/83, art. 1°, I, a, e 2.303/86, art. 7° parágrafo único): ... (b) Art. 810 – o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital ... § 2° O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, § 4°): a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; ... Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei n° 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Fl. 1251DF CARF MF 24 Reparase, da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Portanto, conhecendo a razão histórica do surgimento da legislação, (que foi a alteração de tributação para nãotributação da distribuição de lucros), para compreensão da legislação, (a) afastamos a aplicação da interpretação literal e (b) entendemos como mandatória a aplicação da interpretação histórico/teleológica (acima discutida) e, sobretudo, da interpretação sistemática dos dispositivos relativos ao método da equivalência patrimonial, à distribuição e à capitalização de lucros. Ressaltese aqui que todos esses métodos de interpretação convergem. Especificamente quanto à interpretação sistemática é muito fácil perceber que não se deve considerar somente a leitura do parágrafo, mas também (e sobretudo) a leitura do caput do próprio artigo 10 da Lei n° 9.249, de 1995. Aliás, essa é uma regra hermenêutica básica, o parágrafo deve sempre se referir ao caput, sendo que sua consideração em separado gera problemas de contexto e, o que é pior, gera a famosa falácia de ênfase em que, se acentuando um aspecto da realidade, acabase por negar a própria realidade. Ora, no caput, é referido que os lucros ou dividendos pagos ou creditados é que não estarão sujeitos à incidência do imposto de renda. Portanto, interpretando o parágrafo nos limites do que dispõe o caput, concluímos facilmente que a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo de aquisição de participações societárias é aquela referente a lucros passíveis de efetiva distribuição aos sócios ou acionistas sem tributação. Por seu turno, conforme já colocado no início desse voto, temos que o método da equivalência patrimonial teve por objetivo o reconhecimento de lucros de investidas, mesmo antes de sua distribuição. Não se está aqui negando a existência de um lucro decorrente do ajuste de equivalência patrimonial, mas não podemos deixar de levar em conta o fato de o lucro não é efetivamente distribuído mais de uma vez. Com efeito, o lucro decorrente do ajuste por equivalência patrimonial, é somente o reflexo do lucro auferido pela pessoa jurídica operacional (investida), esse último sim, passível de efetiva distribuição. Comprovando a conclusão acima, sabemos que a distribuição de lucro, registrado em decorrência do ajuste de equivalência patrimonial implica a necessidade de contratação de empréstimos ou distribuição de recursos aportados a título de capital. Pois bem, devemos nos lembrar de que a própria operação de capitalização de lucros foi concebida como um atalho para substituição do complexo procedimento de (i) a distribuição do lucro, pela pessoa jurídica a seus proprietários, (ii) o imediato aumento de capital da pessoa jurídica, no valor do lucro distribuído e (iii) a subscrição e integralização do aumento de capital, por esses mesmos proprietários, com os recursos antes recebidos a título de distribuição de lucro. Agora, a partir do que se encontra acima colocado, é possível chegarmos a uma conclusão quanto ao procedimento de aplicação da legislação, no tocante à atualização do custo da participação societária, em função da capitalização de lucros pela pessoa jurídica. Considerando que a efetiva distribuição de lucros deve se dar a partir da pessoa jurídica operacional, essa distribuição, seguida de subscrição de aumento de capital nas Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.241 25 empresas componentes de um grupo econômico (a pessoa jurídica operacional e suas holdings) deve ter por efeito patrimonial o aumento de capital em toda a cadeia de entidades relacionadas societariamente. Por óbvio não é possível distribuir mais de uma vez o mesmo lucro (o lucro e seus reflexos por equivalência patrimonial), portanto também não deve ser aceitável, pelo menos para fins fiscais, capitalizálo mais de uma vez. A conclusão acima é inevitável, porque: as disponibilidades passíveis de distribuição estão no patrimônio da pessoa jurídica operacional, que somente pode distribuir o lucro para sua proprietária direta, a holding; já, a holding, somente pode distribuir o lucro aos acionistas, pessoas físicas, após o recebimento dos recursos da pessoa jurídica operacional; os acionistas, por sua vez, somente podem aumentar capital na holding, em que possuem participação direta; e por fim, a holding, com os recursos recebidos, poderá aumentar capital da pessoa jurídica operacional. Ora, consequentemente, somente haverá capitalização de lucros efetivamente distribuíveis caso todas as pessoas jurídicas da cadeia societária (holdings e empresa operacional) realizem a capitalização. Ao contrário, caso ocorra apenas a capitalização dos lucros de holdings, o parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, não incide, devendo ser mantido o valor da participação societária pelos proprietários, até mesmo porque os efetivos lucros da pessoa jurídica operacional ainda poderão ser distribuídos sem tributação (para os próprios sócios) ou para futuros adquirentes. E, ainda, quando houver holdings mistas, com operações próprias, a capitalização de seus lucros, sem que tenha ocorrido a correspondente capitalização dos lucros das investidas, somente poderá ter efeito parcial na atualização do custo da participação societária de seus