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Numero do processo: 19563.000037/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. O valor correspondente aos fatos geradores declarados em GFIP constitui-se confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. RFFP. CABIMENTO. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária, definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. NEGATIVA DE RETIRADA DOS AUTOS DA REPARTIÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O art. 38 da Lei nº 9.250/95 veda expressamente a retirada dos autos referentes a processos fiscais relativos a tributos e contribuições federais dos órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo facultado ao sujeito passivo o fornecimento de cópia, a qual será fornecida mediante requisição do contribuinte ou de seu mandatário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRETENSÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de
supressão de instância e violação ao devido processo legal.
CARF. COMPETÊNCIA.
À 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF foi deferida, tão somente,
a competência para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de
decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação
aplicável a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de
substituição e as devidas a terceiros, e a penalidades pelo descumprimento de
obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente a tal
tributo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.877
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. O valor correspondente aos fatos geradores declarados em GFIP constituise confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. RFFP. CABIMENTO. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária, definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. NEGATIVA DE RETIRADA DOS AUTOS DA REPARTIÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O art. 38 da Lei nº 9.250/95 veda expressamente a retirada dos autos referentes a processos fiscais relativos a tributos e contribuições federais dos órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo facultado ao sujeito passivo o fornecimento de cópia, a qual será fornecida mediante requisição do contribuinte ou de seu mandatário. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRETENSÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. CARF. COMPETÊNCIA. À 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF foi deferida, tão somente, a competência para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação aplicável a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, e a penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente a tal tributo. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Jhonatas Ribeiro da Silva e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/12/2001 a 31/01/2006 Data da lavratura da NFLD: 26/05/2006. Data da Ciência da NFLD: 26/05/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da seguridade social, a cargo dos segurados empregados, incidentes sobre o seus respectivos Salários de Contribuição, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 45/49. Informa a Autoridade Lançadora que o montante devido neste levantamento foi apurado pelo exame das GFIP apresentadas pela empresa durante a ação fiscal. As remunerações informadas nas GFIP estão de acordo com as remunerações observadas nos sistemas informatizados de arrecadação do INSS (PLENUS — AGUIA/CNISA) processadas pela DATAPREV. A partir das informações constantes da GFIP, contudo, em algumas competências, a empresa informou e recolheu no código errado. Desta forma, para o cálculo dos valores foram utilizados as bases informadas pelo contribuinte em GFIP e, onde as Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19563.000037/200775 Acórdão n.º 230201.877 S2C3T2 Fl. 107 3 informações foram feitas de maneira incorreta, foram utilizadas as informações constantes na RAIS e nas folhas de pagamento. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 58/65. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 73/81, julgando procedente em parte o lançamento e retificando o crédito tributário na forma consignada no Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR a fls. 82/84. Foram excluídos do lançamento os fatos geradores que, embora aferidos diretamente pelo exame das GFIP e das folhas de pagamento, continham informação no DAD e no RL de terem sido efetuados com base na RAIS documento utilizado no caso de aferição indireta , pois comprometiam a garantia de liquidez e certeza do crédito previdenciário, e poderiam caracterizar cerceamento do direito de defesa do contribuinte. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 17 de outubro de 2008, conforme Edital a fl. 88. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 91/102, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que a defesa restou comprometida, em razão de não ter sido permitido ao Recorrente a extração de cópia dos autos, sendo permitida, somente, vista no ambiente interno da RFB; • Que antes mesmo de ver confirmada a regularidade de suas autuações pelas instâncias superiores, a auditora fiscal encarregada da fiscalização já formalizou ao Ministério Público Federal Representação Fiscal para Fins Penais; • Que o DADR foi emitido com erro, caracterizando distância da realidade. Assim, protesta pela revisão da decisão recorrida a partir do demonstrativo apresentado no Quadro Resumo a fls. 98/99, elaborado para demonstrar a realidade de fato, em relação aos números da fiscalização; • Que o Acórdão recorrido, no momento de proceder com a exclusão do lançamento, computou, apenas, a diferença entre o lançamento e o valor já recolhido. Aduz que se o lançamento é nulo, o valor que foi recolhido não pode ser excluído junto. Tem de permanecer. Ao fim, requer a anulação do lançamento. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 17/10/2008. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 17 de novembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Que a defesa restou comprometida, em razão de não ter sido permitido ao Recorrente a extração de cópia dos autos, sendo permitida, somente, vista no ambiente interno da RFB. Insta consignar que o art. 38 da Lei nº 9.250/95 veda expressamente a retirada dos autos referentes a processos fiscais relativos a tributos e contribuições federais dos órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sendo facultado ao sujeito passivo o fornecimento de cópia, a qual será fornecida mediante requisição do contribuinte ou de seu mandatário. Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Art. 38. Os processos fiscais relativos a tributos e contribuições federais e a penalidades isoladas e as declarações não poderão sair dos órgãos da Secretaria da Receita Federal, salvo quando se tratar de: I encaminhamento de recursos à instância superior; II restituições de autos aos órgãos de origem; III encaminhamento de documentos para fins de processamento de dados. §1º Nos casos a que se referem os incisos I e II deverá ficar cópia autenticada dos documentos essenciais na repartição. §2º É facultado o fornecimento de cópia do processo ao sujeito passivo ou a seu mandatário. Compulsando os autos, todavia, não logramos encontrar qualquer evidência de que haja sido requerida cópia dos autos. Ao revés, as provas nos autos demonstram que ao sujeito passivo foram fornecidos todos os relatórios e demais documentos que integram Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e cópias de todas as decisões administrativas Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19563.000037/200775 Acórdão n.º 230201.877 S2C3T2 Fl. 108 5 proferidas no curso do Processo Administrativo Fiscal em foco, conforme expressamente consignado a fls. 01 e 89, favorecendo dessarte o contraditório e ampla defesa. Malgrado as alegações apostas nesta preliminar de mérito, a empresa demonstrou, tanto em sua impugnação ao lançamento como no recurso em face da decisão de primeira instância, ter compreendido com perfeição os motivos ensejadores da vertente autuação. Com efeito, os Diplomas Jurídicos e os preceitos normativos sobre os quais se alicerça o lançamento ora atacado foram enfrentados pelo Recorrente com precisão cirúrgica, da mesma forma que o fora a descrição das condutas apuradas pelo fisco, não se notabilizando nos instrumentos de bloqueio acima delineados qualquer argumentação desvinculada ou alheia ao lançamento que tornasse verossímil a alegação de que, concretamente, houvese por negado o acesso às informações contidas nos autos ou mesmo cerceado o direito de defesa do sujeito passivo recorrente, fato que revela terem os relatórios fiscais integrantes deste Processo Administrativo Fiscal cumprido fielmente o papel que lhe fora atribuído pela lei. Vencidas as preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as questões decididas pelo órgão de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais serão tidas como anuídas pela parte. 3.1. DA DECISÃO RECORRIDA Alega o Recorrente ter sido o Discriminativo Analítico do Débito Retificado DADR emitido com erro, caracterizando distância da realidade. Protesta, por tal razão, pela revisão da decisão recorrida a partir do demonstrativo apresentado no Quadro Resumo a fls. 98/99, elaborado para demonstrar a realidade de fato, em relação aos números da fiscalização. Pondera, de outro eito, que o Acórdão recorrido, no momento de proceder com a exclusão do lançamento, computou, apenas, a diferença entre o lançamento e o valor já recolhido. Aduz que se o lançamento é nulo, o valor que foi recolhido não pode ser excluído junto. Tem de permanecer. Razão não lhe assiste. Trata o presente Processo Administrativo Fiscal de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados incidentes sobre o seus respectivos Salários de Contribuição, destinadas ao custeio da seguridade social, cujas bases de Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 cálculo foram apuradas diretamente a partir dos fatos geradores consignados nas folhas de pagamento e GFIP elaboradas sob a responsabilidade, comando e domínio do sujeito passivo. O levantamento FA – FOLHA ANÁLISE ARQ DIGITAL referese a valores declarados pelo sujeito passivo em GFIP, mas não contemplados em suas GPS. Tratase de um levantamento decorrente do mero batimento GFIP vs GPS. O levantamento FP – FOLHA DE PAGAMENTO, por seu turno, é constituído por fatos geradores apurados diretamente através do exame das folhas de pagamento apresentadas pela empresa, mas não por esta declarados nas GFIP correspondentes. Consta expressamente registrado nos itens 13 e 15 do Relatório Fiscal que todos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, relacionados às contribuições devidas sobre a remuneração de Empregados, assim como os créditos referentes às retenções, foram todos devidamente considerados e deduzidos do total do crédito previdenciário apurado na NFLD em foco, conforme consignado no Relatório de Documentos Apresentados e no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. Avulta, portanto, que compõem a vertente notificação tão somente diferenças de contribuição previdenciária as quais não foram recolhidas pelo sujeito passivo notificado. Nessa perspectiva, havendo sido considerados no lançamento todos os créditos em favor do Recorrente, a exclusão objetiva do lançamento de diferença de contribuição lançada não importa em qualquer adição de crédito ao Recorrente. Tomandose como exemplo a competência 12/2003 eleita pelo próprio Recorrente, consoante registro no Relatório de Lançamentos, a fiscalização apurou um montante de contribuições previdenciárias de R$ 1.434,39 no levantamento FA. Colhemos do Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados que na mesma competência foram computadas 03 GPS de códigos de recolhimento 2100 e 2631 somando R$ 960,02, resultando em um crédito em favor do fisco de R$ 474,37. Ocorre que o Órgão Julgador de 1ª Instância julgou por bem não referendar os lançamentos cuja descrição assentada no campo “observação” do Relatório de Lançamentos fizesse referência à RAIS, referência essa, repisese, indevida, eis que os fatos geradores foram apurados diretamente nas GFIP. Tal exclusão se deu não em virtude de tais diferenças não serem devidas (de fato o eram), mas, sim, em razão de o julgado a quo ter vislumbrado que os relatórios fiscais integrantes do lançamento em foco não continham todas as informações necessárias para que o sujeito passivo pudesse, de forma eficiente, exercer o seu direito ao contraditório. Não se revela despiciendo enaltecer que os fatos geradores ora lançados foram, efetivamente, apurados pelo exame das GFIP, documento este que representa, por força das disposições inscritas no art. 32, §2º da Lei nº 8.212/91, confissão de dívida tributária. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19563.000037/200775 Acórdão n.º 230201.877 S2C3T2 Fl. 109 7 informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (...) §2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008) Cabe destacar, igualmente, que qualquer retificação da declaração em tela, por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento, a teor do §1º do art. 147 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Nesse contexto, ao ser desconsiderado o lançamento, pelos motivos mencionados no parágrafo precedente, a diferença de R$ 474,37 deixou de ser cobrada do sujeito passivo, apesar de as provas dos autos indicarem que ela era devida, eis que foi confessada pelo próprio sujeito passivo em GFIP. Quanto a revisão pretendida pela empresa, com base no Quadro Resumo a fls. 98/99, tal não poderá ser contemplada. A uma, porque foge à competência deste Colegiado a revisão do lançamento pautada nos termos pretendidos pelo Recorrente. A esta 2ª Seção foi deferida, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. A duas, porque não vislumbramos qualquer irregularidade, tampouco impropriedade, no procedimento levado a efeito pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 A três, porque o Recorrente apresenta simplesmente números, sem qualquer esteio em indício de prova material, o que importa na impossibilidade de se sindicar a verossimilhança dos valores por ele fornecidos. Ademais, mesmo que as razões acima expendidas não se configurassem como impeditivas, ainda assim estaria este Colegiado impossibilitado de apreciar tal questão eis que o pleito pretendido pelo Recorrente não foi oferecido à apreciação do julgador de 1ª instância. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal encontramse fincados no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, cujo art. 16, III estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o art. 17 dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19563.000037/200775 Acórdão n.º 230201.877 S2C3T2 Fl. 110 9 Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos comandos insculpidos no Decreto nº 70.235/72 e no Código de Processo Civil, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Não se mostra pleonástico frisar, eis que pertinente, que o efeito devolutivo do recurso não implica a revisão integral do lançamento à instância revisora, mas, tão somente, a devolução da decisão proferida pelo órgão a quo, a qual será reapreciada pelo Colegiado ad quem. Assim, não havendo a decisão vergastada se manifestado sob determinada questão do lançamento, eis que não expressamente impugnada pelo sujeito passivo, não há que se falar em reforma do julgado em relação a tal questão, eis que a respeito dela nada consta no acórdão hostilizado. É gravitar em torno do nada. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Além disso, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, as matérias não expressamente contestadas pelo impugnante em sede de defesa ao lançamento tributário são juridicamente consideradas como não impugnadas, não se instaurando qualquer litígio em relação a elas, sendo processualmente inaceitável que o Recorrente as resgate das cinzas para Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 inaugurar, em segunda instância, um novo front de inconformismo em face do lançamento que se opera. O conhecimento de questões inovadoras, não levadas antes ao conhecimento do Órgão Julgador Primário, representaria, por parte desta Corte, negativa de vigência ao preceito insculpido no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, provimento este que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.2. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS Alega o Recorrente que, antes mesmo de ver confirmada a regularidade de suas autuações pelas instâncias superiores, a auditora fiscal encarregada da fiscalização já formalizou ao Ministério Público Federal Representação Fiscal para Fins Penais. O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 lei das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendo lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19563.000037/200775 Acórdão n.º 230201.877 S2C3T2 Fl. 111 11 Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no § 2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando pedido de concessão de liminar postulado na ADIn nº 1.571, proclamou que o art. 83 da Lei 9.430/96 não estipulou uma condição de procedibilidade da ação penal por delito tributário. Consignou o STF que tal dispositivo dirigiuse apenas a atos da administração fazendária, prevendo o momento em que a notitia criminis acerca de delitos contra a ordem tributária, descritos nos arts. 1º e 2º da Lei 8.137/90 deveriam ser encaminhada ao Ministério Público. (Informativo STF n. 64, 1728 mar. 97, p. 1 e 4). Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19563.000037/200775 Acórdão n.º 230201.877 S2C3T2 Fl. 112 13 Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (grifos nossos) Parágrafo único. As disposições contidas no caput do art. 34 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicamse aos processos administrativos e aos inquéritos e processos em curso, desde que não recebida a denúncia pelo juiz. Ao contrário do tipo penal previsto no art. 2º, I, da Lei 8.137/90, consoante clássica diferenciação, pertence à categoria denominada delito formal, isto é, descreve o resultado naturalístico (supressão de pagamento de tributo) mas não o exige para a consumação formal do delito, os delitos previstos no art. 1º da Lei 8.137/90 são qualificados como crimes materiais, havendo a necessidade de se aguardar a decisão administrativa, para somente então poder ser intentada a ação penal. Dessarte, não havendo Notificação Fiscal ou Auto de Infração válido e/ou definitivo, não se pode dar, em tese, por caracterizado o crime, nem sequer excogitar sua materialidade, pois o artigo 142 do CTN estatui ser competência privativa da autoridade administrativa a constituição do crédito tributário pelo lançamento; Por outro lado, o artigo 5º, inciso LV, da CF, garante, ademais, a todo e qualquer contribuinte o direito de impugnar o lançamento tributário; Ademais, o art. 34 da Lei 9.249/95 concede ao sujeito passivo a alternativa de pagar o tributo devido e seus acessórios antes da denuncia, para ver extinta a punibilidade dos crimes descritos nos artigos 1º e 2º da Lei n. 8.137/90; Nesse contexto, o Pretório Excelso, por maioria, acolheu e aprovou proposta de edição da Súmula Vinculante nº 24, com o seguinte teor: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação acima referida, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Cumpre ressaltar, por relevante, que a prestação da RFFP ao Ministério Público não consubstanciase em hipótese de quebra de sigilo fiscal, conforme se depreende dos termos insculpidos no art. 198, §3º, I do CTN: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Código Tributário Nacional CTN Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 3o Não é vedada a divulgação de informações relativas a: (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo da NFLD em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 27/06/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11686.000372/2008-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2005 a 31/03/2005
RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA.
Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes.
INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da COFINS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03.
COFINS. NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE.
A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não-cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.007
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não-sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. O Conselheiro Robson José Bayerl, em relação ao ICMS, acompanhou o voto do relator apenas na parte relativa à teoria dos motivos determinantes.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da COFINS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. COFINS. NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração não-cumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de produção e, pois, funcionará como insumo da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Recurso voluntário provido em parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO DEFERIDO SOMENTE EM PARTE. ACRÉSCIMO À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO DE VALORES NÃO ESPONTANEAMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO PELO SUJEITO PASSIVO. CONTEÚDO MATERIAL DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVOS DETERMINANTES E ÔNUS DA PROVA. Situação em que, ao ensejo do pedido de ressarcimento, a auditoria tributária defere somente em parte o pleito por considerar que o sujeito passivo não expusera à tributação a totalidade dos valores integrantes da base de cálculo tributo. Caso em que, a glosa do crédito se origina de ato que reveste materialmente a função de lançamento ex officio, razão pela qual cabe à administração o ônus probatório acerca da afirmação. Pelo mesmo motivo, não pode a auditoria, constatando que o fundamento original da glosa não procede, pretender recusar o direito ao ressarcimento com fundamento diverso. Aplicação da teoria dos motivos determinantes. INCENTIVO FISCAL. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O ICMS restituído ao contribuinte pela Unidade Federativa a título de incentivo fiscal não configura receita, razão pela qual não integra a base de cálculo da COFINS, mesmo sob a disciplina das Leis nºs 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03. COFINS. NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. A contratação de serviço de transporte entre estabelecimentos do próprio contribuinte somente enseja a apropriação de crédito, na sistemática de apuração nãocumulativa do PIS e da COFINS, em se tratando do frete de produtos inacabados, caso em que o dispêndio consistirá de custo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 72 /2 00 8- 56 Fl. 154DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 produção e, pois, funcionará como “insumo” da atividade produtiva, nos termos do inciso II, do art. 3o das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. O Conselheiro Robson José Bayerl, em relação ao ICMS, acompanhou o voto do relator apenas na parte relativa à teoria dos motivos determinantes. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Os autos abrigam pedido de ressarcimento, cumulado com declarações de compensação, por meio das quais o recorrente intenta empregar, na quitação de obrigações tributárias, o saldo credor acumulado da COFINS calculada pelo regime da não cumulatividade, relativamente ao primeiro trimestre de 2005, em virtude da atividade exportadora. Ao término do procedimento fiscal instaurado para a confirmação da existência e das dimensões do direito vindicado, a autoridade encarregada preparou relatório no qual conclui pela procedência apenas parcial da pretensão, em razão das seguintes irregularidades: (a) no trimestre considerado, o recorrente teria transferido onerosamente a terceiros créditos de ICMS acumulados em sua escrita fiscal sem, em contrapartida, expor à tributação os ingressos recebidos sob os respectivos negócios; (b) o recorrente apropriara créditos sobre os dispêndios incorridos com a contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, em desacordo com o artigo 3º, Fl. 155DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000372/200856 Acórdão n.º 3403002.007 S3C4T3 Fl. 11 3 inciso IX, da Lei nº 10.833/03, segundo o qual apenas o frete pago na operação de venda proporciona semelhante direito ao contribuinte. Do despacho decisório, a interessada opôs tempestiva manifestação de inconformidade, negando, em primeiro lugar, ter praticado as transferências de direitos creditórios do ICMS de que lhe acusa a auditoria fiscal. Colacionando aos autos cópia de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, afirmou, sim, ser beneficiária de incentivo fiscal estadual consistente em crédito presumido equivalente a 75% do montante do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação própria. Sustentou, também, que o subsídio em questão não tem natureza de receita e, por conseguinte, que sobre ele inexiste obrigação de calcular e de recolher a contribuição em causa. Alegou ainda a recorrente – trazendo aos autos planilha demonstrativa – que as remessas que realiza entre seus diversos estabelecimentos País afora, envolvem uma pequena monta de produtos acabados (cerca de 5%) e uma grande parcela de itens semielaborados, cujo processo industrial é concluído na unidade de destino. Daí que, prossegue, o frete contratado no primeiro caso seria equiparável ao frete na operação de venda, enquanto que, na segunda hipótese, o preço do frete integraria o próprio custo de produção do bem em fabricação, a ponto de qualificálo como insumo da atividade. No aresto recorrido, a DRJ/Porto Alegre desproveu por inteiro a manifestação de inconformidade, o que impeliu a contribuinte a interpor recurso voluntário, no qual reitera a fundamentação de sua manifestação de inconformidade. O julgamento do recurso voluntário foi convertido por este Colegiado em diligência, a fim de que o órgão de origem efetivasse duas providências, quais sejam: (a) trouxesse aos autos elementos documentais capazes de comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de crédito de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pelo recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifestase para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele conheço. O resultado da diligência é esclarecedor e, portanto, bastante relevante para as conclusões ora obtidas. Inferese, em primeiro lugar, que já não existe controvérsia quanto à natureza do ingresso percebido pela recorrente: tratase de crédito presumido de ICMS, concedido a título de incentivo fiscal pelo Estado do Rio Grande do Sul, e não de cessão de saldo credor do imposto, como propugnava a fiscalização. A DRJ de origem ratifica esta conclusão, embora insista que, mesmo em se tratando de subvenção governamental, o ingresso tem natureza de receita e, como tal, deveria ter sido exposto à tributação. A pretensão fazendária, com relação a este tópico, esbarra em dois impedimentos: de um lado, os motivos determinantes da acusação fiscal e, de outro, a insujeição ao PIS e à COFINS da subvenção governamental de cuja natureza se reveste o aludido crédito presumido. Explico. Com efeito, infiro do relatório elaborado ao cabo do procedimento instaurado pela fiscalização que o ressarcimento pretendido resultou deferido somente em parte como decorrência não apenas da glosa de direitos creditórios, mas também da alegada sujeição à exação de determinados ingressos não espontaneamente expostos à incidência pela pessoa jurídica. Apesar de não observar qualquer nulidade neste procedimento – que, em suma, consiste em negar total ou parcialmente o ressarcimento requerido como resultado da apuração de insuficiência no cálculo do débito tributário por parte do particular obrigado – ressalto que o despacho decisório, neste particular, obedece a pressupostos formais equivalentes ao do lançamento de ofício e reveste o conteúdo material próprio deste ato, eis que consistirá da verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido e, enfim, identificação do sujeito passivo. Isso quer dizer que, se ao ensejo da análise de pedido de ressarcimento, a fiscalização desacolhe parte da pretensão por impor ao contribuinte incidências que este voluntariamente não reconhecera devidas, é seu o ônus quanto à fundamentação da exigência e, sobretudo, quanto à prova do fato, tanto quanto o seria acaso se tratasse do próprio lançamento de ofício. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000372/200856 Acórdão n.º 3403002.007 S3C4T3 Fl. 12 5 Na hipótese dos autos, portanto, a recorrente teve sua pretensão desacolhida por, supostamente, não expor à tributação valores que teria auferido como decorrência da cessão de saldo credor de ICMS a terceiros. Esta a acusação fiscal, cuja consistência probatória competia à administração produzir. O órgão preparador, no entanto, não se desincumbiu do encargo e, pior, manifestandose ao ensejo da diligência, emendouse para reconhecer que, em realidade, não se tratava da alienação do aludido saldo credor do imposto e, sim, da obtenção de subvenção outorgada pela Unidade Federativa onde estabelecida a recorrente. Isso é o quanto basta para a reforma do despacho decisório nesta parte, a meu ver. Não se pode admitir, com efeito, que a pretexto de preserválo, possa a autoridade substituirlhe a fundamentação originária, como agora pretende fazer ao argumentar que a fruição do crédito presumido do ICMS estaria igualmente sujeita à incidência da obrigação. São os motivos determinantes do ato administrativo que o impedem. Fato é que, não fosse isso suficiente, o recurso comportaria provimento nesta parte também porque o incentivo fiscal em questão não constitui receita da pessoa jurídica e, desta forma, não chega a integrar a base imponível das exações. Penso estarmos diante de típica espécie de “subvenção governamental”. Subvenção, com efeito, é conceito jurídicopositivo encontrável na Lei nº 4.320/64, instituída para disciplinar “normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal”. De acordo com o §3º, do artigo 12 do diploma: “Art. 12. (...) §3º. Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I – subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II – subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril.” Debruçandose sobre o texto, a doutrina enaltece os elementos caracterizadores da figura, de modo a definir subvenções como transferências pecuniárias pela via da despesa pública, em favor de entidades públicas ou privadas, destinadas à cobertura total ou parcial de despesas associadas à promoção de interesses de caráter coletivo. Leiase em Souto Maior Borges: “O conceito de subvenção está sempre associado à idéia de auxílio, ajuda – como indica a sua origem etimológica (subventio) – expressa normalmente em termos pecuniários. Entretanto, se bem que a subvenção, em Direito Civil, constitua uma forma de doação, caracterizandose, portanto, pelo seu caráter não compensatório, no Direito Público, particularmente no Direito Financeiro, embora também se revista de caráter não Fl. 158DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 remuneratório e não compensatório, deve submeterse ao regime jurídico público, que impõe alteração nesse caráter não contraprestacional. A sua gratuidade não exclui, então, como requisito de legitimidade, a ocorrência do interesse público relevante”. (Subvenção financeira, isenção e deduções tributárias. Revista de direito público, no. 4142, p. 43 e ss). A restituição do ICMS concedida pelo Estado do Rio Grande do Sul constitui justamente uma transferência pecuniária à pessoa jurídica beneficiária, cujo propósito, no seu particular, está em incentivar a fabricação de fertilizantes e a destinação da produção a outras unidades federativas. E a condição de subvenção governamental não depende do instrumento por meio do qual a lei viabiliza a transferência. Explica Mariz de Oliveira que “o fato de eles [créditos fiscais] serem realizados (isto é, pagos, liquidados, cumpridos) por qualquer das múltiplas formas que as respectivas leis prevêem, isto é, por crédito na escrita fiscal para compensação com débitos tributários, ou por recebimento ou ressarcimento em dinheiro, feito pelo Poder Público” não lhes modifica a natureza jurídica, assim como também em nada interfere no conceito que seja legalmente autorizada “a sua transferência a outros estabelecimentos da mesma pessoa jurídica ou a sua cessão a outras pessoas jurídicas que os utilizarão por uma das formas permitidas”. Tais alternativas legais, conclui, “não passam de meios para o pagamento dessas subvenções, isto é, modos de extinção das obrigações criadas pela lei em favor dos beneficiários dos subsídios governamentais.” (PIS/COFINS: incidência ou não sobre créditos fiscais (créditosprêmio e outros) e respectivas cessões. 10º Simpósio nacional IOB de direito tributário: grandes temas tributários da atualidade. São Paulo: IOB, 2001, p. 39.) Sucede que as subvenções governamentais, sejam as concedidas para investimentos, sejam as destinadas ao custeio de despesas determinadas, caso do ICMS em questão, não constituem receita da pessoa jurídica. E não constituem receita porque não satisfazem uma das notas fundamentais do conceito. Receitas, diz a doutrina, são por definição novos direitos que acrescem ao patrimônio de um sujeito por via – eis o relevante – da aplicação de recursos já integrantes desse patrimônio ou da atividade de quem o possua. É este o conceito talhado por José Antonio Minatel: “[receita é] ingresso de recursos financeiros no patrimônio da pessoa jurídica, em caráter definitivo, proveniente dos negócios jurídicos que envolvam o exercício da atividade empresarial, que corresponda à contraprestação pela venda de mercadorias, pela prestação de serviços, assim como pela remuneração de investimentos ou pela cessão onerosa e temporária de bens e direitos a terceiros, aferido instantaneamente pela contrapartida que remunera cada um desses eventos” (Conteúdo do Conceito de Receita. São Paulo: MP, 2005. p. 124) Receita, portanto, é grandeza menos abrangente que “ingressos”, pois estes consubstanciam quaisquer valores que transitam pelo patrimônio da empresa, independentemente de sua origem e de sua definitividade (razão pela qual toda receita é ingresso, mas nem todo ingresso é receita). Por outro lado, o conceito de receita varre um espaço amostral maior que o de faturamento, uma vez que este se restringe aos valores decorrentes da venda de mercadorias ou prestação de serviços (razão pela qual todo faturamento é receita, mas nem toda receita é faturamento). Inegável, portanto, que o conceito de faturamento é mais causalista que o de Fl. 159DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000372/200856 Acórdão n.º 3403002.007 S3C4T3 Fl. 13 7 receita, pois vinculado a uma gama mais específica de fontes geradoras, causadoras do acréscimo patrimonial da empresa. Entretanto, também o conceito de receita mantémse impregnado – com menor intensidade que o de faturamento, é verdade – de causalidade. Afinal, como visto acima, para que se catalogue como receita, o acréscimo patrimonial definitivo há de ser um produto da atividade empreendedora. Receitas estão comprometidas com esta origem, necessariamente. Aí a chave para o desate dogmático reclamado nos autos. É que, a meu ver, a restituição de impostos, como decorrência de incentivo fiscal legalmente concedido, provém de um benefício governamental e não – ao menos não diretamente – do exercício da atividade empresarial. Mariz de Oliveira, sempre ele, dirá: “(...) há alguns ingressos ou entradas que representam novos direitos no patrimônio em que entram e que, inclusive, (sempre) acarretam aumento neste, mas que não se confundem com receita exatamente porque lhes faltam as características que compõem os elementos afirmativos desta, ou porque adentram em um dos seus elementos negativos, e principalmente por não terem o caráter remuneratório ou contraprestacional do emprego de recursos já componentes desse patrimônio ou da atividade do seu titular. Isso ocorre com os ingressos de capital social, ou com outros ingressos que vêm de fora da pessoa jurídica e que não derivam de dentro, por não derivarem de atos, operações ou atividades do patrimônio (da empresa no qual o patrimônio da pessoa jurídica está aplicado), ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, como é o caso de doações, subvenções, ágios de subscrição de capital e outras entradas que mais apropriadamente se chamam ‘transferências patrimoniais’.” (Fundamentos do imposto de renda. São Paulo: Quartier Latin, p. 144.) Neste particular, as subvenções governamentais se equiparam às doações, ao capital social e ao ágio na subscrição de valores mobiliários, visto que todas as figuras têm em comum o fato de redundarem em aporte de recursos não contraprestacionais à aplicação do patrimônio ou das atividades sociais. É o que justifica e impede, portanto, que por meio da contribuição ao PIS ou da COFINS, pretenda o Fisco onerar o próprio capital social. Digase de passagem que a própria Lei nº 6.404/76, na redação vigente à época dos fatos aqui considerados, continha no seu artigo 182 disposição segundo a qual as subvenções governamentais para investimentos teriam contrapartida direta no patrimônio líquido, em conta de reserva de capital, e, portanto, sem trânsito pelo resultado. Entre as subvenções para investimento e as subvenções para custeio a diferença fundamental reside no destino possível dos recursos transferidos, no primeiro caso para o implemento do ativo permanente da pessoa jurídica e, no segundo, para a cobertura de despesas determinadas. Todavia, tanto uma como a outra representam recebimentos gratuitos, não contraprestacionais, embora, é claro, pressuponham o cumprimento de prérequisitos associados à promoção do interesse público. O fundamento por trás da qualificação das Fl. 160DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 subvenções para investimento como meras transferências patrimoniais deve, pois, presidir a catalogação das subvenções para custeio sob idêntico gênero de ingressos. De mais a mais, não seria lógico que o Estado, depois de reconhecer o interesse público na transferência de recursos para o custeio da atividade empresarial, ato contínuo viesse a tomar de volta parcela expressiva do montante por meio da imposição tributária. “O que se dá com uma mão não é plausível que seja retirado com a outra” (Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, p. 240.) Ademais, a restituição do ICMS não se pode qualificar como riqueza nova – atributo necessário à receita –, pois que configura apenas recuperação econômica de dispêndio anteriormente suportado. Nesse sentido, novamente José Antonio Minatel: “Dessa forma, tem nítida natureza de recuperação de custos com os efeitos já explicitados, pelo que o valor do ressarcimento do tributo embutido no preço, ou do correspondente direito escriturado como crédito, melhor evidencia sua índole se contabilizado em conta redutora dos próprios custos, jamais em conta de receita, por faltarlhe os predicados para tal configuração” (op. cit. p. 224) Não era outra a tese prevalecente no antigo Segundo Conselho de Contribuintes: “A parcela agregada pela fiscalização à base de cálculo da COFINS – correspondente à parcela do ICMS isentado pelo Estado do Amazonas – indubitavelmente não tem natureza jurídica de receita bruta, faturamento ou resultado, constituindo se em mera redução de custo ou despesa” (2º CC. 2ª Câmara. Proc. Adm. 10283.001595/200668. Rel. Cons. Maria Cristina Roza da Costa. J. 19.9.2007) A grandeza sobre a qual se realizou o lançamento in casu situase, portanto, além dos limites gizados pelas próprias Leis nº 9.718/98, 10.637/02 e 10.833/03, o que torna despicienda a análise de sua constitucionalidade: seja sob a disciplina de tais Leis (caso constitucionais), seja sob a disciplina das Leis Complementares nºs 7/70 e 70/91 (caso inconstitucionais), o ICMS restituído não integrará a base de cálculo do PIS e da COFINS. Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da COFINS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis no. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Fl. 161DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 11686.000372/200856 Acórdão n.º 3403002.007 S3C4T3 Fl. 14 9 Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos da COFINS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na nãosujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido, homologando também parcialmente as DComps. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 27/04/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10830.007893/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. Uma vez observadas as formalidades legais de forma a lhe ser assegurado o direito de questionar as exigências, não há cerceamento de defesa.
DECADÊNCIA. Na modalidade de lançamento por homologação, aplica-se o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, tendo como início do lapso temporal a data da ocorrência do fato gerador.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Consoante a Súmula nº 2
do CARF, não é de competência desse Conselhos de Contribuintes se
pronunciar sobre a constitucionalidade.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu artigo 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária que não tiveram sua origem comprovada, mediante documentação hábil e idônea.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA. Identificada a omissão de receitas em montantes superiores aos limites estabelecidos pela legislação do Simples, deve ser feita a exclusão da opção para a sistemática SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS. O relatório de que trata o Decreto n° 3.724, de 2001, destina-se a convencer a autoridade administrativa competente da necessidade de emissão
da RMF Requisição de Movimentação Financeira e não é a sua ausência que determina a ilegalidade da prova. As informações requeridas nas RMF devem integrar o processo administrativo fiscal instaurado, se for útil à prova do lançamento de ofício.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de
exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão do decorrente.
Numero da decisão: 1202-000.434
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência das exigências do PIS e da COFINS referentes ao fato gerador acontecido no mês de julho de 2003, vencidos os conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza e Flávio Vilela Campos que a rejeitavam e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004, 2005 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. Uma vez observadas as formalidades legais de forma a lhe ser assegurado o direito de questionar as exigências, não há cerceamento de defesa. DECADÊNCIA. Na modalidade de lançamento por homologação, aplicase o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, tendo como início do lapso temporal a data da ocorrência do fato gerador. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Consoante a Súmula nº 2 do CARF, não é de competência desse Conselhos de Contribuintes se pronunciar sobre a constitucionalidade. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu artigo 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária que não tiveram sua origem comprovada, mediante documentação hábil e idônea. EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXCESSO DE RECEITA. Identificada a omissão de receitas em montantes superiores aos limites estabelecidos pela legislação do Simples, deve ser feita a exclusão da opção para a sistemática SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações de movimentação financeira obtidas regularmente não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. AUSÊNCIA DE RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS. O relatório de que trata o Decreto n° 3.724, de 2001, destinase a Fl. 341DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10830.007893/200861 Acórdão n.º 120200.434 S1C2T2 Fl. 342 2 convencer a autoridade administrativa competente da necessidade de emissão da RMF Requisição de Movimentação Financeira e não é a sua ausência que determina a ilegalidade da prova. As informações requeridas nas RMF devem integrar o processo administrativo fiscal instaurado, se for útil à prova do lançamento de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão do decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher a preliminar de decadência das exigências do PIS e da COFINS referentes ao fato gerador acontecido no mês de julho de 2003, vencidos os conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza e Flávio Vilela Campos que a rejeitavam e, no mérito, por unanimidade de votos NEGAR provimento ao recurso.. (documento assinado digitalmente) Nelson Losso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza, Flávio Vilela Campos, Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando Jose Gonçalves Bueno Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins, lavrado em 4 de agosto de 2008, por omissão de receitas baseados em depósitos/créditos bancários. A verificação de omissão de receitas também resultou na exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), formalizada pelo Ato Declaratório Executivo n° 4, de 13 de junho de 2008 (fl.191), com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2003. As exigências de IRPJ e de CSLL se referem ao período correspondente ao 3º trimestre de 2003 a 4º trimestre de 2005; e em relação à contribuição ao PIS e à Cofins, para o período de 31 de julho de 2003 a 30 de novembro de 2004. O Auto de Infração (fls 2 a 51) teve como fundamento legal: Fl. 342DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10830.007893/200861 Acórdão n.º 120200.434 S1C2T2 Fl. 343 3 para o IRPJ artigos 27, inciso I, e 42 da Lei no 9.430796 ; e artigos 532 e 537 do RIR/99. para a CSLL – artigo 2º e §§, da Lei no 7.689/88; artigo 24 da Lei nº 9.249/95; artigo 29 da Lei nº 9.430/96; artigo 37 da Lei nº 10.637/02. para a contribuição ao PIS – artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/70; artigo 24, § 2º, da Lei no 9.249/95; artigo 2º, inciso I, alínea"a" e parágrafo único, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/02. para a COFINS – artigos 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto no 4 .524/02. acréscimos legais de multa e juros artigos 44, inciso I, e 61, §3º da Lei no 9.430/96. As informações constantes do Termo de Verificação Fiscal que abaixo reproduzimos também foram inseridas na Representação fiscal Para Fins de Desenquadramento do Simples (fls. 192/198). No Termo de Verificação Fiscal (fls. 52/58), foi informado que a contribuinte foi constituída em 25 de fevereiro de 2002 e está cadastrada no CNAE como comércio varejista de livros. Optou pelo recolhimento dos tributos na sistemática do SIMPLES no mesmo ano calendário de 2002. Para os anoscalendários 2003, 2004 e 2005, apresentou Declarações pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES com receitas brutas anuais declaradas de respectivamente R$0,00; R$ 990.059,35 e R$ 1.094.736,89. Continuando, informa também que o procedimento de fiscalização teve início em 13 de dezembro de 2007, quando foram solicitados os livros fiscais e contábeis, extratos bancários e contrato social e alterações, para os anoscalendários de 2003 a 2005. Em 4 de janeiro de 2008, foi novamente intimada a apresentar a mesma documentação. Em 11 de janeiro, respondeu alegando dificuldades em localizar os referidos extratos bancários e que a emissão de segunda via pelos bancos era excessivamente onerosa. A fiscalização, então, solicitou o fornecimento de tais extratos, diretamente aos Bancos, mediante emissão de RMF, amparada na Lei Complementar nº105/2001, Lei nº10.174/2001 e Decreto nº 3.724/2001. Em 20 de fevereiro de 2008, a fiscalização compareceu à sede da fiscalizada, onde examinou e reteve para exame os "LivrosCaixa", cientificando a contribuinte que a ação fiscal continuava em andamento. Com os extratos bancários encaminhados pelos Bancos BRADESCO S/A; ITAÚ S/A e UNIBANCO, a autoridade fiscalizadora preparou planilhas com os “Créditos a Comprovar”, que foram encaminhados à interessada,em 13 de março de 2008, juntamente com uma cópia dos extratos fornecidos pelos Bancos, a fim de que fossem comprovados, por meio de documentação hábil e idônea, coincidentes em datas e valores, a origem dos recursos que propiciaram os créditos e/ou depósitos nas referidas contas bancárias. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10830.007893/200861 Acórdão n.º 120200.434 S1C2T2 Fl. 344 4 Na preparação das planilhas, foram excluídos os valores creditados que puderam ser identificados como não sendo representativos de novos ingressos, tais como, resgates de aplicações financeiras, cheques depositados e devolvidos, transferências de mesma titularidade, etc. Com essa exclusão, os montantes totais para o período sob fiscalização foram o seguinte: Anocalendário de 2003 R$ 16.313.901,55; Anocalendário de 2004 R$ 31.889.185,74; e, Anocalendário de 2005 R$ 36.665.689,52. Em 5 de maio de 2008, a interessada foi reintimada a comprovar a origem dos Recursos e também sua escrituração contábil completa. Caso não tivesse a escrituração, foi perguntado se conseguiria procedêla. Em resposta a essa intimação,a interessada informa que escritura o Livro Caixa, por ter optado pela sistemática do "SIMPLES", não se manifestando sobre a possibilidade de proceder à escrituração completa, e também não apresentando a documentação que comprovasse a origem dos recursos. Limitouse a dizer que os depósitos e outros créditos tem origem na movimentação da empresa e que serão comprovados a posteriori. Continuando, disse que os depósitos e outros créditos bancários não caracterizam somente receitas, podendo ser transferências, contratos de mútuo e outras transações que não caracterizam receitas. Em 15 de maio de 2008, foi reintimada novamente a apresentar a escrituração completa, sob pena de arbitramento do lucro, tendo em vista que havia depósitos bancários com origem não comprovada e os quais seriam considerados como receita omitida, na forma do artigo 42 e parágrafos da Lei nº 9.430/96. Além disso, foi informada também que os valores eram muito superiores aos limites estabelecidos pela legislação do SIMPLES. Ao final, a autoridade fiscalizadora concluiu que a interessada, ao invés de apresentar os documentos que comprovassem a origem e correta escrituração dos valores depositados em suas contas bancárias, em sua resposta à intimação, apenas tergiversou alegando que tais depósitos não podem ser considerados como receitas e que a sua origem seria comprovada no seu devido tempo, sendo que o tempo para a sua comprovação é no decorrer da fiscalização e a interessada, apesar de intimada e reintimada não o fez. Quanto à sistemática do Simples, esclarece que, tendo em vista o excesso de receita bruta no primeiro ano de atividade da fiscalizada, consoante o disposto no artigo 2°, inciso II e “f” 1º da Lei nº 9.317/1996, foi excluída com base nos artigos 14, I e 15, III e 30 da mesma Lei nº 9.317/96 e inciso II do art. 23 da IN SRF nº 608/2006, cuja formalização foi feita mediante a expedição de ADE n° 4/2008, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2003. Esclarece também que "a pessoa jurídica, excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que ocorrerem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas" (artigo 197 do RIR/99, artigo 16 da Lei n° 9.317/96 e artigo. 25 da IN da SRF nº608/2006). O ADE passa a fazer parte do mesmo processo de exigência do crédito tributário, nos termos do artigo 1°, inciso III da Portaria RFB n° 666/2008, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10830.007893/200861 Acórdão n.º 120200.434 S1C2T2 Fl. 345 5 Para o arbitramento dos lucros, nos termos do artigo 530, III, do RIR/99, o auditor fiscal se fundamenta no fato da interessada intimada e reintimada a apresentar sua escrituração, continuou se suportando na escrituração do Livro Caixa, tendo em vista sua opção pela sistemática do "SIMPLES". Portanto, não atendeu aos requisitos mínimos para a apuração pelo Lucro Real porque não possui escrituração completa e nem os livros obrigatórios, como Livro Razão, Diário e Lalur, mesmo após ser dada oportunidade para que esta procedesse à sua escrituração. Como a atividade da interessada é de comercialização de livros no mercado doméstico, nos termos da Lei nº11033/2004, artigo 6º, c/c Lei nº 10.865/2004, artigo 28, VI, a partir de novembro de 2004, as alíquotas da contribuição ao PIS e da COFINS passaram a ser iguais a zero, portanto, o lançamento para esses tributos foram feitos até o período de novembro/2004, e reduzido à zero nos meses subsequentes. Em sua impugnação, a interessada, em relação à exclusão da sistemática do SIMPLES, alega que: em relação ao ADE nº 4, de 2008, argumentou: (i) a impossibilidade de caracterização de depósitos bancários como fato gerador do IRPJ e reflexos, motivo pelo qual não há o que se falar em presunção como fundamento do lançamento de ofício ou para a conclusão de extrapolação da receita bruta para fins de exclusão do Simples; (ii) que a violação aos termos da Lei Complementar n° 105, de 2001, e do Decreto n° 3.174, de 2001, haja vista a ausência de relatório circunstanciado para expedição das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira — RMF, demonstrando que documentos configuramse provas ilícitas; (iii) afronta à Lei n° 9.430, de 1996, em razão da ausência de individualização dos créditos, o que configura cerceamento ao direito de defesa; (iv) a vedação à Receita Federal de utilizarse dos dados da CPMF para constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, nos termos do artigo 11, §§2° e 3° da Lei nº 9311/96, que permaneceu em pleno vigor e sem alterações até dezembro de 2007; e, (v) a inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário pelo Fisco. Também em sua impugnação, em relação ao Auto de Infração: alega que, apesar de 9 meses de fiscalização, em momento algum foram apresentados individualizadamente os depósitos bancários que pretendia ver justificados pela contribuinte, bem como aqueles créditos que o mesmo havia dito terem sido excluídos. Portanto, não foi capaz de esclarecer a origem dos depósitos e créditos indicados em tais quadros sintéticos e que foi surpreendido com a lavratura de auto de infração. alega que, no curso da fiscalização, a autoridade fazendária não observou os ditames da Lei Complementar n° 105/2001, regulada pelo Decreto n° 3174/2001. Menciona que o artigo 3°, §§ 5º e 6°, do Decreto n° 3.174, de 2001, exige que seja lavrado relatório circunstanciado no qual deve constar a motivação da proposta de expedição da RMF que Fl. 345DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10830.007893/200861 Acórdão n.