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Numero do processo: 10640.000493/2007-81
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
MAGISTRADOS ESTADUAIS REMUNERAÇÃO
INCIDÊNCIA.
Sujeitamse
à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como
remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da
denominação que se dê a essa verba.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte
pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele
recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos
rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de
ofício.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 2802-000.634
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tãosó
excluir a multa de ofício, por erro escusável.
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tãosó excluir a multa de ofício, por erro escusável. (assinado digitalmente) Valeria Pestana Marques Presidente. (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Relator. EDITADO EM: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Paula Locoselli Erichsen, Carlos Nogueira Nicacio, Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e Valeria Pestana Marques. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na 1ª instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de fls. 82/89, que considerou procedente o lançamento (fl. 20) relativo a: “Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vinculo e/ou sem Vinculo Empregatício,, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ *37.480,92, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 707,45. Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais: rendimento omitido R$ 5.649,54 com respectivo IRRF de R$ 707,45; Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais: rendimento omitido de R$ 31.831,38.”(grifei) No relato da decisão de 1ª instância se fez constar (com grifos nossos) que: “1 Com relação ao montante de R$ 5.649,54, recebido do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais, afirma que esse valor foi devidamente "declarado como sujeito a tributação exclusiva sobre ele incidindo o recolhimento de imposto na fonte no valor de R$ 4.808,03 uma vez que se refere a gratificação de natureza indenizatória devida aos membros dos Tribunais Eleitorais." 2 Como tal rendimento não foi omitido, não poderia haver aplicação de sanção ou multa."Demais disso, no cálculo da multa, afora o embasamento legal para a sua constituição não se tem como saber a origem da quantificação do valor que serve de base para a imposição da multa ou a base de sua incidência ou ainda qualquer planilha de cálculo. Não se consegue extrair da referida notificação se foi observada a regra contida no artigo 950 do Decreto 3000/99 no que é pertinente ao cálculo da ; multa de mora. De igual modo no item sob a rubrica de multa de oficio não se tem como saber a capitulação ou o percentual aplicado, desatendendo as regras contidas no artigo 964 e seus incisos do referido Decreto 3000/99."; 3 Afirma que não se pode "Penalizar o ora defendente que pagou o tributo no momento do recebimento do rendimento e que o apresentou em sua declaração (.), não tem cabimento a aplicação da multa de mora no pagamento do valor de tributo já recolhido na fonte (..)." A cobrança de multa extrapolará a boa aplicação da legislação infraconstitucional, uma vez que o defendente já pagou o tributo na fonte e apenas discute a sua isenção em declaração retificadora; 4 "Verificase ainda que no tópico referente a declaração dos rendimentos tributáveis que o ora defendente declarou no exercício de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 10640.000493/200781 Acórdão n.º 280200.634 S2TE02 Fl. 110 3 2004 e não omitiu como erroneamente se afirma na notificação ora impugnada, o recebimento junto a fonte pagadora do Instituto Viana Junior no valor de R$ 8.289,29."; 5 No que concerne aos rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, a titulo de ajuda de custo, alega que o Fisco vem se baseando, para negar a ausência de tributação, num equivocado parecer da PFN, o qual desconsidera os princípios jurídicoconstitucionais e extrapola a competência administrativa, ao avançar sobre afirmação de invalidade ou constitucionalidade de lei estadual e passar de largo quanto à orientação interna da SRF disposta na Nota Corat 22/2004 do Coordenador Geral de Administração Tributaria, que estabelece procedimentos a serem adotados com relação as declarações IRPF dos Membros do Poder Judiciário e do Tribunal de Contas da União (cópia anexa) e, por equidade, se estenderia aos membros do Ministério Público; 6 Mediante certidão fornecida por sua fonte pagadora, TJ/MG, as parcelas que o impugnante deduziu dos rendimentos tributáveis eram referentes à ajuda de custo, pagas com base na resolução 5.154, de 30/12/1994 (em anexo), da Mesa da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais e estendida aos magistrados e promotores por força de isonomia constitucional; 7 Anexa, também, cópia da Lei 10.474/2002 que cuida da remuneração da Magistratura da União com sua projeção sobre a Magistratura e Promotoria dos Estados por força do escalonamento e da isonomia, bem como cópia da Resolução 245/2002 do STF que versa sobre a natureza jurídica indenizatória da parcela deduzida pelo ora defendente; 8 Dois aspectos devem ser observados: 1) na declaração retificadora referente ao exercício financeiro de 2003, anocalendário de 2002,.o contribuinte magistrado, Dr.Cristiano Alvares Valadares do Lago, CPF ..., obteve solução favorável acerca do mesmo assunto e recebeu a diferença de restituição então pleiteada; 2) nos Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, os magistrados e os promotores obtiveram a devolução do imposto de renda incidente sobre aquelas mesmas parcelas de ajuda de custo; 9 Enfatiza os princípios constitucionais da isonomia e o da igualdade jurídicotributária.Para hipóteses exatamente idênticas há que ocorrer tratamento igual sob pena de serem feridos tais princípios; 10Afirma que indenização, como a ajuda de custo em questão por se tratar de abono variável e provisório, não corresponde à remuneração e nem compõem o subsidio. "No, caso em espécie a ajuda de custo ou abono concedido visou apenas, a restabelecer a integridade patrimonial dos magistrados e membros do Ministério Público (sem qualquer distinção) desfalcada pelo dano da defasagem. À percepção dessa quantia indenizatória não induz em acréscimo patrimonial e nem em renda tributável, na definição da legislação pertinente." Neste ponto, amparado pela jurisprudência, compara tal verba àquela de natureza indenizatória recebida em pecúnia devido a férias não gozadas; 11Quanto aos rendimentos recebidos do Instituto Viana Junior, anexa a informação de rendimentos, na qual consta o valor de R$ 8.289,29, que foi devidamente declarado na DIRPF 2004; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 4 12Por tudo isso, sendo totalmente improcedente a notificação, admitindose, outrossim, as retificações referentes a outros períodos em virtude da mesma matéria ora discutida.Requer, ainda, que caso não seja acolhida sua solicitação de retificação de lançamento, seja a presente petição recebida como impugnação e que possa ser "albergado pelas deduções previstas nos artigos 961 e seguintes do Decreto 3.000/99 ou da compensação de valores prevista nos artigos 890 e seguintes daquele mesmo Decreto."(g.n.) Na decisão de 1ª instância mantevese, ao final, o lançamento nos seguintes termos: “Também, cumpre elucidar ao contribuinte que quando da revisão de declaração resulta imposto de renda suplementar, cabe à autoridade fiscal aplicar multa de oficio e juros de mora em decorrência de lei, tendo como fundamento, respectivamente, o art. 44, I e t ibt . 61, §3° da Lei n°9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/07, que determinam: .... Quanto à alegação de que faltam, na notificação, informações sobre as penalidades aplicadas (capitulação legal, base de cálculo, percentual), cumpre esclarecer que uma simples análise das folhas de continuação, anexas à Notificação de Lançamento encaminhada ao ora defendente, é suficiente para dirimir quaisquer dúvidas em relação â. base de cálculo e à multa aplicada. O cálculo do Imposto Suplementar encontrase discriminado na tabela de fl. 21. Na fl. 22, sob o título "(A) Demonstrativo de Apuração da Multa de Oficio e dos Juros de Mora", há uma outra tabela que especifica, com clareza solar, dentre outras informações, a base de cálculo da multa de oficio — Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (R$ 3.943,29) e seu percentual (75%). Logo abaixo, temse o detalhamento do enquadramento legal. Ainda, pela analise da fl 22, fica evidente que não houve aplicação de multa de mora, pois na tabela sob o titulo "(13) Demonstrativo de Apuração da Multa de Mora e dos Juros de Mora", não há qualquer valor lançado. No tocante aos rendimentos pagos ao litigante pelo TRE/MG, a natureza de rendimentos decorrentes do trabalho com vinculo empregatício restou identificada pela própria fonte pagadora, porquanto essa consta do comprovante de rendimentos de fl. 36 (rendimentos do trabalho assalariado) e da DIRF de fl. 80 (cód. 0561, "rendimento do trabalho assalariado"). Não há qualquer previsão legal para que se considere, conforme proposto pelo impugnante, verba a título de "gratificação TRE" como sujeita à tributação exclusiva na fonte. Em assim sendo, os rendimentos tributáveis, no valor de R$ 5.649,54, e o IRRF, de R$ 707,45, são forçosamente levados à apuração do IRPF/2004, na forma descrita pela Fiscalização. Destaquese, neste ponto, que o contribuinte, em sua defesa, equivocouse ao afirmar que o IRRF seria de R$ 4.808,03. O valor correto de IRRF, de acordo com o Comprovante de Rendimentos (fl. 36) e com a DIRF (fl. 80), é de R$ 707,45, como considerado pela Fiscalização. No que diz respeito à omissão de rendimentos do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais apontada pela autoridade fiscal, em sua peça impugnatória, o contribuinte afirma que estes foram recebidos a titulo de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 10640.000493/200781 Acórdão n.º 280200.634 S2TE02 Fl. 111 5 ajuda de custo e que possuem natureza indenizatória sendo, portanto, excluídos da base tributável do imposto de renda. .... O Código Tributário Nacional, quando se refere á outorga de isenção e exclusão III do crédito tributário, preconiza que somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de crédito tributário, ou dispensa ou redução de penalidades, e mais, que se interpreta literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, artigos 97, inciso VI, c 111. Dessa forma, somente pode ser considerada isenta a ajuda de custo expressamente prevista no art. 6°, inciso XX, da Lei n° 7.713/88, matriz legal do art. 39, inciso I I, do Regulamento do Imposto de Renda (R1R/1999), vigente à época da ocorrência do fato gerador da presente obrigação tributária,... Na declaração de fls. 33/34, fornecida pelo TJ/MG, consta de forma expressa o pagamento ao contribuinte da quantia em discussão a título de ajuda de casto e/ou diferença de ajuda de custos, nos termos da Resolução n° 5.154/94 da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais, Contudo não foi explicitado o fim especifico de tal pagamento, como requer o dispositivo legal supra, a fim de caracterizar a isenção pretendida. Nesse sentido, não restou comprovado que o rendimento objeto de litígio tenha natureza indenizatória. Logo, é procedente o lançamento relativo à omissão de rendimentos, 1 uma vez que não restou comprovada a remoção do beneficiário de um município para outro. Corrobora esse entendimento o fato de que a própria fonte pagadora considerou como tributável o rendimento em questão, tendo inclusive efetuado a retenção do imposto, correspondente (vide Comprovante de Rendimentos, à fl. 37). E nem poderia ser diferente. Ao Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na qualidade de mera fonte pagadora, falece competência para rotular como isentos ou nãotributáveis rendimentos que estão sujeitos à incidência do imposto de renda. Destaquese que o próprio impugnante admite ter recebido ajuda de custo, porém a Lei n° 10.474/02 citada na impugnação faz menção ao abono e não à ajuda de custo. Além disso, esclareçase que a Receita Federal reconhece, com respaldo na Resolução n°245 de 12 de dezembro de 2002, emanada do Supremo Tribunal Federal, que o abono variável e provisório concedido pelo artigo 6° da Lei n° 9.655/1998, com alteração do artigo 2° da Lei n° 10.474/2002, tem natureza jurídica indenizatória. Mas frisese, o lançamento em foco, todavia, foi constituído em face da omissão de rendimentos relativos à ajuda de custo, que embora o impugnante tenha afirmado ser um abono variável e provisório, pelos textos legais trazidos a lume, não há como se inferir que de fato teriam tais verbas a mesma natureza jurídica. Cumpre salientar, por oportuno, que, segundo dispõe o artigo 43, inciso X, do RIR/1999, são tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como: verbas, dotações ou auxílios, para representações ou Fl. 5DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 6 custeio de despesas necessárias para o exercício de cargo, função ou emprego .... É importante ressaltar que incumbe ao contribuinte demonstrar, a teor do disposto arts. 15 e 16, inc. III, e §§ 4° e 5°, do Decreto n° 70.235/72, com a redação conferida pelo art. I° da Lei n° 8.748/93 e pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97; segundo os quais compete ao sujeito passivo instruir a impugnação com os documentos em que se apoiar, bem assim mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas documentais que possuir, precluindo, em geral, tal direito de fazêlo em outro momento processual. Cumpre esclarecer, ainda, que na presente Notificação de lançamento, às fls. 19 a 20, ao contrário do que alega o impugnante, não há qualquer menção a uma suposta omissão de rendimentos recebidos do Instituto Viana Junior LTDA para o anocalendário em foco. Por fim, as compensações pretendidas elencadas nos arts. 890 e seguintes do R1R/99 não se aplicam â situação sob análise, todavia o peticionário poderá se orientar na DRF/Juiz de Fora/MG sobre as reduções previstas nos arts. 961 e seguintes do mesmo! Regulamento”(g.n.). A ciência de tal julgado se deu por via postal em 31/03/2009, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 92. À vista da decisão, foi protocolizado, em 15/04/2009, recurso voluntário de fls. 93/ 105, no qual o pólo passivo sobre a tempestividade questiona a decisão proferida. Na peça recursal, o contribuinte alega: “I Que as parcelas de ajuda de custo (abono variável da Lei 9655/98, combinada com a Lei 10.474/2002 e Resolução 5154/94) pagas aos magistrados Federais e Estaduais e aos membros do Ministério Público, são segundo a Resolução do Supremo Tribunal Federal número 245 de 12 de dezembro de 2002 de natureza jurídica Indenizatória e portanto isentas de tributação de Imposto de Renda. E, considerando :que foram indevidamente tributadas ao recorrente, feriram o seu direito quanto a negativa de devolução dos valores pagos indevidamente, já que foram descontados com imposto de renda retido na fonte pela entidade pagadora Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. II Que o princípio da isonomia é aplicável em matéria tributária para situações equivalentes como claramente se percebe na que é mencionadas nos autos da sua impugnação e declaração retificadora como causa de pedir, não somente referentemente à parcela de ajuda de custo paga aos membros da Magistratura e Ministério Público Federal, mas a mesma parcela paga aos magistrados do Estado do Rio de Janeiro (documento que se junta como comprovação) e ao caso do próprio recorrente que também recebe rendimentos daquela fonte do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e referente a declaração do Contribuinte Cristiano Álvares Valladares do Lago, inscrição no CPF 781.367.337.91 (documento que se Junta para comprovação), já que o art. 150, inciso II da CF explicita a isonomia em matéria tributária, que na verdade não exige identidade entre as situações paradigmáticas, mas a equivalência entre elas com maior abrangência conceituai, pois a isonomia tributária incorpora elementos heterogêneos para um resultado final homogêneo, sendo aplicável àqueles Fl. 6DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 10640.000493/200781 Acórdão n.