Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 14041.000190/2008-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 14041.000190/2008-59
anomes_publicacao_s : 201702
conteudo_id_s : 5676684
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-004.947
nome_arquivo_s : Decisao_14041000190200859.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 14041000190200859_5676684.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
id : 6642839
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:55:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946773852160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1667; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14041.000190/200859 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.947 – 2ª Turma Sessão de 12 de dezembro de 2016 Matéria RETROATIVIDADE BENIGNA, NATUREZA DA MULTA NOS LANÇAMENTOS PREVIDENCIÁRIOS ANTERIORES A MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI 11.941/2009 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PRONTO SOCORRO SAO CAMILO S/S LTDA ME ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 31/12/2006 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 90 /2 00 8- 59 Fl. 445DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 446DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 448DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 450DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 451DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 452DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 453DF CARF MF Processo nº 14041.000190/200859 Acórdão n.º 9202004.947 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 454DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.721704/2014-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
EMBARGOS INOMINADOS.
Retificação de equívoco na transcrição do resultado do julgamento.
Numero da decisão: 2201-003.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para sanando o vício apontado, retificar o resultado do julgamento nos termos do voto.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 15/02/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA E RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
Nome do relator: ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 EMBARGOS INOMINADOS. Retificação de equívoco na transcrição do resultado do julgamento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10073.721704/2014-23
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5692409
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.395
nome_arquivo_s : Decisao_10073721704201423.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 10073721704201423_5692409.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para sanando o vício apontado, retificar o resultado do julgamento nos termos do voto. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 15/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA E RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM.
dt_sessao_tdt : Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2017
id : 6671448
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946786435072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1291; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10073.721704/201423 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2201003.395 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de janeiro de 2017 Matéria IRPF Embargante CONSELHEIRA ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Interessado ISMAEL ALVES DE SOUZA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 EMBARGOS INOMINADOS. Retificação de equívoco na transcrição do resultado do julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para sanando o vício apontado, retificar o resultado do julgamento nos termos do voto. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 15/02/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ, DIONE JESABEL WASILEWSKI, MARCELO MILTON DA SILVA RISSO, CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, DANIEL MELO MENDES BEZERRA E RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 17 04 /2 01 4- 23 Fl. 65DF CARF MF 2 Tratamse de Embargos Inominados opostos pela Conselheira Relatora com o fim de sanear o equívoco constante da pauta de julgamento, do dia 10 de março de 2013, que consignou o resultado do julgamento como "dar provimento ao recurso", quando, na verdade, em consonância com o voto proferido e acompanhado pelo colegiado, deveria ser "dar provimento parcial ao recurso". A matéria objeto do processo está descrita no relatório do Acórdão n.º 2201 003.008, nos termos seguintes: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 21/07/2014, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2012, anocalendário 2011, na qual foi constatado que os rendimentos do contribuinte foram indevidamente considerados isentos, em decorrência da não comprovação do acometimento de moléstia grave ou da sua condição de aposentado, pensionista ou reformado. Conforme consta da mencionada Notificação, o contribuinte não comprovou efetivamente que os rendimentos auferidos foram provenientes de aposentadoria, reforma ou pensão. Irresignado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02/03, acompanhada dos documentos de fls. 04/12, alegando, em síntese, que os valores dos rendimentos em questão eram isentos por se tratarem de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portador de moléstia grave. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo manteve o crédito tributário, em sua totalidade, com a seguintes considerações: a) foi efetivamente comprovada a cardiopatia grave, desde 13 de outubro de 2011, por meio do laudo médico pericial expedido pelo Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor SIASS; b) não ficou comprovado nos autos se os rendimentos seriam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e se, em 13/10/2011, o impugnante faria jus ao benefício por estar aposentado, sendo imprescindível a apresentação de documento oficial que evidencie a data de início da aposentadoria. Assim, a DRJ/SPO entendeu que não foram cumpridos todos os requisitos necessários para que os rendimentos recebidos das fontes pagadoras, Município de Barra Mansa e Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, fossem considerados isentos. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário no qual o contribuinte sustentou que os rendimentos recebidos da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro tratavamse de proventos de pensão (no valor de R$ 22.422,75) e os rendimentos recebidos do Município de Barra Mansa (no valor de R$ 14.596,57) eram decorrentes de sua aposentadoria. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10073.721704/201423 Acórdão n.º 2201003.395 S2C2T1 Fl. 3 3 Juntamente com o recurso, o contribuinte apresentou Declaração emitida pelo Instituto de Previdência da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, na qual consta expressamente o recebimento de pensão, desde 14/05/2003. Na mesma oportunidade, o contribuinte anexou a Portaria 013/2012, da Prefeitura Municipal de Barra Grande, que dispôs sobre a concessão de aposentadoria por idade e tempo de contribuição ao servidor, com data de publicação em 17/01/2012. É o relatório. O acórdão recorrido deixou claro o provimento parcial do recurso, conforme segue: Embora o contribuinte sustente, em sede recursal, que os rendimentos recebidos do Município de Barra Mansa são isentos por decorrerem de aposentadoria, tendo o processo de aposentadoria se iniciado em 06/2011, o ato de concessão do benefício, que foi a Portaria 013/2012, fl. 47, foi publicado apenas em 17/01/2012. Desse modo, não assiste razão ao recorrente quanto aos mencionados rendimentos, por descumprimento do requisito relativo à natureza do rendimento, considerando que o lançamento se refere ao exercício de 2011 e a concessão de sua aposentadoria ocorreu, posteriormente, no ano de 2012, razão pela qual inferese que os rendimentos não decorriam do benefício de aposentadoria. No que se referem aos rendimentos recebidos do Instituto de Previdência da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro IPALERJ, que, nos termos da Lei n.º 320, de 10 de junho de 1980, é uma instituição de previdência, com personalidade jurídica própria, autonomia administrativa e financeira, com jurisdição no Estado do Rio de Janeiro, restou devidamente comprovada a sua natureza, pois se extrai da documentação acostada aos autos que o contribuinte é pensionista, desde 14/05/2003, fls. 38/46. Não obstante o voto proferido, bem como as discussões do colegiado, durante a sessão de julgamento, constou da Ata da Sessão de julgamento (de 10 de março de 2016) resultado distinto decisão prolatada, razão pela qual foram opostos os presentes embargos. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço dos embargos, nos termos do Despacho de Admissibilidade, pois presentes os requisitos necessários. Fl. 67DF CARF MF 4 Conforme relatado, os presentes embargos possuem a finalidade única de sanar o equívoco da Ata de Julgamento da Sessão realizada em 10 de março de 2016. Assim, acolho os embargos para, sanando o equívoco apontado, retificar o resultado do julgamento para que conste da seguinte forma: "Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento os rendimentos recebidos pelo contribuinte do Instituto de Previdência da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro IPALERJ". Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.900014/2012-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3401-000.988
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Robson José Bayerl - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201701
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10480.900014/2012-75
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5688866
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-000.988
nome_arquivo_s : Decisao_10480900014201275.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL
nome_arquivo_pdf_s : 10480900014201275_5688866.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6665675
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946802163712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.900014/201275 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3401000.988 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de janeiro de 2017 Assunto PIS E COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO. Recorrente RODOBENS CAMINHÕES PERNAMBUCO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Rodolfo Tsuboi e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER que pretende obter reconhecimento de direito creditório das contribuições por suposto pagamento a maior. O sistema informatizado da Receita Federal emitiu o Despacho Decisório em processamento automatizado indeferindo o pedido, afirmando que o valor do DARF de onde viria o crédito já estava totalmente comprometido em quitação de débito constante de declaração prestada pelo contribuinte ao Fisco. A contribuinte manifestou inconformidade, explicando que: 1. A autoridade de administração e a autoridade fiscal não tomaram conhecimento das razões da contribuinte para seu direito, nem se aprofundaram em sua análise, nem buscaram investigar os fatos; a contribuinte não foi intimada a explicar os fundamento do seu pedido antes do despacho decisório; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 00 01 4/ 20 12 -7 5 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10480.900014/201275 Resolução nº 3401000.988 S3C4T1 Fl. 3 2 2. seu direito repousa no fato de que ela indevidamente tinha incluído na base de cálculo do tributo receitas (tais como receitas financeiras, e outras), face a declaração de inconstitucionalidade pelo STF para o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998; pois a base de tributação deve se cingir às receitas de faturamento pela venda de mercadorias e da prestação de serviços. 3. Pede a reunião dos vários processos administrativos que tratam da mesma matéria/tributo, mudando apenas os períodos de apuração, para serem julgados na mesma ocasião. Os Julgadores de 1º piso não acolheram o pedido de reunião dos vários processos. Eles também consideraram improcedente o recurso da contribuinte, entendendo pela insuficiência de provas pelo alegado. Seria da contribuinte o ônus de provar o direito objeto do seu pedido, no momento da interposição da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legalmente previstas, nos termos do art. 16, caput, III e §4°, do Decreto 70.235/72, conforme consta do voto da decisão recorrida. Concluíram, os Julgadores a quo, pelo não reconhecimento do direito creditório, nos termos do Acórdão 11041.012. Inconformada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário por meio do qual repisou as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade, e acrescentou as seguintes: ● não é verdade que houve insuficiência de provas, pois apresentou planilha, balancete e livro obrigatório da contabilidade da contribuinte; ● a autoridade fiscal não questionou a efetividade dos pagamentos em discussão; ● não pode prevalecer o entendimento esposados pelos julgadores de 1º piso de que houve preclusão para a juntada de provas; isso fere o disposto na letra "c" do § 4º do artigo 16 do Decreto n. 70.235, de 1972 (apresentar provas que se destine a contrapor fatos e razões posteriormente trazidas aos autos). Cita doutrina, acórdãos e jurisprudências; ● a falta de retificação da DCTF não deve servir de justificativa para não se analisar e se deferir o direito da contribuinte; ● Não procede o entendimento dos Julgadores a quo de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 proferida pelo STF não seja de observação obrigatória no processo administrativo fiscal; ● a Verdade Material deve prevalecer, e a autoridade deve realizar um exame completo dos fatos. É o relatório Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10480.900014/201275 Resolução nº 3401000.988 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401000.984, de 25 de janeiro de 2017, proferida no julgamento do processo 10480.900040/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3401000.984): "Tempestivo o Recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Temos diante de nós mais um caso de despacho decisório processado automaticamente, sem que haja qualquer intervenção humana para rever o seu teor e a eventual existência de razões para questionar sua conclusão. É freqüente, nessas situações, que a contribuinte somente compreenda totalmente a situação quando recebe a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento mantendo o indeferimento eletrônico inicial, geralmente por falta de provas ou de contra argumentações por parte da contribuinte. Nessa toada, há os que se escudam no instituto da preclusão probatória para justificar a impossibilidade de reverter as negativas até então impostas à contribuinte. Coerente com minhas propostas de votação anteriores em situações semelhantes, baseado no argumento de que o princípio da verdade material deve prevalecer, relativizando as formalidades e os institutos preclusivos e assemelhados, e no argumento de que não é do interesse público maior praticar a injustiça fiscal qual seja, a manutenção no Tesouro do pagamento indevido , é que proponho que se tome providências para garantir substantivamente o contraditório (e não apenas formalmente) e para se verificar a verdade do alegado pelas partes. As teses que esposo divergem das postas no acórdão de 1º piso: (a) para uma visão absoluta do ônus probatório e do instituto da preclusão probatória, argumento em favor de que prevaleça a Verdade Material, e que os julgadores do processo administrativo possam agir e determinar providências nessa direção, aliás como expus em outros votos quando fiz alusão aos modelos trazidos pelo novo CPC; (b) que a negativa em pedidos de restituição e/ou compensações motivada pela inexistência de créditos líquidos e certos passe a considerar que a liquidez e certeza possam ser demonstradas ao longo do processo administrativo, não se limitando ao que o instruiu antes de sua chegada à instância de julgamento. Ressalto que a contribuinte, segundo que foi relatado, em sua primeira contestação havia juntado balancetes e planilhas, o que poderia ser no mínimo considerado princípio de prova. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10480.900014/201275 Resolução nº 3401000.988 S3C4T1 Fl. 5 4 Por isso, tendo em vista que a administração tributária de jurisdição não apreciou as razões do suposto direito creditório, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento deste processo em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. (assinado digitalmente) Robson José Bayerl Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.002321/2006-94
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
Ementa: AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO
ADMINISTRATIVO – IMPOSSIBILIDADE - Tendo o contribuinte optado
pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, tem a autoridade administrativa o direito/dever de constituir o lançamento, para prevenir a decadência, ficando o crédito assim constituído sujeito ao que ali vier a ser
decidido. A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial.
Numero da decisão: 1803-000.661
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Marcelo Fonseca Vicentini
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO – IMPOSSIBILIDADE - Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, tem a autoridade administrativa o direito/dever de constituir o lançamento, para prevenir a decadência, ficando o crédito assim constituído sujeito ao que ali vier a ser decidido. A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10680.002321/2006-94
conteudo_id_s : 5697604
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-000.661
nome_arquivo_s : Decisao_10680002321200694.pdf
nome_relator_s : Marcelo Fonseca Vicentini
nome_arquivo_pdf_s : 10680002321200694_5697604.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
id : 6677851
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946823135232
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-27T16:45:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2100579_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-11-27T16:45:31Z; Last-Modified: 2010-11-27T16:45:31Z; dcterms:modified: 2010-11-27T16:45:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2100579_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:1d58837e-b90e-4565-b801-d6c2f6c95604; Last-Save-Date: 2010-11-27T16:45:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-11-27T16:45:31Z; meta:save-date: 2010-11-27T16:45:31Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2100579_0.doc; modified: 2010-11-27T16:45:31Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-11-27T16:45:31Z; created: 2010-11-27T16:45:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-11-27T16:45:31Z; pdf:charsPerPage: 1892; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-11-27T16:45:31Z | Conteúdo => S1-TE03 Fl. 1 1 S1-TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.002321/2006-94 Recurso nº 502.945 Voluntário Acórdão nº 1803-000.661 – 3ª Turma Especial Sessão de 10/11/2010 Matéria Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Recorrente União Administradora de Consórcios Ltda Recorrida 2ª Turma da DRJ de Belo Horizonte - Minas Gerais Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM O PROCESSO ADMINISTRATIVO – IMPOSSIBILIDADE - Tendo o contribuinte optado pela discussão da matéria perante o Poder Judiciário, tem a autoridade administrativa o direito/dever de constituir o lançamento, para prevenir a decadência, ficando o crédito assim constituído sujeito ao que ali vier a ser decidido. A submissão da matéria à tutela autônoma e superior do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio, cuja exigibilidade fica adstrita à decisão definitiva do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator Selene Ferreira de Moraes - Presidente. Marcelo Fonseca Vicentini - Relator. EDITADO EM: 27/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior, Sérgio Rodrigues Mendes, Luciano Inocêncio dos Santos, Walter Adolfo Maresch e Marcelo Fonseca Vicentini. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI 2 Relatório UNIÃO ADMISTRADORA DE CONSORCIOS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte – DRJ/BHE, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Trata-se de auto de infração lavrado em 21/02/2006, relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no montante de R$ 167.257,90, acrescido de juros de mora no montante de R$ 87.201,91, perfazendo montante total de R$ 254.459,81. Tendo em vista a clareza e correção do Relatório da DRJ, adoto o mesmo e reproduzo ipsis litteris os trechos pertinentes: “Fazendo remissão ao Termo de Verificação e de Constatação Fiscal (TVCF) de fls. 12/27, consta que o contribuinte não declarou ou não pagou regularmente a CSLL nos anos de 2001, 2002 e 2003. Foi ressaltado que o contribuinte obteve decisão favorável transitada em julgado pela inconstitucionalidade da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, desobrigando a empresa do recolhimento da CSLL nos termos dessa lei. Em razão desses julgamentos de 1990 e 1991, o contribuinte ajuizou, em junho de 2004, Ação Ordinária para continuar não sujeito ao pagamento da CSLL. Nos autos do processo n° 2004.38.00.025965-8 / 8a Vara Federal — MG, em sentença de 12/04/2005, seu pedido foi julgado improcedente. Inconformado, o contribuinte apresentou apelação, pendente de apreciação no TRF da 1ª Região. Segundo a autoridade fiscal, os efeitos da coisa julgada não podem incidir sobre relações jurídicas de trato sucessivo, originadas de fatos geradores futuros e estabelecidas sob a égide de legislação superveniente, como a Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, bem como a Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Este, aliás, foi o aspecto preponderante considerado na sentença de 2005. Desse modo, o contribuinte foi considerado sujeito à tributação da CSLL. Ainda referindo-se ao TVCF, a autoridade fiscal ressaltou que o contribuinte efetuou depósitos judiciais de valores relacionados à CSLL. Assim, como os débitos da CSLL não foram declarados em DCTF, a fim de prevenir a decadência, e considerando a suspensão da exigibilidade prevista na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), art. 151, II, em razão do depósito em juízo efetuado, nos termos da Lei n° 9.430, de 1996, art. 63 c/c Parecer Cosit n° 02, de 1999, constituíram-se, sem multa de oficio, os créditos tributários de 2001, 2002 e 2003. Cientificado da exigência em 21/02/2006, conforme consignado no Auto de Infração, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 103/130, em 21/03/2006, cuja síntese é feita em seguida. I — Breve relato Nesse tópico, o impugnante fez um resumo da autuação. II — Questão sub judice, com depósitos judiciais — defesa administrativa de mérito Assevera o autuado que, sendo suas razões as mesmas já expostas na Ação Declaratória n° 2004.38.00.025965-8, ajuizada em face da União Federal, perante a 8 a Vara da Justiça Federal em Belo Horizonte, o faz juntando cópia do inteiro teor da petição inicial daquele feito (documento n° 1). Pela referida peça e pela certidão ora juntada (documento n° 2), observa-se o seguinte: a) o impugnante tem sentença transitada em julgado, prolatada nos autos da Ação Declaratória n° 89.0001460-9, ajuizada em face da União Federal, perante a 13ª Vara da Justiça Federal em Belo Fl. 155DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 10680.002321/2006-94 Acórdão n.º 1803-000.661 S1-TE03 Fl. 2 3 Horizonte, na qual restou decidido, incidentalmente, que é inconstitucional a Lei n° 7.689, de 1988, que instituiu a CSLL, inexistindo, destarte, relação jurídica válida que a obrigue a pagar referido tributo; b) a Lei n° 8.212, de 1991, e Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, não reinstituíram a CSLL, pelo que continuam hígidos os efeitos da mencionada sentença. III - Requerimentos Com base no exposto, requer o impugnante: a) o sobrestamento do julgamento dessa defesa até que seja julgada, em definitivo, a Ação Declaratória n° 2004.38.00.025965-8, ajuizada contra a União Federal, perante a 8a Vara de Belo Horizonte, cujo objeto se traduz na própria questão dessa defesa; b) no mérito, o cancelamento do Auto de Infração de que trata o presente processo” A DRJ/BHE, através do acórdão 02-19.114, de 16 de setembro de 2008 (fls. 132/136), não conheceu da impugnação, ementando assim a decisão: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002, 2003, 2004 AÇÃO JUDICIAL - DEFINITIVIDADE A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial - por qualquer modalidade processual - antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, tornando-se definitiva a exigência discutida. Impugnação não Conhecida” Cientificado da Decisão da DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário. Alega o contribuinte que a Ação Declaratória n° 2064.38.00.05965-8 teve início no dia 25/06/2004, quando foi distribuída, ao passo que o auto de infração objeto do presente recurso em julgamento foi lavrado quase dois anos depois, em fevereiro de 2006 e, neste sentido, não seria possível falar-se em renúncia à impugnação do auto de infração. Segundo o contribuinte, teria sentido cogitar-se de renúncia, caso, tendo sido notificado do auto de infração, o mesmo formulasse impugnação administrativa e, antes do seu julgamento definitivo, nessa esfera, ingressasse com ação judicial, para discutir a mesma questão objeto da autuação, e somente neste caso, teria sentido em falar de renuncia a via administrativa Alega ainda que o lançamento de ofício em discussão é destituído de sentido prático, pois os depósitos voluntários, previamente feitos nos autos da ação declaratória, têm o caráter de auto lançamento, ou lançamento por homologação. Requer, pelo exposto, o provimento do recurso voluntário com o conseqüente cancelamento do Auto de Infração a que se refere o Processo Administrativo 10680.002321/2006-94. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI 4 Voto Conselheiro MARCELO FONSECA VICENTINI O contribuinte foi cientificado da decisão da DRJ em 13/04/2009, conforme AR constante às fls. 146, e interpôs recurso voluntário em 04/05/2009, desta forma, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade. Dele conheço. Como se depreende do relatório, o contribuinte recorreu ao Poder Judiciário nos termos da a Ação Declaratória n° 2064.38.00.05965-8, onde pleiteou declaração, por sentença daquele Juízo, de que continua não sujeito ao pagamento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), de vez que ainda se encontra amparado pela sentença transitada em julgado, prolatada pelo juízo da 13ª Vara da Justiça Federal daquela Capital, nos autos da ação declaratória n° 89.0001460-9, via da qual restaram reconhecidas "a inconstitucionalidade do tributo criado pela Lei 7.689, de 15.12.88", e a "inexistência de relação jurídica" que a obrigue ao seu pagamento. A 8º Vara Federal de Belo Horizonte - MG, julgou improcedente a referida Ação Declaratória de n° 2064.38.00.05965-8 e, inconformado, o contribuinte apresentou apelação, pendente de apreciação no TRF da 1º Região. Na própria impugnação apresentada a DRJ, fazendo remissão a Ação Declaratória n° 2064.38.00.05965-8, ressaltou o contribuinte que o objeto da ação judicial se traduz na própria questão objeto da defesa apresentada, fato que pode ser confirmado pela análise do auto de infração, do TVCF e das peças da ação judicial juntadas ao presente processo administrativo. Desta forma, tendo em vista que a matéria objeto do presente recurso voluntário encontra-se em discussão no âmbito do Poder Judiciário, perante o qual a contribuinte ingressou com ação, há concomitância na defesa, ou seja, a busca da tutela do Poder Judiciário, bem como o recurso à instância administrativa buscam resolução da mesma questão objeto. Neste sentido, leciona Hugo de Brito Machado Segundo que “a fim de evitar soluções eventualmente contraditórias para um mesmo conflito, e tendo em vista a inafastabilidade do controle judicial, os órgãos de julgamento administrativo tem entendimento pacífico segundo o qual o questionamento judicial de determinado ato administrativo implica a “renúncia” do cidadão a instância administrativa (...) É o que dispõe, a propósito, o parágrafo único do art. 38 da Lei 6.830/80, segundo o qual a propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o propósito de discutir os termos da relação jurídico tributária ‘importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto’. Assim, uma vez lavrado um auto de infração contra determinado contribuinte, por exemplo, a propositura imediata de uma ação anulatória, ou de um mandado de segurança, a fim de impugnar judicialmente a exigência, afasta a possibilidade de serem oferecias impugnações e recursos na esfera administrativa. Do mesmo modo, caso o contribuinte proponha a ação judicial antes do lançamento , a posterior feitura do lançamento não lhe dá direito a discutir na esfera administrativa questões já submetidas ao Judiciário”. (Processo Tributário, 4. Ed., São Paulo: Atlas, 2009, p. 120 à 121). No mesmo sentido dos comentários do eminente professor, é patente a jurisprudência do antigo conselho de contribuintes neste sentido: Processo n° :10920.000290/2003-14 Recurso n° : 134.502 Matéria : IRPJ - Ex: 1998 Recorrente : DATASUL S.A.. Recorrida : 4° TURMA / DRJ — FLORIANÓPOLIS/SC Sessão de :18 de março de 2004 Acórdão n° :108-07.742 AÇÃO JUDICIAL - CONCOMITÂNCIA COM PROCESSO ADMINISTRATIVO - IMPOSSIBILIDADE - A coincidência entre a causa de pedir, constante no fundamento jurídico da ação declaratória, e o fundamento da exigência consubstanciada em lançamento, impede o prosseguimento do processo administrativo no tocante aos mesmos fundamentos, de modo a prevalecer a solução judicial do litígio. Qualquer matéria distinta em litígio no processo administrativo deve ser conhecida e apreciada. TAXA SELIC — LEGITIMIDADE — A taxa de juros denominada SELIC, por ter sido estabelecida por lei, está de acordo com o art. 161, § 1°, do CTN, sendo, portanto válida no ordenamento jurídico. Recurso negado. Fl. 157DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI Processo nº 10680.002321/2006-94 Acórdão n.º 1803-000.661 S1-TE03 Fl. 3 5 Processo n°. :10882.002485/00-33 Recurso n°. : 138.570 Matéria : IRPJ - Ex(s): 1997 Recorrente : LEVI STRAUSS DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida : 3° TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP Sessão de : 16 de março de 2005 Acórdão n°. :103-21.884 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - CONCOMITÂNCIA – A discussão da mesma matéria jurídica junto ao poder judiciário, mesmo anterior à ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação judicial. JUROS DE MORA - TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do SELIC, além de amparar-se em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional." Preliminar rejeitada, recurso negado. Não é sem razão que referida matéria já foi objeto de súmula deste respeitável Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Considerando a clareza da redação da súmula carf nº 1, bem como os argumentos apresentados pelo jurista Hugo de Brito Machado Segundo, ambos reproduzidos acima, resta claro que a alegação do contribuinte em seu recurso voluntário que o auto de infração foi lavrado quase dois anos depois do início da Ação Declaratória n° 2064.38.00.05965-8 e que, neste sentido, não seria possível falar-se em renúncia à impugnação do auto de infração, não deve ser acolhida, visto que o que se leva em conta para a avaliação de renúncia a instância administrativa é o objeto do processo administrativo e não sua cronologia relativamente a ação judicial. Por fim, relativamente a alegação do contribuinte que o lançamento de ofício em discussão é destituído de sentido prático, pois os depósitos voluntários, previamente feitos nos autos da ação declaratória, têm o caráter de auto lançamento, ou lançamento por homologação, cumpre observar que referido lançamento foi realizado em total consonância com o disposto no artigo 63 da Lei 9.430/96 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.158/01), que o autoriza o lançamento para prevenir decadência, desde que realizado sem o acréscimo de multa de ofício. Ante todo o exposto, voto por não conhecer o recurso. Marcelo Fonseca Vicentini - Relator Fl. 158DF CARF MF Emitido em 29/11/2010 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VICENTINI Assinado digitalmente em 29/11/2010 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 27/11/2010 por MARCELO FONSECA VI CENTINI
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000272/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-000.479
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do Redator Designado. Vencido o Conselehiro Fernando Luiz da Gama Lobo dEça (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Sílvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16349.000272/2009-55
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5687242
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-000.479
nome_arquivo_s : Decisao_16349000272200955.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 16349000272200955_5687242.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do Redator Designado. Vencido o Conselehiro Fernando Luiz da Gama Lobo dEça (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Sílvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
id : 6663393
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:56:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946833620992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1863; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 740 1 739 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16349.000272/200955 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402000.479 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 25 de outubro de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A (incorporada por BRF BRASIL FOODS S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do Redator Designado. Vencido o Conselehiro Fernando Luiz da Gama Lobo d’Eça (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Sílvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama, João Carlos Cassuli Júnior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). RELATÓRIO Na condição de Presidente da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, inciso III1, do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar o relatório e o voto 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou ñão mais componha o colegiado; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 27 2/ 20 09 -5 5 Fl. 740DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 741 2 vencido da presente resolução, tendo em vista que o Relator originário, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, não mais integra o Colegiado. Assim, reproduzo, na íntegra, o relatório disponibilizado em meio magnético pelo referido Conselheiro, conforme a seguir: Tratase de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) contra o Acórdão DRJ/FNS nº 0727.943 de 26/03/12 constante de fls. 529/563, exarado pela 4ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de inconformidade de fls. 306/346, mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 283/284) e respectiva informação fiscal (fls. 264/282) da DRF de Florianópolis SC, que indeferiu o Pedido Eletrônico de Ressarcimentos (PER) no valor de R$ 6.239.840,02 transmitido em 03/10/06 e relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa apurado no 3º trimestre de 2006 e respectivas Dcomps a ele vinculadas. Consoante esclarece a r. decisão ora recorrida: “A partir das memórias de cálculo fornecidas pela contribuinte, a autoridade fiscal excluiu, dos valores informados nas linhas do Dacon indicadas, os valores referentes a: ‘1. Bens Adquiridos no Mercado Interno para Revenda linha 01 da ficha 16A aquisições de produtos sujeitos à alíquota zero; 2. Aquisição no Mercado Interno de Bens Utilizados como Insumos linha 02 da ficha 16A 2.1) aquisições de pessoas físicas; 2.2) aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo; 2.3) despesas com os serviços de fretes contratados para transferências de produtos acabados entre filiais; 2.4) aquisições de bens sujeitos à alíquota zero; 2.5) notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de bens e nem outra operação com direito a crédito; 2.6) IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição. 3. Serviços Utilizados como Insumos Ficha 16A Linha 03 3.1) aquisições de pessoas físicas; 3.2) aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, tais como animação/sonorização ou serviço de produção audiovisual; 3.3) os valores das notas fiscais Notas fiscais cujo CFOP não representa operação de aquisição de serviços e nem outra operação com direito a crédito. 4. Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Ficha 16A Linha 05 Fl. 741DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 742 3 4.1) despesas com locação de imóvel residencial; 4.2) aluguéis pagos a pessoas físicas, que se referem a aluguéis de imóveis rurais, que não se enquadram no conceito de prédios; 4.3) notas fiscais cujo CFOP não representa pagamento de aluguéis e nem outra operação com direito a crédito nesta linha, tais como serviço de frete e carreto; 5. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Ficha 16A Linha 06 5.1) aluguéis de veículos de carga, que não são máquinas e nem equipamentos utilizados na atividade da empresa; 5.2) notas fiscais que não representam aluguel de máquinas e equipamentos e nem outra operação com direito a crédito, como por exemplo, serviço de copiadora (xerox). 6. Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Ficha 16A Linha 07 6.1) pagamentos a pessoas físicas; 6.2) pagamentos relativos a SERVIÇO CARGA E DESCARGA (TRANSBORDO), SERVIÇO MONITORAMENTO, SERVIÇO PORTUÁRIO e outros cujo CFOP não se referem à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda. Também foram glosados os valores informados a título de: 7. Outras Operações com Direito a Crédito Ficha 16A linha 13 Relata a autoridade fiscal que os valores informados nessa linha do Dacon foram excluídos da base de cálculo do crédito tendo em vista que a contribuinte não comprovou a origem do crédito pleiteado, apesar de intimada e reintimada a apresentar os documentos representativos de tais valores. 8. Créditos Presumidos Atividades Agroindustriais linha 25 Dos valores declarados nessa linha, da memória de cálculo entregue foram glosados os valores das notas fiscais “cujos CFOPs não representam aquisições”, identificadas na listagem elaborada pela autoridade fiscal (item 4.3.8 do relatório) contendo na coluna alíquota a informação "Não se aplica” ou zero. E, nos termos do art. 8° da Lei n° 10.925/2004, aos valores das aquisições foram aplicadas: a alíquota de 4,56% (60% de 7,6%) para os insumos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e a alíquota de 2,66% (35% de 7,6%) para os demais insumos. 9. Aquisição no Mercado Externo de Bens Utilizados como 9.1) das aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, no caso, as partes de máquinas e peças de reposição de Fl. 742DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 743 4 elevado valor, que deveriam ter sido imobilizadas em função do aumento do tempo de vida útil do bem que a substituição da peça proporciona; 9.2) os valores das importações cujos CFOP denotam operações sem direito de gerar créditos a descontar de PIS/Pasep e Cofins nesta linha, como por exemplo 3551 Compra de bem para o ativo imobilizado, 3556 Compra de material para uso ou consumo e 3949 Outra entrada de mercadoria ou prestação de serviço não especificada; 9.3) os valores do IPI recuperável constante das notas fiscais de aquisição; 10. Créditos Extemporâneos Foram glosados da base de cálculo do crédito do período em questão os valores que se referem à base de cálculo de créditos de outros períodos de apuração – valores constantes das planilhas de ajustes contábeis, apresentadas pela contribuinte. Assim, as informações relativas a créditos constantes das planilhas relativas a ajustes contábeis das entradas forma desconsideradas do cálculo dos créditos, sendo consideradas apenas as informações relativas às notas fiscais informadas nas memórias de cálculo. Do dos Saldos das Ficha 25B A autoridade fiscal informa que em razão das correções realizadas nas fichas 16A e 16B da Dacon, restou saldo a pagar da Cofins. Tendo em vista que tal saldo devedor, decorrente de glosa de créditos, não foi declarado em DCTF, necessário o lançamento através de auto de infração. Acrescenta que o auto de infração poderá incluir, ainda, a análise das saídas tributadas com algum tipo de incorreção, não analisadas neste processo, e pode resultar alteração dos valores das linhas 1 a 5 da ficha 25.’ Da mesma forma, a decisão de fls. 529/563, da 4ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, houve por bem “julgar improcedente” a manifestação de inconformidade de fls. 306/346, mantendo o r. Despacho Decisório (fls. 283/284) e respectiva informação fiscal (fls. 264/282) da DRF em Florianópolis/SC, aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 MULTA DE MORA. RESPONSABILIDADE. SUCESSÃO TRIBUTARIA. Em sendo a sucessora responsável pelos créditos tributados da sucedida, cabível é exigir daquela a multa por infração por esta cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006 Fl. 743DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 744 5 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DO CRÉDITO. DACON A apuração dos créditos das Contribuições para o PIS e da Cofins, não cumulativas, é realizada pelo contribuinte por meio do Dacon, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses créditos, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados neste demonstrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2006 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Cofins, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As partes e peças adquiridas para manutenção de máquinas e equipamentos para que possam ser consideradas como insumos, assim permitindo a apropriação do crédito decorrente de suas aquisições, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 745 6 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE BENS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. Por disposição expressa em lei, o contribuinte não tem direito a créditos da Cofins não cumulativa sobre as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição; nos casos de isenção, somente quando os bens sejam revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. NÃO CUMULATIVIDADE. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CRÉDITO PRESUMIDO. No âmbito do regime não cumulativo da Cofins, a natureza do bem produzido pela empresa que desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A adoção do regime de competência na apuração da Cofins e dos correspondentes créditos da não cumulatividade decorre da legislação tributária, sendo, portanto, de observação obrigatória pelo contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (constante de arquivo em PDF sem numeração de páginas do processo físico) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) preliminarmente a conexão do presente processo com os processos que indeferiram os pedidos de restituição e compensações de PIS e COFINS que deveriam ser julgados em conjunto; b) que as glosas decorrentes da diferença entre DACON e memória de cálculo são improcedentes, haja vista que decorrem de equívoco por parte da Recorrente na elaboração das memórias de cálculo, além do fato de que a r. autoridade fiscal, ao realizar as glosas, não analisou detidamente as mercadorias glosadas e sua caracterização como insumo, para fins de possibilitar o creditamento; c) a nulidade da r. decisão da DRJ, sem análise dos esclarecimentos e a documentação acostada que justificariam as supostas divergências ou analisada a pela Recorrente no decorrer do processo; d) que a suposta a divergência entre as memórias de cálculo apresentadas e os DACON's decorrereria de simples erro na migração de dados Fl. 745DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 746 7 contábeis para planilhas, e que a comprovada regularidade da apropriação dos créditos do PIS e COFINS com base nos balancetes de verificação, torna insubsistentes os lançamentos e a r. decisão que os manteve; e) que as restrições ao creditamento das contribuições prenderseiam a uma indevida interpretação restritiva do conceito de insumos da atividade da Recorrente; f) depois de tecer considerações sobre as diferenças da não cumulatividade no IPI, ICMS e nas contribuições sociais sobre o faturamento e sua aproximação ao conceito de custo e despesas operacionais, que os referidos créditos se enquadrariam perfeitamente no conceito de insumos, na conceituação da legislação do PIS e da COFINS conforme reconhecido nas decisões de consulta e decisões da própria SRF e do Poder Judiciário que cita, g) que em sua impugnação já demonstrou que os CFOP's n° 1931 e 2931 correspondem a operações de serviços de transporte realizado de insumos adquiridos e das mercadorias industrializadas, e que as notas fiscais emitidas com o CFOP n° 1124 referemse a serviços de abate e processamento prestados pela empresa ARANTES ALIMENTOS LTDA., motivo pelo qual o creditamento nestas operações seria válido, eis que referem se a serviços de abate de aves e gado e processamento de carne destinada à exportação para oriente médio e conforme os requisitos do mercado internacional; h) relativamente a glosa dos fretes de produtos acabados, relativos às transferências realizadas entre os estabelecimentos da empresa em caminhões refrigerados são absolutamente imprescindíveis à atividade e à geração de receita da Recorrente, constituindose em verdadeiro insumo, motivo pelo qual devem ser julgadas improcedentes as glosas realizadas; i) no que toca ao material de embalagem (pallets, filme plástico, dentre outros) também consubstanciam insumos indispensáveis as operações e transportes das mercadorias industrializadas vez que os pallets são estruturas nos quais as mercadorias produzidas pela Recorrente são empilhadas e embaladas com filme plástico, viabilizando o seu transporte, o seu posicionamento nos caminhões ou mesmo nos contêineres, de modo a garantir a segurança do transporte e, sobretudo, para garantir a qualidade do produto final e portanto são insumos necessários para a venda do produto final e, portanto, para as atividades da empresa tal como reconhecido pela Jurisprudência; j) igualmente os serviços de carga, descarga e transbordo, de lavagem e higienação de uniformes/indumentárias, de inspeção sanitária e de armazenagem dos produtos, são indispensáveis à realização da atividade da Recorrente e necessários à geração de receita conferem direito a crédito; l) insumos importados, as partes e peças de reposição de máquinas destinadas à produção de alimentos, por serem importados com o recolhimento do PIS e da COFINS conferem direito a crédito; m) "bens adquiridos para a revenda" e "bens utilizados como insumos", adquiridos à alíquota zero também geram direito de crédito; n) que os créditos presumidos foram regulamente apropriados utilizando o percentual de 60%, nos termos do art. 8° § 3º, inc. I da Lei n° 10.925/2004; que os descontos incondicionados não se incluem na base de cálculo do PIS e da COFINS; o) a ilegalidade da exigência da multa punitiva da sucessora tributária. É o Relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui, na íntegra, o voto vencido disponibilizado pelo Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, que assim dispõe: Fl. 746DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 747 8 Submetido o processo a julgamento, na qualidade de relator original do presente processo, por me considerar devidamente esclarecido dos fatos, ousei divergir da d. Maioria, vez que meu voto adentrava ao exame de mérito da questão, razão pela qual restei vencido na diligência proposta pelo redator ora designado e acolhida pela C. Turma, que se mostrava contraditória com a própria fundamentação de meu voto de exame de mérito. Eis o voto que me coube redigir. Antonio Carlos Atulim VOTO VENCEDOR Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Redator Designado A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. A Autoridade Fiscal e a Delegacia de Julgamento partem da premissa de que para serem considerados insumos os itens devem ser aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do bem. Conceito parecido com o utilizado pelo Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979. Com base nesta premissa glosou insumos que entendia não se subsumirem a regra acima descrita. Neste contexto foram glosados diversos itens que nos termos da Instrução Normativa RFB nº 404, de 12 de março de 2004 não se enquadram ao conceito de insumo. Como é de conhecimentos de todos deste Colegiado, o conceito de insumo que admito e que entendo utilizado pelo Legislador na apuração de créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Por isso, entendo que em todo processo administrativo que envolver créditos referentes a nãocumulatividade do PIS ou da Cofins, deve ser analisado cada item relacionado como “insumos” e o seu envolvimento no processo produtivo, para então definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não se encontra em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à autoridade preparadora, para que seja esclarecida a participação de cada bem glosado pela Autoridade Fiscal que entendeu não se enquadrar no conceito de insumo, no processo produtivo da empresa, ainda como, que seja efetuado descritivo minucioso do referido processo, a fim de que sejam constatados o emprego dos referidos bens e direitos no processo produtivo, aquilatando sua participação em relação ao produto final. Ao efetuar estas constatações, peço que a autoridade preparadora elabore um parecer conclusivo que possibilite a identificar cada custo/despesa elencados, para fins de uma análise jurídica deste Colegiado, quanto à participação de cada bem ou direito no processo produtivo do contribuinte em questão. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 16349.000272/200955 Resolução nº 3402000.479 S3C4T2 Fl. 748 9 Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. É como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 748DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10872.720100/2015-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A hipótese falta de entrega da escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real, com base no art. 530. inciso III, por si só, é suficiente para ensejar o arbitramento.
Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal.
RESPONSABILIDADE. NÃO APLICAÇÃO. Para que haja a responsabilização nos termos dos artigos 124 e 135 do CTN é necessário que o auto de infração descreva especificamente a conduta que revele a hipótese descrita em tais dispositivos legais.
Numero da decisão: 1401-001.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte e DAR provimento ao recurso voluntário do responsável a Luiz Dias de Melo.
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 05/03/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A hipótese falta de entrega da escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real, com base no art. 530. inciso III, por si só, é suficiente para ensejar o arbitramento. Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. RESPONSABILIDADE. NÃO APLICAÇÃO. Para que haja a responsabilização nos termos dos artigos 124 e 135 do CTN é necessário que o auto de infração descreva especificamente a conduta que revele a hipótese descrita em tais dispositivos legais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10872.720100/2015-35
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700178
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1401-001.790
nome_arquivo_s : Decisao_10872720100201535.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LIVIA DE CARLI GERMANO
nome_arquivo_pdf_s : 10872720100201535_5700178.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte e DAR provimento ao recurso voluntário do responsável a Luiz Dias de Melo. ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 05/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2017
id : 6688437
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946839912448
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1690; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 748 1 747 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10872.720100/201535 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.790 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de fevereiro de 2017 Matéria Lucro arbitrado Recorrente Rio Recibras Comercio de Metais Reciclaveis Ltda. e Outro Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A hipótese falta de entrega da escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real, com base no art. 530. inciso III, por si só, é suficiente para ensejar o arbitramento. Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. RESPONSABILIDADE. NÃO APLICAÇÃO. Para que haja a responsabilização nos termos dos artigos 124 e 135 do CTN é necessário que o auto de infração descreva especificamente a conduta que revele a hipótese descrita em tais dispositivos legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte e DAR provimento ao recurso voluntário do responsável a Luiz Dias de Melo. ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 01 00 /2 01 5- 35 Fl. 748DF CARF MF 2 LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 05/03/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO BEZERRA NETO (Presidente), LIVIA DE CARLI GERMANO, LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN, GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES, LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA, ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO, AURORA TOMAZINI DE CARVALHO. Relatório Tratase de autos de infração para cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS em vista da alegada omissão de receitas (art. 530, III, do RIR/99), com multa de 75%, tendo ainda sido caracterizada a responsabilidade do sóciogerente Luiz Dias de Melo com base nos artigos 124, I e 135, III do CTN. Os autos de infração de efls. 120158, datado de julho de 2015, assim descrevem os motivos para o arbitramento efetuado com base nas notas fiscais eletrônicas de vendas emitidas pela contribuinte: A empresa apresentou impugnação tempestiva, a qual foi assinada pelo responsável Luiz Dias de Melo, que não apresentou peça impugnatória própria, mas cujas razões de defesa constaram da peça apresentada em nome da contribuinte. Em 21 de junho de 2016 a DRJ/BHE julgou improcedente a impugnação apresentada, em acórdão assim ementado: Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10872.720100/201535 Acórdão n.º 1401001.790 S1C4T1 Fl. 749 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 RESPONSABILIZAÇÃO TRIBUTÁRIA. DISSOLUÇÃO IRREGULAR. Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixa de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, comercial e tributário, cabendo a responsabilização do sóciogerente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 PRELIMINAR DE NULIDADE. A nulidade só se impõe ao ato administrativo praticado com afronta a princípios e normas legais ligadas a questões externas ao mérito da relação jurídicotributária. REVISÃO DE OFÍCIO DEPOIS DE APRESENTADA IMPUGNAÇÃO. Não há falar em revisão de lançamento por iniciativa de ofício da autoridade administrativa após a apresentação da impugnação, quando a matéria já esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo, ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A iniciativa de ofício para efetuar a revisão do lançamento é da unidade da RFB na qual foi formalizada a exigência, sendo impróprio que seja requerida da DRJ pelo impugnante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL (ECD). VALIDADE. FALTA DE AUTENTICAÇÃO A ECD será considerada válida após a confirmação de recebimento do arquivo que a contém e após a autenticação pelos órgãos de registro. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto devido trimestralmente no decorrer do ano calendário será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. DECORRÊNCIA. O decidido para o lançamento de IRPJ se estende aos demais lançamentos com os quais compartilhe o mesmo fundamento de fato, não havendo outras razões de ordem jurídica que lhes determinem tratamento diverso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 REGIME DE INCIDÊNCIA CUMULATIVA. PESSOAS JURÍDICAS TRIBUTADAS PELO LUCRO ARBITRADO. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado se sujeitam à incidência cumulativa e apuram o PIS e a Cofins com base na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 REGIME DE INCIDÊNCIA CUMULATIVA. PESSOAS JURÍDICAS TRIBUTADAS PELO LUCRO ARBITRADO. As pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado se sujeitam à incidência cumulativa e apuram o PIS e a Cofins com base na Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 6 de julho de 2016, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 3 de agosto de 2016. Não obstante o acórdão tenha determinado expressamente que fosse dada ciência tanto à Rio Recibras Comércio de Metais Recicláveis Ltda. quanto ao responsável Luiz Dias de Melo, não constou dos autos AR intimando este último e este não apresentou peça recursal. Por tal motivo, em 7 de outubro de 2016 converti o julgamento em diligência para que fosse dada ciência do acórdão 0269.086, de 21 de junho de 2016, ao responsável. Fl. 750DF CARF MF 4 Intimado em 9 de dezembro de 2016 (uma sextafeira), o responsável apresentou recurso voluntário em 9 de janeiro de 2017. Os recursos voluntários apresentados pela contribuinte e pelo responsável têm teor substancialmente semelhante e sustentam, em síntese: a) Ilegitimidade passiva do responsável Luiz Dias de Melo: Alega que, de fato, o CNPJ da Rio Recibras foi declarado inapto por não ter sido localizada pela Fiscalização em seu estabelecimento e que isso configuraria, em tese, dissolução irregular da sociedade, porém a empresa de forma alguma foi dissolvida irregularmente. Na verdade, a Rio Recibras se encontra em recuperação judicial, deferida pelo Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital – RJ, nos autos do Processo nº 0039961 28.2009.8.19.0001, conforme documentação acostada aos autos. Destaca, ainda, que em 12/12/2016, a empresa ajuizou a Ação Anulatória nº 042416922.2016.8.19.0001, em trâmite perante a 2ª Vara de Fazenda Pública da Comarca da Capital, objetivando o restabelecimento de sua Inscrição Estadual, suspensa pelo fisco do Estado do Rio de Janeiro supostamente por inexistência de fato, ocasião em que foi deferido o pedido de tutela antecipada, determinandose ao Estado do Rio de Janeiro que reative imediatamente a inscrição estadual da Empresa. A decisão destaca, ainda (efls. 658659): "A documentação acostada à inicial permite entrever com razoável probabilidade a existência do direito vindicado, conquanto em todas as bases cadastrais oficiais consta como endereço da sede da empresa a Rua Atilio Parim, nº. 87, Jardim América, não se justificando a diligência realizada pela fiscalização em endereço diverso, levando em conta ainda a verificação realizado in loco objeto de ato registral dotado de fé pública. Considero também presente o requisito do periculum in mora uma vez que o autor encontrase em recuperação judicial, cabendo registrar que o prejuízo para o autor será maior, quiçá irreparável em caso de indeferimento da medida, inexistindo, a priori, risco reverso para o réu. Assim, concedo a tutela provisória de urgência e determino o restabelecimento da Inscrição Estadual da autora a fim de que possa continuar exercendo suas atividades. empresariais. Assino o prazo de 10 dias para cumprimento, sob pena de multa diária no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais)." *Sobre a questão da diligência realizada em endereço diverso mencionada na decisão: consta a efls. 89 o Termo de constatação fiscal de 22/09/2014, com o seguinte teor: Foi também juntada aos recursos apresentados a vistoria realizada pelo Escrevente do 15º Ofício de Notas, Sr. Luiz Fábio Neder, no estabelecimento da Rio Recibras Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10872.720100/201535 Acórdão n.º 1401001.790 S1C4T1 Fl. 750 5 (Rua Atilio Parim, 87, Jardim América, Rio de JaneiroRJ), consubstanciada através de Ata Notarial (instrumento dotado de fépública, conforme dispõe o artigo 3º da Lei Federal 8.935/94), a qual corroboraria que a empresa de fato existe. Caso assim não se entenda, o que se admite apenas a título de argumentação, pugna o Recorrente que seja determinada a baixa dos autos para diligência, a fim de que a Fiscalização compareça ao estabelecimento da Rio Recibras a fim de comprovar não ter havido dissolução irregular da sociedade. b) Inaplicabilidade do art. 124 do CTN ao caso concreto: sustenta que inexiste interesse comum (interesse jurídico convergente), além do que só deve ser imputada a solidariedade àqueles que tenham praticado diretamente o fato gerador do tributo. c) Excepcionalidade do lançamento por arbitramento: afirma que arbitramento é hipótese excepcional da utilização de presunções/ficções no Direito Administrativo Tributário, uma vez que a atividade da Administração Tributária, no exercício do lançamento e no processo administrativo que venha a sobejarlhe, é pautada justamente pelo princípio da verdade material. d) Impossibilidade de arbitramento do lucro no caso concreto Aduz que a fiscalização tinha acesso às suas informações fiscais, sendo certo tratarse de claro descumprimento de obrigação acessória, motivo pelo qual deveria ter sido lavrada a multa decorrente a essa infração cometida. Ademais, sustenta que, não obstante a DIPJ 2012 tenha sido enviada “zerada”, a empresa respondeu à fiscalização que apresentou a declaração dessa maneira ante a necessidade de entrega de ECD através do SPEDContábil, momento em que retificaria a DIPJ, sendo que o SPEDContábil foi tempestivamente transmitido no dia 29/06/2012, em período anterior à instauração do Procedimento Fiscal que resultou na presente autuação (o termo de início da ação fiscal data de 17/12/2013 cf. efls. 2). Afirma, ainda, que o argumento utilizado pela Turma Julgadora para não ter reconhecido a ECD transmitida se deu apenas pela documentação não ter sido autenticada, tendo em vista que a JUCERJA notificou a Rio Recibras para o cumprimento das exigências relacionadas à documentação entregue. Além disso, alega que a Turma Julgadora mencionou a prática de omissão de receitas de maneira completamente equivocada, pois muito embora a empresa tenha obtido receitas ela não recolheu DARF no período por ter apurado no período prejuízo fiscal e saldo credor de PIS/Cofins, conforme documentos acostados à impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Os recursos voluntários são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto deles tomo conhecimento. Fl. 752DF CARF MF 6 O arbitramento do lucro da Recorrente fundamentouse no art. 530, III, do RIR/99, que assim dispõe: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; O dispositivo legal considera que a não apresentação dos livros comerciais obrigatórios e auxiliares e os livros fiscais, onde se acham transcritas as operações da empresa, implica a impossibilidade do conhecimento e da apuração da receita e/ou despesa da atividade, impedindo, portanto, a apuração do lucro real ou do lucro presumido. Em situações como esta o arbitramento é medida de salvaguarda do crédito tributário, não cabendo ao fiscal autuante permanecer à espera de que o contribuinte cumpra suas obrigações fiscais intempestivamente, apenas quando lhe seja conveniente. Em relação ao seu argumento de que arbitramento é uma medida extrema, partilho do entendimento de que o procedimento deva ser utilizado com parcimônia, principalmente naqueles casos em que a lei, apesar de delimitar objetivamente as situações que ensejariam o arbitramento, deixa margem a alguma subjetividade, como ocorre com a hipótese de “escrituração imprestável”. Todavia, no caso concreto, não há margem para subjetividade, não se aplicando ao caso esse argumento de que foi utilizada medida extrema. De fato, a hipótese de arbitramento por falta de entrega dos livros contábeis é fechada e objetiva, não comportando margem a dúvidas já que, por si só, dá conta da necessidade da medida. No caso, o procedimento fiscal tem como data de início 23 de dezembro de 2013. Nesta primeira oportunidade, foram solicitados documentos e explicações, em especial a razão de a DIPJ do anocalendário 2011 ter sido apresentada zerada, apesar de constar do SPED NFe (emissor) que a empresa emitiu notas fiscais de vendas em valor superior a R$120 milhões. Em 5 de março de 2014 o sócio Luiz Dias Melo foi pessoalmente intimado desta mesma solicitação, quando então apresenta a resposta com o seguinte conteúdo: Em 22 de setembro de 2014 foi lavrado o Termo de Constatação Fiscal de e fls. 89, no seguinte teor: Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10872.720100/201535 Acórdão n.º 1401001.790 S1C4T1 Fl. 751 7 A inaptidão da pessoa jurídica foi declarada por edital publicado em 23 de março de 2015, "em razão de não ter sido localizada no endereço constante do referido cadastro". Em 17 de junho de 2015 novamente a empresa foi intimada a justificar o motido para a apresentação da DIPJ 2012 zerada, uma vez que constam do SPED NFe (emissor) notas fiscais de vendas em valor superior a R$ 120 milhões. Nesta ocasião, a contribuinte apresentou resposta nos seguintes termos: Em 22 de junho de 2015 a empresa foi novamente intimada a "apresentar a DIPJ 2012" e a "atender as exigências para a entrega do SPED contábil, a fim de que seja regularizada a sua entrega". Não consta dos autos resposta a tal intimação. Notese o cenário em que foi lavrado o auto de infração ora em discussão: a fiscalização aguardou por pelo menos 18 meses (da primeira intimação em dezembro de 2013 até a última em junho de 2015) que a contribuinte regularizasse a sua situação, concedendo prazo mais do que suficiente para a empresa apresentasse a documentação solicitada, consubstanciada por livros de escrituração obrigatória referentes ao anocalendário de 2011. A empresa atendeu às intimações de maneira não suficiente, sem que tenha havido qualquer justificativa razoável. Fato é que, não obstante a empresa tenha apurado receita de vendas de mercadorias no anocalendário de 2011, até 2015 não tinha havido qualquer recolhimento de tributos tampouco a devida apresentação, por meios oficiais (e não em "pen drive") dos livros fiscais e contábeis que respaldassem a inexistência de tributos devidos (pela apuração de prejuízo fiscal, de base negativa de CSLL e de saldos credores de PIS e COFINS). Fl. 754DF CARF MF 8 Dessa maneira, não resta dúvida sobre a adequação da metodologia empregada pela autoridade autuante quando do arbitramento do lucro para fins de apuração dos tributos cobrados, pois durante o procedimento fiscal, mesmo reiteradamente intimada para tanto, a Recorrente não apresentou a documentação solicitada. O fato de a recorrente apresentar, em sede de impugnação, (i) um LALUR (e fls. 271271), (ii) a DACON referente a 2011 transmitida em 16/01/2014; e (iii) o recibo de entrega de escrituração contábil digital transmitido em 29/06/2012, não é suficiente para desconstituir o lançamento tributário pelo regime do lucro arbitrado pois, diante da ausência de atendimento às intimações para apresentação dos documentos durante o procedimento fiscal, não cabia à autoridade autuante agir de maneira distinta. Este entendimento encontrase pacificado neste Conselho em vista do enunciado da Súmula CARF n.º 59, transcrita abaixo: Súmula CARF nº 59: A tributação do lucro na sistemática do lucro arbitrado não é invalidada pela apresentação, posterior ao lançamento, de livros e documentos imprescindíveis para a apuração do crédito tributário que, após regular intimação, deixaram de ser exibidos durante o procedimento fiscal. Correto, portanto, o arbitramento do lucro da recorrente diante ausência de apresentação dos livros contábeis e fiscais durante o procedimento fiscal. Quanto à responsabilidade solidária, todavia, entendo que assiste razão ao Recorrente. De fato, para que haja a responsabilização solidária do artigo 124 do CTN ou a pessoal do artigo 135 do mesmo diploma, é necessário que o auto de infração descreva especificamente a conduta que revele a hipótese descrita em tais dispositivos legais, o que não existiu no caso em questão. Pelo contrário, ao descrever a sujeição passiva, o Termo endereçado a Luiz Dias de Melo aponta a acusação ao outro sócio da empresa, Luiz Claudio Cardoso Rodrigues, que sequer foi pessoalmente intimado de qualquer termo de responsabilidade. Vejase o conteúdo de efls. 124, 137 e 152: Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte e de dar provimento ao recurso voluntário do responsável Luiz Dias de Melo. Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10872.720100/201535 Acórdão n.º 1401001.790 S1C4T1 Fl. 752 9 Fl. 756DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10972.000193/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005
QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO
O STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da LC 105/2001, razão porque se faz obrigatória a aplicação deste entendimento pelos membros do CARF, em virtude do comando determinado no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE RENDA.