sócios. Isso é facilmente calculado com base na memória de cálculo abaixo: ( ) Lucro Existente no Patrimônio Liquido da Holding () Lucro/Reservas Existentes na Investida (*) % de participação (=) Lucro passível de distribuição pela Holding (/) Lucro Existente no Patrimônio Liquido da Holding (=) Percentual aceitável para aumento do custo da participação (*) Valor do aumento de custo considerando o total do lucro capitalizado pela Holding (=) Valor aceitável para aumento do custo Reparase que a memória de cálculo acima é simples, utilizando somente as quatro operações matemáticas e os dados constantes dos balancetes da holding e da correspondente investida, na data da capitalização de lucros. Ela atende a aplicação do disposto no Art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, tanto no caso de holdings mistas (com operações próprias), como no caso de distribuição diferenciada de lucros (em percentual diferente daquele da participação societária do acionista). a.III – Aplicação da Legislação ao Caso dos Autos Fl. 1253DF CARF MF 26 Verifico que, no caso dos autos, somente houve capitalização de lucros nas holdings, tendo sido mantido sem capitalização todo o lucro da pessoa jurídica operacional. Com efeito, no caso dos autos: Ocorreram duas capitalizações seguidas de lucros, ambos reconhecidos em decorrência da aplicação do método de equivalência patrimonial às participações societárias de duas holdings (a NOVA PACTUAL e a PACTUAL) e não houve a capitalização dos lucros auferidos pela pessoa jurídica operacional (o BANCO PACTUAL); A autoridade fiscal, insurgindose contra a sequência de capitalizações perpetradas pelo contribuinte, achou por bem arbitrar em R$ 593.384,36 o valor do custo das ações do autuado, correspondente a custo unitário médio da ação da última sociedade holding incorporada (Pactual S/A), multiplicado pelo número de ações detidas pelo sujeito passivo ( R$ 0,2616159 x 2.268.151 = R$ 593.384,36). Portanto, a autoridade autuante entendeu indevida apenas a atualização da parcela do custo da participação que ultrapassou o limite de R$ 593.384,36, em decorrência das capitalizações de lucro. Porém, de acordo com a interpretação já apresentada por este conselheiro, entendese que os aumentos de custo decorrente de ambas as capitalizações de lucro deveriam ter sido integralmente glosados. Isso porque o lucro da pessoa jurídica operacional (ou seja, o lucro efetivamente auferido pelo BANCO PACTUAL) continuou mantido em seu patrimônio líquido, após as incorporações reversas, e consequentemente permaneceu passível de distribuição isenta aos adquirentes, ou terceiros (até mesmos os próprios alienantes), conforme acordo entre as partes. De fato, os alienantes venderam aos adquirentes do Banco o direito de receber os lucros isentos de tributação ou de repasse desse valor a terceiros. Ora, como, (a) em primeiro lugar, a capitalização de lucros que tem o condão de alterar o custo da participação societária é somente aquela relativa aos lucros efetivamente distribuíveis isentos de tributação e como, (b) em segundo lugar, a distribuição de lucros com isenção de tributação foi, no caso, efetivamente transferida (aos adquirentes do banco, ou terceiros por eles determinados), (c) podemos concluir que as capitalizações de lucros realizadas não podem ter qualquer efeito no custo da participação alienada. Verifico, ainda, a propósito, a partir do valor do custo concedido pela fiscalização (R$ 593.384,36) que, uma vez sendo glosadas as duas capitalizações ocorridas em 2006, aplicandose assim o procedimento defendido por este conselheiro, o valor do tributo devido seria maior do que o originalmente lançado, uma vez que se atingiria um montante de custo a ser concedido de apenas R$ 122,00, conforme a seguir apurado: 1‐ Valores Considerados pela Fiscalização ( ) Custo de aquisição considerado pelo contribuinte 5.127.119,00 (‐) Custo considerado pela fiscalização ‐593.384,36 (=) Valor Glosado pela Fiscalização 4.533.734,64 2‐ Valores Considerados nesta decisão ( ) Custo de aquisição considerado pelo contribuinte 5.127.119,00 (‐) Capitalização de lucros na Nova Pactual Participações Ltda (13/10/2006) ‐3.134.825,00 (‐) Capitalização de lucros na Pactual S/A (03/11/2006) ‐1.992.172,00 (=) Custo devido 122,00 Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.242 27 3‐ Conclusão: Valor lançado a menor ( ) Custo considerado pela fiscalização 593.384,36 (‐) Custo devido ‐122,00 (=) Base de Cálculo considerada a menor 593.262,36 Portanto, como não foram glosados integralmente os dois aumentos de custo, que – no entender deste conselheiro – seria indevidos, resta desnecessária a aplicação da memória de cálculo de segregação de eventuais operações próprias das Holdings, que são apenas residuais, conforme afirmado por ambas as partes e assim, não teriam o condão de reduzir o valor lançado. Pelo contrário, caso fosse aplicado o procedimento defendido por este conselheiro, o valor do tributo devido seria maior do que o originalmente lançado. Por conta das discussões travadas em plenário sobre o tema, penso ser necessário aqui fazer um esclarecimento quanto à dúvidas sobre a eventual ocorrência de alteração do critério jurídico do lançamento por esta decisão. Tenho plena convicção de que não se está aqui alterando critério jurídico, porque no lançamento e na respectiva impugnação encontramse claramente fixados os limites da lide e não foram alterados. Com efeito, o fato e a acusação em debate estão perfeitamente descritos no termo de verificação fiscal e, na decisão, é precisamente esse fato que se analisa: i. o fato é a alienação de participações societárias; ii. a