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Numero do processo: 11634.720855/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 03/02/2011, 23/02/2011
MULTA ISOLADA. RESSARCIMENTO INDEVIDO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento obriga o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3402-004.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencida a Conselheira Maria Aparecida, que não conheceu do recurso.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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score : 1.0
Numero do processo: 13896.000235/99-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1998
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO DE 05 ANOS. APLICAÇÃO DO ART. 74, § 5º DA LEI Nº 9.430/96.
Ultrapassado o prazo de 05 anos contado a partir da entrega da declaração de compensação, opera-se a homologação tácita nos moldes do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1201-001.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para veicular a tese vencedora e retificar a ementa do julgado.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Luis Fabiano Alves Penteado - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Ausente justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO DE 05 ANOS. APLICAÇÃO DO ART. 74, § 5º DA LEI Nº 9.430/96. Ultrapassado o prazo de 05 anos contado a partir da entrega da declaração de compensação, operase a homologação tácita nos moldes do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para veicular a tese vencedora e retificar a ementa do julgado. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 02 35 /9 9- 74 Fl. 1242DF CARF MF 2 Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Ausente justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte em face do acórdão n. 1201001.131 desta Turma que por unanimidade de votos deu provimento ao Recurso Voluntário. Segue abaixo a ementa do acórdão em questão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA Nos termos do parágrafo 4 do art. 150 do CTN, "a homologação tácita do lançamento realizado pelo contribuinte, via DIRPF, só se dará se, dentro do prazo qüinqüenal, a Fazenda Pública não se pronunciar acerca de tal lançamento."(nossos grifos) A ora embargante aponta omissão no v. acórdão recorrido, vez que o Conselheiro Relator deu provimento ao Recurso Voluntário sob entendimento de que ocorrera a homologação tácita do Pedido de Restituição e Homologação, vez que fora realizado em 10/03/99 e a ciência do Despacho Decisório ocorreu somente em 09/12/2005, após o transcurso de mais de 05 (cinco) anos. A homologação tácita teria ocorrido seja pela aplicação do art. 150, § 4°ou art. 173, I do CTN. Contudo, o Conselheiro Marcelo Cuba Netto apresentou declaração de voto no qual acompanha o relator pelas conclusões, tendo assinalado que os dispositivos do CTN apresentados no voto relator tratam da hipótese de constituição de crédito tributário e não de prazo extintivo de homologação. Este entendimento foi acompanhado pelos Conselheiros Roberto Caparroz de Almeida e Rafael Vidal de Araújo. Conforme traz a Embargante, o § 8°do art. 63 do Regimento Interno do CARF estabelece que "Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros". Neste sentido, tendo sido acompanhado o Relator apenas em suas conclusões, a ementa deveria ter trazido os fundamentos adotados pela declaração de voto vencedora, o que não ocorreu. Daí, segundo a Embargante, o cabimento dos embargos de declaração no sentido de sanar a omissão apontada. Os Embargos foram admitidos. É o Relatório. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 13896.000235/9974 Acórdão n.º 1201001.844 S1C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de admissibilidade, passo diretamente à análise do vício apontado. Conforme exposto no relatório, a ora Embargante obteve decisão favorável ao seu Recurso Voluntário em julgamento desta turma que reconheceu a homologação tácita do pedido de restituição e compensação apresentados pela contribuinte, visto que o Despacho Decisório que deferiu apenas parcialmente o crédito pleiteado fora recebido somente após mais de 06 anos da data do protocolo do pedido de restituição e compensação. O voto do relator do processo seguiu no sentido de que havia decaído o direito do Fisco contestar os pedidos apresentados, seja em razão da contagem do prazo previsto no art. 150, § 4°do CTN ou art. 173, I do mesmo diploma legal. A decisão foi unânime no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário da ora Embargante. Contudo, três conselheiros fazendários, incluindo o Presidentes da Turma, acompanharam o voto relator pelas conclusões, tendo o Conselheiro Marcelo Cuba Netto apresentado declaração de voto do qual extraio o seguinte trecho: Por outro lado, o prazo extintivo para homologação da declaração de compensação encontra previsão expressa no art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (grifamos) (...) Segundo a declaração de voto do ilustre Conselheiro Marcelo Cuba Netto, os artigos 150, § 4° e 173, I do CTN se aplicam somente à decadência do direito do fisco de lançar o tributo, ao passo que o prazo que prevê a homologação tácita de 05 anos aplicável aos pedidos de restituição e compensação é aquele previsto no art. 74, § 5°da Lei n. 9.430/96. Apesar disso, o acórdão foi assim ementado: Fl. 1244DF CARF MF 4 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA Nos termos do parágrafo 4 do art. 150 do CTN, "a homologação tácita do lançamento realizado pelo contribuinte, via DIRPF, só se dará se, dentro do prazo qüinqüenal, a Fazenda Pública não se pronunciar acerca de tal lançamento."(nossos grifos) Segundo a embargante, uma vez que prevaleceu o provimento do Recurso Voluntário em razão do disposto no art. 74, § 5°da Lei n. 9.430/96, não poderia a ementa do julgado ter sido norteado pelo entendimento do Conselheiro Relator que aplicou os arts. 150, § 4° e 173, I do CTN, tendo em vista o disposto no § 8°do art. 63 do Regimento Interno do CARF que prevê que os fundamentos adotados pela declaração do voto vencedor devem constar da ementa do acórdão. Cabe razão à Embargante. Isso porque o texto do § 8°do art. 63 do Regimento Interno do CARF não deixa dúvidas a este respeito, in verbis: § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. O presente caso trata de situação idêntica à prevista no dispositivo do RICARF acima transcrito, vez que os fundamentos adotados pela turma através do voto de qualidade não foram aquelas defendidas pelo relator, assim, a ementa deve ser corrigida no presente caso. Conclusão Diante do exposto, ACOLHO dos Embargos apresentados, sem efeitos infringentes, para retificar a ementa do acórdão embargado que passará a ter o seguinte texto: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PRAZO DE 05 ANOS. APLICAÇÃO DO ART. 74, § 5º DA LEI Nº 9.430/96. Ultrapassado o prazo de 05 anos contado a partir da entrega da declaração de compensação, operase a homologação tácita nos moldes do art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 13896.000235/9974 Acórdão n.º 1201001.844 S1C2T1 Fl. 4 5 Fl. 1246DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.003824/2008-08
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES.
Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Apresentou ainda declarações dos profissionais prestadores dos serviços. Alegações procedentes.
Numero da decisão: 2001-000.051
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. Apresentou ainda declarações dos profissionais prestadores dos serviços. Alegações procedentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 38 24 /2 00 8- 08 Fl. 79DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige da contribuinte a importância de R$ 7.158,25, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2003. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que a Recorrente foi intimada a comprovar os pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, com comprovações outras, porque aqueles acostados não estariam a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotada na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à afirmação de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pela Recorrente, nos termos a seguir reproduzidos: As deduções de despesas médicas encontram previsão legal no art. 8º, inciso II, alínea “a”, e §2º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que assim dispõe: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem corno as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2' O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentarão, ser feita indicarão do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10855.003824/200808 Acórdão n.º 2001000.051 S2C0T1 Fl. 3 3 IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (...) 0 artigo 73 e seu § 1º, do Decreto ° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n2 5.844, de 1943, art. 11, §3º. §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei No 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Por força dos dispositivos transcritos, a autoridade fiscal pode exigir que o contribuinte apresente, além dos simples recibos emitidos pelo profissional, documentos que comprovem o efetivo desembolso dos valores, ou até mesmo documentos que comprovem os procedimentos médicos realizados. Entretanto, há que se ponderar que a exigência dessas provas complementares deve ser devidamente fundamentada pela autoridade fiscal e só pode ser feita se houver fundadas razões para que os recibos apresentados pelo contribuinte sejam considerados inidôneos. Assim, os recibos regularmente emitidos pelo profissional, em princípio, fazem prova das despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda, cabendo à fiscalização, se não quiser aceitálos, o ônus de provar sua imprestabilidade. Nesse sentido é a determinação contida no art. 845, § 1º do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indício veemente de falsidade ou inexatidão (DecretoLei n ° 5.844, de 1943, art. 79, §12).” (...) No presente caso, verificase que a Notificação de Lançamento, de fls. 08/10, não contém indicação de motivos para a exigência de comprovação do efetivo desembolso dos valores deduzidos. A autoridade lançadora não apontou a existência de vícios nos recibos apresentados pelo contribuinte. (...) Fl. 81DF CARF MF 4 Sendo assim, com base no exposto, voto pela procedência em parte da impugnação apresentada e pela MANUTENÇÃO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO constituído na presente Notificação de Lançamento de acordo com os quadros abaixo: Conclui, assim, o acórdão vergastado pela improcedência parcial da impugnação para manter o crédito tributário em parte, por glosa de valores referentes às despesas médicas. Por sua vez, irresignada com a decisão do acórdão da DRJ, a Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Contudo, mesmo que parcialmente procedente, a decisão acima merece ser reformada por esse E. Conselho, o que desde já se requer, para que seja excluído integralmente o credito tributário neste pleiteado. (...) A Recorrente foi autuada por suposta dedução indevida a titulo de despesas medicas, com a glosa das deduções consideradas abusivas pela autoridade lançadora, com a acusação de deduzir valores expressivos e que se mostravam notoriamente superiores aqueles "usualmente praticados" e usualmente pleiteados". Mesmo após a impugnação devidamente instruída com os comprovantes das despesas e as respectivas justificativas, nos termos do exigido pela legislação de regência, o auto de infração foi julgado procedente pela Autoridade Julgadora, com respaldo nos argumentos da Autoridade. (...) Os fundamentos legais expostos na decisão ora guerreada não tem o condão de exigir que determinado contribuinte proceda ao pagamento de suas despesas de forma preestabelecida, tão pouco de desconsiderar os recibos emitidos com indicação de nome, inscrição no Cadastro de Contribuintes (CPF ou CNPJ). A lei não permite a discricionariedade pretendida pela Autoridade Julgadora no sentido de sacramentar o que seja "usualmente" aceitável como "valores médios" ou mesmo despesas "exageradas" até porque não há previsão de "valores médios" ou "valores usuais" tão pouco de exageros de despesas médicas. (...) Ou seja, como não poderia ser diferente, a moeda nacional corrente é meio mais do que hábil para pagamento dos serviços realizados, mormente quando não há qualquer discrepância entre os rendimentos informados pelo contribuinte e as despesas efetivas e devidamente comprovadas, no ocorre no caso sob analise. (...) Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10855.003824/200808 Acórdão n.º 2001000.051 S2C0T1 Fl. 4 5 Patente que não há fundamentos legais para sustentar a pretensão da Autoridade Lançadora, fundada esta apenas em suposições desprovidas de base concreta ou legal, devendo ser reformada por esse. E. Conselho a decisão da Delegacia de Julgamentos. (...) Ocorre que as despesas foram devidamente comprovadas nos autos com a apresentação de recibos e declarações e ate prontuários que comprovam a realização dos serviços, bem como os pagamentos dos mesmos, tudo nos termos dos comprovantes, declarações e justificativas técnicas (emitidas pelo próprio fautor dos serviços prestados). (...) Concluindo, todas as provas legalmente exigidas foram feitas: comprovação do pagamento mediante recibos; declaração e prontuários médicos com a descrição dos serviços efetivados bem como a demonstração, através de laudos, da necessidade da realização dos mesmos. Diante de todo b exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer seja conhecido e acolhido o presente Recurso para o fim de assim ser decidido, anulando e cancelando o débito fiscal reclamado integralmente pelas irregularidades nele constantes e acima descritas, julgando totalmente improcedente a decisão ora guerreada com a finalidade de restabelecer as todas as deduções levadas a efeito pelo contribuinte em sua declaração bem como e consequentemente cancelar as penas acessórias aplicadas. É o relatório Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A questão aqui tratada é de natureza interpretativa da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, especialmente aquele procedimento que busca amparo na extemporânea existência do art. 11, § 3º e 4º, do Decretolei nº 5.844, de 1943 (transportado para o art. 73 e § 1º do Decreto nº 3.000/99 RIR/99 atual), e de outro a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à idoneidade ou inidoneidade do documento comprobatório. O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Fl. 83DF CARF MF 6 Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados â cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (sublinhei e grifei) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10855.003824/200808 Acórdão n.º 2001000.051 S2C0T1 Fl. 5 7 órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. Ressaltese que o termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma. Descabe, assim, o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre o contribuinte possuidor da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque a autoridade fiscalizadora pode obter informação de confirmação da outra parte. Razão não há para a dissociação de ambos os polos na relação e estabelecer exigência rigorosa de um e nada de outro, porque a operação é conjunta e correspondente, com reflexos constatáveis nas informações dos dois contribuintes. Ademais, o dispositivo legal permite a comprovação por um ou outro meio, admitindo que na falta de um se faça através de outro. Não há no texto legal qualquer indicativo para a exigência das duas comprovações. Observese a clareza do texto quando diz (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99): “..., podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;”. Acrescente se, por oportuno, que o meio de pagamento ‘dinheiro vivo’ dispõe de força legal denominada ‘curso forçado’, ao contrário do ‘cheque’, por isso a importância probante de relevância no documento que quita o pagamento, seja recibo ou nota fiscal de prestação de serviço. No caso, há que se considerar a presunção de idoneidade da comprovação apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mais ainda, em razão da ausência da apresentação, por parte do fisco, de indícios que coloquem em dúvida a idoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. Não basta a simples desconfiança do agente público incumbido da auditoria para que se obrigue o contribuinte a apresentar prova suplementar se não há elementos desabonadores da boa fé de quem usa a documentação especificada em lei para o exercício do direito à dedução na apuração do resultado tributário da pessoa física. O Código Civil, Lei nº 10.406/2002, em seu art. 219 diz que: “As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiros em relação aos signatários.” Neste sentido, os recibos em questão presumemse verdadeiros porque aceitos pelas partes contratantes identificadas no documento, de forma que não é razoável a decisão do Fisco de rejeitar os comprovantes como prova válida, sem a indicação de elementos que os desqualifiquem. Se os documentos são válidos para o prestador dos serviços oferecer os valores à tributação, os mesmos documentos deverão ser válidos também para a dedução legal de quem os recebe como comprovação de pagamentos. Por juízo subjetivo ou simples desconfiança, sem sequer a indicação de indícios de inidoneidade da documentação, não pode a autoridade lançadora fazer exigências fora dos limites da lei. O procedimento fiscal busca amparo no que dispõe o art. 73 e seu § 1º, do Decreto nº 3.000/99, para posicionar o ônus da prova unicamente no contribuinte, nos termos em que a seguir se descreve: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). (grifei) § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 85DF CARF MF 8 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). (grifei) No ordenamento jurídico brasileiro o decreto regulamentador é uma norma expedida pelo poder executivo que tem como função pormenorizar os preceitos contidos na lei, dentro dos limites nela insertos, sendo considerados, por isso, atos secundários. Seu alcance cingese aos limites da lei não podendo criar situações que obrigue ou limite direitos além daqueles constantes na lei que regulamenta. Neste quesito específico das deduções de despesas médicas temos o que dispõe a Lei nº 9.250/95, em seu art. 8º, § 2º, incisos II e III, o que foi objetivamente regulamentado no Decreto 3.000/99, no art. 80, § 1º, incisos II e III. Assim, a regulamentação deste item de despesa dedutível aqui se esgota porque o objeto tratado foi abordado de forma direta e específica, não permitindo outras exigências porque a lei não concede extensões de procedimento fiscalizatório nem limitação quantitativa de direitos. Neste sentido descabe a utilização do art. 73 e seu § 1º, conforme citado no Lançamento, por se tratar de dispositivo genérico que aparece no Decreto Regulamentador no capítulo das Disposições Gerais de Deduções, vinculado ao longínquo DecretoLei nº 5.844 de 1943, muito distante no tempo e do contexto jurídico atual. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebida do que para os dias atuais. A origem do conteúdo do texto vem do período do DecretoLei acima citado (Estado Novo da era Vargas, de inspiração intervencionista do Estado na economia), mais precisamente do ano de 1943, anterior, portanto, às quatro últimas Constituições do Brasil (1946, 1967, 1969 e 1988) e, muito distante do conceito atual de Direito do Contribuinte e do Estado de Direito. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento ex officio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de provo, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, inciso II, diz que “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Da mesma forma, o art. 150, inciso I, vai na mesma direção ao determinar que: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;”. A verdade é que ao reduzir ou limitar deduções a Autoridade Lançadora estaria aumentando tributo sem lei que estabeleça. Estamos sob a égide da Constituição Federal de 1988 e, quando a Carta Magna menciona o termo “lei” ela se refere aquele instrumento jurídico emanado do Poder Legislativo, como órgão de representação do povo, nascido do devido processo constitucional. O decretolei, por sua vez, constituíase numa espécie de ato normativo com origem no Poder Executivo em caso de urgência ou de interesse público relevante. Ou seja, um decreto que fazia às vezes de lei que vigorou até a Constituição Federal de 1988. A doutrina aceita que o decretolei tenha valor vigorante enquanto não contrariar lei posterior. Contudo, o DecretoLei nº 5.844/1943, ao não constituirse em lei, contraria a Constituição vigente, nos dispositivos antes citados (inciso II, art. 5º e inciso I, art. 150 – CF/1988). Assim que, o art. 73 do Decreto nº 3.000/99 não encontra sustentação quando busca apoio no DecretoLei nº 5.844/1943, porque lei não é. Portanto, o juízo da autoridade lançadora não pode ser estabelecido de forma subjetiva, tampouco por critérios de proporcionalidades não definidos quanto à deduções exageradas. Tudo para o resguardo do recomendável equilíbrio da relação fiscocontribuinte e do equilíbrio do direito entre as partes na lide, a luz do ordenamento jurídico atual. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10855.003824/200808 Acórdão n.º 2001000.051 S2C0T1 Fl. 6 9 A Lei não dispõe dessa parametrização e nem define de quanto deve ser essa dedução exagerada, tampouco fixa uma percentagem entre gasto com saúde e renda do contribuinte. Qual seria a quantificação razoável dessa comparação? Além disso, incabível a desconfiança fiscal de colocar em dúvida a existência de moléstia ou da necessidade de cuidados médicos ou odontológicos do contribuinte porque o que a lei realmente exige é a comprovação do pagamento da prestação de serviço. Eventual desconfiança de que o profissional teria fornecido comprovação de serviço que não prestou caracterizaria conluio entre as partes contratantes, o que não foi apontado no histórico do Lançamento. Admitirse que os recibos não representam uma verdadeira prestação de serviço conduz à conclusão lógica de que teria ocorrido conluio entre médico e paciente, ambos contribuintes do imposto, com o objetivo de lesar o fisco, e assim estariam enquadrados em multa qualificada, o que não foi o caso apontado no Lançamento. É possível que uma família tenha gastos médicos de elevada monta em comparação com a renda de apenas um dos membros, principalmente quando há ocorrência de doença grave ou incurável em algum de seus membros. Exemplificase aqui na comparação com a renda de um só membro. Mas é comum na família dividir rendas e despesas. Seria razoável que uma família convencionasse que um dos membros ficasse responsável financeiramente pelas despesas de dependente ou própria, com alto custo continuado de despesas médicas, e outro membro ficasse responsável pela manutenção dos gastos gerais e/ou de alimentação, por exemplo. Isto seria perfeitamente legal, mesmo que um deles tivesse uma sobrecarga de deduções na sua DIRPF individual. O que não é razoável é alguém de fora, que não vivencia a situação fática, estipular quantitativos aleatórios limitativo do direito atribuído em lei. Esta ocorrência não é pouco comum. Certa vez perguntaram ao Dalai Lama: O que mais te surpreende na humanidade? Ele respondeu: “Os homens que perdem a saúde para juntar dinheiro e depois gastam o dinheiro para recuperar a saúde...”