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Numero do processo: 11444.001841/2008-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO.
Não demonstrando o recorrente o interesse recursal, não se deve conhecer o recurso manejado.
Numero da decisão: 2301-002.553
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2007 RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Não demonstrando o recorrente o interesse recursal, não se deve conhecer o recurso manejado.
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NÃO CONHECIMENTO. Não demonstrando o recorrente o interesse recursal, não se deve conhecer o recurso manejado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do Recurso, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Fl. 93DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Tratase de Auto de Infração nº 37.199.9952, o qual exige multa fundamentada no artigo 32A da Lei nº 8.212/91, pelo fato de o Município não ter entregado a GFIP referente à competência 13/2005 no prazo fixado pela legislação, sendo que a competência 13/2007 foi enviada em 07/07/2008, conforme informação constante do sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. O sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando que a multa lhe é prejudicial e incabível, pois não cometeu qualquer ilícito. A DRJ de Marília determinou a conversão dos autos em diligência para que a autoridade fiscal, em virtude da capitulação legal da multa, esclarecesse se as contribuições previdenciárias referentes às competências 13/2005 e 13/2007 foram recolhidas. A autoridade autuante, às fl. 55 dos autos afirmou que as contribuições previdenciárias das citadas competências foram quitadas, bem como expôs as razões pelas quais aplicou a multa capitulada no artigo 32A da Lei nº 8.212/91. O Município autuado, devidamente cientificado da diligência fiscal, reiterou os argumentos da impugnação (fl. 63). A instância a quo julgou parcialmente procedente a impugnação, pois verificando o cálculo da multa aplicada entendeu que em relação à competência 13/2007 seria mais benéfico ao contribuinte incidir a multa prevista na legislação vigente à época do fato gerador. Ao final, excluiu da autuação a multa relativa à competência 13/2007 e manteve a multa de R$500,00 em relação à competência 13/2005. Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs recurso voluntário a esse Conselho, no qual argumenta no sentido de que o acórdão recorrido teria gerado um novo lançamento, o que lhe é vedado. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Não conheço do recurso interposto. Explico. Isto, porque, data máxima vênia, a alegada nulidade suscitada no recurso voluntário não se deu, pois o que de fato ocorreu foi o acolhimento parcial das razões suscitadas pela recorrente em relação à aplicação da multa. Em outras palavras, a instância ordinária concordou em parte com os argumentos da autuada em relação ao cálculo da multa e, assim, procedeu à retificação desse somatório de modo mais favorável ao ora recorrente. Vejase que a multa inicialmente aplicada era de R$18.835,97 e após a decisão recorrida foi fixada em R$500,00. A recorrente, nesse sentido, está recorrendo da parte da decisão a quo que lhe foi favorável, não demonstrando assim interesse processual em manejar o presente recurso voluntário. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11444.001841/200805 Acórdão n.º 2301002.553 S2C3T1 Fl. 3 3 Caberia à recorrente devolver a essa E. Corte Administrativa a parte mantida pela decisão a quo, ou seja, trazer argumentos capazes de infirmar o restante da multa fixada em R$500,00. Não o fazendo, não há razão para interpor o presente recurso. Ante o exposto, VOTO no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário, mantendose a decisão a quo tal como proferida. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 05/06 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/04/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720549/2010-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA REGULAMENTAR. FALTA DA ENTREGA DOS ARQUIVOS MAGNÉTICOS.
O Inciso II, do art. 12, da lei 8.218/91, prevê aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, multa regulamentar limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período, no entanto, no decorrer da Ação Fiscal, a auditoria tem que deixar clara a omissão de informações, ou que as mesmas foram fornecidas incorretamente.
Numero da decisão: 1301-001.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste Colegiado, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, em NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA REGULAMENTAR. FALTA DA ENTREGA DOS ARQUIVOS MAGNÉTICOS. O Inciso II, do art. 12, da lei 8.218/91, prevê aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, multa regulamentar limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período, no entanto, no decorrer da Ação Fiscal, a auditoria tem que deixar clara a omissão de informações, ou que as mesmas foram fornecidas incorretamente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, em NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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FALTA DA ENTREGA DOS ARQUIVOS MAGNÉTICOS. O Inciso II, do art. 12, da lei 8.218/91, prevê aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, multa regulamentar limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período, no entanto, no decorrer da Ação Fiscal, a auditoria tem que deixar clara a omissão de informações, ou que as mesmas foram fornecidas incorretamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste Colegiado, POR UNANIMIDADE DE VOTOS, em NEGAR provimento ao RECURSO DE OFÍCIO, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 05 49 /2 01 0- 29 Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10283.720549/201029 Acórdão n.º 1301001.188 S1C3T1 Fl. 11 2 Relatório Tratase de auto de infração de Multa Regulamentar, (equivalente a 5 (cinco) por cento sobre o valor da operação omitida ou cuja informação solicitada tenha sido prestada incorretamente, limitada a 1 (hum) por cento da Receita Bruta da Pessoa Jurídica no Período), referente ao ano calendário de 2010, no valor de R$ 5.229 200,16 em decorrência de omissão de informações solicitadas. Enquadramento legal: arts. 11 e 12, inciso II, da Lei n° 8.218/91, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.158/2001 e reedições. Na descrição dos fatos a autoridade fiscal consigna que analisando os dados apresentados pela contribuinte em arquivos magnéticos conclui pela existência de inconsistência com relação ao solicitado (Estrutura de Produtos e Insumos). Impugnando a exigência, alegou a empresa, em síntese, que não cometeu a falta que lhe foi imputada. A presente autuação decorre de suposta omissão de informações solicitadas pela D. Autoridade Fiscal durante procedimento de fiscalização, ocorre que, durante todo o procedimento de fiscalização, todas as informações solicitadas pela D. Autoridade Fiscal foram atendidas pela Requerente, inclusive aquelas referentes ao layout do Formulário 4.6.1. A suposição de omissão de informações no Formulário 4.6.1 parte da premissa equivocada da D. Fiscalização de que todos os produtos vendidos pela Requerente foram por ela fabricados naquele período. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/BELÉM), decidiu a matéria por meio do Acórdão 0124.675, de 05/04/2012, julgando procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário, tendo sido prolatada a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2010 MULTA REGULAMENTAR FALTA DA ENTREGA DOS ARQUIVOS MAGNÉTICOS O Inciso II, do Art. 12, da lei 8.218/91, prevê aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período, no entanto, no decorrer da Ação Fiscal, a Auditoria tem deixar clara a omissão de informações, ou que as mesmas foram fornecidas incorretamente. (...) É o relatório. Passo ao voto. Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10283.720549/201029 Acórdão n.º 1301001.188 S1C3T1 Fl. 12 3 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O valor do crédito tributário exonerado no julgamento de primeira instância supera o limite de alçada que sujeita a decisão à revisão necessária, razão pela qual tomo conhecimento do Recurso de Oficio. No mérito, é de se negar provimento ao recurso interposto, uma vez que a matéria foi apropriadamente apreciada na decisão recorrida, a qual afastou a exigência fundamentando a sua decisão nas seguintes premissas extraídas do voto condutor: Ao analisarmos a Impugnação, verificamos que além da tentativa de comprovar o porquê da não apresentação das Estruturas de alguns Produtos fornecidas pela Empresa, a Impugnante alega ainda: Ainda assim, qualquer sanção quanto a omissão ou incorreção somente poderia ser aplicada à Requerente com base em informações solicitadas. Como descrito, a Requerente em nenhum momento foi questionada sobre divergências existentes entre a relação de vendas e o Formulário 4.6.1, que foi tão somente questionado sobre seu layout; Assiste razão à Impugnante, como veremos ao relacionarmos os fatos elencados nas Intimações, Reintimações, e a incompatibilidade da descrição da provável Infração imputada ao Contribuinte nos Autos, a saber: Ora, ao observarmos os pedidos elencados nos Termos de Intimações e Reintimações, verificamos que a Fiscalização em momento algum apontou como dúvida e/ou pediu que a Fiscalizada comprovasse ou demonstrasse os porquês das ausências de ESTRUTURAS DE ALGUNS PRODUTOS FORNECIDOS PELA EMPRESA, ao contrário, só intimou apresentar arquivos corrigindo erros de LAYOUT encontrados, conforme planilhas que a mesma anexou às Reintimações. A legislação referente à prova encontrase disposta da seguinte maneira no Processo Administrativo Fiscal: “...Art. 8.º. Os termos decorrentes de atividade fiscalizadora serão lavrados, sempre que possível, em livro fiscal, extraindose cópia para a anexação ao processo; quando não lavrados em livro, entregarseá cópia autenticada à pessoa sob fiscalização. Art. 9.o. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009)...” Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA Processo nº 10283.720549/201029 Acórdão n.º 1301001.188 S1C3T1 Fl. 13 4 Pelo exposto, no decorrer da ação fiscal, a Auditoria não deixou clara, a omissão de informações, ou que as mesmas foram fornecidas incorretamente, pela falta de intimação apontando anteriormente à lavratura do Auto de Infração os supostos defeitos. Ademais, esta exigência é decorrente da Fiscalização autorizada pelo MPF nº 0220100.2009.00576, que posteriormente desencadeou no Auto de Infração, impugnado e julgado procedente em parte a impugnação, em 14 de abril de 2011, conforme Acórdão nº 21.422, Processo nº 10283.720851/201087. Como visto, o resultado da fiscalização foi satisfatório, ao ser lavrado o competente auto de infração. Concluímos, pela exoneração do crédito tributário lançado, conforme acima descrito. Dos fatos acima não se pode afirmar que a empresa forneceu as informações ou esclarecimentos solicitados com omissões. Não restando, assim, caracterizado o não atendimento ao pedido de informações. Se os auditores não confiavam na informação prestada, restavalhes aprofundar a investigação para provar não ser a mesma verdadeira, ou com omissões, porém não poderiam aplicar a multa, eis que o comportamento da recorrente não se enquadra no fato tipificado no auto de infração. Pelo exposto, voto por negar provimento do recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/ 04/2013 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 18/04/2013 por PLINIO RODRIGUES LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 10480.909500/2009-53
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 09 50 0/ 20 09 -5 3 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909500/200953 Resolução nº 1802000.170 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife PE, que por unanimidade de votos julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Consta do presente processo que a Recorrente no anobase de 2003, a época optante do Simples, recolheu regularmente todos os seus impostos através do DARFSimples (extrato de fl. 23), e transmitiu, via internet, a Declaração PJ Simplificada 2004 do anobase 2003 em 30/05/2004, ou seja, no devido prazo legal. Em setembro de 2004 a Recorrente recebeu uma notificação de exclusão do Simples, retroativa a 01/01/2003, determinando que a mesma entregasse as DCTF's do ano base 2003 e a DIPJ do exercício 2004 para que ficasse regular com suas obrigações acessórias junto à Receita Federal do Brasil (“RFB”) e pudesse, assim, retornar ao Simples. Em 16/05/2005, foi recepcionadas as DCTF’s dos 1º, 2°, 3° e 4° trimestres de 2003 (fls. 24 a 27v) e em 20/05/2005, foi recepcionada a DIPJ com alteração na forma de tributação para Lucro Presumido (fl. 28v a 38v). Vale salientar que essa entrega feita após o prazo limite estipulado na legislação gerou multas por atraso na entrega, bem como débitos relativos a COFINS, PIS, IRPJ e CSLL. Para a extinção da obrigação tributária, a Recorrente transmitiu em 16/05/2005, ou seja, na data da entrega das DCTF’s, PER/dCOMP eletrônica (fls. 01/05) visando compensar DARFSIMPLES recolhido pela sistemática do Simples (Código de Receita 6106), relativo a período de apuração setembro de 2003, no valor de R$ 7.114,14 (fls. 03 e 22). A este processo coube o valor de R$ 2.845,66 (fl. 02), na compensação com débito de sua responsabilidade no valor original de R$ 2.845,66, período de apuração setembro de 2003, correspondente à COFINS (fls. 04, 25v e 32). A DRF/RecifePE emitiu Despacho Decisório eletrônico, com ciência em 02/06/2009 (fls. 06 a 10), HOMOLOGANDO PARCIALMENTE a compensação declarada, eis que constatou a procedência do crédito original informado, reconhecendose o valor do crédito pretendido, mas o considerou insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, restando um saldo devedor de: R$ 394,17 (principal), R$ 78,83 (multa) e R$ 304,81 (juros). Inconformada com a parte não homologada pela DRF, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 01/07/2009 (fls. 11 a 20), pelos motivos que vão abaixo informados: 01 A requerente sendo optante pelo regime de recolhimento do Simples, recolheu regularmente todos os seus impostos pelo DARF Simples no ano base de 2003, e entregando via intemet a Declaração PJ Simplificada 2004 Ano Base 2003 em 30/05/2004, ou seja, no devido prazo legal, sendo surpreendida em Setembro/2004 com o recebimento de Notificação de Exclusão do Simples retroativo a 01/01/2003, obrigando a requerente a entregar as DCTF's e a DIPJ do ano base 2003 exercício 2004 fora do prazo legal de entrega, para Fl. 84DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909500/200953 Resolução nº 1802000.170 S1TE02 Fl. 4 3 que ficasse regular com suas obrigações acessórias junto a RF e pudesse, assim, retornar ao regime do Simples, o que veio a gerar Multas p/Atraso na entrega, bem como débitos relativos a COFINS, PIS, IRPJ e CSLL do ano base 2003, todos gerados após vencimentos, pela exclusão retroativa, e sendo orientada por técnicos da RF a proceder a transmissão de PER/DCOMP para poder fazer a compensação dos débitos gerados dos impostos , acima, pelos pagamentos.do Simples recolhidos em 2003, conforme procedeu, tendo em vista que os pagamentos do Simples eram de valor maior que os débitos gerados nas DCTF's e DIPJ que totalizavam em seu valor original R$ 70.524,64 e os pagamentos do Imposto Simples pagos indevidamente no ano base de 2003 representam o valor total de R$ 89.346,84, conforme poderá ser constatado nas cópias dos documentos em anexo. 02 "Conforme poderá constatar na cópia da PER/DCOMP e nas cópias das declarações que originaram todos os dados acima, os valores gerados pela exclusão do Simples, foram devidamente compensados em seu valor original e ainda houve um saldo remanescente em favor da requerente relativo aos pagamentos do Simples, o que liquida qualquer valor residual que possa vir a ocorrer nas referidas cobranças do Despacho Decisório, ficando a requerente desobrigada do recolhimento de tributos concernentes ao período do ano base de 2003, visto que ainda tem um crédito de recolhimentos a maior de tributos. Finalmente, requer a Recorrente: "Diante do exposto acima, vem mui respeitosamente ratificar sua manifestação de inconformidade com as cobranças geradas, pelo que requer a essa Delegacia de Julgamento que se digne em fazer e/ou mandar fazer uma melhor análise dos valores compensados na PER/DCOMP pelos pagamentos do Simples, bem como requer que, caso os valores cobrados no Despacho Decisório estejam corretos, o saldo residual dos pagamentos do Simples, existente em favor da requerente sejam apropriados nos valores cobrados através do despacho decisório, mesmo que tenham sido pagos no ano base de 2003, visto que, apesar da Per/Dcomp ter sido enviada em 16/05/2005, só em 20/04/2009 é que a mesma foi analisada, impossibilitando assim, que a requerente possa pedir restituição dos valores pagos a maior em 2003, e não é justo que seja penalizada com cobranças de tributos intempestivamente, quando tem um saldo residual em seu favor, por ter a RFB se pronunciado quanto a PER/DCOMP após o período de carência para o pedido de restituição. A DRJ de Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909500/200953 Resolução nº 1802000.170 S1TE02 Fl. 5 4 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. INCIDÊNCIA DE JUROS E DE MULTA DE MORA. Na compensação espontânea efetuada pelo sujeito passivo, os débitos vencidos sofrerão a incidência de acréscimos legais (multa de mora e juros), na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. COMPENSAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PROCEDIMENTO DE IMPUTAÇÃO. A compensação de tributo ou contribuição sell acompanhada, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de diligências ou pericias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as quais considerar prescindíveis ou impraticáveis. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. 0 direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Reconhecido” Ciente dessa decisão, em 11/01/2012, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/02/2012, o qual reitera as razões aduzidas na Manifestação de Inconformidade, acrescentando ainda a questão da decadência do crédito em questão. Este é o Relatório. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909500/200953 Resolução nº 1802000.170 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade., portanto dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE que manteve o despacho decisório eletrônico da DRF que não homologou integralmente a compensação pleiteada pela Recorrente, eis que entendeu que os créditos ofertados na PER/DCOMP não eram suficientes para a extinção dos débitos correspondentes. A Recorrente no anocalendário de 2003 procedeu regularmente com a sua apuração de tributos pela sistemática do Simples, tendo recolhido os DARF’sSIMPLES mês a mês e, posteriormente, procedido com a entrega tempestiva da Declaração PJ Simplificada 2004. Constatase que no momento em que tais fatos ocorreram não havia qualquer ato que determinasse a exlusão da empresa do regime de apuração, ato este que só ocorreu em setembro de 2004. Neste caso entendo que deve prosperar o princípio da verdade material. Neste sentido James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” Fl. 87DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909500/200953 Resolução nº 1802000.170 S1TE02 Fl. 7 6 “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Vale registrar que nos casos de lançamento de ofício para exigência de diferenças de tributos apuradas em decorrência de exclusão do Simples com efeitos retroativos, o aproveitamento dos pagamentos feitos sob o regime simplificado pode se dar até mesmo de ofício, independentemente de apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. O fato é que o Simples não se caracteriza como um tributo, mas apenas como uma forma simplificada e unificada de recolhimento dos vários tributos que engloba, dentre eles o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS e COFINS, que mantêm, cada um deles, sua perfeita identidade, mesmo nesse regime de tributação, inclusive sob o aspecto quantitativo, uma vez que a lei especifica as parcelas relativas a cada imposto ou contribuição, em termos percentuais. No caso aqui examinado, a Contribuinte, conformandose com sua exclusão do Simples, procurou aproveitar pagamento a título de Simples para quitar débitos, apurados, de acordo com o regime do lucro presumido. A solução dessa lide depende de uma instrução complementar, a ser realizada pela delegacia de origem. Assim, o exame do encontro de contas depende: 1 da decomposição do pagamento no código 6106, para identificação das parcelas referentes a cada um dos tributos englobados neste pagamento unificado; 2 da confrontação destas parcelas com os débitos relativos ao regime de tributação que substituiu o Simples (Lucro Presumido), identificando eventuais excessos, caso existam. Só depois disso é que se poderá verificar em que medida os débitos informados no PER/DCOMP objeto destes autos podem ser quitados pelo alegado crédito. As informações devem ser prestadas em relatório circunstanciado, com a ciência da Contribuinte para que se manifeste no prazo de trinta dias. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Recife atenda ao acima solicitado. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 88DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.909500/200953 Resolução nº 1802000.170 S1TE02 Fl. 8 7 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 19/04/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.001679/2010-78
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
A empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-002.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1566; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.001679/201078 Recurso nº 15.586.001679201078 Voluntário Acórdão nº 2803002.254 – 3ª Turma Especial Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente GS INTERNACIONAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 16 79 /2 01 0- 78 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001679/201078 Acórdão n.º 2803002.254 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001679/201078 Acórdão n.º 2803002.254 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, referentes a remuneração a título de vale transporte, entre as competências 01/01/2006 a 31/12/2007. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 21 de junho de 2011 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. O Relatório de Vínculos é peça necessária à instrução do processo administrativo de débito, não importando em qualquer responsabilização das pessoas nele listadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Tratase de Auto de Infração lavrado em face da empresa recorrente por deixar de descontar e arrecadar contribuição supostamente devida à Seguridade Social, no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2007, sobre os valores gastos pela empresa a título de vale transporte a seus empregados, bem como valores pagos a supostos contribuintes individuais. Houve apresentação de Impugnação tempestiva, que restou julgada improcedente pela 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de julgamento no Rio de Janeiro. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001679/201078 Acórdão n.º 2803002.254 S2TE03 Fl. 5 4 É completamente improcedente a manutenção do crédito tributário, pois a empresa Recorrente agiu de maneira correta ao não descontar e arrecadar contribuição previdenciária sobre os valores gastos com o fornecimento do valetransporte, posto que os mesmos não servem de base de cálculo de contribuição previdenciária.. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de vale transporte, tendo em vista a incompatibilidade com o conceito de salário de contribuição previsto no artigo 28, I, da Lei 8.212/91 e de remuneração delimitado pela alínea “a” do inciso I, do art. 195 da CF/88. Em face do exposto, e estando sobejamente demonstrada e provada a ilegalidade das exações pretendidas, requer seja conhecido e provido o presente recurso, para julgar insubsistente a exigência fiscal e, via de consequência, improcedente o Auto de Infração 37.306.8000. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001679/201078 Acórdão n.º 2803002.254 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Segundo consta no Relatório Fiscal da Infração (fls. 15), a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Ainda de acordo com o citado relatório fiscal, constatouse que: 1. O contribuinte incorreu na seguinte infração: deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, referentes a: Remuneração de segurados empregados a título de vale transporte; Remunerações de contribuintes individuais por serviços prestados. Desta forma, infringiu o artigo 30, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91, e alterações posteriores, e Lei nº 10.666, de 08/05/2003, art. 4º, “caput” e regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999, art. 216, I, “a” A falta cometida pelo contribuinte indica que ele infringiu o artigo art.30, inciso I, “a” da Lei 8.212/91, bem como o art. 216, inciso I, alínea “a” do Decreto 3.048/99. Apesar do auto, não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes. O Relatório de fls. 16 aduz que a multa aplicada é a prevista nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 e nos artigos 283, inciso I, alínea “g” e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, no valor de R$1.431,79, atualizada conforme Portaria MPS/MF 333, de 29/06/2010 (DOU de 29/06/2010). Com efeito, a empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço. Em seu recurso o contribuinte não discutiu o mérito. Ele ficou restrito a questões genéricas do tipo: Fl. 148DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 15586.001679/201078 Acórdão n.º 2803002.254 S2TE03 Fl. 7 6 Cumpre destacar ainda que o Supremo Tribunal Federal já analisou a questão tendo firmado posicionamento no sentido da não incidência de contribuição previdenciária sobre vale transporte (ainda que pago em dinheiro, o que não é o caso). A exigência de recolhimento de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de valetransporte implicaria até mesmo em enriquecimento sem causa da Previdência Social, vez que no momento da concessão de benefício de aposentadoria não se computam os referidos valores como salário para fins de base de cálculo do referido benefício. Vêse, pois, que a penalidade aplicada está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. A empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço. Por último, a autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/04/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 10218.720828/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.282
Decisão: RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Julianna Bandeira Toscano, Rafael Pandolfo e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Pedro Anan Junior, Odmir Fernandes e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10218.720828/200771 Resolução n.º 220200.282 S2C2T2 Fl. 2 2 RELATÓRIO Em desfavor da contribuinte, CATTANI SA TRANSPORTES E TURISMO, foi lavrado auto de infração do ITR/2004, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 28/12/2007, tendo como objeto o imóvel denominado “Gleba Joana Peres I” (NIRF 4.880.1364), com área total de 2.467,0 ha, localizado no município de Tucuruí – PA. A descrição dos fatos, os enquadramentos legais da infração e o demonstrativo da multa de ofício e dos juros de mora encontram se às fls. 01 e 02. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2004, iniciou se com o termo de intimação de fls. 04, para a contribuinte apresentar laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação/grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. Na análise desses documentos e da DITR/2004, a autoridade fiscal desconsiderou o VTN declarado de R$ 32.981,00 (R$ 13,37/ha), arbitrando o em R$ 403.033,79 (R$ 163,37/ha), com base no SIPT, com o conseqüente aumento do VTN tributável e apuração de imposto suplementar de R$ 31.824,54, conforme demonstrativo de fls. 02. Cientificada do lançamento em 27/12/2007 (fls.03), a contribuinte protocolou em 21/01/2008, por meio de representante legal, a impugnação de fls. 18/22, exposta nesta sessão e lastreada nos documentos de fls. 22/24, alegando, em síntese: Discorda do procedimento fiscal, por arbitrar um VTN em desacordo com a realidade fática e o valor de mercado do imóvel, invadido e inviabilizado para exploração comercial além de incoerente com o exercício de 2005, sendo indevida a diferença do imposto, juros e multa, não tendo havido subavaliação do valor declarado, igual ao de compra, nem informações distorcidas; não houve regular instalação do procedimento administrativo, com a informação de que se tratava de lançamento de ofício, tendo a requerente apenas sido intimada a comprovar o pagamento do imposto e apresentar laudo no teor da NBR 14653, norma que não estabelece obrigação tributária, contemplada na Lei 9.393/1996; não foram consideradas as áreas ambientais de preservação permanente e de utilização limitada, tendo sido tributada a área total do imóvel. Ao final, a contribuinte protesta pela juntada de outros documentos, requer a realização de prova pericial, relaciona os quesitos a serem respondidos e indica o perito responsável, para comprovar o alegado, para que seja julgada procedente a presente impugnação e cancelada a notificação de lançamento em questão. Ressalva se que as referências à numeração das folhas deste processo, feitas no relatório e no voto, referem se aos autos originalmente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas folhas estão reproduzidas sob a forma de imagem. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10218.720828/200771 Resolução n.º 220200.282 S2C2T2 Fl. 3 3 A DRJ a partir da analise dos argumentos do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DO VALOR DA TERRA NUA VTN. Deverá ser mantido o VTN arbitrado para o ITR/2003 pela autoridade fiscal com base no SIPT, por falta de laudo técnico de avaliação em consonância com a NBR 14.6533 da ABNT, que atingisse fundamentação e grau de precisão II, demonstrando inequivocamente o valor fundiário do imóvel à época do fato gerador do imposto e suas peculiaridades desfavoráveis, que justificassem o valor declarado. DA MULTA E DOS JUROS DE MORA LANÇADOS. Apurado imposto suplementar em procedimento fiscal, por subavaliação do VTN informado na declaração do ITR/2003, cabe exigi lo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito com o resultado, o interessado interpõe recurso voluntário, reiterando basicamente as mesmas razões da impugnação. É o relatório. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10218.720828/200771 Resolução n.º 220200.282 S2C2T2 Fl. 4 4 VOTO Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. No que toca ao Valor da Terra Nua, na hipótese de não serem fornecidos os preços de terras para um determinado município, nem pela Secretaria Estadual de Agricultura, nem pela Secretaria Municipal de Agricultura, tendo em vista o comando e a competência legal para a instituição do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, a Receita Federal do Brasil disporá, para fins de lançamento de oficio do ITR, do prego médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) pelo conjunto dos próprios contribuintes dos imóveis localizados em cada município. Sendo assim, os valores instituídos pela RFB para o SIPT, conforme Portaria SRF n. 447 de 28/03/02, com valores evidenciados em extrato do SIPT devem se encontrados no processo de autuação. Entretanto após análise cuidadosa do processo não foi possível identificar os referidos extratos do SIPT, ainda que expressamente na fls. 02, indicase que os mesmos encontramse em folha anexa. Diante dos fatos, para que não reste qualquer dúvida no julgamento, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de ser convertido em diligência para que a repartição de origem anexe ao processo os extratos de SIPT a que faz referência na Notificação de Lançamento, fls 01 e 04, dandose vista ao recorrente, com prazo de 20 (vinte) dias para se pronunciar, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 20/09/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 16/09/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10830.016515/2010-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2005, 2006, 2007, 2008
OMISSÃO DE RECEITAS. REVENDA DE VEÍCULOS. FINANCIAMENTO DE CLIENTES. COMISSÕES PAGAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS A CONTROLADORA.
