Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,050)
- Primeira Turma Ordinária (16,516)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,325)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,024)
- Segunda Turma Ordinária d (14,547)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,572)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,851)
- Terceira Câmara (68,403)
- Segunda Câmara (57,284)
- Primeira Câmara (21,503)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,891)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,425)
- Segunda Seção de Julgamen (115,920)
- Primeira Seção de Julgame (77,827)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,142)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,440)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,597)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,147)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,856)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,753)
- WILDERSON BOTTO (2,679)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,474)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,671)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,021)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10166.721260/2009-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO.
Não se conhece da arguição de novas razões de inconformidade, não trazidas quando da impugnação ao lançamento no julgamento de primeiro grau, pois é vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN.
A multa por descumprimento da obrigação acessória submete-se a lançamento de ofício, sendo-lhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN.
MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CFL 38.
Apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
Numero da decisão: 2402-006.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário para, na parte conhecida, por maioria de votos, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. Não se conhece da arguição de novas razões de inconformidade, não trazidas quando da impugnação ao lançamento no julgamento de primeiro grau, pois é vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória submete-se a lançamento de ofício, sendo-lhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN. MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CFL 38. Apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10166.721260/2009-20
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5798400
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-006.041
nome_arquivo_s : Decisao_10166721260200920.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10166721260200920_5798400.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário para, na parte conhecida, por maioria de votos, negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
id : 7011504
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731166371840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1443; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 107 1 106 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.721260/200920 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.041 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de outubro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente INSTITUTO CIENTIFICO DE ENSINO SUPERIOR E PESQUISA ICESP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO. Não se conhece da arguição de novas razões de inconformidade, não trazidas quando da impugnação ao lançamento no julgamento de primeiro grau, pois é vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir nesta instância recursal. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória submetese a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I do CTN. MULTA POR INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CFL 38. Apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 12 60 /2 00 9- 20 Fl. 1410DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer em parte do recurso voluntário para, na parte conhecida, por maioria de votos, negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Jamed Abdul Nasser Feitoza. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 1411DF CARF MF Processo nº 10166.721260/200920 Acórdão n.º 2402006.041 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, que julgou procedente auto de infração de obrigação acessória nº 37.225.4241 (fls. 2/17), visto que a autuada apresentou documento contendo informação diversa da realidade ou omitido informação verdadeira. Informa o relatório fiscal (fls. 9/17) que os valores pagos aos empregados a título de Bolsas de Estudo de PósGraduação não foram identificados na contabilidade apresentada, sendo que o contribuinte não atendeu a intimação formulada pela fiscalização para demonstrar a escrituração desses valores, portanto a auditoria fiscal concluiu que não houve sua contabilização, caracterizando a deficiência dos livros contábeis. Em decorrência da infração cometida, foi aplicada a penalidade prevista no art. 283, inciso II, alínea “j”, do RPS, no valor mínimo de R$ 13.291,66, atualizado pela Portaria MPS/MF – nº 48/09. Por seu turno o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1343/1372), alegando, conforme sintetizado pela instância de origem, que: o presente crédito deve ser extinto, em razão da decadência/prescrição, conforme determinação da Súmula Vinculante n. 08 do Supremo Tribunal Federal; a autoridade fiscal não demonstrou que a suposta bolsa de estudos não se estendia a todos os empregados; não ficou demonstrado pela autoridade fiscal que os empregados que receberam a bolsa de estudos eram todos professores, ou que estavam sujeitos à Convenção Coletiva específica. a multa aplicada no presente auto foi fixada em premissa errônea e excessiva, não respeitando o previsto no art. 32A da Lei n. 8.212/91. No julgamento de primeiro grau foi mantida a exigência (fls. 1374/1379), o que deu ensejo à interposição de recurso voluntário em 12/8/2010 (fls. 1383/1402), no qual foram reiterados os argumentos da impugnação, à exceção do questionamento quanto à multa excessiva que teria desrespeitado o art. 32A da Lei de Custeio. Alegouse, ainda, que existe incompatibilidade entre a autuação e o lançamento contido no DEBCAD nº 37.209.8231, gerando bis in idem. É o relatório. Fl. 1412DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, porém deve ser conhecido somente em parte. Cotejando os termos da impugnação com os do recurso voluntário, constata se que naquela primeira oportunidade o contribuinte não fundamentou suas razões recursais na ocorrência de incompatibilidade entre autuações. Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação do princípio da congruência e ofensa aos arts. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), mormente quando não há motivo para só agora aduzir os questionamentos referidos. Cumpre, destarte, não conhecer da inconformidade baseada em incompatibilidade entre autuações, por estar tal a arguição de tal razão recursal preclusa, por força de expressa disposição legal. Quanto à alegação de decadência ("prescrição"), merece ser observado não prosperar a alegação de observância à Súmula Vinculante STF nº 8, visto que a multa em comento é apurada, necessariamente, mediante procedimento de ofício, em nada se confundindo com tributo sujeito a lançamento por homologação. Dessa feita, submetese ao prazo de cinco anos contados nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Nesse compasso, verificado que o contribuinte foi cientificado dos termos do lançamento em 28/5/2009, não há falar em decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, pois os fatos que embasaram a multa aplicada referemse a períodos compreendidos entre janeiro e dezembro de 2004. Já os argumentos relativos ao levantamento bolsas de estudo dizem respeito aos autos de infração atinentes à obrigação principal, sendo que foi julgada nesta sessão e mantida pelo Colegiado a constante do processo nº 10166.721252/200983, estando as demais autuações atinentes a obrigações de natureza principal consolidadas na esfera administrativa, vide respectivos processos de nº 10166.721254/200972, nº 10166.721255/200917, e nº 10166.721256/200961. Não cabe, assim, o seu enfrentamento nesta oportunidade, devendo ser registrado, aliás, que as postulações de nulidade aduzidas pelo recorrente versam, na realidade, sobre questões de mérito, e como tal serão tratadas. Merece ser observado, ainda, que a precariedade das informações prestadas pelo contribuinte ao Fisco não obstou o lançamento das contribuições devidas (obrigação principal), havendo sido utilizado o método de aferição indireta para a sua mensuração, em conformidade com os ditames do art. 33, § 3º da Lei nº 8.212/91. Fl. 1413DF CARF MF Processo nº 10166.721260/200920 Acórdão n.º 2402006.041 S2C4T2 Fl. 109 5 Sem embargo, restou caracterizada o não atendimento à obrigação de fazer, pois deixou a empresa de "apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira", motivando a lavratura do auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, forte nos arts. 92 e 102 da Lei nº 9.212/91 c/c o art. 283, II, alínea 'j' e 373 do RPS. Como explica a decisão atacada: Verificase que o que motivou a presente autuação foi ter a empresa fiscalizada apresentado sua contabilidade contendo informação diversa da realidade ou omitido informação verdadeira, qual seja: foi constatado valor pago aos empregados a título de Bolsa de Estudo de PósGraduação, sendo que tais valores não constavam na contabilidade apresentada pela empresa. Desse modo, considerando que é obrigação acessória da empresa manter escrituração contábil regular de acordo com os princípios e as normas contábeis, bem como com o que determina a legislação de custeio previdenciária, Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, logo ficou caracterizado o seu descumprimento pela empresa fiscalizada. A Fiscalização, tendo constatado o descumprimento da mencionada obrigação acessória, lavrou o devido autodeinfração, cumprindo seu estrito dever legal, tendo em vista a obrigatoriedade e vinculação do ato de lançamento, nos termos do artigo 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional – CTN. Portanto, os argumentos colocados pela impugnante, quanto à bolsa de estudo, não têm nenhuma relação com o presente auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, pois não está sendo discutido no presente processo se os valores recebidos a esse título são ou não fato gerador, e, sim, a falta de contabilização desses valores. Inexistindo razões adicionais de convencimento para a reforma do acórdão atacado, deve ser mantido o lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de conhecer em parte do recurso voluntário para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1414DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15922.000621/2008-24
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 14 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15922.000621/2008-24
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5800175
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 14 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2001-000.016
nome_arquivo_s : Decisao_15922000621200824.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JORGE HENRIQUE BACKES
nome_arquivo_pdf_s : 15922000621200824_5800175.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
id : 7015698
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731186294784
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1491; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15922.000621/200824 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.016 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 27 de setembro de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física Recorrente ANGELA APARECIDA PUCCINELLI RELA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 92 2. 00 06 21 /2 00 8- 24 Fl. 53DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas, do anocalendário de 2006. A seguir indicamos páginas de peças importantes no presente processo: Acórdão de Impugnação (fl. 27 e seg.); Recurso Voluntário (fl. 35 e seg.); Documentos declarações dos profissionais confirmando recibos (fl. 3 e seg.); Fundamentos do lançamento (fl. 12). A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.O direito à dedução de despesas médicas restringese àquelas relativas ao contribuinte e seus dependentes, e está condicionado à comprovação da efetividade da prestação do serviço e do pagamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, foram os seguintes: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Glosa do valor de R$ 17.680,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Glosa de despesas médicas (...) visto que os recibos apresentados não atendem ao disposto no art. 80, §1º, III do Decreto nº 3.000, de 1999. Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, onde se alega que os recibos são idôneos, que não há indicação no lançamento de elementos de irregularidades neles. Ocorre que, ao contrário do que constou no v. acórdão, a recorrente atendeu a legislação comprovando a realização dos serviços e os respectivos pagamentos. Comprovou, ainda, a idoneidade dos recibos apresentados, os quais não foram descaracterizados pela Fiscalização Tributária. Restou provado que os profissionais que emitiram os respectivos recibos são idôneos e exercem efetivamente suas respectivas profissões. Nesse sentido, pese o respeito, a diligente fiscalização não conseguiu e não indicou um elemento sequer que possa tornar inválidos os comprovantes de pagamentos. Voto Conselheiro Relator, Jorge Henrique Backes Fl. 54DF CARF MF Processo nº 15922.000621/200824 Acórdão n.º 2001000.016 S2C0T1 Fl. 3 3 Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que sejam glosados devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e como fundamento para lançar apenas foi afirmado que recibos não comprovam despesas médicas e que esses recibos não atendem ao art. 80 do RIR/99. Assim, na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como veremos na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Trazendose um pouco de doutrina percebese claramente a necessidade da motivação. Diz Celso Antônio Bandeira de Mello, em relação aos atos discricionários: Fl. 55DF CARF MF 4 “A motivação deve ser prévia ou contemporânea à expedição do ato. (…) Naqueloutros, todavia, em que existe discricionariedade administrativa ou em que a prática do ato vinculado depende de apurada apreciação e sopesamento dos fatos e das regras jurídicas em causa, é imprescindível motivação detalhada. [...] E Maria Sylvia Zanella Di Pietro, sobre a motivação expressase assim:: “O princípio da motivação exige que a Administração Pública indique os fundamentos de fato e de direito de suas decisões. Ele está consagrado pela doutrina e pela jurisprudência, não havendo mais espaço para as velhas doutrinas que discutiam se a sua obrigatoriedade alcançava só os atos vinculados ou só os atos discricionários, ou se estava presente em ambas as categorias. A sua obrigatoriedade se justifica em qualquer tipo de ato, porque se trata de formalidade necessária para permitir o controle de legalidade dos atos administrativos.” Passagem do francês Jèze, trazida por Hely Lopes Meirelles: descreve com clareza a necessidade da motivação do ato administrativo: “Para se ter a certeza de que os agentes públicos exercem a sua função movidos apenas por motivos de interesse público da esfera de sua competência, leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários, ao executarem um ato jurídico, devem expor expressamente os motivos que o determinaram. É a obrigação de motivar. O simples fato de não haver o agente público exposto os motivos de seu ato bastará para tornálo irregular; o ato não motivado, quando o devia ser, presumese não ter sido executado com toda a ponderação desejável, nem ter tido em vista um interesse público da esfera de sua competência funcional. E além de princípios e doutrinas, também a lei , como antes aventado, dispõe sobre a obrigação de motivar. A Lei nº 9.784/1999 que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal em seu artigo 50, dispõe: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II – imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III – decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV – dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V – decidam recursos administrativos; VI – decorram de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; Fl. 56DF CARF MF Processo nº 15922.000621/200824 Acórdão n.º 2001000.016 S2C0T1 Fl. 4 5 VIII– importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo.” Esse artigo da lei não faz diferenciação entre atos vinculados ou discricionários. Todos os atos que se encaixam nas situações dos supracitados incisos, sejam vinculados ou discricionários, devem compulsoriamente ser motivados. A amplitude e o imenso alcance desse artigo sobre os atos administrativos não deixa nenhum resquício de incerteza ou de dúvida: a regra ampla e geral é a obrigatoriedade de motivação dos atos administrativos. E como princípio, de maneira não menos importante, vejase o que diz sobre a matéria o art. 2º da mesma Lei 9.784, de 1999: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (…) VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (…) XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 57DF CARF MF 6 Jorge Henrique Backes Relator Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35301.007082/2007-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.
Hipótese em que, no acórdão embargado, houve omissão acerca da impossibilidade da aplicação da penalidade em questão no prazo de noventa dias, contado dos fatos geradores das contribuições em questão.
Numero da decisão: 9202-005.466
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, re-ratificando o Acórdão nº 9202-004.477, de 28/09/2016, com efeitos infringentes, para, alterando a decisão anterior, dar provimento ao Recurso Especial, a fim de que seja afastada a decadência do presente lançamento para a competência de 12/2001, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve omissão acerca da impossibilidade da aplicação da penalidade em questão no prazo de noventa dias, contado dos fatos geradores das contribuições em questão.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 35301.007082/2007-98
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801239
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.466
nome_arquivo_s : Decisao_35301007082200798.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 35301007082200798_5801239.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, re-ratificando o Acórdão nº 9202-004.477, de 28/09/2016, com efeitos infringentes, para, alterando a decisão anterior, dar provimento ao Recurso Especial, a fim de que seja afastada a decadência do presente lançamento para a competência de 12/2001, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7024076
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731197829120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1815; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 284 1 283 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 35301.007082/200798 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202005.466 – 2ª Turma Sessão de 24 de maio de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BAMBINA EMPRESA HOTELEIRA LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, no acórdão embargado, houve omissão acerca da impossibilidade da aplicação da penalidade em questão no prazo de noventa dias, contado dos fatos geradores das contribuições em questão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, reratificando o Acórdão nº 9202004.477, de 28/09/2016, com efeitos infringentes, para, alterando a decisão anterior, dar provimento ao Recurso Especial, a fim de que seja afastada a decadência do presente lançamento para a competência de 12/2001, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 70 82 /2 00 7- 98 Fl. 284DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202005.466 CSRFT2 Fl. 285 2 Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Tratase de embargos de declaração de iniciativa da Fazenda Nacional, com fulcro no previsto no art. 65, §1o, inciso III, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº. 343, de 09 de junho de 2015 (efls. 276/277). Referese o embargante ao Acórdão nº 9.202004.477, deste Colegiado, julgado na sessão plenária de 28 de setembro de 2016, onde, por unanimidade de votos, deuse provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Transcrevese a ementa e decisão do julgado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No caso, em se tratando de lançamento de penalidade. podese concluir não ter havido recolhimento antecipado do imposto referente às competências objeto de lançamento. Assim, aplicável a tais períodos a regra do art. 173, I, do CTN. Ainda assim, tendo a ciência do lançamento ocorrido somente em 22/05/2007, concluise pela ocorrência de decadência para os fatos geradores ocorridos até a competência 12/01 (inclusive). Decisão: por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que não o conheceu e, no mérito, por unanimidade de votos, em darlhe provimento parcial para aplicar a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, mantida, porém, a decadência para as competências até 12/01. Alegou o embargante, tempestivamente, a existência de omissão, uma vez que a e. Turma não justificou o afastamento do inciso II e § 13, do art. 225 do RPS, que seriam aplicáveis à infração aqui constatada, qual seja, não contabilizar nos livros Razão e Diário, do período de 01/1999 a 12/2001, o valor da alimentação in natura fornecida a seus funcionários. Dessa forma, os livros continham informações diversas da realidade, não atendendo as Fl. 285DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202005.466 CSRFT2 Fl. 286 3 formalidades legais exigidas conforme determina o art. 33, §2o. da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. Entende a Fazenda Nacional que, em linha com a decisão de 1a. instância, os lançamentos referidos, a serem devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, somente poderiam ser exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições. Assim, não obstante exista período da autuação fulminada pela decadência, nos termos do art. 173, I, do CTN, o auto de infração permaneceria procedente em relação às competências de 10/2001 a 12/2001. Requer, assim, o conhecimento e o provimento do presente recurso para que essa e. Turma, sanando a omissão, retifique o início da contagem do prazo do art. 173, I do CTN e afaste a decadência; ou apresente os motivos que levaram à desconsideração do inciso II e §13 do art. 225 do Decreto nº. 3.048, de 1999. Os embargos, na forma de despacho de admissibilidade de efls. 280 a 282, foram regularmente admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Inicialmente, de se reproduzir o teor do Acórdão embargado acerca da contagem do prazo decadencial (efl. 273), verbis: "(...) Finalmente, de se notar somente que, mesmo se adotando o critério de contagem acima defendido pela recorrente, ao se considerar que, in casu, a ciência do auto se deu somente em 22/05/2007 (efl.3), todas as competências permanecem alcançadas pela decadência as competências, inclusive a de 12/01, uma vez que se refere o presente auto de lançamento (CFL 38) à obrigação acessória que, quanto àquela competência de 12/01, poderia ter sido efetuado dentro do próprio mês. Ainda, assim, de forma a garantir o prevalecimento da tese defendida pela recorrente, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que se aplique na contagem do prazo decadencial o art. 173, I do CTN, mantida, porém a decadência para as competências até 12/01. (...)" Verificase, assim, ter o Acórdão embargado concluído que, em podendo a verificação da impropriedade da escrituração dos livros contábeis, objeto do lançamento em Fl. 286DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202005.466 CSRFT2 Fl. 287 4 tela, ter sido realizada dentro do próprio mês de 12/01, cabível o lançamento dentro do próprio exercício de 2001, passando a contagem do prazo decadencial para aquela competência a se iniciar em 01/01/2002, mantida assim a decadência também para a competência mencionada, uma vez cientificado o lançamento somente em 22/05/2007 (efl. 03). Todavia, em que pese a consistência contábil de tal conclusão, faço notar não ter levado em consideração o Acórdão embargado a especificidade presente no caso das contribuições previdenciárias, onde, por via legislativa, se optou por postergar a possibilidade de realização de tais lançamentos decorrentes de impropriedades contábeis (CFL 38) para o prazo de noventa dias após a ocorrência dos fatos geradores das contribuições, na forma do art. 225, II e § 13, do Decreto no. 3.048, de 06 de maio de 1999, devidamente citados pela embargante, verbis: Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) §13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. (...)" Do teor dos dispositivos supra, cediço que o presente lançamento, especificamente quanto às competências de 10 a 12/01, só poderia ter sido realizado a partir de 01/01/2002, com a contagem do prazo decadencial, determinada, consoante embargado, na forma do art. 173, I do CTN, se iniciando em 01/01/2003 e se findando somente em 31/12/2007. Assim, considerandose ter a ciência do lançamento ocorrido em 22/05/2007, de se afastar a decadência para as competências de 10 a 12/01. Assim, diante do exposto, voto por acolher, com efeitos infringentes, os embargos da Fazenda Nacional, a fim de que se mantendo a aplicação na contagem do prazo decadencial o art. 173, I do CTN, lhe seja dado provimento ao Recurso Especial, afastada, todavia, agora, a decadência do presente lançamento para as competências de 10 a 12/01. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 35301.007082/200798 Acórdão n.º 9202005.466 CSRFT2 Fl. 288 5 É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.723938/2009-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Considera-se intimada a contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário constante do cadastro da Receita Federal. Da declaração de intempestividade da impugnação pelo acórdão de primeira instância cabe recurso ao CARF, ficando este limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração.
IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9.
Nos termos da Súmula CARF nº 9, "é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Considera-se intimada a contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário constante do cadastro da Receita Federal. Da declaração de intempestividade da impugnação pelo acórdão de primeira instância cabe recurso ao CARF, ficando este limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9. Nos termos da Súmula CARF nº 9, "é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15374.723938/2009-77
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5800780
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-004.327
nome_arquivo_s : Decisao_15374723938200977.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MARTIN DA SILVA GESTO
nome_arquivo_pdf_s : 15374723938200977_5800780.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
id : 7022051
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731272278016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1565; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 668 1 667 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.723938/200977 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.327 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de outubro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente EDGARD CARVALHO DE MENDONCA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Considerase intimada a contribuinte com a comprovação da entrega da intimação no seu domicílio tributário constante do cadastro da Receita Federal. Da declaração de intempestividade da impugnação pelo acórdão de primeira instância cabe recurso ao CARF, ficando este limitado à manifestação de contrariedade a essa declaração. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. INTIMAÇÃO POSTAL COM AVISO DE RECEBIMENTO. VALIDADE. SÚMULA CARF Nº 9. Nos termos da Súmula CARF nº 9, "é válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 39 38 /2 00 9- 77 Fl. 668DF CARF MF Processo nº 15374.723938/200977 Acórdão n.º 2202004.327 S2C2T2 Fl. 669 2 Martin da Silva Gesto Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15374.723938/200977, em face do acórdão nº 1327.553 julgado pela 2ª Turma da Delegacia Federal do Brasil no Rio de Janeiro II (DRJ/RJI), no qual os membros daquele colegiado entenderam por não conhecer da impugnação apresentada pelo contribuinte, por intempestividade, consoante voto abaixo transcrito: "Tendo em vista que a ciência do lançamento se deu, por via postal, em 14/04/2009 (fl. 361), e tendo o representante legal do Espólio do Sr.Edgard Carvalho de Mendonça apresentado sua defesa em 21/09/2009, cabe analisar, preliminarmente, a tempestividade da petição de fls. 01/02. [...] Tendo a ciência do auto ocorrido em 14/04/2009 (fl.361), quando foi apresentada a petição de fls.01/02 , em 21/09/2009, já havia expirado o prazo legal de trinta dias para instauração do contraditório. Assim, a defesa apresentada não caracteriza impugnação e nem instaura a fase litigiosa do processo. Dessa forma, o mérito das alegações não comporta julgamento de primeira instancia. Destarte, com base em todo o exposto supra, VOTO por NÃO CONHECER da impugnação." O contribuinte teve ciência do acórdão da DRJ em 12/02/2010, conforme fl. 657 dos autos, por comparecimento pessoal do procurador do contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 660/661, protocolizado em 17/03/2010, alegando a tempestividade da impugnação apresenta, bem como apresenta preliminar de tempestividade do presente recurso. É o relatório. Voto Fl. 669DF CARF MF Processo nº 15374.723938/200977 Acórdão n.º 2202004.327 S2C2T2 Fl. 670 3 Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminarmente, verificase que impugnação apresentada não foi conhecida pela autoridade julgadora de primeira instância, face a intempestividade da mesma. Na ocasião, foi compreendido pela DRJ de origem que: Tendo a ciência do auto ocorrido em 14/04/2009 (fl.361), quando foi apresentada a petição de fls. 01/02 , em 21/09/2009, já havia expirado o prazo legal de trinta dias para instauração do contraditório. Assim, a defesa apresentada não caracteriza impugnação e nem instaura a fase litigiosa do processo. Dessa forma, o mérito das alegações não comporta julgamento de primeira instancia. Tendo sido suscitada como preliminar a tempestividade da impugnação foi analisada a questão no acórdão recorrido, chegandose a conclusão de que a intimação realizada é plenamente válida e tendo sido apresentada a peça de defesa fora do prazo previsto no artigo 15 do Decreto n° 70.235/72, resta caracterizada a sua intempestividade. Entendo que não assiste razão à recorrente. O artigo 15 do Decreto n.º 70.235/1972 dispõe sobre o prazo para interposição de impugnação da exigência pela lavratura de auto de infração: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. No presente caso, a ciência se deu por via postal comprovada por aviso de recebimento –AR com data de 14/04/2009, de fl. 648 (numeração do processo físico: 361). A impugnação, às fls. 02/03 (numeração do processo físico: 01/02), foi protocolizada em 21/09/2009, ultrapassado, portanto, o prazo regulamentar previsto para a interposição do recurso. O art. 23, inciso II, do Decreto n.º 70.235/72 autoriza a intimação por via postal, com prova do recebimento, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) Por sua vez, o § 2º do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72 trata da data do recebimento da intimação por via postal, vejamos: Fl. 670DF CARF MF Processo nº 15374.723938/200977 Acórdão n.º 2202004.327 S2C2T2 Fl. 671 4 § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; Ainda, o inciso I do § 4º do art. 23 do Decreto n.º 70.235/72 refere que deve ser considerado como domicílio tributário do sujeito passivo o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária, in verbis: § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (grifado) Alega o recorrente que não foi ele que firmou o AR, ensejando a nulidade da intimação. Todavia, o domicílio tributário do contribuinte era, conforme se depreende da Declaração de Ajuste Anual (exercício 2004), de fl. 642 (numeração do processo físico: 354), a "Rua Domingos Pereira, 81, apto. 904, bairro Copacabana, Rio de Janeiro/RJ, CEP 22.050 010", que coincide com o endereço para o qual foi enviada via postal a intimação. Comprovado que o endereço para o qual foi enviada via postal a intimação coincide com o endereço postal por ele fornecido à Receita Federal do Brasil, afastase a nulidade nesse aspecto. Assim, quanto ao fato de que o aviso de recebimento não tenha sido firmado pela própria contribuinte, o entendimento é que é regular o recebimento do AR por qualquer pessoa que se encontre em seu domicílio fiscal. Neste sentido segue jurisprudência: INTIMAÇÃO ENVIADA AO DOMICÍLIO FISCAL – REGULARIDADE. A intimação por via postal considerase perfeita quando o AR tenha sido encaminhado para o domicílio fiscal do contribuinte, ainda que recebido pelo porteiro. (Acórdão n.º 10806.254, Sessão de 18/10/2000) Este entendimento também consta na Súmula nº 09 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), ,que deve ser observada pelos Conselheiros, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF: SÚMULA CARF Nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Não há, portanto, o que se falar em qualquer tipo de nulidade no ato notificatório, já que a contribuinte foi notificada regularmente, conforme previsto no art. 23, inciso II do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo por intempestiva a impugnação apresentada. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 15374.723938/200977 Acórdão n.º 2202004.327 S2C2T2 Fl. 672 5 No processo administrativo fiscal, decorrido o lapso temporal previsto em lei, sem que ocorra a apresentação da Impugnação, não se instaura o litígio, tal como estipulado no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972, não merecendo reforma o acórdão recorrido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 672DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720053/2014-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
Ementa:
ÁGIO. OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO MEDIANTE ATOS CONCRETOS . PAGAMENTO REALIZADO EM ESPÉCIE. DEDUTIBILIDADE.
Verificado que as operações praticadas entre partes independentes que ensejaram a amortização de ágio foram precedidas de atos concretos, lícitos e realizados mediante emprego de valores em espécie, obedecidos os requisitos legais, reconhece a dedutibilidade do ágio criado.
GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL.
O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, constitui prova da artificialidade do ágio. É inválida a amortização do ágio artificial.
MULTA QUALIFICADA. ÁGIO INTERNO.SIMULAÇÃO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA.
A multa de oficio, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora à taxa selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento.
CSLL - LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA.
Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos novos a ensejar conclusão diversa.
