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Numero do processo: 10840.002970/2003-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
CRÉDITOS RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. CRÉDITO DO FINSOCIAL COM DÉBITOS DA COFINS. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
1. Na vigência dos arts. 12, § 7º, 14, § 6º, e 17 da Instrução Normativa SRF 21/1997, a compensação de crédito do Finsocial, reconhecido por decisão judicial, com débito da Cofins prescindia da apresentação de requerimento instruído com (i) uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referia o crédito e da respectiva decisão judicial e, no caso de título judicial em fase de execução, (ii) do documento comprobatório da desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e do compromisso de assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios.
2. O não cumprimento desses requisitos implica não homologação da autocompensação realizada na escrita contábil-fiscal e declarada na DCTF, com a conseqüente cobrança dos débitos indevidamente compensados.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE.
Se não há pagamento antecipado, o prazo quinquenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário, relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação, tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 3302-005.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente substituto
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 CRÉDITOS RECONHECIDO POR DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. CRÉDITO DO FINSOCIAL COM DÉBITOS DA COFINS. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Na vigência dos arts. 12, § 7º, 14, § 6º, e 17 da Instrução Normativa SRF 21/1997, a compensação de crédito do Finsocial, reconhecido por decisão judicial, com débito da Cofins prescindia da apresentação de requerimento instruído com (i) uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referia o crédito e da respectiva decisão judicial e, no caso de título judicial em fase de execução, (ii) do documento comprobatório da desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e do compromisso de assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. 2. O não cumprimento desses requisitos implica não homologação da autocompensação realizada na escrita contábil-fiscal e declarada na DCTF, com a conseqüente cobrança dos débitos indevidamente compensados. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE. Se não há pagamento antecipado, o prazo quinquenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário, relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação, tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
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COMPENSAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. CRÉDITO DO FINSOCIAL COM DÉBITOS DA COFINS. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Na vigência dos arts. 12, § 7º, 14, § 6º, e 17 da Instrução Normativa SRF 21/1997, a compensação de crédito do Finsocial, reconhecido por decisão judicial, com débito da Cofins prescindia da apresentação de requerimento instruído com (i) uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referia o crédito e da respectiva decisão judicial e, no caso de título judicial em fase de execução, (ii) do documento comprobatório da desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e do compromisso de assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. 2. O não cumprimento desses requisitos implica não homologação da autocompensação realizada na escrita contábilfiscal e declarada na DCTF, com a conseqüente cobrança dos débitos indevidamente compensados. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE. Se não há pagamento antecipado, o prazo quinquenal de decadência do direito de constituir o crédito tributário, relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação, tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 29 70 /2 00 3- 62 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10840.002970/200362 Acórdão n.º 3302005.752 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente substituto (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Vinicius Guimaraes, Walker Araujo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente Substituto). Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Por bem transcrever os fatos até então verificados, adotase o relatório da do acórdão nº 13.047, da 1ª Turma da DRJ de Campinas, prolatado na sessão de 24 de abril de 200, como parte do relato dos acontecimentos verificados nos presentes autos, observese: 1. Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, lavrado em 16/06/2003 e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 18/07/2003, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 75.982,08, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não confirmação do processo judicial indicado para fins de suspensão da exigibilidade dos débitos declarados de abril a dezembro/98. 2. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores, protocolizou a impugnação de fls. 01/04, em 15/08/2003, juntando • os documentos de fls. 05/23 e apresentando, em sua defesa, as seguintes razões de fato e de direito: 2.1. Alega que compensou os valores declarados com créditos decorrentes da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLei n°2.445 e 2.449/88 no RE n° 148.7542 RJ, e conseqüente Resolução do Senado n° 49/1995. Ressalta que o pagamento indevido decorre da correção monetária da base de cálculo da contribuição, antes de seu vencimento. 2 2 Invoca a Instrução Normativa SRF n° 21/97, a qual, em seu entendimento, previa a possibilidade da compensação da contribuição por iniciativa do contribuinte, sujeitandose, evidente a sua homologação, desde que com contribuição da mesma espécie e destinação do constitucional. 2.3. Reportase ao acórdão n° 2030745 da 3a Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, quanto à mensuração da base de Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10840.002970/200362 Acórdão n.º 3302005.752 S3C3T2 Fl. 4 3 cálculo da Contribuição ao PIS com base no faturamento do 6° mês anterior, até a edição da MP n° 1.212/95, e relativamente à possibilidade de compensação dos indébitos, com observância das orientações contidas na Instrução Normativa SRF n° 21/97. 2.4. Entende, assim, que descabe a exigência da contribuinte e da multa isolada de 75%. 2.5. Ao final, solicita que das intimações conste o nome do advogado que subscreve a impugnação. 3. A autoridade preparadora, identificando falha na representação processual, intimou o contribuinte a regularizála (fl. 27), apresentando: Cópia autenticada de procuração particular com firma reconhecida ou procuração pública que habilite o procurador signatário da impugnação apresentada relativa ao processo supra citado junto à Secretaria da Receita Federal e que esteja de acordo com a Cláusula Quarta — Parágrafo Único —do Contrato Social apresentado. 4. Em resposta, foi apresentada a procuração de fl. 29, agora assinada por dois representantes legais da autuada. Todavia, a autoridade preparadora emitiu nova intimação para • sua regularização, haja vista tratarse de procuração "adjudicia" (fls. 33/34). O contribuinte, porém, não atendeu a esta Ultima exigência. A impugnação realizada pela contribuinte foi julgada parcialmente procedente, pela DRJ, recebendo o acórdão a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1998 • Ementa: DC'fF. REVISÃO INTERNA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE NÃO CONFIRMADA. Subsiste a exigência se o contribuinte não logra provar a existência dos créditos que alega ter utilizado em compensação. PROVAS. MOMENTO. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar. MULTA DE OFÍCIO Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e n° 11.196/2005. • Lançamento Procedente em Parte Inconformada a recorrente interpôs o recurso voluntário onde alegou, em síntese, que o AI deve ser cancelado, tendo em vista a ocorrência de decadência do direito de lançar da Fazenda Pública, relacionada sobre parte dos créditos exigidos e, que a compensação realizada, fora devidamente informada em DCTF, e que a fiscalização do quantum a Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10840.002970/200362 Acórdão n.º 3302005.752 S3C3T2 Fl. 5 4 compensar estaria a cargo da RFB, não lhe cabendo o ônus de trazer ao processo tal informação. Seguindo seu tramite ordinário, os autos foram distribuídos a este Conselheiro julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. No presente recurso, as razões de defesa suscitadas pela recorrente envolvem questões prejudiciais de mérito e de mérito. Em sede de prejudicial, a recorrente alegou a decadência de parte do crédito tributário lançado. No mérito, alegou a improcedência da autuação, porque fazia jus ao direito de compensação, e os procedimentos adotados para tanto estariam em consonância com a legislação pertinente ao tema. I Prejudicial de mérito Da decadência de parte dos débitos lançados. Segundo a recorrente os débitos tributários das competências de abril a dezembro de 98 não podia ser lançados, porque estavam extintos pela decadência, época da ocorrência do fato gerador, ensejando a homologação tácita prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Há entendimento consolidado na jurisprudência deste Conselho de que a regra de contagem do prazo decadencial, prevista no art. 150, § 4º, do CTN, somente se aplica aos casos de lançamento por homologação em que realizado pagamento antecipado do tributo. De outro modo, se não há pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial segue a regra geral, estabelecida no inciso I do art. 173 do CTN, que determina o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado como o termo inicial do quinquídio decadencial do direito de lançar, conforme estabelecido na Súmula CARF nº 101, a seguir reproduzida: “Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” A matéria foi analisada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no âmbito do Recurso Especial no 973.733/SC, cujo julgamento foi realizado pelo regime do recurso repetitivo, estabelecido no art. 543C do vigente Código de Processo Civil (CPC) de 1973, cujo enunciado da ementa ficou assim redigido: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10840.002970/200362 Acórdão n.º 3302005.752 S3C3T2 Fl. 6 5 DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. 1ª Seção. REsp 973.733/SC. Rel. Min. LUIZ FUX. DJe 18/9/2009) (grifos não originais) Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10840.002970/200362 Acórdão n.º 3302005.752 S3C3T2 Fl. 7 6 Por se tratar de decisão definitiva de mérito, proferido na forma do regime do recurso repetitivo, por força do disposto no art. 621, § 2º, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, adotase aqui as razões de decidir consignadas no referido julgado. No caso, não há nos autos comprovação de pagamento antecipado da contribuição, nem ao menos parcial. Assim, uma vez demonstrado que não houve pagamento da Cofins, para todo o período da autuação, o prazo decadencial das referidas contribuições, teve início no primeiro dia do exercício de 1999 e, considerando que a ciência do auto de infração deuse em 18/07/2003, não ha que se falar na alegada decadência defendida pela recorrente. Dessa forma, fica demonstrado que a alegada decadência não ocorreu, pois, na data de ciência do lançamento, o quinquênio decadencial ainda não havia se consumado. II Do Mérito Da análise da questão de mérito O motivo da presente autuação foi a falta de comprovação do recolhimento dos valores dos débitos do PIS dos meses de abril a dezembro de 1998, apurada em auditoria interna das DCTF do respectivo período, que constatou a realização de compensação relacionada a medida judicial, a qual não foi localizada. Segundo o entendimento da recorrente, "a interpretação sistemática do art. 66 da Lei nº 8.383/91, c/c os arts. 39 da Lei nº 9.250/95, e 74 da Lei nº 9.430/96, e 12 da IN nº 21/97, assegura ao contribuinte o direito à compensação de PIS, em processo administrativo, com qualquer contribuição", transcrevendo ementa de acórdão proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Pois bem. Na data em que realizado, esse tipo de compensação somente era permitido se o procedimento fosse realizado entre créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, com débitos da própria pessoa jurídica, relativos a tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, correspondentes a períodos subsequentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, consignados em sentença judicial transitada em julgado, conforme estabelecido no art. 14 da Instrução Normativa SRF 21/1997, que segue transcrito: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não 1 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10840.002970/200362 Acórdão n.º 3302005.752 S3C3T2 Fl. 8 7 apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. § 1º A parcela do débito excedente ao crédito utilizado na compensação, que não for paga até o vencimento do prazo estabelecido na legislação para o seu pagamento, ficará sujeita à incidência de juros e multa. § 2º Os créditos relativos a imposto de renda de pessoa física, apurado em declaração de rendimentos, sujeita à restituição automática, não poderão ser utilizados para compensação. § 3º Se a pessoa jurídica pretender compensar créditos em relação aos quais houver ingressado com pedido de restituição, pendente de decisão administrativa, deverá, previamente, manifestar, por escrito, desistência do pedido formulado. § 4º As receitas classificadas sob os códigos 1800 (IRPJ FINOR), 1825 (IRPJ FINAM) e 1838 (IRPJ FUNRES) poderão ser compensadas com o imposto de renda classificado sob os códigos 0220, 1599 ou 3373. § 5º O crédito referente ao código 2160 (IPI RESSARCIMENTO DE SELOS DE CIGARROS) ou ao código 4028 (IOF OURO), somente admitirá ser compensado, cada um, com débito do mesmo código. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. 17. § 7º A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições de períodos anteriores ao do crédito, mesmo que de mesma espécie, deverá ser solicitada à DRF ou IRFA do domicílio do contribuinte, por meio de Pedido de Restituição, acompanhado do respectivo Pedido de Compensação. (grifos não originais) Não há nos autos qualquer tipo de documento que demonstre a existência de medida judicial, transitada em julgado, que lhe garantiria a possibilidade de aproveitamento do crédito. Assim, fica evidenciado que a recorrente não utilizou o procedimento compensação correto. Ressaltase que a compensação de crédito reconhecido por decisão judicial, ainda que entre tributos da mesma espécie e destinação constitucional, nos termos art. 14, § 6º, da instrução Normativa SRF 21/1997, a realização do procedimento compensatório somente poderia ser realizado segundo a forma estabelecida no art. 17 da referida Instrução Normativa, que segue reproduzido: Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10840.002970/200362 Acórdão n.º 3302005.752 S3C3T2 Fl. 9 8 compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) Logo, em consonância com o preceito normativo em destaque, ainda que a compensação fosse entre créditos e débitos (vincendos) tributários de mesma espécie e destinação constitucional2, o crédito reconhecido no âmbito da referida ação judicial somente poderia ser realizada mediante a apresentação de requerimento instruído com (i) uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva decisão judicial e, no caso de título judicial em fase de execução, (ii) do documento comprobatório da desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e do compromisso de assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios, requisitos que não foram preenchidos pela recorrente. E essas exigências, concernentes à compensação dos créditos reconhecidos por decisão judicial, são justificáveis e necessárias, pois, de posse do título judicial, o autor da ação tem duas opções, ou executálo perante o Poder Judiciário, ou ingressar com um pedido de restituição ou compensação na esfera administrativa, conforme entendimento exarado na Súmula nº 461 do STJ, que tem o seguinte teor, in verbis: “O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado.” Portanto, sem a prova da desistência da execução do título na esfera judicial, certamente, a Administração tributária não terá meios seguros de se certificar que o autor da ação deu prosseguimento à execução do correspondente título judicial. Além disso, sem as cópias das peças processuais extraídas do processo judicial, por falta de elementos necessários a quantificação do valor crédito, a autoridade fiscal não tem como proceder a liquidação da decisão judicial e apurar a liquidez do crédito reconhecido no âmbito da decisão judicial. No caso em tela, devido a falta de documentos que comprovem a decisão proferida em medida judicial transitada em julgado, não pôde a recorrente cumprir os procedimentos determinados no art. 17 da Instrução Normativa 21/1997, o que constitui, por si só, condição necessária e suficiente para não homologação da compensação realizada. No mesmo sentido, tem se manifestado as outras Turmas de Julgamento desta 3ª Seção. A título de exemplo, citase o recente acórdão de nº 3802004.021, da lavra da 2ª Turma Especial desta 3ª Seção de Julgamento, cujo o enunciado da ementa segue transcrito: 2 A mesma exigência também se aplica aos créditos de diferentes espécie e destinação constitucional, conforme estabelecido no art. 12, § 7º, da mesma Instrução Normativa. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10840.002970/200362 Acórdão n.º 3302005.752 S3C3T2 Fl. 10 9 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/06/1997 FINSOCIAL. Ação Judicial. Requisitos. Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente cumprir as exigências fixadas nas normas da Receita Federal que disciplinam a matéria, dentre os quais está o pedido ao órgão preparador. Recurso Voluntário a que se nega provimento. 3 Por todas essas razões, mantémse a não homologação das compensações declaradas e a cobrança dos débitos lançados indevidamente compensados. III Da conclusão. Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, contudo negar lhe provimento. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator 3 BRASIL. CARF. 3ª Seção. 2ª Turma Especial. Rel. Mércia Helena Trajano D’Amorim. Ac. 3802004.021, j. 27.01.2015. Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720117/2015-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, senão comprovado o caráter previdenciário destas contribuições.
Somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes.
No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2402-006.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, senão comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. Somente no regime fechado a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 01 17 /2 01 5- 55 Fl. 462DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A DRJ/BHE fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até a prolatação do acórdão de impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: Tratase de Autos de Infração – AI lavrados contra o contribuinte em epígrafe conforme segue: AI Debcad nº 51.072.9915, no valor de R$ 11.799.672,28, consolidado em 30/1/2015, relativo a contribuições destinadas à previdência social, referentes às competências de 01/2010 a 12/2010 e de 01/2011 a 12/2011, parte patronal, incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais e de segurados empregados. AI Debcad nº 51.072.9924, no valor de R$ 473.917,87, consolidado em 30/1/2015, relativo a contribuições destinadas a outras entidades e fundos (terceiros), referentes às competências de 01/2010 a 12/2010 e de 01/2011 a 12/2011, parte patronal, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados. As contribuições lançadas são incidentes sobre valores aportados (custeados) pelo autuado, em planos de benefício suplementar de previdência privada (que foram formalizados como tal), disponibilizados, exclusivamente, a diretores e segurados empregados que ocupavam cargos elevados na hierarquia institucional da empresa, que foram mantidos com o objetivo de remunerar tais beneficiários, retirando desses aportes, a natureza de contribuição para previdência complementar à renda dos beneficiários ao se aposentarem. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 3 3 Consta no relatório fiscal de fls. 167/178, as informações que seguem. PROCEDIMENTO FISCAL O contribuinte, intimado, apresentou documento, denominado Convênio de Adesão Plano I, de 20/6/1985. Consta nesse documento que diversas companhias componentes do Grupo Bradesco aderiram a esse plano de previdência privada em favor de seus empregados e diretores. Também foram apresentados documentos denominados “Contrato Previdenciário – 20.05.99”, “6º Termo Aditivo ao Cont de Prev30.07.99” e “Contrato Previdenciário 20.05.2000”. Tais instrumentos contratuais se referem a planos de previdência privada em favor de empregados e diretores. Desses documentos verificouse conforme segue. No Contrato Previdenciário – 20.05.99 consta, em suas cláusulas como segue: 2.1.1 Contribuições Definidas – Fundo Gerador de Benefícios – FGB, que compreende os Benefícios de aposentadoria por idade reversível ao cônjuge, doravante denominado simplesmente FGB, observado o disposto na Cláusula Quinta deste Contrato e; 2.2.1 Benefícios Definidos – PBD, que compreende os Benefícios de aposentadoria reversível ao cônjuge por invalidez de participante não aposentado pelo Plano de Benefícios e de pensão por morte de participantes não aposentados pelo Plano de Benefícios, doravante denominado simplesmente PBD, observado o disposto na Cláusula Sexta deste Contrato. 2.1.3 Plano de Benefícios, para os fins a que se destina o presente contrato é, em conjunto o FGB e o PBD. [...]Cláusula Quarta – Do Custeio e das contribuições ao Plano de Benefícios 4.1 As contribuições devidas ao FGB serão suportadas pela Instituidora e pelo Participante, conforme segue: 4.1.1 O participante, desde que devidamente inscrito, fará contribuições mensais ao FGB de valor equivalente a 4% (quatro por cento) de seu Salário de Participação. 4.1.2 A Instituidora fará contribuições mensais ao FGB em nome de cada Participante inscrito, e que esteja contribuindo regularmente ao mesmo, de valor equivalente a 4% (quatro por cento) de seu Salário de Participação. 4.1.3 O Participante poderá efetuar contribuição voluntária ao FGB, de valor e periodicidade livremente por ele escolhidas. [...]4.3 As contribuição devidas ao PBD serão suportadas integralmente pela Instituidora. [...]8.1.1 Ocorrendo o desligamento do quadro funcional/diretivo da Instituidora, o Participante poderá escolher uma das seguintes opções: [...]8.1.1.2 Resgatar o saldo correspondente às contribuições feitas exclusivamente às suas expensas, a partir do 60º (sexagésimo) dia contado de sua inscrição no Plano de Fl. 464DF CARF MF 4 Benefícios, ou converter esse saldo em renda saldada diferida. Caso o Participante, por ocasião de seu desligamento, tenha 10 (dez) anos ou mais de vinculação ao Plano de Benefícios, terá direito, também, ao saldamento diferido do saldo formado pelas contribuições da Instituidora.” Com o novo contrato previdenciário, assinado em 20/5/2000, foi contratado mais um plano de benefícios de previdência privada, conforme instrumento contratual: III) a Instituidora decidiu implementar em 1º.05.2000, Plano de Previdência Privada na modalidade de Plano Gerador de Benefício Livre – PGBL e de Benefício Definido – PBD para seus empregados e dirigentes na Companhia, doravante denominado simplesmente Plano de Benefícios;” Por sua vez, o “6º Termo Aditivo ao Cont de Prev30.07.99” contém as seguintes cláusulas: Cláusula Primeira – Do Plano de Benefícios Suplementares 1.1 A Instituidora, vem através do presente instituir Plano de Benefícios Suplementares na Companhia, na modalidade de um Plano Gerador de Benefício Livre – PGBL, doravante denominado simplesmente PGBL, que se regerá pelas condições estabelecidas no Regulamento do Plano Gerador de Benefício Livre –PGBL – Empresarial, aprovado pela SUSEP, denominado simplesmente Regulamento, pelo disposto, em especial, neste Instrumento, e na omissão, pela legislação em vigor, observado o disposto na Cláusula Terceira do presente Instrumento. Cláusula Segunda Dos Participantes 2.1 Serão considerados Participantes do PGBL, Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e os investidos em cargo de Assessor da Diretoria, da Instituidora, participantes dos Planos I e II mantidos pela mesma. Cláusula Terceira – Do PGBL [...] 3.3. As contribuições ao PGBL serão suportadas pela Instituidora e pelo Participante. 3.3.1 A Instituidora fará contribuições mensais ao PGBL, individualizada a cada Participante, observado o disposto nos subitens 3.3.1.1 e 3.3.1.2 desta cláusula. 3.3.2 O participante fará contribuições ao PGBL, semestralmente, no percentual de 10% (dez por cento) do valor da gratificação semestral que lhe for atribuída pela Instituidora. [...] 3.3.4 O PGBL tem por objetivo a concessão de Rendas Mensais, nas modalidades de Renda Vitalícia, Renda Temporária, Renda Vitalícia com Prazo Mínimo Garantido e Renda Vitalícia Reversível ao Cônjuge, a ser escolhida pelo participante no momento da concessão do benefício, cujo valor é resultante do saldo da Conta de reserva do Participante no PGBL e do fator Atuarial obtido pelo cálculo de benefícios previdenciários, com base na utilização das Tábuas AT 1983 MALE (para homens) e AT 1984 FEMALE (para mulheres), com taxa de juros de 5% Fl. 465DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 4 5 (cinco por cento), ao ano, à época da habilitação ao benefício, observadas as seguintes condições: [...] 3.3.6 O Participante será elegível ao recebimento de um dos Benefícios de renda previstos nesta Cláusula a partir dos 60 (sessenta) anos de idade, fazendo jus a 100% (cem por cento) do saldo da Conta Reserva de Participante. Cláusula Quarta – Do Resgate 4.1 Durante o período de diferimento, mediante expressa autorização da Instituidora, o Participante poderá resgatar parte ou a totalidade do saldo da Conta de Reserva do Participante' – Parte Instituidora, observada a legislação pertinente em vigor. [...] 