acusação é de insuficiência do recolhimento do tributo por erro na apuração do ganho de capital, por se entender que a capitalização de lucros refletidos em sociedades investidoras, pelo método da equivalência patrimonial, não teria o condão de alterar o custo da participação societária alienada; iii. o que se apresenta aqui, sem qualquer inovação quanto ao fato analisado e a acusação originalmente feita, é o fundamento que este conselheiro entende ser suficiente para julgamento da acusação, em face das alegações do sujeito passivo. Diferente seria o caso em que há uma acusação verificada insubsistente mas, por conta de outra infração, fosse mantido o tributo lançado, situação que não ocorre aqui. Cumpre lembrar que o julgador não está vinculado ao fundamento das partes, somente não pode exarar uma decisão extrapetita, o que, conforme acima esclarecido, não ocorreu. Finalmente, quanto ao pedido subsidiário da recorrente de não aplicação de penalidade e juros de mora, a partir do disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional e da observância à Instrução Normativa SRF nº 84, de 11 de outubro de 2001, é de se ressaltar que, em nenhum momento, tal normativo dá suporte à interpretação do art. 135 do RIR/99 defendida pela autuada, a qual, na forma acima disposta, se entende aqui como totalmente equivocada. Assim, é de se manter a multa de ofício aplicada pela autoridade lançadora, bem como os juros de mora incidentes sobre o principal e sobre a multa de ofício, neste último caso em linha com o explicitado a seguir quando da análise do recurso especial de iniciativa da Fazenda Nacional. a.IV – Conclusão Fl. 1255DF CARF MF 28 Como a exigência original foi apenas de parte do valor que este conselheiro, nos termos da fundamentação deste voto, entende devido, e considerando a impossibilidade de reformatio in pejus voto por NEGAR provimento ao recurso especial de iniciativa do contribuinte, para manter o crédito tributário reconhecido como devido pela decisão a quo, inclusive a multa de ofício no patamar mantido pelo acórdão recorrido, bem como a incidência de juros de mora sobre o principal e sobre a mencionada multa. II) Juros de mora sobre multa de ofício Quanto ao art. 61, §3º da Lei nº 9.430, de 1996, utilizado pela autoridade lançadora para fins de caracterização da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, entendo assistir razão à Fazenda quanto à interpretação do mesmo abranger, à luz do caput do mesmo, não só o valor dos tributos em si, mas também a multa de ofício, visto que: (a) decorre, sim, a referida multa de ofício dos referidos tributos ou contribuições quando lançados pela autoridade tributária e, ainda, (b) a multa de ofício integra, ainda, a obrigação tributária principal, com fulcro no art. 113, § 1º do Código Tributário Nacional, bem como o conceito de crédito tributário, cabível assim a incidência de juros de mora sobre seu valor, com fulcro no art. 161 do CTN. Acerca desta última consideração, entendo decorrer tal abrangência da multa de ofício no conceito de crédito tributário diretamente do disposto nos arts. 142 e 161 do CTN, na forma brilhantemente disposta no voto de relatoria do Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão 9.202002.600, o qual adoto aqui como razões de decidir, in verbis: “(...) Quanto ao mérito, em nosso entender o Código Tributário Nacional (CTN) define a questão. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ... Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em Lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.243 29 Pela leitura das determinações legais acima chegamos à conclusão que a multa de ofício – apesar de não possuir natureza tributária – integra o crédito tributário, pois este é composto pelo tributo somado aos acréscimos legais, incluindo o valor da multa,como fica claro no Art. 142 do CTN, que inclui, no término da sua redação, a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Dessa forma, também não há que se prover o recurso especial no tocante à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício objeto de lançamento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento e manter o acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Declaração de Voto Conselheira Ana Paula Fernandes 11 RREECCUURRSSOO DDOO CCOONNTTRRIIBBUUIINNTTEE.. DDAA FFOORRMMAA DDEE AAPPUURRAAÇÇÃÃOO DDOO CCUUSSTTOO DDEE AAQQUUIISSIIÇÇÃÃOO AA SSEERR CCOONNSSIIDDEERRAADDOO NNOO CCÁÁLLCCUULLOO DDOO GGAANNHHOO DDEE CCAAPPIITTAALL.. DDOO AARRBBIITTRRAAMMEENNTTOO.. DDAA MMAANNUUTTEENNÇÇÃÃOO DDOO AAUUTTOO DDEE IINNFFRRAAÇÇÃÃOO.. Em sessão passada acompanhei o brilhante voto do eminente conselheiro Luiz Eduardo, contudo, com o passar as sessões, analisando detidamente os recursos de cada um dos processos que vêm sendo julgado nesta turma, bem como as sustentações orais proferidas, fui definindo um entendimento divergente. Observando os casos já julgados, os quais são análogos ao processo que hora passo a julgar, não posso deixar de demonstrar minha enorme preocupação com a pacificação social. Afinal, a regras num Estado Democrático de Direito são definidas para serem cumpridas, mas para isso elas precisam ser claras, objetivas e não levantarem dúvidas a respeito de seu cumprimento. No caso em tela, observo dois pontos a serem analisados no tocante ao auto de infração que deu origem a este processo. Primeiramente a utilização do artigo 135 (RIR) para ganhos advindos do Método de Equiparação Patrimonial MEP, e em segundo momento a forma de constituição do auto de infração pela via do Arbitramento. Quanto ao primeiro tópico, observo que há uma discrepância entre a