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Numero do processo: 10830.727787/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Havendo pedido expresso de desistência, o recurso não deve ser conhecido.
Numero da decisão: 1301-001.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário interposto, em virtude de desistência.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade.Jenier. Presidiu a sessão o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Havendo pedido expresso de desistência, o recurso não deve ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário interposto, em virtude de desistência. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade.Jenier. Presidiu a sessão o Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães. Ausente, justificadamente o Conselheiro Valmar Fonsêca de Menezes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 77 87 /2 01 2- 83 Fl. 3359DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727787/201283 Acórdão n.º 1301001.573 S1C3T1 Fl. 3.288 2 Relatório MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0540.911, de 28 de junho de 2013, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. A recorrente foi cientificada do auto de infração relativo ao IRPJ e CSLL, no valor de R$ 20.363.518,06, incluindo multa e juros. A autuação decorreu de glosa de despesas com royalties pagos, considerados pela fiscalização como tendo sido pagos acima dos limites legais e regulamentares e, ainda, de indenizações trabalhistas, consideradas indedutíveis pelo Fisco, por não estarem previstas na legislação trabalhista ou em acordos ou convenções e, assim. se caracterizarem como mera liberalidade o seu pagamento. Inconformada, impugnou tempestivamente o lançamento, instaurando a fase litigiosa do presente processo administrativo fiscal. Suas alegações foram sintetizadas no acórdão recorrido, nos seguintes termos: Irresignada com as autuações, a contribuinte ofereceu sua impugnação, juntada aos autos a fls. 2872/2893. Das despesas de royalties Após apresentar um breve resumo sobre os fundamentos dos autos de infração impugnados, argumenta que os cálculos realizados pela Fiscalização foram relativamente simples, pois: apurouse a receita líquida de vendas de produtos sujeitos ao pagamento de royalties (A); identificaramse as importações de partes relacionadas (B) e excluiuse o valor das importações da receita líquida de vendas e multiplicouse o resultado por 5% à limite de dedutibilidade = (A – B) x 5% Tendo em vista que o IRRF foi arcado pela impugnante, reconheceu que a Fiscalização ajustou o limite de dedutibilidade, “de forma a incluir o montante do IRRF”. Após confirmar o valor das receitas apurados pela Fiscalização, alega que “dois relevantes equívocos” foram cometidos, os quais, no entender da autuada, comprometeriam o trabalho fiscal. Sustenta que o primeiro equívoco se refere às pessoas jurídicas consideradas como “parte relacionadas” no levantamento das operações de importação. No anexo IV, identificou 82 operações de importação das empresas não relacionadas Interplex Electronic Hangzhou Co Ltd., Hankzhou Eastcom Cellular Phone Co Ltd. e Fusungta Holdings Co Ltd., as quais não integram o Grupo Motorola nem estão Fl. 3360DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727787/201283 Acórdão n.º 1301001.573 S1C3T1 Fl. 3.289 3 relacionadas com a impugnante por qualquer outro motivo, consoante demonstram as telas do SISCOMEX juntadas aos autos a fls. 2924 a 2926. Por conseguinte, as operações realizadas com estas empresas não poderiam ser levadas em consideração para fins da apuração dos royalties pagos. Acrescenta “que está tentando obter documentos adicionais visando a comprovar tal afirmação, no que está encontrando dificuldades, por não serem empresas do mesmo grupo, mas requer, desde já, a apresentação de documentos adicionais nesse sentido”. O segundo equívoco estaria relacionado “à falta de segregação das operações de importação, de acordo com a aplicação dos bens importados”, porquanto se deixou de analisar “se os produtos importados seriam aplicados na fabricação de bens sujeitos ao pagamento de royalties ou não”. Ressalta “que nem todos os produtos produzidos e comercializados pela Impugnante geram necessidade de pagamento de royalties à Motorola Inc. Há produtos integralmente desenvolvidos e produzidos no Brasil e, assim, sobre as respectivas receitas é fato inconteste que não há o pagamento de royalties ao exterior”. No entanto, mesmo para tais produtos, há importação de componentes utilizados na fabricação. Cita o exemplo do celular modelo U3, produzido no Brasil, mas com 30% de componentes importados. Como tal situação não teria sido levada em consideração pela Fiscalização, as importações de componentes para a fabricação destes aparelhos foram indevidamente consideradas para fins de dedução das receitas líquidas de produtos sujeitos ao pagamento de royalties. Complementa: Os dois equívocos mencionados acima geraram um aumento indevido do valor das importações de partes relacionadas, o que, consequentemente, reduziu indevidamente o suposto limite de remessa de royalties no período e aumentou o valor das despesas glosadas pelas dd. autoridades fiscais. Requer, por conseguinte, que seja reconhecida a nulidade das autuações por inobservância do disposto no artigo 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, o qual determina a correta “determinação da exigência” como condição de validade do lançamento fiscal. Subsidiariamente, requer a revisão dos valores adotados a título de importação de pessoas relacionadas. Requer, nos termos do artigo 16, IV, do Decreto nº 7.235, de 1972, a realização de perícia para a solução dos seguintes quesitos: (i) A totalidade das importações de partes relacionadas indicado no auto de infração referese a componentes utilizados em produtos que geram o pagamento de royalties? (ii) Em caso de resposta negativa, qual seria o valor das importações de partes relacionadas efetivamente vinculadas a produtos que geram o pagamento de royalties? Fl. 3361DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727787/201283 Acórdão n.º 1301001.573 S1C3T1 Fl. 3.290 4 Nomeia como assistente técnico o Sr. Davi Rodrigues Gonçalves, CRC/SP 2 3.4095/02, RG 20.483.4788. Prossegue, argumentando que o lançamento fiscal foi baseado na premissa de que os royalties pagos seriam dedutíveis até o limite estabelecido pelo INPI quando da averbação dos contratos, ou seja, “até o limite de 5% das receitas líquidas de venda, depois da dedução dos valores das importações de partes relacionadas”. Tal entendimento se fundamentou no disposto no § 3º do artigo 355 do RIR/99. O qual determina que os pagamentos a título de royalties serão dedutíveis após a averbação dos respectivos contratos e nos termos dessa averbação: (...) omissis Aduz que, enquanto o caput e os §§ 1º e 2º teriam fundamentos nas leis e nos decretosleis indicados, o § 3º não teria qualquer supedâneo legal, o que afronta o princípio da estrita legalidade em matéria tributária, que veda a inovação normativa por meio de Considera, por conseguinte, inadmissível a limitação imposta pelo RIR/99 sem qualquer base legal. Defende que, quando o RIR/99 fala em condições da averbação, quer dizer as “condições para a averbação e não condições para a dedutibilidade que, afinal, está fixada na própria lei que não prevê tal limitação”. Conclui que “a dedutibilidade das despesas de royalties está limitada ao montante de 5% das receitas líquidas de vendas dos produtos fabricados, independentemente da averbação do respectivo contrato perante o INPI e das condições dessa averbação, uma vez que essa condição não está prevista na legislação fiscal”. Complementa, argumentando que a sua conclusão decorre do bom senso, pois não poderia um decreto atribuir ao INPI competência de determinar as condições de dedutibilidade das despesas com a remessa de royalties. Considera legítima a dedutibilidade integral dos royalties remetidos, os quais não superaram o limite legal de 5% das receitas líquidas de venda. Transcreve decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em 28/10/1987, nos autos da AMS 109.706 – RS – TFR: (...) omissis Sustenta que as arguições expedidas devem ser objeto de decisão dos tribunais administrativos, uma vez que se requer o afastamento da aplicação de decreto por ilegalidade, não por inconstitucionalidade. Corrobora sua tese com o disposto no artigo 62 do Regimento Interno do CARF e com a decisão exarada no Acórdão nº 0105.125 do CSRF, de 18/10/2004 (fls. 2886/2887). Da dedutibilidade das despesas com demissão de funcionários Argumenta que, não obstante as despesas com recolocação de exfuncionários e bônus especial pago a eles não sejam determinadas por lei, “tais pagamentos Salienta que esta política mundial tem por objetivo prestigiar o trabalho dos funcionários desligados em decorrência de reestruturação, não consistindo em liberalidade, “mas de política interna com claras regras quanto a seus beneficiários e benefícios”. Fl. 3362DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727787/201283 Acórdão n.º 1301001.573 S1C3T1 Fl. 3.291 5 O objetivo negocial de tal política é, a seu ver, claro, pois procura manter a satisfação dos funcionários que permanecem na empresa e de minimizar ações trabalhistas contra a ela. Reconhece que a política global, em 2007, não havia sido formalizada em documentos escritos, mas tal prática já era aplicada consistentemente e salienta que a existência da despesa não foi questionada pela Autoridade Fiscal, mas apenas a sua dedutibilidade. Transcreve o artigo 107 do Código Civil, o qual prescreve que a validade de um contrato independe de qualquer formalidade ou da existência de documento escrito: (...) omissis Alega que a política em questão é “claramente evidenciada pela existência de inúmeras ações trabalhistas nas quais funcionários e exfuncionários” pleiteiam “o recebimento do bônus especial e/ou o custeio de serviços de recolocação profissional”. Informa que saiu vitoriosa na grande maioria das ações trabalhistas, porque, o Poder Judiciário não obstante tenha admitido a existência do programa, decidiu que não se aplicaria às reclamantes. Argumenta que as diretrizes contábeis (doc 6) também demonstram a existência da política em discussão, prevendo as situações em que tais pagamentos são realizados e a sua forma de contabilização Apesar de formalizadas em 2010, elas demonstram que a política de demissão em exame em nada se equipara a uma liberalidade. Considera que, se um funcionário fosse demitido em tais condições e não recebesse as parcelas em questão, teria uma grande probabilidade de êxito em eventual lide judicial. Caso se tratasse de uma liberalidade, não jamais seria condenada ao pagamento de tais parcelas. Conclui que as despesas em questão são dedutíveis por serem absolutamente necessárias à sua atividade e à manutenção da respectiva fonte produtora, conforme o disposto no artigo 299 do RIR/99. Sustentando que a obrigação tributária está submetida ao princípio da estrita legalidade e que ela deve decorrer do disposto expressa e objetivamente na lei, assevera que a despesa será necessária “quando for inerente à atividade da empresa, ou dela decorrente, ou com ela relacionada, ou surgir simplesmente da existência da empresa ou do papel social que a mesma desempenha”. Conclui pela dedutibilidade das despesas incorridas. Do pedido Ante o exposto, requer que sejam reconhecidos os equívocos cometidos pela Fiscalização, anulandose as autuações impugnadas. Subsidiariamente, requer que seja reconhecido que não existe fundamento legal para limitar a dedutibilidade dos royalties aos termos da averbação dos contratos pelo INPI e que os gastos incorridos com a demissão dos funcionários são dedutíveis. Fl. 3363DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727787/201283 Acórdão n.º 1301001.573 S1C3T1 Fl. 3.292 6 Requer, outrossim, que sejam revistos os valores levantados pela Fiscalização no que tange às importações de partes não vinculadas bem como importações de componentes de celulares cuja venda não está sujeita ao pagamento de royalties. Por fim, requer que seja realizada a perícia nos termos já expostos A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do o Acórdão n° 0540.911, de 28 de junho de 2013, considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: ROYALTIES. DEDUTIBILIDADE. Os valores remetidos ao exterior a título de royalties são dedutíveis até os limites impostos em lei, observandose as condições fixadas pelo INPI quando da averbação dos contratos de transferência de tecnologia, nos termos do § 3º do artigo 355 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999. CÁLCULO DA VALOR DEDUTÍVEL. Não apresentadas pela Impugnante provas e argumentos hábeis a afastar a correção efetuada pela Fiscalização no cálculo do valor dedutível apresentado pela Impugnante, deve ser mantida a sistemática adotada na autuação. Procedese a adequação do cálculo apenas em relação a deduções a título de importações de empresa cuja justificativa da condição de coligada, imputada pela Fiscalização e questionada pela Impugnante, não foi encontrada nos autos. DECRETO. LEGALIDADE. Não compete ao órgão julgador administrativo decidir sobre alegações oferecidas na impugnação que sustentem a ilegalidade de Decreto Presidencial. VALORES PAGOS A FUNCIONÁRIOS DEMITIDOS. DEDUTIBILIDADE. Não são dedutíveis tanto os valores gastos com recolocação de funcionários demitidos como o bônus especial pago a eles, se tais despesas não estiverem previstas em normas trabalhistas ou em cláusulas do contrato de trabalho (expressas ou tácitas). PEDIDO POR JUNTADA DE PROVAS. Indeferese o pedido para juntada de provas após o oferecimento da impugnação, em observância ao disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972. Deve ser indeferido o pedido por realização de perícia que se revela prescindível ao julgamento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão do lançamento decorrente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 3364DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727787/201283 Acórdão n.º 1301001.573 S1C3T1 Fl. 3.293 7 Ciente da decisão de primeira instância 17/07/2013, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/08/2013. No recurso interposto, a recorrente reitera as alegações trazidas na sua impugnação, aditando ainda que: a) Em caráter preliminar, alega a nulidade da decisão recorrida que teria desconsiderado os argumentos e provas apresentadas pela recorrente de forma desmotivada e, ainda, indeferiu o pedido de perícia ao argumento de que a fundamentação apresentada pela recorrente não foi suficiente para “criar dúvidas” no julgador. b) Ainda, em preliminar, alega a nulidade do lançamento fiscal por conter equívocos na determinação do limite de dedutibilidade dos royalties. c) No mérito, alega que em lançamento posteriormente realizado pelo Fisco, relativo ao anocalendário: 2008, sobre os mesmos fatos (dedução de despesas com royalties), a própria fiscalização reconheceu que as empresas Hankzhou e Fusungta não tinham vínculo com a recorrente, não as incluindo entre as empresas vinculadas cujas importações foram consideradas para fins de cálculo da limitação de dedutibilidade dos royalties. d) No mesmo lançamento realizado, relativo ao ano 2008, as autoridades fiscais também teriam reconhecido que diversos valores de insumos importados adquiridos de partes relacionadas, considerados no lançamento sob exame, não geraram o pagamento de royalties e, portanto, não foram deduzidos da base de cálculo dos royalties daquele período (2008). (Anexa cópia do Termo de Verificação Fiscal para comprovação do alegado). Ao final, requer que seja dado provimento ao recurso, reconhecendo os equívocos na determinação da glosa da despesas com royalties, decretando a nulidade do lançamento fiscal, em razão de sua absoluta falta de motivação. Alternativa e sucessivamente requer, o cancelamento integral da autuação, em face da falta de fundamento legal para limitar a dedutibilidade dos royalties de acordo com os termos de averbação do contrato de tecnologia pelo INPI e da dedutibilidade dos gastos comprovadamente incorridos na demissão de funcionários. Requer ainda, alternativamente, a anulação da decisão da decisão de primeira instância, para que após a realização da perícia solicitada, que certamente sanará os equívocos existentes na determinação do montante tributável, aquela instância profira novo julgamento. Fl. 3365DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727787/201283 Acórdão n.