4.3 O Participante poderá, por ocasião de seu desligamento da Instituidora, resgatar o saldo da Conta de Reserva do Participante – Parte Participante e Parte Instituidora. 4.4 Em caso de falecimento do Participante, o saldo da Conta de Reserva do Participante – Parte Participante e do saldo da Conta de Reserva do Participante –Parte Instituidora serão pagos aos seus beneficiários. Cláusula Décima Primeira – Das Disposições Gerais [...]11.2 Os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela Instituidora, sendo portanto de sua total responsabilidade. A SUSEP, responsável por disciplinar a atividade de planos de previdência complementar editou a Circular nº 101/99 para disciplinar a forma e prazos para resgate nesses planos: Art. 7º No período de diferimento, deverá ser permitido ao participante, após o cumprimento de prazo de carência contratado, compreendido entre 60 (sessenta) dias e 24 (vinte e quatro) meses, a contar da data de inscrição, solicitar resgate de reserva matemática de benefícios a conceder. [...] Art. 27 O regulamento, ao dispôs sobre as condições de resgate e transferência de reservas, deverá determinar que o prazo de carência e que o período mínimo entre os pedidos específicos de um mesmo participante, serão automaticamente alterados nos casos de mudança específica nas normas baixadas pelo CNSP ou pela SUSEP. Verificouse, pela apreciação dos Estatutos Sociais do contribuinte, aprovado na Assembleia Geral Extraordinária de 26/3/2009, que a remuneração da diretoria: [...] IV fixados: a) o montante global anual da remuneração dos Administradores, no valor de até R$ 8.000.000,00 [...] a ser distribuído em Reunião de Diretoria, conforme determina a letra “g” do Artigo 9º do Estatuto Social; b) verba de até R$ Fl. 466DF CARF MF 6 4.000.000,00 [...] destinada a custear os Planos de Previdência Complementar Aberta dos Administradores dentro do Plano de Previdência destinados aos Funcionários e Administradores da Organização Bradesco;” Artigo 9º Compete à Diretoria, reunida e deliberando de conformidade com o presente Estatuto: [...] g) realizar o rateio da remuneração dos Diretores estabelecida pela Assembléia Geral e fixar as gratificações de Diretores e funcionários, quando entender de concedêlas.” O contribuinte, intimado a apresentar informações acerca dos aportes correspondentes a resgates feitos por diversos administradores (ocorridos, em sua maioria, em janeiro dos anos de 2009 a 2011), relativos ao plano de benefícios suplementar, informou que os resgates são referentes a aportes efetuados nos anos de 2007 e 2009. CONSTATAÇÕES FISCAIS A análise dos documentos apresentados pelo contribuinte levou às seguintes constatações: a) o plano de benefícios suplementar não era disponibilizado a todos os empregados (elegibilidade dos favorecidos a critério da instituidora/contribuinte); b) os aportes (custeio) ao plano de benefícios suplementar, por parte da Instituidora (empregador), são mensais, e os aportes, devidos pelos participantes (que são diretores e empregados que ocupam cargos elevados na hierarquia funcional da empresa) são semestrais; c) aos participantes do plano de benefícios suplementar (diretores e empregados que ocupam cargos elevados na hierarquia funcional da empresa) é permitido o resgate, a qualquer tempo, mediante autorização do contribuinte, tanto dos valores relativos aos aportes que ele fez quanto daqueles efetuados pelo contribuinte. d) aos participantes do plano de benefícios suplementar, quando da ocorrência de seu desligamento em relação ao contribuinte, foi conferido o direito ao resgate integral dos valores aportados por ele e pela instituidora (seu empregador); e) em caso de falecimento do participante do plano de benefícios suplementar, o saldo dos valores aportados em seu nome serão pagos aos dependentes, independentemente de carência; f) relativamente aos planos de previdência que são disponibilizados a todos os empregados e administradores, ao contrário do que ocorre com o plano de previdência suplementar destinada aos diretores e empregados que ocupam cargos elevados na hierarquia institucional do contribuinte, há a definição, conforme documentos referidos, de qual o montante a ser aportado pelo empregador em favor dos trabalhadores; g) nos planos de benefícios previdenciários privados que são disponibilizados a todos os empregados e administradores, os aportes dos participantes e do empregador foram estabelecidos, previamente, em 4% sobre o salário de contribuição; Fl. 467DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 5 7 h) apesar da determinação da SUSEP, nas regras relativas ao plano de benefícios suplementar (disponibilizado apenas a diretores e empregados que ocupam cargos elevados na hierarquia funcional da empresa) não consta cláusula sobre a carência para o resgate, consta apenas o direito ao resgate; i) todo plano de previdência tem como objetivo a concessão de benefícios previdenciários, consequentemente, as contribuições devemse basear em cálculos matemáticos e atuariais, levando em conta, por exemplo, o valor dos benefícios, a tábua biométrica da população beneficiária, deficiências financeiras do plano, contudo, o plano de benefícios suplementar, oferecido ao grupo de segurados em questão, não prevê nenhum parâmetro ou norma relativamente a esses elementos; j) a cada dois anos, os beneficiários do plano de benefícios suplementar fizeram resgates dos aportes próprios e dos aportes efetuados pela empresa, evidenciando o caráter de aplicação financeira de médio prazo, dos valores que lhes são disponibilizados pelo empregador, por meio desse plano; k) a remuneração dos administradores, conforme atas de assembleias, foi definida como formada por honorários e aportes em plano de previdência privada; l) os aportes feitos pela autuada são substanciais em relação à remuneração: para empregados ocupantes de cargos administrativos de níveis elevados na hierarquia institucional, na maioria dos meses é superior a 15% da remuneração declarada por meio das Guias de recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, para os administradores tal aporte é superior a 80%, chegando a 600% da remuneração declarada em GFIP. CONCLUSÕES FISCAIS O principal objetivo da previdência privada é proporcionar a todos os beneficiários, na inatividade, uma remuneração mais próxima possível daquela percebida quando em atividade, de modo a não acarretar uma sensível queda no padrão de vida do empregados/dirigentes com o advento da aposentadoria, minorando os efeitos dos riscos sociais que os atingirão e que darão origem à aposentadoria. Por ser complementar, tal previdência é onerosa e facultativa e vocacionase a atender a trabalhadores cujo nível de remuneração, na ativa, esteja acima do maior valor de salário de benefício oferecido pela previdência social pública. Apesar de ser inegável que os cargos de maior relevância hierárquica e os dirigentes, que possuem maior salário na ativa, são os que mais precisarão da complementação de aposentadoria (pois são os que mais perdem na inatividade, em termos financeiros), são esses trabalhadores aqueles com maior capacidade de poupança para suplementar a remuneração da previdência oficial assegurada de forma a garantir a continuidade do padrão de bem estar. A Constituição da República de 1988 desvincula da remuneração os aportes feitos pelo empregador em planos de Fl. 468DF CARF MF 8 previdência privada para empregados e administradores. Por sua vez, não integram o saláriodecontribuição, nos termos dispõe da Lei nº 8.212/1991, artigo 28, § 9º, alínea “p”, apenas os valores efetivamente pagos para custear plano de previdência privada, devendo ser observado o disposto no artigo 9º da Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT. Dessa feita, todas as constatações, considerado o que dispõe a legislação referida, levaram à conclusão de que, apesar de como foram formalizadas, as contribuições feitas pelo empregador para o plano de previdência suplementar têm, na verdade, a natureza de remuneração pelos serviços prestados, pela dedicação e permanência dos segurados a disposição do empregador, integrando, portanto, as bases de cálculo das contribuições tratadas no presente processo. A fiscalização juntou cópias de documentos aos autos, dentre os quais: [...] O contribuinte foi intimado das autuações, por via postal, em 30/1/2015, conforme assinatura às fls. 128 e 146 e apresentou impugnação (fls. 204/255) em 25/2/2015, conforme carimbo de protocolo à fl. 204. [...] DIREITO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL – PREVISÃO CONSTITUCIONAL. Diz que as empresas que por iniciativa própria ou por força de negociação coletiva oferecem a seus empregados benefícios nas áreas de saúde, previdência, assistência social e educação, não podem ser oneradas com pesadas incidências tributárias sob pena das iniciativas ficarem desestimuladas. Aduz que tais benefícios não têm relação com o trabalho prestado. Conclui que em face da ausência do caráter contraprestacional, a Constituição da República – CR de 1988, a legislação ordinária, a doutrina e a jurisprudência têm reconhecido a natureza assistencial e/ou previdenciária de tais prestações, e que dessa forma, elas não integram o salário, nem a remuneração de empregados, para nenhum efeito. BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Disserta sobre as bases de cálculo das contribuições previdenciárias previstas na CR de 1988, afirmando que estão expressamente excluídos dessa base, os benefícios que, mesmo concedidos em decorrência de contrato de trabalho ou de prestação de serviços, são despojados de caráter remuneratório. Diz que esse é o caso das parcelas sem significado salarial por expressa exclusão legal e outras simplesmente de caráter indenizatório, além das prestações educacionais, assistenciais, previdenciárias e outras elencadas no § 9º, alíneas de “a” a “x” do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991. Assevera que no caso se trata de contribuições pagas pelo empregador a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 6 9 NATUREZA DAS CONTRIBUIÇÕES PARA A PREVIDÊNCIA PRIVADA – NORMAS CONSTITUCIONAIS E LEGAIS Tece considerações acerca da previdência privada, citando legislação, e conclui que, por força de norma constitucional expressa, as contribuições em causa não integram a remuneração dos participantes de planos de Previdência Privada, não podendo, em razão disso, serem incluídas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. CONDIÇÃO CONSTITUCIONAL ÚNICA PARA QUE TAIS CONTRIBUIÇÕES TENHAM ESSA NATUREZA – PAGAMENTO A EMPRESA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA REGULARMENTE CONSTITUÍDA. Afirma que para que não sejam consideradas integrantes da remuneração, as contribuições da empresa destinadas a custear planos de previdência privada em benefício dos empregados e dirigentes devem ser pagas a entidades de previdência privada regularmente constituídas, cujos planos tenham sido instituídos na forma da lei. Assevera que essa previsão equivale à verdadeira imunidade na medida em que tal verba não pode ser inserida na remuneração dos empregados nem para efeito de incidência de direitos trabalhistas. Conclui que não pode a fiscalização pretender que tais contribuições sejam consideradas pagamento de remuneração disfarçada. Diz que, no caso concreto, todos os fatos, invocados pelas autoridades fiscais para justificar a exigência de contribuições previdenciárias e de terceiros, considerados indícios da suposta ilegalidade que teria sido praticada, não são vedados ou são expressamente admitidos pela legislação que disciplina a matéria, pelos contratos e pelo regulamento do plano de previdência privada, este último devidamente aprovado pela SUSEP. NORMAS LEGAIS SOBRE PLANOS DE PREVIDÊNCIA PRIVADA Disserta sobre a previdência privada apresentando legislação que trata do tema. O PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA MANTIDO OBJETO DOS PRESENTES AUTOS DE INFRAÇÃO Diz que mantinha, na época, o plano denominado “Plano de Previdência Privada Aberta Coletivo – Plano II – do tipo PGBL, Renda Fixa”, estruturado no regime financeiro de capitalização e na modalidade contribuição variável. Aduz que tal plano foi aprovado pela SUSEP nos termos do Processo 10.003048/0123 e que suas regras estão definidas no regulamento e no contrato – Contribuições Básicas, com previsão de contribuições e benefícios básicos aplicáveis a todos os funcionários e dirigentes e contribuições e benefícios suplementares diferenciados para Diretores Estatutários e Superintendentes Executivos (6º Termo Aditivo). Fl. 470DF CARF MF 10 Assevera que as regras do Plano II estão definidas no regulamento e na Nota Técnica nos Contratos – Contribuições Básicas e Contratos Suplementares e estão rigorosamente de acordo com a legislação previdenciária referida. Tece considerações acerca de termos e definições tratados no regulamento. Diz que se trata de plano único, com benefícios diferenciados e que, portanto, fica evidenciado que não houve violação a nenhuma norma legal que rege a previdência privada, porque a legislação que rege a previdência privada jamais exigiu que os planos estabeleçam benefícios em valores idênticos a todos os empregados e dirigentes da empresa. Argumenta que, ainda que se tratasse de plano autônomo, não haveria violação à legislação previdenciária, a uma, porque o artigo 16 da Lei Complementar nº 109/2001 só é aplicável a planos de previdência privada fechada, a duas, porque o artigo 26, § 3º dessa mesma Lei, aplicável, a planos de previdência privada aberta, coletivos, que é o caso, admite, expressamente, que apenas uma ou mais categorias de empregados da mesma empresa sejam beneficiários desses planos, sendo pacífica a jurisprudência administrativa nesse sentido. FATOS APONTADOS NÃO AUTORIZAM AS EXIGÊNCIAS EM CAUSA PLANOS DAS ENTIDADES FECHADAS – DEVEM SER DISPONÍVEIS A TODOS – ART. 16 DA LC 109/2001 – PLANOS DAS ENTIDADES ABERTAS COLETIVOS – PODEM ELEGER APENAS UMA OU MAIS CATEGORIAS ESPECÍFICAS DE EMPREGADOS DA MESMA EMPRESA – ART. 26, §3º DA LC 109/2001 Diz que a fiscalização considerou que o plano suplementar não atende à determinação legal de ser disponível a todos os empregados, e que tal plano somente atende às pessoas equiparadas a empregados elencadas no §1º do artigo 16 da Lei Complementar 109, de 29/5/2001. Acrescenta que, contudo, tal dispositivo está inserido na Seção II da Lei Complementar em questão que trata dos “Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas”, o que não é o caso. Tece considerações sobre o disposto na mesma Lei, no artigo 26, § 3º. Alega que pela apreciação desses dispositivos fica invalidada a acusação de que não teria respeitado a legislação. Acrescenta que nem se pode alegar que a obrigatoriedade de extensão a todos os funcionários participantes de planos de previdência privada mantidos por entidade aberta decorreria do disposto na alínea “p” do § 9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991. Assevera que, enquanto o artigo 16 da Lei Complementar nº 109/2001 estabelece que apenas os planos fechados devem ser disponíveis a todos os funcionários, a Lei nº 8.212/1991 estabeleceu, no dispositivo referido, que todos os planos, abertos ou fechados, deveriam ser disponíveis a todos os empregados para que as verbas pagas a título de previdência privada não integrem o saláriodecontribuição. Afirma que não há dúvidas de que por ser a Lei Complementar nº 109/2001, posterior à Lei nº 8.212/1991, revogou o artigo 28, § 9 º, alínea “p”, desta última, não apenas por ser com ele Fl. 471DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 7 11 incompatível, mas também por ter regulado inteiramente a matéria relativa ao Regime de Previdência Complementar. Cita a Lei de Introdução de Normas ao Direito Brasileiro, artigo 2º e decisão do CARF para fundamentar esse argumento. Conclui que a condição de que o plano de previdência complementar seja disponibilizado à totalidade dos empregados e dirigentes não se aplica ao caso em razão de a Lei nº 109/2001, em seu artigo 26, ter previsto, expressamente, que, quanto aos planos de previdência aberta, há a possibilidade de que sejam instituídos benefícios diferenciados para uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador. Assevera que a fiscalização, ao afirmar que as contribuições devem se basear em cálculos matemáticos e atuariais se esqueceu que a busca desses elementos deve ser feita não só a partir do regulamento do plano, sendo que os requisitos de elegibilidade e os benefícios a que tem direito os funcionários estão explicados no regulamento do Plano II, na Nota Técnica respectiva, nos Contratos – Contribuições Básicas e Contribuições Suplementares, e sobretudo na legislação aplicável ao tipo de plano escolhido, sendo certo que nenhuma norma regulamentar foi descumprida. EXTENSIVO A TODOS NÃO SIGNIFICA IGUAL PARA TODOS Alega que a legislação que rege a previdência privada não exige que os planos estabeleçam benefícios idênticos a todos os empregados e dirigentes da empresa. Argumenta que no caso concreto, o Plano II prevê benefícios para todos os empregados e dirigentes da empresa, custeados com as contribuições normais e que a previsão, para a categoria dos dirigentes, de contribuições suplementares, justificase porque sendo a remuneração desses profissionais mais elevada, apenas as contribuições normais não permitiriam atingir os objetivos da previdência privada que é proporcionar na inatividade um padrão de vida semelhante ao que o beneficiário tinha em atividade. Diz que o fato dos beneficiários do plano de previdência suplementar terem maior capacidade de poupança para suprir a remuneração da previdência oficial não muda o objetivo da previdência privada e que isso não pode excluílos do direito à previdência privada nos termos a que se destina. Disserta sobre os objetivos da previdência privada complementar e faz considerações acerca de sua vocação. Afirma que não tem fundamento a exigência que ora se contesta, porque ao questionar aquilo que é característica dos plano PGBL, em última análise a fiscalização está contestando as normas que instituíram o atual sistema de previdência privada em vigor, o que somente poderia ser feito por meio de alterações legislativas. Assevera que a exigência de que as contribuições suplementares se estendam de forma idêntica a todos os empregados e dirigentes da empresa é incompatível com a natureza mesma do benefício. Fl. 472DF CARF MF 12 Cita decisão do CARF em que, vencido o relator, entendeuse que a extensão de plano de previdência privada apenas aos trabalhadores que recebessem remuneração superior ao limite máximo do salário de contribuição do Regime Geral da Previdência Social – RGPS era suficiente para o atendimento do disposto na Lei nº 8.212/1991, artigo 28, § 9º, alínea “p”. Cita decisões do CARF acerca da interpretação da expressão “desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa” relativo a requisito para que não integrem as bases de cálculo, os valores de despesas com plano de saúde. Cita decisões do mesmo órgão em que foi examinado o mesmo plano de previdência suplementar relativo ao lançamento ora discutido. Conclui que o plano de previdência em questão atende integralmente a condição de ser disponível para todos. CONTRIBUIÇÕES LIVRES Diz que, por tratarse de plano de previdência na modalidade de contribuição variável é inerente a ele, a possibilidade de as contribuições serem feitas em qualquer valor e a qualquer tempo. Assevera que não há nada de ilícito ou violador das normas que regem a previdência complementar no seu procedimento, não podendo prosperar a pretensão fiscal de tributar tais contribuições só porque são efetuadas de forma variada, livre e unilateral. Aduz que também na podem ser invocados, para desqualificar tais contribuições, o fato de seus valores serem substanciais em relação aos salários dos dirigentes porque a legislação não estabelece limites de valor para as contribuições. Diz que quanto maior for a remuneração (portanto mais longe – para cima – do “teto” da previdência oficial), mais próximos a tal remuneração devem ser os aportes relativos à previdência complementar. Cita decisões do CARF e jurisprudência. Conclui, citando jurisprudência, que, quando as “linhas” do instituto (auxilio saúde, educação, previdência privada, participação nos lucros e resultados) previstas na legislação são atendidas o Fisco não poderia considerar tais parcelas como fatos geradores de contribuições previdenciárias. O RESGATE NAS CONDIÇÕES EFETUADAS É UM DIREITO DOS PARTICIPANTES Assevera que se tratando de plano na modalidade aberta, o caput do artigo 27 da Lei Complementar nº 109/2001 não deixa dúvida de que ao participante é possibilitado o resgate total das contribuições vertidas ao plano. Afirma que toda a legislação previdenciária cuida do resgate como um direito do participante que poderá por ele ser exercido durante o prazo de diferimento após determinado prazo de carência. Diz que, no caso em tela, os resgates ocorridos sofreram a devida incidência dos tributos previstos na legislação e foram efetuados com atendimento dos prazos de no mínimo sessenta dias previstos no regulamento e no contrato previdenciário firmado em 20/5/2000, bem como do prazo de carência de um Fl. 473DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 8 13 ano civil completo, contado a partir do primeiro dia útil do mês de janeiro do ano subsequente ao da contribuição. Afirma que a alegação do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil –AFRFB é improcedente quando ele diz que “no plano apresentado pelo Bradesco, não consta cláusula sobre a carência para resgate, apenas o direito ao resgate”, além de ser contraditória, pois no mesmo relatório, ao tratar das regras de resgate aplicáveis ao caso (item 7.9), quando aponta os prazos decorridos entre os aportes e os resgates realizados, a fiscalização afirmou que “tal prerrogativa está totalmente dentro do previsto no Plano”. Assevera que, em se tratando de Plano Geradores de Benefício Livre –PGBL, cujas contribuições são aplicadas em Fundo de Investimento Financeiro Exclusivo –FIFE e convertidas em quotas, é da essência do plano, o direito de resgate nas condições contratadas, sem que isso implique em desvirtuar ou desnaturar o Plano que continua a ser de Previdência Privada. Argumenta que os valores resgatados referemse às contribuições existentes dois anos antes já afetados pela valorização das quotas do fundo de investimento, não se podendo falar, só pelo fato de ter havido resgate, que as contribuições aportadas não se destinariam a Plano de Previdência e tratálas como remuneração. HOUVE ATENDIMENTO DE TODAS AS CONDIÇÕES CONSTITUCIONAIS E LEGAIS PARA QUE TAIS CONTRIBUIÇÕES SEJAM EXCLUÍDAS DA BASE DE CÁLCULO DAS EXAÇÕES EM CAUSA Tece considerações acerca da previdência privada e afirma que no ordenamento jurídico pátrio foi estabelecida apenas uma condição para que as contribuições da empresa a planos de previdência privada aberta sejam como tal consideradas: que as contribuições sejam pagas a empresa de previdência privada aberta legalmente constituída, autorizada a instituir e operar planos estruturados na forma da legislação aplicável à espécie e aprovados pelos órgãos competentes. Cita legislação. Assevera que em momento algum a fiscalização põe em dúvida que a Bradesco Vida e Previdência esteja legalmente autorizada a instituir planos de previdência privada aberta nas modalidades previstas na legislação. Aduz que o plano em questão foi instituído com estrita observância da legislação de regência tendo sido aprovado pela SUSEP (processo nº 10.003048/0123) e esse plano atendia ao requisito de ser disponível a todos os empregados e dirigentes da empresa. Aponta que basta que as contribuições feitas para esse plano sejam pagas a entidades regularmente constituídas e em decorrência de planos devidamente aprovados para que os direitos decorrentes não integrem o contrato de trabalho, nem os valores pagos integrem a remuneração dos participantes. Acrescenta que isso decorre da natureza jurídica das contribuições em causa que não é remuneratória ou salarial, mas assistencial ou previdenciária. Fl. 474DF CARF MF 14 Cita doutrina. Assevera que a interpretação do Fisco está dissociada da realidade. Conclui que, pelo exposto, como foram atendidas todas as condições para o pagamento de previdência privada, há total improcedência dos lançamentos fiscais em causa, cuja origem é comum. IMPOSSIBILIDADE DA EXIGÊNCIA DO ADICIONAL DE 2,5% Alega que a contribuição ao INSS não poderia ter sido calculada com a alíquota adicional de 2,5%, porque tal exigência é discriminatória em relação às demais empresas, infringindo a Constituição da República – CR de 1988, que determina a observância do Princípio da Igualdade. Diz que a discriminação instituída pela Lei nº 8.212/1991, artigo 22, § 1º não tem fundamento, posto que inexiste qualquer relação de pertinência lógica entre o fator de discrimen eleito pelo legislador e o tratamento diferenciado estabelecido. Cita decisões judiciais. Conclui que a contribuição deve ser calculada com base na mesma alíquota aplicável às pessoas jurídicas em geral. EXIGÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Assevera que a prevalecer a exigência fiscal, certamente, o Fisco exigirá do impugnante juros sobre mora sobre o valor da multa de ofício, como vem procedendo em outros casos. Diz que, por isso vem desde já impugnar tal pretensão até para que não se alegue posteriormente que tal matéria não pode ser objeto de exame porque não foi abordada na defesa apresentada. Cita decisões do CARF para fundamentar suas alegações nesse sentido. Tece considerações acerca dos débitos de tributos e contribuições. Afirma que ao utilizar a expressão “os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” a Lei nº 9.430/1996, artigo 61, somente pode estar aludindo a débitos não lançados, visto que está normatizando a incidência sobre estes, de multa de mora. Acrescenta que ao se admitir que a palavra “débitos” constante no caput do artigo 61 incluísse o principal e a multa de ofício, terseia que admitir que as multas de ofício quando não pagas no vencimento, sofreriam também o acréscimo de multa de mora, uma vez que o mesmo caput do referido artigo dispõe que “Os débitos [...] não pagos [...] serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso”. Afirma que a prevalecer entendimento diverso, terseia que admitir que sobre os juros de mora que se incluiriam nos “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições”, novamente pudessem ser exigidos juros. Diz que a única interpretação possível do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições e não sobre o valor da multa de ofício lançada, até porque referido artigo está a Fl. 475DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 9 15 disciplinar os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento. Aduz que o artigo 43 da Lei nº 9.430/1996 vem evidenciar ainda mais esse entendimento. Afirma que se a expressão “débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições” constante no caput do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 contemplasse também a multa de ofício, não haveria necessidade alguma da previsão do parágrafo único do artigo 43, uma vez que a incidência de juros sobre a multa de ofício lançada isoladamente decorreria do artigo 61. Argumenta que não existe base legal para a exigência de juros sobre os valores lançados a título de multa de ofício (não isolada) que não pode prevalecer sob pena de violação não só ao próprio artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, mas também aos artigos 5º, inciso II e 150, inciso I, da CR de 1988, além do artigo 97 do CTN. PEDIDO Requer seja reconhecida a insubsistência dos autos de infração que integram o presente processo administrativo. O impugnante juntou aos autos os documentos de fls. 256/334. A 8ª Turma da DRJ/BHE julgou a impugnação improcedente, conforme decisão assim ementada: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Integra o saláriodecontribuição o valor pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, em desacordo com a legislação previdenciária. FISCALIZAÇÃO A autoridade administrativa fiscalizadora poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com o fito de dissimular a ocorrência de fato gerador de tributos por seu tal prática inerente a suas atribuições. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ato normativo por inconstitucionalidade ou ilegalidade. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 14/03/2016, pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital (v. fl. 388), e interpôs recurso voluntário em 12/04/2016 (v. fls. 390/449), no qual basicamente reiterou os mesmos Fl. 476DF CARF MF 16 fundamentos de sua impugnação, com exceção da questão relativa ao adicional de 2,5%, que não foi objeto de recurso. Sem contrarrazões ou manifestação pela PGFN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Esclarecimentos iniciais Estudandose os autos, observase que o sujeito passivo mantinha um Plano de Previdência Privada Aberto Coletivo – Plano II, do tipo Plano Gerador de Benefícios Livres – PGBL, aplicável a todos os empregados e dirigentes da empresa, instituído por meio de um contrato previdenciário, que foi objeto do 6º aditivo, para instaurar um plano de previdência suplementar, extensível a apenas uma categoria específica de trabalhadores: Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e os investidos em cargo de Assessor da Diretoria, da Instituidora, participantes dos Planos I e II mantidos pela mesma. A fiscalização, pelas razões diversas esboçadas no relatório fiscal, as quais serão analisadas no transcorrer deste voto, procedeu à tributação dos valores pagos no contexto do plano suplementar, como se remunerações fossem. Para bem delimitar o objeto do lançamento e do controvertido dos autos, vale novamente transcrever o seguinte trecho do relatório deste acórdão: As contribuições lançadas são incidentes sobre valores aportados (custeados) pelo autuado, em planos de benefício suplementar de previdência privada (que foram formalizados como tal), disponibilizados, exclusivamente, a diretores e segurados empregados que ocupavam cargos elevados na hierarquia institucional da empresa, que foram mantidos com o objetivo de remunerar tais beneficiários, retirando desses aportes, a natureza de contribuição para previdência complementar à renda dos beneficiários ao se aposentarem. Em sendo assim, é necessário analisar se os pagamentos realizados no contexto do plano suplementar são aportes destinados à previdência privada dessa categoria diferenciada ou se eles se constituiriam em pagamento de remuneração tributável. 3 Da previdência privada Segundo a Constituição Federal (CF), "a seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social" (art. 194 da CF). Fl. 477DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 10 17 No tocante à previdência, há o regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, assim como o regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma, sendo, ainda, facultativo (arts. 201 e 202). A par dessas duas modalidades, há também o regime próprio dos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (art. 40). No que interessa ao presente caso, a Lei Maior determina que as contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a sua remuneração, nos termos da lei (§ 2º do art. 202 da CF). Tratase, pois, de imunidade tributária, vez que é uma norma de não tributação prevista na Constituição Federal. Ao estabelecer que tal verba está desvinculada da remuneração, a Lei Maior criou norma negativa de competência, impedindo o próprio exercício de atividade legislativa para criar imposição fiscal a ela atinente. A LC 109/2001, que dispõe sobre o regime de previdência complementar, singrando o mesmo texto constitucional, igualmente estabeleceu a desvinculação das contribuições do empregador da remuneração, ex vi do seu art. 68. Vejase: Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (destacouse) Ocorre que a Lei 8.212/1991 determina que não integram o saláriode contribuição "o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT" (alínea p do § 9º do art. 28). Vejase: Art. 28. [...] § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (destacouse) De acordo com a Lei 8.212, deverá ser observado, no que couber, o art. 9º da CLT, segundo o qual "serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação". Vejase que a Lei 8.212/1991 determina que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, deve ser disponibilizado à totalidade dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica. Por sua vez, a LC 109/2001 não prevê que os programas de Fl. 478DF CARF MF 18 entidades abertas devam ser necessariamente extensíveis a todos, fazendoo apenas no tocante aos programas das entidades fechadas, ex vi do seu art. 161. No caso in concreto, a fiscalização não lavrou os presentes Autos de Infração porque o sujeito passivo não teria disponibilizado um plano de previdência privada a todos os seus empregados e dirigentes. Pelo contrário, depreendese do relatório fiscal que o PGBL era extensível a todos. Contudo, como o plano suplementar foi disponibilizado a apenas uma categoria específica, ele foi objeto de lançamento. Todavia, e conforme já afirmado, a LC 109/2001 exige que os planos de benefícios de entidades fechadas devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados (art. 16). Quanto aos planos de benefícios de entidades abertas, que é o caso em questão, a lei expressamente determina que eles poderão ser disponibilizados a categorias específicas de trabalhadores. Com efeito, a Seção III do Capitulo II da LC 109/2001, que trata dos planos abertos, além de não prever a obrigatoriedade de sua extensão a todos, expressamente preleciona que eles podem ser extensíveis a grupos de pessoas constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador. Vejase com destaques: Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: [...] § 3º Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. O fato isolado de a empresa ter estabelecido um plano suplementar destinado a uma categoria específica não implica, portanto, descumprimento da lei. No âmbito deste Colegiado, essa questão foi debatida e decidida em sessão de julgamento realizada no dia 27 de janeiro de 2016, PAF nº 35601.000216/200765, acórdão nº 2402.004.872. Assim sendo, passase a transcrever o voto do então conselheiro relator, Dr. Ronaldo de Lima Macedo, que passa a integrar a fundamentação deste voto: No que tange aos valores pagos a título de previdência complementar privada no regime aberto, entendese que eles não estão sujeitos à incidência da contribuição previdenciária, desde que não sejam caracterizados como instrumento de incentivo ao trabalho (prêmio ou gratificação), entendimento delineado no Acórdão no 2402003.661 (processo 10783.723424/201109), seguem as razões fáticas e jurídicas: “[...] Previdência Complementar Privada em Regime Aberto O benefício tem previsão constitucional no artigo 202, com a redação trazida pela Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/98; portanto, tratase de imunidade de contribuição previdenciária: [...] 1 Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 11 19 [...], atendidos os requisitos da lei, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração e, conseqüentemente, sobre as quais não incidem contribuições previdenciárias. De fato, outra não poderia ser a interpretação. Isto porque somente se pode falar em Previdência Complementar quando suas características estão presentes. Aliás, qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a Previdência Complementar Privada. Para que assim seja considerada e daí não incidirem contribuições previdenciárias devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001 que regulou o artigo 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Quanto ao artigo 28, §9°, alínea p, parte final, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, portanto anterior mesmo à EC n° 20/98, não tenho dúvida que se houver incompatibilidade com os artigos 68 e 69, §1° da Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que passaram a regular o artigo 202, §2° da Constituição Federal, restará derrogado, pois além desta última veicular norma tributária especial é posterior àquela: [...] Retomando ao exame da LC n° 109/2001, selecionamos as principais disposições para este estudo: Lei Complementar nº 109, de 29 de Maio de 2001 Art. 1o O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4o As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas ... Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1o Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. ... Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Fl. 480DF CARF MF 20 Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4o Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. ... CAPÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. ... Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. § 2o Sobre a portabilidade de recursos de reservas técnicas, fundos e provisões entre planos de benefícios de entidades de previdência complementar, titulados pelo mesmo participante, não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. Apenas para que não fiquem espaços vazios na linha de desenvolvimento deste trabalho, lembrase que os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 68 e 69 são apenas partes do estatuto da previdência complementar, veiculado pela LC n° 109/2001. Inicialmente, dispõe a lei que os programas podem ser abertos ou fechados, de acordo com a natureza da entidade de Fl. 481DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 12 21 previdência complementar. Após, trata de cada um nas seções que se seguem: na Seção II os programas em regime fechado e na Seção III, regime aberto. Para o primeiro, através de seu artigo 16, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, tal como no artigo 28, § 9º, “p” da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Portanto, um suposto programa de previdência complementar em regime fechado não oferecido à totalidade dos empregados não pode ser considerado como tal e as contribuições vertidas devem ser tributadas normalmente, eis que carecem de característica essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto, conforme artigo 26, §3° da lei. Vêse que para o regime fechado, considerando a unidade da lei, não há incompatibilidade com a Lei n° 8.212/1991, apenas que nesta as regras de incidência e abrangência estão em um mesmo dispositivo legal. Agora, como já sinalizado acima, para o regime aberto a lei faculta que, direta ou indiretamente através da entidade, a empresa contrate em benefício de grupos específicos de categorias de empregados plano de previdência complementar, artigo 26, §2° e 3° da lei. Então, neste caso não incidem contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Mas, sem precipitações, a interpretação será mais segura quando considerado o todo da lei. No caso dos programas em regime aberto, embora não seja necessário estendêlo à totalidade dos empregados e dirigentes, os grupos selecionados são de categorias de empregados, sem discriminações dentro de um mesmo grupo. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho, mas em razão de necessidades específicas. [...] b) a partir da LC n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa deverá oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. Caso adotado o regime aberto, poderá oferecer o benefício a grupos Fl. 482DF CARF MF 22 de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, mas não como instrumento de incentivo ao trabalho, eis que flagrantemente o caracterizaria como um prêmio e, portanto, gratificação. [...] Neste particular, entendese que os valores concernentes ao regime aberto de previdência complementar privada, desde que não sejam um premio ou uma gratificação, devem ser excluídos do presente lançamento fiscal, [...]. Logo, o fundamento isolado de a empresa não ter estendido o plano de previdência privada suplementar a todos os seus funcionários não é suficiente para ensejar a presente autuação, visto que, com a edição da LC 109/2001, a pessoa jurídica poderá oferecer o benefício a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não o faça como instrumento de incentivo ao trabalho. Prosseguindose na análise do plano, observase que o participante também estava obrigado a fazer contribuições semestrais, no percentual de 10% de um valor determinado, corroborando a sua natureza previdenciária complementar ao regime geral. Isto é, tanto a empresa, quanto o próprio trabalhador, estavam obrigados a constituir as reservas que garantiriam o benefício futuro. Vejase a Cláusula Terceira do 6º aditivo contratual com destaques: 3.3. As contribuições ao PGBL serão suportadas pela Instituidora e pelo Participante. 3.3.1 A Instituidora fará contribuições mensais ao PGBL, individualizada a cada Participante, observado o disposto nos subitens 3.3.1.1 e 3.3.1.2 desta cláusula. 3.3.2 O participante fará contribuições ao PGBL, semestralmente, no percentual de 10% (dez por cento) do valor da gratificação semestral que lhe for atribuída pela Instituidora. O fato, portanto, de a contribuição do participante ser semestral de forma alguma desnatura o plano de previdência privada, mesmo porque, como se observa no item 3.3.2 acima, o valor era calculado sobre uma gratificação de igual periodicidade (semestral). No entender deste relator, a circunstância de o participante também ter contribuído ao longo dos anos para a formação da reserva fragiliza a acusação de que o PGBL serviria para o pagamento de remuneração. Os resgates, totais ou parciais, igualmente não descaracterizam a natureza previdenciária dos pagamentos. O art. 27 da Lei, de forma expressa e clara, preleciona que é assegurado aos participantes o direito à portabilidade e ao resgate de recursos, total ou parcialmente (vide abaixo). Para que os resgates pudessem caracterizar o pagamento de remuneração em favor daquela classe específica de trabalhadores, seria necessária a demonstração de que os valores teriam transitado em conta de previdência apenas de forma simulada, o que efetivamente não ocorreu. A propósito, e como relatou o agente autuante, os resgates somente foram efetivados depois de transcorridos dois anos. Em consonância com a lei, vejase que a Cláusula Quarta do 6º aditivo trata do citado direito, determinando, ainda, a observância da legislação em vigor: Cláusula Quarta – Do Resgate 4.1 Durante o período de diferimento, mediante expressa autorização da Instituidora, o Participante poderá resgatar Fl. 483DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 13 23 parte ou a totalidade do saldo da Conta de Reserva do Participante' – Parte Instituidora, observada a legislação pertinente em vigor. Do que se depreende do texto do art. 27, entendese que o contrato nem mesmo poderia obstaculizar o direito de levantamento pelos participantes, pois a norma é impositiva ao assegurar ("é assegurado aos participantes") o direito de resgate de recursos, total ou parcialmente. A recorrente ainda esclareceu que a Circular SUSEP 338/07 igualmente dispõe sobre essa faculdade, cabendo transcrever a norma infralegal: Art. 19. O participante poderá solicitar, independentemente do número de contribuições pagas, resgate, parcial ou total, de recursos do saldo da provisão matemática de benefícios a conceder, após o cumprimento de período de carência, que deverá estar compreendido entre 60 (sessenta) dias e 24 (vinte e quatro) meses, a contar da data de protocolo da proposta de inscrição na EAPC. Como se vê, observado o período de carência determinado por aquela Superintendência e o período de diferimento tratado no 6º aditivo contratual, podiam os participantes efetuar o resgate dos valores, total ou parcialmente, possibilidade esta constante também do texto legal retro mencionado. Não poderia a fiscalização, nesse contexto, tomar um direito do participante como uma prova de máfé do contribuinte, o que implicaria subversão da normal legal. Os recursos não transitaram em conta de previdência apenas de forma artificial, mesmo porque somente foram levantados (conforme permissivo legal) depois de dois anos. A fiscalização ainda asseverou que a remuneração dos administradores, conforme atas de assembleias, teria sido definida como formada por honorários e aportes em plano de previdência privada. Pois bem. O que importa para a aplicação da lei tributária é a natureza da verba, e não a denominação que lhe tenha dado o sujeito passivo ou terceiro, mormente se tal denominação está descontextualizada dos fatos ora sob apreciação. Quer dizer, a recorrente poderia muito bem ter tratado do PGBL num contexto amplo de remuneração, e não como remuneração pelos serviços prestados pelos segurados empregados ou contribuintes individuais. Na dicção do art. 118 do CTN, para a definição legal do fato gerador nem mesmo tem muita relevância a validade jurídica dos atos praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, e tampouco a natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. O que importa para o direito tributário é a realidade, sendo irrelevante a nomenclatura do instrumento negocial ou mesmo a eventual fatura, importando, sim, identificar a materialidade da hipótese de incidência e sua efetiva ocorrência no mundo real. O princípio da realidade sobrepõese ao aspecto formal, considerados os elementos tributários, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal2. Neste caso concreto, o exame de todas as circunstâncias e peculiaridades trazidas aos autos pela autoridade fiscal permite concluir que o sujeito passivo efetuou o 2 STF, RE 346084 / PR. Fl. 484DF CARF MF 24 pagamento de contribuições no âmbito de um plano de previdência privada aberto, complementar ao regime geral da previdência social, tendo sido atendidos os requisitos legais. Não houve, no entender deste conselheiro, demonstração efetiva do pagamento de remuneração, de tal forma que o recurso voluntário deve ser provido, para que o lançamento seja cancelado. Como o presente recurso foi provido no mérito, este conselheiro deixará de manifestarse sobre as teses sucessivas dele constantes. Com efeito, e por aplicação do art. 939 do CPC, somente se vencido na preliminar é que o julgador está obrigado a pronunciarse sobre as demais questões. Vejase: Art. 939. Se a preliminar for rejeitada ou se a apreciação do mérito for com ela compatível, seguirseão a discussão e o julgamento da matéria principal, sobre a qual deverão se pronunciar os juízes vencidos na preliminar. 4 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Voto Vencedor Mário Pereira de Pinho Filho – Redator Designado Não obstante as razões apresentadas pelo i. Relator, entendo que os normativos afetos à presente matéria conduzem à conclusão diversa. Planos de Previdência Privada Alega a recorrente que os valores pagos a título de previdência privada complementar não integram a remuneração de seus beneficiários por força do art. 202 da Constituição Federal/1988, do art. 68 da Lei Complementar nº 109/2001 e das diversas leis ordinárias e normas infralegais que regem a matéria no âmbito previdenciário e tributário. Os regimes de previdência complementar encontram previsão no art. 202 da Constituição Federal. De acordo com o § 2º do referido artigo, os valores pagos a esse título não integram o contrato de trabalho dos participantes ou sua remuneração. Confirase: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. [...] § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não Fl. 485DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 14 25 integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). [...] (Grifouse) Dos dispositivos constitucionais acima transcritos, temse que, atendidos os requisitos da lei complementar, as contribuições vertidas pelo empregador não integram a remuneração de seus beneficiários e, consequentemente, não estão sujeitas aos tributos incidentes sobre parcelas dessa natureza (remuneratória). Com efeito, outra não poderia ser a interpretação, entretanto somente se pode falar em previdência complementar quando suas características estão presentes em determinada vantagem. Aliás, para qualquer que seja o benefício oferecido, são justamente as características intrínsecas que evidenciam sua natureza. E não é diferente com a previdência complementar aberta. Para que assim seja considerada e não incidam sobre valores pagos a esse título os tributos devidos sobre a remuneração, devem estar presentes as características exigidas pela Lei Complementar n° 109, de 29/05/2001, que regulamentou o art. 202 da Constituição Federal e revogou a Lei n° 6.435, de 15/07/1977. Nessa linha de raciocínio, mostrase relevante examinar as disposições da Lei Complementar nº 109/2001, que tratam do assunto: Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1º Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (Grifouse) Notese que ao regulamentar a regra constitucional, além reproduzir comandos presentes na Lei Maior, a norma complementar acabou por afastar qualquer espécie de tributação em face desse tipo de vantagem. Por certo, em relação aos tributos incidentes sobre a folha de salários, a Lei Complementar nº 109/2001 reconheceu que, em tendo a CF/1988 excluído a previdência complementar da remuneração dos participantes de planos de previdência privada, criou verdadeira imunidade. Entretanto, estamos diante de imunidade condicionada, visto que o próprio texto constitucional reclama a edição de lei para regular essa espécie de benefício. Nada obstante, ao revés do que se aduz na peça recursal, para que determinado benefício seja reconhecido como previdência complementar, apresentase como condição inescusável que esse não substitua parcelas de natureza salarial, não podendo estar, por exemplo, vinculado ao atingimento de metas de produtividade do empregado ou relacionado à função por ele desempenhada. Isso porque não é razoável que determinado mecanismo de incentivo seja desvirtuado de forma a elidir o pagamento de tributos. Fl. 486DF CARF MF 26 Pela sua importância ao encadeamento lógico do raciocino que se busca aqui desenvolver, ressalvase que os dispositivos legais não são interpretados por partes ou em fragmentos, mas sim dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As regras gerais contidas nos arts. 68 e 69 da Lei Complementar nº 109/2001 não se mostram suficientemente hábeis a responder a todos quesitos compreendidos no litígio. São somente fração do estatuto da previdência complementar, que necessitam ser interpretados em conjunto com os dispositivos constitucionais relacionados à matéria e com outras disposições normativas que lhes são afetas. Retornando ao exame da Lei Complementar n° 109/2001, entendo necessário transcrever os seguintes dispositivos: Art. 1º O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, é facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos do caput do art. 202 da Constituição Federal, observado o disposto nesta Lei Complementar. Art. 4º As entidades de previdência complementar são classificadas em fechadas e abertas, conforme definido nesta Lei Complementar. Seção II Dos Planos de Benefícios de Entidades Fechadas [...] Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. § 1º Para os efeitos desta Lei Complementar, são equiparáveis aos empregados e associados a que se refere o caput os gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes de patrocinadores e instituidores. [...] Seção III Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: I – individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II – coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1º O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2º O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de Fl. 487DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 15 27 pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3º Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. § 4º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, são equiparáveis aos empregados e associados os diretores, conselheiros ocupantes de cargos eletivos e outros dirigentes ou gerentes da pessoa jurídica contratante. [...] (Grifouse) Nos termos das disposições normativas em referência, os programas de previdência privados podem ser abertos ou fechados, de acordo com a forma com que são instituídos, cabendo aos destinatários desses planos optarem pela modalidade que lhe aprouver. Em termos de organização normativa, no Capítulo II da norma em debate, denominado “Dos Planos de Benefícios”, temse i) na Seção II, os “Planos de Benefícios de Entidades Fechadas”; e ii) na Seção III, os “Planos de Benefícios de Entidades Abertas”. Para os planos fechados, por virtude do disposto no art. 16 da LC 109/2001, é exigido, obrigatoriamente, que o benefício seja oferecido à totalidade dos empregados, exigência que inexiste em relação aos planos abertos. Desse modo, um plano de benefícios de entidade fechada quando não extensível a todos os empregados do patrocinador não pode ser assim considerado, de tal modo que a inobservância do requisito legal impõe a exigência dos tributos devidos sobre a remuneração de seus beneficiários, uma vez que desprovido de condição essencial. As entidades fechadas são instituídas para o conjunto de empregados da patrocinadora e não para grupos de categorias específicas de empregados de uma mesma empresa, faculdade somente possível quando a opção é pelo regime aberto. Para o regime aberto, conforme já se adiantou, a lei complementar (art. 26, § 3°) faculta que, direta ou indiretamente através de entidade instituída para tal fim, a empresa contrate plano de previdência complementar para grupos específicos de categorias de empregados. Nesse caso não incidirão contribuições previdenciárias ainda que o benefício não seja oferecido à totalidade dos empregados. Portanto, considerando os dispositivos da Lei Complementar nº 109/2001 em seu conjunto, constatase que, no caso dos planos de benefícios de entidades abertas, mesmo não sendo necessário estendêlos à totalidade dos empregados e dirigentes de determinada empresa, os grupos selecionados para fazerem jus ao benefício devem ser de categorias específicas, sem discriminações em relação a seus integrantes. A escolha recai sobre determinada categoria não como incentivo à produtividade ou outras finalidades relacionadas ao trabalho ou função, mas em razão de características e necessidades intrínsecas dos destinatários dos planos. Fl. 488DF CARF MF 28 Em resumo, nos termos da legislação em vigor, para que os benefícios conferidos a empregados e dirigentes não se sujeitem a incidência de tributos: i) no caso de planos de benefícios de entidades fechadas, a empresa deverá oferecêlo à totalidade de seus empregados, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes; e ii) em se tratando de planos de benefícios de entidades abertas, esses poderão ser oferecidos a grupos de empregados ou dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja como instrumento de incentivo ao trabalho e que não tenha relação com as função exercida pelo beneficiário, eis que flagrantemente, nesse caso, teria características de gratificação ou prêmio, atraindo a incidência de tributos. Ressaltese ainda quanto a esse ponto que as importâncias pagas a título de previdência complementar não são valores desprovidos de caráter contraprestacional, como nos quer fazer crê a recorrente, tratamse de benefício pagos no contexto da relação de trabalho e, assim o sendo, para serem excluídos da base de cálculo dos tributos incidentes sobre verbas remuneratórias, precisam observar os contornos estabelecidos nas normas de regência. Natureza Jurídica dos Planos de Previdência Privada Ofertados pela Recorrente a Diretores Estatutários e Superintendentes Executivos Os elementos de prova acostados ao presente processo administrativo demonstram, de forma inequívoca, que o sujeito passivo mantém dois planos de previdência complementar, um disponível a todos os seus empregados e outro (Plano de Benefícios Suplementares) destinado a diretores e ocupantes de altos cargos administrativos. No caso específico do denominado “Plano de Benefícios Suplementares”, disponível apenas para diretores estatutários, diretores técnicos e empregados investidos em cargo de assessor da Diretoria da recorrente, reputo necessária a reprodução de algumas questões fáticas devidamente evidenciadas no Relatório Fiscal (167/178), sobretudo no seu item 7: a) ao participante é permitido resgate, tanto de seus aportes, quanto dos aportes do Bradesco, a qualquer momento, mediante autorização do Banco; b) no desligamento do participante lhe é permitido resgatar os valores dos aportes vertidos por ele e pelo Bradesco; c) no falecimento do participante o saldo dos aportes desse e do Bradesco serão pagos aos seus dependentes, independentemente de carência; d) não há no Plano de Benefícios Suplementares a definição dos valores que devem ser aportados pela recorrente, tampouco critérios a respeito da definição desses valores; e) a remuneração dos administradores, conforme atas de assembleias, está definida como parte em honorários e parte em aportes ao plano de previdência privada; f) os aportes feitos pelo Bradesco são substanciais em relação à remuneração, para os ocupantes de cargos administrativos de relevância, na maioria dos meses é superior a 15% da remuneração declarada em GFIP, já para os Administradores é superior a 80%, chegando a 600% da remuneração declarada em GFIP; g) a cada dois anos, os beneficiários do Plano de Previdência Privada fazem resgates dos aportes próprios e da Instituidora. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 16 29 Ainda sobre esse assunto, o 6º Termo Aditivo ao Contrato de Previdência Privada (fls. 20/26), subitens 2.2 e 11.2 demonstra que os critérios de elegibilidade ao Plano de Benefícios Suplementares são definidos única e exclusivamente pela Instituidora, que pode, inclusive, recusar proposta de inscrição de participante. O caso que ora se analisa não é desconhecido deste Colegiado. Em pelo menos duas outras ocasiões já lhe foram submetidas situações semelhantes à aqui retratada, envolvendo estabelecimento do mesmo grupo econômico e plano previdenciário com características semelhantes. Em ambos os casos, a autuação foi mantida em razão do entendimento de que referidas parcelas caracterizamse como instrumentos de incentivo ao trabalho. O Acórdão nº 2402006.064, de 7/03/2018, da lavra deste Redator, com base nos aspectos fáticos relacionados ao Plano de Benefícios Suplementares oferecidos aos altos dirigentes da recorrente, assim resumiu os motivos lavaram à constatação quanto à natureza remuneratória do plano de previdência: À evidência, o contexto fático resumido acima revela que os valores pagos a título de previdência privada complementar configuramse como uma gratificação ou prêmio, eis que a recorrente seleciona tanto os valores a serem vertidos à previdência como os beneficiários do programa de previdência complementar. Além disso, da análise do conjunto probatório trazido aos autos, verificouse que a concessão dos aportes a título de previdência complementar está atrelada às metas de desempenho estabelecidas pela recorrente e decorre de critérios subjetivos, tendo em vista que: (i) não foram apresentadas pela empresa as memórias de cálculo das referidas contribuições ao plano de previdência privada, não tendo sido demonstrado o seu caráter previdenciário; (ii) as contribuições suplementares, efetuadas mensalmente em benefício dos dirigentes, foram realizadas em valores substanciais, tendo sido definidas pelo comitê de remuneração de forma unilateral e a partir dos resultados alcançados; (iii) houve resgates efetuados pelos dirigentes no período fiscalizado, no mesmo mês, e em valores próximos aos das contribuições vertidas, frustrando o objetivo de complementação das aposentadorias; (iv) os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela instituidora, que pode, inclusive, recusar a proposta de participante pertencente ao grupo ao qual o benefício se destina, em desconformidade com o previsto na Lei Complementar n° 109/2001; dentre outros. O caráter remuneratório de tais verbas mostrase bastante evidente, visto que essas são pagas habitualmente (mês a mês) e somente aos altos dirigentes (empregados ou não) da empresa em decorrência do contrato laboral celebrado entre contratante e contratados, visando atender as metas de desempenho estipuladas pela Companhia. (Grifouse) A principal diferença entre a situação contextualizada no Acórdão nº 2402 006.064 e a do presente processo administrativo diz respeito aos tributos objeto de lançamento. Fl. 490DF CARF MF 30 Enquanto o mencionado acórdão tratava de auto de infração referente a Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, aqui temos lançamento de contribuições previdenciárias. Porém, uma vez definida a natureza remuneratória da verba, a conclusão é tanto pela incidência de IRPF quanto de contribuições previdenciárias. Temse ainda o Acórdão nº 2402004.108, de 14/05/2014, esse sobre contribuições previdenciárias, cujas conclusões são semelhantes às acima referenciadas. Vejamos a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Após o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, senão comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. [...] Recurso Voluntário Negado. Ademais, a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2402004.108 foi objeto de recurso especial oposto pela recorrente, tendo a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF mantido o entendimento do Colegiado Ordinário. Confirase: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, senão comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. Com o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes Fl. 491DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 17 31 pertencentes a determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio. [...] Assim como nos casos referidos acima, as peças de defesa da recorrente (impugnação e recurso voluntário) não possuem elementos suficientes para afastar os fatos constatados pelo Fisco, já que a recorrente resumiuse a alegar que agiu em conformidade com a legislação de regência. No entender da recorrente, nos termos do § 2º do art. 202 da Constituição, para que as contribuições da empresa, destinadas a custear planos de previdência privada em benefícios de empregados e dirigentes, sejam excluídas do conceito de remuneração basta que tenham sido pagas a entidades de previdência privada regularmente constituídas e que tais planos tenham sido instituídos na forma da lei. Atendidas essas exigências, referida verba estaria desonerada de qualquer tipo de tributo, inclusive de contribuições previdenciárias. Contudo, não vejo como esse argumento possa prosperar. O exame dos elementos de prova acostados aos autos demonstra que os critérios de elegibilidade ao plano objeto de lançamento são definidos exclusivamente pela recorrente que, conforme já se verificou, pode recusar proposta de participante pertencente ao grupo ao qual o benefício se destina, o que representa afronta ao disposto nos §§ 2º e 3º do art. 26 da Lei Complementar n° 109/2001. Na hipótese, restou consignado alhures que, em se tratando de plano de previdência privado aberto, é desnecessário o atendimento da exigência constante do art. 16 da Lei Complementar 109/2001 (extensão do benefício a todos os empregados, gerentes, diretores, conselheiros ocupantes de cargo eletivo e outros dirigentes do patrocinador) para que esse deixe de ter caráter remuneratório, bastando para tanto que o plano seja extensível a grupos específicos de categorias de colaboradores. Contudo, ainda assim não prosperam as alegações da recorrente, eis que, ao conceder o plano de previdência privada complementar a um grupo restrito de dirigentes (e não a um grupo determinado), com critérios de elegibilidade definidos única e exclusivamente pela instituidora, como se detalhará mais adiante, o benefício assume caráter remuneratório. A regra estampada no art. 10 da LC 109/2001, o qual está inserido na Seção I do Capítulo II, que trata das disposições comuns aos planos de previdência privada (aberto e fechado), estipula que tanto os requisitos de elegibilidade quanto a forma de cálculo dos aportes feitos pela instituidora devem estar claramente definidos no regulamento do plano, fato esse que não aconteceu no caso ora analisado. LC 109/2001: Art. 10. Deverão constar dos regulamentos dos planos de benefícios, das propostas de inscrição e dos certificados de participantes condições mínimas a serem fixadas pelo órgão regulador e fiscalizador. Fl. 492DF CARF MF 32 § 1º A todo pretendente será disponibilizado e a todo participante entregue, quando de sua inscrição no plano de benefícios: I certificado onde estarão indicados os requisitos que regulam a admissão e a manutenção da qualidade de participante, bem como os requisitos de elegibilidade e forma de cálculo dos benefícios; II cópia do regulamento atualizado do plano de benefícios e material explicativo que descreva, em linguagem simples e precisa, as características do plano; III cópia do contrato, no caso de plano coletivo de que trata o inciso II do art. 26 desta Lei Complementar; e IV outros documentos que vierem a ser especificados pelo órgão regulador e fiscalizador. [...] Repisese que os elementos probatórios juntados aos autos demonstram que os critérios de elegibilidade são definidos exclusivamente pela instituidora, que, inclusive, tem a faculdade de recusar a proposta de inscrição do interessado no plano. Essa circunstância, além de comprovar que nem mesmo dentro da própria categoria (altos empregados) o plano estava acessível a todos, revela que os critérios eram definidos de forma casuística e subjetiva. O caráter remuneratório de tais verbas mostrase patente, visto que essas são pagas habitualmente (mês a mês) e somente aos altos dirigentes (empregados ou não) da empresa em decorrência do contrato laboral, sendo que o fato de os valores vertidos serem definidos exclusivamente pela contratante evidencia que o benefício visa remunerar de forma diferenciada determinados profissionais. De acordo com o relatório fiscal, “Nos Planos de Previdência disponíveis a todos os empregados e administradores (Participantes), os aportes tanto dos Participantes quanto do BRADESCO são de 4% sobre a remuneração, logo, além de definido, o aporte por parte do BRADESCO, é o mesmo para todos”. Por essa razão, tendo o Fisco considerado que esses planos detinham, de fato, natureza de plano de previdência complementar, nenhum lançamento foi efetuado em relação a eles Diferentemente disso, no Plano de Benefícios Suplementares, destinado aos ocupantes da alta administração da recorrente, além de as contribuições da instituidora não estarem definidas, não foram demonstrados quaisquer critérios para o seu adimplemento. De acordo com o Relatório Fiscal, no que não foi contestado nas peças de defesa da contribuinte: 7.11 Os aportes feitos pelo BRADESCO são substanciais em relação à remuneração, para os ocupantes de cargos administrativos de relevância, na maioria dos meses é superior a 15% da remuneração declarada em GFIP; já para os Administradores é superior a 80%, chegando a 600% da remuneração declarada em GFIP. Notese que, enquanto temse para os funcionários em geral um plano previdenciário com regras e valores definidos, no plano destinados aos membros da alta administração não há definição de valores que devem ser aportados pela recorrente, tampouco critérios para a fixação desses valores, os quais são definidos pela diretoria tãosomente a partir Fl. 493DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 18 33 de montante global anual estabelecido pela assembleia geral da companhia, sem que seja considerado nenhum aspecto de natureza previdenciária. O relato fiscal demonstra de forma inconteste que, além de perceberem benefícios distintos daqueles disponíveis aos trabalhadores em geral, o Plano de Benefícios Suplementares era ofertado aos membros da administração da recorrente de forma diferenciada e de acordo com os atributos do cargo, sendo que, para os ocupantes de cargos administrativos de relevância os aportes, via de regra, eram superiores a 15% da remuneração mensal, enquanto que, para os administradores, esses aportes eram, em geral, superiores a 80% da remuneração mensal, podendo chegar a 600%, ou seja, ao serem vertidas dessa forma, tais quantias assumiram o caráter de gratificação (ou prêmio), eis que vinculadas aos atributos profissionais de seus destinatários, servindo de complemento ao salário. A ausência de regra geral para o aporte das contribuições da instituidora é mais um fundamento que vem para reforçar a natureza de remuneratório do benefício. Além do que, o fato de os aportes realizados ao Plano de Benefício Suplementar serem, em inúmeras ocasiões, muito superiores à própria remuneração de seus destinatários revela que esses não se destinavam à complementação de aposentadoria. Não se pode olvidar que o § 1º do art. 457 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) é expresso ao estabelecer que integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. Com efeito, em regra, as contraprestações efetivadas pelo empregador em razão do contrato de trabalho ostentam natureza salarial. Essa natureza, em alguns casos, pode ser excepcionada pelo legislador, como no caso da previdência privada. Todavia, para que seja afastada a regra geral é mister do empregador seguir rigorosamente os requisitos estipulados em lei, o que não se sucedeu na hipótese. De outra parte, o caput do art. 202 da Constituição é expresso no sentido de que regime de previdência privada de caráter complementar é baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, ou seja, não se trata de mera aplicação financeira, mas de aportes de recursos destinados a preservar os rendimentos de seus participantes ou dependentes por ocasião da aposentadoria ou morte ou, ao menos, a minorar as perdas que decorrem desses eventos. Contudo, restou esclarecido que ao participante é permitido o resgate não somente de seus aportes, mas também dos aportes do instituidor, a qualquer momento, bastando para tanto a autorização do Banco. Do mesmo modo, tais aportes (da empresa e do participante) podem ser levantados por ocasião do desligamento ou ainda pelos dependentes, sem qualquer carência, em decorrência do falecimento do titular do direito. No caso concreto, verificouse que os participantes do Plano de Benefícios Suplementares, a cada dois anos, efetuam o resgate tanto dos aportes próprios quanto daqueles vertidos pelo empregador. Sobre o assunto, o Relatório Fiscal consigna: 7.9. Por intermédio de TIF Termo de Intimação fiscal, foi solicitado ao BRADESCO informações acerca dos aportes correspondentes a resgates, em sua maioria, em janeiro dos anos 2009 a 2011 do mencionado Plano de Previdência Privada feitos por diversos de seus administradores. Fl. 494DF CARF MF 34 Em resposta ao referido TIF, o BRADESCO disse que tais resgates são referentes a aportes feitos nos anos de 2007 a 2009, respectivamente. Portanto, a cada dois anos, os beneficiários do Plano de Previdência Privada fazem resgates dos aportes próprios e da INSTITUIDORA. Nesse passo, não há como discordar do juízo externado pela autoridade autuante e pelo Colegiado recorrido de que, embora esses resgates estejam previstos no 6º Termo Aditivo ao Contrato de Previdência Privada, estão em desacordo com a legislação definidora da isenção de contribuições previdenciárias, que é no sentido de que os aporte tenham caráter previdenciário e não de aplicação financeira de médio prazo. A despeito da possibilidade de resgates, estabelecida no art. 27 da Lei Complementar nº 109/2001, esses não podem comprometer os objetivos constitucionalmente previstos para os planos de previdência complementar, sob pena de desnaturar o regime em que estão inseridos. Todas essas questões associadas, além de outras exprimidas no Relatório Fiscal e na decisão recorrida, conduzem a insofismável conclusão de que, de fato, os aportes efetuados a título de previdência complementar tinham natureza de rendimento do trabalho. Impende destacar que não é o nomen iuris conferido a uma parcela que irá definir a sua natureza, mas é relevante aferir se o pagamento segue as regras previstas em lei que sejam aptas retirarlhe a natureza remuneratória. Na espécie, os resgates realizados de forma habitual e os fatos evidenciados acima (resgate pelos participantes do plano dos valores aportados pelo instituidor) demonstram, de forma clara, a descaracterização da natureza previdenciária da verba. Logo, os valores passam a ter natureza remuneratória, amoldadose ao conceito de salário. Verificase, pois, que, da forma como foram realizados os resgates dos valores destinados à previdência complementar – sem qualquer finalidade previdenciária, distanciandose dos benefícios previdenciários (aposentadoria ou pensão), houve o descumprimento da regra geral desse regime, prevista no art. 2º da LC 109/2001, visto que essa norma estabelece que o regime complementar tem por objetivo instituir planos de benefícios de caráter previdenciário. Por todas essas razões, e tendo em vista que as verbas aqui discutidas têm nítida repercussão econômica, concedidas com características de remuneração, inobstante toda a legislação suscitas pelo sujeito passivo (Constituição, leis complementares, leis ordinárias e outras normas infralegais), não vejo como enquadrálas na regra prevista no § 1º do art. 69 da Lei Complementar nº 109/2001, visto que o caput desse artigo, em consonância com norma constitucional correlata, é no sentido de que a não incidência de tributação está voltada para “contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária”. De outro modo, em vista do nítido caráter remuneratório dos valores pagos pelo sujeito passivo a título de previdência complementar privada de regime aberto a diretores estatutários, diretores técnicos e ao pessoal investido no em cargo de assessor de diretoria, entendo corretas as conclusões do Fisco de que tais verbas estão sujeitas à incidência de contribuições previdenciária, com fundamento nos incisos I e III do art. 28 da Lei nº 8.212/1991. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 19 35 Assim, a despeito da doutrina e das decisões judiciais e administrativas suscitadas pelo recorrente, entendo não lhe assistir razão quanto à matéria sub examine, devendo ser mantida a exação. Por todas as razões acima esposadas, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto. Exigência do Adicional de 2,5% Outra alegação trazida no recurso voluntário é de que a contribuição previdenciária não poderia ter sido calculada com a alíquota adicional de 2,5%. Tal exigência, aduz, é discriminatória em relação às demais empresas, infringindo a Constituição da República, que determina a observância do Princípio da Igualdade. Infere que a discriminação instituída pelo § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/1991 não tem fundamento, posto que inexiste qualquer relação de pertinência lógica entre o fator de discrimen eleito pelo legislador e o tratamento diferenciado estabelecido. Cita decisões judiciais. Consoante observado pelo próprio recorrente, a exigência questionada na peça recursal decorre de disposição expressa de lei. A esse respeito, o 26A do Decreto nº 70.235/1972, recepcionado pela ordem constitucional vigente com força de lei, estabelece que aos órgãos de julgamento administrativo é vedado afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, excetuando apenas os casos relacionados no próprio Decreto nº 70.235/1972, os quais não têm relação com o objeto da presente lide. Vejamos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. Fl. 496DF CARF MF 36 No mesmo sentido, é o art. 62 do RICARF, em relação à segunda instância administrativa: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desse modo, não é lícito a este Colegiado a análise da constitucionalidade de normativos legais ou regulamentares, mediante afastamento de sua aplicação. Além disso, de conformidade com a Súmula CARF nº 2, de aplicação obrigatória no âmbito deste Conselho, é vedado a esta Corte Administrativa pronunciarse sobre constitucionalidade de lei. In verbis: Fl. 497DF CARF MF Processo nº 16327.720117/201555 Acórdão n.º 2402006.523 S2C4T2 Fl. 20 37 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta feita, temse como não sendo possível aos órgãos de julgamento administrativos afastarem lançamento de crédito tributário sob o fundamento de que as normas legais que lhe dão suporte ferem princípios consagrados na Carta da República, pois, admitir ao julgador administrativo tal análise equivaleria invadir competência exclusiva do Poder Judiciário. Juros sobre Multa de Ofício No que se refere à incidência de juros de mora sobre multa de ofício, é entendimento pacífico no âmbito do CARF de que incide juros moratórios sobre os créditos tributários não pagos no vencimento, conforme as súmulas transcritas a seguir: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Como se observa, os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”, que assim está definido pelo CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. O Código Tributário Nacional – CTN assim caracteriza a obrigação principal: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (Grifouse) Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o “crédito tributário” lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. Ainda quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, citase os seguintes acórdãos da Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, penalidade pecuniária, compõe a obrigação tributária principal, e, por conseguinte, integra o crédito tributário, que se encontra submetido à incidência de juros moratórios, após o seu vencimento, em consonância com os Fl. 498DF CARF MF 38 artigos 113, 139 e 161, do CTN, mediante aplicação da taxa SELIC conforme Súmula CARF nº 4. (Acórdão nº 9101002.385 1ª Turma da CSRF, de 12/07/2016) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2004 a 10/09/2004 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e negado. (Acórdão nº 9202004.250 – 2ª Turma da CSRF, de 23/07/2016) (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte (Acórdão nº 9303003.478 – 3ª Turma da CSRF, de 25/02/2016) Em linha com o disposto no CTN, com as Súmulas CARF nº 4 e 5 e com a jurisprudência consolidada no âmbito deste Conselho, nego provimento ao recurso no que se refere à incidência de juros de mora sobre multa de ofício. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 499DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724489/2015-64
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS.
Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
Numero da decisão: 2001-000.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. Da legislação de regência, extrai-se que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano-calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973.
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REQUISITOS. Da legislação de regência, extraise que são requisitos para a dedução da despesa com pensão alimentícia: a) a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; b) que o pagamento tenha a natureza de alimentos; c) que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e d) que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do ano calendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 44 89 /2 01 5- 64 Fl. 466DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2014, anocalendário de 2013, por meio do qual foi constatado que se apurou a dedução indevida com pensão alimentícia, no valor de R$ 55.239,04, bem como deduções com despesas médicas de R$ 40.723,70, gerando um IR suplementar de R$22.678,33. A revisão do lançamento pela autoridade lançadora restabeleceu a dedução das despesas médicas (R$ 40.723,70) e de parte da pensão alimentícia (R$ 16.540,20). A sentença judicial determinava o pagamento da pensão somente até a maior idade dos beneficiários, netos da contribuinte, Vinícius Batista de Medeiros e Virgínia Batista de Medeiros, que já eram maiores em 2013. Houve comprovação da pensão alimentícia paga a Diana Angélica Felix de Medeiros, mas foi excluída a parcela descontada do 13º salário, indedutível na declaração de ajuste anual. Como resultado, o imposto suplementar foi reduzido para R$ 6.931,33. Notificada desta decisão, a interessada não apresenta novas provas ou argumentos. Sendo assim , a DRJ Salvador votou pela improcedência da impugnação. Em sede de Recurso Voluntário, junta o contribuinte todos os documentos judiciais aptos a sanar quaisquer dúvida de sua obrigação em pagar a pensão. Acosta os documentos das ações revisionais, determinando o desconto da pensão e filha, as determinações para descontos gradualmente menores ao longo do tempo e a exoneração apenas em setembro de 2015. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Pensão alimentícia O presente lançamento decorre de glosa efetuada pela autoridade tributária na dedução de pensão alimentícia na declaração do imposto de renda pessoa física, entregue pela contribuinte, relativo ao exercício de 2014. Nesta senda, merece trazer a baila o que dispõe a legislação no que se refere à pensão alimentícia. Vejamos o que está previsto no art. 8º, II, “f”, da Lei nº 9.250/1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 467DF CARF MF Processo nº 10166.724489/201564 Acórdão n.º 2001000.628 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais; Ressaltese que a alínea “f” do inciso II do artigo 8º da Lei nº 9.250, de 1995, passou a ter nova redação com o advento da Lei n.º 11.727, de 23 de junho de 2008, redação esta que, nos termos do art. 21 desta Lei, entrou em vigor na data da publicação da Lei nº 11.441, de 4 de janeiro de 2007. Eis a nova redação: f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou deescritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) Conforme verificase da legislação acima transcrita, são requisitos para a dedução: a comprovação do efetivo pagamento dos valores declarados; que o pagamento tenha a natureza de alimentos; que a obrigação seja fixada em decorrência das normas do Direito de Família; e que seu pagamento esteja de acordo com o estabelecido em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou, ainda, a partir do anocalendário 2007, em conformidade com a escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Fundamental, pois, esclarecer que o alimentante tem direito de realizar a dedução integral dos valores que pagar a título de pensão alimentícia. Porém, para que a dedução seja admitida, é preciso então que os alimentos prestados sejam decorrentes de decisão judicial ou, ainda, de acordo homologado judicialmente ou lavrado por escritura pública . Cumpre observar que não se admite que a pensão alimentícia de filhos com idade inferior a 18 anos seja estabelecida por acordo lavrado por escritura pública. Sendo assim, aludida possibilidade restringese aos casos em que o dever de prestar alimentos estendase além da maioridade dos filhos. A jurisprudência tem admitido, inclusive, que se mantenha o dever de prestar alimentos até a conclusão de curso em estabelecimento de ensino superior pelo filho. Nessa circunstância, caso os pais do jovem venham a se divorciar, nada impede que, por escritura pública, seja estabelecida pensão alimentícia ao filho maior de idade. Não é permitida a dedução de montantes pagos pelo alimentante por mera liberalidade. É preciso mencionar também os casos em que a decisão judicial ou acordo determina que o alimentante arque diretamente com despesas médicas e/o ou relativas à instrução do alimentando. Isto é, o acordo ou a sentença pode prever que despesas, como aquelas referentes a planos de saúde e mensalidades escolares, sejam pagas diretamente pelo alimentante em nome do alimentando. Nesse caso, as despesas médicas também poderão ser Fl. 468DF CARF MF 4 deduzidas sem limite de valor, porém as deduções relativas às despesas com instrução serão limitadas ao valor estabelecido. Contudo, se o alimentante realizar o pagamento direto dessas despesas sem que isto esteja expressamente estabelecido em acordo judicialmente homologado, escritura pública ou decisão judicial, os montantes respectivos não poderão ser deduzidos. Afinal, caso não haja previsão expressa sobre o pagamento direto desses custos em nome do alimentando, não será admitida a dedução. Outras despesas suportadas diretamente pelo alimentante (tais como alugueis, condomínios, previdência complementar, vestuário, lazer e transporte), ainda que haja determinação em acordo judicial, escritura pública ou decisão judicial, também não podem ser deduzidas. Concluise, nesse sentido, que poderá haver dedução: 1) do valor integral pago a título de pensão alimentícia, desde que o montante tenha sido previamente determinado por acordo homologado judicialmente ou lavrado por escritura pública ou, então, que tenha sido estabelecido por decisão judicial; 2) dos valores atinentes às despesas médicas incorridas com o alimentando, sem limite de valor; 3) dos valores relacionados a gastos com instrução do alimentando, nos limites de valor estabelecidos pelas normas que regulam a matéria. Tendo em vista que em sede de Recurso Voluntário foram apresentados todos os documentos para comprovar que o pagamento decorria de decisão judicial, que NÂO se tratava de liberalidade do contribuinte e que de fato era descontado do valor da pensão, entendo que deve ser dado provimento ao Recurso voluntário e portanto concluise pela aceitação da dedução com despesas referentes à pensão alimentícia CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, acatando a dedução de despesas com pensão alimentícia . (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 469DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14112.000249/2006-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO.
Somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do Sujeito Passivo contra a Fazenda Nacional, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional.
CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado.
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA.
Incide multa de mora sobre os débitos, objeto de compensação não homologada, desde o dia do vencimento até o dia do efetivo pagamento, limitada a 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.355
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. Somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do Sujeito Passivo contra a Fazenda Nacional, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. Incide multa de mora sobre os débitos, objeto de compensação não homologada, desde o dia do vencimento até o dia do efetivo pagamento, limitada a 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Negado.
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DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente RIMOLI E CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. Somente pode ser autorizada a compensação de créditos líquidos e certos do Sujeito Passivo contra a Fazenda Nacional, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. Incide multa de mora sobre os débitos, objeto de compensação não homologada, desde o dia do vencimento até o dia do efetivo pagamento, limitada a 20%, conforme art. 61 da Lei nº 9.430/96. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 02 49 /2 00 6- 66 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 14112.000249/200666 Acórdão n.º 3002000.355 S3C0T2 Fl. 472 2 (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Adoto o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ri' 39676.63715.110204.1.1.019105, no valor de R$ 88.138,23, relativo a saldo credor do 111 apurado no 4° trimestre de 2003 (fl. 03). Foram transmitidas as DCOMPs relacionadas às fls. 284. vinculadas ao PER tratado neste processo. A verificação da legitimidade dos créditos foi efetuada mediante procedimento fiscal. As constatações da auditora encontramse relatadas na Informação Fiscal de fls. 250/255, podendo ser assim resumidas: a) o estabelecimento fiscalizado industrializa formulários contínuos classificados nos códigos 4911.9900 (alíquota 0%) e 4820.4000 (alíquota 15%), segundo verificação, por amostragem. das notas fiscais de vendas; b) as mercadorias relacionadas à fl. 253 (papel cortado das marcas Chamex Office, HP Office, Chamex Mult. Chambril Premier) são adquiridas de terceiros para comercialização (revenda), não existindo direito a crédito do IPI em suas aquisições (não são utilizadas no processo produtivo), o que implicou a glosa dos valores do imposto indevidamente creditados, discriminados à fl. 253; c) o papel em bobina e o papel autocopiativo são utilizadas na industrialização (matériaprima), mas também são revendidos em grandes quantidades (comercializados), enquanto as entradas desses papéis foram majoritariamente escrituradas como compras para industrialização, com crédito do IPI. Em Fl. 472DF CARF MF Processo nº 14112.000249/200666 Acórdão n.º 3002000.355 S3C0T2 Fl. 473 3 virtude dessa inconsistência, a empresa foi intimada a comprovar, mediante apresentação do controle da produção e do estoque, as quantidades desses papéis (papel em bobinas c autocopiativo) aplicadas na industrialização. Nos livros de Registro de Controle da Produção e do Estoque apresentados não foram escriturados os produtos industrializados, nem os insumos utilizados em suas fabricações. Diante da impossibilidade de apurar corretamente as quantidades desses papéis que foram aplicadas na industrialização, a fiscalização glosou os créditos oriundos de todas as entradas dessas mercadorias, segundo discriminado à fl. 254. Após reconstituição da escrita fiscal, com glosa dos créditos considerados indevidos, houve redução no valor do saldo credor originalmente apurado pela empresa (fls.248/249), além da apuração de débitos exigidos mediante lançamento de ofício (processo 14120.000095/200875). Em conseqüência, o direito creditório foi reconhecido apenas parcialmente (R$ 437,71), e as compensações declaradas foram parcialmente homologadas, nos termos do Parecer e Despacho Decisório de fls. 284/289. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade discordando do indeferimento de seu pleito (fls. 314/324). Argumentou que o indeferimento do pedido de ressarcimento foi equivocado, pois a fiscalização deixou de considerar a atividade da empresa como preponderantemente industrial (fabricação de bobinas de PDV, formulários contínuos, etiquetas autoadesivas, etc), sendo inequívoco o direito ao crédito do IPI oriundo dos insumos aplicados na industrialização. Insurgiuse também contra a imposição de multa, atualização pela Selic e juros de mora sobre os débitos que resultaram das compensações não homologadas. Alegou o caráter confiscatório da penalidade, a impossibilidade de utilização da taxa Selic como indexador e o caráter abusivo da cobrança. concomitantemente, de multa e juros de mora. Quando da primeira análise dos autos verificouse que uma parcela dos créditos a que a contribuinte fazia jus não foram aproveitados pela auditora, pois, como afirmado pela própria fiscalização, parte das aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo foram empregadas como matériaprima na industrialização efetuada pelo estabelecimento. Foram os autos, então, baixados em diligência por intermédio do despacho de fl. 388, pois entendeuse que. ainda que os controles da produção do estabelecimento não permitissem segregar as quantidades de papel em bobina e papel autocopiativo destinadas à industrialização e à revenda, seria possível estimá las por critério de rateio (proporcionalização), visando atender ao princípio da nãocumulatividade do imposto. Em atendimento à diligência solicitada, a fiscalização, por critério de rateio (fls. 393), segregou as aquisições de papel em bobina e papel autocopiativo aplicadas na industrialização e revendidas, glosando apenas os créditos relativos às revendas. Fl. 473DF CARF MF Processo nº 14112.000249/200666 Acórdão n.º 3002000.355 S3C0T2 Fl. 474 4 Elaborou a Reconstituição do RAIPI de fls. 398. que atesta a ocorrência de saldo credor. A contribuinte foi cientificada dos resultados da diligência (fls. 411/413), apresentando as razões adicionais de defesa de fls. 414/415. Reafirmou o conteúdo da manifestação de inconformidade apresentada e, no que diz respeito aos créditos oriundos de aquisições de bobinas em papel e papel autocopiativo. solicitou que o quantum seja obtido "mediante pormenorizado levantamento contábil, com a concessão de prazo razoável para dito levantamento"." Em seqüência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juíz\ de Fora (DRJ/JFA) julgou a Manifestação de Inconformidade parcialmente procedente, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO BÁSICO. APROVEITAMENTO. Em atendimento ao principio da nãocumulatividade do IPI o contribuinte faz jus aos créditos originários de aquisições de matériasprimas aplicadas na industrialização de produtos tributados, ainda que o montante desses créditos seja apurado por critério de proporcionalidade, em razão de as aquisições se destinarem tanto a operações que dão direito a crédito (industrialização) quanto a operações que não dão direito a crédito (revenda). COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. Para as Declarações de Compensação apresentadas à Receita Federal após 27 de maio de 2003 os débitos compensados sofrerão a incidência de acréscimos moratórios a partir da data de vencimento do tributo até a data da apresentação da DCOMP, acréscimos esses previstos em lei federal vigente (art. 61 da Lei 9.430, de 1996). Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 466/468), no qual se insurgiu contra o Acórdão recorrido em relação a impossibilidade de concessão de prazo para que a ora recorrente pudesse proceder a um levantamento contábil pormenorizado e a aplicação da multa moratória. É o relatório, em síntese. Fl. 474DF CARF MF Processo nº 14112.000249/200666 Acórdão n.º 3002000.355 S3C0T2 Fl. 475 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado anteriormente, a recorrente ataca o indeferimento do seu pedido de mais prazo para realizar um levantamento contábil pormenorizado a fim de "se fazer um cálculo exato do montante dos créditos a que faz jus" e complementa alegando que "o aludido levantamento só não foi feito ate a presente data justamente em razão da falta de tempo hábil concedido para tanto" (fl. 467). A irresignação da recorrente não merece acolhida, primeiro, porque teve inúmeras oportunidades de realizar tal levantamento, inclusive, quando da baixa do processo em diligência, segundo, o mais fundamental, porque era do contribuinte, desde a início, o ônus de provar o seu direito contra a Fazenda Nacional. Relembrese, por oportuno, que somente podem ser autorizadas as compensações de créditos líquidos e certos do sujeito passivo, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Assim, não há reparo a ser feito nas razões de decidir do Acórdão recorrido, como se percebe do seguinte excerto do voto condutor: "(...) cumpre esclarecer A. contribuinte que estamos diante de pedido de ressarcimento, cabendo à solicitante a prova do direito creditório alegado. E, se desde a época da fiscalização até a presente data a contribuinte não trouxe aos autos elementos capazes de contradizer a apuração dos créditos efetuada pela fiscalização, não me parece razoável sua pretensão de obter mais prazo para proceder ao "pormenorizado levantamento contábil" dos créditos em comento." (grifo nosso) Ademais, o art. 373 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, Fl. 475DF CARF MF Processo nº 14112.000249/200666 Acórdão n.º 3002000.355 S3C0T2 Fl. 476 6 incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ......................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos citados, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Dessarte, forçoso é admitir que a recorrente além de não se desincumbir do ônus de provar o seu suposto direito creditório, também não conseguiu demonstrar cabalmente nenhum erro na forma de apuração dos créditos realizada pela fiscalização, nem mesmo trazendo novos argumentos sobre o assunto em seu Voluntário. Por outro lado, no tocante à aplicação da multa moratória, a recorrente alega que não há que se falar em pagamento fora do prazo, mas em discussão acerca do quantum de Fl. 476DF CARF MF Processo nº 14112.000249/200666 Acórdão n.º 3002000.355 S3C0T2 Fl. 477 7 crédito real a ser deferido, assim, após estabelecido tal valor, havendo débito, somente aí poderia ser exigida a multa de mora e, ainda assim, em parâmetro razoável de 2%. Melhor sorte não possui a recorrente nessa matéria, pois a multa e seu percentual decorrem de comando legal. Transcrevese o art. 61 da Lei nº 9.430/96: Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nesse passo, percebese que incide multa de mora sobre os débitos, objeto de compensação não homologada, como no caso ora analisado, desde o dia do vencimento até o dia do efetivo pagamento, limitada a 20%, de acordo com o dispositivo anteriormente reproduzido. Por outro lado, ressaltese que, mesmo em compensações homologadas, caso o PER/DCOMP tenha sido transmitido após a data de vencimento de débito declarado em DCTF, incidem os acréscimos moratórios entre a data do vencimento e a data de transmissão da declaração. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário e não reconhecer o direito creditório. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 477DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.903048/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO.
A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1402-003.333
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO RECONHECIDO. A falta de certeza e liquidez do direito creditório indicado no PER/DCOMP impossibilita a homologação da compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, o conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 30 48 /2 00 9- 04 Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10725.903048/200904 Acórdão n.º 1402003.333 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I RJ, em primeira instância administrativa, que julgou IMPROCEDENTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, agora recorrente. Do Despacho Decisório: Trata o presente processo da Declaração de Compensação, na qual a recorrente alega possuir crédito contra a Fazenda Pública, decorrente de pagamento a maior ou indevido, buscando extinguir por compensação de débito próprio, conforme detalhamento que consta no Despacho Decisório acostado aos autos. Transmitida, a DCOMP recebeu da DRF de origem o Despacho Decisório de não homologação da compensação, cujas razões da negativa se fundam no fato de que o DARF informado no PER como pago a maior ou indevido já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação com os débitos informados na DCOMP. Da Manifestação de Inconformidade: Inconformada com o despacho decisório, a recorrente interpôs a manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que o crédito pleiteado de pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco através de DCTF retificadora, que zerou o valor de débito anteriormente declarado. Da decisão da DRJ: A DRJ, em seu julgamento, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, e não reconheceu o direito creditório pleiteado, e consequente não homologação da compensação da PER/DCOMP objeto do presente processo. Na decisão ora recorrida, informa que além da DCTF original, já houve outra retificadora anterior a ultima, em que confirmou o valor anteriormente declarado de débito, que está alocado ao DARF agora pleiteado como indevido. Anos depois, no limiar da decadência da repetição do indébito, retifica novamente a DCTF, zerando o débito, sem juntar qualquer documentação comprobatória da veracidade das informações nela contidas. Não houve DIPJ retificadora para o período em foco, e esta está em consonância com o valor declarado originalmente. A restituição/compensação de tributos no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelos artigos 165 e 170 do CTN. E quanto à retificação de DCTF, para diminuir ou excluir tributo, é regido pelo artigo 147, §1º, que estipula que só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10725.903048/200904 Acórdão n.º 1402003.333 S1C4T2 Fl. 4 3 Assim, além de não haver coerência nas declarações prestadas pelo contribuinte, deveria ele provar, com a apresentação de sua escrituração contábil e fiscal, as razões da mudança do seu entendimento quanto ao valor devido. Por conseguinte, entendeu não haver certeza e liquidez do crédito alegado pelo contribuinte em seu favor. Do Recurso Voluntário: Irresignada com o a decisão, apresentou recurso voluntário em que, em síntese, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação e cerceamento de sua defesa, pois no seu entender, não recebera oportunidade de comprovar o seu direito creditório. Igualmente, suscita e alega apenas na sua peça recursal, que o direito creditório pleiteado decorre de alteração no seu coeficiente de apuração do lucro presumido, pois tinha aplicado o de 32%, mas o correto seria de 8%, pois exerce prestação de serviços hospitalares. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10725.903048/200904 Acórdão n.º 1402003.333 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.291, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.903030/2009 02, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.291): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, podese dele conhecer. Antes de adentrar no mérito, cabe informar que o julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, sendo o paradigma. Síntese dos fatos O presente processo versa sobre um PER/DCOMP, em que a recorrente pleiteou um direito creditório baseado em um pagamento indevido ou a maior, de IRPJ referente ao 3º ou 4º trimestre de 2001, ou 1º trimestre de 2002. O Despacho Decisório atacado denegou tal pleito, pois verificou que o DARF objeto do pedido estava integralmente utilizado para quitação de débitos da recorrente, não havendo crédito disponível. A recorrente na sua manifestação de inconformidade alega que o pagamento a maior ou indevido existe e foi informado ao fisco, através de DCTF retificadora apresentada em 14/08/2009, após ter verificado que não apurou tributo a pagar de IRPJ no período referente ao crédito ora pleiteado. A decisão da DRJ considerou improcedente sua manifestação de inconformidade, pois, em linhas gerais, a DCTF retificadora veio desacompanhada de comprovação do erro em que se funde, nos termos do art. 147, §1º do CTN. Além do mais, a DIPJ não foi retificada, havendo incoerência entre as declarações prestadas. Por conseguinte, não haveria certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em sede recursal, alega vícios de nulidade do despacho decisório, por conta da inexistência de fundamentação, Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10725.903048/200904 Acórdão n.º 1402003.333 S1C4T2 Fl. 6 5 e por conseguinte, acarretaria cerceamento de defesa. Igualmente, suscita e alega apenas neste momento, sem nada comprovar, que utilizou indevidamente o coeficiente de 32% no lucro presumido para apurar o seu IRPJ, quando o devido seria 8%, já que exerce a atividade de prestação de serviços hospitalares. Da preliminar suscitada Como já exposto anteriormente, a recorrente alega nulidade do Despacho Decisório, ao fundamento que este sofreria de inafastáveis vícios, quais sejam: a) inexistência de fundamentação; b) cerceamento de defesa, por não ter sido oportunizado a possibilidade de comprovar o seu direito creditório. Compulsando os autos, não verifico o alegado. Vejo nesta preliminar suscitado mais uma discordância com os fatos e sua respectiva capitulação legal, o que não é causa de pedir nulidade. O Despacho Decisório está devidamente fundamentado pelo motivo que denegou o pedido de compensação pleiteado, pois se baseou em informações prestadas pela própria recorrente então, quais sejam, o confronto do seu pleito via PER/DCOMP cotejado com o DARF , DCTF e DIPJ. Além do mais, a comprovação do seu crédito já surge oportunizada para a recorrente quando apresentou sua peça impugnatória, mas nada ali agregou comprovando, e pior, então, nem alegou por qual motivo entendia ter direito a repetição do indébito pleiteado como pagamento indevido ou maior. Igualmente, na sua peça recursal nada apresentou comprovando o alegado apenas se limitou a alegar neste momento. Por conseguinte, REJEITO A PRELIMINAR suscitada pela recorrente. Do mérito Em sua peça recursal, a recorrente alega que o direito creditório pleiteado é decorrente da apuração do imposto pelo regime do lucro presumido, com a aplicação do percentual, no seu entender equivocado, de 32% sobre a receita bruta, para efeitos de identificação da base de cálculo do IRPJ, enquanto o correto seria o percentual de 8%, pois se dedicaria à prestação de serviços hospitalares. Tal assunto foi suscitado apenas em sede da segunda instância administrativa, e de forma um tanto sucinta, sem nada agregar comprovando o alegado. Se resumiu a dizer que retificou sua DCTF relacionada ao presente feito pois apurou e recolheu valores maiores a título de IRPJ, pois o correto seria 8%, conforme previa o art. 15, §1º, inciso III, alínea a, da Lei nº Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10725.903048/200904 Acórdão n.º 1402003.333 S1C4T2 Fl. 7 6 9.249/95 (com redação sem as modificações introduzidas pela Lei nº 11.727/2008) combinado com o art. 25, da Lei nº 9.430/1996. Reitero não houve nenhuma comprovação desta alegação, e esta apenas agora apresentada na discussão do presente litígio. A recorrente pretende que se reforme a decisão a quo sob o mero argumento de que sua confissão de dívida prestada em DCTF foi efetuada com erro, o que lhe permitiria obter o direito creditório ora pleiteado. Todavia, inexiste nos autos qualquer prova do alegado erro, ônus que caberia à recorrente, para dar a liquidez e certeza do seu direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN1. A mera apresentação de DCTF retificadora (24/08/2009), diminuindo um débito já considerado extinto, quando já se perfez os 5 anos estabelecidos para se pleitear eventual restituição, nos termos do art. 168 do CTN2, não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do direito creditório. Entendo que no caso, é necessário, na primeira oportunidade, alegar e tentar rechaçar o despacho decisório da forma mais completa possível, já trazendo aos autos comprovações destas alegações. A recorrente não fez isso, pelo contrário omitiu detalhes importantes a serem considerados no julgamento de piso, o que suscitou agora, mas ainda assim, sem nenhuma comprovação, por mais precária que seja. A Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, no seu art. 36, estabelece que cabe a carga probatória nestas situações: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 373 desta Lei. Logo, no processo administrativo fiscal, regido e permeado pelo princípio da busca da verdade material, um vetor válido tanto para a Fazenda Nacional quanto para os 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. 2 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. 3 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10725.903048/200904 Acórdão n.º 1402003.333 S1C4T2 Fl. 8 7 contribuintes, não basta apenas alegar, quando deveria também provar o alegado. Alegar sem provar equivale a nada alegar. Repetindo o que já dito anteriormente, o direito creditório deve se revestir das características de liquidez e certeza, para que a compensação possa ser efetivada. Quem pleiteia este direito é que cabe demonstrar esta liquidez e certeza. Não cabe agora ao colegiado procurar fazer prova da mera alegação da recorrente, tomandolhe partido, quando esta se mostrou inerte. Eventuais diligências seriam cabíveis para esclarecer algum ponto porventura obscuro, sobre o qual restassem dúvidas, mas não para restabelecer a certeza e liquidez dos créditos pretendidos, o que já deveria estar demonstrado desde a primeira oportunidade ofertada à recorrente. Destarte, pelo todo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000128/2007-87
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 10/01/2002 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CINCO ANOS, CONTADOS DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO.
