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Numero do processo: 11684.001392/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias Data do Fato Gerador: 18/11/2003, 25/11/2003, 29/11/2003, 07/12/2003, 09/12/2003, 16/12/2003, 23/12/2003 E 26/12/2003 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE EMBARQUE DE MERCADORIA EXPORTADA. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO O descumprimento do prazo para informação do veículo e carga transportados não configura a aplicação da penalidade de embaraço a fiscalização, prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do Decreto-Lei 37/66.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS.
INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre
constitucionalidade das leis tributárias.
Numero da decisão: 3102-001.391
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Ricardo Rosa, que foi substituído pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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INAPLICABILIDADE DA MULTA DE EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO O descumprimento do prazo para informação do veículo e carga transportados não configura a aplicação da penalidade de embaraço a fiscalização, prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do DecretoLei 37/66. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Ricardo Rosa, que foi substituído pela Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Mara Cristina Sifuentes, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da primeira instância que passo a transcrever. “Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 165.000,00, referente a multa regulamentar, que está lastreada na alínea "c", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Conforme se depreende da leitura da descrição dos fatos (fls. 02 a 04) e dos demais documentos constantes dos autos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de mercadorias despachadas através de 33 Declarações de Exportação (DE's) listadas no anexo II (fl. 116), no SISCOMEX, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94 com redação dada pela IN SRF n° 510/2005. Conforme demonstrado no anexo I, telas de consulta do Siscomex (fls. 15 a 115), as mercadorias foram embarcadas, mas os "dados de embarque" no Siscomex foram registrados após o prazo legal de 7 dias para tal registro, implicando na infração citada no artigo 44 da IN SRF n° 28/94. Assim, entendendo estar caracterizada a infração, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 para cada informação de dados de embarque não prestada no prazo (7 dias), considerando para tanto que à cada despacho de exportação deve ser alocado a sua respectiva informação de dados de embarque. Regularmente cientificada por via postal (AR à fl. 144), a interessada apresentou impugnação de folhas 119 a 125, que em síntese apresenta os seguintes argumentos: Que, na espécie atuou como agente marítimo e não como transportador, a solidariedade do agente pelos atos do transportador não alcança as multas de caráter administrativo; Que, não há tipificação da penalidade, não houve embaraço e impedimento à fiscalização; Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11684.001392/200601 Acórdão n.º 3102 001.391 S3C1T2 Fl. 2 Que, houve denúncia espontânea, as DDE's foram inseridas no SISCOMEX anos antes da lavratura do auto de infração ora impugnado; Que, em face do princípio da reserva legal instrução normativa não pode instituir penalidades; Requer o cancelamento e definitivo arquivamento da autuação em tela. É o relatório.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento decidiu pela procedência parcial da impugnação, reduzindo a multa à R$ 40.000,00, por entender que o prazo previsto na IN SRF nº 28/94, de 7 (sete) dias, para informação de carga transportada, deveria ser aplicado à parte do lançamento, em razão da retroatividade benigna. A decisão da DRJ foi assim ementada. “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/11/2003, 25/11/2003, 29/11/2003, 07/12/2003, 09/12/2003, 16/12/2003, 23/12/2003, 26/12/2003 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. TRANSPORTADOR. PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI. O prazo para registro dos dados de embarque no Siscomex pelo transportador é de 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte marítima. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A infração, quando tipificada, deve ser considerada em relação ao conjunto de informações não registradas no Siscomex para o veículo em determinada viagem, e não em relação à cada despacho de exportação do mesmo veículo na mesma viagem. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, requerendo a reforma da decisão, repisando as alegações apresentadas na impugnação. É o Relatório. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Lançamento em razão da informação intempestiva de dados de embarque O lançamento teve origem no descumprimento do prazo para informação dos dados de embarque, referente a exportações realizados pela Recorrente. O prazo para informação das exportações estava definido à época dos fatos no art. 37 da IN SRF nº 28/1994. “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho..” Atribuição da Receita Federal para definir obrigações acessórias A Recorrente tece nos seus argumentos diversas considerações acerca da obrigação acessória constante da IN SRF nº 28/94. Para um melhor deslinde da questão fazse necessário, antes de qualquer discussão, a análise da atribuição da Receita Federal para criar obrigações acessórias A definição de obrigação acessória e assunto pertinente aos órgãos da administração tributária, para confirmar este entendimento, basta a análise da matéria do ponto de vista dos diplomas legais disciplinadores da matéria. Inicialmente o art. 113 do Código Tributário Nacional definiu o que vem a ser obrigação principal e obrigação acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11684.001392/200601 Acórdão n.º 3102 001.391 S3C1T2 Fl. 3 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Nos termos do Código, a obrigação acessória é prestação comissiva ou omissiva prevista na legislação tributária, no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos e não se confunde com a obrigação principal de recolhimento tributário. Não há como falar em obrigação acessória ligada a lançamento, mas a obrigação de fazer ou não fazer do sujeito passivo. A alegação que a obrigação acessória somente poderia ser definida em lei e não em normas administrativas, não encontra respaldo nas normas de direito tributário, pois, no art. 113 do CTN é esclarecido, de forma cristalina, que a obrigação acessória nasce da legislação tributária. A legislação tributária abarca outras institutos normativos, tais como decretos e normas complementares como preceitua o art. 96 também do CTN. Ao analisar a questão Luciano Amaro afirma que nos casos em que a obrigação acessória foi definida por ato de autoridade administrativa, podese dizer que decorre de “lei”, visto o caráter de vinculação legal da administração tributária. “Parece que ao dizer serem as obrigações acessórias decorrentes da legislação tributária, o Código quis explicitar que a previsão dessas obrigações pode estar não em “lei”, mas em ato de autoridade que se enquadre no largo conceito de “legislação tributária” dado no art. 96; mesmo, porém que se ponha em causa um dever de utilizar certo formulário escrito em ato de autoridade, melhor seria dizer que a obrigação, em situações como esta, decorre da lei, pois nesta é que estará o fundamento com base no qual a autoridade pode exigir tal ou qual formulário, cujo formato tenha ficado a sua discrição. E, obviamente, também nessas situações, o nascimento do dever de alguém cumprir tal obrigação instrumental surgirá, concretamente, quando ocorrer o respectivo fato gerador”. 1 Confirmando a atribuição da Receita Federal de definir obrigações tributárias, foi editada a MP 1.788/98, convertida posteriormente na Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que no seu artigo 16, torna inconteste a atribuição da Receita Federal para dispor sobre as obrigações acessórias. 1 Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 16ª ed.,São Paulo, Saraiva. pg. 276277. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 “Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável” Conforme descrito a Receita Federal possui a competência legal para criar e regular obrigações acessórias referente aos tributos por ela administrados. Destarte, quaisquer declarações, controles e prazos referentes a tributos sobre o seu controle, são de cumprimento obrigatório pelos intervenientes do comércio exterior e o seu descumprimento enseja a aplicação das penalidades pertinentes. A inaplicabilidade do principio da boafé e da ausência de dano no descumprimento das obrigações acessórias Quanto a discussão sobre dano ou prejuízo a administração aduaneira e aplicação do principio da boafé no descumprimento das obrigações acessória, também não se aplica nestes casos. A responsabilidade tributária independe da intenção do agente, nos termos previstos no art. 136, do CTN. “Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” O texto legal explicita a posição adotada no Código, de afastar as características subjetivas para análise da responsabilidade. As sanções estão previstas em lei e salvo disposição em contrário, não consideram o instituto da subjetividade, não sendo considerada na aplicação da penalidade, a intenção do agente no ato comissivo ou omissivo. Esta fica mais evidente, quando aplicada aos tributos e controles aduaneiros, que na sua origem não possuem caráter arrecadatório, mas de controle e segurança da soberania nacional. As obrigações aduaneiras, tanto principais, quanto acessórias, são determinadas em função de decisões administrativas e políticas de Estado. As obrigações acessórias, definidas no controle aduaneiro, caminham em conjunto com os controles administrativos e fitossanitários. Todas as informações exigidas nas declarações tipicamente aduaneiras são relevantes e determinam critérios de riscos que levam a níveis diferenciados de controle aduaneiro, inclusive podendo definir a ausência total da verificação física das mercadorias importadas. Dai a definição de sanções aplicáveis a descumprimento de obrigações acessórias. A falta ou informação em atraso prejudicam sobremaneira o controle, portanto, a penalidade aplicada vem no intuito de estimular o correto cumprimento das obrigações acessórias, punindo aquele que falta com as informações nos termos previstos pela norma. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 11684.001392/200601 Acórdão n.º 3102 001.391 S3C1T2 Fl. 4 Responsabilidade do agente marítimo nas informações da carga Alega ainda a Recorrente, que não poderia ser enquadrada no pólo passivo da obrigação acessória de prestar as informações sobre a carga, visto se tratar de agente de carga e não transportador marítimo. Em que pese os argumentos da Recorrente, suas argumentações não podem prosperar. O agente de carga é responsável por prestar as informações referentes as operações em que participem, bem como as informações sobre as cargas envolvidas nas operações, obrigação assentada no art. 37, § 1º, do DecretoLei nº 37/66. “ Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. § 2o Não poderá ser efetuada qualquer operação de carga ou descarga, em embarcações, enquanto não forem prestadas as informações referidas neste artigo § 3o A Secretaria da Receita Federal fica dispensada de participar da visita a embarcações prevista no art. 32 da Lei no 5.025, de 10 de junho de 1966. § 4o A autoridade aduaneira poderá proceder às buscas em veículos necessárias para prevenir e reprimir a ocorrência de infração à legislação, inclusive em momento anterior à prestação das informações referidas no caput.” Portanto, a obrigação do agente de carga em prestar as informações a Receita Federal está prevista em lei, não cabendo qualquer demanda acerca desta matéria. Erro no enquadramento legal da penalidade aplicada Insurgese a Recorrente contra o enquadramento legal, utilizado no enquadramento da penalidade aplicada, qual seja a alínea “c”, do inciso IV, do art. 107, do Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 DecretoLei nº 37/66. Alega o recurso que a falta de informação da carga, não configuraria embaraço a fiscalização e portanto, o enquadramento não poderia ser utilizado no Auto de Infração. Aqui entendo assistir razão a Recorrente, realmente a informação intempestiva dos dados do embarque não caracterizou em nenhum momento embaraço a fiscalização. O dispositivo utilizado como enquadramento da penalidade aplicada, pressupõe a interferência na atividade de fiscalização impedindo o seu prosseguimento ou criando obstáculos a sua execução. A teor do relatado, as informações foram incluídas no sistema Siscomex, sem nenhum intervenção da Fiscalização, portanto, não há como afirmar que houve qualquer impedimento ou dificuldade ao trabalho fiscal. Com este raciocínio, não existindo o embaraço a fiscalização, não pode o lançamento se utilizar deste enquadramento legal, já que os fatos relatos no processo não coincidem com a conduta tipificado no enquadramento legal. Conclusão Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, cancelando o lançamento, em razão da situação fática, praticada pela recorrente, não estar completamente tipificada, com o enquadramento legal, constante do Auto de Infração. Winderley Morais Pereira Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 02/05/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16403.000252/2009-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. É intempestivo
recurso voluntário interposto em prazo superior a 30 (trinta) dias contados da intimação de acórdão proferido pela instância a quo.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 1102-000.730
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso por ser intempestivo
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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TEMPESTIVIDADE. É intempestivo recurso voluntário interposto em prazo superior a 30 (trinta) dias contados da intimação de acórdão proferido pela instância a quo. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso por ser intempestivo (assinado digitalmente) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Plínio Rodrigues Lima e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba – PR assim ementado, verbis: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 600, DE 2005. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF n° 600, de 2005, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de IRPJ paga indevidamente ou a maior na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de IRPJ como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Regularmente intimada do acórdão em 09.05.2011, a Contribuinte interpõe recurso voluntário em 10.06.2011, após decorrido, portanto, o prazo de 30 dias previsto no art. 33 do Decreto n. 70.235/72 para o exercício dessa prerrogativa processual. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Conforme se depreende dos documentos acostados aos autos, o recurso voluntário não pode ser conhecido por este Colegiado pelo fato de ter sido interposto após o prazo de 30 dias contados da intimação do acórdão proferido pela instância a quo, a teor do art. 33 do Decreto n. 70.235/72. De fato, como bem anotado pela Delegacia da Receita Federal de origem, a intimação da Contribuinte relativa ao acórdão recorrido ocorreu em 10.05.2011 e o recurso voluntário contra tal decisão foi interposto apenas em 10.06.2011. Nos termos regimentais, o prazo recursal encerrouse em 09.06.2011. Por tais fundamentos, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário interposto pela Contribuinte por intempestividade. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16403.000252/200982 Acórdão n.º 110200.730 S1C1T2 Fl. 2 3 (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO
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Numero do processo: 10540.720758/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 28/02/2010
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO - COMPENSAÇÃO - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE - MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado.
COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE.
Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuar a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-002.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 28/02/2010 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO - COMPENSAÇÃO - GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE - MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuar a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento Recurso Voluntário Provido.
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FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP, mormente quando o sujeito passivo detinha decisão judicial que autorizava a compensação após o seu trânsito em julgado. COMPENSAÇÃO. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO AO CONTRIBUINTE. PRERROGATIVA DO FISCO DE VERIFICAR A REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO. LANÇAMENTO DE VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. Os contribuintes têm a prerrogativa de efetuar a compensação de valores indevidamente recolhidos, independentemente de autorização, todavia, o fisco deve verificar a correção do procedimento Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 07 58 /2 01 0- 94 Fl. 693DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10540.720758/201094 Acórdão n.º 2401002.905 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de obrigação principal, lavrado sob n. 37.309.8480, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, tendo o crédito sido constituído por meio da aplicação de multa isolada pela glosa de compensação efetuadas pela empresa sem que a mesma tivesse direito a mesma.. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 13 a 15:; Primeiramente, tornase pertinente a transcrição das disposições contidas no artigo 89, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, § 10, in verbis: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009)” O art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 traz o seguinte percentual, in verbis “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...)”De acordo com as informações levantadas no curso da fiscalização, relatadas no Relatório da Ação Fiscal, ficou demonstrado que houve compensação indevida nas GFIP das competências 10/2006, 04/2007, 09/2008 a 02/2010. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 4 Estando, pois, caracterizado que o sujeito passivo realizou compensação indevida de contribuição previdenciária efetivada nas GFIP das competências 10/2006, 04/2007, 09/2008 a 02/2010, e assim, apresentou declaração com informação falsa, haja vista os créditos declarados serem inexistentes, seja porque não ficou comprovado que houve a tributação dos subsídios de exercentes de mandato eletivo em todas as competências do período de 02/1998 a 09/2004; seja porque também não ficou comprovado que houve o efetivo recolhimento destas contribuições previdenciárias; seja porque nas poucas competências em que houve a tributação os valores recolhidos já tinham sido atingidos pela prescrição no momento da entrega das GFIP declaratórias ou os valores recolhidos foram menores que o declarado; seja porque não ficou comprovada a existência do crédito previdenciário decorrente do pagamento de salário família, lavramos o presente Auto de Infração para aplicação da penalidade estabelecida no parágrafo acima, a saber, a multa isolada por compensação de créditos previdenciários com falsidade na declaração. Registrese que está sendo cobrada a multa isolada a partir da competência 12/2008. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 17/12/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 23/12/2010. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 489 a 527. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 671 a 684 . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2006 a 28/02/2010 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA AGRAVADA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada agravada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontrarem plenamente assegurados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Discordando dos termos da Decisão a empresa apresentou recurso, fls. 688 a 788, onde argumenta em síntese: Fl. 696DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10540.720758/201094 Acórdão n.º 2401002.905 S2C4T1 Fl. 4 5 1. Alega a peça recursal, em caráter de preliminar, que o AI em apreço, e os relatórios que o acompanham, não fazem referência ao levantamento das contribuições ora apuradas. Dessa forma, o contribuinte não sabe ao certo as razões que levaram o fisco a efetuar esse levantamento nas competências 10/2006, 04/2007 e 09/2008 a 02/2010. Alega, também, que os precitados documentos consignam o montante da dívida, não informando, contudo, quais os fatos que motivaram o lançamento e o fundamento legal para tanto. Referidas omissões geram violações aos princípios da motivação, do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica, o que macula de vício a autuação. 2. Já no mérito, argui o recorrente que, na ação fiscal de que resultou o presente auto de infração, foi realizada uma estimativa aleatória, não prevista no CTN. E aduz: um arbitramento desse tipo implica imputar ao contribuinte uma superposição de exações, redundando, o lançamento fiscal, em valores muito elevados. 3. Afirma que, de acordo com entendimento da auditor fiscal autuante, as compensações procedidas pelo contribuinte eram ilegais. Por esse motivo, lavrou o presente auto de infração, aplicando multa por descumprimento de obrigação acessória, tendo em vista a apresentação de GFIP com informações incorretas e omissas. Contrapondose, argúi que as compensações não são ilegais, de sorte que as informações prestadas na GFIP não são incorretas, nem houve qualquer omissão de informação, não havendo que se falar, pois, na aplicação da multa prevista no § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212, de 1991. E avalia: se a Receita Federal do Brasil não aceita a compensação, isto não significa que houve prestação de informações incorretas, falsas ou mesmo omissão de informação nas GFIP, por parte da autuada. 4. Segue argumentando que as compensações previdenciárias sobre os subsídios dos agentes políticos são fundamentadas em sentença judicial transitada em julgado, consubstanciada no acórdão STF – Recurso Extraordinário 351.717, cujos efeitos da declaração de inconstitucionalidade foram estendidos pela Resolução do Senado Federal nº 26, de 2005. 5. Afirma que o legislador inseriu o art. 12, inciso I, alínea “h”, da Lei nº 8.212, de 1991, criando nova modalidade de segurado obrigatório da Previdência mediante lei ordinária, quando deveria têlo feito por lei complementar. 6. Expõe que à Receita Federal do Brasil caberia reconhecer administrativamente a ilegalidade da cobrança das contribuições previdenciárias acima referidas e, por consequência, a legalidade e regularidade das compensações procedidas pelo autuado. 7. Acrescenta que a própria Previdência Social, através da Portaria MPS nº 133, de 02 de maio de 2006, já regulamentou a matéria, declarando que "a Secretaria da Receita Previdenciária não promoverá a constituição de créditos com fundamento na alínea "h" do inciso I do art. 12 da lei 8.212/91, acrescentado pelo § 1o do art. 13 da Lei 9506/97' e (...) "deverão ser cancelados ou retificados, conforme o caso, todos os débitos oriundos das contribuições referidas nesta Portaria...". Ainda: que essa mesma Portaria, no art. 4o, autoriza a compensação dos créditos oriundos das contribuições em questão. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 6 8. Aduz que, para que seja legítima a compensação, é desnecessária a comprovação do valor do crédito a ser compensado. Consoante trecho de decisão que ali colaciona, diz que é pacífica a jurisprudência a favor da autuada, nesse sentido. 9. Entendendo ser evidente a legalidade e regularidade das compensações tributárias procedidas pela autuada, conclui: “como o acessório segue a mesma sorte do principal, uma vez considerada legal a compensação, não há o que se falar em informações incorretas ou mesmo omissão de informação nas GFIP, pelo que improcede a aplicação da multa estabelecida neste auto de infração”. 10. Alega, na sequência, que é indevida a cobrança da contribuição previdenciária sobre o 13º Salário, sob o argumento de que a Constituição Federal, quando trata do Financiamento da Seguridade Social, não prevê a incidência dessa rubrica. No caso em apreço, as Leis Ordinárias nºs 7.787, de 1989, e 8.212, de 1991, que a criaram, em não sendo leis complementares, padecem de constitucionalidade, sendo ilegal a exigência em questão. 11. Afirma, bem assim, a peça impugnatória, a inconstitucionalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho – SAT. Expõe que a contribuição para o SAT, instituída pela Lei nº 8.212, de 1991, e cobrada sobre a folha de pagamento, afronta o princípio da legalidade tributária, visto que, mesmo na base de 1%, a alíquota, indevidamente, vem sendo estabelecida por meio de Decretos do Poder Executivo. 12. Aduz que, além disso, a impossibilidade da cobrança dessa contribuição mais se evidencia como se deduz da doutrina e das decisões ali colacionadas , na medida em que se verifica que as alíquotas de 1%, 2% e 3%, fixadas pelo Decreto nº 3.048, de 1999, e pelos que lhe antecederam, são inconstitucionais. 13. Alega, por derradeiro, o recurso que, de acordo com diversos julgados do Superior Tribunal de Justiça – STJ, ali copiados, os juros de mora, consignados no presente AI e aplicados com base na taxa SELIC, por infração ao disposto no § 1º do art. 161 do CTN, são ilegais e inconstitucionais. Assim, entende, fica demonstrada a impossibilidade de aplicação da referida taxa aos créditos tributários ora discutidos. 14. Requer, ante o exposto, que seja considerado nulo o auto de infração, tendo em vista a citada ausência de fundamentação para levantamento das contribuições em pauta. Alternativamente, que seja reconhecida a improcedência do mesmo, pelas razões de mérito interpostas. 15. Ainda, por intermédio de procurador legalmente nomeado para representa]lo, consoante peça impugnatória interposta em 21/01/2010 (fls. 545 a 659, com anexos) o contribuinte autuado vem de aditar contraditório ao presente lançamento fiscal, o que faz nos moldes adiante especificados. 16. Alega, inicialmente, a peça recursal que a Receita Federal do Brasil, com fundamento no artigo 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996, combinada com as disposições contidas no art. 18, da Lei nº 10.833, de 2003, e no art. 90 da MP n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 11.051, de 2004 e 11.196, de 2005, vem aplicando a multa isolada de 150% sobre o valor das compensações tributárias não homologadas pela Administração Pública Federal, na medida em que as considera como não declaradas. Contrapõe argumentando que, todavia, para enquadramento dos acusados, nas disposições acima citadas, o respectivo órgão fazendário amparase em presunções de fraude fiscal, como no presente caso. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10540.720758/201094 Acórdão n.º 2401002.905 S2C4T1 Fl. 5 7 17. Adiciona, entretanto, a peça impugnatória, que a prescrição para compensação ou restituição dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, indevidamente pagos antes da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, é de 5 anos, após o decurso de 5 anos do prazo para homologação tácita. Consequentemente, que outra não é a conclusão, senão a de que o art. 3o da Lei Complementar nº 118, de 2005, a pretexto de interpretar o art. 168, I, do CNT, teve por objetivo evidente contornar a jurisprudência da C. 18. Alega que a Portaria MPS n° 133, de 2006, no art. 4º, inciso I, bem assim a IN SRP n° 15, de 2006, que dispõem sobre a constituição de créditos de que trata a alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212, de 1991, acrescentada pelo § 1o do art. 13 da Lei n° 9.506, de 1997 (art. 6º), instituíram uma série de condições para fins de compensação, dentre as quais a necessidade de retificação da GFIP, por parte do contribuinte. Contrapondose a isso, argumenta que referido condicionamento padece da mais evidente ilegalidade, porquanto, na forma do art. 150, caput, do CTN, nos lançamentos realizados por homologação, dentre os quais se inclui a contribuição indevidamente recolhida pela União, o único agente autorizado a realizar qualquer ato de retificação é a própria autoridade fiscal. Nesse sentido, conclui, é forçoso reconhecer que, uma vez entregue à Fazenda Pública a GFIP, a esta incumbe o encargo de apreciála, verificando sua regularidade para, em seguida, proceder à homologação, ou não. 19. A peça recursal argúi, ainda, ser impossível a imputação de penalidades com fundamento em presunção de fraude. A realização de compensação em qualquer uma das hipóteses mencionadas no art. 74, § 12, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações introduzidas pela legislação posterior, no caso vertente, não caracteriza fraude fiscal e, tampouco, o dolo, já que não há que se falar em fraude se não houver dolo. 20. Sonegação, fraude e conluio são formas diversas de evasão de divisas de forma ilícita, e em todas essas hipóteses deverá estar presente o dolo. Assim, a auditorafiscal não poderia autuar da forma como fez, visto que atos dessa natureza constituem excesso de poder, ferindo de morte, em especial, o princípio da legalidade. 