Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13609.720054/2009-34
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE.
A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. Logo, correta a exclusão da base de cálculo do tributo o valor da valor da receita de exportação, bem como o valor da receita operacional bruta.
ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS
Não integram a base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos da Lei n.º 9.363/96, nos termos da Súmula n.º 19 do CARF.
PRODUTOS IMPORTADOS
Em razão de expressa vedação do art. 1º da Lei 9.363/96, os produtos importados não geram direito a crédito presumido.
Numero da decisão: 3803-003.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Lirani - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201210
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. Logo, correta a exclusão da base de cálculo do tributo o valor da valor da receita de exportação, bem como o valor da receita operacional bruta. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS Não integram a base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos da Lei n.º 9.363/96, nos termos da Súmula n.º 19 do CARF. PRODUTOS IMPORTADOS Em razão de expressa vedação do art. 1º da Lei 9.363/96, os produtos importados não geram direito a crédito presumido.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13609.720054/2009-34
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200146
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3803-003.708
nome_arquivo_s : Decisao_13609720054200934.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JULIANO EDUARDO LIRANI
nome_arquivo_pdf_s : 13609720054200934_5200146.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
id : 4538535
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395454836736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1882; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 215 1 214 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13609.720054/200934 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803003.708 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de outubro de 2012 Matéria PER/DCOMP IPI Recorrente COMPANHIA MINEIRA DE METAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. ESTABELECIMENTO NÃO CONTRIBUINTE. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI, benefício concedido no âmbito de incidência deste imposto. Logo, correta a exclusão da base de cálculo do tributo o valor da valor da receita de exportação, bem como o valor da receita operacional bruta. ENERGIA ELÉTRICA. COMBUSTÍVEIS Não integram a base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de energia elétrica e combustíveis, por não se enquadrar no conceito de insumo, nos termos da Lei n.º 9.363/96, nos termos da Súmula n.º 19 do CARF. PRODUTOS IMPORTADOS Em razão de expressa vedação do art. 1º da Lei 9.363/96, os produtos importados não geram direito a crédito presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade arguidas e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 00 54 /2 00 9- 34 Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Souza, Jorge Victor Rodrigues e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de compensação de crédito presumido de IPI relativo ao 4º trimestre/2003 para ressarcimento do PIS e da COFINS, nos termos da Lei n° 9.363/1996 e Lei n° 10.637/2002, por meio de DCOMP transmitida em 18.11.2004, conforme se evidencia das fls. 02/23, com a finalidade de quitar débito de IRPJ referente ao período de outubro/2004, pertencente a filial de CNPJ n.º 17.177.999/000222. A empresa possui como objeto social a exploração, beneficiamento, comercialização de minério de ferro, zinco e outros minerais. À fl. 149 foi exarado Despacho Decisório pela Delegacia de Sete Lagoas, por meio do qual o pedido de compensação foi deferido parcialmente no valor de R$ 62.133,38, em consonância com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 133/142, correspondente a crédito de IPI correspondente ao 4° trimestre de 2003. O indeferimento está embasado no Demonstrativo do Crédito Presumido do IPI à fl. 132 e no Termo de Verificação Fiscal de fls. 133/142. Depois às fls. 152/180 a Recorrente apresenta Manifestação de Inconformidade contra a glosa dos créditos e apresentou defesa em relação aos seguintes pontos: a) discorreu a respeito do equívoco da Fazenda no que se refere a negativa do direito aos créditos presumidos em razão dos produtos estarem fora do campo de incidência do IPI, por se tratar simplesmente de NT; b) reclamou que os custos com energia elétrica e combustíveis geram créditos presumidos de IPI; e por fim contestou as conclusões de que os produtos importados não se enquadram no conceito de insumo e ainda requereu perícia. Todavia, importante mencionar, que em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte nada reclamou a respeito das glosas que recaíram sobre os valores a aquisição de cimento. A DRF compreendeu que as aquisições de cimento efetuadas no mercado interno, não se enquadram no conceito de insumo, mas configuram material de reposição ou de partes do ativo imobilizado, com fundamento no Parecer Normativo CTS n.º 65/1979 e no art. 164, inciso I do Regulamento do IPI. Sobreveio a Decisão da DRJ às fls. 324/341, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI . PRODUTO NT As saídas de produtos classificados na TIPI com a notação NT não estão abrangidas no campo de incidência do imposto, não podendo ser consideradas no cálculo do crédito presumindo do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996. 2. CUSTO DE PRODUÇÃO As aquisições de energia elétrica, combustíveis, cimento não integram a base de cálculo do crédito presumido, uma vez que Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13609.720054/200934 Acórdão n.º 3803003.708 S3TE03 Fl. 216 3 não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário, a teor do disposto nos arts. 1º, 2º e 3º, parágrafo único, da Lei 9.363/96, em consonância com o art. 164, inciso I, do RIPI/2002 e o Parecer Normativo CST 65/79. As aquisições de insumos importados também não integram a base de cálculo do crédito presumido por determinação expressa do art. 1º da Lei 9.363/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Tornase definitiva a exclusão de produto da base de cálculo do IPI efetuada pelo Fisco que não tenha sido expressamente contestada pela interessada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. Não cabe à esfera administrativa questionar ou negar aplicação às normas e determinações da legislação tributária que se encontram revestidas validade e eficácia. Sendo assim, as argüições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria atinente à inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária válida e eficaz não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão acima indeferiu integralmente o pleito, indeferiu a preliminar de nulidade e depois compreendeu que as saídas de produtos NT não geram direito a crédito, com fulcro no art. 17 da Instrução Normativa da SRF n.º 419/2004. Manifestou ainda entendimento de que não são insumos os custos incorridos com o consumo de energia elétrica e combustível, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65/1979 e do art. 164, inciso I, do RIPI/2002, além do fato de a empresa ter adotado a sistemática de apuração do crédito presumido a partir do que reza a Lei nº 9.363/96 e não o regime alternativo previsto na Lei nº 10.276/2001. E por fim, negou ainda o direito aos créditos em relação aos produtos importados, sob o argumento de que o art. 1º da Lei n.º 9.363/96, apregoa que somente dará direito a crédito presumido do IPI, como ressarcimento do PIS e COFINS, quando incidentes sobre as aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. Irresignado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário a partir do seguintes argumentos: Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 4 a) pleiteia nulidade da decisão de primeiro grau em razão do cerceamento de defesa, por não ter acolhido o pedido de diligência, pois segundo seu entendimento a realização de perícia seria necessária para comprovar que os produtos fabricados se submetem ao processo produtivo, bem como que são tributáveis pelo IPI; b) discorda que não teria atacado a glosa do crédito presumido referente as aquisições de cimento, na medida em que na Manifestação de Inconformidade requereu a nulidade do Despacho Decisório e neste sentido se insurgiu contra “todas” as conclusões do Fisco, inclusive em relação ao equívoco de excluir as aquisições de cimento da base de cálculo do crédito presumido; c) nulidade da decisão da DRJ em virtude da sua fundamentação legal equivocada, pois se baseou na IN n.º 419/2004, quando a apuração dos créditos ocorreu em período anterior. Assim, não pode o fisco indeferir o crédito presumido utilizando legislação posterior ao período de apuração; d) a glosa do crédito presumido foi indevida, pois a empresa realizada a industrialização dos produtos e estes são tributáveis, mas não estão sendo tributados “NT”, por liberalidade da Fazenda Nacional, logo não se tratam de produtos fora do campo da incidência do IPI; e) que não foi apresentado o fundamento legal para indeferir a inclusão da base de cálculo do crédito presumido do IPI das aquisições de produtos importados; f) a empresa possui o direito aos créditos presumidos por força da imunidade do art. 149, § 2º, inciso I da Constituição Federal, o qual determina que não incidirão as contribuições sobre as receitas decorrentes de exportação. g) Além do que, a Lei n.º 9.363/96 não fez qualquer menção de que as receias de exportação se refiram unicamente a produtos tributados pelo IPI, razão pela qual é ilegal o § 1º do art. 17 da IN n.º 419/2004, por ter restringido à Lei. h) o inciso III do art. 1º da Lei n.º 10.833/2003 considera que a energia é insumo de produção e por isso gera crédito em relação à sua aquisição. Além do que o inciso I do art. 1º da Lei n.º 10.276/2001 confere o direito aos créditos tanto para as aquisições de energia como também combustíveis utilizados no processo produtivo; Assim, uma vez apontados todos os argumentos de defesa o Recorrente pleiteia a nulidade da decisão de primeiro grau para que seja realizada perícia com o propósito Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13609.720054/200934 Acórdão n.º 3803003.708 S3TE03 Fl. 217 5 de que seja comprovado que os produtos fabricados se submetem ao processo produtivo e que se sujeitam à tributação do IPI; Este é o relatório. Voto Conselheiro Juliano Lirani Inicialmente é preciso dizer que se trata de Recurso Voluntário tempestivo e por isso merece ser analisado. 1) DAS PRELIMINARES O contribuinte apresenta preliminar de nulidade da decisão prolatada pela DRJ em razão do “suposto” cerceamento de defesa. Alegou que não foi acolhido seu pedido de realização de perícia com a finalidade de demonstrar que os produtos sofrem industrialização e alegou ainda preliminar em relação ao reconhecimento do equívoco da decisão quanto a conclusão de não ter sido impugnada a glosa referente as aquisições de cimento. “Data vênia”, entendimento contrário, a preliminar suscitada em relação ao indeferimento do pedido de perícia não merece prosperar, tendo em vista que a DRJ sustentou adequadamente o motivo pelo qual deixou de acolher tal pleito, pois demonstrou que tal providência é realmente desnecessária para a solução do caso, principalmente por se tratar de produtos não tributados. Assim, pouco importa se ocorre processo de industrialização, quando na realidade a legislação do IPI determina que inexiste a obrigação de recolher o imposto em favor do Erário. Sendo assim, cabe tão somente rejeitar esta preliminar. Quanto a segunda preliminar, ou seja, aquela pertinente ao equívoco da decisão quanto a ausência de reclamação em relação a glosa dos valores de aquisição de cimento, observo que assiste razão do contribuinte, na medida em que compreendo que esta matéria foi controvertida pelo contribuinte, ainda que de maneira genérica, quando solicitou a reforma da decisão da DRJ. Deste modo, acolho esta preliminar para reconhecer a controversa quanto o creditamento das aquisições de cimento, restando a análise no mérito em relação a possibilidade do crédito presumido. 2) DO MÉRITO Em relação ao mérito, analisando as razões de recurso, percebese que o Recorrente formulou três pedidos: a) afastar o art. 17 da IN da SRF n.º 419/2004, que veda a obtenção de crédito presumido do IPI em face das aquisições de produtos não tributados por esse tributo; b) buscar a não aplicação do Parecer Normativo CST n.º 65/1979 e do art. 164, inciso I do RIPI/2002 que impede Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 6 o creditamento dos valores despendidos com energia elétrica e combustíveis; c) ver reconhecido seu direito aos créditos em relação a aquisição de cimento. 2.1) DA IMPOSSIBILIDADE DE RECONHECIMENTO DO CRÉDITO PRESUMIDO Em relação a esta matéria pertinente ao creditamento do IPI relacionado a produtos com alíquota zero, não tributados e isentos, cumpre mencionar que o STF no RE 590.809 – RG/RS, julgado em 13.11.2008, conferiu repercussão geral ao tema. Assim, até dezembro/2012 havia determinação no art. 62A do RICARF para sobrestar o julgamento desta matéria neste colegiado. Entretanto, por força da Portaria n.º 001/2012 do CARF, agora o sobrestamento é aplicável tão somente em relação a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais (RE 574706), razão pela qual cabe o enfrentamento da questão neste tribunal administrativo. Assim, quanto a discussão pertinente as saídas dos produtos fabricados pela reclamante sob a notação “não tributados”, salvo melhor juízo, estes não devem integrar as receitas de exportação e a receita operacional bruta utilizadas no cálculo do crédito presumido do IPI, justamente em razão da inexistência de obrigação tributária em relação a este imposto nas saídas dos produtos beneficiados. O STF por meio do Recurso Extraordinário n.º 592.917 AgR/RJ, julgado em 31.05.2011, manifestou posicionamento no sentido de que inexiste direito a crédito presumido do IPI em relação as aquisições de insumos isentos, sujeito à alíquota zero ou não tributados. A premissa básica que fundamenta a impossibilidade do creditamento decorre do princípio da nãocumulatividade, pois a essência dela sistemática é a de que o direito à compensação nasce quando o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, já que neste caso se pressupõe a ocorrência da dupla incidência tributária, Entretanto, se não foi pago nada na entrada do produto, nada deverá ser compensado. EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. PRODUTO FINAL TRIBUTADO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. O artigo 153, § 3º, II, da Constituição dispõe que o IPI “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. 2. O princípio da não cumulatividade é alicerçado especialmente sobre o direito à compensação, o que significa que o valor a ser pago na operação posterior sofre a diminuição do que pago anteriormente, pressupondo, portanto, dupla incidência tributária. Assim, se nada foi pago na entrada do produto, nada há a ser compensado. 3. O aproveitamento dos créditos do IPI não se caracteriza quando a matériaprima utilizada na fabricação de produtos tributados reste desonerada, sejam os insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. Isso porque a compensação com o montante devido na operação subsequente pressupõe, necessariamente, a existência de crédito Fl. 376DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13609.720054/200934 Acórdão n.º 3803003.708 S3TE03 Fl. 218 7 gerado na operação anterior, o que não ocorre nas hipóteses exoneratórias. 4. A jurisprudência do egrégio STF, à luz de entendimento hodierno retratado por recentes julgados, inclui os insumos isentos no rol de hipóteses exoneratórias que não geram créditos a serem compensados, verbis: “Embargos de declaração em recurso extraordinário. 2. Não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis. 3. Ausência de contradição, obscuridade ou omissão da decisão recorrida. 4. Tese que objetiva a concessão de efeitos infringentes para simples rediscussão da matéria. Inviabilidade. Precedentes. 5. Embargos de declaração rejeitados. ... Frisese que, como bem esclareceu o voto condutor, 'a nãoexigência do IPI se dá sempre que essa é adquirida sob os regimes, indistintamente, de isenção (exclusão do imposto incidente), alíquota zero (redução da alíquota ao fator zero) ou de não incidência (produto não compreendido na esfera material de incidência do tributo)” ( RE 370.682 – ED, relator o Ministro Gilmar Mendes, Plenário, DJe 17.11.10). “TRIBUTÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃOTRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AOS CRÉDITOS. DECISÃO COM FUNDAMENTO EM PRECEDENTES DO PLENÁRIO. 1. A decisão recorrida está em consonância com a jurisprudência do Plenário desta Corte (RE 370.682/SC e RE 353.657/RS), no sentido de que não há direito à utilização dos créditos do IPI no que tange às aquisições insumos isentos, nãotributados ou sujeitos à alíquota zero. 2. Agravo regimental improvido.” (RE 566.551 – AgR, Relatora a Ministra Ellen Gracie, Segunda Turma, DJe 30.04.10). 5. Agravo regimental a que se nega provimento. 2.2) DA INEXISTÊNCIA DOS CRÉDITO EM RELAÇÃO AS AQUISIÇÕES DE ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS Quanto ao pedido de credito relacionado as aquisições de energia elétrica, o contribuinte afirma que o inciso III do art. 1º da Lei n.º 10.833/2003 considera que a energia é insumo de produção e por isso gera crédito em relação à sua aquisição. Já o inciso I do art. 1º da Lei n.º 10.276/2001 confere o direito aos créditos tanto para as aquisições de energia como também combustíveis utilizados no processo produtivo. Estes dispositivos apresentam a seguinte redação. Lei n.º 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (grifo) A Lei n.º 10.276/2001 em seu art. 1º confere direito a crédito em relação as aquisições de insumos, bem como energia elétrica e combustíveis utilizados no processo produtivo. Lei n.º 10.276/2001: Fl. 377DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; (grifo) Refletindo a respeito do processo produtivo da empresa, ainda que seja considerando que a mesma possui como objeto social a extração, beneficiamento, comercialização de minério de ferro, zinco e outros minerais, por certo que o combustível e a energia elétrica realmente não são indispensáveis para a obtenção do produto final, qual seja, o minério beneficiado, ainda que ajudem a integrar o custo do produto final. Além do que, é preciso observa que a jurisprudência aponta no sentido de que a energia elétrica e o combustível não se enquadram no conceito de insumo à Luz da Lei n.º 9363/96, ainda que reste demonstrado tratarse de despesas relacionada ao processo produtivo, razão pela qual não que se falar em reconhecimento de crédito no caso de energia elétrica e combustíveis. Cumpre cita a vedação da Súmula n.º 19 do CARF. Citase no STJ o AgRg no REsp 913.433 / ES, julgado em 04/06/2009, cujo Relator foi o Ministro: Humberto Martins: AGRAVO REGIMENTAL DA FAZENDA NACIONAL – TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI – RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS – ART 1º DA LEI N.9.363/96 – RESTRIÇÃO PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 23/97 –ILEGALIDADE. É pacífico no STJ que a IN/SRF 23/1997, por se tratar de norma hierarquicamente inferior, extrapolou os limites do art. 1º, da Lei n. 9.363/1996 ao excluir da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI as aquisições relativamente aos produtos da atividade rural, de matériaprima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS.Agravo regimental da FAZENDA NACIONAL improvido.AGRAVO REGIMENTAL DO CONTRIBUINTE – PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE SEGURANÇA – TRIBUTÁRIO – ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS – INSUMOS PARA EFEITO DE CREDITAMENTO – IMPOSSIBILIDADE.1. A aquisição e utilização de energia elétrica e combustíveis no processo produtivo não se caracteriza como insumo para fins de creditamento do IPI, porquanto não se incorporam no processo de transformação do qual resulta a mercadoria industrializada. 2. Precedentes: REsp 797.926/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Fl. 378DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13609.720054/200934 Acórdão n.º 3803003.708 S3TE03 Fl. 219 9 Segunda Turma, DJ 8.10.2007; AgRg no REsp 971.147/PR, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 19.12.2008; AgRg no REsp 675.613/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 5.11.2008; AgRg no REsp 1025758/RS, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 23.10.2008.Agravo regimental do CONTRIBUINTE improvido. (grifo) Assim, ainda que a Lei n.º 10.276/2001 apregoe que geram direito de crédito presumido do IPI as aquisições de energia elétrica e combustíveis, prevalece a orientação de que não estas despensas não compõe o conceito de insumo. Além do que, é importante lembrar que a partir do Demonstrativo de Crédito Presumido anexo às fls. 123/128 o contribuinte de fato optou pelo ressarcimento a partir da regra disposta na Lei n.º 9.363/96 e não da Lei nº 10.276/2001. 2.3) DAS AQUISIÇÕES DE CIMENTO E PRODUTOS IMPORTADOS Uma vez superada a preliminar que visava demonstrar que o contribuinte havia controvertido a discussão relacionada as aquisições de cimento e que este insumo deve integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI, agora resta analisar se este produto integra o conceito de insumo. No Termo de Verificação Fiscal, mais precisamente à fls. 201 dos autos, a repartição de origem conclui que as notas fiscais acostadas às fls. 173/175 referentes a aquisição de cimento, não geram direito a crédito presumido por se referir a material de reposição ou partes do ativo imobilizado. Com o objetivo de demonstrar o seu processo produtivo, a Recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, mais precisamente às fls. 225/232, discorre detalhadamente a respeito das reações químicas e produtos resultantes. Entretanto, em momento algum faz referencia a respeito da utilização do cimento no processo produtivo, seja em sua Manifestação de Inconformidade, seja no Recurso Voluntário, razão pela qual deixo de reconhecer o direito de crédito presumido às aquisições referente a este produto, conforme dispõe a Lei n.º 9.363/96. Por fim, em relação aos produtos importados também não há que se falar em direito a crédito premido do IPI, por força da vedação do art. 1º da Lei n.º 9.363/96, já que este dispositivo prevê que são passíveis de creditamento somente as aquisições de insumos adquiridos no mercado interno e desde que utilizados no processo produtivo. Ante o exposto, conheço do recurso, mas nego provimento. (assinado digitalmente) Juliano Lirani Relator Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN 10 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 23/02/20 13 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10940.720220/2011-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 INFRAÇÃO NÃO COMPROVADA. Exonera-se o lançamento, quando o Fisco não comprovar, de forma satisfatória, a infração imputada.
