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Numero do processo: 11080.100651/2003-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF
Ano-calendário: 1998
Ementa:
NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. DECISÃO QUE DEIXA DE APRECIAR FUNDAMENTO APRECIADO PELO SUJEITO PASSIVO. Deixando de apreciar relevante argumento e elementos comprobatórios apresentados pelo contribuinte em sua defesa, deve o acórdão
de primeira instância ser anulado para que seja proferido outro em boa ordem.
Preliminar de Nulidade Acolhida.
Numero da decisão: 2201-001.560
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância, para que outra seja proferida com o exame do mérito.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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DECISÃO QUE DEIXA DE APRECIAR FUNDAMENTO APRECIADO PELO SUJEITO PASSIVO. Deixando de apreciar relevante argumento e elementos comprobatórios apresentados pelo contribuinte em sua defesa, deve o acórdão de primeira instância ser anulado para que seja proferido outro em boa ordem. Preliminar de Nulidade Acolhida.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declarar a nulidade da decisão de primeira instância, para que outra seja proferida com o exame do mérito. (assinado digitalmente) PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 20/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rayana Alves de Oliveira França, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente em exercício). Relatório Fl. 735DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado em 16/06/2003, Auto de Infração de fls. 13/14, para exigir crédito tributário no montante total de R$1.329.519,70, relativo ao período compreendido entre 04/1998 a 09/1998. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 38), o presente processo trata de lançamento referente a IRRF, em decorrência de inexatidão de valores declarados por meio de DCTF, constatada em procedimento de revisão interna, nos valores indicados nos demonstrativos que instruíram o Auto de Infração: Anexo I Demonstrativo dos créditos vinculados não confirmados (fl. 15); Anexo Ia – Relatório de auditoria interna de pagamentos informados na DCTF (fls. 16); e Anexo III – Demonstrativo do crédito tributário a pagar (fls. 17). Cientificado do lançamento em 17/07/2003 (“AR” fls.33), o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação de fls. 01/07, alegando já ter compensado os créditos tributários. Conforme informação contida no despacho de fls.38, datado de 10/04/2007, efetuado a recálculo eletrônico, foi constatado o pagamento parcial dos débitos do auto, antes do lançamento, conforme demonstrativos de fls. 34 a 37, ocasionando a revisão de ofício parcial do presente Auto de Infração. O contribuinte foi intimado do referido despacho (fls.41/42) e quedouse inerte (fls.708). Foi anexado ao presente processo cópia integral dos processos n° 11080.000575/9397 e 11080.000574/9324 consoante determinação da 5a Turma da DRJ/POA (fls.43/707). Após analisar a matéria, os Membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/SC, acordaram, por unanimidade de votos, julgar PROCEDENTE EM PARTE, nos termos do Acórdão DRJ/POA n° 10.16.345, de 13 de abril de 2008, fls. 709/712, para: “a) declarar a definitividade do lançamento do tributo na esfera administrativa; e b) cancelar a multa de oficio vinculada ao débito do item anterior. Encaminhese à unidade preparadora, para: a) dar ciência à autuada desta decisão, da qual não cabe recurso ao Conselho de Contribuintes; e b) b) analisar as alegações de pagamento, compensação ou parcelamento e tomar as providências necessárias ao controle dos créditos tributários.” Do referido acórdão, cabe transcrever enxerto do voto condutor que consolida as razões de decidir: “Além disso, a autuada não nega a existência desses créditos tributários, limitandose a afirmar que já foram pagos, compensados ou parcelados. Assim, o crédito tributário não foi impugnado, e as alegações da autuada configuram desistência Fl. 736DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11080.100651/200323 Acórdão n.º 220101.560 S2C2T1 Fl. 2 3 do processo, em conformidade com o art. 26, da Portaria MF n° 58, de 17/03/2006: Art. 26. 0 pedido de parcelamento, a confissão irretratável da divida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo. Deve portanto ser declara a definitividade desse lançamento do âmbito administrativo.” Cientificado da decisão de primeira instância em 20/10/2008 (“AR” fls.714), o contribuinte interpôs Recurso Voluntário Tempestivo, de fls. 717/727, na data de 19/11/2008, apresentando os argumentos a seguir sintetizados: • Tempestivamente, foi apresentada a cabível impugnação onde foi demonstrado o adimplemento dos valores exigidos através de pagamentos devidamente comprovados pelos DARF's anexados e compensações realizadas com créditos de TRD oriundos do processo administrativo n° 110800005749324. • a decisão não enfrentou as questões levantadas em sede de impugnação. Pelo contrário, entendeu que ao afirmar que os créditos cobrados estariam quitados, pasmem, o lançamento não teria sido impugnado. • Restou flagrante a da decisão a quo, carente em sua integralidade de fundamentação para mantença da exação, a qual simplesmente ignorou o adimplemento dos débitos lançados. • Assim, preliminarmente requer a nulidade da decisão de primeira instância, por ter a mesmo violado os princípios do Devido Processo Legal, bem como do contraditório e da ampla defesa. • No mérito, ressalva que ainda não foi enfrentado pelo julgado de primeiro grau, e novamente informa que os mesmos foram compensados com os créditos dos processos administrativos n° 11080.000.5759397 e11080.000.5749324, nos valores respectivos de R$ 23.671,02 e R$ 468.340,09, nos mesmos montantes dos débitos discutidos no presente lançamento. Havendo portanto, compensação total dos mesmos. • Os créditos de referidos processos são decorrentes da instrução normativa n° 032 de 09.04.1997, que determinou a da cobrança de juros de mora com base na TRD para o período de 04.02.1991 a 29.07.1991, autorizando a revisão e compensação dos créditos que ainda estivessem sendo pagos mediante parcelamento. O processo foi encaminhado a este colegiado, conforme despacho de fls. 729. É o Relatório. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. A autuação é decorrente de procedimento de auditoria interna nas DCTFs do anocalendário de 1998 – 2º e 3º Trimestres. A autuação se deu em 16 de junho de 2003, com ciência ao contribuinte em julho do mesmo ano. Inicialmente cabe ressaltar que há uma discussão nessa Colenda Câmara quanto à validade de tal lançamento, após a edição do art. 18 da MP n. 135, publicada em 31 de outubro de 2003, convertida na Lei n. 10.833, de 2003, que dispõe: “Art.18.O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.” Na análise da regra dessa norma, alguns entendem que a mesma por ser de caráter procedimental, tem efeito retroativo e se aplica a lançamentos passados. Dessa forma, os autos de infração que ainda se encontram em discussão processual, devem ser cancelados com o encaminhamento dos débitos para inscrição em dívida ativa, momento no qual, então, o contribuinte se defenderá. No invólucro desse entendimento procedeu a turma julgadora de primeira instância, não examinando o mérito do lançamento, muito menos as provas apresentadas pelo contribuinte, declarou a definitividade do lançamento do tributo na esfera administrativa. Não obstante essa interpretação, entendo que essa norma não se aplica aos autos de infração já formalizados e que são objeto de processo administrativo em curso. No caso concreto, o Auto de Infração foi lavrado em 16/06/2003, sob a égide do artigo 90, da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal.” Assim, no meu entender as questões relativas a procedimento fiscal, regemse pelo momento da prática, salvo norma posterior expressamente retroativa. O próprio CTN, no seu art. 144, determina: “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”, de forma que o auto de infração foi regularmente lavrado sob seus aspectos formais. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11080.100651/200323 Acórdão n.º 220101.560 S2C2T1 Fl. 3 5 De fato, é patente que, a partir da entrada em vigor do novo dispositivo, não mais se tornou necessário procedimento de ofício para constituição de crédito tributário declarado em DCTF e não pago, salvo nas hipóteses expressamente previstas. Não obstante, entender que o dispositivo tornou nulos os atos praticados na vigência do art. 90 da MP n. 2.15835 é darlhe extensão demasiada, incompatível com os cânones de interpretação. Sobre os efeitos dessa alteração na legislação, também se manifestou a Coordenação Geral de Tributação, na Solução de Consulta Interna n.3 de 08 de janeiro de 2004: 12. A legislação tributária a que se refere o art. 18 evoluiu da forma a seguir. 13. O art. 5°. § 1°, do Decretolei n" 2.124. de 13 de junho de 1984, estabeleceu que o documento que formalizasse o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de credito tributário (declaração de débitos), constituirseia confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência do crédito tributário. 14. Referido crédito tributário, evidentemente, somente seria exigido caso não tivesse sido extinto nem estivesse com sua exigibilidade suspensa, circunstância essa por vezes apurada pela autoridade fazendária somente após revisão do documento encaminhado pelo sujeito passivo à Secretaria da Receita Federal (SRF). 15. É com espeque no aludido dispositivo legal que a SRF poderia cobrar o débito confessado, inclusive encaminhálo à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Divida Ativa da União, sem a necessidade de lançamento de ofício do crédito tributário. 16. Contudo, o art. 90 da Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 24 de agosto de 200, determinou que a SRF promovesse o lançamento de oficio de todas as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pelo órgão. 17. Assim, não obstante o débito informado em documento encaminhado pelo sujeito passivo à SRF já estivesse por ele confessado o art. 90 da MP n" 2.15835, de 2001, não revogou o art. 5a do Decretolei n" 2.124, de 1984 , faziase necessário, para dar cumprimento ao disposto no art. 90 da MP n3 2.15835, de 2001, o lançamento de ofício do crédito tributário confessado pelo sujeito passivo em sua declaração encaminhada à SRF. 18. Esclareçase que o fato de um débito ter sido confessado não significa dizer que o mesmo não possa ser lançado de oficio; contudo, havendo referido lançamento, inclusive com a exigência da multa de lançamento de ofício, ficava sempre assegurado o direito de o sujeito passivo discutilo nas Fl. 739DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 instâncias julgadoras administrativas previstas no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 19. Tal sistemática perdurou até a edição da MP n° 135, de 30 de outubro de 2003, cujo art.18 derrogou o art. 90 da MP n° 2 15835, de 2001, estabelecendo que o lançamento de ofício de que trata esse artigo, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 20. Assim, com a edição da MP nº 135, de 2003, restabeleceuse a sistemática de exigência dos débitos confessados exclusivamente com fundamento no documento que formaliza o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário (DCTF, DIRPF, etc.), sistemática essa que vinha sendo adotada, com espeque no art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 1984, até a edição da MP nº 2.15835. de 2001. 21. Muito embora a MP nº 135, de 2003, dispense referido lançamento inclusive em relação aos documentos apresentados nesse período, os lançamentos que foram efetuados, assim como eventuais impugnações ou recursos tempestivos apresentados pelo sujeito passivo no curso do processo administrativo fiscal, constituemse atos perfeitos segundo a norma vigente à data em que foram, elaborados, motivo pelo qual devem ser apreciados pelas instâncias julgadoras administrativas previstas para o processo administrativo fiscal. 22. Nesse julgamento, em face do principio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de ofício sempre que não tenha sido verificada nenhuma das hipóteses previstas no art. 18 da Lei n6 10.833, de 2003, ou seja, que as diferenças apuradas tenham decorrido de compensação indevida em virtude de o credito ou o debito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que tenha ficado caracterizada a prática de sonegação, fraude ou conluio.” Ademais, ainda, concluiu que “no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do ‘caput’ do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no ‘caput’ desse artigo”. Embora se concorde com o afastamento da aplicação da multa de ofício pelo princípio da retroatividade benigna, prevista no Art. 106 do CTN, não se pode concordar o simples cancelamento do Auto de Infração e o encaminhamento do débito à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Dívida Ativa da União, com a conclusão de que o Auto de Infração seja considerado improcedente, relativamente ao lançamento do tributo. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 11080.100651/200323 Acórdão n.º 220101.560 S2C2T1 Fl. 4 7 Como bem esclarece solução de consulta acima referida, o lançamento do Auto de Infração é um ato jurídico perfeito, por ter sido lavrado nos termos da legislação vigente, e deve assim continuar a seguir seu devido processo legal, não podendo ser afastado por norma posterior não expressamente retroativa. Com respeito aos ilustres Conselheiros que entendem diferente e aos nobre julgadores que proferiram a decisão recorrida, tenho a convicção de que este não deveria ser o tratamento adotado, pois trata de uma violenta restrição do direito de ampla defesa, o que acaba por acarretar um desprestígio ao procedimento administrativofiscal, pois o contribuinte, muitas vezes, traz aos autos todas as provas concretas e necessárias à desconstituição do lançamento de ofício e, assim, tem a legítima expectativa de vêlo julgado. Dessa forma, entendo que a decisão de primeira instância deve sim, analisar o mérito da questão, devendo ser anulada a decisão recorrida para que não venha a ser suprida uma instância de julgamento e para que sejam devidamente analisados os fundamentos apresentados e as provas de que os débitos cobrados nesse processo foram devidamente compensados com os créditos dos processos administrativos n° 11080.000.5759397 e11080.000.5749324. Ademais a decisão de primeira instância ao afirmar que “a autuada não nega a existência desses créditos tributários, limitandose a afirmar que já foram pagos”, recai uma enorme contradição. Se os débitos discutidos no presente processo estão pagos, logicamente esse é o cerne da questão tratada. Comprovado seus pagamentos não há razão para subsisitir a cobrança através desse processo. Alias, essa é a principal discussão de mérito. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância, determinandose que outro seja proferido na devida forma. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 741DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 20/04/2012 __________(assinado digitalmente)_____________ PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Presidente em Exercício da 1a Turma Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 742DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900452/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Comprovada nos autos a regularidade das parcelas que compuseram o saldo negativo do IRPJ, deve ser homologada a compensação desse crédito com débitos do sujeito passivo, até o limite do crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1102-000.703
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso voluntário para reconhecer a parcela de R$ 1.090.461,12, em adição ao que já foi reconhecido pela Demac/RJO e pela decisão recorrida, relativa ao saldo negativo de IRPJ do período de 01/01/2005 a 30/11/2005, proveniente da sucedida PEGASUS TELECOM S/A, homologando-se as compensações dela decorrentes.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Recorrente TNL PCS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Comprovada nos autos a regularidade das parcelas que compuseram o saldo negativo do IRPJ, deve ser homologada a compensação desse crédito com débitos do sujeito passivo, até o limite do crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a parcela de R$ 1.090.461,12, em adição ao que já foi reconhecido pela Demac/RJO e pela decisão recorrida, relativa ao saldo negativo de IRPJ do período de 01/01/2005 a 30/11/2005, proveniente da sucedida PEGASUS TELECOM S/A, homologandose as compensações dela decorrentes. Documento assinado digitalmente. Albertina Silva Santos de Lima Presidente. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16682.900452/201081 Acórdão n.º 110200.703 S1C1T2 Fl. 260 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, Plínio Rodrigues Lima, e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório No presente recurso insurgese a recorrente contra a decisão da 9ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 que acolheu apenas parcialmente a solicitação de reforma do despacho decisório da Demac/RJ, o qual por sua vez, reconhecera apenas parcialmente o seu direito creditório e homologara as compensações até o limite do crédito reconhecido. O crédito alegado referese a saldo negativo de IRPJ no período de 01/01/2005 a 30/11/2005, proveniente de sua sucedida PEGASUS TELECOM S/A, CNPJ 00.136.111/000120, no valor original de R$ 22.817.805,82. Conforme o Despacho Decisório Nº de Rastreamento 869632423 (fls. 8), o reconhecimento do crédito não foi total porque restaram sem comprovação duas retenções na fonte, e duas parcelas de estimativas compensadas com saldo negativo de períodos anteriores. Inconformada com o Despacho Decisório, a Interessada apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 18 a 27, na qual alegou, em síntese, que a DIPJ 2005, referente ao anocalendário 2005, aponta a existência de saldo negativo no mesmo valor informado na DCOMP (R$ 22.817.805,82), e que o Fisco não poderia questionar o imposto de renda pago no ano de 2005 sem apresentar razões devidamente fundamentadas. Reclama que o Despacho Decisório apenas indica quais parcelas utilizadas para compor o saldo negativo foram glosadas, mas não fornece qualquer explicação adicional que permita ao contribuinte entender o porquê dessa glosa, e que o Despacho acaba por transferir ao contribuinte o dever de comprovar a existência do crédito em sede de manifestação de inconformidade, o que é absolutamente inaceitável, na medida em que o crédito já está disponível em sua declaração fiscal. Requer a nulidade do despacho, por ausência de fundamentação clara e precisa e evidente violação ao direito de defesa. Sustenta que, ainda que as referidas compensações não tenham sido homologadas, isto não seria motivo suficiente para a desconsideração do saldo negativo do período, pois o débito compensado será cobrado através de procedimento próprio. Assim, como o débito compensado será objeto de cobrança específica, não pode ele também ser desconsiderado para fins de composição do saldo negativo do período, pois tal entendimento implicaria dupla exigência deste mesmo crédito tributário, e a compensação, caso não homologada, não acarreta qualquer prejuízo ao Fisco. Não obstante, a recorrente reuniu prova das retenções sofridas e declaradas na DIPJ e no PER/DCOMP, conforme documentação de fls. 121/146. Entretanto, dado o volume de documentos, requer diligência para comprovar os fatos narrados. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16682.900452/201081 Acórdão n.º 110200.703 S1C1T2 Fl. 261 3 A 9ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1 rejeitou a nulidade por alegado cerceamento do direito de defesa, indeferiu o pedido de diligência, e, no mérito, deu razão à recorrente quanto às parcelas de estimativas cuja compensação não fora comprovada, ao entendimento de que às compensações não homologadas importa aplicar os procedimentos estabelecidos nos art. 26, § 4º, 29, 30 e 48 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, ou seja, o contribuinte deve ser intimado a recolher as estimativas no prazo de 30 dias contados da ciência da não homologação ou a apresentar manifestação de inconformidade contra tal decisão, caso contrário, estas devem ser encaminhadas para inscrição em Dívida Ativa da União, com base na Dcomp (confissão de dívida), de sorte que não cabe a sua glosa na composição do imposto a pagar ou do saldo negativo na DIPJ. Quanto às parcelas de IRRF, acolheu a comprovação da retenção do valor de R$ 2.888.149,65, que teria sido levada a efeito por BRADESCO ASSET MANAGEMENT S.A. DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS, CNPJ 62.375.134/000144, porque localizou nos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil declaração (DIRF) apresentada pelo Banco Bradesco S/A, CNPJ 60.746.948/000112 acusando retenção naquele exato valor, considerando assim justificável possível confusão quanto à informação acerca da real fonte pagadora. Por outro lado, com relação à retenção que teria sido promovida pela COMPANHIA AIX DE PARTICIPAÇÕES, CNPJ 04.430.599/000154, no valor de R$ 1.090.461,12, a mesma não foi aceita por não haver sido localizada nenhuma DIRF a este respeito, e por não ter a recorrente anexado qualquer documento relativo a esta fonte pagadora nos autos. O Acórdão 1235.017, fls. 161 a 169, está assim ementado: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer cerceamento a direito de defesa. DILIGÊNCIA Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 30/11/2005 CRÉDITO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O Imposto de Renda Retido na Fonte sobre quaisquer rendimentos poderá ser compensado, na declaração de ajuste do período, pela pessoa física ou jurídica, se houver DIRF apresentada pela fonte pagadora em nome do contribuinte que informe a retenção do imposto de renda, bem como o montante e a natureza dos rendimentos auferidos. PER/DCOMP. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16682.900452/201081 Acórdão n.º 110200.703 S1C1T2 Fl. 262 4 Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DEFERIMENTO ATÉ O LIMITE DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. Homologase, no limite do direito creditório reconhecido, as declarações de compensação de débitos próprios pleiteadas pelo contribuinte com créditos originados do direito creditório reconhecido.” Cientificada desta decisão em 02.02.2011, conforme AR de fls. 198, e com ela inconformada, a contribuinte trouxe aos autos, junto com o recurso voluntário interposto em 01.03.2011, o comprovante de rendimentos e retenção do imposto de renda relativo à fonte pagadora COMPANHIA AIX DE PARTICIPAÇÕES, único item que faltava para o reconhecimento de todo o saldo negativo do período, nos exatos termos do voto do relator do aresto recorrido, pelo que devem ser homologadas integralmente as compensações realizadas e, consequentemente, extintos por completo os débitos correspondentes. Não obstante, entende a recorrente que, após o julgamento deste recurso, seja qual for o resultado, é necessária a realização de diligência para apurar corretamente a imputação dos créditos reconhecidos aos débitos compensados. Isso porque os cálculos efetuados pela DEMAC/RJO/DIORT em cumprimento ao acórdão da DRJ/RJ1 são incongruentes com o total do crédito reconhecido até o momento, como passa a demonstrar. Em síntese, a recorrente não entende como o reconhecimento de um crédito histórico de R$ 1.090.461,12 seria suficiente para baixar débitos que ultrapassam R$ 18 milhões em 31.01.2011, conforme as guias DARF que acompanharam o acórdão recorrido. Requer, portanto, o reconhecimento do saldo negativo de IRPJ/2005, no valor de R$ 22.817.805,82, a homologação integral das compensações realizadas com a extinção por completo dos débitos correspondentes, e a baixa dos autos em diligência, para que a autoridade administrativa responsável pela execução do acórdão possa identificar corretamente as razões de cobrança e zerar os débitos indevidos do sistema da Receita Federal. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme visto, o único item que faltava para o reconhecimento integral do crédito alegado era a comprovação da retenção de R$ 1.090.461,12 pela fonte pagadora Fl. 343DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16682.900452/201081 Acórdão n.º 110200.703 S1C1T2 Fl. 263 5 COMPANHIA AIX DE PARTICIPAÇÕES, ora apresentado pela recorrente e anexo aos autos às fls. 254. Ainda, para que não restem dúvidas, os respectivos rendimentos, que são de aplicações financeiras de longo prazo, integram, conforme a Ficha 53 da DIPJ – Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte, um total de R$ 64.039.696,00 de receitas decorrentes de aplicações financeiras, sendo que na Ficha 06A – Demonstração do Resultado, da mesma DIPJ, consta um total de R$ 155.561.777,00 a título de receitas financeiras oferecidas à tributação. Portanto, cumpre reconhecer integralmente o saldo negativo de IRPJ pleiteado no PER/DCOMP com o demonstrativo do crédito (fls. 1 a 7), no valor de R$ 22.817.805,82. Contudo, a homologação das compensações efetuadas com a utilização do referido saldo demanda diversos procedimentos, os quais competem, e são executados na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil que tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Por este motivo, quando se faz constar, nas decisões aqui prolatadas e que envolvam o reconhecimento, ainda que parcial, do crédito alegado, a observação “homologandose as compensações que dele decorram”, implícita encontrase aí a observação de que a decisão implica a realização de cálculos a serem efetuados pela unidade da RFB com vistas à perfeita execução do acórdão. Entretanto, não cabe ao órgão julgador determinar a realização de diligência com vistas à execução destes cálculos, quando na verdade esgotou sua competência judicante com a expedição de acórdão para solucionar o conflito, como no presente caso, em que restou integralmente reconhecido o crédito alegado. Ademais, a alegação da recorrente de que não entende como o seu crédito tornouse insuficiente para compensar os débitos por ela mesma vinculados ao referido crédito, por meio dos PER/DCOMP apresentados, não tem qualquer procedência, vez que desde o Despacho Decisório encontramse perfeitamente individualizados cada um dos PER/DCOMP apresentados, com a identificação do processo ao qual o mesmo está vinculado, e dos respectivos códigos de receita, períodos de apuração, valores declarados, valores amortizados por compensação, e saldo devedor (vide demonstrativos “Detalhamento da Compensação, Valores Devedores e Emissão de DARF”, às fls. 11 a 14). Portanto, foi bem demonstrada pelo Despacho Decisório, bem como posteriormente também pela decisão recorrida (vide demonstrativos de fls. 180 a 184) quais débitos foram compensados, e quais não foram, com o referido crédito, sem que tenha sido apontada especificamente, quer em sede de manifestação de inconformidade, quer em sede de recurso, qualquer irregularidade ou incorreção nestes valores. De qualquer sorte, a própria recorrente observou que a diligência por ela solicitada deveria ser realizada após o julgamento, o que já bem evidencia que não cabe ao julgador determinar a sua realização, senão antes que tal providência, devidamente fundamentada, deva ser por ela solicitada, se entender necessário, à unidade da RFB com jurisdição sobre o seu domicílio tributário, e responsável pela execução do acórdão. Pelo exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a parcela de R$ 1.090.461,12, em adição ao que já reconhecido pela Demac/RJO e pela decisão Fl. 344DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 16682.900452/201081 Acórdão n.º 110200.703 S1C1T2 Fl. 264 6 recorrida, relativa ao saldo negativo de IRPJ do período de 01/01/2005 a 30/11/2005, proveniente da sucedida PEGASUS TELECOM S/A, homologandose as compensações dela decorrentes, até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 345DF CARF MF Impresso em 21/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 18/05/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 11030.001682/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - NÃO DESCONTO DA CONTRIBUIÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS - PRODUÇÃO RURAL - SUBROGAÇÃO - RECURSO INTEMPESTIVO - NÃO CONHECIDO
É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente, conforme descrito no art. 56 do Decreto 70.235/1972.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-002.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.001682/201017 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.798 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2012 Matéria PRODUÇÃO RURAL SUBROGAÇÃO Recorrente COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA LAGOENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL NÃO DESCONTO DA CONTRIBUIÇÃO DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAIS PRODUÇÃO RURAL SUBROGAÇÃO RECURSO INTEMPESTIVO NÃO CONHECIDO É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente, conforme descrito no art. 56 do Decreto 70.235/1972. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 00 16 82 /2 01 0- 17 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.001682/201017 Acórdão n.º 2401002.798 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de infração de Obrigação Principal, lavrada sob o n. 35.309.3357, em desfavor do recorrente e tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física, e segurado especial, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT no período de 11/2005 a 12/2008. Segundo Relatório Fiscal (fls. 20 ), o lançamento corresponde ao valor da comercialização na aquisição de produtos rurais de Produtor Rural Pessoa Física – não declarado em GFIP. O fato gerador das contribuições sobre a comercialização de produto rural do empregador rural pessoa e exigida por força do disposto no art. 25, I e II da lei 8212/91, com redação dada pela lei 10.256/01. Já a obrigação da empresa adquirente de reter e recolher a contribuição social previdenciária sobre a comercialização da produção rural está disposta no art. 30, III e IV da lei 8212/91. Assim, a contribuição devida pelo produtor pessoa física e o segurado especial incidente sobre a comercialização da sua produção e também a subrrogação desta obrigação tributária na pessoa do adquirente pessoa jurídica. Os valores que resultaram na constituição deste AI são aqueles que não estão declarados em GFIP. Referemse à diferença entre o valor da comercialização da produção rural contabilizada e que teve valor da contribuição previdenciária descontado dos produtores, apurado na contabilidade e Notas Fiscais de Entradas, bem como o valor declarado na GFIP. O lançamento já contemplou as alterações introduzidas pela MP 449, convertida na lei 11.941/2008. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 24/11/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia 29/11/2010. Não conformada com a autuação, foi apresentada impugnação, fls. 306 a 310, alegando a inconstitucionalidade do FUNRURAL, assim, inexistindo possibilidade de cobran;a da contribuição incidente sobre o valor da comercialização do produto dos associados empregadores rurais, conforme RE 363.852/MG no STF. Foi proferida Decisão de 1 instância às fl. 353 a 355 que confirmou a procedência do lançamento. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls360 e seguintes. Em síntese, o recorrente em seu recurso traz exatamente as alegações da impugnação, quais sejam: A matéria já se encontra pacificada no âmbito do STF que agora, em agosto de 2011, decidiu em sede de repercussão geral no RE 596.177, onde o Tribunal Pleno manteve a inconstitucionalidade da malfada contribuição, inclusive no período posterior a Lei Federal Fl. 469DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 10.256/2001.Como a decisão deuse em caráter de repercussão geral, aplicase a todos os demais casos envolvendo a matéria, inclusive administrativos A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11030.001682/201017 Acórdão n.º 2401002.798 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto intempestivamente. De acordo com o recibo de cientificação descrito de próprio punho, fl. 358, o mesmo foi cientificado, recebendo no dia 09 de agosto de 2011, conforme documento acostado a fl. 358, Assim, considerandose que o prazo para interposição do recurso era de 30 dias, bem como que na contagem é excluído o dia de início, o prazo venceria em 08 de setembro de 2011. A notificada interpôs o recurso no dia 14 de setembro de 2011, fl. 360 a 361, portanto fora do prazo normativo. Assim, dispõe o art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03) Contudo, considerando a data da lavratura do Auto de infração de obrigação principal a norma que rege a matéria é o Decreto 70.235/1972, que dispõe em seu artigo 56 acerca do prazo para interposição de recurso. Art. 54. O julgamento compete: III Em instância única, ao Coordenador do Sistema de Tributação, quanto às consultas relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal e formuladas: (...) Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. (grifo nosso) Em sendo intempestivo o recurso, e não tendo sido demonstrado nos autos nenhum fato que impedisse o requerente de interpor recurso na data estabelecida, julgo por não conhecer do mesmo. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da intempestividade do mesmo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 14/03/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003251/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GLOSAS DESPESAS MÉDICAS, PENSÃO, DEPENDENTES E INSTRUÇÃO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO.
