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Numero do processo: 19515.000360/2005-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Data do fato gerador: 31/01/2003, 30/04/2003
DIFPAPEL
IMUNE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INSTITUIÇÃO POR
MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. POSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 113, § 2º, do CTN, a obrigação acessória decorre da
legislação tributária. Neste conceito estão compreendidas as instruções
normativas expedidas por autoridade administrativa competente (art. 96 do
CTN), razão pela qual não há qualquer ilegalidade na instituição da DIF Papel
Imune por meio da Instrução Normativa nº 71/2001.
As sanções previstas neste diploma legal encontram fundamento de validade
no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/
2001, que expressamente previu
as sanções pecuniárias aplicáveis pelo descumprimento das obrigações
Acessórias relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita
Federal.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA
RETROATIVIDADE BENÉFICA.
Em matéria de penalidades, aplicase
a lei mais benéfica aos atos e fatos não
definitivamente julgados.
Recurso Provido em Parte.e/jpeg
Numero da decisão: 3403-001.168
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para reduzir a multa pela falta ou atraso na entrega da DIFPAPEL
IMUNE a uma incidência por declaração não entregue ou que tenha sido entregue fora
do prazo.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INSTITUIÇÃO POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA. POSSIBILIDADE. Nos termos do art. 113, § 2º, do CTN, a obrigação acessória decorre da legislação tributária. Neste conceito estão compreendidas as instruções normativas expedidas por autoridade administrativa competente (art. 96 do CTN), razão pela qual não há qualquer ilegalidade na instituição da DIF Papel Imune por meio da Instrução Normativa nº 71/2001. As sanções previstas neste diploma legal encontram fundamento de validade no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que expressamente previu as sanções pecuniárias aplicáveis pelo descumprimento das obrigações Acessórias relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. Em matéria de penalidades, aplicase a lei mais benéfica aos atos e fatos não definitivamente julgados. Recurso Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa pela falta ou atraso na entrega da DIF PAPEL IMUNE a uma incidência por declaração não entregue ou que tenha sido entregue fora do prazo. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão no 15.331, de 28/03/2007, da DRJ em Ribeirão PretoSP, que manteve o lançamento de ofício da multa pela falta ou atraso da DIF – PAPEL IMUNE. Regularmente notificado daquela decisão, o contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese que: 1) o atraso na entrega das declarações foi mera irregularidade formal, não representando qualquer prejuízo aos cofres públicos; 2) a penalidade aplicada é ilegal porque nem a Lei nº 9.779/99 e nem o DecretoLei nº 1.593/77 criaram a obrigação acessória; 3) a obrigação acessória foi criada por meio de ato administrativo da Receita Federal e isto fere de morte o princípio da legalidade; 4) o art. 113, § 2º, do CTN, estabelece que a obrigação tributária decorre da “legislação tributária” e deve ser interpretado consoante o art. 5º, II, da Constituição, que estabelece que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer algo senão em virtude de lei; 5) a IN SRF nº 71/2001 alargou o alcance da lei e incorreu em equívoco ao buscar fundamento de validade no Decretolei nº 1.593, de 21/12/1977, pois o registro especial a que remete a IN, destinase aos fabricantes de cigarros, possuindo natureza totalmente diversa e incompatível com a matéria a ser regulada nas operações com papel imune; 5) a aplicação desta multa viola a garantia constitucional que veda a utilização de tributo com efeito de confisco. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A questão principal a ser apreciada se resume em saber se a Administração Tributária pode criar obrigações acessórias por meio de atos administrativos. A interessada afirma que a instituição da DIFPAPEL IMUNE por meio da IN SRF nº 71/2001 é ilegal, pois não fora criada nem pela Lei nº 9.779/99 e nem pelo Decreto Lei nº 1.593/77. Ocorre que o art. 113, § 2º, do Código Tributário Nacional – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, dispõe que “A obrigação acessória decorre da legislação tributária”. Nesse passo, equivocouse a recorrente ao argumentar com o art. 5º, II, da CF/88, uma vez que este dispositivo veicula o princípio da legalidade e não o princípio da reserva de legal. Assim, no art. 5º , II da CF/88, o termo “lei” tem uma expressão mais abrangente que alcança também os atos infralegais. Se assim não fosse, o art. 96 do CTN não teria sido recepcionado pela Constituição ao dispor que a expressão “legislação tributária” Fl. 228DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.000360/200552 Acórdão n.º 340301.168 S3C4T3 Fl. 2 3 compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, não existe nenhuma ilegalidade no caso concreto, pois o Secretário da Receita Federal está autorizado a instituir obrigações acessórias no âmbito dos tributos administrados pela Receita Federal. No tocante à legalidade da multa aplicada, temos que a base legal prevista pelo art. 12 da Instrução Normativa nº 71/2001 é a prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15834: “Art. 12. A não apresentação da DIF Papel Imune, nos prazos estabelecidos no artigo anterior, enseja a aplicação da penalidade prevista no art. 57 da Medida Provisória nº 2.158 34, de 27 de julho de 2001.” O art. 57 em comento previa a imposição das seguintes multas: “Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento.” As relações jurídicas reguladas pela aludida medida provisória foram convalidadas pela Medida Provisória nº 215835/2001, art. 91: “Art. 91. Ficam convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória nº 2.15834, de 27 de julho de 2001.” Por sua vez, a Medida Provisória nº 215835 manteve o mesmo texto na imposição da multa em apreço: “Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; Fl. 229DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Parágrafo único. Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, os valores e o percentual referidos neste artigo serão reduzidos em setenta por cento.” A Medida Provisória nº 2.15835 passou a vigorar por tempo indeterminado com força de lei por força do art. 2º da Emenda Constitucional nº 32, de 11 de setembro de 2001. Assim, a Instrução Normativa nº 71/2001 firmou a sanção para o descumprimento da obrigação acessória de “nãoapresentação da DIF – Papel Imune”: a aplicação da multa de “R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados”. Tal sanção era veiculada através da Medida Provisória nº 2.158 34/2001. Com a edição da Medida Provisória nº 2.15835/2001 restaram convalidados os atos praticados com base na versão anterior e, especificamente, ficou mantida a sanção prescrita para o descumprimento da obrigação acessória de “nãoapresentação da DIF – Papel Imune”. À vista do exposto, não procede a alegação de que inexistiria a base legal na imposição da multa, uma vez que a multa foi mantida pela Medida Provisória nº 215835. Relativamente ao fato da IN SRF nº 71/2001 ter obrigado os estabelecimentos que operam com papel imune a obterem o mesmo registro especial ao qual estão sujeitos os fabricantes de cigarros, não existe a incompatibilidade alegada. Isto porque a Administração Tributária tem o dever não só de controlar o consumo de papel destinado à fabricação de cigarros, mas também o dever de controlar o uso do papel destinado à impressão de livros e periódicos. No primeiro caso, o dever consiste em assegurar a satisfação da obrigação principal por parte dos fabricantes de cigarros e, no segundo caso, o cumprimento do desígnio constitucional por parte das editoras, jornais e gráficas. No mais, não cabe aos órgãos administrativos de julgamento apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos normativos. Tal questão é objeto da Súmula CARF nº 01, vazada nos seguintes termos: Portanto, a exigência da multa pela falta ou atraso na entrega da DIFPAPEL IMUNE não encontra nenhum óbice legal. Após a lavratura do auto de infração objeto deste processo a multa cominada em razão da falta ou atraso da DIFPAPEL imune pela Lei nº 11.945, de 04/06/2009, nos seguintes termos: “Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que:(Produção de efeitos). Fl. 230DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.000360/200552 Acórdão n.º 340301.168 S3C4T3 Fl. 3 5 I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1odeste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2odo art. 2oda Lei no10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2odo art. 2oe no § 15 do art. 3o da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8o da Lei no10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3º deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4º deste artigo será reduzida à metade. (grifei). Fl. 231DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Conforme se pode verificar, o art. 1º, § 4º , II, da Lei nº 11.945/2009 abrandou a multa originalmente prevista no art. 57, I, da MP nº 2.15835/2001, pois a incidência passou a ser de R$ 5.000,00 por declaração não apresentada ou que for apresentada fora do prazo estabelecido, em vez de R$ 5.000,00 por mêscalendário. A Lei nº 11.945/2009 fez com que desaparecesse do cenário jurídico a possibilidade de inflição, para o caso concreto, da chamada “multataxímetro”, onde o valor da multa é multiplicado pelo número de meses de falta ou atraso na entrega da declaração. O art. 106, II, “c” do CTN estabelece que a lei nova deve ser aplicada aos atos não definitivamente julgados quando lhes comine penalidade menos severa do que a anteriormente prevista. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reduzir a penalidade aplicada no auto de infração para R$ 5.000 (cinco mil reais) por declaração não entregue ou que tenha sido entregue fora do prazo. Antonio Carlos Atulim Fl. 232DF CARF MF Emitido em 27/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/09/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 07/09/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10384.006496/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 09/10/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei nº 8.212/91, o qual foi revogado pela Medida Provisória nº 449/2008. Incidência do princípio da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘a’ do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-001.430
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1740; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 75 1 74 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10384.006496/200704 Recurso nº 001.430 Voluntário Acórdão nº 230201.430 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AI CFL 59 Recorrente RAIMUNDO NONATO BATISTA LAGES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 09/10/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N º 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n º 8.212/91, o qual foi revogado pela Medida Provisória nº 449/2008. Incidência do princípio da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘a’ do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006 Data da lavratura da Auto de Infração: 19/11/2007. Data da ciência do Auto de Infração: 26/11/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação tributária prevista no Art. 30, I, ‘a’ da Lei nº 8.212/91 e Art. 4º, §1º da Lei nº 10.666/2003 c.c. art. 216, I, ’a’ do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, lavrado em desfavor do Recorrente – Presidente da Câmara Municipal do município de Cabeceiras do Piauí, em virtude de este ter deixado de arrecadar, mediante desconto das respectivas remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais nas competências junho a dezembro/2006, conforme descrito no Relatório Fiscal a fl. 10. CFL 59 Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e dos contribuintes individuais a seu serviço. Relata a Autoridade Lançadora que a multa foi aplicada em conformidade com os artigos 92 e 102 da Lei n° 8.212/91 c.c. artigos 283, I, ‘g’ e 373 ambos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em seu valor mínimo, atualizado pelo art. 9°, V da Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007, publicada no Diário Oficial da União de 12/04/2007. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o autuado apresentou impugnação a fls. 25/36. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 46/53, julgando procedente a autuação e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. A autuada foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 24 de julho de 2008, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 55. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 57/70, requerendo a desconstituição do lançamento em debate. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10384.006496/200704 Acórdão n.º 230201.430 S2C3T2 Fl. 76 3 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 24/07/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 19 de agosto do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Estando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA RESPONSABILIDADE DOS DIRIGENTES DE ÓRGÃOS PÚBLICOS O presente Auto de Infração foi lavrado aos 19 dias do mês de novembro de 2007, ocasião em que vigia com plena eficácia o art. 41 da Lei nº 8.212/91, em sua redação originária, a qual pedimos venia para transcrever em sua integralidade. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Ocorre, no entanto, que tal dispositivo legal foi revogado por meio do art. 65 da Medida Provisória nº 449 de 2008, sendo tal revogação, em seguida, ratificada pelo art. 79 da Lei nº 11.941/2009. Em consequência, restou o citado dispositivo legal totalmente extirpado do Direito Positivo Brasileiro. O Constituinte Originário adotou em nossa ordem jurídica os princípios da irretroatividade da lei mais severa e da retroatividade da lei mais benigna, encartandoos no inciso XL do art. 5º da nossa Lei Soberana como um verdadeiro direito subjetivo de liberdade. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XL a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu; Nas Ordens do Direito Tributário, tal princípio se revela nas disposições inscritas no inciso II do art. 106 do CTN, o qual prevê retroatividade da lei tributária e a sua incidência restrita a atos ou fatos pretéritos, não definitivamente julgados, nos casos em que a lei nova deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo ou nos casos em lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Código Tributário Nacional CTN Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A situação fática retratada no presente feito, consistente na extinção de norma legal imputadora de responsabilidade pessoal por infração, atrai ao feito, com fulcro no art. 106, II, ’a’ do CTN, a incidência da novatio legis in mellius que revogou o já citado art. 41 da Lei nº 8.212/91, excluindo do dirigente de órgão público a responsabilidade pessoal pelo pagamento de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigações tributárias acessórias previstas na Lei Orgânica da Seguridade Social. Nessa nova roupagem legal, repousa a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e pela observância das obrigações acessórias diretamente no próprio órgão público em si considerado, e não nos ombros de seus gestores ou dirigentes. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘a’ do CTN. É como voto. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10384.006496/200704 Acórdão n.º 230201.430 S2C3T2 Fl. 77 5 Arlindo da Costa e Silva Relator Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 05/11/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/11/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.002596/00-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1995
NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. ACÓRDÃO PARADIGMA EXARADO PELO MESMO COLEGIADO DO RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO.
Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à
comprovação/caracterização da divergência Acórdão paradigma exarado pela mesma Câmara que expediu o decisum guerreado.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.865
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1995 NORMAS PROCEDIMENTAIS/REGIMENTAIS. RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. ACÓRDÃO PARADIGMA EXARADO PELO MESMO COLEGIADO DO RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do pré-questionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência Acórdão paradigma exarado pela mesma Câmara que expediu o decisum guerreado. Recurso especial não conhecido.
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RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. ACÓRDÃO PARADIGMA EXARADO PELO MESMO COLEGIADO DO RECORRIDO. NÃO CONHECIMENTO. Com arrimo no artigo 67, e parágrafos, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, somente deverá ser conhecido o Recurso Especial, escorado naquele dispositivo regimental, quando devidamente comprovada a divergência arguida entre o Acórdão recorrido e o paradigma, a partir da demonstração fundamentada, acompanhada da cópia da publicação da ementa do Acórdão paradigma ou do seu inteiro teor, impondo, ainda, a comprovação do préquestionamento a respeito do tema. Não se presta à comprovação/caracterização da divergência Acórdão paradigma exarado pela mesma Câmara que expediu o decisum guerreado. Recurso especial não conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 02/12/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório CLENON DE BARROS LOYOLA FILHO, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação de Lançamento, exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, em relação ao exercício de 1995, incidente sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Pau D’arco”, cadastrado na SRF sob o nº 42090083, localizado no município de Britânia/GO, conforme peça inaugural do feito, às fls. 24, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Terceiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 2a Turma da DRJ em Brasília/DF, Acórdão nº 2.909/2002, às fls. 53/56, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2ª Câmara, em 09/07/2008, por unanimidade de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 30239.647, sintetizados na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR Exercício: 1995 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Não há previsão legal para exigência do ATO DECLARATÓRIO AMBIENTALADA como condição para exclusão dessa área de tributação pelo ITR. O reconhecimento comprovase por meio de técnico e outras provas documentais. No caso, de declaração pelo IBAMA. A obrigatoriedade de apresentação do ADA teve vigência partir do exercício de 2001, inteligência do art. 17O da Lei no 6.938/81, na redação do art. 1o da Lei no 10.165/2000. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.” Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 152/163, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Fl. 2DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10120.002596/0043 Acórdão n.º 920201.865 CSRFT2 Fl. 202 3 aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, defendendo ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras do Conselho a respeito da mesma matéria, conforme se extrai do Acórdão nº 30239.935, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada à divergência arguida. Sustenta que o Acórdão encimado, ora adotado como paradigma, diverge do decisum guerreado, uma vez impor a não incidência do ITR sobre as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, ainda que o Ato do Poder Público reconhecendo a RPPN tenha sido expedido posteriormente à ocorrência do fato gerador, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Ressalta que o Acórdão paradigma fora exarado pela Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes nos autos de processo administrativo de interesse do mesmo contribuinte, em relação à mesma propriedade rural objeto do presente lançamento, reforçando a tese da necessidade de reforma do decisum guerreado e comprovando a existência de entendimentos conflitantes sobre o mesmo tema e imóvel. Elucida que o Acórdão paradigma fora objeto de Recurso Especial da Procuradoria, razão pela qual pugna pelo julgamento em conjunto dos dois processos, os quais contemplam os mesmos fatos e razões. Contrapõese ao entendimento adotado no Acordão atacado, aduzindo para tanto que o artigo 11, inciso II, da Lei n° 8.847/94, revogada pela Lei n° 9.393/1996, que em seu artigo 10, inciso II, alínea “b”, simplesmente reproduziu a disposição daquela primeira norma legal, oferece proteção ao pleito do contribuinte, eis que devidamente demonstrada e comprovada a RPPN mediante laudos técnicos e Ato de reconhecimento do IBAMA, ainda que posteriormente ao fato gerador. Sustenta que a área reconhecida como RPPN, além de ser de interesse ecológico, sempre foi área de preservação permanente nos termos do art. 2º da Lei n° 4.771/65 vez que engloba área que margeia tanto o Rio Araguaia quanto o Rio Vermelho, além dos incontáveis lagos que se forma na seca dentro da citada área. Infere que o fim precípuo da isenção sob análise é exatamente a preservação do meio ambiente, o que se vislumbra na hipótese dos autos, tendo em vista referirse à área de mata virgem/intocada, cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Corrobora seu entendimento na Medida Provisória n° 2.16667/2001 que, ao alterar o artigo 10 da Lei n°9.393/1996, dispensou o declarante a prévia comprovação de área de preservação permanente para a incidência da isenção do ITR, não se cogitando na exigência do ADA para tanto, consoante jurisprudência judicial transcrita em seu recurso. Por fim, repisa os argumentos lançados em sede de recurso voluntário, requerendo o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO 4 Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do contribuinte, sob o argumento de que o recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes a propósito da mesma matéria, conforme Despacho nº 21010108/2010, às fls. 190/191. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 193/199, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Com a devida vênia à ilustre Presidente da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, ouso divergir do despacho que deu seguimento ao Recurso Especial do Contribuinte, por não vislumbrar na hipótese vertente requisito regimental amparando a pretensão do recorrente, não merecendo ser conhecida sua peça recursal, como passaremos a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão em vergasta, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras do Terceiro Conselho a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que o entendimento consubstanciado no Acórdão nº 30239.935, ora adotado como paradigma, admite a não incidência do ITR sobre as áreas de Reserva Particular do Patrimônio Natural, ainda que o Ato do Poder Público reconhecendo a RPPN tenha sido expedido posteriormente à ocorrência do fato gerador, ao contrário do que restou decidido pela Câmara recorrida. Não obstante o esforço do recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Da análise dos elementos que instruem o processo, constatase que o contribuinte não logrou comprovar a divergência arguida, na forma que os dispositivos regimentais exigem, in verbis: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO Processo nº 10120.002596/0043 Acórdão n.º 920201.865 CSRFT2 Fl. 203 5 § 3º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4º Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5º Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8º Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade e com identificação da fonte de onde foram copiadas. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.” Como se verifica, a contribuinte ao formular seu Recurso Especial utilizou como fundamento à sua empreitada os dispositivos encimados, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, sem conquanto demonstrar a divergência entre a tese sustentada no Acórdão atacado e outras decisões das demais câmaras, turmas de câmara, turmas especiais ou a própria CSRF, capaz de ensejar a reforma do r. decisório da Câmara recorrida. Com efeito, perfunctória leitura da peça recursal do contribuinte é capaz de demonstrar que os pressupostos para conhecimento de seu recurso, insculpidos nas normas supratranscritas, não foram observados. Isto porque, o Acórdão n° 30239.935, utilizado como paradigma para efeito da comprovação da divergência pretendida, fora exarado pela mesma Câmara recorrida (Segunda Câmara do Terceiro Conselho), não se prestando, assim, a caracterizar a divergência, na forma do artigo 67 do RICARF. Nesse sentido, com a devida vênia a ilustre então Presidente subscritora do r. Despacho que deu seguimento ao Recurso Especial do contribuinte, não entendemos ser Fl. 5DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO 6 possível (regimentalmente) admitir aludida peça recursal quando não estiverem presentes os requisitos regimentais para tanto, os quais não podem ser afastados, sob pena de se estabelecer uma análise de admissibilidade pautada em subjetividade. Dessa forma, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento parcial ao voluntário do contribuinte, na forma decidida pela 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, uma vez que o recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado, mormente em relação os requisitos de admissibilidade de seu recurso. Por todo o exposto, estando o Recurso Especial do Contribuinte em dissonância com as normas regimentais, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECÊLO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 6DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2 011 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE , Assinado digitalmente em 27/12/2011 por OTACILIO DANTAS CART AXO
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Numero do processo: 13884.001279/2004-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4º, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnê-leão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o
lançamento poderia ter sido efetuado.
Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um ano-calendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano-calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo ano-calendário a partir da ocorrência do fato gerador.
No caso, como o lançamento se refere ao ano-calendário de 1998, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 31/05/2004, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-001.798
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à instância "a quo" para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, não houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento de saldo do imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do ano calendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo anocalendário a partir da ocorrência do fato gerador. No caso, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1998, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 31/05/2004, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 347 2 Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, para afastar a decadência e determinar o retorno dos autos à instância "a quo" para examinar as demais questões trazidas no recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. EDITADO EM: 01/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Marcelo Freitas de Souza Costa (Conselheiro Convocado), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório O Acórdão nº 220200.315, da 2a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 316 a 318), julgado na sessão plenária de 30 de outubro de 2009, acolheu a argüição de decadência para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1999 DEPÓSITO BANCÁRIO DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN). Argüição de decadência acolhida. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 348 3 Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência (fls. 322 a 334), com fulcro no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, admitido pelo despacho de fls. 336 a 338 do Presidente da 2a Câmara da 2a Seção. Para a matéria em discussão, o recorrente apresentou paradigma, alegando que o início do prazo decadencial seria o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, inclusive na hipótese de lançamento por homologação: Acórdão no 10246355 IRPF LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECADÊNCIA O "DIES A QUO" É ESTABELECIDO PELO INC. I, DO ART. 173, DO CTN O direito de a Fazenda Pública constituir de ofício o crédito tributário relativo ao imposto de renda da pessoa física, inclusive na hipótese de lançamento por homologação, extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inc. I). Aduz o recorrente que, no caso em tela, verificada a ausência de pagamento (declaração de ajuste anual relativa ao anocalendário de 1998, exercício de 1999, com imposto a pagar igual a zero fls. 57), deveria, a exemplo do ocorreu no paradigma, ter sido aplicada a norma contida no art. 173, I, do CTN, não havendo que se cogitar de decadência do direito de lançar o IRPF. Devidamente cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 349 4 situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 350 5 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Tem sido esse o entendimento da 2a Turma da CSRF, como demonstram os acórdãos a seguir transcritos: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 351 6 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. (Acórdão nº 920201.61, sessão de 10/05/2011, Relatora Susy Gomes Hoffmann) TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). (Acórdão nº 920201.376, sessão de 11/04/2011, Relator Gustavo Lian Haddad) Neste processo, verifico que não existiu antecipação de pagamento, pois, como demonstram as informações da declaração de ajuste do exercício de 1999 (fl. 5), não existiram imposto de renda retido na fonte, carnêleão, imposto complementar, imposto pago no exterior ou recolhimento do saldo de imposto apurado, sendo obrigatória a utilização da Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 352 7 regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Neste momento, há que se fazer um esclarecimento quanto ao alcance do decidido no Recurso Especial nº 973.733 – SC. Isto porque esse julgado deixou claro que “‘o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, o que, se aplicado literalmente ao IRPF, levaria à conclusão de se tratar do dia 1o de janeiro do ano subsequente ao do lançamento, o que, na prática, adiaria o início de contagem do prazo decadencial em apenas um dia. Entretanto, há que se observar que o REsp n° 973.733 – SC trata de Contribuições Previdenciárias, tributo cujo fato gerador é instantâneo (consubstanciado no pagamento de salários a empregados – salientese que há referência no relatório do REsp a servidores sobre cujas remunerações estão sendo exigidas as contribuições previdenciárias). Assim, nessa situação, aplicandose a regra decadencial do art. 173, I, do CTN, cabe a conclusão de que o termo inicial seria o primeiro dia do exercício subsequente ao da ocorrência do fato gerador, conclusão essa que é constante do parágrafo 3 da ementa do REsp, acima transcrita. Desta forma, para um tributo cujo fato gerador é instantâneo, o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível pode corresponder ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ocorre que o que se impõe aqui é a aplicação dos fundamentos do REsp em questão ao lançamento de Imposto de Renda, cujo fato gerador não é instantâneo. Sendo o Imposto de Renda um tributo com fato gerador complexivo e com período de apuração equivalente ao anocalendário, temse que a aplicação das premissas claramente adotadas pelo STJ ao caso em específico levam à conclusão congruente porém levemente diversa da constante do parágrafo 3 antes reproduzido. Com efeito, para que no caso se cumpra o mandamento do art. 173, I, do CTN, deve ser levado em consideração que: (1) o fato gerador do imposto de renda se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário (e.g. 31/12/1998); (2) o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do anocalendário seguinte (e.g. 01/01/1999); (3) o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do ano calendário subseqüente (e.g. 01/01/2000); e (4) o prazo decadencial termina ao final de 5 (cinco) anos (e.g. 31/12/2004). Esclareçase que a aplicação literal da conclusão constante do parágrafo 3 da ementa do REsp (que se refere a tributo com fato gerador instantâneo) ao caso (que trata de tributo com fato gerador complexivo) equivale a não aplicar os fundamentos da decisão do STJ sob o pretexto de vinculação à própria decisão. Vale registrar que o próprio STJ, dando aplicabilidade ao recurso repetitivo, tem entendido dessa forma, conforme decisão abaixo referida: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 353 8 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. (Edcl no Edcl no AgRg no Resp 674.497/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 09/02/2010, Dje 26/02/2010) Desta forma, como o lançamento se refere ao anocalendário de 1998, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/2000 e terminou em 31/12/2004. Como a ciência do lançamento se deu em 31/05/2004 (fl. 197), o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional para afastar a decadência do lançamento, devendo o processo retornar para análise das demais questões do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES Processo nº 13884.001279/200424 Acórdão n.º 920201.798 CSRFT2 Fl. 354 9 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTO, Assinado digitalmente em 09/11/2011 por HENRIQUE PINH EIRO TORRES
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Numero do processo: 15983.000385/2006-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
NULIDADE.