º 120200.434 S1C2T2 Fl. 346 6 demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o Princípio da Razoabilidade, apontando que as RMF foram expedidas em 17 de janeiro de 2008 e, antes disso, somente foram lavrados o Termo de Início de 13 de dezembro de 2007, que solicitou documentos à contribuinte, e o termo de intimação de 4 de janeiro de 2008, onde solicitava apresentação dos extratos bancários de todas as contas correntes do contribuinte. Aponta, assim, que não foi elaborado nenhum relatório circunstanciado e que não houve, por parte do Auditor Fiscal ou da própria Delegada da Receita Federal do Brasil em Campinas, qualquer justificativa para a expedição das RMFs, as quais somente poderiam ter sido expedidas a partir da comprovação através de relatório circunstanciado e, ainda, deveriam integrar os autos do processo administrativo a teor do disposto no artigo 5, inciso II, alínea "c", concluindo que em face da violação dos referidos dispositivos legais resta evidente que os documentos em que se fundamentou o lançamento configuramse provas ilícitas. alega que houve afronta ao art. 42 da Lei n° 9.430/1996, que dispõe que para efeito de determinação da receita omitida os créditos serão analisados individualizadamente, o que não ocorreu no caso em tela, já que todas as planilhas elaboradas totalizaram os créditos mensalmente, o que configurou cerceamento de defesa. afirma que a fiscalização limitouse a indicar resumo dos depósitos com os montantes mensalmente apurados para, ao final, requerer que seja declarado nulo o auto de infração, com base nos seguintes argumentos; a) a individualização dos créditos e depósitos bancários é requisito essencial que deve permear o procedimento fiscal desde a intimação, conforme previsto no caput do referido dispositivo; b) que não se pode exigir da contribuinte, diante da demanda fiscal, a obrigação em desvendar o que a Autoridade deseja saber; c) que, ausente tal condição, fica impossibilitada de fazer o cotejo dos créditos e depósitos bancários com os valores constantes de sua escrituração e que somente o crédito não comprovado poderia ser o fato gerador do que se configuraria como omissão de receita. argumenta que a individualização consiste na descrição exata e perfeita dos dados nos quais o auditor fiscal irá, posteriormente, lavrar o Auto de Infração e que nesta descrição é pertinente que estejam indicadas as datas dos créditos, a denominação referente a operação bancária, como também os valores das operações concluindo que, desprovido das informações, tornase impossível esclarecer ao agente público tanto durante a fiscalização como na impugnação/recurso. entende que o erro na forma atinge o direito substancial de defesa e esse fato caracteriza cerceamento de defesa. salienta que a lei faz referência aos valores creditados na conta corrente do titular e nunca aos montantes debitados na conta, entendendo que, assim, não basta a intimação para comprovar a origem dos créditos, restando necessária a individualização dos depósitos bancários para que seja possível verificar se foram efetivamente considerados tão somente os créditos previstos em lei. em observância aos princípios do contraditório e ampla defesa, merece ser declarado nulo o auto de infração e, em conseqüência, cancelados os respectivos créditos. aponta que a exclusão de ofício da sistemática do Simples foi fundada na identificação de omissão de receitas em montantes superiores aos limites estabelecidos pela Fl. 346DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10830.007893/200861 Acórdão n.º 120200.434 S1C2T2 Fl. 347 7 legislação e argumenta que a presunção de omissão de rendimento trazida pelo artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é contrária aos princípios formadores das presunções legais, já que os depósitos/créditos bancários não representam o fato gerador do imposto de renda, tampouco da CSLL, contribuição ao PIS e Cofins, assim, tal presunção, além de não constituir fundamento suficiente ao lançamento de oficio realizado, também não pode se prestar à fundamentação da exclusão da Impugnante da sistemática do SIMPLES. afirma que a ciência do ADE de exclusão se deu no mesmo momento da ciência do auto de infração e assevera que, somente após decisão de última instância administrativa, que eventualmente confirme a omissão de receitas,este poderia ser efetivamente considerado como excluída da sistemática do SIMPLES e sofrer as conseqüências da exclusão. informa que não foi notificado a se manifestar acerca do ADE antes da lavratura dos autos e que é incabível o lançamento pela via do arbitramento antes da tramitação e julgamento final do procedimento de exclusão de ofício da sistemática do Simples. entende que o Auditor apurou a “‘pseudo’omissão” de receita e ele mesmo a considerou líquida e certa, sem ter havido o contraditório e a ampla defesa no processo de exclusão, o que deflagra a fragilidade e ilegalidade de todo o procedimento precedente ao lançamento, que deverá ser declarado nulo. entende que, nos termos do art. 150, §4°, do CTN, decaiu o direito da Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao período de apuração de julho de 2003, uma vez que o Auto de Infração foi lavrado somente em agosto de 2008. Reportase à Súmula Vinculante n°8 do Supremo Tribunal Federal. aponta que a Lei n° 9.311, de 1996, instituiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira — CPMF e argumenta que seu artigo 11, §§ 2° e 3°, que vedava expressamente a utilização dos dados colhidos da CPMF para constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos, permaneceu em vigor e sem alterações até dezembro de 2007. alega que a quebra de sigilo bancário pelo Fisco afronta o artigo 5°, X, XII, XXXVI e LVI, da Constituição Federal, razão pela qual são inconstitucionais as alterações do §3° do artigo 11 da Lei n° 9.311, de 1996, introduzidas pela Lei n° 10.174, de 2001, juntamente com a Lei Complementar n° 105/2001. Discorre exaustivamente acerca da matéria, cita doutrina e jurisprudência, afirma que apenas o Poder Judiciário pode eximir as instituições financeiras do dever de segredo em relação às matérias arroladas em lei e conclui que o lançamento deve ser cancelado, uma vez que, o líquido e irretorquível direito da interessada de não ter os extratos de sua movimentação bancária/financeira expostos com base em indícios, fora violentamente ferido ante a aplicação ilegal da norma. sustenta a impossibilidade de caracterização do depósito bancário como fato gerador do imposto de renda. Entende que, não obstante os termos do artigo 42 da lei 9.430/96, os depósitos bancários representam apenas marco inicial da investigação e não podem ser erigidos a fato indiciário na construção da presunção legal de omissão de receitas por ausência de implicação entre o fato indiciário (depósito) e o fato a ser provado (omissão de receita), ou seja, os depósitos/créditos bancários não representam necessariamente o fato gerador do imposto de renda, tampouco dos demais tributos lançados de forma reflexiva. Tal presunção legal implicaria a transferência integral do ônus da prova para a contribuinte, o que, quase sempre, no rigor exigido pela Receita Federal, torna impossível a sua produção. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10830.007893/200861 Acórdão n.º 120200.434 S1C2T2 Fl. 348 8 No Acórdão nº 524.342, a 5ª Turma da DRJ/CPS, em 4 de dezembro de 2008, indeferiu a Manifestação de Inconformidade relativa à exclusão da sistemática do SIMPLES e julgou procedente o lançamento nos seguintes termos: O processo administrativo atende ao que determina a Portaria n° 666, de 24 de abril de 2008, artigo1°, III, que prevê que serão objeto de um único processo administrativo a exclusão da sistemática do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente, e, no seu §3°, estabelece que a manifestação de inconformidade e impugnação correspondentes sejam juntadas a estes autos. os elementos constantes dos autos não permitem precisar a data em que a contribuinte foi cientificado do ADE n° 4/2008, portanto, valemos da ciência do auto de infração que se deu em 12 de agosto de 2008. Assim sendo, tomase como tempestiva a Manifestação entregue em 11 de setembro de 2008. quanto ao fato da interessada somente sofrer as conseqüências da exclusão do Simples após decisão administrativa definitiva – entendeu que a Manifestação de Inconformidade não possui efeito suspensivo; e, a inexistência de decisão administrativa definitiva acerca da exclusão da sistemática do Simples não constitui impedimento ao lançamento de ofício. A ciência simultânea do ato declaratório de exclusão e do lançamento de ofício não caracteriza afronta ao contraditório e ampla defesa, portanto, a alegação de nulidade do presente lançamento é incabível. aliás, a interessada tem pleno conhecimento da infração que lhe foi imputada e dos elementos de prova que fundamentaram sua exclusão da sistemática do SIMPLES e o lançamento de ofício. Cerceamento ao direito defesa somente ocorreria pela criação de embaraços à contribuinte que a impedissem de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo administrativo — circunstâncias que não se configuraram no presente processo. quanto à decadência, com base no artigo 150, §4º, do CTN, rejeitaas, tendo em vista que a interessada não efetuou recolhimentos, nada declarou em sua Declaração Anual Simplificada do anocalendário de 2003 e tampouco exibiu a apuração regular dos tributos mediante a apresentação da escrituração da pessoa jurídica, o que, inclusive, motivou o arbitramento dos lucros. Em tais condições, o prazo decadencial dos fatos geradores ocorridos em 2003, passa a ser regido pelas disposições do artigo 173 do CTN e tem como termo inicial o dia 1º de janeiro de 2004. quanto à constitucionalidade da quebra de sigilo bancário e a aplicação do disposto na Lei Complementar n° 105/2001 e na Lei n° 10174/2001, defendendo a vigência da redação original do §3° do artigo 11 da Lei n° 9311/1996, na qual estava vedada a utilização dos dados colhidos da CPMF para constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos consoante o disposto no artigo 6° da Lei Complementar n° 105, de 2001, não constitui violação do dever de sigilo. quanto à quebra do sigilo bancário, não depende de existência de inquérito ou processo judicial. Também não contrariam nenhum dispositivo constitucional, como menciona o Ministro Carlos Veloso, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 219.7805, em 13 de abril de 1999, “...A quebra do sigilo bancário fazse com a observância, repito, de normas infraconstitucionais, que subordinamse ao preceito constitucional. ...” e também Fl. 348DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10830.007893/200861 Acórdão n.º 120200.434 S1C2T2 Fl. 349 9 julgado do STJ Corte Especial AgReg no IP n° 187/DF Rel. Min. Sálvio de Figueiredo Teixeira — Diário da Justiça, Seção I, 16/09/96. quanto a ter relatório circunstanciado de ocorrência de quaisquer das hipóteses dos incisos do artigo 3° do Decreto nº 3.724/2001 e, ainda, que deveriam integrar os autos do processo administrativo a teor do disposto no artigo 5°, inciso II, alínea "c", da Constituição Federal, os procedimentos foram executados pela Delegada da Receita Federal de Campinas, em 17 de janeiro de 2008, nos termos do artigo 4°, c/c artigo 2° §5°, do Decreto n° 3.724, de 2001, com a redação dada pelo Decreto n° 6.104, de 30 de abril de 2007, portanto, a ausência, nos autos, do relatório circunstanciado não compromete a validade da prova obtida no procedimento. quanto à indispensabilidade das informações relativas à movimentação financeira, prevista no §5° do artigo 2°, do Decreto nº 3724/2001, a autoridade fiscal intimou a interessada em 13 de dezembro de 2007 e 4 de janeiro de 2008, a apresentar seus extratos bancários, sendo emitida a RMF devido à falta de atendimento no prazo determinado — hipótese arrolada no artigo 3º do mesmo Decreto. quanto a não ter sido informado dos depósitos individualizadamente, os elementos contidos nos extratos bancários disponibilizados pela fiscalização foram suficientes para que a interessada se manifestasse que não estava localizando tais extratos e o custo de 2ª via era muito alto e não poderia incorrer no momento. Ainda, durante a fiscalização nunca trouxe qualquer óbice à comprovação da origem dos créditos que argüiu em sua impugnação, limitandose, a fazêlo somente na impugnação. A DRJ entendeu assim que tinha subsídios para entender o que estava sendo requerido, até porque a fiscalização preparou planilhas para requerer solicitação de documentos à interessada. quanto à presunção legal de omissão de receitas com fundamento no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, por entender que implicou na transferência integral do ônus da prova para a contribuinte o que torna impossível a sua produção, e também ao arguir que os depósitos bancários não caracterizam necessariamente o fato gerador do imposto de renda ou dos demais tributos e que tampouco podem se prestar à fundamentação da exclusão da sistemática do SIMPLES por força de determinação legal, ficou caracterizada a omissão de receitas, não cabendo à autoridade administrativa questionar a constitucionalidade da lei vigente. Ainda, identificada a omissão de receitas em montantes superiores aos limites estabelecidos pela legislação que permite que seja optante da sistemática do Simples, é correta a exclusão da contribuinte. Ciente da decisão em 12 de janeiro de 2009 (fls 322), apresentou o recurso voluntário em 1º de fevereiro do mesmo ano, reiterando o que já havia sido dito na sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10830.007893/200861 Acórdão n.º 120200.434 S1C2T2 Fl. 350 10 Como pudemos verificar, o lançamento de ofício ocorreu por ter sido identificada omissão de receitas oriunda do cotejamento das informações das movimentações financeiras e dos valores registrados nas Declarações Simplificadas enviadas à Receita Federal, a saber: Anocalendário Declaração Simplificada Movimentação Financeira 2003 R$0,00 R$ 16.313.901,55 2004 R$ 990.059,35 R$ 31.889.185,74 2005 R$ 1.094.736,89 R$ 36.665.689,52 À interessada foi solicitado, por diversas vezes, que fossem comprovados os valores identificados em sua movimentação financeira; o que não foi feito durante o processo de fiscalização. Vale destacar que, quando da primeira solicitação de seus extratos bancários durante o processo de fiscalização, a interessada respondeu que não seria possível encontrálos e a requisição de 2ª via junto às instituições financeiras tinha um custo muito alto. Por esse motivo, a fiscalização, para obter tais informações, valeuse, justificadamente, da faculdade prevista no parágrafo 5º, artigo 2º, do Decreto 3724/2001, com nova redação inroduzida pelo Decreto nº 6104/2007, a saber: “§ 5o A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis” (grifamos) O referido Decreto veio regulamentar a Lei nº 9311/96 e alterações posteriores, dentre elas a prevista na Lei nº 10.174/2001, cujo fundamento legal é a Lei Complementar nº 105/2001. Portanto, concordo com o entendimento da DRJ de que não houve violação aos ditames do referido Decreto ou Lei Complementar pelos normativos citados e retrotranscritos. A interessada também alegou a inaplicabilidade do artigo 11, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9311/1996 , o que também não confere. O §3º citado pela interessada tinha redação antiga antes da alteração introduzida pela Lei nº 10.174/2001. A nova redação assim dispõe, in verbis: “Art.11........................................... § 3º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas , facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores.” (NR) Fl. 350DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10830.007893/200861 Acórdão n.º 120200.434 S1C2T2 Fl. 351 11 Como se pode verificar, não existe mais a vedação que existia, vedação essa que impedia a Secretaria da Receita Federal de utilizar os dados das Declarações de CPMF para a constituição dos créditos relativos a outras contribuições ou impostos que não a própria CPMF. Ademais, como bem salientou a DRJ, o procedimento executado pela autoridade fiscal cumpriu os quesitos determinados pelo Decreto nº 3724/2001, e alterações posteriores. Quanto à inconstitucionalidade da quebra de sigilo bancário e do disposto na Lei Complementar nº 105/2001, consoante a Súmula nº 2 do CARF, esse colegiado não é competente para se manifestar, a saber: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Desse modo, nessa esfera não se pode se pronunciar sobre a inconstitucionalidade. Quanto à violação ao disposto no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, em relação à ausência da individualização dos créditos, em 13 de março de 2008, como bem extensamente relatado, junto à intimação para solicitar a comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos extratos bancários, a autoridade fiscal encaminhou à interessada as referidas planilhas e cópia dos extratos fornecidos pelos Bancos. A interessada foi reintimada em 5 de maio de 2008 para responder. Em respostas datadas de 14 de maio e 26 de maio de 2008 (fls 114 e 115), a interessada simplesmente diz que: “Esclarecemos que os depósitos e outros créditos bancários, têm origem na movimentação da empresa e serão comprovados na forma de direito em seu devido tempo”. Ou seja, se respondeu que iria comprovar no seu devido tempo, entendeu sim o que lhe foi requerido tanto que respondeu, sem levantar qualquer dúvida sobre os valores ou mesmo sobre a falta de individualização e, também, sem entregar qualquer documentação. Portanto, essa alegação da contribuinte não se coaduna com os fatos acima narrados. Ainda, no Termo de Verificação a fiscalização explanou com detalhes como foram apurados os valores dos depósitos/créditos; e também, a procuradora da interessada teve vista dos autos em 1º de setembro de 2008, (fls. 203, 206/207). Assim sendo, também não há motivos para alegar cerceamento de defesa, uma vez que todos os procedimentos foram cumpridos pela fiscalização e também a recorrente entendeu, com precisão e clareza, os montantes considerados como omissão de receitas, tanto que a interessada, em resposta à fiscalização, preferiu responder no seu tempo, exerceu sua escolha. Também alegou a interessada, que, consoante artigo 42 da Lei nº 9430/1996, os depósitos bancários, por si só, representam um marco inicial de investigação e não podem ser erigidos a fato indiciário na construção da presunção legal de omissão de receitas porque não representam o fato gerador do imposto de renda, ou seja, a ausência de implicação entre o fato (depósito) e o fato a ser provado (omissão de receitas). Veremos. Pelo disposto no artigo 42 e §1º da Lei nº 9430/1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 351DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10830.007893/200861 Acórdão n.º 120200.434 S1C2T2 Fl. 352 12 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira” Verificada a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, a fiscalização, primeiro, deve intimar o sujeito passivo a comprovar a origem de tais recursos, mediante documentação hábil e idônea. Caso o sujeito passivo não comprove , temse caracterizada a omissão de receitas ou rendimentos por presunção legal. A presunção se dá simplesmente por existir depósitos ou valores creditados que não foram comprovados pelo sujeito passivo. É marco inicial para a intimação, mas caso não se cumpra a condição disposta na norma, ou seja, a comprovação, tornase o fundamento para a caracterização. Ficou demonstrado nos autos que a recorrente, intimada por diversas vezes, não procedeu à comprovação da origem dos recursos, resultando esse seu procedimento, assim, na causa de lançar, isto é, na ocultação de contas bancárias, relativo aos anoscalendários sob análise. Nesse período, constatouse que foram movimentadas importâncias de aproximadamente R$85 milhões, enquanto que as informações prestadas à Secretaria da Receita Federal, através das declarações enviadas, foram equivalentes à R$2 milhões, para o mesmo período. Logo, representam valores bem distintos e distantes entre si. A contribuinte não forneceu os esclarecimentos necessários para refutar os fatos detectados na ação fiscal. Dessa forma, a autoridade fiscal cumpriu com os ditames do artigo 42 da Lei nº 9430/1996, caracterizando a omissão de receitas por presunção legal. Com o cotejo dos valores declarados para o fisco federal e a movimentação financeira mantida à margem de qualquer registro contábil ou escrituração oficial, em nome da recorrente, restou demonstrada, inequivocamente, a omissão de receita. Diante desse indício, a autoridade fiscalizadora suportada no normativo retromencionado, não pode simplesmente desprezálas, aliás, deve usálas para suportar o seu lançamento. Nesse sentido, temos sim caracterizada omissão de receitas consubstanciada na não comprovação de depósitos ou créditos em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira. Uma vez caracterizada a omissão de receitas, a autoridade lançadora também procedeu à exclusão da interessada da sistemática do SIMPLES, com base no artigo 2°, inciso II e § 1° da Lei 9.317/1996, tendo em vista que sua receita bruta foi superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). A formalização dessa exclusão se deu através do Ato Declaratório n° 4, de 13 de junho de 2008, a partir de 1º de janeiro de 2003, o qual se fundamentou no artigo 2º, inciso II e §1º, artigo 14, I e 15, III e § 3° da mesma Lei nº 9317/96 e nos artigos 3º, § 2° , 23, II, e 24 da Instrução Normativa da SRF nº 608/2006. A interessada alega que, como a omissão de receitas ainda estava sob litígio, não poderia ser excluída de ofício da sistemática do SIMPLES, consoante o artigo 1º , inciso III, da Portaria do MF nº 666, de 2008, a qual dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, que transcrevo: “Art. 1º Serão objeto de um único processo administrativo: ....................... Fl. 352DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10830.007893/200861 Acórdão n.º 120200.434 S1C2T2 Fl. 353 13 III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente;” Ainda, nos termos do artigo 9º, §1º, do Decreto nº 70.235/1972, temos que: “ Quando, na apuração dos fatos, for verificada a prática de infrações a dispositivos legais relativos a um imposto, que impliquem a exigência de outros impostos da mesma natureza ou de contribuições, e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamentos e autos de infração.” Dessa forma, está correto o procedimento da autoridade fiscal em contemplar num só processo a exclusão da sistemática do SIMPLES por conta do excesso de receitas, as quais foram obtidas junto à movimentação financeira da interessada, em procedimento de fiscalização, e a exigência do IRPJ e seus reflexos por conta da omissão de receitas. Continuando, a fiscalização solicitou por duas vezes, em 5 de maio e 15 de maio de 2008, que a interessada refizesse sua escrituração, para que pudesse apurar o IRPJ com base no lucro real. Em resposta, a interessada simplesmente informou que não estava obrigada à escrituração, por ser optante da sistemática do SIMPLES. Diante desse fato, a fiscalização procedeu, corretamente, ao arbitramento do lucro com base no artigo 530, III, do RIR/99. Quanto aos lançamentos reflexos, por conta da vinculação existentes com o IRPJ, as mesmas conclusões são aplicáveis. Ou seja, dada a decisão de mérito prolatada para o IRPJ, em se tratando de tributação reflexa, mantémse a mesma para a CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS, tendo em vista que o artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a caracterização dos depósitos bancários de origem não comprovada como receitas da pessoa jurídica e a interessada, em nenhum momento, carreou aos autos qualquer elemento comprobatório da origem dos recursos depositados de forma a permitir a identificação de que tais valores não seriam receitas da recorrente ou que, em sendo receitas da atividade, foram regularmente oferecidas à tributação para elas prevista. Para a contribuição ao PIS e a COFINS, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em 4 de agosto de 2008 para o período de julho/2003 a novembro/2004, tendo em vista o disposto no artigo 6° da Lei nº 11.033/2004, c/c com artigo 28, VI, da Lei nº10.865/2.004, que reduziu a zero as alíquotas da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a comercialização de livros no mercado doméstico. Em relação ao mês de julho/2003, requer a interessada que seja reconhecida a decadência. Cita, inclusive, que a própria fiscalização procedeu ao lançamento a partir de julho/2003, porque os meses anteriores estariam prejudicados pela decadência. À luz do artigo 150, § 4º, do CTN, a autoridade administrativa, ao deflagrar o procedimento de fiscalização, efetivamente analisou o que a contribuinte fez para apurar a base de cálculo dessas contribuições, não procedendo a sua homologação plena. Ao contrário, porém, verificase que a homologou apenas parcialmente, pois retificou de ofício a apuração para adicionar a receita que entendeu faltante. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10830.007893/200861 Acórdão n.º 120200.434 S1C2T2 Fl. 354 14 Como foi a contribuinte que apurou a base de cálculo dos tributos devidos, aplicase inequivocadamente a regra prevista no artigo 150, § 4º, do CTN, segundo a qual, o prazo para homologação da atividade realizada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados do fato gerador do tributo. Ainda, o mesmo prazo se aplica às contribuições sociais nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF. Como o contribuinte somente foi intimado do lançamento em agosto de 2008, reconheço que a decadência atingiu o direito de constituir o crédito tributário relativo ao fato gerador ocorrido em julho de 2003. Com base no acima exposto, concordo com a solicitação de decadência, cancelando, portanto, a exigência das contribuições aoPIS e da COFINS relativa à julho/2003 do Auto de Infração. Diante do exposto, acolho as preliminares de decadência para reconhecer a decadência para o mês de julho/2003 em relação às contribuições ao PIS e à COFINS, rejeito as preliminares de cerceamento de defesa e nego provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 354DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 08/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT
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Numero do processo: 11060.000279/2003-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
No demonstrativo de Apuração (fls. 09) consta valor de imposto pago para o exercício de 1998, ano calendário de 1997. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1997 dá-se no dia 01/01/1998 e o termo final no dia 31/12/2002.
Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 25/02/2003, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1997.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.258
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No demonstrativo de Apuração (fls. 09) consta valor de imposto pago para o exercício de 1998, ano calendário de 1997. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1997 dáse no dia 01/01/1998 e o termo final no dia 31/12/2002. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 25/02/2003, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1997. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Pedro Anan Junior. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido nos Acórdãos nº 104 23.385 e 10423.630, proferidos pela 4ª Câmara do 1ª Conselho de Contribuintes em 07/08/2008 e 16/12/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de contrariedade à Câmara Superior de Recursos Fiscais. O acórdão 10423.385, por maioria de votos, acolheu a argüição de decadência, relativamente ao imposto do exercício de 1998 e, por unanimidade de votos, acolheu a argüição de decadência, relativamente à multa isolada do carnêleão, para os fatos geradores ocorridos até novembro de 1997. No mérito, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para reduzir a multa isolada do carnêleão ao percentual de 50%. Segue abaixo sua ementa: “DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador.' O fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato 'gerador (art. 150, §4° do CTN). PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA DESCABIMENTO Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no Fl. 975DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11060.000279/200394 Acórdão n.º 920202.258 CSRFT2 Fl. 2 3 artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. PRELIMINAR MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NORMAS DE CONTROLE INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL As normas que regulamentam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal MPF dizem respeito ao controle interno das atividades da Secretaria da Receita Federal, portanto eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. JUROS TAXA SELIC A partir de I o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula I o CC n° 4) MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO REDUÇÃO RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de penalidade cuja exigência se encontra pendente' de julgamento, aplicase a legislação superveniente que venha "a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna (Lei n° 11.488/2007, de 15/06/2007, e art. 106 do CTN). Argüição de decadência acolhida. Recurso parcialmente provido.” O acórdão 10423.630, por unanimidade de votos, acolheu os Embargos Inominados para, rerratificando o Acórdão 10423.385, consignar na súmula da decisão a rejeição das preliminares argüidas pela Recorrente. Segue abaixo sua ementa: “EMBARGOS INOMINADOS Verificada a existência de questão preliminar que não foi examinada pelo Colegiado por ocasião do julgamento, embora conste do voto condutor, é de se acolher os Embargos Inominados. Embargos acolhidos. Acórdão rerratificado. Preliminares rejeitadas.” Em seu recurso, a recorrente afirma que o aresto atacado violou o art. 173, I do CTN. Destaca que, no caso específico do contribuinte, restou comprovado que inexistiu o pagamento do imposto apurado na declaração de ajuste anual referente ao ano calendário 1997 (fls. 5255), conforme revelam os extratos de consulta aos Sistemas Sinal 10 e Sincor (fls. 739743). Observa que, não tendo ocorrido o recolhimento antecipado do tributo, não há o que homologar, passando a fluir, a partir da omissão do contribuinte, o prazo de 5 anos para a Fazenda Nacional efetuar o lançamento de ofício, no termos no art. 149, V do CTN. Fl. 976DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Cita jurisprudência do STJ para corroborar a tese que sustenta. Entende que, como o contribuinte não efetuou o pagamento antecipado do IRPF, o prazo decadencial aplicável é aquele previsto no art. 173, I do CTN, e não o previsto em seu art. 150, §4°, conforme decidiu o acórdão recorrido. Explica que o prazo decadencial de 5 anos começou a fluir no exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; in casu, o fato gerador do IRPF ocorreu em 01/01/1999 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou seja, 1998), operandose, portanto, a decadência apenas em 31/12/2003. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho s/n de 15/07/2009, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte ofereceu, tempestivamente, contrarazões. Afirma que houve pagamento do imposto que entendeu devido, ainda que parcial, de maneira que considera legítima a aplicação ao caso do art. 150, §4º do CTN. Ao final, requer o não provimento do recurso especial da PGFN. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia Fl. 977DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11060.000279/200394 Acórdão n.º 920202.258 CSRFT2 Fl. 3 5 ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 978DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). No demonstrativo de Apuração (fls. 09) consta valor de imposto pago para o exercício de 1998, ano calendário de 1997. Em havendo pagamento antecipado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 150, § 4º do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do ano calendário de 1997 dáse no dia 01/01/1998 e o termo final no dia 31/12/2002. Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 25/02/2003, portanto, após de transcorrido o prazo de cinco contados do fato, nesta data já se encontrava decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário relativo ao ano calendário de 1997. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 979DF CARF MF Impresso em 13/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10314.010260/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Regimes Aduaneiros Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: DECADÊNCIA. O primeiro dia do exercício seguinte à validade do ato concessório do drawback é o dies a quo para contagem do prazo decadencial. MÉRITO. A fiscalização apurou que parte das mercadorias importadas sob regime de drawback suspensão não foi utilizada nos produtos exportados. Foi constatado, ainda, que não houve nacionalização dos mesmos. O emprego dos insumos importados nos produtos exportados é conhecido como "principio da vinculação física" e está previsto tanto no Regulamento. DRAWBACK. INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Inaplicável por ausência de tipificação. Recurso Volunt
Numero da decisão: 3102-001.439
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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O primeiro dia do exercício seguinte à validade do ato concessório do drawback é o dies a quo para contagem do prazo decadencial. MÉRITO. A fiscalização apurou que parte das mercadorias importadas sob regime de drawback suspensão não foi utilizada nos produtos exportados. Foi constatado, ainda, que não houve nacionalização dos mesmos. O emprego dos insumos importados nos produtos exportados é conhecido como "principio da vinculação física" e está previsto tanto no Regulamento. DRAWBACK. INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. Inaplicável por ausência de tipificação. Recurso Volunt Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho – Relator Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 2 EDITADO EM: 29/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Nancy Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1742.460 da 2ª Turma da DRJ/SP2, que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário decorrente do auto de infração lavrado contra a recorrente, por essa não utilizar parte das mercadorias importadas sob o regime de drawback suspensão, não comprovando ainda as importações e exportações vinculadas ao regime. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Trata o presente processo de Autos de Infração formalizados para exigência da multa pelo descumprimento de outros requisitos ao controle de importação, prevista pelo artigo 633, III, "b", do Decreto n° 4.543/2002 e de imposto sobre a importação, imposto sobre produtos industrializados, juros e multas de oficio em razão da não utilização de insumos importados com suspensão de tributos nas mercadorias exportadas. Conforme se depreende da leitura do Relatório Fiscal, além de não utilizar parte das mercadorias importadas com suspensão de tributos naqueles a serem importados, o beneficiário do regime DrawbackSuspensão também não cumpriu a determinação de comprovação das importações e exportações, vinculadas ao regime, por intermédio do módulo especifico Drawback do Siscomex, no prazo de 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação, estabelecido pelo artigo 162, parágrafo único, da Portaria Secex no 14, de 17/11/2004, e demais normativos daquele órgão citados. 0 Ato Concessório que apresentou referida irregularidade foi o de número 20020000804, com validade até 19/01/2005. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 297 a 345), alegando em síntese que: não pode realizar a baixa no SISCOMEX em função de problemas operacionais do sistema Drawback Eletrônico; o Drawback foi efetivamente cumprido; a legislação em vigor prevê que menos de cinco por cento de resíduos devem ser desprezados; precisava da alteração do tipo de drawback para realizar a baixa no sistema e, na época do requerimento, 2002, vigia a Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.010260/200798 Acórdão n.º 3102001.439 S3C1T2 Fl. 950 3 Portaria Secex 4/97, que não dispunha sobre a realização do pedido via SISCOMEX, que somente foi feito em 10.09.2004, com a Portaria Secex 11/04; a fiscalização reconhece que embora as exportações tenham ocorrido e os RE estejam devidamente vinculados ao ato concessório, nenhuma providência foi adotada pelo beneficiário junto à SECEX; não houve inadimplência do Drawback; ocorreu a decadência com relação a todas as importações realizadas antes de 14/11/2002; não houve infração ao controle administrativo das importações; não foi descrito um ilícito ou infração que tipificasse a aplicação da infração ao controle administrativo das importações; a multa do controle administrativo das importações é desproporcional e sem razoabilidade, além de confiscatória; agiu com boafé. Após analisar a impugnação apresentada, decidiu a DRJ pela sua improcedência, consoante se depreende da ementa abaixo: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2002, 2003, 2004 DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. A contagem do prazo decadencial somente se inicia no primeiro dia do exercício seguinte ao da emissão e encaminhamento do Relatório de Comprovação pela SECEX à Receita Federal. FISCALIZAÇÃO. Á SECEX compete o controle administrativo do regime, um controle preliminar — verificação da existência de importações e exportações e respectivos valores, Receita Federal compete fiscalizar a correta aplicação dos bens importados com beneficio nas condições previstas na legislação aduaneira. MÉRITO. A fiscalização apurou que parte das mercadorias importadas sob regime de drawback suspensão não foi utilizada nos produtos exportados. Foi constatado, ainda, que não houve nacionalização dos mesmos. O emprego dos insumos importados nos produtos Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 4 exportados é conhecido como "principio da vinculação física" e está previsto tanto no Regulamento Aduaneiro de 1985 (artigo 314, 1) quanto no de 2002 (artigo 335, I) DRAWBACKSUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO NO SISCOMEX. INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. No caso de Drawback, modalidade suspensão, as empresas estão obrigadas, desde 10 de setembro de 2004, a comprovar as importações e exportações vinculadas ao regime, por intermédio do módulo especifico Drawback do Siscomex, no prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. Ultrapassado esse prazo, tornase aplicável a multa regulamentar prevista pelo inciso III, alínea "b", do artigo 633 do Decreto n° 4.543/2002. Impugnação Improcedente Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário reiterando a matéria de sua defesa, alegando em síntese que: a) Ocorreu a decadência relativa ao período anterior a 14 de novembro 2002, sob argumento de que o prazo deve ser contado a partir da data do fato gerador; b) As sobras dos materiais importados decorrem de perda no processo de produção, comprovados após a realização de testes; c) Quanto aos valores atribuídos aos produtos, pela fiscalização, apenas os itens 1 e 11, representam efetivamente sobras, os quais corresponde 0,63% e 0,25% do valor dos produtos d) Não foi dada destinação prevista no regulamento para as sobras porque o ato concessório não foi regularizado pelo DECEX, o qual deveria ser alterado para intermediário, permitindo assim que a recorrente realizasse baixa no SISCOMEX; e) Os itens 16 e 17 do relatório fiscal não possuem valor comercial e representam apenas 4% do valor do produto importado, e assim não devem ser tributados como sobras; f) Os demais itens representam 1,04% dos produtos importados, nos termos do relatório de auditoria; g) Todas as peças já foram utilizadas no decorrer do processo produtivo para realização de testes, e assim não servem mais para uso, ressalta ainda que as sobras representam 5%(cinco por cento); h) Quanto às penalidades impostas reitera que não houve infração ao controle administrativo das importações, não sendo descrita a infração, sendo a multa imposta desproporcional; Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.010260/200798 Acórdão n.º 3102001.439 S3C1T2 Fl. 951 5 É o relatório. Voto Conselheiro Álvaro Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Preliminar de Decadência Inicialmente deve ser analisada a preliminar de decadência, relativa ao período anterior a 14 de novembro de 2002, arguida sob o argumento de que o prazo, no caso em tela, a contagem do prazo tem início a partir do fato gerador, e não quando decorrido o término do regime. Ora, a fazenda possui 5(cinco) anos para realizar o lançamento, o qual quando não praticado nesse lapso temporal, decai o direito de celebrálo. Quanto ao tema é oportuno colacionar o conceito do professor Paulo de Barros Carvalho, vejamos: A decadência ou caducidade é tida como o fato jurídico que faz perecer um direito pelo seu nãoexercício durante certo lapso de tempo. Para que as relações jurídicas não permaneçam indefinidamente, o sistema positivo estipula certo período a fim de que os titulares de direitos subjetivos realizem os atos necessários à sua preservação, e perante a inércia manifestada pelo interessado, deixando fluir o tempo, fulmina a existência do direito, decretandolhe a extinção1 Como regra geral, o prazo de cinco anos, findo o qual se opera a decadência, tem início, de acordo com o inciso I do art. 173 do CTN, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Já quando o lançamento for considerado nulo, o prazo se inicia na data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado o lançamento anterior, consoante prescreve o inciso II do citado artigo. Entretanto, quando o tributo é sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial passa a fluir da data do respectivo fato gerador, de acordo com o que o prescreve o § 4º2 do art. 150 do CTN. 1 CARVALHO, Paulo de Barros. In. Curso de Direito Tributário. 18 ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2007.p.482 2 CTN art. 150 § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5(cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 6 No caso em liça, o lançamento decorre por descumprimento de formalidades por beneficiário do regime Drawback suspensão, assim o fiscal apenas pode realizar o lançamento após o término do prazo de vigência do regime, pois os tributos devidos decorrentes da importação ficam com a exigibilidade suspensa até o termino do regime. Quando do termino do regime do drawback suspensão poderá ocorrer o cumprimento total do compromisso de exportação, e assim haverá isenção dos tributos decorrentes da importação, ou poderá acontecer o vencimento do prazo do regime sem atendimento das condições estabelecidas, passando os tributos a serem exigidos com os acréscimos legais. Como o inadimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro apenas será anunciado depois de esgotado o prazo concedido no ato administrativo de outorga do benefício, podese afirmar que o primeiro dia do exercício seguinte à validade do ato concessório do drawback é o dies a quo para contagem do prazo decadencial, esse também é posicionamento adotado em reiteradas decisões deste Conselho, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 26/01/1995 a 09/04/1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. DIES A QUO. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DRAWBACK SUSPENSÃO. Decadência, norma geral de direito tributário privativa de lei complementar, é matéria disciplinada nos artigos 150, § 4º, e 173 do Código Tributário Nacional. Na importação com suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há se falar em pagamento antecipado de tributos nem na aplicação do disposto no citado artigo 150, §4º. Segundo a regra do artigo 173, incisoI, o prazo decadencial tem início no “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Forte no princípio constitucional da eficiência administrativa e dada a impossibilidade de ser aferido o adimplemento do compromisso vinculado ao regime aduaneiro especial antes de esgotado o trintídio posterior ao prazo concedido no ato administrativo de outorga do benefício, o primeiro dia do exercício seguinte ao trigésimo primeiro dia subsequente à validade do ato concessório do drawback é o dies a quo para medir o prazo decadencial do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional. 3 Portanto, como o vencimento do ato concessório apenas ocorreu em 2005 e a intimação do sujeito passivo ocorreu em 2007, não há que falar em decadência, rejeitandose a preliminar arguida. 3 Acórdão 517.073 Processo nº 10660.005327/200228 Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.010260/200798 Acórdão n.º 3102001.439 S3C1T2 Fl. 952 7 Mérito. Como já explicitado versa o presente sobre a exigência de tributos e multas face o inadimplemento do compromisso de exportar vinculado ao regime aduaneiro especial de drawback suspensão. O drawback é uma forma de regime tributário com objetivo de estimular às exportações brasileiras, afastando de forma temporária ou condicionada a incidência das exações cobradas sobre as importações, com objetivo de incentivar a economia nacional ao permitir que insumos importados de forma desonerada, sejam incorporados as mercadorias destinadas à exportação, consoante estabelece o art. 335 do Regulamento Aduaneiro de 2002: Art. 335. O regime de drawback é considerado incentivo à exportação, e pode ser aplicado nas seguintes modalidades (Decretolei nº 37, de 1966, art. 78, e Lei nº 8.402, de 1992, art. 1º, inciso I): I suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; II isenção dos tributos exigíveis na importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalente à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado; e III restituição, total ou parcial, dos tributos pagos na importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada. No caso dos autos se está diante do regime “drawback suspensão”, o qual fica condicionado à operação de industrialização do insumo importado para posterior exportação do produto final, assim o pagamento dos tributos fica suspenso desde que seja preenchida a condição de exportação após o referido beneficiamento, consoante estabelece o inciso II art. 784 do decretolei nº 37/66, desta forma não ocorre a nacionalização da mercadoria importada. O princípio da vinculação física da mercadoria, previsto no art. 341 parágrafo único do regulamento aduaneiro de 2002, assim estabelece: Art. 341. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos impostos 4 Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: I ...; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 8 suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos. Percebese na norma acima que a mercadoria excedente poderá ser consumida no mercado interno, entretanto apenas após os pagamentos dos tributos suspensos. Observada a legislação pertinente ao caso é oportuno verificar o que foi identificado no relatório fiscal (fls.73/90), através do qual a autoridade aduaneira apresentou, de forma separada por ato concessório, os motivos que a levou a afastar a aplicação do regime. São eles: a) Apesar de comprovada a exportação das unidades flutuantes (P43 e P48) dentro do prazo de validade do ato concessório, ficou demonstrado que nem todas as peças importadas foram aplicadas no painel do sistema de controle de automação das plataformas; b) As sobras se encontram em almoxarifado do próprio contribuintes, afirmação extraída de esclarecimentos por ele prestados; c) Como o termo do ato concessório ocorreu em 19/01/2005 e as sobras até a o lançamento permaneciam no almoxarifado da recorrente, e já haviam decorrido mais de 02(dois) anos sem nenhuma providência, ensejando assim o descumprimento do regime, pois as mercadorias não foram devolvidas, destruídas, ou disponibilizadas no mercado interno com o recolhimento do tributo; d) A recorrente não realizou a baixa do ato concessório, pois se encontra com o status de inadimplente total; e) Constatada a exportação das unidades P43 e p48 exclui por isenção o crédito tributário suspenso pelo Drawback, apenas no tocante aos insumos efetivamente utilizados nos produtos importados; Observando as razões recursais da Contribuinte, percebese que a mesma não se desincumbiu de afastar as imputações apresentadas, o que seria possível através da comprovação das importações e exportações vinculadas ao regime ou da nacionalização da mercadoria. Entretanto a recorrente tenta demonstrar que os produtos importados seriam sobras decorrentes do processo produtivo, contraindo sua própria planilha, de fls. 78, na qual a mesma descreve produtos inteiros, para comprovar tal assertiva basta observar a coluna “A”, que contempla a quantidade de produtos importados, e a coluna “B”, que apresenta a quantidade efetivamente utilizada. Quanto ao argumento de perda no percentual de 5%(cinco) por cento, este não tem como prosperar nos caso em liça, pois o art. 665 da Portaria Secex nº 36/2007, estabelece que serão desprezados “os subprodutos e os resíduos não exportados”, acontece, 5 Portaria SECEX nº 36/2007 Art. 66. Serão desprezados os subprodutos e os resíduos não exportados, quando seu montanteie não exceder de 5% (cinco por cento) do valor do produto importado. § 1° A empresa deverá preencher o campo "Resíduos e Subprodutos" do ato concessário com o percentual obtido pela divisão entre o valor dos resíduos e subprodutos não exportados e o valor do produto importado. Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.010260/200798 Acórdão n.º 3102001.439 S3C1T2 Fl. 953 9 como acima afirmado, se está diante produtos “inteiros” não importados, e não de resíduos ou subprodutos. Ora, o Código Tributário Nacional estabelece em seu art. 176, caput, e art. 178 as hipóteses de isenções condicionais, as quais nas palavras de Luiz Henrique Travassos Machado são duas: Sob pena de condição suspensiva – antes que o ciclo de formação do fato gerador se complete, exista obrigação tributária, haja vista ainda não ter incidindo a regra isentiva, não havendo concretização de sua hipótese de incidência. Existe obrigação tributária até o implemento da condição suspensiva, a partir da qual farseá jus ao gozo da isenção; Sob condição resolutiva – fazse jus ao gozo da isenção até o implemento da condição resolutiva, pela qual surgirá a obrigação tributária; Por sua vez o decretolei nº. 37/66, especifica dentre as condições do drawback suspensão a ocorrência de uma operação de industrialização, cujo produto final seja exportado, após o beneficiamento com a mercadoria importada. Neste sentido, ao ser observado que as mercadorias em estoque “almoxarifado” são unidades, é correta a decisão recorrida ao afastar o regime de drawback, pois resta comprovado o inadimplemento das condições estabelecidas no regime aduaneiro. Quanto à penalidade, procura a recorrente afastála com base em três argumentos: 1) ausência de infração ao controle administrativo da importação por ausência de conduta típica; 2) a multa seria desproporcional; 3) a multa não pode ser aplicada por ofensa ao princípio do confisco; Ora, quanto as dois últimos argumentos basta ratificar o posicionamento deste colegiado quanto a impossibilidade de discutir a inconstitucionalidade das normas, nos termos da súmula nº. 26 do CARF, cabendo apenas observar aplicabilidade da norma ao caso em concreto. No tocante à modificação do drawback suspensão, do tipo genérico ao tipo intermediário, temse, conforme o próprio recorrente aduz, que a DECEX considerou impossibilitada tal mudança de tipo. Assim sendo, ainda que realizados seguidos requerimentos para a referida mudança, denotase que o contribuinte recebeu, em contrapartida, mesmo que verbal, a alegação de impossibilidade, o que desde já enseja a sua adequação às condições estabelecidas para o drawback suspensão genérico que o lastreava no ato concessório. Já quanto à penalidade por controle administrativo face o descumprimento do compromisso celebrado quando firmado o ato concessório, foi aplicada ao caso em tela, a multa regulamentar prevista no inciso III, alínea “b”, do art. 633 do Decreto nº 4.543/2002, que assim estabelece: 6 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 10 Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I ...; II ; III de vinte por cento sobre o valor aduaneiro: a)....; e b) pelo descumprimento de outros requisitos de controle da importação, constantes ou não de licença de importação ou documento de efeito equivalente, não compreendidos na alínea "a" deste inciso, na alínea "b" do inciso II, e no inciso IV (Decretolei no 37, de 1966, art. 169, inciso III, alínea "d" e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o); e A norma é genérica, pois estabelece um multa de 20%(vinte por cento) ao não serem cumpridos “outros requisitos”, os quais da forma que está posta, ficarão a critério da própria administração. Vindo então a Secretária de Comércio Exterior editar a Portaria nº. 14/2004, com o finalidade de estabelecer “as disposições regulamentares das operações de importação e do regime aduaneiro especial de drawback. Assim, a aludida portaria definiu em seu art. 1397 que as empresas submetidas ao regime de Drawback suspensão, devem comprovar as importações e exportações no prazo de 60(sessenta) dias, com base nesse prazo foi lançada a multa ora questionada, já que restou demonstrado que as mercadorias não foram exportadas. Desta forma, questionase se a conduta da recorrente se coaduna como um fato típico. A Constituição define no inciso XXXIX do art. 5º que “Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal”, no mesmo passo estabelece o CTN no art. 97: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; 7 Art. 139. Na modalida suspensão, as empreas deverão comprovar as importações exportações vinculadoas ao Regime, por intermédio do módulo específico Drawback do Siscomex, no prazo de até 60(sessenta) dias contados a partir da data limite para exportação. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10314.010260/200798 Acórdão n.º 3102001.439 S3C1T2 Fl. 954 11 É oportuno apresentar a definição de fato típico, apresentada pelo professor Luiz Flávio Gomes8, que assim define: Com a teoria constitucionalista do delito (TCD) que estamos subscrevendo, o fato formal e materialmente típico é composto de um aspecto formalobjetivo (quatro primeiros requisitos), outro normativo (quinto requisito) e um subjetivo (sexto requisito). Para que haja fato típico se requer: 1º) conduta humana voluntária (realização formal ou literal da conduta descrita na lei; concretização da tipicidade formal); 2º) resultado naturalístico (nos crimes materiais – exemplo: homicídio); 3º) nexo de causalidade (entre a conduta e o resultado naturalístico); 4º) relação de tipicidade (adequação do fato à letra da lei); 5º) Resultado jurídico desvalioso, que implica uma ofensa: a) objetivamente imputável à conduta (leia se: criação ou incremento de um risco proibido penalmente relevante e objetivamente imputável à conduta); b) concreta ou real (lesão ou perigo concreto ao bem jurídico); c) transcendental (afetação de terceiros); d) grave (significativa); e) intolerável e f) objetivamente imputável ao risco criado pelo agente (imputação objetiva do resultado jurídico, que significa duas coisas: 1) conexão direta do resultado jurídico com o risco proibido criado ou incrementado; 2) que esse resultado esteja no âmbito de proteção da norma); 6º) Nos crimes dolosos, ainda se faz necessária a imputação subjetiva. Ora, percebese que a conduta do recorrente não está prevista em lei, pois o decreto em nenhum momento estabelece quais são os requisitos não cumpridos, e sequer define especificamente o prazo de 60(sessenta) dias para ser realizada a exportação. Quanto ao terma, a Câmara Superior de Recursos Fiscais da Terceira Turma do Conselho de Contribuintes, já se posicionou no mesmo sentido, ao analisar a situação análoga quando pena foi aplicada com fulcro no art. 526, IV do Decreto nº 91.030/85 que aprovou o Regulamento Aduaneiro vigor a época, norma essa que possui a mesma redação do RA de 2002, consoante se depreende da ementa abaixo: DRAWBACK. INFRAÇÃO AO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. A utilização no mercado interno de insumo importado sob regime de Drawback dever ser procedida na forma do art. 319 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91030, de 1985. O art. 526, IX não é aplicável por absoluta falta de tipificação. Recurso especial negado. 8 GOMES, Luiz Flávio. Requisitos da tipicidade penal consoante a teoria constitucionalista do delito. Jus Navigandi Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO 12 Por todo exposto dou parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para afastar a penalidade imposta por controle administrativo. Sala de sessões 24 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente e m 29/06/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA F, Assinado digitalmente em 05/07/2012 por LUIS MARC ELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10314.006317/2007-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 06/06/2007 PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia às instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela contribuinte. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. Admite-se a constituição em auto de infração do crédito tributário cuja exigência houver sido suspensa por decisão judicial, com vistas à prevenção da decadência do direito de exigi-lo, ainda que nenhuma infração tenha sido cometida pelo contribuinte. Recurso Voluntário Não Conhecido Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.422
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso na parte em que há concomitância de processos administrativo e judicial e em negar provimento ao recurso nas demais questões suscitadas, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DE SENHORAS DO HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/06/2007 PROCESSO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do recurso voluntário, configura renúncia às instâncias administrativas, não devendo ser conhecido o recurso apresentado pela contribuinte. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PREVENÇÃO DA DECADÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. Admitese a constituição em auto de infração do crédito tributário cuja exigência houver sido suspensa por decisão judicial, com vistas à prevenção da decadência do direito de exigilo, ainda que nenhuma infração tenha sido cometida pelo contribuinte. Recurso Voluntário Não Conhecido Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso na parte em que há concomitância de processos administrativo e judicial e em negar provimento ao recurso nas demais questões suscitadas, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ricardo Paulo Rosa – Presidente Substituto e Relator. EDITADO EM: 07/06/2012 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Mara Cristina Sifuentes , e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Ausentes justificadamente os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. O interessado foi autuado em face da infração de “importação não amparada por imunidade”. Foram lançados tributos. Os autos de infração foram lavrados com exigibilidade suspensa em face de decisão judicial interlocutória, a qual reconheceu o direito do interessado à imunidade tributária (vide fls. 14, 16, 4176). Intimado em 10/7/2007, o interessado apresentou impugnação em 8/8/2007, juntada às fls. 103 e ss. Alega, em síntese: Embora a fiscalização justifique o lançamento para resguardar os interesses da Fazenda Nacional, o meio se configura inadequado. Não houve falta que ensejasse o lançamento via auto de infração, que se justifica somente quando da necessidade de aplicação de penalidades a infrações cometidas. Não havendo infrações, devese utilizar a notificação de lançamento. Não houve infração, no presente caso, pois o impugnante procedeu ao desembaraço dos bens sob respaldo de decisão judicial. Cita decisão (fl. 106). No mérito, alega que possui direito à imunidade tributária. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 06/06/2007 O Decreto nº 70.235/1972 não condiciona o lançamento via auto de infração aos casos de imposição de penalidade. Havendo decisão judicial não transitada em julgado contrária à Fazenda Nacional, cabe o lançamento de ofício com exigibilidade suspensa, para prevenir a decadência. A promoção de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento configura renúncia ao contencioso administrativo. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Reitera nulidade do auto de infração por não ter sido eleita a via adequada para constituição do crédito com vistas à prevenção da decadência. Entende que não deveria Fl. 346DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.006317/200754 Acórdão n.º 310201.422 S3C1T2 Fl. 3 3 ser utilizado o auto de infração, pelo fato de não ter “incidido em qualquer falta que ensejasse a utilização de tal via”. Entende que somente ocorre a concomitância quando a ação judicial é proposta depois de constituído o crédito tributário. Por isso, requer “seja anulada a decisão recorrida com a determinação de que outra seja proferida em seu lugar, com a efetiva apreciação de todos seus argumentos de defesa, especialmente em relação à imunidade da Recorrente frente aos tributos ora exigidos” e volta a defender, no mérito, ser imune aos tributos constituídos no auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Tratase de caso típico de concomitância de processos administrativo e judicial. Na essência, o que justifica a negativa ao contribuinte do direito de discutir o assunto na esfera administrativa quando o mesmo opta por discutilo em juízo, é o fato de que, ante a decisão tomada na esfera judicial, a decisão administrativa não terá nenhum efeito, sendo absolutamente despicienda qualquer iniciativa tendente a dar andamento ao processo administrativo, já que a decisão judicial sempre prevalecerá. Neste sentido, não pode prosperar a sugestão de que a concomitância somente ocorra quando a ação judicial é proposta depois de constituído o crédito tributário. Uma vez que se tenha conhecimento de que o administrado optou pela discussão do direito perante o Poder Judiciário, caracterizada estará a concomitância e, corolário, a renúncia ao direito de discutir o mesmo assunto administrativamente. Também não vejo qualquer prejuízo às partes pelo fato de o crédito tributário ter sido constituído em auto de infração em lugar de notificação de lançamento. Entendo que a previsão legal de dois instrumentos hábeis à constituição do crédito decorre do fato de que certos tributos não são lançados por homologação, dependendo de que o contribuinte seja notificado do lançamento, situação na qual não há porque se falar em auto de infração, mas sim em notificação de lançamento. A despeito disso, não vejo como a utilização de um ou de outro expediente possa trazer quaisquer consequências à lide. Inadmissível seria a Fiscalização Federal impor qualquer tipo de penalidade pelo fato de estar lançando mão de auto de infração, o que não aconteceu, é claro. Ademais, como já mencionado nos autos, a legislação, via de regra, nem mesmo distingue os casos nos quais deve ser utilizado o auto de infração daqueles que exigem a notificação de lançamento. A leitura que se faz, como a neste veiculada, decorre de entendimento doutrinário, que não se constitui em base legal e, por conseguinte, não justifica qualquer questionamento em relação à validade dos atos praticados em desacordo com a tese proposta pelos diferentes doutrinadores. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Quanto a isso, vêse que a própria Lei que trata da constituição do crédito tributário suspenso por medida judicial fala indistintamente em lançamento com ou sem multa de ofício, sem qualquer menção ao veículo que deva ser utilizado. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Por derradeiro, de se acrescentar que tratase matéria sumulada no âmbito deste Conselho. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ante o exposto, considerando que a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto, VOTO POR NÃO CONHECER o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte na parte em que discute o mérito, e POR AFASTAR a preliminar de nulidade do auto de infração. Sala de Sessões, 22 de março de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 18471.001155/2006-86
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002 SERVIÇOS PRESTADOS POR PESSOAS JURÍDICAS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. As pessoas jurídicas que prestam serviço estão obrigadas a emissão de notas fiscais, que são os documentos hábeis a comprovar o custo de construção de instalações industriais. DESPESA DE DEPRECIAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada parcialmente a aquisição dos bens que deram origem a despesas de depreciação, deve ser mantida parcialmente a glosa efetuada.