De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condiciona-se à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a aplicação da multa qualificada, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastro à sua empreitada a simples reiteração da conduta, fundamento que, isoladamente, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.341
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GLOSAS DESPESAS MÉDICAS, PENSÃO, DEPENDENTES E INSTRUÇÃO. MULTA QUALIFICADA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. NÃO COMPROVADOS. SIMPLES CONDUTA REITERADA. IMPOSSIBILIDADE AGRAVAMENTO. De conformidade com a legislação tributária, especialmente artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96, c/c Sumula nº 14 do CARF, a qualificação da multa de ofício, ao percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), condicionase à comprovação, por parte da fiscalização, do evidente intuito de fraude do contribuinte. Assim não o tendo feito, não prospera a aplicação da multa qualificada, sobretudo quando a autoridade lançadora utiliza como lastro à sua empreitada a simples reiteração da conduta, fundamento que, isoladamente, não se presta à aludida imputação, consoante jurisprudência deste Colegiado. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório ARMANDO PINTO JÚNIOR, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrado Auto de Infração, em 20/12/2006, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente de omissão de rendimentos constatada a partir de glosas de deduções indevidas de despesas médicas, pensão judicial, instrução e outros, em relação aos anoscalendário 2001 a 2005, conforme peça inaugural do feito, às fls. 243/249, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da 3a Turma da DRJ em Florianópolis/SC, consubstanciada no Acórdão nº 0711.552/2007, às fls. 386/402, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2a Turma Especial, em 11/05/2010, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 280200.301, sintetizados na seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 IRPF. NULIDADE DO LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Eventuais incorreções materiais na apuração de matéria tributável cometidas pela autoridade lançadora, que não consubstanciem cerceamento de defesa do contribuinte, não demandam a declaração de nulidade do lançamento como um todo, mas simplesmente sua improcedência (no todo ou em parte). IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTES. SOBRINHO MENOR. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10920.003251/200611 Acórdão n.º 920202.341 CSRFT2 Fl. 510 3 Somente podem ser considerados dependentes menores que o contribuinte crie e eduque e dos quais detenha a guarda judicial. IRPF. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE. FILHOS SOB A GUARDA DE EXCÔNJUGE O filho sob a guarda do excônjuge não pode figurar como dependente na declaração do contribuinte. IRPF. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. Somente a pensão alimentícia comprovadamente paga em cumprimento de decisão judicial, em face das normas do Direito de Família, pode ser deduzida dos rendimentos tributáveis na declaração. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. REQUISITOS. Somente são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual as despesas médicas pagas pelo contribuinte, relativas ao seu próprio tratamento ou de seus dependentes, devidamente comprovadas segundo a legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Para a aplicação da multa qualificada de 150% é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo especifico do agente, evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.” Irresignada, a Procuradoria interpôs Recurso Especial, às fls. 440/450, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes/CARF e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nºs 10615.834 e 10517.034, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência arguida. Aduz, ainda, que o julgado em vergasta, ao afastar a qualificação da multa imposta pela autoridade lançadora, malferiu os preceitos inscritos no artigo 44, §1°, da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007, uma vez que o contribuinte durante 05 (cinco) anos consecutivos apresentou à SRF declarações com dedução sabidamente inexistente. Transcreve em sua peça recursal a legislação tributária que regulamenta a matéria, concluindo encontrarse pacificado nos Conselhos de Contribuintes que a elevação da Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 4 multa de 75% para 150% é condicionada à demonstração do evidente intuito de fraude, caracterizado nos autos com base no conjunto probatório colacionado pela fiscalização. Em outras palavras, infere que o evidente intuito de fraude não se presume, impondo a sua devida comprovação, como, por exemplo, quando se emprega meios ardis (notas fiscais calçadas, recibos falsificados, deduzir pagamento sabidamente inexistente...etc) objetivando reduzir o imposto devido, consoante jurisprudência administrativa. Pugna pela reforma do Acórdão recorrido, de maneira a restabelecer a multa qualificada de 150%, defendendo que a ação firme e abusiva no sentido de promover, por meio de deduções não comprovadas, a redução da base de cálculo do imposto devido, de forma reiterada, sistematicamente e após a ocorrência do fato gerador, demonstrou conduta consciente que procura e obtém determinado resultado: enriquecimento sem causa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a SJ do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas, Acórdão nºs 10615.834 e 10517.034, conforme Despacho nº 220000.294/2010, às fls. 453/454. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Especial da Fazenda Nacional, o contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 491/501, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, trazendo à colação jurisprudência judicial e administrativa ratificando seu entendimento, sobretudo quando a matéria já se encontra pacificada na CSRF. Igualmente, a contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 462/479, com arrimo no artigo 67 do RICARF, repisando as razões de fato e de direito lançadas em seu recurso voluntário, pugnando pela decretação da improcedência do feito, não tendo, porém, obtido êxito em sua empreitada, uma vez protocolizado intempestivamente, como se extrai do Despacho n° 220000.513/2011, de fl. 503. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10920.003251/200611 Acórdão n.º 920202.341 CSRFT2 Fl. 511 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, conheço do Recurso Especial da Procuradoria e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da peça recursal, como já robustamente demonstrado nos autos, o contribuinte deduziu de seu imposto de renda as despesas médicas, dependentes, pensão judicial, de instrução e outras que teria suportado no decorrer dos anoscalendários. Uma vez intimado a comprovar a efetividade e pagamento de tais serviços, o autuado não logrou comproválos em sua integralidade, na forma que a legislação de regência exigia, ensejando as respectivas glosas e a lavratura do presente auto de infração. Por seu turno, a Câmara recorrida, entendeu por bem rechaçar em parte a pretensão fiscal, afastando a qualificação da multa aplicada, tendo em vista a falta de comprovação do evidente intuito de fraude por parte da autoridade lançadora. Inconformada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduzindo, em síntese, que as razões de decidir do Acórdão recorrido contrariaram a jurisprudência deste Colegiado, traduzida nos Acórdãos nºs 10615.834 e 10517.034, os quais contemplam a possibilidade da qualificação da multa a partir da conduta reiterada do contribuinte, prestando declarações/informações falsas, com o nítido objetivo de reduzir o imposto devido. A fazer prevalecer sua pretensão, defende que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos contidos no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, sobretudo quando comprovado o intuito doloso do contribuinte de obter benefícios utilizandose de serviços comprovadamente não realizados. Sustenta que a jurisprudência mansa e pacífica dos Conselhos de Contribuintes é no sentido de que a elevação da multa de 75% para 150% é condicionada à demonstração do evidente intuito de fraude, caracterizado nos autos com base no conjunto probatório colacionado pela fiscalização. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 6 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, ao contemplarem as figuras do “dolo, fraude ou sonegação”, estabelecem o seguinte: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” Consoante se infere dos dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta à indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: “MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA Processo nº 10920.003251/200611 Acórdão n.º 920202.341 CSRFT2 Fl. 512 7 Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) “ MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada.” (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) “MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção.” (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: “ Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Na hipótese dos autos, na linha do que fora exposto no Acórdão recorrido, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter o contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos, mormente quando a autoridade lançadora e, bem assim, a recorrente utiliza como fundamento à sua empreitada o fato de a sua conduta ter sido reiterada. Com efeito, como muito bem delineado no voto condutor do Acórdão recorrido, a autoridade lançadora não logrou demonstrar com especificidade a conduta adotada pela contribuinte tendente sonegar tributos intencionalmente, com o fito de justificar a qualificação da multa em 150%, não se prestando à sua aplicabilidade a simples reiteração da conduta do autuado por 05 (três) anos consecutivos, ao contrário do que sustenta a recorrente. Destarte, consoante demonstrado no excerto do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 225/235, notadamente no seu item 4, abaixo transcrito, o único fundamento da fiscalização ao aplicar a multa qualificada de 150% se fixa na conduta reiterada do contribuinte em deduzir despesas do imposto de renda, senão vejamos: “ [...] Como foi demonstrado acima, o contribuinte fiscalizado, reiteradamente, incluiu despesas médicas fictícias e/ou sem documentação, com o intuito de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto devido nas suas declarações de ajuste e, por isso, se enquadra na multa qualificada. [...]” Entrementes, este Egrégio Colegiado em recentes decisões vem afastando a qualificação da multa quando sua adoção repousa exclusivamente na simples conduta reiterada, sem que haja um aprofundamento na questão pela autoridade fiscal, senão vejamos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA 8 Exercício: 2003, 2004 Ementa: MULTA QUALIFICADA. REQUISITO. DEMONSTRAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A qualificação da multa de ofício, conforme determinado no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996, só pode ocorrer quando restar comprovado no lançamento, de forma clara e precisa, o evidente intuito de fraude. A existência de depósitos bancários em contas de depósito ou investimento de titularidade do contribuinte, cuja origem não foi justificada, independente da forma reiterada e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada, prevista no II, Art. 44, da Lei 9.430/1996.” (Processo n° 12571.000050/200786 – Acórdão n° 920201.742 – 2ª Turma – Sessão de 27/09/2011 – Relator: Marcelo Oliveira) Como se observa, caberia à autoridade lançadora demonstrar de maneira pormenorizada suas razões no sentido de que o contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pelo autuado. No caso vertente, em que pese os argumentos da recorrente, não podemos afirmar com a segurança que o caso exige ter o contribuinte agido com dolo objetivando suprimir tributos. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 2ª Turma Especial da 2a SJ do CARF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAE S DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.915183/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO. DCOMP. RETENÇÕES NA FONTE. DIVERGÊNCIAS COM AS INFORMAÇÕES FAZENDÁRIAS. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMES DE RENDIMENTO. A existência de divergências entre as informações utilizadas pela contribuinte em sua PER/DCOMP e aqueles mantidos nos sistemas fazendários (DIRF), exige a apresentação de documentação hábil a garantir a sua validade. Apesar de devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os respectivos informes de rendimento, não havendo, assim, condições para a admissão da correção de seu procedimento e a necessária certeza do crédito reclamado.
Numero da decisão: 1301-000.866
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao
recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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DCOMP. RETENÇÕES NA FONTE. DIVERGÊNCIAS COM AS INFORMAÇÕES FAZENDÁRIAS. NÃO APRESENTAÇÃO DE INFORMES DE RENDIMENTO. A existência de divergências entre as informações utilizadas pela contribuinte em sua PER/DCOMP e aqueles mantidos nos sistemas fazendários (DIRF), exige a apresentação de documentação hábil a garantir a sua validade. Apesar de devidamente intimada, a contribuinte não apresentou os respectivos informes de rendimento, não havendo, assim, condições para a admissão da correção de seu procedimento e a necessária certeza do crédito reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Após a detida análise dos elementos contidos nos autos, verificase tratarse de discussão em torno da homologação parcial da PER/DCOMP apresentada pela contribuinte sob o no 36112.32374.270307.1.7.020028. Em relação à parte nãohomologada, constatase que os fundamentos adotados fiscalização retratam, especificamente, o não conhecimento do direito creditório, em relação ao montante supostamente retido na fonte, no valor indicado de R$ 23.857,23. Em face da diferença entre o débito declarado (R$ 470.364,18) e o direito creditório efetivamente reconhecido (R$ 446.506,95), entendeu a douta fiscalização pela homologação parcial da compensação, mantendo, assim, a referida diferença apontada, especificamente não confirmada nas bases da DIRF. Em sua manifestação de inconformidade, por sua vez, destaca a contribuinte, exclusivamente, o seguinte: a) “pela análise da documentação, ora anexada, a impugnante recolheu, a maior, no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2005, a título de IRPJ, o valor discriminado na DIPJ e na DCTF e comprovado através das guias de pagamento que seguem anexo”; b) “pelas informações constantes nas Declarações que ora se anexa, o crédito passível de compensação está correto, em que pese o entendimento da SRF, de que não existiam valores suficientes para o creditamento”; c) “em razão de recolhimento a maior, no ano de 2005, tem a Impugnante direito à compensação de tais valores, nada podendo ser exigido a título de complementação de IRPJ”. Analisados os termos da manifestação de inconformidade apresentada, destaca a douta DRJ de origem que, de fato, os argumentos apresentados pela contribuinte, em absolutamente nada, correspondem com as questões discutidas nos autos, uma vez que, como se verifica, em momento algum faz ela qualquer referência à efetiva discussão travada, que, como apontado, tratavase, exclusivamente, de não conformação das retenções na fonte apontadas em sua DCOMP. Em conclusão, manifestouse então a DRJ de origem pela IMPROCEDÊNCIA da manifestação de inconformidade, em aresto que, inclusive, sinteticamente, fora assim apresentado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS EM DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANTECIPAÇÕES DE IRRF NÃO COMPROVADAS. Mantémse o Despacho Decisório recorrido se não elidido o fato que lhe deu causa. Manifestação de inconformidade improcedente. Direito Creditório não reconhecido. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11020.915183/200994 Acórdão n.º 1301000.866 S1C3T1 Fl. 2 3 Devidamente intimada, a contribuinte apresenta, agora, seu competente Recurso Voluntário, destacando, em rápida síntese, os fundamentos constitucionais relativos ás limitações constitucionais ao poder de tributar, especificamente destacando a impossibilidade de imputação, ao contribuinte, de obrigação maior que aquela prevista nas disposições legais, limitandose a apresentar, especificamente à matéria tratada nos presentes autos, o seguinte: “Embora o contribuinte não tenha informado as parcelas dos recolhimentos de IRRF, nos pedidos eletrônicos de compensação do saldo negativo de IRPJ do ano de 2005, os mesmos foram arrecadados (estando dentro da base de dados da RFB) e informados nas DCTF’s dos quatro trimestres do ano de 2005, e, igualmente, informados na ficha 50 da DIPJ do ano de 2006/2005, não podendo, o administrador , negarse a efetuar a compensação dos valores recolhidos a maior, sob a justificativa de que tais valores não foram informados na Dcomp.” A partir desses argumentos, pretende então a contribuinte a reforma da decisão recorrida, buscando, assim, o reconhecimento integral do apontado direito creditório, com a competente homologação da compensação apresentada. Em síntese, esse é o relatório. Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso voluntário, dele conheço. Em que pese a discussão em torno da existência (ou não) do apontado direito creditório, insta destacar, em primeira análise, a completa dissonância entre os pontos destacados pelo Despacho Decisório original, os Termos da Decisão recorrida e, aqui, as manifestações apresentadas pela contribuinte. Em que pese as análises apontadas nos autos, e, ainda, o específico destaque à parcela nãohomologada da compensação pretendida, a contribuinte insiste em não apresentar um apontamento sequer a seu respeito, tecendo, agora em seu recurso, argumentos completamente paralelos e estranhos à discussão mantida nos presentes autos. Conforme se verifica dos documentos contidos nos autos, e, ainda, dos apontamentos especificamente apresentados na decisão recorrida, a discussão limitase, especificamente, à inclusão, na DCOMP do contribuinte, do valor de R$ 23.857,23, que, de acordo com os sistemas de controle fazendários – mantido a partir das informações prestadas pelas respectivas fontes pagadoras , efetivamente não restara confirmado. Diante dessa apontada divergência, conforme destacado pela r. decisão recorrida, competiria à contribuinte a apresentação dos respectivos comprovantes da retenção efetivada, que, no caso, seriam os indigitados “comprovantes de rendimento”, emitidos pela fonte pagadora, e que, assim, permitiriam os mencionados registros, sem prejuízo da possível instauração, sendo o caso, de específico procedimento fiscal contra aquela entidade correspondente. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR 4 Não tendo a contribuinte apresentados argumentos relativos ao apontamento especificamente considerado, e, ainda, não apresentando os respectivos documentos comprobatórios da retenção apontada, não subsiste, efetivamente, qualquer possibilidade de acolhimento dos argumentos apresentados. Diante dessas considerações, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado, mantendose, assim, os termos da r. decisão recorrida. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto de Andrade Jenier Relator Fl. 205DF CARF MF Impresso em 06/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 30/07/2012 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ALBERTO P INTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10314.004399/99-21
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 19/11/1993
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando, da divergência de dados entre o Termo de Verificação e o Auto de Infração, não resulta prejuízo à contribuinte.
DRAWBACK. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES.
Somente devem ser aceitos, para comprovação do regime especial de drawback - modalidade suspensão, Registros de Exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham todas as informações de que se referem à operação de drawback. O descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback enseja a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas com desoneração tributária.
CONFLITO DE COMPETÊNCIA.
O adimplemento do compromisso, firmado pela contribuinte quando da concessão do Ato Concessório, reconhecido pela SECEX, não implica na necessária aquiescência por parte da Receita Federal, visto que os órgãos possuem esferas de competência distintas e se pronunciam sobre aspectos diversos em relação ao adimplemento do compromisso de exportação.
MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Não deve ser apreciada, em sede de recurso, matéria considerada não impugnada em primeira instância, não tendo sido trazido qualquer argumento de defesa em contraposição à decisão a quo.
Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, preliminares de nulidade do auto de infração rejeitas e, no mérito, recurso negado.
Numero da decisão: 3202-000.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido.
Irene Souza da Trindade Torres- Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago de Moura Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 19/11/1993 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando, da divergência de dados entre o Termo de Verificação e o Auto de Infração, não resulta prejuízo à contribuinte. DRAWBACK. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. Somente devem ser aceitos, para comprovação do regime especial de drawback - modalidade suspensão, Registros de Exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham todas as informações de que se referem à operação de drawback. O descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback enseja a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas com desoneração tributária. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. O adimplemento do compromisso, firmado pela contribuinte quando da concessão do Ato Concessório, reconhecido pela SECEX, não implica na necessária aquiescência por parte da Receita Federal, visto que os órgãos possuem esferas de competência distintas e se pronunciam sobre aspectos diversos em relação ao adimplemento do compromisso de exportação. MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não deve ser apreciada, em sede de recurso, matéria considerada não impugnada em primeira instância, não tendo sido trazido qualquer argumento de defesa em contraposição à decisão a quo. Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, preliminares de nulidade do auto de infração rejeitas e, no mérito, recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido. Irene Souza da Trindade Torres- Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago de Moura Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa.