Em nenhum momento foi juntada aos autos documentação capaz de afastar a presunção relativa com a efetiva comprovação da origem dos créditos efetuados em contas bancárias. O contribuinte, em seu Recurso Voluntário, expõe apenas argumentação genérica se contrapondo à norma estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não cabendo a este colegiado o pronunciamento concernente às desconformidades da lei tributária frente à Constituição Federal, conforme Súmula CARF nº 02. Correta a aplicação da multa de ofício e da taxa SELIC
Numero da decisão: 2401-004.629
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO O STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da LC 105/2001, razão porque se faz obrigatória a aplicação deste entendimento pelos membros do CARF, em virtude do comando determinado no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE RENDA. Em nenhum momento foi juntada aos autos documentação capaz de afastar a presunção relativa com a efetiva comprovação da origem dos créditos efetuados em contas bancárias. O contribuinte, em seu Recurso Voluntário, expõe apenas argumentação genérica se contrapondo à norma estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não cabendo a este colegiado o pronunciamento concernente às desconformidades da lei tributária frente à Constituição Federal, conforme Súmula CARF nº 02. Correta a aplicação da multa de ofício e da taxa SELIC
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10972.000193/2008-21
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5704165
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.629
nome_arquivo_s : Decisao_10972000193200821.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10972000193200821_5704165.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 14 00:00:00 UTC 2017
id : 6694992
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946848301056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1603; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 996 1 995 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10972.000193/200821 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.629 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de março de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente HAIG HOVSEPIAN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO O STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da LC 105/2001, razão porque se faz obrigatória a aplicação deste entendimento pelos membros do CARF, em virtude do comando determinado no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE RENDA. Em nenhum momento foi juntada aos autos documentação capaz de afastar a presunção relativa com a efetiva comprovação da origem dos créditos efetuados em contas bancárias. O contribuinte, em seu Recurso Voluntário, expõe apenas argumentação genérica se contrapondo à norma estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não cabendo a este colegiado o pronunciamento concernente às desconformidades da lei tributária frente à Constituição Federal, conforme Súmula CARF nº 02. Correta a aplicação da multa de ofício e da taxa SELIC Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 2. 00 01 93 /2 00 8- 21 Fl. 996DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Marcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 997DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Acórdão n.º 2401004.629 S2C4T1 Fl. 997 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Juiz de Fora (MG) DRJ/JFA, que por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento formalizado pelo Auto de Infração de fls. 03/06, para exigir o pagamento do imposto de renda, conforme ementa do Acórdão nº 0922.726 (fls. 579/586): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo. INTIMAÇÕES NO ESCRITÓRIO DO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. No processo administrativo fiscal, a ciência dos atos processuais se dá na forma estabelecida no Decreto n° 70.235/72, devendo, no caso de utilizada a via postal, ocorrer no domicílio tributário do sujeito passivo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a legislação autoriza a presunção de omissão com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2004, 2005 LANÇAMENTO DE OFÍCIO MORA. MULTA. JUROS DE MORA. A aplicação da multa proporcional e dos juros de mora, com base na taxa Selic, revela a plena obediência da autoridade lançadora à legislação tributária vigente, sendo indevidas as alegações passivas acerca de “confisco”, uma vez que realizada Fl. 998DF CARF MF 4 a exação dentro do princípio da legalidade que rege a atividade do lançamento. Lançamento Procedente O presente processo teve sua origem no Auto de Infração de fls. 02/05 lavrado em nome do Contribuinte, com sua ciência em 08/12/2008 (AR à fl. 541), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, exercícios 2004 e 2005, anoscalendário 2003 e 2004, sendo apurados o valor total de crédito tributário de R$ 10.641.153,09, distribuído da seguinte forma: · IRPF....................................................................R$ 4.634.346,52 · Multa de Oficio 75% (passível de redução).....R$ 3.475.759,88 · Juros de Mora calculados até 11/2008..............R$ 2.531.046,69 De acordo com Relatório da Ação Fiscal (fls. 07/48) o lançamento foi motivado pela constatação de: (i) omissão na Declaração de Ajuste Anual DAA do Contribuinte de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições de previdência privada em abril de 2003, no valor de R$ 14.662,99, apurada na análise da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF apresentada por BRADESCO VIDA E PREVIDÊNCIA S/A; (ii) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários em 2003 e 2004 com origem não comprovada, após ter sido o contribuinte regularmente intimado a apresentála. A fiscalização teve origem em ação fiscal realizada na contribuinte BRUNA GONÇALVES DE SOUSA, CPF n° 064.996.36606, que apresentou em 2003 incompatibilidade entre a elevada movimentação financeira e a ausência de rendimentos informados. Regularmente intimada, BRUNA identificou como responsável pelo montante movimentado HAIG HOVSEPIAN, com quem mantinha conta conjunta, que ratificou a informação, o que ocasionou a execução do procedimento fiscal que originou o presente lançamento. O TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO (fls. 182/184) foi lavrado em 30/03/2007, com ciência do Contribuinte em 02/04/2007 (AR à fl. 185), e nele o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos movimentados e a informar sua atividade profissional, assim como sua correlação com as operações bancárias, além dos extratos bancários de todas as instituições financeiras nas quais efetuou movimentação nos anos de 2003 e 2004. O Contribuinte não atendeu às solicitações feitas no TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO (fls. 182/184), e nem as feitas nos TERMOS DE INTIMAÇÃO FISCAL emitidos respectivamente em 15/02/2008 (fls. 314/315), com ciência em 19/02/2008 (AR à fl. 377), e em 14/03/2008 (fls. 399/400), com ciência em 20/03/2008 (AR à fl. 401), deixando de comprovar a origem dos recursos que constaram em seus extratos bancários, limitandose a informar que toda a movimentação efetuada nas contas em que figura como um dos titulares é de sua responsabilidade. Em face da existência das cotitulares Márcia Lombardi Hovsepian, CPF 696.943.03672, e Maria Zita de Sousa, CPF 082.498.81672 (item 21 do Relatório da Ação Fiscal – fl. 10), foram expedidos Mandados de Procedimento Fiscal de Diligência, sendo tais contribuintes intimadas, em 20/03/2008, a identificar os recursos creditados/depositados a elas pertencentes e a comprovar sua origem, assim como a informar a existência de operações e Fl. 999DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Acórdão n.º 2401004.629 S2C4T1 Fl. 998 5 vínculos de natureza comercial, empresarial ou trabalhista, discriminandoos, deixando, no entanto, de comprovar a origem dos recursos que constaram em seus extratos bancários (fls. 409/480). Através dos extratos bancários e dos documentos recebidos dos bancos Caixa Econômica Federal, Bradesco e BCN, solicitados por meio de Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, a Fiscalização consolidou os valores depositados mensalmente nas contas bancárias sem comprovação de sua origem, considerando os valores levantado nas planilhas de fls. 15 a 75 e os declarados pelo Contribuinte em suas DAA de 2003 e 2004. O procedimento fiscal chegou a ser paralisado algumas vezes em razão de liminares e sentenças exaradas nos Mandados de Segurança MS n° 2006.38.02.0054265 (fls. 156/163) e 2008.38.02.0011842 (fls. 484/488), sendo tais decisões suspensas pelo TRF da 1ª Região em 02/12/2008 (fl. 512/523). O TERMO DE ENCERRAMENTO (fl. 540) foi lavrado em 05/12/2008. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração (AR à fl. 541) em 08/12/2008 e, em 23/12/2008, apresentou sua impugnação (fls. 543/573), alegando em síntese o seguinte: 1. A improcedência do lançamento deve ser reconhecida pelo fato de o mesmo basearse exclusivamente em movimentação bancária, sem provas suplementares válidas da existência de renda tributável, aduzindo que nem tudo que passava pela conta bancária configurava renda; 2. Assevera, através de vasta argumentação, que para indício se tornar presunção válida necessita obrigatoriamente de uma prova que o consubstancie, o que não ocorreu no caso em tela; 3. Rebate a multa de ofício aplicada no percentual de 75%, que seria desproporcional, infringindo o princípio constitucional da proibição de aplicação de tributo com efeito confiscatório, devendo a mesma ser reduzida para o patamar de 20%. 4. Argumenta ser inaplicável a taxa Selic para fins de cálculo dos juros de mora tributários, contrariando o Código Tributário Nacional e a Constituição Federal, que proíbem a cobrança de taxas de juros superiores a 12% ao ano. Finaliza sua impugnação requerendo a improcedência do Auto de Infração, bem como da multa e dos juros. Alternativamente, requer que seja revisto o lançamento realizado com base apenas na movimentação bancária, e não tendo como base o fato gerador do IR, bem como a redução da multa para o patamar de 20%, além da redução dos juros de mora. Por fim, requer que todas as intimações sejam feitas em nome dos procuradores e enviadas a seu endereço. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 6ª Turma da DRJ/JFA considerou como não litigiosa a parcela de R$ 4.032,32 (quatro mil, trinta e dois reais Fl. 1000DF CARF MF 6 e trinta e dois centavos) acrescida de multa de 75% e juros de mora; considerou como parcela litigiosa o valor de R$ 4.630.314,20 (quatro milhões, seiscentos e trinta mil, trezentos e quatorze reais e vinte centavos), sujeita à multa de oficio de 75% e aos juros de mora devidos na data do efetivo recolhimento; e decidiu, por unanimidade, considerar PROCEDENTE o lançamento consubstanciado no Auto de Infração de fls. 03/06, observandose a cobrança imediata relativa à parcela não impugnada do lançamento, conforme discriminado no Acórdão. O Contribuinte foi notificado do Acórdão de nº 0922.726 (fls. 579/586) em 23/04/2009 (AR à fl. 589) e, em 11/05/2009, inconformado com o teor da decisão proferida pela DRJ/JFA, apresentou Recurso Voluntário (fls. 590/622), onde repete todos os argumentos da impugnação e: 1. Diz que o art. 42 da Lei nº 9.430/96 para a caracterização da omissão de rendimentos, no entanto, a presunção não pode ser resultado da iniciativa criativa do legislador, deve ser apoiada e comprovada por fatos a serem considerados; 2. Assevera que o lançamento não pode basearse exclusivamente em movimentação bancária, sem provas suplementares válidas da existência de renda tributável, aduzindo que nem tudo que passava pela conta bancária configurava renda; 3. Aduz, que para indício se tornar presunção válida necessita obrigatoriamente de prova que o consubstancie, o que não ocorreu no caso em tela; 4. Rebate a multa de ofício aplicada no percentual de 75%, que seria desproporcional, infringindo o princípio constitucional da proibição de aplicação de tributo com efeito confiscatório, devendo a mesma ser reduzida para o patamar de 20%. 5. Argumenta ser inaplicável a taxa Selic para fins de cálculo dos juros de mora tributários, contrariando o Código Tributário Nacional e a Constituição Federal, que proíbem a cobrança de taxas de juros superiores a 12% ao ano; Finaliza seu Recurso Voluntário pedindo revisão do acórdão atacado, a fim de que seja julgado improcedente o Auto de Infração e, consequentemente, improcedente também a multa e os juros moratórios. Alternativamente, requer que seja revisto o lançamento realizado que teve como base a movimentação bancária e não o efetivo fato gerador do IR, bem como a redução da multa para o patamar de 20%, e a redução dos juros de mora. Em 23/01/2013 a 2ª Turma da 2ª Câmara do CARF, no Acórdão nº 2202 000.433, resolveram por unanimidade sobrestar o julgamento, por força do enquadramento do presente caso no art. 62A, §§, do Anexo II, do RICARF, ao tratar de matéria em debate no STF no rito de repercussão geral relativa ao art. 6º da Lei Complementar 105/2001. Após o pronunciamento do STF em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da LC 105/2001, o presente processo foi novamente distribuído para julgamento. É o relatório. Fl. 1001DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Acórdão n.º 2401004.629 S2C4T1 Fl. 999 7 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito Inicialmente, quanto a alegação contida no bojo da peça recursal relativa à quebra do sigilo bancário, imperioso se faz destacar que o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da LC 105/2001, razão porque se faz obrigatória a aplicação deste entendimento pelos membros do CARF, em virtude do comando determinado no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores. Conforme se verifica do Relatório, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento do Auto de Infração à epígrafe com vista à constituição de crédito de IRPF relativo aos anos calendário 2003 e 2004, em face da verificação de omissão de rendimentos recebidos à título de resgate de previdência privada e omissão de rendimentos decorrentes de depósito bancário de origem não comprovada. Quanto ao lançamento relativo à omissão de rendimentos recebidos à título de resgate de previdência, considerase não impugnado, não se instaurando a fase litigiosa quanto à exigência da referida parcela. Em suas razões recursais, alega o contribuinte que o lançamento de ofício encontrase eivado de vícios na medida em que o recorrente não auferiu renda, mas tão somente movimentou a sua conta bancária, o que não enseja a tributação do Imposto de Renda, e que a presunção adotada fundamentouse em fatos irreais, pois não ocorreu a disponibilidade econômica adquirida pelo contribuinte. A despeito dos depósitos bancários de origem não comprovada, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de receita caracterizada em virtude da existência de depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a sua origem, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, senão vejamos o que determina a Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação Fl. 1002DF CARF MF 8 hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendose, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Tratase, assim, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao contribuinte trazer os elementos probatórios inequívocos que permita a identificação da origem dos recursos. No âmbito do Superior Tribunal de Justiça verificase que foi reconhecida a legalidade do lançamento do imposto de renda com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo a Corte assentado entendimento de que cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida (AgRg no REsp 1.467.230/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28.10.2014; AgRg no AREsp 81.279/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 21.3.2012). Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, tanto que referida matéria encontrase pacificada no âmbito do CARF através da Súmula nº 26: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como se vê, in casu, para a caracterização da omissão necessário se faz a intimação do contribuinte para que efetue a comprovação da origem dos recursos considerados não justificados, a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Compulsando os autos, verifico que ocorreu a efetiva intimação dos cotitulares das contas (fls. 81, 91,185, 287, 305, 307, 309, 311, 313, 401, 406, 408, 426, 462, 541), objetivando a comprovação da origem dos créditos em relação aos depósitos constantes de forma individualizada às fls. 15/75, restando, assim, o procedimento fiscal em consonância com a legislação de regência. Fl. 1003DF CARF MF Processo nº 10972.000193/200821 Acórdão n.º 2401004.629 S2C4T1 Fl. 1000 9 No entanto, em nenhum momento foi juntada aos autos qualquer documentação, ou aduzido qualquer argumento, capaz de afastar a presunção relativa com a efetiva comprovação da origem dos créditos efetuados em contas bancárias. O contribuinte, em seu Recurso Voluntário, expõe apenas argumentação genérica se contrapondo à norma estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, não cabendo a este colegiado o pronunciamento concernente às desconformidades da lei tributária frente à Constituição Federal, conforme Súmula CARF nº 02 que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, verificase de forma clara a ausência de documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a origem dos depósitos bancários identificados no lançamento, consubstanciando improfícua a mera argumentação de que referidos depósitos não constituem acréscimo patrimonial. No que concerne à alegação de confisco em face da aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento), bem como o inconformismo quanto à aplicação da taxa de juros SELIC, há de se destacar que a autoridade administrativa procedeu de acordo com o que determina os artigos 44, I e 61, § 3º, I, da Lei nº 9.430/96, e, da mesma forma, não cabe o pronunciamento deste colegiado acerca da inconstitucionalidade alegada (Súmula CARF nº 02). Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1004DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.929135/2009-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.512
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201612
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11080.929135/2009-79
anomes_publicacao_s : 201703
conteudo_id_s : 5700449
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.512
nome_arquivo_s : Decisao_11080929135200979.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11080929135200979_5700449.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2016
id : 6688708
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:57:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946874515456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1734; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11080.929135/200979 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.512 – 3ª Turma Sessão de 07 de dezembro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES. PREÇO PREDETERMINADO. CORREÇÃO. IGPM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA CEEEGT ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. ÍNDICE DE REAJUSTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Incumbe à empresa postulante à manutenção na sistemática cumulativa da contribuição a demonstração de que o índice empregado cumpre os requisitos legais, expressamente a de que a variação dos custos efetivamente ocorrida seria igual ou superior à praticada com base no índice contratualmente definido. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 91 35 /2 00 9- 79 Fl. 880DF CARF MF Processo nº 11080.929135/200979 Acórdão n.º 9303004.512 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3803005.957, que julgou o recurso voluntário interposto pela contribuinte contra a não homologação de compensação declarada (PER/DCOMP). A compensação está lastreada em crédito oriundo de pagamento de contribuição supostamente efetuado a maior, em razão de apuração efetuada na sistemática nãocumulativa. O colegiado a quo entendeu, em síntese, que a correção dos preços pelo IGP M não descaracteriza a natureza de preço predeterminado para os efeitos da tributação pelas contribuições cumulativas, incidentes sobre contratos de longo prazo firmados antes de 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº10.833/2003. Com esse entendimento, ficou caracterizado o pagamento a maior em razão da apuração da contribuição na sistemática não cumulativa. Para comprovar a divergência de interpretação necessária ao conhecimento do seu recurso, a Fazenda Nacional aponta decisões que enfrentaram exatamente a mesma situação mesmo setor econômico, mesmo índice em discussão e concluíram de modo antagônico. Após, sobrevieram contrarrazões em que o sujeito passivo defende o acerto da decisão questionada e pugna pela sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.467, de 07/12/2016, proferido no julgamento do processo 11080.909061/201179, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.467): O recurso cumpre os requisitos regimentais para que seja apreciado; dele conheço. Começo com o registro de que concordo com quase todos os fundamentos da decisão recorrida, da lavra do douto e coerente ex Fl. 881DF CARF MF Processo nº 11080.929135/200979 Acórdão n.º 9303004.512 CSRFT3 Fl. 4 3 membro desta casa, o dr. Belchior Melo de Souza. De fato, apenas discordo dele quando vislumbra diferença semântica relevante entre as locuções presentes na lei ("reajuste em função de ...") e no ato normativo que buscou regulamentar o assunto ("reajuste em percentual ... "). Para mim, nenhuma diferença há aí: reajuste "em função de" quer dizer exatamente "aplicando o percentual previsto no" índice. O que se tem de ver é se o índice cumpre os requisitos da lei, isto é, refletir "a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do §1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995". É que, como já reiteradamente transcrito, a norma que temos de aplicar autoriza a adoção de dois critérios alternativos e mutuamente excludentes para fixação do reajuste do preço: pode ele expressar a variação dos custos ou se basear em índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Por "variação dos custos", entendo eu, quer o ato legal se referir à variação efetivamente ocorrida e devidamente apurada pela empresa em sua escrita contábil. Já o índice que se empregue pode, em princípio, ser qualquer um objeto do acordo celebrado com o cliente, mas não pode superar a efetiva variação dos custos. A meu sentir, a norma sob análise decorre das especificidades do setor em discussão. Como é bem sabido, tratase de uma atividade essencialmente monopolizada, na qual prestador e tomador acordam condições que prevalecerão por períodos de tempo bastante longos. Nesses casos, inexistente um "mercado fixador", o preço é contratualmente definido, especificando o contrato também a forma de reajuste que o preserve dos efeitos inflacionários. Outra especificidade do setor diz com o elevado aporte de capital necessário a sua exploração, o que o fez, até há duas décadas, exclusivamente estatal. A privatização do setor, ocorrida nos idos dos anos 90 do século passado, exigia, por isso, que se garantisse (até onde possível) uma remuneração ao capital privado suficiente a estimular o seu ingresso. E na fixação desse percentual, obviamente, um fator essencial é a "margem de contribuição", no dizer dos contabilistas, ou o markup, na dos economistas: em ambos as acepções, a diferença entre o preço e o custo (unitário, na primeira; marginal, na segunda). E tal diferença, sabidamente, é influenciada pela tributação que incida sobre o setor. É por isso que o legislador, a meu ver acertadamente, previu que o reajuste do preço em percentual "compatível" com a variação efetiva dos custos, por si só, não afetaria a forma de tributação pelas contribuições PIS e COFINS que vigia quando os contratos foram assinados. A rigor, tal regra limitaria a correção dos preços à efetiva variação ocorrida nos custos, mas o legislador a ampliou ao deferir que fosse usado índice, desde que ele refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. É importante aqui considerar, como minudentemente feito no voto do dr. Belchior, a diferença entre reajuste, recomposição e repactuação. Citoo: Fl. 882DF CARF MF Processo nº 11080.929135/200979 Acórdão n.º 9303004.512 CSRFT3 Fl. 5 4 Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho1 define o que vêm a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômico financeira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 19972. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Novamente, em nada posso divergir dessa conceituação, mas tampouco posso concordar com a conclusão que dela extrai meu celebrado colega: para mim, a possibilidade de o contrato estabelecer cláusula de alteração em consequência de mudança tributária que venha a afetar o preço, implementada posteriormente à assinatura do contrato, está exatamente a validar o meu entendimento. É que ela seria totalmente desnecessária (ao menos no tocante às contribuições em tela) se fosse possível mantêlo no regime cumulativo pela aplicação de qualquer índice contratual, pois, nesse caso, nunca haveria impacto tributário do reajuste. Penso que, ao contrário, ela pode se dar (caso a correção pelo índice leve à tributação não cumulativa) o que atrai o procedimento de recomposição. Divirjo, portanto, dos que entendem (como parece ser a conclusão da decisão recorrida) que a autorização legal esteja a permitir que a 1 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 2 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 11080.929135/200979 Acórdão n.º 9303004.512 CSRFT3 Fl. 6 5 empresa adote um determinado índice e não mais precise averiguar se ele é inferior ou superior à efetiva variação dos seus custos. É óbvio que se for inferior, não estará autorizada a deixar de aplicar o índice contratualmente previsto para reajuste. Aplicamse, nesse caso, as disposições contratuais relativas à recomposição e/ou repactuação, conforme didaticamente exposto pelo dr. Belchior em seu voto. O que isso não implica, porém, é que, em qualquer caso, mantém se o regime cumulativo, pois não é isso o que diz o ato legal. Necessário, pois, provar. Quando se trata de lançamento de ofício, essa prova, a meu sentir, há de ser exigida e desconstituída fundamentadamente pela fiscalização para que possa ser mantido o lançamento. Já nos casos, como o presente, em que é a própria empresa quem postula administrativamente a sistemática cumulativa, ela deve ser a primeira peça a instruir o seu pleito. No presente caso, do relatório da decisão recorrida e da leitura da íntegra do processo, não encontro qualquer prova, no entanto, ainda que a empresa tenha afirmado em seu recurso voluntário que: "(...) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção". Como já repetidamente afirmado, tal prova competia a ela, postulante, e não à fiscalização. Fora isso, a defesa da empresa lastreiase essencialmente no ato da ANEEL, que efetivamente afirma que o IGPM cumpre o requisito legal relativo à tributação aqui discutida. Isso não obstante, rejeito o argumento, pois a competência da ANEEL não alcança matéria tributária. Com efeito, entre as atribuições daquela agência reguladora, exaustivamente elencadas na própria lei que a criou3, nada há acerca da tributação incidente sobre o setor. Assim, as Notas Técnicas e as Resoluções daquela agência reguladora aplicamse às questões inerentes à geração e à distribuição de energia elétrica e às atividades correlatas. Sua competência, pois, restringese à seara dos contratos, dos preços da energia e da remuneração das concessionárias e permissionárias desses serviços públicos. Por óbvio, entre tais atribuições está dizer que possa ser contratualmente previsto o IGPM. O que não pode é dizer que isso implica tal ou qual consequência tributária. No presente caso, como já afirmado, embora postule a compensação, nada trouxe a empresa que comprovasse a adequação do índice aos ditames legais. Voto, pois, por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. 3 Lei 9.427/96, arts. 3º e 4º Fl. 884DF CARF MF Processo nº 11080.929135/200979 Acórdão n.º 9303004.512 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional, e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 885DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.916334/2011-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003
COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.956
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13971.916334/2011-22
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5713134
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-003.956
nome_arquivo_s : Decisao_13971916334201122.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 13971916334201122_5713134.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
id : 6722746
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946888146944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1535; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.916334/201122 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402003.956 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de março de 2017 Matéria COFINS. 9.718/98 Recorrente FEY PARTICIPACOES E EMPREENDIMENTOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2003 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 91 63 34 /2 01 1- 22 Fl. 70DF CARF MF 2 Relatório Por trazer clara síntese do processo até a interposição da Manifestação de Inconformidade, adoto o relatório da decisão de primeira instância, no Acórdão da DRJ em Florianópolis: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC decidiu indeferilo (...), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados se referem a pagamentos a maior originados da declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, em 9 de novembro de 2005. A contribuinte alega, ainda, a nulidade do Despacho Decisório, por ausência de diligência sobre o crédito pleiteado, nos termos do artigo 65 da Instrução Normativa nº 900/2008." (grifei) A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente naquela oportunidade, tendo sido o referido acórdão ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PRELIMINAR. NULIDADE. AUSÊNCIA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. A autoridade competente para decidir sobre restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos, bem como tem a faculdade de determinar a realização de diligência. Se pela DCOMP apresentada já é possível concluir que o crédito pleiteado carece de liquidez e certeza, desnecessária a realização de diligência. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" Intimada pessoalmente desta decisão, foi apresentado Recurso tempestivo no qual a Recorrente alega, em síntese, a validade do crédito de COFINS objeto do Pedido de Restituição, vez que calculado com base nas receitas não operacionais auferidas pela empresa, que não podem ser consideradas como base de cálculo do PIS e da COFINS como reconhecido Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.916334/201122 Acórdão n.º 3402003.956 S3C4T2 Fl. 3 3 pelo Supremo Tribunal Federal nos Recursos Extraordinários 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840. Alega ainda a nulidade do despacho decisório, por ausência de diligência prévia para verificação da validade do crédito. Anexou ao Recurso Voluntário cópia do livro razão e planilha com a composição do crédito apurado. Em seguida, os autos foram remetidos a esse Conselho. É o relatório. Voto Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.923, de 28 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13971.916330/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.923): "Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo, adentrando em suas razões. Em recente julgado desta turma relatado pela Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz, foi reconhecimento o cabimento dos pedidos de restituição que, tal como o presente, se respaldam na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98. Tratase do acórdão n.º 3402003.399, ementado nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 COFINS. ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF." (Número do Processo 10980.911525/201010. Data da Sessão 29/09/2016 Relatora Thais de Laurentiis Galkowicz. Acórdão n.º 3402003.399) Fl. 72DF CARF MF 4 A situação trazida sob julgamento nos presente autos é idêntica àquela julgada naquela oportunidade, razão pela qual adoto integralmente as razões delineadas por aquela Ilustre Conselheira Relatora, à luz do art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/99, cujo voto foi acompanhado por unanimidade por esta Turma: "A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13971.916334/201122 Acórdão n.º 3402003.956 S3C4T2 Fl. 4 5 COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; concluise pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento2. Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 74DF CARF MF 6 a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, torna se imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13971.916334/201122 Acórdão n.º 3402003.956 S3C4T2 Fl. 5 7 O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de Fl. 76DF CARF MF 8 mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13971.916334/201122 Acórdão n.º 3402003.956 S3C4T2 Fl. 6 9 Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerê la em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Fl. 78DF CARF MF 10 Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." (grifos no original) Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei n.º 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS")." Importante consignar que os documentos analisados no julgamento do paradigma (razão e planilha de apuração) encontram correspondência com os documentos juntados ao presente processo, variando apenas o período de apuração e os valores envolvidos. 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13971.916334/201122 Acórdão n.º 3402003.956 S3C4T2 Fl. 7 11 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito à restituição dos valores de COFINS calculados sobre receitas não operacionais auferidas pela empresa com fulcro no dispositivo inconstitucional da Lei nº 9.718/98 (dentre as quais as receitas financeiras mencionadas pela Recorrente de "JUROS RECEBIDOS", "VARIAÇÃO CAMBIAL" e os valores de "ALUGUÉIS RECEBIDOS"). assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.729530/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRATAÇÃO. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA.
