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5419424 #
Numero do processo: 10580.720748/2008-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2101-000.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento dos embargos em diligência, para elucidação de questão de fato, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Erro! A origem da  referência não foi  encontrada.  Fls. 110  ___________         Relatório    Trata­se de recurso de embargos de declaração (fls. 103/107) interposto em face  do  acórdão  de  fls.  97/100,  que,  por  unanimidade  de  votos,  deu  provimento  ao  recurso  voluntário.  O acórdão ora embargado teve a seguinte ementa:  “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF Exercício: 2006 IRPF.  PARCELAS  INCORPORADAS  POR  FORÇA  DE  DECISÃO  JUDICIAL  AOS  PROVENTOS  DE  APOSENTADORIA  PERCEBIDOS  POR  PORTADOR  DE  MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO.  “Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por  acidente  em  serviço  e  os  percebidos  por  portador  de moléstia  profissional  ou  grave,  ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos  do imposto de renda.” (Súmula CARF n. 43).  “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de  moléstia  grave,  os  rendimentos  devem  ser  provenientes  de  aposentadoria,  reforma,  reserva  remunerada  ou  pensão  e  a  moléstia  deve  ser  devidamente  comprovada  por  laudo  pericial  emitido  por  serviço médico  oficial  da União,  dos  Estados,  do Distrito  Federal ou dos Municípios.” (Súmula CARF nº 63).  Hipótese em que os requisitos da isenção prevista no inciso XIV do art. 6º da Lei  n.º 7.713/88 foram comprovados.  Recurso provido.”  A União (Fazenda Nacional) opôs embargos de declaração pedindo “seja sanada  a  omissão  e  contradição  apontadas,  para que  reste  verificada  a  inexistência  de  comprovação  pela  contribuinte  de  que  os  rendimentos  pagos  pelo  Banco  do  Brasil  em  2005  estariam  relacionados  com  a  ação  judicial  do  Processo  96.00.196508,  com  apelação  no  Processo  1998.01.00.0145917 (relativa a diferenças de remuneração reduzidas pela Lei nº 9.030, de  1995), indeferindo­se, por conseguinte, a isenção do imposto de renda.”  É o relatório.  Voto  Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator  O  presente  recurso,  apresentado  pela  União  (Fazenda  Nacional)  com  fundamento  no  disposto  no  art.  65  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, que admite a oposição de  embargos, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil  pátrio,  apenas  e  tão­somente  quando  demonstrada  omissão,  obscuridade  ou  contradição  no  acórdão recorrido, é tempestivo e deve ser acolhido.  Fl. 112DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10580.720748/2008­68  Resolução nº  2101­000.156  S2­C1T1  Fl. 111            3 No presente caso, a Embargante aduz que o contribuinte não comprovou que os  rendimentos pagos pelo Banco do Brasil em 2005 estariam relacionados com a ação judicial do  Processo 96.00.19650­8, com apelação no Processo 1998.01.00.014591­7 (relativa a diferenças  de  remuneração  reduzidas  pela Lei  nº  9.030/95),  devendo,  portanto,  ser  indeferida  a  isenção  pleiteada.  Cumpre observar que há documentos acostados aos autos aptos a comprovar que  o contribuinte é parte nos autos do Processo nº 96.00.19650­8 (com apelação autuada sob o nº  1998.01.00.014591­7),  relativo  a  diferenças  de  remuneração  decorrentes  da  Lei  n.  8.911/94,  reduzidas pela Lei n. 9.030/95.  Entretanto,  inexiste comprovação de que os  rendimentos pagos pelo Banco do  Brasil  em  2005  estão  relacionados  ao  supra  referido  processo.  Com  razão  a  Embargante  ao  aduzir  que  não  guardam  relação  entre  si  o  processo  mencionado  acima  e  a  Execução  n°  2003.34.00.042588­7 (Precatório n° 2004.01.00.024336­0).  Em  consulta  ao  sítio  eletrônico  do  Tribunal  Regional  Federal  da  1ª  Região,  observa­se que o processo a que está atrelada a execução aduzida acima não é o mencionado  pelo contribuinte, mas sim o de n° 2000.34.00.041955­5, o que  também se pode observar do  documento de fl. 90 dos autos.  Na  realidade,  é  fato  incontroverso  nos  autos  que  os  valores  de  que  trata  a  notificação de lançamento de fls. 06/10 são os mesmos aos quais se refere o demonstrativo de  fl. 90 dos autos, relacionado ao Processo 2000.34.00041955­5.  Em  pesquisa  ao  sítio  do  TRF  da  1a.  Região,  verifica­se  que  o  objeto  deste  processo (funcionário público: reajuste salarial – calcular a GADF conf. art. 14 da Lei n. 13/92)  pode  estar  relacionada  à  aposentadoria  do  Recorrente,  pois  esta  GADF  (Gratificação  de  Atividade pelo Desempenho de Função) incorpora­se, nos termos do art. 14 da Lei n. 13/92 aos  proventos de aposentadoria.  Assim,  tudo  recomenda  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  para  que  sejam trazidas aos autos as cópias dos Processos 2000.34.00041955­5 e 2003.34.00042588­7,  referidos  no  documento  de  fl.  90  dos  autos  (PDF),  que  demonstrarão  se  os  rendimentos  recebidos pelo contribuinte têm ou não natureza de proventos de aposentadoria.  Eis  os  motivos  pelos  quais  voto  no  sentido  de  determinar  a  conversão  do  julgamento  em  diligência,  para  que  sejam  trazidas  aos  autos  as  cópias  dos  Processos  2000.34.00041955­5 e 2003.34.00042588­7, referidos no documento de fl. 90 dos autos (PDF).    (assinado digitalmente)  ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA  Relator  Fl. 113DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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5459594 #
Numero do processo: 10980.008260/2009-37
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007 EMBARGOS. ERRO MATERIAL Verificada a ocorrência de erro material no acórdão embargado, cabe a sua correção, nos termos do art. 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos e rerratificar o Acórdão nº 2801-01.874, para dar provimento parcial ao recurso para tão-somente reconhecer a decadência quanto à parte do lançamento relacionada à glosa de despesa médica no valor de R$ 4.130,00, referente ao ano-calendário 2003, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos e rerratificar o Acórdão nº 2801-01.874, para dar provimento parcial ao recurso para tão-somente reconhecer a decadência quanto à parte do lançamento relacionada à glosa de despesa médica no valor de R$ 4.130,00, referente ao ano-calendário 2003, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1773; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 198          1 197  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10980.008260/2009­37  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2801­003.518  –  1ª Turma Especial   Sessão de  16 de abril de 2014  Matéria  IRPF  Embargante  DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM CURITIBA PR  Interessado  DOMINGOS THADEU RIBEIRO DA FONSECA    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007  EMBARGOS. ERRO MATERIAL  Verificada  a ocorrência de erro material no acórdão embargado, cabe  a  sua  correção,  nos  termos  do  art.  66  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais.  Embargos Acolhidos.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros  do Colegiado,  por  unanimidade  de votos,  acolher os  embargos e rerratificar o Acórdão nº 2801­01.874, para dar provimento parcial ao recurso para  tão­somente  reconhecer  a  decadência  quanto  à  parte  do  lançamento  relacionada  à  glosa  de  despesa médica no valor de R$ 4.130,00, referente ao ano­calendário 2003, nos termos do voto  da Relatora.     Assinado digitalmente   Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente e Relatora.    Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin,  José  Valdemir  da  Silva,  Ewan  Teles  Aguiar,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Marcelo  Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 82 60 /2 00 9- 37 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.008260/2009­37  Acórdão n.º 2801­003.518  S2­TE01  Fl. 199          2 Relatório  Tratam  estes  autos  da  decisão  constante  do  Acórdão  nº  2801­01.874,  da  Primeira Turma Especial da Segunda Seção do CARF, proferida em sessão plenária ocorrida  em 28 de setembro de 2011.  Após  prolatado  e  publicado  o  acórdão,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil em Curitiba/PR determinou o retorno do presente processo ao CARF para saneamento,  tendo em vista o erro verificado no valor a ser exonerado, pois as despesas médicas apenadas  com  a  multa  de  75%,  no  ano­calendário  de  2003,  totaliza  R$  4.130,00  e  não  R$  41,30,  conforme ficou consignado no acórdão.  Restando  evidente  o  erro  material  apontado  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do Brasil  em Curitiba/PR, os  embargos  foram admitidos,  com  fundamento no  artigo  66,  do  Anexo  II,  do  Regimento  Interno  do  CARF  (embargos  inominados  por  inexatidão  material devida a lapso manifesto), para submeter o recurso voluntário a nova apreciação pelo  Colegiado.  A numeração de folhas citada nesta decisão refere­se à serie de números do  arquivo PDF.  É o relatório.  Voto             Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora.  Os  embargos  são  tempestivos  e  atendem  às  demais  condições  de  admissibilidade, portanto merecem ser conhecidos.  Cuida o lançamento de glosa de despesas médicas sujeita à multa de ofício de  75%, referentes aos exercícios de 2004 a 2007, anos­calendários de 2003 a 2006, nos seguintes  anos seguintes valores:  Ano­calendário  2003  2004  2005  2006  Dedução  indevida  de  despesas médicas  c/multa de 75%  4.130,00  3.160,00  3.960,00  2.770,00  Dedução  indevida  de  despesas médicas  c/multa de 150%  6.600,00  0,00  0,00  0,00  Registre­se  que  o  Contribuinte,  expressamente,  deixou  de  impugnar  as  despesas médicas glosadas sujeitas à multa qualificada (150%), relativas aos recibos emitidos  pelas profissionais Rosiclei Cezar Pereira  (R$ 3.000,00)  e Keila Panzerine  (R$ 3.600,00) no  ano­calendário  de  2003,  razão  pela  qual  a  decisão  de  1ª  instância  considerou  essa  parte  do  lançamento  como  não  impugnada.  Assim  restou  em  litígio  apenas  as  despesas  médicas  glosadas sujeitas à multa de 75%.  Fl. 199DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10980.008260/2009­37  Acórdão n.º 2801­003.518  S2­TE01  Fl. 200          3 O voto condutor do acórdão embargado concluiu por dar provimento parcial  ao recurso para tão­somente reconhecer a decadência quanto à parte do lançamento relacionada  à glosa de despesa médica no valor de R$ 41,30, referente ao ano­calendário 2003.  Ocorre  que,  conforme  bem  observou  a  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil em Curitiba/PR, as despesas médicas apenadas com a multa de 75%, no ano­calendário  de 2003, totaliza R$ 4.130,00 e não R$ 41,30.  Assim, verificado erro material no voto condutor do Acórdão, é de se acolher  os Embargos para sanar o vício  Diante do  exposto,  voto  no  sentido  de  acolher  os  embargos  e  rerratificar  o  Acórdão n  2801­01.874, para dar provimento parcial ao recurso para tão­somente reconhecer  a decadência quanto à parte do lançamento relacionada à glosa de despesa médica no valor de  R$ 4.130,00, referente ao ano­calendário 2003.    Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin                                Fl. 200DF CARF MF Impresso em 21/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/05/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN

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5430929 #
Numero do processo: 10882.910020/2011-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Conforme legislação vigente a homologação tácita somente se aplica ao pedido de compensação e não ao pedido de restituição, sendo aplicável o prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o pedido de compensação.
Numero da decisão: 3803-005.402
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1677; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 10          1 9  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10882.910020/2011­27  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­005.402  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de fevereiro de 2014  Matéria  COFINS  Recorrente  BENSPAR S A (INCORPORADA POR YARA BRASIL FERTILIZANTES  S. A. CNPJ 92.660.604/000182)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA.  IMPOSSIBILIDADE.  Conforme  legislação  vigente  a  homologação  tácita  somente  se  aplica  ao  pedido  de  compensação  e  não  ao  pedido  de  restituição,  sendo  aplicável  o  prazo de cinco anos previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96 apenas para o  pedido de compensação.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento  ao recurso.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de  Sousa,  Corintho Oliveira Machado,  Hélcio  Lafetá  Reis,  João Alfredo  Eduão  Ferreira,  Jorge  Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 91 00 20 /2 01 1- 27 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     2 Relatório  Trata­se  de  Pedido  Eletrônico  de Restituição  –  PER  transmitido  em  29  de  julho de 2005, através do qual Yara Brasil Fertilizantes S.A., sucessora da Benspar S.A., busca  restituição de crédito de COFINS, relativo ao período de apuração julho de 2000, no valor de  R$ 3.188,36.  O  pagamento  foi  identificado  mas  constatou­se  que  o  mesmo  foi  integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do despacho  decisório emitido em 2 de dezembro de 2011, que indeferiu o pedido de restituição. A ciência  do indeferimento ocorreu mediante AR em 21 de dezembro de 2011.  O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente,  alegando que  ocorreu  homologação  tácita  do  pedido  de  restituição,  pois  se passaram  5  anos  desde a apresentação do PER até a emissão do Despacho Decisório.  O interessado fundamentou sua defesa no § 5º do art. 74 da Lei nº 9430/1996,  assim  como  nos  arts.  150  e  174  do  Código  Tributário  Nacional  e  no  art.  37  da  Instrução  Normativa RFB Nº 900/08.  Ao  final  requer  que  se  reconheça  a  homologação  tácita  dos  créditos  tributários  relativos  ao  PER  constante  do  despacho  decisório  e  que  se  determine  o  imediato  pagamento da restituição postulada e a posterior baixa do processo.  A  2ª  Turma  da  DRJ/POA  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade, afirmando que, diferentemente do que ocorre na declaração de compensação,  é  impossível  a  homologação  tácita  nos  pedidos  de  ressarcimento  ou  restituição,  por  falta  de  previsão legal.  Ainda  afirmou  que  o  contribuinte  não  comprovou  a  liquidez  e  certeza  dos  créditos  pleiteados,  que,  de  acordo  com  o  art.  170  do  CTN,  são  essenciais  para  que  seja  efetivada a restituição pela Fazenda Nacional.  Irresignado, o contribuinte protocolou Recurso Voluntário, onde defende que  a homologação tácita é instituto atrelado a segurança jurídica, sob pena de estar­se outorgando  à Fazenda o direito de reter pedidos de restituição indeterminadamente.  Tomando por base os arts. 173 e 174 do CTN, sustenta que o prazo de 5 anos  transcorre  tanto para o  contribuinte,  como para o  fisco  e que não  se pode  ignorar  a  garantia  constitucional de que todos são iguais perante a lei.  Afirma  que  o  §  4º  do  art.  150  do CTN dispõe  que,  quando  a  lei  não  fixar  prazo  para  homologação,  será  ele  de  5  anos.  Nesse  caso,  quando  o  contribuinte  declara  ser  titular  de  crédito,  o  fisco  teria  5  anos  para  se  manifestar  sobre  esse  crédito,  sob  pena  de  decadência para a glosa eventualmente cabível.  Ao  final  requer  que  se  proveja  o  recurso  para,  reformando­se  a  decisão  recorrida,  reconhecer­se  a  homologação  tácita  dos  créditos  tributários  relativos  ao  PER  constante  do  despacho  decisório,  e  que  se  determine  o  imediato  pagamento  da  restituição  postulada e a posterior baixa do processo.  É o Relatório.  Fl. 45DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910020/2011­27  Acórdão n.º 3803­005.402  S3­TE03  Fl. 11          3 Voto             Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator  O  Recurso  é  tempestivo  e  apresenta  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento.  Fato incontroverso é a emissão do despacho decisório após 5 anos da data do  protocolo  de  transmissão  do  Pedido  Eletrônico  de  Restituição,  o  litígio  reside  na  caracterização, ou não, deste fato como homologação tácita.  O  instituto  da  compensação  encontra­se  previsto  no  art.  170  do  CTN.  No  âmbito  administrativo,  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  900  de  30/12/2008  disciplina  a  restituição  e  a  compensação  de  quantias  recolhidas  a  título  de  tributo  administrado  pela  Secretaria da Receita Federal do Brasil.  Após a entrega da Declaração de Compensação (PER/DCOMP), a Secretaria  da Receita Federal deverá analisar o pedido de compensação num prazo máximo de 5 (cinco  anos), contados da data da entrega da Declaração de Compensação. Este é o texto do § 2º do  artigo 37 da Instrução Normativa RFB nº 900 de 30/12/2008, in verbis:  “§  2º  O  prazo  para  homologação  da  compensação  declarada  pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contados da data da  entrega da Declaração de Compensação.”  Como  visto,  a  homologação  tácita  da  compensação  se  dá  após  decorrido  o  prazo de cinco anos contados da data de transmissão do PER/DCOMP.  A  Fazenda  afirma  que,  diferentemente  da  declaração  de  compensação,o  pedido de restituição à Receita Federal não é satisfeito desde logo. Isso por que a compensação  se viabiliza por via de um regime declaratório, enquanto que a restituição se viabiliza por um  regime de requerimento. Ainda afirma que não há previsão  legal para homologação  tácita de  pedido de ressarcimento, pois o § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96 apenas se refere às declarações  de compensação.  A pretensão do contribuinte, de que deva haver um prazo para que a fazenda  se manifeste sobre pedidos de restituição, é razoável. Inclusive em concordância com princípio  constitucional da razoabilidade expressa no art. 5º da Constituição Federal, cita­se:  Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes:  [...]  LXXVIII  ­  a  todos,  no  âmbito  judicial  e  administrativo,  são  assegurados  a  razoável  duração  do  processo  e  os  meios  que  garantam a celeridade de sua tramitação.  Fl. 46DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     4 Entretanto,  a  legislação  é  carente  de  uma  norma  que  estabeleça  período  específico para que a Fazenda Nacional  se posicione a  respeito de pedidos de  restituição ou  ressarcimento e o CARF, em virtude de seu regimento, observa a estrita legalidade.  Com efeito, a decisão da DRJ/POA não merece reparos. No caso, pedido de  restituição  formulado  à  Receita  Federal  não  se  submete  ao  prazo  de  homologação  tácita  de  cinco anos, previsto no art. 74, §5º, da Lei 9.430/96, aplicado expressamente aos pedidos de  compensação. Vejamos:  Art.  74.  O  sujeito  passivo  que  apurar  crédito,  inclusive  os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá­lo na  compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e  contribuições  administrados  por  aquele  Órgão.(Redação  dada  pela Lei nº 10.637, de 2002) [...]  §  5o  O  prazo  para  homologação  da  compensação  declarada  pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da  entrega  da  declaração  de  compensação.  (Redação  dada  pela  Lei nº 10.833, de 2003)  (grifamos)  Ocorre  que  não  há  previsão  legal  estabelecendo  prazo  para  homologar  pedidos  de  Restituição,  e  a  norma  acima  colacionada  não  se  aplica  ao  caso.  Tal  entendimento  é  o  adotado  pela  jurisprudência  da  1ª  Seção  de  Julgamento, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais, no Acórdão nº 130200285 do Processo 108800354929962. Confira­se:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ.ANO­CALENDÁRIO:  1998PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO,  INEXISTÊNCIA  DE  SALDO  CREDOR  E  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO,  INDEFERIMENTO.  NÃO  TENDO  A  CONTRIBUINTE  APURADO  SALDO  CREDOR  DE  IRPJ,  NEM  COMPROVADO O IRRF, NEM O OFERECIMENTO À TRIBUTAÇÃO  DOS  RENDIMENTOS  CORRESPONDENTES,  CORRETA  O  INDEFERIMENTO  DO  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO,  QUE  JÁ  DEVERIA  ESTAR  INSTRUIDO  COM  OS  DOCUMENTOS  COMPROBATÓRIOS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA, COMPENSAÇÃO.  A  LEGISLAÇÃO  DE  REGÊNCIA  ADMITE A  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E NÃO DO DIREITO  CREDITÓRIO.  NO  CASO  DO  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO  ENTREGUE  JUNTAMENTE  COM  O  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO  NÃO ESPECIFICAR OS DÉBITOS A SEREM COMPENSADOS, NÃO  HÁ  DE  SE  FALAR  EM  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA.RECURSO  VOLUNTÁRIO NEGADO.VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS OS  PRESENTES  AUTOS.ACORDAM  OS MEMBROS  DO  COLEGIADO,  POR  UNANIMIDADE  DE  VOTOS,  NÃO  RECONHECER  A  HOMOLOGAÇÃO TÁTICA E, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO  Fl. 47DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10882.910020/2011­27  Acórdão n.º 3803­005.402  S3­TE03  Fl. 12          5 AO  RECURSO,  NOS  TERMOS  DO  RELATÓRIO  E  VOTO  QUE  INTEGRAM O PRESENTE JULGADO. (G.N.)  Ante a falta de guarida  legal que determine a homologação  tácita a pedidos  de  restituição,  não  cabe  ao  julgador  criar  normas  ou  interpretá­las  de  forma  a  beneficiar  o  contribuinte ou a Fazenda quando a própria Lei não autoriza.  Observa­se,  também,  que  em manifestação  de  inconformidade,  assim  como  em sede de recurso voluntário, o contribuinte se eximiu do direito de se pronunciar quanto ao  mérito, assim como não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito  creditório pretendido. Não há como avaliar o mérito da lide uma vez que o contribuinte abriu  mão de defender­se quanto ao mérito.    Conclusão  Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, tendo em  vista  que  em  relação  ao  Pedido  de  Restituição  não  existe  previsão  legal  que  discipline  a  ocorrência  de  homologação  tácita,  sendo  inaplicável,  ao  caso,  a  aplicação  da  regra  de  homologação  tácita  dos  pedidos  de  compensação,  porquanto,  são  de  naturezas  distintas  e  portanto não se confundem.    (assinado digitalmente)  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator                            Fl. 48DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO

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Numero do processo: 19515.000557/2006-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Fez sustentação oral o Dr. Douglas Guidini Odorizzi, OAB/SP 207.535. O Conselheiro Jimir Doniak Junior (Suplente convocado) declarou-se impedido. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos-calendário 2001 e 2002, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 1183/1185, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 10.679.650,09, calculado até 28/04/2006. Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão: A presente ação fiscal contra o contribuinte foi iniciada, em 22/12/2004, com a ciência do Termo de Início de Fiscalização de fls. 29/30, em que o contribuinte foi intimado a apresentar, em relação ao ano-calendário 2001 e 2002, documentação comprobatória referente às informações prestadas nas Declarações de Bens e Direitos. De posse dos documentos colhidos no decorrer da ação fiscal, o auditor elabora os demonstrativos de fls. 1.113/1.116 e, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.174/1.179, encerra a ação fiscal com a lavratura do citado auto de infração, tendo em vista que foram apuradas as seguintes infrações à legislação tributária: 1 – Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, nos anos-calendário 2001/2002, em que se verificou excesso de aplicações sobre origens não respaldado por rendimentos declarados ou comprovados, conforme demonstrativos constantes do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.174/1.179. Enquadramento legal: artigos 1° ao 3° e §§, e 8°, da Lei 7.713/88; artigos 1° e 2°, da Lei 8.134/90; artigo 7° e 8°, da Lei 8.981/95; artigo 3° e 11, da Lei 9.250/95; artigo 21 da Lei 9.532/97: Ano-Calendário 2001 Valor Fevereiro 188.443,10 Março 243.781,20 Abril 175.209,42 Dezembro 663.760,00 Ano-Calendário 2002 Julho 462.964,26 Dezembro 15.303.001,64 No Termo de Constatação de fls. 1.061/1.068, a autoridade fiscal relata que: 1 – na sua declaração de bens do ano-calendário de 2001, itens 11 a 18, o contribuinte informou deter a propriedade de ações de diversas companhias com aquisições e baixas no período. Como comprovação apresentou apenas mapas particulares onde teria registrado as transações, sem respaldá-las com comprovantes das corretoras e sem comprovação do movimento financeiro havido, as referidas transações refletiram-se em redução patrimonial de R$ 343.592,84 no período base de 2001, considerando-se incomprovada; 2 – para o ano base de 2002, apresentou apenas mapas de uso particular, sem qualquer respaldo em documento, na forma de extrato de corretora ou movimentação bancária, sendo o acréscimo patrimonial no valor de R$15.520.713,43, considerado incomprovado; 3 – na declaração de ajuste do ano calendário de 2001 o contribuinte informou a propriedade de R$ 659.124,09 de 575 Letras do Tesouro Nacional LTN, cuja comprovação foi solicitada e não foi apresentada; 4 – para o ano-calendário 2002, o contribuinte informou evolução no valor de R$379.065,43 no valor das LTNs informadas no período base anterior e não comprovadas nem naquele e nem neste período; 5 – efetuou empréstimo a GONG SUP LEE, CPF 022.822.38818 no valor de R$203.130,22, no ano-calendário 2001, conforme cópias de cheques em anexo, omitindo tal empréstimo na sua declaração desse ano, informando empréstimo efetuado para esse contribuinte, no valor de R$170.000,00, no ano calendário de 2002; 6 - declarou, para o ano calendário de 2001, possuir dívidas junto a SOON YONG KIM, CPF 047.391.30890 e SOON JOON KIM, CPF 106.390.96867, as quais foi intimado a comprovar, nada apresentando para comprovar o valor de R$ 588.632,90 declarado como dívida com o primeiro e apresentando, em relação ao segundo, contrato de empréstimo de 16.700.000 ações CESP PN, pelo prazo de 90 dias, o qual não especifica valor em reais e não atende as normas legais para empréstimo ou aluguel de ações da CBLC - Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia e do Banco de Títulos BTC, sendo, em decorrência, documento inábil para comprovar essa operação, considerando também incomprovado o empréstimo declarado como recebido desse contribuinte no valor de R$ 251.926,46; 7 – os empréstimos informados e não comprovados do ano calendário de 2001, junto a SOON YONG KIM e SOON JONG KIM, foram reduzidos, também sem qualquer comprovação, para R$ 266.594,42 e R$ 114.681,10 respectivamente, no ano-calendário de 2002; 8 – informou no ano calendário 2002, dívida ou ônus junto a CBLC Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia, cuja natureza seria de mercado a termo de ações, no valor de R$ 17.664.608,60, sem apresentar qualquer comprovação que justificasse essa dívida ou ônus; 9 - declarou, no ano-calendário 2002, o valor de R$ 1.204.366,66 como aluguel de ações de GWI Factoring Fomento Mercantil Ltda., CNPJ 04.169.423/000190, nada apresentando como comprovação; 10 – declarou como dívida, no ano-calendário 2002, para a mesma GWI Factoring, mútuo no valor de R$ 3.634.564,24, para o qual apresentou contrato firmado com essa empresa, da qual é proprietário, sem qualquer comprovação da movimentação financeira supostamente havida, restando também essa dívida sem comprovação; 11 - declarou, no ano-calendário 2002, aluguel de ações de GWI Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ 00.628.543/000158, no valor de R$ 3.873.216,31, sem apresentar qualquer comprovante, sendo que no balanço patrimonial da empresa não consta tal empréstimo ou aluguel de ações. O contribuinte toma ciência do auto de infração em 24/05/2006, e, inconformado com o lançamento, apresenta impugnação, em 23/06/2006 de fls. 1.192/1.217, em que alega, em síntese, que: 1 – os alegados fatos geradores teriam ocorrido nos meses de fevereiro, março abril e dezembro de 2001 e julho e dezembro de 2002. Assim, o AIIM relaciona eventuais obrigações tributárias ocorridas nos meses de fevereiro a abril de 2001, enquanto o Impugnante só foi intimado da Autuação em 24.05.2006, portanto, mais de 5 anos após o surgimento dos referidos fatos geradores; 2 – se o tributo submete-se ao lançamento por homologação é aplicável o § 4º do artigo 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador. O IRPF, de uma forma geral, está submetido à modalidade de lançamento por homologação; 3 – para realizar lançamento de ofício com fundamento na omissão de rendimentos a partir da acusação de acréscimo a descoberto, a fiscalização tem que provar a obtenção de rendimentos e a sua dissociação dos acréscimos declarados; 4 – uma vez tendo o contribuinte apresentado documentos que comprovam a situação patrimonial descrita em duas declarações, compete à fiscalização provar que a demonstração feita não seria adequada; 5 – como se pode ver dos documentos juntados durante o procedimento de fiscalização, não só os autos não contêm elementos de prova que fundamentariam o raciocínio da Fiscalização, como, ao contrário, fazem prova a favor do Impugnante; 6- o raciocínio exposto pela Fiscalização nos Termos de Constatação e de Fiscalização é no sentido de que não teriam sido apresentados documentos para comprovar a origem da disponibilidade de recursos recebidos ou de que as provas exibidas não poderiam ser aceitas como meios idôneos. No entanto, a todos os questionamentos feitos foram apresentados documentos, não tendo sido demonstrado que eles seriam incapazes ou inábeis para fundamentar o quanto havia sido informado nas DIRPF; 7 – limitou-se a apresentar ilações, como a alegação de que somente podem ser aceitos como contratos de empréstimos de ações aqueles que atendam às instruções da CBLC, como se o contribuinte, p. ex., não pudesse contratar o empréstimo de coisa fungível (ações cia. aberta) fora dessa câmara de liquidação com outros interessados, na forma de um contrato ordinário de mútuo disciplinado pelo Código Civil; 8 – não havendo demonstração da Fiscalização de que as explicações e documentos do Impugnante seriam impróprios ou inidôneos, o que compete à Fiscalização, devem ser aceitas as informações contidas nas DIRPFs do Impugnante, não podendo prosperar a conclusão de acréscimo patrimonial a descoberto e o conseqüente lançamento sob a acusação de omissão de rendimentos; 9 – a Fiscalização assinalou no Termo de Constatação recebido em 13.03.06 que, em escritura lavrada em 31.10.01, o Impugnante teria adquirido o imóvel situado na Rua Dr. Gabriel dos Santos, 444, 17° andar, pelo valor de R$ 1.184.011,00, mas que teria registrado em sua DIRPF o valor do imóvel pelo preço de R$ 984.011,00. A partir dessa constatação, assumiu que a diferença R$ 200.000,00 teria sido paga nesse ano, razão pela qual deveria se considerada como "dispêndios/aplicações" feita no mês de outubro de 2001; 10 – tal imposição não pode prevalecer. Isso porque os R$ 200.000,00 considerados pela Fiscalização como pagos em 2001 não foram liquidados nesse ano, mas no período seguinte; 11- o imóvel em questão foi adquirido de forma parcelada pelo impugnante, de tal maneira que ao término do ano de 2001 ele não havia liquidado integralmente o pagamento de R$ 1.184.011,00, que havia se comprometido, mas somente o montante R$ 984.011,00; 12 – a Fiscalização afirma que os empréstimos de ações informados pelo impugnante não poderiam ser aceitos como prova idônea das dívidas declaradas com seus titulares porque os contratos apresentados não especificariam o valor em reais da operação e tampouco obedeceriam as regras da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e do Banco de Títulos (BTC); 13- a CBLC é uma sociedade anônima privada, com fins lucrativos, que oferece um serviço aos interessados e estabelece as regras que serão observadas nessa prestação de serviço. Percebe-se logo de início, portanto, o quão desarrazoado é considerar inexistente o mútuo de ações feito pelo Impugnante somente por ele ter optado por não contratar os serviços dessa empresa CBLC; 14 – o empréstimo de ações, tal como o realizado por intermédio da CBLC, é uma modalidade especial de operação financeira. Na realidade, o chamado empréstimo de ações é um serviço que pode ser prestado por qualquer entidade prestadora de serviços de liquidação, registro e custódia de ações, desde que a interessada obedeça às prescrições da Instrução CVM 249/96 e Resolução Bacen 3.278/05. As operações de empréstimo de ações no âmbito da CBLC, além obedecerem tais normas, seguem o disposto no Capítulo VI do Manual de Procedimentos Operacionais da CBLC; 15 – para que seja realizado o empréstimo de ações é necessário que o tomador ofereça uma garantia mínima de 100% do valor das ações a serem tomadas. Outro requisito importante diz respeito à responsabilidade perante os titulares das ações tomadas. De acordo com o art. 5 o da Instrução CVM 249/96, os agentes de liquidação, registro e custódia é que são responsáveis perante os titulares das ações emprestadas pela reposição das mesmas e dos eventuais direitos atribuídos às ações no período de empréstimo, não se estabelecendo qualquer vínculo entre os emprestadores e os tomadores; 16- dessas outras características, bem se vê que o empréstimo de ações no âmbito da CBLC, mais do que uma modalidade de mútuo previsto no Código Civil, é uma operação típica do mercado financeiro; 17 - essa, no entanto, não foi a operação praticada pelo Impugnante. Como se vê dos contratos apresentados, o que o impugnante e as partes envolvidas fizeram foram contratos de cessão de ações (bem fungível), por prazo certo e preço ajustado, meio deles, o titular de bem fungível o transferia ao Impugnante e esse, por sua vez, obrigava-se a restituir coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade ao término do acordo, acrescido de uma remuneração ( 1% do valor das ações mutuadas na data de vencimento); 18 – não há nas leis que disciplinam o mercado financeiro e de capitais qualquer restrição quanto ao empréstimo de ações. A Instrução da CVM antes referida apenas regulamenta uma possível operação de mercado financeiro, o que não significa que outros negócios jurídicos com ações como o mútuo não poderiam ser realizados; 19 – em relação ao mútuo de ações com Soon Joon Kim, a Fiscalização alegou que não poderia aceitar o contrato apresentado porque não especificava valor em reais. Tal argumento não pode ser tido como válido. Como se verificou, o objeto do mútuo foi um número certo de ações. A obrigação que tinha o Impugnante, é curial, era de devolver coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade; 20 – em relação ao mútuo de ações com Soon Young Kim, para essa operação, a Fiscalização afirmou que não teriam sido apresentadas provas da contratação. O impugnante discorda da afirmação, pois forneceu à Fiscalização toda a documentação que lhe foi solicitada. Não obstante, o Impugnante junta novamente o mencionado contrato; 21 – registrou em sua DIRPF de 2002 obrigações perante a CBLC no valor de R$ 17.664.608,60, fruto da compra de ações a termo. A fim de comprovar a existência da dívida contraída, o contribuinte apresentou à Fiscalização extratos de custódia datados de 31.12.02, fornecidos pela CBLC e pelas corretoras que intermediaram as negociações, os quais comprovam que: a) as ações naquela data já eram de propriedade do Impugnante e b) o pagamento pela aquisição, ou seja, a "liquidação" a termo, se realizaria no ano seguinte. Daí a explicação para que o Impugnante, em sua DIRPF do ano-base de 2002, discriminasse (i) na relação de bens e direitos uma série de ações de companhias que passou a ser titular e (ii) nas dívidas ou ônus reais a obrigação de pagar pela compra realizada; 22- operações a termo são negócios típicos do mercado financeiro e de capitais. Por meio delas, o contratante adquire determinado título ou valor mobiliário imediatamente, porém, obriga-se ao pagamento futuro pela compra feita, momento em que é pago como preço da transação o valor de cotação do papel compra na data de fechamento do negócio adicionado a uma taxa de juros fixada; 23 – importante registrar que nas operações a termo o comprador passa a ser proprietário dos títulos desde o momento da celebração do contrato, ficando diferido apenas o pagamento pela compra realizada. A disponibilidade sobre a coisa é imediata, somente a obrigação de pagamento é futura; 24 – em razão das próprias particularidades do mercado e da agilidade por ele exigida, não há a realização de um contrato escrito de uma específica compra e venda de valores mobiliários com liquidação a prazo, o qual seria assinado pelo comprador e vendedor. Esses, na realidade, nem se conhecem, pois, são os seus agentes que operam no mercado e depositam as garantias ofertadas por ambos na câmara de compensação, liquidação e custódia; 25 – a prova de que o adquirente das ações detinha obrigação a termo são os extratos mensais da câmara na qual se realiza o negócio, no caso, a CBLC, e os extratos enviados pelas corretoras ao adquirente. Ou seja, são, justamente, os documentos entregues pelo Impugnante durante o procedimento de fiscalização; 26 – de acordo com o demonstrativo de evolução patrimonial do Impugnante, preparado pela Fiscalização, foi apontado como "dispêndios/aplicações" o saldo bancário credor em conta corrente ao final do mês em determinados períodos (linha 8). Vale dizer, a Fiscalização, a partir dos extratos bancários do Impugnante, considerou que haveria rendimentos recebidos em conta corrente, os quais teriam deixado de ser tributados; 27 – a Fiscalização adotou tal procedimento sem ter tido o cuidado de examinar toda a documentação fornecida pelo Impugnante durante o procedimento fiscalizatório, a qual comprova a origem dos recursos depositados em suas contas e os motivos pelos quais havia saldo credor ao final de alguns meses, o que apenas demonstra a precariedade do trabalho fiscal; 28 – não se pode admitir imposição de lançamento de ofício com fundamento em suposição fiscal de acréscimo a descoberto, fundado na alegação de saldo credor em conta sem comprovação de origem, se o Impugnante apresenta os documentos que demonstram a origem desses recursos e a Fiscalização apenas afirma que os junta ao processo, não sabendo, porém, se comprovam ou não a origem identificada nas DIRPF; 29 – o Impugnante reporta-se aos documentos apresentados ao longo do curso do procedimento fiscalizatório, os quais demonstram as origens dos saldos bancários credores do Impugnante ao final de cada mês. Com isso, a imputação deles exclusivamente como "dispêndios/aplicações" no demonstrativo de fluxo patrimonial deve ser revista, passando também a constarem obrigatoriamente do saldo de "recursos/origens"; 30 – é importante registrar que as pessoas físicas não estão obrigadas a realizar uma contabilização detalhada de suas movimentações financeiras, tal qual nos moldes das pessoas jurídicas, motivo pelo qual a Fiscalização deve aceitar a documentação apresentada e as informações declaradas; 31 – de acordo com o Termo de Constatação Fiscal, não teria sido provada a existência da dívida decorrente de mútuo declarado pelo Impugnante com a GWI Factoring, no valor de R$ 3.634.564,24, pois teria sido apresentado somente contrato firmado entre a empresa e ele. Como a sociedade credora era controlada pelo Impugnante e não haviam sido apresentados extratos bancários identificando neles tais movimentações, a Fiscalização concluiu que os empréstimos seriam inexistentes; 32 – tal alegação não pode ser admitida como legítima para a desconsideração da obrigação declarada. Realmente, tais empréstimos foram feitos ao longo de todo o ano de 2002, sem uma periodicidade certa, o que dificulta a identificação nos extratos bancários; 33 – existem outros elementos que provam a efetividade dos empréstimos. São eles o livro razão da credora, GWI Factoring, já apresentado ao longo do procedimento de fiscalização, e o balancete levantado por tal sociedade em 31.12.02, no qual está identificado na conta 1.8.8.92.01.003 o saldo do crédito detido em face do Impugnante; 34 – uma vez tributadas as disponibilidades que se alega terem sido omitidas, mesmo que pelo lançamento de ofício, elas passam a compor as origens do contribuinte. Logo, não há motivo para que, no demonstrativo de evolução patrimonial, não sejam consideradas no mês seguinte ao de verificação da omissão como sobras do mês anterior; 35 – no caso concreto, a alegada omissão detectada em fevereiro de 2001, no valor de R$ 188.443,10, deveria ser transposta para o mês seguinte. A verificação de eventual variação a descoberto em março deveria, então, partir com uma disponibilidade de R$ 188.443,10 como "recursos/origens". Em 22/02/2008, o contribuinte apresenta o Aditivo de fls. 1.243/1.247 com o seguintes esclarecimentos: 1 – o Impugnante informou em sua DIRPF ter contraído obrigação perante a CBLC no valor de R$ 17.664.608,60, fruto da compra de ações a termo. A Fiscalização desqualificou a dívida declarada, sob o argumento de que não estaria demonstrada sua existência. Assim, considerou que os R$ 17.664.608,60 necessários para adquirir as ações seriam rendimentos omitidos pelo Impugnante, motivou pelo qual realizou o lançamento de ofício com a exigência de IRPF sobre tais R$ 17.664.608,60; 2- em impugnação, foram apresentados os extratos de custódia, datados de 31.12.02, fornecidos pela CBLC e pelas corretoras que intermediaram as negociações, os quais comprovam que: a) as ações naquela data já eram de propriedade do Impugnante e b) o pagamento pela aquisição realizar-se-ia no ano seguinte. Adicionalmente, destacou-se que a legislação e a própria Administração Fiscal reconhecem que, nas operações a termo, o adquirente passa a ser proprietário dos títulos no momento de aquisição do contrato e a obrigação de pagamento pela aquisição dos ativos é diferida para uma data futura, preestabelecida; 3 – em vista das características do mercado financeiro, não há contrato formal de aquisição de ações a termo, mas compra na forma dos procedimentos definidos pelo Manual da CBLC. A prova de que as aquisições foram feitas "a termo" e pendiam de pagamento eram demonstradas pelos extratos de custódia emitidos pela CBLC e pelas corretoras envolvidas; 4 – a partir das referidas informações descritas nas "notas de corretagem", tem-se cabalmente demonstrado que as ações foram adquiridas em 2002, porém, o pagamento pela compra venceu somente em 2003, constituindo-se obrigação do Impugnante na data de 31.12.02, tal como coerentemente registrado em sua DIRPF; 5 – o Impugnante apresenta as cartas enviadas ao longo do ano de 2002 por GWI Factoring Fomento Mercantil para a instituição financeira na qual detinha conta-corrente, solicitando a transferência do numerário de sua conta bancária para a conta do Impugnante. A cópia de cada correspondência ora apresentada contém comprovação de que foi recebida pela instituição financeira que subseqüentemente realizou a operação durante o respectivo período-base. Indicado para a pauta de julgamento da então Quinta Turma de Julgamento da DRJ SP2, o processo foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº 829, de 23/07/2008, para que a SLW Corretora de Valores e Câmbio Ltda, DC Corretora CTVM S.A fossem intimadas a apresentar as notas de corretagem do mês de dezembro de 2002 e a informar os contratos a termo abertos em 31 de dezembro de 2002. E Corretora Concórdia fosse intimadas a informar se participou dos contratos de mútuo de ações. Encaminhado os autos à Delegacia de Fiscalização de São Paulo, a autoridade fiscal responsável pelo lançamento junta a Informação Fiscal de fls. 1.359/1.363 com o seguinte parecer: 1 – a leitura da escritura pública do imóvel objeto desse lançamento, entre outros pagamentos, às folhas 77 a 81 do PAF, não deixa qualquer dúvida quanto aos fatos, diz textualmente que o valor todo foi recebido pela outorgante (fls. 79), dando total quitação em face dos pagamentos efetuados, na data de 31 de outubro de 2001, portanto a alegada dívida com o vendedor no valor de R$200.000,00, não tem fundamento algum; 2 – a análise das alegações da impugnação, item IV b folhas 1.103 a 1.107 do PAF, cumpre informar que, em pesquisa feita nas Declarações de Ajuste Anual dos supostos cedentes de empréstimos de ações dos períodos considerados a fiscalização, verificou que não constam da declaração do ano base 2001 do Sr. SOON YONG KIM ações de nenhuma empresa, carecendo o contrato apresentado e anexado, às folhas 1123 e 1124 do PAF, de objeto legalmente comprovável, sendo certo que não se pode emprestar algo que não se possui, pelo menos não legalmente; 3 – o Sr. SOON JOON KIM, CPF n° 106.390.968967, apresentou originalmente Declaração de Ajuste Anual para o ano-calendário de 2001, na qual não constam, da declaração de bens e direitos, ações de nenhuma companhia; contudo esse contribuinte apresentou declaração retificadora, na data de 17/11/2006, na qual alterou o valor dos seus bens e direitos em 2001 de R$715.611,12 para R$2.291.781,23, relacionando nessa declaração retificadora quase a totalidade dessa diferença como sendo da propriedade de ações; 4 – essas constatações mostram a fragilidade da suposta contratação de empréstimo de ações do autuado, além de carecer de formalidades legais; 5 – existem discrepâncias entre as notas de corretagem e a planilha de contratos a termo; 6 – para o item IVe, folhas 1114 a 1118 do PAF, referente ao mútuo entre o autuado e a empresa GWI Fomento Mercantil Ltda., novamente o contribuinte pretende eximir-se da infração sem apresentar a comprovação das movimentações financeiras correspondentes ao tal mútuo. O contribuinte foi cientificado na Informação Fiscal e apresentou suas considerações de fls. 1.365/1.372 ratificando suas alegações na impugnação e acrescentando que: 1 – na Informação Fiscal são apresentadas novas alegações para tentar justificar o lançamento. Afirma-se que foram realizadas pesquisas nas DIRPFs dos cedentes dos mútuos de ações e teria sido verificado que, na declaração do Sr. Soon Yong Kim não constaria entre seus bens ações de empresas, as quais poderiam ter sido cedidas em mútuo ao Impugnante. Assim, segundo a Informação Fiscal, como não seria possível emprestar algo que não se possui, não deveria ser considerado tal mútuo; 2 – é de se ressaltar o procedimento estranho da DRF. Frente à divergência entre duas DIRPFs de dois contribuintes distintos, decide-se, sem qualquer investigação, desconsiderar uma delas, escolhendo-se arbitrariamente aquela que gera a exigência fiscal. Com efeito, qual a razão para considerar que a DIRPF do Sr. Mu Hak You não mereceria fé, enquanto a do Sr. Soon Yong Kim é aceita como correta sem qualquer verificação? 3 – A situação é ainda mais grave pois, no caso, a amparar a DIRPF do Sr. Um Hak You, existe o contrato assinado entre ele e o Sr. Soon Yong Kim, com firma reconhecida em cartório na época do negócio. Ou seja, se fosse para desconsiderar uma das DIRPFs sem maiores verificações, já que contraditórias, deveria ser desconsiderada aquela que está em descompasso com o referido contrato, aceitando-se a DIRPF do Sr. Mu Hak You, que está de acordo com o contrato. A 16ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos sujeitos ao O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados, relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, e tendo havido antecipação do pagamento do imposto, da data de ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os montantes correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO MÚTUO COMPROVAÇÃO. A contratação de empréstimo entre particulares desacompanhada de documentos comprobatórios da transferência do correspondente numerário não constitui origem para eventuais aplicações, uma vez que o contrato unilateral que se perfaz com a tradição de seu objeto. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO ORIGENS EMPRÉSTIMOS DE AÇÕES ENTRE PARTICULARES NECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DAS AÇÕES. No empréstimo de ações, seja qual for a modalidade, com ou sem a intervenção dos agentes de compensação, o tomador recebe ações fungíveis de uma companhia aberta e se obriga a liquidar o empréstimo no vencimento convencionado, mediante devolução, ao titular original, de ações da mesma espécie, qualidade e quantidade daquelas que foram emprestadas. Para fins de justificação de origem de acréscimo patrimonial, é necessária a comprovação da transferência das ações do cedente para o tomador, na data do empréstimo, e a comprovação da devolução dessas ações, do tomador para o cedente, na data do vencimento do contrato. PROVA DE ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS ESCRITURA PÚBLICA. A Escritura Pública de Compra e Venda é o instrumento formal previsto para a transmissão da propriedade de bem imóvel e faz prova do valor e da forma de pagamento nela transcritos. Somente deixa de prevalecer para os efeitos fiscais a data, forma e valor da alienação constante da escritura, quando restar comprovado de maneira inequívoca que o teor contratual não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a alienação deu-se da forma diversa. AÇÕES ADQUIRIDAS NO MERCADO A TERMO DÍVIDAS DECLARADAS DECORRENTES DA OBRIGAÇÃO DE PAGAR O PREÇO FIXADO NA LIQUIDAÇÃO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ORIGENS. Operação a termo é a compra ou a venda, em mercado, de uma determinada quantidade de ações, a um preço fixado, para liquidação em prazo determinado, a contar da data de sua realização em pregão, resultando um contrato entre as partes. A liquidação da operação ocorre no vencimento do contrato e implica a entrega dos títulos pelo vendedor e o pagamento do preço estipulado no contrato pelo comprador. No ano da aquisição, o contribuinte tem que informar as ações negociadas na declaração de bens e as obrigações decorrentes no campo “Dívidas e Ônus Reais. O resultado da evolução patrimonial, no caso de o contribuinte possuir contratos em aberto, não será alterado com a inclusão das dívidas decorrentes dessa obrigação como origens, pois conseqüentemente o valor das ações objeto do contrato terão que constar como dispêndios na mesma planilha. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 14/09/2012 (fl. 1703-pdf), Mu Hak You apresenta Recurso Voluntário em 15/10/2012 (fl. 1707-pdf), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Fez sustentação oral o Dr. Douglas Guidini Odorizzi, OAB/SP 207.535. O Conselheiro Jimir Doniak Junior (Suplente convocado) declarou-se impedido. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Jimir Doniak Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anos-calendário 2001 e 2002, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 1183/1185, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 10.679.650,09, calculado até 28/04/2006. Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão: A presente ação fiscal contra o contribuinte foi iniciada, em 22/12/2004, com a ciência do Termo de Início de Fiscalização de fls. 29/30, em que o contribuinte foi intimado a apresentar, em relação ao ano-calendário 2001 e 2002, documentação comprobatória referente às informações prestadas nas Declarações de Bens e Direitos. De posse dos documentos colhidos no decorrer da ação fiscal, o auditor elabora os demonstrativos de fls. 1.113/1.116 e, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.174/1.179, encerra a ação fiscal com a lavratura do citado auto de infração, tendo em vista que foram apuradas as seguintes infrações à legislação tributária: 1 – Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, nos anos-calendário 2001/2002, em que se verificou excesso de aplicações sobre origens não respaldado por rendimentos declarados ou comprovados, conforme demonstrativos constantes do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.174/1.179. Enquadramento legal: artigos 1° ao 3° e §§, e 8°, da Lei 7.713/88; artigos 1° e 2°, da Lei 8.134/90; artigo 7° e 8°, da Lei 8.981/95; artigo 3° e 11, da Lei 9.250/95; artigo 21 da Lei 9.532/97: Ano-Calendário 2001 Valor Fevereiro 188.443,10 Março 243.781,20 Abril 175.209,42 Dezembro 663.760,00 Ano-Calendário 2002 Julho 462.964,26 Dezembro 15.303.001,64 No Termo de Constatação de fls. 1.061/1.068, a autoridade fiscal relata que: 1 – na sua declaração de bens do ano-calendário de 2001, itens 11 a 18, o contribuinte informou deter a propriedade de ações de diversas companhias com aquisições e baixas no período. Como comprovação apresentou apenas mapas particulares onde teria registrado as transações, sem respaldá-las com comprovantes das corretoras e sem comprovação do movimento financeiro havido, as referidas transações refletiram-se em redução patrimonial de R$ 343.592,84 no período base de 2001, considerando-se incomprovada; 2 – para o ano base de 2002, apresentou apenas mapas de uso particular, sem qualquer respaldo em documento, na forma de extrato de corretora ou movimentação bancária, sendo o acréscimo patrimonial no valor de R$15.520.713,43, considerado incomprovado; 3 – na declaração de ajuste do ano calendário de 2001 o contribuinte informou a propriedade de R$ 659.124,09 de 575 Letras do Tesouro Nacional LTN, cuja comprovação foi solicitada e não foi apresentada; 4 – para o ano-calendário 2002, o contribuinte informou evolução no valor de R$379.065,43 no valor das LTNs informadas no período base anterior e não comprovadas nem naquele e nem neste período; 5 – efetuou empréstimo a GONG SUP LEE, CPF 022.822.38818 no valor de R$203.130,22, no ano-calendário 2001, conforme cópias de cheques em anexo, omitindo tal empréstimo na sua declaração desse ano, informando empréstimo efetuado para esse contribuinte, no valor de R$170.000,00, no ano calendário de 2002; 6 - declarou, para o ano calendário de 2001, possuir dívidas junto a SOON YONG KIM, CPF 047.391.30890 e SOON JOON KIM, CPF 106.390.96867, as quais foi intimado a comprovar, nada apresentando para comprovar o valor de R$ 588.632,90 declarado como dívida com o primeiro e apresentando, em relação ao segundo, contrato de empréstimo de 16.700.000 ações CESP PN, pelo prazo de 90 dias, o qual não especifica valor em reais e não atende as normas legais para empréstimo ou aluguel de ações da CBLC - Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia e do Banco de Títulos BTC, sendo, em decorrência, documento inábil para comprovar essa operação, considerando também incomprovado o empréstimo declarado como recebido desse contribuinte no valor de R$ 251.926,46; 7 – os empréstimos informados e não comprovados do ano calendário de 2001, junto a SOON YONG KIM e SOON JONG KIM, foram reduzidos, também sem qualquer comprovação, para R$ 266.594,42 e R$ 114.681,10 respectivamente, no ano-calendário de 2002; 8 – informou no ano calendário 2002, dívida ou ônus junto a CBLC Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia, cuja natureza seria de mercado a termo de ações, no valor de R$ 17.664.608,60, sem apresentar qualquer comprovação que justificasse essa dívida ou ônus; 9 - declarou, no ano-calendário 2002, o valor de R$ 1.204.366,66 como aluguel de ações de GWI Factoring Fomento Mercantil Ltda., CNPJ 04.169.423/000190, nada apresentando como comprovação; 10 – declarou como dívida, no ano-calendário 2002, para a mesma GWI Factoring, mútuo no valor de R$ 3.634.564,24, para o qual apresentou contrato firmado com essa empresa, da qual é proprietário, sem qualquer comprovação da movimentação financeira supostamente havida, restando também essa dívida sem comprovação; 11 - declarou, no ano-calendário 2002, aluguel de ações de GWI Empreendimentos e Participações Ltda., CNPJ 00.628.543/000158, no valor de R$ 3.873.216,31, sem apresentar qualquer comprovante, sendo que no balanço patrimonial da empresa não consta tal empréstimo ou aluguel de ações. O contribuinte toma ciência do auto de infração em 24/05/2006, e, inconformado com o lançamento, apresenta impugnação, em 23/06/2006 de fls. 1.192/1.217, em que alega, em síntese, que: 1 – os alegados fatos geradores teriam ocorrido nos meses de fevereiro, março abril e dezembro de 2001 e julho e dezembro de 2002. Assim, o AIIM relaciona eventuais obrigações tributárias ocorridas nos meses de fevereiro a abril de 2001, enquanto o Impugnante só foi intimado da Autuação em 24.05.2006, portanto, mais de 5 anos após o surgimento dos referidos fatos geradores; 2 – se o tributo submete-se ao lançamento por homologação é aplicável o § 4º do artigo 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador. O IRPF, de uma forma geral, está submetido à modalidade de lançamento por homologação; 3 – para realizar lançamento de ofício com fundamento na omissão de rendimentos a partir da acusação de acréscimo a descoberto, a fiscalização tem que provar a obtenção de rendimentos e a sua dissociação dos acréscimos declarados; 4 – uma vez tendo o contribuinte apresentado documentos que comprovam a situação patrimonial descrita em duas declarações, compete à fiscalização provar que a demonstração feita não seria adequada; 5 – como se pode ver dos documentos juntados durante o procedimento de fiscalização, não só os autos não contêm elementos de prova que fundamentariam o raciocínio da Fiscalização, como, ao contrário, fazem prova a favor do Impugnante; 6- o raciocínio exposto pela Fiscalização nos Termos de Constatação e de Fiscalização é no sentido de que não teriam sido apresentados documentos para comprovar a origem da disponibilidade de recursos recebidos ou de que as provas exibidas não poderiam ser aceitas como meios idôneos. No entanto, a todos os questionamentos feitos foram apresentados documentos, não tendo sido demonstrado que eles seriam incapazes ou inábeis para fundamentar o quanto havia sido informado nas DIRPF; 7 – limitou-se a apresentar ilações, como a alegação de que somente podem ser aceitos como contratos de empréstimos de ações aqueles que atendam às instruções da CBLC, como se o contribuinte, p. ex., não pudesse contratar o empréstimo de coisa fungível (ações cia. aberta) fora dessa câmara de liquidação com outros interessados, na forma de um contrato ordinário de mútuo disciplinado pelo Código Civil; 8 – não havendo demonstração da Fiscalização de que as explicações e documentos do Impugnante seriam impróprios ou inidôneos, o que compete à Fiscalização, devem ser aceitas as informações contidas nas DIRPFs do Impugnante, não podendo prosperar a conclusão de acréscimo patrimonial a descoberto e o conseqüente lançamento sob a acusação de omissão de rendimentos; 9 – a Fiscalização assinalou no Termo de Constatação recebido em 13.03.06 que, em escritura lavrada em 31.10.01, o Impugnante teria adquirido o imóvel situado na Rua Dr. Gabriel dos Santos, 444, 17° andar, pelo valor de R$ 1.184.011,00, mas que teria registrado em sua DIRPF o valor do imóvel pelo preço de R$ 984.011,00. A partir dessa constatação, assumiu que a diferença R$ 200.000,00 teria sido paga nesse ano, razão pela qual deveria se considerada como "dispêndios/aplicações" feita no mês de outubro de 2001; 10 – tal imposição não pode prevalecer. Isso porque os R$ 200.000,00 considerados pela Fiscalização como pagos em 2001 não foram liquidados nesse ano, mas no período seguinte; 11- o imóvel em questão foi adquirido de forma parcelada pelo impugnante, de tal maneira que ao término do ano de 2001 ele não havia liquidado integralmente o pagamento de R$ 1.184.011,00, que havia se comprometido, mas somente o montante R$ 984.011,00; 12 – a Fiscalização afirma que os empréstimos de ações informados pelo impugnante não poderiam ser aceitos como prova idônea das dívidas declaradas com seus titulares porque os contratos apresentados não especificariam o valor em reais da operação e tampouco obedeceriam as regras da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) e do Banco de Títulos (BTC); 13- a CBLC é uma sociedade anônima privada, com fins lucrativos, que oferece um serviço aos interessados e estabelece as regras que serão observadas nessa prestação de serviço. Percebe-se logo de início, portanto, o quão desarrazoado é considerar inexistente o mútuo de ações feito pelo Impugnante somente por ele ter optado por não contratar os serviços dessa empresa CBLC; 14 – o empréstimo de ações, tal como o realizado por intermédio da CBLC, é uma modalidade especial de operação financeira. Na realidade, o chamado empréstimo de ações é um serviço que pode ser prestado por qualquer entidade prestadora de serviços de liquidação, registro e custódia de ações, desde que a interessada obedeça às prescrições da Instrução CVM 249/96 e Resolução Bacen 3.278/05. As operações de empréstimo de ações no âmbito da CBLC, além obedecerem tais normas, seguem o disposto no Capítulo VI do Manual de Procedimentos Operacionais da CBLC; 15 – para que seja realizado o empréstimo de ações é necessário que o tomador ofereça uma garantia mínima de 100% do valor das ações a serem tomadas. Outro requisito importante diz respeito à responsabilidade perante os titulares das ações tomadas. De acordo com o art. 5 o da Instrução CVM 249/96, os agentes de liquidação, registro e custódia é que são responsáveis perante os titulares das ações emprestadas pela reposição das mesmas e dos eventuais direitos atribuídos às ações no período de empréstimo, não se estabelecendo qualquer vínculo entre os emprestadores e os tomadores; 16- dessas outras características, bem se vê que o empréstimo de ações no âmbito da CBLC, mais do que uma modalidade de mútuo previsto no Código Civil, é uma operação típica do mercado financeiro; 17 - essa, no entanto, não foi a operação praticada pelo Impugnante. Como se vê dos contratos apresentados, o que o impugnante e as partes envolvidas fizeram foram contratos de cessão de ações (bem fungível), por prazo certo e preço ajustado, meio deles, o titular de bem fungível o transferia ao Impugnante e esse, por sua vez, obrigava-se a restituir coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade ao término do acordo, acrescido de uma remuneração ( 1% do valor das ações mutuadas na data de vencimento); 18 – não há nas leis que disciplinam o mercado financeiro e de capitais qualquer restrição quanto ao empréstimo de ações. A Instrução da CVM antes referida apenas regulamenta uma possível operação de mercado financeiro, o que não significa que outros negócios jurídicos com ações como o mútuo não poderiam ser realizados; 19 – em relação ao mútuo de ações com Soon Joon Kim, a Fiscalização alegou que não poderia aceitar o contrato apresentado porque não especificava valor em reais. Tal argumento não pode ser tido como válido. Como se verificou, o objeto do mútuo foi um número certo de ações. A obrigação que tinha o Impugnante, é curial, era de devolver coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade; 20 – em relação ao mútuo de ações com Soon Young Kim, para essa operação, a Fiscalização afirmou que não teriam sido apresentadas provas da contratação. O impugnante discorda da afirmação, pois forneceu à Fiscalização toda a documentação que lhe foi solicitada. Não obstante, o Impugnante junta novamente o mencionado contrato; 21 – registrou em sua DIRPF de 2002 obrigações perante a CBLC no valor de R$ 17.664.608,60, fruto da compra de ações a termo. A fim de comprovar a existência da dívida contraída, o contribuinte apresentou à Fiscalização extratos de custódia datados de 31.12.02, fornecidos pela CBLC e pelas corretoras que intermediaram as negociações, os quais comprovam que: a) as ações naquela data já eram de propriedade do Impugnante e b) o pagamento pela aquisição, ou seja, a "liquidação" a termo, se realizaria no ano seguinte. Daí a explicação para que o Impugnante, em sua DIRPF do ano-base de 2002, discriminasse (i) na relação de bens e direitos uma série de ações de companhias que passou a ser titular e (ii) nas dívidas ou ônus reais a obrigação de pagar pela compra realizada; 22- operações a termo são negócios típicos do mercado financeiro e de capitais. Por meio delas, o contratante adquire determinado título ou valor mobiliário imediatamente, porém, obriga-se ao pagamento futuro pela compra feita, momento em que é pago como preço da transação o valor de cotação do papel compra na data de fechamento do negócio adicionado a uma taxa de juros fixada; 23 – importante registrar que nas operações a termo o comprador passa a ser proprietário dos títulos desde o momento da celebração do contrato, ficando diferido apenas o pagamento pela compra realizada. A disponibilidade sobre a coisa é imediata, somente a obrigação de pagamento é futura; 24 – em razão das próprias particularidades do mercado e da agilidade por ele exigida, não há a realização de um contrato escrito de uma específica compra e venda de valores mobiliários com liquidação a prazo, o qual seria assinado pelo comprador e vendedor. Esses, na realidade, nem se conhecem, pois, são os seus agentes que operam no mercado e depositam as garantias ofertadas por ambos na câmara de compensação, liquidação e custódia; 25 – a prova de que o adquirente das ações detinha obrigação a termo são os extratos mensais da câmara na qual se realiza o negócio, no caso, a CBLC, e os extratos enviados pelas corretoras ao adquirente. Ou seja, são, justamente, os documentos entregues pelo Impugnante durante o procedimento de fiscalização; 26 – de acordo com o demonstrativo de evolução patrimonial do Impugnante, preparado pela Fiscalização, foi apontado como "dispêndios/aplicações" o saldo bancário credor em conta corrente ao final do mês em determinados períodos (linha 8). Vale dizer, a Fiscalização, a partir dos extratos bancários do Impugnante, considerou que haveria rendimentos recebidos em conta corrente, os quais teriam deixado de ser tributados; 27 – a Fiscalização adotou tal procedimento sem ter tido o cuidado de examinar toda a documentação fornecida pelo Impugnante durante o procedimento fiscalizatório, a qual comprova a origem dos recursos depositados em suas contas e os motivos pelos quais havia saldo credor ao final de alguns meses, o que apenas demonstra a precariedade do trabalho fiscal; 28 – não se pode admitir imposição de lançamento de ofício com fundamento em suposição fiscal de acréscimo a descoberto, fundado na alegação de saldo credor em conta sem comprovação de origem, se o Impugnante apresenta os documentos que demonstram a origem desses recursos e a Fiscalização apenas afirma que os junta ao processo, não sabendo, porém, se comprovam ou não a origem identificada nas DIRPF; 29 – o Impugnante reporta-se aos documentos apresentados ao longo do curso do procedimento fiscalizatório, os quais demonstram as origens dos saldos bancários credores do Impugnante ao final de cada mês. Com isso, a imputação deles exclusivamente como "dispêndios/aplicações" no demonstrativo de fluxo patrimonial deve ser revista, passando também a constarem obrigatoriamente do saldo de "recursos/origens"; 30 – é importante registrar que as pessoas físicas não estão obrigadas a realizar uma contabilização detalhada de suas movimentações financeiras, tal qual nos moldes das pessoas jurídicas, motivo pelo qual a Fiscalização deve aceitar a documentação apresentada e as informações declaradas; 31 – de acordo com o Termo de Constatação Fiscal, não teria sido provada a existência da dívida decorrente de mútuo declarado pelo Impugnante com a GWI Factoring, no valor de R$ 3.634.564,24, pois teria sido apresentado somente contrato firmado entre a empresa e ele. Como a sociedade credora era controlada pelo Impugnante e não haviam sido apresentados extratos bancários identificando neles tais movimentações, a Fiscalização concluiu que os empréstimos seriam inexistentes; 32 – tal alegação não pode ser admitida como legítima para a desconsideração da obrigação declarada. Realmente, tais empréstimos foram feitos ao longo de todo o ano de 2002, sem uma periodicidade certa, o que dificulta a identificação nos extratos bancários; 33 – existem outros elementos que provam a efetividade dos empréstimos. São eles o livro razão da credora, GWI Factoring, já apresentado ao longo do procedimento de fiscalização, e o balancete levantado por tal sociedade em 31.12.02, no qual está identificado na conta 1.8.8.92.01.003 o saldo do crédito detido em face do Impugnante; 34 – uma vez tributadas as disponibilidades que se alega terem sido omitidas, mesmo que pelo lançamento de ofício, elas passam a compor as origens do contribuinte. Logo, não há motivo para que, no demonstrativo de evolução patrimonial, não sejam consideradas no mês seguinte ao de verificação da omissão como sobras do mês anterior; 35 – no caso concreto, a alegada omissão detectada em fevereiro de 2001, no valor de R$ 188.443,10, deveria ser transposta para o mês seguinte. A verificação de eventual variação a descoberto em março deveria, então, partir com uma disponibilidade de R$ 188.443,10 como "recursos/origens". Em 22/02/2008, o contribuinte apresenta o Aditivo de fls. 1.243/1.247 com o seguintes esclarecimentos: 1 – o Impugnante informou em sua DIRPF ter contraído obrigação perante a CBLC no valor de R$ 17.664.608,60, fruto da compra de ações a termo. A Fiscalização desqualificou a dívida declarada, sob o argumento de que não estaria demonstrada sua existência. Assim, considerou que os R$ 17.664.608,60 necessários para adquirir as ações seriam rendimentos omitidos pelo Impugnante, motivou pelo qual realizou o lançamento de ofício com a exigência de IRPF sobre tais R$ 17.664.608,60; 2- em impugnação, foram apresentados os extratos de custódia, datados de 31.12.02, fornecidos pela CBLC e pelas corretoras que intermediaram as negociações, os quais comprovam que: a) as ações naquela data já eram de propriedade do Impugnante e b) o pagamento pela aquisição realizar-se-ia no ano seguinte. Adicionalmente, destacou-se que a legislação e a própria Administração Fiscal reconhecem que, nas operações a termo, o adquirente passa a ser proprietário dos títulos no momento de aquisição do contrato e a obrigação de pagamento pela aquisição dos ativos é diferida para uma data futura, preestabelecida; 3 – em vista das características do mercado financeiro, não há contrato formal de aquisição de ações a termo, mas compra na forma dos procedimentos definidos pelo Manual da CBLC. A prova de que as aquisições foram feitas "a termo" e pendiam de pagamento eram demonstradas pelos extratos de custódia emitidos pela CBLC e pelas corretoras envolvidas; 4 – a partir das referidas informações descritas nas "notas de corretagem", tem-se cabalmente demonstrado que as ações foram adquiridas em 2002, porém, o pagamento pela compra venceu somente em 2003, constituindo-se obrigação do Impugnante na data de 31.12.02, tal como coerentemente registrado em sua DIRPF; 5 – o Impugnante apresenta as cartas enviadas ao longo do ano de 2002 por GWI Factoring Fomento Mercantil para a instituição financeira na qual detinha conta-corrente, solicitando a transferência do numerário de sua conta bancária para a conta do Impugnante. A cópia de cada correspondência ora apresentada contém comprovação de que foi recebida pela instituição financeira que subseqüentemente realizou a operação durante o respectivo período-base. Indicado para a pauta de julgamento da então Quinta Turma de Julgamento da DRJ SP2, o processo foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº 829, de 23/07/2008, para que a SLW Corretora de Valores e Câmbio Ltda, DC Corretora CTVM S.A fossem intimadas a apresentar as notas de corretagem do mês de dezembro de 2002 e a informar os contratos a termo abertos em 31 de dezembro de 2002. E Corretora Concórdia fosse intimadas a informar se participou dos contratos de mútuo de ações. Encaminhado os autos à Delegacia de Fiscalização de São Paulo, a autoridade fiscal responsável pelo lançamento junta a Informação Fiscal de fls. 1.359/1.363 com o seguinte parecer: 1 – a leitura da escritura pública do imóvel objeto desse lançamento, entre outros pagamentos, às folhas 77 a 81 do PAF, não deixa qualquer dúvida quanto aos fatos, diz textualmente que o valor todo foi recebido pela outorgante (fls. 79), dando total quitação em face dos pagamentos efetuados, na data de 31 de outubro de 2001, portanto a alegada dívida com o vendedor no valor de R$200.000,00, não tem fundamento algum; 2 – a análise das alegações da impugnação, item IV b folhas 1.103 a 1.107 do PAF, cumpre informar que, em pesquisa feita nas Declarações de Ajuste Anual dos supostos cedentes de empréstimos de ações dos períodos considerados a fiscalização, verificou que não constam da declaração do ano base 2001 do Sr. SOON YONG KIM ações de nenhuma empresa, carecendo o contrato apresentado e anexado, às folhas 1123 e 1124 do PAF, de objeto legalmente comprovável, sendo certo que não se pode emprestar algo que não se possui, pelo menos não legalmente; 3 – o Sr. SOON JOON KIM, CPF n° 106.390.968967, apresentou originalmente Declaração de Ajuste Anual para o ano-calendário de 2001, na qual não constam, da declaração de bens e direitos, ações de nenhuma companhia; contudo esse contribuinte apresentou declaração retificadora, na data de 17/11/2006, na qual alterou o valor dos seus bens e direitos em 2001 de R$715.611,12 para R$2.291.781,23, relacionando nessa declaração retificadora quase a totalidade dessa diferença como sendo da propriedade de ações; 4 – essas constatações mostram a fragilidade da suposta contratação de empréstimo de ações do autuado, além de carecer de formalidades legais; 5 – existem discrepâncias entre as notas de corretagem e a planilha de contratos a termo; 6 – para o item IVe, folhas 1114 a 1118 do PAF, referente ao mútuo entre o autuado e a empresa GWI Fomento Mercantil Ltda., novamente o contribuinte pretende eximir-se da infração sem apresentar a comprovação das movimentações financeiras correspondentes ao tal mútuo. O contribuinte foi cientificado na Informação Fiscal e apresentou suas considerações de fls. 1.365/1.372 ratificando suas alegações na impugnação e acrescentando que: 1 – na Informação Fiscal são apresentadas novas alegações para tentar justificar o lançamento. Afirma-se que foram realizadas pesquisas nas DIRPFs dos cedentes dos mútuos de ações e teria sido verificado que, na declaração do Sr. Soon Yong Kim não constaria entre seus bens ações de empresas, as quais poderiam ter sido cedidas em mútuo ao Impugnante. Assim, segundo a Informação Fiscal, como não seria possível emprestar algo que não se possui, não deveria ser considerado tal mútuo; 2 – é de se ressaltar o procedimento estranho da DRF. Frente à divergência entre duas DIRPFs de dois contribuintes distintos, decide-se, sem qualquer investigação, desconsiderar uma delas, escolhendo-se arbitrariamente aquela que gera a exigência fiscal. Com efeito, qual a razão para considerar que a DIRPF do Sr. Mu Hak You não mereceria fé, enquanto a do Sr. Soon Yong Kim é aceita como correta sem qualquer verificação? 3 – A situação é ainda mais grave pois, no caso, a amparar a DIRPF do Sr. Um Hak You, existe o contrato assinado entre ele e o Sr. Soon Yong Kim, com firma reconhecida em cartório na época do negócio. Ou seja, se fosse para desconsiderar uma das DIRPFs sem maiores verificações, já que contraditórias, deveria ser desconsiderada aquela que está em descompasso com o referido contrato, aceitando-se a DIRPF do Sr. Mu Hak You, que está de acordo com o contrato. A 16ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOI julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DECADÊNCIA. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso de omissão de rendimentos sujeitos ao O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados, relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, e tendo havido antecipação do pagamento do imposto, da data de ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os montantes correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO MÚTUO COMPROVAÇÃO. A contratação de empréstimo entre particulares desacompanhada de documentos comprobatórios da transferência do correspondente numerário não constitui origem para eventuais aplicações, uma vez que o contrato unilateral que se perfaz com a tradição de seu objeto. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO ORIGENS EMPRÉSTIMOS DE AÇÕES ENTRE PARTICULARES NECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA TRANSFERÊNCIA DAS AÇÕES. No empréstimo de ações, seja qual for a modalidade, com ou sem a intervenção dos agentes de compensação, o tomador recebe ações fungíveis de uma companhia aberta e se obriga a liquidar o empréstimo no vencimento convencionado, mediante devolução, ao titular original, de ações da mesma espécie, qualidade e quantidade daquelas que foram emprestadas. Para fins de justificação de origem de acréscimo patrimonial, é necessária a comprovação da transferência das ações do cedente para o tomador, na data do empréstimo, e a comprovação da devolução dessas ações, do tomador para o cedente, na data do vencimento do contrato. PROVA DE ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS ESCRITURA PÚBLICA. A Escritura Pública de Compra e Venda é o instrumento formal previsto para a transmissão da propriedade de bem imóvel e faz prova do valor e da forma de pagamento nela transcritos. Somente deixa de prevalecer para os efeitos fiscais a data, forma e valor da alienação constante da escritura, quando restar comprovado de maneira inequívoca que o teor contratual não foi cumprido, circunstância em que a fé pública do citado ato cede à prova de que a alienação deu-se da forma diversa. AÇÕES ADQUIRIDAS NO MERCADO A TERMO DÍVIDAS DECLARADAS DECORRENTES DA OBRIGAÇÃO DE PAGAR O PREÇO FIXADO NA LIQUIDAÇÃO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ORIGENS. Operação a termo é a compra ou a venda, em mercado, de uma determinada quantidade de ações, a um preço fixado, para liquidação em prazo determinado, a contar da data de sua realização em pregão, resultando um contrato entre as partes. A liquidação da operação ocorre no vencimento do contrato e implica a entrega dos títulos pelo vendedor e o pagamento do preço estipulado no contrato pelo comprador. No ano da aquisição, o contribuinte tem que informar as ações negociadas na declaração de bens e as obrigações decorrentes no campo “Dívidas e Ônus Reais. O resultado da evolução patrimonial, no caso de o contribuinte possuir contratos em aberto, não será alterado com a inclusão das dívidas decorrentes dessa obrigação como origens, pois conseqüentemente o valor das ações objeto do contrato terão que constar como dispêndios na mesma planilha. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 14/09/2012 (fl. 1703-pdf), Mu Hak You apresenta Recurso Voluntário em 15/10/2012 (fl. 1707-pdf), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1897; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T1  Fl. 2          1 1  S2­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.000557/2006­72  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2201­000.180  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  19 de março de 2014  Assunto  IRPF  Recorrente  MU HAK YOU  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento  em diligência,  nos  termos  do  voto  do Relator,  vencido  o Conselheiro Guilherme  Barranco  de  Souza  (Suplente  convocado).  Fez  sustentação  oral  o  Dr.  Douglas  Guidini  Odorizzi,  OAB/SP  207.535.  O  Conselheiro  Jimir  Doniak  Junior  (Suplente  convocado)  declarou­se impedido.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah – Relator    Assinado Digitalmente  Maria Helena Cotta Cardozo ­ Presidente     Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Maria  Helena  Cotta  Cardozo  (Presidente),  Guilherme  Barranco  de  Souza  (Suplente  convocado),  Jimir  Doniak  Junior (Suplente convocado), Nathalia Mesquita Ceia, Walter Reinaldo Falcao Lima (Suplente  convocado),  Eduardo  Tadeu  Farah.  Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro  Gustavo  Lian  Haddad.    Relatório  Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda  Pessoa  Física,  anos­calendário  2001  e  2002,  consubstanciado  no  Auto  de  Infração,  fls.  1183/1185,  pelo  qual  se  exige  o  pagamento  do  crédito  tributário  total  no  valor  de  R$ 10.679.650,09, calculado até 28/04/2006.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 55 7/ 20 06 -7 2 Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000557/2006­72  Resolução nº  2201­000.180  S2­C2T1  Fl. 3          2 Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide  até aquela decisão:  A presente ação fiscal contra o contribuinte foi  iniciada, em 22/12/2004, com a  ciência  do  Termo  de  Início  de  Fiscalização  de  fls.  29/30,  em  que  o  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar,  em  relação  ao  ano­calendário  2001  e  2002,  documentação  comprobatória referente às informações prestadas nas Declarações de Bens e Direitos.  De  posse  dos  documentos  colhidos  no  decorrer  da  ação  fiscal,  o  auditor  elabora  os  demonstrativos de fls. 1.113/1.116 e, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal  de  fls.  1.174/1.179,  encerra  a  ação  fiscal  com a  lavratura  do  citado  auto  de  infração,  tendo em vista que foram apuradas as seguintes infrações à legislação tributária:  1 – Acréscimo Patrimonial a Descoberto. Omissão de rendimentos tendo em vista  a  variação  patrimonial  a  descoberto,  nos  anos­calendário  2001/2002,  em  que  se  verificou  excesso  de  aplicações  sobre  origens  não  respaldado  por  rendimentos  declarados  ou  comprovados,  conforme  demonstrativos  constantes  do  Termo  de  Verificação Fiscal de fls. 1.174/1.179. Enquadramento legal: artigos 1° ao 3° e §§, e 8°,  da Lei 7.713/88; artigos 1° e 2°, da Lei 8.134/90; artigo 7° e 8°, da Lei 8.981/95; artigo  3° e 11, da Lei 9.250/95; artigo 21 da Lei 9.532/97:      Ano­Calendário 2001    Valor                  Fevereiro    188.443,10          Março     243.781,20          Abril     175.209,42        Dezembro     663.760,00      Ano­Calendário 2002          Julho    462.964,26       Dezembro   15.303.001,64  No Termo de Constatação de fls. 1.061/1.068, a autoridade fiscal relata que:  1  –  na  sua  declaração  de  bens  do  ano­calendário  de  2001,  itens  11  a  18,  o  contribuinte  informou  deter  a  propriedade  de  ações  de  diversas  companhias  com  aquisições  e  baixas  no  período.  Como  comprovação  apresentou  apenas  mapas  particulares onde teria registrado as transações, sem respaldá­las com comprovantes das  corretoras e sem comprovação do movimento financeiro havido, as referidas transações  refletiram­se  em  redução  patrimonial  de  R$  343.592,84  no  período  base  de  2001,  considerando­se incomprovada;  2  –  para  o  ano  base  de  2002,  apresentou  apenas mapas  de  uso  particular,  sem  qualquer  respaldo em documento, na  forma de extrato de corretora ou movimentação  bancária,  sendo  o  acréscimo  patrimonial  no  valor  de  R$15.520.713,43,  considerado  incomprovado;  3 – na declaração de ajuste do ano calendário de 2001 o contribuinte informou a  propriedade  de  R$  659.124,09  de  575  Letras  do  Tesouro  Nacional  LTN,  cuja  comprovação foi solicitada e não foi apresentada;  4  –  para  o  ano­calendário  2002,  o  contribuinte  informou  evolução  no  valor  de  R$379.065,43  no  valor  das  LTNs  informadas  no  período  base  anterior  e  não  comprovadas nem naquele e nem neste período;  5  –  efetuou  empréstimo  a  GONG  SUP  LEE,  CPF  022.822.38818  no  valor  de  R$203.130,22,  no  ano­calendário  2001,  conforme  cópias  de  cheques  em  anexo,  omitindo tal empréstimo na sua declaração desse ano, informando empréstimo efetuado  para esse contribuinte, no valor de R$170.000,00, no ano calendário de 2002;  Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000557/2006­72  Resolução nº  2201­000.180  S2­C2T1  Fl. 4          3 6  ­  declarou,  para  o  ano  calendário  de  2001,  possuir  dívidas  junto  a  SOON  YONG KIM, CPF 047.391.30890 e SOON JOON KIM, CPF 106.390.96867, as quais  foi intimado a comprovar, nada apresentando para comprovar o valor de R$ 588.632,90  declarado como dívida com o primeiro e apresentando, em relação ao segundo, contrato  de  empréstimo  de  16.700.000  ações  CESP  PN,  pelo  prazo  de  90  dias,  o  qual  não  especifica valor em reais e não atende as normas legais para empréstimo ou aluguel de  ações  da  CBLC  ­  Companhia  Brasileira  de  Liquidação  e  Custódia  e  do  Banco  de  Títulos BTC, sendo, em decorrência, documento inábil para comprovar essa operação,  considerando  também  incomprovado  o  empréstimo  declarado  como  recebido  desse  contribuinte no valor de R$ 251.926,46;  7 – os empréstimos informados e não comprovados do ano calendário de 2001,  junto  a  SOON  YONG  KIM  e  SOON  JONG  KIM,  foram  reduzidos,  também  sem  qualquer comprovação, para R$ 266.594,42 e R$ 114.681,10 respectivamente, no ano­ calendário de 2002;  8 – informou no ano calendário 2002, dívida ou ônus junto a CBLC Companhia  Brasileira de Liquidação e Custódia, cuja natureza seria de mercado a termo de ações,  no valor de R$ 17.664.608,60,  sem apresentar qualquer comprovação que  justificasse  essa dívida ou ônus;  9 ­ declarou, no ano­calendário 2002, o valor de R$ 1.204.366,66 como aluguel  de ações de GWI Factoring Fomento Mercantil Ltda., CNPJ 04.169.423/000190, nada  apresentando como comprovação;  10  –  declarou  como  dívida,  no  ano­calendário  2002,  para  a  mesma  GWI  Factoring, mútuo no valor de R$ 3.634.564,24, para o qual apresentou contrato firmado  com essa empresa, da qual é proprietário, sem qualquer comprovação da movimentação  financeira supostamente havida, restando também essa dívida sem comprovação;  11  ­  declarou,  no  ano­calendário  2002,  aluguel  de  ações  de  GWI  Empreendimentos  e  Participações  Ltda.,  CNPJ  00.628.543/000158,  no  valor  de  R$  3.873.216,31, sem apresentar qualquer comprovante, sendo que no balanço patrimonial  da empresa não consta tal empréstimo ou aluguel de ações.  O contribuinte toma ciência do auto de infração em 24/05/2006, e, inconformado  com o lançamento, apresenta impugnação, em 23/06/2006 de fls. 1.192/1.217, em que  alega, em síntese, que:  1 – os  alegados  fatos geradores  teriam ocorrido nos meses de  fevereiro, março  abril  e  dezembro  de  2001  e  julho  e  dezembro  de  2002.  Assim,  o  AIIM  relaciona  eventuais  obrigações  tributárias  ocorridas  nos  meses  de  fevereiro  a  abril  de  2001,  enquanto o Impugnante só foi intimado da Autuação em 24.05.2006, portanto, mais de  5 anos após o surgimento dos referidos fatos geradores;  2 – se o tributo submete­se ao lançamento por homologação é aplicável o § 4º do  artigo  150  do  CTN,  hipótese  em  que  o  prazo  decadencial  é  de  5  anos  contados  da  ocorrência do fato gerador. O IRPF, de uma forma geral, está submetido à modalidade  de lançamento por homologação;  3  –  para  realizar  lançamento  de  ofício  com  fundamento  na  omissão  de  rendimentos  a  partir  da  acusação  de  acréscimo  a  descoberto,  a  fiscalização  tem  que  provar a obtenção de rendimentos e a sua dissociação dos acréscimos declarados;  Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000557/2006­72  Resolução nº  2201­000.180  S2­C2T1  Fl. 5          4 4  –  uma  vez  tendo  o  contribuinte  apresentado  documentos  que  comprovam  a  situação patrimonial descrita em duas declarações, compete à fiscalização provar que a  demonstração feita não seria adequada;  5  –  como  se  pode  ver  dos  documentos  juntados  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  não  só  os  autos  não  contêm  elementos  de  prova  que  fundamentariam  o  raciocínio da Fiscalização, como, ao contrário, fazem prova a favor do Impugnante;  6­  o  raciocínio  exposto  pela  Fiscalização  nos  Termos  de  Constatação  e  de  Fiscalização  é  no  sentido  de  que  não  teriam  sido  apresentados  documentos  para  comprovar  a  origem  da  disponibilidade  de  recursos  recebidos  ou  de  que  as  provas  exibidas  não  poderiam  ser  aceitas  como  meios  idôneos.  No  entanto,  a  todos  os  questionamentos  feitos  foram  apresentados  documentos,  não  tendo  sido  demonstrado  que eles seriam incapazes ou inábeis para fundamentar o quanto havia sido informado  nas DIRPF;  7 – limitou­se a apresentar  ilações, como a alegação de que somente podem ser  aceitos como contratos de empréstimos de ações aqueles que atendam às instruções da  CBLC,  como  se  o  contribuinte,  p.  ex.,  não  pudesse  contratar  o  empréstimo  de  coisa  fungível (ações cia. aberta) fora dessa câmara de liquidação com outros interessados, na  forma de um contrato ordinário de mútuo disciplinado pelo Código Civil;  8  –  não  havendo  demonstração  da  Fiscalização  de  que  as  explicações  e  documentos  do  Impugnante  seriam  impróprios  ou  inidôneos,  o  que  compete  à  Fiscalização,  devem  ser  aceitas  as  informações  contidas  nas DIRPFs  do  Impugnante,  não  podendo  prosperar  a  conclusão  de  acréscimo  patrimonial  a  descoberto  e  o  conseqüente lançamento sob a acusação de omissão de rendimentos;  9 – a Fiscalização assinalou no Termo de Constatação recebido em 13.03.06 que,  em  escritura  lavrada  em  31.10.01,  o  Impugnante  teria  adquirido  o  imóvel  situado  na  Rua Dr. Gabriel dos Santos, 444, 17° andar, pelo valor de R$ 1.184.011,00, mas que  teria registrado em sua DIRPF o valor do imóvel pelo preço de R$ 984.011,00. A partir  dessa  constatação,  assumiu que  a diferença R$ 200.000,00  teria  sido paga nesse  ano,  razão pela qual deveria  se  considerada  como "dispêndios/aplicações"  feita no mês de  outubro de 2001;  10  –  tal  imposição  não  pode  prevalecer.  Isso  porque  os  R$  200.000,00  considerados pela Fiscalização como pagos em 2001 não foram liquidados nesse ano,  mas no período seguinte;  11­ o imóvel em questão foi adquirido de forma parcelada pelo impugnante, de  tal  maneira  que  ao  término  do  ano  de  2001  ele  não  havia  liquidado  integralmente  o  pagamento de R$ 1.184.011,00, que havia se comprometido, mas somente o montante  R$ 984.011,00;  12  –  a  Fiscalização  afirma  que  os  empréstimos  de  ações  informados  pelo  impugnante não poderiam  ser  aceitos como prova  idônea das dívidas declaradas  com  seus titulares porque os contratos apresentados não especificariam o valor em reais da  operação e tampouco obedeceriam as regras da Companhia Brasileira de Liquidação e  Custódia (CBLC) e do Banco de Títulos (BTC);  13­ a CBLC é uma sociedade anônima privada, com fins lucrativos, que oferece  um serviço aos interessados e estabelece as regras que serão observadas nessa prestação  de  serviço.  Percebe­se  logo  de  início,  portanto,  o  quão  desarrazoado  é  considerar  inexistente o mútuo de ações feito pelo Impugnante somente por ele ter optado por não  contratar os serviços dessa empresa CBLC;  Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000557/2006­72  Resolução nº  2201­000.180  S2­C2T1  Fl. 6          5 14 –  o  empréstimo de  ações,  tal  como o  realizado  por  intermédio  da CBLC,  é  uma modalidade especial de operação financeira. Na realidade, o chamado empréstimo  de  ações  é  um  serviço  que  pode  ser  prestado  por  qualquer  entidade  prestadora  de  serviços de liquidação, registro e custódia de ações, desde que a interessada obedeça às  prescrições  da  Instrução CVM 249/96 e Resolução Bacen 3.278/05. As  operações  de  empréstimo  de  ações  no  âmbito  da  CBLC,  além  obedecerem  tais  normas,  seguem  o  disposto no Capítulo VI do Manual de Procedimentos Operacionais da CBLC;  15 – para que seja realizado o empréstimo de ações é necessário que o tomador  ofereça  uma  garantia  mínima  de  100%  do  valor  das  ações  a  serem  tomadas.  Outro  requisito  importante  diz  respeito  à  responsabilidade  perante  os  titulares  das  ações  tomadas. De acordo com o art. 5 o da Instrução CVM 249/96, os agentes de liquidação,  registro  e  custódia  é  que  são  responsáveis  perante  os  titulares  das  ações  emprestadas  pela reposição das mesmas e dos eventuais direitos atribuídos às ações no período de  empréstimo,  não  se  estabelecendo  qualquer  vínculo  entre  os  emprestadores  e  os  tomadores;  16­ dessas outras características, bem se vê que o empréstimo de ações no âmbito  da CBLC,  mais  do  que  uma modalidade  de mútuo  previsto  no Código Civil,  é  uma  operação típica do mercado financeiro;  17 ­ essa, no entanto, não foi a operação praticada pelo Impugnante. Como se vê  dos contratos apresentados, o que o impugnante e as partes envolvidas fizeram foram  contratos  de  cessão  de  ações  (bem  fungível),  por  prazo  certo  e  preço  ajustado, meio  deles,  o  titular  de  bem  fungível  o  transferia  ao  Impugnante  e  esse,  por  sua  vez,  obrigava­se  a  restituir coisa do mesmo gênero,  qualidade e quantidade  ao  término do  acordo, acrescido de uma  remuneração  ( 1% do valor das ações mutuadas na data de  vencimento);  18 – não há nas leis que disciplinam o mercado financeiro e de capitais qualquer  restrição  quanto  ao  empréstimo de ações. A  Instrução  da CVM antes  referida  apenas  regulamenta  uma  possível  operação  de  mercado  financeiro,  o  que  não  significa  que  outros negócios jurídicos com ações como o mútuo não poderiam ser realizados;  19 – em relação ao mútuo de ações com Soon Joon Kim, a Fiscalização alegou  que não poderia aceitar o contrato apresentado porque não especificava valor em reais.  Tal argumento não pode ser tido como válido. Como se verificou, o objeto do mútuo foi  um  número  certo  de  ações.  A  obrigação  que  tinha  o  Impugnante,  é  curial,  era  de  devolver coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade;  20 – em relação ao mútuo de ações com Soon Young Kim, para essa operação, a  Fiscalização  afirmou  que  não  teriam  sido  apresentadas  provas  da  contratação.  O  impugnante discorda da afirmação, pois  forneceu à Fiscalização toda a documentação  que  lhe  foi  solicitada.  Não  obstante,  o  Impugnante  junta  novamente  o  mencionado  contrato;  21 – registrou em sua DIRPF de 2002 obrigações perante a CBLC no valor de R$  17.664.608,60, fruto da compra de ações a termo. A fim de comprovar a existência da  dívida contraída, o contribuinte apresentou à Fiscalização extratos de custódia datados  de  31.12.02,  fornecidos  pela  CBLC  e  pelas  corretoras  que  intermediaram  as  negociações, os quais comprovam que: a) as ações naquela data já eram de propriedade  do  Impugnante  e  b)  o  pagamento  pela  aquisição,  ou  seja,  a  "liquidação"  a  termo,  se  realizaria no ano seguinte. Daí a explicação para que o Impugnante, em sua DIRPF do  ano­base de 2002, discriminasse (i) na relação de bens e direitos uma série de ações de  companhias que passou a ser titular e (ii) nas dívidas ou ônus reais a obrigação de pagar  pela compra realizada;  Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000557/2006­72  Resolução nº  2201­000.180  S2­C2T1  Fl. 7          6 22­ operações a termo são negócios típicos do mercado financeiro e de capitais.  Por  meio  delas,  o  contratante  adquire  determinado  título  ou  valor  mobiliário  imediatamente, porém, obriga­se ao pagamento futuro pela compra feita, momento em  que  é  pago  como preço  da  transação  o  valor  de  cotação  do  papel  compra  na  data  de  fechamento do negócio adicionado a uma taxa de juros fixada;  23  –  importante  registrar  que  nas  operações  a  termo  o  comprador  passa  a  ser  proprietário  dos  títulos  desde  o momento  da  celebração  do  contrato,  ficando diferido  apenas o pagamento pela compra realizada. A disponibilidade sobre a coisa é imediata,  somente a obrigação de pagamento é futura;  24 –  em  razão das próprias particularidades do mercado e da agilidade por  ele  exigida, não há a realização de um contrato escrito de uma específica compra e venda  de valores mobiliários com liquidação a prazo, o qual seria assinado pelo comprador e  vendedor. Esses, na realidade, nem se conhecem, pois, são os seus agentes que operam  no mercado e depositam as garantias ofertadas por ambos na câmara de compensação,  liquidação e custódia;  25  –  a  prova  de  que  o  adquirente  das  ações  detinha  obrigação  a  termo  são  os  extratos mensais da câmara na qual se realiza o negócio, no caso, a CBLC, e os extratos  enviados  pelas  corretoras  ao  adquirente.  Ou  seja,  são,  justamente,  os  documentos  entregues pelo Impugnante durante o procedimento de fiscalização;   26  –  de  acordo  com  o  demonstrativo  de  evolução  patrimonial  do  Impugnante,  preparado  pela  Fiscalização,  foi  apontado  como  "dispêndios/aplicações"  o  saldo  bancário credor em conta corrente ao final do mês em determinados períodos (linha 8).  Vale dizer,  a Fiscalização,  a partir  dos  extratos bancários do  Impugnante,  considerou  que haveria  rendimentos  recebidos  em conta  corrente,  os quais  teriam deixado de  ser  tributados;  27 – a Fiscalização adotou tal procedimento sem ter tido o cuidado de examinar  toda a documentação fornecida pelo Impugnante durante o procedimento fiscalizatório,  a qual comprova a origem dos recursos depositados em suas contas e os motivos pelos  quais  havia  saldo  credor  ao  final  de  alguns  meses,  o  que  apenas  demonstra  a  precariedade do trabalho fiscal;   28 – não se pode admitir imposição de lançamento de ofício com fundamento em  suposição  fiscal  de  acréscimo  a  descoberto,  fundado na  alegação  de  saldo  credor  em  conta  sem  comprovação  de  origem,  se  o  Impugnante  apresenta  os  documentos  que  demonstram a origem desses  recursos  e  a Fiscalização apenas  afirma que os  junta ao  processo, não sabendo, porém, se comprovam ou não a origem identificada nas DIRPF;  29 – o Impugnante reporta­se aos documentos apresentados ao longo do curso do  procedimento  fiscalizatório,  os  quais  demonstram  as  origens  dos  saldos  bancários  credores  do  Impugnante  ao  final  de  cada  mês.  Com  isso,  a  imputação  deles  exclusivamente  como  "dispêndios/aplicações"  no  demonstrativo  de  fluxo  patrimonial  deve  ser  revista,  passando  também  a  constarem  obrigatoriamente  do  saldo  de  "recursos/origens";  30 – é  importante registrar que as pessoas físicas não estão obrigadas a realizar  uma contabilização detalhada de suas movimentações financeiras,  tal qual nos moldes  das  pessoas  jurídicas,  motivo  pelo  qual  a  Fiscalização  deve  aceitar  a  documentação  apresentada e as informações declaradas;  31  –  de  acordo  com  o  Termo  de Constatação  Fiscal,  não  teria  sido  provada  a  existência  da  dívida  decorrente  de  mútuo  declarado  pelo  Impugnante  com  a  GWI  Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000557/2006­72  Resolução nº  2201­000.180  S2­C2T1  Fl. 8          7 Factoring, no valor de R$ 3.634.564,24, pois  teria  sido  apresentado  somente contrato  firmado  entre  a  empresa  e  ele.  Como  a  sociedade  credora  era  controlada  pelo  Impugnante e não haviam sido apresentados extratos bancários identificando neles tais  movimentações, a Fiscalização concluiu que os empréstimos seriam inexistentes;  32 – tal alegação não pode ser admitida como legítima para a desconsideração da  obrigação declarada. Realmente, tais empréstimos foram feitos ao longo de todo o ano  de  2002,  sem  uma  periodicidade  certa,  o  que  dificulta  a  identificação  nos  extratos  bancários;  33 – existem outros elementos que provam a efetividade dos empréstimos. São  eles o livro razão da credora, GWI Factoring, já apresentado ao longo do procedimento  de  fiscalização,  e  o  balancete  levantado  por  tal  sociedade  em  31.12.02,  no  qual  está  identificado na conta 1.8.8.92.01.003 o saldo do crédito detido em face do Impugnante;  34  –  uma  vez  tributadas  as  disponibilidades  que  se  alega  terem  sido  omitidas,  mesmo que pelo lançamento de ofício, elas passam a compor as origens do contribuinte.  Logo, não há motivo para que, no demonstrativo de evolução patrimonial, não sejam  consideradas  no  mês  seguinte  ao  de  verificação  da  omissão  como  sobras  do  mês  anterior;  35  –  no  caso  concreto,  a  alegada  omissão  detectada  em  fevereiro  de  2001,  no  valor de R$ 188.443,10, deveria  ser  transposta para o mês seguinte. A verificação de  eventual  variação  a  descoberto  em  março  deveria,  então,  partir  com  uma  disponibilidade de R$ 188.443,10 como "recursos/origens".   Em  22/02/2008,  o  contribuinte  apresenta  o  Aditivo  de  fls.  1.243/1.247  com  o  seguintes esclarecimentos:  1  –  o  Impugnante  informou  em  sua  DIRPF  ter  contraído  obrigação  perante  a  CBLC no valor de R$ 17.664.608,60, fruto da compra de ações a termo. A Fiscalização  desqualificou a dívida declarada, sob o argumento de que não estaria demonstrada sua  existência.  Assim,  considerou  que  os  R$  17.664.608,60  necessários  para  adquirir  as  ações  seriam  rendimentos  omitidos  pelo  Impugnante,  motivou  pelo  qual  realizou  o  lançamento de ofício com a exigência de IRPF sobre tais R$ 17.664.608,60;  2­  em  impugnação,  foram  apresentados  os  extratos  de  custódia,  datados  de  31.12.02, fornecidos pela CBLC e pelas corretoras que intermediaram as negociações,  os  quais  comprovam  que:  a)  as  ações  naquela  data  já  eram  de  propriedade  do  Impugnante  e  b)  o  pagamento  pela  aquisição  realizar­se­ia  no  ano  seguinte.  