º 1301001.573 S1C3T1 Fl. 3.294 8 Em 27/01/2014, a interessada protocolizou pedido de desistência do recurso voluntário interposto em face da decisão de primeiro grau, renunciando às respectivas alegações de direito, diante da opção pela liquidação à vista dos débitos fiscais com os descontos da anistia prevista nas Leis nº 11.941/2009 e 12.865/2013. É o Relatório. Fl. 3366DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727787/201283 Acórdão n.º 1301001.573 S1C3T1 Fl. 3.295 9 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário interposto é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais. Não obstante, tendo em vista o pedido expresso de desistência formulado em petição protocolizada em 27/01/2014 junto à unidade de origem (doc. Fls. 3283/3286), atendido o disposto § 1º do art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. nº 256/09, o recurso não deve ser conhecido Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário interposto. Sala de Sessões, em 05 de Junho de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 3367DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 25 /07/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10930.904446/2012-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 46 /2 01 2- 18 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904446/201218 Acórdão n.º 3803004.796 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904446/201218 Acórdão n.º 3803004.796 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904446/201218 Acórdão n.º 3803004.796 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 16004.001137/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 04 .0 01 13 7/ 20 08 -4 7 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001137/200847 Resolução nº 2401000.375 S2C4T1 Fl. 572 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo e demais devedores solidários contra o Acórdão n.º 1431.494 de lavra da 9.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.181.7862. A lavratura em questão referese à aplicação de multa em razão da conduta da empresa de deixar de declarar todas as contribuições previdenciárias devidas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP. Conforme o relato do fisco que a autuada declarouse indevidamente como optante pelo Simples, deixando de informar as contribuições patronais. Apontase que a empresa exerceu exclusivamente a atividade de locação de mãodeobra, contrariando assim a legislação do Simples, razão pela qual foi excluída deste regime tributário, em 10/06/2008, mediante o Ato Declaratório Executivo n. 59, cujos efeitos retroagiram a 11/06/2003. Passo a reproduzir trecho do relatório da decisão de primeira instância, no qual são narrados fatos que levaram o fisco a atribuir a responsabilidade solidária pelo crédito a diversas pessoas físicas e jurídicas: “Discorre acerca da operação "Grandes Lagos" desencadeada pela Policia Federal tendo como objeto a obtenção de provas de ilícitos praticados por organização constituída com objetivo de sonegar tributos e eximir os titulares de fato de suas responsabilidades trabalhista e previdenciária. Prossegue relatando a existência do "Núcleo Mozaquatro", indicando as pessoas físicas e jurídicas que o integravam, reportandose aos Anexos I e II, nos quais apresenta os fatos e documentos que caracterizam o grupo cm questão. Com base na análise da documentação a qual teve acesso a fiscalização, constatouse a existência de grupo econômico de fato formado pelas empresas: Coferfrigo ATC Ltda, Distribuidora de Carnes e Derivados Sao Luis Lida, Comercial de Carnes Boi Rio Ltda, Frigorífico Caromar Ltda, Nogueira e Poggi Lida, Pedretti e Magri Lida, Frigorífico Mega Boi Ltda, Friverde Indústria de Alimentos Ltda, Transverde Produtos Alimentícios Lida, CM4 Participações Ltda, Indústrias Reunidas CMA Ltda, Comercial Reis Produtos Bovinos Lida e Wood . Comercial Ltda, além das pessoas físicas Joao Pereira Fraga, Alfeu Crozato Mozaquatro, Marcelo Buzolin Mozaquatro e Patricia Buzolin Mozaquatro. Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária em relação a todas essas pessoas jurídicas e físicas, encontrandose nos autos cópias dos referidos termos e dos comprovantes de recebimento dos mesmos pelos interessados. Tece considerações acerca da solidariedade existente entre empresas integrantes do grupo econômico, citando a legislação atinente. Afirma que a Comercial Reis foi constituída por intermédio de interpostas pessoas em seu quadro societário ("laranjas") exclusivamente para locar mãodeobra à Fl. 572DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001137/200847 Resolução nº 2401000.375 S2C4T1 Fl. 573 3 empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda. O sócio José Roberto Barbosa aparece no banco de dados institucional CNIS como empregado da CMA antes e depois do período de atividades da Comercial Reis. Apresenta relação de elementos juntados: (a) notas fiscais de prestação de serviços da Comercial Reis e demonstrativo de receitas e do SIMPLES; (b) documentos que apresentam a Sra. Deusa (encarregada do departamento pessoal da CMA) como pessoa da Comercial Reis para contato; (e) declarações de empregados da Comercial Reis. Finaliza mencionando os elementos que integram o Al, os demais AI lavrados, a caracterização, em tese, de ilícito de natureza penal. Afirma que foram enviadas cópias do Al aos sujeitos passivos solidários, assegurandolhes o exercício do direito de defesa. Integra a autuação o Anexo I no qual a fiscalização tece considerações inúmeras acerca das empresas ostensivas do "Grupo Mozaquatro" (empresas formalmente constituídas pelos membros da família Mozaquatro); das plantas frigoríficas utilizadas pelo grupo; das empresas constituídas por interpostas pessoas com o objetivo de fornecer a mãodeobra de que o grupo necessitava. Discorrese detalhadamente sobre cada empresa integrante do grupo, inclusive a Comercial Reis, e pessoas físicas vinculadas as mesmas, além da caracterização do grupo econômico e da solidariedade existente entre as empresas que o integram, procedendose, ainda, ajuntada de inúmeros documentos totalizando referido anexo 12 (doze) volumes. O Anexo II igualmente é composto por inúmeros documentos, tomando corpo em 21 (vinte e um) volumes, trazendo ao final o relatório denominado "VINCULAÇÃO ENTRE AS EMPRESAS NO GRUPO ECONÔMICO DE FATO — 'GRUPO MOZAQUATRO'", no qual são relacionados numerosos elementos probatórios que demonstram a vinculação entre as diversas empresas consideradas integrantes do grupo em questão, bem como, das pessoas físicas abrangidas pelo contexto fático.” As pessoas físicas Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro em conjunto com as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda impugnaram o crédito, lançando argumentos para questionar as suas inclusões no polo passivo da exigência mediante a utilização de presunção e de provas ilícitas. A autuada em sua defesa apresentou inconformismo contra a sua exclusão do Simples, primeiro porque não foi regularmente cientificada do Ato Declaratório e, depois, pelo fato do mesmo haver produzido efeitos retroativos. O Sr João Adson Fraga, na qualidade de inventariante do espólio de João Pereira Fraga, também apresentou peça impugnatória, na qual tenta afastar a responsabilidade imputada ao “de cujos” alegando que a única relação que possuía relação com o Grupo Mozaquatro foi o arrendamento de instalações industriais da Cofercarnes, da qual era sócio, para a empresa Coferfrigo, pertencente ao referido grupo. Sustenta que era, inclusive, inimigo do controlador do Grupo Mozaquatro, o Sr. Alceu Mozaquatro. Assevera que ocorreu decadência parcial do crédito, além de que teve o seu direito de defesa cerceado, posto que a Fl. 573DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001137/200847 Resolução nº 2401000.375 S2C4T1 Fl. 574 4 lavratura foi totalmente edificada em presunções do fisco e não lhe foram apresentados os elementos necessários ao exercício da ampla defesa. Na apreciação das defesas, a DRJ declarou procedente o lançamento e manteve os vínculos de solidariedade imputados pela auditoria. Da mesma forma como na defesa, interpuseram recurso conjunto Alceu Crozato Mozaquatro, Patrícia Buzolin Mozaquatro e Marcelo Buzolin Mozaquatro e as empresas Indústrias Reunidas CMA Ltda e CM4 Participações Ltda. Na sua peça de inconformismo apresentaram as alegações abaixo. A prova emprestada do inquérito policial decorrente da “Operação Grandes Lagos” não é meio lícito para fundamentar a responsabilidade tributária dos recorrentes, uma vez que naquele procedimento não foram observados as garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Não sendo válidas as provas apresentadas, não se pode inverter o “onus probandi”, para se exigir dos recorrentes que demonstrem a inexistência dos fatos que deram ensejo a sua responsabilidade fiscal. De outra banda, o lançamento viola o princípio da presunção de inocência, uma vez que a ação penal baseada no referido inquérito ainda não teve trânsito em julgado. Ao final, pedem a anulação do AI. O inventariante de João Pereira Fraga manifestouse contra a decisão da DRJ, lançando os argumentos que se seguem. Deve prevalecer o entendimento expresso na declaração de voto do acórdão recorrido, que defendeu a conversão do julgamento em diligência para que fosse juntado o comprovante de ciência do ato que excluiu a autuada do Simples. O “de cujos” nunca foi sócio, administrador, colaborador ou preposto da empresa autuada, da qual sequer sabia a existência. A contribuinte possui patrimônio suficiente para fazer frente aos débitos lançados, portanto, não é razoável que se busque alcançar pessoas estranhas à empresa. O Sr. João Fraga apenas era procurador da empresa Coferfrigo em conta bancária utilizada para pagamento de gado por ela adquirido, não tendo sequer vínculo comercial com a autuada. Para que este pudesse assumir a condição de solidário pelas contribuições exigidas, o fisco teria que provar a sua relação com o contribuinte ou, ao menos, que teria interesse comum em seus negócios. A autoridade fiscal não conseguiu demonstrar o vínculo entre Comercial Reis Produtos Bovinos, Coferfrigo e João Fraga. Assim não há na espécie os requisitos legais para a responsabilização deste último. As exigências relativas ao período de 07 a 12/2003 encontramse fulminadas pela decadência, haja vista que na falta de demonstração pelo fisco da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deve ser aferido pelo § 4. do art. 150 do CTN. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001137/200847 Resolução nº 2401000.375 S2C4T1 Fl. 575 5 A lavratura merece anulação pelo fato de faltar clareza e precisão quanto aos motivos que dariam ensejo à responsabilização do Sr. João Fraga. Esse fato demonstra o claro prejuízo da pessoa arrolada como devedora solidária. O Sr. João Fraga está impedido de se defender na medida em que não possui acesso aos documentos e à contabilidade da empresa autuada. A impossibilidade de defesa do administrado também é causa de nulidade da autuação. O fisco incorreu em total ilegalidade ao desconsiderar a personalidade jurídica da Comercial Reis Produtos Bovinos e atribuir ao espólio de João Pereira Fraga a responsabilidade pelas contribuições supostamente não adimplidas. Não se comprovou nos autos que a empresa autuada fora regularmente intimada a apresentar a comprovação de que declarara as quantias exigidas, sendo que o espólio, na qualidade de pessoa estranha, não tem como verificar esse fato. Acrescenta que a lavratura mediante arbitramento com base em provas emprestadas somente é admitida quando fundamentada na legislação de regência, o que não ocorreu no presente caso. Ao final, pediu a decretação de nulidade do AI, a sua exclusão do polo passivo ou o reconhecimento da improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 16004.001137/200847 Resolução nº 2401000.375 S2C4T1 Fl. 576 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que preenchem os requisitos de tempestividade e legitimidade. Necessidade de sobrestamento do feito Verifico na espécie que o deslinde da presente contenda reclama a solução de um outro processo administrativo que sabemos ainda não foi concluído. Tratase do processo n.º 16004.000454/200846, que se refere à discussão acerca da exclusão do sujeito passivo do Simples. Ressaltese que essa questão foi inclusive motivo de declaração de voto no julgamento de primeira instância, onde os julgadores vencidos entenderam pela necessidade de conversão em diligência para verificação do feito relativo à exclusão do Simples. Assim, tendose em conta o caráter de prejudicialidade do mencionado processo de exclusão do Simples frente à lavratura sob apreciação, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que os autos retornem à origem e somente subam para apreciação por esse Colegiado, quando se tenha o trânsito em julgado do processo em que se discute a situação da recorrente perante o regime simplificado de recolhimento. Facultese aos interessados o prazo legal para manifestação acerca do resultado da diligência. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/06 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11522.000919/2010-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/08/2010
NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIOS, PLANILHAS, TABELAS QUE EXPÕE DE FORMA CLARA, OBJETIVA E PRECISA A INFRAÇÃO PRATICADA PELA RECORRENTE. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CLARA. OBJETIVA E ADEQUADA. LANÇAMENTO LASTREADO EM VIOLAÇÃO À LEI. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E GARANTIAS LEGAIS RESPEITADAS. CÁLCULO DA MULTA. APLICAÇÃO DA MULTA MÍNIMA DA ÉPOCA DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO. REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL QUE PERMITIA A APLICAÇÃO DA MULTA EM VIGOR NO MOMENTO DA LAVRATURA DO AUTO.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o valor da multa mínima seja reformada, aplicando a multa mínima em vigor na competência dezembro/2007 e assim recalcular o valor final da multa aplicada no auto de infração, após a exacerbação pela aplicação da agravante pela ocorrência de dolo, conforme determina a legislação. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Lara dos Santos e Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 26/08/2010 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIOS, PLANILHAS, TABELAS QUE EXPÕE DE FORMA CLARA, OBJETIVA E PRECISA A INFRAÇÃO PRATICADA PELA RECORRENTE. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CLARA. OBJETIVA E ADEQUADA. LANÇAMENTO LASTREADO EM VIOLAÇÃO À LEI. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E GARANTIAS LEGAIS RESPEITADAS. CÁLCULO DA MULTA. APLICAÇÃO DA MULTA MÍNIMA DA ÉPOCA DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO. REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL QUE PERMITIA A APLICAÇÃO DA MULTA EM VIGOR NO MOMENTO DA LAVRATURA DO AUTO. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