. Expressão também atribuída posteriormente a Jim Brown. É a constatação, alémfronteiras, de que os gastos com saúde podem ser bem elevados se comprados com os rendimentos pessoais. Em socorro ao posicionamento que busca resguardar o direito do contribuinte tomamse emprestados os termos da doutrina que trata da necessária clareza da motivação nos atos da administração pública, trazida pelo sempre bem citado Hely Lopes Meireles, quando descreve a necessidade da motivação do ato administrativo, que assim se posiciona: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional.” No mesmo sentido a Lei nº 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 50, diz que: “os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: neguem, Fl. 87DF CARF MF 10 limitem ou afetem direitos ou interesses; imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; decidam processos administrativos de concurso ou seleção público; decidam recursos administrativos...”. O Novo Código de Processo Civil, embora posterior aos fatos da ocorrência do lançamento, pode ser utilizado em apoio à interpretação aqui esposada, porque mais benéfico à Recorrente, contém dispositivos pertinentes que devem ser trazidos à colação, de vez que transitam na mesma linha de entendimento que aborda a observância do direito do contribuinte de forma moderna e em consideração ao Estado de Direito. O Código avança no sentido de estabelecer o equilíbrio de forças das partes no processo de julgamento, como se vê na orientação do art. 7º, como segue: “Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório”. (grifei) Traz reforço ainda o CPC para esse entendimento quando suaviza o posicionamento anterior que atribuía ao contribuinte, de forma quase que exclusiva, o ônus da prova, e inaugura a possibilidade das partes atuarem em prol de uma instrução colaborativa, a fim de oferecer ao julgador melhores subsídios para proferir a decisão, sem que se faça uso da regra do ônus da prova de forma unilateral. Este novo procedimento está explicitado no § 1º, do art. 373, da seguinte forma: § 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. De forma semelhante o art. 6º do CPC reforça este entendimento colaborativo ao dizer que “Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”. CONCLUSÃO Cabe ressaltar que existe a possibilidade da ocorrência de pagamento dos serviços em espécie porque a moeda brasileira é de curso forçado, obrigando a todos a aceitação em dinheiro para quitação de qualquer obrigação financeira, ao contrário de outros meios de pagamento. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ não se fundamenta na falsidade documental, mas a falta de comprovação da necessidade da prestação do serviço médico, por documentação suplementar que indique a ocorrência de moléstia, como se a Autoridade Lançadora fosse ao mesmo tempo fiscal de rendas e dos serviços de saúde. Essa exigência da Autoridade Lançadora fazse inapropriada porque a legislação não requer comprovação da enfermidade, mas sim a comprovação dos pagamentos. No que se refere a limites, o legislador os fixa quando assim o quer. Faz isso, por exemplo, no caso do imposto sobre a renda, na dedução de despesas com instrução, em que limita os gastos com despesas escolares do contribuinte e de seus dependentes, independentemente do valor total que tenha dispendido com instrução no período. No caso de despesas médicas a lei não fixa limites, portanto, desarrazoado critério definidor de quantitativo, proporcionalidade sobre a renda ou qualquer outro parâmetro que “a juízo da Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10855.003824/200808 Acórdão n.º 2001000.051 S2C0T1 Fl. 7 11 autoridade lançadora” possa entender como “deduções exageradas” (art. 73 e §1º do Decreto nº 3.000/99, herdados do DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º e 4º), porque a lei em vigor assim não determina e, “ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (inciso II, art. 5º, CF). De entenderse que os registros do Livro Caixa do profissional que forneceu a documentação comprobatória apresentada, se respaldados em escrituração contábil ou livro caixa do profissional que forneceu a documentação comprobatória, mantidos de acordo com as normas legais e, fundados em documentos hábeis, serão validos para todos os efeitos e fazem prova verdadeira em favor do cliente/paciente. Em caso de dúvida da inveracidade dos fatos registrados cabe à Autoridade Fiscalizadora auditálos. Logo, legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pela contribuinte, comprovado mediante apresentação de nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento. Desnecessária qualquer declaração posterior firmada pelo profissional prestador do serviço porque aqueles comprovantes já comprem a função legalmente exigida. Destarte, é de considerar plenamente admissível que os comprovantes revestidos das formalidades legais sustentam a condição de valor probante, até prova em contrário, de sua inidoneidade. A contestação da Autoridade Fiscal sobre a validade da documentação comprobatória deve ser apresentada com indícios consistentes e não somente por simples dúvida ou desconfiança. Por fim, incabível a exigência que perpassa a relação fiscocontribuinte no intento de comprovar a necessidade do atendimento médico sobre informações que dizem respeito tão somente a relação médicopaciente, em resguardo a intimidade pessoal na questão de saúde da pessoa fiscalizada, de vez que situações absolutamente diferentes e sem pertinência simultânea. Ressaltese que a Recorrente apresentou declarações assinadas pelos profissionais que afirmam ter prestado os serviços, em quantidades bastante elevadas naquele exercício e, em alguns casos, consta a informação de que o atendimento médico foi efetuado a domicílio. É de se acolher como verdadeira a prova apresentada pela contribuinte que satisfaça os requisitos previstos na legislação pertinente e, para eventual convicção contrária da Autoridade Lançadora, esta deverá ser posta com fundamentos consistentes que a sustentem legalmente e não subjetivamente. Assim, especialmente por estar convencido da comprovação da despesa realizada pela apresentação de documentação hábil que atende a exigência da lei, entendo atendida a obrigação que cabida à Recorrente, pela disponibilização, além dos recibos de despesas médicas, também a apresentação de declarações dos profissionais prestadores dos serviços. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas. (Assinado digitalmente) Fl. 89DF CARF MF 12 JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.002326/00-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendario: 1996
PROVISÃO DE CSLL DEDUTIBILIDADE - A provisão que deve ser
informada na Linha 06/28 da DIR1/97 é a "soma das provisões pata a
contribuição social, calculada sobre o lucro do período-base e sobre os
lucros difèridos.." O contribuinte deve calcular a CSLL sobre o lucro do
período-base e não realizar o cálculo com base em um lucro estimado por
esta.
IRPI. AUTO DE INFRAÇÃO. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO.
EXIGÊNCIA DE TRIBUTO.
Identificada a inclusão de deduções indevidas, deve-se, após a competente
glosa, integrar o respectivo valor na apuração da base de cálculo para se
encontrar o montante do tributo devido, Se remanesce negativo o saldo de
tributo a pagar mesmo após a exclusão da dedução indevida, deve ser
procedido o ajuste do saldo negativo do imposto, e não o lançamento do
tributo que, ao final do período de apuração, mostra-se indevido.
Recurso procedente em parte.
Numero da decisão: 1401-000.305
Decisão: ACORDAM os membros da 4° Câmara / 1º Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar o auto de infração e reduzir o saldo negativo de IRP.1 para R$ 1,201.175,11
Nome do relator: Alexandre Antonio Alkmim Teixeira
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O contribuinte deve calcular a CSLL sobre o lucro do período-base e não realizar o cálculo com base em um lucro estimado por esta. IRPI. AUTO DE INFRAÇÃO. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. EXIGÊNCIA DE TRIBUTO. Identificada a inclusão de deduções indevidas, deve-se, após a competente glosa, integrar o respectivo valor na apuração da base de cálculo para se encontrar o montante do tributo devido, Se remanesce negativo o saldo de tributo a pagar mesmo após a exclusão da dedução indevida, deve ser procedido o ajuste do saldo negativo do imposto, e não o lançamento do tributo que, ao final do período de apuração, mostra-se indevido. Recurso procedente em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. ACORDAM os membros da 4" Câmara / 1" Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para cancelar o auto de infração e reduzir o saldo negativo de IRP.1 para R$ 1,201.175,11. p,j ;- vjpAt WAGNER. 2.,;.,(Y):'.-20lOr.,i-)r ALEXANDRE ANTONIO ALKili TE1X Autcriiiiralo riiuii;: g 1 D por ALEXANDI- 1ONi0 ALKMi•i ÏEIXE Emitido em 08;E 020 Ri Minist,.:4'in Fi-rzeiLla DF' CARI' M H 2 Processo n0 16327,002326/00-10 S1-C411 Acérao ri " 1401-00.305 Fl (assinado digitalmente) Viviane Vida! Wagner presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira — relator Participaram da sessão os Conselheiros Viviane Vida! Wagner (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira (relator), Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Manos, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Relatório Trata o presente feito de auto de infração lavrado, em 13/12/2000, em desfavor da Recorrente, tendo em vista a identificação, durante procedimento de fiscalização, de infrações à legislação do IRPJ nos anos calendário de 1996. Segundo se extrai do relatório proferido pela DRJ: Em conseqüência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias /bi lavrado, em 13/12/2000, contra a contribuinte acima identificada, o Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ para i formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$ 685.432,74 (seiscentos e oitenta e cinco mil, quatrocentos e trinta e dois reais e setenta e quatro centavos), incluindo os juros de inova e a multa de oficio (75%), referente ao fato gerador ocorrido em 31/12/1996 2 De acordo com o disposto na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (II 02), a apuração do crédito tributário encontra-se assim descrita: 001 — ADIÇÕES DIÇÕES NÃO COAPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Valor apurado confirme relatado no anexo termo de Verificação Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) .31/12/1996 R$ I , 072 239,13 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. [9r.5.. e /197 do RIR/94 iAssinado dipdilarwit ,; .: per ilA 1,j # rHie, ....?:Hir.rr2i) pur /",LE>:;:\T:1)RE rui TEIXE p„ulerd¡c d(k) 29:'0::.Fi21) 10 i.:or AH-1- ouilo ALK EiriLido 0:111.)':J)11".) FnEenda Dl' CARI MI' H 3 Processo n" 16327 002326/00-10 SI-C4T1 Acórdão n" 1401-00305 Fl 3 2.1 ('onfOrme descrito no Termo de Verificação (fls. 44).. " (..), verificamos, consoante se depreende da análise do item 28 da "Ficha 06- Demonstração do Lucro Líquido" da Declaração de Rendimentos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica do ano-calendário de 1996, exercício financeii o de 1997, a apropriação da Provisão para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido no valor de R$ 3.860:582,47, superior, portanto, aos R$ 2.788.2.53,34 referentes à CSLL declarada no item 22 da "Ficha 11 — Cálculo da CSLL", sem que tenha procedido à necessária adição ao Lucro Líquido no "Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR", da respectiva diferença no importe de R$ 1.072 329,13. Regularmente intimado a justificar seu procedimento, o fiscalizado respondeu, em resumo, que "...não há que se falar em erro no transporte da Linha 27 da Ficha 06 para a Linha 22 da Ficha 11 uma vez que, confirme consta do próprio manual de preenchimento da DIRPJ, o valor a ser apontado aí é o referente à soma das provisões para a CSLL sobre os lucros real e diferido, enquanto que o valor apontado na Ficha I I corresponde à CSLL efetivamente devida no período." (sic) Tendo em vista que o aztditado não adicionou ao lucro Líquido do AC/96 a referida importância de R$ 1.072.329,13, procederemos à sua adição através de lançamento de oficio, com a constituição do pertinente crédito tributário a ser consubstanciado pela lavrantra do competente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, do qual o presente "Termo "fará parte integrante. 