ARGUIÇÃO DE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. TRANSFERÊNCIA DE COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
REGULARIDADE. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de
Julgamento são órgãos de jurisdição nacional e podem apreciar litígios instaurados em qualquer local do território nacional.
DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA EDIÇÃO DE ATO NORMATIVO. INOCORRÊNCIA. O ato do Secretário da Receita Federal
do Brasil que transfere processos administrativos para julgamento para outra Delegacia da Receita Federal de Julgamento não tem natureza normativa, e não decorre de indevida delegação praticada pelo Ministro da Fazenda.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM
NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas, não elidida pela
defesa, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações
REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM RITO DE REPERCUSSÃO GERAL. O sobrestamento de julgamento de recurso voluntário no âmbito do CARF somente se verifica nos casos de sobrestamento do julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria no âmbito do Supremo Tribunal Federal, devendo ser aplicada a legislação questionada no âmbito daquele Tribunal Superior enquanto não definitiva a decisão de mérito que venha a afastá-la.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C
do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN.
NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitar-se a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar-se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial.
CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Não há homologação tácita se a
contribuinte deixa de fazer recolhimentos e entregar declarações, somente apresentando informações ao Fisco depois de excluída sua espontaneidade.
APLICAÇÃO DO ART. 173 DO CTN. Declara-se a decadência do crédito
tributário correspondente a períodos de apuração relativamente aos quais já havia transcorrido, no momento do lançamento, o prazo de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
Numero da decisão: 1101-000.626
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mas, de ofício, DECLARAR A PARCIAL DECADÊNCIA do crédito tributário lançado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ARGUIÇÃO DE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. TRANSFERÊNCIA DE COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. REGULARIDADE. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento são órgãos de jurisdição nacional e podem apreciar litígios instaurados em qualquer local do território nacional. DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA PARA EDIÇÃO DE ATO NORMATIVO. INOCORRÊNCIA. O ato do Secretário da Receita Federal do Brasil que transfere processos administrativos para julgamento para outra Delegacia da Receita Federal de Julgamento não tem natureza normativa, e não decorre de indevida delegação praticada pelo Ministro da Fazenda. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas, não elidida pela defesa, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. MATÉRIA SUBMETIDA À APRECIAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL EM RITO DE REPERCUSSÃO GERAL. O sobrestamento de julgamento de recurso voluntário no âmbito do CARF somente se verifica nos casos de sobrestamento do julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria no âmbito do Supremo Tribunal Federal, devendo ser aplicada a legislação Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 806 2 questionada no âmbito daquele Tribunal Superior enquanto não definitiva a decisão de mérito que venha a afastála. DECADÊNCIA. MATÉRIA DECIDIDA NO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. OBSERVÂNCIA. OBRIGATORIEDADE. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. NECESSIDADE DE CONDUTA A SER HOMOLOGADA. O fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomarse o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial. CONDUTA A SER HOMOLOGADA. Não há homologação tácita se a contribuinte deixa de fazer recolhimentos e entregar declarações, somente apresentando informações ao Fisco depois de excluída sua espontaneidade. APLICAÇÃO DO ART. 173 DO CTN. Declarase a decadência do crédito tributário correspondente a períodos de apuração relativamente aos quais já havia transcorrido, no momento do lançamento, o prazo de 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mas, de ofício, DECLARAR A PARCIAL DECADÊNCIA do crédito tributário lançado, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 807 3 Relatório ENSEG – ENSEADA SERVIÇOS E EQUIPAMENTOS S/C LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE lançamento lavrado em 22/11/2006, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 287.766,12. Foram lançados valores devidos a título de IRPJ e CSLL, na sistemática do lucro presumido, e de Contribuição ao PIS e COFINS, nos períodos de apuração de 2000 a 2002, todos com o acréscimo de multa de 75% e juros de mora, em razão das infrações assim descritas no Auto de Infração de IRPJ às fl. 06/07: 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Valor referente a créditos efetuados em conta de depósitos, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O contribuinte ora fiscalizado manteve conta corrente bancária junto ao Banco Bradesco S/A, agência 05258 GuarujáCentro(SP), na conta corrente n.° 33.4251 durante os anos calendários de 2000, 2001, e 2002, conforme extratos fornecidos pela própria instituição financeira mediante procedimento regular em Requisição de Movimentação Financeira RMF 0810600.2006/0024, documentos anexos, cujos valores foram integralmente transportados para a uma planilha da trabalho denominada "movimentação total de conta corrente bancária", em 34 folhas. Os valores a crédito nessa conta corrente foram devidamente expurgados das parcelas não correspondentes ao efetivo ingresso de numerário naquela conta, e os créditos assim resumidos, identificados nos documentos de folhas anexas, foram demonstrados na planilha "movimentação de conta corrente bancária", em 6 folhas, que serviu de base para o Termo de Intimação Fiscal de 05/09/2006, onde foram solicitados esclarecimentos pelos valores não escriturados. O contribuinte não apresentou qualquer esclarecimento ou justificativa sobre o fato. Do valor apurado acima, ainda foram excluídas as receitas declaradas em DIPJ, sob ação fiscal,documentos anexos,e que estão sendo tributadas em autos de infração separados. [...] 002 FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO Lançamento que se formaliza de ofício, correspondente ao imposto de renda pessoa jurídica declarado pela empresa no curso da ação fiscal, excluída a espontaneidade de que trata o art. 7o, § 1°, do Decreto n° 70.235/72, conforme extrato de declarações, que integra o presente auto de infração. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 808 4 Este contribuinte não havia apresentado declaração do imposto de renda para o ano calendário de 2000 e apresentado declarações de inatividade para o exercício de suas atividades, correspondente aos anos calendários de 2001 e 2002. Mediante solicitação fiscal fez a entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais DIPJ para os exercícios de 2001, 2002 e 2003, correspondente aos anos calendários de 2000, 2001 e 2002, e fez prova de sua escrituração regular com a apresentação dos livros contábeis e documentos correspondentes. [...] Depois de impugnada a exigência, foi juntado despacho encaminhado os autos à DRJ/Fortaleza, tendo em vista a transferência de competência de julgamento, estabelecida pela Portaria RFB nº 336, de 22 de fevereiro de 2008, publicada no Diário Oficial da União de 25 de fevereiro de 2008 (fl. 775). Consta da decisão recorrida o seguinte relato das alegações contidas na impugnação: 3.1 — os valores objeto de tributação dizem respeito a depósitos efetuados em sua conta corrente, não representando, entretanto, o faturamento da empresa e que, a receita total é a que consta nas DIPJs dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, conforme documentação contábil apresentada; 3.2 — aduz ainda que os ingressos em conta corrente tiveram origem nos depósitos e transferências da empresa contratante da mãodeobra fornecida pelo declarante sob o regime de empreitada de construção civil, com fornecimento de material; 3.3 — assevera, porém, que, ao efetuar os depósitos na contacorrente da requerente, além dos valores destinados ao pagamento dos serviços contratados, eram depositados outros valores destinados ao pagamento de fornecedores, empreiteiros, material, fretes, etc., de contratação da empresa tomadora dos serviços da requerente, face à distância entre a sede da tomadora e o da prestadora de serviços, agindo, assim como simples intermediária no pagamento dos compromissos da empresa contratante, sem receber qualquer remuneração sobre tal prestação de serviços; 3.4 — assim, o que sobrou dos pagamentos efetuados a terceiros de responsabilidade da contratante, resultou no faturamento da requerente. Ressalta, nesse sentido, que as prestações de contas foram feitas entre as partes, sem que a requerente ficasse com algum comprovante dos pagamentos, que estão de posse da empresa tomadora dos serviços; 3.5 ante o exposto, requer a anulação do Auto de Infração, sugerindo, no entanto, em face das divergências apontadas na impugnação, que sejam adotadas as seguintes providências por este órgão de julgamento, a saber: a) levantamento fiscal baseado na movimentação financeira; b) lançamento baseado na escrituração contábil da requerente; e c) diligências na empresa tomadora dos serviços, de forma que esta apresente a documentação comprobatória de que o numerário enviado não foi só para o pagamento dos serviços contratados com a requerente. 3.6 — esclarece ainda que deixa de anexar documentos em razão de não estar de posse dos demonstrativos de prestação de contas. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • Seria descabida a pretensa alegação de nulidade do Auto de Infração, uma vez que não foi cometido nenhum vício de natureza formal ou material. A Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 809 5 contribuinte apresenta argumentos sem nenhuma consistência jurídica, e não junta qualquer prova do alegado contrato de empreitado firmado com outra empresa, reportandose genericamente aos fatos alegados; • O art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza a presunção de omissão de receitas quando não comprovada a origem de depósitos/créditos e/ou investimentos realizados junto a instituição financeira, após regular intimação. A defesa da interessada, por sua vez, é genérica, além de desacompanhada de qualquer prova. • Ademais, mesmo que a impugnante tivesse recebido em sua conta corrente bancária depósitos efetuados pela pretensa empresa contratante, não se justificaria que deixasse de utilizar a referida contas para depósitos/créditos e outras operações em nome da própria impugnante, bem como deixasse de efetuar o registro de tais operações no Livro Caixa, porquanto declarou o Imposto de Renda no anocalendário sob exame pelo Lucro Presumido, tendo que observar nesse sentido, a disposição do art. 45, inciso I, II e III, parágrafo único, da Lei n° 8.981, de 20/01/1995. • Não há qualquer contestação específica quanto à insuficiência de recolhimento imputada pela Fiscalização, apurada a partir dos valores declarados pela contribuinte, razão pela qual não foi instaurada a fase litigiosa relativamente a esta parcela do lançamento. • A diligência/perícia requerida não se justifica, ante a falta de apresentação do alegado contrato de empreitado, ou outros elementos de provas com indícios da existência do referido contrato. • As exigências reflexas devem ter o mesmo tratamento dado à exigência principal de IRPJ. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/11/2008 (fl. 798), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 26/11/2008 (fls. 799/803). Aduz que improcede absolutamente a afirmativa no item 2.1.2, pois o Recorrente movimentava junto ao Banco Bradesco — Agência 05258, Conta Corrente 33.4251, depósitos efetuados em sua conta corrente, não representando, entretanto, o faturamento da empresa e que, a receita total é a que conta nos documentos (DIPJs) dos anos calendários de 2000, 2001 e 2002 conforme documentação contábil apresentada (item 3.1). Nega que tenha efetuado depósitos na conta corrente, além de valores destinados a pagamento dos serviços contratados, agindo assim como simples intermediária no pagamento dos compromissos da Empresa, sem receber qualquer remuneração sobre tal movimentação. Afirma que não feriu a objetividade absoluta do fato, pois as alegações são lícitas e positivas. Reafirma a nulidade do auto de infração, dada a eficácia, perante a Fazenda Pública, de contratos firmados entre duas partes, com objeto lícito e forma prescrita em lei. Aduz que não fez alegações genéricas, mas sim cumpriu fielmente seu dever assumindo seus atos perante o Erário. Em suas palavras: Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 810 6 O procedimento administrativo constituise de atos intermediários, preparatórios e autônomos, mas sempre interligados, que se conjugam para dar conteúdo e forma ao ato principal e fmal colimado pelo poder público. Todavia, o princípio da uniformidade de procedimentos no tempo não foi contrariado, pois os recursos efetuados pelo Contribuinte se coadunam com a norma legal. Por outro lado, a invocação do procedimento fiscal seria plausível e realizável se as condições do fato mantivessemse inalteradas, o que não ocorreu na fiscalização. Por fim, argúi a nulidade da decisão recorrida, em razão da incompetência da DRJ/Fortaleza para decidir o litígio, na medida em que a autoridade administrativa competente para aplicar a legislação fiscal é aquela do Domicílio Fiscal do Contribuinte, conforme dispositivos que menciona. Acrescenta que, nos termos do Anexo V do Regimento Interno da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 080/2005, cabe à DRJ/São Paulo I o julgamento dos processos fiscais originados de unidades da SRF situados no Estado de São Paulo. Questiona a validade do ato que transferiu a competência de julgamento do processo em tela, acrescentando que é nula a delegação de competência presente na Portaria MF nº 259/2001, e no art. 230, inciso XXVII da Portaria MF nº 30/2005, as quais permitiram a edição da Portaria que ensejou a transferência contraditada, na medida em que o art. 13, inciso I da Lei nº 9.784/99 proíbe tais delegações. Somente o Ministro da Fazenda, nos termos do art. 25, §5o do Decreto nº 70.235/72, teria o poder de editar “atos de caráter normativo” relativos à competência para julgamento de processos administrativos. Pede, assim, o cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 811 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A interessada argúi a nulidade da decisão recorrida em razão de suposta incompetência da autoridade que a proferiu. Diz o Decreto nº 70.235/72: Art.25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I em primeira instância, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento, órgãos de deliberação interna e natureza colegiada da Secretaria da Receita Federal; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) [...] §5o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá os atos necessários à adequação do julgamento à forma referida no inciso I do caput. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Afirma a recorrente que, no uso desta delegação, o Ministro da Fazenda expediu a Portaria MF nº 259/2001, que aprovou o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, e nele destaca a seguinte disposição: Art. 237. Fica delegada competência ao Secretário da Receita Federal para proceder a alterações nas matérias constantes dos anexos deste Regimento Interno. Isto porque o Regimento Interno traz, dentre outros, o Anexo V, denominado Delegacias da Receita Federal de Julgamento – Localização, do qual consta, na versão vinculada à Portaria MF nº 259/2001, o que segue: DRJ Jurisdição Territorial Matéria São Paulo I (SP) Deain/São Paulo (SP), Deinf/São Paulo(SP), Derat/São Paulo (SP), Defic/São Paulo(SP), DRF/Santos (SP) Tributos e contribuições administrados pela SRF, exceto: I IPI; II ITR; III IRPF não decorrente de lançamento de IRPJ, e IV IE, II e IPIV da 8ª Região Fiscal Todas as unidades da SRF IOF e CPMF Necessária, porém, uma retificação inicial, pois o ato do Ministro da Fazenda que decorre da delegação inserida pela Medida Provisória nº 2.15835/2001 no §5o do art. 25 do Decreto nº 70.235/72 é a Portaria MF nº 258/2001, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento. A referida Portaria dispõe sobre a composição das Turmas de Julgamento, os deveres do julgador, a forma de distribuição dos processos, os procedimentos a serem observados durante a sessão de julgamento e outras providências. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 812 8 Retomando, a defesa da recorrente prossegue com a invocação do Anexo V da Portaria MF nº 80/2005 (quando possivelmente quer se referir à Portaria MF nº 30/2005), de teor semelhante ao antes reproduzido, bem como seu art. 280 (muito embora tal Portaria se encerre no art. 260) e citando a Portaria SRF nº 1.033/2002 como ato de transferência de competência de processos administrativos fiscais, muito embora conste à fl. 775 destes autos que a transferência de competência de julgamento aqui promovida, em favor da DRJ/Fortaleza, se deu por meio da Portaria RFB nº 336, de 22 de fevereiro de 2008, publicada no Diário Oficial da União de 25 de fevereiro de 2008, e a seguir transcrita: Portaria RFB nº 336, de 22 de fevereiro de 2008 DOU de 25.2.2008 Transfere a competência para o julgamento de processos administrativos fiscais entre Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. O SECRETÁRIOADJUNTO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da competência delegada pela Portaria RFB nº 10.684, de 13 de julho de 2007, resolve: Art. 1º Transferir a competência para julgamento dos processos administrativos fiscais, relacionados nos Anexos I e II a esta Portaria, respectivamente: I da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Fortaleza; II da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém. Art. 2º Os processos a que se refere o art. 1º deverão ser transferidos no prazo de dez dias da publicação desta Portaria. Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO De toda sorte, em que pese a imprecisão na menção aos atos questionados, é possível extrair da argumentação expendida que a invalidade da referida transferência decorreria do fato de a Lei nº 9.784/99 vedar delegação para edição de ato que remete a processos administrativos a outra Delegacia de Julgamento, ao assim dispor: Art. 13. Não podem ser objeto de delegação: I a edição de atos de caráter normativo; [...] Entende a recorrente, em suma, que a decisão recorrida seria nula porque o Ministro da Fazenda não poderia ter delegado ao Secretário da Receita Federal o poder de editar “atos de caráter normativo” relativos à competência para julgamento de processos administrativos. Como dito, porém, a delegação trazida pela Medida Provisória nº 2.158 35/2001, ao incluir o §5o do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, foi exercida única e exclusivamente pelo Ministro da Fazenda, ao editar a Portaria MF nº 258/2001, e assim ele estabeleceu que o julgamento administrativo de 1a instância deve ser realizado por uma Turma de uma Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A distribuição dos processos entre as Delegacias de Julgamento é atividade de cunho exclusivamente operacional, e prestase apenas a empreender maior eficácia e Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 813 9 celeridade ao julgamento administrativo de 1a instância. Por conseqüência, a transferência de processos entre as unidades de julgamento administrativo não é ato normativo, como pretende crer a recorrente, mas mero ato administrativo, perfeitamente realizável pelo Secretário da Receita Federal do Brasil. Acrescentese, ainda, que o Ministro da Fazenda reconheceu a ampla competência territorial das DRJ ao firmar, também no Regimento Interno, a caracterização destas unidades de julgamento como órgãos de jurisdição nacional. Vejase, neste sentido, a redação presente na Portaria MF nº 95/2007, vigente à época em que promovida a transferência dos processos para a DRJ/Fortaleza: Art. 174. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ, órgãos com jurisdição nacional, compete, especificamente, julgar, em primeira instância, processos administrativos fiscais: I – de determinação e exigência de créditos tributários, inclusive devidos a outras entidades e fundos, e de penalidades; II relativos a exigência de direitos antidumping, compensatórios e de salvaguardas comerciais; e III de manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativos à restituição, compensação, ressarcimento, imunidade, suspensão, isenção e à redução de tributos e contribuições. §1º O julgamento de impugnação de penalidade aplicada isoladamente em razão de descumprimento de obrigação principal ou acessória será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o correspondente tributo ou contribuição. §2º O julgamento de manifestação de inconformidade contra o indeferimento de pedido de restituição ou ressarcimento ou a nãohomologação de compensação será realizado pela DRJ competente para o julgamento de litígios que envolvam o tributo ou contribuição ao qual o crédito se refere. Art. 175. Às turmas das DRJ são inerentes as competências descritas nos incisos I a III do artigo anterior. No mesmo ato, o Ministro da Fazenda estabeleceu as atribuições do Secretário da Receita Federal do Brasil, dentre as quais destacase: Art. 224. Ao Secretário da Receita Federal do Brasil incumbe: [...] XV estabelecer a área de jurisdição das unidades da RFB; [...] E, exercendo esta atribuição, o Secretário da Receita Federal do Brasil nada mais fez do que reafirmar a jurisdição nacional das Delegacias de Julgamento, ao editar a Portaria SRF no 10.166, de 11 de maio de 2007: Dispõe sobre a jurisdição fiscal das Unidades Descentralizadas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso XV do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, resolve: Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 814 10 [...] Art. 4º As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) têm jurisdição em todo o território nacional. [...] No mais, cabe apenas registrar a existência da Portaria SRF no 10.684, de 12 de julho de 2007, por meio da qual o Secretário da Receita Federal do Brasil delega competência ao SecretárioAdjunto, Carlos Alberto Freitas Barreto, para assinar ato de transferência de processo administrativo fiscal entre Delegacias da Receita Federal de Julgamento. Por todo o exposto, resta claro que o Ministro da Fazenda definiu que as Delegacias de Julgamento da Receita Federal têm jurisdição nacional, e que o ato de transferência do presente processo para a DRJ/Fortaleza foi regularmente editado, em observâncias às normas regimentais que regem este ato de cunho meramente administrativo. Neste contexto, temse por válida a decisão recorrida proferida por uma Turma de Julgamento de uma Delegacia de Julgamento da Receita Federal, independentemente do local onde esta Delegacia de Julgamento se situe. Acrescentese, por fim, que tais órgãos estão definidos no Decreto nº 70.235/72, como de deliberação interna, sem qualquer intervenção presencial do impugnante no julgamento, o que reafirma a irrelevância, para determinação da validade deste, do local onde se processa o julgamento. Aliás, nem mesmo sob o ângulo do cerceamento ao direito de defesa se pode cogitar de nulidade, pois a alteração do local onde se processará o julgamento de 1a instância somente permitiria à interessada exigir o encaminhamento dos autos a seu domicílio fiscal ante eventual pedido de vistas prévio ao julgamento, ou para ciência da decisão proferida pelas Turmas Julgadoras da DRJ. Todavia, não há qualquer notícia de pedido de vistas anterior ao julgamento, e a ciência da decisão foi promovida pela autoridade administrativa da DRF/Santos. Rejeitase, assim, a arguição de nulidade da decisão recorrida. No mérito a interessada não traz qualquer argumento que possa infirmar a autuação. Em verdade, limitase a produzir defesa semelhante à apresentada na impugnação, a qual foi validamente rebatida no voto condutor da decisão recorrida, o qual se adota, aqui, na íntegra, conforme a seguir reproduzido: 7.1 — Da Preliminar de Nulidade do Auto de Infração 7.1.1 — argúi a impugnante, em primeiro lugar, que o instrumento de autuação deveria ser declarado nulo, em função da impugnante ter realizado contrato de empreitada de construção civil, no qual a empresa contratante de mãodeobra fornecida pela autuada, efetuara a transferência de ingressos que resultaram nos depósitos realizados em sua conta corrente, os quais não representaram faturamento da empresa, pois como intermediária no pagamento dos compromissos da empresa contratante, nos depósitos realizados constavam outros pagamentos a título de fornecedores, empreiteiros, material, fretes, etc., de sorte que somente o que teria sobrado dos pagamentos efetuados a terceiros de responsabilidade da contratante, resultaria no faturamento da requerente; Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 815 11 7.1.2 — alega ainda nesse sentido, que da realização do referido contrato e, de ter havido a prestação de contas entre as partes, a requerente não ficou com nenhum comprovante de pagamento, ficando estes em poder da empresa tomadora de serviços, propondo inclusive junto à referida empresa a realização de diligência, a fim de que a mesma apresente a documentação comprobatória de que o numerário enviado não foi efetuado somente para o pagamento dos serviços contratados com a requerente; 7.1.3 — a despeito do direito assegurado ao contribuinte de se insurgir contra a exigência fiscal, podendo, para tanto, apresentar os meios de prova admitidos em direito no sentido de descaracterizar o instrumento de autuação, não nos parece no presente caso que o impugnante o tenha feito com a devida prudência, pois, na verdade, apresenta argumentos sem nenhuma consistência jurídica, senão vejamos: a) se a impugnante afirma que celebrou um contrato de empreitada com outra V empresa, seria lógico que tivesse em seu poder cópia autenticada desse contrato a fim de que pudesse, quando solicitado, provar a realização do mesmo; b) seria lógico também que indicasse o nome e demais características da empresa com a qual firmara o pretenso contrato, uma vez que a celebração de um contrato pressupõe a existência de duas partes, com direitos e obrigações recíprocas e objeto a ser cumprido em determinado período de tempo; c) os argumentos expendidos pela defesa são eminentemente genéricos, não tendo, portanto, nenhuma força jurídica probante no sentido de descaracterizar o referido instrumento de autuação, daí por que não se pode leválos em conta a fim de modificar o lançamento original; d) ademais, sem o conhecimento do contrato e das partes que o teriam celebrado, restam da impugnação apresentada apenas alegações de teor genérico, desprovidas, portanto, de força jurídica probante, de sorte que a peça exatória em questão permanece inalterada, subsistindo o lançamento da mesma forma como constituído originalmente; e) descabe, portanto, a pretensa alegação de nulidade do Auto de Infração, uma vez que não foi cometido nenhum vício de natureza formal ou material que pudesse inquinálo de nulidade. 7.1.4 — com base, pois, no art. 28 do Decreto n° 70.235/72, com as alterações da Lei n° 8.748/93, rejeitase a preliminar de nulidade do Auto de Infração e, passase ao exame do mérito. 7.2 Da Presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96 7.2.1 Em face, pois, da não comprovação da origem dos depósitos/créditos e/ou investimentos realizados junto a instituição financeira (Banco Bradesco S/A), em que o contribuinte regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme circunstanciado no Termo de Intimação Fiscal acima referenciado, é que a Fiscalização lançou mão do próprio comando legal ao qual subsumiuse o fato descrito como ilícito fiscal, ou seja, a Lei n° 9.430/96, cujo dispositivo sobre a matéria, estatui: 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1o. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira; Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 816 12 7.2.2 Vêse, neste particular, que o contribuinte foi devidamente intimado, desde o início dos trabalhos de fiscalização (Termo de Início de Fiscalização, v. IV, fls. 735; c/c o Termo de Intimação Fiscal de fls. 59, a apresentar as justificativas quanto às diferenças apuradas no demonstrativo "movimentação de conta corrente bancária", parte integrante do referido Termo de Intimação (fls. 60/65), relativamente à contas bancária de titularidade da empresa que deram origem à movimentação financeira nos valores acima apontados junto às instituição financeiras: Banco Bradesco S/A, conforme retratado em demonstrativo próprio (v.II, fls. 307/340), os quais por não terem sua origem comprovada deram ensejo à lavratura do Auto de Infração em apreço (fls. 05/18); 7.2.3 A defesa tenta descaracterizar o lançamento sob o argumento de que os depósitos efetuados junto ao Banco Bradesco S/A (agência 05258, contacorrente n° 33.4251) decorreram de ingressos ou transferências de numerário feitos por outra empresa com a qual teria celebrado contrato de empreitada para fornecimento de mãodeobra, sendo que a referida conta bancária teria recebido valores atinentes a outros pagamentos (empreiteiros, fornecedores, fretes, material etc.), de sorte que os valores apurados e lançados pela Fiscalização não representariam o real faturamento da impugnante, requerendo inclusive diligência a ser procedida na pretensa empresa a fim de dirimir a dúvida e efetivar o lançamento da forma correta; 7.2.4 Não vingam as alegações da defesa, uma vez que no item precedente esta questão foi devidamente enfrentada, chegandose à conclusão de que as alegações da defesa são descabidas, seja pela pelas razões apresentadas apenas de teor genérico, em tese, seja pela inexistência do eventual contrato celebrado entre a impugnante e a pretensa empresa contratante, seja ainda pela falta de indicação do nome e demais características desta última, o que denota o total descabimento de suas alegações nesse sentido; 7.2.5 Ademais, mesmo que a impugnante tivesse recebido em sua conta corrente bancária depósitos efetuados pela pretensa empresa contratante, não se justificaria que deixasse de utilizar a referida contas para depósitos/créditos e outras operações em nome da própria impugnante, bem como deixasse de efetuar o registro de tais operações no Livro Caixa, porquanto declarou o Imposto de Renda no ano calendário sob exame pelo Lucro Presumido, tendo que observar nesse sentido, a disposição do art. 45, inciso I, II e III, parágrafo único, da Lei n° 8.981, de 20/01/1995; 7.2.6 Não tendo, pois assim procedido e, não tendo também alegado nem provado que os depósitos bancários efetuados em suas contas bancárias eram de terceiros, conclusão outra não se pode tirar, a não ser que tais depósitos foram de fato efetuados pela própria impugnante e em nome dela devem ser considerados, conclusão esta que se coaduna com a que levou a AuditoraFiscal autuante a lavrar o instrumento de autuação contra a impugnante (Auto de Infração —IRPJ, fls. 05/18); 7.2.7 Além disso, o lançamento em tela, como visto, não decorreu única e exclusivamente da existência dos depósitos bancários em nome da impugnante. Na verdade, a constituição do crédito tributário adveio do fato de o contribuinte não ter provado com documentação hábil ou idônea a origem dos recursos que deram respaldo aos referidos depósitos, o que ensejou por presunção legal de omissão de receita, a lavratura do referido instrumento de autuação; 7.2.8 Ademais, para a constituição do crédito tributário em referência, o lançamento adveio de presunção legal (juris tantum), prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/96, de sorte que, não tendo o contribuinte provado a origem dos recursos efetuados em sua conta de depósito ou de investimento de sua titularidade, está Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 817 13 caracterizada a omissão de receita, inclusive porque se tratando de presunção legal, invertese o ônus da prova e, naturalmente, caberia ao contribuinte comprovar o origem dos mesmos, o que no presente caso não ocorreu; 7.2.9 Corroborando o procedimento adotado pela Fiscalização, cabe transcrever no presente tópico parte da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, nos seguintes termos (fls. 06): Os valores a crédito nessa conta corrente foram devidamente expurgados das parcelas não correspondentes ao efetivo ingresso de numerário naquela conta, e os créditos assim resumidos, identificados nos documentos de folhas anexas, foram demonstrados na planilha "movimentação de conta corrente bancária", em 6 folhas, que serviu de base para o Termo de Intimação Fiscal de 05/09/2006, onde foram solicitados esclarecimentos pelos valores não escriturados. O contribuinte não apresentou qualquer esclarecimento ou justificativa sobre o fato. (grifouse) 7.2.10 A omissão de receita assim obtida, por presunção legal, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96, constitui disponibilidade econômica ou jurídica em favor do contribuinte, caracterizando, assim, o fato gerador do Imposto de Renda, compatível com a regramatriz constitucional de incidência do referido imposto (CF/88, art. 153, III, § 2°, I), bem assim em consonância com as regras do Código Tributário Nacional que dispõem, o fato gerador e a base de cálculo do Imposto de Renda (CTN, arts. 43, I e II, e 44), coadunandose, portanto, o procedimento fiscal consubstanciado no Auto de Infração IRPJ (fls. 05/18), com as disposições constitucionais e legais que regem a matéria; 7.2.11 Considerando, pois, que, não foram apresentados outros elementos de prova capazes de descaracterizar o presente instrumento de autuação, inclusive porque as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando este for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não surtem nenhum efeito jurídico, é de se manter a autuação nos mesmos termos do lançamento original. 7.3 Matéria não Impugnada (Insuficiência de Recolhimento) 7.3.1 O lançamento abrangeu também, além da infração discriminada no tópico precedente, a diferenças verificadas entre os valores declarados pelo contribuinte e os efetivamente recolhidos, gerando insuficiência de recolhimento, conforme descrito nas infrações 2.2 e 2.3 (fls. 08/10); 7.3.2 Vêse, porém, que o contribuinte em sua defesa, não contestou expressamente a presente matéria, considerandose, neste particular, como não impugnado o lançamento e, portanto não iniciada a fase litigiosa do procedimento, conforme dispõe o art. 17 do Decreto n° 70.235/72, com a redação do art. 67 da Lei n° 9.532/97, infra transcrito: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 7.3.3 Com efeito, nos termos do dispositivo supra, é de se considerar como não impugnada a matéria objeto do presente processo, relativamente aos referidos itens da autuação e, portanto, não instaurada a fase litigiosa do procedimento; 7.4 — Da Realização de Diligência ou Perícia 7.4.1 A realização de diligência e /ou perícia requerida pela defesa teria sentido se a impugnante na defesa apresentada tivesse indicado a pretensa empresa com a qual teria celebrado o contato de empreitada ou tivesse ainda apresentado cópia do eventual contrato celebrado entre as partes ou pelo menos apresentado. outros elementos de provas com indícios da existência do referido “Contrato”. Como não Fl. 13DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 818 14 procedeu dessa forma, apresentando apenas alegações de caráter genérico, em tese, são totalmente despropositadas suas alegações nesse sentido. 7.4.2 Descabe, assim, a pretensa realização de diligência ou perícia aventada pela defesa, porquanto prescindese, à luz do arts. 18 e 28 do Decreto n° 70.235/72, de realização desse procedimento, na medida em que os elementos insertos nos autos, sobretudo aqueles que resultaram nos demonstrativos acima referenciados são necessários e suficientes à formação da livre convicção desta autoridade julgadora quanto ao exame do mérito. 7.5 Dos Tributos Reflexos: PIS, CSLL e Cofins 7.5.1 Aplicase à exigência reflexa o que foi decidido quanto ao lançamento do IRPJ, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Assim, mantida integralmente a exigência referente ao IRPJ, o mesmo tratamento deve ser dado aos Autos de Infração reflexos, inclusive no tocante à aplicação da multa de oficio e dos juros de mora. Como também no recurso voluntário nenhum documento foi juntado pela interessada, subsiste a presunção de omissão de receitas firmada em razão da não comprovação da origem dos depósitos bancários realizados em conta de titularidade da autuada. Cabe consignar que a movimentação financeira da contribuinte foi obtida mediante requisição de informações às instituições financeiras, procedimento fundamentado no art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001, objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314, que aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal sob o rito da repercussão geral. De outro lado, o Anexo II do Regimento Interno do CARF, depois da alteração promovida por meio da Portaria MF nº 586/2010, passou a dispor que: Art. 62A. [...] § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Todavia, embora o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido a existência de repercussão geral de questão constitucional suscitada, não há notícia de que tenha sido sobrestado o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, de forma que não é o caso de sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário. Anotese, ainda, que o Decreto nº 70.235/72 autoriza os órgãos administrativos de julgamento a afastar a aplicação de lei que tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 14DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 819 15 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Por sua vez, o art. 6o da Lei Complementar nº 105/2001 foi objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal em caso concreto que ali chegou por meio do Recurso Extraordinário nº 389.808, decidido em 10/05/2011 nos termos da seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. Contudo, a Procuradoria Geral da República opôs embargos de declaração a esta decisão, os quais aguardam julgamento, estando conclusos ao relator desde 09/11/2011, de modo que não se verificou o trânsito em julgado, não se podendo falar, aqui, da existência de decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, declarando a inconstitucionalidade do dispositivo legal que autoriza o procedimento aqui utilizado para reunião das provas que fundamentam a exigência. Por fim, observase que a formalização de parte do lançamento ocorreu depois de transcorrido o prazo decadencial para tanto. Tal definição é afetada pelas novas disposições do Regimento Interno do CARF, alterado por meio da Portaria MF nº 586/2010, para passar a conter, em seu Anexo II, o seguinte artigo: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. E, relativamente à contagem do prazo decadencial na forma do art. 150, do CTN, o Superior Tribunal de Justiça decidiu, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, o que assim foi ementado no acórdão proferido nos autos do REsp nº 973.733/SC, publicado em 18/09/2009: Fl. 15DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 820 16 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Extraise deste julgado que o fato de o tributo sujeitarse a lançamento por homologação não é suficiente para, em caso de ausência de dolo, fraude ou simulação, tomar Fl. 16DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 821 17 se o encerramento do período de apuração como termo inicial da contagem do prazo decadencial de 5 (cinco) anos. Resta claro, a partir da ementa transcrita, que é necessário haver uma conduta objetiva a ser homologada, sob pena de a contagem do prazo decadencial ser orientada pelo disposto no art. 173 do CTN. E tal conduta, como já se infere a partir do item 1 da referida ementa, não seria apenas o pagamento antecipado, mas também a declaração prévia do débito. Relevante notar, porém, que, no caso apreciado pelo Superior Tribunal de Justiça, a discussão central prendiase ao argumento da recorrente (Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS) de que o prazo para constituição do crédito tributário seria de 10 (dez) anos, contandose 5 (cinco) anos a partir do encerramento do prazo de homologação previsto no art. 150, §4o do CTN, como antes já havia decidido aquele Tribunal. Por esta razão, os fundamentos do voto condutor mais se dirigiram a registrar a inadmissibilidade da aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, §4o, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal. Em conseqüência não há, naquele julgado, maior aprofundamento acerca do que seria objeto de homologação tácita na forma do art. 150 do CTN, permitindose aqui a livre convicção acerca de sua definição. Anota a fiscalização que a contribuinte não havia apresentado declaração de imposto de renda para o anocalendário 2000 e apresentado declarações de inatividade para o exercício de suas atividades, correspondente aos anoscalendário de 2001 e 2002. Somente no curso do procedimento fiscal apresentou as DIPJ correspondentes, bem como a escrituração que justificaria sua tributação na sistemática do lucro presumido. Em conseqüência, a autoridade fiscal exigiu, com os acréscimos pertinentes ao lançamento de ofício, também os tributos informados pela contribuinte nas DIPJ apresentadas no curso do procedimento fiscal. Logo, está evidenciado que a contribuinte não exerceu a atividade prevista no art. 150 do CTN, não podendo se cogitar de homologação tácita de sua apuração após transcorridos 5 (cinco) anos da ocorrência dos fatos geradores. Todavia, a aplicação do prazo mais alargado previsto no art. 173 do CTN não é suficiente para convalidar a integralidade da exigência. De fato, mesmo iniciandose a contagem do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, observase que na data de ciência do lançamento já havia expirado o prazo para formalização de parte do crédito tributário. Antes, porém, cabe observar que foram adotadas duas formas de intimação para ciência do lançamento: às fls. 756/757 constam avisos de recebimento acusando a recepção, dos autos de infração, no domicílio fiscal da contribuinte, em 28/11/2006; e à fl. 758 consta edital para a mesma ciência, afixado em 22/11/2006 e desafixado em 07/12/2006. Por sua vez, a interessada apresentou impugnação em 21/12/2006, afirmandose notificada em 26/11/2006. Há indícios, portanto, de que a ciência postal promovida em 28/11/2006 foi eficaz, ensejando, inclusive, a apresentação da impugnação correspondente dentro do prazo de 30 (trinta) dias, fixado em lei para tanto. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15983.000385/200660 Acórdão n.º 110100.626 S1C1T1 Fl. 822 18 Contudo, admitindose possível o lançamento, no próprio anocalendário 2000, dos tributos cujo fato gerador ocorreu antes de 31/12/2000, a contagem do prazo previsto no art. 173 do CTN teria início em 01/01/2001, e expiraria em 31/12/2005. Logo, em 28/11/2006 não seria possível exigir os valores devidos a título de IRPJ e CSLL no 1o, 2o e 3o trimestres de 2000, bem como a título de Contribuição ao PIS e COFINS nos períodos de janeiro/2000 a novembro/2000. Assim, resta concluir que somente poderiam ser formalizados, naquele momento, os créditos tributários de IRPJ e CSLL pertinentes aos períodos de apuração encerrados a partir do 4o trimestre de 2000, bem como as exigências correspondentes à COFINS e à Contribuição ao PIS devidas nos períodos de apuração encerrados a partir de dezembro/2000. Nestes casos, como o lançamento somente seria possível no anocalendário 2001, o prazo decadencial teria início em 01/01/2002, e somente terminaria em 31/12/2006. Por estas razões, devese declarar a decadência do crédito tributário exigido, a título de IRPJ e CSLL, do 1o trimestre de 2000 ao 3o trimestre de 2000, bem como a título de Contribuição ao PIS e COFINS, nos períodos de apuração de janeiro/2000 a novembro/2000. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a arguição de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mas, de ofício, DECLARAR A PARCIAL DECADÊNCIA do crédito tributário lançado, para cancelar as exigências a título de IRPJ e CSLL, do 1o trimestre de 2000 ao 3o trimestre de 2000, bem como a título de Contribuição ao PIS e COFINS, nos períodos de apuração de janeiro/2000 a novembro/2000. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 18DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10320.000964/2002-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 31/10/1997, 30/11/1997,
31/12/1997
COFINS. DCTF. VINCULAÇÃO. PAGAMENTOS INEXISTENTES.