Constatada a contratação de segurado empregado por meio de pessoa jurídica interposta, deve ser desconsiderado o vínculo formal e exigidas as contribuições devidas pela contratação do segurado empregado.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. EXISTÊNCIA.
1. Segundo o art. 3º da Lei 11.788/2008, o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, se forem observados determinados requisitos e se forem cumpridas as obrigações contidas no termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino.
2. Neste caso concreto, apenas os estagiários cuja documentação não foi apresentada foram considerados segurados empregados, o que derrui a alegação das recorrentes, de que o agente não demonstrou a existência dos elementos da relação de empregado para cada uma das pessoas contratadas.
DIVERGÊNCIAS ENTRE AS GFIP´S E AS FOLHAS DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA.
1. A existência de divergências entre as GFIPs e as folhas de pagamento se deve ao fato de que a contribuinte atribuía o código de não incidência às verbas relacionadas no relatório fiscal.
2. As bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento apresentadas pela contribuinte em meio digital, ao passo que os recorrentes não demonstraram que o agente autuante se utilizou de valores que não poderiam compor a base do lançamento.
5. O salário-de-contribuição é constituído pela totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, na dicção do inc. I do art. 28 da Lei 8.212/1991, e não por grupo de verbas.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. CABIMENTO.
1. É, sim, cabível a aplicação da sanção pecuniária em relação às exigências mantidas no presente acórdão, ex vi do art. 35-A da Lei 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores.
2. Demonstrado o dolo do contribuinte caracterizado pela sua vontade livre e consciente de praticar a conduta ilícita e de obter determinado resultado, realizando os atos descritos nos tipos legais (sonegação e conluio), impõe-se a qualificação da multa por expressa determinação legal.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONDUTAS DIVERSAS. CABIMENTO.
1. Cada auto de infração foi constituído para a aplicação de multa por descumprimento de uma obrigação acessória específica, prevista em dispositivo legal diferente, pelo que cabível a aplicação da penalidade.
2. A multa prevista no art. 35-A da Lei no 8.212/1991 pune conjuntamente a falta de recolhimento do tributo (obrigação principal) e a falta de declaração/declaração inexata (obrigação acessória de declarar)
3. Desse modo, impossível a aplicação conjunta da multa cominada no art. 35-A com outra multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar.
4. Uma vez que os autos de infração de obrigação acessória foram lavrados em decorrência de obrigações diversas da falta de declaração/declaração inexata, devem ser mantidas as autuações, não havendo duplicidade de punição pela mesma conduta.
RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI.
Demonstrado que os administradores participaram diretamente na assinatura dos contratos para contratação de segurados empregados por meio de pessoas jurídicas interpostas, cabível a sua responsabilização por ter agido com infração da lei, nos termos do art. 135 do CTN.
Numero da decisão: 2402-005.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer parcialmente do recurso, vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci, que o conheciam integralmente; por unanimidade, rejeitar as preliminares; e, no mérito, (i) pelo voto de qualidade, negar-lhe provimento nas partes relativas à caracterização de vínculo empregatício das pessoas jurídicas prestadoras de serviços ao recorrente, agravamento da multa de ofício, afastamento das multas por descumprimento de obrigações acessórias e exclusão da solidariedade, vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento ao recurso com relação a essas matérias; e, (ii) por unanimidade, negar-lhe provimento com relação às demais questões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(assinado digitalmente)
Tulio Teotonio de Melo Pereira - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRATAÇÃO. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. Constatada a contratação de segurado empregado por meio de pessoa jurídica interposta, deve ser desconsiderado o vínculo formal e exigidas as contribuições devidas pela contratação do segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. EXISTÊNCIA. 1. Segundo o art. 3º da Lei 11.788/2008, o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, se forem observados determinados requisitos e se forem cumpridas as obrigações contidas no termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino. 2. Neste caso concreto, apenas os estagiários cuja documentação não foi apresentada foram considerados segurados empregados, o que derrui a alegação das recorrentes, de que o agente não demonstrou a existência dos elementos da relação de empregado para cada uma das pessoas contratadas. DIVERGÊNCIAS ENTRE AS GFIP´S E AS FOLHAS DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA. 1. A existência de divergências entre as GFIPs e as folhas de pagamento se deve ao fato de que a contribuinte atribuía o código de não incidência às verbas relacionadas no relatório fiscal. 2. As bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento apresentadas pela contribuinte em meio digital, ao passo que os recorrentes não demonstraram que o agente autuante se utilizou de valores que não poderiam compor a base do lançamento. 5. O salário-de-contribuição é constituído pela totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, na dicção do inc. I do art. 28 da Lei 8.212/1991, e não por grupo de verbas. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. CABIMENTO. 1. É, sim, cabível a aplicação da sanção pecuniária em relação às exigências mantidas no presente acórdão, ex vi do art. 35-A da Lei 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores. 2. Demonstrado o dolo do contribuinte caracterizado pela sua vontade livre e consciente de praticar a conduta ilícita e de obter determinado resultado, realizando os atos descritos nos tipos legais (sonegação e conluio), impõe-se a qualificação da multa por expressa determinação legal. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONDUTAS DIVERSAS. CABIMENTO. 1. Cada auto de infração foi constituído para a aplicação de multa por descumprimento de uma obrigação acessória específica, prevista em dispositivo legal diferente, pelo que cabível a aplicação da penalidade. 2. A multa prevista no art. 35-A da Lei no 8.212/1991 pune conjuntamente a falta de recolhimento do tributo (obrigação principal) e a falta de declaração/declaração inexata (obrigação acessória de declarar) 3. Desse modo, impossível a aplicação conjunta da multa cominada no art. 35-A com outra multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar. 4. Uma vez que os autos de infração de obrigação acessória foram lavrados em decorrência de obrigações diversas da falta de declaração/declaração inexata, devem ser mantidas as autuações, não havendo duplicidade de punição pela mesma conduta. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. Demonstrado que os administradores participaram diretamente na assinatura dos contratos para contratação de segurados empregados por meio de pessoas jurídicas interpostas, cabível a sua responsabilização por ter agido com infração da lei, nos termos do art. 135 do CTN.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10580.729530/2014-17
anomes_publicacao_s : 201704
conteudo_id_s : 5709217
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-005.719
nome_arquivo_s : Decisao_10580729530201417.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
nome_arquivo_pdf_s : 10580729530201417_5709217.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer parcialmente do recurso, vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci, que o conheciam integralmente; por unanimidade, rejeitar as preliminares; e, no mérito, (i) pelo voto de qualidade, negar-lhe provimento nas partes relativas à caracterização de vínculo empregatício das pessoas jurídicas prestadoras de serviços ao recorrente, agravamento da multa de ofício, afastamento das multas por descumprimento de obrigações acessórias e exclusão da solidariedade, vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento ao recurso com relação a essas matérias; e, (ii) por unanimidade, negar-lhe provimento com relação às demais questões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator (assinado digitalmente) Tulio Teotonio de Melo Pereira - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2017
id : 6709596
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:58:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048946909118464
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-04-04T18:16:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-04-04T18:16:13Z; Last-Modified: 2017-04-04T18:16:13Z; dcterms:modified: 2017-04-04T18:16:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:1752840e-3e2e-4a01-93ad-93eaf521f958; Last-Save-Date: 2017-04-04T18:16:13Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-04-04T18:16:13Z; meta:save-date: 2017-04-04T18:16:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-04-04T18:16:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-04-04T18:16:13Z; created: 2017-04-04T18:16:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 34; Creation-Date: 2017-04-04T18:16:13Z; pdf:charsPerPage: 1978; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-04-04T18:16:13Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.729530/201417 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402005.719 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. INFRAÇÕES DIVERSAS Recorrente JPNOR ENGENHARIA LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 SEGURADOS EMPREGADOS. CONTRATAÇÃO. PESSOA JURÍDICA INTERPOSTA. Constatada a contratação de segurado empregado por meio de pessoa jurídica interposta, deve ser desconsiderado o vínculo formal e exigidas as contribuições devidas pela contratação do segurado empregado. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CONTRATAÇÃO DE ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. EXISTÊNCIA. 1. Segundo o art. 3º da Lei 11.788/2008, o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, se forem observados determinados requisitos e se forem cumpridas as obrigações contidas no termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino. 2. Neste caso concreto, apenas os estagiários cuja documentação não foi apresentada foram considerados segurados empregados, o que derrui a alegação das recorrentes, de que o agente não demonstrou a existência dos elementos da relação de empregado para cada uma das pessoas contratadas. DIVERGÊNCIAS ENTRE AS GFIP´S E AS FOLHAS DE PAGAMENTO. EXISTÊNCIA. 1. A existência de divergências entre as GFIPs e as folhas de pagamento se deve ao fato de que a contribuinte atribuía o código de não incidência às verbas relacionadas no relatório fiscal. 2. As bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento apresentadas pela contribuinte em meio digital, ao passo que os recorrentes não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 95 30 /2 01 4- 17 Fl. 1836DF CARF MF 2 demonstraram que o agente autuante se utilizou de valores que não poderiam compor a base do lançamento. 5. O saláriodecontribuição é constituído pela totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, na dicção do inc. I do art. 28 da Lei 8.212/1991, e não por grupo de verbas. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. CABIMENTO. 1. É, sim, cabível a aplicação da sanção pecuniária em relação às exigências mantidas no presente acórdão, ex vi do art. 35A da Lei 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores. 2. Demonstrado o dolo do contribuinte caracterizado pela sua vontade livre e consciente de praticar a conduta ilícita e de obter determinado resultado, realizando os atos descritos nos tipos legais (sonegação e conluio), impõese a qualificação da multa por expressa determinação legal. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONDUTAS DIVERSAS. CABIMENTO. 1. Cada auto de infração foi constituído para a aplicação de multa por descumprimento de uma obrigação acessória específica, prevista em dispositivo legal diferente, pelo que cabível a aplicação da penalidade. 2. A multa prevista no art. 35A da Lei no 8.212/1991 pune conjuntamente a falta de recolhimento do tributo (obrigação principal) e a falta de declaração/declaração inexata (obrigação acessória de declarar) 3. Desse modo, impossível a aplicação conjunta da multa cominada no art. 35A com outra multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar. 4. Uma vez que os autos de infração de obrigação acessória foram lavrados em decorrência de obrigações diversas da falta de declaração/declaração inexata, devem ser mantidas as autuações, não havendo duplicidade de punição pela mesma conduta. RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS ADMINISTRADORES. INFRAÇÃO À LEI. Demonstrado que os administradores participaram diretamente na assinatura dos contratos para contratação de segurados empregados por meio de pessoas jurídicas interpostas, cabível a sua responsabilização por ter agido com infração da lei, nos termos do art. 135 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer parcialmente do recurso, vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci, que o conheciam integralmente; por unanimidade, rejeitar as preliminares; e, no mérito, (i) pelo voto de qualidade, negarlhe provimento nas partes relativas à caracterização de vínculo empregatício das pessoas jurídicas prestadoras de serviços ao recorrente, agravamento da multa de ofício, afastamento das multas por descumprimento de obrigações acessórias e exclusão da solidariedade, vencidos os conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 3 3 Aldinucci, que davam provimento ao recurso com relação a essas matérias; e, (ii) por unanimidade, negarlhe provimento com relação às demais questões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (assinado digitalmente) Tulio Teotonio de Melo Pereira Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1838DF CARF MF 4 Relatório A autoridade fiscal da Delegacia da Receita Federal em Salvador lavrou, em face da contribuinte e dos solidariamente obrigados, os seguintes Autos de Infração (AI): 1. AI nº 51.068.7121 – Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação principal (desconto de segurados), relativa ao recolhimento da contribuição devida à Seguridade Social, parte integrante do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492; 2. AI nº 51.068.7113 Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação principal (patronal), relativa ao recolhimento da contribuição devida à Seguridade Social, parte integrante do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492; 3. AI nº 51.068.7130 Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação principal (outras entidades), relativa ao recolhimento da contribuição devida a outras entidades (terceiros), parte integrante deste PAF; 4. AI nº 51.068.7148 Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, por ter o contribuinte desatendido o que determina a Lei nº 8.218/1991, artigo 11, §§ 3º e 4º (Código de Fundamentação Legal – CFL nº 22), parte integrante do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492; 5. AI nº 51.068.7156 Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, por ofensa ao disposto na Lei nº 8.212/1991, artigo 32, inciso II, combinado com o previsto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6/5/1999, artigo 225, inciso II, §§ 13 e 17 (CFL nº 34), parte integrante do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492; 6. AI nº 51.068.7164 Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, por infração ao disposto na Lei nº 8.212/1991, artigo 33, §§ 2° e 3°, combinado com o previsto no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6/5/1999, artigo 233, parágrafo único (CFL nº 38), parte integrante do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492; 7. AI no 51.068.7172 Lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, por descumprimento de obrigação acessória estabelecida pela Lei nº 8.212 de 24/7/1991, artigo 30, inciso I, alínea “a” e pela Lei nº 10.666 de 8/5/2003. artigo 4º, caput, combinado com o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6/5/1999, artigo 216, inciso I, alínea “a” (CFL nº 59), parte integrante do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492. Logo, constituise objeto do presente PAF o AI nº 51.068.7130, lavrado em decorrência do descumprimento de obrigação principal (outras entidades ou fundos), relativa Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 4 5 ao recolhimento da contribuição devida a outras entidades (terceiros), sendo os demais AIs objeto do processo conexo, PAF nº 10580.729.529/201492. Doravante, adotase parte do relatório da decisão recorrida, que bem retrata os fatos e os fundamentos do lançamento, e das impugnações: As contribuições lançadas por meio dos AI de que trata o presente processo são incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados. O contribuinte é uma sociedade limitada que tem, dentre outros objetivos, conforme seu contrato social: a prestação de serviços técnicos de engenharia, [...] O contribuinte foi intimado várias vezes a apresentar documentos, mas apesar de reiteradas tentativas ele deixou de apresentar alguns documentos/informações. [...] FATOS GERADORES COMPARAÇÃO GFIP X FOLHA DE PAGAMENTO Foi realizado o confronto entre as bases de cálculo contidas nas folhas de pagamento, apresentadas em meio digital (conforme Manad), e as bases de cálculo declaradas por meio de GFIP, tendo sido a diferença a maior, identificada na folha de pagamento, considerada como base de cálculo do lançamento. Como resultado de tal comparação elaborouse um demonstrativo contendo as remunerações daqueles empregados em relação às quais há diferenças entre a folha de pagamento e a GFIP (Anexo 06). Também foi elaborado um demonstrativo que relaciona as remunerações e empregados nas competências onde não foram identificadas divergências entre a folha de pagamento e a GFIP (Anexo 7). Parte das referidas divergências é relativa a valores pagos a segurados empregados com as rubricas: 0700 – Aviso Prévio Indenizado, 0903 – Média de Anuênio, 0904– Média Adic. Periculosidade, 0908 – Média DSR de Hrs Extras e 0909 – Média de Hrs Extras. Essa constatação foi obtida pela análise da folha de pagamento digital – Manad: verificouse que na sua folha de pagamento o contribuinte atribuiu a essas rubricas o código “8” no campo “base PS”, sendo que nos sistemas de folha de pagamento do autuado, o referido código indica a não incidência de contribuição previdenciária e para outras entidades e fundos. O contribuinte foi intimado, por meio do TIF 03, cuja intimação foi reiterada pelo TIF 04, a justificar a não incidência de contribuições sobre as referidas rubricas, tendo respondido que existia a incidência (Anexo 5). DIFERENÇA SEGURADO EMPREGADO REGISTRADO PELO CONTRIBUINTE COMO ESTAGIÁRIO Fl. 1840DF CARF MF 6 O contribuinte apesar ter sido intimado, por meio dos TIF 03 e 04 a apresentar a documentação que comprovasse a regularidade na contratação dos estagiários relacionados o Anexo 01 do TIF 03, atendeu, parcialmente, a essa intimação. Por esse motivo, os estagiários relacionados em quadro contido à fls. 32/36 (tabela 04 do relatório fiscal), cuja documentação não foi apresentada foram considerados segurados empregados e suas remunerações consideradas como base de cálculo de contribuições para outras entidades e fundos. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESSOAS FÍSICAS FORMALIZADAS COMO SE FOSSEM PRESTADOS POR PESSOAS JURÍDICAS Ao apreciar os registros contábeis do contribuinte, constatouse um valor significativo de despesas com a contratação de prestadores de serviços. Foram despendidos cerca de 38 milhões de reais em um período em que a receita bruta foi de aproximadamente 70 milhões de reais e as despesas com salários de empregados foram de 5,17 milhões. Constatouse, ainda, que as despesas com plano de saúde médico e odontológico de cerca de R$ 2,74 milhões correspondem a mais de 50% do total de despesas com salário de empregados. Foi elaborado o Anexo 14 que discrimina todos os lançamentos contábeis relativos a essas prestações de serviços. Tal constatação aliada a outras que serão relacionadas levaram à conclusão de que o contribuinte tem como conduta contumaz remunerar parte de seus segurados empregados utilizandose de pessoas jurídicas. A onerosidade nessa prestação de serviços está refletida na formalização de pagamentos devidos aos segurados, como se fossem devidos à pessoa jurídica. Os serviços faturados como se fossem prestados por pessoas jurídicas foram prestados em caráter não eventual, uma vez que eles foram prestados de forma continuada, conforme evidencia a relação de pagamentos, Anexo 10, pela quantidade de meses em que a prestação se deu. Verificouse que os serviços foram prestados durante todo o ano de 2010. Constatouse, ainda, da análise dos instrumentos contratuais apresentados, que alguns prestadores estão vinculados ao contribuinte desde 2003. Pesquisandose, por meio de amostragem, as atividades econômicas das pessoas jurídicas formalizadas como prestadoras nesse caso, com base nos dados cadastrais (fornecidos por elas) nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB (Anexo 8), foi constatado que, quase a totalidade das pessoas jurídicas desenvolvem a atividade fim do contribuinte. Nesse sentido, conforme Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho – TST, tais contratações seriam ilegais e os vínculos se dariam com o tomador de serviços. Verificouse, por meio de análise das informações prestadas em GFIP pelas pessoas jurídicas formalizadas como contratadas, que nenhuma delas contratou empregados durante o ano de 2010, parte delas declarou apenas o prólabore do sócio Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 5 7 administrador e as demais se declararam como sem movimento (remuneração). Com base nas informações contidas nos sistemas informatizados da RFB constatouse que todas as pessoas jurídicas (tratadas no Anexo 9) prestaram serviços apenas ao contribuinte em 2010, sendo que tal fato pode ser constatado pela apreciação da relação de pagamentos, Anexo 10, que contém os valores pagos em relação a notas fiscais emitidas contra a JPNOR que foram emitidas com numeração sequencial. Reforça o entendimento de que a relação contratual real não se deu entre as pessoas jurídicas e o contribuinte, o fato dele custear plano de saúde aos prestadores de serviço. O contribuinte intimado a prestar esclarecimentos a respeito dessa prática, por meio dos TIF 03 e 04 manifestou como segue: “Os lançamentos referemse aos descontos dos benefícios de assistências média e odontológica cedido pela JPNOR aos prestadores de serviços, os quais são deduzidos das respectivas notas fiscais/faturas” (conforme Anexo 5). O contribuinte apresentou as faturas mensais dos planos de saúde contendo os relatórios analíticos dos beneficiários titulares e dependentes (Anexo 4), que apreciados, levaram às seguintes conclusões: (a) diversos sócios e ou responsáveis legais das pessoas jurídicas formalizadas como prestadores de serviços ao contribuinte constam como beneficiários dos planos de saúde oferecido pela empresa a seus empregados, (b) a quantidade de beneficiários representa mais que o dobro da quantidade de segurados empregados e dirigentes declarados em GFIP, conforme evidencia o demonstrativo denominado Tabela 5 contida à fl. 39 do relatório fiscal. Alguns segurados, que são registrados como empregados pelo contribuinte são, também, remunerados por meio de pessoas jurídicas conforme discriminado na Tabela 6 do item 40 do relatório fiscal (fls. 39/40). A título de exemplo, citase o caso de Altemar Barbosa Cardoso, CPF, nº 400.915.03515 que é diretor administrativo e financeiro com remuneração mensal formalizada de R$ 584,33 em 2010. Ele é diretor e sócio da Gema –Consultoria Planejamento e Apoio Administrativo Ltda, CNPJ nº 07.461.196/000160 e da Gerenproj Engenharia e Serviços Ltda, CNPJ nº 01.507.593/000140, e por meio dessas pessoas jurídicas, recebeu da Jpnor o valor de R$ 298.484,80 (conforme Anexo 10), valor esse que é compatível com sua função. Foi observado que, com relação a determinadas pessoas jurídicas, ocorreram, no mesmo mês, dois pagamentos, contudo, no cálculo da parte devida pelo segurado em relação às empresas que foi identificado mais de um sócio (conforme Anexo 9). Além disso, outro fato que caracteriza a fraude na formalização da contratação de pessoas jurídicas prestadores de serviço, é o Fl. 1842DF CARF MF 8 fato de muitas dessas pessoas funcionarem no mesmo endereço, reforçando a conclusão de que elas foram criadas para dissimular o vínculo do segurado empregado com o contribuinte, objetivando não pagar tributos. A título de exemplo, citase o endereço: Rua Brasil, nº 129, sala 01, Dias Dávila (BA), que é o endereço formal de 50 dessas pessoas jurídicas (conforme Anexo 13). Tais constatações levaram à comprovação de que o contribuinte tem por conduta contumaz , a contratação de segurados empregados por meio de pessoas jurídicas interpostas, com o intuito de impedir o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador de tributos (contribuição previdenciária e Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF). Por esse motivo todas as remunerações pagas às pessoas jurídicas arroladas no Anexo 10 são remunerações a segurados empregados. Apresentase na tabela 07, no item 39 do relatório fiscal (fls. 41/45), a relação de pessoas jurídicas por meio das quais foram formalizados os pagamentos com a remuneração total no ano. Para apuração dos valores de contribuição devidos e lançados foram identificadas nos autos as bases de cálculo com os seguintes códigos de levantamento. GF – Fatos geradores declarados em GFIP: este lançamento foi utilizado para o registro das remunerações, do desconto do segurado, das deduções de saláriofamília e salário maternidade, dos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como das compensações, conforme declarado em GFIP, tendo sido criado para demonstrar a apropriação das guias de recolhimento e demais créditos previdenciários existentes, não sendo considerado para a identificação dos valores lançados. FP – Divergências Folha de pagamento Manad X GFIP – segurados empregados. PJ – Remuneração de segurados empregados através de empresa – PJ. ES – Remuneração dos estagiários sem comprovação. Os valores utilizados para abater as contribuições apuradas (créditos em favor do contribuinte) foram registrados com os seguintes códigos: GPS – Guias da Previdência social, DNF – Valores de retenção destacados nas notas fiscais emitidas pelo contribuinte e RMP – Valores compensados informados na GFIP. Também foram considerados como créditos os valores incluídos nos Lançamentos de Débitos Confessados em GFIP – LDCG nº 36.996.3768 (competência 01/2010), nº 36.996.3784 (competência 01/2010) e 43.886.2775 (competências 04/2010 e 06/2020). REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS – RFFP Tendo em vista a conduta omissiva do sujeito passivo, no que diz respeito à omissão na GFIP, foi formalizada RFFP em função, Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 6 9 em tese, do Crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária, tipificado no Código Penal, artigo 337A. QUALIFICAÇÃO DA MULTA APLICADA Restou comprovada a conduta dolosa praticada pelo contribuinte, por meio de seus administradores, que remunerou segurados empregados, utilizandose de pessoas jurídicas, com vistas a impedir o fisco, o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores das contribuições previdenciárias (devidas pelo contribuinte e pelos segurados) e do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF. Os administradores do contribuinte agiram intencionalmente, modificando as características essenciais dos fatos geradores. Tendo sido tal conduta fruto de um ajuste doloso entre o contribuinte e seus empregados. Em função disso, a multa aplicada foi duplicada, conforme Lei nº 8.212/1991, artigo 35A, combinado com o disposto na Lei nº 9.430/1996, artigo 44, inciso I, § 1º. OUTRAS INFORMAÇÕES RELEVANTES SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Conforme informações contidas nos autos do processo nº 10580.729529/201492, A prática ilícita adotada pelo contribuinte, por meio de seus diretores administrativos, não sócios, Carlos Gonzalez Garcia, Davi Barbosa Azevedo e, Pablo Saraiva Ribeiro Gonzalez, resultou na consideração dessas pessoas físicas como responsáveis solidários pelos créditos tributários tratados no presente processo em função do que determina o CTN, artigo 135, inciso III. Tais responsáveis solidários foram cientificados da autuação e de sua sujeição passiva por meio de Termos de Sujeição Passiva Solidária – TSPS. A fiscalização juntou cópias de documentos nos autos do processo nº 10580.729529/201492, com o qual este é conexo, dentre as quais: Anexo 1 – Cópias de alterações no contrato social do autuado (fls. 143/193); Anexo 04 – Faturas detalhadas relativas às despesas de plano de saúde custeadas pelo contribuinte em favor de empregados (fls. 205/1.116). Anexo 11 – Cópias de instrumentos contratuais formalizados entre o contribuinte e pessoas jurídicas que serviram para dissimular a remuneração de segurados empregados (fls. 902/1.016). Anexo 15 – Cópias de notas fiscais emitidas contra o autuado pelas pessoa jurídicas referidas no relatório fiscal (fls. 1.118/1.249). Anexo 16 – Cópias de documentação dos estagiários (fls. 1.250/1.303). Fl. 1844DF CARF MF 10 Foram elaborados dentre outros, os seguintes demonstrativos: Anexo 06 – Relação de empregados com remuneração divergente Fopag (Manad) x GFIP (fls. 639/671 dos autos do processo nº 10580.729529/201492): detalha, por estabelecimento, competência e segurado, as diferenças entre as bases de cálculo incluídas em folhas de pagamento e as declaradas por meio de GFIP. Anexo 08 – Relação dos prestadores de serviços com atividade econômica (fls. 717/721 dos autos do processo nº 10580.729529/201492): identifica para cada uma das pessoas jurídicas que serviram para dissimular a remuneração de segurados empregados, o código CNAE atribuído pela pessoa jurídica (cadastro) e sua descrição. Anexo 09 – Relação de Sócios/e ou responsáveis legais dos prestadores de serviços (fls. 722/727 dos autos do processo nº 10580.729529/201492): identifica para cada uma das pessoas jurídicas que serviram para dissimular a remuneração de segurados empregados, os nomes e CPF dos sócios e responsáveis legais. Anexo 10 – Relação de pagamentos realizados aos prestadores de serviços (fls. 728/776 dos autos do processo nº 10580.729529/201492): discrimina os pagamentos efetuados pelo contribuinte em favor das pessoas jurídicas que serviram para dissimular a remuneração de segurados empregados. Anexo 12 – Relação de vínculos declarados em GFIP (fls. 1.018/1.022 dos autos do processo nº 10580.729529/201492): relaciona os segurados que foram declarados como vinculados às pessoas jurídicas por meio das quais foi formalizada a contratação de prestação de serviços. Anexo 13 – Relação de empresas com mesmo domicílio tributário (fls. 1.024/1.028 dos autos do processo nº 10580.729529/201492). Anexo 14 – Relação dos lançamentos contábeis completos das contas prestadores de serviço extraído do Livro Razão (SPED) (fls. 1.029/1.117 dos autos do processo nº 10580.729529/2014 92). A Azevedo Participações Ltda e a Gonzalez Garcia Participações Ltda. apresentaram impugnação conjunta (fls. 1.447/1.456) em 24/12/2014 (conforme carimbo de protocolo à fl. 1.447) e juntaram cópias de documentos às fls. 1.457/1.484. Os sócios administradores arrolados como sujeitos passivos responsáveis solidários, Davi Barbosa de Azevedo, Carlos Gonzalez Garcia e Pablo Saraiva Ribeiro Gonzalez (CFP nº 786.260.56591) apresentaram impugnação conjunta (fls. 1.356/1.416), em 24/12/2014 (conforme carimbo de protocolo à fl. 1.356) e juntaram documentos às fls. 1.417/1.444. [...] Jpnor apresentou impugnação (fls. 1.487/1.546) em 24/12/2014, conforme carimbo de protocolo à fl. 1.487), [...]. Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 7 11 [...] Em sessão de julgamento realizada 29 de abril de 2015, a DRJ julgou improcedentes as impugnações, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. A empresa é obrigada a recolher as contribuições para Outras Entidades e Fundos a seu cargo. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Permitese à autoridade tributária desconsiderar ato ou negócio jurídico praticado pelo contribuinte, em desconformidade com a lei, com o objetivo de reduzir o montante do tributo devido. IDENTIFICAÇÃO DE SEGURADO OBRIGATÓRIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil tem, dentre suas atribuições, competência para identificar a ocorrência de remuneração a segurados obrigatórios da previdência social. CONEXÃO. Devem ser analisados em conjunto com o processo principal os processos vinculados por conexão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Vale observar que, de acordo com o voto condutor do acórdão, "não há sujeição passiva solidária relativamente às obrigações consideradas nos presentes autos em relação aos integrantes do grupo econômico. Isso porque as contribuições lançadas são devidas a terceiros e não foram instituídas pela Lei nº 8.212/1991". Desta forma, e no entender da DRJ, "por não serem partes legítimas, a peça impugnatória apresentada pela Azevedo Participações Ltda e a Gonzalez Garcia Participações Ltda não será conhecida". A contribuinte foi intimada da decisão em 18/06/2015 (fl. 1744) e interpôs recurso voluntário em 15/07/2015 (fls. 1746 e seguintes), no qual deduziu as seguintes teses de defesa: 1. Nulidade dos lançamentos por vício material. Falta de discriminação de forma clara e precisa dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Ausência de demonstração dos elementos da relação de emprego para cada um dos prestadores considerados segurados empregados; Fl. 1846DF CARF MF 12 2. Legalidade e validade dos contratos de prestação de serviços firmados com terceiros. Inexistência de relação de emprego. Improcedência das exigências fiscais concernentes às contribuições de prestadores enquadrados como empregados segurados; 3. Legalidade da contratação de estagiários. Atendimento aos requisitos da Lei 11.788/2008; 4. Inexistência de divergências na folha de pagamento (FOPAG x GFIP); 5. Indevida aplicação da multa de ofício e a nulidade e ausência de requisitos para a sua qualificação; 6. Pede seja cancelado o arrolamento de bens, requerendo, ao final, seja provido o recurso voluntário, para que seja decretada a nulidade e/ou improcedência dos lançamentos. Não consta que os solidariamente obrigados tenham sido intimados da decisão da DRJ, mas houve a interposição de recurso voluntário, conforme fls. 1813 e seguintes. Nas razões recursais, Davi Barbosa de Azevêdo, Carlos Gonzalez Garcia e Pablo Saraiva Ribeiro Garcia ratificaram as razões apresentadas pela contribuinte e acrescentaram o seguinte: 1. Inexistência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 8 13 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Os recursos voluntários são tempestivos e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, serem conhecidos. 2 Da preliminar de nulidade do lançamento por vício material Todos os sujeitos passivos alegam que os lançamentos são nulos de pleno direito, diante da falta de discriminação de forma clara e precisa dos fatos geradores das contribuições previdenciárias e diante da ausência de demonstração dos elementos da relação de emprego para cada um dos prestadores considerados segurados empregados. Em arremate à tese da nulidade do lançamento, os recorrentes sintetizam seus argumentos nos seguintes termos: [...] considerando a ausência de demonstração clara e precisa dos fatos geradores, em especial a falta de demonstração pela Autuante dos elementos de relação de emprego, quais sejam, a onerosidade, a não eventualidade, a subordinação, e a pessoalidade, COM RELAÇÃO A CADA UMA DAS PESSOAS FÍSICAS que prestaram serviços para a Recorrente por força de Contratos de Prestação de Serviços de natureza civil, e considerando as disposições do art. 5º, incisos LIV e LV, da Carta Magna, do art. 2º da Lei 9.784/99 e dos arts. 114, 116 e 142 do CTN, requer seja PROVIDO o presente Recurso Voluntário, para o fim de declarar NULO por vício material os lançamentos relativos as exigências de contribuições previdenciárias decorrentes do enquadramento de prestadores de serviços como segurados empregados, consubstanciados nos Autos de Infração DEBCAD nºs 51.068.7113; 510687121; 510687148; 510687156; 510687164; 510687172. Pois bem. Segundo o § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social, o auditor fiscal poderá desconsiderar o vínculo negocial e efetuar o enquadramento como segurado empregado, caso constate que o segurado contratado, sob qualquer denominação, preenche as condições referidas no inc. I do caput do art. 9º. Esse inc. I preleciona que empregado é que aquele que presta serviço em caráter não eventual, sob subordinação e mediante remuneração. Vejase: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: Fl. 1848DF CARF MF 14 I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural a empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; ......................................................................................................... Art. 229. [...]: § 2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.(Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Como se vê, para a descaracterização do vínculo pactuado, a legislação previdenciária exige a demonstração (a) de não eventualidade; (b) de subordinação e (c) de remuneração, a fim de corroborar a existência efetiva de vínculo empregatício, oculto sob a contração de contribuinte individual, de trabalhador avulso, ou de qualquer outra denominação. O art. 3º da CLT preceitua que se considera "empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário". Segundo a doutrina do Direito do Trabalho, "na definição legal brasileira estão os seguintes requisitos da figura do empregado: a) pessoa física; b) subordinação compreendida de forma mais ampla que dependência; c) ineventualidade do trabalho; d) salário; e) pessoalidade da prestação de serviços, esta resultante não da definição de empregado, mas de empregador"1. Comprovada a existência efetiva do vínculo empregatício, mormente em função da demonstração dos requisitos acima, há repercussão jurídica nas esferas trabalhista e tributária. No âmbito trabalhista, o item I da Súmula 331/TST preleciona que "a contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário". A parte final do item II do citado verbete, por outro lado, preceitua que não forma vínculo a contração de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistentes a pessoalidade e a subordinação direta. Como sabido e amplamente divulgado, o Supremo Tribunal Federal delimitará as hipóteses de terceirização de mãodeobra, diante do que se compreende por atividadefim, visto que tal delimitação é de índole eminentemente constitucional, ex vi do art. 5º, inc. II, da Constituição Federal, que preconiza, de forma reflexa, a liberdade de contratar. Nesse sentido, citase o Tema 725/STF, com repercussão geral: 725 Terceirização de serviços para a consecução da atividade fim da empresa. 1 Curso de direito do trabalho: história e teoria geral do direito do trabalho: relações individuais e coletivas do trabalho. Amauri Mascaro Nascimento. 10. ed. atual. São Paulo: Saraiva, 1992, p. 311. Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 9 15 Relator: MIN. LUIZ FUX Leading Case: RE958252 No legislativo federal, aguarda apreciação pelo Senado o PL 4330/2004, que "dispõe sobre o contrato de prestação de serviço a terceiros e as relações de trabalho dele decorrentes"2 Na esfera tributária, a combinação do disposto no § 2º do art. 229 do Regulamento da Previdência Social com o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional viabiliza o lançamento das contribuições devidas à seguridade social e das contribuições devidas a outras entidades ou fundos. Verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Neste caso concreto, e segundo se depreende do relatório fiscal, foram considerados como empregados da recorrente os sócios de mais de cem empresas ditas interpostas, ainda que tenham firmado contratos de prestação de serviços e/ou faturado os serviços por meio de empresas. Diante das alegações da recorrente, passase a analisar se houve prova efetiva da ocorrência do fato gerador das contribuições. Como se vê no relatório fiscal, a autoridade autuante extraiu todas as suas conclusões exclusivamente da análise de documentos, mais precisamente: (i) foram pesquisadas, por amostragem, as atividades econômicas das empresas contratadas, com base nos dados cadastrais da RFB, e foi constatado que a quase totalidade das empresas desenvolvem a atividadefim do contribuinte; (ii) com base no cruzamento de informações contidas nos sistemas da RFB, foi constatado que as empresas relacionadas prestaram serviços apenas à contribuinte; (iii) a onerosidade resulta dos pagamentos efetuados aos prestadores, conforme anexo 10; (iv) a não eventualidade advém da prestação dos serviços de forma continuada, conforme se observa pela quantidade de meses de prestação de serviços; 2 http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=267841, acesso em 02/02/2017. Fl. 1850DF CARF MF 16 (v) os serviços foram prestados pelos sócios e/ou representantes legais das empresas contratadas, o que demonstraria a existência de pessoalidade; (vi) a subordinação estaria caracterizada pela vinculação dos prestadores de serviços, que são os próprios sócios e/ou representantes legais das pessoas jurídicas contratadas, aos gerentes e dirigentes do contribuinte; (vii) outra constatação que reforça o entendimento acerca da "pejotização" é a concessão de plano de saúde aos prestadores de serviços. Quanto à atividade fim, vejase que o levantamento foi feito por mera amostragem e que essa amostragem teria indicado que a quase totalidade das empresas exerceriam a mesma atividadefim da contribuinte. Vejase que a autoridade autuante desconsiderou o vínculo que a recorrente pactuou com mais de cem empresas e, a despeito da grande quantidade de pessoas jurídicas contratadas, o próprio agente fiscal afirmou, textualmente, ter efetuado mero levantamento por amostragem das atividades econômicas por elas desenvolvidas, o que fragiliza a constatação acerca da atividadefim. Um levantamento feito por amostragem não poderia implicar o lançamento das contribuições sobre a totalidade das empresas. Noutro giro verbal, entendese que, caso se admitisse que o exercício da atividadefim fosse requisito suficiente para ensejar o lançamento, fato é que a autoridade deveria empreender seus esforços para identificar as empresas que efetivamente a teriam exercido. A par disso, a admitirse que a quase totalidade das prestadoras exerceriam a mesma atividadefim, por decorrência lógica se admitiria que parte das prestadoras exerceriam atividademeio, corroborando a necessidade de um levantamento exaustivo (e não por amostragem) que identificasse e viabilizasse a constituição do crédito apenas em relação aos segurados empregados. Por outro lado, e no que diz respeito à subordinação, a qual se constitui em elemento fundamental para a caracterização do segurado como empregado, embora a autoridade autuante tenha afirmado que "a subordinação está caracterizada pela vinculação dos prestadores de serviço, que são os próprios sócios e/ou representantes legais das pessoas jurídicas contratadas, aos gerentes e dirigentes do Contribuinte", entendese que não se demonstrou que o citado vínculo tenha ocorrido com efetiva subordinação. Isto é, a autoridade fiscal não provou que a recorrente tinha o poder de controlar e fiscalizar as atividades dos prestadores de serviços, dandolhes ordens e reduzindo lhes a autonomia da vontade. A existência de um vínculo obrigacional entre a recorrente e as empresas contratadas é inerente ao contrato de prestação de serviços, o qual implica uma obrigação de fazer inerente ao negócio (art. 594 do Código Civil). Examinandose os instrumentos negociais, observase que a recorrente contratou pessoas jurídicas para prestar serviços diversos, tais como elaboração de projetos de tubulação, planejamento e controle de projetos, apoio em informática, modelagem e extração de documentos, etc, havendo, pois, diferentes contratos com variados objetos contratuais. Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 10 17 Os serviços, ainda, tinham prazo determinado de duração e não havia qualquer cláusula que estabelecesse a subordinação dos sócios das empresas contratadas aos mandamentos da recorrente, senão as cláusulas de praxe, prevendo as obrigações de cada parte em relação ao objeto negocial. A fiscalização deveria ter demonstrado, de forma inequívoca, aquela "situação em que se encontra o trabalhador, decorrente da limitação contratual da autonomia da sua vontade, para o fim de transferir ao empregador o poder de direção sobre a atividade que desempenhará. A subordinação significa uma limitação à autonomia do empregado, de tal modo que a execução dos serviços deve pautarse por certas normas que não serão por ele traçadas"3. A descaracterização do vínculo pactuado é uma medida extrema, que, como tal, deve estar amparada em indubitável conjunto probatório. Destarte, a autoridade não conseguiu demonstrar que a recorrente realizou, no mundo fenomênico, o fato gerador das contribuições contra si lançadas, razão pela qual deve ser dado provimento ao recurso, para cancelar o lançamento neste ponto. Este Colegiado vem entendendo que devem restar configurados, satisfatoriamente, os requisitos do vínculo empregatício, inclusive a subordinação jurídica, para a incidência das contribuições, como se pode ver no julgado abaixo, de relatoria do ilustre Conselheiro Ronnie Soares Anderson: [...] IMOBILIÁRIA. CORRETOR DE IMÓVEIS. NÃO COMPROVAÇÃO DE RELAÇÃO DE EMPREGO. Não restando configurados satisfatoriamente na relação estabelecida entre imobiliária e corretores autônomos, os requisitos do vínculo empregatício, em especial a onerosidade e a subordinação jurídica, descabida a incidência de contribuições previdenciárias amparadas no entendimento do corretor como sendo segurado empregado, bem como as obrigações acessórias correlatas. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 2402005.271, PAF 10830.726365/201371, Rel. Ronnie Soares Anderson, julgado em 11/05/2016, por unanimidade) De toda forma, entendese que a presente matéria não tem natureza preliminar. Em verdade, e diferentemente do que afirmou o sujeito passivo, o auditor descreveu de forma clara e precisa os fatos geradores das contribuições. 3 NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Obra citada, p. 320. Fl. 1852DF CARF MF 18 A conclusão a que se chegou neste tópico é resultante do exame das provas colhidas pela fiscalização, sendo, pois, de natureza meritória, e não preliminar. Destarte, dáse provimento ao recurso para cancelar o lançamento neste tópico, e não para declarar a sua nulidade por vício material. 3 Da contratação de estagiários As recorrentes afirmam que a contratação de estagiários atendeu a todos os requisitos da Lei 11.788/2008 e que o auditor não demonstrou a existência dos elementos de emprego em relação a cada uma das pessoas contratadas. A contribuinte assevera, ainda, que durante o curso da ação fiscal, atendeu com presteza e diligência a todas as solicitações do autuante. Nesse tocante, assim se manifestou o agente fiscal: O contribuinte foi intimado, através do TIF 3 e reiterado no TIF 4, a apresentar a documentação que comprove a regularidade na contratação de estagiários relacionados no anexo 01 do TIF 3, com base no art. 3º da Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008, abaixo transcrito, porém atendeu parcialmente a intimação. Por este motivo os estagiários relacionados na tabela 04 abaixo, cuja documentação não foi apresentada, foram considerados como segurados empregados e suas remunerações consideradas como base de cálculo de contribuições previdenciárias. Segundo o art. 3º da Lei 11.788/2008, o estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, se forem observados os seguintes requisitos: Art. 3º. [...]. I – matrícula e frequência regular do educando em curso de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e nos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos e atestados pela instituição de ensino; II – celebração de termo de compromisso entre o educando, a parte concedente do estágio e a instituição de ensino; III – compatibilidade entre as atividades desenvolvidas no estágio e aquelas previstas no termo de compromisso. § 1º O estágio, como ato educativo escolar supervisionado, deverá ter acompanhamento efetivo pelo professor orientador da instituição de ensino e por supervisor da parte concedente, comprovado por vistos nos relatórios referidos no inciso IV do caput do art. 7º desta Lei e por menção de aprovação final. § 2º O descumprimento de qualquer dos incisos deste artigo ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária. (destacouse) Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 11 19 De conformidade com o § 2º acima, o descumprimento de qualquer dos requisitos ou de qualquer obrigação contida no termo de compromisso caracteriza vínculo de emprego. Neste caso concreto, e segundo se depreende do relatório fiscal, apenas os estagiários cuja documentação não foi apresentada foram considerados segurados empregados, o que derrui a alegação das recorrentes, segundo a qual o agente não demonstrou a existência dos elementos da relação de empregado para cada uma das pessoas contratadas. Expressandose de outra forma, a lei prevê, de forma clara, que a não comprovação dos requisitos para a caracterização de estágio efetivo implica a existência de relação empregatícia, ao passo que o fiscal somente caracterizou tal relação no tocante às pessoas físicas cuja documentação não foi devidamente apresentada, a despeito das sucessivas intimações dirigidas à contribuinte para fazêlo. Ademais, e muito embora as recorrentes tenham afirmado que "provavelmente o Autuante não identificou os documentos concernentes à contratação dentre aqueles disponibilizados", fato é que nem mesmo as recorrentes indicaram quais seriam esses documentos e onde eles se encontrariam neste caderno processual, que monta aproximadamente três mil folhas. Nesse contexto, negase provimento ao recurso neste particular. 4 Das divergências entre as GFIPs e as folhas de pagamento As recorrentes afirmam que as divergências entre as GFIPs e as folhas de pagamento se devem ao fato de que: (i) a GFIP, à época, não estava adaptada para receber os valores sobre a verba de aviso prévio indenizado; (ii) a legislação determina que sobre as verbas salariais deverão ser descontadas as faltas e atrasos e que o auditor deveria ter abatido tais valores das folhas de pagamento e que a base informada na GFIP foi o valor líquido; (iii) a contribuição retida dos funcionários, na folha de pagamento, era calculada por grupo de verbas individualizadamente (ex.: grupo de férias, grupo de 13º salário, etc). Os sujeitos passivos ainda afirmam que o valor do INSS recolhido foi correto e que também tomou por base a rubrica aviso prévio indenizado. Primeiramente, cabe observar que as recorrentes não questionaram a natureza da verba aviso prévio indenizado (se teria ou não natureza remuneratória), de maneira a não haver litígio a esse respeito, ex vi do art. 14 do Decreto nº 70.235/1972, segundo o qual a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa. Fl. 1854DF CARF MF 20 Nessa toada, serão julgadas apenas as matérias devidamente suscitadas na impugnação e no recurso, que são aquelas relacionadas nos itens i a iii acima. Quanto à afirmação de que a GFIP, à época, não estava adaptada para receber os valores sobre a verba de aviso prévio indenizado, vejase que, segundo o relatório fiscal, a contribuinte atribuía o código de não incidência às verbas relacionadas no quadro abaixo, dentre as quais o aviso prévio indenizado. Destarte, as recorrentes estão equivocadas, pois a divergência se deu pelo fato de que a própria contribuinte declarou tais rubricas como não tributáveis. Quanto à afirmação de que a legislação determina que sobre as verbas salariais deverão ser descontadas as faltas e atrasos e que o auditor fiscal deveria ter abatido tais valores das folhas de pagamento, e que a base informada na GFIP foi o valor líquido, também não têm razão os recorrentes. De acordo com o relatório fiscal, as bases de cálculo foram extraídas das folhas de pagamento apresentadas pela contribuinte em meio digital, ao passo que os recorrentes não demonstraram que o agente autuante se utilizou de valores que não poderiam compor a base do lançamento. Por fim, e quanto à afirmação de que a contribuição retida dos funcionários, na folha de pagamento, era calculada por grupo de verbas individualizadamente (ex.: grupo de férias, grupo de 13º salário, etc), os recorrentes estão igualmente equivocados. Vejase, a propósito, que os sujeitos passivos citam exemplos hipotéticos em seus recursos, sem sequer indicarem quais segurados estariam nas situações ali compreendidas, muito menos as competências a que se refeririam. Ademais, cumpre esclarecer que o saláriodecontribuição é constituído pela totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, na dicção do inc. I do art. 28 da Lei 8.212/1991. De tal forma, as alíquotas não são calculadas por grupo de verbas, mas sim em consonância com a sua totalidade. Tal afirmação é corroborada pelo art. 20 da Lei de Custeio, segundo o qual a contribuição do segurado (que é a contribuição controvertida neste tópico) é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota (8, 9 ou 11%) sobre o seu saláriode contribuição mensal. Em sendo assim, negase provimento ao recursos nesse tocante. Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 12 21 5 Da aplicação da multa de ofício e da sua qualificação As recorrentes afirmam que, como as exigências fiscais são indevidas, não cabe a aplicação da multa de ofício; asseveram, ainda, que não há subsídios para a sua qualificação. É, sim, cabível a aplicação da sanção pecuniária em relação às exigências mantidas no presente acórdão, ex vi do art. 35A da Lei 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores. Quanto à qualificação da multa, entendese que os recorrentes têm razão. Segundo se depreende do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/1996, a qualificação pressupõe a existência e a demonstração de qualquer uma das seguintes condutas dolosas: sonegação, fraude ou conluio. Vejase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) ......................................................................................................... Lei 4.502/1964 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 1856DF CARF MF 22 ......................................................................................................... Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Neste caso, não houve a demonstração de que a contribuinte tenha agido com dolo. Isto é, não há provas de que o sujeito passivo tenha tido a vontade consciente de praticar a conduta ilícita e de obter determinado resultado, realizando os atos descritos nos tipos legais (sonegação, fraude ou conluio). Sobretudo em relação às verbas que estão sendo mantidas na presente decisão, não se observa que a empresa tenha tido a intenção de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência de fatos relacionados à tributação; ou que tenha tentado impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais. Os equívocos que a contribuinte cometeu são escusáveis e não atraem a aplicação da multa qualificada, multa esta bastante gravosa e que requer a existência de um plus para ser infligida. Logo, dáse provimento aos recursos nesse tocante, para reduzir a multa para 75%. 6 Do arrolamento de bens No entender das recorrentes, o arrolamento de bens deve ser cancelado, diante da impertinência dos autos de infração. Todavia, e como exposto acima, as exigências são apenas parcialmente indevidas, de forma que deve ser mantido o arrolamento de bens. 7 Da inexistência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto Davi Barbosa de Azevêdo, Carlos Gonzalez Garcia e Pablo Saraiva Ribeiro Garcia ratificaram as razões apresentadas pela contribuinte (acima sintetizadas e julgadas) e acrescentaram o seguinte: Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 13 23 (i) Inexistência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto. De conformidade com o relatório fiscal, foi atribuída responsabilidade solidária às pessoas físicas, diante da prática das mesmas condutas que ensejaram a qualificação da multa de ofício (sonegação, fraude e conluio), o que atrairia a aplicação do art. 135 do Código Tributário Nacional. Como visto acima, contudo, não houve a demonstração de que a contribuinte tenha agido com dolo, muito menos os seus diretores administradores não sócios, o que já afasta a possibilidade de responsabilização pessoal com base no aludido art. 135. Mas não é só. O citado normativo legal somente enseja a responsabilidade pessoal do agente, nas hipóteses que enumera, porque a obrigação tributária seria resultante de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Isto é, para que tais atos sejam aptos a ensejar a responsabilização pessoal, eles teriam que ser praticados pelas pessoas físicas, e não pela pessoa jurídica em seu próprio interesse, e, além disso, teriam que implicar o nascimento de determinada obrigação tributária. Tal responsabilidade, sem qualquer sombra de dúvida, somente pode ocorrer em caso de ilegalidade praticada pelo agente, o que se conclui pela própria leitura da norma. Forte doutrina, a propósito, entende que "em confronto com o artigo anterior, verificase que esse dispositivo exclui do pólo passivo da obrigação a figura do contribuinte (que, em princípio, seria a pessoa em cujo nome e por cuja conta agiria o terceiro), ao mandar que o executor do ato responda pessoalmente"4. No caso in concreto, o agente autuante não detalhou quais seriam os atos que teriam implicado excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135). A contrario sensu, simplesmente se afirmou que as pessoas físicas acima relacionadas seriam diretoras administradoras e que os atos alegadamente dolosos praticados pela pessoa jurídica importariam responsabilização pessoal. Ora, a extensão da relação jurídicotributária a uma determinada pessoa requer a ocorrência de todos os elementos fáticos previstos em lei, ou seja, a concretização de todas as circunstâncias legais atinentes à solidariedade ou à responsabilidade. Dito de outra forma, a solidariedade ou a responsabilidade pressupõem a regra matriz de incidência e a regra matriz de solidariedade ou responsabilidade, cada uma com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes, solidários, responsáveis, etc). Não tendo havido inequívoca demonstração de dolo por parte da pessoa jurídica, muito menos prova de que os créditos constituídos nestes autos decorreriam de atos praticados pelos diretores administradores não sócios, deve ser afastada a sua responsabilidade, dandose provimento ao recurso por eles interposto, para excluílos do polo passivo do lançamento. 4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 327. Fl. 1858DF CARF MF 24 8 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER dos recursos voluntários, para: (i) REJEITAR A PRELIMINAR de nulidade do lançamento; (ii) dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto pela contribuinte, para excluir da base de cálculo do lançamento os valores pagos às pessoas jurídicas prestadoras de serviços e para afastar a qualificação da multa de ofício; (iii) dar PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto por Davi Barbosa de Azevêdo, Carlos Gonzalez Garcia e Pablo Saraiva Ribeiro Garcia, para excluílos do polo passivo do lançamento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 14 25 Voto Vencedor Conselheiro Tulio Teotônio de Melo Pereira Redator Designado Com as venias devidas ao bem fundamentado voto do relator, divergimos do seu entendimento no tocante às matérias a seguir. Das pessoas físicas contratadas por meio de interpostas pessoas jurídicas Inicialmente, os sujeitos passivos reclamam a nulidade do lançamento por vício material. Segundo eles, falta a discriminação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Além disso, apontam a ausência de demonstração dos elementos da relação de emprego para cada um dos prestadores considerados segurados empregados. Proclamam a legalidade e validade dos contratos de prestação de serviços firmados com terceiros. Dizem inexistir a relação de emprego pelo que seriam improcedentes as exigências fiscais concernentes às contribuições de prestadores enquadrados como empregados segurados. Como bem registrado no voto vencido, em verdade, e diferentemente do que afirmou o sujeito passivo, o auditor descreveu de forma clara e precisa os fatos geradores das contribuições. Ademais, entendemos que restou sobejamente comprovado no relatório fiscal e demais elementos dos autos, a contratação de segurados empregados por meio de interpostas pessoas jurídicas. Nessa matéria, entendemos adequadamente fundamentada a decisão recorrida, pelo que adotamos suas razões, que reproduzimos: FORMALIZAÇÃO DE PAGAMENTOS A SEGURADOS EMPREGADOS COMO SE FOSSEM A PESSOAS JURÍDICAS. Passase a seguir à análise das alegações dos impugnantes acerca da nulidade das autuações, da validade dos contratos de prestação de serviços relativos às pessoas jurídicas cujos sócios/responsáveis solidários foram identificados pela fiscalização como os reais prestadores de serviços, na condição de segurados empregados. De acordo com o relato fiscal, a conclusão de que houve a adoção de uma prática fraudulenta/simulatória consubstanciada na formalização da remuneração de segurados empregados como se fossem pagamentos a pessoas jurídicas decorreu das constatações que seguem. Os registros contábeis do autuado demonstram que as despesas com contratação de prestadores de serviços pessoas jurídicas são representativas quando se comparadas ao montante de Fl. 1860DF CARF MF 26 receitas auferido no mesmo período (cerca de 38 milhões de reais em um período em que a receita bruta foi de aproximadamente 70 milhões de reais). Tais despesas são, ainda, muito superiores aos montantes de despesas ocorridas e relativas a salários de empregados (que foram de cerca de 5,17 milhões). Pesquisas, efetuadas por amostragem, nos sistemas informatizados da RFB, conforme dados cadastrais, evidenciam que as atividades econômicas de pessoas jurídicas formalizadas como prestadoras nesse caso, estão relacionadas com a atividade fim do contribuinte. Por meio de análise das informações prestadas em GFIP por essas pessoas jurídicas, verificouse que nenhuma delas contratou empregados durante o ano de 2010, parte delas declararam apenas o pagamento prólabore do sócio administrador e as demais se declararam como sem movimento (não teriam remunerado ninguém, sequer os sócios gerentes). Com base nos registros contábeis e documentos apresentados pelo contribuinte, constatouse que os serviços prestados e a remuneração, por meio de pessoas jurídicas, se deu durante todo o ano de 2010. Constatouse, ainda, pela análise dos instrumentos contratuais apresentados que alguns prestadores estão vinculados ao contribuinte desde 2003. A partir das informações contidas nos sistemas informatizados da RFB constatouse que todas as pessoas jurídicas (tratadas no Anexo 9) prestaram serviços apenas ao contribuinte em 2010, sendo que tal fato pode ser constatado pela apreciação da relação de pagamentos, Anexo 10, que contém as