interpretação dada pelo contribuinte e a que foi dada pela fiscalização, no tocante a regra do Imposto de Renda Pessoa Física, que define o Fl. 1257DF CARF MF 30 que deve e o que não deve ser tributado nestas operações. E isso sim gerou grande dúvida a respeito de sua aplicabilidade. Entendeu a Receita Federal que a extinção das sociedades holdings por meio de incorporações acompanhadas de capitalizações de lucros e reservas de lucros acumulados teria gerado uma majoração artificial dos custos de aquisição de investimentos detidos pelas pessoas físicas alienantes. E em razão disso, tratou a Administração Pública por desconsiderar o efeito das capitalizações dos lucros advindos pelo Método de Equivalência Patrimonial. Observo, portanto, que toda problemática reside na possibilidade ou não de capitalização de lucros advindos da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial. A questão levanta dúvidas. Tanto é verdade que a própria Administração Pública no momento de fiscalizar o imposto devido autuou os contribuintes com cinco teses distintas de interpretação da legislação fiscaltributária para fins de cálculo do custo de aquisição. Ora, se a mesma legislação, no caso em tela, especificamente os mesmos dispositivos legais, levou os fiscais, auditores da Receita Federal, a cinco interpretações distintas, isso nos leva a crer que não se trata de simples equívoco interpretativo, mas sim de dúvida razoável causada pela impropriedade do texto legal. A celeuma citada se refere ao artigo 135 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000, de 1999), cuja regra matriz é o artigo 10 da Lei 9.249/95. Vejamos o que diz o comando legal, no trecho que interessa a lide: Lei 9.249/95 Art. 10 Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Seguindo entendimento esposado por esta Turma anteriormente, o referido artigo não se aplicaria às bonificações decorrentes da capitalização de lucros formados com ganhos provenientes da aplicação do método de equivalência patrimonial, pois os lucros, cuja capitalização seria apta a gerar acréscimo e custo para o investidor, seriam aqueles capazes de atingir o patrimônio da pessoa física (o que excluiria aqueles advindos pelo MEP). Contudo, o contribuinte alega que esta interpretação está dissociada da lei e dos conceitos de receita e lucro da legislação vigente, e que, ainda que fosse necessário que este atingisse o patrimônio da pessoa física, pois os ganhos do MEP são possíveis de chegar ao seu patrimônio, só não são obrigatórios dependendo de um fato de natureza exclusivamente financeira – disponibilidade de caixa ou da vontade da companhia. Compulsando os autos e toda legislação aplicável, reconheço que assiste razão ao contribuinte. A literalidade da norma leva a conclusão de que a capitalização de lucros implica um aumento do custo da correspondente participação societária. Observese que a lei fala em capitalização, logo isso se aplica a qualquer capitalização, uma vez que a lei não traz exceções. Isso decore do fato de que a norma positiva não faz qualquer distinção quanto a forma ou modo que deve ser operacionalizada esta "capitalização" para que esse aumento corresponda a participação societária. Entender assim gera incoerências no sistema jurídico e disfuncionalidades na tributação de operações? Pode ser que sim. Contudo isso decorre de impropriedade legal, não cabendo a Administração Pública dar a interpretação que lhe assiste para corrigir a Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.244 31 impropriedade de um texto de lei, utilizandose de fundamentos outros que não aqueles que se encontram no comando legal do dispositivo em apreço. Para esclarecer, quando um investimento é contabilizado pelo Método de Equivalência Patrimonial, os lucros da sociedade investida traduzemse em receitas da sociedade investidora. E o que são estas receitas? São resultados positivos ou ganhos de equivalência, que não configuram propriamente lucro da investidora, mas se consubstanciam como elemento positivo na formação deste, que a rigor, segundo a explicação de diversos especialistas contábeis, podem vir a existir ou não dependendo do conjunto de receitas de despesas desta sociedade. Os ganhos advindos do MEP advêm de um ativo classificado como investimento, e por esta razão realizamse financeiramente num prazo mais longo que as demais receitas. Então se os ganhos de MEP representam uma receita efetiva da investidora porque não estão sujeitas a incidência de imposto de renda e outros tributos? Isso ocorre por que a lei permite sua exclusão da base de cálculo dos mesmos, exclusão essa que não ocorre na base de cálculo do imposto de renda, quando o lucro provém de investimentos em controladas ou coligadas sediadas no exterior (Art. 74 da MP 2.15335/2001). Assim, as receitas de MEP não apenas integram o resultado do exercício da investidora como também devem ser distribuídos (Art. 202, §6º da Lei 6.404/76), embora em alguns casos haja autorização legal para que não o seja feito. E para o bom deslinde desta questão é fundamental compreender, o que isso significa. Ou seja, como regra, os ganhos advindos pelo MEP devem ser distribuídos, mas, como estes correspondem a lucros não realizados, a Lei que regula o funcionamento das Sociedades Anônimas, faculta as companhias que estes lucros sejam mantidos em uma reserva específica, o que o contribuinte aduz ser possível com a finalidade de preservar a saúde financeira destas Sociedades. Logo, se os ganhos de equivalência são suscetíveis de distribuição (prevista em lei), leva a conclusão que poderiam também gerar aumento de custo, quando capitalizados. E sua ocorrência