Numero da decisão: 1302-002.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por por voto de qualidade em dar provimento ao recurso voluntário com relação ao primeiro ágio (Bayer) e em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (relatora), Carlos Cesar Candal Moreira Filho e Rogério Aparecido Gil e por maioria em negar provimento ao recurso voluntário com relação ao segundo ágio (Dade Behring), vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, na matéria em que a relatora ficou vencida. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado fará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 Ementa: ÁGIO. OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO MEDIANTE ATOS CONCRETOS . PAGAMENTO REALIZADO EM ESPÉCIE. DEDUTIBILIDADE. Verificado que as operações praticadas entre partes independentes que ensejaram a amortização de ágio foram precedidas de atos concretos, lícitos e realizados mediante emprego de valores em espécie, obedecidos os requisitos legais, reconhece a dedutibilidade do ágio criado. GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, constitui prova da artificialidade do ágio. É inválida a amortização do ágio artificial. MULTA QUALIFICADA. ÁGIO INTERNO.SIMULAÇÃO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de oficio, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora à taxa selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. CSLL - LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos novos a ensejar conclusão diversa.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16561.720053/2014-39
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5804877
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1302-002.390
nome_arquivo_s : Decisao_16561720053201439.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 16561720053201439_5804877.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por por voto de qualidade em dar provimento ao recurso voluntário com relação ao primeiro ágio (Bayer) e em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (relatora), Carlos Cesar Candal Moreira Filho e Rogério Aparecido Gil e por maioria em negar provimento ao recurso voluntário com relação ao segundo ágio (Dade Behring), vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, na matéria em que a relatora ficou vencida. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
id : 7036071
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731371892736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 72; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2004; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 3.046 1 3.045 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720053/201439 Recurso nº 000.001 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302002.390 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria IRPJ e CSLL Glosa de amortização de ágios. Multa qualificada. Recorrentes SIEMENS HEALTHCARE DIAGNÓSTICOS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 Ementa: ÁGIO. OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO MEDIANTE ATOS CONCRETOS . PAGAMENTO REALIZADO EM ESPÉCIE. DEDUTIBILIDADE. Verificado que as operações praticadas entre partes independentes que ensejaram a amortização de ágio foram precedidas de atos concretos, lícitos e realizados mediante emprego de valores em espécie, obedecidos os requisitos legais, reconhece a dedutibilidade do ágio criado. GERAÇÃO ARTIFICIAL DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO ARTIFICIAL. O ágio gerado em operações societárias, para ser eficaz perante o Fisco, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil ou fiscal. A geração de ágio de forma interna, ou seja, dentro do mesmo grupo econômico, sem a alteração do controle das sociedades envolvidas, constitui prova da artificialidade do ágio. É inválida a amortização do ágio artificial. MULTA QUALIFICADA. ÁGIO INTERNO.SIMULAÇÃO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo se enquadra nas hipóteses definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFICIO. LEGALIDADE DA COBRANÇA. A multa de oficio, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora à taxa selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 53 /2 01 4- 39 Fl. 3046DF CARF MF 2 CSLL LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. Decorrendo a exigência da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada a mesma decisão proferida para o imposto de renda, na medida em que não há fatos novos a ensejar conclusão diversa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por por voto de qualidade em dar provimento ao recurso voluntário com relação ao primeiro ágio (Bayer) e em negar provimento ao recurso de ofício, vencidos os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa (relatora), Carlos Cesar Candal Moreira Filho e Rogério Aparecido Gil e por maioria em negar provimento ao recurso voluntário com relação ao segundo ágio (Dade Behring), vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca, na matéria em que a relatora ficou vencida. O Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado fará declaração de voto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil e Gustavo Guimarães da Fonseca. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls.2.661/2.693) que a seguir transcrevo: Contra a contribuinte supra identificada foram lavrados Autos de Infração às fls. 04/32, formalizando lançamentos de ofício dos créditos tributários abaixo discriminados, relativos aos anos calendário de 2010, 2011 e 2012, com acréscimo de juros de mora e da multa proporcional qualificada de 150%, a seguir detalhados: Valores em R$ Imposto sobre a renda da pessoa jurídica IRPJ 23.743.969,94 Contribuição social sobre o lucro líquido 8.363.308,03 Crédito tributário do processo 32.107.277,97 Fl. 3047DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.047 3 As infrações apuradas decorrem das glosas de amortizações de ágios, deduzidas nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2010 a 2012. Nesse ponto, cabe destacar a informação apresentada pela autoridade fiscal, às fl. 35 do Termo de Verificação Fiscal, que em novembro de 2013, por meio do processo administrativo fiscal de nº 16643.720037/201355, foram lavrados Autos de Infração de IRPJ e CSLL contra a fiscalizada, relativos aos mesmos ágios tratados na presente lide, cujos encargos de amortização foram deduzidos das bases dessas exações nos anoscalendário precedentes (2007 a 2009). Assim, deve ser destacado que no presente feito são tratadas, exclusivamente, as amortizações desses ágios deduzidos nos anoscalendário de 2010 a 2012, tendo em vista que as amortizações iniciais já foram objeto de outra fiscalização, que culminou na lavratura de Autos de Infrações, os quais encontramse materializados no processo supra citado. I. DO PROCEDIMENTO FISCAL A descrição dos fatos remete ao Termo de Verificação Fiscal de fls. 33/65 onde verificase que a ação fiscal teve como objeto de investigação a qualificação jurídica dada pela fiscalizada relativamente às operações de reorganização societária que culminaram no surgimento de dois ágios, que foram identificados pela autoridade fiscal nos seguintes termos: “1º Ágio – Bayer” e “2º ágio – Dade”, que foram deduzidos da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos anoscalendário de 2010 a 2012. Segundo relato da autoridade fiscal os ágios investigados foram construídos a partir das seguintes operações sequenciais: Do “1º ágio – Bayer” no valor de R$ 158.909.542,12 (i) Em 06/09/2006: é constituída uma sociedade de existência efêmera, a VALUSSI Participações Ltda., CNPJ 08.298.066/000111, com capital social de apenas R$ 100,00, com sede na Rua Libero Badaró, n° 293, 27° Andar, conjunto D, sala 50, São Paulo/SP, tendo como sócias iniciais as empresas TEXPAR Participações Ltda., CNPJ 01.959.602/000133 e PACAEMBU Serviços e Participações Ltda., CNPJ 02.473.211/000177. (ii) Em 27/12/2006: a VALUSSI Participações, já sob a nova denominação de SIEMENS Medicai Solutions do Brasil Participações Ltda. ("Siemens Participações") e controlada pela holandesa SIEMENS Diagnostics Holding II BV, é capitalizada por esta e recebe, também, empréstimo da alemã SIEMENS A.G. de forma a estar com os recursos financeiros necessários à compra da BAYDIAG Ltda. (fiscalizada), em 27/12/2006. Os Fl. 3048DF CARF MF 4 recursos são remetidos do exterior através de contratos de câmbio. (iii) Em 27/12/2006: a BAYER S.A., CNPJ 18.459.628/000115, única sócia da BAYDIAG Ltda. (fiscalizada), vende e transfere a totalidade das 68.651.990 quotas desta última à "Siemens Participações", CNPJ 08.298.066/000111, com ágio de R$ 150.828.542,12 ("1o Ágio Bayer"), fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, a ser aproveitado fiscalmente (pela fiscalizada) no prazo de 84 meses. (iv) Em 23/03/2007: a contribuinte fiscalizada, já sob a nova denominação social de SIEMENS Medicai Solutions Comércio de Produtos Diagnósticos Ltda., incorpora a "Siemens Participações", CNPJ 08.298.066/000111, com conseqüente absorção integral do ágio de R$ 150.828.542,12 e passa a deduzilo das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, já a partir de março de 2007, no valor mensal de R$ 1.891.780,001. (v) Em 26/09/2008: a incorporadora (fiscalizada) realiza pagamento complementar de R$ 8.081.000,00, devido pela incorporada ("Siemens Participações") quando da compra de 100% das quotas da incorporadora (fiscalizada), na transação havida em 27/12/2006 entre a BAYER S.A. e a "Siemens Participações". Referido pagamento resulta no aumento do valor final do ágio de R$ 150.828.542,12 para R$ 158.909.542,12 (valor final do "1º Ágio Bayer"). Do “2º ágio – Dade” no valor de R$ 36.316.184,87 (vi) Em 29/09/2008: dando inicio à operação que daria origem ao segundo ágio, também fiscalmente aproveitado pela fiscalizada, a sociedade norteamericana SIEMENS Healthcare Diagnostics Inc. (EUA), integraliza no capital da contribuinte fiscalizada a totalidade das 40.397.679 quotas (100%) da brasileira DADE Behring Ltda., CNPJ 00.897.408/000108, avaliadas em R$ 84.889.000,00, cujo valor contábil era de R$ 48.572.815,13. Da diferença entre os dois valores, a fiscalizada contabiliza em seu Ativo Diferido um ágio de R$ 36.316.184,87 ("2º Ágio Dade"), a título de "Ágio na aquisição da DADE Behring Ltda", fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, a ser aproveitado fiscalmente (pela fiscalizada) no prazo de 120 meses. (vii) Em 13/10/2008: a contribuinte fiscalizada, já sob a nova denominação social de SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda., incorpora a Dade Behring Ltda., CNPJ 00.897.408/0001 08, e dá início, já em outubro de 2008, à dedução fiscal do ágio R$ 36.316.184,88 (segundo ágio), no valor mensal de R$ 302.635,00. Os quadros abaixo elaborados pela autoridade fiscal no TVF (fl. 35) resumem as sucessivas alterações de denominação social promovidas pela contribuinte fiscalizada e pela sociedade de existência efêmera "Siemens Participações", a saber: Quadro 01: alterações de denominação social da contribuinte fiscalizada (CNPJ 01.449.930/000190) Fl. 3049DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.048 5 Data Denominação Social Fonte 20/12/1999 BAYDIAG Ltda. Ficha Jucesp 27/12/2006 SIEMENS Medicai Solutions Comércio de Produtos Diagnósticos Ltda. 23a Alteração 17/07/2008 SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda. 27a Alteração Quadro 02: alterações de denominação social da sociedade efêmera (CNPJ 08.298.066/000111) Data Denominação Social Fonte 06/09/2006 VALUSSI Participações Ltda. Constituição 21/11/2006 SIEMENS Medicai Solutions do Brasil Participações Ltda. 1a Alteração 23/03/2007 Extinção da sociedade por incorporação pela contribuinte fiscalizada 3a Alteração Ampliando as análises das reorganizações societárias implementadas a autoridade fiscal descreve no item 4 e respectivos subitens, todos os aspectos que deram origem ao “1º ágio – Bayer”, cujos principais trechos encontramse a seguir transcritos: 4. DO PRIMEIRO ÁGIO CONSTITUÍDO EM 27/12/2006 ("1° Ágio Bayer") 4.1) DESCRIÇÃO DOS FATOS ("1° Ágio Bayer") Sintetizamos a seguir, os principais movimentos promovidos pelas sociedades envolvidas, que culminaram na constituição do primeiro ágio. 4.1.1) Em 06/09/2006: é constituída a sociedade de existência efêmera VALUSSI Participações Ltda., CNPJ 08.298.066/0001 11, capital social de apenas R$ 100,00,sede na Rua Libero Badaró, n° 293, 27° Andar, conjunto D, sala 50, São Paulo/SP, tendo como sócias iniciais as empresas TEXPAR Participações Ltda., CNPJ 01.950.602/000133 e PACAEMBÚ Serviços e Participações Ltda., CNPJ 02.473.211/0001/ 7 (Doc 13 CONSTITUIÇÃO PARTICIPAÇÕES 060906). 4.1.2) Em 21/11/2006: na VALUSSI Participações Ltda., as sócias iniciais TEXPAR Participações e PACAEMBÚ Serviços e Participações retiramse da sociedade para dar lugar às holandesas SIEMENS Diagnostics Holding II BV e DIAGNOSTIC Products Corporation Benelux BV. A sociedade altera sua denominação social para SIEMENS Medicai Solutions do Brasil Participações Ltda. ("Siemens Participações"), muda sua sede para Avenida Ermano Marchetti, n° 1.435, 3º Andar, São Paulo/SP e destitui o diretor Roberto Figueiredo Mello para eleger Kleber Douvletis como novo diretor da sociedade (Doc 14 1a ACON PARTICIPAÇÕES). 4.1.3) Em 06/12/2006: a BAYER S.A., NIRE 35.300.182.685, CNPJ 14.372.981/000102, através da Ata AGE de 06/12/2006, aprova a subscrição pela Companhia de nova participação societária na BAYDIAG LTDA. (fiscalizada), CNPJ Fl. 3050DF CARF MF 6 01.449.930/000190 (Ata da AGE de 06/12/2006 da BAYER S.A., NIRE 35.300.182.685, CNPJ 14.372.981/000102). 4.1.4) Em 25/12/2006: a BAYER S.A., NIRE 35.300.182.685, CNPJ 14.372.981/000102, resolve aumentar o capital da BAYDIAG LTDA. (fiscalizada), de R$ 1.304.612,00 para R$ 68.651.990,00. O aumento de R$ 67.347.378,00 é integralizado mediante conferência de bens (Doc 01 22a ACON e LAUDO; Doc 01a Balancete Dezembro 2006 da Baydiag e Doc 01b Diário Geral Dezembro 2006 da Baydiag). 4.1.5) Em 26/12/2006: a BAYER S.A., NIRE 35.300.182.685, CNPJ 14.372.981/000102, é incorporada pela BAYER CROPSCIENCE, NIRE 35.300.338.413, CNPJ 18.459.628/0001 15 (Ficha cadastral da BAYER S.A. e Ata da AGE de 06/12/2006 da BAYER S.A. incorporada por NIRE 35.300.338.413). 4.1.6) Em 27/12/2006: a BAYER S.A., CNPJ 18.459.628/0001 15, então única sócia da BAYDIAG Ltda. (fiscalizada) cede e transfere a totalidade das quotas detidas nesta última para a sociedade efêmera "Siemens Participações". Através deste ato, a BAYER S.A. retirase da sociedade e a "Siemens Participações" passa a ser a única sócia da BAYDIAG Ltda. (Doc 02 23a ACON DIAGNÓSTICOS). O valor negociado pela totalidade das quotas da BAYDIAG Ltda. foi de EUR 71.565.637,00 (setenta e um milhões, quinhentos e sessenta e cinco mil, seiscentos e trinta e sete euros), equivalentes a R$ 201.171.006,00 (duzentos e um milhões, cento e setenta e um mil e seis reais) (Doc 17 Share Sale and Transfer Agreement e sua tradução Doc 36 Contrato de Venda e Transferência de Ações traduzido). O Patrimônio Líquido da fiscalizada era de R$ 50.342.464,45 (cinqüenta milhões, trezentos e quarenta e dois mil, quatrocentos e sessenta e quatro reais e quarenta e cinco centavos), na database de 31/12/2006, conforme página 16 do relatório de avaliação e das demonstrações financeiras da database. Da diferença entre o valor de negociação e o valor do PL, surge o primeiro ágio de R$ 150.225.542,12, fundamentado em expectativa de rentabilidade futura. Tal ágio foi registrado na "Siemens Participações" como "Ágio sobre Investimentos" e informado na linha 27 da ficha 36A da DIPJ/2007 AC2006 como "Ágios em investimentos" (Doc 25 Relatório de Avaliação Econômico Financeira da Baydiag pela Ernst & Young; Doc 01a Balancete Dezembro 2006 da Baydiag; Doc 24 Laudo de Avaliação da Siemens Participações preparado pela KPMG; DIPJ AC2006 da "Siemens Participações", CNPJ 08.298.066/000111). 4.1.7) Em 27/12/2006: a BAYDIAG Ltda. (fiscalizada) altera sua denominação social para SIEMENS Medicai Solutions Comércio de Produtos Diagnósticos Ltda. ("Siemens Diagnósticos") e elege como administradores Adilson Antônio Primo e Kleber Douvletis, sendo este último, também Diretor da sociedade efêmera "Siemens Participações" (Doc 02 – 23ª ACON DIAGNÓSTICOS). Fl. 3051DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.049 7 4.1.8) Em 05/02/2007: a SIEMENS Medicai Solutions Comércio de Produtos Diagnósticos Ltda. ("Siemens Diagnósticos",a fiscalizada) muda sua sede para Avenida Ermano Marchetti, n° 1.435, 3º Andar, São Paulo/SP, mesmo endereço da "Siemens Participações" (Doc 03 – 24ª ACON DIAGNÓSTICOS). 4.1.9) Em 23/03/2007: a fiscalizada, agora como "Siemens Diagnósticos", incorpora a "Siemens Participações", segundo o Protocolo de Justificativa de Incorporação, motivada pela possibilidade de absorção do patrimônio da incorporada e racionalização e concentração dos negócios de ambas as sociedades, resultando em maior lucratividade e eficiência administrativa, operacional e financeira (Doc 04 – 25ª ACON DIAGNÓSTICOS e Protocolo e Justificativa). Na linha 47 da ficha 36A da DIPJ/2008 AC2007 (declaração n° 1952402), a incorporadora informou o valor de R$ 150.828.542,22 a título de "Demais aplicações em Despesas Amortizáveis" (DIPJ AC2007 da fiscalizada, CNPJ 01.449.930/000190). Na comparação das demonstrações financeiras da contribuinte fiscalizada dos meses de fevereiro e março de 2007, podese observar o surgimento, a partir de março de 2007, do ágio de R$ 150.828.542,13, registrado no Ativo Diferido como "Ágio Incorporação S.M.S.P." e sua imediata amortização já no mesmo mês (Doc 20 BP e DRE Siemens Diagnósticos 28.02.2007 e Doc 21 BP e DRE Siemens Diagnósticos 31.03.2007). 4.2) CONSTITUIÇÃO DO "1° Ágio Bayer" Conforme previamente exposto, o primeiro ágio investigado foi criado na operação de 27/12/2006, em que a BAYER S.A. cede e transfere a totalidade das quotas detidas na fiscalizada à sociedade efêmera "Siemens Participações". Analisamos a seguir, passo a passo, a formação do ágio de R$ 150.828.542,12, que, em 26/09/2008, teve seu valor elevado para R$ 158.909.542,12. 4.2.1) Capitalização da sociedade efêmera "Siemens Participações" Conforme sua segunda Alteração de Contrato Social, datada de 05/01/2007 (Doc 15 – 2ª ACON PARTICIPAÇÕES), a sociedade efêmera constituída em 06/09/2006 sob a denominação de VALUSSI Participações Ltda., depois da retirada das sócias iniciais TEXPAR Participações e PACAEMBÚ Serviços e Participações e de ter alterado sua denominação social para SIEMENS Medicai Solutions do Brasil Participações Ltda. ("Siemens Participações"), decide integralizar o capital inicial subscrito de RS 100,00 (cem reais): Quadro 03: integralização e composição do capital social inicial da "Siemens Participações" em 05/01/2007 Quotista N° quotas detidas Valor das quotas (R$) ' SIEMENS Diagnostic Holding li B.V. (Holanda) 99 99,00 DIAGNOSTIC Products Corporation Benelux B.V. (Holanda) 1 1,00 Capital inicial subscrito e integralizado 100 100,00 Fl. 3052DF CARF MF 8 Ato continuo, na mesma alteração de contrato social de 05/01/2007, as sócias estrangeiras decidem aumentar o capital social da sociedade para R$ 141.496.081,00. Um aumento de R$ 141.495.981.00. mediante a criação de 141.495.981 novas quotas com valor nominal unitário de R$ 1,00 para cada quota. As 99 quotas e a totalidade das novas quotas são integralmente subscritas e integralizadas pela sócia holandesa SIEMENS Diagnostic Holding II B.V., por meio dos fundos por ela remetidos ao Brasil através do contrato de câmbio n° 06/027749 de 26/12/2006, de US$ 66.000.000,00 (sessenta e seis milhões de dólares dos Estados Unidos), equivalentes a R$ 141.496.080,00 (cento e quarenta e um milhões, quatrocentos e noventa e seis mil e oitenta reais) (Doc 27 Contrato de Cambio 06 027749 USD 66 milhões). A outra sócia, a também holandesa DIAGNOSTIC Products Corporation Benelux B.V.. por seu turno, remete US$ 0,47 (quarenta e sete centavos de dólares dos Estados Unidos), através do contrato de câmbio n° 06/027751, de 26/12/2006, equivalentes a R$ 1,00 (um real) para integralizar o capital inicial subscrito. Notase, assim, que a despeito de a decisão de aumentar e subscrever o capital da "Siemens Participações" ter sido formalmente tomada em 05/01/2007, os recursos financeiros já haviam sido remetidos pela sócia holandesa em 26/12/2006, véspera da operação em que se criou o "1° Ágio Bayer". E, antes mesmo que tal remessa constituísse o capital, o recurso fora empregado (em 27/12/2006) para o pagamento da aquisição da BAYDIAG Ltda. E, por consequente, do ágio embutido no valor negociado, conforme demonstra o extrato bancário da "Siemens Participações" (Doc 18 Extrato Itaú 27.12.2006 Siemens Participações). Quadro 04: integralização e subscrição das 141.495.981 novas quotas da "Siemens Participações" Quotista Nº quotas iniciai s N° de novas quotas subscritas Total de quotas detidas Valor das quotas detidas Fonte dos recursos da integralizaçâo do capital subscrito SIEMENS Diagnostic Holding II B.V. (Holanda) 99 141 495 981 141.496.080 141.496.080,00 contrato de câmbio n" 06/027749 de 26/12/2006, de USS 66.000 000,00, remetido pela SIEMENS Diagnostic Holding II B.V. (Holanda) DIAGNOSTIC Products Corporation Benelux B.V. (Holanda) 1 0 1 1,00 contrato de câmbio n° 06/027751, de 26/12/2006, de US$ 0,47, remetido pela DIAGNOSTIC Products Corporation Benelux B V. (Holanda) Capital total Integralizado em 05/01/2007 100 141.495.981 141.496.081 141.496.081,00 Nos itens subsequentes 4.22 e 4.23 do TVF a autoridade fiscal detalha valor de empréstimo recebido da Siemens AG (Alemanha) em 26.12.2006 e o extrato bancário da Siemens Participações onde consta registrado o pagamento da aquisição da Baydiag Ltda. (fiscalizada) e também do ágio inicial de R$ 150.828.542,12. Apresentando, em seguida, a constatação de Fl. 3053DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.050 9 que a sociedade efêmera Siemens Participações dispunha, em 27/12/2006, mais de R$ 209.000.000,00, sendo a maior parte desse montante formada pelas seguinte fontes: Quadro 05: fontes dos recursos empregados na Operação que criou o "1° Ágio Bayer" Remetente do exterior (pais) Data da remessa Contrato de câmbio Valor remetido em USD Valor remetido em BRL SIEMENS Diagnostic Holding II B.V. (Holanda) 6/12/2006 6/027749 6.000.000,00 41.496.080,00 DIAGNOSTIC Products Corporation Benelux B.V. (Holanda) 6/12/2006 6/027750 0,47 , 1,00 SIEMENS A.G. (Alemanha) 6/12/2006 6/027754 1.500.000,00 7.532.220,00 Saldo em caixa em 27/12/2006 97.500.000,47 209.028.301,00 No item 4.24 do TVF a autoridade fiscal detalha as três transferências eletrônicas de fundos (TEF’s) realizadas pela sociedade efêmera "Siemens Participações", em 27.12.2006, que juntas atingiram o montante de R$ 201.171.006,00, valor apontado pela fiscalizada como sendo o total pago pela aquisição da BAYDIAG Ltda. (fiscalizada) A formação do "1° ágio Bayer" encontrase detalhada no item 4.2.5 do TVF, em face da negociação para aquisição da BAYDIAG Ltda. ter sido de EUR 71.565.637,00, equivalente a R$ 201.171.006,00, conforme o documento de negociação da venda, cláusula 2.1, (Doc 17 Share Sale and Transfer Agreement e sua tradução Doc 36 Contrato de Venda e Transferência de Ações traduzido). O valor do Patrimônio Líquido da BAYDIAG Ltda., na data base de 31/12/2006 era de R$ 50.342.464,45, da diferença entre o valor negociado e o valor do PL, é constituído o ágio de R$ 150.828.142,12. Posteriormente, conforme item 4.2.6 do TVF, o "1º ágio Bayer" é transferido para a fiscalizada por incorporação, realizada em 23/03/2007, da "Siemens Participações", motivada, segundo o Protocolo de Justificativa de Incorporação, pela possibilidade de absorção do patrimônio da incorporada, racionalização e concentração dos negócios de ambas as sociedades, visando a maior lucratividade e eficiência administrativa, operacional e financeira (Doc 04 – 25ª ACON DIAGNÓSTICOS e Protocolo e Justificativa). A autoridade fiscal complementa o supra citado item, apresentando os seguintes aspectos: Na comparação das demonstrações financeiras dos meses de fevereiro e março de 2007 da incorporadora, observase o surgimento do ágio de R$ 150.828.542,13, registrado no Ativo Diferido como "Ágio Incorporação S.M.S.P." e sua imediata amortização, já em março. Observase, também, a absorção do passivo de R$ 67.405.720,50 relativo ao empréstimo que havia sido tomado pela incorporada junto à alemã SIEMENS A.G. Tal empréstimo fora aplicado no pagamento da aquisição da BAYDIAG Ltda. e do ágio, pela incorporada. Após a incorporação, referido passivo, de R$ 67.405.720,50, foi Fl. 3054DF CARF MF 10 contabilizado nos livros da incorporadora como "Contrato de crédito rotativo mútuo", conta 190145, no Passivo Circulante (Doc 20 BP e DRE Siemens Diagnósticos 28.02.2007 e Doc 21 BP e DRE Siemens Diagnósticos 31.03.2007). Portanto com a incorporação da sociedade efêmera "Siemens Participações:" a incorporadora (contribuinte fiscalizada) tornouse responsável pelo pagamento do empréstimo contraído para a compra de suas próprias quotas. No item 4.2.7 do TVF a agente fiscal detalha informações sobre a formação do complemento do "1° ágio Bayer", realizado em 26/09/2008, que, segundo esclarecimentos da fiscalizada, foi motivado em razão da previsão contratual constante na cláusula 2.3 do Contrato de Venda e Transferência de Ações, firmado entre BAYER S.A. e "Siemens Participações", gerando um pagamento adicional de R$ 8.081.000,00 (oito milhões e oitenta e um mil reais) Doc 36 Contrato de Venda e Transferência de Ações traduzido e Doc 37 Esclarecimentos prestados em 01.10.2013 MPF n° 2013001107). Referida cláusula previa eventual reajuste de preço com base em critério denominado "Capital de Giro Líquido Alvo". Esse pagamento adicional foi contabilizado pela fiscalizada também como ágio, juntamente com o ágio inicial de R$ 150.828.542,12, porém depois de passados quase dois anos, em 09/2008, elevando o ágio de R$ 150.828.542,12 para R$ 158.909.542,12. Com relação à essa aspecto a autoridade fiscal apresenta as seguintes considerações: Portanto, passados quase dois anos da criação do primeiro ágio, houve um pagamento complementar de ágio de R$ 8.081.000,00. Todavia, esse valor já vinha sendo deduzido antes mesmo de ter sido pago, desde abril de 2007, conforme demonstra a planilha de amortização do ágio, visto que a parcela de R$ 1.891.780,00 resulta da divisão do ágio total de R$ 158.909.542,12 pelo prazo de 84 meses [(R$ 150.828.542,12 + 8.081.000,00)/84 = R$ 1.891.780,00]. No extrato bancário de conta de titularidade da fiscalizada (Doc 26 Extrato Itaú Setembro 2008 Siemens Diagnósticos), observase que o pagamento complementar de R$ 8.081.000,00 foi realizado pela própria fiscalizada para pagamento da compra de suas próprias quotas. A operação entre BAYER e "Siemens Participações", não só trouxe para o patrimônio da própria fiscalizada o ágio inicial e o ágio complementar formados na negociação de suas próprias quotas. Trouxe, também, a dívida de USD 31.500.000.00. contraída de sua controladora alemã SIEMENS A.G. que foi aplicada na compra das quotas da própria fiscalizada. No tocante a dedução do "1° ágio Bayer" das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a fiscalização informa que a contribuinte deduziu as parcelas de encargo do 1° ágio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL à razão de 1/84 (um e oitenta e quatro avos), equivalente a R$ 1.891.780,00 (um milhão, oitocentos e noventa Fl. 3055DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.051 11 e um mil, setecentos e oitenta reais) por mês, a partir de março de 2007, a partir do momento em que a fiscalizada promoveu a incorporação da "Siemens Participações". No item 4.3 do TVF a autoridade fiscal apresenta os elementos que a convenceram de que a “Siemens Participações” foi utilizada como empresa veículo, conforme transcrição a seguir: A empresa Siemens Medicai Solutions do Brasil Participações Ltda. ("Siemens Participações"), CNPJ 08.298.066/000111, cumpriu o papel de empresa veículo através da qual o ágio foi carreado para a incorporadora. A "Siemens Participações" foi uma sociedade de breve existência, de apenas seis meses. Como se pode observar com base nas declarações de IRPJ entregues, durante sua existência, a sociedade não apresentou receitas, faturamento, custos e despesas operacionais, tendo servido apenas como veiculo de passagem dos recursos oriundos do exterior para a aquisição da BAYDIAG (fiscalizada) com ágio (DIPJ da "Siemens Participações" dos anoscalendário 2006 e 2007). A sociedade efêmera também não possuiu funcionários (GFIP anexada pela fiscalização), tendo sido extinta, em 23/03/2007, por incorporação pela "Siemens Diagnósticos" (fiscalizada). Constituída em 06/09/2006, como VALUSSI Participações Ltda., teve como sócias iniciais e passageiras, a TEXPAR Participações Ltda., CNPJ 01.959.602/000133 e a PACAEMBÚ Serviços e Participações Ltda.. CNPJ 02.473.211/000177, sediadas na Rua Libero Badaró, n° 293, 27° Andar, conjunto D, sala 37, São Paulo/SP (Doc 13 CONSTITUIÇÃO PARTICIPAÇÕES 060906). A TEXPAR Participações Ltda., CNPJ 01.959.602/000133, havia entregue sua DIPJ AC2006 como inativa, tendoa retificado somente em 29/06/2007 (TEXPAR Relação das DIPJ entregues), portanto, após o ato da constituição da VALUSSI Participações Ltda. Vale dizer, portanto, que a sociedade efêmera que viria a ser a "Siemens Participações" teve como uma das sócias iniciais uma sociedade inativa, quando de sua constituição, em 06/09/2006. Mesmo tendo retificado sua DIPJ do AC2006, a TEXPAR não apresentou receitas, faturamento, custos e despesas operacionais (DIPJ Texpar AC2006). A PACAEMBÚ Serviços e Participações Ltda., CNPJ 02.473.211/000177, por seu turno teve receitas declaradas em sua DIPJ AC2006, tendo em vista que exercia atividade de "Consultoria em gestão empresarial CNAE 70.204/00" (DIPJ Pacaembu AC2006). Fl. 3056DF CARF MF 12 O quadro a seguir ilustra a curta duração da "Siemens Participações": Data Evento Alterações 06/09/2006 Constituição A sociedade é constituída sob a denominação social de VALUSSI Participações Ltda., com sede na Rua Libero Badaró, n° 293, 27° Andar, conjunto D, sala 37, São Paulo/SP, tendo como sócias as empresas TEXPAR Participações Ltda., CNPJ 01.959.602/000133 e PACAEMBÚ Serviços e Participações Ltda., CNPJ 02.473.211/000177. O capital social era de apenas R$ 100,00. 21/11/2006 1a Alteração As sócias iniciais TEXPAR Participações e PACAEMBÚ Serviços e Participações retiramse da sociedade para dar lugar às holandesas SIEMENS Diagnostics Holding II BV e DIAGNOSTIC Products Corporation Benelux BV. A sociedade altera sua denominação social para SIEMENS Medicai Solutions do Brasil Participações Ltda., a sede social da sociedade passa a ser Avenida Ermano Marchetti, n° 1.435, 3o Andar, São Paulo/SP. As novas sócias resolvem destituir o diretor Roberto Figueiredo Mello e eleger Kleber Douvletis como novo diretor da sociedade. 27/12/2006 23a Alteração A sociedade adquire da BAYER S.A. 100% das quotas da BAYDIAG Ltda. (denominação da contribuinte fiscalizada à época) com ágio de RS 150.828.542,10. O ágio é pago com recursos recebidos do exterior da SIEMENS Diagnostics Holding II BV (Holanda) e SIEMENS AG (Alemanha). 05/01/2007 2a Alteração As sócias holandesas decidem Integralizar o capital de R$ 100,00 e aumentálo para R$ 141.496.081,00 mediante criação de 141.495.981 novas quotas de valor nominal de R$ 1,00. 23/03/2007 3a Alteração e extinção As sócias holandesas resolvem aprovar a incorporação da sociedade pela SIEMENS Medicai Solutions Comércio de Produtos Diagnósticos Ltda. (denominação da contribuinte fiscalizada à época), CNPJ 01.449.930/000190. A sociedade é incorporada pela contribuinte fiscalizada e extinta. O endereço da sede da "Siemens Participações" (a partir da 1ª Alteração) era o mesmo da "Siemens Diagnósticos" (a partir da 24ª Alteração), Avenida Ermano Marchetti, n° 1.435, 3o Andar. Ambas as empresas, incorporada e incorporadora possuíam o mesmo Diretor, Kleber Douvletis (Doc 14 – 1ª ACON PARTICIPAÇÕES e Doc 03 – 24ª ACON DIAGNÓSTICOS). O ágio criado em 27/12/2006 foi mantido na Contabilidade da empresa veículo sem qualquer amortização nos meses subsequentes. A amortização somente teve inicio quando o ágio foi absorvido pela incorporadora (fiscalizada), que passou a amortizálo imediatamente, a partir de março de 2007. Conforme já exposto nos itens 4.1 e 4.2 deste termo, a "Siemens Participações" foi constituída sob a denominação inicial de VALUSSI Participações Ltda., CNPJ 08.298.066/000111, com capital social de apenas R$ 100,00, e sede no mesmo endereço de suas sócias iniciais TEXPAR Participações Ltda. e PACAEMBÚ Serviços e Participações Ltda.: Rua Libero Badaró, n° 293, 27° Andar, São Paulo/SP. A "Siemens Participações", ao longo de sua existência de apenas 06 (seis) meses, teve somente dois eventos significantes, ambos voltados à criação do ágio de R$150.828.542,12: a) Evento da capitalização da sociedade a partir de recursos vindos do exterior; b) Evento do pagamento da aquisição da BAYDIAG Ltda. (fiscalizada) e conseqüente criação do ágio. Conforme exposto no subitem 4.2.1. a despeito de a decisão de aumentar e subscrever o capital da "Siemens Participações" ter sido tomada em 05/01/2007, através da 2ª Alteração de Contrato Social, os recursos financeiros já haviam sido remetidos pela sócia holandesa em 26/12/2006, véspera da operação na qual a BAYER SA. CNPJ 18.459.628/000115, vende a totalidade das quotas da BAYDIAG Ltda à "Siemens Participações", ou seja, véspera da data em que o ágio fora constituído. E, antes mesmo Fl. 3057DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.052 13 que tal remessa constituísse o capital, o recurso já havia sido empregado, no dia 27/12/2006, para o pagamento da aquisição da BAYDIAG Ltda. e, por consequente do ágio embutido no valor negociado, conforme demonstra o extrato bancário da "Siemens Participações" (Doc 18 Extrato Itaú 27.12.2006 Siemens Participações). Em 27/12/2006, a "Siemens Participações" fechou câmbio e recebeu em recursos do exterior: R$ 141.496.080,00, R$ 1,00 e R$ 67.532.220,00. Tais valores correspondem à capitalização pelas sócias holandesas e ao empréstimo contraído da sociedade alemã SIEMENS A.G. No mesmo dia, emitiu transferências eletrônicas de fundos de R$ 99.000.000,00, R$ 99.000.000,00 e R$ 3.171.006,00, que esclareceu se tratar do pagamento de R$ 201.171.006,00 pela aquisição da BAYDIAG Ltda. Observase que os dois únicos eventos significantes ocorridos durante a breve existência da "Siemens Participações", foram voltados à criação do ágio e ocorreram no mesmo dia, em 27/12/2006. Na database de 28/02/2007, antes de sua extinção por incorporação pela fiscalizada, o Balanço Patrimonial da "Siemens Participações" refletia os dois únicos eventos que marcaram a sua existência: (i) os recursos recebidos do exterior destinados a sua capitalização pela sua controladora holandesa e o empréstimo da SIEMENS A.G. e (ii) o ágio constituído com a aquisição da BAYDIAG Ltda. (denominação da fiscalizada à época) com o emprego de tais recursos (Doc 24 Laudo de Avaliação da Siemens Participações KPMG). O Ativo da "Siemens Participações" era de R$ 205 milhões, dos quais R$ 151 milhões era o valor do ágio "Bayer" e R$ 50 milhões era o valor da Equivalência Patrimonial sobre o investimento detido na BAYDIAG Ltda. O Passivo, por seu turno, era de R$ 67 milhões correspondentes ao empréstimo recebido da alemã SIEMENS A.G. Às fl. 48 a autoridade fiscal apresenta figura contendo a demonstração do Ativo e Passivo da “Siemens Participações” antes de sua extinção. Ainda no item 4.3 a autoridade fiscal apresente as seguinte informações relacionadas às reorganizações societárias em questão: Intimada a esclarecer que tipo de vínculo societário a empresa holandesa SIEMENS Diagnostics Holding II BV possuía com a SIEMENS AG (Alemanha) desde 2006, a contribuinte fiscalizada informou que a holandesa era e continua sendo até os dias atuais uma subsidiária integral da SIEMENS AG. (Resposta aos Fl. 3058DF CARF MF 14 TIFs n° 02 e n° 03 em 03/06/2014 e Doc 30 Esclarecimentos prestados em 20.09.2013 MPF n° 2013001107). As figuras seguintes ilustram os organogramas do grupo, antes e depois da incorporação da "Siemens Participações" pela contribuinte fiscalizada. Figura 03: organograma da "Siemens Participações" antes da incorporação pela contribuinte fiscalizada ... Em 23/03/2007, o ágio constituído sobre suas próprias quotas e a divida de R$ 67 milhões junto à controladora alemã SIEMENS A.G. foram absorvidos pela incorporadora (fiscalizada), que assumiu a dívida para pagar a aquisição de suas próprias quotas. Os recursos empregados para aumentar em R$ 141.495.981,00 o capital da empresa efêmera incorporada "Siemens Participações", recebidos em 27/12/2006 através de contratos de câmbio, foram remetidos pela holandesa SIEMENS Diagnostic Holding II BV. Figura 04: organograma da "Siemens Participações" depois da incorporação pela contribuinte fiscalizada ... Como se vê, as operações societárias anteriormente descritas trouxeram para o patrimônio da fiscalizada não só o ágio formado artificialmente sobre suas próprias quotas, mas também o passivo contraído junto à controladora alemã SIEMENS A.G. para o pagamento da aquisição dessas mesmas quotas e do próprio ágio. Regularmente intimada e reintimada a esclarecer as razões por que se valeu da empresa efêmera "Siemens Participações" como condutora dos recursos que vieram das empresas estrangeiras SIEMENS Diagnostics Holding II BV (Holanda) e SIEMENS AG (Alemanha), a fiscalizada apenas limitouse à descrição dos fatos, não abordando em nenhum momento as razões de ter se valido da empresa efêmera (Resposta aos Termos de Intimação n° 02 e de Reintimação n° 03, apresentada em 03/06/2014). Em realidade, inexiste motivação extratributaria para o emprego da "Siemens Participações" como empresa condutora dos recursos provenientes do exterior. Caso o pagamento houvesse sido realizado diretamente pelas sócias estrangeiras à contribuinte fiscalizada, o ágio não teria sido viabilizado, não teria sido criada nenhuma vantagem tributária na operação. O ágio teria sido criado no exterior, não sendo passível de aproveitamento tributário no Brasil. Com relação ao segundo ágio, constituído em 13/10/2008 ("2° ágio Dade"), a autoridade fiscal apresente no TVF as seguintes informações: Fl. 3059DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.053 15 5.1) DESCRIÇÃO DOS FATOS E A FORMAÇÃO DO "2° Ágio Dade" Sintetizamos a seguir, os principais movimentos promovidos pelas sociedades envolvidas na formação do segundo ágio. 5.1.1) Em 24/09/2007: o capital social da DADE Behring Ltda., CNPJ 00.897.408/000108, era de R$ 40.397.679,00, totalmente integralizado, dividido em 40.397.679 quotas de R$ 1,00 cada quota, assim distribuídas: a) a sócia DADE Behring Inc. (EUA) detentora de 40.397.678 quotas (99,99%); b) e a sócia DADE Finance Inc. (EUA) detentora de 1 quota (0,01%) (Dade Behring_Reratificação alteração contrato social de 24.09.2007). 