Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 37169.002394/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Mar 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
DECADÊNCIA.
0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE.
Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços p
intermédio de cooperativas de trabalho.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
Numero da decisão: 2402-000.699
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Camara / 2ª Turma Ordinária da Segun4a
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) nas preliminares, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento, devido a decadência, todas as contribuições
apuradas nos levantamentos PPC e ACC, pois decadentes por qualquer regra decadencial prevista no CTN a ser aplicada; e excluir as contribuições apuradas anteriormente a 09/2001,
devido ao determinado no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do relator. 0 Conselheiro Rogério de Lellis Pinto acompanhou a votação pelas conclusões. b) em negar provimento aos demais argumentos suscitados nas preliminares, nos termos do voto do relator; e c) no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201003
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços p intermédio de cooperativas de trabalho. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 22 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 37169.002394/2007-11
anomes_publicacao_s : 201003
conteudo_id_s : 5039158
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2402-000.699
nome_arquivo_s : 240200699_37169002394200711_201003.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : MARCELO OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 37169002394200711_5039158.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Camara / 2ª Turma Ordinária da Segun4a Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) nas preliminares, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento, devido a decadência, todas as contribuições apuradas nos levantamentos PPC e ACC, pois decadentes por qualquer regra decadencial prevista no CTN a ser aplicada; e excluir as contribuições apuradas anteriormente a 09/2001, devido ao determinado no § 4º, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do relator. 0 Conselheiro Rogério de Lellis Pinto acompanhou a votação pelas conclusões. b) em negar provimento aos demais argumentos suscitados nas preliminares, nos termos do voto do relator; e c) no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2010
id : 4735463
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:37:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713043849533718528
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-15T12:03:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-15T12:03:14Z; Last-Modified: 2011-08-15T12:03:14Z; dcterms:modified: 2011-08-15T12:03:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:0efa66d0-6866-4fef-b89e-2a0c80f86534; Last-Save-Date: 2011-08-15T12:03:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-15T12:03:14Z; meta:save-date: 2011-08-15T12:03:14Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-15T12:03:14Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-15T12:03:14Z; created: 2011-08-15T12:03:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2011-08-15T12:03:14Z; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-15T12:03:14Z | Conteúdo => S2-C4T2 Fl. 291 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 37169.002394/2007-11 Recurso n° 146.123 Voluntário Acórdão n° 2402-00.699 — 4' Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 22 de março de 2010 Matéria COOPERATIVA DE TRABALHO. DECADÊNCIA. Recorrente MALHARIA BRANDILI LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdencidrias na prestação de serviços p intermédio de cooperativas de trabalho. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. LJ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4a Camara / 2a Turma Ordinária da Segun4a Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) nas preliminares, em dar provimentó parcial ao recurso, para excluir do lançamento, devido a decadência, todas as contribuições apuradas nos levantamentos PPC e ACC, pois decadentes por qualquer regra decadencial prevista no C'TN a ser aplicada; e excluir as contribuições apuradas anteriormente a 09/2001, devido ao determinado no § 40 , Art. 150 do CTN, nos termos do voto do relator. 0 Conselheiro Rogerio de Lellis Pinto acompanhou a votação pelas conclusões. b) em negar provimento aos demais argumentos suscitados nas preliminares, nos teimos do voto do relator; e c) no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. / R 0 OLIV Presidente e Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogerio de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Maria da Glória Faria (Suplente). 2 Processo n° 37169.002394/2007-11 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.699 Fl. 292 Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdencidria (DRP), Florianópolis / SC, fls. 0264 a 0270, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 001. • Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 085 a 087, o lançamento refere-se a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes a contribuição dos segurados, da empresa, a contribuição para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT) e as contribuições devidas aos Terceiros. Ainda segundo o RF, os valores da base de cálculo foram obtidos em documentos da recorrente e os fatos geradores consistem em: Pagamento de abono coletivo de trabalho; Contratação de cooperativa de trabalho; e Pagamento de previdência complementar aos sócios da recorrente. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos no RF e nos demais anexos que o configuram. Em 29/09/2006 foi dada ciência á. recorrente do lançamento, fls. 001. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 089 a 0101, acompanhada de anexos. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. Inconfoii iada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 0275 a 0287, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: A decisão de primeira instancia é nula, pois não analisou todos os argumentos da recorrente em sua impugnação; Na defesa, a recorrente sustentou inconstitucionalidade e ilegalidade de ! várias exigência, a necessidade de prova pericial e a inconstitucionalidade e ilegalidade do uso da Taxa SELIC, sem análise do julgador de primeira instancia, o que cerceia o direito de defesa da recorrente, motivo de nulidade; A negativa de perícia cerceia o direito de defesa da recorrente; Não há clareza, nem precisão, sobre os fundamentos legais da exigência; 3 0 prazo decadencial deve ser o determinado no Código Tributário Nacional (CTN); A exigência de contribuição sobre pagamentos a cooperativa de trabalho é inconstitucional; Não ocorreu fato gerador no pagamento a cooperativa de trabalho; E indevida a utilização da Taxa SELIC; A multa aplicada é inconstitucional; Em face do exposto requer o deferimento e provimento de seus argumentos. Posteriolinente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0290. E o relatório. 4 Processo n°37169.002394/2007-11 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.699 Fl. 293 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Quanto ás preliminares a recorrente alega que há exigências inconstitucionais e ilegais e que a esfera administrativa pode e deve analisar matérias referentes á. constitucionalidade da legislação. Esclarecemos á. recorrente que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuida especificamente ao Poder Judiciário pela Constituição Federal. No Capitulo III, do Titulo IV, da Constituição Federal, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observa-se que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercê-la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF). Permitir que órgãos colegiados administrativos reconheçam a constitucionalidade de normas jurídicas é infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer de vicio de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. 0 professor Hugo de Brito Machado in "Mandado de Segurança em Matéria Tributária", Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: "A conclusão mais consentcinea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerá-la inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tern competência para decidir se uma lei 6, ou não é inconstitucional." Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgão administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poder-se-ia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada noima inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciar-se em sentido inverso. 5 Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) se auto -impôs rega nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (Aproa o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e dó outras proviancias). Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de juloamento do CARP afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidacle. Parágrafo imico. 0 disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Szimula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007 (Art. 73, Portaria Ministerial 256/2009): "0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributdria" Portanto, não há razão no argumento. Em outro argumento, a recorrente afirma que a decisão de primeira instancia é nula, pois não analisou todos os argumentos da recorrente em sua impugnação. Analisando a defesa apresentada, fls. 089 a 0101, e a sua respectiva decisão, fls. 0264 a 0270, verificamos que não ha razão no argumento. Segundo a recorrente a decisão deixou de analisar questões referentes a: inconstitucionalidade e ilegalidade de várias exigências; sobre a necessidade de prova pericial; e a inconstitucionalidade e ilegalidade do uso da Taxa SELIC. Em primeiro lugar cabe esclarecer que, confoline demonstra o requerimento da recorrente, fls. 010, não há na defesa alegações sobre inconstitucionalidades da legislação. 6 Processo n° 37169.002394/2007-11 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.699 Fl. 294 Verificamos que todas as questões questionadas na defesa forma enfrentadas pela decisão, como, por exemplo, a questão da necessidade de perícia. A recorrente pode não concordar com o desfecho de seus questionamentos, mas não há que se falar em falta de análise. Portanto, não há razão no argumento. Em outro ponto da preliminar a recorrente alega que a negativa de perícia cerceia o direito de defesa da recorrente. Esclarecemos à recorrente que seu argumento no pedido de perícia deixou bem claro que se o julgador entendesse necessário (... "caso entenda serem necessárias"...) seria realizada perícia, para yerificar se houve desconto na remuneração dos segurados dos valores pagos à cooperativa de trabalho médico. 0 julgador, na sua análise, fls. 0269, entendeu não serem necessárias perícias e não as realizou, com respaldo na legislação. Decreto 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinara, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Portanto, não há razão no argumento. A recorrente também alega que nap há clareza, nem precisão, sobre os fundamentos legais da exigência. Esclarecemos à recorrente que não há razão em seu argumento. O RF é claro sobre a fonte de dados e sobre os motivos que levaram à considerar os valores pagos como fatos geradores de contribuição previdencidria. Há, também, no RF a informação de que todos os fundamentos da exigência estão elencados no anexo "Fundamentos Legais do Debito (FLD)", fls. 070 a 073. Portanto, foram fornecidas todas as informações para que a recorrente obtivesse conhecimento sobre os fundamentos legais do lançamento, não havendo que se argumentar sobre cerceamento do amplo direito 6. defesa. Por fim, nas preliminares, a recorrente alega que o prazo decadencial deve ser o determinado no Código Tributário Nacional (CTN). 0 Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante n° 8"Sdo inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 7 Confon le previsto no art. 103-A da Constituição Federal, a Sumula de n ° 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá-la. Art. 103-A. 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa terá efeito vinculante ern relação aos demais órgãos do Poder .Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n ° 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4°, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. 0 direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela not ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Esse posicionamento possui amparo em decisões do Poder Judiciário. "Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ...." (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2" Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) "Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4°, e 173, I, do Código Tributário Nacional. 8 Processo n° 37169.002394/2007-11 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.699 Fl. 295 Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial sera de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1 do C7N. ...." (STJ EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. I" Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Sendo vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § I° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores a homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando a extinção total ou parcial do crédito. § 3' - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porem considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, sera ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar se ocorreram recolhimentos parciais nas competências atingidas, e nos lançamentos referentes, pois, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdencidrias. Ocorre que, no caso em questão, o lançamento foi efetuado em 09/2006, data da ciência, e os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1999 a 12/2005. Se a regra quanto ao prazo decadencial for a determinada no Art. 173, as competências até 11/2000, anteriores a 12/2000, estão extintas, assim como a competência 13/2000, pois todas são exigíveis no ano 2000. Esclarecemos que a competência 12/2000 não deve ser excluída porque a exigibilidade das contribuições constantes em fatos geradores que 9 ocorreram nessa competência somente ocorrerá a partir de 01/2001, quando poderia ter sido efetuado o lançamento. Se a regra quanto ao prazo decadencial for a detelluinada no Art. 150, as competências até 08/2001, anteriores a 09/2001, estão extintas. Entre essas duas competências (11/2000 a 09/2001), verificamos no anexo construido pelo Fisco, fls. 004 a 022, que ocorreram alguns recolhimentos em alguns levantamentos, que serão extintos pela rega constante do § 4 0 , Art. 150, do CTN. Portanto, necessitamos verificar em que levantamentos que ainda persistem, entre essas competências, ocorreram recolhimentos, ou não, a fim de utilizar uma regra ou outra: Levantamento ACC — só há contribuições apuradas em competências anteriores a 12/2000, portanto todas as contribuições devem ser excluídas do lançamento, por qualquer regra a ser aplicada, fls. 004; Levantamento CO1 — como demonstra o anexo, há recolhimentos no período entre 12/2000 a 09/2001, portanto aplica-se a rega do § 4 0, Art. 150 do CTN, estando extintas pela decadência as contribuições apuradas anteriormente a competência 09/2001, fls. 004 a 018; Levantamento PPC s6 há contribuições apuradas em competências anteriores a 12/2000, portanto todas as contribuições devem ser excluídas do lançamento, por qualquer regra a ser aplicada, fls. 018 a 022. Por todo o exposto, acato, parcialmente, a preliminar ora examinada, para excluir do lançamento todas as contribuições apuradas nos levantamentos PPC e ACC, pois decadentes por qualquer regra a ser aplicada, e excluir as contribuições apuradas anteriormente a 09/2001, devido ao determinado no § 4 0 , Art. 150 do CTN, conforme o voto. DO MÉRITO Quanto ao mérito, a recorrente alega que não ocorreu fato gerador no pagamento a cooperativa de trabalho. Não há razão no argumento da recorrente. A recorrente consta como tomadora de serviços da cooperativa de trabalho e nessa condição é responsável pelo tributo a ser exigido, como determina a legislação. Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: IV- quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Portanto, fica claro que essa é uma contribuição da empresa, que contratou cooperativa de trabalho para atendimento aos segurados empregados a seu serviço. 1 0 Processo n° 37169.002394/2007-11 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.699 Fl. 296 Por fim, a recorrente alega que é indevida a utilização da Taxa SELIC. Registre-se que a legislação de regência, sobretudo a Lei no 8.212/91, afasta literalmente os argumentos erguidos pela recorrente. De fato, as contribuições sociais arrecadadas estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC - Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Lei n° 8.212/91: Art. 34. As contribuições sociais e outras importáncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 cla Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevcivel. A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 03, nos seguintes termos: SÚMULA N° 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a Unido decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. Nesse contexto, correta a aplicação da taxa SELIC corno juros de mora, com filler° no artigo 34 da Lei n°8.212/91. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos â. conclusão de que o lançamento e a decisão foram lavrados na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que tiveram por base o que determina a Legislação. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para, nas preliminares, excluir lançamento todas as contribuições apuradas nos levantamentos PPC e ACC, pois decade4tes por qualquer regra a ser aplicada, e excluir as contribuições apuradas anteriormente a 09/2001, devido ao deteuninado no § 40 , Art. 150 do C'TN, conforme o voto. Quanto ao mérito, provimento ao recurso, nos termos do voto.—Th de mar96. de 2010 7 iCE OLIVEIRA — Relator A/ Sala das Sess 1 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA li CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA- SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 37169.002394/2007-11 Recurso n°: 146.123 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão no 2402-00.699 Bras de abril de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10140.001144/2003-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. IMPOSSIBILIDADE DE DECRETAÇÃO INCIDENTAL DA INCONSTITUCIONALIDADE NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em linha com o enunciado sumular CARF Nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”.
GARANTIA CONSTITUCIONAL AO SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. PROTEÇÃO A COMUNICAÇÃO DE DADOS E NÃO AOS DADOS EM SI MESMOS. DECISÃO DEFINITIVA DO PRETÓRIO EXCELSO FAVORÁVEL À TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO. VIOLAÇÃO DA INTIMIDADE. INEXISTÊNCIA. MANUTENÇÃO DO SIGILO PELO FISCO.
O Supremo Tribunal Federal, em definitivo, declarou a constitucionalidade da Lei complementar nº 105/2001. Ainda, no tocante ao princípio do art. 5º, X, da Constituição Federal, deve-se lembrar que a Administração Fiscal fica obrigada a manter o sigilo bancário do contribuinte, nos limites do processo
administrativo fiscal, não havendo falar em vulneração da intimidade, já que não há divulgação para terceiros das informações bancárias do fiscalizado.
IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96.
POSSIBILIDADE.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem
dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.
JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.
No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal.
Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos
Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se
ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-000.962
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em
REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. IMPOSSIBILIDADE DE DECRETAÇÃO INCIDENTAL DA INCONSTITUCIONALIDADE NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26-A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em linha com o enunciado sumular CARF Nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. GARANTIA CONSTITUCIONAL AO SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. PROTEÇÃO A COMUNICAÇÃO DE DADOS E NÃO AOS DADOS EM SI MESMOS. DECISÃO DEFINITIVA DO PRETÓRIO EXCELSO FAVORÁVEL À TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO. VIOLAÇÃO DA INTIMIDADE. INEXISTÊNCIA. MANUTENÇÃO DO SIGILO PELO FISCO. O Supremo Tribunal Federal, em definitivo, declarou a constitucionalidade da Lei complementar nº 105/2001. Ainda, no tocante ao princípio do art. 5º, X, da Constituição Federal, deve-se lembrar que a Administração Fiscal fica obrigada a manter o sigilo bancário do contribuinte, nos limites do processo administrativo fiscal, não havendo falar em vulneração da intimidade, já que não há divulgação para terceiros das informações bancárias do fiscalizado. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Recurso negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 10140.001144/2003-93
anomes_publicacao_s : 201012
conteudo_id_s : 4655949
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-000.962
nome_arquivo_s : 210200962_10140001144200393_201012.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
nome_arquivo_pdf_s : 10140001144200393_4655949.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
id : 4737238