Numero da decisão: 1402-001.092
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS PELA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 INFRAÇÃO NÃO COMPROVADA. Exonera-se o lançamento, quando o Fisco não comprovar, de forma satisfatória, a infração imputada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10940.720220/2011-58
conteudo_id_s : 5214284
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-001.092
nome_arquivo_s : Decisao_10940720220201158.pdf
nome_relator_s : CARLOS PELA
nome_arquivo_pdf_s : 10940720220201158_5214284.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
id : 4566029
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395498876928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1580; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.720220/201158 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1402001.092 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de julho de 2012 Matéria IRPJ Recorrente PNEUFORTE COMÉRCIO E RECAPAGENS LTDA Recorrida 1ª Turma da DRJ/CTA ASSUNTO: Imposto Sobre a Renda Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 INFRAÇÃO NÃO COMPROVADA. Exonerase o lançamento, quando o Fisco não comprovar, de forma satisfatória, a infração imputada. Recurso de ofício desprovido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ e CSLL (fls. 338/353), cumulados com juros, multa de ofício qualificada (112%) e multa isolada, referentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2007, conforme fatos detalhados no Relatório de Ação Fiscal (fl. 354/372), a seguir expostos. A fiscalização verificou que a autuada apurou lucro no ano de 2007, conforme DRE (fls. 179/183) e LALUR (fls. 231/236). Contudo, não declarou qualquer movimento ao Fisco Federal, conforme DIPJ 2007 (fls. 311/326) e DCTF (fls. 309/310). Além disso, da análise dos documentos apresentados pela autuada entendeu restarem configuradas fortes irregularidades em sua contabilidade, afirmando, em síntese, que: A escrituração da contribuinte apresenta saldo credor de caixa, conforme constatado nos seus arquivos digitais da contabilidade e no Livro Razão (fls. 111 a 124), circunstância que constitui presunção de omissão de receita, nos termos do § 2º do art. 12 do Decretolei nº 1.598/77; A maior irregularidade foi a existência de vários lançamentos contábeis a débito da conta “Cheques Prédatados” (código 11220020005), e a crédito da conta “Caixa Geral” (código 112200100001), conforme arquivos digitais de contabilidade e cópias do Livro Diário às fls. 125/165. Qualifica tais lançamentos como totalmente atípicos; Intimada a apresentar esclarecimentos a respeito desses lançamentos, a autuada quedouse inerte; Os lançamentos a débito da conta “cheques prédatados” e a crédito da conta “caixa geral” jamais poderiam ter existido, pois significam que está saindo numerário da conta caixa e entrando diretamente na conta “cheques prédatados”, o que carece de sentido. Adiciona que a conta cheques prédatados, por sua natureza, não deveria receber dinheiro em espécie, e que os valores debitados nessa conta, a teor de seus históricos, deveriam ter o respectivo crédito em contas de receita, o que não ocorreu. Também estranha que todos os lançamentos apresentem valores significativos e ‘redondos’, tais como R$ 80.000,00, R$ 25.000,00, o que considera forte indício de operações fictícias. Adiciona que o somatório de todos esses lançamentos atinge a significativa importância de R$ 1.684.500,00 e que, se a fiscalizada recebeu esses valores de cheques prédatados, deveria ser em função de suas atividades, que é a venda de mercadorias e a prestação de serviços (conforme tabela 2 no Relatório de Ação Fiscal). As operações contábeis de descontos dos cheques prédatados em instituição bancária efetuados pela fiscalizada, em que se credita a conta ‘cheques prédatado’ e se debita uma conta representativa de instituição bancária estão presentes na tabela 03 Relatório de Ação Fiscal, que, por sua vez, ao contrário da tabela 02, não apresenta valores ‘redondos’. Ademais, o histórico do lançamento é “Vlr. Cheque descontado Bco. Do Brasil S.A”, indicando o desconto de um único cheque, sendo que, na tabela 02, o histórico Fl. 403DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 3 3 demonstrava o recebimento de diversos cheques. Raciocina que, se esses cheques foram descontados, saindo, portanto, da conta ‘cheques prédatados’, antes deveriam ter nela entrado, mas que as únicas operações de entrada coerentes foram as da tabela 01. Além disso, prossegue, considerando os valores de cada lançamento, enfatizando ficar inviável estabelecer uma correlação entre as entradas de cheques na conta ‘cheques prédatados’, vindo das operações das tabelas 01 e 02, e as saídas, provenientes das operações da tabela 03; Conclui que a fiscalizada, quando recebia um cheque, no mais das vezes, não o contabilizava como receita. No entanto, tal cheque deveria ser, necessariamente, depositado ou descontado em um banco. Sustenta que deve haver correspondência entre a contabilidade e as contas bancárias, pois inconsistências seriam facilmente detectadas, bastando comparar o razão da conta contábil representativa da conta bancária com o extrato bancário dessa mesma conta. Adiciona que quando a fiscalizada descontava cada cheque, efetuava a operação contábil de debitar a conta contábil ‘Banco do Brasil – 252719’ e creditar a conta ‘Cheques prédatados’, tal como demonstrado na tabela 03. Entretanto, como não tinha havido a entrada deste cheque na conta ‘Cheques prédatados’, a fiscalizada ficaria com saldo credor cada vez maior, o que não pode ocorrer contabilmente. Em virtude disso, a fiscalizada efetuava os lançamentos fictícios a crédito de “Caixa Geral”, razão pela qual esta conta, eventualmente, apresenta saldo credor; A estratégia ocorreu porque é mais fácil suprir irregularmente a conta “Caixa Geral” com outros lançamentos fictícios, já que ela não pode ser conferida posteriormente por extrato, como ocorre com a conta bancária. Essa tese estaria corroborada pelo fato de a conta “Caixa geral” ter recebido, no anocalendário de 2007, débitos no valor de R$ 6.534.021,04, e créditos no valor de R$ 6.543.844,09. Segundo a fiscalização, a contabilidade está afirmando que entraram e saíram do caixa esses valores em moeda corrente, ou seja, dinheiro em espécie. A fiscalização argumenta que, considerando que a fiscalizada também tem contas contábeis representativas de suas operações bancárias, e que a maior parte das transações comerciais de uma empresa comercial atualmente ocorre por meio de cheques, cartões de crédito ou transferências bancárias, é difícil acreditar que esses valores realmente tenham circulado pela conta Caixa Geral; A receita lançada na contabilidade é compatível com a emissão das notas fiscais declaradas em GIA. Assim, o recebimento de valores que não passaram por contas de receitas teria ocorrido sem a emissão de nota fiscal de vendas ou de prestação de serviços. Afirma que, nesse caso, a Lei nº 8.846/94, disciplina a apuração da receita para efeitos tributários, com ênfase para os seus art. 6º e 8º; O método mais coerente para o arbitramento da receita foi excluir os lançamentos fictícios da conta cheques prédatados, o que a deixou com saldo credor, considerado como receita omitida, já que originários de valores de cheques que entraram em contas bancárias sem passar por contas de receitas. Também sustenta que esse arbitramento foi baseado na mesma presunção de omissão de receitas estabelecidas no § 2º do art. 12 do Decretolei nº 1.598/77, regulamentado pelo inciso I do art. 281, do RIR/99; Após a exclusão de todos os lançamentos a débito da conta “Caixa Geral”, os quais foram considerados fictícios, montouse o razão da conta “cheques prédatados”, recalculandose o saldo dela. Obtido o saldo credor, para se calcular o momento da omissão, considerouse o primeiro saldo credor como o momento inicial da omissão. A partir daí, para cada novo saldo credor, só foi considerado como novo momento de omissão quando o novo Fl. 404DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 4 4 valor de saldo credor superava o somatório dos valores já considerados como receita emitida. Neste caso, a fim de se evitar uma segunda tributação, foram descontados os valores já considerados como omissão de receita nos momentos anteriores. Após os expurgos dos lançamentos relativos aos cheques prédatados, a conta Caixa Geral deixou de ter saldo credor, não havendo mais a presunção de omissão de receitas correspondente; A fiscalização detalha, às fls. 368/372, os critérios utilizados na mensuração dos tributos lançados e da respectiva multa de ofício isolada, as razões determinantes do agravamento da multa de ofício e da Representação Fiscal para Fins Penais. Irresignada, a autuada apresentou a impugnação de fls. 379/388, veiculando as alegações sintetizadas no relatório da DRJ/CTA que passo a transcrever: aponta as seguintes assertivas veiculadas no Relatório de Ação Fiscal: “lançamentos irregulares”, “”forte indício de operações fictícias”, “... não está mantendo a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais”. Afirma que tais fatos estão tipificados nos incisos I e II do art. 530 do Decreto nº 3000, de 1999 (RIR/99) como causa determinante do arbitramento do lucro; reclama que a fiscalização, apesar de ter apontado a existência de tais irregularidades, adotou critério de tributação com base no lucro real, o que entende ter sido irregular; afirma que os autos de infração lavrados padecem de dois vícios: (a) estão calcados em presunção; e (b) estão baseados em fatos presumidos com equívoco. Com respeito à presunção, afirma que a autoridade administrativa transgrediu o art. 142 do CTN, que lhe impõe o dever de verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente; também afirma que o Relatório de Ação Fiscal mostra evidentes equívocos na metodologia empregada para dimensionar a base de cálculo dos tributos cobrados ao afirmar ter excluído da conta “Cheques Prédatados” a importância de R$ 1.684.500,00, resultando na apuração de saldo credor nessa conta em valor quase idêntico, ou seja, R$ 1.613.701,04. Em face desses números quase idênticos, esclarece que: a) as receitas de vendas foram anteriormente apropriadas nas contas referentes a ‘caixa’, ‘clientes’ e ‘cheques prédatados’; b) a autoridade fiscal comprovou que os lançamentos a débito de cheques prédatados foram creditados em conta de receitas (tabela 01); afirma que, diante desses fatos, é possível concluir que: a) as contrapartidas dos débitos na conta ‘caixa’ foram feitas também a crédito de conta de receitas; b) a transferência de valores da conta ‘cheques prédatados’ para a conta Caixa não poderia ser indício de omissão de receita, pois tanto a conta “cheques pré datados’ quanto a conta Caixa tiveram valores reconhecidos anteriormente como receita; Fl. 405DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 5 5 afirma que havia transferências da conta Caixa para a conta ‘cheques prédatados’ com o objetivo de regularizar práticas contábeis anteriores, e que jamais houve prejuízo ao Fisco, pois tanto os valores existentes na conta Caixa quanto os valores existentes na conta ‘Cheques prédatados’ haviam sido anteriormente lançados, com contrapartida em conta de receita de vendas; argumenta que as pessoas que trabalham com contabilidade sabem que a conta Caixa não reproduz saldos unicamente de numerário, mas também a existência de vales e cheques, e que é perfeitamente concebível a transferência de cheques a receber, existentes na conta Caixa para a conta “Cheques prédatados”; conclui que não devem ser considerados os valores apontados na Tabela 02 do Relatório de Ação Fiscal, no valor total de R$ 1.684.500,00, com o que desaparecerá o saldo credor apurado; com argumentação variada, e transcrevendo excertos do Relatório de Ação Fiscal, contesta o agravamento da multa; afirma que a cobrança da multa isolada de 50% no âmbito do IRPJ e da CSLL é indevida, pois houve aplicação de multa isolada no ano de 2011, sobre fatos geradores do ano calendário de 2007; houve aplicação concomitante com multa proporcional de ofício; afirma ser sabido que a multa isolada somente pode ser aplicada no curso do períodobase, e não pode ser cumulativa com a multa de ofício. Os julgadores da 1ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgaram a impugnação procedente, cancelando o crédito tributário exigido, sob o entendimento de que inexistem elementos a conferir o indispensável grau de certeza aos indícios apontados pelo autuante de que teria ocorrido o fato gerador dos tributos lançados. O Presidente da 1ª Turma da DRJ/CTA recorreu de ofício, haja vista que a exoneração superou o limite de alçada de R$ 1.000.000,00 ( Portaria MF nº 3/2008). É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Fl. 406DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 6 6 Analisados os fatos e as provas constantes dos autos, podese concluir que a autoridade julgadora de primeira instância agiu de acordo com as normas legais aplicáveis à espécie, cabendo aqui transcrever as razões de decidir: Na sequência de seu raciocínio, o autuante sustenta que os lançamentos a débito da conta “Cheques prédatados’ e a crédito da conta “Caixa Geral” jamais poderiam ter existido, pois significam que está saindo numerário da conta Caixa e entrando diretamente na conta “Cheques prédatados”, o que não tem qualquer sentido. Acrescenta que a conta “Cheques prédatados”, por sua natureza, não deveria receber dinheiro em espécie. Enquanto preceitos para a elaboração de escrita na melhor técnica contábil, o raciocínio está absolutamente correto. Contudo, em face do caso concreto e da mera inobservância desses preceitos, não partilho a opinião de que a legislação autorize extrair as conclusões a que chegou a fiscalização. Como se vê, o autuante assenta seu raciocínio na premissa de que a conta Caixa somente seria debitada/creditada pelo ingresso/saída de numerário. Por isso, os lançamentos questionados representariam saída de numerário da conta Caixa, com a correspondente entrada na conta “Cheques prédatados”. Ocorre que a experiência acumulada em mais de dez anos como julgador administrativo demonstra que as escritas das pequenas e médias empresas infelizmente não observam esse rigor técnico. Muito pelo contrário. Sou forçado a concordar com a assertiva da impugnante (fls. 384), de que, verbis: “As pessoas que habitualmente trabalham em contabilidade sabem, perfeitamente, que a conta ‘caixa’ não reproduz saldos unicamente de numerário.” Além do mais, a própria técnica contábil não preconiza tanto rigor na escrituração da conta Caixa, conforme se observa no Manual de Contabilidade da FIPECAFI, sétima edição, elaborado por Sérgio de Iudícibus et ali: “... Além disso, há, basicamente, dois tipos de controles da conta Caixa, ou seja, um fundo fixo e caixa flutuante. (...) b) CAIXA FLUTUANTE No sistema de caixa flutuante, transitam pela conta Caixa os recebimentos e os pagamentos em dinheiro. Nesse sistema, podem ocorrer maiores problemas de ordem de classificação contábil de valores, pois o saldo da conta Caixa muitas vezes apresenta não só o dinheiro propriamente dito, mas, também, vales, adiantamentos para despesas de viagens e outras despesas, cheques recebidos a depositar, valores pendentes e outros. (...) Fl. 407DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 7 7 Há empresas que ainda efetuam toda a contabilização por meio da conta Caixa, incluindo todos os recebimentos e todos os pagamentos em cheques, gerando um grande e desnecessário volume de débitos e créditos.” Não se está aqui convalidando o procedimento contábil adotado pela autuada, ou emitindo qualquer juízo de valor a respeito. Não é o caso. O que aqui se afirma é que não se pode descartar a possibilidade de que os lançamentos questionados pelo autuante, vertidos a débito da conta “cheques prédatados” e a crédito da conta Caixa, se refiram, parcial ou integralmente, a valores correspondentes a vendas que foram quitadas mediante a entrega de cheques prédatados e que foram contabilizados a débito da conta Caixa. Assim, a função desses lançamentos seria apenas expurgar do Caixa os valores relativos aos cheques prédatados que seriam descontados no Banco. Também não se pode descartar a hipótese aventada pela impugnante (fls. 384), verbis: “a) havia transferência da conta ‘caixa’ para a conta ‘cheques prédatados’com o objetivo de regularizar práticas contábeis anteriores;” O que aqui se enfatiza é a ausência de elementos a conferir o indispensável grau de certeza aos indícios apontados pelo autuante de que teria ocorrido o fato gerador – receita – dos tributos lançados. Em realidade, o lançamento está calcado apenas na suspeita do autuante e no que ele próprio classifica como indícios. Deveria, portanto, o autuante ter aprofundado a investigação e identificado, com rigor e precisão, eventuais infrações perpetradas pela impugnante, devidamente guarnecidas do indispensável conjunto probatório. Também não logrou a fiscalização infirmar a seguinte assertiva da impugnante (fls. 383), verbis: “b) logo, a transferência de valores da conta ‘cheques prédatados’ para a conta ‘caixa’ não poderia ser indício de omissão de receita, pois tanto a conta ‘cheques prédatados’ quanto a conta ‘caixa’ tiveram valores reconhecidos anteriormente como receita.” Por outro lado, também não me persuado de que a pouco ortodoxa metodologia utilizada na mensuração da receita supostamente omitida efetivamente encontre respaldo nos dispositivos da Lei nº 8.846, de 1994, transcritos às fls. 364, verbis: (...). Não me convenço de que o artigo 8º possa ser tomado, isoladamente, como um ‘cheque em branco’ para que o Fisco, em qualquer ação fiscal que encetar, possa, ao seu livre alvedrio, criar, com a força das presunções legais, metodologias próprias para o arbitramento de receitas que considere ter sido omitidas. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 8 8 É necessário ter em mente que aludido diploma que veio a ser conhecido como Lei do Ponto Fixo foi concebido como instrumento legal que permitisse a verificação do cumprimento das obrigações tributárias em tempo real, prevendo a permanência de servidores fiscais no estabelecimento do contribuinte, por tempo determinado, acompanhando a emissão de documentos fiscais ou recibos, no ato da ocorrência da operação de venda ou da prestação do serviço. Esse acompanhamento presencial também se prestava ao procedimento que apurava, na forma da Lei, a receita mínima a ser computada na apuração dos tributos federais nos futuros meses de validade do arbitramento. Também não se pode perder de vista que, no processo administrativo, ficavam devidamente formalizados os cálculos aritméticos das médias diárias de faturamento que serviam de parâmetro para a projeção da receita mínima arbitrada pelo prazo máximo de doze meses. Pois bem. Caso a intenção tivesse sido prover o Fisco do poder de criar livremente outros métodos de determinação da receita no curso de qualquer ação fiscal sempre que entendesse ter sido utilizado artifício visando a frustrar a apuração da receita efetiva do seu estabelecimento, como enxerga a fiscalização, o texto legal teria deixado expresso, não ressalvando que a faculdade somente seria utilizada para efeito de arbitramento a que se refere o art. 6º, que é muito específico. Entendo, portanto, que o autuante não dispõe da faculdade de efetuar levantamento com base apenas na conta “Cheques prédatados” e atribuir a esse levantamento a força probatória de que dispõem apenas as presunções legais. Estando assim convencido, entendo que a inadequada metodologia de quantificação da suposta receita omitida – único suporte do lançamento – contamina integralmente o lançamento, determinando sua improcedência. Ressalvo que nos autos há evidências inequívocas de que teriam sido omitidas receitas, dada a existência de saldos credores de caixa (presunção legal); e que tributos não foram recolhidos, como se vê na DIPJ juntada às fls. 204226, que acusa débito de IRPJ no importe de R$ 162.042,31 (fls. 215), e CSLL no importe de R$ 66.975,23 (fls. 220). Entretanto, não pode esta DRJ, sob pena de alterar o critério jurídico utilizado no lançamento, manter tais exações. Da leitura do trecho transcrito é possível perceber que a incorreta contabilização da conta do Ativo Circulante “Cheques prédatados” não é suficiente para comprovar ou presumir a suposta omissão de receitas perpetrada pela Recorrente. Pelo contrário, como bem afirmado pela decisão a quo, o que se verifica é a ausência de elementos a conferir o indispensável grau de certeza aos indícios invocados pela fiscalização para presumir a omissão de receitas e a ocorrência do fato gerador dos tributos lançados. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA Processo nº 10940.720220/201158 Acórdão n.º 1402001.092 S1C4T2 Fl. 9 9 Portanto, correta a decisão recorrida ao afirmar que a fiscalização deveria ter aprofundado a investigação, identificado, com rigor e precisão, eventuais infrações perpetradas pela Recorrente, devidamente guarnecidas do indispensável conjunto probatório. Posto isso, voto por negar provimento ao recurso de ofício interposto, haja vista a improcedência do lançamento em questão. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 410DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por CARLOS PELA
score : 1.0
Numero do processo: 13678.000808/2008-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE.
Para configurar a isenção do imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave ou portadores de moléstia profissional, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial conclusivo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.646
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Sandro Machado dos Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. Para configurar a isenção do imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave ou portadores de moléstia profissional, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial conclusivo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13678.000808/2008-31
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5199961
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2801-002.646
nome_arquivo_s : Decisao_13678000808200831.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : SANDRO MACHADO DOS REIS
nome_arquivo_pdf_s : 13678000808200831_5199961.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
id : 4538350
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395504119808
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-03-12T19:19:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2013-03-12T19:19:46Z; Last-Modified: 2013-03-12T19:19:46Z; dcterms:modified: 2013-03-12T19:19:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:f0a8a80a-3aed-4f7c-b8a8-032935af74eb; Last-Save-Date: 2013-03-12T19:19:46Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2013-03-12T19:19:46Z; meta:save-date: 2013-03-12T19:19:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2013-03-12T19:19:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2013-03-12T19:19:46Z; created: 2013-03-12T19:19:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2013-03-12T19:19:46Z; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2013-03-12T19:19:46Z | Conteúdo => S2‐TE01 Fl. 54 1 53 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13678.000808/200831 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801002.646 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de agosto de 2012 Matéria IRPF Recorrente ADELINO FREIRE COELHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. Para configurar a isenção do imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave ou portadores de moléstia profissional, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial conclusivo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 08 08 /2 00 8- 31 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13678.000808/200831 Acórdão n.º 2801002.646 S2‐TE01 Fl. 55 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 4/6, decorrente da revisão de Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2006, ano calendário de 2005, onde foi apurado o valor de R$1.341,82 de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, acrescido de multa de ofício e juros de mora calculados até 29/8/2008. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 5 verso), confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor do rendimento informado pela fonte pagadora em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), para o titular, constatouse a omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$40.069,25, recebidos da Real Grandeza Fundação de Previdência e Assistência Social, CNPJ 34.269.803/000168. Na apuração do imposto devido, não foi compensado Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre o rendimento omitido, por ter sido integralmente declarado. O sujeito passivo, intimado da notificação em 18/8/2008, cópia do Aviso de Recebimento à fl. 23, protocolou defesa de fl. 1, em 29/8/2008. Em síntese: Alega que em 28/11/2005 foi emitido pelo Dr. Edil Vilela, CRM 24713 TREG. CFM CRMMG 6575, Laudo Médico Pericial para Fins de Isenção do Imposto de Renda. Diz que a Previdência Social concluiu que é portador de doença incluída na Lei n° 7.713/88, artigo 6o, inciso XIV e artigo 30 da Lei n° 9.250/95, enquadrado no CID 10 H90.5, H83.3, H83.0 e H81, fazendo jus a Isenção de Imposto de Renda em proventos de aposentadoria em caráter definitivo, desde 6/11/1986. Apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento, com toda documentação, quando da apresentação de DIRF 2006/2005 retificadora. Conclui que os rendimentos citados no Demonstrativo de Apuração de Imposto de Devido Omissão de Rendimentos Apurados no valor de R$40.069,25, apesar de terem sido informados pela fonte pagadora como rendimentos tributados com retenção de imposto de renda, são isentos. Solicita o cancelamento da Notificação de Lançamento n° 2006/606420162713037. O processo foi baixado em diligência, despacho de fl. 26, para o Núcleo de Saúde e Perícias Médicas (NUSAP) da Gerência Regional de Administração do Ministério da Fazenda em Minas Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13678.000808/200831 Acórdão n.º 2801002.646 S2‐TE01 Fl. 56 3 Gerais, para verificar se o contribuinte poderia ser considerado portador de moléstia profissional. O NUSAP pronunciou por meio do Parecer Médico/Pericial n° 166/11 (fl. 27), assinado pelos médicos Dr. José Sinval do Espírito Santo, CRM MG 6.475 (presidente), Dr. Omar de Faria, CRMMG 10.084 e Dr. Reinaldo Pereira de Oliveira, CRMMG 8.821: Após avaliação da solicitação constante do presente processo, informamos que o contribuinte não foi aposentado pela patologia alegada, mas por tempo de serviço. Sendo a progressão do agravo cessado com a interrupção da exposição. A nosso ver não se caracteriza doença profissional por inexistir nexo causal.” A DRJ, analisando os argumentos do contribuinte, proferiu decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. MOLÉSTIA GRAVE. Para configurar a isenção do imposto de renda sobre rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave ou portadores de moléstia profissional, a patologia deve ser comprovada, mediante laudo pericial conclusivo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Diante daquela decisão, foi interposto Recurso Voluntário reiterando os argumentos da Impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator Conheço do Recurso, pois presentes os seus requisitos de admissibilidade. Tratase de Auto de Infração lavrado em face do Recorrente tendo em vista a suposta omissão de receitas na DIPF por ele apresentada no Exercício de 2006. Em Impugnação e também no Recurso Voluntário ora analisado , assevera o Recorrente que o montante supostamente omitido não seria passível de ser incluído na base de cálculo do IRPF, haja vista ser isento do tributo, eis que teria se aposentado por ocasião de acidente de trabalho, nos termos do art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88: Fl. 56DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13678.000808/200831 Acórdão n.º 2801002.646 S2‐TE01 Fl. 57 4 “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” Vêse, pois, que somente serão isentos os preventos percebidos pelos portadores das moléstias graves previstas na lei ou aqueles decorrentes de aposentadoria ou reforma motivada por acidente de trabalho. No caso presente, muito embora o Recorrente possa ter tido danos ao longo de seu contrato de trabalho, fato é que sua aposentadoria deuse por tempo de serviço, não em razão de qualquer tipo de acidente de trabalho, como se nota à fl.31. Ademais, o Recorrente também não comprovou ser portador de qualquer das doenças previstas na legislação, razão pela qual não merece ser reformada a decisão combatida. Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 13971.903721/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.544
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 13971.903721/2010-18
conteudo_id_s : 5215028
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-001.544
nome_arquivo_s : Decisao_13971903721201018.pdf
nome_relator_s : ANDREA MEDRADO DARZE
nome_arquivo_pdf_s : 13971903721201018_5215028.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4566335
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395521945600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1827; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 92 1 91 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.903721/201018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301001.544 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de julho de 2012 Matéria IPI. RESSARCIMENTO. Recorrente EMPIMAQ EMPILHADEIRAS ANDRADE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que as aquisições de insumos de empresas optantes do SIMPLES não geram direito ao crédito básico de IPI. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 A contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de crédito básico do IPI, relativo ao 3º trimestre de 2007. A Delegacia da Receita Federal em Blumenau proferiu Despacho Decisório, indeferindo parcialmente o pleito do contribuinte e homologou as compensações pleiteadas, no limite do crédito reconhecido. Apresentou, como fundamento legal para as glosas efetuadas, os seguintes dispositivos legais: art. 11 da Lei n° 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Inconformada com o despacho decisório, a ora Recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese, que (i) a fiscalização não considerou o fato de que a redação dada pelo art. 166 do Decreto nº 4.544/2002 pela Lei nº 9.317/96, que vedava o direito ao crédito na hipótese de aquisição de empresas optantes pelo Simples Federal, foi revogada Lei Complementar n° 123 de 2006; (ii) como consequência, a partir de 01/07/07, o referido art. 166 perdeu sua eficácia, permitindo o aproveitamento do crédito, conforme disposto no art. 165 do Decreto 4544/2002. A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na sua manifestação de inconformidade É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa, exclusivamente, sobre a possibilidade de se creditar dos valores relativos à aquisição de insumos de empresas optantes do SIMPLES. Pois bem. A matéria em questão foi inicialmente regulada pela Lei nº 9.317/96, que assim dispunha em seu art. 5º: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13971.903721/201018 Acórdão n.º 3301001.544 S3C3T1 Fl. 93 3 § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Esta disposição foi regulamentada pelo Decreto nº 4.544/2002 (RIPI), que determinava igualmente a vedação aos créditos decorrentes de compras de insumos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES, em seu artigo 118: Art. 118. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao imposto Em 14 de dezembro de 2006, a Lei nº 9.317/96 foi revogada pela Lei Complementar nº 123. Todavia, diferentemente do que alega a Recorrente, este diploma legal manteve a vedação ao crédito nas compras de insumos de empresas optantes do SIMPLES: Art. 23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. Referido enunciado normativo passou a ser regulamentado pelo Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), nos seguintes temos: Art. 178. Às microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo SIMPLES Nacional, é vedada: I a apropriação e a transferência de créditos relativos ao imposto; e II a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal Diante dessas disposições expressas, a conclusão é única: não é permitido a este colegiado, no exercício do controle de legalidade, reconhecer como possível o aproveitamento de crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 13706.000377/99-77
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1993
IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF.
De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária - PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contando-se da data da ocorrência do fato gerador.
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 28/11/12
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Pleno
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1993 IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratando-se de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária - PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contando-se da data da ocorrência do fato gerador. Recurso extraordinário negado.
