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Numero do processo: 16682.721214/2012-73
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2009
CRÉDITOS. NÃO-CUMULATIVIDADE. EMPRESA COMERCIAL. INSUMOS.
Em razão de nada produzir e tampouco fabricar, as empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo com base nos art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-003.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2009 CRÉDITOS. NÃO-CUMULATIVIDADE. EMPRESA COMERCIAL. INSUMOS. Em razão de nada produzir e tampouco fabricar, as empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo com base nos art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 28/02/2009 CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. EMPRESA COMERCIAL. INSUMOS. Em razão de nada produzir e tampouco fabricar, as empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo com base nos art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 14 /2 01 2- 73 Fl. 4084DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuidase de Recursos de Ofício e Voluntário, o primeiro pela desoneração de parte do crédito tributário e o segundo visando modificar a decisão que manteve glosa de insumos relativos ao exercício de 01.01.2008 a 31.12. 2009. Aponta a fiscalização, conforme se vê à fl. 2.693, denominado de caso I, insuficiência de recolhimento da COFINS decorrente de lançamento de receita em conta de crédito de despesas de propaganda promoções e eventos – código 330604 em 2008 e 2009 se refere a recebimentos de pagamento de contrato de divulgação de marcas através de ações promocionais e materiais de sinalização promovidos para empresa Visa, essas são os créditos contabilizados em conta de despesas, entendeu a fiscalização tratarse de receitas. Descreve como caso II, glosa de créditos descontada na apuração da contribuição, em desacordo com os preceitos legais. Os itens sobre os quais foram tomados créditos encontram descritos mês a mês no próprio Termo de Verificação Fiscal, fls. 2, 914/2973. Em impugnação reconhece que o caso I decorreu de erro, motivo pelo qual, com o objetivo de não admitir argumentos protelatórios ou com a finalidade de omitir a verdade ou de induzir o julgador contrário a realidade dos fatos, admitiu o equivoco. Em relação ao chamado caso II, não concorda com a glosa, por entender tratarse insumo sobre os quais pode tomar crédito. Disse também que incluiu créditos de PIS e COFINS, mas não os utilizou, estando esses créditos incluídos no saldo credor remanescente. Expõe que ao contrário do raciocínio da autoridade fiscal, a jurisprudência administrativa/judicial, tornouse claro para a Recorrente que o conceito de insumos deve ser interpretado de forma mais abrangente ao que ela aplicava anteriormente aos DACON’s RETIFICADORES, com o intuito de trazer o real sentido que o legislador postulou e a jurisprudência definiu conectada à idéia de consumo de determinado bem ou serviço utilizado, ainda que de forma indireta, na atividade de fabricação do produto, ou com a finalidade prestar um determinado serviço, ou com a finalidade vinculada à destinação à venda (comercialização), ou ainda, e principalmente, vinculado estrita e essencialmente a sua atividade operacional. Em síntese discorda do conceito aplicado vinculado ao IPI, entendendo que ao caso cabe aplicabilidade dos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda para determinação do conceito de insumo na sistemática nãocumulativa. Assevera inexistir distinção entre contribuintes/empresas industriais, comerciais e prestadores de serviços. Demonstra inconformismo como, o conceito de insumo, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), contido nas IN SRF nos 247, de 2002, e 404, de 2005, é muito restrito, se limitando a empresas industriais, assim um conceito mais amplo deveria ser adotado para varejistas, como é o caso da impugnante. A decisão recorrida introduziu alterações na metodologia utilizada pelo fiscal na apuração dos créditos, diz que, em obediência à Solução de Consulta Interna nº 24/2007, considerou disponíveis a soma dos créditos remanescentes de meses anteriores com os apurados no próprio mês, glosou os créditos de insumos no mês em que foram apurados e não quando “utilizados” como fez o fiscal Autuante. Em decorrência dessa modificação apurou débito só para o PIS no mês de dezembro, valor de R$ 9.194,92. Fl. 4085DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.721214/201273 Acórdão n.º 3403003.422 S3C4T3 Fl. 7 3 Esclarece que apuração agora elaborada em sede de decisão difere daquela processada pela Interessada, essencialmente, porque, de forma diversa do que afirma, foram glosados não somente os créditos de insumos acrescidos por meio dos Dacon retificadores apresentados, mas também aqueles que já constavam dos Dacon originais, de modo que os saldos remanescentes de créditos foram menores que os apurados pela interessada em sua apuração original. É o relatório Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O entendimento da Recorrente é de que devem ser aplicadas as regras dos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda, diferentemente do conceito adotado pela Receita Federal do Brasil trazido pelas Instruções Normativas nos 247/202 e 404/2004. A glosa se refere a todos os custos desembolsados com atividade comercial, cujos itens encontram arrolados no relatório fiscal. No caso dos autos o apelo não prospera. Nesse sentido faço referência ao voto do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, nos autos do processo nº 13053.000037/200749: “Embora respeite a orientação, partilho de orientação diversa a respeito da abrangência do conceito insculpido no inciso II, do artigo 3o, das Leis no. 10.637/02 e 10.833/03. Observo, em primeiro lugar, que quando da promulgação dos diplomas legais em questão, a Constituição Federal não impunha a não cumulatividade em se tratando das contribuições arrecadadas para a Seguridade Social. Daí não defluia, todavia, estivesse o legislador infraconstitucional impedido de disciplinála no âmbito da contribuição ao PIS e da COFINS. Significava, tão somente, que a adoção e o regramento da técnica permaneciam na esfera de discricionariedade do legislador ordinário. Foi o que possibilitou a implementação, primeiramente no PIS e, depois, na COFINS, de uma não cumulatividade, digamos, “imprópria”. Imprópria por cotejar, de um lado, base de cálculo composta pela totalidade das receitas da pessoa jurídica e, de outro, não admitir senão determinadas deduções, definidas em lista taxativa. Imprópria também porque o direito de crédito garantido não corresponde, sempre e necessariamente, aos valores de PIS e de COFINS efetivamente devidos na incidência anterior. Aliás, dada a especificidade da hipótese de incidência das duas contribuições, é até mesmo inadequado falar, aqui, num sentido Fl. 4086DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 convencional de não cumulatividade. É que, enquanto o ICMS e o IPI – impostos em que a técnica encontra máxima aplicação – têm por hipótese de incidência operações sucessivas de uma mesma cadeia produtiva ou mercantil, o PIS e a COFINS gravam fato jurídico, a receita, cuja ocorrência é independente de acontecimentos anteriores ou posteriores. Quem chamou à atenção para a diferença foi Ricardo Mariz de Oliveira: “Realmente, a COFINS e a contribuição ao PIS, que são tributos cujas hipóteses de incidência são a receita ou o faturamento, a rigor sequer têm incidência multifásica, pois são devidos sempre que houver receita (de faturamento ou não), a qual se constitui em um substrato específico e isolado de qualquer outro fenômeno jurídico ou econômico.” Por isso, dirá o autor, “diferentemente de outros tributos, as duas contribuições podem incidir sobre as receitas de sucessivos faturamentos de uma mesma mercadoria, ou sobre as receitas de sucessivas alienações de um mesmo bem imóvel, ou sobre as receitas de sucessivas prestações de serviços para obtenção de um bem imaterial mais completo, ou sobre sucessivas receitas de alugueres mensais de um mesmo bem, e em muitas outras situações. Mesmo neste caso – adverte – as duas contribuições não são juridicamente plurifásicas, eis que tomam por substrato cada fato isolado e de per si, isto é, cada fato de ser auferida uma receita (Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da Contribuição ao PIS. PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 27). Já nos casos de IPI e de ICMS, como suas hipóteses de incidência estão associadas à circulação econômica da coisa, o direito de crédito que realiza a não cumulatividade resulta do ingresso desta e, eventualmente, de outras que interagem fisicamente entre si para, transformadas, se submeterem a uma nova incidência na etapa subseqüente da cadeia.” Mesmo diante do descontentamento trazido no voluntário, a contribuinte não tem direito de apurar créditos com base no art. 3º, II, das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, pois atividade que se dedica se resume à revenda de mercadorias, isso é, desenvolve comércio varejistas de bens, atividade não contemplada pelo legislador, sendo assim, cabe tomar crédito somente pelo inciso I d art. 3º das mencionadas leis. Assim, peço licença para tomar como fundamento de decidir parte do voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim, onde desenvolve todo o fundamento referente à impossibilidade da tomada de crédito pelo contribuinte dedicado atividade apenas de comercialização, isso é, de revenda de mercadorias: “O direito de crédito do contribuinte deve ser exercido em relação às mercadorias adquiridas para revenda e não sobre insumos. Tratandose de empresa que se dedica exclusivamente à atividade comercial, não existe amparo legal para a tomada de créditos das contribuições nãocumulativas com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Vejamos. Os referidos dispositivos legais, ao tratarem do direito de crédito das contribuições no regime nãocumulativo, se referem a bens e Fl. 4087DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 16682.721214/201273 Acórdão n.º 3403003.422 S3C4T3 Fl. 8 5 serviços utilizados como insumos para a "produção ou fabricação" de bens ou produtos destinados à venda. Uma breve consulta ao Dicionário Aurélio permite constatar que os verbos "produzir" e "fabricar" possuem significados distintos. "Produzir" significa "gerar", "dar lugar ao aparecimento de algo", "criar". Por seu turno, o verbo "fabricar" denota "transformar matérias em objetos de uso corrente", "manufaturar", "construir". Assim, os arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 asseguraram o direito de crédito em relação a bens e serviços utilizados como insumos apenas por empresas que desenvolvam processos produtivos, processos de fabricação e processos mistos, que envolvam as duas atividades anteriores. As empresas que se dedicam exclusivamente às atividades comerciais, como é o caso da recorrente, não podem apurar crédito com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, por absoluta falta de previsão legal. “À luz do exposto, tornase desnecessário apreciar os argumentos lançados contra a restrição do conceito de insumo adotada pela Receita Federal, devendo ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização”. Sendo assim, há que se concordar com a fiscalização, mantendo intacta a decisão recorrida. DO RECURSO DE OFÍCIO. A desoneração decorre da modificação do procedimento de apuração da tomada dos créditos, a meu ver, correta. Adotou como saldo anterior o crédito remanescente oriundos nos meses anteriores com os apurados no próprio mês, glosou os créditos de insumos no mês em que foram apurados e não quando “utilizados”. Tenho que não merece qualquer reparo à técnica implementada, revela acertada na apuração da tomada do crédito, pois é o momento que o contribuinte verifica a existência ou não de crédito a descontar. O crédito é apurado com base nas aquisições do mês, no caso concreto, das compras de mercadorias destinadas à revenda, somado com o saldo remanescente se existir, define o total ser descontado do débito apurado no mês. Tenho assim que deve ser mantida a decisão recorrida pelo contorno jurídico acertado. Com esses fundamentos, voto no sentido de conhecer o recurso e negar provimento ambos. É como voto Domingos de Sá Filho Fl. 4088DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Fl. 4089DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 11/12/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/12/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.908019/2009-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-002.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 80 19 /2 00 9- 30 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela pelo sujeito passivo, contra acórdão proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Os objetos da presente lide são o ônus probatório nos casos de repetição de indébito e também o momento legal para a apresentação das provas (preclusão temporal), nos termos do art. 16 do decreto 70.235/72. Primeiramente cabe dizer que todo direito pleiteado deve ser acompanhado das provas que trazem a certeza daquele direito, principalmente quando se trata de um direito creditório pleiteado por um particular contra o Estado. Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.908019/200930 Acórdão n.º 9303002.579 CSRFT3 Fl. 423 3 O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas sufuciciente para demosntrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desimcimbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito , não tento que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e sufucientes para embasar a operação, temse relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Tampouco procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Não há motivos para a pleiteada inversão do ônus da prova. Também não se verificou nehumas da exceções previstas no PAF para apresentação a posteriori das provas alegadas. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.908019/200930 Acórdão n.º 9303002.579 CSRFT3 Fl. 424 5 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.921357/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. RELATÓRIO
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Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. RELATÓRIO Trata o presente de pedido de ressarcimento de créditos da nãocumulatividade de Cofins, relativos ao terceiro trimestre de 2007. Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório do acórdão ora recorrido: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 21 35 7/ 20 11 -6 8 Fl. 2218DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11080.921357/201168 Resolução nº 3302000.464 S3C3T2 Fl. 2.219 2 “Tratase de Manifestação de Inconformidade da interessada contra Despacho Decisório DRF/CCI nº 213/2012, que deferiu apenas parcialmente o pleito da interessada relativo a créditos da não cumulatividade da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, vinculados às receitas de exportação e relativos ao 3º trimestre de 2007. O procedimento fiscal foi iniciado em 2011 (MPF nº 05.1.04.002011000632) para análise de pedidos de ressarcimento/compensação de créditos de PIS e Cofins não cumulativos dos quatro trimestres de 2007 e dos dois primeiros trimestres de 2008 da empresa Ipiranga Petroquímica S/A, incorporada pela Braskem S/A. No âmbito do referido MPF, a interessada deixou de atender sucessivas intimações para apresentar os arquivos especificados no Anexo Único do ADE COFIS Nº 15/2001, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, alegando, por exemplo, dificuldades na identificação ou localização da documentação necessária, posto que havia passado por processo de incorporação. Após diversas prorrogações dos prazos para atendimento das intimações, os pedidos/declarações da interessada foram indeferidos/nãohomologados, visto que a análise da validade dos créditos não foi possível. Inconformada, a contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 4242403.2011.4.01.3300, que determinou a nulidade dos despachos decisórios de indeferimento do ressarcimento e de nãohomologação das compensações, e também determinou a reabertura do procedimento fiscal e o prosseguimento da análise dos documentos apresentados pela impetrante, ora impugnante. Desta sorte, foi aberta nova diligência fiscal em 2012 (MPF nº 05.1.04.002012000083), para cumprir a determinação judicial, analisandose o pleito creditório da contribuinte com base nos documentos que se tinha em mãos. Após análise dos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais –Dacon, a Diligência Fiscal concluiu pela glosa de diversos créditos apurados na sistemática nãocumulativa, recompondo os Dacon’s da contribuinte e concluindo que a interessada não possuía a totalidade dos créditos pleiteados em ressarcimento/compensação. O despacho decisório ora guerreado decorre dessa segunda diligência fiscal. Cientificada do Despacho Decisório, a autuada apresenta a Manifestação de Inconformidade, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • Da glosa decorrente da falta de apresentação de notas fiscais dos bens utilizados como insumos adquiridos no mercado interno. As divergências entre os valores declarados nos Dacon e as notas fiscais decorreram de um erro material cometido pela impugnante quando do preenchimento dos Dacon em foco. É que, ao informar, na linha 02 da Ficha 06A, o valor das aquisições de bens utilizados como insumos, somou, além das operações classificadas nos CFOP 1.101 e 2.101, aquelas classificadas no CFOP 1.124 e 2.124, que se referem a serviços de industrialização efetuados por outras empresas e que, no entendimento da própria Fiscalização, geram direito a crédito. Por Fl. 2219DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11080.921357/201168 Resolução nº 3302000.464 S3C3T2 Fl. 2.220 3 outro lado, ao informar, na linha 03 da Ficha 06A, o valor das aquisições de serviços utilizados como insumos, a Impugnante considerou apenas as operações classificadas no CFOP 1.933, conforme evidenciam as planilhas que serviram como base para o cálculo da contribuição do período em debate, o que significa dizer que não houve aproveitamento em duplicidade dos créditos das operações classificadas nos CFOP 1.124 e 2.124. • Da glosa decorrente da falta de apresentação de notas fiscais das despesas de armazenagem e fretes na operação de vendas. No que se refere a essas despesas, a Fiscalização também apurou diferenças entre os valores declarados na linha 07 da Ficha 6A dos DACON's e as notas fiscais constantes dos arquivos digitais apresentados pela Impugnante. A glosa promovida pela autoridade administrativa não merece prosperar, já que decorre da apressada análise empreendida pela Fiscalização sobre os documentos e livros fiscais da Impugnante. Ao somar as operações classificadas nos CFOP's 1.352 e 2.352, que dizem respeito unicamente à aquisição de serviço de transporte por estabelecimento industrial dentro e fora do Estado, com vistas a verificar a legitimidade dos créditos lançados na linha 07 da Ficha 6A dos DACON's em comento, a Fiscalização acabou desconsiderando por completo as despesas de armazenagem incorridas pela Impugnante, que foram devidamente registradas na conta contábil 03110476.04200. • Da glosa indevida dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços utilizados como insumos. O Auditor excluiu diversos produtos do cálculo relativo aos créditos de PIS e Cofins vinculados às receitas de exportação, sob o argumento de alguns dos bens adquiridos pela empresa e cujo crédito foi aproveitado não podem ser caracterizados como insumos geradores do crédito objeto do art. 3°, II, da Lei n° 10.637/2002 e art. 3°, II, da Lei n° 10.833/2003, pois não se enquadram no conceito estabelecido no art. 66 da IN SRF nº 247/2002, no art. 8o, §4°, da IN SRF n° 404/2004 e no Parecer Normativo CST n.