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:38:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713043849544204288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2272; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 287 1 286 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10140.001144/200393 Recurso nº 159.384 Voluntário Acórdão nº 210200.962 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de dezembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente ELAINE TEREZINHA DA SILVA NEVES CONGRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1999 CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS. IMPOSSIBILIDADE DE DECRETAÇÃO INCIDENTAL DA INCONSTITUCIONALIDADE NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno, que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, norma regimental que tem sede no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em linha com o enunciado sumular CARF Nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. GARANTIA CONSTITUCIONAL AO SIGILO BANCÁRIO. INEXISTÊNCIA. PROTEÇÃO A COMUNICAÇÃO DE DADOS E NÃO AOS DADOS EM SI MESMOS. DECISÃO DEFINITIVA DO PRETÓRIO EXCELSO FAVORÁVEL À TRANSFERÊNCIA DO SIGILO BANCÁRIO PARA O FISCO. VIOLAÇÃO DA INTIMIDADE. INEXISTÊNCIA. MANUTENÇÃO DO SIGILO PELO FISCO. O Supremo Tribunal Federal, em definitivo, declarou a constitucionalidade da Lei complementar nº 105/2001. Ainda, no tocante ao princípio do art. 5º, X, da Constituição Federal, devese lembrar que a Administração Fiscal fica obrigada a manter o sigilo bancário do contribuinte, nos limites do processo administrativo fiscal, não havendo falar em vulneração da intimidade, já que não há divulgação para terceiros das informações bancárias do fiscalizado. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos Fl. 589DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. JUROS DE MORA. ATUALIZAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. No âmbito dos Conselhos de Contribuintes e agora do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pacífica a utilização da taxa Selic, quer como juros de mora a incidir sobre crédito tributário em atraso, quer para atualizar os indébitos do contribuinte em face da Fazenda Federal. Entendimento em linha com o enunciado da Súmula 1º CC nº 4: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Ainda, com espeque no art. 72, caput e § 4º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), devese ressaltar que os enunciados sumulares dos Conselhos de Contribuintes e do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 25/02/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face da contribuinte Elaine Terezinha da Silva Neves Congro, CPF/MF nº 561.242.52104, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 13/05/2003, auto de infração (fls. 89 a 98), com ciência postal em 15/05/2003 (fl. 99). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: Fl. 590DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10140.001144/200393 Acórdão n.º 210200.962 S2C1T2 Fl. 288 3 IMPOSTO R$ 122.783,32 MULTA DE OFÍCIO R$ 92.087,49 À contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no anocalendário 1998, no montante de R$ 457.593,90, conduta essa apenada com multa de ofício de 75%. Pelo que se apreende dos autos, a presente fiscalização decorreu de ação fiscal levada a efeito em desfavor do cônjuge da aqui fiscalizada, em procedimento fiscal tombado sob nº 10140.000401/200370, este atualmente com julgamento convertido em diligência pela então Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Os extratos bancários auditados da fiscalizada foram assenhoreados pela fiscalização no bojo do procedimento fiscal em desfavor de seu cônjuge, como abaixo se vê (fl. 90): 1) Em atendimento ao termo de início de fiscalização lavrado em 20/12/02 (fl. 04), esta fiscalização recebeu correspondência (fl. 06) na qual o Sr. Rosário Congro Neto, esclarece que os extratos bancários da contribuinte fiscalizada, Elaine Terezinha da Silva Neves Congro, sua mulher, já teriam sido encaminhados juntamente com os seus extratos, uma vez que também ele encontravase sob procedimento fiscal nesta DRF. 2) Em 10/02/03, esta fiscalização recebeu correspondência (fl. 07), na qual a contribuinte reafirma que os extratos bancários da conta nº 40.389X, agência 02089 no Banco do Brasil S/A foram entregues, juntamente com os extratos de seu marido. 3) Os extratos a que se referem o Sr. Rosário e a Sra. Elaine foram efetivamente entregues nesta fiscalização em 13/11/02, tendo sido retidos conforme termo próprio (fl. 60). Os extratos correspondem às seguintes contascorrentes: a) c/c nº 3.0147 no Banco do Brasil S/A, Ag. 208 Três Lagoas/MS, tendo como titulares, no período de 02/01/1998 a 27/02/1998, o SR. ROSARIO CONGRO NETO e a EMPRESA DE RADIODIFUSÃO CAMPOGRANDENSE, cabendo observar, contudo, que o CPF nº 108.436.47191 do SR. ROSÁRIO CONGRO NETO aparece nos citados extratos (fls. 09 a 15) e no período de 02/03/1998 a 31/12/1998, a referida conta tem como titulares o SR. ROSÁRIO CONGRO NETO e a SRA. ELAINE TEREZINHA DA SILVA NEVES CONGRO (fls. 16 a 47). b) c/c nº 40.389X no Banco do Brasil S/A, Ag. 208 Três Lagoas/MS, tendo como titular, no período de 02/01/1998 a 30/04/1998 a EMPRESA DE RADIODIFUSÃO CAMPOGRANDENSE, cabendo observar, porém, que o CPF nº 561.242.52104 da SRA. ELAINE TEREZINHA DA SILVA NEVES CONGRO aparece nos referidos extratos (fls. 48 a 51). No período de 01/05/1998 a 31/12/1998, a referida conta corrente tem como titular, a SRA. ELAINE TEREZINHA DA SILVA NEVES CONGRO (fls. 52 a 59). Fl. 591DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 Intimada a comprovar a origens dos depósitos bancários, a contribuinte asseverou que os créditos bancários pertenciam à Empresa de Radiodifusão Campograndense Ltda, nos termos seguintes (fls. 69 e 70): Cumpre destacar, que os demais documentos referentes a conta n° 30147, da mesma agência do Banco do Brasil em Três Lagoas., já foram encaminhados para apreciação de V.Sª, quando da apresentação de justificativa de origem de valores efetuada por Rosário Congro Neto, meu marido, portador do CPF 108 436 471 91. Destaco ainda, que os valores constantes nestas contas, conforme afirmado anteriormente, decorrem de movimentação bancária da Empresa de Radiodifusão Campograndense Ltda. Lembro ainda, como fôra dito anteriormente, quer na justificativa inicial, bem como na Defesa referente ao Auto de infração de 2402 2003 IRPF . DRF/CC.Grande (MS) Mandado de Procedimento Fiscal nº' 0140100/00192/02 , onde figura como autuado, Rosário Congro Neto, que o Banco do Brasil S/A procedeu, equivocadamente, mudança de nomes de titulares destas contas, conforme está a atestar os extratos juntados. Neste caso, o da conta 40389X, da agência do Banco do Brasil S/A nº 02089 em Três Lagoas, a abertura da conta corrente deuse em nome de Empresa de Radiodifusão Campograndense Ltda. Mas, utilizaram o CPF de Elaine Congro — sócia— gerente da aludida empresa, enquanto deveria utilizar o CNPJ da dita empresa. Assim, também aconteceu em certo período com a conta n°30147. Portanto, está claro que o valores consignados nestas contas correntes, decorrem de cobranças bancárias feitas a Legião da Boa Vontade — LBV, que à época era cliente da Empresa de Radiofusão Campograndense Ltda. Repito, a origem dos valores decorrem de receita desta empresa, que na forma da lei efetuou o pagamento de todos os tributos devidos a Receita Federal a seu tempo Não se trata de omissão de declaração de rendimentos de pessoa jurídica, e nem falta de declaração de origem de recursos financeiros, porquanto as declarações de IR das pessoas físicas Rosário e Elaine, atenderam a determinação legal da. legislação vigente e espelham a realidade de cada um à luz dos princípios tributários. A autoridade fiscalizadora rechaçou a argumentação acima, asseverando que a confusão patrimonial entre a empresa e os sócios implicava em violação do princípio contábil da entidade, que não foi comprovada por declaração do Banco do Brasil qualquer equívoco na titularidade das contas correntes, bem como não se comprovou documentalmente a origem dos depósitos. Com isso, imputouse uma omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada à contribuinte na forma que segue (fl. 91): A. O total dos valores dos meses de jan e fev/98 depositados/creditados na conta nº 3.0147 foram imputados ao SR. ROSÁRIO CONGRO NETO conforme auto de infração, Fl. 592DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10140.001144/200393 Acórdão n.º 210200.962 S2C1T2 Fl. 289 5 lavrado em 24/02/03, constante do processo administrativo nº 10140.000401/200370. B. Tendo em vista que a partir de março/98, a contacorrente nº 3.0147 é mantida em conjunto pelo SR. ROSÁRIO CONGRO NETO e pela SRA.ELAINE TEREZINHA DA SILVA NEVES CONGRO e dado que cada um dos titulares apresentou declaração de rendimentos em separado (fls. 87 e 88) e na forma do disposto no art. 58 da MP 66/02 que acrescentou o § 6º ao art.42 da Lei nº 9.430/96 e art.1º , § 2º da IN SRF nº 246/02, 50% dos valores do período de março/98 a dezembro/98, foram também imputados ao SR. ROSÁRIO CONGRO NETO no mesmo auto de infração constante do processo administrativo nº 10140.000401/200370 e 50% estão sendo imputados à SRA. ELAINE TEREZINHA DA SILVA NEVES CONGRO, no presente auto de infração. C. Não havendo previsão legal para a exclusão dos valores da omissão de rendimentos, as importâncias depositadas/creditadas na conta nº 40.389X estão sendo imputados à SRA. ELAINE TEREZINHA DA SILVA NEVES CONGRO, através do presente auto de infração. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, quando trouxe aos autos as notas fiscais de serviço emitidas pela Empresa de Radiodifusão Campograndense Ltda e sacadas contra a LBV. A 2ª Turma de Julgamento da DRJCampo Grande (MS), por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, em decisão de fls. 193 a 208. A decisão foi consubstanciada no Acórdão n° 0410.137, de 18 de agosto de 2006, que foi assim ementado: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza lançar o imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. Fl. 593DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. A decisão recorrida excluiu da omissão de rendimentos parcela expressiva dos créditos bancários, remanescendo, apenas, uma base de cálculo da infração no montante de R$ 72.126,42. A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 31/08/2006 (fl. 217). Irresignada, interpôs recurso voluntário em 04/10/2006 (fl. 218). Nessa oportunidade, a autoridade preparadora asseverou que recepcionou o recurso voluntário em 04/10/2006 (fl. 214 e 218). Já a contribuinte, em sua peça recursal, registrou que a enviara pelos correios. Não foram juntados aos autos o aviso de recebimento ou o envelope com data da pretensa postagem. No voluntário, a recorrente alegou, em síntese, que: I. o procedimento fiscal violou seu sigilo bancário, protegido pelo art. 5º, X, da Constituição Federal. Ademais, o sigilo bancário somente poderia ser vulnerado por ordem judicial ou autorização legal, o que inexistiu no caso concreto, sendo que, no tocante à autorização legal, jamais a Lei Complementar nº 105/2001 poderia retroagir para alcançar fatos geradores anteriores a sua publicação. Esta preliminar não foi enfrentada pelo julgador a quo, que resolveu se ancorar indevidamente nas nulidades do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, para rebater os argumentos do impugnante, quando é cediço que as nulidades não somente se resumem as duas do artigo acima citado. Agora, somente resta a esse Conselho decretar a nulidade da decisão recorrida ou decidir favoravelmente ao recorrente, já que houve a supressão de instância; II. o ônus tributário imposto à fiscalizada e a seu cônjuge tem caráter confiscatório, já que o valor lançado supera o valor de todo o patrimônio do casal. Essa inconformidade não foi rebatida pelo julgador a quo, que apenas asseverou não lhe competir decisão sobre constitucionalidade ou não de lei. Ora, a recorrente esperava que o julgador enfrentasse a matéria no terreno fático; III. “O art. 42 da Lei nº 9.430/96 não exige a comprovação de cada crédito bancário, mas sim a comprovação da origem dos recursos que possibilitaram os créditos” (fl. 264). Está demonstrado à saciedade nos autos que os recursos pertencem à Empresa de Radiodifusão Campograndense Ltda, estando comprovada a origem dos recursos vergastados. Ainda, a decisão recorrida (fl. 198) manteve uma omissão de rendimentos nos meses de janeiro e fevereiro de 1998, no percentual de 50% dos créditos bancários, em decorrência da fiscalizada manter uma conta corrente em conjunto com a empresa citada. Ora, ficou demonstrado de forma insofismável que tais recursos pertencem à empresa, sendo incabível Fl. 594DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10140.001144/200393 Acórdão n.º 210200.962 S2C1T2 Fl. 290 7 manter tal omissão. Por fim, considerando que a empresa citada não movimentou qualquer outra conta bancária, além daquela imputada à fiscalização, pugna mais uma vez que seja excluída do monte tributável a receita bruta da Empresa de Radiodifusão Campograndense Ltda.; IV. é indevida a incidência de juros de mora sobre tributos à taxa Selic. No final, pediu que fosse decretada a nulidade da decisão recorrida, já que o julgador a quo não enfrentou todos os argumentos do impugnante, ou, sucessivamente, que seja decretada a nulidade do lançamento pelos argumentos acima expendidos. Caso sejam superadas essas preliminares, pugnou para que seja reconhecido que os valores creditados nas contas auditadas pertencem à Empresa de Radiodifusão Campograndense Ltda., que já os contabilizou, declarou e pagou os tributos correspondentes. Ao processar o recurso voluntário acima, a autoridade preparadora asseverou que a contribuinte foi intimada da decisão recorrida em 31/08/2006, e interpôs o recurso voluntário em 04/10/2006, devendo ser observado o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 19, de 26/06/1997. Somente considerando as datas acima, o recurso voluntário teria sido interposto intempestivamente, pois o termo final se exauriu em 02/10/2006, segundafeira. Ocorre que a menção ao Ato Declaratório Normativo Cosit nº 19/1997, feita pela autoridade preparadora, indicava claramente que o recurso havia sido enviado pelos correios e não foi acostado aos autos uma cópia do AR ou do envelope para se saber a data da postagem, condição essencial para declaração da tempestividade, ou não, do recurso. Registrese, ainda, que o próprio recorrente asseverou que havia enviado o recurso pelos correios. Para esclarecer a situação acima, esta Turma recursal resolveu converter o julgamento em diligência, “determinando que a autoridade preparadora se posicione de forma conclusiva sobre a data de interposição do recurso voluntário e, se for o caso, junte o aviso de recebimento ou o envelope em que tenha sido postado o recurso voluntário”. Em cumprimento à diligência, a autoridade preparadora asseverou que as tentativas de localização do aviso de recebimento ou do envelope se mostraram infrutíferas, e, considerando a razoabilidade do prazo de trâmite dos correios, entre a data da postagem informada pelo contribuinte (02/10/2006) e a data de recebimento na DRFCampo Grande (04/10/2006), propôs que fosse considerado como tempestivo a apresentação do recurso, com base no art. 26, § 5º, da Lei nº 9.784/99 (Lei geral do processo administrativo federal, aplicada subsidiariamente ao PAF). É o relatório. Voto Aqui se acata as considerações exaradas pela autoridade preparadora no tocante à tempestividade do recurso, pois restou claro que o contribuinte enviou a peça recursal pelos correios e a Administração não juntou aos autos a cópia do AR ou o envelope, condição que seria imperiosa para definição da data da postagem, esta que deve ser tomada como data da Fl. 595DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 interposição do recurso, na forma do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 19/1997. Assim, não tendo a Administração se desincumbido a contento de suas obrigações, qual seja, juntar aos autos a cópia do AR ou o envelope que trouxe a peça recursal, não pode o recorrente ser penalizado. Ainda, parece crível que a data da postagem de fato ocorreu no dia 02/10/2006, data que consta junto à assinatura do subscritor do recurso (fl. 270), tendo levado dois dias para tramitar dos correios à Administração (04/10/2006), o que implica em reconhecer a tempestividade do recurso. Por tudo, aqui se reconhece a tempestividade do recurso voluntário. De plano não há qualquer nulidade a ser decretada na decisão recorrida, que enfrentou as matérias deduzidas na impugnação. Especificamente no tocante à questão do sigilo fiscal, devese notar que nada impediria da decisão recorrida ter se ancorado nas causas gerais de nulidade do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, para rejeitar a pretensão do impugnante, dentro de uma visão restrita das causas nulidades do processo administrativo fiscal (isso apesar desse Conselheiro relator entender que as causas de nulidade sobejam o artigo citado). O que poderia ser feito seria o recorrente deduzir novamente a irresignação, como de fato ocorreu, para uma nova apreciação nesta instância. Ainda, andou bem a decisão recorrida quando vinculou o pretenso caráter confiscatório do imposto lançado à decretação de inconstitucionalidade da lei tributária aplicada ao caso vertente, registrando a impossibilidade de se acatar a pretensão da impugnante, já que faleceria competência ao julgador administrativo para tanto. Simplesmente não haveria como acatar essa preliminar sem decretar a inconstitucionalidade incidental da lei tributária aplicada à espécie, pois a contribuinte busca confrontar um Princípio Tributário (não confisco) à lei tributária, pugnando o afastamento dessa última. Ora, isso somente se consegue com a declaração incidental da inconstitucionalidade da lei tributária, o que é vedado ao julgador administrativo, como já dito. Aqui, novamente, não há qualquer nulidade na decisão de que se recorre. Aqui, pelas mesmas razões da decisão recorrida, rejeitase a pretensão de fazer valer o Princípio do nãoconfisco para o caso em debate. Voltando à argumentação recursal de que o procedimento fiscal violou o sigilo bancário da autuada, protegido pelo art. 5º, X, da Constituição Federal, o qual somente poderia ser vulnerado por ordem judicial ou autorização legal, o que inexistiu no caso concreto, sendo que, no tocante à autorização legal, jamais a Lei Complementar nº 105/2001 poderia retroagir para alcançar fatos geradores anteriores a sua publicação, cabe algumas considerações adicionais. Especificamente no tocante à utilização de dados da CPMF para iniciar procedimento fiscal em período pretérito a 2001, aqui se deve observar que o procedimento descrito acima da autoridade autuante encontrase em linha com o entendimento da jurisprudência administrativa, a qual se encontra cristalizada na Súmula CARF nº 35, assim vazada: “O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente”. Ainda, devese lembrar que os enunciados sumulares do CARF são de aplicação obrigatória nos julgamentos recursais, na forma do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF – RICARF, o que impossibilita neste julgamento a discussão sobre qualquer impropriedade da aplicação retroativa da Lei nº 10.174/2001. Ademais, devese ressaltar que a higidez da Lei nº 10.174/2001 e também da Lei complementar nº 105/2001 foram chanceladas pelo Poder Judiciário, anotando que a Fl. 596DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10140.001144/200393 Acórdão n.º 210200.962 S2C1T2 Fl. 291 9 primeira permitiu a utilização dos dados da CPMF como indício para iniciar um procedimento fiscal e a segunda autorizou a transferência compulsória do sigilo bancário do contribuinte para o fisco, inclusive para períodos anteriores a 2001. Como exemplo dessa jurisprudência, por todos, vejase a ementa do REsp 792.812, julgado em 13/03/2007, publicado no DJ de 02/04/2007, relator o Ministro Luiz Fux: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. AUTUAÇÃO COM BASE APENAS EM DEMONSTRATIVOS DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA LC 105/01. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA 182/TFR. 1. A LC 105/01 expressamente prevê que o repasse de informações relativas à CPMF pelas instituições financeiras à Delegacia da Receita Federal, na forma do art. 11 e parágrafos da Lei 9.311/96, não constitui quebra de sigilo bancário. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça está assentada no sentido de que: "a exegese do art. 144, § 1º do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6º da Lei Complementar 105/2001 e 1º da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência" e que "inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal" (REsp 685.708/ES, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 20/06/2005). 3. A teor do que dispõe o art. 144, § 1º, do CTN, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, pelo que a LC nº 105/2001, art. 6º, por envergar essa natureza, atinge fatos pretéritos. Assim, por força dessa disposição, é possível que a administração, sem autorização judicial, quebre o sigilo bancário de contribuinte durante período anterior a sua vigência. 4. Tese inversa levaria a criar situações em que a administração tributária, mesmo tendo ciência de possível sonegação fiscal, ficaria impedida de apurála. 5. Deveras, ressoa inadmissível que o ordenamento jurídico crie proteção de tal nível a quem, possivelmente, cometeu infração. 6. Isto porque o sigilo bancário não tem conteúdo absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade pública e privada, este sim, com força de natureza absoluta. Ele deve ceder todas as vezes que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. O sigilo bancário é garantido pela Constituição Federal como direito fundamental Fl. 597DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 para guardar a intimidade das pessoas desde que não sirva para encobrir ilícitos. 7. Outrossim, é cediço que "É possível a aplicação imediata do art. 6º da LC nº 105/2001, porquanto trata de disposição meramente procedimental, sendo certo que, a teor do que dispõe o art. 144, § 1º, do CTN, revelase possível o cruzamento dos dados obtidos com a arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos em face do que dispõe o art. 1º da Lei nº 10.174/2001, que alterou a redação original do art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96" (AgRgREsp 700.789/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 19.12.2005). 8. Precedentes: REsp 701.996/RJ, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 06/03/06; REsp 691.601/SC, 2ª Turma, Min. Eliana Calmon, DJ de 21/11/2005; AgRgREsp 558.633/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ 07/11/05; REsp 628.527/PR, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 03/10/05. 9. Consectariamente, consoante assentado no Parecer do Ministério Público (fls. 272/274): "uma vez verificada a incompatibilidade entre os rendimentos informados na declaração de ajuste anual do ano calendário de 1992 (fls. 67/73) e os valores dos depósitos bancários em questão (fls. 15/30), por inferência lógica se cria uma presunção relativa de omissão de rendimentos, a qual pode ser afastada pela interessada mediante prova em contrário." 