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Recorrente BRANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 19/11/1993 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando, da divergência de dados entre o Termo de Verificação e o Auto de Infração, não resulta prejuízo à contribuinte. DRAWBACK. INADIMPLEMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES. Somente devem ser aceitos, para comprovação do regime especial de drawback modalidade suspensão, Registros de Exportação devidamente vinculados ao respectivo Ato Concessório e que contenham todas as informações de que se referem à operação de drawback. O descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência do regime aduaneiro especial de drawback enseja a cobrança de tributos concernentes às mercadorias importadas com desoneração tributária. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. O adimplemento do compromisso, firmado pela contribuinte quando da concessão do Ato Concessório, reconhecido pela SECEX, não implica na necessária aquiescência por parte da Receita Federal, visto que os órgãos possuem esferas de competência distintas e se pronunciam sobre aspectos diversos em relação ao adimplemento do compromisso de exportação. MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não deve ser apreciada, em sede de recurso, matéria considerada não impugnada em primeira instância, não tendo sido trazido qualquer argumento de defesa em contraposição à decisão a quo. Recurso voluntário conhecido em parte; na parte conhecida, preliminares de nulidade do auto de infração rejeitas e, no mérito, recurso negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 43 99 /9 9- 21 Fl. 2377DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário; na parte conhecida, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Moura de Albuquerque Alves e Octávio Carneiro Silva Corrêa. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago de Moura Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase de Autos de Infração relativos ao Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados, fls. 01/20, lavrados em 28/09/99, contra o contribuinte em epígrafe, formalizando o crédito tributário no valor de R$ 1.367.613,57, com a exigência dos tributos, multas de ofício e juros de mora, devido à apuração dos seguintes fatos a seguir descritos. Em ação fiscal realizada na empresa do contribuinte, a fiscalização da IRF/São Paulo, examinou as operações de importação, cujas declarações de importação foram processadas com suspensão do pagamento dos tributos, sob o amparo do regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão. Consta do Relatório Fiscal, às fls. 18/20, que: 1) os Registros de Exportação referentes aos Atos Concessórios 1894/7927, 1894/8630, 1894/6860, 1894/7266 e 1893/6839, demonstram que as exportações foram realizadas como exportações comuns, sem qualquer vinculação aos respectivos atos concessório drawback; 2) a interessada não comprovou ter cumprido o compromisso de exportação relativamente aos Atos Concessórios 1896/0004184, 1897/0002087, 18 97,000092 e 1897/000220; 3) alguns Registros de Exportação referente aos Atos Concessórios 18 96/003595, 1896/003269 e 1896/00362, referemse a exportações efetuadas pela empresa, porém como exportações comuns, sem qualquer vinculação aos respectivos atos concessórios drawback. Após a apuração dos referidos fatos, a fiscalização lavrou o auto de infração, exigindo do contribuinte os tributos suspensos das importações amparadas pelos referidos atos concessórios de drawback, acrescido das multas de ofício do II e do IPI e dos juros de mora. Fl. 2378DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.004399/9921 Acórdão n.º 3202000.695 S3C2T2 Fl. 1.077 3 Às fls. 261/675, encontramse as cópias dos Registros de Exportação –RE’s examinados pela fiscalização, indicados pelo contribuinte como comprovantes das exportações realizadas no regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão. Cientificado do auto de infração, fls.01, em 29/09/1999, o contribuinte por intermédio de seu advogado e procurador (Instrumento de Mandato de fls. 1726), protocolizou impugnação (fls. 1677/1725, em 29/10/1999). Em síntese, alega que: 1) realizou as exportações, ocorrendo, apenas, singelo equívoco formal, relacionado ao código numérico da exportação; 2) o Relatório Fiscal foi entregue em data posterior aquela do auto de infração, embora por exigência fiscal, a ciência foi determinada pelo AFRF que fosse aposta na mesma data do AI [sic], fazendo com que o contribuinte perdesse alguns dias para preparar sua defesa ; 3) no Relatório Fiscal, a AFRF detectou que algumas exportações relativas ao Ato Concessório 1896/003269 foram registradas como comuns, sem qualquer vinculação a ato concessório de drawback, o que motivou a perda do benefício. No entanto, a DI nº 135.377, cujas mercadorias também estavam amparadas pelo ato concessório em questão, não foi incluída no auto de infração; 4) tal fato resulta na inconsistência entre o auto de infração e o relatório fiscal, dificultando a elaboração da defesa e caracterizado preterição ao direito de defesa; 5) relativamente aos Atos Concessórios 1896/003595, 1896/003269 e 18/96/003625, a fiscalização afirmou que alguns RE`s apresentam irregularidades e não especificouas, prejudicando enormemente o direito de defesa da requerente; há de se questionar se a fiscalização excluiu os documentos regulares do lançamento, impondose a exigência somente em relação às exportações desconsideradas; 6) nos casos dos Atos Concessórios 1896/0004184, 1897/0002087, 18 97/000092 e 18/97/000220, a fiscalização alega que o importador não comprovou que deu cumprimento, na sua totalidade, ao compromisso de exportação, sendo infundada tal acusação, bem como quanto as anteriores, cabendo a nulidade do auto de infração por falta de motivação; 7)os RE’s estão vinculados aos respectivos AC na medida em que foram mencionados expressamente nos Relatórios de Comprovação emitidos pelo SECEX; 8) solicita diligências para verificar quais RE’s estão irregulares no tocante aos AC 1896/0035955, 1896/003269 e 18/96/003625; 9) a inconsistência da autuação é demonstrada quando a fiscalização considerou regular o AC 1896/0004176, embora seus RE’s referentes as exportações vinculadas a este AC foram informados com o código equivocado; 10) os tribunais administrativos têm aceitado a tese de que o Relatório de Comprovação de Drawback emitido pela CACEX tem valor probante quanto ao adimplemento de compromisso de exportar que condiciona o regime; 11) as multas cobrados no auto são descabidas pois as exportações compromissadas se efetivaram, alegando ainda o descabimento da multa de mora que só pode ser exigida após a decisão final administrativa.” Fl. 2379DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 A DRJSão Paulo/SP julgou procedente em parte o lançamento efetuado (fls. 2.228/2.239), nos termos da ementa transcrita adiante: “Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 19/11/1993 Ementa: REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE DRAWBACK MODALIDADE SUSPENSÃO. Comprovado o descumprimento das condições estabelecidas na legislação de regência, descabe a manutenção do regime especial aduaneiro de Drawback aos Atos Concessórios cujos RE’s não foram a eles vinculados. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Nos Atos Concessórios em que a fiscalização apenas genericamente desvinculou os RE’s dos Atos Concessórios, descabe a exigência fiscal por caracterizar o alegado cerceamento do direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO Cabível a referida multa quanto constatado que os tributos não foram pagos na data prevista na legislação de regência, conforme disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96,para o II; e art. 80, inciso I, da Lei nº 4.502/64 com a redação do art. 45 da Lei nº 9.430/96. Lançamento procedente em parte” Entendeu aquela autoridade julgadora que houve cerceamento do direito de defesa em relação à autuação referente aos Atos Concessórios 1896/0004184, 1897/000208 7, 1897/000092 e 1897/000220. Quanto a estes afirmou “que faltou à fiscalização uma melhor explicação da infração cometida, não bastando apenas argumentar que o contribuinte não comprovou o cumprimento do compromisso de exportar, na sua totalidade”. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Conselho de Contribuintes (fls. 2.241/2.272), alegando, em síntese: I. Preliminarmente, alega nulidade do Auto de Infração: a) por haver, no seu entender, inconsistência entre o auto de Infração e o Relatório Fiscal. Afirma que o Relatório Fiscal lhe foi entregue em data posterior à de ciência do Auto de Infração e somente apôs a mesma data em razão de pedido feito pela autoridade fiscal. Informa que no Relatório Fiscal foi incluída a DI nº. 135.377 – única DI que diz respeito ao Ato Concessório 1896/003269 –sendo que esta DI não foi arrolada no termo de autuação, tenso sido o Ato Concessório, entretanto, elencado no Relatório Fiscal. Diz que, mesmo após proferida decisão pela DRJ, continua sem saber se a DI foi ou não incluída no Auto de Infração; e b) em razão de a autoridade fiscal não haver especificado quais seriam os Registros de Exportação que foram registrados como exportação comum, em relação aos Atos Concessórios 1896/003596, 1896/003269 e 1896/003625, tendo em vista que, na descrição dos fatos constante do Relatório de Fiscalização, a Autoridade autuante consigna apenas que “alguns Reapresentavam irregularidades”. II. No mérito, aduz, em linhas gerais: que todos os RE examinados, na medida em que mencionados expressamente nos Relatórios de Comprovação do Drawback, estão, em razão disso, vinculados especificamente a cada um dos Atos Concessórios a que se reportam; Fl. 2380DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.004399/9921 Acórdão n.º 3202000.695 S3C2T2 Fl. 1.078 5 que cumpriu todos os compromissos de exportação relativos aos atos concessórios fiscalizados e, excepcionalmente, quando não pôde efetuar a exportação, promoveu a tempestiva nacionalização dos insumos importados, na forma do art. 319, I, “c”, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº. 91.030/85, com redação dada pelo Decreto nº. 636/92); que o equívoco formal relacionado ao código numérico da exportação não pode implicar na desconsideração da própria exportação, o que estaria em desconformidade com os objetivos fundamentais do próprio instituto do drawback, ainda mais quando comprovado o cumprimento das exportações perante o SECEX; que são incabíveis as cobranças das multas, vez que as exportações os compromissadas foram efetivadas; e que é incabível a aplicação de multa de mora antes de decisão administrativa definitiva. Requereu a contribuinte a reforma da decisão de primeira instância, para que fosse considerado integralmente nulo o auto de infração. Subsidiariamente, requereu a realização de diligência, para que fosse oficiado o SECEX a fim de informar acerca do cumprimento integral dos Atos Concessórios. Ao final, requereu o cancelamento da exigência e tributos de acréscimos legais. Em sessão realizada em 18/10/2007, a extinta Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento em diligência (fls.2.317/2.321), nos seguintes termos: “Assim, diante das alegações da contribuinte, de que teria cumprido integralmente os Atos Concessórios acima referidos, com a efetiva exportação e/ou internalização tempestiva dos insumos importados quando não efetuada a exportação, e, ainda, em razão do posicionamento de conselheiros desta Câmara já manifestado reiteradas vezes, no sentido de desconsiderar o erro formal, uma vez comprovado o efetivo cumprimento do Ato Concessório devidamente vinculado à RE, entendo que os autos devam baixar ao órgão de origem, a fim de que se oficie à SECEX para que esta se manifeste acerca dos relatórios de comprovação apresentados pela contribuinte, informando se os Atos Concessórios acima mencionados encontramse vinculados às RE e se as exportações a que se vinculam foram efetivamente realizadas, em integral cumprimento ao Ato Concessório expedido por aquele órgão. Que seja verificado, ainda, o cumprimento dos AC em face das internalizações realizadas, mencionadas pela contribuinte, inclusive quanto à sua tempestividade.” Às fls. 2.352/2.354 consta o ofício nº.523/2011/DECEX/SECEX, em resposta à diligência requerida. A contribuinte manifestouse sobre o resultado da diligência, aduzindo, m linhas gerais, o seguinte: que as informações da CACEX só se prestaram a demonstrar quais dos registros de exportação continham, efetivamente, o código de operação correto, o que já se sabia; Fl. 2381DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 que a SECEX deu por cumpridas as exportações em cada um dos comprovantes de drawback acostados com a impugnação, sem o que não poderia realizar a baixa dos Atos Concessórios; que o órgão competente já reconheceu o cumprimento dos atos concessórios, baixandoos na época própria, de modo que resta à autoridade fazendária confiar naquele ato, não sendo cabível cogitar, a esta altura, “de qualquer suspeita quanto aquela homologação feita no passado, ainda mais se o único óbice reside na singela utilização de código inadequado pelo contribuinte; que a diligência só pode ser dada por cumprida quando o órgão a quem couber a investigação do cumprimento do compromisso de exportação concluir, de maneira cabal, que a exportação não foi concretizada, declarando nula a baixa original dos atos concessórios; Teceu, ainda, considerações sobre a comprovação da exportação por meio dos Relatórios de exportação. Cumprida a diligência requerida, retornaram os autos a este Colegiado, para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Relator Irene Souza da Trindade Torres, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Das Preliminares Alega a recorrente, em preliminar, que há flagrante inconsistência entre o Auto de Infração e o Relatório Fiscal, tendo em vista que a DI nº. 135.377, que documentou a única importação realizada ao amparo do Ato Concessório nº. 1896/003269, de 04/09/1996, deixou de ser mencionada no Auto de Infração, tendo sido referida apenas no Relatório Fiscal. Diante disso, por entender que, mesmo após o julgamento da DRJ, continua sem resposta sua indagação sobre se a referida DI foi ou não incluída na autuação, aduz a querelante que tal circunstância tornaria nulo todo o lançamento. Ainda em preliminar, alega a nulidade do Auto de Infração por cerceamento do seu direito de defesa, pois entende que a fiscalização não especificou, no auto de infração, quais os documentos que estariam irregulares, se seriam a maioria ou apenas alguns, pois a autoridade fiscal teria se utilizado de expressões imprecisas, ao afirmar que “pelo exame da documentação apresentada pelo contribuinte foi verificado que na maioria dos Registros de Exportação informados nos Relatórios de comprovação enviados pelo Secex não fica estabelecida qualquer vinculação com o Ato Concessório examinado.”, sendo que, naquele mesmo Relatório Fiscal, faz ainda referência a que, relativamente aos AC 1896/003595, 18 96/003269 e 1896/003625 foi constatado “que alguns REs apresentavam irregularidades”. Fl. 2382DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.004399/9921 Acórdão n.º 3202000.695 S3C2T2 Fl. 1.079 7 Entende a recorrente que, diante disso, fica a dúvida se a exigência fiscal foi efetuada somente em relação aos REs considerados irregulares, pois apenas quanto a estas poderiam as exportações ser desconsideradas pela Fiscalização. Analisando as preliminares suscitadas pela recorrente, entendo não merecer reparo o posicionamento da autoridade julgadora a quo , não subsistindo qualquer vício que possa justificar a pretendida nulidade do Auto de Infração. A questão das nulidades, ainda que inserida no processo administrativo fiscal, diz respeito à teoria geral do direito e, em razão disso, regese por uma série de princípios gerais, dentre os quais aquele em que se estabelece que não há nulidade sem prejuízo. A existência de prejuízo está correlacionada com o princípio do contraditório, no sentido de que, não ensejado o contraditório, por ausência de comunicação, configurase, processualmente, prejuízo.1 Dessa forma, quanto ao primeiro ponto de nulidade levantada pela querelante, relativa à alegada inconsistência entre o Auto de Infração e o Relatório Fiscal, não restou daí demonstrado qualquer prejuízo à interessada. Tendo ocorrido de no Relatório Fiscal constar certo Ato Concessório relativo a DI que não constava do lançamento efetuado por meio do Auto de Infração, tal fato não gerou qualquer desvantagem para a recorrente, tanto que esta apresentou defesa específica relativa ao mérito daquele Ato Concessório (AC) mencionado, tanto na impugnação quanto no recurso voluntário. A dúvida da recorrente, se a importação faria ou não parte do objeto da autuação, não se justifica, pois claro está que o lançamento efetuado de ofício, por meio do Auto de Infração, não englobou a importação referente àquela DI 135.377, relacionada ao Ato Concessório 1896/003269. Mais uma vez configurase a ausência de prejuízo ao interessado, que, antes pelo contrário, logrou “vantagem” por não ter havido o cômputo daquela DI no lançamento. Também não merece acolhida a alegação de nulidade do Auto de Infração por pretenso cerceamento do direito de defesa, em razão de a Fiscalização não haver especificado quais seriam os RE consideradas irregulares, em relação ao Atos Concessórios. O Auto de Infração informa que, em relação aos Atos Concessórios 18 94/7927, 1894/8630, 1894/006860, 1893/7266 e 1993/6839, em todos os Registros de Exportação (RE) apresentados nos relatórios de comprovação do drawback constatouse que foi utilizado o código 80000 (exportações “normais”), não sendo vinculados a nenhum Ato Concessório, e que, em relação aos Atos Concessórios 1896/003596, 1896/003269 e 18 96/003625, essa mesma irregularidade foi encontrada em alguns RE. Não há dúvidas, portanto, de quais seriam os RE: em relação aos primeiros Atos Concessórios, seriam todos os RE indicados nos relatórios de comprovação, e em relação aos demais Atos Concessórios ali indicados, seriam somente aqueles em que se registrou o código 80000, sem que se procedesse, assim, a vinculação ao AC. Não há falta de informação: a infração está plenamente caracterizada e perfeitamente indicados os seus elementos materiais. Demais disso, todos os documentos estavam à disposição da recorrente, que teve pleno conhecimento do que lhe foi imputado, 1WAMBIER, Teresa Arruda Alvim, in Nulidades do Processo e da Sentença. Ed.RT, 5ª ed., 2005, p.178. Fl. 2383DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 tanto que procedeu sua defesa em relação a cada um dos Atos Concessórios considerados não vinculados. Por tais razões, entendo não merecer acolhida a pretensão da recorrente em relação à nulidade do auto de infração. Do Mérito As questões relativas à nulidade da autuação trazidas como matéria de mérito já foram abordadas preliminarmente, tendo esta Conselheira já expressado o seu entendimento sobre a matéria, sendo, portanto, despiciendo repetila na análise do mérito. Vale salientar que as mesmas considerações tecidas acerca da ausência da DI nº. 135.377 no auto de infração, feitas quando da análise das questões preliminares, aproveitamse para a alegada inconsistência suscitada pela contribuinte em relação ao exame do Ato Concessório nº. 1896/0004176, visto que a recorrente não sofreu qualquer prejuízo ao se ter considerado adimplido o compromisso ali firmado. No mérito, a contribuinte discrimina os Atos Concessórios referentes às glosas efetuadas e traz, para todos eles, os mesmos fundamentos de defesa: que o compromisso firmado no Ato Concessório foi integralmente cumprido e que, como os RE foram expressamente mencionados nos relatórios de comprovação do drawback entregues à SECEX, que considerou cumprido o compromisso, “não pode a Receita Federal negar as exportações realizadas, ao singelo fundamento do código errado”. Primeiramente, há que se salientar que a valoração das provas é prerrogativa da autoridade julgadora, não cabendo à contribuinte avaliar se a manifestação da SECEX atendeu ou não o propósito da diligência, que se destina a firmar a convicção do julgador, e não a comprovar as alegações de uma ou de outra parte interessada. O resultado da diligência corroborou o que havia sido verificado pela Fiscalização: os registros de exportação (RE) apresentados no relatório de comprovação não se encontravam vinculados aos Atos Concessórios. E mais, acrescentou que, diferentemente do alegado pela recorrente, alguns dos Atos Concessórios foram baixados com adimplemento parcial do compromisso de exportar, muito embora quase todos digam respeito aos Atos Concessórios excluídos da autuação em razão da decisão de primeira instância, remanescendo tão somente o AC 1896/003595. Os Registros de Exportação foram considerados inaceitáveis na comprovação dos compromissos assumidos, por não terem sido vinculados aos respectivos atos concessórios que tentavam comprovar, e de não ter sido feito o devido enquadramento das operações como sendo parte de uma operação de drawback, mas sim no código de operação 80000, relativo a exportação normal. Tal irregularidade impossibilitou à fiscalização efetivar os controles pertinentes a uma operação de drawback, como, por exemplo, vincular a exportação ao Ato Concessório ao qual é pertinente, o que possibilitaria a utilização do mesmo RE para comprovação de cumprimento de Atos Concessórios distintos. A consignação do código 81101, com a devida vinculação ao AC correspondente, decorre de determinação legal prevista no art. 325 do Regulamento Aduaneiro/85, aprovado pelo Decreto 91.030/1985, vigente à época dos fatos, o qual estabelece que a utilização do benefício drawback deverá ser anotada no documento comprobatório da Fl. 2384DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.004399/9921 Acórdão n.º 3202000.695 S3C2T2 Fl. 1.080 9 exportação. O documento comprobatório da exportação não é outro senão o Registro de Exportação, conforme preceitua o art. 440 do Regulamento Aduaneiro, com a redação dada pelo Decreto n.º. 661, de 1992. No mesmo esteio, o art. 34, inciso II da Portaria DECEX n.º 24, de 26 de agosto de 1992, prevê como documento comprobatório de exportação vinculada a operação de drawback a “V” via da Declaração de Exportação, averbada, bem como a anotação deste benefício na citada DE. Com o advento do SISCOMEX exportação, a DE foi substituída pelo Registro de Exportação (RE), passando este a ser o documento comprobatório de registro de exportação vinculada a operação de drawback. Todavia, resta claro que, de acordo com o disposto na citada Portaria DECEX e no art. 325 do RA/85, deve ser consignado na citada RE que se trata de operação de drawback, bem como a informação precisa vincular a operação de exportação ao Ato Concessório ao qual se refere. Inexistindo relação discriminando expressamente nas RE a relação entre as exportações e os respectivos atos concessórios, não se pode comprovar que os bens importados sob o regime de drawback foram efetivamente utilizados na produção dos bens exportados. Por conseguinte, não há como afirmar que a recorrente cumpriu o compromisso assumido no ato concessório. Desacompanhada da prova de exportação, que representa o adimplemento do compromisso assumido pelo contribuinte no ato concessório do regime de drawback, as importações realizadas restam descaracterizadas como amparadas pelo regime aduaneiro especial de drawback, ficando, portanto, sujeitas ao pagamento dos tributos suspensos. O objetivo do regime aduaneiro especial de drawback é incentivar a exportação, de tal sorte que o legislador desonera o produtorexportador dos encargos financeiros fiscais devidos em uma importação comum (II e IPI vinculado), desde que os materiais importados sejam empregados na fabricação de produtos nacionais a serem exportados. Tal procedimento garante ao exportador nacional condições de competitividade no mercado internacional. De toda sorte, é preciso ter sempre em mente que o objetivo primordial do regime de drawback é promover a exportação de produtos de fabricação nacional. Daí a necessidade da vinculação entre exportação e importação. A inexistência desta vinculação impede o efetivo controle por parte do Fisco, de que os bens importados sob amparo do regime de drawback foram efetivamente empregados em bens destinados à exportação. A conseqüência da ineficácia de tais controles é que bens de procedência estrangeira ingressados no país sob o regime de drawback, por conseqüência, sem o pagamento dos tributos incidentes na importação, podem ser destinados ao mercado interno, concorrendo de maneira desigual com a indústria nacional, contribuindo para a desestruturação do parque industrial nacional, o que representa o oposto dos interesses governamentais que levaram à concessão do beneficio do drawback. Neste ponto, adoto como razões de decidir o voto proferido pelo Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, nos autos do processo nº. 10074.001046/200559, que, com a costumeira competência, bem enfrentou a matéria. Assim, com as devidas homenagens, passo a transcrever os argumentos do ilustre Conselheiro: “Da comprovação da efetiva exportação Fl. 2385DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 Como visto a legislação brasileira historicamente adotou o “princípio da vinculação física” para o drawback suspensão: tanto o artigo 78 do DecretoLei nº 37/66 já se referia expressamente a tal exigência, todos os Regulamentos Aduaneiros mantiveram tal prescrição, assim como o CAM – Código Aduaneiro do MERCOSUL também estipula tal exigência, de modo que a mercadoria importada ao amparo do regime deve, necessariamente, ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação de outra a ser exportada, impondo, portanto, que seja integralmente empregada no processo produtivo da mercadoria exportada. Logo, o beneficiário do regime deve comprovar que aplicou os insumos importados no processo produtivo de mercadoria efetivamente exportada. É condição para utilização do regime. Muito bem. E como se comprova a exportação sob a égide do regime especial de drawback suspensão? Quais sãos os procedimentos a serem adotados pelo beneficiário do regime para comprovar o preenchimento das condições previstas na legislação? Vejamos o que prescrevem os dispositivos normativos que tratam da matéria. O artigo 325 do RA85, aprovado pelo Decreto nº 91.030/85, assim como o artigo 352 do Decreto nº 4.543, de 27/12/2002, dispõem: “A utilização do regime previsto neste Capítulo será registrada no documento comprobatório de exportação”. Relembremos que o documento comprobatório de exportação, na sistemática operacionalizada pelo SISCOMEX, é o RE Registro de Exportação devidamente averbado, nos termos do que dispõe o Comunicado DECEX nº 21/97 (“Consolidação das Normas de Drawback), verbis: 21.1 Os documentos que comprovam as operações de importação e exportação vinculadas ao Regime de Drawback são os seguintes: I Declaração de Importação (DI); II Registro de Exportação (RE) averbado; III Registro de Exportação Simplificado (RES) averbado; IV Nota Fiscal de venda no mercado interno”. O Comunicado DECEX nº 21/97 prescreve, ainda, em seu item 19.4 a necessidade da vinculação do RE – Registro de Exportação ao Ato Concessório, nos seguintes termos: “19.4. Os documentos utilizados nas importações e exportações amparadas pelo Regime de Drawback deverão estar vinculados a apenas um Ato Concessório”. Cabe, também, transcrever os itens 3 e 4 do Anexo V do Comunicado DECEX nº 21/97 que dispõe sobre o procedimento exigido para a comprovação do regime, verbis: “3. É obrigatória a vinculação do Registro de Exportação (RE) ao Ato Concessório de Drawback, modalidade Suspensão. 4. Somente será aceito para comprovação do Regime, modalidade suspensão, Registro de Exportação (RE) contendo, no campo 2a, o código de enquadramento Fl. 2386DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.004399/9921 Acórdão n.