vai depender de fatores como Situação financeira da Sociedade ou até mesmo sua conveniência, uma vez que a distribuição de dividendos em bens é uma possibilidade legal prevista na Lei das Sociedades Anônimas. A doutrina do Direito tributário também compreende deste modo. Vejamos o que diz o ilustre professor Heleno Taveira Torres: Ao tempo que o instituto da capitalização de lucros corresponde, legalmente, ao acréscimo do custo da participação dos sócios que decidem por não distribuíIos, apenas a diferença entre o novo custo (majorado) e o valor recebido, quando da venda de participação societária, gerará ganho de capital. a ser tributado pelo Imposto de Renda. Entendimento diverso fere a legalidade, a condicional', no país, o exame da capacidade contributiva. Importa considerar que o caso em tela não envolve a utilização artificial de "empresas veículo", com vistas ao aumento irreal dos custos de aquisição das participações societárias detidas pelo Consulente. Embora meu entendimento pessoal seja de que o artigo 135 do RIR seja uma forma inadequada de tratar os ganhos advindos do MEP, justamente pela possibilidade de admitir a duplicidade (a meu ver imoral) de aproveitamento de custos, que foi muito bem demonstrada no voto que acompanhei em sessões anteriores, ainda assim é uma forma legal, cujas distorções econômicas foram geradas pela literalidade do texto de lei, cujo regimento interno deste Conselho me impede de afastar vigência. Fl. 1259DF CARF MF 32 Ou seja, por mais excessiva que possa ser a duplicidade de aproveitamento de custos realizada pelo contribuinte, não cabe a este conselho administrativo, alterar o texto da lei por meio de construções interpretativas, com a finalidade de corrigir impropriedades com as quais deveria ter sido mais cauteloso o legislador. É princípio basilar do Direito Administrativo o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a idéia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.245 33 no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. Voltando para análise do caso concreto, vemos que os ganhos advindos do Método de Equivalência Patrimonial representam meras receitas da investidora, integram sua conta de resultados e são responsáveis pela formação de seu lucro. E não há qualquer menção na redação do artigo 135 do RIR que afaste seus efeitos do ganho de MEP, não há sequer dúvida a respeito, ao contrário, o artigo não coloca isso em discussão, não gerando, portanto, nenhuma dúvida de que o Contribuinte então possa fazêlo. Até por que em diversos casos a Receita Federal permitiu isso. E não é admitido que a permissão ou proibição seja definida com base em quem tem vantagem com a conduta, pois, conforme já foi dito anteriormente, a Administração só cabe fazer aquilo que está previsto em Lei, não podendo interpretar a norma a seu bel prazer de acordo com o que lhe traga vantagem. Por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, compreender e aplicar a lei diferente desse entendimento, consiste em tentar mudar por força de ato administrativo interpretativo, previsão disposta em lei, impondo ao particular uma proibição que não se encontra no texto legal. Seja por omissão ou vontade do legislador, o fato é que ele nada disse sobre isso. Nesse ponto cabe citar o parecer jurídico do Professor Heleno Taveira Torres: À guisa de complementação, as operações de aumento de capital social, mediante capitalização de lucros, devidamente garantida pelo método da equivalência patrimonial, caro à contabilização das pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real, como se verá adiante, bem conduziram, no caso. o Consulente ao aumento do valor nominal da participação societária. Tratase de efeito civil de instituto de direito privado (Lei n. 6.404/1976, art. 169) precisamente mantido, nos mesmos moldes e sem quaisquer ressalvas, pelo legislador fiscal. nos termos do art. 135 do RIR1l999. Por força do art. 109 do CTN, tão relembrado neste Parecer. afiguramse juridicamente impossíveis in casu quaisquer ajustes promovidos, em via interpretativa, pela Administração Fazendária. No que toca aos atos e negócios jurídicos praticados de acordo com as normas existentes, a função social dos contratos (CC/2002, art. 421), garantida constitucionalmente, ao lado da liberdade de iniciativa econômica, impedem a desconsideração e a requalificação na situação sob exame. pelos agentes fiscais, sem observância do art, 149, VII do CTN. Resta evidente que a Receita Federal já se deu conta da problemática que reside na literalidade do texto legal, contudo não cabe ao Poder Executivo, por meio de atos interpretativos da Administração Pública, Fiscalização e Conselho de Recursos Fiscais, corrigir eventuais distorções econômicas advindas da aplicação da lei. Observo, inclusive, que tal necessidade já chegou ao conhecimento do Poder Legislativo, que, por meio da MP n. 694/2015, tenciona tal ajuste. Contudo, até que ele ocorra, não poderá ser imputado ao Contribuinte proibições, sanções ou quaisquer atos mais gravosos que aqueles “estritamente” constantes no texto de lei. Motivo pelo qual, em função da redação original da Lei (nunca alterada) julgo ser plenamente possível a sua utilização para ganhos advindos do emprego do método de equiparação patrimonial. Por fim, impossível ignorar os apontamentos como muito bem ponderados pelo Professor Heleno Taveira Torres, ao analisar os fatos atinentes ao caso da reestruturação operada entre as sociedades holdings, que detinham investimentos do BANCO PACTUAL S/A, no qual pontua estarem devidamente Fl. 1261DF CARF MF 34 escriturados todos os efeitos contábeis e fiscais, a