21. Para finalizar, expõe a impugnação que, considerando que para a aplicação da multa isolada, por imperativo legal, é necessário que haja a presença comprovada do dolo, culpa ou conluio, mas que, no presente AI, não produziu, a auditora autuante, qualquer prova que pudesse comprovar a presença dos tipos penais ora mencionados; considerando que todas as compensações foram noticiadas através de documento próprio da Caixa Econômica Federal, caracterizando, destarte, a boafé do impugnante, e, bem assim, que o valor da compensação, objeto da autuação, está sub judice na Vara Única da Seção Judiciária da Justiça Federal Subseção de Guanambi, Bahia, Processo nº 2008.09.0014423, documento ali incluso, solicita: 22. que seja reconhecida a tempestividade daquela peça administrativa; b) que seja julgado improcedente o auto de infração em lide, com o cancelamento da multa isolada, e; c) que seja admitido, no curso deste processo, o aditamento de novas razões e a inclusão de provas complementares A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 690 Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO DO DIREITO A COMPENSAÇÃO Primeiramente, convém identificar que a multa ora lançada referese a compensações realizadas pela empresa, sem que a mesma tivesse direito para tanto. Contudo, os argumentos quanto ao mérito do direito a compensação e da existência de ação judicial pleiteando o direito a compensação não devem ser apreciados nos presente autos, mas no Auto de Infração de Obrigação Principal. Nesse sentido, convém transcrever ementa da decisão proferida no AIOP, cujo julgamento ocorre nesta mesma sessão – Processo n. 10540.720757/201040, acordão 2401002.879. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 28/02/2010 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL CONTRIBUIÇÃO SOBRE FOLHA DE PAGAMENTO COMPENSAÇÃO GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n.º 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringese aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Correta a glosa dos valores compensados, quando não demonstrar o recorrente o recolhimento das contribuições objeto de compensação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO – NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO – AGENTES POLÍTICOS – DISCUSSÃO JUDICIAL. – RENÚNCIA A INSTÃNCIA ADMINISTRATIVA – NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Ao ingressar em juízo, pleiteando o direito a compensação e por conseguinte para que o crédito não seja alcançado pela Fl. 700DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10540.720758/201094 Acórdão n.º 2401002.905 S2C4T1 Fl. 6 9 prescrição renunciou o recorrente às instâncias administrativas sob a matéria objeto de ação judicial sob o mesmo objeto. Não existe óbice a constituição de crédito resultante de ausência de recolhimento face compensação realizada pelo recorrente, mesmo que autorizada em medida judicial. Recurso Voluntário Negado A motivação exposta pelo fisco para glosar os valores compensados e aplicar a multa isolada foi o fato de o ente público não ter demonstrado direito liquido e certo quanto ao recolhimento indevido as contribuição sobre a remuneração paga as agentes políticos. No caso, embora tenha ingressado em juízo pleiteando o direito a compensação, demonstrou a autoridade fiscal o descumprimento do requisito básico, qual seja: comprovar o recolhimento indevido, bem como apresentar a planilha com as competências e valores compensados. De fato, os contribuintes, tendo efetuado recolhimento de contribuições indevidas, têm a faculdade de se compensarem destes valores com tributos de mesma natureza, vencidos e vincendos. Todavia, para os tributos submetidos a sistemática do lançamento por homologação, tem o fisco a prerrogativa de, no prazo decadencial, analisar o procedimento compensatório e efetuar a homologação, caso conclua pela sua justeza, ou exigir os tributos que tenham sido compensados ao arrepio da lei. No caso sob enfoque, o fisco, ao verificar que o contribuinte utilizou para compensação créditos decorrentes de sentença judicial sem caráter de definitividade, em afronta ao que determinava a própria decisão, glosou os valores e está a exigir a quantia compensada indevidamente. Assim, embora a norma faculte ao sujeito passivo a possibilidade de compensação, cabe ao fisco verificar se esta se deu nos moldes autorizados pela legislação. Utilizou o fisco exatamente do seu poderdever de analisar o procedimento compensatório e, ao se deparar com o irregular encontro de contas, lançou os valores incorretamente compensados. Concluise, assim, que a glosa dos valores compensados indevidamente está em sintonia com as normas que regem a matéria, sendo descabido o inconformismo da recorrente. Multa Isolada Quanto a aplicação da multa isolada, transcrevo voto do ilustre Conselheiro Kleber Araújo, no processo 10.384.722640/201121, onde o mesmo aborda de forma profícua a matéria: Sobre a aplicação da multa isolada, no patamar de 150%, fundamentou, fl. 13 fundamentou crédito Alega a empresa que a multa isolada é exorbitante, ferindo os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, além de que Fl. 701DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA 10 somente poderia ser aplicada caso o fisco comprovasse a ocorrência de fraude, o que não ocorreu. Vejamos o dispositivo da Lei n.º 8.212/1991 em que se baseou o fisco para aplicação da multa isolada: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Observase que a aplicação da multa isolada é condicionada a comprovação de falsidade na declaração prestada pelo contribuinte. Na situação sob análise, não há como negar que o sujeito passivo declarou valores a compensar que, embora tivessem sido reconhecidos em sentença judicial, não poderiam ser objeto de procedimento compensatório até o transito em julgado da decisão do Judiciário. Verificase, assim, que o processo não trata de compensação de créditos inexistentes ou mesmo objeto de fraude, mas de valores que, até o implemento de determinada condição, não poderiam ser utilizados para encontro de contas com a Fazenda. Para que restasse caracterizada a falsidade mencionada no § 10 do art. 89, entendo que deveria ser comprovada a fraude, conceituada no art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, verbis: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. O fisco tenta caracterizar a fraude sob a alegação de que a empresa, mesmo tomando ciência do teor da decisão que condicionava a compensação ao seu trânsito em julgado, utilizou os créditos. Entendemos, todavia, que a compensação com base em sentença judicial sem caráter de definitividade deve ser punida com a imposição dos acréscimos legais, jamais ser tratada como falsificação, com aplicação de multa isolada no patamar de 150%. Diante do exposto, entendo que deva ser afastada a multa isolada, por falta de caracterização de conduta fraudulenta por parte do ente publico, considerando que o Fl. 702DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10540.720758/201094 Acórdão n.º 2401002.905 S2C4T1 Fl. 7 11 descumprimento das normas capazes de convalidar o direito creditório não caracterizamse, em princípio fraude. CONCLUSÃO Voto pelo conhecimento do recurso, PARA NO MÉRITO DARLHE PROVIMENTO. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 703DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10530.723936/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/10/2006 a 31/12/2006
COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-002.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/10/2006 a 31/12/2006 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/10/2006 a 31/12/2006 COFINS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR ORIGINADO DE OPERAÇÕES VINCULADAS À VENDAS EFETUADAS COM INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O saldo credor da Cofins obtido com base em créditos relacionados às operações vinculadas às vendas tributadas, regra geral, só pode ser aproveitado diminuindo o valor devido da contribuição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 39 36 /2 00 9- 14 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/201 3 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO 2 Relatório Por meio de Pedido Eletrônico de Ressarcimento transmitido eletronicamente em 24/01/2007, a interessada, que atua no ramo de venda, no varejo, de combustíveis e lubrificantes, postulou o ressarcimento de saldo credor da Cofins apurado ao final do 4º trimestre de 2006 após a dedução, da soma dos créditos, do valor devido da contribuição em cada um dos períodos de apuração que compõem o referido trimestre. A DRF em Feira de SantanaBA indeferiu o pedido de ressarcimento sob o argumento de que os créditos em questão não se encaixam na norma prevista pelo artigo 16 da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, podendo ensejar apenas sua utilização na diminuição do valor da contribuição devida. Na Manifestação de Inconformidade a interessada defendeu a utilização do crédito em compensação (sic) citando como base legal o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; os inciso I e II do artigo 16 da Lei nº 11.116, de 2005; o art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e o art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004. Reproduziu ementa de decisão do STJ sobre compensação de débitos, entendendo lhe socorrer, e, ao final, pediu o reconhecimento do crédito e a “extinção da dívida” (sic). A 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em SalvadorBA manteve o indeferimento, na linha do entendimento da DRF. No Recurso Voluntário a interessada repetiu as mesmas argumentações de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/201 3 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO Processo nº 10530.723936/200914 Acórdão n.º 3401002.173 S3C4T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Despacho da DRF em Feira de SantanaBA dá conta da tempestividade do Recurso Voluntário, que, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Inicialmente, de afastar da análise a aplicação dos dispositivos legais e infralegais, bem como decisão do STJ colacionada, equivocadamente invocados pela Recorrente em seu auxílio, porquanto não relacionados à matéria em julgamento. Refirome aqui ao artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; ao art. 34 da IN SRF nº 900, de 2008; e ao art. 26 da IN SRF nº 460, de 2004, visto que tratam eles de compensação de débitos, enquanto que o que está em julgamento é o ressarcimento de créditos da Cofins apurados sob o regime da nãocumulatividade. Créditos esses que, de acordo com as fichas do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) anexadas ao processo, tiveram como origem as aquisições no mercado interno e vinculadas à receita tributada no mercado interno, mais especificamente, sobre as rubricas Bens Adquiridos para Revenda, Despesas com Energia Elétrica, Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica, Despesas de Contraprestação de Arrendamento Mercantil, e Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado. Ou seja, os créditos em discussão não têm origem em operações que possuam vinculação com vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. Mas, a Recorrente entende que seu direito está lastreado nos seguintes dispositivos: à No art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. à Combinandoo com o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3 o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/201 3 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO 4 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Ora, da leitura desses dois artigos, depreendese que o pedido de ressarcimento a que alude o inciso II do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, é para aquele saldo credor que cumpre duas condições cumulativas, quais sejam, a primeira, que tenha sido apurado na forma do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e, a segunda, que esse saldo credor tenha se acumulado em virtude da existência de créditos vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Cofins. E, como dito acima, a segunda das condições não foi atendida neste caso, já que os créditos que ensejaram o saldo credor objeto do pedido de ressarcimento estão vinculados apenas às operações de vendas tributadas. Ou, dito de outra forma, a interessada, acertadamente, não postula créditos calculados sobre as aquisições vinculadas às operações de venda efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, pelo simples fato de que, referindose elas a gasolina, óleo diesel e álcool, há vedação expressa nesse sentido, a teor do contido no inciso I, alínea “a”, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. Vejamos de que tratam tais dispositivos: [...] Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] Art. 1º A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: [...] III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/201 3 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO Processo nº 10530.723936/200914 Acórdão n.º 3401002.173 S3C4T1 Fl. 4 5 de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; [...] Vêse, pois, que o saldo credor em discussão submetese à regra geral de aproveitamento dos créditos do regime da nãocumulatividade, qual seja, o da diminuição da contribuição devida, consoante, aliás, preceitua o caput do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. Pelo exposto, nego provimento ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/201 3 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ODASSI GUERZONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.720171/2007-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
Ementa:
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO.
VÍCIO FORMAL Notificação De Lançamento Aplicação do inciso IV, do artigo 11, do Decreto nº 70.235/72. Não há que se reconhecer vício formal no lançamento, posto que está em consonância com o ordenamento processual administrativo, que permite que se faça este ato vinculado tão somente por processo eletrônico, desde de que identificado o servidor competente com o seu número de identificação.
VALIDADE DA CIÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
(Súmula CARF nº 9).