A receita deve ser imputada à pessoa que efetivamente prestou o serviço a ela relacionada, ainda que o contrato de prestação de serviços tenha sido firmado com outra empresa do mesmo grupo. Não há como se aceitar que a receita de um contrato seja alocada em uma empresa e os custos decorrentes da execução do mesmo contrato sejam alocados em outra empresa. Prevalece, nesse caso, a realidade negocial, ainda que a forma adotada entre as partes
contratantes seja diversa.
LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se de lançamentos reflexos, decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram a autuação de IRPJ, mantém-se a mesma orientação decisória do lançamento principal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Apesar da omissão reiterada de receitas, como decorre de planejamento tributário em que se identifica a ausência de comprovação de dolo específico para sonegação, simulação ou fraude, impossível a aplicação da multa de ofício qualificada. A penalidade deve ser reduzida para 75%.
MULTA ISOLADA.
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de
recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela .falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de
multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no dever de recolher o tributo.
Numero da decisão: 1401-000.765
Decisão: Acordam os membros do colegiado da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso em face do reaproveitamento dos tributos pagos na ARCEL, argüído da tribuna; por maioria de votos, NEGAR provimento em relação ao mérito, vencida a Conselheira Karem Jureidini Dias; por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício para 75%; e por maioria de votos, DAR provimento em relação a multa isolada, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2005, 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. REVENDA DE VEÍCULOS. FINANCIAMENTO DE CLIENTES. COMISSÕES PAGAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS A CONTROLADORA. A receita deve ser imputada à pessoa que efetivamente prestou o serviço a ela relacionada, ainda que o contrato de prestação de serviços tenha sido firmado com outra empresa do mesmo grupo. Não há como se aceitar que a receita de um contrato seja alocada em uma empresa e os custos decorrentes da execução do mesmo contrato sejam alocados em outra empresa. Prevalece, nesse caso, a realidade negocial, ainda que a forma adotada entre as partes contratantes seja diversa. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de lançamentos reflexos, decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram a autuação de IRPJ, mantém-se a mesma orientação decisória do lançamento principal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Apesar da omissão reiterada de receitas, como decorre de planejamento tributário em que se identifica a ausência de comprovação de dolo específico para sonegação, simulação ou fraude, impossível a aplicação da multa de ofício qualificada. A penalidade deve ser reduzida para 75%. MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela .falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no dever de recolher o tributo.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso em face do reaproveitamento dos tributos pagos na ARCEL, argüído da tribuna; por maioria de votos, NEGAR provimento em relação ao mérito, vencida a Conselheira Karem Jureidini Dias; por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício para 75%; e por maioria de votos, DAR provimento em relação a multa isolada, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. REVENDA DE VEÍCULOS. FINANCIAMENTO DE CLIENTES. COMISSÕES PAGAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS A CONTROLADORA. A receita deve ser imputada à pessoa que efetivamente prestou o serviço a ela relacionada, ainda que o contrato de prestação de serviços tenha sido firmado com outra empresa do mesmo grupo. Não há como se aceitar que a receita de um contrato seja alocada em uma empresa e os custos decorrentes da execução do mesmo contrato sejam alocados em outra empresa. Prevalece, nesse caso, a realidade negocial, ainda que a forma adotada entre as partes contratantes seja diversa. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de lançamentos reflexos, decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram a autuação de IRPJ, mantémse a mesma orientação decisória do lançamento principal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Apesar da omissão reiterada de receitas, como decorre de planejamento tributário em que se identifica a ausência de comprovação de dolo específico para sonegação, simulação ou fraude, impossível a aplicação da multa de ofício qualificada. A penalidade deve ser reduzida para 75%. MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela .falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é meio de Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 2 execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no dever de recolher o tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso em face do reaproveitamento dos tributos pagos na ARCEL, argüído da tribuna; por maioria de votos, NEGAR provimento em relação ao mérito, vencida a Conselheira Karem Jureidini Dias; por unanimidade de votos, desqualificar a multa de ofício para 75%; e por maioria de votos, DAR provimento em relação a multa isolada, vencidos os Conselheiros Antonio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fernando Luiz Gomes De Mattos, Karem Jureidini Dias Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.140 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0532.933, proferido pela Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP, que decidiu julgar procedente em parte os lançamentos consubstanciados Autos de Infração de fls. 02/86, relativos às exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS); Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, lavrados em 07/12/2010, constituindo o crédito tributário total de R$ 20.220.912,79. Por descrever os fatos com riqueza de detalhes, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração de IRPJ às fls. 15/21, a infração foi assim contextualizada: 001 OMISSÃO DE RECEITA Omissão de receitas relativa às comissões, bonificações e prêmios pagos pelas instituições financeiras/crédito, a título de remuneração da intermediação sobre contratos de financiamentos vinculados diretamente às operações de revenda de veículos efetuadas pela fiscalizada, cujas receitas foram indevidamente apartadas da operação de venda financiada como um todo e contabilizadas em sujeito passivo diverso (controladora do Grupo Tempo Areei S/A). A descrição dos fatos, detalhamento da ação fiscal e da base de cálculo encontrase consignadas no Termo de Verificação Fiscal lavrado nesta data, o qual é parte integrante e indissociável do presente Auto de Infração. Relação contendo: Fato gerador – anoscalendário 2005, 2006, 2007 e 2008; Valor Tributável ou Imposto e Multa de Ofício Qualificada no percentual de 150%. Enquadramento legal: Art. 24 da Lei n° 9.249/95; Arts. 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, e 288, do RIR/99. 002 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. [Relação contendo: Data: de 31/01/2005 a 30/06/2008; Valor da Multa Isolada] Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 4 Enquadramento Legal: Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1° inciso IV, da Lei n° 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Lei n" 11.488/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c " da Lei n" 5.172/66. A autoridade fiscal elaborou o "TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 87/157, que se transcreve, em síntese: “... CONTEXTO "No exercício das funções de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, nos termos artigo 835 do Regulamento de Imposto de Renda RIR/99 aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, e cumprindo o determinado no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização N° 08.1.04.00.2009010107, e Mandado de Procedimento Fiscal DILIGÊNCIA N° 08.1.04.00.200901543 5, procedemos à revisão do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Tributos reflexos, relativos aos anos calendário 2005 a 2008, do contribuinte relatado, doravante denominada fiscalizada; 1. A fiscalizada é contribuinte Pessoa Jurídica, tendo seu domicílio fiscal na jurisdição da Delegacia da Receita Federal em Campinas/SP; 2. De acordo com o Contrato Social, a fiscalizada tem como objeto social, in verbis: "A sociedade tem com objetivo a exploração do ramo de Comércio de Veículos Novos e Usados, Peças e Acessórios, lubrificantes, Prestação de Serviços de Assistência Técnica, consertos, reparos e afins. Parágrafo Único Sempre que for conveniente aos interesses sociais e a consecução de seus objetivos, à critério de sua Diretoria, poderá a Sociedade se associar a outras empresas, formar redes de sociedades conjugadas, bem como adquirir ou alienar participações societárias." DO CONGLOMERADO EMPRESARIAL ARCEL 3. A fiscalizada é uma das empresas componentes do conglomerado Grupo Empresarial ARCEL, cujo controle é exercido pela 'Holding' ARCEL S/A Empreendimentos e Participações. CNPJ 00.347.024/000111; 4. O Grupo Empresarial ARCEL atua basicamente em dois núcleos de negócios: ramo de Resorts e Hotelaria e ramo de comercialização de automóveis e seus componentes (peças, acessórios e serviços relacionados a veículos automotores); 5. O Grupo ARCEL está estruturado em função de seus núcleos de negócios, através de dois subgrupos empresarias: Grupo Royai Palm Hotels & Resorts e Grupo Tempo; 6. O Grupo ARCEL S/A tem sua diretoria composta por: Armindo Dias, CPF 014.013.00804 (Diretor Presidente), Célia Cândida Simões Dias, CPF 373.731.29820 (Diretora Superintendente), Maria de Fátima Simões Dias Nadelicci, CPF 068.749.92830 (Diretora Executiva), Maria Cristina Simões Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.141 5 Dias de Souza, CPF 101.711.60835 (Diretora), Maria Camila Simões Dias Domingues, CPF 048.067.55893 (Diretora) e Antonio Mauricio Simões Dias, CPF 116.835.60833 (Diretor); 7. O Contrato Social da Controladora ARCEL S/A Empreendimentos e Participações, em seu artigo 3°, descreve o Objeto da empresa: "A sociedade tem por objeto a exploração das atividades de participações em outras sociedades, civis ou comerciais, na qualidade de sócia, quotista ou acionista, podendo adquirir ou alienar participações societárias, e administração de bens empreendimentos ou negócios exclusivamente próprios. §1° Sempre que for conveniente aos interesses sociais e a consecução de seus objetivos, à critério de sua Diretoria, poderá a Sociedade se associar a outras empresas, formar redes de sociedades conjugadas, bem como adquirir ou alienar participações societárias, observado o que a respeito dispuser os presentes Estatutos Sociais. §2° Considerando que a sociedade explorará suas atividades utilizandose de bens imóveis e patrimônio exclusivamente próprios, não encontrase a mesma obrigada a inscrever se e habilitarse junto aos seguintes órgãos:CREA, CRA e CRECI, consoante determina a legislação vigente, aplicável à espécie." 8. Em consonância com o caput e parágrafos acima, a Controladora ARCEL S/A Empreendimentos e Participações informa que em seu quadro de funcionários estão listados basicamente os Diretores do Grupo. Excetuando os diretores, a empresa teve em seus quadros dois funcionários, nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008, conforme consta do Termo de Comparecimento/Atendimento MPF 20090100085/ARCEL S/A EMPREEND. PARTICIPAÇÕES, lavrado em 22/04/2010 (ciência em 05/05/2010), respondendo ao Termo de Intimação Fiscal MPF 20090100085/ARCEL S/A EMPREEND. PARTICIPAÇÕES, lavrado em 13/04/2010. (...) DO GRUPO TEMPO 11. O Grupo Tempo, atuante no ramo de comercialização de automóveis (novos e usados), acessórios e serviços automobilísticos, é composto de quatro empresas, que representam grandes marcas de montadoras de veículos: Tempo Distribuidora de Veículos Ltda (representa a Fiat Automóveis), Tempo Automóveis e Peças Ltda (representa a Ford Automóveis), Tempo Comercial de Veículos e Serviços Ltda (representa a Volkswagen Automóveis) e Tempo Mercantil de Veículos Ltda (representa a Hyundai); 12. Conforme descritivo em seu 'site' na rede Internet (www.tempoveiculos.com.br), o Grupo Tempo possui quatorze unidades e um pátio de estoque de veículos 0 km na Região Metropolitana de Campinas, sendo a maior rede de concessionárias de veículos do interior de São Paulo, Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 6 representando as maiores montadoras do país: Fiat (Tempo Distribuidora de Veículos Ltda), Ford (Tempo Automóveis e Peças Ltda), Volkswagen (Tempo Comercial de Veículos e Serviços Ltda) e Hyundai (Tempo Mercantil de Veículos Ltda). São oito lojas atuantes em Campinas e um pátio, quatro em Americana, Sumaré e Santa Bárbara D'Oeste, uma unidade em Indaiatuba e outra em Valinhos, todas instaladas em importantes avenidas das cidades em que atuam; 13. Dentro deste contexto, a fiscalizada TEMPO AUTOMÓVEIS E PEÇAS LTDA é concessionária representante da montadora Ford Automóveis; 14. Até o ano de 2009, a fiscalizada tinha como sócios: ARCEL S/A Empreendimentos e Participações, CNPJ 00.347.024/0001 11, com 99% (noventa e nove por cento) e Mauricio Souza Queiroz, CPF 101.711.59829, com 1% (hum por cento) do controle acionário; 15. A partir do ano 2.009, foi criada uma 'Holding' denominada "TEMPO CONCESSIONÁRIAS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA", CNPJ 10.712.964/000116, a qual passou a ter o controle acionário da TEMPO DISTRIBUIDORA DE VEÍCULOS e das demais empresas do Grupo TEMPO (TEMPO COMERCIAL DE VEÍCULOS LTDA, CNPJ 06.305.810/000132, TEMPO AUTOMÓVEIS E PEÇAS LTDA, CNPJ 01.917.734/000100 E TEMPO MERCANTIL DE VEÍCULOS LTDA, CNPJ 08.939.874/000110); 16. Esta Holding' "TEMPO CONCESSIONÁRIAS EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA" tem o seguinte controle acionário: ARCEL S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, CNPJ 00.347.024/000111 e ROYAL PALM PLAZA PARTICIPAÇÕES E EMPREENDIMENTOS LTDA, CNPJ 43.649.359/000105; 17. A fiscalizada TEMPO AUTOMÓVEIS E PEÇAS LTDA, nos anos calendário 2005 a 2008, optou pela apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica pelo Lucro Real, entregando tempestivamente suas respectivas DIPJ; 18. Durante todos os anoscalendário acima relacionados, de acordo com as respectivas declarações DIPJ, a fiscalizada teve prejuízos fiscais; II DO PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO TEMPO AUTOMÓVEIS E PECAS LTDA. 19. Através da abertura do Mandado de Procedimento Fiscal, foi realizada a revisão dos fatos geradores do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e tributos reflexos; 20. Para melhor visualização das Contas e dos Lançamentos Contábeis da fiscalizada, e objetivando a confrontação das contas quando necessário, foi aberto o Procedimento Fiscal Diligência MPF 08.1.04.002009010085 na 'Holding' do Grupo Empresarial: ARCEL S/A Empreendimentos e Participações. CNPJ 00.347.024/000111; Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.142 7 21. Em 07/08/2009 foi emitido o Termo de Início de Fiscalização, onde a fiscalizada foi cientificada da instauração do Procedimento Fiscal e intimada a apresentar os seguintes documentos: (...) DA INTIMAÇÃO 2. Com objetivo de averiguação da regularidade de recolhimento/declaração dos tributos federais, em relação ao anocalendário 2006, no prazo de 20(vinte) dias a contar da ciência deste Termo: 2.1 Apresentar os extratos das contas bancárias e aplicações financeiras, incluindo contas/fundos/aplicações mantida junto ao fornecedor titular da bandeira e/ou suas instituições financeiras ligadas, as quais deram origem à movimentação financeira no período de 01/01/2006 a 31/12/2006; 2.2 Apresentar os livros Diário e Razão, na forma impressa e digital onde conste de toda movimentação financeira, inclusive bancária, devidamente escriturada, bem como a documentação que lhe deu suporte (Notas fiscais de vendas / compras, recibos, boletos etc); Nota importante: a escrituração da movimentação financeira deverá estar transcrita nos livros diário em ordem cronológica e seqüencial, com lançamentos individualizados, com a devida identificação dos clientes e fornecedores/credores, bem como dos documentos e históricos vinculados às operações, de forma a permitir a clara vinculação/comprovação da origem e destinação dos recursos movimentados. 2.3 Para operações de venda financiada (leasing inclusive) por instituições financeiras/crédito, efetuar relatório em separado, informando, para cada operação, o valor de comissão recebida calculada sobre os juros/taxas/emolumentos cobrados pelas mesmas dos adquirentes dos veículos; 2.4 Apresentar as respectivas notas fiscais de originais de serviços relativo às receitas apuradas a título de prestação de serviços de intermediação/comissão nestas operações de financiamento demonstrando inclusive forma de pagamento por parte da instituição à fiscalizada; 2.5 Informar o(s) nome(s) da(s) empresa(s) de despachante(s) vinculado às operações de licenciamento, apresentando relatório detalhado e os valores mensais pagos / repassados a estas empresas; 2.6 Informar as operações de seguros realizadas em ato contínuas às operações de vendas no estabelecimento da fiscalizada, informando: data, placa do veículo, corretora de seguros (razão social e CNPJ) e segurado (nome e CPF) e repasse de prêmio recebido pela fiscalizada; Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 8 2.7 Disponibilizar Livro Registro de Entrada e Saída /Apuração ICMS; 2.8 Apresentar Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do ano calendário; Exclusivamente para Compra e Venda de Veículos Usados/Seminovos/Consignação 2.9 Apresentar relatório detalhado de todo movimento de compra e vendas de veículos usados/seminovo incluindo intermediação, contendo: Data e nº das Notas Fiscais de entrada (compra) e saída (venda); (...)22. Em 27/08/2009, a fiscalizada compareceu na DRF do Brasil em Campinas, em cumprimento ao Termo de Início de Fiscalização, fazendo a entrega de 02(dois) 'CD' ('Compact Disk'), contendo os arquivos digitais, em acordo com a IN 86, como descrito pelo TERMO DE COMPARECIMENTO/ ATENDIMENTO, in verbis: ... 24. Em 30/10/2009, a fiscalizada foi cientificada do TERMO DE CONTINUIDADE DA AÇÃO FISCAL, reintimada para o completo atendimento do Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 07/08/2009, pois, até a presente data, não tinha entregue a totalidade dos documentos/esclarecimentos requeridos; 25. Em 30/10/2009, objetivando prevenir a espontaneidade e obtenção de dados fiscais para demais anos calendário, a fiscalizada foi cientificada do Procedimento Fiscal Diligência MPF 08.1.04.002009.015443. Nesta data, o contribuinte foi intimado a apresentar os mesmos documentos/esclarecimentos requeridos no Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 07/08/2009, para os anos calendário 2005, 2007 e 2008; 26. Em 18/11/2009, a fiscalizada compareceu na DRF do Brasil em Campinas, protocolando petição, onde solicita a prorrogação do prazo para entrega da totalidade dos documentos. Foi concedida dilação do prazo para entrega em 30 dias. Neste momento, conforme consta do Termo de Comparecimento/Atendimento lavrado, o contribuinte apresenta 2 CD's contendo arquivos digitais, em formato Excel, contendo os dados de Vendas de veículos novos e usados relativos ao ano calendário de 2006. Foram apresentadas 2 listagens (planilhas Excel) contendo os dados das Compras de Veículos Novos Aquisição de Fábrica e Compra de Veículos Usados, relativas ao ano calendário 2006; 27. Nesta mesma data de 18/11/2009, a fiscalizada entregou 2 'CDs' contendo arquivos digitais de sua contabilidade relativos aos anos calendário de 2005, 2007 e 2008, como relatado pelo Termo de Comparecimento/Atendimento, in verbis; Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.143 9 ... 28. Em 22/12/2009, os Arquivos Digitais foram validados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, sendo devidamente assinados e entregues os Recibos de Entrega de Arquivos Digitais, resultando nos seguintes Códigos de Autenticação: ... 29. Em 16/12/2009, a fiscalizada compareceu na DRF Campinas, postulando pela dilação do prazo de entrega, dado que ainda não apresentou a totalidade dos documentos requeridos no Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 07/08/2009, reiterado pela Termo de 30/10/2010; em especial ao item 2.3 (Relação com as operações de vendas financiadas informando as operações realizadas e os respectivos valores dos juros/taxas/crédito/emolumentos cobrados dos adquirentes de veículos), item 2.9 (Relatório de todo movimento de compra e vendas de veículos novos e usados/seminovos incluindo a intermediação financeira), item 2.10 (Relatório mensal, especificamente para Veículos Novos/Aquisição de Fábrica, demonstrando resumidamente a aquisição de veículos novos, informando chassi, modelo, ano fabricação, valor da aquisição e valor da nota fiscal) e item 2.11 (Relatório mensal demonstrando as operações de vendas de veículos novos na venda direta); 30. Como descrito pelo Termo de Comparecimento/Atendimento, lavrado em 16/12/2010, foi concedido a dilação de prazo, sendo determinada a data limite para atendimento do requerido para 08 de fevereiro de 2010; 31. Em 09/02/2010, a fiscalizada compareceu na DRF Campinas, apresentando 'CDs' com as informações em arquivo magnético sobre a relação das vendas nos anos calendário 2005, 2007 e 2008, como descrito pelo TERMO DE COMPARECIMENTO/ATENDIMENTO lavrado, in verbis: (...) 33. Na mesma data de 18/03/2010, foram entregues e validados 5(cinco) 'CDs' contendo os arquivos digitais da Contabilidade da empresa, dados relativos aos anos calendário 2005, 2007 e 2008, como descrito pelo TERMO DE COMPARECIMENTO/ATENDIMENTO, in verbis: ... 34. Em 13/04/2010, a fiscalizada entregou os dados relativos as vendas ocorridas no ano calendário de 2006, e os arquivos digitais foram validados e autenticados pelo Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, como mostra TERMO DE COMPARECIMENTO/ATENDIMENTO lavrado, a seguir transcrito: ... Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 10 35. Em 13/04/2010, a fiscalizada foi cientificada do TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL requerendo a listagem de seus funcionários/colaboradores no período fiscalizado, in verbis: ... 36. Em 22/04/2010, foi lavrado o TERMO DE COMPARECIMENTO/ATENDIMENTO onde consta a entrega dos dados requeridos pela Intimação antes relatada e a correspondente autenticação dos arquivos digitais entregues, in verbis: ... 37. Em 13/07/2010, objetivando o cotejamento entre as planilhas entregues RELAÇÃO DE VENDAS DE VEÍCULOS FINANCIADOS (Grupo Tempo) e COMISSÃO/ INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA ('holding' ARCEL S/A), em 31 Notas Fiscais (Vendas da Tempo Automóveis), selecionadas por amostragem, a fiscalizada foi intimada pelo TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL a apresentar documentos probantes e a prestar alguns esclarecimentos descritos no termo. Estas Notas Fiscais foram emitidas pela 'holding' ARCEL S/A Empreendimentos e Participações listadas na Planilha entregue sobre as Comissões/Intermediações Financeiras na venda de veículos pelas empresas do Grupo Tempo. Esta tabela com as notas fiscais selecionadas por amostragem compõe o Anexo 1 do Termo de Intimação Fiscal lavrado (...) 38. Em 06/08/2010, a fiscalizada compareceu na DRF do Brasil em Campinas apresentando os documentos requeridos no Termo de Intimação retrocitado e também um 'CD' contendo arquivos digitais que complementavam a documentação, conforme descrito pelo TERMO DE COMPARECIMENTO/ ATENDIMENTO lavrado, in verbis: (...) DILIGÊNCIA ARCEL S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES 40. Em razão da 'holding' realizar operações com suas controladas, tal como Subscrição e Integralização de Capital com periodicidade mensal, e apropriar em sua contabilidade as Comissões sobre a Intermediação Financeira na venda de veículos pelas controladas do Grupo Tempo, foi aberto Procedimento Fiscal Diligência na mesma, de tal sorte que foram requeridos dados de suas operações contábeis; 41. Em 07/08/20009, a 'Holding' do grupo ARCEL foi cientificada do início do procedimento fiscal de diligência, sendo intimada a apresentar documentos e esclarecimentos, conforme descrito pelo TERMO DE INTIMAÇÃO DILIGÊNCIA FISCAL, abaixo transcrito, in verbis: 1. A presente ação fiscal que aqui se inicia, encontrase devidamente amparada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.04.002009010085, expedido na forma eletrônica em 05/08/09. A confirmação de sua autenticidade e a ciência do mesmo pelo contribuinte em epígrafe, deverá ser procedida mediante acesso ao sítio eletrônico da Secretaria da Receita Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.144 11 Federal do Brasil: www.receita.fazenda.gov.br/ Pessoa Jurídica/ MPF Procedimento Fiscal: 2. Com objetivo de averiguação da regularidade de recolhimento/declaração dos tributos federais, em relação ao anocalendário 2006, no prazo de 20 (vinte) dias a contar da ciência deste Termo: 2.1 Apresentar os extratos das contas bancárias e aplicações financeiras, as quais deram origem à movimentação financeira no período de 01/01/2006 a 31/12/2006; 2.2 Apresentar os livros Diário e Razão ou Livro Caixa, na forma impressa e digital onde conste a movimentação financeira, bem como a documentação originária; Nota importante: a escrituração da movimentação financeira deverá estar transcrita nos livros diário em ordem cronológica e seqüencial, com lançamentos individualizados, com a devida identificação dos clientes e fornecedores/credores, bem como dos documentos e históricos vinculados às operações, de forma a permitir a clara vinculação/comprovação da origem e destinação dos recursos movimentados. 42. Em 30/10/2009, a empresa ARCEL S/A Empreendimentos e Participações foi cientificada pelo TERMO DE INTIMAÇÃO – DILIGÊNCIA FISCAL lavrado na data supra, da extensão do procedimento fiscal para os anos calendário 2005, 2007 e 2008, e a finalizar o cumprimento dos documentos/esclarecimentos anteriormente requeridos; 43. O contribuinte foi progressivamente atendendo os requeridos, conforme constam dos Termos de Comparecimento/Atendimento, constante nos autos; 44. Em 16/12/2009, através do TERMO DE COMPARECIMENTO/ ATENDIMENTO lavrado, o contribuinte solicita a dilação do prazo para o completo atendimento da entrega dos documentos na data de 08/02/2010, como mostrado a seguir, in verbis: ... 45. Em 09/02/2010, foi entregue 1 (hum) 'CD' em formato Sistema Excel,contendo os dados das Comissões/Intermediações, relativas aos financiamentos, por Instituições Financeiras, de veículos comercializados pelas empresas concessionárias do Grupo Tempo relativas ao ano calendário 2006, como mostra o TERMO DE COMPARECIMENTO/ATENDIMENTO, in verbis: ... 46. Em 18/03/2010, foi entregue o restante das informações das Comissões/Intermediações relativas anos calendário 2005, 2007 e 2008, que concatenado as informações de 2006 anteriormente fornecidas, formou uma planilha única de dados no formato Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 12 Excel que denominamos para fins didático de "Planilha da Dados Base 18/03/2010) 47. Nesta data, foram validados e autenticados os arquivos digitais entregues (relativos a todos os anos calendário), como mostram os TERMOS DE COMPARECIMENTO/ ATENDIMENTO, in verbis: ... 48. Em 13/04/2010, o contribuinte foi intimado a apresentar a listagem dos funcionários e colaboradores da empresa, in verbis: ... 49. Em 05/05/2010 (termo lavrado em 14/04/2010), em razão de dúvidas e algumas inconsistências nos dados fornecidos sobre os valores recebidos a título de Intermediação/Comissão Financeira pela Venda de Veículos, a 'holding' ARCEL S/A foi intimada a prestar informações complementares, como descrito pelo TERMO DE CONSTATAÇÃO E INTIMAÇÃO DILIGÊNCIA FISCAL, literalmente transcrito a seguir: ... 50. Em 24/05/2010 e, posteriormente, em caráter complementar na data de 28/06/2010, o contribuinte compareceu (*) na DRF Campinas, em resposta à Intimação relatada no parágrafo anterior, entregando os dados e relatórios impressos consignando os dados com as pendências devidamente saneadas que para fins didáticos denominamos estes como DOC 1 a DOC 5 conforme a seguir: (...) DA CONSTATAÇÃO/DA INFRAÇÃO 105. Expurgadas às duplicidades ora apontadas, tendo sido formalmente convalidados pela fiscalizada os demais dados contidos nos Anexos 1 a 5 do Termo de Constatação e Intimação de 16/11/2010, não resta dúvidas e está convicta esta fiscalização que os valores consolidados a seguir na Tabela 1, referemse as receitas de comissão de intermediação financeiras e outras, oriundas/vinculadas às operações comerciais praticadas pela fiscalizada, em seu estabelecimento, sob a tutela de seus custos (veículos) e despesas operacionais/vendas, portanto, omitidas indevidamente de sua escrita contábil; (...) 