exemplo da capitalização de lucros, decorrentes dos mencionados atos, os quais foram corretamente levados não só ao conhecimento do Fisco, mas, igualmente, do Banco Central do Brasil. Desse modo, não restaria, à Administração Fazendária, outra opção, senão reconstituir o efetivo custo de aquisição do investimento detido pelo contribuinte na aludida instituição financeira, louvandose nos elementos idôneos aos quais teve acesso, caso pretendesse validamente questionar a base de cálculo por este utilizada em autolançamento, quando do cômputo do ganho de capital. Tal fato nos leva agora ao segundo ponto que preciso analisar para concluir meu voto. No tocante ao arbitramento de Imposto de Renda Pessoa Física sobre a alienação de participação societária do contribuinte, observo que a utilização do arbitramento, previsto no artigo 529 e seguintes do Decreto 3000/99 (RIR), gera dúvidas sobre a assertividade de sua aplicação no caso concreto. O arbitramento é devido somente nos casos em que o contribuinte impede a fiscalização de ter acesso aos seus dados. Contudo não é o que ocorreu no caso em tela, pois verifico total transparência do contribuinte com os atos por ele levados a cabo na alienação de sua participação societária. A Receita Federal não tem como afirmar com as provas dos autos que houve qualquer ato por parte do contribuinte capaz de justificar a opção pelo arbitramento, conforme a previsão do RIR. Observo aqui que, não há nos autos qualquer situação de SIMULAÇÃO. A análise de fatos concretos denota estarmos diante de uma estrutura previamente existente, que opta pela adoção de um caminho que lhe confere menor custo tributário, para levar a cabo seu intuito de permitir a distribuição desproporcional de lucros, entre os sócios na medida de contribuição de cada um para o êxito da atividade da instituição financeira sob consideração, o que consistiu em efetivo planejamento tributário, constituído dentro das normas legais. E por isso, especificamente no que diz respeito à técnica jurídica do arbitramento, tratase de GRANDE EQUÍVOCO utilizado nestes casos. Registrese, mais uma vez, que o aumento do custo de aquisição decorrente da capitalização de lucros e reservas, prevista no art. 169 da LSA, foi recepcionado, sem ressalvas, pelo legislador tributário, no art. 135 do RIR/1999, o que autoriza concluir que a Administração Fazendária infringiu o art. 109 do CFN. E esse aumento de custo de aquisição decorre de operação aritmética de subtração entre o patrimônio final de um contribuinte, consistente em valores recebidos quando da alienação de ativos em dado espaço de tempo, e o Custo de aquisição destes. E, no cômputo deste custo de aquisição, não podem ser desconsiderados, repitase, os acréscimos legalmente admitidos no direito tributário vigente, ainda que por ficção jurídica; especialmente quando estes acréscimos decorrem de disposições legais expressas, mediante regular utilização de técnicas jurídicocontábeis, como é o Método de Equivalência Patrimonial em operação de reestruturação societária válida e, ademais, referendada pelo Banco Central do Brasil. Tratase de acréscimos decorrentes da recepção expressa de institutos privados, a exemplo da capitalização de lucros e reservas, prevista, sem quaisquer ressalvas, no art. 169 da LSA e arts. 135 e 383 do RIR/I 999. Estáse, portanto, diante de Auto de Infração que consigna crédito tributário (IRPF, somado a multa e juros) ilíquido, incerto e inexigível, por dois motivos: 1) Há permissão legal para que o contribuinte tenha seu custo de aquisição majorado por capitalização de lucros oriundos da aplicação de MEP. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 12448.735950/201140 Acórdão n.º 9202005.619 CSRFT2 Fl. 1.246 35 2) Tendo em vista que os critérios jurídicos para formação da base de cálculo do imposto ora cobrado não foram respeitados no ato de lavratura do auto de infração entendo este estar eivado de vício material, devendo este restar cancelado. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao Recurso Especial do Contribuinte e negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 1263DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003150/2009-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2007
Ementa:
CPMF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INSTRUÇÃO DA AUTUAÇÃO E MENSURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO COM FUNDAMENTO NOS EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
A base de cálculo da CPMF em cobro foi delimitada com fundamento nas informações bancárias referentes à movimentação financeira do contribuinte, documento este que, aliado à outros acostados nos autos, bem como às demais considerações externadas pela fiscalização durante a fase procedimental do presente caso, serviram para provar os fatos constitutivos do direito da União, motivo pelo qual competia ao contribuinte, apresentar os fatos extintivos, modificativos ou impeditivos da aludida exigência (art. 373, inciso II, c.c. o art. 15, ambos do CPC), fato este que não ocorreu no caso em concreto. Inexistência, pois, de qualquer nulidade macular a presente exigência fiscal.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4º DO CTN. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ.
Em se tratando de lançamento por homologação o prazo decadencial será contado nos termos do art. 150, § 4º do CTN desde que haja comprovação de pagamento do tributo para o período em cobro, o que não ocorreu no caso em tela. Precedente vinculativo do STJ veiculado no RESP n. 973.733/SC, julgado sob o rito de repetitivo.
Recurso voluntário negado. Crédito tributário mantido.