10. A súmula 182 do extinto TFR, diante do novel quadro legislativo, tornouse inoperante, sendo certo que, in casu: "houve processo administrativo, no qual a Autora apresentou a sua defesa, a impugnar o lançamento do IR lastreado na sua movimentação bancária, em valores aproximados a 1 milhão e meio de dólares (fls. 43/4). Segundo informe do relatório fiscal (fls. 40), a Autora recebeu numerário do Exterior, em conta CC5 , em cheques nominativos e administrativos, supostamente oriundos de “um amigo estrangeiro residente no Líbano” (fls. 40). Na justificativa do Fisco (fls. 51), que manteve o lançamento, a tributação teve a sua causa eficiente assim descrita, verbis: “Inicialmente, devese chamar a atenção para o fato de que os depósitos bancários em questão estão perfeitamente identificados, conforme cópias dos cheques de fls. 15/30, não havendo qualquer controvérsia a respeito da autenticidade dos mesmos. Além disso, devese observar que o objeto da tributação não são os depósitos bancários em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada por eles." 3. Recurso especial provido. E para sedimentar a jurisprudência dos tribunais acima, devese enfatizar que o Supremo Tribunal Federal, julgando a constitucionalidade da Lei complementar nº 105/2001, em assentada do último dia 24/11/2010, declarou em definitivo a constitucionalidade dessa Lei, como se vê nas notícias divulgadas pela Excelsa Corte (disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=166787. Acesso em 26/11/2010): Cassada liminar contra quebra de sigilo bancário de empresa para consulta da Receita Federal Fl. 598DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10140.001144/200393 Acórdão n.º 210200.962 S2C1T2 Fl. 292 11 Por 6 votos a 4, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) cassou medida liminar concedida na Ação Cautelar (AC) 33,pelo ministro Marco Aurélio (relator), que impedia a quebra de sigilo bancário da GVA Indústria e Comércio S/A pela Receita Federal. A cautelar tinha o objetivo de dar efeito suspensivo ao Recurso Extraordinário (RE 389808) interposto na Corte pela própria empresa. A liminar cassada foi concedida pelo relator da ação, em julho de 2003, no sentido de suspender o fornecimento das informações à Receita e a utilização, também pela Receita, dos dados obtidos antes do julgamento do RE. Ele considerou o preceito do inciso XII, do artigo 5º, da Constituição Federal – da inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas – que somente pode ser quebrado por ordem judicial. O caso A matéria tem origem em comunicado feito pelo Banco Santander à empresa GVA Indústria e Comércio S/A, informando que a Delegacia da Receita Federal do Brasil – com amparo na Lei Complementar nº 105/01– havia determinado àquela instituição financeira, em mandado de procedimento fiscal, a entrega de extratos e demais documentos pertinentes à movimentação bancária da empresa relativamente ao período de 1998 a julho de 2001. O Banco Santander cientificou a empresa que, em virtude de tal mandado, iria fornecer os dados bancários em questão. Julgamento A análise do caso voltou a julgamento pelo Plenário do STF nesta quartafeira (24) com a apresentação do votovista da ministra Ellen Gracie. Ela acompanhou a divergência para negar referendo à liminar. “Tratandose do acesso do Fisco às movimentações bancárias de contribuinte, não há que se falar em vedação da exposição da vida privada ao domínio público, pois isso não ocorre. Os dados ou informações passam da instituição financeira ao Fisco, mantendose o sigilo que os preserva do conhecimento público”, ressaltou. Segundo a ministra, o artigo 198 do Código Tributário Nacional (CTN) veda a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou dos seus servidores, “de qualquer informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros sobre a natureza e estado de seus negócios ou atividades”. Essa proibição se designa sigilo fiscal, explicou a ministra. Para Ellen Gracie, o que acontece não é a quebra de sigilo, mas a transferência de sigilo que passa dos bancos ao Fisco. Assim, a ministra considerou que os dados até então protegidos pelo sigilo bancário prosseguem protegidos, agora, pelo sigilo fiscal. Fl. 599DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 (...) Concluído o julgamento, negaram referendo para a liminar os ministros Joaquim Barbosa, Ayres Britto, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Cármen Lúcia Antunes Rocha e Ellen Gracie. Ficaram vencidos os ministros Marco Aurélio, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello e Cezar Peluso, que votaram pela manutenção da liminar. Por tudo, escorreita a utilização das informações da CPMF como elemento indiciário à constituição do crédito tributário pela fiscalização tributária, como no caso vertente, não havendo qualquer pecha de ilegalidade na utilização retroativa dos poderes trazidos pelas Leis Complementar nº 105/2001 e ordinária nº 10.174/2001. Ainda, insistese, absolutamente aderente com a jurisprudência administrativa a transferência do sigilo bancário com fulcro na Lei Complementar nº 105/2001, como se podem ver nos arestos discriminados abaixo: Nº DO ACÓRDÃO DATA DA SESSÃO COLEGIADO 10517.389 04/02/2009 5ª Câmara do 1º CC 19500.116 10/12/2008 5ª Turma Especial do 1º CC 19500.029 20/10/2008 5ª Turma Especial do 1ºCC 10249.240 10/09/2008 2ª Câmara do 1º CC 10616.999 06/08/2008 6ª Câmara do 1º CC 10616.925 29/05/2008 6ª Câmara do 1º CC Por tudo, hígidas as Leis ordinária nº 10.174/2001 e complementar nº 105/2001, podendo as faculdades por elas estatuídas inclusive serem utilizadas em período pretérito ao anocalendário 2001, como ocorreu no caso vertente. Agora se passa à defesa do item III do relatório (“O art. 42 da Lei nº 9.430/96 não exige a comprovação de cada crédito bancário, mas sim a comprovação da origem dos recursos que possibilitaram os créditos” (fl. 264). Está demonstrado à saciedade nos autos que os recursos pertencem à Empresa de Radiodifusão Campograndense Ltda, estando comprovada a origem dos recursos vergastados. Ainda, a decisão recorrida (fl. 198) manteve uma omissão de rendimentos nos meses de janeiro e fevereiro de 1998, no percentual de 50% dos créditos bancários, em decorrência da fiscalizada manter uma conta corrente em conjunto com a empresa citada. Ora, ficou demonstrado de forma insofismável que tais recursos pertencem à empresa, sendo incabível manter tal omissão. Por fim, considerando que a empresa citada não movimentou qualquer outra conta bancária, além daquela imputada à fiscalização, pugna mais uma vez que seja excluída do monte tributável a receita bruta da Empresa de Radiodifusão Campograndense Ltda). Inicialmente, devese perceber que a decisão recorrida não manteve qualquer omissão de rendimentos nos meses de janeiro e fevereiro de 1998, como se pode ver na tabela de fl. 202. Quanto aos valores que pertenciam à Empresa de Radiodifusão Campograndense Ltda, a decisão recorrida excluiu da omissão de rendimentos (R$ 457.593,90) parcela expressiva dos créditos bancários, vinculada a tal empresa, remanescendo, apenas, uma base de cálculo da infração no montante de R$ 72.126,42, referente à metade da omissão de rendimentos (a outra metade da omissão foi imputada ao cônjuge da fiscalizada), a partir da documentação trazida pela impugnante. Fl. 600DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10140.001144/200393 Acórdão n.º 210200.962 S2C1T2 Fl. 293 13 Parece claro que a contribuinte tinha condições de fazer a prova da origem dos depósitos bancários, como fez com a maioria deles na impugnação, até porque era sócia da Empresa de Radiodifusão Campograndense Ltda, como se vê na fl. 88. Ocorre que a contribuinte ficou repisando que os depósitos eram oriundos da empresa acima, esquecendo que, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96, era ônus da contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários, ou seja, ela deveria ter feito a prova da origem dos depósitos que remanesceram após a decisão recorrida, e não ficar tentando excluir em bloco toda a omissão, pois caberia a ela comprovar individualizadamente os depósitos bancários, na forma do art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Dessa forma, não feita a prova da origem dos depósitos, quando a contribuinte tinha obrigação legal para tal, inclusive notadamente por ser sócia da empresa acima, forçoso manter a omissão de rendimentos apurada na decisão recorrida. Por fim, passase à defesa do item IV do relatório (é indevida a incidência de juros de mora sobre tributos à taxa Selic). A aplicação dos juros de mora, à taxa Selic, é matéria pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, objeto, inclusive, do enunciado Sumular CARF nº 4 (DOU de 22/12/2009): “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. E como já dito, os enunciados sumulares são de aplicação obrigatória nos julgamentos das Turmas do CARF, afastandose a presente defesa. Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Fl. 601DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 25/02/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 11618.000393/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa: DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS. Na ausência de indícios de
irregularidade quanto aos recibos apresentados pelo contribuinte para comprovação das despesas, não se justifica a exigência, por parte do Fisco, da comprovação da efetividade do pagamento ou da prestação dos serviços. Sob tais condições, o recibo é documento hábil e suficiente para comprovar a despesa.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2201-000.923
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS. Na ausência de indícios de irregularidade quanto aos recibos apresentados pelo contribuinte para comprovação das despesas, não se justifica a exigência, por parte do Fisco, da comprovação da efetividade do pagamento ou da prestação dos serviços. Sob tais condições, o recibo é documento hábil e suficiente para comprovar a despesa. Recurso provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 11618.000393/2007-02
anomes_publicacao_s : 201012
conteudo_id_s : 4847526
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-000.923
nome_arquivo_s : 220100923_11618000393200702_201012.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
nome_arquivo_pdf_s : 11618000393200702_4847526.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Rayana Alves de Oliveira França.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
id : 4737471
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:38:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713043849555738624
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-09T20:04:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2223179_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-09T20:04:40Z; Last-Modified: 2010-12-09T20:04:40Z; dcterms:modified: 2010-12-09T20:04:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2223179_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:d73a863f-d832-45ad-9361-73addafa322c; Last-Save-Date: 2010-12-09T20:04:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-09T20:04:40Z; meta:save-date: 2010-12-09T20:04:40Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2223179_0.doc; modified: 2010-12-09T20:04:40Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-09T20:04:40Z; created: 2010-12-09T20:04:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2010-12-09T20:04:40Z; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-12-09T20:04:40Z | Conteúdo => S2-C2T1 Fl. 1 1 S2-C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.000393/2007-02 Recurso nº 514.667 Voluntário Acórdão nº 2201-00923 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 2 de dezembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente BRUNO CESAR AZEVEDO ISÍDRO Recorrida DRJ-RECIFE/PE Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS. Na ausência de indícios de irregularidade quanto aos recibos apresentados pelo contribuinte para comprovação das despesas, não se justifica a exigência, por parte do Fisco, da comprovação da efetividade do pagamento ou da prestação dos serviços. Sob tais condições, o recibo é documento hábil e suficiente para comprovar a despesa. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. Ausência justificada da conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 03/12/2010 Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Gustavo Lian Haddad, Eduardo Tadeu Farah e Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Ausente justificadamente a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatório Fl. 53DF CARF MF Emitido em 07/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 BRUNO CESAR AZEVEDO ISIDRO interpôs recurso voluntário contra acórdão da (fls. 31) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio da notificação de lançamento de fls. 20/22, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF - suplementar, referente ao exercício de 2005, no valor de R$ 3.577,66, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 7.196,81. A infração que ensejou o lançamento está assim descrita na notificação de lançamento: Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa do valor de R$ 6.000,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Enquadramento Legal: Art.8º, inciso II, alínea 'a', e §§ 2º e 3º, da Lei nº 9 250/95;arts.43 a 48 da Instrução Normativa SRF nº 15/2001, arts. 73, 80 e 83, inciso II do Decreto nº 3.000/99 - RIR/99. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Foi aceito apenas o valor referente à UNIMED. Os demais, apesar da entrega de RECIBOS, foram glosados por falta de comprovação do efetivo pagamento, conforme exigido pelo Termo de Intimação Fiscal. Também foi apurada omissão de rendimentos no valor de R$ 7.580,28, conforme descrito na Demonstração de Apuração do Imposto da notificação de lançamento. O Contribuinte concordou expressamente com a autuação quanto à omissão de rendimentos, mas impugnou o lançamento quanto à glosa das despesas médicas. Aduziu, em síntese, que as despesas médicas foram comprovadas com documentos hábeis e idôneos, que as despesas médicas foram regularmente declaradas e que, portanto, o prazo para a sua comprovação deveria ser de 20 e não de 5 dias, conforme intimação; que nenhum dos dispositivos legais citados na intimação o obrigava a comprova a efetividade das despesas; que na DIRPF não há campo para indicar a forma de pagamento; que não lhe foram solicitados esclarecimentos verbais ou escritos, não lhe sendo dada oportunidade de apresentar esclarecimentos adicionais que poderiam elucidar dúvidas decorrentes da revisão da declaração. A DRJ-RECIFE/PE julgou procedente o lançamento, com base nas considerações a seguir resumidas. A DRJ, após ressaltar que o Contribuinte não impugnou a autuação quanto à omissão de rendimentos e afastar a ocorrência de algum vício que pudesse ensejar a nulidade do lançamento, concluiu pela procedência do lançamento quanto ao mérito, sustentando a regularidade do procedimento fiscal quanto à intimação feita ao Contribuinte para comprovar a efetividade do pagamento da despesa a qual, não tendo sido atendida, justifica a glosa. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 28/09/2009 (fls. 40) e, em 27/10/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 42/45, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 07/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 11618.000393/2007-02 Acórdão n.º 2201-00923 S2-C2T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, o lançamento decorre da glosa de valores declarados como despesas médicas. A autoridade lançadora intimou o Contribuinte a comprovar a efetividade dos pagamentos feitos aos prestadores de serviços e, não tendo sido apresentadas tais comprovações, glosou as deduções. Eu tenho me posicionado no sentido de que, em princípio, os recibos são documentos hábeis a comprovas as despesas médicas, mas que, diante de indícios que lancem dúvidas quanto à efetividade dos serviços, á lícito ao Fisco exigir elementos adicionais de prova como a da efetividade dos pagamentos ou da prestação dos serviços. É o que se verifica, por exemplo, nos casos de deduções em valores proporcionalmente elevados em relação à Renda ou em valores elevados em relação ao tipo de serviço. Não é este o caso deste processo, todavia. Aqui o Contribuinte declarou rendimentos tributáveis de mais de R$ 150.000,00 e deduziu despesas médicas totais de pouco mais de R$ 10.000,00 dos quais apenas R$ 6.000,00 foram glosadas. Destes, R$ 3.000,00 referem-se a pagamentos a dentista e outros R$ 3.000,00 a psicólogo, estes últimos pagos em parcelas mensais de R$ 240,00, o que é bastante razoável. Enfim, não identifico neste caso indício que justificasse a cautela adicional e nem a autoridade lançadora apontou onde estariam tais indícos. Nestas condições, penso que o recibo é documento hábil e suficiente para comprovar a despesa e que, para infirmar essa prova, caberia ao Fisco realizar as diligência necessárias à comprovação de eventual infração e não apenas intimar o autuado a apresentar provas adicionais. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 55DF CARF MF Emitido em 07/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Processo nº: 11618.000393/2007-02 Recurso nº : 514.667 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201-00923. Brasília/DF, 03/12/2010. Assinatura digital FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 56DF CARF MF Emitido em 07/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 09/12/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002661/2004-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES.
Para o reconhecimento da isenção do IRPF, a doença grave deve ser
comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e os rendimentos devem ser de aposentadoria, reforma ou pensão.
Numero da decisão: 2102-000.985
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES. Para o reconhecimento da isenção do IRPF, a doença grave deve ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e os rendimentos devem ser de aposentadoria, reforma ou pensão.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 13804.002661/2004-06
anomes_publicacao_s : 201012
conteudo_id_s : 4779792
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-000.985
nome_arquivo_s : 210200985_13804002661200406_201012.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : NUBIA MATOS MOURA
nome_arquivo_pdf_s : 13804002661200406_4779792.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
id : 4737257
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:38:08 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713043849557835776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1346; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 49 1 48 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13804.002661/200406 Recurso nº 178.931 Voluntário Acórdão nº 210200.985 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2010 Matéria IRPF Pedido de restituição Moléstia grave Recorrente SEBASTIÃO OGERCIO DE CARVALHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. CONDIÇÕES. Para o reconhecimento da isenção do IRPF, a doença grave deve ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e os rendimentos devem ser de aposentadoria, reforma ou pensão. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 03/03/2011 Fl. 58DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13804.002661/200406 Acórdão n.º 210200.985 S2C1T2 Fl. 50 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Relatório SEBASTIÃO OGERCIO DE CARVALHO requer, petição, fls. 01/02, restituição de imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos recebidos no ano calendário 2002, exercício 2003. No pedido o contribuinte esclarece que é portador de moléstia grave. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo indeferiu a solicitação do contribuinte, Despacho Decisório, fls. 17/20, em razão de o contribuinte não ter comprovado a natureza dos rendimentos e também porque o laudo médico apresentado não foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Inconformada com a decisão a viúva do contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 24, esclarecendo que seu esposo veio a falecer em 13/04/2006 e solicita a restituição do valor reclamado. A DRJ São Paulo II ratificou a decisão da autoridade a quo, pautando suas razões de decidir na falta de laudo médico emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Cientificada da decisão de primeira instância em 18/12/2008, fls. 42, a representante do contribuinte apresentou, em 19/01/2009, recurso, fls. 45, no qual reitera as mesmas alegações e argumentos da manifestação de inconformidade, acrescentado que o laudo oficial pedido estava sendo providenciado dentro de 15 dias úteis. É o Relatório. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13804.002661/200406 Acórdão n.º 210200.985 S2C1T2 Fl. 51 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos recebidos no anocalendário 2002, exercício 2003. De pronto, vale destacar que, conforme Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2003, fls. 05/08, verificase que o contribuinte recebeu rendimentos do Instituto Nacional do Seguro Social e Anhembi Turismo e Ev. da Cidade de São Paulo, nos valores de R$ 9.271,80 e R$ 6.979,88, respectivamente. O imposto de renda retido na fonte foi de R$ 438,54 e R$ 1.496,38, respectivamente, totalizando R$ 1.934,92. Na DAA foi apurado saldo de imposto a restituir, no valor de R$ 1.889,12, que foi devidamente restituído, conforme extrato, fls. 38. Como se vê, o pedido ora analisado se refere tãosomente à diferença de R$ 45,80 (R$ 1.934,92 – R$ 1.889,12) e o imposto retido sobre o 13º salário. Pois muito bem. Como se sabe são isentos os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão recebidos por portadores de moléstias grave, conforme previsto no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. Para o reconhecimento da isenção, a doença deve ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios e os rendimentos devem ser de aposentadoria, reforma ou pensão. No presente caso, os relatórios apresentados, fls. 4 e 47, foram emitidos por médico do Hospital do Câncer A C Camargo. No recurso, a representante do contribuinte solicitou prazo de 15 dias úteis para fornecer o laudo médico oficial, entretanto, até a presente data, transcorridos quase dois anos da data da apresentação do recurso, o laudo não foi juntado aos autos. E mais, não restou comprovado nos autos a natureza dos rendimentos recebidos de Anhembi Turismo e Ev. da Cidade de São Paulo. Nessa conformidade, não há como reconhecer a isenção pretendida pelo contribuinte. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 60DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO Processo nº 13804.002661/200406 Acórdão n.º 210200.985 S2C1T2 Fl. 52 4 Fl. 61DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA Assinado digitalmente em 03/03/2011 por NUBIA MATOS MOURA, 09/03/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES C AMPO
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001043/2007-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/07/2006
Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CIÊNCIA A TODOS OS
SOLIDÁRIOS – INOCORRÊNCIA –
Em respeito ao contraditório e à ampla defesa, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverão ser remetidos a todos os responsáveis solidários pelo pagamento do crédito.
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do Acórdão de primeira instância administrativa para a correta formalização do lançamento.