31rresignada com o lançamento, a interessada, representada por seus procuradores (doc. de .fls. 68), apresentou, em 12/01/2001, a impugnação de lis, 52 a 67, acompanhada dos documentos de fls. 68 a 9.2, 3.1. Em sua defesa a impugname, após descrever os fatos, alega, que • É correta a afirmação do .sr. Auditor Fiscal que o valor indicado a título de CSLL na linha 28 da Ficha 06 não corresponde ao valor apurado na Linha 22, da Ficha 11, da DIR 97, porém essa correspondência não deve necessariamente ocorrer, haja vista o que dispõe a esse respeito o próprio Manual de Orientações para Preenchimento da Declaração de IRPJ (I ,MJUR) expedido pela Secretaria da Receita Federal (Does 04 e 05 — fls. 83 e 84); e Não fbi outro o procedimento adotado pela Impugnante que, no decorrer do ano-calendário 1996 acabou registrando despesas para a fbrmação de provisão para CSLL em valor- superior ao da CSLL efetivamente devida e apurada no encerramento do ano-calendário em 31 de dezembro de 1996 (docs. 06 a 10), indicando os respectivos valores na DM confbrme as orientações do MAJUR 'retro' citadas, não 077•1C} , 20 v.IVÍA1111-: iIDAL VYAGNER. 29/0! .»20 ru- ALEM,NDRE ANTomo R1 TEKE Ati t il kar .to 2111:D111'2G p.urr AN.IONIO •LEMPO Iit{d ri08-11..) pi.)10 3 r..n . c A RI' 1 4 Processo n" 16327.002326/00-10 S1-C411 Acórdão n " 1401-00.305 Fl 4 podendo, desta feita ser penalizada, consoante bem prevê o artigo 100 do Código Tributário Nacional (CTN), • a Impugnante, no ano-calendário de 1996, apurou uma "provisão para CSLL a pagar" superior à CSLL devida no período, sem ter procedido à adição do respectivo valor ao lucro líquido para fins de apuração do IRRI, fato este que ocasionou o auto de Inflação objeto da presente Impugnação; • a não adição de referido valor não é motivo para autuação em razão da natureza contábil e respectivas conseqüências de ordem tributário das contas envolvidas na questão; • a "CSLL a Pagar. " da Linha 11/22 representa uma obrigação, da empresa, uni passivo cujo valor é deterniinado, enquanto que "CSLL" da linha 06/28 é, corno cediço, uma mera provisão,. • em perfeita consonância com a boa técnica contábil 'retro' exposta e em respeito ao principio contábil da Competência, a Impugnante, no decorrer do ano-calendário 1996, constituiu provisão paro a CSLL que provavelmente deveria recolher nesse exercício, no valor de R$ 3.860.583,47; • Ao final do exercício, entretanto, verificou-se que o montante efetivamente devido era tão somente R$ 2.788 253,34 ( ), valor que, consoante já aludido na citação 'retro', perde a natureza de Provisão, passando a ser considerado efetivamente um "contas a pagar"; o o valor da provisão que excedeu o 'quantum' de fato devido, .foi, ainda de acordo com a boa técnica contábil, revertido no ano-calendário seguinte (doc. II — fi 90). Tal lançamento tem como contrapartida uma receita, receita esta que participou da formação do lucro do exercício em que incorreu, qual seja, 1997, sendo então oferecida à tributação e justificando, pois, a não realização de adição no ano-calendário 1996; • a ausência da adição pretendida pelo Sr. Auditor Fiscal (caso seja entendido que ela de jato ocorreu) não gerou impactos de ordem tributária, isto é, não acarretou recolhimento a menor de IRP. a No ano-calendário 1996, pode-se constatar através do exame do Livro de apuração do Lucro Real (LALUR) (doe 12 —11 91) e da cópia DIR, que a situação na Impugnante, no que tange ao IRPJ seria o que se encontro resumido no demonstrativo de .fl. 60; e ainda que se entenda que a Impugnante deveria ter procedido à adição dos R$ 1,072 329,13 ( .), referentes à diferença entre o valor da provisão e o valor devido, não é plausível conceber a afirmação do Sr Auditor fiscal sobre recolhimento a menor no valor R$ 268.082,27 ( .), em face do alto valor do crédito tributário que a Impugnante apurou no período; 01r1W2U:0 por VIVIANE VrDAL WAGNEP . uor ti TE1Xci Auteri bc:aric, (fiot tl imente. II') por At..E.XANDRE Arsacmo AL.Kr,1li,1 .1E.1.);E Emitido em 00,10 !2t) 10 pelo Minisiório c0i Fimenda 1)F ( AR1' .\11' Processo n" 16327 002326/00-10 Acórdão n "1401-0(1.305 SI-C4 fl Fl. 5 • mesmo que se parta da premissa que referida adição deveria de .fato ter sido procedida, o máximo que se pode exigir da hnpugnante é a retificação da D1R e do LALUR referentes ao ano-calendário 1996, de tal sorte a ser reduzido o valor do crédito de 1RPJ apurado no período em Junção dessa adição realizada 'a posteriori', não podendo lhe ser exigido o recolhimento de um tributo que, como se demonstrou, já fbi Pago.. • o IRPJ que "teria" deixado de ser recolhido foi erroneamente calculado pelo Sr Auditor Fiscal que, ao calcular o valor do 1RPI adicional que "deveria" ter incidido sobre o valor da adição, aplicou diretamente sobre esse valor, a respectiva ai/quota, qual seja 10% (dez por cento) de tal sorte a concluir que a hnpugnante teria deixado de recolher ao Erário, R$ 160 849,36 (...) a título de IRR1 mais R$ 107,232,91 (. • ao proceder ao cálculo do valor que entendia devido, o Sr, Auditor fiscal deveria ter aplicado o adicional sobre R$ 832 329,13 (..), isto é, a parcela que excede R$ .240.000,00 (..) ao ano, apurando, destarte, um adicional de R$ 83,232,91 ( ..); • Inaplicabilidade da Taxa do sistema Especial de liquidação e custódia (SELIC) para correção de débitos, por não ter sido criada por lei (não atenderia ao principio constitucional da legalidade, nem ao disposto no .yr 1" do art. 161 do CTN),' • considerando-se a natureza remuneratória da taxa SELIC, a inconstitucionalidade de sua aplicação, bem como sua ilegalidade, não há que se admitir a utilização da mesma, no presente caso, com a natureza de juros de mora. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo decidiu, por unanimidade, considerar procedente o lançamento, conforme acórdão DRESPO1 if 08,409 (fls. 97/105), cujas ementas seguem transcritas abaixo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do falo gerador 31/12/1996 Ementa: IRPJ. LUCRO REAL, ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS Na determinação do Lucro Real, é vedado deduzir do lucro liquido a contrapartida da provisão para pagamento da CSLL em ano-calendário Aturo Apenas as provisões expressamente autorizadas no Regulamento e em ato do Ministro da Fazenda são declutíveis para fins de apuração da base de cálculo do IRP1 TAXA SELIC APLICABILIDADE ;.,•.)/"vIvIAL.i VVAGI'LER por ALEXANDRE ANTONIO ALKLII pçlr 1-1_EXANDRE AN IT(I)N10 Al_KrviR1 ra Llinisrio da 5 F.) I' CA RI NI 1 H. 6 Processo n" 16327.002326100-10 S1-C41 1 Acórdão n " 1401-00,305 Fl 6 A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar Inconformada, a Recorrente apresentou o presente recurso voluntário, alegando, em suma, os mesmos argumentos aduzidos na sede impugnatória. Voto Conselheiro Alexandre Antonio Ananim Teixeira, .Relator: O recurso é tempestivo e, atendidos os requisitos exigidos pela legislação de regência, dele conheço.. Entendeu a Fiscalização que a ora Recorrente teria apurado IRPI em montante supostamente inferior ao devido, por ocasião do encerramento do ano-calendário de 1996.. Contudo a Recorrente afirma que a pretensão fiscal não merece prosperar tendo em vista que o valor indicado a título de CSLL na linha 28, da Ficha 06, não corresponde ao valor apurado na linha 22, da Ficha 11, da DIR1/97. A Recorrente transcreve as orientações do MAIUR relativas às linhas acima (fls 117 e 118): "Linha 06/28 — Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — Indicar a soma das provisões para a contribuição social, calculada sobre o lucro do período-base e sobre os lucros eridos A sua constituição é obrigatória para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real" "Linha 11/22 — Contribuição social a pagar ( ). Nessa linha será indicado o valor da contribuição social a pagar nos períodos-base, ou seja, o valor da linha 11/18 deduzido dos valores indicados nas linhas 11/19 e 11/20. O valor negativo apurado nessa linha poderá ser compensado com a contribuição social a ser paga nos meses subseqüentes, a partir do mês de abril de 1996, facultada a opção pelo pedido de restituição. E, partindo desse pressuposto, afirma que a Recorrente agiu de acordo com as determinações do MAJUR quando (fl 121): 'j O por 'VIVIANE VIDAL VVAGNES:. por ALEY,ANDF,,E, AMTGA,110 (,tAcilliGado 2,!J,..)t..10-W por /-\1..E.X,AI ,f0RE ANIONR".) 1-.E.tXrrr Aiijdo c.n 1 fjai l Or2CF lipok.) Fre{:q1da 6 1)1 . (1\1U i111' 11 7 Processo u" / 6327 002326/00-10 SI-0411 Acórdão n° 1401-00305 Fl 7 no decorrer do ano-calendário de 1996, constituiu provisão para CSLL que provavelmente deveria recolher naquele, no valor de R$ 3.860.58.2,47. No entanto, ao final do ano- calendário, verificou que o montante efetivamente devido era tão somente R$ 2.788_253,34 Esse valor; confirme citado acima, perde a característica de provisão e passa a ser considerado um eletivo 'Contas a Pagar', Neste momento, faz-se mister ressaltar que as provisões são reduções de ativo ou acréscimos no passivo cujos valores não são ainda totalmente definidos. À medida que essas perdas tomam-se definitivas, devem deixar de ser consideradas provisões, transformando em obrigações líquidas e certas, com valor já definido. Segundo esse raciocínio, quando da apuração do resultado anual (.31/12/1996), a Recorrente deveria ter calculado o valor que seria devido a título de CSLL, uma vez que .já dispunha da base de cálculo desta. Assim, deveria ter ajustado sua provisão para que espelhasse o valor realmente devido, após a apuração da CSLL. Não há como interpretar as regras do MAJUR como quer a Recorrente. A provisão que deve ser informada na Linha 06/28 é a "soma das provisões para a contribuição social, calculada sobre o lucro do período-base e sobre os lucros diferidos:." Ou seja, o contribuinte deve calcular a CSLL sobre o lucro do período-base e não realizar o cálculo com base em um lucro estimado por esta. Ou seja: como ao final do ano-calendário o contribuinte já possui dados suficientes para o cálculo da CSLL, esta deve ser avaliada e informada na DIPJ, Não cabe ao contribuinte manter urna provisão de CSSL, em .31 de dezembro, divergente da que realmente é devida, sendo que, nesta data, já é possível o cálculo do valor correto. Diante do exposto, não acolho os argumentos de que o preenchimento da D1PJ se deu na forma determinada pelo Manual de Orientações para Preenchimento da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (MAJUR), Alega, ainda, a Recorrente que não poderia a Fiscalização glosar os valores relativos à provisão constituída para fazer frente à CSLL, em virtude na necessidade de verificação de oferecimento da provisão à tributação em consequencia de sua reversão (fls, 121 e 122): Dessa firma, o valor da provisão que excedeu o valor efetivamente devido a título de CSLL . foi, de acordo com a boa técnica contábil, revertido no ano-calendário subseqüente (documento n° 11 da impugnação apresentada pela Recorrente) Referido lançamento tem COMO contrapartida uma receita que participou da firmação do lucro do exercício que incorreu, qual seja, 1997, sendo então oferecida à tributação e justificando, portanto, a não realização de adição no ano-calendário de 1996. 0:20 VIVIANE VIDAL WAGNER. 2.9i0!)