numerações das notas fiscais emitidas contra a Jpnor em 2010, emitidas de forma sequencial. A característica dos serviços demonstra que os prestadores estavam subordinados às diretrizes dos administradores da empresa, pois os sócios e/ou representantes legais das pessoas jurídicas referidas estavam vinculados aos gerentes e dirigentes do contribuinte. Reforça esse entendimento, o fato dele custear plano de saúde aos prestadores de serviço. A esse respeito, o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos sobre esse fato, por meio dos TIF 03 e 04, tendo apontado que os lançamentos referemse aos descontos dos benefícios de assistências médica e odontológica cedido pela Jpnor aos prestadores de serviços, os quais são deduzidos das respectivas notas fiscais/faturas (conforme Anexo 5). O contribuinte apresentou as faturas mensais dos planos de saúde contendo os relatórios analíticos dos beneficiários titulares e dependentes (Anexo 4), que apreciados levaram às seguintes conclusões: (a) diversos sócios e ou responsáveis legais das pessoas jurídicas formalizadas como prestadores de serviços ao contribuinte constam como beneficiários dos planos de saúde oferecido pela empresa a seus empregados, (b) a quantidade de titulares de beneficiários representa mais que o dobro da quantidade de segurados empregados e dirigentes Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 15 27 declarados em GFIP, conforme evidencia demonstrativo denominado tabela 5 contida à fl. 73 e 74 do relatório fiscal. Identificouse que alguns segurados que são registrados como empregados pelo contribuinte são, também, remunerados por meio de pessoas jurídicas conforme discriminado na Tabela 6 do item 40 do relatório fiscal (fls. 74/75). Constatouse que muitas das pessoas jurídicas, em favor de quem foram formalizados esses pagamentos, tinham o mesmo endereço, reforçando a conclusão de que elas foram criadas para dissimular o vinculo do segurado empregado com o contribuinte, objetivando não pagar tributos. A título de exemplo, citase o endereço: Rua Brasil, n° 129, sala 01, Dias Dávila (BA), que é o endereço formal de 50 dessas pessoas jurídicas (conforme Anexo 13). Percebese, dessa forma, que não foi um único elemento/constatação/fato que levou à fiscalização a concluir pela conduta fraudulenta aplicada à totalidade dos pagamentos formalizados como se efetuados às pessoas jurídicas, mas a combinação de todos esses fatos e circunstâncias que levou a essa conclusão. Por sua vez, constatase, pela leitura das peças impugnatórias e dos elementos de prova que foram juntados aos autos por ocasião da defesa, que esses fatos, narrados pela fiscalização, não foram infirmados pelos impugnantes. Os documentos juntados às fls. 902/1.016 evidenciam que, dentre as obrigações das pessoas jurídicas, havia a obrigatoriedade de utilização de técnica que observasse os padrões e procedimentos de engenharia aplicados pela Jpnor (item 3 dos instrumentos contratuais). A natureza dos serviços prestados, inseridos no objeto social do autuado, aliada à vinculação dos prestadores aos procedimentos aplicados (determinados) pela Jpnor, conforme instrumentos contratuais que eram firmados pelos administradores do autuado, demonstram, como concluiu a fiscalização, que os prestadores estavam subordinados às diretrizes dos administradores do contribuinte. Além disso, o fato do autuado contratar plano de saúde em favor das pessoas físicas, sócias ou responsáveis pelas pessoas jurídicas referidas, mesmo que se considere que havia ressarcimento, não é compatível com uma relação contratual, conforme foi formalizado e como alegado na defesa, em que deveria haver autonomia entre contratante e os contratados prestadores de serviço. Como é de conhecimento notório, a contratação de plano de saúde, por um empregador, em favor de um número significativo de trabalhadores, ainda que tenha o custo individual dessa contratação integralmente transferido para eles, é mais vantajosa para os beneficiários pessoas físicas (quando considerada a questão preço) do que a decorrente de uma negociação efetuada exclusivamente entre pessoas físicas e Fl. 1862DF CARF MF 28 planos de saúde, sendo que em alguns casos (planos de saúde, seguros de saúde) não há sequer a possibilidade de haver contratação diretamente por pessoas físicas. Sendo assim, no caso em análise, resta evidenciado que havia a preocupação do autuado em favorecer as pessoas físicas (sócios) vinculadas às pessoas jurídicas referidas pela fiscalização. Ora tal circunstância é mais consentânea com uma relação em que haja subordinação jurídica, o que aliado ao conteúdo dos instrumentos contratuais reforçam a conclusão fiscal. A apreciação dos mesmos instrumentos contratuais (fls. 902/1.016) evidencia que a contratação dos serviços que seriam prestados pelas pessoas jurídicas interpostas se dava com base em um contrato padrão, as obrigações e direitos dos contratados eram, basicamente, os mesmos. Tal constatação demonstra que os contratantes não podiam estabelecer obrigações contratuais específicas, o que também é mais consentâneo com uma relação em que não há autonomia na relação contratual. Dessa feita, uma vez que os impugnantes não juntaram aos autos elementos para demonstrar em relação a qualquer dos casos arrolados pela fiscalização que a contratação e a prestação se deu numa relação autônoma, temse que deve ser prestigiada a conclusão fiscal pela presença de subordinação jurídica entre o autuado e os sócios/responsáveis legais das pessoas jurídicas formalizadas como prestadores de serviços. Por sua vez, conforme se observa, nos instrumentos contratuais de prestação de serviços, notadamente nas cláusulas que tratam do preço e da forma de pagamento, os pagamentos pelos serviços prestados eram efetuados mensalmente até o 5° dia útil subsequente à realização dos serviços. Tal circunstância, além de indicar observância, nos casos tratados, a dispositivo legal aplicável ao pagamento de salários a empregados (CLT, artigo 459, § 1°), reforça a conclusão fiscal de que as remunerações não eram eventuais. Observase, ainda, que a prestação de serviços e a remuneração ocorreram durante todo o ano de 2010, tendo sido tal relação originada em anos anteriores, por exemplo, 2003, conforme informado pela fiscalização, o que corrobora a conclusão da continuidade na prestação de serviços. Por meio da apreciação do Anexo 08 (fls. 717/721), constatase que, de fato, o enquadramento na CNAE efetuado pelas pessoas jurídicas que serviram para dissimular a remuneração de segurados empregados, se refere a atividades que podem ser atribuídas a atividades necessárias à consecução objeto social do autuado quando se considera seu objeto social conforme demonstrado nos documentos de fls. 144/193. Os impugnantes admitem que os serviços prestados pelas pessoas jurídicas arroladas pela fiscalização como utilizadas para fraudar o Fisco são técnicos e especializados na área de engenharia (por exemplo, conteúdo da fl. 1.567), o que corrobora a informação fiscal de que as atividades contratadas estão inseridas no objeto social da autuada, restando demonstrada, também sob a perspectiva da integração do tipo Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 16 29 dos serviços prestados à natureza da empresa, a não eventualidade dos serviços contratados. Constatase pela apreciação do Anexo 12 (fls. 1.018/1.022) que as pessoas jurídicas por meio da qual foi formalizada a contratação e o pagamento da prestação de serviços não tinham empregados, sendo os sócios os únicos segurados. O demonstrativo Anexo 13 demonstra que pessoas jurídicas por meio das quais ocorreu a remuneração de pessoas jurídicas, conforme relato fiscal, tinham endereços/domicílios tributários integralmente coincidente. Por exemplo, o contribuinte com o CNPJ 08.427.252/000103, informou como seu domicílio tributário o mesmo endereço do contribuinte com CNPJ 10.633.831/000154, qual seja, Av. Brasil, n° 129, sala 01, CEP. 42850000, Dias D'Ávila. Esse fato também pode ser comprovado pela apreciação das cópias de notas fiscais juntadas (Anexo 15) de fls. 1.118/1.249. Tal situação corrobora a conclusão fiscal relativamente à conduta fraudulenta adotada no caso sob apreciação, uma vez que, sendo as pessoas formalizadas como sócias das pessoas jurídicas referidas nos autos, segurados empregados do autuado, não há, de fato, necessidade de espaço próprio, por parte dessas pessoas jurídicas para desenvolvimento de suas atividades negociais/administrativas: os serviços prestados eram integralmente, conforme relato fiscal, inseridos no ambiente de negócios do autuado. Da apreciação do Anexo 14 Relação dos lançamentos contábeis completos das contas prestadores de serviço extraído do Livro Razão (SPED) (fls. 1.029/1.117) verificase a ocorrência de emissão de notas fiscais pessoas jurídicas referidas nos autos contra o contribuinte de forma sequencial, como consta no relatório fiscal. Por exemplo, essa é a situação da Yokosol Serviços Administrativos ME, que emitiu no ano de 2010, apenas contra o contribuinte, a notas fiscais de 38 a 81, conforme se verifica às fls. 1.029/1027. ARGUMENTOS ACERCA DA VALIDADE DOS INSTRUMENTOS CONTRATUAIS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESSOA FÍSICA. É notório que o procedimento fraudulento descrito pela fiscalização pressupõe a formalização de uma contratação ficta contendo disposições que determinem a observância de todas as obrigações sociais e tributárias da contratada. Portanto, o fato de constarem nos instrumentos contratuais cláusulas dessa natureza em nada comprova, diante das demais constatações apresentadas pela fiscalização, a efetividade dos negócios jurídicos ali formalizados. Pelas mesmas razões, tais documentos não podem ser acolhidos para afastar a pessoalidade, sobretudo quando se percebe que os serviços sempre, em todos os casos considerados pela Fl. 1864DF CARF MF 30 fiscalização, foram prestados pelas pessoas físicas formalizadas como sócias/representantes legais das pessoas jurídicas, como evidenciou as GFIP enviadas em nomes dessas pessoas jurídicas (que demonstram a inexistência de qualquer empregado nas suas atividades). Ao contrário do que entendem os impugnantes, a ausência de exigência de exclusividade no instrumento contratual, por si só, não é capaz de afastar a vinculação da pessoa física contratada com o RGPS na condição de segurado empregado. A uma, porque no presente caso, a exclusividade foi demonstrada pela emissão de notas sequenciais em favor apenas da autuada. A duas, porque um empregado pode ter múltiplos vínculos contratuais. Os impugnantes também alegam que têm ciência de que as pessoas jurídicas prestadoras de serviços contratadas pela autuada prestaram serviços para outras empresas. Contudo, limitamse a alegar sem sequer apontar quais seriam essas empresas. A constatação, com base em informações elaboradas pela autuada, de que todos os prestadores de serviços emitiam notas fiscais sequenciais, que muitos deles compartilharam endereços (inclusive com mesmo número de sala) como domicílio tributário, aliado aos demais elementos que levaram a conclusão de que houve adoção de prática recorrente e fraudulenta (conforme relatado), ao contrário do que querem os impugnantes, torna desnecessária a busca, por meio de auditorias específicas, em cada uma das pessoas jurídicas, de mais elementos para comprovar que a contratação real se deu entre a autuada e as pessoas físicas e não com pessoas jurídicas. Além disso, a contratação de despesas com plano de saúde em favor dos responsáveis legais/sócios das pessoas jurídicas formalizadas como contratadas evidencia que havia, além da subordinação, a pessoalidade. Esclareçase que a conclusão de que ocorreu fraude não se dá em função de uma única circunstância ou elemento identificado pela fiscalização, com base, por exemplo, nas contabilizações da autuada, mas decorre da apreciação conjunta de todas as circunstâncias e fatos narrados no relatório fiscal que foram corroborados por documentos e demonstrativos juntados (Anexos) aos autos que não foram infirmados pelos impugnantes. Ademais os impugnantes poderiam ter juntado aos autos, qualquer elemento para comprovar que, ao menos uma das pessoas jurídicas, no período considerado, prestou serviços para outras contratantes, de modo a suscitar dúvidas acerca das conclusões fiscais. Contudo, como isso não ocorreu, temse mais uma vez que devem ser prestigiadas as informações fiscais. Os impugnantes também afirmam que dados contábeis foram manipulados com intuito deliberado de caracterização de uma situação fática desfavorável à autuada, contudo, não indicam como e quais os valores foram manipulados e não apresentam provas para fundamentar essa alegação. Portanto, suas alegações nesse sentido não merecem prosperar. Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 17 31 Apesar dos impugnantes alegarem que os empregados listados na tabela 06 do item 40 do relatório fiscal prestaram serviços diferentes daqueles concernentes à relação mantida com a autuada (como segurados empregados), não constituindo a remuneração por consultoria fraude ou complemento salarial, não juntaram aos autos qualquer elemento para esclarecer que a natureza do serviço prestado (formalizado em favor de pessoas jurídicas constituídas por empregados que constam de suas folhas de pagamento) é distinta dos serviços que são prestados pelas pessoas físicas dos sócios dessas empresas na condição de segurados. Tal esclarecimento era imprescindível para desacreditar a conclusão fiscal, sobretudo, porque o agente fiscal, inclusive, trouxe no relatório fiscal, a título de exemplo, uma situação que corrobora sua conclusão de que houve complementação salarial fraudulenta com a participação de pessoas jurídicas. Especificamente, restou demonstrada a incompatibilidade da remuneração formalizada pela autuada em favor de um de seus gerentes (diretor financeiro), concomitantemente, com a ocorrência de remuneração a pessoa jurídica de titularidade dessa mesma pessoa física, em montantes compatíveis com a função, considerada a amplitude do objeto social que é descrito pelos impugnantes. É o caso de Altemar Barbosa Cardoso, CPF, n° 400.915.03515, diretor administrativo e financeiro, que teve como remuneração mensal formalizada a quantia de R$ 584,33, em 2010. Ele que é diretor e sócio da Gema Consultoria Planejamento e Apoio Administrativo Ltda, CNPJ n° 07.461.196/000160 e da Gerenproj Engenharia e Serviços Ltda, CNPJ n° 01.507.593/000140, e por meio dessas pessoas jurídicas, auferiu, o valor de R$ 298.484,80 (conforme Anexo 10), valor de remuneração mais verossímil que aquele formalizado nas folhas de pagamento, quando se considera o faturamento auferido pelo autuado em 2010 e o fato de que se trata do diretor administrativo financeiro da empresa. Em face de todo o exposto, a conclusão fiscal no sentido de o contribuinte tem por conduta contumaz a contratação de segurados empregados por meio de empresas interpostas, com o intuito de impedir o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador de tributos (contribuição previdenciária) deve ser prestigiada. Por todo o exposto, e do conjunto probatório constante dos autos, constatase a prática da empresa contratar segurados empregados por meio de pessoa jurídica interposta, em busca de evitar os encargos trabalhistas e previdenciários. Revelase, portanto, correta apuração das contribuições devidas sobre a remuneração dos segurados empregados. Destarte, negase provimento ao recurso na matéria. Fl. 1866DF CARF MF 32 Da qualificação da multa de ofício É, sim, cabível a aplicação da sanção pecuniária em relação às exigências mantidas no presente acórdão, ex vi do art. 35A da Lei 8.212/1991, na redação vigente à época dos fatos geradores. Ademais, quanto à qualificação da multa, entendese que não assiste razão aos recorrentes. Inicialmente, de notarse que a qualificação da multa somente foi aplicada ao levantamento PJ LANÇAMENTO PEJOTIZAÇÃO. Para este levantamento, como já registrado nesse voto, a auditoria relatou que o contribuinte se utilizou da interposição de pessoas jurídicas para impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, relativa aos segurados empregados identificados (vide relação de fls. 75/80). Resta, portanto, demonstrado o dolo do contribuinte caracterizado pela sua vontade livre e consciente de praticar a conduta ilícita e de obter determinado resultado, realizando os atos descritos nos tipos legais (sonegação e conluio), atraindo a qualificação da multa, prevista no art. 44, §1o da Lei no 9.430/1996 c/c art. 71 da Lei no Lei 4.502/1964. Desse modo, deve ser mantido o lançamento e negado provimento ao recurso voluntário na matéria. Das autuações por descumprimento de obrigação acessória O principal argumento das recorrentes, para questionar os Autos de Infração nºs 51.068.7148, 51.068.7156, 51.068.7164 e 51.068.7172 é o de que para a suposta infração já foi aplicada a multa prevista no art. 35A da Lei 8.212/1991. De pronto, necessário afastarse esse entendimento. Para tanto, vejamos os dispositivos legais associados à multa prevista no art. 35A da Lei n.o. 8.212/1991: [Lei no 8.212/1991] Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). [Lei no 9.430/1996] Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifouse) Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10580.729530/201417 Acórdão n.º 2402005.719 S2C4T2 Fl. 18 33 II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Da leitura do inciso I, do art. 44, da Lei no 9.430/1996, observase que a multa cominada no art. 35A da Lei no. 8.212/1991 pune conjuntamente as condutas de (a) falta de pagamento ou recolhimento, (b) de falta de declaração e (c) declaração inexata. Logo, a partir da edição da MP no 449/2008, convertida na Lei no 11.941/2009, não é possível a aplicação da multa prevista no art. 35A conjuntamente com a multa prevista no art. 32A, que pune a apresentação de declaração com incorreções (inexata), porque resultaria em dupla punição pela mesma conduta. No entanto, esse não é o caso dos autos. Os autos de infração nos 51.068.7148, 51.068.7156, 51.068.7164 e 51.068.7172 foram aplicados pelo descumprimento de obrigações acessórias diversas da declaração inexata, como demonstrado no relatório fiscal. Em cada auto de infração, está indicada a obrigação acessória e o dispositivo legal infringido e a previsão da multa aplicável. Tratandose de obrigações acessórias específicas, capituladas em dispositivos legais independentes, aplicadas a condutas diferentes entre si, correta a aplicação da penalidade pelo descumprimento de cada uma delas, não tendo sido as mesmas punidas pela multa prevista no art. 35A da Lei no 8.212/1991. Com relação ao AI 51.068.7164, o autuado afirma, ainda, haver apresentado todos os documentos solicitados nos Termos de Intimação fiscal e que a multa é destituída de equidade e razoabilidade. No entanto, não trouxe ao feito qualquer comprovação de que teria feito a entrega dos documentos ao Fisco, o que poderia facilmente ser feito pela juntada de um recibo. Também não trouxe ao feito, cópias dos documentos reclamados como não apresentados pela auditoria. A multa, por sua vez, foi aplicada nos termos da lei. Cabendo à autoridade administrativa a aplicação da lei, sob pena de responsabilidade, impossível ao julgador administrativo afastála sob fundamento de falta de equidade ou razoabilidade. Desse modo, ausente a comprovação das suas alegações, deve ser mantido também o AI 51.068.716 4, Rejeitado, assim, o recurso na matéria. Fl. 1868DF CARF MF 34 Do arrolamento de bens Nos termos do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria CARF n.o. 343/2015, a competência do CARF foi assim estabelecida: Art. 1º Compete aos órgãos julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (grifouse) Desse modo, falece competência a este Conselho para se pronunciar acerca de controvérsia relativa a arrolamento de bens, pelo que o recurso deve ser não conhecido nessa matéria. Da responsabilidade dos administradores Davi Barbosa de Azevêdo, Carlos Gonzalez Garcia e Pablo Saraiva Ribeiro Garcia defendem a inexistência de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, que pudesse lhes chamar à responsabilidade. Como demonstrado no relatório fiscal (fls. 86/87), esta Turma de Julgamento entendeu caracterizado o dolo do sujeito passivo na contratação de trabalhadores por empresa interposta. Esta conduta caracteriza infração ao art. 71 da Lei no 4.502/64, como já demonstrado no tópico referente à qualificação da multa de ofício. De outro ângulo, examinando os contratos do contribuinte com as interpostas pessoas jurídicas, observase que foram assinados justamente pelas pessoas aqui chamadas à responsabilidade. Demonstrado que as pessoas físicas participaram diretamente dos atos que caracterizam a infração a lei, resulta correta, portanto, a atribuição de responsabilidade a estes administradores, nos termos da previsão expressa no art. 135, inciso III, do CTN. Digase, por fim, que a referida responsabilidade não exclui o contribuinte do polo passivo da obrigação, visto não haver determinação expressa na lei nesse sentido, como previsto no art. 128 do CTN. Recurso rejeitado na matéria. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer em parte dos recursos voluntários, para rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento aos recursos. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Fl. 1869DF CARF MF
score : 1.0