Decisão Recorrida Nula
Numero da decisão: 2301-001.748
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 30/07/2006 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CIÊNCIA A TODOS OS SOLIDÁRIOS – INOCORRÊNCIA – Em respeito ao contraditório e à ampla defesa, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverão ser remetidos a todos os responsáveis solidários pelo pagamento do crédito. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do Acórdão de primeira instância administrativa para a correta formalização do lançamento. Decisão Recorrida Nula
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 13116.001043/2007-31
anomes_publicacao_s : 201012
conteudo_id_s : 4874600
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-001.748
nome_arquivo_s : 230101748_13116001043200731_201012.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 13116001043200731_4874600.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância
dt_sessao_tdt : Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
id : 4737710
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:38:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713043849558884352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1785; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.001043/200731 Recurso nº 257.693 Voluntário Acórdão nº 230101.748 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2010 Matéria AGROINDÚSTRIA OU PRODUTOR RURAL Recorrente BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2004 a 30/07/2006 Ementa: RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CIÊNCIA A TODOS OS SOLIDÁRIOS – INOCORRÊNCIA – Em respeito ao contraditório e à ampla defesa, cópia do documento de constituição do crédito previdenciário e anexos deverão ser remetidos a todos os responsáveis solidários pelo pagamento do crédito. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do Acórdão de primeira instância administrativa para a correta formalização do lançamento. Decisão Recorrida Nula Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Edgar Silva Vidal. Fl. 658DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 2 Relatório Tratase de recurso interposto contra a DecisãoNotificação que julgou procedente o débito lançado contra a empresa acima identificada. O crédito previdenciário lançado por intermédio da NFLD se refere a contribuições devidas à Seguridade Social pelo produtor rural, pessoa física, incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT. Segundo Relatório Fiscal (fls. 23 a 26), a notificada, pessoa jurídica, adquiriu produção rural de pessoas físicas, ficando, portanto, subrogada nas obrigações de tais produtores, mas não efetuou os recolhimentos das contribuições por eles devidas em decorrência da comercialização de suas produções. A autoridade notificante informa que, nas notas fiscais analisadas, não se constatou a retenção das contribuições previdenciárias, e que o não atendimento da legislação quanto a obrigação principal e acessória ensejou a apuração dos créditos previdenciários em questão e a emissão da Representação Fiscal para Fins Penais — RFFP, com comunicação à autoridade competente, tendo em vista em tese, a pratica por parte do contribuinte do crime de sonegação fiscal. Por meio do Relatório de Grupo Econômico (fls. 32 a 34) a autoridade autuante expõe os motivos pelos quais entende que restou configurado a existência de grupo econômico de fato entre a BV Comércio de Carnes e as demais empresas ali arroladas, e discorre sobre o conceito de grupo econômico e sobre o histórico das empresas integrantes, relatando suas atividades e relacionando os documentos que serviram de prova, concluindo pela existência da solidariedade entre as componentes do grupo. A empresa notificada BV Comércio de Carnes Ltda impugnou o débito e a e a solidária Tangara Empreendimentos Ltda, cientificada do lançamento, impugnou apenas o TAB, constante do MPF. A outra empresa solidária, Boa Vista Alimentos Ltda, apesar de cientificada pessoalmente da NFLD, não apresentou defesa. Por meio da DecisãoNotificação nº 08.401.4/0018/2007 (fls. 475), a Secretaria da Receita Previdenciária – SRP julgou o lançamento procedente, e a empresa notificada, BV Comércio de Carnes Ltda, regulamente cientificada da DN, não apresentou recurso. Inconformadas com a decisão da extinta SRP, as empresas solidárias, Boa Vista Alimentos Ltda e Tangara Empreendimentos Ltda, integrantes do grupo econômico de fato segundo a fiscalização, apresentaram tempestivos semelhantes alegando, em síntese, o que se segue. O recurso apresentado pela Boa Vista Alimentos (fls 503 a 518) traz, inicialmente, uma síntese da autuação e alegam, preliminarmente, nulidade da NFLD por cerceamento de defesa, afirmando que o contribuinte não foi regularmente intimado, e Fl. 659DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 13116.001043/200731 Acórdão n.º 230101.748 S2C3T1 Fl. 2 3 entendendo, da mesma forma que a notificada, que o contador não é preposto e nem representa legalmente a empresa. Assevera que não prospera o fundamento da decisão recorrida quanto a equiparação do contador ao preposto, pois o simples fato de responsabilizarse pela escrituração da empresa não tem o condão de estender ao contador a responsabilidade e os poderes para receber intimações de procedimento fiscal. Destaca que houve afronta aos artigos 4°da Portaria MPS/SRP 3.031/2005 e art. 23 do Decreto 70.235/72 (este com a redação que lhe conferiu art. 67 da Lei 9532/97) no presente feito, caracterizandose, assim, a nulidade derivada dos atos que lhe sucederam à ação fiscalizatória, em obediência ao principio da legalidade, o qual rege a atividade administrativo fiscal. Sustenta que houve um equivoco na decisão recorrida ao entender que a Ordem de Serviço n°. 20/91 foi tacitamente revogada pela instrução normativa INSS/DC n° 100, pois, conforme seu art. 791, essa IN não revoga a referida OS que trata do TIAF. Defende que a ausência do TIAF implica inequívoca nulidade do procedimento realizado, inclusive do Lançamento de Débito que dele resultou. Ressalta que a inobservância do comando inserido no art. 70, III, da Portaria 3.301/2005 gera, inequivocamente, a nulidade do procedimento fiscal por cerceamento de defesa ao contribuinte sujeito à fiscalização e que, no MPF em análise não foi indicado o tributo objeto do procedimento fiscal, o qual foi registrado, pela primeira vez, somente no relatório da infração, e isso, já no término da fiscalização. No mérito, alega inconstitucionalidade do tributo devido, inexistência do grupo econômico descrito no relatório fiscal e da solidariedade natural. Em seu recurso (fls. 603 a 621), a empresa Tangara Empreendimentos Ltda alega, inicialmente, que apesar de não ter impugnado o débito e de a decisão registrar que a empresa foi intimada da autuação, isso jamais ocorreu, observando que a administração sponte sue extraiu cópia de intimação da Recorrente em outro feito e o fez juntar nos presentes autos, e o pior, afirmou que a Tangará recebera intimação "pessoal" e em seu estabelecimento. Argumenta que a falta de intimação evidencia o cerceamento do direito de defesa e requer que seja reconhecida a nulidade processual ora argüida, a fim de anular o presente feito, para assegurar o exercício pleno e irrestrito do contraditório e ampla defesa pela Recorrente. Em preliminar, transcreve os termos da defesa apresentada pela Autuada, BV Comércio de Carnes Ltda, constante de fls.298/306 dos autos, ratificandoa quanto à prejudicial de nulidade de por ausência de Intimação no MPF. Informa que coaduna com o entendimento de que contador não é preposto e nem representa legalmente a empresa, devendo o processo ser anulado, tendo em vista que o contribuinte não foi regularmente intimado, registrando que não há no novo Código Civil, qualquer disposição no sentido de que o contador responde pelas empresas para as quais presta serviços, até porque, se assim o fosse, não haveria mais a necessidade de representação legal Fl. 660DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 4 para as pessoas jurídicas, já que estas passariam a ser representadas por qualquer prestador de serviços que lhes atendesse. Continua repetindo os argumentos trazidos no recurso da empresa Boa Vista, cuja síntese já se encontra exposta acima. É o relatório. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 13116.001043/200731 Acórdão n.º 230101.748 S2C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Os recursos apresentados são intempestivos e não há óbice para os seus conhecimentos. Cumpre esclarecer que a empresa notificada não apresentou recurso, e as responsáveis solidárias, integrantes do grupo econômico de fato, apresentaram recursos semelhantes, motivo pelos quais serão analisados de forma conjunta. Verificase, da análise dos autos, que as empresas solidárias que apresentaram recursos não impugnaram o débito. Alegam que não foram regularmente cientificadas da NFLD, e defendem que o contador não é preposto e nem representa legalmente a empresa. De fato, não restou demonstrado, nos autos, que as empresas responsáveis solidárias foram regularmente intimadas da NFLD por meio de qualquer um de seus representantes legais, e por quaisquer dos meios previstos no Decreto nº 70.235/72 ou demais normativos legais que regem a matéria. O art. 23, do referido Decreto, com a redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997 dispõe que: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; () E a IN 03/2005, vigente à época da lavratura da NFLD, estabelece que: Art. 662. O sujeito passivo será cientificado da NFLD e do AI da seguinte forma: I pessoalmente, após a lavratura da NFLD ou do AI, comprovandose o recebimento mediante a assinatura do representante legal ou do mandatário; Consta apenas os Despacho de fl. 334 e 474 por meio dos quais a SRP cientifica as empresa Tangará e Boa Vista que foi constituído, na BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA, algumas NFLDs e AIs, cujas 2as vias dos documentos constitutivos dos créditos e os relatórios e elementos que vinculam a empresa ao grupo econômico foram entregues ao sócio gerente, Vinicius Rodrigo de Lima Vaz, da BV COM. DE CARNES. Os referidos despachos ostentam assinaturas sem que seja possível identificar como sendo dos representantes legais ou prepostos/mandatários das empresas interessadas. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES 6 A empresa TANGARÁ, em sua defesa (fl. 342), alega que nunca foi intimada da NFLD. Porém, a Decisão recorrida, no item 16 (fl. 487) afasta esse argumento entendendo que o documento de fl. 331, posteriormente renumerado para fl. 334, desmente a recorrente, conforme assinatura contida no referido documento. Contudo o documento citado não demonstra que as empresas solidárias, responsáveis solidárias pelo débito, tenham sido intimadas da NFLD nos termos do art. 23, do Decreto 70.235. Em que pese a autoridade lançadora entender que as empresas componentes do grupo econômico estariam sendo cientificadas da lavratura das Notificações Fiscais de Lançamentos de Débitos — NELD's e dos AutosdeInfração – Al, constatase, no presente caso, que as cópias da NFLD e de seus anexos não foram encaminhadas aos demais sujeitos passivos da obrigação tributária, responsáveis solidários, contrariando os normativos legais que regem a matéria e ferindo os princípios do contraditório e da ampla defesa. A IN 03/2005 estabelece, em seu art. 749 que: Art. 749 Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. § 1º Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. § 2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. Daí a necessidade de se encaminhar a NFLD aos demais responsáveis solidários. Entendo que a inobservância desse cuidado vicia o procedimento em razão da flagrante violação aos Princípios do Devido Processo Legal, da Ampla Defesa e do Contraditório. E a viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do Acórdão de primeira instância administrativa para a correta formalização do lançamento. O Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina, no art. 59, inciso II, que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Portanto, entendo que a nulidade do Acórdão de primeira instância administrativa merece ser decretada, afim de que se possa oferecer oportunidade às demais empresas, responsáveis solidárias pelo débito, nos termos do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, de se Fl. 663DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES Processo nº 13116.001043/200731 Acórdão n.º 230101.748 S2C3T1 Fl. 4 7 manifestarem a respeito do lançamento, antes de qualquer decisão do Órgão a respeito do lançamento. Nesse sentido e, Considerando tudo mais que dos autos consta, VOTO por CONHECER DO RECURSO e ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO para que os demais contribuinte, responsáveis solidários pelo débito, sejam intimados a se manifestar em relação ao lançamento fiscal. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 664DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 05 /12/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 07/02/2012 por JULIO CESAR VIEIR A GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15165.000308/2007-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 11/07/2006, 30/08/2006
PEREMPÇÃO.
Não sendo recorrida a exigência no prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarada a perempção, não se conhecendo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-00.813
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em no conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Ricardo Rosa
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 11/07/2006, 30/08/2006 PEREMPÇÃO. Não sendo recorrida a exigência no prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarada a perempção, não se conhecendo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Não Conhecido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 15165.000308/2007-24
anomes_publicacao_s : 201010
conteudo_id_s : 4781724
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 21 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3102-00.813
nome_arquivo_s : 310100813_15165000308200724_201010.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Ricardo Rosa
nome_arquivo_pdf_s : 15165000308200724_4781724.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em no conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
id : 4736621
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:37:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713043849567272960
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-30T12:57:43Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 13; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-30T12:57:43Z; Last-Modified: 2011-08-30T12:57:43Z; dcterms:modified: 2011-08-30T12:57:43Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:ce2a98d2-2aa9-4d66-a66f-2691735025eb; Last-Save-Date: 2011-08-30T12:57:43Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-30T12:57:43Z; meta:save-date: 2011-08-30T12:57:43Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-30T12:57:43Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-30T12:57:43Z; created: 2011-08-30T12:57:43Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2011-08-30T12:57:43Z; pdf:charsPerPage: 1814; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-30T12:57:43Z | Conteúdo => DF CA 1:1 s3-CITI E 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 15165.000308/2007-24 Recurso n° 503.934 Voluntário Acórdão n° 3101-00.813 — P Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 28 de outubro de 2010 Matéria Auto de Infração - II Recorrente OVD IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA LIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 11/07/2006, 30/08/2006 PEREMPÇÃO. Não sendo recorrida a exigência no prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarada a perempção, não se conhecendo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em no conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente Ricardo Rosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo de Guerra e Castro, Ricardo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Leonardo Mussi e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o processo dos Autos de Infração de fls. 01 a 23, lavrados, com vista a salvaguardar os interesses da Fazenda Federal, contra a contribuinte acima identificada para formalizar a exigência da diferença de Imposto de Importação, oobrC yrIviuto% psiustilaiwose tinwai9 importação, Cofins- Ac,:::inado digilalidento ern 0 t/12/2010 por LUltriNV.,%Lu A tz. . di/ u p RI A AU 0 ROSA Auienucado digitolin;:nle ern 07 1 12/2010 por RICARDO PAULO ROSA 1 Ernilido er 50112 1 2010 polo Mrnistdfid da Fazedcla DI: CA RI' IVIF Fl. 2 Processo n' 15165,000308/2007-24 S3 -C UI AcdrclAo o 0 3101-00.813 Fl 2 Importação e Pis-Pasep-Importação, todos acrescidos de juros de mora e multa de oficio no percentual de 150%, além da multa do Controle Administrativo de que trata o artigo 88, § único, da MP n° 2.158-35 (art. 633, I, do RAI2002), totalizando um crédito tributário de R$ 21.713,18. O lançamento em epígrafe decorreu da no aceitação, no curso do despacho aduaneiro, do valor de transação atribuído pela importadora para as mercadorias internadas por meio da Dl n°06/0807356-8, registrada em 11.07 2006 (fls. 24 a 28) uma vez que o valor declarado foi de US$ 0.711Kg, enquanto que a Coordenação- Geral do Sistema Aduaneiro da Secretaria da Receita Federal (COANA-SRF), após estudo realizado com fundamento no custo de produção de idênticas mercadorias (cabos de aço), entendeu ser impraticável sua comercializaçâo por preço inferior a US$ 0 .791Kg (Hs, 42/43). A autoridade lançador a informa que antes da lavratura dos autos de infração, tentou a cobrança informal do respectivo crédito tributário (fls. 44), mas que a importadora, por no concordar com o seu recolhimento, em 14.08,2006, impetrou junto ao Juizo da 5' Vara Federal de Curitiba, Mandado de Segurança, com pedido de Liminar (processo n°2006.70.00.021129-5). Em 22.08.2006, referido o Juízo se manifestou, decidindo pela imediata liberação da mercadoria objeto da DI em causa, desde que a impetrante providenciasse o depósito judicial do montante integral dos tributos exigidos (fls. 47/48). Em 30.08.2006 uma vez demonstrado que a interessada realizou referido depósito (fls. 49), a mercadoria foi entregue a impetrante (fls. 51). Cientificada da autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls, 68 a 83, acompanhada dos documentos de fls. 84 a 96 097 a 115, argüindo, em apertada síntese, o que segue: - os documentos instrutivos da despacho aduaneiro processado por meie da declaração de importação em causa, são íntegros e perfeitos, incapazes de ensejar quaisquer indícios de fraude ou outra ilicitude, reconhecidos como autênticos inclusive pelo Conselho Chines para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT - China Council for lire Pt °motion of Ituernational Trade), órgão internacionalmente conhecido e respeitado, criado pela China para coibir práticas abusivas de comércio internacional; protocolou na repartição aduaneira competente, em 21,07.2006, documentação complementar demonstrando os detalhes das tratativas havidas com os exportadores, comprovando a adequação e veracidade do valor de transação declarado e sobre o qual incidiram os tributos pertinentes; - mesmo diante da ausência de estudo prévio constante nos sistemas da SRF que evidenciasse a inadequação dos preps praticados pela autuada, a fiscalização manteve apreendidas as respectivas mercadorias, em afronta aos disposto no caput do art. 37 da CF/88 e no inciso VI do § único do art. 2° da Lei n°9.784/99; - a apreensão das referidas mercadorias e a fixação arbitraria de um preço mínimo e fictício contraria expressa disposição do AVA/GATT, bem como aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; - o AVA, recepcionado com força de lei no Brasil pelo Decreto n° 1.355/94, prevê categoricamente os métodos para a aferição do valor aduaneiro de mercadorias importadas, sendo taxativa sua ordem seqUencial; Assinado digita mente ern 01/12/2010 per LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO. 0711212010 pot RICARDO PAULO ROSA kulenticado dig ta1mente ern 07/1212010 per RICARDO PAULO ROSA 2 Emitido em 30/12/2010 pale Mleist6/10 do Fearerder OF CAR F MP- F1. 3 Processo n' 15165.000308/2007-24 S3-C I TI Ac6rd3e n°3101-0..813 Fl 3 - a pretensão fiscal no sentido de exigir tributos e multas foi fundamentada em simples planilha, que além de se encontrar desprovida de qualquer formalidade legal, no se amolda a nenhum dos métodos de valoração aduaneira descrito no AVA; - pelo fato de o arbitramento de valores ser vedado pelo Decreto n° 1.355194, percebe-se a clara ilegalidade da imposição em trato, sobretudo porque se verificou a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas em lei que autorizasse a desconsideração do 1° método de valoração aduaneira, e to pouco que elidisse a boa-fé da importadora, a qual foi somente presumida; - o art. 88 da M1' n°2.158-35/01 prevê que somente no caso de fraude ou pratica ilícita é que se pode desconsiderar o valor de transação da mercadoria, nao sendo o caso, uma vez que a fiscalizaçao em nenhum momento suscitou a pratica de tais condutas ilícitas por parte da impugnante; - resta cabalmente demonstrada a ilegalidade na autuação, uma vez que a fiscalização arbitrou ao acaso o valor da mercadoria importada . Em face do exposto, requer a nulidade da autuação, com o conseqtlente reconhecimento da improcedência dos lançamentos referentes ao crédito tributário ora litigado, cancelando-se, por conseguinte, os autos de infraçao em exame. Ressalte-se, que o Termo de Apensação de fls. 56, informa que por conta do disposto no art, 3 0 da Portaria SRI n° 326, de 15.03.2005, foi apensado aos autos deste processo, o de n° 15165.000307/2006-80, que trata da formalização da Representação Fiscal Para Fins Penais Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO; PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/07/2006, 30/08/2006 RENI:TNCIA A INSTANCIA ADMINISTRATIVA. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. EFEITOS. Em face da opção da interessada em discutir na esfera judicial a mesma matéria objeto dos autos de infração, renunciando As instancias administrativas, 6 de se declarar a definitividade da exigência, prevalecendo a decisão final da justiça, tendo em vista o preceito contido no principio constitucional da unidade de jurisdição. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Rosa, Relator. Asi,qnacto digitalmerite er» 07112/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO. 02112/2010 por RICARDO PAULO ROSA Autenticedr, digitalmente em 071 12/20Ig por RICARDO) PAULO ROSA 3 Emitido em 30/12/2010 polo Mniotiioda F nrencla DP CAR 1\4 Fl 4 Processo n° 15165.00030812007-24 AcOrdilo n°3191-00.813 S3-C1 T1 F14 Tal como se depreende das informações contidas no processo, a contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 21 de junho de 2007. Após lavrado Termo de Perempção e dado ciência da Carta Cobrança, a empresa apresenta protesto dirigido ao Serviço de Controle de Acompanhamento Tributário da Inspetoria da Receita Federal em Curitiba, insurgindo-se contra a cobrança dos valores do auto de infração. Em despacho lavrado em 01 de junho de 2009, a servidora responsável do Serviço de Controle de Acompanhamento Tributário considerou que a petição deveria ser reconhecida como recurso voluntário apresentado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. OcOrre que, conforme consta a. folha 154 do processo, esta petição foi assinada no dia 28 de setembro de 2007, tendo sido recebida na mesma data pela Servidora Tara Cristina Rudiger Dias e não no dia 28 de fevereiro de 2007 como entendeu o Serviço de Controle de Acompanhamento Tributário da Inspetoria da Receita Federal em Curitiba, até porque, nesta última data, se quer o Auto de Infração havia sido lavrado. Nestes termos, considerando que entre a data da ciência da decisão de primeira instância e a data de apresentação do Recurso Voluntário transcorreram mais do que três meses, VOTO PORN -A0 CONHECER do recurso voluntário apresentado pela recorrente e declarar a perempção. Sala das Sessões, em 28 de outubro de 2010. Ricardo Rosa Assinado dicrtalmente erro 07/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO. 07/1212010 por RICARDO PAULO ROSA AutentIcado áigitr1IIflCrItO em 07 11212010 por RICARDO PAULO ROSA Emitido em 30212010 pelo Ministério da Fazenda
score : 1.0
Numero do processo: 13971.003117/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2002 a 31/08/2007
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO
NOTIFICAÇÃO
FISCAL DE
LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO
DE SEGURADOS
EMPREGADOS DESCONTADA E NÃO RECOLHIDA INTERPOSIÇÃO
DE RECURSO FORA DO PRAZO LEGAL NÃO
CONHECIMENTO
O art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo
Decreto n ° 3.048/1999 assim descreve: “Das decisões do Instituto Nacional
do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos
contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de
Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no
Regimento daquele Conselho.
É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento
de contrarazões,
contados da ciência da decisão e da interposição do recurso,
respectivamente.”
O art. 21 do Regimento Interno do extinto Conselho de Contribuintes dispõe
acerca da competência para julgamento dos processos do âmbito
previdenciário: “Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar
recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre a
aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte
distribuição: II às Quinta e Sexta Câmaras, os relativos às contribuições
sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da
Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de
substituição e contribuições devidas a terceiros.”
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-001.660
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos não
conhecer do recurso
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 31/08/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS DESCONTADA E NÃO RECOLHIDA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO FORA DO PRAZO LEGAL NÃO CONHECIMENTO O art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 assim descreve: “Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente.” O art. 21 do Regimento Interno do extinto Conselho de Contribuintes dispõe acerca da competência para julgamento dos processos do âmbito previdenciário: “Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: II às Quinta e Sexta Câmaras, os relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e contribuições devidas a terceiros.” Recurso Voluntário não Conhecido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13971.003117/2007-94
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 4709579
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 05 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-001.660
nome_arquivo_s : 2401001660_13971003117200794_201102.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13971003117200794_4709579.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso
dt_sessao_tdt : Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
id : 4738590
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:38:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713043849586147328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2212; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 128 1 127 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.003117/200794 Recurso nº 155.504 Voluntário Acórdão nº 240101.660 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2011 Matéria APROPRIAÇÃO INDÉBITA Recorrente LOTHUS EXPORT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2002 a 31/08/2007 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS DESCONTADA E NÃO RECOLHIDA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO FORA DO PRAZO LEGAL NÃO CONHECIMENTO O art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999 assim descreve: “Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente.” O art. 21 do Regimento Interno do extinto Conselho de Contribuintes dispõe acerca da competência para julgamento dos processos do âmbito previdenciário: “Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: II às Quinta e Sexta Câmaras, os relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e contribuições devidas a terceiros.” Recurso Voluntário não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.003117/200794 Acórdão n.º 240101.660 S2C4T1 Fl. 129 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.128.2500, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela retida dos segurados empregados e não recolhidas na época própria. O lançamento compreende competências entre o período de 02/2002 A 08/2007, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documento GFIP E FOLHAS DE PAGAMENTO. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 31/10/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 08/11/2007. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 80 A 81, alegando em síntese que os valores da NFLD encontramse exorbitantes, considerando serem indevidos os juros e multa aplicados, bem como foram devidamente pagas as contribuições no período de 02/2007 a 04/2007. Determinouse a baixa do processo em diligência para cientificação do responsável solidário, tendo o mesmo sido cientificado em 30/11/2007 e apresentado defesa no sentido de afastar a solidariedade indicada pela autoridade fiscal, fls. 98 a 99. A DecisãoNotificação confirmou a procedência parcial do lançamento, fls. 115 a 117, tendo sido emitido DDAR – Discriminativo analítico de débito retificado. Devidamente intimada na qualidade de responsável solidária a empresa Mercantil de Madeiras apresentou recurso no intuito de afastar a responsabilidade que lhe foi imputada, considerando tal não procede na medida em que pela análise dos contratos sociais verificase que as empresas citadas ainda possam ter o mesmo objeto social possuem quadro societário diferenciado, sendo certo que a Sra Maria Fernanda é solteira e o Sr Jenner jamais fez parte do quadro societário das referidas empresas, a evidenciar um equívoco da fiscalização. Já a empresa notificada LOTHUS apresentou recurso fls. 124 a 126, para fazer afastar a aplicação de juros sobre juros bem como a responsabilidade solidária argumentando em síntese Mademike, a mesma não há que prosperar na medida em que os argumentos trazidos tanto na autuação como no acórdão não subsistem pela falta provas, a uma porque Sra Maria Fernanda jamais foi casada e/ou conviveu maritalmente com o Sr Jenner San(Anna, a duas porque basta uma mera análise do contrato social e das alterações contratuais da empresa Recorrente para se verificar que os sócios da empresa são Maria Fernanda de Melo Braga e José Wilson Santos Martins, não tendo a Sra Amber Sant'Anna qualquer atuação como sócia da referida empresa, corno faz crer o auditor autuante e a Relatora do acórdão recorrido.Espera e confi a recorrente seja reformado o acórdão para determinar a exlcusão dos excessos apontados, bem como pela inexistência de Grupo Econômico. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento com indicativo de intempestivo, fls. 127, tanto da empresa notificada como da responsável solidária. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.003117/200794 Acórdão n.º 240101.660 S2C4T1 Fl. 130 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto intempestivamente. De acordo com o aviso de recebimento às fls. 120 a 121, a recorrente foi cientificada no dia 19 de março de 2008 (quarta feira), à época, o prazo para interposição do recurso era de 30 dias, considerandose que na contagem é excluído o dia de início, o prazo venceria em 18/04/2008. A notificada interpôs o recurso no dia 22/04/2008, fl. 122 e 124, portanto fora do prazo normativo. Assim, dispõe o art. 305, § 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999: Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03) Dos Recursos Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento daquele Conselho. § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação alterada pelo Decreto nº 4.729/03) O art. 21, II do Regimento Interno do extinto Conselho de Contribuintes, dispõe acerca da competência do Conselho de Contribuintes para julgar os processos de competência do CRPS . Art. 21. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância sobre a aplicação da legislação, inclusive penalidade isolada, observada a seguinte distribuição: II às Quinta e Sexta Câmaras, os relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n o 8.212, de 24 de julho de 1991, das contribuições instituídas a título de substituição e contribuições devidas a terceiros. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 NO mesmo sentido a Portaria MF nº 147/2007, dispõe acerca da transferência dos processos pendentes de julgamento do CRPS para o Conselho de Contribuintes: O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso no uso das atribuições previstas no art. 87, parágrafo único, incisos II e IV, da Constituição Federal, no art. 4º do Decreto n.º 4.395, de 27 de setembro de 2002, e tendo em vista o disposto nos arts. 25, 27, 29, 30 e 31 da Lei n.º 11.457, de 16 de março de 2007 e no art. 4º do Decreto n.º 5.136, de 7 de julho de 2004, resolve: Art. 5º Ficam instaladas a Quinta e Sexta Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes. §1º No prazo de 30 (trinta) dias da data da publicação desta Portaria, os processos administrativofiscais referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei n.º 11.457/2007 que se encontrarem no Conselho de Recursos da Previdência Social serão encaminhados ao Segundo Conselho de Contribuintes e distribuídos por sorteio para a Quinta e Sexta Câmaras do Segundo Conselho de Contribuintes, ou, se cabível, à Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §2º Aplicase o Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social (RICRPS), aprovado pela Portaria do Ministro da Previdência Social n. o 88, de 22 de janeiro de 2004 aos recursos interpostos até o termo final do prazo fixado no §1º, nos processos administrativofiscais em trâmite no Conselho de Recursos da Previdência Social. §3º Os julgamentos e atos processuais pendentes nos processos referidos no §1º serão regulados pelo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Em sendo intempestivo o recurso, e não tendo sido demonstrado nos autos nenhum fato que impedisse o requerente de interpor recurso na data estabelecida, julgo por não conhecer do recurso. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da intempestividade do mesmo. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 141DF CARF MF Emitido em 09/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 17/02/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 24/02/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10875.004228/2004-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 1999
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RECEITA. PIS. COFINS.