LANÇAMENTO.
Na vigência original do art. 90 da MP no 2.15835,
de 2001, era cabível o
lançamento relativo a débito vinculado em DCTF a pagamento inexistente,
sendo irrelevante ao caso se houve opção ao Refis, especialmente quando não
tenham sido os débitos incluídos no parcelamento, posteriormente rescindido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.149
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/1997, 31/05/1997, 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997 COFINS. DCTF. VINCULAÇÃO. PAGAMENTOS INEXISTENTES. LANÇAMENTO. Na vigência original do art. 90 da MP no 2.15835, de 2001, era cabível o lançamento relativo a débito vinculado em DCTF a pagamento inexistente, sendo irrelevante ao caso se houve opção ao Refis, especialmente quando não tenham sido os débitos incluídos no parcelamento, posteriormente rescindido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10320.000964/200269 Acórdão n.º 330201.149 S3C3T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fl. 42) apresentado em 16 de fevereiro de 2007 contra o Acórdão no 089.583, da 3ª Turma de Julgamento da DRJ / FOR (fls. 33 a 36), cientificado em 19 de janeiro de 2007, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos 2º (exceto março) e 4º trimestre de 1997, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1997 PARCELAMENTO ESPECIAL REFIS. O fato de o § 3º do Art. 2º da Lei 9.964/2000 estabelecer que a consolidação do Refis abrange todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, não impede que a Fazenda Pública venha apurar novos débitos, relativos aos períodos compreendidos no parcelamento especial. MULTA DE OFÍCIO. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de auditoria interna da DCTF, quando a irregularidade apurada não se coaduna com as hipóteses previstas no art. 18 da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, com a nova redação dada pela Lei nº 11.051/2004. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 15 de março de 2002 (fl. 27), de acordo com o termo de fls. 6 e 7, os pagamentos informados em DCTF não foram localizados. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Contra o sujeito passivo de que trata o presente processo foi lavrado auto de infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 04/08, no valor total de R$ 121.987,23, incluindo encargos legais. 2. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05, o lançamento decorreu de auditoria interna na Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, tendo sido apuradas as infrações a seguir indicadas. 2.1. Falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata, conforme anexo III – Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar, fls. 08. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10320.000964/200269 Acórdão n.º 330201.149 S3C3T2 Fl. 3 3 2.2. O enquadramento legal das infrações encontrase indicado às fls. 05. 3. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 15/03/2002, fls. 27, apresentou o contribuinte impugnação em 11/04/2002, fls. 01, contrapondose ao lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados. 3.1. Afirma a defesa que, de acordo com o Art. 1º da Lei 9.964, de 10/04/2000, o Programa de Recuperação Fiscal REFIS é destinado a promover a regularização dos créditos da União, decorrentes de débitos de pessoas jurídicas relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal e pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, com vencimento até 29/02/2000, constituídos ou não, inscritos ou não em dívida ativa, ajuizados ou a ajuizar, com exigibilidade suspensa ou não, inclusive os decorrentes de falta de recolhimento de valores retidos. 3.2. Assim, alega que a empresa fez opção pelo Programa de Recuperação Fiscal REFIS no dia 13 de dezembro de 2000 (cópia anexa) e, de acordo com o § 3º do Art. 2º da Lei 9.964/2000, a consolidação abrange todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica, na condição de contribuinte ou responsável, constituídos ou não, inclusive os acréscimos legais relativos a multa, de mora ou de oficio, a juros moratórios e demais encargos, determinados nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores. 3.3. À vista de todo exposto, requer que seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando se o débito fiscal reclamado. A DRJ concluiu que, “analisandose o Demonstrativo de Débitos Consolidados do Refis, extrato às fls. 31/32, verificase que o sujeito passivo não incluiu no referido parcelamento os valores declarados na DCTF que compõem o presente lançamento de ofício. Portanto, cabível a cobrança do crédito tributário em análise”. Entretanto, excluiu a multa de ofício, pelo fato de os débitos terem sido declarados em DCTF. No recurso, a Interessada reportase às mesmas razões da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. O presente auto de infração trata do lançamento da Cofins declarada em DCTF e vinculada a pagamentos inexistentes em todo ou em parte. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10320.000964/200269 Acórdão n.º 330201.149 S3C3T2 Fl. 4 4 O objeto do processo administrativo fiscal previsto no Decreto no 70.235, de 1972, é a apuração da determinação e exigência do crédito tributário. Como determina o art. 144 do CTN, o lançamento “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”. À época da efetuação do lançamento, vigiam as disposições originais do art. 90 da MP no 2.15835, de 2001, que determinava o seguinte; Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Dessa forma, havendo o contribuinte apresentado a DCTF com erro evidente e não sendo exigível a obrigação sem o lançamento, a lavratura do auto de infração era obrigatória, como determina o art. 142 do CTN. Conforme esclarecido pela Primeira Instância, os débitos lançados sequer foram incluídos pela Interessada no Refis e a sua opção foi rescindida em 11 de dezembro de 2000. Portanto, a alegação de que os débitos deveriam ter sido incluídos no parcelamento é completamente irrelevante para o presente caso. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 24/08/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/08/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001652/2004-72
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. COLOCAÇÃO DE ESTRUTURAS METÁLICAS, CALHAS E OUTROS MATERIAIS QUE SE AGREGAM AO SOLO E A OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ART. 9°, INCISO V, §4° DA LEI 9.317/96.
A atividade de comércio com instalação de estruturas metálicas, calhas, e outros materiais, os quais se agregam ao solo e A. obra de construção civil, encontra-se vedada para inclusão da pessoa jurídica no SIMPLES.
Recurso especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9101-001.063
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional a fim de manter o ato declaratório de exclusão do Simples.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. COLOCAÇÃO DE ESTRUTURAS METÁLICAS, CALHAS E OUTROS MATERIAIS QUE SE AGREGAM AO SOLO E A OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ART. 9°, INCISO V, §4° DA LEI 9.317/96. A atividade de comércio com instalação de estruturas metálicas, calhas, e outros materiais, os quais se agregam ao solo e A. obra de construção civil, encontra-se vedada para inclusão da pessoa jurídica no SIMPLES. Recurso especial do Procurador provido.
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Antonio Carl (I oni Fl ho - Relator. CSRF-T1 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13830.001652/2004-72 Recurso n° 334.172 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-001.063 — la Turma Sessão de 28 de junho de 2011 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado KAIOBA INDÚSTRIA DE ESTRUTURAS METÁLICAS LTDA Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2003 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. COLOCAÇÃO DE ESTRUTURAS METÁLICAS, CALHAS E OUTROS MATERIAIS QUE SE AGREGAM AO SOLO E A OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ART. 9°, INCISO V, §4° DA LEI 9.317/96. A atividade de comércio com instalação de estruturas metálicas, calhas, e outros materiais, os quais se agregam ao solo e A. obra de construção civil, encontra-se vedada para inclusão da pessoa jurídica no SIMPLES. Recurso especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso do Procurador da Fazenda Nacional a fim de manter o ato declaratório de exclusão do Simples. Editado em: 1 2 SET 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Susy Gomes Hoffmann. 1 Relatório Com base no permissivo do Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: "SIMPLES. ATIVIDADE NÃO IMPEDIDA. A atividade de comércio de forros e pisos, que inclua sua eventual instalação e/ou manutenção, não configura, por si só, atividade abrangida no conceito de atividade auxiliar de engenharia civil vedada ao SIMPLES. Recurso voluntário provido." 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: Adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: "A contribuinte acima qualificada, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) mediante Ato Declaratório Executivo DRF/MRA n° 39 (17.35), de 10 de novembro de 2004, de emissão do Sr. Delegado da Receita Federal em Marilia, em razão de entender aquela autoridade que a atividade econômica desenvolvida pela contribuinte é vedada a op cão ao Simples, "por incurso no inciso V, do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996". Constou do ato declaratório que os efeitos da exclusão seria a partir de 01/01/2002 em obediência ao disposto no inciso II do parágrafo único do artigo 24 da Instrução Normativa (IN) SRF n°355, de 29/08/2003. Ressalte-se, que a exclusão do referido sistema foi motivada. pela Representação Fiscal do INSS (fls. 02 a 04) que informou à Secretaria da Receita Federal que a empresa presta serviços auxiliares da construção civil. rt Foram juntadas à representação as notas fiscais de fls. 15/32, bem assim o contrato social e suas alterações (fls. 07/14). Referida Representação Fiscal 'foi objeto de despacho de fl. 33, proferido pelo Chefe da Sacai daquela DRF, que acatou a representação e propôs a emissão do Ato Declaratório de exclusão. Regularmente cientificada em 30/11/2004 (AR de fl. 41), ingressou em 17/12/2004, com a manifestação de inconformidade de fls. 42/44, firmada pelo Procurador constituído conforme Procuração deft. 45. Alega que a auditora do INSS constou na representação que a empresa está vedada a opção pelo Simples por 2 Processo n° 13830.001652/2004-72 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.063 Fl. 2 exercer serviços auxiliares da construção civil (destaque do original) Entretanto, o preceptivo legal citado no Ato Declaratório de Exclusão, tem redação diversa da empregada pela Auditora Fiscal, pois salienta a vedação ao Simples a pessoa jurídica que se dedique a compra e venda, ao loteamento, incorporação ou a construção civil e não a serviços auxiliares da construção civil. (destaque do original). Acrescenta que a construção civil tem a significacdo de formação ou edificação de algo novo, não existente, mais conhecido pelo termo acessão industrial, enquanto que as benfeitorias, de acordo com o jurista De Plácido e Silva I ya sempre compreendida como os melhoramentos promovidos em um prédio, com a intenção de tomá-lo mais útil ou mais agradável". Alega que todos os serviços prestados são considerados melhoramentos, promovidos em prédios para torná-los mais agradáveis, e que a auditora fiscal do INSS apenas se ateve em analisar documentos e não propriamente se dirigir até o local onde foram prestados os serviços, o que de fato e de direito, a prejudicou intensa e injustamente. Aduz que o fato típico que excluiu a opção licita pelo Simples diz somente na hipótese de construção civil, taxativamente, e só pode ser interpretada restritivamente, e deve seguir : os artigos 5 0, II e 37, "caput", da Constituição Federal, ou seja, a administração pública deve ater-se ao principio da legalidade. É a síntese do essencial." A DRJ em Ribeirao Preto/SP indeferiu a solicitação da contribuinte, em decisão cuja ementa é a seguinte: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES - ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. A prestação de serviços auxiliares da construção civil, veda a opção pelo Simples. Solicitação Indeferida" Justificou sua decisão da seguinte maneira: 0 Contrato Social e suas alterações nos dão conta que o objetivo social da empresa é a "Compra, venda e industrialização de estruturas metálicas, materiais de construção e demais materiais de arte de ferro 3 empregados na indústria da construção civil" (sétima alteração contratual, fls. 11/14). As notas fiscais de prestação de serviços descrevem: "serviços de mão-de-obra executados na chumba ção de bases metálicas; colocação de. calhas e pintura em estrutura metálica; montagem e fabricação de estruturas metálicas; reforma de uma grade existente' e urna porta de correr; uma medição relativa ao fornecimento de mão- de-obra para reforma e revisão com substituição de material em estruturas metálicas em diversos prédios públicos; ,não-de-thra para cobertura de campo de bocha; confecção e instalação de abrigos para passageiros, etc. Necessário que se esclareça que as Montagens de estruturas metálicas ern imóveis enquadram-se no conceito de "execução de obras da construção civil", segundo o magistério de Bernardo Ribeiro de Moraes, em sua "Doutrina e Prática do Imposto Sobre Serviços" (Editora Revista dos Tribunais Ltda., P ed.,' São Paulo, 1978), verbis: "Num sentido genérico, a construção civil abrange as obras de construção, reforma ou reparação relacionadas com os seguintes grupos: g) sétimo grupo: obras de instalações de montagens e de estruturas em geral, abrangendo as obras assentadas ao solo ou fixadas em edificacões" (destacou-se) A Medida Provisória no 1323-7/1997 (D.0.U. de 02/05/1997), convertida na Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, acrescentou ao art. 90 da Lei n° 9.317, de 1996, um novo parágrafo, passando os dispositivos pertinentes a matéria a prescrever: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: V - que se dedique el compra e venda, ao loteamento, a incorporação ou a construção de imóveis; Parag. 