Numero da decisão: 1803-001.428
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da tributação as despesas relativas à depreciação dos bens móveis e maquinários adquiridos com base em alvará judicial, no valor de R$ 1.634,00, nos 3° e 4° trimestres de 2002.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. As pessoas jurídicas que prestam serviço estão obrigadas a emissão de notas fiscais, que são os documentos hábeis a comprovar o custo de construção de instalações industriais. DESPESA DE DEPRECIAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada parcialmente a aquisição dos bens que deram origem a despesas de depreciação, deve ser mantida parcialmente a glosa efetuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da tributação as despesas relativas à depreciação dos bens móveis e maquinários adquiridos com base em alvará judicial, no valor de R$ 1.634,00, nos 3° e 4° trimestres de 2002. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “I) Dos lançamentos 1. Trata o presente processo de autos de infração lavrados pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro, amparados nos fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal de fls. 88/89, consubstanciando lançamentos de exigência do imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica —IRPJ, no valor de R$ 24.736,84 (fls. 90/94) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, no valor de R$ 8.900,51 (fls. 95/98), referentes ao ano calendário de 2002, com o acréscimo da multa de oficio de 75% (setenta e cinco por cento) e dos juros moratórios. 2. De acordo com os levantamentos efetuados pela Fiscalização, a interessada, optante pela tributação com base no lucro real trimestral no ano calendário de 2002 (DIPJ, fls. 05/83), teria praticado a seguinte infração à legislação tributária, ensejando o lançamento do IRPJ e, em decorrência, da CSLL, por falta de recolhimento: DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. EXCESSO EM FUNÇÃO DO VALOR DO BEM — Depreciação declarada superior a apurada, de acordo com a documentação de aquisição dos bens. (...) II) Do Termo de Verificação Fiscal 3. Os fatos que dão suporte à autuação, relatados no referido Termo (fls.88/89), são os seguintes: 3.1. inicialmente, o autuante transcreve os dispositivos da Lei n° 4.506, de 1964, que tratam do instituto da depreciação (art. 57, "caput" e parágrafos 70 e 8°), fazendo menção às taxas de depreciação admitidas, fixadas pela Receita Federal por meio da IN SRF n° 162/1998, alterada pela IN SRF n° 130/1999; 3.2. no caso concreto, informa que, diante da escrituração e da documentação apresentadas relativas às depreciações declaradas pela interessada, verificouse que a depreciação dos bens não possui a respectiva documentação de suporte; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001155/200686 Acórdão n.º 180301.428 S1TE03 Fl. 2 3 3.3. a depreciação declarada no 3° trimestre (R$ 71.847,30) e 4° trimestre (R$ 71.847,30) do anocalendário de 2002, é muito superior a que a Fiscalização pôde apurar com base na documentação probante de aquisição dos bens (R$ 2.568,35 no 3° trimestre e R$ 2.568,35 no 4° trimestre). III) Da impugnação 4. Inconformada com os lançamentos, dos quais tomou ciência em 19/10/2006, nos próprios autos de infração (fls. 90 e 95), apresentou a interessada, em 21/11/2006, a impugnação de fls. 163/171, instruída com os documentos de fls. 172/199 e 202/216, requerendo o cancelamento dos autos de infração, pelos seguintes motivos: 4.1. tratase de empresa industrial que se dedica a atividade de extração de minérios, de acordo com seus atos societários (fls. 175/179); 4.2. a Fiscalização glosou a documentação suporte de alguns bens, não tendo havido, porém, incorreção na aplicação da alíquota ou mesmo no saldo de abertura das contas; 4.3. a Fiscalização juntou planilha aos autos de infração discriminando vinte e quatro itens (fls. 99) e relacionando aqueles cuja documentação suporte não teria sido comprovada, quais sejam, os bens informados nos itens 8, 9, 10, 11, 12, 13, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22,23 e 24; 4.4. exerce sua atividade de mineração na cidade de Registro, Estado de São Paulo, divisa com o Estado do Paraná, e a obra lá realizada de construção de galpões está descrita nos itens 8 e 9, sob a rubrica Galpões PréMoldados em Concreto Armado, assim como em todos os demais itens sob a rubrica Hipermoldes Construções; 4.5. a fiscalização ocorreu na cidade do Rio de Janeiro, onde se localiza a sede da empresa, sem que o fiscal autuante sequer tenha realizado diligência para confirmar a existência do galpão; 4.6. a realização de uma obra não é formalizada por contrato na maioria das vezes, bastando, uma vez acertada a empreitada, a emissão de recibos (juntados às fls. 180/185); 4.7. não é plausível que para a construção de uma casasede, um dormitório, ou mesmo de um galpão, toda e qualquer empresa tenha que celebrar um contrato de construção para conseguir depreciar o bem depois de imobilizado; 4.8. quanto aos demais itens cuja documentação foi glosada, faltou objetividade na descrição dos fatos; 4.9. no item 11, sob a rubrica Arrematação de Bens Móveis e Maquinários, a documentação suporte é o alvará expedido pelo Juízo da 28 Vara Cível da Comarca de São Paulo, autorizando a alienação dos bens móveis e maquinários à interessada por Fl. 276DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 4 parte da Mineração e Intercâmbio Comercial e Industrial (v. Alvará, às fls. 186); 4.10. para satisfação do item 16 — Carreta Scania LQ 111 — basta a identificação do documento de propriedade, motivo pelo qual não se consegue compreender as razões da Fiscalização para efetuar a glosa do documento que identifica a propriedade do veículo, pois este é, inclusive, de uso obrigatório para sua circulação; 4.11. a composição das contas cuja depreciação restou glosada é a seguinte: 4.12. tomandose como exemplo a conta n° 1.3.20.01.067 (Veículos), à luz das fichas analíticas de controle do ativo imobilizado, que instruem sua defesa (fls. 207/211), mesmo que por absurdo se aceite a desconsideração do documento lastreador do bem do ativo, tal como fez a Fiscalização, conclui se que não seria cabível a glosa da totalidade do valor da depreciação para esta mesma conta, visto que, se a Fiscalização desconsiderou o documento da Carreta Scania — LQ 111, deveria ela reduzir seu valor da conta Veículos e não glosar a integralidade da depreciação desta conta, pois assim o fazendo, foram ignorados outros bens (veículos) cujos documentos ela mesmo reconhece como válidos; 4.13. sob essa ótica, a autuação como um todo é imprestável, pois não há qualquer elemento legal ou fático que dê lastro à autuação nos moldes em que foi feita; 4.14. da leitura do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/1999), da Lei n° 4.506/1964 e da legislação complementar, não se vislumbra qualquer referência que permita à Fiscalização desconsiderar a documentação de aquisição de bens que posteriormente tenham sido imobilizados, tal como no presente caso; 4.15. diante de todo o exposto, requer o cancelamento dos autos de infração.” Fl. 277DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001155/200686 Acórdão n.º 180301.428 S1TE03 Fl. 3 5 A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, em decisão assim ementada: “LUCRO REAL TRIMESTRAL. DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO.DEPRECIAÇÃO DECLARADA SUPERIOR A APURADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Somente se admite a dedução na DIPJ dos encargos de depreciação cuja identificação e propriedade dos bens seja comprovada mediante apresentação de notas fiscais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Aplicase ao lançamento tido como reflexo as mesmas razões de decidir do lançamento matriz (IRPJ), em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) A recorrente trouxe aos autos as notas fiscais e documentos de fls. 172/216, que sequer foram analisados pela Delegacia de Julgamento. b) O único fundamento que embasou o acórdão recorrido foi suposta inexistência de notas fiscais, assertiva que foi derrubada pelos documentos juntados com a impugnação. c) O acórdão insiste que não houve a juntada de nota fiscal, argumento facilmente rebatido pela documentação acostada aos autos. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 12/12/2008 (AR de fls. 259). O recurso foi protocolado em 12/01/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A questão controversa nos presentes autos é de natureza probatória, envolvendo tão somente análise documental. Passamos a analisar a documentação relativa a cada item glosado pela fiscalização, observandose que mesmo se ficassem comprovados todos os itens glosados, ainda haveria diferença entre o valor de depreciação declarado, e a documentação apresentada. I. Instalações industriais resultantes de contratos com a empresa Hipermolde Construções (itens 8, 9, 12,13 e 17 a 24 da planilha de fls. 101) Fl. 278DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 6 Item Data Meses Descrição Tx anual Valor Depreciação Comprovação 8 31/03/97 12 Galpões prémoldados em concreto armado 4,00 % 10.717,50 428,70 Não 9 25/04/97 12 Galpões prémoldados em concreto armado 4,00 % 10.717,50 428,70 Não 12 22/10/97 12 Hipermolde Construções 4,00 % 6.480,00 259,20 Não 13 17/12/97 12 Hipermolde Construções 4,00 % 15.120,00 604,80 Não 17 05/01/99 12 Hipermolde Construções 4,00 % 11.250,00 450,00 Não 18 01/03/99 12 Hipermolde Construções 4,00 % 11.250,00 450,00 Não 19 25/03/99 12 Hipermolde Construções 4,00 % 11.250,00 450,00 Não 20 30/04/99 12 Hipermolde Construções 4,00 % 11.250,00 450,00 Não 21 16/11/99 12 Hipermolde Construções 4,00 % 1.710,00 68,40 Não 22 16/11/99 12 Hipermolde Construções 4,00 % 7.325,00 293,00 Não 23 04/01/00 12 Hipermolde Construções 4,00 % 7.325,00 293,00 Não 24 13/01/00 12 Hipermolde Construções 4,00 % 3.990,00 159,60 Não Documentos apresentados no curso do procedimento fiscal • Ficha analítica de controle do ativo imobilizado – conta Equipamentos e instalações industriais (fls. 105) • Razão da conta Equipamentos e instalações industriais relativo a 1997 (fls. 124). • Pedido n° 436 – empresa Hipermolde, datado de 23/10/1996 (fls. 110) • Fichas de lançamento contábil relativos à 1ª e 2ª parcelas do pedido n° 436 (fls. 109 e 114). • Boleto de pagamento da 2ª parcela do pedido n° 436, no valor de R$ 10.237,00 (fls. 114). • Fichas de lançamento e boletos bancários pagos em 31/10/1997 e 25/04/1997, relativos à 3ª e última parcelas do pedido n° 436 (fls. 125/126). • Ficha de lançamento relativa à 1ª parcela do contrato assinado em 22/10/1997 e recibo (fls. 131/132) Fl. 279DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001155/200686 Acórdão n.º 180301.428 S1TE03 Fl. 4 7 • Ficha de lançamento relativa à 2ª parcela do contrato assinado em 22/10/1997 e recibo (fls. 133/134) • Razão da conta Equipamentos e instalações industriais relativo a 1999 (fls. 140). • Fichas de lançamento e boletos bancários pagos em 05/01/1999, 01/03/1999, relativos à 1ª e 2ª parcelas de construção de barracão, no valor de R$ 11.250,00 (fls. 141/142). • Fichas de lançamento relativas à 3ª e 4ª parcelas de construção de barracão, no valor de R$ 11.250,00 (fls. 143/144). • Ficha de lançamento contábil e documento de crédito relativo a 1ª parcela de contrato assinado em 28/10/1999, no valor de R$ 1.710,00 (fls. 145). • Ficha de lançamento contábil e documento de crédito relativo a 1ª parcela de contrato assinado em 12/11/1999, no valor de R$ 7.325,00 (fls. 146). • Razão da conta Equipamentos e instalações industriais relativo a 2000 (fls. 147). • Ficha de lançamento contábil e documento de crédito relativo a 2ª parcela de contrato assinado em 12/11/1999, no valor de R$ 7.325,00 (fls. 148). • Ficha de lançamento contábil e documento de crédito relativo a 2ª e 3ª parcelas de contrato assinado em 16/11/1999, no valor de R$ 3.990,00 (fls. 149). Documentos apresentados na impugnação • Boletos bancários com autenticação no valor de R$ 10.717,50 (fls. 195) • Recibos emitidos pela Hipermolde, relativos a contrato assinado em 22/10/97 (fls. 196) • Documento de crédito em favor da empresa Hipermolde, pago em 1999 (fls. 197). • Recibos emitidos pela Hipermolde, relativos a contrato assinado em 26/11/98 (fls. 198) Fl. 280DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 8 • Documentos de crédito em favor da empresa Hipermolde, pagos em 1999, nos valores de R$ 1.750,00 e 7.325,00 (fls. 199). • Documentos de crédito em favor da empresa Hipermolde, pagos em 1999, nos valores de R$ 7.325,00 e 3.990,00 (fls. 200). A tabela abaixo sintetiza os documentos apresentados: Item Valor Documentos apresentados 8 10.717,50 Razão, Pedido n° 436 (com divergência no valor da parcela), ficha de lançamento, boleto bancário com autenticação. 9 10.717,50 Razão, Pedido n° 436 (com divergência no valor da parcela), ficha de lançamento, boleto bancário com autenticação. 12 6.480,00 Razão, Ficha de lançamento, recibo 13 15.120,00 Razão, Ficha de lançamento, recibo 17 11.250,00 Razão, Ficha de lançamento, doc com autenticação 18 11.250,00 Razão, Ficha de lançamento, boleto bancário sem autenticação 19 11.250,00 Razão, Ficha de lançamento, recibo 20 11.250,00 Razão, Ficha de lançamento, recibo 21 1.710,00 Razão, Ficha de lançamento, doc com autenticação 22 7.325,00 Razão, Ficha de lançamento, doc com autenticação 23 7.325,00 Razão, Ficha de lançamento, doc com autenticação 24 3.990,00 Razão, Ficha de lançamento, doc com autenticação A fiscalização glosou as despesas de depreciação nos seguintes termos: “Diante da escrituração e da documentação que dava suporte as depreciações declaradas pelo contribuinte, verificamos que houve depreciação de bens sem que os mesmos tivessem a respectiva documentação de suporte. Assim, a depreciação declarada pelo contribuinte no 3° Trim/02 e 4° Trim/02 no valor de R$ 71.847,30 foi muito superior a que esta fiscalização pode apurar em face da documentação probante de aquisição dos bens em questão.” A Delegacia de Julgamento manteve a glosa com base nos seguintes fundamentos: • Itens 8 e 9: valores divergentes das parcelas discriminadas no pedido n° 436, e ausência da nota fiscal de compra e venda. • Itens 12 e 13 : a documentação não traz esclarecimento acerca do tipo de operação contratada e ausência de nota fiscal. • Itens 17,18, 19 e 20: o doc apresentado é um documento produzido pela interessada, ausência de nota fiscal, o boleto relativo à 2ª parcela não contém indicação de pagamento no próprio banco, ausência do contrato mencionado nos recibos. • Item 21 a 24: ausência dos contratos e das notas fiscais. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001155/200686 Acórdão n.º 180301.428 S1TE03 Fl. 5 9 O custo da construção de edifícios deve ser comprovado através de notas fiscais de aquisição de materiais e recibos/notas fiscais de prestação de serviços. As pessoas jurídicas que prestam serviço estão obrigadas a emissão de notas fiscais, que são os documentos hábeis a comprovar os custos com a construção de instalações industriais. Se os serviços foram prestados por pessoa jurídica, não há como aceitar simples recibos como prova da sua execução, ainda mais, desacompanhados dos contratos celebrados entre as partes. Como muito bem salientado na decisão recorrida, na documentação apresentada, em alguns casos sequer é possível identificar o tipo de operação contratada. É o que ocorre com os recibos anexados às fls 196, os quais apresentam a seguinte descrição: “ref. a contrato assinado entre as partes em 22/10/1997”. Deste modo, deve ser mantida a glosa em relação aos pagamentos efetuados à empresa Hipermolde, por insuficiência da documentação apresentada para comprovar o custo de construção das instalações industriais depreciadas. II. Aquisição de bens móveis e maquinários (itens 10 e 11 da planilha de fls. 101) Foram apresentados os seguintes documentos: • Livro Razão • Fichas de lançamento contábil (fls. 127/128) • Alvará relativo à alienação de bens móveis e maquinário à empresa Socal, no valor de R$ 163.400,00 (fls. 186). A Delegacia de Julgamento considerou a documentação insuficiente com base nos seguintes argumentos: “17. O Alvará apresentado corresponde a uma autorização dada pelo Poder Judiciário ao síndico da Massa Falida para "receber, dar quitação e proceder às demais formalidades legais para efetivação da venda ora autorizada", conforme expressamente descrito. 18. A interessada estava de posse, assim, de documento que lhe assegurava direito de compra de bens móveis e maquinários. Porém, se essa compra foi realmente efetivada nenhuma informação foi trazida a estes autos neste sentido, eis que a Nota Fiscal de Compra e Venda solicitada pelo autuante não foi apresentada e nem tampouco instrui a peça impugnatória apresentada. Por essa razão, sou pela manutenção da glosa da depreciação.” Fl. 282DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES 10 O alvará judicial é uma ordem escrita emanada pelo magistrado em favor de alguém, reconhecendo, autorizando ou determinando certos atos ou direitos. Tem por objeto o cumprimento de uma decisão tomada em uma sentença ou despacho. O alvará juntado aos autos apresenta o seguinte teor: “... AUTORIZA como AUTORIZADO fica, o sr. Síndico da massa falida, Dr. ROMULO FIDELI DE TOLIO, portador da OAB/SP n° 13.467, com escritório à Praça Mauá n° 42 – 11° andar Santos CEP 11.010000 A ALIENAR os bens móveis e maquinários que foram relacionados nos autos às fls. 204/205, relação esta que segue o presente por cópia, à empresa denominada SOCAL S/A MINERAÇÃO E INTERCAMBIO COMERCIAL E INDUSTRIAL, inscrita no C.S.C./MF. ne 60.419.785/000244 e Inscrição Estadua1 574.003.736/110, com endereço na cidade de Registro/SP, KM. 426 da SR 116, representada por seu procurador sr. NILTON OTOSONI, portador da cédula de identidade R.G. n° 4.210.733 e/ou advogado Dr. Moacir Leonardo, portador da OAB/SP n° 34.748, pelo preço ofertado na proposta de fls. 226, no valor de R$163.400,00 (cento e sessenta e três mil e quatrocentos reais já tendo depositado nos autos o valor referente a caução no importe de R$10.000,00 (dez mil reais). Fica autorizado que em razão destes poderá o Sr. síndico, receber, dar quitação e proceder às demais formalidades legais para efetivação da venda ora autorizada.” Neste caso, não é necessária a emissão de nota fiscal, sendo que o alvará e a escrituração contábil são elementos suficientes para demonstrar a aquisição dos bens depreciados. Por conseguinte, deve ser excluído da tributação o montante de R$ 1.634,00 (depreciação anual /4 = 400+6136/4), nos 3° e 4° trimestres de 2002. III. Carreta Scania – LB 111 (item 16) A decisão recorrida manteve a glosa da depreciação relativa ao veículo acima discriminado, nos seguintes termos: “Tanto o documento de aquisição do veículo como o certificado de propriedade, que a interessada alega ter mostrado ao autuante durante a ação fiscal, não foram apresentados por ocasião da interposição da peça impugnatória. Não consta dos autos qualquer documento que dê suporte à depreciação questionada. Em decorrência, permanece ainda sem comprovação a depreciação correspondente.” Foram apresentados os seguintes documentos de aquisição de veículos: • Nota fiscal fatura relativa a Corsa GL EFI 1.6 (fls. 117). • Nota fiscal fatura n° 763 relativa a caçamba basculante sobre chassi (fls. 119). • Documento de propriedade relativo a 1 ônibus de passageiros, ano 1979 (fls. 121). • Nota fiscal fatura n° 887relativa a caçamba basculante para Ford longo (fls. 123). Fl. 283DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 18471.001155/200686 Acórdão n.º 180301.428 S1TE03 Fl. 6 11 • Nota fiscal relativa a veículo gol GL 1.8 (fls. 137). • Nota fiscal relativa a veículo Kombi. (fls. 138). De fato, tal como afirmado na decisão recorrida não constam dos autos documentos que comprovam a aquisição da carreta Scania – LQ 111, cuja depreciação foi glosada pela fiscalização. Ante todo o exposto, dou provimento parcial ao recurso para excluir da tributação as despesas relativas à depreciação dos bens móveis e maquinários adquiridos com base em alvará judicial, no valor de R$ 1.634,00 nos 3° e 4° trimestres de 2002. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 284DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10872.000053/2010-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 1996
Ementa:
CSLL. AÇÃO JUDICIAL CUJA PRETENSÃO DIZ RESPEITO À FORMA DE ESCRITURAÇÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS NA FASE PRÉOPERACIONAL.
PROCEDIMENTO QUE NÃO SE CONFUNDE COM O QUANTUM DEVIDO A TÍTULO DE CSLL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
O processo judicial cuja pretensão diga respeito ao direito de escriturar as receitas financeiras, na fase préoperacional,
segundo o regime de competência em conta de ativo diferido, não se confunde e nem é concomitante com o procedimento administrativo em que se apura o quantum devido a título de CSLL.
Mesmo no caso de eventual procedência da ação judicial que diz respeito à forma de escrituração das receitas financeiras na fase pré operacional, cabe à Administração verificar se os valores apurados e depositados judicialmente pela contribuinte estão corretos. Tal apuração se dá por meio de procedimento administrativo. Em havendo discordância neste procedimento
deve ser processada e julgada a impugnação, com decisão quanto ao valor efetivamente devido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1402-001.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a inexistência de concomitância e determinar o retorno dos autos à 1ª instância julgadora para análise do mérito.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1996 Ementa: CSLL. AÇÃO JUDICIAL CUJA PRETENSÃO DIZ RESPEITO À FORMA DE ESCRITURAÇÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS NA FASE PRÉ OPERACIONAL. PROCEDIMENTO QUE NÃO SE CONFUNDE COM O QUANTUM DEVIDO A TÍTULO DE CSLL. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. O processo judicial cuja pretensão diga respeito ao direito de escriturar as receitas financeiras, na fase préoperacional, segundo o regime de competência em conta de ativo diferido, não se confunde e nem é concomitante com o procedimento administrativo em que se apura o quantum devido a título de CSLL. Mesmo no caso de eventual procedência da ação judicial que diz respeito à forma de escrituração das receitas financeiras na fase préoperacional, cabe à Administração verificar se os valores apurados e depositados judicialmente pela contribuinte estão corretos. Tal apuração se dá por meio de procedimento administrativo. Em havendo discordância neste procedimento deve ser processada e julgada a impugnação, com decisão quanto ao valor efetivamente devido. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a inexistência de concomitância e determinar o retorno dos autos à 1ª instância julgadora para análise do mérito. Fl. 1844DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10872000053/201003 Acórdão n.º 1402001.104 S1C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1845DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10872000053/201003 Acórdão n.º 1402001.104 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório A recorrente, empresa em fase préoperacional, ajuizou ação judicial1 postulando que as receitas auferidas nesta fase só devem ser oferecidas à tributação à medida em que se iniciem as suas operações. Para para evitar os riscos da respectiva ação tomou a providência de depositar, em relação ao ano de 2007, os valores correspondentes ao IRPJ e à CSLL, nos montantes de R$ 110.409.974,15 e R$ 39.754.147,10, respectivamente. Em procedimento fiscal realizado junto à empresa para apurar o quantum devido a título dos tributos antes mencionados a autoridade fiscal, no período em questão, encontrou R$ 102.103.246,88, correspondente ao IRPJ e R$ 39.988.220,69 Considerando que os valores depositados judicialmente a título de CSLL, ainda que por pequena diferença, são menores do que os valores apurados pela autoridade fiscal, lavrouse o auto de infração para exigir o valor correspondente à CSLL, no montante de R$ 39.988.220,69, acrescido de multa de 75% e juros pela taxa Selic. Notificada, a contribuinte apresentou impugnação alegando: a) ainda que viesse a ser proferida decisão final desfavorável nos autos do processo judicial, de qualquer modo jamais seria devido o valor lançado, pois conforme orientação da própria COSIT em sede de solução de divergência, mesmo que as receitas financeiras auferidas na fase préoperacional devessem ser oferecidas à tributação no ano em que incorridas, eventual tributação seria apenas do "saldo líquido das receitas e despesas financeiras", e ainda assim estaria limitada ao "excesso remanescente" após a dedução do "total das despesas préoperacionais registradas"; b) assim, em razão da distorção na apuração da base de cálculo acima apontada, houve na verdade depósito judicial a maior, e não a menor, razão pela qual deveria ter sido reconhecida a total suspensão da exigibilidade do crédito tributário; c) caso proferida decisão em desconformidade à orientação expressa da COSIT, do que a rigor sequer se poderia cogitar, quando menos não poderiam ser exigidos da Impugnante multa e juros de mora, nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN; d) ainda que superados todos os argumentos acima, quando menos não poderiam ser exigidos multa de ofício e juros de mora sobre os valores efetivamente depositados, mas apenas sobre a suposta diferença depositada a menor, que no caso seria de 0,59%, pois todos os recursos depositados já foram transferidos ao Tesouro Nacional nos termos da Lei nº 9.703, de 1998. Por meio do acórdão de fls. 1.222 e seguintes, a DRJ decidiu por: 1 Mandado de Segurança n° 2008.51.01.0115568 Fl. 1846DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10872000053/201003 Acórdão n.º 1402001.104 S1C4T2 Fl. 0 4 a) NÃO CONHECER da impugnação, no que diz respeito ao valor exigido a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, tendo em vista tratarse de matéria discutida em juízo; b) DECLARAR definitivamente constituído, na esfera administrativa, o crédito tributário referente à mencionada Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 39.988.220,69; c) NEGAR PROVIMENTO à impugnação da Interessada, no que diz respeito às demais questões não discutidas em juízo, DEIXANDO, portanto, de reconhecer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e MANTENDO a cobrança da multa de ofício e dos juros de mora, em razão da insuficiência do depósito realizado. Em 20102011 (fl. 1.238) a parte interessada foi intimada da decisão da DRJ e em 18112001 apresentou o recurso de fls. 1.240 e 1.287, acompanhado de cópia da petição da ação judicial antes referida, onde alega: (i) que não há o que se falar em concomitância da matéria discutida em juízo com a matéria do presente processo. No mandado de segurança a Recorrente de fato discute o momento em que deve se dar a exclusão das receitas préoperacionais na base de cálculo do tributo, no presente processo administrativo a Recorrente discute o valor da base de cálculo da referida CSLL, tratandose, assim, de questão absolutamente. (ii) além dos fundamentos acima referidos, a recorrente tece longas considerações visando demonstrar que o valor apurado pela autoridade fiscal encontrase equivocado. Seu recurso se fez acompanhado de parecer da KPMG onde sustenta o valor que entende correto que poderia ser exigido da recorrente, conforme sintetizado à fl. 1.264, caso sua ação seja julgada improcedente. É o relatório. Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10872000053/201003 Acórdão n.º 1402001.104 S1C4T2 Fl. 0 5 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. A ação judicial cuja cópia da inicial consta das fls. 1289 a 1.305 tem por objeto a pretensão da impetrante de lhe ser assegurado “o direito de que as suas receitas financeiras auferidas em fase préoperacional, durante o ano de 2007, sejam escrituradas segundo o regime de competência em conta de ativo diferido, com a contabilização de eventual saldo credor em conta de resultados de exercícios futuros a serem realizados à medida em que se iniciem as operações das empresas, com os conseqüentes efeitos fiscais decorrentes desta específica forma de contabilização.” Por sua vez, no processo administrativo se discute o quantum apurado a título de CSLL. Mesmo nos casos de eventual procedência da ação da impetrante, cabe à fiscalização verificar se os valores apurados e depositados judicialmente pela contribuinte estão corretos. Tal apuração se dá por meio de procedimento administrativo, pois no processo judicial em questão não se debate o quantum da CSLL, mas sim a forma de escrituração desta, isto é, para que fossem “escrituradas segundo o regime de competência em conta de ativo diferido.” Realizado o levantamento do quantum devido, procedimento que inclusive é necessário para se verificar se a contribuinte depositou de forma correta os valores por ela levantados, em havendo discordância quanto ao montante a impugnação referente a este ato processase na esfera administrativa, pois o objeto da ação judicial, antes transcrito, em dada diz respeito ao quantum devido. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para reconhecer a inexistência de concomitância e determinar o retorno dos autos à 1ª instância julgadora para análise do mérito, enfrentando as questões de defesa apontadas pela impugnante. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10872000053/201003 Acórdão n.º 1402001.104 S1C4T2 Fl. 0 6 Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 13/08/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.000880/2011-98
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE POR QUEBRA DE SIGILO FISCAL - INOCORRÊNCIA Não há sigilo fiscal para a própria Administração Tributária. Não faria qualquer sentido a lei estabelecer obrigações fiscais acessórias (entrega de declarações) e os setores internos da Administração Tributária não poderem utilizar as informações contidas nestas declarações para o planejamento das ações fiscais, para a formação de dossiês internos, para motivar a abertura de fiscalizações, para a instrução processual, etc. O fato de a Administração Tributária já dispor das informações prestadas pelas fontes pagadoras, relativamente à autuada, antes mesmo do início do procedimento fiscal não evidencia nenhuma anormalidade ou qualquer outro tipo de problema relativo à quebra de sigilo fiscal. As DIRF e todas as demais obrigações acessórias foram instituídas justamente para essa finalidade, ou seja, para que o Fisco tome conhecimento de informações a respeito dos contribuintes antes de serem iniciados os procedimentos de fiscalização. RECEITA APURADA A PARTIR DE DIRF APRESENTADAS PELAS FONTES PAGADORAS Não há qualquer problema no fato de a Administração Tributária tomar conhecimento das receitas auferidas pela autuada por meio das DIRF apresentadas pelos seus clientes, inclusive porque a própria Contribuinte declarou à Fiscalização que estava de acordo com os relatórios de faturamento de posse da Receita Federal. EXCLUSÃO DA CSSL DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ - NÃO CABIMENTO A Contribuinte ou efetuou recolhimentos que indicavam a opção pelo Lucro Presumido (2007, 2008, 2009), ou indicou esta opção na DIPJ (2006), e em razão da falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou do Livro Caixa, a apuração do IRPJ e da CSLL foirealizada por meio do Lucro Arbitrado. Tanto no Lucro Presumido, quanto no
Lucro Arbitrado, a apuração do IRPJ e da CSLL se dá mediante a aplicação
de coeficientes legais sobre as receitas auferidas, em substituição à dedução
de custos e despesas, o que somente ocorre na apuração do Lucro Real.