Adicionalmente,  destacou­se  que  a  legislação  e  a  própria  Administração  Fiscal  reconhecem que, nas operações a termo, o adquirente passa a ser proprietário dos títulos  no momento de aquisição do contrato e a obrigação de pagamento pela aquisição dos  ativos é diferida para uma data futura, preestabelecida;  3 – em vista das características do mercado financeiro, não há contrato formal de  aquisição  de  ações  a  termo, mas  compra  na  forma  dos  procedimentos  definidos  pelo  Manual da CBLC. A prova de que as aquisições foram feitas "a termo" e pendiam de  pagamento eram demonstradas pelos extratos de custódia emitidos pela CBLC e pelas  corretoras envolvidas;  4 – a partir das referidas informações descritas nas "notas de corretagem", tem­se  cabalmente demonstrado que as ações foram adquiridas em 2002, porém, o pagamento  pela  compra  venceu  somente  em  2003,  constituindo­se  obrigação  do  Impugnante  na  data de 31.12.02, tal como coerentemente registrado em sua DIRPF;  Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000557/2006­72  Resolução nº  2201­000.180  S2­C2T1  Fl. 9          8 5 – o Impugnante apresenta as cartas enviadas ao longo do ano de 2002 por GWI  Factoring  Fomento  Mercantil  para  a  instituição  financeira  na  qual  detinha  conta­ corrente, solicitando a transferência do numerário de sua conta bancária para a conta do  Impugnante. A cópia de cada correspondência ora apresentada contém comprovação de  que foi  recebida pela instituição financeira que subseqüentemente realizou a operação  durante o respectivo período­base.  Indicado para a pauta de  julgamento da  então Quinta Turma de  Julgamento da  DRJ SP2, o processo foi convertido em diligência, por meio da Resolução nº 829, de  23/07/2008,  para  que  a  SLW  Corretora  de  Valores  e  Câmbio  Ltda,  DC  Corretora  CTVM S.A fossem intimadas a apresentar as notas de corretagem do mês de dezembro  de  2002  e  a  informar  os  contratos  a  termo  abertos  em  31  de  dezembro  de  2002.  E  Corretora Concórdia fosse intimadas a informar se participou dos contratos de mútuo de  ações.  Encaminhado os  autos  à Delegacia  de  Fiscalização  de  São  Paulo,  a  autoridade  fiscal responsável pelo lançamento junta a Informação Fiscal de fls. 1.359/1.363 com o  seguinte parecer:  1 – a leitura da escritura pública do imóvel objeto desse lançamento, entre outros  pagamentos, às folhas 77 a 81 do PAF, não deixa qualquer dúvida quanto aos fatos, diz  textualmente  que  o  valor  todo  foi  recebido  pela  outorgante  (fls.  79),  dando  total  quitação em face dos pagamentos efetuados, na data de 31 de outubro de 2001, portanto  a  alegada  dívida  com  o  vendedor  no  valor  de  R$200.000,00,  não  tem  fundamento  algum;  2 – a  análise das  alegações da  impugnação,  item  IV b  folhas 1.103 a 1.107 do  PAF,  cumpre  informar  que,  em  pesquisa  feita  nas Declarações  de  Ajuste  Anual  dos  supostos  cedentes de empréstimos de  ações dos períodos  considerados  a  fiscalização,  verificou que não constam da declaração do ano base 2001 do Sr. SOON YONG KIM  ações  de  nenhuma  empresa,  carecendo  o  contrato  apresentado  e  anexado,  às  folhas  1123 e 1124 do PAF, de objeto legalmente comprovável, sendo certo que não se pode  emprestar algo que não se possui, pelo menos não legalmente;  3 – o Sr. SOON JOON KIM, CPF n° 106.390.968967, apresentou originalmente  Declaração de Ajuste Anual para o ano­calendário de 2001, na qual  não constam, da  declaração de bens e direitos, ações de nenhuma companhia; contudo esse contribuinte  apresentou declaração retificadora, na data de 17/11/2006, na qual alterou o valor dos  seus bens e direitos em 2001 de R$715.611,12 para R$2.291.781,23, relacionando nessa  declaração retificadora quase a  totalidade dessa diferença como sendo da propriedade  de ações;  4  –  essas  constatações  mostram  a  fragilidade  da  suposta  contratação  de  empréstimo de ações do autuado, além de carecer de formalidades legais;  5 – existem discrepâncias entre as notas de corretagem e a planilha de contratos a  termo;  6  –  para  o  item  IVe,  folhas  1114  a  1118  do  PAF,  referente  ao mútuo  entre  o  autuado e a empresa GWI Fomento Mercantil Ltda., novamente o contribuinte pretende  eximir­se  da  infração  sem  apresentar  a  comprovação  das movimentações  financeiras  correspondentes ao tal mútuo.  O  contribuinte  foi  cientificado  na  Informação  Fiscal  e  apresentou  suas  considerações  de  fls.  1.365/1.372  ratificando  suas  alegações  na  impugnação  e  acrescentando que:  Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000557/2006­72  Resolução nº  2201­000.180  S2­C2T1  Fl. 10          9 1 – na Informação Fiscal são apresentadas novas alegações para tentar justificar o  lançamento. Afirma­se  que  foram  realizadas  pesquisas  nas DIRPFs  dos  cedentes  dos  mútuos de ações e teria sido verificado que, na declaração do Sr. Soon Yong Kim não  constaria  entre  seus  bens  ações  de  empresas,  as  quais  poderiam  ter  sido  cedidas  em  mútuo ao  Impugnante. Assim,  segundo a  Informação Fiscal,  como não  seria possível  emprestar algo que não se possui, não deveria ser considerado tal mútuo;  2 – é de se ressaltar o procedimento estranho da DRF. Frente à divergência entre  duas  DIRPFs  de  dois  contribuintes  distintos,  decide­se,  sem  qualquer  investigação,  desconsiderar  uma  delas,  escolhendo­se  arbitrariamente  aquela  que  gera  a  exigência  fiscal. Com efeito, qual a razão para considerar que a DIRPF do Sr. Mu Hak You não  mereceria  fé,  enquanto a do Sr. Soon Yong Kim é  aceita como correta  sem qualquer  verificação?  3 – A situação é ainda mais grave pois, no caso, a amparar a DIRPF do Sr. Um  Hak  You,  existe  o  contrato  assinado  entre  ele  e  o  Sr.  Soon  Yong  Kim,  com  firma  reconhecida em cartório na época do negócio. Ou seja, se fosse para desconsiderar uma  das DIRPFs sem maiores verificações, já que contraditórias, deveria ser desconsiderada  aquela que está em descompasso com o referido contrato, aceitando­se a DIRPF do Sr.  Mu Hak You, que está de acordo com o contrato.  A  16ª  Turma  da DRJ  em  São  Paulo/SPOI  julgou  integralmente  procedente  o  lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas:  DECADÊNCIA.  IMPOSTO  DE  RENDA  PESSOA  FÍSICA  LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.  No caso de omissão de rendimentos sujeitos ao O direito de a Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  cinco  anos,  contados,  relativamente  aos  rendimentos  sujeitos  ao  ajuste  anual,  e  tendo  havido  antecipação  do  pagamento  do  imposto,  da  data  de  ocorrência do fato gerador, ou seja, em 31 de dezembro do respectivo  ano­calendário.  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO.  São  tributáveis  os  montantes  correspondentes  ao  acréscimo  patrimonial  da  pessoa  física,  apurado  mensalmente,  quando  esse  acréscimo  não  for  justificado  pelos  rendimentos  tributáveis,  não  tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação  definitiva  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO  MÚTUO  COMPROVAÇÃO.  A  contratação  de  empréstimo  entre  particulares  desacompanhada  de  documentos  comprobatórios  da  transferência  do  correspondente  numerário  não  constitui  origem  para  eventuais  aplicações,  uma  vez  que o contrato unilateral que se perfaz com a tradição de seu objeto.  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  A  DESCOBERTO  ORIGENS  EMPRÉSTIMOS  DE  AÇÕES  ENTRE  PARTICULARES  NECESSIDADE  DA  COMPROVAÇÃO  DA  TRANSFERÊNCIA  DAS  AÇÕES.  Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000557/2006­72  Resolução nº  2201­000.180  S2­C2T1  Fl. 11          10 No  empréstimo  de  ações,  seja  qual  for  a  modalidade,  com  ou  sem  a  intervenção  dos  agentes  de  compensação,  o  tomador  recebe  ações  fungíveis  de  uma  companhia  aberta  e  se  obriga  a  liquidar  o  empréstimo  no  vencimento  convencionado,  mediante  devolução,  ao  titular  original,  de  ações  da  mesma  espécie,  qualidade  e  quantidade  daquelas que foram emprestadas.  Para  fins  de  justificação  de  origem  de  acréscimo  patrimonial,  é  necessária a comprovação da transferência das ações do cedente para  o  tomador,  na  data  do  empréstimo,  e  a  comprovação  da  devolução  dessas  ações,  do  tomador  para  o  cedente,  na  data  do  vencimento  do  contrato.  PROVA  DE  ALIENAÇÃO  DE  BENS  IMÓVEIS  ESCRITURA  PÚBLICA.  A  Escritura  Pública  de  Compra  e  Venda  é  o  instrumento  formal  previsto para a transmissão da propriedade de bem imóvel e faz prova  do valor e da forma de pagamento nela transcritos. Somente deixa de  prevalecer  para  os  efeitos  fiscais  a  data,  forma  e  valor  da  alienação  constante  da  escritura,  quando  restar  comprovado  de  maneira  inequívoca  que  o  teor  contratual  não  foi  cumprido,  circunstância  em  que a fé pública do citado ato cede à prova de que a alienação deu­se  da forma diversa.  AÇÕES  ADQUIRIDAS  NO  MERCADO  A  TERMO  DÍVIDAS  DECLARADAS  DECORRENTES  DA  OBRIGAÇÃO  DE  PAGAR  O  PREÇO  FIXADO  NA  LIQUIDAÇÃO  ACRÉSCIMO  PATRIMONIAL  ORIGENS.  Operação  a  termo  é  a  compra  ou  a  venda,  em  mercado,  de  uma  determinada quantidade de ações, a um preço fixado, para liquidação  em prazo determinado, a contar da data de sua realização em pregão,  resultando  um  contrato  entre  as  partes.  A  liquidação  da  operação  ocorre no vencimento do contrato e implica a entrega dos títulos pelo  vendedor  e  o  pagamento  do  preço  estipulado  no  contrato  pelo  comprador.  No  ano  da  aquisição,  o  contribuinte  tem  que  informar  as  ações  negociadas  na  declaração  de  bens  e  as  obrigações  decorrentes  no  campo “Dívidas e Ônus Reais.  O resultado da evolução patrimonial, no caso de o contribuinte possuir  contratos  em  aberto,  não  será  alterado  com  a  inclusão  das  dívidas  decorrentes  dessa  obrigação  como  origens,  pois  conseqüentemente  o  valor das ações objeto do contrato terão que constar como dispêndios  na mesma planilha.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Intimado  da  decisão  de  primeira  instância  em  14/09/2012  (fl.  1703­pdf),  Mu  Hak  You  apresenta  Recurso  Voluntário  em  15/10/2012  (fl.  1707­pdf),  sustentando,  essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação.  Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000557/2006­72  Resolução nº  2201­000.180  S2­C2T1  Fl. 12          11 É o relatório.    Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator   O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade.  Como  visto  do  relatório,  a  autoridade  fiscal  apurou  omissão  de  rendimentos  tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, nos anos­calendário 2001 e 2002, em que  se verificou excesso de aplicações sobre origens não respaldado por rendimentos declarados ou  comprovados, a saber:      Ano­Calendário 2001    Valor                  Fevereiro    188.443,10          Março     243.781,20          Abril     175.209,42        Dezembro     663.760,00      Ano­Calendário 2002          Julho    462.964,26       Dezembro   15.303.001,64  Contudo,  compulsando­se  os  autos,  verifica­se  que  a  fiscalização  não  apurou  adequadamente  o  Acréscimo  Patrimonial  a  Descoberto.  Exemplificando,  o  “Demonstrativo  Mensal de Evolução Patrimonial ­ 2002”, fl. 1017, considerou como rendimento isento e não  tributável o montante de R$ 525.702,04, entretanto, o documento emitido pela DC Corretora  CTVM, fl. 234,  informa que o recorrente recebeu, no ano­calendário de 2002, dividendos no  valor  de  R$  1.236.679,08.  Verifica­se,  também,  a  ocorrência  de  diferenças  em  relação  ao  rendimento tributado exclusivamente na fonte.  Assim, como o recorrente efetuou inúmeras e relevantes operações no mercado  de renda variável, comprovado pela farta documentação acostada aos autos, torna­se necessária  a conversão dos autos em diligência para que a autoridade lançadora providencie:  1 ­ Intimação ao contribuinte para informar, com base em documentação hábil e  idônea, os rendimentos isentos e não tributáveis, bem como os exclusivos na fonte, relativo aos  anos­calendários 2001 e 2002;  2 – Analisar a documentação entregue pelo contribuinte e, se for o caso, elaborar  novo “Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial”, anos­calendário de 2001 e 2002.  3 ­ Elaborar parecer conclusivo.   4  –  Concluída  a  diligência  deverá  ser  dada  ciência  ao  interessado  para  se  manifestar, se assim desejar.   Ante a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência.    Assinado Digitalmente  Eduardo Tadeu Farah  Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 19515.000557/2006­72  Resolução nº  2201­000.180  S2­C2T1  Fl. 13          12   Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por EDUARDO TADEU FARAH

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Numero do processo: 10680.001699/2004-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. É nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, a decisão de primeira instância que deixa de apreciar argumentos expendidos pelo contribuinte em sede de impugnação. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.915
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância para que outra seja proferida na boa e devida forma, abrangendo todas as questões suscitadas pelo contribuinte. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 22/04/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C1T2  Fl. 153          1 152  S2­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.001699/2004­17  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2102­002.915  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de abril de 2014  Matéria  IRPF ­ Omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista e deduções  indevidas  Recorrente  GERALDO CLARET DE ARANTES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2002  NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. FALTA DE APRECIAÇÃO DE  ARGUMENTOS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  É nula, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59, inciso  II,  do  Decreto  n°  70.235/72,  a  decisão  de  primeira  instância  que  deixa  de  apreciar argumentos expendidos pelo contribuinte em sede de impugnação.  Recurso Voluntário Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular a  decisão de primeira instância para que outra seja proferida na boa e devida forma, abrangendo  todas as questões suscitadas pelo contribuinte.  Assinado digitalmente  JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente.  Assinado digitalmente  NÚBIA MATOS MOURA – Relatora.    EDITADO EM: 22/04/2014       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 16 99 /2 00 4- 17 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 po r JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10680.001699/2004­17  Acórdão n.º 2102­002.915  S2­C1T2  Fl. 154          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos  André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de  Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.      Relatório  Contra GERALDO CLARET DE ARANTES foi  lavrado Auto de  Infração,  fls.  14  e  93/95,  relativo  ao  Imposto  sobre  a  Renda  de  Pessoa  Física  (IRPF),  ano­calendário  2001,  exercício  2002,  para  redução  do  saldo  do  imposto  a  restituir  de  R$ 57.100,05  para  R$ 10.546,94.  As  infrações apuradas pela autoridade  fiscal  foram omissão de  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica  em  decorrência  de  ação  judicial  trabalhista,  no  valor  de  R$ 166.504,06  (já deduzidos os honorários  advocatícios de R$ 33.567,00);  dedução  indevida  de dependente (Carmen Luciana Sampaio Arantes, por ter mais de 24 anos) e dedução indevida  de despesas com instrução da dependente glosada.  Inconformado  com  a  exigência,  o  contribuinte  apresentou  impugnação,  fls. 01/06, que foi julgada procedente em parte pela autoridade julgadora de primeira instância,  para cancelar as infrações de deduções indevidas, conforme Acórdão DRJ/BHE nº 02­17.273,  de 22/02/2008, fls. 97/100.  Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 20/06/2008,  Aviso  de  Recebimento  (AR),  fls.  118,  o  contribuinte  apresentou,  em  22/07/2008,  recurso  voluntário, fls. 127/139, no qual traz as alegações a seguir resumidas:  Dos  fatos  –  A  decisão  recorrida  considerou  a  impugnação  procedente  em  parte,  sem,  contudo,  analisar  todas  as  questões  levantadas  e  devidamente discutidas na impugnação. A Turma de Julgamento apreciou apenas a  incidência  ou  não  do  IRPF  sobre  os  rendimentos  recebidos  a  título  de  salário  utilidade, não fazendo qualquer menção à tributação dos valores recebidos de FGTS  e juros pela mora do empregador.  Não  tributação  dos  valores  recebidos  a  título  de  “salário  utilidade” em ação trabalhista – As verbas recebidas na reclamatória trabalhista em  questão foram pagas pela reclamada, ex­empregador, a  título de ajuda de custo em  razão da utilização de veículo próprio para transporte, aluguel etc, cuja natureza é o  reembolso  das  despesas  efetuadas  para  a  realização  do  serviço,  tanto  que,  para  a  percepção  dos  valores  pelo  recorrente,  eram  exigidos  o  registro  e  a  demonstração  dos gastos havidos para fins do serviço.  Nesse  sentido,  os  documentos  que  instruem  a  impugnação  atestam  que  já  em  fevereiro  de  1992  eram  apresentadas  prestações  de  contas  à  reclamante,  pelo  ora  recorrente,  quando  realizava  'locação  de  imóvel  para  sua  moradia',  em  localidades  fora  do  local  de  seu  trabalho,  a  discriminação  de  quilômetros rodados, valores despendidos e tarefas realizadas em determinadas datas  nos mencionados documentos.  Fl. 154DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 po r JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10680.001699/2004­17  Acórdão n.º 2102­002.915  S2­C1T2  Fl. 155          3 Destarte,  forçoso  concluir  que  as  mencionadas  verbas  não  integraram os salários do recorrente, uma vez que tiveram por escopo indenizar os  gastos com combustível, aluguel, etc despendidos na realização de serviços externos,  afastando a incidência, sobre elas, do imposto de renda pessoa física.  Não  tributação  dos  valores  recebidos  a  título  de  FGTS  em  reclamatória  trabalhista  ­  Como  demonstra  a  documentação  que  instrui  a  impugnação, das verbas  recebidas pelo  recorrente, R$ 16.320,47, correspondem ao  Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que é  rendimento não sujeito à  incidência do imposto de renda pessoa física.  Não tributação dos valores recebidos a título de juros de mora do  empregador  em  reclamatória  trabalhista  –  Os  juros,  recebidos  em  reclamatória  trabalhista, têm natureza indenizatória e autônoma, representando tão somente uma  compensação  pelo  prejuízo  sofrido  pelo  credor  no  atraso  em  receber  parcelas  salariais, não se enquadrando assim como fato gerador do imposto de renda previsto  no artigo 43 do Código Tributário Nacional.  Conforme  Despacho,  fls.  151,  de  01/03/2012,  o  julgamento  do  recurso  voluntário  apresentado  pelo  contribuinte  foi  sobrestado  em  razão  do  disposto  no  art.  62­A,  caput  e  parágrafo  1 ,  do  Anexo  II,  do  RICARF.  Ocorre  que  o  referido  parágrafo  1º  foi  revogado  pela  Portaria  MF  nº  545,  de  18  de  novembro  de  2013,  de  sorte  que  retoma­se  o  julgamento do recurso voluntário.  É o Relatório.  Fl. 155DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 po r JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10680.001699/2004­17  Acórdão n.º 2102­002.915  S2­C1T2  Fl. 156          4   Voto             Conselheira Núbia Matos Moura, relatora  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade.  Dele conheço.  De  início,  cumpre  apreciar  a  alegação da defesa  de que a decisão  recorrida  deixou de analisar os argumentos trazidos na impugnação relativos à não­tributação dos valores  recebidos pelo recorrente em ação reclamatória trabalhista a título de FGTS e juros de mora.  Da  impugnação,  fls. 01/06,  transcreve­se  a  seguir  trechos  em  que  o  contribuinte se pronuncia no que diz respeito às matérias acima mencionadas:  Esclarece  o  impugnante  que  os  valores  recebidos  conforme  planilha, e que totalizam a importância de R$ 145.718,46, dizem  respeito  à  indenização  por  pagamentos  efetuados  em  adiantamento  pelo  contribuinte­empregado  relativos  à  DESPESAS  COM  VEÍCULO  DO  EMPREGADOR  E  COM  ALUGUEIS, não pelo trabalho, mas para o trabalho, tendo essas  despesas nítido caráter indenizatório, pois destinadas a ressarcir  os gastos com transportes, frete e locomoções e por indenização  trabalhista ( lei 7713/88, art. 6°, incisos V, XX).  Quanto à parcela de FGTS, no  valor de R$ 16.320,47,  também  não restam dúvidas de que a mesma é amparada pela isenção do  imposto de renda ao teor do disposto na legislação de regência.  (...)  Por  outro  lado,  informa  ainda  o  impugnante  que  a  parcela  relativa  aos  juros  no  valor  de  R$ 60.602,56,  assim  como  aos  honorários de advogado, no valor de R$ 33.567,00  (este último  reconhecido  pela  autoridade  administrativa),  também  são  isentas  do  imposto  sobre  a  renda  de  conformidade  com  os  artigos 10 e 13 da Instrução Normativa SRF 25/96 e RIR/1999,  art. 56, § único e 718, e art. 12 da Lei 7713/88.  Do  trecho  da  impugnação  acima  transcrito,  resta  claro  que  o  recorrente  mencionou  expressamente  que  houve  o  recebimento  de  FGTS  e  juros  moratórios  na  ação  reclamatória trabalhista e que tais parcelas seriam isentas, conforme legislação de regência.  Todavia,  tais matérias  –  FGTS  e  juros  de mora  –  não  foram  abordados  na  decisão recorrida, conforme se infere do trecho do voto condutor do Acórdão DRJ/BHE nº 02­ 17.273, de 22/02/2008, fls. 97/100, abaixo transcrito:  Inicialmente,  no  tocante  ao  caráter  indenizatório  dos  valores  recebidos em decorrência de ação trabalhista  (salário utilidade  —  veiculo  e  aluguel,  consoante  documentos  às  fls.  15  a  59),  esclareça­se que o imposto em questão incide sempre que houver  Fl. 156DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 po r JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10680.001699/2004­17  Acórdão n.º 2102­002.915  S2­C1T2  Fl. 157          5 aquisição  de  disponibilidade  econômica  ou  jurídica de  renda e  de  proventos  de  qualquer  natureza.  Sobre  a  matéria,  assim  dispõem os artigos 2°, 3° e 12 da Lei n° 7.713, de 1988:  (...)  Portanto,  de  acordo  com  a  legislação  vigente,  os  rendimentos  recebidos pelo contribuinte em decorrência de ação  trabalhista  sujeitam­se  à  tributação  mensal  ­  no  mês  em  que  forem  percebidos  ­  e  na  declaração  de  ajuste  anual  do  exercício  correspondente.  Por oportuno, confiram­se as disposições contidas no art. 43 do  Decreto  n°  3.000,  de  26  de  março  de  1999,  Regulamento  do  Imposto de Renda ­ RIR/1999:  (...)  Por  todo  o  exposto,  o  lançamento  não  merece  reparos  neste  tocante.  Como  se  vê,  assiste  razão  ao  recorrente  quando  afirma  que  as  questões  relativas ao FGTS e aos juros de mora não foram tratados na decisão recorrida.  Esta situação desrespeita o direito de defesa assegurado ao sujeito passivo da  obrigação  tributária  conforme  disposto  no  artigo  5°,  inciso  LV,  da  Constituição  Federal  de  1998.  Por pertinente,  convém citar os  arts.  31e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de  março de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal:  Art.  31.  A  decisão  conterá  relatório  resumido  do  processo,  fundamentos  legais,  conclusão  e  ordem  de  intimação,  devendo  referir­se,  expressamente,  a  todos  os  autos  de  infração  e  notificações  de  lançamento  objeto  do  processo,  bem  como  às  razões  de  defesa  suscitadas  pelo  impugnante  contra  todas  as  exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  (...)  Art. 59. São nulos:  (...)  II  –  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa. (Grifei)  A falta de apreciação de argumentos expendidos pelo contribuinte em sede de  impugnação acarreta cerceamento do seu direito de defesa e torna nula a decisão prolatada, nos  termos do inciso II, do artigo 59, do Decreto n° 70.235, de 1972.  Fl. 157DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 po r JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA Processo nº 10680.001699/2004­17  Acórdão n.º 2102­002.915  S2­C1T2  Fl. 158          6 Ante  o  exposto,  voto  por  DAR  provimento  ao  recurso,  para  declarar  a  nulidade da decisão de primeira instância para que outra seja proferida na boa e devida forma,  abrangendo todos os argumentos apresentados pelo contribuinte.  Assinado digitalmente  Núbia Matos Moura ­ Relatora                                Fl. 158DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 05/05/2014 po r JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por NUBIA MATOS MOURA

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Numero do processo: 10920.911393/2012-01
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.