5.1.2) Em 29/09/2008: a sociedade norteamericana SIEMENS Healthcare Diagnostics Inc. ingressa no quadro societário da DADE Behring Ltda., em substituição à DADE Behring Inc. e recebe a única quota (0,01%) detida pela DADE Finance Inc. (EUA), passando a deter 40.397.679 quotas (100%) da brasileira DADE Behring Ltda., CNPJ 00.897.408/000108 (Dade Bhering_Alteração contrato social de 29 09 2008). Ato contínuo, e na condição de única sócia da DADE Behring Ltda., a SIEMENS Healthcare Diagnostics Inc resolve integralizar no capital da SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda. (fiscalizada), CNPJ 01.449.930/000190 a totalidade das 40.397.679 quotas (100%) da DADE Behring Ltda., CNPJ 00.897.408/000108. avaliadas em R$ 84.889.000,00 (oitenta e quatro milhões, oitocentos e oitenta e nove mil reais) por empresa especializada. Tendo o acervo patrimonial da DADE sido avaliado em R$ 48.572.815.13. surge o "2° Ágio Dade", em 29/09/2008. de R$ 36.316.184.87 (Doc 39 Laudo de Avaliação Contábil DADE Behring pela Terco Grant Thornton). Quadro 09: formação do segundo ágio de RS 36.316.184,87 Descrição Valor Valor da avaliação das quotas da DADE Behring Ltda. 84.889.000,00 Valor do acervo contábil patrimonial liquido 48.572.815,13 Valor do ágio ("Dade") 36.316.184,87 Segundo o laudo de avaliação, o acervo patrimonial líquido da DADE Behring Ltda., em 30/09/2008, era de R$ 48.572.815,13. Deste modo, da diferença entre o valor total das quotas, avaliadas em R$ 84.889.000.00, e o valor do acervo patrimonial líquido incorporado, de R$ 48.572.815.13, surge o ágio de R$ Fl. 3060DF CARF MF 16 36.316.184.17, fundamentado em expectativa de rentabilidade futura. Tal ágio é contabilizado, em setembro de 2008, pela SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda. (fiscalizada), no Ativo Diferido como "Ágio na aquisição da DADE Behring Ltda.", conta 0i:0014 (Doc 33b Balancete mensal da Siemens Diagnósticos de Set 2008). Em 29/09/2008, o capital da DADE Behring Ltda., CNPJ 00.897.408/000108, totalmente integralizado passa a ser de R$ 40.397.679,00, dividido em 40.397.679 quotas de R$ 1,00 cada, todas de titularidade da SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda. (fiscalizada), CNPJ 01.449.930/000190 (Dade Bhering_Alteração contrato social de 29 09 2008). No lado da SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda. (fiscalizada), na mesma data, sua sócia holandesa SIEMENS Medicai Solutions Diagnostics Holding I BV cede e transfere sua única quota à também sócia holandesa SIEMENS Diagnostics Holding II BV e retirase da sociedade (Doc 08 – 29ª ACON DIAGNÓSTICOS). E, neste mesmo ato, a sócia remanescente, SIEMENS Diagnostics Holding II BV, cede e transfere, onerosamente, a parcela de 102.345.133 quotas (50%) da SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda. (fiscalizada) à SIEMENS Healthcare Diagnostics Inc (EUA). Na seqüência, as sócias decidem aumentar o capital social de R$ 204.690.266,00 para R$ 329.179.266,00, com o aumento efetivo de R$ 124.489.000,00, mediante criação de 124.489.000 novas quotas de valor nominal de R$ 1,00 cada. O referido aumento de capital é integralizado por ambas as sócias na seguinte proporção: a) A sócia SIEMENS Healthcare Diagnostics Inc. integraliza sua parcela de aumento mediante a cessão de 40.397.679 quotas que detém no capital da DADE Behring Ltda., CNPJ 00.897.408/000108, avaliadas em R$ 84.889.000,00 por empresa especializada. Com isso, eleva sua participação na contribuinte fiscalizada de R$ 102.345.133,00 para R$ 187.234.133,00, representada por 187.234.133 quotas (56,88%). b) A sócia SIEMENS Diagnostics Holding II BV integraliza sua parcela de aumento através de aporte financeiro de EUR 14.400.000,00, equivalentes a R$ 39.600.000,00, elevando sua participação societária de R$ 102.345.133,00 para R$ 141.945.133,00, representada por 141.945.133 quotas (43,12%). 5.1.3) Em 13/10/2008: a SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda. (fiscalizada), incorpora a DADE Behring Ltda. e passa a amortizar fiscalmente, já desde outubro de 2008, o ágio de R$ 36.316.184,88 constituído na operação de 29/09/2008 com a SIEMENS Diagnostics Inc. (Doc 09 – 30ª ACON DIAGNÓSTICOS e Protocolo de Incorporação e Justificação e Laudo de Avaliação preparado pela empresa Terco Grant Thorton anexos). E, a despeito de a operação não ter sido de aquisição, a fiscalizada registra o ágio, em setembro de 2008, como "Ágio na aquisição da DADE Behring Ltda.", em seu Ativo Diferido, conta 020014 (Doc 33b Balancete mensal da Siemens Diagnósticos de Set 2008). Fl. 3061DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.054 17 Em outubro de 2008, a fiscalizada continua a amortizar fiscalmente o referido ágio em 120 parcelas, no valor mensal de R$ 302.635,00, no entanto, exclusivamente no RTT (Doc 30 Esclarecimentos prestados em 20.09.2013 MPF n° 201300110 7). Ilustrando, graficamente, as mudanças promovidas simultaneamente: ... No item 6 do TVF a autoridade fiscal apresenta os efeitos tributários dos dois ágios de conformidade com as duas formas de amortizações eleitas, a saber: Detalhamento Valor ágio (R$) Prazo (Meses) Período Amort. Mensal (R$) 1° Ágio Bayer 158.909.542 84 03/2007 a 03/2014 1.891.780 2° Ágio Dade 36.315.185 120 10/2008 a 10/2018 302.635 Considerandose as parcelas mensais de amortizações, a autoridade fiscal apresenta tabela contemplando as amortizações realizadas no período de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, cujos valores podem ser assim resumidos: Valores em Detalhamento 2010 2011 2012 1° Ágio Bayer 22.701.361,63 22.701.361,63 22.701.361,63 2° Ágio Dade 3.631.620,00 3.631.620,00 3.631.620,00 Com relação aos registros contábeis realizados pela contribuinte, a autoridade fiscal apresenta as seguintes informações adicionais em citado item 6 do TVF, a saber: Com base nos registros contábeis e esclarecimentos apresentados pela intimada, a fiscalização verificou que a contribuinte procedeu à imediata amortização e à dedução do primeiro ágio ("Bayer") a partir de 03/2007 (Doc 30 Esclarecimentos prestados em 20.09.2013 MPF n° 201300110 7), tendo continuado a deduzilo nos anos subseqüentes. Portanto, a fiscalizada passou a deduzir do cálculo do IRPJ e da CSLL o ágio pago sobre suas próprias quotas, constituído quando sua razão social era BAYDIAG Ltda. De acordo com os balancetes de 31/12/2008 e 31/12/2009, a incorporadora registrou o segundo ágio em seu Ativo Diferido (Doc 33 Balancete da Siemens Diagnósticos 31.12.2008 e Doc 34 Balancete da Siemens Diagnósticos 31.12.2009). Informou ainda que, desde 14/10/2008, tem deduzido os encargos de amortização dos ágios da base de cálculo do IRPJ e da CSLL apenas do ponto de vista fiscal, via ajuste do RTT (Doc 37 Esclarecimentos prestados em 01.10.2013 MPF n° 2013001107 Fl. 3062DF CARF MF 18 e Doc 38 Esclarecimentos prestados em 01.10.2013 MPF n° 2013001107). A contribuinte esclareceu que "Desde de 14/10/2008, os saldos de intangível apontados por esta fiscalização passaram, em face do novo padrão contábil introduzido pelas Leis n° 11.638/2007 e 11.941/2009, a sujeitarse a testes anuais de impairment nos termos do CPC 01, corroborado pelos CPC 04 e 15, não havendo amortização contábil periódica. A partir de 01/01/2010 o tratamento dispensado ao saldo declarado de R$ 171.982.931,50 continuou a se dar nestes mesmos moldes. A amortização do referido montante desde o advento dos novos padrões contábeis passou a ser procedida do ponto de vista fiscal, via ajuste de RTT, sendo desta forma refletida nas apurações de base de cálculo do IRPJ e da CSLL da contribuinte por meio das fichas 9A e 17 das DIPJ's entregues (valores advindos da ficha 07)." (Doc 30 Esclarecimentos prestados cm 20.09.2013 MPF n° 2013001107). Extinta a amortização contábil do ágio, os encargos de amortização do primeiro (BAYER) e segundo (DADE) ágios passaram, a partir de 14/10/2008, a serem amortizados unicamente através do ajuste de RTT, por meio das fichas 9A e 17 da DIPJ's, tendo em vista que tais encargos não compuseram o lucro líquido contábil dos períodos de 14/10 a 31/12/2008 e 01/01 a 31/12/2009. Considerando que a RFB/DEMAC/SP já procedeu à autuação dos encargos dos dois ágios (Bayer e Dade), deduzidos do cálculo do IRPJ e CSLL nos anos 2007 a 2009, através do PAF n° 16643.720037/201355, o presente processo trata apenas dos encargos de amortização dos dois ágios deduzidos nos anos de 2010 a 2012. Com relação ao direito aplicável a matéria em questão esclarece a autoridade fiscal que ágio é um conceito de conteúdo econômico/contábil não sendo suscetível de ser livremente utilizado em qualquer acepção que lhe queiram atribuir. Dessa forma somente surge o ágio ou deságio quando uma sociedade adquire ações ou quotas de outra sociedade já existente, pela diferença do valor pago a terceiros e o valor patrimonial de tais ações ou quotas adquiridas dos antigos acionistas ou quotistas. Por outro lado, nos casos em que os investimentos são feitos por meio de subscrições de ações em coligadas ou controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente nenhum ágio ou deságio. Apresenta os dispositivos da legislação tributária que disciplinam a matéria artigos 385, 386 e 391 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999 (RIR/1999) , procedendo análise das normas aplicáveis à época das criações dos ágios em questão. No tocante ao ágio intragrupo, a autoridade fiscal apresenta no item 7.2 os seguintes aspectos, a seguir transcritos: Fl. 3063DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.055 19 A legislação fiscal, codificada no RIR/1999, em regra, não prevê a possibilidade de deduzir da apuração do lucro real a amortização do ágio decorrente de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido. Ao contrário, em seu art. 391, com fundamento no art. 25 do Decretolei n° 1.598, de 1977 e art. 1º, inciso III, do Decretolei n° 1.730, de 1979, dispõe que as "contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 (art. 20 do DL 1.598, de 1977) não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo patrimônio líquido). Assim, a possibilidade de deduzir o ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL restringese à hipótese do art. 386, III, c/c o art. 385, § 2o, II, ambos do RIR/1999, ou seja, nos casos em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio cujo fundamento econômico seja o de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, situação em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Nesse sentido, observase que a legislação tributária mantém como pressupostos do ágio a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do ágio. Entretanto, o reconhecimento de um ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico não encontra respaldo na legislação fiscal, não sendo possível reconhecêlo quando originado de uma transação entre partes relacionadas. No caso sob exame, fica evidente a caracterização do "ágio de si mesmo", cujas chances de oponibilidade perante o Fisco são escassas. Cita determinações emanadas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) nas Resoluções CFC n°s. 1.110/2007 e 1.292/2010 que vedam o reconhecimento de ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, para concluir que o ágio gerado internamente não decorre de uma operação com propósito negocial tal como ocorre numa transação livre da qual emerge o valor justo de um ativo negociado por partes independentes. No caso sobe exame não houve negociação em mercado livre e aberto. Tal procedimento também é condenado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia federal responsável pela fiscalização e regulação do mercado de valores mobiliários, nos termos OfícíoCircular/CVM/SNC/SEP n° 01/2007, de 14 de fevereiro de 2007, conforme excertos transcritos pela autoridade fiscal no TVF. Fl. 3064DF CARF MF 20 Afirma a autoridade fiscal que a mera observância das formalidades previstas na lei societária não é condição suficiente para reconhecer o ágio surgido em uma determinada operação, sendo necessário observar, também, requisitos materiais, como a independência das partes e um efetivo ambiente concorrencial. Continua, destacando que é tão pacífico o entendimento de que o ágio gerado internamente, fundamentado em rentabilidade futura, não se qualifica como ativo, que o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, no seu pronunciamento Técnico CPC04, item 48, asseverou, categoricamente, mesmo após o significativo avanço experimentado pela Contabilidade com a edição da Lei nº 11.638/2007, que alterou profundamente a Lei das S.A., que "o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo". Assim, com efeito, o ágio amortizado pela fiscalizada foi constituído sob a égide do art. 7º da Lei n° 9.532, de 1997, que tem como matriz legal o art. 20 do DecretoLei n° 1.598. de 1997. A questão consiste, entretanto, na ausência de substância econômica do ágio surgido dentro do grupo econômico, eis que o único e exclusivo objetivo foi o de pagar menos tributos a partir da amortização do ágio. É dizer, não houve propósito negocial para o ágio interno aqui discutido. Se a transação envolvesse terceiros independentes, obviamente o tratamento dispensado ao ágio seria diferente. Entende a autoridade fiscal que no caso em apreço, ambos os ágios foram criados dentro do mesmo grupo empresarial, concluindo, assim, que os ágios internos não poderiam ter sido amortizados e muito menos deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, pela própria contribuinte fiscalizada. Desse modo, sendo tais ágios artificiais e oriundos de uma despesa inexistente, sem qualquer fundamento econômico, não podem ser enquadrados no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, para fins de dedutibilidade, nos termos das disposições contidas no art. 299 do Regulamento do Imposto sobre a Renda, de 1999 (RIR/99). Da multa qualificada Assevera a autoridade fiscal que as operações societárias examinadas trouxeram para o patrimônio da fiscalizada ágio formado artificialmente sobre suas próprias quotas, restando inequívoca a geração artificial de ágio, inclusive, com o emprego de empresaveículo, visando única e exclusivamente reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por ocasião da amortização do referido ágio. Do exame dos fatos e documentos trazidos aos autos, denotase que cada etapa planejada visou tão somente a geração do ágio fictício. Foram promovidas operações sequencialmente planejadas cujo único objetivo era o de escapar da regular carga tributária. Afirma que a teor do disposto nos artigos 966, 981 e 982 da Lei n° 10.406, de 10/01/2002 Código Civil (CC), a finalidade Fl. 3065DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.056 21 precípua das sociedades é a realização de negócios que caracterizem o exercício de atividade econômica, materializada pela produção e circulação de bens e serviços, mediante organização de fatores de produção, capital, trabalho, matéria prima, etc. A formação das sociedades está adstrita ao ânimo do exercício de atividade econômica. Este inexistindo, caracteriza se a ausência de propósito societário e, em última análise, de motivação para a própria celebração do contrato de sociedade. Conclui a autoridade fiscal que no caso sob exame, não há causa econômica a não ser a economia fiscal para o aproveitamento de ágios criados dentro do mesmo grupo societário e através de empresaveículo. Tampouco há essência econômica na operação em que a fiscalizada incorpora a empresa veículo "Siemens Participações" para absorver o ágio de si mesma. Afirma que a fiscalizada agiu dolosamente de forma que fosse beneficiada com a amortização de ágios gerados artificialmente, resultando na redução indevida do IRPJ e da CSLL no período compreendido de março de 2007 a dezembro de 2009, e, posteriormente de janeiro de 2010 a dezembro de 2012, estando o procedimento adotado pela fiscalizada compreendido na hipótese de fraude descrita no artigo 72 da Lei 4.502/64. Entende que as peças probatórias revelam que uma das condutas adotadas foi a de impedir, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo como consequência a falta de pagamento dos referidos tributos, em montantes proporcionais ao ágio fictício amortizado. Para subsidiar essas conclusões a autoridade fiscal apresenta os seguintes elementos de convicção, a seguir transcritos (fl. 63): a) utilização da "Siemens Participações", pessoa jurídica de existência efêmera, como empresaveículo; b) as pessoas jurídicas envolvidas possuíam sócios e administradores em comum, possuíam quadros societários quase idênticos e eram ou controladas ou controladoras umas das outras; c) considerando que as pessoas jurídicas eram ligadas, os ágios foram gerados internamente; d) as operações foram realizadas sem nenhum propósito negocial; e) as operaçõeschave que criaram o ágio foram realizadas num período de meses ou dias; f) após a geração do ágio, a empresa veículo foi extinta por incorporação, sem que ela tivesse realizado qualquer tipo de atividade operacional; Fl. 3066DF CARF MF 22 g) a própria fiscalizada realizou o pagamento complementar de R$ 8.081.000,00 pela compra de suas próprias quotas. Prossegue a autoridade fiscal apresentando as seguintes constatações: A arquitetura da montagem do esquema que se desenhou, com (i) a celebração de contratos formalmente registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo Jucesp, (ii) a contratação de empresas de consultoria para elaboração de laudos de avaliação, (iii) o registro contábil do ágio, merece ser vista como causa planejada para isolar a visão do Fisco, impedindoo de conhecer a redução indevida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Alias, o raciocínio é muito simples: se houve aparatos engenhosos criados para sustentar a inocorrência do fato gerador, foi necessário obliterar as possibilidades de avaliação da capacidade contributiva, por parte da autoridade fazendária, induzindoa a vislumbrar que as operações realizadas eram todas regulares e não tinham finalidade ilícita. O modus operandi dependia do consentimento mútuo das sociedades envolvidas no esquema para fraudar o Fisco. A "Siemens Healthcare" não tem como negar que estava consciente da falta de propósito negocial dos ágios que foram registrados e amortizados. Assim sendo, a multa no lançamento de ofício será qualificada, aplicada na proporção de 150% dos tributos devidos, como determina a Lei n° 9.430/96, art. 44, § 1º. II. DA IMPUGNAÇÃO A ciência dos autos de infração foi formalizada em 09/06/2014, conforme AR de fl. 68, e, em 03/07/2014, a autuada apresentou a petição impugnativa acostada às fls. 2432/2487, com a apresentação das alegações a seguir sumariadas: 1. Do objeto da autuação fiscal Relata que a fiscalização teve por objeto de investigação a qualificação jurídica dada pela contribuinte relativamente às operações de reorganização societária que culminaram no surgimento de dois ágios, contabilizados e deduzidos na apuração do lucro real e da CSLL pela ora impugnante, entre os anos de 2007 e 2009. Que a fiscalização questiona, nestes autos, as amortizações de ágios incorridas pela ora impugnante em decorrência da aquisição de participações societárias das empresas Baydiag Ltda e DADE Behring Ltda, e respectivas incorporações ocorridas, respectivamente, em 23.03.2007 (incorporação reversa da controladora pela impugnante) e 13.10.2008 (incorporação da Dade Behring Ltda pela impugnante). Registra que a fiscalização analisou todas as operações societárias realizadas, e que de alguma forma estão relacionadas com a formação dos ágios em questão, e embora estivesse na posse de todas as informações disponíveis, após detalhada análise realizada, a autoridade autuante não teceu qualquer consideração a respeito do valor do ágio, de Fl. 3067DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.057 23 pagamento a terceiros, em espécie ou em quotas, tampouco suscitou qualquer possível irregularidade em relação aos fundamentos econômicos deles, ou quanto aos laudos elaborados por empresas especializadas com tal objetivo. Que tais questões, assim, configuram fatos incontroversos, sobre as quais é dispensável qualquer consideração. Aduz que, nos presentes autos, o questionamento do fisco está pautado, grosso modo, na pretensa falta de propósito negocial das operações, na suposta criação de ágios internos fictícios e na alegada irregularidade decorrente da utilização de "empresa veículo" para "transferência" de ágio da pessoa jurídica que efetivamente o apurou para outra pessoa jurídica. Destaca que no presente feito são tratadas, exclusivamente, as amortizações dos mencionados ágios deduzidos nos anos calendário de 2010 a 2012, tendo em vista que os inícios dessas amortizações em questão já foram objeto de outra fiscalização, que culminou na lavratura de Autos de Infrações, os quais encontramse materializados no processo administrativo nº 16646.720037/201355. 2. Dos fatos que deram origem às amortizações de ágio Preliminarmente, esclarece que as operações societárias que deram origem ao direito à amortização fiscal dos ágios objeto de análise pela autoridade fiscal tiveram, como se verá, o objetivo de: (i) racionalizar e concentrar os negócios das sociedades envolvidas, resultando em maior lucratividade e eficiência administrativa, operacional e financeira, (ii)otimização da eficiência operacional, (iii) obtenção de maior sinergia e (iv) ampliar a integração das unidades administrativas, comercial e financeira, com redução de custos operacionais, (v) consolidar investimentos no país, (vi) evitar entraves administrativos de ordem regulatória e comercial junto a clientes. Explica que o Grupo Siemens, como é sabido, apesar de sediado na Alemanha, tem atuação mundial, estando à frente de diversos segmentos, dentre eles, o de healthcare voltado à produção de aparelhos para diagnósticos laboratoriais, ao desenvolvimento de tecnologias de diagnóstico por imagem e a soluções de TI. Que, sempre no intuito de ampliar sua atuação, realizou no período fiscalizado processos negociais visando a aquisição de outros players em nível global, e assim obter uma maior consolidação de mercado. Particularmente cita duas aquisições que são de interesse para o presente caso, a saber: 2.1. Da compra da divisão de diagnósticos do grupo alemão Bayer pelo grupo alemão Siemens Alega que se tratou de operação que se deu entre partes não relacionadas, a qual, inclusive, foi objeto de análise pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), por meio do Ato de Concentração n° 08012.007318/200698 Fl. 3068DF CARF MF 24 (Doc.04), que referendou a operação sem restrições, ressaltando o fato de a mesma não gerar efeitos anticoncorrenciais, destacando, ainda, trecho da decisão que deu subsídio ao referido Ato. Resume que a auditora responsável pelo lançamento apontou que este ágio foi consubstanciado nos seguintes eventos: (i) 27.12.2006: venda pela BAYER S/A de 100% das quotas da Baydiag Ltda (CNPJ: 01.449.930/000190) em favor da compradora SIEMENS Medical Solutions do Brasil Participações Ltda (CNPJ: 08.298.066/000111), pelo valor de R$ 201.171.006,00, gerando ágio de R$ 150.828.542,12. Na mesma data a Baydiag Ltda, alterou sua denominação social para SIEMENS Medical Solutions Comércio de Produtos Diagnósticos; (ii) 23.03.2007: incorporação reversa da SIEMENS Medical Solutions do Brasil Participações Ltda (controladora), pela Siemens Medical Solutions Comércio de Produtos Diagnósticos Ltda (controlada), sob o argumento de promover a racionalização e concentração dos negócios de ambas as sociedades, resultando em maior lucratividade e eficiência administrativa, operacional e financeira (justificativa do protocolo de incorporação); (iii) 17.07.2008: a SIEMENS Medical Solutions Comércio de Produtos Diagnósticos Ltda, altera sua denominação social para SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda; (iv) 26.09.2008: A SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda, em cumprimento a cláusula de ajuste do contrato de compra e venda firmado em 2006, realiza em favor da BAYER S.A, pagamento complementar de R$ 8.081.000,00, elevando o valor do ágio para R$ 158.909.542,12. Afirma que a operação em questão foi completamente lídima, cercada por todos os contornos que se espera de um negócio realizado entre partes independentes. Que quanto ao ágio constituído pela adquirente (Siemens Participações) posteriormente incorporada por sua controlada, maior ainda é sua validade para fins de amortização fiscal visto a ocorrência dos seguintes e fundamentais requisitos: i) gerado em negócio envolvendo partes não relacionadas; ii) fundado em laudo econômicofinanceiro (fls. 1953 a 2004 do processo digital), baseado em rentabilidade futura, que, reiterase, em nenhum momento foi refutado pela fiscalização; iii) lastreado em efetiva transferência de disponibilidade da compradora para a vendedora, a qual foi devidamente confirmada pela fiscalização. 2.1.1. Da improcedência da acusação de ágio interno Ressalta a equivocada afirmação da i. auditora fiscal no TVF, que desde julho de 2006 BAYER SA e a SIEMENS já formavam a Siemens Medical Solutions Diagnostics e faziam parte do mesmo grupo empresarial. Que nada é mais absurdo. Que a fiscalização fundou tal afirmação com base em parco parágrafo do laudo de avaliação econômicofinanceira, o qual aponta o seguinte comentário: "Em julho de 2006 a divisão de diagnósticos da BAYER Healthcare, "a BAYER" foi adquirida juntamente com a Diagnostics Products Corporations (DPC) pela Siemens pelo total de 5,7 bilhões de euros, passando a compor a maior unidade de diagnóstico da SIEMENS chamada de SIEMENS Medical Solutions Diagnostics". Para evitar qualquer Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.058 25 interpretação equivocada neste sentido, esclarece que uma operação em nível global como a efetuada entre a Bayer e a Siemens não se realiza do dia para a noite, como tenta dar a entender a autoridade fiscal. Entre o anúncio deste tipo de transação e sua efetiva concretização do ponto de vista formal (jurídico), principalmente quando os ativos envolvidos encontramse espalhados em várias localidades (países), é notoriamente sabido, a necessidade de realizar uma série de ajustes e passos de cada uma das partes, por conta de questões de ordem financeira, organizacional, societária, dentre outras, com o fito de convalidar juridicamente negociação de tal vulto. Em outras palavras, uma coisa é a negociação comercial e seu anúncio para o mercado, outra completamente diferente e mais espaçada é sua formalização de direito, não sendo raro demandarse a criação de estruturas específicas de compra por localidade, seja em face das peculiaridades legislativas de cada país, das estruturas societárias remota e local, em que se encontrem inseridos os ativos negociados, de aspectos de cunho regulatório a serem observados (ANVISA, CADE, etc.), da organização financeira de recursos para formação do numerário necessário ao adimplemento da compra, dentre tantos outros itens que impactam a regular transferência dos ativos. No Brasil, como já exposto alhures, a transação entre o grupo BAYER e o grupo SIEMENS para transferência dos ativos relativos a diagnósticos humanos in vitro, deuse através da compra de 100% das quotas da empresa local Baydiag Ltda (constituída em 1996), subsidiária integral do Grupo Bayer, e de ativos relevantes da Bayer S.A, outra subsidiária integral do Grupo Bayer. Justifica, ainda, que, no tocante a venda das quotas da Baydiag Ltda, do ponto de vista do Grupo BAYER os preparativos para a transferência dos ativos transacionados deramse por meio dos seguintes passos, confirmados pela própria fiscalização: 27.09.2006: A BAYER Healthcare LLC, sociedade estabelecida em Delaware (EUA), era detentora de 3/4 do capital social da BAYDIAG; 19.10.2006: A BAYER S/A detinha R$ 10,00 de participação societária na BAYDIAG Ltda, enquanto a BAYER Healthcare LLC detinha R$ 1.304.602,00; 27.11.2006: A BAYER Healthcare LLC retirase da sociedade e a BAYER S/A permanece sócia com R$ 1.304.612,00; 25.12.2006: A BAYER S/A aumenta o capital da Baydiag Ltda R$ 1.304.612,00 para R$ 68.651.990,00, mediante a conferência de bens e direitos. Segue justificando que, por parte do Grupo Siemens, adotaram se os seguintes procedimentos prévios à materialização jurídica da transação Brasil: 21.11.2006: aquisição pelas empresas holandesas SIEMENS Diagnostics Holding II BV e Diagnostics Products Corporation Benelux BV das quotas da Valussi Participações (CNPJ n° 08.298.066/000111) constituída em 06.09.2006, cujo capital social era de R$ 100,00, junto às sócias Texpar Participações Ltda (CNPJ: 01.959.602/000133 e Pacaembú Serviços e Participações Ltda (CNPJ: 02.473.211/000177), com alteração de sua denominação para Fl. 3070DF CARF MF 26 Siemens Medical Solutions do Brasil Participações Ltda; 26.11.2006: transferência de numerário no montante total de R$ 209.028.301,00 para Siemens Medical Solutions do Brasil Participações Ltda por meio das seguintes operações de câmbio, devidamente reconhecidas pela autoridade lançadora: (i) aporte de capital feito pela controladora direta Siemens Diagnostics Holding II BV (R$ 141.096.080,00 Contrato de Câmbio n° 06/027749); (ii) aporte de Capital pela sócia Diagnostics Products Corporation Benelux BV (R$ 1,00 – Contrato de Câmbio n° 06/027751); (iii) empréstimo feito pela controladora indireta alemã Siemens A.G. (R$ 67.532.220,00 Contrato de Câmbio n° 06/027754). Finaliza afirmando que, realizados os procedimentos prévios de parte a parte, eis que finalmente em 27.12.2006 ocorre a compra das quotas da Baydiag Ltda, pela SIEMENS Medical Solutions Participações do Brasil, que localmente foi formalizada por meio de contrato de venda de quotas e acordo de transferência (Share Sale and Transfer Agreement) celebrado em 27.12.2006 (fls 673 a 695 do processo digital). Conclui que, com base em tudo o quanto exposto, a afirmação feita pela auditora de que o ágio decorrente da aquisição da Baydiag Ltda tratase de ágio interno e fictício é totalmente teratológica, visto restar absolutamente comprovado que a compra do ativo brasileiro deuse entre partes não relacionadas, fazendo parte de uma aquisição em âmbito global, que apenas se utilizou de estrutura de compra local para consolidação do investimento no Brasil. Ressalta novamente que, conforme corroborado pela própria autoridade fiscal, a SIEMENS Medical Solutions do Brasil Participações Ltda procedeu ao pagamento de preço no montante de R$ 201.171.006,00 em favor da BAYER S/A pelas quotas da empresa BAYDIAG Ltda, sendo este preço "sem dívidas e caixa", o qual nos termos do contrato poderia ser reajustado em função destes fatores. De acordo com o contrato ainda foi eleito pelas partes como segundo fator de reajuste de preço a diferença apurada entre o "capital de giro líquido alvo" e o “capital de giro líquido da empresa". Logo, o pagamento complementar de R$ 8.081.000,00 realizado em 26.09.2008, que se deu com base nos itens 2.2, 2.3 2.5 do instrumento contratual de compra e venda (fls. 1928 a 1952 do processo digital), nada mais foi do que o cumprimento de cláusula contratual que determinava reajuste de preço em função dos parâmetros dispostos no acordo firmado. Resta óbvio e clarividente, portanto, que a compra das quotas da Baydiag por empresa do grupo SIEMENS não pode jamais ser considerada como uma operação intragrupo, entendendo a impugnante que não há maiores ilações a serem feitas quanto a esta acusação, ante a cabal demonstração de inverdade de tal fato. 2.1.2. Do uso da Siemens Medical Solutions do Brasil Participações Ltda para efetivação da transação de compra da Baydiag Ltda. Assevera que, conforme já exposto, tanto a vendedora (Grupo BAYER) quanto a compradora (Grupo SIEMENS) montaram Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.059 27 estruturas próprias para efetivação do negócio celebrado. Que a empresa SIEMENS Medical Solutions do Brasil Participações Ltda teve o papel de formalizar localmente o investimento feito pelas controladoras holandesas, que fizeram o uso de modelo semelhante para aquisição dos demais ativos da divisão de diagnóstico da BAYER localizados em outros países e que também fizeram parte da referida transação. Ou seja, criouse uma empresa local para realização do investimento a ser efetuado em cada país onde exista um ativo a ser adquirido, ainda que em caráter transitório, para posterior ajuste societário. No Brasil, a posterior incorporação deuse de forma reversa por questões de ordem diversa como de cunho regulatório, vinculadas ao CNPJ da Baydiag afeta ao uso da licença de seus produtos registrados perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), vez que as transferências de licenças de produtos para outro titular é cercada de uma série de entraves burocráticos, cujo tempo de resolução e aprovação por esta agência reguladora não acompanha a dinâmica afeta ao mundo dos negócios. Acrescenta que, se no processo de incorporação o CNPJ da Baydiag fosse extinto, o grupo SIEMENS seria obrigado a passar por toda uma via crucis de recadastramento perante a carteira dos então clientes da empresa adquirida, o que mais uma vez poria em risco o tempo de retorno de um investimento de valor tão expressivo, que, repisese novamente, foi feito em âmbito global. Não obstante o contexto aqui explanado, a fiscalização afirmou que a "Siemens Participações" teve mero papel de empresaveículo, sendo utilizada como um canal de transferência do ágio para a impugnante, posto que dotada das seguintes características: a) Sociedade de breve existência; b) Não auferiu receitas operacionais; c) Não possuiu funcionários; d) Possuiu contemporaneamente por um átimo de tempo o mesmo endereço de sua controlada; e) Possuiu contemporaneamente o mesmo diretor. Quanto a esta parte da acusação, os argumentos de direito aptos a defesa dos interesses da impugnante serão expostos oportunamente no tópico 4 desta impugnação. 2.2. Compra do grupo americano Dade Behring pelo grupo Siemens Esclarece que, de acordo com a descrição da fiscalização, referido ágio estaria consubstanciado nos seguintes e simples eventos: (i) 29.09.2008: Siemens Healthcare Diagnostics Inc. integraliza com ágio R$ 36.316.184,88 no capital da impugnante a totalidade das quotas detidas na empresa brasileira DADE Behring Ltda (CNPJ: n° 00.897408/000108, avaliada por empresa especializada em R$ 84.889.000,00; (ii) 13.10.2008: incorporação da DADE Behring Ltda (CNPJ: 00.897.408/0001 08) pela SIEMENS Medical Solutions Comércio de Produtos Diagnósticos e início da amortização fiscal do ágio baseado em rentabilidade futura. Fl. 3072DF CARF MF 28 Explica que este segundo ágio está inserido em um contexto negocial muito mais amplo do que o mencionado pela auditoria fiscal, estando relacionado à aquisição realizada pelo Grupo SIEMENS no exterior, mais precisamente por meio de oferta pública de ações (OPA) na Bolsa de Nova Iorque, que obedeceu as normas da Comissão de Valores Imobiliários dos Estados Unidos (U.S. Securities anda Exchange Comission SEC), conforme assevera processo de ato de concentração analisado pelo CADE e que será melhor citado a seguir. Anota que, nesta OPA adquiriuse as ações da empresa Dade Behring Holdings Inc., sociedade de capital aberto, estabelecida em Delaware (EUA), então controladora do grupo Dade Behring, que atuava no segmento de comercialização de produtos, sistemas e serviços desenvolvidos para atender às necessidades do diaadia de laboratórios clínicos. Dentre as controladas Dade Behring Holdings Inc. estava empresa localizada no Brasil: Dade Behring Ltda. Por ter reflexos para o mercado brasileiro, referida operação, assim como no caso da Baydiag, também foi objeto de apreciação pelo CADE por meio do Ato de Concentração n° 08012.010831/200747 (Doc.05). A operação, em âmbito mundial, decorrente desta OPA está refletida nos termos do "Agreement and Plan of Merger" (ContratoDoc.06) celebrado entre (i) Siemens Corporation, uma empresa constituída em Delaware, (ii) Belfast Merger Co, empresa constituída em Delaware e subsidiária integral da Siemens Corporation (compradoras), e Dade Behring Holding Corporation. Inc (vendedora) em 25.07.2007. Com base no contrato firmado, foi feita uma oferta pública em dinheiro, de acordo com a lei de aquisição norteamericana, para aquisição de todas as ações e em circulação do capital acionário da Dade Behring Holding Corporation Inc, de valor nominal de US$ 0,01 por ação, inclusive de certos direitos relacionados, ao valor de US$ 77,00 por ação. Conclui que houve nítido pagamento do sobrepreço, que considerou todos os investimentos do grupo Dade Behring espalhados pelo mundo, inclusive no Brasil. Por meio desta transação, o grupo Siemens por meio de sua subsidiária integral Siemens Corporation, passou a deter 100% das ações do capital ordinário da "Dade". Como resultado desta operação, a subsidiária brasileira (Dade Behring Ltda) passou a ser uma subsidiária integral após o fechamento da operação. De acordo com a análise feita pelo CADE, se entendeu que esta nova aquisição realizada pelo Grupo Siemens não seria prejudicial a concorrência do segmento de atuação. Feita esta introdução, a impugnante passa à descrição da operação que no Brasil, gerou o segundo ágio questionado pela fiscalização: 29.09.2008. De acordo com a 29ª Alteração Contratual da impugnante (fls. 188 a 203 do processo digital), a SIEMENS Diagnostics Holding I BV, possuidora de uma única quota da impugnante no valor nominal de R$ 1,00, cede e transfere de forma onerosa esta participação a Siemens Diagnostics Holding II BV, passando temporariamente a deter 100% de sua participação. Fl. 3073DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.060 29 Lembra que se trata das mesmas sócias que constavam do quadro societário da impugnante após a incorporação realizada em 23.03.2007, decorrente da operação de compra da Baydiag Ltda. Neste mesmo ato a SIEMENS Diagnostics Holding II BV, cede a título oneroso a SIEMENS Healthcare Diagnostics Inc, 50% das quotas por ela detidas, de forma que cada sócia passou a deter 50% do capital social da impugnante. Segue afirmando que as sócias (Siemens Diagnostics Holding II BV e Siemens Healthcare Diagnostics Inc) deliberam por aumentar o capital social da impugnante em R$ 124.489.000,00, ou seja, de R$ 204.690.266,00 para R$ 329.179.266,00, com a criação de novas quotas, integralizadas na seguinte conformidade: (i) A Siemens Healthcare Diagnostics Inc. integraliza as 40.397.679 quotas (valor nominal de R$ 1,00 por cota) que detinha no capital da sociedade Dade Behring ao valor de R$ 84.889.000,00, elevando sua participação de R$ 102.345.133,00 para R$ 187.234.133,00 (56,88%); (ii) Siemens Diagnostics Holding II BV, integraliza mediante aporte financeiro (contrato de câmbio n° 08/0616862), valor equivalente a R$ 39.600.000,00 elevando sua participação de R$ 102.345.133,00 para R$ 141.945.133,00 (43,12%). Neste particular, é que se contextualiza o passo mencionado pela fiscalização acerca da cessão pela Dade Finance LLC (EUA) de uma única quota da Dade Behring Ltda a Siemens Healthcare Diagnostics Inc. no dia 29.09.2008, que é de caráter meramente perfunctório. Destaca que o valor de R$ R$ 84.889.000,00 atinente a integralização efetuada pela sócia Siemens Healthcare Diagnostics Inc., por meio do aporte das quotas da Dade Behring Ltda., foi devidamente respaldado por relatório de avaliação econômicofinanceira, com fundamento em rentabilidade futura, não contestado pela fiscalização, uma vez que o valor patrimonial das quotas aportadas em 30.09.2008, conforme asseverada pela própria auditora fiscal era de R$ 48.572.815,13. Partindo do contexto aqui apresentado, conclui que a integralização das quotas da Dade Behring Ltda no capital da impugnante em 29.09.2008 e sua subsequente incorporação em 13.10.2008, nada mais foi do que um movimento societário de consolidação dos investimentos no Brasil por parte da controladora Siemens Healthcare Diagnostics Inc, no tocante a divisão de diagnósticos por ela mundialmente gerida. Não faria o mínimo sentido empresarial manter em CNPJ's distintos no Brasil duas empresas do mesmo segmento econômico, pertencente ao Grupo Siemens (a impugnante e a Dade Behring Ltda). O caminho natural, como dito, seria a consolidação dos investimentos em uma única pessoa jurídica no país. Tanto que na justificativa apresentada no protocolo de incorporação, faz se menção as seguintes vantagens advindas da incorporação da Dade Behring Ltda pela Siemens: (i) otimização da eficiência operacional e (ii) maior sinergia e ampla integração das unidades administrativas, comercial e financeira, com redução de custos operacionais. Fl. 3074DF CARF MF 30 Justifica que o aporte com ágio das quotas da Dade Behring Ltda no capital da impugnante foi devidamente respaldado em laudo de avaliação econômicofinanceira, que, repitase, não foi controvertido pela fiscalização. O sobrepreço pago pela Siemens Healthcare Diagnostics Inc na OPA realizada nos Estados Unidos corrobora o entendimento de que o valor patrimonial dos investimentos, incluindo o brasileiro, então detidos pela adquirida Dade Behring Holding Inc. realmente não refletiam seu valor de mercado. Logo, o laudo de avaliação econômico financeira elaborado por empresa de auditoria de primeira linha para o aporte do investimento brasileiro na impugnante, apenas reafirmou a tendência de valorização do preço observada na OPA realizada nos Estados Unidos. Pondera que o ágio constituído no aporte, nada mais foi do que uma reafirmação da tendência de mais valia de ativos relacionados ao segmento explorado pela impugnante, naquele momento histórico. Desta feita as considerações da fiscalização de que o ágio em questão seria artificial não merece guarida, visto que dotada de propósito negocial, voltado à consolidação dos investimentos detidos pelo Grupo Siemens no Brasil, voltados ao segmento de produtos e soluções de diagnóstico laboratorial. O fato de o mesmo ser intragrupo de forma alguma o desqualifica