O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESENÇA DE RECOLHIMENTO.
Restando configurado que o sujeito passivo efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 - SC, submetido ao regime do art. 543 -C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
RETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF.
O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente.
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Meras alegações genéricas não têm o condão de alterar o lançamento, devendo ser apresentados na impugnação os documentos e provas que a impugnante possua, que possam influir na solução do litígio.
Numero da decisão: 1202-000.394
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência para os fatos geradores do PIS e da COFINS ocorridos até 30/11/99 e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Flavio Vilela Campos
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 1999 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITA. PIS. COFINS. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESENÇA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 - SC, submetido ao regime do art. 543 -C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. RETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO. Meras alegações genéricas não têm o condão de alterar o lançamento, devendo ser apresentados na impugnação os documentos e provas que a impugnante possua, que possam influir na solução do litígio.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 10875.004228/2004-75
anomes_publicacao_s : 201011
conteudo_id_s : 4671494
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1202-000.394
nome_arquivo_s : 120200394_10875004228200475_201011.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Flavio Vilela Campos
nome_arquivo_pdf_s : 10875004228200475_4671494.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência para os fatos geradores do PIS e da COFINS ocorridos até 30/11/99 e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
id : 4736852
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:38:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713043849596633088
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-20T17:55:22Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2286553_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-12-20T17:55:22Z; Last-Modified: 2010-12-20T17:55:22Z; dcterms:modified: 2010-12-20T17:55:22Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2286553_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:04642355-693c-46a6-a799-27c6f03a5fcb; Last-Save-Date: 2010-12-20T17:55:22Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-12-20T17:55:22Z; meta:save-date: 2010-12-20T17:55:22Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2286553_0.doc; modified: 2010-12-20T17:55:22Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-12-20T17:55:22Z; created: 2010-12-20T17:55:22Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2010-12-20T17:55:22Z; pdf:charsPerPage: 1856; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-12-20T17:55:22Z | Conteúdo => S1-C2T2 Fl. 820 1 819 S1-C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.004228/2004-75 Recurso nº 157.618 Voluntário Acórdão nº 1202-00.394 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de novembro de 2010 Matéria IRPJ Recorrente METALÚRGICA ROCHA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 1999 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITA. PIS. COFINS. O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESENÇA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 - SC, submetido ao regime do art. 543 -C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 207DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO 2 RETROATIVIDADE. USO DE INFORMAÇÕES DA CPMF. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO. Meras alegações genéricas não têm o condão de alterar o lançamento, devendo ser apresentados na impugnação os documentos e provas que a impugnante possua, que possam influir na solução do litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência para os fatos geradores do PIS e da COFINS ocorridos até 30/11/99 e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (documento assinado eletronicamente) NELSON LÓSSO FILHO - Presidente. (documento assinado eletronicamente) FLÁVIO VILELA CAMPOS - Relator. EDITADO EM: 20/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Alberto Donassolo, Flávio Vilela Campos. Relatório Fl. 208DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10875.004228/2004-75 Acórdão n.º 1202-00.394 S1-C2T2 Fl. 821 3 Trata-se de recurso voluntário de interesse de METALÚRGICA ROCHA LTDA. interpostos contra acórdão proferido pela 4ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO DE CAMPINAS. DA AUTUAÇÃO E DA IMPUGNAÇÃO Em razão de conter os elementos necessários à compreensão dos fatos e dos fundamentos que permeiam o litígio, adoto o relatório constante da decisão de primeira instância, o qual transcrevo adiante: Trata-se dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica- IRPJ e às Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, cientificados à contribuinte em 22 de dezembro de 2004, no valor total de R$ 1.895.244,51, conforme demonstrativo de fl. 03, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ, fls. 623/625: “001. Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago (Verificações Obrigatórias). Durante o procedimento de verificações obrigatórias, foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, uma vez que a pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real no ano-calendário de 2002, apurou a base de cálculo e o respectivo imposto devido com base no balanço ou balancete de suspensão ou redução, pagando o saldo devedor mensalmente. Em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário, fez o ajuste anual necessário corretamente, entretanto deixou de declarar e recolher o adicional do imposto, conforme demonstrativo da situação fiscal apurada, que passa a fazer parte integrante e indissociável deste. [Demonstrativo com fato gerador em 31/12/2002, valor tributável ou imposto de R$ 4.246,11 e percentual da multa de ofício] Enquadramento legal: arts. 247 e 841, do RIR/99. 002. Depósitos Bancários não contabilizados. Depósitos Bancários de origem não comprovada. Valor apurado conforme Demonstrativo Consolidado dos Créditos Bancários não Comprovados, no ano-calendário de 1999, que passa a fazer parte integrante e indissociável deste. [Demonstrativo com fatos geradores mensais, de 31/01/1999 a 31/12/1999, valor tributável ou imposto e percentual da multa de ofício] Enquadramento legal: arts. 27, inciso I, e 42, da Lei n.º 9.430/96; Arts. 532 e 537 do RIR/99.” 2. Por sua vez, a autoridade fiscal elaborou o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades, fls. 614/615, cientificado à contribuinte em 22/12/2004, que se transcreve parcialmente: “O contribuinte acima identificado foi selecionado para fiscalização do tributo 0221 – Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Operação 91.231 – Movimentação Fl. 209DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO 4 Financeira Incompatível com a Receita Declarada, relativamente ao ano-calendário de 1.999. Nesse sentido, foram lavrados os atos abaixo descritos. 01- 28 de junho de 2.003 – Termo de Início de Fiscalização, 02 – 14 de agosto de 2.003 – Termo de Intimação Fiscal n.º 001, 03- 13 de outubro de 2.003 – Termo de Continuação de Procedimento Fiscal n.º 001; 04- 20 de dezembro de 2.003 – Termo de Continuação de Procedimento Fiscal n.º 002; 05- 06 de fevereiro de 2.004 – Termo de Continuação de Procedimento Fiscal n.º 003; 06- 05 de abril de 2.004 – Termo de Intimação Fiscal n.º 002, onde o contribuinte é intimado a apresentar os livros Diário e Razão relativamente ao período de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 1.999; 07- 03 de junho de 2.004 – Termo de Reintimação Fiscal n.º 001, com prazo de 20 (vinte) dias, reiterando a solicitação do Termo de Intimação Fiscal n.º 002; 08- 24 de junho de 2.004 – Termo de Reintimação Fiscal n.º 002, com prazo de 5 (cinco) dias, reiterando a solicitação do Termo de Reintimação Fiscal n.º 001; 09- 05 de julho de 2.004 – Termo de Intimação Fiscal n.º 003, com prazo de 60 (sessenta) dias, intimando o contribuinte a reconstituir sua escrita contábil; 10 – 06 de setembro de 2.004 – Termo de Reintimação Fiscal n.º 003, reiterando ao contribuinte a reconstituição de sua escrita contábil, advertindo-o de que, em não apresentando os elementos solicitados, configuraria o embaraço à fiscalização, o que, em tese, possibilitaria o agravamento da multa e permitiria a exclusão do mesmo do Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas – CNPJ, bem como a lacração de móveis, caixas, cofres ou depósitos; 11- 21 de setembro de 2004 – Termo de Intimação Fiscal n.ºs. 004 a 012, que intimam o contribuinte a justificar os depósitos ocorridos em suas diversas contas mantidas junto a diversas instituições financeiras. 12 – 16 de novembro de 2.004 – Termo de Embaraço à Fiscalização, caracterizado pela não apresentação dos elementos solicitados nas diversas intimações e reintimações, especificamente no que se refere aos livros Diário e Razão, com sua escrita contábil reconstituída. Saliente-se que o contribuinte solicitou, por duas vezes, a prorrogação dos prazos para reconstituição de sua escrita contábil, o que foi concedido; mesmo assim, o mesmo não logrou apresentá-la. Considerando que o contribuinte, em sua declaração anual de rendimentos pessoa jurídica do ano-calendário de 1999, optou pela tributação na forma do artigo 222, do citado regulamento – tributação com base no lucro real, com o pagamento do imposto e do adicional, em cada mês, determinados sobre a base de cálculo estimada, o não atendimento às intimações para apresentação de livros e documentos fez ferir os ditames do artigo 530 do mesmo diploma legal, razão pela qual não há outro remédio que arbitrar seus lucros para apuração da base tributável, com base nos valores dos créditos bancários apurados, que se tornou a receita bruta conhecida, a partir dos extratos bancários fornecidos pelo mesmo, nos termos do artigo 530, Fl. 210DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10875.004228/2004-75 Acórdão n.º 1202-00.394 S1-C2T2 Fl. 822 5 incisos I, III e IV, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1.999. Por outro lado, a pessoa jurídica acima identificada, sujeita à tributação com base no Lucro Real, no ano-calendário de 2002, apurou a base de cálculo e o respectivo imposto devido com base no balanço de suspensão ou redução, pagando o saldo devedor mensalmente. Em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário fez o ajuste anual necessário corretamente, entretanto deixou de declarar e recolher o adicional de R$ 4.246,11, conforme demonstrativo da situação fiscal apurada de fls. . Isto posto, a diferença de recolhimento acima apurada fica sujeita ao lançamento de ofício, acrescida dos encargos legais, nos termos do artigo 2º, da Lei n.º 9.249/95 e artigo 1º, da Lei n.º 9.430/96.” 3. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 649/670, em 21 de janeiro de 2005, com as seguintes razões de defesa. 3.1. Afirma que foi notificada do auto de infração em 22 de dezembro de 2004, enquanto o prazo legal de 30 dias, iniciado em 23 de dezembro, esgotou-se em 21 de janeiro de 2005. Portanto, a impugnação seria tempestiva. 3.2. Faz ampla dissertação sobre a impossibilidade de retroatividade da Lei n.º 10.174, de 2001, o que caracterizaria a nulidade do lançamento. Em suas palavras: “Destarte, durante a suposta ocorrência dos fatos geradores que ensejaram a lavratura dos autos de infração aqui combatidos, vigorava a regra de que a movimentação financeira do contribuinte não poderia ser utilizada como meio de informação tendente à fiscalização e posterior constituição de crédito tributário relativo a outros impostos e contribuições, mas tão-somente à CPMF. Aplica-se portanto, in casu, o disposto na redação original do §3º, do art. 11, da Lei n.º 9.633/96 (sic!), e não aquela decorrente da Lei n.º 10.174/2001, sob pena de ferir-se ao princípio da irretroatividade das normas que visam proteger a segurança de nosso sistema jurídico. 3.1.5. Nem se diga que o ato da autoridade administrativa estaria amparado pelo § 1º, do art. 144, do Código Tributário Nacional. É que o § 3º, do art. 11, da Lei n.º 9.311/96, com a redação dada pela Lei n.º 10.174/2001, não é meramente instrumental, haja vista que possibilita à autoridade administrativa o lançamento do crédito tributário e ao contribuinte atribui a respectiva responsabilidade. E como bem nos ensina Américo Lacombe, (...), “se, no entanto, uma regra nova vier atribuir responsabilidade pelo crédito de determinado sujeito passivo posteriormente à ocorrência do fato gerador, tal regra não poderá ser considerada pela autoridade administrativa, por ocasião do lançamento”. Transcreve jurisprudência, fl. 653. 3.3. Reitera que jamais a autoridade administrativa poderia ter realizado a fiscalização e os lançamentos louvando-se nas informações de movimentação financeira obtidas com base no § 3º, do artigo 11, da Lei n.º 9.311, de 1996, com a redação dada pela Lei n.º 10.174, de 2001. Dessa forma, como o meio utilizado padeceria de ilegalidade, o procedimento de ofício e os correspondentes lançamentos devem ser declarados nulos. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO 6 3.4. Pleiteia a decadência do crédito formalizado, tendo em conta que a autuação considera a receita declarada em cada mês, no que se refere ao IRPJ, em confronto com os valores financeiros movimentados nos mesmos períodos, fato que se repete para a COFINS e a Contribuição ao PIS. 3.5. Continua, afirmando que todos esses tributos são sujeitos ao lançamento por homologação, devendo ser aplicado o artigo 150 e seus parágrafos do CTN, que se concentram na atividade exercida pela contribuinte de apurar e efetuar o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Em suas palavras: “4.4. Pois bem. No caso, a impugnante, conforme acima mencionado, apurou e recolheu os tributos em discussão ao longo do período-base de 1999; de mensal, em relação ao IRPJ, nos termos do art. 1º, da Lei n.º 9.430/96 e, também, mensalmente, em relação à COFINS e à Contribuição ao PIS. Houve, portanto, os lançamentos, em relação aos quais tinha a Fazenda o prazo de cinco anos, contados da data de cada um dos respectivos fatos geradores, para proceder a homologação,e se for o caso, exigir eventual diferença, mediante lançamento de ofício.”. Transcreve jurisprudência, fl. 657. 3.6. Em relação às contribuições, acrescenta que elas enquadram-se no gênero tributo. Assim, a decadência também seria regrada pelo art. 150 do CTN, com força de lei complementar, hierarquicamente superior à Lei n.º 8.212, de 1991, de natureza ordinária. Colaciona jurisprudência, fls. 658/661. 3.7. Enfatiza que a disposição contida no artigo 45, da Lei n.º 8.212, de 1991, é manifestamente inconstitucional, pois afronta o artigo 146, III, “b”, da Constituição Federal. 3.8. Sob a perspectiva da empresa, embora os créditos bancários, em tese, possam identificar indícios de receitas omitidas, tais operações não caracterizam, por si só, receitas ou faturamento, pois uma mesma quantidade de dinheiro pode circular pela conta-corrente seguidas vezes, por força de saques e depósitos, descontos de títulos e empréstimos, sem que tenha havido qualquer rendimento adicional. E continua: “Compete à fiscalização, diante da existência de depósitos que o contribuinte não consiga provar a origem – o que nem sempre é possível, sobretudo por uma pequena empresa que não dispõe de maiores recursos humanos --, desenvolver os trabalhos, com vistas à identificação de outros elementos seguros, que possam comprovar omissão de receitas. Cabe aqui esclarecer que a impugnante apresentou todos os documentos e livros solicitados pela fiscalização, como consta do Termo de Encerramento de Fiscalização.” 3.9. Aduz que, no exercício autuado, recebeu mais de R$ 240.000,00 relativos a créditos de vendas efetuados nos anos de 1993 a 1998, depositando tais recursos nas contas correntes bancárias sob exame. No caso, os impostos devidos foram pagos, independente do recebimento pelas vendas efetuadas, pois tais créditos constariam na conta clientes, tanto no balanço, como na DIPJ. 3.10. Assevera que o artigo 42, da Lei n.º 9.430, de 1996, deve ser interpretado em conjunto com o art. 43, do CTN, o qual define a hipótese de incidência do imposto de renda. Acrescenta que a expressão ‘rendas e proventos de qualquer natureza’ só abrange os fatos considerados como acréscimo patrimonial, mas não os montantes depositados em contas-correntes da contribuinte. 3.11. Acrescenta que a presunção de omissão de receitas estabelecida por lei ordinária não pode afetar o conceito de renda delimitado pelo CTN. Menciona jurisprudência, fls. 664/666. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10875.004228/2004-75 Acórdão n.º 1202-00.394 S1-C2T2 Fl. 823 7 3.12. Continua sua defesa: “6.0. Não menos grave que os argumentos acima despendidos, fato importante a ser assinalado é que a impugnante, em momento algum, antes do dia 22.12.2004, mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores, foi notificada/intimada por essa Administração para fazer e/ou deixar de fazer qualquer ato.” 3.13. Insurge-se contra a multa de ofício exigida no percentual de 75%, por entender que ela fere o princípio da segurança jurídica, pois “o Estado, enquanto poder, agiu com manifesta atitude passiva”. Além disso, caracteriza verdadeiro confisco. 3.14. Contesta os juros de mora exigidos com base na taxa Selic, por entender que apresenta caráter remuneratório, devendo ser limitados ao percentual de 12% ao ano, previsto na Constituição Federal. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 711 a 730) deu provimento parcial à defesa, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2002 LANÇAMENTO. IRPJ. ADICIONAL NÃO DECLARADO E NÃO PAGO. Opera-se a preclusão processual quando não apresentados, pela contribuinte, argumentos de defesa relativos aos fundamentos de mérito da autuação e consolida-se administrativamente a exigência Fiscal correspondente. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. Incabível falar-se em irretroatividade da lei que amplia os meios de fiscalização, pois esse princípio atinge somente os aspectos materiais do lançamento. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A lei n.º 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.Tal presunção legal aplica-se, além do IRPJ, à COFINS e à Contribuição ao PIS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Apesar de reconhecida a improcedência parcial da autuação do IRPJ, tendo em conta a indicação de fatos geradores mensais pela autoridade lançadora, quando deveriam ser trimestrais, tal fato não tem conseqüências sobre a autuação da COFINS e da Contribuição ao PIS, uma vez que observados os fatos geradores mensais, próprios de tais contribuições. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO 8 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA JURÍDICA. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa. Efetuado o pagamento pela contribuinte, o prazo decadencial tem por início a ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. DECADÊNCIA. COFINS. Contribuição ao PIS. Na forma do artigo 45 da Lei n.º 8.212, de 1991, o direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos extingue-se em 10(dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 ARBITRAMENTO. FORMA DE APURAÇÃO DO IMPOSTO. No Ano-calendário de 1999 o arbitramento do lucro deveria observar a forma de tributação prevista na legislação aplicável, a qual dispunha que os fatos geradores eram trimestrais, fato não observado pela autoridade lançadora, o que impõe o cancelamento da exigência relativa ao IRPJ. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1999, 2002 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação Tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do julgamento de primeira instância 31/10/2006, por meio de ciência postal, conforme AR de folha 735, a interessada ingressou, em 29/11/2006, com recurso voluntário de fls. 736/756, alegando, em síntese: a) Que recolheu o valor incontroverso, valor remanescente de IRPJ relativo ao ano-calendário 2002, conforme DARF de fl. 737. b) Nulidade do lançamento por aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou a redação do art. 11, §3º, da Lei 9.311/1996 e introduziu de nova regra de conteúdo material. c) Nulidade do lançamento por ter o STF julgado ilegal o aumento do PIS e COFINS. Fl. 214DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10875.004228/2004-75 Acórdão n.