106. Estes valores não foram declarados pela fiscalizada. Os mesmos foram omitidos na determinação da Receita Bruta e conseqüentemente da Base de Cálculo para determinação do lucro real nos respectivos anos calendários de 2005 a 2008; 107. Em assim sendo, a fiscalizada cometeu infração à legislação tributária, pois omitiu rendimentos na apuração da base de cálculo reduzindo indevidamente a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e conseqüentemente das bases e cálculo dos tributos reflexos: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Programa de Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.145 13 Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS); 108. Está cristalino que a alteração indevida do sujeito passivo em relação aos fatos geradores destas receitas, direcionando estas para escrita fiscal da "holding" ARCEL, representam uma arquitetada estratégia fiscal criteriosamente com único propósito de reduzir indevidamente a carga tributária do IRPJ e tributos reflexos, além de provocar reiterados prejuízos fiscais na fiscalizada em todos (anos calendários 2005 a 2008). 109. Ressaltase que os rendimentos omitidos consignados Tabela 1 acima foram adicionados de oficio na apuração do Lucro Real e na Contribuição Social S/ Lucro Liquido CSLL, além de servirem de base dos lançamentos de tributação reflexa do PIS (Programa de Integração Social) e da COFINS (Contribuição p/ Financiamento Seguridade Social) Não Cumulativo; (...) VII DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO 110. A fiscalizada ao participar da operação tal como descrita nos parágrafos anteriores, tinha clara a intenção de fugir a onerarão tributária, caminhando para o lado da evasão tributária; 111. Este 'planejamento tributário' tal como concebido, em principio, busca tributação mais benéfica (Lucro Presumido) na Controladora ARCEL S/A, em detrimento da real tributação (Lucro Real) pelas empresas do Grupo Tempo (Tempo Distribuidora, Tempo Comercial, Tempo Automóveis e Tempo Mercantil); 112. Do ponto de vista estritamente comercial, as empresas do Grupo Tempo "parecem" inviáveis, pois durante todos os anos calendários investigados (2005 até 2008) apresentaram prejuízo contábil e fiscal. Abaixo, temse a demonstração dos lucros/prejuízos nos anos 2005, 2006, 2007 e 2008 das empresas do Grupo de Concessionárias Tempo: ... 113. Qual a razão de se investir em um negócio de venda de veículos em que nos últimos 4 anos suas concessionárias acumularam um prejuízo contábil de mais de R$ 21 milhões ? 114. A resposta é encontrada esmiuçando o 'planejamento tributário’ adotado pelo Grupo Empresarial ARCEL. Como está desenhado, o Conglomerado ARCEL, como um todo, busca máximo lucro em detrimento da legalidade do ato. Isto por que parte da receita das empresas do Grupo Tempo é transferida (de forma ilegal, é importante salientar) para a 'holding' do Conglomerado, onde se tem uma tributação bem mais favorecida. As empresas do Grupo Tempo funcionam, desta forma, como instrumentos de transferência de renda, de sua atividade mercantil, para a Controladora. Isto faz com que se Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 14 tenha a maximização do lucro do Conglomerado como um todo, apesar das empresas em si "serem" deficitárias; 115. Portanto, através do esquema desenhado, que transfere ilegalmente receita de uma empresa para outra dentro do Conglomerado, fazse com que esta parcela substancial da receita seja tributada de forma bem mais favorecida; 116. Para que as empresas do Grupo Tempo possam operar comercialmente, tendo fluxo financeiro e capital de giro, a 'holding' ARCEL S/A, mensalmente, injeta numerário nas controladas, via operação contábil de Subscrição e Integralização de Capital. A pratica reiterada desta operação, do ponto de vista da contabilidade, olhada isoladamente, é estranha ao cotidiano das empresas em geral; 117. A qualificação da multa de ofício está calcada basicamente em dois fatores determinantes (i) simulação do negócio jurídico e (ii) a prática reiterada de omissão de receitas. Estes tópicos estão discutidos em parágrafos seguintes; DA SIMULAÇÃO 118. Ao utilizar o estratagema contábil descrito, com apropriação de receita por empresa do mesmo grupo empresarial diferente da que a lei determina, a qual provocou o fato gerador da obrigação tributária, a fiscalizada minimiza seus preços e margem de lucros, de tal modo a obter dois benefícios simultâneos: (i) vantagem comercial competitiva com seus concorrentes e (ii) não gera lucro contábil/fiscal, como verificado em vários anos calendários sucessivos, tendo desta forma a minoração artificial dos encargos tributários do grupo empresarial como um todo; 119. Ao direcionar a receita para a 'holding', que praticamente não tem custos ou despesas, a fiscalizada encontrou uma forma de remeter receita em montante maior do que seria permitido por lei, que no caso de grupo empresarial, a 'holding' recebe das controladas os lucros/dividendos distribuídos; 120. Da forma como estão concebidas, as operações de financiamentos, envolvendo o pagamento da compra de veículos automotores, servem como meio de transferência de receitas para outro sujeito passivo diferente do que a lei determina. Esta ação tem como pano de fundo a obtenção da redução do ônus tributário e também, o que é de suma importância, aumento substancial, e em princípio injusta, da vantagem competitiva neste mercado, onde a competição comercial é muito acirrada; 121. O Grupo empresarial ao criar todo este estratagema, este planejamento fiscal, e em particular a fiscalizada ao participar deste esquema, buscam simular/dissimular uma situação contábil estranha aos princípios e normas; Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.146 15 122. Com esta simulação dos fatos, o contribuinte buscou esquivarse, de forma ilegal e ardilosa, ao real encargo tributário; 123. Com esta estratégia contábil/tributária, a empresa do grupo (no caso concreto as empresas concessionárias do Grupo Tempo) que tem custos e despesas elevados e condições mais onerosas de tributação minimiza as receitas, de tal modo a, sistematicamente, não gerar lucro contábil e fiscal de vulto, ou mesmo gerar prejuízos sucessivos; 124. De modo inverso, a empresa (no caso a 'holding' ARC EL S/A), que não possui custos e despesas de vulto e condições bem mais vantajosas de opção tributária, maximiza as receitas, de modo que sistematicamente gera lucros contábeis e fiscais que sofrerão tributação bem mais favorecida; 125. Toda essa engenharia foi para se criar instrumentos em que as partes envolvidas utilizaram para encobrir, dissimular o negócio efetivamente realizado, e assim permitir que se esquivassem de pagar os tributos incidentes pelo negócio efetivamente realizado; (...) IX DOS AUTOS DE INFRAÇÃO CREDITO TRIBUTÁRIO 158. Com base nos montantes da infração de omissão de receita apurada em relação aos anoscalendário 2005 a 2008 e considerando os ajustes efetuados de oficio nas bases de cálculo do IRPJ Lucro Real e da CSLL, foram lavrados nesta data: I Autos de Infração IRPJ e Tributos Reflexos (CSLL, PIS e COFINS) Base de Cálculo Omissão de Receita de Comissão de Intermediação Vide Quadros Resumo consignados no itens 105 e 109 do presente Termo de Verificação Fiscal; II Auto de Infração Demais Infrações Multa Isolada de 50% apurada sobre os montantes de IRPJ e CSLL devidos mensalmente com base na Estimativa ou Balanço Redução/Suspensão, em relação aos períodos de apuração em que o contribuinte deixou de efetuar o respectivo recolhimento (art. 44, § 1° inciso IV, da Lei n" 9.430/96 alterado pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66); Base de Cálculo Multa de 50% IRPJ e CSLL Estimativa ou Balanço Redução/Suspensão • Constam dos Quadros Demonstrativos dos Anexos 1 a 8 partes integrantes do presente Termo de Verificação Fiscal. [...]” Cientificada do Auto de Infração em 10/12/2010 (sextafeira) e inconformada, a contribuinte protocolizou em 10/01/2011, por Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 16 intermédio de seu representante legal, com instrumento de procuração às fls. 511/512, impugnação de fls. 490/510, acompanhada dos documentos de fls. 511/712, alegando, em sua defesa, as razões de fato e de direito a seguir sintetizadas: De início, ao descrever os fatos, assim resume a autuação e a linha de defesa: alegam os Agentes Fiscais que as receitas acima teriam sido apartadas e atribuídas "em sujeito passivo diverso (controladora do Grupo Tempo, Arcel S/A " ignorando toda a negociação que envolveu a Impugnante, sua controladora (ARCEL S/A ) , a montadora que vendeu os veículos de sua fabricação para a Impugnante, e os agentes financeiros do Grupo da montadora ou não, que contrataram com a ARCEL, a sua intermediação para possibilitar aos clientes da Impugnante a compra dos veículos por ela vendidos. Discorda que o procedimento adotado pelo Grupo caracterize infração à legislação tributária, transcreve os itens 66 a 72 do Termo de Verificação Fiscal e argumenta que: Será demonstrado, mais adiante, que a Impugnante através do seu Diretor ARMINDO DIAS e representante legal da ARCEL S/A, outorgou poderes a funcionários diversos ou contratados das outras empresas do GRUPO, para realizar a administração financeira da Impugnante, o que já derruba a "observação de extrema relevância" acima constante. E a ARCEL S/A, por sua vez, nos vários anos, a partir de 2000, constituiu, por instrumento público (doe. 2), vários procuradores, outorgandolhes poderes de representação, entre outros, para agir junto às instituições financeiras, fazendo a movimentação financeira da Outorgante. Na realidade essa centralização das operações do Grupo, na ARCEL S/A, iniciouse a partir de 1998 como será comprovado com a prova pericial requerida mais adiante. Continua transcrevendo itens do Termo de Verificação e, ao chegar ao item 112,expõe: Ora, a fiscalização não observou que a existência do prejuízo fiscal nas empresas do Grupo TEMPO, incluída a Impugnante, é decorrente do preço fixado pelas montadoras para os veículos, levada a isso pela acirrada concorrência. Atuando em um Grupo econômico absolutamente sólido, capitaneado pela ARCEL S/A, tem sido possível à Impugnante sobreviver mesmo diante de repetitivos prejuízos. Assevera, então, que a forma de atuação do Grupo ARCEL/TEMPO centralizando em um caixa único as operações financeiras capitaneadas pela ARCEL S/A, levou os Agentes Fiscais a adotar uma definição distorcida da simulação e enxergandoa nas operações adotadas pelo referido Grupo TEMPO nas concessionárias de veículos sob controle direto ou indireto da ARCEL. Destaca que nada foi DISSIMULADO. TUDO ESTÁ ABSOLUTAMENTE ÀS CLARAS e as partes quiseram, Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.147 17 exatamente, os resultados obtidos e isso está refletido, e muito bem, nos documentos e na contabilidade das empresas do Grupo TEMPO e na "holding" ARCEL, pois, conforme está provado e comprovado nos contratos anexos, a ARCEL, controladora dos hotéis que constituem a cadeia "ROYAL PALM" em Campinas, e das concessionárias de veículos do Grupo TEMPO, é a que tem o patrimônio expressivo de todo o Grupo e, por essa razão, é quem controla o caixa das empresas. Apresenta tabela objetivando demonstrar a grandeza do patrimônio líquido da ARCEL, em comparação com os das empresas do Grupo Tempo, o que é comprovado com os documentos anexos (does. 03). Afirma que, com o seu poderio econômico, a ARCEL tinha "cacife" para negociar com as instituições financeiras o financiamento dos veículos a serem vendidos pelas concessionárias do Grupo TEMPO conforme o atestam os contratos anexos (documentos n°s 4). E acrescenta comprovarem tais contratos que o valor do principal (preço do veículo) era creditado pelo agente financiador na contacorrente da concessionária (Impugnante) enquanto que a comissão pela intermediação era depositada pelo mesmo agente financeiro na contacorrente da ARCEL S/A. Negociados os contratos, a sua operacionalidade ficavam a cargo de funcionários burocráticos tanto das financeiras como das concessionárias, mas a contratação sempre era feita pela ARCEL. Ressalta que em 18 de abril de 2001, os acionistas da ARCEL S/A EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES, em Assembléia Geral Extraordinária decidiram alterar o objeto social da empresa para nele incluir " serviços de agenciamento e corretagem em negócios de terceiros não relacionados a imóveis".(doe.05), de modo que o objeto social da ARCEL S/A, descrito no item 7, pag. 2 do Termo foi transcrito de redação antiga que não observou a alteração relatada acima. Reportase ao item 120 do Termo de Verificação, questionando terem os Agentes Fiscais assumido a condição de inspetores do CADE para invadirem a seara dos direitos da concorrência, e alegando que a lei não determina quem deve ser o sujeito passivo de determinada operação. Ao contrário, o Código Tributário, em seu artigo 110 impõe à lei tributária o respeito aos institutos, conceitos e formas do direito privado. Como conseqüência de sua tese, extrai que: se não é contrário à lei, e não o é, perfeitamente possível à "holding", chamar para si, a coordenação das finanças de todas as empresas com as quais mantém relação societária de domínio e ser remunerada pela intermediação financeira com os agentes financeiros para o financiamento dos veículos das empresas do Grupo TEMPO. Para comprovar a centralização das finanças, reportase ao documento 06 anexo como instrumento público, pelo qual a Impugnante, através do seu Diretor Sr. ARMINDO DIAS, também DiretorPresidente da ARCEL S/Á (Termo de Verificação Fiscal, de fls, item 6) outorga poderes de representação a LUIZ ANTONIO FURLAN (procurador da Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 18 ARCEL S/A), MARIA DE FÁTIMA SIMÕES DIAS NADELICCI ( Diretora Executiva da ARCEL S/A, Termo item 6), MARIA CRISTINA SIMÕES DIAS DE SOUZA QUEIROZ (Diretora da ARCEL, Termo item 6) APARECIDA ANTÓNIA ZANGHETIN, e MARIA JOSÉ TOGNAZZOLO (procuradoras da ARCEL S/A). E acrescenta que referidos outorgados têm poderes para representar a Outorgante junto às instituições financeiras, entre outros atos, emitindo e endossando cheques, notas promissórias cédulas de crédito, movimentar contas em bancos e não pertencem aos quadros de funcionários da Impugnante mas estão ligados à controladora ARCEL S/A ou pertencendo ao seu quadro de dirigentes (item 6 do Termo de Verificação) ou dela são procuradores (doe. 02). Reportase a procurações por instrumento público, constantes do doe. 2, outorgadas pelos hotéis pertencentes ao Grupo ARCEL S/A, por ela controlados, outorgando procurações às pessoas acima. Acrescenta constituírem prova incontestável da centralização das operações sob o comando da ARCEL S/A. (...) Complementa ser a ARCEL quem figura no Contrato de Prestação de Serviços entre as financeiras e a mesma para o financiamento a favor dos adquirentes de veículos do Grupo TEMPO. E nesse Contrato está estipulada remuneração a ser paga a ARCEL a qual, com o seu poder de mando sobre as concessionárias, levoua a indicar aos adquirentes o financiamento disponibilizado pelo Agente Financeiro. E, por essa razão, a remuneração é paga à ARCEL. Assevera nada ter sido dissimulado. (...) Reitera que era absolutamente lícito ter idealizado o modelo do negócio utilizandose a ARCEL S/A, com seu poderio econômico, para alavancar os financiamentos aos adquirentes de veículos, clientes da TEMPO. E, em troca dessa atuação, os agentes financeiros pagaram a remuneração pela intermediação à ARCEL S/A, verdadeira autora dessa intermediação sem que se possa falar em qualquer simulação, inexistindo, assim, a ilicitude somente enxergada pelo exagero dos Agentes Fiscais. Em contrapartida a Impugnante, e as demais empresas do Grupo qualificadas como concessionárias de veículos, tiveram suas vendas de veículos alavancadas disso tirando proveito sem qualquer contrapartida. Reportase à imputação de fraude, mencionando os itens 135, 139, 140 e 141 do Termo de Verificação, e defende que, ao contrário das conclusões esposadas pelos Agentes Fiscais, a Impugnante destaca que a venda de veículos pelas concessionárias do Grupo TEMPO é alavancada com a presença do financiamento. Assim, é o financiamento, obtido com a intermediação da empresa "holding", a ARCEL é que é o fato gerador da venda do veículo. Assim sendo, a Comissão pela intermediação financeira está sendo paga e contabilizada por quem a ela tem direito, não se tratando, dessa forma, de interposta pessoa ou estranho à relação (item 138 do Termo) mas a que motivou o financiamento e a legítima titular da remuneração pela intermediação. Não se pode, falar, portanto, na existência de qualquer fraude a justificar a multa qualificada de 150%. E se não há qualquer outra figura tipificada como Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.148 19 crime tributário de sonegação, fraude e conluio (Lei 4.502/64) não há qualquer ilicitude a ser apenada. Sob o título DO DIREITO, expõe e argumenta que: A prática adotada pela ARCEL S/A "holding" do Grupo de empresas que inclui as atividades no ramo de hotelaria e concessionárias de veículos, entre outros, incluindo nesse segmento as empresas do Grupo Tempo, todas autuadas, revelouse a forma de desenvolver o negócio de todo o Grupo, assumindo a "holding" a posição de controladora das finanças de todas as empresas, facilitando, com sua influência o contato com as instituições financeiras com as quais celebrou os Contratos de Prestação de Serviços, que consagraram os financiamentos aos adquirentes de veículos. Tudo absolutamente às claras, e toda a documentação refletia, com exatidão, o desejado pelas partes pelo que não se pode falar, em tempo algum, da existência, no caso, de qualquer indício de simulação ou qualquer das figuras elencadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64 ou artigos Io e 2° da Lei 8.137, de 27 de dezembro de 1990. A jurisprudência extraída pelos Agentes Fiscais, do Conselho de Contribuintes, caminha, toda ela, no sentido de operações que configuraram práticas fraudulentas não se aplicando a modalidade escolhidas pelas empresas do Grupo Tempo e a "holding" ARCEL para empreender o negócio de concessionárias de veículos. Pelo fato de a remuneração pela intermediação do financiamento não ter sido contabilizada nos livros da Impugnante, os Agentes Fiscais consideraram ter havido omissão de receita da mesma o que levouos a redigirem o auto de infração, e qualificarem a operação como simulação. Ora, no modelo de negócio adotado, era a ARCEL S.A, controladora da Impugnante, quem tinha os contatos com os agentes financeiros e intermediava o financiamento e era remunerada para isso. Assim, o valor da remuneração porque não recebido pela Impugnante , e disso há farta prova, não podia integrar a sua receita bruta mas, sim, a da ARCEL que emitiu os documentos fiscais (notas fiscais de prestação de serviços) para receber referido pagamento o qual era suportado pelo Agente Financeiro. Essas Notas Fiscais e o recebimento das remunerações pela intermediações dos financiamentos, por parte da ARCEL S/A estão bem descritos e comprovados pelo Termo de Verificação de fls, itens 37 e 94, dispensados, assim, a necessidade de juntada de qualquer comprovante. Não há qualquer simulação. O artigo 167 do Código Civil assim dispõe sobre a nulidade dos negócios jurídicos acobertados pela simulação: Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 20 ... O modelo do negócio estabelecido entre a Impugnante e a ARCEL S/A não se encaixa em qualquer dos incisos do parágrafo 1º acima que conceitua a simulação porque os Contratos de Prestação de Serviços entre a ARCEL e as instituições financeiras que regem as intermediações dos financiamentos a favor dos adquirentes dos carros junto à Impugnante, não aparentaram coisa alguma e, sim, foram feitos com a pessoa jurídica escolhida para tal intermediação que foi EFETIVA. Não contem qualquer declaração ou condição inverídicas e não foram antedatados ou pósdatados. Na sequência, sob o título DAS PROVAS, a Impugnante, nos exatos termos do artigo 16 do Decreto 70.235/72, requer a produção de prova pericial para comprovar que, desde os idos de 1988, a "holding" ARCEL S/A já centralizava toda a coordenação financeira do Grupo, fazendo os pagamentos e suprindo, sempre que necessário, às empresas do Grupo, o numerário necessário para as suas atividades. No item III da peça de defesa, questiona a Impugnante VALORES DOS AUTOS DE INFRAÇÃO, alegando que caso estivesse correto o entendimento dos Srs. Agentes Fiscais, o que se admite apenas para argumentar, no sentido de que a receita correspondente à remuneração pela intermediação dos financiamentos para a venda dos veículos deveria ter sido contabilizada como receita da Impugnante, haveria de ser deduzido, dos autos, a tributação desses valores ocorrida na controladora ARCEL S/A a qual ofereceu à tributação referidos valores através do sistema de apuração pelo lucro presumido, que rege as suas atividades dedução essa que não foi realizada pelos Agentes Fiscais pelo que os valores de todos os autos de infração (IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, PIS/PASEP, COFINS) devem ser recalculados para adaptálos à verdade tributária propugnada pela fiscalização. Argumenta, também, neste tópico que a fiscalização teria cometido no "Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais", referente ao ano calendário de 2008, quando, no item 3, na descrição do Lucro/Prejuízo antes da compensação, foi registrado o valor de R$ 110.279,00 quando o correto é R$1.110.279,00. Esse mesmo equívoco ocorreu na folha referente à apuração do imposto de renda da pessoa jurídica quando o valor do prejuízo também foi anotado como se tivesse sido, no ano de 2008, R$ 110.279,00 e não R$ 1.110.279,00. Por esse motivo o lucro tributável correto deve ser R$ 3.542.781,00 e não R$ 4.542.781,00 com reflexo no imposto devido, juros, e multa da forma seguinte: Imposto RS 3.494.058,65 Juros de Mora : R$ 1.068.923,39 Multa: R$5.241.087,98 Total: R$ 9.804.070,02 o que reduz o total do auto para R$ 19.519.432,70. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.149 21 Discorda, também, do lançamento da MULTA ISOLADA, argumentando que: foi aplicada a multa de que trata o inciso II, letra "b" desse artigo 44, pela falta de pagamento do valor da estimativa mensal, com relação ao imposto de renda bem como Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, desconsiderando que a Impugnante, no período que serviu de base para a autuação anos calendários de 2005 a 2008 não apresentou lucro real mas, sim, prejuízo conforme atestado pelos Agentes Fiscais nos documentos anexos aos autos de infração; e essa multa isolada, de 50% (cinquenta por cento), foi aplicada concomitantemente com a multa de oficio prevista no inciso I do artigo 44 da Lei 9.430/96 o que tem sido banido pela doutrina e jurisprudência. examinandose o Demonstrativo de Apuração da Multa Regulamentar e ou Multa e Juros Isolados, anexo do Auto de Infração, vêse que a mesma foi aplicada desde o anocalendário de 2005 e 2006, quando a redação original da Lei 9.430/96, estabelecia, no inciso IV do artigo 44, que tal multa, nos casos de pagamento do imposto de renda e contribuição social, sob o regime de estimativa, seria de 75% (reduzida para 50% pela Lei 11.488, de 15.06.2007) e aplicada sobre o valor do lucro líquido, mesmo na ocorrência de prejuízo fiscal, quando a empresa deixasse de fazer o pagamento. Ora, no caso de o balanço final apresentar prejuízo, não terá havido lucro líquido e, portanto, inexistente a base para a aplicação da penalidade como ocorreu com a Impugnante, pelo que insubsistente a aplicação da mesma ao menos até a vigência da alteração na redação promovida pela Lei 11.488, de 15.06.2007, quando a multa passou a incidir não mais sobre o lucro líquido mas, sim, sobre o valor do pagamento da estimativa mensal. (...) Assim, ao menos até a vigência da nova redação do artigo 44 da Lei 9.430/96, efetivada pela Lei 11.488 de 15 de junho de 2007, inaplicável a multa isolada pelo não pagamento da estimativa mensal, no caso de verificação de prejuízo fiscal no balanço final. Dessa forma, a multa isolada, aplicada nos anos calendário de 2005, 2006 e até junho 2007 revelase insubsistente pelo que os autos de infração, com relação ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devem ter a exclusão da referida multa. Mas, mesmo após junho 2007, essa multa isolada pela falta de pagamento de estimativa revelase contrária ao disposto no inciso III do artigo 153 da Constituição Federal bem como inciso I do artigo 43 da Lei 5.172/66 (Código Tributário Nacional) porque, sendo a estimativa mera antecipação do que vier a ocorrer no final do exercício, inexistindo renda, ante a verificação de prejuízo, impossível a exigência da multa. Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 22 (...) Finaliza requerendo a insubsistência dos autos de infração ou, se assim não for entendido, a desqualificação da apuração de toda a operação entre a Impugnante e a ARCEL S/A como ato fraudulento (dissimulado) para deslocar a penalidade para o inciso I do referido artigo 957 do RIR e o cancelamento da multa isolada. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal de Brasil de Julgamento em Campinas/SP, esta houve por bem julgála procedente em parte e, por meio do acórdão 05.32933, manteve parte do lançamento. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 PERÍCIA. Injustificável o pedido de realização de perícia, quando se trata de matéria passível de prova documental a ser apresentada no momento da impugnação, mormente se os quesitos formulados na defesa não refletem matéria hábil a afetar a solução do litígio e se inexistentes dúvidas de natureza técnica a serem dirimidas por especialistas. VALOR APURADO Identificada divergência entre valor do prejuízo declarado para o período de 2008, apontado pela Fiscalização no Termo de Verificação, e aquele transferido para o sistema de apuração do valor do IRPJ devido, acatase a alegação de equívoco e recalculase a correspondente exigência, reduzindo seu valor para o resultado apurado segundo os mesmos critérios utilizados na autuação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. REVENDA DE VEÍCULOS. FINANCIAMENTO DE CLIENTES. COMISSÕES PAGAS POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Configura omissão de receitas, sujeita a lançamento de IRPJ, a desconsideração, na apuração do resultado, de receitas de comissões pagas por instituições financeiras em contrapartida a serviços prestados pela empresa autuada (concessionária de veículos) nas operações de vendas financiadas, ainda que contabilizadas em outra empresa, sua controladora. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. A apropriação, em pessoa jurídica diversa, ainda que controladora pertencente ao mesmo grupo, de receitas inerentes à atividade da pessoa jurídica autuada, configura inobservância do Princípio da Entidade e, em conseqüência, fere as normas contábeis, comerciais e fiscais. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS. Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.150 23 Tratandose de lançamentos reflexos, decorrentes dos mesmos fatos que ensejaram a autuação de IRPJ, mantémse a mesma orientação decisória do lançamento principal. MULTA QUALIFICADA. Constatado pela fiscalização ter a empresa autuada (optante pela forma de tributação pelo lucro real) omitido reiteradamente parcelas de receitas relacionadas a suas operações de vendas, receitas essas contabilizadas por empresa controladora (optante pela tributação pelo lucro presumido), a qual, para suprir a necessidade de capital de giro da controlada, procede a subscrição e integralização de capital de forma periódica, não há como afastar a conclusão fiscal de que presente objetivo de impedir a ocorrência do fato gerador, ou tornálo mais brando, justificandose a aplicação da multa de 150%. MULTA ISOLADA. Falta de Recolhimento das Estimativas Mensais. A multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença da antecipação do IRPJ e da CSLL, mensalmente devida e não recolhida, deve ser aplicada à pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, e optante pelo pagamento do IRPJ e da CSLL, em cada mês, determinados sobre bases de cálculo estimadas, por descumprimento da obrigação de antecipar o IRPJ ou a CSLL mensalmente devidos, ainda que, no ajuste ao final do período, não seja apurado resultado positivo. DUPLICIDADE DE INCIDÊNCIA. INEXISTÊNCIA. A multa de ofício exigida por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL devidos na apuração anual, e a multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, têm hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. De acordo com as expressas disposições legais, a incidência de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais, calculadas sobre bases de cálculo estimadas, é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período, por se tratar de hipóteses de incidência e bases de cálculo distintas. Após ser regularmente intimada do acórdão acima, a Recorrente, irresignada com o resultado do julgamento, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1.099/1.124, que passa a ser apreciado por este Conselho. Colocado o feito em julgamento, em sede de memoriais, a Recorrente passou a alegar que as atividades de intermediação financeira descritas nos contratos como obrigações da contratada eram, na realidade, exercidas pelas próprias instituições financeiras. Por fim, da tribuna, a ínclita advogada da Recorrente requer, ad argumentandum, que fossem deduzidos dos tributos lançados, os valores pagos pela Arcel S.A. a mesmo título. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 24 É o relatório. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.151 25 Voto Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Como relatado pela DRJ, a fiscalização, em seu Termo de Verificação Fiscal, informa que a autuação decorre da constatação de que a Recorrente (Tempo Automóveis e Peças Ltda), nos anoscalendário de 2005 a 2008, omitiu receitas relativas a comissões, bonificações e prêmios pagos pelas instituições financeiras/crédito, a título de remuneração da intermediação sobre contratos de financiamentos vinculados diretamente às operações de revenda de veículos efetuadas pela fiscalizada, receitas estas que foram indevidamente apartadas da operação de venda financiada como um todo e contabilizadas em sujeito passivo diverso (controladora do Grupo Tempo Arcel S/A). Em razão das supostas omissões apuradas, foram formalizadas: (i) exigências de IRPJ, CSLL, contribuição ao PIS e de COFINS, acrescidas da multa de ofício proporcional de 150% e juros de mora; e (ii) exigência de multa isolada de 50% pela falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre base de cálculo estimada. A Recorrente, por sua vez, sustenta em seu recurso voluntário que: “22. Se tivessem os julgadores de primeira instância verificado com mais cuidado os documentos acostados à Impugnação, teriam constatado que a ARCEL S/A modificou o seu estatuto social, em 18 de abril de 2001, para nele incluir ‘serviço de agenciamento e corretagem em negócios de terceiros não relacionados a imóveis’(fls. 514/518). (...) A jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes sempre esteve cristalizada que não cabe ao fisco intervir em questão de conveniência e oportunidade no que se refere à atividade da empresa. (...)26. Do que acima consta, deflui de forma cristalina que, por força do próprio Princípio contábil da Entidade, o registro das remunerações pagas pelas instituições financeiras como receitas da ARCEL S/A foi ato perfeito pelo simples fato de que tal paga pertencialhe contratualmente dentro do modelo de negócio concedido pelo Grupo para gerir tanto os hotéis quanto as concessionárias de veículos e as propriedades imobiliárias. A remuneração da Arcel por parte das instituições financeiras está atrelada ao financiamento e não à venda do veículo pois é certo que há um percentual de vendas à vista, sem qualquer financiamento ou mesmo financiada pela própria Recorrente. Se assim é, não houve qualquer omissão de rendimentos na Recorrente, sendo certo que tais remunerações foram oferecidas Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 26 à tributação na ARCEL S/A como é reconhecido pela sentença recorrida (página 08/10, entre outras) E isto é válido para o IRPJ, CSLL e as contribuições PIS/COFINS.” Ao contrario da posição defendida pela Autoridade Fiscal, entendo que a prestação de serviços de intermediação financeira não está necessariamente vinculada à venda do bem. Isso porque o intermediário presta serviços divergentes do vendedor, tais como: cadastramento do cliente, conferência de dados e documentos comprobatórios necessários à verificação dos dados cadastrais dos clientes (sejam eles a confirmação da propriedade de bens que sejam dados em garantia, verificação de eventuais gravames, confirmação da originalidade dos documentos de identificação, verificação da documentação comprobatória da renda), explanação da proposta de financiamento, enfim a confecção de um dossiê que permita a aprovação do financiamento por parte da instituição financeira. Assim, tenho que a atividade de intermediação e a atividade de venda dos veículos são atividades relacionadas, mas não são interdependentes. É dizer: em tese, uma pessoa jurídica distinta da vendedora pode prestar os serviços de intermediação financeira. Ocorre que a empresa prestadora de serviços de intermediação financeira deve possuir a devida estrutura organizacional incluindo áreas administrativas e operacional que viabilizem a prestação de serviços. No caso em análise, a Autoridade Fiscal demonstrou que no processo de financiamento não há envolvimento algum de funcionário/colaborador da ‘holding’ ARCEL S.A. (por sinal, como descrito no parágrafo 8, não possui funcionários para tal fim). Confira se o disposto no item 8 do Termo de Verificação Fiscal: Em consonância com o caput e parágrafos acima, a Controladora ARCEL S/A Empreendimentos e Participações informa que em seu quadro de funcionários estão listados basicamente os Diretores do Grupo. Excetuando os diretores, a empresa teve em seus quadros dois funcionários, nos anos de 2005, 2006, 2007 e 2008, conforme consta do Termo de Comparecimento/Atendimento MPF 2009010008 5/ARCEL S/A EMPREEND. PARTICIPAÇÕES, lavrado em 22/04/2010 (ciência em 05/05/2010), respondendo ao Termo de Intimação Fiscal MPF 2009010008 5/ARCEL S/A EMPREEND. PARTICIPAÇÕES, lavrado em 13/04/2010, verbis: Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.152 27 Apesar de a ARCEL S.A não possuir estrutura que viabilizasse a prestação de serviços, alega a Recorrente que com seu poderio econômico a ARCEL tinha ‘cacife’ para negociar com as instituições financeiras o financiamento dos veículos a serem vendidos pelas concessionárias do Grupo TEMPO conforme atestam os contratos anexos (fls.). Entendo que o poderio econômico de quem realiza a intermediação não tem o condão de influenciar o financiamento das instituições financeiras para os adquirentes dos veículos. Isso porque a empresa intermediária não figurará como coobrigada dos contratos, portanto não reduzirá os riscos de inadimplência do seu cliente. Assim, tenho que a concentração do controle de caixa das empresas poderia auxiliála em aquisição de financiamentos, para si ou para as demais empresas do grupo, com taxa de juros reduzida ou por prazo alongado, etc. Entretanto, não vejo como o seu “poderio financeiro” se verteria para beneficiar o seu cliente, uma vez que as instituições financeiras não reduziriam suas taxas, concederiam prazos alongados ou quaisquer outros benefícios para os clientes pelo fato de que a holding da vendedora possui elevado patrimônio líquido (sendo que não figurará como co obrigada). Além dos argumentos elencados acima, entendo que, na estruturação do negócio desenvolvido pela Recorrente, encontrase ausente a vinculação entre receitas e despesas, pois não restou demonstrado que a empresa que registrava as receitas (ARCEL S.A) possuía qualquer despesa que estivesse associada às receitas auferidas. A prestação de serviços de intermediação financeira requer a fruição de determinados custos e despesas relativos aqueles serviços – seja de mão de obra qualificada, material de escritório, estrutura física condizente etc. Todavia, não restou comprovado que a empresa que auferia as receitas (ARCEL S.A.) possuía qualquer custo ou despesa relacionados aos serviços que alegava prestar. Ao contrário, a Autoridade Fiscal levantou que a ARCEL S.A. sequer possuía mão de obra para realizar esse serviço, possuindo na relação de empregados apenas duas pessoas que eram vinculadas aos serviços gerais e à consultoria de folha de pagamento. Por outro lado, verifico dos contratos de intermediação financeira em questão, que a Recorrente, na condição de subsidiária da Holding Arcel S.A. foi quem assumiu a responsabilidade pela execução do contrato. De fato, v.g., segundo o contrato celebrado com o Banco ABN AMRO as fls. 620 e seguintes, ao contratado foram imputadas as seguintes obrigações, a saber: a) encaminhar com a proposta, cópias legíveis e em bom estados da documentação referida na cláusula anterior; b) vistoriar o bem que será financiado e/ou arrendado e assegurar que o bem se encontre em perfeito estado de conservação e com a respectiva documentação atualizada, se responsabilizando por qualquer multa existente; c) acompanhar e fiscalizar, sob sua inteira responsabilidade, o trabalho do profissional que, devidamente habilitado, tenha sido contratado para Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 28 adotar todas as providências para a regularização, perante o órgão de trânsito competente, do Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo, em nome do financiado, devendo constar o gravame de alienação fiduciária em favor do Banco ABN AMRO Real S.A. ou da Aymoré Crédito, Financiamento e Investimento S.A. e na hipótese de arredamento mercantil, para que conste do Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo o nome da ABN AMRO Arrendamento Mercantil S.A. ou Sudameris Arrendamento Mercantil S.A. como proprietária e o endereço do domicílio do arrendatário para o recebimento de IPVA e notificações de infração de trânsito e o nome do arrendatário para o recebimento do IPVA e notificações de infração de trânsito e o nome do arrendatário e o número do contrato no campo “observações”. (...) E, v.g., o contrato celebrado com o Banco Alfa também prevê obrigações no mesmo sentido. Vejase às fls. 624: 1. Este CONTRATO tem por objeto a prestação, pelas CONTRATADAS, de serviços de: a) preenchimento de cadastro e conferência de dados e documentos comprobatórios necessários à verificação dos dados cadastrais dos seus clientes que desejarem obter financiamento ou contratar arrendamento mercantil ("CLIENTES") para aquisição de bens e ou serviços; b) apresentação às CONTRATANTES de propostas de CLIENTES para a concessão de financiamentos e/ou realização de operações de arrendamento mercantil de veículos Neste caso, a separação entre o ônus da prestação do serviço e o recebimento da receita em empresas diversas fica claro na cláusula terceira. Leiase: 3. Pelos serviços prestados pelas CONCESSIONÁRIAS, relativamente a cada contrato que resultar na concessão de financiamento ou de arrendamento mercantil, as CONTRATANTES pagarão à CONTRATADA quantia a ser fixada com base em critérios informados às CONCESSIONARIAS E o contrato com o Banco Finasa também previa obrigações do mesmo importe (fls. 624): 1. A CONTRATADA obrigase a prestar ao BANCO os seguintes serviços: Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.153 29 1.1. Encaminhamento ao BANCO pedidos de Financiamento/Arrendamento para aquisição de bens e/ou serviços. 1.2. No encaminhamento de pedidos a CONTRATADA: a) Utilizará os formulários próprios do BANCO; b) Cumprirá as instruções de preenchimento de acordo com as indicações nos formulários e normas operacionais comunicadas pelo Banco Da análise das provas trazidas aos autos, não identifiquei qualquer elemento de prova de as referidas obrigações foram, de fato, desenvolvidas pela holding Arcel S.A., signatária de referidos contratos, como alegado pela Recorrente em sua impugnação e razões de recurso, o que conduz à conclusão de que a obrigação pela execução do contrato ficou com a Recorrente, e a receita decorrente de referida obrigação foi contabilizado na Holding do Grupo Arcel. Ressalto que, em sede de memoriais, assim como em sustentação oral, a Recorrente passou a alegar que as atividades descritas nos contratos como obrigação da Arcel S.A. eram, na realidade, exercidas pelas próprias instituições financeiras. Admitida, por hipótese, essa versão dos fatos, estaríamos diante de um contrato em que a única obrigação da contratada seria a indicação do cliente (comprador do veículo) para oferecimento do financiamento, aproximandose do contrato de comissão. E, se entendido que não havia a atividade de intermediação financeira, mas sim,contrato de comissão, não seria possível atrelálo a pessoa diversa daquela que vendeu o automóvel, no caso em análise, a Recorrente. É dizer, pensar que se trata, na hipótese, de contrato de comissão, e não de intermediação financeira, impõe que a receita da comissão seja irremediavelmente imputada à Recorrente, e não à holding Arcel S.A., posto que só poderá receber comissão quem vende o bem. Demais disso, não é crível supor que as instituições financeiras tenham celebrado contratos delegando obrigações e responsabilidades à contratada e, sem qualquer formalização, tenham assumido referidos ônus e responsabilidades, sem qualquer alteração nas cláusulas de remuneração previstas nos mesmo contratos. E mais: apesar de os contratos terem sido firmados pela Holding, ainda que supostamente executados pelas próprias instituições financeiras, não se identifica a forma de segregação de custos inerentes e essenciais ao exercício da atividade de intermediação financeiras, tais como os relacionados à cessão de especo, consumo de energia e outros materiais necessários ao desenvolvimento da atividade contratada. Nesse contexto, não se pode aceitar, com relação ao resultado da mesma atividade, que uma empresa receba a receita (tributada pelo lucro presumido) e a outra empresa incorra nas despesas (a serem deduzidas na apuração do lucro real). E essa verificação é feita no intuito de reforçar o entendimento de que a atividade de intermediação era realizada pela Recorrente, e não pela Holding do Grupo ARCEL.. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 30 Neste sentido, vale ressaltar o conceito de vinculação das receitas e despesas proposto por Eldon S. Hendriksen e Michael F. Van Breda1: Tal como a vinculação foi definida pela comissão da AAA em 1964, que tratou de seu conceito, vinculação é o processo de registro de despesas com base numa relação de causa e efeito com receitas registradas. (...). A determinação do momento em que as despesas ocorrem exige, portanto: 1. Associação a receitas. 2. Registro no mesmo período em que a receita correspondente é registrada. A vinculação de uma despesa a uma receita requer, assim, a determinação de uma relação apropriada ente as duas. Todas as despesas, por definição, são incorridas como parte necessária da operação de geração de receitas. Tendo em vista a necessária vinculação ente receitas e despesas, temse que: i) ou não era necessário incorrer em despesas para a prestação de serviços de intermediação financeira, o que descaracterizaria a receita como oriunda da prestação de serviços, uma vez que, se a simples venda dos veículos já fosse suficiente para a instituição financeira pagar a comissão, não haveria que se falar em receita de prestação de serviços; ou ii) realmente eram prestados os serviços de intermediação financeira, os quais necessariamente incorriam em custos e despesas específicos e necessários à prestação desse serviço. Partindo do pressuposto de que os serviços de intermediação eram realmente prestados, como alega a Recorrente em suas razões de impugnação e recurso, deveria constar nos autos a prova da efetividade da prestação de serviço de intermediação por parte da ARCEL S.A.. Entretanto, da análise dos autos, verifico que esse serviço era prestado por pessoal da Recorrente, em sua própria estrutura física. Assim, quem incorria nos custos e nas despesas necessários à prestação do serviços de intermediação era a Recorrente. Todavia, quem auferia as receitas era a ARCEL S.A. Neste contexto, a Recorrente, cujo regime de tributação era o Lucro Real, deduzia os custos e despesas relativos à atividade de prestação de serviços de intermediação (materiais diversos, custo do espaço físico que era ocupado pelos empregados das instituições financeiras, etc.), lado outro, a ARCEL S.A, tributada pelo Lucro Presumido, reconhecia as receitas advindas da prestação de serviços de intermediação, sem arcar com qualquer custo ou despesa. Em vista do exposto, concluo que, partindo do pressuposto da efetiva ocorrência de prestação de serviços de intermediação, não há nos autos nenhuma comprovação que tal serviço fora efetivamente prestado pela ARCEL S.A. Ao contrário, há um conjunto probatório convergente demonstrando a ausência de custos e despesas incorridos pela ARCEL S.A. para a prestação desses serviços, pelo que entendo que tais receitas são de titularidade da Recorrente, e que, portanto, deveriam ter sido vinculadas às despesas incorridas pela Recorrente 1 Teoria da Contabilidade: tradução de Antonio Zorato Sanvicente. Ed. Atlas, São Paulo, 1999, p. 237. Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.154 31 Com esses fundamentos, não acolho esses argumentos da Recorrente. Reclassificação e Aproveitamento dos Tributos Pagos pela Arcel S/A Foi argüido da tribuna pela nobre Advogada da Recorrente que, na eventualidade de manutenção do lançamento, fossem deduzidos, dos tributos lançados, os valores pagos pela Holding Arcel S.A. a mesmo título. Apesar dos fortes argumentos trazidos à baila, entendo que não há como, sem autorização legal, tomarse o crédito de uma empresa que não é parte no auto de infração, para redução do débito devido pela autuada. Proceder dessa forma implicaria em reconhecer um direito de restituição e compensação no curso de um processo administrativo de revisão do lançamento, o que foge à competência legal deste Conselho. Não conheço, portanto, do pedido. Multa de Ofício Qualificada Fixada no Percentual de 150%. A simulação, tomada como elemento de desconsideração do auto de infração em análise, no bojo da teoria da licitude do planejamento tributário, reportase à disciplina traçada pelo Código Civil, que assim dispõe: Art 167 É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1 Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: 1 aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem, II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados, § 22 Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Ao lado da simulação vista sob a ótica civilista, surgiu a figura do negócio jurídico indireto, pelo qual as partes contratantes se utilizam de uma formação negociai típica ou atípica para alcançar o mesmo objetivo que uma outra formação negocial típica poderia lhe conferir. Por meio do negócio jurídico indireto, licitamente se afasta o regime do negócio típico com a aplicação de estrutura negociai diversa, desde que tal estruturação não sirva para driblar ilicitamente o regime aplicável ao negócio típico. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 32 O Superior Tribunal de Justiça, na esteira da Doutrina do seu Ministro Moreira Alves, esclarece que no negócio jurídico indireto, "as partes recorrem a um negócio jurídico típico sujeitandose à sua disciplina formal e substancial, para alcançar um fim prático ulterior ( ..), o qual não é normalmente atingido por meio desse negócio jurídico típico" (Resp 28.598/BA). No entanto, "isso supõe a licitude do ajuste celebrado pelas partes", devendo o negócio jurídico indireto ser desconsiderado quando utilizado com o objetivo de afastar proibição legal aplicável ao regime do negócio formalmente preterido (REsp.. 56.201/BA), Ainda não admitindo o cancelamento do Auto de Infração, entendo que a multa de ofício, aplicada no percentual de 150%, deve ser reduzida para 75%, consoante os fundamentos que passo a expor. De acordo com o disposto pela Autoridade Fiscal no TVF, “A qualificação da multa de ofício está calcada basicamente em dois fatores determinantes (i) simulação do negócio jurídico e (ii) a prática reiterada de omissão de receitas.” Contudo, ao tratar dos motivos acima, em nenhum momento demonstrou a existência de dolo especifico pedido pelo caput dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, sendo elemento essencial para se promover a qualificação da multa de oficio, mesmo que se pudesse afirmar que houve a alteração das chamadas circunstâncias materiais ou a modificação das características essenciais do fato gerador. E, na verdade, a própria Recorrente e a ARCEL S.A não escondem em momento algum que estipularam o repasse das comissões comerciais, por medida de organização interna e como retribuição pelas interseções da controladora nas condições de financiamento. Importante ressaltar que o fundamento legal para afastar a simulação (art. 167 do Código Civil) é diverso daquele que respalda a qualificação da multa (arts„ 71 a 73 da Lei n° 4.502). Neste sentido, apresento precedentes do Conselho de Contribuintes, in verbis: IRPJ — ATO NEGOCIAL — ABUSO DE FORMA — A ação do contribuinte de procurar reduzir a carga tributária, por meio de procedimentos lícitos, legítimos e admitidos por lei revela o planejamento tributário, Porém, tendo o Fisco demonstrado à evidência o abuso de forma, bem como a ocorrência do .fato gerador da obrigação tributária, cabível a desqualificação do negócio jurídico original, exclusivamente para efeitos .fiscais, requalificandoo segundo a descrição normativotributária pertinente à situação que foi encoberta pelo desnaturamento da função objetiva do ato. MULTA QUALIFICADA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A evidência da intenção dolosa, exigida na lei para agravamento da penalidade aplicada, há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconte.ste e demonstrada de forma cabal. O atendimento a todas as solicitações do Fisco e observância da legislação societária, com a divulgação e registro nos órgãos públicos competentes, inclusive com o cumprimento das formalidades devidas junto à Receita Federal, ensejam a intenção de obter economia de impostos, por meios supostamente elisivos, mas não evidenciam máfé, inerente à prática de atos fraudulentos.(acórdão 10195. 552). Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.155 33 Quanto à pratica reiterada de omissão de receitas, utilizada como outro fundamento para a qualificação da multa, tenho, a princípio, entendimento de que a mera omissão de rendimento, não acompanhada de outras condutas gravosas que denotem o evidente intuito de fraude, deva ser apenada com a multa de 75%, somente vindo a ser qualificada quando identificada aquela situação específica. É que a multa de 75%, prevista no art. 44, I, da Lei n°. 9.430/96, já tem como pressuposto lógico a omissão de rendimento por parte do contribuinte que não o entrega à tributação. Em verdade, se não houvesse a referida omissão, não haveria a lavratura do auto de infração. A sua postura, nesta situação, é meramente omissiva – e não próativa. Situação diversa, no meu entendimento, é a daquele contribuinte que, dolosamente, pratica atos com o objetivo de fraudar a incidência do tributo, ou seja, que porta se ativamente na ocultação da ocorrência do fato imponível. Nesta hipótese, quando o contribuinte agrega à sua omissão (pressuposto), uma ação dolosa para dissimular referida omissão, aí sim estaria o mesmo sujeito a qualificação da penalidade. Tal divergência fica clara na contraposição do disposto nos art. 44, inciso I, da lei nº 9.430/96, com o disposto nos arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, ambas com a redação dada pela lei nº 11.488/2007. Dispõe, o art. 44 da lei nº 9.430/96, o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (sem grifos no original). Já os arts. 71 a 73 da lei nº 4.502/64, tomados como base da qualificação da multa pelo indigitado parágrafo primeiro, dispõe o seguinte: “Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 34 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Da contraposição da “falta de declaração ou declaração inexata” constante do inciso I do art. 44 da lei nº 9.430/96, com a “omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente”, o conhecimento do fato gerador, constante do art. 71 da lei nº 4.502/64, entendo que, para a segunda hipótese, a lei demanda a presença de dolo específico, mediante “ação ou omissão dolosa”, que deve ser especificamente provada na investigação administrativa, com fito à aplicação da multa majorada. Assim, a omissão desqualificada de uma ação tendente à dissimular referida omissão, deve ser enquadrada no disposto no art. 44, I, da lei n 9.430/96. Referido entendimento vem corroborado por julgamentos deste 1º Conselho de Contribuintes, quando entende que “a mera omissão de rendimento não justifica o agravamento da multa, de 75% para 150%, haja vista que o primeiro percentual já é estabelecido para os casos em que o contribuinte não oferece rendimentos à tributação” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relatora Conselheira Thaísa Jansen Pereira, no recurso nº 134.875, acórdão nº 10613722). Assim, “deve ser afastada a qualificação da multa quando ausente a comprovação de fraude. Incabível a aplicação de penalidade por presunção de fraude, em face de mera omissão de rendimentos apurada no lançamento” (aceitação unânime da 2ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, no recurso 143.280, acórdão 10247397). Ainda, reforça este posicionamento a constatação de que “a majoração da multa de ofício deve estar suficientemente justificada e comprovada nos autos, já que decorre de casos de evidente máfé” (aceitação da 6ª Câmara do 1º CC, relator Conselheiro Wilfrido Augusto Marques, no recurso 147842, acórdão 10615545). Diante do exposto, por não entender estar presente o dolo necessário para a caracterização da sonegação, da fraude e do conluio, voto por dar provimento ao recurso, nesse particular, e retirar a qualificação da multa de oficio, reduzindo a mesma para o percentual de 75%. Multa Isolada Concomitante com a Multa de Ofício Verificase dos Autos de Infração que, além da multa de ofício qualificada (aplicada em função do recolhimento insatisfatório dos tributos, em razão das supostas omissões de receitas apuradas em procedimento de fiscalização), a Autoridade Fiscal aplicou a multa isolada por insuficiência no recolhimento das antecipações de IRPJ e CSLL. Em síntese, as omissões de receitas resultaram no aumento do lucro real do anocalendário e, via de conseqüência, as antecipações ao longo do ano passaram a ser insuficientes, já que houve o aumento da base tributável pelo IRPJ e pela CSLL. Da mesma forma, a multa de ofício que é devida e calculada sobre a diferença do tributo que deixou de ser constituído pela contribuinte, também oriunda das mesmas omissões de receitas. Há, portanto, a cumulação das duas penalidades. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.156 35 A cumulação entre a multa de oficio isolada aplicada pelo não recolhimento das estimativas mensais no lucro real de apuração anual não é estranho ao conhecimento desta Corte Administrativa. De fato, é entendimento assente na Câmara Superior de Recursos Fiscais que a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas somente é aplicável quando o lançamento se der antes do fechamento do anocalendário, sendo certo que, após este encerramento, a aplicação da multa de oficio, tomando por base o tributo que deixou de ser recolhido no anocalendário e a multa isolada, tomando por base o valor das estimativas que deixaram de ser recolhidas no mesmo período, configura dupla penalização do mesmo fato gerador tributário. Ora, o recolhimento do imposto de renda mensal por estimativa configura antecipação do tributo que será apurado no encerramento do anocalendário, tanto que o montante eventualmente recolhido a maior no curso do ano deve ser restituído caso o fato gerador tributário, após efetivamente ocorrido ao final do período, alcance tributação inferior àquela recolhida por antecipação. Assim, encerrado o exercício fiscal, fazse o imposto recolhido no ano calendário consolidarse face a imposto apurado no exercício em tomo de urna única realidade, qual seja, a ocorrência do fato gerador do imposto de renda ocorrido em 31 de dezembro de cada ano. Assim, não entendo seja possível penalizar o contribuinte (i) pelo não recolhimento das estimativas e (ii) pelo não recolhimento do imposto anual, posto que a primeira nada mais é do que antecipação do segundo. Os Conselheiros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por meio do acórdão n° 910100.526, em sessão de 26/01/2010, invocaram os princípios da consunção da condutameio pela conduta fim e da não repetição da sanção tributária, para afirmar que “encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual, e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada”. Também no acórdão n° 0105.843 a Câmara Superior de Recursos Fiscais sustenta ser “incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Assim, a primeira conduta é o meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao cumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo.” Neste sentido, seguem outros precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, valendo ressaltar os seguintes excertos: Ementa:APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela .falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA 36 Assim, a primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte pela imputação de penalidades de mesma natureza, já que ambas estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no dever de recolher o tributo.Recurso especial negado. CSRF/0105.844 Ementa:Assunto, Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica 1RPJExercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003EmentaMULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei n°9430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.Recurso especial negado. CSRF/0105 .875 Pelo exposto, dou provimento ao recurso neste particular, para cancelar a aplicação da multa isolada. CONCLUSÕES: Diante das considerações expostas, nego provimento ao recurso voluntário interposto no que se refere ao mérito do lançamento, entendendo merecer prosperar o auto de infração que impõe o reconhecimento das receitas de prestação de serviços de intermediação pela Recorrente. Entretanto, acolho o pleito de redução da multa de ofício qualificada para o percentual de 75%, bem como cancelo a multa isolada aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA Processo nº 10830.016515/201092 Acórdão n.º 1401000.765 S1C4T1 Fl. 1.157 37 Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 07/08/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente em 16/08/2012 por JORGE CEL SO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 16045.000207/2009-44
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005
SERVIÇOS PRESTADOS. RETENÇÃO DE 11%. OBRIGAÇÃO DA CONTRATANTE.