° 65/79. A aplicação de tais normas, todavia, está equivocada. • Da nulidade do despacho decisório no que tange à glosa dos serviços utilizados como insumos, por não ter sido disponibilizado para a impugnante os elementos essenciais para elaboração da sua defesa. • Da incorreta interpretação dada às normas de regência do PIS e da Cofins. A fiscalização sustenta que o termo insumo deve ser interpretado como aqueles bens, adquiridos por pessoa jurídica, que, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração, sejam consumidos, sofram desgaste ou perda/modificação de suas propriedades físicas ou químicas. Já em relação aos serviços, a fiscalização concluiu que somente poderiam ser tidos como insumos aqueles aplicados diretamente no processo fabril. Tal posicionamento foi firmado com amparo nas disposições da Instrução Normativa n° 247/2002, editada pela Receita Federal para disciplinar a Lei n.° 10.637/2002, cujo conteúdo foi reproduzido pela IN SRF 404/2004, também aplicável ao PIS, as quais passaram a conceituar insumos para fins de apropriação de créditos compensáveis com o PIS/Cofins Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11080.921357/201168 Resolução nº 3302000.464 S3C3T2 Fl. 2.221 4 devido. Esse conceito de insumo, albergado na legislação de regência do IPI, tomado por empréstimo pelas INs n° 247 e 404, para operacionalizar a sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, é inaplicável, indo de encontro às prescrições das próprias Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. • Dos bens utilizados como insumos no processo produtivo. Valendose das informações contidas em Parecer Técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas, a Impugnante passa a demonstrar a imprescindibilidade dos mesmos na consecução do seu objeto social, qual seja, industrialização e comercialização de produtos petroquímicos de segunda geração. É o caso, por exemplo, da água desmineralizada, vapor, água potável, cal hidratado, nitrogênio gasoso, tambor para subprodutos e resíduos, graxa, facas hagane para granulador e material de embalagem, entre outros. • Dos serviços utilizados como insumos. A Fiscalização glosou os créditos apurados em relação a diversos serviços contratados por entender que não estariam diretamente relacionados com o processo produtivo. Mas, para a produção dos diversos produtos finais, é imprescindível que a requerente mantenha suas plantas industriais em prefeito estado, sendo necessário que sua estrutura física seja submetida a regulares e periódicos serviços de monitoramento, manutenção, higienização e eventuais reparos. • Da interpretação das Instruções Normativas. Se, entretanto, este não for o entendimento dessa d. Turma de Julgamento, entendendo esse insigne órgão julgador que as IN’s estão conforme a legislação que lhes é hierarquicamente superior, cumpre à ora Impugnante demonstrar qual seria então, nessa hipótese, a única interpretação possível de tais normas regulamentares, consistindo em entender que a "ação direta" não está adstrita ao contato físico do bem ou serviço (insumo) com a mercadoria em produção, mas sim à sua afetação direta ao processo produtivo, em vista da essencialidade daquele para a consecução deste. • Da glosa indevida das despesas com energia elétrica. Os valores glosados correspondem às despesas com os serviços de uso e transmissão de rede. O procedimento adotado pela Fiscalização pautouse no entendimento de que apenas os gastos com a energia elétrica consumida ensejariam a aquisição dos tais créditos, o que não se estenderia ao pagamento pela prestação de serviço de transmissão de energia, em decorrência de interpretação restritiva da Lei n.°10.637/2002. Mas o pagamento das referidas despesas com uso e transmissão de rede é condição essencial ao efetivo consumo de energia elétrica, figurandose, ambos, como gastos vinculados, impassíveis de dissociação, para efeitos de creditamento fiscal. • Da glosa indevida das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos. Verificase que também foram rechaçados vários créditos relativos às despesas com a locação de máquinas e equipamentos, sob argumento de que não eram utilizados diretamente na fabricação ou produção de bens. Mas estes créditos são legítimos, Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11080.921357/201168 Resolução nº 3302000.464 S3C3T2 Fl. 2.222 5 nos termos da legislação em vigor, que autoriza o desconto de créditos quando as máquinas e equipamentos são utilizados nas atividades da empresa. • Da glosa indevida ajustes positivos de créditos. A autoridade fiscal glosou os créditos apropriados visto que a contribuinte não apresentou informações detalhadas quanto ao preenchimento desta rubrica dos DACON. Nesse espeque, cumpre esclarecer que os valores glosados referemse a créditos extemporâneos, sendo que a legislação não faz qualquer restrição para o aproveitamento extemporâneo de créditos. • Da glosa indevida de créditos de PIS/CofinsImportação pago quando da importação de bens utilizados como insumos. Neste aspecto, alega a Fiscalização que não foi possível confirmar o pagamento do PISImportação incidente sobre as importações de bens utilizados como insumos, posto que não há identificação dos números das Declarações de Importação (DI) nos documentos fiscais, nem há registro dos números das notas fiscais relativas às referidas importações no "4.4.2. Arquivo de Importação" do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS n.° 15/2001 apresentado pela Impugnante. Para demonstrar a insubsistência das alegações fazendárias, cumpre à Impugnante esclarecer que, no curso da Fiscalização, apresentou as planilhas anexas, que ora reapresenta, nas quais as notas fiscais que acobertaram a entrada dos insumos em referência no seu estabelecimento estão devidamente relacionadas com as Declarações de Importação respectivas. Convém informar, ainda, que o presente processo faz parte de um conjunto de treze processos que estão sendo julgados simultaneamente, devido à conexão fática existente entre eles, e estão relacionados a seguir: [...]” Os processos mencionados no relatório da DRJ referemse a pedidos de ressarcimento de PIS e Cofins, relativos ao quatro trimestres de 2007, aos primeiro e segundo trimestres de 2008 e um Auto de Infração de PIS/Pasep e Cofins, abrangendo todos os períodos acima. A Quarta Turma da DRJ em Salvador proferiu o Acórdão nº 1533.245, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DILIGÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11080.921357/201168 Resolução nº 3302000.464 S3C3T2 Fl. 2.223 6 Incabível argumentar que a Administração deveria ter aprofundado as verificações, visto que o ônus de demonstrar o direito ao crédito é daquele que pleiteia. A realização de diligência objetiva subsidiar a convicção do julgador, e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da Cofins as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade de ato normativo editado pela Receita Federal. MATERIAL DE EMBALAGEM. Na sistemática não cumulativa de apuração da Cofins, o desconto de créditos apurados sobre a aquisição de insumos vinculados à produção de bens para venda não se estende aos materiais utilizados para permitir ou facilitar o transporte dos produtos, uma vez que essa operação não integra o processo produtivo. DESPESAS DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. O crédito sobre gastos com armazenagem de mercadoria e frete nas operações de venda somente podem se dar se o ônus for suportado pelo vendedor e desde que seja contratado para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. CRÉDITOS. Não geram direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma nãocumulativa os gastos com aluguel de veículos, por falta de previsão legal, e nem os gastos com aluguel de máquinas e equipamentos, que não sejam comprovadamente empregados na produção. DESPESAS COM ENERGIA ELÉTRICA. Na apuração da Cofins nãocumulativa, podem ser descontados créditos das despesas e custos relativos à energia elétrica adquirida de pessoa jurídica domiciliada no país, não se incluindo aí os gastos com serviços de transmissão e distribuição de energia elétrica. Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11080.921357/201168 Resolução nº 3302000.464 S3C3T2 Fl. 2.224 7 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Na eventualidade de se apurar extemporaneamente crédito decorrente da sistemática de nãocumulatividade da Cofins, os respectivos Dacon deverão ser retificados, respeitado o prazo decadencial de cinco anos e atendidas as demais exigências da legislação de regência. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, alegando resumidamente: 1. Do erro material cometido pelo órgão julgador a quo; 2. Das glosas indevidas de despesas de armazenagem e fretes na operação de vendas; 3. Do conceito de insumo na nãocumulatividade da Cofins e das glosas indevidamente efetuadas; 4. Da nulidade do procedimento em relação à glosa dos serviços utilizados como insumo; 5. Da glosa indevida das despesas com energia elétrica; 6. Da glosa das despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; 7. Da glosa indevida de ajustes positivos de créditos; 8. Da glosa de créditos de cofinsimportação; 9. Do pedido de diligência. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O procedimento fiscal foi iniciado em 2011 (MPF nº 05.1.04.002011000632) para análise de pedidos de ressarcimento/compensação de créditos de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos dos quatro trimestres de 2007 e dos dois primeiros trimestres de 2008 da empresa Ipiranga Petroquímica S/A, incorporada pela Braskem S/A. No âmbito do referido MPF. Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 11080.921357/201168 Resolução nº 3302000.464 S3C3T2 Fl. 2.225 8 Entretanto, o relatório da DRJ expõe que, além dos processos de pedidos de ressarcimento dos quatro trimestres de 2007 e dos dois trimestres de 2008, de PIS/Pasep e Cofins (totalizando doze processos), foi também lavrado Auto de Infração para constituição de crédito tributário de PIS/Pasep e Cofins, relativo ao período de janeiro de 2007 a junho de 2008, ou seja, englobando todos os trimestres analisados, sob o nº 13502.720656/201285. Nesse processo do Auto de Infração, foram anexados os doze relatórios de diligência fiscal elaborados nos doze processos. Assim, confirmase que as glosas efetuadas nos doze processos de pedidos de ressarcimento foram englobadas no Auto de Infração, de forma que há continência entre cada um dos doze processos e o Auto de Infração. Portanto, este processo deverá refletir a decisão definitiva daquele, evitando, por decorrência lógica e aplicação subsidiária do artigo 265, IV, “a” do Código de Processo Civil1, decisões conflitantes sobre um único direito creditório. Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a unidade de origem junte a decisão definitiva do processo nº 13502.720656/201285, assim que ocorrer seu trânsito em julgado. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este Conselho para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 1 Art. 265. Suspendese o processo: [...] IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 29/12 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/12/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 17460.000107/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/03/2005
FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A fiscalização de contribuições previdenciárias, atualmente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, detém a competência para verificação do eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e para o lançamento da contribuição adicional para o financiamento da aposentadoria especial.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO.
Caracteriza-se um grupo econômico de empresas pela existência de participação societária entre si, de forma que os resultados em cada uma sejam do interesse comum das demais.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EMPREITADA GLOBAL.
A responsabilidade decorrente de contratos de empreitada global rege-se de acordo com o artigo 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA ADICIONAL PARA CUSTEIO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. RECURSO PROVIDO.
O lançamento da contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial deve estar amparado de elementos hábeis a demonstrar a efetiva exposição dos trabalhadores a agentes nocivos de modo permanente, não ocasional nem intermitente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Júlio César Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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E MONTAGENS S.A. E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/03/2005 FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização de contribuições previdenciárias, atualmente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, detém a competência para verificação do eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e para o lançamento da contribuição adicional para o financiamento da aposentadoria especial. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. Caracterizase um grupo econômico de empresas pela existência de participação societária entre si, de forma que os resultados em cada uma sejam do interesse comum das demais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EMPREITADA GLOBAL. A responsabilidade decorrente de contratos de empreitada global regese de acordo com o artigo 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA ADICIONAL PARA CUSTEIO DA APOSENTADORIA ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. RECURSO PROVIDO. O lançamento da contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial deve estar amparado de elementos hábeis a demonstrar a efetiva exposição dos trabalhadores a agentes nocivos de modo permanente, não ocasional nem intermitente. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 46 0. 00 01 07 /2 00 7- 18 Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Júlio César Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000107/200718 Acórdão n.º 2402004.373 S2C4T2 Fl. 1.406 3 Relatório Tratase de auto de infração constituído em 28/12/2006 para exigir a contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial de que trata o art. 382 da IN SRP nº 03/2005, relativamente ao período de 09/2004 a 06/2005. A fiscalização ocorreu na obra identificada pelo CEI: 50.011.0666879 CACHOEIRA PAULISTA II (TIJUCO PRETO). Número máximo d e segurados no período: 716 . Contrato: Cachoeira Paulista Transmissora de Energia Ltda. contrata IESA Projetos, Equipamentos e Montagens S/A para: "... o fornecimento, pela Contratada, de Serviços de Construção Civil e Montagem Eletromecânica para a Construção da LT 500 KV no trecho entre a Subestação Tijuco Preto (Pórtico) e a Torre 1281 pela Contratada. Seguem alguns trechos da decisão recorrida: Descreve, valendose de publicação técnica da área de saúde e higiene ocupacional, os riscos normalmente encontrados em empresas do ramo metalúrgico, no qual se insere o sujeito passivo, e quais as doenças mais prevalentes entre os trabalhadores deste setor. ... Informa que intimou a empresa em 11/05/2005 a apresentar, dentre outros itens, a ''Comprovação da execução de procedimentos operacionais para uso rotineiro de respiradores, sempre que necessário o uso dos mesmos", nos termos da Instrução Normativa IN 01/94, da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho, que trata do PPR Programa de Proteção Respiratória. Afirma que muitos dos estabelecimentos da empresa apresentam agentes químicos dentre seus agentes nocivos, atuando sobre o sistema respiratório de seus trabalhadores, ainda que nem sempre haja avaliação quantitativa destes. Ainda assim, não foi apresentado nenhum registro de ensaio de vedação (que consiste, em suma, no teste de adequação dos respiradores aos usuários). Aduz que em razão de a empresa, nos seus diversos estabelecimentos, não ter comprovado o gerenciamento dos riscos e a adoção das medidas de proteção recomendadas, conforme previsto nos artigos 380 e 381 na Instrução Normativa IN 03/2005, foi lançada por arbitramento a contribuição adicional prevista no artigo 382 da mesma IN. ... Passa então a descrever a situação de cada um dos estabelecimentos da empresa, de acordo com os documentos apresentados: Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 PPRA. Elaborado em 10/12/2003. Identifica os setores e riscos na obra, sendo os mais relevantes: Topografia operação com motoserra (ruído), Estudo do solo operador de guincho (ruído), Estrada de acesso operação com máquinas e tratores (ruído),Escavação manual operadores dos rompedores e marteletes (ruído), Escavação mecânica —operador de retro escavadeira e seu auxiliar (ruído), Escavação com utilização de explosivos (ruído, fumaça, gases tóxicos e poeiras), Fundações especiais, escavação e concretagem (ruído para toda a equipe do bateestacas), Operações com soldas elétricas e corte a maçarico (queimaduras e fumos de soldas). Estaca raiz (poeiras na concretagem), Atividades com betoneiras e vibradores (ruído), Fundação em concreto armado (poeiras), Atividades com betoneira, gerador (ruído), Escavações de tubulão operações com marteletes, rompedores c perfuratrizes (ruído e outros), Reaterro de fundações operações com compactadores (ruído). Instalação de sistema de aterramiento mecanizado operador de trator e auxiliar e operador de compactador e auxiliar (ruído), Montagem de estruturas metálicas operações de trator com guincho, carga e descarga de ferragens (ruído), Lançamento de cabos no corte de dos cabos páraraios e condutores e na operação de guincho (intenso ruído), Pátio de Ferragens operação com guindastes (ruído), Carpintaria serra circular e outras máquinas e equipamentos (ruído). Armação descarga de vergalhões e operações com guindastes (ruído). Como agentes químicos presentes no ambiente de trabalho, o PPRA registra combustíveis, graxa e fumos metálicos. Traz à fl 37 avaliações de ruído para alguns equipamentos (2003 e 2004), mas não há dosimetria para cada função. Exemplos: Serra circular (108 dB) carpinteiro; Motoserra (108 dB) operador de motoserra; Trator de esteira (95 dB) operador de máquinas; Guincho de içamento (106 dB) — montador. Por outro lado, de forma incongruente, às ílS. 2 e 12, ao tratar das funções operacionais, os montadores são listados como não expostos a ruído. Análise Global do PPRA. Limitase a repetir, de modo genérico, aquilo que preconiza a legislação, sem demonstrar o que de fato foi realizado entre as propostas inseridas no PPRA. PCMAT. Sem ART com regisro no CREA. Não traz avaliação quantitativa de agentes químicos ou ruídos. LTCAT. Não há dosimetria de ruído, apenas medidas pontuais, que excedem os limites de tolerância. PPR. Mesmo com trabalhadores exercendo funções que necessariamente precisariam utilizar respiradores (soldadores, carpinteiros, etc), a empresa não apresentou qualquer comprovante de execução dos procedimentos previstos na Instrução Normativa n° 01/1994, da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho. Sequer foi apresentada quantificação dos agentes químicos reconhecidos pela empresa. Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000107/200718 Acórdão n.º 2402004.373 S2C4T2 Fl. 1.407 5 Atas da ÇIPA. Foram apresentadas apenas as referentes ao período de 28/04/04 a 30/10/04. Conforme seus registros, as reuniões têm escopo formal/administrativo, quase nada trazendo sobre a realidade do campo de trabalho. As atas não registram discussão sobre o PPRA/PCMAT/PCMSO nem a realização das demais atribuições determinadas pela NR 5 (fl. 202). PCMSO. E incompleto, deixando de trazer funções como poceirosoldador, mecânico de manutenção, vigia, zelador, constantes da Folha de Pagamento. Não foi apresentado qualquer comprovante de sua efetiva implementação, apesar de solicitado por TIAD, emitido em 09/05/06. Através dos PPP, verificase que muitos dos exames programados não foram realizados. EPI. A empresa não comprovou seu uso pelos trabalhadores, apesar de solicitado. Em razão da ausência de muitos dos documentos comprobatórios de um gerenciamento adequado das exposições dos trabalhadores a agentes nocivos, conforme anexo contendo documentação solicitada/apresentada, bem como a inconsistência dos documentos apresentados, foram considerados expostos a agentes nocivos, sem gerenciamento adequado da exposição, os cargos discriminados à fl. 204, nos termos do artigo 387 da Instrução Normativa SRPn0 03/2005. ... DEMAIS LAVRATURAS Foram lavrados ainda contra a empresa autos de infração pelos seguintes motivos: não apresentar documentos/exibição sem as formalidades exigidas, apresentar Laudo Técnico desatualizado com referência aos agentes nocivos do ambiente de trabalho, não elaborar/não apresentar/não comprovar a entrega de PPP Perfil Profissiográfico Previdenciário. Foram arroladas como responsáveis solidárias as empresas: Holding Inepar Administração e Participações S.A., Inepar S.A. Indústria e Construções, Inepar Equipamentos e Montagens S.A., Iesa Óleo e Gás S.A., Inepar Energia S.A., Inepar Investment S.A., Penta Participações e Investimentos Ltda., Itaguaí Energia S.A., Inepar Telecomunicações S.A., Inepar Argentinas S.R.L, Inepar Trading S.A., Ibrafem Estruturas Metálicas S.A., Sadafem Equipamentos e Montagens S. A, conforme relatório fiscal: GRUPO ECONÔMICO A Autoridade Lançadora, em anexo do Relatório Fiscal da Notificação Fiscal, aduz que a empresa auditada é integrante do Grupo Econômico INEPAR e com fundamento na legislação transcrita no próprio anexo, que trata do instituto da solidariedade, incluiu no pólo passivo da exação as empresas que dele fariam parte. Traz, como principal elemento comprobatório do que afirma, os organogramas do Grupo INEPAR, datados de 31/03/2004 e Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 30/06/2005, e assinados, respectivamente, por seus diretores César Romeu Fielder e Natal Bressan e a composição dos capitais sociais das empresas, demonstrando a existência de controle/coligação entre elas. Além disso, revela a existência de confusão patrimonial entre as empresas, citando como exemplo a inclusão na Folha de Pagamento da IESA, de segurados que estão a serviço de obras da Inepar Projetos, Equipamentos e Montagens S/A e da Inepar Indústria e Construções. As empresas incluídas no pólo passivo foram: Inepar Administração e Participações S/A (holding), Inepar S/A Indústria e Construções, IESA Projetos Equipamentos e Montagens S/A, Inepar Equipamentos e Montagens S/A, IESA Óleo e Gás S/A, Inepar Energia S/A, Inepar Investment S/A, Penta Participações e Investimentos S/A. Itaguaí Energia S/A, Inepar Telecomunicações S/A, Inepar Argentina S.R.L., Inepar Trading S/A, Ibrafem Estruturas Metálicas S/A e Sadefem Equipamentos e Montagens S/A. ... TOMADOR SOLIDARIEDADE A Fiscalização inclui no pólo passivo do lançamento a empresa Cachoeira Paulista Transmissão de Energia Ltda, tomadora dos seviços (obra de empreitada total) prestados pela lesa Projetos Equipamentos e Montagens S.A com base no artigo 6 o da Lei n° 10.666/2003 e artigos 220, § 3o , III e 219 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. A Iesa Projetos Equipamentos e Montagens S.A. interpôs impugnação pleiteando pela total insubsistência da autuação e as empresas Sadefem Equipamentos e Montagens S.A., Inepar S.A. Indústria e Construções, Inepar Equipamentos e Montagens S.A., Iesa Óleo e Gás S.A., Inepar Argentina S.R.L., Inepar – Administração e Participações S.A., Inepar Energia S.A., Inepar Investment S.A., Inepar Trading S.A. e Ibrafem Estruturas Metálicas S.A. apresentaram impugnação pleiteando pela extinção da responsabilidade solidária. A Inepar Equipamentos e Montagens S.A., Iesa Óleo e Gás S.A., Inepar Indústria e Construções, Inepar Administração e Participações S.A., Inepar Energia S.A., Inepar Investment S.A., Inepar Trading S.A. e Inepar Argentina S.R.L, apresentaram manifestação pleiteando pela extinção da responsabilidade solidária. A Sadafem Equipamentos e Montagens S.A. apresentou manifestação pleiteando pela extinção da sua responsabilidade solidária. A Iesa – Projetos Equipamentos e Montagens S.A. se manifestou no sentido de que a fiscalização verificou algumas inconsistências nas informações contidas nos laudos técnicos PPRA, PCMSO, entre outros, mas não verificou a situação real das condições de trabalho, tampouco comprovou devidamente a ocorrência dos fatos geradores, pleiteando ao final pela total nulidade do lançamento. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgou o lançamento parcialmente procedente, sob o entendimento de que: (i) a empresa Ibrafem Estruturas Metálicas S.A. deve ser excluída do polo passivo e a empresa Sadefem Equipamentos e Montagens S.A. deve permanecer no polo passivo apenas no período de 28/10/2004 a 15/02/2005; (ii) o arbitramento inverte o ônus da prova; (iii) não ficou Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000107/200718 Acórdão n.º 2402004.373 S2C4T2 Fl. 1.408 7 caracterizado cerceamento ao direito de defesa; (iv) alegações desprovidas de documentação não tem o condão de invalidar o lançamento; (v) os julgadores administrativos não têm competência para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo; (vi) a prova documental deve ser apresentada na impugnação e não há previsão legal para realização de prova testemunhal e sustentação oral; (vii) o pedido de perícia só pode ser atendido quando preenchidos os requisitos estabelecidos na norma; (viii) aplicase a taxa SELIC como forma de atualização dos créditos tributários; (ix) a multa incide apenas sobre o valor principal e não sobre os juros; (x) não há previsão legal para a realização de dupla visita; (xi) caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, controle ou administração de uma delas. As empresas Inepar Trading S.A., Inepar Argentina S.R.L., Inepar Equipamento e Montagens S.A., Inepar Investment S.A., Inepar Administração e Participações S.A., Inepar S.A. Indústria e Construções, Iesa Óleo e Gás S.A., Inepar Energia S.A., apresentaram recursos voluntários alegando que inexiste grupo econômico, pois não foi verificada a situação prevista no art. 265 da Lei nº 6.404/64, bem como que os seus controles independem da Iesa Projetos e Montagens, e que a cobrança seria nula por não terem sido observados os requisitos legais para sua cientificação quanto à responsabilidade pelo crédito tributário. A empresa Sadefem Equipamentos e Montagens S.A. interpôs recurso voluntário alegando que é controlada pela Ibrafem Estruturas Metálicas S.A., não tendo esta empresa qualquer participação de outra empresa que possua ligação com a Iesa – Projetos Equipamentos e Montagens S.A. ou com o Grupo Inepar. Quanto ao devedor principal, Iesa Projetos, Equipamentos e Montagens S.A, não constava dos autos recurso voluntário; porém, durante a sessão de julgamento dos recursos voluntários interpostos pelos devedores solidários, a recorrente apresentou protocolo da interposição tempestiva, em 27/07/2011. Por esse fato, esta turma converteu o julgamento em diligência para que a DRF Rio de Janeiro I se pronunciasse sobre o documento. Em resposta, confirmouse a interposição tempestiva de recurso voluntário também pelo devedor principal. Alega, assim, que: a) Do vício insanável no procedimento de fiscalização na apuração do fato gerador De acordo com o Relatório Fiscal Complementar, a agente fiscal procedeu sua fiscalização baseandose apenas nos levantamentos de documentos, onde verificou algumas inconsistências de informações nos laudos técnicos PPRA, PCMSO, dentre outros, sem ao menos verificar a situação real das condições de trabalho. Assim, verificase que a hipótese de incidência, mais especificamente o critério material da norma tributário do adicional ao RAT, que corresponde ao exercício de atividade que enseja a concessão de aposentadoria especial, foi apurada de forma indireta, ou seja, por arbitramento, quando, na verdade, a verificação da ocorrência fática da hipótese de incidência necessariamente deveria ser apurada de forma concreta, apurandose os fatos como realmente ocorreram, conforme prevê o artigo 142 do CTN. Por sua vez, o artigo 148 do CTN estabelece que o método de arbitramento só se aplica para apurar a base de cálculo do Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 tributo, não se aplicando, portanto para se apurar o fato gerador, como no caso em testilha. Assim, a lavratura apresenta vício insanável, em razão da agente fiscal ter constatado a ocorrência do fato gerador de forma indireta, por arbitramento, procedimento não admitido por lei. O artigo 382 da IN 03/2005 esclarece qual a hipótese de incidência do adicional do RAT, qual seja, a existência de condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador, com exposição a agentes nocivos de modo permanente, não ocasional nem intermitente, e a agente fiscal, citando, por exemplo, que o PPRA não traz a avaliações quantitativas de exposição a determinados agentes, apura por arbitramento a contribuição adicional. Ora, se não há registro de avaliação quantitativa dos agentes nocivos, como se pode concluir que este agentes nocivos estão acima dos limites suportáveis? Em nenhum momento no presente processo administrativo citouse a exposição aos agentes de forma permanente, ou seja, não ocasional nem intermitente. Com relação ao artigo 387 da IN 03/2005, esta autoriza apenas a apuração da base de cálculo por arbitramento, e não a ocorrência do fato gerador, caso contrário estaria em desacordo com o artigo 148 do CTN, que é lei complementar. b) Da nulidade da NFLD frente ao vício insanável quanto à sua motivação Segundo a auditora, a verificação do fato gerador se deu de forma indireta, o que não se admite para fins de constatar o fato gerador. Deveria ter averiguar faticamente a existência dos agentes nocivos, e não simplesmente relatar casos de acidentes ou a simples existência dos agentes nocivos, o que não demonstra nem evidencia a ocorrência de exposição a agentes nocivos de forma permanente, não ocasional nem intermitente. Além de não demonstrar o tempo de exposição, a auditora procedeu a fiscalização apenas com base em documentos, sequer se deslocando até os locais das obras para verificar sob quais condições as máquinas eram instaladas, as condições em que o ruído e o agente químico era realizado, se de fato os empregados nestes locais não utilizavam EPI. Não houve a busca da verdade material. A auditora preferiu, por comodidade, apurar a ocorrência do fato gerador por arbitramento. Assim, verificase a existência de vício quanto à motivação da lavratura, caracterizado como falsidade de motivo. E a ausência de motivo ou a indicação de motivo falso invalidam o ato administrativo, sem possibilidade de convalidação. c) Da incompetência absoluta da agente fiscal O artigo 195 da CLT é categórico ao afirmar que a caracterização e a classificação da insalubridade e da periculosidade é ato privativo do Médico e do Engenheiro do Trabalho, assim como a interpretação técnica de laudos e documentos similares. Também a IN INSS/DC n° 118/2005 exige, nos termos dos artigos 191, 192 e 193 que a análise dos documentos técnicos para a concessão da aposentadoria especial seja feita por Médicos Peritos. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000107/200718 Acórdão n.º 2402004.373 S2C4T2 Fl. 1.409 9 Concluise, portanto, que a presente NFLD está eivada de vício de incompetência, pelo que deve ser tida como insubsistente. d) Nulidade no lançamento tributário violação do princípio da legalidade A impugnante repete aqui os argumentos relativos à impossibilidade de arbitramento e discorre sobre o princípio da verdade material e sobre a motivação dos atos administrativos. Aponta novamente que foram feridos os artigos 142 e 148 do CTN. Afirma ainda que a apuração dos fatos geradores fere o artigo 10, III do Decreto 70.235/72 (descrição obrigatória do fato). e) Do mérito A impugnante apenas repete o que anteriormente já havia dito destacando novamente o princípio da verdade material, a impossibilidade de arbitramento, a impossibilidade de se estabelecer presunções (transcreve trechos do Relatório Fiscal em que, não havendo avaliações quantitativas dos agentes nocivos, a auditora supôs a exposição dos trabalhadores), além de afirmar que a auditora precisaria ter verificado as condições de trabalho In loco, e não por meio de documentos. Repete que a falta de registro de retirada de EPI não necessariamente representa falta de gerência da segurança e medicina do trabalho e que a auditora deveria ter ido aos locais para ver se os trabalhadores estavam usando EPI. f) Do princípio da verdade material ou real Discorre a impugnante longamente sobre tal princípio, repetindo o que já havia dito anteriormente sobre ele. Cita doutrina e jurisprudência. g) Dos documentos apresentados (PPRA, PCMSO e outros) ^ A defendente repete que supostas inconsistências (omissões) levantadas pela agente fiscal não são motivo bastante para, por si só, lastrear o lançamento fiscal. Traz decisões judiciais que entende que se aplicam ao caso. h) Da indevida constituição de grupo econômico Repete a impugnante os mesmos argumentos já expendidos anteriormente. Embora a empresa Cachoeira Paulista Transmissora de Energia S.A tenha interposto recurso voluntário, de acordo com o acórdão recorrida ela não impugnou o lançamento: Cientificadas todas as empresas incluídas no pólo passivo, apresentaram IMPUGNAÇÃO (fl. 1.012): Inepar Equipamentos e Montagens S/A, IESA Óleo e Gás S/A. Inepar S/A Indústria e Construções, Inepar Administração e Participações S/A, Inepar Energia S/A, Inepar Investment S/A, Inepar Trading S/A, Inepar Argentina S.R.L; Sadefem Equipamentos e Montagens S/A e IESA Projetos Equipamentos e Montagens S/A. É o relatório. Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000107/200718 Acórdão n.º 2402004.373 S2C4T2 Fl. 1.410 11 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Preliminar de competência Conforme artigo 37 da Constituição Federal, as atribuições no exercício do cargo público são fixadas pela lei, em especial a que cria o cargo público. As valorações acerca do grau de especialização para exercício das funções são feitas pelo legislador e não pela Administração Pública ou pelos agentes públicos ou privados ou mesmo pela sociedade: Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) I os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) Assim é que a Lei n° 10.593/2002 dispôs na alínea "a", do art. 8° que é atribuição do ocupante do cargo de Auditor Fiscal da Previdência Social, relativamente às contribuições administradas pelo INSS: "executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados." E também as leis nº 8.212 e 8.213, ambas de 24/07/91: Lei nº 8.212, de 24/07/91 Art. 33 (...) §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Lei nº 8.213, de 24/07/91 Art. 58 (...) § 3º A empresa que não mantiver laudo técnico atualizado com referência aos agentes nocivos existentes no ambiente de trabalho de seus trabalhadores ou que emitir documento de comprovação de efetiva exposição em desacordo com o respectivo laudo estará sujeita à penalidade prevista no art. 133 desta Lei. No caso, as verificações são necessárias para o lançamento de contribuição correspondente às atividades que justificarão a aposentadoria especial, isto é, para a aplicação da alíquota correta, nos termos do §6° do artigo 57 da Lei n° 8.212/1991. Nada mais do que o exercício da competência funcional inerente ao cargo de auditorfiscal: "§6º O beneficio previsto neste artigo será financiado com os recursos provenientes da contribuição de que trata o inciso II do Art. 22 da lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, cujas alíquotas serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, conforme a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente." É certo que, de acordo com o maior grau de detalhamento, essas verificações podem escapar dos conhecimentos técnicos exigidos para o cargo de auditor fiscal e daí a fiscalização, para buscar maior eficiência, requerer uma perícia por médico ou engenheiro do Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000107/200718 Acórdão n.