º 3202000.695 S3C2T2 Fl. 1.081 11 constante do Anexo”I” (I – Tabela de Enquadramento da Operação) da Portaria SCE nº 2, de 22/12/92, bem como as informações exigidas no campo 24 (dados do fabricante).” No mesmo sentido, a Portaria SECEX nº 4/97 (DOU de 12/06/1997), em seu art. 37: “Art. 37 – Somente poderão ser aceitos para comprovação do Regime de Drawback, modalidade Suspensão, Registro de Exportação (RE), devidamente vinculado ao Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor”. Do cotejo dos dispositivos normativos mencionados (artigos 314 e 325 do RA/85 e artigos 335 e 352 do RA/2002), bem como a legislação complementar da SECEX/MDIC, constatase que todas as disposições pertinentes à concessão do referido incentivo à exportação foram rigorosamente disciplinadas, podendose inferir que o texto regulamentar impõe de forma clara a vinculação entre a mercadoria importada e a mercadoria a ser exportada no regime, assim como a legislação da SECEX/MDIC prescreve os procedimentos a serem adotados na comprovação da exportação das mercadorias resultantes do processo produtivo. Todos esses procedimentos exigidos em relação à comprovação das exportações são necessários para que o Fisco possa efetivamente controlar tanto a utilização dos insumos importados com desoneração tributária como a destinação dos bens (efetiva exportação). Não fossem esses controles, restaria caracterizada a ineficácia do incentivo em tela, na medida em que tornaria vulnerável a indústria nacional pelo ingresso de produtos estrangeiros no território nacional, sem o pagamento dos tributos devidos. Ao beneficiar determinadas empresas, o Estado/Fisco deve ter a precaução de não se criar uma situação de desigualdade com outras empresas do mesmo setor econômico, o que fatalmente ocorreria se os produtos importados com suspensão de tributos, em decorrência do regime drawback, fossem “desviados” para o mercado interno. É evidente que a “vinculação física” entre as mercadorias importadas e as mercadorias exportadas deve estar claramente demonstrada, e isto só pode ocorrer se os Registros de Exportação estiverem devidamente vinculados aos Atos Concessórios emitidos pela SECEX. Ademais, também é indiscutível que as exportações beneficiadas e abrigadas por um regime aduaneiro especial devem estar identificadas como tal, o que é feito pelo código da operação respectivo, conforme indicado nas tabelas constantes do Anexo I da Portaria SCE nº 02/92. No caso vertente, a empresa utilizou o código 80.000 exportação normal e 81.301 exportação sujeita a registo de venda, quando deveria utilizar o código 81.101 drawback suspensão comum. Este “simples erro de preenchimento” do Registro de Exportação, na verdade, mascara a operação de exportação, dissimulandoa. Os Registros de Exportação REs que não contiverem ou que contiverem de forma inexata as informações relativas aos códigos de operação de Drawback, assim como os REs que não contemplem a informação do número do Ato Concessório ao qual deveria estar vinculado, não fazem prova do cumprimento do regime. Este entendimento tem como pressuposto o fato de que a indicação de um código de operação diverso do regime drawback e/ou a falta da indicação do número Fl. 2387DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 do Ato Concessório em análise não permite que se conclua que o produto objeto de exportação venha a conter insumos importados sob a égide do citado regime, o que, de forma lógica, impede que o Registro de Exportação seja utilizado para fins de comprovação do adimplemento do que foi compromissado em Ato Concessório. Da exegese das normas acima referidas, concluise que a utilização do benefício deve estar devidamente consignada no documento comprobatório de exportação (RE). Para isso, necessário a informação do código correto da operação no Registro de Exportação – RE, bem como a sua correta vinculação ao Ato Concessório. Corroborando esse raciocínio, transcrevemos a seguir, trecho do Parecer COSIT Nº 53, de 22 de julho de 1999: “9. No tocante à questão apresentada no item 4 possibilidade de aceitação, pela SRF, de Registros de Exportação não vinculados aos atos concessórios, informese que sobre o assunto, o art. 37 da mencionada Portaria Secex nº 4, de 1997, estabelece que ‘somente poderão ser aceitos para comprovação do regime de drawback modalidade suspensão, Registros de Exportação (RE) devidamente vinculados ao Ato Concessório de Drawback, na forma da legislação em vigor’.” 9.1 Assim, de acordo com a legislação vigente, nem a Secex nem a SRF poderão aceitar Registro de Exportação que não esteja vinculado ao respectivo ato concessório. Enfatizese, ainda, que compete à SRF proceder ao desembaraço das mercadorias a serem exportadas, autenticando o competente comprovante de exportação, o qual será encaminhado à Secex, pelo beneficiário do regime, a fim de que se verifique a adimplência do compromisso de exportação. .............................................................................................. .... Registros de Exportação não vinculados aos atos concessórios não serão aceitos pela SRF, para fins de comprovação do regime de drawback”. (negritei). É certo que a legislação estabelece um “procedimento” para a comprovação das exportações, o que evidencia, sem dúvida, norma de direito tributário formal (“deveres instrumentais” / “obrigações acessórias”). Por outro lado, a informação no RE a respeito de sua relação com Ato Concessório tem implicação de inegável caráter substancial, na medida em que assegura e comprova a vinculação da mercadoria por ele amparada ao regime drawback, reputandose, assim, imprescindível para conferir legitimidade ao incentivo fiscal. A ausência destas escorreitas informações nos documentos de exportação – REs não se restringe apenas ao campo das questões “meramente formais”, indo muito além, inserindose, pelo Princípio da Vinculação Física, no pressuposto básico de comprovação do regime, consubstanciandose, assim, em elemento essencial no adimplemento do compromisso de exportar. Registrese, portanto, que não se tratam de apenas “(...) equívocos no preenchimento de registros de exportação”, como argumenta a Recorrente, mas sim de descumprimento de procedimentos previstos na legislação que implicam na ausência de comprovação do adimplemento do compromisso de exportar. À título de Fl. 2388DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.004399/9921 Acórdão n.º 3202000.695 S3C2T2 Fl. 1.082 13 comparação, podemos vislumbrar a seguinte situação: um “erro formal” no preenchimento de uma nota fiscal, por exemplo, trocandose um dígito no valor da mercadoria (onde deveria constar R$ 900.000,00, constou R$ 100.000,00) pode levar a uma modificação substancial na base de cálculo; ou um “equívoco” na classificação fiscal do produto pode implicar em alterações relevantes de alíquotas. Tratase de “erros formais” com repercussão na relação jurídicotributária/ obrigação tributária. Assim, entendo que a empresa beneficiária do regime de drawback deve, obrigatoriamente, em atendimento ao Princípio da Vinculação Física: i. Quando das importações dos insumos com suspensão dos tributos, efetuar a correta escrituração dos documentos fiscais: Declaração de Importação, Notas Fiscais de Entrada e Livro de Registro de Entrada; ii. Durante o processo produtivo, manter, através de livros fiscais próprios (Livro do Registro de Controle da Produção e Estoques), controles e registros em separado de estoques dos insumos estrangeiros importados em regime aduaneiro de drawback, bem como manter controles e registros em separado dos estoques de produtos finais elaborados com os insumos importados no regime; iii. Quando das exportações dos produtos elaborados com os insumos importados, efetuar a correta escrituração dos documentos fiscais: Registros de Exportação, Declaração de Despacho de Exportação, Notas Fiscais de Saída e Livro de Registro de Saídas. A correta escrituração fiscal, além de obrigatória aos contribuintes, faz prova do cumprimento de suas obrigações tributárias. Cumpre destacar que a mera alegação de que as exportações ocorreram não pode ser considerada como argumento capaz de vincular um Registro de Exportação a um determinado Ato Concessório de drawback. Isso não é suficiente para se comprovar que os bens importados foram efetivamente utilizados na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não fazem prova a favor do beneficiário do regime. O art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil impõe ao sujeito passivo o dever de provar fato constitutivo do seu direito, ou seja, no caso em tela, deve provar que cumpriu as condições previstas na legislação para gozar dos incentivos proporcionados pelo regime especial de drawback – suspensão. Não se pode atribuir ao Fisco o dever de comprovar que as exportações não dizem respeito ao Ato Concessório. O ônus, neste caso, é do sujeito passivo que deveria fazêlo mediante a adoção do procedimento fixado na legislação de regência ou pelo menos empreender esforços no sentido de carrear ao processo elementos que, alternativamente, fizessem prova do cumprimento dos requisitos. Não o fez! Nos casos de isenção condicionada, a concessão do incentivo deve ser revogada em procedimento de fiscalização caso fique comprovado o descumprimento das condições previstas no Ato Concessório, como prescreve o artigo 179/CTN Deste modo, a meu sentir, restou demonstrado que a Recorrente não pode utilizarse da desoneração tributária decorrente do regime de drawback – suspensão para as exportações que não foram devidamente vinculadas ao Ato Concessório. Fl. 2389DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 Por fim, destaco que a posição adotada neste voto está em sintonia com julgados proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo transcritas: Acórdão CSRF nº 930301.248, sessão de 06 de dezembro de 2010: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) DRAWBACK SUSPENSAO, EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual vinculação à ato concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. Recurso Especial do Procurador Provido. Acórdão CSRF nº 930300.210, sessão de 15 de setembro de 2009: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 31/05/1996, 25/07/1996, 20/08/1996, 21/10/1996, 13/11/1996. DRAWBACK SUSPENSÃO. O encerramento do regime de drawback, na modalidade suspensão, exige a comprovação, por meio da apresentação dos documentos fixados na legislação de regência, de que o beneficiário empregou os insumos importados sob o manto do regime nas mercadorias exportadas em cumprimento do compromisso assumido. Ausentes tais elementos, não há como se considerar o regime adimplido. Recurso Especial do Procurador Provido.” Acrescentese à jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Ficais deste CARF, nesse mesmo sentido, o julgado proferido em 11/04/2012, nos autos do processo nº. 13921.000324/200197, cuja ementa abaixo transcrevo: Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 18/11/1996 a 18/12/1996 Ementa: DRAWBACK Fl. 2390DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.004399/9921 Acórdão n.º 3202000.695 S3C2T2 Fl. 1.083 15 Falta de vinculação entre a exportação e o Ato Concessório do Drawback caracteriza inadimplemento do Regime Aduaneiro tornando cabível a cobrança dos tributos suspensos e acessórios. RECURSO NEGADO (Relatora: Maira Teresa Matinéz López) Outro ponto a se destacar é o fato de entender a contribuinte que, tendo a SECEX reconhecido o cumprimento dos atos concessórios, baixandoos na época própria, restaria à autoridade fazendária “confiar naquele ato”, não sendo cabível cogitar “de qualquer suspeita quanto aquela homologação feita no passado”. Assim, no entender da contribuinte, a Secretaria da Receita Federal do Brasil não teria competência revisional dos atos praticados pela SECEX. Alega que a autuação somente seria cabível se a SECEX tivesse emitido ato declarando nulas as baixas dos Atos Concessórios anteriormente efetuadas e afirma que o pleno adimplemento das obrigações assumidas encontrase cabalmente comprovado em razão da baixa do Ato Concessório efetuado pela SECEX . Não assiste razão à recorrente em tais alegações. Embora a SECEX detenha a competência para a concessão do regime aduaneiro especial de drawback, cabe à Secretaria da Receita Federal a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, inclusive a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela beneficiária, dos requisitos e condições fixados pela legislação de regência. Enquanto a SECEX é competente no que tange ao regime econômico, é a Secretaria da Receita Federal que detém a competência relativa ao regime aduaneiro. O adimplemento do compromisso declarado pela SECEX diz respeito à verificação documental referente ao cumprimento do regime em seu aspecto econômico, não alcançando o detalhamento da aferição sobre o consumo individualizado dos insumos importados, nem a verificação da regularidade dos procedimentos tributários adotados pela contribuinte, sendo da Receita Federal a competência, distinta e complementar, de examinar a regularidade tributária das operações de importação e exportação correspondentes. O campo de atuação e competência tanto da SECEX quanto da Receita Federal está claro nas disposições da Portaria MEFP nº. 594, de 26/08/1992, que dispõe sobre o regime aduaneiro especial de drawback e estabelece, no art. 2º, as questões que abrangem a competência da SECEX e, no art. 3º, as de competência da Receita Federal: Art. 1o A concessão e a aplicação do regime aduaneiro especial de "drawback" nas modalidades de suspensão e isenção de tributos, previstas nos incisos I e II, do art. 314, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto no 91.030, de 5 março de 1985, seregem pelo disposto nesta Portaria. Parágrafo único. O regime de "drawback" poderá ser concedido conforme previsto no art. 315, do Regulamento Aduaneiro. Art. 2o Constitui atribuição da Secretaria Nacional de Economia SNE, nos termos do art. 2o, da Lei no 8.085, de 23 Fl. 2391DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 16 de outubro de 1990, a concessão do regime, compreendidos os procedimentos que tenham por finalidade sua formalização, bem como o acompanhamento e a verificação do adimplemento do compromisso de exportar. Art. 3o Constitui atribuição do Departamento da Receita Federal DpRF a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dosrequisitos e condições fixados pela legislação pertinente. Assim, o fato de a SECEX, no caso em questão, haver considerado os compromissos como adimplidos pela contribuinte, não impede nem invalida a revisão por parte da Secretaria da Receita, não resultando, daí, nenhum conflito de competência, tampouco devendo a Receita Federal subjugarse à manifestação da SECEX, que se pronuncia em esfera de competência diversa. Neste sentido, farta a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes, da qual ilustram os Acórdãos CSRF 0305.557, 30131373 e 30237389. Mais recentemente, este também foi o entendimento manifestado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em sessão realizada em 06/12/2010, a saber: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 17/05/1996 DRAWBACK SUSPENSÃO. FISCALIZAÇÃO. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. A Secretaria da Receita Federal tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos inerentes ao regime de drawback, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de benefício, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 17/05/1996 DRAWBACK SUSPENSÃO COMUM. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA. IMPOSIÇÃO LEGAL. O regime aduaneiro especial de drawback suspensão comum exige, em regra, sejam controlados, em separado, os estoques de insumos nacionais e importados, de forma a possibilitar a perfeita demonstração de que os insumos importados foram efetivamente empregados nas mercadorias exportadas. DRAWBACK SUSPENSÃO. EXPORTAÇÕES NÃO VINCULADAS A REGIME DE DRAWBACK. DESATENDIMENTO A REQUISITOS FORMAIS QUE IMPEDEM A VINCULAÇÃO DAS EXPORTAÇÕES A ATO CONCESSÓRIO DO REGIME. INADIMPLEMENTO. Fl. 2392DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10314.004399/9921 Acórdão n.º 3202000.695 S3C2T2 Fl. 1.084 17 Cabe ao sujeito passivo beneficiário do regime de drawback suspensão o controle atinente à vinculação, material e formal, quanto ao emprego dos insumos importados na industrialização e exportação das mercadorias compromissadas no ato concessório correspondente. A absoluta ausência de qualquer informação acerca do regime de drawback, ou de eventual vinculação a ato concessório do regime no Registro de Exportação, não autoriza sua utilização para comprovação do adimplemento das exportações compromissadas. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. (Processo nº 10073.001182/0055, Relator: Henrique Pinheiro Torres) Das Multas Por último, em relação à multa que lhe foi aplicada, não traz a contribuinte argumentos para refutar a decisão da DRJ, que considerou a matéria não impugnada, vez que a querelante não trouxe qualquer argumento específico para refutar a autuação nesta parte, limitandose a tecer consideração genérica de que seria incabível em razão de as exportações compromissadas terem sido efetivadas. Dessa forma, não há como se conhecer do recurso nesta parte, visto a recorrente ter apenas repetido as mesmas considerações genéricas tecidas na impugnação, inclusive repetindo o mesmo equívoco em relação a susposta aplicação de multa de mora, o que não foi objeto de lançamento. Conclusão Pelo exposto CONHEÇO EM PARTE DO RECURSO. Na parte conhecida, REJEITO as preliminares de nulidade do auto de infração e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 2393DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10166.009065/2002-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto de Renda de Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1998 IRRF.
NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DURANTE A VIGÊNCIA DO ART. 90 DA MP 2.158-35, ANTES DA INOVAÇÃO INTRODUZIDA PELO. ARTIGO 18 DA LEI N° 10.833/2003.
Inexiste óbice legal para o lançamento de oficio exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, ainda ao amparo do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.158- 35/2001, que expressamente exigia o lançamento de oficio para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.355
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DURANTE A VIGÊNCIA DO ART. 90 DA MP 2.15835, ANTES DA INOVAÇÃO INTRODUZIDA PELO. ARTIGO 18 DA LEI N° 10.833/2003. Inexiste óbice legal para o lançamento de oficio exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei n° 10.833/2003, ainda ao amparo do artigo 90 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, que expressamente exigia o lançamento de oficio para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 26/09/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Pedro Anan Junior, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Instituto Adventista de Jubilação e Assistência, foi lavrado o auto de infração de fls. 05/06, objetivando a exigência de imposto de renda retido na fonte do segundo e terceiro trimestres de 1998, em decorrência do recolhimento em atraso do tributo sem a inclusão da multa e juros de mora. A Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar os Embargos de Declaração opostos pela contribuinte, exarou o acórdão n° 220101.130, que se encontra às fls. 133/138 e cuja ementa é a seguinte: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACÓRDÃO REVISOR. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para rerratificar o Acórdão embargado. IRFONTE VALOR INFORMADO EM DCTF NÃO RECOLHIDO IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO Incabível o lançamento para exigência de valor declarado em DCTF e não recolhido. O imposto e/ou saldo a pagar, apurado em DCTF, deve ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição na Dívida Ativa da União NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RETRO ATIVIDADE BENIGNA DA LEI EXTINÇÃO DE PENALIDADE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA POR FALTA DO RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA Com a edição da Lei n°. ] 1.488, de 2007, cujo artigo 14 deu nova redação ao artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, deixou de existir a exigência da multa de ofício isolada de setenta e cinco por cento por recolhimento de tributos em atraso sem o Fl. 371DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10166.009065/200251 Acórdão n.º 920202.355 CSRFT2 Fl. 2 3 acréscimo da multa de mora. Portanto, as multas aplicadas com base nas regras anteriores devem ser adaptadas às novas determinações, conforme preceitua o art. 106, inciso II, alínea "a", do Código Tributário Nacional.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Turma, por unanimidade de votos, acolheu os embargos para retificar o acórdão anteriormente proferido (acórdão n. 10423471) e afastar a multa isolada e, por maioria, dar provimento ao recurso voluntário para considerar inadequada a exigência por meio de auto de infração do crédito tributário informado em DCTF. Intimada do acórdão em 15/08/2011 (fls. 139) a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 142/151, pleiteando a reforma do v. acórdão recorrido sustentando divergência jurisprudencial entre o v. acórdão recorrido e outras decisões deste Colegiado no tocante à possibilidade de lançamento de ofício sobre os valores declarados como compensados em DCTF, por não se constituírem em confissão de dívida (acórdão nº 20400.671 e 102 47.809). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2200 00.561, de 60/10/2011 (fls. 168/173). Regularmente intimada do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, o Contribuinte deixou de apresentar contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No mérito, tendo em vista a admissão parcial do recurso especial, a discussão ora posta é relativa à possibilidade de exigência de valores declarados em DCTF, cujo pagamento não foi identificado pela Receita Federal do Brasil, por meio de auto de infração. O v. acórdão recorrido entendeu que é incabível o lançamento de ofício para exigência de tributo declarado em DCTF, constituído na vigência do art. 90 da Medida Provisória n. 2.15835, de 2001, por tal dispositivo ter perdido eficácia a partir da edição do art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, que deve ser aplicado retroativamente. Segundo essa posição estaria o débito declarado em DCTF já devidamente lançado, devendo ser encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva, sendo desnecessária a lavratura de auto de infração. Entendo, no entanto, que no case em exame assiste razão à Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Já me manifestei em oportunidades anteriores de que não compartilho com o entendimento externado no v. acórdão recorrido e tenho para mim que ele aplica indevidamente a regra da retroatividade benigna, prevista no art. 106 do CTN para a hipótese de aplicação de penalidade, a questão relativa a procedimento fiscal, cuja norma de regência é sempre a do momento da prática, salvo norma posterior expressamente retroativa. O art. 90 da MP n. 2.15835, vigente a partir de 28 de agosto de 2001 e base legal da autuação, era bastante explícito: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” O argumento da tese vencedora no v. acórdão recorrido é o de que tal disposição perdeu eficácia com a edição do art. 18 da MP n. 135, publicada em 31 de outubro de 2003 (posteriormente convertido no art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003). Referido dispositivo assim estabeleceu: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.” De fato, é patente que a partir da entrada em vigor do dispositivo não mais se tornou necessário procedimento de ofício para constituição de crédito tributário declarado em DCTF mas não pago, salvo nas hipóteses previstas no dispositivo. Não obstante, entender que o dispositivo tornou nulos os atos praticados na vigência do art. 90 da MP n. 2.15835 é dar a ele extensão demasiada, incompatível com os cânones de interpretação. Reportome à explicação constante do voto proferido pelo I. Conselheiro José Antônio Francisco, da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, formalizado no Acórdão 20177.839, in verbis: “Em outubro de 2003, com a publicação da MP nº 135 (convertida na Lei n. 10.833, de 2003), o lançamento anteriormente previsto no art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, passou a ser cabível somente nas hipóteses de compensação indevida, em que houvesse dolo, fraude ou conluio, relativamente à multa de ofício qualificada, não havendo lançamento em relação aos débitos declarados em DCTF. (...) A primeira conseqüência das referidas alterações implicaram a restrição da aplicação da multa de ofício, no caso de débitos declarados em DCTF, nos termos do art. 106, II, “a”, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), uma vez que a vinculação do débito em DCTF somente representa infração, segundo a nova legislação, nos casos em que tenha havido dolo. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10166.009065/200251 Acórdão n.º 920202.355 CSRFT2 Fl. 3 5 A conclusão mencionada foi objeto da Solução de Consulta Interna nº 3, de 8 de janeiro de 2004, emitida pela Coordenação do Sistema de Tributação, que também concluiu que os lançamentos, nas hipóteses da antiga redação do art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, e os recursos apresentados, entre a publicação daquela MP e a da MP nº 135, de 2003, seriam atos perfeitos, cabendo, portanto, a apreciação do recurso. Ademais, ainda, concluiu que “no julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário tenha sido constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, as multas de ofício exigidas juntamente com as diferenças lançadas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do ‘caput’ do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que essas penalidades não tenham sido fundamentadas nas hipóteses versadas no ‘caput’ desse artigo”. A aplicação de tais conclusões não se restringe aos casos de apresentação de pedido de compensação válido formalmente, como se poderia supor, uma vez que a disposição da MP nº 135, de 2003, foi bastante clara em restringir o lançamento à aplicação da multa e somente nos casos em que tenha havido dolo, fraude, ou conluio. Embora se concorde com o afastamento da aplicação da multa de ofício, aplicandose, entretanto, a de mora, se for o caso, não se pode concordar com a conclusão de que o auto de infração seja considerado improcedente, relativamente ao lançamento da contribuição. Se o auto de infração é um ato jurídico perfeito, por ter sido lavrado nos termos da legislação vigente, então passou a ser o meio adequado para cobrança dos valores lançados, ainda que a multa de ofício não seja aplicável. Segundo o art. 144 do CTN, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”, de forma que o auto de infração foi regularmente lavrado, sob seus aspectos formais.” Em resumo, cabe aplicar a retroatividade benigna para afastar a exigência da multa de ofício, como muito bem concluiu a CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT) da Secretaria da Receita Federal na Solução Interna de Consulta n. 3, de 2004. Não obstante, como também afirma a referida solução de consulta o procedimento de lançamento foi efetuado segundo a norma de regência então vigente (art. 90 da MP n. 2.15835), sendo ato jurídico perfeito, não cabendo afastálo por norma posterior não expressamente retroativa. No presente caso, tratase de IRRF relativo ao 2º e 3º trimestres do ano calendário de 1998, declarado pela recorrente em sua DCTF. Verificado o não pagamento por meio de auditoria interna, nos termos do artigo 4º da Instrução Normativa nº 54/1997, caberia o lançamento de imposto suplementar, por meio da lavratura de auto de infração, nos termos do art. 90 da MP n. 2.15835, vigente à época da autuação (maio de 2002). Fl. 374DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 A postura adotada pelo acórdão recorrido, se prevalecesse, poderia dar ensejo a questionamento em sede de embargos de execução fiscal quanto à inviabilidade de prosseguimento da cobrança em face da ausência de instrumento apto ao lançamento. Verifico, portanto, que a autoridade fiscal agiu corretamente ao efetuar o lançamento de ofício relativamente ao IRRF não recolhido com os respectivos consectários legais, sendo legítima a constituição do crédito tributário via auto de infração à época da autuação. Assim, entendo que deve ser reformado o v. acórdão recorrido, o qual determinou o cancelamento do Auto de Infração em epígrafe, devendo o processo ser remetido à Câmara a quo para análise das demais razões recursais suscitadas pela Contribuinte.. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, DAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL, determinando o retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões de mérito. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 375DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 06/11/2 012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10314.720798/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2004
CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. RECURSO DE OFÍCIO.