desde que devidamente contextualizado em um cenário empresarial, como no presente caso. 3. Da validade das amortizações dos dois ágios face a existência de propósitos negociais nas operações analisadas Reclama que, ao relacionar os pontos nos quais o trabalho fiscal justifica as cobranças, percebese claramente a utilização de verdadeiros "lugares comuns" em todos os procedimentos fiscais que vêm sendo realizados em torno do direito de dedução fiscal das amortizações de ágio, assegurado pelos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532/97, tais como falta de propósito negocial, falta de substância econômica, utilização de "empresa veículo", ágio interno, etc. Mais adiante, a impugnante contestará os pontos de direito levantados pela fiscalização, mas de início quer destacar que a utilização indiscriminada daqueles argumentos de acusação, sem a devida atenção aos fatos concretos do caso presente, determina afirmações e conclusões equivocada por serem impróprias ao que efetivamente ocorreu. Justifica que, em nenhum dos dois casos (Ágio Baydiag e Ágio Dade) se tratou de criar ágios e de montar uma estrutura artificial, com a finalidade de obter uma incabível vantagem fiscal. Repete que: o primeiro ágio decorrente da aquisição da Baydiag Ltda., atendeu as três premissas básicas para sua convalidação, quais sejam: (i) ocorrência do efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; (ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; (iii) demonstração da lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura; Fl. 3075DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.061 31 o segundo ágio decorrente da integralização das quotas da Dade Behring na impugnante, apesar de intragrupo em sua parte final, é oriundo de um contexto negocial muito mais amplo, envolvendo operação no exterior também entre partes não relacionadas, realizada por meio de OPA, lastreada em pagamento realizado no ambiente de bolsa de valores, tendo sido o ágio constituído no Brasil por meio de integralização de quotas também devidamente avaliado e referendado por meio de laudo de avaliação econômicofinanceira elaborado por empresa de primeira linha, com base em rentabilidade futura, não contestado pelo fisco. Argumenta que a perna brasileira que culminou no segundo ágio foi plenamente justificada por aspectos de caráter organizacional, voltados a consolidação de investimentos no Brasil no segmento de atuação da controladora americana atinente a produtos e soluções para diagnósticos laboratoriais, não havendo também qualquer contestação do Fisco quanto ao sobrepreço, igualmente lastreado em laudo econômico financeiro. Em suma, a incorporação subseqüente em 13.10.2008 que deflagrou o aproveitamento do segundo ágio, mais do que uma ferramenta jurídica apta a tal consolidação, era, na verdade, o caminho jurídico natural e apropriado a tal fim. Estas foram as grandes razões de todos os atos que desencadearam as amortizações de ágio ora combatidas, a revelar que o objetivo central, último, das reestruturações societárias não era fiscal, mas sim negocial. Acrescenta que as reorganizações societárias, como ficou evidente pela narrativa dos fatos feita anteriormente, possuía também finalidades negocial, extrafiscal, não obstante o grupo SIEMENS, na qual a impugnante encontravase inserida, tivesse, sim, interesse na dedução fiscal do ágio, no que aliás, não reside qualquer irregularidade, já que foram cumpridas a risca as determinações dos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532/97. Desse modo, tendo em vista o objetivo do ato, e dentro das alternativas legais para fundamentação do ágio, a expectativa de rentabilidade lastreou o respectivo registro contábil. E, dentro os caminhos possíveis para a amortização do ágio, adotouse um deles (incorporação), o qual, além de permitir a consecução dos objetivos econômicos acima destacados, ainda garantiu que não fossem desfeitos os complexos patrimoniais da impugnante, assegurandose que eles continuassem em plena operação mediante a utilização de todos os seus recursos materiais e imateriais, gerando lucros aos acionistas. Daí a fundamentação econômica dos ágios, centrada na expectativa de resultados futuros do empreendimento, no que foi cumprida, digase novamente, à risca a disciplina legal derivada do art. 20 do Decretolei n ° 1.598/77. Isto quanto à formação dos dois ágios, a qual como dita, não foi questionada pela fiscalização, até porque legítima, além de devidamente documentada e registrada. Fl. 3076DF CARF MF 32 Argumenta que o escopo da lei e a sua própria razão de ser, isto é a "mens legis" da norma contida no art. 7º e 8º da Lei n° 9.532 é permitir a dedução da amortização incorrida na aquisição onerosa de participação societária desde que se reúnam as duas pessoas jurídicas envolvidas, ou seja, a adquirente e aquela cuja participação societária foi adquirida. E para atingir esse desiderato a norma legal abre amplas vias, seja de fusão, seja de incorporação, seja de cisão, seja da controlada pela controladora, seja desta por aquela, a demonstrar que a adoção de uma ou de outra em cada caso será aquela que se mostrar mais adequada. Assim, sob o ponto de vista estritamente fiscal, a dedução da amortização do ágio pode ser conseguida por múltiplos caminhos, como por exemplo: pura e simples incorporação da sociedade adquirida pela adquirente, e viceversa; ou cisão total da sociedade adquirente, com incorporação de parcelas do seu patrimônio na sociedade adquirida; ou fusão das duas sociedades numa terceira. Entende que este é um dado importante para desfazer uma possível idéia de simulação, pois em regra a simulação visa atingir um resultado vedado legalmente. Também é cediço em doutrina e jurisprudência que simulação pressupõe um motivo para simular, de tal modo que, se o resultado que se inquina de simulado, além de não ser ilegal, pode ser legalmente atingido por outros meios igualmente legais, de simulação não se trata. Porém a simulação será objeto de outras considerações mais específicas a serem apresentadas adiante, valendo por hora apenas esta primeira observação oportuna. Enfatiza que tanto na operação relacionada a Baydiag quanto àquela pertinente a Dade Behring, a opção pela adoção dos atos praticados não decorreu de qualquer arranjo ilegítimo; pelo contrário: foram meios de atender a outros objetivos que não apenas de ordem tributária, notadamente a efetivação jurídica no Brasil de uma compra de ativos feita em âmbito mundial (Baydiag Ltda), que envolvia, por exemplo outros aspectos de caráter regulatório (ANVISA) e comerciais junto a clientes, e a consolidarão de investimentos de um mesmo segmento no Brasil (Dade Behring Ltda) para maior eficiência administrativa e operacional, visando em ambos os casos alavancar os negócios da impugnante no país. De simulação, portanto, não se trata, haja vista que inexistiam motivos para simular. De fato, afirma a impugnante que nada foi escondido, nem houver qualquer engodo, estando tudo às claras e tendo efetivamente ocorrido operação de compra e vendas de participação societária (no Brasil e no exterior), com o correspondente pagamento de preço a terceiros no caso da Baydiag, ou a dação em pagamento em quotas no caso da Dade Behring no aumento de capital social da impugnante por sua controladora americana. Quanto à sua amortização, esclarece que decorreu da disciplina que em 1997 foi introduzida no argumento jurídico pela já mencionada Lei n° 9.532, ou seja, a amortização do ágio passa a Fl. 3077DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.062 33 ser dedutível a partir do momento em que se desse: (i) a incorporação da empresa adquirente por aquela cujas quotas foram adquiridas (Baydiag), e (ii) a incorporação da empresa (Dade Behring Ltda), cujas quotas foram integralizadas com ágio, pela pessoa jurídica (impugnante), que anteriormente havia recebido referida participação societária por meio de aporte feito por sua controladora estrangeira. 4. Da alegada utilização de empresa veículo no ágio decorrente da aquisição da Baydiag e sua suposta falta de propósito negocial Contesta o entendimento da fiscalização, de que a Siemens Medical Solutions do Brasil Participações Ltda constituiuse como empresa veículo, criada sem propósito negocial, com o único objetivo de servir de ferramenta de passagem para o ágio ser transposto para a impugnante. Alega ser fato incontroverso que houve efetiva aquisição de participação societária com ágio, até porque decorrente de operação de compra e venda de ações, na qual houve efetivo desembolso financeiro a terceiros. Sabese que a empresa veículo é elemento possivelmente existente em situações de simulação, quando haja aparência de transferência de direitos para pessoa diferente daquela a quem realmente haja a transferência, inclusive mediante interposição de pessoa, situação esta correspondente à hipótese de simulação elencada no inciso I do parágrafo único do art. 167 do Código Civil. Sabese também que a prova da simulação é indiciária, e esta se forma não por um indício isolado, mas por indícios convergentes e logicamente concatenados para demonstrar a verdade dos fatos sobre os quais não existe prova material, conforme jurisprudência pacífica e conforme será melhor detalhado adiante. Entende que somente há simulação quando existe motivo para simular, porque somente se simula quando o ato dissimulado produz algum efeito jurídico indesejado, que o ato dissimulatório não acarreta, ou aquele não produz um efeito desejado que este produz. Tratouse a Siemens Medical Solutions do Brasil Participações Ltda de uma sociedade de propósito específico (estrutura de compra local de ativo brasileiro objeto de negociação mundial em bloco), para o qual não eram necessários empregados, nem a realização de outros negócios desconectados com a sua razão de existir, nem sendo necessário que ela tivesse longa existência. Cita o Acórdão CARF n° 1.40200802 (Caso Santander Banespa), que apesar de operacionalmente ser mais assemelhado ao contexto do segundo ágio (Dade) visto que tratou de aumento de capital de sociedade brasileira com participação societária de outra pessoa jurídica com ágio, tratou de conceitos relacionados ao uso de empresa veículo. Nele a 4ª Câmara da 2ª Turma Ordinária assim se posicionou: "a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Fl. 3078DF CARF MF 34 Lei n° 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco." Destaca, ainda, no mesmo sentido, o acórdão CARF nº 1301 001.224, reproduzindo a sua ementa. Afirma que foi com o objetivo de evitar os inconvenientes ligados à extinção do CNPJ adquirido (Baydiag), assim como evitar delongas relacionadas à burocracia de órgãos públicos (agência reguladora) na criação de pessoas jurídica de tal ou qual maneira, que se optou, pela incorporação reversa, após a constituição do investimento local, repisese novamente, encontrase inserido no contexto de uma compra em nível mundial. Portanto, se no âmbito fiscal, o objetivo da criação da SIEMENS Medical Solutions do Brasil Participações Ltda foi emparelhar diretamente a amortização do ágio com a geração de lucros, no que, vale destacar, não há mal nenhum, no plano negocial, a referida sociedade exerceu papel fundamental para afastar burocracia e inconvenientes relacionados a adoção de outras estruturas jurídicas que chegariam ao mesmo resultado, qual seja, o direito à amortização do ágio. Melhor explicando, o grupo Siemens no Brasil foi e é detentor de inúmeros CNPJ's em vários segmentos de atuação. Nesta órbita, nada impediria que a operação de compra se desse por meio de um destes CNPJ's operativos, constituídos há vários anos, com receitas operacionais e funcionários. Em outras palavras, as controladoras estrangeiras no exterior, poderiam capitalizar um destes "antigos" CNPJ's em operação, ou utilizar recursos próprios destes, caso houvesse disponibilidade, para efetivar a compra das quotas da Baydiag Ltda junto a BAYER S/A e posteriormente incorporar ou ser incorporado pela empresa adquirida amortizando fiscalmente o ágio da mesmíssima forma. Todavia, não faria sentido o mínimo sentido negocial misturar "alhos com bugalhos", visto a falta de sinergia que ocorreria caso a adquirente/incorporadora fosse de um segmento completamente diferente da adquirida/incorporada. Pondera que, em outros tempos, já existiram grandes conglomerados que reuniam sob a égide de uma única pessoa jurídica, dezenas, centenas de filiais com atividade segmentadas, não correspondente entre si. Com o tempo, mostrouse que tal tipo de modelo é falho e retrógrado, por burocratizar os negócios, engessar decisões empresariais, tornando jurássica a estrutura empresarial e passando a gerar déficits que posteriormente levam ao holocausto da corporação. Vários foram os exemplos da história moderna neste sentido. Nos dias atuais, a dinâmica que impera do mundo dos negócios, torna proibitiva tal tipo de prática, na medida em que um determinado negócio que em um dado momento mostrase atrativo e lucrativo para um determinado grupo econômico, em momento próximo passa a não ter mais sentido, tornandose um freio ao aos objetivos de seus investidores, seja por mudanças de cenários financeiros, políticos e até por alteração de estratégias Fl. 3079DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.063 35 empresariais, baseada em oferta e demanda, e peculiaridades de mercado (globais ou regionais). Destaca que a jurisprudência administrativa já se firmou no sentido de que a incorporação às avessas é plenamente admitida, inclusive em planejamentos tributários, o que foi dito, por exemplo, nos acórdão n° 10707596 de 14.04.2004 e 105.15822, de 22.06.2006, das 7ª e 5ª Câmaras do antigo 1º Conselho de Contribuintes, e no acórdão n° 10197072 de 17.12.2008, da 1ª Câmara do Antigo 1º Conselho de Contribuintes, o qual validou a incorporação às avessas em operação que envolvia a amortização fiscal de ágio. 5. Do direito a amortização do ágio decorrente da aquisição no exterior da empresa Dade Behring Resume os seguintes eventos: Empresa americana do grupo Siemens (Siemens Healthcare Diagnostics Inc), adquiriu com sobrepreço por meio de OPA nos Estados Unidos da América, 100% das ações do Dade Behring Holding Inc, absorvendo todos os seus investimentos em outras empresas do grupo DADE.; A Dade Behring Holding Inc. detinha o controle de uma série de empresas espalhadas pelo mundo, dentre elas a brasileira Dade Behring Ltda. No Brasil a aquisição global foi objeto de ato de concentração cuja parecer foi favorável ao negócio envolvendo o mercado brasileiro; Em 29.09.2008 a antiga controladora holandesa da impugnante cede onerosamente metade de suas quotas a Siemens Healthcare Diagnostics Inc (EUA), de forma que cada sociedade passa a deter 50% de participação societária da investida brasileira; Nesta mesma data é promovido o aumento do capital social da impugnante, sendo que a sócia norteamericana integraliza sua parcela por meio de aporte com ágio das quotas por ela detidas da Dade Behring Ltda; Em 13.10.2008, a impugnante incorpora a Dade Behring Ltda, passando a amortizar o ágio advindo da integralização com sobrepreço. Alega que o modus operandi desta operação em muito se assemelha, àquela que foi analisada recentemente pelo CARF por meio do Acórdão n° 1301 001.224 (Caso Banco GMAC), cujo resultado foi favorável ao contribuinte com a improcedência do lançamento perpetrado. Para provar que se trata do mesmíssimo modelo utilizado pela impugnante no tocante a constituição e amortização do ágio da Dade Behring Ltda, cita trecho do voto condutor que legitimou a amortização fiscal de ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico, inclusive, relativizando do ponto de vista tributário, aplicação das normativas CVM citadas pela auditorafiscal no termo de verificação do presente caso. Cita, na mesma linha de julgamento, o caso Gerdau retratado no acórdão 110100.718. Conclui, tomando por base estes dois recentes julgados do CARF, que a interpretação atualmente feita pelas autoridades fiscais para operações envolvendo ágio interno não subsistem, Fl. 3080DF CARF MF 36 ainda mais quando respaldadas em notório propósito negocial como no caso da impugnante, que apenas visava consolidar seus investimentos no país, considerando os efeitos de aquisição em nível global comprovadamente realizada em ambiente de mercado aberto de ações. Entende a contribuinte que inexiste lastro legal para a desconsideração simples e pura de ágios que impropriamente são classificado como “internos”, não existindo qualquer dúvida de que as pessoas jurídicas poderiam como deveriam registrar resultados em transações que envolvessem ativos entre sociedades empresárias sob controle comum, sendo absolutamente indiferente o fato de referido ativo ser, verbi gratia, uma mercadoria ou uma participação societária. Alega que tal circunstância tem como o origem o fato dos padrões contábeis brasileiros não preconizarem demonstrações consolidadas integrantes de um mesmo grupo econômico – standard esse adotado nos Estados Unidos da América, em que é enaltecida a entidade consistente no grupo econômico , sendo certo que, na esteira do que prevalece na Europa Continental, são enternecidas aqui as demonstrações de resultados individuais, o que deriva de nosso apreço pela abstração da pessoa jurídica, tão cara aos cultores da tradição romano germânica. Acerca dessa afirmações, apresenta a contribuinte lições do Professor Eliseu Martins, constantes do Parecer confeccionado para o Processo Administrativo nº 16561.720070/201123 (Doc. 7). As considerações apresentadas em citado Parecer levam ao entendimento da contribuinte de que não pode prosperar a posição do fisco no sentido da impossibilidade de registro de ágio decorrentes de operações societárias envolvendo sociedades integrantes do mesmo grupo econômico, em absoluto ratificação de tudo o que foi dito linhas atrás. 6. Da inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível Sustenta que, mesmo que se considere a amortização fiscal do ágio indedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ no presente caso, o que se admite apenas a título argumentativo, é possível concluir que o lançamento de CSLL não possui fundamento legal, motivo que enseja o cancelamento do Auto de Infração em comento, conforme já se manifestou o Conselho de Contribuinte por meio do Acórdão nº 10707315. 7. Da improcedência da multa qualificada de 150% Se "ad argumentandum" a impugnante tivesse cometido a infração que lhe foi imputada, haveria incidência de IRPJ e CSLL que ela julgou devidos, situação em que seria cabível a aplicação da penalidade correspondente. Não obstante, mesmo assim seria descabida a qualificação da multa, tal como feito nos autos de infração, por aplicação do parágrafo 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.488, Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.064 37 de 2007. O TVF justifica a multa agravada, porque teria ocorrido a hipótese do art. 72 da Lei n° 4.502/64, a que alude o art.44. Entretanto, o art. 72 descreve hipóteses em que o contribuinte dolosamente modifica as características essenciais do fato gerador, o que pressupõe a ocorrência do fato gerador, seguida de modificações naquelas características, introduzidas pelo contribuinte para se safar da obrigação já existente, coisa que não ocorreu, que por não ter havido dolo, como amplamente comprovado nos tópicos precedentes, quer porque a impugnante não introduziu qualquer modificação em qualquer fato ocorrido, seja ele fato gerador de obrigação tributária ou não. Pelo contrário, os atos praticados estão conservados em sua forma documental e escritural reveladora da sua efetiva substância jurídica, tais como eles ocorreram, sem a mínima modificação. Este breve intróito, contudo, não esgota o assunto, sendo necessária uma análise mais aprofundada, com base na qual a impugnante contesta a validade da multa de ofício aplicada. A jurisprudência sempre se opôs à multa qualificada em situações como a destes autos, podendose citar inicialmente os acórdãos n° 10321046 e 10321047. (trechos reproduzidos) Alega que no caso em apreço não há registros de documentos inidôneos, empresas fictas, fraudes em registros contábeis ou de qualquer natureza. Noutro diapasão todos os atos societários foram registrados nos órgãos competentes, assim como na escrituração contábil e fiscal da contribuinte. Cita o art. 20 do Decreto Lei n° 1.598/1977, arts. 7° e 8° da Lei 9.532/1997, para concluir que fica absolutamente claro que inexiste vedação expressa aos procedimentos adotados pelo contribuinte, logo, não há que se falar em fraude à lei, que aliás não pode ser confundido com erro de interpretação da lei. Na fraude a lei, o ato em si é ilícito tendo em vista que o ordenamento jurídico proíbe sua prática. Ora, não há dúvidas quanto a uma das intenções da contribuinte nas operações realizadas, relativa a reduzir os tributos devidos, tendo ele praticado todos os atos que entendeu válidos e amparados na lei. Se obteve êxito é outro aspecto a ser analisado, mas daí a se afirmar que estaria presente o dolo e configurada a fraude, data vênia, não há como comungar desse entendimento. Desde o primeiro atendimento à Fiscalização, durante a auditoria, o contribuinte foi transparente e coerente em seus esclarecimentos, sobretudo no que diz respeito a seu entendimento quanto ao amparo legal para aproveitar o ágio. Entende que, de pronto se deve afastar a caracterização do dolo quando nos atos praticados as pessoas atuam sem malícia, sem ocultação de qualquer elemento relevante e sem indução de terceiros a estado de erro. No caso dos autos, a impugnante praticou atos colocados à mais ampla e aberta apreciação de quem tivesse interesse, inclusivo do fisco. Neste contexto, nada foi escamoteado da RFB, que não foi induzida ao erro e não teve qualquer obstáculo ao pleno conhecimento dos fatos, inclusive, até mesmo, ao plano conhecimento dos aspectos subjetivos da Fl. 3082DF CARF MF 38 impugnante. Não se trata, pois de situação passível de sofrer a penalização mais alta, pois não há o mínimo de traço de fraude, pois, na pior das hipóteses – que apenas se admite por amor ao debate , a contribuinte interpretou equivocadamente a legislação tributária – entendendo possível uma dedução vedada aos olhos das autoridades fiscais , o que jamais poderia ser tido como conduta fraudulenta. Questiona a fiscalização, que tentou, em vão, fundamentar a penalidade qualificada, ao argumento de que, "a arquitetura da montagem do esquema que se desenhou, com (i) a celebração de contratos formalmente registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, (ii) a contratação de empresas de consultoria para elaboração, de laudos de avaliação, (iii) o registro contábil do ágio, merece ser vista como causa planejada para isolar a visão do Fisco, impedindoo de conhecer a redução indevida das base de cálculo do IRPJ e da CSLL”. Ora, a alegação não procede de forma alguma! Nas situações vertentes, a agente do fisco teve todas a facilidade para o total conhecimento dos fatos, porque tudo estava sob seus olhos e nada foi escondido, donde é impossível falarse em dolo ou intuito fraudulento. De fato, os ágios amortizados foram devidamente registrados e declarados pela impugnante, assim como todas as operações societárias a eles correlatas foram declaradas e formalizadas em instrumentos de ampla publicidade, tendo, ademais, todos esses documentos e informações sido disponibilizados ao Fisco, juntamente com toda a gama de esclarecimentos solicitados pela Sra. Agente Fiscal. Houve, portanto, no caso dos autos, evidência indisfarçada dos fatos e dos atos, como eles realmente foram, e como foram desejados. Acrescenta que qualificação da multa no presente lançamento importa equiparar uma infração fiscal facilmente detectável pela fiscalização às infrações mais graves, em que seu responsável surrupia dados necessários ao conhecimento da fraude. E que milita em favor da impugnante o disposto no art. 112 do Código Tributário Nacional, que é a versão do in dubio pro réu do Direito Tributário. Assim, muito embora a impugnante tenha agido perfeitamente de acordo com a lei, na hipótese de dúvida, caberia a observância na determinação do art. 112. A jurisprudência está repleta de casos em que esse dispositivo foi aplicado. Em situações como a presente, aplicase o conceito de erro de proibição, devendo ser afastada a exigência da multa qualificada. Explicase. Erro de proibição existe, quando o autor do ilícito supõe estar agindo dentro da lei. Em caso no qual restou mantida a exigência de tributo por se entender que o planejamento tributário não tinha validade, a 1ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes aplicou o conceito de erro de proibição para reduzir a multa de 150% para 75%, em virtude da dissensão doutrinária e jurisprudencial sobre os limites da elisão fiscal: tratase do acórdão n° 1095537, de 24.05.06. Cita ainda a decisão adotada pela 7ª Câmara no acórdão n° 10708837, de 06.12.06, que afastou a multa qualificada em razão de parcela da doutrina aceitar o procedimento adotado pela parte recorrente e em razão de haver jurisprudência consagrando a validade do Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.065 39 negócio jurídico indireto, o que descaracteriza o intuito de fraude. 8. Conclusão e pedido Ao final, a impugnante requer os seguintes pontos: a) em face da inequívoca conexão entre o vertente feito – que discute a amortização dos ágios aqui controvertidos entre 2010 e 2012 – e o Processo Administrativo nº 16643.720037/201355 – em que se discute o início da amortização dos mesmíssimos ágios, entre 2007 e 2009 , que esses dois feitos sejam reunidos para julgamento conjunto, o que se pleiteia com vista a evitar a prolação de decisões conflitantes; b) pelos fundamentos apontados, a defesa seja conhecida e integralmente provida, para o fim de determinar o cancelamento da exigência fiscal; c) caso, assim não se entenda, o que se admite apenas para fins de argumentação, a multa qualificada deve ser reduzida ao patamar de 75%; d) ainda na remota hipótese de se entender pela manutenção da exigência fiscal ora combatida, deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre os valores das multas de ofício, pois a lei somente prescreve a aplicação de referido encargos sobre as multas isoladas. Em síntese, em sua impugnação, o contribuinte aduz as seguintes razões: improcedência factual quanto à acusação de ágio interno; validade das amortizações dos dois ágio face a existência de propósitos negociais nas operações analisadas; validade e legitimidade da utilização da SIMENS MEDICAL SOLUTIONS DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA para a aquisição da BAYDIAG LTDA; direito a amortização do ágio decorrente da aquisição no exterior da empresa DADE BEHRING; inexistência de previsão legal para a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível; improcedência da multa qualificada de 150%; e impossibilidade de exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Brasília/DF) julgou procedente em parte a impugnação em decisão proferida no venerando, Acórdão nº 0366.593, de 27 de fevereiro de 2015, para cancelar a qualificação da multa de ofício incidente sobre o ágio gerado em 27/12/2006, na infração denominada “1º ágio – BAYER”, conforme demonstrativo (fls.2702/2703) pelo que submete a reexame necessário a decisão em comento, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. O Acórdão, mencionado acima, está assim ementado (fl.2.660): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 ESFERA ADMINISTRATIVA. CONEXÃO. DECISÃO ANTERIOR. OBSERVÂNCIA. Fl. 3084DF CARF MF 40 Sendo constatada a conexão fática entre a matéria apreciada na presente lide com matéria inclusa em outro processo administrativo, que apreciou as mesmas glosas de amortizações dos ágios examinados, apenas variando em relação aos anoscalendário dos seus respectivos aproveitamentos, deve ser observada a decisão proferida no processo inicial, que expressa o entendimento desta instância administrativa sobre a matéria. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Sendo claros os documentos acostados aos autos, permitindo um adequado julgamento, tornase prescindível a realização de perícia ou diligência para a solução da controvérsia, ainda mais quando formulado sem observância do exigido pela legislação processual. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012 JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE PENALIDADE. A penalidade constitui débito decorrente do tributo ou contribuição, sendo alcançada pela incidência dos juros de mora. A empresa tomou ciência da referida decisão, na data de 06/07/2015, por abertura de mensagem, conforme o Termo de ciência, efl.2.714, e, protocolizou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em 04/08/2015, e fls.2.718/2.786. Em sua peça recursal, a Recorrente reproduz, no essencial, as mesmas razões aduzidas em sua impugnação, acima relatadas, exceto no que já fora exonerado pelo acórdão recorrido, portanto, desnecessário repetilas. Por fim, a Recorrente requer: i)Recurso Voluntário seja conhecido e integralmente provido, para o fim de determinar o cancelamento da exigência fiscal; ii)Caso assim não se entenda, o que se admite apenas para fins de argumentação, pede seja o v. acórdão recorrido cassado para que outro seja proferido em seu lugar, tendo em vista as nulidades apontadas no Tópico 4.1 (fls. 2427 deste recurso) e no Tópico 4.4 (fl. 55 deste recurso); iii)Caso se entenda que os pleitos acima não devem ser acolhidos o que apenas se admite por epítrope ,pede seja a multa qualificada relativa aos créditos tributários atrelados ao segundo ágio (Dade Behring)reduzida ao patamar de 75%; iv)Ainda na remota hipótese de se entender pela manutenção das exigências fiscais ora combatidas,pede seja afastada a aplicação da taxa SELIC sobre as multas exigidas da ora Recorrente, na esteira do arrazoado tecido no Tópico 4.6 acima; Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.066 41 v)Por fim, para provar os fatos expostos, protesta a ora Recorrente poder provar as suas alegações através de todas as provas em Direito admitidas, tais como ajuntada de documentos e a realização de diligência. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Tratase de Recurso Voluntário e Recurso de Ofício. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Outrossim, o valor do crédito tributário exonerado pela decisão de primeira instância, em relação à multa de ofício, ultrapassa o limite estabelecido na Portaria MF n° 63, de 09/02/2017 (tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00), motivo pelo qual o recurso de ofício interposto também deve ser conhecido. Trata o presente processo de Autos de Infração nos quais se exige créditos tributários de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor total de R$ 23.743.969,94, e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor total de R$ 8.363.308,03, com aplicação de juros de mora calculados até junho/2014 e Multa de ofício de 150%. As infrações apuradas decorrem das glosas de amortizações de ágios, deduzidas nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2010 a 2012. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 33/65, verifica se que a ação fiscal teve como objeto de investigação a qualificação jurídica dada pela fiscalizada relativamente às operações de reorganização societária que culminaram no surgimento de dois ágios, que foram identificados pela autoridade fiscal nos seguintes termos: “1º Ágio – Bayer” e “2º ágio – Dade”, que segundo a acusação fiscal seriam internos e fictícios, gerados sem propósito negocial, e que, foram deduzidos da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, nos anoscalendário de 2010 a 2012. A fiscalização justificou a glosa da amortização das duas operações de ágio, com base no entendimento de que a utilização de empresa veículo (1º ágio) assim como a configuração do ágio interno (2º ágio) descaracterizam o ágio, para fins de dedução da amortização na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A multa de ofício do lançamento foi qualificada, sob o argumento de fraude, e consequentemente alçada ao percentual de 150%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo interessado, mantendo as glosas das amortizações dos 02 (dois) ágios mas reduzindo a multa de 150% para 75% em relação ao ágio de R$ 150.828.542,12 gerado em 27/12/2006 (1º ágio), com base na decisão prolatada pela DRJ em Curitiba em processo referente aos mesmos fatos mas relativo a períodos de apuração de anos anteriores (2007 a 2009) (PDF nº 16643.720037/201355) que entendeu ser a Fl. 3086DF CARF MF 42 qualificação da multa indevida, em face da existência de efetivo pagamento, realizado no âmbito da negociação em nível global entre os grupos Bayer e Siemens. O tratamento tributário do ágio de investimentos foi introduzido pelo DecretoLei nº 1.598, de 26/12/1977, incorporado no RIR/99 pelo art. 385, que prevê a necessidade de desdobrar o custo de aquisição dos investimentos avaliados pelo método de equivalência patrimonial, de forma a separar o valor do patrimônio líquido e o ágio. Esse dispositivo vem a confirmar o conceito de ágio, como sendo a diferença entre o valor pago pela sociedade investidora na aquisição de investimento e o valor patrimonial contábil atribuído a ele na sociedade investida. O decretolei também impõe a necessidade de indicação do fundamento econômico do ágio, que pode ser de três espécies: i) valor de mercado dos bens do ativo da coligada, quando este for superior ao custo registrado em sua contabilidade; ii) valor da rentabilidade futura da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; iii) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. De acordo com o decretolei, a contrapartida da amortização do ágio não é despesa dedutível para fins de apuração do lucro real, conforme art. 25 (art. 391 do RIR/99). O ágio somente é dedutível na ocasião de posterior alienação da participação societária, quando deverá ser acrescido ao custo de aquisição do investimento na apuração do ganho de capital (art. 426 do RIR/99). Com o advento da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, a amortização do ágio de investimentos com fundamento em perspectivas de rentabilidade futura passou a ser dedutível na apuração do IRPJ e CSLL, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração, em operações de incorporação, fusão ou cisão, conforme redação do art.7°. De acordo com o art. 8°, a dedução vale mesmo em caso de investimento não avaliado pelo valor do patrimônio líquido, ou quando a sociedade investida incorpora a investidora, operação esta denominada de “incorporação às avessas”. 1. Das glosas das amortizações dos dois ágios. Para melhor compreensão sobre a dedutibilidade da amortização do ágio com fundamento econômico em rentabilidade futura, fazse mister trazer à lume a legislação que se encontra bem delineada no voto vencedor do acórdão recorrido (DRJ/BSB), fls.2696/2697), itens 95 a 98: 95. Inicialmente cabe reiterar que o artigo 25 do DecretoLei nº 1.598, de 1977 (base legal do art. 391 do RIR de 1999), com a redação dada pelo DecretoLei nº 1.730, de 1979, não autoriza a dedução da amortização direta do ágio apurado na aquisição de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, razão pela qual a possibilidade de dedução do encargo com a amortização do ágio restringese à hipótese prevista na Lei nº 9.532, de 1997. 96. Sobre o assunto, assim dispõem os artigos 7º, inciso III, e 8º da Lei nº 9.532, de 1997 (base legal do art. 386 do RIR de 1999): Art. 7º. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (...) Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.067 43 III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea ‘b’ do § 2º do art. 20 do Decretolei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) Art. 8º. O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” (Grifouse) 97. A alínea “b” do § 2º do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, a que se refere o inciso III do referido artigo 7º, diz respeito ao ágio com fundamento econômico em valor de rentabilidade futura da coligada ou controlada: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. (...) § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. (Grifouse) 98. Logo, o encargo com amortização do ágio verdadeiro, ou seja, com substância econômica e não gerado artificialmente, somente será dedutível na apuração do lucro real se forem atendidas, concomitantemente, as seguintes condições: (i) fundamento econômico em valor de rentabilidade futura; (ii) a Fl. 3088DF CARF MF 44 pessoa jurídica absorve o patrimônio de outra – na qual detenha participação societária adquirida com ágio – em virtude de incorporação, fusão ou cisão (inciso III do art. 7º), ou quando a empresa incorporada, fusionada ou cindida é aquela que detinha a propriedade da participação societária (alínea “b” do artigo 8º). 1.1 Indedutibilidade “1º ágio – BAYER” referente à aquisição da empresa Baydiag Ltda, doravante BAYDIAG. Ágio pago por meio de empresa veículo. Conforme relatado, o primeiro ágio investigado foi criado na operação de 27/12/2006, no valor de R$ 150.828.542,12 em que a BAYER S.A. cede e transfere a totalidade das quotas detidas na fiscalizada à sociedade efêmera "Siemens Participações", e que, em 26/09/2008, houve um pagamento complementar de R$ 8.081.000,00 realizado pela própria contribuinte fiscalizada, elevando o ágio de R$ 150.828.542,12 para RS 158.909.542,12. Repisamos a seguir, a síntese dos passos relatados para a formação do mencionado ágio. Em 21/11/2006, o grupo SIEMENS (representado pelas empresas holandesas SIEMENS Diagnostics Holding II BV e Diagnostics Products Corporation Benelux BV) adquiriu a empresa Siemens Medical Solutions do Brasil Participações (que havia sido constituída, em 06/09/2006, sob a denominação de "Valussi Participações", com um capital de apenas R$ 100,00, doravante "SIEMENS PARTICIPAÇÕES". Em 26/11/2006, o grupo SIEMENS no exterior transferiu R$ 209.028.301,00 para a "SIEMENS PARTICIPAÇÕES". Em 27/12/2006, a "SIEMENS PARTICIPAÇÕES" efetuou um pagamento de R$ 201.171.006,00 (incluindo um ágio de R$ 150.828.542,12) para a aquisição da totalidade das quotas da empresa BAYDIAG. Tal pagamento foi efetuado mediante três transferências bancárias do Banco Itaú S/A, em 27/12/2006, nos valores de R$ 99.000.000,00, R$ 99.000.000,00 e R$ 3.171.006,00 (fl. 1075), com utilização de recursos remetidos pela Siemens Diagnostics Holding II BV (Holanda) e Siemens AG (Alemanha). Em 27/12/2006 a BAYDIAG Ltda passou a denominarse SIEMENS Medical Solutions Comércio de Produtos Diagnósticos Ltda e em 17/07/2008 SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda (fiscalizada). Em 23/03/2007, a empresa BAYDIAG (já com a denominação da recorrente) incorporou a SIEMENS PARTICIPAÇÕES, possibilitando, assim, as subsequentes amortizações do ágio. Em 26/09/2008, a recorrente efetuou um pagamento complementar no valor de R$ 8.081.000,00 (elevando o valor total do ágio para R$ 158.909.542,12). Consta do relatório: 4.1.9) Em 23/03/2007: a fiscalizada, agora como "Siemens Diagnósticos", incorpora a "Siemens Participações", segundo o Protocolo de Justificativa de Incorporação, motivada pela possibilidade de absorção do patrimônio da incorporada e racionalização e concentração dos negócios de ambas as sociedades, resultando em maior lucratividade e eficiência Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.068 45 administrativa, operacional e financeira (Doc 04 – 25ª ACON DIAGNÓSTICOS e Protocolo e Justificativa). Na linha 47 da ficha 36A da DIPJ/2008 AC2007 (declaração n° 1952402), a incorporadora informou o valor de R$ 150.828.542,22 a título de "Demais aplicações em Despesas Amortizáveis" (DIPJ AC2007 da fiscalizada, CNPJ 01.449.930/000190). Na comparação das demonstrações financeiras da contribuinte fiscalizada dos meses de fevereiro e março de 2007, podese observar o surgimento, a partir de março de 2007, do ágio de R$ 150.828.542,13, registrado no Ativo Diferido como "Ágio Incorporação S.M.S.P." e sua imediata amortização já no mesmo mês (Doc 20 BP e DRE Siemens Diagnósticos 28.02.2007 e Doc 21 BP e DRE Siemens Diagnósticos 31.03.2007). ... 