º 2402004.373 S2C4T2 Fl. 1.411 13 trabalho para subsidiar seu trabalho, mas isso não é obrigatório, já que as competências e atribuições decorrem de lei. Portanto, embora as verificações técnicas diretamente pela fiscalização que demandem conhecimento em medicina e engenharia do trabalho sejam inadequadas não invalidam, por si só, o lançamento. O questionamento ficaria reservado ao ajuizamento de ação que demonstre por inconstitucionalidade ou ilegalidade a aplicação da lei. Arbitramento de contribuições A recorrente deixou de apresentar muitos dos documentos que lhe foram solicitados e muitos outros foram apresentados de forma deficiente, como devidamente detalhado no relatório fiscal. Além dessa motivação para o arbitramento, também se destaca: Não apresentar documentos e exibir documentos que não atendem às formalidades legais AI 37.049.1769; Apresentar Laudo Técnico desatualizado com referência aos agentes nocivos do ambiente de trabalho Al 37.066.6194; Deixar de elaborar, de apresentar ou de comprovar a entrega de PPP ao trabalhador AI 37.049.1742. No mais, adoto os fundamentos da decisão recorrida para a legitimidade do arbitramento: Ressaltase que o recorrente principal, depois de oferecer impugnação aos Autos de Infração citados acima, entrou com um pedido de desistência, renunciando expressamente a quaisquer alegações de direito apresentadas. Também não prospera a alegação de que não houve pedido formal da fiscalização para que fosse apresentado o substrato necessário para a análise da existência ou não de débito. Os incontáveis Termos de Intimação para apresentação de documentos e de esclarecimentos acostados são prova cabal do contrário. Tem razão a impugnante quando afirma que a aferição indireta é medida extrema e que deve ser utilizada apenas quando não houver outro caminho, mas. conforme demonstrou a Fiscalização, era o único procedimento cabível neste caso. diante das inúmeras irregularidades constatadas e minuciosamente relatadas pela Auditora Fiscal. Outro argumento trazido pelo recorrente é sobre a necessidade de verificações in loco nos estabelecimentos da empresa. Acontece que a fiscalização de tributos, embora tenha acesso aos estabelecimentos e dependências da empresa para a revelação da verdade material, o adicional de GILRAT pode se fundamento com as inconsistências nos documentos preparados e apresentados pela empresa. Mesmo porque alguns fatos geradores se exaurem no tempo, restando para a análise os registros arquivados pela empresa. Também acolho os fundamentos da decisão recorrida: É óbvio que quando o artigo 142 do CTN fala em verificar a ocorrência do fato gerador, não está dizendo que o Auditor Fiscal deverá estar presente quando o mesmo ocorrer. A interpretação que a impugnante pretende dar à norma chega a ser pitoresca: Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 imaginemos, por exemplo, o Fiscal de ICMS esperando a mercadoria sair do estabelecimento para "verificar a ocorrência do fato gerador”, ou então o Fiscal de ISS aguardando para que o serviço acabe de ser prestado... Ora, a fiscalização tributária se dá por meio da análise de documentos, cuja forma de elaboração é determinada pela legislação. Ademais, como poderia a Auditora em 2006. que foi quando ocorreu a fiscalização, verificar (no sentido pretendido pela impugnante), fatos geradores que ocorreram em 2004 e 2005? Só se tivesse à disposição uma máquina do tempo! Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. No mérito Grupo Econômico – Responsabilidade Solidária Conforme CTN, a responsabilidade solidária passiva pode ser a de fato e a de direito: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. No primeiro caso, o pressuposto é o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; no segundo caso, decorre da fixação em lei. Esta espécie pode implicar pessoa que não realizou diretamente o fato gerador da obrigação. O objetivo é garantir o pagamento do tributo, unindo, pela solidariedade legalmente imposta, diversas pessoas. A Lei 8.212/1991 cria, portanto, um responsabilidade tributária de direito decorrente da formação de grupos econômicos. E, nesse caso, não se exige o interesse comum na situação que constitua fato gerador da obrigação principal: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Passase, então, à pesquisa do que seria a formação de um grupo econômico. A CLT contém regra nesse sentido: Art. 2º (...). ... Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000107/200718 Acórdão n.º 2402004.373 S2C4T2 Fl. 1.412 15 § 2º. Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. No âmbito da regulação administrativa, o artigo 778 da Instrução Normativa IN INSS/DC n° 100/2003 e, posteriormente, o artigo 748 da IN SRP nº 03/2005 adotaram a mesma definição: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. O segundo passo então seria a verificação da relação de controle e direção entre as empresas. Para tanto, chegamos à Lei das Sociedade Anônimas, Lei n° 6.404/76. Conforme decisão recorrida, não é relevante, para fins tributários, a formalização do grupo econômico através de alguma convenção. Para fins tributários, a existência do grupo econômico e, conseqüentemente, da responsabilidade tributária, decorre das características apresentadas nas relações entre as empresas. Assim, vejamos: Art. 243 (...) ... §2º Considerase controlada a sociedade na qual a controladora, diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio que lhe assegurem de modo permanente, preponderância nas deliberações sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores. (...) §4º Considerase que há influência significativa quando a investidora detém ou exerce o poder de participar nas decisões das políticas financeira ou operacional da investida, sem controlála §5º É presumida influência significativa quando a investidora for titular de 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante da investida, sem controlála. No presente caso, verificase que a Iesa – Projetos Equipamentos e Montagens S.A pertence ao grupo controlado pela empresa Inepar Administração e Participações S.A, juntamente com a Inepar S.A. Indústria e Construções, Iesa Óleo e Gás S.A., Inepar Equipamento e Montagens S.A e Inepar Argentina S.R.L. O controle do Grupo Inepar sobre tais empresas pode ver verificado pela composição do seu quadro societário. Em relação às demais empresas: Inepar Trading S.A., Inepar Investment S.A. e Inepar Energia S.A, embora a participação societária da controladora não alcance 50% do capital votante, ainda assim, detém a preponderância nas deliberações. O controle decorre da participação majoritária Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 no capital votante, o que não necessariamente significa mais de 50%, já que o quadro social pode possuir mais de dois sócios ou acionistas. Foi também atribuída responsabilidade solidária à Cachoeira Paulista Transmissora de Energia S.A, por ter sido esta a empresa responsável pela obra que subsidiou o lançamento, uma vez se trata de contrato de empreitada global, aplicandose o artigo 30, inciso VI da Lei nº 8.212/91, o qual especifica que não há que se falar em benefício de ordem. Ressaltase que a presente responsabilidade também foi atribuída de acordo com o art. 124, inc. II do CTN, haja vista que a Cachoeira Paulista Transmissora de Energia S.A, como responsável pela obra objeto do processo, também possui interesse na situação que constitui o presente fato gerador. Não há que se falar também na aplicação do art. 31 da Lei nº 8.212/91, tal como defende a Recorrente. Sobre o tema, assim dispõe a IN SRP nº 03/2005: Art. 178. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação previdenciária principal e as expressamente designadas por lei como tal.(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) §1º A solidariedade prevista no caput não comporta benefício de ordem. §2º Excluemse da responsabilidade solidária: I as contribuições sociais destinadas a outras entidades ou fundos; II as contribuições sociais previdenciárias decorrentes de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada sujeitos à retenção de que trata o art. 140; III no período de 22 junho de 1993 a 28 abril de 1995, as contribuições sociais previdenciárias decorrentes de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada aos órgãos públicos da administração direta, às autarquias, às fundações de direito público, às empresas públicas, às sociedades de economia mista e às missões diplomáticas ou repartições consulares de carreiras estrangeiras no Brasil. III no período 21 de novembro de 1986 a 28 de abril de 1995, as contribuições sociais previdenciárias decorrentes de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, a órgão público da administração direta, a autarquia, a fundação de direito público; e (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) IV a partir de 21 de novembro 1986, as contribuições sociais previdenciárias decorrentes da contratação, qualquer que seja a forma, de execução de obra de construção civil, reforma ou acréscimo, efetuadas por órgão público da administração direta, por autarquia e por fundação de direito público. (Incluído pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) §3º Não há responsabilidade solidária da Administração Pública em relação à multa moratória, à exceção das empresas públicas e das sociedades de economia mista que, em consonância com o Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000107/200718 Acórdão n.º 2402004.373 S2C4T2 Fl. 1.413 17 disposto no § 2º do art. 173 da Constituição Federal, respondem inclusive pela multa moratória, ressalvado o disposto no inciso III do § 2º deste artigo. Em vista disso, verificase correta a atribuição de responsabilidade à Cachoeira Paulista Transmissora de Energia S.A. Assim, não procedem suas alegações. Adicional de GILRAT Inicialmente, cumpre destacar que outros processos administrativos relativos ao descumprimento de outras obrigações sem relação com o objeto do presente processo não podem subsidiar o arbitramento do presente crédito tributário. De fato, nem todas elas guardam similitude com a contribuição ora exigida. Isto porque o presente processo de lançamento tributário constitui crédito de adicional de GILRAT para estabelecimento distinto daquele que foi objeto do processo nº 17460.000069/200701. Como a cobrança do referido adicional se fundamenta nas condições especiais de trabalho em cada estabelecimento, a partir do conjunto de provas materiais, as questões fáticas nesse processo serão examinadas de forma desvinculada dos demais processos. O exercício de atividade em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física do trabalhador, com exposição a agentes nocivos de modo permanente, nãoocasional nem intermitente, conforme disposto no art. 57 da Lei nº 8.213, de 1991, é fato gerador de contribuição social previdenciária adicional para custeio da aposentadoria especial, desde que a exposição do trabalhador ao agente nocivo presente no ambiente de trabalho e no processo produtivo ocorra em nível de concentração superior aos limites de tolerância nos casos em que ela se aplica. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física, considerados para fins de concessão de aposentadoria especial, e a previsão dos níveis de tolerância para os casos em que ela se aplica, constam do Anexo IV do RPS/99 (art. 68 do RPS/99). O rol de agentes nocivos do Anexo IV é exaustivo. (Anexo IV do RPS/99 na Redação dada pelo Decreto, nº 3.265, de 1999). Não é devida a contribuição adicional se houver medidas de proteção coletiva ou individual que neutralizem ou reduzam o grau de exposição do trabalhador a níveis legais de tolerância, de forma que afaste a concessão da aposentadoria especial, o que depende de a empresa comprovar o gerenciamento dos riscos e a adoção das medidas de proteção recomendadas (art. 292 § 2o da IN rfb 971/2009). Visto isso, a caracterização do fato gerador depende de a fiscalização identificar a presença de um ou mais agentes nocivos listados no Anexo IV do RPS/99, e, se for ocaso, constatar que o nível de exposição dos trabalhadores ao agente nocivo supera os níveis de tolerância previstos no Anexo IV do RPS/99 e, por fim, demonstrar que a empresa não gerencia corretamente os riscos ambientais do trabalho e não adota as medidas de proteção recomendadas. É o que se passa a analisar no caso: Identificação dos Agentes Nocivos A fiscalização identificou na obra a presença dos seguintes agentes nocivos, com base em informação prestada pela empresa nas seguintes demonstrações ambientais: Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Programa de Prevenção de Acidentes e Doenças do Trabalho em Construção de Linhas de Transmissão: identifica, por setor da obra, a presença de agentes e riscos: ruído, fumaças, gases tóxicos e poeiras provenientes de explosão; queimaduras e fumos de solda para operações com soldas elétricas e corte a oxiacetileno (maçarico); poeiras na concretagem; PPRA 2003/2004: traz avaliações de ruído para alguns equipamentos (mas não uma dosimetria de ruído para cada função): Serra circular,108 dB, carpinteiro; motoserra, 108 dB, operador de motoserra; trator de esteira, 95 dB, operador de máquinas; empilhadeira, 85 dB, operador de empilhadeira; guincho krane kar, 85 dB, operador de guincho; guicho de içamento, 106 dB, montador; trator de pneu, 88 dB, operador de trator; caminhão munck, 90 dB, operador de munck. (...) Como agentes químicos presentes no ambiente de trabalho, na antecipação e reconhecimento dos riscos, o PPRA registra: combustíveis, graxa e fumos metálicos. LTCAT/2004: fichas sobre alguns postos de trabalho. Com relação ao pátio de armação, identifica ruído de 108 Db. Levantamento de ruído pontual com decibelímetro, não há dosimetria de ruído; Carpintaria: 108 dB(A); Campo: ruído de 95 dB(A); Oficina Mecânica: ruído de 88dB(A); Campo: ruído de 108 db(A). Com isso, a fiscalização demonstrou que os documentos ambientais elaborados pela empresa atestam a presença do agente físico ruído em nível superior ao tolerável previsto no anexo IV do RPS/99 (85db). Evidências materiais da exposição dos trabalhadores a agentes nocivos com efetivo ou potencial prejuízo à saúde ou à integridade física dos trabalhadores não foi possível identificar a existência de exames médicos alterados, pois, de acordo com PPPs analisados, a empresa não obedece às normas de exigência de exames de audiometria admissionais, periódicos e demissionais, conforme trecho do item 7.10 do relatório fiscal: Operador III, Manoel Domingos Ferreira de Santana, admitido em 01/06/2004, fez audiometria admissional mas, a demissional não foi feita, conforme PPP. Além disso, diversos trabalhadores não fazem audiometria, conforme consta dos PPP de Ronaldo dos Santos Silva, Antônio de Sousa Barros, Edinaldo Oliveira Neves e Celso Vieira dos Santos. não há evidencias no autos da concessão de aposentadorias especiais pelo INSS, nem a emissão de comunicação de doenças ou de acidentes de trabalho (CAT) ou mesma a concessão de benefícios previdenciários a empregados da empresa em razão de doenças relacionadas aos agentes nocivos constatados nas atividades da empresa. A inviabilidade de demonstrar materialmente a efetiva exposição ou o potencial prejuízo ocorre, também, em razão do curto período da duração da obra, sendo que eventual dano à saúde normalmente só é constatado em maior tempo de exposição. Elementos indicadores do ineficaz gerenciamento do ambiente de trabalho, e, conseqüentemente, do controle dos riscos e da adoção das medidas de proteção recomendadas: Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17460.000107/200718 Acórdão n.º 2402004.373 S2C4T2 Fl. 1.414 19 A fiscalização concluiu, com base nas demonstrações ambientais da empresa e com base em ocorrências de acidentes de trabalho, que não há gerenciamento eficaz do ambiente de trabalho, conforme descrevem os trechos do relatório fiscal abaixo: Cita que a empresa não comprovou o uso de EPI's pelos trabalhadores, conforme o atesta Planilha com documentos solicitados/apresentados. (item 7.11) O PCMSO é incompleto, deixando de trazer funções, tais como: poceiro, soldador, mecânico de manutenção, vigia, zelador, constantes da Folha de Pagamento e não há Relatório Anual do PCMSO, nem foi apresentado qualquer comprovante de sua efetiva implementação. As atas da CIPA demonstram que as reuniões têm um escopo formal/administrativo, quase nada trazendo sobre a realidade do campo de trabalho. No PPRA 2003/2004 há omissões e inconsistências: ao mesmo tempo que informa um ruído de 106 dB na operação do guincho de içamento, função montador, ao tratar das funções operacionais, os montadores são listados como não expostos a ruído e poceiro, soldador, mecânico de manutenção, vigia e zelador aparecem na Folha de Pagamento mas, não no PPRA. O PCMAT foi elaborado sem ART com registro no CREA. Trabalhadores com atividade de içamento de elementos de torre têm registrado no PPP ausência de ruído, enquanto que no PPRA há informação de que o guincho de içamento produz ruído de 106 dB. Diante de todo o exposto, concluo que ficou configurada a existência, no ambiente de trabalho, de ruídos em níveis acima do tolerado (Anexo IV do RPS/99), assim como o ineficiente gerenciamento dos riscos ambientais por parte da empresa. Em suma, o arbitramento é plausível diante das inconsistências e omissões dos demonstrativos ambientais da empresa, da ausência de identificação do setor/ambiente de trabalho de cada um dos trabalhadores, das evidências materiais da exposição dos trabalhadores a ruídos em níveis acima do tolerado e da ineficácia do gerenciamento de riscos por parte da empresa, conforme aqui demonstrado, tudo nos termos do art. 387 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente à época do lançamento: Art. 387 . A contribuição adicional de que trata o art. 382, será lançada por arbitramento, com fundamento legal previsto no § 3ºdo art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 233 do RPS, quando for constatada uma das seguintes ocorrências: ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) I a falta do PPRA, PGR, PCMAT, LTCAT ou PPP, quando exigíveis, observado o inciso V do art. 381; II a incompatibilidade entre os documentos referidos no inciso I; III a incoerência entre os documentos do inciso I e os emitidos com base na legislação trabalhista ou outros documentos Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 emitidos pela empresa prestadora de serviços, pela tomadora de serviços, pelo INSS ou pela SRP. Parágrafo único. Nas situações descritas neste artigo, caberá à empresa o ônus da prova em contrário. Por tudo, como resultado do exame do conjunto probatório trazido pela fiscalização e pelo recorrente; portanto, em seus aspectos fáticos, entendo que o lançamento do adicional de GILRAT pelo critério de arbitramento é procedente. Diante do exposto, voto por negar provimento aos recursos voluntários. É o voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000225/2008-51
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005