Provada a correção da classificação fiscal do produto importado, de conformidade com a TIPI, e da respectiva alíquota, adotadas pelo contribuinte, correta a exoneração do crédito tributário determinada pela autoridade julgadora de primeira instância.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3301-001.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/01/2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXONERADO. RECURSO DE OFÍCIO. Provada a correção da classificação fiscal do produto importado, de conformidade com a TIPI, e da respectiva alíquota, adotadas pelo contribuinte, correta a exoneração do crédito tributário determinada pela autoridade julgadora de primeira instância. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Guilherme Déroulède e Andréa Medrado Darzé. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 07 98 /2 01 1- 91 Fl. 4137DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Tratase de recurso de ofício interposto pela DRJ São Paulo II contra sua própria decisão que julgou procedente a impugnação interposta pela recorrente contra os lançamentos do Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, Cofins, PIS, multa e juros de mora e a multa por erro de classificação fiscal dos produtos importados. Cientificada dos lançamentos, a recorrente impugnouos (fls. 3.724/3.780), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “ As duas únicas ocasiões em que houve dúvida em relação ao Código NCM adotado pela Impugnante, as autoridades fiscais responsáveis determinaram a elaboração de laudos técnicos por perito credenciado junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil (“RFB”), no caso o Engenheiro Roberto Raya da Silva, CREA 179593/D, os quais confirmaram o acerto da nomenclatura usada pela empresa, a saber: Laudo Técnico de 13/08/07 DI 07/10442046 (Anexo 7) e Laudo Técnico de 21/09/07 DI 07/12673002 (Anexo 8). Apesar disso, e decorridos mais de 2 anos, houve novo questionamento por parte Fiscalização da Alfândega de Guarulhos em março de 2010, quando foi registrada a DI 10/04843226, dando origem a Mandado de Procedimentos Fiscal (“MPF”)Diligência para elaboração de laudo por outro perito credenciado pela RFB, a fim de verificar a classificação fiscal das mercadorias importadas pela Impugnante. Ato contínuo, a Impugnante foi intimada a prestar amostras e catálogos dos produtos importados em referida DI, prestando os esclarecimentos julgados necessários, oportunidade em que, após prorrogação justificada de prazo, foram apresentadas as amostras, planilhas e catálogos dos produtos analisados (fl. 1177 do PAF). Na seqüência, mais especificamente em 27/04/2010, foi apresentado laudo pelo engenheiro nomeado pela RFB, Sr. Sérgio de Campos Gomes, CREA 060.140912.8, cuja conclusão apontou que as mercadorias importadas pela Impugnante microcontroladores (processadores ou circuitos integrados eletrônicos) estavam com a classificação fiscal incorreta e, por essa razão, deveriam ser enquadradas no Código NCM 8523.52.00, ao invés do que foi utilizado anteriormente (Código NCM 8542.31.90). E para surpresa da Impugnante, foi lavrado o Al ora impugnado. A adoção do Código NCM 8523.52.00 pela Impugnante, a partir de 05/11/2010, não implica em confissão da infração imputada no lançamento em tela. Isso porque a postura assumida pela Impugnante, ou seja, de utilizar o Código indicado pela Fiscalização, teve um único objetivo: evitar que os microcontroladores (processadores ou circuitos integrados eletrônicos) importados fossem retidos junto à alfândega, dificultando, assim, o desempenho de suas atividades sociais, vez que esses insumos são fundamentais para a fabricação dos smart cards que a Impugnante produz. De fato, ficando retidos microcontroladores (processadores ou circuitos integrados eletrônicos) junto às autoridades fiscais aduaneiras, não haveria como a Impugnante prosseguir com a fabricação dos smart cards, principalmente porque ela não detém capacidade financeira e operacional para manutenção de grandes estoques de insumos. Para demonstrar esse potencial prejuízo que haveria caso não fosse aceita a reclassificação imposta pela Fiscalização, juntase à presente trechos dos contratos firmados pela Impugnante junto a alguns de seus clientes (Anexo 9), contendo Fl. 4138DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.720798/201191 Acórdão n.º 3301001.776 S3C3T1 Fl. 4.136 3 cláusula expressa de sanção pecuniária em valores expressivos nos casos de atraso na entrega dos smart cards produzidos. Por outro ângulo, é certo também que a retenção de mercadorias importadas, dentre outros atos ilegais cometidos pelas diversas autoridades fiscais brasileiras, é prática muito recorrente como meio coercitivo para pagamento de tributos. A título ilustrativo, destacase o caso da DI 10/09975830, no qual a Impugnante teve que proceder a sua retificação, alterando o Código NCM de 8542.31.90 para 8523.52.00. E, por conta dessa modificação, houve a necessidade de recolhimento da diferença dos tributos incidentes (II, IPI, PIS, COFINS e Multa) para conseguir o desembaraço dos respectivos produtos importados (canal verde). Os documentos que retratam essa situação encontramse acostados à presente (Anexo 10). A Impugnante importa microcontroladores que consistem efetivamente em circuitos integrados eletrônicos monolíticos, incluindose, nestes, microprocessador, memórias e outros circuitos, montados, ou seja, encapsulado no seu invólucro de plástico e/ou resina e provido de conexões elétricas. Adicionalmente, no estado em que se encontram, no momento da importação, não possuem nenhuma programação gravada e vêm acondicionados em tira de duas fileiras contendo milhares de circuitos e em carretel (Anexo 6). Verificase adiante, portanto, da análise do microcontrolador, que a NCM mais adequada para o referido bem é o código NCM 8542.31.90. Assim, considerando a sistemática de classificação fiscal acima apresentada, devemos nos valer da primeira Regra Geral de Interpretação e, excepcionalmente, no caso desta nota não ser suficiente para determinar a classificação mais adequada para o bem, analisar as demais regras. Os produtos importados pela Impugnante são circuitos integrados monolíticos e, ainda que sejam utilizados para integrar cartões inteligentes, é necessário que sejam empregados em processo industrial que os modifiquem. Portanto, no estado em que se encontram no momento da importação, não existe texto de posição da Tarifa Externa Comum que descreva de forma mais precisa qual o bem em questão que não seja o texto da posição 85.42, demonstrado na tabela acima. A observância da RGI 1 na maior parte dos casos é suficiente para classificar os produtos, haja vista que os textos descritivos das posições do SH são organizados justamente com este objetivo, de suprir toda e qualquer dúvida que a classificação fiscal de uma mercadoria possa gerar. Evidentemente que nem todos os casos podem ser resolvidos desta forma. Para isto a TEC fornece Notas de Seções e Capítulo, além das NESH, instituindo regras e determinações a serem seguidas, durante o processo de análise dos produtos. No presente caso a leitura conjunta da Nota 8 do Capítulo 85 e do próprio texto da posição 85.42 é suficiente para compreender os microcontroladores importados como circuitos integrados monolíticos. A TEC também prevê como devem ser classificadas estas partes que possam ser compreendidas em qualquer posição dos Capítulos 84 e 85. Fl. 4139DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Note que circuitos integrados possuem de fato posição específica compreendida no Capítulo 85 da TEC. Logo, é justamente na posição 85.42 que os mencionados circuitos devem ser inseridos, conforme abaixo demonstrado. A própria TEC admite, na acepção do que consiste cartões inteligentes, que os microcontroladores, ou circuitos integrados eletrônicos, importados pela Impugnante são de fato partes dos cartões. A leitura atenta da Nota 4 “b)’ do Capítulo 85 da TEC, é clara. Denotase que o citado texto estabelece que cartões inteligentes comportam efetivamente circuitos integrados eletrônicos, em forma de chips. Ao utilizar o verbo comportar para na definição de ‘smart cards’, o legislador claramente transmite o contexto de que circuitos integrados são apenas partes do que constitui o todo, cartão inteligente. Mais uma vez a TEC, se observada corretamente sob sistemática de classificação fiscal, determina que o código mais adequado para os microcontroladores é de fato o adotado pela Impugnante, qual seja, NCM 8542.31.90. Por fim, não é outro o entendimento da própria RFB que, neste caso, se valeu corretamente das RGIs e referidas Notas para efetuar a classificação exatamente do mesmo componente importado pela Impugnante. Neste sentido, segue solução de consulta exarada pela 10ª Região Fiscal da Divisão de Administração Aduaneira: (Solução de Consulta nº 127 de 09/09/2010). Não obstante, apesar de já ressaltado como o método de classificação fiscal do presente objeto deve ser conduzido, cumpre ressaltar e elucidar quais os equívocos que a d. Autoridade Fiscal cometeu, em conjunto com o perito credenciado pela RFB, Engenheiro Sérgio de Campos Gomes, cuja análise técnica serviu de embasamento para o presente Auto de Infração. Desta feita, para justificar seu posicionamento, a d. Autoridade Fiscal se utiliza do texto do último parágrafo da Nota 8 do Capítulo 85 do SH e logo após conclui que se o microcontrolador possuir função de “smart card” o primeiro está suscetível a se enquadrar na posição correspondente ao cartão inteligente. A correta interpretação do texto destacado consiste na afirmação de que bens, quaisquer que sejam eles, que incluam artefatos classificados nas posições 85.41 e 85.42, ou seja, além de díodos, transistores, etc, qualquer uma das três modalidades de circuito integrado eletrônico (monolítico, híbrido ou de múltiplos chips), caso exerçam função inerente destes equipamentos, devem ser prioritariamente classificados na posição 85.41 e 85.42, à exceção daqueles bens que podem ser enquadrados na posição 85.23, como é o caso dos cartões inteligentes. Resta determinar quais as funções típicas dos mencionados circuitos integrados, quais sejam, basicamente, o processamento e armazenamento de dados e informações. Logo, podemos concluir que aqueles componentes cuja função principal é justamente o processamento e armazenamento de dados, realizadas por meio de circuitos integrados eletrônicos, incluídos em sua composição, devem ser classificados nas posições 85.41 e 85.42. A exceção disposta na Nota não deve ser compreendida da forma como a d. Autoridade Fiscal induz. De fato os cartões inteligentes comportam circuitos integrados monolíticos em seu todo, que justamente são responsáveis, por sua vez, pelas funções de processamento e armazenamento de dados. Entretanto, não é o microcontrolador que exerce a função de cartão inteligente e, sim, o seu conjunto. Fl. 4140DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.720798/201191 Acórdão n.º 3301001.776 S3C3T1 Fl. 4.137 5 A leitura mais atenta do trecho permite inferir que, a princípio, é o cartão inteligente que, por exercer as funções de circuito integrado, quais sejam processar e armazenar dados, é que estariam suscetíveis a serem incluídas na posição 85.42 e, jamais, o inverso. A exceção instituída na nota se faz necessária com relação aos cartões inteligentes no seu estado final, que, ainda que integrem em seu corpo circuitos integrados, não devem ser classificados na posição 85.42 e 85.41, haja vista a existência de posição específica para estes bens (85.23). Entretanto, a regra é clara: bens que incluam circuito integrado e exerçam suas atividades, devem ser prioritariamente classificados como tais e não o inverso. A d. Autoridade Fiscal menciona a Nota da posição 85.42 das NESH, a qual descarta da referida posição, dispositivos de armazenamento de dados, à base de semicondutores, os cartões inteligentes (“smart cards”) e outros suportes de gravação de som ou de outros fenômenos. Não suficiente, entendendo que a RGI1 não é capaz de determinar a classificação mais adequada ao microcontrolador importado pela Impugnante, a d. Autoridade Fiscal se vale do texto da RGI2 “a)” a qual estabelece que os bens inacabados e incompletos devem ser classificados como se já fossem o produto final, caso apresentem, no estado em que se encontram, as características essenciais do produto final. Conforme norma da ABNT, cartões inteligentes devem possuir a mesma forma de cartão de crédito. Cartões de crédito, por sua vez, são definidos pela norma ISO/IEC 7810 que estabelece, inclusive, as dimensões que um cartão de crédito deve ter: 85,60 milímetros de largura, 53,98 milímetros de altura e 0,76 milímetros de espessura. Referidos cartões devem conter também contatos ou antena, sendo que uma tarja magnética também pode ser inserida no cartão. Ao confrontarmos a descrição acima com a descrição do produto importado pela Impugnante, no estado em que se encontra, no momento da importação, verificase de imediato que os microcontroladores (circuitos integrados monolíticos, em tiras com duas fileiras, contendo milhares de circuitos e acondicionada em carretel) não possuem nem mesmo aproximadamente qualquer forma ou perfil do objeto final cartão inteligente, com forma de cartão de crédito, com respectivas medidas, com contatos ou antenas e podendo conter ainda uma tarja magnética. Vide, a propósito, os Anexos 5 e 6. Ora, se não é possível denotar nenhuma forma do objeto final nos microcontroladores importados, a RGI2 “a)” não deve ser aplicável ao bem questionado, pois é impossível atribuir a característica de esboço do cartão inteligente aos mencionados circuitos integrados. Ainda que os microcontroladores pudessem ser considerados como efetivos esboços do cartão inteligente, a RGI2 “a)” não deve ser utilizada indiscriminadamente, como mecanismo retórico para fundamentar determinada classificação. As demais RGIs devem ser analisadas única e exclusivamente nos casos em que a RGI1 não se mostra suficiente para sustentar determinada classificação fiscal, ou seja, se os textos da posição ou das Notas de Seção e Capítulo não conseguem definir uma classificação precisa para o bem analisado. Fl. 4141DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Depreendese, portanto, que não é apenas por que a RGI2 “a” afirma que produtos incompletos ou inacabados devem ser classificados como o objeto final a que se destinam que devemos proceder com a classificação desta forma. A d. Autoridade Fiscal menciona a Nota 4 "b" do Capítulo 85 da TEC, para justificar que os produtos importados pela Impugnante conferem com a descrição de “smart cards”. Ora, da leitura da nota em questão é fácil compreender que os cartões inteligentes comportam um ou mais circuitos integrados eletrônicos. Em outras palavras, que referidos circuitos integrados são parte de um todo, que consiste necessariamente em cartões, e ainda podem apresentarse munidos de contatos, de uma tarja magnética ou de uma antena embebida. Não é outro o posicionamento da norma ABNT NBR ISO/IEC 17799, que trata do assunto, em seu Anexo A, in verbis: “Smartcard cartão – cartão plástico que contém um microchip que inclui um microprocessador e uma memória. Do mesmo tamanho de um cartão de crédito, tem contatos que permitem que outros dispositivos se comuniquem com o cartão. Pode contar mais dados do que uma tarja magnética e pode ser programado para revelar somente a informação relevante.” (grifouse) Os verbos “comportar” e “conter”, descritos na Nota da TEC e na norma ABNT acima referidas, indicam claramente que o microchip é apenas parte do “Smart Card”, como já havíamos afirmado, uma vez que o cartão inteligente em si possui outras características, como, por exemplo, ser do mesmo tamanho que um cartão de crédito, ter contatos que permitem que outros dispositivos se comuniquem com o cartão, pode inclusive possuir tarja magnética, etc. Para corroborar, fazemos uso do texto da Portaria Interministerial dos Ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência, Tecnologia e Inovação (“MDIC/MCT”) n° 72, de 22 de março de 2011, que institui o Processo Produtivo Básico (“PPB”) vigente para a produção de cartões inteligentes: (vide fls. 3750). Por definição legal, a própria RFB admite que o chip utilizado para a fabricação de cartões inteligentes, é uma matériaprima que se transforma visando à obtenção de espécie nova, ou seja, em novo produto, que diverge, naturalmente, da matériaprima originária. Em hipótese alguma, por definição legal, os microcontroladores importados pela Impugnante devem ser confundidos com cartões inteligentes. Não obstante, considerando todos os conceitos de cartões inteligentes até aqui apresentados, quais sejam, Notas de Capítulo da TEC, notas das NESH, conceito técnico determinado pelas normas ABNT e descrição das etapas do PPB estabelecidos pela respectiva portaria interministerial acima, não resta qualquer dúvida de que circuito integrado monolítico, ou mícrocontrolador, compõem um todo específico, denominado cartão inteligente, como respectiva parte. É evidente inclusive, que ainda que os microcontroladores sejam partes de um cartão inteligente, essencialmente, em momento algum deixam de ser circuitos integrados, devidamente descritos em posição específica do Capítulo 85 da TEC. Como afirmar que a Impugnante errou na classificação fiscal adotada nas importações realizadas, se até mesmo a RFB já manifestou posicionamento favorável à classificação do produto ora questionado, por meio da Solução de Consulta n° 127, de 09 de setembro de 2010, já colacionada? Fl. 4142DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.720798/201191 Acórdão n.º 3301001.776 S3C3T1 Fl. 4.138 7 Ressaltese que 11 (onze) Declarações de Importação (“DIs” Anexo 11) objeto do presente Auto de Infração foram submetidas à análise fiscal e conferência aduaneira, via canal de parametrização vermelho e, após vistorias documental e física, os produtos importados foram desembaraçados por se tratarem de microcontroladores (circuitos integrados eletrônicos ou processadores) e não “smart cards”, o que confirma o acerto do Código NCM utilizado pela Impugnante. Inclusive, no caso de 02 dessas 11 DIs, quais sejam, DIs 07/10442046 e 07/12673002, os produtos importados foram submetidos a duas perícias por profissional credenciado pela RFB, que também ratificaram o Código NCM utilizado pela Impugnante mediante a emissão dos respectivos Laudos Técnicos (Anexos 7 e 8). Não tendo havido erro quanto à matéria de fato constante de declaração de importação, isto é, no que concerne à identificação física da mercadoria, não há que se admitir a revisão do lançamento, o qual se torna descabida, abusiva e ilegal. Por sua vez, é importante destacar que as Soluções de Consulta, como o caso da acima destacada, são manifestações formais do órgão fiscalizador e constituem orientação do entendimento que a Secretaria da Receita Federal do Brasil possui sobre qual o procedimento correto a ser adotado pelo contribuinte. Para confirmar esse entendimento, é relevante destacar a conclusão de ambos os já mencionados laudos produzidos pelo perito, Sr. Roberto Raya da Silva, que se refere as mesmas mercadorias objeto do presente AI. Por outro lado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (“MDIC”) e o Ministério da Ciência e Tecnologia (“MCT”), ao editarem a Portaria Interministerial MDIC/MCT n° 243, de 13 de dezembro de 2006 (Anexo 12), que estabeleceu o processo produtivo básico (“PPB”) para os cartões inteligentes (“smart cards”), respaldou o procedimento adotado pela Impugnante. Isso porque tal Portaria esclarece que o microcontrolador (processador ou circuito integrado eletrônico) é apenas parte do todo composto pelo cartão inteligente (“smart card”). A Portaria Interministerial MDIC/MCT n° 243, de 13 de dezembro de 2006, foi substituída pelas Portarias Interministeriais MDIC/MCT n° 66, de 12 de março de 2008, n° 15, de 20 de janeiro de 2009, e, atualmente, pela Portaria Interministerial MDIC/MCT n° 72, de 22 de março de 2011. Todas essas Portarias, em essência, mantiveram o mesmo conteúdo da Portaria Interministerial MDIC/MCT n° 243, de 13 de dezembro de 2006. Ou seja, em todas elas, ficou mantida a idéia de que o microchip (microcontrolador, processador ou circuitos integrados eletrônicos) é apenas parte do todo (cartão inteligente), não se confundindo com o cartão inteligente. Destarte, não restam dúvidas de que o microchip é apenas uma parte do todo que compõe o cartão inteligente ("smart card"), conforme definições constantes da Portaria do MDIC/MCT. Além disso, o Governo Federal através do Comitê Executivo de Governo Eletrônico, ao editar o ePING (Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico Anexo 13), em 31 de maio de 2004, define os cartões inteligentes como bens que detêm flexibilidade, resistência à temperatura e dimensões para 3 tipos de formato de cartão (ID1, ID2 e ID3), conforme fl. 31 desse documento (item 8.1.11). Fl. 4143DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 Concluise então, que as inúmeras e sucessivas operações de importação realizadas pela Impugnante, utilizando a classificação fiscal objeto do Código NCM 8542.31.90 e referendadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ao longo de mais de dois anos, caracterizaram a prática reiterada das autoridades administrativas federais, nos termos do art. 100, inciso III, do CTN. Por fim, além de todas as questões suscitadas, tornase valioso asseverar que a Impugnante a todo o momento agiu de boafé, sem qualquer interesse de lesar o erário público. A incidência da penalidade deverá ocorrer nas hipóteses em que as empresas busquem intencionalmente se furtar à autuação do fisco, o que não é, por evidência e lógica, o caso em tela. Ante o exposto, de forma subsidiária aos fundamentos que sustentam a improcedência total do auto de infração demonstrada nos itens anteriores, requer a Impugnante, em observância à prática reiterada da Secretaria da Receita Federal do Brasil (laudos técnicos Anexos 7 e 8; e Solução de Consulta n. 127 de 09/09/2010), normas complementares publicadas pelo MCT, pelo MDIC (Anexo 12) e pelo Comitê Executivo de Governo Eletrônico (Anexo 13), sua comprovada boafé e em atenção aos artigos 100 e 112 do CTN e art. 681 do Regulamento Aduaneiro, o cancelamento das penalidades (multas administrativas, multa tributária pelo lançamento de ofício e juros de mora) impostas pelo auto de infração ora guerreado.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua procedente e determinou o cancelamento dos lançamentos, conforme Acórdão nº 1754.407, datado de 6 de outubro de 2011, às fls. 4.021/4.049, sob a seguinte ementa: “CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. Mercadoria identificada como circuito integrado eletrônico, contendo circuito processador, memórias ou outros circuitos, do tipo utilizado em cartão inteligente, apresentado numa tira com duas fileiras contendo milhares de circuitos e acondicionada em carretel, comercialmente denominado ‘Chip para Cartão Inteligente’, classificase no código NCM 8542.31.90, segundo as RGI 1 (Notas 4 “b)” e 8 do Capítulo 85 e texto da posição 85.42) e 6 (texto da subposição 8542.31), e Regra Geral Complementar da Nomenclatura Comum do Mercosul (RGC) 1 (texto do item 8542.31.90), da TEC (Tarifa Externa Comum).” Por ter exonerado crédito tributário (impostos e contribuições e respectivas multas de ofício) em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), a DRJ recorreu de ofício de sua decisão, nos termos do Decreto nº 70.235, de 1972, art. 34, inciso I, c/c a Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, art. 2º. Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs contrarrazões (fls. 4.054/4.071), requerendo o cancelamento dos créditos tributários e, conseqüentemente, a manutenção da decisão recorrida, alegando, sem síntese, as mesmas razões expendidas na impugnação. É o relatório. Fl. 4144DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10314.720798/201191 Acórdão n.º 3301001.776 S3C3T1 Fl. 4.139 9 Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso de ofício atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. O cancelamento dos créditos tributários pela autoridade julgadora de primeira instância teve como fundamento a correta classificação fiscal do produto importado, adotada pela recorrente, posição 85.42, da TIPI, bem como a decisão na Solução de Consulta nº 127, de 9/9/2010, dada pela 10ª Região Fiscal da Divisão de Administração Aduaneira (DIANA). Conforme demonstrado e provado na decisão recorrida, a classificação adotada pela recorrente para o produto importado, circuito integrado eletrônico, contendo circuito processador, memórias ou outros circuitos, do tipo utilizado em cartão inteligente, apresentando numa tira com duas fileiras contendo milhares de circuitos e acondicionada em carretel, comercialmente denominado ‘Chip para Cartão Inteligente’, classificase no código NCM 8542.31.90. Essa decisão teve como fundamentos, os laudos técnicos apresentados pela recorrente, a decisão dada na Solução de Consulta nº 127, SRRF10ª/DIANA, para o mesmo produto, objeto dos lançamentos em discussão, nela reproduzido, bem como a aplicação da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 (RGI1) que entendeu correta. Assim, concordo com a decisão recorrida e adoto seus fundamentos, em especial a decisão dada na referida Solução de Consulta nº 127, para julgar correta a exoneração dos créditos tributários, decidida em primeira instância. Em face do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 4145DF CARF MF Impresso em 03/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 16 /03/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 19709.000007/2009-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2004 a 31/08/2008
RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE - DESCARACTERIZAÇÃO
Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES - NULIDADE - INEXISTÊNCIA
A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção.