Numero da decisão: 3402-004.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2007 Ementa: CPMF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INSTRUÇÃO DA AUTUAÇÃO E MENSURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO COM FUNDAMENTO NOS EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. A base de cálculo da CPMF em cobro foi delimitada com fundamento nas informações bancárias referentes à movimentação financeira do contribuinte, documento este que, aliado à outros acostados nos autos, bem como às demais considerações externadas pela fiscalização durante a fase procedimental do presente caso, serviram para provar os fatos constitutivos do direito da União, motivo pelo qual competia ao contribuinte, apresentar os fatos extintivos, modificativos ou impeditivos da aludida exigência (art. 373, inciso II, c.c. o art. 15, ambos do CPC), fato este que não ocorreu no caso em concreto. Inexistência, pois, de qualquer nulidade macular a presente exigência fiscal. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4º DO CTN. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. Em se tratando de lançamento por homologação o prazo decadencial será contado nos termos do art. 150, § 4º do CTN desde que haja comprovação de pagamento do tributo para o período em cobro, o que não ocorreu no caso em tela. Precedente vinculativo do STJ veiculado no RESP n. 973.733/SC, julgado sob o rito de repetitivo. Recurso voluntário negado. Crédito tributário mantido.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INSTRUÇÃO DA AUTUAÇÃO E MENSURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO COM FUNDAMENTO NOS EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. A base de cálculo da CPMF em cobro foi delimitada com fundamento nas informações bancárias referentes à movimentação financeira do contribuinte, documento este que, aliado à outros acostados nos autos, bem como às demais considerações externadas pela fiscalização durante a fase procedimental do presente caso, serviram para provar os fatos constitutivos do direito da União, motivo pelo qual competia ao contribuinte, apresentar os fatos extintivos, modificativos ou impeditivos da aludida exigência (art. 373, inciso II, c.c. o art. 15, ambos do CPC), fato este que não ocorreu no caso em concreto. Inexistência, pois, de qualquer nulidade macular a presente exigência fiscal. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. INAPLICABILIDADE DO ART. 150, § 4º DO CTN. PRECEDENTE VINCULATIVO DO STJ. Em se tratando de lançamento por homologação o prazo decadencial será contado nos termos do art. 150, § 4º do CTN desde que haja comprovação de pagamento do tributo para o período em cobro, o que não ocorreu no caso em tela. Precedente vinculativo do STJ veiculado no RESP n. 973.733/SC, julgado sob o rito de repetitivo. Recurso voluntário negado. Crédito tributário mantido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 50 /2 00 9- 40 Fl. 222DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, emprego parte do relatório desenvolvido pela DRJ Brasília (acórdão n. 0359.648 fls. 192/196), o que passo a fazer nos seguintes termos: (...). Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foi lavrado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização – Defis/SP o auto de infração às fls. 109/128, formalizando lançamento de ofício de crédito tributário proveniente da falta de recolhimento de CPMF nos períodos de apuração de 31/01/2004 a 31/12/2007, incluindo juros de mora e multa proporcional de 75%, totalizando R$ 1.708.499,49 (um milhão setecentos e oito mil quatrocentos e noventa e nove reais e quarenta e nove centavos). De acordo com a descrição dos fatos da acusação fiscal, que remete ao Termo de Verificação Fiscal integrante do auto de infração, a fiscalizada havia recorrido à tutela do Poder Judiciário para afastar a incidência da CPMF, impetrando Mandado de Segurança que veio a ser denegado. A contribuinte foi cientificada pessoalmente da exigência em 18/08/2009 (fls. 122), e, irresignada com a acusação fiscal, apresentou em 16/09/2009 a impugnação acostada às fls. 131 e seguintes, da qual se extrai a síntese exposta a seguir. (...). 2. Uma vez processada, a impugnação sobredita foi julgada improcedente, conforme se observa da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 31/01/2004 a 31/12/2007 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 19515.003150/200940 Acórdão n.º 3402004.633 S3C4T2 Fl. 223 3 DECISÃO JUDICIAL REVOGADA. RETENÇÃO. RECOLHIMENTO. CONTRIBUINTE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Em se tratando de decisão judicial revogada, a não retenção e recolhimento do valor correspondente à CPMF pelas instituições especificadas na Lei nº 9.311, de 1996, sujeitam o contribuinte a lançamento de ofício. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 3. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 208/216, oportunidade em que repisou parte dos fundamentos invocados em sua impugnação, quais sejam: (i) a decadência do crédito tributário exigido; e (ii) a nulidade do lançamento, uma vez que a autuação teria sido pautada exclusivamente com base na apresentação dos documentos (extratos bancários) fornecidos pelas instituições financeiras para fins de apuração da base de cálculo da CPMF exigida. 4. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 5. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento, o que passo a fazer nos termos abaixo delineados. I. Preliminar (i) Da nulidade do lançamento por cerceamento de defesa 6. Preliminarmente, o contribuinte alega que o presente lançamento seria nulo, uma vez que a dimensão da base de cálculo da exação em cobro seria imprecisa, já que pautada pela análise da fiscalização quanto às informações prestadas no mandado de segurança n. 1999.61.00.0292100 e não com base nas informações bancárias fornecidas pelas instituições financeiras em que ocorreram as movimentações sujeitas à incidência da CPMF. 7. Neste particular não merece reparo a decisão recorrida, que assim prescreveu: Quanto aos reclamos de que o levantamento Fiscal carece de liquidez e certeza, não podemos perder de vista que o simples descontentamento da parte não tem o condão de alterar o lançamento. Fl. 224DF CARF MF 4 Os valores apurados pela fiscalização encontramse discriminados de maneira pormenorizada às fls. 66 a 98, tendo sido extraídos das DCPMF encaminhadas por cada instituição financeira nas quais a Impugnante era cliente e que teriam deixado de reter e recolher a CPMF, cuja totalização mensal pode ser conferida nas fls. 99 a 102, que foi ofertada a Impugnante para que aferisse os valores lançados (fls. 104): Assim, após exame do documental inserto no dossiê e com o fito de ratificar os valores nele explicitados, intimamos o contribuinte a apresentar esclarecimentos sobre o pleito acompanhados de demonstrativos analíticos capazes de elucidar as bases de cálculo do tributo (CPMF — Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), bem como de aferir o "quantum" de débito remanescente, além de exibir comprovantes hábeis de eventuais pagamentos efetuados à guisa do tributo (CPMF), nos períodos discriminados (2004 a 2007), além de respectivos saldos positivos e/ou negativos. Destarte, a empresa deu azo ao lançamento em questão, na medida em que deixou de se pronunciar quanto aos valores que estariam sendo lançados, vejamos: Dessa sorte, cabe salientar que só foi utilizado este meio para obtenção dos montantes de CPMF a serem tributados, pela não cooperação do contribuinte em fornecer a documentação hábil necessária para lançamento de oficio da referida contribuição. Frisese, portanto, que, qualquer tipo de inconsistência que o representante do contribuinte venha a apontar “a posteriori” em auto de infração lavrado, relativamente aos montantes tributados, a culpa “original” decorrerá de sua própria omissão, não podendo, destarte, valerse deste fato para argumentar sua defesa. Em sede de impugnação, a empresa também não traz aos autos qualquer prova de que tais valores seriam inconsistentes, se limita a contraditar o feito ao argumento de que a apuração teria sido realizada em pleno desacordo com o decidido no Mandado de Segurança e determinado pela Instrução Normativa nº 450 de 2004. Assim, o simples descontentamento da parte com o lançamento, não tem o condão de revertêlo. Ou seja, o argumento sem lastro probatório não pode ser levado a cabo para a desoneração lhe imposta. Não se trata aqui, de privilegiar o aspecto formal em detrimento da verdade material. Contudo, tendo em vista que a interessada pretende infirmar informações por ela própria prestadas, é necessário que a dita pretensão esteja calcada em provas documentais robustas. (...). Destarte, deveria a Impugnante ter instruído sua peça de defesa com a documentação que comprovasse o valor das movimentações financeiras ocorridas nos períodos fiscalizados. Tal entendimento encontrase sistematizado no caput do art. art. 56, do Dec. nº. 7.574, de 2011, que regulamenta o processo Fl. 225DF CARF MF Processo nº 19515.003150/200940 Acórdão n.º 3402004.633 S3C4T2 Fl. 224 5 administrativo tributário, tendo por base legal o Dec. nº. 70.235, de 1972: (...) (...). (grifos constantes no original, sublinha nossa). 8. Diferentemente do que alega o contribuinte, a fiscalização se valeu sim daquelas informações prestadas pelas instituições financeiras nas quais tinha conta, as quais serviram para provar os fatos constitutivos do direito da União, cabendo, pois, ao contribuinte, apresentar fatos extintivos, modificativos ou impeditivos da aludida exigência (art. 373, inciso II, c.c. o art. 15, ambos do CPC), fato este que não ocorreu no caso em tela. 9. Assim, fundamentado no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/94, considero hígido o auto de infração aqui questionado. II. Mérito (i) Da decadência 10. No mérito, o contribuinte questiona em preliminar a decadência da integralidade1 do crédito tributário exigido, por entender que o ajuizamento do mandado de segurança influenciaria na contagem do prazo decadencial. Vejamos o que diz o contribuinte a respeito deste tópico: 1 Convém repisar que o acórdão recorrido reconheceu a decadência do crédito decorrente dos fatos geradores ocorridos no ano de 1999. Fl. 226DF CARF MF 6 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 19515.003150/200940 Acórdão n.º 3402004.633 S3C4T2 Fl. 225 7 12. É absolutamente equivocado o entendimento do contribuinte e, por uma simples razão. Como poderia a fiscalização, em outubro de 2001, lançar tributos referentes a fatos geradores compreendidos entre janeiro de 2004 e dezembro de 2007, ou seja, lançar tributos para fatos geradores até então inocorridos? Fl. 228DF CARF MF 8 13. Quando muito, o contribuinte poderia eventualmente questionar a decadência de parte do crédito lançado, haja vista que a notificação do lançamento ocorreu em 18/08/2009, o que, em tese, poderia culminar na decadência do período compreendido entre janeiro de 01/01/2004 e17/09/2004, desde que, neste período, tivesse ocorrido pagamentos do tributo em cobro, nos exatos termos do que restou decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no âmbito do Recurso Especial n. 973.733/SC2, julgado sob o rito de recursos repetitivos. 2 "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase Fl. 229DF CARF MF Processo nº 19515.003150/200940 Acórdão n.º 3402004.633 S3C4T2 Fl. 226 9 14. Ocorre que, no presente caso, não há qualquer prova de pagamento da CPMF para o período em testilha, o que implica a contagem do prazo decandecial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Assim, ocorrido o lançamento em 18 de agosto de 2009, não há que se falar em decadência do crédito tributário. Dispositivo 15. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto. regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009)." Fl. 230DF CARF MF 10 16. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator. Fl. 231DF CARF MF
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