º 280200.634 S2TE02 Fl. 112 7 contribuintes que se encontram na mesma situação jurídica, permitindo para o ora recorrente um tratamento Igual e isonômico, tal como reclamado na declaração retificadora e na impugnação. III Que o ora recorrente faz jus a isenção de imposto de renda nas parcelas recebidas á título de ajuda de custo posto que seja na forma, em que foram pagas para a Magistratura Federal e Ministério Público, ou na 1 forma em que foram pagas à Magistratura Estadual e respectivo Ministério Público, as parcelas com o título de ajuda de custo ou abono variável são de natureza idênticas ou equivalentes e foram caracterizadas de natureza jurídica indenizatória e assim considerados pela Resolução 245 do STF que em seu artigo 1°, assim as definiu ... “É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2° da Lei 10.474 de I,1 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal". IV Que com relação ao montante de R$ 5.649,54 recebido do Tribunal Regional Eleitoral, foi aquele valor devidamente declarado como renda, incidindo sobre o mesmo, recolhimento de IRRF no valor de R$,, 707,45. E ainda que tal valor seja considerado como decorrente do trabalho com vínculo empregatício e não como verba de natureza indenizatória tanto que é pago sem a limitação do teto constitucional, como não houve a omissão apontada na notificação, não poderia ocorrer a aplicação de sanção ou multa. .......... A decisão recorrida em seus fundamentos considerou inicialmente que ... ipsis literis ..." à autoridade administrativa no desempenho da atividade lançadora que é vincula e obrigatória cabe exigir o crédito tributário com observância à legislação vigente à data da ocorrência do fato gerador da obrigação, segundo o artigo 144 caput do CTN, sem imiscuirse no aspecto da validade da lei sob o ponto de vista de qualquer princípio constitucional... e que a parcela de ajuda de custo recebida pelos ora recorrente por forca da Resolução 5194/94, ..." A receita Federal reconhece com respaldo na Resolução 245 de 12 de dezembro de 2002 do Supremo Tribunal Federal que o abono variável e provisório concedido pelo artigo 6° da Lei 9.655/1998, com alteração do artigo 21° da Lei 10.747/02 tem natureza jurídica Indenizatória. O lançamento em foco, todavia foi constituído em face da omissão de rendimentos relativos à ajuda e custo." Vale ainda acrescentar que a R. decisão, não obstante tenha admitido o paradigma sustentado pelo recorrente para pedir o tratamento isonômico das DRFs de Rio de Janeiro e Vitória, avança em mera presunção ao afirmar que ...certamente os magistrados daqueles estados obtiveram êxito em suas declarações retificadoras naquilo que se referiu à exclusão dos rendimentos tributáveis do abono recebido e não da ajuda de custo...". No tocante à questão probatória, o recorrente se valeu de Informação referente à declaração retificadora própria e relativa a outro exercício, mediante a qual a mesma situação fática comprovada por documentos, apresentada na impugnação, ou seja o pagamento da ajuda de custo, acabou por receber tratamento fiscal diverso, ensejando a devolução do IR que lhe fora cobrado sobre aquela parcela. Contudo, a douta turma julgadora, mesmo dispondo do sistema informatizado para aquilatar a veracidade da informação, e desatendendo o disposto no artigo 29 e 30 § 2° Fl. 7DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 8 do Decreto 70.325/72 preferiu em vez de atender aquelas regras processuais, se sair com a evasiva de que " ...Quanto ao EF2003/AC2002, de fato a declaração retificadora apresentada foi reconhecida pela DRF/Jutz de Fora, conforme consta dos sistemas informatizados da RF, Se efetivamente ocorreu a situação narrada pelo Impugnante, o que não se encontra comprovado neste processo, entendo que houve SMJ um equívoco cometido pela DRF/Juiz de Fora..." Com o devido respeito é de se concluir a incongruência dos fundamentos da R. decisão recorrida que enseja o presente inconformismo e a juntada dos documentos que comprovam a situação narrada pelo impugnante que a 4ª Turma não quis considerar, e a questão paradigmática dos magistrados do Rio de Janeiro, que a douta turma preferiu presumir em contrário, pelo que rogase a aceitação dos documentos juntados como prova inequívoca daquelas afirmações do recorrente. ... Na situação do processo, as parcelas de ajuda de custo (abono variável da Lei 9655/98, combinada com a Lei 10.474/2002) pagas aos magistrados federais, são iguais em conceito da norma e conceito do fato às referentes a Resolução 5154/94) pagas aos magistrados Estaduais e aos membros do Ministério Público, como ocorre no caso do ora recorrente, de modo que a ajuda de custo paga a ele e cuja devolução se pretende é. de natureza jurídica e fiscal exatamente idêntica ou equivalente a que se pagou àqueles outros apontados como paradigmas. A Lei 9655 de 02 de junho de 1998, em seu artigo 6° estabeleceu que no tocante à remuneração da magistratura fosse instituído o pagamento de parcela de abono variável, estatuindo o seguinte ..."Aos membros do Poder Judiciário é concedido um abono variável com efeitos financeiros a partir de 1° de janeiro de até a data da promulgação da Emenda Constitucional que altera o inciso V do artigo 93 da Constituição, correspondente à diferença entre a remuneração mensal atual de cada magistrado e o valor do subsídio que for fixado quando em vigor a referida Emenda Constitucional ".(doc. Anexo à impugnação) Posteriormente, a Lei 10.474 de 27 de junho de 2002 em seu artigo 2° estabeleceu que "O valor do abono variável concedido pelo artigo 6° da Lei 9655, de 02 'de junho de 1998 com efeitos financeiros a partir da data nele Mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida por magistrado, vigente à data daquela lei, e a decorrente daquela Lei. (doc. anexo à impugnação) No âmbito da Magistratura Estadual, assim como para os membros do Ministério Público, tal abono passou também a ser pago e no caso de Minas Gerais, por força isonômica da Resolução 5154 da Assembléia Legislativa do Estado, que instituiu também aquele pagamento, intitulando o como ajuda de custo, constituída em parcelas pagas até abril de 2006. A questão é que, seja na forma em que foram pagas para a Magistratura Federal e Ministério Público, ou na forma em que foram pagas à Magistratura Estadual e respectivo Ministério Público, como historiado na impugnação, as parcelas com o título de ajuda de custo ou abono variável foram caracterizadas de natureza jurídica indenizatória e assim considerados pela Resolução 245 do STF que em seu artigo 1°, assim as definiu ... "É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2° da Lei 10.474 de 2002, conforme precedentes do Suprema Tribunal Federar. (doc. Anexo à impugnação) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 10640.000493/200781 Acórdão n.º 280200.634 S2TE02 Fl. 113 9 , Em face da Resolução do STF acima mencionada a Coordenação Geral da Administração Tributária da Receita Federal elaborou a nota Corat 22/2004 (doc. Também anexo à impugnação) que segundo o seu conteúdo como poderá ser constatado, trata ipisis 1iteris .... "De estabelecer procedimentos a serem adotados pelas áreas de análise Tributária e Controle e Acompanhamento de Crédito Tributário com relação às declarações de Imposto de Renda de Pessoas Físicas dos exercícios de 1999 a 2003 pertencentes aos membros do Poder judiciário e do Tribunal de Contas da União " . ... Dessa forma, houve o tratamento fiscal desigual dado ao ora recorrente, não somente em cotejo com a situação dos magistrados federais, como também o tratamento dado aos magistrados de outra unidade da federação como no caso dos magistrados do Rio de Janeiro (doc. que ora se junta), como ao caso do contribuinte Cristiano Álvares Valladares do Lago referentemente ao exercício de 2003, ofendendo o corolário importante da isonomia e o princípio da uniformidade, o qual veda que sejam estabelecidos privilégios e a desigualdade, tendo a Constituição estabelecido a uniformidade dos tributos federais em todo o território nacional, vedando a distinção ou preferência em relação a Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro (art. 151, Inc. I) e buscando uniformizar o tratamento tributário. ... Concluindo, evidenciase que a 4ª Turma de Julgamentos de Fora, decidiu em total desconformidade com as regras e princípios constitucionais referidos, e demonstrados os pressupostos de admissibilidade do Recurso aqui interposto, confia o recorrente que seu recurso será admitido e posteriormente conhecido e provido a fim de que prospere o império da Justiça fiscal, com a reforma da decisão recorrida e, em conseqüência, a concessão do direito de lhe ter restituídos com juros e correção monetária os valores que indevidamente lhe foram cobrados à título de imposto de renda sobre as parcelas recebidas como ajuda de custo tributados exclusivamente na fonte, concedendo a devolução nos termos da declaração retificadora, tudo na mais estrita observância aos princípios fundamentais da Constituição Federal e por ser de inteira Justiça” (g.n.) É o relatório. Voto Conselheiro Lucia Reiko Sakae, Relator O recurso voluntário é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente cabe ressalvar que no lançamento de fl.20, consta como infração “omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva..”, citando duas fontes pagadoras, como a seguir, limitandose a essas fontes esta lide: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 10 Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais: rendimento omitido R$ 5.649,54 com respectivo IRRF de R$ 707,45, esse último, apesar de retido não declarado e Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais: rendimento omitido de R$ 31.831,38, tendo recebido o valor de R$ 255.922,29, mas declarado R$ 224.090,91, com a informação do valor da fonte retida tal como declarada no montante de R$ 64.123,30 Tratandose de fundamentações diferentes, cada omissão será analisada em separado. Rendimento do Tribunal Regional Eleitoral : rendimento no valor de R$ 5.649,54, com IRF de R$ 707,45 Nesta questão, contesta que tal valor não fora omitido, sendo, portanto inaplicável a sanção ou multa. O comprovante de rendimentos de fl. 36 indica o valor questionado como rendimento tributável, estando o quadro de “Rendimentos sujeitos à Tributação Exclusiva” sem qualquer indicação. Na DIRPF retificadora, recepcionada em 23/03/2006, tal rendimento não constou do quadro de “rendimentos Tributáveis recebidos de pessoas Jurídicas pelo Titular (fl. 40), mas do quadro de “Rendimentos Sujeitos à tributação Exclusiva/Definitiva” (fl. 42). Ocorre que apesar do imposto de renda das pessoas físicas serem devidas mensalmente, a partir da Lei n° 7.713/88, esses rendimentos estão sujeitos ao estabelecido no artigo 11 da Lei n° 8.134/90, ou seja, estão sujeitas ao ajuste anual, tratandose o imposto retido na fonte como antecipação pois, ao se estabelecer que algumas deduções somente poderiam ser utilizadas na declaração anual, criouse uma exigência provisória do tributo, sendo que o valor definitivo só é determinado na declaração de ajuste anual. “Art. 10. A base de cálculo do imposto, na declaração anual, será a diferença entre as somas dos seguintes valores: I de todos os rendimentos percebidos pelo contribuinte durante o anobase, exceto os isentos, os não tributáveis e os tributados exclusivamente na fonte; e II das deduções de que trata o art. 8° Art. 11. O saldo do imposto a pagar ou a restituir na declaração anual (art. 9°) será determinado com observância das seguintes normas: I será apurado o imposto progressivo mediante aplicação da tabela (art. 12) sobre a base de cálculo (art. 10); ... Ainda, cabe esclarecer que a multa de ofício está prevista no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, que dispõe a sua aplicação como a seguir in verbis, salientando que a nova Fl. 10DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 10640.000493/200781 Acórdão n.º 280200.634 S2TE02 Fl. 114 11 redação estabelecida pela Lei nº. 11.488, de 15/06/2007, resultado da conversão da MP 351, de 22/01/2007, não resultou em valores diferenciados “Redação anterior a 22/01/2007:completa Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) ... §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Nova redação dada pela Lei nº. 11.488_2007, de 15/06/2007 conversão da MP 351, de 22/01/2007 Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ... Desta feita, a omissão lançada diz respeito à falta de oferecimento do valor tributável recebido para compor a base de cálculo, tudo de acordo com o artigo 10 já citado, não à mera falta de informação na declaração, mas a sua declaração no campo devido, aumentando a base de cálculo, para a apuração correta do imposto devido na declaração de ajuste anual. Isto posto, apresentando declaração inexata, correta a aplicação da multa de ofício. Rendimento do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais: rendimento omitido de R$ 31.831,38, tendo recebido o valor de R$ 255.922,29, mas declarado R$ Fl. 11DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 12 224.090,91, com a informação do valor da fonte retida tal como declarada no montante de R$ 64.123,30 Neste quesito, fundamenta sua argumentação afirmando tratarse de ajuda de custo recebida com base na resolução 5.154/94 da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, que teria paralelo com o abono variável da Lei n° 9655/98, cc a Lei n° 10.474/2002 interpretada como de natureza indenizatória por Resolução administrativa 245 do STF. Inicialmente cabe observar as informações constantes dos documentos que fundamentam tais rendimentos: Docu mento Fonte pagador a Data da emissão Rendimentos Tributáveis IRF Indenizaçã o de Férias Abono variável (L. 10474/0 2Res STF 245) Ajuda de Custo (*) Fl. Valor pago I R F Comprovante de Rendimentos TJ/MG (AC 2003) 27/2/2004 255.922,29 64.123,30 18.726,87 37 Declaração TJ/MG 30/3/2005 31.831,38 8.753,63 34 Comprovante de Rendimentos TJ/RJ (AC 2003) 180.273,48 44.498,16 20.318,40 35 Ajuda de Custo (*): "...Informamos, ainda, que o pagamento da referida verba é efetuado com base na Resolução 5.154, de 30/12/94, da Mesa da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais." Obs. Na declaração do TJ/MG: .."os valores...não se destinaram a indenização de despesas com mudança de domicílio" Inicialmente, cabe analisar a Resolução Legislativa, informada na declaração, que fundamentaria tal pagamento Resolução 5.154, de 30/12/94, da Mesa da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais (fls. 32): o dispositivo dessa Resolução indica tratarse de : “ ... remuneração dos membros da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais; dos Governador, do Vice Governador, de Secretário de Estado e do Secretário Adjunto de Estado.”; o artigo 1° assim dispõe: Art. 1° Os membros da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais perceberão, na legislatura a iniciarse em 1° de fevereiro de 1995, como remuneração, 75% (setenta e cinco por. cento) do que perceberem os Deputados Federais. (Vide Lei n° 13200, de 3/2/1999.) Fl. 12DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 10640.000493/200781 Acórdão n.º 280200.634 S2TE02 Fl. 115 13 (Vide Resolução da Assembléia Legislativa n° 5200, de I 27/9/2002.) Parágrafo único É devida aos membros da Assembléia Legislativa, no inicio e no final de cada sessão legislativa, ajuda de custo correspondente ao valor da remuneração. (g.n.) . – analisando o dispositivo que outorgou a suposta “ajuda de custo”, não se verifica qualquer explanação que justificasse tal denominação (“ajuda de custo”), desta feita, a teor do artigo 38 do RIR/99 a tributação independe da denominação do rendimento. “Art.38.A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º). Parágrafo único.Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário.” ainda, a simples outorga desse pagamento, supostamente por isonomia, aos magistrados de Minas Gerais, não caracteriza a natureza indenizatória requerida pelo contribuinte ao rendimento; tampouco a qualificação de ajuda de custo altera o caráter de rendimento remuneratório tributável ao valor recebido; também a mera alegação de isonomia não respalda a natureza do rendimento recebido, observandose como única base comum aos rendimentos, o mero estabelecimento da relação percentual entre as remunerações dos vários níveis de representantes, quer sejam legislativos, ou de outros poderes; Em segundo, não se verifica nos autos qualquer dispositivo estadual de Minas gerais concedendo, á época, isto é, antes do anocalendário de 2.003, o abono variável, tal como o previsto na Lei n° 9.655/98, aos magistrados mineiros. Também, como já decidido anteriormente, entendo que, independentemente do entendimento pessoal desta conselheira em face do esposado na Resolução administrativa 245 do STF, assim como no Parecer PGFN, a natureza indenizatória, reconhecida por esses dois instrumentos não legais/ ou mesmo não vinculativos, só se aplicariam aos magistrados estaduais de Minas Gerais, após a vigência de lei estadual dispondo sobre a concessão do abono variável equivalente ao outorgado aos magistrados federais pela Lei n° 9.655/98. Esta é a linha como analiso a natureza dos rendimentos, que receberam a denominação de “abono variável”, mesmo aos magistrados estaduais do Rio de Janeiro, ou seja, independentemente da posição pessoal desta Conselheira, acato ser possível a aplicação da interpretação da resolução Administrativa 245 do STF, assim como o parecer PGFN apenas após a edição, no caso específico do Rio de Janeiro, da Lei n° 4.631, de 27/10/2.005, que atribuiu aos magistrados estaduais o abono da Lei n° 10.474/2002, como se segue, “Lei n° 4.631, DE 27 DE OUTUBRO DE 2005._ Fl. 13DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES 14 (http://www.alerj.rj.gov.br/processo2.htm acesso em 14102010) DETERMINA A APLICAÇÃO AOS MEMBROS DO PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO DE DISPOSITIVOS A LEI FEDERAL Nº 10.474, DE 27 DE JUNHO DE 2002 E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. A Governadora do Estado do Rio de Janeiro,Faço saber que a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 1º Aplicase aos membros do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro o disposto no art. 2º, caput, e § 1º, da Lei Federal nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Art. 2º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Rio de Janeiro, 27 de outubro de 2005. ROSINHA GAROTINHO Governadora” (grifei) Desta feita , inexistindo lei estadual que outorgasse à época, isto é, antes do anocalendário de 2.003, o suposto abono variável, tal como disposto aos magistrados federais pela Lei n° 9.655/98, aos magistrados estaduais mineiros, não há que se falar em quebra de isonomia. Resta, portanto, afastada qualquer hipótese de tratamento desigual. Ainda, inexistindo qualquer dispositivo legal que retirasse tais rendimentos do campo de incidência tributária, correto o lançamento pela falte de oferecimento de tais rendimentos à tributação. Da Multa de Ofício Nesta questão, há que registrar que, como a indicação da verba recebida como rendimento isento fora decorrente da interpretação da fonte pagadora, que forneceu um documento ao recorrente indicando tal verba como de natureza nãotributária, não pode o recorrente ser penalizado por equívocos da fonte pagadora, devendose excluir apenas a multa de ofício, no mesmo sentido dos acórdãos 10616801, 10616760 e 19600065, cujos excertos são a seguir reproduzidos, por erro escusável. “(...) MULTA DE OFÍCIO EXCLUSÃO Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. (...)” (acórdão 10616801, de 06/03/2008, da 6ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes,relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) “ (...) MULTA DE OFICIO CONTRIBUINTE INDUZIDO A ERRO PELA FONTE PAGADORA Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em Fl. 14DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES Processo nº 10640.000493/200781 Acórdão n.º 280200.634 S2TE02 Fl. 116 15 erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. (...) (Acórdão n° 10616760, sessão de 23/01/2008, relator o Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos) “ (...) MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.(...)” (acórdão nº 19600065, de 02/12/2008, da 6ª Turma Especial do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Valéria Pestana Marques) Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso interposto, para tão somente excluir a multa de ofício.. (assinado digitalmente) Lucia Reiko Sakae Relator Fl. 15DF CARF MF Emitido em 29/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE Assinado digitalmente em 22/02/2011 por LUCIA REIKO SAKAE, 25/03/2011 por VALERIA PESTANA MARQUES
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Numero do processo: 10183.006014/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2001
PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (DITR). ERRO DE FATO.
Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DITR.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO.
Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA
intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO.
Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR-ABNT 14653-3.
MULTA DE OFÍCIO.
Nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.405
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, DAR PARCIAL provimento para reconhecer a área de preservação permanente de
11.363,4 ha. Restaram vencidos os Conselheiros Atilio Pitarelli e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que davam provimento em maior extensão para também reconhecer a área de reserva legal.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ERRO DE FATO. Incabível o lançamento motivado por erro no preenchimento da DITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ADA INTEMPESTIVO. Comprovada a existência da área de preservação permanente, o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. Áreas de reserva legal são aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, de sorte que a falta da averbação impede sua exclusão para fins de cálculo da área tributável. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBRABNT 146533. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa de ofício no percentual de 75%, prevista na legislação tributária, sempre que for apurada diferença de imposto a pagar. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 324DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.006014/200511 Acórdão n.º 210201.405 S2C1T2 Fl. 306 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, DAR PARCIAL provimento para reconhecer a área de preservação permanente de 11.363,4 ha. Restaram vencidos os Conselheiros Atilio Pitarelli e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti que davam provimento em maior extensão para também reconhecer a área de reserva legal. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 17/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Contra JOSÉ DE BARROS LIMA foi lavrado Auto de Infração, fls. 02/07, para formalização de exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do imóvel denominado Fazenda Santa Bárbara do Oriente, com área total de 22.728,0 ha (NIRF 2.486.7136), relativo ao exercício 2001, no valor de R$ 1.435.819,22, incluindo multa de ofício e juros de mora, calculados até 31/10/2005. A infração imputada ao contribuinte foi falta de recolhimento do imposto, apurado em razão dos seguintes fatos: (i) glosa total da área de reserva legal (15.909,0 ha), por falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e de averbação da respectiva área junto à matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis; e (ii) arbitramento do valor da terra nua (VTN), mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Fl. 325DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.006014/200511 Acórdão n.º 210201.405 S2C1T2 Fl. 307 3 Terra (SIPT), alterandose o VTN de R$ 750.000,00 (R$ 32,99/ha) para R$ 2.900.092,80 (R$ 127,60/ha), em virtude da nãoapresentação de laudo que comprovasse o valor declarado. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 88/120, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme acórdão DRJ/CGE nº 0410.694, de 10/11/2006, fls. 188/213. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 11/12/2006, Aviso de Recebimento (AR), fls. 219, o contribuinte apresentou, em 22/12/2006, recurso voluntário, fls. 222/253, onde requer o que se segue: a) Se não reconhecidas, pela documentação juntada, as áreas de preservação permanente e de reserva legal do imóvel e o valor da terra nua, o que não se espera, requer seja anulada a decisão de primeira instância para realização da perícia pleiteada, sob pena de cercear o direito de defesa da recorrente, o devido processo legal e contraditório; b) Seja excluída da base de cálculo do ITR a área de reserva legal declarada, independentemente de averbação da mesma à margem da matrícula no CRI, uma vez que comprovada por meio de laudo técnico; c) Seja reconhecida a entrega do ADA através do protocolo juntado na impugnação, ou então a dispensabilidade da apresentação do referido documento para fins de isenção do ITR nos casos de Reserva Legal e Preservação Permanente, por conseguinte, sejam tais áreas declaradas como isentas do ITR em questão, efetuandose as retificações de praxe; d) Seja revisto o lançamento no que diz respeito ao valor da terra nua declarado na respectiva DITR, alterandoo pelo valor constante no laudo de avaliação já anexado, elaborado de acordo com os ditames legais e, em consonância com a Tabela de Preços do Incra; e) Caso V.Exa. assim não entenda, o que definitivamente não se espera, seja reduzida a multa moratória para 20% (vinte por cento), nos termos do tópico IV deste petitório; Em sessão plenária realizada em 22/05/2009, a Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender pertinente, determinou a realização de diligência, conforme Resolução nº 310100.032, fls. 265/268, nos seguintes termos: Diante do exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que seja determinado ao Ibama a verificação do Imóvel da Recorrente, vistoriandoo para em parecer indique quais as áreas existentes de preservação permanente e de reserva1 legal e a Recorrente se, assim, desejar, que traga aos autos qualquer outro documento que Fl. 326DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.006014/200511 Acórdão n.º 210201.405 S2C1T2 Fl. 308 4 prove a regularidade de suas áreas, bem como cópia de sua matrícula do imóvel atualizada. Durante os procedimentos de diligência o Ibama se pronunciou, conforme Ofício, fls. 301/302, onde esclarece que as vistorias relacionadas à avaliação de dados declarados no ADA devem ser precedidas do recolhimento de taxa de vistoria e aconselha que seja solicitada ao contribuinte a Licença Ambiental Única da propriedade, nas quais devem estar caracterizadas as áreas de preservação permanente e de reserva legal. Já o contribuinte manifestouse por duas vezes, fls. 284/288 e 289/292, juntado aos autos, cópia da matrícula do imóvel, fls. 282/283, e cópia de ADA, 293/295, apresentados em 28/09/2007 e 26/09/2008. É o Relatório. Fl. 327DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.006014/200511 Acórdão n.º 210201.405 S2C1T2 Fl. 309 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, o contribuinte suscita a nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, em razão de a decisão recorrida ter deixado de acolher o pedido do contribuinte para a realização de perícia. Como se sabe, embora seja facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). No presente caso, a perícia proposta pelo contribuinte tem por objetivo, comprovar a existência das áreas de preservação permanente e de reserva legal e o VTN do imóvel. Ora, tais informações deveriam constar da Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) e são passíveis de comprovação, por parte do sujeito passivo, conforme disposto no art. 47 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002. Assim, por tratarse de informações cujo ônus da comprovação é do contribuinte, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, em razão de a decisão recorrida ter deixado de acolher o pedido do contribuinte para a realização da perícia. Logo, afastase a preliminar de nulidade da decisão recorrida, passandose à análise das alegações de mérito. Na DITR, exercício 2001, fls. 12/14, o contribuinte informou área de reserva legal de 15.909,0 ha e nenhum hectare de área de preservação permanente. A área de reserva legal foi totalmente glosada, por falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e de averbação da respectiva área junto à matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis. Na impugnação, assim como no recurso, o contribuinte afirma que incorreu em erro quando do preenchimento de sua DITR, esclarecendo que na verdade sua propriedade possui 11.363,4 ha de área de preservação permanente e 4.545,6 ha de área de reserva legal. Para comprovar sua alegação fiase em Laudo de Avaliação, fls. 138/156, acompanhado da devida anotação de responsabilidade técnica (ART), fls. 184. Nesse ponto, vale observar que durante o procedimento de diligência, solicitada por este CARF, o contribuinte juntou aos autos ADA, fls. 293/295, apresentados em 28/09/2007 e 26/09/2008, nos quais estão informadas área de preservação permanente de 11.363,4 ha e área de reserva legal de 4.545,6 ha. Fl. 328DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.006014/200511 Acórdão n.º 210201.405 S2C1T2 Fl. 310 6 Registrese que, conforme jurisprudência firmada nesta Turma, a apresentação do ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir do benefício fiscal no âmbito do ITR. Destacandose sobre o tema o Acórdão nº210200.528, de 14/04/2010, da relatoria do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos. Pois muito bem. De fato o Laudo apresentado pela contribuinte limitase a afirmar que a propriedade possui 11.363,4 ha de área de preservação permanente, sem proceder a descrição da área. Contudo, na falta de elementos que conduzam à conclusão de que o laudo não reflete a realidade da propriedade, devese, neste ponto, acolher o laudo como correto. Como se vê, o contribuinte não havia informado em sua DITR áreas de preservação permanente, entretanto, restando comprovada a existência de erro de fato no preenchimento da declaração, devese acolher o pleito do contribuinte, reconhecendo, para fins de cálculo do imposto devido, a área de preservação permanente, de 11.363,4 ha. Já no que concerne à área de reserva legal, convém observar o disposto no art. 16 da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965: Art.16.As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) Ioitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IItrinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IIIvinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IVvinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou Fl. 329DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.006014/200511 Acórdão n.º 210201.405 S2C1T2 Fl. 311 7 de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Do caput do art. 16 acima transcrito, verificase que os proprietários de imóveis rurais estão autorizados a explorar e suprimir áreas de florestas e outras formas de vegetação nativa (as quais não sejam consideradas áreas de preservação permanente ou de utilização limitada) desde que se comprometa a manter, a título de reserva legal, parte destas florestas ou vegetações nativas, nos percentuais definidos no mesmo artigo. E este compromisso deve ser firmado mediante averbação da área designada como reserva legal junto à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente. Temse, portanto, que a decisão de possuir ou não área de reserva legal parte do proprietário do imóvel, que no interesse de suprimir áreas de floresta ou de vegetação nativa, existentes em sua propriedade, opta por formalizar a área de reserva legal em seu imóvel. Como se vê, as áreas de reserva legal somente passam a existir mediante sua formalização, que se dá por averbação junto à matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis. Ou seja, somente há que se falar em área de reserva legal depois de sua respectiva formalização, mediante averbação na matrícula do imóvel. Nessa conformidade, não há como ser acolhida a pretensão do recorrente de ver reconhecida a área de reserva legal de 4.545,6 ha, dada a inexistência de averbação na matrícula do imóvel. Por fim, devese analisar o arbitramento do VTN. Em sua Declaração de ITR, exercício 2001, o contribuinte informou VTN de R$ 750.000,00 (R$ 32,99/ha). Durante o procedimento fiscal, o contribuinte apresentou laudo técnico de avaliação, fls. 58/65, acompanhado da anotação de responsabilidade técnica (ART), fls. 56, devidamente registrada no CREA, efetuado pelo engenheiro florestal José Augusto Gattass Dias, no qual confirma o VTN conforme declarado pelo contribuinte. Contudo, por entender que o referido laudo, não atendia aos requisitos da NBR 116533, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a autoridade fiscal arbitrou o VTN, para R$ 2.900.092,80 (R$ 127,60/ha), mediante utilização do valor extraído do Sistema de Preços de Terra (SIPT), extrato, fls. 15. Quando da apresentação da impugnação, o contribuinte apresentou novo laudo, fls. 138/156, também acompanhado da devida anotação de responsabilidade técnica (ART), fls. 184. Desta feita, o laudo, elaborado pelo engenheiro agrônomo Agnaldo Evangelista Rodrigues, afirma que o VTN do imóvel em questão é de R$ 1.478.243,52 (R$ 65,04/ha). Nesse ponto, vale destacar que, segundo a NBR/ABNT 14653 – parte 3, que tem por objetivo detalhar as diretrizes e padrões específicos de procedimentos para a avaliação de imóveis rurais, é requisito obrigatório dos laudos, seja qual for o grau de fundamentação, no Fl. 330DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.006014/200511 Acórdão n.º 210201.405 S2C1T2 Fl. 312 8 mínimo, três dados de mercado, efetivamente utilizados, sendo que nos graus II e III são obrigatórios no mínimo cinco dados de mercado efetivamente utilizados. No presente caso, o laudo apresentado pelo contribuinte não trouxe nenhum dado de mercado efetivamente utilizado. A avaliação realizada pelo perito baseouse em dez eventos. Destes, oito são informações prestadas por pessoas físicas, as quais não estão devidamente identificadas, sendo certo que dois deles são motoristas, dois comerciantes e um corretor de imóveis. Os outros dois eventos são extraídos de informação prestada por funcionário da Prefeitura Municipal de Cáceres e de tabela de preços de terras do Incra. Como se vê, o laudo apresentado pelo contribuinte, ao contrário do que afirma a defesa, não atende ao disposto na NBR/ABNT 14653 – parte 3, dada a ausência de dados de mercado efetivamente utilizados. Logo, há de prevalecer o arbitramento do valor da terra nua, nos moldes em que consubstanciado no Auto de Infração. Acrescentese que o fato de o contribuinte ter apresentado dois laudos com valores divergentes fragiliza os valores apontados nos respectivos laudos. No que se refere a multa exigida no Auto de Infração, o contribuinte solicita que seja reduzida para o percentual de 20%. Ocorre que a multa de ofício de 75% foi aplicada no presente caso com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que a seguir se transcreve: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; A autoridade fiscal verificou que o contribuinte apresentou declaração inexata (considerandose como tal a que contém ou omite qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar). Logo, incorreu o contribuinte nas hipóteses previstas na legislação para a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%. Por outro lado, insta frisar que a autoridade fiscal não se pode furtar ao cumprimento dos mandamentos da legislação tributária, sob pena de responsabilidade funcional, pois sua atividade é plenamente vinculada (art. 3º e parágrafo único do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN). Ademais, de acordo com o inciso VI do art. 97 do CTN, somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Assim, deve prevalecer a cobrança da multa de ofício de 75%, conforme exigido no presente Auto de Infração. Fl. 331DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10183.006014/200511 Acórdão n.º 210201.405 S2C1T2 Fl. 313 9 Ante o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, DAR PARCIAL provimento para reconhecer a área de preservação permanente de 11.363,4 ha. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 332DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10320.003298/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2006
INTEMPESTIVIDADE. RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. Não se conhece do apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2101-001.103
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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RECURSO VOLUNTÁRIO PEREMPTO. Não se conhece do apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado após o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não tomar conhecimento do recurso. (assinado digitalmente) __________________________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 20/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Maria Paula Farina Weidlich, Celia Maria De Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório Fl. 80DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0814.273, proferido pela 1ª Turma da DRJ Fortaleza (fl. 34), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, para restabelecer o valor declarado pelo autuado referente à fonte pagadora Fundação de Previdência Complementar. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte, acima identificado, foi lavrada Notificação de Lançamento — Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, fls. 04/07, relativo ao anocalendário de 2005, exercício de 2006, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 3.734,48, incluindo multa de oficio e juros de mora. A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 06, foi: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Confrontando o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na fonte (Dir.!), para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 15.121,24, recebido(s) da (s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 453,63. Fonte Pagadora Rendimento omitido. Banco do Brasil S/A R$15.121,09 Fundação de Previdência Complementar R$0,05 Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados às fls. 06/07. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação em 12/06/2008, fls. 01/03, com as alegações a seguir parcialmente transcritas: ARMANDO CASTELO BRANCO FILHO (..) vem (..) propor (..), a presente impugnação (.) pelos fatos e fundamentos seguintes: PRIMEIRO — Dos fatos in casu. Diz o autuante: que confrontando o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em DIRF para o titular ou dependentes, constatou a omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 15.121,24 (.), de pagamentos efetuados pelo Seguro Social (INSS) e R$ 11.687,67 (..) referente à Fundação de Previdência Suplementar (FASCEMAR), que segundo o autuante o contribuinte aposentado o teria omitido, gerando assim o Lançamento Suplementar ora contestado. Ou senão então vejamos: SEGUNDO — CONTESTANDO: analisando a declaração do Contribuinte à luz d'olhos, preambularmente verificamos tratar se de um aposentado do INSS e como tal tendo mais de 65 anos, tem o direito regulamentar de abater dos rendimentos sujeitos à tributação a parcela ora cobrada pelo agente fiscal do fisco, inclusive declarado dentro dos padrões normais de tal na instrução que anexamos para tirar as dúvidas e evidenciar a Fl. 81DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10320.003298/200814 Acórdão n.