PRELIMINARES. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. INAPLICAÇÃO DA TESE DE INCONSTITUCIONALIDADE PARA AFASTAMENTO DA EXAÇÃO. É VEDADO NA SEARA ADMINISTRATIVA O AFASTAMENTO DE NORMA EXISTENTE, VÁLIDA E EFICAZ SOB A FUNDAMENTO DE SUA INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IR. IRRELEVÂNCIA NOTIFICAÇÃO FISCAL QUE EXIGE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. SELIC. APLICAÇÃO NO CAMPO TRIBUTÁRIO, SITUAÇÃO ADMITIDA EM LEI E PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005 PRELIMINARES. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. INAPLICAÇÃO DA TESE DE INCONSTITUCIONALIDADE PARA AFASTAMENTO DA EXAÇÃO. É VEDADO NA SEARA ADMINISTRATIVA O AFASTAMENTO DE NORMA EXISTENTE, VÁLIDA E EFICAZ SOB A FUNDAMENTO DE SUA INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IR. IRRELEVÂNCIA NOTIFICAÇÃO FISCAL QUE EXIGE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. SELIC. APLICAÇÃO NO CAMPO TRIBUTÁRIO, SITUAÇÃO ADMITIDA EM LEI E PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrente SANTA BARBARÁ MONTAGENS DE PARA RAIOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005 PRELIMINARES. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. INAPLICAÇÃO DA TESE DE INCONSTITUCIONALIDADE PARA AFASTAMENTO DA EXAÇÃO. É VEDADO NA SEARA ADMINISTRATIVA O AFASTAMENTO DE NORMA EXISTENTE, VÁLIDA E EFICAZ SOB A FUNDAMENTO DE SUA INCONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IR. IRRELEVÂNCIA NOTIFICAÇÃO FISCAL QUE EXIGE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. SELIC. APLICAÇÃO NO CAMPO TRIBUTÁRIO, SITUAÇÃO ADMITIDA EM LEI E PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA E PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 02 25 /2 00 8- 51 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000225/200851 Acórdão n.º 2803003.902 S2TE03 Fl. 119 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000225/200851 Acórdão n.º 2803003.902 S2TE03 Fl. 120 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD 37.165.6486, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias, decorrentes da remuneração/retribuição/rendimentos pagos, devidos ou creditados aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados e contribuintes individuais autônomos – parte descontada, conforme Relatório Fiscal da NFLD – REFISC, de fls. 26 a 28, com período de apuração de 01/2004 a 12/2004, conforme Termo e Início de Ação Fiscal TIAF, de fls. 20 e 21. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 23/05/2008, conforme AR, de fls. 63. O contribuinte apresentou sua defesa, em 24/06/2008, as fls. 67 a 72, desacompanhada de qualquer documento. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 87. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1420.474 7ª, Turma DRJ/RPO, em 16/09/2008, fls. 89 a 91. No qual o lançamento foi considerado procedente. O contribuinte tomou conhecimento da decisão da DRJ, em 23/03/2009, conforme AR, de fls. 98. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com razões recursais, as fls. 102 a 111, recebida, em 22/04/2009, desacompanhado de qualquer documento. As razões recursais estão a seguir sumariadas. Preliminar. · que houve violação ao contraditório e ampla defesa na decisão de primeiro grau, sobe a alegação de que inconstitucionalidade e ilegalidade são matérias a serem apresentadas ao poder judiciário, pois a CF/88 garante ao devido processo legal nos processos administrativos, devendo imperar os princípios da oficialidade, verdade material, legalidade, sendo dever da administração rever seus atos, sendo que a violação a constituição ou ao ordenamento infraconstitucional, geram a nulidade da decisão a quo por cerceamento de defesa; Mérito. · que não houve a ocorrência do fato gerador do imposto de renda; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000225/200851 Acórdão n.º 2803003.902 S2TE03 Fl. 121 4 · que a aplicação da SELIC seja como correção monetária ou juros de mora é inconstitucional , devendo ao juros serem cobrados nos termos da Lei 5.172/66, sendo a TR declarada inconstitucional como correção monetária o mesmo ocorre com a TRD e SELIC, não podendo o tributo ser usado com o efeito de confisco; · Da conclusão e pedido: a) que o AIIM não tem respaldo legal; b) aguardandose o reconhecimento da nulidade ou da improcedência do auto. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 112. O órgão local remeteu os autos o 2º Conselho de Contribuintes, fls. 112. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote 09, fls. 117. É o Relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000225/200851 Acórdão n.º 2803003.902 S2TE03 Fl. 122 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminar. Equivocado o entendimento da recorrente não existe nulidade da decisão de primeiro grau em razão de cerceamento de defesa, a autoridade a quo fez apenas aplicar o devido processo legal, qual seja, aplicar ao PAF estabelecido pelo Decreto 70.235/72 e esse prevê que o julgador administrativo não pode afastar a aplicação da lei sob o fundamento de inconstitucionalidade. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000225/200851 Acórdão n.º 2803003.902 S2TE03 Fl. 123 6 Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe. Mérito. Nos presentes autos não se está exigindo imposto de renda, assim, é irrelevante a não configuração da ocorrência do fato gerador de tal tributo no presente processo administrativo fiscal, uma vez que se está buscando a exigência de contribuição social previdenciária, a qual tem como fato gerador outro situação jurídica absolutamente distinta da do imposto de renda. Apesar de ser vedado no âmbito administrativo o afastamento de norma em razão da alegação de inconstitucionalidade daquela, o contrário é possível, devido e obrigatório, isto é, a aplicação da lei ante a inexistência de inconstitucionalidade reconhecida. A utilização da taxa SELIC é absolutamente admitida e normal na esfera tributária. O artigo 34, da Lei 8.212/91, assim o determinava, bem como é admitida pela Súmula 4 do CARF e pelos nossos tribunais superiores – STJ e STF. Aliás, o próprio CARF tem Súmula sobre o assunto. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O STJ assim se posiciona, sendo inclusive compatível com o artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66 para este tribunal superior. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000225/200851 Acórdão n.º 2803003.902 S2TE03 Fl. 124 7 substrato fáticoprobatório permeado nos autos" (AgRg no Ag 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido.(AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifo meu). A SELIC em recente julgamento do STF no sistema da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, foi considerada cabível e compatível com a seara tributária, conforme sua página de notícias, assim pensa, também, o STJ, observese os textos. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000225/200851 Acórdão n.º 2803003.902 S2TE03 Fl. 125 8 propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Esta casa de justiça vem assim decidindo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS – ESCLARECIMENTOS. Em se tratando de situação concreta a reclamar esclarecimentos, impõese prover os declaratórios sem o empréstimo de eficácia modificativa. TAXA SELIC – DÉBITO TRIBUTÁRIO. O Tribunal, na sessão plenária de 18 de maio de 2011, apreciando o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, assentou a legalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. (AI 760894 AgRED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe084 DIVULG 30042012 PUBLIC 02052012 RET v. 15, n. 85, 2012, p. 139141) (realce meu) Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações suscitadas pela recorrente em preliminar e em mérito. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento em razão da insubsistência das alegações da recorrente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 12448.721033/2010-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2007 a 30/09/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. METAS CLARAS E OBJETIVAS. ESTABELECIMENTO DE REGRAS POR COMITÊ DE RH COMPOSTO POR DIRETORIA E EMPREGADOS. POSSIBILIDADE.
O acordo coletivo criado pela Recorrente com participação dos empregados beneficiários do Plano de Participação atende a todas as formalidades exigidas pela Lei n° 10.101/00. As metas são claras e objetivas de modo a possibilitar que o empregado consiga mensurar os critérios de avaliação e os resultados que precisam ser alcançados para que se obtenha a PLR.
METAS ESTABELECIDAS POR COMITÊ COMPOSTO POR DIRETORES E EMPREGADOS REPRESENTANTES EM DOCUMENTO SEPARADO DO PRÓPRIO ACORDO.
A Lei n° 10.101/00 estabelece que a PLR, para que seja válida e goze da isenção trazida pela Lei n° 8.212/91 (art. 28, § 9°, j) deve atender a todos os critérios previstos. A lei, entretanto, não prevê que todas as metas e critérios estejam previstos no instrumento de acordo coletivo. O fato de a empresa ter instaurado comitê de RH para criar as metas, os critérios de avaliação e as formas de pagamento da PLR não implica em irregularidade do instituto. Isto porque, restou demonstrado que o referido comitê é composto de alguns diretores e empregados eleitos pelo corpo de funcionários como seus representantes para tal fim. Ademais, independentemente da criação de metas em instrumento apartado, o que o legislador pretendeu com a redação da Lei n° 10.101/00 foi dar aos empregados a segurança de que tais metas seriam estabelecidas em conjunto com eles e, ainda, que fossem disponibilizadas à ciência de cada um dos beneficiários, de modo que estes tomassem conhecimento de todos os critérios e metas exigidos para fruição do benefício.
LIMITAÇÃO DA PLR NO PLANO DE PARTICIPAÇÃO EM ATÉ CINCO SALÁRIOS MÍNINOS. Os eventuais limites estabelecidos em plano de participação vigente pressupõem observância por parte do empregador. O instrumento de formalização que preveja metas, critérios e resultados possíveis à fruição da PLR tem por finalidade assegurar que regras pré-estabelecidas sejam integralmente observadas por qualquer das partes interessadas (empregados e empregador). Sendo assim, uma vez estabelecidos limites mínimos e máximos para o pagamento da PLR, estes devem ser atendidos, afastada qualquer exceção.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%, nos casos de descumprimento de obrigação acessória cumulada com não recolhimento da obrigação principal. Nos casos em que o recolhimento, apesar de em atraso, ocorreu de forma espontânea, aplicável, nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, o disposto no artigo 32, § 5° cumulado com o artigo 35, ambos da Lei n° 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para exclusão de parte dos pagamentos de PLR e recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Thiago Taborda Simões.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Thiago Taborda Simões Redator - Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. METAS CLARAS E OBJETIVAS. ESTABELECIMENTO DE REGRAS POR COMITÊ DE RH COMPOSTO POR DIRETORIA E EMPREGADOS. POSSIBILIDADE. O acordo coletivo criado pela Recorrente com participação dos empregados beneficiários do Plano de Participação atende a todas as formalidades exigidas pela Lei n° 10.101/00. As metas são claras e objetivas de modo a possibilitar que o empregado consiga mensurar os critérios de avaliação e os resultados que precisam ser alcançados para que se obtenha a PLR. METAS ESTABELECIDAS POR COMITÊ COMPOSTO POR DIRETORES E EMPREGADOS REPRESENTANTES EM DOCUMENTO SEPARADO DO PRÓPRIO ACORDO. A Lei n° 10.101/00 estabelece que a PLR, para que seja válida e goze da isenção trazida pela Lei n° 8.212/91 (art. 28, § 9°, j) deve atender a todos os critérios previstos. A lei, entretanto, não prevê que todas as metas e critérios estejam previstos no instrumento de acordo coletivo. O fato de a empresa ter instaurado comitê de RH para criar as metas, os critérios de avaliação e as formas de pagamento da PLR não implica em irregularidade do instituto. Isto porque, restou demonstrado que o referido comitê é composto de alguns diretores e empregados eleitos pelo corpo de funcionários como seus representantes para tal fim. Ademais, independentemente da criação de metas em instrumento apartado, o que o legislador pretendeu com a redação da Lei n° 10.101/00 foi dar aos empregados a segurança de que tais metas seriam estabelecidas em conjunto com eles e, ainda, que fossem disponibilizadas à ciência de cada um dos beneficiários, de modo que estes tomassem conhecimento de todos os critérios e metas exigidos para fruição do benefício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 10 33 /2 01 0- 05 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 LIMITAÇÃO DA PLR NO PLANO DE PARTICIPAÇÃO EM ATÉ CINCO SALÁRIOS MÍNINOS. Os eventuais limites estabelecidos em plano de participação vigente pressupõem observância por parte do empregador. O instrumento de formalização que preveja metas, critérios e resultados possíveis à fruição da PLR tem por finalidade assegurar que regras pré estabelecidas sejam integralmente observadas por qualquer das partes interessadas (empregados e empregador). Sendo assim, uma vez estabelecidos limites mínimos e máximos para o pagamento da PLR, estes devem ser atendidos, afastada qualquer exceção. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%, nos casos de descumprimento de obrigação acessória cumulada com não recolhimento da obrigação principal. Nos casos em que o recolhimento, apesar de em atraso, ocorreu de forma espontânea, aplicável, nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores, o disposto no artigo 32, § 5° cumulado com o artigo 35, ambos da Lei n° 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para exclusão de parte dos pagamentos de PLR e recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Apresentará voto vencedor o Conselheiro Thiago Taborda Simões. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Thiago Taborda Simões – Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 462DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12448.721033/201005 Acórdão n.º 2402003.500 S2C4T2 Fl. 261 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por BNY MELLON GESTÃO DE PATRIMÔNIO LTDA, em face de acórdão que manteve o Auto de Infração n. 37.313.9977, lavrado para a cobrança de contribuições sociais previdenciárias parte da empresa e as destinadas ao financiamento do GILRAT incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, retidas e não repassadas aos cofres públicos. Consta do relatório fiscal que foram apuradas diferenças entre os valores de imposto de renda retidos na fonte em DIRF e as informações prestadas em GFIP, decorrentes do pagamento efetuado a diretores (contribuintes individuais) e empregados a título de participação nos lucros e resultados. Narra o fiscal que os valores vieram a ser tributados tendo em vista que o pagamento efetuado não obedeceu aos ditames da Lei 11.101/00, tendo em vista que o acordo não contém regras claras e objetivas, por neles não ter sido prevista quaisquer metas, resultados ou mesmo índices a serem atingidos pela empresa. Cita ainda o fiscal que o acordo atribui a um comitê de RH da empresa a função de definir se haverá a participação nos lucros e definir os percentuais a serem distribuídos. Que referido comitê distribuiu tais valores de acordo com avaliação individual de cada empregado, realizadas a revelia do atingimento de qualquer meta ou resultado pactuado previamente, tendo sido soberana na definição de tais valores. O lançamento compreende a competências de 02/2007 a 09/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 08/02/2010 (fls. 01). O contribuinte interpôs o competente recurso voluntário através do qual sustenta: 1. que o acordo de PLR celebrado prevê o pagamento de PLR a todos os empregados da Impugnante, desde que constatada a apuração de lucro líquido ao final do exercício, ou desde que constatado o alcance de eventuais metas estabelecidas; na ocorrência de alguma dessas hipóteses, o pagamento é condicionado ao desempenho individual dos empregados, que é apurado na forma do Programa de Avaliação de Desempenho da Impugnante 2. que o fato de não constar no acordo de PLR o montante do lucro a ser distribuído, ficando estabelecido que a fixação de tal montante ficaria a cargo do Comitê de RH da Impugnante. Afirma a Autuada que tal fato não descaracteriza a natureza dos pagamentos de PLR, pois a Lei 10.101 não determina a fixação do montante de lucro a ser distribuído no corpo dos acordos de PLR Fl. 463DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 (junta jurisprudência a respeito), até porque o valor do montante a ser distribuído depende do tamanho do lucro que vier a ser obtido. Além disso, o comitê de RH é composto por representantes dos empregados da Impugnante. 3. que no Programa de Avaliação de Desempenho estão previstos, de forma objetiva, os itens que serão objeto de avaliação, bem como os critérios de pontuação que resultam na determinação do valor de PLR a que cada empregado terá direito; 4. que o fato das regras estabelecidas no Programa de Avaliação de Desempenho não estarem fixadas no plano de PLR, e, sim, em documento à parte, não constitui irregularidade, pois faz parte do acordo de PLR por expressa referência (junta jurisprudência). Aduz, ainda, que os itens avaliados estão previstos de forma objetiva no corpo do Programa de Avaliação, e são de conhecimento prévio de todos os empregados, de modo a não gerar nenhuma dúvida quanto aos itens que serão avaliados para fins de determinação do valor de PLR; 5. que o lançamento não pode ser justificado pela disparidade entre o valor da PLR paga pela Impugnante e o valor do salário dos respectivos beneficiários. Tal fato não descaracterizaria a natureza dos serviços prestados, uma vez que a Lei 10.101/2000 não estabelece limite para o valor da PLR. Além disso, os salários pagos pela Impugnante não são vis, ao contrário são condizentes com o mercado, razão pela qual a disparidade apontada pela Auditoria Fiscal não autoriza a descaracterização da natureza dos pagamentos efetuados. 6. que não cabe a incidência de contribuições sobre as verbas questionadas, por se tratarem as mesmas de verbas eventuais. Nesse caso, a incidência de contribuições é vedada pelo artigo 28, parágrafo 9º, alínea “e”, item 7, da Lei 8.212/1991 Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12448.721033/201005 Acórdão n.