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 13706.000377/99-77
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5206381
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9900-000.378
nome_arquivo_s : Decisao_137060003779977.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 137060003779977_5206381.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 28/11/12 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
id : 4555658
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395527188480
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1915; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 11 1 10 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13706.000377/9977 Recurso nº 229.908 Extraordinário Acórdão nº 9900000.378 – Pleno Sessão de 28 de agosto de 2012 Matéria PEDIDO RESTITUIÇÃO PDV Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida PAULO JORGE DIAS ELIAS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1993 IRPF. PEDIDO DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA. REQUERIMENTO DE RESTITUIÇÃO ANTERIOR VIGÊNCIA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. TESE DOS 5 + 5. JURISPRUDÊNCIA UNÍSSONA STJ E STF. De conformidade com a jurisprudência firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e corroborada pelo Supremo Tribunal Federal, a propósito da inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, que prevê a aplicação retroativa dos preceitos de referido Diploma Legal, tratandose de pedido de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, in casu, Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física, incidente sobre as verbas pagas em decorrência de adesão a Programa de Demissão Voluntária PDV, formulado anteriormente à vigência de aludida LC, o prazo a ser observado é de 10 (Dez) anos (tese dos 5 + 5), contandose da data da ocorrência do fato gerador. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 03 77 /9 9- 77 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 28/11/12 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório PAULO JORGE DIAS ELIAS, contribuinte, pessoa física, já devidamente qualificado nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou Pedido de Restituição de Imposto de Renda Pessoa Física, em 03/02/1999, em relação ao anocalendário 1993, incidente sobre as verbas indenizatórias percebidas em virtude de adesão a Plano de Demissão Voluntária ocorrida em 08/02/1993, conforme Petição Inicial, às fls. 01/23, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto Recurso Especial pela Procuradoria contra Acórdão nº 10245.725, da 2a Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, a Egrégia 4ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em 12/12/2006, por unanimidade de votos, achou por bem NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº CSRF/0400.402, sintetizados na seguinte ementa: “IRPF – DECLARAÇÃO RENDIMENTOS – RETIFICAÇÃO – PRAZO – É válida a Declaração de Ajuste Anual Retificadora, apresentada dentro do prazo de cinco anos, contados da data da entrega tempestiva da declaração original (Parecer COSIT n° 48, de 07/07/1999). Recurso especial negado.” Ainda irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 120/130, com arrimo nos artigo 9º e 43, do então Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13706.000377/9977 Acórdão n.º 9900000.378 CSRFPL Fl. 12 3 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Inicialmente, pretende seja conhecido seu Recurso Extraordinário, uma vez observados os requisitos para tanto, eis que o Acórdão atacado, ao determinar que o prazo para restituição do indébito tributário nasceu com a declaração de ajuste anual do IRPF referente ao anocalendário de 1993 (31/05/1994), divergiu de outras decisões exaradas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se extrai do Acórdão nº 930300.080, ora adotado como paradigma. Após breve relato dos fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, opõese ao Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos contidos nos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, os quais prescrevem que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou a maior extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. Insurgese contra o Acórdão guerreado, alegando que as decisões administrativas devem observar o disposto no Ato Declaratório SRF nº 096, de 26 de dezembro de 1999, que é expresso ao dispor que o direito a restituição do tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, constituindo norma integrante da legislação tributária, vinculante para a administração a partir de sua publicação, como estabelecem os artigos 100, inciso I, e 103, inciso I, do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse sentido, sustenta que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Resolução do Senado Federal, a declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou outro ato administrativo qualquer, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre. A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação doutrina e julgados da esfera Judicial e Administrativa a propósito da matéria, consonantes com o entendimento acima esposado. Suscita que os artigos 3º e 4º, da Lei Complementar nº 118/2005, c/c artigo 106, inciso I, do CTN, corroboram seu entendimento, possibilitando, inclusive, a aplicação retroativa do artigo 3º, da LC nº 118, em virtude de sua natureza interpretativa. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Extraordinário, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendeu por bem admitir o Recurso Extraordinário da Procuradoria, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado no decisum paradigma, Acórdão nº 930300.080, consoante se positiva do Despacho nº 910000.441/2011, de fl. 149. Instado a se manifestar a propósito do Recurso Extraordinário da Procuradoria, o contribuinte apresentou suas contrarrazões, às fls. 158/168, corroborando o entendimento levado a efeito no Acórdão recorrido, propondo a sua manutenção. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da CSRF, a divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conheço do Recurso Extraordinário e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Extraordinário, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram de outras decisões exaradas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se extrai do Acórdão nº 930300.080, ora adotado como paradigma. Em defesa de sua pretensão, sustenta que o Acórdão atacado malferiu os preceitos contidos nos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, os quais prescrevem que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou a maior extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. Nesse sentido, reitera que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Resolução do Senado Federal, a declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou outro ato administrativo qualquer, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre. Infere, ainda, que os artigos 3º e 4º, da Lei Complementar nº 118/2005, c/c artigo 106, inciso I, do CTN, corroboram seu entendimento, possibilitando, inclusive, a aplicação retroativa do artigo 3º, da LC nº 118, em virtude de sua natureza interpretativa. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu insurgimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que o Acórdão recorrido apresentase incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: “ Art.165 O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;” “Art.168 O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário;” Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13706.000377/9977 Acórdão n.º 9900000.378 CSRFPL Fl. 13 5 Na hipótese dos autos, não há dúvidas quanto à existência do indébito, tendo em vista tratarse de pedido de restituição de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF incidente sobre as verbas concedidas em virtude de adesão a Programa de Demissão Voluntária PDV, reconhecidas como indenizatórias e, por conseguinte, não integrantes da base de cálculo do tributo sob análise, mediante edição da Instrução Normativa SRF nº 165, de 06/01/1999. Nesse sentido, a discussão centrase tão somente no prazo prescricional para o contribuinte exercer seu direito de repetição de indébito, mais precisamente em relação ao termo a quo de referido prazo. A Procuradoria da Fazenda Nacional, com amparo nos artigos 106, 165, inciso I, e 168, inciso I do Códex Tributário, entende que o termo a quo do prazo prescricional em comento é a data do pagamento do tributo indevido. Por sua vez, a Turma recorrida, à sua unanimidade, determinou que o prazo para a contribuinte pleitear a restituição dos tributos em referência (IRPF) iniciase com a declaração de ajuste anual do IRPF referente ao anocalendário de 1993 (31/05/1994), na esteira dos preceitos contidos no Parecer COSIT n° 48, de 07/07/1999. De outra banda, parte da jurisprudência administrativa vem entendendo que aludido prazo começa a fluir da data da publicação da Instrução Normativa SRF nº 165, de 06/01/1999, entendimento compartilhado por este conselheiro, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Afora as várias discussões doutrinárias a propósito do tema, o certo é que o IRPF, cobrado sobre as verbas recebidas pela pessoa física em decorrência de adesão a PDV, só passou a ser indevido quando do definitivo reconhecimento pela autoridade fazendária da não incidência de tal imposto sobre aludidos valores, ou seja, a partir da publicação da Instrução Normativa SRF nº 165, de 06/01/1999. Em outras palavras, antes da IN SRF nº 165/1999, o tributo em debate era devido e deveria ser recolhido em época própria, ou melhor, os pagamentos foram efetuados com fulcro na legislação de regência vigente, só passando a ser indébito quando da edição daquela Instrução Normativa. Nessa toada, ao admitir como termo a quo do prazo prescricional sub examine a data do pagamento do tributo indevido, estamos privilegiando o contribuinte que não o pagou, eis que não cumpriu a legislação de regência válida à época e não suportará lançamento fiscal com o fito de exigir tal exação, porquanto declarada inconstitucional posteriormente. Em outra via, o contribuinte que cumpriu com suas obrigações tributárias, pagando o tributo em dia, será penalizado por seguir os preceitos dos malfadados dispositivos legais que regulamentavam a matéria. Mais a mais, repitase, à época dos pagamentos do IRPF incidentes sobre as importâncias recebidas em razão de adesão a Programa de Demissão Voluntária, tal tributo era efetivamente devido, só passando a ser indébito quando do reconhecimento de sua natureza indenizatória pela própria autoridade fazendária e, por conseguinte, fora do alcance do IRPF, mediante edição da Instrução Normativa SRF nº 165/1999. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Na esteira desse entendimento, as razões de decidir do Acórdão atacado representam, ainda que por outros fundamentos, além da observância ao princípio da legalidade, o cumprimento do dever legal do julgador de se fazer justiça. Assim, não se pode admitir como termo inicial do prazo prescricional em análise, a data do pagamento do tributo. Este, aliás, era o entendimento majoritário da doutrina e jurisprudência judicial e administrativa, conforme restou circunstanciadamente demonstrado nos autos do processo, especialmente nas peças recursais da contribuinte. A propósito da matéria, mister trazer à baila a jurisprudência, anteriormente consolidada nesse Colendo Tribunal Administrativo, oferecendo proteção ao pleito da contribuinte, senão vejamos: “IRPF – RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO – Contase a partir da publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 165, de 31 de dezembro de 1998, o prazo decadencial para a apresentação de requerimento de restituição dos valores indevidamente retidos na fonte, relativos aos planos de desligamento voluntário. . IRPF – PDV – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ALCANCE – Tendo a Administração considerado indevida a tributação dos valores percebidos como indenização relativos aos Programas de Desligamento Voluntário em 06/01/99, data da publicação da Instrução Normativa nº 165 de 31 de dezembro de 1998, é irrelevante a data da efetiva retenção, que não é marco inicial do prazo extintivo. – Recurso Especial negado.” (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 127.011, Acórdão nº CSRF/0104.174 – Sessão de 14/10/2002) “IRRF – RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO. PRAZO DECADENCIAL – Nos casos de retenção pela fonte pagadora de importância a título de imposto de renda na fonte considerado indevido por legislação superveniente, o termo inicial para o sujeito passivo apresentar o pedido de restituição junto ao órgão competente é a data em que vigora os efeitos da nova legislação. PDV – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO DE INÍCIO – No caso de retenções relativas a Programa de Demissão Voluntária ocorridas além do prazo de cinco anos, o termo inicial para protocolização de pedido de restituição ocorre em 06.01.1999, data da publicação de ato administrativo que reconheceu indevida referida exação. Recurso negado” (1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso nº 126.098, Acórdão nº CSRF/0105.133 – Sessão de 29/11/2004) Não obstante as razões de fato e de direito acima esposadas, as quais vinham sendo adotadas nos julgados por este Colegiado, ao contemplar a matéria, o certo é que o tema vem sendo objeto de inúmeras discussões no Judiciário, o qual já se manifestou das mais diversas formas, sobretudo após a edição da Lei Complementar nº 118, que em seus artigos 3o e 4o, assim prescreveu: “Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do Fl. 211DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13706.000377/9977 Acórdão n.º 9900000.378 CSRFPL Fl. 14 7 pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional.” Escorado nos dispositivos legais encimados, a Procuradoria reforça sua tese, mormente com arrimo no artigo 4º, que estabelece a retroatividade de aludidas determinações. Em face da edição da Lei Complementar nº 118/2005, inúmeras foram as discussões que permearam o Judiciário, especialmente no que tange a constitucionalidade do disposto na parte final do artigo 4º, relativamente à retroatividade daquela norma. Após muitas disceptações a propósito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que os preceitos inscritos na parte final do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, encontramse maculados por vício de inconstitucionalidade, não se cogitando na aplicabilidade retroativa do disposto no artigo 3°, consoante se infere da ementa do Acórdão exarado nos autos do Recurso Especial nº 1.002.932/SP, nos seguintes termos: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). Fl. 212DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: [...] 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” ” (STJ – 1a Seção – Resp n° 1.002.932/SP – Relator Ministro Luiz Fux, Julgado em 25/11/2009) Conforme se depreende da ementa acima transcrita, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no sentido de que, no caso de repetição de indébito de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo prescricional para protocolizar o pedido, após o advento da Lei Complementar n° 118, contase da seguinte forma: Fl. 213DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13706.000377/9977 Acórdão n.º 9900000.378 CSRFPL Fl. 15 9 1) Recolhimentos efetuados antes da LC 118/2005 – Prazo de 10 (dez) anos – tese dos 5 + 5 , contandose da ocorrência do fato gerador, limitado ao período máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova; 2) Recolhimentos realizados após a vigência da LC 118 (09/06/2005) – Prazo de 05 (cinco) anos a contar da data do pagamento indevido; No mesmo sentido, o Supremo Tribunal Federal, rechaçou de uma vez por todas qualquer dúvida quanto à matéria, ratificando a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, mantendo, portanto, o prazo prescricional com base na tese dos 5 + 5 para nos casos de recolhimentos indevidos ocorridos anteriormente à vigência de aludido Diploma Legal. É o que se extrai do Acórdão exarado nos autos do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado sob o manto do rito previsto no artigo 543B do Código de Processo Civil, com a seguinte ementa: “DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO .VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA . NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” Como se observa do julgado acima ementado, o Supremo Tribunal Federal, ao contemplar a matéria, corroborou a inconstitucionalidade da parte final do artigo 4° da Lei Complementar n° 118/2005, ressalvando, porém, seu entendimento no sentido de que referido Diploma Legal somente poderá ser aplicado às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. No caso vertente, não se cogita em prescrição do direito da contribuinte, tendo em vista que apresentou pedido de restituição em 03/02/1999, antes da vigência da Lei Complementar n° 118/2005, relativamente a recolhimento indevido ocorrido no ano calendário 1993, mais precisamente em 24/03/1993 – retenção do imposto, (fato gerador em 31/12/1993), a título de IRPF sobre verbas indenizatórias percebidas em virtude de adesão a Plano de Demissão Voluntária, dentro, portanto, do prazo decenal, seja qual for o posicionamento a ser adotado, do STF ou STJ. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário do contribuinte, por outros fundamentos, na forma decidida pela 2ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, ratificado pela 4ª Turma da CSRF, uma vez que a recorrente não logrou infirmar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 215DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 13706.000377/9977 Acórdão n.º 9900000.378 CSRFPL Fl. 16 11 Fl. 216DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900266/2008-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 Ementa: DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do FISCO. Havendo erro na apuração do valor devido a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificá-la. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto em relação ao Fisco quanto do contribuinte para que possam retificar o lançamento nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido o prazo de cinco anos, não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o quantum devido, objetivando compensar valor recolhido a maior com outros débitos. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. A DCTF é meio instrumento pelo qual o contribuinte confessa débito em favor do fisco. O débito uma vez confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta. Em assim sendo, não pode o sujeito passivo compensar tributo atual com valor proveniente de tributo pago a maior, no passado, sem antes retificar a DCTF.