Nestes termos, não há no caso destes autos margem para qualquer discussão
sobre dedução de CSLL na base de cálculo do IRPJ.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE MULTA
DE OFÍCIO E
JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC
O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício e sobre a
taxa SELIC implicaria no afastamento de normas legais vigentes (artigos 44 e
61 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade ou afronta ao
Código Tributário Nacional CTN,
e falece a esse órgão de julgamento
administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo
do Poder Judiciário, exclusivamente.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL,
PIS e COFINS
Estendese
aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada
no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os
vincula.
CSLL COEFICIENTE
DE 32% PARA A PRESUNÇÃO DO LUCRO
O coeficiente legal de 32% para a CSLL vem sendo normalmente aplicado
pelas corretoras de seguro, sem maiores problemas, e a Recorrente não trouxe
qualquer argumento que justificasse a não aplicação deste coeficiente para o
seu caso específico, pelo que cabe mantêlo.
COFINS INEXIGIBILIDADE
PELA REVOGAÇÃO INVÁLIDA DA
ISENÇÃO CONTIDA NA LC 70/91 ARGUMENTO
IMPROCEDENTE
As sociedades civis de profissão regulamentada também estão sujeitas à
incidência da COFINS, porque prevaleceu o entendimento do Supremo
Tribunal Federal no sentido de que a criação da Cofins é matéria de lei
ordinária, e que a lei que a instituiu, inobstante ser formalmente
complementar, é materialmente ordinária, não se exigindo para sua alteração,
o quorum qualificado.
COFINS E PIS INEXIGIBILIDADE
TOTAL OU LIMITAÇÃO DE SUA
INCIDÊNCIA AO FATURAMENTO ARGUMENTO
IMPROCEDENTE
OU INÓCUO
Improcedente o argumento sobre o total afastamento da Lei 9.718/1998, uma
vez que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar a matéria, reconheceu a
inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da referida lei, entendo que
este dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer
receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na
sua redação original (RE nº 390.840/MG, decidido na sessão plenária de
09/11/2005). Nada justifica, portanto, o afastamento total da Lei 9.718/1998,
até porque o tribunal competente para isso não o fez, e não caberia a este
órgão administrativo fazêlo.
Em relação ao caso concreto, é inócua a decisão
do STF sobre a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das
referidas contribuições, simplesmente porque não houve exigência de PIS eCOFINS sobre “demais receitas”. Todos os Relatórios e Demonstrativos para
apuração da base de cálculo, especialmente os de fls. 104 a 107, indicam
claramente que a receita apurada pela Fiscalização é decorrente da atividade
operacional da empresa (prestação de serviços de corretagem), obtida junto às
companhias seguradoras.
Numero da decisão: 1802-001.243
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE POR QUEBRA DE SIGILO FISCAL - INOCORRÊNCIA Não há sigilo fiscal para a própria Administração Tributária. Não faria qualquer sentido a lei estabelecer obrigações fiscais acessórias (entrega de declarações) e os setores internos da Administração Tributária não poderem utilizar as informações contidas nestas declarações para o planejamento das ações fiscais, para a formação de dossiês internos, para motivar a abertura de fiscalizações, para a instrução processual, etc. O fato de a Administração Tributária já dispor das informações prestadas pelas fontes pagadoras, relativamente à autuada, antes mesmo do início do procedimento fiscal não evidencia nenhuma anormalidade ou qualquer outro tipo de problema relativo à quebra de sigilo fiscal. As DIRF e todas as demais obrigações acessórias foram instituídas justamente para essa finalidade, ou seja, para que o Fisco tome conhecimento de informações a respeito dos contribuintes antes de serem iniciados os procedimentos de fiscalização. RECEITA APURADA A PARTIR DE DIRF APRESENTADAS PELAS FONTES PAGADORAS Não há qualquer problema no fato de a Administração Tributária tomar conhecimento das receitas auferidas pela autuada por meio das DIRF apresentadas pelos seus clientes, inclusive porque a própria Contribuinte declarou à Fiscalização que estava de acordo com os relatórios de faturamento de posse da Receita Federal. EXCLUSÃO DA CSSL DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ - NÃO CABIMENTO A Contribuinte ou efetuou recolhimentos que indicavam a opção pelo Lucro Presumido (2007, 2008, 2009), ou indicou esta opção na DIPJ (2006), e em razão da falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou do Livro Caixa, a apuração do IRPJ e da CSLL foirealizada por meio do Lucro Arbitrado. Tanto no Lucro Presumido, quanto no Lucro Arbitrado, a apuração do IRPJ e da CSLL se dá mediante a aplicação de coeficientes legais sobre as receitas auferidas, em substituição à dedução de custos e despesas, o que somente ocorre na apuração do Lucro Real. Nestes termos, não há no caso destes autos margem para qualquer discussão sobre dedução de CSLL na base de cálculo do IRPJ. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício e sobre a taxa SELIC implicaria no afastamento de normas legais vigentes (artigos 44 e 61 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade ou afronta ao Código Tributário Nacional CTN, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. CSLL COEFICIENTE DE 32% PARA A PRESUNÇÃO DO LUCRO O coeficiente legal de 32% para a CSLL vem sendo normalmente aplicado pelas corretoras de seguro, sem maiores problemas, e a Recorrente não trouxe qualquer argumento que justificasse a não aplicação deste coeficiente para o seu caso específico, pelo que cabe mantêlo. COFINS INEXIGIBILIDADE PELA REVOGAÇÃO INVÁLIDA DA ISENÇÃO CONTIDA NA LC 70/91 ARGUMENTO IMPROCEDENTE As sociedades civis de profissão regulamentada também estão sujeitas à incidência da COFINS, porque prevaleceu o entendimento do Supremo Tribunal Federal no sentido de que a criação da Cofins é matéria de lei ordinária, e que a lei que a instituiu, inobstante ser formalmente complementar, é materialmente ordinária, não se exigindo para sua alteração, o quorum qualificado. COFINS E PIS INEXIGIBILIDADE TOTAL OU LIMITAÇÃO DE SUA INCIDÊNCIA AO FATURAMENTO ARGUMENTO IMPROCEDENTE OU INÓCUO Improcedente o argumento sobre o total afastamento da Lei 9.718/1998, uma vez que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar a matéria, reconheceu a inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da referida lei, entendo que este dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original (RE nº 390.840/MG, decidido na sessão plenária de 09/11/2005). Nada justifica, portanto, o afastamento total da Lei 9.718/1998, até porque o tribunal competente para isso não o fez, e não caberia a este órgão administrativo fazêlo. Em relação ao caso concreto, é inócua a decisão do STF sobre a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas contribuições, simplesmente porque não houve exigência de PIS eCOFINS sobre “demais receitas”. Todos os Relatórios e Demonstrativos para apuração da base de cálculo, especialmente os de fls. 104 a 107, indicam claramente que a receita apurada pela Fiscalização é decorrente da atividade operacional da empresa (prestação de serviços de corretagem), obtida junto às companhias seguradoras.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE POR QUEBRA DE SIGILO FISCAL INOCORRÊNCIA Não há sigilo fiscal para a própria Administração Tributária. Não faria qualquer sentido a lei estabelecer obrigações fiscais acessórias (entrega de declarações) e os setores internos da Administração Tributária não poderem utilizar as informações contidas nestas declarações para o planejamento das ações fiscais, para a formação de dossiês internos, para motivar a abertura de fiscalizações, para a instrução processual, etc. O fato de a Administração Tributária já dispor das informações prestadas pelas fontes pagadoras, relativamente à autuada, antes mesmo do início do procedimento fiscal não evidencia nenhuma anormalidade ou qualquer outro tipo de problema relativo à quebra de sigilo fiscal. As DIRF e todas as demais obrigações acessórias foram instituídas justamente para essa finalidade, ou seja, para que o Fisco tome conhecimento de informações a respeito dos contribuintes antes de serem iniciados os procedimentos de fiscalização. RECEITA APURADA A PARTIR DE DIRF APRESENTADAS PELAS FONTES PAGADORAS Não há qualquer problema no fato de a Administração Tributária tomar conhecimento das receitas auferidas pela autuada por meio das DIRF apresentadas pelos seus clientes, inclusive porque a própria Contribuinte declarou à Fiscalização que estava de acordo com os relatórios de faturamento de posse da Receita Federal. EXCLUSÃO DA CSSL DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ NÃO CABIMENTO A Contribuinte ou efetuou recolhimentos que indicavam a opção pelo Lucro Presumido (2007, 2008, 2009), ou indicou esta opção na DIPJ (2006), e em razão da falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou do Livro Caixa, a apuração do IRPJ e da CSLL foi Fl. 343DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 2 2 realizada por meio do Lucro Arbitrado. Tanto no Lucro Presumido, quanto no Lucro Arbitrado, a apuração do IRPJ e da CSLL se dá mediante a aplicação de coeficientes legais sobre as receitas auferidas, em substituição à dedução de custos e despesas, o que somente ocorre na apuração do Lucro Real. Nestes termos, não há no caso destes autos margem para qualquer discussão sobre dedução de CSLL na base de cálculo do IRPJ. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC O acolhimento das alegações sobre o percentual da multa de ofício e sobre a taxa SELIC implicaria no afastamento de normas legais vigentes (artigos 44 e 61 da Lei 9.430/96), por suposto vício de inconstitucionalidade ou afronta ao Código Tributário Nacional CTN, e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. CSLL COEFICIENTE DE 32% PARA A PRESUNÇÃO DO LUCRO O coeficiente legal de 32% para a CSLL vem sendo normalmente aplicado pelas corretoras de seguro, sem maiores problemas, e a Recorrente não trouxe qualquer argumento que justificasse a não aplicação deste coeficiente para o seu caso específico, pelo que cabe mantêlo. COFINS INEXIGIBILIDADE PELA REVOGAÇÃO INVÁLIDA DA ISENÇÃO CONTIDA NA LC 70/91 ARGUMENTO IMPROCEDENTE As sociedades civis de profissão regulamentada também estão sujeitas à incidência da COFINS, porque prevaleceu o entendimento do Supremo Tribunal Federal no sentido de que a criação da Cofins é matéria de lei ordinária, e que a lei que a instituiu, inobstante ser formalmente complementar, é materialmente ordinária, não se exigindo para sua alteração, o quorum qualificado. COFINS E PIS INEXIGIBILIDADE TOTAL OU LIMITAÇÃO DE SUA INCIDÊNCIA AO FATURAMENTO ARGUMENTO IMPROCEDENTE OU INÓCUO Improcedente o argumento sobre o total afastamento da Lei 9.718/1998, uma vez que o Supremo Tribunal Federal, ao analisar a matéria, reconheceu a inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da referida lei, entendo que este dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original (RE nº 390.840/MG, decidido na sessão plenária de 09/11/2005). Nada justifica, portanto, o afastamento total da Lei 9.718/1998, até porque o tribunal competente para isso não o fez, e não caberia a este órgão administrativo fazêlo. Em relação ao caso concreto, é inócua a decisão do STF sobre a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas contribuições, simplesmente porque não houve exigência de PIS e Fl. 344DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 3 3 COFINS sobre “demais receitas”. Todos os Relatórios e Demonstrativos para apuração da base de cálculo, especialmente os de fls. 104 a 107, indicam claramente que a receita apurada pela Fiscalização é decorrente da atividade operacional da empresa (prestação de serviços de corretagem), obtida junto às companhias seguradoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 4 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, conforme autos de infração de fls. 01 a 58, nos valores de R$ 97.046,43, R$ 11.621,35, R$ 72.654,92 e R$ 83.518,00, respectivamente, incluindose nesses montantes a multa de ofício qualificada de 150% e os juros moratórios. O lançamento foi motivado por omissão de receitas nos anoscalendário de 2006 a 2009. Houve arbitramento do lucro para apuração de IRPJ e CSLL. O Termo de Verificação Fiscal, às fls. 60 a 67, explicita muito bem o contexto do trabalho de auditoria realizado junto à empresa autuada: 2. DA INTRODUÇÃO No exercício regular das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, desenvolvemos ação fiscal junto à empresa acima identificada objetivando verificar o cumprimento de suas obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica correspondentes ao período 2006 a 2009, determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 09.1.03.00 201001025 2, cujo acesso a seu conteúdo foi disponibilizado à fiscalizada de acordo com a legislação vigente. A ação fiscal foi conduzida de acordo com as disposições legais que tratam da matéria, observandose, em especial, o contido no Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999. Deste trabalho emergiram as ocorrências que passamos a relatar. 3. DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL E DAS INTIMAÇÕES A presente ação fiscal teve inicio em 16/11/2010 com a entrega por via postal, no domicilio fiscal da contribuinte, do Termo de Inicio de Procedimento Fiscal (fls. 8991). Através desse termo inicial, além de comunicar o inicio dos trabalhos, intimamos a contribuinte a apresentar os livros contábeis e fiscais, as notas fiscais emitidas no período, cópia do contrato social e suas alterações, recibo da DIPJ relativa ao anocalendário 2007, além de nome e telefone de um representante para eventuais contatos. 0 prazo venceu no dia 23 do mesmo mês, sem manifestação da fiscalizada. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 5 5 Assim, no dia 10 de dezembro reintimamos a contribuinte para que se manifestasse. 0 termo foi entregue no dia 3, também por via postal, com prazo para atendimento de dois dias úteis, ou seja, até dia 7, terçafeira (fls. 9293). No dia 7, compareceu na Seção de Fiscalização uma pessoa que se apresentou como emissário da contribuinte pretendendo entregar alguns documentos sem a necessária formalização desse encaminhamento. Os documentos não foram recebidos e o emissário foi orientado a reapresentálos com a devida resposta firmada pelo representante legal. A resposta, enfim, foi recepcionada pela fiscalização no dia 9 de dezembro, contendo uma série de imprecisões que motivou um registro de ressalvas (fls. 94102). No dia 12 de dezembro, encaminhamos à contribuinte termo de intimação para solicitar esclarecimentos quanto às divergências apuradas entre os montantes de pagamentos apurados em DIRF e os valores de receita declarados à Receita Federal. A intimação foi entregue no dia 17, com prazo para atendimento de cinco dias úteis (fls. 103108). No mesmo dia 17, recebemos telefonema do Sr. Marcelo Santana, contador da contribuinte, dizendo ter recebido a intimação e que o prazo de cinco dias úteis seria insuficiente para analisar e responder a intimação em razão das festas de final de ano. 0 argumento foi acatado e, assim, estabeleceuse de comum acordo a data de 10/01/2011 como sendo o novo prazo para atendimento ao Termo n° 3. A resposta foi recebida no prazo e juntada aos autos (fl. 109). Encerramos assim a fase de coleta de provas. 4. DO EXAME DOS LIVROS E DOCUMENTOS 4.1. Dos objetivos sociais e da representação A empresa foi constituída em 01/10/2002 para explorar serviços de seguro e de representação comercial. (...) 4.2. Do regime de tributação e de escrituração das receitas De acordo com a legislação, as pessoas jurídicas não obrigadas ao Lucro Real, podem optar pela tributação pelo Lucro Presumido. A opção é exercida com o pagamento da primeira cota ou cota única relativa ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. Essa opção foi exercida pela contribuinte nos anoscalendário 2007, 2008 e 2009, conforme se observa pelos recolhimentos registrados no extrato juntado à folha 150, sob o código 2089, Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 6 6 próprio das pessoas jurídicas que optam por esse regime de tributação. Quanto ao anocalendário 2006, nenhum recolhimento foi localizado, mas a opção encontrase registrada na DIPJ desse ano (fls. 130138). Na mesma DIPJ consta também a opção de reconhecimento das receitas pelo regime de caixa. Cabe observar também que a fiscalizada encontrase omissa em relação à DIPJ do anocalendário 2007 e que em relação aos anoscalendário de 2008 e 2009 apresentou declaração de inativa (fls. 139141). As obrigações acessórias a que estão sujeitas as empresas optantes pelo lucro presumido estão dispostas no artigo 527 do RIR: (...) Regularmente intimada a apresentar seus livros contábeis e fiscais, a contribuinte preferiu silenciar. Depois de reintimada, assim se posicionou: “Não foi realizado a contabilidade da empresa, sendo que a mesma não possui livro caixa, nem livro diário e razão” (fl. 94). Uma vez não atendidas as obrigações acessórias, não há como preservar a opção exercida. Inevitável, portanto, nesses casos, a tributação pelos critérios do Lucro Arbitrado, conforme prevê o artigo 530 do RIR, abaixo transcrito: (...) Impõese, portanto, no presente caso, a tributação pelos critérios do Lucro Arbitrado, em conformidade com o artigo 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda. 4.3. Da receita escriturada Conforme já relatado, através do termo inicial a contribuinte foi intimada a apresentar seus livros contábeis e fiscais no prazo de cinco dias úteis. A intimação foi entregue em 16/11/2010 no domicilio fiscal cadastrado na Receita Federal, mas a contribuinte decidiu simplesmente ignorar o pedido. Depois de reintimada, a contribuinte enfim se posicionou, em 09/12/2010, confessando que suas operações não foram escrituradas, contrariando frontalmente o que determina a legislação do imposto de renda. Nada, portanto, foi escriturado. Aliás, nem mesmo declarado, conforme documentos às folhas 130146. 4.4. Da receita não escriturada Na origem do presente procedimento, a área interna de Seleção e Preparo identificou flagrante incompatibilidade entre a receita Fl. 348DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 7 7 declarada à Receita Federal pela empresa fiscalizada e os montantes de pagamentos declarados em DIRF pelos seus diversos clientes. Os procedimentos que se seguiram objetivaram comprovar, ou não, a efetividade de tais transações. Os trabalhos de auditoria normalmente se iniciam pelo confronto da receita declarada com a receita escriturada, mas, neste caso, não foi possível seguir tal linha, haja vista a não apresentação (ou inexistência) dos livros contábeis e fiscais, conforme declaração da própria contribuinte. Direcionamos, então, nosso foco às notas fiscais entregues pela contribuinte à. Fiscalização, mas essa linha de análise também se mostrou contraproducente. Além da nãoapresentação dos documentos emitidos em 2006, a fiscalização detectou falhas de sequência nas notas fiscais, sem quaisquer justificativas. E, por fim, os montantes anuais apurados situavamse num patamar muito abaixo daqueles indicados pelas DIRFs. Não restou, portanto, outra saída a não ser questionar a contribuinte acerca das divergências apuradas em relação As DIRFs, cujos registros foram juntados às folhas 110129. Os pagamentos declarados em DIRF foram então compilados em planilhas e encaminhados à contribuinte com um pedido de esclarecimentos (fls. 103108). A intimação foi entregue no dia 17/12/2010 com prazo para atendimento de cinco dias úteis. Em atenção a um pedido da contribuinte, feito por intermédio de seu contador, o prazo foi estendido para 10/01/2011. Na resposta recebida, a contribuinte assim se posicionou: “SEGURECERTO CORRETORA DE SEGUROS LTDA (...) declara por este instrumento que está de acordo com os relatórios de faturamento de posse da Receita Federal, dando ciência aos valores constantes dos mesmos, ficando no aguardo da apuração dos impostos”. Subscreveram o documento, o Sr. Paulo Costa Tenório, um dos representantes legais da fiscalizada, e o Sr. Marcelo Santana, seu contabilista (fl. 109). Concluise, assim, que a fiscalizada reconheceu como verdadeiros os diversos pagamentos declarados em DIRF pelos seus clientes e compilados pela Fiscalização nas planilhas apresentadas. Concluise também, por extensão, que toda a receita auferida no período foi mantida à margem da escrituração com o claro objetivo de furtarse ao correto pagamento dos tributos. Sujeitase, portanto, a contribuinte, à tributação de oficio, em atendimento à legislação. A receita mensal omitida encontrase demonstrada no ANEXO II. Os montantes anuais apurados foram de R$ 229.215,11 em 2006, R$ 244.446,10 em 2007, R$ 312.566,55 em 2008 e R$ 283.016,53 em 2009. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 8 8 4.5. Dos débitos tributários declarados ou pagos Nenhum débito foi declarado, conforme consulta ao banco de dados da Receita Federal. A única DCTF entregue referese ao 2° semestre de 2008, mas sem débitos confessados (fls. 147149). A Fiscalização constatou, entretanto, o recolhimento de alguns valores sob os códigos 2089 (IRPJ), 2372 (CSLL), 8109 (PIS) e 2172 (Cofins). Esses recolhimentos constam dos extratos de pagamentos juntados às folhas 150153 e foram compilados pela Fiscalização no ANEXO I. Além desses recolhimentos, a fiscalizada tem a seu favor as retenções do imposto de renda na fonte declaradas em DIRF pelos seus clientes, conforme demonstrado nas planilhas juntadas ao Termo N° 3 (fls. 103108). Tanto os recolhimentos espontâneos quanto as retenções na fonte foram computados a favor da contribuinte na apuração dos valores devidos. 4.6. Da conclusão da análise A receita bruta apurada pela fiscalização foi de R$ 229.215,11 em 2006, R$ 244.446,10 em 2007, R$ 312.566,55 em 2008 e R$ 283.016,53 em 2009, totalizando, no período, o montante de R$ 1.069.244,29. Nenhuma receita foi declarada. Nada foi escriturado. E, também, nenhum débito tributário foi confessado. Espontaneamente, a contribuinte recolheu tributos que somaram R$ 10.074,25 em 2007, R$ 15.494,00 em 2008 e R$ 11.751,76 em 2009. Nada foi recolhido espontaneamente em relação ao ano 2006. Por outro lado, a contribuinte sofreu retenções do imposto de renda na fonte de R$ 2.417,53 em 2006, R$ 2.510,81 em 2007, R$ 3.020,73 em 2008 e R$ 2.546,58 em 2009. Toda a receita apurada pela Fiscalização foi omitida pela contribuinte, quer seja em suas declarações à Receita Federal, quer seja em sua escrituração, sujeitandose à tributação de oficio. 0 detalhamento das infrações é apresentado no próximo tópico. 5. DAS INFRAÇÕES FISCAIS 5.1. IRPJ— Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Conforme vimos, a contribuinte deixou de tributar a totalidade da receita auferida. 0 regime de tributação aplicável é o do Lucro Arbitrado, conforme relatado acima em tópico próprio. Os percentuais Fl. 350DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 9 9 aplicáveis na determinação da base de cálculo são os indicados pelo artigo 532 do RIR. Observase que todo o faturamento da contribuinte provém de corretagens (prestação de serviços) cujo percentual de arbitramento é de 38,4%. As alíquotas do imposto aplicáveis sobre a base de cálculo apurada encontramse definidas nos artigos 541 e 542 do mesmo regulamento. No ANEXO III apresentamos o demonstrativo de cálculo do imposto de renda lançado. Os valores retidos na fonte e os recolhidos espontaneamente pela contribuinte foram compensados na apuração dos valores devidos, conforme já relatado. 0 imposto suplementar assim calculado totalizou R$ 10.785,26 em 2006, R$ 6.367,94 em 2007, R$ 8.712,20 em 2008 e R$ 8.738,07 em 2009. A infração relativa ao imposto de renda encontrase indicada no auto sob o titulo “IRPJ SOBRE RECEITAS OMITIDAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (LUCRO ARBITRADO)”. 5.2. CSLL — Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (...) 5.3. PIS — Contribuição para o Plano de Integração Social (...) 5.4. Cofins — Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (...) 6. DAS PENALIDADES As penalidades aplicáveis são as previstas pelo artigo 44 da Lei n° 9.430 de 27/12/1996, com as alterações dadas pela Lei n° 11.488 de 15/06/2007, que assim dispõe: (...) Observemos primeiramente o contido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, mencionados no § 1º, acima transcrito: (...) Observemos agora os seguintes elementos: a) A contribuinte, ao longo do período examinado, auferiu receitas nos montantes de R$ 229.215,11 em 2006, R$ 244.446,10 em 2007, R$ 312.566,55 em 2008 e R$ 283.016,53 em 2009, mas nada declarou à Receita Federal e nada escriturou; Fl. 351DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 10 10 b) Ao ser intimada para apresentar os livros de escrituração, no inicio dos trabalhos, a contribuinte preferiu silenciar. Somente depois da reintimação e do alerta da Fiscalização quanto à possibilidade de agravamento das eventuais multas é que a contribuinte decidiu se pronunciar; c) Ao se pronunciar, a contribuinte declarou simplesmente que não possuía nenhum dos livros obrigatórios exigidos pela legislação e também não demonstrou, em momento algum, interesse em providenciálos; d) Embora regularmente intimada, não apresentou todas as notas fiscais emitidas no período examinado, pois, além das lacunas existentes na numeração, deixou de entregar aquelas relativas ao ano de 2006. Tampouco se preocupou em justificar tal omissão; e) Embora intimada a apresentar o recibo de entrega ou o encaminhamento da DIPJ do anocalendário 2007, nada fez, apenas tergiversou em sua resposta; f) Era também sua obrigação apresentar as DCTFs do período 2006 a 2009, mas nada foi encontrado no banco de dados da Receita Federal, conforme já relatado; e g) Por fim, sem argumentos e sem elementos de prova a seu favor, decidiu concordar com a receita levantada pela Fiscalização com base em informações prestadas por terceiros. Não há como atribuir tais ocorrências a lapsos ou mal entendidos. Notase, pela conduta da contribuinte e pelas provas juntadas aos autos, que a empresa fiscalizada desejou manter longe dos olhos do fisco a totalidade da receita auferida no período. Observese que não estamos nos referindo a uma ocorrência isolada, mas a uma prática reiterada que perpetrou por, pelo menos, quatro anos, que corresponde ao período fiscalizado. 0 elemento vontade, portanto, esteve presente em todo o período em que se deu a conduta delituosa da Fiscalizada. O Código Penal, em seu artigo 18, inciso I, especifica que há dolo “quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo”. A doutrina, por sua vez, ao clarificar o sentido da lei, identificou os elementos componentes do dolo como sendo “consciência da conduta e do resultado, consciência da relação causal objetiva entre a conduta e o resultado e vontade de realizar a conduta e produzir o resultado”. Entendemos que, no presente caso, esses elementos estiveram presentes e objetivaram, ao que tudo indica, reduzir artificialmente os tributos. A conduta da contribuinte, ao apresentar a DIPJ do anocalendário 2006 com seus valores zerados, ao não apresentar a DIPJ de 2007 e ao apresentar as declarações de inativa em relação aos 2008 e 2009, caracterizou, na nossa opinião, uma omissão dolosa tendente a Fl. 352DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 11 11 impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, tal qual descrito pelo artigo 71 da Lei n° 4.502 de 30/11/1964, acima transcrito. A omissão da escrita a que estava obrigada a empresa mostrase compatível com a figura da fraude descrita pelo artigo 72 do mesmo mandamento legal. Face ao exposto, entendemos que a conduta do contribuinte configura, em tese, sonegação e intuito de fraude tipificadas pelos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502 de 1964, não restando à fiscalização outro caminho senão o de aplicar a multa em dobro, em conformidade com o § 1° do artigo 44 da Lei n°9.430, de 27/12/1996. Sobre os tributos calculados com base na receita omitida aplica se, portanto, a multa qualificada de 150%. 