A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida, na forma da lei, em nome da empresa cedente da mão-de-obra.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
CO-RESPONSÁVEIS.
A relação de co-responsáveis não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas ou não na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 SERVIÇOS PRESTADOS. RETENÇÃO DE 11%. OBRIGAÇÃO DA CONTRATANTE. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra deve reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida, na forma da lei, em nome da empresa cedente da mãodeobra. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. CORESPONSÁVEIS. A relação de coresponsáveis não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas ou não na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 02 07 /2 00 9- 44 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16045.000207/200944 Acórdão n.º 2803002.285 S2TE03 Fl. 192 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16045.000207/200944 Acórdão n.º 2803002.285 S2TE03 Fl. 193 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase do auto de infração DEBCAD 37.179.2096, referente à retenção de onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibos de prestação de serviços, prevista no art. 31, §§ 1º e 2º, da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, relativas às competências 03/2005 a 12/2005. No Relatório Fiscal de fls. 61/69, o auditor fiscal assim fundamenta a lavratura do auto de infração: 7. O contrato de 01/02/2005 entre a CCDL Construções de Dutos Ltda e a empresa prestadora Cambraia e Barros Ltda ME (xerox em anexo), tem por objeto o fornecimento de serviços de locação de imóveis mobiliados (HOTELARIA) com serviços de limpeza, para repúblicas de funcionários da contratante, determinando na clausula II, letras "c" e "f" do item 2.1 que a contratada se obrigou a fornecer toda a mão de obra necessária a execução dos serviços de limpeza da repúblicas, com limpeza diária local; e na letra "j" do mesmo item 2.1 se obrigou ao fornecimento, a operação e manutenção de todas as repúblicas de seus funcionários, estando portanto sujeito a retenção sobre a Nota Fiscal/Fatura de Serviços, na base de 50% do valor da Nota Fiscal (material e mão de obra). 8. Assim sendo, verificase que a CCDL Construções de Dutos Ltda poderia ter contratado várias empresas, uma para fornecimento de serviços de locação de imóveis mobiliados (HOTELARIA), outra para execução dos serviços de limpeza da repúblicas de seus funcionários e ainda outra para fornecimento, a operação e manutenção de todas as repúblicas de seus funcionários. No entanto, optou por contratar apenas a Cambraia e Barros Ltda ME para executar os diversos tipos de serviços. 9. Considerando que não foram discriminados nas notas fiscais os valores dos serviços de limpeza, operação e manutenção, foi utilizada a base de cálculo de 50% do valor das notas fiscais, conforme a legislação supra citada, cujos valores mensais consolidados encontramse no Anexo II. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente o lançamento. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16045.000207/200944 Acórdão n.º 2803002.285 S2TE03 Fl. 194 4 DO RECURSO O contribuinte foi cientificado da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: a decadência das competências que excederam os cinco anos legais; a decisão recorrida é contraditória e deve ser nula, pois inovou quando afirmou que os serviços, objeto do auto de infração também estão sujeitos à retenção quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. Tal assertiva inova no processo, não tendo sido alegada no relatório fiscal. Inexiste uma linearidade lógica e racional na condução da fundamentação; não houve o levantamento efetivo dos fatos, contrariando o art. 142, do CNT e o art. 9o, do Dec. 70.235/72; a contratada prestou serviços puros, sem simplesmente ceder mãodeobra. Equivocase a decisão recorrida que contraria a terminologia e os conceitos jurídicos já estampados na legislação civil e comercial, afrontando o art. 110, do CTN; sobre os serviços de limpeza, operação e manutenção não há retenção de 11%. O que o art. 31, da Lei 8.212/91, determina é a retenção sobre a cessão de mãodeobra; a decisão recorrida esquecese, isola totalmente os serviços de locação de imóveis, para fincarse unicamente no fornecimento de mãodeobra para lançar sua fundamentação. O contrato tem que ser examinado no seu conjunto; o contrato deixa claro, na cláusula 2.1 que a contratada deverá executar, ela própria, a limpeza diária local e a execução dos serviços de manutenção. O fornecimento da mãodeobra não significará a sua cessão, mas a obrigação de ter a mãodeobra necessária para cumprir seu dever de executar a limpeza diária do local e a manutenção; contratada teria que fornecer os imóveis, os móveis, a limpeza e a manutenção. Para tanto teria que também fornecer os trabalhadores, sob seu comando; a recorrente contratou os serviços de alojamento de seus homens que acompanham a execução da obra de construção do gasoduto e, nesse sentido, a república, ou a pensão, ou a hospedagem, tem que estar limpa, tem que ser mantida dentro dos padrões higiênicos e sanitários aceitáveis. O fornecimento da mãodeobra é obrigação da contratada de levar à frente o trabalho que consiste na manutenção de hospedagem, sem haver qualquer cessão de mãodeobra. A Cambraia prestava os serviços nos seus próprios locais; não há mecanismo para transferir ao contratante a responsabilidade dá não retenção de 11% sobre os serviços prestados a título de cessão de mãodeobra; a recorrente foi obrigada a recolher o valor correspondente aos 11% integralmente, sem compensação. A atual exigência contida na NFLD e na sentença ora recorrida, provocará o pagamento duplicado porquanto já houve a declaração e o recolhimento na GFIP, sem possibilidade nenhuma de compensação. Isso é “bis in idem”. O relatório fiscal afirma que não houve destaque na nota fiscal de serviço; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16045.000207/200944 Acórdão n.º 2803002.285 S2TE03 Fl. 195 5 a retenção é indevida, a decisão recorrida merece ser reformada; os juros e a multa são indevidos. Isso é enriquecimento ilícito; a exclusão das pessoas arroladas, por faltar o levantamento de atos e fatos determinados pelo art. 135, do CTN e por não oportunizar a plena defesa dos interessados; por fim, requer a nulidade da decisão recorrida, a improcedência do lançamento fiscal, a invalidade da multa e dos juros, e a exclusão das pessoas arroladas como coresponsáveis. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16045.000207/200944 Acórdão n.º 2803002.285 S2TE03 Fl. 196 6 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O Recurso voluntário é tempestivo, fl. 189, pressuposto de admissibilidade cumprido, passo ao exame das questões suscitadas. O lançamento fiscal se refere às competências 03/2005 a 12/2005. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 10/07/2009, fl. 94 dos autos digitalizados. Assim, não há que se falar em decadência tanto pela regra do art. 150, § 4o, quanto pela regra do art. 173, inciso I, ambos do CTN, pois o período compreendido entre o lançamento fiscal e a ciência do contribuinte é inferior a cinco anos. Consta do Relatório Fiscal, fls. 61/69, que a autoridade fiscal examinou o contrato de 01/02/2005 entre a CCDL Construções de Dutos Ltda e a empresa prestadora Cambraia e Barros Ltda ME. O objeto é o fornecimento de serviços de locação de imóveis mobiliados (hotelaria) para repúblicas de funcionários da contratante, com fornecimento de toda a mãodeobra necessária à execução dos serviços de limpeza, operação e manutenção, estando sujeito à retenção sobre a Nota Fiscal/fatura de Serviços, na base de 50% do valor da Nota Fiscal (material e mão de obra), considerando que não foram discriminados nas notas fiscais os valores dos serviços, demonstrados nos Anexos I e II. Foram mencionando todos os dispositivos legais que embasaram o lançamento fiscal. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra deverá reter 11% do valor bruto da nota fiscal/fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa cedente da mãodeobra. O valor retido deverá ser destacado na nota fiscal e poderá ser compensado pela empresa cedente da mãodeobra, por ocasião do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados, nos termos do art. 31, caput, e §1o da Lei 8.212/91. O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei, nos termos do § 5ºdo art. 33 da Lei 8.212/91. Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Enquadramse na situação prevista, além de outros estabelecidos em regulamento (Decreto 3.048/99), os serviços de limpeza, conservação, zeladoria e empreitada de mãodeobra, nos termos dos §§ 3o e 4o incisos I e III art. 31, da Lei 8.212/91. O fornecimento da mãodeobra no local indicado e a disposição do contratante é obrigação da contratada para poder levar à frente o trabalho que consiste na manutenção de hospedagem. Nesse caso, está caracterizada a cessão de mãodeobra. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16045.000207/200944 Acórdão n.º 2803002.285 S2TE03 Fl. 197 7 O Regulamento da Previdência Social – RPS (Decreto 3.048/99), § 2o , incisos I e IX, e § 3o , do art. 219, menciona quais os serviços estão enquadrados como cessão de mãodeobra, dentre eles, os serviços de limpeza, conservação, zeladoria, copa e hotelaria, estão sujeitos, também à retenção os serviços de limpeza, conservação e zeladoria, quando contratados mediante empreitada de mãodeobra. A base de cálculo para efetuar a retenção será de 50% (cinqüenta por cento) do valor da nota fiscal/fatura da prestação de serviços quando prevista em contrato, mas sem a discriminação dos valores de material/equipamentos nas notas fiscais, nos termos do art. 154, inciso I e art. 159 e incisos da Instrução Normativa – IN/INSS/DC 100/2003; e art. 145, inciso I; art. 146, incisos VII e XIV; e art. 150, inciso I; da IN MPS/SRP 03/2005. Os anexo I e II demonstram as competências, o código, a discriminação, o centro de custo da conta contábil, o valor, o número do lançamento e o numero da nota fiscal, fls. 70/73. Consta da decisão recorrida, fls. 149/159, os seguintes termos: Não obstante estar clara a ocorrência de cessão de mãode obra, o fato é que, nos termos art. 219, § 3º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, os serviços relacionados a limpeza estão sujeitos à retenção mesmo quando contratados mediante empreitada de mãodeobra: (...) Dessa forma, não há como não concluir pela ocorrência da hipótese de retenção prevista na legislação. Entretanto, a impugnante alega também que essa retenção seria tãosomente uma antecipação do que seria devido pelo prestador de serviços e que, por isso seria incabível exigir essa antecipação agora, depois que o prestador de serviços já apresentou sua GFIP e recolheu a contribuição pertinente, o que caracterizaria bis in idem. Neste ponto há um evidente equívoco no entendimento da impugnante, posto que a impossibilidade de se qualificar a retenção em tela como antecipação dos valores devidos pela empresa prestadora de serviços se evidencia no fato de que ambas as obrigações – isto é, tanto a da empresa cedente, de recolher as contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos empregados próprios utilizados na execução do contrato celebrado, como a da contratante, de recolher o valor correspondente a onze por cento das notas fiscais ou faturas emitidas pela primeira – têm idêntico prazo para serem cumpridas, como se constata da literalidade dos arts. 30 e 31 da Lei nº 8.212, de 1991: (...) Na medida em que “antecipar” significa “fazer ocorrer antes do tempo marcado” (“Novo Aurélio Século XXI”, 3ª edição, Fl. 197DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16045.000207/200944 Acórdão n.º 2803002.285 S2TE03 Fl. 198 8 Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999, pág. 148), não parece que se possa qualificar como “antecipatório” um recolhimento que deva ser feito exatamente no mesmo dia em que vence o prazo para recolherse o valor que sofreu a suposta antecipação. Noutras palavras, atenta contra a natureza das coisas que uma obrigação que vence no dia vinte de cada mês seja tida como antecipação de outra, cujo vencimento também se dá em tal momento, pois não se tem, na hipótese, a ocorrência “antes do tempo marcado” a que alude a obra citada neste parágrafo. Na realidade, a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento de que cuida o art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, é exclusiva da empresa contratante de serviços e incondicionada à situação fiscal da pessoa jurídica cedente da mãodeobra. Veja se o dispositivo: (...) Em verdade, repitase, apenas a empresa contratante é responsável pela retenção dos onze por cento sobre o valor da nota fiscal ou fatura de serviços, e pelo consequente repasse da importância retida à Previdência Social. Isso, inclusive, resulta na impossibilidade de haver cobrança em duplicidade, como aventado pela defesa, pois a empresa cedente da mãodeobra, exatamente porque não detém a qualidade de responsável, não procederá ao recolhimento determinado no dispositivo legal reproduzido algumas linhas acima. Duplicidade haveria, sim, caso a tomadora dos serviços efetuasse o recolhimento a que está obrigada e, ao mesmo tempo, a empresa cedente da mãodeobra não realizasse a compensação prevista no § 1º daquele art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, assim redigido: (...) Mas, mesmo em tal hipótese, indevido seria o recolhimento efetuado pela empresa mencionada nesse § 1º, na medida da compensação a que fazia jus, e não o realizado pela contratante, pois este é devido independentemente da observância da norma ora enfocada. E diante da possibilidade de a empresa prestadora de serviços pedir restituição do valor que eventualmente tenha deixado de compensar, não há que se falar em bis in idem. A propósito, a jurisprudência já dominante no âmbito do Superior Tribunal de Justiça é no sentido da validade da retenção controvertida nos presentes autos, por entenderem os ministros daquela Corte Superior que a Lei nº 9.711, de 1998, ao alterar o art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, não criou uma nova contribuição sobre o faturamento, mas simplesmente revelou uma nova sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária, colocando as empresas tomadoras de serviço como responsáveis na forma da substituição tributária. Nesse Fl. 198DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16045.000207/200944 Acórdão n.º 2803002.285 S2TE03 Fl. 199 9 sentido, transcrevese a seguir a ementa do acórdão proferido no REsp. nº 1036375, publicado no DJe em 30/03/2009: (...) Desse modo, estando correto o fundamento da lavratura do auto de infração, ou seja, que de fato ocorreu a hipótese prevista na legislação determinando a obrigação da autuada de reter os onze por cento, não há que se falar em nulidade do lançamento de ofício. Por fim, cabe esclarecer que a Relação de Vínculos (fl. 22) faz parte de todos processos de auto de infração e serve para esclarecer a composição societária da empresa no período do débito, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. Esse relatório não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o parágrafo 3º do artigo 4º da Lei nº 6.830, de 1980, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. Como se pode notar do relatório fiscal e da decisão recorrida que há sintonia nos fundamentos legais. O fato gerador está devidamente demonstrado e fundamentado nos autos, inclusive em consonância com os dispositivos constantes do relatório de Fundamentos Legais do Débito – FLD, fls. 19/20. Destarte, não procede o argumento de que não houve o levantamento efetivo dos fatos, contrariando o art. 142, do CNT e o art. 9o, do Dec. 70.235/72. A autoridade fiscal e a decisão recorrida analisaram todos os documentos constantes dos autos para se certificar da ocorrência do fato gerador da obrigação e sua fundamentação legal. Não procede o argumento do contribuinte de que a decisão isola totalmente os serviços de locação de imóveis, para fincarse unicamente no fornecimento de mãodeobra para lançar sua fundamentação. O Supremo Tribunal Federal julgou constitucional a cobrança da retenção do percentual de 11% sobre o valor da nota fiscal ou da fatura pela empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, em nome da empresa cedente (RE n. 393.946, Relator o Ministro Carlos Velloso, Sessão do dia 3.11.2004). Não há que se falar em pagamento duplicado em razão de declaração e o recolhimento na GFIP e em bis in idem quando a retenção de 11% se refere a uma forma de antecipação tributária, ou seja, se compensa, se deduz o tributo anteriormente recolhido pela contratante em nome da contratada, havendo o direito de restituição de eventual crédito tributário ao contribuinte, se existir. Os argumentos apresentados no recurso voluntário são os mesmos trazidos na impugnação e já analisados pela decisão recorrida que está em consonância com os Fl. 199DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16045.000207/200944 Acórdão n.º 2803002.285 S2TE03 Fl. 200 10 fundamentos legais constante do lançamento fiscal. O contribuinte não trouxe fatos novos que pudessem desconstituir o crédito fiscal lançado. Destarte, não há que se falar que a decisão recorrida é contraditória, inovou na decisão quanto aos serviços prestados, que não há existência de linearidade lógica e racional na condução da fundamentação, nem na sua anulação. Houve a caracterização da cessão de mãodeobra para os serviços de limpeza, conservação, zeladoria, copa e hotelaria, estando sujeitos, também, à retenção os serviços de limpeza, conservação e zeladoria, quando contratados mediante empreitada de mãodeobra, nos termos do § 2o , incisos I e IX, e § 3o , do art. 219, do RPS (Decreto 3.048/99). O direito previdenciário é autônomo, possuindo legislação própria. Assim, suas normas devem prevalecer sobre os conceitos jurídicos da legislação civil e comercial, quanto à questão previdenciária, sendo os demais direitos infraconstitucionais utilizados subsidiariamente. Não houve afronta ao art. 110, do CTN. Não houve cobrança de valor de multa, conforme fls. 3 dos autos. Assim, sem efeito a discussão trazida pelo contribuinte nesse ponto. São devidas e legais a aplicação dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Receita Federal do Brasil, bem como, a aplicação da taxa SELIC, enunciadas nas súmulas 4o e 5o do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Cumpre observar que a relação de coresponsáveis é meramente informativa e não enseja, por si só, a responsabilidade pelas obrigações tributárias devidas pela empresa. Até porque não constam informações no relatório fiscal de que os dirigentes tenham agido com infração à lei ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Nestes termos, uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de coresponsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. Tal obrigatoriedade encontrase prevista no inciso I, § 5o, do art. 2o da Lei 6.830/80. Deste modo, não há que se falar em nulidade da autuação em razão de que as pessoas coresponsabilizadas não tiveram direito de defesa. O crédito tributário encontrase revestido das formalidades legais do art. 142 e § único, e arts. 97 e 114, todos do CTN, com período apurado, discriminação dos fatos geradores, a base de cálculo, o Discriminativo Analítico do Débito – DAD, a Instrução para o Fl. 200DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 16045.000207/200944 Acórdão n.º 2803002.285 S2TE03 Fl. 201 11 Contribuinte – IPC; os Fundamentos Legais do Débito – FLD; a identificação do contribuinte, identificação do Auditor Fiscal notificante, Relatório Fiscal, consoante artigo 33 da Lei 8.212/91 e demais dispositivos mencionados nos autos. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 201DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/ 04/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.000787/2005-90
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Anos-calendário: 2000 e 2001 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os suprimentos de caixa efetuados pelo sócio da empresa somente serão aceitos pelo fisco quando comprovadamente advindos de rendimentos da atividade da pessoa física e as transferências dos recursos sejam efetivamente comprovadas, coincidentes em datas e valores. A ausência dos elementos probantes justifica a manutenção da tributação. PIS E COFINS. BASES DE CALCULO
Na forma da legislação aplicável as bases de calculo das incidências do PIS e da
COFINS são mensais, não se confundindo com bases de cálculo trimestrais do IRPJ
e da CSSL do lucro presumido.
Numero da decisão: 1803-001.333
Decisão: Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado.