Numero da decisão: 1402-001.162
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPJ - restituição e compensação
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1999 Ementa: DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do FISCO. Havendo erro na apuração do valor devido a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificá-la. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto em relação ao Fisco quanto do contribuinte para que possam retificar o lançamento nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido o prazo de cinco anos, não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o quantum devido, objetivando compensar valor recolhido a maior com outros débitos. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. A DCTF é meio instrumento pelo qual o contribuinte confessa débito em favor do fisco. O débito uma vez confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta. Em assim sendo, não pode o sujeito passivo compensar tributo atual com valor proveniente de tributo pago a maior, no passado, sem antes retificar a DCTF.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10825.900266/2008-70
conteudo_id_s : 5217685
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-001.162
nome_arquivo_s : Decisao_10825900266200870.pdf
nome_relator_s : MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10825900266200870_5217685.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
id : 4567428
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395548160000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2268; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.900266/200870 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.162 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de agosto de 2012. Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente LABORATÓRIO BAURU DE PATOLOGIA CLÍNICA S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 Ementa: DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do FISCO. Havendo erro na apuração do valor devido a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto em relação ao Fisco quanto do contribuinte para que possam retificar o lançamento nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido o prazo de cinco anos, não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o quantum devido, objetivando compensar valor recolhido a maior com outros débitos. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. A DCTF é meio instrumento pelo qual o contribuinte confessa débito em favor do fisco. O débito uma vez confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta. Em assim sendo, não pode o sujeito passivo compensar tributo atual com valor proveniente de tributo pago a maior, no passado, sem antes retificar a DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado. Fl. 541DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900266/200870 Acórdão n.º 1402001.162 S1C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900266/200870 Acórdão n.º 1402001.162 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório O processo acima identificado retorna de diligência. Do relatório feito naquela ocasião, quando o processo esteve em pauta, transcrevo o quanto segue nos parágrafos subsequentes: Conforme demonstra o contrato social de fls. 62/65, a recorrente foi constituída no ano de 1976, sob a denominação social de Laboratório Bauru de Patologia Clínica Sociedade Civil Ltda., tendo por objeto “a prestação de serviços de análises, abrangindo (sic.) os campos da bioquímica, hematologia, parasitologia, anatomia patológica, citologia, microbiologia, etc., elaborando exames científicos de sangue, urina, fezes, secreções, etc, atendendo a todos os tipos de exames atinentes ao campo de análises clínicas.” A alteração contratual de fls. 57/61, datada de 11/11/2003, indica que em tal data a recorrente manteve o objeto social no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”. A DIPJ fls. 15/26, entregue em 24/04/2008, demonstra que a interessada protocolizou declaração retificadora do período de 01/01/1999 a 31/12/1999, indicando ser tributada na sistemática do lucro presumido e base de cálculo de 8% (oito por cento). O acórdão recorrido, à fl. 89, diz que a retificação da DCTF referente ao quatro trimestre de 1999 ocorreu em 26/03/2008. Todavia, examinando os autos não foi possível localizar a existência da referida declaração retificadora. As DCTF’s de fls. 27/50 se referem ao quarto trimestre de 2003 e não se tratam de retificadoras, conforme esclareço no parágrafo seguinte. Constam dos autos as DCTF`s de fls. 27 e seguintes, referentes ao quarto trimestre de 2003, entregues em 10/02/2004, onde se verifica que a parte interessada pagou parte do IRPJ (fl. 30) e da CSLL (fl. 42), mediante compensações. À fl. 43, apenas para citar mais um exemplo das compensações realizadas no período, verificasse que o débito relativo ao PIS do quarto trimestre de 2003, também foi objeto de compensação com valor alegadamente recolhido a maior no período de apuração que se concretizou em 31/12/1999 (fl. 43). Pelo que alega a recorrente, tendo constatado pagamento a maior, isto é, feito levando em consideração a base de cálculo de 32%, a parte tratou de fazer as respectivas compensações. Todavia, não vieram aos autos os comprovantes de pagamento apurados com a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento) e tampouco a DCTF do período de 1999. Em síntese, no caso concreto, alega a recorrente que ao calcular o imposto devido em relação ao quarto trimestre de 1999 utilizou base de cálculo de 32% (trinta e dois Fl. 543DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900266/200870 Acórdão n.º 1402001.162 S1C4T2 Fl. 0 4 por cento), quando o correto seria 8% (oito por cento). Assim, pagou imposto a maior no ano de 1999 e, em 2004, “antes de seu crédito ser atingido pela decadência” realizou as compensações indicadas nas DCTF`s de fls. 27 e seguintes, no montante de R$ 19.481,54. Na ocasião, converteuse o julgamento em diligência para que viessem aos autos os seguintes elementos: a) cópia do contrato social que vigorava no período de apuração do crédito em discussão; b) cópias das DCTF`s referentes aos períodos dos alegados pagamentos a maior, junto com a DIPJ de cada um dos trimestres, identificando a base de cálculo aplicada e a natureza dos rendimentos; c) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou extinção dos débitos tributários por compensação; d) quadro demonstrativo referente ao período do alegado pagamento a maior, indicando a natureza da origem da receitas (comércio, prestação de serviços, atividades de laboratórios, etc.), a base de cálculo considerada, o valor pago à época, o quanto seria devido se aplicado base de cálculo de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) e, e) nos casos de pagamentos a maior, com débitos subsequentes, deverá a requerente fazer constar do quadro acima quando isto se deu, em que valores e em que forma (DCTF, DCOMP etc). Intimada, a empresa juntou documentos e planilhas, dentro os quais cito os que seguem: (I) cópia de PER/COMPs; (II) planilha com demonstrativo de imposto a pagar no 4º trimestre de 1998 e do imposto a recuperar a partir do Segundo Trimestre de 1999; (III) comprovante de entrega da DIPJ retificadora de 1999, transmitido em 21052008; (IV) cópia da DCTF retificadora referente ao Segundo Trimestre de 1999, sem que fosse possível identificar a data da transmissão. (V) planilha com demonstrativo com imposto apurado com base de cálculo de 8%, em confronto com a base de cálculo de 32%, nos anos calendário de 2003, 2004 e 2005; (VI) cópia do auto de infração datado de 18032008, exigindo crédito tributário com base na alíquota de 32%; Fl. 544DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900266/200870 Acórdão n.º 1402001.162 S1C4T2 Fl. 0 5 (VII) planilha e quadro resumo do faturamento obtido pela empresa, no ano de 1999, indicando as fontes pagadoras, o montante em cada trimestres e as retenções de imposto de renda na fonte. (VIII) Livro razão referente ao anocalendário de 1999. De posse das informações fornecidas pela parte interessada a autoridade fiscal elaborou o termo de verificação datado de 06122011, destacando os seguintes pontos: a) que o alegado direito creditório da recorrente referese à diferença pelo de ter recolhido tributos considerando base de cálculo de 32%, quando o correto, segundo seu entendimento, seria 8%; b) que esta diferença resultante entre 1998 e 2003 gerou mais de 180 PER/COMP; c) que de acordo com a DIPJ original, que utilizou base de cálculo de 32% e retificadora que utilizou base de cálculo de 8% da Receita Bruta, os valores respectivamente apurados foram: Intimada dos levantamentos feitos pela autoridade fiscal, a recorrente manifestouse destacando os seguintes pontos: a) que dos demonstrativos apurados no exaustivo trabalho da autoridade fiscal notouse algumas divergências entre a receita declarada e a receita informada em DIRF. Igualmente, percebeuse pequenas divergências entre as retenções que foram utilizadas em compensações; b) relativamente às divergências de receitas e retenções declaradas, esclarece a recorrente que a contabilização da receita era feita pela nota fiscal e o aproveitamento da retenção na fonte pelo recebimento; Fl. 545DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900266/200870 Acórdão n.º 1402001.162 S1C4T2 Fl. 0 6 c) por outro lado, esclarece a recorrente que o valor da nota fiscal emitida nem sempre correspondia ao pagamento, pois existiam glosas, ainda que indevidas, pelos tomadores dos serviços; d) que os valores sem DIRF, mas representativos, são do SUS e do SEPREM, ambos órgãos públicos a quem a recorrente solicitou os devidos comprovantes, sendo que a SEPREM o forneceu e o SUS informou que tais informações somente podiam ser obtidas por meio de diligências em Brasília, pois a verba para a saúde tem origem no Ministério da Saúde que repassa para os Estados e Municípios. e) destaca, ainda, que o processo documental do SUS é diferente, pois não existe nota fiscal de serviço, mas sim relatórios que são auditados, para os quais são emitidos ofícios com estimativa de pagamento. Neste sentido a recorrente apresenta exemplos. f) Junto com a manifestação em relação ao levantamento feito pela autoridade fiscal a contribuinte juntou documentos separados por anos (1998, 1999 e 2000). g) para cada ano e para cada empresa que apresentou problemas de falta ou de divergência de valores a contribuinte elaborou planilha contendo: 1. o ano da ocorrência; 2. o nome da empresa – fonte pagadora; 3. o nº atribuído a esta empresa que irá identificálo no razão; 4. o nº do CNPJ da fonte pagadora; 5. o Banco onde eram creditados os rendimentos; 6. o faturamento líquido e a retenção em cada mês. A planilha acima referida foi instruída com cópias de notas fiscais, onde por vezes constam anotadas as glosas, novo cálculo de retenções, valor líquido pago, data de pagamento e extrato onde se encontra registrado o crédito e, por vezes, o nome do pagador. A título de exemplo de glosa ocorrida a contribuinte menciona a nota fiscal nº 2035, de 30091998, no valor original de R$ 1008,30, com glosa de R$ 45,00. Assim, o valor da referida nota passou a ser R$ 963,30 (R$ 1.008,00 – R$ 45,00 ,00 = R$ 963,30). Sobre este valor houve retenções de R$ 81,40, o que resultou em recebimento líquido de 881,90. É o relatório. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900266/200870 Acórdão n.º 1402001.162 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Antes de adentrar ao mérito faço questão de registrar o excelente trabalho de confecção de planilhas elaboradas tanto pela fiscalização quanto pela contribuinte. O atuar de uma facilitou no trabalho da outra e ambas propiciaram melhor esclarecimentos aos fatos. Do retorno da diligência, levando em consideração seu objeto social da recorrente, os tomadores dos serviços e demais dados existentes nos autos, já analisados quando da conversão do processo em diligência, resultei convencido de que, à luz do que foi decidido no REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime de recurso repetitivo de que trata o artigo 543C, do Código de Processo Civil, que nos termos do artigo 62A, do Regimento Interno, deve ser observado por este colegiado, a base de cálculo da tributação efetivamente era de 8%. Deixo de transcrever os fundamentos constantes do REsp nº 1.116.399/BA porque já o fiz quando da resolução que converteu o processo em diligência. Porém, a questão que diz respeito ao deslinde deste processo não está relacionada à base de cálculo e tampouco ao montante dos valores retidos na fonte. À luz do parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Quer nos casos de lançamento de ofício, quer nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, a base de cálculo, a alíquota incidente, o quanto devido e realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, da CF, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos previstos no ordenamento jurídico. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988, e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas Constituições anteriores e no artigo 97, do Código Tributário Nacional Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração Fl. 547DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900266/200870 Acórdão n.º 1402001.162 S1C4T2 Fl. 0 8 proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170, do CTN. Ainda em relação à compensação, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002).” Quando examinei o processo pela primeira vez o fiz partindo da premissa de que a contribuinte, quando formulou os pedidos de compensação, havia retificado as DCTFs, sem proceder o mesmo em relação à DIPJ. Quando examinei o processo pela primeira vez o fiz partindo da premissa de que a contribuinte, quando formulou os pedidos de compensação, havia retificado as DCTFs, sem proceder o mesmo em relação à DIPJ. Tendo por norte esta premissa entendi que as DCTF`s entregues eram documentos hábeis para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram pagos mediante compensação. Assim, não havia o que se falar em decadência. Apesar dos fundamentos acima, como as DCTFs retificadoras não se encontravam nos autos, converti o julgamento em diligência solicitando que viessem aos autos ditos documentos. Se retificada a DCTF antes da extinção do direito da recorrente, ao meu sentir, em análise preliminar, não havia como negar a compensação ora analisada. Ocorre que a DCTF também foi retificada após o decurso do prazo de cinco anos. Assim, a premissa inicialmente considerada quando da conversão do processo em diligência, com a informação vinda aos autos, mostrouse inexistente. Nos termos do artigo 147 e seguintes do Código Tributário Nacional o lançamento pode darse por a) declaração; b) homologação e c) de ofício. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900266/200870 Acórdão n.º 1402001.162 S1C4T2 Fl. 0 9 No caso, interessanos o lançamento por homologação que à luz do artigo 150, do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de identificar a matéria tributável, apurar o quanto devido e realizar o pagamento, cabendo à autoridade administrativa homologar a atividade praticada pelo sujeito passivo ou, em discordando, efetuar o lançamento de ofício. Quando o sujeito passivo, no lançamento por homologação, identifica a matéria tributável, apura a base de cálculo e calcula o valor do tributo devido, informandoo à Administração Tributária por meio de DCTF, temse a constituição de um crédito em favor do Fisco. Neste caso é o sujeito passivo que apura o valor que reconhece devido ao sujeito ativo. Por outro lado, quando o Fisco, em lançamento por declaração ou de ofício, apura o valor do imposto devido e notificao ao sujeito passivo, tem o credor o prazo de cinco anos para exigir o respectivo tributo, sob pena de prescrição. Pelo que se depreende do artigo 149, parágrafo único, este lapso temporal de 5 (cinco) anos também se verifica nos casos em que o sujeito passivo, nos lançamentos por homologação, comete erros na constituição do crédito. Por hipótese, se constituiu crédito tributário considerando base de cálculo além da devida, lhe é assegurado o prazo de cinco anos para retificar o ato de constituição do débito, no caso a DCTF. O prazo quinquenal de que trata o artigo 150, parágrafo único do CTN, é prazo aplicável tanto em favor do Fisco quanto do contribuinte para retificarem o lançamento nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido tal prazo não é lícito o fisco fazer exigência em face do contribuinte e, tampouco, este pode retificar DCTF para diminuir o valor anteriormente constituído. O que o contribuinte precisa entender é que ao entregar a DCTF constitui crédito em favor do Fisco, podendo retificála no prazo de 5 (cinco) anos. Decorrido tal prazo extinguese o direito da parte em retificar a DCTF. Por fim, para que não se diga que o colegiado tangenciou sobre ponto relevante em relação ao qual deveria manifestarse, deixo consignado que o fato do sujeito passivo ter entregue pedido de compensação dentro do período de cinco anos não altera o resultado do julgamento. A compensação pressupõe um crédito do devedor para com o credor. Assim, no momento em que o sujeito passivo não retificou sua DCTF, dentro do período de 5 (cinco) anos, não fez aflorar o crédito pretendido que, mediante compensação, poderia utilizar para pagamento de outro tributo. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso por reconhecer a impossibilidade de retificação da DCTF depois de decorridos 5 (cinco) anos de sua entrega. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 549DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900266/200870 Acórdão n.º 1402001.162 S1C4T2 Fl. 0 10 Fl. 550DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.002032/2007-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2006
Ementa:
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
AFERIÇÃO INDIRETA
Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que refutar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário.