4° Compreende-se na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros como a construção, demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agre2adas ao solo ou subsolo." (grifou-se) Desse modo, restou comprovado que a empresa explora atividades abrangidas por obras e serviços auxiliares e complementares da construção de imóveis, que por tratarem-se de benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo, estão compreendidas como execução de obras de 4 Processo n° 13830.001652/2004-72 CSRF-T1 AcOrdilo n.° 9101-001.063 Fl. 3 construção civil e, portanto, vedada a opção da pessoa jurídica ao Simples, conforme disposto 'no inciso V do art. 9° da Lei n°9.317, de 1996, com a alteração do art. 4° da Lei n°9258, 1997." Ciente da decisão em 17/11/2005 (AR de E. 55), a empresa apresentou recurso voluntário a este Colegiado em 09/12/2005, insistindo nas mesmas razões de impugnação e acrescentando que a MP 1.523-7/1997 está sendo interpretada com distorção, pois somente é aplicável na atividade de construção de imóveis e em nenhum momento ficou demonstrado no curso do processo qualquer tipo de construção de imóveis. Alega que o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 30 padece de vicio insanável, uma vez que inovou na ordem jurídica, estendendo situações que a própria Lei 9.317 não previu, pois, sendo um regulamento, deveria apenas servir para uniformizar e agilizar a fiel execução da Lei. De outra forma, afrontar-se-ia o texto constitucional Requer, ao final, o provimento do recurso, para sua manutenção no Simples. E o relatório." O acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário do Contribuinte para cancelar o Ato Declaratório de exclusão do Simples. Segundo o acórdão, (i) a empresa admite que comercializa estruturas metálicas e utiliza mão-de-obra para colocação destas; (ii) é de todo diferente um serviço auxiliar de construção civil de outro exercido por empresa industrial e comercial, que vende estruturas metálicas, peças a serem montadas no local pretendido pelo cliente; (iii) o fabricante de estruturas metálicas, ainda que eventualmente ofereça ao comprador a instalação no local, ou apenas a manutenção dessas estruturas, cuj as peculiaridades exigem mão-de-obra especifica e especializada, está muito mais próximo da empresa que vende material de construção do que da empreiteira de obras. Contra citado acórdão, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 76/80), os quais foram rejeitados pelo Despacho de fls. 82. Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional contrariedade do acórdão recorrido a aresto proferido pela extinta 2' Camara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes (Ac. 302-36.469), o qual assenta o entendimento de que: "a fabricação e colocação de estrutura metálica em construção civil é atividade vedada no SIMPLES. Sustentou, ainda, que consoante o Ato Declaratório Normativo CST n° 30, de 1999, a vedação ao direito de optar pelo Simples de que trata o inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996, alcança obras e serviços auxiliares e complementares de construção civil tais como: construção, demolição, reforma e ampliação de edificações; pintura, carpintaria, instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de tacos e azulejos, colocação de vidros e esquadrias; e quaisquer outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo etc.. 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 020/2008 (fls.102/104)), ante a configuração do alegado dissenso jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contra-razões. E o relatório. 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator 0 recurso especial 6 tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Cinge-se a discussão em saber se a Contribuinte desenvolve (ou não) atividade vedada A inclusão no SIMPLES, na forma prevista no art. 9 0, V da Lei n° 9.317/96. Da análise dos autos constatam-se as seguintes descrições das atividades praticadas pelo contribuinte: "CLAUSULA TERCEIRA. A Sociedade tem por objeto mercantil a compra, venda e industrialização de estruturas metálicas, de materiais de construção e demais materiais de arte de ferro empregados na indústria da construção civil ." (fls.07) "02 - 0 objetivo social da empresa é - COMPRA, VENDA E INDUSTRIALIZAÇÃO DE ESTRUTURAS METÁLICAS, MATERIAIS: DE CONSTRUÇÃO E DEMAIS MATERL4IS DE ARTE DE FERRO EMPREGADOS NA INDUSTRIA DA CONSTRUÇÃO CIVIL (fls. 12). Nada obstante o objeto social da Contribuinte sugira apenas a comercialização de materiais de construção e de estruturas metálicas sem qualquer prestação de serviço a ela atrelada, constam dos autos notas fiscais de prestação de serviços (fls. 15/32) auxiliares ou inerentes A construção civil, tais como: "serviços de mão-de-obra executados na chumba ção de bases metálicas; colocação de calhas e pintura em estrutura metálica; montagem e fabricação de estruturas metálicas; reforma de uma grade existente e uma porta de correr; uma medição relativa ao fornecimento de mão-de-obra para reforma e revisão com substituição de material em estruturas metálicas em diversos prédios públicos; mão-de-obra para cobertura de campo de bocha; confecção e instalação de abrigos para passageiros", entre outros. Com a devida vênia ao entendimento do acórdão recorrido, entendo que as atividades acima descritas estão inseridas na vedação prevista no art. 9, V, §4°, da Lei 9.317/96, que assim dispõe, verbis: "Art. 9° Nei() poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica (.) V - que se dedique a compra e a venda, ao loteamento, à incorporação ou a construção de imóveis; (.) ,¢' 4° Compreende-se na atividade de construção de imóveis, de que trata o inciso V deste artigo, a execução de obra de construção civil, própria ou de terceiros, como a construção, 6 Processo no 13830.001652/2004-72 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-001.063 Fl. 4 demolição, reforma, ampliação de edificação ou outras benfeitorias agregadas ao solo ou subsolo". De fato, parece-me que as atividades de chumba ção de bases metálicas; colocação de calhas e pintura em estrutura metálica; montagem de estruturas metálicas; medição relativa ao fornecimento de mão-de-obra para reforma e revisão com substituição de material em estruturas metálicas em diversos prédios públicos; mão-de-obra para cobertura de campo de bocha; confecção e instalação de abrigos para passageiros, configuram benfeitorias agregadas ao solo e/ou a obra de construção civil a que se referem a legislação acima citada. Não por outro motivo a Contribuinte presta serviços a empresas de engenharia, os quais configuram notadamente serviços auxiliares de construção civil, também citados pela norma como impeditivos A opção pela pessoa jurídica ao sistema simplificado de tributação. Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional par a/.r- exclusão da Contribuinte do SIM fl provimento a fim de manter o ato declaratório de i. Antonio Ca o uidoni I ilho - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 10245.001158/2002-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO INTEMPESTIVO
Nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, é de 30 dias o prazo para a interposição de Recurso Voluntário, contados a partir da ciência da decisão de primeira instância. Protocolado o recurso após este prazo, não pode o mesmo ser conhecido, tornando-se
definitiva a decisão recorrida.
Numero da decisão: 2102-001.509
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER do recurso, por perempto.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Protocolado o recurso após este prazo, não pode o mesmo ser conhecido, tornandose definitiva a decisão recorrida Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, por perempto. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 24/08/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 2 Relatório Em face do contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/07 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da revisão da DITR entregue para o exercício de 1998, relativamente ao imóvel “Fazenda Trento”. De acordo com os esclarecimentos constantes do Auto, o lançamento decorreu da glosa das áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de reserva legal, por serem “superiores ao permitido pela legislação”. Cientificado do lançamento, o Interessado apresentou a impugnação de fls. 27, por meio da qual alegou que a área informada na DITR 1998 de 7.989,7 hectares como sendo de interesse ambiental e utilização limitada está de acordo com o levantamento ambiental da área, e corresponde a 80% do imóvel. Afirmou ainda que tal área estaria de acordo com o TCARL (Termo de Compromisso para Averbação de Reserva Legal) protocolado e aprovado no Ibama de Roraima. Além disso, a área de preservação permanente corresponderia aos 20% restantes do imóvel, área que seria alagada por boa parte do período do inverno. Anexou os documentos de fls. 28/59. Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Recife decidiram pela integral manutenção do lançamento, ao entendimento de que a apresentação do ADA seria condição obrigatória para a exclusão das referidas áreas da tributação pelo ITR, e que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel também seria uma condição indispensável para a exclusão desta da área tributável pelo imposto, sendo que tal averbação teria que ser feita em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto. Consideraram que os demais documentos apresentados não seriam suficientes à comprovação da existência das referidas áreas. Inconformado com tal decisão, o contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 74/90, por meio do qual discorre sobre as áreas passíveis de exclusão da tributação do ITR, tratando dos conceitos das mesmas. Concluiu ter sempre cumprido as determinações legais mencionadas, sendo que a imposição legal de preservação da área referente a 80% do imóvel foi devidamente cumprida e averbada. Em seguida discorre sobre as orientações dadas pela Receita Federal para fins de preenchimento da DIAT, alegando que não há sentido administrativo ou fundamento legal na exigência do ADA como condição para a exclusão de determinadas áreas da tributação pelo ITR. Discorre também sobre o ADA, e as normas a ele relacionadas. Como conclusão, afirma que o simples fato de não ter averbado o TCARL não seria suficiente para lhe impor a penalidade da revisão de sua Declaração. Anexou os documentos de fls. 91/106. Como o Recurso não fora acompanhado do depósito recursal então previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, foi negado seguimento ao mesmo através da decisão de fls. 108. Contra ela, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança, no qual obteve êxito, implicando na revogação da referida decisão, com a remessa dos autos a este Conselho para apreciação do Voluntário interposto. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO Processo nº 10245.001158/200258 Acórdão n.º 210201.509 S2C1T2 Fl. 172 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator Antes de analisar a matéria em discussão nestes autos, há que se analisar se o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte preenche os requisitos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Tal artigo prevê o prazo de 30 dias para a interposição de Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (sem grifos no original) No caso em exame, o Recorrente fora intimado da decisão recorrida em 13.07.2005, quintafeira (cf. AR de fls. 72), razão pela qual o prazo para a apresentação de seu Recurso Voluntário findaria em 12.08.2005, uma sextafeira. No entanto, o recurso foi apresentado somente em 19.08.2005, ou seja, após o término do prazo preclusivo para a sua apresentação. Por outro lado, o art. 42 daquele mesmo Decreto estabelece que: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Assim, o recurso é intempestivo e não pode ser conhecido por este Conselho, tendo a decisão de primeira instância se tornado definitiva, nos termos das normas acima transcritas. Diante do exposto, meu voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso. Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO 4 Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/03/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PA, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRI STIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.909770/2006-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
Ementa COMPENSAÇÃO — RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP — MOMENTO E ONUS DA PROVA
0 ônus da prova, quanto As compensações efetuadas sob a vigência do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, cabe ao contribuinte. DCTF retificadora não é suficiente A comprovação do crédito que alega a Recorrente.
Numero da decisão: 1103-000.531
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Cristiane Silva Costa
1.0 = *:*
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 Ementa COMPENSAÇÃO — RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP — MOMENTO E ONUS DA PROVA 0 ônus da prova, quanto As compensações efetuadas sob a vigência do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, cabe ao contribuinte. DCTF retificadora não é suficiente A comprovação do crédito que alega a Recorrente.