Numero da decisão: 2202-002.006
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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VÍCIO FORMAL Notificação De Lançamento Aplicação do inciso IV, do artigo 11, do Decreto nº 70.235/72. Não há que se reconhecer vício formal no lançamento, posto que está em consonância com o ordenamento processual administrativo, que permite que se faça este ato vinculado tão somente por processo eletrônico, desde de que identificado o servidor competente com o seu número de identificação. VALIDADE DA CIÊNCIA DA NOTIFICAÇÃO POR VIA POSTAL É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula CARF nº 9). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (Assinado Digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez , Odmir Fernandes, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 11080.720171/200715 Acórdão n.º 220202.006 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento, fls. 01 a 04, através da qual se exige da interessada, o Imposto Territorial Rural — ITR, relativo ao exercício de 2005, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de R$ 111.741,03, incidente sobre o imóvel rural denominado "AVIPAL XII — GR CHAMMBA", com NIRF — Número do Imóvel na Receita Federal — 2.239.3285, localizado no município de Viamão/RS. As alterações no cálculo do imposto estão demonstradas As fls. 03 e 04. De acordo com o relato da autoridade fiscal em procedimento fiscal do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao ITR, do exercício de 2005, a contribuinte regularmente intimada a comprovar a Area declarada de benfeitorias úteis e necessárias destinadas a atividade rural, deixou de se manifestar sobre o caso. Assim, essa Area foi glosada, constituído o crédito tributário através da notificação de lançamento conforme previsto em lei. Cientificada do lançamento em 19/12/2007, conforme AR de fl. 44, a interessada apresentou em 24/01/2008, impugnação às fls. 45 a 47, aduzindo, em suma, que: Contrariamente ao que constou na Descrição dos Fatos, apresentou laudo de avaliação da Area, com a descrição das benfeitorias declaradas, mas devido a autoridade fiscal ter alegado que não houve a devida comprovação, apresenta novamente o documento, acompanhado de fotos para comprovar as benfeitorias existentes no imóvel; Requer suspensão da exigibilidade do crédito tributário; produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a documental; Por último, solicita cancelamento do débito fiscal. As fls. 114 e 115 foi apresentada uma complementação da peça impugnatória, em que a interessada pugna pela tempestividade da impugnação, ao argumento de que a intimação foi recebida por pessoa não autorizada e que somente b os diretores da empresa possuem capacidade para receber notificações, intimações, sendo inválido qualquer documento firmado por pessoas não habilitadas para tal, conforme os atos constitutivos da empresa. Eventual intempestividade apenas protelará o julgamento improcedente do auto de infração para a esfera judicial, com custas a honorários advocaticios arcados para a Fazenda Nacional. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade por não conhecer da impugnação através do acórdão DRJ/CGE n° 0419.124, de 20 de novembro de 2009, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 Exercício: 2005 Impugnação Intempestiva. Eventual petição apresentada fora de prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento e não suspende a exigibilidade do crédito tributário. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, onde reitera os argumentos da impugnação, acrescentando o argumento que houve vício formal tendo em vista que a notificação de lançamento não contem a assinatura da autoridade lançadora. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 11080.720171/200715 Acórdão n.º 220202.006 S2C2T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Em preliminar, o Recorrente apontou vício de forma por falta de requisitos essenciais à validade do ato administrativo, como: ausência da assinatura, nos termos do artigo 11, do Decreto 70.235/72. Certamente, não há que se reconhecer vício formal no lançamento, posto que está em consonância com o ordenamento processual administrativo, que permite que se faça este ato vinculado tão somente por processo eletrônico, desde de que identificado o servidor competente com o seu número de identificação. É o que se depreende do parágrafo único, do artigo 11, do Decreto 70.235/72: Artigo 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: (....) Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Da leitura de fls. 02, extraise que o Sr. Mario César Martins Fernandez, Delegado da DRF, matriculado sob nº 008561138, é o servidor competente pela realização do ato administrativo de lançamento tributário, estando, pois, preenchidos todos os seus requisitos de validade sem qualquer nulidade que o vicie. Quanto a tempestividade da impugnação, alega a Recorrente que somente os diretores ou procuradores expressamente designados tem poderes para poder receber as intimações. Entendo que não assiste razão a Recorrente, devemos aplicar nesse caso a Súmula CARF nº 9: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Diante do exposto, conheço do recurso e nego provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 240DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000238/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
IMPOSTO RETIDO NA FONTE. SÓCIO QUOTISTA. COMPENSAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Comprovando-se que o imposto de renda retido na fonte foi declarado em DIRF e recolhido aos cofres da União, devese
admitir a sua compensação na DIRPF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-001.870
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IMPOSTO RETIDO NA FONTE. SÓCIO QUOTISTA. COMPENSAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Comprovando-se que o imposto de renda retido na fonte foi declarado em DIRF e recolhido aos cofres da União, devese admitir a sua compensação na DIRPF. Recurso Voluntário Provido
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SÓCIO QUOTISTA. COMPENSAÇÃO NO AJUSTE ANUAL. Comprovandose que o imposto de renda retido na fonte foi declarado em DIRF e recolhido aos cofres da União, devese admitir a sua compensação na DIRPF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 51DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 1811.563, (fl. 17), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. A descrição dos fatos à fl. 03 informa que o lançamento foi realizado em virtude da compensação indevida do imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 1.743,00, referente à fonte pagadora Uriel Industrial LtdaME. Ao apreciar o litígio, instaurado com a impugnação às fls. 01/02, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. CONTRIBUINTE RESPONSÁVEL POR PESSOA JURÍDICA. Para se utilizar do imposto retido como dedução, na sua declaração de ajuste anual, o contribuinte responsável pela pessoa jurídica deve comprovar, além da retenção, também o recolhimento do imposto retido pela fonte devido pela empresa por ele administrada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu apelo ao CARF, às fls. 106/109, o recorrente reitera o seu pedido pela compensação do IRRF informado na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2005, juntando aos autos documentos de recolhimento do imposto retido e a informação em DIRF. É o Relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. O litígio em exame decorre exclusivamente da glosa do IRRF compensado pela contribuinte em sua DIRPF do exercício de 2005, no valor de R$ 1.743,00. Do exame das peças processuais, verificase que os fatos alegados pelo recorrente encontram suporte em elementos de prova nos autos. Com efeito, os fundamentos da decisão recorrida foram vazados nos seguintes termos: O motivo da glosa do imposto de renda na fonte foi a não comprovação do seu recolhimento, tendo em vista que o contribuinte é responsável pela empresa URIEL Industrial Ltda, sendo solidariamente responsável pelo recolhimento do imposto. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 13052.000238/200756 Acórdão n.º 210101.870 S2C1T1 Fl. 2 3 Com a impugnação, o autuado junta a cópia da DIRF apresentada pela empresa, referente ao anocalendário 2004, cuja entrega está confirmada pelo extrato do sistema SIEF, de fl. 15. A referida DIRF comprova a retenção do imposto de renda na fonte de R$ 1.743,27.... É, pois, a retenção do imposto pela fonte pagadora que cria o direito de o contribuinte compensálo com o valor apurado anualmente. O contribuinte sofre a incidência do imposto no momento em que recebe o rendimento e é neste momento, caso tenha ocorrido a retenção, que nasce o direito de compensálo na declaração. No presente caso, consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil (fl. 16) que o contribuinte, no anocalendário em litígio, era sócio administrador da empresa URIEL Industrial Ltda – ME... Como se vê, a legislação vigente prevê que os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são solidariamente responsáveis com a empresa pelo não recolhimento do imposto sobre a renda descontado na fonte. Neste contexto, ao contribuinte responsável pela pessoa jurídica cabe não apenas a obrigação de comprovar a retenção; mas para se utilizar desta como dedução na sua declaração de ajuste anual, deve também comprovar o recolhimento do imposto retido na fonte devido pela empresa por ele administrada. Pois bem. À DIRF apresentada em sede de impugnação, juntouse os DARF’s de recolhimento do IRRF, realizado pela fonte pagadora Uriel Industrial LtdaME, CNPJ nº 04.060.607/000170, durante o anocalendário de 2004 (fls. 29/40), confirmados nos sistemas da Receita Federal do Brasil, conforme tela consulta pagamento à fl. 28. Desta forma, comprovandose que o imposto de renda retido na fonte foi declarado em DIRF e recolhido aos cofres da União, devese admitir a sua compensação na DIRPF do beneficiário (fl. 10) e restituir o imposto apurado de R$162,60, acrescido dos juros moratórios. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 53DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 10140.720480/2010-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS.
PRÓ LABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. DISTINÇÃO EFETIVA ENTRE AS VERBAS. ESTABELECIMENTO EXPRESSO NO CONTRATO SOCIAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AUFERIDA POR MEIO DE
APLICAÇÃO DE PERCENTUAL REFERENTE A LUCRO PRESUMIDO
PELA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA EMPRESA As remunerações por pró labore e participação nos resultados devem restar
cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social.
O plexo de significantes normativos previdenciários não estipula um valor mínimo a título de pró labore, deve, assim, o instrumento constitutivo da sociedade prever de forma certa ou determinável seu quantum. Previsão expressa do valor referente ao pró labore no Contrato Social. Fixada esta base, o que a ela exceder deve ser considerada remuneração oriunda da
participação do sócio nos resultados. O valor que exceder ao pró labore deve ser considerado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.
O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991.
Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).
Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991
combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e
da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991
Numero da decisão: 2301-002.814
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para integrar ao Salário de Contribuição, nas competências dos fatos geradores, somente a remuneração até o limite de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física, conforme consta do Contrato Social, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Recorrente SERVANGIO SERVICOS MEDICOS S/S Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Previdenciárias Período de Apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO DOS SÓCIOS. PRÓLABORE E DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. NECESSIDADE DISCRIMINAÇÃO. DISTINÇÃO EFETIVA ENTRE AS VERBAS. ESTABELECIMENTO EXPRESSO NO CONTRATO SOCIAL. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AUFERIDA POR MEIO DE APLICAÇÃO DE PERCENTUAL REFERENTE A LUCRO PRESUMIDO PELA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA EMPRESA As remunerações por prólabore e participação nos resultados devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. O plexo de significantes normativos previdenciários não estipula um valor mínimo a título de prólabore, deve, assim, o instrumento constitutivo da sociedade prever de forma certa ou determinável seu quantum. Previsão expressa do valor referente ao prólabore no Contrato Social. Fixada esta base, o que a ela exceder deve ser considerada remuneração oriunda da participação do sócio nos resultados. O valor que exceder ao prólabore deve ser considerado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista Fl. 315DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 2301002.814 S2C3T1 Fl. 2 2 com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para integrar ao Salário de Contribuição, nas competências dos fatos geradores, somente a remuneração até o limite de isenção do Imposto de Renda Pessoa Física, conforme consta do Contrato Social, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator; II) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento integral da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Presentes à sessão de julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzáles Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Auto de Infração de Nº 37.229.1645, lavrado em face de SERVANGIO SERVICOS MEDICOS S/S, do qual foi notificado em 27/09/2010, em virtude de ter deixado a Recorrente de proceder com o regular recolhimento das contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social referentes às contribuições da empresa incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos seus sócios (contribuintes individuais) correspondentes à rubrica Contribuinte Individual – patronal – 20%. Afirma o Relatório Fiscal que os valores foram apurados pelos depósitos bancários de pagamentos feitos pela empresa aos seus sócios no período de 01/2006 a 12/2007, sob a denominação de “distribuição de lucros”. Todavia, afirma o Relato, que tais pagamentos, Fl. 316DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 2301002.814 S2C3T1 Fl. 3 3 na verdade, se referem à remuneração pelos serviços médicos prestados pelos sócios e não à mencionada distribuição de lucro. Aduz ainda que a empresa Recorrente é constituída como sociedade simples e realiza serviços ligados à área médica, os quais são prestados pessoalmente por profissional médico e faturado para diversos clientes, dentre eles, hospitais e empresas de convênio de saúde. No entender da Fiscalização, as receitas da Recorrente são obtidas a partir da força de trabalho médico dos próprios sócios, os quais foram remunerados da seguinte forma: a) Somente aos dois sócios administradores (Mauri Luiz Camparin e Wagner Sayd Carvalho), foram pagos ou creditados a título de prólabore uma remuneração mensal equivalente a um salário mínimo, conforme declarada em GFIP anexada aos autos. Todavia, pelo que se depreende da interpretação combinada das cláusulas sétima e nona do contrato social, os sócios fazem jus a uma retirada mensal a título de prólabore em valor até o limite de isenção da tabela de imposto de renda a ser estabelecida em ata de reunião dos quotistas. b) A todos os sócios, inclusive aos administradores, a empresa efetuou vários pagamentos a título de distribuição de lucro, os quais foram partilhados entre os sócios de acordo com a produção de cada um, conforme estabelecido em cláusulas específicas do contrato social. Conclui, por fim, o Relatório, afirmando que como não houve discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, a base de cálculo da contribuição é toda é remuneração paga pela empresa aos seus sócios a título de “distribuição de lucros” ao longo do período analisado pela Fiscalização. Para fins de regularização, foi imputado a Recorrente o pagamento do valor de R$ R$ 63.234,58 (sessenta e três mil, duzentos e trinta e quatro reais e cinquenta e oito centavos). Irresignada, apresentou a Recorrente impugnação no escopo de desconstituir o lançamento pelo Fisco realizado, não tendo, todavia, obtido julgamento procedente do seu pedido, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO. SOCIEDADE SIMPLES A base de cálculo das contribuições relativas aos sócios da Sociedade Simples corresponde aos valores totais pagos ou creditados estes, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houve discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. INCONSTITUCIONALIDADE Impossibilidade de análise, por parte de órgãos administrativos de julgamento, acerca da inconstitucionalidade e da ilegalidade de dispositivos legais em vigor no ordenamento jurídico pátrio, por ser esta competência exclusiva do Poder Judiciário Impugnação Improcedente Fl. 317DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 2301002.814 S2C3T1 Fl. 4 4 Crédito Tributário Mantido Insatisfeita com a decisão proferida, apresentou a Recorrente Recurso Voluntário alegando em suma: a) A improcedência das exações em virtude do fato de que os valores repassados aos sócios são, realmente, distribuição de lucros, e não remuneração a título de prólabore. b) Que a sociedade presta um serviço de alta complexidade, especializado, o que, consequentemente, torna compreensível que seus serviços sejam remunerados de acordo com a sua complexidade e responsabilidade. c) Que é irrazóavel impor a impugnante que possua um capital social elevado para realizar suas atividades, de forma contrária a legislação tributária. d) Que não há nenhum dispositivo legal que obrigue as pessoas jurídicas a remunerarem seus sócios com valores a título de prólabore. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Da procedência em parte do lançamento Em seu Recurso, afirma a Recorrente serem indevidas as exações no presente processo discutidas, uma vez que os valores repassados aos sócios são, realmente, distribuição de lucros, e não remuneração a título de prólabore. É que, conforme se depreende das alegações dos autos, a Recorrente adota o tipo de organização societária conhecido como sociedade de pessoas, prestando serviços de alta complexidade, especializado, o que, consequentemente, torna compreensível que seus serviços sejam remunerados de acordo com a sua complexidade e responsabilidade. Afirma ainda que não há nenhum dispositivo legal que obrigue as pessoas jurídicas a remunerarem seus sócios com valores a título de prólabore. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 2301002.814 S2C3T1 Fl. 5 5 Ocorre que, a partir da análise dos autos, não há que se falar em total procedência no lançamento pelo Fisco realizado, vez que, consoante o a seguir demonstrado, a empresa Recorrente, em seu contrato social, procedeu com a discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social, nos termos do inciso II, do §5º, do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. Destarte, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre os valores totais pagos ou creditados aos sócios. Na construção do raciocínio que embasará o presente julgamento, cabe, de início, trazer à tona o disposto no artigo 12 da Lei 8.212/91, o qual elenca as pessoas físicas que se revestem da condição de segurados obrigatórios da Previdência Social, a saber: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (.........) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (.......) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (Grifo meu) Por remuneração, entendese, via de regra, os valores que venham a integrar o saláriodecontribuição, isto é, “a expressão que quantifica a base de cálculo de contribuição previdenciária dos segurados da previdência social, configurando a tradução numérica do fato gerador”. (IBRAHIM, 2010). As verbas remuneratórias, portanto, integram o saláriodecontribuição, sendo este, inclusive, o expresso teor do inciso III do 28 da Lei 8.212/91, que dispõe: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Grifo meu) A partir dessa lição, portanto, concluise que o sócio que recebe remuneração é segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de contribuinte individual, vez que as verbas por ele recebidas sob esta rubrica constituem base de cálculo de contribuição previdenciária, por integrarem o saláriodecontribuição. Para a resolução da controvérsia em análise, ou seja, a possibilidade de incidência, ou não, de contribuição previdenciária sobre a remuneração dos sócios, é mister, de início, identificar quais as formas por meio das quais o sócio pode ser remunerado pelo seu trabalho em uma empresa. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 2301002.814 S2C3T1 Fl. 6 6 Nesse sentido, é válida a análise dos dispositivos legais no Decreto 3.048/99, Regulamento da Previdência Social, que, em seu artigo 201, §5º, inciso II estabelece: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (.......) § 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (Grifo meu) Tem o mesmo teor a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, vigente à época, período de 01/2006 a 12/2007, a qual estabelecia, em relação à Sociedade Simples ,em seu artigo 71, §5º, o seguinte: Art. 71. As bases de cálculo das contribuições sociais previdenciárias da empresa e do equiparado são as seguintes:(Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009) (........) 5º No caso de Sociedade Simples de prestação de serviços relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa em relação aos sócios contribuintes individuais terá como base de cálculo: I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa, formalizada conforme disposto no inciso IV do caput e no § 4º, ambos do art. 60; II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social. Pela leitura dos diplomas normativos em destaque, constatase duas formas de remuneração dos sócios, quais sejam: a remuneração decorrente do trabalho, ou prólabore e aquela proveniente do capital social, a qual, no caso ora em discussão, é paga por meio do procedimento de distribuição mensal dos lucros auferidos pela empresa, obedecido o critério da proporcionalidade na participação do capital social. Tais formas de remuneração devem restar cabalmente discriminadas, de maneira a evitar a incidência da contribuição previdenciária sobre o total dos valores pagos aos sócios à luz do disposto no inciso II do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social. Tal distinção se presta a permitir que seja perscrutada a legalidade e pertinência dos valores, que devem ser condizentes com cada forma de remuneração. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 2301002.814 S2C3T1 Fl. 7 7 Partindo da premissa de que o plexo de significantes normativos do Direito Previdenciário não estipula um valor mínimo a título de prólabore, deve o instrumento constitutivo da sociedade prever de forma certa ou determinável seu quantum. Até porque, podem os sócios de uma sociedade simples quando da constituição da sociedade, decidirem por receber um prólabore mínimo equivalente a um salário mínimo mensal, paralelamente apostariam no sucesso da empresa e receberiam maiores valores a titulo de distribuição de lucros, atendendo assim no meu entendimento as acima mencionadas disposições legais. Além do mais, é válido destacar que a organização societária neste processo discutida apresenta características de sociedade de pessoas, nas quais “a realização do objeto social depende mais dos atributos individuais dos sócios que da contribuição material que eles dão”. (COELHO, 2010). Destarte, neste tipo societário, as qualidades subjetivas do sócio interferem diretamente na consecução do fim social, a qual depende, dentre outros fatores, da capacitação dos sócios para o negócio, do ânimo para o desempenho de atividades e do empenho e trabalho constantes de cada sócio para que seja efetivamente concretizado o objeto social. Trazendo essa importante premissa para a controvérsia nestes autos discutida, vêse que a Recorrente presta um serviço de alta complexidade, especializado, o que, consequentemente, torna compreensível que seus serviços sejam remunerados de acordo com o seu empenho, responsabilidade e dedicação ao serviço. Resta, portanto, corroborado o argumento segundo o qual a realização do objeto social em uma sociedade de pessoas, no caso dos autos, uma dedicada à prestação de serviços médicos, estará diretamente ligada às qualidades pessoais dos sócios e ao empenho destes na execução de atividades. Além do mais, não se pode olvidar o fato de que, justamente por depender do empenho e das qualidades pessoais de cada sócio, pode ser que, em um determinado mês, a sociedade passe por um período de crise em virtude, por exemplo, da baixa demanda pelos serviços por ela prestados ou pela saída repentina de sócios prestadores de serviços. Tal conjuntura, muito provavelmente, acarretará em uma baixa no faturamento mensal, levando a sociedade a cortar gastos, restando prejudicado, assim, o pagamento de prólabore dos sócios remanescentes em valor igual ou superior à conjuntura anterior ao cenário de crise. Pela análise do Contrato Social juntado aos autos, verificase que a Recorrente estabeleceu, expressamente, uma remuneração a título de prólabore, conforme se depreende da cláusula nona do contrato social, que estabelece: 9ª Cláusula – PróLabore: Os sócios farão jus a uma retirada mensal a título de prólabore o valor correspondente até o limite de isenção da tabela de imposto de renda e a ser estabelecida em ata de reunião dos quotista (sic), os quais serão levadas a despesas da empresa. (Grifo meu) Fl. 321DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 2301002.814 S2C3T1 Fl. 8 8 Quanto à distribuição dos lucros, vêse que também procedeu a Recorrente com a previsão expressa dessa forma de remuneração na cláusula sexta (DO EXERCÍCIO SOCIAL) do Contrato Social, tendo, posteriormente, confirmado essa política de resultados na Primeira Alteração Contratual, consoante o estabelecido em sua cláusula terceira, abaixo transcrita: 3ª Cláusula: Em 31 de dezembro de cada ano, serão levantados o balanço de resultado econômico e o balanço patrimonial. Os resultados serão partilhados entre os sócios na proporção de sua produção. Mediante balancetes especais os lucros poderão ser distribuídos em qualquer período do exercício. Os prejuízos serão mantidos em conta especial para compensação com lucros futuros. (Grifos meus) Restam, portanto, devidamente preenchidos os requisitos previstos no inciso II, do §5º do artigo 201 do Regulamento da Previdência Social, de maneira que não há razões para que seja objeto de incidência de contribuição previdenciária o total de remunerações pagas ou creditadas aos sócios, vez que houve a distinção entre a remuneração decorrente do trabalho (prólabore) e proveniente do capital social. Em que pese o cenário acima, suficiente para atestar a cabal distinção nas formas de remuneração dos sócios pelos serviços prestados, é válido destacar, apenas a título de argumentação, que não pode a Administração Pública se perder em elucubrações obscuras acerca de qual seria o prólabore médio pago em sociedades de pessoas semelhantes às da Recorrente. Ora, tal tarefa não só extrapolaria o campo de discricionariedade típica de alguns atos administrativos, como também, se levada ao extremo, poderia afrontar os princípios da Legalidade, da Isonomia e da Impessoalidade, tão caros à Administração e frutos do Estado Democrático de Direito, visto que, consoante o já afirmado, a legislação previdenciária não estabelece um valor máximo ou mínimo a referente à remuneração pelo trabalho despedido. Destarte, em virtude de tais premissas, não cabe à Administração a partir de perspectivas de mercado, cenário incerto, poroso e fluido, arbitrar qual seria a remuneração ideal a título de prólabore a ser paga em uma sociedade de pessoas. A Administração, portanto, deve permanecer numa posição de neutralidade em relação às pessoas privadas, sem discriminação nem favoritismo, razão pela qual o princípio da impessoalidade acaba por corresponder, no âmbito prático, a um desdobramento do princípio da isonomia. Somese a estes inexoráveis pressupostos o fato de que o Fiscal responsável pela lavratura originária do Auto de Infração neste processo discutido sequer especulou qual seria o valor médio de mercado a ser considerado como prólabore a ser pago aos sócios que realizam as atividades próprias da empresa Recorrente, o que, por si só, já inviabiliza qualquer discussão a respeito dessa matéria nesta esfera administrativa de julgamento. A questão nuclear que motivou a autuação foi, conforme se depreende claramente do Relatório Fiscal, a alta lucratividade da empresa. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 2301002.814 S2C3T1 Fl. 9 9 Fixada, portanto, a partir do expressamente disposto nos Atos Constitutivos da Empresa Recorrente, esta primeira premissa, isto é, a determinação do prólabore como valor correspondente até o limite de isenção da tabela de imposto de renda à época dos fatos geradores, o que a este limite exceder deve ser considerado remuneração oriunda da participação do sócio nos resultados, paga por meio da distribuição dos lucros auferidos pela empresa. Com esse posicionamento, busca este relator atender ao fim maior da legislação invocada, levando ao pé da letra o princípio da isonomia. Sobre esses valores não incide contribuição previdenciária, desde que a quantia distribuída esteja respaldada, por meio de sua contabilidade, em demonstração de resultado – DRE, mensal, corroborando a natureza de lucro superior a sua base de cálculo presumida. É este, inclusive, o teor da Solução de Consulta Número 46, formulada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em 24 de maio de 2010, publicada no DOU de 14.06.2010, cujo teor é o seguinte: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias EMENTA: DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS AOS SÓCIOS. NÃO INCIDÊNCIA. O sócio cotista que receba pro labore é segurado obrigatório do RGPS, na qualidade de contribuinte individual, havendo incidência de contribuição previdenciária sobre o pro labore por ele recebido. Não incide a contribuição previdenciária sobre os lucros distribuídos aos sócios quando houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho (pro labore) e a proveniente do capital social (lucro) e tratarse de resultado já apurado por meio de demonstração do resultado do exercício. DRE. Estão abrangidos pela não incidência os lucros distribuídos aos sócios de forma desproporcional à sua participação no capital social, desde que tal distribuição esteja devidamente estipulada pelas partes no contrato social, em conformidade com a legislação societária. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei No 8.212/1991, art. 12, inc. V, alínea "f"; Decreto No 3.048/1999 Regulamento da Previdência Social RPS, art. 201, caput e §§ 1º e 5º, incs. I e II; Lei N° 10.406/2002, arts. 997, incs. IV e VII, 1.007, 1.008, 1.053 e 1.054. Seguindo a trilha desse raciocínio, no presente lançamento não foi objeto de contestação fiscal o descumprimento dessa exigência legal de demonstração contábil de lucro superior a sua base de cálculo, devendo pois ser presumido a adequação a esse requisito. Por fim, ressaltese, como dito, que a legislação previdenciária não regra o valor mínimo ou máximo a ser pago a título de prólabore, o que permite aos sócios adotarem políticas de gestão baseadas no resultado, para reduzir o valor da remuneração do trabalho, acreditando na remuneração do capital. No entanto, essa opção deve vir acompanhada dos requisitos legais, tais como segregação dos valores pagos, previsão contratual quanto ao prólabore, regramento da distribuição dos lucros e contabilidade ajustada, apta a dar suporte aos valores pagos. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 2301002.814 S2C3T1 Fl. 10 10 Nessa linha de coerência, ausentes tais instrumentos acessórios inafastáveis, despese a Recorrente do direito de optar pela forma de remuneração de seus sócios que melhor lhe atenda, sujeitandose ao arbitramento ora feito. Assim, considerandose o raciocínio ate então desenvolvido, como a contribuição ora discutida no presente lançamento referese à rubrica empresa, o valor que exceder ao salário mínimo por sócio, à época dos fatos geradores, deve ser considerado como distribuição de lucros. Da multa aplicada A autuação em comento referese ao descumprimento pelo contribuinte da sua obrigação tributária principal, consistente no dever de recolher a contribuição previdenciária dentro do prazo previsto em lei. Além do pagamento do tributo não recolhido, a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores previa a imposição ao contribuinte da penalidade correspondente ao atraso no pagamento, conforme art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido não tivesse sido incluído em notificação fiscal de lançamento, (II) de 12% a 50% para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal, e (III) de 30% a 100% nos casos em que o débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa. Como se depreende do caput do art. 35 referido (sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos...) a penalidade decorria do atraso no pagamento, independentemente de o lançamento ter sido efetuado de ofício ou não. Em outras palavras, não existia na legislação anterior a multa de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso no recolhimento da contribuição. A punição do art. 35 da referida lei dirigiase à demora no pagamento, sendo mais agravada/escalonada de acordo com o momento em que fosse recolhida. Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35. A análise dessa nova disciplina sobre a matéria, introduzida em dezembro/2008, adquire importância em face da retroatividade benigna da legislação posterior que culmine penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos termos do art. 106, II do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 324DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 2301002.814 S2C3T1 Fl. 11 11 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe, portanto, analisar as disposições introduzidas com a referida MP nº 449/2008 e mantidas com a sua conversão na Lei nº 11.941/2009: Art. 35 da Lei nº 8.212/1991 Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 61 da Lei nº 9.430/1996 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. À primeira vista, a indagação de qual seria a norma mais favorável ao contribuinte seria facilmente resolvida, com a aplicação retroativa da nova redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última a utilizada nos casos em que a multa de mora excedesse o percentual de 20% previsto como limite máximo pela novel legislação. Contudo, o art. 35A, também introduzido pela mesma Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de ofício, conduta esta não tipificada na legislação anterior, calculado da seguinte forma: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; Fl. 325DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 2301002.814 S2C3T1 Fl. 12 12 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pela nova sistemática aplicada às contribuições previdenciárias, o atraso no seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/1996). Sendo o caso de lançamento de ofício, a multa será de 75% (art. 44 da Lei nº 9.430/1996). Não existe qualquer dúvida quanto à aplicação da penalidade em relação aos fatos geradores ocorridos após o advento da MP nº 449/2008. Contudo, diante da inovação em se aplicar também a multa de ofício às contribuições previdenciárias, surge a dúvida de com que norma será cotejada a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 para se verificar a existência da penalidade mais benéfica nos moldes do art. 106, II, “c” do CTN. Isto porque, caso seja acolhido o entendimento de que a multa de mora aferida em ação fiscal está disciplinada pelo novo art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei 9.430/1996, terá que ser limitada ao percentual de 20%. Ocorre que alguns doutrinadores defendem que a multa de mora teria sido substituída pela multa de ofício, ou ainda que esta seria sim prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991, na sua redação anterior, na medida em que os incisos II e III previam a aplicação da penalidade nos casos em que o débito tivesse sido lançado ou em fase de dívida ativa, ou seja, quando tivesse decorrido de lançamento de ofício. Contudo, nenhum destes dois entendimentos pode prevalecer. Consoante já afirmado acima, a multa prevista na redação anterior do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 destinavase a punir a demora no pagamento do tributo, e não o pagamento em razão de ação fiscal. O escalonamento existente era feito de acordo com a fase do pagamento, isto é, quanto mais distante do vencimento do pagamento, maior o valor a ser pago, não sendo punido, portanto, a não espontaneidade do lançamento. Também não seria possível se falar em substituição de multa de mora por multa de ofício, pois as condutas tipificadas e punidas são diversas. Enquanto a primeira relacionase com o atraso no pagamento, independentemente se este decorreu ou não de autuação do Fisco, a outra vinculase à ação fiscal. Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova multa calculada conforme o art. 35A da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício prevista em 75% do valor da contribuição devida) com o somatório das multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos da Lei nº 8.212/1991. Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o que não significa legitimidade, caso se entendesse que a multa de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da obrigação principal quanto pelo da acessória, unificandoas. Nesses casos, concluindose pela aplicação da multa de ofício, por ser supostamente a mais benéfica, os autos de infração lavrados pela omissão de fatos geradores Fl. 326DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 2301002.814 S2C3T1 Fl. 13 13 em GFIP teriam que ser anulados, já que a penalidade do art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (multa de ofício) estaria substituindo aquelas aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória, o que não vem sendo determinado pelo Fisco. Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas distintas e aplicadas em razão de condutas diversas. Conforme determinação do próprio art. 106, II do CTN, a nova norma somente retroage quando deixar de definir o ato como infração ou quando cominarlhe penalidade menos severa. Tanto em um quanto no outro caso verificase a edição de duas normas em momentos temporais distintos prescrevendo a mesma conduta, porém com sanções diversas. Assim, somente caberia a aplicação do art. 44, I da Lei nº 8.212/1996 se a legislação anterior também previsse a multa de ofício, o que não ocorria até a edição da MP nº 449/2008. A anterior multa de mora somente pode ser comparada com penalidades que tenha a mesma ratio, qual seja, o atraso no pagamento das contribuições. Revogado o art. 35 da Lei nº 8.212/1991, cabe então a comparação da penalidade aplicada anteriormente com aquela da nova redação do mesmo art. 35, já transcrita acima, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Não só a natureza das penalidades leva a esta conclusão, como também a própria alteração sofrida pelo dispositivo. No lugar da redação anterior do art. 35, que dispunha sobre a multa de mora, foi introduzida nova redação que também disciplina a multa de mora, agora remetendo ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Estes dois dispositivos é que devem ser comparados. Diante de todo o exposto, não é correto comparar a multa de mora com a multa de ofício. Esta terá aplicação apenas aos fatos geradores ocorridos após o seu advento. Para fins de verificação de qual será a multa aplicada no caso em comento, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Da Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso para, no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, determinando que seja considerada como verba repassada a título de prólabore mensal por sócio o valor disposto no Contrato Social, ou seja o valor limite de isenção para o Imposto de Renda Pessoa Física à época dos fatos geradores, considerando como distribuição de lucros a parcela de valores excedentes a esse valor, e, por fim, para determinar que sejam cotejadas as multas previstas no art. 35 em sua redação antiga e atual da Lei 8.212/91, aplicandose a que seja mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 16 de maio de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 327DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 10140.720480/201068 Acórdão n.º 2301002.814 S2C3T1 Fl. 14 14 Fl. 328DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 11080.725884/2010-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2008
DECADÊNCIA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. No entanto, o período lançado como crédito tributário não foi alcançado pela decadência.
RECÁLCULO DA MULTA DE MORA.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
TAXA SELIC.
Legalidade da Taxa SELIC nos termos do art. 62-A do Regimento Interno do CARF e da Súmula n. 3 do CARF.
ÔNUS DA PROVA.
Estando o lançamento devidamente instruído, compete ao contribuinte o ônus de prova o alegado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2403-001.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa de mora
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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INOCORRÊNCIA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. No entanto, o período lançado como crédito tributário não foi alcançado pela decadência. RECÁLCULO DA MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. TAXA SELIC. Legalidade da Taxa SELIC nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF e da Súmula n. 3 do CARF. ÔNUS DA PROVA. Estando o lançamento devidamente instruído, compete ao contribuinte o ônus de prova o alegado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de voto, dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros na questão da multa de mora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 58 84 /2 01 0- 62 Fl. 700DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725884/201062 Acórdão n.º 2403001.609 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório 1. Tratase de crédito lançado em face da PORTO ALEGRA CLÍNICAS LTDA., por meio do Auto de Infração n° 37.294.6410, cuja notificação ocorreu em 10/12/2010 (fl. 02), por ter deixado de recolher as contribuições patronais, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho – RAT, incidente sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, totalizando a importância de R$ 1.420.550,84 (um milhão, quatrocentos e vinte mil, quinhentos e cinquenta reais e oitenta e quatro centavos), referente ao período compreendido entre 01/2006 a 12/2008, incluindo décimo terceiro salário de 2006 a 2008. 2. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 78/81, constituem levantamentos do Auto de Infração, in verbis: “AD1 e AD2 Valores declarados nos lançamentos contábeis conta 238219000001 do sócio Alexandre Diamante conforme Planilha e não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP DAL Diferença de Acréscimos Legais, GPS paga com erro na atualização dos juros. D11 e D12 – Segurados empregados cat 1 declarados em DIRF código de retenção 0561, mas não incluídos em Folha de Pagamento, nem GFIP. Valores declarados mensalmente, inclusive com 13 º salário. F11 e F12 – Cruzamento entre FOPAG X GFIP. Valores pagos aos segurados empregados informados pela empresa nas folhas de pagamento e não declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. LA1 e LA2 Leandro Castro Alves – recibo. Valores lançados na contabilidade (cta 228159070) dos serviços prestados por Leandro Castro Alves. Em TIF (Termo de Intimação Fiscal nº 04/2010, solicitado o Contrato de Prestação de Serviços entre as partes. O pedido não foi atendido na sua totalidade. Anexa planilha com os lançamentos contábeis. LM1 e LM2 – Leandro Mello Valores lançados na contabilidade (ctas 121319000, 218119000, 4111111100, 462179000 e 468899000). Em TIF (Termo de Intimação Fiscal nº 04/2010, solicitado o Contrato de Prestação de Serviços entre as partes. O pedido não foi atendido na sua totalidade. Anexa planilha com os lançamentos contabeis. PF1 – Serviços Prestados PF Contabilidade – Valores lançados na contabilidade (ctas 4111111000021, 462199000 e 462111002 – Serviços Prestados a Pessoa Físicas). Contribuintes Individuais não declarados em GFIP e tampouco em Folha de Pagamento. R1 – Retenção NF Fernando Escouto Vieira – Serviços Prestados e lançados na cta 228159050. Anexa Planilha com os devidos lançamentos. S11 e S12 – Salários a Pagar, valores lançados na cta 228119001. Em TIF – Termo de Intimação Fiscal 05/2010, solicitado esclarecimentos a respeito dos lançamentos. Não foi atendido o pedido, tampouco cópia dos Fl. 702DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 documentos foram colocados a disposição. Planilha anexa com todos os lançamentos contábeis desta conta. SF1 – Salário Família Divergências. Feito confronto entre os valores declarados em GFIP e os declarados em Folha de Pagamento da rubrica salário família.” Ainda segundo o Relatório Fiscal, in verbis: “4) Os créditos previdenciários constituídos neste lançamento fiscal destinamse à: Previdência Social e referemse às contribuições da empresa sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas ao segurados empregados, sobre prolabore, e pagamento a contribuintes individuais. Também destinamse as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. 5) O fato gerador da obrigação previdenciária teve como base as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, informadas nas folhas de pagamento, Contabilidade e DIRF e não declaradas em sua totalidade nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia – GFIP´s. Em razão da MP 449, de 03/12/2008, publicada no DOU de 04/12/2008, convertida na Lei nº 11941/09, publicada no DOU de 28/05/2009, elaboramos para efeito de comparação, o cálculo da multa pela legislação vigente à época dos fatos, ou seja, multa prevista no inciso II, art. 35, de lei 8212/91 (24%), acrescida da multa pelo descumprimento de obrigação acessória e pela legislação atual, multa de ofício (75%), prevista no art . 44 da Lei 9430/96, a fim de estabelecer o valor mais benéfico ao contribuinte, demonstrado na “Planilha Comparativa da Multa”, anexa. (...) 