PROVA EMPRESTADA -NÃO OCORRÊNCIA
De acordo com a doutrina, prova emprestada de um fato é aquela produzida em um processo, seja por documentos, testemunhas, confissão, depoimento pessoal ou exame pericial, que é trasladada para outro processo, por meio de certidão extraída daquele. Provas utilizadas para originar o próprio lançamento não podem ser consideradas provas emprestadas
SOLIDARIEDADE
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Provada a existência do interesse, correto o lançamento com base no instituto da responsabilidade solidária
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2004 a 31/08/2008 RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE - DESCARACTERIZAÇÃO Pelo Princípio da Verdade Material, se restar configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, subsistirá a última. De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES - NULIDADE - INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. PROVA EMPRESTADA -NÃO OCORRÊNCIA De acordo com a doutrina, prova emprestada de um fato é aquela produzida em um processo, seja por documentos, testemunhas, confissão, depoimento pessoal ou exame pericial, que é trasladada para outro processo, por meio de certidão extraída daquele. Provas utilizadas para originar o próprio lançamento não podem ser consideradas provas emprestadas SOLIDARIEDADE São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Provada a existência do interesse, correto o lançamento com base no instituto da responsabilidade solidária Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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De acordo com o art. 118, inciso I do Código Tributário Nacional, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES NULIDADE INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. PROVA EMPRESTADA NÃO OCORRÊNCIA De acordo com a doutrina, prova emprestada de um fato é aquela produzida em um processo, seja por documentos, testemunhas, confissão, depoimento pessoal ou exame pericial, que é trasladada para outro processo, por meio de certidão extraída daquele. Provas utilizadas para originar o próprio lançamento não podem ser consideradas provas emprestadas SOLIDARIEDADE São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Provada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 70 9. 00 00 07 /2 00 9- 29 Fl. 864DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 existência do interesse, correto o lançamento com base no instituto da responsabilidade solidária Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 865DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19709.000007/200929 Acórdão n.º 2402003.239 S2C4T2 Fl. 865 3 Relatório Inicialmente, a DRF Campo Grande (MS) informa que no processo n° 14120.000101/200975, em nome de CAMPO OESTE CARNES — IND. COM. IMP. E EXP. LTDA, os responsáveis solidários ALBERTO PEDRO DA SILVA, ALBERTO PEDRO DA SILVA FILHO E DUÍLIO VETORAZZO FILHO apresentaram, individualmente, impugnações contestando apenas os respectivos termos de sujeição passiva solidária. Portanto, foi lavrada REPRESENTAÇÃO para fins de formalização de um novo processo, constituído com a cópia do processo original, para que as impugnações possam prosseguir no julgamento. A DRF informa ainda que o processo original encontrase em situação de cobrança. Tratase de lançamento de contribuições destinadas ao SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, as quais não foram — SENAR, incidentes sobre o valor da aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física/segurado especial, cuja arrecadação e recolhimento é de responsabilidade da empresa adquirente, por subrogação, nos termos do inciso IV, art. 30, da Lei 8.212/91. O Relatório Fiscal (fls. 35/43) informa que a atividade da autuada é de frigorífico – abate de bovinos. A auditoria fiscal considerou como sócios gerentes de fato Alberto Pedro da Silva ALBERTO, Alberto Pedro da Silva Filho – ALBERTO FILHO e Duílio Vetorazzo Filho –DUÍLIO, atribuindolhes responsabilidade solidária pelo crédito em questão pelas razões que se seguem. A empresa CAMPO OESTE foi constituída em 19 de novembro de 1999 pelos senhores Manoel Marques da Silva e Sebastião Silva dos Santos e a gerência da sociedade foi atribuída a ambos os sócios. Posteriormente, retirouse da sociedade o sócio Sebastião Silva dos Santos e ingressou o Sr. Mario Antônio Guizilini. Em seguida, retirouse da sociedade o Sr. Manoel Marques da Silva e ingressou o Sr. José Luiz da Rocha e a administração da sociedade passou a ser exercida pelos sócios Mario Antônio Guizilini e José Luiz da Rocha. Relativamente a tais sócios, a auditoria fiscal apurou o seguinte: § Manoel Marques da Silva – de acordo com os vínculos empregatícios constantes no Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNIS (anexo 02), este trabalhou de 01/10/1992 a 31/05/2005 como trabalhador rural para o empregador Jarbas Alves Martins Souza na Fazenda Panorama, localizada Rod. BR 267, km 50. No período de 09/09/2002 a Fl. 866DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 17/10/2002 recebeu beneficio de auxíliodoença da Previdência Social. Segundo consta no atestado de óbito (anexo 05) faleceu em 04/12/2006. Observase que neste atestado consta "profissão: lavrador". Além disso, os relatórios extraídos dos sistemas informatizados da Previdência Social mostram que este senhor percebia remuneração média entre um e dois salários mínimos. Sebastião Silva dos Santos apresenta vínculos empregatícios como trabalhador rural. Conforme consta no Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNIS (anexo 02), trabalhou para os empregadores rurais Ary Toledo Moraes Junior — Fazenda Santo Antônio — e Milton Massari Martins — Fazenda Nossa Senhora Aparecida. Em sua vida laboral a media da remuneração foi de dois salários mínimos. A partir de 18/04/2008 este senhor passou a receber o beneficio de amparo social ao idoso da Previdência Social. A auditoria fiscal observa que estes senhores apresentaram Declaração de Ajuste Anual Simplificada para o exercício de 2003, anocalendário de 2002, onde declararam valor ZERO no quadro destinado a declaração de bens e direitos. Nos exercícios de 2004, 2005 e 2006 os bens e direitos declarados resumiramse à participação de 50% no capital social da empresa Campo Oeste Carnes. É mencionada operação conhecida por 'Grandes Lagos', deflagrada pela Policia Federal a partir de denúncias recebidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil dando conta de um megaesquema de sonegação fiscal envolvendo frigoríficos. Após analisar os documentos arrecadados, os auditores fiscais concluíram que os titulares de direito da empresa, Manoel Marques da Silva e Sebastião Silva dos Santos são interpostas pessoas (laranjas) dos titulares de fato Alberto Pedro da Silva Filho, conhecido como “Beto Beleza” e Duilio Vetorazzo Filho. Os elementos analisados são os seguintes: § Ficha Cadastral — Pessoa Física do Banco Safra preenchida de próprio punho pelo Sr. Duilio Vetorazzo Filho, onde no quadro "Seu Trabalho e/ou Fontes de Renda", o sr. Duilio informa ser o proprietário da empresa Campo Oeste Ltda. § Cheque n° 021674 no valor de R$ 50.000,00: emitido por Campo Oeste Carnes, Ind. Com. Imp. e Exportação Ltda. nominal a Cirlei Terezinha Ortega Amad e assinado pelo sr. Alberto Pedro da Silva. Foi constatado que a sra. Cirlei é sogra de Duilio Vetorazzo Filho. § Cópia de Cheques" nºs 0156825, 0156833 e 015685 0 apreendidos pela Policia Federal em cumprimento de mandado judicial de busca e apreensão no decorrer da operação "Grandes Lagos". Os documentos foram Fl. 867DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19709.000007/200929 Acórdão n.º 2402003.239 S2C4T2 Fl. 866 5 apreendidos na empresa Fri Rio Distribuidora de Carnes Ltda., cujos sócios são Alberto Pedro da Silva Filho e Duilio Vetorazzo Filho. Tratase de cópias de cheques emitidos pela empresa Campo Oeste em cujo histórico "UTILIZADO PARA" consta "Retirada parcial Beto correspondente ao mês de Outubro/006, conf. instruções , BX4912 (pro labore)". Estes documentos mostram que o Sr. Alberto Pedro da Silva Filho recebia valores a titulo de prólabore da empresa Campo Oeste Carnes Ind. Com . Imp. e Exportação Ltda. § Ficha cadastral de contacorrente no Banco Bradesco referente à abertura de contacorrente em agência do Banco Bradesco de São José do Rio Preto., onde o Sr. Alberto Pedro da Silva Filho informa que "trabalha" na empresa Campo Oeste Carnes Ind. Com. Imp. e Exportação Ltda., com "tempo de serviço' de 05 anos e 04 meses. Declara ainda que possui renda mensal de R$ 41.847,00. § Folhas de cheques em branco apreendidas pela Policia Federal na empresa Frio Rio Distribuidora de Carnes Ltda de propriedade dos srs. Alberto Pedro da Silva Filho e Duilio Vetorazzo Filho. Tratase de cheques da empresa Campo Oeste Carnes Ind. Com .Imp. e Exportação Ltda. relativos a contacorrente de uma agência do Banco Bradesco situada em São José do Rio PretoSP. Os cheques estão em branco, cruzados e assinados por Alberto Pedro da Silva Filho. Os Auditores Fiscais concluíram que esta assinatura é do Sr. Alberto Pedro da Silva Filho em virtude da semelhança existente entre esta e as assinaturas constantes nos documentos de identidade e do CPF do referido senhor. Ressaltese que há uma procuração lavrada em 04/05/2000 em que os sócios formais da Campo Oeste Carnes Ind. Com . Imp. e Exportação Ltda. Manoel Marques da Silva e Sebastião Silva dos Santos constituem como procurador desta empresa o sr. Alberto Pedro da Silva, pai de Alberto Pedro da Silva Filho, atribuindolhe entre outros poderes o de abrir, movimentar e encerrar conta bancaria em qualquer estabelecimento creditício. § Comentários do analista da Policia Federal sobre documentos apreendidos no escritório de Beto Beleza: "Os vários extratos encontrados nesse item demonstram o controle da conta corrente 01465805, em nome da Campo Oeste carnes Ind C I e Expor, por parte do escritório de 'Beto Beleza', vinculandoo Fl. 868DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 assim a referida empresa. Foi autuada 01 (uma) folha por amostragem, sendo as demais apreendidas a disposição do Juízo". "Os vários extratos encontrados nesse item demonstram o controle da conta corrente 01285106, em nome da Campo Oeste carnes Ind C I e Expor, por parte do escritório de 'Beto Beleza'. Vinculandoo assim a referida empresa. Destaque para uma folha (na parte superior há a inscrição 'SIST CADASTRAMENTO CONTAS/EVENTOS INCLUIR ENCERRAMENTO CONTA') encontrada junto a esse item onde consta como endereço da empresa Campo oeste o mesmo da empresa Fri Rio, ou seja, o escritório de 'Beto". "Os documentos (cópias de cheques) apreendidos nesse item demonstram diversos pagamentos oriundos da conta 1465805, em nome da Campo Oeste, comprovando assim que o controle financeiro desta empresa era realizado no escritório de 'Beto'. Foi autuada 01 (uma) folha por amostragem, sendo as demais apreendidas à disposição do Juizo". § Resultado Operacional de junho/2006: tratase de planilha demonstrativa da apuração do resultado operacional da empresa Campo Oeste Carnes Ind. Com. Imp. e Exportação Ltda. O demonstrativo evidencia as receitas, custos e despesas operacionais do mês de junho de 2006. Observase neste demonstrativo uma despesa de "pro labore — RP" de R$ 30.000,00 e outra de "pro labore — CG" de R$ 20.000,00. E intuitivo deduzir que RP referese a Rio Preto (São José do Rio Preto) e CG a Campo Grande, cidade sede da indústria Campo Oeste Carnes Ind. Com . Imp. e Exportação Ltda. Destaquese que são nestas cidades que residem e desempenham suas atividades empresariais os senhores Alberto Pedro da Silva Filho e Duilio Vetorazzo Filho respectivamente. É relevante observar que este documento foi apreendido pela Policia Federal no escritório do Sr. Alberto Pedro da Silva Filho. § Extrato de Conta Corrente do Banco Safra: extrato bancário de conta corrente de titularidade da empresa Campo Oeste Carnes Ind. Com. Imp. e Exportação Ltda. O documento também foi apreendido pela Policia Federal no escritório do sr. Alberto Pedro da Silva Filho. § Movimentação diária de 26/09/2006 de contas correntes bancarias: diversos relatórios intitulados "Movimentação diária" relativos a diversas contas bancárias mantidas em vários bancos pela empresa Campo Oeste Carnes Ind. Com. Imp. e Exportação Ltda. Estes documentos foram apreendidos pela Fl. 869DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19709.000007/200929 Acórdão n.º 2402003.239 S2C4T2 Fl. 867 7 Policia Federal no escritório do Sr. Alberto Pedro da Silva Filho. § Comentários do analista da Policia Federal sobre documentos dos três itens anteriores apreendidos no escritório de "Beto Beleza": "Tratase do resultado operacional referente ao mês de junho/2006, o que indica o interesse de 'Beto' no controle operacional da empresa Campo Oeste, pois os dados expressam as diversas despesas ocorridas bem como o estoque de mercadorias. Nesse item ainda foram juntados outros controles (na forma de fax) tanto da empresa Campo Oeste quanto da Norte Riopretense. Nos respectivos fax encontramse a inscrição 'a/c Beto' o que indica que ele seria a pessoa interessada em tais informações, ou seja, necessitava conhecer a situação de tais empresas"; § Ficha de Cadastro Pessoa Física do Banco Sudameris Brasil: tratase da ficha cadastral do sr. Sebastião Silva dos Santos contendo informações declaradas ao Banco Sudameris Brasil. No quadro "Informações Profissionais", este senhor informa ser o "proprietário" da empresa Campo Oeste Carnes Ind. Com . Imp. e Exportação Ltda. e que sua renda mensal é de R$ 500,00. Destaquese aqui o descompasso escabroso entre o volume de recursos movimentado pela empresa Campo Oeste, que segundo apurado pela fiscalização de Araçatuba foi de R$ 392.747.603,60 nos anos de 2003, 2004 e 2005, e a renda declarada pelo seu suposto proprietário. Também foram obtidos documentos e informações do inquérito policial 096/08 instaurado em decorrência de NotíciaCrime apresentada pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso do Sul — FAMASUL em 29/09/2008 que a auditoria fiscal entendeu virem a corroborar suas conclusões. Os documentos analisados pela auditoria fiscal são os seguintes: § Atestado de óbito do Sr. Manoel Marques da Silva: neste atestado emitido em 04/12/2006 esta declarado que a sua profissão era de "LAVRADOR". § Correspondências destinadas a diversos bancos: são correspondências encaminhadas ao Banco Real S/A, Banco Rural S/A, Bradesco S/A, Banco lndusval S/A e Banco Safra S/A pelo sr. Duilio Vetorazzo Filho nas quais requer a desoneração de sua responsabilidade pessoal na condição de avalista de qualquer operação de crédito firmada pela empresa Campo Oeste Carnes Ind. Com . Imp. e Exportação Ltda. Estas cartas estão datadas de 27/12/2007. A empresa Campo Oeste Carnes Ind. Com . Imp. e Exportação Ltda. não possuía qualquer ativo Fl. 870DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 — tendo em vista que todo o parque industrial era arrendado — para garantir empréstimos captados na rede bancária. Os sócios formais, srs. Manoel Marques da Silva e Sebastião Silva dos Santos eram pessoas completamente despidas de patrimônio e, portanto, sem a mínima capacidade financeira para obter empréstimos e oferecer garantias aos financiadores. Assim, conforme demonstram estes documentos, o sr. Duílio Vetorazzo Filho assumia as responsabilidades pelos empréstimos bancários na condição de fiador. § Termo de Declarações do Sr. Reginaldo da Silva Maia: afirma que "... que seu filho é proprietário do imóvel onde funcionou o frigorifico CAMPO OESTE..."; "QUE ... no inicio do ano de 2000 o imóvel foi locado para a pessoa de ALBERTINO DA SILVA FILHO, vulgo BETO, mas o contrato foi redigido em nome de MANOEL ..."; "QUE mensalmente BETO pagava pontualmente o aluguel, sem apresentar nenhum problema; ..." § Contrato Particular de Locação de Imóvel: tratase do contrato de arrendamento das instalações industriais onde a empresa Campo Oeste Carnes Ind. Com . Imp. e Exportação Ltda. desenvolvia suas atividades. O contrato está assinado pelo "sóciogerente" Manoel Marques da Silva. § Termo de Declarações do sr. Mário Antônio Guizilini a Policia Federal em 23/06/2005: declarou "... QUE o proprietário de fato da empresa é o senhor Alberto Pedro da Silva; QUE é Alberto quem dá ordens na empresa; QUE Alberto é quem movimenta a conta corrente da empresa, cabendo a ele o pagamento de gado e outras dividas da empresa ..." § Termo de Declarações do sr. Mário Antônio Guizilini a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários — DEDFAZ/MS em 28/10/2008: declarou "... QUE o declarante esclarece que a CAMPO OESTE foi aberta em nome de duas (2) pessoas que são 'laranjas', um chamado SEBASTIÃO SILVA DOS SANTOS, o qual residia na cidade de MirandaMS, segundo informações trabalhava como peão em uma fazenda da região, e MANOEL MARQUES DA SILVA, o qual residia na cidade de MaracajuMS e trabalhava também como peão naquela região, e não possuíam bens moveis e imóveis; QUE quem negociou para que eles fornecessem o nome para a constituição e abertura da empresa CAMPO OESTE foi a pessoa de DUILIO VETORAZZO FILHO, o qual era de fato um dos proprietários do frigorifico CAMPO OESTE residente nesta cidade; QUE além de DUILIO, era proprietário do frigorifico a pessoa de ALBERTO PEDRO DA SILVA, juntamente com seu filho ALBERTO PEDRO DA SILVA FILHO, mas nada havia formalmente em nome dos três (03); ... QUE em meados do ano de 2006, a pessoa de MANOEL, o qual era um dos 'laranjas', faleceu; QUE diante disto, DUILIO procurou o declarante, para que este assumisse o papel de MANOEL, qual seja, ingressasse formalmente como sócio proprietário 'laranja' do frigorífico CAMPO OESTE, o que foi aceito pelo declarante na condição de receber um salário no valor de R$ 9.000,00 (nove mil Fl. 871DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19709.000007/200929 Acórdão n.º 2402003.239 S2C4T2 Fl. 868 9 reais), pela profissão de comprador de gado, mais R$ 5.000,00 (cinco mil reais) pela condição de sócio proprietário; QUE o declarante tem conhecimento que MANOEL e SEBASTIÃO percebiam mensalmente a quantia de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) para ser laranja'; QUE DUILIO comandava pessoalmente a parte financeira do frigorífico CAMPO OESTE, apesar de nada ser em seu nome, tudo era vistado e rubricado por ele, muito embora ALBERTO e ALBERTO FILHO eram (sic) também proprietários de fato frigorífico, pelo fato de residirem em outra cidade, qual seja, São José do PretoSP, não acompanhavam pessoalmente a movimentação financeira da empresa diariamente, apenas quando vinham para esta cidade, cerca de quatro (4) vezes por ano; ... QUE o declarante permaneceu no frigorífico até o seu fechamento, que ocorreu no inicio do mês de setembro deste ano; ..." § Termo de Declarações do Sr. Mário Antônio Guizilini a Delegacia de Policia Civil de Terenos em 30/10/2008: declarou "QUE configura como socio cotista FRIGORÍFICO CAMPOESTE, localizado na cidade de Campo Grande, o qual fechou suas portas no mês de agosto, porém não é dono de fato, sendo apenas, nas palavras do declarante, um 'LARANJA', já que os proprietários de fato são ALBERTO PEDRO DA SILVA FILHO e DUÍLIO VETORAZZO FILHO; § Termo de Declarações do sr. Duilio Vetorazzo Filho a Policia Federal em 23/06/2005: declarou "... QUE o proprietário de fato da empresa Campo Oeste é o senhor ALBERTO PEDRO DA SILVA; QUE ALBERTO é quem dá ordens e exerce os poderes de gerência da empresa; ..." § Termo de Declarações do Sr. Julio Cesar Moraes Nantes: declarou "... que é produtor rural; QUE o declarante esclarece que manteve relações comerciais com Frigorífico Campo Oeste há aproximadamente 12 (doze) anos, sendo que na época que iniciou suas relações comerciais com referido frigorífico o mesmo era denominado BOI GRANDE; QUE o declarante tem o conhecimento que os proprietários eram as pessoas de ALBERTO PEDRO DA SILVA, ALBERTO PEDRO DA SILVA FILHO da cidade de São José do Rio PretoSP e PoloniSP, e que posteriormente surgiu o sócio DUILIO VETORAZZO FILHO; QUE agora então o frigorífico passou a sua denominação para frigorífico Campo Oeste; ...QUE o responsável pelas vendas de carnes do frigorífico ou seja cuidava da parte financeira da empresa eram as pessoas de ALBERTO PEDRO DA SILVA FILHO e DUÍLIO VETORAZZO FILHO; QUE quem assinava os cheques inicialmente e demais documentos era a pessoa de ALBERTO PEDRO DA SILVA e posteriormente passou a ser a pessoa de MARIO ANTONIO GUIZILINI; QUE ALBERTO PEDRO DA SILVA FILHO acompanhava a empresa na cidade de São José do Rio PretoSP, onde a empresa tinha uma conta corrente do BANCO BRADESCO daquela cidade, agência 0023, conta corrente 1465805 ..." Fl. 872DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 § Procuração lavrada em 04.05.2000 pelo Cartório Medeiros — AnastácioMS: a procuração tem como outorgante a firma Campo Oeste Carnes Ind. Corn. Imp. e Exportação Ltda. representada pelos sócios Manoel Marques da Silva e Sebastião Silva dos Santos, constituindo como seu bastante procurador o Sr. Mário Antônio Guizilini ao qual confere poderes de administração da empresa. § Procuração lavrada em 04.05.2000 pelo Cartório Medeiros — AnastácioMS: a procuração tem como outorgante a firma Campo Oeste Carnes Ind. Com . Imp. e Exportação Ltda. representada pelos sócios Manoel Marques da Silva e Sebastião Silva dos Santos, constituindo como seu bastante procurador o Sr. Alberto Pedro da Silva ao qual confere poderes de administração financeira da empresa. A auditoria fiscal concluiu que existia uma simulação, pois a situação de fato constatada diverge frontalmente daquela apresentada no plano da formalidade. Entendeu estar patente que se engendrou intencionalmente uma aparência artificiosa com o único intuito de se esquivar do efetivo pagamento dos tributos e contribuições devidos em decorrência da atividade econômica desenvolvida Pelas razões expostas, a auditoria fiscal entendeu por incluir no pólo passivo Alberto Pedro da Silva, Alberto Pedro da Silva Filho e Duilio Vetorazzo Filho. A autuada deixou de apresentar documentos solicitados no Termo de Inicio de Procedimento Fiscal emitido em 18/02/2009 e, segundo dados de abate do Sistema de Inspeção Federal — SIF do Ministério da Agricultura, a empresa promoveu abates até o mês de agosto de 2008. Assim, para o período de 06/2004 a 12/2006 arbitrouse como base de cálculo os valores das Notas Fiscais de Produtor informados pela Secretaria de Fazenda do Estado de Mato Grosso do Sul — SEFAZ/MS. Para o período de 01/2007 a 08/2008, por falta de qualquer informação, arbitrouse como base de cálculo a média mensal dos valores das Notas Fiscais de Produtor do ano de 2006. Não foi emitido Termo de Arrolamento de Bens em razão de não terem sido identificados quaisquer bens pertencentes à empresa. A auditoria fiscal ainda elaborou documento denominado Termo de Constatação de Infração Fiscal (fls. 105/133) onde apresenta os elementos que levaram à inclusão no pólo passivo das pessoas físicas consideradas os sócios gerentes de fato. A pessoa jurídica Campo Oeste Carnes Ind. Com. Imp. e Exp. Ltda não impugnou o lançamento. Já os solidários apresentaram defesas nos seguintes termos: Duílio Vertorazzo Filho (fls. 551/566) manifesta seu inconformismo pelo fato de o Fisco Federal querer imputarlhe o ônus da sujeição passiva solidária no Auto de Infração que aponta como devedor o Frigorífico CAMPO OESTE CARNES IND. COM. IMP. E EXP. LIDA, com a alegação de que o mesmo não pertencendo ao quadro societário e sequer tendo gerido aquele frigorífico – seria um dos reais titulares de tal empresa. Argumenta que o Fisco Federal não conseguiu trazer aos autos nada além de meras suposições e indícios e/ou "provas" pouco significantes, relativos a tal imputação. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19709.000007/200929 Acórdão n.º 2402003.239 S2C4T2 Fl. 869 11 Alega que por não ser sócio ou gerente da Campo Oeste Carnes, desconhece os registros fiscais e/ou contábeis da mesma. Argumenta que alguns dos documentos verificados pela auditoria fiscal continham equívocos no preenchimento, além disso, desconhece a existência de diversos cheques mencionados pela auditoria fiscal. Entende que as evidência encontradas na investigação da Policia Federal, em diligência de busca e apreensão, no escritório situado à Rua Fuad Jorge Goraieb, 120, São José do Rio Preto, SP concluem claramente que tratase de um escritório de operações particulares de Alberto Pedro da Silva e Alberto Pedro da Silva Filho (Locatário), nada havendo que pudesse envolver o impugnante. Relativamente a outros fatos narrados pela auditoria fiscal considera que estão relacionadas a Alberto Pedro da Silva Filho e não ao impugnante. Considera que por ter sido avalista em algumas operações de venda não poderia ser considerado sócio do frigorífico. Quanto a testemunhos verificados no Inquérito Policial, considera que tais pessoas estariam tentando envolvêlo em falcatruas. Alega que não há evidências, provas citações ou indícios de que Duilio Vetorazzo Filho esteja ou esteve envolvido ou foi beneficiado em qualquer esquema de sonegação fiscal da referida empresa, de seus sócios ou parceiros. Argumenta que a prova emprestada, para se tornar válida e eficaz, primeiramente deve ser obtida após oportunizar o contraditório e ampla defesa. Aduz que a autuação está eivada de vícios insanáveis e que a solidariedade não pode ser presumida. Alberto Pedro da Silva (fls. 621/625) alega que desconhece qualquer dos fatos narrados no "Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária", mesmo porque, como dele consta, não foi feita nenhuma busca e apreensão de documentos em seu estabelecimento, mas somente na pessoa jurídica Campo Oeste. Quanto à alegação de que assinava cheques em nome da empresa Campo Oeste Carnes Indústria, Comércio Importação e Exportação Ltda., entende que não se justifica a sua inclusão como sujeito passivo solidário, pois, isso ocorreu somente no período em que o mesmo era comprador de bovinos para a referida empresa e deste modo movimentava uma conta bancária através de procuração que lhe fora outorgada, pelos antigos sócios proprietários da referida empresa. Argumenta que os tributos não recolhidos são de responsabilidade da pessoa jurídica Campo Oeste e de seus verdadeiros e efetivos sócios. Não obstante sua falta de responsabilidade, o autuado informa que tomou conhecimento da existência de uma decisão judicial que teria suspendido o recolhimento da contribuição objeto do lançamento e informa que averiguará a veracidade de tal decisão e solicita a possibilidade de juntála aos autos posteriormente. Fl. 874DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Alberto Pedro da Silva Filho (fls. 626/629) alega que desconhece qualquer dos fatos narrados nos "Termos de Declaração de Sujeição Passiva Solidária". Argumenta que teve um relacionamento com a referida empresa, somente de ordem comercial, pois, mantinha uma empresa de representação comercial, o qual efetuava vendas de carnes e subprodutos de bovinos, e nessa condição também promoveu vendas para a empresa fiscalizada. Alega que o verdadeiro dono do negócio seria o Sr. Mário Antônio Guizilini que teria faltado com a verdade em diversas oportunidades. Informa que o Sr. Mário Antônio Guizilini real e verdadeiro proprietário da empresa Campo Oeste sempre foi proprietário de rebanho bovino, com boa situação financeira e, segundo fontes oficiosas, é possuidor de empresa de transporte, posto de combustível e imóvel rural (haras) com valiosos eqüinos de raça. Protesta pela produção de provas quanto a esses fatos. Argumenta que os tributos não recolhidos são de responsabilidade da pessoa jurídica Campo Oeste e de seus verdadeiros e efetivos sócios como também menciona a suposta existência da decisão judicial já mencionada por Alberto Pedro da Silva. Pelo Acórdão nº 0420.455 (fls. 651/675) a 4ª Turma da DRJ/Campo Grande julgou improcedente as impugnações mantendo no pólo passivo, como solidárias, todas as pessoas físicas assim consideradas pela auditoria fiscal. Devidamente intimados, os autuados apresentaram recursos tempestivos . Duilio Vetorazzo Filho (fls. 686/713) efetua a repetição das alegações de defesa. Alberto Pedro da Silva (fls. 755/785) e Alberto Pedro da Silva Filho (fls. 794/826) apresentam os mesmos argumentos no sentido de que a decisão recorrida não teria apreciado todas as alegações apresentadas limitandose a confirmar o trabalho fiscal o que representaria cerceamento de defesa. No mais, reforçam os argumentos já apresentados de que não possuiriam vínculo com os fatos geradores e que caberia à auditoria fiscal o ônus de demonstrar tal vínculo. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação dos recurso interpostos. É o relatório. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19709.000007/200929 Acórdão n.º 2402003.239 S2C4T2 Fl. 870 13 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Os recursos são tempestivos e podem ser conhecidos. Quanto ao mérito, nada mencionam os recorrentes que argumentam apenas a ilegitimidade passiva destes, pois entendem que não haveria elementos suficientes para que fossem incluídos no pólo passivo do lançamento. Para tanto, buscam desqualificar o trabalho fiscal sob o argumento de que teria se baseado em indícios e provas pouco significantes. Também consideram que a decisão recorrida deveria ser anulada por não ter sido motivada adequadamente e tampouco enfrentado os argumentos apresentados em defesa, limitandose a corroborar o que foi apresentado pela auditoria fiscal. Da análise dos elementos que compõem os autos, podese concluir que não assiste razão aos recorrentes. Ao contrário do afirmado, o lançamento realizado assentase em fartas e robustas provas reunidas pela auditoria fiscal que demonstram claramente a conduta dos recorrentes em simular situação formal totalmente diversa da fática. Resta plenamente demonstrada a utilização de pessoas físicas interpostas (laranjas) para ocultar os verdadeiros donos do negócio, no caso, os recorrentes, senão vejamos. A auditoria fiscal apurou que as pessoas físicas integrantes do contrato social da empresa eram pessoas simples, lavradores, os quais não detinham qualquer capacidade financeira para possuir negócio do porte da Campo Oeste. Tal verificação se deu em pesquisa no banco da dados da Previdência Social, onde se constatou que os sócios formais haviam trabalhado como segurados empregados para empregadores rurais e um deles ainda havia recebido o benefício de amparo social ao idoso concedido pela Previdência Social, o qual só é concedido àquele que demonstra não ter capacidade sequer de contribuir para a Previdência Social. Além disso, testemunhos obtidos em inquérito policial, sobretudo de um dos ditos “laranjas”, Sr. Mário Antônio Guizilini, o qual afirmou junto à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários — DEDFAZ/MS que a CAMPO OESTE foi aberta em nome de duas pessoas, peões de fazenda, desprovidas de quaisquer bens, as quais foram convencidas pelo recorrente Duílio, considerado proprietário do frigorífico, juntamente com Alberto e Alberto Filho, para que fornecessem seus nomes para a constituição da empresa Campo Oeste, mediante o pagamento de uma quantia mensal. Fl. 876DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Posteriormente, com o falecimento de um dos laranjas, o Sr. Mário Antônio Guizilini, teria recebido a proposta, por parte do recorrente Duílio, de figurar como laranja no lugar do sócio falecido, a qual teria sido aceita sob a condição de recebimento de um salário no valor de R$ 9.000,00 (nove mil reais), pela profissão de comprador de gado, mais R$ 5.000,00 (cinco mil reais) pela condição de sócio proprietário. Além disso, vários documentos e testemunhos levam à conclusão de que os recorrentes é que administravam a empresa, como a existência de procurações outorgando poderes a estes pelos sócios formais, a assunção da condição de donos do negócio perante terceiros como bancos e fornecedores, existências de cheques da empresa assinados pelos recorrente Alberto Filho, bem como a apreensão de vários documentos relativos a movimentação bancária da empresa no escritório deste. Interessante o fato da auditoria fiscal haver verificado correspondências destinadas a diversos bancos onde o recorrente Duilio requer a desoneração de sua responsabilidade pessoal na condição de avalista de qualquer operação de crédito firmada pela empresa Campo Oeste. Estas cartas estão datadas de 27/12/2007. Tal situação leva a inferir que em face na inexistência de quaisquer bens em nome da empresa ou de seus sócios formais, a obtenção de operações de crédito junto às instituições financeiras era viabilizada mediante a condição de fiador do recorrente Duílio. Observase que os recorrentes tentam, em suas alegações, dar uma aura de normalidade aos procedimentos adotados e que foram verificados pela auditoria fiscal, porém sem sucesso. Ao meu ver, não se pode dizer que os recorrentes não possuem qualquer vinculação ou interesse relativamente aos fatos geradores sob o argumento de que não integram formalmente a sociedade. O que se evidencia é um mascaramento, sob a forma de um negócio ficto, com o objetivo de ocultar os verdadeiros responsáveis pela empresa. Tal conduta se revela verdadeira simulação. O Código Civil Brasileiro instituído pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 regula a questão da simulação no Capítulo que trata da Invalidade do Negócio Jurídico e no inciso I do § 1º do artigo 167 temos o exato enquadramento da situação verificada pela auditoria fiscal, in verbis: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados Fl. 877DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19709.000007/200929 Acórdão n.º 2402003.239 S2C4T2 Fl. 871 15 Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado1 Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro. 2 Escudada no Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária, aos verdadeiros participantes do negócio pois, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, entendo que a auditoria fiscal, na presença de simulação não se obriga a permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento. Nesse diapasão, podese citar o entendimento de Heleno Tôrres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado – Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária: “Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superarlhes a forma, visando a alcançar a substância negocial, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocial, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo “motivo” para o ato administrativo: o ato simulado” Não restam dúvidas de que todos os expedientes utilizados tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intentio facti se divorcia da intentio iuris, ou seja, a intenção das partes é uma, a forma jurídica adotada é outra; Nessa esteira, manifestaramse Ives Gandra da Silva Martins e Paulo Lucena de Menezes em Parecer sobre Elisão Fiscal. 3 “A simulação é a modalidade de ilícito tributário que, com maior freqüência costuma ser confundida com a elisão. As figuras não se equivalem, todavia, pois na simulação temse a pactuação de algo distinto daquilo que realmente se almeja, com o fito de se obter alguma vantagem. Na visão sintética e objetiva 1 Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado – 15ª Edição 2 Introdução ao Estudo do Direito – 7ª Edição 3 Revista Tributária e de Finanças Públicas nº 36 de 2001 Fl. 878DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 de Pero Villani, o traço distintivo entre ambas decorre de que “na simulação, a declaração recíproca das partes não corresponde à vontade efetiva”. Colocandose de outra forma, duas realidades distintas concorrem na simulação: existe uma verdade aparente (jurídica), que se exterioriza para o mundo, e existe uma outra verdade (real), que não é perceptível, ao menos à primeira vista, e que se restringe ao círculo de partícipes do engodo.” No caso em tela, entendo que a situação verificada pela auditoria fiscal demonstra que todo o emaranhado de relações aparentes criado teve como objetivo lesar terceiro, no caso, o fisco, pois escorados na inexistência de qualquer lastro que suportasse eventual cobrança dos créditos tributários, bem como na aparente ausência de qualquer vinculação entre estes e a empresa notificada, os recorrentes, verdadeiros beneficiários do negócio, permitiram que, sistematicamente, contribuições previdenciárias deixassem de ser recolhidas aos cofres públicos, no caso, as contribuições sociais devidas por subrogação na aquisição de produção rural de pessoas físicas. Os recorrentes alegam que o trabalho fiscal se baseou em indícios e provas pouco significantes. Entendo o contrário da recorrente. A auditoria fiscal fundamentou bem a situação verificada, no entanto, carente de argumentos sustentáveis foram as impugnações e recursos apresentados. Além de tentar desqualificar o trabalho fiscal e a decisão de primeira instância, os recorrentes se limitam a atribuir responsabilidades uns aos outros ou às pessoas utilizadas como laranjas, como também, alegam equívocos nas provas trazidas aos autos, como erros de preenchimento de fichas bancárias. Os recorrentes pleiteiam a nulidade da decisão recorrida sob o argumento de que não teria tratado adequadamente as alegações de defesa, o que representaria cerceamento de defesa. O julgador de primeira instância, com base nas informações fornecidas pela auditoria fiscal e razões de defesa apresentadas pelos recorrentes decidiu pela procedência do lançamento pelos motivos que elenca. Cumpre ressaltar que o órgão julgador não se obriga a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: “RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECIAL1999/00235967 – Relator: Ministro Edson Vidigal – Quinta Turma – Julgamento em 01/06/1999 – Publicação em 28/06/1999 – DJ pág 150 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado Fl. 879DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19709.000007/200929 Acórdão n.º 2402003.239 S2C4T2 Fl. 872 17 omitiuse, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido.” “REsp 767021 / RJ ; RECURSO ESPECIAL 2005/01171187 – Relator: Ministro JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – Julgamento em 16/08/2005 DJ 12.09.2005 p. 258 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O nãoacatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.)” Portanto, há que se afastar a alegação de cerceamento de defesa. O recorrente Duílio alega que a prova emprestada, para se tornar válida e eficaz, primeiramente deve ser obtida após oportunizar o contraditório e ampla defesa. Não vislumbro que ocorreu a hipótese aventada nos presentes autos. A prova emprestada é o material probatório produzido num processo e conduzido a outro. Segundo Fredie Didier Jr4 "Prova emprestada é a prova de um fato, produzida em um processo, seja por documentos, testemunhas, confissão, depoimento pessoal ou exame pericial, que é trasladada para outro processo, por meio de certidão extraída daquele". 4 Curso de Direito Processual Civil: Teoria geral do processo e processo de conhecimento. 6. ed. Salvador: JusPodivm, 2006, p.523. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Não se verifica que tenha ocorrido tal fato nos presentes autos. Se o recorrente está se referindo às declarações de diversas pessoas prestadas no inquérito policial, as quais foram transcritas em parte no relatório elaborado pela auditoria fiscal, não entendo que se encaixe no conceito de provas emprestada, uma vez que fatos utilizados para embasar o próprio lançamento não podem ser considerados prova emprestada. Além disso, ainda que assim fossem considerados, tais fatos foram utilizados na origem do lançamento, ou seja, desde o início os recorrentes tiveram oportunidade de se manifestar a respeito, portanto, não se vislumbra qualquer cerceamento de defesa nesse sentido. Quando da lavratura da presente autuação, tais fatos já constavam dos autos, ou seja, não foram trazidos posteriormente sem oportunizar ao recorrente manifestação. Portanto, não se verifica qualquer cerceamento de defesa. Quanto à alegação de que a solidariedade não pode ser presumida, a mesma não merece melhor sorte. Como já argüido, o conjunto probatório reunido pela auditoria fiscal é mais que suficiente para comprovar o interesse dos recorrentes no negócio, situação que se enquadra perfeitamente no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER dos recursos e NEGARLHES PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 881DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 18/02/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13808.000901/00-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997
INFRAÇÃO IMPUTADA AO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE INCONFORMIDADE NA IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente
contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235/72).
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I,
DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se
pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
DECADÊNCIA. QÜINQÜÊNIO CONTADO A PARTIR DA DECISÃO DEFINITIVA QUE HOUVER ANULADO, POR VÍCIO FORMAL, O LANÇAMENTO.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se
após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (art. 173, II, do CTN).
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE O RECORRENTE CONTESTAR COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA OS DISPÊNDIOS A SI IMPUTADOS NO FLUXO DE CAIXA.
INOCORRÊNCIA.
Imputados dispêndios a partir de Escrituras Públicas e informações que
constaram em DIRPF no fluxo de caixa que apurou acréscimo patrimonial a
descoberto, deve o recorrente contraditá-los com provas documentais hábeis,
o que não ocorreu nestes autos, no qual somente constaram argumentações
destituídas de documentos comprobatórios.
CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA.
IMPOSSIBILIDADE.
Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão
judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à
Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade,
não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e
julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não-confisco,
afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria
declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que
funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Ora, é
cediço que somente os órgãos judiciais, o TCU e as cúpulas dos poderes
executivo e legislativo têm esse poder. E, no caso específico do Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento
Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de
leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem
sede no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº
11.941/2009, que foi objeto do verbete sumular CARF nº 2 (DOU de
22/12/2009), verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária”.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE.
No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pacífica a utilização da taxa
Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso,
quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal.
Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de
1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários
administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de
inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e
Custódia SELIC
para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os
enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de
aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Adicionalmente, quanto à
constitucionalidade da taxa Selic para fins tributários, o Supremo Tribunal
Federal assentou sua higidez, quando do julgamento do Recurso
Extraordinário nº 582.461/SP, relator o Ministro Gilmar Mendes, Tribunal
Pleno, sessão de 18/05/2011, com se vê pelo excerto da ementa desse
julgado, verbis: 1. Recurso Extraordinário. Repercussão Geral. 2. Taxa
Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade.
Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade.
Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214,
Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o
tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de
tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição
tributária.(...)
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-002.235
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
AFASTAR as nulidades vindicadas e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer que a decadência fulminou o imposto decorrente da omissão de rendimentos atribuídos a sócios de sociedades civis, no ano-calendário 1994, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano-calendário: 1994, 1995, 1996, 1997 INFRAÇÃO IMPUTADA AO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE INCONFORMIDADE NA IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235/72). IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). DECADÊNCIA. QÜINQÜÊNIO CONTADO A PARTIR DA DECISÃO DEFINITIVA QUE HOUVER ANULADO, POR VÍCIO FORMAL, O LANÇAMENTO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (art. 173, II, do CTN). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE O RECORRENTE CONTESTAR COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA OS DISPÊNDIOS A SI IMPUTADOS NO FLUXO DE CAIXA. INOCORRÊNCIA. Imputados dispêndios a partir de Escrituras Públicas e informações que constaram em DIRPF no fluxo de caixa que apurou acréscimo patrimonial a descoberto, deve o recorrente contraditá-los com provas documentais hábeis, o que não ocorreu nestes autos, no qual somente constaram argumentações destituídas de documentos comprobatórios. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais, o TCU e as cúpulas dos poderes executivo e legislativo têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, que foi objeto do verbete sumular CARF nº 2 (DOU de 22/12/2009), verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Adicionalmente, quanto à constitucionalidade da taxa Selic para fins tributários, o Supremo Tribunal Federal assentou sua higidez, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, relator o Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, sessão de 18/05/2011, com se vê pelo excerto da ementa desse julgado, verbis: 1. Recurso Extraordinário. Repercussão Geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária.(...) Recurso provido em parte.