PEDIDO DE EVENTUAL JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
O pedido de perícia não se constitui em direito subjetivo do contribuinte e pode ser indeferido pela autoridade julgadora quando demonstrada sua prescindibilidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.726
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos nos termos do voto da Conselheira Relatora. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, foi concedido provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que
integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva votou pela aplicação do art. 173, inciso I do CTN para todo o período. Em relação ao período não decadente não houve divergência.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que refutar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. PEDIDO DE EVENTUAL JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia não se constitui em direito subjetivo do contribuinte e pode ser indeferido pela autoridade julgadora quando demonstrada sua prescindibilidade. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10510.002032/2007-28
conteudo_id_s : 5218750
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 14 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2302-001.726
nome_arquivo_s : Decisao_10510002032200728.pdf
nome_relator_s : LIEGE LACROIX THOMASI
nome_arquivo_pdf_s : 10510002032200728_5218750.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos nos termos do voto da Conselheira Relatora. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, foi concedido provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva votou pela aplicação do art. 173, inciso I do CTN para todo o período. Em relação ao período não decadente não houve divergência.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4573375
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395555500032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1946; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.002032/200728 Recurso nº 258.723 Voluntário Acórdão nº 230201.726 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria Arbitramento de Contribuições Recorrente NASSAL NASCIMENTO E SALES CONSTRUÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. AFERIÇÃO INDIRETA Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, a fiscalização deverá inscrever de ofício a importância que refutar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. PEDIDO DE EVENTUAL JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia não se constitui em direito subjetivo do contribuinte e pode ser indeferido pela autoridade julgadora quando demonstrada sua prescindibilidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, acolher os embargos nos termos do voto da Conselheira Relatora. Quanto ao recurso voluntário, por maioria de votos, foi concedido provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Vera Kempers de Moraes Abreu que entenderam aplicarse o art. 150, parágrafo 4º do CTN para todo o período. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva votou pela aplicação do art. 173, inciso I do CTN para todo o período. Em relação ao período não decadente não houve divergência. Marco Andre Ramos Vieira Presidente . Liege Lacroix Thomasi Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Vera Kempers de Moraes Abreu, Manoel Coelho Arruda Junior, Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.002032/200728 Acórdão n.º 230201.726 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata a notificação, lavrada em 25/04/2007 e cientificada ao sujeito passivo na mesma data, de contribuições previdenciárias apuradas por aferição indireta, com base nas notas fiscais de prestação de serviço, no período de 12/2000 a 11/2006. De acordo com o relatório fiscal de fls. 585/594, a notificada não declarou em GFIP e não recolheu contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, deixando de contabilizar por centro de custo as despesas incorridas nas obras de construção civil, lançando numa mesma conta contábil documentos relativos a pessoa física e jurídica e sem identificação do nome das mesmas, do tipo de serviço prestado ou bem adquirido, não contabilizando as horas extras efetuadas pelos empregados e havendo, também, empregados sem registro. Após a apresentação de defesa, Acórdão de fls. 938/947, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, arguindo em síntese: a) que a decisão deve ser anulada por ter sido emitida há mais de trinta dias do oferecimento da defesa, ferindo a Lei n.º 9784/99; b) a decadência do período de 12/2000 a 04/2002; c) a inconstitucionalidade do arrolamento de bens; d) que procedeu a contabilização em títulos próprios e o fiscal não indicou qual a norma que obrigue a tanto, o que não pode ser feito por instrução normativa; e) que o fiscal estava de posse dos documentos para sanar as dúvidas dos históricos deficientes; f) que as obras da Infraero e assentamento Maria Bonita foram concluídas através de convênio com cooperativa; g) que as ocorrências em livros de inspeção do trabalho estão sendo discutidas; h) que não há prova da ocorrência do fato gerador; i) que não há prova da mão de obra não contabilizada; j) que é vedado o lançamento por presunção; Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 k) que não foi provada a existência de dolo, não podendo haver representação fiscal para fins penais; l) que não cabe a aferição, pois não se furtou a apresentar os livros fiscais; m) que não paga percentual de CUB a seus empregados; n) que a aferição só teria valor legal se efetuada por profissional legalmente capaz e habilitado pra tecer considerações sobre o DISO; o) que não há explicação para alterações de valores no recolhimento aferido para um galpão, por exemplo. Requer o cancelamento do arrolamento de bens; que o recurso seja aceito sem depósito prévio; que seja reformado ou cancelado o auto de infração, extinguido o crédito e arquivado o processo. Protesta pela juntada posterior de documentos e prova pericial. Não foram oferecidas as contrarazões. Acórdão nº 230200957 de 13 de abril de 2011, proferido pela 2ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, deu provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento as competências até 03/2002, em razão da extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do Código Tributário Nacional. A Fazenda Nacional embargou o Acórdão por contradição, eis que a regra utilizada para a contagem do prazo decadencial se deu com base no artigo 150 §4º do CTN, já que a turma entende ser aplicável quando houver pagamento parcial das contribuições devidas, mas não foi atentado que para a competência 12/2001 e seguintes não houve recolhimento parcial de nenhuma rubrica. Os embargos foram acolhidos e o processo retornou a julgamento. É o relatório. Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.002032/200728 Acórdão n.º 230201.726 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Liege Lacroix Thomasi Da Preliminar A notificação referese ao período de 12/2000 a 11/2006 e foi lavrada em 25/04/2007, com ciência pelo sujeito passivo na mesma data. A recorrente alega a decadência qüinqüenal e, com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n°08, segue a transcrição: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, o crédito lançado referese às seguintes competências: 12/2000 a 06/2001, 09/2001, 11/2001, 12/2001, 06/2002 a 05/2004, 09/2005 a 07/2006, 09/2006 e 11/2006. Assim, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, para as competências até 11/2001, uma vez que comprovadamente a recorrente efetuou recolhimentos previdenciários parciais, relativos ao crédito lançado nesta notificação, conforme se comprova no Discriminativo Analítico do Débito, fls.04/25. Já para a competência 12/2001, deve ser contado o prazo decadencial na forma exposta pelo artigo 173,I do CTN, pois não houve recolhimento parcial para tal competência, conforme se pode observar das fls. 06 e 72, dos autos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.002032/200728 Acórdão n.º 230201.726 S2C3T2 Fl. 4 7 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Portanto devem ser excluídas do lançamento as competências até 11/2001, pois a competência 12/2001, não se encontra decaída e a próxima competência lançada é 06/2002 e seguintes, igualmente não abragidas pela decadência qüinqüenal, considerandose quaisquer das regras do Código Tributário Nacional. Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O arrolamento de bens encontrase expressamente previsto no § 2° do art. 37 da Lei 8.212/1991, e o auditor fiscal deve promovêlo quando presentes os pressupostos legais: Art. 37... Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.002032/200728 Acórdão n.º 230201.726 S2C3T2 Fl. 5 9 § 2° Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1° a 6°, 8° e 9° do art. 64 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei n • 9.711, de 20/11/90) Do Mérito Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da mesma possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a areal situação da empresa no período analisado. No presente caso, as contribuições lançadas foram aferidas indiretamente, pois, segundo bem explicitado no relatório fiscal de fls. 585/594, a contabilidade da empresa não foi considerada como elemento de prova em favor do contribuinte, tendo em vista que, comprovadamente, não registrou o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço e deixou de registrar diversos itens ou contabilizouos de maneira diversa do previsto pela boa técnica contábil ou com divergência da legislação tributária. A contribuição previdenciária é espécie tributária cuja modalidade de lançamento é denominada por homologação ou autolançamento, com previsão legal no art. 150 do Código Tributário Nacional. Nessa modalidade, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, competindo a esta, posteriormente, conferir o procedimento e homologálo. No âmbito da Receita Federal do Brasil, o AuditorFiscal examina diretamente documentos, livros contábeis e fiscais, bem como outros elementos subsidiários, e, com estes elementos postos a sua disposição, verifica se o lançamento foi corretamente efetuado pelo contribuinte, homologandoo. Em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentação deficiente, o auditor deverá inscrever de ofício a importância que refutar devida, cabendo à empresa ou contribuinte o ônus da prova em contrário. A prerrogativa de arrecadar e fiscalizar as contribuições previdenciárias, bem como, aferir indiretamente a contribuição previdenciária devida e lançála de ofício, encontra embasamento legal no art. 148 do CTN, do qual o art. 33, §§ 3º, 4º e 6º da Lei n 8.212/91 são corolários: CTN "Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou em consideração, o valor ou preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial." Lei 8.212/91 "Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação alterada pela Lei nº 10.256/01) (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. § 4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa coresponsável o ônus da prova em contrário. (...) §6 Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário." Ao contrário do que diz a recorrente, o lançamento não é fundamentado em simples presunção, e sim nos dispositivos legais e regulamentares acima transcritos, que autorizam a fiscalização a proceder ao arbitramento da base de cálculo e lançamento de ofício dos valores devidos em caso de recusa ou sonegação de documentos por parte do contribuinte, ou sua apresentação deficiente, atendendo o lançamento constitutivo do crédito previdenciário ao contido no artigo 142 da Lei n° 5.172/66 Código Tributário Nacional e aos pressupostos estabelecidos nos artigo 33 e 37 da Lei n° 8.212/91. O artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99, explicita o que é documento deficiente: Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.002032/200728 Acórdão n.º 230201.726 S2C3T2 Fl. 6 11 Art.233 (...) Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. No caso em tela, os documentos apresentados pelo contribuinte não registraram a efetiva mão de obra existente, o que foi sobejamente demonstrado no relatório fiscal ao qual me reporto, por economia processual. A fiscalização demonstrou que a recorrente não contabilizou a mão de obra utilizada nas obras de construção civil, conforme descrito no item 11 do relatório fiscal às fls. 488/591, comprovando a ocorrência do fato gerador e da existência de mão de obra não contabilizada, bem ao contrário do que alega a recorrente. Há, inclusive, menção no relatório, às inspeções efetuadas pelo Ministério do Trabalho, onde foi verificada a falta de registro de empregados e embora a recorrente alegue que está discutindo os fatos, isto reforça o lançamento das contribuições previdenciárias por aferição indireta, já que efetivamente ficou demonstrada a ocorrência do fato gerador, uma vez que registrado pela Fiscalização do Ministério do Trabalho que em verificação física foram encontrados nas obras mais empregados que registrados nas folhas de pagamento pela empresa, que não foram apresentados registros de alguns empregados, conforme solicitado e nem há informação em GFIP quanto aos mesmos. Ademais, a fiscalização anexa, por amostragem, documentos de fls. 173/584, para comprovar o que descreve no relatório fiscal, enquanto a notificada não comprovou quaisquer de suas alegações. Quanto ao dever legal de provar a existência do fato gerador, o lançamento fiscal goza de presunção de legitimidade, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. Todavia, o Fisco não atua discricionariamente, haja vista que o lançamento é precedido de regular procedimento de fiscalização, com a análise minuciosa de documentação, que tem por finalidade a busca da verdade material, que é um dos pilares e uma decorrência do princípio da legalidade. Assim, o Fisco não possui o dever de acostar aos autos toda a documentação analisada, até porque esta, pertence à empresa, limitandose a autoridade fiscal circunstanciar a ação, indicando os documentos analisados, sem necessidade de sua anexação, identificando perfeitamente os elementos que serviram de base para a apuração dos fatos geradores, ao que, sem sombra de dúvida, atende o relatório fiscal e anexos da notificação em apreço. Portanto, o procedimento fiscal está amparado no que prescrevem os artigos legais citados em parágrafos anteriores e compete à fiscalização da Receita Federal do Brasil solicitar e examinar livros e documentos da empresa a fim de assegurar o correto e eficaz cumprimento das obrigações principais e acessórias, relativamente às contribuições previdenciárias. Desta forma, se mostrando inepta a contabilidade da recorrente, o crédito foi devidamente apurado com base nos valores das notas fiscais de serviço emitidas pelo contribuinte. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 É de se registrar, ainda, que o descumprimento da obrigação acessória por parte da recorrente pela não contabilização em títulos próprios, de dados correspondentes a fatos geradores de contribuições previdenciárias, resultou na lavratura de AutodeInfração n° 37.016.3940. Não serão consideradas as alegações da recorrente acerca do CUB, DISO, e recolhimento aferido para galpão, pois não fazem parte do levantamento que se baseou nas notas fiscais de prestação de serviço. Quanto à solicitação de juntada de documentos a posterior, informo ao contribuinte que no processo administrativo, a Portaria MPS/GM nº 520/2004, no art. 9º, § 1º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. No caso em tela, o contribuinte teve oportunidade durante toda a ação fiscal e o desenrolar do processo administrativo de trazer aos autos elementos que viessem a comprovar suas alegações ou demonstrar a iliquidez do crédito, o que não se confirmou. Em razão dos elementos acostados ao processo, onde está demonstrado que houve omissão de lançamentos contábeis é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Portanto, indefiro o pedido de perícia, com base no artigo 11 da Portaria MPS n.º 520 de 19/05/2004, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de omissão de lançamentos independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente. Ademais, considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Por todo o exposto, Voto por rescindir o Acórdão n.º 230200957 de 13 de abril de 2011, e pelo provimento parcial do recurso para excluir do lançamento as competências até 11/2001, em razão da decadência contida no Código Tributário Nacional, conforme explanado na decisão. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10510.002032/200728 Acórdão n.º 230201.726 S2C3T2 Fl. 7 13 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.014108/2006-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005
Exercício: 2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO. FALTA DE INTIMAÇÃO. MALHA
FISCAL.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito
passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Súmula CARF nº 4)
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
Somente a comprovação do efetivo pagamento a título de pensão alimentícia,em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente,autoriza o restabelecimento da despesa pleiteada pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2201-001.587
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Exercício: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. FALTA DE INTIMAÇÃO. MALHA FISCAL. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Súmula CARF nº 4) IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente a comprovação do efetivo pagamento a título de pensão alimentícia,em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente,autoriza o restabelecimento da despesa pleiteada pelo contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10680.014108/2006-25
conteudo_id_s : 5213828
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 31 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-001.587
nome_arquivo_s : Decisao_10680014108200625.pdf
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 10680014108200625_5213828.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4565873
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395575422976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.014108/200625 Recurso nº 909.815 Voluntário Acórdão nº 220101.587 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2012 Matéria IRPF Recorrente FRANCISCO DE ASSIS BARBOSA DE MEDEIROS Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO. FALTA DE INTIMAÇÃO. MALHA FISCAL. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Súmula CARF nº 4) IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Somente a comprovação do efetivo pagamento a título de pensão alimentícia, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, autoriza o restabelecimento da despesa pleiteada pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente). Fl. 64DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 32.492,00, calculados até 30/04/2007. A fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – CNPJ 24.365.710/000183 no valor de R$ 987,22; glosa de deduções indevidas com despesas médicas no valor de R$ 2.007,79; glosa relativa a previdência privada e FAPI no valor de R$ 10.376,81; glosa de despesas com instrução no valor de R$ 1.998,00 e glosa de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 44.101,76. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 01/03.), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Alega não ter sido previamente intimado a prestar esclarecimentos, o que configura fato prejudicial ao exercício pleno do direito de defesa. Entende que houve violação aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, assim como ao devido processo legal. Em conseqüência requer a declaração de insubsistência do lançamento fiscal. Acrescenta que há incompatibilidade de datas, já que a Notificação Fiscal é datada de 13/11/2006 e nos assentamentos informatizados da Secretaria da Receita Federal consta a data de entrega ao contribuinte com sendo 11/11/2006. No mérito relata dificuldades pessoais quanto à apresentação da declaração de ajuste com a totalidade dos rendimentos e postula a desoneração do gravame relativamente à omissão de rendimentos imputada pela autoridade lançadora. Embora tenha acatado parte da glosa, parcela dos proventos auferidos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte é destinada aos beneficiários da pensão alimentar. Elabora quadro demonstrativo no qual esclarece que concorda parcialmente com algumas glosas. Do valor glosado a título de dedução indevida de previdência privada acata glosa no valor de R$2.000,38, tendo apresentado o desconto sofrido a este título no seu comprovante de rendimentos. Do valor da despesa médica glosada, R$2.007,79, o contribuinte não apresenta nenhuma objeção ao lançamento. Informa contudo a existência do pagamento de despesas médicas no valor de R$2.468,77. Apresenta comprovante de rendimentos recebidos da Fundação Petrobrás de Seguridade Social – Petros e do INSS, dos quais consta o pagamento de pensão alimentícia a Eva Jatobá Bezerra no valor de R$25.886,76. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.014108/200625 Acórdão n.