8) Verificada a redução de contribuição social previdenciária mediante a omissão de informações na GFIP, fica o contribuinte cientificado que tal fato configura, em tese, ilícito penal, previsto no art. 337 – A, inciso I do Código Penal, com a redação dada pela Lei n° 9983/2000 e que será objeto de comunicação ao Ministério Público Federal para a eventual propositura de ação penal, em relatório à parte. 9) As bases de cálculo, as contribuições lançadas, as alíquotas aplicadas, encontramse discriminados, por levantamento e competência, no anexo Discriminativo do Débito – DD, Relatório de Documentos Apresentados.” DA IMPUGNAÇÃO 3. Inconformada com o lançamento, a Recorrente contestou o presente Auto de Infração, por meio do instrumento de fls. 396/410, a qual não logrou êxito total. DA DECISÃO DA DRJ 4. Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto AlegreRS, por meio da 7ª Turma da DRJ/POA, Fl. 703DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725884/201062 Acórdão n.º 2403001.609 S2C4T3 Fl. 4 5 prolatou o Acórdão n° 1036.693 de fls. 632/643, mantendo procedente em parte o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2008 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade das leis são vinculadas para a Administração Pública. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova em relação àquilo que alega, devendo fazêlo oportunamente por ocasião da impugnação. PRAZO PARA JUNTADA DE DOCUMENTOS. Não comprovada nenhuma das hipóteses previstas na legislação para a concessão de prazo para a juntada de documentos após a impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2001 a 31/12/2008 MULTA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A multa aplicada obedece a legislação de regência, exceto quando a nova previsão legal de multa, for mais benéfica ao contribuinte. JUROS. Os juros aplicados obedecem à previsão legal específica. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se considera denúncia espontânea da infração as medidas tomadas pelo contribuinte para sanar a irregularidade após o iniciado o procedimento fiscal OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. Extinguese o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, na existência de recolhimento na competência, quando transcorrido o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. PRESCRIÇÃO. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Não há que se falar em prescrição sem a constituição definitiva do crédito tributário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO Ainda inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente (fl. 697), Recurso Voluntário (fls. 682/695), requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, com os seguintes argumentos, após resumir os fatos: Preliminarmente Da Dilação de Pazo Denegada Neste tópico alega que o pedido de dilação de prazo quanto à perícia requerida no momento da apresentação da impugnação, tempestivamente, teria sido denegada pela DRJ, sem fundamentação pertinente. Que a Receita Federal teria extremo apego às formas ao não atender o pedido de dilação de prazo de 45 dias requerida pela Recorrente e em contra partida se permite julgar uma simples impugnação em prazo superior a 1 ano. Alega ainda que, o Decreto nº 70.235/72 admite expressamente a requisição de juntada de documentos a posteriori. Da Decadência Alega a Recorrente que em relação ao período de crédito compreendido entre 2001 a 2008 parte estaria decaído, em face do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN. Alega que o período de 2006 jamais poderia ser alvo do lançamento tributário, extinguindo o direito da Fazenda cobrar o suposto débito. Das Obrigações Acessórias Da Inconformidade Quanto à Multa Ante a Extensão dos Efeitos da MP 449 – Retroatividade da Lei Mais Benéfica O efeito mais importante que teria dado o art. 24 da MP 449/2008 não seria a redução da multa de ofício, proporcionada a partir da edição da referida MP, mas sim o efeito retroativo a todos os débitos dessa natureza que ainda não tenham sido julgados definitivamente na esfera administrativa ou judicial. Dessa forma, no caso de multa por erro ou omissão na GFIP, que seria uma obrigação acessória, também deveria ser aplicada a mencionada retroatividade mais benéfica, conforme preceitua o art. 106 do CTN, sendo no presente caso aplicado o art. 32A da lei 8.212/91 que seria mais benéfico ao contribuinte em detrimento da norma aplicada no momento da autuação. Da Multa Moratória e da Ilegalidade da Taxa Selic Fl. 705DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725884/201062 Acórdão n.º 2403001.609 S2C4T3 Fl. 5 7 Insurgese a Recorrente contra a cobrança de multas nos percentuais de acordo com os moldes previstos no art. 35A da lei 8.212/91 c/c o art. 44 da lei 9.430/96, bem como contra a aplicação da Taxa Selic, por estar sendo utilizado pelo governo federal como índice de correção monetária juros moratórios. Das Contribuições Individuais Que haveria divergência entre os cálculos elaborados pela Receita Federal e a efetiva contribuição devida para comparação da multa, dos valores apurados pela contabilidade. Do Pedido Ao final requer, a reforma da r. decisão de fls. 632/643, a fim de que seja reconhecido a insubsistência do Auto de infração e a consequente extinção do crédito tributário. Que não sendo assim entendido, que seja procedido novo cálculo, tendo por base a perícia que em anexo. É o relatório. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme consta na fl. 697, o recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DA DILAÇÃO DE PRAZO REQUERIDA Em sede de Impugnação, a Recorrente pleiteou a dilação de prazo de 45 dias para apresentação de relatórios contábeis da auditoria externa contratada. A Recorrente impugnou o lançamento em 10/01/2011 (fl. 396) e até o julgamento por parte da DRJ, que ocorreu em 20/01/2012 (fl. 632), não juntou os relatórios contábeis. Mister destacar que, nem mesmo em sede de Recurso Voluntário a Recorrente juntou o citado relatório. Pelos princípios norteadores do Processo Administrativo Tributário, em especial o da busca pela verdade material e a informalidade, este conselheiro aceitaria qualquer elemento de prova admitido em direito, mesmo que juntado após a apresentação da Impugnação. Logo, não tendo juntado mais nenhum elemento de prova, tornase sem efeito a sua preliminar acerca da dilação de prazo denegada, vez que, todos os documentos de prova juntados pela Recorrente foram considerados, ou seja, não teve, efetivamente, nenhum documento indeferido. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o Fl. 707DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725884/201062 Acórdão n.º 2403001.609 S2C4T3 Fl. 6 9 dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. A DRJ aplicou a decadência em relação aos períodos anteriores a 12/2005. Nesse diapasão, o lançamento permaneceu em relação ao período compreendido entre as competências 01/2006 a 12/2008. A notificação ocorreu em 10/12/2010 (fl. 02). Logo, não há como prosperar o pleito da Recorrente para afastar o período de 2006, vez que não abrangido pela decadência. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 DAS OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E A INCONFORMIDADE QUANTO À MULTA ANTE A EXTENSÃO DOS EFEITOS DA MP 449 – RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA Alegou a Recorrente o efeito retroativo para beneficiar o contribuinte ante os débitos que ainda não tenham sido julgados definitivamente na esfera administrativa ou judicial. Que, no caso de multa por erro ou omissão na GFIP, que seria uma obrigação acessória, também deveria ser aplicada a mencionada retroatividade mais benéfica, conforme preceitua o art. 106 do CTN, para se aplicar o art. 32A da lei 8.212/91 que seria mais benéfico ao contribuinte em detrimento da norma aplicada no momento da autuação. Ocorre que, a autuação no caso concreto se deu em face da empresa ter deixado de recolher as contribuições patronais, inclusive a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos Riscos Ambientais do Trabalho – RAT, incidente sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, ou seja, uma obrigação principal. Dessa forma, não se verifica relação entre o tópico abordado e o caso concreto, o que faz o referido tópico ser excluído da apreciação deste julgador. DA MULTA DE MORA A multa aplicada teve por base o artigo 35A, combinado com o art. 44, inciso I da Lei n. 9.430, de 27.12.96, ambos com redação da MP n. 449 de 04.12.2008, convertida na Lei n. 11.941, de 27.05.2009, o qual dispõe que nos casos de lançamento de oficio relativos As contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Ocorre que, o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11080.725884/201062 Acórdão n.º 2403001.609 S2C4T3 Fl. 7 11 Assim, no presente caso, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação do artigo 35A da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica ao contribuinte. Esse artigo estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do crédito tributário lançado. Ocorre que, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, os julgamentos dos conselheiros estão vinculados aos acórdãos do STF e STJ, quando prolatados nos termos dos arts. 543B e 543C do CPC, verbis: Art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse diapasão, o Colendo STJ já se manifestou acerca da possibilidade de atualização monetária pela Taxa SELIC, nos termos do art. 543C do CPC, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) (grifo nosso) Ademais, além do referendo Judicial em sede de Recurso Repetitivo, essa matéria consta na Súmula n. 3 do CARF, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Após o acórdão da DRJ, a Recorrente apenas ratifica que “anexou, por ocasião da impugnação ao lançamento, as planilhas comparativa (sic) dos cálculos elaborados pela Receita Federal e a efetiva contribuição devida para comparação da multa, com divergência de 50% (cinquenta por cento) dos valores aplicados pela Receita Federal e aqueles apurados pela contabilidade.” Logo, além dos argumentos genéricos de que as planilhas anexadas aos autos seriam suficientes para comprovar o alegado, a Recorrente não trouxe nenhum novo elemento de fato ou de direito para ensejar na anulação. Por esse motivo, não há como prosperar o pleito da Recorrente. CONCLUSÃO Do exposto, julgo procedente em parte o recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 711DF CARF MF Impresso em 01/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10469.904115/2009-78
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.22/23) que a seguir transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou PER/Dcomp —Pedido de Ressarcimento ou Restitui ção / Declaração de Compensação, fls. 13 a 16, em 28/07/2005, relativamente ao pretenso crédito originário de pagamento indevido ou a maior no código de receita 2372 — CSLL com débitos de sua responsabilidade, conforme fl. 02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, ft 02, a Autoridade Competente decidiu por NÃO HOMOLOGAR a compensa ção, fundamentandose no fato de o DARF informado no PER/Dcomp já ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da contribuinte, não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 04 11 5/ 20 09 -7 8 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.904115/200978 Resolução nº 1802000.157 S1TE02 Fl. 3 2 restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp objeto do presente processo. 3. Cientificada do Despacho Decisório de fl. 02, em 03/06/2009, conforme fl.12 consta manifestação de inconformidade apresentada em 29/06/2009, consoante fl. 17, na qual alega que: 3.1. "No 3° trimestre de 2003 e demais trimestres de 2004, a empresa calculou a sua CSLL equivocadamente com alíquota de 32% quando seria com 12% por se tratar de Construção Civil, onde as receitas são relativas a contratos de empreitada que abrange tanto mãodeobra quanto o fornecimento de materiais"; 3.2. ao recalcular este imposto, "verificou o engano e o crédito de imposto a ser compensado, sendo feitas as PER/DCOMP de número porém, não foram retificadas a tempo as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, como também as DIPJ 2004 e 2005", sendo este o motivo pelo qual a Receita Federal do Brasil não constatou a existência de crédito, não homologando a compensação declarada; 3.3. para corrigir a situação foram feitas retificações nas DCTF e DIPJ para demonstrar o seu direito de compensar o valor. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1134.906, de 15 de setembro de 2011 (fls.21/27), cientificado ao interessado em 08/11/2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.21): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. CONSTRUÇÃO CIVIL. A partir de setembro de 2003, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção por empreitada é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou de 12% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, incorporados à obra. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 DCOMP. ERRO DE FATO EM DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a retificadora para Fl. 358DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.904115/200978 Resolução nº 1802000.157 S1TE02 Fl. 4 3 fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 24/11/2011, no qual transcreve trechos da decisão recorrida para demonstrar que a negativa ao crédito se deu em virtude de a empresa não ter anexado os documentos comprobatórios do direito ao crédito, quais sejam: Contrato de prestação de serviços, mencionando que os materiais aplicados são de responsabilidade da contratada, notas fiscais de compra de material e o livro de registro de entrada de notas fiscais e escrituração fiscal destes documentos. Argumenta que, ciente de seu direito creditório está apresentando as cópias dos contratos de empreitada, notas fiscais de compra de material e o livro de registro de entrada de notas fiscais do período a que se refere a compensação. Alega que, com a anexação dos documentos e livros fiscais que comprovam o direito da empresa em compensar recolhimentos feitos indevidamente, está atendendo a todos os requisitos e suprindo todas as falhas e erros cometidos no desenrolar do processo. Assim, requer seja julgado procedente o pedido de homologação da compensação em lide. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 38955.27787.280705.1.3.040008 (fls.13/16), transmitido em 28/07/2005, em que a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ: R$ 4.440,51, código 2089, e CSLL: R$ 2.003,18 código 2372, relativos ao 2° trimestre de 2005,com a utilização de crédito no valor de Fl. 359DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.904115/200978 Resolução nº 1802000.157 S1TE02 Fl. 5 4 R$ 6.870,42, decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2372; Período de Apuração: 31/12/2004; Data de Arrecadação: 31/01/2005, Valor: R$ 10.992,68). Consta do mencionado PER/DCOMP (fl.14) que o crédito inicial foi informado em PERDCOMP Inicial: nº 32991.44080.150705.1.3.049000 e o “Crédito Original na Data da Transmissão” para a compensação de que trata os presentes autos é no valor de R$ 5.931,78. Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.02, emitido em 25/05/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". A alegação da pessoa jurídica expressa na manifestação de inconformidade é que no 3º trimestre de 2003 e trimestres de 2004 a reclamante calculou a base de cálculo de sua CSLL equivocadamente com o percentual de 32% quando o correto seria 12% por se tratar de Construção Civil, onde as receitas são relativas a contratos de empreitada que abrange tanto mãodeobra quanto o fornecimento de materiais. A decisão de primeira instância com fundamento no art. 20 da Lei 9.249/1995 (alterado pela Lei 10.684/2003), o art. 15 da mesma Lei 9.249/2005, e o Ato Declaratório Normativo da Coordenação Geral do Sistema de Tributação ADN Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997, assim esclarece sobre a base de cálculo da CSLL (fl.25/26), itens 11 e 12: [...] 