º 1202-00.394 S1-C2T2 Fl. 824 9 d) Decadência do direito de constituição de parte do crédito tributário, pois a ciência do lançamento se deu em 22/12/2004, sendo a COFINS e PIS tributos lançados por homologação com apuração e recolhimento ao longo de 1999. Não procede a argumentação de contagem do prazo de decadência pelo art. 45 da Lei 8.212/91, pois contraria o §4 do art. 150 do CTN. e) Que o lançamento adotou como matéria tributável a movimentação financeira constante em extratos bancários, entretanto tais não caracterizam renda, nem rendimentos auferidos. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Vilela Campos, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativo fiscal (PAF). Dele conheço. A questão fundamental trazida à apreciação deste Conselho é lançamento de PIS e COFINS, relativos ao ano-calendário de 1999, com base na receita bruta levantada por meio de presunção legal de omissão de receita por depósitos bancários de origem não comprovada. 1 Decadência Cabe destacar a declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da lei nº 8.212/1991 pela Súmula Vinculante nº 8/2008, motivo que as contribuições - PIS, COFINS - encontram-se reguladas pelo prazo decadencial prescrito nos artigos 150 e 173 do CTN. Há que se asseverar, que se está diante do lançamento dito por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, uma vez que a lei atribuiu à pessoa jurídica o dever de antecipar o pagamento do imposto de renda sem prévio exame da autoridade tributária, apurando e recolhendo o quantum devido, antecipando-se a qualquer procedimento da repartição fiscal. Tal modalidade de lançamento opera-se pelo ato em que a autoridade administrativa, tomando conhecimento da atividade de pagamento exercida pelo sujeito passivo, expressamente a homologa. Nesse caso, segundo disposição do § 4º do mesmo artigo, a decadência opera-se em cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, se a autoridade administrativa não homologar o lançamento antes de decorrido o qüinqüênio, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Por conseguinte, efetuado o pagamento antecipado do imposto a que se refere o art. 150 do CTN, sem dolo, fraude ou simulação, e a Fazenda Pública não vier, dentro do Fl. 215DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO 10 prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, expressamente homologar o lançamento, este será considerado tacitamente homologado, e definitivo e bom o pagamento antecipado. Entretanto, uma vez apurada inexistência de pagamento antecipado do imposto devido, não há que se falar em homologação, nem tampouco aplicação do § 4º do art. 150 do CTN, uma vez que a homologação nada mais é do que a declaração de extinção do débito, em face do pagamento antecipado, que extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 150, §§ 1º e 4º, e 156, VII, do CTN). Nesse caso, o lançamento passa a ser direto ou de ofício, o que desloca a forma de contagem do prazo decadencial para a regra prevista no art. 173, I, do CTN, cuja data inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Salienta-se que este entendimento é corroborado pelo Parecer PGFN/CAT Nº 1617/2008, que preconiza em suas alíneas “d” e “e” que, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, sendo aplicado a regra do § 4º do art. 150 do CTN apenas quando tenha havido o pagamento antecipado. No mesmo sentido é a interpretação do Superior Tribunal de Justiça, que ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4° e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, bem havendo dolo, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue, respectivamente, a disciplina normativa do art. 173, inciso I e parágrafo único, do CTN, verbis: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXAÇÃO SUJEITA A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ARTIGOS 150, § 4º E 173, I, DO CTN. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SÚMULA 7/STJ. 1. Se não houve pagamento antecipado pelo contribuinte, é cabível o lançamento direto substitutivo, previsto no artigo 149, V, do CTN, e o prazo decadencial rege-se pela regra geral do artigo 173, I, do CTN. Precedentes. 2. Os honorários advocatícios são passíveis de modificação na instância especial tão-somente quando se mostrarem irrisórios ou exorbitantes. Não sendo desarrazoada a verba honorária, sua majoração ou redução importa, necessariamente, no revolvimento dos aspectos fáticos do caso. Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 936.380/SC, Rei. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 19.02.2008, DJ 05.03.2008 p. 1)". (grifou-se) O tema, aliás, restou pacificado, pois foi apreciado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na sessão de julgamentos do dia 12.08.2009, que, ao analisar o Recurso Especial 973.733/SC, de Relatoria do Min. Luiz Fux, na sistemática dos Recursos Repetitivos (Art. 543-C do CPC), definiu que no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação o prazo decadencial é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício Fl. 216DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10875.004228/2004-75 Acórdão n.º 1202-00.394 S1-C2T2 Fl. 825 11 seguinte à ocorrência do fato gerador, nas hipóteses em que o contribuinte não declara, nem efetua o pagamento do tributo. Confira-se: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 217DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO 12 (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Em atenção ao julgado acima transcrito, em sessão realizada no mês de novembro de 2009, a Primeira Turma da Câmara Superior de já adotou o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP n° 973.733 - SC, submetido ao regime do art. 543 -C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. [Acórdão nº 9101-00460, 1º Turma - CSRF, de 04/11/2009] Na situação em análise, há recolhimento das contribuições para o PIS e COFINS ao longo do ano-calendário de 1999, motivo que o prazo de decadência será de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador. Assim, sendo a ciência do lançamento em 22/12/2004, restaram decaídos os fatos geradores da COFINS e PIS até 30/11/1999. 2 Irretroatividade do art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001 – Nulidade Lançamento. A alegação de nulidade do lançamento por aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou a redação do art. 11, §3º, da Lei 9.311/1996 não merece prosperar, pois referida matéria já se encontra pacificada no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se constata pela Súmula CARF nº 35, que conclui pela aplicação retroativa da norma, literalmente: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. 3 Ilegalidade do aumento do PIS e da COFINS Quanto à alegação de ilegalidade do aumento do PIS e da COFINS, a recorrente apenas junta notícia extraída da internet em que manifesta entendimento do STF quanto à ilegalidade do aumento das contribuições, sem ao menos mencionar as causas a ensejar referida manifestação. Deve-se frisar que meras alegações genéricas não têm o condão de alterar o lançamento, sendo necessário que o recorrente fundamente as razões do recurso. Ademais, não cabe pronunciamento deste julgador quanto a alegações de inconstitucionalidade da legislação, haja vista que esta matéria já foi objeto de aplicação de súmula do CARF, conforme abaixo, verbis: Fl. 218DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10875.004228/2004-75 Acórdão n.º 1202-00.394 S1-C2T2 Fl. 826 13 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 4 Omissão de Receita. Crédito Bancário de Origem não Comprovada. Quanto à omissão de receitas, seu lançamento baseou-se na Lei nº 9.430, de 1996, art. 42, que diz: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Trata-se de uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Em relação às presunções de omissão de receita, destaca-se que essas são classificadas pela doutrina como espécies de provas indiretas. A doutrina do Direito Tributário identifica duas espécies distintas: as legais e as simples (comuns). As presunções legais se subdividem em absolutas (jure et de jure) e relativas (jures tantum). As presunções absolutas não admitem prova em contrário ao fato presumido, já as relativas admitem prova contrária, reputando-se verdadeiro o fato presumido até que a parte interessada prove o contrário. As presunções legais relativas provocam a chamada “inversão do ônus da prova”, cabendo ao contribuinte provar que o Fisco está equivocado. A falta de adequada comprovação impede o acolhimento do pleito, este é o entendimento expresso pelo Código de Processo Civil, art. 333, II. No texto abaixo reproduzido, José Luiz Bulhões Pedreira (in Imposto sobre a Renda-Pessoas Jurídicas-JUSTEC-RJ-1979-pág. 806) sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocando-a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume - cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Apenas como ilustração, cabe evidenciar que este entendimento é reiterado pelo Conselho de Contribuintes e pela Câmara de Recursos Fiscais, conforme trecho/ementa abaixo transcritos: O certo é que, cabendo ao Fisco detectar os fatos que constituem o conteúdo das regras jurídicas em questão, e constituindo-se esses fatos em presunções legais relativas de rendimentos tributáveis, não cabe ao Fisco infirmar a presunção, pena de laborar em ilogicidade jurídica absoluta. Pois, se o Fisco tem a possibilidade de exigir o tributo com base na presunção legal, Fl. 219DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO 14 não me parece ter o menor sentido impor ao Fisco o dever de provar que a presunção em seu favor não pode subsistir. Parece elementar que a prova para infirmar a presunção há de ser produzida por quem tem interesse para tanto. No caso, o contribuinte. (Acórdão 01-0.071/80). Verifica-se que a contribuinte foi intimada, durante a ação fiscal, a comprovar a efetividade das operações correspondentes aos registros em contas-correntes omitidas da escrituração pelo contribuinte, não apresentado qualquer comprovação da origem dos créditos. Deve-se esclarecer que, com a entrada em vigor da Lei nº 9.430, de 1996, a própria lei determina, nesses casos, que os valores depositados constituem receita. Não estão sendo tributados os depósitos bancários, mas a receita que eles representam por expressa disposição legal. Os depósitos são o sinal de exteriorização pelo qual se manifesta a omissão de receita, quando não comprovada a origem financeira dos recursos utilizados. A respeito do assunto, transcreve-se abaixo o Acórdão n o 108-06889, de 19/03/2002, do 1º Conselho de Contribuintes: IRPJ/LUCRO REAL/OMISSÃO DE RECEITAS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS – Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta bancária, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (art.42, Lei nº 9.430/96)Argumenta que não aconteceu a busca pela verdade material pelo Fisco, uma vez que não demonstrou o efetivo nexo entre conduta e norma, inocorrendo, portanto, a perfeita subsunção do fato ao enunciado descritivo na legislação. O autuante, como já visto, efetuou a prova que lhe cabia, qual seja, a de que os depósitos bancários não foram escriturados pelo contribuinte, não apresentando a impugnante nenhuma documentação que refutasse referidos depósitos, sua origem, bem como se algum valor referia-se a transferências entre contas correntes de mesma titularidade, movimentos de empréstimos, adiantamentos, cheques devolvidos. Cabe salientar que a Súmula no 182 do TFR, colacionada pela recorrente, é anterior à citada lei, não se aplicando após sua edição. Por fim, resta destacar referida matéria encontra pacificada no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se verifica pelo enunciado da súmula CARF nº 26, literalmente: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A aplicação da omissão de receita para as contribuições PIS e COFINS encontra-se disciplinada pela Lei nº 9.249, de 1995, que assim estabelece em seu art. 24 e § 2 o : Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados Fl. 220DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10875.004228/2004-75 Acórdão n.º 1202-00.394 S1-C2T2 Fl. 827 15 de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. (...) § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP. 5 Dispositivo Isso posto, voto em dar provimento parcial ao recurso para acolher a preliminar de decadência para os fatos geradores do PIS e da COFINS ocorridos até 30/11/99 e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (documento assinado eletronicamente) Flávio Vilela Campos - Relator Fl. 221DF CARF MF Emitido em 25/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/12/2010 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 20/12/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 05/01/2011 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.003247/2004-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001
RENDIMENTO RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE.
Os honorários advocaticios são despesas necessárias à obtenção de
rendimentos tributáveis em reclamatória trabalhista, devendo ser dedutíveis dos rendimentos brutos auferidos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.860
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201010
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 RENDIMENTO RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE. Os honorários advocaticios são despesas necessárias à obtenção de rendimentos tributáveis em reclamatória trabalhista, devendo ser dedutíveis dos rendimentos brutos auferidos. Recurso provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 11080.003247/2004-93
anomes_publicacao_s : 201010
conteudo_id_s : 4804516
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2101-000.860
nome_arquivo_s : 210100860_11080003247200493_201010.PDF
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 11080003247200493_4804516.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
id : 4736342
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:37:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713043849605021696
conteudo_txt : Metadados => date: 2012-01-20T11:49:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 9; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-01-20T11:49:57Z; Last-Modified: 2012-01-20T11:49:57Z; dcterms:modified: 2012-01-20T11:49:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:07dc9718-87c3-41c2-a232-7e1643f8f947; Last-Save-Date: 2012-01-20T11:49:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-01-20T11:49:57Z; meta:save-date: 2012-01-20T11:49:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-01-20T11:49:57Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-01-20T11:49:57Z; created: 2012-01-20T11:49:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2012-01-20T11:49:57Z; pdf:charsPerPage: 1222; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-01-20T11:49:57Z | Conteúdo => ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator S2-C1T1 Fl. 139 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11080.003247/2004-93 Recurso n° 171.371 Voluntário Acórdão n° 2101-00.860 — la Camara / 1' Turma Ordinária Sessão de 21 de outubro de 2010 Matéria IRPF Recorrente ANTÔNIO AUGUSTO DOS SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 RENDIMENTO RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE. Os honorários advocaticios são despesas necessárias à obtenção de rendimentos tributáveis em reclamatória trabalhista, devendo ser dedutiveis dos rendimentos brutos auferidos. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. C io Marco Cândido - Presidente José Rai un ta Santos - Relator EDITADO EM: 1 0 , Ç11 1 0 NOV 2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, José Raimundo Tosta Santos, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. Relatório 0 recurso voluntário em exame (fls. 58/59) pretende a reforma do Acórdão de n° 10-16.854 (fl. 112/114), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, para restabelecer as deduções referentes a despesa médica no montante de R$5.020,32 e previdência no montante de R$493,66. A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2000 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para as deduções previstas, considerando as disposições legais, só podem ser deduzidos os pagamentos comprovados por documentação adequada. Lançamento Procedente em Parte Em seu apelo a este CARF o recorrente argumenta que no ano de 2000 recebeu, mediante alvarás, importância relativa A reclamatória trabalhista movida contra Radio e TV Portovisdo Ltda, processo n° 00149.003/90-0. Por ocasião da apresentação da declaração de ajuste do ano 2000/2001, ofereceu os rendimentos a tributação, tendo procedido ao desconto do valor dos honorários pagos ao seu procurador Dr. Luiz Carlos Silveira Martins, CPF n° 087.857.400-74, no valor de R$25.102,74 (vinte e cinco mil, cento e dois reais, setenta e quatro centavos), conforme recibo em anexo, oportunidade em que também junta cópia dos cálculos de liquidação da sentença, com o objetivo de estabelecer a relação entre os honorários pagos e a origem do rendimento. E o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Em litígio, tão-somente, a dedução dos honorários advocaticios pagos, referente a rendimentos auferidos em reclamatória trabalhista. Trata-se, portanto, de recurso parcial, já que o crédito tributário mantido no julgamento de primeiro grau abrange outras matérias não questionadas neste voluntário. Analisando-se os autos, verifica-se que há registros da atuação do advogado do contribuinte na reclamatória trabalhista de no 00149.003/90-0, Dr. Luiz Carlos Silveira Martins, conforme se constata As fls. 23, 30, 57, 68, 75/76, 84. Não é necessário muito esforço para se compreender que os honorários advocaticios são despesas usuais numa ação judicial, sobe a qual não paira qualquer dúvida, até porque os rendimentos relacionados estão sem tributados. Cumpre observar o teor do recibo A fl. 120, a seguir transcrito, espanca qualquer dúvida a 4T- 2 Processo n° 11080.003247/2004-93 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.860 Fl. 140 respeito dos honorários pleiteados pelo recorrente, em consonância com os valores líquidos recebidos, conforme observação à fl. 75. Declaro que recebi do Sr. Antonio Augusto dos Santos a importância de R$ 25.102,74 (vinte e cinco mil, cento e dois reais e setenta e quatro centavos), decorrentes de honorários advocaticios, pelo atendimento em reclamatária trabalhista, movida contra Radio TV PORTOVISÁO LTDA, pelo que dei quitação. Nos termos do § único do artigo 56 do RIR/99, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para reconhecer o direito dedução dos honorários advocaticios, no montante de R$25.102,74 (vinte e cinco mil, cento e dois reais e setenta e quatro ce -•§)• 41414 JOSÉ RAI 0 TOSTA SANTOS 3 S2-C1 Fl. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS — CARP SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO PRIMEIRA CÂMARA Processo n°: 11080.003247/2004-93 Recurso n°: 171.371 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 40 do art. 63 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o Procurador da Fazenda Nacional credenciado junto a esta Câmara, para ciência do acórdão n°. 2101-00.860. Brasilia-DF, 24 de dezembro de 2010. Maria Apareci a os Santos ATRFB - SIAPE n°94.102-6 Chefe da Secretaria da 1° Câmara/2° Seção Ciente, com a observação abaixo: [ I Apenas com ciência [ Com Recurso Especial [ Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10768.012103/2002-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO IRPJ DEVIDO AO FINAL DO PERÍODO
No caso das empresas tributadas com base no lucro real, o IRRF constitui antecipação do IRPJ devido ao final do período de apuração, podendo ser deduzido na DIPJ no cálculo do imposto a pagar somente se as receitas correspondentes tenham sido incluídas na DIPJ. Se, nesse caso, for apurado saldo negativo de IRPJ em decorrência dessa dedução, ele pode ser restituído
ou compensado com outros débitos, desde que possua os atributos da certeza e liquidez quanto à sua composição e que sejam atendidos os demais requisitos e formalidades legais.