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secao_s : Segunda Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o valor da multa mínima seja reformada, aplicando a multa mínima em vigor na competência dezembro/2007 e assim recalcular o valor final da multa aplicada no auto de infração, após a exacerbação pela aplicação da agravante pela ocorrência de dolo, conforme determina a legislação. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Lara dos Santos e Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2118; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 133 1 132 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11522.000919/201019 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2803003.237 – 3ª Turma Especial Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria CP: AUTO DE INFRAÇÃO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL. Recorrente COOPERATIVA DOS PROPRIETÁRIOS DE VEÍCULOS E MÁQUINAS PESADAS EM GERAL DO ESTADO DO ACRE COOPERCAM. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/08/2010 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. RELATÓRIOS, PLANILHAS, TABELAS QUE EXPÕE DE FORMA CLARA, OBJETIVA E PRECISA A INFRAÇÃO PRATICADA PELA RECORRENTE. DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. CLARA. OBJETIVA E ADEQUADA. LANÇAMENTO LASTREADO EM VIOLAÇÃO À LEI. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E GARANTIAS LEGAIS RESPEITADAS. CÁLCULO DA MULTA. APLICAÇÃO DA MULTA MÍNIMA DA ÉPOCA DO COMETIMENTO DA INFRAÇÃO. REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL QUE PERMITIA A APLICAÇÃO DA MULTA EM VIGOR NO MOMENTO DA LAVRATURA DO AUTO. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o valor da multa mínima seja reformada, aplicando a multa mínima em vigor na competência dezembro/2007 e assim recalcular o valor final da multa aplicada no auto de infração, após a exacerbação pela aplicação da agravante pela ocorrência de dolo, conforme determina a legislação. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Lara dos Santos e Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 00 09 19 /2 01 0- 19 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000919/201019 Acórdão n.º 2803003.237 S2TE03 Fl. 134 2 Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000919/201019 Acórdão n.º 2803003.237 S2TE03 Fl. 135 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.213.7326, CFL.99, “outras situações a capitular”, estando a infração capitulada no Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 39, com período de apuração de 05/2005 a 12/2007, conforme Termo e Início de Ação Fiscal TIAF, de fls. 05 e 06. A infração foi capitulada pelo agente fiscal, conforme trecho de seu REFISC, que transcrevo. Na análise da documentação apresentada pela empresa, verificouse que a mesma não realizou a retenção devida pelos cooperados, tendo em vista que se trata de cooperativa de transporte, e dos transportadores autônomos ao SEST/SENAT. Também não realizou a referida retenção devida pelos transportadores autônomos que prestaram serviços à cooperativa. Com isso, a empresa infringiu o art. 7°, da Lei 8.706 de 14/09/1993, que determina que a empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições devidas pelo contribuinte individual transportador rodoviário autônomo, destinadas ao SEST e ao SENAT, incidentes sobre o valor do frete. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 30/06/2010, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, de fls. 01. O contribuinte apresentou sua defesa, em 30/07/2010, as fls. 55 a 64, acompanhada dos documentos, de fls. 65 a 87. Consta, as folhas 112, Termo de Apensação (2) onde se esclarece que este processo foi juntado por apensação ao processo nº 11522.000909/201075, em 10/02/2012, sendo este último, considerado o principal. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 0125.280 5ª, Turma DRJ/BEL, em 29/06/2012, fls. 113 a 121. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 30/08/2013, conforme AR, de fls. 122. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 125, recebido, em 30/09/2013, conforme carimbo de recepção, de fls. 125, e razões recursais, as fls. 126 a 132, desacompanhado de qualquer documento. Preliminar. · que o depósito prévio é desnecessário; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000919/201019 Acórdão n.º 2803003.237 S2TE03 Fl. 136 4 Mérito. · que foi aplicada multa a empresa em razão desta não ter realizado as retenções devidas ao SEST/SENAT, mas que consta no campo descrição sumária “outras situações, a capitular”, sendo assim a infração é inexistente, bem como inexiste o dispositivo legal infringido, não podendo o auto prosperar a luz da legalidade, pois não descrita e tipificada a infração; · que não consta dos autos os documentos de onde foram as informações extraídas, tais como: nomes dos segurados; bases de cálculo, as contribuições devidas as informações não retificadas pela cooperativa e as competências onde ocorreram as omissões; · que consta dos autos que a infração foi “outras situações, a capitular”, mas no REFISC está descrita outra infração “ter deixado de realizar as retenções devidas ao SEST/SENAT”, não sendo possível, assim, saber qual a infração cometida, o que obstaculiza o direito de defesa da recorrente, devendo o fisco lavrar autuação clara e precisa, artigo 293, do RPS; · que é dever do fisco instruir o AI com todos os elementos que provam a infração, pois do contrário a recorrente fica impossibilitada de ter acesso aos documentos utilizados, violandose o artigo 9º, do Decreto 70.235/72, o que caracteriza cerceamento de defesa; · que as competências 05/2005 e 06/2005 estavam fulminadas pela decadência SV Nº 08 STF, devendo ser aplicado o artigo 150, §4º, do CTN, pois temse lançamento na modalidade homologação; · que apesar do REFISC dizer que os elementos de provas em si citados estão anexados nos autos, estas provas não estão especificadas, mas concluímos tratarse de: documentos contendo os fatos geradores; origens dos créditos, demonstrativos e etc, mas que todavia não estão anexados, salvos os relatórios gerados automaticamente com a emissão do AI; · que além das contradições do REFISC, erros nas bases de cálculo, falta de demonstrativos claros e precisos e dos vícios insanáveis, está a constituição do auto eivada de cerceamento de defesa do início ao fim, o que por si só leva a sua nulidade, pois o REFISC não atende as suas finalidades, não oportunizando a ampla defesa e contraditório, por não atender ao artigo 661, da IN MPS 03/2005 e o artigo 9º, do Decreto 70.235/72, devendo o crédito ser decretado improcedente, pois o fisco não provou sua origem; · Requerimento: a) acolhimento das razões recursais, com a reforma da decisão a quo, decretandose a nulidade do lançamento; b) ou pela redução dos valores lançados. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000919/201019 Acórdão n.º 2803003.237 S2TE03 Fl. 137 5 A autoridade preparadora não se manifestou quanto à tempestividade do recurso. Não há despacho de encaminhamento ao CARF. É o Relatório. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000919/201019 Acórdão n.º 2803003.237 S2TE03 Fl. 138 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Preliminar. A única preliminar suscitada referese a desnecessidade do depósito prévio, este matéria já estava ultrapassada, quando do lançamento do presente crédito, uma vez que tal exigência fora revogada pela MP 413/2008, convertida na Lei 11.727/2008. Mérito. No presente PAF, o que está lançado é multa por descumprimento de obrigação acessória, ou seja, o contribuinte recorrente deixou de cumprir com o seu dever legal e não cumpriu o seu dever instrumental, conforme definido no artigo 115, da Lei 5.172/66 e determinado pelo artigo 7º, da Lei 8.706/93. Ficou demonstrado de forma alabastrina pelos documentos apresentados que a empresa cooperativa recorrente possui trabalhadores em seu quadro funcional, como cooperados transportadores e transportadores autônomos , devendo em relação a esses arrecadar a contribuição em razão destes em favor de outras entidades e fundos – terceiros, que ela não fez. Aliás, o agente fiscal lançador bem esclareceu a questão, em seu REFISC, de fls. 39, nos trechos que a seguir transcrevo, onde fica expresso que apesar de se utilizar da mão de obra de trabalhadores de diversas categorias, não promove a arrecadação das contribuições mediante desconto da remuneração destes, violando, assim o seu dever legal. Na análise da documentação apresentada pela empresa, verificouse que a mesma não realizou a retenção devida pelos cooperados, tendo em vista que se trata de cooperativa de transporte, e dos transportadores autônomos ao SEST/SENAT. Também não realizou a referida retenção devida pelos transportadores autônomos que prestaram serviços à cooperativa. Com isso, a empresa infringiu o art. 7°, da Lei 8.706 de 14/09/1993, que determina que a empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto, as contribuições devidas pelo contribuinte individual transportador rodoviário autônomo, destinadas ao SEST e ao SENAT, incidentes sobre o valor do frete. A recorrente está equivocada a capitulação da infração (descrição sumária) e o dispositivo legal infringido estão estabelecidos no REFISC, de fls 39, e, acima, mencionados, Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000919/201019 Acórdão n.º 2803003.237 S2TE03 Fl. 139 7 bem como o dispositivo legal da multa aplicada está expresso na folha de rosto do autos de infração. A infração cometida não é “outras situações, a capitular” esta é a descrição genérica do AI CFL.99 que se aplica a situações que não estão definidas nas codificações mais comuns. Contudo, os elementos descritivos da autuação e sua capitulação legal estão descritos e expressos no REFISC e isso de forma alguma implica em capitulação da conduta em duas infrações distintas como quer fazer crer a recorrente. Desta forma, os artigos 9º, do Decreto 70.235/72 e 293 do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99 estão plenamente atendidos. Quanto as informações que a recorrente diz serem inexistentes no lançamento, tais como: nome dos cooperados não informados; para quais a remuneração foi informada a menor; base de cálculo e alíquotas aplicadas, comete novo engano a recorrente, pois estas informações estão todas nos autos do processo principal 11522.000909/201075, basta observar a planilha de fls.100 a 102, bem como os documentos, de fls. 1.298 a 1.318, corroborados pelos documentos, de fls. 1.330 a 1.365 e 1.367 a 1.368, todos fornecidos pela recorrente e que foram utilizados como base informações pelo agente, conforme itens 62 a 68, do REFISC que transcrevo, bem como no Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 18 a 22, e itens 71 e 72, do REFISC, abaixo transcritos, constando estas informações e documentos dos autos do processo principal 11522.000909/201075. 62. Em resposta à intimação, a cooperativa apresentou as cópias das notas emitidas no período solicitado, sendo que na maioria delas estava escrito manualmente o nome dos cooperados que foram os beneficiários das respectivas notas, sem detalhar o valor recebido por cada um deles (fls. 33 a 72 do Anexo VI). 63. Neste caso, para obter o valor recebido por cada cooperado informado, dividiuse o valor total da nota pelo número de segurados informados. 64. Nas notas fiscais de serviços n° 21, 22, 23 e 24, não foram informados os nomes dos beneficiários, nem o valor recebido. 65. Como não houve o detalhamento da informação, dividiuse o valor total das notas pelo número de cooperados ativos na data de pagamento das respectivas notas. 66. Ressaltase que em alguns casos, foram informados nomes de trabalhadores que não eram cooperados filiados a COOPERCAM. Esses trabalhadores foram considerados como segurados contribuintes individuais na condição de transportadores autônomos, que serão tratados posteriormente no presente relatório. 67. Dessa forma, foi elaborado um relatório, no qual consta a relação dos trabalhadores beneficiados em cada nota fiscal, contendo o nome do segurado, se é cooperado ou não, a placa do veículo, o valor atribuído ao segurado, o valor total da nota, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000919/201019 Acórdão n.º 2803003.237 S2TE03 Fl. 140 8 número da nota fiscal, data da emissão, data do pagamento e competência considerada para o cálculo (fls. 93 a 97). 68. Com base nas informações constantes no relatório descrito no item anterior, foi elaborado um outro relatório (fl. 99 a 100), no qual é agrupado por competência, o valor atribuído a cada cooperado, bem como a base de cálculo da contribuição previdenciário (20% do valor atribuído) e o valor da contribuição devida pelo segurado (11% sobre a base de cálculo). 71. Dessa forma, elaborouse um relatório (fl. 104) no qual consta a competência do pagamento, o nome do segurado, o valor total pago, a base de cálculo (20% do valor total), o desconto da contribuição previdenciária devida pelo segurado (11% sobre a base de cálculo até o limite máximo do salário de contribuição), os valores da base de cálculo e do desconto do segurado declarados na GFIP e a diferença entre as informações apuradas e declaradas na GFIP dos respectivos valores. 72. Dessa forma, para efeito de lançamento, consideraramse apenas os valores constantes nas colunas relativas às diferenças apuradas. As provas utilizadas pelo agente lançador e fornecidas estão todas inclusas nos autos e fazendo parte do presente lançamento e nos tópicos específicos de seu REFISC o agente lançador fez a devida correlação entre os fatos e as provas de forma clara, objetiva e precisa cita todos os elementos utilizados, o que se inicia no item 7, do REFISC e prossegue nos itens 12 a 14 e 26, sendo que neste último identifica os anexos elaborados relacionadoos com as folhas do processo, por sua vez nos item 28 a 30, cita os anexos e as respectivas folhas do processo, onde neste última cita especificamente o LRE – Livro Registro de Empregados. Retoma a respectiva correlação das provas nos itens 32 a 35, novamente, relacionando os anexos com as folhas do processo, o mesmo se passa com os itens 37; 39; 43; 49; 51 a 54; 58; 62; 67; 69; 71; 78; 85; 89; 93; 95; 98. Além de citar textualmente em várias passagens do REFISC os elementos de provas pelo nome como notas fiscais, GFIP, livros e etc, estando todas estas nos autos do processo principal Nº 11522.000909/201075. Aliás, quanto a isso o agente lançador é expresso em dizer, o que a seguir transcrevo, no REFISC dos autos principais, estando a empresa recorrente ciente disso deste o início. COMPOSIÇÃO DOS DÉBITOS 106. Os débitos apurados foram separados de acordo com o tipo (segurados, empresa e outras entidades), tendo como o de maior valor o processo principal e, os outros apensados a esse. Assim, os elementos de prova apresentados pelo contribuinte no presente relatório fiscal serão anexados apenas ao processo principal. (grifo do original). Verifico que todos os princípios informadores do procedimento e do processo administrativo fiscal estão contemplados e respeitados no presente PAF não havendo violação a qualquer um deles, em especial ao artigo 9º, do Decreto 70.235/72. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000919/201019 Acórdão n.º 2803003.237 S2TE03 Fl. 141 9 No presente crédito não ocorre a decadência suscitada pelo contribuinte recorrente e dois fatores demonstram a não ocorrência da decadência, inicialmente, e como asseverado pelo agente lançador REFISC ficou caracterizada a ocorrência de dolo por parte do contribuinte, condição essa que leva ao agravamento da multa e a aplicação da regra decadencial do artigo 173, I, da Lei 5.172/66, observe o trecho transcrito. Em conformidade com inciso II , do art. 290, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 08/05/1999, constitui circunstância agravante da infração, ter o infrator agido com dolo, fraude ou máfé. Na análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, verificase que o mesmo cometeu várias irregularidades como a contratação de segurados empregados com se fossem estagiários, numa clara tentativa de elidir as contribuições previdenciárias devidas, não declarar e não recolher as contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços e mesmo em relação aos cooperados declarou e informou apenas parte dos fatos geradores relativos a tais segurados. O agravante é que as irregularidades foram cometidas de forma sistemática, em todas as competências onde ocorreram fatos geradores de contribuição previdenciária, caracterizamse assim como prática reiterada de omissão dos referidos fatos geradores. Dessa forma, não resta dúvida que houve a intenção do contribuinte em reduzir a contribuição previdenciária devida pelo mesmo, havendo assim a ocorrência de dolo. Ainda, que o agente lançador não tivesse caracterizado o dolo a regra de decadência continuaria a ser do artigo 173, I, da Lei 5.172/66 para o lançamento em questão, pois estamos no campo da obrigação acessória e não existe antecipação da pagamento nesse caso, o que enseja a aplicação da regra exposta, veja o que diz o Superior Tribunal de Justiça – STJ. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN Assim sendo, pela aplicação da regra do artigo 173, I, da Lei 5.172/66 seja pela ocorrência de dolo ou pela não realização da antecipação do pagamento, por se tratar de obrigação acessória, não se verifica a ocorrência de decadência, ficando mais esta alegação afastada. A simples leitura do REFISC da a exata noção da existências de todos os elementos exigidos pelo artigo 142, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 9º, do Decreto 70.235/72 e do atendimentos o artigo 661, da IN/SRP Nº 03/2005 apesar de que este artigo não estava mais em vigor quando do lançamento do crédito. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000919/201019 Acórdão n.º 2803003.237 S2TE03 Fl. 142 10 Seção II Relatório Fiscal Art. 661. O relatório fiscal objetiva a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, de forma a permitir o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, a propiciar a adequada análise do crédito e a ensejar ao crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal.(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) O agravamento da aplicação da multa está lastreado no artigo 290, II, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, que autorização tal exacerbação no caso da ocorrência de dolo. Todavia, entendo que a fixação do patamar mínimo da multa como sendo de R$ 1.410,79, nos termos da Portaria Interministerial MPS/MF Nº 350/2009, que divulgou o novo valor, está incorreto, pois o parágrafo 8º, do artigo 32, da Lei 8.212/91 que autorizava a aplicação do valor da multa vigente no momento da lavratura do auto de infração foi revogado pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009. Assim sendo, em obediência ao artigo 37, caput, da CRFB/88, princípio da legalidade, moralidade e eficiência, devese aplicar o artigo 106, II “c” c/c o artigo 112, IV, ambos, da Lei 5.172/66 e desta forma a multa mínima a ser aplicada deve ser a maior que estivesse em vigor no período de 05/2005 a 12/2007, pois em todas essas competências houve o cometimento da infração. A multa variou de 05/2005 – R$ 1.101,75 a 12/2007 – R$ 1.195,13 PT/MPS 142/2007, assim a multa aplicada no presente AI dever ser o valor mínimo em 12/2007 – R$ 1.195,13, multiplicado pelo índice de agravamento três vezes, conforme artigo 292, II, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, o que leva a multa final ao valor de R$ 3.585,39. Indefiro o pedido de produção de provas posteriores, em regra, as provas devem ser produzidas nos termos do artigo 16, parágrafo 4º, do Decreto 70.235/72, não sendo mais possível produzilas por impossibilidade lógica findo o julgamento, em especial o de segunda instância. Destarte, inexiste quaisquer motivos para que se decrete a improcedência do presente lançamento. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 11522.000919/201019 Acórdão n.º 2803003.237 S2TE03 Fl. 143 11 Assim com esses esclarecimentos rejeito todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial para que o valor da multa mínima seja reformada, aplicando a multa mínima em vigor na competência dezembro/2007 e assim recalcular o valor final da multa aplicada no auto de infração, após a exacerbação pela aplicação da agravante pela ocorrência de dolo, conforme determina a legislação. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 17546.000486/2007-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1997 a 30/01/1998
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF DOS ARTIGOS 45 E 46 DA Lei nº 8.212/91. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN).
A NFLD substituída, quando lavrada, alberga período acobertado pela decadência.
Numero da decisão: 2301-003.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1997 a 30/01/1998 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF DOS ARTIGOS 45 E 46 DA Lei nº 8.212/91. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). A NFLD substituída, quando lavrada, alberga período acobertado pela decadência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1841; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.348 1 1.347 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 17546.000486/200704 Recurso nº 161.363 Voluntário Acórdão nº 2301003.928 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de fevereiro de 2014 Matéria NFLD Contribuições previdenciárias Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMERICAS AMBEV Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 30/01/1998 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF DOS ARTIGOS 45 E 46 DA Lei nº 8.212/91. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). A NFLD substituída, quando lavrada, alberga período acobertado pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Luciana de Souza Espindola Reis, Adriano Gonzales Silvério e Manoel Coelho Arruda Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 04 86 /2 00 7- 04 Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.848.4197, a qual exige contribuições previdenciárias do tomador de serviços de mãodeobra, em razão do instituto da responsabilidade solidária, pelo fato de a autuada não manter em seus arquivos, as notas fiscais do fornecedor, folhas de pagamento dos funcionários colocados a sua disposição e as GRPS especificas, vinculadas às faturas. Apurase do Relatório Fiscal que a presente NFLD foi lavrada em substituição à NFLD nº 35.847.9142, a qual teria sido anulada pela DN n° 21.424.4/0338/2006, de 02/05/2006. Analisando os autos verificamos a seguinte passagem no relatório fiscal: “Durante a ação fiscal, na qual foi lavrada a NFLD n° 35.847.9142, a empresa foi intimada a apresentar todas as notas fiscais de prestação de serviço, contratos de prestação de serviço, comprovantes de recolhimento prévios específicos e demais documentos previstos na legislação Previdenciária, que viessem a elidir a responsabilidade solidária, através dos TIAD — TERMO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS de 21/09/2004 e 30/09/2005, os quais foram apresentados parcialmente, motivo pelo qual foi lavrado o competente Auto de Infração.” A fiscalização arrolou outras empresas como solidariamente responsáveis pelo tributo lançado, em virtude de ter entendido que fazem parte de grupo econômico, configurado nos termos do artigo 30, inciso IX, da Lei 8.212/91. Aplicouse ainda a aferição indireta na apuração das contribuições aqui exigidas, pelos fundamentos a seguir expostos no relatório fiscal: Durante a ação fiscal, na qual foi lavrada a NFLD n° 35.847.9142, a empresa foi intimada a apresentar todas as notas fiscais de prestação de serviço, contratos de prestação de serviço, comprovantes de recolhimento prévios específicos e demais documentos previstos na legislação Previdenciária, que viessem a elidir a responsabilidade solidária, através dos TIAD TERMO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS de 21/09/2004 e 30/09/2005, os quais foram apresentados parcialmente, motivo pelo qual foi lavrado o competente Auto de Infração. A empresa não cumpriu com o previsto na Lei 8.212, de 14/07/1991, no artigo 31, parágrafo 4, e na Ordem de Serviço INSS/DAF n°176, de 05/12/1997, item 12. As bases de calculo foram obtidas por aferição indireta, conforme previsto na legislação em vigor à época dos fatos, conforme item 13. Os elementos examinados foram as Notas Fiscais de Prestação de Serviços. Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 17546.000486/200704 Acórdão n.º 2301003.928 S2C3T1 Fl. 1.349 3 A ora recorrente, devidamente intimada, apresentou sua impugnação alegando o seguinte: i) nulidade por cerceamento de defesa, haja vista não ter tido acesso aos autos; ii) impossibilidade de responsabilizar outras empresas que supostamente fazerm parte do grupo; iii) decadência do direito do Fisco constituir seus créditos tributários; iv) ausência de fiscalização na empresa contratada (Vetor); v) ausência de débito da prestadora de serviços; vi) inaplicabilidade da responsabilidade solidária aos seus administradores; vii) indevida apuração da Contribuição relativa à rubrica dos segurados; e viii) impossibilidade de utilização da Taxa Selic. Apresentaram impugnação contestado a responsabilidade solidária decorrente de configuração de grupo econômico as seguintes empresas: Cervejarias Reunidas Skol Caracu SA; Fazenda do Poço Agrícola e Florestamento; Arosuco Aromas e Suco Ltda; Cervejaria Miranda Correa SA; Distribuidora de Bebidas Antarctica de Manaus Ltda; Morena Distribuidora de Bebidas Ltda; CRBS SA; Agrega Inteligência em Compras Ltda; BSA Bebidas Ltda; Pepsi Cola Engarrafadora Ltda; Ice Tea do Brasil Ltda; ITB Ice Tea do Brasil Ltda; Transportadora Lizar Ltda; Eagle Distribuidora de Bebidas Ltda; Industria de Bebidas Antarctica do Sudeste SA e Fratelli Vita Ltda; A primeira instância manteve em parte a autuação, entendendo pela exclusão do pólo passivo a empresa Industria de Bebidas Antarctica do Sudeste SA.e para excluir os valores referentes às contribuintes de terceiros, A autuada e as demais empresas responsáveis solidárias apresentaram recurso voluntário. Subiram os autos ao E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sendo que essa E. 1ª Turma, determinou a conversão em diligência, a fim de verificar a incidência ou não do artigo 173, inciso II, do CTN, a integralidade da NFLD nº 35.847.9142, bem como a DN n° 21.424.4/0338/2006, de 02/05/2006. A autoridade administrativa às fls. 1270 apresentou informação fiscal, por meio da qual, anexou o processo n° 35481.000109/200660, DEBCAD 35.847.9142, que trata do lançamento substituído por esta NFLD. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Decadência Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 Por se tratar a decadência de matéria cujo reconhecimento prejudica o mérito da demanda administrativa, passo apreciar esse tema em sede de preliminar. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. O Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 17546.000486/200704 Acórdão n.º 2301003.928 S2C3T1 Fl. 1.350 5 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos verificase que a NFLD nº 35.9142 (substituída) foi anulada tendo em vista que foram levantados débitos em relação a 13 prestadores de serviço, os quais não foram cientificados do lançamento. Assim entendeu a Decisão Notificação: Nos casos de responsabilidade solidária, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito deve ser emitida contra ambos os devedores solidários, integrando o prestador de serviços o polo passivo da demanda, na expressão "e outro", devendo ser perfeitamente identificado no relatório fiscal e a ele ser enviada cópia dos elementos essenciais do lançamento, sendolhe dada oportunidade para se defender e apresentar provas. Essa determinação, restou expressa dentre outros normativos, na Instrução Normativa INSS/DC n° 70, de 10 de maio de 2002, que prescrevia no § 4 o do seu artigo 296 que "para os fins previstos no § 1o do art. 37 da Lei n° 8.212, de 1991, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverá ser remetida a todos os responsáveis solidários pelo pagamento desse crédito". Tendo em vista que foram levantados débitos em relação a 13 prestadores de serviço, o vício apontado não comporta saneamento, pois se mostra inviável a complementação do Relatório Fiscal e o envio dos demais elementos da NFLD às empresas prestadoras de serviço, em face do disposto no artigo 198 do Código Tributário Nacional A decisão acima, por sua vez, não qualificou o vício existente no lançamento, razão pela qual fazêlo, nesse momento, não implica, a meu ver, em violação à coisa julgada, até porque, como previsto no artigo 469, inciso I, do Código de Processo Civil, o qual pode ser utilizado subsidiariamente nessa questão, é claro em dispor que “os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença” não fazem coisa julgada. Essa tarefa, portanto, cabe a esse E. CARF, pois diante da preliminar de decadência suscitada no apelo voluntário, é deveras importante fixar o dies a quo do prazo, tendo em vista que o Código Tributário Nacional prevê situação extravagante quando a decisão definitiva tiver anulado, por vício formal, o lançamento anterior. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 17546.000486/200704 Acórdão n.º 2301003.928 S2C3T1 Fl. 1.351 7 Como visto, a NFLD substituída apurou débito de contribuições previdenciárias relativo a terceiras empresas, as quais não foram comunicadas para exercer o direito a ampla defesa e ao contraditório, vício meramente formal quanto a ausência de cientificação. Contudo, ainda que seja formal o vício, a regra do artigo 173, inciso II, do CTN não se aproveita ao caso concreto, não convalida a NFLD atual, pois fato é que quando da lavratura da NFLD substituída já havia ocorrido a decadência qüinqüenal, seja nos termos do artigo 150, 4º do CTN ou mesmo do artigo 173, inciso I, pois o presente lançamento referese às competências de 01/1996 a 01/1999 e o contribuinte foi intimado do lançamento em 20/01/2006. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 02/07 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 14486.720040/2013-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
SUSPENSÃO DO PROCESSO. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. OBJETO DIVERSO DA MATÉRIA TRATADA NOS AUTOS.