0 Conselho de Contribuintes (atual CARF — Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) vem corroborando com esse entendimento conforme decisão proferida em inúmeros julgados, dentre eles os sintetizados pelas ementas abaixo. (...) 7. DOS JUROS DE MORA Os créditos tributários da União não recolhidos no vencimento sujeitamse ao acréscimo de juros de mora estabelecido em lei, assim regulamentado pelo artigo 953 do RIR: (...) 8. DAS DISPOSIÇÕES FINAIS Tendo em vista o enquadramento da conduta no artigo 1°, incisos I e II, e artigo 2°, inciso I, da Lei n° 8.137, de 27/12/1990, a presente ação fiscal deu origem à Representação Fiscal para Fins Penais protocolizada sob nº 10935.000881/201132, conforme determina a Portaria RFB n° 2439, de 21/12/2010. E, para constar e produzir seus efeitos legais, lavramos o presente termo em 2 (duas) vias de igual forma e teor, assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil designado para o procedimento e pela contribuinte ou seu preposto que, neste ato, recebe uma das vias. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 166 a 204, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0635.256, às fls. 221 a 241, a Contribuinte contestou as exigências fiscais com os seguintes argumentos: Da autuação fiscal a. Relata que, conforme todo o exposto no Auto de Infração, em data de 16/11/2010, a empresa recebeu notificação de Início de Procedimento Fiscal, e que o Auditor Fiscal afirmou que o prazo Fl. 353DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 12 12 disponibilizado para entrega dos documentos expirou em data de 23/11/2010 sem que a empresa apresentasse a documentação exigida. Prossegue narrando que nova intimação foi entregue, com prazo até o dia 07/12/2010 e que então nesta data apareceu “um enviado da empresa” na pretensão de entregar os documentos requeridos, os que não foram recepcionados por não estarem na forma devidamente formalizada, o que enfim ocorreu em data de 09/12/2010, com o consentimento do Agente Fiscal; b. Anota que, no dia 12 de dezembro de 2010, nova intimação foi encaminhada à empresa, solicitando esclarecimentos sobre divergências constatadas entre os valores pagos e apurados em DIRF; c. Reclama da velocidade no processamento e confronto de informações declaradas pelo contribuinte em 4 anos, sendo toda a verificação efetuada em 3 dias; e que o Auditor Fiscal, no subitem 4.3 alegou que a empresa tinha sido intimada a entregar a documentação exigida, decidindo ignorar o pedido e que somente após nova intimação, enfim a empresa se posicionou, confessando então sua irregularidade; d. Questiona o modo de classificar o contribuinte, pois claramente apresentase um preconceito próprio formado sobre esta, pois utiliza de todos os meios e palavras para que a empresa seja enquadrada nos termos dos art. 71,72 e 73 da Lei 4502 e assim então dobrando sua penalidade; e. Alega que o próprio Agente Fiscal se contradiz em seu Termo de Verificação Fiscal, pois ao iniciar o relato dos fatos, informa que a empresa foi intimada para prestar esclarecimentos e que após recebida a intimação, assim o fez, porém sem formalização, equívoco este que foi sanado em tempo hábil determinado pelo próprio Auditor Fiscal; f. Entende que ignorar os procedimentos fiscais e seu “modus operandi” não classifica a pessoa jurídica como sonegador ou até mesmo empresa habituada a atos fraudulentos, sendo esta uma opinião pessoal do Sr. Auditor, que não deveria ter explicitado nem ao menos utilizado desta opinião para direcionar os fatos; g. Argumenta que apesar da empresa ter sido intimada em data de 16/11/2010, somente apresentou o que lhe foi requerido em data de 09/12/2010 e o Dossiê Integrado juntados no presente procedimento fiscal é datado em 25/11/2010, ou seja, mesmo antes da apresentação de toda a documentação, o fisco já conhecia a real situação da empresa; h. Esclarece que em momento algum criou barreiras que impossibilitasse o trabalho do fisco e sempre que intimada efetuou resposta, inclusive quando coagida a concordar no TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL, juntado às folhas 103 do processo administrativo, motivo pelo qual discorda da alegação Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 13 13 de ignorar e fazer descaso das intimações emitidas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil; Da aparente quebra do sigilo fiscal i. Entende que toda empresa ou cidadão tem o direito à sua privacidade garantida constitucionalmente, e somente o Poder Judiciário tem o poder de permitir a quebra do sigilo por parte do Fisco, sob pena de menosprezar a função jurisdicional específica cometida ao Poder Judiciário. Com relação a esta necessidade de proteção à privacidade humana, não se pode deixar de considerar o acesso a informação fiscal, mesmo por parte do agente público, pois é correto afirmar que a quebra sigilo fiscal do contribuinte, não pode ser utilizada como instrumento de busca generalizada, sem indícios concretos, para investigar a situação financeira da empresa; j. Afirma que foi utilizado para obtenção dos valores através do lucro arbitrado, DOSSIÊ INTEGRADO, contendo informações a respeito do faturamento da empresa, novamente frisase a data de 15/11/2010 para este documento; k. Cita o art 3° da portaria RFB n° 11.371 de dezembro de 2007, sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil; l. Aponta que o Dossiê apresentado pela Delegacia da Receita Federal que consubstanciou a lavratura do Auto de Infração tratase de uma DILIGÊNCIA; e que, por este fato, irregular o modo de obtenção do documento assim como seu uso para arbitrar a receita, sendo que o procedimento correto para obtenção deste é a expedição de MPFD MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – DILIGENCIA, sendo, portanto, ilegal a forma de obtenção do documento; m. Cita o art 6° da portaria RFB n° 11.371/2007, e assevera que a falta de documento que autoriza a realização de diligências deveria impossibilitar tal procedimento, ainda mais se esta informação foi obtida pelo Agente Fiscal encarregado de produzir provas para a instrução do Auto de Infração; n. Pondera que talvez se justifique a velocidade na obtenção de informações que confrontaram 4 anos de vida fiscal em apenas 3 dias, ficando claro que quando do início do procedimento de fiscalização, a empresa já tinha sido alvo de quebra de sigilo fiscal, procedimento este questionável sobre o aspecto legal; o. Afirma que a documentação trazida aos autos apenas procurou revestirse de legalidade, pois o contribuinte nunca se furtou, apesar da dificuldade de apresentar documentos e esclarecimentos quando solicitados pela autoridade administrativa; Inexigibilidade da Cofins das sociedades civis de profissão regulamentada Fl. 355DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 14 14 p. Alega ser empresa que tem a finalidade de prestar serviços a corretagem de seguros, vida, capitalização e planos previdenciários, sendo sociedade civil constituída exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no Brasil, atividade esta regulamentada pela Lei 4.594 de 29 de dezembro de 1964, conforme contrato social; q. Afirma que vem procedendo aos recolhimentos à título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com base na receita bruta da prestação de serviço; e que, entretanto, a referida cobrança da COFINS, nos moldes do estabelecido pela Lei 9.430/96, demonstrase inconstitucional, tendo em vista que esta lei ordinária revogou isenção que era concedida anteriormente às sociedades civis pela Lei Complementar 70/91, o que ocorreu em clara ofensa ao princípio da hierarquia das leis; r. Explica que a L.C. 70/91, em seu artigo 6º , II, estabelecia a isenção da COFINS para as Sociedades Civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no país; mas que, em 27 de dezembro de 1996, instituiuse a Lei 9.430, que criou uma nova forma de contribuição para estas sociedades civis, vez que revogou a isenção do pagamento da COFINS, conforme dispunha a Lei Complementar 70/91; s. Conclui que a exigência pelo fisco desta contribuição é ilegítima, sendo a revogação aludida manifestamente inconstitucional, requerse a desconstituição integral do presente auto de infração; t. Aponta que o fisco passou a defender a tese de que, a sociedade civil de profissão regulamentada que optasse pelo recolhimento do imposto de renda com base no lucro real (por exemplo), perderia a isenção da COFINS; uma vez que não se enquadraria mais no artigo 1º do Decretolei n° 2.397/87; todavia, olvidou o fisco que a isenção concedida pela Lei Complementar n° 70/91, referiuse não à forma de tributação do imposto de renda sofrida pelas sociedades civis de profissão regulamentada, mas única e exclusivamente a esse tipo de pessoa jurídica (sociedades civis de profissão regulamentada); u. Cita decisão do STJ; v. Sustenta que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, registradas no Registro Civil das Pessoas Jurídicas e constituídas exclusivamente por pessoas físicas domiciliadas no País, como é o caso da impugnante, fazem jus a isenção da COFINS, independentemente do regime de tributação adotado para o recolhimento do imposto de renda; w. Tece comentários acerca da Lei 9.430/96; Fl. 356DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 15 15 x. Cita decisões do STJ, favoravelmente à inconstitucionalidade da revogação proposta pela Lei n° 9.430/96, que regulamentou a exigência da COFINS sobre estas sociedades; y. Conclui ser inconstitucional a revogação da isenção da Cofins pela Lei n° 9.430/96 para as sociedades civis de profissão regulamentada, isto porque esta somente poderia ter sido estabelecida por lei complementar, pleitease o cancelamento do presente auto de infração, de acordo com o entendimento pacificado pelo STJ; Da inconstitucionalidade das modificações de base de cálculo da Cofins introduzidas pela lei 9.718/98 z. Alega que a alteração da base de cálculo introduzida pela Lei 9.718/98 é completamente inconstitucional; a Lei n° 9.718/98 (publicada no dia 28 de novembro de 1998) modificou significativamente a base de cálculo da Cofins (deixou de ser faturamento e passou a ser a totalidade das receitas auferidas); aa. Argumenta que se alterou significativamente a Lei Complementar 70/91, para a qual a base de cálculo do da COFINS era o “faturamento”, entendido este como a receita bruta da pessoa jurídica, decorrente da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza; bb. Assevera que, num primeiro momento, poderseia dizer que não há nenhuma novidade, pois o faturamento já era a base de cálculo da COFINS e, além disso, o Supremo Tribunal Federal há muito já havia equiparado os conceitos de “faturamento” e “receita bruta”, ainda que contabilmente haja diferença entre os dois (RE 150.764, Rei. Min. limar Galvão); ocorre que o parágrafo primeiro do artigo 3º da referida lei, expressamente dispôs que “entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”; cc. Defende que foi criada uma contribuição totalmente nova, a qual passou a incidir não mais sobre o faturamento, mas sobre a totalidade das receitas das pessoas jurídicas; pondera que a Lei 9.718/98 ao mudar a base de cálculo da COFINS, extrapolou os limites fixados pelo artigo 195,1 da Constituição (redação original), que não previa a possibilidade da incidência de contribuição sobre o total de receitas; e que, pouco menos de um mês após a publicação da dicção da Lei 9.718/98, foi editada a Emenda Constitucional n° 20/98, a qual modificou a redação original do artigo 195, I da CF, na parte que se referia ao faturamento, e passou a autorizar a incidência também sobre as receitas; dd. Prossegue sustentando que, a princípio, ficou autorizada a incidência de contribuição sobre as receitas; todavia, evidentemente, a exigência de contribuições sobre receitas só passou a ser possível após a edição Emenda Constitucional n° 20/98. Antes não havia esta previsão legal; se previsão houvesse, Fl. 357DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 16 16 não seria necessária a edição de Emenda Constitucional ampliando a possibilidade de incidência da contribuição, que antes era sobre o faturamento e agora é sobre o faturamento ou a receita; ee. Conclui que, evidentemente, até que venham a ser editadas as leis que irão dispor sobre as contribuições que trata o art. 195 da CF (redação atual), podem ser exigidas as contribuições anteriormente definidas em lei, como é o caso da CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS (Lei 7.689/88); todavia, isso não se aplica às contribuições criadas de forma inconstitucional, como é o caso da contribuição sobre receitas, criada pela Lei 9.718/98, antes da autorização constitucional expressa na Emenda n° 20/98; logo, tendo em vista a inconstitucionalidade da Lei 9.718/98, tendo em vista a ausência de Lei posterior à EC 20/98 criando contribuição sobre todas as receitas, concluise que a COFINS não é devido pela impugnante; ff. Lembra que, até a edição da Emenda Constitucional 20/98, não havia autorização constitucional para a incidência de contribuições sobre receitas (principalmente sobre a totalidade de receitas, como dispôs a Lei 9.718/98); gg. Defende que uma coisa é o "faturamento, outra é a “totalidade das receitas” (como prevê a Lei 9.718/98); cita decisão do STF; e aduz que tudo aquilo que não é decorrente da receita bruta de venda de mercadorias ou de serviços de qualquer natureza, não é faturamento. Conseqüentemente, sobre tais valores não poderiam ser exigidas contribuições (pelo menos não com base no artigo 195,1 redação original); hh. Contesta que a Lei 9.718/98, ao tentar fazer incidir a contribuição sobre a totalidade das receitas, mesmo com as exclusões de que trata o §2° do art. 3°, acabou por alargar o conceito de faturamento para receitas que extrapolam aquelas decorrentes da venda de mercadorias e serviços; ii. Entende que, ainda que pouco menos de um mês após a publicação da Lei 9.718/98 tenha sido editada a EC 20/98, não há como se admitir o fenômeno da recepção, pois este pressupõe que a norma a ser recepcionada pelo no Texto Constitucional novo esteja de acordo com o Texto anterior, o que, como demonstrado, definitivamente não é o caso; Taxa Selic jj. Entende que a taxa SELIC não se presta à utilização como equivalente aos juros moratórios incidentes sobre os débitos de natureza fiscal, seja por que carente de legislação que a institua (contrariando assim o disposto no artigo 161, § Io do CTN) ou ainda, porque sua natureza é de juros remuneratórios e não moratórios, contrariando uma vez mais o dispositivo da Lei Complementar (CTN), norma de hierarquia superior à que traz a taxa SELIC como aplicável aos débitos de natureza fiscal (Lei Ordinária lei 9.065/95); Fl. 358DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 17 17 kk. Faz um histórico demonstrando a inexistência de legislação definidora da taxa Selic; ll. Conclui que não há uma correta definição do SELIC e nem tão pouco traz a lei os critérios para que se chegue à correta fixação do seu percentual. Podendo, em última análise, variar ao “sabor do credor”, o que vem sendo inadmitido pelo STJ; mm. Cita o CTN, Lei Complementar que dispõe que a taxa de juros moratórios será de um por cento ao mês, se a lei não dispuser de forma diversa. Pois bem, a norma do art. 161, § Io do CTN, em tudo coadunava com a do Texto Constitucional. Não há legislação que, pelo menos de forma direta, regulamente a questão da SELIC; no entanto, na remota possibilidade de aceitarse a lei n° 9.065, em seu artigo 13, como a forma supletiva da regulamentação, ainda assim, temos que o texto Constitucional estatui que somente Lei Complementar deverá dispor sobre a regulamentação do sistema financeiro e, dentre estas funções, está a de dispor acerca das taxas de juros. Pois bem, a Lei n° 9.065/95 é lei ordinária, portanto, novamente não se enquadrando, pelo menos formalmente, nas exigências da Carta Magna; nn. Discorre sobre a aplicação de taxa remuneratória como juros moratórios; Multa. Confisco. oo. Insurgese contra a multa aplicada pelo auto de infração, que representa 150% do valor do imposto supostamente devido, sendo nítido o seu caráter confíscatório; pp. Alega que a penalidade aplicada é exagerada, em manifesta ofensa ao princípio constitucional do nãoconfisco, consagrado pela Constituição federal, em seu artigo 5o, XXII, que garante o direito de propriedade; qq. Cita doutrina e jurisprudência; rr. Entende que se a multa houver de ser aplicada, não poderá exceder a 30% (trinta por cento) do valor do imposto devido. Como mencionado, a DRJ Curitiba/PR considerou procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PROVA. DIRF. EXIGÊNCIA DE MPF DILIGÊNCIA. Em lançamento fundado em divergência de receitas informadas em DIRFs e as declaradas, é infundada a alegação de irregularidade na obtenção da prova, por falta de emissão de MPF de diligência, eis que tal procedimento só é necessário para a coleta de dados de interesse da RFB, sendo dispensável quando as informações já estão disponíveis. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 18 18 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. MULTA QUALIFICADA. TRIBUTOS DECLARADOS COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DOLO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A reiterada declaração de tributos apurados com base de cálculo reduzida infere a intenção de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, dos respectivos fatos geradores, caracterizando o dolo de sonegação, e portanto o evidente intuito de fraude que tipifica a multa qualificada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE CONTABILIDADE. OMISSÃO DE RECEITAS. DIRFs. Correto o arbitramento do lucro quando o contribuinte não mantém escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, o que impede a apuração do lucro real, sendo legítima a base de cálculo apurada a partir de informações contidas em DIRFs. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI 9.718/98 PELO STF. CONTROLE DIFUSO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO. Correto lançamento de PIS e da Cofins com base na Lei 9.718/98, objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo STF na via incidental, eis que referido recurso extraordinário é desprovido de efeito erga omnes, em face da inexistência de Resolução do Senado Federal visando a suspender a execução da indigitada lei. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 360DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 19 19 Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 SOCIEDADES CIVILS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS. ISENÇÃO. SÚMULA 276 DO STJ. Não procede a alegação de isenção da Cofins, com fundamento na súmula n° 276 do STJ, que previa expressamente tal benefício, eis que tal verbete foi revogado por aquele tribunal superior. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 06/02/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/03/2012, onde reitera a mesma linha de argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores, acrescentando ainda outras razões: em relação ao tópico referente à quebra do sigilo fiscal, introduz várias considerações sobre o abuso de poder e suas espécies (excesso de poder e desvio de poder); passa também a questionar a não exclusão da CSLL da base de cálculo do IRPJ. Segundo a Recorrente, este fato refletiria diretamente na diferença do IRPJ exigida através do presente auto de infração. Ainda segundo ela, a impossibilidade de se proceder a dedução da referida Contribuição de sua própria base de cálculo, e também da base de cálculo do Imposto de Renda (em virtude das disposições da Lei 9.316/1996) agride os mais elementares princípios constitucionais tributários, e, de forma expressa, afronta o artigo 43 do Código Tributário Nacional e também os artigos 146, inciso III, alínea “a” e 145, § 1º, ambos da Constituição Federal, razão pela qual o presente auto de infração, que exige o recolhimento de IRPJ, deve ser julgado totalmente improcedente; contesta a majoração da base de cálculo da CSLL de 12% para 32%, para os prestadores de serviços optantes pelo lucro presumido; estende todos os argumentos apresentados em relação à COFINS para o PIS, alegando que a LC 07/70 foi revogada pela Lei 9.718/98, e que esta não foi recepcionada pela EC 20/98. Deste modo, não existiria atualmente norma válida impondo a exigência do PIS sobre o faturamento; afirma que, seja com base na LC 07/70, seja com base na Lei 9.718/98, o PIS não poderia ser exigido dos contribuintes até que venha a ser editada Lei dispondo sobre a matéria (contribuição sobre faturamento ou receitas); caso se entenda que as críticas à Lei 9.718/98 não são procedentes, sustenta que ao menos seja garantido o direito de ter recalculado o valor devido à título de PIS, utilizandose a base de cálculo prevista na Lei Complementar 07/70, que era o faturamento mensal da empresa, compreendido como a receita oriunda da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Quaisquer outras receitas deveriam ficar excluídas da incidência da contribuição. conclui que aquilo que não é decorrente da receita bruta de venda de mercadorias ou de serviços de qualquer natureza não é faturamento, e que, conseqüentemente, Fl. 361DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 20 20 sobre tais valores não poderiam ser exigidas contribuições (pelo menos não com base no art. 195, I, da CF/1988, em sua redação original). Este é o Relatório. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 21 21 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento para a exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), fundado em omissão de receitas nos anoscalendário de 2006 a 2009. Houve arbitramento do lucro para apuração de IRPJ e CSLL. O Termo de Verificação Fiscal, às fls. 60 a 67, apresenta todo o histórico da fiscalização, explicitando minuciosamente os fatos que motivaram a autuação e a aplicação da multa qualificada de 150%. No exame das alegações contidas no recurso, seguiremos a seqüência de seus tópicos. PRELIMINAR DE QUEBRA DE SIGILO FISCAL Apesar da extensa argumentação relativamente à utilização das informações fiscais que são prestadas pelos Contribuintes nas diversas declarações que são apresentadas ao Fisco, as alegações da defesa são completamente inapropriadas para o caso em questão. Vêse que as receitas auferidas pela autuada, e confirmadas por ela, foram identificadas a partir das DIRF entregues pelos seus clientes (fontes pagadoras), onde constavam os valores pagos por estas empresas e as retenções efetuadas anualmente. Não há qualquer sentido em sustentar que a utilização destas informações pela equipe encarregada do planejamento e da programação da ação fiscal, ou pelo serviço de Fiscalização, deveria ser precedida de MPF Diligência. Pior ainda é sugerir que esta utilização deveria ser precedida de autorização judicial. Não há Sigilo Fiscal para a própria Administração Tributária. Basta ver que as decisões citadas no recurso, ao tratarem de casos envolvendo a quebra do sigilo fiscal, mencionam o problema do fornecimento das informações fiscais a outros órgãos da Administração Pública, ao Ministério Público, etc., mas não do uso destas informações pela própria Receita Federal. Também não faria qualquer sentido a lei estabelecer obrigações fiscais acessórias (entrega de declarações) e os setores internos da Administração Tributária não poderem utilizar as informações contidas nestas declarações para o planejamento das ações fiscais, para a formação de dossiês internos, para motivar a abertura de fiscalizações, para a instrução processual, etc. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 22 22 No caso concreto, o início da fiscalização foi precedido da emissão do MPF nº 09.1.03.002010010252, cujo código para acesso na página da Receita Federal na internet estava devidamente indicado no Termo de Início de Procedimento Fiscal, às fls. 89. O fato de a Administração Tributária já dispor das informações prestadas pelas fontes pagadoras, relativamente à autuada, antes mesmo do início do procedimento fiscal não evidencia nenhuma anormalidade ou qualquer outro tipo de problema. As DIRF e todas as demais obrigações acessórias foram instituídas justamente para essa finalidade, ou seja, para que o Fisco tome conhecimento de informações a respeito dos contribuintes antes de serem iniciados os procedimentos de fiscalização. A preliminar, portanto, merece ser rejeitada. DADOS OMITIDOS POR DIRF's RECEITAS DA ATIVIDADE Neste tópico, a Contribuinte informa que foi intimada em 16/11/2010, que somente apresentou o que lhe foi requerido em 09/12/2010, que o Dossiê Integrado juntado no presente procedimento fiscal é datado de 25/11/2010, e que, portanto, mesmo antes da apresentação de toda a documentação, o Fisco já conhecia a real situação da empresa. Afirma também que restou demonstrada a voracidade para a condenação do fiscalizado pelo órgão fiscalizador, pois os argumentos para levantamento dos valores se mostravam de fato viciados, e que a falta de motivação legal, assim como a opressão desnecessária, foram objetos para os relatos préconceituados do agente fiscalizador que motivam e justificam o ato de fiscalização, assim como a imposição de multas expropriatória por parte do Estado. No tópico anterior, já frisamos que não há qualquer problema no fato de a Administração Tributária conhecer “a real situação da empresa” por meio das DIRF apresentadas pelos seus clientes. Além disso, a própria Contribuinte declarou para a Fiscalização que estava de acordo com os relatórios de faturamento de posse da Receita Federal, e que ficaria no aguardo da apuração dos impostos. Deste modo, não vislumbro qualquer vício no levantamento das receitas auferidas no período autuado, e nem qualquer erro na apuração dos tributos que estão sendo exigidos da Contribuinte. Nesse sentido, registro ainda que apesar de nenhuma receita ter sido declarada, de nada ter sido escriturado pela Contribuinte, e também de nenhum débito ter sido por ela confessado, a Fiscalização computou na apuração dos valores devidos tanto os recolhimentos que encontrou nos sistemas da Receita Federal, quanto as retenções informadas pelas fontes pagadoras. Não há, portanto, nenhum problema relativo à obtenção das informações que embasam as autuações, e tampouco em relação ao seu conteúdo Fl. 364DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 23 23 DA TOTAL IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO POR NÃO EXCLUIR O VALOR DA CSLL DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA Conforme esclarece o Termo de Verificação Fiscal, a Contribuinte ou efetuou recolhimentos que indicavam a opção pelo Lucro Presumido (2007, 2008, 2009), ou indicou esta opção na DIPJ (2006). Em razão da falta de apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou do Livro Caixa, a apuração do IRPJ e da CSLL foi realizada por meio do Lucro Arbitrado. Nestes termos, as críticas à norma introduzida pela Lei 9.316/1996, que não mais permitiu que se excluísse a CSLL da base de cálculo do IRPJ está totalmente fora de contexto. Com efeito, tanto no Lucro Presumido, quanto no Lucro Arbitrado, a apuração do IRPJ e da CSLL se dá mediante a aplicação de coeficientes legais sobre as receitas auferidas, em substituição à dedução de custos e despesas, o que somente ocorre na apuração do Lucro Real. Portanto, independentemente da posição que se tenha sobre a Lei 9.316/1996, não há no caso destes autos margem para qualquer discussão sobre dedução de CSLL na base de cálculo do IRPJ. DA MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL DE 12% PARA 32% PARA OS PRESTADORES DE SERVIÇOS OPTANTES PELO LUCRO PRESUMIDO A Recorrente também critica a Lei 10.684/2003, por ter majorado a base de cálculo da CSLL de 12% para 32% da sua receita bruta. Nesse caso, a lei simplesmente passou a aplicar para a CSLL o mesmo coeficiente que utilizava para o IRPJ. O fato é que não havia sentido presumir o lucro para a apuração do IRPJ com o coeficiente de 32%, e presumir o lucro para a CSLL com 12%. O coeficiente legal de 32% para a CSLL vem sendo normalmente aplicado, sem maiores problemas, e a Recorrente não trouxe qualquer argumento que justificasse a não aplicação deste coeficiente para o seu caso específico. DA INEXIGIBILIDADE DA COFINS/PIS E DA INCONSTITUCIONALI DADE DAS MODIFICAÇÕES DE BASE DE CÁLCULO INTRODUZIDAS PELA LEI 9.718/98 Primeiramente, a Contribuinte questiona o fato de a Lei 9.430/1996 ter revogado a isenção da COFINS que era concedida pela Lei Complementar 70/91 às sociedades civis de profissão regulamentada, alegando que teríamos aí uma clara ofensa ao princípio da hierarquia das leis. Em relação a esse tópico, a decisão recorrida já esclareceu que toda a argumentação da Recorrente está baseada em entendimento já superado pelo STJ: Fl. 365DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 24 24 25. Essa discussão jurídica tinha como pano de fundo as divergências que havia, entre o STF e o STJ, relativamente à existência ou não de hierarquia entre a lei complementar e a lei ordinária. (...) 