Conforme jurisprudência vinculante do STJ (REsp nº 993.164/MG, julgado na sistemática do art 543-C do antigo CPC - Recursos Repetitivos), para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado, aplica-se a regra de contagem do prazo decadencial do art. 173, I do CTN (cinco anos, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado).
Numero da decisão: 9303-007.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 10/01/2002 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CINCO ANOS, CONTADOS DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Conforme jurisprudência vinculante do STJ (REsp nº 993.164/MG, julgado na sistemática do art 543-C do antigo CPC - Recursos Repetitivos), para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado, aplica-se a regra de contagem do prazo decadencial do art. 173, I do CTN (cinco anos, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2002 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CINCO ANOS, CONTADOS DO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. Conforme jurisprudência vinculante do STJ (REsp nº 993.164/MG, julgado na sistemática do art 543C do antigo CPC Recursos Repetitivos), para tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na ausência de pagamento antecipado, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial do art. 173, I do CTN (cinco anos, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 01 28 /2 00 7- 87 Fl. 700DF CARF MF Processo nº 15889.000128/200787 Acórdão n.º 9303007.255 CSRFT3 Fl. 701 2 Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 591 a 603), interposto pelo contribuinte, contra Acórdão proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 561 a 569), sob a seguinte Ementa: Acórdão nº: 20181.565 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2002 a 31/12/2006 IPI. DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao IPI decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4º, c/c o art. 116, I, do RIPI/98 (art. 129, I, do RIPI/2002), caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou art. 173, I, c/c o art. 116, II, do RIPI/98 (art. 129, II, do RIPI/2002), em caso contrário. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. O direito de aproveitar o crédito presumido, quando a comercialização for efetuada por meio de cooperativas centralizadoras de vendas, é do cooperado e não da cooperativa. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. São devidos o lançamento, multa de oficio e juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento/compensação de imposto. Recurso voluntário provido em parte. Em Exame (fls. 609 a 614) e Reexame (fls. 615 e 616) de Admissibilidade, foi dado seguimento parcial ao Recurso, apenas em relação à discussão sobre o prazo decadencial. Alega o recorrente que, na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, como é o caso do IPI, devese aplicar a regra específica disposta no art. 150, § 4º do CTN (cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador) e, adotado este entendimento, como ele foi cientificado do Auto de Infração em 15/05/2007, estariam fulminados pela decadência os lançamentos relativos aos períodos de apuração que vão do 1º decêndio de janeiro ao 2º decêndio de maio de 2002. A PGFN apresentou Contrarrazões (fls. 683 a 690), defendendo que é pacífica (além de vinculante) a jurisprudência do STJ (REsp nº 973.733/SC) no sentido de que, em não havendo pagamento antecipado, aplicase a regra geral, insculpida no art. 173, I do CTN (cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). É o Relatório. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 15889.000128/200787 Acórdão n.º 9303007.255 CSRFT3 Fl. 702 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Observados os requisitos e preenchidas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial, na parte admitida, qual seja, a contagem do prazo decadencial no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O tema não é mais passível de discussão no CARF, a teor do art. 62, § 2º, do RICARF, pois há decisão vinculante do STJ, em Acórdão submetido ao regime do art. 543C do antigo CPC (Recursos Repetitivos), no julgamento do REsp nº 973.733/SC, trazido pela PGFN em suas Contrarrazões e cuja Ementa transcrevo parcialmente a seguir: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção ...) (REsp nº 973.733/SC, Relator Min. Luiz Fux, Dje: 18/09/2009) Existe inclusive Súmula do mesmo STJ a respeito: Súmula 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Para a solução do litígio, resta então unicamente saber o que efetivamente ocorreu no caso concreto, no que se refere (i) ao pagamento antecipado e (ii) à declaração do débito, caso tenha havido o pagamento. O lançamento de ofício foi decorrente de glosas de valores do Crédito Presumido de IPI na exportação, apurados no regime da Lei nº 9.363/96, recebidos por transferências da matriz, conforme consignado no Termo de Verificação e de Constatação Fl. 702DF CARF MF Processo nº 15889.000128/200787 Acórdão n.º 9303007.255 CSRFT3 Fl. 703 4 Fiscal, às fls. 032 a 037 (não adentrarei aqui na motivação das glosas, pois não compete à CSRF tratar de matéria que não lhe foi trazida à apreciação). Reconstituída a escrita fiscal, foram apurados os valores do tributo objeto do lançamento, com multa de ofício de 75 % e juros de mora. Como se vê no Auto de Infração (fls. 006 a 010), os períodos de apuração atingidos vão desde o 1º decêndio de janeiro de 2002 até o mês de dezembro de 2006, sendo que, efetivamente, o contribuinte foi cientificado da exigência, pessoalmente, em 15/05/2007 (fls. 005). Já na Descrição dos Fatos do Auto de Infração (fls. 006), é dito que o estabelecimento autuado não apurou saldos devedores em todos os períodos, o que está explicitado no citado Termo de Verificação e de Constatação Fiscal (fls. 036): 9. Do exame dos Livros Registro de Apuração do IPI ... no período considerado de 01/01/2002 a 31/12/2006, verificase ... que os valores transferidos, pela Copersucar Matriz, foram feitos na medida exata para zerar o débito do imposto apurado pela filial Copersucar Lençóis Paulista/SP, evitandose com isso o recolhimento do imposto devido. 9.1. Conseqüentemente, não houve nenhum recolhimento de imposto (IPI), no período considerado ..., em virtude das transferências de créditos efetuadas. Claro está, portanto, que o estabelecimento autuado não apurou saldo devedor em nenhum dos períodos autuados, não se podendo cogitar, então, de ter havido qualquer pagamento, e nem mesmo declaração de débitos (declarações estas que, ainda que, por equívoco, existissem, em nada poderiam influenciar na solução da lide, em razão da ausência de pagamento). Assim, à vista da jurisprudência vinculante do STJ, aplicase, para fins de delimitação do prazo decadencial, a regra do art. 173, I, do CTN – repito: cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. O primeiro período objeto de lançamento, como já visto, foi o 1º decêndio de janeiro de 2002, então o prazo para constituição do crédito tributário seria de cinco anos, contados a partir de 1º de janeiro de 2003, além, portanto, da data de ciência do Auto de Infração, não havendo, assim, que se falar em decadência. Por derradeiro, na hipótese de alguém suscitar (eu diria até “de ofício”, já que não alegado pelo contribuinte em seu Recurso Especial) os dispositivos constantes nos Regulamentos do IPI de 1998 (art. 111, parágrafo único, inciso III) e de 2002 (art. 124, parágrafo único, inciso III), que dizem que “Considerase pagamento a dedução dos débitos, no período de apuração do imposto, dos créditos admitidos, sem resultar saldo a recolher”, eles são inaplicáveis ao caso concreto, pois os créditos são indevidos (assim considerados em decisão administrativa final). À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 15889.000128/200787 Acórdão n.º 9303007.255 CSRFT3 Fl. 704 5 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 704DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.720027/2010-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO NOS REQUISITOS LEGAIS.
O direito de se creditar assegurado em lei às pessoas jurídicas adquirentes, diretamente de pessoas físicas, de produtos in natura de origem vegetal, e que exercem as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, somente pode ser usufruído nas hipóteses de venda das mercadorias ou produtos a pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, domiciliadas no País, não alcançando os insumos aplicados na produção exportada.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE.
O ressarcimento de créditos decorrentes da não-cumulatividade das contribuições sociais não se confunde com a restituição de indébito, inexistindo autorização legal à atualização monetária ou a incidência de juros sobre o montante apurado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3401-005.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO NOS REQUISITOS LEGAIS. O direito de se creditar assegurado em lei às pessoas jurídicas adquirentes, diretamente de pessoas físicas, de produtos in natura de origem vegetal, e que exercem as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, somente pode ser usufruído nas hipóteses de venda das mercadorias ou produtos a pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, domiciliadas no País, não alcançando os insumos aplicados na produção exportada. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. O ressarcimento de créditos decorrentes da não-cumulatividade das contribuições sociais não se confunde com a restituição de indébito, inexistindo autorização legal à atualização monetária ou a incidência de juros sobre o montante apurado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. PRODUTOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. CREDITAMENTO. NECESSIDADE DE ENQUADRAMENTO NOS REQUISITOS LEGAIS. O direito de se creditar assegurado em lei às pessoas jurídicas adquirentes, diretamente de pessoas físicas, de produtos in natura de origem vegetal, e que exercem as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, somente pode ser usufruído nas hipóteses de venda das mercadorias ou produtos a pessoas jurídicas produtoras de mercadorias de origem animal ou vegetal, domiciliadas no País, não alcançando os insumos aplicados na produção exportada. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. JUROS SELIC. INAPLICABILIDADE. O ressarcimento de créditos decorrentes da nãocumulatividade das contribuições sociais não se confunde com a restituição de indébito, inexistindo autorização legal à atualização monetária ou a incidência de juros sobre o montante apurado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 72 00 27 /2 01 0- 36 Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10940.720027/201036 Acórdão n.º 3401005.339 S3C4T1 Fl. 300 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Tratase do despacho decisório nº 137/2010, situado às fls. 219 a 222, que não homologou as declarações de compensação, transmitidas com o objetivo de restituir e compensar crédito decorrente de crédito de IPI do 1º trimestre de 2016 abaixo discriminados: 2. A contribuinte, intimada via postal em 03/08/2010, em conformidade com o aviso postal situado à fl. 223, apresentou, em 31/08/2010, manifestação de inconformidade, na qual argumentou, em síntese, que: (i) ser irrelevante se o produto é ou não sujeito ao IPI ou NT porque a lei objetiva ressarcir a empresa produtora e exportadora do PIS e Cofins pago nas operações anteriores; (ii) a autoridade fiscal se equivoca por não compreender a finalidade do crédito de IPI, que consiste em ressarcimento de PIS e Cofins, e confundiu crédito presumido de IPI com créditos de IPI destacados na nota fiscal de aquisição de insumos; (iii) para fazer jus ao crédito, basta sejam preenchidos os dois requisitos da Lei nº 9.63/1996: ser empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais; (iv) ao adquirir cereais, em especial, a soja, realiza operações de beneficiamento (industrialização) para, posteriormente, comercializálos; (v) necessidade de atualização monetária do valor integral do crédito presumido de IPI com fundamento no direito constitucional de propriedade e na vedação ao enriquecimento sem causa para preservação do real valor da moeda em face da corrosão da inflação. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10940.720027/201036 Acórdão n.º 3401005.339 S3C4T1 Fl. 301 3 3. Em 15/05/2013, a 02ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 14, situado às fls. 264 a 269, de relatoria do AuditorFiscal Marcelo de Camargo Fernandes, que entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Operação que resulta em produto nãotributável, não é considerada operação industrial, não fazendo jus ao crédito presumido de IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC É incabível, por falta de previsão legal, a atualização, pela taxa SELIC, dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI 4. A contribuinte foi intimada via postal em 16/09/2013, em conformidade com o aviso postal situado à fl. 272, e, em 14/10/2013, em conformidade com carimbo de protocolo aposto pela unidade local, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 273 a 292, no qual reiterou as razões de sua impugnação manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Reproduzo abaixo, por pertinente, relatório elaborado pela decisão recorrida: Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10940.720027/201036 Acórdão n.º 3401005.339 S3C4T1 Fl. 302 4 "Trata o presente do indeferimento do crédito presumido escriturado no período em destaque, com a conseqüente não homologação das compensações declaradas, em razão credito presumido ter sido calculado sobre exportações de produtos classificados na TIPI como NT (nãotributados), portanto, não sendo considerados pela legislação como industrializados. Em sua manifestação a interessada alegou que, no caso dos produtos classificados na TIPI com NT, o artigo 1º da Lei nº 9363/96 não dá margem a dúvidas, basta que a empresa seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais, além disso, nada há que distinga se o produto deve sobre ou não a tributação do IPI para fazer jus ao crédito presumido Ademais, a empresa deve ser considerada como industrial, na medida que faz o beneficiamento dos indigitados produtos. Encerrou requerendo a atualização monetária sobre o valor integral do crédito presumido pleiteado" (seleção e grifos nossos). 7. De se reproduzir, ainda, a fundamentação pertinente utilizada pela decisão recorrida: Embora a manifestante alegue ser seu produto industrializado, pois teriam sofrido um processo de beneficiamento, o benefício fiscal concedido pela Lei nº 9.363, de 1996, foi instituído com a finalidade de ressarcimento, às empresas produtoras e exportadoras, das contribuições para o PIS e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, para utilização no processo produtivo. Sendo o benefício instituído para a empresa produtora e exportadora, é necessário que o produto exportado tenha sido industrializado pela exportadora e que se encontre dentro do campo de incidência do IPI, condições indispensáveis para gerar direito ao crédito presumido. Tal entendimento, que veio ser definitivamente consagrado nos §§ 1º e 2º do art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 313/2003, e nas demais que a sucederam na regulação da matéria, já constava da orientação aprovada pela Nota MF/SRF/COSIT/COTIP/DIPEX nº 312, de 3 de agosto de 1998. A INSRF nº 23/1997, quando se refere que tem direito ao crédito presumido, inclusive o produto fabricado que goze do benefício da alíquota zero, reforça o entendimento que somente os contribuintes do IPI têm direito ao crédito presumido a que se refere a Lei nº 9.363/1996. Por oportuno, reproduzse o disposto no art. 2º do Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 (RIPI/1998), repetido no RIPI/98 e no RIPI/2002: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10940.720027/201036 Acórdão n.º 3401005.339 S3C4T1 Fl. 303 5 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art.13). (grifouse). O art. 8º do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 87.981, de 23 de dezembro de 1982 (RIPI/82), que também foi repetido no RIPI/98 e no RIPI/2002, assim estabelece: Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 3º, de que resulte produto tributado , ainda que de alíquota zero ou isento. (grifouse) Concluise que somente as operações que resultam em produtos tributados podem ser consideradas operações industriais (...) Os produtos exportados pela requerente e que deram origem à glosa da fiscalização correspondem à notação NT, portanto estão fora do campo de incidência do IPI, não sendo considerados produtos industrializados e não podem ser considerados como tal para usufruto do benefício fiscal do créditopresumido. Com relação ao pedido de correção monetária do crédito reconhecido, observo que não há previsão legal para a correção, ou acréscimos de juros, na concessão do ressarcimento de créditos do IPI. O art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, assim dispõe: “Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1° A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da Ufir. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10940.720027/201036 Acórdão n.º 3401005.339 S3C4T1 Fl. 304 6 Este dispositivo teve sua redação alterada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, verbis: “Art. 58. O inciso III do art. 10 e o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo."” (g.m.) Já o art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabelece que: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada”.(g.m.) Conforme se pode verificar, todos os dispositivos legais acima referemse a compensação ou restituição, que são espécies do gênero repetição de indébito. Portanto, é lógico inferir que a restituição e a compensação pressupõem a existência de um pagamento anterior efetuado pelo sujeito passivo, pagamento este indevido ou efetuado em montante maior do que aquele que seria devido, o que não é o caso. (...) Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10940.720027/201036 Acórdão n.º 3401005.339 S3C4T1 Fl. 305 7 Ora, no caso dos autos o terceiro requisito para aplicação analógica da lei não restou caracterizado porque os fundamentos, os motivos, ou seja, as razões que fundamentam os institutos do ressarcimento e da repetição do indébito são totalmente distintos. Na repetição de indébito, que foi tratada no Parecer AGU/MF nº 01/96, a devolução das importâncias assentase na preexistência de um pagamento indevido, cuja devolução é reclamada com base no princípio geral de direito que veda o locupletamento sem causa. Já no caso de ressarcimento de créditos incentivados ou básicos, o pagamento efetuado pelo sujeito passivo era devido, mas a devolução das quantias assentase única e exclusivamente na renúncia unilateral de valores que foram licitamente recebidos pelo sujeito ativo, titular da competência para exigir o tributo. Como se vê, em ambos os casos ocorre a devolução de uma quantia ao sujeito passivo, mas esta devolução ocorre por razões distintas. A finalidade do ressarcimento é produzir uma situação de vantagem para determinados contribuintes que atendam a certos requisitos fixados em lei, para incrementar as respectivas atividades; ou mesmo atender ao principio da não cumulatividade ao conceder o direito ao ressarcimento do saldo credor, enquanto que a finalidade da repetição do indébito é prestigiar o princípio que veda o enriquecimento sem causa. 8. Não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental: Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quorum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10940.720027/201036 Acórdão n.º 3401005.339 S3C4T1 Fl. 306 8 § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida" (seleção e grifos nossos). 9. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 306DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000237/2006-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DESPESAS COM PRODUTOS ENTREGUES EM SORTEIOS - BRINDES - NÃO CARACTERIZAÇÃO
Mormente a vista da ausência de gratuidade na entrega de bens objeto de sorteios vinculados à campanhas publicitárias, é impossível caracterizá-los como "brindes" para o fim de se fazer incidir a regra limitadora contida no art. 249, §1º, VIII, do RIR.
PROCESSUAL - ADMINISTRATIVO - INOVAÇÃO DO FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO PELA DRJ - IMPOSSIBILIDADE.
O ato de lançamento é privativo da autoridade administrativa, descabendo aos órgãos colegiados de julgamento refazê-lo mediante alteração de seus fundamentos fático-jurídicos.