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AUSÊNCIA DE INCONFORMIDADE NA IMPUGNAÇÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235/72). IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 479DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). DECADÊNCIA. QÜINQÜÊNIO CONTADO A PARTIR DA DECISÃO DEFINITIVA QUE HOUVER ANULADO, POR VÍCIO FORMAL, O LANÇAMENTO. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (art. 173, II, do CTN). ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. NECESSIDADE DE O RECORRENTE CONTESTAR COM DOCUMENTAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA OS DISPÊNDIOS A SI IMPUTADOS NO FLUXO DE CAIXA. INOCORRÊNCIA. Imputados dispêndios a partir de Escrituras Públicas e informações que constaram em DIRPF no fluxo de caixa que apurou acréscimo patrimonial a descoberto, deve o recorrente contraditálos com provas documentais hábeis, o que não ocorreu nestes autos, no qual somente constaram argumentações destituídas de documentos comprobatórios. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Ora, é cediço que somente os órgãos judiciais, o TCU e as cúpulas dos poderes executivo e legislativo têm esse poder. E, no caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, que foi objeto do verbete sumular CARF nº 2 (DOU de 22/12/2009), verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13808.000901/0002 Acórdão n.º 2102002.235 S2C1T2 Fl. 2 3 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. UTILIZAÇÃO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. POSSIBILIDADE. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), devese ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Adicionalmente, quanto à constitucionalidade da taxa Selic para fins tributários, o Supremo Tribunal Federal assentou sua higidez, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, relator o Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, sessão de 18/05/2011, com se vê pelo excerto da ementa desse julgado, verbis: 1. Recurso Extraordinário. Repercussão Geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária.(...) Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as nulidades vindicadas e, no mérito, em DAR parcial provimento ao recurso para reconhecer que a decadência fulminou o imposto decorrente da omissão de rendimentos atribuídos a sócios de sociedades civis, no anocalendário 1994, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 28/08/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Relatório Em face do contribuinte CLAUDIO CALDAS BIANCHESSI, CPF/MF nº 380.518.00044, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 08/05/2000, auto de infração (fls. 135 e seguintes), com ciência pessoal em 08/05/2000 (fl. 142). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 557.988,61 MULTA DE OFÍCIO R$ 418.491,44 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações, todas apenadas com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado: 1. omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, no importe de R$ 1.400,00, no anocalendário 1996; 2. omissão de rendimentos atribuídos a sócios de sociedades civis, no anocalendário 1994, no importe de R$ 175.016,62; 3. acréscimos patrimoniais a descoberto, nos montante de R$ 425.831,50 e R$ 1.163.626,48, nos anoscalendário 1996 e 1997, respectivamente; 4. dedução indevida de despesas médicas, nos montantes de R$ 105.314,70, R$ 27.451,40 e R$ 319,15, nos anoscalendário 1995, 1996 e 1997, respectivamente; 5. dedução indevida de instrução, nos montantes de R$ 1.700,00 e R$ 3.400,00, nos anoscalendário 1996 e 1997, respectivamente; 6. compensação indevida de IRRF, no montante de R$ 84.086,91, no anocalendário 1994. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 3ª Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 1728.334, de 28 de outubro de 2008. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 23/01/2009 (fl. 197). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 25/02/2009 (fl. 212). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. deve ser declarada a nulidade da decisão recorrida, que não contém fundamentos legais de todas as glosas, não possui conclusão e não se refere, na fundamentação, a todas as infrações. Assim, por exemplo, em termos da glosa de despesas médicas, o julgado não faz qualquer menção às infrações dos anoscalendário 1996 e 1997, e somente o Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13808.000901/0002 Acórdão n.º 2102002.235 S2C1T2 Fl. 3 5 faz em relação ao ano de 1995. Do mesmo modo, não se refere às glosas de despesas com instrução; II. no tocante a suposta omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, no importe de R$ 1.400,00, no anocalendário 1996, a decisão recorrida não expôs os fundamentos para manutenção da infração, violando o direito de defesa do contribuinte, sendo necessário, para tanto, que as razões da decisão recorrida sejam explicitadas, com reabertura de prazo para que o recorrente oferte suas razões; III. deve ser declarada a decadência de todos os fatos geradores dos períodos anteriores ao qüinqüênio com termo final na data da ciência do lançamento; IV. não houve qualquer acréscimo patrimonial a descoberto nos anos calendário 1996 e 1997, tendo a decisão recorrida se fiado em considerações genéricas, apenas enfrentando o mérito em relação a fatos já decaídos. Indo mais além, arremata:“43. De fato, conforme já noticiado pela Recorrente por ocasião da apresentação de Impugnação (fls. 161), a transferência dos apartamentos 501 e 1.201 do Residencial Vila Cristina, assim como da sala 301 do Centro Executivo, se deu na condição de PARCEIRO INVESTIDOR, como pagamento pela sua então participação na Incorporação imobiliária, como dá conta o TERMO DE ACORDO DE QUITAÇÃO, firmado entre B & C Engenharia e Incorporações e o Recorrente, documento este datado de 04 de setembro de 1992” (fl. 222 – transcrição do recurso voluntário); V. na decisão recorrida, não se debateu a controvérsia sobre a glosa de despesa médica dos anoscalendário 1996 e 1997 e se manteve a glosa do anocalendário 1995, este já alcançado pela decadência. Assim, devese cancelar integralmente tal glosa; VI. igualmente a decisão recorrida nada versou sobre a glosa das despesas com instrução nos anoscalendário 1996 e 1997, o que pressupõe a regularidade dessas despesas; VII. a multa de ofício aplicada é confiscatória, ferindo os princípios da capacidade contributiva e nãoconfisco, devendo ser cancelada; VIII. é ilegal e inconstitucional a aplicação da taxa selic para correção do crédito tributário lançado. Com as razões acima, o recorrente pede o cancelamento do lançamento, pedindo, por fim, a intimação de seu patrono por ocasião do julgamento, sob pena de nulidade dele. É o relatório. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 23/01/2009 (fl. 197), sextafeira, e interpôs o recurso voluntário em 25/02/2009 (fl. 212), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 26/02/2009, quintafeira da semana do carnaval (a relação dos feriados e pontos facultativos do ano de 2009 está disponível em: http://www.planejamento.gov.br/secretarias/upload/Legislacao/Portarias/081106_port_525.pdf. Acesso em 08 de agosto de 2012). Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. De plano, aqui se afasta o pedido de intimação específica e prévia do patrono do recorrente por ocasião do julgamento, pois tal pleito não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, esse que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garantese à parte a publicação da Pauta de Julgamento no DOU com antecedência de 10 dias e no site da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo ela acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão respectiva, efetuar sustentação oral, pessoalmente ou por intermédio de patrono. Porém, repisese, não há previsão para prévia intimação aos patronos das partes da data da sessão de julgamento do recurso voluntário. Nas defesas dos itens I e II do relatório, vêse que o recorrente traz uma preliminar de nulidade, ao argumento de que a decisão recorrida não teria registrado as razões para manter cada uma das infrações. Essa omissão vulneraria o direito de defesa do contribuinte. Antes de tudo, devese enfatizar que a decisão recorrida somente está obrigada a debater a matéria que o impugnante, expressamente, suscite na impugnação, como se vê no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, abaixo transcrito: Art. 17.Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Partindo para o caso destes autos, no tocante as despesas médicas, essas foram as únicas razões deduzidas pelo então impugnante (fl. 162), verbis: A glosa do valor para médicos do "Hospital Albert Einstein", no imposto de R$ 108.719,67, lançado com pequena diferença a maior (R$ 110.305,96) na Declaração, de fato precisa ser esclarecida, o que se protesta fazer “tempus opportunum", caso se chegue à fase recursal. Há também estranho valor encontrado pelo fisco, fixando a glosa em R$105.314,70. Aqui os números não batem. Vêse que o impugnante somente debateu a glosa da despesa médica do ano calendário 1995, inclusive limitandose a levantar uma dúvida sobre o valor glosado, ponto que foi esclarecido na decisão recorrida (fl. 194). Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13808.000901/0002 Acórdão n.º 2102002.235 S2C1T2 Fl. 4 7 Ora, se o então impugnante não suscitou qualquer controvérsia sobre as glosas de despesas médicas dos anoscalendário 1996 e 1997, por óbvio o recorrente não pode exigir que a decisão recorrida debata matéria não impugnada, como se vê pelo art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não havendo, assim, qualquer cerceamento do direito de defesa do recorrente, pois este, repisese, quando apresentou a impugnação ao lançamento, nada contestou em relação às glosas dos anoscalendário 1996 e 1997. A mesma conclusão acima se aplica à pretensa omissão no tocante à glosa da despesa de instrução e a omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, no importe de R$ 1.400,00, no anocalendário 1996, pois o então impugnante nada debateu sobre tais infrações. Ora, não havendo debate na impugnação, por óbvio a decisão aqui recorrida não se encontra obrigada a nada aventar, dentro do princípio devolutivo (tantum devolutum quantum apelatum, ou seja, o devolvido à instância superior é limitado ao que foi apelado), consubstanciado no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Rejeitando a preliminar acima, de cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pois inocorrente no caso destes autos, passase a debater a controvérsia decadencial (item III do relatório). Primeiramente, fazse breve menção à tradicional jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes e do CARF sobre a matéria decadencial. Entendiase que a regra de incidência de cada tributo era que definia a sistemática de seu lançamento. Se a legislação atribuísse ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, o tributo amoldarseia à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial darseia na forma disciplinada no art. 150, § 4º, do CTN, sendo irrelevante a existência, ou não, do pagamento, e, no caso de dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial tinha assento no art. 173, I, do CTN . Este era o entendimento aplicado ao lançamento do imposto de renda da pessoa física e da pessoa jurídica sujeito ao ajuste anual. Assim era pacífico no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes que a contagem do prazo decadencial do imposto de renda da pessoa física e jurídica sujeito ao ajuste anual amoldarseia à dicção do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, quando a contagem passa a ser feita na forma do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Como exemplo dessa jurisprudência, citamse os acórdãos nºs: 10195.026, relatora a Conselheira Sandra Maria Faroni, sessão de 16/06/2005; 10246.936, relator o Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 07/07/2005; 10323.170, relator o Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, sessão de 10/08/2007; 10422.523, relator o Conselheiro Nelson Mallmann, sessão de 14 de junho de 2007; e 10615.958, relatora a Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, sessão de 08/11/2006. O entendimento acima também veio a ser acolhido pelo CARF a partir de 2009, quando este Órgão substituiu os Conselhos de Contribuintes. Entretanto, veio a lume uma alteração no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no DOU em 22.12.2010), que passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II do RICARF). E o Superior Tribunal de Justiça, no rito dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC), confessou uma tese na matéria decadencial diversa do CARF, como abaixo se vê, sendo de rigor aplicála nos julgamentos da segunda instância administrativa. Dessa forma, no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, apreciouse o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o julgado submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13808.000901/0002 Acórdão n.º 2102002.235 S2C1T2 Fl. 5 9 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No precedente acima do Superior Tribunal de Justiça, a existência, ou não, do pagamento passou a ser relevante para definir a regra decadencial. Para a hipótese de inocorrência de dolo, fraude ou simulação, a existência de pagamento antecipado leva a regra para as balizas do art. 150, § 4º, do CTN; já a inexistência, para o art. 173, I, do CTN. No caso destes autos, para o primeiro dos anoscalendário da autuação, 1994, ao contribuinte foram imputadas uma omissão de rendimentos atribuídos a sócios de sociedades civis, no importe de R$ 175.016,62; e uma compensação indevida de IRRF, no montante de R$ 84.086,91, ambas as infrações com fatos geradores aperfeiçoados em 31/12/1994, dentro da concepção de que os fatos geradores do imposto de renda sujeitos ao ajuste anual, como os citados, são complexivos, se aperfeiçoando no último dia do ano calendário (uma aplicação desse entendimento pode ser vista na Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário). Considerando que, na declaração de ajuste anual do anocalendário 1994 houve a informação de IRRF (fl. 14), aqui tomado em conta apenas o oriundo da empresa EAB Administradora de Bens Ltda (o IRRF oriundo da empresa Bianchessi & Cia Auditores foi glosado), e não foi imputada à hipótese dos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (houve a aplicação da multa de ofício ordinária de 75% sobre o imposto lançado), forçoso aplicar, como antes explanado, a contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, § 4º, do CTN, implicando que o qüinqüênio decadencial, para o anocalendário 1994, tevese início em 1º/01/1995 e término em 31/12/1999. Assim, como o lançamento foi cientificado ao recorrente em 08/05/2000 (fl. 142), caduca a pretensão da Fazenda Nacional no tocante ao imposto que incidiu sobre a Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 omissão de rendimentos atribuídos a sócios de sociedades civis, no anocalendário 1994, no importe de R$ 175.016,62. Por outro lado, não se pode contar o prazo decadencial na forma acima para a infração oriunda da compensação indevida de IRRF, no montante de R$ 84.086,91, no ano calendário 1994, pois tal infração constou em lançamento primitivo confeccionado dentro do lustro decadencial e declarado nulo por vício formal pela autoridade julgadora de Primeira Instância (Decisão DRJ/SPO/SP n° 015785/9712.9025, de 08/12/1997, às fls. 97/98 do processo n° 10880.010747/9669, em apenso, com ciência ao contribuinte em 17/09/1999 – fl. 103 do apenso). Para esta infração, contase o prazo decadencial na forma do art. 173, II, do CTN, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Assim, como já dito na decisão aqui recorrida, o fisco poderia efetuar novo lançamento em um qüinqüênio após a data da ciência do lançamento cancelado por vício formal, prazo esse que terminaria em 17/09/2004, sendo, assim, forçoso reconhecer que a decadência não atingiu a compensação indevida do IRRF, pois a nova ciência dessa infração ocorreu nos presentes autos em 08/05/2000 (fl. 142). Já em relação ao fato gerador ocorrido no anocalendário 1995 (glosa de despesa médica), também complexivo e que se aperfeiçoou em 31/12/1995, quer se conte a regra decadencial na forma do art. 150, § 4º, do CTN ou que na do art. 173, I, do CTN, vêse que o termo final decadencial iria para as datas de 31/12/2000 e 31/12/2001, respectivamente, não havendo falar em decadência, pois o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 08/05/2000 (fl. 142). Por decorrência lógica, não há falar em decadência para os fatos geradores dos anoscalendário 1996 e 1997, cujos termos finais vão além das datas antes citadas. Com as considerações acima, aqui se reconhece que a decadência fulminou o imposto decorrente da omissão de rendimentos atribuídos a sócios de sociedades civis, no ano calendário 1994, no importe de R$ 175.016,62. Agora se passa à defesa do item IV do relatório, que combate os acréscimos patrimoniais a descoberto dos anoscalendário 1996 e 1997. De uma leitura combinada da impugnação e do recurso voluntário, apreende se que o contribuinte buscou atacar as aplicações de recursos que constou no fluxo de caixa, representadas pelos apartamentos adquiridos nos residenciais Vila Adriana, Vila Cristina e no Centro Executivo (Sala 301), ao argumento de que as aquisições se deram na condição de parceiro investidor, como pagamento pela sua então participação na Incorporação Imobiliária, como daria conta o Termo de Acordo de Quitação, firmado pela B & C Engenharia e Incorporações e o recorrente, datado de 04 de setembro de 1992, fatos alcançados pela caducidade prescritiva. Ainda, na impugnação, no tocante ao apartamento duplex no Residencial Vila Adriana, a fiscalização teria considerado, equivocadamente, a área dobrada em relação ao apartamentotipo (simples). Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13808.000901/0002 Acórdão n.º 2102002.235 S2C1T2 Fl. 6 11 Aqui se deve evidenciar que os acréscimos patrimoniais a descoberto não foram somente decorrentes das aquisições acima, como se pode ver pelos estouros de caixa em junho a novembro de 1996, janeiro, fevereiro e dezembro de 1997 (fls. 114 a 116). A decisão recorrida entendeu que o instrumento público de aquisição de fls. 90/101 apresentava os valores ocorridos na transação referente ao Residencial Vila Adriana, estando correto o arbitramento feito pela fiscalização, com base no metro quadrado (item 56, fl. 191), não tendo o impugnante trazido provas que infirmasse as declarações constantes em tal instrumento público, e, indo mais além, ainda calcado na existência de provas que afastasse os outros dispêndios combatidos, também os manteve (apartamentos do Residencial Vila Cristina e a Sala 301 do Centro Executivo). Devese anotar que o preço de aquisição dos imóveis do Residencial Vila Cristina e da Sala 301 do Centro Executivo foram provenientes da própria declaração de ajuste anual do anocalendário 1996, apresentada pelo fiscalizado (fls. 23, 115 128). Claramente a decisão recorrida rejeitou as argumentações do contribuinte nos limites postos na impugnação, esta que não trouxe qualquer documento novo, sequer o tal “Termo de Acordo de Quitação”, que teria sido firmado com a construtora B & C Engenheira e Incorporações. Para demonstrar as razões da decisão recorrida, que manteve as infrações por ausência de prova a infirmálas, ônus do então impugnante, colase, abaixo, excerto esclarecedor (fl. 193), verbis: (...) 65. Diante da ação fiscalizatória e na fase impugnatória, o contribuinte demostrouse despreocupado em apresentar elementos de fato ou jurídicos que desqualifiquassem os procedimentos fiscais efetuados. Vem insurgirse alegando a ocorrência dos fatos em ano bastante anterior. 66. Equivocase mais uma vez o impugnante. Inexistiu no decorrer do procedimento fiscal qualquer impedimento legal ou material que o tenha inibido de se defender, demonstrando a veracidade de suas operações imobiliárias. Ao revés, foilhe oportunizada efetiva participação no desenvolvimento dos trabalhos da fiscalização, como bem se constata dos termos de fls. 04/05, 07/08, 09 e 10. 67. Tal prerrogativa, além de ser uma obrigação, era um direito seu em ver reconhecida a licitude de sua movimentação patrimonial. Mas, abstendose de demonstrar a verdade, ocorreu o acatamento das infrações detectadas. Neste caso, sua inação a si próprio lhe prejudicou. 68. Desta forma, competia exclusivamente ao contribuinte, após a demonstração, por parte da administração fazendária, do ilícito tributário, exibir as provas técnica, monetária e jurídica de que suas operações não se realizaram ao arrepio da lei. Neste caso, o ônus da prova se inverteu, uma vez que os caminhos percorridos para alcançar seu desiderato só a ele é dado conhecer. Por tudo, alicerçado nas mesmas razões da decisão recorrida, devese manter os dispêndios que figuram no fluxo de caixa que apurou os acréscimos patrimoniais a Fl. 489DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 12 descoberto dos anoscalendário 1996 1997, referentes às aquisições dos apartamentos dos Residenciais Vila Adriana, Vila Cristina e Sala 301 do Centro Executivo, pois nos autos não há qualquer prova de que tais transações fossem oriundas de negócios entabulados em 1992, como dito pelo contribuinte. Ressaltese, por relevante, que a Escritura Pública de aquisição dos apartamentos do Residencial Vila Adriana (fls. 90 e 91), firmada em 1997, é silente em relação a algum pacto de 1992. Indo mais além, apenas para esclarecimento, devese anotar que a fiscalização explicitou detidamente como fez o arbitramento do preço de aquisição dos apartamentos do Residencial Vila Adriana (fl. 131), a partir dos preços que constaram na Escritura Pública já referida, não tendo o então impugnante ou agora recorrente questionado a metodologia, sendo certo que a utilização da metragem em dobro para a cobertura duplex em nada prejudicou o recorrente, pois efetivamente a área da cobertura (536,40 m2) sobejava o dobro dos apartamentostipo (simples – média de 253,14 m2). Por tudo, ausente qualquer juntada de prova que infirmasse os dispêndios considerados nos fluxos de caixa, estes que apuraram os acréscimos patrimoniais a descobertos dos anoscalendário 1996 e 1997, devese também manter intocada essa infração. Superado o ponto acima, passase agora a apreciar as defesas dos itens V e VI, na qual o contribuinte que afastar as glosas das despesas médicas e de instrução, por ausência de debate na decisão recorrida. Ora, como já dito na apreciação das defesas dos itens I e II, acima, caberia ao contribuinte ter debatido tais controvérsias na impugnação, sob pena delas serem consideradas não impugnadas, como determinado pelo art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Assim, como já dito, o ponto suscitado pelo impugnante no tocante à glosa da despesa médica do anocalendário 1995 foi debatido na decisão recorrida. Já as glosas de despesas médicas e de instrução dos anoscalendário 1996 e 1997, por ausência de debate na impugnação, não foram corretamente aventados na decisão recorrido, estando, inclusive, preclusa qualquer insurgência do recorrente contra tais glosas. Mais uma vez, não assiste razão ao recorrente. Passase, agora, a apreciar o caráter confiscatório da multa de ofício, com pretensa violação aos princípios constitucionais da capacidade contributiva e nãoconfisco (item VII). O recorrente afirma que a multa de ofício tem caráter confiscatório. Aqui, um pequeno parêntese, antes da análise dogmática dessa irresignação. O princípio da proibição de efeito de confisco é de difícil constatação, e, como diz Heinrich Kruse, quando fala do “imposto sufocante”, mais se assemelha ao “monstro do Lago Ness do Direito Tributário: ninguém o viu e todos escrevem sobre ele” 1. Agora, transcrevese a norma constitucional que positivou tal princípio: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I a III omissis; 1 Apud Schoueri, Luis Eduardo. Normas Tributárias Indutoras e Intervenção Econômica.1ª ed., Rio de Janeiro, 2005, p. 302. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13808.000901/0002 Acórdão n.º 2102002.235 S2C1T2 Fl. 7 13 IV utilizar tributo com efeito de confisco; (...) (grifouse) Vêse que o princípio do nãoconfisco se aplica a tributos. Como estampado no art. 3º do Código Tributário Nacional, tributo é toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito. A sanção de ato ilícito, como já enfatizado anteriormente, tem na multa pecuniária uma de suas espécies. Assim, tratandose de multa pecuniária, não há que falar em princípio do nãoconfisco. Ainda, devese ressaltar que os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2007, DOU de 23 de junho de 2009), que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. O entendimento acima, que já existia no antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte, foi objeto da Súmula CARF nº 2: “O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, e, com espeque no art. 72, caput e §4º, do Regimento Interno do CARF2, devese ressaltar que o enunciado sumular é de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 14 Com as considerações acima, rejeitase a tese defensiva de que a multa de ofício tem caráter confiscatório. Por fim, passase a apreciar a utilização da taxa Selic como juros de mora (item VIII). A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF nº 4 (DOU de 22/12/2009): “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. E como já dito, os enunciados sumulares são de aplicação obrigatória nos julgamentos das Turmas do CARF, afastandose a presente defesa. E, adicionalmente, quanto à constitucionalidade da taxa Selic para fins tributários, o Supremo Tribunal Federal assentou sua higidez, quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, relator o Ministro Gilmar Mendes, Tribunal Pleno, sessão de 18/05/2011, com se vê pelo excerto da ementa desse julgado, verbis: 1. Recurso Extraordinário. Repercussão Geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. (...) Sem razão, mais uma vez, o recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de AFASTAR as nulidades vindicadas e, no mérito, em DAR PARCIAL para reconhecer que a decadência extinguiu o imposto decorrente da omissão de rendimentos atribuídos a sócios de sociedades civis, no anocalendário 1994, no importe de R$ 175.016,62. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos § 1º a § 3º Omissis; § 4º As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13808.000901/0002 Acórdão n.º 2102002.235 S2C1T2 Fl. 8 15 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/08/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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