4.2.7)Formação do complemento do "1° ágio Bayer", em 26/09/2008 R$ 8.081.000,00 A contribuinte fiscalizada esclareceu que, em razão da previsão contratual constante na cláusula 2.3 do Contrato de Venda e Transferência de Ações, firmado entre BAYER S.A. e "Siemens Participações", realizou um pagamento adicional de R$ 8.081.000,00 (oito milhões e oitenta e um mil reais), em 26/09/2008 (Doe 36 Contrato de Venda e Transferencia de Ações traduzido e Doe 37 Esclarecimentos prestados em 01.10.2013 MPF n° 2013001107). Referida cláusula previa eventual reajuste de preço com base em critério denominado "Capital de Giro Líquido Alvo". Tal pagamento adicional foi contabilizado pela fiscalizada também como ágio, juntamente com o ágio inicial de R$ 150.828.542,12, porém depois de passados quase dois anos, em 09/2008, elevando o ágio de R$ 150.828.542,12 para R$ 158.909.542,12 (Does 33, 33a, 33b e 33c Balancetes da Siemens Diagnósticos 2008). Como se vê, em 23/03/2007 a fiscalizada, antes BAYDIAG, cuja razão social foi alterada para Siemens Medical Solutions Comércio de Produtos Diagnósticos Ltda., incorporou a empresa veículo SIEMENS PARTICIPAÇÕES (Siemens Medical Solutions do Brasil Participações Ltda) e passou a amortizar o ágio de R$ 150.828.542,12 constituído sobre o seu próprio patrimônio líquido. E, com a incorporação da SIEMENS PARTICIPAÇÕES (sociedade efêmera), a incorporadora (contribuinte fiscalizada) tornouse responsável pelo pagamento do empréstimo contraído (R$ 8.081.000,00) para a compra de suas próprias quotas. Consta no Termo de Verificação Fiscal: 4.3) CARACTERIZAÇÃO DA "SIEMENS PARTICIPAÇÕES" COMO EMPRESAVEÍCULO Fl. 3090DF CARF MF 46 A empresa Siemens Medicai Solutions do Brasil Participações Ltda. ("Siemens Participações"), CNPJ 08.298.066/000111, cumpriu o papel de empresaveículo através da qual o ágio foi carreado para a incorporadora. A "Siemens Participações" foi uma sociedade de breve existência, de apenas seis meses. ... Observase que os dois únicos eventos significantes ocorridos durante a breve existência da "Siemens Participações", foram voltados à criação do ágio e ocorreram no mesmo dia, em 27/12/2006. Na database de 28/02/2007, antes de sua extinção por incorporação pela fiscalizada, o Balanço Patrimonial da "Siemens Participações" refletia os dois únicos eventos que marcaram a sua existência: (i)os recursos recebidos do exterior destinados a sua capitalização pela suacontroladora holandesa e o empréstimo da SIEMENS A.G. e (ii)o ágio constituído com a aquisição da BAYDIAG Ltda. (denominação da fiscalizada à época) com o emprego de tais recursos (Doc 24 Laudo deAvaliação da Siemens Participações KPMG). Como se pode observar com base nas declarações de IRPJ entregues, durante sua existência, a sociedade não apresentou receitas, faturamento, custos e despesas operacionais, tendo servido apenas como veículo de passagem dos recursos oriundos do exterior para a aquisição da BAYDIAG (fiscalizada) com ágio (DIPJ da "Siemens Participações" dos anoscalendário 2006 e 2007). A sociedade efêmera também não possuiu funcionários (GFIP anexada pela fiscalização), tendo sido extinta, em 23/03/2007, por incorporação pela "Siemens Diagnósticos" (fiscalizada). (...) O ágio criado em 27/12/2006 foi mantido na Contabilidade da empresa veículo sem qualquer amortização nos meses subsequentes. A amortização somente teve início quando o ágio foi absorvido pela incorporadora (fiscalizada),que passou a amortizálo imediatamente, a partir de março de 2007. (...) Conclui o TVF: Como se vê, as operações societárias anteriormente descritas trouxeram para o patrimônio da fiscalizada não só o ágio formado artificialmente sobre suas próprias quotas, mas também o passivo contraído junto à controladora alemã SIEMENS A.G. para o pagamento da aquisição dessas mesmas quotas e do próprio ágio. Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.069 47 Regularmente intimada e reintimada a esclarecer as razões por que se valeu da empresa efêmera "Siemens Participações" como condutora dos recursos que vieram das empresas estrangeiras SIEMENS Diagnostics Holding II BV (Holanda) e SIEMENS AG (Alemanha), a fiscalizada apenas limitouse à descrição dos fatos, não abordando em nenhum momento as razões de ter se valido da empresa efêmera (Resposta aos Termos de Intimação n° 02 e de Reintimação n° 03, apresentada em 03/06/2014). Em realidade, inexiste motivação extratributária para o emprego da "Siemens Participações" como empresa condutora dos recursos provenientes do exterior. Caso o pagamento houvesse sido realizado diretamente pelas sócias estrangeiras à contribuinte fiscalizada, o ágio não teria sido viabilizado, não teria sido criada nenhuma vantagem tributária na operação. O ágio teria sido criado no exterior, não sendo passível de aproveitamento tributário no Brasil. A conclusão da fiscalização, é no sentido de que a Siemens Medical Solutions do Brasil Participações Ltda ("Sociedade de Participações") constituiuse como empresa veículo, criada sem propósito negocial, com o único objetivo de servir de ferramenta de passagem para o ágio ser transposto para a recorrente. No essencial a Recorrente argúi que inexiste lastro legal para a desconsideração de ágios que impropriamente são designados como "internos" conforme preciosas lições contidas em cópia do parecer, que anexa, de lavra do Professor Eliseu Martins; e que as multas qualificadas mantidas na DRJ devem ser afastadas porque houve, sim, propósito negocial e, ainda que assim não fosse, deveria ser aplicado o chamado "erro de proibição". Conforme consignado no relatório, a Fiscalização promoveu lançamentos tributários em face da pessoa jurídica SIEMENS HEALTHCARE DIAGNÓSTICOS LTDA S/A, sendo as infrações apuradas decorrentes das glosas de amortizações de ágios, deduzidas nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2010 a 2012. Como destacado acima, em processo referente aos mesmos fatos mas relativo a períodos de apuração de anos anteriores (2007 a 2009) (PDF nº 16643.720037/201355), foram lavrados Autos de Infração de IRPJ e CSLL contra a fiscalizada, relativos aos mesmos ágios tratados nos presentes autos, cujos encargos de amortização foram deduzidos das bases dessas exações nos anoscalendário precedentes (2007 a 2009). Ressaltese que, o processo administrativo nº 16643.720037/201355 que contém a autuação relativa ao período de 2007 a 2009, já foi julgado pelo Carf, mediante o Acórdão nº 1401001.571, de 02/03/2016 ( 4ª Câmara 1ª Turma Ordinária da 1ª Seção de Julgamento) que negou provimento ao Recurso de Ofício e deu provimento parcial ao Recurso Voluntário do Contribuinte nos seguintes termos: I) por unanimidade de votos, negar provimento em relação à glosa do ágio; II) por unanimidade de votos, dar provimento para desqualificar a multa de 150% para 75%; e III) por maioria de votos, dar provimento parcial para cancelar as multas isoladas. Vencidos os Conselheiros Fernando Luiz Gomes de Mattos e Antonio Bezerra Neto que negavam provimento. Fl. 3092DF CARF MF 48 O mencionado acórdão nº 1401001.571, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2007, 2008, 2009 JUNTADA DE DOCUMENTOS. REQUISITOS. A norma que prevê a juntada de documentos após a impugnação e a realização de diligências no processo administrativo fiscal impõe o cumprimento de requisitos que devem ser observados pela recorrente. DILIGÊNCIAS. CONVICÇÃO DO JULGADOR. A decisão sobre a realização de diligências tem natureza de cunho facultativo para a formação da convicção da autoridade julgadora ao conferir a esta a possibilidade de determinálas quando entender que são necessárias. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007, 2008, 2009 PLANEJAMENTOS TRIBUTÁRIOS. OPONIBILIDADE AO FISCO. Os planejamentos tributários são inoponíveis ao Fisco quando formados por negócios jurídicos de propósito preponderantemente marcado pela economia tributária. SIMULAÇÃO POR VÍCIO DE CAUSA. MULTA QUALIFICADA.INAPLICABILIDADE. Na simulação por vício de causa, inexiste o falseamento ou a manipulação de aspectos relevantes dos negócios jurídicos. As partes deixam às claras as formas jurídicas empregadas. É incabível a qualificação da multa aplicada porque não se concretizam condutas como a sonegação ou a fraude penais. JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.733SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2007, 2008, 2009 Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.070 49 ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. REORGANIZAÇÕES SOCIETÁRIAS. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. É impossível promover uma interpretação extensiva das hipóteses expressamente previstas em lei para a amortização do ágio por se tratar de um benefício fiscal caracterizado como isenção. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. GERAÇÃO POR EMPRESA VEÍCULO.PLANEJAMENTO INOPONÍVEL. A aquisição de participação societária por empresa veículo é inoponível ao Fisco quando sua causa real, preponderante sobre a causa negocial, é a geração do ágio para o subsequente aproveitamento. ÁGIO. RENTABILIDADE FUTURA. FUNDAMENTAÇÃO. PROVA. A lei não exige uma forma para a demonstração do fundamento econômico do ágio nem exige que sua metodologia seja a mais adequada. O que importa é saber se o demonstrativo exigido pela lei (que pode ou não ser revestido na forma de um laudo), de fato, embasou a decisão do comprador. Não interessa também saber se a empresa era rentável, mas se o comprador, ao pagar o ágio, acreditava na existência da rentabilidade futura. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. GERAÇÃO POR AUMENTO DE CAPITAL MEDIANTE INTEGRALIZAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA.PLANEJAMENTO INOPONÍVEL. O aumento de capital social mediante integralização de participação societária é inoponível ao Fisco quando sua causa real, preponderante sobre a causa negocial, é a geração do ágio para o subsequente aproveitamento. ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL. Incabível a aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do ano calendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo ano calendário. Isso porque o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Como as estimativas caracterizam meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significaria dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato, qual seja, o descumprimento de uma obrigação principal de pagar tributo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 3094DF CARF MF 50 Ano calendário:2007, 2008, 2009 ÁGIO. ATIVO DIFERIDO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, é vedada a amortização do ágio contabilizado com um item do ativo diferido, na conformidade do § 2º, "a", do artigo 7º, da Lei nº 9.532/97, por não se tratar de despesa intrinsecamente relacionada com a produção ou comercialização de bens ou serviços. Embora a mencionada decisão se refira a amortizações realizadas no período de 2007 a 2009, ela pode ser aplicada no que couber aos anos calendário de 2010 a 2012, pois os fatos e a legislação de regência são os mesmos. Por concordar com os fundamentos da decisão exarada pelo Carf, mediante o predito Acórdão nº 1401001.571 de 02/03/2016, sobre a indedutibilidade do 1º ágio, sob análise, transcrevo seus termos (fls.3.117/3.120) conforme faculta o art.50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, e, os adoto como razão de decidir: Quanto ao ágio referente à aquisição da empresa BAYDIAG, primeiramente, há que se atentar para as condições da sua formação. Segundo o que foi relatado, em 21/11/2006, o grupo SIEMENS (representado pelas empresas holandesas SIEMENS Diagnostics Holding II BV e Diagnostics Products Corporation Benelux BV) adquiriu a empresa Siemens Medical Solutions do Brasil Participações (que havia sido constituída, em 06/09/2006, sob a denominação de "Valussi Participações", com um capital de apenas R$ 100), doravante SIEMENS PARTICIPAÇÕES. Em 26/11/2006, o grupo SIEMENS transferiu R$ 209.028.301,00 para a SIEMENS PARTICIPAÇÕES. Em 27/12/2006, a SIEMENS PARTICIPAÇÕES efetuou um pagamento de R$ 201.171.006,00 (incluindo um ágio de R$ 150.828.542,12) para a aquisição da totalidade das quotas da empresa BAYDIAG. Em 23/03/2007, esta última (já com a denominação da recorrente) incorporou a SIEMENS PARTICIPAÇÕES, possibilitando, assim, as subsequentes amortizações do ágio. Mais à frente, em 26/09/2008, a recorrente efetuou um pagamento complementar no valor de R$ 8.081.000,00 (elevando o valor total do ágio para R$ 158.909.542,12). Nada obstante, poucas linhas atrás dissemos que em matéria de isenção, como é o caso da amortização do ágio, não há espaço para alargamento das situações expressamente previstas em lei. Por oportuno, repitase a transcrição do artigo 7º, caput, e do artigo 8º, alínea “b”, da Lei nº 9.532/97: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (grifei) (...) Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.071 51 Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. (grifei) A interpretação literal para a formação da norma conduz ao entendimento de que o ágio a ser amortizado é aquele surgido nos termos do que previu o artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77. Isto é, somente a empresa que "detenha participação societária adquirida" naqueles moldes poderá figurar como incorporadora ou incorporada no evento que resultará no encontro do seu patrimônio com o da empresa investida. Em termos econômicos, tal como era antes regulado no âmbito do artigo 34 daquele mesmo Decreto Lei, tratase de permitir, em razão da confusão patrimonial estabelecida, a dedução da perda de capital que era do investidor (só que, agora, garantindose sua expressão na totalidade do ágio contabilizado). Por isso, há que se exigir a presença do real investidor no evento da incorporação, melhor dizendo, quem efetivamente suportou a perda de capital. Quanto à compreensão dos fatos, devese deixar claro que o negócio jurídico essencial para o deslinde da questão é justamente aquele que proporcionou a geração do ágio que foi objeto do aproveitamento. Ou seja, a operação de aquisição da participação societária pela SIEMENS PARTICIPAÇÕES. Passemos, então, à análise dessa operação. O que se constata, pelo Termo de Verificação Fiscal (fls. 45 e 46), é que a operação foi realizada nos termos de um contrato denominado "Share Sale and Transfer Agreement" (fls. 673 a 695, com tradução para o vernáculo anexada de fls. 631 a 655). Apesar de esse contrato envolver empresas brasileiras (compradora, vendedora e comprada/vendida), o preço de compra, o reajuste de capital de giro líquido e a taxa sobre eventuais juros aplicados foram originalmente estabelecidos na moeda da União Europeia (cláusulas 2.1, 2.3 e 2.5). Além disso, foi estipulado que ele "será regido por e interpretado de acordo com as leis da Alemanha" e que qualquer disputa "será resolvida através de arbitragem, de acordo com as regras do Deutsch Institution fur Schiedsgerichtsbarkeit (D.I.S.)" (cláusula 6.5 do contrato). Ademais, "os termos aos quais foi acrescentada uma tradução do alemão serão interpretados como tendo o significado atribuído pela tradução do alemão" e "o termo 'empresa afiliada' terá o significado atribuído a ele na Seção 15 da Lei das Sociedades Anônimas Alemã (verbundenes Untemehmen)" (cláusula 6.6 do contrato). Fl. 3096DF CARF MF 52 Os recursos financeiros para a aquisição da BAYDIAG foram efetivamente originados do grupo SIEMENS no exterior. Como apurado pela fiscalização (fls. 55 a 57), este enviou para a empresa SIEMENS PARTICIPAÇÕES quase que a totalidade do valor necessário para o pagamento da aquisição. Tal empresa não teve receitas operacionais nem funcionários. Possuía diretor e endereço idênticos ao da recorrente. Por isso, a autoridade fiscal concluiu se tratar de mera empresa veículo utilizada como canal de transferência do ágio. A recorrente contesta essa conclusão afirmando que a utilização da SIEMENS PARTICPAÇÕES seguiu o modelo adotado pelo grupo para aquisições semelhantes em outros países. A operação teve os contornos que se espera de um negócio realizado entre partes independentes, sendo, inclusive, aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Sua formatação teve o objetivo de racionalização, otimização, aumento da sinergia e consolidação dos investimentos no País. Acrescenta que a incorporação reversa evitou os inconvenientes ligados à extinção do CNPJ da incorporadora, bem como delongas relacionadas à burocracia de órgãos públicos. Sem embargo, as evidências são claras de que a real aquisição se deu por parte das empresas do grupo SIEMENS situadas no exterior. A aquisição pela SIEMENS PARTICIPAÇÕES revela vício de causa. Não há dúvidas de que a causa real, que prepondera sobre a causa negocial, foi a geração do ágio para o subsequente aproveitamento. Isto é, um propósito preponderantemente marcado pela economia tributária. Portanto, como antes esclarecido, tratase de planejamento tributário inoponível ao Fisco. Diferentemente do que ocorreu com os investimentos envolvidos no âmbito do Programa Nacional de Desestatização da década de 90, que motivou a criação do benefício fiscal da amortização do ágio, não se vislumbra aqui a necessidade de canalização dos investimentos numa empresa ou consórcio de empresas nacional que tem a incumbência de fazer a aquisição da participação societária através de leilões de privatização de empresas públicas. Neste caso, a interposição de empresa veículo teve o propósito preponderante da economia tributária. Demais disso, a instância a quo identificou outro problema. Não houve comprovação efetiva do fundamento econômico do ágio. Isso porque, conforme já constava no Termo de Verificação Fiscal (fls. 47), o relatório de avaliação econômico financeira juntado aos autos (fls. 585 a 636) foi elaborado em 27/02/2007, portanto, dois meses após a geração do ágio. Ademais, tal relatório avaliou a empresa adquirida (BAYDIAG) no valor justo de mercado de R$ 223.002.000,00. Esse valor, no entanto, não corresponde ao valor pago na sua aquisição. A empresa autuada, por sua vez, não se pronunciou sobre essa constatação em suas peças recursais. Com efeito, o relatório pretendeu justificar o fundamento econômico do ágio gerado. Ou seja, ao utilizar uma metodologia de fluxo de caixa descontado, pretendeu refletir o valor da Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.072 53 aquisição numa expectativa de rentabilidade futura. Porém, a sua elaboração extemporânea e com valor distinto do que efetivamente foi pago afasta essa pretensão. Nesse sentido, são pertinentes as conclusões do Professor Luís Eduardo Schoueri quando percebe que a lei não exige uma forma para a demonstração do fundamento econômico do ágio nem exige que sua metodologia seja a mais adequada. O que importa é saber se o demonstrativo exigido pela lei (que pode ou não ser revestido na forma de um laudo), de fato, embasou a decisão do comprador. Não interessa também saber se a empresa era rentável, mas se o comprador, ao pagar o ágio, acreditava na existência da rentabilidade futura. Ora, se o relatório foi elaborado posteriormente e com valor diverso dos que foram efetivamente verificados na operação, não há como se admitir que ele embasou a decisão do comprador. Portanto, não foi preenchido o requisito exigido pelo § 3º do artigo 20 do Decreto Lei nº 1.598/77, antes reproduzido, qual seja, a comprovação do fundamento econômico utilizado para a constituição do ágio. Por isso, como bem observou a Fazenda Nacional em suas contrarrazões, não se pode permitir a sua posterior amortização na condição de ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura nos termos previstos no inciso III do artigo 7º da Lei nº 9.532/97 (artigo 386 do RIR/99). Como o ágio apurado em 27/12/2006 teve fundamento econômico diverso da expectativa de rentabilidade futura, o mesmo entendimento se aplica ao pagamento complementar de R$ 8.081.000,00 efetuado em 26/09/2008. 107. Dessa forma, não há como se admitir a dedutibilidade da amortização do ágio apurado na aquisição das quotas da Baydiag Ltda. Com efeito, restou demonstrado que o ágio amortizado é indedutível nos termos do artigo 386 do RIR/99, haja vista que não há como aplicar a presunção de perda de investimento preconizada na Lei nº 9.532/1997. Observandose ainda que a interposição de empresa veículo teve o propósito preponderante da economia tributária, e que a autuada não trouxe aos autos um documento hábil a demonstrar o fundamento econômico na rentabilidade futura da BAYDIAG. Tendo por base que o laudo juntado pela interessada foi elaborado em data posterior àquela em que o ágio foi pago, devese considerar que essa “mais valia” é indedutível, pois não foi comprovado o fundamento econômico que a lei exige. Em que pese as quotas da BAYDIAG terem sido adquiridas, com o pagamento de ágio, no dia 27/12/2006, o laudo trazido para justificar o fundamento econômico desse montante foi elaborado somente em 27/02/2007, ou seja, dois meses depois. 1.2. Indedutibilidade "2ºÁgio DADE". constituído em 13/10/2008 no valor de R$ 36.316.184,87 Ágio de si mesmo. O segundo ágio referese à integralização de quotas da empresa "DADE" para aumento de capital da Recorrente, conforme relatado: Do “2º ágio – Dade” no valor de R$ 36.316.184,87 Fl. 3098DF CARF MF 54 (vi) Em 29/09/2008: dando inicio à operação que daria origem ao segundo ágio, também fiscalmente aproveitado pela fiscalizada, a sociedade norteamericana SIEMENS Healthcare Diagnostics Inc. (EUA), integraliza no capital da contribuinte fiscalizada a totalidade das 40.397.679 quotas (100%) da brasileira DADE Behring Ltda., CNPJ 00.897.408/000108, avaliadas em R$ 84.889.000,00, cujo valor contábil era de R$ 48.572.815,13. Da diferença entre os dois valores, a fiscalizada contabiliza em seu Ativo Diferido um ágio de R$ 36.316.184,87 ("2º Ágio Dade"), a título de "Ágio na aquisição da DADE Behring Ltda", fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, a ser aproveitado fiscalmente (pela fiscalizada) no prazo de 120 meses. (vii) Em 13/10/2008: a contribuinte fiscalizada, já sob a nova denominação social de SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda., incorpora a Dade Behring Ltda., CNPJ 00.897.408/0001 08, e dá início, já em outubro de 2008, à dedução fiscal do ágio R$ 36.316.184,88 (segundo ágio), no valor mensal de R$ 302.635,00. Repisamos a seguir, a síntese dos passos relatados para a formação do mencionado ágio. Consta do TVF: 5.1.1)Em 24/09/2007: o capital social da DADE Behring Ltda., CNPJ 00.897.408/000108, era de R$ 40.397.679,00, totalmente integralizado, dividido em 40.397.679 quotas de R$ 1,00 cada quota, assim distribuídas: a sócia DADE Behring Inc. (EUA) detentora de 40.397.678 quotas (99,99%); e a sócia DADE Finance Inc. (EUA) detentora de 1 quota (0,01%) (Dade Bhering_Reratificação alteração contrato social de 24 09 2007). 5.1.2)Em 29/09/2008: a sociedade norteamericana SIEMENS HealthcareDiagnostics Inc. ingressa no quadro societário da DADE Behring Ltda., em substituição à DADE Behring Inc. e recebe a única quota (0,01%) detida pela DADE Finance Inc. (EUA), passando a deter 40.397.679 quotas (100%) da brasileira DADE Behring Ltda., CNPJ 00.897.408/000108 (Dade Bhering_Alteração contrato social de 29 09 2008). Ato contínuo, e na condição de única sócia da DADE Behring Ltda.. a SIEMENS Healthcare Diagnostics Inc resolve integralizar no capital da SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda. (fiscalizada), CNPJ 01.449.930/000190. a totalidade das 40.397.679 quotas (100%) da DADE Behring Ltda.. CNPJ 00.897.408/000108. avaliadas em R$ 84.889.000,00 (oitenta e quatro milhões, oitocentos e oitenta e nove mil reais) por empresa especializada. Tendo o acervo patrimonial da DADE sido avaliado em R$ 48.572.815.13. surge o "2° Ágio Dade", em 29/09/2008. de R$ 36.316.184.87 (Doc 39 Laudo de Avaliação Contábil DADE Behring pela Terco Grant Thornton). Quadro 09: formação do segundo ágio de RS 36.316.184,87 Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.073 55 Valor da avaliação das quotas da DADE Behring Ltda. 84.889.000,00 Valor do acervo contábil patrimonial liquido 48.572.815,13 Valor do ágio ("Dade") 36.316.184,87 Segundo o laudo de avaliação, o acervo patrimonial líquido da DADE Behring Ltda., em 30/09/2008, era de R$ 48.572.815,13. Deste modo, da diferença entre o valor total das quotas, avaliadas em R$ 84.889.000.00, e o valor do acervo patrimonial líquido incorporado, de R$ 48.572.815.13, surge o ágio de R$ 36.316.184.17, fundamentado em expectativa de rentabilidade futura. Tal ágio é contabilizado, em setembro de 2008, pela SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda. (fiscalizada), no Ativo Diferido como "Ágio na aquisição da DADE Behring Ltda.", conta 0i:0014 (Doc 33b Balancete mensal da Siemens Diagnósticos de Set 2008). 13/10/2008 – a SIMENS DIAGNÓSTICOS incorpora a DADE BEHRING, absorve o ágio e passa a amortizálo e deduzilo fiscalmente Pois bem, novamente, impõese verificar as condições de formação desse ágio referente à integralização de quotas da empresa DADE para aumento de capital na recorrente. Pelo que foi relatado, uma negociação internacional realizada no âmbito dos grupos SIEMENS e DADE BEHRING resultou, no Brasil, numa operação de aumento de capital da recorrente efetuada em 29/09/2008. No que diz respeito à sócia Siemens Healthcare Diagnostics Inc., esse aumento de capital se deu mediante a integralização da totalidade das quotas que possuía na empresa Dade Behring Ltda, doravante DADE, no valor de R$ 84.889.000,00 (incluindo um ágio de R$ 36.316.184,88 que passa a ser contabilizado na recorrente). Em 13/10/2008, a recorrente incorporou a empresa DADE, possibilitando, assim, as subsequentes amortizações do ágio. Mais uma vez, há que se compreender os fatos no sentido de que o negócio jurídico essencial para o deslinde da questão é justamente aquele que proporcionou a geração do ágio que foi objeto do aproveitamento. Ou seja, a operação de aumento do capital social da recorrente mediante a integralização de quotas da DADE. A recorrente alega que houve nítido pagamento de sobrepreço na aquisição internacional do grupo DADE BEHRING. A análise da operação feita pelo CADE concluiu que não haveria prejuízo para a concorrência no seguimento de atuação do negócio. Não faria sentido manter duas empresas (CNPJ distintos) do mesmo segmento econômico pertencentes ao grupo SIEMENS. A incorporação trouxe vantagens de otimização da eficiência operacional, maior sinergia e integração das unidades, com redução de custos operacionais. Acrescenta que a geração do ágio foi devidamente respaldada em laudo de avaliação econômico financeira. E que, o fato de ser intragrupo não o desqualifica desde que devidamente contextualizado em um cenário empresarial. A operação se assemelha a outras que foram julgadas favoravelmente aos contribuintes pelo CARF. A decisão recorrida, traz em seu bojo os fundamentos com os quais concordo sobre a indedutibilidade do "2º ágio", sob análise, pelo que transcrevo seus termos Fl. 3100DF CARF MF 56 (fls.2.698/2.699) conforme faculta o art.50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, e, os adoto como razão de decidir: 108. No que diz respeito ao ágio de R$ 36.316.184,88 apurado pela interessada no aumento do seu capital social integralizado pela Siemens Healthcare Diagnostics Inc, verificase que se trata de ágio artificial e sem substância econômica. 109. A Siemens Healthcare Diagnostics Inc integralizou o aumento de R$ 84.889.000,00 do capital social da interessada em 29/09/2008 – conforme Instrumento Particular da Vigésima Nona Alteração e Consolidação do Contrato Social da Siemens Healthcare Diagnósticos Ltda. (fls. 188203) –, mediante a entrega da totalidade das quotas do capital social da Dade Behring Ltda. pelo valor justo de R$ 84.889.000,00, calculado com utilização da metodologia do fluxo de caixa descontado, com base no Relatório de Avaliação EconômicaFinanceira elaborado em 12/09/2008 pela Ernst & Young Assessoria Empresarial Ltda. (fls. 20132067). 110. Em 13/10/2008 a interessada incorporou a Dade Behring Ltda. – conforme Instrumento Particular da Trigésima Alteração e Consolidação do Contrato Social da Siemens Healthcare Diagnósticos Ltda., que Incorpora a Dade Behring Ltda. (fls. 204218), Protocolo de Incorporação e Justificação (fls. 219 224) e Laudo de Avaliação Contábil (fls. 225230) – e recebeu no acervo vertido o ágio de R$ 36.316.184,88, cujo encargo com amortização passou a deduzir do seu lucro real. 111. Cumpre destacar que o grupo Siemens já havia adquirido no ano anterior, com sobrepreço, por meio de oferta pública de ações (OPA) na Bolsa de Valores de Nova Iorque, a totalidade das ações da Dade Behring Holding Inc (estabelecida em Delaware, EUA) – pelo valor nominal de US$ 0,01 por ação, inclusive de certos direitos relacionados, ao valor de US$ 77,00 por ação –, absorvendo, em consequência, os investimentos nas demais empresas do grupo Dade, inclusive a participação societária na Dade Behring Ltda., com sede no Brasil. 112. Tal operação, em âmbito mundial, está refletida nos termos do “Agreement and Plan of Merger” (Contrato e Plano de Incorporação, às fls. 26152671) celebrado em 25/07/2007 entre a Siemens Corporation (empresa constituída em Delaware) e Belfast Merger Co. (empresa constituída em Delaware e subsidiária integral da Siemens Corporation), na condição de compradoras, e a Dade Behring Holdings Inc, como vendedora. O reflexo no Brasil de referida operação foi objeto de apreciação pelo CADE, por meio do Ato de Concentração n° 08012.010831/200747, tendo o acórdão que autorizou a operação sido publicado em 23/06/2008. 113. Logo, como no valor da OPA na Bolsa de Valores de Nova Iorque foram considerados todos os investimentos do grupo Dade Behring espalhados pelo mundo, inclusive no Brasil, ou seja, as quotas do capital social da Dade Behring Ltda. já pertenciam integralmente à Siemens Healthcare Diagnostics Inc em 29/09/2008, quando foram entregues à interessada na integralização do aumento do seu capital social, verificase que Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.074 57 o ágio de R$ 36.316.184,88 foi todo apurado dentro grupo Siemens. 114. Observese que ao final do processo de incorporação da Dade Behring Ltda., o valor deste investimento, acrescido do respectivo ágio, permaneceu pertencendo à controladora Siemens Healthcare Diagnostics Inc., por meio das quotas do capital social da Siemens Healthcare Diagnósticos Ltda. recebidas na integralização do capital em 29/09/2008. 115. Considerando que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o valor efetivamente despendido para aquisição de um investimento – o sacrifício econômico suportado pela sociedade investidora – supera o valor patrimonial desse investimento, não há como se admitir que as quotas do capital social da Dade Behring Ltda. tenham sido recebidas pela interessada por um preço que contém uma maisvalia de si próprio, em transação dos sócios do grupo Siemens com eles mesmos, por intermédio das pessoas jurídicas por eles controladas. 116. E somente há preço e, por consequência, aquisição, quando a operação se realiza entre partes independentes. São várias as formas pelas quais um bem ou direito muda de titularidade, assim como diferentes são os meios utilizados para cumprimento das condições necessárias para que o negócio jurídico se aperfeiçoe. Contudo, há sempre a presença do terceiro como contraparte, ou seja, as pessoas jurídicas adquirente e alienante do controle societário devem ser distintas. 117. Sem a participação de terceiros, os sócios do grupo Siemens deliberaram pela utilização da interessada para atribuírem às quotas da Dade Behring Ltda. um valor muito superior ao seu valor patrimonial. A interessada não teve nenhum outro dispêndio além da entrega das 84.889.000 novas quotas do seu capital social à Siemens Healthcare Diagnostics Inc, mas reconheceu em sua contabilidade um ágio de R$ 36.316.184,88 sobre o patrimônio líquido da investida, cujo valor passou a amortizar após a incorporação ocorrida em 13/10/2008. 118. Independentemente das razões e dos propósitos almejados com a reorganização societária do grupo Siemens, é inegável que as operações societárias estruturadas em sequência e executadas em curtíssimo prazo criaram condições artificiais para justificar a apuração de ágio interno, com finalidade de gerar ganhos indevidos de natureza tributária. 119. Cumpre, portanto, destacar que a liberdade de auto organização não endossa a prática de atos sem motivação negocial, como no caso em análise, pois o ágio amortizável de que trata o art. 7º, III, da Lei nº 9.532, de 1997, é aquele em que houve um efetivo dispêndio ou ônus assumido por terceiro em um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as partes. Fl. 3102DF CARF MF 58 120. Dessa forma, não há como se admitir a dedutibilidade da amortização do ágio de R$ 36.316.184,88 apurado em 29/09/2008, mediante operações societárias estruturadas em sequência dentro do grupo Siemens. A conclusão que se impõe é que, deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica incorporadora. 2.1 Multa de ofício qualificada "2º ágio Dade" Quanto ao "2º ágio", a DRJ manteve a multa qualificada, cuja fundamentação também adoto, nos seguintes termos, como razão de decidir: 122. No entanto, apesar de os atos societários estarem devidamente registrados na Junta Comercial e na escrituração comercial e fiscal da interessada e da Dade Behring Ltda., verificase que o ágio de R$ 36.316.184,88 apurado em 29/09/2008 não tinha propósito negocial, haja vista ter sido gerado artificialmente em operações realizadas intragrupo, conforme já analisado no tópico anterior do voto vencedor. 123. De fato, não se verifica no presente caso uma situação de fraude gritante, pois não foi constatada utilização de “laranjas” ou de documentos inidôneos. No entanto, configurase sem sombra de dúvida o intuito de fraude para possibilitar à interessada a amortização de ágio gerado artificialmente, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as partes. As razões para a qualificação da multa de ofício constam do TVF, item 7.3 Como visto, as operações societárias anteriormente descritas trouxeram para o patrimônio da fiscalizada ágio formado artificialmente sobre suas próprias quotas. Resta inequívoco, assim, que estamos diante de geração artificial de ágio, inclusive, com o emprego de empresaveículo, visando única e exclusivamente reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por ocasião da amortização do referido ágio. Não há como aceitar que a amortização do ágio interno e do ágio fabricado com emprego de empresaveículo possa reduzir as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pois a sociedade brasileira não pode suportar um ônus em favor de sócios, que se beneficiaram tributariamente de uma transação sem propósito negocial. Da análise dos fatos e documentos trazidos aos autos, denotase que cada etapa planejada visou tão somente a geração do ágio fictício. Foram promovidas operações sequencialmente planejadas cujo único objetivo era o de escapar da regular carga tributária. A reorganização societária, para ser legítima, deve decorrer de atos efetivamente existentes, e não apenas artificial e Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.075 59 formalmente revelados em documentação ou na escrituração mercantil. A teor do disposto nos artigos 966, 981 e 982 da Lei n° 10.406, de 10/01/2002 Código Civil (CC), a finalidade precípua das sociedades é a realização de negócios que caracterizem o exercício de atividade econômica, materializada pela produção e circulação de bens e serviços, mediante organização de fatores de produção, capital, trabalho, matériaprima, etc. A formação das sociedades está adstrita ao ânimo do exercício de atividade econômica. Este inexistindo, caracterizase a ausência de propósito societário e, em última análise, de motivação para a própria celebração do contrato de sociedade. No caso sob exame, não há causa econômica a não ser a economia fiscal para o aproveitamento de ágios criados dentro do mesmo grupo societário e através de empresaveículo. Tampouco há essência econômica na operação em que a fiscalizada incorpora a empresa veículo "Siemens Participações" para absorver o ágio de si mesma. O artifício engendrado carrega subjacentemente a intenção de realizar supostos negócios entre as mesmas pessoas, artifícios estes que não podem produzir os efeitos fiscais planejados. Fica, assim, clara, a intenção de lesar o Fisco. As operações realizadas não podem legitimar consequências tributárias, visto que são procedimentos legais apenas no seu aspecto formal, mas ilícitas na medida em que objetivaram unicamente reduzir a carga tributária a que estava sujeita a fiscalizada. A SIEMENS Healthcare Diagnósticos Ltda. agiu dolosamente de forma que fosse beneficiada com a amortização de ágios gerados artificialmente, resultando na redução indevida do IRPJ e da CSLL no período compreendido de março de 2007 a dezembro de 2009. O procedimento adotado pela fiscalizada está compreendido na hipótese de fraude descrita no artigo 72 da Lei 4.502/64, que tem a seguinte dicção: Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modif icar as suas característ icas essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. As peças probatórias revelam que uma das condutas adotadas foi a de impedir, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador, excluir ou modificar suas características essenciais, de modo a reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo como consequência a falta de pagamento dos referidos tributos, em montantes proporcionais ao ágio fictício amortizado. Fl. 3104DF CARF MF 60 Os agentes deixaram visível que a intenção foi a de impedir a ocorrência do fato gerador e a de excluir ou modificar suas características essenciais, tudo para tentar livrar a contribuinte do IRPJ e da CSLL, como se infere, em suma, dos seguintes elementos: a)utilização da "Siemens Participações", pessoa jurídica de existência efêmera, como empresaveículo; b)as pessoas jurídicas envolvidas possuíam sócios e administradores em comum, possuíam quadros societários quase idênticos e eram ou controladas ou controladoras umas das outras; c)considerando que as pessoas jurídicas eram ligadas, os ágios foram gerados internamente; d)as operações foram realizadas sem nenhum propósito negocial; e)as operaçõeschave que criaram o ágio foram realizadas num período de meses ou dias; f)após a geração do ágio, a empresa veículo foi extinta por incorporação, sem que ela tivesse realizado qualquer tipo de atividade operacional; g)a própria fiscalizada realizou o pagamento complementar de R$ 8.081.000,00 pela compra de suas próprias quotas. Inegavelmente, houve o objetivo de esconder da Fazenda Pública a capacidade contributiva da "Siemens Healthcare". A arquitetura da montagem do esquema que se desenhou, com (i) a celebração de contratos formalmente registrados na Junta Comercial do Estado de São Paulo Jucesp, (ii) a contratação de empresas de consultoria para elaboração de laudos de avaliação, (iii) o registro contábil do ágio, merece ser vista como causa planejada para isolar a visão do Fisco, impedindoo de conhecer a redução indevida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Aliás, o raciocínio é muito simples: se houve aparatos engenhosos criados para sustentar a inocorrência do fato gerador, foi necessário obliterar as possibilidades de avaliação da capacidade contributiva, por parte da autoridade fazendária, induzindoa a vislumbrar que as operações realizadas eram todas regulares e não tinham finalidade ilícita. 0 modus operandi dependia do consentimento mútuo das sociedades envolvidas no esquema para fraudar o Fisco. A "Siemens Healthcare" não tem como negar que estava consciente da falta de propósito negocial dos ágios que foram registrados e amortizados. Assim sendo, a multa no lançamento de ofício será qualificada, aplicada na proporção de 150% dos tributos devidos, como determina a Lei n° 9.430/96, art. 44 A conclusão que se impõe, é que, as operações societárias foram realizadas com a clara intenção de obter o resultado, ou seja, reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por ocasião da amortização dos ágios em comento. Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.076 61 Para melhor entendimento, transcrevese, a seguir, o art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as /seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” [...] Conforme se observa, nos termos do parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, só é admitida a aplicação da multa no percentual de 150%, nos casos de evidente intuito de fraude, como previsto nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que assim dispõem: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Desse modo, a multa de 150% de que trata o § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, terá aplicação sempre que em procedimento fiscal constatarse a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. As multas de ofício aplicadas foram qualificadas, no percentual de 150%, com base no art. 957, II, do RIR/1999 (cuja matriz legal é o art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996), porque a Fiscalização entendeu que a conduta engenhosa do contribuinte, notadamente, pelas Fl. 3106DF CARF MF 62 operações realizadas sem propósito negocial e o uso de interposta pessoa nos atos constitutivos, caracterizam a fraude como definido na Lei nº 4.502, de 1964, art. 72 e necessário à qualificação da multa. Com efeito, a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, ou retardar uma obrigação tributária. Assim, ainda que o conceito de fraude seja amplo, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde, utilizandose de subterfúgios escamoteiase a ocorrência do fato gerador ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento, dificultando o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Assim, constatada a fraude, correto o lançamento da multa qualificada de 150% em relação aos dois ágios. 3 Juros de mora sobre a multa de ofício O Recorrente requer que, caso seja não seja reformada a decisão recorrida, quando da cobrança do crédito tributário constituído, não sejam exigidos juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no artigo 161, do Código Tributário Nacional. Como cediço, os débitos de tributos e contribuições e de multas (penalidades) têm causas diversas. Enquanto os débitos de tributos e contribuições decorrem da prática dos respectivos fatos geradores, as multas decorrem de violações à norma legal, no caso, do suposto não pagamento dos tributos e contribuições nos prazos legais. O artigo 142 do CTN, descreve, na verdade, o fato de que, no mesmo auto de infração, pode ocorrer o lançamento tributário, em que se exige o tributo devido pelo contribuinte, e a aplicação da penalidade pelo fato de este contribuinte ter deixado de recolher o tributo. Portanto reunidos em um único lançamento, e, devidamente discriminados, a cobrança do tributo e a aplicação da multa pela infração, resta constituído o crédito tributário que deve ser exigido com os acréscimos legais (juros de mora). Portanto, efetuado o lançamento tributário, de ofício, ou seja, constituído o crédito tributário a sua substância é o pagamento do tributo e da penalidade pecuniária aplicada pelo descumprimento da norma legal, no presente caso, a denominada multa de ofício de que trata o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Sobre os juros de mora, o próprio art. 161 do CTN menciona a incidência dos juros sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, não podendo ser outro crédito senão àquele constituído nos termos do art.142 do CTN, ou seja, crédito tributário (objeto prestacional, representado em dinheiro) = tributo (não pago) + penalidade aplicada (não paga). Dizer que a penalidade aplicada não integra o montante do crédito tributário não passa de um flagrante equívoco. A exigência dos juros sequer depende de formalização, uma vez que serão devidos sempre que o principal ( tributo ou penalidade) estiver sendo recolhido após o prazo de vencimento, mesmo que não quantificados (os juros) quando da formalização do crédito tributário por meio do lançamento. Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.077 63 Apesar disso, há quem argumente que, se do crédito a que se refere o caput do transcrito art. 161 do CTN constasse a multa de ofício, não haveria razão para mencionar nesse mesmo dispositivo “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Não é nenhuma novidade dizer que o CTN é recheado de repetições. A verdade é que, não haveria necessidade de novamente constar no mencionado artigo 161 tal comando, porque a partir do lançamento surge o crédito, no entanto com o intuito de afastar os juros de mora outros argumentos poderiam advir no sentido de que tendo sido aplicada a penalidade não seria cabível a aplicação dos juros de mora porque a “penalidade” seria em substituição de outros encargos etc., Ora, a caracterização da mora dáse de direito, e, não depende sequer que o sujeito passivo seja interpelado com o auto de infração. Não sendo o valor devido integralmente pago até o vencimento, o crédito deve ser acrescido de juros de mora. Partilho do entendimento expresso no Parecer MF/SRF/Cosit/Coope/Senog nº 28, de 02 de abril de 1998, segundo o qual, considerando o disposto no art.161 do CTN, é possível concluir que mencionada norma legal autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa em caráter geral, nada impedindo que a lei específica disponha de forma diferente, determinando que os juros de mora devam incidir apenas sobre os tributos e as contribuições. É certo que tivemos no passado dispositivos legais (art. 59 da Lei nº 8.383/91 e art.84 da Lei nº 8981/95) que deixaram dúvidas quanto a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada. A interpretação literal decorrente da mencionada legislação era no sentido de que pela redação das leis mencionadas os juros deveriam incidir apenas sobre os tributos e contribuições, não autorizando, pois, a exigência dos juros de mora sobre outros débitos sem a natureza jurídica de tributo. No entanto, com a edição da Lei nº 9.430/96, é possível mudar de paradigma para concluir que, com apoio no artigo 61 e seu § 3º, restou explícito ser cabível a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, a partir do vencimento da penalidade, cujos fatos geradores (descumprimento da norma legal) ocorrerem a partir de 01/01/1997, vejamos: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. ... §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (Grifei) Fl. 3108DF CARF MF 64 Sobre o vencimento da multa de ofício lançada, depreendese dos autos de infração que a multa de ofício tem prazo para pagamento, qual seja, trinta dias após a ciência do lançamento pelo sujeito passivo. Ora, se os juros moratórios a que se refere o § 3º do art. 61, da Lei nº 9.430/96, somente se aplicam sobre débitos com prazo de vencimento, inferese que incidem sobre a multa de ofício não paga no prazo de trinta dias após a ciência do lançamento pelo autuado. O artigo 43 da lei nº 9.430/96 ao tratar do auto de infração sem tributo (crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente) prevê a incidência de juros de mora calculados à taxa Selic sobre o crédito tributário formalizado, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, o que demonstra claramente a imbricação com o art.161 do CTN e com o artigo 61, § 3º da mesma Lei nº 9.430/96, desnecessário seria repetir que nos casos da multa de ofício de que trata o artigo 44 da mesma lei também deverão incidir os juros de mora. Feitas as considerações acima e no contexto de uma interpretação sistemática, é forçoso concluir que ao teor do art.161 do CTN, bem como dos artigos 43, parágrafo único, e 61, § 3°, da Lei n° 9.430/96, por se tratar de débitos para com a União, incidem tanto sobre os tributos quanto sobre a multa de oficio, os juros de mora com base na taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do seu pagamento. Sabendose que os juros de mora incidem a partir de vencimentos distintos em relação ao vencimento do tributo e ao vencimento da multa lançada de ofício (30 dias após a ciência do lançamento). Antes do lançamento não há falar em juros de mora sobre a multa de ofício. Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuniárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou de notificação de lançamento, conforme fixado na Portaria MF nº 370 de 231288, verbis: I Os juros de mora incidentes sobre as multas pecuárias proporcionais, aplicadas de ofício, terão como termo inicial de contagem o mês seguinte ao do vencimento do prazo fixado na intimação do auto de infração ou da notificação de lançamento e serão calculados, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração, sobre o valor corrigido monetariamente. II. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação Nesse sentido trazse à lume excerto do voto do Desembargador Dirceu de Almeida Soares quando do julgamento, pela 2a. Turma do TRF4, da AC 2005.72.01.000031 1/SC, em 2006 (Leandro Paulsen, Direito Tributário, 9ª ed., Livraria do Advogado, pág. 1028), ipsis litteris: “...tanto a multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. Tampouco há falar em violação da estrita legalidade ...O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.078 65 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente.” Com efeito, é legitima a exigência de juros de mora tanto sobre os débitos lançados como da respectiva multa de ofício, não pagos no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao dos respectivos vencimentos dos prazos até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa. Para sedimentar as considerações feitas no presente voto, trazse à colação o entendimento expresso nos seguintes Acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscal desse Egrégio Conselho Administrativo: ACÓRDÃO nº CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007: JUROS DE MORA – MULTA DE OFÍCIO – OBRIGAÇÃO PRINCIPAL – A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. ACÓRDÃO nº 9101002.5011ª Turma, julgado em 12/12/2016 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Quanto a exigência da CSLL, após a vigência do art. 28 da Lei 9430/1996, “Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei”, ou seja, as mesmas normas aplicáveis ao IRPJ. Os julgamentos do CARF tem reiterado esse entendimento, a exemplo do acórdão CSRF 0104.686. CSLL, aplicamse as mesmas conclusões em relação ao lançamento principal, por decorrerem dos mesmos fatos. DECORRÊNCIA CSLL Em se tratando de contribuição que tem por base os mesmos fatos que ditaram o lançamento do imposto de renda, o lançamento para sua cobrança é reflexivo e, assim, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão do processo decorrente. Portanto, cabe manter a exigência da CSLL sobre a glosa da amortização dos ágios. Fl. 3110DF CARF MF 66 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. RECURSO DE OFÍCIO Desqualificação da multa de ofício referente ao "1º ágio Bayer" Conforme verificado acima, em relação ao "2º ágio Dade", a DRJ manteve a multa qualificada porque compreende que, apesar de os atos societários estarem devidamente registrados na Junta Comercial e na escrituração comercial e fiscal da interessada e da Dade Behring Ltda., o ágio de R$ 36.316.184,88 apurado em 29/09/2008 não tinha propósito negocial, haja vista ter sido gerado artificialmente em operações realizadas intragrupo. De outra banda, a decisão de primeira instância exonerou parte do lançamento tributário ao tempo em que afastou a qualificação da multa de ofício em relação ao "1º ágio Bayer", e, recorreu de ofício conforme dito preambularmente. No seu entendimento, o fato da existência de efetivo pagamento, realizado no âmbito da negociação em nível global entre os grupos Bayer e Siemens é razão para se considerar indevida a qualificação da multa de ofício. Divirjo da decisão da DRJ em afastar a qualificação da multa em relação ao "1º ágio" pelo motivo acima. Indubitavelmente, a remessa dos recursos financeiros do grupo SIEMENS no exterior para a "SIEMENS PARTICIPAÇÕES" adquirir a BAYDIAG, com a superveniente incorporação e amortização do ágio, demonstra a clara intenção da recorrente em reduzir a tributação do IRPJ e da CSLL. A operação permite à fiscalização constatar quem viabilizou a aquisição e quem tomou a decisão de adquirir um investimento com sobrepreço, ou seja, exterioriza quem é a real investidora originária (SIEMENS no exterior), e desnuda a autuada da condição de investidora (como pretende aparecer) para amortizar o ágio. Nessa reorganização societária, a "SIEMENS PARTICIPAÇÕES" figura como interposta pessoa, servindo de "empresa passagem" para a autuada com propósito de geração do ágio para o subsequente aproveitamento e como resultado reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por ocasião da amortização do referido ágio. A utilização de sociedade veículo, de curta duração, colimando atingir posição legal privilegiada, constitui prova da artificialidade daquela sociedade e das operações nas quais ela tomou parte, notadamente a geração e a transferência do ágio. As razões para a qualificação da multa de ofício constam do TVF, item 7.3, acima reproduzidos quando analisados os dois ágios. Os autuantes deixaram visível que a reorganização societária denota a clara intenção de impedir a ocorrência do fato gerador e a de excluir ou modificar suas características essenciais, tudo para livrar a contribuinte do IRPJ e da CSLL Constatase, com nitidez, a construção artificial do suporte fático, para que se pudesse amoldar à hipótese de incidência de despesa de amortização do ágio. Movimentações na mesma data ou em datas próximas, utilização de empresas sem nenhuma substância, com o deliberado intuito de fabricar uma despesa com repercussão na base tributável. Destarte, dou provimento ao recurso de ofício para manter a qualificação da multa de ofício, também em relação ao "1º ágio". Fl. 3111DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.079 67 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e dar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Voto Vencedor Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Redator designado No caso, este relator foi incumbido da elaboração dos votos vencedores concernentes ao recurso de ofício e à parte dos argumentos dos recurso voluntário; como tais argumentos são prejudiciais ao recurso de ofício, passo a expor meu voto, primeiramente, quanto ao recurso voluntário. I Recurso voluntário. Da primeira operação denominada "1º Ágio Bayer". Esta D. Turma já sabe do meu entendimento quanto a extensão dos preceitos do art. 116, parágrafo único, do CTN; também é de conhecimento de todos o posicionamento estritamente positivista que assumo em relação à planejamentos societários/tributários, premendo sempre, pela leitura literal dos preceitos do art. 5º, II, da CF88 no que tange às opções adotadas pelos contribuintes quando da realização de operações de reorganização empresarial em que se observam práticas que encerram, para além da simples reestruturação, vantagens de cunho fiscal/tributário. Sei, também, que o meu posicionamento não é majoritário, nem mesmo entre os meus pares que votaram pelo provimento deste recurso, de sorte que, até por um dever de lealdade, me limitarei, aqui, a expor entendimento adstrito ao conceito de simulação encartado no Código Civil, mormente, o seu art. 167. Pois bem, se, de fato, a interpretação adotada pelo Fisco e pela Fazenda Nacional acerca da legislação adjetiva art. 116, parágrafo único, do CTN , considera critérios metajurídicos e subjetivos para a tipificação dos fatos ilícitos "simulação" e "dissimulação" (em especial o alardeado "intento negocial") é certo, ao menos a meu ver, que o Código Civil adota, muito antes, critérios objetivos (e não subjetivos) para atestar a ocorrência de atos eivados de ineficácia (o ato é nulo e não anulável), como se extrai das proposições contidas no seu art. 167: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; Fl. 3112DF CARF MF 68 III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2o Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Não se pode olvidar que a previsão contida no inciso I poderia indiciar o predito "subjetivismo"; tratase de subjetivismo aparente; no caso, o ato ou fato praticado é fictício; é inexistente; os direitos não são transmitidos (ainda que formalmente se diga o contrário)... em linhas gerais, a partes formalmente pactuantes não percebem, efetiva e concretamente, os efeitos do negócio que, outrossim, atingem, "sob os panos", terceiros não aventados no instrumento negocial. Exempli gratia, determinada pessoa formaliza com um terceiro um contrato de locação de determinado bem, sem pagar "vírgula" a este (a título de alugueres), mantendo, outrossim, um "contrato de compra e venda de gaveta" com o real proprietário do imóvel. Aqui, vejam bem, o contrato formal não traz efeitos concretos às partes avençantes, envidando consequências patrimoniais ocultas para aqueles que se encontram combinados oficiosamente. Ou seja, os negócios simulados são ineficazes não só à luz dos preceitos acima mas, objetivamente, à vista das próprias consequências concretas que deveriam encerrar (o locador não recebe alugueres porque, ao fim e ao cabo, a locação não existe materialmente em substância). No caso concreto, o cerne da questão está calcado no fato do grupo Siemens, estabelecido no exterior não ter procedido a aquisição direta da Baydiag (hipótese que o ágio, se observado, não geraria consequências tributárias no Brasil), mas ter, outrossim, optado por fazêlo através de uma subsidiária integral criada para este fim específico (aquisição da Baydiag no Brasil pela Siemens Participações Ltda.). Em linhas gerais, o Fisco questiona os motivos de ter, o grupo Siemens, adotado um procedimento, a seu ver, mais complexo para atingir o mesmo fim que seria atingido na hipótese direta, sustentando, mais, a ocorrência da "interposição de empresa veículo" (ou "efêmera") e a concretização sucessiva e concatenada de atos em curtíssimo espaço de tempo. Vale destacar, todavia, que a própria fiscalização admite que, no caso em testilha, tanto a operação inicialmente engendrada (aquisição da Baydiag pela Siemens Participações Ltda.) como quanto a complementação do valor do ágio realizada em 26/09/2008, se deram mediante emprego de dinheiro (espécie); não houve, no caso, pactuação mediante troca de participações societárias (aliás, esta operação não foi classificada como ágio interno), nem simulação de troca de créditos ou quejandos. Vejam, neste particular, os seguintes trechos do TVF, reproduzidos, inclusive, no relatório da D. Conselheira Ester Marques de Sousa, vencida neste ponto: Conforme exposto no subitem 4.2.1. a despeito de a decisão de aumentar e subscrever o capital da "Siemens Participações" ter sido tomada em 05/01/2007, através da 2ª Alteração de Contrato Social, os recursos financeiros já haviam sido remetidos pela sócia holandesa em 26/12/2006, véspera da operação na qual a BAYER SA. CNPJ 18.459.628/000115, vende a totalidade das quotas da BAYDIAG Ltda à "Siemens Participações", ou seja, véspera da data em que o ágio fora constituído. E, antes mesmo que tal remessa constituísse o capital, o recurso já havia sido empregado, no dia 27/12/2006, para o pagamento da aquisição Fl. 3113DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.080 69 da BAYDIAG Ltda. e, por consequente do ágio embutido no valor negociado, conforme demonstra o extrato bancário da "Siemens Participações" (Doc 18 Extrato Itaú 27.12.2006 Siemens Participações). Em 27/12/2006, a "Siemens Participações" fechou câmbio e recebeu em recursos do exterior: R$ 141.496.080,00, R$ 1,00 e R$ 67.532.220,00. Tais valores correspondem à capitalização pelas sócias holandesas e ao empréstimo contraído da sociedade alemã SIEMENS A.G. No mesmo dia, emitiu transferências eletrônicas de fundos de R$ 99.000.000,00, R$ 99.000.000,00 e R$ 3.171.006,00, que esclareceu se tratar do pagamento de R$ 201.171.006,00 pela aquisição da BAYDIAG Ltda Notese que o mesmo fato é atestado em relação à complementação do ágio noticiada nos autos (realizada em 26/09/2008), já que a Fiscalizada efetuou pagamento mediante DOC (R$ 8.081.000,00), pagamento este previsto explicitamente no contrato firmado com a Bayer (cláusula 2.3 do "Contrato de Venda e Transferência de Ações"). Venia concessa, mas a ocorrência de pagamento efetivo dos valores concernentes à aquisição que gerou o ágio ora polemizado, respeitadas as opiniões opostas, per se, demonstraria a substância econômica do negócio e afastaria qualquer possibilidade de se afirmar a ocorrência de negócio simulado. Vale destacar que um dos argumentos sustentados na tribuna, durante o julgamento deste feito, centrouse no fato de, ao constituir uma subsidiária no Brasil, ao invés de proceder à aquisição direta da Baydiag, o grupo internacional teria exportado o benefício fiscal, e que tal procedimento visaria, tão só, a criação do ágio... Todavia, vejam bem, não há, objetivamente, nenhuma norma, previsão legal ou coisa que o valha que vede a prática da operação tal qual concretizada. Isto é, não ha absolutamente nada que impeça que uma empresa sediada no exterior constitua uma subsidiária no Brasil para efetuar a aquisição de um terceira empresa, também estabelecida neste país. Se, neste passo, tal estrutura transparece uma maior complexidade, isto, por si só, não permite concluir sobre a ocorrência de fato simulado (muito antes pelo contrário já que, ao final da operação, a Baydiag ficou sobre o controle de uma empresa brasileira a própria autuada que pertence, até a data de hoje, à empresa estabelecida no exterior). Em linhas gerais, digase, temos que: a) as operações praticadas e analisadas neste voto (1º àgio), tiveram origem na reunião dos grupos estrangeiros Siemens e Bayer; b) para tanto o Grupo Siemens contituir a susbisdiária integral Siemens Participações mediante emprego, em espécie, de recursos financeiros regularmente internalizados mediante contrato de câmbio; c) tais valores foram, por sua vez, concreta e efetivamente transferidos pela Siemens Participações á Bayer como contrapartida da aquisição da empresa Baydiag; Fl. 3114DF CARF MF 70 d) a autuada, por fim, incorporou a Baydiag finalizando, no Brasil, o processo de reunião dos dois grupos, por meio de operação que, digase, não foi, em momento algum, questionado. Todos os atos acima geraram efeitos concretos às partes contratantes, inclusive patrimoniais; não há, no caso, provas ou indícios de que tais atos ocultaram um negócio oficioso, oculto, concedendo direitos à terceiros não indicados nos atos formalmente praticados; os efeitos pretendidos e declarados pelas partes efetivamente ocorreram (mediante transferência dos ativos ao recorrente). De outro turno, o fato dos negócios terem sido pactuados, registrados e publicizados num curto espaço de tempo em nada contribui para a verificação de qualquer tipo de simulação, mormente quando, como já dito, tais operações geraram, e ainda geram, efeitos concretos para as partes contratantes e foram materizaadas mediante efetiva entrega de valores em espécie. Por fim, se a opção adotada pelas empresas gerou, de fato, uma economia tributária, tal consequência é indissociável das demais consequências patrimoniais também observadas; o planejamento tributário, insistase, é franqueado e autorizado por lei, desde que praticado através de atos concretos (sem a interposição de negócios fictícios evasão, na acepção mais estrita da palavra). A escolha da estrutura operacional de determinada reorganização societária é direito e garantia constitucional do contribuinte e, sobre ela, não cabe ao fIsco opinar para dizer que este ou aquele passo é mais ou menos complexo, pena de malferir o já citado princípio da legalidade e, mais, a própria garantia da livre iniciativa (art. 170 da CF88). A luz de tais fatos, voto por dar provimento ao recurso voluntário neste ponto. II. Do recurso de ofício. No caso, como o recurso de ofício se refere à desqualificação da multa de ofício em relação ao 1º ágio, acima já apreciado, a consequencia lógica, tendo em conta o provimento do recurso voluntário quanto a esta operação, é o afastamento de qualquer multa (qualificada ou não). Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Declaração de Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Em que pese os fundamentos trazidos pela i. relatora quando da análise da glosa de amortização de ágio relacionada à aquisição da empresa BAYDIAG pela recorrente, acompanhei o voto divergente que propôs o acolhimento do recurso nesta parte, pelas razões que passo a expor. Fl. 3115DF CARF MF Processo nº 16561.720053/201439 Acórdão n.º 1302002.390 S1C3T2 Fl. 3.081 71 Tenho me manifestado com bastante rigor com relação às operações societárias realizadas das quais resulte o reconhecimento de ágio com base na expectativa de rentabilidade futura por parte dos contribuintes, existindo várias situações em que entendo que não se amoldam às exigências legais. Uma das questões que, por vezes, ocorre é a ausência de contemporaneidade entre a operação e reconhecimento do ágio e o laudo ou outro documento de avaliação do investimento que espelha a expectativa de rentabilidade que justificaria o lançamento do ágio sob tal fundamento. Entendo que tal documento deve existir no momento da operação ou antes dela, pois é o que dá suporte ao registro e reconhecimento do ágio por este fundamento e autoriza a sua amortização, nos termos do art. 386, § 3º do Regulamento do Imposto de Renda. A alteração introduzida ao dispositivo do DL. 1598/1977 (art. 20, § 3º) pela Lei nº 12.973/2014, que estabelece a necessidade de elaboração de um laudo pericial para a avaliação dos ativos a preço justo, com vistas à apuração do ágio baseado na rentabilidade futura, e fixa um prazo de até 13 meses após a aquisição para sua elaboração, não se aplica ao presente caso, pois tal regra somente entrou em vigor a partir de 1º de janeiro de 2015. Assim, não se pode exigir o laudo pericial, na forma ali estabelecida. Por outro lado o prazo de 13 meses fixado para a elaboração de tal laudo não se aplica às operações anteriores à vigência do dispositivo em questão. No presente caso, a i. relatora trouxe como fundamento de seu voto quanto a este ágio, o que foi decidido no Acórdão nº 1401001.571 de 02/03/2016, que analisou a mesma amortização em períodos de apuração anteriores. Na decisão referida, verificase como um dos seus fundamentos que o laudo de avaliação apresentado pela contribuinte seria posterior à data em que a operação foi realizada e que por isto não poderia ser aceito como base para o reconhecimento do ágio com base na expectativa de rentabilidade futura, verbis: Demais disso, a instância a quo identificou outro problema. Não houve comprovação efetiva do fundamento econômico do ágio. Isso porque, conforme já constava no Termo de Verificação Fiscal (fls. 47), o relatório de avaliação econômico financeira juntado aos autos (fls. 585 a 636) foi elaborado em 27/02/2007, portanto, dois meses após a geração do ágio. Ademais, tal relatório avaliou a empresa adquirida (BAYDIAG) no valor justo de mercado de R$ 223.002.000,00. Esse valor, no entanto, não corresponde ao valor pago na sua aquisição. A empresa autuada, por sua vez, não se pronunciou sobre essa constatação em suas peças recursais. Com efeito, o relatório pretendeu justificar o fundamento econômico do ágio gerado. Ou seja, ao utilizar uma metodologia de fluxo de caixa descontado, pretendeu refletir o valor da aquisição numa expectativa de rentabilidade futura. Porém, a sua elaboração extemporânea e com valor distinto do que efetivamente foi pago afasta essa pretensão. Fl. 3116DF CARF MF 72 Tal fundamento seria por mim acolhido prontamente se tal situação tivesse sido ventilada neste processo. Ocorre que, no presente lançamento, a d. autoridade fiscal não fez qualquer referência no Termo de Verificação Fiscal à extemporaneidade do documento que espelharia a diferença reconhecida como ágio, não sendo, portanto, fundamento para a autuação. Assim, à míngua de tal consideração no procedimento fiscal e a ausência desta discussão no âmbito deste processo até esta fase processual entendo que falece competência ao julgador para alterar o fundamento da autuação, de sorte que esta não pode ser mantida sob tal argumento. Com relação ao outro fundamento da autuação, concernente à utilização de empresa veículo como forma de viabilizar a posterior amortização do ágio pago, entendo que estando devidamente comprovado nos autos que houve o efetivo pagamento (sacrifício patrimonial) para a aquisição do investimento por parte da empresa adquirente e tendo a própria lei reguladora permitido a incorporação reversa para fins de amortização da despesa, a forma utilizada pela recorrente para a realização do negócio encontrase dentro dos limites da liberdade de organização de seus negócios, não lhe sendo vedado utilizar aquela que lhe propicie, dentro do ordenamento legal, o menor custo tributário (maior vantagem tributária, em verdade). É oportuno registrar que não estou entre aqueles que defendem que os contribuintes podem fazer tudo que a lei não veda. Entendo que os negócios jurídicos realizados devem respeitar os princípios da boafé e a função social da empresa. Assim, não se admitem negócios puramente formais, sem qualquer substância, que visam unicamente a obtenção de benefícios fiscais, como os observados na criação de ágio em operações internas ao grupo econômico. É o caso da segunda operação com reconhecimento e amortização de ágio discutida na segunda infração, em relação à qual acompanhei o voto da i. relatora para negar provimento ao recurso do contribuinte. No presente caso, entendo que a operação se amolda à previsão legal que autoriza a amortização do ágio. Existe um valor efetivamente pago que supera o valor patrimonial, amparado na expectativa de rentabilidade futura. Por outro lado, a adquirente foi absorvida por incorporação pela adquirida, verificandose a confusão patrimonial exigida por lei para viabilizar a amortização da despesa. Embora considere despropositada e injusta com os demais contribuintes a previsão legal que autoriza a amortização antecipada do investimento como despesa, entendo que enquanto vigente a lei, nos casos que nela se enquadrem, tal dedução deve ser acatada pelo Fisco. Ante ao exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto da autuação. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 3117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900658/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2004
ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA.
Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2004
ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA.
Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.191
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/09/2004 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2004 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.900658/2010-51
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5806344
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-004.191
nome_arquivo_s : Decisao_16327900658201051.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 16327900658201051_5806344.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7054880
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731396009984
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1649; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900658/201051 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.191 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria DCOMP Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. (sucessora por incorporação de ABN AMRO ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2004 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como “Rendas de Garantias Prestadas” são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2004 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como “Rendas de Garantias Prestadas” e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 58 /2 01 0- 51 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 16327.900658/201051 Acórdão n.º 3401004.191 S3C4T1 Fl. 3 2 Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando compensar débitos declarados com suposto crédito oriundo de pagamento a maior de 63 COFINS nãocumulativa. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento informado fora integralmente utilizado na quitação de débitos da requerente, não restando saldo a ser utilizado. Irresignado com o indeferimento de seu pedido, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde alega, em síntese que: (a) não havia considerado na base de cálculo da contribuição as regras do Decreto nº 5.164/2004, revogado pelo Decreto nº 5.442/2005, que em seu artigo 1º reduziu a zero as alíquotas da contribuição sobre receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas a incidência nãocumulativa; (b) face ao alegado no item anterior, procedeu aos ajustes na base de cálculo das contribuições, evidenciando assim o recolhimento a maior; (c) os valores na DIPJ estão corretos, acordes com a nova apuração; (d) olvidouse de proceder à retificação na DCTF, solicitando que esta seja retificada de ofício. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindose que as receitas contabilizadas como “Rendas de Garantias Prestadas” não se caracterizam como receitas financeiras, sujeitas a redução à zero das alíquotas, nos termos do Decreto nº 5.164/2004, e não podem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins apurada pelo contribuinte, indeferindo a solicitação do interessado, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário onde essencialmente reitera a argumentação expressa na manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de Fl. 108DF CARF MF Processo nº 16327.900658/201051 Acórdão n.º 3401004.191 S3C4T1 Fl. 4 3 junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.187, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.900662/201019, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.187): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, visando a compensar débitos nele declarados, com créditos oriundos de pagamentos a maior de contribuições sociais nãocumulativas. A ora recorrente, impugnou o não reconhecimento o direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, por não haver considerado nas bases de cálculo os ditames do art. 1º, do Decreto n° 5.164/04, que reduziu à zero a alíquota das contribuições sociais nãocumulativas, incidentes sobre receitas financeiras, conforme planilha (doc n° 4) apontando a conta COSIF 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) e cópia da página do balancete mensal, onde constariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5). Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida que os valores contabilizados como “Rendas de Garantias Prestadas” não poderiam ser considerados receitas financeiras, pelas empresas prestadoras de serviços de administração de cartões de créditos, mas sim receitas provenientes da prestação de serviços. Destaca a recorrente, somente agora em recurso voluntário, que o crédito pleiteado é oriundo da reclassificação de valores das contas COSIF 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) para 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), informação inserida na planilha (doc n° 4), apresentada junto com a impugnação, porém, não constando a conta 7.1.1.05.006, destino da reclassificação contábil alegada, na cópia da página do balancete mensal, onde constariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5), também, apresentada junto com a impugnação. Pois bem, entendo, sejam RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS ou RENDAS DE EMPRÉSTIMOS, as receitas em discussão fazem parte do objeto social da recorrente, empresa administradora de cartões de créditos, em razão disso, não enquadrandose como receita financeira e não fazendo jus à redução à zero das alíquotas ou à exclusão das bases de cálculo das contribuições sociais. Seguindo a mesma linha de abordagem da decisão recorrida, cujo voto condutor promoveu minuciosa analise da conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS), segundo o Cosif, a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE Fl. 109DF CARF MF Processo nº 16327.900658/201051 Acórdão n.º 3401004.191 S3C4T1 Fl. 5 4 EMPRÉSTIMOS), que faz parte do subgrupo 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito, o qual pertence ao grupo 7.1.0.00.008 Receitas Operacionais, tem como função “Registrar as rendas de empréstimos, que constituam receita efetiva da instituição, no período. Base Normativa: (Circular BCB 1273)”. Notar que a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), a qual alegase ter sido reclassificados os valores originalmente registrados na conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS), vinculase diretamente ao objeto social da recorrente, ambas, fazendo parte do bojo das suas receitas operacionais, subagrupadas em rendas de operações de crédito e outras receitas operacionais, respectivamente, constituindo receitas decorrentes do exercício da atividade empresarial das administradoras de cartões de crédito, que não se confundem com as oriundas de remuneração do capital nas operações financeiras. A incidência das contribuições sociais sobre as RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS foi mantida, por entender a decisão recorrida que, sendo cobrado do cliente da ora recorrente determinada importância, em contrapartida pela fiança/aval prestado, estaria caracterizada prestação de serviço próprio das administradoras de cartões de crédito. Ainda que seja feita uma divisão das receitas provenientes da atividade desempenhada pela recorrente, entre a prestação de fiança/aval e à concessão de empréstimos correlatos, ambas atividades, sujeitamse à incidência das contribuições sociais, mesmo que, na segunda hipótese, possa ser considerada uma atividade financeira, exclusivamente sujeita ao IOF, para fins de não ser tributável pelo ISS. Portanto, ainda que reclassificadas as rendas de empréstimos para a subconta 7.1.1.05.006 (sujeita ao IOF), estamos nitidamente diante de receitas provenientes de operações de crédito, oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da recorrente, que não se confundem com as receitas de remuneração do capital em operações financeiras dissociadas do objeto social da empresa. Ressaltase que essas operações são consideradas autônomas e possuem regras próprias de contabilização no Cosif. As rendas das garantias prestadas são contabilizadas na subconta 7.1.9.70.004 (sujeita ao ISS), e as rendas de empréstimos são lançadas na subconta 7.1.1.05.006 (sujeita ao IOF). Determinante no presente caso, se da contabilização na conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) o resultado foi a inclusão das receitas de empréstimos, fato timidamente ressaltado pela interessada e somente agora em recurso voluntário, é certo que deveria haver a demonstração destas ocorrências, acompanhada da documentação comprobatória pertinente, o que não foi o caso, nem no momento Fl. 110DF CARF MF Processo nº 16327.900658/201051 Acórdão n.º 3401004.191 S3C4T1 Fl. 6 5 oportuno da manifestação de inconformidade (art. 16, do PAF), nem agora em recurso voluntário, cabendo ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, nos termos do art. 36, da Lei nº 9.784/99, ainda mais, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Por certo, a conta de RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS, abarca prestação de serviços tributáveis pelas contribuições sociais nãocumulativas, em discussão, incidência demonstrada pela fiscalização, mantida pela decisão recorrida e ora convalidada, pelos mesmos fundamentos, não havendo, por parte do interessado, demonstração adequada, apenas, simples planilha apresentada (doc n° 4), além da inexistência de documento de prova no sentido da inclusão de RENDAS DE EMPRÉSTIMOS nesta conta, cabendo ao contribuinte segregar e provar a possível natureza distinta de tais receitas, não constando nem mesmo a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS) na cópia da página do balancete mensal, onde estariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5). Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o não reconhecendo do direito creditório pleiteado, com a conseqüente não homologação da compensação declarada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13942.000155/2005-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano calendário:2002
Ementa: SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. INVIABILIDADE. LIMITE TEMPORAL PARA INCLUSÃO DE OFÍCIO. APRESENTAÇÃO DA DlPJ/2003.
A inclusão retroativa só pode ser deferida para as empresas que tomaram conhecimento de sua situação de não optante até a apresentação da declaração simplificada do ano calendário 2002, sendo de iniciativa do contribuinte a inclusão no regime, mediante alteração cadastral efetivada até o final de janeiro do ano da opção.