º 210101.103 S2C1T1 Fl. 78 3 razão do ora impugnante (VIDE DOC 02 "declaração de percepção de rendimentos pagos e retenção na fonte" e de cujo explicado fazemos integrar na íntegra: PENSÃO, APOSENTADORIA DE MAIS DE UMA FONTE 254 — Como deve proceder a pessoa física com 65 anos ou mais que recebe proventos de aposentadoria ou pensão de mais de um órgão público ou previdenciário? Em relação aos rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual o contribuinte deve observar que: I — do valor mensal correspondente à soma dos proventos de aposentadoria ou pensão pagos por todas as fontes pagadoras, somente é considerada isenta a parcela de até R$ 1.164,00, por mês, para o anocalendário de 2005, encontrandose o valor de R$ 13.968,00 (..), encontrandose devidamente inserido na declaração de comprovante de rendimentos fornecido pelo INSS e na declaração do contribuinte na coluna de rendimentos isentos e não tributáveis e o valor tributável é na alçada de R$ 15.121,19 como quer dizer o fisco, além é claro de o Imposto de Renda Retido na Fonte ser de R$ 1.334,58 e não R$ 453,63 lançado pela SRF do Brasil. Por conseguinte, afirmamos ser de importância suprema ao agente do fisco verificar a condição funcional do contribuinte, bem como as importâncias que o mesmo tem o direito de têlas como isentas ou não tributáveis, afim de não causar transtornos na vida de quem trabalhou toda uma vida em prol da Nação e em idade avançada se veja ameaçado a pagar pesadas multas sem nenhuma ocorrência jurisprudencial que se lhes comine penalidade. TERCEIRO — Diante do acima exposto que representa a máxima da verdade, solicita a improcedência do auto de infração, pelo mesmo não conter ou estar contido em premissas verdadeiras. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau consubstanciou o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Prevalece o lançamento de oficio de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas não oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual. Lançamento Procedente em Parte Em sua peça recursal (fls. 61/65), o contribuinte reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, relator. Consoante Despacho SACAT à fl. 75/76, consta dos autos que o Recorrente tomou ciência da Decisão de primeiro grau através de Edital afixado em 02/12/2008, nas dependências do Edifício do Ministério da Fazenda, em São LuísMA, e desafixado em 17/12/2008, data em que se considera cientificado da decisão de primeiro grau. O recurso voluntário para este CARF deve ser apresentado no prazo máximo de trinta (30) dias, conforme prevê o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Considerando que 17/12/2008 foi uma quartafeira, dia de expediente normal na repartição de origem, o início da contagem do prazo começou a fluir a partir de 18/12/2008, uma quintafeira, primeiro dia útil após a ciência da decisão de primeiro grau, sendo que neste caso, o último dia para a apresentação do recurso seria 16/01/2009, uma sextafeira. Acontece que o recurso voluntário somente foi apresentado em 04/03/2009 (fl. 61), quando já havia transcorrido o prazo regulamentar para interposição do Recurso Voluntário. Neste sentido, a Delegacia da Receita Federal em São Luiz/MA lavrou o Termo de Perempção à fl. 46 e expediu a cartacobrança nº 032/2009, endereçada ao mesmo domicílio para o qual foi encaminhada a Decisão de primeiro grau, sendo nesta oportunidade regularmente recepcionada, em 23/01/2009 (folhas 047 a 049). Dispõe o artigo 35 do Decreto nº 70.235, de 1972, que o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. A intimação editalícia está em consonância com as determinações do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, abaixo transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 83DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10320.003298/200814 Acórdão n.º 210101.103 S2C1T1 Fl. 79 5 § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: (...) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) Desta forma, entendo válida a intimação para ciência da decisão recorrida, através de edital, já que restou improfícua a tentativa de intimar o sujeito passivo por via postal. Em face ao exposto, não conheço do recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 84DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Fl. 85DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 18050.010697/2008-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 10/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES
OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP
com incorreções ou omissão de informações.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 78. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o
art. 32A
à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN,
sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos gravosa
que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA.
AUTONOMIA.
O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante,
suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação
acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária.
Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação
principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos
não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações
acessórias correlatas impostas pela legislação tributária.
AUTO DE INFRAÇÃO. JULGAMENTO CONJUNTO.
DESNECESSIDADE.
É prescindível o apensamento de processos e julgamento conjunto quando
inexistir relação de prejudicialidade entre ambos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.200
Decisão: CORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 78. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos gravosa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. AUTO DE INFRAÇÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. DESNECESSIDADE. É prescindível o apensamento de processos e julgamento conjunto quando inexistir relação de prejudicialidade entre ambos. Recurso Voluntário Negado
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CFL 78. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 78. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos gravosa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. AUTO DE INFRAÇÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. DESNECESSIDADE. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 É prescindível o apensamento de processos e julgamento conjunto quando inexistir relação de prejudicialidade entre ambos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Wilson Antonio de Souza Correa. Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. Data da lavratura do Auto de Infração : 10/12/2008. Data da Ciência do Auto de Infração : 18/12/2008. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa ter omitido nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, nomes e valores passíveis de incidência de contribuições previdenciárias na forma do art. 22, I a II da Lei 8.212/91, conforme descrito no Relatório Fiscal, a fls. 08/11. CFL 78 Apresentar a empresa a declaração a que se refere a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, com incorreções ou omissões. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.010697/200862 Acórdão n.º 230201.200 S2C3T2 Fl. 272 3 Informa o auditor fiscal autuante que a Associação Educativa e Cultural de Camaçari deixou de informar nas GFIP das competências compreendidas entre janeiro/2004 a dezembro/2004, as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais, correspondentes aos seguintes fatos geradores: a) Remunerações dos segurados empregados; b) Rescisão de contrato de trabalho de segurado empregado; c) Diárias e ajuda de custo pagas aos segurados empregados, em desacordo com a Lei n° 8.212, art. 28 parágrafo 9° "g" e "h"; d) Vale transporte pago em desacordo com a com o art. 28, §9°, ‘f' da Lei n° 8.212/91 e) Antecipação de contrato; f) Remuneração paga a contribuintes individuais; Informa o auditor fiscal autuante que, em atendimento ao disposto no art. 106, II, ‘c’ do CTN, a penalidade aplicada para a lavratura deste Auto de Infração foi a introduzida pela nova sistemática de cálculo introduzida pela Medida Provisória 449/ 2008, uma vez que ficou demonstrada que esta é mais benéfica que a anterior, de acordo com o Relatório Fiscal a fls. 12/17. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 239/240. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA lavrou Decisão Administrativa a fls. 256/262, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 05 de junho de 2009, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 263. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 265/266, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que o cálculo da multa a ser aplicada tomou como base de cálculo (para determinar a quantidade de omissões) a totalidade dos segurados constante nas folhas de pagamento, quando o correto seria o cálculo sobre as informações omitidas e relativas às informações das contribuições efetivamente não declaradas nas obrigações acessórias. Ao fim requer que seja o julgamento do presente auto de infração feito em conjunto com os Autos de Infração 37.210.8490, 37.210.8504 e 37.210.8512, posto que se consubstancia em suposta obrigação acessória. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 21/05/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 19 de junho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões preliminares, passamos diretamente à análise do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DA CONDUTA INFRACIONAL. Pondera o Recorrente que o cálculo da multa a ser aplicada tomou como base de cálculo (para determinar a quantidade de omissões) a totalidade dos segurados constante das folhas de pagamento, quando o correto seria o cálculo sobre as informações omitidas e relativas às informações das contribuições efetivamente não declaradas nas obrigações acessórias. Razão não lhe assiste. Cumpre neste comenos destacar que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.010697/200862 Acórdão n.º 230201.200 S2C3T2 Fl. 273 5 b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o dever jurídico de informar, mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. Nas hipóteses de inobservância da obrigação acessória em realce, a Lei Orgânica da Seguridade Social previa, originariamente, a cominação de penalidade pecuniária correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92 da Lei nº 8.212/91, em função do número de segurados, conforme quadro consignado no §4º do art. 32 do Diploma Legal em tela. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (grifos nossos) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Ocorre que, em 3 de dezembro de 2008, foi editada a Medida Provisória nº 449/2008 que revogou o aludido §4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91 e, sem solução de continuidade, fez inserir no corpo da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 32A, o qual fixou uma nova sistemática de apenação administrativa à infração tributária em realce, que se mostrou, em regra, mais benéfica ao contribuinte infrator que a penalidade então revogada. Em 27 de maio de 2009, foi promulgada a Lei nº 11.941/2009, produto da coversão da Medida Provisória referida no parágrafo precedente, que modificou a redação do aventado art. 32A, sem modificarlhe substancialmente o conteúdo, impingindo ao contribuinte que deixar de apresentar a declaração a GFIP no prazo legal ou que a apresentar com incorreções ou omissões a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas, ou de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento). A novel legislação fixou, ainda, para a multa em tela, o valor mínimo de R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária, ou de R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.010697/200862 Acórdão n.º 230201.200 S2C3T2 Fl. 274 7 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.94/2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.94/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.94/2009). §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.94/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.94/2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.94/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.94/2009). §3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.94/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.94/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.94/2009). Para os fatos geradores ocorridos sob a égide dos revogados §§ 4º e 5º da Lei nº 8.212/91, exsurgiu um conflito aparente de normas em razão da incidência concorrente do princípio tempus regit actum, consagrado no caput do art. 144, in fine, do Código Tributário Nacional CTN, a impor a incidência das penalidades aviadas nos revogados dispositivos acima referidos, e o principio da retroatividade da lei tributária mais benéfica, louvado no art. 106, II, ‘c’ do mesmo codex tributário. Código Tributário Nacional – CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Fl. 7DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nas ordens desta Corte Administrativa, tanto quanto na Secretaria da Receita Federal do Brasil, honrouse o respeito ao princípio da retroatividade da lei tributária mais benéfica ao infrator, eis que, o art. 106, II, ‘c’ do CTN, expressamente, afasta a regência da lei vigente ao tempo da pratica do ato violador. No caso presente, conforme pormenorizadamente demonstrado nas memórias de cálculo a fls. 12/17, o valor pecuniário da multa calculado segundo os ditames da lei nº 11.941/2009 (R$ 14.560,00) mostrouse substancialmente menos severo ao Recorrente que o castigo econômico que lhe seria infligido pela lei de regência vigente ao tempo da prática do ato (R$ 100.391,20), circunstância que implica na valoração da penalidade a ser aplicada naquele valor, e não neste. Cabe registrar que, no procedimento de quantificação do número de informações incorretas ou omissas, devese levar em consideração cada omissão ou incorreção efetivamente informada, individualmente considerada, e, não, considerada em sua espécie. Nessa perspectiva, se 15 segurados receberam ajuda de custo em desconformidade com a lei e tais valores não foram informados nas GFIP correspondentes, devem ser computadas 15 omissões, e não uma somente. Conforme demonstrado, a multa aplicada seguiu com brio os comandos destacados no art. 32A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, em respeito aos mandamentos do principio da retroatividade da lei menos gravosa ao contribuinte. 2.2. DA AUTONOMIA E INDEPENDÊNCIA DAS OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS E ACESSÓRIAS. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.010697/200862 Acórdão n.º 230201.200 S2C3T2 Fl. 275 9 Avulta como verdadeiro axioma a máxima jurídica que reza ter o acessório o mesmo destino que o principal. Em direito tributário, todavia, esse princípio rudimentar de Direito tem que ser interpretado cum grano salis. Como é cediço, o nomem juris de qualquer instituto de direito não é suficiente para lhe determinar o conteúdo e abrangência, atributos esses que só podem emergir da lei. O que se deseja encarecer é que o Documento Legal que rege determinado instituto jurídico detém, nas conformações traçadas pela Carta Maior, a competência legal para dispor acerca do seu alcance e teor. No caso das obrigações tributárias acessórias, estas estão longe de serem, meramente, dispositivos secundários, subordinados às ou dependentes das obrigações ditas principais, como acredita o Recorrente. Impende observar, nesse sentido, que o CTN, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Nessa perspectiva, não carece de elevada mestria a interpretação do texto inscrito no §2º do supratranscrito dispositivo legal a qual aponta para a total independência entre as obrigações ditas principais e aquelas denominadas como acessórias. Estas, no dizer cristalino da Lei, decorrem diretamente da legislação tributária, não das obrigações principais, e tem por objeto prestações positivas ou negativas fixadas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Nesse contexto, cabenos registrar, que são cabíveis de serem estatuídas obrigações acessórias as quais não se encontram vinculadas a nenhuma obrigação principal, fato que põe por terra a tese defendida pelo Recorrente. Exemplo emblemático do que findou de ser dito é o caso das obrigações acessórias previstas no art. 68 da Lei nº 8.212/91, que impõe ao Titular do Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais a obrigação acessória de comunicar ao INSS, até o dia 10 de cada mês, o registro dos óbitos ocorridos no mês imediatamente anterior, devendo da relação constar a filiação, a data e o local de nascimento da pessoa falecida, sob pena de sujeição à penalidade prevista no art. 92 do mesmo Diploma Legal. Corrobora o entendimento acima esposado as disposições insculpidas no §3º do art. 113 do citado codex, o qual reza que, o simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante, suficiente e determinante para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária, de onde se conclui que a aplicação de Auto de Infração tem natureza objetiva. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 136 do reverenciado código tributário, o qual declara que a responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, revelando assim, através de uma outra lente, o caráter objetivo e independente da imputação em realce. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. Nesse painel, a mera inobservância objetiva da obrigação tributária acessória implica a imposição da penalidade correspondente, in casu, a multa prevista no art. 92 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 283, I, ‘a’ do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com valores atualizados pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11 de março de 2008. 2.3. DO JULGAMENTO CONJUNTO Requer seja o julgamento do presente auto de infração feito em conjunto com o Auto de Infração 37.210.8490, 37.210.8504 e 37.210.8512 Tal providência se revela desnecessária. Com efeito, os Autos de Infração 37.210.8490 e 37.210.8512 operaram o lançamento de contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao Fl. 10DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18050.010697/200862 Acórdão n.º 230201.200 S2C3T2 Fl. 276 11 financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos incidindo sobre as mesmas rubricas tratadas no presente processo, dentre muitas outras. Entretanto, inexiste questão de prejudicialidade entre ambos os processos. Os processos em apreço são totalmente autônomos e independentes entre si, devendo, cada um deles, ser instruídos com todos os elementos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que as partes possuírem, sob pena de preclusão, a teor dos artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Os relatórios e o conjunto probatório que integram o presente processo se revelam bastantes e suficientes para o exame do meritum causae pelo juízo ad quem, revelandose prescindível o apensamento deste àqueles e o julgamento em conjunto. Nesse contexto, da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a presente autuação não demanda, alfim, qualquer reparo. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 11DF CARF MF Emitido em 13/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10675.000906/2007-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2004
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS.
Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações.
Numero da decisão: 1102-000.418
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: João Otávio Oppermann Thomé
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1659; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 351 1 350 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10675.000906/200720 Recurso nº 504.583 Voluntário Acórdão nº 110200.418 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de março de 2011 Matéria SIMPLES. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Recorrente AGRO MARTINS CARVALHO LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. documento assinado digitalmente Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Presidente. documento assinado digitalmente João Otávio Oppermann Thomé Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Carlos de Lima Júnior, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, e Manoel Mota Fonseca. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10675.000906/200720 Acórdão n.º 110200.418 S1C1T2 Fl. 352 2 Relatório Contra a empresa acima qualificada foram lavrados Autos de Infração, na modalidade do Simples, abrangendo o Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, e Contribuição para a Seguridade Social – INSS, perfazendo um crédito tributário no montante de R$ 122.483,27, aí já incluídos os juros de mora e a multa de ofício de 75%. A ação fiscal foi motivada pela solicitação do Ministério Público Federal, fls. 104, para que fosse verificada eventual inconsistência entre os valores da movimentação financeira, obtidos com base nas informações prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB pelas instituições financeiras, e os valores da receita declarada à RFB em suas DIPJ. Por meio do Termo de Início de Fiscalização de 25.10.2006 (fls. 62), a fiscalizada foi intimada a apresentar, entre outros elementos, livro Caixa, ou então os livros Diário e Razão, relativos ao ano calendário 2004, bem como os extratos bancários de todas as suas contas bancárias neste mesmo período. Após a solicitação (e concessão) de prorrogação de prazo, em 08 de dezembro de 2006, o contribuinte apresentou o livro Caixa e os extratos relativos ao Banco do Brasil e ao Bradesco, dizendo ainda não ter em mãos os extratos da CEF. Também informou (fls. 67/68) que, com relação às contas correntes n° 12.1827/Banco da Brasil S/A, e 89.750 7/Bradesco, a movimentação financeira existente não correspondia ao faturamento por ela declarado, pois se tratava de empréstimos obtidos com a própria instituição financeira e terceiros. Disse ainda que estas contas nunca ficaram com saldo credor por mais de 24 ou 48 horas, exatamente pelo pagamento dos seus credores, e que ditas contas mantinham sempre saldo devedor. A contribuinte foi reintimada a apresentar os extratos bancários faltantes (fls. 69), e, não os tendo apresentado, foi expedida a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF de fls. 78/79 à CEF. Por meio do Termo de Intimação de fls.71 a 76, a contribuinte foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos ingressados nas contas bancárias de titularidade da pessoa jurídica mantidas no Banco do Brasil e ao Bradesco, relativos ao ano calendário de 2004, cujos créditos foram discriminados em planilha anexa. Em resposta, fls. 81/82, reiterou que a movimentação financeira existente não corresponde ao faturamento por ela declarado, pois se trata de repasses de produtos por ela representados, bem como de empréstimos obtidos com a própria instituição financeira e terceiros. Recebidos os extratos faltantes, solicitados por RMF, foi a contribuinte intimada (Termo de Intimação nº 03, fls. 83) a comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos ingressados nas contas bancárias de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10675.000906/200720 Acórdão n.º 110200.418 S1C1T2 Fl. 353 3 titularidade da pessoa jurídica mantidas na Caixa Econômica Federal em 2004, cujos créditos foram discriminados em planilha anexa. Neste mesmo Termo de Intimação nº 03, foi também a contribuinte intimada a comprovar as alegações constantes da sua resposta ao termo anterior, no tocante ao repasse de produtos representados pela notificada e aos empréstimos obtidos com instituições financeiras e com terceiros. A este Termo de Intimação nº 03 não houve resposta por parte da contribuinte. A contribuinte foi então autuada com base na presunção de omissão de receita prevista no artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996, tendo sido excluídos da exigência os valores declarados/quitados pela contribuinte na sistemática do Simples, ou seja, foram cobradas somente as diferenças constatadas. Inconformada, a empresa apresentou impugnação, às fls. 231 a 245, contrapondo, em síntese, que a simples existência de depósitos bancários em sua conta corrente não pode ser considerada renda tributável, nem mesmo após o advento da Lei nº 9.430/96, porquanto deve ficar caracterizado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimentos, sendo imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos, e que é necessária a prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Traz à colação posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais para sustentar sua defesa. Diz também que se deve observar que a movimentação existente nas suas contas correntes se justificam porque durante alguns anos a mesma suportou grandes prejuízos financeiros, tendo recorrido a empréstimos junto a instituições financeiras e agiotas, e que nos extratos apresentados, as suas contas sempre ficaram com saldo negativo, justamente porque a maior parte dos recursos são provenientes de uma liberação de empréstimo (desconto de cheques) junto a instituições financeiras e também recebimento de valores das indústrias que representa. E que toda a receita auferida pela impugnante fora devidamente escriturada, tendo o livro caixa sido apresentado à autoridade fiscal. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG decidiu a lide por meio do Acórdão 0925.559, fls. 316 a 319, mantendo integralmente o lançamento efetuado, conforme ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 RECEITA OMITIDA COM BASE NO ART. 42 DA LEI Nº 9/430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. O artigo 42 da Lei nº 9.430/96 determina que caracterizamse como omissão de receita os valores creditados/depositados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10675.000906/200720 Acórdão n.º 110200.418 S1C1T2 Fl. 354 4 comprove mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” Cientificada desta decisão em 28.08.2009, conforme AR de fls. 325, e com ela inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25.09.2009, fls. 326 a 343, no qual reprisa os argumentos já expostos por ocasião da inicial. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Alega a recorrente que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda, nem mesmo após o advento da Lei nº 9.430/96, e que teria de ficar caracterizado o nexo causal entre o depósito e o fato que representa omissão de rendimentos, mediante prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Não lhe assiste razão. Se tal raciocínio podia ser considerado válido enquanto vigente o artigo 6º, § 5º, da Lei nº 8.021/1990, com base no qual, aliás, firmouse a jurisprudência invocada pela recorrente, esta realidade foi diametralmente alterada com a revogação daquele dispositivo pela Lei nº 9.430/96, cujo artigo 42 estabeleceu o seguinte, verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesta nova realidade erigida pelo legislador à condição de presunção legal, a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, isoladamente considerada, mas sim pela falta de esclarecimentos da origem dos numerários depositados. Ou seja, há uma correlação lógica estabelecida pelo legislador entre o fato conhecido (ser beneficiado com um depósito bancário sem demonstração de sua origem) e o fato desconhecido (auferir rendimentos), e é esta correlação que dá fundamento à presunção legal em comento, de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas ou rendimentos omitidos. Tratase, como é cediço, de presunção legal relativa, i.e., que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe à recorrente. Ao Fisco cabe apenas provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia ter afastado a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Processo nº 10675.000906/200720 Acórdão n.º 110200.418 S1C1T2 Fl. 355 5 documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados em sua contacorrente, mas não o fez. Apresentou tão somente alegações vagas, de que os recursos seriam provenientes de empréstimos diversos e de recebimento de repasses das indústrias que representa, e totalmente desprovidas de qualquer comprovação. Irrelevantes ainda, neste aspecto, as alegações de que teria suportado prejuízos financeiros, e de que suas contas teriam sempre ficado com saldo negativo, fatos que, ainda que correspondam à realidade, em nada alteram a caracterização da omissão de receitas apontada pela autoridade fiscal. Da mesma forma, a apresentação do livro Caixa à autoridade fiscal, salientada pela recorrente, também não tem o condão de descaracterizar a infração apurada. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. documento assinado digitalmente João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Assinado digitalmente em 11/05/2011 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, 17/05/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO
score : 1.0
Numero do processo: 10552.000548/2007-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004
AUTO DE INFRAÇÃO NÃO APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP .
Toda empresa está obrigada a informar mensalmente, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária.
RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP.
LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos
severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2301-001.981
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator designado.
Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos
termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso
seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Redator Mauro José Silva.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Toda empresa está obrigada a informar mensalmente, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária. RETROATIVIDADE BENIGNA. OMISSÕES E INEXATIDÕES NA GFIP. LEI 11.941/2009. REDUÇÃO DA MULTA. As multas por omissões ou inexatidões na GFIP foram alteradas pela Lei 11.949/2009 de modo a, possivelmente, beneficiar o infrator, conforme consta do art. 32A da Lei n º 8.212/1991. Conforme previsto no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento às demais alegações apresentadas pela Recorrente, nos termos do voto da Relatora. Redator Mauro José Silva Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA 2 Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Mauro José Silva Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Ausência momentânea: Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio De Souza Correa Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10552.000548/200741 Acórdão n.º 230101.981 S2C3T1 Fl. 75 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 04/09/2006, por ter a empresa acima identificada deixado de informar ao INSS, por intermédio de GFIP/GRFP, os dados cadastrais e todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, infringindo, dessa forma, o inciso IV e §§ 3º e 9º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c art. 225, inciso IV e §§ 2º, 3º e 4º, do caput, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Segundo Relatório Fiscal da Infração (fl. 06), a empresa deixou de informar, por meio de GFIP, na competência fev/2004, os valores de prolabore e recibos de pagamento que constam registrados na contabilidade. A autuada apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 12.796, da 7a Turma da DRJ/POA (fls. 38), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 47), alegando, em apertada síntese, o que se segue. Inicialmente, salienta que a falta de eventual contabilização e/ou informação ao INSS em face das GFIP's, não deve ser atribuída à recorrente, uma vez que a contabilidade da empresa é terceirizada. Informa que, segundo informações obtidas perante o contador responsável, a empresa foi informada de que ocorreu falhas no sistema de geração da GFIP, fato este que ocasionou os problemas evidenciados entre os meses de jan/04 a abril/04, sem que a recorrente tivesse qualquer conhecimento, uma vez que não foi avisada de tal fato à época, pois teria condições de ter determinada à geração de GFIP retificadora. Esclarece que anexa cópia de Certidão Negativa de Débito, datada de 23 de junho de 2006, para fins de comprovar que não constavam débitos em aberto até a data da lavratura do presente auto de infração e não houve intenção de lesar ou causar prejuízo ao INSS que pudesse gerar a aplicação da multa objeto da presente impugnação. Sustenta que se pretende no presente AI a aplicação de penalidade cujo montante resulta em total desconformidade com o ato tido como infracional e requer que seja afastada a aplicação de qualquer penalidade administrativa, em obediência ao princípio que determina seja a norma aplicada visando seus fins sociais. Conclui que, como inexiste qualquer uma das condições necessárias à tipificação qualificada, ausentes o dolo, a fraude e a simulação, e em sendo impossível caracterizarse objetivamente a pretensa conduta infracional, em face do quanto disposto nos incisos I, II e IV do artigo 112 do Código Tributário Nacional, é imperioso afastarse a incidência da multa do quilate da que foi aplicada. É o relatório Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Vencido Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos. Verificase, da leitura da peça recursal, que a recorrente não nega que tenha deixado de informar, por meio de GFIP, os fatos geradores apontados pela autoridade fiscal. Ela apenas se justifica alegando que a contabilidade era terceirizada e que não tinha conhecimento do ocorrido. Todavia, toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, os dados cadastrais e todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do fisco. Ao deixar de proceder dessa forma, a empresa infringiu obrigação legal a todos imposta. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. A autuada entende que a existência da CND afasta qualquer intenção de lesar a Previdência Sócia, fato excludente da culpabilidade. Entretanto, o Código Tributário Nacional estabelece, em seu art. 136, que: Art. 136 “Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infração da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Assim, não cabe o argumento de que a autuação não pode prevalecer. A hipótese de exclusão da responsabilidade por infrações é a prevista no art. 138, do CTN, ou seja: Art.138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10552.000548/200741 Acórdão n.º 230101.981 S2C3T1 Fl. 76 5 quando o montante do tributo dependa de apuração.Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No caso presente, não houve a denúncia espontânea, não havendo, portanto, que se falar em afastar a incidência da multa, como quer a recorrente. Constatase que, no presente caso, o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Relativamente à alegação de que o valor da penalidade resulta em total desconformidade com o ato tido como infracional, cumpre esclarecer que a multa aplicada encontra respaldo legal nos dispositivos citados na fl. 01 do AI. E sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização não poderia deixar de aplicar a penalidade prevista na legislação vigente à época. Porém, não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos dos normativos vigentes à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, que revogou os incisos I e II e parágrafo único do art. 52, da Lei 8.212/91. E, conforme disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”: Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, tratandose o presente lançamento de ato ainda não julgado quando da edição da MP 449/08, concluise que os critérios por ela estabelecidos, caso sejam mais benéficos ao contribuinte, se aplicam ao AI em tela. Dessa forma, caso se constate, no recálculo da multa com a observância do disposto no artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal.. Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA 6 Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO, e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se aplique, caso seja mais benéfico para o contribuinte, o artigo 35 A, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10552.000548/200741 Acórdão n.º 230101.981 S2C3T1 Fl. 77 7 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva Redator designado Multa por não apresentação da GFIP. Adequação ao art. 32A. O valor da multa por apresentação da GFIP com incorreções ou omissões sofreu modificações com o advento da Lei 11.941/09 que introduziu o art. 32A na Lei 8.212/91, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Com relação ao tema, o Código Tributário Nacional, em seu at. 106, alínea “c”, afirma expressamente que a Lei nova deverá retroagir quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na Lei vigente anterior, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA 8 Logo, a perfeita adequação do lançamento à legalidade exige que a multa aplicada seja confrontada com a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que resultar em menor ônus para a recorrente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 06/05/2011 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13605.000573/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade
lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.220
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, José Evande Carvalho Araujo, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Souza e Alexandre Naoki Nishioka. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Fl. 58DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 09 27.328, proferido pela 1ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fl. 31), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Tratase de Notificação de Lançamento que exige um crédito tributário no valor total de R$ 5.148.74, sendo: R$ 2.475,00 de IRPF Suplementar; R$ 1.856,25 de multa proporcional (passível de redução); R$ 817,49 de juros de mora, calculados até 31/07/2007. Segundo a Descrição dos Fatos constante da referida Notificação, o lançamento decorreu de glosa de deduções de despesas médicas no montante de R$ 9.000,00. Na Complementação da Descrição dos Fatos, a autoridade lançadora relatou o seguinte: Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, que lhe exigiu a comprovação do efetivo pagamento de R$3.000,00 a Simone de Almeida (fisioterapeuta) e de R$6.000,00 a Rangel Sá de Oliveira (psicólogo), a contribuinte declarou expressamente que não é possível o seu atendimento devido a inexistência dos extratos bancários e dos cheques microfilmados. Portanto, os pagamentos aos profissionais acima, totalizando R$9.000,00, foram glosados por falta de comprovação. O contribuinte apresentou impugnação pedindo o cancelamento da Notificação. Para tanto, colacionou pronunciamentos do então 1° Conselho de Contribuintes que reforçam seus argumentos, os quais estão assim resumidos: [...], o ato normativo, interpretando a lei, abre alternativa de apresentação de cheque nominativo na falta de documentação, o que não é o caso da recorrente que, além da comprovação com documentos originais reforçou sua prova com declaração dos beneficiários dos pagamentos. REPITASE que não se extrai da Notificação de Lançamento atacada fundamentação que sustente o não acatamento dos esclarecimentos prestados, limitouse o Sr. Fiscal Auditor em glosar os pagamentos em tela ao abreviado argumento de que a glosa ocorre por falta de comprovação. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Na falta de comprovação por documentos hábeis é de se manter a glosa das despesas médicas declaradas, sobretudo quando houver necessidade de elementos adicionais para a formação da convicção de sua ocorrência, além dos recibos. Impugnação Improcedente Em seu apelo ao CARF, às fls. 36/41, a recorrente reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13605.000573/200751 Acórdão n.º 210101.220 S2C1T1 Fl. 51 3 É o Relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator. O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Os fundamentos indicados no voto condutor da decisão recorrido (fls. 32/33), estão em consonância com entendimentos reiterados deste Colegiado acerca da comprovação das despesas médicas. Vejamos o que dispõe a legislação que rege a matéria, e como os Órgãos administrativos de julgamento a têm interpretado. Confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito da dedução de despesas médicas: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Sobre deduções elevadas, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, art. 73, dispõe: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, Fl. 60DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Grifos Acrescidos. Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame, numa visão sistêmica da legislação tributária. Verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleito como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Em outros recursos que passaram por este Colegiado, com despesas médicas elevadas, a parte interessada apresentou abundantes elementos de prova acerca da necessidade da realização das despesas (os serviços demandados, exames, laudos circunstanciados, etc), quando não o faziam em relação ao efetivo pagamento. O ordenamento legal permite que o contribuinte realize pagamentos em moeda corrente e, por seu turno, os beneficiários desses são orientados a aceitálos. Só que, mesmo esse modal de cumprimento de obrigações permite comprovação, uma vez que, em razão dos valores envolvidos, não há como compreender que não ocorreriam saques coincidentes, ou aproximados, em datas e valores aos indicados nos recibos de despesas médicas. Nenhum comprovante do efetivo pagamento foi apresentado (cheque, depósito, transferência, extrato bancário etc), nem laudos ou exames foram apresentados a fim de justificar a necessidade das despesas médicas em litígio. Verificase na Declaração de Bens, à fl. 21, que a contribuinte não possui dinheiro em espécie guardado em casa, como alegou no recurso, mas consta saldo expressivo em conta bancária e de poupança no inicio do ano calendário de 2004. Não há na declaração de rendimentos do mesmo período qualquer informação que corrobore a ajuda financeira que a autuada afirma ter recebido do exmarido. Verificase também, à fl. 20, que a contribuinte recebe a integralidade dos rendimentos declarados através de conta bancária, mas não consegue comprovar os elevados pagamentos com despesas médicas questionados pela fiscalização. Quando as deduções pleiteadas são elevadas, não basta o interessado apresentar recibos ou declarações, que não comprovam o fato declarado, conforme dispõe o artigo 368 do Código de Processo Civil. Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Para a situação revelada no caso em exame há que se comungar com o posicionamento expresso nas ementas dos Acórdãos da CSRF e do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, abaixo colacionadas, dentre muitas outras, na mesma linha de entendimento: IRPF DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou a efetiva prestação de serviços. Essas condições devem ser comprovadas quando restar dúvida quanto à idoneidade do documento. (Ac. 1º CC 10243935/1999 e Ac. CSRF 011.458) Fl. 61DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13605.000573/200751 Acórdão n.º 210101.220 S2C1T1 Fl. 52 5 IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe. (Ac. 1º CC 10416647/1998)” Estas considerações objetivam analisar a matéria de forma ponderada, de acordo com a especificidade de cada caso. A glosa efetuada pela fiscalização, por seus fundamentos (fl. 07) permanece incólume. Não se trata de exigências ilegais ou inconstitucionais, ou indevida inversão do ônus para a contribuinte, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, devendo o contribuinte apresentar elementos de prova do efetivo desembolso dos valores e efetiva prestação dos serviços, quando solicitado pela fiscalização. Se o contribuinte que se submeteu ao tratamento e efetuou os pagamentos considera difícil produzir a prova necessária à comprovação da despesa, não há como o fisco substituílo nesse encargo. Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Fl. 62DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/08/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 35011.003089/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2005.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO.