A existência de ação judicial que tem por objeto matéria diversa da tratada no lançamento fiscal não tem o condão de suspender o processo administrativo, nem configura renúncia à instância administrativa.
DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
As informações de imposto devido constantes das declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica (DIPJ) não constituem confissão de dívida, devendo ser constituído de ofício o lançamento respectivo se não foram confessados em DCTF.
Numero da decisão: 1402-001.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010 SUSPENSÃO DO PROCESSO. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. OBJETO DIVERSO DA MATÉRIA TRATADA NOS AUTOS. A existência de ação judicial que tem por objeto matéria diversa da tratada no lançamento fiscal não tem o condão de suspender o processo administrativo, nem configura renúncia à instância administrativa. DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. As informações de imposto devido constantes das declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica (DIPJ) não constituem confissão de dívida, devendo ser constituído de ofício o lançamento respectivo se não foram confessados em DCTF.
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EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. OBJETO DIVERSO DA MATÉRIA TRATADA NOS AUTOS. A existência de ação judicial que tem por objeto matéria diversa da tratada no lançamento fiscal não tem o condão de suspender o processo administrativo, nem configura renúncia à instância administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 SUSPENSÃO DO PROCESSO. EXISTÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. OBJETO DIVERSO DA MATÉRIA TRATADA NOS AUTOS. A existência de ação judicial que tem por objeto matéria diversa da tratada no lançamento fiscal não tem o condão de suspender o processo administrativo, nem configura renúncia à instância administrativa. DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOFISCAIS DA PESSOA JURÍDICA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. As informações de imposto devido constantes das declarações de informações econômicofiscais da pessoa jurídica (DIPJ) não constituem confissão de dívida, devendo ser constituído de ofício o lançamento respectivo se não foram confessados em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 6. 72 00 40 /2 01 3- 01 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 14486.720040/201301 Acórdão n.º 1402001.722 S1C4T2 Fl. 402 2 (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 14486.720040/201301 Acórdão n.º 1402001.722 S1C4T2 Fl. 403 3 Relatório INEPAR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, autorizada pelo Mandado de Procedimento FiscalFiscalização nº 09.1.01.00201200985, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido. Auto de Infração de IRPJ O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 224231) exige o recolhimento de R$ 5.388.564,56 de imposto, R$ 4.041.423,42 a título de multa de lançamento de ofício de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e R$ 1.075.018,63 de juros de mora, além de R$ 2.694.282,28 de multa de ofício exigida isoladamente. O lançamento fiscal, com base no lucro real anual, nos termos dos arts. 904 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999), decorre das seguintes infrações: ausência de declaração em DCTF ou em DCOMP do imposto de renda devido no ajuste anual do anocalendário de 2010, conforme descrito no Termo de Verificação fiscal (fls. 220223), com infração ao disposto no art. 841, I, III e IV, do RIR de 1999: (=) lucro real não declarado...........................................R$ 21.725.714,53 (+) imposto de renda: alíquota de 15% ..........................R$ 3.258.857,18 adicional ......................................R$ 2.148.571,45 ( ) imposto de renda retido na fonte ...............................R$ 18.850,38 ( ) imposto de renda pago por estimativa.......................R$ 13,69 (=) imposto de renda a pagar..........................................R$ 5.388.564,56 multa de ofício isolada de 50% sobre estimativa de IRPJ devida e não recolhida, conforme planilha de fl. 219, com infração ao disposto no art. 44, II, “b” da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, e arts. 222 e 843 do RIR de 1999: 31/12/2010........................................................................R$2.694.282,28 Fl. 405DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 14486.720040/201301 Acórdão n.º 1402001.722 S1C4T2 Fl. 404 4 Auto de Infração de CSLL O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 233240) exige o recolhimento de R$ 1.943.460,03 de contribuição, R$ 1.457.595,02 a título de multa de lançamento de ofício de 75% e R$ 387.720,28 de juros de mora, além de R$ 971.730,02 de multa de ofício exigida isoladamente. O lançamento decorre das mesmas infrações que deram causa ao lançamento de IRPJ e tem como fundamento o disposto nos arts. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 (com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 1990), art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065, de 1995), art. 2º da Lei nº 9.249, de 1995, e art. 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996. Impugnação Regularmente intimada em 27/02/2013, a interessada apresentou, em 27/03/2013, a tempestiva impugnação de fls. 244266, instruída com os documentos de fls. 267332, cujo teor é sintetizado a seguir: a) no tópico “Dos Fatos” relata que a fiscalização fundamenta o lançamento fiscal na ausência de declaração em DCTF ou declaração inexata, porquanto foi informada de ação declaratória que não se refere ao período em questão e foi extinta em virtude de adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941, de 2009; b) que, devido a equívoco da contabilidade da empresa, embora as guias de recolhimento tenham sido pagas em 06/2011, foi informado em DCTF número de declaratória correspondente a período estranho; que foi interposta a Ação Declaratória de Pagamento nº 1316058.2013.4.01.3400 em trâmite na 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, que tem natureza jurídica de confissão de débitos para todos os fins legais; c) no tópico “Do Pagamento Com Título da Dívida Externa” aduz que é possuidora e portadora de Título da Dívida Pública “Empréstimo de 7% em Libras Esterlinas de 1927”, denominado “STATE OF RIO DE JANEIRO” de nº 002574, emitido pelo Estado do Rio de Janeiro, pelo qual paga anualmente os juros à União Federal na forma da LOA 2009; que o Estado Brasileiro, ao emitir a obrigação e captar os valores decorrentes da poupança do povo brasileiro e estrangeiro, fez constar como cláusula da avença a obrigação cogente de que os títulos retirados, assim como os cupons vencidos, deverão ser aceitos pelo Estado como dinheiro para pagamento de impostos; d) que o ensejo da ação declaratória interposta pela empresa é garantir o caminho legal e seguro para exercer o inquestionável direito de efetuar o pagamento de tributos dos quais é devedor, ou que esteja em discussão judicial, extinguindo definitivamente o crédito tributário com a obrigação da qual é portadora; que não se discute o crédito, mas sim a forma de extinção da obrigação tributária com a utilização do crédito da empresa para pagamento de referida obrigação tributária (art. 162, I e II, do CTN); e) que o DecretoLei nº 6.019, de 1943, continua em plena vigência e o Governo tem resgatado os títulos nele recepcionados, motivo pelo qual não se pode falar em prescrição de obrigações que estão sendo resgatadas; que consta do Parecer PGFN/COF nº 618, de 2002, que a liquidação dos empréstimos consolidados da União, Estados e Municípios foi pactuada mediante acordo Fl. 406DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 14486.720040/201301 Acórdão n.º 1402001.722 S1C4T2 Fl. 405 5 com o Governo Federal, que editou o DecretoLei nº 6.019, de 1943; que no item 11 do Parecer, a Procuradoria obtempera o caráter de perpetuidade da obrigação, lembrando que o Tesouro Nacional tem a obrigação em relação a eles sempre que apresentados ao agente pagador; que soam totalmente descabidas quaisquer ilações da União querendo “tornar prescritas” obrigações que no próprio Orçamento Geral da União se encontram destinadas verbas para o seu resgate; f) no tópico “Da Ação Declaratória de Pagamento nº 13160 58.2013.4.01.3400, em Curso Perante a Seção Judiciária do Distrito Federal. Da Suspensão da Exigibilidade Administrativa Por Força da Doutrina Processual – Artigo 38 da Lei nº 6.830/80” argumenta que dentre os procedimentos a serem utilizados para impugnar o crédito tributário figura a ação declaratória, que impede a cobrança dos valores devidos até que sobrevenha decisão definitiva transitada em julgado; que o objetivo primeira desta declaratória é obter a tutela jurisdicional para ver declarado o acertamento da relação jurídica compulsória existente entre a Fazenda Pública e a empresa, o que fez ao proceder o aporte de capital e a compensação realizada através de lançamento; g) que inexistente decisão definitiva na ação declaratória proposta, resta suspensa a exigibilidade do crédito, cujo reflexo imediato e inarredável será a falta dos requisitos que instruirão o título executivo, qual seja, exigibilidade, liquidez e certeza; que ao requer em Juízo a manifestação acerca da declaração de inexistência de relação jurídica obrigacional tributária ali proposta, a empresa encerra a discussão administrativa sobre os tributos objeto de pagamento com títulos da dívida pública externa, cabendo ao Judiciário se pronunciar sobre os mesmos; que havendo ação judicial em curso, até por razoabilidade e economia processuais, devemse suspender os procedimentos administrativos até deslinde final da ação proposta, sob pena de violar a unidade de jurisdição; h) que não se trata de crédito tributário e sim financeiro, e como tal deve ser tratado, pois não conhece as limitações próprias da compensação dos primeiros; sua eficácia, validade e abrangência são oponíveis à União Federal e suas autarquias federais, cabendolhes tão somente extinguir o débito e aguardar a verificação da condição resolutória porventura existente, o resultado da ação judicial proposta e pendente de julgamento; i) no tópico “Da inconstitucionalidade Pela Imposição de Multas em Percentuais Exorbitantes e de Forma Cumulativa” assevera que não se olvida que a contribuinte deva responder à obrigação acessória, consistente na aplicação de penalidade pecuniária por não ter pagado o tributo no tempo devido; entretanto, tal qual o império no trato com as questões civis (com multas no máximo de 10%) e comerciais (com multa de 2%), o fisco, sujeito está ao albergue dos princípios constitucionais, não pode sujeitar o contribuinte a multas exorbitantes, que, na maioria das vezes, superam em muito o valor original do tributo; que a exigência de multa exorbitante afronta os princípios da isonomia (o art. 5º, caput, da Constituição Federal dispõe que todos são iguais perante a Lei), da capacidade contributiva (distribuição do ônus fiscal na capacidade contributiva do contribuinte) e da vedação ao confisco (proíbe a instituição de tributo com efeito de confisco); j) no tópico “Da Aplicação de Juros Exorbitantes” alega que os juros moratórios pela aplicação da taxa Selic fere frontalmente o princípio da Fl. 407DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 14486.720040/201301 Acórdão n.º 1402001.722 S1C4T2 Fl. 406 6 isonomia, sendo certo de que, considerando os juros maiores vigentes no direito privado, deve ser reduzido à cifra de 6% ano; que os juros de mora somente podem ser exigidos a partir da inscrição da Dívida; k) ao final requer seja recebida a acolhida a presente impugnação, uma vez que o pagamento com ativo financeiro realizado e informado se encontra em perfeita harmonia com o CTN e demais legislações aplicáveis à matéria. A delegacia de julgamento julgou a impugnação improcedente, mantendo a totalidade do crédito exigido. O contribuinte foi intimado da decisão em 11 de junho de 2013 (fl. 354), apresentando recurso voluntário em 02 de julho de 2013 (fls. 356376). Em sua peça recursal, limitase a contestar a possibilidade de compensação de débitos tributários com títulos da dívida pública. Alega que a proposição de Ação Declaratória de Pagamento possui o condão de confissão de dívida e de suspensão de qualquer discussão sobre a exigibilidade do crédito tributário correspondente. Não há qualquer irresignação quanto às infrações apontadas, limitandose a atacar a irregularidade da exigência na pendência de demanda judicial. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 14486.720040/201301 Acórdão n.º 1402001.722 S1C4T2 Fl. 407 7 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. Duas infrações deram origem ao lançamento: (i) débitos de IRPJ e CSLL declarados pela interessada no ajuste do anocalendário de 2010 e não declarados em DCTF; (ii) ausência de recolhimento de estimativas. Em relação ao crédito tributário constituído ou qualquer incorreção em sua quantificação, não resta mais controvérsia, pois na peça recursal apresentada não se contesta qualquer aspecto a esse respeito. De qualquer forma, para se evitar discussões, esclarecese a respeito das questões atinentes ao crédito constituído. A questão de a DIPJ constituir ou não confissão de dívida, foi muito discutida no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, não sendo uniforme a jurisprudência. Predominava o entendimento de que: (i) a partir do exercício 2000, anocalendário 1999, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não mais se constitui em meio próprio para confissão de dívida; (ii) a partir do período de apuração de janeiro de 1999, somente por meio da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) é que os débitos tributários são confessados; (iii) os valores não informados como saldos a pagar em DCTF devem ser lançados de ofício, mesmo que constem de DIPJ. Essa não era a interpretação abraçada pela antiga Primeira Câmara. Os argumentos que respaldavam a interpretação divergente eram, em resumo, que: (i) Os §§ 1º e 2º do art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 dispõem que o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória informando o crédito constitui confissão de dívida, e o crédito tributário confessado poderá ser inscrito na dívida ativa da União; (ii). Como a entrega da DIPJ é uma obrigação acessória que informa o crédito apurado, não resta dúvida de que a DIPJ é instrumento de confissão de dívida, e os saldos a pagar dela constantes podem ser inscritos na dívida ativa. Esse dissídio jurisprudencial foi uniformizado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais por meio do Acórdão nº 910100.503, relatado pelo Ilustre Conselheiro Leonardo de Andrade Couto na sessão de 25 de janeiro de 2010, que assim dispôs: Acórdão n° 910100.503 — Primeira Turma CSRF ASSUNTO: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2003, 2004 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ. MULTA DE OFICIO. CABIMENTO. Com o advento da DCTF, a partir do anocalendário de 1998 o valor dos tributos informado na Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica passou não mais representar confissão de dívida passível de Fl. 409DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 14486.720040/201301 Acórdão n.