/20 10 por ALEXANDRE ANTC.A10 ALKM1 1,1 TE L'.; ALEXANDRE ANN.CH[O Erni1do 08i1W2010 rgli) 7 DF (A Ri:: Processo n" 16327,002326/00-10 S 1-C4 1"1 Acórdão n° 1401-00,305 Fl. 8 Ocorre que, ao analisar o Razão Analítico acostado aos autos pela Recorrente, não pode ser observado a reversão no valor de R$ 1..072.329,13 com o devido crédito no resultado, Além disso, mesmo que houvesse a comprovação da reversão dos valores provisionados, com o devido crédito no resultado, não há provas de que tais valores compuseram a base de cálculo do lucro real no ano seguinte.. O simples fato de constar um crédito no resultado não significa que participou da formação da base de cálculo dos tributos do ano-calendário subseqüente. Assim, não acolho tal argumento aventado pela Recorrente. Da mesma forma, improcede o alegado erro na apuração do 1RP1 devido, para fins de cálculo do adicional, tendo em vista que a dedução da parcela de R$ 240 000,00 já havia sido procedida quando da apuração do IRP.1 na Declaração apresentada pela contribuinte (Ficha 08 da DIPJ/97 25). No entanto, compulsando o autos, verifico que, mesmo tomando como corretas as imputações realizadas pela Autoridade lançadora, a Recorrente apurou saldo negativo de 1RPJ no ano-calendário 1996, sendo que, após a glosa pretendido no presente auto de infração, remanesce negativo o imposto de renda devido no período Disso decorre que o presente auto de infração não poderia ter sido lavrado como saldo de tributo a pagar, mas sim como redução de saldo negativo de IRP1 para os exercícios seguintes. Nesse sentido já se pronunciou o CARF, em situação com efeito semelhante, a saber: 'RIU O lançamento deve ser cancelado quando o autuante não faz a recomposição do lucro real, quando da identificação da infração (compensação a maior de prejuízos fiscais - 30%) e se verifica que a recomposição do lucro ensejaria no máximo a lavratura do auto como redução de saldo negativo do IRP.1 Ementario publicado no DOU n" 13 de 20/01/2009. Págs. 05/09 (acórdão 103-23605) Assim, deveria a Autoridade Fiscal ter procedido o ajuste do saldo negativo de IRP.J, e não o lançamento do tributo acrescido de multa e juros. Ora, identificada a inclusão de deduções indevidas, deve-se, após a competente glosa, integrar o respectivo valor na apuração da base de cálculo para se encontrar o montante do tributo devido. Se remanesce negativo o saldo de tributo a pagar mesmo após a exclusão da dedução indevida, deve ser procedido o ajuste do saldo negativo do imposto, e não o lançamento do tributo que, ao final do período de apuração, mostra-se indevido. No caso dos autos, após a retificação dos valores constantes da DeTF, o IRP1 devido pela Recorrente encontra-se negativo em R$1.201,1785,11, e não em R$ 1.456..757,38, como apontando na DIN . . Esse valor é encontrado após a seguinte recomposição: 0"10,i20 10 por VIJANE VIDAL WAGNER . 29i020 10 1Jof ALEXANDRE .A,MDMO ;1 'FEIXE Auk:Altir.;âdc, 2100:21)! o pix ALEXANDRE ANTONIO AL },; Emitielú orn. I (iln 10 p;2c, F n )2.'enc.k.,1 88 1)1' E..\ R H 9 Processo n" 16327 002326/00-10 Acórdão n " 1401-011.305 SI-C41-1 El 9 DIP.1 Valores Retificados Lucro líquido 11,722 100,00* 11,722,100,00* Adições 9302.701,15 10.575.030,28 Exclusões (13.932.163,67)* (13,9.32 163,67)* Lucro real 7.342.637,58 8.364.966,61 IRP,1 devido 1.811.659,38 2.067.241.65 Deduções (.3.268.416,76)* (3,268 416,76)* IRPJ a pagar (1.456.757,38) (1.201.175,11) * Valores incontroversos, Diante do exposto, voto dar parcial provimento ao presente recurso, para cancelar o lançamento e reduzir o saldo negativo do ano-calendário de 1996 para R$1.,201.,175,11 (um milhão, duzentos e um mil, cento e setenta e cinco reais e onze centavos), devendo a Autoridade Executora proceder a devida retificação nos registro próprio, (assinada digitalmente.) Alexandre Antonio Ananim Teixeira — relator ALEXANDRE Ai.ITCHIO r y. TE 1.:,Ld ALEXAill)RE A1-,,TOMC) Emjij,i () lr(.),,,:5,,-;ev'ra i) 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO — QUARTA CÂMARA Processo n° : 163270023260010 Interessado : BANCO FEN1CIA S/A Acórdão rf : 1401-00305 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. Si, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 2.2 de junho de 2009. Brasília, Ç / ta,(310 eyarlsteia de Sousa RocirigueÊ Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [] com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração, TERMO DE JUNTADA I" Seção/4 a Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão/Resolução n° 1401-00305, assinado digitalmente, às fls. ( ), por mim numeradas e rubricadas, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para ciência do procurador. Brasília, Chefe da Secretaria MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS .1*o• PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO —QUARTA CÂMARA Processo n° : 163270023260010 Interessado : BANCO FENICIA S/A
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902213/2009-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 13 /2 00 9- 45 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13851.902213/200945 Acórdão n.º 1302002.518 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13851.902213/200945 Acórdão n.º 1302002.518 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13851.902213/200945 Acórdão n.º 1302002.518 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13851.902213/200945 Acórdão n.º 1302002.518 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13851.902213/200945 Acórdão n.º 1302002.518 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 52DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.001282/2010-35
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2008 PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. DISPENSABILIDADE. O procedimento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. DEVER FUNCIONAL. No caso de a pessoa jurídica optante incorrer em hipótese legal de vedação e não comunicar espontaneamente o fato, há exclusão de ofício mediante emissão do termo pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional. OPÇÃO. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO. O Simples Nacional é uma opção da pessoa jurídica para todo ano- calendário, desde que observados os requisitos legais, inclusive no que se refere à escrituração do Livro Caixa com a movimentação financeira, inclusive bancária. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que ter oferecido embaraço à fiscalização. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA.Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-000.976
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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INTIMAÇÃO PRÉVIA. DISPENSABILIDADE. O procedimento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. DEVER FUNCIONAL. No caso de a pessoa jurídica optante incorrer em hipótese legal de vedação e não comunicar espontaneamente o fato, há exclusão de ofício mediante emissão do termo pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional. OPÇÃO. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO. O Simples Nacional é uma opção da pessoa jurídica para todo ano calendário, desde que observados os requisitos legais, inclusive no que se refere à escrituração do Livro Caixa com a movimentação financeira, inclusive bancária. OPÇÃO. CAUSA IMPEDITIVA LEGAL. A legislação expressamente não admite o recolhimento dos tributos na forma do Simples Nacional pela microempresa ou empresa de pequeno porte que ter oferecido embaraço à fiscalização. DOUTRINA.JURISPRUDÊNCIA. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001282/201035 Acórdão n.º 180100.976 S1TE01 Fl. 125 2 Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente optante pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) foi excluída de ofício mediante o Ato Declaratório Executivo DRF/SAO/RS nº 90, de 08.07.2010, com efeitos a partir de 01.07.2007, fl. 75, em razão de, depois de intimada: (a) ter oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiverem obrigadas, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar; (b) verificouse a falta de escrituração do livrocaixa ou não se permitiu a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Para tanto foi indicado o seguinte enquadramento lega: inciso II e VII do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Na Representação Fiscal, fls. 0104, está registrado que nos anoscalendário de 2007 e 2008 pela falta de escrituração do Livro Diário, do Livro Razão e do Livro Caixa com a movimentação financeira, inclusive bancária. É fato incontroverso que as despesas da sociedade foram pagas com receitas provenientes de outras fontes, incluindo a própria receita, quais sejam, das pessoas jurídicas Rádio Santa Rosa Ltda, CNPJ 95.818.282/000145, Rádio Fl. 125DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001282/201035 Acórdão n.º 180100.976 S1TE01 Fl. 126 3 Lidersom Ltda, CNPJ 88.628.722/000136, Rádio Mauá Ltda, CNPJ 89.478.944/000160 e Rádio Regional Ltda, CNPJ 89.096.994/000103, que têm em comum o sócio administrador Roberto Antônio Donadel, CPF 102.300.92004. Os autos estão instruídos, dentre outros, com as cópias das Declarações Anuais do Simples Nacional, fls. 2344, do Demonstrativo da Escrituração, fls. 1422 e das Notas Fiscais, fls. 4556. Cientificada em 20.07.2010, fl. 75, a Recorrente apresentou a impugnação em 19.08.2010, fls. 7883, argumentando em síntese Suscita que os prazos para atendimento às intimações foram muito exíguos, de modo sua defesa ficou prejudicada. Defende a tese de que tem direito de se beneficiar do tratamento tributário diferenciado e favorecido previsto do art. 179 da Constituição Federal, uma vez que preenche todas as condições normativas. Esclarece que não houve embaraço à fiscalização, uma vez que atendeu a todas as intimações. Informa que escritura o Livro Caixa, e que não apresentou o Livro Diário e o Livro Razão por estar legalmente desobrigada de têlos. Em relação à movimentação financeira, menciona que as autoridades fiscais não deram oportunidade de escriturála corretamente. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Da análise de todo exposto, extraise que os prazos estipulados para o atendimento das solicitações eram curtos, em sua justificativa altera a letra da lei, o que acarreta uma nova interpretação legal, requereu livros os quais a empresa não está obrigada a têlos; no relatório fiscal da infração apenas alegou que a empresa fez uma declaração que não possuía livros os quais não está obrigada a ter; portanto, o procedimento fiscal está eivado de atitudes arbitrárias, equivocadas e tem caráter puramente arrecadatório para os cofres públicos. Mas em caso de interpretação contrária, requer seja mantida a opção do Simples Nacional, caso contrário inviabilizara competitividade da empresa, aumentando os custos dos quais são repassados aos clientes, encarecendo o preço final em relação às demais empresas do ramos que são beneficiadas pela redução dos impostos deste regime de tributação diferenciado ou ainda das tantas rádios piratas que assolam o ramo. À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Está registrado como resultado do Acórdão da 14ª TURMA/DRJ/RJO I/RJ nº 1236.340, de 30.03.2011, fls. 95103: “Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Restou ementado Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001282/201035 Acórdão n.º 180100.976 S1TE01 Fl. 127 4 ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL AnoCalendário:2007 OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá, dentre outras hipóteses, pela falta não justificada de exibição de livros e documentos a que tais empresas estiverem obrigadas e, ainda pela não escrituração do Livro Caixa ou quando não for possível fazer a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. FASE DE AUDITORIA. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao Contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente, pois tais direitos só se estabelecem com a instauração da fase litigiosa por meio da impugnação à autuação, ainda mais quando todos os fatos que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos. Notificada em 29.04.2011, fl. 113, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.05.2011, fls. 114121, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente diz que deveria ser intimada antes da formalização da exigência. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Este procedimento, via de regra, é precedido pelo Termo de Início de Procedimento Fiscal objetivando a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte da pessoa jurídica, mediante termo circunstanciado do qual será dada ciência ao sujeito passivo. Por ser dispensável, o procedimento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a Administração Tributária dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, formalizando em auto de infração ou notificação de lançamento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, Fl. 127DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001282/201035 Acórdão n.º 180100.976 S1TE01 Fl. 128 5 laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual, bem como todos os princípios constitucionais derivados do devido processo legal1. No presente caso, houve a ciência válida de modo que está correta a emissão do ato de exclusão do Simples Nacional. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente alega que o ato administrativo é nulo. O ato administrativo foi lavrado por servidor competente que verificando a ocorrência da causa de vedação emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos que lhe confere existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo a ocasionar a oportunidade de comprovação de todas as matérias de fato e de direito pela defesa 2. A Recorrente foi intimada do Termo de Início de Procedimento Fiscal, fl. 05, para prestação de informações. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejou o procedimento de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que o procedimento não poderia ter sido formalizado. A pessoa jurídica optante deve comunicar obrigatoriamente a sua exclusão à RFB, por meio do Portal do Simples Nacional na internet, quando incorrer em hipótese legal de vedação. Verificada a falta de informação espontânea, há exclusão de ofício mediante emissão do termo de exclusão do Simples Nacional pela autoridade competente, sob pena de responsabilidade funcional, devendo ser observadas as determinações do processo administrativo fiscal3. Por esta razão está correto o procedimento fiscal, motivado pelo oferecimento de embaraço à fiscalização pela negativa imotivada de fornecimento de dados para fins de exame da escrituração da movimentação financeira, inclusive bancária de forma integral. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente afirma que fez a opção pelo Simples Nacional nos termos legais. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) é regulamentado pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN). A opção do sujeito passivo deve ser manifestada por meio da 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007 e Súmula CARF nº 46. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001 e art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 15 de 23 de julho de 2007 e art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001282/201035 Acórdão n.º 180100.976 S1TE01 Fl. 129 6 internet até o último dia útil do janeiro sendo irretratável para todo anocalendário oportunidade em que presta declaração quanto ao não enquadramento nas vedações legais. Toda pessoa jurídica deve atentar para os princípios fundamentais da contabilidade, dentre outros, o da entidade que distingue que há autonomia patrimonial decorrente da necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Também o da oportunidade que destaca a tempestividade e a integridade do registro do patrimônio e das suas mutações, determinando que este seja feito de imediato e com a extensão correta, independentemente das causas que as originaram. Ainda o da competência que reconhece que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento4. A pessoa jurídica optante deve manter a escrituração do Livro Diário, do Livro Razão, do Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, do Livro Registro de Inventário e do Livro Registro de Entradas, modelo 1 ou 1A, quando contribuinte do ICMS, do Livro Registro dos Serviços Prestados e do Livro Registro de Serviços Tomados, quando contribuinte do ISS, do Livro de Registro de Entrada e Saída de Selo de Controle, quando contribuinte de IPI, do Livro Registro de Impressão de Documentos Fiscais, pelo estabelecimento gráfico, do Livros específicos pelos contribuintes que comercializem combustíveis, bem como do Livro Registro de Veículos, por todas as pessoas que interfiram habitualmente no processo de intermediação de veículos, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para os registros. A apresentação da escrituração contábil, em especial do Livro Diário e do Livro Razão, dispensa a apresentação do Livro Caixa5. A Recorrente não apresentou o Livro Diário, o Livro Razão e o Livro Caixa e nem a movimentação financeira, inclusive bancária. Diferente do que dispõe a legislação tributária de regência da matéria, a própria Recorrente afirma que não está obrigada a escriturá los. Ademais, é fato incontroverso que as despesas foram pagas com receitas provenientes de outras fontes, incluindo a própria receita, quais sejam, das pessoas jurídicas Rádio Santa Rosa Ltda, CNPJ 95.818.282/000145, Rádio Lidersom Ltda, CNPJ 88.628.722/000136, Rádio Mauá Ltda, CNPJ 89.478.944/000160 e Rádio Regional Ltda, CNPJ 89.096.994/000103, que têm em comum o sócio administrador Roberto Antônio Donadel, CPF 102.300.92004. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não está comprovada. A Recorrente se insurge contra a exclusão do Simples Nacional. A exclusão por comunicação decorrente de opção ou de obrigatoriedade é feita pela internet. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é formalizada mediante termo emitido pelo ente federativo que iniciar o processo de exclusão de 4 Fundamentação legal: Rosolução do Conselho Federal de Contabilidade nº 750, de 29 de dezembro de 1993. 5 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 5, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 10, de 28 de junho de 2007, Resolução CGSN nº 11, de 23 de julho de 2007, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007, Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008, Resolução CGSN nº 39, de 1º de dezembro de 2008 e Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001282/201035 Acórdão n.º 180100.976 S1TE01 Fl. 130 7 ofício. O seus efeitos podem ser retroativos, conforme o caso. Não pode recolher os tributos na forma do Simples Nacional a pessoa jurídica que comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho. A manifestação unilateral da RFB deve ser formalizada por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente6. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais que constituem pressupostos essenciais de sua existência, de sua validade e de sua eficácia. Ademais a Administração Pública deve observar, dentre outros, os princípios da ampla defesa e do contraditório e por esta razão, no processo administrativo fiscal deve ser adotado o critério da necessária indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinam a sua emissão. O ato de exclusão foi emitido de maneira correta pela autoridade competente em razão de, depois de intimada, ter oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa injustificada de fornecimento de informações que permitissem a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. Estes fatos estão comprovados pelos documentos que instruem os autos dos quais se pode verificar que nos anoscalendário de 2007 e 2008 não a escrituração do Livro Diário, do Livro Razão e do Livro Caixa, em conformidade com as afirmativas da própria Recorrente, com o Demonstrativo da Escrituração, fls. 1422, com as Notas Fiscais, fls. 4556, e com as cópias das Declarações Anuais do Simples Nacional, fls. 23 44. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso7. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) 6 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 29, art. 33 e art. 39 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 e art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965. 7 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11070.001282/201035 Acórdão n.º 180100.976 S1TE01 Fl. 131 8 Carmen Ferreira Saraiva Fl. 131DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/04/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10283.902687/2009-91
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1801-000.895
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para analisar o mérito do litígio, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Edgar Silva Vidal
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO. ADMISSIBILIDADE. Constitui crédito tributário passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da Per/DComp restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a Recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para analisar o mérito do litígio, nos termos do voto do Relator (Documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator Fl. 302DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 25/03/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.902687/200991 Acórdão n.º 180100.895 S1TE01 Fl. 300 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmem Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes Fl. 303DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 25/03/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.902687/200991 Acórdão n.º 180100.895 S1TE01 Fl. 301 3 Relatório Tratase de PER/DCOMP transmitido pela Recorrente em 31/10/2005, mediante o qual foi efetivada a compensação de débitos da Recorrente com crédito, no valor original de R$18.564,98, referente a pagamento indevido ou a maior, recolhido através de DARF em 31/08/2004. Em despacho decisório de 25/03/2009 (fls. 06), a DRF em Manaus não homologou a compensação declarada face a inexistência do crédito informado, pois o valor do DARF informado fora integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. Cientificada da decisão em 02/04/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade em 28/04/2009,(fls. 11), alegando que houve erro no preenchimento do campo Valor do Débito de IRPJ de julho de 2004, pois deveria ter informado débito de R$ 11.096,05 e foi informado R$ 29.661,02, tendo em vista que a declaração foi entregue antes dos devidos ajustes, permanecendo declarado como débito, o valor total do DARF pago em 31/08/2004. E mais, que essas informações poderiam ser confirmadas através da DIPJ referente ao período. A Recorrente retificou a DCTF em 09/04/2009, após a ciência do Despacho Decisório da DRF em Manaus. Com o Acórdão nº 0121.067, de 15 de março de 2011, a 3ª Turma da DRJ de BelémPA, julgou a Manifestação de Inconformidade Improcedente e o Direito Creditório não Reconhecido. Intimada do Acórdão em 07/05/2011, interpôs Recurso Voluntário em 30/05/2011, alegando que, quando do preenchimento do PER/DCOMP, a DCTF estava preenchida incorretamente, necessitando a retificação da mesma, conforme se pode comprovar no Livro Diário nº 4, fls. 382 a 383 e Livro Razão nº 3, folha 399, onde fica evidente o pagamento a maior de IRPJ referente a competência 07/2004, no dia 31/08/2004. Pede a improcedência do crédito tributário com a correspondente manutenção do direito creditório e em manifestação contrária ao reconhecimento do direito creditório, seja reconhecido o perecimento do direito ao crédito tributário por parte da fazenda pública. É o relatório. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 25/03/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.902687/200991 Acórdão n.º 180100.895 S1TE01 Fl. 302 4 Voto Conselheiro Edgar Silva Vidal Relator O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O regime de tributação com base no lucro real anual, prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza. A partir de 30.11.2009, foi expressamente afastada a vedação de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL, para fins de compensação com débitos tributários, cuja matéria é tratada em sede de norma complementar. Sobre a retroatividade de seus efeitos, vale ressaltar que a legislação tributária abrange as normas complementares que incluem os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas superiores, necessários à perfeita execução das leis. Como têm caráter meramente elucidativo e explicitador, apresentam nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir fatos anteriores ao seu advento. Assim, em relação à compensação tributária, temse que o permissivo regulamentar de utilização do crédito proveniente de pagamento mensal a maior de estimativa do IRPJ e da CSLL alcança o Per/DComp formalizado antes da sua vigência.1 Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 25/03/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.902687/200991 Acórdão n.º 180100.895 S1TE01 Fl. 303 5 imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 2. Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. A Recorrente apresentou a DIPJ em que foi informada na Ficha 11 a título de IRPJ mensal por estimativa do mês de julho de 2004 no valor de R$11.096,05, fl. 07, a despeito do fato de, como alega, ter confessado equivocadamente o referido débito em DCTF no valor de R$29.661,02, integralmente extinto mediante pagamento com DARF com o código 2362, fl. 34. Tendo em vista a verificação do erro no preenchimento, a Recorrente diz apresentar a DCTF retificadora com os valores que considera corretos. Em relação à matéria, vale esclarecer que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos de restituição, em função da data de sua entrega3. Deste modo, os dados constantes no documento retificador (DCTF) devem ser considerados para análise da Per/DComp. Na DCTF retificadora, fl. 39, informa o débito de IRPJ mensal por estimativa do mês de julho de 2004 no valor de R$11.096,05, congruente com aquele originalmente informado na DIPJ, fl. 07. Ademais, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004 de R$60.339,42 é composto pelos valores recolhidos de fevereiro a maio e julho nos valores respectivos de R$709,22, R$5.445,13, R$20.901,77, R$22.187,25 e R$11.096,05 a título de estimativa, fls. 6569 e Livro Razão. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito decorrente de pagamento a maior de R$18.564,98 de IRPJ em 31.08.2004. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébito de pagamento a maior de R$18.564,98 de IRPJ em 31.08.2004, mas sem homologar a compensação por ausência de 2 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. 3 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 25/03/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10283.902687/200991 Acórdão n.º 180100.895 S1TE01 Fl. 304 6 análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da Recorrente, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em Per/DComp, inclusive no que diz respeito à juntada por anexação dos processos administrativos, cujas declarações tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, se for o caso.4. (Documento assinado digitalmente) Edgar Silva Vidal Relator 4 Fundamentação legal: Portaria RFB nº 666, de 24 de abril de 2008. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2012 por EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 25/03/2012 po r EDGAR SILVA VIDAL, Assinado digitalmente em 04/04/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10665.003520/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
MULTA GFIP FALTA DE ELABORAÇÃO DOS ESTABELECIMENTOS TOMADORES DE SERVIÇO.
Pelas provas dos autos constatado que o trabalho é de empreitada e não de cessão de mão de obra deve ser afastada a aplicação da multa.
Numero da decisão: 2201-003.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
assinado digitalmente
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
assinado digitalmente
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 11/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 MULTA GFIP FALTA DE ELABORAÇÃO DOS ESTABELECIMENTOS TOMADORES DE SERVIÇO. Pelas provas dos autos constatado que o trabalho é de empreitada e não de cessão de mão de obra deve ser afastada a aplicação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Presidente. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 11/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 35 20 /2 00 8- 70 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10665.003520/200870 Acórdão n.º 2201003.861 S2C2T1 Fl. 90 2 Relatório 1 Tratase de Recurso Voluntário (fls.83/96), todas as folhas serão mencionadas pelo seu arquivo PDF, interposto pelo contribuinte contra a R. decisão da DRJ BHE (fls. 70/75) que julgou improcedente sua Impugnação ao lançamento Auto de Infração — DEBCAD n° 37.024.4044, lavrado em face do contribuinte acima identificado. 2 – Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ/BHE (fls. 117/122) por sua precisão e clareza: Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10665.003520/200870 Acórdão n.º 2201003.861 S2C2T1 Fl. 91 3 3 A decisão da DRJ/BHE julgou improcedente a Impugnação do contribuinte, conforme decisão ementada abaixo: Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10665.003520/200870 Acórdão n.º 2201003.861 S2C2T1 Fl. 92 4 4 Cientificados da decisão de piso (fls. 79/80) em 02/12/2010, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. (83/96) mantendo praticamente os mesmos argumentos da impugnação e ao final requer o provimento do recurso com o cancelamento do auto de infração. 5 É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 6 – O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. 7 – O presente AI 37.024.4044 tem por objeto a infração ao artigo 32 da Lei IV § 1º da Lei 8.212/91 c/c art. 219 § 5º do RPS, em vigor na época dos fatos, e assim descritos no relatório fiscal de fls. 07: Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10665.003520/200870 Acórdão n.º 2201003.861 S2C2T1 Fl. 93 5 Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas.(Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (RPS) Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) § 5º O contratado deverá elaborar folha de pagamento e Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social distintas para cada estabelecimento ou obra de construção civil da empresa contratante do serviço. Relatório Fiscal Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10665.003520/200870 Acórdão n.º 2201003.861 S2C2T1 Fl. 94 6 8 – A DRJ baixou os autos em diligência às fls. 57 para: 9 – No relatório complementar de fls. 59/60 a autoridade lançadora descreve novamente os fatos: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10665.003520/200870 Acórdão n.º 2201003.861 S2C2T1 Fl. 95 7 10 – Pela análise do contrato indicado às fls. 61/66 entendo que não estão presentes os requisitos da cessão de mão de obra. Vejamos a respeito os termos da OS 209/99 e art. 115 da IN 971/09 que traz o conceito de mão de obra: 1. Entendese por CESSÃO DE MÃODEOBRA, a colocação à disposição da contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados ou não com a atividade fim da empresa, independentemente da natureza e da forma de contratação. 1.1. Ocorre a colocação nas dependências de terceiros quando a empresa contratada aloca o segurado cedido em dependências determinadas pela empresa contratante, que não sejam pertencentes àquela ou a esta. 1.2. Serviços contínuos são aqueles que se constituem em necessidade permanente do contratante, ligados ou não a sua atividade fim, independente de periodicidade. (grifei) Art. 115. Cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. § 1º Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. § 2º Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10665.003520/200870 Acórdão n.º 2201003.861 S2C2T1 Fl. 96 8 § 3º Por colocação à disposição da empresa contratante, entendese a cessão do trabalhador, em caráter não eventual, respeitados os limites do contrato. 11 – Para caracterização da cessão de mão de obra, portanto, necessário que haja, à disposição da empresa contratante, da mão de obra dos empregados da empresa contratada, para a consecução de tarefas de exclusivo interesse daquele, efetuando o tomador o gerenciamento desses obreiros em sua atividade ou não. 12 – Pela análise do contrato que serviu de base de prova para a imputação da infração ao contribuinte de fls. 61/66 verifico que estão presentes os termos do contrato de empreitada a teor da mesma OS 209/99 e pelo Art. 116 da IN nº 971/2009: 3. EMPREITADA é a execução de tarefa, obra ou serviço, contratualmente estabelecida, relacionada ou não com a atividade fim da empresa contratante, nas suas dependências, nas da contratada ou nas de terceiros, tendo como objeto um fim específico ou resultado pretendido. Art. 116. Empreitada é a execução, contratualmente estabelecida, de tarefa, de obra ou de serviço, por preço ajustado, com ou sem fornecimento de material ou uso de equipamentos, que podem ou não ser utilizados, realizada nas dependências da empresa contratante, nas de terceiros ou nas da empresa contratada, tendo como objeto um resultado pretendido. 13 – Abaixo a indicação de algumas cláusulas que sugerem essa interpretação para o contrato de empreitada: Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10665.003520/200870 Acórdão n.º 2201003.861 S2C2T1 Fl. 97 9 14 – A respeito da matéria decisão do E. STJ, sem grifos no original, de elaboração do saudoso Min. Teori Zavascki: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10665.003520/200870 Acórdão n.º 2201003.861 S2C2T1 Fl. 98 10 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS (LEI 9.711/88). EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. NATUREZA DAS ATIVIDADES. CESSÃO DE MÃODEOBRA NÃO CARACTERIZADA. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, dos dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai a incidência da Súmula 282 do STF. 2. Para efeitos do art. 31 da Lei 8.212/91, considerase cessão de mãode obra a colocação de empregados à disposição do contratante (submetidos ao poder de comando desse), para execução das atividades no estabelecimento do tomador de serviços ou de terceiros. 3. Não há, assim, cessão de mãodeobra ao Município na atividade de limpeza e coleta de lixo em via pública, realizada pela própria empresa contratada, que, inclusive, fornece os equipamentos para tanto necessários. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. (REsp 488.027/SC, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/06/2004, DJ 14/06/2004, p. 163) 15 – Portanto, não há que se falar em cessão de mão de obra, e muito menos infração ao artigo 32 da Lei IV § 1º da Lei 8.212/91 c/c art. 219 § 5º do RPS uma vez que se trata de contrato de empreitada e portanto, foge da presente autuação o elemento do fundamento necessário para sua subsistência, devendo ser anulada. Conclusão Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10665.003520/200870 Acórdão n.º 2201003.861 S2C2T1 Fl. 99 11 16 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e provêlo para dar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.730661/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2008
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF. COMPROVAÇÃO.