11. Concluise, portanto, que até agosto de 2003, as receitas relativas às atividades construção por empreitada, com ou sem utilização de materiais, ficam sujeitas ao percentual de 12%, para definição da base de cálculo da CSLL, e a partir de setembro de 2003, na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo da CSLL mensal será: a) 12% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; ou b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. 12. No "Perguntas e respostas" constante do endereço eletrônico http://www.receita.fazenda. gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIII IRPJLucroPresumido2011.pdf, consulta em setembro/2011, verificase o seguinte esclarecimento na pergunta 19, referente ao IRPJ, sendo tal entendimento aplicável no caso da CSLL, com a diferença que a alíquota no caso da contribuição, CSLL, para o caso de contratação de construção civil por empreitada com a utilização de material fornecido pela própria empresa empreiteira, é de 12%. 019. Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? 0 percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando Fl. 360DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.904115/200978 Resolução nº 1802000.157 S1TE02 Fl. 6 5 houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Notas: As pessoas jurídicas que exerçam as atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis não poderão optar pelo lucro presumido enquanto não concluídas as operações imobiliárias para as quais haja registro de custo orçado (IN SRF n°25, de 1999, art. 2°;) Não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumento trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. (IN SRF n° 480, de 2004, art. 1°, §9º) O entendimento acima está consentâneo com as disposições contidas no art. 1º, §§ 7º e 9º, c/c art. 32 da IN SRF 480/2004 (com as alterações da IN SRF 539/2005) que admitem a aplicação do percentual de 12% no caso de contratação por empreitada de construção civil realizada na modalidade total, em que o empreiteiro forneça todos os materiais indispensáveis à sua execução, e que tais materiais sejam incorporados à obra, não sendo considerados como materiais incorporados à obra os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. Para o indeferimento do pleito da recorrente, consta do voto condutor do acórdão recorrido o seguinte: [...] 13. No caso em apreço, a contribuinte apenas anexou cópia de seu Contrato Social e Aditivo n° 05, fls. 03 a 10, onde consta descrição de seu objeto social, no qual não há especificação de que os serviços seriam prestados sob a modalidade por empreitada, e nem que haveria a utilização de material fornecido pela própria contribuinte, ou que isso ocorresse sempre ou mesmo ocasionalmente. 14. Esclareçase, de toda sorte, que não bastaria a apresentação do contrato social com descrição de seu objeto social nestes termos, pois a simples menção no contrato social, por si só, não seria suficiente se não esta acompanhada de documentação hábil e idônea comprobatória de que os serviços foram efetivamente contratados na modalidade de empreitada, de que os materiais foram fornecidos pela própria empresa, essa na qualidade de empreiteira, e sem que haja comprovação da efetiva utilização de tais materiais, fornecidos pela empresa, conjuntamente com a mãodeobra. Observese que não consta dos autos qualquer documentação comprobat6ria nesse sentido, a exemplo de contrato de empreitada, notas fiscais e escrituração que viessem a espelhar fielmente a utilização de tais materiais. 15. Assim, não restou comprovado, através de documentação hábil e idônea, fiscal (notas fiscais), comercial (contratos de empreitada) e contábil (escrituração), erro de fato no preenchimento das declarações originais da contribuinte que justificasse a apresentação de Fl. 361DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.904115/200978 Resolução nº 1802000.157 S1TE02 Fl. 7 6 declarações retificadoras, inclusive não espontâneas relativamente ao período de apuração do suposto crédito a ser compensado, no intuito de alterar a apuração da CSLL devida para aquele período, procurando, com isso, justificar o pretenso crédito. [...] Contraditando os fundamentos da decisão acima e no intuito de comprovar o crédito alegado, a Recorrente juntou ao seu recurso voluntário cópia de contratos de empreitada, notas fiscais de compra de material e o livro de registro de entrada de notas fiscais do período a que se refere a compensação. Das notas fiscais (000175, 000176, 000179, 000180/188, 000192 e 000193), emitidas pela Recorrente, consta um percentual do valor da fatura referente ao material aplicado. E, dos contratos de empreitada consta cláusula que obriga a contratada a “ prover e administrar, sob as suas expensas, todos os materiais, equipamentos e mãodeobra necessários à fiel execução do contrato...” o que aparentemente denota a prestação de serviços na área de construção civil com emprego de materiais fornecidos pela própria contribuinte. O livro Registro de Entradas indica para o quarto trimestre de 2004 a aquisição de materiais e as notas fiscais relativas às compras feitas pela Recorrente neste período demonstram a aquisição de vários materiais normalmente aplicados em obras de construção civil. Como dito acima, a Recorrente apresentou cópia de notas fiscais por ela emitidas no período de apuração do quarto trimestre de 2004, porém são notas fiscais intercaladas. Portanto, não se sabe qual a receita bruta total do mencionado trimestre declarada na DIPJ/2005 com a comprovação de que a Recorrente forneceu aos seus clientes os materiais necessários aos serviços de construção civil por ela prestados, e que, portanto, o coeficiente para a presunção da base de cálculo da CSLL deveria ser de 12%. Desse modo, fazse mister que sejam encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Natal/RN para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), comercial (contratos de empreitada), contábil (escrituração) e DIPJ/2005, que não fora juntada aos autos, qual o valor total da receita bruta obtida pela interessada com fornecimento de materiais necessários aos serviços de construção civil por ela prestados, e qual o montante da receita declarada e CSLL devida. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência à Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, deve os autos retornarem ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10730.904657/2009-01
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.183
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DUPLICIDADE DE LITÍGIO. PER/DCOMP FORMALIZADAS PROCESSOS DISTINTOS. MESMO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não pode ser mais objeto de litígio administrativo matéria já apreciada em outro processo administrativo fiscal, sob pena de flagrante ofensa à coisa julgada. Os processos de Per/Dcomp que veiculem o mesmo crédito devem ser anexados em um único processo (Portaria RFB nº 666/08). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 90 46 57 /2 00 9- 01 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 A empresa recorre do Acórdão nº 1237.609/11 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I, fls. 103 a 107, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologou as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 49 e ss. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “Tratase do Despacho Decisório n° 831660861, de 20.04.2009 (fls.45), emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em NiteróiRJ, que, sob o fundamento de que o darfcrédito fora integralmente utilizado na quitação de débitos do interessado, não homologou a seguinte compensação declarada: [tabela Per/Dcomp] [...] Em Manifestação de InconformidadeMI (fls.3/4), o interessado alega que "houve de fato um pagamento indevido e um equívoco no preenchimento da DCTF, confessando indevidamente o débito”. Alega que "tratase de um DARF de CSLL, cujo código é 2484, referente ao período de 07/2001, no valor de R$ 12.203,24, se comparado a DCTF retificadora com a DIPJ, veremos que este débito NÃO é de fato devido". Pede "a homologação total do crédito para quitação do débito na Per/Dcomp acima descrita, tendo em vista que o crédito é sem dúvida existente". [...] Voto [...] Tratase de Declaração de CompensaçãoDcomp, não homologada porque o DARF indicado como crédito já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo interessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários FederaisDCTF. O crédito alegado na Dcomp é o darf de CSLL2484, no valor de R$ 12.203,24, arrecadado em 31.07.2001. Todavia, conforme página 2 da Dcomp em tela, a Dcomp inicial (a que se refere ao crédito total) desta é a Dcomp n° 21385.67518.120606.1.3.046101 (fls.50), que, por não ter sido homologada, foi objeto de Manifestação de Inconformidade, veiculada no processo n° 10730.902859/200919. O sobredito processo foi julgado nesta Turma, conforme Acórdão às fls.93/102, por cópia, que não reconheceu ao interessado o direito creditório pleiteado, senão vejamos: Temse, então, que as alegações do interessado, em sede deste processo administrativo fiscal, não podem produzir efeitos porque desacompanhadas das provas (escriturais e documentais) do direito alegado. Mas, ainda que assim não fosse, o crédito alegado é concernente a pagamento de estimativa mensal, que, na forma da legislação de regência (Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004), não comporta restituição, e Fl. 175DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.904657/200901 Acórdão n.º 1801001.316 S1TE01 Fl. 3 3 só pode ser restituído/compensado ao final do período de apuração, porém, sob a forma de saldo negativo, senão vejamos: [...] Aliás, à conta do saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário em tela 2001 o interessado já transmitiu Dcomp utilizando o saldo negativo de CSLLdo anocalendário de 2001, conforme consultaSief às fls. 75/80. Cabe observar, por fim, que, à conta do darfcrédito desta Dcomp, foram julgados nesta Turma, e nesta data, 3 (três) processos (abaixo), aos quais, evidentemente, se aplicarão as mesmas razões de decidir: Quadro 5 Dcomp Processo Crédito utilizado na Dcomp 21385.67518.120606.1.3.046101 (1) 10730.902859/200919 4.152,58 33707.79485.120606.1.3.048217 (2) 10730.904657/200901 6.105,95 39375.27330.120606.1.3.044702 (2) 10730.904658/200948 1.944,71 Total crédito utilizado: 12.203,24 (1) (1) Dcomp inicial (2) Nessas Dcomps, o valor do crédito orignal na data da transmissão constou RS 12.302,24 [...] Resulta, assim, que, no julgamento do processo relativo à Dcomp inicial, o direito creditório pleiteado (R$ 12.203,24), que é o mesmo pretendido neste processo, não foi reconhecido ao interessado.” O acórdão pertinente ao processo administrativo fiscal nº 10730.902859/200919 – Acórdão nº 1237.608 foi juntado às fls. 93 a 102. A empresa interpôs tempestivamente (AR – 18/07/11, fls. 114; Recurso – 16/08/11, fls. 116) o Recurso às fls. 116 a 123 reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: a) o DARF em anexo, no valor de R$ 12.203,24, comprova o recolhimento da estimativa de CSLL; a DIPJ/02 demonstra que não houve CSLL a pagar no mês, mas base de cálculo negativa, indicando que o recolhimento foi indevido; b) discorre sobre a Selic, quanto ao mês que começaria a ser aplicada ao crédito; c) a recorrente demonstra em quadro que a estimativa de CSLL relativa a julho/01 não foi computada na base de cálculo negativa apurada em 2001, que considerou apenas as estimativas de março e junho de 2001, perfazendo o total de (R$ 19.101,27); a cópia da DIPJ juntada aos autos confirma estes dados; d) por fim, a recorrente não compreendeu o porquê de constar no presente processo um acórdão relativo a outro processo que não foi anexado a este; estranha a conduta da turma julgadora de primeira instância ao afirmar que o processo administrativo possui como objeto o mesmo crédito ora requerido, apesar daquele litígio e este terem sido provocados por despachos decisórios distintos; e) pelo princípio da eventualidade, se os dois litígios estão sendo julgados neste mesmo processo, recorre daquele outro acórdão também. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A recorrente pleiteia restituição da estimativa de CSLL relativa ao mês de julho/2001, que alega ter recolhido com erro, a maior. Diz que a empresa apurou base de cálculo negativa no período. A turma julgadora de primeira instância suscitou questão prejudicial ao analisar a lide administrativa objeto deste processo. Assevera que o mesmo crédito – CSLL relativa ao mês de julho de 2001, no valor de R$ 12.203,24 – já foi objeto de análise, apreciado e julgado no processo administrativo fiscal nº 10730.902859/200919. Anexa aos autos o acórdão respectivo (nº 37.608/11), julgado na mesma sessão. Salienta que a própria Per/Dcomp enviada pela recorrente, às fls. 02, informa a Per/Dcomp vinculada, inicial, que veiculou primeiramente o pedido de restituição do tributo ora discutido. Analisando os autos, verificase que, com efeito, às fls. 50, a própria recorrente informou na Per/Dcomp matéria de apreciação neste processo que outra Per/Dcomp, nº 21385.67518.120606.1.3.046101, é a que veicula inicialmente o pedido de restituição do mesmo crédito. Como o pedido de restituição da Per/Dcomp inicial, bem como homologações de compensações com débitos federais também foi considerado improcedente por Despacho decisório, instaurouse o litígio, formalizado no processo de nº 10730.902859/200919. Esclarecese à recorrente que o outro processo não foi apreciado juntamente com este litígio, estando expresso no acórdão recorrido que foi juntado ao presente processo cópia do acórdão já citado e proferido naquele outro litígio. Acertadamente procedeu a turma julgadora. A matéria aventada em outro processo, cujo objeto foi a Per/Dcomp inicial que pleiteou o crédito de CSLL relativa a julho de 2001, não pode ser novamente apreciada neste processo, sob pena de flagrante desrespeito à coisa julgada. Não restam dúvidas que o crédito é o mesmo de ambos os processos. A Administração Tributária já expediu norma procedimental para evitar tais situações processuais e eventuais decisões contraditórias. A Portaria RFB nº 666/08 dispõe: Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: [...] IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas. A despeito da autoridade preparadora dos processos não haver observado os procedimentos recomendados pela Administração Tributária, houve zelo por parte da turma julgadora a quo em atentar para o fato de duplicidade de processos com o mesmo litígio – a restituição de um mesmo tributo. As compensações são meras conseqüências do deferimento da repetição do indébito tributário. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10730.904657/200901 Acórdão n.º 1801001.316 S1TE01 Fl. 4 5 A unidade de jurisdição da recorrente deverá providenciar à anexação deste processo ao de nº 10730.902859/200919, por força do artigo 3º da citada Portaria, já que a DRJ não o fez: Art. 3º Os processos em andamento, que não tenham sido formalizados de acordo com o disposto no art. 1º, serão juntados por anexação na unidade da RFB em que se encontrem. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 178DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/12/2 012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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