Numero da decisão: 1302-003.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Guimarães da Fonseca - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: GUSTAVO GUIMARAES DA FONSECA
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PROCESSUAL ADMINISTRATIVO INOVAÇÃO DO FUNDAMENTO DA AUTUAÇÃO PELA DRJ IMPOSSIBILIDADE. O ato de lançamento é privativo da autoridade administrativa, descabendo aos órgãos colegiados de julgamento refazêlo mediante alteração de seus fundamentos fáticojurídicos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 37 /2 00 6- 12 Fl. 389DF CARF MF Processo nº 19515.000237/200612 Acórdão n.º 1302003.101 S1C3T2 Fl. 390 2 Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o feito de autos de infração lavrados para se exigir do contribuinte o recolhimento de créditos tributários relativos ao IRPJ e a CSLL, apurados no anocalendário de 2010. Pela infração, foi aplicada multa de ofício de 75%, além da exigência dos juros moratórios legais (SELIC). In casu, a autuação restou embasada na identificação, pela autoridade lançadora, de dedução de despesas incorridas na compra de bens entregues pelo recorrente a seus clientes a título de uma, alegada, premiação prevista em dada campanha publicitária. Tais despesas, destaquese, teriam sido registradas pela empresa em conta de dispêndios com propaganda e publicidade. De acordo com a Fiscalização, todavia, a empresa teria, em verdade, pretendido a dedução de despesas afeitas à distribuição de brindes, cuja apropriação é vedada pela legislação de regência. Irresignado, o autuado se opôs à autuação por meio de impugnação através da qual sustentou, em apertada síntese: a) que as despesas aqui tratadas eram, em verdade, premiações dadas em decorrência de campanha publicitária contratada e realizada no ano de 2001, denominada "SUA SAÚDE VALE OURO" (demonstrada a partir de documentos regulamentos juntados à impugnação), alegando, nesta senda, se tratar, de fato, de despesas com propaganda e publicidade. Destacou, outrossim, o necessário vinculo entre estas despesas a sua atividade fim, invocando, mais, para dar embasamento a sua tese, soluções de consulta que justificariam a dedução das despesas em análise; b) que a multa de ofício aplicada feriria o princípio constitucional do "não confisco"; c) que seria ilegal a imposição de juros de mora calculados a partir da variação da taxa SELIC. Instada a se pronunciar sobre o caso, a DRJ de Fortaleza houve por bem julgar improcedente a impugnação. Reproduzo, a seguir, a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 ; INDEDUTIBILIDADE DE DESPPESAS. As despesas realizadas com programa de fidelização de clientes não podem ser opostas ao Fisco, terceiro afetado, para dedução da base de cálculo da imposto de renda, por se tratar de decisão empresarial privativa do sujeito passivo e que por este devem ser suportadas. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 19515.000237/200612 Acórdão n.º 1302003.101 S1C3T2 Fl. 391 3 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 JUROS DE MORA. TAXA .SELIC. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic está em total consonância com o Código Tributário Nacional, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determinam. MULTA DE OFÍCIO. Não se constitui a penalidade de 75% (setenta e cinco por cento) em multa de caráter confiscatório, porquanto aplicada em procedimento de lançamento de oficio, nos termos do art. 44, inciso I da Lei n° 9.430/96. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL Aplicase à exigência dita reflexa o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. A empresa foi cientificada do julgamento supra em 26/01/2009, conforme se depreende do AR juntado à efls. 364, tendo interposto o seu recurso voluntário em 19/02/2009, como se depreende do carimbo de recebimento aposto à efls. 358 em que, basicamente, reprisa as alegações constantes de sua peça impugnatória. Este é o relatório. Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos intrínsecos e extrínsecos de cabimento, motivo pelo qual, dele, conheço. Como não foram suscitadas preliminares, passo, desde logo, para a análise do mérito. I Despesas com prêmios concedidos em decorrência de campanha de publicidade. I.1 Prefacialmente. A questão aqui se resolve pela resposta aos seguintes questionamentos: as despesas incorridas pelo contribuinte com a compra de bens de valor substancial concedidos a seus clientes, com o fito de fidelizálos, pode ser considerada "despesas com propaganda e Fl. 391DF CARF MF Processo nº 19515.000237/200612 Acórdão n.º 1302003.101 S1C3T2 Fl. 392 4 publicidade"? Mais que isso, a premiação em análise poderia ser considerada como "distribuição de brindes"? Nos termos do art.366 do RIR, aos contribuintes é facultada a dedução de "despesas de propaganda, desde que diretamente relacionados com a atividade explorada pela empresa e respeitado o regime de competência, observado, ainda, o disposto no art. 249, parágrafo único, inciso VIII". Chamo a atenção para a ressalva constante da parte final do artigo acima invocado, dado que a legislação tributária não considera como despesa de propaganda e publicidade a entrega de brindes (parágrafo único do art. 249, inciso VIII). Pois bem. Nos termos do art. 5º da Lei de nº 4.680/65, "compreendese por propaganda qualquer forma remunerada de difusão de idéias, mercadorias ou serviços, por parte de um anunciante identificado". O laicismo deste preceito nos deixa pouco a interpretar, verdade, seja dita. Assim, é necessário que busquemos uma definição menos genérica, pena de compreendermos como propaganda qualquer tipo de atividade de promoção de um bem, serviço ou mercadoria. Quanto a publicidade, todavia, a Lei 12.232/09, que não obstante declarar o objetivo de regrar os processos licitatórios de contratação de campanhas publicitárias pelos órgãos da Administração Pública Federal, traz um conceito que me parece um pouco mais centrado, por assim dizer. Neste passo vejase a definição constante do art. 2º da predita norma legal: Art. 2o Para fins desta Lei, considerase serviços de publicidade o conjunto de atividades realizadas integradamente que tenham por objetivo o estudo, o planejamento, a conceituação, a concepção, a criação, a execução interna, a intermediação e a supervisão da execução externa e a distribuição de publicidade aos veículos e demais meios de divulgação, com o objetivo de promover a venda de bens ou serviços de qualquer natureza, difundir ideias ou informar o público em geral. A publicidade, assim posta, seria a ferramenta de, desculpem o pleonasmo, publicizar a propaganda, de divulgála. O fato, contudo, é que, para fins tributários, propaganda e publicidade caminham juntos, já que não é possível despender recursos com propaganda, sem a sua necessária divulgação, pena de não se atender aos próprios objetivos declarados da propaganda (difundir idéias, mercadorias ou serviços). Nada obstante, o fato é que a propaganda, e a própria publicidade, tem por mote, núcleo típico, a atividade de divulgar idéias ou de promover produtos e serviços. E isso é de uma importância impar, mormente quando se considera a ressalva, já tratada alhures, tocante à indedutibilidade dos brindes; a entrega de brindes, vejam bem, não comporta, em si mesma, e destacadamente (por simples indução lógica), a predita conduta de divulgar idéias ou promover produtos e/ou serviços; não vincula, pois, de per si, qualquer idéia que possa, de qualquer forma, apontar para as qualidades dos produtos e/ou serviços disponibilizados ao consumidor. Liberalidades semelhantes somente são admitidas, insisto, quando permitam divulgar, publicizar, características, dados ou elementos intrínsecos ao produto ou serviço Fl. 392DF CARF MF Processo nº 19515.000237/200612 Acórdão n.º 1302003.101 S1C3T2 Fl. 393 5 ofertado pelo contribuinte (como, v.g., a entrega gratuita de amostras grátis, explicitamente aventadas no inciso V do já citado art. 366). Lado outro, é preciso estabelecer o que se pode entender por "brindes", especialmente por ter sido este o cerne do fundamento da autuação. E, vale o destaque, inexiste um conceito legal sobre o que se pode entender como "brindes". Como a norma não pode ser integrada a partir de quaisquer outros preceptivos, restanos lançar mão da significância semântica da própria palavra. Do dicionário on line da língua portuguesa, extraise a seguinte definição: Objeto que é oferecido em campanhas promocionais de empresas ou mediante a compra de determinado produto.Presente; oferta. Abarcando esta conceituação, a Solução de Consulta de nº 58/2014 trouxe para a seara tributária a conceituação que se segue: O termo “brindes” do art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249, de 1995, referese às mercadorias que não constituam objeto normal da atividade da empresa, adquiridas com a finalidade específica de distribuição gratuita ao consumidor ou ao usuário final, objetivando promover a empresa ou o produto (...). Lado outro, em decisão proferida por este Conselho, acresceuse ao conceito em testilha a gratuidade como pressuposto à caracterização da conduta do contribuinte como de "distribuição de brindes", sendo irrelevantes a vinculação desta atividade ao objeto fim do contribuinte ou mesmo o valor dos bens graciosamente entregues: DESPESAS COM DISTRIBUIÇÃO DE BRINDES. INDEDUTIBILIDADE. A partir do anocalendário de 1996, as despesas com distribuição de brindes, independentemente de seu valor ou de sua eventual necessidade para o incremento da atividade econômica da empresa, são indedutíveis, para efeito de apuração do lucro real, nos termos preceituados pelo art. 13, inciso VII, da Lei nº 9.249/1995. (Acórdão 130200.514, de 23/02/2011). Considero relevante, pois, para a correta identificação da extensão e significância da palavra "brindes" o caráter de liberalidade, a fim de assim se encerrar a sua tipificação, e ato contínuo, a incidência da norma restritiva constante do art. 249, parágrafo único, inciso VIII. I.2 Do caso concreto. Como dito no relatório, o recorrente registrou despesas com a aquisição de bens e mercadorias, não vinculadas à sua atividade, como custeio de publicidade e propaganda. Para tanto, sustenta que tais bens eram destinados à, conforme se depreende dos documentos juntados à efls. 295/296, campanha publicitária denominada "A SUA SAÚDE VALE OURO". Fl. 393DF CARF MF Processo nº 19515.000237/200612 Acórdão n.º 1302003.101 S1C3T2 Fl. 394 6 Especialmente pelo que se dessume do documento de efls. 296, os bens adquiridos pelo recorrente não são concedidos ou entregues gratuitamente; os interessados devem adquirir produtos da empresa, num valor mínimo de "X", a fim de cumular bonus que serão utilizados para, aparentemente, participar de sorteios de prêmios. Aqui, vejam bem, surge uma primeira característica que me tende por afastar os atos ora tratados da figura "distribuição de brindes", já que não se observa, de imediato, a gratuidade que, insisto, seria relevante para a tipificação da hipótese do art, 249, § 1º, VIII, do RIR. Aliás, o próprio senso comum indiciaria que a entrega de prêmios, em sorteios, cuja participação dependa da aquisição de produtos em valores mínimos, não poderia ou não bastaria para permitir a classificação destes bens como "brindes". Notem que a fundamentação fáticojurídica adotada pela fiscalização para justificar a glosa fora, exclusivamente, a vedação constante do, por vezes citado, art. 249, §1 º, inciso VIII do RIR. Vejase: Entretanto, a legislação fiscal determina que algumas despesas devem ser adicionadas ao Lucro Líquido para apuração do Lucro Real. Entre elas encontramos as despesas com brindes. O artigo 249 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3.000/99 , assim dispõe: "Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 6°, § 2°): Parágrafo único. Incluemse nas adições de que trata este artigo: VIII as despesas com brindes (Lei n° 9.249, de 1995, art. 13, inciso VII) 1. A fiscalizada no ano — calendário de 2001, escriturou o valor de R$.3.348.56; conto 4.11.29.02.00023 Propaganda e Publ. Lojas Campanha, como despesas com distribuição brindes e não adicionou ao lucro líquido quando da apuração do lucro real (efls. 339/340). É inegável que o contribuinte registrou, sim, as despesas em testilha como "distribuição de brindes", tal qual se observa do "Razão Consolidado" trazido em resposta ao Termo de Intimação (início de ação fiscal) de efls. 9; é certo, outrossim, que a Fiscalização, de posse do razão, não promoveu qualquer intimação adicional ao contribuinte a fim de que explicasse os motivos para, contra legem, deixar de adicionar as referidas despesas ao lucro real, contentandose, a meu ver, de forma ilícita e contrária aos preceitos do art. 142 do CTN, com o início de prova trazido. Se o contribuinte demonstrou, posteriormente, a impropriedade do lançamento contábil, me parece absolutamente factível considerar a realidade fática efetiva e concretamente demonstrada. No caso, revelase suficientemente claro que, notadamente pela falta de gratuidade da entrega dos prêmios, não estaria tipificada a hipótese de "distribuição de brindes". Tanto assim o é, que a DRJ, ao julgar o caso, ultrapassa a fundamentação fática e juridica dos autos de infração, para tratar, também, da questão afeita á própria necessidade das despesas incorridas pelo recorrente. Vejase: Fl. 394DF CARF MF Processo nº 19515.000237/200612 Acórdão n.º 1302003.101 S1C3T2 Fl. 395 7 No caso em análise, as despesas incorridas pelo contribuinte, no alegado programa de fidelização de clientes por meio da campanha intitulada "SUA SAÚDE VALE OURO", tiveram por objetivo incentivar os seus clientes a adquirir produtos por ele vendidos, ou seja, tais despesas têm a característica de bonificação, fazendo parte, portanto, da política utilizada pelo sujeito passivo para preservar seus clientes atrair os de seus concorrentes, sendo esta uma atribuição privativa do contribuinte e que por este deve ser suportada, não podendo ser oposta ao Fisco, terceiro afetado, para dedução da base de cálculo da imposto de renda (efls 357). Concordo com a DRJ neste ponto; pelo que expus no tópico I.1, supra, os dispêndios com bens dados em decorrência de sorteios não se prestam, de per si, à divulgar idéias, bens ou produtos ou, quiça, a marca da recorrente. Os gastos, quando muito, com a divulgação dos sorteios, poderiam encerrar a caracterização de custeio com propaganda ou publicidade, ainda que me pareça inexistir, nesta campanha, uma vinculação suficiente a concretizar a sua necessidade para o exercício da atividade fim da empresa venda de produtos de farmácia (ainda que comporte previsão expressa, as despesas com propaganda e/ou publicidade ainda dependem da demonstração de sua necessidade, na forma da regra geral descrita no art. 299 do RIR). O problema é que este fundamento não foi adotado pela autoridade lançadora; tratase, objetivamente, de inegável inovação por parte DRJ, inovação quanto a qual tenho posição firme: é impossível já que descabe aos órgãos judicantes realizar novo lançamento. Assim, assentandose a premissa de que as despesas registradas não se refeririam à gastos com "distribuição de brindes", único fundamento fáticojurídico deduzido nos autos de infração para justificar imposição fiscal, não vejo como se manter o lançamento. II Pedidos sucessivos. A par de impróprios os argumentos sucessivos deduzidos pelo recorrente, relativos à inconstitucionalidade da multa e à ilegalidade da cominação de juros calculados pela variação da SELIC (pedidos insuscetíveis de análise por este órgão colegiado em função da regra encartada no art. 62 do RICARF e, também, das Súmulas/CARF de nº 2 e 4), o fato é que tais pedidos restaram inegavelmente prejudicados pelo que decidi acima. III Conclusão. A luz do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 395DF CARF MF Processo nº 19515.000237/200612 Acórdão n.º 1302003.101 S1C3T2 Fl. 396 8 Fl. 396DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.901722/2008-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE.
O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BRANYL COMERCIO E INDUSTRIA TEXTIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE. O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 114 dos autos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 17 22 /2 00 8- 52 Fl. 140DF CARF MF 2 Trata o presente de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que parcialmente deferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, pela glosa de créditos considerados indevidos. A manifestante argúi que teriam decorrido mais de cinco anos entre a transmissão da DCOMP e a ciência do Despacho Decisório, disso decorrendo a tácita homologação das compensações declaradas. A manifestação foi julgada no Acórdão nº 1453.772/2014 e o processo foi encaminhado ao órgão de origem para dar ciência ao contribuinte. Contudo, o órgão de origem constatou que o citado acórdão foi proferido com erro manifesto, assim, o processo retornou a esta instância para as correções que se fizessem necessárias. Na manifestação de inconformidade apresentada (fls. 18/20), o contribuinte narrou que apresentou o PER/DCOMP nº 29349.44601.121203.1.010281 em 12/12/2003, e que só em 14/05/14 foi notificado da decisão que reconheceu parcialmente o direito. Juntou despacho decisório (fl. 21) e atos constitutivos da empresa (fls. 22/30). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 ERRO MANIFESTO. NOVO ACÓRDÃO. Para a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, é proferido novo acórdão. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA A matéria não especificamente contestada na manifestação de inconformidade é reputada como incontroversa e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Em pedidos de ressarcimento de IPI, cuja discussão se refere a direito de crédito a favor do sujeito passivo e não a constituição de crédito tributário, não se aplicam os prazos decadenciais dos artigos 150, § 4º, e 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Nos fundamentos do acórdão (fls. 113/115), a primeira instância consignou ter constatado a ausência de oposição quanto aos motivos das glosas dos créditos considerados indevidos, considerando, por isso, a matéria incontroversa. Afirmou que a defesa se limitou a arguir a decadência, sendo que, no caso, conforme seu entendimento, não há que se falar em decadência contra a Administração Tributária. Isto porque o artigo 150, § 4º, e o artigo 173, I, do CTN, se refeririam a prazo de constituição do crédito mediante lançamento de ofício e o que teria havido foi a revisão de um direito creditório solicitado pelo contribuinte. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13888.901722/200852 Acórdão n.º 3002000.289 S3C0T2 Fl. 141 3 O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 02/02/2015 (vide AR às fls. 17/18 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 05/02/2016 (vide fl. 119), Recurso Voluntário (fls. 119/138). Em seu recurso, o contribuinte se insurgiu contra a decisão de primeira instância administrativa, com base no mesmo fundamento da manifestação de inconformidade. Assim, afirmou que o Fisco decaiu do seu direito de glosar o crédito, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN e que o artigo 24 da Lei Federal nº 11.457/2007 estabelece o prazo de 360 dias para análise do pedido do contribuinte. Citou em seu recurso, ainda, o § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Argumentou não haver ato administrativo sujeito a prazo indeterminado de revisão, em respeito à segurança jurídica. Pediu, por fim, a reforma da decisão, com o reconhecimento da decadência do direito de o fisco glosar os créditos em questão, e a consequente homologação do pedido de ressarcimento. Nesta oportunidade, reapresentou os documentos de constituição e representação da empresa (fls. 129/138). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima relatado, encontrase em discussão perante este Colegiado tão somente o argumento apresentado pelo contribuinte no que tange à decadência. Passo, então, à análise deste fundamento. Como bem analisou a DRJ na decisão recorrida, é certo que o prazo decadencial disposto no parágrafo 150, § 4º, do CTN trata do prazo decadencial que o Fisco possui para lançar o crédito tributário nos casos de lançamento por homologação, não se coadunando, portanto, com a hipótese dos presentes autos, que versa sobre pedido de ressarcimento apresentado pelo contribuinte. De outro norte, é cediço que a o prazo de 360 dias disposto na Lei Federal nº 11.457/2007 é impróprio, pelo que a sua não observância não leva à consequência pretendida pelo contribuinte de impossibilidade de análise quanto ao pleito de ressarcimento apresentado, em razão do decurso deste prazo. Apesar da verdadeira confusão instaurada no presente processo sobre a matéria que está sendo apreciada, verificase que o pretende o contribuinte através do seu recurso, na verdade, é o reconhecimento da homologação tácita prevista no § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: Fl. 142DF CARF MF 4 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...). § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Ocorre que, tampouco este fundamento legal acoberta a pretensão da Recorrente. Isso porque, por meio deste dispositivo, impõese o reconhecimento da homologação tácita apenas para os casos de compensação. Não é esta, contudo, a hipótese que ora se analisa, que versa sobre um pedido de ressarcimento. Inexistindo previsão legal dispondo sobre a homologação tácita nos casos de pedidos de ressarcimento, não há como esta ser reconhecida, em razão do princípio da legalidade que deve permear necessariamente os atos da Administração Pública. Nesse mesmo sentido, há inúmeras decisões deste Conselho, a exemplo da a seguir colacionada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O prazo para a homologação tácita da declaração de compensação não é aplicável aos pedidos de ressarcimento. IPI. RESSARCIMENTO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL. Uma vez que a mercadoria elaborada pela recorrente está fora do campo de incidência do imposto, não há que se falar em sistema de crédito e débito do imposto, e via de consequência, de direito a ressarcimento de IPI. (Acórdão nº 3001000.286 de 14/03/2018) (Grifos apostos). Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.722061/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
FUNDAMENTO DE FATO. DISCREPÂNCIA ENTRE O DESPACHO DECISÓRIO E O ACÓRDÃO DA DRJ. NULIDADE.
É nulo o acórdão da DRJ que julga a aplicação do direito sobre fundamento de fato diferente do decidido no Despacho Decisório recorrido.
Numero da decisão: 1302-003.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 FUNDAMENTO DE FATO. DISCREPÂNCIA ENTRE O DESPACHO DECISÓRIO E O ACÓRDÃO DA DRJ. NULIDADE. É nulo o acórdão da DRJ que julga a aplicação do direito sobre fundamento de fato diferente do decidido no Despacho Decisório recorrido.