A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à
empresa o ônus da prova em contrário.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.212
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF,
por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2005. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE. AFERIÇÃO INDIRETA. CABIMENTO. A constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, Fl. 302DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, para, na parte conhecida, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Wilson Antonio de Souza Correa, Vera Kempers de Moraes Abreu e Arlindo da Costa e Silva. Ausência momentânea: Wilson Antonio de Souza Correa. Relatório Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2005. Data da lavratura da NFLD: 11/09/2006. Data da Ciência do NFLD : 13/09/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras entidades e fundos, incidentes sobre a remuneração paga, creditada ou devida aos segurados que lhe prestaram serviços no mês, apuradas mediante aferição indireta, conforme minudente narrativa no Relatório Fiscal a fls. 128/131, e anexos a fls. 132/135. Relata a Autoridade Lançadora que o contribuinte não apresentou os livros e documentos contábeis de 2001, livro razão e documentos contábeis de 2002, fato que levou a lavratura do competente Auto de Infração. Aduz que, com relação aos exercícios em que foram apresentados os livros contábeis (2002 a 2005), ao serem cotejados, no decorrer da ação Fl. 303DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003089/200615 Acórdão n.º 2302001.212 S2C3T2 Fl. 1.445 3 fiscal, os documentos com os lançamentos efetuados no Livro Diário, verificouse a existência de várias situações que autorizaram a desconsideração da contabilidade escriturada pela empresa. Informa a autoridade fiscal que, uma vez desconsiderada a contabilidade da empresa, passouse a efetuar o levantamento dos valores reputados como devidos mediante o arbitramento das bases de cálculo, de acordo com os percentuais definidos pela Instrução Normativa n° 3 de 14/07/2005, sendo aplicada uma alíquota de 32% sobre o valor das Notas Fiscais de Serviço, uma vez que os valores referemse ao levantamento da filial, que presta serviços de limpeza pública (coleta de lixo) para a Prefeitura Municipal de Boa Vista, sendo consideradas as remunerações declaradas nas GFIP obtidas através dos sistemas informatizados da Previdência Social, abatendose os valores recolhidos através de Guias da Previdência Social GPS e valores destacados como retenção nas Notas Fiscais de Serviço. Menciona ainda que os lançamentos foram efetuados utilizandose os códigos GF2, para os valores declarados em GFIP, e AF1, para os valores aferidos de acordo com os percentuais estabelecidos pela Instrução Normativa n° 3/2005 subtraindose os valores declarados em GFIP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 226/231. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa a fls. 543/549, julgando procedente a Notificação Fiscal, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 03/03/2008, conforme Aviso de Recebimento a fl. 552. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 554/584, e documentos a fls. 585/1440, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que o lançamento é nulo por falta de motivação para o arbitramento; • Que houve cerceamento ao direito da ampla defesa e do contraditório em razão de ausência de fundamentação na lavratura da NFLD atacada. Aduz que as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito e seus anexos, especialmente o relatório fiscal, devem ser claras, objetivas e em linguagem coloquial, permitindo ao contribuinte pois este não tem a obrigação legal de ser jurista especializado em legislação tributária a plena compreensão dos seus termos para que possa se defender de forma eficaz da imposição fiscal a ele imputada; • Que os julgadores de primeira instância administrativa simplesmente rejeitaram sumariamente o pedido de revisão dos exercícios de 2001 e 2002, sem sequer determinar a baixa dos autos em diligência para a verificação da existência dos livros contábeis do exercício de 2001, em obediência ao princípio da verdade material. Aduz que os Termos de Abertura e Encerramento dos livros contábeis de 2001 e 2002 haviam sido juntados com a apresentação da impugnação e, considerando que, em Fl. 304DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 relação ao ano de 2001, cujo único motivo para justificar o lançamento arbitrado por aferição indireta era a ausência dos livros contábeis, constituía dever da 5ª Turma da DRJ/BEL determinar a baixa dos autos em diligência para verificação in loco da existência dos mesmos, assim como, verificar sua exatidão contábil, tanto sob aspectos formais quanto materiais, para subsidiar a manutenção ou não do arbitramento em relação ao exercício de 2001 ou mesmo dos demais exercícios. • Que a Auditoria Fiscal Previdenciária não informou precisamente a fundamentação legal ou normativa específica, mencionando de forma genérica a instrução normativa, sem explicitar o artigo ou suas partes que fundamentam a utilização do percentual supramencionado em cada estabelecimento ou obra de construção, o que significa cerceamento ao principio da ampla defesa; • Que o art. 602 da IN nº 3/2005 é inaplicável, in casu, visto que os serviços de limpeza ali previstos são os de caráter predial e que os serviços prestados pela recorrente para a Prefeitura Municipal de Boa Vista são o de coleta de lixo, que envolvem somente sua coleta e remoção para o aterro sanitário; Ao fim, requer a declaração de improcedência do lançamento ora guerreado. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 21/02/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 20/03/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Alega o Recorrente ter havido cerceamento ao direito da ampla defesa e do contraditório em razão de ausência de fundamentação na lavratura da NFLD atacada. Aduz que as Notificações Fiscais de Lançamento de Débito e seus anexos, especialmente o relatório fiscal, devem ser claras, objetivas e em linguagem coloquial, permitindo ao contribuinte pois este não tem a obrigação legal de ser jurista especializado em legislação tributária a plena compreensão dos seus termos para que possa se defender de forma eficaz da imposição fiscal a ele imputada. Fl. 305DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003089/200615 Acórdão n.º 2302001.212 S2C3T2 Fl. 1.446 5 Cita, também, o sujeito passivo que a Auditoria Fiscal Previdenciária não informou precisamente a fundamentação legal ou normativa específica, mencionando de forma genérica a instrução normativa, sem explicitar o artigo ou suas partes que fundamentam a utilização do percentual supramencionado em cada estabelecimento ou obra de construção, o que significa cerceamento ao principio da ampla defesa; Argumenta, ainda, que o art. 602 da IN nº 3/2005 é inaplicável ao presente caso, em razão de os serviços de limpeza ali previstos serem os de caráter predial e que os serviços prestados pela recorrente para a Prefeitura Municipal de Boa Vista são o de coleta de lixo, que envolvem somente sua coleta e remoção para o aterro sanitário. Compulsando a impugnação à NFLD em julgamento, verificamos que as alegações acima postadas inovam o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tais matérias não foi, nem mesmo indiretamente, aventadas pelo impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 306DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir dos plenários do Poder Judiciário. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003089/200615 Acórdão n.º 2302001.212 S2C3T2 Fl. 1.447 7 Por tais razões, a matéria abordada nos três primeiros parágrafos deste tópico, não poderão ser conhecidas por este Colegiado. Além disso, compulsando os autos, verificamos que a Notificação Fiscal em relevo foi lavrada em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a tipificação da obrigação tributária principal violada, os fatos jurígenos não adimplidos, a composição pecuniária das bases de cálculo, obrigação principal e respectivos acessórios, tudo de forma bem detalhada e discriminada em seus elementos de constituição. Não há, de maneira alguma, qualquer amontoado genérico de diplomas normativos na capitulação legal da exação em constituição. O relatório Fundamentos Legais do Débito é elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo estruturado de forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao notificado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação, sendolhe garantido, dessarte, o exercício do contraditório e da ampla defesa. Não há dúvidas de que o relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito revelouse, de fato, bastante amplo e vasto, característica decorrente da complexidade da matéria em apreço e da circunstância de o período de apuração do presente lançamento abranger várias competências, sendo certo que a legislação pertinente experimentou diversas alterações nesse interregno. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao notificado. Citese ainda que os serviços de limpeza a que se refere o art. 602 da IN SRP nº 3/2005 são genéricos, e, não, somente domiciliares como assim argumenta o Recorrente. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 3. DO MÉRITO Fl. 308DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA MOTIVAÇÃO PARA O ARBITRAMENTO Sustenta o Recorrente ser nulo o presente lançamento por falta de motivação para o arbitramento. A razão não sorri ao Recorrente. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, o art. 22 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como encargo da empresa as contribuições sociais incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos Fl. 309DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003089/200615 Acórdão n.º 2302001.212 S2C3T2 Fl. 1.448 9 habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. Cumpre neste comenos destacar que, no capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional, a Carta Constitucional outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre as obrigações tributárias, dentre outras. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Nessa vertente, no exercício da competência que lhe foi outorgada pelo Constituinte Originário, o CTN honrou prescrever, com propriedade, a distinção entre as duas modalidades de obrigações tributárias, ad litteris et verbis: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. (grifos nossos) §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) As obrigações acessórias, consoante os termos do Diploma Tributário, consubstanciamse deveres de natureza instrumental, consistentes em um fazer, não fazer ou permitir, fixados na legislação tributária, na abrangência do art. 96 do CTN, em proveito do interesse da administração fiscal no que tange à arrecadação e à fiscalização de tributos. No plano infraconstitucional, no que pertine às contribuições previdenciárias, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual fez inserir na Ordem Jurídica Nacional uma diversidade de obrigações acessórias, criadas no Fl. 310DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 interesse da arrecadação ou da fiscalização das contribuições previdenciárias, sem transpor os umbrais limitativos erguidos pelo CTN. Envolto no ordenamento realçado nas linhas precedentes, o art. 32 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu como obrigação acessória da empresa o lançamento mensal, em títulos próprios da contabilidade, de forma descriminada, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Preambularmente, mostrase auspicioso rememorar que a contabilidade tem como uma de suas finalidades assegurar o controle do patrimônio e fornecer as informações sobre a composição e variações patrimoniais, bem como o resultado das atividades econômicas envolvidas, visando a atender, de forma uniforme, às exigências das leis e regulamentos dos órgãos públicos. Na atualidade ela cumpre, igualmente, o papel de instrumento gerencial, que se utiliza de um sistema de informações para registrar as operações da organização, elaborar e interpretar relatórios que mensurem os resultados, e fornecer informações necessárias à tomada de decisões no processo de gestão, planejamento, execução e controle. Contudo, a razão maior para a uniformização dos princípios gerais da contabilidade é a configuração de um sistema de informações tributárias, através do qual o fisco possa sindicar os fatos geradores ocorridos e apurar os tributos devidos, fiscalizar a regularidade do seu recolhimento, para, assim, traçar as diretrizes da política tributária. Registrese, por relevante, que os registros contábeis devem ser feitos de modo preciso, com esteio em documentação idônea, a qual deve ser conservada em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, bem como a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, a teor do art. 4º do DecretoLei nº 486, de 3 de março de 1969. No âmbito das contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/91 atribuiu à fiscalização previdenciária a prerrogativa de examinar toda a contabilidade da empresa, não podendo lhe ser oposta qualquer disposição legal excludente ou limitativa do direito de examinar os livros, arquivos, documentos ou papéis comerciais ou fiscais. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). Fl. 311DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003089/200615 Acórdão n.º 2302001.212 S2C3T2 Fl. 1.449 11 §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (grifos nossos) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Salientese que as diretivas ora enunciadas não discrepam dos mandamentos encartados no Código Tributário Nacional CTN, cujo art. 195 aponta, inflexivelmente, para o mesmo norte. Código Tributário Nacional CTN Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Avulta nesse panorama que as prestações adjetivas ordenadas na legislação tributária têm por finalidade precípua permitir à fiscalização a sindicância ágil, segura e integral dos fatos jurígenos tributários ocorridos nas dependências jurídicas do sujeito passivo, motivo pelo qual se exige que a escrituração seja: a) Mensal, em razão do critério de apuração das contribuições previdenciárias ser por competência. b) Em títulos próprios, que propicie uma fácil e rápida identificação pelos agentes fiscais das contas contábeis onde se encontram registrados os fatos geradores de contribuições previdenciárias. c) De forma discriminada, de molde a se identificar as rubricas integrantes da base de incidência das contribuições previdenciárias, eis que, a cada Fl. 312DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 uma delas corresponde uma alíquota própria a ser empregada no cômputo da contribuição devida. d) Que individualize o montante das quantias descontadas dos segurados, as contribuições a cargo da empresa, bem como os totais por esta recolhidos, de maneira que a fiscalização possa verificar a correcção das importâncias descontadas dos segurados e os montantes a cargo destes e os devidos pela empresa vertidos aos cofres públicos. Não se mostra demasiado enaltecer que o registro dessas informações na contabilidade não é uma faculdade da empresa, mas, sim, uma obrigação tributária a ela imposta diretamente, com a força de império da lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Não se deve perder de vista, igualmente, que os livros contábeis equiparam se a documentos públicos e que o seu preenchimento com informações incorretas ou omissas constituise crime de falsidade ideológica, na forma prevista no DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Brasileiro. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório;(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços.(Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Fl. 313DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003089/200615 Acórdão n.º 2302001.212 S2C3T2 Fl. 1.450 13 Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. No caso vertente, a fiscalização constatou que, no exercício de 2002, a contabilização das folhas de pagamento deuse de forma incompleta nas competências junho e julho. Além disso, verificou que diversas despesas contabilizadas nos exercícios 2003 e 2004, foram lançadas também, em duplicidade, no exercício operacional de 2005. Observou, ainda a fiscalização que nas competências janeiro e fevereiro de 2004, a empresa fez pagamento de pro labore os quais não contabilizados no exercício em que ocorreu tal operação ensejando, fato que configura omissão de lançamento contábil. De forma idêntica, o sujeito passivo em tela também omitiuse de lançar, nos meses de outubro e novembro desse mesmo exercício, os valores constantes das folhas de pagamento. Mas não é só. Há mais. Do exame dos documentos relativos ao ano base 2003, concluiu a fiscalização, de forma inequívoca, ter o Recorrente efetuado pagamentos referentes a remuneração de segurados empregados, constantes das Folha de Pagamento, sem a correspondente contabilização dos aludidos valores no exercício em questão. Nessas circunstâncias, as omissões perpetradas pelo Recorrente, da estatura das que foram verificadas pela Autoridade Fiscal, frustram os objetivos da lei, prejudicando a atuação ágil e eficiente dos agentes do fisco, que se viram impelidos a despender uma energia investigatória suplementar na apuração dos fatos geradores em realce, não somente nos documentos suso destacados, mas, igualmente, em outras fontes de informação, tais como notas fiscais de prestação de serviços, contratos, títulos diversos da contabilidade, etc. Com efeito, a estrutura normativa dos tributos em geral aponta no sentido de que a sua base de cálculo, em princípio, deve ser apurada com base em documentos do Sujeito Passivo que registrem, de forma precisa, os montantes pecuniários correspondentes a cada hipótese de incidência prevista nas leis de regência correspondentes. Excepcionalmente, nas ocasiões em que o conhecimento fiel dos montantes acima referidos não for viável, o ordenamento jurídico admite o emprego da aferição indireta. Tivesse a empresa cumprido, com o devido rigor, as obrigações acessórias impostas pela legislação, os fatos geradores teriam sido apurados diretamente nas folhas de pagamento, nas GFIP e na escrita fiscal. Mas assim não ocorreu. A não observância das formalidades exigidas pela legislação tributária quebrou o mecanismo idealizado pelo legislador ordinário para a apuração ágil e precisa dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, obrigando os agentes fiscais a investigar uma miríade de outros documentos e Fl. 314DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 títulos diversos e genéricos da contabilidade, para a captação dos fatos jurígenos tributários de sua competência, no cumprimento efetivo do seu dever de ofício. Diante desse quadro, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, figura como motivo justo, bastante, suficiente e determinante para a apuração, por aferição indireta, das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Mostrouse pois deficiente a documentação fornecida pelo Recorrente. Ademais, o exame dos livros fiscais apresentados revelou que a contabilidade da empresa não registra o real movimento de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro. Assim, outra alternativa não se abriu à fiscalização que não apurar o montante devido por aferição indireta da base de cálculo, autorizada que estava pelo permissivo legal encartado Fl. 315DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003089/200615 Acórdão n.