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. SUPRIMENTOS DE CAIXA. PRESUNÇÃO LEGAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os suprimentos de caixa efetuados pelo sócio da empresa somente serão aceitos pelo fisco quando comprovadamente advindos de rendimentos da atividade da pessoa física e as transferências dos recursos sejam efetivamente comprovadas, coincidentes em datas e valores. A ausência dos elementos probantes justifica a manutenção da tributação. PIS E COFINS. BASES DE CALCULO Na forma da legislação aplicável as bases de calculo das incidências do PIS e da COFINS são mensais, não se confundindo com bases de cálculo trimestrais do IRPJ e da CSSL do lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 3ª Turma Especial da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Selene Ferreira de Moraes Presidente (Assinado Digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 275DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10980.000787/200590 Acórdão n.º 1803001.333 S1TE03 Fl. 275 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Viviane Aparecida Bacchmi, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do contido no Acórdão nº 1219.343, proferido pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de JaneiroI– RJ, constante das fls. 220 e segs: “Tratase de exigências de oficio do imposto de renda de pessoa jurídica (R$ 38.521,29), do PIS (R$ 3.352,85), da CSSL (R$ 5.582,99) e da COFINS (R$ 15.474,74), relativamente aos anos calendário de 2000 e 2001, estribadas em omissão de receita, assim considerados valores correspondentes a suprimentos de numerários ao contribuinte, pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido, sem observância da concomitância de condições fixadas no artigo 12, § 3., do Decretolei no 1.598/77 e Decretolei n. 1.648/78, artigo 1º, II, reproduzidas no artigo 282 do RIR199. 2. As devoluções de valores disponibilizados aos sócios foram apuradas na contabilidade da pessoa jurídica, através de depósitos em contas correntes mantidas junto aos Bancos Bradesco e BBV, cuja titularidade de direito era sócio da pessoa jurídica, Termo de Verificação fiscal, fls.155. 3. As bases de calculo do PIS e da COFINS foram tomadas trimestralmente, Semelhança do IRPJ que lhes deu origem. 4. Ciente das exigências em 31.05.2005, fls .156, 160, 164168 e 174, o contribuinte acostou aos autos a impugnação de fls. 182/204, através da qual alega, em síntese: 4.1. da irretroatividade da Lei nº 10.174/01, amparado em acórdãos do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, cujas ementas são reproduzidas nos autos, fls. 188/189, dado que a fiscalização lançou os créditos tributários com base em informações prestadas para fins da CMPF, relativamente à contribuinte sócia da pessoa jurídica, conforme processo nº. 11080.005764/200334; 4.2. a origem dos recursos no contrato de mútuo firmado entre os sócios e a pessoa jurídica, sobre o qual foi exigido, de oficio, o IOF, conforme processo n. 10980.000789/200589; 4.3. da capacidade financeira do sócio Paulo Arnizaut, comprovada pelas cópias das DIRPF dos anos calendário de 2000 e 2001, anexadas á impugnação; 4.4. da autuação com base em mera presunção de rendimento tributável; 4.5. do caráter confiscatório da multa, face ao artigo 150, IV, da CF/88. 5. Por pertinente, a Portaria RFB n° 340/2008 prorrogou a competência para julgamento deste feito da DRJ/Curitiba/PR para esta DRJ/RJI.”. A 1ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de JaneiroI– RJ, em sessão de 28/05/2008, ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 1219.343 entendendo “por unanimidade de votos, os membros desta Turma em JULGAR PROCEDENTES as exações do IRPJ (R$ 38.521,29), e da CSSL (R$ 5.582,99), e Fl. 276DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10980.000787/200590 Acórdão n.º 1803001.333 S1TE03 Fl. 276 3 PARCIALMENTE PROCEDENTES as exigências do PIS e da COF1NS, reduzindoas para, respectivamente, R$ 1.560,51 e R$ 7.202,37, na forma do relatório e Voto que acompanham este julgado”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. FORNECIMENTO DE RECURSOS. A presunção legal insita nos artigos 12, § 3º. do DL 1.598/77 e artigo 1., do DL 1.648/78 (RIR199, art. 282) é afastada quando, concomitantemente, sejam comprovadas as efetividades da entrega dos recursos e de suas origens; a capacidade financeira anual de sócio não atende ao requisito legal. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2000, 2001 PIS E COFINS. BASES DE CALCULO Na forma da legislação aplicável as bases de calculo das incidências do PIS e da COFINS são mensais, não se confundindo com bases de cálculo trimestrais do IRPJ e da CSSL do lucro presumido. Lançamento Procedente em Parte”. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/06/2008 (segundafeira, AR fls. 229), a IBÉRICA CORRETORA DE MERCADORIAS SC LTDA, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 1219.343, protocolou em 11/07/2008 (sextafeira) Recurso Voluntário (fls. 513 e segs) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado; reiterando, basicamente, os argumentos da peça impugnativa. Em síntese, é o relatório. Voto Conselheiro SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Sobre a questão da tempestividade, não se pode apurar em que data a Recorrente foi cientificada da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de JaneiroI– RJ às fls. 229 dos autos encontramos cópia do Aviso de Recebimento – AR: Fl. 277DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10980.000787/200590 Acórdão n.º 1803001.333 S1TE03 Fl. 277 4 No AR, não conseguimos ter a certeza sobre a data do recebimento. Assim, com base no que determina o inciso II do § 2º do art. 23 do Decreto nº. 70.235/72, utilizo o princípio “in dublo pro reo” para declarar o presente recurso tempestivo, além de atender aos pressupostos legais para seu seguimento. Por essa razão dele conheço. Alega a Recorrente a inconstitucional e ilegal acesso aos dados bancários e a consequente quebra do seu sigilo bancário realizado pela autoridade fiscal sem amparo em autorização judicial. Porém, não posso concordar com essa tese, tendo em vista que tais informações foram apresentadas durante o curso da ação fiscal. Desta feita, entendo que o presente processo não se enquadra nas hipóteses de sobrestamento em decorrência da espera do deslinde pelo STF do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral (Art. 543B, do CPC), portanto declaro inaplicável, para o presente caso, a norma do Art. 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF. Ultrapassando este ponto e passando ao mérito vejo que a questão dos autos trata de omissão de receita nos anos de 2000 e 2001, conforme Termo de Verificação Fiscal, constante das fls. 154 e segs, conforme visto abaixo: Diante dessa realidade e da impugnação apresentada, vejo a necessidade de a Recorrente comprovar que seus sócios tinham efetuado os depósitos em sua conta corrente. E, para isso a Recorrente apresenta algumas preliminares que enfrento neste momento: Fl. 278DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10980.000787/200590 Acórdão n.º 1803001.333 S1TE03 Fl. 278 5 Da Nulidade pela Ausência de Fundamentação da Decisão Recorrida Alega a Recorrente que: Mesmo diante dos argumentos e também da base legal constante da decisão contida no Acórdão nº 1219.343, a Recorrente continua a pleitear, em sede de preliminar, a nulidade do procedimento fiscal, com as mesmas palavras da impugnação. Porém, entendo que a preliminar de cerceamento de defesa é totalmente descabida, pois vejo que o procedimento fiscal foi realizado segundo as determinações contidas no art. 142 do CTN e o auto de infração foi lavrado com observância dos requisitos prescritos pelo art. 10 do Decreto nº. 70.235/72. Conforme consta dos autos a Recorrente foi intimada do inicio do procedimento fiscal (fls. 02), também foi intimada a prestar esclarecimentos e fazer comprovações a respeito da matéria tributada, tendo apresentado suas razões e documentos; quando da lavratura do auto de infração, apresentou impugnação; e da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de JaneiroI– RJ apresentou Recurso Voluntário. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10980.000787/200590 Acórdão n.º 1803001.333 S1TE03 Fl. 279 6 Observando tudo que aconteceu nos autos e que sempre a Recorrente respondeu as intimações e juntou documentos e teve condições de discordar das razões da autuação e de decidir da 1ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de JaneiroI– RJ, não há o que se falar em cerceamento defesa. Além do mais, as autuações foram acompanhadas do respectivo Termo de Verificação Fiscal, constante das fls. 154 e segs, que descreve todos os fatos ocorridos desde o inicio da fiscalização e indica todos os documentos anexados ao processo relacionados à matéria tributada. Diante desses fatos, entendo que a legalidade e o estado de direito estão devidamente prestigiados com o cumprimento do rito processual prescrito pelo Decreto nº. 70.235/72, rigorosamente observado nos autos. Assim, rejeito a preliminar arguida de nulidade do procedimento fiscal. Ultrapassado esse ponto, como visto acima, a questão dos autos trata de omissão de receita. Aqui temos que identificar se a conduta da Recorrente (ou a ausência dela) pode ser tipificada a luz do que determina o art. 42 da lei n°. 9.430/96, a seguir transcrito: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. O Mandado de Procedimento Fiscal nº 09101002003005406 trouxe uma serie de situações que, smj, não foram contestadas, até a presente data, pela Recorrente; até porque a questão é muito simples houve ou não suprimento de numerário. Antes da minha resposta, gostaria de trazer a tona parte do voto proferido pela Ilustre Conselheira Selene Ferreira de Moraes, Presidente desta 3ª Turma Especial, nos autos do processo administrativo nº. 11030.000713/200806, Acórdão nº. 180301.220, proferido na Sessão de 14 de março de 2012: “(...) Como já ressaltado no tópico acerca da nulidade da decisão recorrida, a controvérsia a ser analisada no recurso gira em torno da aplicação do art. 282 do RIR/99, e não da sua legalidade ou inconstitucionalidade. O crédito tributário relativo a esta infração foi constituído com fundamento no art. 282 do RIR/99: ‘Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas Fl. 280DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10980.000787/200590 Acórdão n.º 1803001.333 S1TE03 Fl. 280 7 (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e Decreto Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II).’ Extraise do artigo em destaque, em sintonia com os princípios basilares da contabilidade, que o simples registro contábil não constitui elemento suficientemente comprobatório, devendo a escrituração ser fundamentada em comprovantes hábeis para a perfeita validade dos atos e fatos administrativos. Inexistindo nos autos prova documental da origem e entrega do suprimento de numerário efetuado pelos sócios à pessoa jurídica, é de se reconhecer a ocorrência de omissão de receitas. A ausência dos documentos que comprovem a efetividade da entrega dos recursos ao “CAIXA” constitui falha inaceitável tanto pela legislação comercial como pela legislação fiscal. A comprovação exigida nesse caso seria a exibição de cópias dos cheques entregues à Autora e extratos bancários demonstrando a sua compensação. Contrariamente ao que alega a recorrente, a fiscalização trouxe aos autos os indícios na escrituração previstos no art. 282, quais sejam, a existência de lançamentos de suprimentos de caixa efetuados por sócio, sem comprovação da origem dos recursos e da efetividade de sua entrega”. Porém, tomando emprestado, com a devida vênia e necessárias homenagens a Conselheira Selene Ferreira de Moraes, os argumentos acima, vejo que falta aos autos a comprovação da Recorrente que não houve o suprimento de numerário apontado no Termo de Verificação Fiscal. Na verdade a Recorrente silenciou sobre os argumentos do Termo de Verificação Fiscal; e, na falta de outros elementos, o fisco pode utilizar o total das movimentações para fins de determinar a base de cálculo na hipótese de omissão de rendimentos. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar a omissão de receita e a consequente imputação tributária, não vejo como reparar a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de JaneiroI– RJ. Entendo que a Recorrente não observou que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. Tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe; já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. E, foi com base nesse principio que a autoridade fiscal solicitou a Recorrente que comprovasse a origem dos recursos depositados em sua conta corrente e que não tinham sido levados a tributação. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10980.000787/200590 Acórdão n.º 1803001.333 S1TE03 Fl. 281 8 Veja que poderia a Recorrente juntar suas alegações antes do julgamento da DRJ ou deste Conselho, tendo em vista que a prova no processo Administrativo Fiscal é de fundamental importância e deveria ser criteriosamente produzida pela Recorrente nesses 2.695 (dois mil, seiscentos e noventa e cinco) dias entre a intimação originaria dos autos de infração e o presente julgamento. Isso porque é através da prova o julgador administrativo forma sua convicção. Diante deste fato se poderia perguntar: “Qual o momento para a apresentação das provas no PAF?”. A resposta encontrase inserta nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, a seguir transcrito: “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (…)” “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” E, caso tenha alguma duvida o Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim determina: “Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Diante da legislação acima, é importante acentuar que a responsabilidade pela comprovação da verdade material caberia a Recorrente; e, para isso deveria buscar na legislação de regência o substrato legal para juntar as provas que entendesse como necessárias a defesa da conduta realizada; e, isso não o fez. E, observando tudo que consta dos autos, fazse necessário aplicar as determinações contidas na Súmula CARF nº 26, a seguir transcrita: “Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10980.000787/200590 Acórdão n.º 1803001.333 S1TE03 Fl. 282 9 Aqui, não se está falando em indicio de receita tributável, mas em presunção definida em lei, que autoriza, no caso de ausência de comprovação por meios hábeis e idôneos, da existência de receita omitida pela empresa. Foi dada oportunidade para a Recorrente, no curso da fiscalização, declinar a origem dos valores depositados, bem como a apresentação das declarações do imposto de renda da pessoa física que até comprova a capacidade financeira do sócio Paulo Arnizaut, mas não comprova que os recursos depositados na conta da Recorrente teriam saídos das contas do sócio Paulo Arnizaut, o tendo a Recorrente se pronunciado acerca dos mesmos. Não há como negar que a obrigação de regular escrita fiscal cabe à pessoa jurídica sujeita às normas fiscais e contábeis a ela aplicáveis. Diante da regular escrita contábil, o ônus de prova para sua desconstituição cabe à fiscalização; porém, quando é identificada a ausência de registro de depósitos na escrita contábil, caberia a Recorrente em três momentos distintos (esclarecimentos, impugnação e recurso) apontar a origem e justificar a não escrituração. Mas, isso simplesmente não ocorreu. E, o efeito desta ausência consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, como determina o art. 42 da Lei n° 9.430/96. No caso dos autos, a Recorrente, deliberadamente, omitiu rendimentos que deveria submeter à tributação e que caracteriza, indubitavelmente, a omissão apontada no Termo de Verificação Fiscal, constante das fls. 154 e seguintes. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao julgar o Recurso Especial da Fazenda Nacional, nos autos do Processo n° 10783.007302/9790, em 30/08/ 2010, assim decidiu: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1993; 1994; 1995 Ementa: IRPJ, SUPRIMENTO DE CAIXA, OMISSÃO DE RECEITAS Na ausência de provas hábeis a comprovar a origem e a causa dos recursos transferidos à contribuinte, como apurado pela fiscalização, resta caracterizada a omissão de receitas”. Assim, na falta de outros elementos que afastassem a tese do suprimento de numerário e a omissão de receita, coube ao fisco, por dever de oficio, pode utilizar o total das movimentações para fins de determinar a base de cálculo na hipótese de omissão de receita. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar o suprimento de numerário, não vejo como reparar a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de JaneiroI– RJ. Em relação ao PIS e a COFINS vejo que a 1ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de JaneiroI– RJ, tentou validar parte do lançamento, porém, na forma da legislação aplicável as bases de calculo das incidências do PIS e da COFINS são mensais, não se confundindo com bases de cálculo trimestrais do IRPJ e da CSSL do lucro presumido. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA Processo nº 10980.000787/200590 Acórdão n.º 1803001.333 S1TE03 Fl. 283 10 E, diante de tudo que podemos encontrar nos autos voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL mantenho os lançamentos apontados e seus desdobramentos em relação à CSLL. E, pelas razões acima voto para excluir a incidência do PIS e da COFINS pela não observância, quando do lançamento, da correta base de calculo das referidas contribuições. Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator (Assinado digitalmente) Fl. 284DF CARF MF Impresso em 07/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 8/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por SERGIO LUIZ BEZERRA PR ESTA
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Numero do processo: 10768.005681/2003-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003
IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT
O direito ao crédito do IPI, condiciona-se a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não corre quando os mesmos são não tributados (NT), na forma do parágrafo Único, do artigo 2° do RIPI198 (Decreto n° 2.637, de 1998).
Matéria objeto da Súmula CARF nº 20 : “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.”
IN SRF n° 33/99 - IMUNIDADE - ALCANCE – A imunidade prevista no art. 4° da Instrução Normativa n° 33/99 regula apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, sobre eles recai o manto da imunidade tributária indicado no inciso III, §3°, do art.153 da Constituição Federal. Recurso do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 3201-000.870
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso por aplicação da Súmula nº 20 do CARF, vencidos os Conselheiros Daniel Mariz Gudino e Adriene Maria de Miranda Veras; e, por maioria de votos, em negar 2 provimento ao recurso quanto à aplicação de multa e juros, vencidos os Conselheiros Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. O Conselheiro Daniel Mariz Gudino apresentou voto em separado.
Nome do relator: JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT 0 direito ao crédito do IPI, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não corre quando os mesmos são não tributados (NT), na forma do parágrafo Único, do artigo 2° do RIPI198 (Decreto n° 2.637, de 1998). Matéria objeto da Súmula CARF nº 20 : “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” IN SRF n° 33/99 IMUNIDADE ALCANCE – A imunidade prevista no art. 4° da Instrução Normativa n° 33/99 regula apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, sobre eles recai o manto da imunidade tributária indicado no inciso III, §3°, do art.153 da Constituição Federal. Recurso do Contribuinte negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso por aplicação da Súmula nº 20 do CARF, vencidos os Conselheiros Daniel Mariz Gudino e Adriene Maria de Miranda Veras; e, por maioria de votos, em negar Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 2 provimento ao recurso quanto à aplicação de multa e juros, vencidos os Conselheiros Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. O Conselheiro Daniel Mariz Gudino apresentou voto em separado. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Relatora. EDITADO EM: 06/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luciano Lopes de Almeida Moraes, Judith do Amaral Marcondes Armando, Mércia Helena Trajano Damorim, Adriene Maria de Miranda Veras e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente). Relatório O presente processo versa sobre pedido de compensação de créditos de IPI da Requerente, no valor total de R$ 6.327.600,54 com débitos do IRPJ e CSLL, nos valores, respectivamente, de R$ 4.629.055,53 e R$ 1.698.545,01. A recorrente indicou o direito aos créditos mas não apresentou “nenhuma descrição dos produtos que teriam gerado o crédito pretendido, nem sua classificação fiscal, nem documentos que comprovem a fabricação desses produtos, de forma que se possa verificar a veracidade do alegado”. A administração tributária apreciou e indeferiu o pedido argumentando que deveria ter sido instruído com todos os elementos hábeis a demonstrar o direito do requerente, devendo conter planilha com a discriminação dos diversos insumos empregados na industrialização de cada produto, cópias de notas fiscais de aquisição e de saída (utilizando procedimento de amostragem), cópias das folhas do Livro Registro de Entradas, relativo ao período de apuração, identificando as notas fiscais de aquisição de insumos, cujos créditos do IPI foram objeto do pedido de ressarcimento em discussão. O recorrente apresentou apenas o documento de fls. 03, comunicando se tratar de créditos extemporâneos do IPI. Como a recorrente não apresentou provas documentais que permitissem assumir como liquido e certo o crédito alegado, em despacho circunstanciado, não homologou o pedido de compensação. Irresignada a recorrente apresentou impugnação, que foi recebida e analisada pela DRJ de Juiz de Fora MG. Na referida impugnação fez lembrar que a época do pedido da Requerente era vigente a IN SRF nº 210/02, a qual não estabelecia a obrigatoriedade de apresentação de documentos. Citou a legislação pertinente. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.005681/200335 Acórdão n.º 3201000.870 S3C2T1 Fl. 2 3 A DRJ diligenciou no seguinte sentido, verbis O contribuinte informa a fls. 03 ter formulado o pedido em papel em razão de se tratar de crédito extemporâneo, sem, no entanto, especificar a que período se refere o crédito. Não foram anexados aos autos quaisquer elementos que possibilitassem DRF identificar o período e os insumos cuja aquisição teria originado o crédito pleiteado, e dada a ausência de elementos que permitissem presumir a certeza e liquidez do crédito, atributos necessários para o reconhecimento do direito ao mesmo, de acordo com o artigo 170 do CTN, a autoridade competente proferiu o Despacho Decisório de fls. 27/30, indeferindo o pedido de ressarcimento e não homologando a compensação declarada, indeferimento esse objeto de contestação, pela requerente, a fls. 35/40, na qual, em síntese, alega que a IN SRF N° 210/2002 (vigente por ocasião da formulação do pedido) não estabelecia a obrigatoriedade de apresentação de documentos comprobatórios do pleito — o que se deu apenas com a edição da IN SRF 460/2004 —que a autoridade administrativa poderia têla exigido no curso do processo administrativo; que teve seu direito constitucional à ampla defesa violado; e, juntou relação de notas fiscais de entrada do período de 01/2000 a 09/2001 (fls. 48/118), cópia de notas fiscais (fls. 120/139), cópia de parte do RAIPI de junho e julho/2003 (fls. 140/142) — no qual se verifica a escrituração de um crédito extemporâneo na monta de R$ 20.482.737,21, que o contribuinte atribui ao período de janeiro/1999 a abril/2003 (fls. 142). Assim, considerando o acima relatado e a possibilidade de utilização do crédito apurado/acumulado ao final de cada trimestrecalendário sob a forma de ressarcimento/compensação, ainda que solicitado de forma acumulada e/ou registrado extemporaneamente (desde que observado o prazo prescricional para seu registro/utilização, nos termos do PN 515/71) proponho a conversão do presente julgamento em diligência e o retomo do presente processo ao Serviço de Fiscalização da DRF/NOVA IGUAÇU/RJ para as providências pertinentes, no sentido de verificação da materialidade e legitimidade do crédito pleiteado. Em cumprimento do solicitado, a administração tributaria solicitou o seguinte: 1 Livro Registro de Apuração do IPI; 2 Livro Registro de Entradas de Mercadorias; 3 Livro Registro de Saídas de Mercadorias; 4 Relação dos produtos industrializados, informando os respectivos insumos que entram na composição de cada um deles. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 4 5 Relação de notas fiscais de aquisição de insumos que geraram os créditos de IPI, objeto de pedido de restituição; 6 Demais documentos pertinentes 7 Esclarecer se nos totais requeridos estão inclusas importâncias relativas à correção monetária ou se foram aproveitados eventuais créditos supostamente embutidos em aquisição de insumos com alíquota zero, isento ou NT. 8 Informar ainda se o estabelecimento industrializa produtos que figuram na TIPI como NT ou se aproveitou de créditos de IPI oriundos de processos judiciais, apresentando, se for o caso, os respectivos elementos comprobatórios, tais como petição inicial, liminares, sentenças, acórdãos, etc. 9 Além dos itens acima enumerados, a empresa deverá esclarecer ainda o porquê da expressão Créditos Extemporâneos, mencionada ás fls. 03 de ambos processos citados no presente termo. 10 Esclarecer ainda por que as quantias pleiteadas a título de ressarcimento referemse segundo trimestre de 2003, bem assim o valor de R$ 3.729.147,63, correspondente ao processo n° 10768.006291/200382. Em resposta recebeu da empresa a seguinte informação CHEVRON BRASIL LTDA., regularmente inscrita no CNPJ sob o número 33.337.122/000127, cuja sede situase à Avenida República do Chile, 230, 25°. Andar, Centro, Rio de Janeiro/RJ, neste ato representada por seu procurador Cláudio La Greca, portador do RG 052948460 IFP/RJ (emissão 18.06.1979) e inscrito no CPF/MF n° 958.422.68787, residente e domiciliado nesta capital, vem à presença de V. Sª, expor o que segue: Nos dias 18/02/2008 e 27/02/2008 a requerente recebeu o Termo de Intimação em referência. Citado Termo intimou a ora Requerente a: 1. apresentar documentos relativos aos Processos Administrativos Fiscais nºs 10768.005318/20031 10768.006291/200335; e 10768.005681/200335 10768.0511/200384 2. Listamos abaixo os documentos enviados anexos a presente, a saber: Cópias do livro de apuração do IPI (item 1 da intimação) (os Livros originais encontramse a disposição, em nossas dependências); Livro de Registro de entradas de mercadorias (Arquivos em PDF gravados em mídia multimídia, os Registros de Entradas de Mercadorias originais encontramse à disposição; em nossas dependências); Fl. 395DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.005681/200335 Acórdão n.º 3201000.870 S3C2T1 Fl. 3 5 Livros de saída de mercadorias (Arquivos em PDF gravados em mídia multimídia, os Registros das Saídas de Mercadorias originais encontramse a disposição, em nossas dependências); Relação de Produtos Industrializados, informando os respectivos insumos que entram na composição de cada um deles (item 4 da intimação); (Listagem anexa. Tratase da fórmula principal dos produtos, sujeito a alteração conforme necessidade da produção fórmulas alternativas); Relação de notas fiscais de aquisição de insumos que geraram os créditos de IPI objeto de pedido de restituição (item 5 da intimação); Esclarecer se nos totais requeridos estão inclusas importâncias relativas a correção monetária ou se foram aproveitados créditos supostamente embutidos em aquisição de insumos com alíquota zero. (item 7 da intimação). (Nesse sentido vem a Requerente esclarecer que os créditos não sofreram qualquer tipo de atualização, pois se tratam de créditos escriturais.); Informar ainda: se o estabelecimento industrializa produtos em aquisição de insumos que figuram na TIPI como NT ou se aproveitou de créditos de IPI oriundos de processos judiciais. (item 8 da intimação).