Numero da decisão: 1202-000.407
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Flavio Vilela Campos
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO IRPJ DEVIDO AO FINAL DO PERÍODO No caso das empresas tributadas com base no lucro real, o IRRF constitui antecipação do IRPJ devido ao final do período de apuração, podendo ser deduzido na DIPJ no cálculo do imposto a pagar somente se as receitas correspondentes tenham sido incluídas na DIPJ. Se, nesse caso, for apurado saldo negativo de IRPJ em decorrência dessa dedução, ele pode ser restituído ou compensado com outros débitos, desde que possua os atributos da certeza e liquidez quanto à sua composição e que sejam atendidos os demais requisitos e formalidades legais.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
numero_processo_s : 10768.012103/2002-74
anomes_publicacao_s : 201011
conteudo_id_s : 4715759
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 24 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1202-000.407
nome_arquivo_s : 120200407_10768012103200274_201011.pdf
ano_publicacao_s : 2010
nome_relator_s : Flavio Vilela Campos
nome_arquivo_pdf_s : 10768012103200274_4715759.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 09 00:00:00 UTC 2010
id : 4736867
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:38:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713043849637527552
conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-24T17:16:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2058905_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-11-24T17:16:31Z; Last-Modified: 2010-11-24T17:16:31Z; dcterms:modified: 2010-11-24T17:16:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2058905_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:f07f3783-6f00-4f1a-9b11-b6ef0250e2b6; Last-Save-Date: 2010-11-24T17:16:31Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-11-24T17:16:31Z; meta:save-date: 2010-11-24T17:16:31Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2058905_0.doc; modified: 2010-11-24T17:16:31Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-11-24T17:16:31Z; created: 2010-11-24T17:16:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2010-11-24T17:16:31Z; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2010-11-24T17:16:31Z | Conteúdo => S1-C2T2 Fl. 837 1 836 S1-C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.012103/2002-74 Recurso nº 163.299 Voluntário Acórdão nº 1202-00.407 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de novembro de 2010 Matéria IRPJ RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente TELPART PARTICIPAÇÕES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999, 2000 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO IRPJ DEVIDO AO FINAL DO PERÍODO No caso das empresas tributadas com base no lucro real, o IRRF constitui antecipação do IRPJ devido ao final do período de apuração, podendo ser deduzido na DIPJ no cálculo do imposto a pagar somente se as receitas correspondentes tenham sido incluídas na DIPJ. Se, nesse caso, for apurado saldo negativo de IRPJ em decorrência dessa dedução, ele pode ser restituído ou compensado com outros débitos, desde que possua os atributos da certeza e liquidez quanto à sua composição e que sejam atendidos os demais requisitos e formalidades legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado eletronicamente) NELSON LÓSSO FILHO - Presidente. (documento assinado eletronicamente) FLÁVIO VILELA CAMPOS - Relator. EDITADO EM: 24/11/2010 Fl. 245DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Orlando José Gonçalves Bueno, Valéria Cabral Géo Verçoza, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Alberto Donassolo, Flávio Vilela Campos. Relatório Trata-se de recursos de voluntário de interesse de TELPART PARTICIPAÇÕES SA interpostos contra acórdão proferido pela 1ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO DO RIO DE JANEIRO – I. DOS PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO E MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Em razão de conter os elementos necessários à compreensão dos fatos e dos fundamentos que permeiam o litígio, adoto o relatório constante da decisão de primeira instância, o qual transcrevo adiante: Trata-se de MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fl. 511/520) apresentada pela interessada acima qualificada, acompanhada dos documentos de fls. 521/787, em face do Despacho Decisório/Parecer Conclusivo nº 116/07 (fls. 489/496), proferido no âmbito da Derat/RJO. Anteriormente, a interessada havia formalizado PEDIDO DE RESTITUIÇÃO (fl. 02) do montante de R$ 1.092.897,87, constituído, segundo ela, por saldos negativos de IRPJ acumulados nos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000. Tais saldos, de acordo com ela, teriam se originado nas DIPJ pela dedução, no cálculo do IRPJ a pagar, de valores de imposto retidos na fonte (IRRF) sobre receitas decorrentes de aplicações financeiras e de juros sobre o capital próprio (JCP) auferidas naqueles períodos. A interessada havia também formalizado PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO (convertidos em declarações de compensação) e DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO do referido crédito com determinados tributos por ela devidos ao Fisco, amparando-se nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Por meio do referido DESPACHO DECISÓRIO nº 116/07 (fls. 495/496), proferido com base no Parecer Conclusivo nº 116/07 (fls. 489/494), a autoridade fiscal da Derat/RJO não reconheceu o direito creditório pleiteado pela interessada e não homologou as declarações de compensações apresentadas, por entender, em suma, que os saldos negativos de IRPJ informados pela interessada nas DIPJ dos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000 não estariam efetivamente comprovados, em face dos seguintes fatos por ela constatados: divergência entre os valores informados nas DIPJ e nas DIRF; falta de apresentação de documentação comprobatória da retenção pelas fontes pagadoras dos valores de IRRF que teriam originado os saldos negativos, em desobediência ao art. 55 da Lei nº 7.450/85; falta de apresentação de documentação comprobatória do oferecimento à tributação pela interessada dos valores de receitas correspondentes aos valores de IRRF, em descumprimento ao art. 231, inc. III, do RIR/99. Fl. 246DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10768.012103/2002-74 Acórdão n.º 1202-00.407 S1-C2T2 Fl. 838 3 Eis o entendimento da Derat/RJO exposto no PARECER CONCLUSIVO nº 116/07 (fls. 489/494), que é parte integrante do Despacho Decisório 116/07 (fls. 495/496): “Versa o presente processo sobre o pedido de fl. 02, datado de 16/07/2002, no qual a interessada acima identificada solicita restituição de saldos negativos do IRPJ relativos aos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000, no valor de R$ 1.092.897,87, tendo sido anexado à fl. 25/26, também, documento intitulado Razão - período: 01/01/1999 a 31/12/2000. À fl. 01 a interessada anexou pedido de compensação, datado de 16/07/2002, no qual solicitou compensação de débitos de CSLL (código 2484) referente ao período de apuração 31/05/2002, PIS (código 8109) referentes ao PA 30/06/2002 e COFINS (código 2172) referente ao PA 30/06/2002, nos valores de R$ 6.903,58, R$ 1.375,44 e R$ 6.348,17, respectivamente, com o crédito requerido, tendo sido anexados outros cinco pedidos de compensação à fl. 161, 163/164, 166/167 e 168/169, protocolizados em 15/08/2002, 15/10/2002, 14/11/2002 e 22/11/2002, respectivamente. ..... Foram apensados a este os processos n° 10768.100053/2003-52, 10768.100399/2003-61, 10768.100239/2002-31, 10768.018131/2002-03, 10768.001662/2003-30, 10768.000754/2003-01, 10768.002024/2003-36, 10768.002635/2003-84, 10768.003604/2003-41, 10768.003168/2003-18 e 10768.004351/2003-22, aos quais foram anexadas Declarações de Compensação nas respectivas fl. 01. Consultando-se o sistema DCTF 4.7 - 1999 a 2003 - constatou-se que todos os débitos acima mencionados encontram-se informados em DCTF. Os pedidos de compensação acima mencionados foram convertidos em DCOMP por força do disposto no parágrafo 4° do art. 74 da Lei n° 9.430 de 27/12/1996, com a redação alterada, sucessivamente, pelos art. 49 da Lei n° 10.637 de 30/12/2002, art. 17 da Lei n° 10.833 de 29/12/2003 e art. 4° da Lei n° 11.051 de 29/12/2004. À luz do documento do sistema "CONSULTA DECLARAÇÕES - RELAÇÃO DE DECLARAÇÕES 1990 a 2007" - tela de fl. 447 - verifica-se que foram aceitas pelo processamento da Secretaria da Receita Federal as DIPJ n° 0712533, 11733965 e 1160749, correspondentes aos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000, respectivamente. Cotejando-se os valores de Imposto de Renda Retido na Fonte indicados nas fichas 13, 13 A e 12 A das DIPJ aceitas relativas aos AC 1998, 1999 e 2000 com os totais de IRRF constantes nas respectivas DIRF referentes aos AC 1998, 1999 e 2000, observa-se dispersão entre o dados, conforme pode ser constatado observando o quadro abaixo: Fl. 247DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 4 IRRF DIPJ DIRF AC IRRF (R$) Ficha/linha Fl. IRRF (R$) Fl. 98 69.755,03 13/13 450 10.617,20 463/464 99 625.740,07 13A/13 455 290.363,62 466 00 397.402,77 12A/13 460 391.808,33 468 Da mesma forma, comparando-se os valores dos rendimentos referentes a "receitas financeiras" indicados nas fichas de demonstração do resultado / apuração do lucro líquido do exercício das DIPJ AC 1998, 1999 e 2000 com aqueles constantes nas DIRF relativas aos AC 1998, 1999 e 2000, constata-se dispersão entre o dados existentes nos arquivos da Secretaria da Receita Federal, conforme pode ser constatado no quadro abaixo: RENDIMENTOS INFORMADOS DIPJ DIRF AC IRRF (R$) Linha/ficha Fl. IRRF (R$) Fl. 98 459.893,63 23/07 452 53.086,33 463/464 99 1.257.421,87 07 A/24 456 1.608.428,25 465 00 1.362.297,07 06 A/12 461 1.959.043,26 467 Face à dispersão existente entre os dados acima mencionados, bem como ausência de documentação comprobatória das retenções de IRRF alegadas, a interessada foi intimada, por meio da Intimação DERAT/RJO/DIORT/Gabinete n° 01/2007, datada de 03/05/2007 - cópia à fl. 472 - a efetuar, no prazo estipulado no art. 835 e parágrafo 3° do RIR/1999, as seguintes providências: 1) comprovar, mediante cópias autenticadas de livros contábeis e fiscais e comprovantes de rendimentos anuais emitidos pelas fontes pagadoras, os valores de Imposto de Renda Retido na Fonte indicados nas linhas 13 das fichas de cálculo do IRPJ sobre o lucro real constantes nas DIPJ referentes aos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000, processadas eletronicamente pela Secretaria da Receita Federal sob o n° 0712533, 11733965 e 1160749 ..... 2) comprovar, mediante cópias autenticadas de livros contábeis e fiscais, o oferecimento à tributação dos valores dos rendimentos correspondentes aos valores de retenção de IRRF ... indicados nas fichas correspondentes à demonstração de resultado constantes nas DIPJ referentes aos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000, processadas eletronicamente pela Secreta ria da Receita Federal sob os n° 0712533, 11733965 e 1160749 ..... Contudo, não obstante ter sido cientificada do inteiro teor da intimação acima mencionada em 07/05/2007, conforme AR de fl. 470, a interessada não anexou aos Fl. 248DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10768.012103/2002-74 Acórdão n.º 1202-00.407 S1-C2T2 Fl. 839 5 autos documentação relativa às solicitações supra-referidas, restando, desta maneira, analisar o pedido à luz dos elementos existentes nos autos. Assim, constatada a dispersão dos valores de IRRF informados tanto nas DIPJ AC 1998, 1999 e 2000, como nas DIRF AC 98, 99 e 2000, e, também, a ausência de documentação comprobatória das respectivas deduções de IRPJ, passamos a relatar a seguir detalhes complementares referentes ao caso em tela. AC 1998 Verifica-se que houve dedução de IRRF na DIPJ no total de R$ 69.755,03 apesar de ter sido informado IRRF na DIRF no total de R$ 10.617,20, tendo sido informado na DIRF somente o total de R$ 53.086,33 a título de rendimentos oriundos de aplicações financeiras, apesar de constar R$ 459.893,63 no campo "outras receitas financeiras" da DIPJ em causa. AC 1999 Examinando-se a DIRF AC 1999 vê-se que R$ 626.406,04 correspondem a "receita de juros sobre o capital próprio" do total de R$ 1.608.428,25 (soma dos rendimentos indicados na DIRF AC 99). Contudo, nada consta na linha 23 da ficha 07 a título de "receita sobre juros sobre o capital próprio", conforme tela de fl. 456, de modo que na DIRF somente R$ 982.022,21 poderiam corresponder a "receitas financeiras", resultado da diferença entre R$ 1.608.428,25 e R$ 626.406,04, importância inferior ao valor indicado na linha 24 da ficha 07 A, R$ 1.257.421,87. Por outro lado, o total de IRRF informado na linha 13 A da ficha 13 da DIPJ AC 1999, R$ 625.740,07 (fl. 455), corresponde a 49,76 % do total de rendimentos indicados na linha 24 da ficha 7 A - R$ 1.257.421,87 (fl. 456), caracterizando proporção impossível de ocorrer entre o total de IRRF sobre aplicações financeiras retido e deduzido na DIPJ e o total de rendimentos financeiros indicado no campo 24 da ficha 07 A, tendo em vista que no AC 1999 vigorou a alíquota máxima de IRRF no percentual de 35%, a qual aplicava-se a casos específicos de rendimentos decorrentes de aplicações financeiras: IRRF sobre remuneração indireta (código 2063) e IRRF sobre pagamentos a beneficiários não identificados (código 5217). AC 2000 Verifica-se alguma proximidade entre os valores de IRRF indicados na DIPJ AC 2000 e na DIRF AC 2000, R$ 397.402,77 e R$ 391.808,33, respectivamente, tendo sido informado, entretanto, na DIPJ a título de receitas financeiras o valor de R$ 1.362.297,07 apesar de totalizado na DIRF o valor de R$ 1.959.043,26 a título de rendimentos de aplicações financeiras. Desta maneira, não há como se deferir o crédito pleiteado tendo em vista a dispersão existente entre os dados de IRRF constantes nos arquivos da SRF, bem como a ausência de documentação comprobatória de retenção referente aos valores de IRRF pleiteados, caracterizando-se, portanto, desobediência ao prescrito no art. 55 da Lei n° 7.450/85. Também não foram anexados aos autos documentação comprobatória acerca do oferecimento das receitas financeiras correspondentes aos valores de IRRF cuja dedução foi pleiteada pela interessada, consubstanciando-se, portanto, não cumprimento ao prescrito no art. 231, inciso III do RIR/1999. Acessando-se o sistema SRF-SIEF PER/DCOMP utilizando-se como dados de entrada o CNPJ da interessada, o número deste processo, "declaração de compensação" como tipo de documento e "saldo negativo de IRPJ" como tipo de Fl. 249DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 6 crédito, verifica-se que foram processados vinte e sete PER/DCOMP referentes ao crédito objeto deste processo, conforme telas de fl. 473/475, a seguir relacionadas: 07237.75802.290503.1.3.02-2538, 39640.66463130603.1.3.02-2978, 20117.51146.300603.1.3.02-9314, 06627.89031.150703.1.3.02-8886, 02990.37293.300703.1.3.02-3255, 38972.74048.140803.1.3.02-0733, 33155.19717.140803.1.3.02-4528, 20342.93758.290803.1.3.02-3005, 20701.72516.150903.1.3.02-3001, 34649.12207.150903.1.3.02-6300, 19127.40350.300903.1.3.02-9078, 23927.44630.151003.1.3.02-8100, 29746.97905.291003.1.3..02-2676, 35981.89188.141103.1.3.02-1033, 11305.08152.281103.1.3.02-3545, 16840.42931.151203.1.3.02-0220, 04710.43892.120104.1.3.02-7036, 26585.54242.150104.1.3.02-7045, 33615.98271.300104.1.3.02-6703, 33406.50769.130204.1.3.02-1962, 35061.77420.27024.1.3.02-4421, 10550.37062.150304.1.3.02-3736, 14998.10463.300304.1.3.02-7910, 38567.89792.150404.1.3.02-1720, 28025.37210.300404.1.3.02-7606, 18149.70701.140504.1.3.02-4933 e 28794.65491.150604.1.3.02-0206. Deve ser registrado que os vinte e sete PER/DCOMP acima citados já foram objeto do despacho de fl. 365 da EQPEJ desta DIORT, que informou, em 24/11/2006, tratamento manual neste processo relativamente a esses vinte e sete PER/DCOMP vinculados a este processo, os quais também foram baixados em papel e anexados aos autos à fl. 259/364. Os débitos informados nos nove PER/DCOMP indicados na tela de fl. 473 e nos quatro primeiros PER/DCOMP da tela de fl. 474, cujas datas de transmissão foram anteriores a 31/10/2003, encontram-se declarados em DCTF. .....” Ao final, o parecerista conclui pelo indeferimento do direito creditório requerido à fl. 02, no valor de R$ 1.092.897,87, referente aos saldos negativos de IRPJ relativos aos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000 e, em decorrência, pela não homologação das compensações indicadas nas DCOMP de fl. 01, 161, 163/164, 166/167 e 168/169 deste processo, nas DCOMP anexadas à fl. 01 dos processos n° 10768.100053/2003-52, 10768.100399/2003-61, 10768.100239/2002-31, 10768.018131/2002-03, 10768.001662/2003-30, 10768.000754/2003-01, 10768.002024/2003-36, 10768.002635/2003-84, 10768.003604/2003-41, 10768.003168/2003-18 e 10768.004351/2003-22 e nos PER/DCOMP processados sob o n° 07237.75802.290503.1.3.02-2538, 39640.66463130603.1.3.02-2978, 20117.51146.300603.1.3.02-9314, 06627.89031.150703.1.3.02-8886, 02990.37293.300703.1.3.02-3255, 38972.74048.140803.1.3.02-0733, 33155.19717.140803.1.3.02-4528, 20342.93758.290803.1.3.02-3005, 20701.72516.150903.1.3.02-3001, 34649.12207.150903.1.3.02-6300, 19127.40350.300903.1.3.02-9078, 23927.44630.151003.1.3.02-8100, 29746.97905.291003.1.3..02-2676, 35981.89188.141103.1.3.02-1033, 11305.08152.281103.1.3.02-3545, 16840.42931.151203.1.3.02-0220, 04710.43892.120104.1.3.02-7036, 26585.54242.150104.1.3.02-7045, 33615.98271.300104.1.3.02-6703, 33406.50769.130204.1.3.02-1962, 35061.77420.27024.1.3.02-4421, 10550.37062.150304.1.3.02-3736, 14998.10463.300304.1.3.02-7910, 38567.89792.150404.1.3.02-1720, 28025.37210.300404.1.3.02-7606, 18149.70701.140504.1.3.02-4933, e 28794.65491.150604.1.3.02-0206, baixados em papel e anexados aos autos (fls.. 259/364). O Parecer Conclusivo nº 116/07 (fls. 489/494) foi aprovado e adotado pelo Delegado da Derat/RJO como parte integrante do Despacho Decisório nº 116/07 (fls. 495/496), por meio do qual ele não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações solicitadas. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10768.012103/2002-74 Acórdão n.º 1202-00.407 S1-C2T2 Fl. 840 7 Em sua MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 511/520) com o Despacho Decisório, a interessada alega, em suma, que: - o próprio sistema da RFB, baseado nas DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, demonstraria um crédito de IRRF, ainda que parcial, no valor de R$ 692.789,15, não se justificando o indeferimento integral do direito creditório requerido por ela; - não se poderia desconhecer o valor probatório das informações prestadas por terceiros desinteressados em suas respectivas DIRF, especialmente se os declarantes se responsabilizam pelas informações prestadas e são cobrados pelos valores de IRRF indicados em suas declarações; - não se poderia admitir que as autoridades administrativas, sem qualquer informação ou prova contrária, simplesmente descartem as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, inviabilizando o reconhecimento, ainda que parcial, do crédito pleiteado; - para comprovar o seu direito ao crédito integral relativo aos saldos negativos de IRPJ, que montariam a R$ 1.092.897,87 (doc. 03 - cópia de uma folha de um balancete e de Declaração de Compensação), teria juntado à sua manifestação de inconformidade cópia da documentação comprobatória dos valores de IRRF declarados nas DIPJ dos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000; - o montante de R$ 1.092.897,87 seria composto pelo IRRF incidente sobre os rendimentos de títulos de renda fixa e variável, no valor de R$ 598.803,09 (sendo R$10.617,20 relativos ao ano-calendário de 1998, R$ 196.377,56 ao ano-calendário de 1999 e R$ 391.808,33 ao ano-calendário de 2000) e sobre os rendimentos relativos ao recebimento de JCP, no valor de R$ 494.094,78 (sendo R$ 59.137,83 relativos ao ano-calendário de 1998, R$ 429.362,51 ao ano-calendário de 1999 e R$ 5.594,44 ao ano-calendário de 2000). Em relação ao ano-calendário de 1998, a interessada ressalta que estaria apresentando, em anexo à sua manifestação de inconformidade, cópias dos seguintes documentos: (i) Quanto ao crédito de IRRF decorrente dos rendimentos de títulos de renda fixa e variável no montante de R$ 10.617,20: (a) Folha do Livro Razão com todos os lançamentos efetuados na conta "IR sobre Títulos de Renda e Fixa e Variável", totalizando o montante de R$ 10.617,20 (doc. 04); (b) Informe de Rendimentos do Banco Citibank com demonstração do IRRF no valor total R$ 10.617,20 (doc. 05); e (c) Tela emitida pela própria RFB com base na DIRF apresentada, indicando a retenção do IRRF no valor de R$ 10.617,20 (doc. 06). (ii) Quanto ao crédito de IRRF decorrente dos rendimentos relativos ao recebimento de JCP no montante de R$ 59.137,83: (a) Folha do Livro Razão (conta IR s/ Tit . Renda Fixa e Var.) com o lançamento do IRRF decorrente dos rendimentos de JCP distribuídos a ela pela TELE NORTE PARTICIPAÇÕES S.A. (TELE NORTE) no montante de R$ 59.137,93 (doc.07); Fl. 251DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 8 (b) Demonstrações Financeiras da TELE NORTE constantes do "site" da Comissão de Valores Mobiliários na Internet (www.cvm.gov.br) com o valor bruto de JCP de R$ 2.047.000,00 - páginas 30 e 35 das Demonstrações Financeiras (doc.08); (c) Folha 48 da DIPJ de 1999 (referente ao ano-calendário de 1998 - doc. 09) indicando a participação da interessada na TELE NORTE no percentual de 19,26% que, aplicado sobre o montante bruto total de JCP distribuído (no montante de R$ 2.047.000,00), resultaria no valor de R$ 394.252,20, cujo IRRF corresponderia a R$ 59.137,83; (d) Documento encaminhado pela TELE NORTE com os valores brutos e líquidos de JCP distribuídos a todos os acionistas, o montante que teria cabido à interessada e o IRRF recolhido (doc. 10); (e) Comprovante do recolhimento do valor integral do IRRF incidente sobre o montante de JCP distribuído a todos os acionistas, conforme indicado no documento mencionado no item "d", acima (doc. 11); e (f) Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte - Pessoa Jurídica emitido pela TELE NORTE demonstrando o rendimento pago à interessada e a retenção do IRRF incidente (doc. 12). Em relação ao ano-calendário de 1999, a interessada ressalta que estaria apresentando, em anexo à sua manifestação de inconformidade, cópias dos seguintes documentos: (iii) Quanto ao crédito de IRRF decorrente dos rendimentos de títulos de renda fixa e variável no montante de R$ 196.377,56: (a) Folha do Livro Razão com todos os lançamentos efetuados na conta "IR sobre Títulos de Renda e Fixa e Variável", totalizando o montante de R$ 196.377,56 (doc. 13); (b) Informe de Rendimentos do Banco Citibank S/A com a demonstração do IRRF no valor total de R$ 170.805,46 (doc. 14); (c) Informe de Rendimentos do Banco Itaú S/A com a demonstração do IRRF no valor total de R$ 1.663,54. (doc. 15); e (d) Tela emitida pela própria RFB com base nas DIRF apresentadas demonstrando as retenções de IRRF pelos Bancos CITIBANK S/A e Itaú S/A, como também pelo Banco Opportunity S/A, no valor de R$ 24.049,53 (doc. 16), que somados totalizariam o IRRF de R$ 196.377,56. (iv) Quanto ao crédito de IRRF decorrente dos rendimentos relativos ao recebimento de JCP no montante de R$ 429.362,51: (a) Folha do Livro Razão (conta IR s/ Juros Capital Próprio) com o lançamento do IRRF decorrente dos rendimentos de JCP no montante de R$ 429.362.51 (doc.17), sendo R$ 313.138,22 referentes à TELEMIG CELULAR PARTICIPAÇÕES S.A. (TELEMIG) e R$ 116.224,29 relativos aos valores distribuídos pela TELE NORTE; (b) Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária da TELEMIG com a aprovação do pagamento de JCP no montante total líquido de R$ 9.332.993,00, e, portanto, o valor bruto de R$ 10.979.991,76 (doc.18); Fl. 252DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10768.012103/2002-74 Acórdão n.