SIMPLES. INCLUSÃO PROSPECTIVA. VIABILIDADE. EXPECTATIVA
DO DEFERIMENTO DO PLEITO.
É viável a inclusão prospectiva no Simples, para períodos posteriores à data de protocolo do pedido de inclusão retroativa, diante da expectativa do contribuinte em ter seu pleito deferido, que justifica a falta da opção manifestada até o final de janeiro dos períodos posteriores, desde que demonstrada a intenção inequívoca de adesão, caracterizada por declarações
e pagamentos pelo Simples.
Numero da decisão: 1401-000.564
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201105
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano calendário:2002 Ementa: SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. INVIABILIDADE. LIMITE TEMPORAL PARA INCLUSÃO DE OFÍCIO. APRESENTAÇÃO DA DlPJ/2003. A inclusão retroativa só pode ser deferida para as empresas que tomaram conhecimento de sua situação de não optante até a apresentação da declaração simplificada do ano calendário 2002, sendo de iniciativa do contribuinte a inclusão no regime, mediante alteração cadastral efetivada até o final de janeiro do ano da opção. SIMPLES. INCLUSÃO PROSPECTIVA. VIABILIDADE. EXPECTATIVA DO DEFERIMENTO DO PLEITO. É viável a inclusão prospectiva no Simples, para períodos posteriores à data de protocolo do pedido de inclusão retroativa, diante da expectativa do contribuinte em ter seu pleito deferido, que justifica a falta da opção manifestada até o final de janeiro dos períodos posteriores, desde que demonstrada a intenção inequívoca de adesão, caracterizada por declarações e pagamentos pelo Simples.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 13942.000155/2005-71
conteudo_id_s : 5820692
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1401-000.564
nome_arquivo_s : Decisao_13942000155200571.pdf
nome_relator_s : Antonio Bezerra Neto
nome_arquivo_pdf_s : 13942000155200571_5820692.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
id : 7085906
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731641376768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 43 1 42 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13942.000155/200571 Recurso nº 99.999 Voluntário Acórdão nº 1401000.564 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de maio de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente GHELERE COM E TRANSP DE MANUFATURADOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL . Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 Ementa: SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. INVIABILIDADE. LIMITE TEMPORAL PARA INCLUSÃO DE OFÍCIO. APRESENTAÇÃO DA DlPJ/2003. A inclusão retroativa só pode ser deferida para as empresas que tomaram conhecimento de sua situação de nãooptante até a apresentação da declaração simplificada do ano calendário 2002, sendo de iniciativa do contribuinte a inclusão no regime, mediante alteração cadastral efetivada até o final de janeiro do ano da opção. SIMPLES. INCLUSÃO PROSPECTIVA. VIABILIDADE. EXPECTATIVA DO DEFERIMENTO DO PLEITO. É viável a inclusão prospectiva no Simples, para períodos posteriores à data de protocolo do pedido de inclusão retroativa, diante da expectativa do contribuinte em ter seu pleito deferido, que justifica a falta da opção manifestada até o final de janeiro dos períodos posteriores, desde que demonstrada a intenção inequívoca de adesão, caracterizada por declarações e pagamentos pelo Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13942.000155/200571 Acórdão n.º 1401000.564 S1C4T1 Fl. 44 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Viviane Vidal Wagner. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13942.000155/200571 Acórdão n.º 1401000.564 S1C4T1 Fl. 45 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0622.393, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em CuritibaPR. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o processo de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu solicitação de revisão da exclusão do Simples (SRS), que tinha por objeto Ato Declaratório de Exclusão do Simples (ADE) emitido por motivo de presença de sócio com participação societária em outra pessoa jurídica. 2. O contribuinte protocolou o pedido de fls. 01/02, em 26/08/2005, postulando o reingresso no Simples a partir de 01/01/2004. O pedido foi indeferido, conforme despacho de fls. 16/18, emitido pela DRF/Foz do Iguaçu. Intimada da decisão em 14/11/2005, conforme AR de fl. 20, tempestivamente, em 09/12/2005, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 21/22 que se resume a seguir: a. Explica que é optante do Simples desde 01/01/2003, e que a exclusão foi determinada pelo ADE de 06/06/2005; relata que, em 26/08/2005, requereu a re inclusão a partir dc 01/01/2004, considerando que a partir desta data não mais existiam situações excludentes, já que o sócio Vilmar Atílio Ghelere, CPF 212.612.37900 retirouse do quadro societário da empresa Possoli Caminhões Ltda, em 26/05/2003; b. Contesta a decisão da DRF, que indeferiu o pedido sob a alegação de que a empresa deveria ter feito a opção até o último dia de janeiro de 2004; c. Justifica que em 31/01/2004 ainda era optante do Simples e não poderia naquela data reafirmar sua opção, pois foi excluída em 26/06/2005, sendo que a opção é realizada unicamente uma vez; d. Acrescenta que as situações de exclusão somente foram verificadas no ano de 2003, e a partir de 01/01/2004 não mais ocorreram situações excludentes; e. Declara que continua recolhendo seus tributos com base nesse regime e apresentando declaração simplificada; f. Requer a revisão da decisão, com o enquadramento no Simples a partir de 01/01/2004. 3. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13942.000155/200571 Acórdão n.º 1401000.564 S1C4T1 Fl. 46 4 A DRJ, por unanimidade de votos, DEFERIU EM PARTE a solicitação, nos seguintes termos: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. INVIABILIDADE. LIMITE TEMPORAL PARA INCLUSÃO DE OFÍCIO. APRESENTAÇÃO DA DlPJ/2003. A inclusão retroativa só pode ser deferida para as empresas que tomaram conhecimento de sua situação de nãooptante até a apresentação da declaração simplificada do ano calendário 2002, sendo de iniciativa do contribuinte a inclusão no regime, mediante alteração cadastral efetivada até o final de janeiro do ano da opção. SIMPLES. INCLUSÃO PROSPECTIVA. VIABILIDADE. EXPECTATIVA DO DEFERIMENTO DO PLEITO. É viável a inclusão prospectiva no Simples, para períodos posteriores à data de protocolo do pedido de inclusão retroativa, diante da expectativa do contribuinte em ter seu pleito deferido, que justifica a falta da opção manifestada até o final de janeiro dos períodos posteriores, desde que demonstrada a intenção inequívoca de adesão, caracterizada por declarações e pagamentos pelo Simples.Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada, interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13942.000155/200571 Acórdão n.º 1401000.564 S1C4T1 Fl. 47 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o Interessado foi excluído do Simples, em face da presença do sócio Vilmar Atílio Ghelere que participava com 9% do capital social da empresa desde 03/12/2001, conforme contrato à fl. 10, assim como era sócio também, com 40% do capital social da Possoli Caminhões Ltda, desde 30/08/2001, à fl. 11, o que fez com que a receita bruta ultrapassasse o limite de R$ 1.200.000,00. O referido sócio, de fato, deixou o quadro societário da Possoli Caminhões Ltda em 26/05/2003, conforme cadastro de fl. 14,. No entanto, a autoridade fiscal indeferiu o pedido de inclusão retroativa, ao argumento de que a opção deveria ter sido feita até o último dia de janeiro de 2004, e que, de acordo com a SCI Cosit n° 21/2003, o pedido valia apenas para fatos ocorridos até o ano calendário de 2002. Nesse ponto, decidiu acertadamente tanto a DRF quanto a DRJ. Uma vez que empresa deixou de apresentar impedimento para o ingresso no Simples desde 26/05/2003, cabia ao contribuinte fazer a opção pelo regime mediante alteração cadastral que deveria ter sido efetivada até o último dia de janeiro de 2004. É comando literal do art. 16, § 1º da Instrução Normativa SRF n° 355, de 29 de agosto de 2003, que disciplina a matéria: § 1º A pessoa jurídica, inscrita no CNPJ, formalizará sua opção para adesão ao Simples, mediante alteração cadastral efetivada até o último dia útil do mês de janeiro do anocalendário. (Grifouse) O art. 17 do mesmo diploma infralegal indica o termo a quo demarcando o ingresso da pessoa jurídica à sistemática do Simples: Art. 17. A opção exercida de conformidade com o art. 16 será definitiva para todo o período a que corresponder e submeterá a pessoa jurídica à sistemática do Simples a partir: I do primeiro dia do anocalendário da opção, na hipótese do §1º do art. 16; II do primeiro dia do anocalendário subseqüente, na hipótese do § 1º do art. 16, no caso de opção formalizada fora do prazo ali mencionado: (...) Dessa forma, acertadamente a DRJ indeferiu o pedido de inclusão retroativa a 01/01/2004, dado que foi protocolado em 26/08/2005, tendo em conta que a inclusão dependia simplesmente da iniciativa do contribuinte de alterar seu cadastro até 31/01/2004, conforme Norma supra para o ingresso retroativo no início do exercício de 2004, ou mesmo até 31/01/2005, para ingresso no início do exercício de 2006, já que incide a mesma regra. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13942.000155/200571 Acórdão n.º 1401000.564 S1C4T1 Fl. 48 6 Dessa forma, só restou, acertadamente à DRJ, deferir em parte o pleito, permitindo a inclusão retroativa apenas a partir de 01/01/2006, já que, ao final de janeiro de 2006 a empresa já havia interposto seu pedido e mantinha expectativa de ter seu pleito deferido, bem assim ter restado evidenciado a intenção inequívoca do contribuinte em aderir ao regime, conforme prova nos autos. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO Assinado digitalmente em 10/06/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/06/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900050/2008-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. ARTIGO
Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. Recurso especial não conhecido, nos termos do artigo 67, §12, incisos II e III, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015).
Numero da decisão: 9101-003.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201711
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. ARTIGO Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. Recurso especial não conhecido, nos termos do artigo 67, §12, incisos II e III, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015).
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.900050/2008-40
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5818928
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.241
nome_arquivo_s : Decisao_10880900050200840.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : ADRIANA GOMES REGO
nome_arquivo_pdf_s : 10880900050200840_5818928.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
id : 7085746
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731680174080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1518; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.900050/200840 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.241 – 1ª Turma Sessão de 09 de novembro de 2017 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SUPREV SERVIÇOS DE CONSULTORIA E ASSESSORIA EM PREVIDÊNCIA S/S LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 91. PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. 10 ANOS. SÚMULA CARF 91. ARTIGO Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para compensação é de 10 anos quanto às declarações de compensação apresentadas antes de 9 de junho de 2005. Recurso especial não conhecido, nos termos do artigo 67, §12, incisos II e III, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente em exercício e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 00 50 /2 00 8- 40 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.900050/200840 Acórdão n.º 9101003.241 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo originado pela apresentação de Pedido de Compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ do 3º trimestre de 1998, apresentado em 31/10/2003. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo não homologou as compensações. Após a apresentação de manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve a decisão da DRF. O contribuinte apresentou recurso voluntário que foi acolhido parcialmente pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. PRAZO PARA PLEITEAR A RESTITUIÇÃO E PARA EFETUAR VERIFICAÇÕES FISCAIS. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. De igual forma, a administração tributária conta também com 5 anos para verificar a correção dos valores pleiteados, estando a contribuinte obrigada a manter a escrituração e comprovantes e boa guarda, em observância ao artigo 264 do RIR/2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi movimentado para a Procuradoria que apresentou recurso especial por divergência na interpretação da lei tributária a respeito do prazo para repetição de indébito na forma do artigo 168, do Código Tributário Nacional. O recurso especial foi admitido pela então Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho: Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegou se a conclusões distintas. A divergência é patente: o acórdão recorrido firmou entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a restituição O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.900050/200840 Acórdão n.º 9101003.241 CSRFT1 Fl. 4 3 de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado, escriturado e declarado ao Fisco, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. Por sua vez no paradigma, o colegiado entendeu que esse prazo é sempre de 5(cinco) anos contados do anocalendário que o saldo foi apurado. Destarte, em vista do exposto DOU SEGUIMENTO ao recurso especial. O contribuinte foi intimado para apresentar contrarrazões ao recurso especial, sem que tenha apresentado qualquer manifestação. É o relatório. Voto Adriana Gomes Rêgo, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.240, de 09.11.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.900061/200820. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.240): O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária. De toda forma, não conheço do recurso especial, conforme razões a seguir. A Procuradoria sustenta a contrariedade do acórdão recorrido ao artigo 168, I, do Código Tributário Nacional, que dispõe: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Para julgamento da matéria, sobreleva considerar a previsão dos artigos 3º e 4º, da Lei Complementar nº 118/2005, que prescrevem: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.900050/200840 Acórdão n.º 9101003.241 CSRFT1 Fl. 5 4 inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Ao assim dispor, o citado artigo 4º tinha por finalidade atribuir eficácia retroativa à inovação veiculada pelo artigo 3º. Com efeito, o artigo 106, do Código Tributário Nacional é nos seguintes termos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; O Supremo Tribunal Federal decidiu em sessão do Pleno, aplicando a sistemática do artigo 5453B, do Código de Processo Civil, que: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.900050/200840 Acórdão n.º 9101003.241 CSRFT1 Fl. 6 5 aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (Tribunal Pleno, Recurso Extraordinário nº 566.621, DJe 10/10/2011, Rel. Ministra Ellen Gracie) Os Conselheiros deste Conselho Administrativos de Recursos Fiscais devem reproduzir as decisões do Supremo Tribunal Federal, tomadas com fundamento no artigo 543B, do antigo CPC/1973, na forma do artigo 62, §2º, do atual RICARF (Portaria MF nº 343/2015), verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ressaltese, ainda, que a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/06 pode ser proclamada por este Colegiado em observância ao próprio RICARF (Portaria MF nº 343/2015), termos do artigo 62, §1º, I e II, alínea b: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0 II que fundamente crédito tributário objeto de: b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; O citado dispositivo regimental encontra fundamento no artigo 26A, do Decreto nº 70.235/1972: Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.900050/200840 Acórdão n.º 9101003.241 CSRFT1 Fl. 7 6 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Pois bem. Diante disso, entendo necessário adotar o entendimento do STF no julgamento acima, que reconheceu: (i) que a LC 118/2005 não é interpretativa, tendo alterado o prazo para restituição de indébito de 10 anos (contados do fato gerador), para 5 anos (do pagamento indevido). (ii) a segunda parte do artigo 4º, da Lei Complementar nº 118/05, é inconstitucional; (iii) o novo prazo para restituição de indébito (5 anos) só seria aplicável às ações ajuizadas a partir de 9/06/2005. Cumpre destacar, ainda, que o CARF aprovou Enunciado de Súmula em sentido similar, dispondo que: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso destes autos, a Turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para assegurar o direito à compensação de saldo negativo acumulado no 3º trimestre de 2000 (desde 1996) quanto às compensações realizadas em 2003. O recurso especial da Procuradoria não se coaduna com o entendimento do Pleno do Supremo Tribunal Federal, conforme acórdão acima colacionado, como tampouco com a Súmula 91 do CARF. Diante disso, voto por não conhecer o recurso especial da Procuradoria, nos termos do atual RICARF (Portaria MF nº 343/2015): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (...) II decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil; e III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.900050/200840 Acórdão n.º 9101003.241 CSRFT1 Fl. 8 7 Por tais razões, não conheço o recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendo o acórdão recorrido. O processo deve retornar à unidade de origem para verificar a procedência do direito creditório do contribuinte, conforme acórdão da Turma a quo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903920/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN.
A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84.
BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA.
A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.
Numero da decisão: 1301-002.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologando-se as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84. BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10865.903920/2008-21
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5805454
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.678
nome_arquivo_s : Decisao_10865903920200821.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : MILENE DE ARAUJO MACEDO
nome_arquivo_pdf_s : 10865903920200821_5805454.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologando-se as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
id : 7047715
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731746234368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 738 1 737 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.903920/200821 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.678 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria IRPJ Perdcomp Recorrente FAZENDA SETE LAGOAS AGRÍCOLA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84. BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 39 20 /2 00 8- 21 Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10865.903920/200821 Acórdão n.º 1301002.678 S1C3T1 Fl. 739 2 acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologandose as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório constante da Resolução nº 1802000.333, proferida pela 2ª Turma Especial na sessão realizada em 08/10/2013, complementandoo ao final: "Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão n° 1433.111, às fls. 49 a 57: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJestimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores expressos no quadro "Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10865.903920/200821 Acórdão n.º 1301002.678 S1C3T1 Fl. 740 3 discriminado no PER/DCOMP", os quais não corresponderiam aos efetivamente declarados. Os valores do alegado crédito apropriados nos PER/DCOMP n°s 28623.05598.250804.1.3.047067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, seriam, respectivamente, R$ 1.959,26, R$ 17.649,06, R$ 27.748,53, R$ 15.394,36 e R$ 2.042,88, e não os valores que constam no despacho decisório; que haveria saldo suficiente para compensação do tributo informado em PER/DCOMP, conforme demonstrativo de compensação juntado aos autos, relativo ao montante do alegado direito creditório, de R$ 858.160,00. Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, "que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência". Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/05/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/06/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS dispõe a legislação que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada; Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10865.903920/200821 Acórdão n.º 1301002.678 S1C3T1 Fl. 741 4 assim procedeu a Recorrente, tendo recolhido as estimativas mensais do imposto durante todo o anocalendário; todavia, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente (posto que sem uma apuração efetiva da receita bruta auferida) mas de boafé, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida (período de apuração: 01/2003), a qual, inclusive, se mostra em "valores exatos" (R$ 800.000,00), corroborando o alegado; outrossim, após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o qual fora quitado da seguinte forma: • R$ 56.470,37 Darf recolhido em 30/05/2003, com multa e juros, totalizando R$ 70.390,31; • R$ 10.711,46 mediante compensação por meio do DComp 21298.07778.21050.31304.9740; • R$ 76.208,64 mediante compensação por meio do DComp 16895.65143.21050.31304.8488; • R$ 19.116,06 mediante compensação por meio do DComp 17482.92249.03110.31304.8560 (já homologada). desta forma, se verifica que o valor integral da guia embatida não foi utilizado para a quitação da estimativa mensal de 31/01/2003, e este montante, portanto, corresponde ao crédito que a Recorrente possui junto a este órgão, tendo sido objeto de compensação com débitos do exercício de 2003 (o recurso traz uma tabela relacionando várias outras compensações realizadas a partir deste mesmo crédito); o Despacho Decisório apenas consignava insuficiência do crédito apontado, tendo a Recorrente demonstrado o equívoco dos números constantes no referido despacho, o que foi acatado pela 5a Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto; contudo, a DRJ manteve a decisão de nãohomologação da compensação sob outro fundamento, extrapolando os limites da discussão a que lhe fora submetida e, conseqüentemente, sua esfera de competência, posto que o processo deveria ter retornado à Fiscalização para nova decisão quanto à homologação ou não da compensação declarada, devido ao fato da Autoridade Julgadora haver afastado o único óbice apontado pela Fiscalização; tal situação acarretou supressão de instância em face da Recorrente, posto que lhe foi cerceado seu direito à ampla defesa (apresentação de razões e juntada de documentos contábeis que se fizessem necessários, em virtude do novo fundamento utilizado), visto que sua Manifestação de Inconformidade não abrangeu a situação apontada no v. acórdão combatido, posto que esta era inexistente; em que pese o acima exposto e apenas para que não paire qualquer dúvida acerca da existência do crédito, destacase que o atual fundamento para a não homologação das compensações apenas apontaria um equívoco de interpretação quanto ao "Tipo do Crédito" a ser preenchido no Per/Dcomp, posto que ao invés de ter preenchido "Pagamento Indevido ou a Maior" defende que deveria a Recorrente ter escolhido a opção "Saldo Negativo do IRPJ" (anocalendário de 2003); Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10865.903920/200821 Acórdão n.º 1301002.678 S1C3T1 Fl. 742 5 todavia, o montante do crédito informado é legítimo, não podendo eventual equívoco quanto ao "tipo de crédito" informado ser óbice ao direito da Recorrente de ter ressarcido valores recolhidos indevidamente, a título de imposto sobre a renda, razão pela qual junta aos autos toda a documentação contábil pertinente à demonstração do Saldo Negativo do período, assim como demonstrou em planilha como fora utilizado aludido crédito; por derradeiro, se coloca à inteira disposição para o fornecimento de quaisquer outros documentos que se fizerem necessários, requerendo, desde já, se necessário, diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a homologação das compensações efetuadas; DA DECADÊNCIA conforme dito no item anterior, a Fiscalização não homologou as compensações declaradas sob o fundamento (ÚNICO) de que o crédito era insuficiente, posto que já utilizado para o pagamento de outros débitos, demonstrando o alegado com números equivocados e distorcidos do efetivamente declarado; em face desta situação, a Recorrente apresentou suas razões de defesa, demonstrando a incorreção do apontado pela Fiscalização e juntando documentos hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão; a incorreção foi ratificada pela 5a Turma da Delegacia de Julgamento, a qual reconheceu o erro da Fiscalização, acatando as razões de defesa da ora Recorrente; contudo, para total surpresa da Recorrente, a DRJ decidiu não homologar as compensações por novo fundamento, apontando que o tipo do crédito informado não seria passível de ressarcimento; caberia à DRJ julgar a controvérsia instaurada e não substituir a Fiscalização para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso do apontado; se o óbice apontado no v. acórdão fosse causa de nãohomologação pela Fiscalização, esta deveria ter consignado também este fundamento no r. Despacho Decisório, posto que seria devidamente conferido ao Contribuinte a oportunidade de apresentar todas as suas razões de defesa já na Manifestação de Inconformidade, assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado. Entretanto, isto não ocorreu; tal fato foi apenas apontado no v. acórdão e, assim, o seu acatamento culminaria em verdadeira supressão de instância, posto que não seria possível contestar algo de que ainda não se tinha ciência; se a fiscalização não apontou o "Tipo do Crédito" como óbice à compensação, não poderia a autoridade julgadora fazêlo, pois esta matéria não era objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao Contribuinte de insurgirse em face dela; aos nobres Julgadores caberia apenas afastar o óbice apontado pela Fiscalização e, assim, eventualmente e na mais otimista das hipóteses, retornar os autos à DRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação; outrossim, tendo sido afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10865.903920/200821 Acórdão n.º 1301002.678 S1C3T1 Fl. 743 6 que o Fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de afastar a decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela Fiscalização; DA COMPENSAÇÃO a compensação efetuada se encontra em perfeita sintonia com as normas legais vigentes, tendo ocorrido, eventualmente, apenas um equívoco quanto ao preenchimento do campo "tipo do crédito"; o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores "pagos a maior" (estimativa), sob a rubrica de imposto sobre a "renda" ou contribuição social sobre o "lucro líquido", o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de fato que não corresponde ao conceito de renda, nem tampouco ao de lucro líquido; desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Recorrente, conforme demonstra a farta documentação contábil anexada à presente, seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional; portanto, é medida de justiça o reconhecimento do crédito informado pela Recorrente na íntegra, sendo homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; DO PEDIDO dado o fato de a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto haver afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. Despacho Decisório e já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para um eventual novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento, requer, respeitosamente, seja parcialmente reformado o v. acórdão, para o fim de afastar a "decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização", considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; caso assim não entendam V. Sas., o que se cogita por mera argumentação, requer, respeitosamente, a análise da documentação contábil ora apresentada, a qual demonstra a existência do crédito informado, não podendo eventual equívoco quanto ao tipo do crédito ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito e, assim, ao final, seja julgada totalmente procedente o recurso interposto, homologandose as compensações declaradas em sua integralidade, por ser esta medida de justiça. Este é o Relatório." Na sessão de julgamento realizada em 08/10/2013, a 2ª Turma Especial reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não tinha sido aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Contudo entendeu a Turma que a solução do presente processo ainda demandaria instrução complementar, e converteu o julgamento em diligência, através da Resolução nº 1802000.333, para: "Embora a indicação seja da existência e disponibilidade do alegado excedente referente à estimativa de janeiro/2003, há outras compensações que afetam este processo. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10865.903920/200821 Acórdão n.º 1301002.678 S1C3T1 Fl. 744 7 A quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, está vinculada a outras compensações. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte: 1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 664 a 670, em que apresentou uma detalhada relação de todos PERDCOMPs que utilizaram o mesmo crédito aqui examinado e efetuou as constatações assim resumidas no voto da Resolução nº 1802000.544, de 30/07/2014: "Quanto à estimativa de IRPJ de janeiro/2003, esclareceu: que a receita constante da DIPJ foi confirmada no Livro Razão; que a estimativa de IRPJ sobre essas receitas deveria ser de R$ 175.678,89, e não R$ 162.507,07; que a divergência entre o valor apurado na diligência e o informado pela Contribuinte decorria da aplicação do coeficiente de 8% sobre receitas que não se enquadravam no conceito de "receita bruta" (variações cambias, outros ganhos financeiros, etc.); que o valor declarado tanto em DIPJ quanto em DCTF para a estimativa de IRPJ de janeiro/2003 era R$ 162.507,07, e que esse débito estava extinto por um outro DARF, distinto do que gerou o crédito aqui em debate, e por mais três PER/DCOMP; e que o pagamento indicado como crédito neste processo (R$ 858.160,00) não foi utilizado para a extinção do débito de estimativa de IRPJ de janeiro/2003, conforme declarado em DCTF. Quanto à disponibilidade do pagamento de R$ 858.160,00 para utilização no PER/DCOMP objeto destes autos, apresentou um extrato SIEF indicando que uma parte dele estava bloqueado/reservado em razão das compensações já homologadas e também em razão do processo n° 10865.906007/200967, referente ao PER/DCOMP n° 31174.29044.140704. 1.3.045847, que também se encontra no CARF, com recurso voluntário a ser apreciado. [...] Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10865.903920/200821 Acórdão n.º 1301002.678 S1C3T1 Fl. 745 8 O somatório dos valores bloqueados/reservados corresponde a R$ 411.919,88, e o saldo disponível de R$ 446.240,12 é exatamente a diferença entre os R$ 858.160,00 e os valores bloqueados/reservados. Considerando, então, o saldo existente de R$ 446.240,12, conforme registrado no extrato SIEF, a Delegacia de origem apresentou um quadro indicando as compensações passíveis de serem homologadas, levando em conta a utilização parcial e sucessiva do referido saldo, ressaltando ainda que os saldos remanescentes não correspondiam à simples subtração do débito compensado, em razão do cômputo de acréscimos legais. Os encontros de contas e a evolução do saldo de crédito constam do Demonstrativo de Compensação às fls. 697 a 700 do processo nº 10865.903909/200861, que também está sendo examinado nesta mesma sessão de julgamento. De acordo com a Informação Fiscal, remanesceriam um PER/DCOMP passível de homologação parcial e nove PER/DCOMP não passíveis de homologação, por insuficiência de crédito. A Contribuinte foi intimada das conclusões da diligência, e o processo retornou ao CARF." Na sessão de julgamento realizada em 30/07/2014, a 2ª Turma Especial concluiu que o demonstrativo final da Informação Fiscal ainda não possibilitava uma decisão sobre a suficiência ou não do direito creditório para as várias compensações em julgamento naquela sessão, porque ele partia de um saldo de crédito que, tudo indicava, não estaria correto. Por este motivo o processo foi novamente enviado à unidade de origem, por meio da Resolução nº 1802000.544, para que fosse revisado o saldo de crédito constante do extrato SIEF, e se fosse o caso de modificálo, como parecia ser, fossem refeitos os demonstrativos (de encontro de contas e os demais) a partir do saldo correto, com nova ciência para manifestação da contribuinte. Em cumprimento à diligência solicitada, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 726 a 727, onde reconheceu que no documento anterior, partiuse do saldo do pagamento disponível o que involuntariamente manteve a falha no processamento da declaração de compensação que acarretou a não homologação da compensação em comento. Acrescentou que para evitar problemas desta natureza, foram refeitos os cálculos considerando se o crédito original que havia sido reconhecido automaticamente pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil com inclusão de todos os débitos, na ordem em que as declarações de compensação foram entregues. Ao final, concluiu que o crédito que havia sido automaticamente reconhecido seria suficiente para validar as compensações que utilizaram este crédito. Devidamente cientificada da Intimação Fiscal nº 36/2015, em 17/03/2015, a recorrente não apresentou manifestação. É o relatório. Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10865.903920/200821 Acórdão n.º 1301002.678 S1C3T1 Fl. 746 9 O recurso é tempestivo e dele conheço. PRELIMINAR Alega a recorrente que a fiscalização não homologou a compensação sob o fundamento de que o crédito seria insuficiente pois teria sido utilizado para o pagamento de outros débitos, entretanto, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto afastou o óbice apontado pela fiscalização no Despacho Decisório e decidiu pela nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização. Fundamentouse no fato de que os recolhimentos por estimativa, por se tratarem de mera antecipação do tributo devido no final do ano, não se caracterizam como pagamento indevido ou a maior passível de restituição. Entende a recorrente que já tendo transcorrido o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, o Fiscal não poderia proferir novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento. Assim, requereu, a reforma do acórdão, para o fim de afastar a decisão de não homologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização, considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade. Na análise dos pedidos de ressarcimento/compensação, a investigação da autoridade fiscal tem por escopo verificar a certeza e liquidez do crédito tributário, requisito necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) Dessa forma, procedeu corretamente o julgador de primeira instância que, após superar o motivo inicialmente apontado pela fiscalização para indeferimento do crédito, prosseguiu na verificação da certeza e liquidez do crédito e identificou situação, a seu juízo, igualmente capaz de retirar do crédito os atributos de certeza e liquidez. Com relação às alegações de que teria transcorrido o prazo decadencial de 5 anos para que o Fisco pudesse não homologar a compensação por novo fundamento, não assiste razão à recorrente. O prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 150,§ 4º do CTN é aplicável aos lançamentos de ofício realizados para constituição de créditos tributários. A análise de direito creditório não está sujeita a prazo decadencial mas apenas ao prazo de cinco anos previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para homologação tácita das compensações, o que não ocorreu no presente caso. A declaração de compensação foi enviada em 09/11/2004 e o contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 17/11/2008 (fls. 43 a 47), portanto, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos. Diante do exposto não merece ser acolhido o pedido do recorrente para que sejam afastadas as decisões de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização e após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos. MÉRITO Relativamente ao mérito, a recorrente requereu a análise da documentação contábil anexada ao recurso voluntário, a qual demonstra a existência do crédito informado, Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10865.903920/200821 Acórdão n.º 1301002.678 S1C3T1 Fl. 747 10 alegando que eventual equívoco quanto ao tipo do crédito, ao invés de ter preenchido "Pagamento Indevido ou a Maior", deveria ter escolhido "Saldo Negativo de IRPJ", não poderia ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito. Na sessão de julgamento realizada em 08/10/2013, a 2ª Turma Especial reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Entretanto, entendeu pela necessidade de conversão em diligência do presente processo, em virtude da existência de outras compensações que afetariam o presente processo, dentre elas a quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, estaria vinculada a outras compensações. Assim, foi determinada a realização de diligência fiscal para que a unidade de origem, à luz da documentação contábil e fiscal da contribuinte: "1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 664 a 670, tendo prestado as seguintes informações: "O contribuinte foi intimado para cumprirmos a diligência solicitada pelo CARF e apresentou o Livro Razão e o Diário da época, juntamente com outros documentos, entre eles a apuração da base de cálculo do IRPJ. Na DIPJ/2004 retificadora foi assinalado que a base de cálculo foi apurada com base na receita bruta e acréscimos. As receitas informadas no demonstrativo da base de cálculo foram confirmadas no Livro Razão e, nos termos do artigo 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta é de oito por cento: "Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. " Conta Receita Valor 3.1.11.1 Vendas Produção Própria 8.093.340,95 3.1.12.1 Receita Exportação 18.093,60 Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10865.903920/200821 Acórdão n.º 1301002.678 S1C3T1 Fl. 748 11 3.1.31.1 Receita Vendas não Agrícolas 3.601,50 3.3.91 Outras Receitas Operacionais 3.885,67 Receita Bruta 8.118.921,72 Percentual 8% Base de Cálculo Operacional 649.513,74 3.3.61.1.1 Variações Cambiais Realiz. 51.687,09 3.3.61.3.2 Outros Ganhos Financeiros 4.294,02 3.5.11.2 Ganho Venda Bens do Imobilizado 3.478,53 3.5.21.3.1.001 Ganho c/Arrendamento Al 1.742,18 Base de Cálculo do Imposto de Renda 710.715,56 A Alíquota de 15% 106.607,33 Adicional 69.071,56 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 175.678,89 Há divergência entre o valor apurado nesta diligência e o informado pelo contribuinte, porque ele aplicou oito por cento para receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta. 2 Valor Extinto do Débito O contribuinte declarou em DCTF que o IRPJ devido por estimativa em janeiro de 2003 era de apenas R$ 162.507,06 o qual teria sido extinto da seguintes forma: Valor Total do Débito Declarado em DCTF 162.507,06 DARF 56.470,37 Compensação 16896.65143.210503.1.3.048488 76.208,64 Compensação 21298.77782.10503.1.3.049740 10.711,46 Compensação 17482.92249.031103.1.3.048560 19.116,60 3 Existência e Disponibilidade do Valor Recolhido a Maior Notase que o pagamento indicado como crédito neste processo não foi utilizado para a extinção do débito, conforme declarado em DCTF. [...] O processo 10865.906007/200967 se refere à análise da declaração de compensação n.° 31174.29044.140704.1.3.045847, que também se encontra no CARF e os valores bloqueados se referem às declarações de compensação que já foram homologadas. Notese que os valores bloqueados coincidem com os valores informados pelo contribuinte na Manifestação de Inconformidade. Considerando o saldo existente de R$ 446.240,12 registrado no Sief/Documento de Arrecadação/Consulta/Pagos, seria possível homologar as seguintes compensações, ainda não homologadas automaticamente ou com valor do crédito reservado, ressaltando que o saldo remanescente não corresponde à simples subtração do crédito atual do débito compensado, porque sobre o crédito há incidência de Selic: Declaração de Compensação Crédito Atual Débito Saldo Remanescente Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10865.903920/200821 Acórdão n.º 1301002.678 S1C3T1 Fl. 749 12 10769.54888101203.1.3.048007 446.240,12 10.031,54 437.532,94 01850.16010.101203.1.3.040542 437.532,94 10.231,91 428651,85 33592.14380.151203.1.3.040927 428.651,85 99.374,63 306470,23 29074.46584.140104.1.3.045810 306.470,23 160.434,85 204.778,82 14871.19827.110204.1.3.043907 204.778,82 46.533,48 165.66,98 00276.82602.130204.1.3.046617 0,00 23.284,67 145.535,59 03485.14044.090304.1.3.040586 145.535,59 44.689,39 107.959,37 17367.95130.060404.1.3.048354 107.959,37 37.003,31 77.202,74 12913.16306.140404.1.3.049595 77.202,74 10.909,21 68.135,15 39244.91004.200404.1.3.043600 68.135,15 5.146,91 62.899,68 16381.41214.120504.1.3.043884 62.899,68 44.813,25 26.013,32 27295.85419.080604.1.3.048730 26.013,32 51.431,75 0,00 5863.47312240604.1.3.043488 0,00 16.821,20 0,00 34281.33318.070704.1.3.045417 0,00 44.805,76 0,00 31174.29044.140704.1.3.045847 0,00 18.036,19 0,00 07688.32390.110804.1.3.048105 0,00 50.405,87 0,00 26738.72508.270904.1.3.043147 0,00 158.244,77 0,00 23748.26956.280904.1.3.046545 0,00 30.767,32 0,00 16793.98742.051004.1.3.049914 0,00 38.499,23 0,00 00603.97859.131004.1.3.041724 0,00 12.763,10 0,00 11400.23324.091104.1.3.044442 0,00 35.867,86 0,00 Através da Resolução nº 1802000.544, de 30/07/2014, a 2ª Turma Especial identificou erro no valor do de crédito e devolveu, novamente, o processo à unidade de origem para que fosse revisado o saldo de crédito constante do extrato SIEF, e se fosse o caso de modificálo, como parecia ser, fossem refeitos os demonstrativos a partir do saldo correto. Na Informação Fiscal de fls. 726 a 727, a unidade preparadora reconheceu o equívoco no resultado da diligência anterior e refez os cálculos considerandose o crédito original que havia sido reconhecido automaticamente pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil com inclusão de todos os débitos, na ordem em que as declarações de compensação foram entregues, tendo sido verificado que o crédito que havia sido automaticamente reconhecido seria suficiente para validar as compensações que utilizaram este crédito. De fato, nos termos da Súmula CARF nº 84, os valores de estimativa recolhidos a maior caracterizam indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, o valor do DARF recolhido em 19/03/2003, no valor total de R$ 858.160,00 seria passível de restituição, diversamente do decidido no Acórdão nº 14 33.112, pela 5ª Turma da DRJ/RPO. Todavia, como bem pontuado na Resolução nº 1802 000.333 – 2ª Turma Especial de 08/10/2013, necessária a verificação, à luz da documentação contábil e fiscal, do valor da estimativa devido em janeiro/2003, comprovação de sua quitação, bem assim, a apuração de recolhimento a maior e sua disponibilidade, em virtude da existência de outras compensações com o mesmo crédito utilizado no presente processo. O Relatório de Diligência Fiscal (fls. 664 a 670) elaborado pela unidade de origem identificou divergência entre o valor da estimativa de janeiro/2003 apurado na diligência (R$ 175.678,89) e o valor informado pelo contribuinte (R$ 162.507,07). A diferença decorre da aplicação indevida pela recorrente do percentual de oito por cento para receitas que Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10865.903920/200821 Acórdão n.º 1301002.678 S1C3T1 Fl. 750 13 não se enquadram no conceito de receita bruta definido pelo art. 224 do RIR/99, contrariamente ao disposto no art. 225 do RIR/99 que determina a adição integral das receitas nele relacionadas: Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32 e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial(Lei nº 8.981,de 1995, art. 32§ 1º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 2º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32, § 2º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). Considerando que a recorrente foi regularmente cientificada do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 664 a 674) que apurou divergência entre o valor nela apurado de R$ 175.678,89 e o valor informado pelo contribuinte de R$ 162.507,07, entretanto, não apresentou manifestação quanto à diferença apurada, tenho como correto o valor apurado na diligência fiscal. Dessa forma, entendo que a diferença a menor da base de cálculo apurada pela recorrente na estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 13.171,82, deve ser reduzida do crédito pleiteado sobre o recolhimento a maior, consubstanciado no DARF pago em 19/03/2003, com valor principal de R$ 800.000,00 acrescido de multa e juros de mora. Assim, deve ser reconhecido o direito creditório no montante de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa e juros de mora. Importante ressaltar que parte do valor reconhecido de R$ 786.828,18, foi utilizado nas compensações já homologadas, a seguir relacionadas, conforme Informação Fiscal prestada em procedimento de diligência fiscal nos autos do processo 10865.904653/200990 às fls. 1.085, que trata da análise de compensação utilizando o mesmo direito creditório do presente processo: PER/DCOMP Valor Débito Data Situação Atual Situação da Declaração Motivo da Situação da Declaração Processo Nº 39035.35092.280704. 1.7.044892 12.676,68 11/07/2012 HOMOLOGAÇÃO TOTAL AGUARDANDO PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO 28623.05598.250804. 1.3.047067 2.453,78 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903912/200884 Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10865.903920/200821 Acórdão n.º 1301002.678 S1C3T1 Fl. 751 14 22743.16824.020904. 1.3.040251 22.331,36 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903913/200829 08891.60465.080904. 1.3.045809 35.110,22 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903914/200873 30276.47095.140904. 1.3.049480 19.478,48 06/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903915/200818 15738.53242.210906. 1.7.045707 2.558,50 23/09/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.902975/200813 Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por reconhecer o direito creditório sobre o valor de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa de mora, devendo as compensações efetuadas serem homologadas até o limite do crédito reconhecido. Na apuração do saldo disponível para as compensações ainda não homologadas devem ser considerados também os juros de mora recolhidos e excluídos os valores das compensações já homologadas que utilizaram o mesmo crédito ora reconhecido. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 751DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.004717/2002-01
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 12/04/2002
ROUBO DE MERCADORIA. CASO FORTUITO INTERNO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR OU DEPOSITÁRIO.