º 2402003.500 S2C4T2 Fl. 262 5 Voto Vencido Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Inicialmente a recorrente sustenta a autoaplicabilidade do art. 7o, XI, da Constituição Federal de 1988, asseverando que a matéria se encontra inclusive com repercussão geral já declarada pelo STF nos autos do RE 569.441/RS. Sobre o assunto ressalto que até o presente momento não há decisão daquele Sodalício determinando a suspensão ou sobrestamento dos processos que versam sobre a mesma matéria, de modo que de acordo com o RICARF, não há qualquer óbice ao julgamento do presente caso. Passo ao mérito. MÉRITO A Recorrente defende que as conclusões do fiscal autuante na consideração das verbas pagas a título de PLR não merecem prosperar, tendo em vista que as disposições objeto da Lei 11.101/00 foram cumpridas em suas integralidade. A exigência fiscal apontou que a irregularidade prevista no acordo seria o fato (i) do mesmo não possuir definição de metas e (ii) regras claras e objetivas a permitirem aos empregados o aferimento dos valores das parcelas que lhe seriam creditadas. Pois bem, os planos de Participação nos Lucros e resultados estão juntados aos autos às fls. 190/203 e o programa de Avaliação de Desempenho às fls. 226. Inicialmente, quanto a ausência de estipulação de metas, tenho a alegação da fiscalização como descabida. Da leitura do acordo firmado, verifico restar claro que a participação dos empregados nos lucros e resultados da recorrente somente darseia no caso de vir a ser apurado lucro líquido no exercício anterior ao dos pagamentos, parcela esta tida a meu ver como um resultado positivo em decorrência do exercício das atividades sociais da recorrente. Tal previsão assim constou do instrumento: Art. 2o Dos princípios: O plano observará os seguintes princípios gerais: [...]2o – A estipulante distribuirá, por exercício social, um percentual de seu lucro líquido contábil, apurado segundo as Fl. 465DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 normas contábéis consignadas nos princípios fundamentais de contabilidade fixados pelo Conselho Federal de Contabilidade e demais normas legais e administrativas, considerando, em particular, a dedução no lucro líquido do período, dos eventuais prejuízos acumulados, bem como a própria participação atribuída aos empregados na forma da Lei. Logo, resta claro que os valores da PLR somente serão pagos em caso do atingimento de lucro líquido contábil com resultado positivo, situação que a meu ver pode e deve ser considerada como uma meta eleita pelas partes como condição para o pagamento da PLR. Logo, por este motivo, entendo que as parcelas pagas não devem ostentar o caráter salarial. Ademais, o segundo fundamento adotado para a caracterização dos pagamentos como parcela salarial foi o fato do acordo não prever regras claras e objetivas quanto ao aferimento do acordado, o que redundou em violação ao art. 2o da Lei 10.101/09. De fato o acordo previa que o percentual do lucro líquido a ser distribuído seria definido de forma soberana pelo comitê de RH da recorrente, que quantificaria o montante a ser distribuído aos empregados. Ressalto que referido comitê é composto por dois diretores da empresa e dois representantes eleitos pelos empregados, conforme prevê a Cláusula Segunda, parágrafo primeiro do acordo de PLR, motivo pelo qual os beneficiados com o pagamento da verba também fazem parte da mesa de discussões acerca do montante a ser dividido. O acordo faz, ainda, a alusão a forma de distribuição das verbas, conforme determina a sua Cláusula Quinta, a seguir transcrita: Cláusula 5a. Condições da Forma de Distribuição A distribuição dos lucros pela estipulante condicionase aos seguintes acontecimentos e parâmetros: a) ao desempenho da Estipulante, assim entendida a existência de lucro líquido apurável no balanço anual devidamente publicado, ou do atingimento de metas gerais ou especiais estabelecidas conforme o caso; b) ao desempenho individual dos empregados, a ser apurado na forma do Programa de avaliação de Desempenho existente na estipulante; [...] Cláusula 6a. Modelo de Distribuição [...] §2o O conceito final obtido pelo empregado no Programa de Avaliação de Desempenho, será o único critério para auferimento da participação de cada empregado, sem ingerência de qualquer outro, por mais especial. Percebese, pois, que o acordo é claro o bastante ao determinar a forma pela qual será apurado o valor da PLR creditada aos empregados da recorrente, que se dará através de uma avaliação do desempenho de cada um no exercício de suas funções. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12448.721033/201005 Acórdão n.º 2402003.500 S2C4T2 Fl. 263 7 E o fiscal autuante entendeu que o Programa de Avaliação, em desrespeito ao que determinado pela legislação, previa critérios absolutamente genéricos e subjetivos para a avaliação de desempenho do empregado, exemplificandoos como “aprimoramento do inglês”, “atendimento eficiente a mesa”, “ter melhor conhecimento sobre a legislação referente aos fundos”, “Estar apto a discutir a criação de novos produtos na área de fundos” e “aprofundamento da organização das atividades”. Da análise do Programa de Avaliação, juntado às fls. 206 e seguintes, verifico que as partes elegeram itens que consideraram como aptos a justificar a avaliação de desempenho profissional e pessoal, atribuindo a cada um deles um peso, que somado de acordo com a tabela contida no documento, garante ao empregado o percebimento do valor de zero a cinco salários mínimos. Tais critérios foram negociados entre as partes, e a meu ver permitem claramente que o empregado efetue o cálculo dos valores de PLR que virá a perceber em decorrência do acordo entabulado, pois cada avaliação individual efetuada irá gerar um número de pontos, que cumulados, se referem a uma faixa do percentual de salário que cada um dos beneficiados recebia a título de PLR. Ademais, o programa prevê que a avaliação de desempenho dos funcionários é qualificada da seguinte forma: precisa melhorar, padrão satisfatório e acima dos padrões, realizada mediante relatórios da comissão de RH, composta, repito, por funcionários e diretores, os quais ficam a disposição do empregado. Verifico ainda estarem juntados aos autos os relatórios individuais de cada empregado, os quais o assinam juntamente com o seu avaliador, existindo campo no documento para que sejam firmadas observações acerca do desempenho, podendo o beneficiário, a meu ver, até efetuar qualquer crítica ou comentário relativamente a sua avaliação para análise da comissão de RH. Acresço que as folhas 203 existe documento constando a lista de empregados beneficiados pelo Programa, os quais atestam estar de pleno acordo com as suas condições, bem como conhecer todos os seus termos, por conseguinte a própria forma de cálculo da PLR. A Lei 8.212/91, em seu artigo 28, §9o, alínea “j” prevê que os valores creditados aos empregados a título de PLR não serão objeto de incidência apenas quando cumpridos os ditames da lei que a regula, no caso a Lei 10.101/00. E o seu artigo 2o assim preceitua quanto a necessidade da existência de critérios objetivos no acordo: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Iíndices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Dessa forma, diante da motivação já exposta, entendo estarem presentes in casu os requisitos para a não incidência das contribuições previdenciárias lançadas, tendo em vista que diferentemente da conclusão da fiscalização e do v. acórdão de primeira instância, entendo que diante dos critérios eleitos pelas partes é possível aos empregados aferirem a forma de apuração dos valores do benefício, já que não cabe ao julgador modificar os critérios adotados pelas partes, mas apenas verificar se deles é possível que seja feita a apuração e aferição da PLR. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12448.721033/201005 Acórdão n.º 2402003.500 S2C4T2 Fl. 264 9 Voto Vencedor Conselheiro Thiago Taborda Simões, Redator Designado Tratase de autuação decorrente de, nos termos do relatório fiscal, pagamento de PLR em formato divergente do previsto em lei uma vez que ausentes regras claras e objetivas para pagamento da participação no acordo coletivo. Da PLR No que tange ao pagamento da PLR, divergimos no seguinte sentido: O Ilmo. Relator adotou premissa que entendemos sumariamente correta. A PLR, nos moldes adotados pelo Recorrente, atende a todos os critérios de validade estabelecidos pela Lei n° 10.101/00: as regras previstas em acordo são claras e objetivas, a periodicidade é atendida, as formalidades são cumpridas. Do mesmo modo, não há que se reconhecer irregularidade com base nos fundamentos da fiscalização de que o fato de as metas serem estabelecidas em instrumento diverso do próprio acordo violariam o disposto na lei específica. Isto porque, tomada a ciência dos termos deste instrumento por todos os interessados e atendidas todas as formalidades previstas, não há que se falar em violação. A divergência, entretanto, encontrase na conclusão do D. Relator. Às fls. 206 e seguintes dos autos foi juntado Programa de Avaliação segundo o qual as partes estabeleceram itens que consideraram aptos a justificar a avaliação de desempenho profissional e pessoal e, a cada um destes itens, atribuiu um peso. A soma dos pontos obtidos ao final da avaliação coloca o empregado avaliado em uma das faixas de pontuação, cujo resultado garante o direito de receber de zero a cinco salários mínimos. Fato é que, da análise do documento de fls. 203, que relaciona todos os funcionários avaliados e contemplados pela PLR, não é possível analisar com exatidão se tais faixas foram obedecidas pela Recorrente. Sendo assim, observando as disposições contidas no Acordo Coletivo e no Programa de Avaliação, criados pela própria Recorrente, em conjunto com seus empregados, voto pela exclusão da autuação apenas dos valores pagos no limite de cinco salários mínimos. Da Multa aplicada Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições Fl. 469DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n°11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/1991). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP n° 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 12448.721033/201005 Acórdão n.º 2402003.500 S2C4T2 Fl. 265 11 Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. O Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência de parte dos fatos geradores (aqueles em que houve pagamento em atraso), são duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. A regra acima mencionada, portanto, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso das demais competências, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Fl. 471DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Assim, nas competências em que não houve declaração em GFIP e recolhimento da obrigação principal, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, correto o entendimento adotado em primeira instância, mantendose a autuação. Conclusão Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário para exclusão de parte dos pagamentos de PLR e recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Assim declaro. Thiago Taborda Simões. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/11/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/10/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, As sinado digitalmente em 22/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13973.000047/2005-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2102-000.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62-A, §§, do Anexo II, do RICARF).
Assinado digitalmente
GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS - Relator e Presidente.
EDITADO EM: 23/10/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em SOBRESTAR o julgamento, pois se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, matéria em debate no Supremo Tribunal Federal no rito da repercussão geral (art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 23/10/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva e Rubens Maurício Carvalho. RELATÓRIO Abaixo se transcreve breve e sucinto relatório da decisão resumida, que bem resume as razões da autuação e as suscitadas na impugnação ao lançamento (fl. 32v): Por intermédio do Auto de Infração de fls. 02/09, exigese do contribuinte acima qualificado a quantia de R$ 4.857,92, a título de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 73 .0 00 04 7/ 20 05 -3 1 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13973.000047/200531 Resolução nº 2102000.090 S2C1T2 Fl. 48 2 Imposto de Renda Pessoa Física —Suplementar, mais multa de oficio de 75% e juros de mora, referente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2000 (exercício 2001). De acordo com o formulário "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal", de fls. 05, a autuação foi lavrada por omissão de rendimentos, conforme segue: a) — decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, recebidos da empresa Kohlbach Motores, no valor de R$ 19.950,05; b) — decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício, recebidos do HSBC, no valor de R$ 2.610,48; c) — decorrentes de resgate de contribuições de previdência privada, recebidos da Itaú Previdência e Seguros, no valor de R$ 318,95. Conforme o formulário de fls. 04, também foi incluído valor de R$ 6,30, a título de imposto de renda retido na fonte, relativo aos rendimentos omitidos do HSBC. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01, na qual alega, em síntese, que foram pagos valores a advogados relativos à ação trabalhista movida contra a empresa Kohlbach Motores Ltda. Diz que os advogados receberam os valores conforme recibos anexos, que não lhe foram repassados em data hábil, mas somente agora, diante do auto de infração. Informa que também juntou cópia da ação trabalhista e o contrato entre os advogados. Assim, solicita que seja revisto o Auto de Infração, uma vez que não recebeu esses valores, como diz provar os documentos anexos. Devese ressaltar que o contribuinte juntou aos autos cópia dos recibos de percepção dos valores oriundos da demanda trabalhista, na qual se vê que recebeu líquido de IR/honorários/contribuição previdenciária o valor de R$ 47.003,79 (fls. 18 a 23), valor próximo do declarado como rendimentos tributáveis percebidos da Kohlback Motores Ltda. (R$ 48.478,08 – fl. 31). A 5ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0715.906, de 30 de abril de 2009. A decisão acima manteve o lançamento com a seguinte motivação (fl. 34): (...) Observase também que estão anexadas às fls. 15/17 cópias de seis recibos, emitidos pelo advogado do contribuinte, provenientes de honorários advocatícios referentes à ação trabalhista em questão, no valor total de R$ 8.319,69, que pode ser deduzido do rendimento recebido, conforme dispõe o parágrafo único do art. 56 do RIR/99, a seguir: Art.56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12). Fl. 55DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13973.000047/200531 Resolução nº 2102000.090 S2C1T2 Fl. 49 3 Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei n° 7.713, de 1988, art. 12). Há que se esclarecer ainda que não se aceita neste julgamento os valores de honorários contidos nos recibos emitidos pelo impugnante, de fls. 18/23, pois entendese que a prova do pagamento dos honorários advocatícios deve ser feita com recibos firmados pelo próprio advogado. Assim, por meio dos documentos trazidos aos autos pelo contribuinte, constatase que este, no ano de 2000, recebeu rendimentos tributáveis da Kohlbach Motores Ltda., decorrentes de ação trabalhista, no valor R$ 81.784,56. Também ficou evidenciado o direito à dedução de despesas com honorários advocatícios para recebimento da referida ação, no valor de R$ 8.319,69, conforme comprovado com os recibos emitidos pelo advogado do autuado. Dessa forma, temse que os rendimentos tributáveis recebidos dessa empresa corresponde ao valor de R$ 73.464,87 (R$ 81.784,56— R$ 8.319,69). Logo, como o impugnante declarou rendimentos relativos à fonte pagadora em questão no valor de R$ 48.478,08 (fls. 31), concluise que houve omissão de rendimentos no montante de R$ 24.986,79, ou seja, em valor ainda maior do que o apurado pela fiscalização apenas com base nas informações contidas nos sistemas da RFB em relação à referida empresa (R$ 19.950,05). Portanto, confirmada a ocorrência de omissão de rendimentos, há que se manter o Auto de Infração. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 20/05/2009 (fl. 37). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 18/06/2009 (fl. 38). No voluntário, o recorrente alega o que abaixo se transcreve: Conforme Processo nr. 13973000047/200531, Intimação nr. 303/2009, CLERCIO FINTA, já identificado neste processo, não concorda em haver omissão de rendimentos uma vez que, esta diferença foi declarada na declaração do ano seguinte 2001, seguindo a lógica do recebimento. Uma vez que recebeu parcelado não poderia informar algo que ainda não recebeu. Na declaração do ano seguinte foi informado os valores recebidos de R$ 23.084,80 (vinte e três mil, oitenta e quatro reais e oitenta centavos), os quais estão disponíveis em seus próprios arquivos. Diante disto foi declarado em 2000 o recebimento de R$ 48.478,03 , já exposto e em 2001 o recebimento de R$ 23.084,80, totalizando um valor de R$ 71.562,88 , o valor a ser pago ao advogado não é parcelado , por este motivo foi descontado do total antes mesmo de eu receber os valores, portanto se existe alguma diferença o valor não é o que esta exposto. Segue anexo a copia da declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, retiradas da própria Receita Federal. Sendo assim necessito da revisão desta intimação. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13973.000047/200531 Resolução nº 2102000.090 S2C1T2 Fl. 50 4 É o relatório. VOTO Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 20/05/2009 (fl. 37), quartafeira, e interpôs o recurso voluntário em 18/06/2009 (fl. 38), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 19/06/2009, sextafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Na forma do art. 62A, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF (As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º. Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B), sempre que a controvérsia tributária seja admitida no rito da repercussão geral (art. 543B do CPC), deverão as Turmas de Julgamento do CARF sobrestar o julgamento de matéria idêntica nos recursos administrativos, aguardando a decisão definitiva da Suprema Corte. Daí, no âmbito das Turmas de Julgamento da Primeira e Segunda Câmaras da Segunda Seção do CARF, a controvérsia sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente deve ter o julgamento administrativo sobrestado, pois o STF reconheceu a repercussão geral na matéria, como se vê abaixo (informação extraída do site www.stf.jus.br): Tema 228 Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebidos acumuladamente. – RE 614.406 – Relatora a Min. Ellen Grace. Como o recurso voluntário acostado ao presente processo administrativo versa sobre a matéria do Tema 228, deve ter seu julgamento sobrestado, na forma do art. 62, caput e § 1º, do Anexo II, do RICARF. Com a fundamentação acima, proponho o sobrestamento do julgamento do presente recurso, cumprindo o procedimento do art. 2º, § 1º, I, da Portaria CARF nº 001/2012. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por ANTONIO ALMIR XIMENES, Assinado digitalmente em 22/11/201 2 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 11128.002361/2002-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3202-000.007