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DCTF retificadora não é suficiente A comprovação do crédito que alega a Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos t os do relatório e voto que integram o presente julgado. Silva - Presidente. CUldLt Cristiane Silva Costa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa e Aloysio José Percinio da Silva (Presidente). i. Relatório DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO E MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Trata-se de processo originado por pedido de restituição e declaração de compensação (PER/DCOMP n° 18422.97248.150503.1.3.04-7101), transmitida em 15 de maio de 2003, apontando crédito de saldo negativo de Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL) no valor de R$ 2.574,83, originado por incorreção em estimativa mensal declarada em DCTF, com pagamento de DAR_F respectiva no valor de R$ 10.029,99, com débito de Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL) no valor de R$ 2.574,83, devido quanto ao mês de fevereiro de 2003, com vencimento em 31 de março de 2003. A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (DERAT) no Rio de Janeiro não homologou a compensação, sob os seguintes fundamentos "A partir das características do DARE discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Sendo intimada quanto a esta decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese: (i) houve recolhimento de CSLL a maior, tendo pago o valor de R$ 10.029,99 (dez mil vinte e nove reais e noventa e nove centavos), em desconformidade com DCTF retificadora e Declaração de Imposto de Renda apresentada, sendo declarado o débito de R$ 7.455,16 (sete mil, quatrocentos e cinqüenta e cinco reais e dezesseis centavos); (ii) a diferença entre tais valores foi utilizada para compensação em PER/DCOMP; (iii) há direito à repetição de indébito, nos termos do artigo 165, I, do CTN e artigo 5 0, caput, e inciso XXII; (iv) alega a violação à Constituição Federal, ainda, por vedação ao confisco, pelo devido processo legal e pela moralidade administrativa. DA DECISÃO DA DRJ A. 5a. Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (R.1), por maioria de votos, manteve a decisão que não homologou a compensação, verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor 2 Processo n° 10768.909770/2006-03 S1-C1T3 Acórdão 1 O 1103-00.531- Fl. 2 pago na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Compensação não Homologada A Recorrente, intimada quanto a este acórdão em 18 de fevereiro de 2009, interpôs recurso voluntário em 20 de mat-go de 2009. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em razões recursais, a Recorrente alega que: (i) não houve pagamento por estimativa a maior, mas erro no preenchimento relativo ao mês de dezembro de 2002 da DCTF originalmente apresentada; (ii) o equivoco de preenchimento foi corretamente tratado pelo voto vencido em julgamento da DR.1, colacionando trechos deste voto; (iii) as DCTFs retificadoras apresentadas pela Recorrente corrigiram o equivoco cometido, (iv) "embora se tenha efetuado o pagamento no valor de R$ 10.029,99 (..), a intenção da ora Recorrente como configurado na DIPJ era recolher apenas R$ 7.455,16"; (v) a Recorrente formulou pedido de restituição após o encerramento do período de apuração da CSLL, ocorrido em 31 de dezembro de 2002„ já tendo se iniciado o novo ano fiscal quando da apresentação de pedido de compensação, em 15.05.2003; (vi) que há direito à restituição de tributos indevidos, conforme artigo 165, I, do CTN. o relatório. 3 Voto Conselheira Cristiane Silva Costa 0 recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. A compensação é forma extintiva do crédito tributário, como prescreve o artigo 156, inciso II, do Código Tributário Nacional. Ademais, prevê o artigo 170, do mesmo Diploma que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir a autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pUblica.". No âmbito federal, considerando os períodos em que efetuadas compensações nestes autos, relevante o artigo 74, da Lei n. 9.430/1996, com redação alterada pela Lei n° 10.637/2002: Art. 74. 0 sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com transito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) lo A compensação de que trata o caput sera efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) sS 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) Com a alteração procedida por meio da Lei n. 10.637/2002, vigente a partir de 10 de outubro de 2002, a compensação de tributos federais passou a ser por meio de declaração de compensação. Desta forma, a apresentação de documentos foi postergada para momento posterior: (a) seja a intimação da DRF para esclarecimentos; (b) seja quando da apresentação de manifestação de inconformidade, caso não ocorrida intimação para esclarecimentos. De qualquer forma, o ônus da prova da existência do crédito cabe ao contribuinte, devendo fazê-lo na primeira oportunidade possível. Se é exigível que o lançamento tributário contenha todos os elementos descritivos da obrigação que pretenda exigir, como prescreve o artigo 142, do CTN, cabendo ao Fisco tal prova; em sentido similar exige-se que o contribuinte comprove os créditos que alega, quando requer a compensação destes créditos. Nesse sentido, é a orientação do antigo Conselho de Contribuintes, em C?‘ acórdão cuja ementa é a seguir reproduzida: 4 Processo n° 10768.909770/2006-03 S1-C1T3 Acórdão n.° 1103-00.531- Fl. 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 1996, 1997, 1998 PRELIMINAR DE AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E MOTIVAÇÃO DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. Não há que se falar em ausência de fundamentação e/ou motivação da decisão administrativa quando esta se revela clara quanto aos motivos do indeferimento do pedido de restituição. Por decorrência não ha que se falar em cerceamento do direito de defesa, bem como na nulidade da decisão combatida. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÕES CORRESPONDENTES. 0 pedido de restituição não realizado de acordo com as exigências legais não deve ser acatado pela autoridade administrativa, mormente quando o contribuinte não anexa ao pedido, dentre outros documentos e/ou informações, planilha demonstrativa do valor reclamado a titulo de crédito. 0 Onus de provar a liquidez e certeza do direito creditó rio pugnado cabe ao contribuinte. Recurso negado. (1° Conselho de Contribuintes, acórdão 102- 49.447, 2° Camara, processo 13804.002458/00-27, recurso voluntário n°154.680, DJ de 17.12.2008) No caso destes autos, discute-se a existência de saldo negativo de Contribuição Social sobre Lucro Liquido (CSLL) no valor de R$ 2.574,83, originado por incorreção em estimativa mensal declarada em DCTF. Segundo a Recorrente, o equivoco foi sanado quando da apresentação de DCTF retificadora. Inexistindo notificação da Recorrente para esclarecimentos, poderia ser provada a existência de credito em manifestação de inconformidade. Verifica-se que foram juntados à manifestação de inconformidade: procuração, documentos sociais, cópia das declarações de compensação, DCTF original e DCTF retificadora. Ocorre que a DCTF retificadora não é suficiente A. comprovação do crédito que alega a Recorrente, cabendo ao contribuinte demonstrar em sua escrituração a regularidade dos valores lançados em DCTF. Em caso similar, decidiu esta 3a Turma Ordinária, em acórdão de relatoria do Conselheiro Presidente Aloysio José Percinio da Silva, nos autos do processo administrativo n° 16327.002125/2003-82. Diante de tais razões, nego provimento ao recurso voluntário. E o meu voto. Sala das Sessões, em 03 de outubro de 2011 CNJ-tko.)..u. Cristiane Silva Costa - Relatora 5
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003760/2003-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DA EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES.
Exercício: 2003
RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se pode conhecer do recurso especial, quando, não obstante o recorrente basear-se na violação à legislação tributária, ataca-se
apenas um dos fundamentos da decisão recorrida.
Numero da decisão: 9101-001.023
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
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Exercício: 2003 RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se pode conhecer do recurso especial, quando, não obstante o recorrente basearse na violação à legislação tributária, atacase apenas um dos fundamentos da decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 96DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13706.003760/200324 Acórdão n.º 9101001.023 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatora Participaram do julgamentos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alberto Pinto Souza Junior, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffmann, Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em contrariedade à legislação tributária. O contribuinte foi excluído do Simples em razão da atividade de produção de filmes e vídeo por ele desenvolvida. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 20/22 dos autos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento indeferiu a solicitação do contribuinte (fls. 40/45). Interpôsse recurso voluntário (fls. 47/49). A antiga Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples. Exercício: 2003 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO. ‘PRODUÇÃO CINEMATOGRÁFICA’ LC 123, de 14/12/06. Nos termos da Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, artigo 17, §1°, inciso XVIII, as vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput daquele artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente a ‘produção cinematográfica’ ou a exerça em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação. Entendeuse pela não caracterização da atividade vedada ao Simples, bem como pela retroatividade da Lei Complementar n° 123/06, com base no artigo 106, inciso II, ‘a”, do CTN. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, com fundamento em contrariedade à legislação tributária, especificamente do artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9317/96, artigos 88 e 89 da Lei Complementar 123/06, artigo 106 do CTN, e artigo 94 dos ADCT.. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13706.003760/200324 Acórdão n.º 9101001.023 CSRFT1 Fl. 3 3 Insurgiuse contra a aplicação retroativa da Lei Complementar, naquilo em que se excluiu do ordenamento a vedação legal ao exercício da atividade desenvolvida pelo contribuinte. Segundo a recorrente: “Notese que no momento da exclusão do SIMPLES, a legislação que se encontrava em vigor era Lei n° 9.317/96, e o desempenho das atividades de promoção de eventos é assemelhada a produtor de espetáculos, portanto impedida de optar pela sistemática do SIMPLES, conforme o art. 9°, inc. XII (...) Observase que a recorrida foi excluída em 07.08.2003, em 26/09/2003 solicitou a revisão de sua exclusão, tanto a época da exclusão como o pedido de revisão vigia a Lei n° 9317/1996. Enquanto, a Lei Complementar do Super Simples foi publicada em 14.12.2006, somente entrando em vigor a partir de 01.07.2007”. Diante disso, postulou pela reforma da decisão recorrida, para que se mantenha a exclusão do contribuinte do Simples. O contribuinte não apresentou contrarazões. Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Não preenche, contudo, os demais requisitos de admissibilidade. De fato, a recorrente baseou o presente recurso especial na violação à legislação tributária, atacando, especificamente, a aplicação retroativa da Lei Complementar n° 123/06. É neste sentido todo o teor das razões recursais. Sucede, entretanto, que a decisão proferida pelo órgão a quo não se restringiu a considerar, como seu fundamento, apenas e tãosomente a incidência retroativa daquela lei. Na verdade, o órgão a quo pautouse, também, na avaliação acerca da caracterização da atividade exercida pelo contribuinte como vedada à opção pelo Simples. Neste sentido, tenhase por presente as seguintes passagens, que se extrai da decisão combatida: “Diante disso, cumprenos analisar o objeto social da ora Recorrente. Eis que, consta do Contrato Social de fls. 09 (Cláusula Quarta), que seu objeto social é: Fl. 98DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13706.003760/200324 Acórdão n.º 9101001.023 CSRFT1 Fl. 4 4 "Produção, distribuição, prestação de serviços, comercialização e, exibição de vídeos e filmes em qualquer suporte, de qualquer gênero, com qualquer duração no território nacional e no exterior, produção de shows e espetáculos, locação de equipamentos, instrumentos e componentes diversos, serviços de montagem e manutenção de estádios e cenários, prestação de serviços de direção, produção e edição, criação de roteiros de vídeo e filmes, produção de CD Room, produção de eventos, consultoria técnica, compra e venda de materiais, comercialização e distribuição de qualquer produto constante na NBMNomenclatura Brasileira de mercadoria, inclusive importar e exportar esses produtos, podendo ainda participar como sócio quotista, acionista de sociedades comerciais, ou civis, nacionais ou estrangeiras."(g.n.) ' Destaquese, ainda, que às fls. 50, consta "Declaração", da própria Recorrente, na qual informa que "as totalidades das receitas auferidas pela empresa decorrem da produção cinematografica” Diante disso, analisouse o que vem a ser prestação de serviços cinematográficos, constatando o que segue: “Nesse ínterim, vale observarmos o seguinte conceito, extraído da enciclopédia ‘Wikipedia’: ‘Produção Cinematográfica. Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Produção de cinema requer muito planejamento e organização. Devese fazer um roteiros (sic) de tudo o que será necessário no set, desde alimentação até os equipamentos de iluminação e maquinaria. Entre os processos necessários para criação de um filme estão: criação do roteiro, storyboards com desenhos de todas as cenas para facilitar na preparação do set, planejamento, equipe técnica, elenco, preparação do set, cenários, captação das imagens internas e externas, filmagem, trilha sonora, edição, pósprodução, promoção e distribuição, além de muitos outros."(g.n.) Vêse, destarte, que o acórdão recorrido não se baseou, tãosomente, na retroatividade da Lei Complementar n° 123/06, para dar provimento ao recurso do contribuinte. O recorrente, contudo, resumiuse a atacar aquele fundamento. Diante disso, ainda que fossem acolhidas as razões trazidas à tona pela recorrente, a decisão recorrida restaria íntegra, sob o fundamento acima transcrito. Não se deve, assim, partir para a análise do mérito do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Neste sentido, a súmula n° 283 do STF: Fl. 99DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13706.003760/200324 Acórdão n.º 9101001.023 CSRFT1 Fl. 5 5 “É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assente em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles”. Diante do exposto, não conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 24 de maio de 2011 (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 100DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 14/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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