º 2302001.212 S2C3T2 Fl. 1.451 15 nos §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91, transferindose para o sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Citese por relevante que no procedimento de apuração da matéria tributável por arbitramento, valese a Autoridade Fiscal de outros elementos de sindicância que não aqueles documentos assinalados pela lei como adequados ao registro lapidado dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, tais como as folhas de pagamento, GFIP e os Livros Fiscais. Tais elementos podem ser os mais diversos, como, a título meramente ilustrativo, RPA, notas fiscais, Custo Unitário Básico da construção civil, valor de mercado de utilidades recebidas por segurados, custo de mão de obra empregada em serviços de construção civil, dentre outros. Alguns desses critérios de aferição indireta, a serem empregados pela fiscalização nas hipóteses autorizadas pela lei, como é o presente caso, encontramse positivados na legislação previdenciária, ostentando natureza meramente procedimental interna, não interferindo, de maneira alguma, extra muros, eis que não vinculam nem impõem obrigações, de qualquer espécie, aos contribuintes. A abrangência de seus comandos, advirta se, restringese, tão somente, ao critério de apuração indireta das bases de cálculo de contribuições previdenciárias, nada mais. Nessa perspectiva, conforme expressamente estatuído na lei, não concordando o sujeito passivo com o valor aferido pela Autoridade Lançadora, competelhe, ante a refigurada distribuição do ônus da prova, que lhe é avesso, demonstrar por meios idôneos que tal montante não condiz com a realidade. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. 3.2. DA PRODUÇÃO DE PROVAS Alega o Recorrente que os julgadores de primeira instância administrativa simplesmente rejeitaram sumariamente o pedido de revisão dos exercícios de 2001 e 2002, sem sequer determinar a baixa dos autos em diligência para a verificação da existência dos livros contábeis do exercício de 2001, em obediência ao princípio da verdade material. Aduz que os Termos de Abertura e Encerramento dos livros contábeis de 2001 e 2002 haviam sido juntados com a apresentação da impugnação e, considerando que, em relação ao ano de 2001, cujo único motivo para justificar o lançamento arbitrado por aferição indireta era a ausência dos livros contábeis, constituía dever da 5ª Turma da DRJ/BEL determinar a baixa dos autos em diligência para verificação in loco da existência dos mesmos, assim como, verificar sua exatidão contábil, tanto sob aspectos formais quanto materiais, para subsidiar a manutenção ou não do arbitramento em relação ao exercício de 2001 ou mesmo dos demais exercícios. A rogativa acima esposada não reúne condições de prosperar. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 Conforme reverenciado e demonstrado no item 3.1. deste, a conduta omissiva perpetrada pelo Recorrente representou ofensa direta à obrigação acessória ordenada no art. 32, II da Lei Orgânica da Seguridade Social, autorizando ao fisco a inscrição de ofício importância que reputar devida, mediante a apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias por aferição indireta, transferindose aos ombros do sujeito passivo o ônus da prova em contrario. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Previdência Social a disciplina do rito processual em tela, à época da lavratura da NFLD em estudo, restou a cargo da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos nossos) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifos nossos) §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. Fl. 317DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003089/200615 Acórdão n.º 2302001.212 S2C3T2 Fl. 1.452 17 §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. (grifos nossos) §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Registrese, a título de mera reflexão, se que os preceptivos encartados na norma de regência aqui enunciada não se contrapõem às normas estampadas no Decreto nº 70.235/72, que hoje rege o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Fazenda, antes, sendo, destas, espelho. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 318DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo, muito menos esperar que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ/BEL determinar a baixe o feito em diligência, para a constatação in loco da existência de livros diários, ou a aferição de sua exatidão contábil. Não é assim que a banda toca. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse contexto, mesmo ciente de que, nas hipóteses legais de aferição indireta da base de cálculo de contribuições previdenciárias, a lei promove a inversão do ônus da prova, nas oportunidades em que teve de se pronunciar, formalmente, nos autos, o Recorrente quedouse inerte no sentido de suprir a falta em destaque, optando e limitandose a Fl. 319DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 35011.003089/200615 Acórdão n.º 2302001.212 S2C3T2 Fl. 1.453 19 verter alegações repousadas no vazio, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando ao redor dos reais motivos ensejadores do lançamento e do arbitramento ora debatido, não logrando se desincumbir, dessarte, do ônus que lhe era avesso, nem, tampouco ilidir o lançamento que lhe fora infligido pela fiscalização previdenciária. Tem o Recorrente, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 320DF CARF MF Emitido em 14/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/08/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000790/2006-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIOAno-calendário: 2000 2001MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. INCORPORAÇÃO SEM ALTERAÇÃO DE CONTROLE ACIONÁRIO.A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelas infrações anteriormente cometidas pela incorporada, nos caso em que não se verifique mudança de controle acionário ou quando constatada relação de interdependência entre incorporadora e incorporada.ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCALAno-calendário: 2000 2001EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃODeve ser retificado o acórdão embargado, quando comprovada a ocorrência de equívoco na análise dos fatos.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1401-000.481
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos da Fazenda Nacional, para reconhecer a contradição e RETIFICAR a decisão formalizada no Acórdão de n° 1401-00.265, dando provimento parcial ao recurso apenas para excluir as exigências de PIS e COFINS, mantendo-se as exigências de IRPJ e CSLL, acompanhadas de multa de ofício.
Nome do relator: Fernando Luis Gomes de Matos
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. INCORPORAÇÃO SEM ALTERAÇÃO DE CONTROLE ACIONÁRIO. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelas infrações anteriormente cometidas pela incorporada, nos caso em que não se verifique mudança de controle acionário ou quando constatada relação de interdependência entre incorporadora e incorporada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO Deve ser retificado o acórdão embargado, quando comprovada a ocorrência de equívoco na análise dos fatos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos da Fazenda Nacional, para reconhecer a contradição e RETIFICAR a decisão formalizada no Acórdão de n° 140100.265, dando provimento parcial ao recurso apenas para excluir as exigênias de PIS e COFINS, mantendose as exigências de IRPJ e CSLL, acompanhadas de multa de ofício. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente (assinado digitalmente) Fl. 728DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10835.000790/200668 Acórdão n.º 140100.481 S1C4T1 Fl. 730 2 Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Maurício Pereira Faro, Viviani Aparecida Bacchmi e Karem Jureidini Dias. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, alegando a ocorrência de omissão/contradição em Acórdão proferido por essa Turma, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir as exigências de PIS e COFINS e excluir as multas de ofício incidentes sobre as exigências de IRPJ e CSLL. A Fazenda Nacional insurgese apenas contra a exclusão das multas de ofício incidentes sobre as exigências de IRPJ e CSLL, pelas seguintes razões de fato e de direito (fls. 281283): O ilustre relator às fls. 720/721 dos autos explicitou: “Os elementos constantes dos autos demonstram que a recorrente incorporou a pessoa jurídica Copasa – Comercial paulista de Automóveis Ltda. em junho de 2002, portanto antes de iniciada a ação fiscal. A alteração de Contrato Social da empresa incorporada, fls. 161163 comprova este fato” Também não consta dos autos qualquer elementos que comprove que a transferência das quotas se deu entre empresas do mesmo grupo econômico, ou que as empresas incorporadora e incorporada mantivessem alguma espécie de relação de interdepndência”. Ocorre que o acórdão embargado, data vênia, foi omisso sobre ponto essencial ao deslinde da controvérsia. Senão vejamos. Em primeiro lugar, verificase que pelo contrato social de fls. 154/160, datado de fevereiro de 2001, Elvira Costa e Maurício José Costa “cedem” e “transferem” suas cotas de capital da pessoa jurídica COPASA – COMERCIAL PAULISTA DE AUTOMÓVEIS LTDA. para a pessoa jurídica Cruzauto – Osvaldo Cruz Automóveis Ltda., Elvira Carmona Martins, Valter Luiz Martins, Rogel Rizzi, Luiz Carlos de Almeida, José Antonio Negrine e José Paulo Carmona Martins. Nesse ponto, importa destacar que não se pode confundir a mera cessão de cotas com a incorporação. Vejamos as disposições do Código Civil: [...] Noutra linha,observase que as mesmas pessoas mencionadas no parágrafo anterior, à exceção de José Paulo Carmona Martins, ou seja, Elvira Carmona Martins, Valter Luiz Martins, Rogel Rizzi, Luiz Carlos de Almeida, José Antonio Negrine também são sócios da pessoa jurídica Cruzauto – Osvaldo Cruz Automóveis Ltda.. Portanto, ao observar o contrato social de fls. 164/175 que retrata a incorporação da empresa COPASA – COMERCIAL PAULISTA DE AUTOMÓVEIS LTDA. (pela) pessoa jurídica Cruzauto – Osvaldo Cruz Automóveis Ltda., Fl. 729DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10835.000790/200668 Acórdão n.º 140100.481 S1C4T1 Fl. 731 3 verificase que incorporada e incorporadora possuíam o mesmo quadro societário. E neste sentidojá decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais: CSRF/0202.589 PIS. MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos constribuintes às mudanças societárias não pode servir se instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporada e a incorporadora possuíam o mesmo quadro societário. [...] Compulsando os autos, constatase a existência dos seguintes instrumentos de alteração contratual das pessoas jurídicas Copasa – Comercial Paulista de Automóveis Ltda. e Dinâmica Oeste Veículos Ltda. (nova razão social da Cruzauto – Osvaldo Cruz Automóveis Ltda.): Fls. Data Finalidade do instrumento de alteração contratual 154160 26/02/2002 Transferência integral das cotas patrimoniais da pessoa jurídica Copasa – Comercial Paulista de Automóveis Ltda., dos antigos sócios Elvira Costa e Maurício José Costa para os novos sócios, a seguir discriminados: Cruzauto – Osvaldo Cruz Automóveis Ltda., Elvira Carmona Martins, Valter Luiz Martins, José Paulo Carmona Martins, Rogel Rizzi, Luiz Carlos de Almeida e José Antônio Negrine. 161163 03/06/2002 Dissolução da pessoa jurídica Copasa – Comercial Paulista de Automóveis Ltda., sendo que a Cruzauto – Osvaldo Cruz Automóveis Ltda. assumiu o ativo e passivo da sociedade extinta. Figuravam como sócios da pessoa jurídica extinta: Cruzauto – Osvaldo Cruz Automóveis Ltda., Elvira Carmona Martins, Valter Luiz Martins, José Paulo Carmona Martins, Rogel Rizzi, Luiz Carlos de Almeida e José Antônio Negrine. As pessoas físicas acima listadas também eram sócios da pessoa jurídica Osvaldo Cruz Automóveis Ltda. 164175 03/06/2002 Incorporação, pela pessoa jurídica Cruzauto – Osvaldo Cruz Automóveis Ltda., das pessoas jurídicas Dracena Motor Ltda. e Copasa – Comercial Paulista de Automóveis Ltda. Por meio do mesmo ato, a pessoa jurídica incorporadora mudou sua denominação para Dinâmica Oeste Veículos Ltda. Por meio do mesmo ato, houve a admissão de um novo sócio na pessoa jurídica, sr. José Paulo Carmona Martins. É o relatório. Fl. 730DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10835.000790/200668 Acórdão n.º 140100.481 S1C4T1 Fl. 732 4 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos, Relator Assiste razão ao Embargante. De fato, houve um equívoco na análise dos fatos, por parte deste Relator. Verificandose a sequência de alterações contratuais da interessada, observa se que até 26/02/2002 figuravam como sócios da pessoa jurídica Copasa – Comercial Paulista de Automóveis Ltda. as seguintes pessoas físicas: Elvira Costa e Maurício José Costa. Nesta data, os citados sócios transferiram suas cotas para os novos sócios: Cruzauto – Osvaldo Cruz Automóveis Ltda., Elvira Carmona Martins, Valter Luiz Martins, José Paulo Carmona Martins, Rogel Rizzi, Luiz Carlos de Almeida e José Antônio Negrine. Por se tratar de mera cessão de cotas entre sócios, o citado negócio jurídico não produziu nenhum efeito no que tange à responsabilidade tributária da pessoa jurídica Copasa – Comercial Paulista de Automóveis Ltda.. Em 03/06/2002, houve a incorporação da pessoa jurídica Copasa – Comercial Paulista de Automóveis Ltda. pela pessoa jurídica Cruzauto – Osvaldo Cruz Automóveis Ltda., que pelo mesmo ato mudou sua denominação para Dinâmica Oeste Veículos Ltda. Conforme bem apontado pela Embargante, neste caso houve uma transferência integral da responsabilidade tributária da pessoa jurídica incorporada para a pessoa jurídica incorporadora, uma vez que não ocorreu mudança de controle acionário, na medida em que todos os sócios da Copasa – Comercial Paulista de Automóveis Ltda. também figuravam como sócios da pessoa jurídica incorporadora. Além disso, observase que a própria empresa incorporadora já participava do quadro societário da empresa incorporada. Importante ressaltar que no Acórdão embargado eu já havia deixado consignado o meu entendimento de que o sucessor por incorporação é inteiramente responsável pelas multas punitivas aplicadas à incorporada, nos casos em que não haja mudança acionária ou quando incorporada e incorporadora mantinham alguma relação de interdependência. Para maior clareza, transcrevo um pequeno trecho do Acórdão embargado, fls. 720 (grifado): Assim, a regra geral é [...] a não inclusão das penalidades punitivas nesses casos. Esta regra comporta apenas quatro exceções, a saber: a) lançamento da multa punitiva anterior à sucessão; b) lançamento decorrente de ação fiscal que já havia se iniciado antes do evento sucessório; Fl. 731DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10835.000790/200668 Acórdão n.º 140100.481 S1C4T1 Fl. 733 5 c) situações em que se comprove que não houve mudança de controle acionário ou que a incorporada e a incorporadora mantinham algum tipo de relação de interdependência; d) situações em que esteja presente a fraude e o conluio, com o intuito de eximir a empresa sucedida das penalidades via transferência de suas responsabilidades para a sucessora. (assinado digitalmente) Assim sendo, é forçoso reconhecer a procedência do lançamento relativo às multas de ofício incidentes sobre as exigências de IRPJ e CSLL. Isso posto, VOTO no sentido de ACOLHER os embargos da Fazenda Nacional, para reconhecer a contradição e RETIFICAR a decisão formalizada no Acórdão de n° 140100.265, dando provimento parcial ao recurso apenas para excluir as exigênias de PIS e COFINS, mantendose as exigências de IRPJ e CSLL, acompanhadas de multa de ofício. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 732DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 05/04/2011 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.906809/2006-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1998
RETIFICAÇÃO DE DCTF. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DA
CAUSA DA RETIFICAÇÃO. - O sistema jurídico não exige que o
contribuinte tenha de comprovar a razão de sua retificação de DCTF, salvo nos casos expressamente previstos em lei.