º 220101.587 S2C2T1 Fl. 2 3 Alega que do total das deduções declaradas, a diferença de R$2.000,38 apurada em seu desfavor é correspondente a despesas médicas. Ao final requer o cancelamento da exigência fiscal. A 9ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou procedente em parte o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: FASE PREPARATÓRIA AO LANÇAMENTO. FALTA DE INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. A falta de intimação prévia não caracteriza cerceamento do direito de defesa ou supressão do contraditório, com ofensas ao princípio do devido processo legal, o que se observa somente na fase do contencioso administrativo fiscal, a partir da impugnação ao lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. Constatada a omissão de rendimentos recebidos pelo contribuinte, deve ser mantida a imputação de infração à legislação tributária. PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. PENSÃO ALIMENTÍCIA. IMPUGNAÇÃO PARCIAL. Somente são objeto de apreciação as matérias sobre as quais o contribuinte apresenta manifestação contrária ao procedimento adotado pelo fisco. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. GLOSA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Crédito Tributário Mantido em Parte Em relação ao aresto proferido cabe transcrever parte do voto condutor que consolida a razão de decidir: O fato concreto trazido aos autos é que em relação à omissão de rendimentos recebidos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte no valor de R$987,22, o contribuinte não refutou a imputação atribuída pela autoridade notificante. Manifestouse somente no sentido da exoneração da exigência em razão do seu baixo valor. Neste caso é preciso esclarecer que a autoridade julgadora, nos limites impostos pelo Código Tributário Nacional e pelo Decreto nº 70.235/1972 que regula o Processo Administrativo Fiscal no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil não possui competência para exonerar o contribuinte de valor que possa circunstancialmente ser considerado irrisório. (...) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Em relação à glosa de despesas médicas no valor total de R$2.007,79, verifico na declaração de ajuste tratarse possivelmente de despesas com medicamentos, visto que indicados os CNPJ de diversas Farmácias/Drograrias. Como de regra a legislação tributária não permite a dedução de medicamentos na composição da base de cálculo do imposto, não há motivos para a aceitação de tais valores como despesas médicas. Por outro lado, conforme comprovante de rendimentos acostados pelo contribuinte, constam despesas médicas da ordem de R$2.468,77 que entendo cabíveis, ainda que não declaradas em momento oportuno, pois patente a existência do gasto médico devidamente descontado dos proventos do impugnante. A título de dedução com previdência privada e FAPI o comprovante de rendimentos de fl. 09 dá conta do pagamento de R$7.908,04. Como foram glosados R$10.376,81, a diferença de R$2.468,77 deve ser mantida por falta de comprovação, ao contrário dos R$2.000,38 admitidos pela defesa. Importante observar que o valor mantido de R$2.468,77 equivale à despesa médica aceita a favor do contribuinte e destacada no seu informe de rendimentos que, muito provavelmente foi adicionada indevidamente ao item previdência privada. O contribuinte declarou o pagamento de pensão alimentícia no valor de R$44.101,06, ao passo que seu comprovante de rendimentos indica o pagamento a este título no valor de R$25.886,76. Assim, restabelecido o valor registrado no comprovante de rendimentos é mantida a glosa no valor de R$18.214,30, valor este não constestado pelo contribuinte. Também não foi objeto de contestação a glosa de despesa com instrução no valor de R$1.998,00. (...) Intimado da decisão de primeira instância em 11/04/2011 (fl. 45), Francisco de Assis Barbosa de Medeiros apresenta Recurso Voluntário em 11/05/2011 (fls. 56/58), sustentando, em síntese: Invalidade da notificação de lançamento: A intimação inicial para prestar esclarecimentos foi enviada para o endereço anterior do contribuinte, qual seja, Rua Wilson Santos, 40 – Pirangi do Norte, Parnamirim/RN. Que não houve máfé na omissão de rendimentos, pois a diferença referese a proventos recebidos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, pois, devido à falta de comprovante do anocalendário de 2004, optouse em lançar o valor relativo ao anocalendário de 2003, conforme documento em anexo. Por fim, alega que além de pagar a pensão alimentícia descontada dos rendimentos da Fundação Petrobrás de Seguridade Social – Petros, o faz, também, em relação aos rendimentos auferidos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, daí a diferença de R$ 18.214,30, objeto indevido da exigência tributária. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.014108/200625 Acórdão n.º 220101.587 S2C2T1 Fl. 3 5 É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, a controvérsia cingese, nesta segunda instância, a preliminar de nulidade do lançamento por conta da falta de intimação para prestar esclarecimentos, além da glosa da pensão alimentícia declarada na DIRPF/2005. Em relação à alegada nulidade do lançamento em função da falta de intimação para prestar esclarecimentos, cabe reproduzir a Súmula CARF nº 4: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Portanto, a ausência de intimação ao sujeito passivo não invalida a constituição do crédito tributário, mormente quando o lançamento referese a trabalhos simplificados de malha fiscal. Quanto à dedução da pensão alimentícia, ante a ausência de comprovação, deve ser mantida a glosa. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 68DF CARF MF Impresso em 01/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005951/2010-70
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007,2008
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica optante pelo Simples fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS, de IPI e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2007,2008 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica optante pelo Simples fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS, de IPI e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10950.005951/2010-70
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5206438
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1801-001.256
nome_arquivo_s : Decisao_10950005951201070.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10950005951201070_5206438.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4555715
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:07 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395580665856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2191; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 926 1 925 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.005951/201070 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801001.256 – 1ª Turma Especial Sessão de 08 de novembro de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente FORÇA DO AÇO COMÉRCIO DE FERRO E AÇO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2007,2008 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e estando a decisão motivada de forma explícita, clara e congruente, não há que se falar em nulidade dos atos em litígio. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. SIMPLES. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica optante pelo Simples fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 59 51 /2 01 0- 70 Fl. 926DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.005951/201070 Acórdão n.º 1801001.256 S1TE01 Fl. 927 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS, de IPI e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 765773, com a exigência do crédito tributário no valor de R$37.300,36, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente aos anoscalendário de 2006 e 2007, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), em conformidade do o Termo de Verificação Fiscal, fls. 733735. O lançamento fundamentase nas infrações que se seguem: Item 1 – Omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 16840 da agência nº 0386 da Caixa Econômica Federal, fls. 2429 e 92102, na contacorrente nº 118869 da agência nº 04065 do Banco do Brasil S/A, fls. 104146 e 400471, na contacorrente nº 529702 da agência nº 0179 do Banco Bradesco S/A, fls. 3033 e 147178, na contacorrente nº 563666 da agência nº 016 do HSBC S/A, fls. 34 e 472484, na contacorrente nº 490026 da agência nº 0318 do Banco Itaú S/A, fls. 3540 e 198214, na contacorrente nº 370445261 da agência nº 0589 do Banco Real S/A, fls. 4157, 6984, 219386 e 486607, e na contacorrente nº 1137832 da agência nº 0426 do Banco Unibanco S/A, fls. 5868 e 387398, em relação aos Fl. 927DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.005951/201070 Acórdão n.º 1801001.256 S1TE01 Fl. 928 3 quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nestas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários por ela fornecidos e as informações constantes nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) dos anos calendário de 2006 e 2007, fls. 736 e 874881. Item 2 – Insuficiência de recolhimento decorrente da aplicação incorreta da alíquota incidente sobre a receita bruta, conforme dados informados nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) dos anoscalendário de 2006 e 2007, fls. 736 e 874881. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186, art. 188 e art. 199 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 774785 com a exigência do crédito tributário no valor de R$27.312,75 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 786798 com a exigência do crédito tributário no valor de R$41.206,86 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 799814 com a exigência do crédito tributário no valor de R$122.494,52 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 815827 com a exigência do crédito tributário no valor de R$33.626,66 a título de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora, multa de ofício proporcional e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º, art. 3º, art. 34, art. 35, art. 122 e art. 127 do Regulamento de Imposto sobre Produtos Industrializados constante no Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro Fl. 928DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.005951/201070 Acórdão n.º 1801001.256 S1TE01 Fl. 929 4 de 2002 (RIPI, de 2002), bem como §2º do art. 2º, alínea “e” do § 1º do art. 3º, § 2º do art. 5º e § 1º do art. 7º da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. V O Auto de Infração às fls. 828840 com a exigência do crédito tributário no valor de R$342.472,49 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 1998. Cientificada em 12.11.2010, fls. 769, 781, 794, 807, 823 e 835, a Recorrente apresenta a impugnação em 15.12.2010, fls. 859870, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que os Autos de Infração são nulos, haja vista que foram violados princípios constitucionais (art. 5º e art. 37 da Constituição Federal e art. 2º, art. 48 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Argui que O agente público iniciou o procedimento fiscal, segundo sua fundamentação, baseado em indícios de que, em virtude de movimentação financeira em valores diferentes dos valores declarados pelo contribuinte, havia ocorrido omissão de receitas passíveis de tributação. Requereu extratos bancários, livros contábeis, notas fiscais, livros de entrada e saída, registro de funcionários, folha de salário, enfim, toda documentação necessária a efetuar o aferimento do faturamento, lucro e operações realizadas pela Impugnante. Entretanto, não houve por parte do agente fiscal qualquer análise de tais documentos, valendose apenas dos extratos bancários, onde apurou os créditos realizados nas contas da impugnante, e, considerando toda a movimentação como base tributável, cruzou as informações com os valores efetivamente recolhidos. [...] Sendo assim, a verdade material é a viga mestra da atuação da administração de lançamento, sendo que a mesma deverá sempre ser motivada, afim de servir de alicerce para o nascimento da obrigação tributária. Os depósitos bancários única e exclusivamente, servem demonstração de indícios que permitam fiscalização, cabendo a esta, identificar por meios de provas robustas se tais indícios se confirmam ou não. [...] Percebese, portanto, que a presunção nunca poderá ser resultado de investigação minuciosa e diligente do agente público, a fim de embasar lançamento contra o sujeito passivo titular da conta bancária. No caso dos autos, essa inadequação está presente na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da .n2 9.430/96, posto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura. Vale dizer, nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato. [...] Não há que se falar que houve a individualização das referidas movimentações bancárias, o que houve foi apenas a exclusão dos débitos lançados nas contas analisadas, sendo o relatório apresentado cópia integral de todos os Fl. 929DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.005951/201070 Acórdão n.º 1801001.256 S1TE01 Fl. 930 5 créditos efetuados nas referidas contas. Ou seja, solicitação genérica de comprovação dos mesmos, fugindo totalmente à exegese da Lei 9.430/96. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Isso posto, pede se que os lançamentos efetuados a titulo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica,CS11, IPI, Pis, Cofins, e Contribuição para Seguridade Social INSS / Simples, sejam julgados improcedentes, pela razões acima expostas. Nestes termos, pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0635.255, de 19.01.2012, fls. 895906: “Impugnação Improcedente. Restou ementado ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. LANÇAMENTO COM BASE EM PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O lançamento com base em presunção legal transfere o ônus da prova ao contribuinte em relação aos argumentos que tentem descaracterizar a movimentação bancária detectada. DEPOSTOS/CRÉDITOS RECEBIDOS. ANÁLISE INDIVIDUAL. Atendeu ao determinado no art 42, § 3º da Lei nº 9.430, de 1992, a apuração de omissão de receitas por presunção legal se os créditos foram analisados de forma individualizada. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.005951/201070 Acórdão n.º 1801001.256 S1TE01 Fl. 931 6 SÚMULA Nº 182 DO TRF. O Tribunal Federal de Recursos TFR, órgão extinto pela Constituição Federal de 1988, não é parâmetro para decisões proferidas em lançamentos fundamentados em lei superveniente, Lei nº 9.430, de 1996. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, COFINS, CSLL, IPI E INSS SIMPLES. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Notificada em 10.02.2012, fl. 909, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.03.2012, fls. 910922, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Conclui requerendo a reforma da decisão de primeira instância de julgamento, o provimento do recurso voluntário e o cancelamento das exigências. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos legais de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 931DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.005951/201070 Acórdão n.º 1801001.256 S1TE01 Fl. 932 7 Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador2. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.005951/201070 Acórdão n.º 1801001.256 S1TE01 Fl. 933 8 Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. A renúncia fiscal no sentido de que devem ser excluídos os depósitos bancários de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 aplicase tãosomente a lançamentos lavrados contra pessoa física. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada3. Analisando a situação fática, verificase que foi constatada a omissão de receitas de depósitos bancários não escriturados, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na contacorrente nº 16840 da agência nº 0386 da Caixa Econômica Federal, fls. 2429 e 92102, na contacorrente nº 118869 da agência nº 04065 do Banco do Brasil S/A, fls. 104146 e 400471, na contacorrente nº 529702 da agência nº 0179 do Banco Bradesco S/A, fls. 3033 e 147178, na contacorrente nº 563666 da agência nº 016 do HSBC S/A, fls. 34 e 472484, na contacorrente nº 490026 da agência nº 0318 do Banco Itaú S/A, fls. 3540 e 198214, na contacorrente nº 370445261 da agência nº 0589 do Banco Real S/A, fls. 4157, 6984, 219386 e 486607, e na contacorrente nº 1137832 da agência nº 0426 do Banco Unibanco S/A, fls. 5868 e 387398, em relação aos quais a Recorrente titular, regularmente intimada, não comprovou a origem dos recursos utilizados nestas operações mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, de acordo com os extratos bancários por ela fornecidos e as informações constantes nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica – Simples (DSPJ – Simples) dos anoscalendário de 2006 e 2007, fls. 736 e 874881, em conformidade com a Tabela 1. 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. Fl. 933DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.005951/201070 Acórdão n.º 1801001.256 S1TE01 Fl. 934 9 Tabela 1 – Omissão de Receitas decorrentes de depósitos bancários de origens não comprovadas consolidados nos anoscalendário de 2006 e 2007 Descrições Meses (A) Depósitos Bancários R$ (B) Receitas Brutas DSPJ R$ (C) Depósitos Bancários Origens não Comprovadas Omissão de Receitas R$ D=(BC) AnoCalendário 2006 Janeiro 204.545,45 51.562,45 152.983,00 Fevereiro 181.222,50 38.799,48 142.423,02 Março 245.761,53 52.468,41 193.293,12 Abril 184.440,17 40.584,18 143.855,99 Maio 228.930,51 40.886,42 188.044,09 Junho 182.139,00 40.870,24 141.268,76 Julho 161.334,69 42.242,46 119.092,23 Agosto 188.173,42 49.478,96 138.694,46 Setembro 203.215,94 40.717,76 162.498,18 Outubro 193.712,53 29.371,74 164.340,79 Novembro 163.226,37 38.618,82 124.607,55 Dezembro 182.427,17 31.570,82 150.856,35 AnoCalendário 2007 Janeiro 226.395,53 49.823,11 176.572,42 Fevereiro 232.393,98 47.320,17 185.073,81 Março 225.017,15 52.591,90 172.425,25 Abril 206.010,11 44.617,25 161.392,86 Maio 213.577,96 58.809,20 154.768,76 Junho 284.193,91 80.055,24 204.138,67 Esta omissão foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada, fls. 24 84 e 717716 e não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso4. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo 4 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10950.005951/201070 Acórdão n.º 1801001.256 S1TE01 Fl. 935 10 administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade5. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 6.. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS, de IPI e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 5 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 6 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 935DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.002939/2003-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Exercício: 2003
Ementa: DECADÊNCIA. Em não sendo o caso de constituição de crédito
tributário ou de redução de prejuízo fiscal (IRPJ) ou bases negativas (CSLL),
para os quais há obrigatoriedade de lançamento à luz das regras do Decreto n.
70.235/1972 (sujeito às regras decadenciais, portanto), legítima a pretensão
da Fiscalização de investigar fatos ocorridos nos anos-calendário
de 1996 e seguintes quando estes repercutem diretamente no direito creditório
pretendido no ano-calendário de 2002.
MATÉRIA DE FATO. Não colacionados aos autos documentos que comprovem as alegações recursais e ilidam a legitimidade da ação fiscal, impõe-se a manutenção da negativa do direito creditório pretendido.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 1102-000.776
Decisão: Acordam os membros do colegiado: 1) Por unanimidade de votos,
REJEITAR a preliminar de nulidade; 2) Por maioria de votos, no mérito, NEGAR provimento ao recurso; vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barreto e João Carlos de Figueiredo Neto que convertiam o julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003 Ementa: DECADÊNCIA. Em não sendo o caso de constituição de crédito tributário ou de redução de prejuízo fiscal (IRPJ) ou bases negativas (CSLL), para os quais há obrigatoriedade de lançamento à luz das regras do Decreto n. 70.235/1972 (sujeito às regras decadenciais, portanto), legítima a pretensão da Fiscalização de investigar fatos ocorridos nos anos-calendário de 1996 e seguintes quando estes repercutem diretamente no direito creditório pretendido no ano-calendário de 2002. MATÉRIA DE FATO. Não colacionados aos autos documentos que comprovem as alegações recursais e ilidam a legitimidade da ação fiscal, impõe-se a manutenção da negativa do direito creditório pretendido. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 10830.002939/2003-41
conteudo_id_s : 5216878
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1102-000.776
nome_arquivo_s : Decisao_10830002939200341.pdf
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 10830002939200341_5216878.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado: 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade; 2) Por maioria de votos, no mérito, NEGAR provimento ao recurso; vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barreto e João Carlos de Figueiredo Neto que convertiam o julgamento do recurso em diligência.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
id : 4566943
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041395586957312