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Recorrida DRJ-São Paulo/SP 1 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. JOS OVO ROSSARI 'residenteC_JP -- ,, , _ - - RODRIGO CARDO/ri/MIRANDA - Relator P 'ciparam do p -sente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da)trindade Torres, Luis Eduardo Garrosino Barbieri, Susy Gomes Hoffmann, Rodrigo Cardozi Miranda e Heroldes Bahr Neto. Ausente Justificadamente o conselheiro João Luiz Fregonazzi Esteve presente O Advogado Roberto silvestre Maraston, 22170 OAB/RJ. i Processo n° 11128.002361/2002-41 S3-C2T1 Resolução n.° 3202-00007 Fl. 80 Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto por Lupet Comércio e Representações Ltda. (fls. 61 a 69) contra o v. acórdão proferido 'pela Colenda ia Turma da DRJ II de São Paulo — SP (fls. 46 a 56) que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração de fls. 01 a 17. A controvérsia dos presentes autos diz respeito à classificação fiscal da mercadoria importada por meio da DI 02/0059125-2, registrada no dia 22/01/2002, cuja descrição é a seguinte: Areia higiênica para Gatos (JC Prem Scented Ltr (60/P)). Enquanto a contribuinte classificou a mercadoria no código NCM 2508.40.90, Outras Argilas, a autoridade fiscal, com arrimo em laudo pericial (Laudo Labama 0364.01 LAB: 0177/GRUAPE, fls. 18 a 22) solicitado pela própria fiscalização, a classificou no código NCM 3824.90.79. E isso porque o referido laudo concluiu que trata-se de uma preparação à base de Silicato de Alumínio e Magnésio (Argila Montmorilonita) e substâncias odoriferas, na forma de grânulos, uma preparação à base de compostos inorgânicos não especificada nem compreendida em outra posição, um Produto Diverso das Indústrias Químicas. A ementa do r. julgado ora recorrido é a seguinte, verbis: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 22/01/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O produto identificado em laudo técnico como sendo de uma Preparação à base de silicato de alumínio e Magnésio (argila montmorilonita) e substâncias odoriferas, na forma de grânulos, uma preparação à base de compostos inorgânicos não especificada nem compreendida em outra posição, um produto diverso das indústrias químicas (em embalagens para venda a retalho) classifica-se no código 3824.90.79 da Nomenclatura Comum do Mercosul, tendo em vista os textos das posições, as Notas de Capítulos e as notas explicativas. PROCEDIMENTO DE OFICIO — MULTA — Verificada em procedimento de oficio a falta de declaração e recolhimento de contribuição ou tributo, cabe a aplicação da multa de 75%, por expressa determinação do artigo 44, I e 45 da Lei n°9.430/96. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO — Caracterizada a descrição incorreta da mercadoria na Licença de Importação, em conseqüência, configura-se a infração capitulada no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, fundamentado no inciso I, alínea "h" do art. 169 do Decreto-lei n° 37/66, com a redação do art. 2° da Lei n° 6.562/78, ou seja, não existe licença de importação para o produto que foi efetivamente importado, razão pela qual torna-se perfeitamente cabível a penalidade aplicada. Lançamento Procedente. A colenda DRJ entendeu, em síntese, na esteira do voto relator, que no tocante à preliminar de protesto por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial nova 2 Processo n° 11128.002361/2002-41 S3-C2T1 Resolução n.° 3202-00007 Fl. 81 perícia técnica, que ela não se fazia necessária, pois as respostas aos novos quesitos nada acrescentariam às informações já constantes dos autos e, além disso, o cerne da questão não se refere à identificação da mercadoria, que entendo, já está devidamente identificada, mas sim a correta classificação fiscal. Com relação ao mérito, o voto condutor apontou o seguinte, verbis: (.) O laudo técnico identificou a mercadoria como uma "Preparação à base de silicato de alumínio e Magnésio (argila montmorilonita) e substâncias odoríferas, na forma de grânulos". (grifei) A Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado no. 01 informa que a classificação deve ser determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capítulo, e desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas demais Regras do Sistema Harmonizado. Pois bem. Vejamos o que estabelece a Nota 1 do Capítulo 25, in verbis: "1. Salvo disposições em contrário e sob reserva da Nota 4 abaixo, apenas se incluem nas posições do presente Capítulo os produtos em estado bruto ou os produtos lavados (mesmo por meio de substânCia químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), partidos, triturados, pulverizados, submetidos à leg,ivaçà o, crivados, pneeirados, enriquecidos por flotaçã o, separação magnética ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização). Não estão, porém, incluídos os produtos ustulados, calcinados, resultantes de uma mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições" (grifei) Portanto, o capítulo 25 reserva a classificação para os produtos em estado bruto (minerais em bruto extraídos da natureza) ou aqueles com tratamentos rudimentares, excluindo aqueles resultantes de mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado. O Exame Laboratorial do LABANA informou que o produto em questão é uma preparação à base de silicato de alumínio e Magnésio, acrescida de substâncias odoríferas, portanto, não se trata de um produto bruto extraído da natureza, mas sim de uma preparação submetida a tratamentos mais adiantados. Ademais as Notas Explicativas do capítulo 25, pretendida pela Impugnante, estabelecem ainda: "Os produtos do presente Capítulo podem estar adicionados de uma substância antipoeira, desde que esta adição não torne o produto apto para utilizações especificas de preferência a sua aplicação geral. Pelo contrário, classificam-se em outros Capítulos (Capítulos 28 ou 68, por exemplo) os produtos desta espécie que sofreram tratamentos mais adiantados, tais como a purificação por cristalizações sucessivas, a transformação em obras por entalhe, escultura, etc. ou resultante de uma mistura de produtos minerais classificados numa mesma posição deste Capítulo ou posições diferentes" (grifei) 3 Processo n° 11128.002361/2002-41 S3-C2T1 Resolução n.° 3202-00007 Fl. 82 Assim, fica claramente afastada a classificação tarifária adotada pela Impugnante, por não atender aos requisitos previstos na Nota I do Capítulo 25 Passemos a analisar a classificação fiscal adotada pela fiscalização. O Laudo afirma que a preparação à base de silicato de alumínio e magnésio e substâncias odoríferas é uma "preparação à base de compostos inorgânicos não especificada nem compreendida em outra posição, um produto diverso das indústrias químicas... '). Portanto, trata-se de uma preparação das indústrias químicas, não especificadas e nem compreendida em outras posições, assim, a fiscalização corretamente interpretou os textos do capítulo 38 (Produtos diversos das indústrias químicas), descartando as posições que não a abrigam, chegando à posição 3824. Com base na RGI no. 6, dentro da posição 3824, descartando os desdobramentos que não se referem ao produto em análise, chegou à sub-posição 3824.90 — Outros. Aplicando a Regra Geral Complementar no. 1, por tratar-se de composto inorgânico, encontrou-se o item mais adequado: 3824-90.7 — Produtos e preparações à base de elementos químicos ou de seus compostos inorgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições. Por não haver sub-item mais específico, chega-se, portanto, no código NCM 3824.90.79 — Outros Produtos e preparações à base de elementos químicos ou de seus compostos inorgânicos, não especificados nem compreendidos em outras posições. Desta forma, concordando com a fiscalização aduaneira, entendo que esta é a classificação fiscal correta para o produto importado através da Declaração de Importação objeto da presente autuação fiscal. No que tange à multa de oficio, asseverou-se que a Impugnante não infonuou na descrição efetuada da citada Declaração de Importação que o produto importado tratava-se de uma preparação, bem como não informou que a mesma continha "substâncias odoríferas". Portanto, a descrição do produto não está completa com todos os elementos necessários à sua perfeita identificação. Com isso, concluiu-se que as multas de oficio por falta de pagamento e declaração inexata afiguram-se devidas. Da mesma forma, em razão da descrição incorreta da mercadoria na Licença de Importação, a colenda DRJ entendeu configurada a infração prevista no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 91.030/95), fundamentada no inciso I, alínea "b", do art. 169 do Decreto-lei n° 37/66. Por último, no tocante à multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na NCM, entendeu-se que ela é aplicável porquanto está claramente demonstrada a subsunção do fato concreto ocorrido (erro na informação da correta classificação fiscal) à norma prevista no dispositivo mencionado. Irresignada, a contribuinte reiterou os argumentos expendidos na sua impugnação, destacando que em outro exame da mesma mercadoria, realizado também pelo LABANA, chegou-se a conclusão diversa da que foi apresentada nestes autos, verbis: (.) 4. Prosseguindo. 4 Processo n° 11128.002361/2002-41 S3-C2T1 Resolução n.° 3202-00007 Fl. 83 Ao proceder a na7alise laboratorial da mesma mercadoria, despachda pela D.I. n° 02/0191933-2, de 05/03/2002, o LABANA/Santos emitiu o laudo 0667/GRUAPE, de 25/03/2002, esclarecendo que se tratava de Terra Fuller (argila Montmorilonita), um Produto Mineral, utilizado para absorção de urina, bem como seu odor, de animais domésticos (gatos), posicionamento esse que possibilitou, não só o desembaraço da mercadoria, como também a inexistência de qualquer pendência ou processo administrativo, relacionado àquela importação (confira documentos anexos); 5. Pretendemos demonstrar que nem sempre os laudos do LABAIÁ, quando ensejadOres da revisão aduaneira, são, por si só, "suficientes para o julgador firmar seu convencimento". (.) Outrossim, também destacou que a recorrente juntou aos autos documento consularizado, através do qual o fabricante/exportador (CLOROX-USA), confirmava critério de classificação, diferente daquele pretendido pela fiscalização aduaneira. Assim, no seu entender, a autoridade julgadora deveria ter deferido, preliminarmente, o seu pedido de perícia. Com isso, face à preterição do seu direito de defesa, requereu a nulidade da decisão recorrida ou a conversão do julgamento em diligência para realização da prova requerida. No tocante ao mérito, com base no laudo juntado com o recurso voluntário, que definiu a mercadoria como um Produto Mineral, sustentou a classificação da mercadoria na posição 2508, e dentro desta no código NCM/TEC 2508.40.90. Demais disso, apontou que, eventualmente, se não se entender cabível a classificação acima, o produto poderia ser classificado como argila ativada, na posição 3802, ou, então, face à sua aplicação, entre os desinfetantes da posição 3808, ou os artigos de higiene para uso doméstico. Por fim, aduziu que, uma vez afastada a classificação da autoridade fiscal, as multas impostas se mostram exigíveis. • „ • - - • • • É o relatório. • Processo n° 11128.002361/2002-41 S3-C2T1 Resolução n.° 3202-00007 Fl. 84 Voto Conselheiro RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Verifica-se que a controvérsia dos presentes autos diz respeito à classificação da mercadoria importada por meio da DI 02/0059125-2, registrada no dia 22/01/2002, cuja descrição é a seguinte: Areia higiênica para Gatos (JC Prem Scented Ltr (60/P)). A autoridade fiscal lavrou o auto de infração com arrimo em exame laboratorial realizado pelo LABANA, que concluiu tratar-se, in casu, de uma preparação à base de Silicato de Alumínio e Magnésio (Argila Montmorilonita) e substâncias odorzferas, na forma de grânulos, uma preparação à base de compostos inorgânicos não especificado nem compreendida em outra posição, um Produto Diverso das Indústrias Químicas. Com isso, no entendimento da autoridade fiscal, sendo uma preparação e, portanto, uma mistura, não se tratando de um mineral em estado bruto, o produto não se incluiria no Capítulo 25 da NCM por força da Nota de Capítulo de n° 1: I. Salvo disposições em contrário e sob reserva da Nota 4 abaixo, apenas se incluem nas posições do presente Capítulo os produtos em estado bruto ou os produtos lavados (mesmo por meio de substância químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), partidos, triturados, pulverizados, submetidos à legivaç'ão, crivados, peneirados, enriquecidos por flotação, separação magnética ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização). Não estão, porém, incluídos os produtos ustulados, calcinados, resultantes de uma mistura ou que tenham recebido tratamento mais adiantado do que os indicados em cada uma das posições (grifos nossos) Esse entendimento foi mantido pela colenda DRJ. Ocorre no entanto, que com o recurso voluntário foi juntado um outro laudo do LABANA, do mesmo produto ((JC Prem Scented Ltr — (Areia higiênica para gatos), embalagem JOIVNY CAT — CAT LITTER, fabricante The Clorox Pet Products Company). Convém destacar, por oportuno, que os quesitos apresentados pelas autoridades solicitantes foram os mesmos; os produtos deram entrada no LABANA em datas próximas (28/01/2002 para o laudo que subsidiou o auto de infração, e 14/03/2002 para o laudo acostado com a inicial); os laudos foram emitidos em datas próximas (18/02/2002 e 25/03/2002, respectivamente); e foram assinados pelos mesmos técnicos. A conclusão dos laudos, no entanto, foram divergentes, verbis: Primeiro Laudo CONCLUSÃO: Trata-se de uma Preparação à base de Silicato de Alumínio e Magnésio (Argila Montmorilonita) e substâncias odorzferas, na forma de grânulos. 6 Processo n° 11128.002361/2002-41 1 S3-C2T1 Resolução n.° 3202-00007 Fl. 85 RESPOSTAS AOS QUESITOS: Não se trata de qualquer Outra Argila. a) Trata-se de uma Preparação à base de Silicato de Alumínio e Magnésio (Argila Montmorilonita) e substâncias odoríferas, na forma de grânulos, uma preparação à base de compostos inorgânicos não especificada nem compreendida em outra posição, um Produto Diverso das Indústrias Químicas. Ressaltamos que a mercadoria encontra-se em embalagem para venda a retalho (embalagem de 4.53 Kg). b) Trata-se de uma preparação. c) De acordo com indicações na embalagem (cópia anexa), a mercadoria é utilizada para absorção da urina, bem como seu odor, de animais domésticos. d) Prejudicada. Segundo Laudo CONCLUSÃO: Trata-se de Terra Fuller (Argila Montmorilonita) na forma de grânulos. RESPOSTAS AOS QUESITOS.. 1. Não se trata de qualquer Outra Matéria Mineral não especificada nem compreendida em outras posições. Trata-se de Terra Fuller (Argila Montmorilonita), na forma de grânulos, uma Outra Argila, um Produto Mineral. Ressaltamos que a mercadoria encontra-se em embalagem para venda a retalho. 2. Trata-se de um produto mineral. 3. Segundo literatura técnica específica, mercadorias dessa natureza são utilizadas para absorção de urina, bem como seu odor, de animais domésticos (gatos). 4. Prejudicada. Registro, assim, que continua a perplexidade quanto à correta identificação da mercadoria importada, a fim de possibilitar a sua correta classificação fiscal, razão pela qual entendo ser pertinente a realização de um novo exame para dirimir definitivamente as dúvidas surgidas em razão da divergência entre os laudos acostados aos autos. E isso faz-se ainda mais necessário porque a NESH da posição 2508 aponta que a Terra Fuller insere-se na referida posição: (-) 7 Processo n° 11128.002361/2002-41 S3-C2T1 Resolução n.° 3202-00007 Fl. 86 Além das argilas comuns, podem citar-se os seguintes produtos especiais: I) A bentonita, matéria argilosa proveniente de cinzas de origem vulcânica, utilizada principalmente na preparação de areias de moldação, como elemento filtrante e descorante na refinação dos óleos, e como desengordurante de têxteis. 2) As terras de pisão (terras de fuller), matérias terrosas naturais com elevado poder de absorção, compostas em grande parte de atapulgita, esmetita ou caulinita. São utilizadas como descorantes na refinação dos óleos, como desengordurante de têxteis, etc. 3) A an. daluzita, a cianita (ou distênio) e a silimanita, silicatos de alumínio. (grifos e destaques nossos) Assim, em face de todo o exposto, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA para que o LABANA (i) confirme a natureza do produto, apontando qual dos laudos deve prevalecer e (ii) esclareça acerca da divergência entre os referidos laudos, que apresentaram conclusão diametralmente oposta na análise de produto idêntico. Outrossim, devem ser respondidos, a par dos quesitos apresentados pela autoridade fiscal às fls. 18 e aqueles apresentados pela contribuinte na impugnação às fls. 32, os seguintes quesitos, devendo ser adotadas as providências necessárias para respondê-los, inclusive, se necessário e possível, com um novo exame da mercadoria: 1. O produto é um mineral e encontra-se em estado bruto? 2. O produto encontra-se lavado (mesmo por meio de substâncias químicas que eliminem as impurezas sem modificarem a estrutura do produto), partido, triturado, pulverizado, submetido à legivação, crivado, peneirado, enriquecido por flotação, separação magnética ou outros processos mecânicos ou físicos (exceto a cristalização)? 3. O produto está adicionado de uma substância antipoeira? Em caso positivo, essa adição o torna particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral? 4. O produto inclui-se entre as "terras de pisão (terras de fuller), matérias terrosas naturais com elevado poder de absorção, compostas em grande parte de atapulgita, esmetita ou caulinita", que "são utilizadas como descorantes na refinação dos óleos, como desengordurante de têxteis, etc."? 5. O que é um mineral ativado? 6. O produto é uma argila ativada? 7. O produto é um7sinfet te? . Á-) 411 BRIGO S,,i P IZO MIRANDA 8
score : 1.0
Numero do processo: 10380.730790/2012-20
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO
A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não atacados os fundamentos da autuação, não demonstrado vícios no lançamento, este deve ser integralmente mantido.