(Nesse sentido, vem a Requerente esclarecer que os créditos ora em comento não foram oriundos de processos judiciais); Além disso, ainda referente ao item 8 da intimação, vem a Requerente informar que industrializa produtos que figuram da TIPI como NT, todavia, utiliza citados créditos como base Conforme disposto no artigo 11 da Lei 9.779/1999, o qual dispõe que o saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado a alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar na saída de outros produtos poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430. Releva notar que citada lei menciona a palavra ‘inclusive’ apenas para ressaltar os produtos isentos e tributados a alíquota zero, posto que a regra geral deve prevalecer para todos os produtos. Posto isso, cabe ressaltar que os produtos fabricados pela Chevron enquadramse no parágrafo terceiro, artigo 18 do Regulamento do IPI (Decreto 4544/2002), o qual dispõe que são imunes da incidência do imposto os derivados de petróleo; Assim, reitera a permissão legal para manutenção dos créditos de IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, expressamente prevista no artigo 195 do Regulamento do IPI (Decreto 4.544/2002). Além disso, é entendimento da Receita Federal de que o direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei Fl. 396DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 6 nº 9.779 de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado, a partir de 4 de janeiro de 1999, conforme previsto no artigo 4° da Instrução Normativa nº 33/1999. Inclusive a própria Instrução Normativa nº 210/2002 ao estabelecer os critérios para compensação de tributos, expressamente vislumbrou a possibilidade de ressarcimento do crédito. Além dos itens acima numerados, a empresa deverá esclarecer ainda o porque da expressão Créditos extemporâneos, isto é, informar de que se tratam esses créditos e a que título foram aproveitados (item 9 da intimação). (Sobre citado item vem a Requerente informar que os créditos foram não apropriados quando da entrada das mercadorias que deram origem aos créditos, assim em momento posterior e, sobre o questionamento sobre a natureza dos créditos bem como a que titulo foram aproveitados, respectiva resposta foi informada nos parágrafos h,i,j. Esclarecer ainda porque as quantias pleiteadas a título de ressarcimento referemse ao segundo trimestre de 2003 (item 10 da intimação). (Como disposto no parágrafo anterior, os créditos foram utilizado em períodos posteriores). Conclusa a verificação acima referida,a fiscalização concluiu que a produção do estabelecimento constituise praticamente na industrialização de lubrificantes classificados nos códigos TIPI/NBM 2710.19.31 ou 2710.19.32, que constam da mesma TIPI como NT. O benefício para o qual o interessado pretende se habilitar foi instituído pelo art. 11 da Lei n° 9.779 de 19 de janeiro de 1.999. Esse dispositivo prevê que: ‘O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda’.(destaquei) A DRJ manteve o indeferimento argumentando que a produção se refere a produtos NT e que portanto não são considerados produtos industrializados. A decisão teve a seguinte ementa ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 397DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.005681/200335 Acórdão n.º 3201000.870 S3C2T1 Fl. 4 7 Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT 0 direito ao crédito do IPI, condicionase a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não corre quando os mesmos são não tributados (NT), na forma do parágrafo Único, do artigo 2° do RIPI/98 (Decreto n° 2.637, de 1998). IN SRF n° 33/99 IMUNIDADE ALCANCE – A imunidade prevista no art.4° da Instrução Normativa n° 33/99 regula apenas as saídas de produtos insertos no campo de incidência do IPI que, por estarem destinados à exportação, sobre eles recai o manto da imunidade tributária indicado no inciso III, §3°, do art. 153 da Constituição Federal. Solicitação Indeferida Transcrevo o recurso voluntário apresentado contra tal decisão, posto que é a matéria sobre a qual devemos nos debruçar: EGRÉGIO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Colenda Câmara, Eminentes Conselheiros, A Tempestividade 1. Conforme se verifica do aviso de recebimento ("AR"), a Recorrente foi intimada do acórdão ora recorrido em 14.10.2008, terçafeira. 2. Dessa forma, tendo em vista o prazo de 30 (trinta) dias previsto no caput do art. 33, do Decreto n° 70.235/72, é tempestivo o presente recurso, eis que protocolizado antes do término do expediente do dia 13.11.08, quintafeira. Os Fatos 3. Conforme consta dos autos, a Recorrente, no exercício de sua atividade, adquire produtos utilizados como matériaprima e produto intermediário no fabrico dos lubrificantes que comercializa a seus clientes. 4. Assim, ao constatar a existência de crédito extemporâneo do IPI a ser apropriado, a Recorrente lançou os referidos valores em seus livros fiscais, tendo apresentado, por conseguinte, os respectivos pedidos de compensação/restituição. 5. Ocorre que, por meio de Despacho Decisório, a DRF/Nova Iguaçu indeferiu o pedido de compensação, por entender que ‘o interessado (ora Recorrente) não trouxe aos autos provas que permitam presumir a certeza e liquidez de seu crédito’. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 8 6. Em face do mencionado despacho, a ora Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual se anexou os documentos suficientes à comprovação de seu direito creditório. 7. Baixado os autos em diligência, a conclusão a que chegou o auditordiligente, conforme Termo de Diligência Fiscal de fls. 302/306, foi a de que deveriam ser estornados ‘os créditos originários de aquisição de MP, PI, e ME destinados industrialização de produtos não tributados (NT), na forma do § 3º do art. 2° da IN SRF n° 33/1999, o que se justifica pelo fato de tais produtos estarem fora do campo de incidência do IPI.’ 8. Assim, não obstante todos os esforços da Recorrente no sentido de demonstrar a legitimidade dos créditos apurados, seu pedido de compensação foi negado pela 3ª Turma de Julgamento da DRF/NIU, pelo que não restou alternativa à Recorrente, sendo a interposição do presente. O Acórdão Recorrido 9. 0 acórdão recorrido indeferiu a homologação da compensação declarada pela ora recorrente, sob os seguintes fundamentos: i) o principio da não cumulatividade do IPI ‘não é amplo e irrestrito como quer a interessada, que se acha no direito de se creditar, independentemente das disposições infraconstitucionais que regem a matéria e vinculam o julgador administrativo’ (grifamos); ii) a legislação infraconstitucional (Lei 9.779/99; IN SRF 33/1999; e RIPI/98) não permitiria a utilização do saldo credor do IPI apurado ‘dos créditos relativos a insumos empregados na fabricação de produtos não tributados’ (grifamos); iii) ‘nao se tratando os créditos que se pleiteia originários de aquisições de MP, PI e ME utilizados na industrialização de produtos destinados a exportação, mas tão somente 1. Como se vê, ao contrário do que faz crer o acórdão recorrido, a norma constitucional que dispõe sobre a nãocumulatividade Rubnca produtos objetivamente atingidos pela imunidade, resta se indeferido o pedido de ressarcimento’. 10. Não merece, contudo, prosperar tal entendimento, conforme se passa a demonstrar. A Autoaplicabilidade do Principio Constitucional da Não Cumulatividade do IPI. 11. Conforme antecipado, o acórdão recorrido entendeu que o principio da não cumulatividade do IPI estaria sujeito e condicionado à regulamentação pela legislação infraconstitucional. 11, 12. Nada mais impróprio, digase! Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.005681/200335 Acórdão n.º 3201000.870 S3C2T1 Fl. 5 9 13. 0 comando constitucional da não cumulatividade é sabidamente autoaplicável, conforme reconhece a doutrina e jurisprudência pátrias. 14. Sabese que a não cumulatividade do imposto constituise um sistema operacional destinado a minimizar o impacto da tributação no processo produtivo industrial e, por este principio, o valor do IPI pago nas aquisições de produtos pode ser aproveitado para fins de compensação/abatimento com o montante de IPI devido nas vendas a serem realizadas. 15. Neste sentido, dispõe a Constituição Federal de 1988: ‘Art. 153. 0 imposto previsto no inciso IV: (IPI) (...) II — será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores.’(grifamos) O imposto em comento constitui diretriz constitucional imperativa a ser observada por todos os órgãos da Federação. 16. 17. Isso porque, nos casos em que é suprimida, a cumulatividade tributária gera um ônus indesejável no processo industrial, o que representa verdadeira afronta à pretensão do legislador constituinte originário de evitar a excessiva oneração dos produtos nacionais. 18. Com isso, a Recorrente reitera sua afirmativa no sentido de que o alcance do direito ao crédito de imposto decorrente da sua não cumulatividade é amplo sim e decorre tão somente do Texto Constitucional, não carecendo de qualquer regulamentação. 19. Nesse sentido é a doutrina de PONTES DE MIRANDA: ‘o direito de crédito integra o direito de propriedade do contribuinte, pois que propriedade é qualquer direito patrimonial e a sua utilização é competência exclusiva de seu titular’. (grifamos) 20. Dessa forma, como se depreende do ensinamento supra, o direito ao crédito de IPI, sem dúvida, constitucional, auto aplicável e, portanto, independente de previsão por parte de legislação que lhe seja hierarquicamente inferior. 21. Todavia, a decisão recorrida entende que o direito creditório da Recorrente estaria sujeito às restrições supostamente impostas pela legislação infraconstitucional Lei n° 9.779/99, RIPI e, pasmem!, até mesmo por Instrução Normativa. 22. Atente que, ao contrário do que tenta fazer crer o acórdão ora recorrido, até mesmo a legislação infraconstitucional reconhece o direito ao crédito apropriado ela ora Recorrente, como se demonstrara no tópico seguinte . Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 10 23. Ocorre que, ainda que se pudesse cogitar de a legislação infraconstitucional restringir o direito ao crédito do IPI nas operações em comento, o que se frise, não é o caso, estarseia diante de verdadeira usurpação de competência legislativa. 24. Nesse sentido, aliás, já se manifestou o Egrégio SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA reconhecendo a auto aplicabilidade da não cumulatividade do IPI, conforme ilustra a ementa abaixo transcrita: ‘TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. ARTIGO 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. IPI. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA ISENTA, NÃO TRIBUTADA OU SUJEITA A ALÍQUOTA ZERO. CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. ART. 166 DO CTN. INAPLICABILIDADE. CRÉDITOS ESCRITURAIS. PRESCRIÇÃO. INCIDÊNCIA.’ 5. A Lei n° 9.779/99, por força do assento constitucional do principio da não cumulatividade, tem caráter meramente elucidativo e explicitador. Apresenta nítida feição interpretativa, podendo operar efeitos retroativos para atingir a operações anteriores ao seu advento, em conformidade com o que preceitua o artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, segundo o qual ‘a lei se aplica a ato ou fato pretérito’ sempre que apresentar conteúdo interpretativo. 6. SE A LEI N° 9.779/99 APENAS EXPLICITA UMA NORMA CONSTITUCIONAL QUE É AUTOAPLICÁVEL (PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE) não há razão lógica, nem jurídica, que justifique tratamento diferenciado entre situações fáticas absolutamente idênticas, só porque concretizada uma antes e outra depois da lei. 7. Os tributos devidos e sujeitos à administração da Secretaria da Receita Federal podem ser compensados com créditos referentes a quaisquer tributos ou contribuições administrados por esse (, ante o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação conferida pela Lei n° 10.637/02. 8. Recurso especial da União improvido. Recurso especial de Móveis Tigrão Ltda. e outro, provido em parte (REsp 833.264/MG, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 15.08.2006, DJ 25.08.06 grifamos). 25. Mas não é só. Ainda que assim não fosse, também a legislação infraconstitucional garante à Recorrente a possibilidade de aproveitamento do crédito ora discutido, conforme se demonstrará a seguir. A Legislação Infraconstitucional e a Garantia do Direito ao Crédito 26. Conforme restou demonstrado acima, o Imposto sobre Produtos Industrializados está regido pelo princípio da não cumulatividade, conforme determinado pelo artigo 153 da Constituição Federal. 27. Assim, como não poderia deixar de ser, a legislação inferior tratou de reproduzir a regra constitucional, tendo sido o Fl. 401DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.005681/200335 Acórdão n.º 3201000.870 S3C2T1 Fl. 6 11 principio em questão fielmente incorporado ao Código Tributário Nacional, conforme se depreende do artigo 49: ‘Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transferese para o período ou períodos seguintes.’ 28. A conjugação do artigo 153, parágrafo 3°, II da Constituição Federal com o disposto no artigo 49 do Código Tributário Nacional, por si só já conduz à inequívoca conclusão de que o direito ao crédito do IPI é absoluto, amplo e irrestrito. 29. Não obstante, para dar maior clareza ao direito credit6rio dos contribuintes, a Lei n° 9.779/99 ratifica o direito de os contribuintes do IPI — tal qual a Recorrente — apropriarem o crédito desse imposto na aquisição de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem) empregados na industrialização de produtos não tributados lato sensu: ‘Art. 11. 0 saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à aliquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda.’ 30. Somandose a isso tudo, digase que o próprio Regulamento do IPI prevê o direito de os contribuintes do IPI apropriarem crédito dos insumos adquiridos ainda que as saídas não estejam sujeitas à tributação, inclusive por força de imunidade, tal como sucede com os lubrificantes fabricados e comercializados pela Requerente: ‘Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, § 3°, inciso II, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 49). § 1º Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no § 2° (Lei n° 5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei n° 9.779, de 1999, art. 11). Fl. 402DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 12 § 2° 0 saldo credor de que trata o § 10, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n° 9.779, de 1999, art. 11).’ (grifamos) 31. Ora, sendo a atividade dos agentes fiscais subordinada e vinculada à regulamentação exarada pelo Poder Executivo, ex vi do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, forçoso é reconhecer que não poderiam os autuantes desconsiderarem a clara e expressa letra do RIPI ao reconhecer a manutenção do crédito do IPI, inclusive nas industrializações de produtos imunes. Citese, a propósito, a opinião do Prof. João Luiz C. da Rocha, discorrendo sobre o artigo 11 da Lei n° 9.779199: ‘Depois dessa contundente admissão pelo próprio legislador, acreditase não haja mais o que se discutir quanto ao direito do industrial se aproveitar de créditos de IPI decorrentes de compra de insumos e que remanescem em razão de saídas isentas ou imunes de produtos seus.’ (Revista Dialética de Direito Tributário, n°50, pág.43). 32. Não bastasse a clareza dos comandos constitucionais, legais e regulamentares acima destacados, a própria Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa n° 33/99 ato este que subordina e vincula seus agentes , na qual a manutenção do crédito do IPI nas saídas, inclusive imunes, é mais uma vez ratificada: ‘Art. 4° 0 direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1° de janeiro de 1999.’ (grifamos) 33. Do escorço acima, verificase ser incontroverso o direito à manutenção do crédito do IPI na aquisição de insumos, ainda que o produto a ser industrializado não estivesse sujeito A tributação do IPI, a exemplo dos produtos imunes produzidos pela Requerente. 34. Nem se alegue, como faz o acórdão recorrido, que ‘quando a IN SRF n° 33/99 dispõe sobre o art. 11 da Lei n° 9.779 e inclui os produtos imunes está a se referir aos imunes por destinação a exportação’, pois tal conclusão carece de qualquer embasamento legal, sendo fruto exclusivo dos infrutíferos, injustos e ilegais esforços que vêm empregando a administração pública para a restrição do direito creditório dos contribuintes. 35. Em outras palavras, o que fez o acórdão recorrido foi indevida e inadvertidamente integrar a legislação de regência, como lhe coubesse a faculdade de dizer o que está dito nas normas. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.005681/200335 Acórdão n.º 3201000.870 S3C2T1 Fl. 7 13 36. Quanto a esse ponto, repisese, cumpre lembrar que o artigo 142 do Código Tributário Nacional prevê que a atividade dos agentes fiscais é vinculada e subordinada aos ditames legais exarados por seus superiores, o que significa dizer que não dispõem as autoridades administrativas de qualquer margem de discricionariedade para o trato das questões fiscais que lhe são submetidas. 37. Devem, portanto, por dever de oficio, ateremse a verificar se o quanto requerido encontra ou não amparo na legislação em vigor. 38. Ou seja, não é franqueado ao agente administrativo invocar que determinado comando legal teve outro propósito além daquele que clara e expressamente estiver contido na norma que lhe rege a atividade, mormente no que diz respeito à exigência de tributos, nos termos do artigo 108, parágrafo 1º, do CTN. 39. Ademais, ainda que fosse explicita a intenção da mencionada Instrução Normativa, ou de qualquer outra norma infraconstitucional, de restringir o direito ao aproveitamento dos créditos aos produtos destinados à exportação, tal medida seria igualmente rechaçada, pois não há dúvida quanto à impossibilidade de um ato administrativo alterar norma constitucional, ainda mais em se tratando de majoração tributária. 40. Fato é que, dos normativos acima transcritos, verificase que contrariamente ao entendimento do acórdão recorrido, firmado, data venia, sem qualquer fundamento legal, o direito manutenção do crédito do IPI na aquisição de insumos tributados é mais do que legítimo, ainda que o produto industrializado seja imune! ‘Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: (..)§ 1° O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei.’ 41. Não foi por outra razão, aliás, que a Secretaria da Receita Federal exarou diversos precedentes corroborando o entendimento de que o artigo 11 da Lei n° 9.779/99 e o artigo 4° da Instrução Normativa n° 33/99 eram aplicáveis, inclusive, para a saída de produtos imunes, a saber: ‘DECISÃO N° 248, DE 17 DE OUTUBRO DE 2000 (DOU DE 01.12.2000) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI Ementa: Produto final imune. Creditamento. Possibilidade. Segundo o entendimento administrativo dominante, o disposto no art. 11 da Lei n° 9.779/99 defere genericamente ao industrial de produtos imunes o direito de crédito quanto aos insumos e o Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 14 respectivo aproveitamento para, sucessivamente, compensar com IPI porventura devido, compensar com outro tributo ou obter ressarcimento em espécie, obedecidas as formalidades pertinentes. Dispositivos Legais: CF, art. 150, VI, "d", art. 153, parágrafo 3º II e III, art. 155, parágrafo 97/99, art. 11; IN 33/99; ADN COSIT 17/2000.’ (grifamos) ‘DECISÃO N° 48, DE 05 DE ABRIL DE 2000 (DOU DE 03.07.2000) APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS IMUNES. Em decorrência do art. 11 da MP n° 1.788, de 29/12/1998, convertida na Lei n° 9.779, de 19/01/1999, e em face do disposto no art. 4° da IN SRF n° 33, de 04/03/1999, a partir de 1° de janeiro de 1999 poderão ser registrados e mantidos na escrita fiscal do estabelecimento industrial ou equiparado os créditos do IPI relativos aos insumos empregados na impressão de livros, jornais e periódicos, produtos imunes conforme o art. 150, VI, "d", da Constituição Federal. O registro e aproveitamento desses créditos farseá conforme estabelecido no art. 2° da IN SRF n° 33, de 04/03/1999 (DOU de 24/03/1999), não se aplicando, porém, nesse caso, o estorno previsto no parágrafo 3° do mesmo artigo, apesar de os livros, jornais e periódicos, em razão da imunidade constitucional que lhes foi conferida, constarem da TIPI aprovada pelo Decreto n° 2.092/1996 como produtos "nãotributados", "NT".’ (grifamos) 42. Como se vê, as próprias autoridades fiscais federais reconhecem direito à manutenção do crédito do IPI na saída de produtos não sujeitos ao imposto — inclusive em decorrência de imunidade. 43. Por assim ser, temse como demonstrada a existência de múltiplos fundamentos constitucionais, legais e regulamentares que legitimam a manutenção do crédito apropriado pela Requerente, razão pela qual não poderia o órgão a quo deixar de homologar as compensações realizadas. 44. Assim, forçoso que se reconheça que o entendimento do acórdão recorrido conflita com a Constituição Federal, com o Código Tributário Nacional, com a Lei 9.779/99 e com a Instrução Normativa 33/99. 45. Ademais, ainda que se pudesse cogitar da procedência do entendimento consagrado pelo acórdão recorrido, seria mister aplicar ao caso concreto o disposto no artigo 100 do Código Tributário Nacional. 46. Com efeito, de acordo com o inciso I do artigo 100 do Código Tributário Nacional, a observância de ato normativo expedido pelas autoridades administrativas in casu a Instrução Normativa 33/99 , exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização monetária. 47. Esclareçase: in casu, como havia inclusive Instrução Normativa impondo que os agentes fiscais reconhecessem o Fl. 405DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.005681/200335 Acórdão n.º 3201000.870 S3C2T1 Fl. 8 15 direito ao crédito do IPI ainda que as saídas subseqüentes fossem imunes, é certo que a situação tratada enquadrase nos estritos termos do inciso I do artigo 100 do Código Tributário Nacional. O Pedido 48. Ante o exposto, é a presente para requerer seja dado integral provimento ao presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito credit6rio da Recorrente e homologar em sua totalidade a compensação de que trata este processo administrativo fiscal, pelas sólidas razões acima expostas. 49. Caso assim não entenda V. Exa., o que se admite apenas por argumentação, a Recorrente requer a exclusão da cobrança referente aos juros, multa e atualização monetária, nos termos do supracitado artigo 100 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Judith do Amaral Marcondes Armando Aprecio o recurso voluntário interposto pela IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO, em boa forma. Conforme relatado, a matéria aqui discutida versa sobre a possibilidade de obter créditos de IPI extemporâneos, a partir da industrialização de insumos cujo produto resultante encontrase na TIPI com a notação NT. Depreendese do relatório que a empresa solicitou compensação de créditos de IPI relativos ao segundo trimestre de 2003 com débitos de IRPJ e CSLL. A base do pedido referese ao art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Diz o referido artigo: O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado a alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas Fl. 406DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 16 normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda De plano é de se notar que a DRJ de Nova Iguaçu esclareceu que: Nesse sentido mencionese que a análise de processos fiscais no âmbito administrativo obedece de forma irrestrita aos atos legais que comandam as disciplinas em discussão, assim como o manifesto entendimento da Secretaria da Receita Federal, tal qual estipula o artigo 7° da Portaria MF n° 58, de 17/03/2006, in verbis: ‘Art. 7° O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n° 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos’. Observo que no âmbito do CARF, embora este Conselho esteja incluído na esfera administrativa, o julgador não está subjugado pelas interpretações da SRFB, podendo discordar delas sempre que escorado na leitura objetiva da Lei, e nos princípios que regem a administração pública. Observo, ainda, que a interpretação feita pelo julgador da instância a quo, ainda que perfeitamente elaborada, nos termos balizadores das normas que o vinculam, não me parece a melhor escolha para este colegiado que se pauta, primordialmente, pela letra e espírito das leis. Disse o julgador: A propósito do alcance da expressão ‘imunes’ no contexto do art. 4° da IN SRF nº 33/1999, mencionese que, por meio do Ato Declaratório Interpretativo n° 5, de 17 de abril de 2006, a Secretaria da Receita Federal, dispondo sobre a aplicação do art. 11 da Lei n° 9.779, de 11 de janeiro de 1999, combinado com o art. 5° do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, e o art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, assim declarou: ‘Art 1º 0 Os produtos a que se refere o art. 4° da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito a manutenção e utilização dos créditos. Art. 2° O disposto no art. 11 da Lei n° 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5° do Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4° da Instrução Normativa SRF n° 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi), aprovada pelo Decreto n° 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por forca do disposto no art. 5° do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (Ripi). Fl. 407DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.005681/200335 Acórdão n.º 3201000.870 S3C2T1 Fl. 9 17 Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na Tipi que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior’. (negrito acrescido) Visando maior clareza reproduzse, a seguir, os dispositivos legais a que se refere o citado ADI, quais sejam o art. 50 do DecretoLei n° 491, de 1969 e o art. 11 da Lei n° 9.779/99. Vejamos: DecretoLei n° 491, de 1969, art. 5°: E assegurada a manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados (restabelecido pelo art. 1° da Lei Ordinária n° 8.402/1992). Lei n° 9.779/99, art. 11: O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado a alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Instrução Normativa SRF nº 33/1999: Art. 4° O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei no 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados a alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Verificase, pois, que a Instrução Normativa da SRF em seu art. 4° nada fez além de incluir, em um único artigo, todas as hipóteses de creditamento presentes em diferentes leis (ou seja, operações de saída incluídas no campo de incidência do IPI — saídas tributadas, isentas ou alíquota zero, ou, caso assim não seja, que a hipótese de creditamento decorra de benefício fiscal expresso em dispositivo legal) e, ao proceder dessa maneira excluiu qualquer outra possibilidade. Assim, é correto afirmar — pelo critério da exclusão — que, quando a IN SRF n° 33/99 dispõe sobre o art. 11 da Lei n° 9.779 e inclui os produtos ‘imunes’ está a se referir aos imunes por destinação à exportação (inciso III, do §3°, do art. 153, da Constituição Federal), uma vez que não se encontram no ordenamento jurídico brasileiro outras hipóteses que se enquadrem nos requisitos anteriormente elencados a ensejar o direito ao Fl. 408DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 18 creditamento. Vale dizer, a imunidade a que se refere o artigo 4° da IN SRF n° 33/99 é tão somente aquela relativa a produtos tributados (portanto, presentes no campo de incidência do IPI) destinados ao exterior (sobre os quais se aplica a imunidade constitucional em razão da destinação à exportação), cujo direito de manutenção e utilização do crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem efetivamente utilizados na industrialização, como visto, é assegurado pelo art. 5° do DecretoLei n° 491, de 1969. Em primeiro lugar, vejo que o artigo 11 da Lei nº 9.779 não excluiu os produtos imunes ou NT do conjunto dos produtos industrializados que podem dar direito ao crédito mencionado na Lei, ao contrário, do conjunto de produtos industrializados, onde também estão os produtos imunes, ressaltou a inclusão dos produtos tributados a alíquota zero e os isentos. Assim, a parte alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de lº de janeiro de 1999, foi acrescentada, sem base legal, valendose a administração tributária de arquitetura conceitual alheia ao texto legal. A autorização para regulamentar não inclui a possibilidade de aumentar ou reduzir o alcance da norma. Prontamente entendo que a SRFB ao editar a IN e o Ato interpretativo da IN regulamentadora se passou da competência que lhe foi conferida, reduzindo, sem base legal, o tamanho crédito. O artigo 11, volto a transcrever, 0 saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Fala em aquisição de matérias primas produtos intermediários e material de embalagem destinados – aplicados – na industrialização friso, no processo produtivo de cujo resultado nascer nova mercadoria, nova utilização de mercadoria, nova apresentação, enfim qualquer coisa compreendida no conceito de industrialização conforme definida na lei. No sítio da SRFB encontramos que produto industrializado é o resultante de qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, sendo irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados, tais como: a) transformação operação exercida sobre a matériaprima ou produto intermediário, que resulta na obtenção de espécie nova; b) beneficiamento – operação que modifica, aperfeiçoa ou, de qualquer forma, altera o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto; Fl. 409DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.005681/200335 Acórdão n.