Deve ser mantida a glosa do IRRF informado na declaração de rendimentos cuja retenção e recolhimento ocorreu em exercício diverso do compensado.
Numero da decisão: 2201-003.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 10/10/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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COMPROVAÇÃO. Deve ser mantida a glosa do IRRF informado na declaração de rendimentos cuja retenção e recolhimento ocorreu em exercício diverso do compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 10/10/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 73 06 61 /2 01 1- 10 Fl. 32DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Contra o contribuinte qualificado nos autos foi emitida a notificação de lançamento referente ao imposto de renda de pessoa física, exercício 2008, anocalendário 2007. Foi apurado saldo de imposto a restituir no valor de R$ 270,93. A notificação de lançamento teve origem na constatação da seguinte infração, conforme demonstrativos de descrição dos fatos e enquadramento legal. Compensação Indevida de Imposto de renda retido na Fonte, no valor de R$ 238,12 em nome da Cia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de SP, com base na documentação apresentada pelo contribuinte por se tratar de imposto de renda retido na fonte no ano de 2008. Os rendimentos recebidos desta fonte pagadora no valor de R$ 9.343,76 foram excluídos de tributação sob o mesmo argumento. A base legal do lançamento encontrase nos autos. Na impugnação apresentada, o contribuinte informa que a fonte pagadora dos rendimentos, Cia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de SP, declarou em dirf o valor de R$ 12.251,47 como rendimentos pagos no ano de 2007 quando deveria ter informado o valor de R$9.343,76 referente aos salários dos meses de fevereiro a outubro de 2007, conforme comprovante de rendimentos. Acrescenta que a diferença de valor se refere às férias indenizadas pagas em março de 2008 na rescisão do contrato de trabalho quando houve a desconto do valor de R$238,12 a título de IRRF sobre férias. Ao final, requer: o desmembramento da dirf por anocalendário; a não exclusão do rendimento tributável no valor de R$9.343,76 para considerar tributável no ano de 2007 conforme declarado; sejam consideradas as férias indenizadas no valor de R$2.907,71, como rendimentos isentos e não tributáveis. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF. COMPROVAÇÃO. Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10880.730661/201110 Acórdão n.º 2201003.885 S2C2T1 Fl. 3 3 Deve ser mantida a glosa do IRRF informado na declaração de rendimentos cuja retenção e recolhimento ocorreu em exercício diverso do compensado. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte reiterou, em síntese, os argumentos aduzidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Tratase de lançamento referente à infração de dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, no valor de R$ 238,12, com a exclusão dos rendimentos tributáveis, no valor de R$ 9.343,76. Houve compensação indevida de imposto de renda, em razão de equívoco da DIRF de 2007, ao informar valores recebidos a título de férias com o respectivo imposto de renda retido referentes ao ano de 2008. A delegacia de origem, acerca da matéria, assim dispôs: Da análise do processo e outras informações obtidas nos sistemas da Receita Federal do Brasil verificamos que o contribuinte rescindiu o seu contrato de trabalho com a empresa em questão em outubro de 2007 e, somente no mês de março de 2008 recebeu as verbas rescisórias, dentre elas as parcelas referentes às férias vencidas, férias indenizadas, férias proporcionais, 1/3 de férias indenizadas e var. férias indenizadas, num total de R$ 2.907,71 com a retenção do imposto de renda no valor de R$238,12. A fonte pagadora informou em dirf como tributável o valor de R$ 12.251,47, referente aos salários dos meses trabalhados e as parcelas destacadas a título de férias nos valores, respectivos, de R$ 9.343,76 e R$ 2.907,71 com o IRRF de R$238,12. Portanto, neste ponto já podemos concluir que a época a fonte pagadora considerou como tributável as parcelas referentes às férias e, que, os valores somente foram recebidos e o imposto retido em março de 2008. Estes fatos, inclusive, são admitidos pelo próprio contribuinte em sua defesa. Fl. 34DF CARF MF 4 Assim, constatamos o equívoco da fonte pagadora ao informar em dirf referente ao ano de 2007 os valores recebidos a título de férias com o respectivo imposto de renda, por pertencer ao ano de 2008 e, da fiscalização ao excluir equivocadamente rendimentos do trabalho recebidos em 2007. Contudo, o pleito do contribuinte em tributar o rendimento no valor de R$ 9.343,76, já excluído de tributação, com a finalidade de se beneficiar da compensação do imposto no valor de R$ 238,12 não pode ser acatado, eis que, o imposto foi retido no anocalendário de 2008 e somente é passível de restituição na DIRPF de 2009. Nesta situação a inclusão dos rendimentos além de implicar em agravamento da exigência é uma atribuição que foge a competência desta instância julgadora, e ainda, para o exercício em causa já decaiu o direito de se efetuar novo lançamento. Desse modo, como a discussão em questão referese ao anocalendário de 2007, não há como acatar o pleito da recorrente de se beneficiar da compensação de um imposto que foi retido em ano posterior. Além disso, entendo como correta a decisão recorrida, no que se refere à manutenção da exclusão da tributação do valor de R$ 9.343,76, pois, mesmo equivocado o posicionamento da fiscalização, não seria possível o agravamento da exigência, o que acarretaria a utilização de um novo critério jurídico, implicando na necessidade de um novo lançamento, consoante o disposto no art. 18, § 3º, do Decreto n.º 70.235/1972, abaixo transcrito: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. Diante desse contexto, faço minha a fundamentação adotada pela Delegacia de Origem, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por negarlhe provimento, devendo ser mantida a restituição à contribuinte do valor considerado pela fiscalização (R$ 270,93 saldo de imposto a restituir ajustado). (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10880.730661/201110 Acórdão n.º 2201003.885 S2C2T1 Fl. 4 5 Fl. 36DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.904976/2009-80
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.248
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PROVA DO INDÉBITO. Recorrente TOTAL ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 49 76 /2 00 9- 80 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.904976/200980 Acórdão n.º 9303005.248 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 380302.085, de 7 de novembro de 2011, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF. A discussão dos presentes autos tem origem em PER/DCOMP apresentada para compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Cofins. A DRFVarginha/MG não homologou as compensações declaradas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de outros débitos do Contribuinte, espontaneamente confessados, não restando saldo disponível para compensação. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF, recalculou a contribuição devida no período, excluindo da base de cálculo as receitas financeiras. A diferença apurada foi usada como crédito na Dcomp. A DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado do CARF, por unanimidade de votou, negou provimento ao recurso, em face da falta de retificação da DCTF e da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2003 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/05/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10660.904976/200980 Acórdão n.º 9303005.248 CSRFT3 Fl. 4 3 É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido. Suscitou divergência quanto à necessidade de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP, apresentando, como paradigmas, os acórdãos 3302001.805 e 3302001.797. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que entendeu ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestandose pelo não provimento do recurso especial, para manter o v. acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.226, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10660.902282/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.226): Da Admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte suscita divergência quanto à incumbência de provar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, indicando como paradigmas os Acórdãos 3302 001.805, nº 3302001.797 e nº 140200.926, cuja cópia de inteiro teor foi anexada à peça recursal. Do voto condutor deste acórdão, extraio o seguinte trecho, que evidencia que a decisão fundamentouse em entendimento divergente do adotado na decisão recorrida: "A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10660.904976/200980 Acórdão n.º 9303005.248 CSRFT3 Fl. 5 4 solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. (...) Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações." Assim, no paradigma entendeuse que incumbe à Administração Tributária aquilo que, na decisão recorrida, foi atribuído ao Contribuinte, restando comprovada e demonstrada a divergência suscitada, motivo pelo qual do conheço o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Com a devida vênia ao bem fundamentado voto da Ilsutre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado divergiu do seu entendimento, pelas razões que serão consignadas no presente voto vencedor. O mérito do recurso especial cingese à necessidade (ou não) de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP referente aos valores envolvidos na compensação, bem como ser ônus da Autoridade Fiscal a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.717/2017, atualmente em vigor. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. Além disso, alega que tendo sido transmitidas as declarações obrigatórias pelo Sujeito Passivo, o dever de buscar outros documentos que eventualmente entenda necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito é do julgador administrativo. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10660.904976/200980 Acórdão n.º 9303005.248 CSRFT3 Fl. 6 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10660.904976/200980 Acórdão n.º 9303005.248 CSRFT3 Fl. 7 6 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e processo 11170.720001/201442 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ter sido explicitado o entendimento para manutenção da glosa das compensações, pois, além de não ter havido prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado na compensação pela Contribuinte, por meio de documentos fiscais, não foi transmitida a DCTF retificadora prévia e espontaneamente ao despacho decisório, conforme autorizado pelo art. 10 da IN SRF nº/2004, vigente à época. Segundo a decisão combatida, tivesse a Contribuinte apresentado a DCTF retificadora, seria transferido para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Nesse sentido, é a disposição do art. 373 do Código de Processo Civil de 2015, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10660.904976/200980 Acórdão n.º 9303005.248 CSRFT3 Fl. 8 7 nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o §3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. A providência só poderá ocorrer mediante decisão devidamente fundamentada. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para essa comprovação. Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 172DF CARF MF
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