Numero da decisão: 3803-005.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1720; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 48          1 47  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.911393/2012­01  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­005.335  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de fevereiro de 2014  Matéria  PIS ­ RESTITUIÇÃO  Recorrente  SUPERMERCADO FERNANDES LTDA ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005  BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.  O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que  corresponde ao  faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base  de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  pelo  voto  de  qualidade,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Vencidos  os  conselheiros  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento.   (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Corintho  Oliveira  Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano  Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 13 93 /2 01 2- 01 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2 Esta Contribuinte transmitiu Pedido de Restituição (PeR) de PIS apurado no  regime  cumulativo,  no  valor  de  R$  323,43,  relativo  a  pagamento  indevido  ou maior  que  o  devido efetuado em 15/04/2005.  Despacho  Decisório  do  DRF/Joinville  indeferiu  o  Pedido  de  Restituição,  tendo  em  vista  que  a  partir  das  características  do  DARF  discriminado  no  PeR  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos  abaixo  relacionados,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível para restituição.  Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que  o Pedido de Restituição  refere­se a crédito decorrente de pagamento  a maior da Cofins e do  PIS/Pasep, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições.  Argumentou que o valor do  ICMS está embutido no preço das mercadorias  por força da legislação deste imposto, que determina a inclusão na base de cálculo do imposto  o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de  controle. Portanto, tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento.  Aduziu  que  o  PIS  ou  a  Cofins  só  podem  incidir  sobre  o  faturamento,  representado, unicamente,  pelo  somatório dos valores das operações negociadas,  descabendo  assentar que os contribuintes “faturam ICMS”, uma vez que o ICMS não é receita da empresa,  e sim um desembolso a beneficiar o Estado, que tem a competência para cobrá­lo.  Em julgamento da lide a DRJ/Fortaleza fez menção à regra­matriz da base de  cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e concluiu não  haver previsão para a exclusão do ICMS. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ.  A decisão foi ementada como segue:  ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES  Ano­calendário:2003  PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.  A  base  de  cálculo  do PIS  e  da COFINS  é  o  faturamento,  admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na  lei.  Não  havendo  nenhuma  autorização  expressa  da  lei  para  excluir  o  valor  do  ICMS,  esse  valor  deve  compor  a  base de cálculo do PIS e da COFINS.  Cientificada  da  decisão  em  9  de  outubro  de  2013,  irresignada,  apresentou  recurso voluntário em 5 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de  inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art.  62­A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  no  RE  240.785­2/MG  ­  que  teve  seu  julgamento  suspenso,  com  votos da maioria consignados defendendo o entendimento ora controvertido  ­, bem como no  RE 574.706 ­ no qual foi reconhecida a repercussão geral da matéria.  É o relatório.  Voto             Fl. 49DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911393/2012­01  Acórdão n.º 3803­005.335  S3­TE03  Fl. 49          3 Conselheiro Belchior Melo de Sousa ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, portanto dele conheço.  A  presente  controvérsia  cinge­se  à  inclusão  dos  valores  de  ICMS  no  faturamento como base de cálculo do Cofins e do PIS/Pasep.  De início, destaco que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se  aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  no  exercício  da  competência  que  cabe  ao  CARF  ­,  deve  ser  dosada no âmbito do controle de legalidade das decisões administrativas.  Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob  exame,  sobresteve  o  julgamento  do  RE  240.785/MG,  em  13/08/2008,  em  face  da  superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente  da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo  da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no  preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro  de 1998[2].   Com  a  perda  da  eficácia  da Medida Cautelar  na  dita ADC,  em  21/9/2010,  nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido  de sobrestamento do presente processo.  A instituição da Cofins pela LC 70/91[3]  inaugurou a delimitação da palavra  faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento  fiscal.   A  alteração  do  PIS/Pasep  pela  MP  nº  1.212/96,  convertida  na  Lei  nº  9.715/98[4],  também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o  ICMS retido pelo  vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.                                                               1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso,  tendo em vista a decisão proferida na ADC 18­5/DF.  Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro  Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008.  2  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita bruta:   I ­ as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte  Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador  dos serviços na condição de substituto tributário;  3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal,  assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer  natureza.  Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da  contribuição, o valor:  a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal;  b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente.  4 Art. 3o  Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considera­se faturamento a receita bruta, como definida pela  legislação  do  imposto  de  renda,  proveniente  da  venda  de  bens  nas  operações  de  conta  própria,  do  preço  dos  serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia.  Fl. 50DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 A  Lei  nº  9.718/98[5]  unificou  a  base  de  cálculo  das  contribuições  e  o  fez  destacando as grandezas que devem ser excluídas da  receita bruta,  a  teor do seu o parágrafo  segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na  condição de substituto tributário.  Sabe­se  que  o  ICMS  é  imposto  que  via  de  regra  incide  na  entrega  de  mercadorias e serviços  e compõe a  sua estrutura de preços. Ao definirem  faturamento,  a LC  70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o  ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI  e o ICMS do substituto tributário.   Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base  de cálculo, o  faturamento, não há como não se considerar que  ficou definido  implicitamente  que  ele  (o  ICMS)  integra  o  faturamento.  Adite­se  que  o  seu  histórico  cálculo  “por  dentro”,  segundo  o  ditame  do Decreto­Lei  nº  406/686  reiterado  pela  LC Nº  87/96[7][8].endossam  esta  conclusão.  Exemplificando:  ICMS por dentro  Tenha­se, por hipótese o valor de:  · Mercadorias em estoque = R$ 830,00  · Alíquota do ICMS = 17%   · Cálculo  do  preço  de  venda  cujo  montante  final  resultará  no  faturamento = R$ 830,00/83 % (100% ­ 17%) = R$ 1.000,00  · Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00  Se o cálculo do ICMS fosse por fora                                                                                                                                                                                           Parágrafo  único.    Na  receita  bruta  não  se  incluem  as  vendas  de  bens  e  serviços  canceladas,  os  descontos  incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI, e o imposto sobre operações relativas  à  circulação  de mercadorias  ­  ICMS,  retido  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto tributário.  5  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita bruta:     I ­ as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte  Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador  dos serviços na condição de substituto tributário;  6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é:   § 7º O montante do  impôsto de circulação de mercadorias  integra a base de cálculo a que se  refere êste artigo,  constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle.   7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é:  § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada  pela Lcp 114, de 16.12.2002)  I ­ o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle;  § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a  operação,  realizada  entre  contribuintes  e  relativa  a  produto  destinado  à  industrialização  ou  à  comercialização,  configurar fato gerador de ambos os impostos.  8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio  imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado  à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos.  Fl. 51DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911393/2012­01  Acórdão n.º 3803­005.335  S3­TE03  Fl. 50          5 O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia  ao faturamento  · Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10.  Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte  do preço da mercadoria  como custo. E  este  é o desenho constitucional deste  imposto  após  a  declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na  forma do transcrito abaixo:  TRIBUTÁRIO.  ICMS.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  VALOR  DO  IMPOSTO  COMO  ELEMENTO  INTEGRATIVO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  POSSIBILIDADE JURÍDICA.  A  base  de  cálculo  dos  tributos  e  a  metodologia  de  sua  determinação,  porque  constituem  elementos  de  conhecimento  indispensáveis para a definição do quantum  debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei,  em  obediência  ao  princípio  da  legalidade  (CF,  arts.  146,  III,  “a”,  150,  I,  e  CTN,  art.  97,  IV).  Inexiste  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade,  se  a  própria  lei  complementar e a lei local permitem que entre os elementos  componentes  e  formativos da base de cálculo do  ICMS se  inclua o valor do próprio imposto.  É demais  sabido que a ampliação do conceito de  faturamento pelo § 1º, do  art.  3º,  da  Lei  nº  9.718/98  foi  foco  da  disputa  que  resultou  na  declaração  da  sua  inconstitucionalidade  pelo  STF,  prevalecendo  a  definição  abrangente  apenas  das  receitas  provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da  pessoa jurídica.   Em  vista  de  subsistir  uma  definição  legal  de  faturamento  que  permite  considerar  nele  contido  o  ICMS  normal  ­  segundo  os  dispositivos  acima  destrinçados  ­,  o  Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade  do  §  1º,  do  art.  3º,  da  Lei  nº  9.718/98,  poderia  ter  declarado  a  inconstitucionalidade,  sem  redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita  bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazê­lo e não o fez, para tornar  livres  de  mais  questionamentos  os  seus  contornos,  o  juízo  que  proferiu,  tendo  como  alvo  apenas  o  art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98,  ao  contrário  de  se  reputá­lo  omisso,  endossa  o  entendimento  de  inclusão  do  ICMS  no  faturamento.  Entender  diferente  está  a  depender  de  novo posicionamento daquele Tribunal.  A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é  a  de  que  o  imposto  é  ‘cobrado’  do  comprador  pelo  vendedor,  e,  assim,  representa  um  ônus  tributário  que  é  repassado  ao  Estado;  logo,  por  não  configurar  circulação  de  riqueza,  não  ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a  suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG.  Fl. 52DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6 A  tese  já  foi  contraposta  com  sólido  argumento  por  Hugo  de  Brito  Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS  componente  do  preço  é  receita  do  Estado  é  um  equívoco  conceitual  relacionado  à  sujeição  passiva  do  ICMS. O  vendedor  é  o  contribuinte  de  direito,  não  atua  como  um  intermediário  entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não  do  adquirente.  O  ônus  correspondente  ao  valor  do  imposto  é  suportado  pelo  adquirente  somente  por  meio  do  pagamento  do  preço,  que  é  a  contrapartida  do  fornecimento  de  mercadorias  e  serviços.  Resultante  dessa  continência,  tal  valor  ingressa  no  patrimônio  do  alienante e compõe o seu faturamento[10].  Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro  Eros Grau manifestou­se nesse mesmo sentido, verbis:  O Min.  Eros Grau,  em  divergência,  negou  provimento  ao  recurso por considerar que o montante do ICMS integra a  base  de  cálculo  da  COFINS,  porque  está  incluído  no  faturamento,  haja  vista  que  é  imposto  indireto  que  se  agrega ao preço da mercadoria.  Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos  serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente  do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é  demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo:  a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta  de destaque do  imposto  e de posterior  recolhimento,  não  afeta  a  relação  jurídica de  sujeição  passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários;  b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão  da  nota  fiscal  não  configura  o  crime  de  apropriação  indébita,  mas  o  de  sonegação  fiscal,  previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71,  I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento  fiscal terá como sujeito passivo o vendedor.  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso.  Sala das sessões, 25 de fevereiro de 2014                                                              9  Citado  por  Anselmo  Henrique  Cordeiro  Lopes,  in  A  inclusão  do  ICMS  na  Base  de  Cálculo  da  COFINS,  disponível  em  http://jus.com.br/artigos/9674/a­inclusao­do­icms­na­base­de­calculo­da­cofins/2;  data  de  acesso:  22.12.2013.  10 No ICMS­ST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de  Normas Gerais do  ICMS, LC 87/96,  ao manter  na  relação  jurídica  tributária o  adquirente,  por  legitimá­lo para  repetir  indébito  ou  pagamento  a  maior  do  imposto  recolhido  pelo  substituto,  subverte  a  lógica  própria  desse  regime e  faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e  torna de  terceiro os  custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado  pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor.  Fl. 53DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10920.911393/2012­01  Acórdão n.º 3803­005.335  S3­TE03  Fl. 51          7 (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa                                Fl. 54DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 10/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Numero do processo: 10925.907271/2012-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO CONTRIBUINTE. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-005.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1868; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 56          1 55  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10925.907271/2012­61  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­005.772  –  3ª Turma Especial   Sessão de  25 de março de 2014  Matéria  PIS ­ RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  TEVERE S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004  BASE DE CÁLCULO. ICMS. INCLUSÃO.  O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que  corresponde ao  faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base  de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004  INCONSTITUCIONALIDADE.  ALEGAÇÕES  NA  ESFERA  ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.  A discussão  sobre  a  constitucionalidade ou  inconstitucionalidade de  lei  não  cabe  na  esfera  administrativa,  ressalvadas  as  exceções  à  regra.  (Súmula  CARF nº 2).  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004  INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DO  CONTRIBUINTE.  O  ônus  da  prova  recai  sobre  a  pessoa  que  alega  o  direito  ou  o  fato  que  o  modifica,  extingue ou que  lhe  serve de  impedimento,  devendo prevalecer  a  decisão  administrativa  devidamente  fundamentada,  não  infirmada  com  documentação hábil e idônea.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 72 71 /2 01 2- 61 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO   2 Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor  Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Corintho  Oliveira  Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano  Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.  Relatório  Esta Contribuinte  transmitiu Declaração  de Compensação  (DComp)  de  PIS  apurado  no  regime  cumulativo,  no  valor  de R$  4.896,29,  relativo  a  pagamento  indevido  ou  maior que o devido efetuado em 13/08/2004.  Despacho Decisório do DRF/Joaçaba indeferiu a DComp, tendo em vista que  a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos  abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não  restando crédito disponível para restituição.  Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que:  a) a DComp refere­se a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins,  em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos da Cofins e do PIS;  b)  os  arts.  2º  e 3º,  da Lei  nº  9.718/98,  e  o  art.  195,  I,  “b”,  da Constituição  Federal,  apenas  admitem  como  base  de  cálculo  de  supraditas  contribuições  a  receita  ou  o  faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste  imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento;  c)  o  valor  do  ICMS  está  embutido  no  preço  das mercadorias  por  força  da  legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio  tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle;  d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma  operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada  a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode  extravasar, desse modo,  sob o ângulo do  faturamento, o valor do negócio, ou seja,  a parcela  recebida com a operação mercantil ou similar”;  Pugnou,  ainda,  que  se  atentasse  “para  o  princípio  da  razoabilidade,  pressupondo­se  que  o  texto  constitucional  se  mostre  fiel,  no  emprego  dos  institutos,  de  Expressões  e  vocábulos,  ao  sentido  próprio  que  eles  possuem,  não  merecendo  outras  interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN.  Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907271/2012­61  Acórdão n.º 3803­005.772  S3­TE03  Fl. 57          3 Em julgamento da  lide a DRJ/Belo Horizonte  fez menção à  regra­matriz da  base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de  outras  disposições  legais  e  concluiu  não  haver  previsão  para  a  exclusão  do  ICMS  do  faturamento. Buscou reforço em decisões do CARF e do STJ.  A decisão foi ementada como segue:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2002  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.  Não se admite a restituição de crédito que não se comprova  existente.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Cientificada  da  decisão  em  24  de  outubro  de  2013,  irresignada,  apresentou  recurso voluntário em 4 de novembro de 2013, em que reiterou os termos da manifestação de  inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art.  62­A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo  Supremo Tribunal Federal.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Belchior Melo de Sousa ­ Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  os  demais  requisitos  para  sua  admissibilidade, portanto dele conheço.  A  presente  controvérsia  cinge­se  à  inclusão  dos  valores  de  ICMS  no  faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep.  Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa  a  se  aplicar  na  interpretação  da  legislação  tributária  relativa  a  tributos  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal  do Brasil  ­ no  exercício da  competência que  cabe  ao CARF  ­,  deve  ser  dosada  no  âmbito  do  controle  de  legalidade  a  que  se  limitam  as  decisões  administrativas.  Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob  exame,  sobresteve  o  julgamento  do  RE  240.785/MG,  em  13/08/2008,  em  face  da  superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente  da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo  da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no                                                              1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso,  tendo em vista a decisão proferida na ADC 18­5/DF.  Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro  Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008.  Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO   4 preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro  de 1998[2].   Com  a  perda  da  eficácia  da Medida Cautelar  na  dita ADC,  em  21/9/2010,  nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido  de sobrestamento do presente processo.  A instituição da Cofins pela LC 70/91[3]  inaugurou a delimitação da palavra  faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento  fiscal.   A  alteração  do  PIS/Pasep  pela  MP  nº  1.212/96,  convertida  na  Lei  nº  9.715/98[4],  também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o  ICMS retido pelo  vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário.   A  Lei  nº  9.718/98[5]  unificou  a  base  de  cálculo  das  contribuições  e  o  fez  destacando as grandezas que devem ser excluídas da  receita bruta,  a  teor do seu o parágrafo  segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na  condição de substituto tributário.  Sabe­se  que  o  ICMS  é  imposto  que  via  de  regra  incide  na  entrega  de  mercadorias e serviços  e compõe a  sua estrutura de preços. Ao definirem  faturamento,  a LC  70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o  ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI  e o ICMS do substituto tributário.   Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base  de cálculo, o  faturamento, não há como não se considerar que  ficou definido  implícitamente  que  ele  (o  ICMS)  integra  o  faturamento.  Adite­se  que  o  seu  histórico  cálculo  “por  dentro”,                                                              2  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita bruta:   I ­ as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte  Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador  dos serviços na condição de substituto tributário;  3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal,  assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer  natureza.  Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da  contribuição, o valor:  a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal;  b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente.  4 Art. 3o  Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considera­se faturamento a receita bruta, como definida pela  legislação  do  imposto  de  renda,  proveniente  da  venda  de  bens  nas  operações  de  conta  própria,  do  preço  dos  serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia.  Parágrafo  único.    Na  receita  bruta  não  se  incluem  as  vendas  de  bens  e  serviços  canceladas,  os  descontos  incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI, e o imposto sobre operações relativas  à  circulação  de mercadorias  ­  ICMS,  retido  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto tributário.  5  §  2º  Para  fins  de  determinação  da  base de  cálculo  das  contribuições  a  que  se  refere  o  art.  2º,  excluem­se  da  receita bruta:     I ­ as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte  Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ­ ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador  dos serviços na condição de substituto tributário;  Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907271/2012­61  Acórdão n.º 3803­005.772  S3­TE03  Fl. 58          5 segundo  o  ditame  do Decreto­Lei  nº  406/686  reiterado  pela  LC Nº  87/96[7][8].endossam  esta  conclusão.  Exemplificando:  · ICMS por dentro  Tenha­se, por hipótese o valor de:  Mercadorias em estoque = R$ 830,00  Alíquota do ICMS = 17%   Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$  830,00/83 % (100% ­ 17%) = R$ 1.000,00  Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00  · Se o cálculo do ICMS fosse por fora  O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia  ao faturamento  Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10;  Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte  do preço da mercadoria  como custo. E  este  é o desenho constitucional deste  imposto  após  a  declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na  forma do transcrito abaixo:  TRIBUTÁRIO.  ICMS.  BASE  DE  CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  VALOR  DO  IMPOSTO  COMO  ELEMENTO  INTEGRATIVO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  POSSIBILIDADE JURÍDICA.  A  base  de  cálculo  dos  tributos  e  a  metodologia  de  sua  determinação,  porque  constituem  elementos  de  conhecimento  indispensáveis para a definição do quantum  debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei,  em  obediência  ao  princípio  da  legalidade  (CF,  arts.  146,                                                              6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é:   § 7º O montante do  impôsto de circulação de mercadorias  integra a base de cálculo a que se  refere êste artigo,  constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle.   7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é:  § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada  pela Lcp 114, de 16.12.2002)  I ­ o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle;  § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a  operação,  realizada  entre  contribuintes  e  relativa  a  produto  destinado  à  industrialização  ou  à  comercialização,  configurar fato gerador de ambos os impostos.  8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio  imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado  à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos.  Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO   6 III,  “a”,  150,  I,  e  CTN,  art.  97,  IV).  Inexiste  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade,  se  a  própria  lei  complementar e a lei local permitem que entre os elementos  componentes  e  formativos da base de cálculo do  ICMS se  inclua o valor do próprio imposto.  É demais  sabido que a ampliação do conceito de  faturamento pelo § 1º, do  art.  3º,  da  Lei  nº  9.718/98  foi  foco  da  disputa  que  resultou  na  declaração  da  sua  inconstitucionalidade  pelo  STF,  prevalecendo  a  definição  abrangente  apenas  das  receitas  provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da  pessoa jurídica.   Em  vista  de  subsistir  uma  definição  legal  de  faturamento  que  permite  considerar  nele  contido  o  ICMS  normal  ­  segundo  os  dispositivos  acima  destrinçados  ­,  o  Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade  do  §  1º,  do  art.  3º,  da  Lei  nº  9.718/98,  poderia  ter  declarado  a  inconstitucionalidade,  sem  redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita  bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazê­lo e não o fez, para tornar  livres  de  mais  questionamentos  os  seus  contornos,  o  juízo  que  proferiu,  tendo  como  alvo  apenas  o  art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98,  ao  contrário  de  se  reputá­lo  omisso,  endossa  o  entendimento  de  inclusão  do  ICMS  no  faturamento.  Entender  diferente  está  a  depender  de  novo posicionamento daquele Tribunal.  A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é  a  de  que  o  imposto  é  ‘cobrado’  do  comprador  pelo  vendedor,  e,  assim,  representa  um  ônus  tributário  que  é  repassado  ao  Estado;  logo,  por  não  configurar  circulação  de  riqueza,  não  ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a  suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG.  A  tese  já  foi  contraposta  com  sólido  argumento  por  Hugo  de  Brito  Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS  componente  do  preço  é  receita  do  Estado  é  um  equívoco  conceitual  relacionado  à  sujeição  passiva  do  ICMS. O  vendedor  é  o  contribuinte  de  direito,  não  atua  como  um  intermediário  entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não  do  adquirente.  O  ônus  correspondente  ao  valor  do  imposto  é  suportado  pelo  adquirente  somente  por  meio  do  pagamento  do  preço,  que  é  a  contrapartida  do  fornecimento  de  mercadorias  e  serviços.  Resultante  dessa  continência,  tal  valor  ingressa  no  patrimônio  do  alienante e compõe o seu faturamento[10].  Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro  Eros Grau manifestou­se nesse mesmo sentido, verbis:  O Min.  Eros Grau,  em  divergência,  negou  provimento  ao  recurso por considerar que o montante do ICMS integra a  base  de  cálculo  da  COFINS,  porque  está  incluído  no                                                              9  Citado  por  Anselmo  Henrique  Cordeiro  Lopes,  in  A  inclusão  do  ICMS  na  Base  de  Cálculo  da  COFINS,  disponível  em  http://jus.com.br/artigos/9674/a­inclusao­do­icms­na­base­de­calculo­da­cofins/2;  data  de  acesso:  22.12.2013.  10 No ICMS­ST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de  Normas Gerais do  ICMS, LC 87/96,  ao manter  na  relação  jurídica  tributária o  adquirente,  por  legitimá­lo para  repetir  indébito  ou  pagamento  a  maior  do  imposto  recolhido  pelo  substituto,  subverte  a  lógica  própria  desse  regime e  faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e  torna de  terceiro os  custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado  pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor.  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10925.907271/2012­61  Acórdão n.º 3803­005.772  S3­TE03  Fl. 59          7 faturamento,  haja  vista  que  é  imposto  indireto  que  se  agrega ao preço da mercadoria.  Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos  serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente  do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é  demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo:  a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta  de destaque do  imposto  e de posterior  recolhimento,  não  afeta  a  relação  jurídica de  sujeição  passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários;  b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão  da  nota  fiscal  não  configura  o  crime  de  apropriação  indébita,  mas  o  de  sonegação  fiscal,  previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71,  I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento  fiscal terá como sujeito passivo o vendedor.  Por  fim,  nesta  segunda  fase  recursal,  a Recorrente nenhum elemento  anexa  referente às provas, cujo ônus é seu.  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso.  Sala das sessões, 25 de março de 2014  (assinado digitalmente)  Belchior Melo de Sousa                                Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/04/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

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Numero do processo: 10380.901966/2010-72
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DISPONIBILIDADE. O crédito pleiteado foi homologado até o limite disponível, não havendo saldo residual a ser reconhecido em favor do contribuinte. As retenções na fonte não restaram comprovadas como determina a legislação e parte do saldo pleiteado, já foi utilizado pelo contribuinte em compensação de pagamento a maior, não tendo cabimento usufruí-lo novamente.