º 3201000.870 S3C2T1 Fl. 10 19 c) montagem – operação que consiste na reunião de produtos, peças ou partes e da qual resulta novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal; d) acondicionamento ou reacondicionamento – operação que altera a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria; e) renovação ou recondicionamento – operação exercida sobre produto usado ou parte remanescente do produto deteriorado ou inutilizado, que renova ou restaura o produto para utilização. (os negritos são meus) Assim, me permito entender que a industrialização pode ocorrer numa planta industrial submetida às regras de aplicação do IPI ou não. Notese que uma parte dos produtos mencionados na TIPI como não tributados – NT – são produtos industrializados que o legislador constituinte incluiu fora do conjunto de produtos alcançados pela tributação do IPI, alguns dos quais por força do art. 5º do Decreto nº 4.544, de 2002 (antes outros decretos reguladores do IPI). É também de se observar que a administração tributária já manifestou entendimento na mesma direção do nosso, conforme atestam as decisões trazidas no recurso voluntário e o próprio CARF não tem posição pacificada sobre a matéria. ‘DECISÃO N° 248, DE 17 DE OUTUBRO DE 2000 (DOU DE 01.12.2000) Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI Ementa: Produto final imune. Creditamento. Possibilidade. Segundo o entendimento administrativo dominante, o disposto no art. 11 da Lei n° 9.779/99 defere genericamente ao industrial de produtos imunes o direito de crédito quanto aos insumos e o respectivo aproveitamento para, sucessivamente, compensar com IPI porventura devido, compensar com outro tributo ou obter ressarcimento em espécie, obedecidas as formalidades pertinentes. Dispositivos Legais: CF, art. 150, VI, "d", art. 153, parágrafo 3º, II e III, art. 155, Lei nº 9.779/99, art. 11; IN 33/99; ADN COSIT 17/2000.’ (grifamos) ‘DECISÃO N° 48, DE 05 DE ABRIL DE 2000 (DOU DE 03.07.2000) APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS IMUNES. Em decorrência do art. 11 da MP n° 1.788, de 29/12/1998, convertida na Lei n° 9.779, de 19/01/1999, e em face do disposto no art. 4° da IN SRF n° 33, de 04/03/1999, a partir de 1° de janeiro de 1999 poderão ser registrados e mantidos na escrita fiscal do estabelecimento industrial ou equiparado os créditos Fl. 410DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 20 do IPI relativos aos insumos empregados na impressão de livros, jornais e periódicos, produtos imunes conforme o art. 150, VI, "d", da Constituição Federal. O registro e aproveitamento desses créditos farseá conforme estabelecido no art. 2° da IN SRF n° 33, de 04/03/1999 (DOU de 24/03/1999), não se aplicando, porém, nesse caso, o estorno previsto no parágrafo 3° do mesmo artigo, apesar de os livros, jornais e periódicos, em razão da imunidade constitucional que lhes foi conferida, constarem da TIPI aprovada pelo Decreto n° 2.092/1996 como produtos ‘não tributados’, ‘NT’.’ (grifamos) A expressão “Que o contribuinte não puder compensar na saída de outros produtos”, também não significa que o contribuinte não pode compensar porque não é contribuinte do IPI, ou porque não é estabelecimento industrial na conformidade com as regras do IPI (produtores de produtos tributados pelo IPI). A Lei nº 9.779/99, determina que os produtos industrializados, inclusive os isentos e não tributados, podem ter os valores das aquisições de matériasprimas, material intermediário e material de embalagem aproveitados para efeitos de créditos, assim, a palavra inclusive não é letra morta, porque as leis não as tem, e não cogita, evidentemente, de qualquer restrição ou exclusão, uma vez que o vocábulo para significar restrição é exclusive. Mais uma vez, tal interpretação restritiva não está permitida ao intérprete e o Ato interpretativo que foi editado posteriormente à IN não tem respaldo legal e descaracteriza a determinação legislativa. Já a expressão obedecidas as normas da SRFB também não autoriza o órgão a criar leis. É por demais sabido que a normatização não pode limitar ou aumentar o conteúdo do texto legal a que se refere, sob risco de estar usurpando competência de outrem. Assim mesmo, há de se convir que, ainda que por absurdo, a interpretação dessa parte do texto legal pudesse socorrer o conteúdo da IN ora combatida, é sobejamente sabido que a competência para legislar é indelegável. O seguinte trecho extraído da decisão a quo permite verificar o que estamos observando: Verificase, pois, que a Instrução Normativa da SRF em seu art. 4° nada fez além de incluir, em um único artigo, todas as hipóteses de creditamento presentes em diferentes leis (ou seja, operações de saída incluídas no campo de incidência do IPI — saídas tributadas, isentas ou alíquota zero, ou, caso assim não seja, que a hipótese de creditamento decorra de beneficio fiscal expresso em dispositivo legal) e, ao proceder dessa maneira excluiu qualquer outra possibilidade. Ao meu sentir a IN fez sim algo mais do que incluir em um único artigo todas as hipóteses de creditamento presentes em diferentes leis, na medida em que, decorrente dessa forma de regulamentar, nada ortodoxa, usurpou competência que não possui e vinculou toda administração tributária ao cumprimento de algo que não estava previsto em qualquer das leis de regência da matéria. Ainda sobre a decisão a quo: Se os produtos classificados na TIPI como ‘NT’ não estão incluídos no campo de incidência do IPI, há que se concluir que quem fabrica tais produtos, mesmo sob uma das operações de Fl. 411DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.005681/200335 Acórdão n.º 3201000.870 S3C2T1 Fl. 11 21 industrialização previstas no Regulamento do IPI não é considerado, à luz da legislação de regência desse imposto, estabelecimento industrial. Isso porque, de acordo com o dispositivo legal, estabelecimento industrial é o que industrializa produtos sujeitos à. incidência do IPI, ou seja, é aquele estabelecimento que executa qualquer das operações definidas na legislação do imposto como ‘de industrialização’, da qual, cumulativamente, resulte um produto ‘tributado’, ainda que de alíquota zero ou isento. Ao contrário, não é estabelecimento industrial para fins de IPI aquele que elabora produtos classificados na TIPI como não tributado (NT), bem como quem realiza operação excluída do conceito de industrialização dado pelo RIPI. A construção acima proposta é falaciosa, para o que se propõe. De fato, o estabelecimento que industrializa produtos NT não é industrial para fins de IPI e não é a toa que a expressão “não é considerado, a luz da legislação de regência desse imposto” foi inserida no parágrafo. Entretanto, para efeitos da aplicação do artigo 11 da Lei nº 9.779, de janeiro de 1999, não importa que o estabelecimento seja considerado industrial para efeitos de IPI, mas, que industrialize produtos. Portanto, não se deve aproveitar o conteúdo mais restritivo, que encolhe o conteúdo normativo editado em Lei, simplesmente por existir ato normativo interpretativo nessa direção, refletindo uma posição conjuntural da administração tributária. Lembrame Roland Barthes pensando sobre a linguagem, em sua aula inaugural na Escola de França. E me deixa o incomodo intelectual de saber o conteúdo autoritário da linguagem conjuntural do poder. Não deixa de ser crível que os conteúdos, perpassados pelos códigos de grupos, são absorvidos, descuidadamente, pelos que transitam no mesmo ambiente, ainda que não sejam parte daquele poder, e se tornam persuasivos, quando não simplesmente obrigatórios. E nem pensar que estou admitindo que o Estado é bandido, como mencionado no recurso, citando Bandeira de Melo, ou pregando a anarquia. Entendo a necessidade da regulamentação e os benefícios que ela introduz. Nada obstante, o julgador há de se precaver da persuasão quando está julgando. Élhe defeso exercer o seu mister pelo código de outrem. Ele deve se valer, se necessário, em adição ao seu, do código do Parlamento, a quem é licito dizer a vontade da coletividade que representa. Volto ao tema sobre o qual já me pronunciei no início deste voto. É de ser observado, por oportuno, que com relação as normas de aproveitamento de créditos de IPI há interpretações restritivas que vigoraram, como se fossem leis, temporariamente, no âmbito da administração tributária, e se espraiam por onde ela transita, ainda que descaracterizada, até que desfalecem a luz de argumentos mais consistentes. Foi assim recentemente com relação ao crédito presumido de IPI quando os insumos eram adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. Considero muito expressiva a informação prestada no início do voto condutor do julgamento a quo sobre a vinculação. Efetivamente, a linguagem, mesmo referida ao contexto legal, permite adotar, segundo o viés de quem a escuta ou lê, interpretações plausíveis, coerentes. Entretanto, afirmar desde o início o contexto vinculado da argumentação Fl. 412DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 22 mostra, lealmente aliás, a condição em que ela é válida. Assim, entendo o voto condutor a quo exatamente como ele foi apresentado, isto é, circundado pelos ditames da administração, representando a formalização da posição oficial, para o caso concreto, no momento desse julgamento. No presente caso, enfatizo, o autor do voto condutor, observadas as limitações a que está submetido por contingências funcionais, construiu sua argumentação considerando toda normativa infralegal, inclusive o Ato Declaratório Interpretativo, e não poderia ter chegado a outra conclusão, sob pena de responsabilidade funcional. Diferentemente, esta julgadora, não vinculada aos atos normativos infralegais, a luz do conhecimento isento adquirido nas lides deste CARF, evolui do pensamento até bem pouco tempo adotado quanto à matéria e entende que são passíveis de aproveitamento do crédito os insumos utilizados na industrialização, mesmo quando o produto resultante da industrialização seja imune. Enfim, há de ser enfrentado o teor da Sumula 20, atual, do CARF. Por prudência, e sentimento de dever de compromisso, uma vez que fiz parte do colegiado que a validou, curvome ao entendimento então esposado, de que aplicase ao presente caso. Quanto a aplicação do artigo 100 do CTN. Diz o referido artigo: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Dentre os atos normativos editados por autoridades tributárias está o Ato Declaratório Interpretativo, o qual não nos vincula enquanto julgadores, mas entendo estar abrangido no inciso I do artigo 100. Assim sendo, nesses exatos termos, voto por negar provimento ao recurso interposto. Judith do Amaral Marcondes Armando Fl. 413DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.005681/200335 Acórdão n.º 3201000.870 S3C2T1 Fl. 12 23 Declaração de voto Conselheiro Daniel Mariz Gudino a) Da não aplicabilidade da Súmula CARF nº 20 ao caso sob exame O motivo pelo qual abri divergência da votação da distinta Conselheira Relatora diz respeito ao conceito de produtos NT para fins de aplicação da Súmula CARF nº 20. Embora minha posição não tenha prevalecido na votação do colegiado, faço questão de registrar as minúcias dessas razões para evitar mal entendidos sobre o assunto. Com efeito, os precedentes que deram ensejo à referida súmula não trataram de produtos NT em decorrência de imunidade. Senão vejamos: Acórdão nº 20215.266, de 05/11/2003 NORMAS PROCESSUAIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO DECADENCIAL. O termo inicial de contagem da decadência/prescrição para solicitação de restituição/compensação de valores pagos a maior não coincide com o dos pagamentos realizados, mas com o da resolução do Senado da República que suspendeu do ordenamento jurídico a lei declarada inconstitucional. Pedido acolhido para afastar a decadência. COMPENSAÇÃO. Os indébitos, oriundos de recolhimentos efetuados nos moldes dos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, declarados inconstitucionais pelo STF, deverão ser calculados considerando que a base de cálculo do PIS, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/COSAR nº 08, de 27/06/97, devendo incidir a Taxa SELIC a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95. Recurso provido em parte. .............................................................................................. Acórdão nº 20215.366, de 03/12/2003 Fl. 414DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 24 IPI CRÉDITOS BÁSICOS RESSARCIMENTO INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS À mingua de previsão legal, é vedado o aproveitamento de créditos de IPI referentes à aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos não tributados (NT na TIPI). Com a entrada em vigor da Lei nº 9.779, de 1999, somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados à alíquota zero. Recurso ao qual se nega provimento. .............................................................................................. Acórdão nº 20215.455, de 17/02/2004 IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. O Princípio da não cumulatividade aplicase apenas aos produtos tributados incluídos no campo de incidência desse imposto. Não geram direito a créditos de IPI as aquisições de insumos aplicados em produtos que correspondem à notação NT (Não Tributados) da tabela de incidência TIPI.. Recurso ao qual se nega provimento. .............................................................................................. Acórdão nº 20216.141, de 28/01/2005 IPI. DIREITO A CREDITAMENTO. Não há direito a crédito do IPI incidente nos insumos aplicados em produtos não tributados (NT). Recurso voluntário ao qual se nega provimento. .............................................................................................. Acórdão nº 20400.488, de 11/08/2005 IPI. RESSARCIMENTO. Os produtos classificados na TIPI como NT estão fora da incidência do IPI, pelo que, em relação a eles, não há atividade industrial e, em conseqüência, não há legitimidade para creditamento das mercadorias adquiridas para sua produção. Recurso negado. Por essa razão, entendo que a Súmula CARF nº 20 não se aplica aos casos em que os insumos são adquiridos para a industrialização de produtos imunes. No caso dos produtos industrializados pela Recorrente, os mesmos assumem a condição de NT pelo simples fato de gozarem da imunidade de que trata o art. 155, § 3º, da Constituição Federal. A imunidade é uma isenção qualificada por estar positivada na Constituição Federal e não em lei ordinária. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.005681/200335 Acórdão n.º 3201000.870 S3C2T1 Fl. 13 25 Tanto isso é verdade que a Instrução Normativa SRF nº 33 de 1999, ao disciplinar o art. 11 da Lei nº 9.779 de 1999, incluiu os produtos imunes quando a manutenção dos créditos de insumos se restringia expressamente à industrialização de produtos isentos e sujeitos à alíquota zero. Vejamos: Lei nº 9.779 de 1999. Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. .............................................................................................. Instrução Normativa nº 33 de 1999 Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Diante do exposto, entendo que a Súmula CARF nº 20 deve ser empregada muito cautelosamente pelos conselheiros, a fim de evitar que o seu conteúdo normativo não exceda os limites fáticos e jurídicos dos precedentes que lhe deram ensejo. b) Da aplicabilidade do art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Ao contrário do que entendeu a maioria do colegiado do qual eu tenho a honra de integrar, a Recorrente pleiteou o ressarcimento do crédito de IPI em razão de a Instrução Normativa SRF nº 33 de 1999 garantir o aproveitamento do saldo credor decorrente da aquisição de insumos para a industrialização de produtos imunes. Registro que, em 2003, quando foi pleiteado o ressarcimento do crédito em questão, a referida norma complementar ainda não havia sido objeto de interpretação autêntica. Isso ocorreu apenas quando da edição do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 005 de 2006. Desse modo, não se pode dizer que a Recorrente contrariou a Instrução Normativa SRF nº 33 de 1999, sendo essa a razão pela qual entendo que o art. 100, parágrafo único, do Código Tributário Nacional deve ser aplicado para afastar a cobrança de multa e juros sobre o valor do débito que surgiu a partir da glosa sofrida pela Recorrente. Confirase o teor do referido dispositivo legal: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: Fl. 416DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO 26 I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. E nem se diga que os acréscimos moratórios são devidos em razão do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 005 de 2006, pois, segundo o art. 106, I, do Código Tributário Nacional, a norma interpretativa se aplica retroativamente, exceto quanto à penalidade resultante da interpretação aplicada. Vejamos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...) Com efeito, ainda que a Súmula CARF nº 20 pudesse ser aplicada, e até por uma questão de coerência com a posição que manifestei no item “a” supra, não é possível admitir que os débitos resultantes da glosa do saldo credor da Recorrente não podem ser exigidos com multa e juros. Daniel Mariz Gudino Fl. 417DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente e m 06/06/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMAN, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AU RELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 16095.000084/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Data do fato gerador: 17/01/2002, 28/01/2002
PAGAMENTOS REALIZADOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU PAGAMENTOS SEM CAUSA.
A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitar-se-á à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-001.785
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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A pessoa jurídica que entregar recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, contabilizados ou não, cuja operação ou causa não comprove mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitarseá à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16095.000084/200794 Acórdão n.º 220201.785 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, VV EDITORA LTDA , foi lavrado auto de infração à legislação do Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF, lavrado em 27/03/2007, que constituiu o crédito tributário no montante de R$ 10.234,90, incluídos o principal, a multa de oficio e os juros de mora devidos até a data da lavratura, tendo em conta a apuração, em 17 de janeiro de 2002, das seguintes irregularidades descritas no Termo de Verificação e Constatação 'de fls., 107/112, parte integrante da pega acusatória. Em 31/1012006, iniciei a presente ação fiscal, cientificando o contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal acima referido e do Termo de Inicio de Fiscalização, lavrado em 18/1012006. Em 31/10/2006, iniciei a presente ação fiscal, cientificando o contribuinte do Mandado de Procedimento Fiscal acima referido e do Termo de Inicio de Fiscalização, lavrado em 18/10/2006. Aqui faço um aparte para esclarecer que os Termos Fiscais constantes desse processo foram encaminhados, para ciência ao contribuinte em epígrafe, por via postal, mediante AR, no domicilio do sócio Alessandro Poli Veronezi, CPF no 153.188.39827, a saber: Rua Brás Cubas no 123 apto. 101 Vila Zanzara Guarulhos São Paulo. 0 encaminhamento, conforme exposto, foi necessário, haja vista que a empresa ora fiscalizada (W Editora) não mais se localiza no endereço constante nos cadastros da SRF, fato este constatado em visita que fiz aquele local em 16/1012006, conforme Termo de Constatação anexo o que, posteriormente, foi confirmado pela devolução da correspondência encaminhada àquele mesmo endereço, sendo alegado pelos correios, como motivo da devolução: a mudança da empresa. Outros documentos extraídos, em 14/02/2007, do "Site" da Universidade de Guarulhos na "Internet" (www.ung.br), também comprovam que no endereço mencionado funciona o Campus Dutra da Universidade de Guarulhos e que no prédio C são ministradas aulas de Administração de Empresas, Comércio Exterior, Gestão de Marketing e Gestão Financeira. Em 28/11/2006, antes mesmo de o contribuinte atender ao Termo de Inicio de Fiscalização, lhe demos ciência ao Termo de Re Ratificação Fiscal, através do qual foi retificado e ratificado o Termo de Inicio de Fiscalização. Tendo procedido a essa reratificação, concedi novamente prazo de 20(vinte) dias (a partir da ciência ao último Termo) para o contribuinte atender ao requerido no Termo de Inicio de Fiscalização, então já retificado e ratificado. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Em 18/12/2006, termo final do prazo concedido, o contribuinte apresentou pedido de dilação de prazo, sem motivo justificado, por mais 15 (quinze) dias. A fim de que o contribuinte não alegasse cerceamento de defesa, concedi tacitamente o prazo requerido e, dessa forma, a data final para atendimento ao Termo de Inicio de Fiscalização passou a ser o dia 03 de janeiro de 2007. Apesar da dilação do prazo, o contribuinte, até o dia 03/0112007, não havia atendido ao referido Termo. Em virtude do nãoatendimento àquele Termo, lavrei, em 04/0112007, o Termo de Embaraço à Ação Fiscal, do qual o contribuinte tomou ciência em 09/0112007; documento que visou caracterizar o não atendimento, mencionado anteriormente, por parte do contribuinte. Ainda que intempestivamente, em 15/0112007, o contribuinte concluiu a apresentação dos documentos requeridos, o que tornou sem efeito o Termo de Embaraço a Ação Fiscal lavrado anteriormente. De posse dos extratos apresentados pelo contribuinte, elaborei a planilha anexa ao Termo de Intimação Fiscal de 12/01/2007. Através do referido Termo, o contribuinte foi intimado a informar e comprovar individualizadamente por meio de documentação hábil e idônea a origem dos valores lançados a crédito naquelas contas correntes, bem como informar e comprovar a causa dos valores lançados a débito naquelas mesmas contas, valores esses tabulados na planilha acima mencionada. O contribuinte atendeu em 19/01/2007 ao Termo de Intimação Fiscal de 12/0112007, e, após a análise da documentação apresentada restaram sem comprovação os lançamentos a débito, tabulados na PLANILHA DE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS /SEM CAUSA, anexa ao presente Termo. Referidos lançamentos estão escriturados no Diário anos calendário 2002 do contribuinte (cópias autenticadas das folhas de n° 01, 02, 47, 48 e 53 do Diário 2002, encontramse anexadas ao processo); da seguinte forma: 1. Conta debitada: 1030700100004 Compensação (ativo permanente) Conta creditada: 1010100200002 Banco Real c/c 17095916 (ativo circulante) Valor: R$3.039,02 Histórico: Pagto Guia GFIP comp. 03 a 12/2001 conf. Cheque 10012 2. Conta debitada: 1030700100004 Compensação (ativo permanente) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16095.000084/200794 Acórdão n.º 220201.785 S2C2T2 Fl. 3 5 Conta creditada: 1010100200002 Banco Real c/c 17095916 (ativo circulante) Valor: R$ 4.241,68 Histórico: Pagto Guia GFRC comp. 03 a 1212001 conf. Cheque 10013 O contribuinte não apresentou as guias mencionadas nos históricos dos lançamentos acima. Saliento aqui que, ate o presente momento o contribuinte ora fiscalizado não apresentou quaisquer outros documentos que pudessem comprovar a causa ou os beneficiários daqueles pagamentos. DA ANALISE: Em virtude do acima exposto, concluise que o contribuinte ora fiscalizado (W EditoraLtda.) efetuou saques em suas contas correntes, para os quais não logrou ê xito em comprovar as causas ou os beneficiários e, em virtude disso, incorreu nas infrações abaixo descritas, ficando sujeito ao previsto nos dispositivos legais abaixo elencados. DA INFRAÇÃO APURADA: A fiscalizada incorreu na seguinte infração: INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU 1 36 OPERAÇÃO AO COMPROVADA DAS BASES DE CALCULO A base de cálculo para essa infração consiste no total dos pagamentos (rendimentos) reajustados em conformidade com a demanda contida no §3° do artigo 674 do RIR/99. Os pagamentos devem ser considerados líquidos, cabendo reajustálos; e sobre esses valores reajustado recairá o imposto. DAS BASES LEGAIS: BASE LEGAL PARA COBRANÇA DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE (IRF): art. 674 do RIR/99, §§ 1°, 2° e 3°. BASE LEGAL PARA COBRANÇA DA MULTA DE OFICIO SOBRE IRF: Fatos geradores entre 01/01/1997 e 29/06/2006 — 75,00% art. 44, inciso!, da Lei n°9.430/96. BASE LEGAL PARA COBRANÇA DOS JUROS DE MORA SOBRE IRF (ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS): A partir de janeiro de 1997 (p/ fatos geradores a partir de 01/01/1997): percentual equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Art. 61, §3° da Lei n°9.430/96. DA PLANILHA DE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS /SEM CAUSA (ANEX01): Naquela planilha encontramse os valores relativos aos saques efetuados na conta corrente de n° 17095916, agência 0544 do banco Real S.A., de titularidade da empresa, para os quais a empresa não obteve êxito em comprovar o destino (beneficiários) e/ou a causa dos pagamentos relativos àqueles saques. Tendo praticado a infração aqui descrita, fica o contribuinte em epígrafe sujeito ao lançamento de oficio correspondente ao valor do tributo devido, já acrescido de multa e juros moratórios, conforme abaixo: IRRF R$ 10.234,90 Cientificada do lançamento em 17/04/2007, a contribuinte, por intermédio de seu advogado e bastante procurador (Instrumento de Mandato de fls. 125), protocolizou a impugnação de fls. 122/124, em 14/05/2007, alegando em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito. Invoca a ocorrência de equivoco por parte da fiscalização que teria lavrado outro auto de infração no processo administrativo n° 16095.000085/200739, na mesma data, para cobrança de TRPJ sobre os mesmos valores, sob a alegação de que seriam depósitos sem origem. Em suas palavras: "Vêse portanto que os referidos valores são apenas transferências de valores da própria Impugnante de sua conta do Banco Real para a conta do Banco Santos, não sendo pagamento a beneficiário não identificado como se diz nesses autos, nem depósito sem origem como dito naqueles". Os membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas proferiram Acórdão que considerou procedente o lançamento, nos termos da Ementa a seguir transcrita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 17/01/2002 Pagamento a Beneficiário Não Identificado ou Sem Causa. Todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou sem causa, sujeitase a incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte a alíquota de trinta e cinco por cento. Lançamento Procedente A contribuinte, se mostrando irresignado, apresentou o Recurso Voluntário, de fls. 174/175, onde indica que a intenção do fisco foi simplesmente manter a exigência. É o relatório. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16095.000084/200794 Acórdão n.º 220201.785 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço A questão cingese a pagamento sem causa. A autoridade recorrida entendeu não comprovado os lançamentos estão escriturados no Diário anoscalendário 2002 do contribuinte da seguinte forma: 1. Conta debitada: 1030700100004 Compensação (ativo permanente) Conta creditada: 1010100200002 Banco Real c/c 17095916 (ativo circulante) Valor: R$3.039,02 Histórico: Pagto Guia GFIP comp. 03 a 12/2001 conf. Cheque 10012 2. Conta debitada: 1030700100004 Compensação (ativo permanente) Conta creditada: 1010100200002 Banco Real c/c 17095916 (ativo circulante) Valor: R$ 4.241,68 Histórico: Pagto Guia GFRC comp. 03 a 1212001 conf. Cheque 10013 Ao apreciar os argumentos do recorrente assim se pronunciou a autoridade julgadora, ao concluir a análise do lançamento objeto da lide: Destaquese assim que, naqueles autos, a exigência de IRPJ teve por suporte a apuração de créditos na conta corrente de origem não comprovada. Na presente exigência de IRRF, a apuração que ensejou a tributação, diz respeito aos débitos efetuados na mesma conta corrente, sem que a contribuinte conseguisse comprovar os beneficiários e as causas dos pagamentos. E evidente que se trata de fatos distintos, apesar de os valores serem coincidentes. Apesar das alegações da defesa, não há prova nos autos e os valores ora tributados e relativos aos débitos efetuados na conta corrente se referem a transferencias de recursos entre contas correntes. Conforme relatório fiscal acima reproduzido, na escrituração contábil apresentada tais valores constam como: (i) R$ 3.039,02 — "Pa gto Guia GFIP comp. 03 a 12/2001, conf. Cheque 10012" (cópia do Diário de fls. 68) ; e (ii) R$ 4.241,68 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 — "Pagto Guia GFRC comp. 03 a 12/2001, conf. Cheque 10013" (cópia do Diário de fls. 68). Em seu recurso o recorrente vagamente tenta invalidar a linha de argumentação esboçada pela autoridade recorrida. Entretanto. o recorrente não traz outros elementos além daqueles que já foram questionados pela autoridade lançadora. É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 210DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 16095.000084/200794 Acórdão n.º 220201.785 S2C2T2 Fl. 5 9 Fl. 211DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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