O roubo ou o furto da carga transportada ou depositada trata-se de caso fortuito interno, como fato inevitável ocorrido no momento do transporte, o que não exclui a responsabilidade do transportador, sendo o risco inerente a atividade empresária desenvolvida. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça - REsp nº 1.172.027 - RJ (2009/0245739-4).
Numero da decisão: 9303-005.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, as quais manifestaram intenção de apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 12/04/2002 ROUBO DE MERCADORIA. CASO FORTUITO INTERNO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR OU DEPOSITÁRIO. O roubo ou o furto da carga transportada ou depositada trata-se de caso fortuito interno, como fato inevitável ocorrido no momento do transporte, o que não exclui a responsabilidade do transportador, sendo o risco inerente a atividade empresária desenvolvida. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça - REsp nº 1.172.027 - RJ (2009/0245739-4).
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10855.004717/2002-01
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5796746
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.765
nome_arquivo_s : Decisao_10855004717200201.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : DEMES BRITO
nome_arquivo_pdf_s : 10855004717200201_5796746.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, as quais manifestaram intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
id : 7001163
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:09 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049731751477248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1598; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 257 1 256 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10855.004717/200201 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.765 – 3ª Turma Sessão de 20 de setembro de 2017 Matéria II AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SUL ATLÂNTICO BRASIL TRANSPORTES LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 12/04/2002 ROUBO DE MERCADORIA. CASO FORTUITO INTERNO. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR OU DEPOSITÁRIO. O roubo ou o furto da carga transportada ou depositada tratase de caso fortuito interno, como fato inevitável ocorrido no momento do transporte, o que não exclui a responsabilidade do transportador, sendo o risco inerente a atividade empresária desenvolvida. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça REsp nº 1.172.027 RJ (2009/02457394). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, as quais manifestaram intenção de apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 47 17 /2 00 2- 01 Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 258 2 Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 3102002.235, proferido pela 1º Câmara/2º Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em negar provimento ao Recurso da Contribuinte, por entender que ocorrência de roubo, como não restou demonstrada a inexistência de culpa por parte da recorrente, tal circunstância descaracteriza a alegada eximente de caso fortuito ou de força como excludente de responsabilidade do transportador pelos tributos e encargos legais devidos em razão do extravio da carga. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Trata de Notificação de Lançamento (fls. 3/6), em que formalizada a exigência de Imposto sobre a Importação (II), e multa pelo extravio ou falta de mercadoria. De acordo com o Termo de Vistoria Eadi/Aurora nº 001/2002, 12/4/2002 (fls. 28/29), a Comissão de Vistoria apurou a falta de 4 (quatro) bobinas de vergalhão de cobre refinado com diâmetro de 8mm, peso líquido total de 20.290 Kg, valor FOB de US$ 36.759,40. Segundo a Informação Fiscal de fl. 30, a responsabilidade pela indenização do crédito tributário apurado foi atribuída à autuada, porque o extravio da mercadoria ocorrera durante a operação de trânsito aduaneira por ela realizada. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 12/04/2002 TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA. NÃO COMPROVADA A OCORRÊNCIA DO ROUBO OU A INEXISTÊNCIA DE CULPA DO TRANSPORTADOR. INOCORRÊNCIA DE CASO FORTUITO OU DE FORÇA MAIOR. EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE PELOS TRIBUTOS DEVIDOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito do regime de trânsito aduaneiro, há excludente de responsabilidade pelos tributos devidos, em razão do extravio da mercadoria, se provado nos autos que, para o noticiado roubo da mercadoria, mediante assalto à mão armada, não houve omissão ou qualquer outra forma de participação que caracterize a culpa do transportador beneficiário do regime. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 259 3 2. Nos presentes autos, a exigência do crédito tributário lançado deve ser mantida, porque o indigitado responsável não comprovou a ocorrência do noticiado roubo e tampouco a inexistência de culpa pela sua ocorrência. Recurso Voluntário Negado". Inconformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, requerendo provimento ao apelo, mediante aos precedentes e argumentos apresentados. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, aponta como paradigmas os acórdãos nºs 30331.587 e 30328.817. Em seguida, por sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 1º Câmara da 3º Seção de Julgamento, deu seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, requerendo que seja negado seguimento ao Recurso, caso não seja este entendimento, requer ainda, que no mérito, seja negado provimento ao citado recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito quanto a responsabilidade tributária atribuída ao transportador de mercadoria, que se encontrava em trânsito aduaneiro, quando ocorre roubo de carga. Conforme acima relatado, tratase de Termo de Vistoria Eadi/Aurora nº 001/2002, 12/4/2002 (fls. 28/29), a Comissão de Vistoria apurou a falta de 4 (quatro) bobinas de vergalhão de cobre refinado com diâmetro de 8mm, peso líquido total de 20.290 Kg, valor FOB de US$ 36.759,40. Segundo a Informação Fiscal de fl. 30, a responsabilidade pela indenização do crédito tributário apurado foi atribuída à autuada, porque o extravio da mercadoria ocorrera durante a operação de trânsito aduaneira por ela realizada. A causa do extravio das mercadorias ocorreu em decorrência de roubo, conforme consta no Boletim de Ocorrência, de, fls.21/23: "Presente nesta distrital a vitima, informou que por volta das 5:00 horas conduzia o veiculo supra, pela Rodovia Regis Bitencourt e ao adentrar na Av. Francisco Morato, parou em um semáforo, ocasião em foi abordada pelo, individuo acima caracterizado, o qual se encontrava acompanhando de mais três indivíduos, cujas características não pode observar e mediante ameaça de arma de fogo, colocaramno no interior de um veiculo, VW/Santana, cor preta, placas não anotadas, com dois indivíduos, sendo que outros tomaram o comando do seu veículo. Informa ainda que ficou no Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 260 4 interior do referido santana, com a cabeça coberta, durante aproximadamente cinco horas, sendo que posteriormente o deixaram na Rodovia Anhanguera. Durante o tempo em que permaneceu em poder daqueles indivíduos, o veículo circulou e também parou por varias vezes . Vítima não tem condições de efetuar o reconhecimento fotográfico". Na Sessão de 27 de outubro de 2010, a Turma a quo por meio da Resolução nº 310200.147, o julgamento foi convertido em diligência, para que fossem solicitados esclarecimentos da autoridade policial e da companhia seguradora da carga. Do primeiro, se a comunicação de delito gerou a instauração de inquérito policial e, em caso afirmativo, quais foram as conclusões do referido inquérito, bem assim se, em tais investigações, foram coletados indícios que ponham em dúvida a veracidade das declarações prestadas pela vitima. Do segundo, a apresentação de cópia da apólice de seguro e da solicitação de indenização relativa ao préfalado sinistro e, de posse dessas informações, fosse solicitado diretamente a companhia seguradora que informasse se a referida indenização fora paga e, em caso negativo, qual seria o motivo da negativa. Concluídas tais providencias, fosse elaborado parecer circunstanciado e concedida oportunidade ao sujeito passivo para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias. Findo tal prazo, independentemente de manifestação, os autos deviam retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. Em cumprimento a referida diligencia, segundo Informação Fiscal de fl. 181, foram expedidos ofícios às autoridades policiais, porém, a resposta obtida ao final fora que não havia registro no sistema “Infocrim” da numeração do referido Boletim de Ocorrência. Intimada a apresentar a apólice de seguro e a solicitação de indenização, a interessada esclareceu que não podia atender à solicitação, pois, por contrato, fora responsável apenas pelo transporte da mercadoria, tendo ficado a contratação do seguro a cargo da importadora, que, após intimada e reintimada, informou que não localizara a documentação solicitada e que havia expirado o prazo de prescrição para guarda de documentos. Por outro lado, a Contribuinte reitera sua tese de que a causa do extravio das mercadorias mediante roubo, foi ocasionado por fato alheio a sua vontade e de seus prepostos, e que não poderia ser responsabilizada pelo crédito tributário porque o roubo configurava excludente de responsabilidade, a qual encontravase desprotegida, pois o Estado não prestava segurança adequada e não tinha como evitar o roubo. Cita precedentes do STJ e do extinto 3º Conselho de Contribuintes que atribuía ao roubo de carga, mediante assalto, a condição de eximente de responsabilidade do transportador por caso fortuito ou de força maior. Nada obstante, a decisão recorrida por bem negou provimento ao Recurso Voluntário, por entender que ainda admitida a ocorrência do referido roubo, como não restou demonstrada a inexistência de culpa por parte da recorrente, tal circunstância descaracteriza a alegada eximente de caso fortuito ou de força como excludente de responsabilidade do transportador pelos tributos e encargos legais devidos em razão do extravio da carga. Com efeito, a questão fática do presente processo é deplorável, por um lado, a Autoridade Policial não elucida o roubo, a Contribuinte se quer formaliza o Boletim de Ocorrência por meio de queixacrime para que se possa materializar o crime. Por outra banda, o transportador, proprietário da carga e seguradora, após intimadas e reintimadas, informaram que não localizaram a documentação solicitada e que havia expirado o prazo de prescrição para guarda de documentos. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 261 5 Penso que há um exagero na pretensão da Contribuinte, quanto aos precedentes do Superior Tribunal de Justiça STJ, de fato, existem algumas decisões favoráveis pela não incidência dos tributos quando oriundos de roubo, contudo, tal posição não se reflete por todos os Ministros, além disso, a matéria não esta sob o rito dos recursos repetitivos. Acredito que ainda há tempo para uma melhor reflexão do STJ sobre o tema. Para o deslinde do conflito jurisprudencial instaurado, se faz necessário delimitar o conceito de caso fortuito e força maior. Em que pese os referidos conceitos serem de propriedade do Direito Privado, nada obstante, é possível sua utilização no Direito Tributário por força dos artigos 109 e 110 do Código Tributário Nacional CTN, verbis : "Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias". No caso, a respeito das causas excludentes de responsabilidade em razão de caso fortuito e força maior, o parágrafo único do art. 393 do Código Civil, de 2002, dispõe o seguinte: Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. O Parecer Normativo CST nº 39/1978, trata e define o assunto, da seguinte forma: "Fortuito é, no sentido exato de seu significado (acaso, imprevisão, acidente), o evento que não se pode prever e que, quando ocorre, se mostra superior às forças ou vontade do homem, para que seja evitado. Caso de força maior é o fato que se prevê ou é previsível, mas que não se pode, igualmente, evitar, visto que é mais forte que a vontade ou ação do homem. Assim, ambos se caracterizam pela irresistibilidade e se distinguem pela previsibilidade ou imprevisibilidade. [...], ao passo que os casos de outras espécies mostram ação de quem os praticou ou se converteram em efeito, em função das causas de imprevidência, negligência, imprudência, imperícia, complacência, conivência, inércia, omissão, etc. Entre outros, se consideram casos fortuitos e de força maior os seguintes: tempestade, borrasca, inundação, terremoto, granizo, maremoto, naufrágio, incêndio, geada, nevasca, tufão, furacão, etc., ou quaisquer outros acontecimentos dessa ordem, imprevisíveis ou previsíveis, mas inevitáveis. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 262 6 Por princípio, ninguém responde pelos casos fortuitos ou de força maior, pois que inevitáveis por natureza e essência, aconteceram porque tinham que acontecer, sem que sejam imputáveis a algo ou alguém”.. Neste sentido, na data do roubo, a excludente de responsabilidade estava contida nos artigos 595 combinada com 591, do Regulamento Aduaneiro RA/2002, in verbis: Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. § 1o Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. § 2o As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria. Dos dispositivos supra transcritos, entendo que mesmo comprovado caso fortuito ou força maior não se aplicam no caso em espécie, considerando que, em verdade, se trata de caso fortuito interno, como fato inevitável ocorrido no momento do transporte, o que não exclui a responsabilidade do transportador, sendo o risco inerente a atividade empresária desenvolvida pela Contribuinte. Por outro lado, tal entendimento, não ocorre no caso fortuito externo, que nada tem haver com atividade do sujeito passivo, em tese excluiria o dever de pagamento dos impostos junto a Fazenda1. Neste mesmo sentido, é o entendimento da Ministra Eliana Calmon, nos autos do REsp nº 1.172.027 RJ (2009/02457394). Vejamos: "a) a responsabilidade pelos tributos apurados em relação ao extravio de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao indicado como responsável a prova de caso fortuito ou força maior que possa excluir seu dever com o fisco. A questão colocada nos autos passa necessariamente pela definição do momento do fato gerador do imposto de importação e pelos fatores que excluiriam a responsabilidade do recorrente. Preceitua o art. 19 do CTN que o fato gerador do imposto de importação consumase com a entrada do produto em território nacional. Assim, destinandose a mercadoria ao mercado interno e excluindose os casos em que ela apenas transita pelo território nacional rumo a outro país, por exemplo, concluise que o imposto de importação é devido já no momento em que o produto ingressa no Brasil. No que diz respeito às causas excludentes de responsabilidade, observo que a tese abraçada pelo recorrente relacionase com a ocorrência da força maior, que é um acontecimento imprevisível ligado a fatos externos, 1 Entendimento esposado pela Ministra Eliana Calmon, no REsp Nº 1.172.027 RJ (2009/02457394) Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 263 7 independentes da vontade humana, que impedem o cumprimento das obrigações. Com base nesse conceito, defende o recorrente que não poderia responder pela perda do produto porque o roubo à mão armada seria um acontecimento alheio à sua vontade que ilidiria qualquer pretensão fazendária. Tal posicionamento não pode prosperar, pois defender que esse fato é um caso fortuito tornase descabido porque roubos e furtos de caminhões, ônibus e carros nas vias terrestres brasileiras é fato corriqueiro, comum e, em verdade, previsível. Daí a razão pela qual o transportador deve se resguardar de todas as ocorrências possíveis que causem algum dano ou extravio na mercadoria, contratando, por exemplo, um seguro que garanta indenização por qualquer prejuízo que ele possa sofrer, como bem destacou a instância de origem. O fortuito interno, como fato inevitável ocorrido no momento da realização do serviço, não exclui a responsabilidade do transportador, se ele fizer parte de sua atividade e se ligar aos riscos do empreendimento. O mesmo não ocorre com o fortuito externo, que não guarda relação alguma com a atividade do recorrente e aí sim excluiria o seu dever perante o fisco. A partir desse raciocínio, entendo que o art. 480 do regulamento aduaneiro aprovado pelo Decreto 91.030/85, apontado pelo recorrente como violado, ao se referir ao caso fortuito, relacionase em verdade com o fortuito externo, o que não seria o caso dos autos, pois a possibilidade de a carga ser roubada à mão armada relacionase diretamente com a atividade desenvolvida pelo recorrente, de onde se extrai que a questão debatida trata de fortuito interno, ficando afastada a aplicação desse dispositivo e a possível infringência apontada. Destaco que o referido roubo ocorreu no trajeto da mercadoria entre a aduana do Rio de Janeiro e o seu destino no Espírito Santo, ou seja, durante o transporte de mercadoria já desembaraçada, conforme se extrai de trecho da sentença de fl. 124, que se transcreve: Fica evidente que as autoridades alfandegárias não eram mais responsáveis pela guarda dos bens, que já haviam sido desembaraçados. Dessa forma, preenchidas todas as fases do fato gerador do Imposto de Importação, este é plenamente devido. Incidem na espécie, portanto, os arts. 136 do CTN, 32 e 60 do Decretolei 37/66, segundo os quais cabe ao responsável reconhecido pela autoridade aduaneira indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que deixaram de ser recolhidos em conseqüência de extravio de mercadorias, já que o recorrente não fica dispensado da sua obrigação, haja vista a ocorrência de fortuito interno, que o mantém ligado ao dever de pagar os impostos e encargos atividade empresária exercida pela recorrente inerente o risco da atividade empresária, o que não tem relação com caso fortuito externo, como fato inevitável ocorrido no momento da realização do Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 264 8 serviço, não exclui a responsabilidade do transportador, se ele fizer parte de sua atividade e se ligar aos riscos do empreendimento. O mesmo não ocorre com o fortuito externo, que não guarda relação alguma com a atividade do recorrente e aí sim excluiria o seu dever perante o fisco. o que não seria o caso dos autos, pois a possibilidade de a carga ser roubada à mão armada relacionase diretamente com a atividade desenvolvida pelo recorrente, de onde se extrai que a questão debatida trata de fortuito interno, ficando afastada a aplicação desse dispositivo e a possível infringência apontada. Destaco que o referido roubo ocorreu no trajeto da mercadoria entre a aduana do Rio de Janeiro e o seu destino no Espírito Santo, ou seja, durante o transporte de mercadoria já desembaraçada. Fica evidente que as autoridades alfandegárias não eram mais responsáveis pela guarda dos bens, que já haviam sido desembaraçados. Dessa forma, preenchidas todas as fases do fato gerador do Imposto de Importação, este é plenamente devido. Incidem na espécie, portanto, os arts. 136 do CTN, 32 e 60 do Decretolei 37/66, segundo os quais cabe ao responsável reconhecido pela autoridade aduaneira indenizar a Fazenda Nacional do valor dos tributos que deixaram de ser recolhidos em conseqüência de extravio de mercadorias, já que o recorrente não fica dispensado da sua obrigação, haja vista a ocorrência de fortuito interno, que o mantém ligado ao dever de pagar os impostos e encargos discriminados nos autos de infração". O Ministro Humberto Martins, no voto vista do referido REsp, acompanhou a Relatora Ministra Eliana Calmon, nos seguinte termos: "Como precisamente destacado pela Ministra Relatora, discutese nos autos se o roubo de mercadorias configura, ou não, caso fortuito para efeito de eximir de responsabilidade o transportador, partindo da premissa, não contestada, de que efetivamente ocorrera o roubo das mercadorias. No REsp 734.403/RS, que trata de matéria semelhante à dos autos, acompanhei o Ministro Mauro Campbell Marques, relator, por entender que a lei tributária é indiferente se o contribuinte teve, ou não, proveito econômico com a mercadoria, sendo suficiente a saída da mercadoria do estabelecimento para se caracterizar o fato gerador. A seguir, reproduzo a ementa sugerida para o referido acórdão, que se encontra pendente de publicação: "PROCESSUAL CIVIL. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO NÃO CONFISCO E DA NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE EXAME PELO STJ EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. MOMENTO DA OCORRÊNCIA. SAÍDA DO PRODUTO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO. ROUBO DE CARGA APÓS O FATO Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 265 9 GERADOR. INAPLICABILIDADE DO ART. 174, V, DO RIPI98. EXIGÊNCIADO TRIBUTO. 4. O roubo ou furto de mercadorias é risco inerente à atividade do industrial produtor. Se roubados os produtos depois da saída (implementação do fato gerador do IPI), deve haver a tributação, não tendo aplicação o disposto no art. 174, V, do RIPI98. O prejuízo sofrido individualmente pela atividade econômica desenvolvida não pode ser transferido para a sociedade sob a forma do não pagamento do tributo devido. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido." Nesse contexto, mantenhome coerente com o posicionamento adotado naquele julgado, porquanto uma eventual frustração da operação subjacente, em razão do roubo, não impede o surgimento da obrigação tributária em termos definitivos, porquanto o fato gerador do imposto de importação se consumou com a entrada da mercadoria no território nacional (art. 19 do CTN). Com efeito, o eventual roubo dos produtos importados, durante o transporte de mercadoria já desembaraçada, faz parte dos riscos da atividade econômica, que não podem ser transferidos ao Estado. Dessa forma, não é possível dela se afastar com argumentos, por mais que hermeneuticamente críveis, de que se trata de caso fortuito ou de força maior. Nem se alegue que o roubo de cargas nas estradas é resultado da negligência do Estado no cumprimento do seu dever de prestar segurança pública, uma vez que a culpa do Estado pela ausência de segurança que culminou com o roubo/furto da mercadoria tem natureza administrativa, cuja responsabilidade civil, se houver, deverá ser apurada em processo próprio judicial. Portanto, concordo com a tese de que os roubos e furtos de caminhões, ônibus e carros nas vias terrestres brasileiras não podem ser considerados caso fortuito. Ante o exposto, com as devidas vênias ao Ministro Castro Meira, acompanho integralmente a Ministra Eliana Calmon". A matéria referente ao caso fortuito interno, já foi tratada nesta E. Câmara Superior, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 9303004.715, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, pronunciada na sessão de julgamento de 21 e março de 2017. in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/08/2001 ROUBO DE MERCADORIAS. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR OU DEPOSITÁRIO. O roubo ou o furto da carga transportada ou depositada correspondem à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, que poderia ser previsto, e cujos efeitos poderiam ser evitados. Consequentemente, não há que se falar em caso fortuito ou força maior, Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 266 10 para efeito de exclusão da responsabilidade. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Recurso Especial do Procurador Provido. Já no Acórdão nº 9303004.716, voto vencedor do Ilustre Conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal, que versa sobre matéria idêntica à dos autos, acompanhei o Relator designado, por entender que o roubo da carga transportada corresponde à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, que poderia ser previsto, e cujos efeitos poderiam ser evitados. Vejamos: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/02/2002 TRÂNSITO ADUANEIRO. ROUBO DE CARGA. RESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. O roubo da carga transportada corresponde à hipótese que a doutrina convencionou denominar caso fortuito interno, que poderia ser previsto, e cujos efeitos poderiam ser evitados. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 267 11 Declaração de Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama “A priori”, cabe recordar que, nesse julgamento, expresseime por negar provimento, votando pelas “conclusões”. Sendo assim, peço vênia ao ilustre relator Conselheiro Demes Brito para manifestar meu entendimento acerca da matéria e clarificar o direcionamento de meu voto. Em relação à matéria, qual seja, reconhecimento pela autoridade aduaneira da não incidência do fato gerador para cobrança dos valores em questão, em virtude da excludente de responsabilidade prevista no Regulamento Aduaneiro, importante trazer que à época dos fatos, estava vigente a seguinte norma no Regulamento Aduaneiro (Grifos Meus) – RA/2002: “Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. § 1o Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. § 2o As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria” Posteriormente, houve alteração com o Decreto 6759/09 – que contemplou a seguinte redação: “Art. 660. A responsabilidade pelo extravio ou pela avaria de mercadoria será de quem lhe deu causa, cabendo ao responsável, assim reconhecido pela autoridade aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que, em consequência, deixar de ser recolhido, ressalvado o disposto no art. 655 (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 60, parágrafo único). Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 268 12 [...] Art. 664. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 660, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. § 1o Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. § 2o As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria.” Constatase que o Decreto 8.010/2013 alterou tais dispositivos sem relevantes alterações (Grifos Meus): “Art. 660. Os créditos relativos aos tributos e direitos correspondentes às mercadorias extraviadas na importação, inclusive multas, serão exigidos do responsável por meio de lançamento de ofício, formalizado em auto de infração, observado o disposto no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 60, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 1º Para os efeitos do disposto no caput, considerase responsável (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 60, § 2º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40): (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I o transportador, quando constatado o extravio até a conclusão da descarga da mercadoria no local ou recinto alfandegado, observado o disposto no art. 661; ou (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) II o depositário, quando o extravio for constatado em mercadoria sob sua custódia, em momento posterior ao referido no inciso I. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) § 2º Fica dispensado o lançamento de ofício de que trata o caput na hipótese de o importador ou de o responsável assumir espontaneamente o pagamento dos créditos (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 60, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 40). (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 269 13 [...] Art. 664. A responsabilidade a que se refere o art. 660 pode ser excluída nas hipóteses de caso fortuito ou força maior. (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) Parágrafo único. Para os fins de que trata o caput, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. (Incluído pelo Decreto nº 8.010, de 2013)” Mister, então, entender ser notória a existência de roubos de carga no país, sendo previsível e inevitável o roubo. Proveitoso lembrar que todo registro de declaração – Boletim de Ocorrência é assinado pelo declarante, que se responsabiliza pela veracidade do seu conteúdo. Há, ainda, uma figura delitiva específica para incriminar a conduta da pessoa que comunica falsamente a ocorrência de crime a autoridade policial, que se encontra prevista no artigo 340 do Código Penal. O que, por conseguinte, não há como ignorar os elementos trazidos pelo administrado, com a percepção inicial de que o sujeito passivo possa ter agido de má fé, pois se assim fosse, tal dispositivo seria inócuo e impraticável no mundo jurídico. Ademais, recordase que, nos termos do art. 4º, inciso II, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal traz (Grifos meus): “Art. 4º. São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: I – expor os fatos conforme a verdade; II – proceder com lealdade, urbanidade e boafé; [...]” Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 270 14 Sendo assim, para analisar o enquadramento do caso vertente à hipótese excludente de responsabilidade trazida pelo Regulamento Aduaneiro, tornase necessário utilizar como premissa de que o sujeito passivo expôs os fatos com a verdade e procedeu com boafé. E, ato contínuo, verificar se o caso se enquadra nos conceitos de caso fortuito ou força maior. Para melhor elucidar os conceitos, trago os já trabalhados pelo De Plácido e Silva: “Caso fortuito: É expressão especialmente usada, na linguagem jurídica, para indicar todo caso que acontece imprevisivelmente, atuado por uma força que não se pode evitar. Com efeito, todos os eventos que ocorrem, sem que a vontade do homem os possa impedir ou sem que tenha ele participado, de qualquer maneira, para a sua efetivação devem ser enquadrados como caso fortuito. Tal conceito considero o acaso e a imprevisão. No que tange ao conceito de força maior, temse de ser um fato previsível, que não se pode evitar, considerando ser “mais forte” que a vontade ou ação do homem. O que reflete a irresistibilidade. Dessa forma, caso fortuito ou força maior tem como características a impossibilidade de serem evitados, previstos ou não previstos e a inevitabilidade Sendo assim, em vista do transcrito, entendo pela exclusão da responsabilidade da transportadora pela falta de mercadoria sob regime de trânsito aduaneiro, em decorrência do roubo por se caracterizar como caso fortuito ou força maior, mas desde que os elementos trazidos aos autos do processo sejam suficientes para se demonstrar que o caso em questão confere com a hipótese excludente de responsabilidade. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 271 15 No caso vertente, considerando que o relator trouxe em seu voto (Grifos meus): “Com efeito, a questão fática do presente processo é deplorável, por um lado, a Autoridade Policial não elucida o roubo, a Contribuinte se quer formaliza o Boletim de Ocorrência por meio de queixacrime para que se possa materializar o crime. Por outra banda, o transportador, proprietário da carga e seguradora, após intimadas e reintimadas, informaram que não localizaram a documentação solicitada e que havia expirado o prazo de prescrição para guarda de documentos. Entendo que não foram apresentados elementos suficientes – Boletim de Ocorrência, elucidação do roubo por autoridade policial, bem como documentos que comprovem a contratação de seguro de carga, para se enquadrar o evento como sendo decorrente de caso fortuito ou força maior. Vêse que tais elementos, tal como expõe o Regulamento Aduaneiro, são essenciais para a subsunção do caso vertente à hipótese excludente de responsabilidade, eis que afasta a imprudência ou negligência do sujeito passivo, bem como comprova, haja vista a boafé do administrado, de que o caso se enquadra como sendo caso fortuito ou de força maior. Ressurjo ainda que o sujeito passivo deveria ter prestado todas as informações e apresentado todos os documentos para o esclarecimento de todos os fatos narrados para o enquadramento pretendido, conforme reza o próprio art. 4º, inciso IV, da Lei 9.784/99. Em vista de todo o exposto, pela ausência dos elementos essenciais ao enquadramento como caso fortuito ou força maior, neguei provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, acompanhando o nobre relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 272 16 Declaração de Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello Conforme relatado pelo Ilustre Conselheiro Demes Brito, tratase de controvérsia atinente à possibilidade de o roubo de carga, ocorrido durante o trânsito aduaneiro da mercadoria, ser considerado como excludente da responsabilidade tributária do transportador. Temse o entendimento por considerar o furto ou roubo de carga, durante o trânsito aduaneiro, como excludente da responsabilidade tributária, mediante a devida comprovação da ocorrência da força maior. No caso presente, entretanto, acompanhouse o voto do n. Relator pelas suas conclusões – já que se defende tese antagônica, para negar provimento ao recurso especial da Contribuinte, por se entender ausente a demonstração do infortúnio no trânsito aduaneiro. O trânsito aduaneiro constituise em regime especial de suspensão dos tributos incidentes na operação de comércio exterior de mercadorias – art. 73 do Decretolei nº 37/66, durante o transporte das mesmas de um ponto a outro do território aduaneiro. Os beneficiários estão elencados no art. 273 do Decreto nº 4.543/2002, reproduzido no art. 321 do Decreto nº 6.759/2009, Regulamento Aduaneiro atualmente em vigor. A responsabilidade pelos tributos devidos incidentes sobre as mercadorias beneficiadas com o regime de trânsito aduaneiro é do transportador, conforme disposições contidas nos artigos 289 e 292, ambos do Decreto nº 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro de 2002 (RA/2002), disposições reproduzidas nos artigos 337 e 339 do Decreto nº 6.759/2009 – Regulamento Aduaneiro de 2009 (RA/2009). Além disso, a legislação aduaneira também imputa a responsabilidade pelo extravio de mercadoria a quem lhe deu causa – artigo 591 do RA/2002, devendo o responsável, identificado pela Autoridade Aduaneira, indenizar a Fazenda Nacional do valor do imposto de importação que deixou de ser recolhido. De outro lado, o art. 595 do RA/2002 (reproduzido no art. 664 do RA/2009) prevê a hipótese de exclusão da responsabilidade do transportador, tanto contratual quanto das obrigações tributárias, quando houver prova da ocorrência de caso fortuito ou força maior, in verbis: Art. 595. A autoridade aduaneira, ao reconhecer a responsabilidade nos termos do art. 591, verificará se os elementos apresentados pelo indicado como responsável demonstram a ocorrência de caso fortuito ou de força maior que possa excluir a sua responsabilidade. § 1o Para os fins deste artigo, e no que respeita ao transportador, os protestos formados a bordo de navio ou de aeronave somente produzirão efeito se ratificados pela autoridade judiciária competente. § 2o As provas excludentes de responsabilidade poderão ser produzidas por qualquer interessado, no curso da vistoria. A divergência que se verifica nos Tribunais, em âmbito administrativo e judicial, é se o roubo de carga pode ser enquadrado nas hipóteses de caso fortuito ou força maior, elementos dotados de significativa subjetividade, bem como averiguarse a suficiência do registro do boletim de ocorrência como prova do alegado roubo. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 273 17 Os conceitos de caso fortuito e de força maior guardam relação com a imprevisibilidade e previsibilidade, respectivamente, bem como a sua irresistibilidade em ambos os institutos, sendo inevitáveis pela vontade ou força do homem. Os efeitos jurídicos e a impossibilidade de serem evitados lhes são características comuns. Por ser o roubo elemento previsível (tanto que são adotadas pelas transportadoras medidas de segurança para mitigar o risco), entendese que o mesmo pode ser enquadrado como hipótese de força maior, para excludente da responsabilidade tributária da transportadora, preenchidos os requisitos de comprovação do infortúnio, sendo suficiente para tanto o registro do boletim de ocorrência, e, ainda, desde que não demonstrado ter a transportadora incorrido em negligência, imprudência ou imperícia. Nesse sentido, manifestouse o Superior Tribunal de Justiça no voto vencedor dos embargos de divergência em REsp nº 1.172.027RJ, de relatoria da Ministra Maria Thereza de Assis Moura, e no agravo regimental nos embargos de declaração no agravo de instrumento nº 728.607 – SP, de relatoria do Ministro Humberto Gomes de Barros, cujos fundamentos foram sintetizados nas seguintes ementas: TRIBUTÁRIO. IMPOSTOS DE IMPORTAÇÃO. TRANSPORTE DE CARGA. ROUBO. FORÇA MAIOR. SITUAÇÃO PREVISÍVEL, PORÉM INEVITÁVEL. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DESCUIDO POR PARTE DO TRANSPORTADOR. CAUSA DE EXCLUSÃO DA RESPONSABILIDADE. 1. O roubo, na linha do que vem professando a jurisprudência desta Corte, é motivo de força maior a ensejar a exclusão da responsabilidade do transportador que não contribuiu para o evento danoso, cuja situação é também prevista pela legislação aduaneira. 2. Assim, a responsabilidade, mesmo que tributária, deve ser afastada no caso em que demonstrada a configuração da força maior dosada com a inexistência de ato culposo por parte do transportador ou seu preposto. 3. Embargos de divergência conhecidos e providos. (EREsp 1172027/RJ, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, CORTE ESPECIAL, julgado em 18/12/2013, DJe 19/03/2014) (griouse) CIVIL. INDENIZAÇÃO. TRANSPORTADORA. ROUBO DE CARGA. FORÇA MAIOR. O roubo de carga durante o transporte constitui força maior a isentar de responsabilidade a transportadora. (AgRg nos EDcl no Ag 728.607/SP, Rel. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS, TERCEIRA TURMA, julgado em 03/10/2006, DJ 18/12/2006, p. 372) (grifouse) Portanto, o roubo de carga enquadrase nas hipóteses de força maior para fins de exclusão da responsabilidade tributária do transportador, desde que comprovada a sua ocorrência e inexistente ato culposo do responsável. Nessa esteira, no caso em apreço, por não terem sido preenchidos os requisitos da comprovação do infortúnio roubo da carga entendeuse por não ser a hipótese Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10855.004717/200201 Acórdão n.º 9303005.765 CSRFT3 Fl. 274 18 de exclusão da responsabilidade tributária do transportador, negandose provimento ao seu recurso especial. Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial da Contribuinte, acompanhando o voto do Nobre Relator pelas suas conclusões. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