Numero da decisão: 1802-001.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marciel Eder Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.
Nome do relator: MARCIEL EDER COSTA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1786; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 329          1 328  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10380.901966/2010­72  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1802­001.986  –  2ª Turma Especial   Sessão de  11 de fevereiro de 2014  Matéria  NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO  Recorrente  BANCO DO NORDESTE DO BRASIL S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003  COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DISPONIBILIDADE.  O  crédito  pleiteado  foi  homologado  até  o  limite  disponível,  não  havendo  saldo  residual  a  ser  reconhecido  em  favor do  contribuinte. As  retenções  na  fonte  não  restaram  comprovadas  como  determina  a  legislação  e  parte  do  saldo  pleiteado,  já  foi  utilizado  pelo  contribuinte  em  compensação  de  pagamento a maior, não tendo cabimento usufruí­lo novamente.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento  ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.    (ASSINADO DIGITALMENTE)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente.     (ASSINADO DIGITALMENTE)  Marciel Eder Costa ­ Relator.    Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de  Sousa  (presidente), Marco Antonio  Nunes  Castilho, Marciel  Eder  Costa,  Gustavo  Junqueira  Carneiro Leão, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 19 66 /2 01 0- 72 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     2   Relatório  Tratam os presentes autos de não reconhecimento de crédito relativo a saldo  negativo  do  ano­calendário  de  2003  em  sua  totalidade,  acarretando  na  insuficiência  para  utilização  em  compensação  com  débitos  arrolados  em  DCOMP  sob  o  n°  04274.46293.250209.1.7.02­0273.  Por  bem  descrever  os  fatos  que  antecedem  à  análise  do  presente  Recurso  Voluntário,  adoto  o  Relatório  proferido  pela  3a  Turma  da  DRJ/FOR,  pelo  Acórdão  n°  08­ 23.479, constante às e­fls. 152/155:  Neste processo foram apreciados 7 (sete) Pedidos de Restituição,  Ressarcimento  ou  Reembolso  e  Declaração  de  Compensação  (PER/DCOMP),  para  os  quais  o  Banco  do Nordeste  do  Brasil  S.A.,  doravante  denominado  Banco,  havia  informado  ser  detentor de direito creditório referente a saldo negativo de IRPJ,  ano­calendário 2003, no valor de R$ 19.309.489,90. Analisando  o  direito  creditório  postulado,  a Delegacia  da Receita Federal  do  Brasil  em  Fortaleza  (DRF/FOR)  expediu  o  despacho  decisório, de  fls. 22/24, glosando a parcela de R$ 2.668.019,06  (parcelas de composição do crédito não confirmadas, relativas a  pagamento  de  estimativas  e  retenções  de  imposto  na  fonte),  e  reconhecendo,  em  favor  do  Banco,  a  importância  de  R$  16.641.470,84,  a  título  de  saldo  negativo  de  IRPJ,  ano­ calendário 2003.  Considerando  que  o  crédito  reconhecido  foi  insuficiente  para  compensar  integralmente  os  débitos  informados  pelo  sujeito  passivo,  a  unidade  de  origem  resolve  HOMOLOGAR  PARCIALMENTE  a  compensação  declarada  no  PER/DCOMP:  04380.41798.270209.1.7.02­5340  e  NÃO  HOMOLOGAR  a  compensação  declarada  no(s)  seguinte(s)  PER/DCOMP:  07869.10814.260309.1.7.02­2291 e 23721.88010.050804.1.7.02­ 4417.  Em  conseqüência,  exige  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente  compensados  pelo  Banco,  no  valor  principal  de  R$  2.377.516,30,  que  deverá  ser  acrescido  de  multa  e  juros  regulamentares na data do pagamento.  As  medidas  adotadas  pela  DRF/FOR  sobre  as  compensações  formuladas  pelo  Banco,  com  base  no  direito  creditório  reconhecido em parte,  estão discriminadas, às  fls. 22 e 23, das  quais se podem extrair as seguintes informações:  PER/DCOMP Despacho Decisório Detalhamento da Compensação  Data da consulta: 19/10/2010 10:05:28  Nome/Nome Empresarial: BANCO DO NORDESTE DO BRASIL SA  CPF/CNPJ: 07.237.373/0001­20  PER/DCOMP e demonstrativo de crédito: 04274.46293.250209.1.7.02­0273  Número do processo de crédito: 10380­901.966/2010­72  Data de transmissão com demonstrativo de crédito: 25/02/2009  Tipo de crédito: SALDO NEGATIVO DE IRPJ  Despacho Decisório (N° de rastreamento): 863947821  Crédito reconhecido em valor originário: 16.641.470,84  [...]  Fl. 330DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.901966/2010­72  Acórdão n.º 1802­001.986  S1­TE02  Fl. 330          3 DCOMP N°: 16861.62811.250209.1.7.02­1705 Situação: homologada  DCOMP N°: 26514.49659.250209.1.7.02­1527 Situação: homologada  DCOMP N°: 13494.16368.250209.1.7.02­0388 Situação: homologada  DCOMP N°: 04274.46293.250209.1.7.02­0273 Situação: homologada  DCOMP  N°:  04380.41798.270209.1.7.02­5340  Situação:  homologada  parcialmente  DCOMP N°: 23721.88010.050804.1.7.02­4417 Situação: não homologada  DCOMP N°: 07869.10814.260309.1.7.02­2291 Situação: não homologada  Tomando ciência do despacho decisório em 16.6.2010, o Banco  interpôs em 15.7.2010, a manifestação de inconformidade de fls.  26 a 37, alegando em apertada síntese que:  Decadência dos débitos relativos ao ano­calendário 2004  ­  os  débitos  relativos  ao  ano­calendário  2004  encontram­se  atingidos  pela  decadência,  nos  termos  do  §  4º  do  art.  150  do  Código Tributário Nacional (CTN);  ­ segundo entendimento dos tribunais superiores, notadamente o  STJ, no tocante ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º  do  CTN),  tendo  o  sujeito  passivo  efetuado  o  pagamento  antecipado  do  que  entende  devido,  é  operada  a  decadência  no  prazo  de  5  anos  a  contar  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação;  ­  no  caso  sob  comento,  a  compensação,  na  sistemática  dos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  equivale  a  pagamento  antecipado,  acerca  do  qual  o  Fisco  não  se  manifestou, em momento algum, em sentido contrário;  ­  o  Fisco  deveria  ter  se  pronunciado  acerca  dos  pagamentos/compensações  efetuadas pelo Banco no prazo de 5  anos,  e  procedendo  em  caso  de  indeferimento  ao  lançamento  suplementar  de  ofício;  todavia  a  Fazenda  somente  veio  a  se  pronunciar  tardiamente,  numa  tentativa  de  driblar  a  ação  implacável do tempo;   ­ menciona  doutrina  de Hugo  de Brito Machado  e de  Leandro  Paulsen,  no  sentido  de  que  transcorrido  o  prazo  de  5  anos  ocorre a homologação tácita e a conseqüente extinção do crédito  tributário nos termos do art. 150, § 4º do CTN;  ­ reforça que, a despeito do § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de  1996, os tribunais vêm entendendo (vide Súmula 8 do STF) que a  lei  ordinária  não  tem  competência  constitucional  para  disciplinar  a  decadência  tributária,  uma  vez  que  tal  matéria  é  expressamente atribuída à lei complementar pelo art. 146, inciso  III, alínea “b”, da CF;  PER/DCOMP nº 23721.88010.050804.1.7.02­4417 – Débitos  já  Pagos  ­  a  homologação  desse  PER/DCOMP  já  não  faz  parte  das  pretensões do Banco, visto que já fora realizado, em 31.01.2007,  o pagamento dos débitos declarados  (R$ 1.547,97 de PASEP e  Fl. 331DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     4 R$ 9.621,25 de COFINS), fato verificado e retificado pelo órgão  competente (doc. 12);  Procedência do Direito Creditório – Saldo Negativo de IRPJ  ­  o  crédito  tributário  oriundo  de  saldo  negativo  de  IRPJ,  no  valor  de  R$  19.309.489,91,  no  ano­calendário  2003,  fora  formado por todos os DARF pagos (docs. 13), no valor total de  R$ 32.287.561,66, acrescentados pelos  tributos retidos na  fonte  por  órgãos  públicos  e  empresas  privadas  no  valor  de  R$  153.501,16,  deduzido  do  IRPJ  devido  naquele  ano  no  valor  de  R$ 13.131.572,91;  ­ o valor das retenções na fonte, R$ 153.501,16, está distribuído  entre  os  valores  retidos  do  (sic)  setor  privado  orçado  em  R$  47.042,86  (ficha 53 da DIPJ)  e do  (sic)  setor público  estimado  em  R$  106.458,29  (não  informados,  conforme  instrução  de  preenchimento da DIPJ doc. 14); entretanto, o valor da retenção  referente  ao  setor  público  pode  ser  constatado  na  linha  09  do  mês de abril da ficha 11 da DIPJ (doc. 15);  ­ o valor total recolhido de R$ 32.441.062,82 está de acordo com  o somatório dos valores constantes nas linhas 08 (R$ 1.155,07) e  12 (R$ 32.439.907,74) da ficha 12B da DIPJ (doc. 08);  ­  o  Fisco  apurou  erroneamente  o  saldo  negativo  a  partir  dos  valores  declarados  na  DIPJ,  na  ficha  11  (doc.  15)  porque  o  correto  consiste  em  somar  os  valores  efetivamente  pagos  (DARFs +  tributos  retidos na  fonte) constantes das  fichas 08 e  12 (doc 08), divergência demonstrada no quadro seguinte:  Período de Apuração  (P.A.)  Considerado pelo Banco  (DARF´s + Fonte)  Considerado pela RFB  (Ficha 11 + Fonte)  Diferença  Jan/03  5.795.667,40  5.795.667,40  0,00  Fev/03  5.297.386,63  5.297.386,63  0,00  Abr/03  5.109.529,27  4.015.910,13  1.093.619,14  Mai/03  4.677.243,05  4.464.105,65  213.137,40  Ago/03  3.005.884,54  1.687.139,72  1.318.744,82  Set/03  3.854.248,54  3.854.248,54  0,00  Out/03  4.547.602,23  4.547.602,23  0,00  IRPJ Retido na Fonte  153.501,16  110.983,46  42.517,70  Diferença  2.668.019,06    Pedidos  ­  requer  o  Banco  o  recebimento  da  manifestação  de  inconformidade e o provimento de seu pleito, para o fim de:  a) RECONHECER a decadência do débito tributário atinente ao  período do ano­calendário de 2004, haja  vista que, nos  termos  Fl. 332DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.901966/2010­72  Acórdão n.º 1802­001.986  S1­TE02  Fl. 331          5 do  art.  150,  §  4º,  do  CTN,  operou­se  a  extinção  do  crédito  tributário pela ocorrência da decadência;  b) outrossim e não reconhecendo este Julgador o pleito anterior  apontado na alínea “a”, suplica o Impugnante a REFORMA do  despacho  decisório  levada  a  efeito  pela  autoridade  fiscal  para  acolher  procedência  in  totum  do  PER/DCOMP  04274.46293.250209.1.7.02­0273.  O Banco protesta provar o alegado por todos os meios de prova  em  direito  admitidos,  tudo  de  logo  requerido,  especialmente  juntada atual e posterior de documentos, perícias e tudo o mais  que se fizer necessário para elidir prova em contrário, consoante  dispõe o art. 16, IV, § 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72.  É o Relatório.    Naquela  oportunidade  a  nobre  turma  julgadora  entendeu  pela  procedência  parcial do reclamo, conforme sintetiza a Ementa às e­fls 151/152:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2003  PER/DCOMP.  SALDO  NEGATIVO.  ESTIMATIVAS  GLOSADAS.  As  importâncias  informadas  no  PER/DCOMP,  recolhidas  por  meio  de DARF  a  título  de  estimativas  de  IRPJ,  superiores  aos  débitos  declarados  em  DCTF,  podem  ser  aproveitadas  no  cálculo do saldo negativo, desde que não sejam utilizadas para  outros fins.  PER/DCOMP.  SALDO  NEGATIVO.  RETENÇÕES  DE  IMPOSTO NÃO CONFIRMADAS.  Mantém­se a glosa da antecipação informada no PER/DCOMP,  a  título  de  imposto  de  renda  retido  na  fonte,  quando  o  contribuinte  não  apresenta  a  prova  documental  de  que  tenha  sofrido o ônus da correspondente retenção.  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Ano­calendário: 2003  PER/DCOMP. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO.  O prazo previsto para homologação da compensação declarada  pelo  sujeito  passivo  não  se  confunde  com  o  prazo  decadencial  relativo aos débitos informados no PER/DCOMP, os quais já se  encontram formalizados como confissão de dívida, constituindo­ se  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência  dos  valores  indevidamente compensados.  Fl. 333DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     6 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2003  PEDIDO DE PERÍCIA.  Considera­se não formulado o pedido de perícia que não satisfaz  os requisitos previstos na legislação de regência. Também não se  determina de ofício a realização de diligência ou perícia, quando  estão  presentes  nos  autos  todos  os  elementos  de  convicção  necessários à solução da lide.  DILAÇÃO PROBATÓRIA. OITIVA DE TESTEMUNHA  Pelo princípio da concentração das provas na contestação, que  informa  o  processo  administrativo  fiscal,  devem  elas  ser  apresentadas  com  a  impugnação,  salvo  quando  fique  demonstrada a ocorrência de motivo de  força maior; decorram  de  fato  ou  direito  superveniente,  ou,  ainda,  destinem­se  a  contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte    Como  se extrai  do voto,  houve portanto  reconhecimento parcial  do  crédito,  conforme as seguintes conclusões (e­fls 163):  Conclusão  Em razão dos fundamentos adotados neste voto:  a)  indeferem­se  os  pedidos  de  perícia  e  de  juntada  de  novas  provas;  b) não se reconhece a decadência dos débitos relativos ao ano­ calendário de 2004, confessados no PER/DCOMP;  c)  a  cobrança  dos  débitos  confessados  no  PER/DCOMP  nº  23721.88010.050804.1.7.02­4417  não  pode  prosseguir,  porque  os  referidos  débitos  foram  quitados  antes  de  sua  homologação  tácita, que ocorreria em 5.8.2009;  d)  quanto  à  apuração  do  crédito  de  saldo  negativo,  do  ano­ calendário 2003:  d.1) mantém­se a glosa do valor de R$ 42.517,70,  relativo  ao  imposto de  renda  retido na  fonte,  tendo em vista que o  Banco  não  logrou  comprovar  as  parcelas  “não  confirmadas” pela unidade de origem;  d.2)  mantém­se  a  glosa  da  parcela  “não  confirmada”,  relativa à estimativa de IRPJ de maio/2003, no valor de R$  213.137,40,  já  utilizada  pelo  próprio  Banco  em  outro  PER/DCOMP;  d.3)  restabelecem­se,  como  estimativas  recolhidas  e  confirmadas, as parcelas de R$ 1.093.619,14 (abril/2003) e  Fl. 334DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.901966/2010­72  Acórdão n.º 1802­001.986  S1­TE02  Fl. 332          7 de R$ 1.318.744,82 (agosto/2003), tendo em vista que esses  valores  foram  efetivamente  pagos  e  encontram­se  disponíveis nos sistemas da RFB;  Em  suma,  com  relação  ao  direito  creditório  em  litígio,  correspondente  ao  montante  de  R$  2.668.019,06  (parcela  não  reconhecida  do  saldo  negativo  de  IRPJ,  ano­calendário  2003),  considera­se a Manifestação de Inconformidade PROCEDENTE  EM  PARTE,  reconhecendo­se  neste  julgamento  o  crédito  em  favor  do  contribuinte  no  valor  de  R$  2.412.363,96,  homologando­se  as  compensações  pendentes  até  o  limite  desse  crédito. A autoridade administrativa deve adotar as providências  necessárias para impedir que tais parcelas de estimativa de IRPJ  recolhidas (abril e agosto/2003) apresentem­se como disponíveis  para outras utilizações.    Intimada do Acórdão em 23/08/2012 (e­fls 173), mostrou­se irresignada, pelo  que  apresentou  Recurso  Voluntário  em  21/09/2012  (e­fls  175/191),  alegando  em  apertada  síntese pelo  reconhecimento do crédito de R$ 42.517,70  (quarenta e dois mil  e quinhentos e  dezessete  reais  e  setenta  centavos)  da  parte  do  crédito  não  reconhecida  nos  presentes  autos  relativo a supostas retenções na fonte e R$ 213.137,40 (duzentos e  treze mil, cento e  trinta e  sete  reais  e quarenta centavos) da estimativa  referente maio, por  suposta  já utilização de seu  valor em outra DCOMP.  É o relato do essencial.                          Fl. 335DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     8 Voto             Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  preenche  aos  requisitos  de  admissibilidade, pelo que dele, tomo conhecimento.  Como  se  extrai  do  relatório,  houve  reconhecimento  parcial  do  crédito  pleiteado via DCOMP, carecendo tão somente pela já utilização de parte desse saldo em outra  DCOMP e pela não apresentação de documentação suporte tendente a demonstrar a existência  de tributo retido na fonte por terceiros a habilitar sua utilização.  Com relação ao tributo retido na fonte, o contribuinte explica no seu Recurso  Voluntário o seguinte (e­fls 181/182):  O  total  da  retenção  na  fonte,  informado  pelo  Recorrente  na  PER/DCOMP totaliza o valor de R$ 153.501,16, enquanto que o  valor  considerado  pela  Receita  é  somente  de  R$  110.983,46,  perfazendo  uma  diferença  de  R$  42.517,70,  conforme  abaixo  apontado:  CNPJ da Fonte  Pagadora  Código de  Receita  Valor  PER/DCOMP  Valor  Confirmado  Valor Não  Confirmado  00.001.180/0001­26  5706  37.285,56  0,00  37.285,56  00.394.460/0079­01  6188  3.145,81  0,00  3.145,81  69.412.997/0001­93  8045  5.497,82  3.411,19  2.086,33  TOTAL  45.929,19  3.411,19  42.517,70  Todavia,  tais  diferenças  merecem  algumas  considerações  elucidativas:  ­ R$ 37.285,56 – Eletrobrás – CNPJ: 00.001.180/0001­26 – este  valor refere­se à retenção feita pela Eletrobrás (Doc. 03). Após  uma visita à Receita Federal, e ao ser analisado pelo Auditor, foi  verificado  que  o  problema  reside  no  fato  de  que  a  Eletrobrás  indicou em sua DIRF a retenção com código n° 3426­Aplicações  Financeiras  de  Renda  Fixa,  quando  o  correto,  seria  o  código  5706­Juros  sobre  Capital  Próprio,  indicado  pelo  Banco  na  PERDCOMP, conforme pode ser verificado no comprovante   ­ R$ 2.086,22 – Santos Seguradora – CNPJ: 69.412.997/0001­93  –  o  problema  reside  no  fato  de  que  no PERD/COMP o Banco  informou o valor de R$ 5.497,82 para a fonte pagadora Santos  Seguradora,  quando  para  esta  fonte  o  valor  correto  é  R$  3.411,49  conforme  comprovante  (Doc.  04)  e  reconhecimento  pela própria Receita Federal. O valor de R$ 2.086,33 refere­se à  fonte  pagadora  INDIANA  SEGUROS  S/A  –  CNPJ  61.100.145/0001­59, conforme comprovante (Docs. 05, 06 e 6.1),  tendo havido equivoco apenas em relação à informação da fonte  pagadora.  Fl. 336DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.901966/2010­72  Acórdão n.º 1802­001.986  S1­TE02  Fl. 333          9 ­  3.145,81  –  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Fortaleza  –  CNPJ:  00.394.460/0079­01  –  Este  valor  foi  informado pelo Banco no CNPJ errado, quando o correto seria  00.394.460/0058­87  referente  à  fonte  pagadora  SECRETARIA  DA RECEITA FEDERAL (Doc. 07).  Destarte,  restou  demonstrada  a  existência  do  crédito  de  R$  42.517,70  por  parte  do  BNB  perante  o  Fisco.  Além  dos  comprovantes, a Receita Federal poderá verificar a veracidade  das informações prestadas por meio de seus sistemas.  Como se observa, o contribuinte expõe a existência de alguns equívocos nas  informações consideradas pela fiscalização para análise do direito creditório, que sustentariam  o reconhecimento integral de seu direito creditório a partir das retenções na fonte.  Em análise da documentação juntada ao Recurso, identifica­se o seguinte:  (I)  com relação ao suposto direito ao crédito de R$ 37.285,56, o “Doc.  03” não é o  Informe de Rendimentos aceito para comprovação das  retenções na  fonte, motivo pelo qual,  não pode  ser utilizado como  prova de retenção;  (II)  com  relação  ao  suposto  direito  ao  crédito  de  R$  2.086,22,  não  confere o relato do contribuinte com o que consta como “Doc. 04”.  A recorrente discorre que o montante ali disposto é de R$ 3.411,49.  Foi  exatamente  este montante  que  a Receita  Federal  reconheceu  e  homologou,  não  havendo  saldo  resquício  a  ser  aproveitado  pelo  contribuinte;  (III)  com relação ao suposto direito ao crédito de R$ 2.086,33, parte não  reconhecida  pela  Receita  Federal  de  Santos  Seguradora,  os  “Doc.  05,  06  e  6.1”,  não  são  Informes  de  Rendimento  aceitos  para  comprovação  das  retenções  na  fonte,  não  identificado  sequer  a  suposta  fonte  pagadora,  que  o  contribuinte  sustenta  ser  de  Indiana  Seguros, motivo  pelo  qual,  não  pode  ser  utilizado  como  prova  de  retenção.  Ainda  se  assim  não  fosse,  há  valores  relativos  ao  ano­ calendário de 2002 que não podem ser consignados, e;  (IV)  com  relação  ao  suposto  direito  ao  crédito  de  R$  3.145,81,  onde  supostamente  houve  um  erro  na  informação  do  CNPJ  da  fonte  pagadora,  consta  como  documento  anexado  o  Informe  de  Rendimentos  do  ano­calendário  de  2002,  que  não  consolida  seu  direito creditório.  Tendo em vista o exposto, não há como aproveitar em seu benefício nenhum  documento,  mantendo­se  a  não  homologação  da  compensação  nesta  parte,  pelo  não  reconhecimento das supostas retenções efetuadas por  terceiros no montante de R$ 42.517,70.  Ressalta­se que  tais vinculações  já haviam sido consistidas pela autoridade  fiscal, motivando  no não reconhecimento proferido pela Delegacia Regional de Julgamento.  Superada  essa  questão,  passa­se  à  análise  do  direito  creditório  de  R$  213.137,40, no qual assim dispõe o Recurso Voluntário (e­fls 182/183):  Fl. 337DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     10 Com relação ao valor de R$ 213.137,40, o fisco está correto no  que concerne à utilização do crédito como “Pagamento Indevido  ou  a  Maior”,  através  do  PER/DCOMP  n°  21277.30976.040804.1.3.04­8381  (doc.  11). O  que  aconteceu  é  que, ao utilizarmos este crédito, oriundo do pagamento a maior  de  mai/2003,  não  deveríamos  tê­lo  incluído  na  composição  do  saldo  negativo,  vez  que  o  mesmo  não  estava  disponível.  O  correto seria o Banco ter feita a composição do saldo negativo,  desconsiderando o crédito de maio já utilizado, de forma que o  saldo  negativo  ficaria  em  R$  19.096.352,50,  ao  invés  de  R$  19.309.489,91.  Demonstrativo do saldo negativo apurado pelo BNB  DARFs Recolhidos – Período de Apuração    R$  jan/03          5.795.667,40  fev/03          5.297.386,63  abr/03          5.109.529,27  mai/03          4.464.105,65  ago/03          3.005.884,54  set/03          3.854.248,54  out/03          4.547.602,23  Valor total dos DARFs recolhidos    32.074.424,26  Tributos Retidos por Terceiros    153.501,16  Setor Público        106.458,29  Setor Privado        47.042,87  Valor recolhido        32.227.925,42  (­) IRPJ DEVIDO        (13.131.572,91)  Saldo Negativo = Créditos Tributários   19.096.352,50  em favor do BNB    Importante  esclarecer que, apesar deste  erro de  informação do  saldo  negativo,  inicialmente  informado  na  PER/DCOMP  04274.46293.250209.1.7.02­0273, o Banco não utilizou o crédito  de  R$  19.309.489,91,  mas  sim  de  R$  19.096.352,50,  restando  saldo de R$ 213.137,40 conforme demonstrado no PER/DCOMP  n°  07869.10814.260309.1.7.02­2291  (Doc.  12).  Desta  forma,  o  crédito  de  R$  213.137,40  foi  utilizado  devidamente  uma  única  vez, não incorrendo em prejuízo ao fisco.    Ora, não procede o reclamo do contribuinte neste aspecto. No próprio cálculo  disposto  no  Recurso  Voluntário,  o  contribuinte  demonstra  a  diminuição  do  saldo  negativo  apurado de R$ 19.309.489,91 para R$ 19.096.352,50.  Fl. 338DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10380.901966/2010­72  Acórdão n.º 1802­001.986  S1­TE02  Fl. 334          11 A  diminuição  ocorreu  em  virtude  do  ajuste  da  estimativa  do  mês  de  mai/2003, conforme declarado em DCTF.  Assim, diminuindo o montante do saldo negativo apurado, diminui na mesma  proporção o direito creditório a ele concernente. Com relação ao montante recolhido a maior na  estimativa  de maio  de  2003,  não  há  dúvidas  de  que  este  foi  utilizado  em  outro  processo  de  compensação,  já  analisado  e  homologado  pela  autoridade  fiscal,  conforme  bem  discorreu  o  voto da turma julgadora a quo (e­fls. 161):  Quanto  à  estimativa  de  maio  de  2003,  observa­se,  às  fls.  133,  que  o  Banco  efetivamente  recolheu  o  montante  de  R$  4.677.243,05, porém declarou em DCTF, apenas a  importância  de R$  4.464.105,65,  de modo que  restaria  um  saldo  disponível  correspondente à diferença de R$ 213.137,40. Acontece, que, no  extrato mencionado não há saldo disponível, pois esse valor fora  objeto  de  pleito  formulado  pelo  contribuinte,  em  2004,  na  modalidade  pagamento  indevido  ou  a  maior,  para  uso  no  PER/DCOMP  nº  21277.30976.040804.1.3.04­8381.  Além  disso,  os extratos de fls. 135 e 139 demonstram que esse PER/DCOMP  foi  apreciado  favoravelmente  pela  RFB,  tendo  obtido  o  reconhecimento integral do crédito pleiteado (R$ 213.137,40), o  qual foi utilizado para compensação dos débitos informados pelo  Banco  (fls.  140).  Assim,  procede  a  glosa  da  parcela  não  confirmada, no valor de R$ 213.137,40, já utilizada pelo próprio  Banco  para  quitar  os  débitos  informados  no  PER/DCOMP  nº  21277.30976.040804.1.3.04­8381.    Assim, se considerar este valor novamente dentro do saldo negativo, estaria o  contribuinte utilizando em duplicidade este crédito (uma vez como pagamento a maior e outra  vez  como  saldo  negativo)  o  que  não  é  permitido  pela  legislação  (art.  165  e  170  do Código  Tributário Nacional).  Não logra êxito novamente o contribuinte, em relação ao suposto crédito de  R$ 213.137,40. Como consta no voto da DRJ, a RFB já apreciou e reconheceu o crédito por  pagamento indevido ou a maior na DCOMP 21277.30976.040804.1.3.04­8381 neste montante,  tendo o contribuinte utilizado este saldo para compensar outros débitos vencidos.  Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso.  É como voto.    (ASSINADO DIGITALMENTE)  Marciel Eder Costa ­ Relator              Fl. 339DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA     12                   Fl. 340DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 05/03/2014 p or MARCIEL EDER COSTA, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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Numero do processo: 10935.904612/2012-28