º 1202-00.407 S1-C2T2 Fl. 841 9 (c) Folha 39 da DIPJ de 2000 (referente ao ano-calendário de 1999 - doc 19) indicando a participação da INTERESSADA na TELEMIG no percentual de 19,26% que, aplicado sobre o montante bruto total de JCP distribuído (no montante de RS 10.979.991,76), resultaria no valor de R$ 2.114.746,41, cujo IRRF corresponderia a R$ 317.221,96 (segundo ela, a diferença entre esse valor e aquele registrado no Livro Razão de 1999 - R$ 313.138,22 - seria de R$ 4.073,25, cujo montante teria sido lançado como complemento de IRRF sobre JCP da TELEMIG no Livro Razão de 2000 - doc. 32); (d) Documento encaminhado pela TELEMIG com os valores brutos e líquidos de JCP distribuídos a todos os acionistas, o montante que teria cabido à INTERESSADA e o IRRF recolhido (doc. 20); (e) Comprovante do recolhimento do valor integral do IRRF incidente sobre o montante de JCP distribuído a todos os acionistas, conforme indicado no documento mencionado no item "d", acima (doc.21); (f) Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte - Pessoa Jurídica emitido pela TELEMIG demonstrando o rendimento pago à interessada e retenção do IRRF incidente (doc. 22); (g) Ata da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária da TELE NORTE com a aprovação do pagamento de JCP no montante total líquido de R$ 3.464.307,00, e, portanto, o valor bruto de R$ 4.075.655,29 (doc.23); (h) Folha 39 da DIPJ de 2000 (referente ao ano-calendário de 1999 – doc. 24) com a participação da interessada na TELE NORTE no percentual de 19,26% que, aplicado sobre o montante bruto total de JCP distribuído (no montante de R$ 4.075.655,29), resultaria no valor de R$ 784.971,20, cujo IRRF corresponde à quantia de R$ 117.745,68 (segundo ela, a diferença entre esse valor e aquele registrado no Livro Razão de 1999 - R$ 116.224,29- seria de R$ 1.521,19, cujo montante teria sido lançado como complemento de IRRF sobre JCP da TELE NORTE no Livro Razão de 2000 - doc. 32); (i) Documento encaminhado pela TELE NORTE com os valores brutos e líquidos de JCP distribuídos a todos os acionistas, o montante que teria cabido à interessada e o IRRF recolhido (doc. 25); (j) Comprovante do recolhimento do valor integral do IRRF incidente sobre o montante de JCP distribuído a todos os acionistas, conforme indicado no documento mencionado no item "h", acima (doc. 26); e (l) Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte - Pessoa Jurídica emitido pela TELE NORTE demonstrando o rendimento pago à INTERESSADA e a retenção do IRRF incidente (doc. 27). Em relação ao ano-calendário de 2000, a interessada ressalta que estaria apresentando, em anexo à sua manifestação de inconformidade, cópias dos seguintes documentos: (v) Quanto ao crédito de IRRF decorrente dos rendimentos de títulos de renda fixa e variável no montante de R$ 391.808,33: Fl. 253DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 10 (a) Folha do Livro Razão com todos os lançamentos efetuados na conta "IR sobre Títulos de Renda e Fixa e Variável", totalizando o montante de R$ 391.808,33 (doc. 28); (b) Informe de Rendimentos do Banco Citibank S/A com a demonstração do IRRF no valor total de R$ 16.646,01 (doc. 29); (c) Informe de Rendimentos do Banco Itaú S.A. com a demonstração do IRRF no valor total de R$ 55,87 (doc. 30); e (d) Tela emitida pela própria RFB com base nas DIRF apresentadas demonstrando as retenções de IRRF pelo CITIBANK S.A., Banco Itaú S.A. e Banco Opportunity S.A., no valor de R$ 374.933,99 (doc. 31). vi) Quanto ao crédito de IRF decorrente dos rendimentos relativos ao recebimento de JCP no montante de R$ 5.594,44: (a) Folha do Livro Razão (conta IR s/ Juros Capital Próprio) com o lançamento do IRRF decorrente dos rendimentos de JCP no montante de R$ 5.594.44 (doc.32), sendo R$ 4.073,25 referentes à TELEMIG e R$ 1.521,19 relativos aos valores distribuídos pela TELE NORTE (segundo ela, esses valores se refeririam a complementação do IRRF sobre JCP distribuídos pela TELEMIG e TELE NORTE no ano-calendário de 1999, conforme já estaria comprovado pelos documentos listados no item (iv) e teria sido mencionado nas suas alíneas "c" e "h", acima). A interessada argumenta ainda que: - não haveria fundamento para que os créditos pleiteados decorrentes do IRRF sobre aplicações financeiras e de juros sobre capital próprio não fossem aceitos para fins de restituição/compensação; - o fato de o IRRF incidente sobre os rendimentos de JCP ou de aplicações financeiras não terem sido totalmente informados pelas fontes pagadoras nas suas respectivas DIRF não prejudicaria seu direito de utilizar o referido IRRF (transformado em saldo negativo de IRPJ dos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000) para fins de compensação; - não teria qualquer ingerência sobre os procedimentos fiscais e tributários adotados pelas fontes pagadoras, especialmente quanto ao cumprimento de eventuais obrigações acessórias; - na hipótese de erro na apresentação das DIRF, teria cabido à RFB cobrar a multa que eventualmente entendesse devida das fontes pagadoras, em vez de prejudicá-la em seu direito creditório. Ao final, a interessada solicita que seja dado provimento à sua manifestação de inconformidade e que seja reformado integralmente o Despacho Decisório que não lhe reconheceu o direito creditório pleiteado e nem homologou as compensações por ela formalizadas. Protesta ainda pela juntada de novos documentos com o objetivo de robustecer a comprovação da retenção integral do IRRF.” DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 791 a 805) não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou as compensações, conforme ementa abaixo transcrita: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF COMO ANTECIPAÇÃO DO IRPJ DEVIDO AO FINAL DO PERÍODO Fl. 254DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10768.012103/2002-74 Acórdão n.º 1202-00.407 S1-C2T2 Fl. 842 11 No caso das empresas tributadas com base no lucro real, o IRRF constitui antecipação do IRPJ devido ao final do período de apuração, podendo ser deduzido na DIPJ no cálculo do imposto a pagar somente se as receitas correspondentes tenham sido incluídas na DIPJ. Se, nesse caso, for apurado saldo negativo de IRPJ em decorrência dessa dedução, ele pode ser restituído ou compensado com outros débitos, desde que possua os atributos da certeza e liquidez quanto à sua composição e que sejam atendidos os demais requisitos e formalidades legais. Merece destaque os fundamentos da decisão abaixo transcritos: “O imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos de aplicações financeiras ou de juros sobre capital próprio auferidos pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real é considerado antecipação do devido na declaração anual (DIPJ), podendo ser compensado com o imposto apurado. Contudo, ele somente pode ser deduzido no cálculo do imposto de renda a pagar na DIPJ se as receitas que sofreram as retenções integrarem efetivamente a base de cálculo do imposto devido informada na declaração. Assim, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real deve incluir comprovadamente na sua declaração de rendimentos o valor da receita tributável decorrente de aplicações financeiras e de juros sobre o capital próprio correspondente ao imposto retido para poder levar como dedução, na mesma DIPJ, o valor do IRRF antecipado em relação ao devido ao final do período, ainda que não tenha apurado imposto a pagar. Nessa hipótese poderá haver a apuração de saldo negativo de imposto de renda a pagar no encerramento do período, que é passível de restituição ou de compensação com valores de tributo devidos nos períodos subseqüentes. Especificamente quanto ao IRRF relativo aos juros sobre capital próprio recebidos pela pessoa jurídica, há ainda que se considerar que ele somente pode ser deduzido do IRPJ na declaração se não tiver sido compensado com o imposto retido pela mesma pessoa jurídica por ocasião de pagamento por ela de juros sobre o capital próprio a seus sócios ou acionistas, nos termos do § 6º do art. 9º da Lei nº 9.249/95. Nos termos do art. 170 do CTN, pode haver compensação de créditos tributários devidos pelo sujeito passivo com créditos oponíveis por ele à Fazenda Nacional, desde que estes sejam líquidos e certos e que sejam atendidos os demais requisitos estabelecidos na legislação tributária, especialmente nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96, com suas alterações posteriores. Entre os possíveis créditos oponíveis à Fazenda Pública encontra-se o saldo negativo de IRPJ. No caso ora examinado, como foi relatado, em face das divergências constatadas entre os dados das DIPJ e das DIRF, a autoridade fiscal da DERAT/RJO, antes de proferir o Despacho Decisório, teve o cuidado de intimar a interessada a comprovar, mediante cópias autenticadas de seus livros contábeis/fiscais e de comprovantes anuais das fontes pagadoras, duas ocorrências (fls. 470/472): i)a retenção na fonte pelas fontes pagadoras do imposto indicado na DIPJ; ii)o oferecimento à tributação pela interessada na DIPJ das receitas correspondentes. Fl. 255DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 12 Como também foi relatado, a interessada não atendeu à intimação, tendo deixado de apresentar esses documentos comprobatórios. Assim, à vista das divergências constatadas no âmbito da Derat/RJO e da falta de documentação pertinente, aquela autoridade fiscal não pôde reconhecer o direito creditório pleiteado e, conseqüentemente, não pôde homologar as compensações. Com a manifestação de inconformidade, a interessada traz os documentos de fls. 521/787, visando comprovar que houve a retenção do imposto nos valores indicados nas DIPJ. Ainda que os documentos juntados pela interessada possam se revelar consistentes para comprovar retenções específicas do imposto de renda pelas fontes pagadoras, a possibilidade de dedução do IRRF na apuração do IRPJ na DIPJ se subordina não apenas à efetiva retenção anterior do imposto, mas também ao oferecimento à tributação na DIPJ das receitas correspondentes. Constata-se que a interessada, em sua manifestação de inconformidade, se preocupou em comprovar que os valores de IRRF indicados como dedução nas DIPJ corresponderiam a valores efetivamente retidos pelas fontes pagadoras. No entanto, não explicou, em nenhum momento, as divergências constatadas no âmbito da Derat/RJO e não apresentou qualquer documento que trouxesse a conciliação entre os valores declarados e os constantes da documentação correspondente. Também não comprovou precisamente que os valores de receitas correspondentes às retenções teriam sido oferecidos integralmente à tributação na sua DIPJ. De fato, mesmo diante das divergências apontadas pela autoridade da DERAT/RJO, não apresentou a composição dos valores de receitas informados por ela na DIPJ e não exibiu cópias de folhas pertinentes dos livros contábeis e fiscais, que, aliás, já haviam sido objeto de intimação anterior não atendida. A simples exibição pela interessada de cópias de folhas do Razão referentes às contas “IR sobre Títulos de Renda Fixa e Variável” e “Imposto de Renda s/ Juros sobre Capital Próprio” não é suficiente para provar que as receitas correspondentes ao IRRF tenham sido tributadas na DIPJ. Do mesmo modo, a exibição por ela de cópias das suas DIPJ, dos comprovantes anuais de rendimentos fornecidos pelas fonte pagadoras, dos extratos do sistema da RFB relativos às DIRF, de documentos das empresas Tele Norte Participações S/A e Telemig Celular Participações S/A (como demonstrações financeiras, atas de assembléia etc.), de documentação atestando sua participação no capital dessas empresas, de comprovante de recolhimento do IRRF sobre JCP pagos ou creditados pelas empresas, de DCTF e de informes de rendimentos emitidos pelas instituições financeiras etc. (fls. 540 a 787) também não é suficiente para provar que as receitas correspondentes ao IRRF tenham sido oferecidas à tributação na DIPJ. Faltou à interessada a juntada aos autos de documentos que permitissem a conciliação dos valores de receitas informados nas diferentes declarações e nos documentos correspondentes, bem como a apresentação da composição desses valores de receitas, especialmente mediante cópias de folhas de seus livros contábeis e fiscais, para demonstrar o efetivo oferecimento à tributação nas DIPJ das receitas que teriam sido objeto de retenção do imposto. Especificamente em relação a receitas decorrentes de juros sobre o capital próprio, a interessada, ao preencher suas DIPJ, deixou de informar a quase totalidade do valor de receita que alega ter auferido a esse título na linha 22 da ficha 07 da DIPJ referente ao ano-calendário de 1998 (fl. 626), na linha 23 da ficha 7A da DIPJ do ano-calendário de 1999 (fl. 582) e na linha 23 da ficha 6A da DIPJ do ano- calendário de 2000 (fl. 545). Em relação às receitas financeiras informadas nessas mesmas fichas também não é possível confirmar a exatidão desses valores à vista dos documentos juntados aos autos. Na verdade, não se consegue conciliar Fl. 256DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10768.012103/2002-74 Acórdão n.º 1202-00.407 S1-C2T2 Fl. 843 13 perfeitamente os valores declarados com os elementos comprobatórios trazidos à colação pela interessada. Assim, ainda que a interessada tenha juntado uma variada gama de documentos à sua manifestação de inconformidade, observa-se que persiste a situação de dúvida quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, à vista das divergências de informações, que permanecem sem explicação da interessada, e da insuficiente documentação comprobatória por ela trazida aos autos, inábil para, por si só, comprovar o oferecimento à tributação das receitas que teriam sofrido a retenção do imposto na fonte. Nesse sentido, não se pode nem mesmo acatar a alegação da interessada de que pelo menos a parcela relativa ao valor informado na DIRF deveria ser aceita como líquida e certa, uma vez que faltou a comprovação inconteste de que a integralidade ou mesmo determinada parte da receita objeto da retenção teria sido efetivamente oferecida à tributação nas DIPJ. Aliás, ao contrário do que alega a interessada, não estão sendo descartadas as informações constantes das DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras. Na verdade, tais informações, como já foi observado, não são suficientes para, por si só, confirmar o direito creditório pleiteado, tendo sido, por isso, consideradas no contexto dos demais documentos constantes dos autos. Conclui-se, portanto, que a interessada deixou de demonstrar, com documentos hábeis e suficientes, que o direito creditório por ela alegado seria líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN.” DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do julgamento de primeira instância em 11/10/2007, por meio de ciência postal, conforme AR de folha 807-V, a interessada ingressou, em 09/11/2007, com recurso voluntário de fls. 812/824 alegando que o recurso voluntário é tempestivo e, em síntese que: a) em vista da documentação apresentada, a Decisão Recorrida reconheceu o valor de IRRF de R$ 1.092.897,87 foi devidamente retido, mas indeferiu a solicitação por entender que não foi precisamente comprovado o oferecimento das receitas decorrentes de aplicações financeiras e de JCP à tributação. b) mesmo que a recorrente não tivesse oferecido à tributação as referidas receitas (premissa em que se baseia a decisão recorrida), não haveria fundamento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos, pois de acordo com as DIPJs constantes dos autos, teria prejuízos fiscais superiores às receitas supostamente não oferecidas à tributação. c) de toda forma a recorrente ofereceu à tributação as receitas financeiras objeto de retenção, conforme exemplifica. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 14 Voto Conselheiro Flávio Vilela Campos, Relator. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regulam o processo administrativo fiscal (PAF). Dele conheço. A questão fundamental trazida à apreciação deste Conselho é pedido de restituição constituído por saldos negativos de IRPJ acumulados nos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000, cumulados com pedidos/declaração de compensação. De início, cabe ressaltar que o crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para que seja efetivada a compensação, deve ser líquido e certo, segundo dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir reproduzido: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” (destaquei) Deriva daí que o pressuposto nuclear para a compensação tributária é que o crédito do contribuinte contra a Fazenda Pública se revista de certeza e liquidez. A certeza diz respeito ao reconhecimento por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil quanto à possibilidade de o contribuinte compensar-se de supostos indébitos. Já a liquidez do direito há de ser comprovada pela prova documental do montante compensável, a ser reconhecido pelo devedor. No caso sob análise, o crédito utilizado advém de saldos negativos de IRPJ acumulados nos anos-calendário de 1998, 1999 e 2000. Tais saldos, de acordo com a recorrente, teriam se originado nas DIPJ pela dedução, no cálculo do IRPJ a pagar, de valores de imposto retidos na fonte (IRRF) sobre receitas decorrentes de aplicações financeiras e de juros sobre o capital próprio (JCP) auferidas naqueles períodos. A decisão recorrida não reconheceu o direito creditório pleiteado, em especial por não ter a interessada demonstrado o oferecimento à tributação nas DIPJ das receitas que teriam sido objeto de retenção do imposto, conforme se verifica em seus fundamentos, transcritos no relatório. Alega a recorrente que mesmo que não tivesse oferecido à tributação as referidas receitas, não haveria fundamento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos, pois de acordo com as DIPJs constantes dos autos, teria prejuízos fiscais superiores às receitas supostamente não oferecidas à tributação. Ora, como anteriormente frisado, para fins de compensação tributária exige- se liquidez e certeza do crédito tributário. Para tal, exige-se que a interessada demonstre de forma clara que os valores retidos objeto de restituição sejam aqueles incidentes sobre receitas computadas na determinação do lucro real, nos termos do art. 231, III do RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). Fl. 258DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10768.012103/2002-74 Acórdão n.º 1202-00.407 S1-C2T2 Fl. 844 15 Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): (...) III - do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; Portanto, não basta que haja compatibilidade aritmética entre os valores das receitas financeiras supostamente omitidas e os valores dos prejuízos fiscais. Até porque, neste caso haveria redução de prejuízos fiscais para fins de compensação em períodos posteriores. Ou seja, para comprovar a certeza e liquidez do crédito, bastava que a recorrente tivesse atendido a intimação realizada pela autoridade instrutora para comprovar, mediante cópias autenticadas de livros contábeis e fiscais, o oferecimento à tributação dos valores dos rendimentos correspondentes aos valores de retenção de IRRF. Nem mesmo em sua manifestação de inconformidade e agora em recurso voluntário cumpriu a clara solicitação. Para fins de comprovação de que ofereceu à tributação as receitas financeiras objeto de retenção, apenas exemplificou duas situações, quais sejam: a) que sobre o valor de R$ 37.296,42, oferecido à tributação na DIPJ do ano- calendário de 2000 como “Receitas de Juros Sobre o Capital Próprio” foi retido IRRF à alíquota de 15%, totalizando o montante de R$ 5.594,44. A recorrente almeja comprovar o oferecimento à tributação das receitas de juros sobre o capital próprio apenas com a contabilização do IRRF e informação prestada na DIPJ. Não junta cópias da escrituração da receita vinculando-a as informações prestadas em DIPJ, bem como de documentação que comprove não ter compensado o IRRF por ocasião de pagamento por ela de juros sobre o capital próprio a seus sócios ou acionistas. b) que do valor de R$ 459.893,63, oferecido à tributação na DIPJ do ano- calendário de 1998 como “outras receitas financeiras”, parte, R$ 53.086,13, refere-se à receita de aplicação financeira (“lucro na venda LBC Citibank”), sobre o qual foi retido o IRRF à alíquota de 20%, totalizando o montante de R$ 10.617,20. Novamente a recorrente não junta cópias da escrituração da receita vinculando-a as informações prestadas em DIPJ, apenas da contabilização do IRRF, sem a necessária conciliação entre receita tributada e respectivo IRRF. Caberia a recorrente trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identificassem, inequivocamente, o oferecimento à tributação dos valores dos rendimentos correspondentes aos valores de retenção de IRRF. Ainda mais, quando a contribuinte é pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real que, nos termos do artigo 7º do Decreto-lei nº 1.598, de 1977, deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais. Destarte, a juntada de documentos que demonstrem a efetividade e liquidez do crédito que a interessada aduz possuir e a comprovação de que referido crédito foi apurado e compensado de acordo com as normas legais é obrigação da pretendente. A par disso, assim dispõe o Código de Processo Civil, art. 333: Fl. 259DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO 16 “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor”. (grifei) Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550- SC, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse sentido, no pedido de restituição e pedidos/declarações de compensação apresentados, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto e ilíquido, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Dispositivo Isso posto, voto em negar provimento ao recurso. (documento assinado eletronicamente) Flávio Vilela Campos - Relator Fl. 260DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10768.012103/2002-74 Acórdão n.º 1202-00.407 S1-C2T2 Fl. 845 17 Fl. 261DF CARF MF Emitido em 26/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS Assinado digitalmente em 24/11/2010 por FLAVIO VILELA CAMPOS, 17/12/2010 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