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2017; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T2 Fl. 1 1 S1C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.002939/200341 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 110200.776 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de agosto de 2012 Matéria Normas Gerais Decadência e Prova Recorrente EXPAMBOX INDÚSTRIA DE MOBILIÁRIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2003 Ementa: DECADÊNCIA. Em não sendo o caso de constituição de crédito tributário ou de redução de prejuízo fiscal (IRPJ) ou bases negativas (CSLL), para os quais há obrigatoriedade de lançamento à luz das regras do Decreto n. 70.235/1972 (sujeito às regras decadenciais, portanto), legítima a pretensão da Fiscalização de investigar fatos ocorridos nos anoscalendário de 1996 e seguintes quando estes repercutem diretamente no direito creditório pretendido no anocalendário de 2002. MATÉRIA DE FATO. Não colacionados aos autos documentos que comprovem as alegações recursais e ilidam a legitimidade da ação fiscal, impõese a manutenção da negativa do direito creditório pretendido. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade; 2) Por maioria de votos, no mérito, NEGAR provimento ao recurso; vencidos os Conselheiros Silvana Rescigno Guerra Barreto e João Carlos de Figueiredo Neto que convertiam o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 739DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 2 ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, José Sérgio Gomes, João Otávio Opperman Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, Silvana Rescigno Guerra Barreto e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Quarta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Campinas SP assim ementado, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL • Anocalendário: 2002 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. DECADÊNCIA. Com o transcurso do prazo decadencial apenas o dever/poder de constituir (lançar) o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que .a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário. Não se submetem aos efeitos do transcurso do prazo decadencial, os saldos negativos de IRPJ/CSLL apurados nas declarações apresentadas e que se constituem em indébitos tributários a serem regularmente verificados, quando de sua utilização. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NEGATIVA GERAL.Inadmissível a manifestação de inconformidade por negativa geral. O interessado deve identificar 'os motivos de sua discordância e as razões e provas que possuir. Não há como apreciar objeções genéricas e documentação acostada aos autos sem que sejam identificadas quais as conclusões do Despacho Decisório que se pretende reverter e qual a correlação dos documentos apresentados com tais conclusões. Rest/Ress. Indeferido Comp. não homologada”. O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Fl. 740DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 10830.002939/200341 Acórdão n.º 110200.776 S1C1T2 Fl. 2 3 “Trata o presente processo de Declaração de Compensação de tributos, fls. 1/4, apresentada em papel de acordo com a Instrução Normativa n° 210, de 30 de setembro de 2002, formalizada pela contribuinte em epígrafe e protocolizada na DRF/Campinas em 15/05/2003,pela qual se pretendeu a quitação dos débitos abaixo relacionados, com créditos oriundos de 'saldos negativos de IRPJ e CSLL, apurados no ano calendário de 2002. .0 primeiro no montante de R$ 160.547,71 e o outro da ordem de R$ 106.119,23. (...) 2. Às fls. 18/53, encontramse, ainda, PER/DCOMPs nos quais também foram utilizados créditos apurados no exercício 2003, ou seja, saldos negativos de IRPJ e de CSLL, do anocalendário de 2002 e, por isso, foram vinculados ao presente processo. 3. Por meio do Despacho Decisório datado de 14/03/2008 . e acostado às fls. 225/228, cujos principais excertos vão abaixo reproduzidos, a autoridade 'preparadora reconheceu parte do crédito pleiteado e homologou as compensações até o limite do direito creditório reconhecido, cientificandolhe desta decisão em 11/04/2008 — sextafeira (AR de fl. 235), por meio da intimação n° 289, de fl. 229. "Assunto: Declaração de Compensação • . Ementa: Saldo Negativo de IRPJ e CSLL — reconhecese parcialmente o direito creditório e homologa(m)se (a)s declaração(ões) de compensação até o limite do direito creditório reconhecido. Relatório (...) Fundamentação (...) 1) Do Saldo Negativo de IRPJ ano 2002 . • Do exame da ficha 12 A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real) da DIPJ/2003, verificouse que a empresa informou ter obtido saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 160.537,72, oriundo das deduções de R$ 376.176,72 referente ao Imposto de Renda pago por estimativa, e R$ 30.570,06 de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF (FL. 185). Em relação ao IRRF, foi confirmado, através de consulta a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — DJRF, todo o montante informado de R$ 30.570,06 (fls. 203204). Fl. 741DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 4 Quanto à dedução de IR pago por estimativa, a empresa informou, na ficha 11, as seguintes estimativas devidas (fls. 181184): Estimativas IRPJ 2002 JANEIRO R$39.885,92 FEVEREIRO R$ 45.745,90 MARÇO R$ 43.082,68 ABRIL R$ 38.957,35 MAIO R$ 42.027,03 JUNHO R$41.562,42 JULHO R$ 11.550,51 AGOSTO R$51.672,79 SETEMBRO R$ • OUTUBRO R$ 6.823,28 NOVEMBRO R$ 54.868,84 DEZEMBRO R$ TOTAL R$ 376.176,72 Em consulta ao Sistema Integrado de Informações EconômicoFiscais — SIEF, foi constatado, que, de acordo com a DCTF, parte destas estimativas foram compensadas com saldo negativo de IRPJ do ano de 2001 (fls. 192200) Com isso, seria necessário analisar o saldo negativo de 2001, porém, em exame a DCTF deste período, verificou se que as estimativas de IRPJ de 2001 foram em parte compensadas com saldo negativo de IRPJ do ano anterior e este procedimento de compensação, na contabilidade, foi utilizado pela empresa desde o ano de 1996, pois no ano de 1995 houve saldo de IRPJ a pagar mesmo depois de feitas compensações, conforme a Declaração IRPJ/96 (fls. 170174, 5759). Assim sendo, foi necessário analisar os safldos negativos de IRPJ da empresa desde o ano de 1996, a fim de verificar o montante efetivo de crédito que poderia ser utilizado nas/compensações ano após ano até se chegar ao ano de 2002, o qual é de interesse deste processo. Em relação ao ano de 1996, foram confirmados os pagamentos das estimativas no total de R$ 221.015,13 e o IRe no montante de R$ 12.155,38, gerando assim um saldo negativo de R$ 79.841,16 (fls. 6071, 7374). No ano de 1997, foi confirmado o valor de R$ 8.955,16 referente ao IRRF; quanto às estimativas/ foram Fl. 742DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 10830.002939/200341 Acórdão n.º 110200.776 S1C1T2 Fl. 3 5 constatados pagamentos no total de R$ 266.778,17, sendo R$ 180.987,62 através de DARFs, e R$ 85.790,55 das compensações/dos meses de março, abril e parte de maio, suficientes para exaurir o saldo negativo de 1996 supracitado, conforme cálculo realizado no Sistema de Apoio SAPO, gerando um saldo negativo em 1997 de R$ 64.570,58 (fis. 7686, 8891, 95, 170174). Importante mencionar que a não confirmação das compensações de certas estimativas, declaradas como compensadas na DCTF, não só para este período como para os seguintes, ocorre pela falta de crédito de saldo negativo suficiente de acordo com os cálculos dos Demonstrativos Analíticos de Compensação. Quanto ao ano de 1998, os valores confirmados foram de R$ 52.426,36 de IRRF, e R$ 194.049,06 das estimativas, sendo R$ 72.087,98 de compensações dos meses de abril, maio e parte de junho, e o restante por DARFs, resultando em R$ 97.357,81 de saldo negativo (fls. 97102, 107110, 114, 170174). No que diz respeito ao ano de 1999, aferiuse os montantes de R$ 67.564,22 de IRRF, e R$ 275.783,75 de estimativas, sendo R$ 25.600,55 por compensação do mês de abril e o remanescente por DARFs. Neste período não houve saldo negativo (fls. 116121, 126132, 170174). Em 2000, foram verificadas compensações das estimativas de janeiro, fevereiro e parte de março no total de R$ 93.992,81 e R$ 214.877,79 de pagamentos de estimativas com DARFs, somando o valor de R$ 308.870,60; assim como R$ 19.947,93 de IRRF. Com isso, chegase ao saldo negativo de R$ 14.750,65 para o período (Fls. 134 138, 142146, 151, 170174). Em relação ao ano de 2001, o saldo negativo de 2000 de R$ 14.750,65 somente foi capaz de compensar R$ 15.085,49 referente à estimativa de janeiro. No entanto, a empresa recolheu R$ 340.143,27 de estimativas através de DARFs, e ainda foram confirmados R$ 40.447,56 de IRRF, formando assim, um saldo negativo de R$ 143.434,26 (153157, 161164, 168, 170174). Tendo, finalmente, encontrado o valor de saldo negativo do ano de 2001, pôdese então, checar as compensações das estimativas de 2002. Realizando os cálculos no Sistema de Apoio Operacional — SAPO, procedimento este, também adotado nas verificações das compensações dos anos anteriores, obtevese o seguinte resultado: R$ 149.487,14 de valor compensado, referente às estimativas de janeiro, fevereiro, março e parte de abril. Não obstante, a empresa também efetuou recolhimentos no montante de R$ 131.761,25. Estes valores somados ao IRRF de R$ 30.570,06 geraram um saldo negativo de IRPJ Fl. 743DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 6 para o ano de 2002 no total de R$ 65.609,39 (fls. 179185, 192200, 203204, 216218, 223). Assim sendo, concluise pelo reconhecimento parcial do direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano de 2002. 2) Do Saldo Negativo de CSLL ano 2002: Do mesmo modo que foi preciso um exame dos anos de 1996 até 2001, para que pudesse ser verificado o efetivo saldo negativo de IRPJ de 2002, assim também será feito nesta análise do saldo negativo de CSLL de 2002. O ano de 1995 não precisa ser analisado, tendo em vista que, para este período, a empresa apresentou saldo de CSLL a pagar mesmo após compensações. (fls. 57, 59). No ano de 1996 a empresa recolheu através de DARFs o total • de R$ 158.823,43 de estimativas acarretando m saldo negativo de R$ 41 695 84 (fls. 60, 6469, 72, 75). Em relação a 1997, houve pagamentos de R$ 92.733,85 com DARFs, e foram confirmados R$ 44.924,40 oriundos de compensações • das estimativas de março, abril, maio e parte de junho, conforme cálculo realizado no SAPO. Isto ensejou em um saldo negativo de R$ 59.421,62 (fls. 76, 78 87, 9294, 96, 175178). Em 1998 houve recolhimentos de estimativas no montante de R$ 53.129,81, e verificadas compensações dos meses de abril a julho e parte de agosto, no valor de R$ 67.237,26, somando um total de R$ 120.367,07, ocasionando um saldo negativo de R$ 63.607,20 (fls. 97, 103106, 111113, 115, 175178). Quanto ao ano de 1999, a empresa efetuou recolhimentos de estimativas de R$ 102.464,69, acarretando em um saldo negativo para o período de R$ 83.394,45 (116, 122 125, 134 175178). No que diz respeito ao ano de 2000, foram verificadas • compensações das estimativas de janeiro a julho e parte de agosto, somando um total de R$ 171.966,07, as quais foram compensadas com saldo negativo de 1999 e 1998; a empresa ainda recolheu R$ 40.095,43 através de DARFs. Todas estas deduções proporcionaram um saldo negativo de R$ 83.748,11 (fls. 1341 139141, 147150, 152, 175,178). Em 2001, somente foram constatadas a efetiva compensação das estimativas de janeiro a março e parte de abril, no valor de R$ 86.774,26, além disso a empresa pagou R$ 147.650,57 através de DARFs, gerando uma soma de estimativas bagas de R$ 234.424,83, resultando em um saldo negativo de R$ 132.532,26 (fls. 153, 158160, 165167, 169, 175178). Fl. 744DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 10830.002939/200341 Acórdão n.º 110200.776 S1C1T2 Fl. 4 7 Enfim, chegase ao exame do ano de 2002, que tem disponível para compensação de suas estimativas o saldo negativo de 2001 no total de R$ 132.532,26 como verificado acima. Efetuando no sistema SAPO estas compensações, foram aferidas as compensações das estimativas de janeiro a maio e parte de junho, no total de R$ 139.980,61, que somadas aos recolhimento de R$ 28.582,91, chegase ao montante de estimativas pagas de R$ 168.563,52, o que gerou em saldo negativo de CSLL de 2002 no valor de R$ 68.896,24 (fls. 186190, 205215, 219222, 224). Logo, concluise pelo reconhecimento parcial do saldo negativo de CSLL do ano de 2002. Vale dizer que todos os cálculos realizados no SAPO, assim como as tabelas demonstrativas da apuração dos saldos negativos de IRPJ e CSLL dos anos examinados, de fls. 7475, 8996, 108 115, 129,133, 144152, 162169, 216224, são parte integrante deste despacho. Decisão: Diante do exposto, considerando tudo o mais que do processo consta, PROPONHO: 1. O reconhecimento parcial do direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, no valor de R$ 65 609 39. 2. O reconhecimento parcial do direito creditório referente ao saldo negativo de CSLL do ano de 2002, no valor de R$ 68.896,24; 3. A homologação da(s) declaração(ões) de compensação até o limite do direito creditório reconhecido. 3. Inconformada, a defendente apresenta "Impugnação" (Manifestação de Inconformidade), protocolizada em 13/05/2008 e juntada às fls. 236/237, acompanhada dos documentos de fls. 238/597, alegando, em suas palavras: I — PRELIMINARMENTE, tratandose de fatos ocorridos em 2002, operouse a decadência em relação a qualquer exigência relativa ao período, consolidando o direito creditório da impugnante, como oportunamente requerido e demonstrado, ao mesmo tempo em que ocorreu, também, a prescrição intercorrente, ensejadoras da nulidade de qualquer exigência e consolidação definitiva da . liberação do legítimo crédito da impugnante, na forma da legislação de regência; II — ainda PRELIMINARMENTE, ilegítima e ineficaz a pesquisa atingindo período superior a cinco anos, que a impugnante não tem a documentação, nem o dever de exibila, restando apenas, em muitos casos, apenas a sua Fl. 745DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 8 escrituração regular e legal, com presunção legal a seu favor; III — quanto ao MÉRITO (independentemente das preliminares argüidas e dos seus efeitos jurídicos), a vasta comprovação anexa, que a impugnante heroicamente, no curto prazo da impugnação conseguiu encontrar, a investigação e a pesquisa da fiscalização duraram 5 anos , (sic!), demonstra, além de diferenças várias e visíveis dos dados fiscais, a total legitimidade do direito creditório da impugnante, alicerçado em documentos e escrituração legítimos, que nenhuma síndrome fiscalista pode sobrepujar, especialmente a destempo e com "demonstrações" e planilhas" incompreensíveis, inexplicadas e inexplicáveis, não fundamentadas, comprometendo o exercício do direito constitucional à plena defesa e sua nulidade plena (docs. ns. 5 a 73). IV— apenas adcautelam, o julgamento da presente exigência fiscal está a exigir, no mínimo, o confronto, detalhado, claro e objetivo da vasta documentação ora juntada, um a um, e sua conseqüente demonstração analítica e fundamentada, sob pena de nulidade absoluta, naquilo ainda eventualmente eficaz em face do tempo decorrido. Em vista do exposto e protestando pela juntada de complementação, se necessária, e por eventuais esclarecimentos a respeito da matéria, a impgnante espera que, ao final, a sua IMPUGNAÇÃO total quanto ao principal, multa e juros, seja RECEBIDA e PROVIDA, quer em PRELIMINAR, quer quanto ao MÉRITO, para o fim de anular e cancelar a exigência ora impugnada, mantido o direito creditório da impugnante, como legalmente requerido, e seus sectários." Em apertada síntese, o acórdão acima ementado rejeitou as preliminares de nulidade, de prescrição intercorrente e de decadência suscitadas pela Contribuinte e, no mérito, indeferiu os pedidos de restituição/compensação formulados por alegada ausência de comprovação pelo Interessado do direito creditório respectivo. No ponto, afirmou o acórdão que “não surte efeitos a objeção genérica apresentada pela defesa em oposição à análise efetuada pela autoridade da DRF e, tampouco se sustenta o argumento de que caberia à autoridade julgadora, à vista dos documentos trazidos na manifestação de inconformidade, contraporse àquelas conclusões, na medida que o interessado não se predispôs, de próprio punho, a identificar a correlação destes documentos com as conclusões do Despacho Decisório que pretenderia reverter”. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte suscita preliminares de nulidade do acórdão recorrido por (i) “não ter procedido à valoração dos créditos aceitos da Recorrente, na forma disciplinada nos artigos 72/3 da Inst. Normat. RFB n. 900, de 30.12.2008)”; (ii) defeito de fundamentação de sua parte dispositiva, já que o acórdão teria deixado de analisar todas as provas trazidas em impugnação (as quais foram arroladas em sede recursal); suas razões de impugnação, notadamente no tocante à inocorrência do decurso do prazo prescricional no caso em exame; e, por fim, (iii) revistar dados da Contribuinte desde 1996, com o objetivo de decidir crédito utilizado em 2002/2003. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 10830.002939/200341 Acórdão n.º 110200.776 S1C1T2 Fl. 5 9 É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Merece ser rejeitada a preliminar de nulidade do acórdão recorrido por “não ter procedido à valoração dos créditos aceitos da Contribuinte, na forma disciplinada nos artigos 72/3 da Inst. Normat. RFB n. 900, de 30.12.2008)”. A par de a Contribuinte não ter apontado quais seriam as razões pelas quais entende que seus créditos “aceitos” não foram devidamente valorados à luz dos citados dispositivos, verificase que o acórdão recorrido é bastante claro e conclusivo neste particular, não havendo quaisquer dúvidas sobre a forma de apuração do montante de crédito efetivamente “aceito” para fins de compensação. Notese, no particular, que o acórdão recorrido rejeita integralmente a impugnação da Contribuinte, mantendo, também na íntegra, os critérios de valoração previstos no despacho decisório. As demais preliminares de nulidade suscitadas pela Contribuinte confundem se com o mérito da lide e serão nele analisadas. Não merece reparo a conclusão do acórdão recorrido no sentido de que – no caso a Contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar a existência do direito creditório alegado no pedido de restituição/compensação. Conforme comezinhas lições de direito processual, “provar” não significa trazer aos autos tãosomente “elementos ou meios de prova”, mas sim compreende a atividade da parte de demonstrar a plena conexão entre o meio de prova (um documento, por exemplo) e o fato que se pretende ver provado. Trazer o documento aos autos é necessário para a atividade de provar, contudo não é suficiente. É indispensável, como se disse, indicar a relação plena entre este meio e o fato a ser provado. No caso, não basta ao Contribuinte juntar aos autos centenas de folhas de documentos sem neles indicar minimamente onde residem suas razões de defesa e/ou as incorreções das conclusões da Fiscalização sobre o direito creditório alegado. Esse é exatamente o caso dos autos. Em sede de impugnação, a Contribuinte tão somente fez referência a “vasta documentação” para “demonstrar a total legitimidade do direito creditório”, sem qualquer preocupação em relacionálos com os fatos objeto do processo. Em sede de recurso voluntário, a despeito de relacionar um a um os documentos juntados, também não houve nenhuma manifestação sobre o conteúdo dos meios de prova acostados e sua pertinência com os fatos a serem provados na lide. O “confronto detalhado” a que se refere a Contribuinte deveria ter sido feita por ela própria, em sede de impugnação e em recurso, em virtude do ônus da prova a ela imposto face ao motivado despacho decisório impugnado nos autos. Também não procede, por fim, a terceira preliminar de nulidade relacionada à impossibilidade de a Fiscalização examinar dados e fatos ocorridos no anocalendário de 1996 para fins de justificar o indeferimento do pedido de restituição/compensação em referência. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 10 A par de a Fiscalização ter demonstrado o inequívoco vínculo entre citados fatos e o direito creditório pretendido nesse processo, digase que à Fiscalização é permitido exigir da Contribuinte comprovação acerca de quaisquer elementos que influenciem a apuração do direito creditório alegado, ainda que tais elementos sejam vinculados a exercícios anteriores atingidos pela decadência. O direito de fiscalização nesses casos limitarseia à verificação das circunstâncias que influenciavam na apuração do direito creditório, sendo vedado à Fiscalização lançar tributos relativos a fatos geradores ocorridos em períodos já decaídos, ainda que identifique eventual falha na apuração do lucro respectivo. Daí porque entendo que não merece qualquer censura o entendimento do acórdão recorrido de que se a Fazenda somente pode constituir o crédito tributário quando ocorrer o fato gerador, e se o mesmo só ocorreu quando, diante da inexistência de saldos de bases de cálculo negativa, verificouse a compensação indevida, então o direito da Fazenda de exigir tal crédito tributário somente ocorreu quando desta. Assim, em não sendo o caso de constituição de crédito tributário ou de redução de prejuízo fiscal (IRPJ) ou bases negativas (CSLL), para os quais entendo haver obrigatoriedade de lançamento tributário à luz das regras do Decreto n. 70.235/1972 (sujeito às regras decadenciais, portanto), pareceme legítima no caso a pretensão da Fiscalização de investigar fatos ocorridos nos anoscalendário de 1996 e seguintes, já que repercutem diretamente no direito creditório pretendido no anocalendário de 2002. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Fl. 748DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO
score : 1.0