26. A posição da Suprema Corte foi definida no julgamento da ADC n° 1/DF, quando restou decidido que a criação da Cofins é matéria de lei ordinária, e que a lei que a instituiu, inobstante ser formalmente complementar, é materialmente ordinária, não se exigindo para sua alteração, o quorum qualificado. O STJ caminhou na direção contrária, e para firmar sua jurisprudência editou a Súmula n° 276: “As sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado”. 27. No entanto, em sessão realizada em 12/11/2008, o STJ resolveu cancelar a súmula 276, passando a adotar a tese do STF, conforme ementa abaixo transcrita. CANCELAMENTO. SÚM. N. 276STJ. A Seção adotou o entendimento de que a revogação, por lei ordinária, da isenção do recolhimento da Cofins concedida pela Lei Complementar n. 70/1991 não afronta o princípio da hierarquia das leis. A referida LC, apesar de seu caráter formalmente complementar, tratou de matéria não submetida à reserva constitucional de lei complementar, a permitir, daí, que mudanças no texto daquele diploma legal pudessem ser introduzidas por meio de simples leis ordinárias. Assim, a Seção julgou procedente a ação rescisória e, em questão de ordem, anulou o enunciado n. 276 da Súmula deste Superior Tribunal: as sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado. AR 3.761PR, Rel. Min. Eliana Calmon, julgada em 12/11/2008. Prevaleceu, portanto, o entendimento do Supremo Tribunal Federal, no sentido de que a criação da Cofins é matéria de lei ordinária, e que a lei que a instituiu, inobstante ser formalmente complementar, é materialmente ordinária, não se exigindo para sua alteração, o quorum qualificado. Deste modo, as sociedades civis de profissão regulamentada também estão sujeitas à incidência da COFINS. Numa outra linha de argumentação, a Recorrente contesta a validade da própria Lei 9.718/1998, afirmando que, por mais este motivo, também não estaria sujeita à exigência da COFINS, e, nesse caso, as mesmas alegações se aplicariam ao PIS. Para o caso de ser mantida a incidência destas contribuições, a Contribuinte argumenta que, ao menos, elas deveriam incidir somente sobre o seu faturamento, e não sobre as “demais receitas”. Quanto a estas questões, cabe registrar que não procede o argumento sobre o total afastamento da Lei 9.718/1998. Ao analisar a matéria, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da referida lei, entendo que este Fl. 366DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 25 25 dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original (RE nº 390.840/MG, decidido na sessão plenária de 09/11/2005). Portanto, nada justifica o afastamento total da Lei 9.718/1998, até porque o tribunal competente para isso não o fez, e não caberia a este órgão administrativo fazêlo. E mesmo a decisão do STF sobre a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das referidas contribuições não se aplica ao caso sob exame, simplesmente porque não houve exigência de PIS e COFINS sobre “demais receitas”. Todos os Relatórios e Demonstrativos para apuração da base de cálculo, especialmente os de fls. 104 a 107, indicam claramente que a receita apurada pela Fiscalização é decorrente da atividade operacional da empresa (prestação de serviços de corretagem), obtida junto às companhias seguradoras. Portanto, também nesse caso, a argumentação está fora de contexto, eis que não houve exigência de PIS e COFINS sobre a base de cálculo ampliada, abrangendo receitas financeiras, outras receitas operacionais, etc. A autuação se deu apenas sobre as receitas normais da empresa, obtidas pelo exercício do seu objeto social, o que torna inócua a linha de defesa adotada. DA MULTA COM CARÁTER CONFISCATÓRIO DA IMPOSSIBILIDADE DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC COMO JUROS MORATÓRIOS DE CRÉDITOS FISCAIS Finalmente, no que toca à alegação da Recorrente sobre a desproporcionalidade e o efeito de confisco da multa de ofício, cujo acolhimento implicaria no afastamento de norma legal vigente (inciso I e § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96), por suposta inconstitucionalidade, cabe mais uma vez ressaltar que falece aos órgãos de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. Oportuno lembrar que apenas de modo excepcional, havendo prévia decisão por parte do Supremo Tribunal Federal, e cumpridos os requisitos do Decreto nº 2.346/97 ou do art. 103A da Constituição, o que não ocorre no presente caso, é que a Administração Pública deixaria de aplicar a norma legal. O mesmo se pode dizer da aplicação da taxa “Selic”. Não compete a esse órgão administrativo de julgamento afastar a aplicação de norma legal em pleno vigor. O art. 161 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, estabelece que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora..., e no seu parágrafo primeiro determina que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Portanto, a taxa de juros de mora a ser exigida sobre os débitos fiscais de qualquer natureza para com a Fazenda Pública pode ser definida em percentual diferente de 1%. Basta que uma lei ordinária assim determine. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 26 26 Neste contexto, o artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim dispõe: Artigo 61 – Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria de Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. E o § 3º do art. 5º da Lei nº 9.430/1996, por sua vez, estabelece que: § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Portanto, incumbe a esse órgão julgador cumprir a norma legal que se encontra em pleno vigor, aplicandoa às situações concretamente verificadas, não lhe cabendo a apreciação da alegada inconstitucionalidade ou ilegalidade da taxa SELIC. Apenas vale frisar que essa mesma taxa de juros é garantida aos contribuintes nos casos de restituição de indébitos. O tratamento, portanto, é isonômico, ou seja, tanto vale para a cobrança, quanto para a devolução de valores, o que reforça a justeza de sua aplicação. Registro ainda que tanto a apreciação de inconstitucionalidade de lei, quanto o cabimento da aplicação dos juros Selic configuram matérias já sumuladas no âmbito deste órgão: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10935.000880/201198 Acórdão n.º 180201.243 S1TE02 Fl. 27 27 Diante do exposto, rejeito a preliminar suscitada, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 369DF CARF MF Impresso em 26/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 23/06/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000865/2006-09
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ITR - ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - PRAZO PARA APRESENTAÇÃO.
O artigo 17-O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não fixou prazo para apresentação do ADA, o qual esteve previsto em Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal. No entanto, a partir do advento da Instrução Normativa SRF n° 659, de 11 de junho de 2006, inexiste prazo na legislação tributária para apresentação do ADA. Assim, inclusive em razão do artigo 106 do CTN, as novas normas infralegais de regência aplicam-se retroativamente, de modo que o ADA apresentado pelo contribuinte, ainda que intempestivamente, deve ser considerado válido para fins de comprovação da área de preservação permanente informada na DITR.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE.
Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, é necessária sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Hipótese em que a averbação não foi efetuada.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.237
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o
voto vencedor o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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O artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, não fixou prazo para apresentação do ADA, o qual esteve previsto em Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal. No entanto, a partir do advento da Instrução Normativa SRF n° 659, de 11 de junho de 2006, inexiste prazo na legislação tributária para apresentação do ADA. Assim, inclusive em razão do artigo 106 do CTN, as novas normas infralegais de regência aplicamse retroativamente, de modo que o ADA apresentado pelo contribuinte, ainda que intempestivamente, deve ser considerado válido para fins de comprovação da área de preservação permanente informada na DITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NECESSIDADE. Para ser possível a dedução da área de reserva legal da base de cálculo do ITR, é necessária sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Hipótese em que a averbação não foi efetuada. Recurso especial provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), Fl. 222DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000865/200609 Acórdão n.º 920202.237 CSRFT2 Fl. 203 2 Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire e Otacílio Dantas Cartaxo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – RedatorDesignado EDITADO EM: 14/08/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000865/200609 Acórdão n.º 920202.237 CSRFT2 Fl. 204 3 Relatório O Acórdão nº 280100.483, da 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 159 a 163v), julgado na sessão plenária de 11 de maio de 2010, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, considerando necessária a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA para dedução das áreas de preservação permanente e de reserva legal, e a averbação tempestiva para dedução das áreas de reserva legal da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR no exercício de 2001. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2001 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer uma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMUNICAÇÃO AO ÓRGÃO DE FISCALIZAÇÃO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. A partir do exercício de 2001, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, por expressa previsão legal, em se tratando de áreas de preservação permanente e utilização limitada, é indispensável que se comprove que houve a comunicação, tempestivamente, ao órgão de fiscalização ambiental, por meio de documento hábil. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. As áreas de reserva legal, para fins de redução no cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, devem estar averbadas no Registro de Imóveis competente até a data de ocorrência do fato gerador. ÁREA UTILIZADA. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PROVA. Incabível considerar como área utilizada na exploração extrativa aquela que veio desacompanhada de elemento hábil de prova da efetividade do uso declarado. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Cientificado dessa decisão, o contribuinte manejou recurso especial de divergência (fls. 169 a 188), onde defende não ser necessária a apresentação de ADA para a Fl. 224DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000865/200609 Acórdão n.º 920202.237 CSRFT2 Fl. 205 4 dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR, nem de averbação tempestiva da área de reserva legal na matrícula do imóvel para ser possível a exclusão das áreas de reserva legal. Para as matérias em discussão, o recorrente apresentou os seguintes paradigmas: Acórdão no30334.668 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 Ementa: ITR/2001. LAUDO TÉCNICO COMPETENTE. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. A vigente Lei 9.393/96, com a nova redação posterior à Lei 10.165/2000, deve ser interpretada em conjunto com o Código Florestal, de forma sistemática e teleológica, e não autoriza a exigência prévia de protocolo de requerimento de ADA para fins de isenção do ITR. O lançamento pretendeu glosar áreas de interesse ambiental legalmente isentas do ITR, apresentando como única motivação o requerimento intempestivo de ADA ao IBAMA, em contrariedade ao prazo definido arbitrariamente em IN SRF, porém, tratase de exigência sem qualquer fundamento legal. Os laudos técnicos elaborados por engenheiros agrônomos constituem prova suficiente da existência de área de preservação permanente pelo só efeito do art.2° da Lei 4.771/65, e da área de reserva legal definida no código florestal. O lançamento é improcedente. (...) Acórdão no CSRF/0305.494 (...) ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. A obrigatoriedade de averbação, nos termos do parágrafo 8° do art. 16 da Lei 4.771/65 (Código Florestal), tem a finalidade de resguardar, distinta do aspecto tributário: a segurança ambiental, a conservação do estado das áreas na hipótese de transmissão de qualquer título, para que se confirme, civil e penalmente, a responsabilidade futura de terceiros eventuais adquirentes do imóvel, a qualquer título, mediante a assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental competente. A exigência da averbação como précondição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na Lei ambiental. O § 7° do art. 10 da Lei n° 9.939/96 determina literalmente a não obrigatoriedade de prévia comprovação da declaração por parte do declarante, ficando, todavia, responsável pelo pagamento do imposto correspondente, acrescido de juros e Fl. 225DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000865/200609 Acórdão n.º 920202.237 CSRFT2 Fl. 206 5 multa, previstos nesta Lei, caso fique comprovado posteriormente que sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (...) O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 191 a 192v. Devidamente cientificada do recurso (192v), a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fl. 195 a 201), onde pugna pela manutenção do decidido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão trata da necessidade de (a) apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental – ADA para se permitir a dedução de áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR no exercício de 2001, bem como de (b) averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel até a ocorrência do fato gerador para o mesmo propósito. No caso concreto, o ADA foi protocolizado em 31/03/2006 (fl. 78), após o início da fiscalização, que se deu em 24/02/2006 (fls. 5 e verso), e a área de reserva legal não foi averbada no registro de imóveis. O contribuinte também não apresentou laudo técnico que comprovasse a existência das áreas, alegando que o imóvel estava invadido, o que impossibilitava a produção dos documentos solicitados. Particularmente, entendo que, para fins de dedução da base de cálculo do ITR, a área de reserva legal deve estar averbada às margens da inscrição do registro de imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Isso porque o art. 10, §1º, inciso II, alínea “a”, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, permite a exclusão, da área tributável do ITR, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. E a Lei nº 4.771, de 1965, em seu art. 16, §8o, na redação vigente por ocasião da ocorrência do fato gerador, determinava que a reserva legal deveria ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas naquela lei. Assim, entendo que a averbação na matrícula do imóvel é ato constitutivo da área de reserva legal, sendo somente possível se admitir sua dedução da base de cálculo do ITR após essa data. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000865/200609 Acórdão n.º 920202.237 CSRFT2 Fl. 207 6 Não estando averbada a área de reserva legal, esta não pode ser deduzida da base de cálculo do ITR. Já quanto ao Ato Declaratório Ambiental, há que se esclarecer que sua apresentação passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Anteriormente, o mesmo dispositivo legal dizia que o ADA era opcional. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. A legislação vigente à época do fato gerador, a Instrução Normativa SRF nº 073, de 18 de julho de 2000, em seu art. 17, inciso III , determinava a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR DITR. A DITR do exercício de 2001 deveria ser entregue até o dia 28 de setembro de 2001, conforme dispunha o art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 61, de 6 de Junho de 2001. Assim, o ADA relativo ao exercício de 2001 poderia ser entregue até o dia 29 de março de 2004. Como, no presente caso, ele foi apresentado apenas em 31 de março de 2006, há que se reconhecer sua intempestividade. Não há dúvidas de que a intenção do legislador, ao exigir a apresentação de ADA, era a de obrigar o beneficiário da dedução tributária a informar ao órgão responsável a existência de área protegida, para que esse pudesse, quando possível, verificar a consistência da informação, e assim confirmar a pertinência da redução do tributo devido. Entretanto, como a lei não fixou prazo para apresentação do documento, a jurisprudência da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais passou a admitir sua apresentação até o início da ação fiscal. Vejase, como exemplo, a seguinte decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR, LAUDO PERICIAL E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de áreas de reserva legal e preservação permanente, devidamente comprovadas mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador (reserva legal) e Laudo Pericial do próprio IBAMA, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludidas áreas, glosadas pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000865/200609 Acórdão n.º 920202.237 CSRFT2 Fl. 208 7 ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 9202 01.843, sessão de 26/10/2011, Relator Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira) De início, pareciame necessária a apresentação do ADA no prazo previsto na legislação tributária, que eu julgava ter a competência para determinar a data para cumprimento de obrigação prevista em lei. Entretanto, em homenagem ao entendimento dominante da Turma, passei a admitir a apresentação intempestiva do ADA, desde que antes do início da ação fiscal. Isso porque, até essa data, seria possível ao órgão ambiental começar espontaneamente procedimento de verificação das informações. Contudo, no presente processo, o ADA foi apresentado apenas em 31/03/2006 (fl. 78), tendo a fiscalização se iniciado em 24/02/2006 (fls. 5 e verso). Não suprida a obrigação de apresentação de ADA, impossível admitir a dedução das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR. Recordese que a existência dessas áreas também não foi comprovada por meio de laudo técnico. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 228DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000865/200609 Acórdão n.º 920202.237 CSRFT2 Fl. 209 8 Voto Vencedor Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Designado Não obstante a respeitável posição defendida pelo Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Relator), a qual foi seguida pelos Conselheiros Marcelo Oliveira, Elias Sampaio Freire e Otacílio Dantas Cartaxo, ousei divergir, pois tenho entendimento diverso com relação à necessidade de apresentação do ADA até o início da ação fiscal para exclusão da base de cálculo do ITR da área de preservação permanente. Esclareço, de início, que concordo com o Relator quanto à manutenção da glosa da área de utilização limitada, pois ela não está averbada. Pois bem, em momento anterior à alteração promovida no artigo 17O da Lei n° 6.938/81 pela Lei n° 10.165, de 27/12/2000, apenas Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal veiculavam a obrigação para apresentação do ADA. A ausência de amparo legal para a exigência do ADA, quanto a fatos ocorridos até o exercício 2000, deu origem ao Enunciado CARF n° 41, que tem o seguinte conteúdo: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000”. No entanto, o caso em apreço está relacionado ao exercício 2001. A Súmula, então, é inaplicável à espécie. Para fatos ocorridos a partir do exercício 2001, inclusive, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei 10.165/2000, passou a prever que: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) § 1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) É fácil perceber que a lei não fixou prazo para apresentação do ADA. Tal prazo esteve previsto em Instruções Normativas da Receita Federal. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000865/200609 Acórdão n.º 920202.237 CSRFT2 Fl. 210 9 No entanto, a partir do advento da Instrução Normativa SRF n° 659, de 11 de junho de 2006, inexiste prazo na legislação tributária para apresentação do ADA. O artigo 10 desta Instrução Normativa estabelece o seguinte: Art. 10. Para fins de apuração do ITR, o contribuinte deve apresentar ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) o Ato Declaratório Ambiental (ADA) a que se refere o art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, observada a legislação pertinente. Esta regra foi reproduzida nas Instruções Normativas editadas em anos posteriores (Instruções Normativas RFB nos 746/2007, 857/2008, 959/2009, 1.058/2010, 1.166/2011 e 1.279/2012). Portanto, considerando que a partir do exercício 2006 nem sequer as Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil estabelecem prazo para apresentação do ADA, as novas normas infralegais de regência aplicamse retroativamente, por força do artigo 106 do Código Tributário Nacional – CTN, de modo que o ADA apresentado em 31/03/2006 (embora após o início da ação fiscal, que se deu 24/02/2006) deve ser considerado válido para fins de comprovação da área de preservação permanente informada pelo contribuinte na DITR/2001. Este entendimento está se consolidando no âmbito da Segunda Turma da CSRF, conforme ilustra a ementa do acórdão n° 920202.011, proferido em 20/03/2012, Relator o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXERCÍCIO POSTERIOR A 2001. COMPROVAÇÃO VIA AVERBAÇÃO ANTERIOR AO FATO GERADOR E ADA INTEMPESTIVO. VALIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. Tratandose de área de reserva legal, devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, notadamente averbação à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, ainda que apresentado ADA intempestivo, impõese o reconhecimento de aludida área, glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar, em observância ao princípio da verdade material. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. TEMPESTIVIDADE. INEXIGÊNCIA NA LEGISLAÇÃO HODIERNA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Inexistindo na Lei n° 10.165/2000, que alterou o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, exigência à observância de qualquer prazo para requerimento do ADA, não se pode cogitar em impor como Fl. 230DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000865/200609 Acórdão n.º 920202.237 CSRFT2 Fl. 211 10 condição à isenção sob análise a data de sua requisição/apresentação, sobretudo quando se constata que fora requerido anteriormente ao início da ação fiscal. Recurso especial negado. No voto condutor deste julgado, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira consignou o seguinte: No entanto, a jurisprudência deste Colegiado vem firmando o entendimento de que, após a alteração introduzida pela Lei n° 10.165/2000, em que pese à legislação de regência impor a existência do ADA, para fins de fruição do benefício fiscal em comento, em momento algum se reportou ao prazo para tanto. Neste sentido, vários são os julgados que vem acolhendo a pretensão do contribuinte, reconhecendo a isenção de tais áreas, ainda que apresentado ADA intempestivo, como se vislumbra na hipótese dos autos. A corroborar este entendimento, ressaltase que a Instrução Normativa SRF n° 659, de 11/07/2006, não faz qualquer referência a prazo para requisição do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, somente exigindo a apresentação de referido documento, ao contrário do estipulado nas Instruções Normativas SRF nºs 43/1997 e 67/1997, as quais prescreviam o prazo de 06 (Seis) meses, contados da data da entrega da DITR, para protocolização do requerimento do ADA. Assim, inobstante Instruções Normativas não vincularem este Órgão, tratandose de legislação mais recente impõese a sua observância, inclusive para fatos geradores pretéritos, com arrimo no artigo 106 do Códex Tributário, reforçando a tese em favor do contribuinte, que apresentou ADA, às fls. 63, contemplando a área objeto da demanda, ainda que intempestivamente, datado de 17/08/2006 (posterior ao início da ação fiscal). Por sua vez, o que torna ainda mais digno de realce relativamente a área de reserva legal, é que o contribuinte trouxe à baila documentos comprobatórios de sua existência, dando conta inclusive que a averbação fora procedida anteriormente ao fato gerador do tributo, em 30/06/2000, como se contata da Certidão da Matrícula do Imóvel, às fls. 62. Sob minha ótica, ainda que a apresentação do ADA tenha ocorrido em 31/03/2006 e a discussão esteja relacionada ao exercício 2001, não pode ser mantida a glosa da área de preservação permanente. Nesse sentido, a decisão recorrida não pode ser integralmente confirmada. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GONCALO BONET ALLAGE Processo nº 10240.000865/200609 Acórdão n.º 920202.237 CSRFT2 Fl. 212 11 Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, para restabelecer a dedução da área de preservação permanente informada na DITR/2001. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 232DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/09/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GONCALO BONET ALLAGE
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