º 1402001.722 S1C4T2 Fl. 408 8 inscrição em Dívida Ativa. Sob esse prisma, correta a imputação da multa de oficio sobre diferença de tributos não informada em DCTF. Convém ainda retratar as razões de decidir do precedente citado: O Decretolei n° 2.124/84, no qual a decisão recorrida foi embasada para excluir a multa, estabelece: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1° O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Entendeuse que a DIPJ enquadrarseia no dispositivo citado e representaria a confissão de dívida que permitiria a cobrança do tributo nela informado. De fato, durante um certo tempo foi isso que ocorreu. Entretanto, a Instrução Normativa SRF n° 126, de 30/10/1998, criou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) estabelecendo que o valor do saldo a pagar referente aos tributos nela informados poderia ser encaminhado diretamente à Dívida Ativa da União, se não recolhido no prazo. Portanto, a norma deu ao documento então instituído os atributos estabelecidos no art.5° do Decreto n° 2.124/84. Por outro lado, a partir daí essa característica não mais se aplicou à DIPJ que passou a ter um caráter eminentemente informativo. Ilustra bem a questão o fato de que até aquele momento não havia que se falar em DIPJ mas sim em Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica (DIRPJ). A criação da Declaração Integrada de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídicas(DIPJ) ocorreu com a Instrução Normativa SRF n° 127/1998, imediatamente após a instituição da DCTF. Vejase a preocupação da Administração em substituir a DIRPJ por um documento de cunho informativo, característica essa ressaltada na própria denominação. Registrese ainda que no preâmbulo do instrumento normativo que criou a DCTF fica patente a definição desse documento como instrumento de confissão de dívida, pois o já transcrito 5° do Decreto n°2.124/84 é textualmente mencionado. Portanto, tratandose de valores informado em DIPJ, mas não confessados em DCTF, correta a exigência mediante lançamento de ofício. Conforme dito, em sede de recurso voluntário a Recorrente reduz à discussão quanto aos aspectos legais da exigência em face de Ação Declaratória de Pagamento proposta Fl. 410DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 14486.720040/201301 Acórdão n.º 1402001.722 S1C4T2 Fl. 409 9 perante o Poder Judiciário com o intuito de compensar débitos de estimativa com supostos créditos de referentes a títulos públicos. Contudo, na presente exigência sequer discutese a exigência de estimativas. O IRPJ e a CSLL exigidos dizem respeito aos valores apurados no ajuste, e informados em DIPJ, e não confessados, quer via DCTF, quer via declaração de compensação. A decisão recorrida muito bem abordou a questão atinente às especificidades das demandas judiciais a que a Recorrente se refere e a ausência de correlação com a presente exigência. Nesse cenário, transcrevo os fundamentos do voto condutor do aresto recorrido, adotandoos como razões de decidir: A interessada havia informado na Ficha 12A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real da DIPJ 2011 (ND 968866), apresentada em 29/06/2011 (fls. 105137), que apurou R$ 5.388.578,25 de imposto de renda a pagar no ano calendário de 2010, cujo valor, deduzido do recolhimento de R$ 13,69 efetuado em 07/06/2011 a título de estimativa de dezembro/2010 (fl. 08), foi exigido no lançamento fiscal em tela: Observese que na DCTF retificadora de dezembro/2010 (ND 1002.010.2011.1891655701), transmitida em 07/07/2011 (fls. 1120), ela confessou R$ 6.737.111,97 de débito de IRPJ devido por estimativa (código de receita 2362) em dezembro/2010, com crédito vinculado de R$ 13,69 de pagamento por Darf e de R$ 6.737.098,28 com exigibilidade suspensa pela Ação Ordinária nº 2008.34.00039838 da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, mas valor algum de imposto devido no ajuste anual foi confessado. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 14486.720040/201301 Acórdão n.º 1402001.722 S1C4T2 Fl. 410 10 Também confessou R$ 2.436.123,27 de débito de estimativa de CSLL (código de receita 2484) de dezembro/2010, com crédito vinculado de R$ 11,51 de pagamento por Darf e de R$ 2.436.111,76 compensado na Ação Ordinária nº 2008.34.00039838. Na DIPJ 2011 (fls. 105137) havia informado R$ 1.943.471,54 de estimativa de CSLL de dezembro/2010 e R$ 1.943.471,54 de saldo de CSLL a pagar no ajuste anual. Por meio da Ação Ordinária Declaratória nº 2008.34.00.0398038, impetrada em 16/12/2008 (fls. 5283), a contribuinte procurou ver declarado o cumprimento da obrigação tributária em relação aos tributos nela especificados, no montante de R$ 682.739,60, tendo em vista que foram extintos mediante compensação com o crédito decorrente de Apólice representativa de Empréstimo contraído pelo Estado do Rio de Janeiro em 1927. Nessa ação judicial foi pleiteada a compensação dos seguintes débitos tributários, dentre os quais não se encontram os saldos de IRPJ e da CSLL a pagar do anocalendário de 2010: Na sentença proferida em 13/04/2009 (fls. 8487), o Juízo a quo da 17ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal julgou improcedente o pedido em decisão assim fundamentada: “Não assiste razão à autora em seu pedido. Com efeito, preceitua o art. 11, II, da Lei nº 6.830/80, que, em caso de execução fiscal, a penhora ou arresto de bens poderá recair sobre título da dívida pública, bem como título de crédito, que tenham cotação em bolsa. Ora, os títulos referidos pela autora estão sub judice, pois a sentença proferida naqueles autos foi objeto de recurso ao eg. Tribunal Regional Federal – 1ª Região, o qual não foi ainda definitivamente julgado. Ademais a demandante em momento algum comprovou que tais Títulos tenham cotação em bolsa. Não fosse somente isso, a mera posse de Títulos da Dívida Púbica quaisquer, mesmo que se desconsiderasse a questão relativa à cotação em bolsa e a sua situação sub judice, não teria o condão de tornar seu titular um portador de documento apto a ser utilizado para abatimento de débitos fiscais. No que pertine ao aspecto tributário da demanda, o Código Tributário Nacional, especialmente por seus artigos 156 e seguintes, dispõe sobre a forma de extinção do crédito tributário, inexistindo neles a modalidade de consignação por oferta de títulos da dívida pública. Em verdade o pagamento há de ser realizado em moeda corrente, cheque ou vale postal (art. 162, I, do CTN), e, para que seja Fl. 412DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 14486.720040/201301 Acórdão n.º 1402001.722 S1C4T2 Fl. 411 11 reconhecida a validade da consignação, necessário que esteja fundamentada nos casos previstos nos incisos constantes do art. 164 do Código Tributário Nacional, o que não ocorre na espécie. Nem sequer como causa de suspensão do crédito tributário podem ser recebidos os títulos da dívida, frente ao disposto no art. 151 do CTN, como já entendeu o Colendo Superior Tribunal de Justiça. Vejase, a propósito, o teor da seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART. 151, III, DO CTN. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. OFERECIMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. 1. O pedido administrativo que tem por objetivo a oferta de títulos da dívida pública para o pagamento de dívida fiscal não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário. 2. Recurso especial não provido. (Resp 611957/RS – Rel. Min. João Otávio de Noronha – publ. DJ. de 14/09/2004). Inferese, portanto, que tanto sob a ótica da legislação geral tributária quanto da especial, não há previsão no ordenamento jurídico pátrio para que os títulos apresentados pela autora sejam aceitos pelo Poder Judiciário como modalidade de documento representativo de valor a fundamentar a suspensão ou extinção de créditos tributários.” (Grifouse) A interessada opôs Embargos de Declaração sob o argumento de que são inaceitáveis as razões que fundamentaram o julgado, bem como que não foram apreciadas as questões submetidas à análise judicial. Entretanto, o Juízo da 17ª Vara Federal rejeitou os embargos em 28/07/2009 (fls. 8890), porquanto entendeu que não existe defeito a ser sanado e que o inconformismo deveria ser manifestado através da via recursal própria. O recurso de Apelação foi interposto em 25/08/2009, mas a contribuinte enviou pedido de desistência da ação judicial à 17ª Vara Federal, em 01/03/2010 (fl. 91), e ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em 05/07/2010 (fl. 92), tendo em vista a adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, desistência esta homologada pelo TRF da 1ª Região em 06/08/2010 (fl. 93). Em sua impugnação a contribuinte alega que utilizou Título da Dívida Pública “Empréstimo de 7% em Libras Esterlinas de 1927”, denominado “STATE OF RIO DE JANEIRO” de nº 002574, emitido pelo Estado do Rio de Janeiro, para pagamento de débitos tributários; que, tendo, equivocadamente, sido informado em DCTF número de declaratória correspondente a período estranho, interpôs a Ação Declaratória de Pagamento nº 1316058.2013.4.01.3400 em trâmite na 2ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, que tem natureza jurídica de confissão de débitos para todos os fins legais; que não se trata de crédito tributário e sim financeiro, e como tal deve ser tratado, pois não conhece as limitações próprias da compensação de débitos tributários. Na Ação Declaratória de Pagamento nº 1316058.2013.4.01.3400 impetrada em 20/03/2013 (fls. 279301), na fase impugnatória do lançamento fiscal em análise, a interessada relata que escriturou em sua contabilidade o aporte de R$ 502.571.070,70 efetuado com o Título da Dívida Pública denominado “STATE OF RIO DE JANEIRO” nº 002574, através de lançamento nas contas que compõem o Fl. 413DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 14486.720040/201301 Acórdão n.º 1402001.722 S1C4T2 Fl. 412 12 patrimônio da empresa; requereu que seja declarado o cumprimento da obrigação e reconhecida a extinção da relação obrigacional tributária em relação aos tributos a seguir relacionados, tendo em vista que foram extintos com o pagamento efetuado com o título da dívida pública que possui: Portanto, com relação à alegação de que, ao requerer em Juízo a manifestação acerca da declaração de inexistência de relação jurídica obrigacional tributária, a empresa encerra a discussão administrativa sobre os tributos objeto de pagamento com títulos da dívida pública externa, cabendo ao Judiciário se pronunciar sobre os mesmos, sob pena de violar a unidade de jurisdição, é de se destacar que não há como suspender o processo administrativo, por falta de previsão na legislação processual tributária. A situação em análise não configura renúncia da instância administrativa, que tem por pressuposto a identidade de objeto em ambas as instâncias, conforme dispõe o artigo 26 da Portaria MF nº 341, de 12 de junho de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento: “Art. 26. O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do processo.” (Grifouse) A concomitância das vias administrativa e judicial implica renúncia à instância recursal administrativa ou a desistência de eventual recurso interposto. Nesse sentido, o Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, dispõe: “a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial – por qualquer modalidade processual – antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra ‘a’, a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, Fl. 414DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 14486.720040/201301 Acórdão n.º 1402001.722 S1C4T2 Fl. 413 13 declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do art. 151 do CTN.; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto no judiciário, sem julgamento do mérito (art. 267 do CPC.).” (Grifouse) Conforme disposto nas alíneas “a” e “c” do ADN Cosit nº 3, de 1996, no caso de propositura de ação judicial contra a Fazenda, por qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto de processo administrativo, a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida e, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito. No entanto, o objeto da Ação Declaratória de Pagamento nº 13160 58.2013.4.01.3400 não coincide com a matéria tributável tratada nos autos, qual seja, a apuração dos saldos a pagar de IRPJ e CSLL no ajuste do anocalendário de 2010, enquanto na ação judicial a contribuinte discute a possibilidade de utilização de título da dívida pública de 1927 para pagamento, dente outros, dos débitos de IRPJ (R$ 6.737.098,28) e CSLL (R$ 2.436.111,76) devidos por estimativa no mês de dezembro/2010, valores estes não coincidentes com os informados nas Fichas 11 (R$ 5.388.578,25 da estimativa de IRPJ de dezembro/2010) e 16 (R$ 1.943.471,54 da estimativa de CSLL de dezembro/2010) da DIPJ 2011. Assim, a existência de ação judicial que tem por objeto matéria diversa da tratada no lançamento fiscal não tem o condão de suspender o processo administrativo, nem configura renúncia à instância administrativa. Acrescentese que as estimativas de IRPJ e CSLL não se qualificam como créditos tributários, mas como meras antecipações do pagamento dos tributos devidos no ajuste anual. A falta de confirmação do crédito vinculado informado na DCTF retificadora de dezembro/2010 – correspondente à da Ação Ordinária Declaratória nº 2008.34.00.0398038 – não tornou as estimativas de IRPJ e CSLL de dezembro/2010 créditos tributários passíveis de figurar como dívida para fins de inscrição em Dívida Ativa da União, que pressupõe a existência de crédito tributário regularmente constituído e cingido dos atributos da certeza e liquidez, características estas presentes apenas nos saldos a pagar de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual. Dessa forma, não tendo a impugnante logrado comprovar a inexistência ou inexatidão dos débitos de IRPJ e CSLL tributados nos autos, voto por considerar improcedente a impugnação. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 14486.720040/201301 Acórdão n.º 1402001.722 S1C4T2 Fl. 414 14 Isso posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 416DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 02/07/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10073.902010/2009-28
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
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Numero da decisão: 3802-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 10 /2 00 9- 28 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902010/200928 Acórdão n.º 3802003.068 S3TE02 Fl. 126 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902010/200928 Acórdão n.º 3802003.068 S3TE02 Fl. 127 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10980.724847/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE DEVOLUÇÃO DE DOCUMENTOS A PARTE.