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DISCREPÂNCIA ENTRE O DESPACHO DECISÓRIO E O ACÓRDÃO DA DRJ. NULIDADE. É nulo o acórdão da DRJ que julga a aplicação do direito sobre fundamento de fato diferente do decidido no Despacho Decisório recorrido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o retorno dos autos à DRJ para que se profira nova decisão, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 20 61 /2 01 1- 81 Fl. 1652DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 15ª Turma de Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro 1 que não reconheceu o direito creditório pleiteado pela Recorrente. A Empresa acima qualificada apresentou, na qualidade de sucessora de Eluma S/A Indústria e Comércio, pedido de restituição (fls. 2/3) de valores recolhidos em 2009 e 2010 a título de pagamento de quotas de parcelamento instituído pela MP 470, de 2009. Às folhas 23/63 junta esclarecimento acerca do pedido, informando que os referidos débitos decorrem da apropriação e reconhecimento contábil, ao longo do ano de 2004, de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, oriundos da aquisição de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero, no valor total de R$ 53.999.770,35. A situação foi assim descrita no relatório do acórdão recorrido: Segundo a interessada, parte destes créditos, no valor de R$ 13.259.489,54, foi apropriada em operações de compras de insumos por parte da incorporada, tendo sido registradas no Livro de Apuração do IPI (fl.31/32 e 176/365) e contabilizadas a débito na conta de passivo “IPI a recolher” e contrapartida a crédito na conta de ativo “Estoques”. Tais lançamentos contábeis ocasionaram a diminuição do custo dos produtos vendidos – CPV, aumentando o lucro operacional, gerando um valor maior de IRPJ e CSLL a pagar (fl.31/35). A fiscalização, por entender incabível a apropriação destes créditos, efetuou a glosa e lavrou dois Autos de Infração (fls. 1285/1335). A parte restante, no valor de R$ 40.789.821,46, foi apropriada de forma extemporânea, sendo contabilizada como receita nas demonstrações financeiras (fl.147) e, por esta razão, submetida à tributação pelo IRPJ, pela CSLL, pela COFINS e pelo PIS (fls. 35 e 1376/1390). Tal receita foi declarada pela incorporada na Linha 30 – Outras Receitas Operacionais – da Ficha 06 A – Demonstração do Resultado – da DIPJ 2005, referente ao anocalendário 2004 (fl.30). Estes créditos de IPI foram utilizados pela incorporada para compensar débitos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, através das DCOMP de fls. 452/918. Contudo, as compensações não foram homologadas. Com o advento da Medida Provisória nº 470, de 13/10/2009, a incorporada, aderiu ao parcelamento dos débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos de IPI em 30/11/2009, conforme requerimento de fls. 1347/1351. Após a aplicação das reduções previstas na MP e da utilização do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL acumulados, restou um saldo de débito, no valor de R$ 16.852.966,64, que foi quitado através dos DARF de fls. 1352/1375. Segundo o contribuinte, a quitação do parcelamento configura a situação de pagamento indevido/a maior, uma vez que, como os créditos de IPI oriundos da aquisição de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero, no valor total de R$ 53.999.770,35, não foram reconhecidos pela autoridade fiscal, não se consubstanciou o fato gerador dos tributos (IRPJ, CSLL, COFINS e PIS) relacionados com a apropriação dos créditos de IPI, no valor de R$ 15.658.284,85. No Despacho Decisório de fls. 1392 a 1395, consta o indeferimento do pedido de restituição, sob a alegação de que o parcelamento é confissão de dívida. A interessada se insurgiu, em 02/08/2012, contra o disposto no Despacho Decisório, do qual tomou ciência em 04/07/2012 (fl. 1397), através de manifestação de inconformidade (fls. 1399 a 1419), apresentando os argumentos que se seguem: Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 10805.722061/201181 Acórdão n.º 1302003.023 S1C3T2 Fl. 1.653 3 • A requerente pleiteou a devolução de créditos de "IRPJ", "CSLL", "COFINS" e "PIS" recolhidos a maior ao longo dos anoscalendário de 2009 e 2010. Tais recolhimentos a maior decorreram da necessidade da requerente incluir no parcelamento instituído pela Medida Provisória n° 470/2009 débitos apontados pela Receita Federal do Brasil como "em aberto", isso para o fim de viabilizar a emissão de sua certidão de regularidade fiscal. Os débitos não ocorreram de fato. • Ao longo do exercício de 2004, a REQUERENTE, autorizada por decisão judicial proferida nos autos da Ação Anulatória n° 000149051.2004.4.03.6126, ajuizada perante a 2 ª Vara Federal de Santo André (Doc. n° 04 e 05), apropriouse de créditos de "IPI" dos quais (i) R$ 13.259.489,54, foram decorrentes de operações regulares de compra de insumos registrado, no Livro de Apuração de "IPI", resultando na ampliação do passivo "IPI a recolher" e redução do ativo "Estoques", culminando em consequente aumento do lucro operacional e valores de "IRPJ" e "CSLL" a pagar e R$ 40.789.821,46, referentes ao creditamento extemporâneo de "IPI" oriundos da aquisição de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero, os quais foram incorporados à receita. Por óbvio, o conjunto daquelas duas situações deu ensejo ao aumento da base de cálculo tributável pelo "IRPJ", "CSLL", "PIS" e "COFINS" devidos pela REQUERENTE. • Tais créditos de "IPI" foram utilizados, por meio de diversos "PERDCOMP, para compensar valores devidos a título de "IRPJ", "CSLL", "PIS" e "COFINS" na competência de 2004. Ou seja, os créditos de "IPI" decorrentes da decisão judicial proferida nos autos da Ação Anulatória n° 000149051.2004.4.03.6126 foram utilizados na compensação dos débitos relacionados com a escrituração daqueles créditos na contabilidade da requerente. • Contudo, tais compensações não foram homologadas pela Receita Federal do Brasil, dando origem a débitos que passaram a impactar na emissão da Certidão de Regularidade Fiscal. • Por ocasião da edição da Medida Provisória n° 470/09, a REQUERENTE optou pela desistência da Ação Judicial n° 000149051.2004.4.03.6126, incluindo os débitos que foram objeto de compensação com os créditos apurados em razão daquela medida judicial no programa de parcelamento instituído pela Medida Provisória n° 470/09. • A REQUERENTE procedeu com todos os pagamentos exigidos pela legislação, passando a aguardar a homologação daquele parcelamento. Porém, entre a efetivação dos pagamentos devidos em razão do parcelamento assumido e antes da necessária homologação por parte da Receita Federal do Brasil, a REQUERENTE percebeu o equívoco em que havia incorrido ao formalizar seu pedido de adesão ao parcelamento instituído pela Medida Provisória n° 470/09, no tocante aos débitos decorrentes das compensações realizadas ao amparo da Ação Judicial n° 000149051.20044.03.6126. • Uma vez não reconhecido o direito creditório relativo aos valores de "IPI" oriundos da aquisição de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero, é lógica a conclusão de que tais valores não poderiam impactar na ampliação da base tributável do ano de 2004 e, consequentemente, não havia que se falar na obrigatoriedade da REQUERENTE recolher aos cofres públicos os débitos a que essa majoração deu causa ("IRPJ", "CSLL", "PIS" e "COFINS"). Fl. 1654DF CARF MF 4 • Se os créditos de "IPI" não existiam, o corolário lógico seria pela inexistência dos débitos decorrentes da escrituração daqueles créditos. • O equívoco incorrido pela REQUERNTE foi explicitado e demonstrado por ocasião da apresentação de seu Pedido de Restituição (Doc. n° 03), com a comprovação contábil do impacto decorrente do reconhecimento daqueles créditos de "IPI". • Quando do protocolo do referido "Pedido de Restituição" (Doc. n° 03), a REQUERENTE pleiteou o reconhecimento de direito creditório de R$ 15.658.284,85 em valores históricos, cuja origem decorre, justamente, dos recolhimentos indevidos de "IRPJ", "CSLL", "PIS" e "COFINS" quando de sua ao programa de parcelamento instituído pela Medida Provisória n° 470/09. • Não obstante a demonstração do direito quando apresentado o "pedido de restituição" (doc. n° 03), e o cuidado desta em atender ao disposto nas instruções normativas editadas para regular e dar concretude aos procedimentos de restituição, o Despacho Decisório desconsiderou a substância daqueles créditos, sob o argumento de que a requerente teria confessado, tácita e irrevogavelmente, os valores declarados em "Dctf" e incluídos no parcelamento. • O direito creditório decorre do pagamento a maior de "IRPJ", "CSLL", "PIS" e "COFINS", originário do alargamento de sua base de tributável, auferido no exercício de 2004, o qual decorreu de créditos de "IPI" não homologados pela requerida. • Se o aumento da base tributável, declarado em "DCTF", decorreu da apropriação de créditos, e se essa apropriação não foi homologada pela Autoridade Administrativa, a consequência dessa nãohomologação foi a "subtração" dos valores outrora acrescidos à base de cálculo quando da apropriação dos créditos de "IPI", ou seja, o montante tributável, majorado pelos créditos, foi reduzido ao status quo anterior à apropriação. • Não ocorreu a ampliação da base tributável, por consequência, não há que se falar na perpetuação dos fatos geradores capazes de justificar os recolhimentos a maior de "IRPJ", "CSLL", "PIS" e "COFINS", tornando forçosa a conclusão de que foi equivocado o reconhecimento, por parte da Autoridade Administrativa, dos débitos originários do alargamento da base de cálculo, quando os créditos que deram azo a tais débitos não foram reconhecidos como passíveis de serem apropriados. • Se houve erro de fato na valoração material da base de cálculo, significa que o fato gerador não ocorreu. uma vez que o montante de que se creditou a REQUERENTE não foi homologado, ou seja, tais valores não geraram efeitos quando lançados em sua contabilidade, o fato gerador a ensejar a exigência fiscal decorrente daquele registro também não existiu, e se não existiu, não pode gerar recolhimentos tributários. • O Poder Público somente pode exigir tributo quando, em razão da ocorrência do fato gerador. No caso, visto não haver se concretizado de maneira válida o fato gerador não pode a requerida furtarse ao dever de restituir os valores de "IRPJ", "CSLL", "PIS" e "COFINS" indevidamente recolhidos. • Os fatos geradores teriam ocorrido somente se o creditamento "jurídico" (ou, no caso, contábil) dos créditos de "IPI" fosse seguido da homologação e Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 10805.722061/201181 Acórdão n.º 1302003.023 S1C3T2 Fl. 1.654 5 correspondesse ao efetivo acréscimo financeiro por parte da requerida o que não ocorreu na prática , sob pena de se afrontar a denominada teoria da prevalência da realidade econômica sobre a forma jurídica. • Ocorrendo a não homologação dos créditos de "IPI", que leva ao aspecto tático da situação anterior inexistência de acréscimos na base tributável de "IRPJ", "CSLL", "PIS"e "COFINS" os fatos geradores destes tributos não subsistem. • O creditamento do "IPI" não se concretizou de fato, os pagamentos realizados pela REQUERENTE a título de "IRPJ", "CSLL", "PIS" e "COFINS" perderam a característica de tributação, e a sua não restituição pela administração configura enriquecimento sem causa. • Como o mero, e temporário, acréscimo contábil de créditos de "IPI" não configura verdadeira receita, não pode o Estado deixar de restituir o indébito tributário. • Verificase a manutenção injustificada de recursos ilegalmente obtidos pela REQUERIDA ao reconhecer os débitos, mas não os créditos oriundos do creditamento de "IPI". • O Despacho Decisório indeferiu o citado "Pedido de Restituição" sob o argumento de que essa teria confessado tácita e irrevogavelmente, os débitos de "IRPJ", "CSLL", "PIS" e "COFINS" quando declarados em "DCTF", tornando a confessálos quando os incluiu no parcelamento instituído pela Medida Provisória n° 470/09. • Não houve a homologação dos créditos de "IPI" de que se apropriou a requerente, não há que se falar no nascimento das obrigações tributárias decorrentes dessa apropriação, sendo irrelevante a ocorrência de confissão visto ser impossível confessar fato inexistente. • No que tange à declaração dos débitos em "DCTF", este fato decorreu da boafé da REQUERENTE que, ao creditarse do "IPI", o fez por meio de informações contábeis lançadas em sua escrituração fiscal. Pois bem, ao registrar créditos a REQUERENTE deu causa à ampliação da base de cálculo do "IRPJ", "CSLL", "PIS" e "COFINS", vindo a recolher os tributos decorrentes de tal ampliação. • Quando da "confissão" feita em "DCTF", a REQUERENTE partiu do pressuposto de que os créditos de "IPI" apropriados seriam homologados e, por consequência, os tributos devidos. Sendo assim, uma vez que não houve a homologação dos créditos, não há que se falar em confissão visto que a situação fática a ensejar o surgimento da obrigação tributária não ocorreu no plano da realidade de fato, ou seja, o montante tributável retornou à situação anterior. • Não havendo fato tributável em razão da não homologação dos créditos de "IPI", caberia à própria REQUERIDA, de ofício, deixar de considerar débitos fiscais declarados em "DCTF" pela REQUERENTE. Tal prática está sedimentada nos termos do artigo 145 do Código Tributário Nacional, quando presentes as hipóteses de lançamento de ofício previstas nos termos do artigo 149 do mesmo Diploma. Fl. 1656DF CARF MF 6 • Nesse diapasão, sólido o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que a Administração Tributária teria o poder/dever de revisar de ofício o lançamento, quando comprovada a “ ocorrência de erro quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória (art. 145, III, c/c art. 149, IV, do CTN). É a chamada revisão por erro de fato.”. • Na mesma oportunidade explica o Egrégio Superior Tribunal de Justiça que o erro de fato referese a "uma imposição legal, de um ato vinculado, de um poder/dever, de modo que a revisão deve ser feita também nos casos em que dela resultar efeitos benéficos para o administrado, com a redução do tributo devido. Isto é, o contribuinte tem o direito de retificar e ver retificada pelo Fisco a informação fornecida com erro de fato, quando dessa retificação resultar a redução do tributo devido”.E acrescenta que a própria Medida Provisória n° 2.18949, de 23 de agosto de 2001, ao instituir a chamada "Declaração Retificadora", acabou por flexibilizar os efeitos da "confissão" realizada em sede de "DCTF", quando da ocorrência de erro de fato comprometer a legalidade do débito fiscal confessado. Nesse sentido vide o "PARECER COSIT N° 38" e a "SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 146". • Se o pagamento do tributo é indevido, pouco importa qualquer elemento volitivo, ainda que ocorrido por meio de confissão. • Quanto à impossibilidade de deferimento da pretensão esposada pela REQUERENTE sob o pálio da confissão realizada em sede de adesão ao parcelamento instituído pela Medida Provisória n° 470/09, melhor sorte não resta à REQUERIDA. Isto porque, uma vez que "a vontade do contribuinte é irrelevante, tanto no surgimento da obrigação tributária, entendida esta como o direito de lançar, como Igualmente no surgimento do crédito tributário, entendido como resultado do exercício desse direito", a confissão fundada em erro de fato, como ocorre no presente caso (em que a REQUERENTE confessou débitos que não existiam, pois não materializados os fatos geradores aptos a lhes dar causa), não pode gerar obrigação tributária. • Nesse sentido, visto que "a confissão é simples meio de prova da verdade do que se afirma dos fatos, como admitimos, é induvidoso que ela não interfere com o significado que tais fatos possam ter no mundo jurídico”, ou seja, uma vez que a REQUERENTE se viu compelida a aderir ao de Parcelamento para viabilizar a obtenção de sua certidão de regularidade fiscal, sua ação não pode fazer nascer créditos tributários em dissonância com as normas que delimitam seus fatos geradores. • Destaquese para o julgamento do STJ abaixo: "(...) o presente recurso especial versa a questão referente à impossibilidade de revisão judicial da confissão de dívida, efetuada com o escopo de obter parcelamento de débitos tributários, quando o fundamento desse reexame judicial é relativo à situação fática sobre a qual incide a norma tributária. Deveras, há multiplicidade de recursos a respeito dessa matéria, por isso submeto o seu julgamento como 'recurso representativo da controvérsia', sujeito ao Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 10805.722061/201181 Acórdão n.º 1302003.023 S1C3T2 Fl. 1.655 7 procedimento do art. 543C do CPC, afetandoo à 1.a Seção (art. 2°, § 1°, da Resolução n. 08, de 07.08.2008, do STJ)" • A orientação adotada no julgado acima transcrito deve ser observada no âmbito administrativo, à luz da disposição contida no artigo 62A, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que determina que as decisões proferidas em sede de recurso repetitivo nas Instâncias superiores do Poder Judiciárias devem ser reiteradas/adotadas nas decisões administrativas no âmbito federal. • Todos os julgados demonstram que a obrigação tributária precisa estar fundamentada em fatos geradores que respeitem seu aspecto material de incidência. • No "Pedido de Restituição" restou suficientemente demonstrado que os fatos imponíveis das obrigações tributárias relativas ao "IRPJ", "CSLL", "PIS" e "COFINS" sequer ocorreram, haja vista a ausência de homologação em relação aos créditos de "IPI", que motivaram a ampliação da base de cálculo daquelas exações. Neste cenário, impositivo reconhecer a necessidade de que a confissão de dívida seja desconsiderada, pois o fato que legitimaria aquelas cobranças jamais existiu. • A orientação da melhor doutrina11 também se firma no sentido de admitir a retratação/desconsideração da confissão da dívida, desde que fundada em prova da inexistência do fato gerador da obrigação tributária respectiva, hipótese idêntica à vislumbrada nos presentes autos e a corroborar com os argumentos da REQUERENTE no sentido de ser devida a restituição dos valores recolhidos a maior a título de "IRPJ", "CSLL", "PIS" e "COFINS". • Requer o deferimento do Pedido de Restituição. Julgando a lide, a 15ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro 1 considerou improcedente a manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR. DÉBITOS CONFESSADOS EM PEDIDO DE PARCELAMENTO. O requerimento de adesão às condições de parcelamento implica confissão irrevogável e irretratável dos débitos abrangidos, não cabendo rediscussão da dívida original para fins de reconhecimento de direito creditório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da Turma, por unanimidade, e nos termos do voto do Relator, NEGAR PROVIMENTO à manifestação de inconformidade, para NÃO RECONHECER o direito creditório pleiteado pela Interessada. Fl. 1658DF CARF MF 8 Inconformada, a Paranapanema apresentou Recurso Voluntário, renovando os argumentos da manifestação de inconformidade e afirmando que a Turma julgadora partiu da premissa de que os débitos parcelados diziam respeito ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando a restituição diz respeito débitos pagos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, cujo fato gerador foi contrapartida em contas de resultado da apropriação de créditos de IPI não reconhecidos posteriormente. Entende, por este motivo, que a decisão da DRJ deve ser reconhecida como nula, pelo que deve ser emitida outra decisão naquela esfera. Apresenta farta jurisprudência confrontando a situação de confissão e a existência de erro de fato em relação ao fato gerador, em especial o Recurso Especial nº 1.133.027/SP, submetido ao artigo 543C do antigo CPC, que afirma confirmar sua tese. Apresenta demonstrativos visando demonstrar seu crédito, afirmando que, quando da compensação nãohomologada os débitos não foram extintos, não sendo ultrapassado o prazo do artigo 168 do CTN. Requer o reconhecimento do direito creditório. Em Sessão de 15 de outubro de 2014, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção deste CARF proferiu acórdão declinando a competência para a 1ª Seção, haja vista tratarse de crédito de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Esta 2ª Turma Ordinária emitiu Resolução para que a decisão daquela Turma fosse cientificada à Procuradoria da Fazenda e ao Contribuinte. Tomada esta providência, retornam os autos para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Estamos tratando, de pedido de restituição de parcelamento especial, decorrente de débitos pelo aumento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em função de reconhecimento de receitas decorrentes de apropriação indevida de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), oriundos da aquisição de insumos com alíquota zero ou nãotributados. PRELIMINAR DE NULIDADE Segundo informa a Contribuinte e consta do relatório do Despacho Decisório (DD), foram duas as parcelas reconhecidas pela Empresa sucedida: (i) uma parte (R$13.259.489,54) foi apropriada em operações cotidianas de aquisição de insumos e reduziu o custo dos produtos vendidos (CPV), aumentando o lucro operacional e (ii) outra (R$40.789.821,46) foi reconhecida extemporaneamente como outras receitas operacionais, e, portanto, submetida à tributação dos IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. A descrição relatada no DD é absolutamente clara quando trata do objeto do pedido de restituição, ipsis litteris: Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 10805.722061/201181 Acórdão n.º 1302003.023 S1C3T2 Fl. 1.656 9 Tratase de Pedido de Restituição (fls.02/03) de valores pagos a título de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, no valor total de R$ 15.658.284,85, no âmbito do parcelamento instituído pela Medida Provisória nº 470, de 13/10/2009, pela empresa ELUMA S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO, CNPJ nº 57.488.645/000132, incorporada pela interessada em 31/03/2010. Em petição de fls.23/63 e 1376/1390, a interessada esclarece que os referidos débitos são decorrentes da apropriação e reconhecimento contábil, ao longo do ano de 2004, de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, oriundos da aquisição de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero, no valor total de R$ 53.999.770,35. A decisão do Acórdão recorrido está fincada em outra premissa: a de que o pedido de restituição é de valores de IPI, o que se pode concluir de forma insofismável da leitura do excerto abaixo: Como se vê, o contribuinte solicita o que ele pagou no parcelamento de IPI. Tais valores foram pagos porque eram devidos. Se era devido não pode ser restituído, ressaltandose que o parcelamento é uma confissão de dívida. Cabe lembrar que a interessada foi autuada, no ano de 2009, através de três autos de infração, devido à apropriação indevida, feita ao longo do ano de 2004, de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, oriundos da aquisição de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero (fls. 1300 a 1316, 1317 a 1324, 1325 a 1333). Nas fls. 1334 a 1345, estão insertos os Termo de Desistência de recursos nos Processos Administrativos 15758.000141/200993, 15758.000036/200954, 15758.000112/200921, 10805.900003/200980, 10805.900012/200971, 10805.900013/200915, 10805.900005/200979, que tratam de diversos débitos com a RFB, dentre eles os débitos no código 2945 (lançamento de ofício de IPI) estando claro que o motivo da desistência é o parcelamento instituído pela Medida Provisória n° 470/09, sendo requerido o efeito do art. 3º deste diploma. Embora analise a questão da influência do reconhecimento indevido de créditos de IPI nos demais tributos objeto do pedido, concluindo que não há comprovação do fato no processo e que o reconhecimento ou não de crédito de IPI tem relação com o IPI a recolher (conta de passivo) do ano de 2004 e não com o valor da despesa de IPI (conta de resultado), que é o montante levado em consideração na apuração do lucro líquido, não há como ignorar o fato de que, mesmo que tenha havido erro na contabilização desses créditos, o que estou apenas conjecturando, uma vez comprovados pela Recorrente, eles (os erros) implicariam, também, em restituição. Existe uma questão de direito, de extrema importância, que trata dos efeitos da confissão de dívida proferida em pedido de parcelamento, já enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em questões específicas, inclusive sob a égide do artigo 543C do CPC antigo, 1041 do NOVO CPC, como é o caso do REsp 1133027/SP, de cujo julgamento foi proferida a seguintes tese, a cuja aplicação estão vinculados os Conselheiros do CARF, forte no artigo 62, § 2º, do RICARF: A confissão da dívida não inibe o questionamento judicial da obrigação tributária, no que se refere aos seus aspectos jurídicos. Quanto aos aspectos fáticos sobre os quais incide a norma tributária, a regra é que não se pode rever judicialmente a confissão de dívida efetuada com o escopo de obter parcelamento de Fl. 1660DF CARF MF 10 débitos tributários. No entanto, como na situação presente, a matéria de fato constante de confissão de dívida pode ser invalidada quando ocorre defeito causador de nulidade do ato jurídico (v.g. erro, dolo, simulação e fraude). Não há como discutir a tese firmada no caso concreto se paira dúvida quanto ao objeto da confissão de dívida, pois: a) se o que foi confessado foi o valor do IPI que a Empresa se creditou indevidamente, objeto das autuações, com a desistência dos recursos impetrados nos respectivos processos administrativo fiscais, como decidiu a DRJ, há uma tendência pela prevalência da confissão, mesmo porque não há relação entre o débito confessado e os pagamentos indevidos requeridos no pedido de restituição; b) de outro lado, se existe uma confissão de dívida específica sobre os reflexos desse reconhecimento de créditos de IPI sobre outros tributos, no caso, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, o que, entendo, poderia ocorrer com a consolidação, no parcelamento, dos débitos das compensações nãohomologadas desses tributos com esses créditos de IPI (pelo menos em relação à parcela de R$40.789.821,46 reconhecida extemporaneamente), restando claramente demonstrado que esses débitos decorrem dos crédito de IPI, a tese teria que ser enfrentada, delimitando os contornos da confissão, presente em todos os parcelamentos especiais, que, em geral, atribuem facilidades como exclusão ou redução de multa e de juros. Vejo como de difícil comprovação a confissão de dívida, a inclusão dos débitos no parcelamento e a nãoextinção dos créditos tributários em relação aos R$13.259.489,54 cujo reflexo se deu no CPV, reconhecidos cotidianamente em 2004, uma vez que esses valores devem ter sido pagos no ano de 2004 ou de 2005, no valor global dos tributos, mas sua integração ou não no parcelamento há que ser analisada detidamente. De fato, não há como saber qual das decisões está calcada na verdade, uma vez que não há no processo a definição clara do que foi confessado no parcelamento: teríamos que desencadear análise da consolidação dos débitos parcelados e dos processos objeto de desistência recursal para aferir se houve confissão dos tributos objeto do pedido de restituição ou se a confissão diz respeito a outro tributo, no caso, IPI. Não há informações suficientes para essa conclusão e, ainda que tivesse, isso não mudaria o fato de as decisões (DD e Acórdão DRJ) serem conflitantes. É importante salientar que não estamos tratando de considerações ou interpretações acerca do fato, mas da definição do fato. É fundamental para a decisão no caso concreto saber o que foi confessado e parcelado. Neste viés, deve a DRJ proferir nova decisão, podendo, alternativamente: julgar pelo fundamento de fato adotado pelo DD, concordando ou discordando com o direito aplicado; ou, no caso de considerar que o DD analisou o fato partindo de premissas incorretas (a situação de fato é outra), determinar que seja proferido novo DD afastando erro constatado, pois não há como analisar a correção do direito aplicado se o fato sub judice não foi corretamente conhecido; ou, ainda, converter o julgamento em diligência para a definição da controvérsia. Feitas essas considerações, acato a preliminar de nulidade do Acórdão recorrido, devendo a DRJ proferir nova decisão. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 10805.722061/201181 Acórdão n.º 1302003.023 S1C3T2 Fl. 1.657 11 Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 1662DF CARF MF
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