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme regimento interno aprovado pela portaria nº 256, de 22 de junho de 2009.
PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS.
O pedido de realização de perícia deverá apresentar os requisitos do art. 16, IV do decreto 70.235/72, caso contrário, considerar-se-á não formulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.957
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não atacados os fundamentos da autuação, não demonstrado vícios no lançamento, este deve ser integralmente mantido. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme regimento interno aprovado pela portaria nº 256, de 22 de junho de 2009. PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. O pedido de realização de perícia deverá apresentar os requisitos do art. 16, IV do decreto 70.235/72, caso contrário, considerar-se-á não formulado. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Eduardo de Oliveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1929; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.730790/201220 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.957 – 3ª Turma Especial Sessão de 20 de janeiro de 2015 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente MARSILOP DO BRASIL SOCIEDADE DE EMPREITADAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO A impugnação instaura o contencioso administrativo. Fatos não expressamente impugnados são incontroversos, sendo albergados pela coisa julgada administrativa. Não atacados os fundamentos da autuação, não demonstrado vícios no lançamento, este deve ser integralmente mantido. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme regimento interno aprovado pela portaria nº 256, de 22 de junho de 2009. PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. O pedido de realização de perícia deverá apresentar os requisitos do art. 16, IV do decreto 70.235/72, caso contrário, considerarseá não formulado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 07 90 /2 01 2- 20 Fl. 286DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.730790/201220 Acórdão n.º 2803003.957 S2TE03 Fl. 3 2 Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Eduardo de Oliveira. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.730790/201220 Acórdão n.º 2803003.957 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve os autos de infração lavrados, referentes a contribuições devidas em razão de pagamentos a empregados (parte terceiros) e retenção em nota fiscal. O r. acórdão – fls 245 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o auto de infração lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Os respeitáveis auditores fiscais que lavraram o auto de infração não elaboraram um demonstrativo de cálculo de forma a dar o correto conhecimento da imputação feita à Recorrente e, por conseguinte, impossibilitando o exercício do direito de defesa. · Os auditores da Receita Federal desconsideraram a escrita fiscal da Recorrente, intitulando como receita tudo o quanto reputaram possível. · Como demonstrado e explicitado anteriormente, no período correspondente a Recorrente não omitiu receitas mediante escrituração de passivo fictício e, tampouco, obteve lucro que lastreasse a incidência de IRPJ e reflexos de CSLL, PIS e COFINS sobre as rubricas apontadas. Repitase à exaustão: os fiscais indicaram problemas, não impossibilidades. Se a Recorrente possui livros e informações contábeis regularmente escritos e registrados, bem como laudos técnicos indicando as perdas ordinárias de produção, não há razão que justifique a utilização do arbitramento por presunção legal, restando maculada de nulidade a base de cálculo utilizada pela fiscalização. · Ilegalidade da aferição indireta · Nesse sentido se manifesta a jurisprudência administrativa, pela utilização do arbitramento somente nas hipóteses de total imprestabilidade da escrita contábil, o que nem de longe é o caso da Recorrente. · Sendo assim, na hipótese deste Douto Magistrado não considerar as ECs nº 27/2000 e 42/2003 inconstitucionais, por afrontar cláusulas pétreas, podese afirmar que exclusivamente em decorrência delas não estavam os contribuintes obrigados a recolher os novos impostos instituídos, haja vista que, de acordo com outras regras constitucionais, não alteradas pelas emendas em tablado, a exemplo do art. 154, inciso I, e do art. 150, inciso III, alínea a, a exigibilidade de novos impostos ou a majoração dos já existentes exige, além da Fl. 288DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.730790/201220 Acórdão n.º 2803003.957 S2TE03 Fl. 5 4 edição de lei complementar, que não possuam fato gerador e base de cálculo própria dos já existentes, devendo, ainda, serem respeitados os princípios da nãocumulatividade e da anterioridade. · Em razão de tudo o quanto exposto e comprovado de plano, restando patente, evidente e cabalmente demonstrada a inconsistência integral das autuações fiscais em tablado, a Recorrente requer de Vossa(s) Senhoria(s) se digne(m) de receber este recurso voluntário, processandoo na forma de estilo e, ao final, dando provimento para fins de modificação integral da decisão da 3º Turma da DRJ/FOR, julgandose totalmente improcedentes os autos de infração de Contribuições Sociais Previdenciárias, contemplados no Processo Administrativo Fiscal de nº 10380.730790/201220, posto inocorrida omissão de receitas, dedução indevida ou redução incabível de base de cálculo, tampouco lucro, declarando a insubsistência completa das autuações fazendárias, desconstituindo in totum os créditos tributários correspondentes, por serem medidas de Direito e de Justiça. É o relatório. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.730790/201220 Acórdão n.º 2803003.957 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Tratase de autuação em razão de pagamentos a segurados empregados e retenções devidas em razão de contratação de serviços, apurados em recibos, GFIP, folhas de pagamento e registros contábeis, o que não foi contestado pelo contribuinte. Igualmente não foram impugnados os valores lançados. O recurso apresentado se dirige a “...omissão de receitas, dedução indevida ou redução incabível de base de cálculo, ...” matéria estranha à autuação, atraindo a aplicabilidade do art. 17 do decreto 70.235/72. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Assim sendo, tenho que o contribuinte não trouxe nenhum elemento que desconstituísse o lançamento devidamente efetivado. DA INCONSTITUCIONALIDADE ALEGADA Sobre a matéria, o regimento do CARF, aprovado pela portaria GMF nº 256, de 22 de junho de 2009 veda aos membros a possibilidade de apreciação de constitucionalidade de decreto ou lei, senão vejamos. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 290DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10380.730790/201220 Acórdão n.º 2803003.957 S2TE03 Fl. 7 6 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Do que exposto, a matéria sob exame não se encontra nas exceções elencadas, afastando assim sua análise sob o prisma da constitucionalidade. DO PEDIDO DE PERÍCIA No que se refere a produção de provas e realização de perícias, consoante art. 18 do Decreto n° 70.235/72, tais procedimentos somente se justificam nos casos em que a autoridade julgadora entenda necessária a produção de novos elementos para o deslinde do litígio. Por outro lado, a realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, ou, ainda, quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. No entanto, esse não é o caso dos autos, pois toda a documentação necessária à elucidação da questão encontrase presente, razão pela qual indeferese tal pleito. Igualmente deve ser indeferido o requerimento formulado em razão da não obediência dos critérios necessários ao pedido de prova pericial, elencados no art. 16, IV do decreto 70235/72 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, negolhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/01/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 15586.000887/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2003
AÇÃO JUDICIAL IMPEDITIVA DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Inexiste na espécie ação judicial com o condão de impedir o lançamento fiscal.
PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES.
Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP.
CONFISSÃO DE DÍVIDA. INEXISTÊNCIA.
Não tendo o sujeito passivo comprovado que as contribuições lançadas foram objeto de confissão de dívida, descabem os seus argumentos relativos a pedido judicial de revisão dos valores confessados e da impossibilidade de aplicação de multa.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.767
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/05/2003 AÇÃO JUDICIAL IMPEDITIVA DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Inexiste na espécie ação judicial com o condão de impedir o lançamento fiscal. PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INEXISTÊNCIA. Não tendo o sujeito passivo comprovado que as contribuições lançadas foram objeto de confissão de dívida, descabem os seus argumentos relativos a pedido judicial de revisão dos valores confessados e da impossibilidade de aplicação de multa. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado.
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INEXISTÊNCIA. Inexiste na espécie ação judicial com o condão de impedir o lançamento fiscal. PROCESSOS CONEXOS. AUTUAÇÃO DECORRENTE DO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DECLARADA PROCEDENTE. MANUTENÇÃO DA MULTA PELA FALTA DE DECLARAÇÃO DOS MESMOS FATOS GERADORES. Sendo declarada a procedência do crédito relativo à exigência da obrigação principal, deve seguir o mesmo destino a lavratura decorrente da falta de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. INEXISTÊNCIA. Não tendo o sujeito passivo comprovado que as contribuições lançadas foram objeto de confissão de dívida, descabem os seus argumentos relativos a pedido judicial de revisão dos valores confessados e da impossibilidade de aplicação de multa. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 08 87 /2 00 8- 35 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000887/200835 Acórdão n.º 2401003.767 S2C4T1 Fl. 209 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 23.988 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI n.º 37.155.0505. A lavratura referese a exigência de multa em razão da empresa haver prestado informação incorreta na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, fl. 06, a empresa preencheu incorretamente a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, no período de 01/2003 a 05/2003, consignando informações equivocadas para o campo "Riscos Ambientais do Trabalho — RAT". Informa a autoridade fiscal que a Autuada informou no campo citado a alíquota de 2%, quando o correto seria 3%. No Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fl. 07, a autoridade lançadora apresenta a quantidade de campos com erro no preenchimento e a forma como a penalidade foi fixada. Apresentada a defesa, a DRJ negoulhe provimento, ressaltando que a multa seria mais gravosa se calculada nos termos da legislação atual, qual seja o inciso I do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, considerando o valor mínimo previsto no inciso II do § 3.º do mesmo artigo (ver fls. 71/77). Inconformada, a empresa interpôs recurso voluntário de fls. 82/101, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) a recorrente é detentora de decisão judicial no bojo do Mandado de Segurança MS n.º 2002.50.01.0095772, autuado em 11/12/2002, segundo a qual o INSS não poderia exigir do sujeito passivo a alíquota RAT superior a 2%, determinando ainda a compensação das quantias indevidamente recolhidas; b) ao INSS foi dada ciência desta decisão, todavia, aquela Autarquia jamais adotou providências para cumprir o que restou decidido pelo Judiciário; c) o sujeito passivo não pode ser coagido por conduta respaldada em decisão judicial; d) a jurisprudência pátria rechaça as medidas do fisco contra contribuintes que estão sob amparo de decisão judicial relativa ao tributo que se quer exigir; e) cita textos doutrinários e jurisprudenciais para defender que, havendo equívoco em confissão de dívida tributária, o contribuinte pode questionar judicialmente os valores objetos da confissão; Fl. 210DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 f) o STJ pacificou o entendimento de que havendo parcelamento da dívida antes de qualquer procedimento do fisco, devese aplicar o instituto da denúncia espontânea, sendo descabida a aplicação de multa moratória ou punitiva; g) é inconstitucional a aplicação da taxa SELIC para fins tributários. Ao final, pediu: a) o cancelamento do AI; b) que o seu nome não seja incluído em cadastro de devedores até a decisão final sobre o feito; c) que a exigência da dívida seja suspensa e depois cancelada; d) que o lançamento não seja impeditivo para obtenção de Certidão Negativa de Débitos CND; e e) que não sofra qualquer tipo de restrição em razão da dívida representada pelo AI. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000887/200835 Acórdão n.º 2401003.767 S2C4T1 Fl. 210 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Inexistência de ação judicial impeditiva do lançamento Para a apreciação desta questão é essencial que nos centremos no trâmite do MS n.º 2002.50.01.0095772. É certo que a empresa obteve provimento em primeira instância para recolher a alíquota da contribuição para o RAT no percentual máximo de 2%, todavia, em decisão datada de 18/11/2004, o TRF 2.ª Região, acolheu a apelação do INSS e reformou a sentença, fixando o entendimento de que a definição do grau de risco por decreto não viola qualquer princípio legal ou constitucional. Caiu assim a limitação para cobrança da contribuição ao SAT/RAT, bem como a possibilidade de compensação de valores supostamente recolhidos a maior. Essa decisão pode ser visualizada nos autos, às fls. 196/210. Percebese, portanto, que na data do lançamento, 01/07/2008, inexistia qualquer sentença impeditiva da constituição do crédito tributário. É que a decisão do TRF não foi objeto de recurso, tendo transitado em julgado, conforme mencionouse na decisão recorrida, sem que houvesse qualquer comentário sobre esse fato no recurso do sujeito passivo. Assim, carece de razão a recorrente quando afirma que o lançamento representaria afronta ao que ficou decidido pelo Judiciário no bojo do citado MS. Também não merece acolhida a tese da ocorrência de coação ilegal, até porque o processo administrativo fiscal ainda está em curso, não tendo havido até esse momento qualquer medida constritiva do patrimônio do sujeito passivo ou restritiva de seus direitos. Nesse sentido, por estar com exigibilidade suspensa, nos termos do inciso III do art. 151 do CTN, este lançamento não representa impeditivo para obtenção de CND ou motivo para inclusão da recorrente em cadastro de inadimplentes. Somente após o trânsito em julgado do processo administrativo fiscal é que a empresa estará sujeita a esses efeitos. Conexão com o processo de exigência da obrigação principal O entendimento unânime dessa Turma de Julgamento é que o julgamento dos AI decorrentes de aplicação de multa por omissão de fatos geradores na GFIP deve levar em consideração o que ficou decidido nos AI para exigência da obrigação principal. Assim, os resultados dos julgamentos das lavraturas para cobrança das contribuições tem sido aplicados automaticamente nas demandas em que é discutida a exigência de declaração dos fatos geradores correspondentes na GFIP. Vejam esse julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSOS CONEXOS. O presente auto de infração diz respeito à infringência ao art. 32, inciso IV, § 5° da Lei n° 8.212/91, por ter o contribuinte apresentado Guia de Recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social em GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Foi declarado nulo em virtude da declaração da nulidade, por vício formal, da NFLD (processo nº 35554.005633/200626) que continha os lançamentos referentes aos fatos geradores tidos como não declarados, em decorrência da conexão existente entre o presente auto de infração e a referida NFLD. Provido o recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de se afastar a nulidade por vício formal apontada no processo nº 35554.005633/200626. Em virtude da existência de conexão entre os processos, igual sorte merece o presente auto de infração. Nos termos em que disciplina o art. 49, § 7º do anexo II da Portaria MF nº 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, os processos conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. (Acórdão 9202001.244, Rel Conselheiro Elias Sampaio Freire, 08/02/2011) Todas as alegações apresentadas contra a cobrança da diferença de contribuição decorrente do incorreto enquadramento da empresa foram apreciadas quando do julgamento do Processo n.º 15586.000884/200800 (AI n.º 37.155.0530) por essa Turma momentos atrás, que, por unanimidade, no mérito, negou provimento ao recurso do sujeito passivo. Assim, o mesmo entendimento deve ser aplicado ao AI sob cuidado, concluindose que, de fato, houve erro na declaração em GFIP da alíquota SAT/RAT. Da inclusão de débito em confissão de dívida Embora traga alegações que dão entender que os valores lançados foram incluídos em confissão de dívida, o sujeito passivo não trouxe qualquer elemento de prova neste sentido. Ressaltese que sequer houve a inclusão das contribuições exigidas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, tampouco há documento hábil a comprovar a inclusão das contribuições em parcelamento. Descabem, portanto, os argumentos de que o contribuinte teria direito de questionar na justiça os valores indevidamente confessados e de que deveria ser excluída a multa em razão de ter havido confissão de dívida antes da fiscalização. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000887/200835 Acórdão n.º 2401003.767 S2C4T1 Fl. 211 7 Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 214DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/12 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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