No Processo Administrativo Fiscal as partes devem ser cientificadas ter acesso a todos os documentos necessários à sua defesa, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa.
Numero da decisão: 3401-002.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, rejeitou-se a preliminar de nulidade suscitada pelo relator e deu-se provimento ao recurso para determinar a realização de nova perícia. Fez sustentação oral por parte da recorrente dr. José Ribamar Barros penha OAB/DF 34127 e Maurício OAB/PR 21783.
(assinado digitalmente)
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, rejeitou-se a preliminar de nulidade suscitada pelo relator e deu-se provimento ao recurso para determinar a realização de nova perícia. Fez sustentação oral por parte da recorrente dr. José Ribamar Barros penha OAB/DF 34127 e Maurício OAB/PR 21783. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori.
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FALTA DE DEVOLUÇÃO DE DOCUMENTOS A PARTE. No Processo Administrativo Fiscal as partes devem ser cientificadas ter acesso a todos os documentos necessários à sua defesa, sob pena de anulação da decisão administrativa por cerceamento do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: Por unanimidade, rejeitouse a preliminar de nulidade suscitada pelo relator e deuse provimento ao recurso para determinar a realização de nova perícia. Fez sustentação oral por parte da recorrente dr. José Ribamar Barros penha OAB/DF 34127 e Maurício OAB/PR 21783. (assinado digitalmente) JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 48 47 /2 01 0- 21 Fl. 50817DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos (Presidente), Robson Jose Bayerl (Substituto), Jean Cleuter Simoes Mendonca, Fernando Marques Cleto Duarte, Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente), Angela Sartori. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte Mastercorp do Brasil Ltda, contra acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (fls. 50.738/50.761), cuja a ementa eu transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSÁRIA CARACTERIZAÇÃO MATERIAL. A alegação de cerceamento do direito de defesa sem a apresentação de elemento que evidencie sua caracterização em termos materiais e não meramente formais carece de fundamento, pois há que ser identificado real prejuízo à contribuinte. PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. PROVAS. OPORTUNIDADE Com a impugnação ocorre a oportunidade da apresentação de provas, precluindo o direito de o impugnante apresentálas em outro momento processual. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. VINCULAÇÃO DEPENDENTE DE DISPOSIÇÃO LEGAL EXPRESSA. Os julgados, mesmo quando administrativos, e a doutrina somente vinculam os julgadores administrativos de 1ª instância nas situações expressamente previstas nas normas. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. FITAS E FILMES PARA IMPRESSÃO DE TRANSFERÊNCIA TÉRMICA. A classificação fiscal de fitas e filmes para impressão de transferência térmica nos códigos NBM/SH TIPI deve seguir a determinação das normas do Sistema Harmonizado e enquadramse no código 9612.10.19, considerando, em reforço, a Solução de Divergência COANA nº 1 de 19/03/2003. MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO, COM COBERTURA DE CRÉDITO. É lícita a imposição de multa de ofício, proporcional ao valor do imposto que deixou de ser destacado na nota fiscal de saída, mesmo havendo saldo credor na escrita fiscal do sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Fl. 50818DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.724847/201021 Acórdão n.º 3401002.462 S3C4T1 Fl. 50.818 3 Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. A falta de atendimento pela contribuinte das intimações que lhe foram dirigidas durante ação fiscal acarreta o agravamento da multa de ofício. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXCLUSÃO DE PESSOAS. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não compete às Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da exclusão de pessoas arroladas como responsáveis solidárias pelos tributos exigidos do sujeito passivo. Segundo o exposto no Termo de Descrição dos Fatos (fls. 035/068), na execução de procedimento de fiscalização iniciado em 25/08/2009, foram identificados valores de IPI não destacados em notas fiscais, que foram lançados por meio do auto de infração originário do presente processo. O estabelecimento da contribuinte vendeu no mercado interno produtos tributados por ele industrializados, caracterizandose como estabelecimento industrial nessas operações, sem efetuar o destaque do imposto. Conseqüentemente, a fiscalização apurou o imposto devido, considerando os créditos pelas entradas dos insumos registrados na documentação observada. A fundamentação legal para o lançamento consta dos autos às fls. 007/009, 026/027 e 031. Inconformada com a autuação, a contribuinte, protocolizou, em 29/12/2010, a tempestiva impugnação de fls. 50544/50663 e documentos anexos aduzindo em sua defesa: a) preliminarmente, alega ter havido cerceamento de defesa; b) o sobrestamento do presente processo até a decisão do processo relativo à omissão de receitas, em face da conexão existente entre esses dois processos, uma vez que o resultado daquele poderá trazer substancial modificação no valor dos créditos tributários apurados no presente processo (fls. 50576/50578 e 60663); c) apresenta laudo pericial referente à classificação de produtos e solicita a produção de prova pericial contábil, bem como requer a concessão de prazo adicional de 30 dias para demonstração da existência de créditos de IPI; d) aduz a utilização indiscriminada das saídas teria incluído indevidamente na apuração transferências internas de produtos entre matriz e filial, que foram também indevidamente caracterizadas como omissão de receita no processo anterior; c) discorda da reclassificação dos filmes para impressão por termotransferência; e) alega que a multa foi aplicada inclusive quando houve saldo credor; f) aduz que não se configurou, em nenhum momento, o intuito de fraude para a aplicação da multa agravada. A DRJ entendeu por bem em não acolher as alegações do contribuinte, julgando procedente o lançamento pelos motivos já expostos na transcrição da ementa. Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 50.770/50.809), reiterando os argumentos trazidos na impugnação, especialmente o cerceamento de defesa que sofreu, impossibilitandoa de cumprir com o devido contraditório. Fl. 50819DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE 4 Não houve contrarazões por parte da Fazenda, sendo os autos encaminhados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte DA ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado é tempestivo, e presentes estão os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Como é cediço, o contraditório e a ampla defesa em nosso ordenamento jurídico tratase de uma cláusula pétrea, disposta no art. 5º, LV da Constituição Federal..Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 20a. edição, Atlas, p. 367) esclarece em breves linhas sobre tais princípios, mostrando que: "O princípio do contraditório, que é inerente ao direito de defesa, é decorrente da bilateralidade do processo: quando uma das partes alega alguma coisa, há de ser ouvida também a outra, dandoselhe oportunidade de resposta. Ele supõe o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação. Exige: 1 notificação dos atos processuais à parte interessada; 2 possibilidade de exame das provas constantes do processo; 3 direito de assistir à inquirição de testemunhas; 4 direito de apresentar defesa escrita" Ora, o contraditório e a ampla defesa não se constituem em meras manifestações das partes em processos judiciais e administrativos, mas, e principalmente uma pretensão à tutela jurídica. Inserese nesta tutela, assim como visto na doutrina alemã a pretensão à tutela jurídica, os direitos de informação, de manifestação, o direito em ver seus argumentos devidamente apreciados e o direito de produzir provas. O Ministro Gilmar Ferreira Mendes, em sua renomada obra de Direito Constitucional, explica que “sob a Constituição de 1988, o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento de que os princípios do contraditório e da ampla defesa são assegurados nos processos administrativos, tanto em tema de punições disciplinares como de restrição de direitos em geral.” O contraditório é um dos princípios mais antigos e está intrínseco na própria concepção de direito. As pretensões às tutelas jurídicas inerentes à defesa em esfera administrativa mostram seu caráter ainda mais essencial quando vislumbrado os processos administrativos fiscais. Apesar dos princípios do contraditório e da ampla defesa terem um maior fomento na esfera judicial, processos penais e até mesmo no que tangem os inquéritos policiais (ainda que este último seja cercado de intermináveis discussões doutrinárias e jurisprudenciais não pertinentes à nossa pesquisa), é certo que em se tratando de dívidas Fl. 50820DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.724847/201021 Acórdão n.º 3401002.462 S3C4T1 Fl. 50.819 5 tributárias os efeitos causados pela não observância dos citados princípios são extremamente danosos ao devedor. Com efeito, a garantia da ampla defesa é intimamente ligada ao contraditório, sendo quase simbiótica tal relação. Tal garantia, tratase da oportunidade de contestar as acusações imputadas, tendo como origem o direito angloamericano com o due processo of Law e incorporado em nossa Carta Magna pelo já citado artigo 5, LV, onde expressamente se incluí os processos administrativos. Destarte, não paira dúvida que cabe a este Conselhos zelar pelo respeito aos basilares princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Dito isso, analiso a questão dos autos. Ora, o início da ação fiscal se deu em 25/08/2009 (fls. 071/073), a apreensão de documentos se deu em 05/11/2010 (fls. 50.245/50.248), a ciência do auto de infração foi dado ao contribuinte em 29/11/2010 (fls. 50522/50523). Todavia, a devolução dos documentos se deu apenas em 17/12/2010 (fls. 50534/50543), ou seja, já transcorrido 20 dias da ciência da autuação fiscal. Não paira dúvida que o acesso aos documentos apreendidos era indispensável para que o contribuinte pudesse produzir sua defesa de forma ampla, combatendo todos os pontos da autuação. Assim, minguar seu prazo de defesa legalmente previsto de 30 dias para apenas 10 dias configura afronta direta aos princípios do contraditório e da ampla defesa, o que não pode ser coonestado por esse Conselho. Como já dito alhures, devemos zelar por tais princípios, sendo que a ampla defesa deve ser concedida ao contribuinte, concedendolhe novo prazo de 30 dias para a apresentação de nova impugnação com todas as provas que achar pertinente. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário para acolher a preliminar de cerceamento de defesa, devendo os autos serem retornados à Delegacia de Origem para que intime o contribuinte apresentar nova impugnação com todas as provas que lhe convir, no prazo de 30 dias. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 50821DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 5/08/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000082/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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Depósito Bancários. Sigilo Recorrente LUCIANA NOGUEIRA DA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 08 2/ 20 07 -9 6 Fl. 967DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Tratase de Recurso Voluntário da 6ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, que manteve parcialmente a autuação do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF dos anoscalendário 2002 e 2003 sobre: a) APD acréscimo patrimonial a descoberto – ano de 2002; b) Glosa de despesas médicas; c) Omissão de rendimentos por depósitos bancários não comprovados. Auto de Infração a fls. 701/707, com ciência em 13/02/2007.. Termo de Constatação Fiscal a fls. 695/700. Impugnação a fls. 712/723. Decisão recorrida (fls. 848/854), com ciência em 15/04/2011 (AR fls. 860), manteve em parte o lançamento: a) Cancelou a autuação do ano calendário 2002, relativo ao APD acréscimo patrimonial a descoberto, pela falta de inclusão das origens dos depósitos e duplicidade dos valores; b) Manteve a exigência do ano calendário de 2003, relativo à omissão de rendimentos por depósitos bancários, pela falta de comprovação da origem; c) Manteve a glosa das despesas médicas, pela falta de comprovação. Recurso Voluntário (fls. 880/907) sustenta, em síntese, cerceamento do direito de defesa, pela falta de análise das alegações feitas na impugnação; Inexistência do crédito tributário. Justifica o acréscimo patrimonial pela distribuição de lucro da empresa Rede CH4 de Combustíveis, com a DIPJ homologada de forma tácita pelo decurso do prazo decadencial do art. 150 § 4º do CTN, tornando inquestionável a distribuição dos lucros no valor total de R$ 137.130,75. A quantia de R$ 60.641,17 não representa evolução ou incremento patrimonial, não havendo incidência de IR. Com relação aos depósitos bancários alega que a autuação não pode se basear em meras presunções. É o breve relatório. Fl. 968DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 18471.000082/200796 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.375 S2C2T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Odmir Fernandes Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve se conhecido. A decisão recorrida vem assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAS FÍSICA – IRPF Exercício: 2003, 2004 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando os fatos que ensejaram o lançamento corretamente descritos e tipificados, não há como cogitar cerceamento de defesa, ainda mais quando foi dado à litigante, por ocasião da apresentação da impugnação, toda oportunidade de manifestarse e de apresentar provas que elidissem a autuação. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados ou comprovados, está sujeita a lançamento de ofício por caracterizar omissão de rendimentos. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de ilidir a presunção legal de omissão de rendimentos. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda as despesas médicas declaradas e devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea, que preencha todos os requisitos estabelecidos em lei, e limitese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuinte, e as judiciais, não proferidas pelo STF, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Impugnação Improcedente Fl. 969DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 18471.000082/200796 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.375 S2C2T2 Fl. 5 4 Crédito Tributário Mantido em Parte O APD Acréscimo Patrimonial a Descoberto do ano – base de 2002 foi cancelado pela decisão recorrida. Cuidase assim do exame recursal do ano base de 2003, relativo a glosa de despesas médicas e da omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada. Em relação aos depósitos bancários a autuada foi intimada para apresentar os extratos. Com a falta de apresentação dos extratos a fiscalização requisitou pela RMF. No recurso sustenta que impetrou Mandado de Segurança para evitar a quebra do sigilo bancário, mas a medida liminar foi negada os autos estão em fase de recurso. O C. Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314/SP, reconheceu a existência de Repercussão Geral para exame da constitucionalidade da quebra do sigilo bancário, pela fiscalização, sem a prévia autorização judicial, conforme podemos ver da ementa da decisão monocrática abaixo: “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas Instituições Financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia Autorização Judicial (LC 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral” (fl. 563). Brasília, 4 De Agosto De 2011. Min. Ricardo Lewandowski – Relator” O Regimento Interno deste Conselho, aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009, estabelece no art. 62A que devem ser sobrestados os recursos sobre a matéria com Repercussão Geral reconhecida pelo C. STF ou em Recurso Repetitivo Representativo da controvérsia, pelo E. STJ (arts. 543B e 543C, do CPC): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 18471.000082/200796 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.375 S2C2T2 Fl. 6 5 O C. STF, pelo Tribunal Pleno, no RE nº 389.808PR, Rel. Min. Marco Aurélio, j., 15.12.2010, reconheceu a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancários, sem a prévia autorização judicial Referido RE pede da decisão Embargos de Declaração com pedido de efeito modificativo ou infringentes. Fora o RE 389.808PR, com decisão de mérito pendente do transito em julgado, o C. STF vem sobrestando o julgamento de todos os Recursos Extraordinário sobre a quebra do sigilo bancário pela existência de Repercussão Geral reconhecida no RE nº 601.314SP, conforme vemos nas decisões abaixo: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Min. Dias Toffoli Relator documento assinado digitalmente (RE 488993, Rel. Min. Dias Toffoli, J. 09/02/2011, Dje035 Divulg 21/02/2011 Public 22/02/2011). Repercussão Geral admitida. Processos versando a matéria. Sigilo. Dados bancários. Fisco. Afastamento. Art. 6º, da LC nº 105/2001. Sobrestamento. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. (AI 691349 AgR, Rel.Min. Marco Aurélio, j. 04/10/2011, DJe213 Divulg 08/11/2011 Public 09/11/2011). Repercussão Geral. LC 105/01. Constitucionalidade. Lei 10.174/01. Aplicação para apuração de créditos tributários referentes à exercícios anteriores ao de sua vigência. Recurso Extraordinário da União prejudicado. Possibilidade. Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre Fl. 971DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 18471.000082/200796 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.375 S2C2T2 Fl. 7 6 movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “Utilização de dados da CPMF para lançamento de outros tributos. Imposto de Renda. Quebra de sigilo bancário. Período anterior á LC 105/2001. Aplicação imediata. Retroatividade permitida pelo Art. 144, § 1º, do CTN. Precedente da 1ª Seção. Recurso Especial Provido.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O STF reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. Celso de Mello; AI n. 811.626AgRAgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, e RE n. 513.473 ED, Rel. Min. Cézar Peluso, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator. Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Rel. Min. Luiz Fux, J.,01/08/2011, Dje158 Divulg 17/08/2011 Public 18/08/2011) Decisão: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. (RE 479841, Rel.Min. Celso de Mello, J., 21/05/2010, Dje100 Divulg 02/06/2010 Public 04/06/2010) Em face do exposto, não há dúvida sobre a existência da Repercussão Geral no C. STF, instaurado no RE 601.314SP sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial. Fl. 972DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 18471.000082/200796 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.375 S2C2T2 Fl. 8 7 Assim, por se cuidar de Recurso Voluntário sobre lançamento realizado com base na omissão de rendimentos decorrentes de depósitos bancários obtidos mediante Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte, sem autorização judicial, é necessário sobrestar o julgamento dos autos, na forma do art. 62A, do RI, deste Conselho, até a decisão do RE nº 601.314SP. Ante o exposto, pelo meu voto, determino o SOBRESTAMENTO destes autos, na forma do art. 62, § 1o e 2o, do RI deste Conselho, até a decisão do RE 601.314SP, do C. STF. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 973DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 30/11/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 13888.721066/2012-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente Resolução Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 21 06 6/ 20 12 -9 2 Fl. 781DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.721066/201292 Resolução nº 2302000.319 S2C3T2 Fl. 673 2 Relatório e Voto O presente Processo Administrativo Fiscal referese aos seguintes Autos de Infração, lavrados em 14/03/2012 e cientificados ao sujeito passivo em 24/04/2012: AIOP DEBCAD 37.375.1940, relativo às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre valores pagos aos contribuintes individuais que prestaram serviço à autuada na condição de sócios, a título de distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) nos anos de 2007 e 2008. AIOP DEBCAD 37.375.1958, relativo à cota dos segurados contribuintes individuais sobre valores pagos a título de distribuição de juros sobre capital próprio (JCP) nos anos de 2007 e 2008. AIOA DEBCAD 37.375.1931, Código de Fundamento Legal 68, lavrado em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s nas competências de 06/2008, 09/2008 e 11/2008, os valores pagos ao segurados contribuintes individuais pagos a título de distribuição de juros sobre capital próprio (JCP). De acordo com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 419/462, o contribuinte distribuiu irregularmente juros sobre o capital próprio (JCP) nos anos de 2007 e 2008, já que os valores distribuídos excederam o legalmente permitido, conforme o Regulamento do Imposto de Renda de 1999. Ainda no citado Termo, o Fisco transcreve a legislação do Imposto de Renda (IR) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), efetuando os cálculos para demonstrar que a autuada durante o ano de 2007 e no segundo semestre de 2008, ultrapassou o limite de juros sobre capital próprio – JCP que seriam passíveis de distribuição. Aduz o Fisco que as diferenças distribuídas a maior deveriam ter sido adicionadas para efeito de apuração do lucro real, o que não foi feito. Assim, estando distribuídos dentro da regularidade, os JCP configuramse como remuneração do capital, mas quando distribuídos fora dos limites permitidos caracterizamse como remuneração pelo trabalho quando o pagamento se destinar a pessoa física, e desta forma foram lançados nos Autos de Infração, para sofrer a incidência contributiva previdenciária. A recorrente impugnou a autuação e Acórdão de fls.646/656, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: Fl. 782DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.721066/201292 Resolução nº 2302000.319 S2C3T2 Fl. 674 3 a) que deve ser reconhecida a conexão processual para que o presente processo seja julgado conjuntamente com o PAF 13888.721267/201290, que trata do IRPJ eCSLL, por tratar de idêntica matéria quanto à base de cálculo e o CARF já tem se posicionado neste sentido; b) que é contraditório e inadmissível que a mesma parcela distribuída tenha natureza jurídica de JCP para fins de IRPJ e CSLL e de prolabore para fins previdenciários; c) que parte dos JCP recebidos por acionistas da recorrente deveuse à cessão de direitos decorrentes de instrumentos de doação de ações com reserva de usufruto; d) que os instrumentos relativos ao usufruto não alteram e nem pretendem alterar a responsabilidade tributária, ou atribuir a responsabilidade pelo pagamento de tributo a pessoa diversa do que o sujeito passivo; e) que, independentemente, de quem recebe o pagamento de JCP, o responsável tributário pelo recolhimento do tributo, no caso o IRRF – Imposto de Renda Retido na Fonte, continuará sendo a recorrente, na condição de fonte pagadora; f) o usufruto apenas modifica o beneficiário dos JCP e o contribuinte do IRRF, sendo inaplicável aos autos o artigo 123, do CTN, como quer o Acórdão recorrido; g) que o fato dos JCP serem pagos ao usufrutuário, não desnaturam os mesmos; h) que deve ser considerado que parte do valor supostamente excessivo de JCP em 2007, referemse a JCP acumulados de 1996 a 2006, o que não encontra vedação legal. Cita inúmeros precedentes Acórdãos do 1º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda; i) que devem ser considerados os registros contábeis da recorrente, onde estão lançadas de forma discriminada e distintas dos valores de contraprestação por serviços prestados, as parcelas pagas a título de JCP; j) não há demonstração da prestação de serviços pelos acionistas para que se possa configurar o valor recebido a título de JCP como remuneração; k) que nem todos os acionistas que receberam JCP em excesso possuíam cargo no Conselho de Administração da recorrente e nem todos os detentores de cargos receberam os JCP; Fl. 783DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.721066/201292 Resolução nº 2302000.319 S2C3T2 Fl. 675 4 l) que no caso do espólio de Giordano Rami, não é possível imaginar que tal tenha prestado serviços à recorrente para justificar a cobrança de contribuição previdenciária sobre o suposto excesso de JCP; m) a ausência da habitualidade para caracterizar pagamento de prolabore; n) que ao ser entendido o suposto pagamento em excesso de JCP como contraprestação por serviço, deve ser reconhecido o direito da Recorrente à restituição ou compensação dos valores recolhidos indevidamente a título de IRRF, à alíquota de 15%, sobre os JCP e a dedutibilidade integral dos valores em discussão para fins de IRPJ e CSLL, se forem entendidos como prolabore; o) o descabimento da Representação Fiscal para Fins Penais, porque não há qualquer prova ou indício de dolo na conduta da recorrente. Requer , por fim, o provimento do recurso para cancelar o Auto de Infração , a exigência fiscal nele consubstanciada e a Representação Fiscal para Fins Penais; para determinar a conexão com o PAF 13888.721267/201290 e alternativamente reconhecer o direito à restituição e/ou compensação de valores recolhidos a título de IRRF sobre os pagamentos de JCP e a dedutibilidade integral dos valores , se reconhecidos como prolabore, para fins de IRPJ e CSLL. O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade e deve ser conhecido. Entretanto, é de se observar que o lançamento se refere às contribuições incidentes sobre remuneração de contribuintes individuais, apuradas através da desconsideração de pagamentos efetuados a título de Juros sobre Capital Próprio, que teriam sido distribuídos pela recorrente fora dos parâmetros legais e normativos, mais precisamente o artigo 347 e seus parágrafos do Regulamento do Imposto de Renda de 1999. Embora o Termo de Constatação Fiscal traga expressamente as razões que levaram o Fisco a desconsiderar os valores distribuídos como JCP, e conseqüentemente configurálos como remuneração de contribuinte individual, entendo que a natureza da verba paga somente poderá ser apurada após o julgamento na esfera administrativa do mérito da questão. Ou seja, em consulta ao sítio deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais– CARF verificase que o Processo Administrativo Fiscal PAF 13888.721267/201290, que trata da distribuição irregular dos JCP, encontrase pendente de julgamento na 1ª Seção do referido Conselho. Desta forma, entendo não ser possível prosseguir com este julgamento sem que antes seja decidido acerca da definitividade quanto à distribuição dos juros sobre capital próprio, se foi ou não efetivada de forma irregular em afronta às normas vigentes. Somente após o julgamento definitivo na esfera administrativa pela competente Seção do CARF, na forma como disposto pelo seu Regimento Interno, Portaria n.º 256, de 22 de junho de 2009, é Fl. 784DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13888.721066/201292 Resolução nº 2302000.319 S2C3T2 Fl. 676 5 que este Colegiado poderá se pronunciar acerca das contribuições previdenciárias incidentes sobre valores, por ventura, caracterizados como remuneração de contribuintes individuais. Ademais, é de se ver que a própria decisão, ora recorrida, ressalta e faz menção ao julgamento de primeira instância proferido no PAF 13888.721267/201290, que negou provimento à manifestação de inconformidade da autuada, para sustentar o seu decisório. Destarte, estando aquela decisão ainda pendente de julgamento pela segunda instância administrativa, por certo não posso proferir um acórdão sem saber se efetivamente a distribuição dos juros sobre capital foi irregular. Para os pagamentos efetuados serem tomados como prolabore, ou remuneração dos contribuintes individuais, sócios , é mister que o caso já tenha julgamento definitivo na via administrativa competente. Após a confirmação de que a distribuição de JCP foi irregular, o Fisco terá a prerrogativa de desconsiderar atos ou negócios jurídicos para cobrar a pertinente contribuição previdenciária devida e incidente sobre remuneração de contribuinte individual, na forma do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91. Neste lançamento está sendo cobrada a contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais, assim considerados os valores de juros sobre capital próprio , assunto que já tem que estar resolvido na área administrativa para que se possa julgar o mérito da presente autuação uma vez que não cabe, por falta de competência, este Colegiado se pronunciar sobre Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que os autos retornem à origem a fim de aguardar a decisão definitiva, na esfera administrativa, sobre a questão acima exposta e somente após tal informação retornem a este Colegiado. Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento a autuada e concedido prazo para manifestação. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 785DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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