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/11/2006 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1669; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 64          1 63  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.904612/2012­28  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­002.394  –  1ª Turma Especial   Sessão de  27 de novembro de 2013  Matéria  DCOMP ELETRÔNICO ­ PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO  Recorrente  ANHAMBI ALIMENTOS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 30/11/2006  COMPENSAÇÃO.  DIREITO  CREDITÓRIO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  EM  SEDE  ADMINISTRATIVA.  Não  existindo,  na  legislação,  norma  que  autorize  a  exclusão  do  valor  do  ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o  julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta  é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.   Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram  pelas conclusões.     (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente     (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel­ Relatora.           AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 12 /2 01 2- 28 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904612/2012­28  Acórdão n.º 3801­002.394  S3­TE01  Fl. 65          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney  Eduardo  Stahl,  Paulo  Sérgio  Celani,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva Murgel,  Marcos  Antônio  Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904612/2012­28  Acórdão n.º 3801­002.394  S3­TE01  Fl. 66          3   .  Relatório  Trata­se de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou  a maior  formulado  pelo  ora Recorrente, Anhambi Alimentos  Ltda.,  que  não  foi  reconhecido  pela Delegacia da Receita Federal de origem.  Não  concordando  com  o  indeferimento  do  seu  pleito,  o  Recorrente  apresentou manifestação  de  inconformidade  que  foi  julgada  improcedente  pela Delegacia  de  Julgamento. Restou assim ementado o acórdão:  COFINS.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DO  DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP.   Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de  se indeferir o pedido de restituição apresentado.   EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO.   Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de  cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido  valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços  prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou  pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.   CONTESTAÇÃO  DE  VALIDADE  DE  NORMAS  VIGENTES.  JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA.   Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da  conformidade  da  atividade  de  lançamento  com  as  normas  vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar  validade  sob  o  argumento  de  inconstitucionalidade  ou  ilegalidade.   Manifestação de Inconformidade Improcedente.   Inconformado  com  a  decisão  proferida  e  repisando  os  argumentos  apresentados  em  sua  Manifestação  de  Inconformidade,  o  Recorrente  apresentou  Recurso  Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional  “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”.  É o relatório.   Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904612/2012­28  Acórdão n.º 3801­002.394  S3­TE01  Fl. 67          4     Voto             Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora  Presentes  os  requisitos  de  admissibilidade  do  Recurso  Voluntário,  dele  conheço.  O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de  crédito  tributário pago  indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito  decorre  da  inconstitucional  inclusão,  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  do  valor  do  ICMS devido aos Estados­membros.   Sem  trazer  nenhum  provimento  jurisdicional  favorável,  em  suas  razões  recursais, alega que o  ICMS é  tributo devido aos Estados­membros e, por  isso, não pode ser  considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o  tema para embasar suas alegações.  Em  que  pese  essa  Relatora  ter  o mesmo  entendimento  do  Recorrente  com  relação  à  matéria,  ou  seja,  o  ICMS,  de  fato,  não  poderia  compor  a  base  de  cálculo  da  contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   Assim,  como muito  bem  colocado  no  acórdão  recorrido,  “cumpre  registrar  que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de  cálculo  do PIS  e  da Cofins,  já  que  esse  valor,  ainda  que  assim não  entenda  a  interessada,  é  parte  integrante  do  preço  das  mercadorias  e  serviços  vendidos,  exceção  feita  para  o  ICMS  recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se  depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”.  Inexistindo na  legislação em vigor  a possibilidade de o contribuinte excluir  da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o  direito creditório do Recorrente.   Ademais,  importante  ressaltar  que  os  Ministros  do  Supremo  Tribunal  Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade  da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a  favor dos contribuintes.   Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força  da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em  2007  e  ainda  pendente  de  julgamento.  Assim,  não  há,  até  o  presente  momento,  qualquer  definição do Poder Judiciário acerca da questão.  Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904612/2012­28  Acórdão n.º 3801­002.394  S3­TE01  Fl. 68          5   Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento.       (assinado digitalmente)  Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel                                    Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES

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5334154 #
Numero do processo: 10860.002932/2003-71
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias. (Súmula CARF nº 29) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61) Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTAS CONJUNTAS. INTIMAÇÃO. Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos recursos depositados e/ou creditados nas contas bancárias. (Súmula CARF nº 29) OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE DE R$80.000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61) Recurso Voluntário Provido.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina Ventrilho.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 1.792          1 1.791  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10860.002932/2003­71  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2801­003.337  –  1ª Turma Especial   Sessão de  21 de janeiro de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  MARIO MANZOLI CARUSO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 1999  LANÇAMENTO COM BASE  EM DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  CONTAS  CONJUNTAS. INTIMAÇÃO.  Nos casos de contas bancárias em conjunto é indispensável a regular e prévia  intimação  de  todos  os  titulares  para  comprovar  a  origem  dos  recursos  depositados e/ou creditados nas contas bancárias. (Súmula CARF nº 29)  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  EXCLUSÃO. DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00. LIMITE  DE R$80.000,00.  Os depósitos bancários  iguais ou  inferiores a R$12.000,00  (doze mil  reais),  cujo  somatório  não  ultrapasse  R$80.000,00  (oitenta  mil  reais)  no  ano­ calendário,  não  podem  ser  considerados  na  presunção  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, no caso de pessoa física. (Súmula CARF nº 61)  Recurso Voluntário Provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.     Assinado digitalmente   Tânia Mara Paschoalin ­ Presidente e Relatora.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 29 32 /2 00 3- 71 Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10860.002932/2003­71  Acórdão n.º 2801­003.337  S2­TE01  Fl. 1.793          2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin,  José  Valdemir  da  Silva,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida  e  Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Claudio Farina  Ventrilho.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  apresentado  contra  decisão  proferida  pela  2ª  Turma da DRJ/BHE/MG.  Por  bem  descrever  os  fatos,  reproduz­se  abaixo  o  relatório  da  decisão  recorrida:  Contra  o  Contribuinte,  pessoa  física  já  qualificada  nos  autos,  foi  lavrado  o  Auto  de  Infração  de  fls.  215/219,  que  exige  o  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  ­  IRPF,  exercício  de  1999,  ano­calendário  de  1998, no valor de R$ 580.581,09, acrescido de multa de oficio e juros  de mora pertinentes, calculados até 30 de abril de 2003.  O lançamento decorre do procedimento de verificação do cumprimento  das  obrigações  tributárias  tendo  sido  constatadas  as  seguintes  irregularidades:  001­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA  Omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem não comprovada Omissão  de  rendimentos  relativa  ao  Imposto  de Renda Pessoa Física, caracterizada por valores creditados em contas  correntes  e  de  cadernetas  de  poupança,  mantidas  no  Banco  Bradesco  S/A,  em  relação  as  quais  o  contribuinte,  regularmente  intimado,  não  comprovou,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos utilizados nessas operações, conforme Relatório Fiscal de fls.  209 a 214 deste processo administrativo fiscal, que faz parte integrante  deste auto.  Como  enquadramento  legal  foram  citados  os  seguintes  dispositivos  legais: art. 42, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; art. 4o da  Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997 e art. 21 da Lei n° 9.532, de 10  de dezembro de 1997.  Da Impugnação.  Cientificado do lançamento em 03 de julho de 2003 (AR fls. 231, Vol­I),  o  Contribuinte  apresentou,  em  30/07/2003  (Vol  I),  a  impugnação  de  folhas 235 a 238, com as argumentações a seguir sintetizadas.  Após  descrever  os  fatos  ocorridos  durante  o  procedimento  de  fiscalização o impugnante apresenta suas razões de mérito.  Conta 23.743­4 ­ Bradesco   Em relação à conta n° 23.743­4, o contribuinte deixou de apresentar os  esclarecimentos  solicitados  por  tratar­se  de  conta  corrente  com  movimentação  normal,  não  necessitando  de  maiores  esclarecimentos,  mesmo  porque,  compatível  com  os  ganhos  constantes  em  sua  Declaração de Rendas relativa ao ano­calendário de 1998.  Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10860.002932/2003­71  Acórdão n.º 2801­003.337  S2­TE01  Fl. 1.794          3 Sendo assim, o total de R$ 20.822,03, referente aos valores constantes  na c/c n° 23.743­4, e apontados pelo Sr. Agente Fiscal no "Quadro 1 ­  Demonstrativo  dos Depósitos/Créditos  ­1998",  ou  seja:  R$  14.662,43  (conta  corrente)  e  R$  6.159,60  (poupança),  deve  ser  excluído  do  "quadro 2 ­ Diferenças Apuradas ­ 1998", eis que refere­se a depósitos  decorrentes  de  ganhos  normais  do  impugnante  devidamente  comprovados, em sua Declaração de Rendi mentos no ano­calendário  de 1998, exercício de 1999.  Conta  23.744­7­  Bradesco­  Ita  Industrial  Ltda.CNPJ  43.734.979/0001­34.  Diz  o  autuado  que,  em  relação  aos  depósitos  constantes  na  c/c  n°  22.744­7, o agente  fiscal em seu Relatório Fiscal  (Item 12)  tendo por  base a documentação de fls. 178/208, denominado "DETALHAMENTO  DE CRÉDITOS",  transferiu o  valor de R$ 159.620,04, que  segundo o  contribuinte  pertence  à  empresa  Ita  Industrial  Ltda.,  que  se  encontra  sob  ação  fiscal  (RF  de  fls.  211)  e  será  objeto  de  representação  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Taboão  da  Serra  (MPF  n°  2001­ 00040), e por esse motivo não será tributado na pessoa física (Coluna  C do quadro "Demonstrativo dos Depósitos/Créditos"). O  impugnante  alega  que,  nada  mais  justo  que  o  valor  do  novo  "Detalhamento  de  Créditos"  juntado  à  impugnação,  que  é  complementação  do  outro  apresentado antes  da  lavratura  do auto de  infração  seja  considerado  no julgamento deste processo, abatendo­se do total anual apurado nos  Quadros  1  e  2  do  Relatório  Fiscal  (fls.  212/213),  redundando  na  improcedência do Auto de Infração.  Diz,  ainda,  o  impugnante  que  o  novo  detalhamento  de  créditos,  ora  apresentado, ficou pronto em junho de 2003, e nesta ocasião o presente  Auto de Infração já havia sido lavrado.  Por fim, requer o cancelamento da exigência.  Nos  termos  da  Portaria  SRF  n°  106,  de  29  de  janeiro  de  2007,  publicada  no  Diário  Oficial  da  União  de  30  de  janeiro  de  2007,  o  presente  processo  foi  transferido  para  ser  julgado  na  DRJ  de  Belo  Horizonte. E, nos  termos da Portaria DRJ/BHE n° 27, de 03 de  julho  de 2007, DOU de 04 de julho de 2007, foi designada a 2ª Turma para o  julgamento do processo.  Por  meio  da  Resolução  n°  836,  desta  DRJ/BHE,  o  Julgamento  foi  convertido em Diligência e o processo retornou à Delegacia de origem  para  pronunciamento  da  fiscalização  acerca  das  alegações  e  documentação apresentadas na fase impugnatória .  Ao  tomar  ciência  do  resultado  da  Diligência,  conforme  despacho  n°  008 de 13/01/2009, fls. 427, o contribuinte se manifestou a respeito do  resultado da diligência às fls. 432/435, anexando os documentos de fls.  440 a 504, aditando as razões de impugnação a seguir sintetizadas:  Inicialmente, esclarece o impugnante que a assertiva da Fiscalização,  de  que  os  seus  gastos  e  de  sua  família  são  incompatíveis  com  os  rendimentos  por  ele  declarados,  não  encontra  fundamento,  pois  não  foram  levados  em  conta  os  rendimentos  de  sua  esposa,  consideravelmente superiores aos auferidos pelo impugnante, conforme  cópia da declaração do imposto de renda, fls. 440/442, que anexa.  Quando  a  assertiva  de  que  somente  o  valor  de  R$  195.000,00  foi  devolvido à empresa Ita Industrial Ltda., por meio de crédito na Conta  Corrente  desta,  e  que  o  restante  teria  permanecido  sob  a  Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10860.002932/2003­71  Acórdão n.º 2801­003.337  S2­TE01  Fl. 1.795          4 disponibilidade  do  impugnante,  esclarece  que  os  valores  remanescentes,  em  verdade,  foram  sim,  utilizados  pela  Ita  Industrial  Ltda., não através de depósito na sua conta corrente, mas por meio do  pagamento das suas despesas correntes.  O  interessado explica que, durante o procedimento de fiscalização, os  documentos comprobatórios da "devolução" dos valores creditados na  Conta­Corrente  227447,  não  foram  solicitados,  tendo  a  autoridade  fiscal  considerado  a  apresentação  do  relatório  denominado  "Detalhamento  de  Créditos"  suficiente  para  excluir  da  autuação  o  montante  de  R$  159.620,04.  Por  esse  motivo,  na  peça  impugnatória,  foram  apresentados  os mesmos  documentos  exigidos  pela  Autoridade  Fiscal.  Visando  comprovar  que  os  valores  depositados  na  conta  corrente  n°  22.744­7  foram  integralmente  utilizados  pela  Ita  Industrial  Ltda.,  o  impugnante requer a  juntada dos comprovantes de que o montante de  R$ 83.538,19  foi destinado ao pagamento de despesas  e  fornecedores  pela empresa "Ita Industrial Ltda" e protesta pela posterior juntada dos  demais documentos comprobatórios.  A  impugnação  foi  julgada  procedente  em  parte,  conforme Acórdão  de  fls.  516/526,  para  reduzir  a  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com  origem não comprovada de R$ 867.335,65 para R$ 672.335,65.  Regularmente  cientificado  daquele  acórdão  em  05/10/2009  (fl.  532),  o  interessado, representado por sua advogada (fl. 548), interpôs recurso voluntário de fl. 535/543,  em 03/11/2009. Em sua defesa, além de repetir os argumentos da impugnação, esclarece que a  conta bancária conta bancária n° 22.744­7 do Banco Bradesco S/A era conjunta com seu irmão  Bruno Manzoli Caruso, então diretor da empresa Ita Industrial Ltda.  A numeração de folhas citada nesta decisão refere­se à serie de números do  arquivo PDF.  É o relatório.  Voto             Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  Cuida  o  presente  lançamento  de  exigência  do  IRPF  sobre  omissão  de  rendimentos  caracterizada  pela  existência  de  depósitos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada pelo sujeito passivo, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96.  Antes, porém, de analisar o mérito da matéria versada nestes autos, é preciso  analisar uma questão preliminar. Trata­se do fato de que a documentação constante dos autos  demonstra que uma das contas que deram ensejo ao lançamento – conta corrente n° 22.744­7  mantida no Banco Bradesco S/A ­ não era de titularidade somente do recorrente, haja vista as  cópias  dos  cheques  juntadas  aos  autos  (a  partir  de  fl.  632),  que demonstram  a  existência  de  outro titular – Bruno Manzoli Caruso.  Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10860.002932/2003­71  Acórdão n.º 2801­003.337  S2­TE01  Fl. 1.796          5 Entretanto,  não  consta  de  nenhum  dos  Termos  de  Intimação  acostados  aos  autos  a  intimação  do  outro  titular  para  que  comprovasse  a  origem  dos  depósitos  efetuados  naquela conta, sendo certo que o recorrente foi o único intimado a fazê­lo.   A Súmula CARF nº 29 dispõe:  Todos  os  co­titulares  da  conta  bancária  devem  ser  intimados  para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na  fase  que  precede  à  lavratura  do  auto  de  infração  com  base  na  presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena  de nulidade do lançamento.  Assim,  em  relação  à  conta  conjunta  mantida  no  Banco  Bradesco  S/A,  o  procedimento  fiscal  não  está  em  consonância  com  as  condições  impostas  pela  legislação  de  regência.  Portanto,  deve­se  excluir  da  exigência  os  correspondentes  créditos  bancários  que  correspondem ao montante de R$ 651.513,62.  A parcela remanescente do lançamento de R$ 20.822,03 refere­se aos valores  constantes na conta corrente n° 23.743­4 do Banco Bradesco S/A, relacionados no "Quadro 1 ­  Demonstrativo dos Depósitos/Créditos ­1998", à fl. 213,  No que se refere a esses, é de se observar o comando existente no parágrafo  3º, inciso II, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcrito:  §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão analisados individualizadamente, observado que não serão  considerados:  (...)  II ­no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no  inciso  anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00  (doze  mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil  reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997)  Dos  citados  dispositivos  infere­se  que,  no  caso  de  pessoas  físicas,  não  se  admite a presunção de omissão de rendimentos, relativamente aos créditos de valor individual  inferiores a R$12.000,00, cuja soma não atinja o montante de R$80.000,00, no ano­calendário,  sendo, inclusive, este o teor da Súmula CARF nº 61, abaixo transcrita:  Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores  a R$ 12.000,00  (doze mil reais),  cujo  somatório não ultrapasse  R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano­calendário, não podem  ser  considerados  na  presunção  da  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada, no caso de pessoa física. (Portaria CARF nº 52, de  21 de dezembro de 2010).  Assim, também deve ser cancelada a omissão de rendimentos correspondente  aos créditos bancários constantes na conta corrente n° 23.743­4 do Banco Bradesco S/A , visto  que  os  valore  individuais  são  inferiores  a  R$  12.000,00  e  montante  é  inferior  ao  limite  de  R$80.000,00.  Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10860.002932/2003­71  Acórdão n.º 2801­003.337  S2­TE01  Fl. 1.797          6 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso.    Assinado digitalmente  Tânia Mara Paschoalin                                Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/01/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN

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