Numero da decisão: 1101-000.470
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1998 RETIFICAÇÃO DE DCTF. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DA CAUSA DA RETIFICAÇÃO. - O sistema jurídico não exige que o contribuinte tenha de comprovar a razão de sua retificação de DCTF, salvo nos casos expressamente previstos em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões a Conselheira Edeli Pereira Bessa, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. FRANCISCO 0 DE QUEIROZ - Presidente CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO - Relator FORMALIZADO EM: 2 N 901/ Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente) e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de despacho decisório que não homologa declaração de compensação. Em 22/10/2003, o contribuinte apresenta PER/Dcomp pela qual pretende compensar crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa de CSLL, de outubro de 1998, de empresa incorporada, com débitos de Cofins de agosto de 2003 (proc. fls. 02 a 06). Em 14/02/2008, despacho decisório (eletrônico) não homologa a compensação, argumentando a inexistência do crédito informado pelo contribuinte, já que o DARF mencionado na PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para pagamento da CSLL do período (proc. fl. 8). Intimado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (proc. fls. 10 a 14). 0 contribuinte informa que o único motivo do indeferimento de seu pedido de compensação foi a alegada inexistência de crédito e que, durante o prazo de defesa, tentou verificar no serviço de consulta da RFB se havia outro motivo, mas o sistema esteve fora do ar. Diz que a questão é simples e que consiste em comparar o valor recolhido a titulo de CSLL de outubro de 1998, corn a CSLL devida. 0 contribuinte explica que apresentou DCTF retificadora do 4 0 trimestre de 1998, em 28/11/2003, onde informou o débito de CSLL de outubro de 1998 no montante de R$ 159.170,22. Diz que constou na DCTF retificadora a seguinte forma de extinção deste débito: RS 1.441,93, como compensações sem DARF; e RS 375.463,17, por DARF. Assim, o valor total recolhido seria de R$ 376.905,10, superando o débito no exato montante que foi utilizado na PER/Dcomp. Resume a questão dizendo que seu crédito fica demonstrado pela análise da DCTF retificadora (proc. fls. 38 a 39), que enviou em 28/11/2003, data posterior ao envio da PER/Dcomp, que se deu em 15/09/2003. Alega que, nos termos do § 1° do art. 147, do CTN, poderia alterar suas declarações a qualquer tempo, até o momento em que fosse notificado de lançamento. Afirma que o cape! do art. 147 do CTN trata de tributos lançados por homologação e por isso seria aplicável ao caso concreto, já que o Cofins se encontra nesta sistemática. Alega que a retificadora da DCTF foi enviada antes da empresa ser notificada sobre seu pedido de compensação e pede para juntar outros documentos posteriormente. Em 16/12/2008, a 3 a Turma da DRJ do Rio de Janeiro indefere a solicitação do contribuinte e mantém o despacho decisório (proc. fls. 50 a 52). A DRJ informa que o prazo para apresentação de provas é identico ao da manifestação de inconformidade e é preclusivo, salvo as exceções previstas na lei. Fundamenta sua decisão argumentando que "o interessado, no entanto, não comprova o erro contido na DCTF, que ensejou a retificação. A retificação da DCTF, sem ll a comprovação do erro, não é suficiente para demonstrar a existéncia de crédito disponível para compensa cão". Em 22/04/2009, o contribuinte foi cientificado (proc. fl. 58). Em 21/05/2009, apresentou recurso voluntário, onde repete sua argumentação (proc. fls. 61 a 65). 2 Processo n° 10768.906809/2006-22 SI-CITI Acórclao n.° 1101-00.470 Fl. 90 Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme se vê no despacho decisório (proc. -fl. 8) , datado de 14/02/2008, a única explicação dada ao contribuinte para a denegação do pedido de compensação 6, a informação de que o DARF está integralmente vinculado a débito de CSLL de outubro de 1998. Não há qualquer a informação a respeito das fontes de dados pelas quais a DRF considerou o DARF integralmente utilizado para quitação do débito, nem porque sua DCTF retificadora foi desconsiderada. Tal situação, caracterizaria cerceamento de defesa, e implicaria em nulidade do despacho, nos termos do inciso II, do art. 59, do Decreto n° 70,235, de 1972, in verbis: Art. 59. Sao nulos.. I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou coin preterição do direito de defesa. 1" A nulidade de qualquer ato so prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. 2" Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. 3" Quando puder decidir do mérito a . favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a.falta. Porém, o mesmo dispositivo legal citado determina, no seu § 3°, que não se deve declarar a nulidade se for possível decidir no mérito a favor do sujeito passivo. Deste modo, cabe analisar a situação sob julgamento. Frente a ausência de informação sobre a origem da informação pela qual a DRF concluiu que o DARF estaria integralmente vinculado ao débito, só se poderia supor que esta fonte fosse urna das declarações apresentadas pela empresa: ou sua DIPJ, ou sua DCTF, ou ambas. Por isso, parece adequado que, na sua manifestação de inconformidade, o contribuinte tenha alertado a DRJ de que havia retificado sua DCTF, em 28/11/2003, enfatizando que os dados constantes da retificadora deixavam claro o seu direito ao crédito pleiteado. Além disto, o contribuinte fez constar da sua manifestação de inconformidade cópia da sua DCTF retificadora. Com este quadro, graças a imprecisão da DRF so se poderia fazer suposições. Por exemplo, seria possível supor que o despacho decisório da DRF tivesse adotado as informações da DCTF retificada e não as informações da retificadora, embora o despacho tenha sido de 2008 e a DCTF retificadora de 2003. Nessa linha,_seria razoável supor que a DRJ 3 levasse em consideração a DCTF retificadora, no seu julgamento. Mas, não foi assim que a DRJ decidiu. A DRJ desconsiderou a DCTF retificadora corn uma única alegação. Argumentou que a retificação de DCTF só é cabível com a comprovação do erro em que se fundamente. Porém, fez a afirmação sem citar qualquer base legal que a respaldasse. Deste modo, novamente, se está diante de urna decisão nula, por cerceamento de defesa. No entanto, corno já dito, a declaração de nulidade pode ser afastada pela possibilidade de decidir favoravelmente no mérito. Tal circunstância impõe que se analise o mérito da questão posta pela DRJ: se é ou não exigido que a retificação de DCTF seja acompanhada da comprovação do erro da declaração retificada. Se abstraindo do fato do CARF não está sujeito às regras postas pela RFB, a IN RFB n° 1.110, de 24 de dezembro de 2010, no seu art. 9', regulamenta a retificação de DCTF e pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação. 0 texto é o seguinte: Art. 92 A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observcincia das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 12 A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados- ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 22 A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I - reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria- Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição el77 DA U, nos casos Cinque importe alteração desses saldos; h) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para h7SC1400 elll DA U, ou c) que tenham sido ob jeto de exame em procedimento de fiscalização. II - alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de inicio de procedimento fiscal. § 32 A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante cio débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de liscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB 110S casos elll que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. 4 Processo n° 10768.906809/2006-22 SI-CIT1 Acórchlo n.° 1101-00.470 Fl. 91 ,ss' 42 Na hipótese do inciso II do § 22, havendo recolhimento anterior ao inicio cio procedimento fiscal, 011 valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação . fiscal e nos termos desta, para sanar erro de .fato, sem prejuízo das penalidades ca/cu/ac/as na forma do art. 72. 0 direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue-se e171 5 (cinco) anos contados a partir do 12 (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 62 A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando vcdores que tenham sido informados: I - na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II - no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Corno visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. Ou seja, nas situações onde é admitida a retificação, não há a exigência da comprovação do erro e basta o contribuinte retificar a declaração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em divida ativa, e mudança do órgão que administra o titulo executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF e DIPJ. A única restrição feita no Código sobre retificações, é posta no art. 147, e refere-se a retificação de declaração relativa a tributo lançado por declaração. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que sera usada pela Administração para efetuar corn base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Assim, se percebe que o art. 147 de forma alguma alcança a presente situação. De fato, o artigo trata de declarações exigidas do contribuinte para serem utilizadas como fonte de dados para lançamento tributário (tal como foi para o ITR ate o ano de 1996). Já no caso concreto, se trata de retificação de DCTF, que é urna declaração formalizadora de créditos tributários, exigida do contribuinte, para controlar principalmente os tributos lançados por homologação. Portanto, não é possível pretender aplicar a disciplina do art. 147 ao presente caso, de retificação de DCTF. Logo, dentro do prazo, o contribuinte pode retificar sua DCTF sem ter que provar o erro ocorrido. Se o Fisco tiver dúvidas a respeito da retificação, deve efetuar as diligencias que considerar necessárias. 0 que o Fisco não pode fazer é simplesmente refutar a retificação, sem qualquer fato que a infirme, partindo apenas da suposição de que a retificação exige a comprovação do erro que pretende corrigir. Na verdade, a regra geral é exatamente oposta ao que a DRJ afirmou. As declarações são obrigações acessórias criadas para os mais diversos fins (e.g.: ou formalização de crédito tributário, ou informação sobre terceiros, ou inforrnação sobre determinada situação, 5 ou informação para lançamento por declaração, etc). Em comum aos diferentes tipos de declaração existe sua natureza, que consiste de uma entrega de urna informação feita pelo sujeito passivo, em cumprimento de um dever instrumental (obrigação acessória). E da natureza das declarações (= entrega de informação) que possam ser retificadas para melhor se ajustar a realidade, sem maiores ônus que a simples retificação. Por isso, apenas em casos excepcionais e previstos expressamente em lei é pertinente a exigência de algum ônus extra para a retificação da declaração (mesmo assim, sujeito ao principio da razoabilidade). Para melhor enfatizar esta questão, cabe transcrever voto meu em situação semelhante, cabendo antes comentar dois pontos para estabelecer o paralelo. 0 primeiro é que o voto abaixo transcrito versa sobre a possibilidade do contribuinte, por meio de retificação da DIPJ, infirmar lançamento de oficio, feito exclusivamente com base na DIPJ que veio a ser retificada. 0 segundo é que, apesar das diferenças entre a situação presente e a do voto, a questão jurídica é exatamente a mesma. Tal questão consiste em determinar o quadro de possibilidade de retificação/alteração de declarações. Dessarte, nuttatis nuttantis, o voto transcrito é aplicável a situação presente, onde o Fisco pretende onerar o direito de retificação de declaração, exigindo provas do erro em que se funde, apenas pela circunstância de urn despacho decisório ter se baseado nela para denegar compensação. Segue trecho do voto mencionado: Nesta linha, é preciso repisar que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, não há regra jurídica que torne inalterável os fatos declarados em cumprimento de obrigação acessória. Os fatos declarados podem ser alterados e basta a simples retificação de declaração. Do mesmo modo, para os tributos lançados por homologação, não há regra jurídica que torne mais oneroso ao contribuinte retificar fatos informados em declaração se esses fatos .foram utilizados pelo . fisco para efetuar lançamento de oficio. Assim, independente dos .fatos declarados terem sido utilizados pelo Fisco em autuação, o contribuinte pode retificar suas informa cães anteriores simplesmente infirmando-as. Ou seja, a circunstância de um .fato declarado ter sido utilizado pela Fiscalização em lançamento de oficio não torna mais onerosa retificação de .fatos pelo contribuinte e não o obriga a ter de apresentar prova do erro que alega. Portanto, no caso de tributos lançados por homologação, não havendo regra jurídica que exija prova do erro para admitir a retificação, a retificação dos fatos depende apenas da afirmação do contribuinte. Se a Fiscalização efetuou lançamento de oficio tendo por base apenas os .fatos anteriormente declarados, a simples negativa desses linos por parte do contribuinte retira a base‘fática do lançamento. Situação diferente ocorre no caso dos tributos lançados por declaração. 0 art. 147 cio CTN estabelece o seguinte (os grifos não são do original): Art. 147. 0 lançcunento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autordade administrativa 6 Processo 10763.906809/2006-22 SI-CITI Acórcl5o n.° 1101-00.470 Fl. 92 informações sobre matéria de fato, indispensáveis a sua efetivação. § I" A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissivel mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2 0 Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Portanto, .fica patente que dentre as modalidades de formaliza cão de crédito tributário previstas no CTN, dos art. 147 ao 150 - por declaração, de oficio, por homologação — apenas na modalidade de lançamento por declaração é que existe restrição legal quanto a possibilidade de retificctr informação prestada. Embora seja possível atacar a razoabilidade de tal restrição para os tributos lançados por declaração, também é possível tentar explica-la e compreende-la. É que no caso dos tributos lançados por declaração, a declaração do contribuinte fornece os fatos sobre os quais o Fisco aplicará o direito para quantificar e efetuar o lançamento. Ou seja, a declaração é o primeiro passo do lançamento. Assim, quando o contribuinte apresenta a declaração, já sabe que aqueles fatos serão utilizados para lançamento, talvez por isso a maior resistencia na alteração da declaração. Porém, em se tratando de tributo lançado por homologação, a declaração de . fatos pelo contribuinte é mero ato informativo e não a informação de . fatos que serão objeto de lançamento. Se houver algum outro lançamento, além daquele homologado, será lançamento de oficio, que é modalidade de lançamento na qual o Fisco é responsável pelo levantamento dos fatos e pela aplicação do direito. Deste modo, não há razão para restringir a possibilidade de retificação de fatos informados anteriormente pelo contribuinte. Corn base nos argumentos apresentados, entendo que a decisão da DRJ, que rejeitou a retificação de DCTF, está errada e precisa ser reformada, pois não é necessário que o contribuinte comprove os fatos que o levam a retificar sua DCTF, basta retificá-la. Caso o Fisco duvide da retificação, deve investigar sua correção. Em outro giro, apenas a titulo de comentário, frente ao vazio de fundamentos do despacho decisório, os esclarecimentos trazidos pelo contribuinte, de que retificou sua DCTF, são suficientes, até por não terem sido contrapostos, para esclarecer o eventual equivoco do despacho decisório. Por estas razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO ye
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